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Porto Alegre, dezembro de 2011 - Ano 25 - Número 414

Bom Fim, Urgente INAUGURADA na sextafeira, dia 16/12, a linha de ônibus “Balada segura”. Os usuários aprovaram o itinerário de 45 minutos que agora liga bairros boêmios de Porto Alegre. Além de opção para retornar da festa em segurança, os bôemios já encontraram outra utilidade para a Linha Interbares, aproveitar o clima festivo para conhecer pessoas e fazer novas amizades. O TRADICIONAL espaço do Tablado Andaluz, escola de dança flamenco está de casa nova. Saí da Osvaldo Aranha para uma sede na Venâncio Aires. A escola começará a atender os alunos a partir do dia dois de janeiro. O Tablado comemora este anos 20 anos de existência.

A PREFEITURA não sabe o que vai fazer com o espaço onde ficava o minizoo. O secretário de meio ambiente, Luiz Fernando Záchia diz que, por enquanto, tudo deve ficar fechado. Com o fim das atividades do minizoo, a Redenção encerra o ano perdendo mais uma atração, já que o Café do Lago continua sem data para reabrir, e o trenzinho que circulava pelo Parque também só voltará a funcionar em meados de 2012. A SUBWAY inaugura loja na Venâncio Aires. A lanchonete é uma opção para quem procura uma refeição rápida. Oferece sanduíches que o próprio consumidor pode montar, escolhando os ingredientes.

Clínicas crescerá 70% até 2016 Hospital Álvaro Alvim reabre em janeiro com unidade para dependentes químicos. (Pág. central)

Sob protestos, os 73 animais do minizoo foram tranferidos para Santa Maria.

Fim do minizoo da Redenção A remoção dos animais na tarde da segunda-feira (19/12) marcou o fim do minizoo Palmira Gobbi, no Parque da Redenção. Numa operação de seis horas, o último mico leão foi capturado por volta das sete da noite. Logo após, os 73 animais foram embarcados num caminhão de mudanças rumo ao viveiro São Braz, em Santa Maria. As cerca de 50 pessoas que acompanhavam a retirada dividiam-se: uns a favor da remoção e ou-tros que defendiam a recuperação e manutenção do espaço. Todos pareciam concordar na crítica ao meio de transporte usado, um caminhão baú de mudanças. O veículo, e o seu interior comum, assustaram os presentes. O veterinário do Ibama Paulo Wagner, responsável pela operação, afirmou que o caminhão tinha espaço suficiente para ventilação e estava auto-

rizado a realizar a viagem de cinco horas até Santa Maria. “Serão realizadas paradas e respeitadas todas as normas de segurança”, ressaltou. O professor Naor Nemmen, da ONG Lugar de Animal, defendia a remoção: “não quero ver uma criança aqui de novo. A educação ambiental tem de ser feita de outra forma. A visitação a esses animais é antiética”. Já o integrante do Conselho dos Usuários do Parque, Roberto Jakubaszko, retrucou – “que presente de Natal o prefeito José Fortunati está dando. Não é só chegar aqui, em uma ação sorrateira, e levar os animais. Isso tem de ser discutido com o povo”. A retirada foi acompanhada por quatro veterinários da Universidade Federal de Santa Maria. “Devido ao recinto muito ruim não há como manipular os animais de outra maneira. Sedação não é recomendando, é a ultima coi-

sa”, concluiu Wagner. Para o Ibama, o Minizoo não oferece as condições adequadas para ficar com os animais. Entre os problemas apontados está a falta de vigilância 24 horas, poluição e recintos inadequados. O Instituto informou ainda que a decisão de fechar o local foi da prefeitura de Porto Alegre. “É um trabalho técnico árduo, cansativo, havia uma decisão do município que não queria mais manter o mini zoo. Este processo tem mais de ano” disse o veterinário. A Prefeitura, por sua vez, entendeu que não se justificariam investimentos devido ao fato do local não apresentar condições ideais para que os animais pudessem ter vida salutar. O minizoo foi instalado em 1925, quando se iniciou a urbanização do Parque. Em 1984, em homenagem a uma conhecida defensora dos animais, recebeu o nome Palmira Gobbi.


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Porto Alegre, dezembro de 2011

Editorial

A RBS quer a nossa marca!

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RBS Participações entrou com uma “oposição” junto ao Institituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) questionando o registro da marca “JÁ”, pela empresa Já Porto Alegre Editores, que edita os jornais “JÁ” e “JÁ Bom Fim”, além de ter publicados mais de 40 títulos de livros com o selo “JÁ Editores”. Segundo a representação, o registro da Já Editores “conflita com os direitos da RBS sobre o sinal JA” pois ambas atuam no “segmento mercadológico afim”, caracterizando “concorrência desleal”, com “sério prejuízo ao consumidor”. A RBS usa as letras J e A, identificadas foneticamente como “jota-a”, como sigla do Jornal do Almoço, e tem seu registro no INPI desde 2009, na categoria 41 (“serviços de produção de rádio ou televisão”). O jornal JÁ circula em Porto Alegre desde 1985 e tem uma edição on-line desde 2003 mas

o pedido de registro da marca só foi depositado no início de 2010 e, no início desde ano, publicado na Revista de Propriedade Industrial, na categoria 16 (“jornais, livros, revistas ou periódicos”). Segundo o editor do JÁ, Elmar Bones, a marca estava registrada anteriormente pelo Diário Popular de São Paulo, mas ficou livre em 2009. “O Diário Popular pelo que sei foi vendido e os novos proprietários se desinteressaram pela marca. No inicio de 2010 ficamos sabendo que estava livre e encaminhamos o pedido, que foi publicado na revista do INPI com 60 dias para oposições. Aí surgiu a dona RBS dizendo que o JÁ tem (novo) dono”. A Já Editores encaminhou sua defesa ao INPI, alegando anterioridade de uso da marca (há 26 anos) e inexistência de conflito, uma vez que os registros estão em categorias distintas e não há relação entre elas. A decisão deve demorar um ano.

Túnel da Conceição liberado

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om a conclusão das obras nas duas pistas que estavam bloqueadas, o Túnel da Conceição está totalmente liberado para o trânsito desde sábado, (18/12). A reforma foi concluída quatro meses antes do previsto. Em janeiro, deve estar terminada a reconstrução da escadaria ao lado da Igreja Nossa Senhora da Conceição. No decorrer da obra do Túnel, foram corrigidas as armaduras expostas e corroídas, além das fissuras e trincas nas paredes. O asfalto das pistas do sentido Centro-bairro foi substituído por concreto, para que aumentasse resistência da estrutura. Nas paredes, foram

Após 14 meses, trânsito está liberado nos dois sentidos.

introduzidos drenos para captar as águas, e canaletas foram construídas ao longo do passeio para direcionar as águas da rede pluvial. Além disso, na pista inferior, foi colocada nova camada de pavimento asfáltico. Todas as alterações no trânsito, que foram plane-

jadas e implementadas pela EPTC em função da obra, serão mantidas. O túnel foi recuperado totalmente a um custo de R$ 3,3 milhões. Segundo a prefeitura, a reforma pretende garantir, no mínimo, mais 30 anos de vida útil à estrutura.

Polícia Civil adverte sobre roubo de carros

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e acordo com o titular da 10º Delegacia de Polícia (DP) de Porto Alegre, delegado Abílio Pereira, o crime que continua sendo o de maior incidência na região é o roubo de carro. Principalmente nos arredores dos hospitais e das universidades, na Osvaldo Aranha e na Ramiro Barcelos. De dois a três assaltos são registrados por dia, a maior parte são furtos. Arrombamentos nos veículos

também são frequentes. O lado bom é que boa parte dos veículos, mais de 70%, são recuperados. Outro problema que continua grava e a prostituição na José Bonifácio, principalmente masculina, ao entardecer, acontecem roubos e agressões no parque Farroupilha. Quase sempre ligado a consumo de drogas e a procura por sexo. O grande avanço no bairro foi à recuperação da

Vila Planetário, próxima a Avenida Ipiranga. No local havia um ponto de tráfico que foi desmanchado, agora, não há registros de crimes graves, “está praticamente pacificada” diz o delegado Abílio. Qual a ocorrência mais frequente? Brigas de condomínio, vizinhos reclamando de ruídos de um apartamento para o outro. A 10º DP fica na Rua jacinto Gomes, atende 24 horas.

www.jornalja.com.br Reportagem: Elmar Bones, Patricia Marini e Tiago Baltz jaeditores@gmail.com Fotografia Arfio Mazzei, Tiago Baltz e arquivo Jornal JÁ Comercial Mário Lisboa (51) 3347 7595 / 9877 4800 mariolisboa1@hotmail.com Diagramação Tiago Baltz Tiragem: 10 MIL EXEMPLARES Distribuição gratuita Impressão: Gráfica CG - (51) 3043-2310

Recarga de cartuchos Jato de tinta Laser

Leonardo Rolim Guichard (51) 3407.0877 (51) 8514.9183 leonardo@leoinformatica.net

Diretor-Responsável: Elmar Bones Redação: Av Borges de Medeiros, 915 Conj 203. Centro Histórico CEP 90020-025 - Porto Alegre/RS

Cafés Especiais Chás, Sucos Tortas Doces e Salgados

Fone: 3330-7272

Edições anteriores: R$ 3,00

Av. José Bonifácio, 731 - Bom Fim / Porto Alegre


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Scliar e o Bom Fim

m 2007, o médico e escritor Moacyr Scliar teve a espinhosa tarefa de falar na mesma noite em que a jornalista Asne Seierstad, no ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, na Capital. A autora de O Livreiro de Cabul encantou o público com histórias sobre o Afeganistão, Chechênia, Sérvia, Rússia e Iraque. O gaúcho optou então pela máxima: “cante sua aldeia que serás universal”. Foi o que fez, ao abordar a imigração judaíca para o Rio Grande do Sul, terreno em que esteve a vontade o tempo inteiro, provocando risos do público com seus causos do bairro. Depois da aula de Asne sobre os conflitos gerados por diferenças étni-cas, religiosas e culturais, Scliar apresentou a tese de que pessoas que não são iguais podem viver de forma harmônica, citando como exemplo emblemático o Bom Fim de sua infância. Foi o bairro que abrigou os imigrantes depois de eles terem vindo da Bessarábia para as colônias de Quatro Irmãos (Erechim) e Philipson (Santa Maria). Era um local multicultural – além de judeus, o Bom Fim abrigava negros, descendentes de italianos, entre outros. Um fator decisivo que pesou e muito nessa

convivência harmônica foi a vontade dos imigrantes de que a vida desse certo na nova terra, fato ilustrado com bom humor por Scliar. “Houve uma integração cultural, o Brasil era visto como um paraíso pelo seu clima, a floresta, as frutas… Na Bessarábia, acontecia de uma família com nove pessoas dividir uma única laranja de sobremesa. Só os ricos compravam. E depois, por aqui, encontraram essa abundância”. Scliar ilustrou com uma história: “perto da Vasco da Gama vivia uma mulher que nunca tinha visto um abacate na vida. E lá onde ela vivia, na Europa, essa fruta era só para nobreza. O sonho dela era comer um abacate. De modo que depois de passar semanas sofrendo em um navio superlotado, a primeira coisa que ela falou ao marido quando chegou a Porto Alegre foi: ‘Eu quero um abacate’. E mesmo sem falar português, não se sabe como, o homem deu um jeito de conseguir o tal abacate. A mulher ficou emocionada. Mas nunca tinha provado, e comeu com casca e tudo. O marido, depois de um tempo observando as caretas de sua esposa perguntou: ‘Que tal o abacate?’. E a mulher: ‘Não é o que eu esperava, mas vou me acostumar’. Com essas narra-

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Scliar com a esposa Judith e o filho Roberto. Ao lado com a máquina de escrever, no escritório de casa.

tivas, Scliar demonstrou a vontade do imigrante em se adaptar, o que permitiu uma perfeita integração cultural. O escritor contou outras passagens que marcaram sua infância, como a da mãe judia que estava sempre a alimentá-lo. Outras que ele aprendeu numa época em que as pessoas se reuniam ao fim do dia, em frente às casas, sentados em cadeiras na calçada, formando rodinhas na Felipe Camarão, Henrique Dias, Ferandes Vieira… *Esta reportagem foi publicada originalmente na edição 376 do JÁ Bom Fim. Moacyr Scliar faleceu no dia 27 de fevereiro deste ano.

“Consideremos o Bom Fim um país – um pequeno país, não um bairro de Porto Alegre. Limita-se, ao norte, com as colinas dos Moinhos de Ventos; a oeste, com o centro da cidade; a leste, com a Colônia Africana e mais adiante Petrópolis e as Três Figueiras; ao sul, com a Várzea, da qual é separado pela Avenida Oswaldo Aranha. Em 1943 a região da Várzea, já saneada, estava transformada num parque – a Redenção -, no centro da qual a polícia tinha estabelecido um pequeno forte; fora desta ilha de segurança as noites na Redenção eram perigosas, especialmente no inverno, quando a cerração invadia aquelas terras baixas. Verdadeiro mar, onde boiavam tênues globos de luz”.(Trecho de A Guerra no Bom Fim, Expressão e Cultura, 1974).

Demarcação irá até Março

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DMLU e a EPTC estão demarcando com faixas amarelas os lugares definitivos dos contêineres para coleta do lixo orgânico instalados no início de julho. A marcação auxiliará os motoristas a respeitarem a distância mínima necessária entre os carros estacionados e os contêineres, para que haja espaço para o braço mecânico do caminhão que recolhe o lixo. Mas o que se vê na região e que só foram demarcados 200 ou 400 contêineres, dos 1.100 – todos os da área azul. Consultada, a EPTC disse que é apenas uma coincidência e que a demarcação começou justamente nas áreas azuis

devido ao fluxo de veículos nestes lugares, o que obriga uma sinalização adequada. Até março devem estar concluída as demarcações nas demais áreas. A multa para quem estacionar sobre a faixa será de R$ 85,13 e quatro pontos na carteira de motorista. Outra razão que alertou para a necessidade de marcar os lugares é que alguns contêineres foram removidos do local original, inclusive obstruindo garagens, faixas de segurança e declives para cadeirantes.


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Clínicas ganha mais 70% de área construída

Hospital de Clínicas de Porto Alegre apresentou seu plano de expansão que prevê aumento de 70% da área construída até 2016. Com recursos no valor de R$210 milhões, as obras das novas unidades de atendimento devem começar em setembro de 2012. Durante a cerimônia no auditório do hospital, foi anunciada ainda a reabertura do antigo hospital da Ulbra, agora chamado unidade Álvaro Alvim, que passa a ser gerenciada pelo HCPA. O Álvaro Alvim ampliará a oferta de leitos para pacientes do SUS, com uma área destinada ao tratamento de dependentes químicos e outra de apoio à emergência do Clínicas. O presidente do Clínicas, Amarílio Vieira de Macedo Neto, disse que a expansão é fruto de um plano diretor que vem sendo discutido desde 2006. O estudo visa à modernização do sistema de gestão do hospital, que em 2011 completou 40 anos. Ao lado do presidente do HCPA, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, e o secretário Municipal da Saúde, Carlos Henrique Casartelli, também divulgaram a ampliação de convênio com a instituição para atendimento do SUS. O acordo prevê aumento de 5%, em relação a 2010, da oferta mensal de serviços médico-hospitalares e ambulatoriais prestados pelo hospital. Para Fortunati, o mais importante é que Porto Alegre começa, gradativamente, a recuperar leitos perdidos em função do fechamento recente de unidades hospitalares. “Estamos revertendo essa tendência, permitindo que em muito pouco tempo, no máximo dois anos, Porto Alegre não somente recupere a sua

nifica contração de cerca de duas mil novas pessoas. O investimento também terá o objetivo de fomentar atividades de ensino e pesquisa. “Formamos muita gente aqui. Para o professor se sentir à vontade, precisamos ter aproximação do cunho acadêmico com o cunho social. É isso que estamos conseguindo desenvolver”, analisou o presidente do hospital.

Exposição da maquete no saguão do hospital.

capacidade anterior, mas amplie o número de leitos”. Fortunati lembrou também da parceria na reabertura da Unidade Hospitalar Álvaro Alvim, que deverá ser inaugurada oficialmente em março de 2012, e da gerência do HCPA na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Azenha, que iniciará a construção no início do ano que vem. Já o Secretário Casartelli destacou o aumento de consultas e o incremento dos leitos de UTI. Serão 20 mil exames mensais a mais para o SUS, além do aumento no número de consultas. Sobre a emergência, constantemente lotada, o presidente do Clínicas, destacou que a nova área que abrigara o setor não terá aumento de vagas. “O que é necessário é uma política de reestruturação do sistema de saúde, onde as pessoas passem a procurar os hospitais em reais casos de necessidade” disse Macedo Neto; que lembrou do convênio para operar a nova Unidade de Pronto Atendimento a ser construída na Azenha. Fortunati disse que as Upas podem ser o começo para resolver a questão das emergências. O prefeito tam-

bém relatou os avanços na negociação pra construção da UPA no atual estacionamento ocupado pelo Palácio da Polícia. Ele disse que o governo estadual e a Polícia Civil já concordaram na cessão do terreno. Leitos disponíveis passarão de 1000 O projeto de expansão do HCPA prevê a construção de quatro novos prédios, uma usina de geração de energia, além de uma unidade de tecnologia da informação – tudo até 2016. O maior empreendimento será o anexo 1, que vai abrigar a UTI, a nova emergência, 24 leitos de hemodinâmica e 30 novas salas de cirurgia “Os recursos para ampliação dos anexos 1 e 2, de R$ 160 milhões, já estão no plano plurianual”, informa o presidente do HCPA. Uma das novidades é a ampliação do número de leitos de UTI. Serão 29 novas vagas, totalizando 87 unidades disponíveis. No total, os leitos oferecidos pelo hospital passarão dos atuais 698 para cerca de 1050. O número de funcionários deverá manter a atual proporção de 5.5 pessoas por leito. O que sig-

Álvaro Alvim recebe pacientes em janeiro A Unidade Álvaro Alvim do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, antigo Hospital Luterano da Ulbra, deverá receber os primeiros pacientes ainda em janeiro. No começo, atenderá prioritariamente dependentes químicos. Estão previstos 20 leitos para este tipo de atendimento. Estima-se a realização de 270 internações por mês e mais de 10 mil consultas por ano. A partir de março serão disponibilizados, ainda, 32 leitos clínicos de apoio à emergência do HCPA. Em uma próxima fase, serão abertos mais 32 leitos para álcool e drogas e outros 66 leitos clínicos, com destinação ainda em estudo. A estrutura estava fechada desde abril de 2009, devido à crise financeira da Ulbra. No início de 2011, passou a fazer parte do patrimônio do Hospital de Clínicas. Para reabertura, foi necessário uma reforma geral do hospital, segundo Vicente Neto, praticamente só a carcaça do prédio foi aproveitada, todo o resto passou por uma reconstrução. No final de 2013, com a reforma concluída, o Álvaro Alvim terá 150 leitos e contará com cerca de 600 funcionários.

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Um exemplo para o Brasil

os 40 anos, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre não é apenas uma referência como hospital escola para o Brasil. Ele é também um exemplo de superação, que precisou vencer décadas de descrença e desinteresse. Em 1931, os jornais já anunciavam a construção de um grande hospital de ensino ligado à Faculdade de Medicina. Até a pedra fundamental foi lançada em 1943.

Acima, a maquete do projeto de expansão. E a fachada do hospital Á lv a ro A lv im, q u e reabre em janeiro.

Mas a obra só foi começar quase dez anos depois. Quando estava com a estrutura de concreto erguida, foi novamente paralisada por falta de verbas. E assim ficou, ao relento, por mais de uma década. Foi apelidado “o esqueleto” pela população. Depois, avançou um pouco mais, ganhou paredes e parou de novo. To r n o u - s e o “ e l e f a n t e branco”. Uma comissão interna chegou a sugerir que o prédio fosse vendido. Só em 1972, quando

muita gente já não acreditava, o hospital começou a funcionar, precariamente. Hoje, com seus 15 andares e seus 140 mil metros de área construída, tornou-se um dos maiores do continente sulamericano, com mais de 1.500 médicos num total de quase seis mil funcionários. É um caso exemplar, vai ser o modelo na reforma dos 45 hospitais ligados às universidades federais, que o governo está planejando.


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Feiras são opções para o natal N

em só de shoppings lotados vive o comércio neste final de ano, as feiras de rua são excelentes opções para encontrar presentes e artigos de decoração para as festas. Para quem desejar, uma boa dica é conferir a 26ª Feira de Natal do Bom Fim. Organizada pelas comissões da Feira de Sábado, Feira do Mercado do Bom Fim e integrantes do Brique da Redenção, a atividade ocorrerá entre os dias 19 e 23 de dezembro, das 15h às 22h, na Rua José Bonifácio. São mais de 300 Expositores, que estarão ofertando guirlandas, enfeites natalinos, pães-demel, panetones, brinquedos e arranjos. E na véspera de Natal, a feira funcionará das 9h às 14h. Nem mesmo a Feira de Agricultura da Redenção irá parar as suas atividades. Nos sábados dos dias 24 e 31 de dezembro, a Feira Ecológica, como tradicionalmente é conhecida, terá o seu funcionamento normal. E quem for ao local no dia 24 e levar sacolas ecológicas ainda concorrerá a cestas

A tradicional feira do brique (á esquerda) irá funcionar até a vesperá de natal. Na direita, feira de discos de vinil no mercado público.

preparadas com produtos orgânicos comercializados diretamente pelos produtores. Outra oportunidade é a Feira do Gasômetro, do dia 16 ao dia 23. E desde o dia 14 também acontece a Feira Temática de Natal do Mercado Publico, com 50 expositores. Ainda no mercado, foi aberta na semana de natal a nova edição da Feira do Vinil. O acervo conta com mais de 25 mil discos, incluindo raridades, com preços de R$5 a R$180. O evento vai até sexta-feira, 23.

O BOM FIM PASSA POR AQUI

Caminho dos antiquários tem atrações culturais e de lazer

Quem quiser pode conferir o Caminho dos Antiquários. Uma rica mistura de antiguidades, arte, cultura e lazer. É um passeio cultural que se pode visitar de segunda a sábado, num trecho especial, no coração de Porto Alegre. Localiza-se num “triângulo” formado pela Praça Daltro Fº (a Praça do Capitólio), a Praça Marquesa de Sevigné e o Viaduto da Borges. A arquitetura do lugar é tipicamente do início do século passado e abriga cerca de 20 lojas de antiguidades. Já a Feira do caminho dos Antiquários acontece todos os sábados, na última quadra da rua Marechal Floriano entre as Av. Fernando Machado e Demétrio Ribeiro; e se estende até

a praça do Capitólio. Lá, 40 expositores e lojistas espalham pela via e calçadas suas pratarias, móveis, artesanato, louças, relógios, quadros, esculturas, artes plásticas, cristais, raridades, curiosidades e peças de coleção, que compõem uma atmosfera peculiar. O diferencial, e grande sucesso, está no fato de que os lojistas podem expor, na rua, peças sofisticadas e refinadas. Ao mesmo tempo, objetos simples e inusitados compõem o cenário que atrai curiosos, colecionadores e turistas. Há outras atrações que dividem a atenção das pessoas, como apresentações artísticas, musicais e exposições. Duas atividades fixas se intercalam a cada sábado.

Ao lado, também no mercado público, feira de artesanato. Já a Feira de antiguidades tem atrações culturais no sábado (abaixo).


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Encontro encerra oito meses de debates sobre a cidade

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Centro de Eventos da PUCRS foi palco nos dias 09 e 10 do encerramento do V Congresso da Cidade. As atividades mobilizaram lideranças comunitárias e representantes de diversos segmentos da sociedade nas discussões sobre o futuro da Capital. Além do prefeito José Fortunati, do secretário da Governança Local, Cesar Busatto e lideranças municipais, o ganhador do desafio Campus Party - Como tornar Porto Alegre uma cidade ainda mais inovadora, o mexicano Rodrigo Lopez, também participou da cerimônia de encerramento do encontro. Desde que foi lançado, em março de 2011, o V Congresso da Cidade reuniu durante oito meses aproximadamente 6 mil participantes. Para o prefeito Fortunati, as 1.182 lideranças, empresários, parceiros e quatro grandes universidades, que participaram de 76 encontros moderados nos territórios da cidade e de 53 seminários conjun-

Abertura do Encontro Final do V Congresso da Cidade.

tos representam a grandiosidade da iniciativa. “Essa participação democrática demonstra a característica de nossa população. Temos orgulho desse exemplo de cidadania que estamos promovendo aqui”, enfatizou o prefeito. Uma experiência, na avaliação de Busatto, que poucas cidades no mundo são capazes de reproduzir. “Não temos informação de outra experiência similar ao V Congresso da Cidade, que está servindo para redefinir o conceito de governança solidária local, partindo do pressuposto de que o desenvolvimento de uma cidade

só é verdadeiramente sustentável se for articulado a partir de seus cidadãos e territórios”, lembrou. Segundo o diretor de Governança da SMGL, Plínio Zalewski, o V Congresso da Cidade agregou a experiência das edições anteriores, trazendo novos atores e novas tecnologias para a discussão sobre a cidade e seus desafios. “O caso da plataforma colaborativa portoalegre.cc e o desafio do Cumpus Party são exemplos de articulação para a melhoria da cidade, tudo pensado de forma compartilhada”, enfatizou.

pelo setor em Porto Alegre. Toalhas bordadas, vidros decorados, artigos natalinos, peças produzidas com capim dourado, crochê e pintura em tecido foram apenas alguns dos trabalhos expostos. Na Feira de Ideias, o visitante pode conhecer melhor o projeto Porto Alegre.cc – desenvolvido pela Universidade do Vale Rio dos Sinos (Unisinos). O conceito se refere a uma

plataforma digital que permite a discussão da história, da realidade e do futuro de territórios específicos. Outro destaque foi a instalação da Estante Pública. Nela, as paradas de ônibus de Porto Alegre ganham nova função ao receber, no antigo espaço para publicidade, estantes de livros. As publicações ali encontradas são de uso do público, sem burocracia.

Feiras exibem criatividade da Capital

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5º Congresso da Cidade foi uma oportunidade para a população apresentar criatividade e talento nas feiras de artesanato e de ideias. A mostra realizada no saguão do Centro de Eventos da PUC reuniu associações e instituições de diversas regiões da capital. Na Feira de Artesanato, o visitante pode conhecer o que de melhor é oferecido

Resultados do evento ARTICULAÇÃO Com a integração de moradores, prefeitura, entidades parceiras, empresários e universidades, o 5º Congresso da Cidade ampliou a rede de participação democrática da cidade. Foram discutidos de forma conjunta motes e metas para a cidade em 82 bairros, 17 regiões do Orçamento Participativo e oito regiões de Planejamento. Para transformar o planejamento coletivo para a cidade em realidade, foram constituídos 51 Comitês de Mobilização e identificados 158 ações e projetos para o desenvolvimento local. AVALIAÇÃO Para se avaliar o grau do desenvolvimento dos territórios da cidade, o que auxilia na identificação de projetos, foi criada a Bússola do Desenvolvimento Local. Os resultados foram construídos a partir de 14 indicadores oficiais e 1.235 entrevistas de percepção com lideranças locais, que conhecem a realidade de cada bairro e região da cidade. Ao final do 5º Congresso, todos os 82 bairros, as 17 regiões do Orçamento Participativo e as oito regiões de Planejamento têm uma Bússola do Desenvolvimento Local. Já a bússola da cidade de Porto Alegre indica menor grau de desenvolvimento no aspecto regularização fundiária e maior grau para o item liberdade, seguido por saúde, atividade comercial e educação básica”. O FUTURO Embora tenham sido encerradas as atividades de 2011, com a construção do planejamento coletivo e a articulação de comitês de mobilização, o ano de 2012 será marcado pela condução de vários projetos de desenvolvimento. Algumas dessas iniciativas foram apresentadas nas feiras de ideias e projetos na sexta-feira. Com a agregação de parceiros será possível, ao final do ano, uma reavaliação da Bússola do Desenvolvimento Local.

Mostras foram realizadas no prédio 40 da PUC.


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Porto Alegre sediará Fórum Temático

Comitê Organizador Municipal de Porto Alegre, para o Fórum Social Temático, foi instalado oficialmente na terça-feira (20/12), às 16 horas, na sala do Fórum Democrático da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O Fórum Social Temático é um encontro preparatório para a “Cúpula dos Povos” da Conferência Rio+20. O encontro temático será realizado em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, de 24 a 29 de janeiro de 2012. O Comitê Organizador de Porto Alegre promete trabalhar com o objetivo de “tornar a capital gaúcha sede permanente de discussões, onde se possa debater e refletir sobre as desigualdades e injustiças políticas e sociais, fazendo um contraponto ao Fórum Econômico realizado em Davos, na Suíça”. A ideia é firmar Porto Alegre como referência nesses temas e que todos os anos o debate por outro mundo possível, que se consolidou desde o primeiro FSM, no ano de 2001, aconteça aqui, independentemente de se realizar em qualquer outra parte do mundo. Na página do Cômitê

fundamentais do evento: Eixo1 – Fundamentos éticos e filosóficos: subjetividade, dominação e emancipação. Eixo 2 – Direitos Humanos, povos, territórios e defesa da mãe terra. Eixo 3 – Produção, distribuição e consumo: Acesso às riquezas, bens comuns e economia de transição. Eixo 4 – Sujeitos políticos, arquitetura de poder e democracia.

A tradicional marcha de abertura fará parte das atividades do Fórum Temático.

de Porto Alegre podem ser feitas inscrições para oficinas, hospedagem solidária, cadastro de voluntários e para Acampamento Intercontinental da Juventude, que em 2012 estará ocupando o parque Harmonia. O endereço do site é - www. forumsocialportoalegre.com O site oficial é www. fstematico2012.org.br/ e é nele que podem ser feitas as inscrições para participação individual, para as atividades autogestionárias (já há mais de 300 atividades inscritas), para a economia solidária e os serviços de ali-

mentação. É ali também que está o formulário de credenciamento de imprensa. O Fórum Social Temático, em janeiro, terá a tradicional marcha de abertura, que sairá do centro de Porto Alegre e irá até a orla do Guaíba. No final do dia, vários shows musi-cais ocorrerão no Anfiteatro Pôrdo-Sol. Outros destaques do encontro serão o Fórum Mundial de Educação, a Feira de Economia Solidária e a Aldeia da Paz, que pretendem servir como exemplos de espaços de sustentabilidade ambiental e social.

Os Grupos Temáticos se encontrarão em Porto Alegre nos dias 25 e 26 de janeiro de 2012 para a sistematização dos debates. Nos dias 27 e 28 de janeiro haverá articulação dos vários diálogos entre si ao redor dos eixos temáticos. Para estes encontros já estão confirmadas mais de 200 atividades. As inscrições encerram no próximo dia 06 de janeiro de 2012. As ações podem ser promovidas por pessoas ou entidades e precisam se encaixar em um dos quatro eixos temáticos

As atividades podem acontecer em uma das quatro cidades que receberão o FST 2012, sendo elas Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo. O proponente deve também escolher a cidade onde realizará sua ação, entre as quatro. Além das atividades autogestionárias, o Fórum Social Temático contará com Grupos de Trabalho discutindo os 20 temas a serem debatidos na Conferência das Nações unidas Rio +20, marcada para junho, no Rio de Janeiro.

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Jornal Já Bom Fim - 414