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A revista da

alimentação, informação e solidariedade

Desperdício: Um ciclo que se completa na nossa casa Última reportagem da série sobre a cadeia do desperdício de alimentos destaca as perdas no ponto de venda e na mesa do consumidor 12 e 13 Os instrumentos para Educação Alimentar do Banco de Alimentos

10 e 11

Trabalho modelo: Cerepal

14

O voluntariado da SLC Alimentos

15

O Programa Primeiros Passos

18

No Perfil Social: Renê Mesquita

19

Ano 2 - N º 4 Outubro de 2012


alimentação, informação e solidariedade A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Opinião - Editorial

4

Opinião - Artigo

5

Acontece na Rede

6

Captação

8

Segurança Alimentar e Nutricional

10

Combate ao Desperdício

12

Conhecendo os Beneficiários

14

Nossos Apoiadores

15

Rede

16

Qualidade e Capacitação

18

Perfil Social

19

Bancos Sociais

20 22

Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais Av. Assis Brasil, 8.787, 3º andar Bloco 10 - CEP 91140-001 Porto Alegre (RS)

Expediente Fale com a Redação da Fazer Bem Escreva para: fazerbem@redebancodealimentos.org.br Acesse: www.redebancodealimentos.org.br

Conselho Editorial: Adir Fração, Paulo Renê Bernhard, Antônio Parissi, Sidnei Aragon dos Santos, Maria de Lourdes Giongo, Denise Zaffari, Adriana da Silva Lockmann, Sérgio Ricardo Sant’Anna, Paola Weiss Monti, Daniel dos Santos Kieling, Vanessa Fernandes

Jorge Luiz Buneder Presidente do Conselho de Administração do Banco de Alimentos Paulo Renê Bernhard Presidente da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Jornalista Responsável: Vanessa Fernandes (Reg. 11259) – Prática em Comunicação Projeto Gráfico e Diagramação: ME GUSTA Propaganda Fotos: iStockphoto, Sxc e arquivos Bancos de Alimentos, UNISINOS, UniRitter, Vivo, Cerepal, Grupo SLC e Modular Cargas. Impressão: Gráfica Trindade Tiragem: 3.000 exemplares Periodicidade: Bimestral


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Opinião

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Editorial

Reunidos pela Responsabilidade Social Empresarial O mês de outubro marca a realização de um evento que irá congregar industriais, líderes e gestores de empresas e instituições atuantes nas áreas ligadas ao tema Responsabilidade Social e Empresarial. É com grata satisfação que a FIERGS, SESI-RS, Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais e o Programa Al-Invest realizam o 1º Congresso Internacional de Responsabilidade Social Empresarial – América Latina / União Européia, em Porto Alegre, nos dias 15 e 16. Com atenção especial para as micro, pequenas e médias empresas, uma vez ser este o porte da maioria das instituições brasileiras, o encontro tem a proposta de disseminar e fixar a gestão socialmente responsável pelas empresas no atual

É fundamental a incorporação de reguladores valorativos nos processos empresarias, a fim de equilibrar a diversidade cultural, social e o desenvolvimento econômico.

ambiente brasileiro e mundial. A realização do Congresso segue o curso natural de uma configuração de cenário nacional e internacional em que a Responsabilidade Social é destaque nas discussões econômicas, políticas e sociais. É notória a necessidade de se integrar às estratégias de negócios das empresas os fatores econômicos, ambientais e sociais. Daí deriva a Responsabilidade Social Empresarial (RSE), uma forma de gestão que se define pela relação ética e transparente das empresas com todos os públicos com os quais ela se relaciona, e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade. Hoje, é inaceitável que as empresas continuem a realizar seus negócios baseadas apenas em indicadores meramente financeiros e mercantilistas. Agora, passa a ser fundamental a incorporação de processos com parâmetros, a fim de equilibrar diversidade cultural, social e o desenvolvimento econômico. Com o objetivo de oportunizar um ambiente de profícuo debate a respeito, o Congresso inclui na pauta temas como o diferencial competitivo da RSE e seus stakeholders (investidores, acionistas, clientes, funcionários, fornecedores, comunidade, meio ambiente, governo e sociedade), a tecnologia social abrangendo a gestão empresarial sustentável, ISO 26.000, liderança e a educação na sociedade sustentável. Esperamos que esta oportunidade seja proveitosa para que os participantes interessados possam expandir seus conhecimentos e sua atuação em Responsabilidade Social, onde os princípios éticos são os norteadores da gestão sustentável.

Jorge Luiz Buneder Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Banco de Alimentos Coordenador do Conselho de Cidadania FIERGS Diretor Presidente da STEMAC S/A Grupos Geradores


Opinião

alimentação, informação e solidariedade

Artigo

O engajamento empresarial Faço um convite para que ao longo deste

dizer que proporcionar ali-

singelo texto nos congreguemos para cele-

mentos para as entidades as-

brar a capacidade que temos de somar nos-

sistidas é ajudá-las a poderem

sas forças solidárias na construção de uma

dedicar-se mais intensamente

sociedade onde todos caibam, uma socie-

à sua missão de educação e

dade com menos desigualdades e mais dig-

de proporcionar assistência e

nidade humana.

bem-estar às pessoas. Enfim,

O atalho que escolhi nesta trilha temática,

de ajudar a desenvolver os ci-

ou seja, para falar da importância do enga-

dadãos. As equipes coordena-

jamento empresarial na responsabilidade

doras das entidades ficam de-

social, são dois apontamentos a partir da

soneradas de correr atrás do

experiência dos Bancos de Alimentos, que

alimento material para pode-

é um dos melhores produtos da “indústria

rem dedicar-se mais aos ou-

da cidadania”, do Conselho de Cidadania

tros alimentos, construtores de

da FIERGS.

cidadania. Os braços de alcance

Em primeiro lugar, as empresas que colo-

social das empresas se estendem

cam em sua pauta o apoio à iniciativa dos

infinitamente no cuidado com a

Bancos de Alimentos devem estar atentas

vida da própria sociedade.

Os braços de alcance social das empresas se estendem infinitamente no cuidado com a vida da própria sociedade.

a uma questão tremendamente mobiliza-

Os Bancos de Alimentos são

dora e geradora de cidadania. Trata-se da

filhos legítimos da expressão

função pedagógica do próprio cadastro e

“indústria da cidadania”, que é

acompanhamento das entidades sociais de

marca da Fundação Gaúcha dos Bancos So-

assistência e promoção da vida, existentes,

ciais, de responsabilidade do Conselho de

às centenas, nos bairros de nossas cidades.

Cidadania da Fiergs.

Trata-se de um trabalho às vezes esquecido

A responsabilidade social, mais do que usa-

na rotina do dia a dia de uma comunidade. É

da como novo fator competitivo, deveria ser,

importante que fique em evidência, porque

no espelho deste exemplo paradigmático,

isso nos ajuda a valorizar a vida, dentro de

fator de solidariedade entre as empresas na

nossas consciências. Pessoalmente, fico emo-

causa maior, que é de todos: a preservação

cionado ao ver equipes de pessoas dedicadas

da vida e as condições de acesso universal

em trabalhos sociais, gastando as suas vidas

a uma cidadania plena em nossa sociedade.

e dando carinho a grupos sociais que vivem em situação de marginalidade, de exclusão e de risco. Em segundo lugar, eu sempre gosto de

Pe José Ivo Follmann S.J. Presidente do Banco de Alimentos Vale dos Sinos Vice-Reitor da Unisinos

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Acontece na Rede

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

APOIADORES

Novos parceiros no combate à fome No primeiro semestre do ano, a Rede de Bancos de Alimentos do RS e o Banco de Alimentos de Porto Alegre firmaram parceria com importantes redes de supermercados do Estado (confira lista completa). Esses supermercados já estão realizando a campanha Sábado Solidário e doando hortifrutigranjeiros para os Bancos de Alimentos. A Unilever e a Cooperativa Piá (que já colaborou com a doação de toneladas de alimentos lácteos) também passam a integrar o time de parceiros da Rede no combate à fome.

Rede Atacadão, com lojas em Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, Pelotas, Rio Grande, Gravataí, Porto Alegre e Santa Maria Carrefour, com as lojas em Porto Alegre, Caxias do Sul e Canoas Rede Unidasul Rissul, com lojas em Porto Alegre e Grande Porto Alegre Rede ASUN, com lojas em Porto Alegre e Grande Porto Alegre

APRIMORAMENTO

Banco de Alimentos ganha Laboratório de Análise Sensorial Foi inaugurado em julho, em Porto Alegre, pelo fun-

nidades atendidas e clubes de mães, com cursos que

dador e presidente do Conselho de Administração do

oportunizem o aprendizado de um novo ofício para

Banco de Alimentos, Jorge Luiz Buneder, o Laboratório

gerar renda.

de Análise Sensorial da Rede de Bancos. No local, é possível realizar a análise dos alimentos antes de serem doados às entidades beneficentes – garantindo, assim, maior qualidade das doações – e também trabalhar a educação alimentar com crianças, adolescentes, educadores e cozinheiros das instituições, aliando os princípios da nutrição e da gastronomia em benefício de uma alimentação mais apropriada e saudável. Futuramente, o Banco de Alimentos também pretende utilizar o laboratório para capacitar pessoas das comu-

RESULTADOS

Quase três milhões de quilos doados em 2011 Este foi o resultado de 2011 alcançado pelo Banco

carentes, e o “Nutrindo o Amanhã” realizou avaliação

de Alimentos do RS (Porto Alegre), divulgado em julho

nutricional de mais de 1.200 crianças em 2011. Jorge

durante a Assembleia Geral Extraordinária do Banco.

Luiz Buneder, fundador do Banco de Alimentos, tam-

Na oportunidade, foi apresentado o Relatório de Ativi-

bém foi reeleito Presidente do Conselho de Adminis-

dades e os resultados obtidos pelo Banco que, somente

tração Gestão 2012-2014. Ele ressaltou o trabalho que

no ano passado, arrecadou e doou mais de 2.900.000

vem sendo feito por todo o empresariado gaúcho na

quilos de alimentos. Os projetos de nutrição e segu-

área de Responsabilidade Social e falou do compro-

rança alimentar tiveram grande destaque no período.

misso do Banco em entregar todos os meses o alimento

O “Cozinha Nota Dez” já beneficiou 87 instituições

para quem mais precisa.


Acontece na Rede

alimentação, informação e solidariedade

DOAÇÕES I

Rede distribui 680 toneladas de farinha em uma única operação A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a Receita Federal e o Ministério do Desenvolvimento confiaram a logística de retirada e distribuição de 680 toneladas de farinha de trigo à Rede de Bancos de Alimentos. Fruto de uma apreensão de um total de 1.200 toneladas feita em agosto e setembro, em Foz do Iguaçú, o produto foi carregado e distribuído para instituições nos estados do RS, SC e PR. Estiveram envolvidos mais de 80 caminhões de transportadoras parceiras, centenas de voluntários, empresas, empresários e clubes de serviços. Em uma segunda operação, foram doadas mais de 300 toneladas de farinha, totalizando quase 1.000 toneladas do produto. Recentemente, a Rede também recebeu 312 toneladas de água de coco da Empresa PEPSICO, concluindo a retirada e posterior distribuição do produto.

DOAÇÕES II

Cooperativa Piá, nova parceira do Banco

Rapidinhas TÍTULO

Banco do Rio de Janeiro é OSCIP A certificação Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) foi concedida ao Banco de Alimentos do RJ, este ano, pelo Ministério da Justiça. O título facilita a conquista de novas parcerias para que a entidade possa ampliar a atuação.

CAMPANHA

Colaboradores da Vivo doam ao Banco A

Campanha

do

Quilo da Rede de Bancos de Alimentos, realizada pela

em

julho

empresa

Vivo

com seus colaboradores, arrecadou mais de duas toneladas de alimentos. Grande parte da doação foi composta por leite, um dos produtos mais solicitados pelas entidades beneficiadas. Os mantimentos foram entregues ao Banco de Porto Alegre.

CAPACITAÇÃO

Oficina do Sabor em Porto Alegre Nos meses de setembro e outubro, o Banco de Alimentos de Porto Alegre realizou três cursos na área de gastronomia, por meio do projeto “Oficina do Sabor”. Voltados a cozinheiros e auxiliares de cozinha das enti-

Em julho, foi a vez da Cooperativa Agropecuária

dades beneficiadas, os cursos trabalharam o aperfeiçoa-

Petrópolis Ltda. (Piá) doar 30 toneladas de alimentos

mento em técnicas culinárias e a gastronomia saudável.

como iogurte, creme de leite, queijos, entre outros, à Rede de Bancos de Alimentos. Os produtos foram encaminhados às entidades beneficentes atendidas pela Rede nas cidades de Porto Alegre, Gravataí e

MOBILIDADE

Revista Fazer Bem no celular e tablet

Cachoeirinha. A Piá foi fundada em 1967, no muni-

A revista Fazer Bem, da Rede de Bancos de Alimentos,

cípio de Nova Petrópolis (RS), e atua na fabricação de

está disponível para leitura agora também em smartpho-

laticínios, com destaque para doce e creme de leite,

nes e tablets que possuam o sistema operacional An-

iogurtes e bebidas lácteas. Também produz doces de

droid ou IOS, podendo ser baixada na Android Market,

frutas, bebidas à base de soja e rações.

na App Store e no Revisteiro MAGTAB, gratuitamente.

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Captação

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

De quilo em quilo Projeto de captação de mantimentos da Rede de Bancos de Alimentos, a Campanha do Quilo conta com a adesão de centenas de voluntários doações para as suas diversas entidades conveniadas atendidas.

Estímulo à participação Grande parte dos 18 Bancos de Alimentos que integram a Rede no Rio Grande do Sul já promove o incentivo à realização do projeto de forma sistemática, a cada mês. Os Bancos realizam o trabalho de captação, e o resultado é destinado às suas instituições cadastradas. A Direção do Banco de Alimentos de Porto Alegre, por exemplo – que é a unidade modelo dos padrões para a Rede –, realiza reuniões periódicas em empresas e entidades, e palestra para centenas de possíveis voluntários do público interno, com o intuito de apresentar a missão do Banco e a Campanha do Quilo. Conforme o presidente do Banco de Porto Alegre, Antônio Parissi, a ideia é fazer com que as empresas e A mobilização de empresas e pessoas, sejam elas atuando de forma individual ou em grupos, é um ato nobre que distingue uma sociedade organizada e solidária. Foi com esse propósito, de arregimentar ainda mais seguidores e voluntários para a causa do combate à fome e do auxílio a quem mais necessita de apoio, que a Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul criou a Campanha do Quilo.

instituições absorvam o projeto, evolvendo e sensibilizando os seus voluntários corporativos. “Dessa forma, divulgamos o projeto a muitas pessoas que querem ajudar, mas que não sabiam como até então. E as empresas e entidades nos abrem as suas portas para que possamos levar essa informação até as pessoas”.

A logística como facilitadora

O projeto consiste na organização e mobilização es-

Outro diferencial da Campanha do Quilo é que o

pontâneas de funcionários de empresas e entidades

projeto conta com toda a estrutura dos Bancos para

como universidades, escolas e clubes de serviços, que

armazenamento, logística e distribuição das doações.

elegem um determinado dia a cada mês como o “Dia

Os voluntários apenas têm a tarefa de reunir os ali-

da Doação”. Nesta data, os colaboradores e integran-

mentos em um dia do mês, na sua instituição. Todo o

tes das instituições se propõem a levar um quilo de

trabalho de recolhimento dos mantimentos e posterior

alimento não perecível, que posteriormente será enca-

distribuição fica a cargo dos Bancos de Alimentos, que

minhado para os Bancos de Alimentos, e revertido em

direcionam os donativos às suas centenas de entidades


alimentação, informação e solidariedade

beneficiadas conveniadas, conforme as principais demandas do momento. O engajamento das diversas empresas, entidades e voluntários do Rio Grande do Sul no projeto resultou, apenas em 2011, no recolhimento de mais de 100 toneladas de doações no Estado. As quantidades de alimentos variam a cada mês, porém as doações nunca são inferiores a seis toneladas. Essa forma de captação vem crescendo anualmente, representando uma parcela considerável da arrecadação total dos Bancos de Alimentos. Em 2012, a previsão é que alcance a ordem de 12% do volume geral. Para 2013, a campanha tem planos de expandir-se. Uma equipe já está criada para desenvolver projetos junto a escolas, como gincanas e concursos, para incentivar o hábito da contribuição de forma ainda mais plena na sociedade, e desde cedo. “É mais uma semente que é lançada, e que começará a frutificar rapidamente, temos certeza”, destaca com entusiasmo Antônio Parissi.

CONHEÇA APENAS ALGUMAS DAS CENTENAS DE EMPRESAS E ENTIDADES ENVOLVIDAS NO RS BADESUL DESENVOLVIMENTO BRDE COLÉGIO LEONARDO DA VINCI GBOEX GERDAU GRÊMIO FOOT-BALL PORTO ALEGRENSE PARCEIROS VOLUNTÁRIOS PURAS SEBRAE SPORT CLUB INTERNACIONAL STEMAC S/A GRUPOS GERADORES TELEFÔNICA TERRA VIVO

Captação

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Segurança Alimentar e Nutricional

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Design para Inovação Social Em parceria com universidades, Banco de Alimentos cria projetos de educação alimentar e transformação social O trabalho sistemático de combate à fome realizado

FGBS. Coordenado e criado pelo professor Daniel Quin-

pela Rede de Bancos de Alimentos do RS ao longo dos

tana Sperb, o Núcleo está vinculado à Faculdade de De-

anos tem como um de seus principiais pilares a Educa-

sign da UniRitter, e atua com a colaboração de 11 bolsis-

ção Alimentar (EA) para gerar Segurança Alimentar. Atual-

tas da disciplina de Projeto de Produto IV.

mente, a EA é meta prioritária de diversos países que têm

Entre os projetos já desenvolvidos, estão produtos e

por objetivo combater as chamadas doenças crônicas,

soluções de mobiliário inteligente para Instituições de

que tanto impactam as populações. Nesse sentido, pro-

Educação Infantil. “Na criação dos sistemas, utilizamos

jetos vanguardistas vêm sendo criados em todo o mundo,

o design como agente de transformação, articulando

como é o caso dos programas desenvolvidos pelo Ban-

saberes de áreas como Pedagogia, Educação Especial e

co de Alimentos e Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais

Nutrição”, explica o Profº Daniel Sperb. Semestralmen-

(FGBS), em parceria com universidades gaúchas.

te, o Núcleo realiza intervenções nas entidades, aplican-

A integração com a Academia visa atender as necessida-

do os projetos.

des sociais por meio da criação de soluções customizadas

Os seguintes sistemas estão em fase de acompanha-

e contemporâneas que melhorem a qualidade da EA de

mento junto à Creche Boa Esperança, em Porto Alegre, e

quem mais precisa. Para isso, o Banco de Alimentos e a

são exemplos de produtos criados para atender as ques-

FGBS vem trabalhando em parceria com a UNISINOS e a

tões relacionadas à educação alimentar:

UniRitter em diversos programas voltados às demandas de suas instituições conveniadas, e que tem o Design como importante aliado e agente de transformação social.

Mobiliário criativo

Agá: Ganhador do Prêmio de Design Masisa 2012, o projeto é uma horta para crianças feita

Desde setembro de 2011, está em operação na sede do

a partir de uma chapa de

Complexo dos Bancos Sociais, em Porto Alegre, o Núcleo

madeira e quatro metades

de Gestão da Inovação de Design Social da UniRitter. A

de garrafas PET. Nela, as crianças aprendem a plantar tem-

iniciativa busca a qualificação contínua dos projetos da

peros e hortaliças e a preservar o meio ambiente.


alimentação, informação e solidariedade

Segurança Alimentar e Nutricional

Para: Mesa e cadeira escolar

série de protótipos de dispositivos de EA, atualmente

para potencializar a educação

em fase de evolução para implementação nas práticas

nutricional na sala de aula.

regulares do Banco de Alimentos.

Quatro chapas coloridas clas-

Essas soluções atuam como suporte nas entidades

sificam os tipos de alimentos e

conveniadas, podendo ser utilizadas para treinar as

se encaixam na superfície da

equipes de alimentação e potencializar o trabalho re-

mesa. O professor tem total

alizado pelas nutricionistas do Banco nas escolas. Entre

autonomia para utilizá-las da melhor forma, incentivando

os vários projetos da UNISINOS, estão:

o equilíbrio alimentar. Dia do Super Chef: é um dia em Rodízio: Mesa de refeitório

que o banco realizará atividades

escolar, criada para integrar e

práticas e lúdicas nas instituições

incentivar as crianças a uma

cadastradas. Essas atividades têm a

alimentação saudável por meio

finalidade de transportar as crianças

de brincadeiras e atividades

do mundo real para o mundo da

que estimulem o lúdico e a compreensão do coletivo.

fantasia, fazendo com que aprendam de maneira divertida a impor-

Servir: Produto-sistema que visa melhorar o acesso e

tância dos alimentos e quais as suas

a organização no refeitório

origens. O projeto prevê diversas

escolar. Inova a partir do seu

brincadeiras com instrumentos e a

desenho, que delimita o espa-

“Revista do Super Chef” como su-

ço utilizado por cada criança a

porte para que o Banco complete a comunicação com

partir da colagem de adesivos.

as crianças e os pais.

Modtable: Mesa para refeitório pré-escolar, modular

Laboratório de Magias: projeto de experiência vi-

e que se ajusta aos mais va-

vencial que une os conceitos de ciência e mágica para

riados ambientes. A proposta

explorar o imaginário e o real, agregando conhecimen-

é integrar as crianças em um

to e brincadeira. As crianças encarnam o personagem

convívio saudável e valorizar

“Pequeno Cientista Mágico” e descobrem, experimen-

o apreço pelo momento da

tando e transformando os alimentos,

alimentação.

novos sabores e formas de visualizá-los.

Dispositivos divertidos A parceria de longa data da UNISINOS com o Banco de Alimentos também vem se refletindo na criação de uma série de serviços e soluções de Educação Alimentar (EA) em benefício da sociedade. Por meio da interação das profissionais de Nutrição do Banco com a Escola de Design da universidade, através da disciplina Atelier de Projeto 4, sob a coordenação das professoras Karine Freire e Clarice Debiagi, foram desenvolvidas, em 2011, uma

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Combate ao Desperdício

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

A hora do consumo Última reportagem da série sobre a cadeia do desperdício de alimentos destaca as perdas no PDV e na mesa do consumidor Ao longo de toda a trajetória do alimento – que começa no plantio, passando pela colheita, armazenamento,

Perdas no ponto de venda Entre os segmentos de mercado brasileiros que re-

manuseio, transporte, centrais de abastecimento, pontos

gistram as maiores perdas de alimentos, o varejo su-

de venda, culminando na hora do consumo – estima-se

permercadista vem liderando. Em 2010, essas perdas

que, apenas no Brasil, 64% do que é plantando se perde

representavam aproximadamente 2% do faturamento

entre os elos da cadeia. E o último ciclo dos produtos,

das empresas, correspondendo a cerca de 3,7 bilhões

quando eles já se encontram disponíveis para serem

de Reais. A distribuição geográfica do desperdício mos-

consumidos, representa cerca de 10% do total do que

tra que a região Nordeste ocupa o primeiro lugar no

é desperdiçado. As causas das perdas no atacado, no

ranking, com 48% desta fatia, contra 19% da Região Sul.

varejo, no food service e na própria mesa da população

Conforme Paulo Magnus, consultor de empresas, pa-

são inúmeras. Entretanto, todas podem ser solucionadas

lestrante e instrutor do SEBRAE e da Associação Gaúcha

com mudanças simples e sistemáticas na cultura e nos

de Supermercados (AGAS), as principais razões para a

processos empresariais e dos consumidores.

ocorrência de perdas nos pontos de venda incluem o


alimentação, informação e solidariedade

Combate ao Desperdício

mau gerenciamento e emprego dos recursos, e a falta

plica ainda que, nos últimos dez anos, os índices de per-

de atenção e conhecimento sobre o tratamento dos pro-

das em seções como hortifruti caíram pela metade, graças

cessos de gestão. Nos supermercados, as seções mais

à qualificação dos produtos, treinamento de funcionários

visadas em termos de desperdício são as de perecíveis,

e avanços tecnológicos. Para contribuir no processo de

hortifrutigranjeiro, frios, laticínio, açougue, padaria,

qualificação, a AGAS disponibiliza ao segmento super-

confeitaria e rotisseria. Atualmente, os perecíveis repre-

mercadista capacitações sobre gestão para prevenção de

sentam aproximadamente 40% do faturamento das em-

perdas. “Oferecemos cursos em Porto Alegre, em nosso

presas, correspondendo a uma participação de 30% do

supermercado modelo, e no interior do Estado, na escola

que é perdido. Ele explica que, na ordem de represen-

móvel. O supermercadista já criou a cultura da redução

tatividade, as quebras operacionais, ou seja, que estão

de quebras e sabe que o diferencial de sua empresa pode

relacionadas à falta de métodos e processos, manipu-

ser a minimização destes desperdícios, e por isso a de-

lação, recebimento, armazenamento e exposição dos

manda por estes treinamentos é grande. Em cinco anos,

produtos, ainda representam a maior causa das perdas,

mais de 800 profissionais do setor já participaram de nos-

chegando a 32,8% do total. “O desperdício no PDV, as-

sos cursos”, afirma o presidente Longo.

sim como no consumo, é tudo aquilo que deixamos de aproveitar bem, que usamos inadequadamente e sobre

O papel do consumidor

o que não temos correto conhecimentos sobre a utiliza-

Último elo da cadeia do desperdício, o consumidor

ção. Hoje, por exemplo, 57% das empresas ainda não

muitas vezes não possui a consciência sobre a responsa-

possuem programas de prevenção de perdas. Mas das

bilidade que detém na prevenção das perdas de alimen-

que implantaram ou já tinham programas, 56% diminu-

tos. O desperdício gerado nessa etapa, fruto do mau uso

íram o desperdício”, destaca Magnus.

e consumo dos gêneros, ocorre nas refeições realizadas

As alternativas para minimizar e solucionar o problema

dentro e fora do lar como em restaurantes, lanchonetes

do desperdício nos pontos de ven-

ou em qualquer outro local que

da passam pela reestruturação da

ofereça alimentação pronta. De

cultura e dos processos de gestão.

acordo com o Instituto Akatu,

O consultor Magnus aponta quais

organização

são os quatro macro pilares da pre-

brasileira dedicada a promover o

venção de perdas. “Enumeramos

consumo consciente, uma família

os recursos humanos, os procedi-

brasileira desperdiça, em média,

mentos operacionais, a tecnologia

20% dos alimentos que compra

da informação e da segurança, e,

no período de uma semana.

não-governamental

não menos importante, as metas,

Conforme a presidente do Mo-

o acompanhamento, o monitora-

vimento de Donas de Casa e Con-

mento e a avaliação geral da cadeia

sumidores do Rio Grande do Sul,

do PDV”. O presidente da Asso-

Edy Maria Mussoi, o desconheci-

ciação Gaúcha de Supermercados,

mento sobre procedimentos sim-

Antônio Cesa Longo, destaca que

ples a serem adotados pelos gesto-

a regra número um é a capacitação dos operadores de

res domésticos explica o problema do desperdício gerado

perecíveis para um bom gerenciamento da área. “Mas a

no consumo. “As pessoas costumam comprar em quanti-

redução de perdas e desperdícios de alimentos abrange

dades erradas, e nem sempre adotam processos certos de

também uma série de outros quesitos, como a correta

armazenamento e conservação dos gêneros, o que reduz

seleção dos fornecedores, o controle de qualidade e esto-

a vida útil dos produtos. Por falta de informação, o ali-

que e os cuidados com logística. E as empresas que mais

mento não é utilizado totalmente e nem corretamente.

se destacam no mercado atualmente são justamente as

Providências simples e atitude responsável são a solução

que estão atentas à diminuição dos desperdícios”. Ele ex-

para esse problema”, finaliza.

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Conhecendo os Beneficiários

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Atendimento modelo

O Cerepal nasceu do amor de pais que acreditaram na reabilitação de seus filhos com objetivo terapêutico. Credenciado ao Banco de Alimentos de Porto Alegre, o Cerepal recebe doação de gêneros alimentícios regularmente. No local, são servidas 2.100 refeições por mês, sendo três ao dia. A nutricionista responsável, Daniela Ribeiro da Silva, ressalta que a prioridade é oferecer alimentos ricos e variados como feijão, arroz, legumes, frutas e leite aos atendidos. Saionara Schiling, psicopedagoga e diretora da entidade, salienta que o Banco é um parceiro importante da instituição e principalmente da Escola Especial Cerepal, “pois fornece alimentos de qualidade e em quantidade adequada à necessidade para beneficiar Um local para receber e dedicar atendimento especializado, com atenção e carinho, para reabilitação de crianças com lesão cerebral. Foi a partir da constatação

todos os 99 matriculados”. A entidade re-

dessa necessidade que, em 1964, um grupo de famílias

cebe

alunos

a

se reuniu para fundar o Centro de Reabilitação de Porto

partir dos quatro

Alegre – Cerepal. Associação de direito privado, de ca-

anos. O atendi-

ráter assistencial e beneficente, o Cerepal é um centro

mento é realizado

de média complexidade sob filosofia filantrópica. Presta

por uma equipe

atendimento a crianças, adolescentes e adultos com pa-

de dois voluntá-

ralisia cerebral, através de atividades multidisciplinares,

rios e 56 colabo-

buscando atingir o máximo desenvolvimento do seu po-

radores,

tencial, independência e integração com a sociedade.

um deles ex-aluno

sendo

A instituição oferece regime de externato e tratamen-

da casa, Carlos

to multidisciplinar com espaços dedicados a diversas

Marra. O Cerepal

atividades motoras, médicas e psicológicas. Mais de 150

é presidido por Sérgio Marques Moura e também conta

pessoas são atendidas pela entidade, que conta com in-

com o auxilio de instituições como o Rotary Club de Por-

fraestrutura completa construída em uma área de mais

to Alegre São João, seu parceiro mais antigo, que além

de 2.300 m². Entre as diversas práticas especiais ofere-

de contribuir na construção de prédios do complexo,

cidas pelo Cerepal destacam-se os projetos sensoriais,

recentemente fez a doação de um elevador ao Centro

quiropraxia, orientação para pais, responsáveis e cuida-

de Reabilitação, oferecendo ainda mais acessibilidade ao

dores, e o Projeto WII, que utiliza um vídeo game inte-

local. Para a concretização desta doação, o Rotary con-

rativo para estimular os movimentos de membros afe-

tou com a parceria das empresas THYSSENKRUPP e ALO

tados. Esta última ação distingue o Cerepal como único

Empreiteira, conforme destaca o empresário Adir Fração,

centro de Porto Alegre a utilizar esse recurso tecnológico

membro do Rotary Club São João.


Nossos Apoiadores

alimentação, informação e solidariedade

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O trabalho de voluntariado da SLC Alimentos A SLC Alimentos, uma das importantes empresas apoiadoras do Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul, iniciou suas operações em 2000, mesmo ano da fundação

boradores voluntários responsáveis por planejar e execu-

do primeiro Banco de Alimentos do Estado, o de Porto

tar as iniciativas criadas para auxiliar entidades apoiadas

Alegre. Integrante do Grupo SLC, a SLC Alimentos foi cria-

pelo projeto. Com o apoio das lideranças das empresas,

da a partir da aquisição das marcas Namorado, Americano

o GAS também tem a tarefa de mobilizar os demais co-

e Bonzão, e hoje se encontra entre as maiores empresas

laboradores a se engajarem nas campanhas, que se es-

do mercado nacional de arroz branco. Nos últimos anos,

tendem ainda à participação em ações promovidas pela

para atender todo o território nacional, expandiu o seu

sociedade diante de tragédias naturais. Um exemplo foi

parque industrial para

o envolvimento realizado em prol da população afetada

as principais regiões do

pelos desmoronamentos de terra ocorridos em função

Brasil, tendo atualmente

das chuvas no Rio de Janeiro, em 2010.

unidades em Alegrete/

As ações do GAS geram mensalmente, apenas ao Ban-

RS, Capão do Leão/RS,

co de Alimentos, aproximadamente 750 kg de arroz

Tatuí/SP, Paraíso do To-

branco e 330 kg de feijão preto em doações. Conforme

cantins/TO e Jaboatão

o Diretor Geral da SLC Alimentos, Fer-

dos Guararapes/PE.

nando Carvalho, a prática do volunta-

Mas a SLC Alimentos

riado já está plenamente consolidada

não se destaca apenas

na empresa. “É um trabalho totalmen-

nos negócios. A empre-

te incorporado à rotina dos nossos co-

sa também desempenha

laboradores, o que muito nos orgulha”.

um importante papel na

O Presidente do Grupo SLC, Eduardo

área de Responsabilidade Social, através da promoção do

Logemann, destaca o forte compromis-

voluntariado. Essa iniciativa é posta em prática por meio

so do Grupo, desde a sua fundação,

do envolvimento dos colaboradores não apenas da SLC Alimentos, mas também das demais empresas do Grupo:

em 1945, com o desenvolvimento das Diretor Geral da SLC Alimentos comunidades em que estão inseridos.

SLC Agrícola, SLC Comercial, Ferramentas Gerais e Hotel

“Nossas iniciativas de cunho social multiplicam-se por

Ouro Verde. Todos os mais de cinco mil colaboradores

todo o Brasil, não por mero assistencialismo, mas porque

são incentivados a participarem das ações sociais promo-

acreditamos que somente uma sociedade justa, cidadã,

vidas pelo GAS (Grupo de Ação Social), mantido nas uni-

ciente de seus direitos e deveres é capaz de promover

dades das empresas do Grupo em todo o Brasil. O GAS é

o seu desenvolvimento de maneira sustentável, para si e

conduzido pelas Comissões Sociais, compostas por cola-

para as gerações futuras.”

Eduardo Logemann Presidente do Grupo SLC

Fernando Carvalho


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Rede - Canoas

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

Banco de Alimentos de Canoas: integração com a comunidade Voluntários, mantenedores e parceiros trabalham há cinco anos consolidando a instituição

Superação Localizado na rua Expedicionário, 182, no bairro Nossa Senhora das Graças, o Banco de Alimentos de Canoas beneficia atualmente mais de 40 entidades, entre asilos, creches e comunidades terapêuticas. Com 370m², o depósito abriga até 90 toneladas de alimentos, e conta com o expediente de Vinícius Bilhalva, gerente administrativo, e Ana Débora Bemfica, nutricionista responsável técnica, além de voluntários. Inicialmente instalado em uma garagem, a infraestrutura do Banco foi a primeira dificuldade superada. Ao longo do tempo, novos parceiros surgiram e o atual prédio foi cedido em comodato à instituição pelo empresário Antônio Rapach. O transporte dos alimentos Sede do Banco de Alimentos de Canoas

conta com a parceria de um de seus mantenedores, a Modular Cargas, empresa do setor de transporte de

Fundado em 2007, o Banco de Alimento de Canoas surgiu do empenho da comunidade, do empresariado e de órgãos da esfera pública, em benefício de um objetivo em comum: o combate à fome e a melhora da qualidade de vida das pessoas. Integrando a Rede de

cargas, sediada em Canoas, que disponibilizou um veículo especialmente para a logística dos gêneros.

Integração Uma das características da entidade é a sua forte in-

Bancos de Alimentos do RS, o Banco de Canoas, atual-

tegração com a comunidade. A equipe do Banco de

mente com o empresário Renê Mesquita na presidên-

Alimentos realiza visitas periódicas para conhecer as

cia, obteve a adesão de diversos membros e lideranças

instituições beneficiárias cadastradas e aplica projetos

da cidade para impulsionar o seu lançamento. Entre

nutricionais utilizados pela Rede de Bancos. Quanto à

eles, estão João Pierotto e Jandir Bueno, integrantes da

distribuição de alimentos, a média mensal é de apro-

diretoria adjunta, Simone Leitte, presidente da Câmara

ximadamente 15 mil Kg, resultando em uma doação

de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas, o empre-

de mais de 150 mil Kg em 2011. O presidente do

sário Paulo Fritzen, e representantes da Unilasalle e do

Banco de Canoas, o empresário e diretor superinten-

jornal Diário de Canoas.

dente da Modular Cargas, Renê Mesquita, ressalta o


Rede - Canoas

alimentação, informação e solidariedade

Acredito que praticar a solidariedade faz bem à saúde, acalma e fortalece o nosso coração. É muito gratificante trabalhar com empreendedores e voluntários cidadãos, em benefício de uma sociedade principal objetivo da instituição e o trabalho dos envolvidos. “Nós, nossos voluntários e parceiros acreditamos que é possível desenvolver ações para arrecadar ainda mais mantimentos, evitando, assim, o desperdício, e trabalhando em prol da

mais justa e fraterna. Renê Mesquita

Presidente do Banco de Alimentos de Canoas

erradicação da fome na cidade”.

Futuro Mesmo com o Banco de Alimentos de Canoas consolidado, a diretoria está em constante busca por novas parcerias. Contando com mantenedores comprometidos, que respaldam a entidade, o Banco de Alimentos de Canoas também trabalha com o apoio de parceiros estratégicos para o desenvolvimento de suas atividades relacionadas à administração e manutenção da estrutura. Para Mesquita e toda a diretoria, a meta para o futuro “é

Dados do Banco Endereço: Rua Expedicionário, 182. Bairro Nossa Senhora das Graças. Canoas (RS).

Atendimento: Segunda à sexta, das 8h às 17h.

tornar o Banco de Alimentos de Canoas uma referência não

Contato:

apenas em sua missão primeira, que é o combate à fome,

(51) 3059.1559

mas também como peça que contribui para a educação nutricional e segurança alimentar. Queremos ainda ampliar nossa participação em projetos sociais na área da saúde, investindo de forma solidária e integrada com todos os segmentos da sociedade”. O presidente ainda destaca a importância de dar visibilidade ao Banco, através da demonstração dos benefícios gerados, valorizando o seu papel social e servindo de estímulo ao empresariado e à sociedade. “Todo o ser humano merece ter direito à saúde e dignidade, e é para isso que estamos trabalhando. Contamos com o engajamento de todos”, finaliza.

O Banco em números

Instituidores: Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas, Clube de Advogados de Canoas, Emater/RS, Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, Rotary Internacional, ULBRA, Lions, Parceiros Voluntários e Instituto Walmart.

Mantenedores Master: Petrobrás, Governo Federal, Modular Cargas, Casa Rapach e Prefeitura de Canoas.

Mantenedores: Urano, Ótica Vênus, Organização Funerária Padre Reus LTDA e Sbardecar FIAT.

Localizado em 350 m² de área Depósito com capacidade de armazenar 90 toneladas de alimentos

Parceiros Estratégicos:

Atende mais de 40 entidades parceiras

Qoppa, Reciclasul, UniControl, Inviolável, Project e ADM Administração Contábil LTDA.

Distribui 15 mil Kg de alimentos/mês

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Qualidade e Capacitação

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

A importância dos Primeiros Passos

Projeto já conhecido internacionalmente vem melhorando a saúde de crianças de até 24 meses Integrante do rol de programas de qualidade e capacitação do Banco de Alimentos de Porto Alegre, o projeto Primeiros Passos investe na promoção da saúde de crianças de zero a dois anos, faixa etária que merece atenção especial pela imaturidade fisiológi-

Passos estão visitas regulares para conhecimento da reali-

ca e vulnerabilidade. Através de ações específicas junto

dade das instituições, elaboração de relatórios com suges-

a entidades conveniadas ao Banco, o projeto busca a

tões para corrigir os problemas identificados, orientações

garantia de uma alimentação saudável, que inicia com

feitas na própria escola e entrega de material educativo.

o aleitamento materno, a introdução adequada dos ali-

Os funcionários das entidades também são convidados a

mentos complementares e a adoção de hábitos corretos

participarem de oficinas práticas sobre aleitamento ma-

de higiene visando à prevenção de infecções.

terno e alimentação complementar, realizadas no Ban-

Criado em 2010, o projeto iniciou com uma pesqui-

co de Alimentos. “Com esse conhecimento em mente,

sa minuciosa sobre o estado de saúde e bem-estar das

além de mudar a qualidade alimentar dos atendidos, os

crianças matriculadas em escolas atendidas pelo Ban-

profissionais têm a opção de transformar a escola em um

co que possuam berçário – locais que devem ser fisica-

espaço onde as crianças podem brincar e aprender coisas

mente adequados para receber esta faixa etária. Desde

novas, permitindo o seu desenvolvimento físico e intelec-

o início do programa, a equipe do Primeiros Passos –

tual. Dessa forma, elas compreenderão desde pequenas

formada por nutricionistas, biomédica e estudantes de

o que é viver em grupo”, ressalta Mariana.

Nutrição – identificou problemas relacionados à anemia e infecções geradas por falta de conhecimento nutricio-

Resultados e perspectivas

nal e de higiene adequada.

Em dois anos de projeto, já foram atendidas 24 escolas,

“Através de nossas pesqui-

96 profissionais e 260 crianças. Após as primeiras inter-

sas, constatamos que cerca

venções junto às entidades, foram aplicados questioná-

de 60% das crianças avalia-

rios aos cozinheiros, coordenadores e professores das

das apresentavam anemia.

instituições para verificar a amplitude do conhecimento

Mas com algumas mudan-

apreendido, o que resultou no estudo intitulado “Impac-

ças de procedimentos, as

to de um programa de orientação em alimentação infantil

instituições podem passar a

sobre os conhecimentos dos profissionais de creches”. O

praticar formas mais corre-

case do estudo já foi apresentado no 3º Simpósio Inter-

tas de alimentar as crianças”, relata a nutricionista Ma-

nacional de Nutrologia Pediátrica, realizado este ano em

riana Lopes de Brito, supervisora do projeto no Banco

Fortaleza, e ainda será levado a congressos que aconte-

de Alimentos.

cem em Porto Alegre/RS e Havana/Cuba, ambos no mês

Entre as principais ações promovidas pelo Primeiros

de novembro.


Perfil Social

alimentação, informação e solidariedade

Renê Mesquita

Multiplicador da solidariedade O empresário Renê Mesquita, atual presidente do

Na Modular, Renê

Banco de Alimentos de Canoas e diretor superinten-

foi e ainda é o prin-

dente da Modular, empresa do setor de transporte de

cipal

cargas, costuma contar que o seu caminho profissional e

da responsabilidade

pessoal foi percorrido a partir das bases herdadas de seu

social, estimulando a

pai. Décimo filho de uma família de 12 irmãos, Renê

sua equipe a engajar-

guardou na memória os seus ensinamentos: “Ser huma-

-se no voluntariado.

no e ser sempre solidário com todos. Meu pai dizia que

Assim, os colabora-

onde comem 10, comem 12”, relembra.

dores criaram o Gru-

multiplicador

Natural da cidade gaúcha de Torres, o empresário par-

po Sol – Logística da

tiu para Porto Alegre com 16 anos, junto da família, para

Solidariedade, com a

estudar e trabalhar. Naquela época, dentro do próprio

missão de promover

núcleo, já passou pela primeira experiência solidária

ações solidárias para

marcante. “Com a minha mãe sozinha, todos nós, filhos,

desenvolver a cons-

trabalhávamos para ajudá-la a superar as dificuldades”,

ciência social através

explica. Sempre com muito esforço, concluiu o curso

de atividades realizadas na comunidade em que seus

técnico em Contabilidade e, em 1983, formou-se em

membros estão inseridos. Um dos exemplos de com-

Administração de Empresas. Na primeira empresa em

promisso assumido pelo Grupo é com a entidade Raio

que trabalhou, onde permaneceu por 18 anos, iniciou

de Sol, em Canoas. Os funcionários e colaboradores

como auxiliar de contabilidade, até atingir o cargo de

levam regularmente o seu carinho, realizam brincadei-

gerente comercial.

ras e promovem a arrecadação de alimentos para as

Com a experiência conquistada, em 1991, Renê

crianças da instituição.

Mesquita adquiriu a Modular, juntamente com dois

Através da Modular, e em parceria com o SETCERGS,

sócios. Na época, a empresa tinha apenas 12 funcioná-

Mesquita apoia a logística dos Bancos de Alimentos de

rios. Foi com muito trabalho que os negócios melhora-

Porto Alegre e de Canoas, disponibilizando um veículo

ram e cresceram, e hoje a Modular conta com mais de

especialmente para este fim. O empresário também par-

600 colaboradores e atuação nas regiões Sul, Sudeste

ticipa, juntamente com seus colaboradores, de projetos

e Nordeste.

identificados pela ONG Parceiros Voluntários, e das

A participação em questões de responsabilidade social sempre esteve presente no cotidiano do empresário e,

ações da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, com abordagens sobre educação e segurança no trânsito.

por extensão, da Modular. Em 2007, ano da fundação

Essas são apenas algumas das iniciativas que marcam

do Banco de Alimentos de Canoas, o empresário par-

a trajetória de responsabilidade social multiplicada por

ticipou da criação do estatuto da instituição, passando

Renê Mesquita, que leva à risca para a Modular o con-

também a desempenhar papel importante nas campa-

ceito de empresa cidadã. “A prática social, com foco no

nhas de coletas de doações, e marcando sua atuação ao

respeito ao ser humano, está nas nossas tradições e é

longo dos anos.

nosso compromisso”, finaliza.

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Bancos Sociais

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

RESULTADOS

Os resultados de 2011 da FGBS Em junho, o Conselho de Responsabilidade Social e Cidadania da FIERGS, e o Conselho de Administração da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, reuniram-se para a apresentação e aprovação do Relatório de Atividades e Balanço 2011 da FGBS, e do Plano de Ação e Orçamento de 2012. A mesa diretiva foi composta pelo presidente do Sistema FIERGS, Heitor José Müller; o presidente do Conselho de Administração da FGBS, Jorge Luiz Buneder; o diretor superintendente da FGBS, Paulo Renê Bernhard; o presidente do Banco de Alimen-

itens entre computadores, livros, materiais de construção

tos de Porto Alegre, Antonio Parissi; e a presidente do

e móveis, e formou mais de 700 alunos nos cursos pro-

Banco de Vestuários, Lucila Osório. Apenas em 2011,

fissionalizantes oferecidos em parceria com o SENAI-RS.

a FGBS arrecadou e doou quase três milhões de quilos

Ao final, o Conselho e Auditores Fiscais apresentaram

de alimentos para entidades carentes, mais de cem mil

seus pareceres fiscais e foram unanimemente aprovados.

PREMIAÇÃO

BANCO DE LIVROS

FGBS recebe prêmio internacional

Bibliotecas já chegam a 43 unidades prisionais no RS

A primeira edição do

Green

O projeto Passaporte para o Fu-

Project

turo, parceria entre o Banco de

Awards Brasil (GPA)

Livros e a Susepe, prevê a doação

premiou a Fundação

de livros e montagem de salas de

Gaúcha

Ban-

leitura nas 97 unidades prisionais

cos Sociais na cate-

do RS, com o objetivo de viabi-

goria “Produto ou

lizar o acesso à informação e à

Serviço”. O diretor

leitura para os apenados. Até o momento, 43 unidades

superintendente dos Bancos Sociais, Paulo Renê

prisionais ganharam bibliotecas, e mais de 33.500 livros

Bernhard, recebeu o prêmio durante cerimônia re-

foram doados. Já foram atendidas as 1ª, 2ª, 7ª, 9ª e 10ª

alizada em agosto, no Auditório da Petrobrás, no

Regiões do Estado, e capacitados 43 agentes (um para

Rio de Janeiro. No total, mais de 200 projetos parti-

cada casa), funcionários aptos a administrar as biblio-

ciparam nas categorias Produto ou Serviço, Campa-

tecas, e orientar e estimular os detentos. A capacitação

nha de Mobilização, Pesquisa e Desenvolvimento e

é realizada pela bibliotecária do Banco de Livros, Neli

Iniciativa Jovem. O GPA, que já chegou a 4ª edição

Miotto, que orienta os agentes quanto à organização de

em Portugal, lançou sua versão no Brasil para distin-

espaços de leitura, métodos de dinamização do acervo e

guir e reconhecer as melhores práticas em projetos

seleção de leituras para os internos. Além das unidades

que valorizam a sustentabilidade. O prêmio é uma

prisionais, o Banco de Livros está montando bibliotecas

iniciativa do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/

nas 26 unidades da FASE no RS, sendo que oito casas já

MCTI) e da consultora portuguesa GCI.

foram atendidas com quase de 4.200 livros.

dos


Bancos Sociais

alimentação, informação e solidariedade

VISITA

Presidente da OAB/RS conhece os Bancos Sociais O presidente da Ordem dos Advogados do Rio Grande do Sul (OAB/RS), Dr. Cláudio Pacheco Prates Lamachia, e o chefe de gabinete da Presidência da OAB/RS, Dr. Júlio Cezar Caspani, visitaram a Fundação dos Bancos Sociais, em julho, e conheceram um pouco mais sobre o trabalho dos Bancos Sociais. Eles foram recebidos pelo diretor superintendente da FGBS da FIERGS, Paulo Renê Bernhard, juntamente com a diretoria do Banco de Alimentos. Os convidados ti-

as instalações dos Bancos Sociais. Na oportunidade, foi

veram contato com os trabalhos de responsabilidade

descerrada uma placa em homenagem ao presidente

social empresarial realizados pela Fundação e visitaram

Cláudio Lamachia, na Galeria de Honra da Fundação.

CASE I

Bancos Sociais são apresentados no IPA Em palestra para estudantes do Centro Universitário Metodista IPA, realizada em setembro, o diretor supe-

CASE II

Banco de Resíduos na CIENTEC

rintendente da Fundação Gaúcha Bancos Sociais, Paulo

Em setembro, a Fundação de Ciência e Tecnologia

Renê Bernhard, apresentou o case dos Bancos Sociais,

(CIENTEC) sediou a reunião do grupo de trabalho

falando sobre ações empresariais transformadoras. O

de materiais e meio ambiente, que teve como pau-

evento fez parte da Semana Acadêmica dos Cursos de

ta a apresentação do Banco de Resíduos da FGBS.

Administração e Ciências Contábeis, e teve como tema

Luiz Antonio Rebouças dos Santos, coordenador do

o “Empreendedorismo Social”. Uma das razões que

Banco, apresentou o case “Asfalto Morno”, projeto

mais motivaram os estudantes a escolherem o assunto

que utiliza zeólita originadas da combustão do car-

foi o Clique Alimentos (www.cliquealimentos.com.br),

vão mineral, desenvolvido pela pesquisadora Lizete

site inovador que já arrecadou mais de 2.200.000 qui-

Ferret, da CIENTEC. Santos também falou sobre a

los de alimentos com o clique de internautas de todo o

importância do Banco de Resíduos, que tem por ob-

mundo e a parceria de empresas patrocinadoras. As do-

jetivo fazer a ligação entre o pesquisador e a empre-

ações são destinadas às instituições beneficiadas pelos

sa geradora do material que servirá como base para

Bancos de Alimentos.

o produto desenvolvido.

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Bancos Sociais

A revista da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul

CAPACITAÇÃO

EXPOSIÇÃO II

Novo curso no Banco de Resíduos

UniRitter e Banco de Mobiliários apresentam exposição

A Mostra de Design e Educação “Equacionando Necessidades Pedagógicas”, foi realizada em agosto pela UniRitter e os Bancos Sociais, no Auditório Master da universidade. Os trabalhos expostos são dos alunos de Design de Produto, que também integram o Núcleo Design: Inovação Social, dos Bancos Sociais, sob a orientação do professor Daniel Quintana Sperb. As atividades da disciplina são conectadas ao Núcleo, que tem por objetivo articular academia e mercado na co-criação da inovação como agente de transformação econômica, social e cultural. O curso “Agente de Inspeção de Qualidade”, parceria entre o Banco de Resíduos, Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, Pronatec, SENAI-RS e CNTL, foi lançado em agosto com 180 horas/aula, e já formou 35 alunos. A capacitação instrumenta os agentes de

EXPOSIÇÃO I

Banco de Vestuários exibe trabalhos na Expointer

inspeção de qualidade sobre organização de arma-

Durante o Salão Gaúcho do Artesanato em Lã, reali-

zenamento e movimentação de insumos, verifica-

zado na 35ª Expointer, em agosto e setembro, o Banco

ção sobre conformidade de processos e liberação

de Vestuários da FGBS expôs produtos confeccionados

de produtos e serviços de acordo com normas e

por artesãos. O banco foi criado com a missão de iden-

procedimentos técnicos. As aulas ocorreram nas

tificar e recolher os excedentes industriais, retalhos e

instalações dos Bancos Sociais, e foram ministradas

resíduos em geral, e repassar esses materiais para Clu-

por instrutores SENAI-RS. Durante o período de

bes de Mães, de Terceira Idade, associações de bairros

aulas, os alunos receberam gratuitamente materiais

e artesãos. O objetivo é que toda a sobra de produção

didáticos, transporte e alimentação.

possa suprir a falta de vestuário, roupas de cama e artesanatos, permitindo também a geração de renda.



Revista Fazer Bem, alimentaçao, informaçao e solidariedade. ano 2 nº4