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trabalho da Unimed-Rio, contou um fator interessante do case do hospital paulistano. “Concordo que temos de nos preparar para o selo que estamos buscando, mas com a gente aconteceu uma surpresa: pensamos e trabalhamos para pegar o prata, mas, ao fim do processo, alcançamos o nível ouro”. Entre as ações, o executivo destaca um programa de reciclagem que evitou que 75% do entulho fosse para um aterro sanitário, além de grandes espaços verdes para o conforto da comunidade do entorno. Passou também por alguns pontos já comentados no case da Unimed – sobre o bicicletário, por exemplo, o Einstein criou até uma mini rodoviária para a entrada e saída de ônibus fretados. “É um processo muito complexo e você precisa de profissionais certificados pelo Green Build Concil, até porque o LEED passa por revisões periódicas”, acrescenta Kuramoto. Responsável por abrir a discussão sobre edifícios mais saudáveis, o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar, Fábio Bitencourt, ainda pontuou: “o mais importante é que nossos prédios e hospitais não causem dano nenhum para o paciente. E o conforto ambiental, com os componentes culturais e subjetivos, virou conforto humano. A qualidade do ar, por exemplo, é uma das grandes preocupações do século 21 e tem de estar na pauta”. MercúriO A discussão no evento também dedicou espaço para o debate sobre a iniciativa “Saúde Sem Mercúrio”, da Organização Mundial da Saúde (OMS). A coordenadora para a América Latina da organização Saúde Sem Dano, Veronica Odriozola, explanou sobre o atual momento do tema. “O desafio agora é um instrumento global a ser lançado em outubro e assinado por 140 países, inclusive o Brasil, para determinar a proibição da produção, importação e venda de termômetros e esfignomanômetros

Foto: Divulgação

Hospital Unimed-Rio: Principal desafio é escolher o certificado e o nível do Leed

O desafio agora é determinar a proibição da produção, importação e venda de termômetros e esfignomanômetros com mercúrio até 2020 Veronica, da Saúde Sem Dano (aparelho de pressão) com mercúrio até 2020”. Segundo ela, o convênio também diz que essa data pode se estender por cinco anos e, depois, os países que desejarem podem pedir ainda mais cinco. “Queremos junto à OMS fortalecer a ideia de que os países não precisam esperar até 2030, não há razão para demorar tanto assim. Não é um problema econômico, não tem um porquê para seguir contaminando o meio ambiente”. A especialista ainda apresentou exemplos de iniciativas pelo mundo – em São Paulo, uma resolução em 2010 proibiu a compra dos equipamentos com mercúrio pela Secretaria Estadual de Saúde, enquanto a União Europeia vetou os termômetros em 2008 (em 2014 cai o estignomanômetro), por exemplo. “Nosso interesse é que o governo brasileiro dite uma política para todos os hospitais passarem a usar dispositivos alternativos. A resposta deles é que seria possível em estados mais ricos, mas mais difícil nos mais pobres”, acrescentou Veronica. Um case apresentado foi o do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. O local passou a gerenciar os resíduos em 2007, entrou de cabeça nas legislações do setor e, sobre o mercúrio, retiraram todos

os dispositivos da instituição que levavam o elemento – o uso médio por lá é de 1200 termômetros por ano. “É um dos pontos do nosso plano que leva uma enfermeira todas as manhãs passando informações para todos os pacientes e acompanhantes, ensinando, por exemplo, como descartar cada tipo de resíduo. E já tivemos caso de paciente reclamar de médico que não usou o recipiente correto”, contou a coordenadora do Departamento de Radiologia e Imagenologia do Clínicas, Soraya Coelho Meira. Já a enfermeira do trabalho do Hospital Infantil Albert Sabin, em Recife, Morgana Gomes Silva, falou sobre as dificuldade deste processo de reformulação do modo de operação de um centro médico. “Levamos essas ideias [plano de tornar o hospital mais saudável] em abril para gestores, em maio para colaboradores e agora, em agosto, para pacientes. Mas é difícil a absorção disso pelos diretores, até pelo problema do custo que isso envolve”, afirmou, dizendo ainda que já foram substituídos os termômetros e sefignomanômetros com mercúrio e agora o hospital deu início a um projeto de troca de lâmpadas por equipamentos mais econômicos.

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revista Médica

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