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A revista da

alimentação, informação e solidariedade

Ano 3 - N º 5 Março de 2013

Na medida certa O desperdício de alimentos gerado no setor de refeições coletivas

14 a 17 Obesidade: Não é só um transtorno. Condição já é considerada problema de saúde pública O papel do Rotary Club

10 a 13 08 e 09

Design Social para a Creche Boa Esperança 18 19 Cultura Social: Refinaria Riograndense Perfil Social: Walter Lídio Nunes

23


alimentação, informação e solidariedade A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Opinião - Editorial

4

Opinião - Artigo

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Acontece na Rede

6

Voluntariado

8

Segurança Alimentar e Nutricional

10

Combate ao Desperdício

14

Conhecendo os Beneficiários

18

Nossos Apoiadores

19

Rede

20

Qualidade e Capacitação

22

Perfil Social

23

Bancos Sociais

24

Logística

26

Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais Av. Assis Brasil, 8.787, 3º andar Bloco 10 - CEP 91140-001 Porto Alegre (RS)

Jorge Luiz Buneder Presidente do Conselho de Administração do Banco de Alimentos Paulo Renê Bernhard Presidente da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Expediente

Fale com a Redação da Fazer Bem Escreva para: fazerbem@redebancodealimentos.org.br Acesse: www.redebancodealimentos.org.br

Conselho Editorial: Adir Fração, Paulo Renê Bernhard, Antônio Parissi, Sidnei Aragon dos Santos, Maria de Lourdes Giongo, Denise Zaffari, Adriana da Silva Lockmann, Sérgio Ricardo Sant’Anna, Paola Weiss Monti, Daniel dos Santos Kieling, Vanessa Fernandes Jornalista Responsável: Vanessa Fernandes (Reg. 11259) – Prática em Comunicação

Redação: Ana Karla Severo (Reg. 13866) e Felipe Basso (Reg. 11557) Projeto Gráfico e Diagramação: ME GUSTA Propaganda Fotos: Shutterstock, arquivos Sinepe-RS, Rotary Club, Creche Boa Esperança, Celulose Riograndense, Assembleia Legislativa do RS e Bancos de Alimentos. Impressão: Gráfica Trindade Tiragem: 3.000 exemplares Periodicidade: Bimestral


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Opinião

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Editorial

Trabalho e atitude no combate à fome e ao desperdício Em mais esta edição da revista FAZER BEM, continuamos destacando, assim como fizemos desde o primeiro número, matérias sobre a “cadeia de desperdício de alimentos e o combate à fome”. Para nossa satisfação e estímulo ao trabalho que estamos realizando por intermédio de nossos Bancos de Alimentos há quase 13 anos, observamos que em fins de 2012 foi grande a repercussão dada por importantes jornais do mundo inteiro, que publicaram com ênfase o grande volume de alimentos que é jogado fora frente à triste realidade que aflige a humanidade, que é a FOME. Afirmam as qualificadas fontes de pesquisas, reconhecidas pela FAO e UNICEF, que dos QUATRO BILHÕES DE TONELADAS de alimentos produzidos no mundo, DOIS BILHÕES de

Esperamos que se estabeleça na sociedade uma forte articulação buscando melhorar as condições de vida da população Jorge Luiz Buneder Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Banco de Alimentos Coordenador do Conselho de Responsabilidade Social e Cidadania da FIERGS Diretor Presidente da STEMAC S/A Grupos Geradores

TONELADAS vão para o LIXO. Concordamos plenamente que constatações desta ordem só ajudam e precisam ser informadas e alardeadas pelos veículos de comunicação em todos os continentes, buscando fomentar o espanto, a indignação de todos, com o objetivo de induzir a sociedade a uma drástica mudança de ATITUDE. Desta forma, esperamos que se estabeleça na sociedade uma forte articulação tanto para a diminuição do desperdício, quanto para o aproveitamento deste verdadeiro manancial de produtos alimentares, buscando melhorar as condições de vida da população, assim como já praticamos desde o ano de 2000, aqui no estado do Rio Grande do Sul. Por meio de nossa REDE DE BANCOS DE ALIMENTOS, aproveitamos desde os descartes de lojas de supermercados, feiras, alimentos apreendidos, produtos próximos ao vencimento, até os excedentes de produção de cozinhas de Refeições Coletivas. Com isso, e com o apoio das Universidades, Sindicatos, Empresas Industriais, Comerciais, Clubes de Serviços (ROTARY e LIONS) e Escoteiros, já estamos contribuindo para a construção de uma sociedade mais saudável. O resultado não poderia ser outro: maior felicidade, bem-estar, menor evasão escolar e melhor assimilação na escola, diminuição de violência, maior inclusão social, mais respeito, dignidade e cidadania para as pessoas. Por este esforço, pela excelência desta iniciativa de criação do primeiro Banco e Rede de Bancos de Alimentos do país, pela idealização, criatividade, inovação e apresentação de resultados efetivos, ressaltamos ainda a conquista no ano que passou de importantes premiações, tais como o Top Cidadania da ABRH-RS; Medalha de Responsabilidade Social da Assembleia Legislativa e Prêmio Internacional Green Project Awards vieram se somar a nossa já extensa galeria de troféus. Com o mesmo objetivo e entusiasmo, trabalhamos, em 2012, na difusão de Bancos e Núcleos Bancos de Alimentos pelos nossos municípios gaúchos, buscando propagar esta metodologia, promovendo reuniões, seminários e fóruns, com destaque para o Congresso Internacional de Responsabilidade Social Empresarial que realizamos aqui na FIERGS, em Parceria com GEREX e SESI. Nesta edição, estamos destacando também um resumido balanço das grandes conquistas de 2012, novas parcerias e entrevistas com importantes empreendedores sociais que vêm nos acompanhando nesta caminhada de tamanha amplitude social e que conta desde a sua instituição com o apoio e estímulo do nosso Sistema FIERGS.


Opinião

alimentação, informação e solidariedade

Artigo

O desafio gigantesco da Educação Mapear as mudanças, identificar tendências,

O mundo da pós-modernidade

preparar a organização para os avanços que a

patrocina notáveis conquistas, po-

pós-modernidade nos traz, capacitar as pessoas

rém, igualmente, grandes parado-

para a travessia do território das certezas para

xos, com o convívio normal entre

os tempos líquidos das incertezas. No dizer de

riqueza e pobreza, extravagância

Zygmunt Bauman, é o gigantesco desafio dos

e miséria, como se tudo isso fosse

líderes de hoje.

natural ou predestinação.

A instituição educacional deixou de ser ape-

Independentemente da natu-

nas local onde se busca competência cogniti-

reza da instituição educacional,

va, mas transformou-se em comunidade de

ela precisa ter em seu escopo o

aprendizagem. Segundo o jornalista Gilberto

propósito de incluir na formação

Dimenstein, o professor deixou de ser o único

do educando a reverência à vida,

provedor de acesso à informação. O conheci-

ou seja, responsabilidade social,

mento está disseminado e as tecnologias de in-

desenvolvimento sustentável e er-

formação mudaram a cara do mundo.

radicação da pobreza. O ser hu-

A instituição educacional não tem mais alu-

mano não pode ter a pretensão de

nos, reféns da sala de aula, mas cidadãos pla-

passar pela vida com o objetivo de

netários, conectados, interagindo permanente-

ser um vencedor sem olhar para o

mente, cabendo ao professor ser o mediador

lado e ver cada pessoa com direito

da construção do conhecimento. Ele continua

à dignidade.

sendo o mago que transita nesses ambientes – virtual e real – para liderar a travessia. Aí vem a pergunta nuclear: qual o verdadeiro

Para concluir, as palavras sábias de Clarice Lispector: “As pessoas

A instituição educacional precisa ter em seu escopo o propósito de incluir na formação do educando a reverência à vida, ou seja, responsabilidade social.

mais felizes não têm as melhores

papel da escola hoje? Que alunos temos de for-

coisas. Elas sabem fazer o melhor das

mar? Seja em que época da história da huma-

oportunidades que aparecem em seus

nidade vivermos ou que avanços tecnológicos

caminhos. A felicidade aparece àque-

tivermos, estaremos sempre diante de um ser

les que choram. Para aqueles que se

humano, com sentimentos, emoções, sonhos,

machucam. Para aqueles que buscam

procurando sentido de vida. Queremos profis-

e tentam sempre. E para aqueles que

sionais competentes, preparados para os desa-

reconhecem a importância das pessoas

fios do mundo de hoje, capazes de transitar em

que passam por suas vidas”.

diferentes culturas, mas, sobretudo, precisamos de seres humanos plenos, solidários com a dor alheia, comprometidos com um mundo menos egoísta, mais fraterno e humano.

Osvino Toillier Presidente do SINEPE/RS

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Acontece na Rede

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

ANIVERSÁRIO

Banco de Alimentos de Cruz Alta recebe veículo da Rede Ao completar dois anos, o Banco de Alimentos de Cruz Alta recebeu, em outubro, representantes de suas entidades instituidoras, mantenedoras e doadoras, além de diversos outros parceiros para celebrar a data no Salão de Eventos da CDL e Sindilojas da cidade. Na ocasião, o Presidente da Rede de Bancos de Alimentos do RS, Paulo Renê Bernhard, fez a entrega de um veículo ao Presidente do Banco de Alimentos de Cruz Alta, Darci Martins, para auxiliar na realização das atividades da instituição. Nesses dois anos de atuação, o Banco de Cruz Alta já arrecadou mais de 163 mil toneladas de alimentos, beneficiando mais de seis mil pessoas de 28 entidades assistidas. O evento ainda marcou a entrega dos certificados de “Empresa Cidadã” às entidades instituidoras, mantenedoras, doadoras e aos meios de comunicação pelos serviços prestados ao Banco de Alimentos.

Darci Martins (à dir.) recebe chaves da Diretoria da Rede

DOAÇÃO

John Deere doa ao Banco de Cruz Alta Mais de quatro mil quilos de alimentos foram doados pela Fundação John Deere, através da sua filiada SLC Comercial, ao Banco de Alimentos de Cruz Alta, em dezembro último. Parceira do Banco há três anos, a Fundação realiza, anualmente, a Campanha do Alimento, em conjunto com a sua rede de concessionárias. No total, o projeto já arrecadou mais de 148 toneladas de alimentos. A Fundação John Deere ainda trabalha pelo engajamento de outras entidades e voluntários, em prol da geração de benefícios à sociedade.

Executivos da John Deere durante entrega

PREMIAÇÃO

Assembleia Legislativa homenageia Banco de Porto Alegre O Banco de Alimentos de Porto Alegre recebeu, em novembro passado, a Medalha de Responsabilidade Social, concedida pela Assembleia Legislativa. Os principais temas desta edição do prêmio foram Sustentabilidade e Redes de Cooperação.


Acontece na Rede

alimentação, informação e solidariedade

RESULTADOS

Banco de Alimentos de Gravataí distribui 152 toneladas

RECONHECIMENTO

Homenagem na FGBS

Entre 2009 e 2012, 40 entidades cadastradas no Banco de Alimentos de Gravataí receberam cerca de 152 toneladas de gêneros perecíveis e não perecíveis. As doações são provenientes de várias fontes, como supermercados, Clique Alimentos, e eventos artísticos e esportivos. Somente em dezembro de 2012, o Banco de Gravataí recebeu a doação de três toneladas de não perecíveis obtidos em ações realizadas no município. Entre as atividades, destaque para a Pedalada Solidária e para o Jogo das Estrelas, evento organizado pelo clube de futebol Bonamy e promovido pelo Cerâmica Atlético Clube e CTG Aldeia dos Anjos.

A reunião do Conselho de Responsabilidade Social e Cidadania da FIERGS, ocorrida em dezembro último, foi palco da homenagem à instituidora e Presidente da Parceiros Voluntários, Maria Elena Johannpeter, por seus

INFRAESTRUTURA

12 anos de atuação na instituição. Durante a cerimônia,

Novas instalações para o

ocorreu o descerramento de uma placa em sua home-

Banco de Alimentos de Guaíba

Bancos Sociais. Uma outra placa também foi entregue a

nagem, na Galeria de Honra da Fundação Gaúcha dos ela por Heitor José Müller, Presidente da FIERGS, e Jor-

Criado em 2006, o

ge Luiz Buneder, Fundador e Presidente do Conselho de

Banco de Alimentos de

Administração do Banco de Alimentos. Ainda na reunião-

Guaíba inaugurou em

-almoço, Maria Elena Johannpeter recebeu a Comenda

outubro passado a sua

de 10 anos do Banco de Alimentos de Porto Alegre das

nova sede na cidade,

mãos do presidente Antonio Parissi.

localizada na rua João de Araújo César, nº 64. Estiveram presentes na cerimônia de abertura o Coordenador do Conselho de Responsabilidade Social e Cidadania da FIERGS, Jorge Luiz Buneder, o Presidente da Rede de Bancos de Alimentos do RS, Paulo Renê Bernhard, e o Prefeito de Guaíba,

DISTINÇÃO

João Oderich recebe homenagem do BA Canoas

Henrique Tavares. No evento, também foram homena-

O Banco de Alimentos de Canoas realizou a 3ª edição

geados com a medalha de Honra ao Mérito do Banco

do Prêmio Nancy Ferrera Pansera, no dia 10 de dezembro

de Alimentos a fundadora e ex-presidente do Banco

de 2012. A honra é concedida às pessoas que se destacam

de Alimentos da cidade, Marina Toledo, o Diretor-

no desenvolvimento de ações em prol do Banco. No ano

-presidente da Celulose Riograndense – principal man-

passado, os agraciados foram João Adolfo Oderich, Su-

tenedora do Banco de Guaíba – Walter Lídio Nunes, e

perintendente da Refinaria Alberto Pasqualini; Marilena

o Presidente da Associação Comercial, Industrial e de

Mello Gonçalves, juíza no município; e Reinaldo Sbarde-

Serviços de Guaíba (ACIGUA), Cleni Ovalhe.

lotto, presidente da Sbardecar Canoas.

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Voluntariado

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

O papel do Rotary Club no desenvolvimento social Com 107 anos, instituição é a prova de que é possível criar uma rede de voluntariado comprometida e eficaz Esta nova seção da revista, que tem o objetivo de destacar as diversas ações e personagens do voluntariado, peça fundamental para o desenvolvimento social, estreia com a história do Rotary

Com empenho e organização, os rotarianos constro-

Club, rede mundial de pessoas que dedicam seus ta-

em uma verdadeira teia de prestação de serviços hu-

lentos a causas sociais para transformar comunidades.

manitários, fomentando um padrão de ética em todas

Instituidor do primeiro Banco de Alimentos, o de Porto

as profissões e ajudando a estabelecer a paz e a boa

Alegre, o Rotary é parceiro estratégico da instituição

vontade no mundo. A Fundação Gaúcha dos Bancos

e tem participação intensa e massiva, através de seus

Sociais, fortemente identificada com os valores do

voluntários, nas ações de captação do Banco como o

Rotary, tem muitos membros atuantes em comum. O

Sábado Solidário.

Presidente da Rede de Bancos de Alimentos do Rio

Atualmente, a entidade conta com mais de 34 mil Ro-

Grande do Sul, Paulo Renê Bernhard, por exemplo, é

tary Clubs no mundo inteiro, formando o Rotary Inter-

também rotariano. “Os fundamentos norteadores do

nacional, que congrega líderes de negócios, profissionais

Rotary foram os mesmos usados para a criação e con-

e agentes comunitários para o serviço voluntário, visan-

solidação da Rede de Bancos de Alimentos”, destaca.

do à melhoria das comunidades locais e internacionais.

Vale ressaltar que com o empenho dos rotarianos, o

Esses líderes seguem um lema: “Dar de Si Antes de Pen-

Banco de Alimentos de Porto Alegre, por exemplo,

sar em Si”. Tal filosofia rege também a vida pessoal dos

consegue repassar mensalmente às entidades cadastra-

mais de 1,2 milhão de rotarianos(as) que prestam servi-

das um montante de 250 toneladas de mantimentos.

ços em prol da paz, resolução de conflitos, prevenção e tratamento de doenças, recursos hídricos e saneamento, saúde materno-infantil, educação básica, alfabetização e desenvolvimento econômico e comunitário.

Força que está nos voluntários Apenas para ilustrar a importância da atuação dos voluntários no Rio Grande do Sul, recentemente um telefo-


Voluntariado

alimentação, informação e solidariedade

nema da equipe do Banco de Alimentos de Porto Alegre resultou na mobilização de centenas de rotarianos para o cumprimento de uma operação grandiosa que não seria possível sem o empenho do voluntariado. A logística de distribuição de uma carga de farinha apreendida em Foz do Iguaçu só se tornou viável com a participação do Rotary. “Não teríamos como

ano o lema rotário é “Paz através do Servir”. “Para muitos, a paz significa ter um prato de comida. Então, o Sábado Solidário tem o objetivo de erradicar a fome no Estado, trazendo paz para quem tem fome”, defende. Para se ter ideia do alinhamento dos membros do Rotary, Fabiano Carvalho, rotariano há 27 anos e atual Governador do Distrito 4680-RS, fez a

fazer essa distribuição sem os vo-

mesma afirmação sobre a paz para quem

luntários porque sairia mais caro

tem fome. Carvalho também tem a sua

do que comprar a carga aqui no

história de vida atrelada ao voluntariado e,

Estado”, comemora Paulo Renê.

juntamente com a esposa Eunice Gomes

(mais detalhes dessa ação na pá-

de Carvalho, teve papel fundamental na

gina 26).

fundação do Banco de Alimentos de Cama-

Todo esse processo envolve

quã, do qual já foi presidente. Atualmente,

pessoas engajadas como Anto-

o casal atua em diversas causas beneficen-

nio Parissi, Presidente do Banco de Alimentos de Porto Alegre, ex-governador distrital (EGD), e

tes na sociedade como a Orquestra Sinfônica Getúlio Vargas, que tem como missão

EGD Antonio Parissi (à esq.)

oferecer educação musical às crianças em

rotariano há 58 anos e atual co-

período extra-escolar. “Acreditamos que a

ordenador do Sábado Solidário.

criança é a matéria-prima da sociedade,

A história de voluntariado de Pa-

por isso nos dedicamos a elas. Sem falar

rissi iniciou ainda na adolescên-

que, com o tempo, entendemos que aju-

cia, através de sua participação

dar o próximo libera endorfina. É empol-

em atividades sociais e filantró-

gante!”, exclama.

picas, característica que ganhou impulso com o engajamento ao grupo. “Participar do Rotary me

Liane Mautone, Presidente do Rotary proporcionou uma infinidade de Club Independência, no Sábado Solidário

Desafios vencidos e a vencer

oportunidades para dar vazão a

O Presidente da Rede de Bancos de Ali-

minha vocação de voluntário”,

mentos do RS, Paulo Renê Bernhard, des-

ele explica.

taca ainda o modelo de superação que o

Outro exemplo de vida que

Rotary imprimiu ao encampar a grande cau-

se completa com o voluntariado

sa mundial da erradicação da Poliomielite,

vem da história de Liane Mau-

objetivo já cumprido no Brasil. Há mais de

tone, rotariana há sete anos e

25 anos, a instituição realizou um trabalho

Presidente do Rotary Club Inde-

massivo de conscientização através de seus

Governador D. 4680 Fabiano e Eunice pendência, de Porto Alegre. Ela Carvalho em doação à Escola de conta que encontrou no volunta- Circo Camaquã

riado paz e gratificação ao passar

voluntários, e arrecadou fundos para financiar vacinas e imunizar crianças. “Com esse case, o Rotary provou que nada é impossí-

por fases de mudança em sua vida pessoal. “Quando

vel”, diz Paulo Renê. Ele afirma ainda que esse é o gran-

abraçamos uma causa como o voluntariado, o universo

de desafio do Banco de Alimentos, provar que é possível

se encarrega de nos levar por caminhos mais calmos”,

acabar com a fome, maior flagelo da população no mun-

conta. Hoje, ela se destaca pelo talento de reunir vo-

do. “Para cumprir a missão, contamos com o Rotary, que

luntários para o Sábado Solidário e explica que este

integra esse grandioso exército do bem”.

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Segurança Alimentar e Nutricional

NÃO É SÓ UM TRANSTORNO A obesidade cresce e já é considerada problema de saúde pública

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Os pais, a sociedade, os governos, as instituições e a iniciativa privada precisam unir forças urgentemente para conter o crescimento dos índices crescentes de obesidade no Brasil e no mundo. Para se ter uma dimensão da gravidade do problema, os Estados Unidos estão formando a primeira geração de crianças com expectativa de vida menor do que a de seus pais, caso providências rápidas e enérgicas não sejam tomadas. Um relatório formulado pela Fundação Robert Wood Johnson e pela Trust for America´s Health, em 2012, mostrou que 16,9% das crianças e adolescentes norte-americanos entre 2 e 19 anos estão obesos. No Brasil, os dados são semelhantes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo que, deste total, 16,6% dos meninos eram obesos, e entre as meninas esse percentual era de 11,8%. Nas duas últimas décadas, o número de adolescentes na faixa dos 10 aos 19 anos acima do peso pulou de 3,7% para 21,7%. A leitura das estatísticas, entretanto, apenas mascara o problema. A seguir, mostraremos causas, o papel de cada um dos agentes transformadores dessa realidade, e exemplos de iniciativas que já estão sendo realizadas para mudar esse quadro.


alimentação, informação e solidariedade

A origem Avaliar se uma criança está obesa ou não é diferente de avaliar um adulto. Muitas vezes, os próprios pais podem não dar a de-

Segurança Alimentar e Nutricional

Algumas causas da obesidade Menor tempo para as refeições

vida importância à situação, creditando os

Aumento de refeições fora de casa

quilos a mais dos filhos a uma fase normal

Maior consumo de carboidratos

do desenvolvimento. Porém, fatores genéticos são responsáveis somente por uma

simples

pequena parcela das crianças com excesso

Maior consumo de refrigerantes

de peso, sendo os componentes comporta-

e fast foods

mentais e emocionais as principais causas da obesidade nessa etapa da vida. A televisão (e agora videogames, computadores e dispositivos móveis) ainda é considerada a grande vilã. Conforme explica a nutricionista da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Paula Campagnolo, estudos mostram que crianças com excesso de peso possuem 50% de chance de se tor-

Conheça outros mitos comuns da obesidade: “Meu filho e eu somos responsáveis pelo seu problema de peso”. Mentira. Crianças podem ganhar peso por várias ra-

nar adultos obesos. Entre os adolescentes,

zões como fatores genéticos e indisponibilidade de

o índice aumenta para 70%. “E quando a

acesso a alimentos saudáveis.

criança está vendo TV, sua capacidade de registrar o que está ingerindo diminui, tornando o ato de comer automático. E isso é um perigo muito grande”, afirma. Outro fator que deve ser levado em conta

“A estrutura óssea da nossa família é grande, por isso, meu filho parece obeso, mas não é”. Cuidado. É fundamental acompanhar o desenvol-

são conceitos e mitos ultrapassados (veja ao

vimento da criança. Há certos desequilíbrios meta-

lado) como a existência de alimentos per-

bólicos ou hormonais que podem ser responsáveis

mitidos e proibidos que acabam enganando

pelo ganho de peso, mas isso costuma ocorrer em

quanto à origem do problema. “O que deve

menos de 1% dos casos.

se criar é um padrão alimentar saudável, composto por diversos alimentos, porções e horários adequados”, explica Paula. A grande quantidade de tempo que a criança pas-

“Meu filho é pesado. Ele realmente precisa de mais alimentos para se manter saudável”. Mentira. As tabelas de crescimento são extrema-

sa sentada também representa menor ativi-

mente confiáveis, por isso profissionais as utilizam

dade física, ou seja, maior sedentarismo, o

para acompanhar o desenvolvimento das crianças.

segundo grande culpado. *Fonte: Site Healthychildren.org segue

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Segurança Alimentar e Nutricional

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

O papel de cada um O problema da obesidade não tem um único culpado e tampouco um único salvador. A reversão desse quadro será resultado da soma de forças de toda a sociedade, abrangendo famílias, escolas, empresas, instituições públicas e privadas. Cada um desses agentes transformadores tem sua parcela de responsabilidade a ser cumprida para que se possa garantir um futuro mais saudável para as próximas gerações.

Família

Governo

O termo pode ser lugar-comum, mas

Como mostrado no começo

tudo começa em casa, inclusive a edu-

dessa matéria, os números da

cação alimentar. Os pais devem buscar alternativas

obesidade transformaram o problema em um

para driblar os empecilhos do dia a dia moderno

caso de saúde pública. Sendo assim, é nesse

como a falta de tempo e dificuldade de se realizar

sentido que os governos devem pensar suas

refeições em casa, e em família. “Eles devem ser

ações, planejando e estabelecendo programas

modelos, ensinar o filho servindo de exemplo”, afir-

extensivos a toda população, argumenta a nu-

ma a nutricionista Paula.

tricionista Paula. “Cuidar da regulamentação

A especialista destaca que estabelecer porções

da propaganda de alimentos voltados às crian-

controladas dos lanches dos filhos e oportunizar

ças e da diminuição da quantidade de sódio

momentos familiares para as refeições são atitudes

nos produtos industrializados, por exemplo,

simples e que podem evitar inúmeros problemas no

são algumas das iniciativas de responsabilida-

futuro como diabetes e questões relacionadas à au-

de governamental.

toestima, por exemplo.

Escola

Empresas

O dever das escolas é a implantação

A iniciativa privada também

de programas nutricionais, além da re-

possui um importante papel no

estruturação dos programas de educação física.

combate à obesidade. A implantação de pro-

Nessa tarefa, pais e governos devem ser atuantes,

gramas de educação alimentar e o incentivo

sendo não só agentes fiscalizadores, mas também

à prática de exercícios físicos são ações que

partícipes dos processos, sugerindo alternativas

estimulam os colaboradores a reproduzirem

para criar práticas mais saudáveis nas cantinas es-

hábitos saudáveis dentro de suas casas. E con-

colares. (Confira na página ao lado a iniciativa da

sequentemente influenciando filhos, familiares

prefeitura da cidade gaúcha de São Leopoldo)

e mesmo a comunidade onde residem.


alimentação, informação e solidariedade

Segurança Alimentar e Nutricional

Como transformar essa realidade O que faz o Banco de Alimentos

Pelo Brasil Para combater a obesidade no país, administrações públicas federais, estaduais e municipais estão desenvolvendo ações sistemáticas com foco principalmente na prevenção. No Rio Grande do Sul, um exemplo vem da Secretaria de Educação da Prefeitura de São Leopoldo que, em parceria com o Centro Colaborador de Alimentação e Nutrição Escolar (CECANE), implantou, em 2012, um projeto piloto em seis escolas públicas do município. O programa visa à adoção de conceitos de educação alimentar em benefício de alunos da 1ª a 8ª séries. A ação instrui professores a repassarem informações aos alunos de forma lúdica e estimulante. Dentro do mesmo propósito, bimestralmente, é realizado o Dia da Mobilização, em que os pais trabalham na cantina da escola, podendo, assim, conhecer de perto o que seus filhos estão consumindo fora de casa. Para a nutricionista da Secretaria de Educação e professora da UNISINOS, Vanessa Backes, “é fundamental capacitar os professores para lidar com essa questão da alimentação saudável, pois eles também ajudarão os pais na educação alimentar dos filhos”, complementa.

Bancos de Alimentos do RS é o desenvol-

Pelo mundo

vimento de projetos dirigidos à Segurança

Uma das mais recentes e importantes iniciativas internacionais

Alimentar e Nutricional e à Educação Ali-

no sentido de combater o problema da obesidade vem da primei-

mentar. Ações como os programas Primei-

ra-dama norte-americana Michelle Obama, que lidera um progra-

ros Passos, Nutrindo o Amanhã e Oficina

ma mundial de combate à obesidade. Let´s Move é uma iniciativa

do Sabor têm como propósito estabelecer

dedicada a proporcionar um desenvolvimento saudável à geração

e proporcionar condições para que crian-

de crianças nascidas hoje, não só nos Estados Unidos como no

ças e jovens cresçam com a perspectiva de

resto do mundo. Somando estratégias e conhecimentos de todos

uma vida mais saudável. Pelas iniciativas,

os envolvidos, o programa busca assegurar o provimento de infor-

são realizadas avaliações de estado nutri-

mações corretas aos pais, o fornecimento a preços acessíveis de

cional, exames antropométricos (referen-

alimentos saudáveis às famílias e às escolas, entre outras ações.

Um dos principais objetivos da Rede de

tes às proporções e medidas das diversas

No site oficial do projeto (www.letsmove.gov), pais, instituições

partes do corpo), além de oficinas e pales-

públicas, profissionais da saúde e demais interessados poderão en-

tras que beneficiam milhares de crianças

contrar informações sobre alimentação adequada, programas de

e adolescentes das instituições assistidas

atividades físicas, dicas para criação de práticas saudáveis, além de

pelos Bancos de Alimentos da Rede.

registro de locais onde as ações do projeto já foram implantadas.

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Combate ao Desperdício

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Na medida certa O desperdício de alimentos gerado no setor de refeições coletivas: Quais as soluções?

Um mercado altamente pulverizado, com aproximadamente 900 empresas em funcionamento no Brasil, a maioria de pequeno porte, o setor de refeições coletivas tem importantes obstáculos a serem vencidos, tanto do ponto de vista de legislação quanto na cadeia do desperdício de alimentos. Segundo dados do Sindicato das Empresas de Refeições Coletivas da Região Nordeste do Estado do RS (Sindercol), a quantidade de Sobra Limpa (SL), ou seja, dos alimentos excedentes nas cubas das cozinhas industriais que não são consumidos, pode variar bastante dependendo do segmento (hospitalar, industrial, escolar), porém, um percentual médio aceitável gira em torno de 3%. Estudos da entidade, entretanto, indicam que os índices de SL podem variar entre 2,9% a 7,4%. Em uma cidade como Caxias do Sul, por exemplo, onde são servidas cerca de 1,1 milhão de refeições mensalmente, isso seria suficiente para alimentar 10 mil pessoas diariamente. Essa comida não vai para o lixo simplesmente porque o meio empresarial quer. Leis obsoletas e risco de processos judiciais desnecessários corroboram para que todo esse volume de alimento seja jogado fora. Por outro lado, o investimento em tecnologia e a parceria com instituições como o Banco de Alimentos vêm ajudando a dar a destinação adequada aos excedentes alimentares.

Legislação x Desperdício A implantação de novas políticas pode auxiliar e muito na melhor utilização do excedente das cozinhas industriais. Em função da atual legislação, que não estimula o reaproveitamento da produção excedente servida nos refeitórios, diariamente uma quantidade enorme de alimentos é literalmente jogada fora.


Combate ao Desperdício

alimentação, informação e solidariedade

Hoje, no setor de refeições coletivas, a responsabili-

presariais. “Esse índice de sobras se deve, em geral,

dade por danos provocados por gêneros alimentícios

à baixa aceitação da preparação e ao número diário

doados recai sobre as empresas que doam. Isso faz

de refeições nas empresas ser muito variável”, des-

com que muitas delas optem por descartar o alimento

taca Sirena.

a correr o risco de sofrer um processo jurídico ou dano a sua imagem.

Para solucionar esse problema, além dos aspectos legislativos, o presidente do Sindercol destaca a ne-

O Presidente da Rede de Bancos de Alimentos do

cessidade de intervenções mais eficazes na elabora-

Rio Grande do Sul, Paulo Renê Bernhard, reconhe-

ção das refeições tais como planejamento e preparo

ce a necessidade da criação de uma regulação mais

adequados, o melhor conhecimento do perfil dos

eficiente no setor alimentício pelos entraves que ofe-

clientes, além de ações para educação nutricional. “É

rece, e ressalta que a inexistência de uma política

fundamental a quantificação das sobras para possibi-

específica para o reaproveitamento dos excedentes

litar a detecção de falhas na determinação do núme-

estimula, e muito, o desperdício. Uma forma de me-

ro de refeições a serem servidas, no superdimensio-

lhorar essa questão seria a aprovação do projeto de

namento dos clientes e das porções, e na aceitação

Lei 4747-98, também conhecido como Lei do Bom

das preparações. Dessa forma, é possível estabelecer

Samaritano, em tramitação há 13 anos no Senado.

medidas de prevenção, racionalização, otimização da

Essa lei isenta a indústria de alimentos da responsa-

produtividade e redução dos custos com o desperdí-

bilidade civil ou penal, caso uma pessoa sofra algum

cio”, reforça Sirena.

dano provocado por produtos doados. “Com certe-

O valor gasto com o desperdício poderia ser inves-

za, promoveria uma mudança altamente significativa

tido na aquisição de novos equipamentos e em me-

no ambiente empresarial e, com isso, um aumento

lhorias nos processos produtivos para alimentar muito

considerável de doações para nossas comunidades

mais pessoas. “Limitar as perdas de alimentos a fim

carentes”, analisa Bernhard.

de diminuir a demanda por recursos naturais provenientes do setor alimentício e al-

O papel das empresas

cançar a segurança alimentar serão

Conforme o presidente do Sinder-

ainda mais significantes no futuro,

col, Euclides Sirena, o custo mensal

visto que esse setor tende a pro-

com as Sobras Limpas pode atingir de

duzir maior número de refeições

2,2% e 3% do montante gasto men-

com o decorrer dos anos”, explica

salmente com alimentos, represen-

o presidente. Paulo Renê Bernhard

tando um valor elevado para as em-

também reforça: “Alimento que há

presas. Ele explica que o desperdício

alguns minutos atrás satisfez e deu

em unidades de refeições coletivas

felicidade e bem-estar às pessoas,

pode ocorrer em todas as etapas do processo de produção, especialmen-

Euclides Sirena Presidente do Sindercol

te no armazenamento, pré-preparo,

minutos mais tarde, mesmo guardando a mesma qualidade, já não serve mais e se torna lixo? Mas e

cocção e distribuição dos alimentos, isso sem in-

se a destinação destes excedentes pudesse atender

cluir outros recursos como água, energia e mão de

àquelas pessoas com fome o bastante para consumi-

obra. As saladas apresentam as maiores porcenta-

-los, não seria melhor? Não estaria aí a solução para

gens de desperdício, na maioria dos refeitórios em-

erradicar a fome?”, finaliza. segue

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Combate ao Desperdício

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Banco de Refeições Coletivas: poderoso aliado no combate ao desperdício COMO É O PROCESSO Ao término do serviço de atendimento aos colaboradores das empresas, um nutricionista verifica o excedente disponível nas cubas, sendo esse colocado em um hotbox (na foto) hermeticamente fechado, com temperatura

O QUE É Criado no ano 2003, integra o projeto dos Bancos Sociais da FIERGS e tem como presi-

mínima de 70º C, e imediatamente transportado para a instituição conveniada ao Banco. Apenas em 2012, foram doadas 368.000 refeições, captadas das 65 empresas de refeições coletivas vinculadas ao Banco.

dente o industrial Hermes Gazzola.

CONHEÇA O FLUXO DE TRABALHO DO BANCO DE REFEIÇÕES COLETIVAS

OBJETIVO A missão do Banco de Refeições Coletivas é transformar o desperdício em benefício social. De um lado, o Banco identifica nas cozinhas industriais os excedentes alimentares produzidos e não consumidos que permanecem nas cubas. De outro, cadastra instituições do terceiro setor que apresentam necessidades de alimentos.

QUEM PARTICIPA O Banco de Alimentos é o grande guarda-chuva do processo, participando do acompanhamento. É o Banco de Alimentos que também firma o contrato entre as partes envolvidas: empresas de refeições coletivas, empresas contratantes dessas empresas de refeições, instituições beneficiadas, parceiros transportadores e nutricionistas.

O hotbox conserva o alimento para o transporte e o consumo


Combate ao Desperdício

alimentação, informação e solidariedade

Mais desperdício

Metade do alimento produzido no mundo vai para o lixo Dois bilhões de toneladas de alimentos deixam de ser utilizadas no mundo por falta de distribuição correta É difícil de acreditar que até 50% dos alimentos pro-

para a produção deles como a terra, a energia e a água

duzidos anualmente em todo o mundo, ou seja, 2 bi-

também são desperdiçados. A estimativa é de que tanta

lhões de toneladas, sejam jogados no lixo. Para carregar

produção jogada fora represente a perda de 550 bilhões

todo esse volume seriam necessários nada menos do que

de metros cúbicos de água, o equivalente a 370 vezes o

cerca de 40 milhões de carretas com capacidade de 50

volume do Lago Guaíba, em Porto Alegre. E o problema

toneladas cada. Os dados foram divulgados em dezem-

pode se agravar. O relatório apontou que o consumo de

bro passado no relatório Global Food; waste not, want

água no mundo chegará a 13 trilhões de metros cúbicos

not (Alimentos globais; não desperdice, não queira – em

por ano em 2050 devido ao crescimento da demanda

tradução livre), publicado pela Institution of Mechanical

para produção de alimentos.

Engineers, organização que representa engenheiros mecânicos e reúne cem mil membros no Reino Unido.

Todos esses números reforçam a urgência em viabilizar alternativas mais inteligentes para toda a cadeia

Os motivos apontados pelo documento para tanto des-

alimentar, desde a produção no campo até a mesa do

perdício são os mais diversos, mas destacam-se princi-

consumidor. Assim, a Rede de Bancos de Alimentos

palmente as condições inadequadas de armazenamento

do RS procura cumprir o seu papel na busca pela er-

e a adoção de prazos de validade demasiadamente ri-

radicação da fome, atuando tanto no sentido de criar

gorosos. Por exemplo, na Grã-Bretanha, a exigência de

consciência sobre a questão da Segurança Alimentar,

consumidores por produtos com um formato ou cor es-

quanto na Logística Social para distribuição destes ex-

pecíficos também colaboram para esse resultado, fazen-

cedentes alimentares (veja matéria sobre o tema na

do com que 30% das frutas e legumes plantados sequer

página 26).

sejam colhidos. Ainda segundo o relatório, entre 30% e 50% dos alimentos produzidos no mundo por ano, ou seja, entre 1,2 bilhão e 2 bilhões de toneladas, nunca são ingeridos. Nos Estados Unidos e Europa, metade da comida que é comprada acaba sendo jogada fora. “Isto é comida que poderia ser usada para alimentar a crescente população mundial além daqueles que atualmente passam fome”, ressalta Tim Fox, diretor de Energia e Meio Ambiente da organização.

Desperdício não só de alimentos Quando alimentos que poderiam ser utilizados são descartados, os recursos naturais (e finitos) utilizados

Saiba Mais Em edições anteriores (Nº 1, 2, 3 e 4), a revista Fazer Bem publicou uma série de reportagens sobre a cadeia do desperdício, desde a hora em que o produto é plantado até chegar ao consumidor. Em quatro reportagens, o leitor poderá conhecer os obstáculos e desafios a serem vencidos para minimizar o problema do desperdício. As publicações estão disponíveis gratuitamente no site www.redebancodealimentos.org.br.

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Conhecendo os Beneficiários

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Cuidando do futuro Creche Boa Esperança atende mais de 250 crianças com atividades em tempo integral e oferece trabalho educativo para adultos ças dessa forma, investindo em sua educação, não precisaremos cuidar dos adultos no futuro”, destaca Oliveira.

Design para o bem social Além de ser beneficiada com alimentos do Banco e

de participar do programa Cozinha Nota Dez, a Creche Boa Esperança também foi a entidade selecionada pelo Núcleo de Design vinculado à Faculdade de Design da UniRitter e sediado no Complexo dos Bancos Sociais, em Porto Alegre, para receber produtos e soluções de mobiliário inteligente. O projeto é desenvolvido pelo professor Ms. Daniel Quintana Sperb, coordenador do Núcleo, Em 21 de dezembro de 2012, dia que teve as atenções

com apoio do Gestor do Banco de Mobiliários, Deividi

voltadas à profecia Maia que previa o “fim de mundo”, a

Radanovic dos Santos, e tem o design como importante

reportagem da Fazer Bem chegou à Creche Boa Esperan-

aliado e agente de transformação social. Entre as soluções

ça, na Vila Orfanotrófio, em Porto Alegre, para fazer esta

criadas pela equipe para a instituição está o Brincante

matéria. Lá, o sentimento era completamente o oposto às

(foto), móvel usado em sala como organizador, bibliote-

catastróficas previsões. As pessoas encontravam-se espe-

ca e escorregador para brincadeiras infantis. Com a im-

rançosas com o futuro, dedicando energia e comprometi-

plantação do Brincante na creche, a equipe do Núcleo

mento as mais de 250 crianças atendidas.

identificou a necessidade de adaptação do produto para

Carlos Alberto de Oliveira, Presidente da Creche, explica

o espaço e para atividades pedagógicas desenvolvidas no

que a entidade, fundada em 1980, nasceu da necessidade

local. Essa percepção até então inédita foi um passo im-

de se ter um lugar onde os filhos permanecessem enquan-

portante que contribuiu tanto para os usuários na creche,

to os pais trabalhassem. Atendendo em tempo integral, o

quanto para quem o produziu, induzindo à evolução no

local tem uma equipe de quase 30 integrantes, incluin-

processo de criação. Antes disso, o Núcleo apenas produ-

do pessoas da comunidade, assistente social, psicóloga e

zia o mobiliário, sem prever adequações ao espaço físico

uma diretoria voluntária. As crianças são divididas por fai-

de cada instituição. “Acreditamos que essa vivência

xa etária: Berçário (quatro meses a cinco anos) e Serviço

nos traz conhecimento, e a adaptação do produ-

de Apoio Educativo (seis a 13 anos). A entidade também

to gera benefícios que motivam a instituição

oferece trabalho educativo de padaria e confeitaria para

no processo pedagógico que envolve

adultos, atividades como capoeira, educação física, balé

o brinquedo”, ressalta Deividi. A

e judô, e um Telecentro com 10 computadores para uso

Creche Boa Esperança conta

dos atendidos e comunidade. A infraestrutura conta ainda

ainda com outros pro-

com sala de vídeo e biblioteca, montadas com a ajuda

dutos

da sociedade, instituições privadas e da Fundação Gaúcha

pelo Núcleo.

dos Bancos Sociais. “Acreditamos que cuidando das crian-

desenvolvidos

Brincante


alimentação, informação e solidariedade

Nossos Apoiadores

Refinaria Riograndense: cultura social no combate à fome Todos os números que envolvem a Refinaria de Petróleo Riograndense S/A são grandes: 40 hectares de área, 100 mil m³ de capacidade de armazenamento de matéria-prima, 17 mil barris de petróleo/dia. Mas tão significativa quanto seus números é a sua cultura de ações voltadas à Responsabilidade Sócio-ambiental. Com o Banco de Alimentos, a empresa possui sólida parceria. É mantenedora do Banco de Rio Grande, proposta idealizada e encampada pelo atual Diretor Superintendente da companhia, Hamilton Romanato, que já possuía conhecimento sobre

Atualmente, educação e sustentabilidade são as duas li-

a estrutura e, principalmente, a se-

nhas que definem quais ações receberão incentivos. Além

riedade e credibilidade do Banco

do Banco de Alimentos, a empresa ainda apoia os projetos

de Alimentos da cidade. “Estamos

Pescar, Escola Sustentável, Cinema Itinerante, entre ou-

junto com o Banco de Rio Gran-

tros. Para Romanato, porém, é preciso ir além. O execu-

de desde o início, principalmente,

tivo acredita que a maior demonstração de responsabili-

porque é um projeto consistente”,

dade social de uma empresa é fazer bem feito aquilo para

afirma Romanato.

o que ela foi constituída. “Isso gera criação de empregos

Com 75 anos de existência, a Re-

e resultados econômicos positivos, requisitos fundamen-

finaria de Petróleo Riograndense de-

tais para possibilitar a participação social”. Mais do que

senvolve ações socialmente respon-

uma transferência de recursos, do que uma contribuição

sáveis há muito tempo. Desde antes

financeira, Romanato incentiva a criação de uma cultura

da entrada dos novos controladores em 2007, quando

social dentro da própria empresa, que deve ser refletida

ainda se chamava Ipiranga S/A, sempre manteve um re-

nas atitudes cotidianas. Assim, os eventos internos da Re-

lacionamento muito próximo com a comunidade de Rio

finaria, como a Semana de Prevenção de Acidentes, por

Grande, sendo extremamente participativa em ações so-

exemplo, têm como ingresso simbólico a doação de um

ciais. Após a aquisição pela Petrobras, Ultrapar e Braskem,

quilo de alimento. “São pequenas atitudes que ajudam

porém, houve uma interrupção momentânea em alguns

a mostrar que a empresa está realmente comprometida

projetos, que começaram a ser retomados nos últimos

com a causa”, afirma. Um dos projetos para 2013, inclusi-

anos. “Uma empresa do porte da Refinaria precisa estar

ve, reafirma este propósito: a cada doação realizada pelos

presente na comunidade. A própria sociedade espera

colaboradores, a empresa adicionará o mesmo montante.

isso”, explica Romanato.

Multiplicando e dando o exemplo.

Hamilton Romanato Diretor Superintendente da Refinaria Riograndense

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Rede - Rio Grande

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Banco de Alimentos de Rio Grande: aliando forças para crescer Após um ano em operação, entidade tem como desafio ampliar as ações de maior abrangência em benefício da comunidade Para qualquer empreendimento obter sucesso, é preciso investimento. Mas isso de nada adiantaria sem a determinação de querer ver um sonho virar realidade. Inaugurado há pouco mais de um ano, em novembro de 2011, e contando com o trabalho de uma equipe administrativa composta apenas por duas pessoas, o

Sede do Banco de Alimentos de Rio Grande

Banco de Alimentos de Rio Grande já alcançou mais

Veículos e Peças e Associação de Proprietários de Imó-

de 90 toneladas de alimentos em doações, atingindo,

veis de Rio Grande (APIRG). Hoje, já são mais de 70

com isso, mais de 3,2 mil pessoas. Resultado da arre-

instituições participantes, entre instituidores, mantene-

gimentação da sociedade riograndina, o Banco hoje é

dores, doadores e parceiros.

conduzido pela presidente Elza Arrieche e pela gerente e nutricionista Alessandra Wetzel.

A presidente Elza conta que um dos primeiros desafios foi buscar um espaço físico, conquistado em parceria com o SESI. O prédio da avenida Cidade de Pelotas, localizado na região central da cidade, contempla um depósito de 340 m², além de espaço para administração e pátio, de onde saem as doações que ajudam mais de 50 entidades atualmente.

Sensibilização para crescer A falta de recursos humanos para atuar na instituição é uma das dificuldades apontadas pela presidente, que já reúne esforços no sentido de buscar auxílio da preVice-presidente da FIERGS, Torquato Pontes Netto corta a fita inaugural com o Diretor Superintendente da Refinaria Riograndense, Hamilton Romanato

feitura para ceder um profissional que possa se dedicar ao Banco. “Isso nos ajudaria a concretizar ações com maior abrangência”, comenta.

A Refinaria de Petróleo Riograndense foi a primei-

Outro desafio é o trabalho de sensibilização de em-

ra empresa a assinar como mantenedora da entidade

presas do município para tornarem-se mantenedoras

(confira matéria sobre a Refinaria na página 19), acom-

da instituição. E para impulsionar esse movimento, que

panhada ainda pela Formprint, Klinger Comércio de

conta com o apoio da Rede de Bancos de Alimentos do


Rede - Rio Grande

alimentação, informação e solidariedade

RS e de empresas da região, está sendo preparado um comercial para televisão de 30 segundos, com o objetivo de exibir, divulgar e fomentar o trabalho do Banco. Todos estes desafios estimulam a presidente Elza na missão do Banco. Ela confirma que se sente recompensada por atender instituições e pessoas que necessitam do auxílio da entidade. “Não há alegria maior do que ver um sonho que se estendeu por anos virar realidade”, reforça.

Não há alegria maior do que ver um sonho que se estendeu por anos virar realidade Elza Arrieche

Presidente do Banco de Alimentos de Rio Grande

O Banco em números Capacidade de armazenamento: 40 toneladas/dia Quantidade de alimentos doados: 90 toneladas* Entidades beneficiadas: mais de 50* Pessoas beneficiadas: 3.200* Presidente Elza (ao centro) recebendo doação do Polo Naval

* Em um ano de funcionamento do Banco

Dados do Banco Endereço:

Doadores e parceiros (de serviços e alimentos):

Avenida Pelotas, nº 147 - Bairro Cidade Nova

Rede Walmart, Vetorial.net, Viacabo TV, Alô Tintas, Arcoíris Tintas, Ferragem Pinheiro, Alarmes Mello Ltda, Padaria Gaúcha, Padaria Pães e Opções, Padaria e Confeitaria Cia do Pão, Padaria do Canalete, Salisgraf Editora e Gráfica, Sebrae Sul, Posto do Guto, Coperg, Prontex Dedetizações, DM Fumigações, Bia Salgados, Floricultura Cheiro de Mato, Pacotão Comércio Atacadista de Papelaria, Polo Naval, SESI Rio Grande, CIRG (Centro de Indústrias de Rio Grande), VBR Logística, Motobrás Veículos Ltda, Klinger Comércio de Veículos e Peças, Exattus Educação Profissional, Miki e Mackmillan Contabilidade, Casa de festas Tropical Kids, Novo Cargo Transporte de Cargas e Contêineres, Revista Conexão Marítima, Restaurante Fornalha, FURG, Jornal Agora, Jornal Diário Popular, Folha Gaúcha, Rádio Cassino, Rádio Oceano FM, Rádio Nativa, Rádio Minuano, Furg TV, TV Mar, RBS TV, Hortifrutigranjeiros Municipal, Primos Torrense, 6º Grupo de Artilharia de Campanha, 6º Batalhão de Polícia Militar, Corpo de Bombeiros de Rio Grande, Distribuidora Fabiano Zafallon Companhia Ltda, Tranships Brasil Agenciamento Marítimos Ltda, Torquato Pontes Pescados S/A, Escolinha Tia Gleci, Academia Barra Solo, Escola Criança Feliz, Refinaria Riograndense, Receita Federal de Rio Grande, Sport Club Rio Grande, Esporte Clube São Paulo, AMPERG.

Atendimento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h

Contato: (53) 3232.1094 / (53) 8116.8242 www.bancodealimentosriogrande.org.br

Instituidores: FURG, CIRG (Centro de Indústrias de Rio Grande), 6º Grupo de Artilharia de Campanha, FIERGS, SESI, Prefeitura Municipal de Rio Grande, Rotary Club, Lions Club, OAB, Faculdades Anhanguera, Sinduscon, Vetorial. net, Sindicato Rural, Associação dos Panificadores de Rio Grande, Petrobrás, Rede Abraçar, Loja Maçônica União Constante.

Mantenedores: Refinaria Riograndense, Formprint, Klinger Comércio de Veículos e Peças, APIRG (Associação de Proprietários de Imóveis de Rio Grande).

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Qualidade e Capacitação

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Mais qualidade para os grãos Com menos de um ano, Laboratório de Nutrição do Banco de Alimentos eleva padrões dos produtos distribuídos O pavilhão que abriga

de universidades parceiras do

o Banco de Alimentos de

Banco de Alimentos e voluntá-

Porto Alegre, na sede dos

rios. No local, a equipe também

Bancos Sociais, ganhou um

desenvolve novas receitas que

espaço que vem aumen-

são repassadas aos participan-

tando em muito a qualida-

tes das oficinas realizadas no

de dos alimentos que são

laboratório. “Acreditamos que

doados pela instituição às

a qualidade na elaboração do

suas entidades cadastradas.

alimento pode ser um fator de

O Laboratório de Nutrição,

transformação do entendimen-

Gastronomia e Qualidade,

to que as instituições têm sobre

inaugurado em julho de

a importância do cuidado com

2012, foi criado a partir da identificação da necessidade

o processo nutricional”, destaca Adriana. Em 2013, será

de se estabelecer um padrão ainda maior de qualidade

dado ainda mais um passo importante: a inserção das

para os alimentos embalados com a marca própria do Ban-

informações nutricionais nas embalagens dos produtos,

co de Alimentos. O laboratório inclui processos de análise

informações que levarão mais conhecimento a quem ma-

sensorial, tempo de cocção e prazo de validade dos grãos.

nipula e consome.

Evitar a proliferação de pragas comuns da lavoura e insetos também é um objetivo que vem sendo cumprido.

Palco para a Educação Alimentar

Para garantir a eficiência durante a análise, Adriana

Antes realizados na cozinha experimental do Banco,

Lockmann, Nutricionista Chefe do Banco de Alimentos

os projetos de educação alimentar da instituição já es-

de Porto Alegre, explica que são separadas de 100g a

tão sendo aplicados no laboratório. Com mais espaço

300g de grãos aleatoriamente, de sacos com aproxima-

e uma infraestrutura adequada para atender às deman-

damente 60kg. Essas porções permanecem em observa-

das, o local recebeu mais de 35 edições da Oficina do

ção até demonstrarem alteração ou provarem salubrida-

Sabor, 33 encontros do Cozinha Nota Dez e nove do

de. “Quando identificamos qualquer tipo de alteração,

Primeiros Passos. Oficinas para

avaliamos o tratamento adequado ou o descarte. Caso

aperfeiçoamento e boas prá-

o lote com problema não esteja mais no estoque, é pos-

ticas de manipulação de ali-

sível rastreá-lo e retirá-lo de circulação, conferindo mais

mentos ocorridas no laboratório

segurança à distribuição”, relata Adriana. Os grãos sele-

ainda beneficiaram mais de 30

cionados in natura seguem para preparo na cozinha do

instituições e 180 participantes.

laboratório, onde é verificado o tempo de cozimento e

“Temos fome de saber e acre-

feita a análise sensorial com degustação. Após, um laudo

ditamos que isso impulsiona a

é elaborado com as qualificações do produto.

transformação. E o Laboratório

No total, já foram emitidos mais de 30 laudos sob a

foi criado para proporcionar o

supervisão da equipe, que conta ainda com as nutricio-

desenvolvimento que busca-

nistas Mariana Lopes de Brito e Eliziane Werle, estagiários

mos”, conclui Adriana.


Perfil Social

alimentação, informação e solidariedade

Walter Lídio Nunes

Clareza e seriedade para o fazer social A longa e experiente trajetória do Presidente da

se sentirem donos, partícipes da-

Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes, seria

quele empreendimento, o trabalho,

suficiente para se ficar horas a fio ouvindo as suas

o tempo e o investimento podem

histórias. Mas a clareza de pensamento deste enge-

estar sendo desperdiçados”.

nheiro nascido em Porto Alegre, e há quase dois anos

Com mais de 30 anos de atuação

à frente de uma das maiores empresas do Rio Grande

na Aracruz (atual Fíbria) e participa-

do Sul, é instigante e nos faz ir mais longe, parando

ção em inúmeros projetos, Walter

para refletir sobre suas análises de como as empresas

Lídio Nunes reafirma a necessidade

estão conduzindo a criação de valor social de seus

de se acabar com o dogma do con-

negócios. “Este componente deve integrar as decisões

flito “lucro x social”, ou seja, de que

do negócio. Não basta dizer ‘eu dou esmolas e posso

o investimento social é gasto. Ele

dizer que ajudo’”, enfatiza ele.

acredita que cada vez mais haverá

A provocação contundente é feita a partir de sua ob-

a relação entre os poderes, e que a

servação sobre três momentos vividos pelas empresas

resultante social sairá de uma união

nos últimos tempos. Primeiro, foi a revolução da qua-

de esforços cada vez maior entre os setores público e

lidade; posteriormente, a questão ambiental, e agora,

privado. “É preciso estimular a criação de uma consci-

num terceiro momento, vê-se surgir o que ele chama

ência cada vez maior de que o negócio pode ter ganho

de licença social. “Tenho que ser e parecer”, afirma,

social sem prejuízo de crescimento”, explica.

demonstrando a importância de se atuar com transpa-

Atuando também como Vice-presidente da Federação

rência, justificando para as partes interessadas as ações

das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande

realizadas e como elas estão gerando valor social.

do Sul (FEDERASUL), diretor da CIERGS e dirigindo uma

Para Nunes, a criação de resultados sociais depende

empresa que é também mantenedora do Banco de Ali-

essencialmente de criatividade, independentemente

mentos de Guaíba, Nunes vê na instituição Banco de Ali-

do tamanho do negócio. O empresário reforça que as

mentos uma característica peculiar que a distingue como

empresas não devem simplesmente receber um proje-

um poderoso mecanismo de multiplicação. “Esta entida-

to e decidir se o apoiam ou não, mas sim avaliar se

de serve como um viabilizador social”, diz. Ele explica

ele irá realmente ajudar a resolver um problema. “Não

que muitas vezes falta ao empresário o conhecimento de

podemos pensar que temos o remédio, quando talvez

oportunidades sérias com as quais relacionar suas ações

desconheçamos a doença”. Na visão do executivo, o

sociais, e que essa credibilidade do Banco de Alimentos

comprometimento da comunidade envolvida também

estimula tanto pessoas físicas quanto jurídicas a partici-

é fundamental para que a iniciativa alcance o sucesso

par. “O Banco assegura para quem quer contribuir que

esperado. “Pois se os envolvidos não se apossarem, não

a doação chegará ao destino e isso é muito importante”.

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Bancos Sociais

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A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

RESULTADOS

Banco de Tecido Humano auxilia vítimas de Santa Maria O Banco de Tecido Humano, instalado na Santa Casa

de Misericórdia de Porto Alegre, idealizado e implementado pelo Conselho de Cidadania da FIERGS dentro do projeto dos Bancos Sociais, mobilizou os Bancos de Pele do Brasil e do exterior para atender as vítimas do incêndio ocorrido em Santa Maria, em janeiro. Logo um dia após o ocorrido (28 de janeiro), o Banco recebeu doações do Instituto Materno Infantil de Pernambuco, do Banco de Pele do Hospital Juan Garrahan, de Buenos Aires, e do Instituto Nacional de Doação e Transplante de

brana amniótica em doações. Os estoques estão sendo

Montevidéu. O Banco de Pele da Universidade de São

gerenciados pelo Banco de Tecido Humano e enviados

Paulo (USP) também enviou auxílio, totalizando mais de

para os hospitais em que as vítimas estão internadas,

22.000 cm² de pele e cerca de 25.500 cm² de mem-

conforme a necessidade.

PREMIAÇÃO

Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais é Top Cidadania ABRH-RS

DEBATE

Congresso discute a Responsabilidade Social Empresarial como diferencial competitivo A Responsabilidade Social Empresarial Como Diferencial Competitivo de

O Prêmio Top

Mercado foi o tema do Congresso In-

Cidadania ABRH-RS goria

2012,

ternacional de Responsabilidade Social

cate-

Instituições

Sem Fins Lucrativos, foi entregue à Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, durante cerimônia realizada em outubro passado, em Porto Alegre. A premiação, uma das mais importantes nas áreas de gestão de pessoas e cidadania do Rio Grande do Sul, reconhece empresas e instituições que se destacam por suas práticas de desenvolvimento humano e responsabilidade social. Em 2012, a Fundação recebeu ainda outros importantes reconhecimentos como o prêmio internacional “Green Project Awards”, da GCI Portugal, e o “Amigo do Livro”, prêmio da Câmara Rio-Grandense do Livro.

Empresarial, promovido pelo Sistema Palestrante Jorge Luiz Buneder

FIERGS, por meio do Sesi-RS e Centro

Internacional de Negócios (CIN-RS) no âmbito do Programa AI-Invest IV, e em parceria com a Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais (FGBS). Realizado em outubro de 2012, no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, o congresso debateu conceitos éticos e sociais, e o fortalecimento da gestão socialmente responsável. Participaram especialistas como Bernardo Toro, filósofo e educador colombiano; Ledislau Dowbor, professor e consultor de agências das Nações Unidas; Ricardo Voltolini, jornalista e consultor em sustentabilidade empresarial; e Jorge Parente Frota Júnior, Diretor e Presidente do Conselho de Responsabilidade Social da Confederação Nacional da Indústria. Jorge Luiz Buneder, Coordenador do Conselho de Responsabilidade e Cidadania da FIERGS, apresentou o painel “A Tecnologia Social na Prática”, destacando a metodologia na área de Responsabilidade Empresarial desenvolvida na FGBS, e referência no país.


Bancos Sociais

alimentação, informação e solidariedade

INFRAESTRUTURA

Inaugurada nova sede da Casa do Excepcional Santa Rita de Cássia No último dia 22 de novembro, foi aberta em Porto Alegre a nova sede da Casa do Excepcional Santa Rita de Cássia. A instituição está localizada na av. Martim Félix Berta, nº 1.423, e foi especialmente projetada para as necessidades de crianças com lesão cerebral profunda. Na cerimônia de inauguração, Jorge Luiz Buneder, Coordenador do Conselho de Responsabilidade Social e Cidadania da FIERGS e um dos principais apoiadores da causa, foi homenageado

pela

dedicação

em-

Superintendente da Fundação Gaúcha dos Bancos So-

pregada na cons-

ciais e apoiador da iniciativa, também foi agraciado com

trução da sede.

uma placa, juntamente com a Diretoria da Fundação,

Paulo Renê Ber-

entregue por Maria Irene Simões Zenhas, Presidente da

nhard,

Casa do Excepcional.

Diretor

DOAÇÕES

LIVRO

Banco de Vestuários beneficia Santa Casa

Parceiros voluntários arrecadam 15 mil obras na Feira do Livro

Em novembro passado, o Banco de Vestuários da FGBS realizou a doação de 1.190 peças de fraldas e roupas para crianças à Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. A presidente do Banco, Lucila Osório, oficializou a iniciativa entregando os produtos para a Coordenadora da Assistência Social da Santa Casa, Adriane Barbosa. Somente em 2012, o Banco de Vestuários destinou mais de 42 mil quilos de retalhos a entidades beneficentes e grupos de artesãs que transformam a matéria-prima em peças de roupa.

Durante a 58ª Feira do Livro de Porto Alegre, ocorrida em novembro último, diversas editoras realizaram doações ao Banco de Livros da FGBS. A ONG Parceiros Voluntários também esteve presente com dezenas de voluntários incentivando as doações ao Banco de Livros através da campanha “Montanha do Saber”, disposta no palco de autógrafos do evento. No total, o Banco recebeu 15 mil exemplares nas duas semanas de Feira. Toda essa mobilização articulou diversos setores da sociedade com o objetivo de transformar realidades através da leitura. Ao final da campanha, os voluntários empilharam no palco de autógrafos os livros arrecadados, simbolizando a Montanha do Saber. Na Feira do Livro, os representantes da Parceiros Voluntários também prestaram informações sobre o passo a passo para quem deseja se tornar um voluntário.

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Logística

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Logística Social no combate à fome Estratégia ajuda a distribuir de forma inteligente o que se arrecada A Companhia Nacional de Abasteci-

momento, foram distribuídas 680 to-

mento (CONAB), Receita Federal e

neladas. O restante foi dividido em

Ministério do Desenvolvimento en-

mais duas operações, envolvendo

tregaram à instituição a missão de

um total de 120 caminhões. Mais de

distribuir uma carga de Farinha de

1.000 entidades em todo o Paraná

Trigo apreendida em Foz do Iguaçu

foram beneficiadas. O Presidente da

(PR), totalizando 1,2 mil toneladas

Rede de Bancos de Alimentos, Paulo

do produto, de alta qualidade.

Renê Bernhard, explica que o custo

A operação

da operação também era outro fator a ser analisado, e por essa razão apenas instituições do Paraná foram

Para coordenar o armazenamento,

selecionadas para receber o produto.

carregamento e distribuição de todo

“O custo de trazer para Porto Alegre,

este gigantesco volume de farinha, a

por exemplo, seria mais alto do que

Rede de Bancos de Alimentos con-

comprar o produto aqui”, analisa.

tou com a colaboração e inteligência operacional de uma imensa rede de

Logística Social

parceiros, envolvendo desde lideranças locais e Associações Comerciais

O objetivo foi alcançado graças à es-

paranaenses, centenas de voluntá-

tratégia de logística adotada. Ou seja,

Imagine que sua empresa tenha

rios, clubes do Rotary e Lions, e o SE-

neste caso a logística social – definida

arrecadado 35 cobertores em uma

TCERGS (Sindicato das Empresas de

como a capacidade de balancear o

campanha do agasalho, mas o que

Transporte de Cargas e Logística do

processo de distribuição das doações

a entidade que receberá a doação

RS). Além do grande volume, havia

arrecadadas – teve papel fundamen-

precisava mesmo eram blusões de lã.

ainda o prazo de validade do produ-

tal. Para Paulo Renê Bernhard, ainda

Nada seria desperdiçado, até porque

to que se encerraria em 90 dias. O

falta muita inteligência logística na

é fácil colocar os cobertores em uma

que não fosse aproveitado teria de

hora de distribuir o que se arrecada.

caminhonete e levar para uma insti-

ser descartado, o que também gera-

“O que produzimos de alimentos no

tuição que realmente precise. Agora,

ria um sério problema, uma vez que

mundo é suficiente para resolver o

se sua missão é distribuir mais de

para se dispensar toda essa quantida-

problema da fome”, afirma o presi-

uma mil toneladas de um alimento

de é preciso muito espaço, além de

dente. “Mas de nada adianta dispor

perecível, o problema fica bem mais

formas adequadas para evitar prejuí-

das doações se não há inteligência

difícil de resolver, não?

zos ambientais.

nesse processo, um dos alicerces fun-

No ano passado, a Rede de Bancos

O trabalho do Banco de Alimen-

de Alimentos do RS teve este desafio.

tos se deu em etapas: num primeiro

damentais para resolver o problema da fome”, completa.



Fazer Bem - Revista ano 3 nº5