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C AI X A M A I O D E 2 0 1 3 • S I N D I C AT O D O S E M P R E GA D O S E M E S TA B E L E C I ME N T O S D E C R É D I T O N O E S TA D O D E P E R N A MBUCO

Caixa ameaça demitir bancários por irregularidade no ponto

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m dos principais problemas que os bancários da Caixa enfrentam hoje em dia é o excesso de trabalho, causado, na maioria das vezes, pela falta de empregados nas agências e departamentos do banco. Grande parte dos bancários é obrigada a trabalhar muito além da jornada de seis horas, transformando a hora-extra, que deveria ser eventual, num hábito cotidiano. Para piorar a situação, o banco tem pressionado os gestores para que as horas-extras não aconteçam. Com isso, muitos gerentes acabaram encontrando uma maneira ilegal para garantir que os bancários deem conta do trabalho e, ao mesmo tempo, não façam hora-extra: fraudar o ponto eletrônico. Segundo a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, é comum na Caixa que os bancários batam o ponto registrando a sua saída, mas continuem trabalhando sem receber nada pelas horas-extras. “O Sindicato tem lutado há anos contra esta fraude na jornada de trabalho. Temos pressionado a Caixa, mas, acima de tudo, orientado os bancários para que não aceitem essa prática nefasta de trabalhar sem o devido registro do ponto”, explica. Jaqueline conta que, além de pressionar a Caixa, o Sindicato já acionou a Justiça do Trabalho

com ameças de demissão. Sabemos que muitos empregados fraudam o ponto eletrônico pressionados pelos próprios gestores”, diz. Jaqueline reafirma que a orientação do Sindicato é para que nenhum bancário trabalhe sem o devido registro do ponto. “E, se alguém se sentir pressionado pelo gestor, procure o Sindicato porque nós vamos cobrar a Caixa por essa contradição. Em hipótese alguma o empregado deve trabalhar de graça para o banco”, destaca Jaqueline, ressaltando que, segundo as leis trabalhistas, ninguém pode realizar mais de duas horas-extras por dia. Almoço

e também denunciou o banco para a Superintendência Regional do Trabalho (SRT) cobrando fiscalização. Penalidades

A Caixa, porém, em vez de solucionar o problema do ponto eletrônico, acaba de empurrar a responsabilidade para os bancários. Recentemente, o banco publicou uma cartilha sobre a Jornada de Trabalho onde diz, com todas as letras, que o bancário pode ser demitido se fraudar o ponto eletrônico.

“O descumprimento das normas relacionadas à jornadas pode acarretar na abertura de processo administrativo disciplinar, penalidade de advertência, suspensão ou rescisão de contrato”, diz o documento do banco. Para Jaqueline, a postura da Caixa é lamentável, pois o banco deveria contratar mais bancários para dar conta do trabalho, corrigir os problemas do ponto eletrônico e parar de pressionar os gestores com as metas de horas-extras. “Em vez disso, a direção joga a responsabilidade para o bancário,

Muitos bancários também estão sendo pressionados pelos gestores a fazer uma ou duas horas de almoço para ficar mais tempo à disposição do banco. Essa prática também é ilegal e passível de penalidade, segundo a cartilha da Caixa. “A Consolidação das Leis Trabalhistas determina que a jornada dos bancários é de seis horas de trabalho contínuas. Na Caixa, nosso acordo prevê um intervalo de alimentação de quinze minutos incluídos dentro da jornada. Portanto, o intervalo de uma ou duas horas para alimentação é ilegal, a não ser que o bancário vá realizar hora-extra neste dia”, diz Jaqueline.

WWW.BANCARIOSPE.ORG.BR


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Novas agências revelam o abandono da função social

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nauguração de agências pequenas, com poucos empregados e muita demanda. Pressão para cumprimento de metas comerciais em detrimento de operações de microcrédito ou programas sociais. Expulsão de clientes das agências. Estas são algumas facetas que revelam o abandono da função social da Caixa Econômica. “Escuto clientes reclamarem de como são repassados de uma agência a outra para conseguirem ter acesso a um programa social. Escuto também funcionários que relatam como sofrem pressão quando gastam ‘tempo demais’ com uma operação de microcrédito”, diz a presidenta do Sindicato Jaqueline Mello. As novas agências, recém inauguradas, são um retrato deste abandono. “Eu saí da agência de Peixinhos deprimi-

da. Do lado de fora, debaixo de sol e chuva, pessoas idosas, gente de muleta e cadeira de rodas esperavam horas para serem atendidos”, conta a secretária de Bancos Públicos, Daniella Almeida. A agência de Peixinhos merece um capítulo à parte: situada em um bairro bastante populoso, ela tem o mesmo tamanho de uma lotérica. O local é tão pequeno que, ainda que se quisesse implantar os itens de segurança, não seria possível. Não há espaço para os biombos, por exemplo. Neste cenário, os empregados ficam expostos e vulneráveis. “Os clientes transferem para os bancários a responsabilidade pelo péssimo atendimento e ameaçam. Quando a agência fecha, ficam batendo nos vidros do lado de fora. O pessoal não está sequer

Agência de Peixinhos é tão pequena que os clientes precisam esperar o atendimento do lado de fora

podendo sair para almoçar, com medo de ser agredido”, conta Daniella. Estas ameaças, no entanto, não são exclusivas de Peixinhos. Em outras unidades, com uma estrutura um pouco melhor, a quantidade de empregados para atendimento é a mesma. Todas as novas agências têm, no máximo, oito bancários, incluindo o gerente geral. “E como os trabalhadores também precisam tirar férias por exemplo, todas as agências que visitamos tinham ainda menos funcionários”, completa a secretária de Comunicação do Sindicato, Anabele Silva. Geralmente, ficam apenas dois caixas e, quando um sai para almoçar, o outro fica sozinho. “O banco diz que faz parte do novo modelo: agências menores, com menos empregados.

Mas estas unidades estão sendo abertas em locais onde não há outra agência e a demanda é imensa”, questiona Jaqueline. É o caso de Ponte dos Carvalhos, Cavaleiro, Peixinhos, Paudalho, Ribeirão, Shopping Riomar e Avenida Norte. Para a presidenta do Sindicato, este modelo evidencia o rumo que vem sendo tomado pela Caixa Econômica. “Algumas questões estruturais das novas agências até foram resolvidos. Mas o banco é intransigente com relação à lotação de funcionários. E sem bancários para dar conta do trabalho e com metas comerciais a cumprir, os clientes mais simples são expulsos das agências e os programas sociais são relegados a segundo plano. E isso acontece em todas as unidades, novas e antigas”, denuncia Jaqueline.


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Compromissos de 2012 ainda não foram cumpridos

Os tesoureiros continuam abastecendo os caixas eletrônicos na frente do público, sem a segurança dos corredores, como acontece no PAB Justiça de Jaboatão

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láusula 56: Horas de estudo dentro da jornada. Cláusula 54: Descomissionamento de funções gratificadas. Cláusula 53: Acesso único à Rede de Computadores Caixa. Cláusula 52: Tesoureiro executivo. Esses são alguns dos itens que constam no acordo aditivo de 2012 e permanecem sem solução. Passados sete meses, e às vésperas do início de nova Campanha Nacional, vários compromissos assumidos pelo banco não saíram do papel. É o caso da Universidade Caixa. No acordo aditivo, o banco garante que “os empregados deverão dispor de seis horas mensais para estudos na metodologia a distância - EAD, junto à Universidade Caixa dentro da jor-

nada de trabalho, em local apropriado na unidade”. No entanto, tudo o que a Caixa fez foi emitir uma CI – Comunicação Interna, informando sobre o tema. “Não foram asseguradas condições para que os trabalhadores possam dispor desse tempo dentro da jornada. E o pior é que estes estudos são levados em conta como critérios de promoção”, critica a secretária de Comunicação do Sindicato, Anabele Silva. O dia 31 de março consta no acordo como prazo final para dois problemas. Até esta data, o banco teria que apresentar estudos sobre descomissionamentos de funções gratificadas, com criação de critérios para isso. Limitou-se a informar que não haveria mudanças e que tudo

ficaria do jeito que está. Também até esta data, a Caixa deveria ter apresentado um plano de ação para resolver os problemas dos tesoureiros executivos. Não apresentou. Os tesoureiros continuam respondendo sozinhos por sua função, sem substituto, sem poder sequer ficar doente e tendo de almoçar sob pressão. Também os corredores de abastecimento, que deveriam estar construídos até o final do ano passado, não foram implantados. E o pior: novas unidades foram construídas sem estes corredores. Para 31 de agosto, o compromisso é de que o acesso à rede de computadores em estação única estivesse implantado em todas

as unidades do banco. “Mas, pelo andar da carruagem, tudo nos leva a crer que é mais um ponto que ficará pendente”, opina Anabele. E completa: “Uma nova pauta de reivindicações já está definida e muitos pontos que deveriam ter sido resolvidos tiveram que ser reincorporados nessa nova Campanha. Vamos precisar de uma mobilização forte dos bancários para garantir o cumprimento das pendências e avançar mais alguns passos”. A pauta de reivindicações 2013 foi definida durante o 29º Conecef - Congresso Nacional dos Empregados da Caixa, realizado nos dias 17, 18 e 19 de maio, em São Paulo. Para saber mais, acesse: www.bancariospe. org.br.


4 Fale com os Sindicalistas dA CAIXA

Jaqueline Mello

Anabele Silva

Daniella Almeida

Justiniano Junior

EMPREGADOS DA CAIXA GRITAM POR SOCORRO

Em Limoeiro, é difícil até andar dentro da agência Edson Pereira

Elvis Alexandre

José Ricardo Berenguer

José Ricardo Santiago

Ricardo Escobar

Terezinha Santiago

Ula Franco

3316 4233

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e as agências recém inauguradas da Caixa já estão com problemas, as unidades antigas sofrem ainda mais com a falta de empregados e a superlotação de clientes. Em Limoeiro, por exemplo, o excesso de trabalho é tão grande que os vigilantes são obrigados a fazer uma triagem de clientes e a organizar as filas, num desvio de função que, além de ilegal, fragiliza a segurança da unidade. “A área interna da agência de Limoeiro tem um espaço físico muito reduzido. Os clientes ficam aglomerados e, muitas vezes, não têm nem como se locomover dentro da unidade”, diz o secretário de Assuntos Ju-

rídicos do Sindicato, Justiniano Júnior. No Recife, o banco tem obrigado o cliente a esperar do lado de fora da agência para evitar sucessivas multas por conta do descumprimento da Lei das Filas. A senha é entregue, somente, quando se torna possível garantir o atendimento no tempo regulamentar: 15 minutos em dias normais e 20 minutos nos dias que antecedem e seguem os fins de semanas e feriados. “Isso é fraude. Ao invés de contratar mais bancários para atender adequadamente a população, o banco parte para criar alternativas bizarras. Nas visitas que temos feito às agências, todos os empregados têm pedido socorro para a gente.

Até os estagiários são obrigados a fazer trabalho que não é deles por conta da falta de bancários e das matas abusivas”, afirma Justiniano. Lucro X emprego

A Caixa publicou no último dia 9 de maio seu balanço do primeiro trimestre do ano, com lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, 12,5% a mais que os ganhos do mesmo período do ano passado. O balanço aponta que o número de postos de trabalho aumentou, mas o crescimento do emprego não se deu na mesma proporção que a evolução de outros indicadores. O número de contas correntes, por exemplo, cresceu 18% enquanto o de empregados cresceu 9%.

Informativo do Sindicato dos Bancários de Pernambuco Redação: Av. Manoel Borba, 564, Boa Vista, Recife Telefone: 3316-4233 / 3316.4221. E-mail: imprensa@bancariospe.org.br Site: www.bancariospe.org.br Jornalista responsável: Fábio Jammal Makhoul. Conselho Editorial: Jaqueline Mello, Anabele Silva, Geraldo Times e João Rufino. Textos: Fabiana Coelho e Fábio Jammal Makhoul. Diagramação: Bruno Lombardi. Fotos: Beto Oliveira e Ivaldo Bezerra. Impressão: NGE. Tiragem: 3.000 exemplares

Diretoria Executiva

Presidenta: Jaqueline Mello Secretário-Geral: Fabiano Félix Comunicação: Anabele Silva Finanças: Suzineide Rodrigues Administração: Epaminondas França Assuntos Jurídicos: Justiniano Junior Bancos Privados: Geraldo Times Bancos Públicos: Daniella Almeida

Cultura, Esportes e Lazer: Adeílton Filho Saúde do Trabalhador: Wellington Trindade Secretária da Mulher: Sandra Trajano Formação: João Rufino Ramo Financeiro: Flávio Coelho Intersindical: Renato Tenório Aposentados: Luiz Freitas


Jornal dos Bancários - ESPECIAL CAIXA