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Congresso aponta caminhos para a cacauicultura brasileira O IIII Congresso Brasileiro do Cacau, realizado de 11 a 14 de novembro de 2012 no Centro de Convenções Luís Eduardo Magalhães, em Ilhéus, Bahia, contou com a presença de 966 participantes, entre produtores rurais, extensionistas, pesquisadores, profissionais liberais ligados à cadeia produtiva do cacau e estudantes universitários de graduação e pós-graduação. O evento foi promovido pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, através da Ceplac, além da Universidade Estadual de Santa Cruz e Mars Cacau, e apoio do governo do Estado da Bahia, Seagri, Sebrae, CAR, Banco do Nordeste, dentre outras organizações públicas e privadas. Nas exposições técnicas foram apresentados seis painéis, merecendo destaque para o Cultivo intensivo do cacaueiro, com apresentação de casos de sucesso na Malásia e Equador; a conferência sobre A economia global e sustentabilidade do mercado de cacau; as Tecnologias de manejo do cacaueiro; a Qualidade e certificação do cacau; e as Estratégias para o manejo integrado das doenças do cacaueiro, enfatizando a experiência brasileira com o controle da vassoura-de-bruxa, e da Costa Rica e Equador com a monilíase. A Ceplac também apresentou o plano estratégico que vem sendo implementado visando ao Melhoramento genético do cacaueiro no curto e médio prazos. Os temas: Impacto da mão-de-obra sobre o presente e futuro da cacauicultura, e a Análise da competitividade do cacau nos principais países produtores foram debatidos com ampla participação do público. Houve grande interesse nos temas Mecanização do beneficiamento e secagem do cacau e Tecnologia nacional para processamento de cacau e chocolate. No painel sobre sustentabilidade

Congresso do Cacau discutiu programa internacional de pesquisa em Monilíase l Pág. 6

MARS quer cacau com certificação de sustentabilidade

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III CBC homenageia grandes nomes da cacauicultura

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Abertura do III Congresso Brasileiro do Cacau

foi mostrada a Importância da cacauicultura como instrumento gerador de ativos e prestador de serviços ambientais, sendo destacada a importância da cabruca na conservação produtiva da Mata Atlântica, além dos sistemas agroecológicos e agroflorestais. A Agricultura Familiar no Cacau marcou presença no Congresso, sendo mostradas experiências de sucesso no plantio, verticalização da produção e acesso às políticas públicas. O painel foi realizado concomitantemente às palestras técnicas e contou com a participação de 150 agricultores, além de representantes do Mapa/Ceplac, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional, Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento da

Bahia e a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário. A programação foi concluída com as discussões sobre O papel das instituições públicas para o desenvolvimento da cacauicultura brasileira e coleta de sugestões para elaboração da Carta de Ilhéus, documento que aponta desafios a serem superados e oportunidades a serem aproveitadas pela cadeia produtiva do cacau. O documento será encaminhado aos canais competentes. Em paralelo foi realizada uma feira com 42 expositores de produtos e serviços para o agronegócio cacau, além de instituições governamentais e não governamentais ligadas à cacauicultura que divulgaram seus trabalhos.

Carta de Ilhéus

Um documento para reflexão e ação

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Ceplac tem novo diretor geral Engenheiro agrônomo, funcionário de carreira do Ministério da Agricultura há 31 anos, Helinton José Rocha é o novo diretor geral da Ceplac, em substituição ao Dr. Jay Wallace Mota. Rocha foi empossado no cargo pelo Ministro Mendes Ribeiro e já cumpriu extensa agenda participando de eventos e reuniões nos estados produtores de cacau. Na Bahia, Helinton Rocha

participou do III Congresso Brasileiro do Cacau em Ilhéus e fez a primeira reunião com superintendentes e dirigentes estaduais de unidades da Ceplac. Rocha afirma não ser especialista em cacau, mas diz que em seus últimos 15 anos vem se dedicando ao tema desenvolvimento rural sustentável. Veja seu pronunciamento na abertura do III CBC, na pág. 3.

Helinton Rocha


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Jun. / Dez | 2012 Informativo do MAPA/Ceplac para as regiões produtoras de cacau da Bahia

EDITORIAL

Este jornal O Jornal do Cacau, nesta oitava edição, prioriza a cobertura do III Congresso Brasileiro do Cacau, um importante evento promovido pela Ceplac e instituições parceiras, o qual contou com 966 participantes reunidos na cidade de Ilhéus, visando discutir os principais avanços tecnológicos da cultura do cacau, além de temas significativos relacionados à Cadeia Produtiva. Este número aborda os temas apresentados pelos palestrantes que apontaram caminhos para a cacauicultura brasileira, enfatizando assuntos relevantes como a visão de futuro do mercado, o cultivo do cacaueiro com manejo intensivo, qualidade e certificação, impacto do custo da mão de obra sobre a rentabilidade da lavoura, mecanização, agregação de valor, além de importantes discussões sobre a sustentabilidade. O jornal apresenta o primeiro pronunciamento público do Diretor da Ceplac, Helinton José da Rocha, mostrando o seu compromisso em contribuir para que a instituição interaja com os diferentes segmentos da cadeia produtiva visando resolver questões importantes para a cacauicultura. Traz também menção da Frente Parlamentar Mista da Fruticultura, assegurando o apoio político para as demandas do setor. Duas matérias retratam os esforços governamentais nas esferas federal e estadual visando ao desenvolvimento da agricultura familiar e o reflexo desse trabalho é mostrado nos casos de sucesso apresentados no congresso. A matéria sobre cooperativismo mostra o compromisso do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), através do Denacoop, de fortalecer as cooperativas do sul da Bahia, facilitando o acesso às políticas destinadas ao setor. Há também uma abordagem sobre a participação do Mapa/Ceplac no Salão do Chocolate de Paris e a perspectiva de desenvolvimento de pesquisas sobre pós-colheita e industrialização do cacau com o Cirad da França e Sociedade Fraunhofen da Alemanha. Um marco do reconhecimento da nossa sociedade a personalidades que muito contribuíram para o desenvolvimento das regiões produtoras de cacau foi a homenagem in memoriam feita a José Haroldo de Castro Vieira, Paulo de Tarso Alvim e Frederico Monteiro Álvares-Afonso. Do mesmo modo, se reverenciou a memória de Humberto Salomão Mafuz, um dos ícones do sindicalismo da cacauicultura brasileira. Milton José da Conceição foi homenageado pelo reconhecimento ao seu trabalho como extensionista observador, estudioso e dedicado às soluções tecnológicas para a lavoura do cacau. Também foram homenageados o Grupo Lembrance e o cacauicultor Pedro Magalhães por serem referência da classe produtora na busca persistente pela inovação tecnológica.

Informativo do MAPA/Ceplac para as regiões produtoras de cacau da Bahia Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: Mendes Ribeiro Filho Diretor Geral da Ceplac: Helinton José Rocha Coordenadoria Geral de Administração e Finanças: Antonio Siqueira Assreuy Coordenador Geral Técnico Científico: Edmir Celestino Ferraz Coordenador de Gestão Estratégica: Elieser Barros Correia Superintendente-BA: Juvenal Maynart Cunha Chefe do Centro de Extensão: Sérgio Murilo Menezes Chefe do Centro de Pesquisas do Cacau: Adonias de Castro Virgens Filho Comunicação e Marketing/Sueba: Roberta Oliveira Editoria geral: Raimundo Nogueira Redação: R. Nogueira, Domingos Matos, Zenilda Araújo e José Carlos Peixoto Reportagem: Luiz Fernando de Deus e J. Hamilton Fotografia: Jorge Conceição, Luiz Alberto Alves, Wildes Cabral e Águido Ferreira Tiragem: 8.000 exemplares Matérias podem ser reproduzidas desde que citada a fonte Acesse a todos os números já publicados deste jornal pelo site: www.ceplac.gov.br Entre em contato conosco através do E-mail: jornaldocacau@ceplac.gov.br Endereço: Ceplac/Cenex – km 22 Rod. Ilhéus-Itabuna

Frases do III Congresso Brasileiro do Cacau “A mesma sociedade que exige a produção sustentável na agricultura, com a preservação do meio ambiente, deve se responsabilizar em pagar um pouco mais por isso”.

“A cadeia do cacau tem um capital humano extraordinário que deve ser potencializado”.

Guilherme Galvão

“O modo cabruca de produzir cacau é um valor cultural de nossa região.”

Adélia Pinheiro

Reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz

“Esta região precisa de união. As lideranças precisam de um discurso comum, superar as divergências, para um programa amplo para a cacauicultura ser discutido e poder evoluir mais”. “Vamos separar as dívidas dos produtores de um lado e as do Pesa de outro, para não misturar, e vamos trabalhar em Brasília para resolver estas duas questões”.

Helinton Rocha

Presidente da Associação dos Produtores de Cacau

Eduardo Salles Secretário de Agricultura do Estado da Bahia

Diretor geral da Ceplac

“O endividamento dos produtores é um gargalo que precisa e vai ser resolvido, mas bem analisado o momento da cacauicultura é bastante promissor”. “Se nós não conseguirmos renovar a cacauicultura baiana, será penoso, mas tenho convicção que ela se reconstituirá em novas bases mesmo que só nos reste um só pé de cacau”.

Gerardo Fonteles

Dirigente do Ministério da Agricultura

Wallace Setenta

Co-autor do livro Conservação Produtiva – Cacau por mais 250 anos

“A Ceplac lutou solidária com as dificuldades dos produtores e se reergue junto, solidária com o produtor”. Geraldo Simões

Adonias de Castro Virgens

Chefe do Centro de Pesquisas do Cacau

Deputado Federal-PT/BA

“Com o aumento da demanda mundial por chocolate, especialmente na Ásia – impulsionada pela Índia, onde o crescimento chegou a 33% em 2011, e pela China, com 13% – o Martin Gilmour MARS Cacau mercado poderá ter déficit de 1 milhão de Inglaterra toneladas na oferta de cacau até 2020”

“É neste cenário desafiador, dessa sociedade, dos nossos parceiros e, acima de tudo, deste corpo profissional que tanto respondeu nesses 55 anos de Ceplac à sociedade regional, que vai ser dada mais essa grande virada”.

Juvenal Maynart Superintendente da Ceplac/BA


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Frente parlamentar Mista da Fruticultura:

Atenção especial para o cacau

Deputado Antonio Balhmann (PSB-CE) Presidente da Frente parlamentar Mista da Fruticultura

A Frente parlamentar Mista da Fruticultura tem como principal objetivo atender e apoiar as demandas políticas da fruticultura brasileira. Neste contexto a cacauicultura figura como uma das atividades que merecem uma atenção especial desta frente, tendo em vista a sua importância socioeconômica e ambiental para o agronegócio brasileiro e a difícil situação vivida pela cadeia produtiva do cacau, após o advento da vassoura-de-bruxa que provocou e vem provocando grandes impactos econômicos e sociais negativos para as regiões produtoras do Brasil. A FPMF espera apoiar junto com os 311 Deputados e 17 Senadores que a compõem, todas as iniciativas oriundas dos produtores e de suas entidades representativas no sentido de alavancar a reestruturação da cadeia produtiva do cacau apoiando dentro do Congresso Nacional e Senado Federal ações voltadas à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, Assistência Técnica, Defesa Fitossanitária, Governança da Cadeia, Endividamento, Marketing e Promoção, Questões Ambientais, dentre outras. A “Carta de Ilhéus” como documento que pretende elencar ações desejáveis e políticas públicas para a cacauicultura e que poderiam nortear o rumo desta cultura pelos próximos 20 anos, certamente terá o apoio desta FPMF para operacionalização política dos pontos ali elencados como prioridade para a cacauicultura brasileira.

III CBC – Pronunciamento do Dr. Helington Rocha - Diretor Geral da Ceplac:

‘Capital humano como valor maior’ “Saudação a todos. É uma honra muito grande estar aqui, neste III Congresso, cumprimentando as autoridades, componentes da mesa e congressistas. Quero agradecer em nome desta instituição maravilhosa que é a Ceplac, a distinção da presença de cada um dos senhores, de cada um agricultor; isso aqui não é uma iniciativa só nossa mas de toda a região e da cacauicultura brasileira, com importante colaboração internacional. Eu sou o único servidor público de minha família de pequenos produtores rurais em pecuária no Mato Grosso do Sul, região do Pantanal. Tenho 31 anos no Ministério da Agricultura, sou engenheiro-agrônomo formando em Botucatu e o desenvolvimento rural agropecuário sustentável é uma área que vem tomando boa parte da minha carreira nos últimos 15 anos. Não sou especialista em cacau, tenho trabalhado muito na questão do desenvolvimento rural. ... A Rio+20 trouxe uma nova visão, foi a vitória da parte humanística do desenvolvimento sustentável. O desenvolvimento sustentável a partir da Rio+20 não é nem de longe um movimento puramente ambientalista. O centro do desenvolvimento sustentável é o homem, o bem-estar de sua família, a saúde, a educação dos filhos e especialmente a sucessão. Nós só teremos uma agricultura e uma cacauicultura bem sucedidas a partir do momento em que os filhos dos produtores rurais queiram ficar onde estão; que tenham orgulho de ser herdeiros, queiram dar continuidade ao trabalho de seus pais e de seus avós e hoje isto é uma coisa rara no Brasil. O conceito de desenvolvimento sustentável é interessante quando começa a pensar que nós temos sim que fazer com que as coisas sejam produtivas, eficazes, ter volume de produção, ter estabilidade ao longo do tempo, evitar que se crie uma dívida, um passivo trabalhista ou ambiental para o futuro. Cultivar bem cultivado faz toda a diferença. Um outro ponto que temos trabalhado muito pouco no Brasil é a questão da distribuição dos benefícios. A cadeia gera um cacau orgânico com alta cotação no mercado, mas quanto está ganhando aquele produtor de cacau? Será que o benefício está sendo distribuído de forma justa a partir dos consumidores, passando por distribuidores e industriais? Quanto é que realmente chegou ao bolso e na economia daquela

família que produziu o cacau? Eu acho que o conceito de desenvolvimento sustentável precisa ser exercitado nessa ótica. Na ótica de que sem o homem, sem o capital humano, sem o desenvolvimento justo nós não vamos a lugar nenhum. Também não é possível pegar uma população de um determinado lugar e colocar para fazer cacau cabruca no Japão ou no Pantanal. Não é assim, porque estamos falando em capital humano. E o capital humano são Diretor geral da Ceplac, Helinton Rocha os professores, pesquisadores, extensão rural os instrumentos para cuma comunidade universitária, das prir as políticas públicas dependentes da características políticas, das lideranças dos assistência técnica. produtores, dos produtores e trabalhadoA Ceplac tem uma experiência imporres, do conhecimento de cada um, a soma tante do ponto de vista operacional em disso é que dá a cacauicultura. A espécie caATER que pode nos orientar, participou de cau é passiva nesse jogo, quem tem a goverum grupo de trabalho para a formulação nança do sistema somos nós, não podemos dessa idéia e pode dar e tem dado grande pedir a outros países para resolver nossos colaboração nesse sentido. Recentemente problemas. Somos nós que vamos resolver. tivemos debates na Câmara e no Senado soE nesse sentido a inovação é importante bre o tema com a participação da Câmara e tenho trabalhado nisso, no desenvolviSetorial da Agricultura num trabalho sério mento da política nacional de biotecnologia, que pode trazer resultados fantásticos para CNPq, Instituto Nacional de Desenvolvia agricultura brasileira. mento e Pesquisas Tecnológicas e tenho visA Ceplac tem participado ativamente to que temos publicado muito, mas temos junto com as lideranças, produtores, num inovado pouco. Sem dar soluções práticas trabalho importante de ouvir a todos para para os problemas práticos da agricultura e aperfeiçoar projetos que gerem unidade de isso nós vamos focar cada vez mais. Qual a propostas na cadeia produtiva do cacau, pauta de desenvolvimento tecnológico que porque ninguém está disposto a apoiar um nós queremos para a cacauicultura? setor da economia, por mais importante Nós temos que buscar um portfólio que seja, se guarda divergências de toda importante de soluções para os problemas ordem, às vezes até no plano pessoal. Nós práticos da cacauicultura e nesse sentido precisamos de unidade e de entendimento nós não estamos na estaca zero. Nós já teentre as lideranças que estão postas. mos muitos bons pesquisadores na Ceplac, Talvez por esta razão tenham trazido muitos intelectuais em outros órgãos, muipara a direção da Ceplac quase que um tas cabeças nas universidades, na Embraextraterrestre, que sou eu, para tentar um pa, num sistema que se auto-alimenta e termo médio de entendimento na cadeia que pode somar à grandeza de um debate produtiva, que permita resolver questões como esse daqui. importantes para o desenvolvimento das Nós estamos participando agora de regiões produtoras de cacau. um debate, provocado pela Presidência Agradeço a cada um dos senhores pelo da República, que é a da Assistência e poder de liderança que têm e pela presenExtensão Rural-ATER. No lançamento do ça nesse congresso e convido a todos para Plano Safra tanto da agricultura comercial colaborar para que a Carta de Ilhéus seja quanto da agricultura familiar, a Presia mais consistente da história da cacauidente Dilma Roussef tocou nesse assunto cultura e que nós possamos valorizar cada e ela quer a proposição de uma reorgadia mais esse grande capital humano ennização estratégica, num conceito modervolvido na cadeira produtiva do cacau.” no, enxuto, que dê à assistência técnica e

‘Congresso consagra a história de nossa região’ (Pronunciamento do chefe do Centro de Pesquisas do Cacau, Adonias de Castro Virgens Filho, no encerramento do III Congresso Brasileiro do Cacau).

“A história desse Congresso consagra a própria história da região cacaueira, que é formada por desafios, oportunidades, conflitos e soluções. O congresso foi realizado no momento em que as regiões cacaueiras vivem uma das suas mais sérias crises. Essa crise está instalada especialmente no sul da Bahia e até hoje, em que pesem todos os esforços, ainda não conseguimos reverter esse quadro que nos levou à pobreza e agravou os problemas sociais, mas o espírito empreendedor da nossa sociedade, que já elevou o Brasil à condição de segundo produtor mundial de cacau, haverá de dar a volta por cima. E que todos, juntos, possamos, com uma ação protagonizada pelo Produtor de

Adonias Castro: fé na recuperação do cacau e da região

cacau, reconquistar para o Brasil o seu lugar de importância no cenário mundial. Muitas instituições alcançaram o apogeu, o ocaso e se debilitaram. A Ceplac sofreu junto com o produtor e haverá de se revitalizar,

soerguendo solidária com o produtor. Temos a convicção de que esse evento faz renascer a esperança e nos leva para casa com muita motivação. Quando isolados somos pequenos para reverter os problemas, mas quando somamos os esforços, temos a certeza de que podemos vencer os desafios. Por isso acreditamos que esse Congresso é um marco para que se desenvolvam iniciativas visando a retomada do desenvolvimento da cacauicultura brasileira. Nós escrevemos mais uma bela página na história e temos a certeza de ter contribuído para motivar a sociedade do cacau e certamente quando voltarmos a realizar outro Congresso Brasileiro na Bahia, o faremos comemorando grandes resultados”.


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Homenagem a grandes nomes da cacauicultura O III Congresso Brasileiro do Cacau reservou um momento para reverência e gratidão a personalidades com papel relevante pela dedicação e capacidade de realização em benefício da cacauicultura brasileira. José Haroldo de Castro Vieira foi homenageado pelos grandes serviços prestados às regiões produtoras de cacau do Brasil. Paulo de Tarso Alvim pelo legado deixado para a ciência do cacau tendo, inclusive, criado o Centro de Pesquisas do Cacau. Frederico Monteiro Álvares-Afonso pela sua obra no desenvolvimento da cacauicultura da Amazônia. Humberto Salomão Mafuz foi uma liderança incontestável e reconhecida como uma das vozes firmes e decididas em defesa dos interesses da lavoura cacaueira. Eles foram homenageados in memoriam. O produtor rural Pedro Magalhães teve o reconhecimento pela busca da inovação com sustentabilidade e ênfase na qualidade; o Grupo Lembrance foi homenageado pelo uso de tecnologia de vanguarda e os bons resultados alcançados e o extensionista Milton José da Conceição foi reconhecido como exemplo de dedicação e competência no trabalho de extensão rural, sendo uma referência para a classe dos extensionistas.

José Haroldo Castro Vieira

Paulo de Tarso Alvim

Frederico Monteiro Álvares-Afonso

Humberto Salomão Mafuz

Pedro Magalhães

Milton José da Conceição

Ministério da Agricultura quer benefícios do Denacoop para cooperativas do sul da Bahia O coordenador de cooperativismo do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento-MAPA, engenheiro-agrônomo Kleber Santos, fez palestra para dirigentes e técnicos de 31 cooperativas do Sul da Bahia em recente Encontro Técnico de Cooperativismo que teve o objetivo de aproximar o Departamento de Cooperativismo e Associativismo-Denacoop, ligado à Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC) do MAPA, das cooperativas do sul da Bahia e apontar caminhos para que estas entidades voltadas para a organização dos produtores rurais tirem o máximo proveito das políticas públicas do governo federal destinadas ao setor. O evento foi promovido pelo Centro de Extensão da Ceplac e realizado no auditório da Ceplac em Ilhéus, registrando-se a presença de 140 técnicos e diretores de cooperativas, além de dirigentes do MAPA, da Ceplac e da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional - CAR, instituição do governo do Estado da Bahia. Cinco cooperativas representativas da atividade cooperativista na região - Coopag, Coofasulba, Cooafba, Coofava e Coopatan - fizeram apresentações de suas estruturas, áreas de atuação, produtos e serviços, resultados e demandas, seguidas da palestra do coordenador de cooperativismo do MAPA, Kleber Santos, sobre estrutura, funcionamento e programas do Denacoop, além das ações do Ministério durante o Ano Internacional das Cooperativas,

Kleber anotou demandas e disse que o Denacoop pode ajudar

quando informou que o Mapa ampliou em 2012 a disponibilidade de recursos e limites de financiamento para o setor para R$ 5 bilhões. Cooperativismo em expansão - Os dirigentes de cooperativas registraram o crescimento de suas entidades com ampliação do quadro de associados. Ana Paula, Presidente da Coopag, no município de Gandu, observou que a maior procura pelas cooperativas é em função da credibilidade e da confiança dos produtores num mecanismo de organização que vem sendo cada vez melhor administrado, prestando serviços efetivos. José Alves dos Santos, presidente da Coofava, de Valença, apontou o cooperativismo como fator dinamizador e estabilizador das eco-

nomias regionais, citando exemplos em que produtos atingidos por crises foram compensados com rendimentos em outros cultivos, além da comercialização feita com vantagens crescentes pela obtenção de melhores preços de seus produtos no mercado. Demandas - As principais demandas citadas pelos dirigentes de cooperativas estão ligadas ao financiamento de capital de giro, assistência técnica, cursos de capacitação em gestão de cooperativas e de produção para elevar produtividade e renda dos associados. O coordenador do Denacoop expôs os programas da entidade para serem conhecidos e acessados pelas cooperativas, com destaques para o ProfiCoop, que objetiva profissionalizar a gestão das cooperativas, o CooperGênero, que visa estimular a inclusão da mulher e da família na construção da igualdade de gênero nas cooperativas, o InterAgro, programa destinado a desenvolver ações de apoio à organização das cadeias produtivas para ampliar a participação das cooperativas nos mercados e nos processos de agroindustrialização e o ProcoopJovem, com estímulo e promoção do cooperativismo junto à juventude rural. Kleber Santos observou ao final da exposição das cooperativas que se pode identificar um potencial muito grande para a expansão do cooperativismo e seus benefícios no sul da Bahia, especialmente se forem acionados o MAPA/ Denacoop, o governo do Estado da Bahia e a Ceplac.

Plano de ação mundial quer evitar déficit na oferta de cacau Os participantes da primeira Conferência Mundial do Cacau, reunidos em Abidjan, ajustaram neste final de novembro ‘uma agenda global’, destinada a evitar um futuro déficit na oferta de cacau, temido pela indústria. A agenda, divulgada no encerramento da conferência, tem como objetivo garantir uma economia cacaueira ‘sustentável’, mediante um ‘plano de ação para dez anos’, tanto na produção, quanto na indústria, nos governos e no consumo. No documento foi feito um apelo aos países produtores ‘para elaborarem e aplicarem planos de desenvolvimento da cacauicultura, com base em associações entre os setores público e privado locais’. Este tipo de plano nacional, ‘bússola da economia cacaueira para um país, deve ser formulado de maneira transparente e participativa com todas as partes’, explicou durante entrevista coletiva ao final do encontro Jean-Marc Anga, diretor-executivo da Organização Internacional do Cacau (ICCO). Segundo Anga, trata-se de evitar um ‘déficit estrutural’ da oferta com relação à demanda nos próximos anos. A indústria teme o déficit por causa da forte e persistente demanda na Europa e América do Norte - os dois maiores consumidores - e a plena expansão nos países emergentes, como Brasil, Índia e China. O documento final preconiza que os planos nacionais devem tratar de transformar as explorações cacaueiras em empresas comerciais modernas, gerando ‘renda equitativa’, uma vez que muitos camponeses vivem na pobreza. A produtividade e a qualidade também devem aumentar mediante a modernização de técnicas e equipamentos, respeitando o meio ambiente. ABIDJAN, 23 Nov 2012 (AFP)


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Agricultura familiar terá programa de recuperação da produção de cacau A definição de um programa interinstitucional para recuperação e ampliação da produção de cacau da agricultura familiar no sul da Bahia foi um dos resultados alcançados pelo III Congresso Brasileiro do Cacau – III CBC. Em mesa redonda paralela ao programa do III CBC, representantes da Ceplac, Eliezer Correia, diretor de gestão estratégica e Sérgio Murilo Menezes, chefe do Centro de Extensão, e os representantes da Superintendência de Agricultura Familiar do Estado da Bahia - Seagri/Suaf, Wilson Dias, Delegacia Federal do MDA na Bahia, Wellington Rezende, e da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional - CAR, Vivaldo Mendonça, definiram a realização de ações conjuntas visando a recuperação da produção de cacau da agricultura familiar através da ampliação da produtividade das áreas de cacau já instaladas. O programa prevê a distribuição de mudas, feita pela parceria entre a Suaf e a CAR, fornecimento

de sementes de cacau e de haste e clones de última geração, por parte da Ceplac, e da distribuição de insumos – calcário, gesso e fertilizante –, através da Suaf e da CAR, visando a implantação de áreas demonstrativas na região de SAFs ou de manejo de cacau clonado. As áreas demonstrativas de SAFs serão implantadas nos Territórios do Baixo Sul, Litoral Sul e Território Médio do Rio de Contas e em áreas de manejo de cacau que estejam estabelecidas para mostrar a tecnologia que existe hoje em manejo de áreas clonais. Com recursos disponibilizados pela Suaf, caberá à Ceplac fazer a capacitação de técnicos das instituições que compõem a rede estadual de ATER em modernização da cacauicultura, incluindo preparo de área, formação de mudas, enxertia, tratos culturais, manejo integrado para controle de doenças, e capacitação no plantio e manejo de mudas clonais, da Biofábrica, aos técnicos da rede estadual de ATER, com recursos

disponibilizados pela Seagri/Suaf. Outros instrumentos - O programa prevê a formação de um comitê integrado pela Ceplac, EBDA, Seagri e superintendências do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste para oferecer o crédito rural, especificamente o Pronaf, com redução da burocracia e ampliar o acesso dos agricultores às políticas públicas que estão direcionadas para o meio rural. Além disso, o programa de recuperação e aumento da produção de cacau da agricultura familiar do sul da Bahia desenvolverá ações para estimular e apoiar o fortalecimento da organização produtiva junto às cooperativas e associações, executar ações que visem à capacitação do produtor na gestão do imóvel rural por ser esta uma das maiores deficiências verificadas na condução da propriedade e implantar um programa de capacitação em qualidade do cacau para respaldar a estratégia de agroindustrialização e ampliação do número de fábricas de chocolate da agricultura familiar na região.

Cenex faz mudanças em chefias de escritórios locais

Valença

Uruçuca

A fim de aperfeiçoar e adequar o perfil do serviço de extensão rural prestado aos produtores rurais a novas demandas e desafios, o Centro de Extensão da Ceplac (Cenex) promoveu mudanças nas chefias dos escritórios locais nos municípios de Valença, Gandu e Uruçuca. Em Valença assume a chefia do escritório local o técnico Antonio Jorge Silva de Menezes em substituição a Geraldo Argolo, que se dedicará exclusivamente ao trabalho de assistência técnica junto a produtores e associações para a expansão e consolidação dos Sistemas Agroflorestais. Antonio Jorge é egresso da Emarc e tem a missão de coordenar parcerias institucionais da Ceplac com os atuais e novos parceiros como a CAR, Suaf, Seagri, MDA, Michellin, Agro Industrial Ituberá e as Secretarias Municipais de Agricultura, para ampliar a implementação do programa de SAF na região de Valença.

Com este objetivo, foi ampliada a equipe de técnicos do escritório local com a chegada de mais três agrônomos e dois técnicos agrícolas vindos da Emarc para integrar a equipe do Escritório da Ceplac em Valença. O Centro de Extensão também reforçou a equipe local do escritório de Uruçuca com a chegada de mais cinco técnicos e uma educadora. Após discussões internas, a educadora Darci Ferreira Santana foi indicada para chefiar o escritório em substituição a Walter Paschoal dos Santos que irá desempenhar função técnica na área de modernização da cacauicultura cuja demanda está crescente. Recém-chegada da Emarc Uruçuca, Darci Ferreira Santana se incorporou à equipe do Escritório demonstrando capacidade de organização e liderança. Apoiada pelos demais integrantes da equipe, foi escolhida para a chefia do escritório, sendo a primeira mulher a assumir a chefia de um escritório

Gandu

de extensão da Ceplac e pretende dar maior cunho pedagógico às ações de metodologia da extensão. A chefia do Escritório Local de Gandu tem como novo responsável o Agente de Atividades Agropecuárias Marcos César Leal Souza em substituição a Djalma Galvão dos Santos, também Agente de Atividades Agropecuárias, eleito Vice Prefeito do município de Gandu, que, a partir do início do mês de janeiro estará afastado para exercício do cargo eletivo. O nome de Marcos para assumir essa Unidade, além do perfil de excelente profissional, decorre da capacidade de articulação institucional que desenvolve junto à comunidade. As indicações das três novas chefias das Unidades foram objeto de discussões internas com as equipes locais, coordenadas pelos chefes dos Núcleos Regionais, utilizando o princípio democrático, cabendo à chefia do Cenex a aprovação e homologação.

Agricultura familiar: casos de sucesso no III Congresso do Cacau

Agricultores familiares conheceram casos de sucesso em sistemas agroflorestais

A apresentação de casos de empreendimentos agrícolas bem sucedidos desenvolvidos por agricultores familiares de várias regiões com a orientação técnica da Ceplac prendeu a atenção dos 150 agricultores familiares que participaram do III Congresso Brasileiro do Cacau. O primeiro caso de sucesso foi apresentado pelo agricultor familiar Manoel Cosme, proprietário da Fazenda Tucum Mirim, na região da Derradeira, no município de Valença, que fez uma demonstração dos resultados obtidos em sua área de dois hectares de SAF, com plantios de cacau, banana, seringueira e cultivos alimentares. Trabalhando na recuperação de uma área de solos degradados, Cosme implantou duas áreas de SAF e já pagou o primeiro financiamento só com a venda da banana da terra. A primeira área, hoje com seis anos de campo, está com o cacau produzindo, e as plantas de seringueira estão entrando em sangria. São áreas consideradas como referência da tecnologia de SAF recomendada pela Ceplac. A seguir o produtor de Mutuípe, Marcos Mendes Melo, fez sua apresentação. Disse que ao participar de um curso de formação de jovem empreendedor rural ocorreu uma virada em sua vida. Hoje ele está com área estabelecida de três hectares de SAF e vive dessa atividade, tendo ampliado o seu patrimônio, com a construção de casa, aquisição de um carro, acesso à internet e disse que o curso de formação de jovem o fez incluir-se socialmente, abriu sua mente e, inclusive, além da atividade produtiva está fazendo o curso de filosofia pela universidade federal do Recôn-

cavo da Bahia. O produtor familiar Célio Silva fez uma apresentação de como é que estão os trabalhos e os resultados no lote de sua propriedade dentro da associação dos produtores agrícolas União e Trabalho, localizada no Vila Cachoeira, onde está instalada uma área demonstrativa de manejo de cacau clonado. Para encerrar a apresentação de casos de sucesso, dirigentes da Cooperativa dos Agricultores Familiares e Desenvolvimento Sustentável da Região Sul da Bahia–Coofasulba fizeram uma explanação sobre os resultados obtidos em termos de crescimento, geração de emprego e renda através da organização social e produtiva dos agricultores familiares. A Coofasulba tem acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos, o Programa de Alimentação Escolar, o Programa de Formação de Estoque, da Conab, e promove a verticalização da produção através de recursos obtidos junto à Superintendência da Agricultura Familiar e à CAR para processar a produção de cacau dos associados da cooperativa e transformar em achocolatados. A cooperativa venceu concorrência através de edital de chamada pública realizada na região metropolitana de Salvador e firmou convênio no valor de R$ 6 milhões para fornecer seus produtos à merenda escolar. O próximo passo da entidade é a formação de um corpo técnico para acessar as políticas públicas de assistência técnica do governo para prestar assistência a seus cooperados. A Coofasulba é apoiada pela Ceplac no processo de incubação agroindustrial para a produção de achocolatados.


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Congresso do Cacau discutiu programa internacional de pesquisa em Monilíase Uma reunião técnica realizada durante o III Congresso Brasileiro do Cacau discutiu o estabelecimento de diretrizes para a elaboração de um programa internacional de pesquisa sob a coordenação da Ceplac, com foco no controle e prevenção da doença monilíase do cacaueiro, com a participação do Brasil, Equador, Colômbia, Costa Rica e Peru. Durante a reunião técnica, cientistas de países onde a doença existe, tais como Equador, Peru e Costa Rica, fizeram apresentações sobre o andamento das pesquisas em fitopatologia e melhoramento genético, além de exposição de resultados e perspectiva de colaboração entre as instituições de pesquisa desses países. Participaram do evento os pesquisadores equatorianos Jaime Quiroz, do Instituto Nacional Autónomo de Investigación Agropecuarias - INIAP, e Carmem Suarez, da Universidade de Pichilingue, o peruano Enrique Arevalo, do ICT, e Wilbert Philip, da CATIE de Costa Rica. Do Brasil participaram pesquisadores da CEPLAC (CEPEC e

Técnicos discutem, no III CBC, em Ilhéus, programa de pesquisa para Monilíase

Linhares), professores pesquisadores da UESC, representantes do comitê técnico da Moniliase na Bahia, liderados pela Dra. Catarina Cotrin, da ADAB, e

MARS quer cacau com certificação de sustentabilidade

O pesquisador Edward O representante do EquaSeguine, da MARS nos Esdor, James Quiroz Vera, falou tados Unidos, afirmou em sobre inovação tecnológica palestra no III Congresso e sustentabilidade na lavouBrasileiro do Cacau, que a ra cacaueira equatoriana. O empresa firmou compromisDr. Wilber Phillips, da Costa so em adquirir 100% de seu Rica, falou sobre a monilíase. suprimento de cacau com O francês Philippe Bastide, certificação de sustentabilido Centro de Cooperação dade até 2020. Internacional em Pesquisa Para Seguine, “o cacau Agronômica para o Desené um cultivo que, apesar de volvimento, destacou a qualisua grande importância, ain- Jean-Philippe Marelli, dade do cacau brasileiro, suas da recebe pouco investimen- diretor científico da Mars oportunidades e desafios. Do to e é objeto de poucas pesquisas”. Segundo Peru, o Dr. Enrique Arévalo Gardini contou ele, para que haja benefícios mútuos a todas a experiência de cultivo integrado de cacau as partes interessadas, do produtor ao conno país. sumidor, três elementos são críticos e poEntre os palestrantes, três especialistas dem triplicar a produtividade das lavouras: da Mars destacaram o resultado do trabaconhecimento e controle eficaz de pragas lho da companhia em diversas frentes. O e doenças, material vegetal de qualidade e diretor científico do MCCS, Jean-Philippe fertilizantes. Marelli, apresentou o trabalho do Centro e “Aumentando a produtividade da lavousua pesquisa sobre propagação de plantas ra – observa Edward Seguine – haverá benepor meio da embriogênese somática, como fícios para a qualidade de vida dos produtouma das opções para resolver o problema res, com aumento da renda, além de garantir da produção massiva de material vegetal suprimento sustentável e de qualidade para para renovar as plantações e atender às deatender à crescente demanda.” mandas de mudas com certificação e proUma das formas da Mars incentivar este dução homogênea. trabalho, segundo Senguine, foi estabeleMartin Gilmour, da Mars na Inglaterra, cer que até 2020 a empresa deverá adquirir falou sobre o aumento da demanda mun100% de seu suprimento de cacau só com dial por chocolate, especialmente na Ásia e certificação de sustentabilidade. o déficit de produtividade que pode chegar A Mars e o congresso do cacau - A a 1 milhão de toneladas em 2020. Edward convite do MCCS, cinco especialistas interSeguine, pesquisador de chocolate da Mars nacionais vieram ao Congresso e falaram nos Estados Unidos, falou sobre a abordasobre a experiência de seus países na cultugem da empresa com relação à sustentara do cacau. Ramle Kasin, do Conselho de bilidade do cacau, produção certificada e Cacau da Malásia, destacou a experiência qualidade. de seu país na intensificação da produção Além de trazer especialistas, o Centro de cacau e na sustentabilidade da cadeia do Mars de Ciência do Cacau marcou presença fruto. Segundo ele, um dos desafios para o no Congresso em seu estande com cientiscrescimento da produção no país é a opção tas presentes para explanar ao público os de muitos fazendeiros em trocar a cultura trabalhos do Centro e as iniciativas da Mars de cacau pela produção de óleo de palma. relacionadas à sustentabilidade.

DSV, do MAPA/Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário Cooperativismo/Departamento de Sanidade Vegetal. A pesquisadora do Centro de Pes-

quisas do Cacau, Karina Gramacho, fez um relato das ações preventivas à doença na Bahia estabelecidas no Plano Nacional de Contingência da Monilíase do Cacaueiro. Karina informou que o plano tem como estratégias a prospecção para detecção da doença, o monitoramento de unidades de produção, a formação de equipes de emergência fitossanitária, a fiscalização do trânsito de material vegetal, a educação sanitária e o desenvolvimento de pesquisas. Como a doença não existe no Brasil a estratégia é realizar pesquisas em parceria com pesquisadores de outros países. A reunião técnica discutiu a estruturação de um projeto internacional de pesquisa visando ao estabelecimento de estratégias científicas à doença, e o desenvolvimento de uma rede interdisciplinar de pesquisa para subsidiar a elaboração e execução de um programa de pesquisa para geração de tecnologia e a disseminação de conhecimentos visando ao aperfeiçoamento dos métodos de controle da monilíase.

Palestras apresentadas no III CBC* Segunda-Feira (12/11) ff ff ff ff ff ff ff ff ff ff ff ff ff

PAINEL 1 - Cultivo Intensivo do Cacaueiro Intensive Cocoa Cultivation In Malasya – A Case Study Estudio de caso - Ecuador Indução de embriogênese somática em genótipos de Theobroma cacao L.: Novos desafios à cacauicultura brasileira CONFERÊNCIA 2 - 11:00h | A Economia Global do Cacau The Global Cocoa Economy, Sustainable Production to Meet Sustainable Demand PAINEL 2 - Tecnologia de Manejo do Cacaueiro Diagnose Nutricional do Cacaueiro Fertirrigação na Cultura do Cacau PAINEL 3 - Qualidade do Cacau Qualidade do cacau no Brasil: Atual e perspectivas Sustainability, Certification & Quality - An Interconnected Network Putting Farmers First Certificação do cacau no Brasil: Desafios para a conquista de mercado - O caso da IG cacau Sul da Bahia

Terça-Feira (13/11) ff PAINEL 4 - Evolução das Estratégias de Manejo de Doenças ff Integrated Management of Witches´ Broom in Evolution in Strategies for the Management of Cocoa Diseases ff Control integrado de la moniliasis basado en variedades tolerantes ff Plano de Contingência da MONILÍASE no Brasil ff Manejo Integrado Del Cultivo Del Cacao en el Peru ff CONFERÊNCIA 3 - Melhoramento Genético ff Melhoramento Genético do Cacaueiro - Perspectivas para os Próximos 20 Anos ff CONFERÊNCIA 4 - Potencial para Cultivo em Áreas não Tradicionais ff Cultivo do Cacaueiro em Áreas Não Tradicionais ff PAINEL 5 - Viabilidade Técnica e Financeira ff Política de Valorização do Salário Mínimo - Reflexos na Cacauicultura ff Análise da Competitividade do Cacau em Países Produtores Selecionados ff Estratégias para o aumento da Produtividade do Cacau na Bahia ff PAINEL 6 - A Cacauicultura como Instrumento Gerador de Ativos ff Designing cocoa shade canopies: trading-off productivity, biodiversity and carbon storage ff O cacaueiro em Sistemas Agroecológicos ff Ativos e Serviços Ambientais - Conservação Produtiva Quarta-Feira (14/11) ff ff ff ff ff ff ff

PAINEL 7 - Pós-colheita e Processamento Mecanização do beneficiamento e secagem do Cacau Comentários sobre industrialização de cacau Aproveitamento dos Subprodutos, Derivados e Resíduos do Cacau PAINEL 8 - O Papel de Instituições Públicas para Desenvolvimento da Cacauicultura Brasileira O Cacau e a Agricultura Familiar A CEPLAC para as comunidades do Cacau

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(*) A íntegra de todas as palestras pode ser acessada no site da Ceplac, no endereço: www.ceplac.gov.br.


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Cacau brasileiro atrai cooperação internacional para pesquisas

A presença da delegação brasileira no Salão de Chocolate 2012 em Paris, assegurada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA, teve desdobramentos importantes para a cacauicultura nacional. Além da promoção do cacau brasileiro no plano internacional foram realizados entendimentos para cooperação científica visando a realização de pesquisas sobre tecnologia do cacau por representantes do Mapa e da Ceplac. Os representantes do Ministério da Agricultura, Aloísio Davis Neto, Chefe de Gabinete do Mapa, e da Ceplac, Adonias de Castro Virgens Filho, Chefe do Centro de Pesquisas do Cacau, além do pesquisador Almir Martins dos Santos, mantiveram entendimentos com o Dr. Wolfgang Danzl, representante da Sociedade Fraunhofen, organização alemã que tem 60 institutos de pesquisa aplicada distribuídos pela Alemanha, a fim de discutir um acordo de cooperação para pesquisas sobre tecnologia do cacau. Deste acordo deverá participar o Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha , juntamente com a Sociedade Fraunhofen , e pelo Brasil, o Mapa e a Ceplac, ficando o projeto a cargo do Centro de Pesquisas do Cacau. Outro encontro foi mantido com a representante francesa do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento-CIRAD, através da pesquisadora Sofia Assamate, a fim de discutir os detalhes de uma parceria para um projeto de desenvolvimento tecnológico e inovação na área da pesquisa agronômica do cacau, que deverá ser iniciado em 2013. Os representantes do Mapa e da Ceplac também mantiveram contato com grupos de empresários franceses e japoneses interessados em participar junto com a Ceplac de um trabalho de identificação de regiões brasileiras produtoras de cacau sob condições específicas, que produzam cacau diferenciado, não apenas o cacau fino, mas do cacau considerado silvestre ou cacau de terroir, cultivado com variedades silvestres em regiões de microclimas típicos ou sujeitas a inundações e utilizadas técnicas especial de produção. Segundo estes empresários, suas indústrias estariam dispostas a comprar o cacau de terroir diretamente dos produtores brasileiros situados na Bahia, Espírito Santo e na região amazônica, e pagar por este tipo de cacau um valor acima dos preços praticados pelas bolsas internacionais. Graças à imagem cada vez melhor do cacau nacional, as indústrias, empresas comercializadoras e os chocolatiers internacionais vêm demonstrando interesse em estabelecer contatos comerciais com cacauicultores brasileiros, afirmou o Dr. Aloísio Davis Neto, do Mapa. Há produtores brasileiros, como João Tavares e Henrique Almeida e empresas como a AMA e a M. Libânio, por exemplo, que já comercializam cacau fino em condições espe-

No Salon Du Chocolat 2012, em Paris, Adonias de Castro e Almir Martins mantêm entendimentos com Sofia Assamate, do CIRAD, instituto de pesquisa francês.

ciais de mercado, conforme observa o pesquisador Almir Martins. - O Salão do Chocolate de Paris contou com a presença de cacauicultores baianos, capixabas e paraenses, além de representantes de cooperativas e associações que puderam conhecer esta importante vitrine internacional que é o Salão de Chocolate – observou o Chefe do Cepec, Adonias de Castro. O pesquisador da Ceplac Almir Martins é um dos responsáveis pela identificação deste mercado de cacau fino europeu e um dos técnicos pioneiros a desenvolver e executar no Cepec projetos que visam à inserção competitiva do cacau brasileiro no mercado. Segundo ele, o programa de melhoria do cacau brasileiro conduzido pela Ceplac começa desde a seleção genética de tipos de amêndoas com características especiais, principalmente aquelas requeridas pelo mercado, realização de pesquisas afins, como técnicas de colheita, pós-colheita, fermentação e processamento de amêndoas, e se complementa com os serviços de extensão rural que leva aos produtores as técnicas para a melhoria da qualidade do cacau que produzem. A pesquisadora Neyde Alice Belo Pereira, também presente ao Salão do Chocolate 2012, observa que para apoiar e incentivar a participação brasileira nos Salões de Chocolates de forma competitiva, seja em Paris, São Paulo, Salvador ou em Ilhéus, a Ceplac faz uma pré-seleção de amostras de cacau fino, líquor e chocolate, através do Setor de Classificação, no Cenex, e do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Cacau, no Cepec, a fim de garantir produtos com boa qualidade. É muito gratificante verificarmos, hoje, rótulos de chocolates finíssimos nos salões de Paris com referência de origem a fazendas de cacau do Brasil. Isto se deve ao mérito dos produtores e ao apoio do Mapa/ Ceplac. Esse resultado justifica todos os esforços do Mapa e da Ceplac – comenta Neyde Alice. Adonias de Castro considera importante o apoio que o Ministério da Agricultura dá a este programa de melhoria da imagem do cacau brasileiro no mercado, trabalho

Representante da Sociedade Fraunhofen Wolfgang Danzl reunido com Almir Martins e Adonias de Castro do Mapa/Ceplac e Aloísio Neto do Mapa, discutindo cooperação técnica.

que vem resultando num grande retorno para o cacauicultura do país. “Para que o Brasil tenha êxito nessa iniciativa é preciso que os técnicos e produtores estejam atentos às necessidades e desejos do mercado, a fim de conquistá-los de maneira competitiva”. Adonias diz ainda que a Ceplac irá intensificar este trabalho nas demais regiões e em especial para os produtores do Amazonas e Rondônia, os quais devem ser orientados a aplicar as melhores técnicas de produção, principalmente de colheita e pós-colheita de cacau, a fim de oferecer produtos diferenciados aos segmentos de mercado que apreciam características particulares e estão dispostos a pagar melhor por elas.

Almir Martins dos Santos 1; Givago Barreto Martins dos Santos 2 1 Pesquisador 2 Pesquisador

CEPLAC – CEPEC & Professor UESC. almir@cepec.gov.br. (73) 8844 4018 UM 3

INTRODUÇÃO A baixa rentabilidade financeira das fazendas de cacau é uma das características marcante da cacauicultura na Bahia, Brasil. A Industrialização de chocolates pelos produtores tem sido proposta como alternativa para superar este impasse. Entretanto os produtores desconhecem o mercado de chocolate no Brasil e no mundo. Assim se estabeleceu como objetivo, identificar as tendências deste mercado de chocolate.

Chocolate de Origem

MATERIAL e MÉTODOS Foram aplicados questionários junto aos freqüentadores dos salões de chocolates de Paris, França; de São Paulo, Brasil; de Ilhéus, Bahia; nas associações de consumidores de chocolate e em indústrias de chocolates na França.

RESULTADOS E DISCUSSÃO As principais tendências do mercado são: Chocolates com alto teor de cacau- na França o consumo desse tipo de chocolate aumentou de 2% para 49%); Figura 1

Fig. 2

Introdução de probióticos nos chocolates

Chocolate de Origem. As indústrias têm combinado teor de cacau com origens renomadas indicadas pela ICCO. Figura2 Chocolate da categoria “free” (barra de chocolate amarga adequada para diabéticos, sem glúten, sem açúcar, adoçada com frutose e adoçante); Chocolates com probióticos (Chocolate amargo enriquecido com bactérias probióticas que promovem o equilíbrio digestivo e suporte imunológico); Figura 3 Chocolates com prebióticos (chocolate que não contem leite, glúten, colesterol, gordura trans, OGM, e rica em ômega 3 e em fibras dietéticas apropriados para vegetarianos); Chocolates éticos (Chocolate totalmente natural, certificado, embalagem 100% orgânica); Figura4 Chocolate contendo stévia (adoçante natural, como um substituto do açúcar).

Fig. 3

O boom do posicionamento dos éticos Evolução de Chocolate com alto teor de cacau (amargo)

EEUU: Endangered Species Chocolate totalmente natural. Certificado Kosher. Apropriado para vegetarianos. Sem glúten Fig. 4

CONCLUSÕES

Fig. 1

Os chocolates com alto teor de cacau e com o conceito de “cacau de origem” é um mercado consolidado e está em plena expansão. A análise de posicionamento revelou o aparecimento de vários "livres de" em produtos que atendem a um número crescente de consumidores com problemas de saúde. Outros caminhos da saúde digestiva incluem o uso de prebióticos e probióticos. Muitos produtos estão sendo colocados em uma plataforma ética, com o sucesso do comércio equitativo e começam a ser um catalisador deste avanço.


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Trabalhos inscritos e aprovados no III CBC Relação de trabalhos científicos inscritos e aprovados, com seus respectivos autores, divulgados em forma de banneres Área 1. FITOTECNIA, FISIOLOGIA E SOLOS Adubação foliar com o extrato da casca do fruto do cacaueiro e crescimento de mudas clonais de cacaueiro Matheus Silva Bessa Leite, Daniel Ornelas Ribeiro, Moisés Gonzaga de Brito, George Andrade Sodré Área foliar de cacaueiro irrigado e não sombreado cultivado no semiárido da Bahia Aureo Silva de Oliveira, Hans Raj Gheyi, Neilon Duarte da Silva Avaliação do Estado Nutricional do Cacaueiro com o Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS) Paulo Cesar Lima Marrocos, George Andrade Sodré, Aureliano Nogueira da Costa, Raul René Melendez Valle Biomassa de amostras de folhas, frutos e sementes de cacaueiros clonais em fazendas do sul da Bahia Tayla de Almeida Silva, José Olimpio de Souza Júnior, Flavia de Conceição Pinto Comportamento de clones PH16 e CCN51 sob condição semi-árida José Basílio V. Leite, Diogenes Barbosa , Manoel Teixeira de Castro Neto Concentração de Nutrientes em Amêndoa de Cacau produzido no Sul da Bahia Waldemar de Sousa Barretto, Miguel Antonio Quinteiro Ribeiro, Fábio Santos Barreto, Raul René Valle Conservação produtiva: comportamento do pau-brasil morfotipo folha-de-arruda no sistema agrossilvicultural cacaueiro Viviane Maria Barazetti, Kátia Curvelo, Dan Érico Lobão, Demósthenes Lordello de Carvalho Crescimento de Mudas de Cacaueiro em Argissolos Fertilizados com Extrato da Casca do Fruto Moisés Gonzaga de Brito, Daniel Ornelas Ribeiro, Matheus Silva Bessa Leite, George Andrade Sodré. Crescimento de Mudas de Cacaueiro em substratos à base de Fibra de Coco Larissa Argôlo Magalhães, Daniel Ornelas Ribeiro, Bárbara Aragão da Silva, George Andrade Sodré Deposição de serapilheira e nutrientes em plantios de cacau Cabruca na região sudeste da Bahia Oscar Martins da Silva Miranda Filho, Irina Zélia Vieira Lessa, Agna Almeida Menezes, Ana Maria dos Santos Moreau, Daniela Melo Mariana Doses de Manganês para Produção de Mudas Clonais de Cacaueiro Nairane Miranda Chaves, Railton Oliveira dos Santos, José Olimpio de Souza Júnior Determinação de diferenças nas trocas gasosas e vasos vasculares em clones de cacaueiro anão e porte normal Fábio Santos Barreto, Waldemar de Sousa Barretto, Raúl René Meléndez Valle Efeito da umidade e polinização no pegamento de bilros e formação de frutos de cacaueiro Marivaldo Nunes Nascimento, George Andrade Sodré, José Basílio Vieira Leite Efeito do Ácido Indolbutírico e do Húmus de Minhoca no Enraizado de Estaquias de Cacau Paúl Lama Isminio, Jorge Adriazola del Águila, Demetrio Lama Dominguez Efeito do Hidrogel no Crescimento de Mudas de Cacaueiro Francisco Augusto Dias Ramos, George Andrade Sodré Efeito no solo de corretivos de acidez com diferentes teores de cálcio e magnésio Roberio Gama Pacheco, Rafael Edgardo Silva Chepote, George Andrade Sodré, Renata Maltz Estudo da classificação comercial das amêndoas do clone de cacau PH16 em diferentes solos no sudeste da Bahia Guilherme Amorim Homem de Abreu Loureiro, Quintino Reis de Araujo, José Claudio Faria, Hellen Lazaro Melo Estudos de Isótopos 13C e 15N em 14 solos cultivados com cacau no sudeste da Bahia Quintino Reis de Araujo, Guilherme Amorim Homem de Abreu Loureiro, Edina Oliveira Santos, Patrícia Alves Casaes Alves Impacto da Irrigação com Água Salina no crescimento de Cacaueiros na Fase Juvenil no Semiárido da Bahia Diógenes M. Barbosa Santos, Manoel Teixeira de Castro Neto Impacto da irrigação com água salina sobre o crescimento inicial do cacaueiro BN34 e Comum no semiárido da Bahia, Brasil Diógenes M. Barbosa Santos, Manoel Teixeira de Castro Neto Índice de qualidade de mudas de Cacaueiro Bárbara Aragão da Silva, Daniel Ornelas Ribeiro, Ma-

theus Silva Bessa Leite, George Andrade Sodré Influência do Sistema de Cultivo na Incidência de Moniliophthora perniciosa em Áreas Clonais de Cacaueiros no Sul da Bahia Tacila Ribeiro Santos, Edna Dora Martins Newman Luz, José Luiz Pires, Lindolfo Pereira dos Santos Filho Influência dos Parâmetros Climáticos no Crescimento do Cacau Irrigado em Sistema Agroflorestal Matheus Silva Bessa Leite, Guilherme Andrighetti, Adriana Ramos, George A. Sodré Resposta de cacaueiros PH16 e CCN 51 à irrigação por gotejamento com água salina no semiárido da Bahia, Brasil Diógenes M. Barbosa Santos, Manoel Teixeira de Castro Neto Respostas do crescimento de plantas jovens de cacau à irrigação com água salina no semiárido baiano-I Diógenes M. Barbosa Santos, Manoel Teixeira de Castro Neto Sistema de cálculo de balanço nutricional de N, P e K para cacaueiros safreiros Oscar Martins da Silva Miranda Filho, Irina Zélia Vieira Lessa, Agna A. Menezes, Joelson Virginio Orrico da Silva Tipos de Substratos e Três Concentrações de Ácido Indolbutírico no Enraizado de Estaquias de Cacau Hugo Mendoza Reynaga, Jorge Adriazola del Águila, Paúl Lama Isminio Toxidez de Manganês em mudas de cacaueiro Daniel Ornelas Ribeiro, Matheus Silva Bessa Leite, Moisés Gonzaga de Brito, George Andrade Sodré Toxidez de cobre em mudas de cacaueiro Matheus Silva Bessa Leite, Daniel Ornelas Ribeiro, Moisés Gonzaga de Brito, George Andrade Sodré Toxidez de Zinco em mudas de cacaueiro Daniel Ornelas Ribeiro, Matheus Silva Bessa Leite, Moisés Gonzaga de Brito, George Andrade Sodré Área 2. RECURSOS AMBIENTAIS E GEOPROCESSAMENTO Avaliação ambiental por análise de ciclo de vida da cadeia do cacau brasileiro exportado para França Lauranne Gateau ,Thierry Tran, James Gattward, Philippe Bastide Avaliação espaço-temporal da bacia hidrográfica do rio salgado, Bahia, Brasil Gabriel Paternostro Lisboa, Antônio Fontes de Faria Filho, Quintino Reis Araujo Caracterização Geo-ambiental da região cacaueira tradicional, Bahia, Brasil Antônio Fontes de Faria Filho, Gabriel Paternostro Lisboa, Quintino Reis Araujo Árvores da Cabruca: PAU-BRASIL (Caesalpinia echinata Lam) Viviane Maria Barazetti, Dan Érico Lobão, Robélio Duarte de Santana, Heriberto Nunes Pacheco Árvores da Cabruca Jitaí-Preto (Dialium guianense) Viviane Veloso Nunes, João Paulo Nunes da Silva, Jamille de Araújo Miranda, Viviane Maria Barazetti Ficha dendrológica da Espécie Arbórea Puturuju-mirim (Centrolobium minus) Jamille de Araujo Miranda, João Paulo Nunes da Silva, Viviane Veloso Nunes, Viviane Maria Barazetti Indicação Geográfica (IG): adaptação da experiência francesa ao cacau na Bahia Almir Martins dos Santos, Givago Barreto Martins dos Santos, Antonio Carlos de Araujo, Rosalina Ramos Midlej Área 3. GENÉTICA, MELHORAMENTO E BIOTECNOLOGIA Análise da sequência do gene TcPR-4 isolado da interação Theobroma cacao - Moniliophthora perniciosa Sara Pereira Menezes, Edson Mário de Andrade Silva, Lívia Santos Lima Lemos, Karina Peres Gramacho, Fabienne Micheli Eficiência da Seleção de Plântulas de Cacaueiro visando Resistência à Vassoura-de-Bruxa Uilson Vanderlei Lopes, Louise de Araújo Souza, Marcos Ramos da Silva, Lívia Santos Lima Lemos, Rogério Mercês Santos e Karina Peres Gramacho Eficiência da Seleção Precoce de Clones de Cacaueiro Uilson Vanderlei Lopes, Lucas Santos Lopes, Wilson Reis Monteiro Eficiência da Seleção Precoce de Plantas Individuais de Cacaueiro em Populações de Melhoramento Wilson Reis Monteiro, Lucas Santos Lopes, Uilson Vanderlei Lopes Estabelecimento de híbridos interclonales de cacao (Theobroma cacao L.) em la finca experimental la represa, UTEQ Jaime Fabián Vera Chang, Fernando David Sánchez Mora,

Rommel Arturo Ramos Remache, Oscar Omar Laje Pérez Expressão Heteróloga da Proteína TcPR-4 de Theobroma cacao Edson Mário de Andrade Silva, Sara Pereira Menezes, Abelmon da Silva Gesteira, Karina Peres Gramacho, Fabienne Micheli Identificação de clones autocompatíveis e análise de segregação da autocompatibilidade em diferentes progênies F1 Ramon Figueiredo dos Santos, Milton Macoto Yamada, José Luis Pires, Fábio Gelape Faleiro Mapeamento in silico de genes associados a resistência do cacaueiro à vassoura-de-bruxa Lívia Santos Lima Lemos, Karina Peres Gramacho, José Luis Pires, Rodrigo Souza Ganem, Fabienne Micheli Modelagem do Sistema Gênico envolvido na Incompatibilidade Sexual do Cacaueiro usando Ferramentas de Bioinformática Marcos Ramos da Silva, Uilson Vanderlei Lopes Otimização da técnica de extração de DNA em Cupuaçu (Theobroma grandiflorum) Rangeline Azevedo da Silva, Eline Matos Lima, Rogério Mêrces Ferreira Santos, Karina Peres Gramacho QTL Detections for the Resistance to Phytophthora palmivora From Pod and Leaf Inoculations Using a F2 Cocoa Progeny Didier Clément, Elisa S Lisboa dos Santos, Edna D. Martins Newman Luz, Jose Luis Pires, Mathilde Allègre, Claire Lanaud, Karina Gramacho Respostas de diferentes clones de Theobroma cacao L. ao protocolo de embriogênese somática Sandra Regina de Oliveira Domingos Queiroz, Nádia Ninck Souza Neto, Ângelo Figueiredo Tomás, Ana Paula Santos Silva Técnicas de coloração histológicas para avaliar da reação de Incompatibilidade sexual em cacaueiro Marcos Ramos da Silva, Kaleandra Sena, Uilson Vanderlei Lopes Área 4. FITOSSANIDADE E ZOOLOGIA AGRÍCOLA Caracterização Anátamo-fenotípica da Interação cacau-Moniliophthora perniciosa Kaleandra Sena, Mariana C. Rocha, Fabienne Micheli, Karina Gramacho Comparação da ocorrência de animais pragas em dois clones de cacaueiro no Sul da Bahia, Brasil Benoit Jean Bernard Jahyny, Alennay Macário Alves, Henrique Gomes Ferreira, Brena Santos Oliveira Desenvolvimento de um método de uso da formiga caçarema no controle integrado de pragas do cacaueiro na Bahia, Brasil Benoit Jean Bernard Jahyny, Raimundo José Gomes Nascimento Júnior, Henrique Gomes Ferreira, José Inácio Lacerda Moura. Desenvolvimento e colonização de Ceratocystis cacaofunesta em cacaueiro utilizando microscopia eletrônica de varredura Rogério Mercês Ferreira Santos, Stela Dalva Vieira Midlej Silva, Fabienne Micheli, Karina Peres Gramacho Diagnose Precoce de Murcha-de-Ceratocystis em Cacaueiro e Outros Hospedeiros Dilze Maria Argolo Magalhães, José Luiz Bezerra, Virgínia Oliveira Damaceno, Stela Dalva Vieira Midlej Silva Distribuição de Phytophthora spp nas plantações de cacau do CEPEC Ana Rosa Rocha Niella, Dilze Maria Argôlo Magalhães, Edna Dora M. Newman Luz Epidemiologia do mal das folhas da seringueira em consórcio com o cacau Givaldo Rocha Niella, Giltembergue Tavares Macedo, Adonias Castro Virgens Filho, Antônio Galvão Gomes Filho Especificidade por tecido hospedeiro em populações de Moniliophthora perniciosa à diferentes progênies de cacau Francisca Feitosa Jucá Santos, Louise de Araújo Souza Brito , José Luis Pires, Karina Peres Gramacho Estudo da relação de Scolytidae com Ceratocystis cacaofunesta Ana Carolina Firmino, Dilze Maria Argôlo Magalhães, Stela Dalva Vieira Midlej Silva, Carlos Frederico Wilcken, Francisco André Ossamu Tanaka, Edson L. Furtado Evaluación sanitaria y productiva de 12 clones de cacao (Theobroma cacao L.) em la Zona de Quevedo, Ecuador Fernando David Sánchez Mora, Wilson David Quiroz García, Felipe Rafael Garcés Fiallos, Rubens Onofre Nodari Forídeos Parasitoides (Diptera, Phoridae) associados à Formigas Solenopsis saevissima em paisagem cacaueira

Thalles Platiny Lavinscky Pereira, Jacques Charles Hubert Delabie, Freddy Ruben Bravo Quijano Histopatologia da interação cacau-Ceratocytis cacaofunesta Rogério Mercês Ferreira Santos, Stela Dalva Vieira Midlej Silva, Fabienne Micheli, Karina Peres Gramacho Macrofauna em cacauais no Sul da Bahia - um exemplo de conservação Antonia Marli Vieira da Encarnação, Tamiris Lima Santos Oliveira, Washington Ferreira dos Santos Método simplificado de avaliação dos sintomas de vassoura-de-bruxa no cacau Louise Araújo Sousa, Marcos Ramos da Silva, Karina Peres Gramacho, Uilson Vanderlei Lopes Moniliophthora perniciosa em cupuaçuzeiro no Sul da Bahia Caliandra Andrade da Silva, Lahyre Izaete Silveira Gomes, José Ronaldo M. Lopes, Karina Peres Gramacho Ocorrência de Moniliophthora perniciosa em Solanáceas no Sudeste da Bahia Nara Georgia Ribeiro Braz Pratrocínio, Sanlai Santos Lima, Louise Araujo Sousa, Karina Peres Gramacho Patogenicidade de Isolados de Ceratocystis cacaofunesta em Cacaueiro Joanna Paula Guimarães Araújo, Dilze Maria Argolo Magalhães, Virgínia Oliveira Damaceno, Stela Dalva Vieira Midlej Silva Produtos naturais e sintéticos na proteção de mudas de cacaueiro contra Moniliophthora perniciosa João de Cássia do Bomfim Costa, Mário Lúcio Vilela de Resende, Fabrício Rabelo Camilo, Ana Cristina Andrade Monteiro, Moisés Antônio de Padua Respostas do crescimento de plantas jovens de genótipos de cacaueiros à irrigação com água salina no semiárido da Bahia, Brasil Diógenes M. Barbosa Santos, Manoel Teixeira de Castro Neto Seleção de Clones Resistentes a Ceratocystis cacaofunesta Dilze Maria Argolo Magalhães, Uilson Vanderlei Lopes, Stela Dalva Vieira Midlej Silva,Virgínia Oliveira Damaceno , Ana Rosa Rocha Niella Área 5. TECNOLOGIA DE ALIMENTOS, SÓCIO-ECONOMIA E EXTENSÃO RURAL A Produção de Cacau Fino e Orgânico no Sul da Bahia: uma alternativa de desenvolvimento Sustentável Farlei Cosme Gomes dos Santos, Katianny Gomes Santana Estival, Solange Rodrigues Santos Correa Avaliação Sensorial de Chocolate Amargo Formulado com Blend de Diferentes Variedades Clonais Valdeci Silva Bastos, Neyde Alice B. M. Pereira, José Basílio Vieira Leite Cacao and Human Health Quintino Reis Araujo, James Nascimento Gattward, Maria Graças Parada Silva, Quintino Reis Araujo Júnior Custo de implantação de um pasto cabruca Érico de Sá Petit Lobão, José Marques Pereira, Dan Érico Lobão, Ivan Costa e Sousa, Wallace Coelho Setenta, Raul René Valle, Giselle Santos Mendonça Estudo do comportamento e sazonalidade dos preços do cacau no Estado da Bahia Antonio Carlos de Araújo, Rosalina Ramos Midlej, Almir Martins dos Santos Formação de Painel Sensorial para Avaliação da Qualidade de Cacau e Chocolate Fino Neyde Alice B. M. Pereira, Valdeci Silva Bastos Mercado de Chocolate: Oportunidade e Tendências Almir Martins dos Santos, Givago Barreto Martins dos Santos Programa Jovem Empreendedor Rural Célia Hissae Watanabe, Celso Weber, Sergio Murilo Correia Menezes, Rita Cristina Tristão Gramacho, Sergio Luiz Freitas Teixeira Proposição de um Índice de Qualidade do Cacau Quintino Reis Araujo, Cinira Araujo Fernandes, Daniel Ornelas Ribeiro, Douglas Steinmacher Resposta do crescimento de plantas jovens de cacau a irrigação com água salina no seimárido baiano - I Diógenes M. Barbosa Santos, Manoel Teixeira de Castro Neto Resposta do crescimento de plantas jovens de cacau a irrigação com água salina no semiárido baiano - II Diógenes M. Barbosa Santos, Manoel Teixeira de Castro Neto

O conteúdo destes trabalhos pode ser acessado no site da Ceplac: www.ceplac.gov.br


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Jun. / Dez | 2012 Informativo do MAPA/Ceplac para as regiões produtoras de cacau da Bahia

Agricultura familiar terá financiamento especial para projetos de desenvolvimento e implantação de sistemas agroflorestais no sul da Bahia A Ceplac, através de seu Centro de Extensão Rural-Cenex, firmou parceria com a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional-CAR, órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional do Estado da Bahia, para acesso a financiamento de projetos produtivos coletivos que favoreçam o desenvolvimento regional. Esses projetos coletivos de produção e desenvolvimento serão financiados pela CAR, através dos programas Produzir e Vida Melhor, cabendo à Ceplac a identificação de demandas, a seleção e a elaboração dos projetos, acompanhados de justificativas técnicas. Haverá prioridade para os projetos produtivos que contemplem o desenvolvimento da comunidade demandante e que tenham interface com outras regiões circunvizinhas, com o objetivo de gerar emprego, agregar valor à produção, ajudar a ampliar a renda das famílias e estimular a permanência no campo. Os recursos de fundo não reembolsável financiarão projetos produtivos de verticalização ou beneficiamento da produção local, de infraestrutura e a implantação de áreas de sistemas agroflorestais-SAF para agricultores familiares na região cacaueira do sul da Bahia. Sistemas agroflorestais - O financiamento dos Sistemas Agroflorestais-SAF, compostos pelos cultivos do cacau, seringueira, banana da terra e da prata e de cultivos alimentares, também serão objeto de financiamento da CAR, através do programa Produzir, com recursos não reembolsáveis e pressupõe que os produtores estejam agrupados em associações. Segundo estudos da Ceplac, a implantação de um hectare de SAF hoje fica em torno de R$ 22.000,00. A CAR custeará cerca de 30 a 40% desse valor, em torno de R$ 6 a 7 mil, cabendo ao produtor o restante do financiamento, R$ 14 a 15 mil, a ser financiado pelo Pronaf Floresta em quatro anos. Na avaliação do chefe da extensão da Ceplac, Sérgio Murilo Menezes, esta inicia-

Reunião de técnicos da Ceplac e da CAR em Valença

tiva terá impacto grande não só na demanda por implantação de SAFs, como na renda dos agricultores familiares e na economia local, a exemplo do que vem ocorrendo nas regiões dos Territórios do Baixo Sul, Vale do Jiquiriçá, em fase inicial no Território Médio Rio das Contas e com a possibilidade de implantação também no Território Litoral Sul. – Só no Território Baixo Sul, através do Escritório de Valença, informa Sérgio Murilo, existem 345 projetos instalados e mais 80 em carteira para ser financiados. Se considerarmos os municípios de Camamu, Ituberá, Taperoá, Laje, Mutuípe, Jiquiriçá, Teolândia, Wenceslau Guimarães e Tancredo Neves já são cerca de 800 empreendimentos em imóveis rurais contemplados com este sistema agroflorestal. Com esta interação entre Ceplac e CAR, Sérgio Murilo prevê uma tendência de ampliação da demanda e ressalta a importância de mais esta nova ferramenta de ATER para fortalecer o serviço de extensão da Ceplac. Essas iniciativas compõem a estratégia de articulação da Ceplac com o Governo do Estado da Bahia, conforme Protocolo de Intenções firmado em 25 de maio de 2012. As reuniões para a definição das ações dos Programas foram realizadas com a participação de técnicos da CAR e dos Escritórios Locais vinculados aos Núcleos Regionais de Extensão da Ceplac de Ilhéus, Itabuna, Camacan, Ipiaú e Valença. Ainda serão efetuadas reuniões com os técnicos dos Escritórios Locais ligados aos Núcleos Regionais de Extensão da Ceplac de Eunápolis e Teixeira de Freitas.

Reunião de técnicos da Ceplac e da CAR em Ilhéus

Autores: Célia Hissae Watanabe1, Celso Weber2, Sergio Murilo Correia Menezes 3, Rita Cristina Tristão Gramacho4 , Sergio Luiz Freitas Teixeira5 1 Agente

de Atividades Agropecuárias (Assessora Técnica do Centro de Extensão); celiaw@ceplac.gov.br, 73.8822-0072, Ceplac/Sueba/Cenex, Rod. Ilhéus/Itabuna, km 22, Ilhéus/BA Federal Agropecuário (Extensionista), Ceplac/Sueba/Cenex Escritório Local de Mutuípe Federal Agropecuário (Extensionista), Ceplac/Sueba/Cenex, Rod. Ilheus/Itabuna, km 22, Ilhéus/BA 4 Técnica em Assuntos Educacionais (Assessora Técnica do Centro de Extensão), Ceplac/Sueba/Cenex, Rod. Ilheus/Itabuna, km 22, Ilhéus/BA 5 Agente Administrativo (Assessor Técnico do Centro de Extensão), Ceplac/Sueba/Cenex, Rod. Ilhéus/Itabuna, km 22, Ilhéus/BA 2 Fiscal 3 Fiscal

INTRODUÇÃO

O Programa compõe um conjunto de ações pelo fortalecimento da agricultura familiar da Região Cacaueira da Bahia, promovido pelo Centro de Extensão da Ceplac. Ciente dos problemas enfrentados pelo segmento, sobretudo pela migração de jovens rurais para os centros urbanos, a Ceplac associa formação e assistência técnica na perspectiva de estimular empreendimentos produtivos e sociais juvenis nas comunidades de agricultores familiares. O Programa Jovem Empreendedor Rural articula teoria e prática, discute as políticas públicas no contexto do desenvolvimento rural sustentável, as dificuldades enfrentadas pela juventude no campo visando fortalecer ações que garantam a sucessão rural. Parcerias para execução do Programa: MDA/Secretaria da Agricultura Familiar, IF Baiano Campus Uruçuca e Campus Valença, SENAR/FAEB, MARS Cacau, Sindicato Rural de Barro Preto e Ilhéus, STR Barro Preto, Prefeitura Municipal de Barro Preto, PA Brasil, Colegiado Territorial Litoral Sul e Baixo Sul.

OBJETIVOS • Potencializar a ação produtiva de jovens filhos de agricultores familiares, combinando ações de formação, assistência técnica e acesso ao crédito; • Ampliar a compreensão sobre desenvolvimento rural sustentável, empreendedorismo, práticas agrícolas, culturas regionais, políticas públicas para a agricultura familiar, organização e gestão social; • Estimular a elaboração de projetos produtivos, a serem desenvolvidos pelos jovens agricultores, como forma de viabilizar alternativas de trabalho e renda.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram capacitados 349 jovens rurais, em 08 turmas, conforme tabela 1. Parcela significativa dos jovens capacitados tem desenvolvido projetos produtivos exitosos juntamente com suas famílias. Contam com financiamento, considerando as linhas de crédito específicas para o segmento, como é o caso do Pronaf Jovem, principalmente para implantação de sistemas agroflorestais, combinando cultivo de cacau, seringueira e banana, consonante com a centralidade temática dos cursos. Os jovens tem contribuído também com o fortalecimento da organização social e produtiva das comunidades em que vivem e trabalham, contribuindo com a ampliação do acesso às políticas públicas para a agricultura familiar.

METODOLOGIA Direcionado para jovens rurais, filhos de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, povos indígenas, comunidades quilombolas, arrendatários, entre outros, de 18 a 29 anos, com escolaridade mínima do Ensino Fundamental I. A seleção dos jovens é feita pelas equipes técnicas dos Escritórios Locais da Ceplac. Cursos modulares e em alternância com aulas teóricas e práticas (figuras 1 e 2),. atividade de pesquisa de campo com a finalidade de realizar um levantamento sobre as atividades desenvolvidas pela família na propriedade e identificação de empreendimentos futuros, totalizando 124 horas. Reúne em seu temário, conteúdos consonantes com a realidade da agricultura familiar na região cacaueira, considerando a diversidade agropecuária, as questões ambientais, climáticas, gestão, tendências de mercado, verticalização da produção, políticas públicas, entre outros. Contempla intercâmbio de experiências com visitas técnicas ou painéis com convidados, informações sobre casos exitosos de organização social, acesso às políticas públicas e programas governamentais. Técnicos e pesquisadores da Ceplac e de organizações parceiras, convidados e representantes de organizações territoriais da agricultura familiar se revezam nas aulas teóricas e práticas.

Tabela 1: Turma

Período

Mutuípe

Junho de 2005

Amargosa

Julho de 2005

Uruçuca (Território Litoral Sul) Abril a maio de 2011 Valença (Território Baixo Sul)

Abril a maio de 2011

Uruçuca (Território Litoral Sul) Outubro a Dezembro de 2011 Uruçuca (Território Litoral Sul) Outubro a Dezembro de 2011 Mutuípe

Barro Preto

Março de 2012

Setembro a Outubro de 2012

Total

Participantes 60 60 42 40 29 28 60 30

349

Figura2: Turma Território Baixo Sul

Figura1: Turma Território Litoral Sul

CONCLUSÕES

O Programa tem se notabilizado pelas respostas rápidas e consistentes dadas pela juventude rural. Desde a seleção dos jovens, até os encaminhamentos pós-curso, as equipes técnicas dos Escritórios Locais da Ceplac acompanham os processos sendo, inclusive, responsáveis pela emissão de DAP e elaboração de projetos. A realização do Programa Jovem Empreendedor Rural tem sido possível através das parcerias exitosas com MDA, IF Baiano, Mars Cacau, FAEB/SENAR, Prefeituras, Sindicatos Rurais, Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, Associações de Agricultores Familiares.


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Jun. / Dez | 2012 Informativo do MAPA/Ceplac para as regiões produtoras de cacau da Bahia

Comissão organizadora do III Congresso Brasileiro do Cacau As instituições e empresas que realizaram o III CBC – Ceplac, Mars Cacau e UESC – registram, através do presidente Raúl Valle, os agradecimentos aos componentes da Comissão Organizadora pela dedicação e profissionalismo demonstrados em todos os momentos desafiadoras à execução deste grande evento. Registra também a colaboração de instituições e empresas que compreenderam a significação do Congresso como importante etapa para o soerguimento da cacauicultura e das regiões produtoras de cacau e emprestaram seu decisivo apoio.

Congressistas chegam ao Centro de Convenções Luiz Eduardo Magalhães em Ilhéus

Raúl Valle: sinceros agradecimentos

O coral formado por funcionários da Ceplac fez uma bonita apresentação no final do Congresso

Estandes, instituições e empresas que apoiaram o III CBC


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Informativo do MAPA/Ceplac para as regiões produtoras de cacau da Bahia

Cacau, Jorge e as sementes da literatura nas Terras do Sem Fim O cacau é o foco central da literatura de Jorge Amado em seus primeiros anos. Depois de hibernar durante séculos como Capitania Hereditária sem importância, Ilhéus, então um modesto lugarejo no Sul da Bahia, sofreu profundas transformações com a expansão do cultivo do cacau, planta trazida da Amazônia, que os aztecas chamavam de fruto de ouro. E só mesmo o ouro para simbolizar o que o cacau representou para o Sul da Bahia, primeiro transformando Ilhéus numa metrópole e depois fazendo brotar cidades na medida em que as fronteiras do cacau iam se expandindo mata adentro. O livro “Cacau” já deixava clara a ótica de Jorge Amado, ao tratar do surgimento da chamada Civilização Cacaueira da Bahia. Era a visão do militante comunista, no melhor estilo ´patrão explorador, trabalhador explorado´. Mas se “Cacau” é quase um livro panfletário, a exemplo de “Capitães da Areia”, é em “Terras do Sem Fim” que Jorge Amado atinge o ápice de seus romances baseados na saga de cacau. Tendo como pano de fundo a luta pelas terras de Sequeiro Grande, ou Sequeiro do Espinho, “Terras do Sem Fim” traz a essência de Jorge Amado. De um lado o Coronel Horácio, de outro os irmãos Sinhô e Juca Badaró, metidos numa luta sangrenta por um pedaço de mata onde o solo era mítico para o cultivo de cacau. Em meio a essa luta, onde a terra foi literalmente adubada com sangue, está o universo de Jorge Amado: retirantes nordestinos fugindo da seca em busca do Eldorado Sul Baiano e que se transformavam em escravos nas roças de cacau, estrangeiros e aventureiros em busca de riqueza fácil e jagunços em profusão, marcando as estradas do cacau com as cruzes da morte. E as putas, marca registrada das obras de Jorge, igualmente retratadas pela ótica da exploração. Em “Terras do Sem Fim”, Ilhéus e Tabocas, já se transformando em Itabuna, vivem à margem da lei. Ou sob a lei dos coronéis. Quem detinha o poder político e econômico, detinha o poder sobre a vida das pessoas. Jorge Amado reforça a idéia de uma região edificada à margem da lei, onde o poderoso é inevitavelmente cruel e o trabalhador é quase sempre o bonzinho explorado. Mas, embora Jorge tivesse captado os sinais da revolução russa, não há revolta entre os trabalhadores. Há sim, a compreensão fatalista do destino inevitável. Em “Terras do Sem Fim”, traduzido em dezenas de idiomas, Jorge Amado forjou a imagem da Região Cacaueira para o mundo.

Espírito Santo lança Programa ‘Cacau Sustentável’ Daniel Thame*

Embora não seja necessariamente a visão real, ficção e realidade às vezes se confundem. Em “Gabriela”, o romance, não as adaptações televisivas que desfiguram a obra, o escritor mantém a visão explorador-explorado, mas dentro de uma ótica mais ácida, bem humorada. Em “Gabriela”, em meio ao romance lúdico entre o turco Nacib e a retirante nordestina Gabriela, Jorge Amado apresenta uma visão caricatural dos coronéis, ainda violentos, mas com ares de paspalhos, perdulários e que gastam boa parte da fortuna gerada pelo cacau no jogo e com as prostitutas do Bataclan. Há, também, o embate entre o atraso representado pelos coronéis simbolizado por Ramiro Bastos, truculento, atrasado, centralizador, e os novos tempos, simbolizado por Mundinho Falcão, o homem que veio trazer o progresso e incutir o vírus da civilização em Ilhéus, onde o dinheiro do cacau dava o toque de midas em tudo. Menos para os trabalhadores, esses os explorados de sempre. Mundinho poderia remeter a uma mensagem socialista, não fosse ele um legítimo capitalista, com ares de benemérito. Como Ramiro Bastos, sua meta é o poder, ainda que com discurso modernizante. “Gabriela”, mais do que “Terras do Sem Fim”, já que teve versões para o cinema e a televisão estigmatizou o Sul da Bahia como uma região perdulária, forjada na violência. Hoje, pode-se depreender que existe muito de lenda e muito de realidade em Jorge Amado, que foi o autor da gestação e do apogeu da Civilização Cacaueira da Bahia. A decadência, verificada a partir da segunda metade da década de 80 do século passado, provocada pela vassoura-de-bruxa, já encontrou Jorge em fase outonal. Foram necessárias duas décadas para que o tema fosse abordado na literatura de forma crua e sem rodeios, no livro “Vassoura”, deste jornalista e escritor. “Vassoura”, uma série de contos e microcontos, inspirados em textos bíblicos, revela, através de histórias pessoais, a dimensão humana da tragédia coletiva que se abateu sobre o Sul da Bahia. Cacau e literatura sulbaiana são indissociáveis, inspiração e forma, numa região que teve em Jorge Amado o seu escritor maior, mas não o único a merecer o adjetivo Grande, e em que muitas histórias e estórias se misturam, numa civilização única em seu apogeu, queda e reerguimento. (*) Jornalista e autor dos livros “Vassoura”, “A Mulher do Lobisomem” e “Jorge100anosAmado”, editados pela Via Litterarum.

Ações integradas pretendem elevar produtividade das lavouras Helinton Rocha garantiu fortalecimento das parcerias para recuperar a cacauicultura no Espírito Santo.

O Governo do Estado quer reestruturar a cadeia produtiva do cacau no Espírito Santo.

O Governo do Estado do Espírito Santo e o MAPA/Ceplac, com o apoio de diversas instituições do setor agroambiental, prefeituras municipais e representações dos cacauicultores, lançaram recentemente no município de Linhares o Programa de Revitalização das Áreas Produtoras de Cacau do Espírito Santo, chamado de ‘Cacau Sustentável’. O objetivo é possibilitar mais incentivos aos produtores capixabas para a renovação das lavouras e o combate a pragas e doenças. A meta é recuperar dois mil hectares de plantios atingidos por doenças por ano e alcançar a produção de 14 mil toneladas de amêndoas/ano a partir de 2015. “Para isso, os produtores terão acesso a mudas resistentes à vassoura-de-bruxa, linhas de crédito específicas em condições diferenciadas, assistência técnica, pagamento por serviços ambientais e outros incentivos”, destacou o secretário estadual de agricultura, Enio Bergoli. A incidência da vassoura-de-bruxa nas lavouras capixabas resultou em forte queda na produção. O Estado chegou a produzir 14 mil toneladas por ano, mas caiu para cerca de quatro mil toneladas. “Hoje estamos celebrando esse programa, mas ele já está em execução. Temos diversas atividades preparatórias, como a compra de 300 mil mudas em dois anos. Com isso, vamos estruturar as nossas cadeias produtivas, dotando os produtores de

ferramentas que nos ajudem a construir um Estado mais justo e igual para todos”, destacou o governador Casagrande. O diretor geral da Ceplac, Helinton José Rocha, esteve presente ao evento e destacou as ações realizadas no Espírito Santo. “A Ceplac vai trabalhar para fortalecer as parcerias que estão ajudando na recuperação da lavoura cacaueira e esse Estado nos motiva. Os produtores precisam participar e é isto que estamos vendo aqui”, afirmou Rocha. O evento foi realizado na Estação Experimental Filogônio Peixoto, que pertence à Ceplac. Estiveram presentes o governador Renato Casagrande, o deputado estadual e presidente da Comissão de Agricultura, Ataiyde Armani, o deputado estadual Luiz Durão, o prefeito de Linhares Guerino Zanon, a prefeita de Sooretama, Joana Rangel, o diretor-geral da Ceplac, Helinton José Rocha, o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o gerente regional da Ceplac no Espírito Santo, Elpídio Francisco Neto, o presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, Evair Vieira de Melo, o diretor-presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal, em exercício, José Luiz Demoner, o presidente da Associação dos Cacauicultores de Linhares, Maurício Buffon, o presidente da Associação dos Pequenos Produtores de Perobas e Adjacências e produtores rurais.

Chocolate que não derrete no calor

Cientistas da Cadbury, tradicional marca de chocolates da Inglaterra, inventaram um jeito de manter as barras de chocolate sem derreter. Uma maravilha para os dias mais quentes. A nova barra do “Dairy Milk” consegue aguentar um calor de 40 graus sem sujar as mãos dos amantes do doce. Uma barra comum aguenta até 36 graus.

De acordo com o jornal britânico “The Mirror”, os engenheiros da Cadbury desenvolveram uma técnica revolucionária que substitui o modo de misturar os ingredientes padrões do chocolate, como cacau, manteiga, açúcar e leite, fazendo com que as partículas de carboidrato fiquem menores e reduzam a quantidade de gordura ao redor delas, aumentando a resistência ao calor.


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CARTA DE ILHÉUS Este documento, a partir daqui denominado “Carta de Ilhéus”, está baseado nas informações apresentadas e discutidas por palestrantes e participantes do III Congresso Brasileiro do Cacau, evento realizado de 11 a 14 de novembro de 2012, em Ilhéus, Bahia. É parte integrante das metas do projeto original para a realização do evento e compromisso da Comissão Organizadora com parceiros, patrocinadores, apoiadores, participantes, palestrantes e com a sociedade brasileira interessada na cacauicultura. CONTEXTUALIZAÇÃO Dos Sistemas de Produção Atualmente a cacauicultura nacional enfrenta desafios que requerem o desenvolvimento de novas tecnologias e mudanças do foco centrado no monocultivo e restrito às regiões tradicionais. Há necessidade de romper o paradigma arraigado numa cultura secular da qual se pensava que o cacaueiro, uma vez plantado produziria para sempre. Os fatores bióticos, especialmente doenças, ameaçam a sustentabilidade do negócio, pela severidade dos danos e os impactos na produção. A produtividade do sistema de cultivo sob árvores nativas ou exóticas é baixa (180 a 225 kg de amêndoas secas/ha/ano) e depende intensivamente de mão de obra para realizar as práticas de manejo necessárias, que, geralmente não respondem, principalmente pelo excesso de sombreamento. O manejo do sombreamento, por sua vez, é inviabilizado devido à rigorosa legislação ambiental atual. O cacaueiro é uma espécie de grande adaptabilidade que pode ser cultivado em consórcio com outras culturas, a exemplo da seringueira ou espécies madeiráveis. No entanto, estes sistemas não têm sido aproveitados em sua plenitude. Dos Pontos Fracos e Ameaças Entre os pontos fracos e ameaças à cacauicultura brasileira podemos citar: ff O sistema de cultivo sob sombreamento de árvores nativas ou introduzidas apresenta baixa produtividade, custo elevado e sofre com uma legislação ambiental rigorosa e restritiva; ff O cultivo do cacaueiro em regiões úmidas enfrenta sérios danos causados por doenças e está ameaçado com a instalação de novos patógenos, a exemplo da monilíase; ff Condições climáticas associadas ao relevo movimentado das regiões tradicionais de cultivo inviabilizam a mecanização de etapas do processo de produção; ff Insegurança para pessoas e patrimônio nas propriedades rurais com alta ocorrência de furtos e agressões físicas a produtores; ff Riscos de contaminação das amêndoas por agentes químicos e/ ou biológicos; ff Êxodo rural e descontinuidade no gerenciamento e sucessão nas propriedades; ff Órgão federal encarregado da pesquisa e transferência de tecnologia precariamente provido de recursos financeiros e humanos; ff Falta de gerenciamento de estoques permitindo a importação de cacau via drawback sem quantificar a real necessidade do mercado; ff Desorganização estrutural da cacauicultura, principalmente, pela ausência de organizações de produtores (sindicatos, cooperativas, associações) fortes que permitam a defesa eficaz da lavoura; ff Ausência de um Programa Nacional para a cacauicultura; ff Falta de representação política estadual e nacional da lavoura cacaueira. Das Oportunidades ff Grande diversidade de ecossistemas para produção de cacau; ff Possibilidade de geração de variedades híbridas e/ou clonais para diversos ecossistemas com características de origem especiais; ff A oferta de produto é insuficiente para atender à demanda do mercado interno de chocolate; ff Possibilidade de processamento agroindustrial via associativismo/cooperativismo e empreendimentos coletivos; ff Utilização de sistemas de cultivo alternativos de cacau em consórcio com outras espécies – sistemas agroflorestais; ff Existência de conhecimento técnico-científico acumulado para produzir cacau em quantidade e qualidade superior aos de outros países produtores de cacau; ff Uso intensivo do sistema cacau cabruca com aproveitamento integral dos seus componentes. Dos Aspectos Econômicos e de Mercado O baixo nível de produção e de renda da lavoura cacaueira decorre de um manejo inadequado, fruto de um ambiente de incerteza presente na atividade desde 1977, início da trajetória decrescente do preço. Nesse contexto o como e quanto produzir – acentuado pelo alto custo do controle da vassoura-de-bruxa – são as questões socioeconômicas decisivas para determinar o nível da produção, da renda e sua distribuição, considerando o preço interno definido pelo mercado. Em relação aos custos de comercialização, a cacauicultura brasileira é competitiva em comparação aos de outros países produtores,

já que a incidência de impostos e taxas é baixa. No entanto, há perda de competitividade pelo custo da logística, o chamado custo Brasil, que é muito alto. Adicionalmente, o preço inferior ao preço FOB (Free on Board) recebido pelo produtor é reflexo da falta de administração de estoques permitindo a importação de cacau via drawback, sem determinar a verdadeira necessidade do mercado. Os custos de produção no Brasil são elevados estando abaixo apenas da Nigéria. Os custos de mão de obra alcançam 75% do custo total de produção. Isso se deve à observância das leis trabalhistas e à melhor remuneração do trabalhador brasileiro. O trabalhador rural nos países africanos tem baixo salário e encargos sociais, em contrapartida, o produtor recebe subsídios para aquisição de insumos, o que contribui para reduzir substancialmente o seu custo de produção. Com a escalada crescente dos salários no Brasil e considerando o valor médio da tonelada de cacau, a empresa agrícola de produção tradicional de cacau não apresenta viabilidade financeira. Do Desenvolvimento Sustentável A cultura do cacau tem valor histórico, sendo de grande importância para as regiões produtoras. As organizações de representação do cultivo, a exemplo da CEPLAC, e de agricultores, estabelecidos em associações, cooperativas, sindicatos e movimentos sociais devem somar esforços na estruturação da cadeia produtiva e seus subprodutos, para gerar desenvolvimento, com sustentabilidade. É importante para consolidar a cadeia produtiva do cacau a implantação de sistemas diferenciados de produção, incentivando modelos mais sustentáveis, agroecológicos, em composições agroflorestais. A implantação do cacaueiro em sistemas agroflorestais com seringueira, madeiráveis, bananeira e/ou outros cultivos alimentares tem sido relevante na recuperação de áreas degradadas e na diversificação de renda na propriedade rural. Dessa forma, as políticas públicas existentes e/ou sua adequação devem apoiar expressivamente a transição para modelos sustentáveis de produção. O acesso a crédito de custeio e investimento é uma oportunidade para grandes, médios e pequenos produtores de cacau, inclusive os da agricultura familiar, para otimizarem a atividade, possibilitando a ampliação da área plantada, permitindo investimentos em processamento, e portanto, agregação de valor ao produto, em sistemas produtivos diversos. Há potencial para que o produtor de cacau conquiste mercados diferenciados com produtos pré-processados e/ou agroindustrializados. A assistência eficaz de entidades governamentais facilitaria essa conquista. Da Pesquisa e Extensão O desenvolvimento de pesquisas e tecnologias inovadoras deve ser priorizado, de forma a ofertar instrumentos apropriados à realidade dos agricultores em sua diversidade. As ações de formação, capacitação, treinamento e desenvolvimento de projetos empreendedores, com jovens e mulheres rurais, são estratégias que fortalecem a cadeia produtiva do cacau. Uma assistência técnica qualificada contribuirá para ampliar a eficiência na produção, organização do mercado e agregação de valor. Produtos diferenciados podem ser gerados a partir das políticas públicas existentes na linha da sustentabilidade. Pesquisadores, extensionistas e agentes de desenvolvimento são importantes na construção das alternativas produtivas para os agricultores e as regiões onde eles estão situados. Por outro lado, devem-se incentivar estratégias de pesquisas com adoção de modelos multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares de forma a unificar todas as áreas do conhecimento científico. Diante dos desafios enfrentados pela cacauicultura brasileira, da dinâmica da cadeia produtiva e das políticas públicas existentes, é possível assinalar ações que podem colaborar na consolidação deste setor. Há um potencial para ampliar a produção de cacau e sua produtividade de modo a abastecer a demanda interna pelo produto. Esse processo passa pela formação de pesquisadores, agentes de desenvolvimento e agricultores, qualificando-os para atuação nos diferentes elos da cadeia produtiva do cacau.

1.

2. 3. 4. 5. 6.

PROPOSTAS PARA A CACAUICULTURA BRASILEIRA NOS PRÓXIMOS 20 ANOS. Aumentar a produtividade da lavoura melhorando a eficiência tecnológica, seja por meio de adensamento, clones produtivos e resistentes a doenças, redução do sombreamento, mecanização da cultura e/ou fertirrigação; Agregar valor ao produto com certificações, registros de indicação geográfica e marcas coletivas; Desenvolver sistemas de produção de cacau alternativos em diferentes ecossistemas; Recuperar e modernizar as áreas tradicionais de cultivo, com foco na elevação dos níveis de produtividade das lavouras e da qualidade do cacau; Expandir e modernizar as zonas de produção na Amazônia, com foco na recuperação de áreas antropizadas; Implantar zonas de cultivo intensivo e criar novas fronteiras agrícolas

para o cacau no Brasil; 7. Instituir o Fundo Ambiental para Conservação Produtiva na Mata Atlântica do Sul da Bahia. Uma nova modalidade do Crédito Rural; 8. Apoiar as cadeias produtivas complementares ao cacaueiro: fruticultura, seringueira e palmiteiros, inclusive em cultivos consorciados; 9. Instituir o pagamento por Serviços Ambientais (Bônus Ambiental) incluindo como garantia real o patrimônio ambiental (ativos ambientais) dos estabelecimentos agrícolas; 10. Equacionar as dívidas dos produtores para permitir o acesso ao crédito rural nas regiões produtoras de cacau; 11. Promover e fortalecer o associativismo visando organizar a lavoura a fim de proteger e tornar mais competitiva a produção brasileira de cacau; 12. Promover o desenvolvimento de atividades lastreadas na conservação produtiva que propiciem ou estimulem a preservação, conservação e recuperação ambiental, com foco na sustentabilidade e competitividade dos estabelecimentos agrícolas e das cadeias produtivas; 13. Reconhecer como cultivo consolidado as áreas de cacau produtivo em áreas de preservação ambiental (APA); 14. Fortalecimento institucional da Ceplac. RESULTADOS ESPERADOS i. Elevação do atual patamar da produção, de modo a garantir a competitividade do cacau brasileiro; ii. Diminuição das desigualdades com inclusão sócio-produtiva e criação de novos empregos diretos na cacauicultura; iii. Reorganização do setor com associações de produtores fortes; iv. Plantio de espécies arbóreas nativas e exóticas ecologicamente adaptadas, melhorando a capacidade de resiliência do agroecossistema; v. Reincorporação ao sistema produtivo de áreas de cacau imobilizadas pela legislação ambiental e aquelas abandonadas pela baixa produtividade; vi. Garantir a conservação dos biomas Mata Atlântica e Floresta Amazônica nas regiões produtoras de cacau; vii. Constituir uma compensação monetária por Serviços Ambientais (Bônus Ambiental); incluindo-os como garantias reais ao patrimônio ambiental (Ativos Ambientais); viii. Recuperação da liquidez, da capacidade de pagamento e da margem disponível de garantia do produtor de cacau, superando os impasses do atual modelo de crédito agrícola; ix. Alcançar outros estágios do processamento agroindustrial via associativismo ou pequenos empreendimentos individuais, de chocolates especiais, retomando a tradição do cacau como cultura de exportação, favorecendo a balança de pagamentos; x. Retomada do processo de desenvolvimento regional por meio de geração de trabalho, emprego e renda em bases sustentáveis, beneficiando o conjunto da sociedade. OUTRAS CONSIDERAÇÕES O Brasil deve lutar para o aumento da produção, produtividade e qualidade do cacau a fim de eliminar o déficit de produto existente no mercado interno, promovendo a autossuficiência com sustentabilidade. O mercado deve, principalmente, operar com um preço competitivo que remunere os fatores de produção. O governo brasileiro deve implantar políticas públicas para a cacauicultura no sentido de torná-la viável, como, por exemplo, subsidiar o custo de produção com relação aos insumos ou realizar uma complementação de preços referente ao percentual excedente ao custo de produção. Uma medida concreta poderia ser o estabelecimento de um preço mínimo para produtos da sociobiodiversidade. Para o suprimento de matéria-prima para os mercados interno e externo nos próximos 20 anos deveria se seguir o principio de pensar global e agir localmente. Isto é, planejar a propriedade rural tendo como norteador a sustentabilidade e a inovação, plantando o cacaueiro no sistema cabruca, em sistemas agroflorestais e/ou a pleno sol, assim como delimitar áreas de pastagens ou outras culturas e áreas de mata virgem, tudo dentro da mesma propriedade, se esta proporcionar as condições adequadas. Adicionalmente, a agregação de valor e a geração de renda ao cacau podem ocorrer através da implantação de pequenas agroindústrias, apoio às atividades não agrícolas em torno desta cadeia produtiva, a exemplo de roteiros turísticos nas áreas da produção de cacau. A representatividade histórica desta cultura no Brasil é um atrativo que pode ser explorado nas regiões produtoras de cacau. O Órgão Federal encarregado da cacauicultura brasileira deve envidar esforços para reunir os produtores em um objetivo comum a fim de diminuir a grande desunião verificada no meio. Finalmente, este documento é a culminação do III Congresso Brasileiro de Cacau. Espera-se que instigue e provoque as organizações envolvidas com cacau a fazer outras cartas, eventos, ações, enfim, realizações em defesa dos interesses da cacauicultura brasileira. Raúl René Valle, PhD Presidente III Congresso Brasileiro de Cacau


Jornal do Cacau - Edição N 8