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Cidadania cacimbas ou poços rasos, barreiros e pequenos açudes. Ao mesmo tempo, as famílias desenvolveram estratégias de armazenamento de alimentos e sementes. O programa deu tão certo que se tornou política de governo e, hoje, com mais de 450 mil cisternas construídas, é também desenvolvido pelos estados e municípios, com recursos da União. O programa Uma Terra e Duas Águas nasceu em 2007 e envolve infraestrutura hídrica para produção agroecológica de alimentos. Também tornou-se política pública e, hoje, já foram construídas 9 mil cisternas calçadão, 420 barragens subterrâneas, 302 tanques de pedra, 208 bombas d’água popular e um barreiro. No final deste ano, o governo ameaçou não dar continuidade à parceria e, no dia 20 de dezembro, 15 mil pessoas foram para as ruas em um ato público em Petrolina. “A perseverança dos agricultores e agricultoras, dos que já foram contemplados com as ações da ASA e dos que esperam ser beneficiados, das comissões municipais e das organizações, fez com que a gente reunisse um número além do que estávamos esperando. A nossa estimativa era de 10 mil pessoas e

chegamos a 15 mil”, diz a coordenadora da ASA, Neilda Pereira. A mobilização deu certo. Três dias depois, em reunião em Brasília, o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome assinou um aditivo que garante a execução do Programa Uma Terra e Duas Águas até abril do próximo ano e depositou a segunda parcela do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), que deverá ser executado também até abril. Uma nova reunião foi agendada para 3 de janeiro para discutir a continuidade dos programas. Segundo o Ministério da Integração Nacional, é no semiárido que se concentra mais da metade da população pobre do país. Metade da população não possui renda ou tem como única fonte de rendimento os benefícios governamentais. Outros 31,4% dispõem de até um salário mínimo e apenas 5,5% tem renda de dois a cinco salários-mínimos. O Índice de Gini, que mede o nível de concentração de renda, está acima de 0,60 para mais de 32% dos municípios. A concentração inclui o acesso à terra e à água: 93% das terras estão nas mãos de grandes proprietários que respondem

Meio ambiente

por 73% dos mais de um milhão e setecentos estabelecimentos agropecuários da região. Os outros 7% da área ficam nas mãos de assentados, arrendatários e pequenos proprietários, em situação bastante precária. Além disso, 67% das famílias rurais da região não possuem acesso à rede de abastecimento de água. “Durante muito tempo tra- “Hoje, tenho balhei no alugado minha cisterna, para manter meus que pra mim foi filhos. Mas quan- uma conquista do comecei a to- pois antes sofria mar conta do meu muito tendo que próprio roçado, buscar água minha vida teve longe pra beber e um novo sentido. cozinhar” Hoje, tenho minha Ivanilda Torres, cisterna, que pra agricultora mim foi uma conquista, pois antes sofria muito tendo que buscar água longe pra beber e cozinhar”, conta a agricultora Ivanilda Torres, em entrevista ao boletim do programa P1+2, do Centro Sabiá.

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Com informações da ASA e Centro Sabiá.

As cisternas são fundamentais para garantir água no semiárido

REVISTA DOS BANCÁRIOS 11

Revista dos Bancários 14 - jan. 2012  
Revista dos Bancários 14 - jan. 2012  

Janeiro 2012

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