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Petrópolis já nasceu com vocação turística de luxuoso padrão para atender ao pedido de D. Pedro I e, pouco mais de 200 anos após a chegada da família real ao Brasil, ainda guarda ares imperiais foto: Alexandre Peixoto

Por: Bárbara Blas

O Palácio Amarelo, atual sede da Câmara Municipal de Petrópolis, foi construído entre 1894 e 1897 e pertenceu ao Barão de Guaraciaba. Anteriormente, havia um solar de 1850 no local, que não pôde ser aproveitado

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P

alácios, casarões, jardins, teatro, igrejas, obras dos séculos passados. Percorrer a cidade de Petrópolis é fazer uma via-

gem real no tempo — tanto pela riqueza de detalhes quanto pela memória de ilustres personalidades que por lá passaram. Sua criação fez parte do processo da vinda da família real portuguesa para o Brasil. E, para compreender as peculiaridades dessa cidade, é preciso uma consulta aos livros de história. Cerca de 20 anos antes da ideia do que se tornaria a cidade de Petrópolis, o príncipe regente de Portugal, D. João, resolve transferir a corte portuguesa para a sua mais importante colônia, o Brasil, a fim de fugir do ataque das tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte. Em 1808, essa monarquia europeia desembarca no País com suas roupas pesadas de veludo, sapatos afivelados, meias de seda e perucas, como mandava o figurino, ve instalar-se no Rio de Janeiro, promovido à sede oficial da coroa, mas, na época, uma cidade modesta demais para a realeza. Anos mais tarde, D. João torna-se rei, volta a Portugal para não perder o trono e deixa aqui seu filho D. Pedro que, por sua vez, proclama a Independência do Brasil, em 1822, e torna-se imperador. Até aqui, a história é bem conhecida.

fotos: Alexandre Peixoto

e aqui encontra um sol escaldante. Resol-

O terreno do Palácio Rio Negro foi adquirido três meses antes da Proclamação da República. Virou símbolo do luxo vinculado aos milionários do café e foi a casa de veraneio de 13 presidentes brasileiros

Então, vamos à outra parte. Inicialmente, as casas já existentes no Rio de

não combinava com as majestosas edifi-

Silva, retoma os planos do imperador e,

Janeiro foram adaptadas para receber

cações de padrão europeu: além de ser

junto com o engenheiro alemão natura-

a corte, porém, faltava um local mais lu-

um caminho de passagem, a área central

lizado brasileiro Júlio Frederico Köeler,

xuoso para os descansos reais. A fim de

era pantanosa.

coloca em prática o projeto “Povoação-

atender a esse desejo, D. Pedro adquire,

Em 1831, D. Pedro I abdica do tro-

-Palácio de Petrópolis”, aprovado ofi-

em 1830, a fazenda do Córrego Seco, lo-

no, retorna a Portugal e deixa em seu

cialmente por D. Pedro II em 1843. A

calizada no alto da Serra da Estrela, que

lugar seu filho Pedro de Alcântara, com

execução do projeto, no qual foram do-

possuía um clima mais ameno, perfeito

apenas cinco anos. Nesse cenário, tudo

adas terras a colonos livres, especial-

para a sua casa de veraneio. Muitos não

levava a crer que o projeto de veraneio

mente alemães, que iniciaram a nova

acreditavam no projeto, pois o local, reba-

cairia no esquecimento. Mas o mordo-

povoação, resultou na primeira cidade

tizado de Imperial Fazenda da Concórdia,

mo da Casa Imperial, Paulo Barbosa da

planejada da América Latina.

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Tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico), na Avenida Koeler estão alguns belos e importantes casarões do século 19 Construída de pau-a-pique em 1847, a Casa do Colono guarda fotografias e objetos de imigrantes alemães que construíram Petrópolis. Fica no Quarteirão Castelânea — uma referência à cidade alemã Kastellaum

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[ turismo ] Petrópolis, a Cidade de Pedro A presença de D. Pedro II e da corte trouxe grande importância à cidade, que atraiu nobres, políticos, diplomatas dos casarões e hotéis para abrigá-los. A cidade ganhou, também, renomados colégios, hospitais, indústrias têxteis, estradas de rodagem e de ferro. Durante a temporada de verão, que poderia durar até seis meses, a tutela imperial era transferida para Petrópolis. Uma nova fase se deu com a Proclamação da República, em 1889, e consequente banimento e exílio da família imperial. Mas a cidade não perdeu seu

fotos: Alexandre Peixoto

e, consequentemente, foram construí-

O Pai da Aviação, Santos Dumont foi uma das personalidades que passavam férias em Petrópolis. Seu chalé, do tipo alpino francês, foi construído em 1918 e hoje é um museu. Em 2012, foi inaugurado o Centro Cultural 14 Bis, que permite acessibilidade a deficientes físicos, auditivos e visuais Inaugurado em 2012, o Parque Natural da Ipiranga possui 16,7 hectares e é a única área no Centro Histórico com estado avançado de Mata Atlântica

prestígio, tanto que, em 1894, devido à Revolta Armada em Niterói, foi a capital do Estado do Rio de Janeiro por oito anos. E não foi só a família imperial que usufruiu dessa cidade de veraneio. Quase todos os presidentes da República, desde o primeiro, Deodoro da Fonseca, até Costa e Silva, cuja gestão encerrou em 1969, tinham Petrópolis como seu reduto de férias. A Igreja do Sagrado Coração de Jesus, de 1874, foi erguida para ser o lugar de culto e reuniões dos colonos alemães católicos

O Teatro D. Pedro entrou em funcionamento em 1933 e contava também com um cinematógrafo. Ele abrigou e abriga até hoje grandes espetáculos de música, teatro e dança

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A cidade imperial no século 21

aos museus, essa atmosfera é mantida, de certa forma, pela ainda existente família imperial. Quem tiver dúvida

Janeiro, na cidade serrana, cuja alti-

pode visitar o site da Casa Imperial do

tude é 809,5 metros e a temperatura

Brasil (www.monarquia.org.br), sediada

média anual 22°C, há outras vertentes

em São Paulo e chefiada pela S.A.I.R.

que despontam, como nas áreas de

(Sua Alteza Imperial e Real) D. Luiz de

eventos corporativos e de celebrações

Orleans e Bragança, o herdeiro da co-

— casamentos, bodas, formaturas e ani-

roa caso haja o retorno da monarquia.

versários —, na produção de agricultura

Mas houve uma divisão da família nos

orgânica, point gastronômico com 150

anos 1940 pela disputa do suposto

restaurantes para os diversificados gos-

trono. Isso porque D. Pedro de Alcânta-

tos, local para ecoaventuras, além de

ra, neto de D. Pedro II, renunciou, em

ser considerado o maior e mais tradicio-

1908, para casar-se e abriu mão em

nal polo de moda fluminense — a rua Te-

favor do irmão D. Luís, o que daria aos

resa e o bairro Bingen são ótimos locais

seus descendentes o direito ao trono.

para compras. Mas o turismo histórico

Porém, após a morte de D. Pedro, seu

ainda é o carro-chefe, com diversos atra-

filho D. Pedro Gastão alegou que a de-

tivos abertos à visitação. Para abrigar os

cisão paterna não se estenderia aos

turistas, a cidade conta com 93 estabe-

filhos. Seja como for, fato é que parte

lecimentos com alto padrão de qualida-

dos descendentes de D. Pedro II que

sobre a venda de todos os imóveis da

de, que totalizam 4.651 leitos.

foto: Alexandre Peixoto

Distante 65 quilômetros do Rio de

Trono de Fátima: a imagem esculpida na Itália de Nossa Senhora de Fátima é em mármore branco, possui 3,50 metros — sete com a base — e é envolvida por sete colunas que representam os dons do Espírito do Santo

continua em Petrópolis (partidários de

região central da cidade, assim como

E para os que imaginam que os tem-

D. Pedro Gastão) ainda usufrui de um

era cobrado pelas terras dos colonos

pos de impérios pertencem aos livros e

privilégio: recebe o laudêmio, uma taxa

que a povoavam.

foto: isabela lisboa

A Cervejaria Bohemia resgata a cultura cervejeira da cidade imperial e seu “memorial da cerveja” está aberto à visitação

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Museu Imperial

Museu Imperial Adentrar o quarto de D. Pedro II e de D. Teresa Cristina, bem como das princesas Isabel e Leopoldina, percorrer as salas de visitas da Imperatriz, de jantar, de música, do trono e ficar cara a cara com as coroas de D. Pedro I e de D. Pedro II e com o cetro em ouro é possível graças ao Museu Imperial. E o lugar não poderia ser mais apropriado: era o antigo Palácio Imperial, a do na rua da Imperatriz e construído entre 1845 e 1864, possui estilo neoclássico e é constituído por um corpo central de dois pavimentos, um terraço sobre o pórtico e duas alas com 12 janelas cada. Os jardins são conservados até hoje com suas características originais. Após a Proclamação da República, foi alugado aos colégios Notre Dame de Sion e São Vicente de Paulo até ser transformado em museu em 1943. Hoje é um dos mais visitados do Brasil e foi eleito, em 2007, uma das sete maravilhas do Rio de Janeiro. O museu também possui uma sala de exposições temporárias e dois espetáculos permanentes: o Som e Luz, uma superprodução que utiliza efeitos especiais de iluminação e sonorização para reviver a história de D. Pedro II, e Um Sarau Imperial, uma dramatização interativa de uma atividade típica de lazer do século 19. Residência de verão do arquiteto italiano Antonio Januzzi desde 1892, o Palácio Itaboraí atualmente abriga o projeto “Fórum Itaboraí: Política, Ciência e Cultura na Saúde”

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fotos: Alexandre Peixoto

residência de verão de D. Pedro II. Localiza-

De propriedade de José Tavares Guerra, a Casa da Ipiranga foi construída em 1884 e está entre as quatro casas privadas em estado original do século 19 no Brasil. É muito característica pelos lados assimétricos de seu exterior


Muita história e muita natureza O cenário proporcionado pela Serra dos Órgãos permite ao turista sentir o encantamento de D. Pedro I pela região. Em 1939, foi transformado no Parnaso (Parque Nacional da Serra dos Órgãos) e conta com mais de 20 mil hectares de Mata Atlântica protegidos nos municípios de Petrópolis, Teresópolis, Magé e Guapimirim. Seu ponto culminante é a Pedra do Sino, com 2.275 metros.

foto: Jaci Corrêa

O Parque tem a maior rede de trilhas do Brasil: são mais de 130 quilômetros e 40 trilhas com diferentes níveis de dificuldade, uma delas acessível até a cadeirantes. Além disso, há mais de 20 cachoeiras para banho com uma vista de tirar o

fôlego. Os mais aventureiros também não ficarão entediados: é possível praticar montanhismo, escalada, rapel, trekking, arvorismo, tirolesa e ciclismo. A travessia Petrópolis-Teresópolis é o percurso mais desafiador: são 30 quilômetros vencidos em três dias com guia especializado e cujas incríveis paisagens não desapontam. Na água, é possível praticar o cascading — rapel em cachoeiras —, o canyoning — travessia de um rio na qual é preciso transpor obstáculos naturais com técnicas como rapel e escalada —, e o rafting. A região também é bem propícia para voo livre de parapente e de asa delta.


[ turismo ] Palácio de Cristal Após fascínio o do Conde D`Eu, marido da Princesa Isabel, pelo Crystal Palace de Londres, construído para abrigar a Exposição Industrial de 1851, surgiu a ideia de construir uma réplica em Petrópolis. Sua função, entretanto, seria outra: a de acolher um permanente jardim, além de exposições e festas. Assim, a primeira construção pré-fabricada do País, cujas peças foram transportadas da França, foi inaugurada em 1884, na antiga praça da Confluência. Um acontecimento marcante ocorrido no Palácio de Cristal foi em 1° de abril de 1888 em uma festa, na qual a princesa Isabel entregou cartas de alforria a escravos de Petrópolis um mês antes de ter assinado a lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil. Após a Proclamação da República, perdeu sua importância até ser tombado na década de 1960, mas só

Palácio de Cristal

em 1996 foi restaurado. fotos: Alexandre Peixoto

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O hotel-cassino foi construído em 1944 para ser o maior da América do Sul e hospedou milionários e celebridades, mas perdeu o esplendor com a proibição do jogo no País. Atualmente, é o Sesc Quitandinha


Catedral São Pedro de Alcântara

Catedral São Pedro de Alcântara São Pedro de Alcântara — não deve ser confundido com São Pedro Apóstolo — foi instituído o patrono oficial do Império Brasileiro por D. Pedro I e ganhou uma catedral em estilo neogótico francês do século 18. À direita fica a Capela Imperial, onde estão as estátuas jacentes e os restos mortais do imperador D. Pedro II, de D. Teresa Cristina, da Princesa Isabel e do Conde D’Eu, bem como as tumbas do príncipe D. Pedro de Alcântara, neto de D. Pedro II, e de sua esposa D. Elisabeth. O batistério abriga a pia batismal da antiga foto: Alexandre Peixoto

Igreja Matriz, a primeira da povoação. Na subida até da torre, vê-se o órgão, um dos maiores da América Latina, com 2.227 tubos, 33 registros e três teclados manuais. No topo, é possível conhecer os cinco sinos de bronze, que juntos pesam nove toneladas, além de apreciar a vista privilegiada do Centro Histórico.

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Turismo - Petrópolis  

Revista Ecoaventura - Ed. 40

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