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VG, sobre o modelo inovador de Aravind: “Por que não fazer cirurgias como uma linha de montagem?”

Foto: Divulgação

E foi. Com o claro objetivo de eliminar a cegueira curável para os que podem e os que não podem pagar, o Sistema Oftalmológico Aravind, localizado no sul da Índia, passou de uma clínica com 11 leitos, em 1976, para a maior e mais produtiva organização mundial de tratamento e prevenção da cegueira da atualidade, com um total de 1.204 leitos. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 39 milhões de pessoas no mundo são cegas, e que 80% dos casos poderiam ser evitados – estes denominados como “cegueira desnecessária”. A Índia, ocupante da 136° posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), possui cerca de 12 milhões de cegos. Aravind, uma organização sem fins lucrativos de Madurai, uma das cidades mais antigas do sul do país, lar de 1 milhão de pessoas, arrancou a etiqueta de preço da cirurgia de restauração da visão, tratando mais de um terço de seus pacientes de graça. Enquanto nos Estados Unidos (EUA) uma cirurgia de catarata custa cerca de US$ 4 mil, o preço intermediário (são vários pacotes oferecidos e este é um dos mais escolhidos) na entidade para quem opta pagar é de R$ 110, segundo VG. Outro aspecto paradoxal é o fato de não existir critério de qualificação para quem está, ou não, apto a pagar. “É por autoescolha. As pessoas não trapaçam. Se você pode pagar, você paga. Se não pode, não paga”, enfatiza VG. Para o professor, o sucesso de Aravind está calcado na qualidade de ser frugal para a inclusão de todos. “O motivador não é o dinheiro, e sim a cura. Os olhos de todos [dos que podem e dos que não podem pagar] são igualmente importantes”, diz, lembrando que a rede é superavitária e possui, em média, uma margem bruta de 35%. Como? Os resultados impressionam e já atraíram a atenção de diversas personalidades como, por exemplo, Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, o ícone da administração Peter Drucker e uma da principais defensoras americanas da reforma da assistência médica nos EUA, Regina Herzlinger. Por trás dos números diários como 850 mil cirurgias, 7,5 mil visitas ambulatoriais, 500 a 600 consultas de telemedicina, 7 mil lentes intraoculares produzidas e aulas para 100 médicos, 300 profissionais e administradores, esteve um homem cuja mentalidade pode ser traduzida na seguinte frase: “Colocar-se a serviço de outros é servir a si mesmo. Nossas limitações não nos definem. E, incrustadas no espírito humano, estão uma sabedoria e uma força que podem se elevar para atingir maiores desafios. Juntos, podemos iluminar os olhos de milhões”. Através dessa certeza que o cirurgião Govindappa Venkataswamy, mais conhecido como Dr. V, construiu Aravind e seu legado que, hoje, é estudado todos os anos por aproximadamente 900 alunos que passam pelo programa de MBA de Harvard. O lema alto volume, alta qualidade e custo acessível foi comparado à lógica do McDonald´s pelo próprio Dr. V, defensor do poder da padronização e acessibilidade em escala. O modelo

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Fh 215  

revista Médica

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