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Desmanche Lucas Simões 28.10.2010 | 20. 11.2010

Desmanche Lucas Simões 28.10.2010 | 20. 11.2010

lucas simões [works]

Assistentes: Ana Lucia Pacheco | Romeu Mizuguchi Molduras: Marton & Marton Acessoria de Imprensa: Agência cartaz Assistentes: Montagem: Ana Lucia Pacheco | Romeu Mizuguchi Billy Molduras: Agradecimentos: Marton & Marton Marcus Vinicius Santos |Acessoria AD Ferreira Fernando Falcon | Roberta Ferraz de |Imprensa: Agência cartaz GaleriaMontagem: Emma Thomas rua Barra Funda Billy216 São Paulo www.emmathomas.com.br Agradecimentos: www.fl ickr.com/lucsa Marcus Vinicius Santos | AD Ferreira | Fernando Falcon | Roberta Ferraz Galeria Emma Thomas

RASGOS NO ESPELHO, conversas com o desmanche de lucas simões Roberta Ferraz

casa de espelhos o corpo, RASGOS NOpara ESPELHO, de volta ao corpo, ou nunca conversas com o desmanche de ainda, lucas simões — devolvê-las àsRoberta metamorfoses Ferraz e (secreto) como o seu avesso o que se advinha dentro dessa mostra de carne? de de longe, o quepara te parecem? casa espelhos o corpo, a palavra sangue de volta ao corpo, ou ainda,sangrar nunca ele experimenta, diz: “nada — devolvê-las às metamorfoses nada é tão belo quantocomo sua frugalidade e (secreto) o seu avesso se a desolação pode ser harmônica o que se advinha dentro dessa mostra de carne? de longe, o que te parecem? a palavra sangue sangrar


desmanche, chop shop

exhibition at emma thomas gallery s達o paulo, brasil out / nov 2010


o íntimo é infinito o meu e o seu não tem começo nem fim mas acaba em você the intimate is infinite my interior and yours have no boundaries but it ends at you

ser e estar I am and to be 2010 | fotografias recortadas e sobrepostas | photographs cut-out | 15x30cm


autorretrato self-portrait 2010 | aรงo inox | stainless steel | 17x21cm


RASGOS NO ESPELHO, conversas com o desmanche de lucas simões Roberta Ferraz casa de espelhos para o corpo, de volta ao corpo, ou ainda, nunca — devolvê-las às metamorfoses e (secreto) como o seu avesso o que se advinha dentro dessa mostra de carne? de longe, o que te parecem? a palavra sangue sangrar ele experimenta, diz: “nada nada é tão belo quanto sua frugalidade se a desolação pode ser harmôn


a house of mirrors for the body, tears, retaliation on an image tired of its usual flow. A great panel of large triangular mirrored objects open up the wall, slicing what we have become used to and, that which allows itself to become commonplace also becomes trite, and what becomes trite loses its ability to communicate, to touch. Thus, it is a wall for each individual to find their own way of saying, maybe, me, and recognize the polyphony of the intrusive stares. Yes, because I once heard from Lucas himself — “you never see the others, the space” — he would say: the individual hides and mutilates itself in the multiplicity of angles that gaze at them and confirm their existence in this world, in this space. It is like a riddle — and has elements of this, a card game, two sides that dilacerate into thousands, a game of mirrors. When you enter a house of mirrors: what is a floor, if the floor opens like a pyramid to the various sides below? What are walls, if the image projected, which distributes itself all around, encircling me in a trap, is my image? What is a ceiling, if above my head are only cold geometric figures that mirror an interminable abyss? Place the body in a house of mirrors or make the body a house of mirrors and expose everything that is flesh to a madness of being flesh.

de volta ao corpo, ou ainda, nunca fora dele — antes de retalhar as faces dos queridos/amigos, Lucas havia incendiado rostos alheios colhidos de fotografias alheias, e antes disso fez de mapas fendas devastadas, deslocou-os de seu estado de atlas, tirou-lhes o peso de serem objetos i-mundos, mostrou que um traço de terra mar arquipélago é apenas um risco de caneta, que foi instaurado, sem dúvidas, no acaso de qualquer experiência. Lucas retomara o espaço e a sua representação como pontos possíveis de encontro, e afinal, existiria Berlim sem ti, sem mim, sem ele? Talvez outra, talvez nenhuma. Mas o insondável só ganha perplexidade e sangue quando ali se pisa os pés, os pés de papel ou os pés de aço com tendões e unhas. O mundo que Lucas conhece é de papel, ou foi de papel. Agora, talvez, seja de pele, e de órgãos. Por isso o suporte da experiência novamente volta à mesa de dissecação, porque, além do mundo, o objeto jamais deveria ser idêntico a si mesmo, restringir-se a ponto de tornar-se um livro largado na estante. O objeto se fissura, sofre fissuras — sua pele é carcomida pela tesoura das mãos de Lucas que talvez não saiba quando parar, quando largar, enfim, esta prática de desfiguração. Mas sabe bem como se inicia: o método é a atenção desejosa e o corpo-a-corpo com as coisas, e como um deus, devolvê-las às metamorfoses. e (secreto) como o seu avesso, que não é homem nem diabo, mas talvez o impotente, o infecundo, o sujeito afundado na multiplicidade caótica de seu estado virtual. O possível avesso da atividade-faca que é a passividade de ofertar-lhe a face. Porque a ação de desmembrar salva e condena, mata e liberta, restitui ao ritual e ao sagrado, e, ao mesmo tempo, faz do objeto e do sujeito coisas profanas e descartáveis. Essa polivalência, essa ambivalência percorre todo o registro de experimentar esse corpo do desmanche, esse trabalho do Lucas. Falo da série “dez-retratos”, 10 fotos de dimensão 30 X 40, (espelhamento nada ingênuo das fotografias 3 X 4 dos retratos oficiais) que sofreram delicado trabalho de sobreposição. 10 lâminas de cada retrato são superpostos, cada uma com talhes geométricos distintos, o que vai cravando crateras harmônicas, fendas equilibradas sobre as imagens que, quando ‘sobrepostas’, neste jogo de armar, trazem da face inicial apenas o seu infinito. Nada menos ousado do que isso. O


to funde e separa, aproxima os elementos à compreensão e os lança na mais completa incomunicabilidade. Os corpos não são mais mensuráveis, não podem mais corresponder ao que não seja seu próprio metabolismo cheio de vísceras, rasgos, remendos, cicatrizes. Hoje em dia, então, que te parece? Falo da série dos livros, que, assim como os rostos dos amigos, foram também fatiados e postos fora de sua bidimensionalidade. Se retratos de rostos e objetos-livros podem, em seu corpo, ser objetos de duas dimensões, objetos chapados — lê-se: registrados, cansados de sua mesmice, de seu lugar oficial — Lucas transgride as utilidades de consumo deles. Dos retratos e dos livros. (um detalhe: sabe-se, que os retratos são de amigos ou de pessoas que foram amigas; e sabe-se que o Lucas gosta de livros) — o que nos faz sentir que essa experiência é dionisíaca, que esse desmanche é positivador, que essa atitude é política e é voltada para devolver à vida o cansaço repetido das imagens e das coisas. Isso é importante dizer, porque dentro do jogo ambivalente a corda estica tanto para o cruel e frio esquartejador quanto para o sacrificial ato de libertar. Isso é realmente importante porque talvez esteja exatamente aí o segredo do trabalho de Lucas, isso que nos põe — nós, voyeurs do espelho que ele nos arma — frágeis, mas desejosos, de desmancharmo-nos. É o ponto erótico sobre o qual Lucas trabalha, ajustadíssimo pêndulo de dor-prazer, que convida o outro sedutoramente para o aniquilamento de seus corpos, e assim, a reinvenção das identidades. Nada mais perigoso, nada mais generoso do que cair nas mãos de Lucas. Os livros também sofrem desse amor. Passam pelo picotear de capa e páginas e pela conseqüente adulteração do texto ou seja de seu formato como objeto-guardatexto. Desmembrada a história, surrupiado o verbo, Lucas profaniza o culto do livro e devolve a ele a linfa e a espessura. Eles voltam a ser os objetos estranhos que em seu íntimo são, livres do fetiche que os adorna no vácuo de seu aburguesamento. Agora os livros regressam à sua magia. Talvez até, ambiguamente, ganhem a já cadavérica ‘aura’, de que falava Benjamin. Sim, porque retirados de sua mesmice comercial, quebrado ao meio, dado ao fogo, o livro ganha seu devir de intensidades, renasce cheio de tabus, perde o seu costumaz ‘para quê serve’ e fica solto, sem capa, história ou moldura, flutuando por uma instante em seu ponto de

exclamação-interrogação. Não à toa os livros trazem na capa os nomes de Nietzsche, Picasso, Cézanne, Matisse, Hilda Hilst, Clarice, e outros. A rasura dos objetos nominados lança nossa compreensão não apenas para a história da pintura moderna, mas principalmente para os ensinamentos de intensidade e fulgor que cada uma desses nomes legou à estética — intensidade e fulgor como signos, sim, do desejo do corpo atravessado, do corpo fendido, do corpo lesionado em sua mania unitária, do corpo devolvido à animalidade epifânica, do corpo seccionado a sangrar. Do Desejo, de Hilda Hilst, parece ter sempre esperado por esse momento, parece realmente iluminar-se de real por ter caído nas mãos de Lucas e ter sido amada por elas. Nenhum segredo resiste às suas mãos, dizem-lhe os objetos cismados de morte. E Lucas responde, abrindo o livro ao meio e dando ao desejo o seu substrato: as entranhas. Que pessoa de texto não amaria ver o amor brotar espontâneo dessa leitura que Lucas faz dos objetos? Essa é a sua mágica: imagine a volúpia de ver a palavra sangue sangrar. ele experimenta, diz: “nada está programado”. Quando Lucas revela esse procedimento, o que está dizendo é que essa estética é também ética, está dizendo que ele não burla a experiência, que ele não ‘planeja’ a morte. Nem poderia. O peso sensacional que a forma ganha vem desse tateado, esse gesto de dia-a-dia machucar um pouco as imagens e depois cauterizá-las em sua diferença. A falha está por todo lado, é um drible real. Nada se evita, cada corte é no objeto e não na idéia dele. Só assim o desejo estético de desmanche pode ser partilhado tão delicadamente, porque está apoiado no tempo concreto de suas metamorfoses. Afinal, trabalhar com o corpo só é possível a partir e por dentro dele. Isso não é tão óbvio quanto parece. Lucas sabe internamente, sente a convulsão do contato com as coisas, levando-o para tanger algo que saia das molduras. Assim, sem perceber, ou ao contrário, extremamente cauto de sua intenção mais inconsciente, ele vai tomando consciência no objeto, enquanto trabalha, no processo. Tira o retrato da moldura, quando transforma a face 30 X 40 num impossível documento 3 x 4. Tira o livro da moldura quando liberta-o de sua máscara cult enfadada nas estantes. E ainda põe


em movimento a nossa desolação. Falo da série ‘quase cinema’. A sequência de imagens em rolo, dispostas a experimentar uma nova maneira de criar volumes — através do movimento — oferecem, a meu ver, uma experiência fina da melancolia. O catálogo de cores e o oferecimento de vazios se dão ao expectador numa breve movimentação, uma ação quiçá desajeitada ou mesmo completamente banal. Mais uma vez Lucas tira o banal de sua banalidade. Afinal, retratos, livros e filmes não são, em si, coisas extraordinárias para nós. Apenas podem ser. Estamos acostumados a tudo isso, ou não estamos? Ainda assim, esses gestos corriqueiros, que sem dúvida jamais se descolariam de sua invisibilidade, são alçados, por Lucas, à situação de quase-cinema, dando a eles, aos gestos e às pessoas dos gestos, um olhar de fora que lhes possa fazer companhia, ou ainda apenas, a garantia de um olhar voyeur que tira, por um breve momento, neste ‘quase’, o sujeito de sua solidão e de seu anonimato cotidiano. A série ‘quase cinema’ traz todo o imaginário urbano e século XXI do cotidiano para o pôr em cartaz, como chamado ou denúncia, tanto faz. O que mais interessa e faz desse trabalho uma pérola sob o céu escuro é a talvez mensagem de que a desolação pode ser harmônica, que há harmonia no precário, que nada é tão belo quanto sua frugalidade. se a desolação pode ser harmônica (quase cinema), ela também pode ser lúdico-perversa, e ainda irônica, sarcástica, provocadora (retratos e livros). Afinal tudo beira a desolação quando nada pode manter-se estático e igual a si mesmo. Já dissemos: o jogo é de espelho, é de espelho o molde fractal que tudo fatiará em tantas inconstâncias. Pose ser tudo aquilo, mas não é trágica. Apesar do Nietzsche incendiado, é a ausência de tragédia que marca uma das grandes diferenças contextuais entre a vanguarda (aqui adulterada, ‘profanada’) e o trabalho de Lucas. O clima aqui é mais frio, a intensidade aqui é equacionada. Como se todo corpo compreendesse em si uma larga distância. Vê-se mais explicitamente no ‘quase cinema’, mas vasculhando bem, também lá está debaixo dos volumes sobrepostos dos rostos retratados. Essa estranha combinação de rasgar ‘distante’, ou seja, abrir as vísceras mas esconder algo (quiçá a própria imagem) é o que faz desse trabalho um trabalho que afeta. Imaginemos: talvez um comprome-

timento trágico com o corpo e a obra levasse o leitor/expectador a naturalmente rejeitá-los, simplesmente por viver um tempo que há muito pensa ter saído dos excessos, um tempo blasé que desconfia das garras radicais, um tempo que considera ingênuo ou patético todo tom grandiloqüente e exagerado. Acontece que Lucas sabe puxar, na ludicidade lúbrica de seus jogos, a atenção infantil de cada um, pois quem é que não vai rir de si quando o espelho fragmentar aquela cara que te segue desde todos os documentos? Ri-se prazerosamente das dobras eróticas, dos olhos no lugar da boca, da boca no lugar do... e quem não ri é que engasga, sente-se besta, perde a piada. Da mais íntima desolação ao jogo mais acaso e infantil, numa meada que se equilibra sobre facas e faces, como não sentir que esse trabalho se elabora em sinceridade com seu próprio tempo?


desmanche

chop shop

2010 | aรงo inox, madeira e vinil | stainless steel, wood and vinil | 170x210cm


perverso perverse 2010 | aรงo inox e colagem | stainless steel and collage | 35x52cm


Tropeçavas nos astros desastrada Quase não tínhamos livros em casa E a cidade não tinha livraria Mas os livros que em nossa vida entraram São como a radiação de um corpo negro Apontando pra a expansão do Universo Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso (E, sem dúvida, sobretudo o verso) É o que pode lançar mundos no mundo. Tropeçavas nos astros desastrada Sem saber que a ventura e a desventura Dessa estrada que vai do nada ao nada São livros e o luar contra a cultura. Os livros são objetos transcendentes Mas podemos amá-los do amor táctil Que votamos aos maços de cigarro Domá-los, cultivá-los em aquários, Em estantes, gaiolas, em fogueiras Ou lançá-los pra fora das janelas (Talvez isso nos livre de lançarmo-nos) Ou ­o que é muito pior ­por odiarmo-los Podemos simplesmente escrever um: Encher de vãs palavras muitas páginas E de mais confusão as prateleiras. Tropeçavas nos astros desastrada Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas. Livros, Caetano Veloso


autorretrato[Kenzo Tange] self-portrait [Kenzo Tange] 2010 | intervenção em livro | sliced book and stainless steel | 36x28cm

autorretrato [Kurt Schwitters] self-portrait [Kurt Schwitters] 2010 | intervenção em livro | sliced book and stainless steel| 36x28cm


art now 2010 | intervenção em livro | cut-out book | 23x37cm

Britannica Atlas 2010 | intervenção em livro | cut-out book| 38x29cm


como viver junto [27a. Bienal de S達o Paulo] how to live together [27a. Bienal de S達o Paulo] 2010 | interven巽達o em livro | cut-out book | 24x18cm


minimum 2010 | intervenção em livro | sliced book and stainless steel | 16x18cm


les maitres the masters 2010 | intervenção em livro | sliced book and stainless steel | 17x11,5x 5,5cm


surrealismo e arte fantåstica surrealism and fatastic art 2010 | intervenção em livro | sliced book, paper, china ink and stainless steel |17x25x15cm


tendências da escultura moderna tendencies of the modern sculpture 2010 | intervenção em livro | sliced book |24x31cm


nuevos barrios residenciales new urbanism 2010 | intervenção em livro | sliced book and stainless steel | variable [40 x 40 cm]


nietzsche 2010 |livro queimado, espelho e linha | burned book, mirror and line | 213x21cm


“Exaudi orationem meam, ad te omnis caro veniet. Requiem aeternam dona eis, Domine, Et lux perpetua luceat eis...”

in Requiem, by Wolfgang Amadeus Mozart

des(z)retrato [réquiem] unportrait [requiem] 2010 | 10 fotografias cortadas e sobrepostas entre chapas de acrílcio 10 cut-out photographs and acrylic |41x31cm


“time is never time at all you can never ever leave without leaving a piece of youth and our lives are forever changed we eill never be the same the more you chance the less you feel...�

in tonight tonight, by Billy Corgan

des(z)retrato [tonight, tonight] unportrait [tonight, tonight] 2010 | 10 fotografias cortadas e sobrepostas entre chapas de acrĂ­lcio 10 cut-out photographs and acrylic |41x31cm


“Morre no ar Um resto de canção Um resto tão sereno Tão quieto de paixão Brinca no ar Um sempre mesmo adeus Meus olhos são teus olhos Para nos ver...”

in a canção que morre no ar, by Carlos Lyra / Ronaldo Boscoli

des(z)retrato [a canção que morre no ar] unportrait [the song that dies in the air] 2010 | 10 fotografias cortadas e sobrepostas entre chapas de acrílcio 10 cut-out photographs and acrylic |41x31cm


Não precisa falar Nem saber de mim E até pra morrer Você tem que existir E você me falou de uma casa pequena Com uma varanda, chamando as crianças pra jantar in 6 minutos by otto

des(z)retrato [6 minutos] unportrait [6 minuts] 2010 | 10 fotografias cortadas e sobrepostas entre chapas de acrílcio 10 cut-out photographs and acrylic |41x31cm


1. [oro, le temps des gitans] 2. [famous blue raincoat] “If you ever come by here, for Jane or for me Your enemy is sleeping, and his woman is free. Yes, and thanks, for the trouble you took from her eyes I thought it was there for good so I never tried...” [in famous blue raincoat, by Leonard Cohen] 3. [alejandro] “I know that we are young. And I know you may love me. But I just can’t be with you like this anymore. Alejandro...” [in Alejandro, by Lady Gaga]

1.

3.

2.

des(z)retrato unportrait 2010 | 10 fotografias cortadas e sobrepostas entre chapas de acrílcio 10 cut-out photographs and acrylic |41x31cm


des(z)mem贸ria R.F. unmemory R.F. 2010 | 10 fotografias cortadas e sobrepostas entre chapas de acr铆lcio 10 cut-out photographs and acrylic |41x31cm


des(z)mem贸ria M.P.A. unmemory M.P.A. des(z)mem贸ria F.A. unmemory F.A. 2010 | 10 fotografias cortadas e sobrepostas entre chapas de acr铆lcio 10 cut-out photographs and acrylic |41x31cm


BIO 1980 born in Catanduva, lives and works in São Paulo, BR

Graduated in Architecture and Urbanism at Puc and Politecnico di Milano in Italy (2003). Approppriates himself of quotidian photografphs and objects to make works thru cut-outs, drawing, reflexion and other interferences in those materials, creating new interpretations. In 2001 the realized his first solo exhibition, being selected by the annuam program of the Cultural Center fo the Bazil`s Central Bank. In 2010 received the Great Award from the...

Formado em arquitetura Campinas e Politecnico em 2003. Apropria-se jetos cotidianos para rea através de desenhos, rec ras interferências nesses novas interpretações. Em 2001 reali individual, sendo selecio grama de exposições do Banco Central do Brasi o Grande Prêmio do Sa Formatos da Amazônia participou do Programa 2010 do Museu de arte

Selected Exhibitions

2010 2009

Solo | desmanche, Galeria Emma Thomas, São Paulo | é de papel o mundo que eu conheço, Galeria Emma Thomas, São Paulo

2007

Group | Arsenal, Galeria Emma Thomas, São Paulo | SP Arte Foto – representado pela galeria Emma Thomas, São Paulo | vencedor do Grande Prêmio Salão de pequenos formatos da Amazônia – UN | Mostra de Novos Artistas ,Programa de exposições do Museu de Arte de Rib | SP Arte – representado pela galeria Emma Thomas, São Paulo | 10 + 20 , Galeria Emma Thomas, São Paulo | Viagem-Passagio Museu de Itatiba - intercâmbio Brasil - Itália | Citi Novos Artistas, Espaço Cultural Citibank, São Paulo | Ocho - Global and Colourful, Mini Galeria - Belo Horizonte, MG | Impulso, Galeria Emma Thomas, São Paulo | Diário 4x4 itsubishi , Espaço exposições Iguatemi, São Paulo | Living Room, Galeria Emma Thomas, São Paulo | vinte e poucos anos, Galeria Baró Cruz São Paulo | bipolar, Galeria Emma Thomas São Paulo

2010

Awards | Salão de pequenos formatos da Amazônia ,UNAMA vencedor do Grande

2010 2010 2010 2010 2010 2010 2010 2009 2009 2008 2008 2007 2007


quasi-cinema [tua paisagem] quasi-cinema [landscape of you] 2010 | fotografias costuradas em madeira e tecido | sewed photographs, wood and fabric | 10x110x5 cm


quase-cinema [alguma mĂşsica]

quasi-cinema [some music]

2010 | fotografias costuradas em madeira e tecido | sewed photographs, wood and fabric | 5x157x3 cm


quase-cinema [paradestrasse] quasi-cinema [paradestrasse] 2010 | fotografias costuradas em madeira e tecido | sewed photographs, wood and fabric | 10x148x5 cm


quase-cinema [rewind]

quasi-cinema [rewind] 2010 | fotografias costuradas em madeira e tecido | sewed photographs, wood and fabric | 5x77x3 cm


quase-cinema [berlin zoologischer garten] quasi-cinema [berlin zoologischer garten] 2010 | fotografias costuradas em madeira e tecido | sewed photographs, wood and fabric | 18x308x8 cm


Adios, 2010 | fotografias queimadas | burned photographs | dĂ­ptico 30x10cm


nostalgia 2010 | fotografia queimada | burned photograph | 9x13cm


quem brinca com fogo who plays with fire 2010 | fotografia queimada | burned photograph | 13x19cm


TEARS IN THE MIRROR, discussions on deconstruction by lucas simões

Roberta Ferraz

a house of mirrors for the body, projecting its image, or perhaps, never — return them to metamorphoses and (secret) just as its obverse what can be discovered from this display of flesh? from far away, what do they resemble? the word blood, to bleed he experiments, saying: “nothing nothing is as beautiful as its frugality if desolation can be harmonious

a house of mirrors for the body, tears, retaliation on an image tired of its usual flow. A great panel of large triangular mirrored objects open up the wall, slicing what we have become used to and, that which allows itself to become commonplace also becomes trite, and what becomes trite loses its ability to communicate, to touch. Thus, it is a wall for each individual to find their own way of saying, maybe, me, and recognize the polyphony of the intrusive stares. Yes, because I once heard from Lucas himself — “you never see the others, the space” — he would say: the individual hides and mutilates itself in the multiplicity of angles that gaze at them and confirm their existence in this world, in this space. It is like a riddle — and has elements of this, a card game, two sides that dilacerate into thousands, a game of mirrors. When you enter a house of mirrors: what is a floor, if the floor opens like a pyramid to the various sides below? What are walls, if the image projected, which distributes itself all around, encircling me in a trap, is my image? What is a ceiling, if above my head are only cold geometric figures that mirror an interminable abyss? Place the body in a house of mirrors or make the body a house of mirrors and expose everything that is flesh to a madness of being flesh.


projecting its image, or perhaps, never going beyond it — prior to shredding the faces of loved ones/friends, Lucas had burned unfamiliar faces collected from random photos and, before that, he made devastating strips, removing them from their state of atlas, relieving their significance as filthy objects, showing that a line delineating earth, sea and archipelago is merely a stroke of the pen, which was established, undoubtedly, by some event. Lucas will seize the space and what it represents as possible meeting points because, after all, would there be a Berlin without you, without me, without him? Perhaps another, perhaps none. But the unfathomable only gains perplexity and life when one sets foot there, paper feet or metal feet with tendons and toenails. The world Lucas knows is one of paper, or was once of paper. Now, perhaps, it is one of skin, of organs. Therefore, the basis of the experience once again returns to the dissection table, because, in the world beyond, the object should never be identical to itself; restrict itself to the point of becoming a forgotten book on the shelf. The object breaks apart, cracks — its skin is consumed by the scissors in the hands of Lucas, which, perhaps, do not know when to stop, to finally let go of this disfiguration. But we know how it begins: the method is derived from dedicated focus and the close interaction of things and, like a god, returns them to the metamorphoses. and (secret) just as its obverse, which is neither man nor devil, but perhaps powerless, sterile, a subject trapped in the chaotic multiplicity of its virtual state. The possible inverse of the cutting-action represented by the passiveness of offering its face. Because the act of dismembering both redeems and condemns, kills and sets free, harkens to the ritual, to the sacred and, at the same time, makes the object and the subject profane and disposable things. This polyvalence, this ambivalence, permeates the entire record of experiencing this concept of deconstruction, this work by Lucas. I speak of the “ten portraits” series, ten 30 x 40 photos, (not merely a naïve allusion to the 3 x 4 document photographs) which suffered a light superimposition. Ten sheets of each portrait have been superimposed, each with distinct geometric cuts, which begin carving harmonious craters and balanced gaps over the images which, when ‘superimposed’ in this compilation game, portray only the infinite quality of the initial face. Nothing less daring than this. The shape of cuttings is personal;

there is one for each face. Each face that enters this labyrinth will emerge from that dark chamber in its dialogical state, in its opposite state, in its melodious kaleidoscopic scene. There is more to be said of the extraordinary procedure by Lucas: each face withholds one or two secrets. It is the secret that, as we know, is an object of silence and masquerade (the remote veils of a more ingrained metaphor). Lucas asked for a song for each secret and, separated by the sound chosen by the faces, each image began to offer, at the exact moment, the whisper of meaning that is never put into words. The work of encoding and decoding the face that each one gives to their own secret is what can be seen and investigated through the 10 portraits. Lucas made them into a voyeur-telescope, a telescope with a kaleidoscopic lens, a microscope of meandering cuttings in the shape, pyramids, crosses, geometric eggs, vulvas, petals, crystals, cubes, boxes, stairs, waves, rays, sea-horses, shells – a materiality piled inward, coupled, carved, gouged onto each portrait. It is as though he said: there is a way to get inside the secret, it has a color, it has a sound. And he asks you: what is the color of your secret? To say there is none would mean there will be only one, is what he says next. After all, it is merely one face that is hidden within these volumes of color? This is what unfolds when asking: it is the subject that is discovered inside (from) this display of flesh? That individual would almost always be instantly inverted, opposed and intersected from the “pose”, the image on their ID, the one that makes its image official to the world. Speaking of intersection, I am reminded of ‘intersectionism,’ a movement designed by Fernando Pessoa within the movement of the Portuguese literary vanguard. I also remember the Pessoa of multiple masks, who did not like being captured in photographs. It is a pity he did not know Lucas, who not only shows the face its other (im)possibilities, but is also a poet. from far away, what do they resemble? — try it. Were it not for vestiges of the eyes, the nose, the mouth — they could merely be abstract figures, colors in abstraction. Since the vanguards of the end of the XIX century, the body is convulsive and reversible. The analogue perceptions both forge and separate at the same time, brings the elements closer to comprehension and launches them into the most complete lack of communication. Bodies are no longer measurable; they can no longer correspond to that which is not their own metabolism,


full of entrails, tears, repairs, scars. So, today, what do they resemble? I speak of the book series which, just as the faces of friends, were also sliced and placed outside their two-dimensionality. If portraits of faces and book-objects can be, through their body, objects with two dimensions, finished objects — understood to be: registered, tired of their sameness, of their official place — Lucas transgresses their consumption utility. That of portraits and books. (One detail: we know that the portraits are of friends or individuals who were friends; and we know that Lucas likes books) — which makes us feel that the experience is Dionysian, that this deconstruction is intended to be positive, that this action is political and aimed at giving back to life the tiresome repetition of images and things. This is important to note because, within this ambivalent game, the line stretches from the cruel and the dismembering cold to the sacrificial act of liberation. This is really important because it is perhaps exactly where the secret of Lucas’ work lies, that which places us — us, voyeurs of the mirror he constructs — fragile, but filled with desire to deconstruct ourselves. It is the erotic element over which Lucas works, a well-balanced pendulum of pain and pleasure that seductively invites the other to the annihilation of their bodies and, thus, the reinvention of their identities. There is nothing more dangerous, nothing more dangerous, than falling into the hands of Lucas. The books also suffered from this love. They underwent the cutting of their covers and pages and the subsequent adulteration of the text, of meaning, of their format as a text-withholding-object. History dismembered, verbs pilfered, Lucas profanes the cult of books and gives it back lymph and substance. They once again become the strange objects that, at the root of their souls, are free from the fetish that adorns them in the vacuum of their bourgeois transformation. The books now regress toward their magical quality, perhaps even ambiguously gaining the already cadaver-like ‘aura’ of which Benjamin spoke. Yes, because removed from their commercial sameness, broken in half, thrown into the fire, the book gains its due intensity, is reborn full of taboo, loses its customary ‘what it is for’ and becomes free, without a cover, history or frame, hovering, for a moment, over is its exclamation-interrogation point. It is not by chance that the book covers bear names like Nietzsche, Picasso, Cézanne, Matisse, Hilda Hilst, Clarice and others. The cutting of these objects launches our consciousness not only to the history of modern art, but especially to the intense and brilliant

teachings that each of these names gave as a legacy to aesthetics — intensity and brilliance as signs, Yes, of the desire of a impaled body, of the body split, of the body injured of its utilitarian habits, of the body returned to epiphanous animal nature, of the body cut and bleeding. Of Desire, by Hilda Hilst, seems to have always waited for this moment; it seems to truly illuminate itself with what is real by having fallen into the hands of Lucas and having been loved by them. No secret resist his hands, these self-convinced dead objects confess to him. And Lucas responds, opening the book in the middle and giving desire its substrate: entrails. What lover of text would not enjoy seeing love spring spontaneously from the reading Lucas has made of the objects? This is its magic: imagine the luxury of seeing the word bleed and bleed. he experiments, saying: “nothing is programmed.”When Lucas reveals this procedure, he is saying that aesthetics are also ethics; he is saying that he does not forego the experience, that he does not ‘plan’ death. Nor could he. The sensational significance gained by the form comes from this touch, this daily gesture of slightly injuring the images and later cauterizing their differences. The fault lies on the other side; it is a real-life dodging act. Nothing is avoided; each cut is made on the object and not its essence. Only thus can the aesthetic desire of deconstruction be shared so delicately, because it is based on the specific duration of its metamorphoses. After all, working with the body can only be possible from within and through the body. This is not as obvious as it seems. Lucas knows in his heart, he feels the tumult of contact with the objects, making them echo something beyond the frames. Thus, with or without noticing, yet extremely aware of his most unconscious intention, he begins giving consciousness to the object, as he works on the process. He removes the portrait from the frame, as he transforms the 30 x 40 face into an impossible 3 x 4 document. He removes the book from the frame as he liberates it from the tired cult mask it wears while on the shelf. And even gives movement to our desolation. I speak of the ‘quasi-cinema’ series. A sequence of rolled images, willing to experiment with a new way of creating volumes – through movement – offering, in my opinion, a slight feeling of melancholy. A catalogue of colors and empty offerings are given to the spectator in a brief movement, a perhaps awkward or even completely banal act. Once again Lucas removes the trivial from


its triviality. After all, portraits, books and films are not, in and of themselves, extraordinary things to us. They merely can be. We are used to all of this, are we not? Still, these common gestures, which undoubtedly will never dissociate themselves from their invisibility, are elevated by Lucas to a quasi-cinema status, giving the gestures and the individuals performing the gesture an outside look that can keep them company, or even guarantee a voyeur look that removes the subject, for a brief instant in this ‘quasi’ state, from their loneliness and the anonymity of everyday life. The ‘quasi-cinema’ series gathers all of the urban marvel and the everyday life in the XXI century and puts them on display as a calling or denunciation, there is no difference. What is most important and makes this work a pearl under the dark sky is, perhaps, the message that desolation can be harmonious, that there is harmony in the precarious, that nothing is as beautiful as its frugality. if desolation can be harmonious (quasi-cinema), it can also be playful, perverse, or even ironic, sarcastic, provocative (portraits and books). After all, everything borders desolation since nothing can be kept static and the same. It has been said: the game is made of mirrors and mirrors make up the fractal mold where everything will be sliced into so many inconsistencies. It may be all those things, but it is not tragic. Despite a burnt Nietzsche, it is the absence of tragedy that represents the great contextual differences between the vanguard (here adulterated, ‘profaned’) and the work of Lucas. The atmosphere here is colder; the intensity here is more balanced. It is as though the entire body understood itself to be a long distance. It is more explicitly seen in ‘quasi-cinema,’ but looking more closely, it is also beneath the superimposed volumes of faces. This strange combination of a distant ‘cut,’ of exposing the entrails but hiding something (perhaps the image itself) is what makes the work memorable. Lets imagine: perhaps a tragic compromise between the body and the work would naturally lead the reader/spectator to reject it, merely because they live at a time that supposedly renounced excesses long ago, a blasé time that is distrustful of radical concepts, a time that considers naïve or pathetic any loud or exaggerated tone. It so happens that Lucas knows how to capture, in the playful lucidity of his games, the child-like attention of each individual, because, who will not laugh at themselves when the mirror fragments the face that has followed them in every document? Laughing with pleasure at the erotic folds, at eyes in place of a mouth, at a mouth in place of a... those who do not laugh choke, feels stupid and do not understand the joke. From the most intimate desolation to the to the most improbable and infantile game, in a tangle that balances over cuts and faces, how is one not to believe this work is not true to its own time?


Lucas simões Catanduva-SP, 1980. mora e trabalha em São Paulo. 1980 born in Catanduva, lives and works in São Paulo, BR Formado em arquitetura pela PUC-Campinas e Politecnico di Milano na Italia em 2003. Apropria-se de fotografias e objetos cotidianos para realizar seus trabalhos através de desenhos, recortes, reflexos e outras interferências nesses suportes, criando novas interpretações.

Em 2001 realizou sua primeira individual, sendo sele-

cionado para o programa de exposições do Espaço Cultural do Banco Central do Brasil. Em 2010 recebeu o Grande Prêmio do Salão de Pequenos Formatos da Amazônia (UNAMA) e participou do Programa de Exposições 2010 do Museu de arte de Ribeirão Preto.

2010 2009

Selected Exhibitions Solo | desmanche, Galeria Emma Thomas, São Paulo | é de papel o mundo que eu conheço, Galeria Emma Thomas, São Paulo

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Group | projeto incubadora, Galeria Olido, São Paulo | pinta, representado pela Galeria Baró, New York | arsenal, Galeria Emma Thomas, São Paulo | sp arte foto – representado pela Galeria Emma Thomas, São Paulo | vencedor do Grande Prêmio Salão de pequenos formatos da Amazônia – UNAMA, PA | mostra de novos artistas ,Programa de exposições do Museu de Arte de Ribeirão Preto, SP | sp arte – representado pela galeria Emma Thomas, São Paulo | 10 + 20 , Galeria Emma Thomas, São Paulo | viagem-passagio Museu de Itatiba - intercâmbio Brasil - Itália | citi novos artistas, Espaço Cultural Citibank, São Paulo | ocho - Global and Colourful, Mini Galeria - Belo Horizonte, MG | impulso, Galeria Emma Thomas, São Paulo | diário 4x4 itsubishi , Espaço exposições Iguatemi, São Paulo | living room, Galeria Emma Thomas, São Paulo | vinte e poucos anos, Galeria Baró Cruz São Paulo | bipolar, Galeria Emma Thomas São Paulo

2010 2009

Awards | Salão de pequenos formatos da Amazônia ,UNAMA vencedor do Grande Prêmio. Belém, PA | Prêmio Citi Novos Artistas, Espaço Cultural Citibank, São Paulo

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