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Nº 389 - Ano XVIII - 16 a 31/Dez/2010

FIM DA LINHA PARA O ASSÉDIO MORAL Depois de muita pressão do Sindicato, os três maiores bancos privados do país confirmaram a assinatura do instrumento de combate ao assédio moral, uma das principais conquistas da Campanha Nacional deste ano. Santander, Itaú Unibanco e Bradesco se comprometeram a fechar o acordo aditivo à Convenção Coletiva, que garante uma série de medidas contra o assédio. O assédio moral, aliás, tem ganhado destaque no debate nacional. No início do mês, o Sindicato e diversas instituições realizaram um seminário em Pernambuco sobre a saúde mental do trabalhador. Página 4

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Instituições financeiras ainda não se adaptaram à lei de segurança bancária do Recife Pág. 3

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Alta rotatividade reduz salários dos bancários Remuneração média dos admitidos foi 38,28% inferior em relação à dos desligados este ano

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s bancos que operam no Brasil criaram 17.067 novos postos de trabalho entre janeiro e setembro de 2010, período em que admitiram 43.719 trabalhadores e desligaram 26.652. Somente no terceiro trimestre, foram gerados 8.071 novos vínculos empregatícios. Do ponto de vista salarial, no entanto, a remuneração média dos admitidos foi 38,28% inferior em relação à dos desligados (R$ 2.159,15 contra R$ 3.498,38). Esses são alguns dos principais resultados da sétima edição da Pesquisa de Emprego Bancário realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O resultado mostra ainda que, na comparação com

outros segmentos da economia, o sistema financeiro foi um dos que menos gerou empregos em 2010: 0,77%

do total de 2.201.406 postos criados pelo conjunto da economia brasileira nos primeiros nove meses do ano.

Caixa reabre PAA e Sindicato alerta sobre problemas A Caixa reabriu no dia 1º as adesões ao Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA). Os interessados têm até o dia 30 de dezembro para manifestar interesse. O Sindicato considera que a adesão ao PAA é uma decisão individual do empregado, mas alerta que o plano contém alguns problemas, sobretudo para os que ainda não estão aposentados pelo INSS. A diretora do Sindicato, Anabele Silva, explica que os empregados que estarão aptos a DIRETORIA EXECUTIVA Presidenta: Jaqueline Mello Secretário-Geral: Fabiano Félix Comunicação: Anabele Silva Finanças: Suzineide Rodrigues Administração: Epaminondas França Assuntos Jurídicos: Alan Patricio Bancos Privados: Geraldo Times Bancos Públicos: Daniella Almeida Cultura, Esportes e Lazer: Adeílton Correia Saúde do Trabalhador: João Rufino Sec. da Mulher: Sandra Albuquerque Formação: Tereza Souza Ramo Financeiro: Elvis Alexandre Intersindical: Cleber Rocha Aposentados: Luiz Freitas

se aposentar até 28 de fevereiro e quiserem aderir ao PAA devem saber que, além de pagar a parte da sua contribuição para a Funcef e para o Saúde Caixa, ficarão sem receber salário no período entre a homologação da demissão e a aposentadoria pelo INSS. “O empregado que assinar o acordo do PAA e desistir de requerer a aposentadoria ao INSS ainda terá de indenizar a Caixa pelos gastos com o Saúde Caixa e ainda perderá definitivamente esse benefício”, explica Anabele.

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BB 2.0 Funcionários descomissionados devem procurar o Sindicato O Sindicato está convocando os funcionários do Banco do Brasil, que foram descomissionados em função de mais um processo de reestruturação: o chamado BB 2.0. Em reuniões com os representantes dos trabalhadores, a Superintendência Regional se comprometeu a remanejar os prejudicados pelo processo. Os descomissionados devem entrar em contato com o Sindicato, com informações sobre a função que exercia e o local de trabalho, pelo telefone 3316.4233. Procure Azenate ou Fabiano Félix ou mande uma mensagem para azenate@ bancariospe.org.br. Até agora, o Sindicato tem conhecimento de 16 casos de descomissionamentos em função do BB.2. “Mas algumas funções foram extintas e o número de prejudicados deve ser maior. A Superintendência garantiu que ia analisar caso a caso e conseguir o remanejamento”, diz a diretora do Sindicato, Azenate Albuquerque. Sesmt - O Banco do Brasil abriu inscrições ao processo de seleção interna para o preenchimento de vagas para a Carreira Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt), uma conquista da campanha nacional dos bancários de 2009.

Informativo do Sindicato dos Bancários de Pernambuco Circulação quinzenal Redação: Av. Manoel Borba, 564 Boa Vista, Recife/PE - CEP 50070-000 Fone: 3316.4233 / 3316.4221. Correio Eletrônico: imprensa@bancariospe.org.br Sítio na rede: www.bancariospe.org.br Jornalista responsável: Fábio Jammal Makhoul Conselho Editorial: Anabele Silva, Geraldo Times, Tereza Souza e Jaqueline Mello. Redação: Fabiana Coelho, Fábio Jammal Makhoul e Wellington Correia. Diagramação: Libório Melo e Jairo Barbosa. Impressão: AGN Tiragem: 9.000 exemplares

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SEGURANÇA BANCÁRIA

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Bancos ainda não cumprem lei de segurança do Recife Representantes dos bancários, vigilantes e do poder público denunciam falta de interesse e de respeito das instituições financeiras

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s agências bancárias do Recife ainda não se adequaram à lei municipal que obriga os bancos a reforçar a segurança. Representantes dos bancários, vigilantes e do poder público advertem que as empresas podem não ter interesse em cumprir a legislação. O alerta foi feito durante audiência pública na Câmara Municipal do Recife, no dia 7, convocada pelo vereador Josenildo Sinésio (PT), autor da lei. “Os bancos devem buscar o lucro, mas sem esquecer que a vida é o patrimônio maior. Estamos discutindo a segurança das pessoas”, afirmou. Esta foi a segunda audiência pública para discutir a lei 17.647 que entrou em vigor no dia 2 de outubro deste ano e obriga os bancos a adotar medidas de segurança como a instalação de janelas e portas de segurança blindadas e com detector de metal, câmeras internas e externas, uso de colete à prova de bala de grosso calibre para os vigilantes, além da presença de no mínimo dois vigilantes durante todo o expediente bancário, entre outras exigências. O prazo para os bancos se adaptarem às novas regras termina em abril de 2011. Josenildo já encaminhou uma emenda à lei acrescentando uma sanção aos estabelecimentos que desrespeitarem a legislação. O projeto deve ser votado na semana que vem. “A partir de abril vamos realizar atos

públicos na porta de todas as agências para garantir que a lei seja cumprida e vamos exigir do poder público municipal rigor na fiscalização”, assegurou o vereador. Para o secretário executivo da Secretaria de Defesa Social, Alessandro Carvalho, “os bancos, em regra, só investem no que é obrigatório”. Ele afirmou que essas empresas seguem uma planilha de custos. Se o investimento para impedir a ação dos criminosos for maior do que o prejuízo com os assaltos, então os banqueiros preferem não tomar providências. Segundo o diretor do Sindicato, João Rufino, por causa da violência muitos trabalhadores desenvolveram síndrome do pânico e outros problemas de saúde mental. “Esta é uma questão da esfera privada que reflete na esfera pública por negligência dos banqueiros que só pensam no lucro”. O presidente da Confe-

Josenildo, autor da lei, durante audiência na Câmara deração Nacional dos Trabalhadores Vigilantes, José Boaventura Santos, quer que seja cancelado o alvará de funcionamento das agências que descumprirem a lei. Já o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança de Pernambuco, Emanuel Correia, admitiu que sente medo quando vai ao banco e também quando se aproxima de algum carro-forte. Ele elogiou a lei

e acredita que ela vai ajudar a preservar também a vida dos vigilantes. A representante da Diretoria de Controle Urbano (Dircon) da Prefeitura do Recife, Cândida Bonfim, lembrou que o órgão é responsável por emitir o alvará de funcionamento e de localização e também tem poder de polícia para interditar e fechar estabelecimentos, entre eles as agências.

TRANSPORTE DE VALORES

Mediação do MPT garante avanços Avançou a definição de medidas de segurança nas operações de transporte de valores e abastecimento de caixas eletrônicos, durante a sexta mediação na Procuradoria-Geral do Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), ocorrida no dia 10, em Brasília. Após 14 meses de debates entre bancários, vigilantes, bancos e empresas transportadoras, foi construído um documento com os procedimentos negociados, visando garantir mais segurança para os trabalhadores. O texto será agora apreciado pelas

partes até o dia 17, para depois ser assinado em instrumento a ser estabelecido. A Febraban ficou de adotar, junto com os bancos, providências para coibir o transporte de valores pelos bancários, contratando serviços especializados na forma da lei federal nº 7.102, de 1983, que trata da segurança nos estabelecimentos financeiros, conforma reivindica o Sindicato. Os bancos também ficaram de buscar soluções mais seguras para a operação de embarque e desembarque de valores, inclusive

em relação aos locais de parada dos carros-fortes. Canal de denúncias Também ficou garantido o canal de comunicação com a Febraban, através de um endereço eletrônico de relacionamento com a Contraf-CUT e a Confederação dos Vigilantes, para o recebimento de denúncias envolvendo transporte de valores e abastecimento de caixas eletrônicos. A entidade patronal dos bancos terá o prazo de cinco dias úteis, contados do recebimento dos problemas, para enviar uma resposta.

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ASSÉDIO MORAL

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Bancos privados assumem compromisso com bancários Após pressão do Sindicato, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco confirmaram a assinatura do instrumento de combate ao assédio moral, uma das principais conquistas da Campanha Nacional deste ano

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rês dos maiores bancos privados do país já confirmaram a assinatura do instrumento de combate ao assédio moral, uma das principais conquistas da Campanha Nacional dos Bancários deste ano. Santander, Itaú Unibanco e Bradesco se comprometeram a fechar o acordo aditivo à Convenção Coletiva com o Sindicato. As datas estão sendo definidas. Para a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, a assinatura do acordo é um grande passo para combater o assédio moral nos bancos. “O acordo prevê regras bastante claras para combater o assédio moral, um dos maiores problemas que os bancários enfrentam hoje. As metas abusivas têm gerado muita pressão sobre os funcionários, que estão adoecendo, física e mentalmente, por conta dos

exageros na cobrança por produtividade”, diz Jaqueline. Entre outros pontos, o acordo prevê a avaliação semestral do programa, com apresentação por parte da Fenaban de dados estatísticos setoriais com indicadores de qualidade. Com a informação, será possível identificar as causas e estabelecer políticas para combatê-las. As instituições que aderirem se comprometerão com uma declaração explícita de condenação a qualquer ato de assédio. Também deverão implementar um canal para receber as denúncias, com prazo para apuração e retorno. A denúncia poderá ser feita pelo bancário ou pelo Sindicato e o banco terá até 60 dias, contados a partir da data da denúncia, para apurar e tomar as providências.

Seminário traça desafios à saúde mental do trabalhador Foram dois dias de discussões e palestras sobre um tema que, a cada dia, merece mais atenção do movimento sindical: a saúde mental. Realizado entre os dias 1º e 3 de dezembro, o Seminário Pernambucano de Saúde Mental e Trabalho deixou como saldo alguns desafios. Entre eles, o de pressionar os órgãos governamentais para que aperfeiçoem suas práticas de assistência ao trabalhador. Para o secretário de Saúde do Sindicato, João Rufino, que participou e ajudou a

promover o evento, as políticas de atenção à saúde são muito compartimentalizadas, o que dificulta o diagnóstico das doenças e, mais ainda, sua caracterização enquanto acidentes de trabalho. E quando se tratam de doenças psíquicas, a caracterização e diagnóstico ficam ainda mais difíceis. No entanto, elas estão entre as doenças que mais vem crescendo nos últimos anos. “E os bancários, a esse respeito, merecem um capítulo à parte”, diz Rufino, citando as palavras de uma das conferencistas, a soció-

loga Petilda Vazquez. O ritmo do trabalho, aliado à forma de organização e ao descontentamento com sua própria atividade, são alguns dos propulsores de neuroses diversas. “O trabalhador que é obrigado a passar por cima de suas próprias convicções éticas e a colocar a venda de produtos acima de qualquer coisa acaba se desestruturando. Some-se a isto a própria organização do trabalho, que alia metas impossíveis de ser cumpridas, ritmo intenso e assédio moral”, afirma Rufino.

O assédio moral foi, aliás, um ponto que esteve presente em quase todas as palestras e debates. A falta de segurança também foi discutida enquanto um dos fatores que desencadeiam doenças como as chamadas síndromes pos-traumáticas. “Foi um passo importante porque conseguimos articular pessoas de diversas áreas, membros dos Cerests, representantes do Estado, Ministério do Trabalho, Fundação Joaquim Nabuco e movimento sindical”, avalia Rufino.

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Jornal do Sindicato dos Bancários de Pernambuco

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