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São Luís, 12 e 13 de setembro de 2020. Sábado/ Domingo O Estado do Maranhão
ALTERNATIVO
Entrevista Alex Brasil
Alex Brasil: uma história de poesia e humanidade Divulgação
Poeta e publicitário faz da escrita um sacerdócio e conta que desde a infância, sempre desejou escrever poesia de Alex Brasil há muito tempo vem traçando seu lugar no cenário maranhense. Uma poesia pautada no homem, no ser ontológico, suas causas sociais, suas reverberações, suas queixas por dignidade. Um contexto amplo que resulta em versos de profundidade e que seduzem o leitor para a reflexão do status quo humano. O poeta Alex Brasil é publicitário, mas seu olhar também se volta para a poesia, à literatura. Um poeta de pouco estardalhaço, prefere escrever e mostrar em livros toda a sua produção. Fiquemos com a entrevista que Alex Brasil gentilmente cedeu a Os Integrantes da Noite (aos poetas Antonio Aílton, Bioque Mesito e Rogério Rocha) e publicada no jornal O Estado do Maranhão.
pendentemente de minha vontade. Não havia salvação, eu seria poeta ainda que durante toda minha vida não escrevesse um único verso. Nasci amaldiçoado a querer conversar como e com os anjos, porque é isso que a poesia é: uma linguagem que aspira ao divino, sem alcançar a divindade. Nunca quis ser poeta, não quero ser poeta. Ser poeta é ser “gauche” na vida, é sentir demasiadamente a sua própria dor, a dor dos outros e da existência. No poeta até a beleza dói, porque a sensibilidade é aguda num coração em carne viva. O poeta só não morre em overdose de sentimentos, porque não se é poeta o tempo todo; a crueza da realidade trata de esbofeteá-lo diante das lutas concretas pela sobrevivência. Um dia, aos dezessete anos, uma jovem e bela professora minha de português, paixão platônica de todos nós da turma, no final da aula disse que queria conversar comigo. Era final de ano. A sós, ela apertou minha mão e disse: “Meu rapaz, você é um poeta. E isso é raro. Você é o único poeta que conheci entre todos os alunos que já tive. Eu conheço toda a mecânica da língua portuguesa, mas não consigo escrever com a beleza com que você escreve. Tenho um presente para você.” E então ela me deu a obra completa de Carlos Drummond de Andrade, e me disse, por último: “Leia, leia e estude; poeta você já é.” Enfim, meus professores de português sempre me incentivaram a escrever.
Como começou essa vontade pelo mundo da literatura, da poesia? Nasci em casa de palha de babaçu no interior do Maranhão, num povoado de Codó, chamado Saco. Eu e meus amigos da primeira infância, nascemos na miséria quase absoluta, onde muitos morreram ainda crianças. Mas eu não via a miséria, eu via a natureza, os pássaros, o riacho do meu povoado se perdendo na floresta; eu via a primavera, as estações trazendo flores, frutos, sol, chuva e as estrelas no infinito, enfim, a vida explodindo em beleza, mistério e sonhos. E eu, sem entender dentro de mim, as metáforas, os paradoxos, as sinestesias, as conotações e símbolos querendo expressar tudo aquilo: queria pintar sem ser pintor, queria escrever sendo analfabeto. Eis aí por que eu seria poeta, inde-
Qual autor ou autores que te conduziram no início da carreira poética? Não reconheço nenhuma influência preponderante de algum autor, quer brasileiro ou estrangeiro, sobre a minha obra poética. Dos brasileiros, lá na minha adolescência, os que mais me causaram estranheza e um certo espanto foram Augusto dos Anjos e Carlos Drummond de Andrade; mas praticamente nada em minha poética reflete a dicção ou características das obras desses autores. Eu os admiro, mas sem nenhuma influência no que escrevi até agora. O que escrevo tem mais a ver com o meu DNA poético em consonância com as pulsações da realidade que me cerca, com o meu tempo, suas perplexidades e novidades. Talvez por isso, minha obra, sem referências estético-literárias,
A
mensagem, sem metáforas e sem musicalidade; estritamente mineral, sem vida, estéril, inútil e improdutiva. Como percebes o cenário da poesia (maranhense, brasileira, mundial) nesta transição entre séculos XX e XXI? O Maranhão continua sendo um celeiro de talentos literários, principalmente de poetas. E nessa quantidade existe muita qualidade, ao nível do que se melhor produz nacionalmente e fora do Brasil. Em outros Estados não vejo essa efervescência que há aqui em São Luís. Muitos acham que deveríamos ter mais prosadores, mas esquecem de que a poesia é que enriquece e consolida organicamente uma língua pátria, nacional. A poesia é gênese; nada se diz de belo e relevante que eleve o espírito humano que não tenha primeiro sido dito por um poeta. Nesse sentido, continuamos sendo Atenas Poética Brasileira.
ALEX Brasil nasceu no interior do Maranhão
seja, às vezes, mal compreendida. Mas prefiro a originalidade ao esteticismo pelo esteticismo, sem empatia nas emoções humanas. Com qual periodicidade lês livros de poesia e quais autores identifica-se? Dificilmente leio um autor no seu todo. A partir do momento em que identifico seu estilo, sua forma e suas temáticas, logo me desinteresso, guardando, é claro, em mim, a essência daquele autor. Aos 65 anos, com a morte conversando cada vez mais comigo, leio esparsamente os novos que me chegam pela mídia. Na verdade, mais releio os clássicos, pois em tudo de novo que leio vejo os rastros e ouço as vozes de Homero a Fernando Pessoa. Na verdade, não existem mais novos caminhos estéticos na literatura, só jeitos novos de andar e trilhar os mesmos caminhos, principalmente os iniciados pelos antigos pensadores gregos. O que achas da política adentrar em uma obra (o engajamento propriamente dito)? Eu concordo com Bertold Brecht: o pior analfabeto é o analfabeto político, pois até o preço do feijão, do
açúcar (e de um livro de poesia), dependem das decisões políticas do homem social, portanto, com reflexos em nossas vidas como um todo. Boa parte de minha poesia é de engajamento social, às vezes panfletária, reflexo do que me causa revolta e indignação. A poesia é uma atividade transformadora, também é povo, revolução e transgressão. Uma metáfora pode ser uma pétala o uma lâmina. O que poderias inferir sobre os movimentos que de certa forma segmentam a literatura e a poesia (movimento LGBTQIA+, feministas, antirracismo, contracultural...)? Poesia é poesia, independentemente de rótulos, nasça ela no asfalto, no corpo nu de uma mulher ou em um jardim. Se a poesia floresce em guetos, em segmentos ou movimentos específicos, mas tem valor artístico e essência universal, então ela está cumprindo a sua função de elevar o espírito humano e de nos libertar da barbárie e do obscurantismo. A poesia é o lado iluminado da vida, a música da matemática que permeia todo o universo. O que não vale é a antipoesia sem forma, sem
O que representa a cidade de São Luís em tua obra? Costumo dizer que São Luís é a capital universal dos meus sonhos. Nasci no Interior. Sonhava com o mar do Rio de Janeiro. Cheguei em São Luís e me apaixonei pela cidade, que tinha um certo conforto das metrópoles, mas guardava em si, ainda, o calor humano das províncias. Vivo em São Luís por opção. Já publiquei dois livros sobre ela, em que denuncio suas feridas sociais, mas sem nunca esquecer o lirismo que São Luís desperta todos os dias em minha alma irmanada à sua beleza e humanidade. Há algum segredo em tua forma de escrever poesia? Não há segredo. A minha poesia é reflexo de minha conexão com o meu tempo com suas utopias e distopias. É a minha expressão particular e original diante das perplexidades, espanto, revolta, indignação e encantamentos do mundo em que vivo; da realidade às vezes transfigurada em absurdo, surrealismo e vertigens. A minha poesia é o reflexo de minhas mãos dadas com minha província e a aldeia global em efervescências cognitivas jamais vistas na humanidade, onde Deus e a ciência marcham para um encontro definitivo e elucidativo sobre a nossa exis-
PASSATEMPOS
HORÓSCOPO ÁRIES (21/3 a 20/4)
LIBRA (23/9 a 22/10)
O céu aponta negociações ou acordos com uma pessoa da família ou com assuntos direcionados ao imóvel. O céu recomenda flexibilidade para obter soluções.
É um dia importante para se posicionar e avaliar como pode lidar com negociações, visando parcerias e contratos. O céu pede que atue com flexibilidade e sabedoria.
TOURO (21/4 a 20/5)
ESCORPIÃO (23/10 a 21/11)
O céu pede uma atuação diplomática mas objetiva em relação a negociações no trabalho ou na relação com os colaboradores. Promova a flexibilidade para concretizar as mudanças.
Talvez seja necessário expressar o que pensa e sente sobre crenças ou mudanças que estão afetando os seus valores. A experiência lhe fornece autoconhecimento.
GÊMEOS (21/5 a 20/6)
SAGITÁRIO (22/11 a 21/12)
É preciso avaliar as condições financeiras, levando em consideração as necessidades de reconhecimento. O automerecimento deve ser exercitado.
O céu pede atenção com a forma como lida com acordos, principalmente na administração de recursos compartilhados e de bens materiais.
CÂNCER (21/6 a 22/7)
CAPRICORNIO (22/12 a 20/01)
É um dia para se posicionar com a intenção de expressar informações ou concluir negociações importantes, contudo será necessário atuar com flexibilidade.
É um dia em que será preciso atuar com sabedoria para se relacionar com cônjuge, sócios ou com uma pessoa importante neste momento atual.
LEÂO (23/7 a 22/8)
AQUÁRIO (21/1 a 19/2)
Uma conversa mexe consideravelmente com o seu emocional e pede flexibilidade para interagir com informações e pessoas do seu convívio.
É um dia abarrotado de atividades que precisam ser concluídas, contudo é preciso atuar com flexibilidade para obter resultados. Esteja atento a solicitação de documentos.
VIRGEM (23/8 a 22/9)
PEIXES (20/2 a 20/3)
É um dia para analisar como deve atuar com clientes, parceiros ou pessoas com quem você tem algum vínculo financeiro. O céu pede clareza para desenvolver negociações.
Existe a necessidade de avaliar ideias, com foco no desenvolvimento de filhos ou para promover talentos. Investimentos podem ser solicitados, mas é preciso examinar as condições.
CRUZADAS
CAÇA-PALAVRA
tência. Qual tua relação com os poetas mais recentes? Eles te trazem distanciamento ou aprendizagens? Reconheço que convivo pouco com os nossos poetas jovens, e mesmo com os da minha geração, muito mais por culpa minha que tenho me recolhido cada vez mais; não sou boêmio, nem notívago, tenho hábitos espartanos e minha mulher diz que tenho uma certa fobia social. Até mesmo meus dois mais recentes livros sequer fiz lançamento. Apenas os coloquei em algumas livrarias. Mas acompanho os mais jovens pela mídia e fico feliz pelas suas produções, que trazem, em si, um timbre de renovação. Com eles, o novo sempre vem, e a nossa poesia está sempre em expansão. Existe uma genética que leve alguns poetas a escreverem melhor do que outros, ou poesia é exercício, é técnica, aprendizado? Acho que a genética contribui mais na nossa predisposição para ser poeta (o poeta já nasce poeta). Mas não basta só o talento para se escrever poesia, ou qualquer texto, de alto nível artístico, com originalidade e beleza. O poeta maduro, ciente do seu ofício, tem que ter inspiração e muito mais transpiração para escrever algo novo e perene, como o escultor que garimpa a arte no mármore de suas emoções. O que podes comentar sobre os escritores que pensam que a poesia não pode ser trabalhada e que da forma que vem deve ser mantida? Em qualquer processo criativo, pelo pensamento freudiano, com que concordo, além das fases de informação, encubação e insight, existe a última que é a verificação. Não basta só a criatividade pela criatividade, tem que existir na criação a pertinência e a arte-final, a consciência do valor artístico do que se produziu. Então, conteúdo e forma se completam. Reconheço que alguns poetas, e aí me incluo, resistem, às vezes, em burilar o poema, como se assim fazendo estivessem traindo os seus sentimentos expressos num ato de iluminação. Mas o poeta que é mestre sabe que, na arte, a epifania e o ato operário se completam.