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BOM FIM Circula nos bairros: Bom Fim, Moinhos de Vento, Farroupilha, Centro, Independência, Floresta, Rio Branco, Santana, Cidade Baixa e Santa Cecília. Porto Alegre, julho de 2012 - Ano 26 - Número 420

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NA RETA FINAL

Auditório Araújo Vianna deve reabrir dia 20 de setembro, com show de Maria Rita. Já o Café do Lago deve voltar a funcionar em novembro.

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radicional espaço de lazer e encontro na Redenção, o Café do Lago deverá voltar a atender em novembro deste ano. Foi firmado um acordo entre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) e a empresa que tem a permissão de uso da área, após quase dois anos de espera. A negociação entre a secretaria e a empresa permissionária Reategui Comércio de Alimentos Ltda. prevê a assinatura de um termo de compromisso que apontará as reformas a serem feitas e as regras de uso do local. Em maio a SMAM chegou a consultar a Procuradoria Geral do Município

(PGM), numa tentativa de anular a licitação vencida pela Reategui em 2010. Entre os motivos da SMAM estavam os atrasos e a inadequação das obras de reformas do café, e principalmente, o pedido do permissionário para abrir o local para festas noturnas, o que estaria proibido pelo edital. Após negativa da PGM, a SMAM se reuniu e fechou um acordo. A Reategui assinará notificação para se adequar ao que a licença estabelece e irá apresentar notas de responsabilidade técnica. A intenção da empresa é finalizar a reforma até novembro e reabrir ao público no mesmo mês. Como o prédio é muito

antigo, foi construído em 1935 para a mostra que comemorou os cem anos da Revolução Farroupilha, a reforma deve obedecer a determinações do patrimônio histórico. O café foi fechado em dezembro de 2009, após denúncias de excesso de barulho e badernas. A licença de Fábio Berni Reategui foi cancelada e a licitação aberta em 2010. A esposa de Fábio, Raquel de Ávila Araújo, entrou na disputa e venceu a nova licitação. Agora, finalmente o espaço será reaberto. O local deve ser efetivamente um café, com funcionamento até as 10h da noite. As festas estão proibidas.

Já o auditório Araújo Vianna será reinaugurado em setembro. Ainda não está totalmente confirmado, mas a estreia deve ter o show de Maria Rita, no dia 20. O Araújo passa por uma reestruturação complexa e será a maior casa de espetáculo do Estado, com mais de três mil lugares. O coordenador geral do processo de reforma pela Opus, Carlos Caramez, diz que questões técnicas atrasaram as obras, mas a equipe trabalha em ritmo intenso para a inauguração do espaço que passa por reforma interna (palco e cadeiras, assim como banheiros, camarins e áreas de apoio)

e externa, além da cobertura acusticamente tratada. “Todos temos o interesse de oferecer um excelente e sofisticado espaço de arte e cultura para a cidade”, ressaltou. Quando pronto, o auditório terá cobertura acústica fixa, vedação no forro, fechamento das laterais, climatização e ampliação do palco. O projeto abrange a renovação do entorno, com revitalização dos jardins, trilhas e espelhos d’água. A Sala Radamés Gnattali servirá para oficinas e workshops. O contrato com a Opus prevê programação compartilhada durante 10 anos: 75% dos dias do ano para a Opus e 25% para a prefeitura.


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Porto Alegre, julho de 2012

À espera dos cadáveres

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um seminário que reuniu cientistas de vários países em Porto Alegre, a professora Devra Davis, da Universidade de Pittsburgh, deixou no ar uma pergunta dramática: “Estão esperando o quê? Os cadáveres?” Ela se referia à resistência dos fabricantes e operadoras de telefonia celular em adotar o princípio da precaução, alertando os usuários em relação aos efeitos das chamadas radiações ionizantes, emitidas

www.jornalja.com.br Reportagem: Elmar Bones, Patricia Marini e Tiago Baltz jaeditores@gmail.com Fotografia Arfio Mazzei, Tiago Baltz e arquivo Jornal JÁ Comercial Mário Lisboa (51) 3347 7595 / 9877 4800 mariolisboa1@hotmail.com Diagramação Tiago Baltz Tiragem: 10 MIL EXEMPLARES Distribuição gratuita Impressão: Gráfica CG - (51) 3043-2310 Diretor-Responsável: Elmar Bones Redação: Av Borges de Medeiros, 915 Conj 203. Centro Histórico CEP 90020-025 - Porto Alegre/RS Fone: 3330-7272

Edições anteriores: R$ 3,00

pelos aparelhos e pelas antenas retransmissoras. A pesquisadora ilustrou sua palestra com recortes de revistas e jornais norte-americanos, para mostrar como na década de 1950 a indústria do cigarro desdenhou das advertências dos cientistas quanto aos danos à saúde causados pelo fumo. Mostrou anúncios de página inteira em que apareciam médicos famosos declarandose fumantes e exibindo suas

marcas preferidas. Àquela altura, a associação do cigarro com o câncer e doenças respiratórias já era cientificamente comprovada e muitos cientistas alertavam para os perigos a que estavam expostos os fumantes. A indústria do cigarro, no entanto, levou quase duas décadas para reconhecer a realidade das pesquisas. E até hoje não foi responsabilizada pelos danos que causou. É, grosso modo, a mesma atitude dos fabricantes e operadores da telefonia celular diante das evidências cada vez maiores do risco a que estão expostas as pessoas que inadvertidamente fazem o uso inadequado do telefone celular. Agora mesmo, na crise desencadeada com as medidas da Anatel, proibindo a venda de novas linhas, o telefone celular se mantém nas manchetes. Nenhuma linha, porém, lembra que o mais grave nessa discussão toda é a questão da saúde dos usuários. “É uma bomba de efeito retardado”, como diz o professor Álvaro Salles, nosso entrevistado desta edição. (E.B)

O BOM FIM PASSA POR AQUI

Volta, Coral

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m grupo surgido no Facebook (o Amigos do Moinhos de Vento) está fazendo campanha na rede social para que o antigo Cine Coral, no bairro Moinhos de Vento, seja aproveitado como espaço cultural, preferencialmente, um teatro. E a repercussão tem sido muito grande. O grupo promoveu uma manifestação pública no sábado (14/07) com o objetivo de sensibilizar a comunidade. O evento, denominado Clic Coral, aconteceu na Rua 24 de Outubro, justamente na calçada em frente ao antigo cinema, localizado nas proximidades do Parcão. Desde que fechou as portas no princípio dos anos 90, o antigo cinema Coral se tornou um dos tantos espaços culturais de Porto Alegre muito frequentados no passado e, posteriormente, fechados, que não estão sendo aproveitados pela cidade. À exceção do curto período no qual foi ocupado por uma feira de roupas (2011), o prédio da 24 de Outubro permaneceu por quase duas décadas desocupa-

do, ainda que situado numa das zonas consideradas nobres de Porto Alegre. O grupo do face foi criado em abril de 2012 pelo artista gráfico e designer Clayton de Araújo. Tendo como princípio a ideia de que o Moinhos pode ser transformado num “bairroconceito” e “autossustentável”, o objetivo mais imediato de Clayton foi o de reunir antigos moradores do bairro para confraternizar e trocar lembranças, sobretudo dos anos 60 e 70. O sucesso foi imediato. Com apenas dois meses de existência, o Amigos do Moinhos de Vento (AMV), que é um grupo aberto, reuniu mais de 1.200 membros. Logo em seguida, porém, começaram a surgir dentro do AMV propostas para a melhoria das condições de vida no bairro. E foi aí que o reaproveitamento do Coral como espaço cultural entrou na pauta de discussões do grupo. Uma sucessão de postagens no Facebook desencadeou o movimento, que ganhou espaço em rádio e jornal.


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Porto Alegre, jujho de 2012

Celular e câncer: um alerta A

lém de não cumprir a lei sobre as antenas, as operadoras fazem de tudo para esconder dos usuários os verdadeiros riscos do uso inadequado do telefone celular. O maior perigo são as crianças, muito mais sensíveis à radiação. A Organização Mundial da Saúde já reconheceu que essas radiações podem estar relacionadas a casos de câncer. Nesta entrevista, o professor de engenharia elétrica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Álvaro de Almeida Salles, fala das pesquisas que apontam os efeitos nocivos das radiações emitidas pelos atuais aparelhos. Sobre a polêmica suspensão da vendas de linhas, ele diz – “Nossa lei é a melhor do país, o que é necessário são investimentos das operadoras para melhorar o serviço”, diz o professor. JÁ - Estão comprovados danos a saúde devido à radiação de aparelhos celulares? Salles - A Organização Mundial da Saúde (OMS) já declarou que essas radiações são possivelmente carcinogênicas (podem causar câncer). O grupo de trabalho da OMS classificou as rádiofrequências (campos da telefonia celular, wifi, Bluetooth, etc) como possivelmente carcinogênicas, grupo 2B. Saiu na The Lancet, a revista científica mais importante do mundo, em junho de 2011. Com isso, as operadoras não têm mais argumentos para dizer que não há risco. É claro que alguns pontos são ainda polêmicos, mas os estudos indicam que há danos, sim. Só isso, sozinho, já é base para se adotar o princípio da precaução nessas questões. JÁ - O que significa 2B? Salles - É a classificação internacional de doenças para oncologia. É quando há evidências de danos, tanto em humanos quanto em animais de experiência. As empresas argumentam que nessa clas-

sificação 2B está também o benzeno e o nosso cafezinho. O perigo é que tem gente que, por exemplo, dorme com o celular ao lado da cabeça - e fica ali recebendo aquela radiação. Imagina se você passa seis ou sete horas cheirando benzeno ou tomando cafezinho. JÁ - O que deve ser feito? Salles - Não há alternativa – é adotar o principio da precaução e reduzir o mínimo a exposição. Eu acho que tem duas questões fundamentais: 1)Divulgação ampla para as pessoas passarem a usar o celular somente com fone de ouvido. O caso mais grave é o celular encostado na cabeça – de todas as questões é o mais perigoso. A irradiação que você recebe é muito grande. 2) Campanha ampla e exigência das operadoras que façam uma quebra de paradigma, para o uso correto do celular. JÁ - Como assim? Salles - Hoje usa-se o celular pra tudo. Tem gente que não tem mais telefone fixo. Se você estiver em casa ou no escritório use linha fixa, além de ter o risco da saúde diminuído os custos também são menores. Só usar o aparelho móvel quando você está se deslocando e sempre com fone de ouvido. Tem que haver uma mudança cultural, mas para isso é preciso um choque.

JÁ - O senhor citou o principio da precaução, o que é? Salles - É simples, diz que na ausência de maior evidência científica em determinadas questões que tenham abrangência para a população deve ser adotado o principio da precaução. No caso seria exatamente isso: recomendar para as pessoas o uso dos fones de ouvido, usando o móvel o menos possível. JÁ - Mas existem pesquisas que apontam riscos a saúde? Salles - Sim, na Suécia, o grupo do doutor Lennart Hardell, neurocirurgião da Universidade de Orebro, realiza pesquisas independentes que já demonstraram várias vezes o perigo. Inclusive essa classificação de 2B “possivelmente carcinogênico”, em grande parte foi baseada no trabalho dele. O pesquisador que há mais tempo estuda isso, o Dr. Om Gandhi, inclusive esteve em Porto Alegre em 2009. Ele já mostrou que a cada milímetro que você afasta o celular da cabeça a exposição dos tecidos do seu cérebro decai de 10 a 15 por cento. O fator distância é muito importante – por isso devemos usar sempre o fone de ouvido. Outro cientista importante é o doutor Henry Lai, foi quem mostrou primeiro os efeitos de baixo nível. Ele demonstrou a quebra simples e dupla da molécula do DNA. Exposta a essas radiações, em níveis até abaixo das verifica-

Salles: é preciso uma mudança radical de comportamento.

das em celulares, a molécula pode sofrer mutação e essa mutação leva a um princípio de degenerescências, ou seja, câncer. O estudo do doutor Lai foi publicado em 1994. Mas não é só este efeito, existem outros, como os estudos sobre a Alteração da Barreira da Massa Encefálica. As radiações em nível de celular e abaixo delas causam alterações nessa barreira (que é uma espécie de filtro, que protege as células mais sensíveis, como os neurônios) e alteram as propriedades permitindo a entrada de toxinas que podem causar degenerescência. As evidências são muitas. A única coisa que não pode ser reclamada é que a ciência não mostrou o problema. O que pode cobrar é que a ciência não teve efetividade e espaço suficiente para divulgar as informações. JÁ - Por que a radiação dos

aparelhos é a mais perigosa? Salles - Esse tipo é classificado de alto nível. São chamados efeitos térmicos, de curta duração. Aproximando-se o celular na cabeça já há um aquecimento no cérebro. São efeitos imediatos, que ao se prolongarem por muito tempo trazem graves riscos. O outro tipo de radiação (emitidas pelas ERBs) é baixo nível por longo tempo. Por exemplo, a pessoa que mora ou trabalha perto de uma estação de rádio base. A exposição em termos de ní-vel é baixa, mas já essá provado que baixa intensidade e exposição por longo tempo também causa problemas. Se você mora ou trabalha perto de uma ERB, ficando várias horas por dia exposto, poderá ter problemas de saúde. O celular é campo próximo. Campo distante é wireless, estação de rádio base, etc.; tudo isso é baixo nível por que é campo distante. O grande problema é que a maioria dos casos sérios, causados tanto por exposição de baixo nível quanto de alto nível, que são os tumores, tem um período de latência de oito a dez anos. Então é uma bomba de efeito retardado.


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Porto Alegre, julho de 2012

“Não há razão para mudar a lei ”

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Promotora de Meio Ambiente de Porto Alegre, Ana Marchesan, é contra a mudança na lei que regula a instalação de Estações de Radio Base de telefonia celular em Porto Alegre. Ela falou ao JÁ : “Para o ministério Público a legislação municipal, não é de forma alguma a causa desta crise. Essa crise vem ocorrendo, em primeiro lugar, porque as empresas não estão investindo em infraestrutura – elas vendem as linhas mais não investem em infraestrutura e tecnologia na mesma proporção. Há, por outro lado, um abuso do uso do celular pela população - por uma comodidade momentânea, se abriu mão de usar o fixo, optandose pela telefonia móvel que deixou de ser meramente um meio de comunicação pra ser também um meio de transmissão de dados – e óbvio que isso exige mais antenas, mais equipamentos. O importante é a gente enfatizar que existem estudos científicos apontando para efeitos nocivos das radiações não ionizantes – que são aquelas que derivam tanto das estações quanto do celular. Na dúvida temos que nos proteger. Quanta coisa com o tempo se provou que era nociva a saúde.

Marchesan: há operadora com 90% de antenas irregulares.

JÁ - O MP, então, é contra mudar a lei de Porto Alegre? Ana Marchesan - Em princípio sim – a única alteração que nós concordamos, e isso já foi dito para o prefeito, é a questão de agilização dos tramites. Reconhecemos que há uma morosidade enorme nos licenciamentos e deve haver uma otimização desse processo. Temos que criar mecanismos de agilização porque a tramitação envolve aprovação de dois conselhos que por vezes demoram pra se reunir e analisar esses procedimentos. Em relação a isso, eu concordo com as empresas. JÁ - Por que a insistência das operadoras em dizer que em Porto Alegre o problema e a lei?

Ana Marchesan - Nos não conseguimos entender isso, não tem a mínima lógica. A prova que o problema não e a legislação de Porto Alegre é que a Anatel, em nível nacional, suspendeu a venda de novas linhas de várias operadoras em várias cidades. Isso para nós veio confirmar aquilo que pensávamos: que as empresas têm condições de melhorar suas estruturas sem violar as diretrizes da legislação municipal.

MP já participou de duas audiências públicas sobre o assunto. Nos Posicionamos contrários as mudanças, que significam um alinhamento com a legislação federal. Uma legislação menos protetiva que a legislação de Porto Alegre. Essa legislação foi uma conquista, foi a comunidade que participou da construção dessa lei - que assegura padrões ambientais, urbanísticos, paisagísticos e sanitários únicos. JÁ– Sabe-se que há multas em atraso por parte das operadoras. Se a lei fosse alterada estas multas seriam banidas? Ana Marchesan - Ficaria mais fácil, na medida em que se desconstrói a lei é fácil dizer que não se deve determinado valor, embora elas já incidissem quando vigorava a legislação. Na verdade, a lei de 2002 deu 36 meses para as empre-

sas se adequarem. Passado esses 36 meses, começou a incidir multa por dia de descumprimento. E óbvio que se essa lei for alterada é factível para as empresas desconstituí esses altos de infração. Mas eu não gostaria de entrar nesse assunto porque eu não sei como esta a questão, as empresas estão discutindo isso em juízo, e eu não sei se já obtiveram alguma decisão.

JÁ- Mas o próprio MP tem ações contra as operadoras? Ana Marchesan - Temos três ações grandes contra três operadoras. Justamente para que elas se ajustem aos ditames da lei. Inclusive, recentemente foi produzida uma pericia e ficou comprovada que mais de 90% das antenas de uma determinada operadora estão contrárias a legislação. Estamos tratando com ela... Não posso falar os valores.

JÁ - E a questão da Copa do Mundo e do 4G? Ana Marchesan – Para nós, após consultarmos especialistas, é perfeitamente possível a implantação dessa tecnologia com a manutenção da vigência da atual lei. JÁ - Há um projeto de lei na câmara municipal para substituir a atual legislação... Ana Marchesan - Sim, o

Gráfico mostra que a radiação pode agir a distância de 1,85m.

Operadoras querem fugir das multas

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esde 2005, as operadoras de telefonia celular pagam multas diárias por descumprirem a lei das antenas em Porto Alegre. A estimativa é de que as quatros operadoras juntas possuem valores devidos que variam entre R$ 200 milhões e R$ 600 milhões. Como a questão está na Justiça ninguém fala. Isto seria a causa real da atual crise dos celulares: as empresas querem mudar a lei municipal para se livrar das multas.


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Porto Alegre, julho de 2012

Drenagem só na área nobre C

omeçou, na primeira quinzena de julho, a obra de drenagem parcial do Parque da Redenção, entre o Auditório Araújo Vianna e a Avenida Setembrina. Sob responsabilidade do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), a obra tem o objetivo de evitar os problemas em todo o entorno do auditório, acabando como os constantes alagamentos no local. O orçamento do projeto é de R$ 786 mil. E o terreno a ser trabalhado representa cerca de 40% da área do Parque. Serão implantados 278 metros de galerias, com 60x120cm de diâmetro e 244 metros de tubos de diversos diâmetros. O prazo de duração é de aproximadamente oito meses. Nesse peíodo, aquela região será fechada ao público. O trabalho começou ao lado do Araújo Vianna, indo

na direção do centro do parque, e depois continuará até a avenida Setembrina. Nenhuma árvore será retirada. O lugar mais beneficiado deverá ser o Recanto Solar, pois ali a promessa é de que cessem os alagamentos. Segundo o administrador da Redenção, Paulo Jardim, não é possível drenar todo o terreno do parque, pois isto prejudicaria algumas espécies de árvores que necessitam de uma boa quantidade de água. Assim, mesmo após o término da obras, faltará um novo sistema de escoamento para o restante da Redenção. Ainda não há planejamento. Mas o problema central (da água que escorre para dentro do parque – da Osvaldo Aranha para o centro) deve ser resolvido. No final, haverá ainda a desobstrução da tubulação ao longo do eixo central

Serão colocados mais de 270 metros de tubos. A área deve ficar interditada até fevereiro de 2013.

do parque, melhorando o escoamento naquela parte, sempre movimentada. Já o campo do Ramiro Souto espera a definição sobre o projeto da garagem subterrânea que ainda está em estudos técnicos. Caso a prefeitura resolva executar a obra, uma outra drenagem terá que ser feita ali.

Os tubos irão contornar as árvores. Nenhuma será retirada.


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Porto Alegre, julho de 2012

A Redenção em 140 desenhos C

omo seria retratar a Redenção? O que você captaria? Pensando nisso o artista plástico Jorge Herrmann desenvolveu o projeto “Confluências - Uma Crônica Visual da Redenção”. Seus desenhos traçam um panorama de um dos parques mais antigos de Porto Alegre. O resultado é um acervo de 140 imagens realizado em diferentes técnicas, como aquarela e grafite, composto de desenhos captados ao vivo e de releituras feitas a partir de fotos históricas e atuais. “Cada desenho visava transmitir os estranhamentos e pequenas surpresas proporcionados pelos recantos do parque”, diz o artista. Em frequentes visitas à Redenção, a partir de março de 2011, Jorge procurou uma pausa para o ritmo acelerado da cidade, o que possibilitou uma reflexão a respeito da instabilidade das paisagens urbanas atuais, cada vez mais voláteis. “Seus recantos e passeios guardam mensa-

gens repletas de silêncios, lentidão e paz”, diz sobre o parque. Jorge Herrmann é graduado em Desenho pelo Instituto de Artes da UFRGS e tem se dedicado à ilustração e à representação das paisagens. Natural de Porto Alegre, tem se dedicado à ilustração científica e à ilustração infantil. Recentemente ilustrou “Ula-Brincando de Pensar”, “Porto Alegre - A Capital dos Gaúchos” e “Meu Pequeno Colorado”. Aquilo que mais gosta é as narrativas infantis. “Os desenhos não saem da cabeça, saem do coração”. Também é músico autodidata, tendo lançado dois CDs independentes: “FIM” (1999) e “Antípodas” (2003), este financiado pelo Fumproarte. A primeira aparição pública do projeto se deu entre os dias 9 e 13 de julho, ma Assembléia Legislativa. Uma nova exposição, ainda sem lugar definido, está prevista para o final do ano.

Os desenhos variam dos tamanhos de 21x30cm a 30x21cm. E estarão em breve à venda no site do artista Jorgeherrmann. com

JÁ -Bom Fim - 420  

Jornal já bom fim, porto alegre

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