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BarcadosLivros Um

dos

Mel hores Progr a m as

de

Inc e n t i vo

à

L ei t u r a

do

Brasil

Dez anos de Sociedade Amantes da Leitura Sete anos de Biblioteca Comunitária Três anos de Ponto de Cultura

Em

sete

anos

Mais de quatro mil atividades To d o

mês

Histórias na Barca dos Livros Sarau de Histórias Encontro com autor To d a

semana

A Escola vai à Barca Terças Encont(R)os Leitura Literária Quartas de Babel Quintas Literárias

pa r a

Crianças

e

Jov e ns


A O

sonho continua

Barca dos Livros é um projeto em realização. Idealizado por um pequeno grupo, demos o primeiro passo quando criamos a Sociedade Amantes da Leitura em 2003, pequenos passos a cada ano, com o Abril com Livros e um passo largo e ousado, abrindo as portas da Biblioteca Barca dos Livros em 2 de fevereiro de 2007. Em 2010, mais um passo: a Barca tornou-se Ponto de Cultura com o projeto Porto de Leituras. Fomos fazendo, estamos fazendo: “Nem nós sabíamos que isso seria tão grande!” O espanto da querida Regi, que alterna comigo a direção geral da SoALe, resume bem os nossos sobressaltos diante do tamanho da obra que criamos, uma biblioteca comunitária. Não qualquer biblioteca: a Barca é, sim, especial. Nosso acervo de literatura e arte é selecionado ano a ano entre os melhores livros premiados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, de cujo grupo de votação fazemos parte, com os mesmos objetivos – facilitar o acesso ao livro de qualidade e formar e alimentar leitores literários. Pessoas de todas as idades e de todas as classes sociais encontram abertas as portas, para as atividades culturais ou para levar, emprestado e gratuitamente, o livro escolhido. Ambicionamos mais: a construção de uma sede própria e uma barca itinerante em nossa Lagoa da Conceição. Há muito a agradecer aos que sonharam, sonham e realizam conosco, especialmente aos nossos voluntários. E há lugar para outros, pois o sonho continua, bonito e realizável, como demonstra este jornal. Boa leitura!

E

Depois

de muitas milhas , o registro de bordo

m sete anos de funcionamento, a Biblioteca Barca dos Livros cadastrou 3.900 leitores e efetuou 48.900 empréstimos de livros de seu acervo de mais de 11 mil títulos catalogados (com mais 3 mil para catalogar). Além disso, somou, dentro de sua proposta de incentivo à leitura, 1.650 ações culturais de diferentes categorias. De 2006 a 2012 foram registrados: 104 encontros com autores e lançamentos de livros; 18 exposições de arte; 158 passeios de barco com sessões para contar histórias; 70 saraus literários; 195 encontros com leituras de obras literárias em voz alta; 496 visitas de escolas; 41 noites de prosa, poesia e canção; 48 tardes de histórias, teatro, música e cinema; 61 cursos e oficinas; 29 sessões do Cinema na Barca; 70 sessões das Quartas de Babel; 31 sessões do grupo de leitura literária; 153 reuniões do NEP – Núcleo de Estudos e Pesquisas.

Expediente Edição Celso Vicenzi Textos Tânia Piacentini, Tanira Piacentini, Celso Vicenzi. Design Renato Rizzaro Revisão Tanira Piacentini. B ibl iot ec a B a rc a dos L i v ros E q uipe e x e c u t i va Coordenadora Tânia Piacentini Gestora Geral Tanira Piacentini Assessora de Comunicação Aline Maciel Gestor Cultural Roberson Hoberdan Corrêa At e n di m e n t o Voluntários Luiz Renato C. da Silva, Jane de Souza Liem, Sybilla Victória Sievert, Tatiana Moreno, Maria Luiza G. Lopedote A rt igos e sugestões de l ei t ur a Núcleo de Estudos e Pesquisas da Barca dos Livros Logomarca Barca dos Livros Huan Gomes Logomarca Amantes da Leitura Jandira Lorenz Fotos Aline Maciel, Elaine Borges, Francine Canto, Inaiara Wilke, Renato Rizzaro (capa e pg 2), Ronaldo de Andrade, Sigval Schaitel, equipe e voluntários. Acervo, Barca dos Livros. Volun tá rios A Barca dos Livros conta com uma equipe incansável de voluntários (sócios e amigos da Barca), que colabora para que seja possível a realização de todas as atividades programadas e o atendimento especializado. Áreas de atuação dos voluntários auxiliares de biblioteca, catalogação, divulgação, narração de histórias, música, formação de leitores e mediadores de leitura, análise e seleção de obras, sugestões de leitura, resenhas e artigos. A eles nosso agradecimento especial! S ocieda de A m a n t es da L ei t ur a Diretora Geral Tânia Piacentini Diretora Administrativa Isa Saraiva Ferreira Secretária Silvana Gili Tesoureiro Hamilton Carvalho de Abreu Diretora de Comunicação Nadir Ferrari Conselho Fiscal Carmem Aidê Hermes, Maria Elaine Borges, Fernando S. Milman. D ire tori a a n t erior Diretora Geral Regilene Silva Diretora Administrativa Isa Saraiva Ferreira Tesoureira Sayonara Graczyk Secretaria Ana Maria Sabino Diretora de Comunicação Nadir Ferrari Setembro 2013

P a r c ei r o s C u l t u r a i s


E

E ra

uma vez uma

ra uma vez uma grande lagoa, em meio a dunas e montanhas, e com acesso ao mar. Numa cidade que já foi porto e acolheu tantos navegantes, em 2007 ancorou às margens da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, uma barca cheia de livros, disposta a navegar por séculos de histórias e sonhos impressos em páginas de papel e que hoje se multiplicam em formatos multimídia. Era uma vez um projeto que juntou gente apaixonada por livros e crianças interessadas em descobrir o universo da literatura. Depois de sete anos de esforços e ótimos resultados, o projeto tem o desafio de renovar e ampliar a parceria com patrocinadores e apoiadores, para garantir a continuidade dos trabalhos. Apesar dos parcos recursos materiais e de apoio logístico, cada vez mais crianças, jovens e adultos têm partilhado o gosto da leitura, e autores de livros e produtores de cultura têm vivenciado a rica e apaixonante experiência de formar novos leitores, fundamentais para a formação plena da cidadania. Segundo Tânia Piacentini, coordenadora da Barca dos Livros, o projeto tem se mantido sobretudo pela dedicação, sempre voluntária, de vários integrantes da Sociedade Amantes da Leitura. “Já fomos longe demais para pôr um ponto final, mas precisamos renovar parcerias e estabelecer novas fontes de apoio para assegurar a continuidade do trabalho”, esclarece Tânia. O convênio com a Fundação Franklin Cascaes termina em dezembro de 2013, e

Barca

de

L ivros

precisa ser renovado a cada ano, de acordo com a legislação municipal. A parceria com o Ponto de Cultura encerra dia 30 de setembro e terá que ser disputado um novo edital para renovar por mais três anos. A Ecoaplub – Associação dos Profissionais Liberais Universitários do Brasil – assinou acordo para apoiar projetos comunitários até junho de 2014. Em agosto deste ano foi elaborado projeto para o Fundo da Infância e Adolescência da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Florianópolis, que permite receber recursos por meio de renúncia fiscal das empresas. Atualmente, também está em vigor um convênio com a Celesc para doação – a partir de R$ 1 – na conta de luz (aberto a pessoas físicas e jurídicas). Doações também podem ser feitas diretamente na conta corrente da Barca dos Livros no Banco do Brasil, agência 3185-2, conta 13.058-3 – CNPJ 06.022.478/0001-07. “A falta de um respaldo financeiro de mais longo prazo tem consumido boa parte da energia dos gestores da Barca dos Livros, pois qualquer cancelamento de uma parceria pode comprometer o projeto”, explica Isa Saraiva Ferreira, diretora administrativa da Sociedade Amantes da Leitura. “Seria muito importante dispor de um local por comodato de 10, 15 anos, o que permitiria planejar melhor as atividades e evitar a rotatividade de endereços, que também dificulta o acesso dos interessados”, complementou Nadir Ferrari, diretora de comunicação. A Barca dos Livros teve seu primeiro porto no trapiche número 1 da ponte da

Lagoa, num imóvel alugado e inaugurado no dia 2 de fevereiro de 2007 (foto abaixo). No primeiro andar funcionava a biblioteca, que abriu com cerca de 5 mil livros novos, acervo renovado a cada ano, patrimônio cultural colocado à disposição de leitores de todas as idades. No andar térreo funcionou sempre um café, que acolhia os visitantes e compartilhava o espaço em todos os eventos culturais, como lançamentos de livros e exposições. Desde janeiro de 2012, no entanto, a Barca dos Livros mudou-se para um espaço alugado ao Lagoa Iate Clube, na Rua Hippólito do Valle Pereira, 620, na mesma Lagoa da Conceição (foto acima). Atualmente, o projeto tem o patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, e Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte/Fundação Catarinense de Cultura (Ponto de Cultura). Conta com o apoio da Prefeitura de Florianópolis/ Fundação Franklin Cascaes, Ecoaplub, Plano Nacional do Livro e da Leitura, e Restaurante Cozinha e Arte. O maior desafio, além do espaço físico permanente, é a ausência de recursos estáveis para manter os profissionais para viabilizar o projeto. Para funcionar adequadamente, a Barca dos Livros precisa de três bibliotecários, três auxiliares de biblioteca, um administrador, um coordenador de biblioteca, um gestor cultural, um assessor de imprensa, um captador de recursos e uma pessoa para cuidar da limpeza.


O

Uma

barca cheia de gente apaixonada por leitura

projeto, inicialmente, tinha por objetivo constituir uma biblioteca na Lagoa da Conceição, que pudesse ser também itinerante, indo ao encontro dos leitores. Foi assim que se criou, em 2003, a Sociedade Amantes da Leitura, uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos e de interesse público. Esse grupo de pessoas sempre reconheceu a importância da leitura para o desenvolvimento individual e comunitário. A Sociedade foi reconhecida como de Utilidade Pública Municipal pela Lei 11.403 (12/7/2005), e Estadual pela Lei 13.590 (29/11/2005), em função dos objetivos e dos trabalhos que foram realizados em poucos anos. Antes mesmo da instalação da Biblioteca, a Sociedade Amantes da Leitura organizava, uma vez por ano, o “Abril com Livros”, para comemorar Hans Christian Andersen e Monteiro Lobato, homenageados em importantes acontecimentos literários: o Dia Internacional (2 de abril) e o Dia Nacional (18 de abril) do Livro Infantil e Juvenil. Festejava-se também o Dia do Autor e do Direito Autoral (23 de abril), e isso reunia sempre pessoas interessadas na leitura e divulgação da literatura, ao mesmo tempo em que se divulgava o projeto. Em função da topografia, das características físico-sociais da Lagoa da Conceição e da localização dos diversos núcleos de moradores, separados por morros e pela lagoa, ligados por estradas, algumas estreitas e outras congestionadas no

verão, surgiu a ideia de criar a Barca dos Livros, uma biblioteca no porto, com um braço itinerante. Assim, resgatar-se-ia também uma tradição do transporte marítimo, largamente utilizado no início da formação da vila e depois da cidade. Hoje, a biblioteca é uma realidade e os passeios de barco, a cada segundo sábado de mês, constituem as viagens em que os passageiros desfrutam de um mundo de fantasia e imaginação, criados por livros e mestres na arte de contar histórias.

O

Um

FUNCIONAMENTO A Barca dos Livros abre de terça a sábado, das 14 às 20 horas. Às terças, das 19 às 21 horas tem o EnCont(R)o dos Contadores de Histórias. Às quartas, durante uma hora, A Escola vai à Barca, às 10, 14 e 15h30 e das 19 às 21 horas é realizada a Leitura Literária. Na quinta à tarde ocorrem as reuniões do Núcleo de Estudos e Pesquisas (NEP) e à noite é a vez das Quintas Literárias, das 19 às 21 horas. No segundo sábado do mês, são realizados dois passeios pela Lagoa da Conceição, às 15 e às 16 horas, com Histórias na Barca dos Livros. No último sábado de cada mês, às 20h30, é realizado o Sarau de Histórias. Toda a programação semanal e mensal pode ser acompanhada no site www.barcadoslivros.org

mergulho na

que ler? Como ler? Por que ler? Essas são algumas dessas questões que parecem não ter uma resposta clara e direta. Mas há um grupo de pessoas que, desde 2012, reúne-se para conversar sobre essas e outras questões relacionadas à leitura de literatura. Em comum, o desejo de mergulhar em questões por vezes polêmicas, outras opacas, que dizem respeito ao processo de leitura e da formação do leitor. “O foco das conversas é sempre a literatura e o papel que ela exerce ou pode exercer na vida de

L eitura L iterária

cada um e na sociedade. A proposta de trabalho é partir sempre de um texto teórico e daí desenvolver uma reflexão em grupo”, afirma Silvana Gili. Textos de autores como Silvia Castrillón, Daniel Goldin, Cecilia Bajour e Daniel Pennac já foram lidos e continuam sendo discutidos. A presença da literatura também é marcada pela oportunidade de explorar os livros que fazem parte do acervo da biblioteca. “Além das conversas, também buscamos realizar um exercício periódico de leitura em voz alta para que possamos, além de falar, exercitar a escuta”, conclui Silvana.


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Acervo

para mexer com a imaginação

acervo da Biblioteca da Barca dos Livros foi organizado, principalmente, em decorrência do trabalho da diretora geral da entidade, Tânia Piacentini, junto à Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), sediada no Rio de Janeiro, e seção brasileira do International Board on Books for Young People (IBBY). Como votante convidada para os prêmios concedidos anualmente pela FNLIJ aos melhores livros para crianças e jovens editados no país, uma média de 1.000 exemplares é recebida das editoras e selecionada criteriosamente ao longo de todo o

U

L ivro

ano, num trabalho voluntário da equipe que forma o Núcleo de Estudos e Pesquisas, profissionais de várias áreas do conhecimento. Grande parte desses livros teve a qualidade necessária para formar o núcleo inicial da Biblioteca da Barca dos Livros. São obras de poesia e prosa de ficção – lendas, fábulas, contos, novelas, romances –, literatura brasileira e estrangeira, para o público infantil, juvenil e adulto. Há também livros de arte e livros informativos, de cultura geral: música, dança, cinema, teatro, biografias, filosofia, história, ciências, meio ambiente, educação artística, educação sexual e outras áreas.

A eles foram acrescentados os livros doados por sócios e amigos leitores, traçando o perfil de uma biblioteca de cultura geral, lazer e entretenimento. “Sabemos que é preciso delimitar, na oferta praticamente infinita de livros, aqueles que melhor atendem aos nossos critérios de qualidade literária, editorial e cultural, sem esquecer os objetivos que queremos alcançar, disponibilizando esse acervo para os leitores que se cadastram em nossa biblioteca, para leitura no local ou para levar o livro emprestado, para ler em casa”, informa Tânia Piacentini.

é fator de inclusão social

ma biblioteca é o lugar mais adequado para que o direito à convivência com os livros e outros materiais impressos seja incentivado e exercido por todo cidadão leitor, de qualquer classe social e de qualquer idade. Segundo Tânia, “nessa época em que tanto se fala em crise da leitura, entendemos que a formação e o desenvolvimento do interesse de um leitor exige, paralela e subsequentemente ao domínio das habilidades de ler e escrever, um permanente e renovado contato com textos escritos que estejam disponíveis sob a forma de livros, revistas, jornais, em lugares e contextos motivadores da leitura”. A literatura é fundamental, desde cedo, no desenvolvimento e enriquecimento afetivo, estético e ético de todas as pessoas. A importância de bibliotecas, públicas ou privadas abertas ao público, cumprindo uma função difusora e facilitadora do acesso ao conhecimento da cultura escrita, precisa ser resgatada como um dos elos mais democráticos da tão reivindicada igualdade social. “Um dos maiores fatores de inclusão social é, necessariamente, o acesso aos bens culturais impressos, a inclusão cultural”, afirma Tânia Piacentini, para quem “é a biblioteca o espaço para que a leitura seja incorporada como uma atividade e uma prática prazerosa, livre, sem cobranças ou obrigatoriedade”. A Biblioteca Barca dos Livros proporciona esse espaço amplo, acolhedor e confortável. Além de receber os leitores, promove encontros com escritores, lançamentos de livros, sessões

de leituras em voz alta e serões com contadores de histórias. Realiza cursos, palestras oficinas, debates, além de atividades de análise e avaliação de livros, pesquisas de interesses e hábitos de leitura, e edição de boletins informativos – tarefas exercidas por profissionais especializados. Tânia Piacentini resume as ideias que embasam o trabalho da Barca: “Pensamos sempre numa biblioteca também articuladora de política de leitura, além de espaço de cultura, lazer e entretenimento. A oferta de material de leitura, de bons livros, é essencial, mas não é suficiente para criar leitores e o hábito da leitura. É necessário também investir na valorização social da cultura letrada e na formação de mediadores de leitura, jovens e adultos, pais, bibliotecários, professores,

amantes da leitura. O exemplo é o maior aliciador de leitores, uma das melhores técnicas de sedução para a prática da leitura. É por isso que essa navegação pelo conhecimento e pelo mundo mágico da literatura não pode parar. O desafio é manter e ampliar o contato com o público ao qual se destina. Não vamos esmorecer, mas não podemos fazer tudo sozinhos. Por isso, precisamos do apoio da comunidade da Lagoa da Conceição, mas também do município onde ela se encontra inserida e onde desenvolve uma ação fundamental para a formação de novos cidadãos éticos, que valorizem a cultura e o conhecimento produzidos ao longo da história e ajude a difundi-los entre as novas gerações.”


G

Gerações

diferentes e uma mesma paixão

uilherme Lima, 21 anos, o primeiro leitor cadastrado na Biblioteca Barca dos Livros e Alena Zea, de nove anos, duas gerações de leitores e uma mesma paixão pelos livros. Na pequena entrevista, a seguir, eles falam da prazerosa experiência da leitura e do contato com os livros e com a biblioteca, e tudo o que isso pode fazer de diferença na vida das pessoas. Há quanto tempo frequenta a Barca dos Livros? Guilherme – Desde o início, fui o primeiro leitor cadastrado. Alena – Eu não me lembro muito bem, mas acho que foi na metade do ano passado. Foi uma experiência incrível conhecer essa biblioteca. Quantas vezes por mês, em média, frequenta a Biblioteca? Guilherme – Vou em média 2 vezes por mês à biblioteca, embora gostaria de frequentar mais vezes, mas a Faculdade de História e o estágio me impossibilitam, infelizmente. Alena – Nas férias costumava frequentar quase todos os dias, com dois ou três dias para ler os livros emprestados. Mas, agora, nas aulas, vou uma vez por semana, aproximadamente. Quantos livros costuma levar cada vez que vai à Biblioteca? Guilherme – Geralmente levo sempre um livro, já que geralmente pego livros densos e acima de 400 páginas. Alena – Na verdade o máximo é três livros, mas eu costumo pegar cinco ou seis até. Quantos livros já emprestou para ler? Guilherme – Não sei dizer quantos livros emprestei para ler, mas foram dezenas. Alena – Acho que uns oitenta, noventa. O que mais gosta de ler? Quais os autores preferidos? Guilherme – Meus autores preferidos são José Saramago, Tolkien, Fernando Pessoa, George Orwell e Gabriel Garcia Marquez. Alena – Meus autores preferidos são Philip Pullman, Lemony Snicket, Angie Sage e Rick Riordan. Gosto de ler aventuras, mistérios, suspenses e romances. Não gosto de pegar livros educativos ou que falam sobre pessoas que mudaram o mundo, pra isso já tem a escola (que, aliás, já é ruim o bastante).

Qual o livro que mais gostou? Guilherme – Não diria que foi o livro que mais gostei de ler, mas o que mais me marcou. Foi a versão integral de Os Três Mosqueteiros, por ter sido o primeiro livro que peguei emprestado com a Tânia, sem a Barca dos Livros ainda estar de pé. Alena – Percy Jackson me fez querer ignorar todos os meus problemas, fez eu querer dar um empurrão nas coisas erradas e dizer ‘Deixa passar’ para tudo... Acho que foi uma leitura maravilhosa. Depois, Harry Potter não me deixou dormir, quase me fez voltar a roer as unhas. Eu fiquei com raiva quando algo ruim acontecia, eu fiquei preocupada quando alguém dava sumiço e eu sorri quando os personagens ficaram felizes. E, como se não bastasse, eu peguei outro livro maravilhoso, que pertencia a uma coleção perfeita: Mundo de Tinta. Ele não me deixava ficar entediada, os problemas dos personagens ocuparam o lugar dos meus, e cada ataque dos príncipes bem elaborados era um salto do meu coração. E Sally Lockhart... oh, este livro, esta coleção realmente é incrível. Eu chorei quando Sally chorou, eu morri de medo quando ela foi apanhada, e fiquei furiosa quando o ursinho de pelúcia foi roubado. Eu li inúmeras vezes o discurso de Sally, e fiquei assustada com a inteligência de Philip Pullman quando descobri quem era o vilão. Esses livros marcaram a minha vida. O que a Barca dos Livros representa para você? Guilherme – A Barca significa uma grande transformação na minha vida, pois me expandiu os horizontes e o modo de como enxergo o mundo, além de ter me dado a oportunidade de abrir minha cabeça para a leitura e escrita, pois hoje arranho alguns textos em meu blog. Alena – A Barca dos Livros é um dos lugares mais perfeitos que eu já conheci. Este lugar, esta biblioteca, fez uma marca nos meus nove anos de vida. Ela me mostrou tantos mundos incríveis, tantos lugares para conhecer... A Barca dos Livros me deixou navegar nas páginas deliciosas de seus livros, me deixou saborear um pouco de cada livro, e eu me sinto no ar sempre que estou lá. Na barca eu posso ser pessoas diferentes, e ter amigos tão incríveis que eu me esqueço que eles são apenas livros.


N Os

contadores narram suas histórias na

o tempo em que não havia os recursos de mídia atualmente existentes, o contador de histórias era imprescindível para a formação dos adultos. Numa mistura de arauto de informações, mestre do entretenimento e inventor de “causos”, contadores de histórias sempre povoaram o imaginário de inúmeras gerações ao longo de séculos. Crianças, jovens e adultos, em volta de uma fogueira, em tempos mais longínquos, ou mais recentemente, em ambientes fechados ou ao ar livre, quem tinha o dom e o conhecimento de narrar acontecimentos, reais ou imaginários, sempre reuniu, à sua volta, pessoas interessadas em ouvir explicações para os mistérios da natureza e avançar na compreensão daquilo que era desconhecido. A Barca dos Livros ajudou a formar vários contadores de histórias e constituir um espaço onde essas narrativas – algumas atuais e outras que remontam a décadas, séculos ou milênios – possam ativar novamente o imaginário do público de todas as idades. Veja, a seguir, o depoimento de algumas contadoras de histórias que fazem apresentações na Barca e levam essa arte também para outros espaços. S ay o n a r a S a l u m - p s i c ó l o g a Era julho de 2007 quando apreciei, pela primeira vez, o Sarau da Barca dos Livros.Naquela noite, além de ser aquecida pelos contos, fui “encantada” pela arte do Contador, essa capacidade de “fazer ver”, dando vida às histórias.

Então, fisgada como peixe, embarquei num tombadilho ondulante! Dentro dessa Barca, naveguei por águas primordiais, e me nutrindo por um “Mar de Fios de Histórias”, me transformei, também, num peixe “Milbocas”. Hoje, junto com outros peixes, formando um cardume, vamos navegando por diversas correntes de águas, dando vida às narrativas e alimentando o imaginário, levando o amor pela leitura a todas as partes. A l i n e M ac ie l – con ta d or a de h i s t ór i a s Em 2009 embarquei pela primeira vez na Barca dos Livros através de um amigo que me convidou para fazer um curso de contação de histórias. Eu, que já havia navegado pela literatura, pela música e pelo teatro, me vi completamente naufragada em histórias. Em 2010 finalizei o mestrado com a dissertação em uma mão e um livro de contos populares que peguei emprestado na outra. A partir daí, contar histórias virou prática, paixão e profissão. G i l k a G i r a r d e l l o - p r o fe s s o r a d a U F SC Quando eu for velhinha e olhar pra trás, uma das coisas de que vou lembrar com mais alegria na vida é das vezes que contei e ouvi histórias na nossa Barca. E contar dentro do barco, então! - a gente em pé mal se equilibrando no balanço das ondas, tentando encaixar esse “surfe” com as cenas da história , num encontro íntimo com as crianças, seus pais, mães, tias, todo mundo com livro no colo, a sanfona do Polo a mil, depois o silêncio absoluto quando o motor desliga no meio da lagoa, as gaivotas dando show na janela... A

Barca

animação da leitura que a Barca vem fazendo esses anos todos mudou a vida de uma geração de crianças e trouxe arte e poesia pro cotidiano de uma comunidade inteira. Deve haver projetos culturais tão bonitos como esse no mundo, mas mais bonitos, é difícil imaginar. L i l a n e M o u r a - p r o fe s s o r a d a U F SC Filha da floresta e do rio, escolhi viver perto do mar e assim encontrei uma Barca que não tinha a pretensão de levar as pessoas de um porto ao outro. Seu despropósito e propósito é levar crianças de todas as idades a viajar pelo mundo da leitura e ancorar em portos dos mais diversos cantos por meio da prática da leitura e da narração de histórias. E é também nesse espaço que me encanto e desenvolvo meu gosto estético e poético. Espaço de militância da leitura com compromisso social de formação de leitores de todas as idades, cores e formação. As parcerias de troca nessa formação leitora (universidades e escolas) podem ter sempre a Barca como possibilidade de navegar e navegar... É inegável a imensa contribuição desse espaço de mediação de leitura na ilha da magia. Fe l í c i a Fl e c k bibl io t ec á r i a e con ta d or a de h i s t ór i a s

A Barca dos Livros é uma biblioteca encantada. Espaço de encontros, de partilhas, de apreciar a arte, de contar histórias, de alimentar a alma e o intelecto e, sobretudo, de amar a leitura! Como contadora de histórias, bibliotecária e leitora, sou muito mais feliz com a Barca em minha vida!


F

A E scola

vai à

Barca

ormar novos leitores antes mesmo de sua alfabetização é um dos objetivos da Barca dos Livros. Todas as quartas-feiras, em três horários – 10, 14 e 15:30 horas – escolares das creches, ensino fundamental e médio são recebidos na Biblioteca Comunitária Barca dos Livros para um primeiro contato com as obras e uma atividade monitorada por contadores de histórias. A ação “A Escola Vai à Barca” tem por objetivo incentivar a criança ao hábito da leitura em qualquer momento de sua formação. As visitas agendadas duram cerca de 50 minutos, dependendo da faixa etária das crianças. Para crianças de dois a cinco anos, cerca de 30 minutos, respeitando seu tempo de concentração. “A visita é dividida em dois momentos: exploração do acervo e leitura individual ou em pequenos grupos, e logo após, o momento da narração de histórias”, explica Nadir Ferrari,

reúne leitores de várias idades

também contadora de histórias. O primeiro momento serve para que as crianças explorem o acervo da biblioteca autonomamente, folheando os livros e lendo as ilustrações e palavras. Esse período é variável de acordo com a idade e interação de cada grupo, e sua importância reside na proximidade da criança com o livro, para despertar sua curiosidade através das imagens e palavras. Nessa etapa participam todos os mediadores de leitura presentes, ou seja, professores e demais acompanhantes das crianças - pais, estagiários, os bibliotecários e contadores de história da Barca dos Livros. O segundo momento é o

da narração de histórias, a cargo da equipe da Barca dos Livros. “As histórias são preparadas de acordo com a faixa etária de cada grupo”, explica Isa Saraiva, contadora de histórias. A Escola Vai à Barca contabilizou, em 2012, a participação de 31 escolas públicas e particulares. No total, 1.971 crianças, na faixa etária de dois a 12 anos, participaram da ação, que completou 96 visitas. “Conhecer uma biblioteca com espaços preparados para diferentes faixas etárias e grupos de leitores e para diferentes atividades; visitá-la com seus colegas e professores; ter acesso a livros novos, diferentes e de qualidade; ouvir histórias divertidas e emocionantes, eis um conjunto de oportunidades oferecidas gratuitamente e que podem ser repetidas num ambiente acolhedor”, destaca Tanira Piacentini. Para Tânia Piacentini, “a literatura faz parte do patrimônio cultural da sociedade e é responsabilidade de todos garantir o acesso a ela como direito social básico do cidadão”. Para ela, “fazer a aproximação entre as crianças e os livros e despertar o prazer de ler é um desafio numa sociedade de forte tradição oral e pouco hábito de leitura”. Tânia menciona o “caráter inovador da ação A Escola Vai à Barca, por ser a única biblioteca comunitária a oferecer esses serviços às escolas da região – talvez do Estado”.


E

C lássicos

lidos em voz alta nas

em 2004, teve início a atividade das Quintas Literárias, com a leitura compartilhada, em voz alta, de A Divina Comédia. “O que motivou a escolha do título foi o fato de alguns membros da Sociedade Amantes da Leitura não terem conseguido a disciplina e o conhecimento necessário para ler sozinhos, então, como uma das sócias é doutora em literatura italiana e especialista em Dante Alighieri, começou a aventura pelo céu, inferno e purgatório desse clássico da literatura”, explicou Claudete Segalin de Andrade, sóciafundadora, membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas e leitora das Quintas desde as primeiras águas. O grupo inicial era formado por sóciosfundadores que se reuniam no Literatura Café, na Lagoa. “Mas aquele grupo de 11 a 13 leitores em voz alta ocupando duas ou três mesas do café – que tinha cinco ou seis... – e pedindo aos demais frequentadores para falarem mais baixo começou a incomodar. E além do mais, gastava-se pouco, pois comer e ler em voz alta

Quintas L iterárias

são atividades meio incompatíveis. E fomos educadamente convidados a mudar de espaço”, acrescenta Ronaldo Dias de Andrade, também sócio-fundador e leitor das Quintas, e o maior responsável pela memória iconográfica da Biblioteca Barca dos Livros. Após alguns encontros nas casas dos leitores, o Rosen Café abriu suas portas para a Biblioteca. “A proprietária era uma das sócias e leitora e o Rosen ficou sendo um pouco nosso até mudar-se conosco para a sede-porto da Biblioteca Barca dos Livros”, explica Tânia Piacentini. Funciona assim: o grupo escolhe a obra que quer ler, e se reúne todas as quintas-feiras das 19 às 21 horas. A sessão começa com alguns comentários sobre a obra ou questões decorrentes (artigo, filme, notícia, enfim, assunto ao redor ou próximo do tema, ou não!), e passa-se à leitura. Cada um lê um trecho, de acordo com a sua vontade ou delimitado pelo grupo, que pode interromper a leitura para algum comentário, pergunta ou reflexão. Todos podem opinar, não é uma conversa entre ou para especialistas. O grupo atual-

N

Sábado

é dia de

mente é formado por três pessoas da área de literatura, um filósofo, um geógrafo-economista, um economista-arquiteto, uma professora de história, uma empresária-ex-bancária, uma leitora contumaz, apaixonada e bem-humorada – característica, aliás, de todo o grupo de leitore(a)s. Ao final da obra, o grupo assiste a um filme do mesmo título, se houver, ou outro de livro do mesmo autor, ou faz um jantar com comida típica da região ou época, enfim, celebra-se de alguma forma o fim da leitura. Lista de alguns livros lidos na íntegra nas Quintas Literárias: A Divina Comédia (Dante Alighieri), Dom Quixote de La Mancha (Miguel de Cervantes), O Leopardo (Lampedusa), Dom Casmurro, O Alienista e muitos contos de Machado de Assis, Grande Sertão Veredas e muitos contos de Guimarães Rosa. Da obra de Shakespeare: Ricardo III, Antonio e Cleópatra, A Tempestade, Romeu e Julieta, Rei Lear, Macbeth, e muitos outros. Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Márquez), Incidente em Antares (Érico Veríssimo), Pedro Páramo e Chão em Chamas (Juan Rulfo), O Labirinto da Solidão (Octavio Paz).

Sarau Literário

o último sábado do mês é realizado um Sarau Literário para o público jovem e adulto, das 20h30 até as 22 horas. Os Saraus são temáticos, com leitura e narração de histórias e poemas. Vejam alguns dos temas: Contos e cores de outono; Contos das águas; Contos quentes para uma noite fria; Contos de viajantes e aventureiros; Contos de Máscaras e Fantasia; Contos do Oriente; Causos de fogueira; Contos de amor e alegria; Contos de loucura, amor e ódio; Contos indianos; Histórias que fazem rir; Contos latino-americanos; Contos do Japão; Contos africanos; Noite dos deuses: mitos universais; Histórias de ler e contar; Contos de celebração; Contos de galpão; Contos do Nordeste do Brasil;Contos de amor; Histórias de esperança; Contos de todo canto – e muitos outros.


U

Quartas

de

Babel ,

ma mini Babel acontecia todas as quartas-feiras, desde setembro de 2010 até maio de 2013, quando grupos de jovens e adultos praticavam conversação em inglês, francês, espanhol, italiano, alemão e português, durante uma hora. “Os grupos se reuniam ao redor das mesas da Biblioteca, sobre as quais estavam as placas de sinalização com

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a literatura em várias línguas o nome da língua. Em cada grupo havia um professor-animador da conversação. Todas as línguas faladas ao mesmo tempo no mesmo espaço, davam mesmo a sensação de estar em uma Babel”, comenta Valentina Drago, animadora da conversação em italiano. Os grupos mais concorridos eram os de inglês e de português para estrangeiros, formado prin-

Terças E n Cont (R)os , projeto começou em 2010, a partir de uma oficina para contadores de histórias. Com a rotina já institucionalizada na Barca com o Sarau de Histórias desde 2007, com os passeios de barco com narração de histórias desde 2005,

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Vestibular ,

cipalmente por estudantes em intercâmbio entre escolas e universidades. O projeto funcionou em parceria com a The Language Club, CCA, A Frasca Veneta, LLE/UFSC, ItalianOnline, Floripa Wave, e Italian Per Te, além de amigos da Barca que atuaram nessa Babel. A boa notícia é que as Quartas de Babel vão recomeçar ainda este ano.

um espaço para formação

muitos contadores passaram a fazer da Biblioteca local de encontro para troca de experiências. “Ali sempre foi um espaço de formação permanente, com acesso fácil para a criação de repertório, que inclui um número sem fim de histórias”, afirma Sérgio Bello, coordenador

dos Saraus. É um grupo aberto, não fixo. A cada mês, novos contadores se juntam ao grupo, alguns aprendizes, outros já tarimbados. “Uns ficam, outros vão, levando histórias para todos os lados”, acrescenta Guido Löff, contador de histórias.

quando as obras conversam entre si

m 2007 e 2008 a Barca dos Livros criou uma turma de leitura orientada, que lia os livros indicados para o vestibular da Ufsc e da Udesc. Nas semanas que antecediam o vestibular eram realizadas sessões de sínteses, aproximações e cruzamentos entre as obras. Essas reuniões foram intituladas de “Encontros: As obras conversam entre si”. Em 2011, uma vez por mês, havia uma sessão de análise de uma obra, com leitura de trechos

e discussão, aberta a vestibulandos e ao público em geral. Dentre os livros lidos com a turma ou trabalhados, destacamos: O Ateneu (Raul Pompeia), Relatos Escolhidos Silveira de Souza), Dom Casmurro (Machado de Assis), Comédias para Ler na Escola (Luis Fernando Verissimo), Dona Narcisa de Vilar (Ana Luisa de Azevedo Castro), Nova Antologia Poética (Vinícius de Moraes), Dois Irmãos e A Cidade Ilhada (Milton Hatoum), O Pagador de Promessas (Dias Gomes) - com exibição

do filme), Amrik (Ana Miranda), Relatos de Sonhos e de Lutas (Amilcar Neves), Encontro de Abismos (Júlio de Queirós) - estes dois com a presença dos autores, Bagagem (Adélia Prado), O Santo e a Porca (Ariano Suassuna), A Legião Estrangeira (Clarice Lispector), Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto – com leitura dramática). Como a demanda não alcançou o número mínimo desejado, a experiência encontra-se, no momento, desativada.


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Oficinas multiplicam as experiências ma série de oficinas gratuitas foram promovidas pela Barca dos Livros como parte do projeto Ponto de Cultura - Porto de Leituras. O objetivo é criar e desenvolver uma rede de atividades que envolvem práticas diferenciadas de leitura, promover a ampliação das oportunidades de encontro entre o texto literário e o leitor, e incentivar a leitura. Os Pontos de Cultura são projetos financiados e apoiados pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Secretaria Estadual de Turismo, Cultura e Esporte, através da Fundação Catarinense de Cultura, que buscam a realização de ações de impacto sociocultural nas comunidades. É um programa de ampla diversidade cultural e gestão compartilhada entre o poder público e a comunidade. “Com o Ponto de Cultura Porto de Leituras buscamos a inclusão social e cultural dos moradores da região – crianças, jovens e adultos”, explica Tanira Piacentini. O acesso ao livro, nas oficinas, se faz pelos mais diferentes contextos: o livro, textos eletrônicos, material multimídia (CDs, DVDs), histórias contadas e lidas em voz alta e leitura dramática. “Nós criamos uma sala multimídia para formação, capacitação em novas tecnologias e produção de materiais digitais”, informa Tânia Piacentini, coordenadora da Barca dos Livros. Foram capacitados professores, crianças e jovens através do acesso gratuito a cursos, oficinas e atividades de incentivo à leitura, utilizando o contexto multimídia e visando à formação de líderes literários comunitários. “Procuramos resgatar também as práticas culturais de larga e importante história, como a leitura em voz alta e a declamação de poemas, ressaltando seu uso como uma das artes de sedução do leitor”, afirma Roberson Corrêa, gestor cultural e monitor da sala de Multimídia. Além das oficinas realizadas através do Ponto de Cultura, muitas outras têm sido oferecidas desde 2004, como a realização da Oficina de Introdução à Tipografia, na Editora Noa Noa, ministrada por Kleber Teixeira (foto), sócio fundador da Amantes da Leitura. Com elas tem-se ampliado o acesso de crianças, jovens e adultos ao livro e à leitura. De tempos em tempos, a Barca oferece capacitação a crianças, jovens e adultos da comunidade para uso de novas tecnologias, promovendo a inclusão digital, cultural e social. As oficinas ampliam a circulação das obras e textos de literatura e permitem que professores, estudantes de escolas

públicas e pessoas da comunidade tenham acesso gratuito a livros e a cursos de formação. “As oficinas, assim como as demais atividades culturais, têm permitido o desenvolvimento e enriquecimento ético, estético e afetivo do público-alvo do projeto, contribuindo para a consolidação da sua cidadania”, assegurou Sayonara Salum, também participante de oficinas na Barca.

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cinema embarca na aventura literária

Cinema também tem espaço na Barca dos Livros. Em diversas oportunidades, foram exibidos filmes para adultos e crianças, neste caso muitas vezes em parceria com a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, de quem a Barca é parceira. As projeções para adultos são sempre seguidas de conversas sobre a obra exibida, não raro, com a presença de diretores do filme ou especialistas em cinema. Em parceria com Império Produções e Adricopetti Filmes e Apoio Cultural de Tempo Glauber, foi exibido Barravento, de Glauber Rocha, comentado por José Geraldo Couto. Olhar de um cineasta, de Cesar Cavalcanti, teve a presença do diretor. Outras exibições foram: Simpatia de Limão, curta de Miguel Oliveira; Dom Hélder, o Santo Rebelde, de Érica Bauer;

Danças do Coração, de Carlos Guilherme Vogel do Amaral; Sem palavras, de Kátia Klock; e Brizola, de Tabajara Ruas. Houve, ainda, um bate-papo com as professoras de cinema e vídeo da Unisul Tatiana Lee e Adriane Canan sobre o cinema cubano, destacando o cineasta Santiago Alvares e seu documentário NOW. O escritor Tabajara Ruas falou sobre a obra literária no cinema (criação e roteiro). E também sobre Literatura e Cinema, falou o cineasta Nélson Pereira dos Santos – este filmava em Florianópolis “ A luz do Tom”, e gravou uma entrevista com a irmã de Tom Jobim no Café Sombreado – à época o Café da Barca dos Livros.

Mostra

de Cinema e edição de livros Todos os anos, a Barca do Livro faz um trabalho em parceria com a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. No início, improvisou-se uma Sala de Leitura, aberta aos sábados e domingos no Centro Integrado de Cultura (CIC), lugar da Mostra. Atualmente, esse espaço passou a funcionar durante toda a Mostra. O livro O Patinho Feio, editado pela Sociedade Amantes da Leitura em parceria com o Sesc/SC (tradução de Tabajara Ruas diretamente do dinamarquês e com ilustrações de Fernando Lindote, teve 8 mil exemplares distribuídos às crianças das escolas públicas durante a 5ª Mostra de Cinema Infantil e nas próprias escolas. Outro livro editado pela Sociedade em parceria com a Peirópolis foi “O Perseverante Soldadinho de Chumbo”, também traduzido por Tabajara Ruas, ilustrado por Jandira Lorenz.


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Palavras

de quem escreve

trabalho em defesa da cultura desenvolvido pela Barca dos Livros já recebe reconhecimento nacional, tendo sido considerado pelo Ministério de Cultura como um importante Ponto de Cultura. Contudo em nosso Estado o apoio a esta iniciativa ainda é insuficiente. A melhor forma de homenagear Tânia Piacentini e sua equipe é imitá-las em sua luta, para em pouco tempo termos uma pujante frota de amigos do livro e da leitura contribuindo para a formação de leitores críticos e criativos. Egl ê Mal heiro s, escritor a Barca dos Livros é um trabalho muito bonito, que se deve à dedicação de Tânia Piacentini e sua equipe. Hoje, além da biblioteca, é um ativo centro cultural, incentivando a leitura, a reflexão, num ambiente acolhedor, cheio de calor humano. Mas é bom ressaltar: por mais idealista que seja o projeto, ele só perdurará se obtiver apoio concreto e permanente na forma de parceiros e ajuda financeira. S a l i m M i g u e l , e s c r i t o r

A professora Tânia Piacentini construiu um chamariz para a leitura capaz de seduzir crianças em processo cognitivo e adultos que pouco liam, num país onde o preço dos livros é um grande espantalho. Ao criar na placidez da Lagoa da Conceição um projeto integrando escritores, leitores e uma biblioteca altamente interativa com a comunidade, uniu a formosura do lugar ao belo do seu programa. A Barca dos Livros, com imensa dificuldade material, é o mais retumbante programa que conheço de “catequese” pela leitura. Para mim, a professora Tânia Piacentini e seu incansável projeto mereceriam o Prêmio Machado de Assis, da ABL, ou o Monteiro Lobato, este, o grande ícone brasileiro que moldou a frase: “Uma Nação se faz com homens e livros”. Tânia completaria: “Um país desenvolvido se faz com crianças, livros e um lugar tão mágico quanto a Lagoa”. S é r g i o da C o s ta R a m o s , e s c r i t o r Um ponto comunitário de cultura como a Barca dos Livros, por seus objetivos e pelo que tem mostrado do que é capaz, seria certamente considerado indispensável em qualquer país adiantado, quanto mais num tão carente como o nosso,

com tanta coisa a ser feita pela difusão da leitura e pela troca de ideias e experiências. Sob bom comando, a Barca tem mantido o rumo e o prumo, enfrentando e vencendo, como sabemos, não poucas dificuldades. Valentia é com ela. E mais gente vai vendo o quanto ela é para nós necessária. Como não ser um entusiasta da civilizada garra da Barca dos Livros? F l áv i o J o s é C a r d o z o , e s c r i t o r A Barca dos Livros faz parte das nossas vidas há alguns anos. O Gabriel ainda não sabia ler quando começamos a freqüentar o espaço. A cada semana, emprestávamos vários livros. Infantis para o meu filho. Romances, biografias, livros de história para mim e para o Paulo, meu marido. O momento da escolha sempre foi uma delícia. Curtíamos dar uma relaxada nos sofás e almofadas enquanto selecionávamos os “tesouros” que iríamos levar... E essa curtição permanece até hoje! Atualmente é o Gabi quem escolhe os próprios livros. E são tantas boas opções! Graças à Barca, o maravilhoso mundo dos livros se transformou em uma parte muito importante da nossa rotina! D e l ua n a B u s s , j o r n a l i s ta


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