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Revista

NossaSaúde

Baía Sul Hospital Dia

Publicação trimestral do Baía Sul Hospital Dia | Edição nº 1 | Maio de 2010

Dor na coluna Novos tratamentos não invasivos contra dores na coluna trazem alívio página 8

»»BSHD inaugura Centro de Infusão de Medicamentos [página 4]

»»Estrabismo: tempo é o fator fundamental [página 9]


OPINIÃO

Momento de expansão

O

Baía Sul Hospital Dia vive um momento de expansão, com investimentos importantes nos serviços que oferece – a nova e moderna Central de Materiais e Esterilização recebeu R$ 850 mil em investimentos - e a oferta de novos serviços que vão melhorar a qualidade de vida da comunidade. A grande novidade neste primeiro semestre é a inauguração do Centro de Infusão de Medicamentos para tratamento das chamadas doenças auto-imunes, que exigem tratamento contínuo. O Baía Sul Hospital Dia montou uma moderna estrutura para atendimento a estes pacientes, que necessitam de cuidados especiais e poderão ser atendidos adequadamente, em ambiente hospitalar. Para reforçar o serviço, no dia 8 de maio realizamos o I Encontro Multidisciplinar Sobre Segurança e Eficácia Dos Agentes Biológicos nas Doenças Imunomediadas, com a parti-

cipação dos médicos Ivânio Pereira, Daniel Holthausen, Ylmar Corrêa e Luciano Saporiti, que falaram sobre as novidades na área de infusão de medicamentos. Foi uma grande oportunidade para todos nós, que pudemos trocar experiências e ouvir relatos sobre o que há de mais relevante nesse tipo de tratamento em todo o mundo. Para finalizar, convido a todos para que folheiem nossa Revista, que surge com novo projeto gráfico e reportagens ainda mais interessantes. Um grande abraço.

A grande novidade deste semestre é a inauguração do Centro de Infusão de Medicamentos

Relaxamento entre as cirurgias Os médicos do Baía Sul Hospital Dia contam desde fevereiro com um trabalho inédito em Florianópolis: sessões de massagens rápidas e de alongamento entre uma cirurgia e outra, realizadas com o acompanhamento da fisioterapeuta Vergínia Joana Gregolin. “Eu busco trazer mais conforto físico aos médicos que fazem cirurgias e ficam muito tempo na mesma posição, o que pode causar desconforto muscular, tensão e até dor”, explica a fisioterapeuta. O ser viço, realizado na sala de Conforto Médico, é mais uma atenção especial do BSHD com a manutenção da saúde de sua equipe de cirurgiões.

Dr. Carlos Gilberto Crippa | CRM 2169 Diretor Técnico do Baía Sul Hospital Dia

P u b l i c a ç ão d o

Baía Sul Hospital Dia

Rua Menino Deus, 63 – 88020-210 Centro – Florianópolis – SC – Brasil (48) 2107 2222 secretaria@baiasulhospitaldia.com.br www.baiasulhospitaldia.com.br www.bshd.com.br

Diretor-Presidente Irineu May Brodbeck Diretor-Técnico Carlos Gilberto Crippa Diretor Executivo Newton Quadros

Conselho de Administração Newton Quadros Carlos Alberto Teixeira Teodoro Rogério Vahl Cássia Maria Zóccoli Pierre Galvagni Silveira Sandro Ávila

Jornalista Responsável Déborah Almada - DRT/RS 5899 almada@allpresscom.com.br Redação e Edição All Press Comunicação (48) 3028 0183 www.allpresscom.com.br

Concepção gráfica Officio |officiocom.com.br Fotografia Divulgação Impressão Impressul Tiragem 10.000 exemplares


TRATA M ENTO

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maioria das pessoas já ouviu aquela velha história do filho de uma amiga, de uma vizinha ou de um parente que era um desastre na escola, esbarrava em tudo dentro de casa e de vez em quando se queixava de uma dor de cabeça que ninguém sabia de onde vinha. Até que um dia a mãe ou a professora desconfiou que o problema podia ser físico – e não reflexo apenas da aparente “cabeça de vento” da criança – e, depois de uma visita ao oftalmologista, descobriu que as trapalhadas eram causadas por problemas de visão. Muitas vezes casos desse tipo estão associados a uma doença bastante comum: o estrabismo. O problema surge quando os olhos estão desalinhados e focam em diferentes posições. Aparece em quatro de cada 100 crianças

Quanto mais cedo melhor

e provoca perdas de visão em duas de cada 100. Apesar da grande freqüência, muitas vezes a doença não é percebida cedo ou não recebe o tratamento adequado. Ocorre que o tempo é um aspecto fundamental para a busca da cura ou da minimização do problema. Estrabismos as­sociados a grau de óculos (hipermetropia), por exem­plo, aparecem entre 1 e 4 anos de idade e são corrigiPara evitar a perda de visão, o tratamento dos com óculos. Há casos ainda deve ser iniciado logo após o diagnóstico. nos quais a cirurgia é recomendaAté que o paciente esteja pronto para a da. “Os estrabismos convergentes cirurgia, o que pode levar alguns anos, deve (os dois olhos voltados para ‘denser feita a chamada oclusão. O “olho bom” tro’) congênitos devem ser opeé tapado, obrigando o “olho ruim” a “trabarados muito cedo, por volta de 1 lhar”. Quando o organismo do paciente está ano de idade, às vezes antes, papronto para a cirurgia, o procedimento é ra que a criança tenha chance de feito em regime de hospital dia. “A cirurgia desenvolver estereopsia (visão de é feita nos músculos extra oculares (são 6 profundidade). Estrabismos diverem cada olho, que ficam inseridos do lado gentes (para fora) e intermitentes de fora do globo ocular). Estes músculos (olhos ora desviados, ora normais) podem ser encurtados, alongados, ter sua devem ser operados a partir dos inserção recuada, etc. Ou seja: ser enfra6 anos, para diminuir a possibiliquecidos ou fortalecidos de acordo com a dade do desenvolvimento de amnecessidade”, diz a oftalmologista.

Como é feito

Tratamento para o estrabismo deve começar logo após o diagnóstico bliopia (perda de visão) pós operatória. Estrabismos puramente acomodativos (aqueles olhos que ficam retos com o uso de óculos) não devem ser operados” diz a oftalmologista Teresa Cristina Prazeres. Se tratado no período crítico, que vai do nascimento até os seis ou nove anos, (dependendo do caso) o estrabismo pode ser curado. Depois pode haver comprometimento definitivo da visão e a cirurgia de realinhamento dos olhos tem apenas efeito estético.

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NEURO C IRURGIA

A boa notícia é que a prevenção é simples e os tratamentos cada dia menos invasivos

Dores nas costas atingem 80% da população

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dor na coluna talvez seja o mais democrático dos problemas de saúde: motivo de queixa entre ricos e pobres, homens e mulheres, brancos e negros, altos e baixos e quaisquer outros grupos humanos. Tanta popularidade tem razão de ser. A estimativa é de que oito em cada dez pessoas apresentarão problemas na coluna em algum momento da vida. O motivo é conhecido e a prevenção é simples, mas nem sempre tem a eficácia necessária. O homem tem dor nas costas principalmente porque anda em duas pernas e obriga a coluna a manter-se ereta apesar de todo o peso da gravidade – e muitas vezes de gordura extra conquistada pela alimen-

tação inadequada. O arsenal para tentar evitar a dor inclui exercícios físicos, vigilância com o peso, cuidados com a postura, entre outras práticas e hábitos do dia-a-dia. Nem sempre, porém, os resultados são os esperados. Muita gente sofre com problemas crônicos de coluna que podem exigir até intervenções cirúrgicas. Hoje esses procedimentos são realizados de forma minimamente invasiva. O neurocirurgião Daniel Santos Sousa, do Neuron - Instituto de Neurocirurgia, estudou esse tipo de procedimento em Chicago, com Richard Fessler, maior autoridade mundial no assunto, e explica. “A cirurgia minimamente invasiva pode ser usada em terapias radiculares (aplicação de anestésicos e antiinflamatórios na articulação da coluna), na retirada de hérnias de disco e na instrumentação da coluna”. A instrumentação é a colocação de pinos e hastes para correção da instabilidade da coluna. Tradicionalmente era feita apenas em cirurgias de grande porte, que podem levar até seis horas e que exigem internação. Pela técnica minimamente invasiva, os pinos e hastes são passados através de pequenas incisões e a cirurgia dura no máximo duas horas. A dor no pós-operatório é menor e praticamente não ocorrem agressões aos músculos e ligamentos da região, o que é inevitável nas cirurgias tradicionais.

Cirurgia micro-endoscópica X procedimentos tradicionais A cirurgia de coluna tradicional aberta implica na implantação de hastes e parafusos metálicos na coluna vertebral do paciente. Por ser um procedimento de grande porte pode ter uma série de complicações. As mais comuns são o longo tempo para recuperação e retorno às atividades normais, além de maior chances de infecções e possibilidade de

exigência de transfusão de sangue. Uma opção bem aceita atualmente é a discectomia micro-endoscópica, que utiliza uma video-câmara acoplada a dispositivos especiais para realização do procedimento original sem atalhos e nem desvios. A nova técnica já é consagrada no exterior, notadamente dos Estados Unidos, França e Alemanha. No Coreia do Sul, ho-

je considerada uma das mecas mundiais do desenvolvimento de técnicas de cirurgia da coluna, a discectomia micro-endoscópica é realizada em aproximadamente 80% de todos os pacientes que necessitam de uma cirurgia da coluna. O método micro-endoscópico exige um corte menor do que 1 cm e em alguns casos o tratamento pode ser feito com anestesia local.


Q UALI D A D E

Baía Sul Hospital Dia investe em nova Central de Materiais e Esterilização

Mais segurança para as cirurgias O

Baia Sul Hospital Dia investiu R$ 850 mil na nova Central de Materiais e Esterilização (CME). As melhorias ampliaram a capacidade de atendimento do hospital e promoveram uma melhora significativa no serviço, tanto no aspecto de segurança e atendimento às normas da Anvisa, quanto na diminuição do tempo de esterilização. “A limpeza, desinfecção e esterilização dos instrumentais e equipamentos têm uma grande importância, pois é o que garante a segurança dos procedimentos cirúrgicos”, observa a infectologista Ivete Masukawa, responsável pelo Controle de Infecção em Unidade Cirúrgica, do BSHD. Pela sua importância, a médica compara a CME ao “coração” do hospital. “Para garantir seu bom funcionamento e a esterilização dos equipamentos fazemos todos os testes biológicos e físico-químicos e, além disso, estamos sempre atentos às inovações tecnológicas do setor, pois estamos cientes que oferecendo segurança, estaremos diminuindo o risco de infecções”, acrescenta. A nova estrutura conta com autoclave a vapor, autoclave a vapor e formaldeído, termodesinfectora para a reali-

zação da lavagem dos materiais, secadora de traquéias, e há previsão de ampliação para a aquisição de uma autoclave de peróxido de hidrogênio, um dos mais modernos equipamentos na área. Tudo isso para buscar maior flexibilidade para esterilizar os mais diversos tipos de materiais e equipamentos, com autoclaves adequadas para cada tipo de material. Além disso, para garantir a eficiência do processo, a nova CME contará com um sistema de osmose reversa, que fornecerá a água com as características necessárias e adequadas para o uso dos novos equipamentos. A qualidade da água beneficiará a vida útil dos materiais esterilizados, evitando corrosão e outros efeitos indesejáveis. O estudo de planejamento dos fluxos e de ampliação dos serviços, assim como a determinação dos investimentos, foi realizado por uma equipe multidisciplinar, formada por gestores, médicos, enfermeiros, arquitetos e engenheiros, e coordenado pela Gerente Administrativa de Financeira do BSHD, Clarisse Lira, que contou com a assessoria técnica da Technocare Engenharia Clínica.

Investimentos na nova CME chegaram a R$ 850 mil

Os equipamentos utilizados são da empresa italiana CISA Brasille, com filial em Joinville. A empresa produz equipamentos com certificações em organismos de controle e segurança internacionais e todos eles passaram por diversos testes e validações antes de serem usados. A CISA Brasille também foi responsável por coordenar o treinamento da equipe da CME, que foi devidamente capacitada para atender da melhor forma possível as necessidades da Central. NOSSASAÚDE | M A I O 2 0 1 0

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E S PE C IAL

Tratamentos de Vanguarda Centro de Infusão de Medicamentos é novidade no Baía Sul

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Baía Sul Hospital Dia inaugurou em maio o Centro de Infusão de Medicamentos. A novidade será uma importante ferramenta auxiliar dos médicos no tratamento de doenças como o lúpus, a artite reumatóide, as inflamações crônicas intestinais, a psoríase, entre outras. São as chamados doenças autoimunes, que exigem tratamento contínuo e podem ser controladas. A opção de tratamento mais adequado varia caso a cada – há pacientes que passam por tratamentos com medicação oral e outros ainda que usam os medicamentos aplicados pelo processo de infusão (injeção intravenosa). Justamente esse serviço que será oferecido no Centro de Infusão do Baía Sul Hospital Dia. “Iremos disponibilizar aos pacientes infraestrutura, pessoal preparado e a logística ideais para tratamento clínico de pacientes eletivos”, afirma o Diretor Técnico do Hospital, Carlos Gilberto Crippa.

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NOSSA SAÚDE

Os centros de infusão possibilitam um tratamento especializado e diferenciado. Neles o paciente fica algumas horas sob supervisão enquanto recebe os medicamentos. Isso garante maior segurança e eficiência em todas as etapas do tratamento, desde a manipulação e dosagem das medicaçãos até o acompanhamento do processo de aplicação. Entre as vantagens também está o atendimento em apartamento individual e a realização dos procedimentos em ambiente controlado e com supervisão médica. As prescrições médicas são criteriosamente seguidas por uma equipe multiprofissional qualificada.Os tratamentos são agendados com antecedência por meio de apresentação de receita expedida pelo médico solicitante com data de aplicação e alta Hospitalar do paciente prevista para o mesmo dia da aplicação Isso é importante para reduzir ao mínimo o risco de infecções, um problema para pacientes que estão com a imunidade diminuída.


Novo Centro de Infusão já está em operação

Patologias tratadas no CI »» Reumatologia Artrite Reumatóide, Artrite Psoriásica, Espondilite Anquilosante, Osteoporose, Doença de Paget, vasculites, Lupus Eritematoso Sistemico »» Dermatologia Psoríase, Dermatite Herpetiforme. »» Gastroenterologia Doença de Chron , Retocolite Ulcerativa,Hepatite Auto-imune. »» Neurologia Polineuropatias inflamatórias/auto imunes,Esclerose Lateral Amiotrofica, Esclerose Múltipla. »» Pneumologia Doença inflamatórias pulmonares.

Melhor qualidade de vida Doença crônica que não coloca em risco a vida do paciente, a psoríase caracteriza-se pelo aparecimento de manchas e placas avermelhadas, descamação (às vezes pequenos ferimentos) e coceiras em pontos localizados da pele. Por isso, muitas vezes compromete a vida social dos pacientes. O primeiro tratamento indicado é tópico (com uso de hidratantes e pomadas, por exemplo). Para alguns casos existe ainda a opção da fototerapia. No caso de pacientes com psoríase moderada ou grave que tenham contra-indicação ou falha ao tratamento tradicional, o Consenso Brasileiro de Psoríase (2009) indica o uso da terapia biológica administrada por infusão ou aplicação subcutânea de medicamentos. “O mais importante

»» Hematologia Anemia Ferropriva,Trombocitopenia Idiopatica.

é que, independente do tratamento adotado, o paciente deve continuar a fazê-lo mesmo que aparentemente livre das indesejáveis lesões cutâneas. Por tratar-se de doença crônica, a suspensão do tratamento implica invariavelmente em recidiva”, alerta o dermatologista Daniel Holthausen Nunes. A psoríase afeta de 2% a 3% da população e na maioria dos casos (cerca de 75% do total) é classificada como leve. Entre os fatores que podem desencadear a psoríase estão o estresse, infecções, uso de medicamentos betabloqueadores e traumas na pele. Os tratamentos visam o controle das lesões cutâneas e contemplam a diminuição dos riscos das comorbidades associadas, assim como a melhora na qualidade de vida.

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E S PE C IAL

Possibilidade de remissão da doença O surgimento de novos medicamentos de eficácia comprovada, entre eles os agentes biológicos, vem dando novas esperanças aos pacientes com artrite reumatóide. Esta é uma doença crônica de causa autoimune que afeta cerca de 1% da população adulta, e acomete duas a tres vezes mais as mulheres. Caracteriza-se por uma inflamação do tecido sinovial, a qual se não tratada de forma adequada causa destruição articular. Artrite reumatóide induz significativo impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes e dos seus familiares. O fundamental, segundo o Presidente da Comissão de Artrite Reumatóide da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Ivânio Alves Pereira, é iniciar o tratamento o mais cedo possível, já que muitos pacientes evoluem com deformidades importantes e irreversíveis quando o tratamento é instituído apenas na fase tardia da doDr. Yvânio Pereira ença. Além das deformidades articu-

A infusão de medicamentos pode ser uma auxiliar importante também no controle de crises de doenças neurológicas imunomediadas como a esclerose múltipla, a miastenia gravis e algumas polineuropatias. Em situações específicas, quando é importante controlar uma eventual complicação da doença, a infusão de corticóides e alguns imunomoduladores pode ser feita em sessões únicas ou que se repitam por até cinco dias. Segundo o neurologista Ylmar Correa Neto, os medicamentos controlam os sintomas acentuados na crise e ajudam a evitar seqüelas mais graves. As doenças neurológicas imunomediadas são associadas a disfunção do sistema imunológico do indivíduo. De difícil diagnóstico, exigem acompanhamento constante – e por isso os pacientes cos-

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NOSSA SAÚDE

lares, pacientes com artrite-reumatóide avançada e doença não controlada apresentam maior chance de incapacidade e maior risco de mortalidade prematura, principalmente de causa cardiovascular, pela inflamaçao sistêmica cumulativa e consequente lesão endotelial vascular e aterosclerose acelerada. Atualmente os resultados com o tratamento precoce são bastante animadores, com possibilidade de remissão da doença, porém estudos realizados mostram que menos de 50% dos pacientes com artrite reumatóide têm o seu diagnóstico estabelecido e o tratamento iniciado com menos de três meses de início dos seus sintomas, diz Pereira. Para mudar essa realidade, são necessárias campanhas educacionais com informações que permitam a suspeita clínica da artrite reumatóide em sua fase mais inicial. Alguns sinais de alerta que devem levar o paciente ao consultório médico são: dor articular acompanhada de aumento de volume; presença de rigidez matinal maior que 30 minutos e persistência da dor em repouso. Também merecem atenção a presença de mais de uma articulação afetada e o envolvimento de articulações de punhos e pequenas articulações de mãos e pés. O diagnóstico de artrite reumatóide se baseia na combinação de aspectos clínicos e laboratoriais, muitas vezes com auxílio de exames de imagem.

Controle dos sintomas tumam ser avaliados periodicamente por um mesmo profissional médico. Na esclerose múltipla, por exemplo, as defesas do organismo atacam o sistema nervoso central. Os principais sintomas são surtos de fraqueza, alteração do equilíbrio, sensibilidade ou alteração visual. Já as polineuropatias atingem os nervos periféricos causando fraqueza e formigamento nas extremidades dos braços e pernas. A miastenia gravis atinge a junção entre nervos e músculos e provoca fraqueza nos braços e pernas e dificuldades na deglutição e respiração.


ENTRE V I S TA

Dr. Carlos Gilberto Crippa, Diretor Técnico do Baía Sul Hospital Dia, abriu o evento sobre agentes biológicos

A eficácia dos agentes biológicos em debate Novas alternativas para tratar doenças crônicas como a psoríase, lúpus, inflamação intestinal e artrite reumatóide foram o tema do I Encontro Multidisciplinar Sobre Segurança e Eficácia dos Agentes Biológicos nas Doenças Imunomediadas, realizado em maio, na Capital. Estas são as chamadas doenças autoimunes (que o próprio organismo produz) e que podem ser controladas, mas exigem tratamento contínuo. O evento, promovido pelo Baía Sul Hospital Dia marcou o início do funcionamento do Centro de Infusão de Medicamentos do hospital. No local, os pacientes permanecem algumas horas sob supervisão de uma equipe multidisciplinar de especialistas, enquanto recebem a medicação. “Estamos modernizando nossa infraestrutura para que os pacientes possam contar com conforto, segurança e pessoal preparado para atendê-los”, afirma o diretor técnico do hospital, Carlos Gilberto Crippa. Para o tratamento destas enfermidades, os pacientes usam a medicação oral ou as aplicadas pela infusão (injeção subcutânea ou intravenosa). O evento contou com a palestra de quatro especialistas, que relataram as experiências em suas áreas e os benefícios aos pacientes submetidos ao tratamento. O encontro teve a participação do reumatologista Ivanio Pereira, o dermatologista Daniel Holthausen, o gastroenterologista Luciano Saporiti e o neurologista Ylmar Correa.

“Nosso lema é a satisfação do cliente” Entrevista com Sérgio Azoury Galvão, diretor de gestão da rede referenciada da Bradesco Saúde Nossa Saúde |Fale sobre a atuação da Bradesco Saúde. Sérgio Azoury Galvão | A Bradesco Saúde está presente em mais de 3 mil municípios do Brasil, conta com uma rede de 51 mil médicos, dentistas, hospitais, clínicas e laboratórios. A empresa é líder no segmento de seguradoras de saúde e com posição de destaque no mercado brasileiro de saúde suplementar. São 2,6 milhões de segurados, ao que se somam os mais de 1,5 milhão de segurados dos produtos Bradesco Dental. Nos planos odontológicos, caso considerado o negócio da Odontoprev como um todo, são mais de 4 milhões de beneficiários das duas empresas. NS |Quais os planos para 2010? SAG | O nosso compromisso é superar o desempenho de 2009 quando crescemos a carteira de saúde em 180 mil segurados e a carteira dos produtos Bradesco Dental em 330 mil beneficiários. Também vamos investir em sistemas de dados que ampliem as informações estruturadas para a clientela corporativa. NS | De modo geral, qual sua percepção do trabalho do BSHD?

Sérgio Azoury Galvão, do Bradesco Saúde

SAG | A percepção é muito positiva. Consideramos o Baía Sul Hospital Dia um parceiro que apresenta uma qualidade diferenciada e práticas de gestão adequadas. NS | Como a empresa lida com os crescentes custos dos serviços de saúde? SAG | Operadoras e prestadores de serviços estão tendo que lidar com a questão do aumento de custos em níveis superiores à inflação, em função da velocidade da introdução de tecnologias de saúde e de medicamentos de última geração. E o aumento de custos não tem encontrado contrapartida no orçamento das famílias e empresas. Portanto, o grande debate e as soluções para essas questões passam hoje, necessariamente, pelo alcance do melhor custo possível para ambas as partes. NOSSASAÚDE | M A I O 2 0 1 0

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ARTIGO

O casal chega ao consultório com a angústia de não conseguir ter um filho, depois de uma ou de várias tentativas, todas em vão. A mulher não chegou a engravidar ou, nas vezes em que conseguiu ficar grávida, perdeu o feto em abortos espontâneos.

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ginecologista parte, então, para a investigação das prováveis causas da infertilidade, como uma endometriose grave, ou trompas obstruídas ou, no caso masculino, uma oligospermia, azoospermia ou astenoespermia. E se não encontra nenhuma alteração, geralmente encaminha o casal para uma clínica de reprodução assistida. E é aí que pode estar o problema. A boa parte dos casos de infertilidade não tem causa aparente; são os casos classificados como “infertilidade de causa desconhecida”.

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NOSSA SAÚDE

A influência imunológica no aborto de repetição

Por Ricardo M. de Oliveira, diretor médico da RDO Diagnósticos Médicos, de São Paulo Na maioria das vezes, a origem desse problema é imunológica, o que significa que as ferramentas de reprodução assistida adotadas convencionalmente não serão a solução. A fertilização está indicada na infertilidade de causa conhecida – o homem vasectomizado ou a mulher com trompas obstruídas, e assim por diante. Quando o problema é imunológico, a mesma alteração que impede a mulher de engravidar espontaneamente também fará com que o embrião não seja implantado no útero. A grande arma do ginecologista é a série de exa-

mes laboratoriais, mas a história clínica da paciente também pode dar pistas da presença de problema imunológico, como a trombose. As trombofilias que podem levar a uma trombose placentária, por exemplo, são as causas mais freqüentes de falhas de implantação e de abortos de repetição. Aliás, a paciente que teve uma trombose ao longo da vida precisa ser tratada também durante a gestação, independentemente do resultado de exame, porque sua história clínica já indica uma tendência de problema imunológico.


Outro indício de alteração imunológica é a presença de problemas tiroidianos, principalmente o hipotiroidismo, em que se desenvolve o anticorpo antitiroidiano. Não se sabe exatamente o porquê, mas a sua presença está associada a falhas de implantação e a aborto. O estudo da placenta do aborto dessas pacientes revela um processo inflamatório muito intenso, indicativo de uma associação indireta desse anticorpo com um processo inflamatório. O índice de incidência é alto: ocorre em quase 20% das mulheres. E, segundo ele, não é incomum ouvir pacientes dizerem: “Mas eu falei para o meu médico que eu tinha problema de tiróide e ele me disse que não tinha importância”. A última vilã é a endometriose, uma patologia que traz muitas alterações imunológicas. Às vezes, a mulher apresenta infertilidade não por causa da endometriose em si, mas devido às alterações imunológicas presentes na doença. A cirurgia, entretanto, não é obrigatória. Conforme o caso é melhor nem operar, mas tratar os fatores imunológicos de modo a conseguir que a mulher engravide. Mesmo porque, quando engravida, a paciente com endometriose melhora da doença.

Alternativas de tratamento As alterações imunológicas são tratadas com medicações, quando não há necessidade da imunização, que é indicada para os casos em que a mãe não produz anticorpos bloqueadores que previnem a rejeição do feto, o que leva a abortos repetidos. A vacina é feita com concentrados de linfócitos paternos, um estímulo dez mil vezes superior ao nível normalmente encontrado inicialmente na gestação. Não há diferenciação entre tratamentos para abortos de repetição e falha de implantação.

A tendência atual é considerar todas as pacientes com infertilidade de causa imunológica como abortadoras. A mulher que alega dificuldade de engravidar pode estar abortando em uma fase da gestação em que esta é imperceptível, como é o caso das duas primeiras semanas de gestação. Quando o organismo impede o implante do embrião, o que ocorre também é um aborto, teoricamente, “um aborto pré-implantaciona”, se pudéssemos definir dessa forma. Quando não provocam abortos, as alterações imunológicas podem ser responsáveis por gestações complicadíssimas, com a ocorrência de hipertensão e pré-eclâmpsia, por exemplo,muito associadas à trombofilia. A gestação, em si, já coloca a mulher em um estado de hipercoagulação – a gestante apresenta dez vezes mais chance de ter uma trombose em relação à não gestante e a doença se agrava naquelas com predisposição ao problema. Pacientes de maior risco

de trombose, por exemplo, devem ser medicadas até dez semanas depois do parto, uma vez que as alterações produzidas pela gestação se mantém por até oito semanas após esse evento. A possibilidade de o ginecologista atuar preventivamente vai muito além desse tratamento no pós-parto. A observação de certos cuidados pode proteger a paciente nas diferentes fases da vida: desde o início da vida sexual até a maturidade, ou a chegada da menopausa. Entre esses cuidados, a investigação de alterações genéticas que predispõem à trombose é o mais importante. O ideal seria o ginecologista pedir ao paciente ao menos estes dois exame - a mutação do gene do Fator II (Protrombina) e a mutação do gene do Fator V (Leiden). Eles indicam se a paciente pode tomar pílula anticoncepcional sem correr risco de vida em decorrência da trombose. Também informam se o médico terá de entrar com o anticoagulante já na primeira gestação para evitar que a paciente aborte e, ainda, se o tratamento na menopausa terá de ser feito de forma diferenciada. Além disso, ajudam a prevenir a maior causa de óbito entre as mulheres na idade avançada, a doença cardiovascular. É preciso tomar cuidado para que a paciente não tenha fatores desencadeantes de trombose, orientá-la a ter hábitos de vida mais saudáveis e, talvez, até a tomar um comprimido de antiagregante plaquetário por dia, o que resolve o problema e é algo simples. Tais cuidados mostram que a dificuldade de engravidar não é o único problema a ser considerado quando há fatores imunológicos envolvidos, mas a saúde da mulher como um todo. Não conseguir engravidar e ter abortos de repetição é sinal de que algo vai mal com a saúde e pode representar risco sério de problemas no futuro. NOSSASAÚDE | M A I O 2 0 1 0

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Baía Sul Hospital Dia Rua Menino Deus, 63 – 88020-210 Centro – Florianópolis – SC – Brasil (48) 2107 2222 secretaria@baiasulhospitaldia.com.br www.baiasulhospitaldia.com.br www.bshd.com.br


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