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Jeison Giovani Heiler - Mestrado em Sociologia Política pela UFSC, Bacharel em Direito, Professor Universitário, nas disciplinas de Ciência Política e Teoria Geral do Estado, Direito Previdenciário, Direito Social e Cidadania, Sociologia e Antropologia e Sociologia Jurídica no Centro Universitário Católica de Santa Catarina, e as disciplinas de Antropologia e Sociologia Jurídica, Direito da Seguridade Social, Introdução ao Estudo do Direito e História do Direito na Faculdade Uniasselvi/Fameg. Desenvolveu trabalho de jornalismo em uma Rádio Comunitária. Na prefeitura municipal de Jaraguá do Sul, SC, atuou no Monitoramento e Avaliação dos CRAS, e no programa de medidas socioeducativas em meio aberto com adolescentes em conflito com a Lei, onde coordenou a produção de um curta-metragem desenvolvidos pelos adolescentes e organizou a publicação do Livro “Doze anos, dúzias de Histórias” com relatos de vida dos adolescentes em conflito com a lei e dados estatísticos sobre o serviço.

AUTORES Batata é cartunista, é bêbado e trabalha em uma Fábrica Ocupada em Sumaré, interior de São Paulo, a Flaskô. Foi cocriador do Coletivo Miséria, junto dos cartunistas João da Silva e Ricardo Flóqui. Após o lançamento de 5 números da Revista Miséria e o aumento quantitativo e qualitativo dos membros do coletivo, junto de um premio Angelo Agostini de melhor fanzine de 2011, o Coletivo se dissolveu, e Batata começou carreira solo. Em 2012 ilustrou o livro de poesias Nascimento Volátil, da colombiana Angye Gaona pelo CEMOP- arte e cultura. Batata fez muitas outras coisas por aí, mas para ele o importante é sempre estar embriagado. Blog: batatasemumbigo.blogspot.com


Rutana é fruto de um texto despretensioso. Talvez a motivação de escrevê-lo tenha sido a necessidade de desaguar uma agressividade contida, e mal compreendida. Certo, poderia ter dado vazão à essa agressividade com um tijolo arremessado contra as vidraças de um banco. Então talvez, a motivação deste texto seja a covardia de arremessar aquele tijolo. Bom ao menos pode-se lê-lo com a impressão de se ter a mão um molotov em chamas pronto para ser arremessado contra o sistema financeiro inteiro. Revisitando, depois, as razões do texto, poderia dizer que a intenção era a de referir as questões de gênero em direta alusão à Alexandra Kollontai que advogava no núcleo da revolução russa de 1917 a centralidade das questões de gênero e da libertação sexual da mulher. Assim dizendo a agressividade de Rutana traduzida com precisão nos traços do Batata que poderia parecer gratuita, transborda de sentido. É o mesmo sentido presente nas letras das funkeiras – gritos roucos ou agudos de liberdade – na cara de uma sociedade machista. Naturalizamos a violência e o significado do ato de venda do próprio corpo, do carinho e dos afetos nessa sociedade já absolutamente aburguesada e embebida até os ossos em um formol que conserva e cristaliza as relações de poder no mesmo passo que aprisiona através da miséria endêmica milhares e milhares de Rutanas, meninas, meninos, homens, mulheres e putas já desdentadas pela velhice e pela vida dura das ruas. Às quais não será dada nem mesmo a trágica e inescapável saída de Rutana, nessa história, que encerra um grito desesperado pela desnaturalização da violência.


Zine Rutana