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Design Sustentável com o Bambu Sustainable Design with Bamboo <OMITIDO PARA REVISÃO CEGAi> <OMITIDO PARA REVISÃO CEGAii> <OMITIDO PARA REVISÃO CEGAiii>

Ecodesign, bambu, desenvolvimento de produtos, geração de renda, sustentabilidade Perene, renovável, com rápido crescimento, produção anual de colmos sem a necessidade de replantio e com milhares de aplicações, o bambu é considerado um excelente seqüestrador de carbono atmosférico podendo se tornar uma alternativa ao consumo de madeira nativa e a devastação das nossas florestas. Este trabalho visa a confecção de produtos em bambu para a geração de renda junto a comunidade do assentamento rural Horto de Aimorés em continuidade a projeto de extensão em desenvolvimento na <OMITIDO PARA REVISÃO CEGA> desde o ano 2008. O projeto prevê a confecção de produtos in natura e em bambu laminado colado (BLaC) e a transferência de informações e da tecnologia desenvolvida com bambu para a geração de renda solidaria junto a comunidade. Foram desenvolvidas placas de BLaC com texturas diversas, envolvendo o tingimento, a carbonização e o estudo de formas. As placas confeccionadas têm utilização em revestimentos, componentes de mobiliário e utensílios domésticos Ecodesign, bamboo, product development, income generation, sustainability Perennial, renewable, fast growing, annual culms production without the need of replanting and with thousands of applications, bamboo is considered an excellent scavenger of atmospheric carbon and could become an alternative to wood consumption and devastation of native our forests . This work aims at making bamboo products for income generation among the community of rural settlement Horto de Aimorés in continuity to an extension project in development at <OMITIDO PARA REVISÃO CEGA> since 2008. The project includes the confection of natural bamboo products and glued laminated bamboo (BLaC) and the transfer of information and technology developed with bamboo for solidary income generation among the community. Plates were developed with diverse textures involving dyeing, carbonization and the study of shapes. The confectioned plates have made use in coatings, components of furniture and household items.

Anais do 3° Simpósio Paranaense de Design Sustentável (3° SPDS)

Proceedings of the 3rd Parana Symposium on Sustainable Design (3rd SPDS)

Londrina | Brasil | 2011 ISBN

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1 Introdução O desenvolvimento sustentável entende-se como o melhor equilíbrio entre a preservação ambiental, desenvolvimento econômico e social com a intenção de promover a melhoria no padrão de vida como um todo e ao mesmo tempo garantir condições necessárias para gerações futuras. Porém, atualmente o ambiente e a população sofrem problemas devido ao crescimento econômico vigente. Assim, a busca por materiais e fontes energéticas renováveis tem se tornado uma prioridade mundial. Segundo Holmberg (1995, apud MANZINI e VEZZOLI, 2008) a sustentabilidade ambiental é um objetivo a ser atingido, ou seja, nem tudo que apresentar algumas melhorias em temas ambientais pode ser considerado realmente sustentável. Para ser sustentável cada nova proposta apresentada deve responder aos seguintes requisitos gerais:

Basear-se fundamentalmente em recursos renováveis (garantindo ao mesmo tempo a renovação)

Otimizar o emprego dos recursos renováveis (garantindo ao mesmo tempo a renovação)

Não acumular lixo que o ecossistema não seja capaz de renaturalizar (isto é, fazer retornar as substancias minerais originais e, não menos importante, as suas concentrações originais);

Agir de modo com que cada indivíduo e cada comunidade das sociedades mais favorecidas permaneçam nos limites de seu espaço ambiental e, que cada indivíduo e comunidade das sociedades menos favorecidas possam efetivamente aproveitar o espaço ambiental ao qual potencialmente têm direito. As pesquisas desenvolvidas atualmente podem ser divididas em dois grandes grupos: o “grupo tecnicista”o qual acredita que a ciência e a tecnologia levarão a sociedade as soluções dos problemas ambientais e, por outro lado, o “grupo social”, o qual acredita que somente uma radical mudança no modo de vida da sociedade, levara as reais soluções. Dentro deste contexto, o design sustentável, surge como uma proposta conciliadora para ambos, buscando tanto um equilíbrio entre as tecnologias como nas crenças da sociedade contemporânea. Objetivando uma alternativa de fixação de uma nova ética projetual, com a possibilidade de desenvolver outro sistema de significação que objetive o real desenvolvimento e bem estar do cidadão do futuro e não apenas como mais um instrumento de persuasão ao consumo excessivo. (AMARAL, 2004) Racionalidades sociais e ecológicas estão profundamente relacionadas ao design, pois sendo este elo entre os princípios técnico-cientificos e artísticos (HAMAD, 2002) e sendo o homem o principal trans formador do meio ambiente, torna assim impossível o discurso sobre o processo produtivo e seus impactos ambientais, sem discutir também o design. Alem disso, design não esta ligado exclusivamente a relação estético/formal dos objetos, mas atua tambem com as potencialidades da pratica de vida e de uma comunidade, ou seja, seus hábitos e formas de relações com o ambienta em que vive. Enfim, design como processo de criação de novas realidades, que interferem diretamente no modo de vida cotidiana criando assim, segundo a teoria de Peirce (1939-1914 apud SILVEIRA, 2005) uma semiose de novas estéticas, éticas e lógicas, ou seja, novos hábitos e crenças coletivas. Contudo, a inclusão da variável ambiental no design de produtos, obriga o setor produtivo adotar novas metodologias, ferramentas e materiais que colaborem com a inserção ambiental em suas atividades. (BITTENCOURT,2001) Considerando os crescimentos demográficos previstos e tendo como hipótese que é normal a população dos países hoje em desenvolvimento procurar um aumento do bem-estar, a necessidade pela eco eficiência das tecnologias aplicadas ao meio de produção se sobressai, e neste item temos um resultado interessante, a condição de sustentabilidade a ser atingida só

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seria possível se aumentada em pelo menos dez vezes. Em outras palavras, podemos considerar sustentáveis somente aqueles sistemas produtivos e de consumo cujo emprego de recursos ambientais por unidade de serviço prestado seja, pelo menos, 90% inferior ao atualmente aplicado nas sociedades industrialmente mais avançadas. (1993 e 1995, apud MANZINI e VEZZOLI, 2008). Com o crescente desmatamento das florestas tropicais, bem como sobre as áreas de reflorestamento, torna-se cada vez mais necessária a busca por materiais renováveis e soluções alternativas capazes de atenuar este processo. A cultura do bambu, embora seja milenar em nosso planeta, tem sua utilização e pesquisa, em sua maioria, restritos aos países orientais, sendo que ultimamente no ocidente, uma maior atenção vem sendo dedicada a esta cultura. O bambu é uma cultura predominantemente tropical, renovável, perene, de produção anual, de rápido crescimento, com centenas de espécies espalhadas por todo o planeta e com milhares de aplicações além de ser considerado um rápido seqüestrador de carbono atmosférico. De acordo com Manzini e Vezzoli (2008) o efeito estufa é constituído 50% pelo gás carbônico e o restante determinado por outros gases. O tempo de absorção da atmosfera para estes gases superam o século. Do gás carbônico, 80% provêm dos processos de obtenção de energia (petróleo e carvão), 17% através das produções das indústrias e os 3% restantes de desmatamentos florestais. Analisando estes dados entende-se a significativa contribuição que o cultivo do bambu pode exercer na atual realidade. Além de seu caráter ecológico o bambu possui, ainda, características físicas e mecânicas que o tornam apto a ser utilizado no desenvolvimento de produtos normalmente produzidos com madeira nativa ou de reflorestamento. Embora não se pense no bambu como uma solução exclusiva para os problemas relacionados ao meio ambiente e/ou a diminuição acentuada de nossos recursos florestais, ele pode ser considerado e estudado como uma alternativa ou um material alternativo e de baixo custo a ser explorado. A produção de colmos é rápida, sem a necessidade de replantio, podendo ser imediatamente implementada sua cultura e exploração no campo. O bambu como matéria-prima possui inúmeras vantagens ambientais e é amplamente utilizado para confecção dos mais variados produtos como forma alternativa na geração de trabalho e renda, justamente pela facilidade de aquisição, manejo e processamento. Destaca-se ainda por apresentar uma alternativa aos problemas enfrentados pelos setores florestais nacionais com o déficit de madeira de reflorestamento. Tropical, perene, renovável, o bambu é o recurso natural que menos tempo leva para ser renovado, não havendo nenhuma espécie florestal que possa competir em velocidade de crescimento e aproveitamento por área. (JARAMILLO, 1992) Possui grande potencial agrícola por ser uma cultura tropical, perene, renovável e produzir colmos anualmente sem a necessidade de replantio, é um excelente seqüestrador de carbono, podendo ser utilizado em reflorestamentos, mata ciliar e como protetor e regenerador ambiental, além de poder ser empregado como matéria-prima em diversas aplicações. (PEREIRA e BERALDO, 2008) Os aumentos da escassez e da valorização dos produtos florestais madeireiros contribuem para que sejam direcionadas pesquisas visando o uso do bambu em diversas aplicações visto que respeita vários quesitos de sustentabilidade.

2 Objetivos

 Promover o desenvolvimento sustentável através de ações de ecodesign.  Desenvolver e confeccionar placas de revestimento com bambu laminado colado (BLaC)

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3 Metodologia Espécie de bambu A espécie a ser utilizada é o bambu gigante (Dendrocalamus Giganteus) existente em plantio experimental na <OMITIDO PARA REVISÃO CEGA>. A Figura 1 mostra uma moita de bambu gigante existente na <OMITIDO PARA REVISÃO CEGA>. Figura 1. Moita de bambu da espécie Dendrocalamus Giganteus

Confecção de placas em BLaC De acordo com a experiência prévia existente no <OMITIDO PARA REVISÃO CEGA>, as seguintes etapas são necessárias para a confecção de placas em BLaC ( Pereira & Beraldo. 2008): - Colheita: Os bambus são retirados da Área agrícola existente na <OMITIDO PARA REVISÃO CEGA>. São colhidos apenas bambus com acima de 5 anos de idade por possuir características mecânicas e físicas ideais para a produção de BLaC. - Transporte - Desdobro em serra circular destopadeira: Corte em sentido transversal dos colmos em 90 centímetros. - Desdobro em serra circular refilandeira dupla: Corte em sentido longitudinal para obtenção de ripas ainda com casca. - Tratamento: Os colmos são mergulhados durante 15 minutos em solução de Octaborato. - Secagem: Após o tratamento são depositados no túnel de vento ate atingirem a tava

de umidade de 20%. - Remoção dos nós internos e externos das ripas na serra circular. - Beneficiamento final em Plaina de 2 faces para a obtenção das ripas - Colagem lateral: A cola utilizada neste projeto é uma cola de madeira com catalisador (Casco-rez 2590 / Catalisador CL). O tempo de cura da cola é de quatro horas, porém este valor pode variar de acordo com o clima. - Prensagem: Esta é a etapa final e tem como objetivo conter as ripas em suas devidas posições durante a cura da cola. Neste projeto utilizou-se a prensa manual.

Placas de Revestimento As placas em BLaC tem a função de base das placas de revestimentos finais a serem obtidas. O revestimento será feito através do corte de ripas em seções de 25 x25 mm como mostra a Figura 2.

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| Diretrizes para submissão de artigos | 5 Figura 2. Peças de bambu após corte na serra de fita.

Serão confeccionadas três placas de revestimento, todas utilizando uma placa de BLaC como base e quadrados de bambu. 1. Peças de bambu natural, dispostos intercaladamente na placa de base formando textura. 2. Peças tingidas com tingidor vinho dispostas intercaladamente formando textura. 3. Peças carbonizadas e peças de bambu natural e dispostas intercaladamente. Primeiro serão cortados os bambus em quadrados de 25mm X 25mm na serra de fita obtendo assim um padrão. Após o corte, as peças serão lixadas utilizando se três gradações diferentes lixa numero 80, 200 e 400, e em seguida são coladas na placa de BLaC . Uma vez seca, será passada a massa de madeira para cobrir o espaço entre os quadrados de bambu.

4. Resultados Após a realização do corte das ripas de bambu e o lixamento, as peças foram dispostas intercaladamente de forma que as fibras ficassem no sentido horizontal e vertical e coladas na base de BLaC, como mostra a figura 3. Figura 3: Disposição e colagem das peças na base

Após a espera da secagem da cola, foi realizada o rejunte entre as peças para obter a face lisa e uniforme, como mostra a figura 4. Figura 4: Rejunte com massa de madeira

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Com a massa seca, a placa passou pela desempenadeira, obtendo-se uma superfície lisa e homogênea. Em todas as placas foram passadas uma camada de seladora e uma de verniz. Para o acabamento da placa 2, utilizou-se tingidor vinho , como mostra a figura 5. Figura 5: Rejunte com massa de madeira

Na placa 3, metade das peças de bambu foram carbonizadas durante duas horas a 140ºC. Pode-se notar a diferença de tonalidade pela figura 6. Figura 6: Peças carbonizadas

Peças finais Nas figuras 7, 8 e 9, observa-se as peças finais.

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| Diretrizes para submissão de artigos | 7 Figura 7: Placa 1

Figura 8: Placa 2

Figura 9: Placa 3

5. Conclusões As placas de revestimento produzidas demonstram que é possível criar produtos não só com o bambu in natura, mas também com placas de diversas texturas, agregando valor nos produtos produzidos em bambu. A confecção das placas provou que diante dos processos necessários para transformação, das possibilidades de forma e caráter estético, o bambu laminado colado (BLaC) é uma

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possibilidade tecnicamente viável , podendo se tornar uma alternativa de substituição da madeira na produção artefatos.

6. Referências PEREIRA, M. A. dos R. 2001. Bambu: Espécies, Características e Aplicações. Apostila. Departamento de Engenharia Mecânica, Unesp. Bauru PEREIRA, M.A.dos R. & Beraldo, A.L. 2007. Bambu de corpo e alma. Bauru: Canal 6 editora. 239p. PEREIRA, M.A.dos R. & Beraldo, A.L. 2008. Bambu de corpo e alma. Bauru: Canal 6 editora. 39p. MANZINI E. & VEZZOLI C. 2008. Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. São Paulo: Edusp. 366p. AMARAL, L. A. O objeto: imagem como signo da promocao social de consume. In: 6º CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN, 2004, São Paulo: FAAP, 2004. BITENCOURT, A. C. P. Sistematizacao do reprojeto conceitual de produtos para o meio ambiente. In: 3º CONGRESSO DE GESTAO DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO, 2001, Florianopilis: UFSC, 2001 HAMAD, A. F. Presenca do design no desenvolvimento tecnológico da agricultura. Monografia (Trabalho de Conclusao de Curso em Desenho Industrial). UFSC. Florianopolis, SC, 2002. PEIRCE, C.S. Semiotica. 3 ed. São Paulo: Perspectiva, 2003. JARAMILLO, Juan C. La guadua em los grandes proyectos de inversión. In: Congresso Mundial de Bambu/ Guadua. Colombia: Pereira 1992

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