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Entrevista

Anabele Silva

Aprendendo com as diferenças

A

nabele Silva, secretária de Comunicação do Sindicato, voltou recentemente da Europa. Durante seis meses, ela participou de um curso de especialização na Universidade Global do Trabalho (GLU), na Alemanha, promovido em parceria com a Contraf-CUT. De volta para o Brasil, trouxe na bagagem, não apenas o conhecimento formal proporcionado pelo curso, mas a enriquecedora experiência do convívio com diferentes culturas e formas de organização. Em contato com movimentos sindicais europeus em tempos de crise, ela certificou-se da importância dos trabalhadores estarem sempre alertas em defesa dos direitos, porque mesmo o que parece certo pode mudar a qualquer momento. Nesta entravista, ela compartilha um pouco do que aprendeu nestes meses de formação. 8 REVISTA DOS BANCÁRIOS

Anabele Silva, secretária de Comunicação do Sindicato, compartilha experiências, após especialização na Alemanha

REVISTA DOS BANCÁRIOS – Anabele, fale um pouco sobre o curso que você fez. Anabele Silva – Foi um curso do programa de pós-graduação da Universidade Global do Trabalho (GLU), na Alemanha: uma especialização de seis meses, na área de políticas sociais, economia e comércio internacionais – aí incluídos os direitos dos trabalhadores. A universidade tem convênio com centrais sindicais de todo o mundo, a exemplo da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Este curso foi focado, sobretudo, nos países emergentes, mais especificamente Brasil, Índia e África do Sul. Mas também tinha gente de outros países: Paraguai, Filipinas, Jordânia, Vietnã. Foram quatro meses de aulas na Alemanha e outros dois meses de estágio. O curso foi interessantíssimo, a começar pela própria ideia: de juntar gente de diferentes países para mostrar e ensinar sua realidade e, simultaneamente, aprender com a realidade europeia.

RB – E quais os resultados desta troca? Anabele – A gente percebe que o Brasil tem uma organização muito boa em termos sindicais quando se compara com a realidade de outros países emergentes. Na Índia, por exemplo, 90% dos trabalhadores são informais. Então, existe muita dificuldade em organizar o movimento sindical em um lugar com este índice de informalidade. Além de ficarem admirados com o movimento sindical brasileiro, os colegas ficaram surpresos com a organização dos bancários. Eles acharam incrível que a gente tenha um acordo nacional, num país que tem dimensões continentais. Tudo isso nos leva a valorizar ainda mais cada uma de nossas conquistas. Percebi que a organização dos bancários brasileiros é referência no mundo todo. RB – E com relação à Europa? Anabele – Existe uma cultura bem mais organizada, com mais garantias sociais. As

Revista dos Bancários 14 - jan. 2012  
Revista dos Bancários 14 - jan. 2012  

Janeiro 2012

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