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Bengal's Quest Série Castas 29 LORA LEIGH

Era uma sombra, sempre em movimento e insinuante, capaz de se misturar em todas as partes e em qualquer lugar. O ideal indescritível, concebido e criado pelo Conselho de Genética, tinha vários nomes assim como muitas identidades — a última era Gideon. Agora se fazia chamar Graeme, escondia-se à plena vista, assustadoramente perto de seu objetivo. Um Bengala astuto, leal apenas a si mesmo. E com uma necessidade de vingança que crescia quente e rapidamente através de suas veias. Graeme planejava exigir vingança extrema e impiedosa contra Castas e humanos por igual. Todos iriam sofrer sua ira: os que o criaram, os que pensou amar e os que o traíram. Tinha inclusive um no centro de tudo: uma sedutora, enigmática mulher indefesa contra o homem cujo desejo era tão desesperado como sua necessidade de destruir. E era sua essência...


Crie condições Encontre sua montanha e dê o primeiro passo... Escale-a. Encontre sua canção e dê o primeiro fôlego... Cante. Encontre sua história, pegue uma pluma... Escreva-a. Encontre esta foto perfeita, câmera a mão... Tire-a. Qualquer que seja seu sonho, onde quer que esteja, estenda a mão para ele... Viva-o. Suba a montanha. Cante sua canção. Escreva sua história. Tire esta foto. Viva este sonho. Faça agora, antes de perceber que o tempo para isto já passou. O Mundo dos Castas Não são metamorfos ou homens lobos. São experimentos de engenharia genética. Criados para serem super soldados e ratos de laboratórios desenvolvidos e necessários para investigações sobre novas terapias com medicamentos para a população humana. Eles não foram criados para serem livres. Nem sequer foram criados para viver. Existiam para servir aos homens e mulheres que os criaram, os torturaram, os encheram de raiva e fome pela liberdade. Agora são livres, estão vivendo e se adaptando ao mundo, e suas companheirasardendo. PRÓLOGO Centro de Pesquisa Brandenmore Instalações do Centro de Investigações Genéticas Cat ficou olhando a parede branca da cela onde cresceu e gritou. Ela não havia chorado em muito tempo.


Doía em G quando chorava, assim parou de chorar quando sentia medo, quando tinha apenas cinco anos. Tinha doze agora e mesmo com as medicações que doíam muito, ela não chorava. Isto doía mais que os medicamentos, no entanto. Este dano era pior inclusive que quando ela implorou a G para deixá-la morrer. Devido a que G desapareceu. Ao menos os alarmes estavam em silêncio. Alarmes que ela e o único outro ocupante da cela ativaram. Primeiro, o pai e a mãe de Honor a levaram para casa. Agora disseram que G se foi, que fugiu. Mas G não era umacriança e não teria fugido sem ela e Judd. Ele não teria feito isto. Ela sabia que não o faria. E seu ursinho de pelúcia se foi também. G apenas a deixou ter o ursinho quando ela voltou de seus experimentos e todo seu corpo se sentia como se estivesse sendo rasgado. Então ele a deixava abraçá-lo como ela fazia com ele. —Ele levou meu ursinho. — Sussurrou. — Deve estar muito assustado, Judd. Deve ter descoberto que os homens de roupas pretas iriam levá-lo. Judd era umCasta Bengala, como era G, mas G disse que o Bengala de Judd estava dormindo. O Dr. Foster disse que estava emparedado. Às vezes G tentava explicar as coisas à ela como se ela fosse pequena. Ela havia crescido. Sabia muitas coisas. E sabia que Judd estava deixando seu Bengala dormir. Não estava acordado porque ele não o permitia. Judd era tranquilo, no entanto. Com os cabelos negros suaves e muito profundos olhos verdes. Ele parecia ter um maravilhoso bronzeado, mas esta era a cor de sua pele. Uma cor que a maioria dos Castascompartilhava. Era tão alto como G, ainda que não com tantos músculos duros. Observava tudo, todo o tempo que G explicava as coisas para ele, mas Cat sabia que eram coisas que Judd já havia entendido. —Os homens de roupa preta não o levaram, Cat. — Deitou-se em sua própria cama simplesmente olhando o teto como sempre fazia. Ele disse uma vez que se olhasse forte o suficiente, então sua mente os levaria a lugares onde poderiam correr livres. Ela nunca foi capaz de fazer isto, sobretudo porque G simplesmente estava conversando com ela, contando coisas que ele disse que teria que se lembrar. Mas se lembrava de tudo o que ouvia e tudo o que via. G apenas tinha que dizer as coisas uma vez.


Coisas como, se os homens de roupa preta viessem por ela, não era para ficar com medo. Não deveria lutar contra eles, simplesmente deveria ficar tranquila, porque ele a salvaria antes da hora de dormir. Os homens de roupa preta levaram todas as pessoas mais velhas que estavam tomando as medicações em anos. O Dr. Foster ficava muito triste quando iam e ela o ouviu dizer a G que ao menos não seriam machucados nunca mais. —Os homens de roupa preta o levaram, Judd. — Ela apertou os braços ao redor de seus joelhos para se manter em movimento para frente para trás. — Meu ursinho se foi. — E ela precisava de seu ursinho de pelúcia quando G não estava. Ela estava com tanto medo. —G não faria isto a menos que sentisse medo. —Gideon não tem medo, Cat. — Lembrou. Disse-lhe isso muitas vezes ao longo dos anos. —Ele não nos deixaria. — Ela sabia que não o faria. G a amava e sabia que amava Judd também. Tinha que levar Judd também, porque sabia que nunca o deixaria para trás, para sofrer. —Eu quero G. — Sussurrou ela, seu fôlego preso, o medo que sempre ameaçava se apoderar dela arrastando-se agora. — Levaram-no para longe de mim, Judd. Porque o levaram para longe? Eu preciso de G. Soluços silenciosos sacudiram seus ombros, não se atrevia a deixar os cientistas ouvirem seu choro. Eles iriam castigá-la muito duro. Dariam a ela esta horrível droga que a prendia dentro de sua própria mente e a deixava louca com a dor que infringiam. —Gideon fugiu, Cat. — A voz de Judd era oca, uma renuncia. — Tem que aceitar isto. Não sei porque levou o urso de pelúcia, mas sei que os soldados não o pegaram. Precisava de G. Ele a protegia. Ele fazia o inferno mais suportável e lhe dava esperança. E Judd estava errado. G não a deixaria. Apenas não o faria. G sabia que não tinha nenhuma outra pessoa. Não tinha ninguém, apenas G... Quatro meses mais tarde.... Levaram G, agora estavam levando ela e Judd. Cat observou os homens nas roupas pretas à medida que avançavam do corredor para a cela. Não havia ninguém no Centro de Pesquisa, apenas ela e Judd. Eles os levariam, sabia disso. Ela foi a que chamaram de uma decepção na última terapia.


—Lembre-se Cat, não lute. Mantenha a calma. — Judd murmurou quando ficou de pé ao seu lado. — Não diga nada. Não lhes diga nada. Mas G não os salvaria. Judd pensava que sim, mas como poderia, quando os homens de roupa preta os levariam e os colocariam para dormir? Não iria lutar, no entanto. Ela prometeu a G que não lutaria no Centro. Esperaria. Observaria. Se ele não aparecesse, na primeira oportunidade depois que saíssemdo laboratório, ela fugiria. Prometeu que aproveitaria a oportunidade. Ela tentaria fugir, como ele a ensinou. Ela iria fugir e se esconder, crescer e aprender o resto das lições de luta. Quando soubesse tudo, então iria averiguar quem deu a ordem para colocar G para dormir e este iria sofrer. Então, o que faria? Ela se perguntou. Porque não podia imaginar a vida sem G depois disso. —Me ouve, Cat? — Sua voz endureceu, soando quase como G. —Ouço. — Não havia tempo suficiente para dizer mais nada. Os homens de roupas pretas estavam na cela. Enfrentou-os, seus olhos planos e frios, sem piedade ou compaixão. A porta de metal se abriu sem fazer ruído. —Vamos, serão transferidos. — O mais alto anunciou quando se moveu até Judd. — Vire-se. Judd se virou, nem sequer tremeu, já que o prenderam com algemas de plástico nos pulsos. Virando-se Cat colocou as mãos atrás das costas também. Os dois homens começaram a rir. —Sim, é uma ameaça real. — O mais baixo zombou antes de bater em sua cabeça dolorosamente e a empurrar para a porta. — Não vou desperdiçar minhas restrições em você. Era um erro, mas ela não iria dizer a ele. Ela era muito pequena. Parecia frágil. Mas um animal se escondia em seu interior. Um que não esperavam e para o qual não estavam preparados. Um decidido a viver. Quatro horas mais tarde. Em alguma parte nas montanhas em Pensilvânia. Judd se perguntou se deveria estar em choque. Ficou olhando o guarda que entrou na parte posterior da caminhonete com eles. Estava deitado no chão, o lado de seu pescoço desgarrado enquanto olhava para o teto da caminhonete sem ver.


Cat não foi desordenada a respeito. Moveu-se tão rápido, com tal precisão mortal, com pequenos dentes e garras afiadas, que no início Judd tinha certeza que imaginou o que estava vendo. Até que ela alcançou o cinto do guarda, recuperando o dispositivo de liberação e afrouxou as restrições dos tornozelos e dos pulsos de Judd. Ela voltou para o banco estreito, aconchegou-se no canto e ficou olhando pela janela estreita onde a paisagem passava como uma bruma nas sombras noturnas. —G disse que deveríamos nos preparar. —Sussurrou. — Nós só teremos uma oportunidade de fugir. Ela ainda acreditava que Gideon iria voltar por ela. Ninguém foi capaz de convencê-la de que Gideon fugiu e deixou Judd e ela ali sozinhos, até poder organizar junto com o Dr. Bennett, o novo diretor do Centro, a transferência para as instalações de eutanásia. O que faria quando descobrisse que Gideon estava realmente vivo? —Cat, ouça-me. — Ajoelhou-se junto a ela e cuidadosamente Judd estendeu a mão, tocou seu rosto sujo e virou-o para ele. Gideon iria ficar uma merda. Os técnicos do laboratório não permitiram a Cat tomar um banho adequado desde a fuga de Gideon. Seu cabelo parecia cordas sujas e seu rosto e mãos estavam piores. —Gideon estará aqui... Ela balançou a cabeça com força. — Ele não me deixaria assim. — Diminutos dedos se fecharam em punhos. — Ele não me deixaria Judd. —Para salvá-la, ele iria deixá-la Cat. Um grunhido selvagem e diminutos incisivos o fizeram afastar a cabeça para trás instintivamente, olhando-a com choque. —G não faria isto! — A dor em seu rosto, em seus olhos, rompeu seu coração. — Ele não me deixaria. Nunca. E não iria tirar meu ursinho de mim ainda que o fizesse. Sim, o faria, se houvessem dezenas de nano chips escondidos nele com informação que roubou nos últimos anos. Inúmeros experimentos, codificações genéticas e pesquisas sobre Castas estavam dentro deste pequeno urso em pedaços. Não havia tempo para explicar tudo isso, no entanto. Estava sem tempo. O disparo de advertência de Gideon soou e iluminou o céu noturno como quatro de julho. Jogando Cat no chão, Judd cobriu seu corpo leve com o dele, lembrando-se da advertência de Gideon claramente. Se Cat recebesse um arranhão, então ele tiraria a pele de Judd. Judd teria preferido que ela se arranhasse a sentir a desilusão quando percebesse o rapaz que iria resgatá-los.


***** G. Ele realmente fugiu. Fugiu dela e agora estava morrendo. —Perdeu muito sangue, Judd. — Ela estava desesperadamente tentando deter o fluxo em seu peito e enquanto olhava para ela, inclusive a parte branca de seus olhos ficou manchadade âmbar com verde. — Precisa de uma transfusão. —Não... — O tom da voz de G era horrível. Ela o olhou em estado de choque. Nunca foi umCasta razoável, mas isto era loucura. Levantando o olhar para o Castana frente dela, ela rogou em silêncio que ignorasse o comando doCasta que ambos haviam aceitado livremente como seu Alfa anos antes. —Se morrer, nunca o perdoarei. — Soluçou quando Judd deixou cair a cabeça, ignorando seu olhar implorando. — Ouviu Judd? Nunca te perdoarei. —Vou te matar. — G ofegou, o calor do sangue fluindo em suas mãos. —Não faça isso Gideon. — Judd devolveu o olhar agora, seus olhos verdes como jade, como uma chama intermitente nos olhos de um gato, o que nunca viu antes. — Por favor, não faça com que seja assim. —Você sabe que não pode acontecer. — G tossiu. —G, por favor. Não pode me deixar sozinha. — Rogou desesperadamente, suas lágrimas misturando-se com seu sangue enquanto tentava fazê-lo entender. — Mentiu para mim G. Deixou-me sozinha uma vez. Não me deixe agora. Não posso viver se me deixar assim. Os soluços percorreram seu corpo, estremecendo enquanto ela chorava. Precisava fazê-la entender. —Eles virão atrás de nós. Como poderemos lutar sem você? Por favor, G. Não quero lutar sem você. —Minha pequena Cat. — Sua voz era tão fraca que a aterrorizava como tremia a mão, chegando a tocar as lágrimas caindo por suas bochechas. — Viva Cat. Por mim. Você prometeu. Ela prometeu a ele que viveria. Prometeu que nunca renunciaria a viver. —Não conta se me deixar. — Ela gritou para ele. — Não conta, G. —Conta... — Um grunhido furioso saiu de sua garganta ao sentir a pressão da seringa que Judd injetou em seu pescoço. — Não... bastardo!


— G gritou. Seu olhar virando-se para ela, fúria verde e pura acesa nas profundezas. — Eu o matarei, Cat. Faça isto e o matarei. Vou matar os dois. Ela afastou-se, vendo como seu braço caía sem poder fazer nada no chão, junto dele. Movendo-se rapidamente para ficar de pé, ela correu para o outro lado onde Judd estava pegando uma caixa que G trouxe. Com a caixa de primeiros socorros sentou-se ao lado do corpo estendido de G, preparando a transfusão. —Não. — G disse novamente. — Sem soro, Judd. Sabe o que significa. Não tinha ideia do que era o soro e não importava. Ela sabia que seu sangue ajudaria a curá-lo, isso era tudo o que importava. —Eu disse, o Dr. Foster estava errado. — Judd estava discutindo quandoCat se deitou junto a G e girou o braço para o outroCasta colocar a agulha de transfusão em sua veia. — Maldição Gideon. —Cat. — Ele grunhiu, fazendo-a virar o rosto para ele, olhando-o e percebendo que havia muito mais do que sabia. — Faça isto, Cat e vai morrer... — Grunhiu. —Eu te amo, G. — Sussurrou. Mais que tudo, amava G e não podia deixar que a abandonasse para sempre, sem importar o quanto poderia odiá-la. Olhando para trás sentiu pela primeira vez um brilho de temor pelo Bengalaque reivindicava como seu G. Verde encheu seus olhos, cobrindoo âmbar, borrando o negro e o branco de seus olhos. Era aterrador. —Nunca te amei. — Zombou dela quando sentiu a dor angustiante do humano em seu coração. —Porque acha que te resgatei? Você foi um experimento. Meu experimento. Isso foi tudo... —Deus, Gideon, cale a boca. —Judd grunhiu. Antes de Cat perceber o que pretendia fazer, deu mais a G da droga de paralisia, garantindo de maneira efetiva que o alfa não pudesse mais dizer asneiras. Mas era muito tarde, as palavras já tinham sido ditas, o dano estava feito. —Ainda te amo de qualquer forma. — Sussurrou, sentindo tanta dor que bloqueou suas lágrimas. Girando, Cat ficou olhando o céu estrelado e se obrigou a afastar. Judd lhe disse como forçava a si mesmo do horror dos laboratórios, livrando sua mente enquanto seu corpo ainda estava preso. Cat obrigou sua mente novamente a voltar às boas lembranças. Voltou ao som da voz, suave e terna de G quando sentia dor, aliviando-a deste horrível poço que sempre a esperava. Obrigou-se novamente à segurança e proteção do que sentia quando estava ali. Quando acreditou que pertencia à alguém.


Sim, acreditava que sim. Foi uma mentira, como tudo o mais foi uma mentira. O Dr. Foster disse uma vez que ela era o experimento de Gideon e ela não soube o que dizer neste momento. Agora sabia. Desde que G deixou o laboratório foi um experimento, apenas para ver se seu corpo poderia ser curado da enfermidade com a qual nasceu. Mas foi outro experimento também. Ela não nasceu uma Casta, foi transformada numa através dos experimentos. A dor horrível, as agonias duravam dias e dias. Passou de uma criança normal a uma com um animal escondido dentro dela. O experimento de Gideon, o Dr. Foster a chamou quando mais nova. G trabalhava com ele o tempo todo. Ele era mais esperto que todos no laboratório. O Dr. Foster disse que era mais inteligente até do que ele próprio. E o Dr. Foster era um criador deCastas. G colocou o animal dentro dela. Machucou-a como todos os cientistas, como o Sr. Brandenmore o fez. Ela apenas foi seu experimento... ****** Ela não se surpreendeu na manhã seguinte, quando acordou e viu que ele tinha ido embora. Onde esteve havia um pedaço de papel com seu nome. Fuja Judd, tire seu maldito traseiro daqui. Leve-a. Quando eu me curar, vou encontrá-lo. E vai morrer. Ambos morrerão. Vou arrancar a pele de seus ossos e farei com que se arrependam do que fizeram. O restante da carta deixou sem ler. Dobrou-a e entregou em silencio para Judd, ficando de pé e começando a recolher as coisas espalhadas e as mantas, colocando tudo nas mochilas. Ao menos G lhes deixou as mochilas. —Você leu isto? — Judd perguntou atrás dela. Cat assentiu. —Você entendeu, Cat? — A doçura em sua voz deveria tê-la surpreendido, mas não acreditava que algo mais pudesse surpreendê-la. Ela encolheu os ombros. — Não sou estúpida. Sou inteligente, lembra-se? G se assegurou disso. Sempre disse isso à ela, que tinha certeza de que era esperta, mais inteligente que qualquer outro se não houvesse ficado doente quando nasceu. —Sim. — Ele suspirou. — G se assegurou disso. Soava tão triste, quase tão triste como se sentia. Quase. Dentro de seu coração estava tão triste que só queria fechar os olhos e sonhar que


não aconteceu nada. Mas não podia fazer isto. Não podiam ficar ali. Se G voltasse, mataria Judd e a ela. G sempre cumpria suas promessas. —Você era um experimento também, Judd? — Ela se virou para ele lentamente, sem entender realmente seu papel no Centro de Pesquisa. Um sorriso irônico curvou os lábios doCasta. —Sou seu irmão, Cat. — Disse finalmente, suspirando pesado. — Mas que me matem se sei o que sou para ele. O irmão de G. Inclusive Judd tinha alguém, ainda que fosse G. Ela não tinha ninguém.... CAPÍTULO UM Treze anos mais tarde Rock Window, Arizona O mundo a chamava de Claire. Uma vez, seu nome legal foi Fawn. Tampouco era na realidade seu nome verdadeiro. Quando conversava, conversava com ela, era Cat, uma cuidadosamente escondida, amadurecida Casta felina, pronta para saltar. Uma tigresa crescendo pouco a pouco, impaciente com os que a rodeavam e as maquinações que estavam acontecendo contra ela. Estava muito cansada de tudo isto. Da farsa de sua vida como uma garota que morreu na verdade anos antes, de se mostrar tranquila, estudiosa, sem coragem e com uma paciência infinita. Ela era corajosa. Uma vez, um geneticista e umCasta Bengala chamado Gideon, que ela chamava de G, se asseguraram disto. Ela tinha uma coragem de aço e estava se preparando para bloqueála em vez disso. —Claire deve voltar à custódia protetora. Com a prova que saiu à luz dos crimes de seu pai contra sua família — assim como a comunidade Casta — se converterá em um objetivo. — Jonas Wyatt, o diretor da Agência de Assuntos Casta, se dirigiu ao grupo reunido na sala de conferências do Hotel Navajo de Rock Window. Não era ruim, exatamente. Para não mencionar o fato de que era um objetivo desde a idade de doze anos. Não era nada novo para ela. Por alguma razão, este Casta Leão decidiu que era seu projeto favorito, no entanto. Desde que descobriu que seu pai, Raymond


Martinez, estava por trás do sequestro de sua própria irmã a mando do Conselho de Genética e depois de sua morte, o Castaera como uma sombra da qual não podia se livrar. Sem mencionar o fato dela ser a única isca que tinha para atrair uma criatura que ele ainda teria que descobrir, era muito perigoso para brincar de tal maneira. Jonas não se referia às suas preocupações com ela, no entanto. Estavam dirigidas aos membros da família de Claire. Os estranhos olhos prateados estavam cheios de preocupação na expressão que enrugava seu rosto bronzeado. Ele era tão sincero como um pastor alemão que pretendia sorrir a cada manhã. Este bastardo arrancaria um pedaço de sua pele na primeira oportunidade que tivesse, se permitisse. Não que Jonas quisesse a machucar, a menos que fosse por um bem maior. Ela estava era preocupada com este bem maior. —Parece a mim que a decisão deveria ser de Claire. — O novo Diretor da Divisão Ocidental de Assuntos Castas— um inferno de pedaço — Rule, o tio da verdadeira Claire Martinez, tomou a palavra neste assunto. Claire tinha um tio que era CastaLeão. Ow, não tinha sorte? Levantando o olhar para suas mãos onde as dobrou sobre a mesa, dirigiu seu olhar para Rule, que tinha olhos azuis, cabelo preto e se perguntou o quanto suspeitava, o quanto sabia. Um pouco, tinha certeza, ainda que duvidasse que tivessem contado tudo. —Concordo. — Seu avô, Orrin, tomou a palavra. — Ela quem irá limitar o período de tempo requerido. Deve decidir se isto é o que ela quer. Oh, isto era realmente bom. Orrin nunca concordaria que uma mulher pudesse tomar suas próprias decisões sobre sua segurança. Desde que sua filha adolescente desapareceu três décadas atrás. Se ela precisava da confirmação de que em silêncio estava sendo empurrada fora da família Martinez, então seu avô acabava de lhe dar. A dor no peito ficou nítida, a pesada carga de dor fundindo mais em seu interior. —Acho que Claire conhece os riscos. — Jonas sugeriu como se pudesse ler sua mente. Talvez pudesse. Ouviu dizer que tinha uns loucos poderes Castas. Quem sabia o que realmente podia fazer? —E estes riscos seriam? — O recém chegado ao grupo, umCasta Lobo, Lobo Reever, fez a pergunta com tal arrogância que teve que


reprimir a careta de desprezo. —Porque não explica antes de nos pedir para prender uma jovem, uma jovem que ao que parece, conheceu a prisão por toda sua vida, Diretor? Isto era tão bom, um clássico de G — oh, perdão agora era Graeme — era uma manobra, percebeu desde o momento que Reever entrou na reunião. Como se ela não soubesse onde o Bengala estava há meses. Que estava trabalhando justo debaixo do nariz de Jonas Wyatt, fazendo-se passar por algum gerente de segurança Casta Leão nas propriedades de Reever. Graeme Parker, seu traseiro. Um CastaLeão? De verdade? Como diabos conseguiu apagar seu verdadeiro cheiro? Mascarar o cheiro de seu Bengala com o de um leão era um golpe de gênio, tanto biologicamente quanto genético e não podia compreender. Sempre soube que era condenadamente inteligente para seu próprio bem, sempre superava suas próprias expectativas. Jonas não ficou contente com suas objeções. Sua expressão passou de interesse a pouco caso tão rápido que se perguntou se ela piscou. —Claire? Ao que parece querem sua opinião aqui. — A ironia sutil no tom de Jonas tomou a decisão por ela. Ele esperava que ela concordasse. Fizesse o que Claire sempre fez e concordasse com as decisões tomadas por sua segurança. Tinha certeza que Claire ainda vivia... não, ele sabia que não era Claire. Soube desde o inicio e simplesmente foi condescendente com ela, usando-a para atrair um Bengala que estava decidido a encontrá-la. Virou o olhar para os dois homens que tentaram protegê-la nos últimos treze anos, Orrin e Terran. Os homens que Claire chamou de avô e tio. Como desejava que fosse verdade e eles fossem dela para reivindicar. Como desejava que alguém, em algum lugar, fosse seu para reivindicar. O mais sensato, o mais inteligente a fazer, seria chegar a um acordo com ele. Estar sobre a proteção de umCastanão era tão ruim. Simplesmente era incrivelmente sem graça e impossível de escapar. Era limitada ao ponto de asfixiá-la. —Ela não é uma criança, Jonas. — Lobo falou, seus selvagens olhos verdes se estreitaram no Diretor. — Tenho certeza de que não aprecia como fala também. Jonas deslizou o olhar para Lobo, um leve sorriso nos lábios antes de voltar para Claire. A confiança arrogante em seu rosto a fez apertar os dentes. Na realidade pensava que seria fácil de controlar, que poderia


obrigá-la a falar a verdade. Ela já decidiu o curso ali, não poderia forçá-la a nada. —Não é uma criança, Lobo, mas diria que definitivamente está cansada de estar sob o polegar de seu pai. — A confiança brilhou em seu olhar estranho, tão seguro de que ela cairia em seu anzol e faria o que ele queria. Sabia quem era, o que era e ele acreditava que ela era fraca. Permitiu que acreditasse que ela era fraca, tal como permitiu aos outros acreditarem. O tempo para isto havia passado. Era o momento de deixar de fingir que era Claire e ser a pessoa, a Casta que foi criada para ser. Segurou o fôlego. Odiava isto. E iria causar mais problemas do que queria lidar neste momento, mas esta farsa já durou tempo demais. —Não sou uma marionete nem sua, nem de Raymond, senhor Wyatt. — Ficando de pé enfrentou os homens, os homens que se reuniram para decidir sobre sua proteção, assim como seu futuro, por ela. Como se não tivesse capacidade de fazê-lo por si própria. Ela teve o suficiente disso antes, antes que completasse oito anos. E apesar da necessidade de cautela ser superior, sem duvida, sua habilidade para fingir submissão já não existia. —Nunca imaginei que fosse uma marionete, mas acho que você e eu somos conscientes do fato de que a associação de Raymond com o Conselho de Genética é mais uma ameaça para você do que está disposta a admitir. — Era uma lembrança. Uma lembrança de que seu passado era conhecido por Raymond, assim como Jonas, sua verdadeira identidade uma fraqueza da qual não podia escapar. E uma que Raymond, sem duvida nenhuma já informou a quem estava dando-lhe dinheiro para ajudá-lo a exonerar as acusações que os Castastinham contra ele. A lista era longa. —Garota. — Orrin se levantou também, seu rosto enrugado, tranças grisalhas e um frágil corpo, uma lembrança de que a idade o levaria daqueles que tanto o amavam. — Você deve deixar que seu coração — como seu espírito —a guiem, não fazer como os que a amam querem que faça. Mas o perigo não é algo para enfrentar sozinha. — Disse. Sua voz era suave, mas ainda assim, a incentivava a enfrentar isto sem a família da qual dependeu como Claire Martinez. — Nunca enfrentará a vida ou qualquer perigo que encontrar sozinha. Outra lembrança, uma de treze anos antes. Havia os que cuidariam dela, que nunca a prejudicariam ante o perigo. Em todos os anos que esteve sob a proteção da identidade de sua neta, ela nunca pediu ajuda de nenhum deles.


—Orrin, respeitosamente, isto é uma merda. — Jonas se opôs abertamente, a ira rompendo sua voz com tanta força que chamou a atenção de toda a sala. Os olhos prateados pareciam tomados por mercúrio, escurecendo as pupilas negras, uma fúria primitiva que a teria afetado se não houvesse sido alvo de um olhar assim muito antes de vir para esta terra, no deserto. —Talvez Diretor, você seja quem está cheio de merda. — Orrin disse sem problemas, de nenhuma forma intimidado pelo Leão. — Este é o destino dela, não o seu. As perguntas que afirmou ter quando veio aqui foram respondidas. Você tem o que nos assegurou que estava buscando, as respostas sobre a saúde de sua filha. Pode ir embora agora. Da segurança e proteção dos nossos, podemos nos ocupar. A afirmação deliberada de Orrin encheu o ar de ira. A ira de Wyatt. —Mas não é um dos seus, verdade? Não importa o quanto diga ser. Quando irão parar as mentiras? — Suas mãos golpearam a mesa enquanto se inclinava para afrente, a visão de suas garras com as pontas cheias de sangue agora sobressaindo como uma garantia de que a genética primitiva que possuía agora estava subindo com força e rapidez dentro dele. —Acha que sou idiota? Imagina por um segundo que não sei quem e o que é? Ele a olhou fixamente, o conhecimento e a demanda queimando em seu olhar. Ele era de uma genética superior, este olhar parecia lhe recordar. Ela se submeteria. Seguiria seu exemplo. Ela o faria... diria para ir para o inferno se fosse continuar intimidando-a assim. —Você é um bastardo! Antes que ela pudesse conter o impulso, a tigresa que morava em seu interior, normalmente silenciosa e bem escondida, saiu de seu controle. Suas próprias garras surgiram antes que suas mãos batessem na mesa também. Podia sentir as marcas dos lados de seu rosto escurecendo sua pele, sentir as presas descendo, sentindo o animal se fundir com a humana. Choque encheu a sala. Satisfação encheu o olhar de Wyatt. Acaso acreditava que a manobrou com tal facilidade? Que ela não considerou as consequências do que acabou de fazer? —Você é uma fêmea Casta não registrada. — Jonas grunhiu, sua voz um chicote de dominação gelada. — Vai fazer o que é dito pelo único alfa reivindicando você. O único alfa reivindicando? Estava louco como o Bengala que ele estava perseguindo. Afortunadamente, ser reivindicada não significava que concordava.


Lobo ficou de pé, ainda que não com medo, nem sequer com cautela. Definitivamente interessado e algo de preocupação por ela, não dela. —Você não é meu alfa, Diretor. — Ela assegurou, seu tom agudo, melódico, em lugar do rouco como as vozes de muitos machos quando seus animais saiam livres. — Este cheiro de ordem, este olhar furioso de comando, não tem nenhum efeito em mim. Meu alfa me marcou há anos e nenhum outro pode usurpar seu lugar, não importa o quanto tentem. Ela aceitou seu alfa livremente quando a tigresa dentro dela se mostrou pela primeira vez. A marca da aceitação, não apenas por ela, mas pelo animal em seu interior não podia ser borrada, não importava o quanto tivessem tentado. —Um alfa que a quer morta. — O aviso foi dado com um desnudar de presas afiadas e um brilho de fúria. Bom, realmente não tinha que jogar em sua cara, verdade? Não que ela acreditasse que Graeme a queria morta, mas era a impressão que deu aos outros enquanto procurava por ela. Ela não achava agradável também. —Isso é o que acredita? — Ela abaixou a voz, um toque de diversão entre a ira. — Acredite em mim, Diretor, se meu alfa me quisesse morta, então eu estaria morta na noite que me encontrou quando chegou aqui. Você despertou o monstro, Diretor, em sua procura por mim e Honor. Agora nos encontrou. Mas acredite, ele nos encontrou primeiro e não fez nada, nenhum plano seu, não importa o quão profundo me enterrem, poderia afastá-lo de mim. Ela sempre soube isso, sempre aceitou. Não escondeu dela qual Casta era em essência quando a criou, desenvolvendo um soro genético que lhe salvou a vida. —Acredita que tem a intenção de que permaneça com vida? Você se engana com a crença de que realmente sentia algo por você quando criança? — Ele zombou novamente enquanto ela se endireitou, olhou para os dedos em garras e pouco a pouco retraiu as extensões afiadas até que sua aparente perfeita manicure estava em seu lugar novamente. Sangue ainda pingava das garras do Diretor na mesa. Duas lágrimas escarlates perfeitas. Levantando o olhar para ele, ela apertou os dentes, obrigou suas presas a se retraírem e com uma respiração profunda e baixa, conteve a genética que surgiu à sua ordem. Era uma habilidade da qual tinha muito orgulho. Nos últimos anos aprendeu como empurrar esta parte de si tão profundo que inclusive os Castas não podiam sentir sua mutação ou ela poderia chamá-los com seu cheiro de Tigresa Bengala.


Não havia umCastana sala que podia dizer que era uma fêmea Bengala que os enfrentou momento antes, estava completamente mascarado agora. No entanto, estava ficando cada vez mais difícil conseguir manter este pequeno truque a cada mês que passava. Maldições se reuniram na sala, ainda que Jonas permanecesse em silêncio, olhando-a, o cheiro da força e da ordem ainda tentando forçar sobre ela. Alfas se caracterizavam por sua capacidade para dirigir e por sua força. Estas duas qualidades tinham uma maneira de fundir-se em um cheiro particular que podia fazer com que outros Castas de caráter forte o seguissem ou forçar os mais fracos a fazê-lo. Cat não era uma Casta que poderia ser forçada até que ela quisesse ou permitisse tal coisa. Ela realmente não estava de humor para jogar este jogo, no entanto. —Acho que realmente não importa. — Assegurou. — Não vou me esconder por mais tempo. Sofri, como Honor, Judd e Gideon. Não vou sofrer ainda mais por tentar me esconder de meu destino. Ninguém se esconde de Gideon, Diretor. Isto apenas o fode, não sabia? Você o enfrenta, cospe em sua cara e reza para tê-lo divertido o suficiente para que quando finalmente aparecer não te mate. —Pode ser mais dramática? — Zombou olhando-a. — Não tem um alfa. Isto te coloca sob minha proteção, assim como minhas ordens. Você não é registrada, sem proteção e registro um alfa ou uma manada pode reivindicá-la. Você não tem ideia do que é negar a afirmação de qualquer alfa. Ela negou com a cabeça lentamente. — Sou uma tigresa Bengala, Diretor. Inclusive na natureza nenhum leão se atreveria a tentar intimidar uma criatura assim. Não sou submissa às suas ordens. Sugiro chamar isto de um empate. —Uma boa ideia. — Lobo disse, obviamente não muito satisfeito com as tentativas do Diretor de forçar sua vontade. — Inclusive se a marcar como alfa, tenho a sensação de que dentro dela não será suficiente para fazê-la obedecer seus desejos, Jonas, então vou respaldar como minha própria posição de alfa e dar-lhe lugar em minha manada. Ela não estará sozinha contra seus inimigos ou as tentativas de obrigá-la a aceitar suas decisões arbitrárias. A careta de Jonas aumentou enquanto olhava para Lobo Reever. — Seu acordo com o Tribunal Casta e a Agência de Assuntos Castas não se estende às decisões que tomo Lobo. — Informou a Lobo com desprezo gelado. — Esta não é sua luta. —Não há luta envolvida. — Cat respondeu, terminando com o maldito concurso machista de marcação de território que os dois Castasdisputavam. — Eu tomo minhas próprias decisões. Eu nem quero,


nem preciso de um homem que me respalde, seja Casta, humano ou algo intermediário. — Ela disparou a ambos os homens um olhar imperioso, decidida a deixar seu ponto claro. — Sou totalmente capaz de tomar decisões por minha conta, sem todo machismo e arrogância de umCasta, se não se importam. Jonas se virou lentamente para ela, o olhar que ela desconfiava fazia com a confiança de umCastamuito mais forte que ela murchasse. Afortunadamente, sua genética estava tão acostumada a isto que apenas arqueou a sobrancelha de forma irônica. —Acha que é igual a mim, verdade, pequena gata? — Zombou, o cheiro de seu desprezo, de seu preconceito, tão claro que a sufocou. Preconceito. Não era diferente do que os humanos sentiam contra os Castas. Ela não era uma Casta criada antes de nascer. No entanto, se esqueceu, ao que parece, de que ela não era a única. Ela balançou a cabeça novamente. — Sempre soube quem eu era e o que, Diretor. Eu sabia. Tenha cuidado com a forma de lidar com isto daqui por diante, no entanto, porque um dia sua filha pode descobrir o que pensa de uma fêmea que nasceu humana e foi transformada em Casta. Posso sentir seu ódio pelo que sou. Espero que nunca a faça se sentir assim. Virou-se e saiu da sala antes que seu choque pudesse se converter em raiva e a genética do animal crescesse sob a pele humana e se libertasse. Ele poderia dizimá-la e ela sabia. Sua formação, sua força, era muito superior à dela. Sempre soube isso e permaneceu às sombras por isto. Permaneceu ali, com a esperança de proteger alguém que não precisava de sua proteção e tentando negar a verdade para si mesma. G — Graeme agora — abandonou-a anos antes. Deixou-a com Judd para serem executados como cães doentes pelo Conselho de Genética e seus soldados. Obrigou-a a se esconder de uma maneira que apenas a feriu e de uma forma que deixou Judd completamente sozinho. Graeme era seu alfa; ele lhe devia seu respaldo, sua força. Em vez disso abandonou-a e estava decidido a destruí-la. Ele deixou que enfrentasse sozinha seu crescimento, sem um guia, para converter-se em uma mulher solitária, sem ninguém em quem se apoiar e a deixou fazer frente a uma vida fingindo ser alguém que nunca foi destinada a ser. Ela lutou sozinha durante treze anos, negando-se a pedir ajuda e apenas uma pessoa parecia perceber que a ajuda às vezes era necessária. A tranquila sombra que entrava e saía de seu quarto de vez em quando para entregar um balsamo curativo, um creme para um osso quebrado ou um doce


quando ela se sentia perdida em meio ao ódio que enfrentava a cada dia. Rara vez falava com ela, ela rara vez soube que estava ali até que acordava e encontrava os presentes. Dane Vanderale, aliado e defensor dosCastas, o herdeiro de uma fortuna que desafiava a crença, um enigma, inclusive para aqueles a quem ajudava. Especialmente Cat, porque ela nunca entendeu porque a ajudava. Fez o que seu alfa deveria ter feito, o que oCastaconhecido como Graeme deveria ter feito. Esteve ali quando ela precisou de ajuda e a ajudou em vez de destruí-la. E isto era exatamente o estava fazendo Graeme, destruindo-a. Desde o momento que a encontrou, cada movimento, cada manobra cuidadosamente calculada revelava quem e o que era, tomando até o último vestígio da proteção que construiu nos últimos anos. Para se assegurar que estava tão perdida e sozinha como se sentia. Uma vez que descobriu pelas buscas de Jonas que estava viva, a criatura enlouquecida em que se converteu começou a caçá-la. Enquanto estivesse sozinha, sempre e quando ela permanecesse escondida, ficava contido. Mas ela não permaneceu escondida do mundo. O Conselho de Genética começou a procurá-la e começou pela área onde desapareceu, mas nunca a identificaram apesar das ameaças de Raymond. Os que dirigiam o Centro de Pesquisa de Brandenmore, inclusive depois da morte do proprietário, queriam sua volta, ela sabia disso. Jonas Wyatt fez mais que se concentrar em sua última localização conhecida, no entanto. Mudou-se para Rock Window e começou uma busca concentrada, atraindo umCastaBengala enfurecido até ali, no entanto. Jonas sabia que dirigir qualquer busca relacionada com o Bengala, uma vez descoberto por Gideon, levaria o Casta até ali e sem duvida iria revelar as identidades de Honor e Cat, e assim obrigar Gideon a se revelar. Não se revelou, no entanto. Encontrou uma maneira de esconder-se à vista e logo começou a brigar por Cat com todas as armas que possuía. Tomou-a não só sob proteção, mas suas ilusões e crenças de que pertencia a si mesma. Seu alfa podia também querer vê-la morta. Mas neste ponto, ela responderia na mesma moeda. Agora era apenas uma questão de tempo antes de provavelmente se destruírem mutuamente. *****


—Você não tem que ir. — Terran Martinez estava na porta aberta do quarto, olhando-a com sombrios e escuros olhos, sua expressão pesada. Fez seu papel de tio, inclusive a protegeu desde que jurou tratá-la como uma filha. Durante treze anos se deixou fingir que tinha uma família, um lugar ao qual pertencia, apenas para perceber que não tinha tal coisa. Uma vez ela foi parte da extensa família Martinez. Suas primas Isabella e Chelsea a visitavam com frequência depois que ela se mudou com Terran vários meses antes, depois que Raymond, o pai de Claire, ser acusado de crimes contra a Lei dos Castas. A mãe de Claire, Mary; seu pai Raymond e seu irmão, Linc, de quem Cat realmente gostava, deram as costas a ela poucos dias depois das acusações serem formalizadaspelos Castase uma data marcada para a audiência no Tribunal Casta. Mary e Raymond sabiam que ela não era realmente Claire. Estavam ali na noite que tomou a identidade de sua filha, participaram do encobrimento. Linc, no entanto, ela nunca teve certeza se sabia ou não. —Eu sei, Terran. — Respondeu ela em voz baixa, enquanto colocava suas roupas numa mala que comprou depois de sair da reunião com Jonas Wyatt. — Assim é melhor. Não que Terran e Orrin não soubessem o tempo todo. Todos sabiam. Mas ninguém quis admitir que a verdadeira Claire se foi, apesar de saberem. Terran perdeu sua irmã mais nova para o Conselho de Genética quando tinha apenas dezesseis anos. Ele e seu pai, e ele acreditou, seu irmão mais novo Raymond procuraram por ela trinta anos, apenas para descobrirem sobre a morte horrível que sofreu quando ainda era jovem e com sua morte, o desaparecimento de vários de seus filhos Castas. Um dos quais era uma menina. E que perdeu sua sobrinha Claire, aos quinze anos para as drogas num trágico acidente de carro. Esta família sofreu tanto. —Melhor para quem? Para você? Sua pergunta a surpreendeu. Parou de guardar uma calça jeans na mala e considerou antes de se virar para ele. —Tirando o gato da mala, literalmente. — Lembrou, a tristeza de que ela já não pretendia ser a pessoa que amavam de coração. — Não posso fingir mais. Não posso abaixar minha cabeça e ser agradável, calma e doce, enquanto sinto raiva por dentro. Minha genética estava vencendo e simplesmente não me permite mais. O cenho franzido em sua testa se enrugou mais.


— Nós não exigimos que tomasse a personalidade de Claire, e assim exterminasse a sua quando a cerimônia falhou. A cerimônia. Este episódio de outro mundo que lhe deu a vida de Claire Martinez. Mentir em meio ao vapor e os cheiros da terra, da umidade da grama e da própria vida, sentiu o espírito da garota moribunda sussurrar através dela, decidido a protegê-la com sua própria identidade, com tudo que era. Cat sentiu-se à deriva então, um sono tão profundo, tão sombrio, que se arremeteu contra ela imediatamente. Quando acordou deste sono viu que o espírito continuava ali, olhando sobre ela, protegendo-a quando outros Castasestiveram ali, escondendo efetivamente qualquer cheiro ou conhecimento sobre sua verdadeira identidade. Durante anos, Claire Martinez a protegeu. Até a volta de Gideon. Agora, a consciência do espírito que velou por ela, desapareceu. —Claire se foi. A mudança foi muito brusca. — Frustração a percorria agora, passando a um poço de realizações dolorosas que se negavam a ficar escondidas. — Perdi muito e muito rápido e agora tenho que descobrir aonde ir a partirdaqui. Não vou colocar em risco vocês enquanto o faço. Ela não era Claire. Sua genética começaria se adaptar agora que a maturidade de sua genética Bengala estava começando. A tigresa que simplesmente espreitava dentro dela, apenas saindo quando chamava, agora começava a fundir-se com sua genética humana de um modo que podia não ser capaz de esconder muito tempo mais. —Assim enfrentará isto sozinha? — O cheiro de sua ira começou a encher o ar. — E você espera que simplesmente aceitemos? Engoliu com força, apertando os punhos na roupa que recuperou da cama enquanto se virava para ele. —Eu não sou Claire. — Lembrou-o, desesperada para ouvi-lo dizer que não se importava. — Não tenho o direito de pedir mais que isto de você. Seus lábios se abriram. Algo sombrio e cheio de ira brilhou em seu olhar antes de sair, como se nunca houvesse existido. Em lugar de falar as palavras que precisava ouvir, ele negou com a cabeça, passou os dedos pelos cabelos grisalhos e logo se virou e foi para a porta da frente da casa. Cat levou a mão aos lábios para conter um grito, um som partido de desilusão. Tinha tanta certeza que diria que não importava que ela não fosse realmente Claire. Que era família de qualquer forma. Ela era sua


sobrinha há treze anos, protegeu-a neste tempo. Mas não podia dizer-lhe que não importava. Devido a que importava. Ela sempre soube que por mais que empurrasse, importava. Empurrado a dor a este lugar onde empurrou promessas quebradas e desilusões, ela enxugou as lágrimas e terminou de fazer as malas. Três malas continham sua vida. Vinte e cinco anos e muito pouco para mostrar deles. Uma pequena coleção de facas que comprava todo ano em seu aniversário nos últimos anos. Assim como muitos dragões pequenos de cristal. Eram suas únicas lembranças. Presentes nos últimos anos incluíam cartões de aniversário e roupa. Terran lhe deu uma caminhonete de modelo antigo que comprou no ano passado algumas semanas antes de perder seu trabalho como recepcionista na sede da tribo. Raymond se assegurou que fosse despedida, o que aconteceu. Levantando uma mala na mão, ela segurou a alça da bolsa de viagem no ombro oposto e pegou a menor. Ao longo dos anos comprou algumas coisas para si mesma. As armas ela escondeu junto com dinheiro efetivo para que fosse de fácil acesso. Não era muito, mas era suficiente para que não tivesse que se preocupar em pedir a alguém desde que saiu da casa de Raymond. Ninguéma contrataria devido as acusações apresentadas contra seu suposto pai, mas isto não era tudo, não a contratariam porque Raymond pediu especificamente para não fazê-lo. Por alguma razão, ele a queria deixar numa posição precária. Ela parecia ter um lugar para viver, no entanto. Surpreendentemente a mensagem de voz de Lobo Reever chegou justo depois de sair da reunião e oferecia uma casa de aluguel em sua propriedade, fora de sua enorme fazenda, no deserto. Um lugar pequeno e agradável, com uma piscina, paredes de concreto que rodeavam quase um acre da propriedade. Era privado, agradável e seguro. Tinha certeza que Lobo não fez esta oferta por si mesmo, no entanto. Graeme com certeza era muito bom em fazer com que os outros fizessem sua vontade. Ela ainda não sabia como conseguia. Ela não iria procurar um presente na toca do lobo, no entanto. Era um lugar aonde viver. Não tinha que impor sua presença à família Martinez por mais tempo, sem se sentir como se fosse uma Casta órfã. Jonas poderia querer se passar por seu novo melhor amigo, mas nos poucos segundos que seu sentido de olfato foi ao seu apogeu, sentiu o cheiro da verdade.


O desprezo, aversão, a superioridade arrogante. Tudo a encheu. Ele não a via nem humana e nem Casta, mas como algo inferior entre os dois. O que não era nada bom para a filha que sabia que ele adorava. Como o homem ou Casta podia odiar um e amar o outro com a mesma mutação genética, não entendia. Ela não tinha intenção de passar muito tempo tentando dar sentido a isto, tampouco. Tinha outros problemas, problemas muito maiores. Um em particular, um grande e musculoso Casta Bengala se passando por um leão e decidido a destruí-la. Se tão somente pudesse sentir-se completamente decidida a destruí-lo. ***** —Não gosto de deixá-la assim. — Terran observou a caminhonete até se perder de vista. A ira em sua voz se igualou com sua dor, o matiz de pesar e dor enchendo o ar da noite. —Eu sei. — Cullen assegurou. — Estas são decisões que tem que tomar sozinha, Terran, sempre soubemos disso. —Não assim. — O navajo argumentou. — Não importa se Claire ainda a protege ou não. Eu a aceitei como minha sobrinha na noite que tomou a identidade de Claire. Esteja ou não o espírito de Claire vivo para protegê-la não tem nada a ver com isso. —Graeme e Orrin são os que devem discutir isto. — Cullen suspirou, passando os dedos pelo cabelo enquanto bufava com força. — Decidiram que isto era o que precisava ser feito, não eu. O velho navajo guiou Cat até ali, Cullen não podia fazer nada além de confiar nas visões de Orrin e orar para que Cat sobrevivesse às próximas provas que teria que enfrentar. Quanto a Graeme, havia complicações que Cullen não tinha nenhum desejo de considerar neste momento. —Este irmão seu é uma ameaça para os Castase os humanos por igual. — Terran murmurou. — Não confio nele. Teria que ter chegado a ela, na sua frente... —Não há nada sobre a face da terra que pode se colocar entre ele e Cat. — Cullen se virou para o outro homem plenamente agora, olhando-o fixamente, desejando que entendesse, soubesse que Graeme não toleraria isto. — Faça o que instruiu Orrin. Deixe Cat enfrentar o que está por vir. Animando-a a se esconder de quem e o que é agora, poderia matá-la.


Podia matar a todos. E a vida não poderia ser exatamente o que ele imaginou às vezes, mas ainda tinha coisas a fazer, morrer antes de completar estas tarefas não era algo que queria enfrentar. —Ela foi abandonada durante toda sua vida, Cullen. — Disse Terran, o cheiro de sua ira aumentando. — Inclusive foi abandonada por ele. E por Deus, seguir seu exemplo como todos em sua vida maldita não me cai bem. Virando-se, Terran caminhou novamente para a casa, deixando Cullen olhando para o deserto, o peso das palavras dele pesando sobre seus ombros. Pois ele tinha razão. Eles a abandonaram de uma forma ou outra, para salvá-la. Mas para garantir sua sobrevivência física, o que fizeram com seu coração? CAPÍTULO DOIS —Sua Cat está na casa de hóspedes e instalada, segundo Khi. — Lobo Reever entrou na grande caverna pelas escadas que conduziam à casa da fazenda acima e parou quando Graeme levantou a cabeça e o olhou por cima do monitor do computador que estava observando. OCastaLobo parecia tão seguro e distante como sempre, mas Graeme conhecia o que havia sob a fachada. Lobo Reever era tudo, menos tranquilo. Muito confiado, cheio de segurança, o que era um traço de um Casta, se não outra coisa. Excessivamente arrogante, muito, mas uma vez mais, também um traço de um Casta. Escondido sob as capas de instintos Casta cuidadosamente guardadas, havia uma forte tempestade preparando-se para subir à superfície um dia, entretanto. Como sua enteada, Khi, que era um catalisador e poderia terminar destruindo ambos os irmãos Reever. Por agora, no entanto, ela estava controlando sua ira. Em parte devido a que Graeme a mantinha distraída e lhe permitia participar em alguns menos complicados jogos. Ela parecia gostar demais, mas ao menos esta era uma forma dela ter algo para mantê-la longe e sua mente ocupada. No momento, as excentridades da família Reever era a menor de suas preocupações. A segurança de certa gatinha estava praticamente consumindo seu tempo. —Martinez entrou em contato com um membro de alto nível do Comitê Casta de Apropriações do Senado há vários dias. — Informou a Lobo. — Finalmente quebrei o código que estava usando e consegui identificar seu contato. Gostaria de enviar um de seus homens para ser sua sombra.


A testa de Lobo se levantou lentamente. — Um senador? — O CastaLobo não se surpreendeu, simplesmente se interessou pela informação. Graeme assentiu levemente. — Seu nome não foi mencionado em relação ao Conselho, nem ele ou sua família se associaram com qualquer dos membros da organização. Até este momento, ele estava acima de toda e qualquer suspeita. Em questão de horas depois da ligação, vários comandantes suspeitos do Conselho começaram a se mover e ainda os rumores de um experimento que escapou começou a se filtrar através das linhas especificas de comunicação. Martinez revelou sua identidade. O filho da puta iria morrer. Graeme não podia atacar no momento, não enquanto Martinez estava sendo observado tão de perto pelos executores da Agência de Assuntos Castas, mas em algum momento iriam piscar. E quando o fizessem, o filho da puta iria pagar por sua traição. —Envie Rush. — Lobo assentiu. —Ele é bom nas sombras. Envie Rath depois, para respaldá-lo. Eles trabalham bem juntos nestas situações. —Este foi meu pensamento também. — Graeme lhe assegurou enquanto fechava o programa no qual estava trabalhando e se levantou da cadeira. — Vou notificar de forma imediata para que possam sair. Era consciente de Lobo observando-o de perto, intenso, os olhos verdes escuros sombrios e fazendo alusões às perguntas que Graeme sabia que não estava de humor para responder. —Sabe o que está fazendo Graeme? — Lobo perguntou em voz baixa. — Ela poderia acabar te odiando. Não, ela não iria odiá-lo. Talvez matá-lo, tinha raiva guardada por anos, mas o mais provável é que Cat não o odiasse. Ela era uma parte muito grande dele, assim como ele era uma dela. Isso não significava que não tinha dúvidas. Dúvidas que o CastaLobo não precisava saber. —Sabe o que está fazendo? — Graeme perguntou em vez de responder à pergunta. O jogo que o outroCasta participava no momento era tão complicado e perigoso como o de Graeme. —Claro que não. — Lobo murmurou quase de imediato. — Não tenho nem ideia do que estou fazendo ou como vai terminar. Tudo que sei é que pareço estar comprometido. Os lábios de Graeme se arquearam com a verdade desta afirmação. — Vou dar à Cat uma ou duas noites para se estabelecer antes de ir até ela. Ela precisa de um descanso. — E isto era verdade. Segundo Cullen e Terran Martinez, Cat com frequência andava pela casa durante a noite e em outras saía pelo deserto.


Graeme tentou segui-la algumas vezes, sentiu tanto orgulho como fúria por cada maldita vez que ela conseguiu despistá-lo. Não permitira que continuasse fazendo-o, mas ainda assim, ele estava malditamente orgulhoso dela. E era curioso. Aonde ia quando desaparecia no deserto? —Desejo sorte. — Lobo arrastou as palavras. — Tenho a sensação de que se lhe permitir colocar seu descanso em dia, isto não será nada bom para você, no entanto. —Se dúvida. — Um sorriso triste puxou os lábios com a observação. — Tenho que dizer, no entanto, acho que estou desejando que este momento chegue. —Eu invejo você. — Um brilho de fúria escondido brilhou no olhar dele por um momento. Aquela tempestade, Graeme pensou, a que poderia fugir do controle de Lobo mais cedo do que alguém esperava. — E há uma nota informando que Tiberius chegará esta noite. Encontraremosnos aqui. — Ele olhou ao redor pela caverna enorme, sua expressão observadora. — Esperemos que depois Khi possa ser rendida esta noite. Esta situação seria a morte de Lobo, Graeme pensou e talvez de seu irmão Tiberius também. Os dois irmãos Casta rara vez ficavam cara a cara sobre Khi, sobretudo por causa da descoberta da participação de sua mãe no Conselho de Genética. —Jéssica ainda está fugindo dele? — Perguntou Graeme pensativo. —É como se ela desaparecesse da face da terra. — O CastaLobo suspirou, balançando a cabeça enquanto seus punhos se fechavam momentaneamente dos lados. — Ele não encontrou nenhum rumor de onde possa estar. E Tiberius era um dos melhores rastreadores que Graeme conhecia. Não tão bom como Graeme, mas ainda assim, era bom. Talvez, pensou Graeme, uma vez que esta situação com Cat fosse resolvida, então veria se podia descobrir a localização de Jéssica. O mundo pode ter acreditado que morreu num acidente de equitação um ano antes, mas Graeme, assim como os irmãos Reever, sabiam que não. Ela ainda estava viva e fazendo da vida de Lobo um inferno. —Vou deixar a caverna pronta para Tiberius e seus homens. — Graeme assentiu. —Vai precisar que esteja aqui quando chegarem? Uma forte inclinação da cabeça de Lobo confirmou a suspeita de Graeme de que isto não era tanto uma visita tanto,mas uma troca de informações muito importante para confiar em qualquer outro meio. Estaria ocupado esta noite, por sorte. Sentando em silêncio nas cavernas, observando Cat nos monitores de segurança e dando à sua determinação um inferno ao deixá-la descansar. Ao menos desta forma, poderia administrar e permanecer, na verdade, o mais longe possível dela.


CAPÍTULO TRÊS Cat sentou-se sob a sombra do guarda sol no pátio de trás da casa de hóspedes que Lobo Reever ofereceu para seu uso e viu quando sua enteada, Khillen, Khi para os amigos, passou pela porta da cozinha até ela. Carregava uma jarra de chá doce gelado, o único que havia para beber, junto com dois copos. Seu longo cabelo enrolado, negro, estava preso numa trança, ainda que alguns fios desobedientes e cachos houvessem conseguido se soltar aqui e ali. Usava um short rasgado e mais curto do que Cat usaria e uma camiseta branca justa, exibindo seus membros bronzeados de forma inconsciente. Muito inconsciente. Cat pegou uns vislumbres disto antes, quando a outra garota mostrou a casa e como usar os controles eletrônicos para luzes, temperatura e televisão. Cat não conhecia bem Khi, pois manteve distancia entre elas em vez de atrair a fúria de Raymond para qualquer amizade que pudesse desenvolver. Raymond odiava Lobo Reever o suficiente para que o distraísse de qualquer problema que pudesse causar aoCastaLobo. Teria realmente feito amizade com Khi, se fosse possível. Seu ódio não era pelos Reever, mas por sua enteada também. Agora tinha sentido porque este ódio não era direcionado à mãe. Jéssica Reever fazia parte do Conselho de Genética, assim e sem dúvida era um dos contatos de Raymond. —Aqui vamos, a cura perfeita para um dia de calor. — Colocando o gelo e os copos na mesa, Khi sentou-se na cadeira de frente para Cat com graça. Esperando Khi colocar o líquido escuro nos copos com gelo, Cat aproveitou o silêncio para tentar dar sentido às emoções turbulentas sob a superfície da outra garota. Por desgraça, pareciam tão confusas e caóticas que Cat duvidava que mesmo Khi pudesse lhes dar sentido. —Perdoe-me a forma como estou vestida. — Khi finalmente se sentou novamente para tomar um gole de seu chá e se concentrou em Cat com pesar. — Estava irritando Lobo, mas acho que cortei muito desta vez. — Seus lábios se esticaram numa curva irônica. — Não estava tentando ser grosseira. Ao menos tinha sentido agora. Khi Langer uma vez apareceu na lista das mais bem vestidas da alta sociedade, tanto na América como Europa antes de sua mãe fingir a própria morte, supostamente para escapar da justiça de Lobo Reever por conspirar com o Conselho de Genética.


—Pensei que você se desse bem com Lobo. — Cat a olhou pensativamente. —Quando era mais jovem, talvez. — Khi encolheu os ombros, uma dor sombria escureceu seu olhar no mesmo instante coberto sob um piscar rápido. — Ele é muito arrogante, sabia? Desde que Jéssica de forma muito grotesca tentou matar todos nós a pedido de seu chefe no Conselho, se converteu em muito protetor. Cat não ouviu nada sobre este pedaço da informação. — Sua mãe tentou te matar? —Bom, pelo menos não é de conhecimento comum. — Khi arrastou as palavras com um toque de ira quando seus profundos olhos azuis brilharam com a traição. O cheiro de sua dor foi quase insuportável por um momento e logo pareceu freá-lo, empurrando atrás até que ficou completamente escondido. Cat tinha uma estranha sensação de que a outra mulher estava contendo a cada dia mais sua ira e estava ficando difícil de manejar. —De qualquer forma, no que se refere ao mundo ela está morta. — Khi encolheu os ombros. — Morta num acidente de equitação. — Ela tomou um gole de chá e logo encontrou o olhar de Cat com frieza. — Tiberius está procurando por ela agora. Com um pouco de sorte, ela logo estará morta como todos acreditam que esteja. A declaração foi dita com tal naturalidade e com tanta frieza que sentiu dor pela garota escondida sob tal necessidade de vingança. Que horrível deveria ser enfrentar tal traição. Talvez, pensou Cat, não ter pais doesse menos em alguns aspectos. —Desculpe Khi. — Cat disse em voz baixa, sofrendo pela dor de tal crueldade deliberadamente causada. —Não se desculpe. — Khi disse com expressão distante. — É muito melhor saber como alguém é ruim do que se deixar enganar para sempre. E não vim aqui para falar da puta do Conselho de qualquer forma. — Seu sorriso não se aproximou das emoções dentro dela. — Fico feliz por você estar aqui, Cat. — Disse com sinceridade. — Fiquei preocupada quando ouvi do que Raymond é capaz. Sempre soube que não era uma boa pessoa, mas o mal que tem dentro dele sempre é um choque quando se descobre em alguém com quem se relaciona. —Ele odiava Lobo. — Cat suspirou pesado. — Odiava ter Castas em Rock Windows e a proteção que a Nação lhes dava. Sempre era difícil rejeitar seus convites Khi, mas foi melhor assim e para Lobo também que eu o fizesse. Afastou-o dos problemas que poderia ter criado se quisesse.


—Lobo o teria dizimado. — Khi soltou um leve sorriso amargo. — Ele sempre enfrentou os bloqueios na estrada e a ignorância de Raymond de qualquer forma. Mas imaginei porque recusava. Sem ressentimentos. E não havia nenhum, Cat sentiu. Ela sabia que Khi tinha muitos demônios internos para se preocupar com o que ela estava passando. Se Cat houvesse aceitado ou não o convite provavelmente não faria diferença agora. A realidade que Khi enfrentava diariamente era uma que Cat achava muito difícil, se os círculos escuros sob os olhos azuis da outra garota fosse uma indicação. Também havia o estranho cheiro, muito sutil que estava ao redor de Khi, um que Cat não entendia. Um cheiro muito parecido ao de um Lobo, mas não de acasalamento. Eram quase dois cheiros diferentes, mas que era impossível identificar. —Assim, entendo que você e Graeme têm uma história. — Khi levantou as sobrancelhas quando rompeu o silencio entre elas. Inclinando-se para frente, a outra garota lançou uma piscada brincalhona. — Vamos, conte os detalhes garota. O que fez para o traseiro duro daquele Bengala te olhar de forma melosa? Graeme? Olhar de forma melosa? —Você deve estar confundindo olhar meloso com este olhar de morte que tem. — Ela disse, ainda que não tinha ideia de como alguém poderia confundir. — Acredite em mim, Graeme não olha meloso para ninguém e nem a nada. Apenas a ideia era engraçada. —Acredite em mim, é um olhar meloso. — Khi assegurou com uma risada leve quando relaxou na cadeira e observou Cat curiosamente. — Conheço-o há anos e cada vez que seu nome é mencionado faz esta leve pausa e o brilho de ira em seus olhos parece se atenuar um pouco. Cat negou com a cabeça, negando qualquer pensamento de que Graeme tinha estes sentimentos ternos por ela. Não mais. —Sou seu experimento particular. — Revelou. Khi sabia a verdade de quem e o que era, foi anunciado quando Cat entrou na casa. — Sua inteligência, inclusive no Centro de Pesquisa era notável. O geneticista que o criou lhe permitiu desenhar a medicação que seria usada para me salvar da doença com a qual nasci. Se tiver algum sentimento mais suave por mim, então não é nada além do que um cientista tem por seu rato de laboratório favorito. A risada de Khi era cheia de incredulidade. — Querida, continue dizendo isto a si mesma. — Afirmou, rindo mais. — Até seu tolo traseiro felino acreditar. — A risada de Khi encheu o lugar e sua expressão era de genuína diversão e quando falou de Graeme,


o cheiro de amor fraternal era claro. — Não posso vê-lo olhando tão faminto para um rato de laboratório, não importa o quanto poderia gostar dele. — A risada que estava contendo escapou mais uma vez. — Obrigada por este momento de diversão, estava precisando. Não havia dúvida de que precisava. Ainda assim, Cat estreitou os olhos na mulher que continuava muito divertida. — É estranha Khi. — Afirmou. — E você tem algumas idéias muito estranhas. A outra mulher riu levemente ao ouvir isto. — Não, sou complicada, há uma diferença. — Assegurou com tal satisfação e orgulho de si mesma que Cat quase começou a rir com ela. — Pergunte a qualquer pessoa. Sou muito complicada. — E adora fomentar esta crença. — Cat adivinhou com um sorriso. —Claro que sim. — Khi abriu os olhos de forma inocente e bateu os cílios recatadamente. — Qual seria o ponto em começar o rumor de outra maneira. Balançando a cabeça, Cat terminou seu chá e logo viu Khi encher os copos novamente. Não perdeu a adição sutil de Khi em seu próprio copo. O cheiro forte de licor não era em absoluto sutil. Cat não fez nenhum comentário sobre o mesmo, mas guardou a informação para outro dia. Por agora, deixaria Khi encontrar o alivio que pudesse das emoções que Cat intuía serem muito confusas para a jovem lidar. Quem era ela para julgar onde poderia encontrar consolo para seus demônios? Ela apenas desejava poder encontrar um pouco de consolo por sua conta. Devido a que podia sentir a confrontação de seu próprio demônio pessoal e tinha muito medo de não estar preparada para isto. **** Ela era incrível. Sua pequena gata. Deslizando em seu quarto através da porta da sacada aberta na noite seguinte, Graeme não pode deixar de se maravilhar com a jovem na qual se converteu. Vinte e cinco anos antes, quando Phillip Brandenmore a colocou em seus braços e o informou friamente que sua sobrevivência era responsabilidade dele, Graeme nunca imaginou a criatura excepcional na qual se converteria, inclusive o arrogante não teria percebido. Graeme se assegurou disso. Cada medicação, todas as drogas, cada segundo neste inferno esquecido por Deus, criou esta criatura maravilhosa.


Mechas sedosas longas de ouro fundido se espalhavam pelo travesseiro e ao redor de seu rosto, emoldurando a pele creme de seu rosto perfeito. Seus traços eram felinos o suficiente para dar uma expressão de mistério, a inclinação dos olhos fazendo alusão ao exótico. Seus lábios. Eram docemente curvados, tentadores e lhe dava vontade provar. A necessidade, a fome de provar o atormentava desde que a encontrou. Era perseguido por sonhos, fantasias. Mantinha-se excitado, duro como ferro e pronto para se acasalar. Havia dias em que ele odiava esta necessidade de possuí-la, a certeza de que uma vez que a tivesse, protegendo-a, se converteria em alguém mais perigoso que no passado. Ela era uma fraqueza. Ela seria sua destruição pura e segura se não fosse muito cuidadoso. Ninguém o acusou de ser cuidadoso em anos, no entanto, não via nenhuma razão para dar-lhes motivo para ser agora. Era o que haviam criado. Se não gostassem, então a culpa era apenas deles. Castas eram criados para ser mestres da manipulação, táticos, guerrilheiros e amantes altamente táteis. Graeme era tudo isso, no entanto, em sua criação de alguma forma perderam o fato de que criaram umCasta cuja aptidão em seus desvios científicos superava a si próprio. Tomou o que fez no Centro de Pesquisa de Brandenmore, viu, manipulou os cientistas e técnicos e no final quase fugiram do laboratório. Até Brandenmore aparecer com um novo pesquisador principal e geneticista. Aquele que percebeu de alguma maneira o efeito que o macho Bengala exercia nos outros. O bom Dr. Bennett. O filho da puta fracassado. Esfregando o peito, lembrou-se da sensação dos dedos de Bennett ao redor de seu coração batendo enquanto dava aos soldados ordens para encontrar “a garota”. A mulher. Concentrou seu olhar nela mais uma vez. Ela era a garota. A que forçou seu sangue em suas veias e assim permitiu que a loucura aparecesse. Aquela loucura então deu luz ao monstro quando o cientista ordenou sua recaptura com a intenção expressa de arrancar seu coração palpitante do peito. Bennett não segurou um coração pulsando nas mãos em cinco anos — até o seu próprio — e nunca o faria novamente. Graeme arrancou o coração de Bennett do peito. Com os dedos em garras cortou a carne e os ossos, agarrou o órgão pulsando e com horror impotente o bom doutor viu enquanto era arrancado dele.


Esta lembrança era uma das melhores que possuía— ainda que a noite em que aconteceu, quando foi pelos laboratórios numa matança que deixou alguns poucos com vida, era com frequência um pouco confusa. O monstro em que se converteu nesta noite foi um alivio afinal, bem vindo. Devido a esta criatura não sentir piedade, não se arrependia e nem se recriminava. Era pura inteligência superior e instinto primitivo. Quando o monstro retrocedeu e o Castaencontrou um pouco de sanidade, ela estava ali e assim começou sua queda. O conhecimento de que ela sempre seria sua perdição. Agarrando o lençol que a cobria, Graeme puxou-o lentamente sob seu corpo, seus lábios se arqueando enquanto o cenho aumentava em sua testa. Ela já deveria ter acordado. Se fosse um soldado do Conselho ou Casta, então ela já estaria morta. Ou estuprada. Provavelmente ambos. Mas então, sem duvida teria acordado ante uma ameaça em seu quarto. Ele a observou em meses e sabia que seus instintos eram condenadamente bons. Os instintos de uma Casta dentro dela, da cabeça aos pés. E ao que parecia confiava muito nele; do contrário estaria arranhando em vez de se esticar sensualmente sob seu olhar enquanto o lençol deslizava por seu corpo. Poderia estar usando uma daquelas camisolas sexy que ela possuía, pensou com pesar ante a visão da blusa de alças e calça de algodão. Inclusive usava meias. Uma careta tocou seus lábios. Ele preferia muito mais a camisola sexy, maldição. Levantando-se da cama, moveu-se até a cadeira junto às portas abertas da sacada, sentou-se comodamente e ficou olhando-a. Deixou que seu olhar acariciasse o delicado rosto e ao longo da esbelta coluna de seu pescoço até o elevado dos seios na parte superior. Os seios. Um punhado perfeito e seus dedos doíam para tocá-los, acariciá-los. Havia muitas formas com as quais poderia se divertir com os exuberantes seios, alcançando o máximo de curvas, testando seu controle sobre seus desejos. Não estava acostumado a se conter. Quando se tratava de sua necessidade de sexo ou sangue, usava sua paciência apenas quando era um jogo mais emocionante. Conter-se sem duvida deixava o jogo mais emocionante. Até agora, sua manobra neste jogo em particular pedia mais paciência que inclusive ele imaginava possuir. A pergunta era: poderia mantê-la?


Concentrando seu olhar nela, deixou seus sentidos se conectarem com a parte sempre alerta de sua genética que a marcava como sua e a chamou do sono. Conectar-se com seus sentidos sempre foi particularmente fácil. Muito fácil. ***** Cat não acordou lentamente. Seus olhos se abriram de golpe, consciente de sua presença, inclusive antes de acordar. Furiosa por seus sentidos adormecidos não a terem a acordado antes. Poderiam tê-la advertido primeiro? Diabos, não. Teve que esperar até que ele a ordenasse acordar. —Assim acorda a gata. — O grunhido veio do canto do quarto, justo de frente da cama grande. Inclinado na cadeira, justo ao lado das portas da sacada, olhando-a como o felino perigoso que era. O imbecil. —Chegou tarde. — Sentando-se enquanto deslizava as pernas ao lado da cama, Cat o observou detalhadamente. — Eu o esperava na última noite. Dentes brancos brilharam na escuridão do quarto enquanto ele lhe lançava um sorriso irônico. —Eu estava aqui. — O encolher de ombros não se perdeu, nem a confiança latente nele. Tinha que estar relacionado com Jonas Wyatt. Os dois eram muito parecidos. —Não tenho duvidas de que estava. — Bufou. — Converteu-se em um perseguidor, G. Não esperava isto de você. Seu coração acelerado deu à mentira a atitude informal que adotou, sabia, como o cheiro de seu receio seria facilmente detectado por ele. Sua diversão estava assustando-a. Frio, vigilante, predador. Ela não gostava. —O que espera de mim então, gatinha? — Disse arrastando as palavras, movendo-se para colocar o tornozelo sobre o joelho oposto enquanto a olhava, âmbar e matizes verdes nos olhos impares. Como os olhos prateados de Jonas Wyatt, não havia pupila negra para separar a cor. E quando a fúria enchia cada molécula doCasta, a cor tomava todo o branco de seus olhos também. —Não esperava que me acordasse. — A admissão não era fácil, mas não tinha nenhuma ilusão sobre sua capacidade para combater o animal diante dela.


Não havia nenhuma luta, era muito simples. Apenas estreitou o olhar nela. —Pensou que te mataria enquanto dorme? — Perguntou enrugando a testa. — Eu, ao menos, lhe daria uma oportunidade para lutar. A ironia em sua voz lhe assegurou que era muito consciente de que não haveria risco envolvido em relação a lhe permitir lutar. Apenas um momento para rir dela. —Bom, isso não se pode chamar de sorte. — Ela bufou. — É realmente demais vindo de você, G, me dar a oportunidade de perceber o quanto sou impotente. Agradeço o pensamento. Não esperava muito, percebeu. Podia rasgar sua garganta facilmente enquanto dormia e a estúpida tigresa em seu interior teria se inclinado e o deixado fazer sem dar uma advertência. Estúpida genética. —Suponho que o faria. — O tom irônico simplesmente a irritou e havia esta genética Casta que com frequência amaldiçoava quando resolvia querer subir a superfície. — Olha que bom cara eu sou? Sim, ele era um ótimo sujeito, verdade? Teria sido agradável se a genética que possuía a alertasse na primeira vez que entrou no quarto. Ao menos teria a oportunidade de fugir, certo? —Sim, como um ursinho. — Murmurou beligerante. Um ursinho. Um brilho de lembrança, um esfarrapado ursinho, faltando um olho, grande o suficiente para uma criança pequena envolver os braços ao redor. O que fez com ele quando o roubou? Ela se perguntou. Era a única posse que teve no Centro de Pesquisa. E que deu a ela sem que ninguém mais além de seus companheiros de cela soubessem. —Surpreendi-me ao encontrá-la aqui. — Disse, arrastando seu pensamento novamente a ele. — No deserto. Pensei que você e Judd fossem para a selva. Para lugares escondidos onde pudessem desaparecer mais fácil. Esta foi a ideia, até que Orrin Martinez os encontrou e os convenceu do contrário. —Poderia ter me escondido de você, G? — Perguntou, em vez de explicar sua escolha. Não havia dúvida de que já sabia. — Acha que há um só lugar no mundo onde não teria me encontrado? Não havia. Esteve tão desesperada para vê-lo durante anos que ela estupidamente tentou encontrá-lo ou entrar em contato mais de uma vez. E esta velha necessidade se converteu num vazio, um doloroso vazio que nunca foi capaz de entender completamente. Presas afiadas apareceram em seu sorriso frio.


— Eu duvido muito. Esconder-se de mim não é uma opção, Cat. Sabe disso. Sim, sabia agora, tal como soube antes. Esconder-se dele era impossível, da mesma forma que depender de sua proteção era um sonho louco. —Então, não é uma coisa muito boa que não tento me esconder de você? — Ficando de pé, virou-se de costas e foi para a porta do quarto. — Quer beber algo? Acho que eu preciso. O grunhido ecoou através do quarto fazendo-a parar. O instinto mais que a inclinação a parou em seco enquanto o desejo de dar a ele submissão exigia sua determinação para dizer não. —Você não é mais meu alfa, G. — Ela suavemente advertiu. — Não importa o que você ou minha genética Casta possam querer acreditar. A mentira escapou facilmente, mas mesmo ela não estava convencida, por não falar doCastacom tal propósito. —Isto não foi o que disse para Jonas no outro dia. — Lembrou-a, a diversão em seu tom irônico deixando-a irritada. — Acho que seu comentário foi que nenhum outro poderia usurpar meu lugar como seu alfa. Acho que gosto do som desta declaração. Repita. Desta vez para mim. Ele estava brincando, sem dúvida. —Esta reivindicação é inexistente. Além disso, todo mundo mente para Jonas. — Ela o informou com irritação. — É o único caminho para lidar com ele. Agora, eu quero uma bebida se você não quiser. Ela teve que forçar literalmente seus pés a se moverem, seus dedos curvando-se ao redor da maçaneta da porta. Ainda podia senti-lo atrás dela, olhando-a fixamente, exigindo que se virasse para ele. Maldita e estúpida genética Casta. Poderia ter dormido apenas um pouco mais de tempo. Ou ao menos, lhe dado uma advertência. Porque inclusive antes que ela percebesse que se moveu, ele a pressionou contra a porta, a dura longitude de seu corpo prendendo-a no lugar. Dentes afiados mordiscando sua orelha, impactando-a com a sensação quente. Dor. Não totalmente. Definitivamente muito prazer. Prazer? Não, G nunca daria deliberadamente prazer a ela, não importa quantas vezes fantasiou sobre isso nos últimos meses. Se soubesse que faria algo assim, teria provavelmente assegurado que nunca cometesse o erro de acreditar que iria fazê-lo de boa vontade novamente. —G. —Graeme. — O nome foi um grunhido em seu ouvido, a ordem enfatizada pela advertência ecoando em sua voz. Uma que sua genética


Casta reconheceu, assim como a humana. — Muitos no Centro de Pesquisa sabiam que me chama pela inicial do meu nome. Não cometa o mesmo engano novamente, Cat. Podia matar ambos. Com certeza você não quer fazer isto, verdade? Choraria um pouco se eu morresse? Algo familiar estava sendo tirado dela, por causa dele, por ele. Ela já estava nua, sem amigos ou família. Demônios, inclusive sua genética Casta a trairia se ela permitisse. O que mais poderia tomar dela, além de sua vida? Apenas sua vida. Poderia ter que enfrentar o futuro sem ele de alguma forma. Apesar de ser seu inimigo, torturador, era melhor que sua morte. —Deixe-me ir, Graeme. — Ela disse entre dentes, sentindo a necessidade de liberar as garras, de lutar, arranhar apesar do conhecimento de ele ainda era muito importante para ela. Ele não era seu alfa, não importava o instinto primitivo que ainda havia em seu interior. Seu alfa não teria desistido dela. Não a teria ameaçado ou a deixaria para lutar sozinha. Ele não teria permitido que sua vida fosse roubada por tantos anos, quando teve que se esconder do Conselho de Genética e seus homens. Seu alfa não teria levado sua vida a nada. —Eu nunca te deixarei ir... — A afirmação gutural rompeu seu controle. O inferno que não o faria. Um giro forte, uma vez, as garras foram diretas para suas coxas e oh sim, ele a soltou. Descendo em direção ao chão para soltar-se dele, Cat levantou-se e enfrentou-o. A respiração forte, o coração acelerado e ele olhando-a com os olhos estreitados. Estava se divertindo. O maldito estava se divertindo. Como se ela tivesse feito exatamente o que ele esperava que fizesse. Logo, lentamente, deliberadamente, seu olhar foi para a coxa, no alto, somente há alguns centímetros da protuberância coberta pelo tecido. Ali, o material foi cortado em três fileiras longas e sangue se derramava de sua pele molhando o tecido. —Perto. — Murmurou. —Da próxima vez vou castrá-lo. — A ousadia era completamente falsa. Oh Deus, o que fez? As lacerações na coxa estavam sangrando muito rápido. Ela cortou profundo, as garras afiadas que possuía foram muito mais eficazes contra sua carne do que imaginou que seriam. Riu da ameaça.


— Eu não faria isso se fosse você, gatinha. Como seu companheiro, eu seria muito ineficaz, não lhe parece? Antes que pudesse falar, saiu pela porta do quarto, fechando-a atrás dele enquanto Cat olhava em negação e incredulidade. Seu o que? Isso não era possível. Ela não permitiria. —Aonde diabos vai? — Ficou de pé e passou pela porta, abriu de golpe, olhando o corredor vazio em choque. —Graeme? Maldição, ela o chamou de Graeme em lugar de G. Ela o odiava. Odiava sua genética. Odiava ser uma Casta neste momento. —Onde diabos está? — Pisando forte do quarto pelo corredor que dava para as escadas, ela ainda não o via. Passou correndo pela escada de caracol até o pequeno corredor, olhou ao redor da sala de estar aberta e na cozinha. E ainda nada de Graeme. G, lembrou com raiva. Maldita coisa de alfa. O imbecil código genético. Ela odiava, lembrou-se. Olhou pela casa, cômodo por cômodo, se limitou a confirmar o que já sabia: ele se foi. —O gatinho mau tem que ir consertar sua patinha? — Zombou, dando um passo atrás na cozinha silenciosa. — Pobre Bengala arrogante e idiota. Espero que doa. Movendo-se diretamente para a geladeira e o vinho que colocou ali antes, ela serviu uma taça. Em vez de beber, ela simplesmente o tomou como um trago de uísque antes de encher novamente. Ela realmente esperava que doesse. Como fez isso? Não queria. Nem sequer tinha a intenção de liberar as garras enquanto tentava escapar de seu agarre. Com tudo entre eles, no entanto, ela não esperava que ele a reclamasse como companheira. Como se ela não soubesse o que era um companheiro e o que significava sua reivindicação. O fato dela fingir não ser uma Casta não significava que não foi testemunha deste lixo de acasalamento. Porque mentir? Pensava que não sabia a diferença? —Eu sei que está mentindo, Graeme. — Disse em voz alta. Claro que tinha microfones escondidos na casa. Era muito inteligente. —Não sou estúpida. Não sou sua companheira. Ela não se permitiria ser presa a alguém em quem não podia confiar e depender. Demonstrou isso nos últimos dez anos.


Não tinha dúvidas de que era muito consciente da zona onde se encontrava antes de Jonas procurar a ela, Honor e Judd. Ele poderia não saber exatamente onde estava, mas havia uma possibilidade de que poderia saber também. O maldito Graeme poderia ser mais assustador que Jonas. Tranquilo, reservado, misterioso. Sua inteligência nunca foi qualificada, um gênio na fisiologia e biologia Casta que nunca foi documentado. Mas enquanto sob a tutela do Dr. Foster, o primeiro chefe do Centro de Pesquisa genética e biológica nos laboratórios de Brandenmore, se destacou ao ponto dela ter se perguntado se o Dr. Foster sentia medo dele. Então o Dr. Foster desapareceu e um novo pesquisador chegou. Foi então que Cat viu exatamente como manipulador e calculador Graeme poderia ser. Durante quase um ano manobrou o cientista, jogou, trabalhou a informação que conseguiu... logo desapareceu também. Uma noite estava ali, na manhã seguinte quando ela e Judd acordaram, sua cama estava vazia. Deixou-os sozinhos. Honor foi para casa uma semana antes, finalmente curada da doença que a levou ali. Com a fuga de Graeme, ela e Judd ficaram sozinhos. Cat ficou devastada. Ainda podia se lembrar do choque, sua total rejeição à ideia de que ele a deixaria. Estava convencida de que o mataram. Que o Dr. Bennett ordenou sua morte. Até a noite em que abriu as portas da caminhonete levando-a com Judd para serem sacrificados, ela tinha certeza que estava morto, que não havia como seu G a abandonar. Mas ele o fez. Ele os deixou. A verdade estava ali nos olhos verdes selvagens e nas listras do Bengala em seu rosto. E devido a que tentou resgatá-los, estava morrendo. As balas que levou no peito criaram feridas horríveis. Judd lutou para estabilizá-lo e logo se viu obrigado a injetar uma pequena quantidade da droga paralisante do Conselho no Bengala debilitado, a droga estava com os guardas para o caso de um dos Castas serem violentos. Ele os amaldiçoou quando Judd fez a transfusão entre Cat e ele. Amaldiçoou-os e então olhou fixamente em seus olhos, assegurando que iria matá-la. Ele arrancaria a pele de seus ossos se ela não parasse. Eu amo você, G. Sussurrou aquelas palavras sem chorar, seu coração de doze anos partido furiosamente. Eu não posso perdê-lo. Nunca te amei. Foi meu experimento...


Abriu sua alma quando ele disse que não a amava. Rasgou-a e deixou-a sangrando numa agonia que nunca foi capaz de compreender. Sim, demonstrou que não a amava, que nunca a amou. A marca que deixou como alfa a atormentando, a dor de sua desobediência pesando nela durante anos. Até que conseguiu se convencer de que conseguiu destruí-la. Uma mentira. Ela sabia que a marca ficaria dentro dela para sempre. Quando Cat acordou na manhã seguinte e descobriu que G se foi, ela prometeu à Judd sua lealdade, mas ele já a tinha de qualquer forma. Quando estendeu a mão para ela em silêncio, com o olhar cheio de pesar, ela a segurou e reconheceu que não tinha ninguém... ela nem sequer podia se permitir depender de Judd. Foi uma maldita boa coisa, porque meses depois do ataque, seis guerreiros sombrios os resgataram e um grupo de seis homens espirituais Navajos mudou o curso de sua vida. Ao menos até agora. —Tem razão, não é o G que conheci. — Sussurrou em silêncio. — Meu G nunca teria me deixado sozinha e assustada diante do perigo. Sempre foi Graeme. Deveria ter me contado quem era. Teria permitido que morresse como desejava. Apagando a luz da cozinha, ela se moveu lentamente pela grande sala até a escada, tomando cada passo com tanto cansaço que pareceu uma eternidade chegar. Deixou a porta do quarto aberta, deixou a porta da sacada aberta e entrou na cama. Arrastou as mantas sobre os ombros e se deitou, olhando para a escuridão, com os olhos secos, cheios de dor e se perguntando porque ainda doía tanto. Depois de tudo, não havia sobrado nenhuma ilusão, não se enganava em acreditar que ele sentia qualquer coisa do que disse esta noite. Então porque doía tanto? Cavernas de Reever Meu G nunca teria me deixado sozinha e assustada diante do perigo. Sempre foi Graeme. Deveria ter me contado quem era. Teria permitido que morresse como desejava. Mas ele não morreu. As feridas eram ruins, verdade, algumas das piores que já teve. Mas o Dr. Foster o criou e como aperfeiçoou a genética de Cat, Foster aperfeiçoou a dele. E a de seu irmão. Aquela genética, o DNA que criava umCasta como um todo, assegurava que qualquer ferimento fosse imediatamente isolado e todas as forças do corpo se uniam para curá-la.


Ele teria se curado, apenas levaria um pouco mais de tempo. E teria conservado sua sanidade. Ao dar-lhe o sangue de Cat sem o soro que o Dr. Foster criou para equilibrar o hormônio aumentando em seu sangue, deixou-o louco. Ela era uma criança, ainda um bebê e extremamente jovem para o hormônio do acasalamento aparecer em seu sistema. Extremamente jovem para ser marcada por um Bengala completamente adulto que não era muito equilibrado, na verdade. Nada teria importado, precisava impedir a transfusão. Quando não pode, nada importou, mas se assegurou que nunca o procurasse. Tinha que mantê-la longe dele até que houvesse tido tempo para se converter em uma mulher, para permitir que sua genética humana e Bengala amadurecesse. Revisando o vídeo de vigilância da casa enquanto se sentava na cama de aço no meio da pequena caverna sob a propriedade de Reever, Graeme fez uma pausa nos pontos em sua coxa para olhar o vídeo. Podia ver seu rosto, pálido, com os olhos cheios de tanta amargura que sentiu um nó no peito com o conhecimento da dor que causou. Ela realmente acreditava que a deixou sozinha e sem proteção? Que era possível que ele nunca o fizesse? Ainda havia uma parte dele que estava surpreso por não ter começado a rir quando afirmou que não a amava. Sempre parecia saber e o entendia tão bem. No entanto, ela tomou suas palavras ao pé da letra e acreditou que a deixou sozinha. Balançando a cabeça terminou os pontos, passando um creme cicatrizante na ferida e logo vendando com cuidado. Iria se curar rápido o suficiente, mas as marcas na pele chegaram muito perto da artéria. Teria sangrado como um porco antes de chegar ao túnel que ia desde a casa principal à pequena casa cerca de um quilometro de distância. Graças a Deus, não caminhou esta distância esta noite. Enquanto o carro fazia seu caminho através do túnel, conseguiu exercer pressão sobre as feridas para evitar a perda de sangue até que chegasse na sala médica que criou numa das cavernas pequenas. Os túneis e cavernas corriam quilômetros de distância sob a propriedade Reever. Duvidava inclusive que Lobo soubesse onde todos os túneis saiam exatamente e quantas cavernas existiam sob a grande casa principal e seus motivos. Graeme sabia e fazia um bom uso deles. A eletricidade era roubada da rede principal que ficava há alguns quilômetros na casa principal, e agora iluminava as paredes dos túneis que ele julgava mais importantes, assim como as cavernas usadas para pesquisa, suprimentos médicos e medicamentos que começou a criar. Lobo lhe deu acesso livre aos túneis e cavernas e Graeme fazia um bom uso deles,à vontade. Não confiava no clima atual das relações entre


humanos e Castas, mas inferno, não confiava nos humanos na maioria das vezes. Descobriu a loucura numa idade muito precoce. Podia contar em uma mão o número de humanos nos quais confiou e não usou. O monstro em que se converteu em sua última vez no Centro de Pesquisa de Brandenmore não confiava em ninguém. Nunca. A confiança era frágil, um erro que não podia cometer, pois assim arriscava tudo o que fez e o que prometeu proteger. Um grunhido retumbou profundo e baixo no peito, um grunhido que fez tremer seus lábios. O monstro sempre esteve sob sua pele, sempre esperando, correndo riscos, pronto para saltar a qualquer momento para proteger o que era seu. Colocando a bandagem no lugar, ele levantou o olhar uma vez mais e ficou olhando o rosto no monitor. Ela ainda estava acordada, sem deixar de olhar a escuridão, a amargura e a perda dela ainda se via refletiva nos profundos olhos dourados. Queria dizer o que sentia, enquanto ele esteve ali e não foi capaz de fazê-lo. Ele a olhou em seus olhos e viu a criança que traiu com palavras quando cortou sua crença à sua lealdade. Queria lhe dizer que feriu a si mesmo muito mais do que imaginou ser alguma vez possível com as palavras que surgiram de seus lábios numa tentativa de salvar ambos. Para salvá-la da dor que poderia ter causado se aceitasse a transfusão. Ela queria explicações e, no entanto, não podia explicar. Para explicar o motivo da cólera explodindo dentro dele, porque ele preferia morrer a tomar seu sangue esta noite, era algo que simplesmente não podia fazer. Inclusive para ele mesmo. Inclusive quando não era capaz de compreender plenamente. Nunca esteve particularmente em seu são juízo, admitiu com um pouco de humor mórbido. Inclusive numa idade jovem era chamado de selvagem, louco. Naquela noite, a loucura se apoderou dele, deixando-o apenas com o instinto durante anos. Até que o Conselho o recapturou e o levou de volta ao Centro de Pesquisa. Até a noite que o Dr. Bennett levantou o coração de Graeme de seu peito e deu uma propriedade estranha ao sangue de Graeme que o manteve lutando, que o mantinha até hoje com vida. Esta noite, o monstro saltou adiante e não tinha como se livrar dele agora. Ele estava contido no momento. Podia lidar com ele, viver com ele. Mas nunca se livraria dele. E com os anos, percebeu, que não queria. O monstro sempre seria uma parte dele e sempre existiria. Apenas precisava da razão correta para aparecer. Viu como os olhos de Cat se fechavam lentamente quando o sono finalmente se apoderou dela.


Um segundo depois, uma lágrima rodou pelo canto e desceu por sua bochecha. Reluzindo contra a pele e beijando-a, arrastando-se lentamente até seu lábio superior, onde adormecida a afastou um leve gemido. Um gemido. Limpando o rosto com a mão se obrigou a ficar de pé, ignorando a pontada na coxa e afastou os olhos dela. Se tão somente o destino não houvesse decretado a necessidade de Wyatt de encontrá-la. Se talvez este bastardo do Raymond Martinez tivesse ao menos um pouco de lealdade e honra. Se o Conselho não houvesse descoberto que estava viva. Se todos tivessem mantido a suspeita de que a companheira do Bengala foi massacrada no laboratório junto com os cientistas e os soldados menos de vinte e quatro horas depois de sua terceira vivisseção. Oh sim, eles a queriam e queriam com muita intensidade. Tanto que o monstro que dormiu durante algum tempo acordou mais uma vez. E mais uma vez, acordou faminto. Faminto por sangue. Mas desta vez, havia outra fome também, mais forte e menos controlável do que a primeira. Aquela fome estava somente aumentando, enquanto a necessidade por sangue dos inimigos estava ficando secundária. A necessidade por ela... Nunca foi secundária. CAPÍTULO QUATRO Ela era a companheira de um louco Casta Bengala. Cat ainda não podia acreditar na declaração louca que Graeme fez na noite anterior. Ela sabia o que eram companheiros, como sabia que sua prima Isabelle e sua amiga Honor, que tomou a identidade de Liza Johnson há doze anos, eram duas companheiras de Castas. Isabelle de um tranquilo e muito intenso Coyote e Liza de um enorme e sombrio Lobo. Ambas as mulheres eram loucas por seus “noivos” e compartilhavam um vínculo com eles que a tigresa em silêncio reconhecia. O cheiro do acasalamento, as necessidades físicas e emocionais, assim como o vínculo que os casais compartilhavam eram inconfundíveis para outros Castas. Alguns tinham um nome para isso, mas o cheiro era uma advertência para osCastas do sexo oposto, assim como a confirmação de uma união duradoura única.


Eles se adoravam também. Inclusive antes do cheiro de acasalamento ficar mais forte, mais profundo, o cheiro de seus vínculos emocionais eram mais claros. Ela e Graeme não tinham sentimentos assim. O que possa ter acontecido naqueles primeiros anos, quando se preocupava com ela nos laboratórios, ele matou o sentimento depois, como ameaçou matá-la. A noite em que lhe assegurou que ela não era nada além de seu próprio experimento pessoal. A pura loucura que adotou para fazer tal afirmação quase se igualou à loucura por trás do número de câmeras que colocou na casa que Reever lhe ofereceu para usar. No andar de cima, encontrou seis, no andar de baixo até o momento, encontrou quatro e nem sequer chegou à cozinha ainda. E ela não tinha nenhuma dúvida de que encontraria câmeras ali. Colocando as que achou no lixo da cozinha, acabava de abrir a primeira porta do armário quando soou a campanhia. De joelhos sobre a bancada de mármore, ela lançou um olhar com irritação para a porta. Quem demônios era o suficiente louco para tocar sua campanhia? Não sabiam que umCastaBengala louco estava espreitando em alguma parte? Jonas não anunciou isso para o maldito mundo ainda? Saltando abaixo com um grunhido, ela caminhou através da casa até a porta, parando em seco quando sentiu o cheiro dos homens do outro lado. Não precisava disso. Ela não tinha que lidar com isto. Onde diabos estava o louco Casta quando precisava dele? Agarrando a maçaneta da porta e abrindo-a, enfrentou os homens com o cenho franzido. —Que diabos quer? Raymond Martinez tinha um rosto de político. Sombrio, compassivo, enganando condenadamente todos os que olhava. Com um leve toque prateado no cabelo negro dos lados, olhos castanhos escuros e pele morena, ele continuava sendo um homem razoavelmente apresentável, ainda que o peso sob a pele arruinava qualquer chance que tivesse. Seu filho, Lincoln Martinez, era outra história. Aos trinta e dois anos, Linc estava em boa forma. De licença do exército, era todo músculo e uma expressão forte. Linc obviamente conseguiu sua licença mais rápido do que ela imaginou. Não esperava, no entanto, que estivesse com seu pai. —Claire, por favor... — Começou Linc.


—Oh, dê-me um maldito descanso. — Disse para Raymond, o nome de sua filha enfurecendo-o. Ele condenadamente bem sabia como se chamava, lhe disseram na noite que o corpo de sua filha morreu e seu espírito entrou em Cat. — Não lhe disse que não sou sua irmã? Decepciona-me, Raymond. Imaginei que houvesse ido e voltado neste ponto do inferno. Raymond fez uma careta. —Podemos fazer isto dentro da casa, Cat? — Linc grunhiu, olhando para o pátio, para as pedras e grama que o recobria. Bom, evidentemente Raymond lhe contou. Ou sempre soube? Ela sempre suspeitou que Linc fazia parte dos guerreiros desconhecidos, mas se entrou para a seita secreta depois ou antes da morte de sua irmã, não tinha certeza. —Ah, vi que não me decepcionou. — Murmurou, o sarcasmo fundindo em sua voz de forma surpreendente, inclusive quando ela olhou para o homem que jurou formar parte de seu circulo protetor. — Claro, entrem. Dando um passo atrás da porta, indicou o caminho com a mão. Quando passaram pela porta,a fechou com tanta força que Raymond balançou de medo. Linc se limitou a mover a cabeça antes de esfregar o lado do rosto e olhar para ela. Seu tenso sorriso foi acompanhado por uma cruzada de braços sobre os seios e uma curiosa inclinação da cabeça enquanto olhava entre os dois homens e silenciosamente comparava as aparências. —Sabe Linc, acho que ficará feliz quando for mais velho, se parece mais com Terran e Orrin que com ele. — Apontou para Raymond. — Ele não envelheceu muito bem. A irritação nos olhos de Raymond agora estava mais à superfície do que normalmente enfrentava e muito mais cômoda que a falsa tranquilidade que mostrava. —Você, sua pequena cadela... — Disse furioso. —Basta! — A voz de Linc um comando que fez as sobrancelhas de Cat se levantarem quando Raymond imediatamente ficou em silêncio. —Impressionante. — Murmurou, realmente impressionada pelo tom agudo e força da mesma. —Isso vai para você também. — Linc informou bruscamente, lançando-lhe um olhar melancólico. — Estamos aqui para conversar. Não estou de humor para ouvir insultos entre os dois. Ele não era seu alfa tampouco. —Então sugiro que fale logo e vá embora. — Ela informou ao homem que uma vez chamou de irmão. — Devido ao que me diz respeito,


ele não é nada além de um insulto para os humanos. É muito difícil não apontar isto a cada oportunidade. A porta se abriu, lançou aos homens um olhar duro antes de pisar forte através da entrada da cozinha até a parte detrás da casa. Já teve o suficiente desta discussão em particular. —Fique aqui, maldição. — Linc ordenou ao seu pai quando ele ignorou a porta aberta e agarrou seu pulso com força. — Não posso acreditar que você fodeu tudo. Onde diabos estava com a cabeça? Era para protegê-la, não antagonizá-la. Cat inalou bruscamente. Bom, isso respondia sua pergunta. Ela sempre suspeitou que Linc fizesse parte do grupo chamado Desconhecido, cujo trabalho era protegê-la do Conselho de Genética quando Raymond reconheceu adequadamente perante o mundo que era sua filha. Ela nunca teve certeza até esta afirmação. Apenas um membro do Desconhecido ou os presentes naquela noite, saberiam esta informação. Cat o permitiu arrastá-la pelo corredor, mais interessada no que ele queria do que arrancar os olhos de Raymond neste momento. Virou-se e enfrentou-o quando entrou na cozinha. Era mais alto que seu pai, facilmente alguns centímetros. Seu cabelo negro era bem curto, uma sombra meia-noite sobre o couro cabeludo enquanto os olhos negros a observavam com um mistério inescrutável. Um mistério que sempre viu em seus olhos cada vez que estava por perto. Linc sempre foi amável com ela quando estava em casa, mas diferente dos outros não fingia um amor ou uma conexão que não estava ali. Ela se havia perguntado se isso era simplesmente porque era anos mais velho que sua irmã ou se sabia a verdade. Ao menos não mentiu para ela como todos os demais fizeram. Não a levou pelo longo caminho dourado da crença de que ela poderia pertencer a alguém. —Porque está aqui? — Perguntou quando passou pela porta da cozinha. — Depois de todos estes anos, de repente, apareceu a enorme vontade de bancar o irmão mais velho? Onde estava quando Claire precisou de você? Quando Claire entrou no corpo de um gato. Durante este tempo Cat esteve dormindo, protegida por um espírito que caminhava e falava dentro de seu corpo. Ira brilhou em seus olhos escuros. — Não estou aqui para falar de Claire, Cat. Nego-me a falar de Claire. — Algo doloroso e sombrio encheu sua expressão por um


momento. — Trata-se de meu pai. Pode ser que seja um idiota e nem sempre é amável... Ela teve que rir disso. —Maldição Cat, não vou deixar Wyatt acusá-lo injustamente. Se fosse tão terrível como estas acusações dizem, então ele nunca a teria ajudado. — A lealdade cravou suas garras afiadas no coração e na alma de Lincoln Martinez. Como seu tio e seu avô, era um homem que nasceu para acolher aos outros, proteger e com certeza Raymond o convenceu de sua inocência. Em quem iria acreditar, se perguntou. Seu pai ou a mulher a qual sua irmã se sacrificou tentando proteger? —É inconcebível para mim que você tenha permitido que te enganasse. — Ela disse irritada, furiosa por um homem tão inteligente e intuitivo não poder ver o mal que infectava seu pai. — Wyatt o acusando injustamente? Linc, se eu pudesse sair disso, eu mesma o mataria. De fato, se pudesse ter convencido vários Castaseu mesma o teria assassinado com muito gosto, há anos. Linc olhou como se não pudesse acreditar no que ouvia. Depois de vários segundos sua expressão endureceu, sem emoção. — Ele não teria traído sua filha nem sua irmã assim. — A frieza em sua voz era algo para tomar cuidado. Era perigoso, uma advertência sobre as represálias se sentisse que eram justificadas. — Admito que nem sempre é amável. —Amável? — Zombou incrédula. — Não havia um dia que Claire não sentia seu ódio e uma vez que percebi, não houve um dia que eu não senti. Às vezes, o sangue era mais espesso que a água, ao que parecia. Divertido, Linc conseguiu surpreendê-la. Ela esperou ao menos curiosidade pelo motivo que odiava Raymond tão profundamente. Porque ela queria matá-lo. —Acredite no que quiser. Porque estão os dois aqui? — Passando os dedos pelos cabelos, lembrou a si mesma que não deveria ter ficado surpresa. Linc pode ter fingido ser seu irmão quando estava em casa de licença, mas não era. Ela não era nada para ele. —Filho da puta. — Murmurou sem deixar de olhar fixamente para ela também, um gesto melancólico enrugando sua testa enquanto a olhava. — Tinha a esperança de que fosse ao Tribunal conosco, fazer frente como uma família. Se não por outra razão que a de preservar sua própria segurança precária. Ele te protegeu. Merece algo. Ele a protegeu?


Ela piscou para Linc antes de começar a rir novamente, zombando enquanto olhava para ele. —Isso foi o que te disse? Que me protegia? — Ela perguntou com irritação com uma mão nos quadris em desafio. — Ele realmente conseguiu dizer estas palavras sem se sufocar? —Bom, que me mordam se alguém a encontrou enquanto estava sob seu teto. — Afirmou com frustração enchendo sua voz. Seu olhar não estava cheio de frustração, no entanto, era duro, frio e analítico. —De verdade acredita nisso, Linc? — Perguntou ela, segura de que havia pelo menos a suspeita da verdade. — Eles tem provas de que entrou em contato com um conhecido informante do Conselho de Genética justo depois de sair da reunião na qual se comprovou que não apenas vendeu sua irmã para eles, mas que sabia o tempo o que aconteceu com ela. Deixou-a morrer num dos atos mais horríveis que alguém poderia suportar. Porque Terran e Orrin esconderam isto dele? Eles sabiam a verdade. —O inferno que fez isso. Cat, foi acusado, não há provas. — Ele estava lutando contra a verdade, podia sentir o cheiro. —Ele está mentindo. — Disse. — Todos sabiam que estava mentindo. Lembrou-se do horror de seu avô Orrin e sua aceitação lenta de que seu filho mais velho fez algo tão horrível. Sabia que Raymond fez justamente o que foi acusado de fazer. Vendeu sua irmã e lhe permitiu sofrer até a morte sob um bisturi de um cirurgião. —Castas? — Linc perguntou, a mandíbula apertada em fúria. — Eles cheiraram suas mentiras? E devo acreditar nisto? —Eu senti o cheiro de suas mentiras. — Olhou para ele com os punhos apertados e tentando conter as garras que queriam sair, mas em silencio rogou para que não a chamasse de mentirosa. Ele piscou para ela, agora em silêncio, com o rosto tão tenso que parecia talhado em mármore. Ele sabia o que era, sabia o que foi sua irmã e sabia que ela não tinha nenhuma razão para mentir ou então ele não aprendeu nada nos últimos anos desde que entrou para sua família. —Então porque ajudou você? — Não queria acreditar, não queria aceitar, mas ao menos não estava negando por completo. —Devido a não ter outra opção. — Apontou. — Seu irmão e seu pai eram parte disto. Você fez parte disto e ele sabia. Foi dito a ele que era a única maneira de qualquer parte de Claire sobreviver e teve que manter a ilusão de que amava sua filha. Não podia permitir que qualquer um suspeitasse do que realmente sentia. Se acontecesse, então ele arriscaria


seus segredos e poderiam descobrir. Mas não se engane pensando que um dia da minha vida naquela casa ele foi amável. Somente quando você estava ali. Linc não era um homem cruel. Era um homem impulsionado pela necessidade de lutar pelo que era correto, pela justiça. Sua crença no direito dos Castasde existirem preencheu a maior parte de sua vida. Participou desta causa, inclusive antes de se unir ao exército. Uma vez que se uniu, partiu em várias missões, não apenas para proteger, mas para destruir por completo o Conselho de Genética. Essencialmente por espionar Linc, Raymond descobria muito sobre suas missões contra o Conselho e informava seus chefes. As ligações eram realizadas por satélite, mas os telefones permaneceram em segredo até que Cat encontrou justo depois que descobriu o que Raymond fez com sua irmã. —Se é verdade, porque não contou? — A necessidade de demonstrar que estava errada estava diminuindo, podia ver, apesar da necessidade de lealdade permanecer. Raymond era seu pai. Admitir o que o homem fez não seria fácil para Linc. —Porque ele teria revelado quem eu era e onde estava num momento que não poderia ter me defendido, assim era como me ameaçava. — Disse em voz baixa. —Assim como fez quando me neguei a obedecê-lo e apoiá-lo quando suspeitaram de seus crimes. — A amargura a corroía. — Não volte a me pedir que o ajude a menos que seja para mandá-lo diretamente ao inferno onde pertence. —Porque não me contou? — Fúria brilhou em sua expressão, diminuindo o tom de sua voz. — Porque não me procurou? Ela lhe devolveu o olhar, lembrando-se o impotente que se sentiu durante estes primeiros anos depois que acordou e percebeu a vida que Claire vivia. —Porque Claire não te contou? — Ela perguntou triste, vendo a dor sombria brilhar em seus olhos. — Não havia como você ajudar, Linc. Estava no exército. Qualquer tentativa de ajuda apenas iria colocá-lo em desacordo. — Exalou com cansaço. — Se não quer acreditar, tudo bem. De qualquer forma, tire este bastardo desta casa antes que a contamine com o mal dentro dele. É um tumor maligno e não o quero em qualquer lugar ao meu redor. Linc estremeceu. Foi doloroso ver o repentino brilho de indecisão em seu olhar, a luz tênue da suspeita. Ele sabia. Não queria admitir, mas sabia a verdade. O que decidiria fazer era outra coisa. Seus lábios se separaram, mas tudo o


que queria dizer foi interrompido por um grunhido repentino e o som de terror vindo de um homem. Linc se moveu rápido. Tão rápido que Cat se encontrou atrás dele enquanto corriam para o corredor e chegavam a uma parada repentina e aturdida. Pura fúria se mostrava no rosto de Graeme. As listras escuras não revelavam sua verdadeira natureza, assim como sua verdadeira identidade não era evidente, mas tinha a sensação de que não estavam tão escondidas. Uma mão em garras estava ao redor da garganta de Raymond, o lançando do outro lado da porta e de repente jogando o homem mais velho no pátio sobre seu traseiro. Logo deu a volta, claramente disposto a fazer o mesmo com Linc. Ele parou e Linc levantou as mãos, sua expressão fechada enquanto enfrentava umCastaLeão enfurecido. —Já estou saindo, Graeme. — Assegurou. — Nunca deveria tê-lo ouvido quando pediu para vir comigo. É um erro que não cometerei novamente. O fato dele conhecer Graeme era surpreendente. Não esperava por isso. —Você nunca deveria tê-lo trazido aqui. — Graeme grunhiu. — É um erro que prometo se arrependerá. Lançando um olhar para porta onde Raymond estava de costas, gemendo como se houvesse sido rasgado em vez de jogado, Linc balançou a cabeça com cansaço. —Já lamento. — Disse em voz baixa. — E me desculpo por isso. Assim, saiu da casa. Desta vez, Cat estremeceu quando Graeme fechou a porta com tanto violência que quase sacudiu a pequena casa. —Bom, isso foi muito maduro, verdade? — Zombou enquanto cruzava os braços sob os seios, pela segunda vez nesta manhã. —Acha que eles ficaram impressionados com a força Casta nesta batida na porta de Lobo que quase a arrancou? As listras apareceram de repente em seu rosto. Marcas escuras sob o rosto que se estendiam sobre um olho, através do nariz arrogante. Um ponto forte terminava no outro olho. Outras se fechavam ao redor de seu pescoço. Cat retrocedeu cautelosamente quando o verde de seus olhos, normalmente de cor âmbar se converteu em âmbar-verde salpicado, enchendo a parte branca dos olhos. —Agora Graeme, toda esta fúria está simplesmente fora de lugar. — Informou com muito mais valentia que sentia. — Seria um bom momento para simplesmente relaxar e se acalmar.


Ela não conhecia esteCasta. Inclusive seu cheiro tinha algo diferente, algo difícil de alcançar e tão selvagem que ia muito além de primitivo. —Acalmar? — Grunhiu, mais profundo, mais rouco, o que a fez se perguntar se talvez deveria ter permanecido em silêncio. —Sim, se acalmar. — O que era um centavo, perto de uma libra? — Tinha tudo sob controle e Linc nunca teria permitido que ele tentasse algo. —Linc? — Seu olhar se estreitou nela. O olhar predador era quase aterrador. — Agora, companheira, o que é este cheiro de afeto que sinto vindo de você? Oh, realmente não iria por ali. E o que interessava a ela se gostava ou não de alguém? Companheira uma merda... —Companheira? — Apoiando as mãos nos quadris, deixou a cautela ser substituída pela fúria. — Está fodidamente louco. —Pode apostar que sim. — Ele se moveu antes que pudesse perceber, antes que pudesse se afastar. Colocou-a contra a parede, levantando-a na ponta dos pés, as coxas abertas e apertando sua ereção tensa contra o tecido da calça na carne sensível entre as coxas dela. Excitado? —Me maltratar realmente te excita? — Dedos apertaram seus ombros, se perguntou porque demônios não estava tentando rasgá-lo com suas garras pela frente de sua camisa. Porque se sentia tão bem. Tão quente e forte, suas mão segurando seus quadris, suas coxas musculosas separando as dela, mantendo-as abertas enquanto os quadris se moviam para esfregar a ereção coberta mais firme contra ela. —Realmente me excita. — Grunhiu. — Deixa meu pau tão duro que poderia te foder durante horas. De repente ela sentiu dor. As sensíveis dobras entre suas coxas estavam úmidas, seu clitóris pulsando, as profundidades de sua vagina dolorida. Estava excitada como nunca ficou antes. As terminações nervosas clamavam para se aproximar dele, partes de seu corpo formigavam como nunca antes. Seus seios estavam cada vez mais inchados, seus mamilos duros. —Então encontre alguém. — Ficou sem fôlego. — Encontre outra pessoa para conseguir seu alivio. — Ela o mataria se o fizesse. —Você é minha. — As presas ficaram justo de frente ao seu nariz e a fez piscar com surpresa. — Permita que aquele bastardo lhe acaricie a bochecha novamente e eu arrancarei a carne de seus ossos...


— A carne de seus ossos? — Qualquer dia deste poderia manter a boca fechada. — Está ficando velho, Graeme. Realmente precisa aprender algo novo. Suas garras flexionaram em seus ombros, totalmente contra seu melhor juízo, mas seus quadris se moveram novamente, arrastando o material da calça contra a seda de sua calcinha, que por sua vez raspou no clitóris inchado. E se sentia tão condenadamente bom. —Algo novo? Vamos ver o que posso fazer por você. — Respondeu, mas não estava com raiva. As listras foram retrocedendo enquanto abaixava a cabeça, seus lábios se moviam pela carne nua revelada pelas alças de sua blusa. Ele não beijou. Ele não mordeu. Fez algo no meio. Justo sobre a palpitante veia cheia de seu pescoço, seus dentes agarraram, se arrastaram sobre ela justo antes de sua língua roçar a pele quente. —Meu Deus. Apenas me mate agora. — Gemeu, enquanto deliciosas sensações corriam de seu pescoço até as zonas erógenas que não sabia que possuía. Tudo se combinava para criar uma dor e calor entre suas coxas enquanto sentia a umidade de derramar de seu corpo. Era um grande problema. Era um problema de magnitude enorme, porque era uma fraqueza e Graeme sempre usava qualquer fraqueza que descobria. —Matá-la? —Grunhiu, seus lábios se movendo ao longo da coluna de seu pescoço enquanto ela se encontrava incapaz de fazer outra coisa além de inclinar a cabeça de lado e lhe permitir acesso. — Matá-la não está na agenda, gatinha. Quero foder você. Porque seu útero se apertava em um prazer súbito com a ameaça e lhe roubava a respiração? Não havia uma maldita coisa romântica em sua declaração. Era luxúria pura, fome pura. —Não é uma boa ideia. — Ofegou, ainda que suas pálpebras se fechassem e ela se arqueasse mais perto, a sensação de seus lábios em sua clavícula arrastando um gemido espontâneo de seus lábios. —Como no inferno. — Uma mão se moveu pela parte de trás de sua blusa e na seguinte respiração o material estava no chão. Rasgou sua camisa? Ela lhe devolveu o olhar, sem saber se estava indignada ou completamente excitada. Seu olhar caiu em seus seios, a cor âmbar de seus olhos escureceram ao ver as curvas inchadas, ainda que contidas, já que estavam no sutiã de algodão que usava.


—Vi seda e renda em suas gavetas. — O olhar voltou para seus lábios abertos com surpresa. — Porque não usa? —Já tentou lutar ou correr com um sutiã de renda? — Disse sem fôlego. —Não dura muito. —Use renda e eu lutarei por você. — Disse com voz rouca. — Mataria para ver em você. Levantou a mão, uma só garra estendida antes de deslizar sob o material entre seus seios e cortá-lo, roçando as copas e deixando-a de lado para que pudesse olhar para baixo, a carne nua. —Graeme, isto é uma loucura. — Sussurrou. —Como você disse, estou louco. — Respondeu distraidamente enquanto roçava sua bochecha contra a lateral da curva inchada. — Porque iria fingir sanidade a estas alturas? Seu fôlego flutuou sobre seu mamilo, a leve caricia de ar quente quase a fazendo gemer. —Irá se arrepender mais tarde. — Assegurou. — Sabe o irritado que fica quando se arrepende mais tarde. Ela definitivamente se arrependeria. Ela já lamentava. No entanto, sua cabeça caiu para trás, arqueando as costas e seus dedos deslizaram pelo cabelo para mantê-lo contra ela quando seus lábios cobriram o mamilo duro. Um grito saiu dela quando os lábios rodearam a ponta, puxando-a em sua boca e chupando. Sua língua a lambeu, lambeu e lambeu. Dentes afiados agarraram a ponta torturada. Mordiscando enquanto passava a língua e logo se movia sobre ele. As caricias a incendiaram com tanto prazer que ela se arqueou contra ele, montando sua dura ereção, desesperada para aliviar a crescente necessidade palpitante entre as coxas. A umidade se derramava de sua vagina, cobrindo as dobras e além, molhando a seda que cobria seu sexo. Cada toque de sua boca, cada uma das lambidas ou mordidas contra seu mamilo enviava espirais entre suas coxas e a deixava indefesa. Ela nunca conheceu um prazer como este. Ela nunca sentiu dor assim ou se encontrou impotente contra um homem. E era Graeme. Graeme que a destruiu, que tomou tudo o que podia, enganando-a com a crença de que podia ser sua. —Pare. — Sua voz era fraca. Teve que forçar o protesto contra seus lábios. Ela estaria condenada se o recompensaria por desgarrar sua vida. —Pare, Graeme. Pare...


Sua cabeça se moveu, seus lábios inchados e sexys como o inferno. E odiou a si mesma por notar. —Não vou me arrepender. — De repente grunhiu em resposta a sua declaração anterior. — Mas não tenho nenhuma dúvida que se arrependerá de deixar esta tolice que acaba de sair de seus lábios. Antes que ela percebesse o que pretendia, soltou-a. Mantendo seus quadris presos até que ela ficou de pé por sua própria contra, assim se moveu, o fogo âmbar enchendo seus olhos enquanto a olhava, a respiração agitada, errática. Não havia dúvidas de que lamentaria. Demônios, ela já se arrependia. —Precisa ir. — Ela nunca iria conseguir controlar sua respiração. O som do fôlego era algo que nunca ouviu em seus próprios lábios antes. Suas garras estavam cravadas na parede atrás dela, seus seios nus ainda segurando seu olhar, seus mamilos ainda apertados e duros, como se rogando para que ignorasse suas palavras. Seu corpo a estava traindo tão ansiosamente como Graeme a traiu anos antes. —Claro que sim. — Grunhiu. — Deus não quer que tenha dúvidas, verdade? —Exatamente. — Disse entre dentes devolvendo o olhar, a felina soando forte e cheia de seu próprio conflito interior. — Deus não permita que na verdade faça da minha vida um inferno, é mais ou menos assim. Porque devo te recompensar por isso? —Me recompensar? — Assombro encheu sua voz assim como sua expressão. — Acredite em mim, bebê, você é quem estava a ponto de receber uma recompensa. —De verdade? — Ela quase ronronou enquanto saia da parede, seu olhar deslizando sobre ele lentamente enquanto passava ao lado; o cheiro de sua luxúria era muito mais forte, a fome maior fazendo seus sentidos despertarem. — Então não te incomodará saber como fantasiei em ter um amante. — Fantasiou com ele enquanto dormia, indefesa pelas imagens. — E todas as formas como imaginei ser recompensada pelo homem que queria ter. As listras do primitivo Bengala pulsaram sob sua pele quando um grunhido saiu de sua garganta. —Não empurre, Cat. — Advertiu, seu tom gutural enquanto agarrava o corrimão e começava a subir a escada. —Como me perguntei como seria provar sua pele, lambê-lo bem forte como meu sorvete favorito. Ou, levantar-me sobre ele e depois descer...


O grunhido que saiu de seus lábios lhe enviou correndo pelas escadas, toda a ideia de zombar dele sumindo sob o som completamente excitado, a luxúria plena de um Bengala com foco em apenas uma coisa. Puro sexo sem sentido. Ela fechou a porta do quarto, trancou e se afastou com cautela, se perguntando se iria se atrever a rompê-la. —Gosta de jogos muito perigosos, companheira. — Gritou através da porta. —Busque alguém para se acasalar. Não gostaria de apostar em mim. — Informou com rebeldia. — Desculpe, imbecil, busque alguém que não te conhece tão bem como eu. Uma risada masculina sombria soou em desafio. — Acha que me conhece, gatinha? É isso o que realmente pensa? —É o que sei. — Recuperando outro sutiã da gaveta, vestiu-o rápido antes de colocar uma camiseta para cobri-lo. Maldito, destruiu um sutiã novo. —Então dever ser consciente do fato de que o que eu reivindico, eu mantenho. — A baixa e furiosa advertência em sua voz fez um arrepio percorrer suas costas. — Não me coloque a prova nisto. Deixe que outro a toque, deixe que outro derrame o cheiro de sua luxuria ao redor e verá porque os cientistas estúpidos do Conselho gemiam ante apenas a ideia de me ver. —Porque está fodidamente louco? —Sugeriu irônica, olhando para a porta. — Porque sabem a cepa de raiva que contem seu código genético defeituoso? Ele a deixava tão louco que era só o que podia fazer para evitar abrir a porta e confrontá-lo novamente. O problema era que provavelmente encontraria a si mesma rogando para tocá-la novamente. —Porque não tenho nenhum problema para chegar dentro de seus peitos e lhes permitir ver como arranco seus corações. — Animalesca, primitiva e rouca, sua voz fazendo um arrepio percorrer suas costas com uma sensação de terror. — Lembre-se disso, minha gatinha, se este bastardo do Lincoln Martinez pensar em tocá-la novamente. Eu irei arrancar primeiro seu pau e empurrar por sua garganta. Ela piscou com a ameaça, quase permitindo uma onda de repentino humor que se sentia livre para deslizar ante a ameaça final. E Jonas a chamava de dramática? Não tinha visto o drama ainda. A batida na porta da cozinha lhe assegurou que o furioso Bengala se foi. Afortunadamente.


Ao pressionar o estômago com a mão, inalou profundamente, freneticamente tentando encontrar uma forma de sair da bagunça na qual se encontrava. E sim, era um desastre. Devido a que podia tê-lo deixado, mas criou uma excitação dentro dela que não existia. Iria ter que trocar de calcinha, porque definitivamente estava molhada com sua umidade quente que o toque dele criou. E ela não considerava uma boa coisa. Não era uma boa coisa em absoluto. CAPÍTULO CINCO Ela seria sua morte. Graeme sempre soube que ela seria sua morte. Desde o momento que começou a rastreá-la, que conheceu esta mulher, soube que seria mais problema do que poderia lidar. Movendo-se rapidamente através dos túneis entre a pequena casa alugada e a propriedade Reever, Graeme lembrou-se de como era pequena inclusive então e como parecia encontrar problemas sem importar o esforço que fizesse para se assegurar que ficasse a salvo. Ele tinha apenas onze anos quando Brandenmore a colocou em seus braços, dando-lhe a responsabilidade de cuidar dela. Sua sobrevivência dependia dele; percebeu no instante que seu coração bateu que era importante. Até este momento nunca realmente sentiu sua genética animal como algo separado, toda esta energia. E aconteceu naquele momento, no entanto. O garoto e o imaturo Bengala estavam lado a lado dentro dele. O garoto olhou para a criança, sem saber como cuidar de uma criatura tão doente. Neste momento, a genética Casta dominou o lado humano, o animal tomando-o completamente e reivindicando a menina. Sabia que ela era sua. O animal, imaturo como era, a reclamou no mesmo instante. No principio desculpou-se dizendo que a reivindicou para que fizesse parte da Manada a qual sempre pertenceria. No entanto, se conhecia melhor. Judd era seu irmão, seu irmão gêmeo e ainda que o vínculo entre os gêmeos sempre estivesse ali, seu afeto por Cat ainda era diferente. Ela pertenceria a ele uma vez que amadurecesse. Num piscar de olhos, garoto e animal se foram. Não havia conhecimento sexual, apenas instinto. Encontrou sua outra metade, precisava garantir sua sobrevivência. Sua inteligência inclusive era muito superior a de qualquer pessoa que conhecia. A profundidade do conhecimento que poderia abarcar o


estava conduzindo a loucura, rasgando sua mente, separando-a como se o lado humano lutasse contra o animal dentro dele. Olhando com clareza, os olhos cheios de dor e pena, a união entre as parte com frequência era volátil e tudo acabava num instante. E muito pouco do que restava era humano. Sua inteligência, tanto humana como animal, o teria despedaçado se não fosse por este momento. Cat o equilibrava, era a engrenagem que o mantinha no lugar. Um trabalho a completar. Sua sobrevivência. Sua sobrevivência significava não apenas curar o mal funcionamento genético de seu corpo, que ele percebeu de imediato, mas também garantir que a fragilidade humana nunca a debilitasse novamente. Ele e o Dr. Foster isolaram a função genética em um soro, criado antes, quando o Dr. Foster era responsável pelo projeto. O médico e Graeme sabiam que este conhecimento nunca poderia ser revelado e lutariam para mantê-lo escondido. Queria curar Cat, assim como curou Honor, mas com Cat, o vírus isolado que foi tirado do soro seria injetado novamente, uma vez que Foster codificasse a genética Casta que poderia ativá-lo. A genética Bengala. Ao entrar na grande caverna principal sob a propriedade, dirigiu-se para a mesa e a cadeira do computador instalado no canto mais próximo. Ela conseguiu encontrar a maioria das câmeras, mas sabia que ela o faria. Havia ainda suficientes para vigiá-la, para garantir sua segurança. Os jardins estavam cobertos de câmeras, sensores eletrônicos e alarmes. Ele não seria leviano com sua segurança. Comprovou cada nível de segurança que instalou, era consciente da distração dolorosa que se aproximava. Lobo Reever raramente visitava a caverna, sob sua casa, que entregou à Graeme. Era o domínio de Graeme, concordaram. E agora, o visitava duas vezes ao invés de uma na semana. Descendo pela escada de pedra, o CastaLobo se moveu em silêncio pela caverna principal antes de caminhar até os monitores de segurança que ficavam na parede ao lado de Graeme. Parou, quase doze no total, dentro de toda a propriedade. Seu olhar parou na área da piscina e na jovem deitada sob os raios do sol com abandono preguiçoso. — Precisa de algo? — Graeme perguntou, sua atenção na tela mostrando os diferentes sistemas de segurança na casa alugada. —Jonas esteve aqui. — A atenção de Lobo permaneceu na área da piscina, seu olhar melancólico quando respondeu a pergunta. — Queria falar com você, mas parece que não estava.


—Tive que cuidar de algo na casa de aluguel. — Graeme informou. —Foda-se Jonas. O grunhido irônico mostrava sua concordância. —Não sente curiosidade pelo que queria? —O Casta Lobo perguntou depois de vários segundos. Ele sentia? —Na verdade, não. — Estava mais interessado em isolar uma anomalia em particular no sistema de segurança que apareceu na programação. — Jonas rara vez me preocupa e seja o que for não é o mesmo que parece querer no momento, assim normalmente não me preocupo com ele. Diversão apareceu nos olhos do outro Casta. Lobo tinha um estranho senso de humor, no entanto. Graeme aprendeu a tolerar. Depois de tudo, o CastaLobo sempre tolerava seu maldito passatempo de frequentemente interrogar Coiotes do Conselho, então eles tentavam concordar em discordar em tais assuntos. —Ele insistiu em colocar dois executores para vigiar a casa alugada. — Lobo revelou. — Insiste tanto, que está fazendo um pedido ao Conselho. Eu tenho um acordo com o Conselho, Graeme. Um que não quero romper. A declaração não era uma conversa. Ele estava informando Graeme que, neste caso, o Conselho poderia estar acima de seu acordo com Graeme. Um grunhido irritado deslizou além de sua garganta. — Este leão está me empurrando demais. — Murmurou enquanto deixava o programa de segurança que estava avaliando. — Mantenha-o afastado dela. —Graeme, tanto como rara vez falo algo sobre seus pequenos projetos em minha caverna, devo assinalar que não respondo à você. O favor que concordei em conceder à Khi neste pequeno período de tempo ainda está valendo. Mas não vou entrar em guerra com a Agência de Assuntos Castas por isso. Graeme levantou as pálpebras, olhando fixamente por um longo momento. —Pelo menos não facilmente. — O CastaLobo exalou com frustração. — Essa mulher será a minha morte. —Parece que enfrentamos problemas semelhantes então. — Graeme apontou desgostoso antes de empurrar atrás o dispositivo e desativá-lo. — Qual o argumento de Jonas? Ele preferia simplesmente rasgar a garganta do diretor da Agência, mas isso poderia irritar sua filha um pouco e Graeme se afeiçoou à menina


durante os meses que, em segredo, lhe deu o soro necessário para salvar sua vida. Brandenmore encontrou uma forma de injetar algo na criança numa tentativa de obrigar Jonas e os Castasa encontrarem uma cura para a destruição que seu próprio corpo estava criando por ter injetado seus experimentos. Convenceu Jonas de que o mesmo aconteceria a Âmbar. Lobo baixou o olhar enquanto Graeme deslizava de sua cadeira e se inclinava novamente para descansar contra a parede atrás dele antes de colocar os pés sobre a mesa. Entrelaçando os dedos atrás da cabeça, olhou para Lobo com os olhos estreitados. —Seu nível de falta de respeito me assombra. — Lobo disse com humor. —Seu nível de resposta para tudo com frequência me diverte. — Graeme lhe assegurou. — Mas eu rara vez vou contra. Então, o que quer nosso estimado Diretor? Lobo quase deixou um sorriso de reconhecimento tocar seus lábios, mas se conteve no último segundo. —Além de sua pele? — Perguntou Lobo. —Bom, sim. — Graeme assentiu. — Além disso. Sou consciente de que estou no topo de sua lista, no entanto. —Eu diria que encabeça a lista. — Lobo grunhiu. — Mas, além disso, está solicitando que deixe que a equipe de vigilância da Agência fique nos jardins da casa. Mostrou-se um pouco incomodado que seus satélites estejam com problemas para captar um zoom sobre ela. Parece que há alguma interferência atmosférica magnética. Graeme sorriu, não pode evitar. Satisfação podia ser uma coisa maravilhosa. —Estou muito satisfeito com a interferência, assim como seu encobrimento. — Os olhos prata do lobo refletiam a própria satisfação de Graeme. — Especialmente satisfeito por ser impossível de encontrar. Até o momento. —O algoritmo apenas se ativa quando é interceptada uma detecção por satélite e muda constantemente. — Graeme encolheu os ombros. Também há protocolos que ajudam a detectar qualquer tentativa de rastreamento. Era um de seus programas mais geniais. Ele adorava. —Considero-me muito afortunado por ter adquirido sua lealdade neste momento. — Lobo suspirou. — Mas Wyatt tem o potencial de converter-se em um problema, Graeme. A equipe de vigilância também pode determinar a localização da interferência por satélite. Graeme conteve o impulso de revirar os olhos. — A vigilância não pode identificar o problema, Lobo. — Assegurou. — Eu já disse.


—Mas não me disse porque. — Gelo cobriu sua voz. Não, ele não contou por que. Não explicou bem a Lobo ou o responsável pela vigilância como funcionava e não iria. Mas seria impossível rastrear, por isso Jonas estava preocupado. Deixando a cadeira voltar ao lugar, Graeme ficou de pé e se afastou dos monitores enquanto seguia o olhar de Lobo. —Porque não importa. — Lembrou aooutroCasta. — Funciona. —Não é magia, assim, é vulnerável. — Argumentou Lobo. —Está se convertendo em um problema, Lobo? — Ficando de frente a ele, Graeme estreitou os olhos no lobo e esperou. Perder a lealdade de Reever seria um problema, mas não insuperável. —Não é um problema. — Lobo balançou a cabeça, em absoluto preocupado com a postura de Graeme. — Simplesmente uma observação. No momento, meu único problema é Wyatt. Como já disse, uma guerra com a Agência seria um problema neste momento. Eu prefiro ficar do lado amável, se não se importa. Mas também preferiria não ter equipes ao redor de minha propriedade. Nisso Graeme não o culpava. —Diga que podem ver a casa o quanto quiser da divisa da propriedade. — Sugeriu, sem se preocupar com o problema. — Seu acordo com o Conselho não permite arbitrariamente que vigiem de dentro da propriedade. —Graeme, já estão nos limites da propriedade. — Reever suspirou, cruzando os braços sobre o peito, provavelmente enrugando a camisa de seda branca imaculada que usava. Lobo não gostava de rugas, Graeme lembrou-se com diversão. Maldição. Sentia que deveria fazer disto um favor pessoal, então iria perder uma das dívidas que manteve por anos. Provavelmente vários deles. Não gostava desta ideia. —Por acaso o novo Diretor da Divisão desta área não lhe deve algum favor? — Perguntou Graeme então, estreitando os olhos para Lobo. — Você permitiu o uso desta caverna para se livrar de um problema antigo. A execução do homem que traiu a companheira de Rule Breaker não era exatamente uma dívida. Reever o deixou usar as cavernas, supostamente, assim como a promessa de Breaker manter a localização em segredo. —Tenho apenas esta dívida com Breaker. — Lobo grunhiu. — Prefiro não usá-la. Graeme lhe devolveu o olhar com surpresa.


— Quer que eu use meus pontos com os brownies? —Há muito mais neste caso. — Lobo arrastou as palavras. — Parece justo que use um de seus muitos pontos em vez de me fazer usar o único que adquiri com o novo Diretor da Divisão. —Tenho abundância porque não penso muito a respeito e nem jogo fora como se fosse um maldito caramelo, Reever. — Grunhiu, irritado com a ideia de usar uma de suas preciosasdívidas. —Quero que isto desapareça, Graeme. — Disse sem soar como uma ordem, mas sem dúvida uma advertência. Lobo inclinou a cabeça brevemente como despedida antes de girar e se afastar. —Sim, bom, e eu quero deixar o monstro solto, mas continuo contendo-o. — Murmurou, caminhando com fúria novamente aos computadores e inclinando-se atrás em sua cadeira. Maldição, não tinha tempo para o que Lobo queria. Olhou para a tela do computador com os olhos estreitados, observando o resultado do programa que acionou antes. A anomalia não era parte da programação, mas também não conseguiu identificar ou localizar. Ignorando tudo, voltou a trabalhar. Jonas teria que esperar um pouco ***** Ela tinha certeza de poder encontrar pelo menos um pouco de paz na casa alugada de Reever, pensou Cat quando abriu os olhos na tarde seguinte e olhou do outro lado da piscina para Graeme. Ela sentiu que a observava, soube inclusive antes de abrir os olhos que ele estava ali. A deriva, preguiçosamente na piscina atrás da casa, usando nada mais que um biquíni minúsculo, Cat admitiu que querer desfrutar da água poderia ter sido um erro. O Bengala a observava como se fosse o lanche da tarde depois de perder o café da manhã. —O que você quer? — Murmurou. Empurrou a bóia em forma de cadeira na água e se aproximou com cautela do pátio. Graeme aproximou-se, seu olhar vacilante sobre seu corpo quando a água salpicou a pele bronzeada. O olhar estava tão concentrado que se perguntou como não sentia o contato dele como uma carícia física. —Pare de me desnudar com os olhos. — Exigiu, se movendo em direção à mesa com guarda-sol e pegando uma garrafa de água em repouso num balde de gelo ali.


—Já está nua. — Assegurou, sua voz suave e sedutora. — Simplesmente estava aproveitando a vista. —Então deixe de aproveitar. — Não que a resposta o fez mudar. Seus lábios se arquearam com indícios de um muito atraente senso de humor. E continuou olhando-a, ainda acariciando-a com seu olhar. E se encontrou muito sensível a ele. Pegou a toalha que levou com ela. —Por favor, não o faça Cat. — Não era uma ordem. Virou-se e o olhou nos olhos, a fome e a necessidade queimando, uma demanda clara, mas seu tom era suave, solicito. Ele estava pedindo para não se cobrir, sem exigir. Pelo menos sem exigir verbalmente. —Por quê? — Ele tinha que se afastar dele, a necessidade que via em seu olhar a debilitava, a fazia querer esquecer os últimos treze anos e ela não queria esquecer. —Porque é a mais bonita visão que já tive. — Sua voz estava rouca agora, o som da mesma inundando seus sentidos e seu corpo, deixando-a mais fraca ainda. O prazer fazendo sua respiração ofegar enquanto seu coração Castaacelerava com entusiasmo. Como fazia isto com ela? Porque toda sua vida se consumiu por este Casta e sentia as emoções conflituosas, cheias de dor que inspirava nela? —Porque faz isso comigo, Graeme? Porque tenta me destruir? — Ele foi seu mundo antes e então o destruiu. Era uma criança. Nada importava para ela, mas ele, ele a destruiu. —Destruí-la nunca foi minha intenção. — Ele se moveu atrás dela, parando apenas quando estava a centímetros de tocá-la. Com suavidade, firmeza, seus dedos se fecharam ao redor dos quadris enquanto abaixava a cabeça em seu ombro nu. — Machucá-la nunca foi minha intenção, Cat. —Então, qual era sua intenção? — Punhos apertados, ela lutava contra a atração de seu corpo, a lembrança das sensações incríveis que poderia criar em sua carne. — Porque para algo do qual não tem a intenção, está fazendo um bom trabalho. Ele estava destruindo seus sentidos, sua determinação de permanecer à margem, sua promessa a si mesma de nunca permitir que destroçasse seu coração novamente. Ou o que ainda restava de seu coração. Dedos calosos apertaram seus quadris, segurando-a no lugar quando tentou se afastar. Ela não podia fazer isto. Se continuasse de pé ali, se o deixasse segurá-la contra ele, então ela pediria que a tomasse e depois se sentiria destroçada com a separação. Uma mão deslizou de seus quadris para seu estomago, onde apertou os músculos de seu ventre. Seus olhos se


fecharam, a sensualidade enfraquecendo-a, zombando de sua determinação de resistir. —Posso sentir o cheiro de sua necessidade, suave e quente. — Sussurrou em seu ouvido. — Um cheiro que vicia e me encontro ansiandoo nos momentos mais estranhos. —Tenho certeza que há um programa de doze passos para isso em algum lugar. Aposto que Jonas Wyatt poderia apontar a direção correta. — Assegurou, forçando o sarcasmo em sua voz para esconder a necessidade dele. A sensação de seus dentes contra seu pescoço foi seguido de um grunhido baixo de advertência, em resposta à sugestão. —Garota má. — Repreendeu. — Tenho certeza que não preciso da ajuda de Jonas de nenhuma forma. — Com tempo pode precisar. — Assegurou ofegante e encontrando a si mesma girando sem perceber o movimento dele. Em um segundo estava olhando além dele e no seguinte estava olhando para ele, seu peito pressionando seu rosto, sua ereção contida apenas pelo tecido da calça, pressionando a parte baixa do estomago. —Quando te encontrei, estava completamente enlouquecido. — Grunhiu olhando-a fixamente com uma demanda que brilhou como ouro nos olhos verdes como a selva. — Era apenas instinto e intelecto. Sem piedade, sem compaixão. — Uma mão enroscada na parte detrás de seu cabelo úmido, apertando enquanto o olhar passeava por seu rosto. — Na última vez que estive neste deserto te procurando, havia apenas o cheiro de Claire Martinez em seu corpo. Não havia indicio da minha Cat, sem importar a aparência similar e eu me perdi. Quando voltei, não havia indícios de Claire, apenas minha Cat e sua dor. Sua solidão. —Sua voz diminuiu o tom, abaixou a cabeça e roçou os lábios no canto dos lábios dela. — Toda a loucura que me dirigiu por tanto tempo se afastou e o monstro se acalmou. A pouca sanidade que tinha voltou ao lugar e soube o motivo da existência do monstro. — Fez uma pausa, seus lábios sussurrando sobre os dela, mas se negando a iniciar o beijo que ela repentinamente se encontrou ansiando. — Sabe porque existia, Cat? Ela balançou a cabeça, lutando para respirar, lutando para não tomar o beijo que ansiava. —Porque? — Ela forçou a pergunta a sair, desejando que falasse depressa e lhe desse o que precisava. —Por você. — Disse. — Apareceu por sua causa, Cat. — Para protegê-la. Para impedir o horror que seria se Bennett a encontrasse e a arrastasse de volta ao centro. Existiu, para assegurar que você vivesse.


O monstro sobre o qual todos falaram nos últimos meses existiu por sangue... e a cada vez derramava o sangue de alguém que a ameaçava ou aqueles que tentavam. —Jurou me matar. — Foi tudo o que pode dizer, obrigando as palavras a saírem de seus lábios. — A mim e a Judd. Sabia o que estava falando. Lembrava-se com clareza. Um propósito frio e mortal enchendo seus olhos, sua expressão. —Eu era uma criança, G. — Sussurrou, lembrando-se da dor em seu coração novamente. — Você era tudo que eu tinha para depender. Tudo o que sabia sobre o amor. Nunca a amei... foi apenas meu experimento. Pressionou a testa contra seu peito, desejando poder apagar a lembrança de sua mente, de seu coração. —Eu precisava de você. — Os dedos em seus ombros se fecharam em punho. — Anos, Graeme. Durante anos me preocupei, chorei, procurando por você. — Estremecimentos atravessaram seu corpo quando sentiu a dor e a fúria percorrendo-a. — Eu precisava de você. — Foi um grunhido, um som feminino profundo de dor enquanto lembranças e tantas noites de fome implacável vinham à tona. — Maldição G. Maldito é você. Sobrevivi sem você durante os últimos treze anos e vou sobreviver sem você agora. Mantenha-se longe como o inferno de mim. Sentia-se como se estivesse ficando louco agora. Raiva e fome. A necessidade de afastá-la, a necessidade de apertá-la contra si para que nunca mais fugisse. As emoções em conflito estavam rasgando-o. —Sobreviveu? — Apertando seus braços ao redor dela, girou-a novamente, seus lábios apertados em uma careta de dor. — Isto foi o que disse? Escondendo-se? Fazendo-se passar por Claire Martinez? Você roubou sua personalidade, assim como sua identidade e escondeu tudo o que era, cada parte de você, quando poderia ser você mesma, o que estava destinada a ser. Ironia disparou através dela. — O que estava destinada a ser, Graeme? — Perguntou com tanta falta de ternura que quase o derrubou. — Parece que apenas você sabe a resposta. O que você acha que estava criando quando disparou estas merdas dentro de mim com estas terapias? Esta foi a justificativa para quando eu gritava, chorava e logo ficava prostrada pedindo para me deixar morrer? — Gritou esta pergunta olhando-o. Uma pergunta que ela nem sequer sabia que a estava atormentando ate este momento. — O que estava destinada a ser, G?


As lágrimas encheram seus olhos. Odiava isto. Odiava a debilidade e as emoções que a rasgavam cada vez que se lembrava que foi um experimento para ele. Seu experimento. —Estava destinada a viver. — Grunhiu furiosamente, agarrando seus braços e apertando-a contra seu peito novamente, olhando para ela com seus olhos verdes. — Estava destinada a viver e havia apenas uma maneira de assegurar isto, com o DNA de umCasta. Não havia outra forma de eliminar esta maldita doença de seu corpo e não deixá-la morrer. Você me pertencia. —Eu era seu experimento. — Ela gritou. — Você mesmo disse, nunca me amou. — Um soluço escapou de sua garganta, sabendo que a ferida nunca se curou. — Sabe o que fez comigo esta noite? Tem alguma ideia do que fez quando me disse isto? —Tem alguma ideia do que fez comigo? — Antes que pudesse responder, antes que pudesse fazer algo mais que reconhecer a dor animal em sua voz, seus lábios repentinamente cobriram os dela. Forte. Possessivo. Sua língua abriu caminho entre seus lábios, decidida e com fome, derramando o toque mais atraente de especiarias. Este sabor que viciava, que a deixava com vontade de mais e a fazia fechar os lábios ao redor de sua língua, em algum impulso primitivo, para tirar mais deste sabor forte que alcançava seus sentidos. Gemendo, aferrou-se aos seus ombros uma vez mais e Cat deleitava-se no prazer, perdendo-se. Ela deveria lutar contra ele e sabia disso. Deveria lutar contra a atordoante necessidade e não podia, não tinha nenhum desejo agora que estava sendo consumida pelo beijo. Só podia se segurar nele, mantê-lo com ela e saborear o fato de que estava ali agora. Que parte de sua alma perdida encontrava consolo. Quando sua cabeça inclinou-se atrás, com os lábios afastando-se, Cat apenas pode ficar olhando-o, surpresa e incerta. Piscou em estado de choque com a mudança abrupta no momento, para perceber o que havia perturbado a fome caótica que desatou nela. O cheiro do CastaLobo era vagamente familiar, ainda que ela não pode confirmar até que ele falou. —Sinto muito, Graeme. — O castalimpou a garganta incômodo. — Temos uma situação na fazenda. O Alfa Reever pediu que fosse levado de imediato. Cat moveu-se para enfrentar o casta, que estava incômodo, de costas para ela.


—Não o faça. — Graeme a manteve imóvel com um grunhido enquanto sua mão se movia e pegava uma saída de banho que estava na cadeira. Olhando para ele, deixou que a ajudasse, permanecendo em silêncio enquanto fechava a parte da frente perfeitamente. A interrupção foi o melhor, pensou. Nada bom poderia vir da confiança que ela daria a ele ou das emoções que apertavam seu peito. Ele já a traiu uma vez e o faria novamente. —Isto não terminou. — Advertiu enquanto se afastava. —Não pense que sim. Cat apenas balançou a cabeça. — Acabou há muito tempo, apenas se nega a aceitar. Sem se virar para enfrentar o castaque foi buscar Graeme, Cat escapou novamente para a casa e sabia que nada era fácil ou simples, quando se tratava de Graeme. E o que restou de seu coração não poderia escapar da destruição que viria dele. CAPÍTULO SEIS A noite estava invadindo o deserto antes de Cat conseguir colocar suas emoções em ordem e muito menos seus hormônios sob controle. Confusão continuava correndo por ela, no entanto. A parte da confusão era provavelmente mais difícil de lidar. Caminhando para o jardim do lado de fora da grande sala de estar, com uma taça de vinho na mão, Cat não pode deixar de admirar a beleza da paisagem — o rico veludo negro, gotas de diamantes no céu, o doce cheiro de uma terra cheia de aromas e sons da cidade. Trocaria todas as comodidades de Rock Windows por apenas este cheiro doce. Como ansiou escapar entre as sombras para a terra estéril durante anos. Tantas noites quis correr, caçar e escapar para sempre da penumbra que sempre parecia estar presente na casa dos Martinez. O cheiro da bebida como via de escape não existia ali, tampouco o cheiro podre da culpa, da suspeita e do ódio. Mas haviam boas lembranças, ainda que nenhuma tivesse algo a ver com Raymond ou Maria Martinez. Vovô Orrin, com seu senso de humor e ligações inesperadas para Raymond, pedindo que enviasse sua “neta” para ele imediatamente. Ele entrava depressa em sua caminhonete e piscava um olho para ela, então às vezes durante dias lhe mostrava o deserto que tanto amava ou falava das lembranças que acumulou com fotografias.


Terran, o tio de Claire, costumava levá-la de férias com ele, Isabelle e Chelsea. Era uma semana de preguiça junto ao sol numa praia tropical onde as bebidas eram entregues por homens com poucas roupas e longe da crueldade de Raymond. Onde estavam Isabelle e Chelsea agora? Ela se perguntou. Sabia que Isabelle e seu novo marido ou companheiro, estavam em lua de mel em algum lugar secreto. Assim como Honor e seu companheiro Stygian, estavam. Lugares não revelados. Estavam em Casas Seguras no deserto. Estavam perto, mas ela não os viu, não ouviu falar deles. Chelsea a visitou uma vez, mas a revelação de que sua prima era uma impostora deixou a outra mulher incomodada. Estava distraída, escolhendo as palavras com cuidado enquanto conversavam. Linc foi o único membro de sua família antiga que viu, do lado de fora da casa de Orrin e Terran, nas semanas que apresentaram as denúncias contra Raymond. Denúncias que Linc claramente queria negar. Não que ela o culpasse. Deveria ser horrível enfrentar o que seu pai realmente era. Admitir que nasceu de algo tão corrupto como Raymond Martinez. Porque não entrou em contato e lhe disse o cruel que era Raymond? Devido a que sabia que nunca iria se manter à margem e permitir isso. E sua suspeita de que ele era parte do Desconhecido a manteve longe. Contar a alguém as crueldades de Raymond poderia ter resultado nele entrando em contato com o Conselho de Genética antes do tempo, entretanto, e eles a teriam movido. O que o Desconhecido escondia ninguém encontrava. E ela não podia correr o risco de não estar ali quando Graeme fosse por ela, como sabia que o faria. O Desconhecido assegurou inclusive que não pudesse encontrá-la. O sombrio grupo de guerreiros designados para protegê-la enquanto estava como Claire Martine foi retirado uma vez que se afastou da proteção da identidade de Claire, lhe disseram. Ela nunca precisou deles, mas saber que estavam por perto, dava a ela uma sensação de segurança. Uma segurança que não sentia agora. Demônios, nem sequer confiava na segurança de Graeme ou de Lobo Reever ao redor da casa e não sabia precisamente porque. Não ajudava não ter encontrado as câmeras de Graeme e ele tinha a casa e os jardins cobertos, por todos os cantos. Contra tudo e todos, menos ele próprio. A única coisa da qual provavelmente precisava de proteção. Era realmente tão louco como parecia às vezes?


Ela quase sorriu diante da ideia. Claro que sim. Sempre foi um pouco louco, mas quando era uma criança e ela o amou muito por isso. Nunca te amei... foi meu experimento... Ela estremeceu ao se lembrar da dor que a rasgou naquela noite. Como se alguém houvesse chegado dentro de sua alma e a arrancado de seu corpo. Destruiu anos de confiança e segurança. Destruiu a percepção de si mesma e tudo porque ele a obrigou a reviver tantas vezes. Não porque ele precisasse de sua adoração infantil. Não porque ela significava algo para ele. Mas porque ela era seu experimento. A Casta que criou a partir dos restos de uma criança moribunda. Ele deveria ter permitido que morresse. Sua infância foi uma série de experimentos, tão insuportáveis que ainda tinha pesadelos. Uma vez que escapou, esteve restringida uma vez mais e obrigada a passar a vida como Claire Martinez com a esperança de que, ao fazê-lo, estaria ali quando ele fosse por ela. Queria correr livre, caçar. Treinar e lutar. Nas poucas vezes que conseguiu escapar de Raymond para fazê-lo foi tão emocionante que era uma realidade dolorosa voltar para a casa sombria. E cada vez que escapava à noite, procurava por G, perguntando-se se finalmente teria encontrado as pistas que dizia onde estava e que identidade estava usando. Agora estava ali, olhando a noite, rodeada de muros e sendo monitorada por câmeras uma vez mais. Maldição. Quando terminaria? Acabou seu vinho e voltou para casa, fechou tudo, comprovou as janelas e portas pela última vez e moveu-se para cima até seu quarto. Pela primeira vez desde que se mudou para ali, fechou as portas da sacada, trancando-as. Sentia-se inquieta, nervosa. A genética Casta se destacando dentro dela a deixava se sentindo como uma cadela. Não parecia capaz de encontrar um equilíbrio, principalmente depois da visita de Linc e Raymond. Tomou um longo banho e depois se deitou na cama muito grande, usando uma das camisolas de renda que Graeme lhe deixou. Bastardo. Disse a si mesma que a decisão de usar a camisola sexy era torturá-lo. Tinha muito medo da verdade ser muito mais primitiva. Ele queria que ela a usasse. E em outro momento nada mais importava além de satisfazer seu G. Não havia dúvida que estava olhando-a. Onde poderia procurar as câmeras? Perguntou-se enquanto bocejava e aconchegava-se na cama. Teria que passar pela casa novamente no dia seguinte e ver se poderia encontrar qualquer outro esconderijo provável.


Num determinado momento, um alarme furioso e abrupto atravessou seus sentidos em alta velocidade, acordando-a. Já era muito tarde. Ela sentiu a brisa além das portas da sacada, mas algo mais se movia muito mais rápido, com uma precisão muito mais mortal. Uma seringa de pressão injetou uma droga na veia de seu pescoço e Cat soube que sua inquietação anterior era uma advertência. —Não! — Seu grunhido irregular era de raiva e sentia-se paralisar, até que o conhecimento cruzou sua mente. Aquele ardor agonizante tocava cada terminação nervosa, bloqueando-a, uma dor que nenhuma Casta podia descrever completamente e afetava sua capacidade de se mover, falar. De se proteger. Os instintos animais se levantaram, dando-lhe um impulso para saltar da cama. Ela quase caiu para trás. Uma onda de fogo começou a percorrer seu corpo, espalhando-se através dela. O ardor correndo sob sua pele, movendo-se constantemente até seu cérebro. Não. Isto não podia estar acontecendo. A paralisia estava se movendo rápido, comprometendo a capacidade de se mover, de falar... gritar. Tinha que escapar. Maldição, não deveria ter destruído as câmeras. E se não houvesse nenhuma no quarto para alertar Graeme? Ela estava fodida. Assim simples. Conseguiu chegar até a metade do quarto, a meio caminho da porta antes que fosse paralisada. Não pode amortecer a queda enquanto caía e bateu o punho. A dor teria sido horrível se não houvesse aprendido muito tempo atrás o que era a agonia. O ardor se movia agora através de seu cérebro, o resto de seu corpo estava parado, os receptores de dor acentuados e à espera da próxima explosão de sensações. Desamparada. Muito vulnerável e sem defesas em absoluto. Como entrou na sacada sem que os alarmes o pegassem? Ela não tocou nas câmeras e nos sensores de segurança ali. A menos que fosse Graeme. Seria tão cruel a ponto de injetar nela uma droga paralisante? Poderia machucá-la desta forma? Não. Graeme encontraria uma maneira muito mais eficaz para castigá-la. Isto não era algo que iria fazer. A droga, criada pelos monstros do Conselho de Genética era incrivelmente eficiente. Não havia nada que pudesse fazer enquanto


estivesse sob seus efeitos. NenhumCastapodia lutar contra ela, não importava o quão forte fosse. Uma sombra fraca se moveu do lado de fora do quarto, fazendo seus sentidos ficarem alertas por um momento, esperando, sentindo o perigo chegar. Deitada de lado onde estava, podia ver a porta do quarto se mover lentamente, abrindo-se em câmera lenta, fazendo-a esperar. Tudo o que viu foi uma sombra se mover através da porta. Seu cheiro chegou inclusive antes dela se abrir completamente, filtrando-se através dos sentidos animais. Não era Graeme. Ela percebeu que Raymond se movia cada vez mais perto, o cheiro de seu ódio malévolo e repugnante. Quando a porta se abriu, outros cheiros chegaram também. Podia sentir o aroma doCastaChacal agora. Os poucos que sobreviveram eram utilizados pelo Conselho de Genética somente quando era absolutamente necessário. Poucos sobreviveram ao processo de criação, mas os que sim, eram soldados brutais com vis instintos que surpreenderam até seus treinadores. —Animal de merda. — A maldição de Raymond foi seguida por um chute em suas costelas indefesas. Agonia explodiu no ponto onde a bota encontrou seu corpo. Ela não podia fazer nada para demonstrar sua dor, nada para escapar. Isto fez com que o animal dentro dela ficasse enlouquecido. Seu fôlego nem sequer se rompeu quando a dor concentrou-se no ponto de contato, explodindo de forma que sabia que a carne e o osso se veriam afetado. A droga de paralisia mantinha seus órgãos funcionando corretamente, tempo suficiente para garantir que a dor fosse agonizante. Nada se rompeu. Rezou para que Raymond não soubesse isso ou ele teria certeza de fazê-lo. Nem sequer podia se virar para olhá-lo, não podia obrigá-lo a olhar em seus olhos para que pudesse ver seu ódio por ele. Ela apenas podia olhar adiante, incapaz sequer de piscar. Não havia maneira de se blindar contra a dor horrível em cada célula de seu corpo, no entanto. —Cadela. — Raymond grunhiu. — Por fim conseguiu colocar Linc contra mim, não? Não é nada além de problemas. Nada além de uma praga em minha família. E ela que pensava que ele ocupava este titulo. Maldição. Quão ruim poderia ser uma tigresa? —Pensou que poderia escapar, não? — Raymond se inclinou mais perto dela, zombando com sua feição toda desgostosa. — Pensou que os Castaspoderiam escondê-la aqui. Intimidar-me. — Disse entre dentes. — Entrei em contato com o Conselho. Eles estão aqui por você, o monstro.


Eles a tomarão e a colocarão numa jaula, como deveria ter sido desde o começo. Assim que terminar com você, irei garantir que nunca abra sua maldita boca novamente e me cause tanta angústia como agora. Mas eles não a queriam enjaulada. Eles queriam sacrificá-la. Ela escapou antes, encontraria uma forma de escapar agora. Esperava encontrar uma forma de escapar... Levantando-se Raymond deu outro chute em suas costelas, mas acabou acertando seu estômago no lugar. Nem sequer podia vomitar. O estômago de Cat se agitou em agonia, a bílis se reuniu na garganta, mas a paralisia não lhe permitia se mover. —Vamos ver o que eles farão com você, monstro. — Ele disse cheio de fúria. — Não terei que lidar com você nunca mais. Verdade? Deus, tinha que encontrar uma maneira de sobreviver. E iria, tão logo pudesse pensar, tão logo a dor diminuísse o suficiente para que ela tivesse seus sentidos no lugar e averiguasse exatamente o que fazer. —Irão se divertir com você antes que a tirem daqui. — Grunhiu Raymond. — O bastardo que cuida da segurança de Lobo Reever encontrará seu sangue, irá sentir o cheiro da violação e vamos ver o quão louco fica depois. Filho da puta. Eu irei adorar matá-lo. Matar Graeme? Ele bem poderia matá-la, mas nunca mataria Graeme. E uma vez que Graeme soubesse o que aconteceu ali... oh, Raymond, iria adorar ouvir seus gritos. Neste momento, os únicos gritos que podia ouvir eram os que estavam em sua própria cabeça. Uma dor horrível ecoava em seu pulso. Suas costelas estavam pulsando e estava com medo de ser violentada. Seu estômago estava em chamas por causa do chute e o medo era um gosto vil no fundo de sua garganta. Por quanto tempo ficou ali não tinha certeza. A dor que irradiava através de seus nervos se aliviou, mas o pulso quebrado e as costelas machucadas ainda a faziam querer gritar. Isso iria levar um tempo. Lembrou-se. Tinha apenas quatro anos quando os cientistas quebraram seus ossos enquanto estava sob o efeito horrível desta droga. Quatro anos e ela acreditou que G a havia abandonado, que deixou que a machucasse. Até que ela voltou às celas e viu as lágrimas marcadas no rosto selvagem, a agonizante expressão de seu rosto e as restrições que o prendiam em sua cama. Ele não a abandonou então, mas abandonou-a oito anos mais tarde. Deixou-a, apenas para voltar por vingança e sangue. Provavelmente iria se regozijar por ter sido capturada depois de destruir as câmeras. Ou não?


Ficou furioso quando descobriu que Raymond e Linc estivessem ali. Ficaria muito irritado? Com Graeme era uma incógnita. Não, não era, percebeu. Graeme ficaria louco se a visse agora. A criatura enlouquecida dentro dele sairia com a necessidade de vingança e nada o iria deter. Ele não descansaria até que os responsáveis pela dor que sofreu a sentissem cem vezes mais. Quando morressem, seria apenas depois que ele houvesse infringido toda a tortura possível. Chacais podiam aguentar muita dor, podiam suportar durante semanas. Raymond levaria menos tempo vivo com a dor que sabia que Graeme poderia causar. Ela lhe pertencia. Sempre o fez. Ele esperava estoicamente quando a terapia a fazia gritar, a sensação de seu corpo como se estivesse sendo rasgado enquanto eles a transformavam no que era hoje. Os poucos experimentos de Brandenmore o deixavam louco. A porta começou a se abrir novamente, lentamente. Não sentiu nenhum cheiro para anunciar sua chegada. Não era Raymond, não era o Chacal. A sombra que entrou no quarto era muito diferente de Raymond. Alto, mais poderoso. Graeme. Ele era o homem mau e o cheiro da morte impiedosa e gelada irradiava ao seu redor e a encheu de um medo opressivo que não poderia permitir que Graeme soubesse que sentia. — Agora, em que tipo de dificuldade você conseguiu entrar desta vez? — Ele suavemente perguntou, o gelo derretendo um pouco quando apenas uma sugestão de raiva tingia sua voz. — Quer um pouco de ajuda, minha pequena Cat? CAPÍTULO SETE Um pouco de ajuda? Ele estava brincando, verdade? Maldito, sabia que iria gostar quando a loucura se apoderasse dele. Apenas tinha que demonstrar toda sua atitude superior antes de tirá-la do maldito chão e desfazer-se do lixo no andar de baixo. Ela o chamaria de idiota, mas não se aplicava. Graeme estava além da fase do idiota aos quatorze anos, superando-a antes de completar quinze. Agora, aos trinta e seis as garras


da raiva estavam muito além de primitiva, ele era simplesmente estúpido. Louco e estúpido. Cat queria gritar com ele. Precisava xingá-lo. Se conseguisse sair disto iria... o que? Não iria fazer nenhum bem se comportar como se o fosse dedurar para a mamãe agora, verdade? Ela nem tinha uma. Maldição. O filho da puta se moveu mais para baixo, praticamente se deitando no tapete junto dela para poder olhar em seus olhos. Assim ela podia olhar nos olhos dele. Um âmbar forte salpicado de verde resplandecente como o fogo destruía toda a pupila e o branco de seus olhos, devolvia-lhe o olhar. Faixas negras marcavam sua carne bronzeada, listras primitivas, eram chamadas. Marcas primitivas que um Bengala exibia ao longo de seu corpo do rosto ao tornozelo. A visão era sensual, pensou, irritada por sequer pensar nisso. Ele apenas a olhou fixamente durante o que pareceu uma eternidade. Ele não sorria, não zombava, simplesmente lhe devolvia o olhar. Nunca conheceu esta parte dele. Ela havia sentido algumas vezes no centro de investigação que ele estava sempre a espreita, escondido sob uma raiva assassina, mas que na realidade nunca surgiu. E agora que percebeu, entendia completamente porque seu nome podia fazer os cientistas do Conselho tremer de medo. O que o Dr. Foster fez quando criou esta criatura? Graeme balançou a cabeça em negação e logo, com uma expressão zombeteira de desaprovação disse. — Estou muito decepcionado. Eu a treinei melhor, gatinha. Muito melhor. Que diabos aconteceu? Decepcionado? Estava decepcionado? Uma respiração pesada saiu de seus lábios quando ela não respondeu. Mas então, o idiota sabia que não podia falar. Ela o odiava! Neste momento, ela simplesmente o odiava. —Vamos, amor, vamos levantá-la do chão. — Ele finalmente levantou-se e ficou agachado ao seu lado, colocando os braços debaixo dela para levantá-la contra ele. Ela estava mole. Não podia endurecer, falar ou mesmo gritar quando sentiu o peso do corpo em seu pulso. A agonia era indescritível. A realidade retrocedeu um pouco. Tudo brilhou e explodiu ao seu redor quando a dor detonou seu sistema nervoso, amplificada pela droga que a paralisava, aumentando uma e outra vez.


Por um segundo Graeme congelou. Logo com cuidado, com muito cuidado, em agonizantes segundos silenciosos que foram perturbados pela dor ecoando em sua cabeça, deslizou um braço debaixo de seu pulso para apoiá-lo. Seus olhos estavam fixos nos dela enquanto a levantava, olhando-a e se perguntou se poderia ver a dor ali. Se ele podia sentir a dor nela ou o animal dentro dela gritando de agonia. Oh Deus, doía. Oh Deus, G... sem pensar ela gritou por ele como sempre fez nos laboratórios. Como costumava fazer em seus pesadelos. Um grunhido forte, cheio de raiva retumbou do peito dele quando a puxou contra ele. —Eles irão morrer por isso, pequena Cat. — As palavras sussurradas em sua mente, impactando-a com sua capacidade de conectar-se com ela. — Morrerão dolorosamente. Ele a colocou na cama, arrumando sua cabeça no travesseiro, seu olhar ainda preso ao dela. Suavemente, quase com reverência moveu seu braço pela cama, assegurando que seu pulso fosse amortizado, para diminuir a dor o máximo possível. —Pobre pequena Cat, minha gata. —Seu tom continha uma fúria gutural. — Isto está bem, amor, nunca terão a oportunidade de machucála novamente. Nunca terão a oportunidade de machucá-la novamente? O que fez? Levantando sua mão, ele arrastou seus dedos por sua bochecha e ainda em meio a dor sentiu uma sensação fraca de prazer. Ele iria deixá-la louca, deixá-la tão louca como ele. —É minha. — Disse, sua voz endurecendo enquanto olhava fixamente em seus olhos. — Minha pequena gata. Nenhum outro tem permissão para te machucar sem pagar um preço alto por isso. O que fiz, o que vou fazer, é meu direito como seu companheiro. Ninguém além dele, verdade? Ele olhou para ela. — Nunca a machuquei fisicamente. — Respondeu ao pensamento. —Nunca, Cat, eu iria te prejudicar. Não importa no que acredite. Quando a droga da loucura desaparecesse ela iria comprar uma passagem para tão longe dele que precisaria de uma vida inteira para segui-la. Deveria ter feito isto quando ouviu o primeiro rumor de que um louco Bengala estava seguindo-a pelo deserto. Ele grunhiu, o som primitivo. — Depois de todo o trabalho duro que tive para encontrá-la? — Ele estalou a língua. — Eu a encontraria, sabe disso.


Ela iria matá-lo. Ele simplesmente riu entre dentes enquanto se esforçava para lutar contra a droga que a mantinha imóvel. —Estão esperando por mim, da mesma forma que deixaram você esperando. — Disse ele. —Vamos agora, vamos ver o dano que causou para que possa cuidar do lixo no outro quarto. Iria doer. Queria rogar para que tivesse cuidado. Quis gritar quando seu toque se aproximou de seu pulso. Justo antes do ponto em que a dor explosiva a percorria, parou. —Pulso quebrado. — Grunhiu, respirando forte e balançando a cabeça. Ele moveu seu dedo lentamente, apenas um sussurro sobre a pele, os dedos. Passando ao outro braço comprovou depois suas pernas. E ainda assim, olhava em seus olhos. Inclusive quando não podia vê-lo, sabia que ele a estava olhando. Ela poderia aguentar se ele a machucasse? Esperava que sim. Ainda poderia acontecer. Ele era diabólico. Enganá-la apenas para fazê-la acreditar que ele não iria empurrar as barreiras da agonia sensorial, apenas para rompê-las. — Tanta desconfiança, gatinha. Sou o monstro que todos deveriam saber que consegue domar. Você é tudo o que mantém minha sanidade e que posso chamar de meu. E você desconfia de mim? — A ironia era que o pensamento estava cheio de racionalidade e gelo ao mesmo tempo, de lógica e impiedade para os inimigos e seu sangue gelou com terror. Moveu o pescoço, a clavícula. Podia ver seus olhos agora. Fúria misturada com loucura e uma emoção que não podia definir. Levantou a mão, estendendo um dedo apenas e enquanto observava uma letal e forte garra se estendeu desde a ponta do dedo, dividindo a pele, surgiu e ficou a vista. Sim, bom truque. Podia fazer isto também. Sem o sangue manchando sua unha. Seus lábios se arquearam enquanto o sentia, na realidade o sentia fusionado com ela, lendo a ironia e o medo da dor. Movendo a mão, abriu sua camisola pelo meio. Seda afastou-se dela, deixando ao descoberto seus seios, o montículo nu de seu sexo. Ela nunca teve pelos entre suas coxas. Como todas as fêmeas Castas, os pelos nos braços, pernas, axilas e entre as coxas era inexistente.


Deveria se sentir completamente envergonhada. Cat sabia que deveria. Ela nunca foi capaz de ficar nua diante de outros, especialmente um homem. Ainda era virgem, ainda que duvidasse que permaneceria muito tempo neste estado se a resposta anterior a ele fosse uma indicação. Inclinando-se mais perto dela, Graeme ficou olhando a área justa sob seus seios. Seus dedos sussurravam sobre ela, provando ao redor antes de levantar o olhar para ela mais uma vez. —Não está quebrada. — Afirmou. Então seus olhos dourados brilharam, movendo-se novamente para seus seios. A partir daí, com os olhos estreitados, olhou mais abaixo, para suas coxas, enquanto Cat observava, tentando esconder seu temor de que ele usasse a conexão que tinham e a tomasse como uma fera. —Não enquanto você não puder lutar. — Disse, furioso com a incerteza que ela sentiu. — Maldição Cat, por mais bonita que você seja, minha única intenção é a de me assegurar que não precisa de um médico antes de me ocupar daqueles animais que se atreveram a fazer isto. Seus lábios se abriram com fúria, as listras que cruzavam seu rosto ficando mais escuras do que antes, como se mudasse de tonalidade de acordo com o nível de sua ira. Desceu o olhar para suas coxas e entre suas pernas e ela soube que encontrou as cicatrizes ali. Um dedo roçou o monte superior, a sensação tão diferente, tão climatizada e extrema e o ardor do prazer irradiando sobre a dor fazendo eco em seu pulso e onde Raymond a chutou. —Vai me dizer como aconteceu isto? — Sussurrou, o som quase muito baixo para ouvir. — Ninguém marca o que é meu e não paga um preço alto por isto. Pagarão por minha mão. O Coyote, ela suspeitava que Raymond o houvesse castigado anos antes quando despertou no deserto com sangue escorrendo pelo pescoço várias noites depois. Ela não chamou o Desconhecido, ela o encontrou por si mesma e cobrou sua vingança. Ele a olhou pela última vez, uma lamento vacilante em seu olhar. —Converteu-se em uma mulher bonita, pequena Cat. — Grunhiu, puxando o lençol para cobrir seu corpo. Ainda podia vê-lo se mover enquanto alcançava uma mochila que não sabia que estava no chão. Depois de alguns minutos mostrou uma seringa que tinha na mão. —Vai aliviar os sintomas da paralisia. Sua capacidade de se mover voltará muito mais rápida e vai aliviar a dor no pulso quebrado. — Ele


injetou do lado de seu pescoço. — E se qualquer filho da puta do Conselho for estúpido o suficiente para injetar novamente descobrirá que não causará muito efeito em você. Considere como uma vacina. Sempre soube sobre vacinas, lembrou-se. Cat apenas sentiu a pressão da droga em sua veia. Seu polegar tocou sua bochecha, justo acima dos lábios antes dele olhar para ela. — Tenho assuntos pendentes no andar de baixo agora. Dois chacais e o chefe da Nação. Serão capazes de gritar por você. Eu sempre achei isso cruel, a droga de paralisia impedir os gritos. — Ele disse. Ele estava louco. E ele iria fazê-los gritar por ela? Raymond e os Chacais? Pensava que ela queria ouvi-los? Ela nunca torturou qualquer Casta do Conselho que se viu obrigada a matar. Nunca quis ouvir seus gritos. Inferno, inclusive a visão de sangue a deixava enjoada. Não podia suportar olhar por muito tempo. Devolveu o olhar enquanto observava seus olhos, deixando-o saber por sua estranha capacidade de ler pensamento a irritação completa e total que sentia pela coisa. Outra onda de fúria vibrou nele quando o cenho franzido tocou entre suas sobrancelhas. — Merda. Com certeza o Conselho usou uma genérica defeituosa. Juro por Deus, onde estão todas as Castas sedentas de sangue? As que têm bolas? As Castas não tem mais bolas. — Grunhiu para ela. — É pedir demais? É esperar muito que um Castaqueira sangue? Fomos criados fodidamente para desejar o gosto de sangue. Que demônios aconteceu com você? Eu lhe dei a genética correta. Sei que sim. Ela na realidade nunca quis uma coisa tão repugnante. Cat lembrou-se deste delírio, apesar de que, obviamente, se fortaleceu nos últimos anos. Graeme se converteu num lutador com um alto nível de coragem e lutava contra seus inimigos mesmo antes de escapar dos laboratórios. —Não quer ouvir seus gritos, verdade, Cat? — Soava irritado agora. — Claro que não. Agora, o que me fez pensar de forma diferente? O fato de que eles queriam ouvir os seus gritos, talvez? E todos estes anos que te ensinei que não deveria ter misericórdia de seu inimigo? — Disse furioso. — Por Deus que o fiz. As listras no rosto de Graeme pareciam querer explodir e escureceram novamente quando a loucura se elevou em seu olhar e o âmbar em seus olhos brilhou como fogo.


—Não posso acreditar nisso. — Murmurou, endireitando-se, ainda com o cenho franzido para ela. — Não posso acreditar nessa merda. Sei que a ensinei melhor que isso. Eu me lembro... Ele parecia ter muito para conversar consigo mesmo. Perguntou se alguma vez precisava de alguém que não fosse ele mesmo. Sim, ele tentou lhe ensinar a não mostrar piedade. Ensinou-a matar, ensinou a separar justiça de vingança. Ele ensinou-a com sangue o que era necessário para sobreviver. Mas não ensinou a gostar de tudo isso, como ela sabia que ele gostava. Ele gostava. Por dentro, no entanto, no fundo, onde pensava que ninguém poderia sentir, Graeme lamentava muito mais do que ele suspeitava. Pelo menos uma vez foi assim. O que aconteceu? A necessidade de alcançar e tocar a linha dura de seus lábios, para puxá-lo para ela, era como uma fome que não podia saciar. A necessidade de afastar a fúria demente de seus olhos a destruía. —Lástima, Cat? — Zombou, colocando o lençol sobre todo seu corpo nu. — Piedade? Isto é o que posso sentir chegando até mim? Por mim? — Diversão demoníaca brilhou em seus olhos. — Guarde. Estes bastardos abaixo precisam de muito mais do que eu. Não, eles estavam além da compaixão, mas não era lástima que sentia. Não era compaixão ou simpatia. Não tinha certeza do que era, mas lhe doía ver a fúria — sua alma — refletida em seus olhos. De onde vinha? Mesmo nos laboratórios não se enraizou tão profundamente dentro da essência de quem ou o que era. —Você não quer saber o que deixa o monstro solto, pequena Cat. — A fera grunhiu. — Mas saberá o preço que seus inimigos pagarão por tocála. — Um grunhido selvagem retumbou em seu peito enquanto o lábio se levantava num grunhido. — E espero que você possa ignorar o que não quer ouvir, porque eu quero ouvir a merda dos seus gritos. — Ele golpeou o peito com a mão. — E por Deus, fui criado com bolas o suficiente para me assegurar que gritem forte e muito. Claro que sim. Era Graeme. Gideon. G. Todas as partes Casta que adorava com cada fibra de seu ser. Mas ela nunca soube da força e a forma selvagem dentro dele. Era pura crueldade. Virou-se e bateu o pé — Graeme bateu o pé? Foi até a porta do quarto e bateu com força a porta atrás dele. Graeme bateu o pé? Oh Deus, isso não podia ser uma boa coisa...


O que, se perguntou, aconteceria quando voltasse? Uma vez que ouvisse os gritos, derramasse sangue e lhes tirasse a vida? Aonde a loucura iria então? Qual seria seu foco uma vez que matasse... Não podia permitir que acontecesse, não ali, não com ela assim. Raymond Martinez tinha que responder por seus crimes, não escapar deles tão facilmente. E a Agência precisava saber sobre a existência dos chacais. Graeme precisava deixar que Jonas cuidasse disso, construir uma boa relação com a Agência que o protegeria quando a suspeita de quem era viesse à tona. Maldição. Quando esta maldita droga iria ser eliminada para que pudesse se mover? Assim ela poderia impedi-lo. Porque com maldita certeza não a ouviria nunca mais. ****** Maldição. Maldita fosse ela. Estes bastardos iriam violentá-la em sua própria cama enquanto ela estava paralisada por esta droga louca do Conselho e ela não queria ouvir os gritos? Bom, ele sim. Ele queria que gritassem até que suas vozes se rompessem, até ficarem loucos de tanta maldita dor, loucos por ela. Eles eram malditos chacais, o que na realidade poderia fazer valer a pena torturá-los. Raymond Martinez iria gritar por muito tempo, teria certeza. Este bastardo queria viver. Queria viver muito tempo. Tempo suficiente para gastar o dinheiro em efetivo e ouro que os estúpidos do Conselho pagaram por Cat. E iria. O filho da puta sabia que sua filha vivia em Cat. O espírito de Claire Martinez era ainda uma parte de Cat. E não lhe importava. Voltando para a sala de estar se agachou ao lado dos dois chacais primeiro. Bastardos. Ele colocou uma fita adesiva em seus lábios para evitar que gritassem e o distraíssem antes de estar pronto para lidar com eles. Maldição. Maldita esta mulher... Arrancou o adesivo dos lábios, sorrindo com o grunhido de mal estar. Inclusive os chacais eram pequenas mulheres depois de tudo.


—Acha que é incômodo? — Murmurou. — Incômodo é a vivisseção e não poder gritar. Sentir os dedos sondando órgãos e vísceras, rezando pela morte e urinar sobre si mesmo sem controlar. Gritos silenciosos. Orações silenciosas. Os chacais lhe devolveram o olhar de forma fria, dura, observando, esperando, buscando uma fraqueza. Ele sorriu lentamente, a satisfação retumbando no peito ao encontrar o inquieto olhar amarelo pálido. —Você sabe quem sou, não? — Sussurrou. — Ainda me chamam de monstro? —Vão adorar que esteja ainda vivo. — O Chacal disse com voz rouca, quase incapaz de falar. — Além de sua companheira. O monstro, o monstro sem piedade, a compaixão ou qualquer aparência de sanidade, saltou longe de seus sentidos, o som que saiu de sua garganta era demoníaco. —Não tenho companheira. — Grunhiu. — Apenas tenho a obrigação de proteger as pessoas da minha família, Chacal. Meu único propósito. Minha única razão de ser. — Devido a que uma companheira sofreria sem isso. E de certo modo era verdade. Quando o monstro estava livre, toda bondade, todo afeto, todo respeito sumia. Apenas um propósito o enchia. A proteção da única companheira que Graeme poderia reclamar. E ele era convincente. Podia sentir o cheiro deles. —Fiz os mais fortes Coyotes do Conselho urinar em si mesmos em dez minutos. — Apontou então. — Quanto tempo durará os dois antes do cheiro de urina ofender meus sentidos? Ele lhes daria pelo menos quinze minutos. Estes dois pareciam muito fortes. E chacais eram torturados desde a infância, sua formação era um reinado de terror desenhado para se assegurar que apenas os mais brutais e fortes sobrevivessem. Antes de chegar aos dez anos, apenas uma camada sobrevivia. O único forte o suficiente para ver os outros morrerem de fome para poder comê-los. Um forte o suficiente para matar todos que ficassem no caminho de sua fuga da cela podre, cheia de lixo na qual ficavam presos. —Ela me pediu misericórdia. — Grunhiu e a esperança brilhou em seus olhos. Graeme sorriu. Uma curva dos lábios que atenuava a esperança e trazia o conhecimento da morte segura em seu lugar. —Ela não sabe, arrancaram a misericórdia de mim no dia que arrancaram o coração do meu peito.


O monstro sentia a dor, ansiava como o inferno, salivava pelos sons de seus gritos. Estreitando os olhos neles, os observou, sentiu seus cheiros em seus sentidos, quebrou os marcadores, tomou notas das diversas diferenças como aprendeu a fazer no centro de investigação, seguiu todos os genes de merda que os criou. Esta era a debilidade de um chacal. Enfrentar o que realmente eram, conhecer sua história e descobrir que alguém mais também sabia. —Sabe porque me chamam de monstro? — Perguntou em voz baixa, lentamente, apesar do som de inferno de sua voz. O mais forte ainda não tinha devolvido o olhar. O mais fraco, seu olhar piscou por um segundo. E Graeme soube porque, tal como o chacal. Devido a que Graeme podia sentir muito mais do que o Chacal parecia saber. Concentrou-se nisso. — Gosta de trabalhar para o seu amo do Conselho? — Perguntou em voz baixa, o cheiro da dominação do homem sobre o chacal ainda estava na criatura. — Ainda posso sentir o cheiro de seu gozo, apesar de ter tentado limpar. Você gosta de ser dominado ao invés do contrário? — Chacais podiam ser conduzidos a uma morte enlouquecida em uma tentativa de dominá-los. O cheiro da humilhação era espesso neste chacal. Um grunhido feroz, enfurecido mostrava a perda de controle, escapando da criatura. O outro continuava olhando para o monstro que o mataria e ao seu companheiro. Mas Graeme percebeu que havia algo muito diferente. —Quando vai matar seu estuprador? — Perguntou ao mais forte dos dois, indo diretamente ao ponto fraco do chacal. —Gosta de compartilhar seu amante? Chacais simplesmente não compartilhavam. Nada. Nem comida, nem lealdade, compaixão ou amantes. Não estava em sua natureza. O que sim faziam era se associar aos seus amantes. A força e a vantagem tática. E formavam alianças duradouras. O chacal mais fraco era o companheiro deste em todos os sentidos. Quando mais forte mais decididamente controle tinha sobre sua posse, no entanto. Ele simplesmente lhe devolveu o olhar, sem dizer nada, sem sentir nada. —Não importa. —Graeme decidiu. — Vai morrer aqui, assim que nenhum dos dois terá que fazer frente às indignidades do Conselho novamente. Certo? —O que sabe você sobre suas indignidades? — O maior perguntou então, seu tom de voz muito curioso. — O monstro uma vez foi o filho


favorito de seu criador. Foi deixado morto de fome junto com seus irmãos numa cela cheia de lixo e podridão dos mortos? A testa de Graeme se enrugou com a pergunta. — Afortunadamente, não fui criado simplesmente para seguir as ordens, como os chacais, ao que parece. —Se eu estivesse simplesmente seguindo ordens, então já teria levado sua mulher e a entregado aos cientistas que esperam por ela. — Encolheu os ombros. — Eu estava na casa muito antes dela chegar. — Ele olhou ao redor para indicar a casa. — O telefonema para o Conselho e sua demanda de ouvir seus gritos primeiro simplesmente nos deu a oportunidade de conseguir nossos próprios fins. —Eu não negocio a liberdade, Chacal. — Graeme grunhiu, furioso pela tentativa. — Não há nada que possa dizer, nada do que tem iria me convencer a não matar você e seu companheiro. Se não te perdoar por ela. — Apontou ao corredor e a escada que conduzia ao quarto de Cat. — Nada então fará. —Sua companheira ou seu filho. — O Chacal grunhiu. — Qualquer um dos dois é uma fraqueza. —O orgulho de um alfa são seus filhos, seus irmãos e irmãs. — Informou à criatura com um desgosto insultante. — Algo que alguém como você não saberia o significado. Chacais podiam lutar em grupos para sua proteção, mas lutavam independentemente uns dos outros. —Fraquezas. — Repetiu o Chacal. — Você é definido por elas. Debilitado por elas. Sua sobrevivência é limitada, Gideon. O monstro o enchia, escurecendo as listras em seu rosto e corpo, enchendo-o com uma inteligência primitiva e selvageria que era como estar drogado. Como uma droga que abria todos os sentidos, afiados reflexos e conhecimento. Uma posse de tal poder que se deleitava. —Fraquezas, Chacal? — O tom rouco não perdeu ao Chacal. Pela primeira vez, o Chacal detectou a procedência Casta do homem ao qual chamavam de monstro e se encheu de medo. — Minha sobrevivência não me preocupa. Se o amanhã chegar, se vier com visões de sangue, se meu coração bater na minha frente, inclusive se meu corpo lutar para sobreviver. Se não vier, então estou em paz. Você não merece nenhuma paz, mas eu a darei a você. O Chacal finalmente aceitou que não havia negociação com alguém tão louco. —Eu deveria matá-lo rapidamente. — Ele viu os dois com um interesse calculado. — Ela não quer ouvir os gritos. Bom, eu quero ouvir seus gritos!


Garras se estenderam, afiadas, fortes, a leve curva perfeita para rasgar e triturar a carne de alguém vivo. Olhando de lado viu como Raymond Martinez o olhava com horror, o terror enchendo sua expressão, choque vidrando seus olhos. —Você é o seguinte. — Prometeu ao Chefe da Nação. — Tome nota. — Graeme o prendeu em uma cadeira na sala de estar antes de ir ver sua pequena gata, querendo deixá-la ouvir os gritos dos chacais. Murmúrios incompreensíveis saíram dos lábios fechados de Raymond enquanto uma baba escorria por seu queixo. Uma risada rouca saiu da garganta de Graeme. O monstro em que se converteu não tolerava nenhuma ameaça à sua companheira e gostava de ver o medo e a dor de seus inimigos. Qualquer um que fosse idiota o bastante para tocar sua gata merecia tanta dor como poderia lhes dar e mais. —O que é? — O Chacal perguntou com curiosidade, obviamente lutando contra a paralisia, tentando forçar seu corpo a se mover. Estava ficando desesperado, ainda que apenas o cheiro do desespero fosse evidente. Desespero para salvar seu companheiro. Olhando entre os dois, ele grunhiu baixo, um tom de advertência, cheio de intenções. — O pior pesadelo do Conselho. — Disse com voz rouca. — Um monstro que se arrastou desde o fundo da agonia que nem homens nem animais devem jamais sentir. —Outros virão. — A advertência foi dada livremente. — Eles acreditam que é sua companheira, que é sua fraqueza. Não irão parar até a terem. —Não vou parar até que todos estejam mortos. — Fazendo eco da morte, sua voz se arrastou da boca da alma do monstro enquanto se movia para o chacal mais fraco. — Está é sua fraqueza Chacal. Pode ouvi-lo gritar.... CAPÍTULO OITO — Gideon? — Ela chamou, doce com uma chuva de verão fundida com inocência, fazendo com que a ira monstruosa que o enchia pausasse. — Parta, — ele estalou sem olhar para ela. — Você não tem nenhum estômago para isto, então vá agora. Ele podia cheirar sua dor, sua certeza que ela podia chamá-lo de volta da ira o consumindo.


Ela não entendia. Era apenas sua proteção. Esta determinação impiedosa para fazer o que devia ser feito a todo custo. Sua habilidade de retroceder e permitir ao monstro estar livre. Sem isto, nunca teria sobrevivido à loucura que rastejou sobre ele ao longo dos anos. — Não faça isto, Gideon, — ela sussurrou, entrando na salaquando girou para ela. Bloqueandoseu olhar com o dela, falou baixo, acalmando. — Deixe Graeme e a Agência lidarem com isto. Eu chamei Graeme. Ele logo estará aqui. Seu olhar ficou estreitado. Que diabo ela estava fazendo? Ela o estava alcançando, tocando em sua alma enquanto pedia com seus olhos. Forçando seu olhar longe seus olhos, correu a vista pelo corpo dela. Cat vestia calças pretas duráveis para combate. Umacamiseta de mangas curtas e uma arma amarrada com correiasem seus quadris. Por um momento, orgulho e satisfação o encheram. A injeção que deu a ela não era só um antídoto e imunização contra o soro paralisante. Junto, adicionou um agente curativo sem igual que trabalharia com a genética de Casta que ela possuía, ajudando a curar ferimentos ou remendando ossos. E trabalhou muito mais rápido nela do que ele antecipou. Definitivamente parecia pronta para matar, em vez de iniciar um jogo que ele não apreciaria, se não os conseguisse mortos. — Jonas não tem bolas para isso, — ele rosnou.Entretanto, havia alguns momentos em que Jonas mostrava-se surpreendentemente promissor naquele departamento. — Graeme tem câmeras aqui em algum lugar, — ela declarou como se o assegurando disto. Claro que isto estava sendo registrado. Ele mantinha registros de tudo. — O que eles tentaram, o que Raymond tentou, não pode ser negado. — Movendo-se para mais perto, ela o segurou como se nada fosse. — Deixe Graeme lidar com isto, Gideon. Você tem que partir antes que qualquer outro perceba que você está aqui. Ira ainda pulsava nele, enchendo seu sangue, seus sentidos, mas estava aliviando. A loucura estava bloqueada nela, centralizando-o. As listras desapareceram. Raymond e osChacaissaberiam que Graeme e Gideon eram o mesmo Casta, a menos que fizesse como Cat estava pedindo. Não importaria se soubessem que as duas identidades eram o mesmo, a menos que fizesse como ela pediu e os entregasse para Jonas. Se percebessem que ele era Graeme, então ele não teria nenhuma escolha a não ser matá-los.


Uma ou outra escolha o tentava. O jogo ou a matança? Seu olhar voltou-se para os Chacais que assistiam, curiosos, então para Raymond, cujos olhos escuros estavam cheios de calculada esperança. Não haveria nenhum grito para acalmar o enlouquecido monstro furioso dentro de Graeme, não importando o quanto almejou o som deles. Um rosnado rasgou dele, maligno, faminto por sangue. — O que fez para minha perfeita pequenaCat? — Ele virou-se para o horror silencioso que enchia o olhar do Navajo. — Tal fraqueza. Ela nunca teria permitido sentir misericórdia pelo inimigo se eu tivesse sido capaz de completar sua formação. Ela não deveriasentir de qualquer maneira. — O rosnado que dirigiu ao seu cativo oteve empalidecendo. Foi pouco para aliviar o desgosto e desapontamento que sentia. — Eu a criei por 12 anos — Ele se enfureceu, olhando para os olhos marrons cheios de profundopânico. — Tentei meu melhor, juro que fiz, para incutir os valores certos nela. Para ensinar-lhe o valor do sangue e quando é melhor derramá-lo. Onde foi que errei? Onde foi que ensinei a porra da misericórdia para a menina? Eu não tinha nenhuma. Mas ele teve. Gideon teve. Por um bebê de quatro dias de idade, ele sentiu a mais estranha misericórdia. Um carinho muito peculiar. Quando olhou para seu pequeno rosto pálido e doente e viu a sombra da morte à espreita em seu olhar, ele conheceu a misericórdia. O Bengala que se agitava e rosnava dentro dele havia se acalmado, olhando para a criança quase tão perplexo quanto ele tinha estado. — Eu a moldei para viver e você de alguma maneiralhe mostrou como morrer ao invés. — Ele suspirou em exasperação. — Só por isso devo a você horas de agonia. O filho da puta estava murmurando novamente. Implorando por sua vida. Por Favor. Por Favor. . . Sim, tinha ouvido tudo isso antes. Graças a Deus palavras não lhe bastavam. Ele odiava toda aquela besteira, articulando e chorando.Isso não fazia nada além de alimentar a loucura dentro dele. — Você perdeu o controle sobre ela.— O Chacal apontou. — Você a deixou ir enquanto era jovem o suficiente para aprender a fraqueza.— Ele odiava quando o inimigo estava certo. E odiava este Chacal em particular. O fodido. Ele ainda acabaria sendo uma dificuldade, estava apostando nisto. — Você e Graeme lamentarão isto, — Graeme estalou, permitindo a ela o jogo. Soube queiria lamentar isto. Podia sentir o aperto através de seus sentidos, uma premonição primitiva da qual não havia como escapar.


— Graeme pode lidar com isto. — Ela tinha muita confiança na pouca sanidade que acreditava que ele possuía. — Jonas definitivamente lidará com isto e ele apreciará fazê-lo. Além disso, Graeme poderia usar a dívida que Jonas terá com ele por estes dois. — Ela sacudiu seus dedos em direção ao Chacais. Sem dúvida, Jonas estaria gozando em seus jeans quando soubesse do prêmio esperando por ele. — Saia, Gideon —Ela sussurrou. — Por favor. Antes de Graeme e Lobo chegarem. — Porque a separação que ela estava criando entre Graeme eo monstro, que vivia em seu interior, também poderia tornar-se sua proteção. E poderia começar aqui. Umbaixo rosnado enfurecido deixou seus lábios e antes que o caos interno de ira mortal aliviasse, ele se moveu depressa para o corredor na parte detrás da casa. Cat queria Graeme, não queria?Ela poderia achar que Graeme teria alguma misericórdia por aqueles bastardos como Gideon tinha. ****** Cat conteve o suspiro de alívio que poderia ter escapado de outra forma e manteve sua atenção voltada para os dois chacais observando-a atentamente. Graeme poderia não ter lhe ensinado misericórdia, mas ele a ensinou muito bem como bloquear seus sentidos e como garantir que nenhum Casta, não importa quão perspicaz fosse, pudesse lê-la se ela não quisesse ser lida. — Eu teria jurado que você era sua companheira, — o Chacalponderou suavemente. Ela meramente rolou seus olhos antes de andar de volta para o vestíbulo. Existiam Castas estacionadas fora da entrada dianteira da casa. Seria preciso muito pouco para encorajá-losa varrer a tempestade acima das paredes. Erguendo a arma de laser de seu coldre, sorriu de volta para oChacalque estava a observando. O paralisante estava se dissipando. Ela podia ver o lento enrijecimento dos músculos na mão do seu companheiro. Alterando a arma para munição em lugar de laser, ela disparou três tiros rápidos, em seguida guardou a arma no coldre, encostou-se na moldura da porta, enquanto sorria de volta para oChacal maior. — Seu amigo não é tão bom quanto você em esconder o fato de que o paralisante está se dissipando. E não confio em você.


Desgosto encheu seu olhar. —Você teria sido uma companheira dignadaquele traseiro louco do Gideon, — ele resmungou. — Nenhum de vocês mostra nem um pingo de lógica. — Lógica está altamente superestimada, — assegurou-lhe enquanto a porta da frente se abria de repente e, em vez dos doisexecutoresque ela esperava, viu-se cara a cara com duas Coiotes e seu alfa ao invés. Ashley e Emma Truing,emparelhadas com Del Rey Delgado? Isto realmente ficaria interessante. Ela se voltou para o Chacal. — Oh menino, seu traseiro está realmente em dificuldades agora. — Cat. — A arma de Del Rey estava confiantemente segura em seu lado enquanto ele caminhava em sua direção com cautela, sua saudação tornando evidente que Jonas o fez ciente de quem ela era. Suas narinas chamejaramquando uma careta de desgosto cruzou seu rosto. — Diga-me que não é o fodidocheiro de Chacal que eu sinto. — E aqui eu de banho tomado só para esta pequena reunião, — o Chacal maior murmurouironicamente. — Parece que sim, — assegurou-lhe enquanto Ashley e Emma flanquearam seu alfa de forma mais protetora agora. — Eles receberam um paralisante, mas parece já estar se dissipando. No Chefe Martinez está ainda plenamente em vigor, entretanto. O pequeno grupo caminhou até a porta enquanto Graeme e Lobo, seguidospor uma pequena casta, da força Lobo, corriam apressados pela entrada da cozinha. Felizmente, Graeme trocou de roupa. As listras saíram de seu rosto, o cheiro da ira do Bengala não mais cobrindo-o como uma tempestade que se aproxima. O odor de Casta Leão estava uma vez mais em seu lugar, os olhos cor de âmbar estavam verdes mais uma vez e até mesmo seus traços faciais pareciam menos violentos, não tão bem definidos. — Cat? —Deu um passo para ela, puxando-a rapidamente para ele, enquanto observava Del Rey com olhos estreitos. — Graeme. — Del Rey acenou com a cabeça, a familiaridade aparente em sua saudação. Ele conhecia todo mundo? Como inferno ele conseguiu isto? Duvidava que Del Rey esteve emWindow Rock mais do que algumas vezes. — Alfa Delgado. — Graeme assentiu enquanto os Castasque seguirama ele e Lobo entraramna sala para conter os convidados adicionais deCat. Estavam um pouco melhor sobre ele do queCattinha esperado também.


— Jonas está a caminho, — Del Rey disse. — Eu o notifiquei quando ouvi os tiros disparados por Cat. — Ele olhou para ela interrogativamente. — Contra o que você disparou? — Para obter sua atenção, apenas. — Ela encolheu os ombros. — Eu precisava que o lixo fosse retirado e não confiei nestes dois para fazê-lo de forma eficaz. — Sacudindo seus dedos para Lobo e Graeme, ela deu a ambos os homens um sorriso apertado, duro. — Achei que você iria comunicar à Jonas que estava entrando, no entanto. Diga-lhe que pode me agradecer pelos pacotes. Eu mandarei minha conta em breve. Não foi fácil. Graeme fez um som engraçado, gutural, como se estivesse sufocando calmamente atrás dela. Ela esperava que ele estivesse. Ela não podia acreditar que ele realmente iria torturar os dois Chacais e Raymond Martinez. Todos os três eram inestimáveis fontes de informação onde o Conselho estava em causa. Além do fato de que esta evidência contra Raymond era simplesmente uma dádiva de Deus para as acusações que aAgência de Assuntos Castas estava tentando provar para levar o Chefediante de um tribunal Casta, por crimes contra a Lei dos Castas. Tudo isso e um favor que Jonas definitivamente devia a ela agora. Se Graeme tivesse jogado bem para começar, então permitiria que ele tomasse crédito. — Bem feito, Cat, — Lobo murmurou em seu ombro. — Não excessivamente prudente, talvez, mas bem feito. — E você pode dizer-lhe que Gideon fez contato — ela disse para o alfa Coiote. —Ele os capturou. Eu simplesmente o impedi de matá-los. E Graeme tem câmeras aqui em algum lugar que registraram cada segundo com áudio completo, bem como de vídeo. Ele os tem todos bem embrulhados e amarrados com um laço muito bonito. Se Jonas for bom, tenho certeza que Lobo vai concordar em enviar uma cópia dos vídeos de segurança. — E sua fatura estará no correio, — Del Rey riu silenciosamente, seu olhar tão divertido como o cheiro de sua risada quando se virou para Lobo. — Ela vale a pena manter, não é? O grunhido baixo de Graeme valeu-lhe o cotovelo em seu lado enquanto a risada de Lobo escondia o som do estrondo de advertência. — Só se ela quiser ser mantida, — Catassegurou, com sarcasmo afiado enquantoempurravacontra o agarre de Graeme e movia-se para a escada. — Diga a Jonas que nós conversaremos mais tarde. É tarde e eu realmente não estou com humor para lidar com mais Castas Superiores arrogantes sem antes dormir. Eu conversarei com todos vocês mais tarde. — Cat? — Del Rey a teve parando e voltando-se para ele. — Você está bem?


Sua sobrancelha ergueu-se com a pergunta. — Eu estou caminhando e conversando, certo? — Um pouco tensa, —reconheceu com um toque de um sorriso. — Será que devemos acrescentar assalto à lista dos encargos dos chacais? — Era evidente que ele queria. — Adicione isto para Raymond, — ela informou-lhes brevemente, preferindo não entrar em detalhes. — Qualquer dano feito, ele infligiu isto. — Uma pequena tigresa corajosa, sim? — Ashley comentou, o acento russo mais pesado enquanto segurava o riso. —Coragem? — Sua irmã questionou. — Eu não sei se “coragem” é a palavra para isto. Catolhou para as duas fêmeas Castas, consciente de mais de uma dúzia de pares de olhos masculinos Castas nela. Particularmente um, o Bengala posando como um Leão. — Coragem? — Ela deixouseu olhar deslizarsobre os homens. — Autopreservação, senhoras. Autopreservação. CAPÍTULO NOVE Graeme viu sua delicada companheira mover-se sem pressaaté as escadas, seu atraente e pequeno traseirobalançando da maneira mais deliciosa. Virando-se, ele rosnou para os outros machos na sala que estavam observando também, especialmente os dois Chacais, que o observavam com estreita consideração. O primeiro falou. — Ela não leva seu cheiro, Leão. Sinto a ligação, mas não a conclusão disto. Complete-o, antes que um rival o faça. O estrondo de advertência em seu tórax foi tal que o Chacallevou a sério. Encolhendo os ombros como se não fosse da sua conta e, ignorando o Casta Lobo ao seu lado, cujogrunhido de advertência apoiou o comando primitivo, o Chacal mais forte deixou um sorriso escapar deseuslábios. — Eh, Leão, — ele disse, chamando a atenção de Graeme de volta para si. — Meu nome é Kiel, meu parceiro éLowen. Pagaria a você se achar um momento para falar conosco antes de nos encontrarmos com o vulcão do Jonas. Que,tenho certeza, o faremos mais cedo ou mais tarde. O rumor do vulcão de Jonas era uma verdade que muitos ridicularizavam. O vulcão significava que não haveria nenhuma evidência, nenhum rastro dos passos do diretor, para garantir que certos tipos de mal fossem extintos para sempre.


— Por que eu iria querer fazer isso?— Graeme zombou. Ele aprendeu tudo que precisava saber, que quando se tratava de Cat, era muito suscetível aos seus desejos. Pálidos olhos amarelos brilharam por um momento, apenas o menor batimento cardíaco, de conhecimento sombrio antes de um sorriso zombeteiro cruzar seus lábios. — Apenas para o inferno disto, talvez. Apenas para o inferno dele. — O heli-jato da Agência está aterrissando, alfa, — Ashley avisou para Del Rey enquanto ele estavaouvindo a troca de palavras. — O grande e mau diretor de Assuntos Castas está a bordo. Olhando de relance para Lobo, ele podia ver o Casta preparando-se para este encontro. Não seria tão fácil quanto se Cat não chamasse Del Rey e suas meninas para testemunhar a captura dos Chacais antes que Lobo e Graeme chegassem. E, certo como o inferno, seria mais fácil se ela não tivesse deixado cair a pequena bomba sobre Gideon e que ela era diretamente responsável pelos pacotes que estavam sendo guardados para a Agência. A bruxinha. Ela o manobrou com tal doce engano que ele não podia fazer nada, a não ser admirá-la por seu feito. Mas isso não significava que permitiria a ela cair fora com isto. Porque tinha a maldita certeza de que Lobo não ia deixá-lo esquecer. Qualquer dívida que Jonas teria pela primeira captura conhecida de um time de Chacal, bem como a prova de que a Agênciaprecisava contra Raymond Martinez, era agora uma dívida para com Cat. Pelo menos agora, talvez, Jonas saísse do traseiro de Lobo sobre enviar executorespara o terreno, para vigiar a proteção deCat. — Bem, senhores, o que temos aqui? — Jonas andou no hall da entrada, seguido por seu diretor assistente, umaltoCasta Coiote Céltico, RhyzanBrannigan. O olhar do assistente do diretor virou primeiro para Raymond, um sorriso frio arqueando um canto dos lábios. Quando ele olhou na direção de Graeme, sua diversão não poderia deixar de ser notada. Atrás deles, vários Executores da Agência permaneceram alertas, seus olhares bloqueados duramente sobre os prisioneiros enquanto a satisfação enchia o olhar de Jonas. — Ouvi dizer que ela teve outro visitanteesta noite, — Jonas anunciou, franzindo a testa para Lobo. — Bem, acho que é pedir demais que Gideon estejasob custódia? O filho de uma cadela. Um dia destes Gideon chutaria seu traseiro. Esse dia estava se aproximando rapidamente também.


— Eu diria que está pedindo bastante esta noite, considerando todas as coisas, —Lobo concordou, movendo-se entre Graeme e Jonas e puxando a atenção do diretor para si mesmo. — Entretanto, parece-me que a captura da noite foi malditamente boa. — Cumprimentos de Gideon e sua pequena guarda? — Oslábios de Jonas enrolaram, insultando, quando olhou para os três prisioneiros. — Eu ouvi menção de um vídeo da tentativa contra Cat? — Você terá isto assim que o revisarmos e fizermos nossas próprias cópias, —Lobo assegurou. — Uma questão de horas. Nenhuma hora era necessária, na verdade. Graeme poderia ter usado seu telefone por satélite para enviar o comando ao centro de segurança sob a casa e fazer o upload do arquivo em questão de segundos. Jonas não precisava saber disso, entretanto. — Eu gostaria de conversar com Cat, se você não se importar. — A ordem em seu tom fez Graeme imediatamente lutar para conter o grunhido possessivo, que ameaçava escapar. Ashley avançou um passo. — Realmente, Diretor? — Ela exclamou com irritação preguiçosa. — Está tarde e não estou me sentindo bem. Acredito que você me mandou para fora muito cedo. — Piscou seus encantadores olhos cinzentospara ele com doçura endiabrada. —Converse com ela amanhã, quando eu puder apreciar o show. Jonas girou para ela lentamente, o mercúrio de seu olhar gelando enquanto sua expressão apertava com um estalo, chegando próxima de discordância. — Jonas. — Seu alfa adiantou-se, claramente não hesitando em defender a jovem que Graeme sabia ser uma parte intrincada de suamanada. — Amanhã. — Não há nenhuma regra que diga que Ashley deve vir junto, — Jonas apontou. — Claro que há, — Ashley assinalou imperiosamente. — Eu gostaria de estar lá. E todos sabemos como você gosta de me estragar por ser uma tão boazinha guerreira Coiote, sobrevivendo aos meus ferimentos. Sim? Considere isto um presente antecipado de aniversário. — Não é seu aniversário ainda, sua diabinha, — ele rosnou, mas seu carinho por elaperfumou o ar, como também sua preocupação. — Então, é um presente antecipado, — ela declarou, uma mão pequena indo para seu quadril numa exibição ultrajante, de maneira deliberada.


— Seis meses mais cedo? — Jonas suavemente questionou. Era óbvio que estava bem ciente de seu esforço calculado para mantê-lo longe de Cat. Ashley encolheu os ombros. — Seis meses, oito meses, quem realmente sabe? Todos os presentes são aceitos com muito apreço em qualquer hora. — Um beicinho formado em seus bonitos lábios. — Este é meu pedido. Você não tem permissão para me negar. As narinas de Jonas chamejaram enquantoo cinza prateado de seus olhos ameaçavam tomar suas pupilas. — Não tenho permissão? — Ele pausou. — Isso poderá provocar uma recaída. — Sua mão se ergueu até a área de seu peito em que a bala tinha penetrado. — Eu poderia ficar deprimida novamente, sabe? Lembre-se de como você se preocupou quando eu não estava lhe dando azia com minhas travessuras? — Seus olhos se arregalaram inocentemente. — Recusar este pedido poderia ser prejudicial para minha saúde. Era óbvio que Jonas mal continha seu riso. — Del Rey, ela é uma ameaça—, Jonas disse ao alfa. Del Rey meramente sorriu da acusação. — Interessante, — Kiel comentou, demorando naquele ponto. — Por todos os rumores de enganos calculados contra este diretor, ele trata o resto de vocêscomo membros favorecidos da família. — Ele riu de seu próprio comentário. — Inferno, Diretor, e aqui estava eu preocupado com os rumores de vulcões, interrogatóriosem que inimigos perderam a pele e torturas indescritíveis. Enquanto você presenteia aniversários, o meu é semana que vem. Eu gostaria de ser solto hoje à noite, como um presente, se não se importar. O Chacal bateu no chão uma respiração mais tarde, esparramado de costas, os braços abertos, cumprimentos do punho de Jonas enquanto um grunhido de fúria enchia o ar. Jonas fez um sinal para os executores atrás dele removerem o corpo inconsciente antes de voltar sua atenção para o outro Chacal. — Você tem algum pedido? — Retrucou. O Chacal ergueu uma sobrancelha zombeteiramente. — Não no momento. Ambos os chacais foram arrastados da casa, Kiel sendo segurado pela parte de trás de sua jaqueta, sua cabeça pendendo para o lado. — Primeira coisa na parte da manhã, Lobo, — Jonas declarou antes de seguir osexecutorespela casa. — Primeira coisa.


O diretor e sua pequena comitiva de força tinham ido embora tão depressa quanto chegaram, deixando o alfa Coiote, Ashley e Emma olhando fixamente para a porta da frente. — Ele é um gosto adquirido, — Ashley falou lentamente, seu sotaque espessando. — É melhor em doses pequenas em vez das grandes. — Então ela deu uma suave e encantadora risada, por sua própria observação, antes de lançar à Graeme um sorriso brilhante. — Ele é muito engraçado quando fica todo irritado assim, não é? E aqui, todo mundo dizia que ele era louco, Graeme pensou com espanto. Aqueles que fizeram a acusação tinham que ver os vários mecanismos internos de socialização dosCastas. Era loucura completa com uma quantidade elevada de insanidade pura. Bom Deus, no que ele estava se metendo? ****** Cat ainda estava acordada quando a porta do quarto abriu com um forte empurrão, para revelar um menos que contente Graeme enquanto espreitava pelo quarto. Fechando a porta atrás de si, girou a fechadura, cruzouos braços em seu peito e olhou para ela. Olhando para ele, sentada na cama, o conjunto de treino negro que ela vestiu anteriormente trocados por shorts de algodão macio e camiseta. E não iria deixar o olhar de Graeme intimidá-la. — Antes mesmo de começar a me punirpor qualquer coisa que tenha em sua mente para me castigar, gostaria de saber como Raymond Martinez e dois Chacaisconseguiram passar pela segurança e entrar em meu quarto, me injetando com essa droga maldita. Ela deveria ter ouvido seus próprios sentidos agitados no início da noite, um erro que não cometeria novamente. Mas ainda assim, a capacidade delesde deslizar e ultrapassar a segurança até ela a preocupou. O brilho aliviou de seu rosto quando ele chegou para esfregar a parte de trás do seu pescoço. — Martinez colocou uma nano-lêndea no sistema de segurança enquanto estava aqui com seu filho. — O nojo encheu sua voz. — O bastardo. Foi uma pena para eles que achei a anomalia na fonte de alimentação de vigilância, oque me deu a dica de um problema. Peguei a intrusão assim que aconteceu. Caso contrário, Martinez nunca teria tido uma chance de chutar você. Enquanto falava, Graeme aproximou-se da cama, seu corpo poderoso preenchido com uma tensão que parecia apertar a cada momento.


Ficando em seu lugar, Cato observou cuidadosamente, sentindo seu próprio corpo apertar, a tensão que o enchia a afetando também. — Como está seu pulso? — Parando próximo dela, na cama, estendeu a mão e ergueu seu braço para olhar fixamente o local da fratura.— Tala de pele? — Seu olharse estreitou na ultrafina cinta quase impossível dese detectar. —Eu só vi algo desse tipo uma vez. — Dane Vanderale, — Cat disse, respondendo a pergunta que sentiu no comentário. — Quando eu tinha quinze anos, quebrei minha perna e não quis que ninguém soubesse. Dane estava na área no momento e deve ter me visto. Naquela noite ele deslizou em meu quarto e deixou várias talas de pele, potes de pomada para ferimentos e outrascoisas que pensou que eu pudesse precisar. Se não fosse por Dane, ela não saberia o que teria feito. O material que foi deixado por Vanderale literalmente salvou seu traseirovárias vezes. Graeme deslizou seu dedo sobre a tala de pele. — Depois da minha fuga dos laboratórios pela segunda vez, desenvolvi uma infecção que não esperava. Estava em alguma selva africana quando fui encontrado e levado para o Vanderale. Essa cinta foi usada para estabilizar várias fraturas que eu tinha. Ele disse isto de forma tão simples, mas parecia haver muito mais por trás da explicação. — Você fez uma coisa muito ruim esta noite, Cat, — afirmou antes que ela pudesse questioná-lo ainda mais, arrastando as pontas dos dedospara cima de seu braço. — Não sou racional enquanto estou assim. Você podia ter se machucado. — Você é tão inclinado a me machucar agora quanto em qualquer outro momento. — Ela tentou manter sua respiração e até mesmo seu batimento cardíaco estável, mas era impossível. Seu toque causou alguma coisa, aenfraqueceu, fazendo-a se derreter com as sensações que começaram a crescer em seu corpo e o prazer começou a espiralar por seus sentidos. — E mais tarde, — ele assinalou com uma veia de humor. — Muito habilmente roubando aquela dívida de Jonas para você. Não vi isso vindo. Lobo não ficou feliz com isso também. — Meu coração está se partindo, — murmurou. — Realmente, Graeme, nem todas as lições que você me ensinou foram desperdiçadas. — É o que parece. — Seus dedos levantaram, seu braço abrindo para fora quando ele se inclinou mais perto, suportando seu corpo enquanto ela se inclinou para trás nos travesseiros. — O que aconteceu no centro de pesquisa quando eles recapturaram você, G, — ela sussurrou enquanto seuslábiosse abaixavam


para a curva de seu ombro. — O que puxou aquela ira das profundidades de sua alma, criando o Gideon que vi esta noite? Ele endureceu contra ela. Cat tinha que saber o que aconteceu com Greame. Verdade, ele nunca foi completamente são, mas nunca deixara aquela parte de si mesmo livre também. Esteve adormecido, emprestando-lhe força, acrescentandoà sua inteligência, mas sempre em segundo plano. — Nada quevocê precise se preocupar. — A arrogância em sua voz a surpreendeu, assim como sua recusa em responder. — E ainda espera que confie em você? — Ela praticamente implorou por respostas. —Não sei mais quem você é. — Não exijo sua confiança, — rosnou. — Exijo seu toque e a liberdade para tocar em você. —Só o físico? — Apoiando suas mãos contra o peito dele,o olhou fixamente, odiando a debilidade, a necessidade de ceder a ele. Odiando sua arrogância e recusa emdeixá-laconhecê-lo. Isso a enfureceu. Ele queria tudo dela e não queira dar nada em troca. Erguendo a mão em seu peito, ele agarrou seus dedos, movendo-os rapidamente para o peso pesado da excitação contida por trás do zíper de sua calça jeans. Um suspiro de choque, de excitação, deixouseus lábiosquando ele enrolou seus dedos em torno da evidência de sua ereção. — Isto é físico, — ele rosnou. —Entãoé fisicamente que tem me atormentado prá caralho por cinco anos. Quando me deu seu sangue sem o soro necessário com a transfusão, você começou isto, Cat. Você colocou isso em movimento, mesmo quando avisei que não fizesse. — Você estava morrendo. — A memória daquela noite era outro pesadelo, outra razão para não confiar nele. — A morte era preferível ao Calor do Acasalamento, maldição. — Suas mãos agarraram seus ombros, dando-lhe uma sacudida dura enquanto a olhava. — Você tinha fodidos doze anos. Quando despertei,estava enlouquecido pela dor e sabia que se ficasse com você acabaria me tornando um monstro maior do que aquelesde quem ajudei você a escapar. A raiva a transpassou. Levantando a cabeça até que eles estavam nariz com nariz, zombou de volta para ele. — Então talvez você deveria ter sido mais cuidadoso com quem escolheu para se tornar sua própria experienciazinha pessoal. Ou escolher a genética que forçou dentro do meu corpo de forma mais sensata. Ele a tinha criado. Se não gostasse de quem e o que ela era, então era sua malditaprópria culpa, não era?


Seus olhos se estreitaram nela, os pontos de âmbar queimando mais brilhantes em seu olhar. — Cat... — O rosnado só a ofendeu ainda mais. — Fique longe de mim. — Empurrou seus ombros, determinada a escapar do prazer, do calor que sentia com seu toque. — Saia de mim agora, Graeme. Não significa não e estou dizendo a você agora que não quero você. Ele pulou para longe dela, o baixo e feroz rosnado que acompanhou sua ação a fazendo se mover depressa através da cama para saltar dela e encará-lo do lado oposto. — Você me quer, — ele a acusoufuriosamente, suas sobrancelhas baixando fortemente acima do brilho verdejade de seus olhos. — Posso sentir o cheiro de sua excitação que aumenta cada vez que toco em você. Você é minha companheira. Minha, Cat. — Não sou nenhuma companheira sua, — ela negou com umaonda de desgosto emseu lábio. — Posso apreciar jogar alguns de seus jogos, e posso ser forçada,no momento, a aceitar sua proteção, mas não lhe devo nada por isto. Você me deve, Graeme, e você me deve muito. Nunca esqueceria cada instância que lhe devia. Foram queimadas em seu cérebro. Dilacerando sua alma com cicatrizes de tamanha traição que, às vezes, ela o odiava por cada uma e todas elas. — Eu lhe devo? — A raspagem perigosa de sua voz não a afetou emnada. — E como imagina, minha pequena tigresa, que devo a você? — Pense sobre isto, Graeme, — ela mordeu fora, sua voz tensa e cheia de anos de ressentimento. — Por que uma tigresa renunciaria ao seu alfa? E confie em mim, renunciei à você anos atrás. Use esses seus sentidos superiores queo Dr. Foster reivindicou que você tinha, garotão. Porque aquela marca que deixou em mimjá se foi há muito mais tempo que pode imaginar. A marca que deixou nela era a mesma de Judd, Honor e, ao longo dos anos, em vários outros CastasBengala. Era uma marca primitiva, mental, que ele não acreditava que poderia ser apagada. Especialmente por sua companheira, pela tigresa que assegurou existir dentro dela. Mas Catestava certa. Permitindo seus sentidos de Castaalcançá-la, procurouo vínculo que assumiu que ainda estivesse lá e ficou chocado ao perceber que havia apenas o remanescente, a mais leve sobra do que existiu. Uma parte que ele duvidou que sequer soubesse que ainda estava lá. O conhecimento abalou seu núcleo. Sentiu-se fora de equilíbrio, atordoado pela fraqueza de uma ligação que tinha certo que não poderia ser destruída.


— Você destruiu essa ligação, — ela o acusou, sua voz suave, a amargura rasgando. — Você destruiu o que criou, Graeme. Eu poderia ter tido o potencial para ser sua companheira, mas como a ligação do alfa, isso não existe mais agora. Nada existe agora,a não sera necessidade de ver a única parte de você,pela qual ainda sinto algum carinho, sobreviver. Por incrível que pareça, não é aparte que conheço como Graeme que dou a mínima. É aquela parte de você que o mundo conhece como Gideon que me preocupa. Entretanto, ao que parece, a sobrevivência de Gideon está ligada à sua, então acho que estou presa com essa parte também. Presa a isso. Não acasalada com ele. Então por que não me deixa em paz para conseguir o pouco sono que eu possa terpara que eu tenha que lidarbem com um Casta Leão na parte da manhã? Anos de mágoas, de pesadelos que atormentaram seu coração vulnerável, e a perda de seu único amigo, a tinhamquebrado lentamente ao longo dos tempos, inúmeras vezes. Ela nunca teve chance de se curar, chance até mesmo para recuperarseu fôlego,antes que tivesse de lidar com outro golpe. Tudo o que sempre quisfoi pertencer à algum lugar, a alguém. Fazer parte de algo além de sua própria solidão dolorida. E mesmo agora, ele se recusou a compartilhar o suficiente de si mesmo para permitir-lhe se sentir segura em pertencer a ele novamente. — Pelo que você está esperando? — Catgritou dolorosamente enquanto ele permanecia, olhos apertados, simplesmente olhando para ela. — Acha que olhando para mim vai substituir aquelaligação? Que pode me intimidar nisto? — Uma risada zombeteirasaiu de seus lábios. — Você veio me encontrar porque eu era sua companheira. Você veio por vingança e fui apenas estúpida o suficiente para liderar o caminho, não é? Greame cruzou os braços sobre o peito, lentamente, a posição poderosa sóa enfurecendo ainda mais. — Gosta de mentir para si mesma, não é, Cat? — Ele sugeriu, a diversão superior mostrando o insulto. — Não tanto quanto você, —respondeu furiosamente. — Agora, por que não sai, por favor? Simplesmente não posso lidar com você. Recusome a lidar com você. Dê o fora daqui e não volte antes de eu ir embora. Ela tinha poucas opções. A única garantia que tinha de proteção também colocaria em risco uma pessoa que não tinha nenhuma intenção de revelar para Jonas ou Graeme. — Eu irei no momento. — Seus braços caíram de seu peito. — Voltarei de manhã, quando Jonas chegar. E terminaremos esta conversa depois.


Virando-se, deixou o quarto, fechando a porta atrás de sienquantoCat sentia a força drenar para fora de seu corpo. Era demais. Muitas reviravoltas, muitas perdas e revelações. Queria fugir. Precisava escapar. Mas não tinha nenhum lugar para ir, nenhum modo de sobreviver se corresse como desejava correr. E Deus a ajudasse, mas ansiava para correr. CAPÍTULO DEZ Lidar com Jonas era algo que ela simplesmente não podia fazer. Na manhã seguinte se levantou, tomou banho e saiu pela porta traseira ao nascer do dia. A pequenamochila que carregava em suas costas continha água, frutas, dois sanduíches de manteiga de amendoim e uma arma. Ela amarrou sua faca em sua coxa, sobre as calças pretas que apressadamente pegou na noite anterior, ao correrem para o térreo antes de Graeme torturar seus inimigos. Uma camiseta preta sobre a regata, enquanto botas cobriam seus pés. Com alguma sorte ela teria uma hora antes que Graeme a pegasse. Ela não tinha nenhuma dúvida de que a iria apanhar, assim como não tinha dúvida que ele estava ciente de que estava deixando a propriedade. Ela não era prisioneira. Ela não se permitiu ser prisioneira desde que escapou do centro de pesquisa onde foi mantida. Onde Graeme a transformou em Casta com potencial para ser sua companheira. A amargura que se derramou dela na noite anterior a surpreendeu. Assim como o prazer de seu toque que a aqueceu, se espalhando através de seus sentidos e enviando tal letargia sensual através dela, que não queria nada mais que deitar e se entregar à ele. Naquele momento o sentiu — sentiu essa conexão primitiva que não sentira com ninguém desde a noite que renunciou à ele como seu alfa. Ela era uma criança. Quebrada, traída por tempo demais, e perdida dentro de si mesma, sem a única pessoa de quem dependeu toda a sua vida. Seu G. Era diferente. O que sentia agora não era o amor e adoração de uma criança. O que sentiu na noite anterior foi uma fome que nunca sentiu antes. Fome por um homem que ela podia sentir que escoava dentro dela,


tornando-se uma parte dela. Não, ele foi sempre uma parte dela. Mas ela podia senti-lo tomar mais dela agora, e não podia lidar com isso. Correndo através do frio da manhã no deserto, o vento sobre seu rosto, ela tentou dizer a si mesma que podia combatê-lo, que podia negar. Que a sensibilidade de sua carne podia ser ignorada, que a fome de seu toque podia ser negada. Que ela não era sua companheira. Ela pertencia a ela mesma. Não era? Enquanto corria, a necessidade de escapar do caos que sua vida estava se tornando subiu dentro dela com uma fúria que a deixou perdida em como lidar com isso. Por 13 anos permitiu que sua vida fosse ditada pela necessidade de se esconder de quem procurava por ela. Sempre consciente de que, se fosse capturada, se permitisse que isso acontecesse, então Judd e até mesmo Honor estariam em risco também. O peso da responsabilidade que sempre esteve com ela quando desejava escapar do ódio e malevolência da família Martinez. Como Claire, a sombria emuito séria jovem mulher, cuja vida ela entrou, suportouos 15 anos que viveu naquela casa? O que fez Claire dirigir o carro — que roubou de seu pai naquela noite — sobre um penhasco com sua melhor amiga ao seu lado, resultando num trágico acidente quase fatal, tanto para Claire como para Liza, Cat realmente nunca soube. Mesmo Claire não lembrava por que ela fez isso. Antes que ela desaparecesse por completo, sua essência absorvida completamente em Cat como parte do ritual 12 anos atrás, Claire se lembrava muito pouco de sua vida antes do acidente. O que Cat estava certa, eraque Raymond Martinez tinha algo a ver com isso. À medida que o sol queimava o frio da manhã, Cat observava, de umaposição vantajosa, a base de uma das torres de pedra que se erguiam do chão do deserto como o heli-jato doEscritório pousava no exterior da casa que Lobo Reever permitiu a ela usar. Graeme saberia que ela não estava lá. Felizmente, ele não a seguiu. Não que ela soubesse. Ela não o percebeu atrás dela, mas isso não queria dizer nada. Se aseguia, estava deixando-a sozinha por enquanto, pelo menos. Ele foi o único a partir, deixando-a sozinha. Não mais que minutos depois de sentar para apreciar a vista ela sentiu o avanço dedois Castas. Não foi seu perfume que a alertou primeiro,mas a sensação de invasão e manipulação.


—Bom lugar. — Não demorou muito para eles entrarem à vista e perturbar a beleza da manhã. Jonas Wyatt e Rule Breaker. Ela só não precisava disso agora. —O que diabos está fazendo aqui? Vestido com calças de seda escuras, uma camisa de seda branca, mangas arregaçadas e mal enrugadas, ele não parecia como se estivesse cuidadosamente a seguindo desde que deixou o terreno fechado da pousada. Ele era a porra de um mágico ou algo assim. Um sorriso curvou seus lábios enquanto ele se movia para o abrigo criado pelas pedras antes de se abaixar para sentar-se na base da torre. Recostando-se contra a pedra fria, ele olhou para fora, entre as pedras, obviamente desfrutando da mesma visão que ela tinha reivindicado como sua. —Eu sabia que você não estaria em casa esta manhã, — ele disse à ela, agarrando a mochila antes que pudesse detê-lo. Cavando dentro, ele tirou uma garrafa de água e uma de suas maçãs. Dando uma mordida na fruta fresca, olhou para ela em agradecimento antes de parecer relaxar enquanto mastigava a fruta. Ela esperou. Aprendeu no centro de pesquisa que pressionar para obter explicações e respostas a fazia parecer fraca. Ela não estava pedindo nenhuma maldita coisa, e não lhe devianenhuma malditacoisa. Finalizando a maçã e jogando o miolo fora do abrigo para os catadores, ele abriu a água, tomou um longo gole e então a tampou. Segurando-a vagamente entre os dedos e flexionando os joelhos para descansar seu braço, seu olhar se estreitou no deserto abaixo das pedras. Cat só o assistia. Poucas pessoas perdiam tempo bastante observando o rosto e os olhos deste homem, pensou ela. Não que ele demonstrasse algo, mas ao observá-lo por algum tempo, prestando atenção suficiente, por vezes indícios do que ele sentia ou sabia piscavam em seus olhos ou na sua expressão. Uma vez ou duas, ela poderia ter pego um perfume de emoção, de arrependimento. —Não me sinto superior à sua genética por causa da minha criação contra suas adições. O que você sentiu nessa reunião é algo difícil de explicar, e sua acusação de preconceito pode não ter sido inteiramente infundada. Para isso, peço sinceras desculpas,— disse ele em voz baixa, ainda olhando para o deserto. — Gostaria de rebaixá-lo como um momento de fraqueza humana que já foi erradicado.


Ele virou os olhos para ela e o gelo que normalmente os enchia, aquele olhar normalmente emocionalmente em branco que dava ao mundo, estava ausente. Jonas havia baixado suas defesas, permitindo que o Casta eo homem fossem revelados exclusivamente ao seuforte sentido e olfato. Arrependimento, sinceridade e talvez até mesmo uma pitada de incerteza. Ele não podia prever se ela aceitaria seu pedido de desculpas ou não. —Desculpas aceitas. — Ela deu de ombros, ainda olhando-o de perto, consciente das emoções que ele tentava sustentar ou entender. Ele era umCastaque raramente permitia que outros se aproximassem, e confiava ainda menos. —Âmbar é tanto minha filha como qualquer outra que Rachel conceba a partir de nossa união, — ele disse a ela suavemente, em seguida. —Ela é carne da minha carne, sangue do meu sangue, e quero saber como Gideon fez isso acontecer. Cat não conseguiu esconder o choque ao ouvir suas palavras. —O Quê? O que quer dizer? — Ela balançou a cabeça, confusão a enchendo. Jonas voltou seu olhar para ela, sua intensidade a focando completamente. —Durante seis meses, no mínimo, ele esteve deslizando por cada protocolo de segurança que usei para me alertar que ele estava lá, e ele esteve injetando minha menina, a criança que me veio como enteada, com o mal que Brandenmore criou. Os arquivos que ele deixou explicam tudo, mas como Amber está lentamente se tornando uma Casta Leão não é explicado. Uma com meus marcadores genéticos. E quero saber como ele fez isso. Com marcadores genéticos de Jonas? Graeme sabia como ajustar o soro para marcar a genética doCastacom codificação familiar e ele não a tinha marcado de tal forma? Foi algo que ele aprendeu apenas depois de sair dos laboratórios? Ou algo que descobriu com sua recaptura? —Não sei como ele fez isso. — Ela balançou a cabeça, olhando-o e permitindo-lhe sentir aquela parte interna sua onde a verdade ou engano se estabeleciam. —Nunca imaginei que você soubesse como ele fez isso, — reconheceu. —É algo que tenho que saber, no entanto. Ele vai voltar, Cat. Ele vai voltar por você, ele não será capaz de evitar. Você é sua companheira. Você pertence à ele e nós dois sabemos que ele nunca ficará longe de você. O que colocará você e ele em perigo. A única proteção ou de quem você terá será a minha.


Oh, ela podia ver onde isso estava indo agora ea futilidade do que ele queria era quase divertida. Será que ele realmente achava que ela iria entregar Graeme para ele tão facilmente? Será que realmente acreditava que pudesse controlar Graeme tão facilmente? —Jonas, você não quer capturá-lo nunca. — Ela suspirou. —Você não quer tentar forçá-lonunca. — O doloroso pesar que a enchia, ela nem sequer tentava esconder. —Já deve saber, por agora, que ele te dará tudo que puder dar. Mas se capturá-lo ele vai te matar. Você e todo mundo que ficar no caminho de sua fuga. Graeme nunca se permitiria ser preso novamente. Aquela criatura que cresceu da raiva interior acumulada dentro dele criaria um rastro de sangue diferente de tudo que Jonas jamais viu antes. —Ele não é Superman, Cat, — informou ele gentilmente. —Ele não pode saltar prédios altos ou desviar de balas. Ele é apenas umCasta, ainda que umCasta muito inteligente. Cat balançou a cabeça e se inclinou para afrente lentamente. —Você está errado, Jonas, — ela sussurrou dolorosamente. —Está muito errado. Não, ele não é Superman. Não pode saltar de prédios altos. Não pode desviar de balas. Mas pode sentir o que está à espreita naquele prédio. Ele pode sentir a bala ser disparada e evitá-la. Ele pode atravessar cada escudo mental que você usar até alcançaro próprio espírito de quem eo que você é. E se você ficar em seu caminho, em seguida, ele vai usar cada pingo de informação que possui contra você. Seja o que for que o Dr. Foster fez quando criou Gideon, o soro dado nesse centro de pesquisa amplifica cada força humana e Casta que possui, enquanto acaba com qualquer fraqueza que possa detectar. E tudo o que salva o mundo é que de alguma forma, de alguma maneira, ele conseguiu manter compaixão suficiente para impedir que o mal da humanidade o supere. —Cat, realmente acredita nesta besteira? — Descrença curiosa encheu sua expressão. —Gideon não é um super-casta. —Deixe-o em paz, Jonas. — Ela pediria isso, se precisasse, embora não seria nada bom. —Ele deixou dois chacais vivos para você interrogar e de alguma forma se convencesseque realmente colabora com você... —De acordo com Kiel, foi você que fez isso, — respondeu Jonas. — Você controla o monstro, ele afirma. —A percepção dos Castas meespanta, por vezes, — ela apontou amargamente. —Eu não o controlo. Ninguém, nada neste mundo, pode controlar a criatura que ele se tornou. Mas você pode existir sem capturálo. Você pode se beneficiar de sua liberdade. — Ela se inclinou para afrente, implorando, erguendo suas mãos para ele em súplica. —Jonas, a incrível inteligência, assustadora que ele possui apenas pode ajudar os


Castas. Pare de caçá-lo. Pelo amor de Deus, dê-lhe um pouco de paz, mesmo que apenas por um curto período de tempo. Se eles o empurrassem, se continuassem a ir atrás dela, fosse o Conselho ou Jonas, logo Graeme não controlaria mais completamente o que quer que estava dentro dele, que obliteravaqualquer vestígio de misericórdia que ele ainda pudesse ter. —Você tem medo dele, Cat, — ressaltou. —Com uma boa razão. —Eu não tenho medo dele. O que tenho a temer? Ele pode ameaçar me matar. Pode me odiar com cada fibra do seu ser, ou me amar até o fundo de sua alma, quem diabos sabe. Mas nunca iria me prejudicar. O que temo é o que você vai fazer com ele, se continuar a empurrá-lo. —Você salvou os chacais e Martinez na noite passada. Ele os teria assassinado... Ele simplesmente não conheciao Casta com quem estava lidando, apesar das tentativas de Graeme mostrar a ele. —Ele os teria executado, — ela o corrigiu. —Como você executaaqueles que consideraalém da redenção em algum vulcão remoto. Ou como derruba um animal com raiva. Ele nunca matou alguém ou alguma coisa. Jonas balançou a cabeça, mas quando o fez, o acesso que lhe tinha dado às suas emoções internas se fechou. —Por que me acompanhou aqui, Jonas? — Ela perguntou, desta vez com uma necessidade real de entender por que ele estava lá. —Realmente acha que eu saberia qualquer coisa que possa ajudá-lo a capturá-lo? Ou que lhe diria se o fizesse? Humor irônico brilhou brevemente em seu olhar. —Rachel achou que se eu me aproximasse de você sem minha “atitude arrogante normal” — ele fez uma careta de desgosto, puxando um pequeno riso sem vontade dela — "talvez você estaria disposta a ajudar, em vez de dificultar minha procura por ele. Vou me assegurar de dizer a ela quão bem isso funcionou. — A zombaria em sua expressão era mais auto-depreciação que confronto. —Como deve ser horrível ter o peso de tantas vidas descansandosobre seus ombros, — disse ela suavemente, atraindo um olhar surpreso dele. — Saber que cada passo que você dá, cada decisão que toma, afeta todas as Castas do mundo e cada alma única e excepcional que você luta para salvar. E a cada Casta perdida, aposto que você sente isso como se fosse pessoal. Ele olhou para longe dela. Duvidava que Jonas desse a qualquer um a chance de ver qualquer emoção, muito menos sentir a profundidade da sua dor ao pensar em quaisquer falhas.


—Você e Gideon são iguais, — ela sussurrou, sentindo ao invés de ver a tensão que o encheu de repente. —A diferença é que você percebe a inteligência que ele possui como seu próprio fracasso. Se puder capturar Gideon, então poderá capturar todos os segredos que ele possui e todo o conhecimento que ele tem ou terá. Arrogância, confiança e negação encheramos traços que se voltaram para ela. —Eu o vejo como o animal raivoso que você falou antes, — ele declarou com frio distanciamento, levantando-se para olhá-la. —Um que tem algum valor, masno entanto, quando comparado com o risco que representa, não é o suficiente para lhe permitir continuar travando uma guerra que poderia facilmente tornar-se uma arma usada contra os Castas. O mundo quer justiça, Cat, não vingança. —Nem proteção? Ou verdade? — Ela balançou a cabeça com firmeza. —Você está errado, Jonas. Mesmo quando criança, muito antes de eu chegar nesse centro de pesquisa, ele foi torturado. Esse soro quase o destruiu. Ele sobreviveu porque essa inteligência lhe permitiu ver como usar o soro para torná-lo mais forte, mais inteligente, ao invés de matá-lo, como fez com muitos outros. E quer prendê-lo por isso? — Ela levantou-se agora, olhando para ele ferozmente. —Não, não é por isso que quer prendê-lo. Quer prendê-lo para usá-lo. Para roubar essa inteligência e força. — Agora ela estava apontando um trêmulo dedo para ele. —Você não é diferente do Conselho a este respeito e se eu soubesse onde ele está, o que está fazendo ou onde vai atacar em seguida, morreria antes de dizer a você ou qualquer outra pessoa determinada a esculpir outro abismo dentro da alma daquele Casta. Issoa enfureceu. Quebrou seu coração. —Ele nunca vai estar em paz, Cat, — ele retrucou. —Ele é completamente louco. —Talvez ele devesse apenas ter se escondido melhor, como você faz, — ela gritou com voz rouca. — Como qualquer outroCasta existente faz. Porque nenhum único maldito que conheci é completamente são. Você deseja usá-lo, Jonas. Pelo menos tenha culhão suficiente para admitir isso. — Sacudindo a mochila do chão arenoso, ela a puxou sobre os ombros furiosamente. —Posso ter sido feitapor sua loucurana noite que me salvou, junto com Judd, de sermos submetidos à eutanásia, como eles chamam, mas vou ser amaldiçoada se não houve outrosCastas sendo feitos vez ou outra, desde então. E eu definitivamente terminei com você, Diretor. Deveria ter ficado com o Conselho. Pelo menos teriam concordado com seus métodos imbecis.


—Cat. — A demanda em sua voz a fez parar para olhar para ele. — Será que ele disse o que aconteceu quando foi recapturado? O que eles fizeram com ele durante o tempo que o Dr. Bennett o manteve? —Você me diria? Ela se perguntava, ansiava por perguntar, mas sabia que ele não diria. Nunca. Assim como ele não disse a ela o que fizeram com ele quando o Dr. Bennett restabeleceu a terapia genética sobre ele depois do desaparecimento do Dr. Foster. —Pergunte a ele primeiro, — Jonas sugeriu. —Se ele não disser, em seguida, venha me encontrar. Vou te dizer, sem nenhum compromisso, o que criou o monstro que você enfrentou ontem à noite, e por que você não pode confiar nele mais do que eu posso com a vida de Âmbar . —Mais jogos? — Ela zombou com nojo. —Sabe, Jonas, acho que seria melhor se parasse de tentar me manipular e simplesmente aceitasse que conseguir o que quer através de mim simplesmente não vai acontecer. Com isso, saiu da proteção dos pedregulhos e começou a voltar para a casa. Não importa o quanto tentasse, simplesmente não havia paz a ser encontrada. ****** —Bem, até agora tudo correu bem. — Rule se moveu do lado da torre de pedra, diversão pensativa vincando sua expressão enquanto ele também observava Cat correr de volta para a casa que Lobo Reever estava a deixando usar. O que Reever devia à Gideon para que estivesse disposto a arriscar quebrar o acordo que tinha com aAgência de AssuntosCastas, para protegê-lo? Jonas não tinha dúvida que descobriria isso, assim como ia descobrir exatamente o que Rule Breaker, seu novo diretor de Divisão e um de seus amigos mais próximos, devia ao louco Bengala também. —Não, na verdade, isso não foi bem. Mas eu não tinha ilusões que iria. — Ele suspirou, esforçando-se para ser tão honesto com Rule como sempre foi. Afinal, nos anos que lutaram juntos, esta era a única vez que não podia confiar inteiramente em Rule. Por alguma razão, seja qual fosse,oCasta sabia sobre Gideon ou seu paradeiro, mas se recusava a divulgar. Jonas podia entender isso. Havia um monte de segredos que Rule e seu irmão provavelmente matariam para manter se fossem cientes disso.


Foi uma troca, ele pensou, cansado. Não uma troca que ele gostasse, mas mesmo se Rule revelasse seu conhecimento, Jonas sabia que nunca revelaria seus próprios segredos, até que não tivesse outra escolha. —E agora? — Rule questionou, embora apenas curiosidade fosse o motivo da pergunta. — Vou dizer à Rachel que ela estava errada. — Ele deu de ombros. —Essa garota sabe onde Gideon se escondeu. Ela sabe muito mais do que falará de bom grado a qualquer pessoa, mesmo alguém que ela confia. Mas ela ainda era a fraqueza de Gideon. Ameace Cat e ele sairá e jogará. Não era um movimento que Jonas estava disposto a fazer ainda, apesar de tudo. Por agora, havia informações a recolher. Por um lado, o papel desempenhado por Reever em tudo isso. Por outro, o papel que Rule estava tomando no intrincado jogo entre Gideon e Jonas. E em terceiro lugar, o fato de que ele sabia que a enteada de Reever estava de alguma forma envolvida também. A lista que adquiriu dos laços de Gideon na comunidade Casta foi surpreendente. Gideon esteve muito bem escondido num muito poderoso grupo de indivíduos dispostos a ajudá-lo, e Jonas queria saber como um Castacompletamente insano, violentamente vicioso conseguiu isso. Era um truque que Jonas precisava descobrir a fim de revelar todos os envolvidos nesta pequena conspiração. —Já encontrou o Castarecessivo, Judd? — Jonas perguntou enquanto se moviam em torno da torre até o Dragoon que tinham dirigido pouco antes de Cat partir para sua corrida. —Nem sequer tenho uma lista de suspeitos, Jonas. — Rule não estava feliz com isso. Estava realmente muito frustrado com o fato, se seus sentidos estavam corretos, Jonas pensou. —Quero uma lista de suspeitos até ao final da semana, — Jonas ordenou. —Isso não pode continuar. —Não sou um de seus executores, — Rule retrucou. Jonas observou que o nível de confiança que oCastaadquiriu tornouse um problema sério recentemente. Não que Jonas tivesse a intenção de fazer algo sobre isso. Não que pudesse fazer algo se tentasse. Pelo menos, não muito. —Então, um de seus executores pode cuidar disso, — Jonas devolveu para ele. —Este é um problema da Divisão Ocidental, Rule. Você é o diretor de Divisão. Então, cuide dessa porra. E cuide disso até o final da semana. Balançando no Dragoon, ele olhou pelo pára-brisa, contendo uma maldição furiosa. Proteger Gideon era uma causa louvável, e ele o teria


ajudado em qualquer outro momento. Mas protegê-lo não era uma opção agora. —Para onde agora? Voltar para a casa dela? — Rule perguntou enquanto deslizava para o banco do motorista. Forçando-se a parecer descontraído, ele se virou para Rule lentamente. —Uma pergunta hipotética, — afirmou. —No meu lugar, o que faria se soubesse que um Casta únicoaparentemente não é tão único? Que alguma coisa apenas desencadeoualgo que você suspeita que outros Castastambém estejam codificados? Castas, cujos gatilhos podem ser muito mais sensíveis? Rule olhou para ele impassível por longos momentos antes de responder a pergunta. —A mesma coisa que os humanos fazem quando percebem que gatilhos de algum psicopata são muito mais sensíveis que outros. Ou que alguns sociopatas são tão inteligentes que nunca podem ser encontrados, — ele finalmente disse com um suspiro. —Não somos apenas Castas, Jonas. Somos parte humano, parte animal e algo entre isso que não pode ser definido. Cada dia que estamos livres é um presente. Quando esse presente é tirado bem que precisamos dos monstros para garantir nossa sobrevivência. —Então permitimos que Gideon tenha rédea livre? — ele perguntou, sabendo que não era possível. —Minha opinião? — Rule perguntou. —Ou é uma pergunta retórica? Às vezes, esteCasta era demasiado inteligente para seu próprio bem, também. Claro, foi por isso que Jonas o manobrou para a posição de diretor de divisão. —Sua opinião. — Jonas balançou a cabeça. —Nenhum de nós tem rédea solta. —Virando-se, Rule ligou o Dragoon enquanto Jonas estreitava seu olhar nele, esperando. Ele sabia que mais estava por vir. —Rédea livre é um conto de fadas no que se refere a Gideon, como livre-arbítrio e liberdade são miragens no que se refere aos Castas, —Rule soltou, obviamente, não satisfeito com as conclusões a que chegou sobre o tema da liberdade. —Se eu estivesse em seu lugar, lhe daria a miragem de liberdade, no entanto. O mesmo conto de fadas que damos a nós mesmos. Ele fica em dívida, um favor devido. Ele ganha a mentira que pode viver sua vida e tomar suas próprias decisões, e nos dá a mentira que temos sua lealdade. Então quando tudo for para o inferno, e encontrarmos a opinião pública do nosso inimigo, ao invés de nossa força, cobraremos


nossos favores e daremosaos monstros rédea solta de verdade. Pode ser tudo que salvará alguns de nós nesse ponto. O Dragoon alcançou a velocidade máxima em questão de segundos, enquanto oCasta atrás dovolante observava o terreno com uma expressão dura, quase sombria,enquanto corria através do deserto. Uma que Jonas estudava com olhos apertados, enquanto deixava as visões de tudo que o rodeava filtrar através de seus sentidos Casta. O único cenário que o deixou mais à vontade, porém, foi o leão vestido de armadura, garras com ponta em aço, o azul selvagem dos olhos cheios de morte. Aquela criatura estaria sempre contida, sempre controlada, até que, como disse Rule, o mundo fosse para o inferno no que dizia respeito aos Castas. Era a primeira vez que Jonas percebiaessa parte desteCasta, e suspeitava que fosse essa parte dele que convenceu Rule a trair uma década de lealdade com Jonas, para dar a miragem de liberdade à um Casta. Gideon percebeu o que se escondia dentro de Rule. O gatilho, Jonas pensou, cansado. Bastava o gatilho certo, e esse "algo entre" as parte — que Rule identificou que todos os Castastinham dentro de si — era o algo que Jonas mais temia. Porque tinha a sensação que os gatilhos estavam muito mais sensíveis em muitos Castas do que alguém sabia. ********** Jornalistas. Estavam acampados no portão da frente como abutres empoleirados e à espera da presa morrer. Ou para ter um vislumbre dela. Ela deveria esperarisso — a notícia vazou no minuto da prisão de Raymond e das denúncias sendo feitas contra ele, uma das quais seria a tentativa de homicídio da mulher que todos acreditavam ser sua filha, Claire Martinez. Será que a verdade de que ela não era Claire vazaria? Não muitos sabiam. Aqueles que o faziam não queriam dizer a verdade mais do que ela queria que fosse dita agora. Até o momento que ela voltou para a casa e subiu ao andar superior para verificar a propriedade fora dos muros, havia vans de cada lado de fora das muralhas de oito pés. De pé no quarto de hóspedes e olhando através das cortinas de renda, percebeu que mais que apenas jornalistas estavam lá fora. Do outro lado da estreita estrada municipal de duas pistas, estava parado um


Dragoon familiar. Enquanto ela observava, uma bonita cabeça loura apareceu do outro lado e Ashley estava acenando sua mão loucamente, um sorriso provocante nos lábios. Sem dúvida, ela sabia que Cat estava vendo. Um segundo mais tarde, os jornalistas se viravam e tiravamdezenas de fotos de Ashley, que parecia estar, na verdade, posando para eles. Até que alguém a empurrou rudemente de volta para o Dragoon. Que diabos. . . Nem mesmo um segundo depois, o telefone por satélite criptografado que Jonas lhe dera meses antes vibrouexigente. De alguma forma, sabia muito bem quem era. —Ashley, por que não me chamou? —Cat respondeu a convocação de espanto. —Não tem que esperar para chamar minha atenção. —Oh, eu estava acenando para os paparazzi. — O sotaque russo era puro charme preguiçoso. —Aposto que colocaram minha foto nas primeiras páginas novamente, Cat. Vê o que uma maravilhosa amigafaz? Não tenha medo, vou salvá-la deles. Ashley era louca. Por um tempo Cat se perguntou se a fêmea Coyote jamais iria se recuperar da bala que levou no peito e da experiência de quase morte que resultou. Ela morreu duas vezes na mesa de operação. Na segunda vez os cirurgiões quase perderam a esperança de trazê-la de volta. —Com certeza aprecio isso, —Cat assegurou. —Mas será que seu alfa também? —Oh, Del Rey foi chamado de volta ao hotel. Deixou Brim Stonecomo babá. Ele ainda está me mimando e me permite ser uma menina má. — Ashley soprou as palavras, seu sotaque pesado, e Cat praticamente podia vê-la antes de soprar a Brim um beijo, enquanto enrolavaasartificiais mechas loiras. Um destes dias, Del Rey ia prendê-la pela sanidade do mundo livre. Ela espalhava riso e loucura onde quer que fosse, se o potencial disso existisse. —Então, gostaria da minha companhia por um minuto? — Perguntou Ashley brilhantemente. —Pensei em andar até os repórteres muito charmosa, mostrar um pouco os dentes — sabe, meus incisivos foram afiados e polidoscom um brilho maravilhoso ontem — então eu poderia apenas pular sobre aquela pequena parede e fazê-los se sentir como vagabundos preguiçosos porque não conseguem dar esse salto. Oh, ela queria tanto ver isso. —Vá em frente, — sugeriu Ashley. —Quer ver se eu me atreveria tanto, não é, Cat?


Nunca desafie um Coyote. Cat quase riu do ditado. Ashley implorava para ser desafiada. Era um de seus passatempos favoritos. —Certo, Ashley, eu te desafio. Mas não pode ferir os repórteres. Outro joelho na virilha e você perde o chocolate quente que estou fazendo. —Ooh, vou ganharchocolate quente, Brim, — ela disse ao segundo do alfa, o provocando. —E ela me desafiou. Um dia, Brim ia colocar a bonita, graciosae pequena Casta sobre o joelho e sovar seu traseiro. —Faça meu chocolate, Cat. A caminho. Cat realmente queria assistir o espetáculo, mas estava com medo de ser chamada como testemunha para Ashley novamente quando ela "acidentalmente" mutilasse outro repórter. De jeito nenhum ia assistir. O que ela não sabia, não tinha que dar uma declaração. Faria o chocolate e deixaria Ashley contar tudo. Brim poderia dar as declarações. CAPÍTULO ONZE Nenhum repórter foi prejudicado na exibição espetacular que Ashley lhes deu. Claro que Cat não podeevitar voltar para assistir o show. Ashley era simplesmente muito divertida. Como ela disse, um brilho de suas presas, só Deus sabe o que disse à eles, então um pequeno salto ágil e estava agachada na beira do muro de oito pés do chão enquanto as câmeras brilhavam. Sem dúvida, estaria definitivamente na primeira página de quase todos os jornais e sites da nação. —Você é louca, Ashley, — declarou quando a pequena fêmea Coyote loura entrou na cozinha, um sorriso satisfeito nos lábios enquanto o riso iluminava seus cinzentos olhos suaves. Cat colocou duas xícaras de chocolate quente em cima da mesa no interior de um recanto cercado por janelas. —Sou Coyote, — declarou Ashley com um encolher de ombros descuidado. Deslizando numa cadeira, a fêmea Casta apoiou um pé calçado de couro no assento da cadeira estofada, inclinou-se atrás e olhou avara para o chocolate fumegante. —Beba o chocolate, —Cat riu, tomando assento em frente à ela. —E me diga o que está acontecendo.


Um bico franziu os lábios de Ashley. —Não posso visitar uma amiga? Cat levantou a taça de chocolate e tomou um gole antes de colocar sobre a mesa mais uma vez e olhar para a outra mulher enquanto ela fazia o mesmo. A apreciação deCastas por chocolate era simplesmente espantosa. O olhar no rosto da Casta Coyote era de felicidade completa. O doce era para os Castas o que algumas drogas eram para os humanos. Nada mais foi dito até que o chocolate quente foi consumido até a última gota, em seguida, Ashley sentou-se e olhou para ela, sua expressão mais sombria. —Castas são muito estranhos, não é? — Ela perguntou em voz baixa, uma pitada de resignação tocando sua voz com sotaque. —Prefiro a palavra “únicos”. — Parecia muito melhor aos ouvidos de Cat. —É a mesma coisa. — Ashley suspirou. Inclinando-se para afrente, apoiou o queixo na palma da mão e observou Cat com uma intensidade estranhamente desconcertante. —Você acasalou com o Bengala louco, não é mesmo? — Um sorrisinho peculiar tocou seus lábios. —Sabia que ele não era um leão. — Uma ruguinhaem seu nariz seguiu o comunicado. —Aquele cheiro era muito perfeito para me satisfazer. Cat simplesmente olhou para ela, recusando-se a comentar qualquer coisa. —Agora, Jonas, — continuou Ashley, — com todos os seus poderes intuitivos, está tão focadonum único objetivo que não vê o que está bem na frente de seu rosto. O Castaque é tão enganoso e tão intuitivo como ele. Fariam uma equipe assustadora, não? —Ashley, o que diabos está falando? —Cat estaria condenada se ia permitir que este rosto de mulher-criança travessa de Ashley a enganassepara admitir algo. Ela viu Ashley enganar muitas pessoas e silenciosamente reconheceu a capacidade da jovem Coyote para ganhar a confiança dos antagonistas dosCastas mais endurecidos. Ashley nem sequer piscou. —Sei o que Graeme Parker é, Cat. Nós duas sabemos. É simplesmente muita sorte Jonas estar muito focado em Gideon para ver o que os outros, aqueles que chegaram a conhecê-lo tão bem, podem ver. —E o que acha que vê? — Zombou Cat. —O que você tão obviamente não vê, — rebateu Ashley. —O Castatorturado por coisas que se recusa a falar. Um, cuja dedicação à umaranzinza fêmea Bengala pode muito bem deixá-lo de joelhos. Eu ficaria descontente em encontrar Graeme de joelhos. — Aqueles olhos


cinzentos brilharam com uma advertência, uma que acharia mais que preocupante. Cat não achava preocupante, achava irritante. —Graeme é muito bom em cuidar de si mesmo, — ela assegurou à Ashley. Levantando-se e recolhendo os copos vazios, Cat se virou e levou-os para a pia. Quando se virou para a outra garota, Ashley estava apenas olhando para ela, estudando-a. —Ele fez muitos amigos, enquanto esteve aqui, — Ashley apontou. —Amigos que enfrentariamaté mesmo Jonas, mesmo odiando isso. Ou sua companheira, tanto quanto ele odiaria isso. Não faça inimigos no pequeno grupo que garante sua segurança. Nós não apreciaríamos isso. Cat queria rir, mas tinha um medo terrível que soasse mais como um soluço. —Por que não sai, Ashley, — ela sugeriu suavemente. —Isto foi divertido, mas tenho coisas a fazer. Graeme esteve aqui um ano, ela conhecia Ashley há quase cinco, mas era Cat quem recebia o aviso, em vez de Graeme. Isso não era irônico? —Você é muito teimosa, — Ashley observou, em seguida, seu olhar uma vez mais compassivo. —Sou teimosa? — Ela teve que rir. —Talvez não sejateimosa o suficiente, porque por anos me deixeipreocupar com pessoas que não me davam a mínima, ao que parece. Ela odiava a dor que ardia profundamente dentro de seu peito, enchia seus sentidos e enfraquecia a força que ela lutava tão duropara encontrar. —Cuidamos de você, Cat, ou eu não estaria aqui. — Ashley suspirou. —Você o conhece há um ano. — Seus punhos cerraram ao lado do corpo, raiva derramando através dela. —Um ano, Ashley, mas fica aqui e me diz como ficaria chateada se ele ficasse de joelhos? Como acha que meus joelhos estão por causa dele? Ela chorou por ele. Durante anos, mesmo depois que ganhou a identidade de Claire, nos anos que ela deveria permitir que outra pessoa enfrentasse o mundo, enquanto ela se escondia. Ainda assim, ela despertava enquanto Claire dormia, só para chorar. Para soluçar num travesseiro que não era dela, numa cama que não era dela, numa vida que não era dela, por um Bengala que virou as costas para ela. —Acha que ele atraiu tanta lealdade em apenas um ano, Cat? — Ashley olhou para ela com surpresa. —Quando chegamos neste deserto,


um Bengala enlouquecido salvou minha vida e a de Emma quando um atirador teria enterrado suas balas em nossas cabeças. Ele nos trouxe o rifle do atirador, o partiu em dois como um galho, e o jogou em nós. As listras em seu rosto eram como cicatrizes de raiva enquanto ele rosnava para nós em fúria e nos ordenava voltar para a zona de segurança em torno de Window Rock. Corremos de volta como filhotes assustados. Não por medo do atirador, mas pelo medo instintivo de represália de um tutor. Nem seis meses depois, ele salvou nosso alfa, que nós adoramos mais que os outros adoram um pai ou irmão. Ele salvou amigos, e fez sem cobrar nada. Como pouco eles sabiam do Bengala enlouquecido. Como Jonas, nada era grátis. —Ele simplesmente não os informou do preço ainda, — retrucou Cat dolorosamente. —Dê-lhe tempo. —E pagaríamos de bom grado, muitas vezes. — Ashley levantou lentamente. —Você é uma amiga, Cat, e gosto muito de você. Mas nós lhe devemos nossas vidas e as vidas daqueles que amamos. Eu, por exemplo, ficaria muito chateadase Jonas descobrisse quem ele é, porque sua companheira não é leal a ele. Não era leal a ele? Quão pouco sabiam dela também. —Ele me deixou para morrer quando eu tinha doze anos, — ela gritou furiosamente, a raiva trancada em seu interior queimando através de seus sentidos. —Ele me deixou sozinha quando eu não conhecia nada, exceto sua proteção. Não dependia de nada nem ninguém, apenas dele, — ela zombou. —Estava fodida aos doze anos, e ele era meu mundo. Portanto, não fique aqui e me fale sobre as vidas que ele salvou, porque ele destruiu minha vida. Ele me destruiu. A amargura, os anos de perda e medo a devastaram agora. Tudo que mantinha trancado dentro de sua alma surgiu no meio dos muros que ela colocou em torno. —Cat... — A compaixão no olhar de Ashley, em sua voz, a enfureceu. Graeme se assegurou que Ashley soubesse que pegou o atirador, mas Cat nunca contouà fêmea Casta que cortou as gargantas de dois soldados do Conselho perseguindo-os há mais de um ano atrás. Ela nunca disse a ninguém as inúmeras vezes que manobrou seus inimigos à vista, garantindo que fossem revelados. Ou garantindo que desapareceram. —Esqueça. Não preciso de sua compaixão. — Ela estava tremendo, o esforço de muitos anos vivendo uma vida de solidão e medo,a dor crescendo dentro dela.


E por que fez isso? Por que viveu como alguém que não era? Não por sua maldita própria proteção, isso era certo. Ela fez isso por ele. Porque sabia dos últimos alcances de sua alma se ela fosselevada, então ele viria por ela. E quando o fizesse, as chances de sua própria destruição, da morte, eram muito elevadas. —Pena não é uma coisa ruim. — Ashley suspirou. —Se sentir compaixão por alguém que vê apenas sua própria raiva... —Dá um tempo, —Cat gritou, espantadacom a fúria pulsando através dela. —Está tão certa que só vejo minha própria raiva que não está ajudando em nada. Não sabe do que está falando, Ashley, ou com quem está falando, portanto, não presuma que o faz. E não cometa o erro de voltar aqui para me insultar novamente com seu precioso conselho, porque não preciso disso. —Vai precisar de mais que conselhos se fora causa de Jonas descobrir quem ele é, — Ashley soltou. — Vai precisar de um milagre para permanecer vivase isso acontecer. Cat se encolheu, mas não pelo que Ashley disse ou como disse isso. Dor cortou através de seus sentidos, se enfureceu através de sua alma. Porque ela daria sua própria vida para protegê-lo de Jonas ou qualquer outra pessoa. —Desculpe, Ashley, mas não há realmente o suficiente de mim para dar a mínima. — A amargura era como umafome corrosiva através de sua alma. —Dei minha vida por ele 13 anos atrás. Cada respiração que tive, cada batida do meu coração, cada partícula do meu ser foi sacrificado por ele quando permaneci como Claire Martinez, em vez de fugir do inferno que me encontrei aqui. Não resta nada de mim há um longo tempo. E não acho que você ou qualquer outra pessoa, especialmente Graeme Parker, tem o direito de pedir mais nada de mim. No entanto, eles continuavam a pedir mais e nada, até mesmo amizade ou lealdade foi oferecido em troca eo isolamento que enfrentavaa enfurecia. —Você culpa Graeme por que te salvou? — Ashley a questionou em descrença. A conclusão da fêmea Casta pela agonia cortando através da alma de Cat não deveria ser uma surpresa. Não era uma surpresa, ela se assegurou. Erguendo a mão para esfregar a têmpora ea dor de cabeça se formando lá, ela tentou dizer a si mesma que não importava. A família Martinez foi muito melhor que o centro de pesquisa, mas, a falta de moradia seria melhor do que o inferno. Ela ficou, porém, porque sabia que Raymond cumpriria a ameaça de entrar em contato com o Conselho de Genética e dizer-lhes exatamente


onde ela estava e quem era. Se fosselevada, então Honor e Judd seriam encontrados e capturados também. Gideon viria por ela. E o Conselho estaria esperando por ele. Ela não podia suportar a idéia disso. —Culpo Graeme por um monte de coisas, Ashley, — ela admitiu dolorosamente. —Coisas que não são da sua conta. Não se preocupe, infelizmente para mim, sou tão estúpida como o resto de vocês, ao que parece, porque vou proteger sua identidade com meu último suspiro. Mas não tenho que gostar, e não tenho que lidar com seus amigos, enquanto estou fazendo isso. Virando-se, fugiupara a cozinha. Não se importava se Ashley ficasse ou saísse. Não importava. Anos de procura, de esperar por ele, silenciosamente derramando sangue para salvar aqueles que gostava,cortava outra cicatriz irregular em sua alma. E agora, não achava que havia espaço para mais cicatrizes. Ou mais dor. Acreditava que tinha se machucado tanto quanto podia se machucar pelas perdas que sofreu. Estava errada. E percebeu que estava mais sozinha do que jamais imaginou que pudesseestar. CAPÍTULO DOZE Intuição. O vínculo de acasalamento. Graeme não sabia o que causou a certeza súbita que Cat precisava dele. Foi forte o suficiente, porém, para fazê-lo sair abruptamente da reunião com Jonas e Lobo e correrpara ela. Ele chegou a tempo de ouvir, sentir, a dor ofuscante e a traição rasgando através dela enquanto informava Ashley da vida que viveu para protegê-lo. Entrando silenciosamente na cozinha enquanto ela corria, ele enfrentou Ashley e o arrependimento que a enchia. Um arrependimento que não tinha permissão para ficar no seu caminho. Esta pequena fêmea coioteera tão fácil de prever como Cat, então porque não previu tudo que tinha acontecido aqui? Ela virou lentamente para enfrentá-lo quando ele ficou na entrada arqueada da sala de jantar. Cruzando os braços, ele se inclinou contra o marco da porta, silenciosamente a observando, contendoo rosnado furioso que ameaçava retumbar do peito dele. Escovando de volta os fios multicoloridos de cabelo loiro que escapavamda sua trança, ela suspirou pesadamente, o olhar resignado quando o enfrentou.


—Ela está chateada comigo agora. — Isso era um pouco de eufemismo. —O que fez, Ashley? — O aviso na voz dele era um que ele não tentou impedir. As perfeitas sobrancelhas arqueadas se curvaram numa carranca. —Jonas está convencido que ela é a maneira de descobrir sua localização. Eu a informei apenas do desagrado de seus amigos ao saber da verdade. —Filha da puta. Ashley...! —Se endireitando da moldura da porta, Graeme soltou um rosnado vicioso. —Você supostamentedevia ser amiga dela também. —Eu sou sua amiga. — Desafio travou em sua expressão e sua postura quando as mãos foram para as ancas e o queixo se ergueuenquanto seus olhos cinzentos escureciam e estreitavam. —Apenas uma amiga testaria sua raiva de forma a forçá-la a ver como essa raiva colore a vida dela. O sotaque russo engrossou e, apesar de sua declaração, ele viu o brilho de indecisão nos olhos dela. —Talvez deva repensar essa definição de amizade. —Erradicar oestrondo duro de seu descontentamento era impossível. —Por que devo repensar nisso? A raiva é quase ódio, Graeme. Se Jonas descobrir quem você é.... —Não há dúvida que vai acontecer, Ashley, — ele rosnou de volta. Diabos, talvez ele escondesse muitos segredos de muitas pessoas, especialmente a respeito de Jonas. Podia ser a hora para uma reunião. —E quando acontecer, será comigo. Fique longe desta luta. —Odeio felinos, — ela soltou furiosa, encarando-o. —Todos vocês são muito teimosos e não fazem nenhum malditosentido. Assim como ela não faz sentido. — Ela rosnou em seguida. —Ela nem grita. Só se fecha por dentro. Como pensa que sobreviverá acasalando com alguém como você? — Uma mão foi na direção dele enquanto escárnio feminino de nojo enrolava seus lábios. —Eu já teria atirado em você. Graeme não se incomodou em discutir com ela ou se defender. O rilhar de seus dentes e umestrondo duro de comando a fez virar e desocupar a casa rapidamente, no entanto. E por que funcionou ele ainda não sabia. Porque ela sabia muito bem que ele nunca arriscaria as forças combinadas de castas felino, lobo e coiote só para colocá-laem seu joelho e bater no seu traseiro. Algo que seu alfa já deveria ter feito para travar sua imprudência.


Movendo-se rapidamente pela casa até o quarto de Cat, a encontrou junto à ampla varanda, os braços cruzados sobre os seios,enquanto olhava alémda propriedade murada. —E como eu sabia que estaria aqui? — A raiva que enchiasua voz era um disfarce. Graeme podia sentir a dor que rolava como uma tormenta através de seu pequeno corpo. —Por que não sai também? Não quero você aqui. Mas ela queria. O que queria e o que precisava estavam tão torcidosdentro dela, porém, que puxar qualquer emoção só a fazia lembrar do que ela tinha sofrido ao senti-la. E ela sofreu. Ele sabia disso. Curar essa dor podia ser impossível, mas estava indefeso no desejo de fazer isso. Infelizmente, ele sabia o que Ashley sentiu. Enfrentar esta emergente Casta felina com emoção macia e suave entendimento nunca iria resolver os conflitos dentro dela. —Bonitinha mentirosa, — ele rosnou, dando à porta um empurrão duro para fechá-la. —Acha que não sei melhor, Cat? Acha que não te conheço melhor que isso? Tanta raiva e mágoa. Deus sabia que ele nunca quiscausá-la. A necessidade de protegê-la foi muito maior do que qualquer consideração de como a estava machucando. E agora, não era só sua proteção que dizia respeito a ele. —Não, Graeme, acho que me conhece melhor do que isso, — ela respondeu enquanto se virava para ele, brilhando com a fúria de uma bengala enfurecida. —Faz muitos anos desde que fez parte da minha vida. Não tenho mais doze anos. E tenho certeza que não adoro o chão que pisa agora. Mas ela o queria. A dor e necessidade de confiar e amá-lo livremente lutava dentro dela, assim como ele lutava contra um passado que não podia mudar. Ele sentia sua necessidade de afastar a raiva como uma chama que se estendesse para ele. O perfume disso atraia a fome sensual e a tempestade emocional que também o intoxicava. Sutil, uma pitada de tempero e doçura sedutora, o cheiro dela infundindo seus sentidos e cravando a sexualidade já escura que ele possuía. ******* O perfume do desejo masculino crescia no quarto desde o segundo que ele entrou. Um perfume que ela tentava ignorar.


Assim como lutava contra sua própria necessidade e a memória de seu toque. Não era para ser assim, ela pensou dolorosamente. A incapacidade de permanecer completamente distante dele, de lembrar o quanto doeu quando ele a traiu. Quanto ele a mudou. E ele a mudou. Uma vez, ela pensou que podia confiar que ele sempre estaria lá, cuidando dela. Aceitar que ela não tinha ninguém para vigiá-la, apenas ela mesma, foi uma lição dura, amarga para aprender. —Pare. — A ordem era um grunhido rouco, a raiva nele piscando seus olhos de verde selva. —Parar o quê? — Os punhos apertaram, relaxaram, a inquietude que ela não podia aliviar como uma comichão sob a pele. —Pare de se lembrar, — ele ordenou, sua voz gritante, escura com a mesma emoção que brilhava em seu olhar. Cat sentiu aquele baque pesado de seu coração, o pulso de adrenalina que atingiu a corrente sanguínea e a falta de ar que sempre parecia afligi-la sempre que via a tristeza em seu olhar, como agora. —Parar de se lembrar, — ela repetiu suavemente com um aceno. Cerrando os dentes contra a raiva que rasgava por ela, ela teve que olhar para fora. Tinha que parar de olhar para ele, parar de enfraquecer. —É fácil para você, Graeme? É fácil apenas empurrar de volta o que não deseja que afete o momento ou a missão? Como não se lembrar? — Foi tão fácil esquecê-la? Claro que foi. Ela era apenas uma criança quando ele a abandonou. Doze anos de trabalho que ele não queria ver destruídos. E agora ela era apenas um potencial jogo biológico que deixava sua genética Casta em alvoroço. Apenas outra forma de experiência, nada mais. Ele estava junto dela antes que ela pudesse se mover. A selva verde dos seus olhos obliterou o branco, os instintos primitivos da sua extraordinária genética tornando-se conhecida no brilho feroz, furioso, pontos âmbar de luz em meio ao verde-escuro. —Não vamos voltar. O passado é apenas isso, e não pode ser desfeito. — Fúria selvagem enchia sua voz, bem como seu rosto. —Há muitas coisas que não posso explicar, muitas que não posso revisitar sem arriscar o controle que ganhei ao longo dos meses, Cat. Isso não significa que você não é mais importante para mim do que nunca. Não significa nada para mim o que diz. Sem explicações. Esse não era Graeme? —Não vamos voltar? — Ela tentou se afastar, apenas para encontrar-se puxada contra o corpo duro, musculoso. —Graeme, nunca fui


em frente. Minha vida foi roubada antes que eu fosse capaz de vivê-la, e minha segurança veio na forma da vida de outra garota e sofrendo o que ninguém sabia que ela sofria. — As mãos dela achataram contra o peito, garras emergentes para picar a camisa que ele usava. —Para salvá-lo. Porque não importa o quanto você me odiava, você viria por mim se me levassem. Ninguém teria acesso à experiência que criou, somente você, — ela chorou dolorosamente, olhando para os duros traços acima dela. — Isso é tudo o que sou para você ou qualquer outra pessoa. Um experimento de merda. Um meio para um fim. E odeio isso. As garras escavaram no peito dele, toda a raiva e dor que foi forçada a segurar ao longo dos anos crescendo dentro dela como uma tempestade que não podia evitar. Mãos duras agarraram os pulsos dela, a virando e empurrando contra a parede, mãos puxadas acima da cabeça, o corpo arqueado contra ele. A sensação do sua dura e pesada ereção, pressionando seu baixo ventre desencadeou uma resposta aquecida que ela não queria de nenhuma maneira. O corpo dela queria, mas não ela. —Não te darei explicações, — ele soltou, sua voz baixa e rouca. — Acredite no que precisar sobre o passado, Cat, não vou lutar contra isso. Mas acredite nisso sobre seu presente e seu futuro. Você é minha. E não por causa da genética incluída nessa porra de terapia. A declaração de propriedade foi um rosnado de intenção primitiva que a fez arregalar os olhos e seus sentidos apurarem. Ele fez isso. Fez a genética que ela lutava para manter sob controle ascender dentro dela com uma força que nunca sentiu até que ele a tocou pela primeira vez. —Eu era seu experimento, — ela chorou furiosamente. —Só sua experiência. —Minha amiga. Minha. — Sua mão livre moveu-se para a parte de trás da cabeça, fortes dedos puxando o laço que prendia sua trança. Então estava juntando através dos fios pesados, segurando-os e puxando a cabeça de volta enquanto olhava abaixo para ela. Passando a língua sobre os lábios secos, ela raspou contra os dentes enquanto engolia, a ligeira coceira abaixo dela tão irritante agora como esteve no ano passado. —Nunca vou pertencer a você assim, Graeme, — ela xingou ferozmente apesar da necessidade de ceder, apenas assim. Ser tudo que ele precisasse que ela fosse. —Nem agora e nem nunca. Os olhos dele se estreitaram em seus lábios.


—Sua língua coça, — ele sussurrou, apertando seus pulsos enquanto ela lutava contra ele. —Quando eu te toco, sua carne dói, mas quer meu beijo primeiro, não é, gatinha? Quer meus lábios cobrindo os seus, minha língua tocando a sua.... Seus sonhos sempre foram preenchidos por aquela fome. Desde que descobriu sua sexualidade logo após seu décimo oitavo aniversário, seus sonhos —sonhos sexuais — sempre contavam com Graeme. Mas como ele sabia? Como sabia que sua língua coçava, que ela doía, faminta por seu beijo? —Sinto o cheiro doce da sua necessidade. — Abaixando a cabeça, seus lábios roçaram o lóbulo da orelha dela. —Torna-se mais doce, mais intoxicante a cada vez que vejo você. Cada vez que toco em você. —Precisa fazer um diagnóstico de seu olfato, Graeme. Acho que ele está com defeito. — Os lábios dela levantaram em escárnio. Ela odiava que o corpo dela traísse sua raiva para o prazer. Memórias odiadas que não podia esquecer... e a dor que não podia liberar. —Acha, Cat? — O sussurro sugestivo foi seguido por uma lambida ao longo do lado do pescoço. Ligeiramente áspera, uma grosa de puro prazer que a fez morder o lábio para conter um grito de prazer. —Ou preciso alcançar debaixo de sua saia e ver como a seda de sua calcinha está úmida? Sentir o calor úmido, preparando-a para mim? — Os dentes apertaram a curva do pescoço enquanto a respiração tornava-se mais dura, sua necessidade por ele mais nítida. —Sabe o que vai acontecer quando eu te beijar? — Seus lábios se afastaram de sua mandíbula. —Eu poderia beijar seus seios e apenas torná-los mais sensíveis. Poderia provar o broto inchado de seu clitóris, puxá-lo na minha boca ou empurrar minha língua dentro da carne agonizante entre suas coxas, e você ainda poderia suportar a maior sensibilidade que sentiria. — Dentes afiados beliscaram ao lado de seu pescoço. —Mas se eu te beijar de novo, se eu esfregar minha língua contra a sua, então será muito mais que sensibilidade, gatinha. Para nós dois. Se tornará uma necessidade.... — Seus lábios roçaram ao longo dos dela, apenas a menor carícia antes de se afastar, atraindo um gemido de seus lábios que ela não conseguiu segurar. —Uma droga que não posso suportar viver sem. —Não confio em você. Nenhum vínculo é forte o suficiente para alcançar o passado, Graeme. — Nada podia mudar isso, ela protestava, mesmo enquanto tentava se aproximar dele, tentando não implorar por tudo que descrevia. —Tem certeza? — Sua respiração ficou mais difícil agora, sua voz mais profunda, mais áspera. —Seu corpo confia em mim. Dói por mim.


Não é? Seu corpo teria tanta fome por mim se não houvesse nenhuma confiança, Cat? —É chamado luxúria, — ela protestou sem fôlego, a cabeça, recuando contra a parede, a mão dele descendo e começando a puxar o lado da saia que ela colocou junto com um top de bojo antes de Ashley entrar na casa. —Apenas desejo? — A mão dele, ampla e calejada e tão quente, provou por baixo do tecido. —Tem certeza disso? Os lábios roçaram os dela novamente, provocando enquanto seus lábios se separavam, um gemido indefeso saindo deles. —Sofro pela necessidade de te beijar. Queimo com isso, — ele rosnou quando soltou o lado da saia, descendo o zíper e deixando o material cair aos seus pés. —Queimo por você, Cat. Um segundo depois seu top e a camisa dele o seguiram, deixando-a vestida com apenas o sutiã branco de renda e calcinha combinando que mal cobria qualquer carne. Ela estava indefesa. Não podia lutar com ele, não podia lutar contra a necessidade, a fome ou as emoções por ele que eram tão complicadas pela dor da traição. Como ia se defender contra o homem que a protegeu, cuidou da sua segurança quando criança e se tornou sua fantasia quando atingiu a feminilidade? Como supostamentese protegeria contra o homem que ela amava de uma maneira ou de outra por toda a vida? —Gideon, — ela sussurrou, a voz falhando enquanto seu corpo pressionava duro e apertado contra o dela. —Não, Cat, — ele rosnou, o som perigoso, alerta. —Qual o meu nome? Diga. —Agora, ou quando você está são? — Ela sussurrou a pergunta, arqueando contra o calor de seu peito largo, musculoso. Tudo o que ele usava eram as calças marrom-claras que os Castas Reever usavam, com camisas combinando, como uniformes. As unhas dela flexionaram contra os dedos dele, enquanto ele continuava a segurá-la na parede, em seguida, olhando para ele, ela cedeu à pressão da genética selvagem, junto com a adrenalina subindo dentro dela. Ela era primitiva, mas de uma forma muito diferente. Ela conseguia controlar os impulsos primitivos, conseguia controlar o que mostrava e o seu poder. O DNA animal base infundido nela, que garantiu sua sobrevivência e a marcou como uma das Castas menos previsíveis, uma bengala, estava se tornando mais forte a cada dia.


Por muito tempo foi forçada a esconder quem era. Primeiro, teve que dormir para se esconder, lembrando que havia outros além dela em risco se permitisse despertar. Então, mais uma vez, teve que fingir, fazer com que todos, mesmo Raymond e Maria, acreditassem que era Claire. Não precisava fingir com Graeme. Não tinha que submeter-se, ela se recusava a se submeter. Por que deveria se submeter ou enterrar a confiança que construiu nos últimos treze anos? Ela perguntou a si mesma enquanto a consciência primitiva, esse poder primitivo, a enchia. Ele criou o que ela se tornou. Ele trabalhou com o cientista, exigiu que a tipagem genética fosse colocada dentro dela. Agora ele podia lidar com isso. Ela nunca ficaria atrás dele, ela ficaria ao seu lado. E ele podia possuir sua sexualidade, mas ela seria dona dele também. E teria certeza que nenhuma outra mulher pudesse reivindicá-lo. Nenhuma outra teria o direito de tocá-lo, de pertencer a ele, somente ela. Os incisivos se alongaram. Podia senti-los, superior e inferior, empurrando até seu comprimento natural. A necessidade de morder, marcá-lo, foi crescendo dentro dela. Morder a coluna dura de seu pescoço, depois lamber a ferida que a mordida pudesse deixar. Sua sensualidade e sexualidade emergentes correram através dela. A necessidade de lutar contra quem era, o que era, não existia aqui. Aqui, podia ser a mulher que foi forçada a se esconder, a Casta que foi forçada a negar. Não houve qualquer luta contra o vínculo reforçado com o calor dentro dela; o conhecia a um nível tão profundo, tão primitivo, que nem tentou combatê-lo. Como não houve nenhum combate contra a fome que só aumentava a cada dia. Ela não tinha que confiar nele para possuí-lo. O calor de acasalamento era para os dois lados. Ele podia possuir o corpo dela, mas ela seria dona dele também. Confiança não era necessária. Este bengala era dela. O som que escapou de sua garganta não era desejo impotente desta vez. A tigresa estava acordada. Determinada, feroz, ela marcaria este Casta como dela, assim como a havia marcado. Onde contava. CAPÍTULO TREZE


Ah, ali estava, a tigresa que mantinha escondida, presa profundamente, tão profundamente, que inclusive o cheiro dela era impossível de detectar. Era uma tigresa primitiva, tão perfeita que o monstro daria a vida para proteger. O grunhido que saiu de seus lábios era um desafio sensual, o olhar de seus olhos dourados um desafio que tinha a intenção de aceitar. E ali mesmo, do lado de seu rosto, duas marcas escuras justo sob a pele bronzeada apareceram. Não eram negras como as suas, mas de um rico ouro Bengala, brilhando com uma promessa selvagem. A visão delas o deixou mais duro, aumentou sua fome de forma erótica e fez seus testículos, já tensos, se apertarem mais. —Perfeita. — Sua voz estava mais rouca do que pretendia, a evidencia de que seus próprios instintos animais ardiam fora de controle. Levantando a mão, passou a ponta do polegar sobre a listra sutil. Ela era absolutamente perfeita, mas ele sempre soube que seria. —Beije-me ou me mate, mas faça um ou outro imediatamente. — Disse para ele, seu olhar brilhante com o desafio na voz. — Está perdendo tempo. Perdendo seu tempo, de verdade? Ele a advertiu sobre o que aconteceria se a beijasse. Não haveria volta atrás. —Preliminares? — Disse arrastando as palavras. —Preliminares? Por um beijo? Seja realista Bengala. E decida-se, não tenho todo o dia. — Seu olhar estava em seus lábios, o cheiro de sua excitação enchendo seu cérebro, aumentando seu calor, uma evidência de fome tal como a dele. Deslizou a mão na parte posterior de seu pescoço, seus dedos tocando a coluna frágil sem parar para pensar. Enterrou a mão em seu cabelo e apertou as mechas, puxando sua cabeça para trás, seus lábios descendo enquanto dava um puxão de controle. O sabor dela explodiu em seus sentidos. Fêmea, necessidade e doce inocência. Separando seus lábios ela encontrou-o, lábio contra lábio, a língua esfregando contra a sua quando penetrou seus lábios, seu corpo se arqueando, agarrando-o. A pele sedosa apertada contra ele, os duros mamilos e os seios inchados separados pela renda frágil. Antes que pudesse impedir, ele cortou a parte da frente do sutiã com garras afiadas, puxando-o e jogando o restante no chão.


Preso, uma necessidade cadente disparou através de seus sentidos. Inclinou os lábios sobre os dela, tomou o controle do beijo, sua língua brincando com a dela até segurá-la entre os lábios, a sua acariciando sobre a dela, sua boca chupando-a. Seu pau pulsou com a demanda. Pressionou contra o zíper de sua calça, completamente cheio de sangue e palpitante com sangue fluindo através dele, flexionando com a necessidade furiosa de se enterrar dentro dela. Abrir a calça e tirá-la era uma tortura. Não podia tirá-la rápido o suficiente. Um grunhido retumbou espontaneamente de seu peito quando ele finalmente tirou as duas botas e a calça de algodão, o que permitiu levantá-la, antes de girar e levá-la para a cama. Nunca sentiu uma dor assim. Nunca sentiu a necessidade por sexo o pegar pelas bolas tão rápido e com tanta desastrosa perda de controle. Um calor doce, ímpio chicoteou seu peito enquanto ela se deixava cair sobre a cama. Olhando para baixo, um sorriso puxou seus lábios ao ver os três arranhões finos no centro de seu peito. Passando os dedos sobre o sangue em seu peito, ele os ergueu antes de colocar as gotas escarlates sobre as curvas inchadas de seus lábios. Quando se inclinou para beijá-lo, sua língua tocou as gotas em lugar de sua boca. A sensação do calor úmido lambendo seus dedos enviou uma onda de prazer e luxúria diretamente para suas bolas. Estavam apertadas, uma necessidade forte explodiu através de seus sentidos e roubou mais de seu controle. A fome pura e selvagem o estava subjugando, mas o animal por trás dele sabia o que estava esperando. —Ainda estou fazendo-a perder seu tempo? —Agarrou seus tornozelos e os separou, seu olhar concentrado entre suas coxas, faminto. Uma capa grossa de calor úmido e escorregadio cobria as curvas nuas. Entre as dobras inchadas estava escondido seu clitóris, brilhando úmido, inchado de necessidade. Tentando-o a prová-lo. —Você não está fazendo nada. — Sussurrou. — Precisa de ajuda? Alguma sugestão, talvez? Tenho certeza que tenho alguns livros ilustrados se precisar de idéias. Ela não esperou por sua permissão, não esperou por sugestões. Mas então, sua gatinha, nunca foi fácil de controlar. Sentando-se bruscamente, uma delicada mão agarrou a base de seu pênis e um segundo depois passou a língua pela inchada e palpitante ponta larga, lambendo lentamente.


Agarrando seu cabelo pela nuca e apertando, ele a manteve no lugar, seus lábios soprando sobre a carne muito sensível quando ele a olhou. Inocência brilhava em seus olhos, o rubor em seu rosto, mas a fome rapidamente eclipsou tudo. —Quer tomar algo de mim? — Perguntou ela, seus olhos se estreitando, um pouco de raiva brilhando junto com a dor. Seu agarre se intensificou, apertou os dentes, empurrou sua cabeça adiante e lhe deu o que era evidente que estava decidida a ter. Tomar dela? Queria alivio, não forçar algo a ela, nem permitir que sua genética a controlasse. Mas podia sentir seu animal fundido plenamente com ela, exigente de decidida. Sua Casta. Ela era mais do que nunca imaginou que seria. E ela era sua. —Vou lhe dar tudo. — Grunhiu. — Tudo de mim, Cat. Vamos ver se pode manejar a situação. Penetrando o calor de sua exuberante boca, olhando seus lábios ao redor dele, a fome roubou sua razão. Tantas noites que acordou, o suor molhando seu corpo, pelos sonhos eróticos com ela e ela estava ali agora. Insegura no principio, saboreando-o, colocando à prova sua fome, o doce calor de sua boca começando a se desenhar sobre ele. Chupando com delicadeza, então com uma confiança erótica. Quando as rédeas que freavam sua luxuria começarm a se soltar, ela chupou a carne que esticava seus lábios, enchendo sua boca. Restringindo os empurres superficiais entre seus lábios, Graeme não pode evitar se deleitar com esta aceitação íntima. Calor doce e úmido rodeava a brutal sensibilidade da ponta, trabalhando sobre ela, sua faminta língua chicoteando-o. Prazer percorria seu sistema, apertando mais forte seus testículos, seu pau pulsando com a crescente necessidade de liberação. Cada segundo que ele a olhava, suas pálpebras estavam baixas com erotismo sonolento sobre seus olhos dourados, empurrando-o mais ao limite. Empurrando-o ao limite do esquecimento... —Suficiente. — Forçou sua cabeça para trás, os lábios cheios de sua carne inchada, quase o matando. Talvez se divertisse mais tarde com o leve grunhido ameaçador que saiu de seus lábios, as pequenas garras afiadas marcando suas coxas. Mas neste momento, não havia uma doce diversão. Havia pura fome, uma desenfreada por sua companheira.


Segurando suas mãos com rapidez e puxando-a, Graeme a empurrou para a cama, segurando seus pulsos contra o colchão enquanto ficava sobre ela. Anos de loucura, devido à separação de sua companheira e a insistência da genética dos animais em remediar a situação. Anos de determinação louca para encontrá-la, para protegê-la do perigo do Conselho de Genética. E tantos anos de arrependimento, culpa e perda da única pessoa que alguma vez se permitiu cuidar. O vínculo criado ali, a necessidade que se criaria, a fome que nunca iria morrer, iria lhe assegurar que nunca a perdesse novamente. Ela nunca poderia se afastar dele e iria garantir que ele também não pudesse se afastar dela. —Olhe o quanto é bonita. — Sussurrou ainda surpreso com a perfeição dela. Seus olhos estavam como ouro fundido agora, brilhando entre seus cílios enquanto olhava para ele, sedutora e exigente. —Olha o quão lento é. — As coxas se separaram, dobrando os joelhos enquanto seus pés ficavam contra o colchão. Ele se empurrou entre as coxas sedosas, não podia esperar mais, usou sua mão livre para segurar o peso de sua ereção e apertou entre as dobras inchadas de seu sexo. Teve que apertar os dentes para conter seu grunhido de puro prazer primitivo. Isto não se parecia com nada que conheceu antes, diferente de tudo o que imaginou que seria possuí-la. **** O prazer a percorria, rompendo o escudo determinado que colocou entre ela e a conexão que já não acreditava que existia. O calor aumentando movia-se sobre seu corpo ameaçando este escudo. Quando Graeme se moveu entre suas coxas, seu corpo duro e musculoso sobre ela, soube que cometeu um grave erro. A largura de seu pênis separou as dobras entre suas coxas, acariciando a carne molhada, já que começou a pressionar seu interior. A necessidade não se parecia com nada que conheceu ou imaginou. Seus dedos se fecharam, as pequenas garras afiadas se enterravam no edredom debaixo dela enquanto sentia a entrada de sua vagina começar a se esticar, ardendo quando a largura de seu pênis começou a penetrá-la.


Fragmentos de pulsação, desesperada necessidade de cada sensação intensa e uma fome primitiva de mais de seus beijos que aumentava, forçando seu corpo ao desespero. —Beije-me. — Não podia suportar a fome. Olhou para ele, que estava segurando com seus dedos poderosos os pulsos dela sobre a cabeça enquanto a pesada ponta de sua ereção começava a empalá-la com uma dor-prazer que revolucionava seus sentidos. Um gemido, parte grunhido, um som rouco de prazer masculino e necessidade quando seus lábios se uniram saiu dele. Sua língua pressionou entre seus lábios, este sabor forte e especial enchendo-a, com um toque de canela que já havia provado e combinado com a fome desesperada a fazia pensar em um vício. O calor de seu corpo a protegia, o calor de sua ereção trabalhava lentamente dentro dela, esticando-a, avivando as sensações mais incríveis através de sua carne interior e o sensível clitóris. O feixe de nervos inchados no vértice da carne intima pulsava e pulsava com uma necessidade que não esperava. Com cada avanço da longitude grossa e dura em seu interior, cada estiramento no estreito canal que estava tomando, fazia com que uma sensual tensão se apertasse sobre o feixe dolorido. Não podia suportar. O prazer e a dor, a sensualidade de seus lábios se movendo contra os dela, sua língua, seu gosto. E precisava de muito mais. Ondas de prazer estático a percorreram, aumentando a fome sensual com a qual não podia lutar. Afastando os lábios dela com grunhido, Graeme enterrou os lábios em seu pescoço, sua respiração forte e pesada quando agarrou seus quadris com a mão livre e parou. A ponta arredondada de seu pau pulsando em seu interior, acariciando as terminações nervosas que nunca sentiu, uma invasão íntima como nunca experimentou. Soltando suas mãos, não pareceu ter nenhuma queixa quando ela agarrou seus ombros duros, as unhas afiadas se cravando na carne. Um rugido de prazer vibrou contra seus seios, o som enviando o prazer para seu ventre, fazendo-a aumentar a sensação aguda dela esfregando-se contra ele. —Espere gatinha. — Ele gemeu, sua mão apertando seus quadris. — Apenas espere por mim. Sua única advertência foi o endurecimento dos quadris e as coxas, quando agarrou seus joelhos. Um instante depois saiu, a ponta pesada acariciando a sensível carne até que parou na entrada. Antes que pudesse


tomar fôlego ou preparar-se, um forte empurrão de seus quadris enterrou a longitude de ferro de seu pau até a metade dentro dela. A fina barreira de sua inocência sexual se rompeu, sua carne interior ardendo quando ele se afastou mais uma vez. Cada empurrão forte de seus quadris enterrava sua palpitante ereção mais funda dentro dela, avivava as chamas que chicoteavam seus sentidos e lambia sua carne. Passou os lábios pela coluna de seu pescoço enquanto ela se segurava nele, deixando Cat ter o seu prazer. Não lutou contra ela, não podia negar a fome que se construiu nos últimos anos por este contato, por esta Casta. Por isto. O peso pesado de ferro da dura carne masculina se enterrou até a empunhadura em seu interior, enchendo seu canal e sensibilizando as terminações nervosas já excessivamente estimuladas. Graeme não parou com apenas a posse. Mordendo seu ombro, ele começou a se mover, saindo para entrar mais uma vez. Oh Deus, o prazer... ela estava tão perto, tinha que ter mais. Ondulações involuntárias de sua vagina apertaram a longitude invasora quando a excitação caótica atravessou seu corpo. Como eletricidade. Caía sobre sua pele, o roce do corpo contra o dela, com uma mão acariciando o lado de seu seio, o polegar e o indicador encontrando a ponta dura e apertando, criando uma onda brutal de sensações rompendo sua frágil defesa emocional. Com cada empurrão de seu pau dentro dela, cada grunhido de prazer em seu pescoço, o êxtase a percorria. Apenas o tato de sua pele contra a dela era puro prazer. Os lábios em seu pescoço, o sabor de sua pele enquanto seus lábios se abriam no ombro forte... Ela estava ardendo ao seu redor, seus sentidos estavam voando alto, a intensidade de cada estocada de seu pau avivando-a cada vez mais. —Assim gatinha. — Grunhiu em seu ombro, os dentes afiados raspando contra sua carne, acrescentando um caos brutal. — Aperte assim. Ah inferno, Cat, fodê-la é tão bom. Tão malditamente bom. Ela se levantava contra ele instintivamente, tão desesperada por mais, pela fricção, que o limite entre a realidade e o êxtase parecia se desintegrar e enviá-la voando. Podia senti-lo se enroscando ao redor dela, cada vez mais perto, aumentando a tensão sobre seu corpo. Pulsando de forma estática e se rompendo frente à tempestade, eletrizante sobre suas terminações nervosas, arrancando um grito de seus lábios quando as estocadas aumentaram.


Sua carne estava esticando-a, golpeando-a com empurrões cada vez mais fortes, acariciando a sensível carne, enterrando-se cada vez mais fundo, mais rápido. Seus dedos seguraram o mamilo, apertando-o, esfregando-o. Os dentes arranharam seu pescoço, fazendo seu clitóris palpitar, quando o acariciou mais forte, mais rápido... A tempestade de sensações se reuniu, forte... A explosão a destruiu de forma inesperada. Ela sentiu que seus dentes perfuravam a pele de seu ombro, um grunhido rouco soando de seu peito, quando perfurou seu ombro, a língua lambendo o sangue e a ferida quando ela gemeu, os gritos amortecidos pela forte respiração quando êxtase puro percorreu seu corpo. A liberação de Graeme aconteceu apenas alguns segundos depois dela, com um impactante orgasmo, impossivelmente mais forte do que o dela. Ela sentiu algo se estender sob sua ereção, por baixo da cabeça de seu pênis e se cravando fundo, justo atrás de seu clitóris. Ampliou-se do tamanho de um polegar enchendo este lugar dentro dela, encontrando terminações nervosas sensíveis pela força resultante de seu orgasmo, fazendo sua vagina se travar ao redor de seu pau com pequenos espasmos ondulantes. Ela sentiu sua liberação. Uma erupção de calor da ponta contundente, assim como um repentino ardor em seu sensível clitóris. Era impossível processar o que estava acontecendo, o que seu corpo estava experimentando ou fazendo. Ela era consciente de seus dentes presos em seu ombro, mas ela prendia sua carne dura também. Era consciente dos gemidos que saiam de seus lábios, suas garras cravadas nos músculos duros das costas, com os joelhos em seus quadris movendo-se contra ele com o choque violento de cada onda de êxtase. Ele a reivindicou, mas ela o reivindicou também. Uma parte primitiva, instintiva de seus sentidos Casta se abriu. Uma parte de sua genética, que ela não sabia que existia, uma parte da tigresa que não havia previsto. Podia ser sua companheira, mas não pertencia à ninguém, especialmente ao macho Casta que a reivindicou. Ela pertencia a si mesma e logo iria descobrir que não havia volta atrás, não poderia esconder a força ou a profundidade do DNA Casta que colocou em seu interior. E ele descobriria que não poderia dominá-la, até que decidisse quando estaria pronta para o domínio. Quando ela decidisse que ele era digno de dominá-la. E ele não tinha ainda alcançado esta distinção. Ela apostava que ele nunca o faria.


**** Era tarde quando Graeme se arrastou da cama e chamou a cozinha para organizar o jantar e levar até a casa. Afortunadamente, pequenas invenções permitiam a Lobo sua privacidade, assim como uma rede de informações segura o faziam muito mais que simplesmente um membro da manada. Devril Black era o responsável pela segurança de Lobo, mas Graeme era o Chefe de toda a segurança, seu tratamento preferido. Normalmente, desfrutava dos benefícios. Seu argumento habitual com o chefe da cozinha foi pouco entusiasta, ainda que bom neste momento. O fato de ser anti-social e pouco refinado em sua companhia fez o corpulento chefe de cozinha de Reever limpar a garganta e prometer levar o jantar o mais rápido possível. Inferno. Ainda podia sentir os efeitos da posse dela. Não o resultado físico de sua liberação, mas algo muito mais profundo. Algo que não podia explicar no momento. Vestindo a calça, ele subia o zíper quando os olhos de Cat se abriram lentamente, a saciedade se mostrando antes de se dissipar quando virou a cabeça para olhá-lo. Observou enquanto puxava o lençol sobre os seios. Sua necessidade de esconder sua nudez dele fez seu peito parecer pesado e todos seus instintos se levantarem em objeção. Sabia sobre a lingueta que o prendeu dentro dela no momento de sua liberação. Como ouviu sobre os movimentos extremos vaginais que fêmeas felinas Castas faziam uma vez que ela aparecia. Um prazer físico e intenso que aumentava cada reação física, assim como esperava. Mas havia uma coisa que não esperava, no entanto. —Então. — Ela exalou cuidadosamente antes de se sentar e se apoiar nos travesseiros atrás dela e inclinar-se e olhá-lo com receio. — Vou assumir que sabia o que iria acontecer quando gozou? A distância em sua voz foi acompanhada pela consideração de seu olhar. —Rumores. — Encolheu os ombros. — É proibido falar sobre a verdadeira natureza do acasalamento entre os que não experimentaram ainda. Houve casos assim nos laboratórios, no entanto, apontaram os cientistas que descobriram sobre companheiros.


Ninguém mencionou neste momento que dois companheiros podiam ver as almas um do outro, no entanto. Este momento em que seus sentidos se fundiam tão completamente que era impossível esconder quem e o que era. Afortunadamente, Cat não esperavaisso tampouco. Estava muito ocupada tentando fechar a porta para olhar a alma aberta do Castaque neste momento esteve nu diante dela. —Tem sentido. — Ela assentiu com a cabeça. — Podia ser difícil de explicar se os jornalistas se apoderassem desta informação. Os abutres ficariam realmente loucos, não? Olhando para baixo, para suas unhas, alisou os dedos um por um e seu aspecto poderia ser de desconforto, mas sabia que a verdade era muito diferente. Ela não estava desconfortável, estava se fechando, reparando o escudo que nem sequer sabia que colocou entre eles. Era inútil. Poderia ter passado por alto ao vislumbrar sua alma, mas não o fez quando seus sentidos se fundiram durante segundos preciosos. Se antes se surpreendeu com a mulher, com a tigresa que era, agora poderia dizer que a palavra era um eufemismo. —Então, o que faremos agora? — O ouro fundido desapareceu; seus olhos eram agora de um suave dourado. Sua testa se levantou ante a pergunta. — O que quer fazer? —Partir. — Ele nem sequer piscou quando respondeu. Maldição. Estava se convertendo em uma cabeça dura. Não, ela era cabeça dura quando criança quando a situação requeria. Simplesmente era algo que jamais se virou contra ele. —Faça. — Sugeriu em voz baixa. — Tem cerca de uma hora, talvez duas antes da necessidade física de meu tato, meu beijo, começar a aumentar. Teimosa como você é, é possível que seja de quatro a seis horas antes de ser incapaz de resistir e voltar. Ela assentiu com a cabeça lentamente. Maldição. Talvez devesse ter suavizado a resposta. Então pensou no que viu dentro dela e se armou de coragem contra o pensamento. Não havia nada que pudesse dizer, não havia explicações que pudesse dar neste momento que iria abrandar as cicatrizes que carregava. Nem sequer a explicação que ela estava louca para ouvir iria aliviar a dor que carregava. Isso precisaria de mais que palavras. Olhando para ele novamente, o brilho especulativo em seus olhos foi a única advertência que teve antes de falar novamente. —E você? Quanto tempo pode ficar longe?


Graeme bufou ante a pergunta. — Se o fizer, cinco segundos depois que começar, depois, os dois teremos sorte. E esta era a maldita verdade. Agora que a teve, agora que experimentou a fusão vermelho vivo de puro prazer, não havia volta atrás. Inferno, ele não queria voltar. Estaria chutando o traseiro se precisasse esperar. —Que agradável você me advertir. — Disse irônica, o olhar em seus olhos pensativo. — E não tenho dúvida que sabia o que viria, verdade, Graeme? Suponho que deveria saber que precisava ficar em guarda, por assim dizer. — Seus olhos se estreitaram nele por um longo momento. — Terei que ver o que farei para igualar o resultado. Mesmo aos doze, Cat pensava rápido e preciso quando queria se vingar. —Cat... —Mas então, me advertir não é um dos seus pontos fortes, verdade? — Apontou enquanto levantava os joelhos e abraçava-os enquanto o olhava com cumplicidade. —Cat... — Enviou uma nota de advertência em sua voz, que ela ignorou. Ele realmente não esperava que prestasse atenção e obedecesse. —Roubou aquele pequeno urso de mim quando fugiu dos laboratórios. — Disse então, o surpreendendo. — O que fez com ele? O urso? Que demônios queria com este urso agora? Passaram-se treze anos e ela não era uma criança. Além disso, era seu agora, a última lembrança da confiança que lhe dedicou uma vez. —Porquê? — Ao vê-la com receio, se perguntou o que viria. —Porque era meu. — Sua voz ficou dura como aço, mas por um segundo viu o brilho de algo perdido e solitário em seus olhos escuros. — Era algo que adorava. Você jogou fora, verdade, Graeme? Como eu e Judd. O grunhido brutal que saiu de seus lábios não foi involuntário. O comando do alfa era algo que ela, claro, iria ignorar. Podia negar seu lugar como alfa, mas não queria empurrá-lo, especialmente neste momento. Cinismo amargo curvou seus lábios. — Eu não te reconheço como meu alfa. Mal reconheço esta merda de acasalamento. Mas então, a culpa é apenas sua, por eu não te respeitar como tão obviamente quer. — Levantando o lençol ela saiu nua da cama, lançando um olhar por cima do ombro. — Você me transformou no que sou, lembra-se, Graeme? Seu experimento. — Sua expressão endureceu, mas sentiu a dor ardente dentro dela, sentiu a ira e a dor. A dor que não sentiu até este momento. — Agora pode viver com isso.


Virando as costas para ele, pegou a roupa e foi sem pressa aparente para o banheiro, onde fechou a porta suavemente atrás dela. Ouviu o gemido abafado que escapou por trás da porta fechada, no entanto, sentiu o cheiro das emoções com as quais ela lutava desesperadamente. Fúria combateu o controle que ele estava lutando para manter e, pela primeira vez desde que o monstro fez ato de presença, não estava arremetendo contra alguém. Era apenas Graeme. Sua dor sempre o destruiu. A visão e o cheiro destas emoções insuportáveis. Havia tantas coisas que não entendia, tanto que ela não sabia e tanto que não podia contar ainda. Se pensava que doía agora, então a verdade a faria odiá-lo e a machucaria mais. Conhecia sua Cat e sabia o sentimento de culpa que sentiria se ela descobrisse porque existia o monstro. Se soubesse o inferno que experimentou, isto iria destruí-la. Ele não queria que fosse para ele, que confiasse nele por culpa. Tinha que ser por amor ou a tigresa que estava decidida a se estabelecer plenamente dentro dela nunca teria a oportunidade de surgir como deveria. Cat estava se segurando e não podia suportar isto. CAPÍTULO CATORZE Dois dias. Até agora, agüentou por dois dias, Catse garantiu enquanto passeavapelo seu quarto, rosnando para tudo em irritação. Porque não ia aguentar muito mais tempo. Não havia uma maldita chance que aguentasse três dias,e com os malditos repórteres acampados no outro lado da estrada,nos portões, escapar por alguma razão estava fora de questão. Eles eram como abutres. Comedores de carniça. Eram o pior de todos. Os jornalistas de tablóide que escreviam mais mentiras que verdade em sua corrida pelo sensacionalismo. Uma declaração por escrito, supostamente dela, foi enviada para a imprensa, fazendo com que muitos acampassemem Window Rock na tentativa de avistar Raymond, Maria ou Linc. Ela desejou sorte para eles. Os Castastinham Raymond trancadonum local desconhecido, enquanto Maria estava confinada à mansão Martinez até a investigação dos crimes de Raymond ser concluída e sua sentença definida.


Linc estava ocupando os repórteres se movimentando. Seus "sem comentários" só os deixava com mais fome. E Cat estava assistindo tudo na televisão sempre que a ligava. Começou a se aborrecer com isso nas primeiras horas, porém. Agora também estava entediada com a casa, os jardins e o isolamento forçado. Fuga era um pensamento, depois que cuidasse da sua queimaçãode dentro para fora. Maldito bengala. Também estava convencida que ele fez isso com ela deliberadamente. Só não descobriu uma razão ainda. —Parece que seu bengala finalmente estabeleceu sua marca sobre você totalmente. Isso significa que você o perdoou? —Keenan. Girando em volta, ao som da voz, ela realmente não esperava ver o líder da pequena seita Casta alada que se escondia nas falésias irregulares das montanhas próximas. —O que faz aqui? — O silvo ansioso quando ele entrou no quarto pelas portas da varanda foi seguido por um olhar ansioso em direção à porta do quarto. Olhos selvagens de marrom e dourado seencheram de diversãoenquanto as penas sobre as enormes asas farfalhavam com um som inquieto. Keenan tinha mais de 1,80m de altura, mas essas asas o faziam ainda mais alto. Pelo menos 30 cm acima de sua cabeça antes de se curvaremabaixo e à direita uns bons30cm atrás dele como uma capa vivanuma infinidade de cores escuras, o poder — e pura beleza — das asas que foram criadas para suportá-lo era excepcional. —Não há câmeras no quarto agora. — Ele encolheu os ombros enquanto cruzava os braços sobre o peito poderoso e olhava abaixo pensativo. —Por alguma razão foram desativadaslogo depois que os chacais foram capturados. Alarmes, porém, detectamos muitos mais em toda a casa. Nós... Havia muito poucosCastas aladas. Seis homens, que ela acreditava, e uma única fêmea descobertos perto da morte, vários meses antes. —Estou surpresa que não haja uma dúzia no quarto, — ela murmurou enquanto se movia para a porta e a trancavapor segurança. Apenas no caso. Ao voltar, ela parecia se contorcer sob a sábia diversão em seu olhar. —Te avisei que o destino não poderia ser evitado, — lembrou a ela.


Ela viu quando ele se moveu para a área de estar ao lado da cama. Suas asas levantaram, se separaram e espalharam na parte de trás do assento quando sentou-se e inclinou-se de volta confortavelmente. —E eu te avisei que sou muito boa em evasão, — ela fungou, aproximando-se e inclinando-se contra a lateral de uma cadeira nas proximidades. —Suponho que está aqui com uma atualização sobre nosso projeto ao invés de tripudiar? Seu projeto. Ela fez uma promessa a si mesma na noite que entrou na vida de Claire Martinez. Uma promessa que um dia iria reunir Honor com a mamãe e o papai por quem ela chorou antes que ela também entrasse na vida de uma outra garota. Honor encontrou mais de si mesma antes que ela e seu companheiro, Stygian, mudassem para o pequeno rancho CastaSecure fora de Window Rock. Ao contrário do que aconteceu com Cat, Honor Roberts não surgiu na consciência de Liza Johnson até recentemente. Quanto ela se lembrava agora, Cat não estava certa, mas antes de irpara o recinto seguro do rancho, ela lembrou o suficiente para começar a verificar os pais dela. A promessa que Cat fez não foi esquecida. —Estou aqui com uma atualização, — reconheceu. —Mas esse é o melhor momento para começar a reunião? Talvez depois que já tenha se estabelecido nesta nova vida que está começando.... Cat sacudiu a cabeça, determinação correndo através dela. —Não, tem que ser agora, — ela insistiu. —É hora, Keenan. Não posso esperar mais. Se esperasse, podia não estar lá para ver acontecer. Ele assentiu com a cabeça lentamente, seu olhar imóvel fixo nela. —Já fez contato com o General Roberts? — ela perguntou ao invés de dar-lhe tempo para perguntar tudo que diabos ele tinha em mente. —Sim, — ele disse. —A reunião será daqui duas noites, à meianoite. Voupegá-lo aqui e voar para o local de reunião então retorno para te pegar. —Legal, vou voar de novo. — Ela sorriu, embora a excitação que sentiu uma vez pela experiência não estivesse mais lá. A curva dos lábios de Keenan deixou a suspeita de que ele sabia de alguma forma que ela perdeu a antecipação que uma vez cresceu dentro dela. —Eu já tedisse, Cat, que sua ajuda tem sido inestimável para mim e os meus? —Ele perguntou, sua voz suave. —Se precisar de nossa proteção, só precisa pedir.


Cat empurrou as mãos nos bolsos do jeans que usava, abanou a cabeça lentamente. —Não precisa dos meus problemas, Keenan. Além disso— ela revirou os olhos ironicamente —não é como se Graeme fosse me machucar fisicamente. —Às vezes as cicatrizes escondidas são muito mais dolorosas que aquelas que o mundo pode ver, — disse ele baixinho. —Ele é seu destino, ambos sabemos disso. Mas se precisar de tempo para considerar a verdade do destino e o próprio destino, possote dar esse tempo. —Não conhece Graeme, ficaria louco.... —Ah, mas conheço Gideon, — ele disse então, o choque a silenciando. —Mas isso não afeta meu conhecimento de você ou da minha gratidão por tudo que fez. Uma dívida com um não cancelaa dívida com o outro. —Como você, Graeme, Jonas — todos os sorrateirosCastasmachos — sempre parecem saber coisas que não deveriam saber? — Colocando as mãos em seus quadris, ela o enfrentou com espanto. —Sabe sobre a visita de Ashley, não é? —Claro! — Ele na verdade riu de seu espanto. —A razão que sorrateiros Castassabem tanto do que não deviam é porque têm amigos mais sorrateiros. Lembre-se disso, Cat. Seja por dívida ou lealdade, poder é adquirido daqueles dispostos a seguir um e revelar segredos que outros não estão cientes que descobriram. Ela balançou a cabeça lentamente. —Eu odeio Castas. —Você ama o drama, bem como a emoção que cada dia traz agora que pode se juntar ao muitas vezes caótico, mas sempre surpreendente, mundo daqueles que separam mundos, — ele disse, refutando a alegação enquanto se levantava. —Você éCasta, Cat, não importa como você nasceu. E quando Wyatt puxar a identidade de Graeme, quando ele já não puder encobrir o cheiro de Bengala, meramente lembrará o diretor das anomalias do Calor deAcasalamento e que a força do seu cheiro Casta está aumentando com o surgimento de sua genética. O cheiro do companheiro dominante cobre o outro, e ambos mudam. Normalmente o cheiro do macho cobre o da fêmea, mas talvez neste caso, seu instinto de Bengala bastante feroz esteja consciente do perigo para seu companheiro. Isso explicaria por que o cheiro de Bengala cobre o de leão. Afinal, nunca aconteceu antes. Quem sou eu para refutá-lo? Quando caminhou até a porta lentamente, desapareceu. O que quer que fosse esse uniforme de couro sintético preto que usava, foi criado para blindá-lo completamente, fazendo o mesmo com as enormesextensões de suas asas, invisíveis enquanto voava.


Uma onda de brisa soprou sobre ela, indicando que ele levantou vôo da varanda numa onda de poder para retornar para onde quer que ele e seu pequeno grupo de Castas aladosse escondiam. Ela o tinha visto voar uma vez, dentro de um canyon escondido, onde apenas olhos permitidos viam. Ela os viu treinar em combate aéreo e se maravilhou com a graça e agilidade de uma envergadura tão enorme. Foi incrível, uma visão que a maravilhou por semanas. Com o crescente conflito entre Castas e Raymond Martinez, no entanto, esses pequenos passeios chegaram ao fim e somente as reuniões mais importantes se realizavam face a face. Como um presente. Em duas noites iria encontrar os pais de Honor, dar-lhes as informações que selecionou e as fotos que os levariam para sua filha. Honor merecia os pais dela. Uma vez, há muito tempo, Cat quis saber por que ela não merecia pais. A mãe dela morreu de uma doença que se recusou a tratar, umaque passou para sua filha recém-nascida por causa de sua recusa em reconhecê-la. Não havia nenhum pai listado em seu registro de nascimento. A sua mãe não tinha qualquer família conhecida. Cat nasceu sozinha no mundo e teria morrido se Phillip Brandenmore não a alegasse e trouxesse para o centro de pesquisa para testar sua nova terapia de gene. Às vezes parecia que estava tão sozinha agora, como quando nasceu. Sem família, mas não totalmente sem amigos, ao que parecia. Diabos, Keenan era um amigo muito bom também, para não mencionar um tanto frio. Um sorriso tocou seus lábios. —Chupa essa, Ashley, — ela murmurou. —Aposto que não tem uma águia como amiga. Tudo que tem é Graeme. Isso poderia ser dito desafiadoramente, mas a dor, a dor que não tinha diminuído,a lembrou do quanto desejava tantas coisas se tivesse sido diferente. Enquanto esse pensamento deslizavapela sua mente, o perfume distante de Bengala enfurecido pairava por seus sentidos e ele estava chegando mais perto. Rápido. Saltando para a porta do quarto, ela a desbloqueou rapidamente e, ao abri-la, deu de cara com um furioso Graeme. Não foi a fúria enlouquecida que trouxeo bengala para marcar os olhos e sua carne. Este era o Casta, o companheiro, que de alguma forma, sentiu mais do que deveria ser capaz de sentir.


—Qual diabos é seu problema? — Dando um passo atrás, permitiu que a seguisse para a sala, observando suas narinas se abrindo, se perguntando se ele podia detectar o cheiro de Keenan, mesmo quando ela não podia. Olhando para ele, ela cruzou os braços sobre seus seios, esperando. Ele rondava ao redor da sala, um rosnado estrondoso no peito enquanto ela piscava para ele com espanto. —Está começando a me preocupar, — ela o informou com acidez. — O que diabos há com você? —Sensores de movimento na varanda pegaram o movimento, e não foi você. — O rosnar na voz dele era um que exigia não apenas respostas, mas a verdade. —Sério? — Movendo-se lentamente para a varanda, ela olhou para fora das portas abertas antes de voltar a ele com um arco de suas sobrancelhas. —Bem, não fui eu, mas como você sabe? —Quem era? —A pressão em sua voz fez os olhos dela se ampliarem em surpresa. —Verifique suas malditas câmeras, Graeme, — ela devolveu. — Quem diabos poderia chegar ao meu quarto sem você saber sobre isso? Mentia para ele sem nenhum motivo, e não sabia o porquê. Sem dúvida, ele mentiu para ela em todas as chances que teve. Foi criado para mentir. Ele era uma mentira. Ela quase podia ouvir seus dentes apertandopor sua pergunta. —Ninguém deveria ser capaz de chegar ao seu quarto sem detecção, — admitiu, sem o menor prazer ao fazê-lo. —Talvez devesse checar seus aparelhos eletrônicos, —ela sugeriu lentamente, embora cautelosa com o humor dele. Dane-se o humor dele. Ela estava com um humor próprio. —Verifiquei minha eletrônica. —A enfrentava de frente, os braços apoiados nos quadris, a confrontando com uma carranca pesada. —O que fez,Cat? Ele falou tão sério que ela tinha que rir. —O que estou tramando? Realmente, Graeme? Acho que deveria se fazer essa pergunta. Você é o mestre dos jogos, não eu. Deixando os braços cair, ela se moveu para a porta do quarto e segurou-a preparada para batê-la atrás dele. —Por que não vai ver sua eletrônica novamente, homem selvagem, porque não tenho tempo para seu mau humor agora. A mudança nele foi instantânea, mas então só estava coincidindo com a dela.


Calor de acasalamento. Ela queimou por ele por dois dias. A necessidade de seu toque estava crescendo como a necessidade do viciado por uma dose. Ela se perguntou se podia encontrar um programa de 12 passos para corrigí-lo. Duvidava. Sua sorte simplesmente não eratão boa. Por Deus, certamente havia uma cura, ao invés de apenas um estúpido tratamento hormonal para auxiliar nos sintomas. Porque ela tinha notícias para ele, simplesmente não estava no mercado para tentar outra terapia. Ela teve o bastante delas quando criança. —Meu mau humor? — Ele perguntou cuidadosamente, sua expressão tensa, estreitando os olhos em advertência. Ela não podia evitar, revirou os olhos. —Ainda não aprendeu que essa expressão e tom de voz realmente não funcionam comigo? Acabaram os dias de obediência cega, Graeme. Eles nunca retornarão. —Já não é criança, Cat, — ele zombou. —Obediência cega nunca foi o que eu quis. Mas parece determinada a se manter no passado, onde cada ato, cada resposta, é preto ou branco, quando sabe malditamente bem que em nossas vidas nunca existiu tal plano. —Quer dizer um plano onde eu podia confiar em você? — ela perguntou maliciosa, apertando a porta. —Está certo. Nós nunca existimos naquele lugar, só achei que o fizemos. —Para alguém com excepcional memória fotográfica e uma aptidão para lógica, você pode ser incrivelmente míope e surpreendentemente ilógica, — ele acusou-a enquanto sua expressão mudava para linhas de desaprovação. —A ensinei melhor do que isto, Cat. Por que não usa alguns daqueles dons incríveis, que sei que você possui, para algo além de me odiar? A batida da porta não foi um choque. Mesmo quando seus músculos apertaram e o silvo de fúria deixou seus lábios ela bateu a porta com um poderoso movimento de pulso. —Porque é tão merecedor do meu ódio? — ela respondeu, sabendo que não era ódio que sentia. Sabia disso desde o começo. Nunca o detestou, nem por um único momento. Quanto mais fácil sua vida seria se pudesse. —Aos olhos de uma criança, talvez, — ele concordou. —Mas você não é criança, Cat. Mesmo aos doze anos você não eramais criança do que Judd e eu tivemos a opção de reclamar tal inocência. Sabia quando desapareci que não fui levado por aquele esquadrão da morte, como sabia


que uma transfusão de sangue teria resultados terríveis. Você ignorou o que sabia. —Você estava morrendo! —Ela gritou, oprimida pelo chicote de medo ao lembrar de suas feridas e do sangue que perdeu. —Não podia te perder. Mas ela o perdeu. Ele ficou parado, olhando para ela, seu olhar pesado e sombrio. E conhecedor. Ela sabia que a transfusão iria enfurecê-lo. Ela ouviu o Dr. Foster dizendo-lhe para nunca se arriscar, sem tomar precauções. Ela não sabia quais eram as precauções, mas viu a injeção que recebeu antes de uma transfusão dela depois que uma experiência realizadapelo Dr. Bennett correu mal. —Para você, valia o risco, — Ele adivinhou, sua voz incrivelmente triste. —Esse risco explodiu meu controle. —Porque eu te infectei? — ela zombou. Seguindo para o outro lado da sala, ela esfregava seus braços, a dor de seu toque agora quase insuportável. —Não vou brigar com você por coisas que se recusa a ver. — Ele soltou, o som cheio de cansaço ou tristeza. —Entendo sua raiva, Cat. Até compreendo o ódio. Sua recusa em reconhecer o que sabia, então e agora, isso me recuso a aceitar. Se recusava a aceitar? Ele fez todo o possível para isolá-la, para tirá-la de amigos e lealdades, e pensava que ela só devia aceitá-lo? Reconhecer o que ele achava que deveria saber? —Nunca vou confiar em você, — ela sussurrou dolorosamente. — Nunca. Se movendo na direção dela, ele sacudiu sua cabeça com um lento movimento. —Você já confia em mim, querida, só não quer aceitar ainda. —Está louco. — Descrença guerreava com a fome crescente dentro dela, quando ele se aproximou. —Sim, estou, há muito tempo, — ele concordou,o braço curvandose em torno de sua cintura para puxá-la contra ele. —Então me encontrei num deserto solitário assistindo uma tigresa caçar e percebi que tudo que eu sonhei estava bem debaixo do meu nariz, enquanto procurava por ela. Surpresa abriu os lábios dela e teria exigido uma explicação. Mas seu beijo roubou as palavras, bem como a necessidade deles. Grudadosenquanto o gosto do hormônio de acasalamento de ambos se misturava, explodindo em seus sentidos e emoções.


Envolvendo seus braços em volta do pescoço, os dedos afundando em seu cabelo para segurá-lo enquanto um gemido quebrado escapava de sua garganta, Cat sabia que não podia ter sobrevivido por mais tempo sem ele. Ela o procurou. Sabia disso. Ela o atraiu de volta para o deserto, deulhe as pistas necessárias para encontrá-la e se recusou a dizer-lhe quemera seu contato. Ela esperou por ele, noite após noite, procurouna noite e no deserto por ele, e se dizia que o odiava. Se dizia que estava simplesmente cansada de esperar por ele para encontrá-la e matá-la. O que ele estava fazendo era mais doloroso, porém. No entanto, ela estava cooperando, não estava? Um grito estrangulado de necessidade e conhecimento encheu seu beijo. Apertando seus braços ao redor dela, Graeme a levantou e carregou-a para a cama. Com seus lábios ainda cobrindo os dela, suas línguas lambendo, degustando outro beijo e sua fome, moveu-se sobre ela. Seu corpo cobriu o dela, suas mãos explorando, removendo as roupas separando-os e bloqueando o acesso à carne nua quando ela rasgou asdele com garras afiadas até que caíram fora. Sua pele mais áspera, dura, acariciava contra sua carne mais macia enquanto seus lábios arrancavam do beijo para deslizar pelo queixo à linha vulnerável de seu pescoço. —Você estraçalhou minhas roupas. — Ele a mordeu no pescoço, como se em retaliação, mas o prazer afiado a fez inclinar a cabeça para dar-lhe maior acesso. —Tenho certeza que sinto. Vou fazer melhor da próxima vez, — ela sussurrou ofegante, o acariciando abaixo de suas costas, maravilhada com a flexão dos músculos duros sob sua pele. —Certifique-se disso. — Levantando a cabeça, olhou para baixo, capturando o olhar dela e o mantendo. Era como se a estivesse vendo por dentro. Ele via as noites que procurouno deserto por ele, tão faminta pela visão dele que se assegurou que ele soubesse onde ela estava? Que descobrisse quem era? Via o medo que ela lutou para esconder quando criança, a fome que sentiuquando se tornou mulher? —Minha Cat, — ele sussurrou, escovando seus dedos sobre a bochecha dela antes de abaixar a cabeça para colocar sua bochecha contra a dela. —Deixe-me abraçá-la, querida, só por enquanto, seja minha Cat. Só por enquanto. Fome assolou através dela, uma fome que ultrapassou a sexual num reino de sonhos desfeitos, um coração partido e uma alma cicatrizada.


Mas a necessidade de ser abraçada por ele a seguiu através de todas as coisas. A necessidade de ser dele, de qualquer maneira que ele permitisse pertencer a ele, sempre foi uma parte dela. Codificada por ele, ou acompanhada pela natureza, realmente importava? Porque sua necessidade de longe compensavaa ciência e não poderia ter sido criada. Fechando os olhos, Cat cedeu à necessidade, à fome e emoção esmagadora que a apertava com tanta força que às vezes temia estrangulá-la. Ela se deixou ser o que nasceu para ser. Sua Cat. CAPÍTULO QUINZE Sonhou com seu toque. Sob ele, Cat se perguntou se alguma vez voltaria a recuperar sua distância emocional. Palmas calosas percorreram seus lados até os quadris, o calor e a fricção explodindo contra sua carne sensível em pontos inflamados pelo prazer. Quando ela apertou os dedos nos cobertores sob ela, um gemido preso em sua garganta escapou. O gemido a surpreendeu, a necessidade dolorida a chocou. Ficou sem fôlego quando uma mão acariciou seu lado uma vez mais, seus dedos acariciando, arrastando-se com delicioso calor até que se fecharam ao redor da curva inchada de seu seio. Seus lábios suaves desciam do pescoço para a clavícula, mordiscando-a e fazendo-a soltar os cobertores para agarrar seus ombros. Precisava segurar-se nele, precisava estabilizar seus sentidos enquanto seu polegar roçava o mamilo e seus lábios se moviam rápido sobre a carne dura e dolorida. —Graeme. — Ela gritou seu nome. Arqueando-se contra ele, Cat ofegou ante o prazer, a pressão aumentando devastadora e ameaçando seu controle quando o prazer percorreu seu mamilo, fazendo o feixe de nervos entre suas coxas doer. Pulsos elétricos como pequenas explosões bateram em seu corpo, arrastando-a mais profundamente ao centro das necessidades caóticas, físicas e emocionais que agitavam em seu interior. Quando a boca chupou primeiro um mamilo e depois o outro, antes de mover-se novamente, Cat lutou para controlar seus sentidos. Não conseguiu.


O prazer era destrutivo. Derrubou as defesas que passou anos desenvolvendo e as substituiu pelo ardor da necessidade, tanto que se perguntou se seria a mesma outra vez. Lutou com o conhecimento de que havia uma parte dela que sempre pertenceria a ele, mas ali, neste momento, não podia combatê-la. Não podia negar. —Adoro seu sabor. — Sussurrou, os lábios suaves sobre o mamilo antes de começar a espalhar beijos para baixo. Os lábios se moveram sobre seu estômago, roçando a pele delicada, arrastando-se mais abaixo. Os dedos acariciando os lados, uma vez mais, sobre os quadris até as coxas, onde abriu suas pernas lentamente. Ele desceu os beijos mais perto da gema palpitante de seu clitóris. Não podia suportar. Seus sentidos se agitavam, presos em uma onda que se aproximava do êxtase, ao qual tinha certeza que não sobreviveria. —Apenas se deixe levar, Cat, eu tenho você. — Sussurrou, o calor de seu fôlego flutuando sobre o palpitante feixe de nervos que implorava por sua atenção. — Solte-se, bebê. Confiar nele assim? Ele a seguraria realmente? —Graeme... oh Deus.... — Suas mãos bateram na cama, as garras estendidas nos cobertores enquanto seus quadris se arqueavam em reflexo quando o incrível prazer a atravessou. A língua lambeu as inchadas dobras entre suas coxas. Um lento golpe, uma sensual e primitiva sensação a percorreu, destruindo qualquer possibilidade de salvar seu controle. Deixou-se ir. O controle nem sequer estava em seus pensamentos. Nada importava a não ser cada carícia de sua língua malvada que se movia pela carne sensível antes de mover-se ao redor do feixe de nervos palpitando pela liberação. Ela se arqueou, suas coxas se abriram ainda mais. Cada lambida, cada golpe e a sensação erótica apertava mais seu clitóris, arrastando-a profundamente para a tempestade em seu interior. Ela estava correndo para o centro da mesma, direto, gemendo do fundo de sua garganta. Era muito bom. A intensidade de cada sensação, a febre aumentando enquanto o prazer surgia através de seu sistema apenas realçava seus sentidos. Cada impulso de seu sangue acelerado pelas veias fazia a adrenalina aumentar junto com o prazer — afetando seus sentidos, aumentando o sensual prazer que Graeme estava criando. Graeme.


Seu Graeme. Fosse qual fosse o nome que usava, o personagem que interpretava, ele era seu. Assim como ela sempre pertenceu a ele. Cada caminho que tomou em sua vida, cada batalha, cada noite em que buscou na escuridão foi parte de uma viagem que levava a isto. A este prazer. Um grunhido retumbou contra o feixe inchado de seu clitóris enquanto seus lábios o rodeavam, aproveitando a delicada carne quando sua língua esfregou contra ela, acariciou... Oh Deus... o prazer era indescritível. Cada lambida enviava pulsos elétricos através dela, aumentando o ardor em suas terminações nervosas sensíveis, cada caricia tinha o poder de levá-la mais profundamente a uma fome que não havia esperado. Agitava-se com cada gemido sem fôlego, cada toque. Estava cega, uma sensação estonteante sacudia seus sentidos. Os músculos se apertavam, seu corpo se arqueava e uma onda pura e ardente de êxtase explodiu em um orgasmo. Sem fôlego, gritos estrangulados escaparam de sua garganta. Um estremecimento a atravessou, cada onda explosiva de êxtase fazendo-a se esfregar contra o corpo de Graeme enquanto ele deslizava ao longo de seu corpo. Estava segura que o prazer não podia ser melhor. Que a tempestade em erupção dentro dela não podia ser mais caótica. Até a ampla longitude, dura como ferro, de sua ereção aumentar seu prazer, endurecendo-se mais dentro das profundidades de sua vagina. —Doce Cat. — O som primitivo de sua voz em seu pescoço foi seguido pela sensação das presas arranhando a pele delicada. Cat envolveu os braços ao redor de seus ombros e virou os lábios em seu pescoço, assim, suas próprias presas agarraram os músculos de seu ombro, onde se encontrava com o pescoço. Cada feroz empurrão de seus quadris entre suas coxas, fazia-a sentir sua dura ereção crescendo dentro dela, esticando-a com prazer, empurrando-a ao precipício e se perguntou se sobreviveria. Se sobrevivesse ou não, a necessidade de alcançar o êxtase a fez se empurrar contra ele e converteu-se numa corrida para conduzir à sua própria destruição. Cada poderosa estocada, a sensação de seu corpo cobrindo o dela, com uma mão agarrando seus quadris, a outra enterrada em seu cabelo, apertando os dedos nos fios para manter sua cabeça no lugar, lhe assegurava que estava correndo pela mesma borda cega.


Suas coxas apertaram seus quadris, os dentes roçaram o pescoço num momento de completo instinto cego e ela mordeu-o quando a violência do orgasmo a lançou sobre a borda com tal força, tal sensação explosiva, que nada mais existia além do êxtase e do homem que se unia a ela neste momento. Ela sentiu sua liberação. Fortes jatos de sêmen ativaram a ereção primitiva da lingueta. Prendeu-se no lugar, mantendo-o dentro dela enquanto empurrava contra seu corpo, suas presas se afundando no ombro e um grunhido gutural vibrando contra seu ombro. E nunca chegava ao fim. O êxtase continuou explodindo, uma e outra vez. A borda afiada do êxtase ardente atordoava seus sentidos, alcançando-os. E assim como ele prometeu, segurou-a. Segurou-a contra ele, trêmula, indefesa e sentiu que perdia algo. Algo que ela sabia que lamentaria mais tarde. Algo que ela sabia que lhe daria o poder para destruí-la como fez no passado. Mas ele a estava segurando neste momento, tal como prometeu que faria. Podia sentir seu coração batendo contra seus seios, sua batalha para respirar tão difícil como a dela. Preso dentro dela, seus sentidos atordoados como o seus, seu prazer tão selvagem e sem ataduras como o dela. Neste momento ele era seu, tanto como ela lhe pertencia. Neste momento. ***** Graeme olhava fixamente para o céu da meia-noite, a brisa fresca do deserto à deriva entrando através das portas da sacada abertas. Aconchegada contra seu lado, dormindo, Cat respirava suavemente e parecia calma ao invés da inquietude normal que dominava suas noites. Depois de horas de amor, conseguiu embotar a fúria que parecia seguirlhe como sua própria sombra e a substituir pela satisfação sonolenta. Sua companheira. Acariciando as pesadas mechas de cabelo que flutuavam sobre o travesseiro, não pode deixar de se maravilhar ante o fato de ter uma companheira, sobretudo esta deliciosa criatura. Quando programou o primeiro soro genético para ela, nunca imaginou que a conexão que sentia com ela poderia ser algo tão complexo como parecia agora. Inferno, aos onze anos tinha a mente cheia de tantas fórmulas e tanto conhecimento que a loucura o dominou. Nenhuma criança, mesmo uma criança Casta, deveria ter tal capacidade para decodificar algo tão


complexo como o genoma humano e animal que estava sendo pesquisado nos laboratórios de Brandenmore. Sabia não apenas decodificar, mas codificá-lo também. A complexidade da identificação e o mapeamento do DNA era algo que os pesquisadores estudaram sua vida adulta toda e ainda não entendiam. Inclusive o Dr. Foster, um dos geneticistas mais reconhecidos em seu campo, não pode ver o que Graeme via em cada filamento de DNA sob sua investigação. E inclusive Graeme sabia que 90 por cento do que descobriu, nunca seria capaz de revelar. Este conhecimento lhe permitiu guiar o Dr. Foster na direção que tinham que ir as terapias de Cat, no entanto. Tão dolorosas como eram, angustiosas, era tudo o que tinha para salvar sua vida. A anomalia genética com a qual nasceu lhe teria matado em questão de dias. Ela não tinha um gene essencial para o desenvolvimento hormonal e imunidade. Um que foi capaz de substituir com a genética Casta Bengala. Quando ela tinha oito anos, ele soube que sair do centro de pesquisa era imperativo. Com Judd, seu desenvolvimento iria progredir, se ele ficasse, nunca poderia entender como se sentia. Planejou cada detalhe preciso. Tudo menos as balas batendo em uma rocha e rebatendo em seu peito, coxa e abdômen. Não planejou isto, nem planejou a transfusão forçada sobre ele. Seus instintos Casta não puderam processar a força da união forçada que começou em seu lugar. E ele conhecia Cat como ninguém. A única maneira de afastá-la dele era fazer com que o odiasse. Não havia muito a fazer para garantir sua segurança. Então o destino fez sua intervenção mais uma vez e os soldados do Conselho de Genética o recapturaram e levaram de volta ao centro de pesquisa. Forçando de volta as lembranças, olhando além das portas abertas, obrigou novamente a fúria volátil que o enchia cada vez que se permitia visitar este inferno particular a retroceder. Cat se moveu junto a ele, rodando ao seu lado antes de se sentar na beirada da cama. Com o cenho franzido, observou enquanto se levantava da cama, arrastando o lençol com ela e envolvendo-o ao redor de sua nudez quase protetoramente. Inalando lentamente, sentiu o Casta subir, a loucura nunca esteve a mais que um suspiro de distância e despertava com repentina consciência e furiosa. Graeme saiu da cama no mesmo instante, avançando para ela quando chegou às portas da sacada. Agarrando seus ombros, virou-a para


ele, olhando seus olhos cheios de amargura sombria quando percebeu que a dor de sua companheira já não estava presente. Esta não era sua companheira. —Claire? — De onde saiu? Não sentiu seu cheiro em meses, começou a suspeitar que já não existia. Ela existia, no entanto. O cheiro de Cat era tão sutil, tão diluído pela consciência do espírito protetor que existia dentro dela, que quase não estava ali. —Não te imaginei tão bonito. — Disse com nostalgia, olhando-o com uma curiosidade tão carente de qualquer coisa sexual que apenas podia sentir dor pela vida que nunca teve. — Mas eu sabia como seria, pelas lembranças de Cat. Ela é muito afortunada. —Porque está aqui? — Sua voz ficou rouca, seus sentidos realçados, foi a única advertência que teve de que monstro no qual poderia se converter estava dando-se a conhecer. De alguma maneira, ela sentiu a criatura e a ameaça que poderia ser. —Não me machuque. — O medo cruzou seu rosto. — Por favor. Estou aqui por Cat, eu juro. As listras começaram a escurecer seu rosto, seu pescoço. Soltando-a abruptamente, Graeme foi para o outro lado do quarto, desesperado agora para fazer retroceder esta parte dele que tinha a intenção de destruir qualquer coisa que se colocasse entre ele e Cat. Ele não iria durar muito tempo. Seus instintos estavam à tona e, no entanto, ele sabia que a liberação desta raiva iria aterrorizar esta tímida sombra de uma criança que deveria ter tido permissão para ir quando já não pode sustentar sua vida. As listras sumiram. Seu controle ficou mais firme antes de se virar para ela. —Cat é minha. — Ele lutou para manter sua voz suave, não ameaçadora. — Ela tem que voltar. —Ela está dormindo. — O cheiro do medo de Claire era como um manto que a rodeava. — Não sabe que estou aqui. Ela não pode saber. Prometa. Eu juro que estou aqui por ela. Um piscar agudo foi tudo que conseguiu. No momento sua voz iria aterrorizá-la. —Tinha que adverti-lo. — Sussurrou ela, ainda segurando o lençol. — Eu apenas queria ver a noite por um momento. — Ela olhou para as portas da sacada, a tristeza inquietante que era tanto uma parte de seu ser, fez pouco para aliviar a necessidade instintiva de não virar as costas para ele.


Quando ele não respondeu, ela soltou um leve suspiro antes de olhá-lo com receio. —Castas podem cheirar uma mentira. Eu não mentiria a você. Vou ficar aqui por alguns minutos. É realmente tão ruim? Apenas queria ver a noite antes de adverti-lo... — Ela franziu o cenho, obviamente lutando para escolher suas palavras. — O que tem Cat? — Conhecia sua Cat e ele sabia os seus segredos. Estava disposto a esperar, ganhar sua confiança, mas tinha que fazer todo o necessário para satisfazer a jovem que protegeu Cat por mais de uma década. Se não fosse embora rapidamente, iria se arrepender. —Seu eu a trair, então serei como todos os demais aos seus olhos. — Disse em voz baixa. — Não posso contar seus segredos, mas ela me ensinou que há outras formas de dizer algumas coisas que precisam ser ditas. —Diga, criança. — Ele a fez retroceder com o tom gutural cheio de raiva tempo suficiente para advertir que não tinha muito tempo. —O passado não ficou para trás. — Sussurrou rapidamente. — Há coisas que ela procurava. O perigo não é ela, é a frágil confiança que permitiu este vinculo com você permanecer. Mas estes segredos poderiam destruí-lo. Tenha cuidado com o vôo. Se ela tomar asas, então você também pode se perder para sempre. —Com isto deu um passo para a cama e soltando o lençol, inclinou-se para trás e o olhou com tanto pesar que a culpa corroeu sua alma. — Eu apenas queria ver a noite novamente. Sentia falta disto... Seus olhos se fecharam e tão rápido como o espírito apareceu, ela se foi. A dor de sua Cat encheu o quarto, o vínculo de acasalamento, a marca que deixou nela, uma vez mais, encheu o quarto. Grame não podia afastar o olhar dela. Não houve nenhuma advertência de que Claire iria aparecer. Não sabia que o espírito adormecido dentro de Cat despertaria. Sua presença ameaçava a sanidade que encontrou com Cat e o conhecimento de que Claire ainda existia dentro dela era inquietante. O ritual realizado pelos seus chefes Navajos mais de uma década antes, para esconder Cat das forças do Conselho decididos a recuperá-la, foi realizado para colocar o espírito de Cat em um estado de sono, enquanto o espírito de Claire enfrentava o mundo no corpo de Cat. Mudou inclusive a composição genética de Cat durante o tempo que Claire esteve “acordada”. Graeme sabia que Claire dormiu mais vezes que ficou acordada, no entanto, e Cat enfrentou as mesquinhas crueldades e ódio que encontrou na casa dos Martinez.


Uma vez que a necessidade de proteção terminou, Claire deveria ter encontrado seu caminho ao sono eterno ou para onde iria depois da morte. Havia momentos que Graeme não tinha certeza de acreditar em algo além, mas sabia agora que Claire não encontrou este lugar. Merda. Isto não era tolerável. Não iria permitir que continuasse. Cat perdeu muito de sua vida. Merecia enfrentar a vida sem o perigo de outro despertar dentro dela e levar sua vida. Merecia mais que ser tomada tão facilmente desta forma. Quando enfrentou Claire, nada além de um cheiro sutil de Cat permaneceu. Tão sutil que identificá-lo seria impossível se não fosse sua companheira, ainda que o acasalamento não existisse quando esta mulher enfrentou o mundo. Um grunhido silencioso curvou seus lábios. Ela era sua. Morreu por ela mais de uma vez. Viveu por ela. Perdeu sua sanidade por ela. Estaria condenado se permitisse que alguém o tomasse dele agora. Nem o Conselho de Genética, nem Jonas Wyatt e nem a pobre e triste criatura que queria ver a noite tão desesperadamente. Claire merecia descansar e merecia algo mais que este mundo. Mas que isto, ele e Cat mereciam enfrentar a vida sem o conhecimento de que quando Cat dormia, outro espírito poderia despertar tão facilmente sem o conhecimento dela. Era o momento de romper a frágil trégua que tinha com um certo chefe e levar isso a seu fim. CAPÍTULO DEZESSEIS Na noite seguinte, Graeme se moveu cuidadosamente para o local onde sabia que o chefe estaria esperando. Mesmo em uma idade jovem Graeme tinha inspirado medo. Nem sempre tinha entendido o motivo, embora, muitas vezes, tenha apreciado a capacidade. Um homem que nunca olhOU para ele com medo ou até mesmo apreensão foi Orrin Martinez, o mais alto dos Seis Chefes Navajo, os homens espirituais das tribos da Nação. E nunca conseguiu surpreender Orrin. Mesmo naquela primeira visita, há tantos anos, Graeme encontrou o chefe Navajo esperando no mesmo lugar em que o esperava agora. Um ano em que chuvas intensas, escoamentos e inundações repentinas tinham esculpido a terra em muitos lugares e revelaram


desfiladeiros surpreendentes, bem como cavernas uma vez escondidas atrás de finas paredes de pedra e areias do deserto. Foi numa dessas cavernas que ele entrou, ciente de que Orrin não esperava sozinho. Com ele estavam quatro do Desconhecido, Guerreiros Navajo selecionados para proteger os segredos que os chefes guardavam. Um desses guerreiros, Lincoln Martinez, permanecia em silêncio, suas características, marcadas pela pintura do guerreiro, quase obscurecidas pelo estilo que eles usaram. — Eu adoraria saber como você sempre descobre quando nós precisamos conversar. —Graeme agitou sua cabeça enquanto se sentava ao lado da pequena fogueira que Orrin havia preparado. Orrin observou atentamente, a sabedoria solene refletida em seu olhar tão profundo e tão ciente como tinha sido há muito tempo. — Os ventos sussurram para aqueles dispostos a escutar, — Orrin calmamente declarou. — Muitos simplesmente preferem não ouvir. Era sua resposta padrão quando Graeme perguntava como ele sabia qualquer coisa que soubesse no momento.Os ventos sussurraram os segredos para ele. — Claire ouve os sussurros quando está acordada? — Perguntou ao velho Navajo, nem um pouco surpreso quando Orrin suspirou profundamente com a pergunta. — Se foi assim, ela nunca me disse, nem os sussurros do vento o fizeram por mim, — falou suavemente. — Minha neta, até numa idade jovem, era bem versada em manter seus segredos. — Ela adorava a noite, não é? — Graeme perguntou então, querendo saber o quanto o chefe sabia a respeito de Claire. A cabeça de Orrin levantou, seu olhar fixando-se além do ombro de Graeme antes de se virar para os guerreiros e acenar para a abertura da caverna. Todos, menos um, deixaram o recinto natural. Lincoln moveu-se de onde estava, no entanto, e sentou-se ao lado de Orrin. O Navajo escondido na pequena fenda que levava para outra caverna veio para a frente em seguida, suas feições entristecidas e a amargura no olhar atestando o fato de que ninguém da família Martinez tinha escapado das repercussões trazidas pelas ações de um filho. Terran moveu-se para o outro lado de Orrin, sentou-se e olhou fixamente para Graeme em silêncio. — Você falou com Claire? — Orrin perguntou então. — Ontem à noite. — Graeme assentiu. — Você me disse uma vez que quando Cat despertasse, Claire acharia seu descanso, Orrin. Ele não soube do ritual até que cheirou o perfume de Cat no mesmo corpo que tinha conhecido antes, por anos, levando um cheiro diferente.


Foi então que Orrin veio para ele no deserto e explicou as ações que os chefes tomaram para salvar Cat e Honor, bem como Judd. — O ritual era para colocar sua Cat num sono tão profundo que ninguém pudesse encontrá-la, —disse em voz baixa, um pequeno sorriso triste puxando seus lábios. —Talvez os ventos não me disseram o quão determinada aquela pequena Casta era para decidir seu destino, não importa o que outros acreditassem que ela era. — Cirurgia plástica foi feita depois da cerimônia? — Graeme não estava contente com isso. Gostava de como Cat se parecia quando era criança. Mas Orrin assentiu. — A cirurgia foi necessária para alterar suas características faciais e combiná-las melhor com as de Claire. — Sua voz enrouqueceu com emoção. — Apenas seis meses após o ritual, Cat despertou e Claire foi embora por tanto tempo que temi que não retornasse mais. Então as Castas começaram a chegar e Claire retornava quando eles estavam por perto. Ela protegia sua Cat quando necessário, mas, caso contrário, Claire dormia tão profundamente que até eu, com todo meu conhecimento das complexidades daquela cerimônia, não podia encontrá-la. Sim, sua Cat era determinada, Graeme silenciosamente concordou. Não tinha nenhuma dúvida de que tinha acordado com um objetivo, mas duvidava que Claire estivesse tão adormecida quanto Orrin suspeitava. Graeme sabia quão desesperadamente Cat ansiava por um amigo que não seria tirado dela como todos foram tomados no centro de pesquisa. Ela teria mantido Claire acordada a cada segundo possível. — O que aconteceu na noite em que Claire morreu? — Graeme perguntou. — O que enviou uma menina de quinze anos de idade, com o carro do seu pai, a um canion do deserto, numa corrida que garantiu matar não somente a si mas também a garota que era sua melhor amiga? Orrin apenas balançou a cabeça, baixando-a em silêncio, como se não soubesse. Ele sabia de alguma coisa. Rosnando, Graeme olhou para Terran, que fez o mesmo, em seguida, para Lincoln. —Você vai mentir para mim também, guerreiro? — Ele liberou uma porção da loucura que só esperava saltar livre e fazer o que fosse necessário para proteger sua companheira. Seu corpo aqueceu onde as listras surgiram, sua visão se tornando tão clara que nenhum detalhe foi esquecido e essas habilidades extrasensoriais que adquiria, quando permitia a si mesmo a fúria pulsante,


ficaram tão mais acentuadas que podia quase ouvir os pensamentos do irmão, que até mesmo nele doeu saber. — Ela chamou o avô naquela noite, — Lincoln revelou enquanto seu avô soltou um sopro duro de ar. — Você podia ouvir o zumbido do motor do carro ao fundo e os gritos frenéticos de Liza, que não iria fazer isto. Claire estava chorando. — Lincoln engoliu em seco. — Ela disse a ele... — Ele balançou a cabeça, afastando-se de Graeme. — “Diga a Lincoln” — Orrin sussurrou as palavras de Claire. — “Diga a ele, avô, que sentirei falta de escalar os cânions com ele. Eu amo todos vocês.” — Uma lágrima caiu do canto do olho do homem velho. — Então ela e Liza estavam gritando até que os sons terminaram com o impacto. — Sua neta foi assassinada, — Graeme rosnou. —E todos estes anos você chamou isto de suicídio. Orrin agitou a cabeça enquanto as mãos se apertaram sobre os joelhos. Retorcidas e inchadas com artrite agora, embranqueceram com a dor desesperada derramando dele. — Raymond achou drogas em seu quarto. Sabia-se que as pílulas produziam alucinações. Claire tinha sido pega fumando, bebendo... Ele era seu pai. — Raiva amarga ressoava em sua voz envelhecida. — Parecia que ela o amava. Nunca me contou de quaisquer problemas em sua vida e Lincoln também nunca soube de nenhum. Até os últimos dias, a explicação parecia fazer sentido. — O que aconteceu naquela noite, eu sabia que não eram drogas, — Lincoln disse furiosamente. — Mas ele e mamãe estavam quebrados naquela noite. — Sua mandíbula se apertou. — Ou eles pareciam estar quebrados. Mas qualquer homem que amasse sua filha estaria desesperado para manter viva a jovem que protegia seu espírito dentro de seu próprio corpo. Orrin, Terran e Lincoln, três homens que Graeme sabia que tinham amado Claire antes de sua morte, e cada um estava submerso na culpa da ignorância. — O que minha neta disse para você? — Orrin perguntou então, desesperado por notícias de Claire. — Ela necessita de nós? A esperança expressada pelo chefe era tanta que Graeme quase odiou quebrá-la. — Ela veio até mim com uma advertência de que Cat tentaria fugir, escapar. — E isso era o tanto que revelaria. — E disse que queria ver a noite. Que sentia falta disso. — Ela adorava a noite, — Lincoln sussurrou cansado. — Sempre disse que a noite a chamava.


— Por que está acordando? — Graeme enfocou sua atenção em Orrin. —Ela tem estado dormindo... — Nem sempre, — Orrin o informou com uma pitada de orgulho satisfeito por sua neta. —Ela e Cat estavam, às vezes, ambas acordadas ao mesmo tempo. Agiam dentro do mundo juntas, ganhando conhecimento e força. Se Claire veio com uma advertência, então é porque Cat tem planejado algo que a colocará em perigo. Ela é protetora em relação a Cat, Bengala. Não representa nenhum perigo para sua companheira, não irá substituir sua companheira. Ela a protege. Até chegar o momento... — Orrin inalou bruscamente. — Na noite da cerimônia, os ventos sussurraram que com o despertar viria a morte. Temo tanto por Cat quanto por minha neta agora. Porque eu sei que o despertar se aproxima. Esse tempo quando a proteção não é mais necessária e um só espírito deve ficar, se aproxima. E eu temo que nós perderemos as duas com isto. Eu senti anos atrás que elas tinham se reivindicado uma à outra como irmãs. Agora protegem uma à outra, um desenvolvimento muito perigoso para quando o Despertar vier. O inferno que seria assim. Um rosnado maligno rasgou da garganta de Graeme quando ele se ergueu, o monstro dentro dele movendo-se rapidamente através de seus sentidos. — Escute com atenção, homem velho, — primitiva, gutural, sua voz ecoou com a promessa da morte, — se ela morrer, então nenhum envolvido viverá. Ouça isto. O que será desencadeado neste deserto é algo que você não quer. Compaixão encheu a expressão do chefe, além de tristeza imensurável. — Então os ventos sussurraram, — Orrin concordou. — A besta vai perseguir a noite e sangue correrá em rios. — Ele agitou sua cabeça em arrependimento. — Vá. Esteja com a companheira que acalma o monstro que você seria. E se o monstro for solto nesta terra quando o despertar vier, então é o que o destino decretou e o que os espíritos chamaram. Um rugido quebrou a noite. A ferocidade do som trouxe os guerreiros que estavam fora da caverna numa corrida para dentro, enquanto Terran e Lincoln se moveram depressa, erguendo-se para proteger o velho chefe que o olhava tristemente. Não havia nada mais para dizer. Impiedosa, intensa, a criatura os enfrentando agora não tinha nenhuma compaixão, nenhum remorso. Não conhecia o certo ou errado, nada além de vingança e sangue.


O monstro tinha surgido para proteger aquilo pelo que Graeme vivia, para a companheira que segurava os últimos remanescentes da alma do Casta. Virando-se, ele saiu depressa da caverna, a corrida para voltar a Cat de repente desesperada, cheio de uma certeza de que um acerto de contas estava se aproximando rapidamente, cada vez mais próximo. O rugido que lançou para o deserto aberto era cercado de um aviso para qualquer um que ousassem levá-la, colocá-la em risco ou que estivessem dispostos a ajudá-la a se arriscar. Ecoou pela noite fria, gritando para o homem, a besta e aqueles no meio. O monstro não estava acorrentado, estava apenas esperando por alguém tão alheio ao inferno que iria enfrentar. Porque o monstro sabia bem como trazer o inferno. ******* Lincoln olhou fixamente para seu avô enquanto seu tio ajudava o homem velho a se erguer, e seu próprio conhecimento, suas próprias habilidades despertadas para ouvir os sussurros nos ventos lhe assegurando que seu avô sabia muito mais do que estava dizendo. — Vovô... — Queria exigir respostas. A mão erguida rapidamente de Orrin em uma demanda por silêncio, a força e o propósito em seus olhos escuros tão brilhantes agora quanto tinham sido desde que Lincoln o conheceu. — Um preço será pago, — Orrin decretou. — Isso nós não podemos deter. Qual preço será, não sei. Sei apenas que a morte virá e que Cat enfrentará um passado que trará essa morte. Claire não estava predestinada a morrer, Lincoln, — ele grunhiu, sua convicção nessa crença, sem dúvida. — Eu vi seu destino em seu nascimento e não era a morte. Os ventos sussurraram que seu caminho seria um que nenhum outro iria querer caminhar, e que seu coração conheceria cicatrizes que outros não poderiam compreender. Mas ela deveria voar das chamas e se tornar uma voz que todos irão ouvir. A morte não é seu destino. Mas até Orrin, que entendia os sussurros que vagavam pela brisa do deserto melhor que qualquer outro, não acreditava completamente que sua neta viveria realmente. Lincoln viu isto em seus olhos, ouviu isto em sua voz. Claire tinha perdido sua vida, mas não havia sido capaz de encontrar sua paz. Protegeu uma jovem que teria morrido em seguida, e assim sua irmã não morreu. Seu espírito protegia aquela jovem agora. A protegeu de maneira que Linc lutou por entender durante anos.


Ele havia falhado com Claire; tinha se determinado que não falharia em proteger Cat. Mas falhou. Não tinha percebido em tempo o mal que era seu pai e Claire havia sofrido novamente, ao lado de Cat. Mataria Raymond se o enfrentasse novamente, Linc temia. Nenhum homem jamais deveria enfrentar o que havia dentro de si mesmo. Mas se enfrentasse Raymond novamente, então o bastardo iria sofrer. . . ******* O rugido do tigre quebrou o silêncio da noite, empurrando Cat a partir do diagrama que Keenan tinha colocado sobre a mesa do pátio fora da cozinha. — Isto é um tigre bem chateado. — A reflexão em sua voz, para não mencionar o eufemismo, foi quase divertida. — Não vai demorar muito tempo para chegar aqui. — Ela suspirou. — Ele é incrivelmente rápido quando cede completamente às habilidades primitivas que possui. Keenan juntou os documentos, dobrou-os e os guardou no colete de couro que usava. — Você viu os planos o suficiente? Sim, tinha visto todos. Os mapas e diagramas, bem como as localizações dos dados de segurança Reaver. Tudo que precisava era de um olhar, um olhar na melhor das hipóteses, para imprimi-los em sua memória. — Eu vi o suficiente, — ela lhe assegurou. — Nós não teremos muito tempo antes de Graeme perceber que eu tenha ido e consiga me rastrear. Deixe o General Roberts saber que teremos que cumprir rigorosamente o plano. Quaisquer desvios e estou fora de lá. Pelo bem de nossas causas. — Eu o informarei. — Ele assentiu em garantia, aqueles selvagens olhos de Águia a observando, muito próximos. — Entretanto, você vai resistir à tempestade que seu companheiro está trazendo? — Resistir à tempestade, — era uma frase muito apropriada. Graeme era definitivamente uma tempestade, não importando seu humor. Gideon enfurecido ou o ligeiramente louco Graeme, qualquer face que mostrasse no momento, ainda era como um tornado varrendo sua vida. — As tempestades de Graeme são bem conhecidas para mim, — ela prometeu, um sorriso pequeno enrolando em seus lábios. — Resistir a elas é sempre uma aventura, mas nem um pouco perigoso. — Para você, — ele assinalou. — Parece que a besta tem uma trela, não importa o que outros acreditam.


— Bem, então, vamos manter isso entre nós mesmos, — ela sugeriu. — Vá agora, Keenan, antes dele estar perto o suficiente para perceber que você esteve aqui. Quando o animal está solto seus sentidos são extremamente hábeis. Com um aceno de cabeça, ele iniciou as fases para mudar e, um momento mais tarde, apenas um agito duro do vento sinalizou sua partida. Virando-se, ela observou a parede pela qual Graeme tinha desaparecido horas antes, sabendo que ele voltaria da mesma maneira. Para onde foi, ela não tinha ideia. Deslizou dela, acreditando que dormia, pensando que poderia esgueirar-se para longe tão facilmente. Tão curiosa quanto estava para saber onde ele estava indo, com quem estava se encontrando, porque sabia que estava se encontrando com alguém, ainda assim isso lhe deu a oportunidade de se encontrar com Keenan e ela a tomou ao invés de segui-lo. Esta reunião com os pais de Honor tinha necessitado de anos de planejamento. Seu desespero em finalmente encontrar a filha que soltaram, em vez da possibilidade de perdê-la para sempre, era como uma fome assolando suas vidas. Cat os contatou anos antes, dando-lhes relatórios periódicos da criança que eles temeram nunca ver novamente. Agora estava na hora de instigar uma reunião que acordaria completamente Honor. Entretanto, que aconteceria para Liza e Claire? Elas sacrificaram a paz que mereciam encontrar para proteger Cat e Honor ao longo dos anos. A reunião seria amanhã à noite. Sabia que Graeme e Lobo tinham uma pequena reunião planejada na propriedade principal e essa seria a única chance que teria para escapar. Com um pouco de sorte, voltaria antes dele retornar. Duvidava que qualquer sorte estava correndo solta em sua vida, mas poderia esperar, certo? Com esse pensamento, a visão de uma sombra pulando o muro de 2,5m a teve erguendo as sobrancelhas em surpresa. Ele fez um tempo muito melhor do que ela tinha antecipado. Esperou, sabendo que viria para ela. Ouviu o rugido e a advertência que significava. Desafiou alguém, qualquer coisa, a enfrentá-lo em sua ira. Exceto sua companheira. Exceto a mulher ainda lutando para confiar no homem a quem estava destinada. — Onde você estava? — Perguntou quando ele chegou mais perto, sua cabeça abaixada, olhos de âmbar reluzindo sob suas pestanas enquanto as faixas sombreando seu rosto destacavam a cor dourada. — Eu não fui longe... — Não use jogos de palavra comigo, Graeme, — ela o advertiu.


Cruzando seus braços sobre a camisa solta que ela vestiu, com um par de shorts justos, depois que ele deixou a casa, o observou de perto. — Eu tive uma reunião. — A pressão de seus dentes indicava sua batalha em controlar a raiva que o alimentava como gasolina em chamas. — Estava próximo. Não deixaria você desprotegida. — Eu sou capaz de me proteger contra a maioria das coisas. — Ela encolheu os ombros. —Eu não preciso de uma babá. — Até quando se trata daquele paralisante maldito? — Ele resmungou. — Você não será tão suscetível a ele novamente, entretanto. A injeção que lhe dei naquela noite realmente ajuda a imunizar contra a droga. Suas sobrancelhas se ergueram. Agora, esta era uma informação interessante. — Jonas está ciente de que você tem isto? — Ela perguntou, entendendo mais a cada dia os avanços que Graeme fez em tantas áreas da genética dos Castas. — Ele não sabe, mas isso não significa que não tenha sido imunizado. — O sorriso que se arrastou nos cantos de seus lábios era pura diversão. Dentro de segundos as listras tinham desaparecido de seu rosto e a cor âmbar em seus olhos havia aliviado, retornando ao selvagem verdeselva que tanto amou. Amou. Inalando profundamente, balançou a cabeça para ele. —Você é sorrateiro, Graeme. Ombros largos se ergueram negligentemente. — O que foi que você disse, todo mundo mente para Jonas? Abaixando seus braços para escorar um em seu quadril, ela revirou seus olhos para o comentário. — Jonas é como aqueles pais superprotetores da televisão. Os Castas ao redor dele têm horror de suas maquinações e ficam constantemente em guarda para assegurar que não interfira em suas vidas. O chamam de Casamenteiro por trás de suas costas, porque está sempre planejando conseguir colocar pares de companheiros juntos. — É parte de sua genética, — afirmou, em seguida, a diversão de momentos antes ficando distante. — Enquanto as combinações de material genético usados para alterar o esperma e óvulos que criavam me deslocava para a biologia avançada e engenharia genética, Jonas foi deliberadamente programado para criar um Casta com a habilidade de assegurar muitos, com um comportamento para garantir sua lealdade. A de um pai. Infelizmente para os cientistas, a torção na genética criou um


cálculo e personalidade dominantes que muitas vezes não permite ver as árvores da floresta. — Ele se perde na imagem maior. — Ela balançou a cabeça, voltando para a casa. — Cat. — Firmes, mas gentis dedos agarraram seu braço antes dela dar o primeiro passo. — Você fugirá de mim? A sobriedade cautelosa em seu tom a teve franzindo sua testa enquanto virava-se para olhá-lo. Pela primeira vez, ele não estava se escondendo dela. Cat engoliu em seco, seu coração começando a bater mais pesado enquanto sua respiração ficava presa em seu peito. — O quê? Estendendo a mão, as pontas dos dedos acariciaram lentamente ao longo da linha de sua mandíbula. — Graeme... — Você sempre tem sido minha, — ele sussurrou, sua voz uma lufada de som. —Você acredita que a abandonei, que a deixei indefesa. Eu estava em suas costas até a noite em que o Desconhecido a levou daquele hotel enquanto eu mantinha os soldados do Conselho à distância. Eu estava meio louco, ainda curando, a necessidade de garantir sua segurança como uma doença dentro de mim. Perdi você naquela noite, Cat, quando eles a levaram para Orrin. Procurei por meses e não pude achar você. Acreditei que estivesse segura e parti para terminar o que tinha que ser feito para garantir sua segurança. Mas não abandonei você. Eu não podia abandoná-la, você era tudo que tornava minha vida digna. Não é a minha experiência, Cat. Você era e é a razão da minha existência. E nada além de você importa. Nada além de você importou desde o dia em que Brandenmore colocou uma criança de quatro dias nos braços de uma criatura de onze anos de idade vivendo numa longa espiral, um túnel escuro e cheio de loucura miserável. Você me salvou. Você sempre me salvou. Quem era este Casta? Era Graeme, ela sabia que era, mas o Graeme que ela conhecia nunca teria exposto a si mesmo tão completamente para ela ou para qualquer outro. — Graeme... — Se eu perder você, minha sanidade estará perdida para sempre, — ele sussurrou, sua cabeça abaixando, seus lábios roçando contra os dela, os acariciando com tal ternura, tal fome, que um grito quase lhe escapou. — Você é minha sanidade, Cat. Desde o primeiro momento que


você olhou para mim com a confiança de um recém-nascido até que eu tome minha última respiração. Você é minha sanidade. CAPÍTULO DEZESSETE Estava simplesmente lhe dizendo o que queria ouvir? Olhando para ele, Cat lembrou a facilidade com que uma vez manipulou os soldados, cientistas e técnicos dos laboratórios. Os mesmos que matou antes de escapar quando o recapturaram. Tinha uma forma de olhar dentro de uma pessoa, saber seu maior desejo e fazê-los acreditar que poderiam alcançá-lo. E que, apenas com sua ajuda poderiam conseguir. E ele a conhecia. Conhecia muito bem. Ela não tinha nenhuma dúvida de que ele descobriu rapidamente exatamente o que ela ansiava, o que precisou dele nos anos que passou longe. Não era muito difícil de entender. Ela o idolatrou quando criança, teceu fantasias de como iriam fugir e viajar pelo mundo. Então ela os compartilhou com ele. Quando sua dor era muito forte e ela implorava para morrer, ele voltava a compartilhar estas fantasias com ela e acrescentar as suas. Pintou grandes quadros de aventuras e como ela nunca ficaria sozinha. Porque sempre seria uma parte de sua vida. Mas ele não foi. Deixou-a sozinha com nada mais que estas fantasias e um amor por ele que continuou crescendo apesar de sua amargura e as perdas que enfrentou. Um amor que a medida que ela crescia, apenas fez uma trincheira bem fundo dentro dela. Mas isso não significava que tinha que se revelar a ele. Não significava que ele percebia sua existência. Esta parte de si mesma que mantinha escondida bem no fundo de sua alma. Em um lugar que nunca viu a luz do dia e rara vez suas próprias realizações. —Sei que sempre fui importante para você, Graeme. — Sussurrou ela, seu coração batia com um ritmo lento e pesado, a emoção ameaçando escapar. — Você me fez sua quando me transformou em seu experimento. Fúria ardeu em seus olhos quando um forte grunhido a silenciou. Algumas ordens não podiam ser ignoradas. Uma que não duvidou em ignorar. —Isto não é tudo o que foi antes e nem agora. — Grunhiu ele, a mudança abrupta de ternura para frustração ameaçando em dar-lhe uma chicotada mental.


Um grunhido feroz retumbou em seu peito enquanto ele se afastava dela, passando as mãos pelo cabelo antes de girar novamente com a mesma rapidez. —Acha que o que sinto, minha dedicação a você e sua segurança, é por causa desta fodida investigação? — A fúria pulsando em seu tom enquanto levantava a testa, inclinava o corpo de lado e estreitava os olhos para ela. —Acho que há uma grande possibilidade de que você identificou algo genético em relação ao acasalamento e se assegurou disto. — Admitiu com uma sensação de tristeza a percorrendo. — Não tínhamos nenhuma sensação de segurança naquele lugar. Acho que precisava de algo para impedir esta loucura em espiral da qual fala. Estava sozinho até que criou algo que garantia a você uma posse, alguém. Se ela não o tivesse, se não pensasse que estava conectada a ele, que tinha alguém naquele lugar, então teria morrido antes de ter qualquer chance de escapar. —Você me deixa furioso. — A declaração foi seguida por um leve escurecimento das listras em seu rosto. Ali estava o Bengala que conhecia. Podia chamar a si mesmo de Graeme neste momento, mas esta era a criatura que conheceu e amou por tanto tempo. Amava-o. Queria golpear a si mesma por este pensamento. — Eu o deixo furioso? — Seu temperamento explodiu ante a ideia disso. — Desculpe garotão, mas eu fiquei furiosa por vários anos quando estendi a você um tapete vermelho até mim e pisou nele como se eu não existisse. Algo sobre sua postura, sobre o ar de intenção pesado, quase a fez se calar. —Que demônios está falando? — Perguntou, como se estivesse de verdade confuso com a informação. Ela se aproximou mais, sua mão passando pelo quadril para formar um punho de lado. —Há dois anos, justo antes de Diane Broen começar a rastreá-lo, Graeme. —Disse entre dentes. — Entrei em contato por e-mail antes de irmos aos laboratórios. Entrei em contato com você e pedi que viesse por mim. — Ficou sem fôlego, a lembrança deste e-mail atravessando-a. — Eu disse onde estava e você não veio. Deus, como ela precisou dele. Ela precisou tanto dele que estava disposta a enfrentar a fúria que sentia por ela, só para vê-lo, ainda que fosse por um momento.


—Eu estava aqui. — A frustração evidente em seu tom teria sido divertida se não aquele momento não a tivesse ferido tanto. — Eu estou aqui, Cat, velando-a desde antes deste maldito e-mail. —É possível que estivesse aqui, mas não veio até mim. — Seu punho se apertou entre os seios, as emoções atravessando seus sentidos. — Não veio por mim, Graeme. Não deixou que te visse. Não me abraçou... — Ela se afastou dele, a traição que sentiu então quase tão ruim como a que sentiu doze anos atrás. — Você me criou para ansiá-lo, para amá-lo... —O inferno que fiz isto. Se tivesse tal conhecimento, a teria para me obedecer. — Disse furiosamente. — Criei este código antes de criar qualquer coisa. A amargura na risada que escapou a teria surpreendido se não estivesse tão furiosa. — Talvez você simplesmente calculasse mal. —Não calculei mal. — A arrogância nesta declaração era testemunha do poder e da confiança que aumentou nos últimos anos. Havia esperado algo mais? De verdade? —Assim que pensava que era suficiente estar aqui? — Ela estendeu seus braços por um segundo antes de deixar cair dos lados. — Para simplesmente jogar quando pedi que viesse até mim? O que parece que isto significa, Graeme? Pedi que viesse até mim, não para acampar seu puto traseiro no deserto e me observar. —Eu estava tão fodidamente primitivo que não iria me querer em nenhuma parte perto de você. — Grunhiu então, suas presas aparecendo na escuridão. — Você me chamou quando eu era apenas instinto animal. Um animal enfurecido e coberto de sangue, mas vim quando chamou, Cat. Pude não ter sido capaz de te abraçar, mas por Deus, eu estava aqui. Eu estava aqui e a visitei todas as noites desde que cheguei. —Realmente Graeme... —Acha que não ouvi seus soluços? Cheirei suas lágrimas? — A rouquidão em sua voz, fazendo-a olhar para ele curiosa agora. — Acha que eu não queria tocá-la enquanto a olhava? Ele entrou em um feixe de luz e a visão dele fez sua respiração parar. —Gideon... — Ela sussurrou seu nome, a alegria a inundando seu ser e tocando um lugar que não sabia que existia. Isto era o que ansiava. Graeme era sua segurança, era a cara que mostrava ao mundo. Este era um Casta que pertencia a ela, no entanto. Ele pertencia a ela... Levantando a mão, ela tocou o ouro escuro e as listras negras ao longo de seu pescoço com a ponta dos dedos e olhou em seus olhos dourados e selvagens, salpicados de verde como a selva.


O animal pulsava justo sob a pele do homem, a natureza selvagem da criatura livre para ela o visse. E ela o amava. Ela o amou quando criança e sonhou com ele quando se transformou em mulher. E quando ele foi até ela como Graeme, temeu que o tivesse perdido para sempre. —Maldição, companheira. — O grunhido cheio de desespero cedeu lugar à ira. — Vê o pesadelo e o tormento dos homens e suspira como se fosse um amigo perdido há anos. Dedos com garras agarraram seus quadris, puxando-a para ele com uma ternura que mal recordou que tinha quando criança, quando gritava de dor. —Eu senti sua falta. — Seu fôlego preso quando a emoção a inundou. — Não tive a intenção de irritá-lo. — Um soluço rompeu sua voz. —Não podia perdê-lo. Não podia... Ela tinha alguém para chamar de seu e de repente, ela não tinha mais nada. —Você me deixou... —Nunca te deixei. — O sussurro atormentado em seu ouvido enviou uma onda de prazer por sua coluna. Claro, a sensação destas garras raspando suas costas numa caricia sensual podia ter algo a ver com isto também. — Até que me levaram novamente, Cat, eu nunca a deixei. Sempre estava sobre você. Mesmo depois que Orrin conseguiu escondê-la, inclusive de mim. —Mas eu não sabia... — Um suspiro colocou fim ao protesto quando a sensação de suas presas arranhou o ombro, enviando uma onda de puro prazer por seu corpo. Fraqueza inundou todo seu ser. —Você sabia. — Ele grunhiu. — Pode negar. Quer absolver a si mesma, se aferrar à ira e dor que é tão parte de você. Sacrificou-se para me proteger, a Judd e até mesmo Claire e quando eu descobri isto, quis matar a todos os envolvidos. — Seu agarre se apertou nela, o cheiro de sua raiva frustrada agora a rodeava. —Sacrifique-se novamente de tal forma, arrisque-se por outro e prometo que, se sobreviver ao terror disto, irei me assegurar que nunca o faça novamente. Quase sorriu quando deveria levar a advertência a sério. Mas este era Gideon. Não era Graeme ou qualquer outro nome que usou durante anos para evadir a captura ou ser detectado. Era Gideon. Seu Gideon. Seus dedos se moveram para os botões de sua camisa.


—As listras cobrem todo seu corpo? — Ela exalou, antecipação a atravessou como eletricidade. Inclinando-se, observou-o, soltando cada botão e puxando o tecido dos lados até que chegou na cintura da calça. Uma vez ali, não duvidou. Não se incomodou com apenas tirar a camisa de dentro da calça, mas abriu o botão e deslizou o zíper, abrindo-o. Soltando o último botão da camisa, passou as mãos por seus ombros para empurrar o tecido sobre eles e seus braços. Ficou sem fôlego diante da visão dele. Ele a tomou, enviou às alturas do prazer que nunca pode imaginar que alcançaria, mas ela realmente não observou o corpo que era capaz de amá-la por horas. Em seu estado primitivo, listras negras o cobriam todo. Eram uma mistura de ouro e negro, como um tigre. Passavam dos ombros até a clavícula, ao longo dos bíceps duros, ao redor da cintura, através dos estreitos músculos agrupados de seu abdômen, marcavam seu corpo com uma beleza animal. —Sonhei com você assim. — Revelou em voz baixa enquanto ficava tensa e a espera. —Assim era como te conhecia. A beleza do homem e da fera. Quando te reconheci como Graeme, quase chorei pela perda. Quanto mais crescia, mesmo nos laboratórios, as marcas primitivas quase desapareceram por completo. No ano passado tinha sumido tudo. —Não há sanidade quando estou assim, Cat. — Disse e o som de sua voz rouca acariciou seus sentidos, levando-a a um lugar onde somente eles existiam, a fome sempre aumentando. —Não há sanidade no mundo que temos que enfrentar. — Corrigiu suavemente. — Seja meu Gideon agora, apenas por um momento? E eu serei a Cat que sempre quis ser para você durante tanto tempo. Apenas por este momento? Deixe-me ter meu Gideon. **** Jonas ouviu a súplica de Cat através das linhas estabelecidas pela comunicação nano-chip que conseguiu instalar em sua casa. Olhando para o controle do dispositivo quase microscópico, estendeu a mão e o desativou. Maldição, deveria estar satisfeito. Suspeitou que Graeme fosse Gideon durante meses e não foi capaz de provar. Havia noites que quase ficou louco com a incerteza, a necessidade de saber. Agora, lamentava a descoberta.


—Ela o ama, Jonas. — Rachel disse em voz baixa de onde estava atrás dele enquanto ouvia a conversa. — E ele a ama. Diabos, não esperava isto. Tudo que usou para se vingar de Graeme parecia dar errado. Até agora. —São companheiros. — Apontou ela quando não disse nada. — Cassie vai afogá-lo se fizer algo para separá-los. Sim, Cassie teria muito a dizer se tentasse prender o companheiro de alguém, especialmente Cat. Mas isso não significava que a ouviria. Tudo dependia de Graeme. —Jonas? — Rachel abaixou a cabeça até apoiá-la em seu ombro. — O que vai fazer? Lançando um olhar para ela do canto do olho, deixou um sorriso se formar em seus lábios. — O que sempre faço. Ela gemeu, deixando cair sua testa em seu ombro agora enquanto suas mãos o seguravam. — Eu te amo Jonas, mas um dia, um Casta vai matá-lo por interferir em suas vidas da forma como o faz. Sim, ela o amava. Ela o equilibrava e com frequência ajudava a dar forma aos seus planos, assim como compartilhava seu ponto de vista em alguns momentos. —Apenas interfiro quando não tenho outra opção. — Disse. — Este Casta é possivelmente o mais inteligente e perigoso que já foi criado. A coisa que sabe sobre a criação dos Castas e a fisiologia poderia aterrorizar o Conselho de Genética e os Engenheiros biogenéticos do futuro. Nunca será livre, Rachel. Inclusive seu conceito de liberdade é defeituoso. —Verdade, Jonas? — Perguntou em voz baixa. — É defeituoso? Ou se opõe ao seu conceito de liberdade? **** Queria seu Gideon? A criatura enlouquecida que se converteu em um monstro? Deus, ela não tinha ideia do que pedia. —Cat, isto não é o que quer. — Não podia ser. O sangue que manchava suas mãos preocupava até ele mesmo em algumas ocasiões. Sua camisa caiu no chão do pátio enquanto os dedos se arrastavam por seus braços até os pulsos.


—Você me aceitaria como menos do que e quem eu sou? — Ela perguntou, acariciando com os dedos seus lados, seu abdômen. — Você iria querer menos do que e quem sou? Ele não podia suportar. —Cada vez que estamos juntos o prazer é assombroso, sempre melhor que antes. Mas cada vez, sei que falta algo. Uma parte de você. Preciso de você todo. Tê-lo todo iria mudar alguma coisa? Não podia responder sua própria pergunta. Poderia perguntar se ela escolheu este momento para deixá-lo de joelhos. —Cat... —Você ainda está de botas. Dedos ágeis trabalharam os cordões, afrouxando-os no que equivalia a algumas batidas de coração antes de olhar para ele. Segurando o calçado de couro, esperou enquanto tirava um pé e logo outro. Ajoelhando-se, os dedos agarraram a calça e puxaram, fazendo o tecido descer por suas pernas até tirá-la. —E agora o que? — O grunhido de sua voz natural em estado primitivo. —Elas cobrem todo seu corpo. — Sussurrou, tocando uma das listras ao logo de sua coxa. Punhos apertados, garras cravadas nas palmas, Graeme lutou contra o impulso de puxá-la para cima, empurrá-la sobre a pequena mesa ao lado deles e apenas montá-la. Este impulso animal estava crescendo como fogo em suas entranhas. Totalmente cheio de sangue e se estendendo fora de seu corpo, seu pau pulsava no ritmo de seu coração, enquanto seus testículos ficavam tão apertados que doía. A necessidade de tomá-la, se derramar dentro dela, estava se convertendo em mais imperativo neste momento. —Cat... — A advertência em sua voz deveria ter sido suficiente para lhe assegurar que o tempo era essencial. Um suspiro iluminado por uma risada roçou sua coxa enquanto se levantava sinuosamente para ficar de pé, agarrando a barra da camiseta e tirando-a de seu corpo. Deixou cair no pátio ao lado da dele, seu short seguindo rapidamente. Merda. O que viu não era tão proeminente como suas próprias marcas, nem as listras tão largas, mas sua suave pele estava levemente sombreada com um toque de ouro em um padrão de listras Bengala que o assombraram.


—Você não me contou. — Segurando seu seio, passou a ponta do polegar sobre uma listra suavemente, desde a curva inchada até o mamilo. —Você não perguntou. — A resposta foi seguida de um grito abafado e sensual quando ele apertou a ponta dura entre o polegar e o índice, aplicando pressão suficiente para enviar o prazer através dela. O cheiro deste prazer, de sua fome, apertava todos os músculos de seu corpo, enquanto seu pau pulsava mais forte, a longitude rígida ficando ainda mais dura. —Você não precisa esperar que eu pergunte. — Passou a outra mão pelo cabelo para mantê-la imóvel, os lábios descendo. — Pode oferecer a informação. —Como você fa... Não queria ouvir nada mais. Cobrindo os lábios com os seus, Graeme lhe deu o que pedia, o companheiro que assombrava os dois. Segurando-a firme contra ele, tomou seus lábios entreabertos com uma necessidade crescente que ficou mais aguda quando o leve gemido resultou ser mais um ronronar, no momento que sua língua tocou a dela. O sabor dela era uma delicia sensual que o deixou viciado no primeiro beijo. Cheia de vida, enriquecida por sua natureza independente e teimosa. Era a essência do elixir mais primoroso que doía por mais. Doía por mais dela. Inclinando sua cabeça para trás, tomou mais até quando ela lutou para compartilhar o controle de seu beijo. Sua natureza se recusava a se submeter, mas sua submissão não era o que ele queria. Não era sua submissão e não apenas o prazer que encontraria em sua liberação dentro dela. O que ele queria desde o mais profundo de sua alma enlouquecida, era seu coração. Um coração que, inclusive agora, sabia que não possuía. CAPÍTULO DEZOITO Cat tentou lutar contra o prazer, conter uma parte de si mesma, apesar de que sabia que não havia nenhuma parte que Graeme já não houvesse marcado. Seu beijo a dominava, alimentava a fome do acasalamento, fortalecendo-a e queimando através de seu corpo como um caminho de pólvora. Uma palma calosa tomou a curva inchada de seu seio enquanto a


outra alisava seu lado, seus quadris, antes de ir para o baixo ventre e empurrar entre suas coxas. Longos dedos talentosos deslizaram pela umidade que se reunia entre as dobras ali, deslizando sobre seu clitóris, curvando-se e encontrando a entrada nas profundidades de sua vagina dolorida. E uma vez ali, não duvidou. Quando a mão segurou seu monte, o dedo deslizou dentro dela, separando o tecido sensível e fazendo Cat ficar nas pontas dos dedos e ofegante de puro prazer. Passando o dedo uma vez dentro, se encontrou no fundo, o lugar onde ele ficava preso quando se lançava em seu interior. Agora, a ponta de seu dedo o encontrou, esfregou, acariciou, avivando a crescente excitação dentro dela até que ela pensou que não iria sobreviver se ele a fizesse esperar muito mais tempo pelo clímax. A ponta do dedo roçou seu clitóris, estimulando ainda mais, aumentando cada sensação dentro de sua boceta até que ela estava a ponto de implorar que a tomasse. Precisava tomá-la, sofria por isto, teria gritado se seus lábios e sua língua não houvessem sufocado o som. Cada caricia firme de seu dedo contra o feixe de nervos internos a empurrava ainda mais, a empurrava mais profundamente nas grandes ondas de destruição sensual. Um braço deslizou ao redor de suas costas, segurando-a perto, mantendo-a contra ele quando seus joelhos enfraqueceram. Seu dedo continuou atormentando-a, deliciando-a com ela, conduzindo-a de forma selvagem ao orgasmo. A pulsação de fome rebelde dentro dela fez seus quadris subirem e descerem contra a penetração, montando seu dedo quando ela começou a ofegar, desesperada para encontrar seu toque, uma caricia que a enviaria direto à explosão de sua liberação. Graeme soltou os lábios dela, movendo a boca em sua orelha e mordendo o lóbulo enquanto colocava um segundo dedo dentro dela. A penetração adicional deixou-a dolorida e montou seus dedos enquanto movia a cabeça de um lado a outro. O calor explodiu dento dela, ambos os dedos encontrando este lugar, acariciando e esfregando, criando uma tempestade de sensações que se perdeu na força do mesmo. —Está tão fodidamente quente. — Sussurrou, mordendo sua orelha novamente. — Tão doce. Assim, bebe, tome tudo. Monte meus dedos como se fosse meu pau. Assim, minha gatinha. Dê-me, deixe-me sentir quando gozar ao meu redor. Como se tudo o que precisasse fosse sua ordem, seus sentidos explodiram. Espasmos de prazer ondularam através da carne abraçando seus dedos, apertando-o, segurando-o em seu interior com um gemido torturado de prazer, enchendo o ar ao redor deles.


Podia sentir a umidade, que se derramava ao redor de seus dedos para as coxas, ondas de êxtase agonizante explodindo sobre seu clitóris, onde se detonou mais uma vez. Ela estava se esfregando contra seu braço, o suor umedecia sua pele enquanto ele a segurava em meio à tempestade, gemendo de fome quando ele lhe deu outro orgasmo enquanto segurava-a pelas costas. Ela não precisava pensar em seu prazer, não pensava em nada além das explosões rasgando-a e enviando ondas brutais por todo seu corpo. A tempestade não diminuiu, no entanto. Apesar da cascata de liberação a percorrer, ela ainda podia sentir o fogo que ardia em seu interior, a necessidade de aumentar o ritmo. A fome dentro por este Casta era como uma febre que não passava. Inclusive quando tinha certeza de que podia contê-la, ainda deslizava fora de controle, sacudindo seus sentidos e a deixando muito vulnerável, muito fraca para controlá-la. —Isto é tudo, bebê. — Falou em seu ouvido enquanto os tremores começavam a aliviar e o agarre em seus dedos diminuía. — Agora pode montar meu pau. Antes que pudesse fazer algo mais que recuperar o fôlego, com um movimento repentino se encontrou deitada numa cadeira de praia com ela por cima. —Tome-me, Cat. Vamos, bebê, destrua-me com seu amor. Com seu amor? Oh Deus, ela o amava. Ela o odiava e o amava. Doía por ele e doía por causa dele. E não podia rejeitar nada por este prazer impactante. A cavalo em seus poderosos quadris, os joelhos de cada lado dele, enquanto se inclinava sobre seu peito. Com os olhos fixos nele, Cat se moveu para trás, lutando para respirar enquanto sua ereção proeminente começava a pulsar entre as dobras inchadas de sua vagina. O ouro de seus olhos mudou para verde selvagem, as listras ao longo de seu rosto pouco a pouco desaparecendo. Suas mãos se apoderando de seus quadris, suavemente, mostrando como se mover contra ele, como montá-lo num ritmo cada vez maior. —O que fez comigo? — Era uma súplica, um soluço, uma incapacidade para entender porque ela sucumbiu tão facilmente a ele e a seu toque. —Eu não a criei, Cat. — Sussurrou, sua voz rouca multiplicando a dor que crescia em seu interior. — Você foi criada para mim, para impedir a loucura. Você é minha sanidade. — Empurrando em seu interior com uma onda de poder, separando suas dobras, enterrou-se até a empunhadura.


—Oh Deus... Graeme. — Ela gritou, mal consciente de que não o chamou de G e não o chamou de Gideon. —Tome-me, Cat. — Disse com voz rouca, movendo-se sob ela quando o prazer caótico de momentos antes começou a girar dentro dela novamente. Cada ardor da penetração forçava sua carne dura como ferro a separá-la mais e um gemido escapava de seus lábios. O prazer era brutal. Presa em seu olhar, sobre ele, levantando-se e caindo contra as fortes estocadas entre suas coxas, Cat se perdeu nele. Suas pálpebras quase fechadas, sentia uma fraqueza sensual, inclusive quando o prazer abrasador queimou fora de controle. —Assim, Cat, tome-me. — Grunhiu, sua expressão tensa, as mãos agarrando seus quadris mais forte, enquanto empurrava tão fundo dentro dela que ela jurou que penetrava em sua alma. — Dê-me, bebê. Dê-me toda você. Tinha tudo dela. —Toda de mim... — O grito foi arrancado dela quando suas estocadas ficaram mais fortes, mais rápidas, conduzindo dentro dela com golpes poderosos que a empurravam sobre a borda da razão, da realidade e a fez explodir em um caleidoscópio de chamas, um êxtase aterrador. Sob ela, Graeme sentiu seu aperto, com um grunhido rouco e sentindo-a rodeá-lo, ficou cego quando o calor de liberação saiu em um jato dentro dela, a enviando a uma explosão de prazer. Nunca chegava ao fim, um prazer entusiasta que nunca pode imaginar, era impossível acreditar que poderia ser incrivelmente tão fria à luz dia. Um prazer que os prendeu juntos quando a lingueta saiu e empurrou-a a outro orgasmo. Sua vagina o apertou, fechando-se ao redor do eixo congestionado, ondulando sobre ele, garantindo que ninguém pudesse arrancá-lo dela. Neste momento ele estava ali com ela e pertencia somente a ela. A ciência, a loucura ou Jonas não poderiam afastá-lo dela enquanto estivesse tão profundo dentro dela que não sabia onde ele terminava e ela começava. Colapsando, Cat encontrou abrigo em seu peito, descansando no calor de seu corpo e sentindo-se protegida, por este momento, pela enorme força que emanava dele. **** Cat não esperava sonhar.


Aprendeu anos antes a forma de bloquear sua mente dos horrores que experimentou quando criança, assim os pesadelos eram raros. Não que não houvesse experimentado muitos deles nos primeiros anos depois de entrar na casa Martinez. Mas nunca assim. Ela nunca foi levada de volta ao Centro de Pesquisa onde foi criada, onde viveu tal dor que implorou a Gideon para deixá-la morrer. Implorou que a deixasse ir. —Ele nunca teria sobrevivido se houvesse morrido, Cat. Ela deu a volta, com os olhos muito abertos ao ver a imagem da mulher-menina frágil cuja vida lhe foi dada. Claire Martinez podia ter sido sua irmã gêmea, inclusive antes da cirurgia plástica de menor importância que lhe assegurou que nunca suspeitassem que era outra pessoa. Ela conversou com Claire muitas vezes nos últimos anos, já que seu espírito foi amarrado à Claire através deste antigo ritual na noite da morte da criança. Mas nunca assim. Nunca em um sonho e definitivamente não neste lugar. —O que estamos fazendo aqui, Claire? — Perguntou, olhando ao redor da jaula com cautela. Isto era tudo o que era na verdade. Uma jaula. Um das paredes para qual olhava estava branca, as outras três eram de barras de ferro reforçadas com cargas elétricas. A única privacidade era um banheiro minúsculo. Ali nem sequer havia um chuveiro. Apenas um vaso sanitário e um pequeno lavabo para lavar as mãos e escovar os dentes. Os chuveiros estavam sob estrita supervisão. —Nunca saiu daqui, Cat. — Claire suspirou, olhando ao redor da área pequena quando se sentou na cama de frente a ela. — Sempre esteve presa aqui. Cat lhe devolveu o olhar, o que obrigou seu coração a manter a calma e ficar estável. — Assim os últimos anos foram algum tipo de engano? — Ela não acreditava. Não era uma alucinação ruim. Colocando uma mecha longa de cabelo castanho atrás da orelha, Claire olhou ao redor com tristeza. —Estar aqui fisicamente não faria grande diferença. — Ela finalmente respondeu com uma reflexão sombria. — O importante é que não importa onde foi, não importa os inimigos que enfrentou, continua presa dentro desta cela, sozinha. Nunca a deixou depois que percebeu que Gideon a abandonou voluntariamente aqui. Ela não iria discutir com um espírito, duvidava que tinha muito sentido. Claire sorriu um pouco cansada. — Vai negar até o último fôlego, no entanto. Verdade, Cat?


—Teria que saber o que estou negando primeiro. — Cat informou, encolhendo os ombros. Porque não nos leva a um lugar agradável? Não gosto de conversar aqui. Era um sonho, ela sabia que era. —Não é um sonho. — Disse Claire, surpreendendo-a. Não podia se lembrar um momento em que Claire nunca concordou com ela. Sempre foi muito tímida. —Tudo bem, não é um sonho. — Observou a menina com os olhos estreitos agora. — Significa isto que quando acordar, não estarei na casa de Reever, dormindo com Graeme? Quase sorriu para Claire, mas ser cruel com a garota não parecia o correto. —Não brinque, Cat, nossas vidas dependem deste momento. — Claire exigiu com firmeza. Não com irritação ou ferocidade, simplesmente com uma firmeza que nunca percebeu nela. —Nossas vidas dependem de que, Claire? — Exigiu Cat. — Que eu admita que estamos no Centro de Pesquisa? Bem, estamos aqui. — Ela estendeu seus braços para indicar a cela na qual estava dentro. — Segundo você, nunca a deixei. E agora o que? Claire se levantou lentamente. Sua imagem estava usando uma calça jeans e uma camiseta larga com a qual morreu, estava cheia de terra e rasgada, seus pés estavam descalços. Parecia a criança abandonada que Cat sabia que não foi amada. Frágil. Muito suave para a vida para a qual nasceu. —Não pode ver que uma parte de você continua presa nesta cela, completamente sozinha, verdade? — Sussurrou Claire. —Judd estava aqui. — Ele não fugiu. Sempre se perguntou porque não foi, no entanto. Ele era forte o suficiente, inteligente o suficiente para saber que Graeme fugiu naquela noite. No entanto, ficou. —Porque acha que Judd ficou? — Claire se virou lentamente para ela. — Se ele podia ter escapado deste inferno também, porque não ir com Gideon? —Graeme. — Cat a corrigiu quase distraidamente, seus próprios pensamentos perdidos nesta pergunta durante um longo momento antes de finalmente encolher os ombros. — Judd era tão reservado como Graeme. Ele nunca me contou. —E nunca perguntou? — Claire inclinou a cabeça para o lado enquanto a observava com curiosidade. — Não se parece com você, Cat. É tão malditamente intrometida quando quer ir além. Porque deixar Judd ir adiante sem uma explicação? Sei que se perguntou.


—Pensei que Graeme estivesse morto. — Queria saltar da cama, queria lançar-se para fora, desesperada para escapar do sonho, no entanto, parecia presa em seu lugar enquanto observava Claire. — Suponho que assumi que os soldados enviados para levar à eutanásia não receberam ordens para levar Judd. Que demônios estava acontecendo? O que Claire queria dizer que precisava estar ali? Claire negou com a cabeça. — Até que perceba que nunca deixou este lugar, até que pergunte porque e responda com honestidade, então estará arriscando não apenas sua vida, mas também a de Graeme. — Ela suspirou. — Sempre pensei que eu era covarde, Cat, mas estou começando a acreditar que é tão covarde quanto eu. —Não me irrite, Claire. — Cat a advertiu, estreitando os olhos nela. — Ainda posso chutar seu traseiro. Sonho ou não. Claire sorriu. —Não pode sair da cama, Cat. Não pode chutar o traseiro de ninguém neste sonho. Está presa aqui, como naquela manhã quando os alarmes dispararam. Alarmes que sabia que significavam uma fuga ou uma tentativa. Cat negou com a cabeça neste momento. — Pensei que os cientistas queriam nos enganar. —Porque? — Claire riu irônica. — Porque fariam isto, Cat. Ele se foi. Você era mais inteligente que isto. Gideon se assegurou que fosse mais inteligente que isto. —Graeme. Seu puto nome é Graeme. — Cat a corrigiu, ficando irritada agora. — Deixe disto, Claire. Se quiser falar comigo faça como sempre. Conversamos melhor quando estou acordada. Apoiada nas barras de ferro, Claire a olhava com sombria intenção, uma que Cat temia que a outra garota quisesse mantê-la dentro deste lugar de sonho para sempre. —Pode sair a qualquer momento que quiser, Cat. — Sussurrou Claire, sua expressão nunca mudando. — Tudo depende de você para acordar, como depende de você perceber que não importa se acordar, ainda estará aqui. — Ela balançou os braços lentamente, abarcando a cela onde Cat viveu uma vez. — Perceber antes que seja muito tarde para os dois. Ela podia acordar quando quisesse? Bom, ela queria acordar agora. Agora. Fechou os olhos com força durante vários segundos, obrigou-se a acordar, obrigou-se a afastar a triste visão, uma que parecia ser mais um inferno do que o que passou em toda sua vida.


—Inferno? — Sussurrou Claire. — Isto aqui não é o inferno, Cat. Isto aqui é o que o forma. Aqui é onde ele te salvou. Quando percebeu o que era para ele... antes de você tomar a primeira medicação, que acalmou o animal furioso, acalmou o garoto enlouquecido e que lhe permitiu aprender muito mais que qualquer mente jovem deveria ser capaz de aprender. Mas aprendeu. Por você. Ela abriria os olhos e estaria acordada. Ela estaria nos braços dele, nua, com o corpo quente de Graeme contra o dela, com sua superioridade arrogante e exasperante. Tudo que tinha a fazer era abrir os olhos. —Sim. — Claire sussurrou, soando estranhamente distante agora. — Tudo o que tem que fazer é abrir os olhos, Cat. Mas ainda não estão abertos, estão fechados. Pobre Graeme, sempre será Gideon aos seus olhos não importa o quanto mudou, não importa o quanto a ama... Ela não queria ouvir mais nada. Não podia suportar. Precisava acordar agora! Abrindo os olhos rapidamente, se encontrou olhando para Graeme, o ouro movendo-se nestes olhos verdes escuros de seu Bengala. O fogo da fúria, pensou. A loucura. Esta parte de si mesmo que chamava de monstro. Um grunhido baixo de advertência soou em sua garganta. — Esta presença me deixa violento. — O grunhido baixo era um que nunca ouviu dele. Inclusive quando lhe advertiu que a parte monstruosa de si mesmo despertou, ainda não soou tão poderosa, tão furiosa. —Um sonho... — Sussurrou com desespero. Tinha que ser um sonho. —Minha. — Moveu sua mão sobre ela, suas pernas separando as dela com uma força dominante quando se aproximou dela. Não houve preliminares, mas ela não precisava de nenhuma. Seu corpo respondeu à sua fome, sua necessidade, apenas assim, de forma rápida. —Graeme... — Seu grito foi seguido por um gemido enquanto suas mãos prendiam seus pulsos. Prendendo dos lados de seus ombros, empurrando dentro dela com força. —Oh Deus. Graeme! — Gritando seu nome, foi surpreendida por ele responder enchendo seu interior, fazendo-a encontrá-lo, ajudando a penetração de seu pau inchado. —Minha companheira. — Grunhiu, inclinando a cabeça para seu ouvido, mordendo o lóbulo com os dentes. — Minha companheira. Agarrando seus pulsos sobre a cabeça com uma mão, moveu a outra para sua coxa, arrastando o joelho para seu quadril enquanto começava a golpear seu interior. Cada pulsação feroz dentro do calor de sua boceta


enviava chamas por ela. Seus dedos se fecharam contra a madeira, desesperada para se agarrar a algo. Desesperada para se agarrar a ele enquanto se movia dentro dela como um homem possuído pela excitação, pela luxuria. Estava decidido a marcá-la de alguma maneira além de como já fez. Seu quadril bateu entre suas coxas várias vezes, conduzindo-o até o final em seu interior, empurrando seu útero, raspando sobre a carne tão sensível que cada penetração estava entre o limite do prazer e a dor e a deixava selvagem com o erotismo de sua completa perda de controle. A sensação de seus lábios movendo-se por seu pescoço enviou uma onda de prazer vertiginoso através dela, deixando-a flexível, uma onda de sensações percorrendo seu corpo já sensível. Passou pelo pescoço, mordendo a clavícula, virando a cabeça seus lábios cobriram a ponta dura de seu seio, chupando-o forte e faminto enquanto a língua a chicoteava, empurrando a ponta toda dentro. Prazer explodiu através dela como um furacão. Levou-a sobre seus sentidos, arqueando o corpo mais perto; cada estocada dentro de seu canal apertado se encontrava com seus quadris arqueados. Entrou mais fundo, mais forte. Gritos estrangulados saíram de seus lábios até que uma onda de êxtase completa explodiu através dela. A violência do prazer roubando seu fôlego. Seus quadris se arquearam, as coxas apertaram os quadris dele, ela se agarrou a ele, se agarrou a realidade da única forma que sabia. Agarrou-se a ele da única maneira que podia. CAPÍTULO DEZENOVE Graeme esperou até que houvessem terminado o café da manhã antes de tocar no assunto da noite anterior com Cat. Ela, sem dúvida, o esperava, o que faria com que fosse mais difícil romper suas defesas. Encostado na cadeira de metal que combinava com a mesa de metal e vidro do lado da cozinha, a olhava com curiosidade. Ela tomava seu café enquanto lia as páginas do jornal e ele em seu ipad. Cat era curiosa como o inferno, não apenas sobre o que a rodeava, mas sobre o próprio mundo. E não era provável que esquecesse alguma palavra que viu, muito menos leu. A forma como ela retinha informação nunca deixava de surpreendêlo, mesmo no centro de pesquisa. Ela podia não entender exatamente em algumas ocasiões, mas podia citar palavra por palavra. A compreensão da ciência não era seu ponto forte. Ela ficava confusa no centro, apesar de que conseguiu reter tudo o que ele lhe


mostrou. O forte de Cat eram pessoas, por estranho que parecesse, ainda que ela detestasse multidões e rara vez algum amigo a entendia como ele. —Porque me deu DNA Bengala? — A pergunta o fez piscar com surpresa enquanto seus olhos se levantavam do ipad para olhá-la. Isto era muito para a primeira pergunta. —Você leu os relatórios do Dr. Foster. — Levantando seu café, bebeu o líquido descafeinado, pensativo enquanto a observava, com sua expressão fechada. —Suas razões não estavam nos relatórios. — Apontou ela, seu tom muito tranquilo. — Quero saber o que estava pensando quando decidiu usar o DNA de uma Bengala na minha terapia. Estava buscando uma irmã ou já tinha decidido que eu seria sua companheira? O que estava pensando? Não tinha outro pensamento neste momento além de salvar sua vida. Os genes que faltavam em seu corpo a teriam matado em poucas semanas depois da aplicação das injeções se o Dr. Foster não pudesse criar sua terapia. Graeme não foi consciente da decisão de marcá-la com sua genética, mas não tinha nenhuma dúvida de que seus instintos animais tiveram. —Sou Bengala. — Finalmente respondeu, decidindo sobre a verdade em vez de adoçar, como com frequência sentia que era necessário. — Brandenmore deu você para mim. Senti que era minha. Eu tinha onze anos, Cat, porque iria considerar qualquer outro DNA para introduzir na terapia de uma criança que estava sob minha custodia? Era tão simples assim, mas também era muito mais complicado e sentia que ela sabia. —Nunca teve onze anos. — Ela bufou. — Mesmo o Dr. Foster disse que nasceu muito mais velho que sua idade. Suas sobrancelhas se levantaram com esta informação. — Ele nunca me disse isto. Mas se fosse verdade, não fiz mais do que programado em mim. Sei que uma mãe substituta me gerou, ele a obrigou a ouvir uma variedade de teorias cientifica que deram a muitas gerações numa manipulação genética. Ele sabia o que queria quando me criou e se assegurou de que conseguisse tudo. Não havia nenhum ressentimento. Longe disso. Se alguém poderia ser considerado uma figura de “pai”, este era então Benjamin Foster. —Conseguiu mais do que esperava, no entanto, verdade? — Disse. — Quando percebeu que sua inteligência era maior que qualquer escala que inventou para medi-la? Graeme quase sorriu com esta pergunta. Sempre foi muito mais inteligente do que Benjamim Foster imaginou.


—Duvido que alguma vez soube o quanto o superei, inclusive nas manipulações genéticas. — Por fim lhe respondeu. — O homem podia manipular o que quisesse, mas a introdução da genética animal era muito mais complicada do que imaginava. Ou que reconhecia. E será ainda mais nas gerações futuras. Se minhas suspeitas são certas, então uma vez que os filhos nascidos dos acasalamentos originais alcancem a maturidade, vão superar inclusive os Castas originais. Fez uma pausa por um momento, mas evidentemente decidiu permitir que ela especulasse. —Assim que me deram a você e decidiu usar a genética Bengala em minha terapia? — Cat pressionou uma vez mais. — Você escolheu a genética de Honor, porque não usou DNA Bengala em suas terapias também? Não a considerava digna? O Conselho não a reivindicou? Oh sim, sua gatinha era muito inteligente para seu próprio bem. E era evidente que esteve considerando estas questões há muito tempo. —Honor não foi dada à mim. E a leucemia da qual padecia tinha o potencial de se converter em algo muito mais mortal com a introdução de qualquer genética felina. Poderia ter passado por uma mutação a uma forma de leucemia incurável, pior da que já padecia. Terminou seu café e deixou a xícara sobre a mesa antes de colocar os braços sobre ela e inclinar-se adiante. —Estávamos estudando a genética de lobo no momento em que fui contratado. O Dr. Foster criou sua terapia com base na amizade com seu pai. Eu não tinha tais vínculos para me preocupar e você era minha. Não ia negar este fato. No momento em que foi colocada em seus braços seus instintos animais a reivindicaram. Não como companheira, mas como se pertencesse exclusivamente a ele. —Você sabia que eu era sua companheira neste momento? — Sua mente estava trabalhando, a necessidade de entender sua vida e as decisões tomadas por ela, finalmente saindo à luz. Perguntou-se quando iria acontecer. —Eu tinha onze anos. — Repetiu suavemente. — Estava enlouquecido, a ponto de ir para a eutanásia. Tinha apenas mais algumas semanas antes de ser levado para o extermínio, apesar dos melhores esforços do Dr. Foster para me salvar e foi quando Phillip Brandenmore me deu você. Não, não a olhei e no mesmo instante decidi que era minha companheira. Eu a olhei, vi a vontade de viver e percebi o erro que Brandenmore cometeu. Ele me deu algo pelo qual valia a pena lutar. Mal recordava a vida antes de Cat. Sabia que, antes do momento que a segurou nos braços, seu cérebro borrou toda informação que estava tentando processar. As dores de cabeça que superavam inclusive a dor dos


experimentos. A loucura foi sua companheira constante, tanto era assim que ele sentiu-se deslizando ao longo de um túnel escuro que levava a uma perda completa de qualquer aparência da realidade. —Assim que valia a pena lutar por mim, mas por seu irmão não? — Havia um tom de ira em sua voz que chamou sua atenção. — Judd é seu gêmeo. Porque não valia a pena lutar por ele? —Eu não disse que não valia a pena. — Corrigiu. — Tanto ele como Honor tinham valor e eu dediquei estes anos a eles. Mas eu sabia que Brandenmore teria me matado logo. Minha sanidade era questionável. Nem sempre podia controlar a genética animal e a raiva estava me comendo vivo. A informação acumulada em meu cérebro era muito mais do que podia processar. Talvez a genética animal a reconheceu como minha companheira, porque os instintos baixaram, a raiva se dissipou e me encontrou com uma calma que precisava para sobreviver e para processar mais informação que nunca antes. Qualquer que fosse a razão, Cat, não muda nada. —Nada é simples com você Graeme. — Ela disse entre dentes, a confusão e a ira em guerra dentro dela. — Eu te conhecia então e te conheço agora. Nasceu para manipular e enganar assim como para curar. Não tenho nenhuma dúvida que sua capacidade para manipular supera muito as capacidades de Jonas Wyatt. Você era meu mundo e deliberadamente se assegurou que me sentisse assim. Então não te vejo por treze anos, não importa o quanto tentasse entrar em contato com você. Se eu pertencia a você, então porque não veio uma vez que ficou são o suficiente para perceber que algo foi tomado de nós? Podia ver a dor em seu rosto, a necessidade de respostas. Era uma necessidade que não podia aliviar para ela. Um a qual se negava a ceder. Em troca, ele se aproximou mais até que seu rosto estava a centímetros do seu. —Sempre soube que era minha, Cat. Mesmo quando o monstro rugia sem cessar eu ousava me aproximar de você. Acredite em mim, não queria que fosse para você então. Mesmo meus instintos se negavam a ficar perto. Nada importava neste momento, apenas sangue. E caí tanto nele que às vezes achava que poderia me afogar nele. Seus olhos se abriram enquanto falava, surpresa brilhando no fundo marrom dourado por um segundo antes de endireitar as costas. Soube o momento que decidiu que poderia empurrá-lo, esperava que pudesse se atrever. —E sentia que era algo que deveria e poderia manejar sozinho. Sem sua companheira. — Afirmou. — No entanto, agora que decidiu reclamá-la como sua, acredita que pode supervisionar cada respiração?


Não havia raiva, havia fogo. A obstinada independência e a pura vontade que vislumbrava nela era aterradora. —Eles quase a levaram. — Lembrou-se com frieza. — Eles te drogaram, incapacitaram e a teriam tomado, Cat, se eu não estivesse perto o suficiente para impedi-los. —E assegurou que não possa ser incapacitada de tal forma novamente. — Lembrou-o, ainda tranquila, apesar das emoções que sentia. — Talvez devesse ter cuidado disto mais cedo, Graeme. — Ela ficou de pé, olhou-o, a dor em seu olhar quase mais do que podia suportar. — Mas então, há muitas coisas que deveria cuidado antes, verdade? Ele saiu de sua cadeira rapidamente. Maldição. Não tinha ideia do que estava falando, nem ideia do inferno que suportou para se assegurar que nunca a encontrassem, sem importar o que acontecesse. Sem importar sua irritação por não ter respostas, estaria condenado se permitisse que continuasse a se sentir desta forma. —Esta vingança contra mim tem que parar, Cat. — Ordenou em voz baixa, um rude grunhido impossível de passar por alto. Surpresa apareceu em seu olhar. — Vingança, Graeme? — Sussurrou. — Você acha que minha necessidade de respostas é uma vingança? Que tipo de situação requer uma vingança? —Não é exatamente o que é? O que mais poderia ser? — Afastou-se dela, entendia sua ira neste momento. Ela era adulta agora, deveria entender que a necessidade de proteção significava muito mais que seus sentimentos feridos. —Treinou-me para lutar ao seu lado. — Lembrou-o com conhecimento sombrio. — Treinou Judd e a mim para garantir que pudéssemos ajudá-lo com relação à nossa proteção. — As lágrimas brilhavam em seus olhos agora. — Isto não foi o que aconteceu, no entanto, verdade? Sinto muito, Graeme, não sei como se sente Judd, mas eu me sinto como se você tivesse nos descartado e isto é difícil de esquecer. **** Cat saiu da cozinha muito surpresa por Graeme deixá-la ir. O sonho ou o demônio que foi na noite anterior, a deixou instável. Não podia tirá-lo da mente nem podia esquecer a acusação de que ela nunca deixou o Centro de Pesquisa.


Não era estúpida, entendeu o que Claire disse, mas simplesmente rejeitou a ideia, Cat assegurou a si mesma enquanto se movia pela pequena biblioteca que era usada como escritório na casa. Não tinha tempo para isto. Não tinha tempo para adivinhações e nem fazer um exame de consciência a cada dia que Graeme aparecia. Ela o amava tão desesperadamente, mas não era do Centro de Pesquisa que não podia escapar. Era do conhecimento de que ele a deixou ali. Durante meses acreditou que estivesse morto. Que estava tão assustado que roubou o urso de pelúcia que ela usava quando estava com medo. O conhecimento de que ele a deixou e que levou a única comodidade que teve em sua curta vida, este maldito urso de pelúcia. Onde está, Claire? Pensou furiosamente, lançando-se na grande poltrona de couro atrás da mesa do escritório. Vamos brincar agora, maldição, enquanto estou acordada. Não houve resposta e estava acostumada ao fato de que a única amiga que acreditou que podia depender desapareceu. E um dia, desapareceria por completo, Cat sabia. Se a profecia da cerimônia acontecesse, as duas poderiam perder suas vidas. O despertar traria morte. As palavras que Orrin Martinez sussurrou justo depois do ritual que juntou tanto Cat e Claire, quando estava em um sono profundo, nunca foi esquecido por ela. Mas esteve acordada parte dos treze anos desde que lhe deram a vida de Claire e não morreu ainda. Mas também se revelou como agora. Não queria morrer, mas não podia viver como Claire Martinez por mais tempo. Especialmente se isto significava permitir que Raymond continuasse a destruir as mulheres da Nação Navajo, usando-as como experimento no Conselho, como a irmã de Raymond, Morningstar. Bastardos. Eles arderiam no inferno, todos seriam condenados, um a um pela destruição que forjaram no passado. O que aconteceria com Raymond e os chacais que foram presos por Jonas não tinha certeza, mas sabia que não seria agradável. Esta noite, depois que ela conhecesse os pais de Honor, completasse uma das promessas que fez para si mesma na noite da cerimônia, ele e Graeme teriam que esclarecer tudo. Se tivesse que dar-lhe um ultimato, então o faria. Ele lhe daria uma resposta ou ela iria embora. Onde esteve durante os quatro meses antes de conseguir sua transferência e a de Judd e o que aconteceu quando voltou ao Centro de Pesquisa vários anos mais tarde? Ela sabia que não queria que soubesse, pois sempre a tratava mal quando perguntava. Ela nunca teria parado de buscá-lo, se ele não a tivesse machucado tão profundamente. Nada do que Judd dissesse ou fizesse a teria impedido de procurar por Graeme na


manhã seguinte se ela não acreditasse que era odiada pelo Casta que significava tanto para ela. Talvez sempre soubesse disto também. Levantou-se da mesa e passou pela porta de vidro que dava ao pátio privado, ficou de pé na entrada e inalou o cheiro do deserto ao seu redor. Não se ofereceu a dar ao General Roberts a localização de sua filha de forma gratuita. Exigiu toda a informação de quando ela e Honor estiveram presas no Centro de Pesquisa, assim como o relatório completo da recaptura do Casta Bengala, chamado Gideon. Não se atrevia a pedir isto a Jonas, mas o General Roberts era outra história. Suas conexões, enquanto sua filha estava no Centro de Pesquisa eram fortes. Depois, sabia que ele manteve contato com um dos técnicos que Graeme deixou com vida depois de seu ataque. Este técnico se manteve com vida porque foi para a Washington com evidências a serem entregues à Agência de Assuntos Castas. Jonas ainda o tinha escondido porque temia que Gideon o matasse. —Sabia que Graeme está fazendo beicinho novamente? — Khi Langer, enteada de Lobo, entrou pelo lado da casa, seus olhos azuis vivos não tão divertidos como queria fazer Cat acreditar. Vestida com calça jeans, uma camisa de seda branca sem mangas e botas negras até os joelhos, parecia como se estivesse em uma fazenda inglesa em vez da casa de Reever, no deserto. —Perguntei-me quanto tempo levaria para aparecer. — Suspirou Cat. — Ashley já me advertiu, não preciso de outra sua. Sabia que Khi esteve do lado de Graeme por meses. O filho da puta. Permitiu que esta mulher o ajudasse, no entanto, nunca deu a Cat esta opção, mesmo agora. Sabia de suas pequenas excursões noturnas no deserto cada noite enquanto patrulhava a zona por soldados do Conselho. Mas a convidou para patrulhar ao seu lado? Não, claro que não. —Ashley tem estado um pouco intensa desde que tentou parar aquela bala direto em seu coração. — Ela bufou de leve com uma leve ira. — Não que alguma vez não foi intensa, apenas está mais agora. Passeando pela área da piscina na sombra, pelos ladrilhos fora da piscina, Khi manteve seus olhos em Cat. O que estava procurando? Cat se perguntou com curiosidade. —Não estou aqui para adverti-la, de qualquer forma. — A outra mulher assegurou enquanto Cat permanecia em silencio. —Queria me assegurar que não precisasse de nada. Um ombro para chorar, talvez, ou um ouvido para ouvir maldições contra este seu companheiro arrogante. Claro, poderíamos nos sentar e falar sobre os homens em geral. —


Sorrindo, Khi deixou-se cair em uma das poltronas do pátio coberto. — Sempre gostei disto. Ela não estava mentindo, Cat observou em silencio, mas havia um ar de segredos sobre Khi que sempre a fazia desconfiar. —Se começar, poderia não parar. — Cat admitiu encolhendo os ombros. Ela ficou na entrada do escritório, ainda que apoiada no marco da porta, com uma mão no quadril e a outra de lado, em vez de se sentar na cadeira de frente à Khi. —Sim, sei que sim. — Khi admitiu quando tocou seu joelho e ficou olhando durante um tempo antes de levantar a cabeça e mostrar a Cat um sorriso brilhante. Um sorriso que não alcançava seus olhos. —Porque está aqui, Khi? — Inclinando sua cabeça, uma pequena careta enrugou sua testa. —Graeme sabe que está por aqui? Khi sorriu levemente ante a pergunta. — Não peço permissão de Graeme Parker para ir a nenhum lugar na propriedade Reever. — Ela rodou os olhos. —Nem sequer estendo esta cortesia à Lobo. Cat levantou as sobrancelhas à resposta. — Grande coisa. Eu não te invejo. — Ela bufou. — Imagino que a arrogância de Lobo combina bem com a de Graeme. E parece muito dominante. —Assim como um idiota, quer dizer? — Desta vez o sorriso de Khi foi mais leve. —Imagino que possa ser. Tento me manter fora de seu caminho. Funciona para nós. Interessante. Há algum tempo, Khi afirmou que era muito próxima de seu padrasto. Claro, isso foi antes de sua mãe tentar matá-lo. Não muitos eram conscientes do fato de que Jessica Reever era uma espiã do Conselho de Genética. Seu primeiro marido morreu tentando ajudar a acabar com um laboratório irlandês do Conselho. Inclusive pareceu chorar por ele durante anos. Respirando lentamente, Cat inalou o cheiro da outra mulher, as diferenças sutis a deixando confusa. Havia algo que lhe lembrava o calor do acasalamento, no entanto não era como os cheiros impares dos Castas Lobo e havia algo de ira. Seja o que fosse que Khi Langer tinha dentro de si mesma estava caminhando para uma explosão. Não era tão camarada ou caustica, isto Cat sabia. Cat não conhecia a outra mulher muito bem. A aversão de Raymond por Lobo Reever, assim como sua riqueza, asseguraram que fizesse todo o possível para garantir que Cat não cruzasse seu caminho com Khi.


—Assim, porque estou aqui? — Colocando as mãos nas coxas, Khi inclinou-se para a frente e lançou a Cat um olhar rápido. — Devido a que estava completamente entediada em casa. Lobo tem a fazenda trancada e todo mundo da zona se encontra na clandestinidade pelo que parece. — Levantou-se com graça sob seus pés. — Que tal uma bebida? Tenho certeza que tem algo em algum lugar. —Porque não volta para a casa principal e quando Graeme perguntar por que não cumpriu com seu papel de baba, pode dizer que a mandei embora. — Cat respondeu com frieza. Não tinha tempo para descobrir porque Khi estava ali. Graeme iria sair logo para alguma reunião que tinha com Lobo que duraria até a entrada da noite, sabia. —Vou fazer isto. — Khi assentiu. — Mas vamos por esta bebida primeiro e lhe dará tempo para ir a esta reunião. Você realmente não quer que envie os guarda-costas de Lobo em seu lugar. São uns idiotas. Vamos. — Quando Khi passou junto a ela pela casa, o cheiro de fadiga era aterrador e fez Cat esconder um suspiro de impaciência. Tinhas suas próprias coisas para fazer. —Chá? — Sugeriu em vez de pedir à outra garota para ir embora agora. —Apenas algo com álcool. — Khi exigiu. — Se quer continuar virgem é sua escolha. Pessoalmente, a virgindade realmente não me satisfaz. Foi um inferno de manhã. E parecia que Cat teria um inferno de tarde. Ela iria matar Graeme. Uma babá? De verdade? Para que? O que pensava que Khi poderia fazer, se tentasse sair da casa? Khi não era uma proteção, estava ali como uma fofoqueira, nada mais. Tinha ainda algumas horas, Cat decidiu. Se Khi queria uma bebida, então podia tomar algo. Ao entardecer, pensou Cat, iria tirar uma soneca. Não era como se Keenan e seus homens fossem chegar pela porta principal. Não que Khi os veria se o fizesse. Ela queria um destes malditos trajes tanto que não podia suportar. Por desgraça, Keenan não era de compartilhar tecnologia. E nem sequer o melhor nano-nit que criou conseguiu ir além dos firewalls eletrônicos. O maldito Casta alado era como Graeme, muito inteligente para seu próprio bem. Seguindo Khi através do escritório, Cat recuperou o ipad para garantir que não perdesse nenhuma mensagem enviada por Keenan ou seu segundo no comando, Cerceta. Keenan lhe deu o dispositivo para se assegurar que todas as comunicações entre eles fossem impossíveis de rastrear. Só havia um problema, a babá que Graeme escolheu.


**** Graeme olhava o monitor quando Khi se dirigiu para o bar na casa de hóspedes e serviu um copo. Ela estava bebendo demais e com frequência, pensou. Começou a sentir carinho por ela neste último ano, respeitava sua inteligência, a lealdade que era muito profunda, assim como sua determinação, mas o coração desta garota foi partido em dois pedaços crus e não tinha ideia de como lidar com isto. Acasalada com um irmão e amando outro, incapaz de ceder a qualquer um deles. Era um inferno de posição para estar e não a invejava no mínimo. Ainda assim, ele teria que discutir com ela sobre a bebida. Tinham um acordo e se ela negasse sua parte, então iria deslizar por um túnel emocional do qual poderia não voltar. No momento, Khi não era sua preocupação, no entanto Cat sim. A advertência de Claire e o conhecimento de que o espírito protetor despertou novamente na noite anterior quando Cat dormia deixava seus instintos loucos. Havia algo que não encaixava, podia sentir. Acrescentando a reunião com Orrin Martinez , Graeme estava decidido a averiguar que demônios estava acontecendo com Cat. Estaria condenado se a perderia. Dedicou sua vida a garantir sua segurança e sua paz; não a deixaria agora, não quando ele já a havia decepcionado como fez. Ela estava certa, treinou-a para lutar ao seu lado. Ensinou tanto a Judd como Cat. Cat era especialmente adepta a ele porque sua pequena estatura e aparência frágil enganavam as pessoas, inclusive os que deveriam conhecê-la melhor, todos acreditavam que seria fácil derrotá-la. El ia pela jugular, literalmente, tal como fez na noite que os guardas tentaram transferi-la e a Judd para a instalação de eutanásia. A ideia daquela noite trouxe consigo a lembrança da traição em seus olhos quando ele abriu a porta do furgão. Ela não teve permissão para tomar banho ou lavar seu cabelo, percebeu no momento. Suas unhas estavam manchadas de terra e sangue, o rosto todo sujo. O cheiro de pena e dor enchendo cada parte dela golpeou primeiro. Então traição. Todo seu ser se inundou de uma sensação de traição enquanto o olhava. Olhava-o fixamente, tão silencioso, quase com incredulidade. Mas ele viu a queda lenta da desconfiança que agora sentia por ele. Ele se ocuparia disto, assegurou. Quanto aos equipamentos da caverna subterrânea que usava para supervisionar sua segurança, Graeme


disse que se ocuparia assim que cuidasse de Jonas e o interrogatório dos chacais que Lobo conseguiu que fosse mais adiante. Ninguém rompeu os bastardos ainda e insistiam em falar a sós com ele se quisessem alguma informação. Não tinha duvida de que tinham muita informação para soltar; apenas por esta razão Jonas concordou em levá-los à fazenda de Lobo e à pequena construção segura que o Casta lobo mantinha na parte detrás da casa principal, para interrogatórios. Por desgraça, a configuração de áudio ainda não se estendeu até ali. Completá-la antes de Jonas era primordial. Com sorte, Cat conversaria com Khi e talvez desta conversa Graeme pudesse deduzir uma pista do que estava acontecendo com sua companheira. Porque não tinha nenhuma dúvida de que ela estava tramando algo e quando Cat estava fazendo isto, Graeme sabia, a vida poderia chegar a ser muito perigosa. CAPÍTULO VINTE Cat achou que Khi jamais fosse embora. Ela ficou durante horas, conversando, falando da vida na Irlanda e na propriedade Reever e como ela uma vez se perdeu em seu país de nascimento e que agora parecia estranho. Ela falou de tudo e todos, menos de Graeme. Das poucas perguntas que Cat fez ela se esquivou cuidadosamente, ainda que já esperasse. A lealdade de Khi para com Graeme nunca esteve em questão — Cat já suspeitava que a outra mulher quase idolatrava Graeme. O pensamento enviou uma onda de ciúme através dela e teve que aprisioná-la rapidamente. Não podia se permitir o luxo de entrar num confronto com a princesa da fazenda Reever. E ela não queria fazê-lo. Inferno, a outra garota tinha problemas suficientes com os irmãos Reever, ela não precisava de mais um. Finalmente, quando o sol subiu ao seu ponto mais alto, aquecendo a paisagem do deserto ainda mais, a outra garota levantou-se da cadeira na qual estava no pátio e deixou de lado seu corpo vazio. —Suponho que já teve o suficiente de mim por agora. — Khi arrastou as palavras. — E parece que este companheiro astuto seu está fazendo ato de presença. Virou a cabeça e viu Graeme sair de dentro da casa, com calça negra e uma camiseta que lhe dava um aspecto sombrio e perigoso. —Eu já vou. — Khi lhe assegurou sorrindo irônica. — Acho que terei tempo para me vestir para o jantar com Lobo. Ele tem se queixado disto ultimamente. — Ela encolheu os ombros descuidadamente. — Encontrei


uma linda calça rasgada e uma camiseta com manchas de óleo nela. Pensei que seria o ideal. Graeme na verdade fez uma careta. — Ele vai enviá-la a um convento, Khi. Bufou ante isto. — Em seus sonhos. — Lançou a Cat um olhar descuidado, movendose com graça e sem pressa para o outro lado da casa e desapareceu. Em momentos um zumbido silencioso baixo indicou que saiu num dos pequenos planadores que Lobo usava para percorrer o deserto. —Interessante amiga tem aí. — Cat ficou na cadeira onde estava deitada ouvindo a conversa de Khi. — E ela conversa demais. Como você aguenta isto? Nunca foi de tolerar conversa inútil quando era mais jovem. Claro, o Centro de Pesquisa nunca incentivou nenhum tipo de conversa. —Deixe de ser espertinha. — Disse, ainda com um brilho de diversão, afeto e preocupação em seu olhar. — Ela é uma garota em conflito neste momento. Cat rodou os olhos. — Em conflito, eh? Suponho que é uma palavra boa como qualquer outra. Parando ao lado da cadeira, ele a olhou, a fome latente e a luxúria se aquecendo em seu olhar no mesmo instante, estimulando o calor do acasalamento, que se mostrava mais forte que a temperatura do dia. Inclusive sua pele estava sensível, dolorida com a necessidade de seu toque e se mostrava claramente inquietante. Quando ela o olhou, a imagem de treze anos atrás passou por sua mente. Não era tão musculoso, mas era poderoso, mesmo então. Seus traços eram mais definidos agora, mais selvagens e carecia da leveza da compaixão que teve há muito tempo. Agora havia linhas menores nos cantos dos olhos que não tinham nada a ver com a idade ou o sol. Suas feições não eram forradas, mas a definição afiada insinuava a brutalidade da vida que viveu durante tanto tempo. Mudou tanto. O passar das últimas semanas descobriu que estas mudanças eram muito mais profundas do que poderia imaginar. As mudanças não eram apenas físicas também. Ele não era duro apenas por fora, mas por dentro, exceto quando se tratava dela. Ainda a tratava com uma doçura que ela sabia estar totalmente longe dele. E ele lhe pertencia a um nível que nunca questionou, inclusive quando criança. Como adulta, muitas coisas faziam sentido e, no entanto,


outras eram muitas mais complicadas. E havia uma pergunta que precisava de resposta. —Alguma vez me amou? — Sussurrou ela, lembrando sua afirmação. — Ou você apenas me reivindicou? Se suas feições pudessem endurecer ainda mais, o fizeram e ela sabia que o brilho de incerteza que pensou ver em seu olhar poderia ser uma ilusão. Graeme nunca foi inseguro. —É minha. — Indicou e não havia incerteza em absoluto, nem em sua voz ou seu olhar. — E eu sugiro que nunca esqueça isto. Ele a reivindicou. Levantou-se da cadeira. —Eu pensei que me amasse. — Disse em voz baixa, a dor cortando-a mais do que teria esperado. —O que eu sei do amor, Cat? — Perguntou então, atraindo seu olhar para ele enquanto a olhava com um toque de confusão. — O que o mundo chama de amor, eu desconheço. Não há lealdade no mesmo, não há nada em que se agarrar depois que a névoa da luxuria se dissipa. Se isto é amor, então porque iria querê-lo? —Isto não é amor. — Ela precisou forçar as palavras. — Não mais do que posse é amor, Graeme. Não mais do que calor de acasalamento é amor. Sem amor verdadeiro, o que separa a posse da obsessão, o calor do acasalamento de um estupro? O calor do acasalamento pode começar sem amor, mas como a luxuria, não obriga dois companheiros a se amarem. —E você é uma maldita perita em amor, Cat? — Disse, passando os dedos pelos cabelos em sinal de frustração. — Quando Webster entrou em contato com você para uma definição? —Quando você decidiu que era sua companheira. — Ela respondeu, segurando uma parte da cadeira e endireitando os ombros mostrou determinação em seu tom. — Sou muito mais perita que você, evidente, Graeme, porque ao menos reconheço quando o sinto. —E com quem você reconheceu? — Fúria iluminou seus olhos. O verde se expandido selvagem, cobrindo o branco, então uma batida de coração mais tarde as manchas minúsculas de âmbar começaram a aparecer junto com as faixas sobre seu rosto e pescoço. —Com você. — Ela quase gritou. — Infelizmente amo você agora como quando tinha doze anos. E me incluiu em sua vida da mesma forma como o fez antes. — Aproximando-se, olhou para ele, podia sentir a ponta de suas garras, doloridas e prontas para sair. — Quando eu tinha doze anos me deixou de lado para lutar sozinho e proteger todos os demais e agora, com exceção de quando precisa de mim com sua merda, me


empurra de lado e sai para lutar com Khi, Lobo ou Rule ou qualquer outro que decida que é forte o suficiente ao seu lado. Quando irá me considerar sua companheira ao invés de um maldito brinquedo de merda? —Quando não estiver correndo o risco de perder minha maldita sanidade ante a ideia de um aranhão em sua suave pele. — Grunhiu para ela, abaixando a cabeça até grunhirem um ao outro, nariz com nariz. —Eu te ensinei a lutar para sua proteção. Não para me ajudar em batalhas. —Se não posso lutar com você, então não quero foder com você. — Zombou dele. — Vá para sua reunião, garoto Bengala. — Ela apontou para a porta da casa principal, com um sorriso nos lábios. — Divirta-se com os cachorros grandes. Veja o quão bem fazem ao seu pau quando estiver duro de necessidade, porque não lhe darei a satisfação de cuidar disto. Passando por ele, ela sentiu os dedos firmes segurarem seu pulso, prendendo-a e puxando-a para enfrentá-lo. —Você é minha companheira. — Ele lembrou-a, o brilho feroz verde cintilando com a fúria âmbar. —Você pode negar tudo o que quiser, mas o calor do acasalamento a trará de volta para mim, Cat. —Sim? — Perguntou ela com rispidez, sua respiração forte, ira, necessidade e muito amor por uma fera tão arrogante fervendo dentro dela. — Nós dois sabemos exatamente como teimosa posso ser, certo, Graeme. Vamos ver quem é mais forte. Minha determinação ou alguma luxuria biológica sem emoção. Qual vai ganhar, Graeme? —Não faça de nosso acasalamento uma batalha, Cat. — Advertiu, sua voz mais rouca que um grunhido gutural. —Não, você está convertendo-o numa batalha, não eu. Pior ainda Graeme, quer me debilitar, quer destruir o que fez quando criou a terapia para me salvar. Serei maldita se suportarei isto. Passei anos esperando minha oportunidade de ser livre. Não vou abaixar minha cabeça e fingir ser fraca nunca mais. Não para você. Nunca para você. — Ela não poderia suportar. A tentativa a mataria. Puxando seu pulso ela caminhou para a casa e foi para seu quarto. Ele tinha uma reunião, bom, ela também tinha sua própria reunião. Trabalhou duro por este dia, quando pode cumprir a promessa que fez a garota que compartilhou estas células com ela. A promessa de que algum dia seus pais a encontrariam. Jonas se negou a permiti-lo e o acasalamento de Honor com um Casta lobo a colocou sob certas restrições na Agência de Assuntos Castas. Cat não era governada pela Agência, nem por Jonas ou Graeme. Honor ainda não despertou completamente e o espírito protetor de Liza Johnson que assegurou que a identidade de Honor permanecesse escondida era muito protetor. Apenas uma coisa forçaria Honor a romper


através deste escuro labirinto dentro de sua própria mente para tomar o controle de sua vida uma vez mais. Os pais que a amavam tanto que a enviaram para longe em vez de vê-la de volta ao Centro de Pesquisa. Os pais que Jonas ainda tinha que entrar em contato e Honor ainda tinha que despertar o suficiente para se lembrar plenamente. Cat nunca teve pais. Nenhuma mãe que a amasse e chorasse por ela, nenhum pai que procurasse sem descanso por ela ou olhasse o rosto de todas as mulheres de sua idade, com a esperança de ver a criança que perdeu. Este encontro, como todas as batalhas que lutou nos últimos anos, seria sem Graeme. Ele não podia incluí-la em todos os planos e reuniões relativas com sua proteção ou sua vida? O que a fazia imaginar que ele a ajudaria com este? Ele não iria. E se o fizesse, o único que seria, era negociar com o General Roberts para que não visse os arquivos que o Dr. Bennett apresentou com a recaptura de Gideon e as provas realizadas enquanto ele estava ali. Algo o mudou. Ele mudou tão drasticamente que, segundo dizia, às vezes se sentia afogar em sangue. Para entender seu companheiro, saber porque se converteu em alguém tão duro, tinha que saber o que aconteceu quando voltou ao Centro de Pesquisa. O que criou o monstro que viveu por anos depois de sua fuga e o que lhe permitiu recuperar sua sanidade? Ela sabia todo o resto. Cada movimento que fez desde que desapareceu na noite em que ela e Judd foram resgatados dos soldados que os escoltavam às instalações de eutanásia. Cada movimento realizado no último ano, ela sabia. Mas o que aconteceu no Centro de Pesquisa no ano que passou com o Dr. Bennett, não tinha ideia. Jonas não contaria. Se Orrin soubesse, não diria. Mas o General Roberts podia adquirir esta informação. E ela tinha algo que queriam tanto que iria garantir a informação. A filha que ele e sua esposa nunca deixaram de procurar. A mulher que o mundo conhecia como Liza Johnson era a menina Honor Roberts, a amiga que Cat perdeu para sempre num ritual navajo que roubou suas lembranças, sua própria identidade por anos — tantos anos que quem era ela quando criança talvez nem sequer existisse. Mas, quem era para seus pais e o que seus pais eram para ela, nunca se perderia, Cat suspeitava. E possivelmente era tudo o que faria Honor voltar para sua própria vida e tomar seu lugar completamente, com seu companheiro. Cat apenas esperava que talvez em certo ponto no futuro, pudesse tomar seu próprio lugar. Talvez Graeme suavizasse o suficiente para


perceber que o calor do acasalamento era amor. Sem um o outro não poderia existir. **** Os seis chefes navajos se moveram pelo chalé de dois andares do Desconhecido. Cada um dos guerreiros carregava o quieto, silencioso corpo de uma jovem mulher Casta — ambas as mulheres eram únicas, tão importantes para os Castas como para os Navajos, que a própria terra gritava por sua preservação. Enquanto o grupo se movia para a sala com vapor, as ervas e os medicamentos potentes usados para despertar e guiar os espíritos perfumava o ar úmido. No centro do chalé duas pedras planas grandes estavam entre seus montículos que pedras que emitiam fumaça. O calor úmido das pedras flutuava sobre a cama de pedra dura na qual foi colocada a mulher jovem. Orrin Martinez deu um passo atrás e ficou olhando com tristeza para a criatura única que os chefes foram chamados para ajudar. Ouro gracioso, suaves asas brancas e avermelhadas se arqueavam por cima da cabeça e emoldurava um corpo pequeno antes de terminar muito abaixo de seus pequenos pés. Frágil, ossos pequenos, a jovem poderia se passar por uma criança se não fosse pelas curvas da mulher bem formada sob a calça de couro e a jaqueta que usava. Cabelo castanho, a luz pulsava com reflexos avermelhados se derramando do lado do rosto e sobre os seios em exuberantes cachos e Orrin soube que quando seus olhos se abrissem veria a tonalidade das águias ferozes — castanho, verde e um toque de negro. A pele cremosa sem marcas da batalha, agora estava pálida, o brilho da vida desvanecendo rápido. Sobre a pedra estreita junto a ela estava outra mulher jovem — uma Casta, esta acabava de fazer vinte anos. Por esta Orrin sentia dor. A pequena jovem leão conheceu apenas alguns poucos anos de liberdade. Não teve tempo para construir os sonhos que a vida de uma Casta prometia. Tão pequena e frágil como a Casta alada, a pequena jovem leão estava tão quieta e em silêncio. A semelhança terminava ali, no entanto. O cabelo da Casta leão era curto, tinha um rosto de curiosidade inquisitiva e um nariz empinado. Os olhos muito abertos estavam marcados por uma linha escura, como se a natureza houvesse aplicado um delineador ao redor da curva levemente inclinada de seus cílios.


Ela não estava vestida com peles, mas com um vestido largo e branco que colocou depois de te sido levada às Castas. Não havia feridas em seu corpo, as lesões eram internas, mas se curavam. Seu espírito frágil já não podia suportar a vida. Os anos de reclusão e a crueldade a derrubaram. Sua fuga lhe deu apenas uns poucos anos de liberdade antes dela ser obrigada a presenciar ainda mais atrocidades num ataque contra ela e outras duas Castas fêmeas. A ferida na cabeça estava se curando bem, no entanto, seu espírito continuava procurando escapar. A vida sangrava por ela com cada respiração pouco profunda que tomava. Este espírito lutava para escapar, enquanto as outras duas lutavam para viver. O despertar de Cat e Honor estava completo, mas Claire e Liza ainda tinham que percorrer o caminho até a outra vida. Orrin se preocupou com isto até os ventos começarem a sussurrar a vontade da terra e o destino das duas almas cansadas que deixou os corpos fortes o suficiente para suportar o ritual da cerimônia. Dando um passo atrás das camas de pedra, seus cinco companheiros chefes se olharam em silêncio. —Estamos de acordo? — Perguntou em voz baixa. — Os ventos nos chamaram a este lugar preparado para o Desconhecido. O fôlego da terra nos diz para despertar e para nos preparar para a morte e para o ritual. O Desconhecido foi enviado para nos despertar. Se quiserem a vida, estes corpos são seus. Se quiserem a morte, então a terra lhes indicará o caminho. —Assim os ventos nos sussurraram. — Os cinco concordaram. Orrin se virou para os dois Desconhecidos que levaram as mulheres a eles. — O Desconhecido tem o chamado da terra para tomar seus irmãos, despertá-los e trazer a este lugar? —O Desconhecido tem o chamado. — Concordaram. —Então devemos nos preparar. — Orrin anunciou. — Esta noite o despertar será liberado e o ritual se iniciará. Os rituais eram antigos e conhecidos somente pelos chefes do Desconhecido. Os rituais eram muito mais importantes para a Nação e seus mistérios se originaram de um tempo que se iniciou com as próprias estrelas. Eram pessoas, dadas à terra para sua custódia, dada a tutela dos segredos das terras pelo Grande Espírito e o próprio vento. Durante o tempo que os navajos respiravam, seus corpos cheios de ar pelos ventos, os ventos sussurravam seu vasto conhecimento e os segredos dos rituais diferentes de quaisquer outros que se poderia imaginar.


Eram os seis chefes. Sempre foram seis chefes. Sempre existiram doze Desconhecidos. E do Desconhecido, os chefes da próxima geração seriam escolhidos pelos ventos. Assim, começaram e assim continuariam. Mas com cada ritual do despertar, havia uma mudança. Com cada vida dada, uma era tomada. Os espíritos destas jovens frágeis não podiam suportar mais. Os horrores da vida, das crueldades dos homens, foram muito mais do que podiam suportar. Suas perdas minaram suas vontades de continuar nesta vida. A profecia foi sussurrada esta noite quando o corpo de sua neta expirou de suas feridas e se converteu no protetor da jovem mulher Casta conhecida como Cat. Os ventos sussurraram que com o despertar, a morte viria. Soube desde o nascimento de Claire que seu destino seria de angustia e medo em sua juventude, mas um de liberdade e grandeza uma vez que cumprisse sua missão. Não havia dons dados sem uma batalha para recebê-los, sabia disso. A terra sabia o que muitos pais não entendiam: seus filhos deveriam trabalhar pelos dons dados e apenas com sacrifício poderiam apreciar a felicidade que vinha com estes dons. Sua neta Claire se sacrificou pela felicidade futura. Ainda que a felicidade não veio, talvez em algum momento ela pudesse encontrar satisfação na busca de uma nova vida. Qual dos corpos destas mulheres jovens e excepcionais a aceitaria, não sabia. Os espíritos das jovens viram tudo o que podiam ver, lutaram tudo o que podiam lutar; seu cansaço era evidente na penumbra de sua força vital. A Terra, o Grande Espírito que guiava todos, tinha outros planos para seus corpos e apenas rezava para que estes planos trouxessem a felicidade para a jovem sofrida, a neta que temia já ter perdido. CAPÍTULO VINTE E UM Se Cat fosse correr, seria nesta noite. Concentrando sua atenção na imagem de segurança do quarto dela projetada pela tela do e-pad seguro estendido no chão diante dele, Graeme lembrou-se desse fato, mais uma vez. Confrontá-la sobre isso não seria nada bom. Para dar respostas, ela iria primeiro exigir respostas, e revelar os horrores que tinha experimentado quando foi recapturado era algo que não conseguia fazer. Em vez disso, estava aqui. O interrogatório dos Castas Chacais tinha sido adiado, mas um breve encontro com Jonas ainda teve que acontecer. Mesmo enquanto a observava tomando seu tempo na cama, prendendo uma mecha de cabelo que escapara da trança


confortável que usava, não podia afastar a certeza de que ela estava se preparando para correr. Esta noite seria sua melhor chance se essa fosse sua intenção. Cat acreditava que estaria distraído pelo interrogatório aos Chacais com Jonas Wyatt. Estava certa de que ele nem mesmo desconfiava de sua intenção de partir. Se Claire não o tivesse advertido das intenções de Cat, talvez estivesse questionando sua certeza de que algo estava errado. E algo estava definitivamente errado. Podia sentir isto. Até mesmo ao erguer seus olhos da tela de segurança para observar fixamente as portas abertas da sacada do quarto de Cat, seus instintos ficavam furiosos. Odiava seu hábito de deixar aquelas portas abertas, era um risco de segurança que fazia sua pele coçar depois do ataque dos Chacais e de Raymond Martinez. Mas, assim como Claire, ela amava a noite e a brisa que entrava, refrescando o quarto. Pessoalmente, Graeme achava que era a sensação da liberdade que a ação de deixar as portas abertas dava a Cat o que ela mais apreciava. Não que as portas abertas parecessem ser um risco nesta noite. A brisa era suave e fresca, embora não fizesse frio. E para todos os olhos postos na pequena propriedade alugada, não parecia existir nada inquietante ou perigoso movendo-se no vento. O time de seis executores da Agência de Negócios Castas estava espalhado em torno da propriedade murada em locais com pontos de vista perfeitos para observar a área. Pensavam estar bem escondidos e que Graeme não havia descoberto a equipe, mas ele os achou imediatamente ao examinar a área. O fato de que os instintos de advertência de Jonas tivessem sido despertos também fez a força primitiva dentro dele lutar para emergir. Um pouco além dos portões da propriedade, Brim Stone, junto com Ashley, Emma, Rule Breaker e sua companheira, Gypsy McQuade, observavam a frente da casa à vista. Os dois soldados humanos que o Conselho tinha enviado estavam no lugar sombreado de pedras a uma meia milha distante da propriedade, acreditando-se bem escondidos. Entretanto, Graeme soube o segundo em que eles passaram pelos limites da propriedade de Lobo na noite anterior. Não havia nenhuma maneira de que sua Cat pudesse ser levada ou conseguisse fugir sem ser vista. Então, por que estava tão certo de que sua segurança estava em perigo iminente, ele não podia explicar. Apenas sabia. Ao lado dele, esticado no cume rochoso da colina atrás da casa, Lobo esperava também. Estava tão quieto, tão imóvel, que Graeme mal podia perceber as batidas de seu coração. Lobo era muito mais do que outros suspeitavam e tomava extrema vantagem disso. E como Graeme,


Lobo podia ser uma perfeita máquina de matar. Tinham estado no lugar desde que a escuridão havia caído e nem uma vez o Casta questionou os instintos de Graeme. Desde que haviam formado sua parceria incomum, Lobo tinha lhe dado o que parecia ser sua fé inquestionável. Se apenas Cat pudesse compartilhar uma pequena medida de tal confiança. — Ela é boa, — Lobo murmurou, enquanto permanecia enfocado na tela de segurança. — Fria como gelo. Quaisquer que sejam seus planos, não está dando a menor pista. Você a treinou muito bem, Graeme. Infelizmente, isso era extremamente certo. —Talvez, em algumas coisas, a tenha treinado bem demais. — Graeme suspirou, sua voz apenas um murmúrio. Lobo deu um pequeno grunhido, divertido. — Como treinador, seus instintos são excelentes. Até minha própria equipe de força tem se beneficiado deles imensamente. Apesar da aversão pelos felinos. — O comentário irônico provocou um sorriso de Graeme. — Eles aprendem bem, apesar da minha antipatia por lobos. O mundo acreditava que os Castas Felino, Lobo e Coiote lutavam com uma antipatia visível, instintiva em direção ao preconceito, uns contra os outros. A verdade era, só aqueles que apoiaram seus criadores abrigavam tais preconceitos. Para aqueles nascidos com os instintos mais estreitamente relacionadas com sua genética animal, nunca houve essa antipatia. Não esteve em seu treinamento também. — Ela é muito paciente, — Lobo assinalou. — Sua paciência sempre pareceu imensurável. E é vasta. Mas tem um limite. Quando esse limite tiver sido alcançado, estará aperfeiçoada num plano mortal de ataque ou retribuição. Ela é incrível. — Graeme a respeitava e ela não tinha nenhuma ideia a respeito desse sentimento. Aos doze anos, Cat fez o que nem ele nem Judd esperaram. Quando os agentes de transporte chegaram para levá-la ao centro de matança, a julgaram alguém que não representava ameaça e não a contiveram. Não que suas restrições teriam bloqueado corretamente ao redor de seus pulsos minúsculos. Ela esperou, aparentemente mergulhada em si mesma, até que, de alguma maneira, sentira o momento perfeito para se lançar no agente que a vigiava, rasgando sua garganta fora. Judd não esperara tal movimento e tudo tinha acontecido antes dele poder reagir. A silenciosa precisão e fria determinação do ato que Judd descreveu fizeram Graeme duvidar. No tempo que a vigiou, entretanto, observando suas poucas caçadas pelo deserto, deixou de duvidar. — E quando ela perder sua paciência com você? — Lobo perguntou num murmúrio divertido. — Você sobreviverá?


Graeme não estava tão certo que iria. — Ela me cortará em tiras, — ele admitiu. — Sem piedade e sem matança, irá me quebrar em pedaços. Mas quando isso acontecer, será a companheira que sei que espreita por baixo da sua aparente tranquilidade. Quebrar essa calma tinha sido impossível até agora. Cat estava muito tranquila. A proteção de Claire ainda influenciava seus instintos enquanto a genética Casta lutava dentro dela. — Está se levantando, — Lobo o alertou. Movendo sua atenção para o e-pad, Graeme observou como ela jogou o dispositivo eletrônico de lado e saiu da cama. Andando até a cômoda, pegou uma bermuda e camiseta leves de uma gaveta e entrou no banheiro. Maldição, deveria ter substituído o equipamento de segurança que ela removeu do banheiro. Esperando, com os nervos no limite, sabia que o som do chuveiro soando alguns minutos mais tarde deveriam tê-lo relaxado. Mas não foi o que aconteceu. Não existia nada para indicar perigo, nenhuma razão para suspeitar que Cat estivesse fazendo qualquer outra coisa além de se preparar para se deitar, mas podia sentir o monstro despertando. Algum conhecimento instintivo o puxou para a superfície, apesar de tentativas de Graeme empurrá-lo de volta. — Brim, tome Ashley e Emma e verifique o banheiro principal, — Lobo ordenou pelo aparelho de comunicação que usava. Graeme sabia que o link tinha sido programado para conectar os Castas Coiote. Brim não respondeu, mas Graeme percebeu um leve movimento enquanto os Castas saíam do Dragoon e passavam pelo muro na frente da casa. Esperou, observando cuidadosamente pelo sistema de vigilância que mostrava Brim, outro Coiote e as duas fêmeas entrando pela porta da frente e indo até o andar de cima cautelosamente. — Algo está errado. — Sua voz estava mais profunda, dura, uma indicação de que estava perdendo o controle da força enlouquecida que abrigava em seu interior. — Maldita. Ela está voando... Voando. Claire disse que ela voaria, não que correria. Girando sua cabeça para Lobo, perfurou a Casta com um olhar furioso. —Os Castas alados estão neste deserto? Lobo o olhou, surpreso. — Não, estão na América do Sul. — Como o inferno que estão, — o monstro rosnou. — Estão aqui e eles a pegaram.


O monstro estava livre. O poder inundou seu corpo, transformandoo, derramando em seus sentidos e afiando cada detalhe, cada visão e aroma que enchia a noite. E então, o cheiro deles, tão sutil, quase nenhum, o alcançou. Um selvagem e furioso rugido encheu a noite. Ele mataria a todos e a cada um deles, malditos. **** A excitação de voar com os Castas alados nunca envelhecia, Cat pensou enquanto Keenan aterrissava com ela no chão do deserto ao lado de uma Limusine série Dragão do Deserto. O Dragão, maior, expandido com seus ajustes luxuosos internos e armaduras e armas adicionais externas, estava depressa se tornando o veículo de defesa perfeita, sendo adotado no Sudoeste. Em torno do veículo estavam outros quatro Castas alados, além de um dentro do veículo com o casal humano. Avançando, Keenan abriu a porta traseira do lado do passageiro e permitiu a Cat deslizar para dentro. O interior iluminado tinha sido escondido pelas janelas escuras, mas quando encarou o casal, pode identificar claramente de onde Honor tinha conseguido muitas de suas características. O cabelo do General estava grisalho agora, como estava o de sua esposa, mas as características atraentes, quase aristocráticas, os faziam parecer anos mais jovem. O casal a olhava fixamente, em choque, com ambos, o General e sua elegante esposa, em silêncio, seus olhos arregalados enquanto a observavam. Deu-lhes um sorriso enquanto puxava uma pasta de couro, contendo documentos, do bolso profundo na coxa de suas calças pretas justas. — O que vocês esperavam? — Perguntou, divertindo-se com o espanto deles. — Vocês sabiam que eu viria voando com os Castas alados. — Não estava esperando você, — o General respondeu, quase um sussurro. — Doce Deus, Catarina, nós pensamos que você estivesse morta. Ela manteve sua expressão divertida, não alterando um pingo a maneira em que os olhava, entretanto, por dentro, algo se acalmou ao ouvir o nome. Catarina? Quem diabos era Catarina? — Essa era a ideia, — ela respondeu. — Se o conhecimento de que eu ainda estava viva chegasse ao Conselho de Genética, então não teria continuado viva por muito tempo. O General Roberts sacudiu sua cabeça.


— Tantos anos. Você nos contatou, mas não seus pais? Eles ainda lamentam terrivelmente, apesar do fato de que acreditam que você morreu enquanto era um bebê. Tudo em Cat congelou. Estava pasma de que ainda respirasse. Havia sido informada que não tinha pais. Que sua mãe morreu por sua recusa em tratar a AIDS que ela contraiu e que passou a doença para sua filha. Foi dito a ela que a mulher vendeu sua criança para Brandenmore por uma quantia de dinheiro suficiente para assegurar que seria corretamente enterrada, em vez de ser cremada como propriedade do hospital. E Graeme nunca disse a ela nada diferente. Ainda, sabia que o General Roberts não mentiria e que nunca falaria de algo que não tivesse certeza. — Fale-me sobre eles. — Cat finalmente conseguiu forçar as palavras para fora de seus lábios. — Nunca soube quem eram. O General Roberts sacudiu sua cabeça enquanto os olhos de sua esposa se enchiam de lágrimas. — Eles são nossos amigos mais queridos, — Annette Roberts sussurrou, lágrimas escorrendo de seus olhos enquanto olhava para Cat em assombro. — Sua mãe, Helena, tem sido minha melhor amiga desde que eu tinha três anos. Meu Deus, você é a imagem dela, embora eu possa ver o queixo obstinado de seu pai. — Um sorriso trêmulo puxou seus lábios pálidos. — Helena ainda chora por você a cada ano, em seu aniversário, e Kenneth continua adicionando uma única peça de mobiliário para a casa de bonecas que lhe fez antes de você nascer. Oh, Deus. Eles a estavam matando. Cat podia sentir sua alma sendo fatiada como nunca tinha sido antes. Estava sendo rasgada, um pedaço pequeno de cada vez. Ela tinha pais? Ela pertencia à alguém? E Graeme nunca lhe disse? — Como não soube quem eles eram? — O General perguntou então. — O Casta que nos procurou no início deste ano, Graeme, que estava juntando informações sobre eles, nos disse que tinha a intenção de informá-la da mentira que Brandenmore disse sobre seu nascimento. — E você sabia que Brandenmore mentiu sobre isto? — Perguntou Cat, lutando para entender tamanha crueldade deliberada. —Os anos que Honor estava no centro e você nunca me contou? Arrependimento e tristeza encheram sua expressão quando lhe estendeu a mão, suspirando quando ela recusou seu toque. — Como poderia lhe dizer? — Perguntou suavemente. — Eles mantiveram a vida da minha filha em suas mãos. Brandenmore poderia ter matado Honor tão facilmente quanto a havia curado. Não me atrevi a


deixar que qualquer um deles suspeitasse que era nada menos que o bom seguidorzinho do Conselho de Genética. Então, quando pensei que poderia mantê-la segura, e poderia ir para seus pais, fui informado que você tinha morrido nos laboratórios quando um dos Castas escapou. Não pude encontrar qualquer prova em contrário e não ousei adicionar mais dor para sua mãe. — Ela não teve mais filhos? — Cat perguntou entorpecida. — O defeito genético com que você nasceu tinha algo a ver com uma incompatibilidade entre a genética dela e de Kenneth, — o General disse. — Eles não se atreveram a arriscar novamente. Perder uma outra criança teria matado Helena. Estava morrendo por dentro. Rajadas agonizantes de emoção estavam explodindo em seu interior, rasgando-a em partes com a força delas. — E você diz que Graeme sabia? — Perguntou. O General concordou. — O menino Bengala que gostava de você, Gideon eu acredito que era seu nome, sabia também. Uma vez que a anomalia genética estava sendo tratada, o Dr. Foster exigiu saber quem eram seus pais, no caso de precisar de mais informações genéticas.O menino estava lá e eu questionei sua presença, mas o médico me garantiu que ele nunca falaria sobre isso. Acho que não o fez. — Ele balançou a cabeça grisalha com tristeza. — Maldição, aquele garoto amava você. Não havia um guarda ou médico lá que não suasse sempre que as terapias eram dadas para você. Até Brandenmore caminhava cautelosamente ao redor dele no que dizia respeito a você. O que fizeram com ele mais tarde... — Ele respirou duro enquanto o cheiro de incrédulo horror flutuou ao redor ele. — Se não tivessem ameaçado recapturar você, ele teria morrido durante aquela última vivisseção. — Horror brilhou nos olhos e na alma de Cat. — Foram três. Durante a última, Bennett deu a ordem para recapturá-la a todo custo, para verificar se você poderia sobreviver às mesmas experiências. Deus sabe que ele merecia a paz depois do que Bennett fez. Espero que tenha finalmente encontrado alguma medida disto. Três vivisseções? Tinham-lhe cortado vivo, órgãos e carne interna expostos numa ação da qual nenhum outro Casta tinha sobrevivido, pelo que se sabia? E ameaçaram fazer o mesmo com ela. Não havia nenhuma maneira que ele teria permitido que o fizessem. Por causa disso, o monstro escondido dentro dele havia subido como um demônio da morte para destruir qualquer um que ousasse ameaçá-la. Isso era o que Graeme estava escondendo, e porque tinha sido sua culpa. Aquela transfusão colocou seu sangue dentro dele, marcando-o com seu hormônio de


acasalamento, e por causa disso o Dr. Bennett teria estado fora de si de alegria pelo pensamento de experimentar num Casta vivo, acasalado. — Você trouxe as informações? — Os arquivos detalhando o que foi feito à Gideon, por que foi feito, e o nascimento do monstro que desencadearam. Esse foi seu preço, ela avisou, entretanto Cat teria dado ao General as informações para encontrar sua filha, independentemente. — Se eu soubesse que era você, Catarina, — ele sussurrou, — teria tentado dissuadi-la de pedir esse preço. De ver o que aconteceu para Graeme em vez de ser brevemente informada? Que diferença faria, agora que sabia que Graeme tinha tentado tudo para protegê-la disso. Todas as mentiras, seu silêncio deliberado, sua recusa em revelar que ela tinha pais, tudo foi sua forma de tentar protegê-la, assegurar que ninguém pudesse prejudicá-la. Os meios eram questionáveis, mas a intenção era pura. Esse momento de introspecção quebrou o que restava de seu coração. Recusou-se a confiar nele, embora soubesse, sabia nas profundezas de sua alma, que o homem que tinha conhecido quando criança não faria nada para machucá-la intencionalmente. — Graeme, o Casta que veio até nós alguns meses atrás, disse que sabia onde Honor estava sendo escondida. Mas que ainda tinha que descobrir sua identidade... — Olhos cinzas endurecidos fixaram-se nela. — Nós não ouvimos mais nada dele depois, no entanto. Não lhe dissemos que já estávamos em contato com alguém que estava nos dando relatórios sobre Honor. — Gratidão brilhou em seus olhos. — Por isso, obrigado. Viver sem ela... — A umidade brilhava em seus olhos enquanto uma lágrima deslizava pela face de sua esposa. — Tantos anos perdidos. Ele entregou-lhe o chip de memória flash. As informações que esperava eram dela agora, e para quê? Para saber o quão longe Gideon havia ido para garantir sua segurança? Cat, por sua vez, entregou a pasta de couro que protegia os papéis, fotos e vários chips de memória flash que fizera da vida de Honor ao longo dos anos. —Honor é feliz? — Annette sussurrou então, um fio de medo, que sua filha poderia não precisar dela em sua vida agora, escondido na esperança. — Honor está com um Casta que a ama mais que sua própria vida, — Cat lhe disse, suavemente. — Mas ainda sente falta de uma mãe para confiar e de um pai para se apoiar. O casal que a reivindicou como filha são pessoas maravilhosas, mas ela nunca se tornou íntima deles. — Honor nunca acordara como Cat fez. Pelo menos, se o fez, nunca deixou ninguém, especialmente Cat, saber. — Tomem as informações que precisam com


Jonas Wyatt, que está nos escritórios da Agência de Negócios Castas em Windows Rock. Certifique-se de que o diretor do escritório, Rule Breaker, esteja presente durante sua reunião. Confronte-os, exijam vê-la, e Rule irá se certificar de que isto aconteça. Caso contrário, Jonas fará com que o Casta por quem ela está apaixonada mova-se daqui. — Honor está em perigo? — O General perguntou. — Para o momento, — Cat afirmou, ainda tentando segurar suas emoções destroçadas. — Deixá-la ver seus pais não afetará a situação, no entanto. Isso pode até mesmo ajudá-la. — Catarina. — Annette sentou-se para a frente enquanto Cat agarrava a porta para sair do Dragão. — Seja qual for a dor que assombra seus olhos, pode ser aliviada pelo amor de uma mãe. Vá para seus pais, por favor. Porque não sei se posso ver sua mãe em dor mais um ano e não revelar a verdade. E confie em mim, quando eu fizer isso, seu pai virá feito uma bala. Kenneth irá arrasar através das forças Castas com cada favor que acumulou durante sua vida e a de seu pai, e só Deus sabe a destruição que poderá causar para encontrar você, — A Agência não sabia sobre mim. Eles não me esconderam, nem sabiam onde eu estava escondida. Se o tivessem feito, eu teria morrido há muito tempo. Confie em mim, Sra. Roberts, os que me esconderam, ninguém pode encontrá-los a menos que queiram ser encontrados. — Não vai mudar nada, minha querida, — o General a advertiu gentilmente. — Kenneth não permitirá isto. Uma vez que ele saiba que está viva, vai despedaçar o mundo para achá-la. Cat olhou pela janela, observando como Keenan e seus Castas alados estavam em modo de proteção em torno do Dragão. Seu mundo não era lugar para os pais que amaram sua filha. — Não sou mais a criança que eles perderam, — sussurrou, recusando-se a olhá-los novamente. — Eles estão em melhor situação não sabendo a verdade. — Cat... — O que quer que o General tinha estado a ponto de dizer foi cortado por um rugido vicioso, em nada parecido com algo em sã consciência, cortando a noite e fazendo os Castas alados agarrarem suas armas. — Vá. — Empurrando a porta aberta e mergulhando para fora, gritou a ordem para o motorista. — Fora daqui rápido. O Casta alado pulou no banco do motorista e já estava acelerando antes de Cat terminar a ordem. — Vamos voar, — pediu, correndo para Keenan. A Águia olhou para ela em contemplação silenciosa enquanto balançava a cabeça.


— É melhor enfrentar a besta aqui do que tê-lo nos acompanhando. — Ele suspirou. — Espero que ainda tenha algumas penas presas quando isto estiver terminado. — Não! — Ela agarrou seu braço, de repente aterrorizada quando o rugido soou novamente, desta vez muito mais perto. — Eu lidarei com ele. Vamos. — Voe, bastardo! — Enfurecida, gutural, a demanda veio com uma sombra delimitada na escuridão, agachada, raiva enlouquecida brilhando nos olhos de ouro martelado. — Enquanto você tiver penas para fazer isso. Cat virou a cara ao redor.... Não estava nem mesmo certa de quem ele era. Seja quem for que Graeme se tornou, não era Gideon, e não era o rosto que usava antes que o mundo o conhecesse agora. Parecia mais alto, mais largo, tão poderoso que era assustador. — Você está louco, maldição? — Ela seria condenada se o deixasse intimidá-la ou prejudicar um dos poucos amigos verdadeiros que tinha. O sorriso que lhe deu era assustador, os incisivos brilhando com desafio estavam mais afiados, mais longos que antes. O olhar que o acompanhava era de tal satisfação masculina que fez suas garras emergirem e flexionarem em advertência. — Sim, imagino que estou. — O som de perigo em seu grunhido enviou um calafrio abaixo de sua espinha. — Agora, fique de lado para que eu possa convencer os seus amigos disso. Seus olhos se estreitaram. — Sim, eles são amigos, e você não vai tocar neles. Seu rugido quebrou a noite novamente. A única razão pela qual não vacilou foi porque estava muito chocada com isto. Chocada e bem consciente do perigo cercando os Castas alados agora. Se Keenan permanecesse e lutasse como pretendia, então, poderiam todos morrer. — Eles pegaram você. — Este rugido, e não existia nenhuma outra palavra para isto, era cheio de furiosa afronta. — Eles pediram por isso. Podem lidar com o retorno agora. — E o que pediram, exatamente? — Retrucou em tom cáustico. Estava malditamente assustada de morte por Keenan e seus homens, mas não por si própria. O que Graeme se tornou era aterrador no puro poder e força primordial que mostrava. Mas não era uma ameaça para ela. Infelizmente para ele, o mesmo não se poderia dizer dela. — Eles pegaram o que era meu. — Ele andou para a frente, o olhar fixo em Keenan. — Vamos, homem-pássaro. Saia detrás da menina bonita. — Não sou eu o louco, — Keenan calmamente declarou. — Nem me importo nada em deixar que Cat fique entre nós. Eu gosto das minhas penas.


Graeme zombou ao responder. — Covarde. — “São” é a palavra mais correta, acredito. — Você devia ter usado essa sanidade e recusado a ela voar para longe de mim, então. — O grunhido era misturado com tal riqueza de frustração que não podia ser perdido. Enquanto Cat permanecesse entre eles, Graeme não atacaria. Pelo menos não enquanto ela não estivesse em perigo. E teria que se acalmar eventualmente, não é? — Devo a ela, Bengala, — Keenan declarou então, seu tom verdadeiro. — Mais do que devo a você. E, como sabe, minha dívida para você é grande. Keenan devia a ela? Foi a primeira vez que já tinha visto Keenan em uma mentira deslavada. Achava que ele não soubesse como fazer isso. Não lhe devia uma coisa maldita. Numa noite ele veio para fora da escuridão enquanto caçava e havia lhe avisado que dois Coiotes do Conselho estavam se movendo furtivamente na direção dela. Então, desapareceu da mesma maneira, tão depressa que mal percebera. Ela lhe devia. Mas o que ele devia para Graeme? — Retribuição está em seu futuro, — Graeme estalou e embora a raiva ainda pulsasse em torno dele, não parecia mais tão intensa. — Conte com isto. — Isto é quando você conseguirá sua briga. — Keenan suspirou fortemente. — Não existe nenhuma retribuição. Ela estaria fazendo perguntas, Cat decidiu, porque não tinha nenhuma ideia sobre o que diabos estavam conversando. — Graeme... — De repente, ele estava na sua frente, suas costas viradas para ela, rugindo fora em desafio enquanto sentia que Keenan e seus homens se moviam para protegê-la entre eles, prontos para a batalha. Das sombras, quatro figuras emergiram. Altos, vestidos nos couros dos guerreiros, tão silenciosos quanto a morte, moveram-se na direção deles. O Desconhecido. — Não. Vocês não vão tê-la, — Graeme advertiu, o som monstruoso de sua voz aterrorizando uma vez mais. Seus olhares centrados nela, encontrando-a quando olhou por cima do ombro de Graeme. Rostos pintados, olhos brilhando mais escuros que a noite, avançaram lentamente e até a brisa parecia mover-se com eles. Eles eram


a Terra, a escuridão, os segredos da terra e os protetores de todos os seus segredos. Cat sentiu um soluço lutando para escapar de sua garganta enquanto pontinhos elétricos de energia começaram a chicotear através de seu corpo. — Gideon! — Ela gritou com medo quando ele virou-se de costas e os Castas alados recuavam lentamente, para longe deles, não mais defendendo, mas atendendo a brisa súbita empurrando para eles. —Não... — Ele rosnou, pegando-a enquanto Cat sentia a força deixar seu corpo. Podia sentir-se sendo dilacerada de dentro para fora. Seu coração lutou para vencer, mas conseguiu sentir sua desaceleração. O sangue martelava em sua cabeça, tentando forçar suas veias, mas desacelerou. O terror enviou adrenalina circulando em sua corrente sanguínea, no entanto, teve pouco efeito. O despertar. A profecia disse que viria com a morte. Com sua morte. Cat olhou nos olhos de seu companheiro. Gideon, Graeme, qualquer rosto que ele mostrasse ao mundo, ele era dela. Sua única intenção, durante o tempo que conseguia se lembrar, tinha sido sua proteção. Nada, ninguém mais tinha se importado com ela assim. E ela, que sempre havia ansiado por um lugar para pertencer, percebeu enquanto o olhava,que nunca havia precisado lutar por isso. Sempre pertenceu à ele, porque ela sempre foi sua vida. — Eu não sabia, — ofegou, tentando segurá-lo enquanto o grito raivoso de um animal parecia ecoar em torno dela... — Não havia entendido... Oh Deus, ela não podia respirar. — Eu amo você, — ela sussurrou, ofegando, sentindo seu espírito sendo arrancado de sua ancoragem. — Abrace-me, G. Segure-me... A escuridão a envolveu. Não. Ainda não. Precisava dele mais uma vez, por mais um tempo. Precisava dizer-lhe que sentia muito por ter demorado tanto para entender. Precisava chutar seu traseiro por não ter lhe contado muitas coisas. Precisava amá-lo. Não queria deixá-lo. Mas estava sendo levada. Podia sentir isto, sentir todo o peso vindo sobre si, sugando sua vida e roubando-a de tudo que ela já tinha conhecido... Roubando-a do sonho de segurar o homem que sempre soube que lhe pertencia. Coração e alma. Seu G.


CAPÍTULO VINTE E DOIS Graeme ficou olhando a paisagem iluminada pelo sol da sacada do quarto, mal percebendo o calor do dia mais que a presença dos que estavam com ele. Jonas Wyatt, Rule Breaker e seu irmão Law Justice. Lobo Reever e três de seus alfas, Wolf e a garota, Cassie Sinclair. Porque diabos Claire foi até ali nem sequer questionou. Ela estava ali, olhando-o com tristeza quando voltou para casa, com o rosto pálido, com as lágrimas nos olhos enquanto se movia junto dela até o quarto. O quarto de Cat. O cheiro dela o enchia, o rodeava. Durante horas ficou sentado na cama, deixando que seu cheiro se filtrasse nele, lembrando-o de quando a teve em seus braços. Ela cheirava a verão nas montanhas, muito por cima do caos do mundo. Esta inocência e verdade que um homem apenas encontrava quando enfrentava a Terra como deveria ser. Natural. Livre de artifício. Esta era sua Cat. Eles a tomaram dele e estava indefeso... ele que comandava uma criatura diferente de tudo que já se ouviu falar, um instinto de base primitiva que cobrava vida para proteger sua companheira e ele esteve indefeso. E eles a levaram. No momento que ela fechou os olhos, colocou-o em liberdade e não conseguiu encontrá-la. Não tinha mais porque lutar. O monstro retrocedeu, silencioso e esperando. Oh, estava esperando. Sua companheira foi tomada e o monstro queria vingança. Graeme iria encontrá-los, ele procuraria atrás de cada rocha, cada pó do deserto e ele os encontraria, tão logo pudesse aceitar que tiraram Cat sem vida de seus braços. Sem vida. Sentiu seu espírito ser arrancado de seu corpo, arrancado dele. Ficou olhando-a até que se sentiu sozinho. Inclusive os Castas alados desapareceram na noite e ele ficou de joelhos na terra, olhando para baixo onde Cat estava, sem poder acreditar no que via. —Não tínhamos ideia de que Keenan e seu povo estavam na área. — Declarou Jonas, sua voz baixa enquanto permanecia de pé na sacada. — Não havia sequer um sussurro de que estavam aqui. —Há rumores que estavam se escondendo na América do Sul depois de ouvir que as fêmeas aladas sobreviveram. — Rule interveio. —


Enviamos uma mensagem para eles, oferecendo ajuda, mas nunca veio nenhuma resposta. Ele teria os ajudado, pensou Graeme. Ele os teria ajudado. A tecnologia que possuíam, invisível aos sentidos, inclusive de Castas, foi ele quem deu a eles. A armadura de sua roupa de couro, foi ele quem lhes deu, tal como criou a terapia que fortalecia os músculos de suas asas e lhes permitia mais força ao corpo e ainda voarem. Ele os ajudou, no entanto, a levaram dele e permitiram que sua vida fosse roubada. Sua companheira. Sua companheira foi tomada de seus braços e ele não foi capaz de fazer uma maldita coisa para impedir. Encontraria cada um deles, estes bastardos alados e mataria Keenan. Os outros ficariam para depois. Ele faria cada bastardo gritar antes de morrer. Logo, um por um, ele derrubaria o Desconhecido e seus lideres, os seis chefes. Os guerreiros espirituais navajos não faziam nada sem que os chefes soubessem. E começaria com Orrin Martinez. Velho, fraco, ele não duraria muito tempo, mas Gideon mostrava como ficava um Casta quando sua companheira era tomada. —Graeme... —Sou Gideon. — Afirmou suavemente em resposta quando Jonas falou. — Sou vingança. Ouviu o leve suspiro de Jonas. —Nossos guardas estão procurando Orrin Martinez. — Disse Rule. — Nem ele e nem os outros chefes foram encontrados ainda, mas serão. Começaria com Lincoln Martinez, Graeme decidiu. Quando chegasse ao Desconhecido, iria por Lincoln primeiro. O irmão de Claire esteve ali. Ele foi quem tirou Cat de seus braços, olhando para Graeme com pesar. —Vou trazê-la de volta. — Lincoln sussurrou. — Uma vez completado o processo, vou levá-la para você. —Por favor... — Implorou, incapaz de impedir o guerreiro de levá-la. — Não... Ainda assim, Lincoln a levou. Tirou-a de seus braços e foi embora sem olhar para trás. Sangue. Ele derramaria sangue por isto. A sede de sangue estava aumentando dentro de sua sanidade, o monstro, astuto e brutal, pensando no melhor curso de ação. Tão logo Graeme pudesse se reerguer. —Jonas, quero que entenda agora que vou lutar se tentar usar a Lei dos Castas para prendê-lo. — Afirmou Lobo de onde estava ao lado de Graeme. — Nosso acordo me dá total autonomia dentro das minhas terras. Não tente.


—Reever, se eu o quisesse, eu o teria levado quando ele e Rule estavam cuidando dos problemas que Rule causou. Não me insulte. Eu posso tomar represálias de maneiras que nem sequer quer experimentar. Graeme sabia que Jonas era consciente de quem era, apenas não tinha provas para demonstrar. —Então porque demônios fingiu caçá-lo? — Lobo perguntou. — A busca que fizemos por ele fez cada soldado, Castas e cientistas do Conselho de Genética se movimentar. E este era exatamente o ponto. —Este era nosso plano. — Disse Graeme ausente. — Nos reunimos depois da última dose de Âmbar. Não podia permitir que Rachel se atormentasse com perguntas sobre as mudanças de sua filha e Cat teria ficado irritada comigo se descobrisse que chorava por sua filha. Antes disso, nos comunicamos algumas vezes, apesar do Casta rara vez atender meus pedidos e cooperar. No entanto, a intensidade da busca nunca foi percebida assim. Arriscou-se e sabia que o tinha feito. Mas as lágrimas da mãe da menina o lembrou muito do choro que a mãe Cat derramou quando perdeu sua filha, Catarina. Sua Cat. Helena acreditava que Cat morreu em seus braços três dias depois que descobriram a anomalia genética com a qual nasceu. E ainda chorava por ela. —Filho da puta, vocês dois deveriam ser gêmeos. — Rule amaldiçoou com incredulidade. —Um dia destes, Jonas, seus jogos vão fazer com que te matem. —Aprenda com isto. — Jonas não soava como se pensasse assim. — Se quiser tomar meu lugar em algum momento, então é melhor que aprenda como fazê-lo. Sim, Jonas estava preparando Rule e vários outros. Ele era um jogador natural e estava tentando levá-los lentamente para seu mundo. Muito lentamente, Graeme refletiu. Planejou ajudar o Diretor a ensinar seus Diretores escolhidos a manipularem o mundo que os rodeava para que a informação aparecesse. Seria muito fácil para eles uma vez que passassem pelas opiniões sobre as maquinações de Jonas. Isto não aconteceria agora. Simplesmente não tinha vontade continuar. Estava morto por dentro. Esta era a razão pela qual não estava vagando pelo deserto neste momento em busca de vingança. Porque o monstro se retirou em silêncio. Não haveria vingança porque não havia vontade de lutar. Sua Cat se foi.


—Qual o ponto de todo este engano, Jonas? — Perguntou Lawe então. — Uma suposta busca por um Casta com o qual estava conspirando? Mas não foi Jonas quem respondeu. —As linhas de comunicação entre espiões. — Lobo respondeu por ele. — Distrair o inimigo com a procura do que pensavam que Jonas estava desesperado para encontrar, enquanto ele deslizava sob o radar e adquiria informação por si mesmo. Identificando os traidores e velhacos e os que ele podia confiar para que pudesse fortalecer os laços entre as comunidades Castas, a política e as infra-estruturas. Em poucas palavras. —Se vamos sobreviver, temos que olhar além do desagrado das manipulações e jogos para assegurar que tenhamos laços fortes e que os Castas não possam ser destruídos com facilidade. — Jonas concordou. — Agora mesmo, nossa posição é tênue como o inferno. O mundo poderia se virar contra nós tão facilmente como nos respaldou. A menos que queiramos ser caçados, então não temos mais remédio que ser mais inteligentes, mais astutos e enganosos que os que acreditam que nos criaram. E as opções são limitadas. Para sobreviver, estes Castas que viam o futuro com mais clareza, apenas tinham que tomar decisões mais difíceis. Graeme uma vez foi um deles. Não podia mais. Sem Cat, não havia nada pelo qual lutar. Havia uns quanto cabos soltos ainda, uma ligação a fazer para Benjamin Foster, para dizer adeus. O homem que considerou um pai lamentaria, mas não tinha nenhum remorso por isto. A informação que acumulou desde que era criança, Graeme teria que reunir e se assegurar que fosse para alguém adequado. Alguém que pudesse usá-la sabiamente. Jonas era a reposta obvia, mas Graeme escolheu outro cuja força e capacidade de ver além dos jogos serviriam os Castas muito mais quanto ao conhecimento se referia. —Graeme? — Judd entrou na sacada. Não, não era mais Judd. Era Cullen. Graeme não esperava que seu irmão aparecesse. A necessidade de manter em segredo sua identidade era muito mais importante. —Não deveria estar aqui. — Graeme suspirou, passando a mão pelo rosto, surpreso ao sentir a umidade ali. Não havia maneira de esconder quem era, enquanto estava de pé ao lado de Graeme. Eram gêmeos, nascidos da mesma mãe, divididos no mesmo óvulo, idênticos em quase todos os sentidos.


—Onde poderia estar? — Perguntou Cullen com a voz cansada. — Meus homens estão percorrendo o deserto. —Como um dos Desconhecidos, deveria saber onde estão. — Rule disse, o conhecimento já não era um segredo. — Onde estão, Cullen? — Não sou um verdadeiro membro do Desconhecido. — Cullen informou o Casta, sua voz tensa. — Sou um membro do círculo mais próximo, chamado Desconhecido, mas não conheço seus segredos, Rule. Especialmente este. Se soubesse, teria matado cada um deles para impedilos. —Chega. — Graeme virou o olhar para o deserto mais uma vez. — Já não importa. Poucas coisas importavam. Fazer ligações. Recopilar a informação e assegurar que Cullen tivesse tudo em seu lugar para se manter adequadamente. Logo iria à deriva... Algo suave caiu em seu colo. Olhando para baixo, viu o urso de pelúcia marrom esfarrapado que pediu para Khi pegar. O ursinho de Cat. Guardava-o em seu escritório de trabalho. Tantas noites esta peça de apenas um olho manteve sua loucura longe. —Adorava este maldito urso de pelúcia. — Sussurrou enquanto o levantava e tocava uma orelha rasgada. — Abraçava-o como se fosse um bebê quando pequena. Ainda tinha o rastro de sangue de quando matou o guarda por tomar dela. Tinha que morrer pela transgressão, mas era muito importante para ser morto. Para Brandenmore ele era toda a chave para a pesquisa que fazia. O filho da puta nunca soube o quanto Graeme tinha de conhecimento. Deixou Brandenmore morrer de forma horrível pelas incontáveis vidas que o bastardo tomou desnecessariamente. —Não deveria ter levado dela. — Ele suspirou, olhando para Cullen. —Deveria ter encontrado outra forma de conseguir os dados quando fugi. Não havia como fazê-lo, no entanto. Planejou durante anos e não foi capaz de encontrar outra maneira que tirá-lo de Cat. E Deus sabia que tentou. Tentou desesperadamente. —Se foi. — Disse em voz baixa, movendo a cabeça enquanto se levantava da cadeira com cansaço. — Vão embora. — Ordenou a todos eles. — Apenas saiam, merda. Precisava de silêncio. Tinha que ficar na cama que compartilharam e envolver-se em sua essência por apenas um momento e esquecer que ele falhou. Esquecer como falhou com ela. —Graeme, Cat não queria isto para você. — Sussurrou Khi, sua voz estrangulada, os olhos cheios de lágrimas. — Ela te amava. Não iria querer que renunciasse.


—Ela não está aqui para tomar a decisão. — Grunhiu. — Se foi, Khi. Eles a levaram. Ela não pode dar sua opinião. —Pelo menos não antes dela chutar seu traseiro. Graeme deu a volta, olhando para a porta do quarto, com certeza não ouviu bem. Não podia ser ela. Estava de pé no meio do quarto, vestida como na noite anterior com sua roupa negra. Estava cheia de pó, com um pouco de barro e cheiro de terra envolta em segredos enfumaçados. Podia cheirá-la como nunca antes. O cheiro do calor de acasalamento era um caminho de pólvora ardendo ao seu redor, chamando-o, fundindo a luxuria com a fome, fazendo-o grunhir diante da força dela. A terra marcava seu rosto, seu cabelo estava bagunçado, com a trança desfeita e caindo ao redor de seu rosto e pelo pescoço. Uma mão estava apoiada no quadril enquanto o olhava com os olhos estreitos, mas apesar de sua valentia e desafio, o cheiro de sua luxuria e emoções turbulentas, podia sentir seu cansaço também. —Já era hora. Vamos, todo mundo, vamos dar-lhes um pouco de paz. — Cassie passou junto dele, com um suave empurrão e entrou no quarto sorrindo para Cat. — Não sabia se iria derramar o sangue de alguém ou colocar uma bala na cabeça. Afortunadamente, não tinha a intenção de fazer nenhum, assim que pensei que estávamos a salvo esperando que voltasse. —Você sabia que não estava morta? — Jonas soou indignado e Graeme tinha certeza que ficaria também, mais para frente. —Saber é uma palavra muito forte. — Cassie disse a todos. — Ela parecia morta, assim esperei. Compaixão misturada com diversão foi sentida enquanto saía do quarto, seguida pelos outros, suas expressões surpresas e os olhos em Cat a maior parte do tempo possível. —Teve sorte, irmão. — Cullen parou ao seu lado, sua mão pressionando as costas de Graeme momentaneamente. — Não foda tudo. A dor na voz de seu irmão era sutil, lembrando a Graeme que Cullen perdeu sua esposa vários anos atrás. A porta se fechou quando seu irmão saiu um segundo mais tarde, deixando Graeme se assegurar que sua companheira estava realmente ali. —Cat? — Sussurrou, dando um passo mais perto, apertando sua garganta, a emoção inundando-o. — Bebê? Está realmente aqui? Ela percorreu os últimos passos até ele, sua mão tocando seu rosto, sua expressão suavizando com o cheiro do amor... era amor, ao redor dele, envolvendo-o.


—Eu te amo, G. — As lágrimas caíram de seus olhos. —Vou chutar seu traseiro, realmente vou. Mas quero que saiba que eu te amo muito. E que sinto muito. — Um soluço se prendeu em sua voz. — Sinto tanto. Cheirava o amor. Indescritível, puro e invencível. Amor. Duvidou de seu amor quando ela falou dele, mas nas muitas vezes desde que a sentiu morrer em seus braços, percebeu plenamente que o que sentia era amor, mas muito mais também. —Sente muito? — Sussurrou, tocando-a para acreditar que estava ali, para demonstrar a si mesmo que não era uma alucinação enlouquecida e provocada por seu desespero para abraçá-la, tocá-la uma vez mais. — Porque sente muito, Cat? —Por não entender. — Sussurrou ela, olhando-o com os olhos cheios de lágrimas. — Por não entender sua necessidade de me proteger, sem importar o custo para você. Ele negou com a cabeça, com a mão tocando seu rosto úmido, apenas para perceber que sua mão tremia, seus dedos tremiam tão desesperadamente que não podia contê-los. E tinha que tocá-la. Seus lábios entreabertos, para ele, suaves como seda e muito tentadores. — Conversaremos mais tarde. —Mais tarde. Tinha que beijá-la, tinha que segurá-la, mostrar seu amor por ela. — Conversaremos depois. Rapidamente abaixou a cabeça e seus lábios cobriram os dela, sua língua inchada passando para o interior. O sabor de mel, doce, inocente e cheio de vida de seu beijo. O sabor explodiu através de seus sentidos, através de sua alma. O hormônio do acasalamento, uma vez presente em seu sistema explodiu contra suas papilas gustativas e enchia seus sentidos agora com chispas brilhantes, consumindo a chama ardente através de seu corpo. Ela estava viva, ali em seus braços, seu coração, a alma de quem e o que era e nada mais importava. Estava viva. O prazer era mais forte, mais quente. O sabor picante de seu beijo fundiu-se em seus sentidos com tal poder que não podia conseguir o suficiente, não podia saciar a grande necessidade de seu gosto. Sua língua esfregava contra a dela e ela brincava, fechando os lábios sobre ela e sugando a potencia das glândulas sob sua língua. Então ele se afastou, tentando que a língua dela o seguisse para ele fazer o mesmo. O duelo se converteu numa dança apaixonada de dar e receber, já que rasgaram as roupas do corpo um do outro, decididos a se tocarem. Cordões foram arrancados, o couro chutado de lado. Afiadas garras rasgaram a calça preta ajustada a sua forma quando as garras de Cat romperam seu zíper antes de deslizar o tecido por suas pernas, permitindo


que a chutasse. As camisas não eram mais que tiras que cobriam o chão, de nenhuma maneira semelhante ao que era antes. Nus, os corpos ardentes, a adrenalina misturada com os hormônios do acasalamento era muito poderosa agora para negar o vinculo escondido pelas forças de seu controle durante tanto tempo, uma fome que ignorava qualquer ternura ou pensamento de preliminares. Segurando seu traseiro com os dedos com garras, Graeme a levantou até ele, sentindo suas coxas se envolverem em seu quadril, seus sucos se derramando sobre a cabeça de seu pênis enquanto empurrava entre as dobras sedosas de sua vagina. —G, oh Deus, é tão bom. — Ela gritou, as garras furando a pele dura de seus ombros enquanto seus lábios se enterravam em seu pescoço e empurrava novamente, com mais força, aprofundando o êxtase que fazia eco através de seus sentidos com cada penetração. Cada empurrão selvagem o enterrava mais fundo, separando a carne que o segurava de forma feroz e com determinação, agarrando-se a cada polegada e forçando seu caminho dentro dela. A resposta da Casta feminina instintiva ao seu companheiro assegurou que macho lutasse pela posse, enquanto a dor do êxtase de cada empurrão intensificava o prazer, assim como o de sua companheira. A posse selvagem poderia impactá-los mais adiante, mas agora, cada um lutava por supremacia, a genética Casta alimentando a batalha sensual, sexual e se assegurando que o acasalamento fosse até o fundo de suas almas. Nada seria digno sem uma luta de forças opostas e o instinto primitivo era uma parte do acasalamento de um Casta e se convertia em uma aventura, tanto sensual como na união em si. Um grunhido saiu do peito de Graeme enquanto lutava com cada empurrão, os músculos interiores dela segurando sua ereção, o calor ardente se derramando desde o mais profundo de sua vagina e a desesperada necessidade de estar com ele fazendo-a apertar mais. O prazer era indescritível. Uma chicotada de prazer-dor a cada movimento que arrastava um grito por sua garganta e a fazia derramar mais sucos e apenas intensificava a dor. —Minha. — Seu grunhido foi a única advertência que teve antes dela o sentir sair, levantá-la, colocá-la de joelhos na cama e montá-la com força dominante. Empurrando seus ombros para a cama com uma mão enquanto segurava seu quadril no lugar com a outra a penetrou por trás, empurrando mais fundo a cada movimento até se enterrar até a empunhadura e com os movimentos furiosos impediu que seus músculos internos o agarrassem plenamente.


Abrindo mais suas coxas com os joelhos, Graeme ficou sobre ela, os dentes travados na carne entre o pescoço e o ombro, mordendo com força o suficiente para enviar sensações de fogo desde onde estavam seus dentes até todos seus sentidos, inclusive onde seu pau entrava em seu corpo. A mistura de prazer e dor percorreu seu corpo e a deixou tensa, realçando seus sentidos. Ela estava desesperada por mais, mais forte, mais profundo, ficou cega com as emoções quando neste ponto suas almas se fundiram numa explosão de êxtase puro. A sensação de sua ereção empurrando selvagem dentro dela, enterrando-se a cada golpe, queimando as terminações nervosas sensíveis a cada toque apenas alimentava o incêndio dentro dela, a empurrava mais alto, mais rápido. Ela estava voando no prazer selvagem, grunhidos femininos coincidiam com os grunhidos masculinos de extremo prazer vibrando contra suas costas até que suas garras destroçaram os lençóis sob ela, seus quadris se movendo sob ele. Uma onda de emoções irrompeu pelo corpo dela, pulsando através de seu clitóris inchado fazendo-a apertálo a cada intrusão. Ondulou por sua mente, explodiu seus sentidos e detonou as profundidades do centro de seu corpo com uma potência de êxtase tão poderoso e selvagem que se sentiu sendo jogada no calor ardente da liberação. Imediatamente seus músculos seguraram sua ereção dentro dela, ondulando sobre ela, sugando-a quando ele ficou rígido atrás dela e explodiu com um grunhido, com um interminável e intenso prazer masculino. Neste segundo, seus sentidos se chocaram mais uma vez, abrindo-se a tudo, uma parte de um dentro do outro, intensificando cada onda crescente de sensação até que ficaram presos dentro de suas almas. A lingueta em seu pau ficou ereta, estendendo-se dentro dela, se cravando justo debaixo do clitóris. A pressão da extensão pulsante derramando sua liberação explodiu no feixe de nervos inchado, enviando uma nova onda violenta de prazer, estremecendo seu corpo quando os instintos animais aumentaram mais no homem atrás dela, prendendo-os dentro da alma um do outro durante um tempo eterno. Sentiu o amor incondicional um pelo outro, a ferocidade da necessidade um pelo outro, sua proteção, sua luta ao seu lado. Sentiu a aceitação das forças, das fraquezas e soube que enfrentariam as batalhas juntos. Cada um deles sentia o laço do amor eterno aceso pelo calor do acasalamento que alimentava o prazer, assim como as resposta primitivas que o causava. Nos segundos ofuscantes da liberação, eram tanto uma parte de um como do outro, sem cobrir cada faceta de quem e o que eram, assim como


a visão que cada um tinha do outro. A beleza do mundo que encontraram nestes segundos preciosos dentro da alma do outro borrou todo o passado, a dor, os segredos e os medos. Se a morte viesse no dia seguinte, um não iria sem o outro. Não haveria existência sem a oportunidade de encontrar tal maravilha novamente. Não existiria sem o amor, a vivência e a paz que encontravam um no outro. Com um último impulso forte e brutal de prazer a fez estremecer e depois caíram na cama, o esgotamento inundando-os e puxando-os a um sono profundo, tão cheio de cura e conforto que as cicatrizes do passado, os pesadelos e os temores lentamente começaram a ceder. Enquanto dormia, o monstro que despertou anos antes para proteger sua companheira vigiava. Sempre vigilante, sempre em busca de inimigos, astuto e muito primitivo para existir sozinho, assegurando sempre a sobrevivência de sua companheira. A criança podia não saber o que era quando Brandenmore lhe deu a menina, o animal pode não ter sentido, mas o instinto que criou o monstro sabia, tal como soube que a sobrevivência da menina dependia de assegurar todas as facetas do que era o Casta Gideon, endurecendo e mantendo o equilíbrio entre humano e animal. Fundiu-se em dois, fundiuse na selvageria de sua força primitiva e se assegurou que a bebê sobrevivesse, amadurecesse e se convertesse numa companheira forte o suficiente para acalmar a força volátil e a inteligência do Casta cuja alma iria possuir. O monstro sabia, tinha o conhecimento de existiam diferentes monstros também. Alguns dormiam, alguns esperavam, uns quantos lutavam, mas em tudo havia um propósito: a companheira que jurou proteger. CAPÍTULO VINTE E TRÊS Cat acordou lentamente, suas pálpebras se elevando quando virou a cabeça para olhar o companheiro dormindo ao lado dela. Dormia, mas no fundo, uma parte dele nunca dormia, ela sabia, intuiu antes com uma leve inquietação e o aceitava agora como gratidão. Qualquer que fosse a parte principal, ferozmente inteligente de Graeme que existia, não tinha certeza. Mas ela sabia sem dúvida que queria assegurar a sobrevivência de Graeme, assim como a sua própria. Enquanto Graeme dormia profundamente ao seu lado, esta parte dele ficava imensamente vigilante, concentrada nela no momento,


observando, esperando para ver sua resposta à consciência primitiva que agora sentia. Quando não fez nada além de permitir um leve sorriso no canto dos lábios ao reconhecer o que tinha certeza de que Graeme era consciente, quase podia sentir a mudança de foco para assegurar uma vez mais que não havia ameaças presentes. Talvez fosse o instinto que todas os Castas tinham até certo ponto. Esta percepção extra-sensorial que despertava quando o perigo se aproximava ou era advertido do perigo. O subconsciente, ainda que Graeme parecesse cômodo com isto. Fosse o que fosse, monstro como ele o chamava, o instinto que despertou como uma vingança num momento no qual pensava nela, não teria mantido Graeme vivo de outra maneira. Este pensamento a deixou séria e lembrou-se da noite passada e dos eventos que ainda eram muito vagos em sua mente, enquanto outras sensações e conhecimento estavam finalmente claros. Ela lutou, suportou a vida de outra mulher, sofreu com a necessidade insaciável pela liberdade, pela necessidade de ficar com este homem, o Casta ao qual sabia que pertencia. O único que sabia que era seu. Este momento de realização chegou ao mesmo tempo em que sentiu seu espírito ser arrancado de seu corpo, este apelo chamativo entre a vida e a morte. À deriva, por si só, consciente e, no entanto, desconectada, Cat viu sua vida, seu passado com tanto detalhes vividos. Inclusive sua memória fotográfica não podia processar a informação que sua alma armazenou e lançou neste momento cego. Os momentos de conexão com Graeme, estes segundos nos quais os sentidos animais que possuíam se reuniram e fundiram, bloqueando tudo o que viu em seu interior a fez amar ainda mais o Casta com todo seu ser. Ele não a marcou deliberadamente como sua companheira, marcoua com o DNA Bengala devido à força única e selvagem que o corpo e o espírito destas criaturas possuíam. O DNA que criou era superior à qualquer outro e melhor equipado para garantir sua vida. Ela viu o momento que Brandenmore a depositou nos braços de um Graeme garoto, sentiu o espírito da criatura conhecida como Gideon lutando pela liberdade, furioso com a prisão a qual teve que suportar. Não havia nada pelo que lutar, não havia possibilidade de escapar ou de vida dentro das jaulas que conheceu toda sua vida. Até que um bebê de quatro dias de idade foi colocado em seus braços. O animal dentro dele ficou quieto, os impulsos selvagens se aquietavam e astúcia pura o alcançou.


Brandenmore deu ao jovem inconscientemente a chave para destruí-lo. O animal dentro da criança o reconheceu como intrínseca à sua sobrevivência. Não havia nenhum pensamento de acasalamento, não havia impulsos sexuais, sabia que ela naquele momento estava muito indefesa, muito doente e fraca para lutar por si mesma. A natureza selvagem, o monstro dentro dele a fortaleceu para que sobrevivesse. Para o garoto viver, a menina precisava viver. A inteligência dele, muito mais avançada, que até mesmo seu criador adivinhou, se converteu em sigilosa, manipuladora e enganosa. A criatura que emergiu e chamou de monstro retrocedeu e permitiu que o humano e o animal se misturassem completamente dentro de seus sentidos e a inteligência que possuía apenas multiplicou, se amplificou. A criatura que o Dr. Foster previu agora superou seus sonhos, percebeu. A qualquer momento depois disto Gideon poderia ter escapado. Ele poderia ter deslizado do Centro de Pesquisa e desaparecido por completo, mas para fazê-lo, teria que deixar Cat para trás. Seu irmão era forte o suficiente para segui-lo, mas sua Cat não. E mais tarde, uma vez que Bennett chegou e sentiu a ameaça que o alfa Bengala poderia ser, se assegurou que não houvesse maneira de Gideon escapar sem a possibilidade de ser atingido por uma arma. Graeme se negou à oportunidade para não ter Cat em meio a um tiroteio. Uma vez que conseguiu fugir, ela e Judd o obrigaram a uma transfusão para salvá-lo, para assegurar uma sobrevivência que teria acontecido muito mais lentamente e provavelmente assegurando sua recaptura muito mais rápido, fazendo seus sentidos animais e humanos se amotinarem. O hormônio do acasalamento já estava em seu sistema, ainda que em Graeme estivesse adormecido. Uma vez que seu sangue entrou, ativou e o Dr. Foster o usou para apoderar-se de Graeme, pois o hormônio criava uma necessidade e desejos que Cat era muito jovem para lidar e Graeme muito honrado para tolerar. Isto o destruiu. Cheio de tais visões do que seu futuro poderia ser, ele arremeteu contra ela, com a intenção de que ela o odiasse, se afastasse dele e se assegurou que nunca o procurasse, nunca se aproximasse até que voltou para ela uma vez que chegou a uma idade na qual acreditava ter amadurecido e poderia lidar com ele. Ele queria que primeiro ela tivesse uma vida. Fosse livre. Esta necessidade por ela era clara, tanto que uma parte dele se perguntava como poderia não sentir antes que sua alma o reconheceu. Através dos anos, depois que escapou para o Novo México, acreditando que estava vivendo esta vida de liberdade, Graeme começou um jogo de tal astúcia magistral que a surpreendeu. Seus instintos


animais, o hormônio de acasalamento em seu sistema e o empurrão do animal para encontrar Cat quando ele ainda sentia que era muito jovem o distraia cada vez que os soldados do Conselho de Genética se aproximavam. A recaptura, o que sentiu e viu com o conhecimento que bloqueou destes momentos que era parte dele, lhe mostrou o Casta que se negou a ver. Ele suportou a morte, três vezes. Sobreviver à crueldade de Bennett seria impossível se o monstro em seu interior não o houvesse empurrado adiante com uma força sobre-humana. Esta vontade de viver, sobreviver e garantir sua segurança e a sobrevivência foi tudo que o salvou. E teria permanecido contido até que o cientista ordenou uma nova busca da mulher que possuía influências hormonais que acreditava ser a chave para a capacidade de Gideon sobreviver a cada uma das torturas que viveu. Neste momento, Gideon deixou de existir. O monstro disparou adiante, enchendo-o com a força, a capacidade de curar, caçar e matar, diferente de todo homem ou animal que conheceu. Sua vida depois deste momento era confusa, inclusive para ele. Anos de inteligência astuta e cálculo instintivo era tudo que se lembrava. A força que o monstro tinha sobre ele foi brutalmente decisiva para chegar ao objetivo final. Garantir a segurança de Cat. Colecionou dívidas para que Gideon pudesse ganhar dinheiro eventualmente com elas. Tanto de Castas como humanos. Colocou sua marca no mundo e assegurou que ficassem devendo ao Bengala de maneiras que ele nunca se revelasse àqueles que poderiam ser um perigo. Anos de sangue, selvageria, o traçar e a execução das metas que alcançou anos até um futuro que sentiu que instintivamente evoluiria. Viveu, uma prisão em si mesmo de tal instinto primitivo que quem e o que era se borrou. Até que enviou um e-mail pedindo que fosse por ela. E chegou enquanto ela dormia. De joelhos na cama, as listras aparecendo, o âmbar neon selvagem de seus olhos se convertendo num verde, uma vez mais, as pupilas voltando, a parte branca dos olhos uma vez mais presentes. Apenas neste momento Gideon voltou. Treze anos de inferno que ambos suportaram para levá-los a este momento. No segundo que seus olhos se abriram, o animal que ele manteve enjaulado dentro dele apareceu enquanto dormia e olhava fixamente para ela, levantou os dedos em garras para tocar seu rosto, um ronronar saiu de seu peito. —Tenho medo, G. — Sussurrou ela, com voz trêmula e cheia de dor. Ainda não tinha percebido os temores que a perseguia até que os sentiu, os cheirou através de suas lembranças.


—Estou aqui, gatinha. — Sussurrou. — Seja forte por mim, apenas um pouco mais de tempo. Espere por mim. Porque ele sabia o que ela não teve. A ira do animal na presença de Claire e a incapacidade para fundir os sentidos humanos e animais por completo sem destruir o espírito que protegia a identidade de Cat. Sabia a batalha que acontecia dentro de seu espírito, uma inclusive que ela não detectou. —Espere por mim... — Sua mão se levantou para colocar a palma em seu rosto e logo em seus lábios quando a beijou. — Como esperei por você. —Depressa G. — Ordenou com uma expressão obstinada. —Estou cansada de esperar por você. Faça-o agora. Ele sorriu. — Vai ficar irritada comigo. —Isto nunca te impediu antes. Espere mais um pouco e vou desistir de você. Vou desistir G. Vou renunciar... — À medida que seus olhos se fechavam uma vez mais o monstro disparou adiante, âmbar enchendo seus olhos, um grunhido surdo saindo do peito. Estaria condenado caso se desse por vencido. Ela queria que ele se apressasse, ela exigiu que se apressasse, poderia aceitar as consequências mais tarde. Exceto que ela não as aceitou. Ela lutou, causou estragos nele, quase o odiou por não revelar verdades que temia fossem destruir o amor com lástima. Teria seu amor, ele teria a companheira que sentiu na noite que se ajoelhou junto de sua cama, ao reconhecer nela a Cat que sempre soube que estaria ali. Ela pertencia a ele, totalmente. Sua vida, seu coração, sua companheira. E uma vez mais, sua determinação de tê-lo em sua vida o distraiu de outros objetivos. Desta vez, construiu planos para garantir não apenas sua segurança futura, mas sua felicidade. Ela viu claramente como planejava trazer seus pais para sua vida de uma maneira que assegurasse que Cat não sofresse nada por parte deles. Queria esperar, para dizer que estes anos não se perderam dentro do monstro. Queria fazê-lo num momento em que ela estivesse segura de seu amor por ela, num momento em que a pena não influenciaria suas emoções. Queria que tudo fosse seguro para ela, sem importar o custo para si mesmo. —Às vezes, você vê demais. — Murmurou ao seu lado, com os olhos ainda fechados, mas com resignação em sua voz. — Deixe de pensar tanto, Cat, vai ficar com dor de cabeça. Então me dará uma dor de cabeça. Ela o olhou pensativa por um longo momento.


—Há quanto tempo é capaz de ler meus pensamentos, Graeme? — Perguntou em voz baixa, lembrando-se de chutar seu traseiro. Um olho se abriu, a olhou por um momento e com irritação masculina o fechou uma vez mais. —Não muito. — Ele finalmente suspirou. — A noite em que foi injetada com o soro de paralisia estava com tanta dor que foi fácil lê-la. A mente de um Castaa é muito mais difícil de detectar que a mente humana e mesmo com os humanos, alguns tem bloqueios incrivelmente fortes. —Mas está me lendo agora. — Apontou com suspeita. Ele grunhiu ante isto. — Não funciona assim, amor. A telepatia é mais uma impressão altamente desenvolvida. Posso sentir você muito mais fácil durante o acasalamento. Eu soube quando senti a fusão que iria ver, dentro e fora. E sempre sei quando está pensando demais. Minha cabeça se aperta em advertência. — A diversão em sua voz lhe valeu um olhar duro. —Isto não é agradável, Graeme. — Ela suspirou. — Eu tenho muita vontade de chutar seu traseiro por esconder as coisas de mim. Agora não posso, porque tinha razão, lançar alguma destas informações teria sido demais considerando tudo o que estava lidando. —Separar você de Orrin, Terran e suas primas foi a parte mais difícil. — Disse com pesar. — Você os ama e Claire os amava. Claire tirou força disso. Ela engoliu com força ante a menção de Claire. —Ela se foi. — Sussurrou então, sentindo seus braços a rodearem enquanto a puxava com mais força contra seu peito. — Se foi completamente. Sua mão acariciou o cabelo enquanto seus lábios pressionavam sua testa. — Sinto muito, amor. — Havia dor em sua voz. Cat se incorporou lentamente, sentindo-o segui-la, o poder fluindo para chegar a ela sem esforço. —O que aconteceu, Cat? — Perguntou finalmente enquanto seus braços a puxavam novamente, mantendo-a perto. — Eu a senti morrer. — A agonia da sensação enchia sua voz. — Eu senti. Como está aqui agora? Cat engoliu com força antes de se afastar o suficiente dele para olhálo. — Não sei. — E não sabia. Com o cenho franzido, ela lutou para se lembrar das vagas impressões quando acordou. —Senti meu espírito sair de meu corpo, mas não estava morta. — Ela balançou a cabeça com força. — Claire não queria ir, tinha certeza que não era o momento. Era como estar meio dormindo, não sabe se está


sonhando ou não, as palavras não penetravam, apenas a certeza depois de um tempo que tudo ficaria bem. Quando acordei, estava em uma casa de campo similar aquela onde se realizou o primeiro ritual quando tinha doze anos. Orrin e Terran estavam ali e Honor. — Seus olhos se abriram. — Honor estava ali e era simplesmente Honor. Liza não era uma parte sua mais. Quatro dos Desconhecidos nos ajudaram e nos levaram para outro cômodo, onde nos deram água e uma espécie de sopa que disseram que ajudaria a recuperar as forças. —Não acho que posso ver Orrin, Terran e Lincoln sem matá-los. — Advertiu suavemente. — O perdão irá demorar a chegar. —Orrin disse que se sentiria desta forma. — Ela assentiu com a cabeça, ainda lutando contra a nevoa que enchia estas lembranças. — Senti algo mais ali, Graeme. — Ela devolveu o olhar, este sentido de conhecimento tão forte que se sentiu frustrada com sua incapacidade para se lembrar. — Não sei o que era, mas algo mais estava ali. —Cat, fosse o que fosse, virão a você uma vez que seus sentidos voltarem. — Prometeu. — Passou muitos anos com os sentidos Casta presos de certa forma, incapazes de saírem totalmente e aprender a processar a informação corretamente, precisará de tempo para se fortalecer. Talvez tivesse razão. Aconchegando-se mais contra seu peito, com uma mão sobre seu coração, obrigou-se a deixar a incapacidade de se lembrar de lado. —Há tantas coisas sobre as quais quero falar e muito que quero fazer. — Disse então. — Os pais de Honor enfrentarão Jonas e Rule ainda hoje. Mas Honor estava desesperada para entrar em contato com Stygian e logo seus pais. — Conteve a pergunta sobre seus próprios pais, sem saber o que dizer. —Helena e Kenneth devem chegar a Window Rock na semana que vem. — Disse, segurando-a no lugar quando ela tentou se afastar para olhá-lo mais uma vez. O Dr. Foster está escondido, desde que deixou o Centro de Pesquisa, justo antes de Bennett chegar. Mas foi até os Graymore, seus pais, porque o conheciam de quando você nasceu e explicou o que aconteceu e porque precisou escondê-la. Estão ansiosos para vê-la e nunca a esqueceram. Seus pais. De repente ficou com medo de vê-los e que eles a rejeitassem na hora. —Devemos esperar... Seus braços se apertam ao redor dela. — Cat, eles te amam. Não verão nada além de beleza e luz quando a virem, porque você brilha com uma luz interior. Nunca duvide disto.


Ela duvidava, muito. Mas acreditava em Graeme. Ele arrumou a reunião e precisaria de mais que suas objeções para influenciá-lo agora. —Deixe que te amem, Cat. — Sussurrou então, virando-a para ele, olhando-a com olhos verdes selvagens e tal amor que esquentou imediatamente cada parte dela. — Ninguém pode te amar tanto como eu, nem pertencer a você como eu pertenço, mas pais são diferentes, até eu sei disto. É certo que nenhum homem ou companheiro pode dar à sua mulher o amor que deram quando nasceu. Conheça-os, ame-os. São boas pessoas, eu juro. As lágrimas encheram seus olhos. — Deveria ter confiado mais em você... Dois dedos pressionaram seus lábios com um sorriso malicioso. — Não diga. Eu a lembrarei disto no futuro, pode ter certeza. Confie em mim agora, Cat, não tem nada a temer de seus pais. Eu prometo. Se não acreditar em outra coisa, acredite nisto. —Acredito em você. — Sussurrou enquanto seus lábios deslizaram e ela deixou-os tocarem os seus. — Sempre acreditei em você, G. — Mesmo quando não admitiu para si mesma, ela sabia, sempre soube que acreditava nele, sempre o amou. Ele era seu G. Seu amor e sua vida. Com ele, tudo era possível... EPÍLOGO Teve que lembrar a si mesma muitas vezes que uma semana depois ela e Graeme voariam para Rock Window num jatinho, cortesia da Agência de Assuntos Castas. A segurança continuava sendo uma preocupação, assim como os jornalistas que estavam na audiência de Raymond e a noticia de que sua filha Claire Martinez morreu há anos e uma fêmea Casta deu sua identidade num ato desesperado para salvar a fêmea felina que fugia se filtrou. O chefe de Relações Públicas da Agência publicou a informação junto com os crimes de Raymond e suas muitas ameaças contra Cat ao longo dos anos sobre revelar sua identidade, que culminou em sua tentativa de torturá-la junto com uma dupla de Chacais do Conselho de Genética na noite que foi tomada sob custodia. As revelações provocaram uma tempestade de fogo coberta pelos meios de comunicação e a renovada consciência das atrocidades que continuavam sendo infringidas a estes Castas. O conhecimento reforçado da difícil situação dos Castas debilitou os argumentos dos grupos contra a liberdade dos Castas e seus direitos, com várias novas leis de proteção que


passaram rapidamente pelos legisladores desejosos de ganhar pontos políticos num movimento que parecia ser cada vez maior em favor de humanos mutantes, como eram chamados agora. O furor foi ignorado por Cat a favor do calor de acasalamento e a vontade de descobrir tanto como possível sobre os pais que estava a ponto de conhecer. Helena e Kenneth Graymore eram fortemente a favor da consciência e dos direitos dos Castas. Kenneth era CEO e acionista majoritário de uma empresa considerada um legado familiar de gerações de Graymore e não apenas um dos maiores apoiadores dos Castas, mas também um de seus melhores clientes. A reputação dos Castas para proporcionar seguranças confiáveis e leais era insuperável e altamente usado nas empresas Graymore. Helena Graymore estava na luta pelos direitos das crianças Castas e a recusa da Comunidade em receber estas crianças que eram libertadas dos laboratórios e etiquetadas como pesquisa. Ela recentemente levava sua luta pela Europa, onde os Castas tinham vistos negados e eram obrigados a se submeterem a “avaliações” periódicas que eram supostamente invasivas como as pesquisas realizadas antes de serem libertados dos laboratórios. Em anos anteriores, as crescentes tensões entre os EUA e seus aliados sobre as leis inquestionáveis de asilo para os Castas estavam crescendo lentamente e as historias das crueldades aumentavam constantemente as especulações. Helena Graymore foi acusada de proporcionar a tais Castas transporte seguro nos países europeus para que fossem secretamente para os EUA. Estas acusações foram negadas veementemente, mas Graeme assegurou a Cat que era verdade. Agora sobrevoando os escritórios temporários da Divisão da Agencia de Assuntos Castas na costa ocidental, Cat dizia a si mesma mais uma vez que Graeme sabia o que estava fazendo. Seus pais não poderiam não amála, jurou isto a ela. *** Rezou para que fosse verdade, porque mesmo sem conhecê-los, já os amava. Ficaria devastada se descobrisse que era uma decepção para eles de qualquer forma. *** Kenneth Graymore andava pelo escritório que o Diretor da Divisão emprestou a ele e sua esposa. A sala ricamente mobiliada era como uma


grande sala de estar. Um cômodo sofá e duas poltronas com encosto estavam à frente de uma lareira radiante com madeira real que deixava o ambiente mais quente e aconchegante. De um lado da sala havia um área com uma mesa de madeira com alimentos da estação. Do outro lado uma mesa de bilhar, assim como várias estações de videogame. Um suave tapete e pesadas cortinas desenvolvidas por uma das empresas Graymore para proteger contra a invasão eletrônica estavam abertas mostrando o deserto desde o terceiro andar do edifício reformado. Sentou-se no sofá junto à sua esposa, com o braço firmemente ao redor de seus ombros. Ficou olhando a foto da jovem mulher que estavam a ponto de conhecer. Helena chorou durante semanas depois que Foster foi até eles, um amigo que acreditou estar morto durante mais de uma década, que contou a história sobre a criança que acreditaram estar morta e os experimentos que finalmente salvaram a vida dela e o perigo ainda maior. Ela se parecia com sua mãe. Catarina e Helena poderiam ser irmãs, quase gêmeas, de tão parecidas. Ela era uma mini-Helena, sua mãe dizia do bebê recém-nascido. A horrível verdade de que seu pediatra sabia sobre o defeito genético do bebê e não a tratou como deveria o enfureceu. Este problema em particular poderia ter sido curado antes do nascimento se detectado a tempo, mas não depois. Para que Phillip Brandenmore tivesse uma criança com um problema e pudesse experimentar com ela, o defeito foi escondido nos testes pré-natais como se não fossem detectados. Benjamin Foster era um amigo, não apenas um conhecido, mas ele também conspirou com Brandenmore, ainda que pela força, mas mesmo assim, ele nunca os advertiu de alguma forma para que soubessem que sua filha estava viva e sofrendo. —Ela cresceu. — Sussurrou Helena, não pela primeira vez. — Eles a mudaram, Ken, fizeram dela uma Casta. E se não gostar de nós agora? Se achar que somos fracos? Seu orgulho dela e a capacidade de sobreviver não tinham limites. Este bebê que olhou para ele suplicante nos primeiros dias de vida, fraca, doente e com dores, como se pedindo que ele fizesse algo, sobreviveu aos horrores que sofreu. Eles levaram um bebê inconsciente cujo rosto era semelhante ao seu próprio bebê e a enterraram como sua. Eles não questionaram. Confiaram nos médicos, confiaram em seus próprios sentidos quando seu bebê foi colocado morto em seus braços. —Nós a amaremos de qualquer forma, Helena. — Ele sabia que o fariam, eles sempre o fariam, sem importar se ela sentisse pena deles. O


pesar era insuportável. O peso os esmagaria, mas eles a amariam, não importava o que ela pudesse pensar deles. —Ela sofreu muito. — Disse Helena então, uma vez mais, não era a primeira vez. — Nós não a protegemos. Tem que nos perdoar por não a termos protegido. — Um soluço escapou e as lágrimas que caíram por seu rosto romperam seu coração. —Helena, a única coisa que podemos fazer é amá-la. — Repetiu sua resposta, como disse durante toda a semana que passou. — Ela continuará sendo nossa filha, uma parte de nós e eu a amo mais por sua incrível força. Ela tem todo direito de me culpar, protegê-la era minha responsabilidade, não sua. Uma filha sempre ama sua mãe. Ela te amará querida. Ela não será capaz de evitar. —Ele manteve o tom incentivador e seguro, cheio desta força interior que sabia que ela responderia. Esta mulher era sua rocha, sempre foi. Sem ela, estaria completamente perdido no mundo. Como Catarina se sentiria em relação à ele, não tinha certeza. Ela tinha todo o direito de odiá-lo, culpá-lo por não ver a verdade. Deveria ter visto os sinais, simplesmente aquela não era sua filha e de Helena, uma parte de seu coração e alma. Quando a perderam, uma luz se extinguiu em sua vida. —Oh, Ken. — Helena se virou em seu peito, um braço rodeando sua cintura para segurá-lo mais perto. — Nada disto é culpa sua e ninguém tem o direito de culpá-lo. Simplesmente se passou tanto tempo e ela não nos conhece, acreditava que não tinha pais. E agora é tão forte, uma parte da história de alguma forma. Acho que tenho medo dela não nos achar dignos. Não me achar digna. Ela era a pessoa mais digna que conhecia, além de sua filha. —Ela é nossa filha. — Disse em voz baixa. — Com sua compaixão e pureza de coração, e com certeza um pouco de minha teimosia. E ela precisa de uma mãe, Helena. Toda menina, não importa a idade, precisa de sua mãe. —E seu pai. — Ao ouvir a voz eles saltaram de pé e giraram para a porta, a própria doçura que lembrava sua mãe, surpreendeu aos dois. —Catarina. — Helena sussurrou, assombrada, tão cheia de esperança e amor. — E um pai? — Catarina perguntou, enquanto segurava a mão do Casta que organizou o encontro. — Não preciso de um pai também? Tinha a garganta apertada pela alegria, as lágrimas, a fúria contra as forças que a levaram e assombro diante deles agora. Limpou a garganta, lutando para fazer com que funcionasse. —Não sei. — Disse com seu tom rouco, soando quase quebrado. — Mas os pais precisam de suas meninas, sem importar a idade. Não importa


os anos que os separam. Precisamos de nossa filha. — Afirmou então. — Levaram nossa luz quando a roubaram. Precisamos de você de volta. — Sua voz se quebrou e uma lágrima deslizou de seu controle. — Precisamos de você de volta. *** Eles precisavam dela. Não apenas a queriam. Não apenas a aceitavam. Eles precisavam dela. Ela deu o primeiro passo para eles e eles correram para ela. O cheiro e o tato de amor a rodearam, atrás dela a consciência de seu companheiro e seu vinculo fortalecido. Ela sempre pertenceu, apenas não percebeu. E agora pertencia como nunca antes imaginou possível. Catarina Graymore, Casta, companheira, filha. Amada.... E completa. *** Além da sala de reunião, Cullen Maverick estava atrás da porta aberta, apoiado contra a parede, com os braços cruzados, o olhar no desenho abstrato do piso. Era um Casta Bengala, mas não podia cheirar as emoções, as conexões e nem os medos que ele sabia que deslizavam da sala. Não podia tocar a terra e conectar-se à ela, sentir suas advertências e os humores dos outros Castas. Ele estava na escuridão, onde os dons e talentos deveriam aparecer. Nem sequer era capaz de acasalar-se com a mulher que amou para salvá-la da doença que dizimou seu corpo. Como Casta, era um fracasso. Perdido, onde os Castas tinham dons. Ele era tão forte como qualquer Casta, tão inteligente como, ainda que em diferentes áreas, como Gideon ou Graeme o lembravam. O Dr. Foster não esperava gêmeos do embrião que misturou com a genética animal ao selecionar o DNA humano. Foi provavelmente uma sorte não o ter matado quando nasceu, como os outros. Ainda estava vivo, apesar das referências irônicas de Graeme sobre sua obstinação em manter o tigre restringido. Sua genética não estava restringida. Era simplesmente muito fraca para sair. Definitivamente muito fraca para cuidar de sua esposa.


—Pensativo outra vez? — Graeme murmurou enquanto saía da sala, sem dúvida, para dar à sua companheira um momento as sós com seus pais. — Culpando-se novamente, Cullen? A pergunta em tom sombrio o fez levantar a cabeça. Por um lado, Graeme não zombava quando se tratava das habilidades perdidas de seu irmão. Cullen simplesmente devolveu o olhar, negando-se a responder. —Você não vai acreditar em mim. — Graeme suspirou então. — Mas ela não era sua companheira. Quando a encontrar, não conseguirá manter o domínio sobre suas habilidades por mais tempo. Cullen olhou para seu irmão enquanto deixava um sorriso irônico tocar seus lábios. — Quer saber como sei que está errado? — Perguntou para Graeme. —Como? — Seu irmão perguntou em voz baixa. —Porque quando ela morreu, eu teria morrido com ela se pudesse. Se não tivesse jurado cuidar de Cat e Honor, se houvesse feito sua puta parte e dado um passo adiante em vez de derramar sangue por uma dezena de nações, teria me unido a ela. Por isso, irmão. — Zombou. —Por isso sei que está errado. Ela era minha companheira e não pude salvá-la. Não há teimosia na face da terra que me impediria de fazer isto se fosse possível. Em vez de discutir com seu irmão arrogante e muito superior, se ergueu e caminhou através das filas de vasos e Castas que estavam no corredor em direção ao elevador que conduzia ao andar principal e em busca da saída. Tinha trabalho a fazer, casos para terminar. O fato dele não ter uma vida fora do trabalho não significava que outros não tivessem. Ao vê-lo sair, Graeme deixou um sorriso de satisfação tocar seus lábios. —Porque acha que não deixei saber que estava por perto, irmão? — Murmurou entre os dentes, o arrependimento e o conhecimento enchendo seu próprio suspiro saiu livre. — Maldito Casta teimoso. Parece que o irmão mais velho terá que consertar as coisas para você. Isto estava bem, no entanto, pensou com uma leve satisfação. O irmão mais velho iria gostar de interferir na vida do irmão mais novo. Ele quase esfregou as mãos com regozijo. Isto seria divertido. Então um pensamento estranho passou por sua cabeça, com o cenho franzido virouse para sua companheira e lançou-lhe um olhar curioso. Não podia esconder suas maquinações dela, ela realmente chutaria seu traseiro se o fizesse. Mas não tinha cem por cento de certeza de que iria com ele.


Ele sorriu e se afastou dela rapidamente. Iria convencĂŞ-la. Ela poderia ser convencida. Apenas tinha que explicar da forma correta, usar as palavras adequadas, por assim dizer. Oh sim, isto iria ser divertido.

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Castas 29 bengal's quest lora leigh  

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