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DOS

Revista Bancários Ano III - Nº 37 - Dezembro de 2013

Publicada pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco

www.bancariospe.org.br

QUEM QUER SER

PAPAI NOEL? Milhares de cartinhas escritas por crianças carentes aguardam por um Papai Noel na sede dos Correios no Recife. Em meio a tantos desejos, é possível encontrar histórias comoventes


Editorial

Boas festas! Dezembro chegou, e o clima de festas aflora nas pessoas a solidariedade, a amizade e o amor ao próximo – sentimentos que, na maioria das vezes, são esquecidos ao longo do ano. Nesta época, é comum, para muita gente, ajudar os mais carentes, seja com doações de dinheiro ou brinquedos para alegrar o Natal de uma criança. Uma das principais tradições do brasileiro nesse quesito é adotar cartinhas escritas por crianças carentes ao Papai Noel – uma iniciativa criada há mais de duas décadas pelo Correio, que disponibiliza as correspondências, endereçadas ao Polo Norte, para quem quiser realizar desejos. A luta O Sindicato adotou dez cartinhas continua no este ano e incentiva os bancários ano que vem. que quiserem contribuir com o Assim como Natal de uma criança carente a a vontade de fazerem o mesmo. que o futuro Além da solidariedade, outro seja sempre desejo que se manifesta nas pessoas melhor nesta época do ano é o da mudança. Quem nunca fez promessas para o ano novo? E quem nunca ignorou essas promessas e manteve a mesma vida? Esta edição especial de fim de ano mostra algumas promessas feitas por bancários para 2014 e também revela histórias emocionantes contadas pelas crianças nas cartinhas endereçadas ao Papai Noel. Cartinhas que também revelam os desejos e as contradições da sociedade e de uma ditadura do consumo que já não impõe bola ou boneca em suas propagandas. Agora são os tablets, notebooks, computadores e celulares digitais que ocupam o topo da lista de desejo das crianças... Nesta sociedade capitalista, nossas lutas precisam se renovar a cada dia. E uma de nossas batalhas é contra o Projeto de Lei 4330, que legaliza a terceirização fraudulenta no Brasil. Tivemos importantes vitórias este ano ao impedir que os deputados aprovassem o PL e jogassem no lixo todos os nossos direitos trabalhistas. Mas a luta continua no ano que vem. Assim como a vontade de que o futuro seja sempre melhor. Então, boas festas e boa leitura!

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2 REVISTA DOS BANCÁRIOS

Índice Planos para o ano novo

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Natal solidário

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Entrevista: Fábio Peixoto (Correios)

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Terceirização: o PL que legaliza a fraude

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O teatro sem Carlos Salles

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Dicas de cultura

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Bancário artista

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Conheça Pernambuco

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@bancariospe

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Revista Bancários DOS

Opinião

Informativo do Sindicato dos Bancários de Pernambuco Redação: Av. Manoel Borba, 564 - Boa Vista, Recife/PE - CEP 50070-00 Fone: 3316.4233 / 3316.4221 Correio eletrônico: imprensa@bancariospe.org.br Sítio na rede: www.bancariospe.org.br Presidenta: Jaqueline Mello Secretária de Comunicação: Anabele Silva Jornalista responsável: Fábio Jammal Makhoul Conselho editorial: Anabele Silva, Geraldo Times, Jaqueline Mello e João Rufino Redação: Fabiana Coelho, Fábio Jammal Makhoul e Sulamita Esteliam Diagramação: Bruno Lombardi Foto da capa: Marcelo Camargo / ABr Impressão: NGE Gráfica Tiragem: 11.000 exemplares


Planos

Em 2014, eu prometo... ... emagrecer, casar, mudar de emprego, economizar dinheiro, fazer aquela viagem... Todo final de ano é a mesma coisa, as pessoas traçam metas e projetos, que podem ser cumpridos à risca ou solenemente ignorados. Mas o que os bancários querem para 2014? A Revista ouviu os planos de alguns trabalhadores, confira!

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REVISTA DOS BANCÁRIOS 3

Roosewelt Pinheiro/Abr

Fim de ano


Fim de ano

Planos

fotos: Daniela Sanchez; olddocks; ramasamy chidambaram e lockstockb

Ano novo, vida nova?

D

ezembro é o mês em que é costume se despedir das coisas antigas e se preparar para um novo tempo. É o fim de um ciclo, início de outro – pelo

menos, nos lugares onde vigora o calendário gregoriano. É tempo de fazer aquela faxina, jogar fora o que não presta e fazer planos para o novo ano que se aproxima.

O bancário Daniel Almeida, da Caixa, quer investir na carreira em 2014

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Tem quem não faça muitos projetos e prefira deixar a vida tecer seus planos. Outros gostam de traçar metas e cumpri-las meticulosamente. Ou há quem planeje mil coisas, mas acabe fazendo tudo diferente. Mas, seja qual for a forma de cada um lidar com o futuro, o fato é que existe em cada fim de ano um convite à mudança e ao recomeço. Rodrigo Augusto, por exemplo, funcionário do Bradesco há três anos, espera casar e adquirir sua casa própria em 2014. E garante: costuma cumprir suas metas. No fim de 2012, por exemplo, ele fez projetos para concluir a faculdade e sair da área administrativa para a comercial. Cumpriu integralmente seus planos. “Profissionalmente, minha expectativa é sair do PAB, onde estou há um ano, e ir para agência”, conta o bancário. Quem também pretende casar em 2014 é o funcionário da Caixa Daniel Almeida. Noivo há dez anos, ele garante que, finalmente, vai honrar o compro-


Fim de ano

misso. “Já faz algum tempo que eu não vinha fazendo planos de fim de ano. Eu andava meio desmotivado, meio acomodado”, desabafa Daniel. Uma simples mudança no trabalho ajudou a despertar a empolgação do bancário. Ele passou da digitação de guias de FGTS para a área de contabilidade. “Estou aprendendo muito. E isso serve como estímulo”, diz. Funcionário da Caixa há sete anos, ele – que até então não tem nenhuma função comissionada – agora pensa em subir um degrau na carreira. Amanda Silva Freire é bancária há 15 anos, mas somente há dois está no Santander. Ela afirma que sempre faz muitos planos nesta época do ano. Em 2014, por exemplo, pretende comprar um carro e fazer a reforma da casa. Entre outras coisas. Profissionalmente, não pensa em grandes mudanças: “Estou há pouco tempo na função. Não me sinto segura o suficiente para passar para outra”, diz Amanda – que é gerente de Relacionamento Van Gogh. Embora sempre crie muitas expectativas, a bancária é flexível o suficiente

para reconstruir todos os seus planos. Foi o que aconteceu em 2013. “Tracei mais de dez metas. Mas acabei tendo que me mudar, de Sirinhaém para o Cabo. Então, tive que rearrumar todos os meus projetos”, diz. OUTROS POVOS Nem todo mundo, entretanto, comemora em dezembro a virada do ano. Para os chineses, por exemplo, o ano inicia no mês equivalente a fevereiro. Na lua nova do dia 31 de janeiro de 2014, eles festejarão o início do ano do cavalo, 4712. As viradas de ano não caem sempre na mesma data, mas variam de acordo com o ciclo da lua. 2013, por exemplo, teve início no dia 10 de fevereiro e foi o ano da serpente – segundo a astrologia chinesa. As festividades duram quinze dias e encerram na noite em que a lua está mais cheia. Cada um destes dias tem um significado especial e, portanto, uma maneira de ser celebrado. Entre os rituais, costuma-se usar o vermelho, que simboliza o fogo e afasta a má sorte. Um dos pontos marcantes das festividades

Planos

é o festival das lanternas, que acontece no 15º dia de comemorações, quando também se realiza a dança do dragão. Já os judeus, comemoram o ano novo – ou Rosh Hashaná – no primeiro dia de Tishrei, equivalente ao mês de setembro no calendário gregoriano. Desde 4 de setembro de 2013 eles deram início ao ano 5774. É, segundo a tradição, o dia em que Adão e Eva foram criados. E também o dia em que Caim teria matado Abel. Portanto, um tempo de lembranças e de julgamento. As pessoas se reúnem, fazem orações, tocam o shofar (instrumento feito com o chifre de carneiro), e alimentam-se de comidas típicas. No mês de novembro, os indianos celebraram o Diwali, festa das luzes e ano-novo hindu. Neste período, durante cinco dias, eles lembram o retorno de Rama e Sita – reencarnações de Vishnu, deus sustentador do universo, e de Lakshmi, símbolo do dinheiro e da prosperidade, que foi resgatada das mãos do demônio Ravana. É tempo de vestir roupas e joias novas, acender muitas luzes e soltar fogos de artifício. REVISTA DOS BANCÁRIOS 5


Natal

Solidariedade

Papai Noel do asfalto

ilustrações: spoongraphics / vecteezy

S

ede dos Correios no Recife: entrada pela Rua do Sol. Na longa extensão da parede, do lado direito, um imenso painel com centenas de cartas esperam adoção. Quase todas as crianças que escrevem já não esperam que um barbudo Papai Noel, vindo de trenó do Polo Norte, lhes traga os seus presentes. No entanto, embora elas acreditem que riquíssimos “padrinhos” realizarão suas vontades, boa parte das cartinhas são adotadas por pessoas simples. Por isso, várias delas permanecem no mural por que expressam pedidos que vão além das posses dos papais noéis da cidade. Os pedidos revelam os desejos e contradições da sociedade e de uma ditadura do consumo que já não impõe bola ou boneca em suas propagandas. A bicicleta continua liderando os sonhos de consumo. Mas tablet, notebook, computador e celular digital ocupam cada vez mais espaço no imenso painel de cartas, o que acaba dificultando a vida dos padrinhos e madrinhas de Natal: “Antigamente era mais fácil. Hoje, ninguém quer boneca, bola, carrinho... só coisa cara”, se queixava uma Mamãe Noel. “Vou colocar minha cartinha aqui: sou aposentado, tenho 70 anos e não tenho dinheiro pra comprar um notebook...”, brincava outro padrinho

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Quem quiser ser o Papai Noel de uma criança carente, pode adotar uma das centenas de cartinhas que estão na entrada da sede dos Correios, na rua do Sol

Ivaldo Bezerra

Sindicato entra no clima de solidariedade e adota cartinhas de Natal


Ivaldo Bezerra

Natal

A escrita das cartinhas é utilizada pelas escolas como ferramenta pedagógica

de adoção. No entanto, em meio a tantos desejos, é possível encontrar histórias comoventes. Que o diga o pessoal da equipe de triagem e cadastramento das cartinhas, coordenada por Luciane Patrícia. São eles que recebem as cartas, anotam endereços, verificam se os relatos seguem os critérios: se são manuscritos, se expressam os desejos da criança, se o endereço está completo... São eles que mais convivem com as histórias narradas pelas crianças. Jéssica, que faz parte da equipe, se comoveu com a cartinha de um menino, cujos pais eram separados e pedia um sapatinho, porque era o único da escola a frequentar as aulas usando sandálias. David, também do cadastramento, lembra o relato de um garoto de Itamaracá: “Ele era novinho, calçava 26. Mal dava pra entender a letra. Morava em Itamaracá e pediu um sapato pra ele e um para o irmão”, conta. SINDICATO PAPAI NOEL O Sindicato também entrou nesta

corrente de solidariedade. Foi à sede dos Correios e garimpou dez cartinhas, dez histórias, dez desejos. Relatos como o de Stefannie, uma menina com necessidades especiais que não sabia escrever e, por isso, pediu à professora que escrevesse por ela. “Estou querendo um kit escolar para mim estuda (…) Eu sou especial, tenho vontades de escrever, de estudar. Eu preciso de materiais. Tenho 23 anos e mim disseram que eu não receberia por conta da idade...” (SIC) O pequeno Lucas, de seis anos, fez uma cartinha com desenho e pintura: uma árvore de Natal bem colorida, rodeada de crianças. Escreveu:

Solidariedade

“Queria que me ajude a ganha o meu boneco do homem aranha pois eu vi meus amigos com ele e eu queria e chorei muito e estou triste pois meus pais não tem dinheiro (…) ou a gente come ou compra brinquedo” (SIC). Comovente, também, é a história de um tio adotivo que quer agradecer por tudo o que a avó de uma criança fez e continua fazendo por ele, dando ao menino – neto desta senhora que tanto o ajuda – um presente que ele não tem condições de comprar. Ou o relato de Lucas Danylo, 8 anos, que antes de fazer seu pedido, ressalta: “Esse ano eu fui obediente na escola e tirei notas boas”. Ou do garotinho de sete anos, que pede material escolar e escreve: “Eu nunca ganhei presente do papai noel já faz três anos que eu coloco cartinha para você. Fassa eu feliz.” (SIC) Para a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, com a adoção das cartinhas, o Sindicato volta a expressar o caráter solidário dos bancários que se manifesta em ações como as campanhas de doação de alimentos para as vítimas da seca, contribuição na construção de cisternas e mutirão para doação de sangue. “Esperamos que, com a aquisição destes presentes, a gente contribua um pouquinho para a felicidade das crianças neste fim de ano”, diz Jaqueline. Quem também quiser contribuir, deve ir à sede dos Correios, entrada pela rua do Sol, escolher uma cartinha e entregar o presente no local até dia 16 de dezembro. REVISTA DOS BANCÁRIOS 7


Entrevista

Fábio Peixoto

“Nossos papais noéis não têm posses nem querem holofotes” Fábio Peixoto está há dois anos na coordenação da campanha de Natal solidário dos Correios. Mas participa do projeto há mais de dez anos e viu muita coisa mudar em todo este tempo. O que começou como uma iniciativa dos carteiros para realizar os pedidos que as crianças enviavam ao Papai Noel, no Polo Norte, cresceu, se institucionalizou, passou a alcançar o Brasil inteiro. Uma coisa, entretanto, permanece. A maioria dos papais noéis, padrinhos que adotam os desejos, são pessoas comuns, que não têm tantas posses e que não querem holofotes. Querem apenas, pelo menos por um momento, ajudar a fazer uma criança feliz.

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REVISTA DOS BANCÁRIOS: Quantas cartinhas vocês já receberam até o final de novembro? FÁBIO PEIXOTO: Já conseguimos cadastrar mais de cinco mil cartas, mas acreditamos que, até o final do mês, chegaremos a algo em torno das 10 mil, que é nossa meta. Este é, aliás, o nosso limite operacional, até porque final de ano é um período crítico dos Correios. Muita gente faz compras online e o número de entregas aumenta bastante. RB: Há quanto tempo existe este projeto? Fábio: Esta é a 24ª edição. O projeto surgiu como uma iniciativa dos próprios carteiros. Este período de Natal, fim de ano, mexe muito com o imaginário das pessoas. E nós, que trabalhamos nos Correios, muitas vezes nos deparávamos com cartas endereçadas ao Papai Noel, no Polo Norte. Muitos colegas ficavam sensibilizados com os pedidos e decidiam, por conta própria, realizar os desejos das crianças. Já que não podiam entregar as cartas no Polo Norte, tornavam-se, eles mesmos, os papais noéis. A iniciativa foi crescendo, se institucionalizou e hoje envolve o Brasil inteiro. RB: Há quanto tempo você está envolvido no projeto? Fábio: Na coordenação, eu estou há dois anos. Mas há dez anos já tenho envolvimento com ele. RB: E o que mudou nestes dez anos? Fábio: Muda muita coisa. Mudam as expectativas da sociedade. O projeto cresce e passa a demandar um maior controle e cuidado. No começo, por exemplo, disponibilizávamos as cartinhas com o endereço. Hoje, até por recomendação do Ministério Público, as crianças que fazem os pedidos têm seu endereço resguardado. Há todo um cuidado, por meio de sistema informatizado. Mas a ideia inicial permanece: de um padrinho, que se mantém anônimo, mas contribui, em seu anonimato, com essa magia e solidariedade de Natal. RB: E como é o trabalho de organização do projeto? Fábio: É uma megaoperação, realizada graças ao trabalho voluntário dos funcionários. São cerca de cinquenta pessoas envolvidas somente na primeira etapa, de cadastramento. Primeiro, fazemos a triagem: as cartas são lidas, a equipe verifica se elas obedecem aos critérios exigidos: se são escritas à mão, se contém endereço completo, se expressam os pedidos das crianças. Depois, elas são cadastradas, numeradas e encaminhadas para o painel, onde podem ser adotadas. Até 16 de dezembro, ficam à disposição dos padrinhos. Esta é, também, a data-limite para que os presentes sejam entregues na sede dos Correios. Depois, o sistema gera uma etiqueta e os presentes são encaminhados para entrega.


Ivaldo Bezerra

Entrevista

Segundo Fábio, a maior parte dos padrinhos é o cidadão comum: pessoa simples, que não tem tantas posses, mas quer contribuir para fazer uma criança feliz no Natal

Fábio Peixoto

Fábio: Os pedidos retratam a sociedade e os padrões de consumo da época. Pelo fato de serem carentes, as crianças não são imunes à propaganda e aos apelos do mercado. Pelo contrário: elas não têm recursos, mas têm desejos. Sabemos que isso dificulta e, na medida do possível, orientamos para que não sejam feitos pedidos muito difíceis de realizar. RB: Qual a expectativa com relação à adoção das cartas? Fábio: No ano passado, conseguimos que 76% das cartinhas fossem adotadas, o que consideramos um bom percentual. Nossa expectativa para este ano é que a gente consiga, pelo menos, repetir este número.

RB: E como é a entrega? Fábio: Boa parte dos pedidos é encaminhada pelos próprios carteiros. Mas, em alguns lugares, onde se concentra um número maior de entregas ou em algumas escolas, por exemplo, levamos nossa Mamãe Noel para fazer a alegria da meninada. É a funcionária Gilda Lacerda, que há 16 anos se dispõe a cumprir voluntariamente este papel. RB: Você falou sobre a entrega em escolas? Existe articulação com as

instituições de ensino? Fábio: Sim. O projeto está atrelado aos objetivos do milênio. E isso inclui a educação. Por isso, há cerca de três anos, a escrita das cartinhas é utilizada pelas escolas como ferramenta pedagógica. Temos articulação com as Secretarias de Educação de Recife e Olinda e com diversas escolas. RB: E quanto aos pedidos? Observamos, no painel, que muitas crianças pedem tablet, notebook, celular...

RB: Há pedidos diferentes ou inusitados, que se destacam? Fábio: A gente recebe muitas cartas de alguns bairros, como Afogados, Mangueira... No Coque, por exemplo, há vários pedidos de instrumentos musicais – provavelmente por conta da Orquestra Criança Cidadã. Há pedidos diferentes, como o de uma mãe que escreveu em nome do filho, ainda bebê, querendo um nebulizador de ar. E outros bem comoventes, como o de um garoto que pedia para encontrar o pai. Ou outro, que pedia um emprego para a mãe. São pedidos que mexem com a gente, principalmente porque são mais difíceis de realizar. RB: Qual o perfil dos padrinhos? Fábio: Existem algumas empresas, inclusive grupos empresariais em Suape, que pedem para separar um certo volume de pedidos. Mas a maior parte dos padrinhos é mesmo o cidadão comum: pessoa simples, que não tem tantas posses, que não quer holofotes, mas acha que pode contribuir para fazer, pelo menos, uma criança feliz no Natal. REVISTA DOS BANCÁRIOS 9


Emil Bacik / SXC.hu

Terceirização

Trabalho

Legalizando a fraude

A

batalha pela manutenção dos direitos e da organização é pauta permanente da classe trabalhadora, e está no cerne do embate pela rejeição do PL 4330/2004 pela Câmara dos Deputados. É ponto pacífico, não somente entre representantes dos trabalhadores, como de magistrados e procuradores do trabalho, que a proposta trata de aprofundar, selvagemente, a precarização do trabalho; em outras palavras, soterrar os direitos trabalhistas e sindical. Os especialistas em direito do trabalho são unânimes em considerar o chamado projeto da terceirização, de autoria do deputado goiano Sandro Mabel (PMDB) e relatado pelo colega de partido, o baiano

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Dois projetos de lei que tramitam na Câmara e no Senado, o PL 4330 e o PLS 81, prometem legalizar a terceirização fraudulenta no país e, de quebra, jogam no lixo direitos trabalhistas que foram conquistados com décadas de luta

Arthur Maia, um retrocesso. E não só porque escancara a contratação de serviços. A lei, ou a interpretação dela, não permite contratar e subcontratar para atividades-fim, como reza a Súmula 331/1993, do TST. Caracteriza fraude trabalhista, o que não significa que os bancos e outras empresas não o façam. “Está claro que o PL 4330/2004, como o seu clone PLS 81/2006 no Senado, embutem propósitos não só econômicos como políticos, quais sejam: acabar com direitos trabalhistas e sindicais, e, em última instância, fragilizar a organização dos trabalhadores, tornando legal o que acontece como burla”, observa João Marcelo Torres Lopes, diretor do Sindicato dos Bancários de Pernambuco destacado para acompanhar o processo legislativo da terceirização. Para a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, as mobilizações da CUT e demais centrais ao longo deste ano foram fundamentais para abortar a votação do projeto em caráter terminativo nas comissões da Câmara dos Deputados. “O PL 4330, agora, terá que ser apreciado em plenário. Já estamos pressionando os deputados para garantir que o projeto não seja aprovado. Mas a luta é dura, pois a grande maioria dos parlamentares representa os empresários”, conta Jaqueline. O adiamento dá fôlego às organizações dos trabalhadores, mas não tranquilidade.


Terceirização Sabe-se, 2014 é ano eleitoral, quando boa parte de deputados e senadores buscam renovar seus mandatos. Por conta disso, e enquanto o novo ano não chega, cresce a movimentação dos bastidores, e o PL da Terceirização está na ordem do dia. Mas não só ele, como não se cansa de alertar o Diap, órgão de assessoria parlamentar aos sindicatos. Prova disso é que as centrais sindicais tiveram que mostrar agilidade para conseguir barrar no Senado, através de senadores do PT, a votação do PLS 87/2010, análogo ao que corre na Câmara. O projeto ainda precisa passar pela Comissão de Seguridade, antes de ir a plenário. Há expectativa de audiência pública, requerida pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) mas ainda sem data definida, para debater a matéria. O PLS é da lavra do então senador, hoje deputado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), relatado pelo senador Armando Monteiro (PTB-PE). Segundo o Diap, o PLS 87 “em nada muda o texto do PL 4330 e, se aprovado, permitirá a terceirização em todas as áreas das empresas, precarizando o trabalho e rebaixando salários e direitos dos trabalhadores. Significaria menor consumo e ainda maior concentração de renda no país”.

margem a dúvidas quanto ao que está por trás do projeto: “Tenho objeção total à súmula 331, mas o PL 4330/04 é um tapa na cara dos trabalhadores brasileiros e de suas organizações sindicais. É o escárnio”, afirma em entrevista concedida ao site do TRT 4, no Rio Grande do Sul. Para Coutinho, convidado para seminário sobre terceirização na Escola Judicial do TRT 4, o projeto vai além do retrocesso em relação à súmula 331, e completa: “Se não é o fim do Direito do Trabalho, é o mais duro golpe que se pode proferir contra ele e sua história centenária. Nada mais grave foi praticado contra as relações de trabalho institucionalizadas desde o fim da escravidão.” Combate à fraude Há várias frentes de batalha para garantir os direitos trabalhistas. A mobilização dos trabalhadores, via sindicatos e centrais sin-

Trabalho

joÃo marcelo

dicais é uma delas. Outra é a via judicial, e não são poucos os casos de trabalhadores terceirizados que buscam este caminho. Outra frente está no próprio Ministério Público do Trabalho, através da Coordenadoria de Combate à Fraude Trabalhista (Conafret), aí incluída a terceirização

Tapa na cara dos trabalhadores Não à toa, a própria Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), bem como a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT) divulgaram notas técnicas de repúdio ao PL 4330. A OAB também se manifestou negativamente em relação às mudanças. “Estão alterando a legislação do trabalho no Brasil com quinze artigos que nos iludem e quatro que destroem tudo o que já foi construído em termos de garantias para os trabalhadores”, afirma Fabrício Nogueira, diretor legislativo da Anamatra, à reportagem da Rede Brasil Atual. A definição cravada para o PL 4330/04 pelo juiz do trabalho Grijaldo Fernandes Coutinho, da 10ª Região-DF/TO, não deixa REVISTA DOS BANCÁRIOS 11


Terceirização

Trabalho

Jaqueline Mello: Mobilização dos sindicatos foi fundamental para impedir que o PL 4330 fosse aprovado pelos deputados ao longo deste ano

fraudulenta. A ação é feita em triangulação: com o trabalho sindical de denunciar as fraudes; das regionais do Ministério Público do Trabalho e Emprego em fiscalizar e constatar as irregularidades; e do MPT em buscar reparo na Justiça do Trabalho. No setor financeiro, segundo a procuradora do Trabalho em Pernambuco, Vanessa Patriota da Fonseca, a terceirização dos serviços responde por grande parte dos acidentes de trabalho com maior gravidade, por exemplo. E, embora não seja o caso do estado, recentemente, há processos importantes, em andamento ou em fase de execução, contra bancos em outras unidades da federação, movidos pela Conafret. Exemplo disso está no Rio de Janeiro e no Acre. No Rio, duas ações civis públicas foram ajuizadas em 2001 pelo procurador Rodrigo Carrelli, então responsável pela coordenadoria na 1ª Região. A Ação Civil Pública 0117600-89.2002.5.01.0011 corre na 11ª Vara do Trabalho e é contra o antigo Banco Real, atual Santander. Encontra-se em fase de execução porque o banco descumpriu a antecipação de tutela, que mandou cessar, imediatamente, a interposição fraudulenta de mão de obra. A questão que se coloca, também, segundo a procuradora Carina Bicalho, atual responsável pela Conafret , é “se a decisão atinge todos os Estados ou apenas o Estado do Rio de Janeiro”. De acordo com a procuradora, que res-

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pondeu à Revista dos Bancários por correio eletrônico, a decisão condena o banco a “abster-se, imediatamente, de contratar empresas interpostas e/ou cooperativas para realização de serviços não eventuais, que, de forma pessoal, onerosa e subordinada, sejam essenciais à consecução de seus objetivos sociais, notadamente, digitação e custódia de cheques (separação e digitação de cheques para posterior remessa à câmara de compensação e guarda de cheques predatados para posterior devolução aos bancos); preparação de documentos; conferência e organização de valores depositados nos estabelecimentos bancários; conferência e organização de cheques, assim como de duplicatas de contas de água, luz, telefone e demais títulos e documentos deixados nas agências bancárias para posterior autenticação, devendo executar tais serviços através de pessoal próprio, contratado diretamente e que usufrua os direitos sociais da categoria profissional bancária”. Mais claro, impossível. A outra ação, sob o n.º 01424-2003037-01-01-6, tem como réus o Bradesco, e também a Bradesco Seguros, Bradesco Saúde e Bradesco Vida e Previdência. Determina o “registro de todos os contratos de trabalho de trabalhadores admitidos direta ou indiretamente para prestar serviços, de forma pessoal e subordinada, de captação de clientes e vendas de apólices de seguros e planos de previdência privada nas agên-

cias” do banco. Determina, ainda que o banco abstenha-se de contratar trabalhadores terceirizados para tais funções e manda que sejam garantidos aos prestadores em tais funções “todos os direitos previstos na legislação trabalhista, sem subterfúgios de criação de “pessoas jurídicas” ou de empresas para contratação por pessoa interposta”. Também nesse caso houve antecipação dos efeitos da tutela, além da proibição de que o grupo contratasse através de pessoa jurídica para venda de seguros e previdência privada após agosto de 2005. “Atualmente essa ACPU está em fase de fiscalização do cumprimento da decisão. O MPT está buscando provas da contratação via pessoa jurídica após 2005 para executar pelo descumprimento”, explica Carina Bicalho. Os efeitos da decisão, contudo, estão restritos ao Rio de Janeiro. Entretanto, “havendo prova do descumprimento da antecipação de tutela em outros estados, o MPT vai novamente questionar os efeitos da decisão para que não fique restrita ao Estado do Rio de Janeiro”, completa. A ação que tramita na 14ª Região, que abrange Acre e Rondônia, se refere a terceirização de correspondentes bancários e diz respeito ao Banco Central, Banco do Brasil, CEF, Bradesco, Itaú, Santander e HSBC. Corre sob número 0010568-61.2013.5.14.0404. A Revista dos Bancários tentou, mas não obteve mais informações a respeito. No âmbito da PRT-MPT da 6ª Região, Pernambuco, não obstante, e por incrível que possa parecer, é o setor elétrico o maior vilão: “Oitenta e cinco por cento dos eletricistas que trabalham para a Celpe são terceirizados”, afirma a procuradora Vanessa Patriota da Fonseca. Ela conduziu Ação Civil Pública que condenou a empresa a pagar R$ 2 milhões de multa por danos coletivos. Confirmada em segunda instância, a causa está sob exame do TST. O mesmo ocorre com a Coelba, companhia de energia elétrica baiana, condenada a pagar R$ 5 milhões pelos mesmos motivos.


Cultura

Teatro

O palco das ruas sem o mestre Salles

Roteirista, diretor e fundador do grupo de teatro de rua Loucos e Oprimidos da Maciel, Carlos Salles, falecido há três meses, é inspiração e permanece vivo para sua trupe

CENAS E POEMAS Os Loucos e Oprimidos da Maciel passeiam entre a poesia e a encenação. Seus principais espetáculos são homenagens aos poetas marginais, que circulam ou circulavam pelos becos boêmios da cidade. A ideia germinou em um bar da Praça Maciel Pinheiro. Além de “Polo Marginal” e de “Do

Miguel Igreja

N

o próximo dia 6 de dezembro, o grupo de teatro de rua Loucos e Oprimidos da Maciel abre o show de Walgrene Agra no Sindicato (veja mais na página 14), com seu espetáculo “Polo Marginal – Opereta de Rua”. Há menos de três meses, o grupo ficou órfão de seu fundador, roteirista, diretor e grande mestre: o ator Carlos Salles. Para os que ficaram no grupo, manter vivo seu trabalho e seus sonhos é a forma mais verdadeira de lhe prestar homenagem. Rodrigo Torres, um dos membros fundadores, confessa que ainda não sabe como vai ser daqui pra frente. “Temos alguns espetáculos já prontos. E alguns projetos, que eram sonhos de Carlos. Não sabemos como vai ser a direção. Só sabemos que vamos, sim, levar estes projetos adiante”, diz. No último ensaio com a presença de Salles, o diretor repassou para outro ator suas falas do “Polo Marginal”. Não porque pressentisse a morte, que lhe calou o coração de repente. Mas porque faria uma cirurgia de hérnia e teria de se afastar. Sofreu o ataque cardíaco alguns dias depois.

Moço e do Bêbado Luna” (homenagem ao poeta Erickson Luna, que iniciou o grupo nas ruas), o grupo mantém um projeto de circulação pelas várias cidades do estado, com um roteiro que fala da história, cultura e patrimônio de cada lugar. A ideia surgiu a partir de uma iniciativa do governo mas, mesmo depois de encerrada a parceria, a trupe decidiu manter. PROJETOS Carlos Salles também deixou alguns projetos inacabados que o grupo tem o desafio de concluir. “Tem um roteiro já pronto, ‘Re-cortes de Lula’, que é homenagem a Lula Cortes. E outro que a gente já tinha, inclusive, iniciado o processo de montagem, com leituras e contribuições. É ‘O Poeta França nos palcos da vida’”, conta Rodrigo. Segundo ele, embora fosse Carlos o diretor, todo o processo de montagem do grupo era muito colaborativo. “Todo mundo dá sua contribuição, mas é preciso aquele olhar de fora, que conduza o espetáculo. E isso a gente ainda não sabe como vai ser. Todos nós queremos estar em cena...”, afirma o ator. Além do espetáculo no Sindicato, os Loucos e Oprimidos da Maciel também estarão no dia 5 de dezembro, em Peixinhos, como parte da programação do 10º Festival de Teatro de Rua. O festival vai de 2 a 7 de dezembro e presta homenagem a Carlos Salles. REVISTA DOS BANCÁRIOS 13


Cultura

Dicas

O segredo de Walgrene

Na sexta-feira, 6 de dezembro, o músico e produtor cultural Walgrene Agra enche o Sindicato de poemas e canções. O show “O Segredo” traz composições dos vários CDs gravados ou produzidos pelo artista, além de músicas inéditas, de diversos estilos. Será antecedido pela apresentação do grupo de teatro de rua Loucos e Oprimidos da Maciel, com seu espetáculo “Polo Marginal – opereta de rua” (veja matéria na página 13). A festa começa às 19h, no Sindicato, e tem caráter solidário: para assistir às apresentações, o público só precisa chegar um pouco mais cedo e trazer um quilo de alimento não perecível. Durante o evento, o artista colocará à venda os CDs mais novos confeccionados por sua produtora “O Bicho do Pé”: “Samba Matuto” e “Canta Boa Vista”.

Samba Matuto e Canta Boa Vista

“Samba Matuto” é o disco recém-saído do forno do Conjunto Regional Samba Matuto (foto). Ele une várias vertentes do samba e regrava canções pouco conhecidas do público. O “Canta Boa Vista” junta poetas e músicos que circulam pela boemia da Boa Vista. Os artistas da palavra são Miró, João Evangelista, Glória Regina, Aldo Lins, Hamilton e Jommard Muniz de Brito. A eles se unem os músicos Talis Ribeiro, Ana Talita, banda Jerivá, Walgrene Agra, Júlio Samico, Vates e Violas, banda Elementos, Tito Lívio e Saracotia. O CD é uma homenagem a Nivaldo Brodinho, percussionista da banda Elementos, que faleceu pouco depois da gravação do CD, e ao poeta Fernando Capela Show.

LANÇAMENTOS DE LIVROS RECOMENDADOS Criança e consumismo

Como falar de consumismo e educação financeira para uma criança? Que tal com uma boa leitura? É isso que a escritora Ceci Callado faz em seu livro “O Menino que não tinha Cartão de Crédito”. O lançamento será às 15h do domingo, 15.

14 REVISTA DOS BANCÁRIOS

Estrangeiro no Labirinto

No dia 18, o poeta e escritor Wellington de Melo lança seu romance “Estrangeiro no Labirinto”. Passeando por temas incômodos como a pedofilia e a violência urbana, o livro navega entre a crítica social e o realismo fantástico. Lançamento às 19h no Centro Cultural dos Correios.


Bancário Artista

Cultura Juvenal Ramos

Razão para Cantar No dia 4 de dezembro, o bancário Juvenal Ramos, da Caixa de São Lourenço, representa Pernambuco nas semifinais do Concurso Música Fenae 2013. Conhecido originalmente como Festival da Canção dos Empregados da Caixa, o evento existe desde 1986, revelando talentos nas várias agências e departamentos da Caixa Brasil afora. É o caso de Ramos que, com cerca de vinte composições guardadas, apenas agora decidiu exibir uma de suas músicas para um público maior. Seu público anterior resumia-se a amigos, colegas e familiares que, inclusive, o ajudaram a selecionar a composição submetida à mostra seletiva. “Eu separei três que eu gostava mais e mostrei ao pessoal. A maioria escolheu ‘Razão para Cantar’”, conta o bancário. É um samba que, interpretado pelo próprio autor, passou pela seleção regional e segue, junto com outras 24 composições de diferentes estados, para as semifinais. As doze melhores serão gravadas em CD. Ramos tem sambas, forró e músicas românticas. Mas sua estreia no mundo da composição é recente. “Sempre gostei muito de ler, escrevia poemas de vez em quando. Mas, no dia do aniversário de 25 anos de casamento, decidi compor uma música. Foi uma choradeira danada... a família gostou muito e eu acabei me empolgando”, lembra. Isso foi há apenas dois anos.

Bancário da Caixa de São Lourenço, ramos representa Pernambuco nas semifinais do Música Fenae

De lá para cá, já são vinte músicas compostas. Seu processo de composição é um misto de inspiração e transpiração, razão e emoção. “Às vezes eu escuto uma frase e penso: isso cai bem numa música. Aí guardo aquilo pra processar depois. Outras vezes, é a melodia quem surge primeiro. Então, esse primeiro momento é de inspiração. Depois, eu pego isso e junto tudo, corto palavras, encaixo melodias... um processo mais racional”, explica. Com 24 anos de trabalho na Caixa, Ramos não pretende se dedicar profissionalmente à música. Pelo menos por enquanto. Prefere oferecer suas composições para que outros gravem. “É preciso um tempo de dedicação que eu não posso dispor. Quem sabe após a aposentadoria...”, diz Ramos. Enquanto isso, os bancários pernambucanos ficam na torcida para que, no dia 6 de dezembro, ele esteja entre os doze finalistas do Música Fenae 2013. REVISTA DOS BANCÁRIOS 15


Turismo

Conheça Pernambuco Limoeiro

A cultura do ciclo natalino

D

ezembro é tempo de festas populares e, na tradição de Pernambuco, o Ciclo Natalino também tem força cultural, proporcionando beleza aos olhos e ouvidos. Em Limoeiro, cidade do Agreste a 77 quilômetros do Recife, dois folguedos se destacam: a Caminhada Natalina, auto de Natal itinerante, e o Boi do Caboclinho, que migra do Carnaval e do São João para a celebração do nascimento do Menino Jesus sem constrangimentos. A Caminhada Natalina acontece há 26 anos, em Limoeiro e nas cidades circunvizinhas. Narra a história do nascimento do Menino Jesus, valendo-se de diferentes recursos de linguagem,

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músicas inéditas e figurino renovado a cada ano. “Nesses anos todos de apresentação, nenhum texto se repetiu, cada apresentação é única”, garante Luiz Pereira Neto, da Companhia de Eventos Limoarte, que produz o espetáculo. As apresentações, até cinco por dia ao longo de dezembro e até o Dia de Reis, podem chegar a doze na noite de Natal. O palco são as ruas, praças, hospitais, restaurantes, terraços, bancos, igreja e terreiros na Zona Rural. Essa característica, digamos, mambembe, da Caminhada Natalina a torna singular em seu estilo no país, segundo a Federação de Teatro de Pernambuco (Feteape). O Boi de Caboclinho é tradição que em Limoeiro remonta ao início do século passado. São mais de uma dezena de grupos na cidade, que têm suas origens, em meados do século XVIII, numa sesmaria com aldeamento indígena. Narra a luta do Caboclinho (índio) com o Boi, segundo o roteiro do Bumba meu Boi. O colorido e a riqueza dos figurinos, as acrobacias e a música ritmada são contagiantes. Quem visita a aprazível cidade nessa época do ano, certamente notará que Limoeiro se veste de festa para celebrar o Natal. É que a prefeitura promove concurso de ornamentação das ruas, estimulando a criatividade da população. O poder municipal, também, reserva programação cultural especial para o ciclo natalino, com apresentações de corais, pastoris, cavalo marinho e orquestras.

Revista dos Bancários 37 - dez. 2013  
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