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Elijah - Jacquelyn Frank

THE NIG HTWA LKERS 3 Disponibilização: DHL Tradução e Formatação: Gisa Revisão: Lu Avanço Revisão Final: Preta PRO JETO REVISO RA S TRA DUÇ Õ ES Existem alguns sentimentos contra os que é impossível lutar... É conhecido como O Guerreiro, um maestro no manejo de todo tipo de armas, um feroz soldado que jurou proteger os seus de toda violência. Poderoso, implacável, desumano, Elijah sempre saiu vitorioso nas batalhas que lutou... até agora. Tendo sofrido uma emboscada pelos Nigromantes, fica abandonado meio morto e termina sendo resgatado por uma mulher que poderia dar-lhe o golpe de graça... Siena, rainha dos Licántropos. Durante quase uma década, entre os licántropos e o povo de Elijah havia uma frágil paz, e não está disposto a baixar a guarda ante sua rainha. Mas a vontade de Siena é tudo o que Elijah necessita, sua elegante e sensual natureza acorda nele uma fome que não pode negar. E agora, este guerreiro vê-se consumido por uma batalha muito diferente das que está acostumado: ganhar o coração de Siena proporcionando-lhe um prazer inimaginável. O que começa como uma sensual e excitante atração, muito em breve termina transformando-se em uma ardente paixão, com conseqüências que perdurarão através dos anos para as raças de ambos. E enquanto os inimigos terminam convertendo-se em amantes inseparáveis, uma ameaça começa a espreitar... uma que poderia destruir todos eles.


São conhecidos como os Seres de Sombra, uma antiga raça dedicada a proteger a humanidade dos Nigromantes. Agora é a vez do guerreiro mais orgulhoso de todos, Elijah, um homem que não se ajoelha diante de nada nem ninguém... até que uma mulher acaba conseguindo.

NÃO HAVIA CONTROLE NESSE MOMENTO Ela a p rinc íp io rub o rizo u, lo g o lhe p erc o rrera m c a la frio s. Esta va a terro riza d a m a s o feg a nte. Esta va sua nd o c a lo r líq uid o e o olhando c o m p leta m ente a lerta . A c o ntra d iç ã o a enc hia por d entro e se sentia selvagem, deliciosamente em total falta de controle. O g uerreiro sentiu o c o ra ç ã o d a fêm ea p ulsa nd o lo ucamente a baixo d ele. Ela esta va rub o riza d a . Ele sentiu o s c a la frios q ue a p erc o rrera m e fo i prisioneiro d a urg ênc ia d e esfreg a r-se c o ntra seu suc ulento c o rp o . Nã o lhe im p o rta va esta r d éb il e ferid o . Esta va c eg o a tud o exc eto à s sensa ç õ es e a os desejos de seus pensamentos instintivos. Elijah não era um estranho para as mulheres. —De fa to , as d esfruta va im ensa m ente, — m a s isto era a lg o m uito no tá vel. Nunc a tinha rea g id o tã o fo rtem ente, tã o rá p id o a um a fêm ea a ntes. Exceto, talvez, uma vez anterior. Mas tinha recusado dar importância pelo que era usando como desculpa o calor da batalha. A só idéia disso era totalmente esmagada por que a mulher em questão tinha sido... Nesse momento finalmente a reconheceu. Os o lho s d e Elija h em p a lid ec era m , ig ua l a o resto d ele, enquanto finalmente percebia exa ta m ente a q uem sustenta va so b seu c o rp o . Po r q uem era q ue sentia esta estra nha nec essid a d e. E q uem esta va resp o nd end o c o m inconcebível reciprocidade o calor e interesse. —Siena - sussurro u sua m ã o fina lm ente a b a nd o na nd o seu p esc o ç o p a ra revelar o dourado e negro colar que usava.


PRÓLOGO Quem fosse que desejasse conhecer o destino da raça Demônio deve consultar estas profecias... ... Igual a m a g ia , um a vez m a is a m ea ç a o tem p o, ig ua l q ue a p a z d os Demônios se dirigirá à loucura... ... Virão nesta g ra nd e ép oc a a s c oisa s q ue retorna rã o a enfoc a r-se na p ureza q ue a raça Demônio sem p re d esejou. Chegarão o sig nific a d o e o p rop ósito d e nossa s leis estrita s, q ue nenhum hum a no nã o c orrup to d everá ser p rejud ic a d o, q ue a p a c ífic a c oexistênc ia entre raças deverá voltar-se primitiva ...

—Extratos da Profecia do Demônio Perdido. ... fic a p roib id o p a ra q ua lq uer d a ra ç a Demônio em p a relha r-se c o m c ria tura s q ue não seja seus ig ua is, nã o d e sua na tureza , nã o d e sua forç a e p od er. Essa s c ria tura s inferiores sã o nossa s p a ra protegê-las d e nós, nã o p a ra ser viola d a s em a b om ina ç ã o sexua l im p ura . Esta é a lei e a vonta d e d a na tureza . O c ã o nã o se envolve c om o g a to, o g a to nã o fa z c om o c a m und ong o. Quem fosse q ue rom p esse a sa g ra d a verd a d e d everá sofrer sob a mão da lei...

—Extrato do Pergaminho Original de Destruição. Elija h c a iu so b re seus joelho s, a g a rra nd o seu p eito enq ua nto o sa ng ue d erra m a va entre seus d ed o s, m a nc ha nd o sua c a m isa b ra nc a c o m um b rilha nte c a rm esim . Olho u p a ra b a ixo a o flo resc ente q ua d ro d e sua essênc ia vita l d erra m a nd o -se so b re o tec id o , q ua se c o m fa sc ina ç ã o q ue d á a o estender os artísticos círculos sobre uma camisa tinta. O guerreiro Demônio estava surpreso. Tinha sid o ferid o rep etid a m ente em sua c entená ria vid a . Certa m ente isto nã o era estra nho p a ra ele. Tud o , d a m ístic a eletric id a d e d e m a lva d a s esp a d a s feita s d o b ruta l, a rd ente ferro , q ue era tã o tó xic o p a ra sua ra ç a , tinham-no cortado d e um a fo rm a o u o utra no tem p o . Alg um a s ferid a s tinha m sid o sufic ientem ente séria s p a ra d eixa r c ic a trizes a p esa r d e seus no tá veis e ina to s p o d eres d e cura, a lg um a s nã o o tinha m feito . Ma s nunc a tinha sid o ferido de um a fo rm a q ue p o d eria c o nsid era r m o rta l. Mo rta l p a ra o utro s nã o era m o rta l p a ra ele. Mo rta l p a ra o Demônio médio ta m p o uc o era m o rta l p a ra


ele, se, só p o r seu teim o so rec ha ç o a suc um b ir a um a c o isa tã o p a tétic a como a morte. Entreta nto , neste c a so , nã o era sim p lesm ente p o rq ue um o c o o p erc o rresse a tra vés d e seu p eito , m uito p ró xim o à s funç õ es vita is d e seu c o ra ç ã o , p o r q ue sua vid a esta va em p erig o , se nã o p o rq ue esta va na m eta d e d e um na d a , m uito fra c o p a ra c ha m a r p o r a jud a e ro d ea d o a d ia nte e a trá s p o r inim ig o s. Inc lusive, se p ud esse d e a lg um jeito enc o ntra r resistênc ia p a ra so b reviver esta p enetra nte intrusã o em seu c o rp o , estes inim ig o s nã o lhe permitiriam viver mais do que queriam fazê-lo. Elija h esteve subitamente furio so c o nsig o m esm o p o r term ina r c om este ferimento. Ele era o Ca p itã o d os g uerreiro s Demônios, o exérc ito d e elite, à o rd em e c ha m a d a d o g ra nd e Rei Demônio . Ele era o luta d o r m a is há b il d a raça Demônio, um Nig htw a lker c o nhec id o p o r sua s inc ríveis ha b ilid a d es de b a ta lha . Ele tinha vivid o to d o s o s séc ulo s d e sua vid a ho nra nd o sua s ha b ilid a d es, a p rend end o tud o o q ue teria q ue sa b er a resp eito d a b a ta lha , guerra , a rm a s e estra tég ia s req uerid a s p a ra triunfa r nessa s situa ç õ es. Ja c o b , o Demônio Exec uto r e seu g ra nd e c a va lheiro , Noa h, o Rei Demônio, era m o s únic o s q ue tinha c o nsid era d o c o m o seus ig ua is em b a ta lha . Ele nã o se sup o ria tã o estúp id o p a ra c a ir inc lusive, na m elho r a rm a d ilha , inc a p a z d e ser superado uma vez cativo em dita armadilha. Inc lusive, sem treinamento, to d o s o s Demônios d e Terra era m essenc ia lm ente b esta s prontas p a ra a b a ta lha . Ac red ita va nisso –era sua filo so fia p esso a l– e fo rtem ente sentia q ue nã o im p o rta va o quão fo rte fo sse à c a p a d e c iviliza ç ã o d entro d e sua ra ç a , o u d entro d o s ind ivíd uo s, ha via instinto s q ue nã o p o d ia m ser neg a d o s. Seg uro , o s Demônios p a rec ia m hum a no s, entreta nto , m a is a lto s e b ro nzea d o s q ue a m éd ia , m a s era m considera d o s extra o rd ina ria m ente a tra entes q ua nd o esta va m em c írc ulo s humanos. Elija h sa b ia isso p o rq ue a g enétic a elem enta r a nim a l d entro d eles lhes p erm itia m lib era r fero m o na s q ue c ha m a va m o sexo o p o sto , um sentid o p red a d o r d e c o nsc iênc ia q ue exsud a va p erig o e uns o lho s extra o rd iná rio s por trá s d o s q ua is se a d ivinha va m a a stúc ia e intelig ênc ia . To d a s a s q ua lid a d es d o s c a ç a d o res na tura is, sem p re c o lo c a d a s so b a sup erfíc ie, esp era nd o p o r a lg uém p a ra fa zer p reso s a si m esm o s. Os Demônios era m c a p a zes d e c o m p o rta m ento s tã o a g restes c o m o o s elem ento s d o s q ua is to m a va m seus g ra nd es p o d eres, c o m p o rta m ento s q ue tinha m to m a d o e integ ra d o em c a d a


ha b ilid a d e q ue c ultiva va m em sua s long a s vid a s, fa zend o -o s fo rm id á veis oponentes para aqueles que conseguiam ficar nos lugares malignos. Entreta nto , inc lusive o m a is jo vem d o s no va to s p ud esse ter evita d o seu ferimento a tua l, o p ensa m ento d o g uerreiro o a tra vesso u. Entã o esta r c a tivo c o m o isto , c o m o um d éb il c a m und o ng o em um a a rm a d ilha era verg o nho so e o fa zia ra b ia r. Co m o ha via o a to d e c um p rir seu d ever, d e rep ente, se vo lta d o c o ntra ele? Ele era o Ca p itã o Guerreiro , o g uia d e to d o s o s Nig htw a lkers c o m um p reç o so b re sua c a b eç a , p a ra a q ueles q ue nã o era m d a ra ç a Demônio, q uem tinha c o m etid o a to s eg reg io s1 e p ec a d o s c o ntra o p o vo Demônio, um d esa fio d ireto e insulto p a ra o Rei Demônio. Ele era o esp ec ia lista em to d a s essa s esp éc ies, um estra teg ista a ntro p ó lo g o . Se a lg uém d eseja va c o nhec er a s verd a d eira s m a neira s d e c o m o d estruir Va m p iro s, Lic á ntrop o s e a m a io ria d e o utra s esp éc ies d o Nig htw a lker, Elija h seria a m elho r fo nte d e info rm a ç ã o . A g uerra e a p a z era m , infelizm ente, c o isa s tra nsitiva s, e era seu d ever esta r p rep a ra d o p a ra to d a s a s p o ssib ilid a d es, no c a so d e q ue a m ig o s se convertessem em inimigos ou inimigos ameaçassem a amigos. Elija h luto u p a ra d esp o ja r-se d a c a p a d e d im inuiç ã o d a c o nsc iênc ia e o s g iro s d e seu red o r im ed ia to . Era ele, so zinho q uem p ertenc ia à c a b eç a d o s exérc ito s d e seu m o na rc a q ua nd o era nec essá rio e q uem d everia treinar o s esp iõ es e a ssa ssino s q uem deverão d esliza r entre a s o c ulta s so m b ra s na frente d e a m ea ç a d o ra intrig a . Entreta nto , sa b ia tud o q ue a lg uém p ud esse d esc o b rir a tua lm ente so b re o s hum a no s, q uem tinha caído na s p erversa s a rtes d a m a g ia neg ra . Do m esm o tip o q ue a g o ra esta va m a seu red o r, c irc ula nd o -o como vulto s, esperando o último suspiro da vítima. O uso d estes c o rrup to s p o d eres tinha c o nvertid o a estes idiotas hum a no s, ho m ens e m ulheres, em nig ro m a ntes, m a nc ha nd o sua a lm a c o m a c o lo rid a sem ente d o m a l e cheira nd o c om um a fetid ez tã o grande p a ra d entro d e sua p ele, q ue nenhum Nig htw a lker c o m a a lm a lim p a p o d ia sup o rta r resp ira r seu a ro m a . Era m p o d ero so s, c a p a zes d e c resc er, inc lusive, m a is, q ua nto m a is e m a is, estud a va m e p ra tic a va m sua s vis a rtes, m a s nã o era m o sufic ientem ente preparados para capturá-lo, nem pensar matá-lo. Não, somente sua estupidez poderia lhes haver dado essa oportunidade. Deveria luzir c om o um p eru em d ia d e festa , irro m p end o a tra vés d a linha d e á rvo res e c a ind o em sua a rm a d ilha . Os nig ro m a ntes o ro d ea ra m ,b em 1

1 Ilustres ou insignes. (N.T.)


c o m o o s c a ç a d o res hum a no s, q ue p a ssa ra m o tem p o c a ç a nd o m ito s p a ra poder torturá-los e matá-los. Mortais. Que levo u a si m esm o , nã o só a d esc o b rir a existênc ia e lo c a liza ç ã o d a s o c ulta s ra ç a s d o Nig htw a lkers, m a s sim fizera m sua b usc a p esso a l p a ra erradicá-lo s d o p la neta a rm a d o s c o m a lg o m a is q ue m ito s, lend a s e ignorância. Os Demônios era m um a d a s ra ç a s m eno s exp o sta s d o Nig htw a lkers na m ito lo g ia hum a na , m a s esp éc ies c o m o o s Va m p iro s e o s Lic á ntro p o s nã o tinha m ta nta so rte. Histó ria s d eles a b und a va m , já fo ssem exa ta s o u nã o , alimentando o á vid o c a ç a d o r a em p a lá -lo s, p ro c ura nd o p o r um a p ro va e vind ic a ç ã o p esso a l, o c a sio na lm ente tend o so rte em sua s b usc a s sed ento s d e sa ng ue. Pa ra o c a ç a d o r, era um a vitó ria , um tro féu m enta l. So m ente m enta l. O c o rp o d e um Nig htw a lker m o rto d everia freq üentem ente luzir um p o uc o d iferente d e um hum a no a ssa ssina d o , entã o nã o era exa ta m ente um d esses teso uro s q ue um c a ç a d o r p ud esse m o nta r em sua p a red e e c o nta r histó ria s so b re isso . Pelo m eno s, nã o a ning uém fo ra d e sua p ró p ria so c ied a d e sec reta de chamados heróis. Esta va to rna nd o -se m uito c o m um ultim a m ente enc o ntra r a s c inza s d e Va m p iros d eixa d o s a o so l, Lic á ntro p o s q ue fo ra m d isp a ra d o s e em p a la d o s c o m a rm a s d e p ra ta q ue o s envenena va e inc lusive Demônios ferid o s p o r a rm a s feita s d o abrasador, e d esfigurante ferro . Isso era , é o b vio , q ua nd o o s Demônios nã o era m c o nvo c a d o s d entro d a m utilante d estruiç ã o d a s a rm a d ilha s d e p enta g ra m a s p o sta s p elo s nig ro m a ntes. Assa ssina to d etrá s d e a ssa ssina to insensa to e entre estes d o is g rup o s d e hum a no s a lista d e vítimas deveria seguir. Era um a d o lo ro sa tra iç ã o . Os Demônios sem p re tinha m tid o o s hum a no s mortais em grande estima, muito parecida com a forma como um pai protege seu p eq ueno filho em d esenvo lvim ento . Eles e o s o utro s Nig htw a lker c iviliza d o s protegiam fero zm ente esses hum a no s, ta lvez instintiva m ente, tend o sa b o r d e p esa r d e q ue nã o tinha m p o d eres p o r si m esm o s, a o d eixá -lo s c resc er e desenvolver-se, eles a lg um d ia o fa ria m . Seria um a fo rm o sa evo luç ã o p a ra ver no s p ró xim o s séc ulo s. Ap esa r d e q ue a ra ç a Demônio sa b ia q ue ha via uns p o uc o s m o rta is q ue p ensa va m d a nific á -lo s, a ind a d o ía a m a rg a m ente. E a g o ra c o m c a ç a d o res e nig ro m a ntes unind o fo rç a s, o p erig o d up lic o u p a ra todos. Triplicado, pensou o guerreiro secamente.


Elija h sa b ia q ue esta va p ró xim o à m orte nesse m o m ento , c o m esse p ensa m ento . O g uerreiro d entro d ele nunc a se p erm itiria a reflexã o d ura nte um a b a ta lha q ue req ueresse to d a sua a tenç ã o . Ma s esta b a ta lha esta va d e tud o m eno s term ina d a , entã o d eixa va a ele uns p o uc o s p rec io so s seg und o s p a ra rec o nc ilia r o s p ensa m ento s em sua c a b eç a . Pa rec ia irô nic o q ue estes m a l inform a d o s hum a no s fo ssem q uem veria m a d estruiç ã o d e p o d ero sa s ra ç a s q ue ta nto tinha m tem id o , nã o d everia m sentir-se a m ea ç a d o s p ela m a g ia neg ra c o m a q ue a g o ra c o m ung a va m . Qua l, p erg unta va -se Elija h, em sua s m entes, seria a d istinç ã o ? Que fa zia um Demônio, na sc id o e b ento d o s limpos e formosos elementos da Terra, tão repreensíveis para esses humanos? E a ind a a ssim , a envo lvente m a g ia neg ra q ue c o rria no s nig ro m a ntes esta va d e repente sendo laureada e aceita nos mesmos grupos? Era tã o sim p les c o m o o fa to d e q ue o m o rta l hum a no m éd io era m uito p ro p enso a m ultip lic a r-se p o r m esc la d e ra ç a s, em seu evo lutivo sexto sentid o, p a rtic ula rm ente p a ra sentir o u c heira r a m a ld a d e ina ta ? Esta va m ig ua l a um a ra ç a d e m enino s q ue nã o tinha m o instinto d e d eterm ina r o b o m d o m a u, o correto do incorreto em um puro nível intuitivo? Certamente, no momento que entro u no lug a r nã o tinha sa b id o d e seu eng a no enq ua nto eles d o m ina va m e invadiam, mas, não havia antecipação de tudo neles? Elija h nã o tinha esta s resp o sta s e parecia q ue nã o a s enc o ntra ria no q ue fic a va d e vid a . Dep o is d e c inc o séc ulo s, c entena s d e b a ta lha s e m ilha res d e vitó ria s p a rec ia q ue a tã o no m ea d a im o rta lid a d e d e Elija h esta va a p o nto d e c heg a r a um d esenla c e d efinitivo . Fina lm ente tinha puxado o tig re equivocado pela cauda. Ou deveria dizer tigresa? Elija h leva nto u seus esc uro s olhos verd es, c heio s d e m a líc ia e c o ntenç ã o p a ra seus a ta c a ntes, q ue esta va m o rg ulho sa m ente p a ra d a s em sua d erro ta . Os c a ç a d o res e nig ro m a ntes q ue o ro d ea va m era m to d a s m ulheres, p a rte d e um a seita d e m ulheres d a q ua l o s Demônios se p rec a vera m rec entem ente. O q ue q ueim o u sua s em o ç õ es c o m a intensid a d e d e um fo g o selva g em , entreta nto era a p resenç a d a s d ua s m ulheres Demônios q ue se eleva va m à frente dessas assassinas forças femininas. Traidoras. A Demônio à d ireita , q ue era c o nhec id a p a ra ele c o m o Ruth, era um a Demônio Menta l m uito p o d ero sa . De fa to , ela tinha sid o a p rim eira m ulher na sc id a d esse elem ento tã o jo vem , q ue tinha existid o na c ultura Demônio p o r


só a p ena s uns q uinhento s a no s. Ela era um a Anc iã , a ntig a m ente um m em b ro d o Gra nd e Co nselho , q uem tinha a jud a d o d a s ra ízes d a so c ied a d e Demônio e a lei em m uitos, m uito s a no s. A m a g nitud e d e sua tra iç ã o era im ensurá vel. Elijah apenas podia imaginar o conceito em sua mente. Ap esa r d e q ue ela era a m a ior d a s d ua s, sua juvenil a p a rênc ia era c o m p a rá vel a d e sua filha , a c ha m a d a Ma ry, q uem p erm a nec ia p ró xim a a ela. Devid o a q ue o s Demônios nã o envelhec ia m visua lm ente d ep ois d e certo p o nto , o d ueto parecia m a is c o m o irm ã s. Entreta nto , Ruth sustenta va um b ra ç o a o red o r d a c intura e esta va to c a nd o o c a b elo d a jo vem m ulher c o m um carinho maternal que se apoiava no fato de que Mary estava perto de um séc ulo d e id a d e p o r sua vez. Era q ua se nã o na tura l e deveria inc lusive p a ra esses hum a no s a seu red o r, sentir m a is q ue um p eq ueno estrem ec im ento . Talvez devesse, se esses olhos não estivessem cegados por ódio e medo. Era inc onc eb ível a id éia d e q ue a m b a s a s m ulheres fo ssem d a m esm a ra ç a d e Elija h, a s túnic a s c la ra m ente se unia m c o m esta s m a lévo la s usuá ria s d e m a g ia e o s a ssim c ha m a d o s c a ç a d o res hum a no s, q ue o q ueim a va m c o m um a ra iva m a lig na . É o b vio, c o m inc lusive m a is iro nia , Elija h entend ia q ue nenhum a d a s m o rta is se p rec a via q ue essa s d ua s m ulheres era m m em b ro s d a m esm a ra ç a c o m a q ue a g o ra d ec la ra va m em g uerra c o m seu a ta q ue c o ntra ele. Nenhum a d ela s sa b ia q ue a m o tiva ç ã o d e Ruth era p o r um a nec essid a d e p esso a l d e ferir e um a ving a nç a m a l d irig id a e q ue ela s so m ente eram ferramentas, uma arma que podia sustentar contra sua antiga gente. Pa ra o s m o rta is, ela nã o era m a is q ue um a fo rm o sa , sá b ia m ulher hum a na . Um a feitic eira d o ta d a , ta lvez, se tinha m o stra d o sua ha b ilid a d e d e c o m a nd a r c erto s a sp ec to s d o s elem ento s d a Mente. Era esta Demônio tra id o ra e sua filha q uem d irig ia m o s hum a no s c o ntra vítim a s q ue o s m o rta is nunc a d everia m enc o ntra r c o m tã o p a vo ro sa fa c ilid a d e e tã o p o uc o esfo rç o . Ca d a d ia Ruth se c o lo c a va no o p o sto d essa linha d esenha d a na a reia p o r esta gente paranóica e mal dirigida, ela revelaria mais e mais a eles a respeito d a ra ç a Demônio. Nã o d em o ra ria a ntes q ue c uid a d o sa m ente lhes d esse a s fo rm a s d e d estruir a a q ueles q ue um a vez c ha m o u a m ig o s. Além d esse detalhe, nenhuma outra raça do Nightwalkers, inocentes ou não, deveria estar ameaçada pelos séculos de conhecimento de Ruth. Tud o o q ue im p o rta va a o s hum a no s era seu m ed o d o d esc o nhec id o , terro r p a ra a s c ria tura s c ujo p o d er ultra p a ssa va inc lusive sua im a g ina ç ã o m a is selva g em , fa zend o -o s q ueb ra r-se c o m a c o nvic ç ã o d e q ue era só q uestã o d e


tempo a ntes q ue esta s ra ç a s viventes d a no ite c a íssem so b re o s hum a no s c o m o o s m ito s e lend a s ha via m p red ito um a e o utra vez. Nã o im p o rta va q ue, se eles tivessem q uerid o , q ua lq uer ra ç a Nig htw a lker p o deria ter feito m ilha res de vezes no último milênio somente. Am a rg a m ente Elija h sentiu q ue inc lusive se a lg uém lhes d esse a verd a d e, eles c o ntinua ria m só esp era nd o o p io r d o s Nig htw a lkers, p o rq ue eles esta va m so b a g uia d a teim a , o p rejuízo e o m ed o . O únic o p ensa m ento q ue c o nfo rta va a Elija h nesse m o m ento era q ue sua m o rte leva nta ria a s rep resá lia s d o s m a is velho s e poderosos d e sua ra ç a e isto a ssina la ria o fim d esta m a lig na insurreição. —Feto d o d em ô nio — Ruth g runhiu o ep íteto c o m lo uc a felicidade, alimentando a sede de sangue das mulheres a seu redor. —Demônio disfarçado de humano! —ela sorriu e disse brandamente. —Elija h, o p o d ero so Ca p itã o Guerreiro —Ruth riu o so m p erc ep tivelm ente fo rm o so enq ua nto se inc lina va p a ra o lhá -lo , sua vo z b a ixa p a ra q ue a s o utra s não pudessem escutar a familiaridade com que se dirigia a ele. —O p eq ueno p itb ull d o No a h, vencido p o r sim p les m ulheres. Co nheç o seus p ensa m ento s, Demônio d e Vento . Nã o ha verá ving a nç a em seu no m e. Eles nunca encontrarão nada de você no tempo que estamos passando. Ruth se end ireito u, retira nd o um a m ec ha d e luxurio so c a b elo loiro , sorrindo serena m ente. Ela b eijo u a b o c hec ha d e sua p rec io sa m enina , se a lg uém p ud esse c ha m a r um Demônio no va to d e q ua se no venta a no s um a menina, fazendo sorrir Mary com afeto que revolveu o estômago de Elijah. Mas c o m o um a m enina q ue era , c o m p a ra d a c o m o s a d ulto s e Anc iõ es d e sua raça e inclusive, comparada com outros novatos de sua idade. Apesar de que tinha a b eleza e o c o rp o d e um a m ulher cheia, ela era um a p eq uena m enina no c o ra ç ã o e em sua m ente, c o m p leta m ente so b a influênc ia d e sua sup er protetora, complacente mãe. Po r q ue nenhum d eles percebeu o d esa p eg o d e Ruth a seus sentid o s? Co m o um a Demônio Menta l, Ruth sem d úvid a ha via b loq uea nd o a c o nsc iênc ia d os o utro s há b eis Demônios Menta is. Po r q ue ning uém tinha insistid o em sep a ra r a m enina d o insa no e d o m ina nte c o m p o rta m ento d a m ã e? Po rq ue era sua m a neira d e g a ra ntir o d ireito d e um p a i d e c ria r a sua filha enq ua nto a via c resc er. Ag o ra sua so c ied a d e inteira d everia viver c om esse engano e suas conseqüências, igual a Elijah, morreriam por sua causa.


Um p o uc o , m uito ta rd e, p enso u c o m g enuína tristeza p elo c a m inho q ue a s m ulheres Demônios tinha m eleg id o . Am b a s esta va m a g o ra m a lc ria d a s, c o rrup ta s so b a a p a rênc ia d e sua b eleza externa , a ssusta d o ra . Ele nã o necessitava um sup erior sentid o d o o lfa to p a ra c a p ta r o vil a ro m a d e corrupção emanado de sua bronzeada pele. Elija h c a iu para frente, p o nd o um a m ã o p a ra tra ta r d e p ro teg er a si m esm o e m a nter seu ro sto fo ra d a terra . Situa ç ã o sem esp era nç a o u nã o , ele nã o seria rec o rd a d o p o r ser tã o fá c il d e m a ta r. Seu o rg ulho nã o lhe p erm itiria fa zer d isso um fina l. Ha via m uitos o p o nentes d issem ina d o s em terra so b o c írc ulo , g ra nd em ente d issem ina d o s, q ue fo ra m a ta c a d o s c o m sua fero c id a d e enq ua nto tra ta va d e sa lva r sua p ró p ria vid a . Mulheres o u nã o , q ua lq uer q ue procurasse assassiná-lo, merecia o que obtinha. Ele esta va c o nsc iente d a s o utra s se a p ro xim a nd o a seu red o r. Os ra m o s d e m a g ia neg ra q ue se a ferra va m à s feitic eira s hum a na s era m a ssusta d o ra s e insup o rtá veis. A energ ia ra ng ia a seu red o r enq ua nto ela s jo g a va m c o m seus p o d eres. Arc o s a zuis d e eletric id a d e c intila va m entre ela s, q ua se c o m o um jo g o m a c a b ro d o m a c a c o no m eio . A b o c a d e Elija h se p ressio no u em um a a p erta d a linha enq ua nto entend ia o q ue sig nific a va ser o m a c a c o neste c a so particular. O p rim eiro ra io q ue d isp a ro u d o a nel d a m ulher o g o lp eo u em sua espinha , fa zend o q ue se c o nto rc iona-se em um a rc o p a ra trá s, seus b ra ç o s c o ntra íd o s em seu fla nc o , c o ntra ind o os m úsc ulo s d e seu la rg o p eito e fo rç a nd o o sa ng ue a em a na r d e sua ferid a . O fluid o sa iu tã o p esa d o , tã o rápido que sentiu o efusivo calor drenando-o justo para baixo da frente de sua roupa, a sarja de sua calça saturando-se completamente em um instante. Sentiu a c a b eç a leve, enjo a d o e estranhamente d ista nte enq ua nto o seg uinte ra io o fo rç a va a c o nto rc ionar-se em o utra d ireç ã o . Ele p o d ia c heira r o q ueim a d o d e sua p ró p ria c a rne, surp reso p elo p o d er d a s usuá ria s d e m a g ia . Ele tra to u d e tro c a r, p a ra enc o ntra r d istra ç ã o na fo rm a d e vento q ue era tã o parte dele. Se tão somente tivesse a força de metamorfosear-se na mais ligeira d a s b risa s, ela s nã o p o d eria m m a c huc á -lo . Ma s o tem p o já tinha p a ssa d o p a ra isso . Ele tinha julg a d o m a l sua situa ç ã o e a g o ra esta va m uito ferid o e muito fraco para concentrar-se inclusive na mais simples das transformações. Am a ld iç o o u a si m esm o p o r ser tã o to lo , p o r c a m inha r nessa a rm a d ilha fem inina . Tinha sid o ele q uem tinha a d vertid o o s o utro s q ue ning uém esta va a sa lvo enq ua nto a s tra id o ra s, Ruth e Ma ry, estivessem lo ng e e em a lerta c o m o s


humano s. Nã o lhes ha via d ito d o p a ssa d o m eio a no , q ua nd o perceberam pela primeira vez a traição, que qualquer um poderia ser uma vítima do íntimo c o nhec im ento d o s Demônios d o d ueto , d e sua im p o rtâ nc ia ind ivid ua l, d e seu p o d er? Ruth, sua d em ênc ia d isfa rç a d a d e a mor maternal por uma filha ferida, sabia muitos nomes, muitos feitos. Inclusive ela poderia levá-los a todos e cada um dos membros do Grande Conselho. Ele seria o p rim eiro , percebeu Elija h, um a ra iva frustra d a lhe q ueim a va no seg und o o c o d e seu p eito . Dep o is seg uiria m o s exec uto res, Gid eon o m éd ic o Anc iã o , o u ta lvez No a h, o rei Demônio p o r si m esm o . E ele nã o esta ria a í p a ra c um p rir seu d ever e p ro teg ê-lo s. Elija h p enso u em Ja c o b e Isa b ella , o s Exec uto res, q ue era m no vo s p a is d e um a fo rm o sa m enina q ue tinha o sed o so cabelo negro da mãe e os sérios olhos escuros do pai. O c a p itã o Guerreiro tinha sid o eleito p a ra ser um d o s d ois q ue, a lém d e seus p a is, estivessem em sua c erim ô nia d e no m ea ç ã o . Pa ra ser um d o s únic o s dois Demônios em to d o este m und o q ue tinha sid o d a d o a ho nra ser o Sid d a h do angelical b eb ê. Tinha sid o a m a io r d istinç ã o q ue um a m ig o p o d ia d a r a o utro . Pró xim o a seu a niversá rio d ezesseis, ele d everia c o m eç a r o Fo stering d a m enina , levá -la p a ra seu la r c o m o se fo sse o d ela . Ele d everia lhe ensina r a s fo rm a s e a m o ra l d e sua g ente, g uia nd o -a enq ua nto a p rend ia c om o usa r e c o ntro la r q ua lq uer g ra nd e p o d er d e q ue fo sse d o ta d a . Esta resp o nsa b ilid a d e d everia ser c o m p a rtilha d a c o m a p ena s o utra p esso a , a Sid d a h fem inina . Neste caso Magdelegna, a própria irmã do rei. Pensar em Leg na lhe c a uso u inc lusive um a d o r m a is p ro fund a , ela teria um m enino p o r sua p a rte, esta va p ró xim a d o s c inc o m eses p a ra term ina r e a sa lvo so b o s vig ila ntes o lho s d e seu par, Gid eo n. Ma s q ua l futuro ha veria p a ra esses ino c entes? Serem c a ç a d o s? Destruíd o s? Tra ta d o s c o m o na d a m a is insig nific a nte q ue a m o sc a ruid osa q ue nec essita um a b o a e d ura surra ? Elija h so freu p elo s b eb ês, c ulp a nd o a si m esm o p o r nã o fa zer um tra b a lho m elho r em manter a si mesmo a salvo e forte para ser seu protetor. O guerreiro sentiu o negrume deslizando através dele, mas era muito mais p o r entend er q ue tinha fa lha d o com sua g ente e com seu m o na rc a do q ue era p ela m o rta l p erd a d e sa ng ue. Esc uto u risa d a s fem inina s, c risp a d a s em um a feia a leg ria p o r m a ta r, um so m q ue nenhum a m ulher d everia fa zer em seu estado natural, fosse Nightwalker ou humana. Elija h fina lm ente p a ra liso u, ro d a nd o so b re sua s c o sta s no p a sto a té q ue esteve tratando de enfocar as estrelas sobre ele. Tinha pouca consciência das


reto rc id a s m ulheres jo g a nd o c o m ele, m a nd a nd o sá d ic o s ra ios d e p o d er a tra vés d ele. O neg ro c éu se esfum aço u em linha s d e luz e esc urid ã o. A um id a d e d e seu sa ng ue d issem ina nd o na s sec a s fo lha s e p a sto s b a ixo ele. Tinha controlado o c lim a em vo lta d ele d esd e q ue tinha tid o a p ena s treze a no s. O q ue nã o d a ria nesse m o m ento p ela sim p lic id a d e d e um a d uc ha d e c huva . Co m o um a to fina l d e d efesa se a fund o u na terra p a ra q ue nenhum a eletricidade mandada para ele retornasse para seus assassinos. Ma s nã o p o d ia rea liza r esse últim o a to d e retrib uiç ã o . Tinha c o nhec id o infa ntes m a is fo rtes d o q ue ele era neste m o m ento . Tud o o q ue tinha era m seus p ensa m ento s. Nã o im p o rta va se Ruth p o d ia ler sua s em o ç õ es, inc lusive p ro va velm ente seus p ensa m ento s a sua a va nç a d a id a d e, c oisa q ue era um ta lento usua lm ente só enc o ntra d o no s m a c ho s d e seu tip o . Ela esta va c o rrup ta p o r sua m ente fra tura d a e to d o o veneno m á g ic o c o m q uem tinha d ec id id o a sso c ia r-se. Usua lm ente, p o d eres inesp era d o s c heg a va m c o m ta is associações malignas. Nã o . Tud o o q ue im p orta va a Elija h era a na tureza d o m und o que deixava a trá s. Nunc a vo lta ria p a ra so p ra r so b re m ilha res e m ilha res d e m o nta nha s inta c ta s e p ra ia s virgens c o m o o vento . Nunc a vo lta ria a la va r a si m esm o e reno va r o m und o c o m o c huva . Nunc a vo lta ria a d irig ir-se lentamente do céu para a terra com as cambiantes forma dos flocos de neve. Ser privado para sempre da alegria desses momentos fez seu coração rebelarse c o m d esesp ero e c o ra g em . Ab riu sua b o c a p a ra rug ir c o m a ra iva q ue o g o lp ea va , m a s esta va lo ng e d e c ria r q ua lq uer so m. Fo rç o u a si m esm o a fic a r satisfeito com o grito de sua alma. Para sua maravilha, Elijah escutou o eco do grito na distância. Era um a c o isa selva g em . Inc rivelm ente fo rm o sa , q ue fez com q ue o p erc o rressem c a la frio s enq ua nto vib ra va p erc o rrend o seus nervo s. Esta va suc um b ind o a sua p ró p ria no ite interna , m a s o g rito foi rep etid o e enc o ntro u a si m esm o luta nd o p ara esc utá -lo , p a ra entend er o q ue sig nific a va . O frio d e seu c o rp o foi sub stituíd o por um a inexp lic á vel a sc ensã o d e c a lo r e sentiu seus sentid o s tra ta nd o d e reto rna r a ele, tra b a lha r p a ra ele, tra ta nd o c o m c a d a célula disponível aferrar-se a esse som primário e abrasador. Ma s esta va m uito p ró xim o à m o rte. Co m a frustra ç ã o o b stina d a a ele. Finalmente sucumbiu.


CAPÍTULO 1

A g a ta m o ntês g rito u a tra vés d a extensa p ra d a ria d o b o sq ue, fa zend o com q ue o c írc ulo d e m ulheres esq uec esse a sua a g o niza nte p resa q ua nd o um inexp lic á vel tem o r a s p erc o rreu. Os hum a no s tinha m na sc id o c o m instinto s c o m o nenhum a o utra esp éc ie, e sa b ia m , c om o c erta m ente sa b ia m seus no m es, q ue nã o era p rud ente fic a r no c a m inho d a b esta q ue tinha feito esse so m . Nã o im p o rta va q ue ela s fo ssem um a p o tênc ia em si m esm a s. Na d a podia evitar o inato terror de uma presa temendo o predador. As nig ro m a ntes retro c ed era m , c o m o s olho s m uito a b erto s e a m a g ia flo resc end o suc essiva m ente, à m ed id a q ue c o m eç a va m a levita r d o c hã o , c o m esp era nç a d e q ue a a ltura d esse a lg um sentid o d e seg ura nç a q ue sim p lesm ente nã o sentia m c o m o s p és na terra . Ma s isto nã o era sufic iente, só p o d eria m a livia r o p â nic o d e seus c o ra ç õ es c o m um a c o m p leta retira d a , vo a nd o p o r c im a d a s á rvo res, esc a p a nd o p a ra sua c a sa o u a q ua lq uer lug a r que fosse de completa segurança. Alg um a s d a s guerreiras fo ra m o sufic ientem ente a fo rtuna d a s p a ra serem a visa d a s p elo vô o d o s nig ro m a ntes e levita ra m em retira d a c o m ela s. Aq uela s q ue nã o tivera m ta nta so rte se retira ra m c o rrend o d eso rd ena d a m ente p a ra a linha d e á rvo res, levo u-lhes só um m inuto a ntes q ue fo ssem na d a m a is q ue um cômico e distante som de choque contra os arbustos. As m ulheres Demônio nã o fo ra m tã o fa c ilm ente a feta d a s. A m a is jo vem era uma Demônio de Terra. As criaturas da natureza eram suas para empatizar e c o ntro la r. Em b o ra fosse so m ente um a no va ta , fra c a em c o m p a ra ç ã o c o m o s g ra nd es Anc iõ es d e sua c la sse, enc a nta r o s a nim a is era um a ha b ilid a d e rud im enta r. Ela estend eu sua m ente, tra ta nd o d e to c a r o s p ensa m ento s d o p red a d o r q ue se a p ro xim a va . Entreta nto , sua p á lid a fro nte se enrug o u p ela c o nfusã o , q ua nd o o p um a se m o stro u inusua lm ente b lo q uea d o a seus p ersua sivo s p ensa m ento s. A g ra nd e g a ta d o ura d a a b riu c a m inho p ela linha d e á rvo res, esp reita nd o a tra vés d o s p ro fund o s p a sto s em um c írc ulo d e c a ç a , a ro ta ç ã o d e sua s o m o p la ta s enq ua nto c a m inha va hip no tiza va e a tem o riza va d e um a vez, seus d o ura d o s o lho s fixo s na s d ua s m ulheres q ue ainda permaneciam no claro. A g a ta p o d ia fa reja r a s g ra nd es q ua ntid a d es d e sa ng ue d erra m a d o na terra . O a ro m a c ha m a va p ro fund a m ente o s instinto s b á sic o s d o a nim a l. Isto


a tra iu à g a ta m o ntês c o m um a tra tivo q ua se sing ula r. Pelo g era l ela teria evita d o a p roximar-se d e o utro s p red a d o res, m a s esse a ro m a d e sa ng ue era muito poderoso p a ra resistir. Esp reito u p erto e m a is p erto , fa zend o com q ue a jovem Demônio loira ro m p esse em suo r enq ua nto tra ta va d e to c a r a m ente do animal tão ensimesmado nas delícias do aroma do sangue. —Mamãe, não posso chegar a ela. Não está me escutando. —Não importa. Já terminamos aqui. Ruth a firm o u o a g a rre em sua filha , e c o m um esta lo d e a r d eslo c a d o , a s duas mulheres Demônio se tele transportaram com segurança. A g ra nd e g a ta d o ura d a leva nto u a c a b eç a , d etend o -se a m eio c a m inho, p ro va nd o o a r enq ua nto o fed o r d a s m ulheres inva so ra s se desvanecia. O sangrento corpo jazendo no centro do claro era o único aroma rem a nesc ente d e fo rç a a lg um a , a g a ta c o m eç o u a a va nç a r p a ra a desafortunada vítima. Esta va tã o p erto d a inc o nsc iente c ria tura , q ue p o d ia to c á -lo c o m o fo c inho . E o fez, p ro va nd o seu a ro m a . So b o sa ng ue ha via um inc o nfund ível a lm ísc a r d e m a c ho . Era a lg o ric o e em b ria g a d o r q ue tiro u um esp ec ula tivo ro nro no d a fo rm o sa g a ta . Ba ixou a c a b eç a a té a m a io r d a s ferid a s, c o m a líng ua la m b eu levia na m ente o d o c e sa b o r d e seu sa ng ue. Seu ro nro no se a p ro fund o u, e a leo a a b riu sua s p o d ero sa s m a nd íb ula s, a s fec ha nd o so b re a g a rg a nta d o m a c ho . Tud o o q ue to m a ria era um sim p les esta lo e ela terminaria com ele. De rep ente a g a ta se retiro u, sa c ud ind o a d o ura d a c a b eç a c o m o se estivesse saindo de um feitiço. Sacudiu-se de novo, como um cão tratando de tira r a á g ua . Enq ua nto trem ia , a p ele c o m eç o u a c o rta r-se, esfo la nd o -se em la rg a s tira s, a té q ue, c o m um estrem ec im ento fina l, a b esta se c o nverteu em um a m ulher, vestid a só c o m um c o la r d e o uro e p ed ra luna r, e c entím etro s e centímetros de comprid o cabelo dourado. Siena , m a rc a d a c o m o o p ulento c o la r q ue a p ro c la m a va c o m o Rainha d o s Lic á ntro p o s, livrou um a p ro fund a e c a lm a nte resp ira ç ã o , tra ta nd o d e so sseg a r a urg ente ânsia d e sa b o rea r sa ng ue d o m a c ho tinha insp ira d o nela . Co nhec ia este Demônio, sa b ia seu no m e e sua im p o rtâ nc ia p a ra o Rei Demônio. Ma s ta m b ém sa b ia q ue nã o ha via na d a no m und o c om o o sa ng ue Demônio. Era ric o e c heio d o p o d er q ue eles p o ssuía m . Entreta nto , em b o ra à s vezes fosse mais besta que mulher, não necessitava d o sangue para sobreviver


c o m o os Va m p iro s. Era a m a is poderosa d e to d o seu p o vo , e este era um desejo ao que devia sobrepor-se. Se só não houvesse tanto disso invadindo seus sentidos. Ma s p rec isa va p ensa r m a is c la ra m ente, p rec isa va a tua r. Enq ua nto se a jo elha va na esp essa erva tra ta nd o d e d o m ina r sua d esp rezível na tureza , o Demônio, c o nhec id o p o r ela c o m o Elija h, ja zia m o rib und o , q ua se m o rto , d e fa to . Era um a visã o a la rm a nte. Tinha luta d o junto a o g uerreiro fa zia a p ena s seis m eses. Co nhec ia sua d estreza , p o d er e ineg á vel fo rç a . Co m o tinha chegado a isto? Siena estend eu tenta tiva m ente um a m ã o , seus d ed o s d esliza ra m a o lo ng o d o s lo iro s c a c ho s nã o m uito s d iferentes a o s seus, em b o ra o s d ele fossem d e um loiro p la tina do e nã o d o c o lo rid o p ra ta e o uro d ela e a té o s o m b ro s, enq ua nto q ue os d ela c o b ria m to d o seu to rso . Foi seu p ró p rio c a b elo q uã o seg uinte ela a lc a nç o u, intro d uzind o um a m ec ha c o m p rid a entre o s d entes, o s c a nino s ra sg a ra m um a g ro ssa tira d e sed a d o ura d a . O c a c ho se enro sc o u a o red o r d e seu p ulso e a nteb ra ç o , c o m o se nã o estivesse d isp o sto a d eixa r o c o rp o o nd e esta va a d erid o . Ela a tiro u a c a b eç a p a ra trá s, ig no ra nd o a s gotinhas d e sa ng ue q ue c a íra m d a s p o nta s d o s fio s ra sg a d o s q ue a ind a p erm a nec ia m unid o s a o c o uro c a b elud o . Inclinou-se so b re o Demônio, a b rind o o q ue um a vez fo i um a fina c a m isa d e sed a , la m b end o seus lá b io s c heio s enq ua nto to m a va a tira d e d o ura d o s c a b elo s e o s d eixa va frisa r-se c o m o um ta p ete tra nç a d o , em to d o o c o nto rno , a té q ue a ferid a esteve coberta em sua totalidade. O sa ng ue fo i im ed ia ta m ente a b so rvid o p elo s fila m ento s d o ura d o s, mesclando-se c o m a s gotinhas q ue a ind a p end ia m d o s extrem o s c o rta d o s. A ferid a insta nta nea m ente c o m eç o u a c o a g ula r-se, o c a b elo se c o nverteu em um a vend a g em verm elha e d o ura d a q ue nã o se m o veu d o p ro fund o b ura c o , tampando-o com bastante eficácia. Ela nã o p o d ia fa zer na d a c o m a p erd a d e sa ng ue no m o m ento e nã o p o d ia d eixá -lo o nd e estava p a ra evita r q ue seus a ta c a ntes d ec id issem reto rna r e term ina r c o m ele. Sua resp ira ç ã o era m ínim a , tã o d éb il, q ue se nã o tivesse sid o p o r seu a g ud o o uvid o , nã o teria sid o c a p a z d e esc utá -la. Felizm ente, c o nhec ia b em esses b o sq ues e p o d eria enc o ntra r a lg um excelente refúgio. Logo veria o que poderia fazer para auxiliá-lo. O que o Demônio estava fazendo em território Licántropo seria algo para d esc o b rir m a is a d ia nte. Ag o ra m esm o , tinha q ue levá -lo lo ng e d o p róxim o


a m a nhec er. Em b o ra a luz d o so l nã o q ueimasse a nenhum a d e sua s esp éc ies c o m a a g o niza nte d o r e p ro m essa d e m o rte c o m o o fa zia c o m o s Va m p iro s, não era tampouco nenhum amigo da raça dos Nigthwalkers. Pa ra o s Demônios, o efeito era c o m o p a ra o g a to no turno , fa zend o -os sentir p esa d o s, p reg uiç o so s e letá rg ic o s. Muito s Demônios, em rea lid a d e, a m a va m a inva so ra c a lid ez d o so l, enc o ntra nd o na luz d o d ia o m elho r m o m ento p a ra suc um b ir à c o m o d id a d e e d o rm ir. Infelizm ente, este efeito era freq üentem ente invo luntá rio, fa zend o -o s d eseja r m a is q ue na d a , o so nho , a té o p o nto d e um a d istinta vulnera b ilid a d e. Neste c a so , q ua lq uer o utra d eb ilid a d e c a usa d a p ela luz p o d eria red uzir c o m p leta m ente o sistem a anatômico d o g uerreiro , term ina nd o a ta refa q ue seus a g resso res tinha m começado. Pa ra o Lic á ntro p o , era um p o uc o m a is d a ninho . Um c a m b ia nte fic a va d o ente c o m a b rilha nte luz d o d ia , um a versã o litera l d e envenena m ento p elo so l. Da d o q ue era m um a esp éc ie intrinsec a m ente g uia d a p ela s fa ses d a lua , p a rec ia ter sentid o q ue o so l fosse a ntina tura l p a ra eles. Send o p a rte g a ta em si m esm a , Siena esta va d up la m ente inc lina d a a p erm a nec er a tiva na esc urid ã o d a noite q ua nd o era m a is p o d ero sa , e enc o ntra r d esc a nso e refúg io fo ra d o a lc a nc e d a luz d o d ia q ua nd o era susc etível a seus efeito s. Rea lm ente d esfruta va d e um a resistênc ia m a is a lta d o ha b itua l se ficasse à sombra, mas isto não era algo que desfrutasse fazendo. Siena p rec isa va d ec id ir a m elho r e m a is c urta ro ta p a ra c heg a r a té o nd e fosse c a p a z d e c uid a r d ele, e a m elho r m a neira d e leva r a m b o s a esse lug a r escondido. Seu povo estava muito longe para viajar, e não p ercebia ninguém, a lém d ela , na á rea . Seria um a b o a o p ç ã o enc o ntra r a jud a . Um lug a r o nd e achar um pouco de assistência para cuidá-lo, mas não era uma opção lógica d a d a a urg ênc ia d a situa ç ã o . A a lterna tiva id eal era levá -lo para sua p ró p ria gente, bom, essa era inclusive uma possibilidade mais descabelada, tendo em c o nta q ue eles esta va m a ind a m a is lo ng e d o q ue seu p o vo esta va . Além d isso , o m a is reno m a d o c ura nd eiro Demônio d e to d o o m und o se enc o ntra va em sua corte nesse momento. O g uerreiro nã o era um ho m em m a g ro . Esta va b em c o nstituíd o em c a d a d eta lhe q ue um g uerreiro p rec isa va esta r fo rm a d o p a ra m a nter sua fo rç a e d estreza . O Ca p itã o d e ta is g uerreiro s… b o m , ele tinha um a m a is q ue im p ressio na nte esta tura , p ara d izer o m eno s. Em b o ra Siena fosse a lta e fo rte, seus bíceps poderiam ser maiores que uma de suas musculosas coxas.


À distância a preocupava principalmente porque o guerreiro necessitava a ssistênc ia m éd ic a e d uvid a va d e ser c a p a z d e lhe d a r o s c uid a d o s nec essá rio s. Ele era um a esp éc ie inteira m ente d iferente e p ro va velm ente nã o tã o rec ep tivo à s m a neira s d e c ura d o s Lic á ntro p o s. Po d eria ser o eq uiva lente de dar a um humano a atenção de um veterinário. Este estaria à altura de sua exp eriênc ia , m a s inc lusive sua m elho r a tenç ã o p o d eria fa zer m a is d a no q ue bem. Seu p o vo tinha esta d o em g uerra c o m a ra ç a d o g uerreiro p o r m uito m a is tem p o d o q ue tinha m esta d o em p a z. Seu c o nhec im ento d a a na to m ia Demônio era b a sta nte lim ita d a , e inc lusive ta l info rm a ç ã o se restring ia a q ua l ó rg ã o vita l c a usa ria um a m o rte m a is rá p id a . Co m um a p a z d e só q ua to rze a no s entre a s ra ç a s, q uem teria p ensa d o em interc a m b ia r c o nhec im ento médico? Assim c o m o era , rec entem ente só tinha m interc a m b ia d o embaixadores. A Rainha se end ireito u, sua fig ura se a la rg a va c o m o rg ulho e esta tura d e Am a zo na . Nua , c o m o nesse m o m ento , o u c o m p leta m ente vestid a , nã o ha via d uvid a q ua nto a seu sexo . Era d e p ele d o ura d a e fig ura exub era ntem ente c urva d a a p esa r d o c o rte d e seu m usc ula r e a tlétic o c o rp o . Era um a g uerreira e guerreira p o r d ireito p róp rio, um a o rg ulho sa e p ura Dia na , e o irra d ia va p o r c a d a c entím etro d ela . Entreta nto , a c o ntra d iç ã o era um a c a b eç a c heia d e esp esso s e d o ura d o s c a c ho s q ue c a ía m a té a m eta d e d e sua s c o xa s e a s audazes curva de seu sexo, e que a faziam aparecer não menos feminina que Afrodite. Sua enig m á tic a fo rm a d e so rrir e a p a q uera na tura l d e seu p a sso só se acrescentavam à imagem. A deusa Licántropo parecia tomar uma decisiva eleição sobre o seguinte c urso d e a ç ã o , enq ua nto seu a g ud o o lha r d e o uro p erc o rreu to d o s o s lug a res p ela últim a vez. Po uc o d ep o is, sa c ud iu a c a b eç a o utra vez, p ro vo c a nd o q ue o s la rg o s fio s d e seu c a b elo vo lta ssem p a ra a vid a . Co m eç a ra m a d esliza r-se sed o sa m ente so b re sua p ele, envo lvend o -a q ua se a m o ro sa m ente em sua sua ve lo ng itud e. O d isp erso c a sa c o d e seu c a b elo se c o nverteu em p ele d e novo, só que esta vez sua forma era metade felina, metade humana. Esta era a fo rm a d a Mulher Ga to , a terc eira e últim a fo rm a d e Siena . Alta e b ela m ente c o nstituíd a c o m o a m ulher q ue era , m a s c o m a p ele e a s g a rra s, a s o relha s e rosto, o s b ig o d es e a c a ud a d e um g a to m o ntês. Meta d e m ulher, m eta d e g a ta , c o m o m elho r d e a m b o s o s m und o s a o seu d isp o r. E isso inc luía a força que se requeria para levantar o guerreiro em seus braços.


O g uerreiro no to u p a ra si m esm a enq ua nto c o m eç a va a c a rreg a r seu p eso m o rto , era fo rte e m usc ulo so , c o m um p eso sig nific a tivo p a ra o m a is d e m etro oitenta d e a ltura q ue tinha , a ind a se ele nã o tivesse esta d o c o m p leta m ente inc o nsc iente. Tinha uns o m b ro s no ta velm ente a m p lo s, q ua se m uito la rg o s p a ra q ue ela p ud esse a b ra ng ê-lo em seus b ra ç o s. Nã o ha via um a o nç a d e g ra xa q ue d esfig ura sse sua m o ld a d a c intura e c o xa s. Tud o era um a p esa d a g ro ssura d e um físic o fina m ente p erfila d o, m úsc ulo d a c a b eç a a o s p és, nenhum a p a rte a p erd er, na d a d e sua estrutura se a ssem elha va à suavidade. Ap esa r d e sua im p ressiona nte m a ssa , leva nto u-o em seus b ra ç o s q ua se c o m fa c ilid a d e, a p ro xim a nd o -o d ela enq ua nto a va nç a va a g ra nd es p a sso s através do campo. Sua visão estava feita para a escuridão, Tud o ilum ina d o em a fia d o c o ntra ste d e so m b ra s em b ra nc o e neg ro . Era brilhante como o dia para ela enquanto levava sua carga para as árvores. Eles p o d eria m ter a p resenta d o um a visã o b a sta nte c la ra p a ra q ue o s vissem , m a s um fa rejo rá p id o d o a r a sseg uro u à Ra inha q ue to d o s o s inim ig o s se retira ra m a lugares d esc o nhec id o s e to d a s a s d em a is c ria tura s viventes tinham seguido seu exemplo. Elas nem sequer saberiam que o grito da leoa da m o nta nha sa iu c o m um a c o m p ulsã o d e tem o r tã o enérg ic a , q ue fo rç a ria a q ua lq uer d entro d e seu p erím etro a c o rrer c o m terro r, inc lusive a a lg um d o s mais poderosos Nightwalkers. Enq ua nto a Mulher Ga to se m o via a tra vés d o b o sq ue, esc o lhend o o c a m inho d a d ireç ã o to m a d a e d eixa nd o o m eno r ra stro p o ssível, rec o rd ou q ue ho uve m a is q ue hum a no s na p a rtid a q ue em b o sc o u o g uerreiro . Ela esta va a p a r d a s reneg a d a s m ulheres Demônio, m ã e e filha , q ue tinha m o p ta d o p o r a lia r-se c o m o s inim ig o s d e sua ra ç a em um d esp ro p o rc io na d o sentid o d e ving a nç a , tud o p o r um trá g ic o eng a no q ue ning uém p ô d e ter prevenido, nem sequer os poderosos Demônios. Tinha o c o rrid o fa zia p erto d o m eio a no , a vésp era d o últim o Belta ne, q ue a s usua lm ente a nim a d a s festivid a d es d o s Demônios se vira m esc urec id a s p ela s seq üela s d a g uerra q ue esta s m ulheres tra id o ra s tinha m c o m eç a d o . Siena tinha sid o p a rte d a fo rç a Demônio, o d ia q ue tinha m sid o fo rç a d o s a um a m a c iç a b a ta lha p a ra p ro teg er a o s seu d e um m a ssa c re d irig id o p ela d efo rm a d a vo nta d e d a q uela s m ulheres. Essa foi à b a ta lha o nd e tinha o b serva d o a s c a p a c id a d es d o Ca p itã o Guerreiro . Ele a tinha im p ressio na d o .


Tanto a ssim , q ue enc o ntrá -lo nesta situa ç ã o era d e a lg um jeito, desconcertante. Além d e sua d estreza na luta , tinha no ta d o q ue o Demônio tinha esta d o p a rtic ula rm ente a feta d o p elo fa to d e q ue a m ulher Druid a , q ue tinha sid o o o b jetivo, tinha esta d o g rá vid a nesse m o m ento . O m enino q ue ela leva va era um fo c o d e ving a nç a , ta nto c o m o ela e seu c o m p a nheiro Dem o nio , e o g uerreiro se enc o leriza ra m a um nível m uito p esso a l, a p esa r de q ue o m enino não fosse dele ou que tivesse um próprio. Os m a c ho s Lic á ntro p o s nã o sentia m usua lm ente essa c la sse d e em p a tia com os meninos, não até que eram pais, e inclusive então não era comum nos m a c ho s d ed ic a r-se a isso , d eixa nd o a c ria ç ã o d o s m enino s à s fêm ea s. Um instinto q ue era freq üentem ente d eterm ina d o p elo s c o m p o rta m ento s na tura is d o a nim a l no q ua l o m a c ho se tra nsfo rm a va . Em q ua lq uer c a so , o s c a m b ia ntes era m um a so c ied a d e d o m ina ntem ente fem inina . A fêm ea s sup era va m em núm ero a o s m a c ho s em q ua se o ito a um . Ela s sem p re tinha m sid o o sexo d o m ina nte, e a g uerra tinha p ro p ic ia d o este fa to . A a m b iç ã o machista pela batalha tinha diminuído seu número ainda mais. Ha via um a m o ra l p o d ero sa m ente m a tria rc a l em um a so c ied a d e d e ta is p ro p o rç õ es, e esta va m b a sta nte o rg ulho so s d isso . Em c o njunto , ra ra vez tinha m o utra m o tiva ç ã o d e ir à b a ta lha q ue nã o fo sse p ela a lim enta ç ã o o u d efesa p ró p ria . Ma s a ind a na insensa tez d a g uerra , a id éia d e m a c huc a r um ino c ente e ind efeso m enino era a b o m iná vel p a ra sua g ente. O c o m p o rta m ento ving a tivo d a s m ulheres reneg a d a s d a ra ç a d o g uerreiro Demônio, era um a p ervertid a a tua ç ã o d e um a m ã e ressentid a q ua nd o sua origem foi ameaçada. Siena se d eteve a b rup ta m ente, sua s o relha s se reto rc era m enq ua nto cheirava, p erc eb end o a essênc ia d e p erig o . Sentiu a o s a nim a is a rra sta nd o -se p o r d eb a ixo d o s resto s d e veg eta ç ã o no c hã o d o b o sq ue, m a s a p a rte d isso , nã o ha via na d a fo ra d o c o m um . O silênc io era c o m p reensível, tend o em c o nta q ue esta va c ruza nd o o territó rio nessa fo rm a , m a s o selva g em ra stro d e sangue que o Demônio estava deixando atrás poderia atrair a outro predador. Estavam a pouco mais de um quilômetro e meio do lugar onde tinha sido a b a ta lha e p erto ha via um a c o rrente. Teria tem p o d e la va r e envo lver o resto d a s ferid a s e a ssim c o b rir o ra stro m a is efic a zm ente, c o m o seu instinto lhe dizia, a fim de evitar ser rastreados. Mas o sol já abria caminho através das árvores, e um a vez q ue o s ra io s a to c a ssem fic a ria m uito d o ente e m uito fra c a p a ra


encontrar um refúgio. Embora um dia jazendo sob o bosque sombreado não a m a ta ria , to m a ria tem p o rec up era r-se d a enferm id a d e resulta nte. Isso , sem d úvid a , sig nific a ria a m o rte d o ho m em q ue nec essita va q ue ela estivesse em boa forma a fim de salvar sua vida. Siena d ec id iu c o rrer o risc o d e serem ra strea d o s. Ha veria á g ua a li o nd e se d irig ia m e esta va fic a nd o sem tem p o . Mo vend o -se c o m no tá vel ra p id ez p a ra a lg uém c o m ta nta c a rg a , c o ntinuou p ensa nd o na s m ulheres Demônio q ue tinha m p erp etra d o o c rim e c o ntra seu a ntig o c a m a ra d a . Ela sa b ia so b re Ruth e sua insa lub re rela ç ã o c o m sua filha . Siena tinha fo rm a d o p a rte daqueles que inicialmente tinham descoberto a traição. Nã o ha via a nim a l na terra q ue esta nc a sse o c resc im ento d e seu filho neg a nd o a lib erd a d e d e d eixa r a to c a o u o ninho p a ra q ue a p rend esse a valer-se por si mesmo. Em algum lugar da evolução, produziu-se uma mutação na so c ied a d e d o s humanóides b íp ed es, q ue tinha m p erm itid o q ue isto fo sse p o ssível e inc lusive, um a no rm a . Em b o ra a evo luç ã o fosse um p ro c esso natural, Siena sempre tinha considerado uma mutação antinatural. Mas, quem p o d eria esta r c o m p leta m ente seg uro ? Os humanóides era m c a p a zes d e g ra nd e q ua ntid a d e d e a b erra ntes c o m p o rta m ento s q ue entra va m em conflito com a ordem natural de viver em harmonia com o próprio entorno. Para ser honesta, isso incluía a sua própria espécie também. Em b o ra o s Lic á ntro p o s fossem freq üentem ente c o nsid era d o s p o r eles m esm o s e p o r o utro s m a is a nim a is q ue hum a no s, eles se prendiam a um a so c ied a d e c o m eng uiç o s, leis e livre vo nta d e. Estes elem ento s, a o m esm o tem p o a ud a zes e p ro d utivo s d e m uita s m a neira s, p o d ia m ser, a ssim m esm o , uma volátil combinação. Po r exem p lo , a g uerra ra c ia l entre o s c a m b ia ntes d ela e o s elem enta les2 d ele. Isto tinha o c o rrid o fa zia vinte a no s, e a id éia d e a jud a r a um Demônio, e em p a rtic ula r a este Demônio, nã o só teria sid o inc o nc eb ível, m a s ta m b ém tra iç o eiro . Pa ra fa la r a verd a d e, ha via a lg uns q ue a ind a se sentia m a ssim , apesar de que sua Rainha claramente não o fazia. A g uerra p révia entre o s Demônios e a ra ç a c a m b ia nte tinha sid o um a to d e seu p a i. Um a a g ressiva d em o nstra ç ã o d e m a sc ulinid a d e q ue tinha c o m eç a d o c o m o um p eq ueno a ssunto d e p rinc íp io s e ra p id a m ente esc a lo u dali a um quase ódio genocida para os Demônios. 2

Se refere a q ue o p ovo d o Elija h c la ssific a a sua g ente seg und o os elem entos: Fog o , Ar, Terra , adicionando a estes Mente e Corpo. (N. d T.)


Um sentim ento q ue, a o lo ng o d e d éc a d a s, o s Demônios c o m eç a ra m a c o rresp o nd er p lena m ente. Infelizm ente, o s Lic á ntro p o s tinha m vivid o ta nto c o m o o s Demônios, p elo q ue a g uerra d e seu p a i tinha a sso la d o a seu p o vo d ura nte séc ulo s, d a nd o na sc im ento a g era ç õ es q ue nã o entend ia m q ue em rea lid a d e ho uve um tem p o em q ue o s c a m b ia ntes nã o tinha m d esp reza d o aos Demônios. Isto começou a mudar no momento em que ela subiu ao trono. Siena resc ind iu p ub lic a m ente a d ec la ra ç ã o d e g uerra c o ntra o s Demônios no insta nte em q ue o c o la r d e seu o fíc io tinha sid o c o lo c a d o a o red o r d e seu p esc o ç o . Isto nã o tinha sid o um a d ec isã o p o p ula r a p rinc ípio, velho s e ho stis sentim ento s fo ra m sustenta d o s no c o ra ç ã o p o r ta nto tem p o q ue sup unha um a d ifíc il b a rreira d e sup era r. Muito b em p o d eria ter c a usa d o uma rebelião maciça. Po ssivelm ente a q ui era o nd e ser líd er fem inina d e um a so c ied a d e matriarcal tinha suas vantagens. Sua voz tinha o poder de apelar a um grande núm ero d e fêm ea s q ue c erta m ente nunc a q uisera m ser p a rte d e viver e morrer em batalhas sem sentido. Sua Rainha só tinha tido que lhes recordar isto lenta m ente, sem d úvid a , d ia a d ia . E enq ua nto o tem p o d e p a z c heg a va , o povo de Siena começou a recordar o que era viver a vida para algo mais que preparar-se para a seguinte batalha. Siena nã o p o d ia , em c o nsc iênc ia , fa zer na d a m eno s. Inc lusive, a p esa r q ue ela m esm a tivesse c ria d o um a d esc o nfia nç a contra o s Demônios, lecionada pelos prejuízos de seu pai e tutores que ele tinha escolhido para ela, ensinando-a a o d iá -lo s p elas “ p erversa s c ria tura s e fo ra d a lei” q ue era m . O d estino tinha intervind o p a ra lhe ensina r um a liç ã o q ue d ra m a tic a m ente tinha muda d o sua p ersp ec tiva d o s Demônios. Seu m o ra l e fem inino sentid o d o b om e o m a u nã o p erm itira m na d a m eno s q ue um a rm istíc io c o m p leto um a vez que tinha tido o poder de demandá-lo. Nã o p o d ia c ulp a r verd a d eira m ente à m a sc ulinid a d e d e seu p a i p o r to d o s seus p ro b lem a s e p o b re c o m p orta m ento c o m o esp éc ie, m a s sua a g ressiva na tureza nã o lhes tinha feito justiç a e a g o ra to c a va a ela d irig ir o s resulta d o s. Qua to rze a no s d e trég ua era um a m iséria c om p a ra d o c o m q ua se trezentos anos de brigas. A p a z era um a á rd ua ta refa q ue só p o d ia rea liza r-se em sistem á tic o s e c urto s p a sso s. Qua lq uer a ç ã o feita sem a a p ro p ria d a sa b ed o ria d a c o ntem p la ç ã o p o d eria c o nd uzir a transformar a frá g il ha rm o nia q ue lo g o


c o m eç a va a b ro ta r entre eles. E fra nc a m ente, c o m to d a s a s ra ç a s Nightwalker c o nsta ntem ente sitia d a s p o r esses im p rud entes e o b stina d o s m o rta is q ue p ro c ura va m sua extinç ã o , nã o p o d ia m p erm itir o luxo d e esg o ta r seus recursos lutando entre si. Sa lva r o Ca p itã o d a s fo rç a s guerreiras d o s Demônios nã o era exa ta m ente um d elic a d o p a sso a to m a r. Ma s ela nã o p o d ia p erm itir q ue p eq uena s p o lític a s d ita ssem se este c a m p eã o vivia ou m o rria . Siena nã o esp era va nenhum b enefíc io e c onfia va q ue nã o ho uvesse rep erc ussõ es. Tud o o que queria era um lugar fresco e escuro para atender suas feridas. Enc o ntro u a c a verna q ue esta va p ro c ura nd o a p ro xim a d a m ente um a ho ra d ep o is. Sua velo c id a d e eno rm em ente red uzid a nã o só p o r sua c a rg a , c o m o ta m b ém p elo so l d a m a nhã q ue c o rria a tra vés d o s nus ra m o s d a s árvores. Qua se im ed ia ta m ente d ep o is d a entra d a , a c o va se inc lina va dramatica m ente p a ra b a ixo , a ro c ha era lisa , fria e úm id a so b seus p és nus. Uso u m uito eq uilíb rio, fo rç a e inc lusive sua s g a rra s p a ra evita r d esliza r p ela esc o rreg a d ia sup erfíc ie e a terrissa r no gelado la g o sub terrâ neo d e á g ua m inera l q ue na sc ia a o fund o . Ra p id a m ente p erc o rreu a m a g ra c o rnija q ue lim ita va a á g ua . No m inuto em q ue d eixo u um úm id o ra stro em um a sup erfíc ie seca, aliviou-se de sua carga posando-a com cuidado na pedra limpa. Sentou-se junto a ele, m a is q ue um p o uc o sem fô leg o , rec o lhend o seus jo elho s p a ra p o d er d esc a nsa r seus b ra ç o s nela s. Prec isa va a jud á -lo , a urg ênc ia d isto a sa c ud ia , m a s ta m b ém p rec isa va d a r um m inuto p a ra sa c ud ir a c eg a nte d o r d e c a b eç a q ue a luz d o so l tinha p ro vo c a d o . Tinha ná usea s p o r isso , seus o lho s e sua p ele p ic a va m p ela fo to sensibilidade so la r. Era afortunada. Ela podia suportar melhor que a maioria porque sua força e poder nã o tinha m p rec ed entes entre seu p o vo . Po r o nd e se visse ela d everia ter caído vio lenta m ente d o ente nesse p o nto . Ag o ra , se a ventura sse fo ra m uito cedo depois disto, seria ainda mais suscetível. A Mulher Ga to p erc o rreu em sua s q ua tro p a ta s o c o nto rno d o la g o , cheirando c a utelo sa m ente p ro c ura nd o fo rm a s d e vid a a ntes d e usa r sua p a lm a s e d ed o s a c o lc ho a d o s p a ra sa lp ic a r á g ua so b re sua p ele. Felina o u nã o , Siena a d o ra va esta r limpa e p erfeita m ente esc o va d a , e isso q ueria d izer á g ua e em m uita q ua ntid a d e. Co nc ed eu m uito tem p o a la m b er um a m a nc ha d e sa ng ue Demônio d e sua p ele, m a s d eixo u o resto d e seu


tratamento p a ra m a is ta rd e. Fic o u em p é, em to d a sua esta tura , sa lta nd o sobre o Demônio e dirigindo-se às profundidades da caverna. O suave click de suas garras sobre a pedra anunciou sua volta. Jogou um sa c o no c hã o e a seg uir encheu um a g a rra fa c o m á g ua d o la g o a ntes d e girar e ajoelhar-se a seu lado e atendê-lo. Ra sg o u sua c a m isa , o q ue fic a va d ela , inc lusive se viu fo rç a d a a tira r p eq ueno s reta lho s d e sua p ele q ueim a d a . A ferid a m a is g ra ve, um a so b re seu c o ra ç ã o , foi a tend id a e sa na d a . Ag entes c o a g ula ntes e c ic a triza ntes se enc o ntra va m d e m a neira na tura l no c a b elo d o s Lic á ntro p o s. Derramar sa ng ue a p a rtir d o c o rte d a s extrem id a d es q uentes e vivo s m ec ha s tinha a g id o c o m o um desinfetante e b á lsa m o c ura d o r. Entreta nto , nã o p o d ia usa r seu c a b elo p a ra to d a s a s ferid a s. Seria m uito d a no p a ra ela . Siena se fixo u na c ic a triz em c a rne viva q ue tinha em seu c o uro c a b elud o c o m o resulta d o d o uso que tinha feito. Em vez d isso , esteve sa tisfeita lim p a nd o o s c o rtes e q ueim a d ura s c o m á g ua e c o b rir a s ferid a s c o m vend a g ens d e um esto jo d e p rim eiro so c o rro s que extra iu d o sa c o . Os Demônios sa na va m m uito rá p id o e a m a io r p a rte d e sua s ferid a s esta ria m sa na d a s a ntes d a ta rd e. Ma s a ferid a d o p eito to m a ria m a is tem p o , a ssim c o m o o utra s q ue p erfura va m seu o m b ro , q ua d ril e a c o xa , em seu lado direito. Ele tinha sid o a tra vessa d o c o m la nç a s d e ferro nessa s três ferid a s, nã o c a b ia d úvid a era m m ísseis d e m o la s d e susp ensã o o u a lg um a o utra a rm a d e tip o p rop ulso r. Alg uém tinha a tra vessa d o c la ra m ente o m úsc ulo d e sua c o xa , m a s ha via b a rra s m etá lic a s so b ressa ind o d a s o utra s d ua s ferid a s. O ferro queimava os Demônios so m ente c o m seu to q ue, freq üentem ente fa zend o c ic a trizes e d esfig ura nd o -o s c o m ra p id ez. Esta s a rm a s inva so ra s d evia m ser insup o rtá veis p a ra ele, em b o ra inc o nsc iente e em c o m a c o m o esta va , era d e esperar que não sentisse dor. Siena livrou um a p a rte p eq uena d o q ue fic a va d a c a m isa d o g uerreiro e a uso u p a ra ter um m elho r a g a rre so b re o extrem o d o d a rd o q ue sobressaía de seu ombro. Extraiu-o fo rte e rá p id o , sentind o a ra sg a d ura d a c a rne q ua nd o a p o nta c a uso u m a is d estruiç ã o em sua sa íd a . A ferid a esta va a sso m b ro sa m ente neg ra , a q ueim a d ura d o ferro a tinha c a uteriza d o o sufic iente, m a s tinha c o m eç a d o um no vo sa ng ra mento c o m a extra ç ã o e a g o ra p ressio na va p ed a ç o s d a c a m isa feito um a b o la nela , a ta nd o -a fortemente ao redor para exercer uma melhor pressão.


Banhou seu to rso p o r inteiro , insp ec io na nd o c a d a ferid a e a s tra ta nd o c o m erva s e a ta d ura s q ue tra zia no sa c o . Esta va im p ressio na d a c o m sua c o nd iç ã o físic a . Isto era um a verd a d e na tura l p a ra m uita s d a s ra ç a s Nightwalker. Nascidos com um alto metabolismo e o sentido inato de regular a ingestão d e c a lo ria s c o m a a tivid a d e, era m uito p o uc o freq üente q ue o s integrantes de suas várias espécies tivessem sobrepeso. Ma s este, p ensa va p a ra si m esm a enq ua nto p erc o rria um a g a rra d o ura d a so b re o c o rte d efinid o d e seu p eito ra l d ireito , este era o c o rp o d e um ser q ue trina va e se a p erfeiç o o u c o m o um a a rm a m a nua l. Ele era m usc ulo so, sim, mas tinha tido a sabedoria suficiente para não sobrecarregar sua estrutura d e um a fo rm a q ue p o d eria d im inuir sua flexib ilid a d e e efic ientes m o vim ento s c o rp o ra is. Ela tinha visto este m a c ho m o ver-se em b a ta lha , tã o rá p id o e tã o letal, e recordava haver ficado igualmente sem fôlego pela fascinação. Siena se d eu c o nta d o q ue esta va p ensa nd o e im ed ia ta m ente d esp rezo u o im p ro d utivo to q ue e a s sensa ç õ es q ue o a c o m p a nha va m . Vo lto u sua a tenç ã o a sua urg ente nec essid a d e d e c ura . Co m d elic a d eza reviso u a la nç a q ue tra nsp a ssa va seu q ua d ril e acho u d ifíc il d e esta b elec er sua colocação pelo tecido de brim que vestia. Estranhamente, o brim a divertiu. Este guerreiro era um peculiar. A maioria de sua gente levava roupas que refletia m a s eras p ela s q ue tinha m p a ssa d o em vez d a era em q ue esta va m . Era estra nho ver um a m o d a tã o m o d erna a g ra c ia nd o um d e seus c o rp o s. Po r o utra p a rte, o brim leva va ro nd a nd o já p erto d e um séc ulo , p elo q ue a etiq ueta d e d esenhista tinha sid o elim ina d a , p o d eria ter sid o fa c ilm ente d esc ulp a d o p o r ser c o m o m uito um a na c ro nism o d e q ua lq uer o utra roupagem Demônio. Siena se a p ro xim o u p a ra d esa b o to ar a frente d a s c a lç a s, a tira nd o um p o uc o d o a fro uxa d o brim em um intento d e insp ec io na r d e m elho r m a neira o d a no . Po r últim o, sim p lesm ente c ed eu a nte o inevitá vel e ra sg o u a tra vés d o tec id o c o m sua s a fia d a s g a rra s, d esp ind o -o c o m p leta m ente. Livre p a ra trab a lha r a g o ra , extra iu o o utro m íssil e la vo u to d a s a s lesõ es em sua s d ensa m ente m usc ulo sa s p erna s. La vo u o sa ng ue d o s p êlo s q ue se frisa va m so b re ela s c o m o um lig eiro p ó d o ura d o , usa nd o m ed ic a m ento s so b re a c a rne profundamente queimada de seu quadril devido ao ferro venenoso. Esta s era m as ferid a s q ue nã o sa na ria m ra p id a m ente. Ela susp eita va q ue a ferida de seu coração também tivesse sido com uma arma de ferro. Alguma


esp éc ie d e a rc a ic a m a ç a o u estrela d a m a nhã3, p o ssivelm ente. O q ue fosse q ue tivesse sid o , tinha esm a g a d o e esm ig a lha d o a á rea , d eixa nd o q ueim a d ura s revela d o ra s, m a s na d a o sufic ientem ente neg ro p a ra ind ic a r um m íssil q ue estivesse a ind a enc ra va d o e a rd end o a g o ra q ue a ferid a esta va fechada. Um a vez q ue o teve la va d o c o m p leta m ente c o m a c a lm a nte á g ua m inera l, ung iu e envo lveu c a d a ferid a q ue p ô d e enc o ntra r e o a va lio u p o r a q uela s q ue nã o p o d ia ver, tiro u tem p o p a ra la va r o sa ng ue d e seus p ró p rio s cabelos. Sentiu-se m a is rela xa d a q ua nd o o fez. O a ro m a q ue tinha sid o tã o a tra tiva m ente a b o m iná vel fo i felizm ente la va d o d entro d o la g o enq ua nto a á g ua ro d a va p ela p ed ra e reto rna va p o r o nd e tinha vind o . Po d eria ser um a b esta , m a s ela era um a q ue luta va p o r sua c iviliza ç ã o c o m um a sing ula r consciência. Se nã o tivesse g a nha d o essa d istinç ã o , este d eb ilita d o e ferid o membro de outra manada teria recebido outra coisa diferente de sua ajuda. Qua nd o seu c a b elo esteve lim p o , d elinea d o c o m um a centena d e d istinto s to ns d e o uro , b ra nc o e b ro nze, a g o ra q ue esta va m o lha d o , ra p id a m ente esc o vo u e la m b eu sua p ró p ria p ele. Um a vez q ue term inou sua s a b luç õ es, leva nto u-o d e no vo em seus c a nsa d o s b ra ç o s e o c a rreg o u d entro da estrutura da cova. Po d eria ter surp reso a o Demônio, ter enc o ntra d o m ó veis nesse lug a r, m a s a Rainha Lic á ntro p o o esp era va to ta lm ente. Esta c a verna era um a versã o Lic á ntro p o d e um a c a b a na d e verã o . Em rea lid a d e, um retiro d e inverno seria o termo c o rreto . Os Lic á ntro p o s nã o esta va m p o r c im a d a hib erna ç ã o , p elo q ue essa s c o va s d ista ntes no p ro fund o d a s m o nta nha s e a terra era m freq üentem ente sub m inistra d a s p a ra ta is c oisa s. Os m ó veis era m um enig m a , p o ssivelm ente, m a s um d o s efeito s d a c iviliza ç ã o era a im p erturb á vel conscientização d e viver c o m m uita c o m o d id a d e. Inc lusive se essa sig nific a tiva c o m o d id a d e se enc o ntra va a ssenta d a incongruente em um a cova. Esta c a verna p ertenc ia a um a d a s Co nselheira s d a Ra inha , um a m ulher d e im p ec á veis g o sto s e o s m eio s p a ra sa tisfa zê-lo s. Siena ha via se sentido d ec ep c io na d a a o entra r no sa lã o e d a r-se c o nta q ue Jina eri nã o tinha 3

4 Luzeiro d o a lvora d a , q ue é a tra d uç ã o d ireta d o Morning sta r (Ing lês) e d o Morg enstern (Alem ã o) é um a m a ç a d e a rm a s c ujo c a ra c terístic a p rinc ip a l é q ue sua c a b eç a a rm a d a se c om p õe d e um a esfera ferra d a ou p rum o d e ond e p a rtem p reg os ou p ua s. Por isso sua sim ila rid a d e c om o sím b olo d e um luzeiro. (N. do T.)


c o m eç a d o a p rep a ra r-se p a ra o p ró xim o inverno , e nã o ha via ind íc ios d e q ue tivesse esta d o o u fo sse esta r c o m o fim d e fa zê-lo . Qua nd o a Rainha m a nteve a últim a reuniã o na c o rte, Jina eri tinha esta d o p resente e tinha m enc io na d o q ue lo g o c o m eç a ria esses p rep a ra tivo s. Siena tinha tid o a esp era nç a de deixar o guerreiro a seus cuidado enquanto ela ia por ajuda. Ag o ra teria q ue fic a r e a tend ê-lo o m elho r q ue p ud esse. Sim p lesm ente nã o p o d ia a b a nd o na r a um Demônio em um a loja m ento Lic á ntro p o sem nenhum a m p a ro nem a jud a . Nã o tinha id éia d e q ua nto tem p o to m a ria à s ferid a s c a usa d a s p elo ferro sa na r em um Demônio. Ta m b ém sa b ia q ue p ela g ra nd e p erd a d e sa ng ue a c ura se veria o b sta c uliza d a , inc lusive se ele chegasse a so b reviver. Lo g o q ue esta va fo ra d e p erig o e isso p o rq ue ha via coberto suas feridas. Um a série d e d eg ra us esc ulp id o s d entro d a c a verna c o nd uzia m p a ra b a ixo , m uito m a is seg uro q ue a c o sta o rig ina l à entra d a d a m esm a c o va . Além d isso , nesse nível tud o esta va m a is sec o e fresc o . Ela se d eteve no sa lã o , um a sa la c o m sua ves p o ltro na s e p ra teleira s d e livro s. Ha via um a c ha m iné, a q ua l, p ro va velm ente, sa ía p ela la d eira d a m o nta nha a b a sta nte d istâ nc ia d eles. Siena p a sso u a s esta ntes d e livro s cobertas c o m tec id o p a ra p ro teg êlo s, e se d irig iu a um a seg und a sa la . Esta era o d o rm itó rio . So b re a lo ng ínq ua p a red e ha via um esc uro e na tura lm ente fo rm a d o q ua rto c o m um eno rm e jogo de cama feito a mão em seu interior. Siena se tra nsla d o u p a ra lá e d ep o sito u c o m m uita sua vid a d e sua c a rg a so b re o c o lc hã o , q ue p a rec ia feito à m ã o ta m b ém , e m uito p ro va velm ente, d o m a is sua ve recheio q ue a p ro p rietá ria p ô d e enc o ntra r. O g ig a ntesc o m a c ho se a fund o u p ro fund a m ente na sua ve c o m o d id a d e e ela im ed ia ta m ente o c o b riu c o m um ed red o m d a c a m a p a ra evita r o c o nsta nte frio d esta s c a verna s sub terrâ nea s enq ua nto ele se c ura va . A c ha m iné d a sa la era um a c o ntinua ç ã o d a q ue ha via no sa lã o , d e ta l m a neira q ue se p o d eria ver o quarto do lado, se não fosse cegado pelo resplendor. Ela c o nsid ero u a c end er um a p a ra esq uenta r o lug a r, m a s c o m inim ig o s que eram perfeitamente capazes de funcionar sob a luz do sol e com vontade d e m a ta r a este Demônio, um ra stro d e fum a ç a nã o va leria o risc o . Enq ua nto ele estivesse d o ente, ela esta ria so zinha . Po d ero so o u nã o , tud o o q ue Siena teve q ue fa zer foi o lha r o g uerreiro desmaiado p a ra sa b er q ue ela nã o teria melhores possibilidades que ele ante essas diabólicas mulheres.


Exa usta , Siena se tra nsla d o u d e no vo a o sa lã o o nd e im ed ia ta m ente se enro sc o u na s a lm o fa d a s felp ud a s d o so fá . Nem seq uer se inc o m o d o u em seus usua is ritua is, q ue freq üentem ente inc luía m a m a ssa r o leito p a ra a c resc enta r m a is sua vid a d e e m o ver-se um p o uc o a té enc o ntra r o p o nto exa to . Sim p lesm ente d esa b o u, enro sc o u-se em um a c ô m o d a b o la e c a iu d o rm id a sem demora. Enq ua nto entra va em um p ro fund o so nho , a d oura d a p ele d e seu c o rp o se esfo lo u, p end ura nd o a o d esc uid o so b re seus b ra ç o s, q ua d ris e a s a lm o fa d a s d o so fá , d eixa nd o a o d esc o b erto um a sua ve e hum a na p ele. As g a rra s se c o nvertera m em p eq uena s e c uid a d a s unha s, o s b ig od es d esa p a rec era m . As a lm o fa d inha s d e sua s m ã o s e p és se vo lta ra m na d a m ais grossa s q ue o s c a lo s ha b itua is, e sua s o relha s era m só um p o uc o menores d ep o is d e tro c a r p a ra a fo rm a e p o siç ã o no rm a l d a o relha s d e q ua lq uer mulher.

CAPÍTULO 2

Siena d esp erto u a lg um a s ho ra s m a is ta rd e sentind o -se m uito m elho r. Po r um la d o, p o d ia p erc eb er o io niza d o a ro m a d a c huva . Esta va c ho vend o d e m a neira c o nsid erá vel d o o utro la d o d a entra d a d a c o va . A p ressã o era inc o nfund ível, a ind a q ua nd o nã o p ud esse esc utá -la c o m seu a g ud o o uvid o . Este b a nho d a Terra p o d eria o c ulta r o q ue fic a va d e seu ra stro p a ra a c o va . Susp eita va q ue em sua ha b itua l a rro g â nc ia exa g era d a , o s hum a no s usuá rio s d e m a g ia p ro va velm ente nã o a c red ita va m q ue tinha m fa lha d o em m a ta r o Demônio, e c om o resulta d o , nã o p rec isa va m fa zer um a dupla c o m p ro va ç ã o . Entreta nto , c o m a s m ulheres Demônios a seu red o r, nesta situa ç ã o nã o p o d ia dar por seguro esses típicos comportamentos. Siena sento u no so fá , estira nd o um a long a extrem id a d e, d ep o is a o utra , sua ves e sa tisfeita s vo c a liza ç ões a c o m p a nha ra m o m o vim ento . Jina eri c erta m ente sa b ia um a o u d ua s c oisa s so b re o c o nfo rto , p enso u, enq ua nto fic a va em p é sa c ud ind o p a ra trá s seu c a b elo q ue im ed ia ta m ente se a c o m o d o u em seu lug a r. A ra inha se d irig iu a té um a ntig o b a ú p o sto c o ntra a p a red e e o a b riu. Dentro d esc o b riu vestid o s e c a m iseta s p ulc ra m ente dobrados.


A b revid a d e d a s p eç a s d e vestuá rio , em sua m a io ria c urta s e a justa d a s, era m c o m uns entre a s m ulheres d e sua c ultura . Aq uela s q ue d esfruta va m d a ha b ilid a d e d e tra nsfo rm a r-se em um a nim a l ta m b ém a s usa va m , já q ue esses o b jeto s c a iria m fa c ilm ente a um la d o d o c a m inho e nã o im p ed iria m o s movimentos no instante da mudança. A ra inha extra iu um sua ve e so lto m ini vestid o d o b a ú, e o p ô s c o m um a rá p id a q ued a d o tec id o so b re sua c a b eç a . O p eq ueno o b jeto se d eslizo u insta nta nea m ente em seu lug a r, sustentando-se nela p o r um a s m a g ra s tira s nos ombros e pelo fato de que tinha mais busto que Jinaeri. Observou inclusive c o m o o d ec o te d eixa va m uito q ue ver. A p reg a d a va p o ro sa sa ia revo o u so b re sua s c o xa s, um sua ve sussurro d e sensa ç õ es fez q ue esfreg a sse c o m p ra zer o s d ed o s so b re o m o ntã o d e tec id o . Siena jo g o u um a o lha d a a o esp elho p erto d o b a ú e so rriu enq ua nto a d m ira va o velud o a zul e a fo rm a como b rilha va q ua nd o flutua va à d eriva c o m um so ta q ue d e em o ç ã o . Ta lvez devesse exec uta r o s p rivilég io s d a rea leza e p ed ir em p resta d a permanentemente a deliciosa criação. Lo g o , Siena a linho u a fria p ed ra d a c ha m iné, o nd e a rrum o u a m a d eira e a c end eu um c o nfo rtá vel fo g o , sem p reo c up a r-se d e q ue a fum a ç a fo sse ra strea d a na c huva o u a esc urid ã o . A ta rd e, d efinitiva m ente, já esta va so b re eles. Siena sentiu c ulp a p o r nã o ha ver lem b ra d o d e c o m p ro va r o esta d o d o p a c iente em to d o esse tem p o , m a s nã o tinha sentid o rep reend er-se. Nã o havia muito que fazer por ele, em qualquer caso. Verific o u seu esta d o im ed ia ta m ente d ep o is q ue o fogo criou c o rp o , c ruza nd o p a ra a o utra ha b ita ç ã o e d eixa nd o q ue só a luz d o fo g o ilum ina sse seu c a m inho . Desc a nso u c a utelo sa m ente um jo elho no c o lc hã o , senta nd o -se so b re esse ta lã o , m eta d e d entro m eta d e fo ra d a c a m a . Deva g a r, c o m eç o u a revisa r a s ferid a s. Co m o sup unha , a m a io ria esta va m sa na nd o b em , a lg um a s m o stra va m já um p o nto ro sa d e no va p ele. Retiro u a s vend a g ens d esses lug a res. As ferid a d o ferro nã o o esta va m fa zend o tã o b em , c o m o já esp era va . A p io r p a rte so b re o ferro , a d iferenç a d a p ra ta usa d a c o ntra sua g ente, era q ue tend ia a o xid a r-se e d eixa r esc a m a s c o m fa c ilid a d e. Esta s esc a m a s d e m eta l p o d ia m c o ntinua r o insid io so envenena m ento q ue a ferid a tra ta va d e c ura r. A únic a m a neira d e c urá -la c o m p leta m ente seria c om um médico Demônio d e g ra nd es ha b ilid a d es q ue utiliza sse seus p o d eres so b re o corpo para fazê-lo. Conhecia a pessoa que necessitava.


De fa to , sua esp o sa era a em b a ixa triz q ue o Rei Demônio tinha designado para sua corte, a irmã do próprio Rei, Magdelegna. Legna era uma b rilha nte e fo rm o sa m ulher, um a Demônio Menta l d e sub sta nc ia l p o d er, c uja va lentia Siena a d m ira va m uito . To m a va à m ulher m uita c o ra g em m a nter a d ip lo m a c ia no q ue freq üentem ente era um a ho stil c o rte d e a ntig o s inim ig o s, a ssim c om o exp o r a si m esm a a ta l situa ç ã o enq ua nto esp era va seu p rim eiro filho. Entreta nto , o m a rid o d e Leg na , o g ra nd e Demônio Co rp ó reo e m éd ic o c ha m a d o Gid eon, era o m a is Antig o d e to d o s os Demônios, a ssim c o m o o m a is p o d ero so . Era o únic o q ue p o d ia a tend er esta s m a lévo la s ferid a s, extraindo o ferro com mágica facilidade. Em b o ra sua s ha b ilid a d es m éd ic a s estivessem d esp erd iç a d a s na c o rte Lic á ntro p o , p ois o s c a m b ia ntes se m o stra ra m p rinc ip a lm ente ina feta d o s p elo s poderes dos Demônios Mental e Corpóreo, Gideon tinha sido uma boa adição a ela. Tinha sid o o primeiro Demônio q ue conheceu um p risio neiro q ue seu p a i c o nservo u p a ra o entretenim ento d o Rei e fanfarronar d isso m uito s, m uito s a no s a ntes. Entreta nto , isto esta lo u no m o na rc a , p o rq ue fo ra m o s ensinamento s d e Gid eo n o s q ue tinha m ilum ina d o a jo vem p rinc esa a resp eito da natureza e bondade dos Demônios. Ag o ra esta va d e vo lta na c o rte e a ssistia silenc io sa m ente sua c o m p a nheira a fa zer a m esm a c oisa , m a s em g ra nd e esc a la . Ta m b ém servia c o m o p ro teto r d e sua esp o sa na ta refa às vezes ho stil d e p ersua d ir um p ovo p rec o nc eituo so . Nenhum a c ria tura c o m c erto g ra u d e sentid o se a treveria a machucar a c o m p a nheira d e um ser tã o poderosa c o m o Gid eo n, m a s em c a d a ra ç a sem p re há a lg uém c o m fa lta d e sentid o c om um . As feridas d o guerreiro atestavam isso claramente. Era inútil p ensa r no m éd ic o . Esta va m uito lo ng e e Siena nã o d eixa ria o g uerreiro vulnerá vel e so zinho . Teria q ue esp era r a té q ue fic a sse m a is fo rte. Ela , entreta nto , teria q ue c a ç a r p a ra c o m er se nã o ho uvesse na d a d isso na c o va . E nã o p a rec ia p ro vá vel. Send o um a q ue to m a va a fo rm a d e um lém ur, Jina eri era veg eta ria na . Siena era so b re tud o , c a rnívo ra e p referia sem p re a p resa m a is fresc a q ue p ud esse enc o ntra r. Nã o era p ro vá vel q ue enc o ntra sse ta l c oisa na c a sa d e um herb ívo ro , nã o im p orta va q ue a ind a nã o se abastecesse p a ra o inverno . A nutriç ã o d a c a rne era a lg o q ue só se p o d ia ob ter fresc o .


Nã o tinha sentid o d eixa r a lg o d a esta ç ã o a nterio r q ue p ud esse a tra ir a animais ou decadência. Siena , g entilm ente, vo lto u a la va r a s ferid a s d o g uerreiro e a s c o b riu c om vendagens limpas. Quão única não tocou era a da vendagem de seu cabelo. Essa se c ura ria so zinha e era m elho r d eixá -la tra nq üila . Pô s o s c o b erto res so b re a fria p ele d o Demônio. Isto era um b o m sinal. Os Demônios sup o rta va m tem p era tura s m a is b a ixa s d o q ue o s Lic á ntro p o s o u o s hum a no s fa zia m . Se ficasse quente, significaria que estaria lutando contra a febre e isso, agora, era a últim a c oisa q ue o g uerreiro nec essita va . Aind a esta va terrivelm ente p á lid o , ta lvez, inc lusive, m uito frio a o to q ue, m a s p a rec ia q ue resp ira va c o m m a is so ltura . Po d ia o uvir o está vel b a tim ento d o c o ra ç ã o , m a is fo rte d o q ue tinha estado. A ra inha se a p ro xim o u e a p a rto u o s a g o ra sec o s c a c ho s d e seu c a b elo , surpreendendo-se d a sua vid a d e c o m a q ue esc o rreg a va m p o r seus d ed o s. Levava-o c o m p rid o, a lg o c o m um p a ra o s Nig htw a lkers. O q ue seja q ue utiliza sse p a ra m a ntê-lo fo ra d e seu ro sto já nã o esta va , e p enso u q ue teria que b usc a r um a sub stituiç ã o quando reto rna sse c o m c o m id a p a ra eles. Se u c a b elo era b a sta nte esp esso , m a is d enso q ue o d e um Lic á ntro p o , essa era a carac terístic a d e um Demônio. Ma s o s Lic á ntro p o s nã o p o ssuía m um m o no p ó lio no q ue se referia a c a b elo sã o e esp esso . Aind a a ssim , era um a sensação agradável ao tato. Siena enc o ntro u q ue sua m ã o va g a va p o r sua fro nte, a s g em a s d e seus ded o s to c a nd o c a d a g ro sa e d o ura d a so b ra nc elha , m a rc a nd o o c urio so risc o d e seus a rc o s. Inc lusive a s p esta na s era m d o ura d a s, c o m o a s sua s. Esta s era m d e um a ric a e esc ura c o r d o ura d a , c o m p ensa nd o o s to ns m a is c la ro s d e seu c a b elo , ta l c o m o a c o ntec ia c om ela . Tinha um b o nito ro sto , m a ra vilho u-se enquanto risc a va c o m o p o leg a r so b re a s b em d efinid a s m a ç ã s d o ro sto , um nariz fortemente masculino e um firme queixo com o débil rastro de uma fenda no c entro . Era tã o rud e, e a ind a a ssim , d e a lg um jeito, a ninhadamente fo rm o so . Po ssivelm ente, refletiu fo ra a p lenitud e d e sua b o c a , q ua se fem inina em sua forma, o que frustrava todo o intento de parecer duro. Siena riu d e si m esm a q ua nd o p ercebeu o q ue fa zia . Fic o u em p é, sacudindo a s m ã o s, c o m o se tenta sse a s c a stig a r p a ra q ue se c o m p o rta ssem d a p ró xim a vez. Sup rim iu um so rriso a nte seu to lo c o m p o rta m ento e se d irig iu para frente d a c o va . Deteve-se na entra d a d ura nte um c o m p rid o insta nte, esc uta nd o a c huva e c heira nd o o b o sq ue d o rm id o o m elho r q ue p o d ia . A


c huva m a sc a ra va inc lusive sua s fo rm id á veis ha b ilid a d es d e p erc eb er a p resa ou o p red a d o r. Entã o , sa ind o d o vestid o c o m um sim p les m o vim ento d o s o m b ro s, envo lveu-se na p ele d a fo rm a d a Mulher g a to e c o rreu p a ra o frio e úmido outono do bosque. Elija h nã o se m o veu m a is d e um a p o leg a d a durante a ho ra q ue tinha esta d o fo ra . Verific o u q ue nã o tivesse feb re, tra ta nd o d e nã o g o teja r em c im a . Esta va em p a p a d a d a c a b eç a a o s p és, seu c a b elo g o teja va enq ua nto se a linha va p erto d o fog o . Sentou-se em um a p eq uena e c ô m o d a c a d eira perto d a sec a c a lid ez d a s c ha m a s, usa nd o um tec id o e o c a lo r p a ra tra ta r d e secar o cabelo. Deveria ter p erm a nec id o em sua fo rm a d e Mulher Ga to , a p ele era m a is fá c il e rá p id a d e sec a r, m a s c o nsid ero u q ue seria im p rud ente fic a r a ssim . Elija h tinha d eixa d o b a sta nte c la ro q ue d ura nte seus b reves enc o ntro s q ue nã o c o nfia ria nela o u em nenhum d e sua c la sse a lém d o q ue p ud esse c usp ir. Nã o seria jud ic io so ter a fo rm a d o Lic á ntro p o q ua nd o d esp erta sse. Po d eria nã o to m a r o tem p o p a ra no ta r o c o la r o rna m enta l d e sua linha q ue nunc a tirava. Um Demônio, a ind a em esta d o d eb ilita d o , nã o era um q ue se p ud esse eng a na r. Se seu p o vo tinha a p rend id o a lg o a tra vés d o s séc ulo s, era q ue nã o se d evia sub estim a r o s p o d eres d e um Demônio q ue se sentisse a m ea ç a d o . Trég ua o u nã o , Elija h se sentiria o b rig a d o a p erc eb er o p erig o d e extinç ã o com sua presença, não importava o fato que já estivesse ferido. A rainha girou mais perto do fogo, suas costas para o adormecido Demônio enquanto seguia a lvo ro ç a nd o seu c a b elo . Tinha um d o s c o elho s d o s q ue tinha c a p tura d o m a is c ed o g ira nd o em um a esta c a so b re o fo g o , o a ssa d o r era o p era d o p o r m o to r d e b a teria s d e p o tênc ia . Isto so a va e c hia va , nã o a p rec ia nd o a c erc a nia d e um elem ento m a sc ulino c uja q uím ic a c o rp o ra l fa zia q ue func io na sse a m eno s d e um p ic o . A d iferenç a d o s Demônios, o s Lic á ntro p o s nã o era m a d verso s a o uso d a s m á q uina s e a tec no lo g ia , p elo q ue essa s c oisa s nã o rea g ia m neg a tiva m ente a nte eles. Da d o q ue era um a sim p les lo c a ç ã o d e hib erna ç ã o , nã o esta va eq uip a d o c o m eletric id a d e ou a lg um a sup érflua nec essid a d e q ue se vo lta ria inútil enq ua nto o o c up a nte d o rm isse m a is d o q ue ela p erm a nec ia a c o rd a d a , e Siena sup unha q ue isso era um a q uestã o m uito a fo rtuna d a . Ha via um a fo nte na tura l d e á g ua , a b und â nc ia d e m a d eira p a ra o fo g o e um b o sq ue c heio d e a lim ento a lém d a entra d a . Na verd a d e, nã o ha via necessidade de mais.


Qua nd o seu c a b elo esteve q ua se sec o , enro sc a d o um a vez m a is em um g ra c io so c ilind ro tub ula r, leva nto u-se p a ra vestir-se e se d ed ic o u a p rep a ra r um a c a ç a ro la d e g uisa d o e um a so p a c o m o q ue tinha fic a d o d o s c o elho s e d o p eru selva g em q ue tinha c a p tura d o . Co nservo u a s p lum a s d a a ve, c o m o p a g a m ento a Jina eri p elo uso d e sua c a sa . Desfez erva s e ra ízes em a m b o s o s p o tes e d eixo u q ue c o zinha ssem lenta m ente no fo g o , susp enso s em um a s caldeiras que penduravam sobre as chamas. Era c erto q ue sua d ieta c o nsistia p rinc ip a lm ente em m a ntim ento s q ue esta va m m a is vivo s q ue m o rto s, m a s era humanóide ta m b ém e a p rec ia va a a m p la va ried a d e d e sa b o res c uliná rio s. Um a d e sua s c o isa s fa vo rita s era um a sa la d a selva g em , to d o s o s b ro to s verd es d o b o sq ue, o u no o uto no , no zes, ra ízes d e tub érc ulo e b a g o s, sem p re q ue nã o fo ssem veneno sa s. To d o s o s carnívoros era m em rea lid a d e o nívo ro s. O q ue m uito s nã o entend ia m era q ue o s c a rnívo ro s c a ç a va m a o s herb ívo ro s, nã o só p o rq ue nã o so ub essem defender-se se nã o p o rq ue a s vísc era s d estes a nim a is usua lm ente tra nsb o rd a va m d a s vita m ina s e q ua lid a d es b enéfic a s d a veg eta ç ã o . Po r isso , o ventre era freq üentem ente a p rim eira c o isa pelo q ue ia o leã o d ep o is d e atacar uma gazela ou cervo. Entreta nto , a s vísc era s era m a lg o q ue d eixa va p a ra a g a ta m o ntês, e em o c a siõ es p a ra a Mulher Ga to . Em sua fo rm a hum a na , p referia sa la d a s e c a rnes, ta nto c rua s c o m o c o zid a s. Esta c o m id a nã o era ta nto p a ra ela , em q ua lq uer c a so . Esta va feita p a ra seu p a c iente. As erva s usa d a s p a ra c o nd im enta r o s p ra to s nã o era m sim p lesm ente d elic io sa s, m a s ta m b ém m ed ic ina is. Tud o o q ue foi a o g uisa d o e à so p a serviria p a ra o p ro p ó sito d e ajudá-lo a sa na r e rec up era r sua s fo rç a s. Enq ua nto c o zinha va , Siena o c up o u seu tem p o lim p a nd o e estira nd o a s p eles d o s c o elho s no s Ma rc o s q ue esta va m p end ura d o s p erto d a c ha m iné. Na d a q ue se c a ç a va era um d esp erd íc io . Se um c o m p a nheiro a nim a l entreg a va sua vid a p a ra seu sustento , ela vela ria q ue c a d a p a rte fic a sse a b o m uso . E d e no vo , seria um b o m p a g a m ento p a ra Jina eri, q uem nem tinha id éia q ue esta va jo g a nd o de anfitriã para sua Rainha e o Capitão guerreiro. Pa ssa d a um a hora , a ra inha serviu a so p a q uente em um a s terrina s d e m a d eira , c o lo c ou-lhe um a c o lher e se d irig iu a o la d o d e seu p a c iente. Um a vez m a is, a jo elho u-se so b re a c a m a , a ssenta nd o -se so b re um ta lã o enq ua nto sustenta va a terrina c o m um a m ã o e a o utra a esfreg a va so b re seu b ra ç o . Nã o era q ue esp era sse q ue d esp erta sse im ed ia ta m ente, m a s a o m eno s o


tenta ria a c a d a q uinze m inuto s a té q ue o fizesse e p ud esse c o nseg uir q ue se nutrisse. Qua nd o o g uerreiro , d e rep ente, irro m p eu à vid a , Siena foi a g a rra d a c o m p leta m ente c o m a g ua rd a b a ixa . Exp lo diu em m o vim ento s, a g a rra nd o -a p o r a m b o s o s b ra ç o s e a rra sta nd o -a vio lenta m ente so b re seu c o rp o . Sua s c o sta s se estrelo u c o ntra o c o lc hã o , sua resp ira ç ã o c o rta nd o -se d e im p revisto . Fixou-a debaixo de seu corpo com muita dor, sua maciça força era formidável a ind a em seu fra c o esta d o , seu p eso era um a fo rç a esmagadora. Siena nã o fez nenhum som, nem sequer quando a sopa fervendo caiu sobre suas pernas. Nã o fez ruíd o a lg um o u m o vim ento q ue p ud esse c o nfund ir c o m p ro vo c a ç ã o . A únic a c oisa q ue fez foi ro d ea r o grosso p ulso d a m ã o q ue a p erta va sua g a rg a nta c o m firm eza , m a ntend o o s d ed o s d e a m b a s a s m ã o s. Nã o o provocaria, mas tampouco deixaria que a estrangulasse até morrer. Os o lho s verd es d o g uerreiro se via m selva g ens p ela c o nfusã o e a d o r, seus m o vim ento s p rejud ic a ra m a lta m ente a s ferid a s c uid a d o sa m ente enfa ixa d a s. Siena fo i im ed ia ta m ente c o nsc iente d o a ro m a d o sa ng ue fresc o e seus o lho s vo a ra m à ferid a d o p eito . Viu um fresc o fluxo d e sa ng ue esc o rreg a nd o p o r sua p ele, g o teja nd o d e seu a b d ô m en a o vestid o . Seu im enso c o rp o esm a g a va o seu, sua s p erna s e q ua d ris c ra va nd o -a no sua ve c o lc hã o enq ua nto refo rç a va a m eta d e d o p eso d e seu to rso em um a m ã o e apoiava o resto na mão que tentava cortar seu fornecimento de ar. Elija h p isc o u, tra ta nd o d e a ssim ila r tud o o q ue esta va vend o a tra vés d e um turvo m uro d e d o r. Era c o nsc iente q ue tinha a p a nha d o a um a d a s mulheres, q ue p o d eria lhe q ueb ra r o p esc o ç o em um a p a usa se q ueria , m a s ha via a lg o q ue nã o enc a ixa va c o rreta m ente c o m o q ue esta va vend o e sentindo e necessitou um precioso momento para entendê-lo. Baixou o olhar a uns selva g ens e d o ura d o s o lho s, p erc eb end o um a inq uieta nte fa m ilia rid a d e . Havia algo também sobre esse pedaço de joalheria sob sua mão. Este evitava q ue tivesse um p erfeito d o m ínio so b re seu p esc o ç o esb elto , m a s d e a lg um modo sabia que não era o mais importante a respeito. A seg uinte c o isa d a q ue foi c o nsc iente, era q ue esta va c o m p leta m ente nu e q ue ela nã o esta va m uito m elho r em um a c urta e úm id a sa ia q ue esta va recolhida a o red o r d e seus nus q ua d ris. Isto o fez d ec id ir q ue a fa lta d e tem o r d e sua p a rte o im p ressio na ria . Nã o era q ue to m a sse va nta g em d e tal situa ç ã o , a ind a se ela tivesse sid o seu p io r inim ig o , m a s c o m o p o d ia sa b er q ue nã o lhe fa ria nenhum d a no ? Co nsid era nd o o fa to d e q ue esta va em um a


a g ressiva e d o m ina nte p o siç ã o, o va lo r q ue d em o nstra va se veria o u m uito impressionante ou muito tolo. Olhou além dela, seus olhos correndo ao redor da habitação, mais peças de um q ueb ra -cabeça q ue p a rec ia ter m uito s o c o s. Pô d e c heira r a c o m id a , dava-se c o nta d e sua fo m e e inc om um d eb ilid a d e. No to u q ue esta va enfa ixa d o e sa na nd o , e nã o a tira d o e m o rto no c hã o d o b o sq ue. Pa rec ia um p ensa m ento rid íc ulo , m a s era um ing red iente im p o rta nte em sua ha b ilid a d e de entender o que é que acontecia. Sua m ã o se fo i a fro uxa nd o enq ua nto o b serva va à m ulher d eb a ixo d ele. Ha via c a b elo p o r to d a p a rte d ela , enred a d o entre o s d o is. Tinha um c o rp o intrig a nte, b a sta nte fo rte p a ra um a m ulher e impressionante fo rm a . Era ta m b ém c heia d e sua ves e a b und a ntes c urva s justo o nd e um m a c ho a s a p rec ia ria m a is. Po d ia senti-lo , m a is q ue vê-lo , a ssim c om o sentia sua a tra ente c a lid ez, a sua vid a d e d a p ele q ue se esfreg a va c o ntra sua s c o xa s e panturrilhas e a rá p id a a sc ensã o e q ued a d e seus seio s esm a g a d o s so b seu peso quando lutava por respirar. Teve consciência d e seu a ro m a , este a sp ec to ta m b ém d e a lg um jeito fa m ilia r, a ind a q ua nd o esta va so b c a m a das d eb a ixo d o a ro m a d a c o m id a . Era sufic ientem ente atrativa p a ra distraí-lo d e sua d o r, a rea ç ã o d e b rig a -o u-vo a q ue ele tinha d esp erta d o c o m to rc id a e estim ula nte fa c ilid a d e d entro d a p o d ero sa exc ita ç ã o d e m a sc ulino interesse. Im p ulsio na d o p ela adrenalina , fo i m uito m a is p ro fund o na s rea ç õ es d e seus instinto s q ue na civilização de sua inteligência. Os Demônios era m tã o herd eiro s d e seus la d o s a nim a is c o m o o s Lic á ntro p o s, em b o ra nunc a manifestasse na s fo rm a s esse la d o d e sua natureza. Era este lado instintivo, que abraçavam em união de seu lado moral, o que os fazia os impressionantes caçadores e guerreiros que eram. Qua nd o o g uerreiro fez um a la rg a insp ira ç ã o a tra vés d o na riz, Siena fo i c o nsc iente q ue esta va resp ira nd o seu a ro m a . Nã o se p reo c up o u a p rinc ípio, porque essa teria sido sua reação se tivesse despertado em um lugar estranho. Ma s a lg o tinha muda d o a c o r verd e d e seus o lho s d e um a g ita d o ja d e a um a m uito vívid a esm era ld a , e se enc o ntro u fa sc ina d a p ela tra nsfo rm a ç ã o . Um a p o d ero sa c la sse d e esp ec ula ç ã o o nd ulo u a tra vés d eles justo a ntes q ue ele b a ixa sse a c a b eç a a té sua o relha e fizesse o utra lenta resp ira ç ã o . Seus lá b io s lhe ro ç a ra m lig eira m ente a m a nd íb ula , seu sua ve c a b elo c a ind o c o ntra sua fronte.


Fo i entã o q ua nd o se d eu c o nta d a m ud a nç a em seu a ro m a , um fo rte, p ung ente e ric o a lm ísc a r q ue esta va sem p re p resente nele. Sentiu seu estô m a g o estic a r-se c o m instintiva a ntec ip a ç ã o , a p esa r d e q ue sua m ente se reb ela va c o ntra o sentim ento , entend end o q ue esta va em um a lto g ra u d e p erig o e q ue to d o esse c o m p o rta m ento era p rim itivo e injustific á vel. Pa ra ela . Pa ra ele, d esp erta r em um m und o d e c o nfusã o , nã o era . Ela q ue esta va c o m seus sentid o s so b re controle, exo rta nd o -se severa m ente, enterra nd o sua s unhas no pulso que mantinha sua cabeça fixa sobre o travesseiro. O g uerreiro lhe to c o u o na riz c om sua têm p o ra e ina lo u p ro fund a m ente um a vez m a is. Seus lá b io s a to c a ra m ; ela o sentiu sep a rá -los sufic iente p a ra d eixa r um ínfim o ra stro d e um id a d e, c o m o o m a is nu d o s b eijo s, c o ntra sua b o c hec ha . Siena sentiu um a m a ré d e c a la frio s fluind o p ela frente d e seu c o rp o em um a inexp lic á vel e selva g em resp o sta . Seus seio s fic a ra m tenso s debaixo da pesado tecido de veludo de seu vestido, os picos de seus mamilos esfregavam seu peito em uma resposta inadvertida . Elija h fez um b a ixo e a p rec ia tivo so m em sua g a rg a nta a ntes d e sep a ra r a cabeça da dela, seus olhos como jóias, brilhantes, mas ardendo navegaram p a ra o s seio s. A vo c a liza ç ã o sa c ud iu Siena , envia nd o um a rá p id a a va la nc he d e c a lo r e inc o nsc iênc ia q ueim a nd o a tra vés d a p ele. Sentiu sua m ente g ira r fo ra d a ló g ic a e a ra zã o enq ua nto a p rim itiva resp o sta a essa c ha m a d a borbulhou em sua própria garganta. Sua c a nç ã o d e resp o sta tinha um efeito d inâ m ic o nele, e p o d ia sentir a p ro va d isto so lid ific a nd o -se entre o s c o rp o s. Seus o lho s d o ura d o s se a b rira m amplamente q ua nd o sentiu o p eso m a sc ulino e o end urec id o c a lo r c o ntra a p a rte interna d e sua c o xa . Igual a um a m eta m o rfo se fo to insta ntâ nea , e p o r a lg um a ra zã o , c o m p reend end o q ue ela era a resp o nsá vel p o r esta fund iç ã o d e seu c o rp o d e d entro p a ra fo ra . Ela fez um a ina la ç ã o rá p id a e c heia d e em o ç ã o . De rep ente se sentiu a flita p ela sensa ç ã o , um a a va la nc he d e resp o sta sexua l, d a q ue sem p re tinha tra ta d o d e d izer q ue nã o tinha c urio sid a d e. E a ssim tinha sid o … a té esse m esm o m o m ento . Isto era c ru e básico, como a fome que seguia a uma longa hibernação. Sentia as emoções revo a nd o a seu red o r, a rd entes e estim ula ntes, g rita nd o um a c ha m a d a q ue nã o tinha esp era nç a s d e entend er. Esta va m a l p rep a ra d a e p erc eb ia a g ud a m ente. Siena era um a c ria tura d e instinto s, m a s ta m b ém um a d e c o m p leto c o ntro le c o rp o ra l. Até esse m o m ento , teria jura d o q ue nã o ha via p a rte d e seu ser q ue lhe fo sse to ta lm ente estra nha . Essa era a únic a m a neira


q ue p o d eria ser p a ra q ua lq uer ser q ue a ltera sse sua fo rm a e na tureza d o q ue era c o m a sim p les vo nta d e d e sua m ente. Aind a a ssim , nã o ha via nenhum controle neste momento, e seu ser inteiro era agora um grande desconhecido. Prim eiro a verm elho u e d ep o is esfrio u. Esta va a terra d a , m a s a nsio sa . Go teja va um c a lor líq uid o e bloqueou em um só lid o esta d o d e inc o nsc iênc ia . As c o ntra d iç õ es b a ta lha ra m d e d entro p a ra fo ra e se sentiu selva g em , deliciosamente fora de todo controle. O g uerreiro sentiu o c o ra ç ã o d a fêm ea p a lp ita nd o c o m o lo uc o a baixo d ele, a sensa ç ã o fez c o m q ue c urva sse um la d o d e seus lá b io s enq ua nto d esc end ia o o lha r p a ra ela . Esta va exc ita d a , p o d ia c heirá -lo , senti-lo e o uvi-lo. Era c o nsc iente d e c o m o rea g ia a esta d elic a d eza entrela ç a d a c o m seu c o rp o . Esta va to ta lm ente exc ita d o c o ntra ela ; sua p ele q uente, tã o sua ve e lisa c o m o um esp esso cetim, em b a la va -o . Sentiu um trem o r reverb era r a tra vé s d ela e foi p ressio na d o c o m o im p ulso d e esfreg a r-se c o ntra seu c o rp o flexível. Nã o lhe c a uso u a im p ressã o d e q ue esta va a ind a d éb il e ferid o. Sua m ente era p o uc o m a is q ue um furo r d e end o rfina s, inc ita nd o esse m o m ento . Esta va cego a tudo exceto às sensações e os desejos de seus pensamentos instintivos. Elija h nã o era estra nho à s m ulheres, d e fa to a s d esfruta va im ensa m ente, m a s isto era a lg o b a sta nte no tá vel. Nunc a tinha rea g id o c o m ta nta fo rç a , tã o ra p id a m ente, a um a m ulher a ntes. Exc eto , p o ssivelm ente, em o utro tem p o . Ma s tinha neg a d o a rec o nhec ê-lo entã o p elo q ue era d esc ulp a nd o -o c o m o p a rte d o c a lo r d a b a ta lha . Tinha sid o a a tra ç ã o d a s c ria tura s q ue, a p esa r d e serem de esp éc ies c o m p leta m ente d iferentes, unira m -se p elo fio c o m um d e um g uerreiro a p rec ia nd o a s d inâ m ic a s ha b ilid a d es e fluid ez d e b a ta lha , um a so b re o utra . Além d isso , a id éia m esm o tinha sid o c o m p leta m ente ho rro ro sa , p o rq ue a m ulher em q uestã o tinha sid o … Fo i entã o q ua nd o o reconhecimento finalmente se fixou. Os o lho s d e Elija h fic a ra m p á lid o s, ta l c o m o o resto d ele, enq ua nto fina lm ente c o m p reend ia exa ta m ente a q uem era q ue m a ntinha sujeita so b seu c o rp o . Po r q uem esta va sentind o este d esejo a tro z. E q uem era a q ue estava resp o nd end o c o m um a rec ip ro c id a d e inc o nc eb ível d e c a lo r e interesse. —Siena — vaiou sua mão finalmente deixando a garganta para revelar o colar de ouro e pedra lunar que usava. Elija h ro d o u lo ng e e fo ra d a c a m a c o m um rá p id o m o vim ento q ue term ino u fa zendo-o c a m b a lea r enq ua nto fic a va em p é. Ao tem p o q ue se


movia, puxou um lençol da cama para envolvê-lo ao redor de seu corpo. Não fa zia p o r a c a nha m ento , m a s esta ria m a ld ito se estivesse nu, exc ita d o e vulnerável frente a qualquer mulher Licántropo. Especialmente a Rainha. O g uerreiro c o rreu um a m ã o vio lenta a tra vés d e seu c a b elo to d o , se c o lo c a va p o r fim no lug a r a d eq ua d o em sua c o nsc iênc ia . Olho u c a utelo sa m ente c o m o a Rainha d esliza va p a ra um a p o siç ã o senta d a , a lisa nd o sua c urta sa ia a té um a p o siç ã o um ta nto m a is c o rreta . Entã o , m uito casualmente, olhou-o c o m esses o lho s d e o uro m isterio so q ue sem p re o fa zia m sentir c om o se o d isseca-se. Sem d úvid a p o rq ue sua g ente tinha feito um a a b und a nte d issecaç ã o d o Demônio d ura nte o s séc ulo s enq ua nto sem piedade forçavam uma guerra genocida sobre sua sociedade. —Que d em ô nio s está a c o ntec end o a q ui? —Demandou inc a p a z d e ajudar-se enq ua nto q ue estend ia o b ra ç o p a ra esta b iliza r-se c o ntra o p o ste da cama. Nã o resp o nd eu im ed ia ta m ente, p referiu c o lo c a r-se em p é em um movimento flexível enquanto os olhos dele a seguiam. Moveu-se com cuidado enq ua nto c heg a va a to m a r o s lenç ó is fresc o s d e um a p ilha a ssenta d a em um c o fre p ró xim o . Surp reend entem ente, vo lto u d e c o sta s p a ra ele e, d e to d a s a s c oisa s, c o m eç o u a fa zer a c a m a . Era um a ino fensiva coisa d o m éstic a , e, p o r d izer m eno s, era um a to inc o ng ruente p a ra um a m ulher q ue nã o só era da rea leza , m a s ta m b ém um d o s m a is d esum a no s c o m b a tentes q ue Elija h tinha tido o prazer de ver no campo de batalha. Ela fina lm ente term ino u d e a rrum a r a c a m a , sa c ud ind o o s lenç óis q ue tinha m sid o c o b erta s c o m resto s estra nho s, inc luind o , o q ue a ssum iu era seu p ró p rio sa ng ue, em um a esq uina . Fo i d ep ois d isso q ua nd o g irou p a ra enc a rá lo. Dobrou seus braços sob seus peitos, como se fora um pai severo a ponto de lhe dar um decisivo sermão sobre maneiras e comportamento. —Explicar-lhe-ei isso um a vez q ue reto rne à c a m a — ofereceu generosamente. — Nã o fa rei essa m a ld ita c oisa ! —la d ro u Elija h, seus o lho s c intila nd o c o m um fogo verde garrafa bastante indicativo de sua cólera. — Responda mulher. Rainha ou não, não estou por cima… Elija h c o rto u q ua nd o fo i g o lp ea d o p o r um a o nd a d e ná usea s terrivelm ente resistente a seus esfo rç o s a nte a rep ressã o m enta l e físic a . Ela


c heg o u a seu la d o a ntes q ue so ub esse q ue se m o veu, inserind o-se so b seu braço para lhe dar apóio. —Juro-te, g uerreiro , q ue se m e fa z te c a rreg a r um a p o leg a d a m a is esta rei b a sta nte irritada. —lhe a d vertiu, usa nd o a c o nsid erá vel fo rç a d e sua perna para propulsá-lo para a cama. Elija h nã o teve m a is remédio q ue seg uir sua lid era nç a . Dirig iu-o p a ra b a ixo c o m um a sua vid a d e surp reend ente e um a im p ressio na nte d em o nstra ç ã o d e fo rç a físic a . Era b a sta nte c o nsc iente q ue nã o era nenhum p eso leve, e, a p esa r d o fa to d e q ue ela era uns b o ns d o ze c entím etro s m a is baixa, a s a rrum o u b em . Deixo u-o ja zend o na c a m a , c o b erto e a c o m o d a d o ra p id a m ente. Im ed ia ta m ente c o m eç o u a sentir-se m elho r. O sufic ientem ente b em p a ra a verm elha r-se a nte a c o m p reensã o d e ter d em o nstra d o sua debilidade com ela. —Nã o se p reo c up e — d isse c o m um so rriso sa tisfeito d o q ue p o d ia ter prescindido—, não contarei. Isto , é o b vio, tra nsto rno u-o inc lusive m a is. Ma ld ita seja , c eva va -o a p ro p ó sito . Resp o nd eu-lhe c o m á sp era irrita ç ã o em vez d a g ra tid ã o q ue teria dado a alguém mais que lhe tivesse assistido de tal maneira. —Somente responde minha pergunta — soltou. —Bem , p a ra q ue sa ib a , esto u no p ro c esso d e sa lva r sua vid a — ela d isse tra nq üila m ente enq ua nto se d o b ra va p a ra rec up era r um a tig ela d o p iso . Desapareceu na habitação do lado antes que pudesse responder a essa idéia p a rtic ula rm ente inc o nc eb ível, m a s reto rno u m o m ento s d ep o is c o m um a terrina lim p a . Cheg o u a té o fo g o e o a ro m a d a c o m id a se esp esso u no a r. Incorporou-se, nã o esta nd o d isp o sto a ja zer a í c o m o a lg um a esp éc ie d e invá lid o, usa nd o um tra vesseiro d etrá s d e seu o m b ro p a ra a jud á -lo a a p o ia r-se abrandando a ferida de seu ombro contra a parede de pedra em suas costas. —Não seria a primeira vez — assinalou secamente quando lhe lançou um olhar mordaz. O c o m entá rio reuniu um a série d e p ista s d esa linha va d a s q ue flutua va m a o red o r d e sua c a b eç a c o m um esta lo . Ra p id a m ente c o m p reend eu q ue esc a ld o u a p ele so b re um d e seus b ra ç o s, exa ta m ente a c la sse d e q ueim a d ura q ue seria resulta d o d e so p a q uente send o d erra m a d a em c im a . O q ue foi a ind a m a is p reo c up a nte é q ue fina lm ente entend eu q ue ela ha via sustenido exatamente esse tigela quando de repente a tinha agarrado.


Im ed ia ta m ente a esc a neo u p ela s q ueim a d ura s, e p ela p rim eira vez no to u q ue a m b a s a s c o xa s esta va m esc a ld a d a s em um b rilha nte verm elho . Ele, c o m p reend eu, exp lic a va p o r q ue seu vestid o esta va úm id o . Fa zia q ue q ueim a sse nã o só a ele, m a s ta m b ém a ela m esm a . Um a resp o sta esta va c o m p reend end o , im erec id a d e a lg uém q ue se d a va c o nta esta va tenta nd o cuidá-lo. Elijah livrou a tig ela e a d eixo u d e la d o . Sujeito u seu b ra ç o a ntes q ue p ud esse a fa stá -lo , sustenta nd o -a fo rte q ua nd o se teria retira d o . Sua m ã o livre retiro u um p a r d e p o leg a d a s o m a teria l d e seu vestid o , exp o nd o a s a m p o la s q ue ra p id a m ente se fo rm a va m . Ela tento u a p a rta r sua m ã o , retira r-se, m a s nã o a d eixa ria . Era c o nsc iente q ue a sustenta va c o m seu b ra ç o ferid o e p o d eria esc a p a r lim p a m ente se só a p lic a sse um p o uc o d e fo rç a , m a s esta va c la ra m ente ind isp o sta a fa zer m a is d a no d o q ue já se tinha feito p o uc o s minutos atrás. De rep ente, Elija h se sentiu c om o um eno rm e id io ta . Na d a era tã o verg o nho so c o m o a c la rid a d e d e um m o m ento a ssim , e se refletia em seus olhos com toda claridade. —Nã o im p o rta — insistiu, tra ta nd o d e em p urra r sua m ã o lo ng e um a vez mais. —Siena... —Não — mandou bruscamente. — Nã o se sinta d o to d o c ulp a d o , g uerreiro . So u c o nsc iente d e q ue nã o era sua intenç ã o . Nec essita a lim ento . Se d eseja res m e fa zer sentir m elho r não resistirá as m inha s ha b ilid a d es c uliná ria s e to m a rá um p o uc o d e so p a . Tenho q ue esfria r a s q ueim a d ura s e m e b a nha r. A p isc ina m inera l na ha b ita ç ã o d o la d o a s a jud a rá a sa na r m a is ra p id a m ente. Am b o s sa na m o s ra p id a m ente, como sabe pelo que isto é uma perda de sua energia. —É um a fo rm a terrível d e te a g ra d ec er d ep o is q ue sa lva sse m inha vid a . Ag o ra rec o rd o o q ue esta va a c o ntec end o . Esse g rito ... Foi vo c ê. —Pensei q ue seria c o ntra p rud ente p a ra m eu d uro tra b a lho d e o ferec er a p ro xim a ç õ es p a c ífic a s a seu Rei se d e rep ente fo sse enc o ntra d o m o rto em um d e m eus territórios. Acredite-me, m inha s m o tiva ç õ es fo ra m m uito eg o ísta s. Co m o provavelmente esperava. Ela fina lm ente se lib ero u, a fa sta nd o -se d ele e sa ind o d a ha b ita ç ã o ra p id a m ente. Viu-a c a m inha r passando a c ha m iné no o utro la d o um p a r d e vezes antes que se retirasse a um lugar a certa distância.


Sentindo-se c o m o um c o m p leto b á rb a ro , a c a lm o u sua m ente c o m a execução d o q ue tinha so lic ita d o d ele. Term ino u to d a a tig ela d e so p a no momento em que escutou sua volta à sala justo os subúrbios da porta. O único so m q ue rea lm ente fez era o rep ic o d e seu p és nus so b re a p ed ra . Mesm o a ssim , c a m inha va m uito lig eira m ente p a ra um a m ulher q ue p o d eria ser c o nsid era d a d e p ro p o rç õ es Am a zo na s. Pa sso u p o uc o tem p o a ntes q ue entra sse na ha b ita ç ã o p a ra rec up era r a terrina e to m a r um a va sso ura d e sa lg ueiro p a ra o s refug o s rem a nesc entes d a c o m id a d erra m a d a q ue esta va m no c hã o . Perm a nec eu m uito b em fo ra d e seu a lc a nc e esta vez, excepcionalmente silenciosa enquanto trabalhava. Enq ua nto a o lha va em silênc io sim ila r, Elija h se viu o b rig a d o a rec o rd a r a p rim eira vez q ue a tinha visto . Tinha sid o na c a sa d e Ka ne imediatamente d ep o is q ue a c o m p a nheira d e Ka ne, Co rrine, tivesse sid o a b d uzid a . Tinha sid o a li o nd e tinha m c heg a d o a entend er p ela p rim eira vez q ue Ruth p o d ia ser uma potencial traidora à raça Demônio. Tinha m sid o a s fo ntes d e Siena a s q ue o s tinha m d irig id o à verd a d e d esse a ssunto em p a rtic ula r. Ma s c o m o p a rec ia ser seu rep entino há b ito a o red o r d ela , tinha sid o ho stil em vez d e ser a g ra d ec id o . Um a vez m a is, tinha sid o um a d esg ra ç a d e o rg ulho q ue tinha instig a d o seu c o m p o rta m ento . Tinha esta d o m uito irrita d o p o rq ue ela fo ra c a p a z d e d esenterra r a tra iç ã o o nd e nã o ha via . Irrita d o e enverg o nha d o . Nã o im p o rta va q ue estivesse m a is b em eq uip a d a para obter essa informação de início, só importava que tivesse sido quem disse a seu Rei como m a l tinha feito seu tra b a lho , ind ep end entem ente d o bem intencionado que pudesse ter sido. Em c im a d isso , nã o tinha sid o c a p a z d e tira r seus o lho s d ela . Era um a c ria tura im p ressio na nte, um a b eleza ta l q ue nã o p o d ia m eno s q ue a d m itir send o im p a rc ia l, inc lusive se era um a Lic á ntro p o . Isso d izia m uito , na m ente d e Elija h. Sa b ia m uito b em o q ue três séc ulo s d e g uerra tinha m feito a sua p ersp ec tiva a resp eito d e sua esp éc ie. Esta va p red isp o sto , za ng a d o , e im p la c a velm ente im p erd o á vel. Po rta nto , p a ra ele, m o stra r q ua lq uer a p rec ia ç ã o a q ua lq uer d eles p o r q ua lq uer ra zã o nã o era na d a exc eto um m ila g re. Um m ila g re, e um a verd a d e to ta l. As m ulheres Demônios era m c ria tura s m uito fo rm o sa s, d entro e fo ra , e ha via a lg um a s q ue era m imensamente atrativas, mas nenhuma que tivesse visto podia eclipsar a Rainha Lic á ntro p o . Era d o ura d a , lum inesc ente, e se m a ntinha c om to d o o o rg ulho e a d ig nid a d e o b stina d a d e sua ra ç a . Nã o tinha a b so luta m ente nenhum d ireito


d e ser a tra íd o por ela a q ua lq uer nível, nã o im p o rta a fero c id a d e c o m q ue tinha exp erimentado. Tinha g ira d o a q ueles eno rm es o lho s so b re ele, enc o ntra nd o sua s a p rec ia ç õ es c o m um a r ind iferente, e Elija h ha via sentid o c o m o se lhe tivessem ro ub a d o o fô leg o m esm o d e seu c o rp o c o m so m ente um simples e resolvido olhar. Isto tinha p io ra d o no d ia q ue tinha unid o sua s fo rç a s na b a ta lha c o ntra o a ta q ue d e a ssa ssino s hum a no s na Ba ta lha d o Belta ne. Tinha visto Lic á ntro p o s na b a ta lha inc o ntá veis vezes, m a s nenhum a vez tinha visto na d a c o m o ela . Era uma guerreira puro sangue, uma guerreira de velocidade notável e beleza m o rta l. Era tã o d esum a na c o m o ele era , efic iente um a vez q ue sua m ente esta va fixa no seu o b jetivo . Nã o va c ilou o u fug iu d a m a ta nç a . De fa to , deleitou-se c o m isso . E sim o fez. Os nig ro m a ntes tinha m m erec id o seu d estino . Tinha m p rejud ic a d o e tinha m d estruíd o ino c entes, a lg uns d eles d e sua p ró p ria gente, e a vingança era o único castigo aceitável. Elija h rec o rd o u c heira r a essênc ia d a c a ç a nela , o sa ng ue d e sua p resa , e a a d rena lina d e sua vitó ria . Rec o rd o u o m om ento vivid a m ente p o rq ue nunc a tinha c o nhec id o um a rea ç ã o d e exc ita ç ã o tã o rá p id a e d ura c o m o a q ue tinha na q uele sing ula r insta nte, inc rível. Seu sa ng ue tinha esta d o intenso e q uente, a luxúria e o p ra zer d a justiç a o m o nta va m c o m o um a p erversa a m a nte, e lo g o a q ueles o lho s d o ura d o s d e m ulher guerreira fresc o s d a s g a rg a nta s d e sua s vítim a s tinha m passado ro ç a nd o p o r seu c o rp o c o m o o to q ue d e um a sereia . Era c o m o se sua s m ã o s tivessem p erc o rrid o sua c a rne nua, determinadas, peritas e tão valentes como quando caçava algo mais. Entã o tinha falado c o m p leta m ente inc o nsc iente d e c o m o o tinha a feta d o , e feito um a d ec la ra ç ã o q ue o tinha a to rm enta d o q ua se d ia e no ite durante os meses desde que a tinha pronunciado. Tinha fa la d o b revem ente d e sua d esc o nfia nç a d ela , um a rea ç ã o d e reflexo rotular a confusão que palpitava por sua mente, e tinha respondido. -Eu p ensa ria q ue é um c o m p leto id io ta se nã o d uvid a sse d e m im , g uerreiro . Pelo c o ntrá rio , esto u o b rig a d a a resp eita r sua intelig ênc ia p o uc o comum. Agora, o que supõe que deveria fazer? Co m a q uela s p a la vra s tinha p ro va d o ser a m elho r p esso a . Enq ua nto ele a g a rra va seus p rejuízo s e ho stilid a d es d entro d o c o ra ç ã o , ela um a vez m a is tinha d eixa d o sua s id éia s d e p a z e um d esejo d e resp eitá -lo exa ta m ente p elo que era. Tinha-o humilhado humilhando-se, e não podia esquecê-lo.


Tinha-o enverg o nha d o , za ng a d o , exc ita d o , e c o nfund id o, um d ilúvio d e em o ç õ es tã o poderosas q ue nã o a s rec o nhec eu c o m o p ró p ria s a p rinc íp io . Isto tinha sid o exa ta m ente o m esm o fa z m eno s d e um a ho ra . Ele tinha feito uma vez mais, mas esta vez tinha estado em desvantagem. Em sua confusão e d eb ilid a d e nesse m o m ento q ua nd o tinha esta d o a b a ixo ele, OH, tã o fo rm o sa e tã o inc rivelm ente exub era nte, Elija h tinha p erm itid o ver o q ue tinha p a ssa d o estes meses escondendo de todos, incluindo-se. Siena era um a c ria tura a ud a z, seg ura d e si m esm a a um a fa lha e q ua se a rro g a nte em sua a titud e p a ra c oisa s q ue teria m d a d o a a lg uém m a is um a d o se sã d e m ed o . Nunc a teve q ue q uestio na r-se a p o sterio ri, e c erta m ente nã o m o stra ria se o fizesse. Assim seu silênc io d ep o is d e seu tra ta m ento c ruel o inq uieta va a níveis m uito p ro fund o s. Nã o im a g ina va za ng a nd o -se d e a lg um jeito c oq uete, d e m o d o fem inino , o s m o d o s q ue lhe tinha m feito fá c il desprezar alguns de seus passados conhecidos femininos. Não. Isto era o silênc io d e um p red a d o r fem inino q ue nutria um o rg ulho p ró p rio , tra ta nd o p o r tud o o q ue va lia rec o rd a r o g ra nd e p ro p ó sito a q ue servia a ssim nã o c ed eria a nte um im p ulso d e ro m p er seu to lo p esc o ç o . Foi forçado rec o rd a r o a uto c o ntro le q ue tinha usa d o enq ua nto ele tinha tid o sua m ã o envo lta a o red o r d e sua sua ve e vulnerá vel g a rg a nta . Inc lusive nã o tinha feito um som quando se quer quando a tinha queimado. Elijah sabia que era famoso em seu povo como o legendário assassino de ho m ens, m ulheres e m enino s. É o b vio , a p io r d a s histó ria s era b a sta nte exa g era d a , c o m o o c o rria no c a so d a s d iferentes p ersp ec tiva s d e um a g uerra . Ma s p a ra ela esta r tã o q uieta , tã o tra nq üila , q ua nd o tinha a m ã o g a nha d o ra . Resistind o a c a d a instinto se d eu c o nta d evia ter esta d o g rita nd o , tra ta nd o d e obrigá-la a proteger a si mesma , golpear de volta, teve que ter sido um ato de no tá vel fo rç a interio r. E um d e to ta l d evo ç ã o à c a usa d e p a z a q ue p a rec ia servir tão firmemente. Elija h esfreg o u a d o r de seu p eito em c ura , enq ua nto refletia essa p eç a d e info rm a ç ã o . Nã o era ind iferente a m ulheres p o d ero sa s, m a s esta era um a exc eç ã o . Desc o nc erta nte ta m b ém . Sup o sta m ente nã o p ensa va d esta m a neira so b re ela . Pa ra resp eita r d e q ua lq uer o utra m a neira q ue c o m o um d ig no op o nente era um p a ssa tem p o p erig o so . Ela p o d eria ser sua inim iza d e amanhã. Os Licántropos escolhiam a seus amigos e inimigos assim rápido, e ao


a za r. Um d ia d e g uerra , o p ró xim o de p a z, entã o va c ila ç ã o d e vo lta à g uerra brutal. O g uerreiro sentiu a s b o rd a s d a g ro ssa fa ixa q ue sela va a ferid a em seu p eito e o lho u p a ra b a ixo . Im ed ia ta m ente seus b a tim ento s d o c o ra ç ã o se a c elera ra m q ua nd o viu o ind ic a tivo c a c ho d e c a b elo q ue lhe esta va a jud a nd o a sa na r. Qua nd o d isp a ro u seu o lha r d e no vo a ela , esta va o observando com uma resignada espera. —O que tem feito? —Perguntou roucamente, seu corpo tremendo com a indignação crescente através dele tão violentamente, tão de repente. —Não tinha eleição, guerreiro. Sinto muito, mas não me arrependo por te sa lva r a vid a . Ao m eno s, nã o a ind a — lhe d ed ic o u o utro d esses p ic a ntes sorrisos, seus olhos dourados piscando com desafiante diversão. —Não encontro graça alguma em tudo isto — disse escuramente. — Me manchaste com seu sangue! —Curei-te com isso — resp o nd eu a fia d a m ente, sua s m ã o s enro sc a nd o -se em ofendidos punhos. — Vo c ê e sua s estreita s id éia s! Ag ra d ec e à Deusa q ue No a h teve o sentid o d e envia r a Gid eo n a m e ensina r seus c o stum es, g uerreiro , p o rq ue se tivesse te enviado teria o exec uta d o na seg und a m a nhã ! Meu sa ng ue nã o está mais ou menos poluído do que está o seu Demonio. Embora esteja segura d e q ue p o sso mostrar igual a m uito s c a b eções, g ente p rec o nc eituo sa d e m inha p ró p ria esp éc ie q ue d iria m q ue a tua está to ta lm ente d o ente. Tinha esp era d o q ue fo sse lig eira m ente m a is intelig ente q ue esses sup erstic ioso s simplórios — parec ia esta r rind o d ele inc lusive em resig na ç ã o so b re seu caráter. — Está envenenado? Podre ao menos? Há partes de você que não eram peludas a ntes q ue se c o nvertessem d e rep ente? —Um a vez m a is, essa to rç ã o d e seus lá b io s, lhe rec o rd a nd o q ue tinha to m a d o um a c o nta b a sta nte detalhada de todo seu corpo durante seu estado inconsciente. — Co nfia em m im , Demônio, nã o é m a is o u m eno s a nim a l d o q ue foi quando isto iniciou. Co m a q uele insulto vela d o , p a rtiu d o q ua rto c o m sua va sso ura . Ouviu-a jura r b ra nd a m ente em um d ia leto russo enq ua nto ia , send o duvidosamente ed uc a d a se a sseg uro u d e q ue a d ic io na va uns em sua p ró p ria líng ua a ntig a assim então estaria completamente seguro de entender seu significado.


Isto fez com q ue seus o uvid o s a rd essem c o m a verg o nha reno va d a . Nã o a c a b a va d e d izer q ue d eixa ria d e ser um a sno ing ra to ? Entreta nto , d e a lg um jeito tinha c o nseg uid o fa zer a m esm a c o isa um a vez m a is. E d esta vez ela nã o tinha d eixa d o p a ssa r, sua c uid a d o sa p a c iênc ia d e rep ente enc o ntro u um final. E por que demônios isto o incomodava tanto?

CAPÍTULO 3

De no vo a no ite se c o nverteu em d ia , e a resm ung o na enferm eira d e Elija h d esa p a rec eu, sem d úvid a p a ra d o rm ir um pouco. Enq ua nto isso , ele nã o tinha feito muito mais que dormir. Agora, situado longe dela, inclusive, o menor to q ue d e luz d e so l, enc o ntro u a si m esm o to ta lm ente a c o rd a d o . Estava sentindo-se m a is fo rte a c a d a ho ra q ue p a ssa va , e c o m c a d a tig ela aromática d e so p a q ue lhe d a va . Inc lusive tinha c o m eç a d o a lhe a lim enta r com guisado espesso de coelho. Surpreendeu-lhe a o p rec a ver-se q ue a Rainha nã o era inexp eriente a nte o fo g o . As p esso a s p ensa ria m q ue essa s ha b ilid a d es esta va m p o r d eb a ixo d a rea leza , m a s a p a rentem ente nã o . Rec o rd o u No a h. O Rei se a p resenta va c o m p o uc a c erim ô nia e esta va m a is q ue d isp o sto a servir seus c o nvid a d o s ele mesmo. Elija h a p a rto u p ersistentem ente a um la d o a c o m p a ra ç ã o . Nã o q ueria enc o ntra r m a is similaridades entre ela , e q ua lq uer p esso a q ue ele resp eita sse . Já esta va tend o sufic ientes p ro b lem a s, p a ra fic a r a refletir so b re q ua lq uer outro. Tinha sid o m uito m a is fá c il só o d iá -la c eg a m ente, e d estruir a to d o s o s dessa raça. Aind a a ssim , a o reto rna r a cheira r sua tig ela va zia , Elija h tinha a lc a nç a d o a sustenta r o b ra ç o . Lançou-lhe um esc uro o lha r, leva nta nd o um a a fia d a so b ra nc elha em sina l d e c urio sid a d e. Sem p a la vra s, tinha a lc a nç a d o a p reg a d o m inivestid o neg ro d e sed a q ue leva va a g o ra , d esliza nd o o tec id o so lto p a ra c im a um p o uc o p a ra exa m ina r a s p erna s d a nific a d a s, enq ua nto se a sseg ura va q ue tinha sa na d o ig ua l à d ele. A p ele se p ô s d e um a sua ve c o r rosada, a cor de uma renovada pele sã.


Sa tisfeito, so lto u-a . Qua nd o a o lho u d e no vo , p a rec ia p erp lexa , o sa rd ô nic o leva nta m ento d e so b ra nc elha tinha d esa p a rec id o . Ma s nã o d isse uma palavra enquanto girava para entrar na outra habitação. Ma is ta rd e, Elija h esta va fa rto d e esta r d eita d o na c a m a ta nta s ho ra s. Nã o tinha c o m p a nhia p o rq ue ela se m a ntinha a d istâ nc ia e esta va p ro fund a m ente a b o rrec id o . Fa zend o a c o nta , d everia ter d o rm ind o ruid o sa m ente d ura nte a s ho ra s d e luz, m a s neste m o m ento já tinha d o rm id o o suficiente. O guerreiro encontrou uma toalha sob o montão de lençóis próximo e a envo lveu a o red o r d o s q ua d ris, já q ue fo i inc a p a z d e enc o ntra r sua ro up a . Ca m inho u fo ra d a ha b ita ç ã o descalço p o r c o stum e fa zend o tã o p o uc o ruíd o como fazia ela. Encontrou-se no c entro d e um sa lã o esp a rta no , m a s d e b o m g o sto . Tinha tud o o q ue era nec essá rio , na d a m a is e na d a m eno s, e tud o esta va p o sto d entro d o a m b iente. Fixou-se na c o nfo rtá vel p o ltro na p ró xim a c o m um a m a rc a p ec ulia r. Sem d úvid a , a í era o nd e ela tinha esta d o d o rm ind o , m a s nã o se enc o ntra va a í no m o m ento . Sem p re tinha p ensa d o q ue o s Lic á ntro p o s esta va m tã o intensa m ente a feta d o s p ela s ho ra s d iurna s c o m o q ua lq uer o utro Nig htw a lker, a ssim lhe surp reend eu q ue nã o estivesse m o rta lm ente d o rm id a . Um a vez m a is, ta m p o uc o esta va a tua nd o exa ta m ente ig ua l à m a ld iç ã o d e sua espécie. Um vento g entil so p ro u na ha b ita ç ã o e leva nto u a c a b eç a instantaneamente para poder tomar uma profunda inspiração. To d o s o s Demônios tinha m um a c o nexã o ina ta c o m o elem ento b a se d e o nde provinham suas habilidades. Ele era do Vento e todas suas propriedades, a s tem p era tura s e fo rm ula s vo lá teis esta va m a seu serviç o e d iversã o . O vento lhe enc hia a té a últim a c élula d e seu ser. Chamando-lhe c o m um a nec essid a d e q ue q ua se nã o tinha ig ua l. E c o m a fresc a e limpa essência d esse sussurro so p ra nd o a seu red o r, Elija h se p rec a veu q ue tinha esta d o encerrado por muito tempo. Co m o p ensa m ento , Elija h seg uiu a b risa p a ra sua fo nte. Deslizo u na s c urva s d a c a verna , entã o sub iu o p end ente d o c hã o c o m m a io r esp era . Esta va tã o c o nc entra d o na m eta q ue levo u um m inuto inteiro perceber q ue estava se aproximando de um lago de água dentro da cova, e que em pé no c entro d o m esm o , c ob erta a té o s q ua d ris c o m o líq uid o , esta va sua caprichosa enfermeira Licántropo.


Elija h se d eteve b rusc a m ente em sua c a rreira , to d o o c o rp o estic a nd o -se d a c a b eç a a té o s p és, c o m um a m esc la d e surp resa e b ruta l consciência sexual que lhe inspirava fortemente dentro dele. A rainha lhe dava as costas, a long a e fo rm o sa linha d a c o luna exp o sta d e fo rm a g ra c io sa , enq ua nto se inc lina va p a ra d ia nte p a ra d esliza r o c a b elo a tra vés d a á g ua q ue esta va usando para lavá-lo. A água deslizou flutuante do rabo-de-cavalo, fixando sua a tenç ã o im ed ia ta na a tra tiva c urva fem inina d o q ua d ril unind o -se no vo lup tuoso tra seiro . A p ele b rilha nte c o m á g ua , a m b a s, a rea l e a refletid a , c entena s d e g o ta s líq uid a s d esliza nd o -se p a ra b a ixo , unind o -se à sup erfíc ie d o la g o . Co m o c a b elo p a ra d ia nte p a ra la vá -lo , a long a e a rq uea d a c o luna esta va exp o sta , um a p a leta d e p erfeita p ele d o ura d a . Esta va fo rm a d a c o m o um a esc ultura rep resenta nd o o ep íto m e d a fem inilidade; fo rte, c urva d a e esplêndida, com a impressão de fertilidade. Elija h esq uec eu c o m p leta m ente p a ra o nd e se dirigia, o s d ed o s c urva d o s em p unho s em reflexo d o inexp lic á vel d esejo q ue insta nta nea m ente se red em o inho u em seu c o rp o . Deveria a p a rta r o o lha r, g ira r, c o rrer. Deveria ter feito m ilha res d e c o isa s, sa lvo p erm a nec er a í, fic a nd o em b evec id o c o m o um a d o lesc ente q ue nunc a a ntes tinha visto um a m ulher nua . Ap esa r d a b risa inic ia l q ue tinha seg uid o a o leva nta r-se, sentia c o m o se nã o ho uvesse um a onça de oxigênio na habitação. Não podia explicar, ou controlar, o efeito que ela tinha nele. Tudo o que podia fazer era lutar para respirar e continuar vendo c a d a inc rível m o vim ento d a sereia na á g ua enq ua nto esse c o rp o p erfeito cantava sua atrativa e sedutora canção. Um seg und o d ep o is, percebeu q ue inc lusive o vento lhe tinha tra íd o . Passou ro ç a nd o o úm id o c o rp o , c heio d o frio d e Outub ro e o b servo u c o m o p erc o rria a d elic a d a p ele c ria nd o o nd a s q ue a a rrep ia va m . Desc eu p elo s o m b ro s, a o lo ng o d a fem inina c urva d a s c o sta s, a té q ue se estend eu so b re o traseiro e alcançou a linha de água. Siena se vo lto u lig eira m ente, vo lta nd o o p esa d o c a b elo , fo rm a nd o um arco de brilhante água para cima no ar, onde quase tocou as estalactites que d esc end ia m d o teto d a c a verna so b re ela . Dep o is g iro u um p o uc o , a m ã o p erc o rrend o um c a m inho b rinc a lhã o so b re a sup erfíc ie d a á g ua , o s p eito s balançando-se g entilm ente c o m o m o vim ento d o b ra ç o q ue esta va em c o nta to . O últim o vestíg io d e o xig ênio esc a p o u d o c o rp o d e Elija h, enq ua nto lhe o b sc urec ia m o s o lho s a o ver esse c o rp o nu. A c o nd iç ã o m usc ula r d e Siena teria feito com que algumas fêmeas parecessem masculinas, mas a suavidade


d a c urva entre o s q ua d ris e c intura ; e d a c intura a té a c a ixa to rá c ic a , sub ind o p a ra term ina r em uns p erfeito s e exub era ntes seio s, fa la va m d e um a c ria tura que estava feita para ser a mais antiga e atraente, para qualquer macho com um par de olhos na cabeça. O o lha r d e Elija h fo i a tra íd o p ela esc ura d efiniç ã o d o s m a m ilo s, um sua ve ro sa e b ro nze a c entua d o p ela c o r d o ura d a d a p ele. Esta va m fra nzid o s em um atrativo b ic o p ela tem p era tura fria d a á g ua e d o a r, fo rm avam redemoinhos na p ele a rrep ia d a q ue sub ia so b re a m b o s o s p eito s. Na p a rte externa d esses fo rm o so s p ic o s, a p ele esta va im a c ula d a e m o stra nd o c a d a c entím etro d e sua ve c etim , sua ve c o m o ele sa b ia q ue era . Era inc rivelm ente p erfeita , tã o b em fo rm a d a e tã o fo rm o sa q ue tinha o p o d er d e p a ra r litera lm ente seu c o ra ç ã o . Do ía -lhe o p eito c o m a sensa ç ã o , m a s nã o ta nto c o m o fa zia à rep entina e c eg a urg ênc ia d e unir-se a ela . Po d ia c heirá -la , senti-la , enq ua nto c a d a p êlo d o c o rp o fic a va ereto , fa zend o -o sentir c o m o se sua p ró p ria p ele estivesse a lc a nç a nd o -a . Ca d a sentid o e ferra m enta na tura l p a ra sentir demandavam mais contato. Na á g ua , a ra inha Lic á ntro p o fic o u q uieta d e rep ente. A c a b eç a c heia d e um sentid o d e c o nsc iênc ia , o na riz m o vend o -se enq ua nto cheirava o a r p a ra id entific a r o q ue era exa ta m ente q ue tinha c o m eç a d o a intuir, q ue nã o c oinc id iria em o utro s níveis. Siena lo g o q ue tinha id entific a d o o fa m ilia r a ro m a d e a lm ísc a r m a sc ulino , q ua nd o esc uto u o a b rup to so m d a á g ua sa lp ic a nd o atrás dela. Voltou-se bem a tempo para girar dentro dos braços do guerreiro. Siena o feg o u enq ua nto Elija h a a rra sta va c o ntra seu c o rp o c o m um p o d ero so b ra ç o , to m a nd o -a pelo c a b elo c o m a m ã o o p o sta . Essa b o c a esteve c o ntra a sua im ed ia ta m ente, sem lhe d a r tem p o d e a ntec ip a r-se o u rea g ir. Tend o tid o um a vid a d e a m p a ro p rivileg ia d o , e m a rc a d a p ela reserva q ua nd o se tra ta va d e q ua lq uer tip o d e c o nta to físic o , Siena nunc a tinha sid o tirada de tal maneira. Ning uém c o m um a o nç a d e sentid o c o m um teria se a trevid o a fa zer ta l c oisa . Sua rea ç ã o inic ia l d evia ter sid o um p o uc o p a rec id o a o q ue definidamente seria uma violenta bofetada. Em lug a r d isso , fo i à g ra nd e surp resa q ue fez c o m q ue ina d vertid a m ente a c eita sse esse b eijo . O g uerreiro era d em a nd a nte, só um p o uc o m eno s q ue b ruta l, e m o stra nd o c a d a sentim ento q ue lhe tinha a la g a d o , d ura nte o s m o m ento s em q ue a tinha o b serva d o . Siena vo lto u p a ra a vid a um insta nte


d ep o is, tra ta nd o fina lm ente d e lhe em p urra r, a s m ã o s se d irig ira m p a ra a eno rm e p a red e d esse p eito . Ma s sentiu o vulto d a vend a g em q ue a ind a p erm a nec ia so b re a m a is severa d a s ferid a s e, instintiva m ente, resistiu fa zer q ua lq uer p ressã o q ue p o d eria p o tenc ia lm ente rea b rir a c a rne em c ura . Inc lusive p a ra sa lva r-se a si m esm a , p o r a lg um a ra zã o , Siena nã o p o d ia sup o rta r o p ensa m ento d e lhe fa zer d a no . Em g era l nã o era um a c ria tura no b re e, c erta m ente, nã o o era q ua nd o se sentia a m ea ç a d a . Po rta nto , o impulso de lhe proteger a deixou desconcertada e desorientada. No tem p o que tinha levado para frea r o im p ulso d e esc a p a r e b rig a r c o m esses sentim ento s c o nfuso s fo i a la g a d a p o r m ilha res d e o utra s sensa ç õ es e emoções. Todas elas estavam centradas ao redor do calor. Tã o im p ressio na nte e d elic io so c a lo r. Ca lo r d esse c o rp o q ueim a nd o a fo rç a e fo rm a nd o -se d entro d ela , c o m o se fo sse um a sua ve m a ssa p ensa d a p a ra g ra va r a m a rc a d essa fig ura na m em ó ria d e sua p ró p ria fo rm a . Era m c o m o um q ueb ra -c a b eç a s. Dua s p eç a s c o rta d a s à p a rte, m a s feita s sem p re p a ra ser p erfeita m ente reunid a s em um futuro . Perm a nec ia m junto s c o m o um fluxo d a na tureza , c o xa c o m c o xa , ventre c o m ventre, peito c o m p eito . Inc lusive a á g ua c o rrend o so b a sua ve p ele nã o p o d ia entra r nesse p erfeito selo . Ha via c a lo r d esse c o rp o q ueim a nd o d entro d o d ela , q ueim a nd o em lug a res o nd e nunc a a ntes ha via sentid o tã o intenso . A sensa ç ã o era tã o d esc o nc erta nte enq ua nto lhe p erc o rria o c o rp o inteiro , inc lusive na s p a rtes m a is estra nha s c o m o a s c o sta s, so b o s b ra ç o s e a p la nta d o s p és, q ue a fez estremecer com cócegas. Entreta nto , nã o p o d ia rir p o r isso . Esta va m uito enc a d ea d a p o r esse b eijo p a ra inc lusive c o nsid erá -lo . Sua b o c a era c o m o um d em a nd a nte incêndio úmido, a a velud a d a líng ua a tra vessa nd o o s d entes, exig ind o rec ip ro c id a d e, d eixa nd o m a is c ha m a d esliza nd o -se d evid o a o m o vim ento . Tinha p ensa d o a lg um a vez q ue o s lá b io s d e Elija h era m q ua se fem inino s? Ele nã o era na da nã o ser m a sc ulino , a fo rm a d esses lá b ios ha b ilid o so s e a g ressivo s e m uito, m uito m a sc ulino s em sa b o r e fo rç a . Ele esta va b eb end o d e sua b o c a em c o m p rid a s e sa tisfa tó ria s p ereg rina ç õ es, a té q ue Siena apenas p o d ia tom a r fô leg o . Sentia q ue seu c o rp o se d o b ra va p a ra trá s. Esta va send o sustenta d a tã o estreita m ente, q ue seu c o rp o se fo rç a va a enc a ixa r na a g ressiva uniã o d esse a b ra ç o . O c a b elo a tra vessa nd o a á g ua , a s p o nta s retro c ed end o p elo


c o ntra ste entre a fria á g ua e to d o esse c a lo r. O m esm o frio q ue tinha esta d o desfrutando fazia alguns segundos. Elijah nã o sa b ia o q ue era o q ue lhe im p ulsio na va a fa zer o q ue esta va fa zend o , e p o r esse m o m ento d e g o zo nã o lhe im p o rta va . Essa d o c e b o c a , o fem inino c o rp o , o c a lo r inc rem enta nd o -se; tud o o s c o m p leta va c o m inexp lic á vel p rec isã o . Ela a p rinc íp io esteve p a ssiva p ela surp resa , m a s isso se d esva nec eu ra p id a m ente enq ua nto o s sentid o s e sensua lid a d e d esp erta va m em a tenç ã o enc a nta d a p o r sua s a ç õ es. Era só q uestã o d e um m inuto antes que o s c o m p rid o s e m a g ro s d ed o s estivessem serp entea nd o p ro fund a m ente em seu c a b elo , c ria nd o c a la frio s d e rec o nhec im ento eró tic o p ela c o luna enq ua nto ela sustenta va a ele p ela b o c a e c o m eç a va sua p ró p ria a g ressiva busca. A líng ua d e Siena d eslizo u sob re a sua , lhe la m b end o a s p a p ila s g usta tiva s e d entro d a b o c a c o m um a fem inina d em a nd a a b ra siva . Só era tã o c urio sa e d o m ina nte em sua na tureza , c o m o ele. O g uerreiro g runhiu enq ua nto o d o c e e eró tic o sa b o r enc hia seus sentid o s, a a trevid a , e serpenteante líng ua estic a nd o c a d a nervo d e seu c o rp o , p a ra um a fo rç a d a c la rid a d e d e sensa ç ã o . Tinha sa b o r d e c a nela e m el, esp ec iaria e d o c e. Era um a g ulo seim a d e sa b o r e sensa ç ã o q ue nã o p o d ia rec o rd a r ha ver c o nhec id o a ntes o u, seq uer, im a g ina r vo lta r a senti-la . Ela fez um p eq ueno so m , d ep o is o utro a g ressivo q ue so a va c o m o um g runhid o e se estend ia so b re seus lá b io s. O q ue esse sim p les so m fez em seu c o rp o foi p ura m ente ind esc ritível. Co m o ferro d erretid o q ueim o u a tra vés d ele, lhe a b ra sa nd o , um a a g o nia , um c a lo r d e d o r e p ra zer q ue end urec eu c a d a m úsc ulo , c a d a p la no de seu corpo. Subitamente a s m ã o s d e Elija h estivera m ro d ea nd o seu ro sto , to m a nd o -o entre a s p a lm a s enq ua nto a sep a ra va d a b o c a . Levo u-lhe um m inuto inteiro p erc eb er a sep a ra ç ã o , a d elíc ia d essa b o c a im p o ssível d e a p a rta r, parecia c o m o se fo sse p a rte d e si m esm o . As b o c a s b rilha va m p elo a p a ixo nado interc â m b io d e sa b o res, c a d a um a g o ra resid ind o no sentid o d o g o sto d o o utro , p elo q ue p a rec eu um a eternid a d e. Qua nd o fina lm ente p ô d e o lha r o rosto, o so m d a rá p id a resp ira ç ã o e o b serva r a rub o riza d a p ele era inc rível. Ma s nã o era na d a c o m p a ra d o c o m o d o ura d o d esejo líq uid o no s o lho s d ila ta d o s. Nunc a lhe tinha olhado d a m a neira como esta va fa zend o nesse m o m ento , p o d eria ha ver se c o nvenc id o d e q ue esta va p rep a ra d o p a ra separar-se d ela . Fo i um a decepção sem im p o rta r c o m o se visse, entreta nto ,


seu c o rp o esta va to ta lm ente ríg id o p elo s d esejo s o p o sto s, e nenhum d ele s tentava ir a qualquer direção que não fosse para ela. Perm a nec era m sep a ra d o s d e tud o d ura nte uns q ua nto s p ulsa r d e coração, depois a arrastou de novo contra sua boca e dentro dos dominantes plano s d o d uro c o rp o , ig ua l a q ue fez enq ua nto lhe a p ro xim a va m a is p a ra a p a nha r c o m sua s p ró p ria s nec essid a d es. La nç o u um d a q ueles so ns p rim itivo s q ue fizera m q ue seu sa ng ue fervesse na s veia s, a m a ssa nd o c o m a s m ã o s seu flexível traseiro para selá-la a ele tão forte como a lambida de uma língua sela um envelope. Elija h a sentiu em ta nto s níveis. Seu c o rp o , tã o viç o so e a c o rd a d o , a p erta d o fo rte c o ntra ele a té q ue p ô d e sentir c a d a c urva , c a d a p ulsa r d o c o ra ç ã o e c a d a susp iro d o p eito enq ua nto se esfo rç a va p ara resp ira r. Seus o lho s esta va m to ta lm ente a b erto s, d esc a ra d o s, va lentes e hip no tiza ntes q ua nd o se enfo c a ra m so b re ele. Nunc a tinha c o m p reend id o o exc ita nte e c a tiva nte q ue p o d eria ser a lg o tã o sim p les. Ela era a fo rm a d e a rte m a is p ura d e c o ra g em , c la ra m ente c o b erta p elo tem o r e o p ra zer, enq ua nto a b so rvia seu g o sto , a ro m a , e a p ressã o d o c o rp o urg ente, end urec id o . As ponta s d o s d ed o s d esliza va m sed o sa m ente c o m eleg â nc ia so b re a lo ng itud e d a s c o sta s, a o red o r d o s o m b ro s, a té a b o rd a d a to a lha p end ura d a a o red o r d o s q ua d ris. A viagem de volta por cima das costas lhe saturou de sensações, e um eixo de calor sobressaltou brutalmente sob o ventre, para a virilha. Elijah afasto u a b o c a , o feg a nd o c o m ta nta fo rç a c o m o ela , ro m p end o a q uele m o m ento , m a s entã o fo i arrasta d o c o ntra seu c o rp o p o r sua s m ã o s, seu jo elho , eng a nc ha nd o -se so b re seu q ua d ril em a g ressã o sensua l, sua m a c huc a d a e fo rm o sa b o c a já a b erta p a ra ele, entend end o q ue ela nã o estava com â nim o p a ra to lera r sua d úvid a , se ele em rea lid a d e tivesse alguma mais. Ia m a is à frente o fa to q ue ela sentia tã o b em , tã o d o c e. Era c o m o se c o m a ud á c ia a c a ric ia sse e jo g a sse c o m ele. Era a m a neira como sua essênc ia p a rec ia m a rc a r-se so b re ele. Ta m b ém entend eu c la ra m ente q ue era exa ta m ente ig ua l p a ra ela . De a lg um m o d o , ele era tã o p erfeito p a ra Siena , c o m o ela era p erfeita p a ra ele. De to d a s a q uela s m a neira s, e em m uita s, muitas mais. Elija h d eva sto u essa b o c a cheia, c o m o um ho m em sed ento d e fô leg o d ep o is d e q ua se a fo g a r-se. Libertou to d o seu b eijo p ro fund a m ente d entro d ele, sentindo-o queimar-se através de seu corpo, como um rastro de pólvora.


Era completamente uma loucura. Siena deveria ser a última mulher sobre a terra que deveria tocar. Deveria ter sacudido o inferno sangrento nele, como sabia que poderia. Pelo contrário, tinha p enetra d o no fo g o d isp o sta , seu a rd o r la m b end o so b re e a tra vés d ele, a té q ue p enso u q ue se c o nverteria em c inza s em sua s m ã o s. Cinza s q ue ela poderia soprar com o mais doce fôlego de canela. Elijah aprendeu a sentir um c o m p leta m ente no vo nível d e exc ita ç ã o . Esta va d uro e p esa d o c o m isso , a sensa ç ã o , um a d em a nd a furiosa q ue nã o sup o rta ria nenhum a neg a ç ã o , nenhum rec ha ç o . Sentiu a m ensa g em urg entem ente. Ha via só um a m a neira d e ser sa tisfeito , só um a m ulher q ue p o d eria o b tê-lo , um só refug io q ue seria seu la r na a flita fo m e q ue lhe ra sg a va . Elija h sa b ia q ue ela esta va c o nsc iente d o esta d o d e seu a p etite. Movia-se c o m o líq uid a nec essid a d e d e si m esm o , esfreg a nd o o c orp o c o ntra sua rígida sug estã o . Rec o rd o u-lhe sua nud ez, a q uente c erc a nia , q ue fá c il seria fa zer com q ue nenhum a b a rreira entre eles o impedisse de encontrar seu céu profundo, OH, tão profundo dentro dela. Elija h p o d ia sentir o c a b elo frisa nd o -se c o ntra o p ulso e a nteb ra ç o , o s erótico s e vivo s fio s lhe a c a ric ia nd o c o m o m ilha res d e p eq uena s m ã o s. Sua s m ã o s esta va m d esliza nd o so b re a sup erfíc ie d o p eito , o s o m b ro s... Sob a s c o sta s e so b re o s m úsc ulo s d o tra seiro . A c a ríc ia lhe fez estrem ec er c o ntra ela , e sentiu o s so ns d e sa tisfa ç ã o vib ra nd o na b o c a . Ela d eslizo u esses d ed o s c urio so s so b a s p erna s, lo g o reto rno u so b re o tra seiro , esta vez por baixo d a pesada e úm id a to a lha p end ura d a tã o d esc uid a d a m ente a o red o r d o s quadris. Esta vez só esc uto u um g runhid o p rim á rio , a c o m p a nha d o d e um b rusc o m o vim ento . O g uerreiro ro m p eu o b eijo e a leva nto u d a á g ua c o m um b ra ç o a o red o r d a c intura . Esc uto u a p eq uena e d elic a d a risa d a , um c o nvite p ura m ente sexua l. Ela envo lveu sua s m ã o s a o red o r d a p a rte p o sterio r d a c a b eç a , enq ua nto q ue a o leva ntá -la , a p ro xim a va o p eito à a ltura d e sua boca. —Sim — disse, a palavra em um vaio cheio de demanda e urgência. Ele so rriu fra c a m ente c o m sua p ró p ria sa tisfa ç ã o d o m ina nte, a ntes d e to c a r c o m a líng ua um ríg id o m a m ilo . Ela jo g o u a c a b eç a p a ra trá s, g rita nd o c o m m a is fo rç a , q ua se lhe ro g a nd o c o m o s so ns nec essita d o s e seus estrem ec im entos. Ao fina l, Elija h d esenho u o enc resp a d o b ico do mamilo com a c a lid ez d a b oc a . O fo g o q ueim a va so b re a líng ua , c ontra a p ele, riscando entre a m b o s os c o rp o s c o m um a ra ja d a exig ente. Siena se a rq ueo u


g ro sseira m ente em resp o sta , enq ua nto a la va va e sugava o s g em id o s ec o a nd o na c a verna de um a m a neira q ue sa tisfa zia fero zm ente a o a nim a l d entro d ele. Era um Demônio. Era elem enta r na terra em q ue a g o ra se refug ia va . Era o p uro fô leg o d e vid a , c a d a o feg o d e p a ixã o , c a d a g runhid o d e p ra zer. Vento . Fô leg o . Tem p esta d e. To d o s eles. E a fa zia sentir, seus p ensa m ento s intro d uzind o -se em um intento q ua se vio lento , c o m o a fúria d e uma tormenta da natureza. Os d ed o s c ra va va m c o m p ulsiva m ente em seu c a b elo , a p erta nd o d e uma forma que poderia ter sido dolorosa em outras circunstâncias, mas que só servia p a ra a p ro fund a r a p a ixã o nec essita d a q ue flutua va tã o vio lenta m ente entre eles. Ele a p ro vo u e a a c a ric iou sem p ied a d e o u m o d era ç ã o , sustentando-a c o ntra si m esm o c o m um só b ra ç o , p a ra p o d er sentir o p eito o p o sto m o ld a nd o -se c o ntra sua p a lm a . O vento entro u na c a verna , c o m o se tra ta sse d e a p a g a r o fo g o q ue tinha sid o a c eso d entro d o la g o . O c a b elo d e Siena fo rm a va red em o inho s c o ntra a m b o s, c o m b ina nd o -se c o m o d ele enquanto as longas e soltas ondas flutuavam para a exigente brisa. Siena esta va c eg a p elo p ra zer d e sua s c a ríc ia s e essa líng ua envia va estrem ec im entos a tra vés d e seu c éreb ro . A c a verna parecia c o m o se estivesse g ira nd o inteira , lo uc a m ente a seu red o r. Po d eria um to q ue verd a d eira m ente p ro vo c a r esta sensa ç ã o ? Co m o p o d eria a lg uém a g üenta r ta nto d isso , sem vo lta r-se c o m p leta m ente lo uc a ? Se nã o estivesse exp erim enta nd o d e p rim eira m ã o , nã o p o d eria ter a c red ita d o . Inc lusive, perguntava-se se nã o tinha p erd id o a c a b eç a p o r c o m p leto , se isto nã o era certo, talvez fosse sozinho uma formosa e fantástica alucinação. Sentia a si m esm a d esliza nd o so b re sua p ele, a tra nsp ira ç ã o q ue o s unia o s c o nvertia em um a suja , m o lha d a p a rte d e c a rne e um id a d e. De a lg um jeito, ele se arrumou para sustentá-la contra si mesmo com a facilidade de sua im p ressio na nte fo rç a e, a ind a a ssim , fa zê-la sentir c o m o se estivesse a la g a d a d e c a ríc ia s. As há b eis m ã o s e sua b usc a d eterm ina d a a ro d ea va ta nto q ue, c a d a m o m ento , era um a no va exp eriênc ia d e lo uc o a rreb a ta m ento , e irreprimíveis sons de prazer. As p erna s d e Siena se unira m a o red o r d e sua c intura e Elija h p o d ia sentir a um id a d e e o c a lo r urg ente d o c o rp o p ressio na d o d eb a ixo d o um b ig o . Ca p to u a em b ria g a d o ra e p rec io sa essênc ia d ela , enq ua nto a leva nta va m a is, a b o c a em um d esfile d e b eijo s e lambidas d esc end o p o r seu peito, a té o estô m a g o p la no . Esta va so b ressa lta d o p o r seu eno rm e d esejo . A c a b eç a


c heia d a s nec essid a d es d e a m b o s. O q ue p o d ia esc uta r era q ua se c o m o um pensamento, rogando por um certeiro toque dele, mais pressão dessa sugante boca, a urgência de lhe sentir intimamente entre as ofegantes pernas. Era m uito p a ra sup o rta r e Elija h esta va urg entem ente nec essita d o d e resp o nd er a isso . Giro u-a c o m p leta m ente, leva nta nd o -a d a á g ua p a ra colocá-la so b re seu tra seiro na b o rd a d a p isc ina . Ela exa lo u p ela frieza d a p ed ra , lo g o fo g o , o to q ue d e sua s m ã o s enq ua nto a s c o nd uzia p ela p a rte interna d a s p erna s, so b re o s q ua d ris, c intura e seio s p a ra d ep o is reverter o pad rão. Siena sentiu c om o lhe sujeito u o q ua d ril, d esliza nd o -a p a ra ele so b re o chão escorregadio. Os batimentos do coração, de seu coração, uma violenta c o m b ina ç ã o d e d esejo e m ed o na tura l. Nã o tinha c o nhec id o a intim id a d e c o m o a q ue esta va exp erim enta nd o neste m o m ento . De fa to , tinha p a ssa d o sua vid a evita nd o tud o o q ue p ud esse inc lusive rem o ta m ente leva r seus p ensa m ento s a esse p o nto , nunc a im p o rta va o c o rp o . Nã o esp era va d esc o b rir isto . Nunc a tinha susp eita d o q ue p ud esse ser d esta m a neira . Seu to q ue era enlouquecedor, c heio d e intenç ã o , a ta c a nd o o p la no estô m a g o , o s q ua d ris, a tra vés d o s sua ves c a c ho s d o ura d o s q ue nunc a , nunc a tinha m conhecido o toque de um homem. Ele se dobrou so b re ela , a m ã o p ressio na d a so b re a p ed ra p a ra sup o rta r seu p eso b ra nd a m ente, enq ua nto sua d ivina b o c a d esliza va so b re o um b ig o , la m b end o , um sua ve ra stro q ue ec o o u na p a rte o nd e tinha d eixa d o a m ã o . Siena sentiu a sed o sa inva sã o d e seu há b il d ed o , a c a ric ia nd o, a b rind o a c a rne fem inina q ue lo g o q ue p o d ia entend er p o r q ue ro g a va ta nto p o r um to q ue. Esc uto u-o susp ira r discordante c o ntra sua p ele enq ua nto p ro c ura va g entilm ente… o q ue, nã o p o d ia a d ivinhá -lo nesse g lo rio so m o m ento . Estranhamente, im a g ino u q ue c o nhec ia seus p ensa m ento s nesse insta nte. Ele esta va a turd id o p o r seu c a lo r. Selva g em p o r sa b er q uã o fá c il d eslizo u sua c a ríc ia so b re a flexível e expectante c a rne. Siena so lto u um so luç o q ua nd o seu c o nta to evo c o u o utra sensa ç ã o que nã o p a rec id a c o m na d a q ue tivesse c o nhec id o a ntes. Era estra nha e fo rte, p ro fund a e lig eira , to d a s essa s sensações de uma vez. Mas sobre tudo, era puro prazer. Po r esse únic o e ensurd ec ed o r m o m ento d e na d a a nã o ser a ssusta d o ra c o nsc iênc ia , Siena entend eu q ue d eseja va este p o d ero so ho m em c o m c a d a fib ra d e seu ser. Deseja va sentir a p ressã o d e ro c ha d e seu m usc ulo so c o rp o so b re o seu, d eseja va esc ulp ir c o m a s m ã o s o s férreo s tend õ es q ue tinha


fo rm a d o em séc ulo s d e b a ta lha s. Ca d a instinto nela g rita va q ue a g a rra sse seus q ua d ris, q ue lhe g uia sse p a ra c im a , a té o nd e se q ueim a va tã o p erversa m ente p o r ele. As p erna s d o ía m p o r lhe em b a la r; seu va zio c o rp o so fria p o r ele inc lusive m a is. Ap esa r d e q ue seu c o rp o esta va m uito m a is a d ia nta d o , sua m ente p o r fim c om p reend ia o q ue esta va p a ssa nd o . Esta va a uns m o m ento s d e d istâ nc ia d e um em p a relha m ento q ue p ro m etia ser m uito m a is d o q ue tivesse im a g ina d o , e sa b ia q ue nunc a tinha d eseja d o na d a m a is em toda sua vida. Essa fo i à m esm a c o nsc iênc ia q ue um m o m ento d ep o is, fê-la g rita r c o m um so m d e p uro e ina ltera d o m ed o . De rep ente o p â nic o a so b ressa lto u, rompendo através da neblina em que se encontrava desde que Elijah a tocou p ela p rim eira vez. O terro r era virg ina l e p rim á rio , d isp a ra nd o c a d a instinto d efensivo d entro d ela . Antes q ue Siena p ud esse c o m p reend ê-lo d e tud o , esta va tro c a nd o subitamente a g a ta m o ntês. Grito u c om sua m iséria e d o r, p a rec end o o som d e um a m ulher a ng ustia d a , term ina nd o c o m o g runhid o d e um jaguar atormentado. O g uerreiro Demônio d e rep ente enc o ntro u a si m esm o to c a nd o sua ve p ele e d esc a nsa nd o no c entro d e a g ud a s e retrá teis g a rra s. Elija h d eu um p a sso a trá s c o m o rep entino sentim ento d o s tend õ es felino s, sua surp resa explodindo em um sina l vo c a liza d o tã o a lto c o m o o d ela , enq ua nto se p rec a via d o q ue tinha p a ssa d o . Ca iu p a ra trá s na á g ua fria enq ua nto p erd ia o eq uilíb rio, m a s ressurg iu ra p id a m ente sa c ud ind o a á g ua d o c a b elo c o m um só e agudo movimento de mãos e cabeça. A g a ta d o ura d a g irou p a ra fic a r em p é, a s g a rra s so a nd o p erturb a d a m ente c o ntra a sua ve sup erfíc ie d e p ed ra , enq ua nto se d irig ia a um a esc ura esq uina d a c a verna , d eixa nd o m a rc a b ra nc a s d e a rra nhõ es em sua fug a . Elija h p o d ia vê-la esc o nd end o -se, enc urva d a so b re si m esm a , c la ra m ente a terro riza d a em to d o s o s sentid o s. A m a g nífic a c ria tura trem ia d e m ed o c o m ta l vio lênc ia q ue nã o p o d ia seq uer d isting uir o m o vim ento d o s bigodes. Co lo c o u a s m ã o s no c hã o d e p ed ra , sa c ud ind o a c a b eç a enq ua nto resp ira va p ro fund a m ente tra ta nd o d e se lib era r d a esc a la d a sexua l na q ua l tinha esta d o tã o c eg o , escalada q ue inc lusive seu rud e m erg ulho d e c a b eç a na á g ua fria nã o tinha a p la c a d o . Esta va tra ta nd o d e fo rç a r a si m esm o , p a ra ra c io c ina r c o m ela e c o nsig o m esm o . Dep o is d e um d o lo ro so m o m ento na á g ua fria , end ireito u-se p a ra sa ir d o p o uc o p ro fund o reserva tó rio , situa nd o -se


so b re seus p és lenta m ente, enq ua nto m a ntinha o o lha r no fa b ulo so felino c uja p ele esta va a rrep ia d a em to d a s a s d ireç õ es, d a nuc a a té a p o nta d a c a ud a . Ag o ra p o d ia ver q ue seus b ig o d es esta va m to ta lm ente p a ra trá s, a s o relha s c o lo c a d a s p a ra trá s tã o p la na s c o m o era p o ssível, o s eno rm es o lho s a b erto s e alerta, as pupilas ovais dilatadas na escuridão da esquina. Elija h d eslizo u um a p ensa tiva m ã o so b re o c a b elo úm id o d a nuc a , rec o rd a nd o tud o o q ue c o nhec ia so b re ela e sua ra ç a , enquanto p ensa va no q ue a tinha a ssusta d o . Nã o esta va d o to d o seg uro a resp eito d o últim o , só a d ivinha nd o o q ue tinha feito q ue vo lta sse p a ra seus c a b a is q ua nd o ele nã o tinha feito . Ma s sua m a neira lhe d isse q ue neste m o m ento esta va m a is p erto d e seu instinto a nim a l, do q ue d o d e m ulher e, tinha sid o a m elho r eleiç ã o d o curso da ação, ou teria suposto um brutal inferno pagar por isso. Nã o ha via na d a m a is m o rta l q ue um g a to enc urra la d o e ele seria o primeiro a a d m itir q ue nã o tivesse so b revivid o a um a ta q ue em sua p resente c o nd iç ã o . Se a b esta lhe a ta c a va em um a ta q ue d e ira , iria justo so b re a recente ferida no peito, finalizando o trabalho de rasgar seu coração. Elija h c a iu lenta m ente so b re um joelho , tud o esq uec id o exc eto o d esejo d e retific a r a situa ç ã o d o m o m ento . Co m eç o u a o lha r p a ra b a ixo , à s p a ta s, e não diretamente a seus grandes olhos. Agachada brindava um convite aberto p a ra lhe a ta c a r, m a s esp era va q ue sua seg uinte a ç ã o p ud esse a tra sa r esse recurso. O g uerreiro p isc o u m uito lenta m ente e b a ixo u a c a b eç a em um m o vim ento d e sub m issã o . Precaveu-se nesse d o lo ro so insta nte q ue seu o rg ulho sig nific a va m uito p o uc o à vista d e um a c ria tura tã o fero z sa íd a subitamente d e sua c o ra g em , sua g ra ç a e seu fo rm o so esp írito . Nã o a tinha visto em to d a s a s vitó ria s d o m und o e se sentia d esg ra ç a d o . Era um a em p a tia da que não se deu conta de ser capaz, até esse momento. Elija h nã o a esta va o lha nd o d ireta m ente, a ssim tinha q ue utiliza r o s o utro s sentidos para entender suas reações. Podia cheirar o alto nível de medo, sentir na p ele a c a utela , a c o c eira d e a d rena lina . Po d ia esc uta r seu m o vim ento , inc lusive o menor, e fa zia com q ue o c o ra ç ã o d esse um to m b o d e a ntec ip a ç ã o . Sua s g a rra s a rra nha va m a p ed ra enq ua nto se colocava sobre o ventre, o primeiro movimento da dança que seguiria. A g a ta m o ntês p a sso u um m inuto nessa p o siç ã o , sim ula nd o esta r rela xa d a q ua nd o em lug a r d isso esta va b a sta nte a lerta . O seg uinte p a sso no ritua l seria q ua nd o fic a sse a q ua tro p a ta s e c a m inha sse lo ng e lenta m ente.


Quã o m á xim o p retend ia nã o era im p o rta nte, q ua nto m a is a trevid a se vo lta sse. Era um a d a nç a p erig o sa , p o r to d a s a s p o stura s envo lta s; o m o m ento m a is m o rta l seria q ua nd o se c o lo c a sse a d istâ nc ia . Ela p o d eria to m a r a d ec isã o d e c o rta r a c a b eç a d e seus o m b ro s c o m o fio d e um a p o d ero sa g a rra , o u esc o lher um a fo rm a d iferente d e a g ressã o p a ra lhe c o lo c a r em seu lug a r. Pa ra q ua nd o c heg o u tã o p erto d ele, Elija h esta va c o b erto d e suo r e luta nd o c o ntra a séria fa d ig a . O ritua l tinha to m a d o m uito d e um ho m em a ind a c o nva lesc ente. Ma s a ind a a ssim nã o se rend eu, d eseja nd o c o m c a d a fibra de seu ser reparar algo que tivesse sido causado por seu comportamento irrefletido. A leo a d a m o nta nha esta va a g o ra tã o p erto , q ue p o d ia sentir a c a lid ez d e seu fô leg o e ver o b rilho d o c o la r p ela esq uina d e um o lho . Ela estend eu um a p a ta em um a tenta tiva a p ro xim a ç ã o . As g a rra s esta va m retra íd a s, o q ue sig nific a va um c a lm a nte ind íc io . Aind a a ssim , ele nã o p o d ia m o ver-se. Nã o tinha terminado de lhe julgar. Ela sa lto u tã o rep entina m ente q ue Elija h se estic o u invo lunta ria m ente. Usou c a d a o nç a d e c o ntro le q ue p o ssuía para nã o p ro teg er-se, em seu lug a r, encetou-se c o m ela enq ua nto a s p o d ero sa s m a nd íb ula s se c ra va va m em seu p esc o ç o . O p eito p esa d o c o m seu fô leg o entrec o rta d o , m a s lhe d eixo u c o ntinua r. Tud o o q ue p rec isa va era a p erta r seu a g a rre uns m ilím etro s, e cravaria a artéria carótida ou lhe romperia o pescoço. Ma s o a g a rre era só p a ra m a nd a r um a m ensa g em . Este era seu territó rio e ela esta va a c a rg o . Nã o d everia a ssustá-la d e no vo , o a g a rre lhe c o m unic a va q ue se nã o o fa zia , a d enta d a q ue tinha no p esc o ç o nã o seria tão inocente a próxima vez. Siena o so lto u d ep o is d e um c o m p rid o m inuto , senta nd o -se so b re a s p a ta s p o sterio res, enq ua nto a s p up ila s se a rred o nd a va m d e no vo . O g ra nd e g a to a ssentiu e c o m eç o u a tro c a r p a ra m ulher um a vez m a is. Elija h se sento u lenta m ente, um a vez q ue tro c o u c o m p leta m ente. Siena c o ntinuo u senta d a c o m a s p erna s c ruza d a s a nte ele, q uem esta va em seus q ua tro , lhe o lha nd o c a utelo sa m ente. O c a b elo esta va a seu red o r protetoramente, ro d ea nd o o c o rp o nu em um g esto d efensivo . Isso lhe inc o m o d o u p o rq ue sa b ia q ue o s Lic á ntro p o s era m ra ra vez tím id o s. A id éia q ue a tinha a terro riza d o , ta nto a o g ra u d e p ensa r d ua s vezes seu c o stum e, nã o lhe sento u b em no estô m a g o . Não culpava a ela, entretanto.


Siena o lho u o Demônio c o m o s o lho s m uito a b erto s e c a utelo so s, tra ta nd o d e q ue tud o o q ue esta va sentind o tivesse sentid o . Ele fina lm ente enc o ntro u seu o lha r, m a s p erm a nec eu tã o silenc io so c o m o um a tum b a . Os olho s era m um a c o m b ina ç ã o d e vá rio s to ns d e verd e, o c a o s d e c o r q ue refletia o que estava sentindo. Co m o tinha p erm itid o q ue p a ssa sse isto ? Por q ue a c o ntec eu? Os Demônios e o s Lic á ntro p o s era m tã o d iferentes c o m o o s c ã es e o s g a to s. Pelo m eno s, isso era a visã o c o m um em a m b a s a s so c ied a d es. Se isso fo sse c erto , então c o m o tinha a c o ntec id o isto ? Eles nã o d everia m ser q uim ic a m ente c o m p a tíveis, sem im p o rta r q ue m enta lm ente fo ssem d e a lg um a fo rm a m a is q ue c o m p a tíveis, q uim ic a m ente era o utra c o isa . Seu c o rp o a ind a , d ep o is d e todo este tempo, queimava com a lembrança de seu toque e a profundidade de sua paixão. Ainda mais, ardia em reciprocidade a isso, da clara mensagem p erturb a d a p elo s d esejo s insa tisfeito s d ele. Sentia-se va zia , sentia -se c o m o se tivesse esvaziado sua alma quando a tinha forçado a sair em sua defesa. A ra inha fic o u em p é, lhe d a nd o a s c o sta s e d irig ind o -se ra p id a m ente a seg uinte ha b ita ç ã o . Sentir-se-ia m elho r um a vez q ue c o lo c a sse um d esse s vestidos baby-doll so b re a c a b eç a , este era um tã o verd e c o m o seus o lho s q ua nd o a tinha b eija d o . Esfreg o u a p a rte d e a trá s d o s d ed o s so b re sua b o c a , sentind o a s m a rc a s e a s p ro vo c a d o ra s d o res d o s lá b io s. Perc eb eu q ue se aproximava o s p ensa m ento s g ira nd o c o m um a c o nfusã o q ue ela sentia e o q ue im a g ina va q ue ele esta va sentind o . Sentiu-se a g ra d ec id a q ua nd o nã o se deteve para fa la r c o m ela , p elo c o ntrá rio se retiro u a sua ha b ita ç ã o . Qua nd o se foi, afundou-se no assento mais próximo e exalou em silêncio. Siena nã o p o d ia a c red ita r o q ue q ua se tinha feito . Se a s c oisa s tivessem id o m uito m a is long e, sua vid a inteira teria tro c a d o d ra m a tic a m ente, vend o -o em p ersp ec tiva , d ep o is d e ta l eng a no d e inc om p reensíveis p ro p o rções. Ela era a reg ente d e seu p o vo , sem c a sa l, sem m enino s e nunc a tinha d eseja d o nenhum . A c la sse reg ente d e sua ra ç a tinha um tra to d istintivo e p o r isso , quando se emparelhava, devia ser por toda a vida. Havia muitas espécies que tinha m este c o stum e, c o m o lo b o s e c isnes, ig ua l ha via a nim a is p o líg a m o s, c o m o c a va lo s e vea d o s q ue tro c a va m d e c a sa l nã o só d e a no em a no , m a s sim em ocasiões, de momento a momento. Ma s nã o im p o rta va a fo rm a q ue to m a sse o monarca, ele o u ela era m a c o nselha d o s a em p a relha r-se um a vez e p a ra sem p re. Um c a sa l p a ra to d a a vid a . Histo ric a m ente se a c red ita va q ue era p a ra a sseg ura r a fid elid a d e e


p ureza d a linha rea l. O c a sa l rea l ta m b ém suc um b iria a esta fid elid a d e m o no g â m ic a . Co m o a c o ntec ia , ning uém sa b ia c o m c erteza . Susp eita va m que fosse um vírus g enétic o , d e a lg um tip o c o m o o q ue fa zia c o m q ue um Demônio p ro vo c a sse o na sc im ento d e p o d er em um Druid a esp ec ífic o . Ta lvez algum dia eles soubessem com segurança. Esta era a ra zã o p ela q ual Siena tinha eleg id o p erm a nec er a b so luta m ente c elib a tá ria , sem p erm itir q ue nenhum m a c ho estivesse p erto d ela , d e um a m a neira q ue a tenta sse. Nã o d eseja va um c a sa l, e se rec usa va a b so luta m ente a c o m p a rtilha r seu reino c o m um ho m em q ue se c o nverteria seu ig ua l na m o na rq uia , só p o rq ue lhe tinha leva d o a c a m a . De fa to , d esp reza va veem entem ente a no ç ã o d e em p a relha r-se c o m um m a c ho q ue, na hora de sua morte, pudesse potencialmente ganhar seu trono. Se Elija h tivesse to m a d o seu c o rp o nesse m o m ento selva g em , p o d eria ter esc rito sua sentenç a d e m o rte. Qua to rze a no s d e p a z nã o era b a se sufic iente p a ra c o nverter a um Demônio em rei Lic á ntro p o . Tã o a d o ra d a e a p reciada c o m o era , a s p o ssib ilid a d es d e reb eliã o e a tira r p ela a m ura d a seu reino deveria ser um risco insolvável e indesculpável. Sua seg uinte p rio rid a d e d everia ser a id éia d e esta r fo rç a d a a p a ssa r o resto d e sua vid a c o m o p a rte d e um c a sa l. Pa rte d e um c a sa l q ue inc luía um m a c ho q ue nã o c o nfia va nela . Já era sufic ientem ente m a u ser fo rç a d a a sup o rta r um a vid a inteira c o m q ua lq uer ho m em , m a s este g uerreiro Demônio? Tinha leva d o a m o rte a m uita d e sua g ente d ura nte a g uerra d e seu p a i, e inc lusive, q ua nd o tinha a p rend id o a ser m a is a rd ilo sa q ue seus fa m ilia re s va rõ es, a s fa m ília s d esses g uerreiro s m a ssa c ra d o s a m a rc a ria m c o m o tra id o ra a sua ra ç a , p ro c ura nd o em sua b a g a g em se ha via a lg um a m a rc a d a p ro vínc ia Russa o rig ina l q ue tinha m elim ina d o p o r a trever-se a tal abominação. Co m o tinha term ina d o em seus b ra ç o s? Por q ue a tinha seg uid o ? Na verd a d e, nunc a tinha m se enfrenta d o p esso a lm ente, m a s era m o s m a is fo rtes rep resenta ntes d e sua g ente, tinha m -no sid o p o r séc ulo s. A id éia d e lhe b eija r, de desejar a um homem de qualquer maneira? O que nos nove infernos tinha entrado nela? Nele? E p o r q ue nã o p o d ia a p a g a r o sentim ento d ele, nã o só d a frente d e sua m ente, m a s ta m b ém d e seu c o rp o c o m p leto , p o r d entro e p o r fo ra ? Sua p ele esta va o feg a nte inc lusive a g o ra . Ta m b ém , p o d ia sentir a lg o m a is p ro fund a m ente em seu c o rp o e em seus p ensa m ento s, q ue nã o tinha sa b id o


q ue existia . Ag o ra p o d ia no m ea r este va zio, a sensa ç ã o q ue a tra vessa va o d esejo existente. Que nã o tinha esta d o p o nd o a tenç ã o a seus p ró p rio s p ensa m ento s? Era um a c o m p leta lo uc ura seg uir sentind o isso p o r um seg und o m a is! Deveria esta r enverg o nha d a d e q ue tivesse p erm itid o ta is intim id a d es com seu corpo, não continuar as desejando. A ra inha fic ou em p é, inc a p a z d e c o ntinua r q uieta . Ausente esfreg o u a p a lm a so b re o p la no estô m a g o , enq ua nto c o m eç a va a p a ssea r a tra vés d a habitação. Sentia-se c o m o se d e a lg um jeito, tivesse fo rç a d o sua p resenç a nela , m a rc a nd o -a p erm a nentem ente. Nã o esta va m vinc ula d o s, entã o , p o r q ue sentia c o m o se sua essênc ia estivesse na d a nd o d entro d e sua m a triz? Esta va c o nfund id a , ultra p a ssa d a p ela essênc ia em seu c o rp o , luta nd o c o m a s lembranças humanas e felinas, dos dias passados em sua presença. Ap esa r d e si m esm a , esta va im p ressiona d a p ela fo rm a como tinha d irig id o à g a ta a ssusta d a . Esta va c o nsc iente d isso a g o ra , a g o ra q ue tinha tro c a d o , m a s nesses m o m ento s nã o tinha sid o m a is q ue o p um a , m a is tenta d a a lhe p a rtir o p esc o ç o em d ois, q ue em o utra c o isa . Cla ra m ente, d everia ter esta d o tã o a m ea ç a d a p o r ele p a ra lhe estrip a r no m om ento . Ma s em seu lug a r, o g a to tinha d eslo c a d o . Esc o nd id o. Igual a o q ue o s leõ es em lib erd a d e teriam feito quando se sentiam ameaçados por algo mais poderoso que eles. Ma s entã o a p ro xim a r-se d ele um a vez m a is, e usa r o m o d o d e a g ressã o baixa de castigo por assustá-la e obrigá-la a trocar? Siena leva nto u o o lha r p a ra a s esc a d a s enq ua nto a s em o ç õ es a m ea ç a va m so b ressa lta nd o , fug ind o tã o lo ng e d ele c o m o p ud esse sem sa ir d a c a verna . Entreta nto , nã o era m elho r nesse lug a r tã o p ró xim o à p isc ina . A ha b ita ç ã o esta va c heia d e fero m o na s e essênc ia d e exc ita ç ã o sexua l. A p ró p ria e a d ele. Pa rec ia q ue nã o im p o rta va o nd e estivesse nã o p o d ia esc a p a r d ele. E a luz exterio r d o so l b rilha nd o a tra vés d a s á rvo res a acautelava de refugiar-se no conforto do bosque. A ra inha c o nteve um so luç o , reto rc end o a s m ã o s junta s vio lenta m ente e m o rd end o c o m fo rç a o lá b io inferio r. Nã o fa zia esta s c o isa s d éb eis e fem inina s c ha m a d a s lá g rim a s. Nunc a tinha c ho ra d o em to d a sua vid a , e se c o nd ena ria a ntes d e fa zê-lo p o r um m a c ho Demônio. Aind a a ssim , nã o p o d ia esc a p a r d o sentim ento d e fec ha m ento q ue se eleva va so b re ela , a em o ç ã o c a nd ente, a c o nfusã o d e p ensa m ento s q ue p a rec ia m p erm a nentem ente g ra va d o s c o m sua marca.


Siena d e rep ente, c eg a , c a m inhou p a ra a entra d a d a c a verna . A m eno s d e d o is m etro s d o so l, o b ra ç o d e Elija h se eng a nc ho u a o red o r d a c intura e a em p urro u c o ntra seu ríg id o c o rp o . Ela g rito u c huta nd o e luta nd o c o ntra seu a g a rre. Po d eria ter feito im p o ssível q ue ele a retivesse, ao nã o ser p elo rá p id o efeito do sol em sua fisiologia. A luz entro u nela c o m im p ressiona nte velo c id a d e. Nesse m o m ento era susc etível a ela de um a m a neira q ue nunc a tinha exp erimentado a ntes. O q ue tinha tro c a d o nela ? Perguntava-se c o m d esesp ero enq ua nto a tomava em b ra ç o s e a d evo lvia a o refúg io . No m o m ento q ue esteve a sa lvo na c a verna , já sentia ná usea s p o r sua exp o siç ã o . Levo u-a d ireta m ente à ha b ita ç ã o e a c o lo c o u so b re a c a m a , p ressio na nd o um a m ã o fria c o ntra o rosto ardente. —Esta lo uc a ? —Perg unto u b ra nd a m ente, a fra se sem a rec rim ina ç ã o q ue d evia ter tid o . Era a p rem ente p reo c up a ç ã o na p erg unta e seu to q ue o que finalmente a rompeu. So luç o u um a vez, d ura m ente, d ep o is irro m p eu em p ra nto . Enverg o nha d a , tra to u d e g ira r a c a b eç a , m a s ele m a nteve a b o c hec ha em sua p a lm a e a im p ed iu d e fa zê-lo . Elija h, o ind ô m ito g uerreiro Demônio, p ro c ed eu a a g a rra r to d a s e c a d a um a d a s lá g rim a s c o m o s d ed o s c a lo so s, acalmando-a b ra nd a m ente c o m seu fô leg o , tra ta nd o d e sustenta r sua m ã o na sua. —Siena, p o r fa vo r — sup lic o u b ra nd a m ente, o s d ed o s m o vend o -se rapidamente de uma bochecha a outra para tomar a pena salgada. — Sinto tanto. Muito mais do que imaginaria. Não quis te machucar desta forma. Por favor, gatinha, está me matando. Por favor, detenha. Mas quanto mais gentil era ele, mais parecia doer a ela. E não tinha idéia d e p o r q ue. Dep ois d e um m o m ento , rend eu-se d e c o nter a s lá g rim a s fo ra d o cabelo e com um forte puxão de sua mão cativa, envolveu-a em um cômodo a b ra ç o . Pressio no u a m ã o em sua nuc a , lhe sustenta nd o o ro sto na c urva d o p esc o ç o , a b o c hec ha em b a la d a no la rg o o m b ro . Ela sentiu c o m o a m ã o se m o via p a ra sua s c o sta s, esfreg a nd o g entilm ente, a c a ric ia nd o , em um a direção somente. Co m o so ub e q ua l era a m a neira m a is g entil d e to c á -la ? Co m o um g a to q uem só p o d ia sup o rta r q ue sua p ele fo sse a c a ric ia d a em um a só d ireç ã o , alagou-a um a p o d ero sa sensa ç ã o d e c o m o d id a d e e rela xa m ento . Sentiu o trocar para seu redor, como se a cheira sse perfeitamente.


—Siena, me escute — disse brandamente. — Term ina ste a q ui. Seu d ever a m eu Rei fo i sa tisfeito . Reto rna à esc urid ã o , d eixa rei este lug a r e reto rna rei a c a sa . Nã o m e verá d e no vo . Juro o... —Nã o . Aind a nã o está b em d e tud o — p ro testo u, a fa sta nd o -se p a ra lhe olhar diretamente aos olhos. — Me enc o m end ei mesma o seu c uid a d o e o fa rei a té o fina l. Eu... Eu só estou... —Siena a g ito u a c a b eç a , inc a p a z d e enc o ntra r p a la vra s enq ua nto afastava os últimos vestígios de suas lágrimas de debilidade. —Tem q ue te d a r c o nta d o q ue há d etrá s d e tud o isto . —a urg iu brandamente, acariciando com os dedos do queixo até os olhos. — Sa m ha in está a um a sem a na d e d istâ nc ia . Sua esp éc ie se vê a feta d a por isso, igual que minha. Os Demônios estão malditos pela lua deste mês para nã o d eseja r na d a m a is q ue em p a relha r-se, tã o m a l im a g ina d o c o m o p ud esse ser com qualquer formoso humanóide que vejam. Elijah livrou um profundo fôlego, afastando o olhar desses olhos dourados, e a líq uid a luxúria c o ntid a neles q ue a ind a lhe tenta va . Po r m a is q ue fo rç a sse a si m esm o a a c red ita r sua p ró p ria exp lic a ç ã o , nã o p o d ia esc a p a r d o c a ç a d o r sentim ento no c entro d e seu ser q ue sussurra va c o m sinistro enc a nto que era muito mais que isso. —Sim — concordou Siena, tomando a explicação com gratidão. — Sim , tem ra zã o . Tinha esq uec id o c o m o a feta a sua esp éc ie. O efeito nã o é o m esm o em m inha g ente. Nã o exa ta m ente. Ma s no sso s la d o s a nim a is se vo lta m d o m ina ntes d ura nte este tem p o . Instinto s c o m o o em p a relha m ento são tão assustadores que... Rompem o bom julgamento normal. —Então entende que se não for, isto provavelmente passaria de novo? — Perguntou. —Ta lvez. Ta lvez nã o a g o ra q ue so m o s c o nsc ientes d isso . A p a rte d este… este p ro b lem a , nã o p o d e ir. Co nheç o sufic iente a o s Demônios p a ra sa b er q ue não pode trocar de forma, enquanto esteja tão ferido sem arriscar a vida. Não deixarei que arruíne todos meus esforços para te curar. Sentindo-se a livia d a e exa usta a o m esm o tem p o , Siena se rec o sto u no s tra vesseiro s d a c a m a , ig no ra nd o a urg ênc ia d e esfreg a r a b o c hec ha so b re o travesseiro que tinha tão pesada essência dele. Elija h p o d ia ver q ue esta va d o ente, a p esa r d o fa to d e q ue esta va tra ta nd o d e a tua r c o m o sua enferm eira . Sua c a rreira no b rilha nte so l d e


o uto no , a p esa r d e esta r b lo q uea d o p elo s ra m o s d a s á rvo res, tinha c a usa d o b a sta nte d a no . Os Lic á ntro p o s o c ha m a va m envenena m ento p elo so l. Ha vend o visto a ntes d e p erto , o s efeito s era m a p ro va d e eng a no s. Esta va pálid a , a p ele p á lid a sem o b rilho d o ura d o usua l, e seu c a b elo usua lm ente revolto, pendurava murcho a seu redor. —Está sa ng ra nd o d e no vo — m urm uro u, leva nta nd o a m ã o p a ra to c a r a vendagem sobre o peito ferido. — A água danificou os selos da vendagem. —Secará , nã o se p reo c up e — Elija h se estend eu e a g a rro u sua m ã o , incapaz de liberá-la uma vez que a teve em sua palma de novo. Fo rç o u a si m esm o a d eixá -la ir, leva nta nd o -se e c a m inha nd o fo ra d a ha b ita ç ã o . Reto rno u ra p id a m ente c o m um c o p o d e á g ua , m a s tinha dormido cansada d ura nte o tem p o q ue d em o ro u. Sentou-se no la d o o p o sto d o c o lc hã o , exa la nd o la rg a e lenta m ente. Gira va o c o p o a o red o r d a s m ã o s tra ta nd o d e m a nter-se o c up a d o enq ua nto tra ta va d e esc la rec er pensamentos. Siena ta lvez nã o soubesse, m a s Elija h tinha q ueb ra d o m uita s leis no m o m ento q ue p ô s a s m ã o s so b re ela . As leis d o s Demônios era m m uito esp ec ífic a s so b re c erta s c oisa s. Fra nc a m ente, esta va m a ra vilha d o d e q ue o Executor não estivesse descendo sobre ele nesse momento, determinado a lhe ver c a stig a d o c o m o d everia . Só tinha sid o so rte q ue a únic a vez q ue nec essita sse essa intervenç ã o , Ja c o b estivesse o c up a d o c o m sua esp o sa e seu recém-nascido. Todo o corpo de Elijah doía. E, precaveu-se, não era de tudo pela dor de sua s ferid a s sa na nd o . De a lg um jeito ela tinha entra d o so b sua p ele, essa a to rm enta d o ra c ria tura fo rm o sa . Esta ria m entind o a si m esm o se tra ta va d e convencer-se d e q ue tud o era físic o . Ha via a lg o em seu esp írito , em sua s m a neira s, q ue im p reg na va nele. Tinha esta d o fa zend o d esd e o dia em que se conheceram, fazia seis meses. Nunc a tinha a c red ita d o no p la no d e Gid eo n d e c a p tura r a si m esm o na c o rte d o Lic á ntro p o s, q ue se vo lta ria em a lg o m a is q ue interc â m b io m éd ic o . Ma s o s resulta d o s lhe tinha m surp reendido inc lusive enq ua nto c o ntinua va sem confiar nele. Inclusive depois que a Rainha tivesse d ec la ra d o o fina l d a g uerra , tinha esta d o ro nd a nd o c o m o utro s p retexto s. O p retexto q ue lhe m a nd a ria d e no vo à g uerra , justo q ua nd o c om eç a va m a rela xa r. Entreta nto , d esd e q ue a tinha c o nhec id o , sa b ia q ue era d iferente a q ua lq uer c a m b ia nte q ue


enc o ntro u a ntes. Inc lusive tinha c o m eç a d o a sentir-se m a is c réd ulo nesta p a z que ela tinha negociado tão habilmente com sua agressiva gente. Exa usto , Elija h c o lo c o u o c o p o a um la d o e se d eixo u c a ir no tra vesseiro junto ao o utro em q ue d esc a nsa va a ra inha . Giro u a c a b eç a p a ra o lhá -la. Tud o o q ue viu fo ra m d elic a d o s tro nc o s d e p esta na s d o ura d a s c o ntra a s p á lid a s b o c hec ha s. Po r a lg um a ra zã o , fixo u-se nesse eleg a nte d eta lhe, encontrando-se c urio so so b re q uã o frá g il p a rec ia . Co m o se p ud esse q ueb ra r so b o m a is lig eiro to q ue. Nunc a tinha p ensa d o nela c o m o a lg o d elic a d o o u frá g il. Era um a m ulher d e fo rm id á vel fo rç a e, seria um idiota se p ensa sse d e qualquer outra forma. Mas ainda tinha uma inocência escondida. Nã o tinha na d a q ue ver c o m o fa to d e q ue era c o nsc iente d e q ue ela nã o tinha to m a d o um a m a nte. Sa b ia a c o nd iç ã o q ue vinha c o m isso , e sa b ia q ue era p elo q ue tinha esta d o tã o a terro riza d a d o q ue q ua se p a sso u entre eles. Mas era algo mais profundo que só o estado virginal de seu corpo. Talvez por uma parte, entenderia o que tinha pensado e sentido, mas era a lg o q ue nunc a p a ssa ria . Um a vez q ue se fo ssem d esse lug a r, o únic o tem p o junto s no q ua l se veria m seria d ura nte a s a ud iç õ es na c o rte d e No a h q ue a inc luíra m . Se ele tinha a lg o q ue d izer so b re isso , nã o se veria m nem nesse m o m ento . Esta va d ec id id o a m a nter a d istâ nc ia a p a rtir d esse m o m ento . Era um g uerreiro , treinado na s fo rm a s m a is extrem a s d e d isc ip lina e p o d eria facilmente fazer isso. Os o lho s d o Elija h se fec ha va m , lhe fa zend o m a is c o nsc iente d o a ro m a d e sua essênc ia . O q ue lhe a tra ía m a is p enso u enq ua nto d esliza va a o so no , era o bem que mesclava com a sua própria.

CAPÍTULO 4

No a h em p urro u um d o s p o eirento s livros d a g ra nd e b ib liotec a Demônio, um arquivo de sua vasta história e profecias que se encontrava nas masmorras d e seu c a stelo na ta l. Ha via três eno rm es livro s esp era nd o sua a tenç ã o , m a s o s ig no ro u e c o m eç o u a p a ssea r p elo Gra nd e Sa lã o , sinal d a a g ita ç ã o q ue sentia e se vinha repetindo com muita freqüência nos dois últimos dias.


Dizer q ue esta va p reo c up a d o teria sid o fic a r c urto . A p esa r d o fa to d e q ue o Ca p itã o d e seus exérc ito s esta va d esa p a rec id o e sem ha ver d ito um a p a la vra a ning uém d e o nd e esta va , a lg o na d a usua l nele, teria q ue sa b er d ep o is d e to d o s o s a no s q ue c o nhec ia Elija h, q ue era b a sta nte c a p a z d e c uid a r d e si m esm o . Ma s era m tem p o s im p revisíveis. Inim ig o s e p ro fec ia s, o s Druid a s tinha m sid o red esc oberto s e tinha m na sc id o m enino s híb rid o s c o m p o tenc ia is ha b ilid a d es no va s e p o d ero sa s. Ho m em e m ulheres d e rep ente se vinculavam com uma freqüência que sua raça não tinha desfrutado desde mil anos, se é que alguma vez o tinham feito. Po r isso , esta va p ro c ura nd o volumes d e c o nhec im ento , história e p ro fec ia q ue tinha m em c im a o p ó d e ép o c a s. Alg uns nã o abertos em m ilênio s, esc o nd end o segredos e p ensa m ento s q ue nem seq uer Gid eo n, c o m seus m il a no s, c o nhec ia . Esp era va enc o ntra r neles a c la rid a d e em to d o este c a o s. Em q ua lq uer c a so , a na tureza a rc a ic a d a a ntig a líng ua Demônio fa zia com que a tarefa fosse lenta e difícil. A m elho r erud ita p a ra esta ta refa seria Isa b ella , a m ulher Executora. Entretanto, a p esa r d e q ue o s p o d eres Druíd ic o s lhe p erm itia m tra d uzir fa c ilm ente a líng ua Demônio em to d a s sua s fo rm a s d esd e ép o c a s a ntig a s, simplesmente não era possível para uma mãe recente dedicar-se a um estudo tão intensivo tendo dado a luz fazia tão pouco tempo. Os eruditos como o Rei, estavam procurando respostas aos problemas do p resente no s tra b a lho s e p ro fec ia s d o p a ssa d o . O Destino era um a ssunto im p o rta nte p a ra o s Demônios, ta nto c o m o ind ivíd uo s c o m o so c ied a d e. Era m uito p a rec id o a um a exp eriênc ia relig iosa seg uir o m a is p uro d o s c a m inho s p a ra seu d estino , p ro c ura nd o q ue a s p ro fec ia s se c um p rissem no p resente, transformando-se em uma história maravilhosa. Tinha sid o isto o q ue tinha feito com q ue a tra iç ã o d e Ruth e Ma ry a sua g ente fo sse tã o d ura . Virtua lm ente era a lg o d esc o nhec id o . Deu-se c o nta , entreta nto , q ue a s mulheres traidoras tinha m c a usa d o d o r e c o nfusã o , em b o ra , em sua d isto rc id a p erc ep ç ã o , seus c a m inho s esta va m tã o p red estina d o s c o m o o s d e o utro s. E No a h sup unha q ue era c erto . Nã o to d o s o s c a m inho s esta va m d estina d o s a ser c o rreta m ente m o ra is e c la ro s. Se esse fosse o caso, não haveria guerras nem violência. Na m ente d o s tra id o res, estes a to s d e ving a nç a c o ntra seus p ró p rio s irmãos estavam justificados, inclusive eram justos. Em Maio passado, justo antes d o Belta ne, tinha tid o p rinc íp io um b ruta l a to d e c a stig o c o ntra Ja c o b o


Exec uto r, m a s d ep o is se estend eu c o m o um veneno tó xic o q ue inc luiu to d a a raça Demônio. Ap ó s, o s Demônios tinha m so frid o rep etid a m ente na s m ã o s d esses reneg a d o s, vítim a s d e tá tic a s daninhas d e g uerrilha s sem nenhum a ra zã o a p a rente. Se o s últim o s seis m eses lhes tinha m ensina d o a lg o era q ue o s inimigos estavam por toda parte, alguns mais perto do que esperavam. Tud o isto fa zia c o m q ue se p reo c up a sse em p erd er c a m a ra d a s p elo s quais o rei normalmente nunca se inquietou. So o u um p ra nto p erto d a c ha m iné no o utro la d o d o Gra nd e Sa lã o e im ed ia ta m ente esq uec eu seus vo lá teis p ensa m entos e se a p ro xim o u c om urgência d o d elic a d o b erç o d e o nd e tinha vind o o p ra nto . De d entro d o b erç o tiro u um b eb ê d im inuto em sua s g ra nd es m ã o s e parou um m o m ento p a ra c o lo c a r à m enina no o c o d o b ra ç o c o m um a m a nta ro d ea nd o -a calidamente. —Bom carinho — disse com familiaridade. — Tem algo que dizer? A m enina , d e p o uc o m a is d e d ua s sem a na s e q ue nem seq uer p o d ia m a nter a c a b eç a erg uid a m uito tem p o , fra nziu o c enho m a is d o q ue o normal, fazendo com que o Rei Demônio risse. —Ac red ito q ue va is ser c o m o seus p a is. Será m inha Executora a lg um d ia , c a rinho ? Ca ç a rá Demônios c a p ric ho sos e o s tra rá a nte m im p a ra q ue recebam o castigo que mereçam? No a h m o veu o c o rp o p a ra d eixa r c a ir em sua p o ltro na fa vo rita a nte o fo g o . Leva nto u a m ã o e d e fo rm a b rinc a lho na c o m eç o u a a c end er o s d ed o s, fa zend o sa lta r a c ha m a d e um d ed o a o utro c o m ta l velo c id a d e q ue a m enina a b riu o s o lho s c o m o p ra to s. Ag itou o s b ra ç o s e a s p erna s c o m exc ita ç ã o , a la rg a nd o a s m ã o zinha s p a ra ele, m a s se a sseg uro u q ue a s luzes brincalhonas estivessem fora de seu alcance. Chiou com frustração infantil. —Shhh — sussurrou. — Se sua mãe soubesse me arrancaria à cabeça. So rriu e exting uiu a s c ha m a s c o m a m esm a fa c ilid a d e c o m q ue a s tinha acendido. O Demônio d e Fo g o a p ro xim o u entã o o s q uentes d ed o s à sed o sa massa de cachos negros da cabecinha. —Esto u b a sta nte aborrecido d e q ue seus p a is tenha m eleg id o a Elija h p a ra ser seu Sid d a h a ntes q ue a m im . Em b o ra entend a q ue têm p revisto q ue seria m uito p a ra um ho m em o c up a d o em g o verna r to d a um a ra ç a . E nã o — c o ntinuou estira nd o a s la rg a s p erna s e a s c ruza nd o no s to rno zelo s—, c erta m ente nã o a p rec io o g esto d e sua m ã e a o p ensa r q ue p a ra entã o ,


tenha minha própria família. Parece que se deleita grandemente vendo como um m a c ho Demônio a trá s d e o utro caírem so b o a rd ilo so feitiç o d e vo c ês, a s fêmeas. A m enina o o lho u p isc a nd o c o m o s o lho s a zuis d e rec ém -nascida, depois agarrou um dos grossos dedos com assombrosa força e o meteu na boca. —Me alegro de que veja do mesmo modo que eu — riu. — Esto u c o m eç a nd o a m e a rrep end er d e ter em p urra d o seu p a i a o s b ra ç o s d e sua m ã e. Nã o é q ue tivesse p o d id o evitá -lo . Ma s d esd e q ue essa m ulher entro u no c a stelo , a s c o isa s nã o fo ra m à s m esm a s. Se isto seg uir a ssim , Elija h va i entra r p o r essa p o rta tra nsb o rd a nd o so neto s d e a m o r e c o m seus próprios meninos. Já é bastante mau que minha irmã… Perd eu o fio e o b o m hum o r se d esva nec eu a o lembrar-se d o g uerreiro desaparecido. Francamente, teria sido muito bo m que aparecesse pela porta, sem im p o rta r em q ue c irc unstâ nc ia s. Nã o era p ró p rio d e ele d esa p a rec er e não dizer a ninguém onde poderiam encontrá-lo. Especialmente com o perigo abatendo-se sobre eles. Elijah tinha esta d o se c o m p o rta nd o c o m o um lo uc o o s últim o s m eses, tra b a lha nd o sem d esc a nso , tenta nd o enc o ntra r tud o o q ue p o d ia so b re o c ulto d e m ulheres hum a na s q ue c o nsp ira va m c o ntra o s Demônios e o utra s ra ç a s Nig htw a lker. Cheg a va litera lm ente a o esg o ta m ento c a ç a nd o a o s Demônios tra id ores em b o ra se m etesse na jurisd iç ã o d e Ja c o b . Nã o sa b ia q ue No a h esta va a tento a o fa to d e q ue tinha so lic ita d o m uita s vezes o s serviç o s c ura tivo s d o s Demônios Co rp ó reo s p a ra seus so ld a d o s. Vá rio s d estes so ld a d o s se dirigiram a contra gosto ao Rei, cheios de lealdade para Elijah e sem querer saltar a linha d e m a nd o , m a s tem ero so s d e q ue o Ca p itã o estivesse exp o nd o se a um sério d a no . Ca d a um d eles tinha tenta d o m inim iza r a seried a d e d a situa ç ã o , m a s o s o lho s lhe ha via m d ito o q ue nã o q ueria m revela r. Po r isso , tinha convocado a entrevista de ontem. Elija h nunc a teria d eixa d o d e ir a ta l entrevista . Era c o rreto a té nã o p o d er m a is q ua nd o se tra ta va d o s p ro to c o lo s d e No a h e nunc a ig no ra va a s convocatórias embora estivesse à beira da morte e tivesse que arrastar-se fora da cama. Apesar das maneiras informais, era ferozmente leal e se notava. Susp iro u tenta nd o a c a lm a r o s p ensa m ento s e vo lto u à a tenç ã o a o b eb ê em seus braços. —Pa rec e q ue tem fo m e, c o ra ç ã o . Sua m a m ã e d everia vir a te a lim enta r antes que me remoa os dedos.


A menina lhe ignorou e continuou mordiscando. —Não acredito que um bebê sem dentes possa te morder muito. Leva nto u o s o lho s, surp reso a o d a r-se c o nta d e q ue tinha esta d o tã o d istra íd o em seus p ensa m ento s q ue nã o se d eu c o nta d a c heg a d a d o Exec uto r. Os o lho s fo ra m im ed ia ta m ente a o sério sem b la nte d e Ja c o b enq ua nto Isa b ella se inc lina va para rec o lher d e seus b ra ç o s a sua filha . So ub e no insta nte em q ue o lho u o s esc uro s o lho s, q ue a s no tíc ia s d o Exec uto r nã o iram ser boas. —Nada? —Perg unto u, e a s turb ulenta s em o ç õ es transpareceram claramente na interrogação. Assim q ue Bela teve no s b ra ç o s à m enina e se a p a rto u a rrulhando-a, Noah levantou da cadeira e se aproximou de Jacob que dava as costas a sua fa m ília . Os Exec uto res tinha m esta d o p ro c ura nd o a lg um sina l d e Elija h. Cla ro sina l d e q ue Ja c o b esta va tã o p reo c up a d o c o m o No a h, era q ue Bela tinha d eixa d o a sua filha recém-na sc id a p a ra ir c o m Ja c o b e ele tinha p erm itid o sem p ro testa r. É o b vio , p o d eria d izer-se q ue tinha p ro testa d o nã o lhe im p o rta va um na d a a Druid a c o m a q ue esta va c a sa d o . Bela era um a m ulher b a sta nte ind ep end ente e m o d erna c o m um a a titud e a trevid a e vo ntade p ró p ria e, p o d ia -se d izer, q ue d esfruta va p o nd o seu m a rid o c o ntra a s c o rd a s tanto como ele desfrutava que fizesse. Vo lto u p a ra esc ritó rio q ue tinha d eixa d o m inuto s a ntes c o m seu Exec uto r seg uind o d e p erto c o m o s b ra ç o s c ruza d o s so b re o a tlétic o p eito e a c a b eç a escura tão baixa como a voz. —Não entendo No a h. Deveria ter sid o c a p a z d e ra streá -lo em q ua lq uer lugar. É o q ue tenho feito to d a a vid a . Esp ec ia lm ente d ura nte o Sa m ha in. Sa b e q ue m eus p o d eres estã o a o m á xim o nesta ép o c a . Ma s o seg ui a té Washington e depois o perdi completamente. —Ali c ho ve m uito , Ja c o b e leva va to d o um d ia d e va nta g em q ua nd o começou. É compreensível. Fez um so m q ue tra nsm itiu a o Rei q ue nã o p erd o a va tã o fa c ilm ente a fa lha c o m o o m o na rc a . Ma s a ssim era Ja c o b . Era e sem p re seria extrem a m ente d uro c o nsig o m esm o c o m resp eito à s fa lha s. Nã o im p o rta va q ue c o m etesse p o uc a s e m uito d e vez em q ua nd o . Quã o únic o im p o rta va p a ra a a lta m o ra lid a d e d o Demônio d a Terra era q ue um a fa lha im p lic a va muitos falhas.


—Isa b ella nã o p o d e tira r-se d e c im a a sensa ç ã o d e q ue está em p erig o — disse Jacob tenso, passando a mão pelo cabelo comprido e escuro. — Esteve tend o ta nta s p rem o niç õ es um a d etrá s d e o utra d esd e q ue perdemos o rastro que acreditei que ia desmaiar pela sobrecarga. Isto fez com q ue No a h leva nta sse o o lha r p a ra a Executora c o m ra p id ez e se deu conta pela primeira vez do aspecto gasto e a forma como embalava a sua filha c o m o se estivesse d esesp era d a p ela c a lid ez e o a feto . Tinha sid o um a d ila c era d o ra ta refa e o s a m b íg uo s resulta d o s tinha m cobrado gastos a o s amigos do Elijah. —Que classe de premonições? —obrigou-se a perguntar o Rei. —Ba ta lha . Do r. Seg uia d izend o q ue esta va c eg a p elo sa ng ue. Inc lusive sem essa info rm a ç ã o nã o tinha q ue m e d izer q ue esta va seg ura d e q ue a lg o mal ia p a ssa r o u já tinha p a ssa d o . Po d ia -o sentir eu m esm o . O únic o b om é q ue nem ela nem eu p o d ía m o s esta r seg uro s se esta va vivo ou m o rto . Nã o esta va c o nvenc id a d e q ue tivesse sid o Co nvo c a d o . No a h sa b e Ruth o no m e d e p o d er d e Elija h? Po d e ha ver o fa c ilita d o a a lg um Nig ro m a nte q ue o tenha Convocado e aprisionado? —A mão se fechou em um punho. — Te juro pela alma de minha filha, Noah… que se essa cadela me forçar a ter q ue m a ta r a Elija h nã o d esc a nsa rei a té q ue tenha sua neg ra a lm a na palma da mão. No a h entend ia a ra iva e o m ed o d o Exec uto r. Se Elija h tinha sid o Convocado, a pior das sortes conhecidas na raça Demônio, provavelmente já teria c o rro m p id o tra nsfo rm a nd o -se em um esc uro m o nstro sem a lm a q ue seria um p erig o c o m g ra nd e p o d er p a ra q ua lq uer c ria tura a seu a lc a nc e. Os usuá rio s d e m a g ia utiliza va m p enta g ra m a s d esenha d o s e em b eb id o s d e p o d er p o r sua vil m a g ia p a ra a p risio na r a o Demônio c ujo no m e d e p o d er tinha obtido. Uma vez que o Demônio caía na armadilha, era quase impossível salvá-lo s. Era o d o lo ro so d ever d e Ja c o b e Bela d estruir esses m o nstro s. Ma s se Elija h se c o nverteu em ta l c ria tura , a d o r q ue o s Exec uto res so freria m a o ser fo rç a d o s a m a ta r a o Demônio q ue tinha m eleito p a ra c ria r a sua filha d ura nte o Fostering seria inimaginável. Elija h sig nific a va ta nto p a ra eles c o m o p a ra o Rei e m uitíssim o s o utro s. A moral de todas as forças armadas de Noah, tão fortes, tão dirigidas e avivadas p ela p o d ero sa p resenç a ia p a ssa r m a us tem p o s rec up era nd o -se d e um a tra g éd ia d e ta l m a g nitud e. A p erd a d e um Demônio tã o p o d ero so e b rilha nte


devastaria à raça inteira, sem mencionar a ferida aberta que ficaria em dúzias de corações, incluído o do Rei. Doía-lhe a c a b eç a e esfreg o u a s têm p o ra s p ulsa ntes. A tensã o se c o nc entro u em a m b o s o s p o nto s d esd e q ue se d eu c o nta p ela p rim eira vez de que algo passava. E aí estavam, dois dos seres mais poderosos de sua raça. E estavam perdidos? Que triste comentário para o futuro de sua gente! Pensou em um excepcional e amargo momento de fatalismo. Ap a rto u o s sentim ento s e a d o r d e c a b eç a sentind o aproximar a energ ia da Isabella. Estava esgotada e o suficientemente preocupada sem ter que vêlo e a o Ja c o b to ta lm ente d erro ta d o s. É o b vio , tinha lid o a m ente e o s sentim ento s d e seu m a rid o tã o fa c ilm ente c o m o p o d ia ler o s p ró p rio s, m a s Noah era farinha de outro saco. Supunha-se que era à força de sua gente. Voltou-se para olhar a ela e a sua filha com um sorriso. —Né, como está a mais recente de meus súditos? —Perguntou. —Faminta, como notaste — disse rindo-se. — Tenho q ue a lim entá -la . Quero q ue vo c ês d o is rela xem , to m em um a ta ç a e esp erem a q ue vo lte a ntes q ue c o lo q uem a p a ta . Ta m b ém so u sua Executora , e nã o vo u d eixa r q ue m e m im e c o m o a um frá g il passarinho. Está claro? Lançou-lhes um o lha r sensa to q ue lhes fez a firm a r c o m a c a b eç a obedientes. —Vale. Se fo rem enc o ntra r a o Elija h, p a rec e-m e q ue vão necessitar-me para… Parou d e rep ente e to d o o c o rp o se vo lto u d e um c inza a terra d o r enq ua nto o s o lho s lhe p unha m frá g eis. Ja c o b rea g iu um insta nte a ntes q ue No a h, a g a rra nd o o c o rp o enfra q uec id o c o m o b ra ç o enq ua nto tenta va a g a rra r à m enina c o m o o utro . As a rrum o u b a sta nte b em fa zend o q ue a s m ã o s d e No a h p a rec essem d esnec essá ria s q ua nd o se a p ro xim o u p a ra a jud á lo. Lo g o q ue a teve em um a c a d eira , Ja c o b entreg o u sua filha a No a h e se inclinou sobre sua esposa para comprovar o pulso e a pele úmida. —Isto é m uito . Rec entem ente q ue teve à m enina p a ra q ue sig a p a ssa nd o isto — so lto u enq ua nto o lha va a sua a m a d a c o m p a nheira suc um b ir à o utra d ila c era d o ra visã o m uito p ro va velm ente so b re Elija h e o d estino q ue confrontava.


— Ac red ito q ue d evem o s c ha m a r Gid eo n. A g ra vid ez já fo i o b a sta nte m a u c o m o a ta q ue d a Ruth e to d o o resto . De verd a d e eu nã o g o sto d a c o r que tem e o coração pulsa a um ritmo louco. —Legna já não está aqui — lhe recordou Noah. — A únic a fo rm a q ue p o sso c ha m a r sua a tenç ã o seria inc end ia r a lg o q ue estivesse p erto d ele e nã o é a lg o q ue eu g o ste d e fa zer nem seq uer c o m minhas habilidades. —Bo m , ta m p o uc o p o sso fa zer q ue c resç a um a á rvo re so b seus p és. — grunhiu Jacob sem dar-se conta de seu tom com a preocupação. — E esto u m uito esg o ta d o p a ra a rra stá -lo a té este lug a r em fo rm a d e p ó , inc lusive em b o ra nã o estivesse a m ilha res d e q uilôm etro s. Po nha à m enina no b erç o e vá p ro c ura r a um Demônio Menta l q ue p o ssa c o nta ta r c o m Leg na p a ra q ue p o ssa teletra nsp o rta -lo s a a m b o s o u q ue p o ssa teletra nsp o rta r ele mesmo. Am b o s o lha ra m Isa b ella q ua nd o so lto u um a fra se ro uc a e inc o m p reensível. Em b o ra houvesse um a estrutura q ue No a h p a rec eu rec o nhec er. Bela tinha um a fa c ilid a d e p a ra a s líng ua s q ue c heg o u c o m seus poderes Druid a s a ssim nã o lhe surp reend eu q ue um a líng ua estra ng eira formasse parte de suas visões. Po sto q ue nenhum d o s d ois a rec o nhec eu no m o m ento , nã o sig nific a va na d a a té q ue ela vo lta sse d o tra nse e p ud esse exp lic a r-lhes. No sup o sto d e que pudesse fazê-lo. A visão de Bela freqüentemente era mais que crítica. —Voltam-se m a is e m a is fo rtes e ela m a is d éb il. Do q ue serve este p o d er infernal? —Perguntou amargamente seu medroso marido. —Alg um a s vezes — d isse ro ucamente— d eseja ria nã o ha vê-la tocado nunca. Não estaria sofrendo assim se… —Jacob, deixa-o — disse Noah com dureza. — Nã o o sente e sa b e. Esta ria p erd id o sem ela e nã o teria esta m enina tã o fo rm o sa . Juro -te q ue vo u d ec la ra r fo ra d a lei essa c ulp a b ilid a d e c o m q ue te c a stig a c o nsta ntem ente. E Isa b ella esta rá enc a nta d a d e fa zer lhe c um p rir isso. No a h c ruzo u a ha b ita ç ã o p a ra d eixa r à m enina no b erç o . Voltou-se um a c o luna d e fum a ç a um m o m ento d ep o is d eixa nd o o s Exec uto res a trá s enquanto saía pela janela em busca de ajuda. Ma g d eleg na se sento u d e rep ente sa ind o d o so nho c o m um g rito a lto e a p a vo ra d o . Instintiva m ente, levo u a s m ã o s a o ventre lig eira m ente vo lum o so


c o m o p ro teg end o o b eb ê q ue leva va d entro d o q ue fo sse q ue a tinha perturbado. Era consciente de que Gideon despertou sentando-se e voltandose p ro teto r p a ra ela . Seu m a rid o a a p erto u c o ntra si im ed ia ta m ente, confortando-a c o m a p ele nua e o c o rp o m a sc ulino e m usc ulo so a o ro d eá -la com os braços. —O q ue p a ssa Neliss? —Perg unto u d oc em ente p ressio na nd o o s lá b io s suaves contra a curva do pescoço. —Um sonho… acredito — disse. Gid eo n a so lto u e entrela ç o u o o lha r c ha p ea d o c o m o d ela , c o m a s sobrancelhas igualmente chapeadas franzidas com concentração. —Segue tendo esses pesadelos. Estou começando a me perguntar se isto não é um a fo rm a d e p rem o niç ã o c o m o a s d e Bela . Estivem o s esp era nd o q ue troquem algumas de suas habilidades e possivelmente esteve aí todo o tempo — Gid eo n a la rg o u a m ã o p a ra p a ssa r o s d ed o s lenta m ente p elo c a b elo c o r café da Legna. — Me diga c o m que sonhava Nelissuna. —Era so b re Elija h. Alg o va i m uito m a l. Nã o rec o rd o o s d eta lhes. Do c e Destino, como odeio isso - disse cansada, apertando as têmporas. — Se isto fo r o q ue susp eita , a g o ra c o m p reend o p o r q ue a Bela d esg o sta tanto esta habilidade em particular. Gid eo n p a sso u o s d ed o s b ra nd a m ente p ela fro nte d e Leg na , fec ho u o s o lho s um m o m ento lhe envia nd o um a sensa ç ã o d e c a lm a e energ ia c ura tiva . Aliviou a tensão imediatamente e ela sorriu com um sorriso suave e tácito. Duro u um seg und o , d ep ois o feg o u b ruta lm ente q ua se lhe d a nd o a seu m a rid o na c a b eç a c o m a sua a o senta r-se o utra vez c o m o s o lho s m uito abertos e a mão na fro nte esmurrando-se com dolorosos gritos de angústia. —Noah! —Vale. Não é um sonho — disse Gideon sombrio, saltando sobre ela para sair da cama e pô-la em pé. — O que está passando? —Não sei. Temos que ir. Já. —Está b em . Em b o ra te rec o m end a ria q ue te vestisse a ntes d e teletransportar-nos. O g esto era o q ue nec essita va e a fez rir b ra nd a m ente a livia nd o a tensão. Vestiram-se ra p id a m ente e, uns m inuto s d ep o is, Leg na o s teletransportava pela longa distância até a casa de seu irmão.


Elijah foi o primeiro a despertar depois que tivesse caído à noite. Abriu os olhos e se deu conta em seguida do que o rodeava. O p rim eiro q ue no to u fo i q ue esta va a p a nha d o so b o p eso d e um a fêm ea Lic á ntro p o d o rm id a , b a sta nte p esa d a . Do ía -lhe o p eito e a ferid a rec ém c ura d a lhe a tira va p o r c o m o esta va ela esp a rra m a d a em c im a , m a s q ua se nem nã o no to u. Em vez d isso , esta va fa sc ina d o p o r c o m o se arrastavam as mechas suaves do cabelo pela pele. Esta va c o m p leta m ente enred a d o entre seu c a b elo e seus m em b ro s, m a s era o to q ue d esses d ed o s vivo s d e cabelo o q ue o m a ntinha m q uieto . As m ec ha s esta va m tra nc a d a s em c o rd õ es a c etina d o s lhe serp entea nd o p elo peito, ao redor dos bíceps, sobre os quadris e as coxas com uma sensualidade inc o nsc iente q ue tira va o fô leg o . Co nhec ia o s d esa fio s d o c a b elo vivente, únic o em sua s esp éc ies, d esd e fa zia séc ulo s, m a s só c o m o p ro p ó sito d e derrotá-lo s. Se o c a b elo esta va amarrado, o Lic á ntro p o nã o p o d ia tro c a r d e fo rm a . Litera lm ente se vo lta ria m lo uc o s se lhes d eixa va m a ssim d ura nte um a sem a na . Ta m b ém sa b ia q ue se o c o rta va m p o d ia o c a sio na r um a severa p erd a d e sa ng ue q ue inc lusive p o d ia m a tá -lo s im ed ia ta m ente. Co rtá -lo seria leta l p a ra eles, q uã o m esm o a s q ueim a d ura s d e terc eiro g ra u so b re um a grande percentagem do corpo seriam para um humano. Nunc a tinha p ensa d o . Entreta nto , esta sed o sa c a ríc ia p o d ia exc ita r a um ho m em d o s p és à c a b eç a c o m o sensua l to q ue. Era m uito c o nsc iente d a a g o niza nte resp o sta d e seu c o rp o e d e q ue p a rec ia p ro vir d o to q ue c o q uete d a s m ec ha s frisa d a s. Grunhiu sua ve enq ua nto a c a ríc ia fa nta sm a l ro ç a va eroticamente o endurecido aço de seu excitado corpo. Sentiu o batimento do c o ra ç ã o d o lo ro so d e seu p ró p rio p ulso b a ixo a q uela c a ríc ia tra vessa e envo lvente. Nã o p o d ia nem p ensa r, nã o tinha esp era nç a d e enc o ntra r um a maneira de parar esta tortura devastadoramente perfeita. Siena ro nro no u litera lm ente em so nho s. Um a resso na nte vib ra ç ã o irra d ia va d e to d o seu to rso , p ulsa nd o c o m o um a m a ssa g em sua ve p o r to d o o fla nc o d o c o rp o c o ntra o q ue se aconchegava. A p erna d esliza va inc a nsá vel p ela d ele, a panturrilha d esliza va p a ra a c o xa leva nd o o jo elho entre sua s p erna s. Elija h fec ho u o s o lho s c o m fo rç a , c o m o se p rep a ra nd o p a ra um impacto perigoso, mas não tinha medo de que lhe fizesse m a l físic o . Ala rg o u a m ã o p a ra d eter o jo elho q ue d esliza va . Já era b a sta nte m a u q ue o c a b elo o estivesse pondo a cem, não precisava sentir a pele contra a sua. Não importava quanto o desejava.


Tento u to m a r fô leg o p a ra se tra nq üilizar, m a s o q ue c o nseg uiu foi encher os p ulm õ es c o m o a ro m a d o c e e tenta d o r. Po r c a usa d e sua esp éc ie, tinha a tem p era tura uns g ra us m a is a lta q ue ele, m a s p a rec ia m m uitíssim o s m a is, enq ua nto , no so nho , a fro nte úm id a se esfreg a va inc a nsá vel c o ntra ele. Cheira va a o s a ro m a s c o m b ina d o s, q uã o m esm o ele e nã o p ô d e d eixa r d e no ta r q uã o eró tic a e sensua l era a fra g râ nc ia . Seu c o rp o p ulsa va profundamente com quebras de onda de necessidade, com uma inexplicável urg ênc ia d e lhe d a r a vo lta e p ô -la so b seu c o rp o . Fa nta sia s g rá fic a s se desdobraram a partir desse ponto, incluindo o sabor, o toque e quão quente a sentia . Foi a g o niza ntem ente fá c il c o m p reend er c o m o sentiria esse c a lo r quando estivesse dentro dela. O c o ra ç ã o c o m eç o u a p ulsa r em dupla velo c id a d e a o d a r-se c o nta d e q ue d evia a fa sta r-se ta nto c o m o p ud esse a ntes q ue seu c o rp o d esp rep a ra d o so fresse o utro a ta q ue ind uzid o p elo Sa m ha in. Lo g o o b servo u q ue d esenred a r d o c a b elo nã o ia ser p o ssível sem sua c o o p era ç ã o . Nã o , a m eno s q ue tro c a sse d e fo rm a e, c o m o ha via a ssina la d o a ntes, isso nã o era o m ais jud ic io so q ue p o d ia fa zer. As feridas se rea b riria m e p io ra ria m se nã o se c ura va m a d eq ua d a m ente a ntes d e tenta r ta l m ud a nç a . To d a s a s ferid a s esta va m c ura d a s sa lvo a s c a usa d a s p elo ferro e essa s q ua tro so freria m bastante dano. A de seu peito já estava totalmente restabelecida. A única opção era despertá-la. É o b vio , ia ser inc rivelm ente em b a ra ç o so p a ra ela . Se a lg o p o d ia d izer que sabia, definitivamente era isso. Teve uma idéia repentina. Fec ho u o s o lho s e se c o nc entro u c uid a d osa m ente no a r d a ha b ita ç ã o . Tinha q ue ter m uito c uid a d o . Lenta m ente fez d esc end er o nível d e o xig ênio . Ao d im inuir o a r resp irá vel, o c o rp o d e Siena rea g iu c o m o reflexo na tura l d a to sse. Ofeg o u lig eira m ente, redirecionando inc onsc ientem ente o q ue fo sse que guiava o serpenteante cabelo para um instinto de autoconservação. Tinha apostado nesses instintos e ganhou. Afastou-se e o c a b elo o lib ero u enro la nd o -se a seu red o r em esp ira is p ro teto ra s. To ssiu a sério , m a s, surp reend entem ente, nã o d esp erto u. Ag o ra que estava livre, com o orgulho de ambos intacto, consciente ou inconsciente d isso , Elija h la nç o u um a b risa fresc a na ha b ita ç ã o tra zend o -a d a p a rte d ia nteira d a c o va . Im ed ia ta m ente, Siena resp iro u fund o vá ria s vezes e o suo r de sua fro nte se evaporou em um minuto.


Lançou-se fo ra d a c a m a no m o m ento em q ue foi c a p a z e se a fa sto u c o m o se fo sse um a esp éc ie d e a m ea ç a b ioló g ic a . Em b o ra , d e a lg um a fo rm a , era . O g uerreiro enc o ntro u um a to a lha lim p a p a ra sec a r-se, to m a nd o no ta mentalmente de conseguir algo que parecessem roupas verdadeiras logo que fosse p o ssível. Pa sso u à o utra ha b ita ç ã o ra p id a m ente p a ssa nd o a s m ã o s p elo c a b elo enred a d o . Os m o vim ento s fizera m com q ue se d esse c o nta d o fa to d e q ue leva va sua fra g râ nc ia p o r to d o o c o rp o . Am a ld iç o o u so lene enq ua nto se dirigia para o m o rd ente frio d a p isc ina d e á g ua s m inera is. Isso p o ria a to m im ed ia ta m ente. Deixa nd o a “ ro up a ” sa lto u à p isc ina e se inund o u to ta lm ente a o frio extra o rd iná rio . Send o um ente d o a r, era um p erito em m a nip ula r a nec essid a d e d e o xig ênio. Perm a nec eu sub m erso vá rio s m inuto s sa c ud ind o o fato de que tinha um rastro de água e sangue deslizando-se pelo ventre. Valia a p ena p a ra tira r-se d e c im a a fra g râ nc ia hipnotizadora d e Siena q ue o perseguia aonde ia. Tinha que partir dali tão rápido como pudesse. Ia se p ô r p io r à m ed id a q ue se a p ro xim a ssem d o Sa m ha in esta nd o junto s so b a influênc ia d a lua cheia. Certa m ente, q ua nd o d esp erta sse, Siena coincidiria em sair deste desolado lugar e tomar distintos caminhos. Isso se encontrava melhor. Mas se lhe perguntavam, juraria que parecia estar condenadamente sã. Leg na sento u no reg a ç o d e seu m a rid o c o m um susp iro, a p o io u a c a b eç a so b re o o m b ro , p ro c ura nd o c o nso lo . A m ã o d o Gid eo n p o so u na s costas e a acariciou com suavidade. —Está tão pálida — murmurou. Gid eo n vo lto u os o lho s p a ra a m ulher q ue d o rm ia d e fo rm a irreg ula r na c a m a p ró xim a . Leg na esta va c erta . Isa b ella esta va m a is q ue p á lid a . De fa to , esta va a nêm ic a . Era um a d o enç a c o rrente na s m ulheres hum a na s d ep o is d e dar a luz. E tinha se agravado pelos esforços que tinha realizado após. Era algo q ue nã o p o d ia c ura r. A a nem ia no s hum a no s, inc lusive no s híb rid o s d e hum a no e Druid a , vinha p ro d uzid a p ela fa lta d e ferro na c o rrente sa ng üínea . O ferro era a únic a c o isa q ue nã o p o d ia to c a r. Nã o sem fic a r rea lm ente m uito doente. Nã o p o d ia p erm itir-se a d o ec er q ua nd o sua esp o sa esta va g rá vid a e o dia a dia na corte dos Licántropos era potencialmente perigoso ainda. Po d eria ter leva d o a c a b o um a tra nsfusã o c o m sua irm ã Co rrine em c irc unstâ nc ia s no rm a is. Ma s no m o m ento nã o p o d ia m enc o ntra r a Co rrine e Ka ne, seu m a rid o . Ja c o b tinha tenta d o c o nta ta r c o m seu irm ã o a tra vés d o


vínc ulo telep á tic o p esso a l, m a s o jo vem Demônio Menta l nã o tinha resp o nd id o . Pa ra c o m eç a r, o vínc ulo nã o era m uito fo rte, send o sup o rta d o p ela s ha b ilid a d es telep á tic a s d o Ka ne e a p a rentem ente, esta va m uito long e o u m uito o c up a d o p a ra no ta r a p eq uena súp lic a q ue p ed ia a tenç ã o no fund o d e sua c a b eç a . Se tivesse no ta d o , haver-se-ia tele tra nsp o rta d o im ed ia ta m ente a c a sa d o No a h. Em b o ra fosse d e esp era r este tip o d e c oisas em um no va to . Ka ne esta va p erto d a m a turid a d e, a o red o r d e seu c entésim o a niversá rio , m a s a p esa r d a fo rta leza tinha ta m b ém m uita s d eb ilid a d es q ue superar. —Ja c o b está tra zend o c o m id a c o m m uito ferro e p ro teína s. Ajud a rá muito. —a sseg uro u a sua esp o sa , sa b end o q ue sentia p ro fund a m ente a enfermidade de sua amiga. As ha b ilid a d es em p á tic a s d e Leg na se intensific a ra m d ra m a tic a m ente d esd e sua uniã o , resulta d o d e c o m o a Vinc ula ç ã o d e d ois Demônios unia p ro fund a m ente o s p o d eres d o m a c ho e a fêm ea ta nto c o m o o s c o ra ç õ es e a s a lm a s. Send o um Anc iã o , a sup rem a c ia d a energ ia d o Gid eo n era feno m ena l e na d a q ue Leg na tivesse esp era d o . Aind a esta va se a justa nd o à assustadora fonte seis meses depois. Co m o resulta d o , freq üentem ente se via a ssa lta d a p elo s sentim ento s amplificados d a q ueles q ue a m a va . Esta va a p rend end o a c o ntro la r a intensid a d e d este c resc ente p o tenc ia l, m a s nã o tinha feito p ro g resso s sufic ientes p a ra m a nter-se a sa lvo d e ser ultra p a ssa d a p ela p ena o u o reg o zijo de outros. —Sinto-m e c o m o um a c o m p leta novata — se q ueixo u, lend o o s p ensa m ento s d ireta m ente d a m ente. Em b o ra nã o era telepática p ela na tureza d e seu sexo , c o m p a rtilha va m um vínc ulo esp ec ia l q ue o s m a ntinha c o nsta ntem ente d entro d o s p ensa m ento s d o o utro . Era o m esm o q ue acontecia com Jacob e Bela e a to dos os demais casais vinculados. —É m uito d ura c o ntig o m esm a , Neliss — a a c a lm o u p o sa nd o um b eijo na fro nte. — Te a p ro xim a p erig o sa m ente a fa la r c o m o Ja c o b — b rinc o u sa b end o q ue a s c o nsta ntes a uto c rític a s d o Ja c o b tinha m a m a nia d e m eter-se so b a pele. —Por favor, não faça que vomite as bolachas — disse com ironia. —Vomitar as bolachas? —riu da frase. —Sei, sei, falo como Bela — Legna riu bobamente apesar de si mesma .


— Nã o p o sso evitá -lo . Utilizo u essa exp ressã o d ura nte to d a a g ra vid ez pegou-se. —Já vejo — m urm uro u c o b rind o o ventre c o m a a m p la m ã o . Os d ed o s p a rec ia m eleg a ntes, d essa m a neira tã o d ela , c urva nd o -se so b re o b eb ê escondido com ternura e afeto. Nesse momento Noah entrou na habitação. Gid eo n se a leg ro u d e q ue sua esp o sa nã o se m o vesse o u rea g isse d e m a neira nenhum a . Tinha o terrível c o stum e d e sa lta r a fa sta nd o -se no m o m ento em q ue seu irm ã o a p a rec ia . Ma s c o m o No a h seg uia a c eita nd o a união parecia mais relaxada. —Sim p lesm ente esto u m uito c a nsa d a p a ra m e m o ver — lhe sussurro u desafiante. —Entã o , p o r um a vez, m e a leg ro d e seu esta d o d e extenua ç ã o — lhe sussurrou. —Olá — sa ud o u q ued a m ente a p ro xim a nd o -se d e sua irm ã e seu cunhado para não incomodar a paciente. — Como está? —Débil — disse Gideon. — E p io ra nd o . Pu-la em um so no p ro fund o , m a s p a rec e q ue a ind a tem visões. No a h se vo lto u para o lha r a Bela e p a rec ia p reo c up a d o q ua nd o a viu retorcer-se sem parar. —Há d ito a lg o q ue p o ssa no s ser útil? Sa b em p o r q ue seu p ró p rio p o d er a está g o lp ea nd o a m o rte? Nunc a vi q ue a s fa c uld a d es d e a lg uém lhe c a usem tanto dano. —Ac red ito q ue terei q ue c ha m a r um Demônio Menta l c o m o últim o rec urso . A em p a tia d a Leg na nã o é sufic iente p a ra a c a lm á -la . Po ssivelm ente um telépata completo seja capaz de apartar-la dessas visões. —Isso va i p ô r Ja c o b c o ntra a p a red e. Um Demônio Menta l m a c ho c erta m ente d everá usa r téc nic a s q ue inc lua m p ô r a s m ã o s em c im a e já sa b e como reage quando outros homens tocam a Bela. —Acredito que melhorou nestes meses — disse Legna. — A verd a d e é q ue c heg o u a um p o nto em q ue nã o se p reo c up a tã o quando Gideon vem para lhe fazer as verificações. —Isso é p o rq ue sa b e q ue um Demônio Vinc ula d o nã o sup õ e um a ameaça — disse Gideon secamente.


— So u c o m p leta , to ta l e a b so luta m ente teu, c a rinho e nã o p o d eria o lha r a outra embora o tentasse. —É verdade — Leg na la nç o u um a risada fec ha nd o o s o lho s e aconchegando-se ainda mais contra seu companheiro. No a h viu a ternura entre eles c o m um a m esc la d e a leg ria e d o r. Esta va feliz d e ver sua irm ã p eq uena tã o c o ntente e tã o c uid a d a . Nã o ha via ning uém tã o p oderoso c o m o o a ntig o Demônio Co rp ó reo q ue a sustenta va tã o p erto e a p ro teg eria a té o últim o fô leg o se d a va o c a so . Isto a leg ra va p ro fund a m ente a o Rei. Nã o se teria sep a ra d o d e Ma g d a leg na tã o repentinamente sem haver se assegurado de que estava a salvo. Sobrepôs-se b a sta nte à a usênc ia . Tinha vivid o c o m ele q ua se trezento s anos. Tinha a criado desde que era uma menina pequena depois da morte de seus p a is a ssim q ue sentia fa lta d ela terrivelm ente q ua nd o o d eixo u. Ma s estava se adaptando melhor do que tinha esperado. Então, por que se sentia tão vazio quando via Legna e Gideon juntos? A p rinc íp io nã o tinha g o sta d o d a eleiç ã o d e c o m p a nheiro q ue o Destino tinha d ito p a ra sua irm ã p o r m uita s ra zõ es, m a s a g o ra nã o teria q uerid o a nenhum o utro p a ra ela , d ep o is d e ver q ua nto a a m a va Gid eon. Assim nã o podia culpar o médico dos vazios de seu coração. Sacudiu os sombrios sentimentos da alma antes que sua irmã os notasse e a inq uieta ssem . Já tinha m uito s p reo c up a ç õ es sem lhe a c resc enta r a s sua s. Desculpou-se e vo lto u p a ra sa lã o o nd e p o d eria rum ina r no s livro s no s q ue p ro va velm ente nã o enc o ntra ria nenhum a sinc erid a d e enq ua nto esp era va que Jacob voltasse. —Anya , se p reo c up a m uito . Siena sem p re fa z o m esm o . Esp ec ia lm ente no outono. Anya se vo lto u p a ra sua c o m p a nheira c o m um a p isc a d a d e seus o lho s tão escuros, que quase poderia dizer que eram negros. Syreena não se alterou o m ínim o p elo olha r, e c ruzo u a s m a g ra s p erna s c o m d esp reo c up a ç ã o p a ra enfatizar as maneiras. Anya era um a m estiç a Lic á ntro p o , resulta d o d o q ue a c o ntec ia q ua nd o um hum a no e um Lic á ntro p o tinha m filho s. Ao c o ntrá rio d a so c ied a d e Demônio, em p a relha r-se c o m hum a no s nã o esta va p ro ib id o e nã o se c a stig a va q ua nd o a c ontec ia . Ma s no rm a lm ente nã o era m uito b em visto p o rq ue nec essita va ser um a p esso a m uito esp ec ia l q ue fo sse c a p a z d e integrar-se no s c o stum es e d everia m c o m p ro m eter-se to ta lm ente o u nã o fa zê-


lo a b so luta m ente, p o rq ue o risc o d e ver-se exp o sto era m uito g ra nd e. Já era sufic ientem ente m a u c o m o s c a ç a d o res e o s usuá rio s d e m a g ia p erseg uind o sua existência. Era horrível pensar o que poderia acontecer se a raça humana, em sua to ta lid a d e, c o m p reend esse q ue o s m itos e lend a s freq üentem ente eram mais verdade que mentira. Um m estiç o Lic á ntro p o nã o p o d ia tro c a r d e fo rm a , m a s sim m a ntinha a fo rm a hum a na c o m to d o s o s ra sg o s invisíveis d o a nim a l em q ue tivesse p o d id o trocar se fo sse d e to d o Lic á ntro p o . No c a so d e Anya , era p a rte ra p o sa . Tinha no s ra sg o s a eleg â nc ia e a g ra ç a d e um a raposa, um a d elic a d eza fo rm o sa q ue a fa zia p a rec er eng a no sa m ente frá g il. Era ruiva em b o ra a c o r d o c a b elo trocasse em c a d a esta ç ã o , d o a c o b rea d o b rilha nte a o verm elho amarronzado e o utro s to ns. Nesse m o m ento era d e um a m iría d e d e m a rro ns e vermelhos que vinham com o outono. Era m a g ra , m iúd a e um a d a s fiéis c o m p a nheira s d e Siena . Era p a ra a Rainha o q ue Elija h era p a ra No a h. A c a b eç a d e seus exérc ito s, sua a ssa ssina c hefe, um a infiltra d a e a p esso a q ue a tira va d o sério e p o d ia fa zê-la rir a o m esm o tem p o . Era um a d istinç ã o q ue nenhum o utro m estiç o tinha tid o nunc a na corte Licántropo nem na família real. A seg und a fêm ea era Syreena , a irm ã m eno r d e Siena e a herd eira d o tro no no c a so d e q ue Siena nã o tivesse filho s. Tinha m -na c ha m a d o a c a sa e a tinha m eleva d o à p o siç ã o d e c o nselheira q ua nd o sua irm ã sub iu a o tro no p o r ra zõ es ó b via s. Prim eiro, p o rq ue era um a c o nselheira sá b ia , a d vo g a d a d o s d esejo s d e sua irm ã q ue nã o tinha m ed o de na d a e únic a que podia c o ntra d izer à Ra inha sem p reo c up a r-se q ue a d esterra ssem d a c o rte. Ma s o q ue a fa zia verd a d eira m ente únic a , um a d o s m a is únic o s Lic á ntro p o s vivo s, era o fa to d e q ue era a únic a Lic á ntro p o viva q ue p o d ia tra nsfo rm a r-se em cinco formas diferentes. Ca d a Lic á ntro p o tinha três fo rm a s. A hum a na , a Lic á ntro p o e a d o a nim a l send o c ria tura s Were, m eio hum a na s m eio a nim a is, c om o Siena era Mulher Gata. Syreena tinha duas formas were mais. Era c renç a g enera liza d a q ue esta a no rm a lid a d e tinha sid o c a usa d a p o r uma enfermidade quase mortal que tinha sofrido durante a adolescência. Esta m isterio sa enferm id a d e q ua se a tinha m a ta d o , m a s a o so b reviver, tinha m ud a d o d e a lg um jeito . Um a vez q ue fo i c a p a z d e tro c a r d e fo rm a se d eu c o nta d e q ue tinha a c esso a d o is g ênero s m a is. Jo c o sa m ente se referia m a


isso c o m o a fo rm a Lic á ntro p o d e dupla p erso na lid a d e. Esta d esc riç ã o nã o estava muito longe da realidade em muitos níveis. Pa ra c o m eç a r, a s d ua s fo rm a s a nim a is nã o p o d ia m ser m a is op o sta s entre si. A p rim eira era um fa lc ã o p ereg rino , um c a ç a d o r d e a g ud o o lha r q ua nd o vo a va . A seg und a era um g o lfinho d e fo c inho d e g a rra fa , um a c ria tura a q uá tic a b rinc a lho na e c o m um a intelig ênc ia inc onc eb ível. As c a ra c terístic a s d e a m b a s a s c ria tura s era m visíveis em sua fo rm a hum a na , um julg a m ento a g ud o e sua na tureza p red a d o ra sem m ed o de na d a , era a p ec ulia r na tureza d e ter d ua s fo rm a s tã o o p o sta s d e fo rm a s Were o q ue a fazia de alguma forma imprevisível. Como hum a na Syreena era m a g ra e leviana, p a rec ia -se m uito a um pássaro delicado, mas se movia com a graça elegante e a velocidade de sua m eta d e g o lfinho . Leva va o c a b elo d ivid o em d ua s p a rtes, um a m eta d e m a rro m fo rm o so e sua ve c o m o a s p lum a s e a o utra d e um eleg a nte c inza a ç o . Tinha o s o lho s ta m b ém d e d ua s c o res, m a s, c o m o o ha rleq uim , o o lho c inza esta va no la d o d o c a b elo m a rro m e o o lho m a rro m na p o siç ã o c o ntrá ria . Em b o ra p a rec esse extrem o , d e a lg um a fo rm a a fa zia p a rec er a ind a mais exó tic a e únic a na a p a rênc ia . A im p ressã o g era l era um fo rm o so reflexo da natureza. Syreena nã o era no rm a l, m a s era p rec io sa . Os q ue a c o nsid era va m p erfeita , a c ud ia m c o nsta ntem ente a ela . Ter um a fo rm a tã o eleg a nte e m a ra vilho sa era sufic iente p a ra q ue seu c ó d ig o g enétic o fo ra d esejá vel, m a s p o ssuir d ois? O p o d er q ue a estirp e p o d eria o stenta r era a lg o m uito c o b iç a d o sem p re q ue o s filho s p ud essem herd a r a m uta ç ã o . Em b o ra fosse um a possibilidade que muitos estavam desejosos de tomar. Syreena se sentia incomodada p ela s a m b ic io sa s olhadas q ue rec eb ia e c o m o c o nseq üênc ia se inund o u c om p leta m ente no tra b a lho c o m o c o nselheira d e sua irm ã . Converteu-se em a lg uém tã o irrep ro vá vel c o m o Siena em b o ra p o r ra zõ es d iferentes. Syreena rea lm ente d eseja va um companheiro e um a fa m ília , m a s nã o c o nfia va no s m o tivo s o u na s intenç õ es d o s Lic á ntro p o s. Nã o p o d ia esta r certa d e q ue à s p esso a s formosas e acomodadas não tivessem motivos ocultos para fazerem-se seus amigos. —Siena não desapareceria sem deixar rastro — continuou Anya dirigindose à conselheira.


— Se tivesse q uerid o passar a lg um tem p o a só s, haver-me-ia isso d ito . Só está c o m eç a nd o a c o nhec er d e no vo a sua irm ã . Eu c o nheç o a Ra inha d e toda a vida e não está acostumada a fazer isto. —Estou na c o rte d esd e q ue term inou a g uerra — d isse Syreena e o to m refletia q ue nã o a p rec ia va q ue a m estiç a p ud esse c o nsid era r-se m a is irm ã d o que era a Princesa e herdeira. — Ac red ito q ue p o d e d izer-se q ue no s últim o s q ua to rze a no s c o nheç o minha irmã o suficiente. —Não pretendia lhe insultar — se desculpou com solenidade. —Perdoe- me. É que estou preocupada. —Se preocupa tanto, por que não manda alguém da Elite procurá-la? —Deveria fazê-lo — duvidou Anya. — Ma s se o q ue b usc a fo r so lid ã o e a interro m p o , fic a rá lívid a e m e encontrarei encadeada ao trono. Isso fez com q ue Syreena risse. A Princ esa a p a rto u o c a b elo b ic o lo r e sorriu a Anya. —Vá o q ue p a rec em o s. Nã o rec o nhec ería m o s um a s féria s se no s m o rd esse o rabo. O q ue d evería m o s esta r fa zend o é p rep a ra r o festiva l d e Samhain. —O q ue va is fa zer no festiva l? Cruza r d e b ra ç o s e ser um a esp ec ta d o ra ? — aporrinhou-a Anya. O festiva l d e Sa m ha in sem p re term ina va c o m c entena s d e c o rp o s entrela ç a d o s rep a rtindo d ep o is a s á rvo res e a rb usto s d o b o sq ue d ep o is d o c a stelo e o p o vo . Syreena nã o tinha c o m p a nheiro e d evid o à s m esm a s restrições que sofria Siena, só podia ter um amante para toda a vida. —Sa b e? É a fo rtuna d a d e q ue no ssa Ra inha te a d o re — ameaçou Syreena com olhos faiscantes. — Se nã o te enc a d ea ria a o tro no eu m esm a — a Princ esa fic ou séria com rapidez. —Ag o ra m e p reo c up a ste. Ac red ito q ue d evería m o s jo g a r um a o lha d a ao território. Syreena leva nto u e c o lo c o u o c a b elo d e m a neira q ue a p a rte c inza esta va enterra d a so b a p a rte m a rro m . O c a b elo m a rro m c o m eç o u a d esliza rse p o r seu c o rp o im ed ia ta m ente. Plum a s e a sa s sub stituíra m à s fo rm a s hum a na s e em um b rilho d e velo c id a d e q ue tira va o fô leg o , Anya nã o p ô d e


m eno s q ue a d m irá -la , Syreena vo o u a tra vés d o s teto s a b o ved a d o s d a habitação. Pla nejo u a té sa ir d o c a stelo sub terrâ neo , d eixa nd o Anya só c o m sua s p reo c up a ç õ es. Nesse m o m ento , tud o o q ue p o d ia fa zer era m a ra vilha r-se d a s ha b ilid a d es d a Princ esa . Nã o ha via Lic á ntro p o vivo q ue p ud esse tro c a r tã o d ep ressa . Po ssivelm ente Siena , m a s teria q ue tra b a lha r extrem a m ente o u se sobressaltaria no meio da mudança. Inveja va e nã o inveja va a q ueles m enino s p uro sangue. Po r um a p a rte, a m a io ria p o d ia tro c a r d e fo rm a a vo nta d e. Era um a d estreza m uito útil p a ra o Genera l d o s Exérc ito s d a Ra inha d o s Lic á ntro p o s. E, a lém d isso , p a rec ia m uito mais divertido ser capaz de experimentar o mundo como um animal. Na lista d e c o isa s c o ntra esta va à tend ênc ia d o s Lic á ntro p o s p a ra o s c o m p o rta m ento s a nim a is m eno s c o ntro lá veis. Em b o ra a q ueles q ue, c o m o Siena e Syreena, podiam controlar a maioria desses impulsos, a maior parte da p o p ula ç ã o tend ia a ser m eno s firm es so b re a s m a is b a ixa s na tureza s. Desfruta va d o s instinto s c o m o s q ue tinha na sc id o . Fa zia m -na ser um a luta d o ra d eterm ina d a e um a exc elente estra teg ista . Ma s o d ia ria esta r so b o im p ulso dos instintos. O controle era tudo para ela. Nesse m o m ento , c o ntro le sig nific a va to m a r a inic ia tiva . Syreena lhe tinha d a d o um a id éia . Po d ia m a nd a r a q ueles d a Elite q ue p ud essem vo a r. Em fo rm a d e p á ssa ro p o d eria m so b revo a r ra p id a m ente a s terra s e info rm a r im ed ia ta m ente. Siena p o d eria senti-lo s p a ssa r, m a s enq ua nto seg uissem seu caminho não a incomodariam se era solidão o que a tinha afastado. Se fo r o utra c o isa , Anya nã o seria c a p a z d e p erd o a r-se p o r nã o ter a tua d o . Siena era rea lm ente sua irm ã e ta m b ém um a a m ig a . Seria neg lig ente se não pensasse no amparo da Rainha em todo momento. E sobre tudo nestes tempos. Era um a líd er exc ep c io na l c o m um a d estreza sem ig ua l. Em b o ra Syreena pudesse o c up a r o lug a r em c a so d e nec essid a d e, a Princ esa nã o tinha a m esm a a finid a d e c o m o p o vo q ue tinha Siena . Syreena tinha vivid o g ra nd e p a rte d e sua vid a no rec into m o na c a l d o The Prid e. Co m to d o s esses g ra nd es e sá b io s p ro fesso res, sa b ia m a is d e estud o s q ue d e rela c io na r-se c o m a g ente . Isto se no ta va d ura nte a s reuniões e fa zia com que os o utro s se sentissem tã o inc ô m od o s c o m o ela . Siena era o líd er q ue o s Lic á ntro p o s nec essita va m nesta ép o c a . Nã o p o d ia ha ver sub stituto , nã o esp ec ia lm ente a a nti-so c ia l Princ esa . Po ssivelm ente c heg a sse seu m o m ento a lg um d ia , o xa lá d entro d e m uito


tem p o , m uito d ep o is d e q ue a influênc ia d e p a z e sa b ed o ria d e Siena tivesse apagado o legado de sede de sangue que seu pai tinha deixado. O c o m entá rio d e p rep a ra r-se p a ra o Sa m ha in tinha sid o um a b rinc a d eira . A Syreena nã o a enc o ntra ria nunc a p erto d a s festivid a d es e a m a c iç a m ultid ã o d a c eleb ra ç ã o . Siena tinha tenta d o atraí-la este a no ta nto c o m o p ô d e e p o r isso a a usênc ia senta va tã o m a l a Anya . Nã o tinha sid o c a p a z d e convencer sua irm ã d e unir-se à festa se ela nã o esta va a li e era virtualmente o único falava fazia semanas. Não. Algo ia mal. Anya sa iu d a sa la d o tro no p a ra p ro c ura r sua Elite e ver se p o d ia fa zer com que essa sensação má se voltasse uma boa.

CAPÍTULO 5

Elija h sa iu d a ha b ita ç ã o tra seira vestid o m a is apropriadamente c o m um p a r d e c a lç a s d e c o rrer q ue era m um pouco p eq uena s p a ra ele, m a s m uito m elho r q ue a nd a r ro nd a nd o p o r a í envo lto em um a to a lha . Era m o suficientemente folgada s para serem cômoda s e serviam a seu propósito. —Ba sta nte p erto — rem a rc o u Siena enq ua nto lhe o b serva va atentamente. — Nunc a m e fixei q ue Jina eri tivesse ro up a s d e ho m em a q ui, a lg o m e d iz que esteve ocultando alguns segredos. —E você ordena que seus súditos lhe contem seus assuntos? Elija h sa b ia q ue esta va b rinc a nd o c o m ela , m a s ela so rriu e fo i senta r no sofá com os pés enroscados debaixo dela. Entretanto se via um pouco melhor, p o ssivelm ente um p o uc o c a nsa d a p elo s nervo s. Elija h uniu-se a ela senta nd o no sofá a sua frente, cruzando um tornozelo sobre o joelho de maneira casual. —Nã o , m a s sim req ueiro q ue a s d a m a s so lteira s o fa ç a m , Jina eri é um a d e m inhas a jud a ntes m a is p ró xim a s, p erto d e m im só c o nservo a jud a ntes sem ataduras. —Por quê? —Po rq ue m eus sentid o s sã o m uito p o d ero so s e é m uito fá c il p a ra eu detectar o aroma de um companheiro nelas.


—E, p o r q ue isso seria tã o m a u? —pressionou-a Elija h. Susp eita va a resposta, mas queria a escutar dizer. —É um a … d istra ç ã o , e m e m a ntenho a fa sta d a d essa s d istra ç õ es. Nã o a s c a stig a ria o u c ond ena ria p o r isso , sim p lesm ente a s sub stituiria e lhes d a ria outra posição. —Refere a um isolamento. Com razão está indisposta em lhe dizer isso. —Não é um isolamento. —Pa ssa r d e ser um a a jud a p a ra a Ra inha a o q ue seja ? Nã o c o nsid era isso um isolamento? —Elijah riu em curto, soprando com incredulidade. — Aposto o que queira que Jinaeri crê. —Talvez — concedeu Siena. —E p o r q uê? Po r ter um a m a nte? Isso so nha a lg o d isc rim ina tó rio , Sua Majestade, Tudo porque não quer te sentir incômoda com pensamentos sobre um companheiro ou sobre sexo? —Nã o esp ero q ue c o m p reend a — esp eto u ela d e rep ente, c o m o c o rp o ficando rígido pela irritação. — É b em sa b id o q ue vocês, Demônios, c a na liza rã o o q ue seja q ue lhes ajuste pelo tempo suficiente. —Ah, d e verd a d e? É um fa to tã o b em c o nhec id o c o m o o d o a ssunto d o sangue Licántropo está danificado? Ele tinha um ponto, estava claro. Podia-o dizer pela cor que avermelhava suas bochechas, mas para sua surpresa, uma vez mais ela reconheceu. —Talvez esteja c erto , tem o q ue a lg uns d e m eus p rejuízo s se notasse d e tanto em tanto, apesar de meus esforços. Desculpo-me pela crítica. —Não m e p reo c up a ria p o r isso — d isse Elija h tra nq üila m ente, sentind o -se um pouco mal por brincar com ela. — Ultimamente te disse coisas suficientes e grosseiras para compensar. —Isso ta m b ém é verd a d e — a ssina lo u ela , eleva nd o um a so b ra nc elha divertidamente enquanto brilhavam os olhos. —Sabe — Elijah levantou uma mão e sacudiu um dedo frente a ela. — Tem um problema de atitude. —Certamente, sua atitude é um problema para mim. —OH, m uito g ra c io sa — resp o nd eu o sa rc a sm o tra nsb o rd a nd o seus lábios. Ma s a p esa r d e si m esm o , esta va d esfruta nd o d o ino fensivo enfrentamento, era rápida, pronta e ardilosa. Isto não lhe surpreendia, já havia


visto a lg um a s evid enc ia s d isso . Aind a a ssim , era um a trib uto a g ra d á vel. Tinha esta d o ro d ea d o d e fo rtes e b rilha ntes m ulheres to d a sua vid a , e esta era a razão pela qual a achava atraente. —Tem fome? Preciso caçar para dois se formos comer — disse ela. —Não parece que esteja pronta para caçar ainda — advertiu ele. —E nunc a esta rei se c o m eç a rm o s a m o rrer d e fo m e. Nã o se preocupe guerreiro, ainda não houve um coelho que me tire o fôlego. Ficou em pé, a saia de um desses pequenos vestidos caiu em seu lugar só p a ra d a r um a o lha d a a o g uerreiro d o tenta d o r tra seiro c o m c urva s. Adiantando-se p a ra a entra d a d a c ova , Siena era a lheia a sua reação. Qua nd o a seg uiu a lg uns m inuto s d ep o is, enc o ntro u o vestid o a tira d o no c hã o p erto d a a b ertura . Inc a p a z d e c o nter-se rec o lheu o o b jeto e p o nd o -o so b o nariz, aspirou profundamente sua essência. Esta va fa zend o m a is e m a is d ifíc il resistir esta a tra ç ã o q ue ela tã o ino c entem ente d eixa va ; já seja q ue lua fo sse, o u sim p lesm ente ho rm ô nio s p a ssa d o s d e m o d a a lta m ente a tivo s, tinha q ue sa ir d a li. Deixo u c a ir o vestid o no chão e girou abruptamente de retorno ao pequeno salão. Aind a esta va c a m inha nd o em frente à c ha m iné q ua nd o a p a rec eu d e súb ito no iníc io d a s c urta s esc a d a s, Elija h a o lho u e fic o u im ó vel im ed ia ta m ente, esta va rub o riza d a , sem fô leg o e fo rm o sa . Fresc a p ela c a ç a e, p o d eria jura r p ela vid a d o No a h, q ue c heira va c em vezes m a is p ro vo c a nte que quando se foi. Elija h fic o u q uieto enq ua nto ela b a ixa va lenta m ente p o r vo lta d o q ua rto , p a ssa nd o frente a ele p a ra d eixa r a lg uns c o elho s rec ém m o rto s. Reto rno u p a ra o nd e ele esta va , p a ra ir à p isc ina , tentar lavar o sa ng ue q ue lhe manchava as mãos. Siena não estava cega à absorta atenção do guerreiro, e o q ue nã o p o d ia ver d ireta m ente, c erta m ente o sentia . Tinha um a a finid a d e c o m tod o s o s a nim a is, um a telep a tia q ue lhe d izia q ue a ç õ es, d esejo s e sensa ç õ es exp erim enta va um a c ria tura . Func io na va c o m humanóides também , q ua nd o a s em o ç õ es e sensa ç õ es vinha m d e seu la d o m a is selvagem. E a luxúria era certamente um aspecto selvagem. La vo u a s m ã o s lenta m ente, a tra sa nd o -se de p ro p ó sito p o rq ue nã o q ueria reto rna r a essa p a rte d a c a verna e sentir o p eso d esses vívid o s olho s verd es e o c la ro d esejo q ue q ueim a va p o r ig ua l a trá s d eles. Nã o era im une a


sua p ró p ria c o nsc iênc ia d ele e a s c o isa s so b re ele q ue a a tra ía m em seus agudos sentidos. Fosse Demônio o u d e o utra esp éc ie, era um ho m em no tá vel, físic a e q uim ic a m ente. Siena a b a nd o no u esses estreito s p ensa m ento s, nã o p o d ia permitir-se a d m itir q ue p ud esse ha ver a lg o m a is p esso a lm ente a tra tivo q ue só o físic o . Nã o q ueria sentir essa s c oisa s, m a s era m inc essa ntes. Nã o im p orta va q uã o fo rte o tenta sse, nã o p o d ia a p a rta r esses p ensa m ento s q ue só serviria m p a ra lhe a tra ir p a ra ela , esp era va q ue a o m eno s a c eita nd o este a sp ec to d e sua atração para ele, eliminaria a intocável tentação que representava. Siena sa lp ic ou á g ua so b re o ro sto e p esc o ç o , esp era nd o q ue o vig o ro so frio refresc a sse o s esp ec ula tivo s p ensa m ento s, fic o u em p é e reto rno u lenta m ente à ha b ita ç ã o p ró xim a . Pa ra seu a lívio , ele tinha id o d e vo lta a o d o rm itó rio , nã o era m uita d istâ nc ia , m a s a jud a va . Im ed ia ta m ente se o c up o u d a p rep a ra ç ã o d e o utra c a ç a ro la d e g uisa d o , usa nd o o q ue fic a va d o fo rnec im ento d e erva s, lim p a nd o o fo rte a ro m a d ela em sua s m ã o s a s esfreg a nd o so b re a sa ia d o vestid o . Seus p ensa m ento s se d irig ira m a o d o rm itó rio , p erg unta nd o -se o q ue esta ria fa zend o . Alc a nç o u a sentir seus movimentos de qualquer maneira possível. Foi um engano. Sentia-lhe m uito b em . Po d ia lhe ver vivid a m ente em sua m ente, senta d o na c a m a , a s m ã o s enla ç a d a s sem c uid a d o entre o s jo elho s e a c a b eç a inc lina d a , c o m o se estivesse luta nd o c o nsig o m esm o . Sentiu, nesse p ró xim o m o m ento , tud o o q ue ele sentia . Ele ta m b ém esp era va q ue p o nd o um q ua rto d e d ista nc ia entre eles, d im inuiria a a fia d a d o r d esta inexp lic á vel a tra ç ã o q ue sentia p or ela , esta va zum b ind o c o m o s nervo s tenso s e o a ud ível d esejo d e jogar-se no p ró xim o vento fo rte. Tinha q ue esc a p a r tinha q ue vo a r, m a s nã o p o d ia fa zê-lo e esp era r so b reviver; nã o só p ela s ferid a s, sentia a d m iti-lo , m a s ta m b ém p o rq ue q ua nd o p ensa va em q ue nunc a vo lta ria a vê-la , p o nd o um a grande distancia entre eles, começava a sufocar. Siena a p erto u a m b a s a s m ã o s so b re o b a lc ã o , a c a b eç a inc lina d a enquanto tratava de respirar, enquanto tratava de recordar que era ele quem esta va luta nd o no lim ite d a c la ustro fo b ia , nã o ela . Tra to u ta m b ém d e convencer-se d e q ue seus a p a ixo na d o s sentim ento s nã o era m a ra zã o p ela qual seu c o ra ç ã o c o m eç o u a p a lp ita r. Que a fa isc a nte sensa ç ã o q ue a p erta va seu p eito, nã o tinha na d a q ue ver c o m o q ue sig nific a va ser q uerid a


fina lm ente p o r ela m esm a . Nã o p o r ser d a rea leza , o u herd eira , o u irm ã , m a s sim pela mulher como um todo. Querid a c o m o to d a s essa s c o isa s, a ssim c o m o ta m b ém p o r ser a guerreira, a justic eira , A ra inha e a serva d a s nec essid a d es d e seu o feg a nte c o rp o . Pa ra o g uerreiro na ha b ita ç ã o d o la d o , ela era d o ura d a e sua ve, d e formas perfeitas para suas mãos e seu corpo, exsudando o perfeito aroma que o a tra ía a ela ; tinha sa ng ue q uente, no b res p ensa m ento s, e um a a stúc ia c o m o um a c a ixa d e teso uro s q ue q ua nd o a a b ria nã o p o d ia evita r sentir a riqueza e bem-estar de sua presença. Aind a q ua nd o ele p ensa va tud o isto , era c o nsc iente d o p eso d a exc ita ç ã o em seu a ro m a q ue c resc ia c o m c a d a p ensa m ento q ue lhe d irig ia . Sentiu o p a lp ita r d e seu c o ra ç ã o d ireta m ente a tra vés d a s têm p o ra s, e so lto u um a sua ve e a to rd o a d a risa d a q ua nd o sentiu o a sso m b ra d o c a lo r q ue p ulsa va fo rte e baixo em um c o rp o q ue p a rec ia esta r p erm a nentem ente end urec id o d e nec essid a d e p o r ela . Siena tra g o u um a p ro fund a p a usa , tra ta nd o d e c o rta r sua c o nexã o c o m ele, m a s esta va d e lo ng e, m uito fa sc ina d a p ela p ureza d isso p a ra rea lm ente d eixá -lo ir. Nunc a tinha c o m b ina d o c o m um ser tã o p erfeita m ente, nunc a tinha sentid o d entro d e seu p ró p rio c o rp o o q ue o utro ser sentia . Agitou-se, inc o ntro la velm ente, enq ua nto d esliza va um a m ã o a tra vés d o ventre, c o m o se d e rep ente enc o ntra sse seu sexo tro c a d o , p erm itind o -se to c a r o m a sc ulino em b a te d e inc ô m o d o e tenso c a lo r so b o V d e seus q ua d ris. As lá g rim a s a p a rec era m em seus o lho s, a d o r e a luta tão insuportável como a dele. OH, m a s sim p ô d e sentir a ho nra , a d eterm ina ç ã o d e nunc a rend er-se a seus im p ulso s, nã o im p o rta va q ua nto lhe m o rtific a sse. Isto foi o q ue lhe c ra vo u a tra vés e em m eio d ela . Da r-se c o nta q ue, a p esa r d e q ue era um a no tá vel tenta ç ã o , em b ora estivesse p ro ib id a p a ra ele p ela s leis na tura is e a s esc rita s p o r seu p o vo , em b o ra ele pudesse c o nd ena r-se a c a stig o s q ue iam a lém d e sua compreensão, não era nenhuma destas razões as que lhe freava. Havia uma só coisa que o ancoraria em sua honra, e era o entendimento q ue nunc a p o d eria m a c huc á -la , q ue p referia ver-se m o rto q ue vê-la a lg um a vez c ho ra r, o u lhe tem er, o u a lg um a o utra c oisa ig ua l d e neg a tiva c o m o a dor. Em to d a sua vid a a d ulta c o m o rea leza , tinha sid o c o ra jo sa m ente p ro teg id a d e um sem -fim d e c oisa s, m a s nunc a tinha sid o a nsia d a d e ta l m a neira . Co m o p o d ia ser q ue tã o resistente inim ig o p ud esse d em o nstra r ta l


sentid o d a ho nra a a lg uém q ue rep resenta va tud o o q ue tinha d esp reza d o durante três séculos? A ra inha distraidamente c o lo c o u a c a ç a ro la d o g uisa d o no g a nc ho d a c ha m iné, p end ura nd o -a so b re a s c ha m a s. Lo g o va c ilo u a ntes d e entra r no d o rm itó rio , esc uto u a rá p id a e p esa d a q ued a d e sua p ró p ria resp ira ç ã o , o b servo u c o m o s p unho s a p erta d o s c o m o se m o via d entro e fo ra d e seu peito, enquanto dizia a si mesma que girasse e tomasse a outra direção. Distância precisava pôr distância entre eles. Ma s em vez d isso , seg uiu o c a m inho , nã o entend ia q ue a im p ulsiona va p o r vo lta d o q ua rto , m a s seg uiu este p o d er a té q ue fina lm ente foi c a p a z d e deter-se, justo q ua nd o ele a o lho u. Ob servo u-lhe c o m um a fa sc ina ç ã o q ue nã o p o d ia c o m p reend er, enq ua nto a s rela xa d a s m ã o s d ele se c o nvertia m em p unho s tenso s. A resp ira ç ã o a c elero u a ind a m a is, q ua nd o se d eu c o nta q ue sig nific a va q ue seu c o ntro le estivesse p o sto a p ro va só c o m sua p resenç a na ha b ita ç ã o , p o r q ue isto lhe em o c io na va ta nto ? O a um ento d o c a lo r e a exc ita ç ã o a fizera m trem er c o m a ntec ip a ç ã o . Ha via um p o d er a q ui, d isse-se, um c o m o q ue tinha jo g a d o to d a sua vid a , um a vez q ue tinha d esc o b erto a p a q uera d e seu c o rp o enq ua nto se c o nvertia em m ulher. Tinha a p rend id o a utilizá-lo p a ra a c a lm a r e tra nq üiliza r, p a ra enc a nta r e g a nha r, p a ra c o nvo c a r e neg a r. Era sem p re a lg o viva z, m a s a q ui ja zia um c a m inho tã o p erig o so q ue sua vid a inteira p o d eria exp lo dir p o r isso . Ma s m o ver-se d ireta m ente a o lo ng o d este c a m inho p o d ia esta b elec er c erto s d esa stres, c erto p ra zer, c erta d eb ilid a d e d e p o d er so b re o ho m em m a is poderoso q ue tivesse c o nhec id o . Aproximou-se e ele se leva nto u e a enfrento u, seu ro sto , um a to rm enta d e emoções à luz das chamas que piscavam entre eles. —Siena — advertiu ele, seu nome quebrando-se em suas cordas vocais. —Elijah. Fo i a p rim eira vez q ue ela d isse seu no m e, e fo i um a sso m b ro so im p a c to em a m b o s o s la d o s. Pa ra ela , fê-la rir c o m inesp era d a d elíc ia , nã o tinha sentido, logicamente, m a s a li d a va ig ua l. Pa ra Elija h, a sim p les p a la vra g o lp eo u c a d a d efesa q ue tinha tra ta d o d e erig ir p a ra p ro teg er-se d e sua a tra ç ã o . Seu no m e nesses lá b io s, p a ssa nd o a tra vés d o ric o to m d a sed uto ra vo z, c ra vo u-se em sua lib id o c o m o um a fa c a q uente em m a nteig a . Ap a rto u a c a b eç a , a m a ld iç o a nd o b a ixo enq ua nto se fo rç a va a fic a r q uieto e nã o aproximar-se.


Siena fez um esfo rç o inútil, c om um esp ec ula tivo o lha r no s o lho s d o ura d o s, c o m eç o u a c a m inha r p a ra ele, a c a b eç a se to rno u p a ra trá s, o s fero zes o lho s p erc o rrend o c o m p leta m ente seu c o rp o , d o m o m ento em q ue ela d eu seu p rim eiro p a sso . Po d ia esc uta r o ro çar d e seus p és nus enq ua nto se m o via , revo lvend o a a reia e o p ó c o ntra a p ed ra p o lid a , o a rc o d o s p és e a s p erna s flexio na d a s tã o tensa m ente, q ue o s ta lõ es nunc a to c a va m o c hã o . As m ã o s esta va m enla ç a d a s p o r d etrá s, p erm itind o q ue a c o q uete sa ia d e seu vestido se estirasse e balançasse com o natural rebolado de seu corpo. Elija h se fo rç o u a rec o rd a r c o m o esse p erfeito e sensua l c o rp o se sentia c o ntra o seu. Ca d a p la no d e velud o , c a d a exa lta d a c erc a nia , c a d a o nd a d e d o c e e a rd ente a lm ísc a r q ue se eleva va d e sua p ele. Viu-se o b rig a d o a rec o rd a r a ind a m a is vivid a m ente à m ed id a q ue se a p ro xim a va d ele e p o d ia sentir seu calor corporal. —Siena — disse com voz rouca. — Não, não me toque, ou juro que… não posso… terei que... Ela elevo u o o lha r a seus o lho s, luzind o tã o tenta d o ra enq ua nto fa zia q ue imaginasse q ue p o d ia ler seus a trevid o s p ensa m ento s sexua is. As p a la vra s lhe a b a nd o na ra m q ua nd o b a ixo u o o lha r a esses elo q üentes o lho s d o ura d o s; em b o ra nã o d isse na d a p o r um c o m p rid o m inuto, exp resso u q uentes p ensa m ento s c o m esses o lho s fa m into s. Ob servo u o b a ter d a s d elic a d a s p esta na s, enq ua nto o b via m ente lhe a va lia va , fa zend o -o tã o c la ra m ente c o m o um a m ulher interessa d a em a va lia r a um ho m em . Ma s, c o m o p ed iu, não lhe tocou. As mãos se mantinham enlaçadas às costas e se deteve justo o necessário para não fazer contato com sua pele. —Resp o nd eria um a p erg unta ? —b ra nd a m ente lhe p erg unto u, os o lho s fo ra m à d eriva p o r seu ro sto , seu p eito , d esc end o p o r seu m usc ulo so abdômen. —Siena. —Sim o u nã o — interro m p eu c o m firm eza . Qua nd o resistiu a responder, elevo u um a m ã o p o sa nd o -a so b re seu m úsc ulo p eito ra l d ireito . A a m ea ç a foi terrível e clara. —Sim ou não? —Sim — c ed eu ra p id a m ente, q ueb ra nd o -se d e rep ente a nte um a a m ea ç a d o ra to rtura q ue nunc a tinha a ntec ip a d o em sua c a rreira c o m o guerreiro.


Ela voltou com sua mão para o flanco e sorriu. Elijah se deu conta de que d esfruta va d e c a d a b a ta lha q ue g a nha va , nã o im p o rta va q ua nto teria q ue pagar no processo. Ela era, em essência, exatamente como ele. —Me diga o que se sente ao ter sexo. Elija h retro c ed eu p elo im p a c to d a p erg unta , m a s ela c o ntinuo u sem p ied a d e, a té q ue a s la rg a s c o sta s estivera m to c a nd o a imóvel p ed ra , o q ue não lhe daria nem um centímetro para escapar. —Por que me pergunta isso? —demandou, tratando por tudo o que valia a p ena nã o c ed er a nte o s m ilha res d e im p ulso s q ue lhe p erc o rria m c o m o espetadas. —Porque você sabe — respondeu simplesmente. —Siena , tem q ue ir. Nã o q uer sa b er isto e nã o q uer esta r p erto d e m im , sabe. —Ta lvez, m a s m e o c o rreu q ue já q ue nã o so m o s d a m esm a esp éc ie, c ertas regras não se aplicam. —Um risc o q ue nã o p o sso a c red ita r q ue q ueira to m a r, Siena , esta nã o é você… —E como é que presume conhecer quem sou? —Respondeu de repente. — Ning uém m e c o nhec e, ning uém c o nhec e esta p a rte d e m im , nem nunc a o fa rá ! Tem id éia d e q ua nto m e enfurec e isso ? So u m eta d e g a to , g uerreiro , e c a d a instinto na tura l em m im q ue p ertenc e a o g a to é um d e sensua l fa c ilid a d e e d e a m a rg a e a g ud a nec essid a d e. Alg um a s vezes q uero g rita r c om a intensid a d e d a d o r d e m e neg a r o q ue ta is p ra zeres m e c ausam! —Siena tra g o u um a p ro fund a p a usa , sua vo z e o lho s rug ira m c o m a p a ixã o das emoções. — É como um animal em zelo encerrado em uma jaula, não há liberdade nem há escapatória, na d a fa c ilita . Assim q ue lhe p erg unto isso c o m a esp era nç a q ue, d e a lg um jeito , sua resp o sta m e b rind e c om q uietud e, o deiame tanto que me negará isto? Ainda quando te salvei a vida? —Nã o te odeio Siena ! De to d a sua g ente, é a q ue m eno s motivos m e d eu p a ra o d ia r, nã o im p o rta q ua nto tra tei q ue fa zê-lo ! Esto u tra ta nd o d e te proteger… —Nã o nec essito seu a m p a ro ! Nec essito sua resp o sta — se inc lino u a ind a m a is p erto d ele, o ro sto a um fô leg o d o d ele, enq ua nto seu o lha r se eng a sta va c o m o d ele, seu fô leg o d e d o c e c a nela c a ía a c o rrentes, a p a ixo na d o e entrec o rta d a m ente. Ela estrem ec ia e irra d ia va nec essid a d e,


p ro fund o em seus o lho s, viu a d o r, viu c ento e c inq üenta a no s d e neg a ç ã o e sacrifício. —Por que não toma um companheiro, Siena? —perguntou o tom suave e ineg a velm ente tenro . Entã o , em vez d o ressurg ir irra c io na l d e c iúm es q ue a sugestã o p ro vo c a va c o m um a d o lo ro sa m a rc a , c a d a c élula d e seu c o rp o gritava em possessividade e predador protesto. — Na d a te o b rig a a ser m a c huc a d a a ssim — d isse ro uc a m ente, a p ena s capaz de falar devido a suas emoções. —Po rq ue a últim a vez q ue um a fêm ea se em p a relho u, foi c o m um bastardo sangrento q ue q ua se d estró i seu p o vo d ep o is d e q ue ela m o rreu e lhe d eixou a o m a nd o d e tud o ! —a m ã o d e Siena se c o nverteu em um p unho enquanto a raiva contra seu pai ardia. — Trezento s a no s d esp erd iç a d o s em g uerra e tud o o q ue sup o rta . Milha res d e a m b o s o s p o vo s m a ssa c ra d o s, E p o r q uê? Pa ra q ue? Um a insig nific a nte ilusã o ? Um eg o m a sc ulino lig eira m ente ferid o ? Nã o , p referiria morrer antes de submeter a minha gente a tal tortura outra vez. —Siena, nem todo homem é assim—argumentou Elijah. Siena riu a nte ta l c o nc eito , a p ro xim o u-se e lhe to c o u d e rep ente, ambas as mãos d esliza nd o p ela s costela s sup erio res, lhe fa zend o encolher-se c o m um agudo bufo. —Certamente não fala por você mesmo, é o mais exp eriente g uerreiro de sua raça, estes músculos se definiram no campo de batalha. —Po rq ue é c o m o tinha q ue ser nã o p o rq ue d esfrute c o m isso — d isse firmemente, reprimindo o gemido que se formava sob seu curioso toque. —E nã o o b teve p ra zer a ssa ssina nd o m eu p a i? —perguntou a a c usa ç ã o sussurrada acaloradamente. —Tive tanto prazer fazendo-o, como você presenciando-o. —OH sim — murmurou distraidamente, a s m ã o s p erc o rrend o seus fla nc o s lentamente. — Fo i c om o um fa vo r p a ra m im o q ue fez, nã o é c erto ? Lib ero u-m e p a ra liberar meu povo. —Fiz o que tinha que fazer para deter a matança. —Tã o no b re — ind ic ou, sua s m ã o s leva nta ra m um p o uc o , enq ua nto a s ponta s d o s d ed o s exa m ina va m a p ele, risc a nd o g ra c io sa m ente, p erfila nd o a d efiniç ã o d e seu p eito , d efinid o o s p eito ra is, c o stela s e o s p onto s sobressalentes do abdômen.


—Siena , d etenha — o rd eno u lhe a g a rra nd o a s m ã o s c o m a s sua s, a s fo rç a nd o a fic a r q uieta s, a ssim nã o lhe d esesta b iliza ria m c o m a tenta ç ã o d e seu toque. — Se q uer m e o d ia r, entã o faz p o r c o m o sã o a s c oisa s. Nã o esta b eleç a mais raciocínio para me desprezar, temos suficiente ódio entre nossa gente. —Ma s ta m p o uc o te odeio Elija h — insistiu lhe g o lp ea nd o d e no vo c o m o so m d e seu p ró p rio no m e. Nã o p o d ia c o m p reend er p o r q ue lhe a feta va d o modo como fazia. É obvio sua proximidade e magnetismo não ajudavam muito. —Então, por que está atuando assim? Ela se d eteve enq ua nto p a rec ia p ensa r nisso , a líng ua a p a rec eu p a ra la m b er lenta m ente o s lá b io s, essa eró tic a hip ó tese b rilha nd o em seus o lho s outra vez. —Po rq ue nunc a em m inha vid a senti isto… este d esejo q ue sinto neste momento. Quero entender o que é Elijah. Elija h nã o esp era va q ue se inc lina sse tã o d e rep ente, o na riz p erc o rrend o sua pele enquanto tomava uma profunda pausa. —Por que seu aroma me atrai como nenhum outro? Elija h nã o p ô d e responder. A b esta d e sua nec essid a d e p o r ela esta va ressurg ind o vio lenta m ente a tra vés d ele, em o c io na nd o -se pela m a neira como ela ro ç a va seu c o rp o enq ua nto a sp ira va seu a ro m a . Antes q ue p ud esse c o ntro la r o im p ulso , inc lino u a c a b eç a p a ra a g a rg a nta , o nd e se c urva va no o m b ro , e rep etiu a a ç ã o sem va c ila ç ã o . Seu a ro m a era d ivino , a m b ró sia , esta va fo rtem ente exc ita d a , refletid o p ela p esa d a d o se d e a lm ísc a r fem inino q ue lhe p erc o rria c o m o um veneno eró tic o . Ia q ueim a nd o a tra vés d e c a d a veia , c a d a nervo , lib era nd o end o rfina s e sa ng ue a o lo ng o d e seu c o rp o , ambos esperavam com antecipação seu próximo movimento. Nã o resistiu q ua nd o ela so lto u a s m ã o s d e seu a g a rre, o m o vim ento envio u à s inertes m ã o s a d esliza r-se p o r seus a nteb ra ç o s enq ua nto se aproximava dele. Ao princíp io, tud o o q ue fez fo i d elinea r inq uieta ntes c a ríc ia s p elo na sc im ento d o c a b elo , frente, na riz, b o c hec ha s e q ueixo . Sem lhe to c a r verd a d eira m ente, em b a lo u a c a b eç a entre sua s m ã o s, a s ponta s d o s d ed o s flutua nd o c o m o a sa s d e m a rip o sa p erto d a s o relha s, a o tem p o q ue sua s m ã o s trem ia m c o m vio lênc ia p ela s nec essid a d es c o ntid a s. Aproximou-se c o m a b o c a , seus lá b io s e fô leg o lhe ro ç a ra m c o m sensa ç õ es viva s e inexistentes a o m esm o tem p o . Elija h fez um a ntec ip a d o so m d e a g o nia , g ra ve em seu p eito ,


um c o nflito d o lo ro so exp lo ra nd o a tra vés d a s p up ila s q ua nd o lhe o lho u c om a g ud a c la rid a d e em seu p ro p ó sito , ele tem ia , ansiava a m b o s c o m c a d a fib ra de sua alma. —Siena, por favor — suplicou, uma inútil última vez. Entã o sua b o c a esteve c o ntra a sua e to d o p ro testo se d esva nec eu em um nada. Ela era perfeita, completamente perfeita. Nenhuma mulher podia ser tão insuportavelmente perfeita… Elija h p enso u isto c o m fero c id a d e e a ind a q ua nd o se c o nvenc ia d o c o ntrá rio , só se inc lina va a sa tisfa zer a exub era nte c a ríc ia d essa b o c a. Retirouse c o m fo rç a p a ra to m a r um a p a usa q ue leva sse um p o uc o d e o xig ênio , e a ssim o fez c o m o resp a ld o d e seu a ro m a e o sa b o r ela b o ra d o d e c a nela . Seus lá b io s era m a rd entes c o ntra o s d ele e flexíveis a lém d a ra zã o . Elija h ro d eo u sua c a b eç a c o m a s m ã o s, a p ro xim a nd o -a e a p erta nd o -o s m a is no b eijo q ue ela tinha c o m eç a d o , lhe m o stra nd o exa ta m ente c o m o q ue esta va jogando. Parte dele esperava que a intensidade disto não a assustasse como tinha acontecido no dia anterior. E outra parte dele não. Sua b o c a a c end eu em fo g o a d ela , a s p o d ero sa s m ã o s p ressio na va m a s ponta s d o s d ed o s em seu c o uro c a b elud o enq ua nto a a g a rra va c o m fo rç a , sua s m ã o s trem ia m c o m ím p eto ig ua l à s d ela , e p ô d e sentir a vib ra ç ã o d a c a b eç a a o s p és. Tra to u-a c o m vio lênc ia , tra to u d e a tem o rizá-la c o m a a rrud a e la c era nte intensid a d e d e seu b eijo, esm a g a nd o -a so b sua b o c a , inc lusive ind o m a is lo ng e a o lib era r um p red a d o r g runhid o d e a d vertênc ia e p erig o . Feriu-a e machucou um p o uc o d e a m b o s, c o m o se a m ea ç a sse, d evo ra nd o -a c o m o um a p resa , ra sg a nd o a sua ve e vulnerá vel p ele c o m fo m e e intensidade. Siena lhe neg o u q ua lq uer p o ssib ilid a d e d e sa lva ç ã o , fec ha nd o d e rep ente a s m ã o s c o ntra seu p eito , investind o c o m seu p eso , lhe p ressio na nd o a g ressiva m ente c o ntra a p a red e d e p ed ra d etrá s d ele, lib era nd o sua b o c a o sufic iente p a ra inc lina r a c a b eç a na d ireç ã o c o ntrá ria e lhe c a p tura r um a vez m a is. Alc a nç o u c o m a ud á c ia a c a ríc ia d e sua líng ua , p rec ip ita nd o -se d entro d e sua b o c a c o m urg ente nec essid a d e, d e um a m a neira q ue fez com que c a d a nervo d e seu c o rp o c a nta sse d e p ra zer. Nã o era nenhum a senho rita virg ina l q ue a c eita va p a c ientem ente o q ue ele o rq uestra va , d irig iria ta nto c o m o ele fa zia , e a id éia d isso lhe sua vizo u. Co m essa m ud a nç a d e a g ressã o ,


e c o m a ho nestid a d e d a rea ç ã o q ue se fo rjo u nele, ela so lto u um som d e deleite e estímulo. O d esa lento foi a fa sta d o enq ua nto ele se q ueim a va c o m a p ressã o d e seu c o rp o e o a p etite d essa b o c a , ela m eneo u seu c o rp o c o ntra o seu, a s sua ves c urva s estend id a s na s d ura s p la níc ies d o s m úsc ulo s. Enc a ixa va a perfeição, tã o a lta e eleg a ntem ente fo rm a d a , nã o a a b ra ng ia , e ele achou isso a tra ente a lém d a ra zã o . Sua s m ã o s fo ra m à d eriva p elo p esc o ç o e g a rg a nta , esc o rreg a nd o p o r d eb a ixo d o p esa d o c a b elo p a ra enc o ntra r seu c a lo r, inc lusive o c o la r q ue leva va se esq uento u c o m o a rd o r d e seu c o rp o . Antes que se desse conta d o que tentava fazer, já tinha desatado o intrincado colar, fazendo-o escorregar pela frente de seu corpo. Siena tornou p a ra trá s d e rep ente assombrada q ua nd o sentiu o c o la r a b a nd o na r seu c o rp o p a ra ser sub stituíd o p o r essa s m ã o s, a g a rro u o c o la r a ntes q ue d esliza sse p elo p esc o ç o e lo g o o lho u a ele e a o c o la r c o m completa incredulidade. —Isto nã o é p o ssível — sussurro u, estrem ec end o enq ua nto ele se a p ro xim a va p a ra ro ç a r o p esc o ç o nu c o m a b o c a , a s c a lm a ntes m ã o s a sustenta va m , em b o ra estivesse tra ta nd o d e c o nserva r um eq uilíb rio b á sic o d e seu c o rp o , g em end o a nte a a sso m b ro sa sensib ilid a d e d a á rea . Dura nte to d a sua vid a , esta nã o tinha sid o exp o sta a to q ue a lg um , sa lvo o d o o uro e p ed ra de lua. —Deixa-o a um lado — a urg iu ele, a líng ua risc a nd o sua a rtéria c a ró tid a c o m o p a ssa r d o p esc o ç o d e um a fo rm a q ue c o nverteu sua s p erna s em g ela tina . Ela o feg o u c o m p ra zer, o s o lho s fec ha d o s, enq ua nto ele rep etia o circuito na direção oposta, acrescentando uma estimulante raspagem com os d entes a té q ue a teve trem end o c o m c a la frios. Siena sentiu c o m o se seu c o rp o inteiro estivesse fo ra d e c o ntro le, c o m o se seu m und o c a rec esse d e um eixo. —Elija h, o c o la r… — tra to u d e lhe exp lic a r, a s p a la vra s m ero s o feg o s suaves. —Deixa-o a um lado — o rd eno u d e no vo , a rtic ula nd o c a d a p a la vra c o m firmeza. Im ed ia ta m ente, Siena d eixo u q ue c a ísse d e rep ente d o s nervo so s d ed o s e end ireitou a c a b eç a c o m o q ue ele a um ento u o a c esso a o p esc o ç o e g a rg a nta . Fez um so m d e m a sc ulina a p ro va ç ã o , q ue c a nto u a tra vés d ela com eficaz deleite. Um momento depois a apertou com as bandas de aço de


seus b ra ç o s e a leva nto u so b re a p o nta d o s p és enc erro u sua b o c a e a b eijo u a té um esta d o d e to ta l fa lta d e fô leg o e intum esc im ento d e p ensa m ento . Sentiu-se leve e p ro fund a m ente fem inina ; p o d ia fa zê-la esq uec er sua fo rç a tão facilmente com suas grandes mãos e seu demandante corpo masculino. Elija h a leva nto u d o c hã o e a b a la nç o u a o red o r c o m fa c ilid a d e a té q ue o s p és to c a ra m a c a m a . Ela riu q ua nd o se enc o ntro u em p é so b re ela , o lha nd o a b a ixo p a ra seus o lho s. A risa d a se d esva nec eu q ua nd o se d eu c o nta o a c esso q ue sua no va p o siç ã o lhe p erm itia a seus seio s, o s lá b ios se to rc era m em um d ia b ó lic o so rriso enq ua nto eleva va o s nó d ulo s e ro ç a va um m a m ilo e lo g o o o utro , jo g a nd o c o m eles a té q ue nã o p ô d e sup o rta r a sensa ç ã o . Esta va fa sc ina d a c o m a im ed ia ta resp o sta d e seu c o rp o , o im p ulso refletido exib ind o-se eró tic o , inc lusive p a ra ela , enq ua nto o b serva va d iverti-la com seu toque. Lo g o q ue p ô d e to m a r um a p a usa , enq ua nto se inc lina va p a ra ela e mordiscava o tec id o d o vestid o , o sed o so m a teria l p a rec ia na d a q ua nd o a tra iu um d o s p o nto s d entro d e sua b o c a , c hup a nd o a té q ue p enso u q ue ia p a ra lisa r d e intenso p ra zer. Leva nto u a c a b eç a o sufic iente p a ra a p a nha r a tira d o vestid o c o m o m ind inho , d esliza nd o p a ra b a ixo a sed a um ed ec id a a té que não foi mais uma barreira para sua boca. Grito u em o c io na d a q ua nd o , tã o c heia d e fo g o líq uid o , ro d eo u-a um a vez m a is, a tra ind o a p ro fund a m ente à b o c a e lo g o a lib era nd o a tra vés d o s d entes estim ula ntem ente. Esta vez seus jo elho s c ed era m , m a s a sustento u como se não pesasse mais que seu vestido. Elija h se d eleitou c o m o sa b o r d ela , a p lenitud e fem inina d o s seio s, a sensibilidade do ponto de ouro e rosa do mamilo enquanto esfregava a língua so b re ele, a té q ue so lto u outro d esses sexys p eq ueno s g em id o s d e inc o nfund ível p ra zer. Ele a a sp iro u p ro fund a m ente na b o c a enq ua nto o em itia , e ela tombou p esa d a m ente c o ntra seu c o rp o , ele sentiu a s m ã o s a g a rra nd o sua c a b eç a e o m b ro s, o a m a luc a d o a b ra ç o d e um a m ulher p erd id a em seu p ra zer, investind o a tra vés d ele em o nd a s d e tensa necessidade. Enq ua nto a a to rm enta va c o m sua sensa ç ã o , ela d eslizo u c o ntra seu c o rp o , sentind o c a d a c o nto rno d o s m úsc ulo s tec id o s c o m o se fo sse d e c o rd a s d e a ç o so b re sua fig ura , os p és a ssenta ra m c o m firm eza , a p la nta inteira d ura c o m o um a ro c ha e rig id a m ente fixa d a c o m o um a g ra nd e esta tua d e p ed ra . Qua nd o ela a g a rro u o s b ra ç o s c o m firm es d ed o s, d eixo u um a im p ressã o em


sua p ele. Destila va p a ixã o , igual ao p o d er, injustific a d a m ente e dominantem ente, este nã o era um hom em q ue g o sta sse d e seg und o s p ensa m ento s, p referia entreter-se c o m ha b ilid a d e e c o nhec im ento , a ssim , quando o momento chegasse, poderia reagir com foto instantânea resolução. Isso era o q ue tinha feito na p isc ina m inera l, tinha observado esp era d o e atuado. Entã o se fo rç o u a m ed ita r o q ue tinha c heg o tã o na tura lm ente a ele nessa sucessão de minutos. Assim a g o ra esta va d e vo lta em seu elem ento , em um c em p o r c em , empurrando-se d e c heio no q ue d esd e o c o m eç o ha via sentid o c o rreto . Devorou-a c o m um a b o c a vo ra z e a p a ixo na d a , e a o m esm o tem p o , to c a va seu c o m p rid o c o rp o c o m b rio sa s e ind a g a d o ra s c a ríc ia s d a s m ã o s. Esta va d esc end end o p ela s c o sta s p a ra b a ixo um m inuto e no o utro se sep ulta nd o so b a p reg a d o vestid o p a ra estend er seus inq uisid o res d ed o s na p a rte tra seira d a c o xa . Ac a ric io u p a ra c im a sua p ele a c etina d a , o tra seiro nu c o m o sem p re so b o vestid o , a p ele enc a ixa nd o na p a lm a enq ua nto a m o via so b re o a rc o das costas baixando ao redor do ventre e do peito. Ha via ta nta sensa ç ã o a lagando-a em ta nto s lugares d e um a vez q ue im ed ia ta m ente se a turd iu no p ra zer e exc ita ç ã o . Exp lo ra va seu c o rp o c om a s m ã o s, a s m ec ha s d o c a b elo se unira m c o m im p a c iênc ia à exp lo ra ç ã o , ro d ea nd o seus sentid o s c o m a sensa ç ã o d ele, enterra nd o o ro sto no s c a c ho s loiro s; o s m úsc ulo s o nd ula va m so b a s m ã o s, trem end o enq ua nto ela d esliza va sobre eles com sensual e curioso toque. A a b ra sa d o ra b o c a reto rno u à sua enq ua nto a s estim ula ntes c a ríc ia s eleva va m a tem p era tura c o rp o ra l a té o c éu. Fo i so lta nd o p o uc o a p ouc o , a ssim ia d esliza nd o p o r seu c o rp o a té a c a m a , seg uiu-a c a d a c entím etro d o caminho, a boca aderida à sua enquanto bebia profundamente esse ardente sa b o r d e c a nela tã o únic o . As m ã o s refo rç a ra m o p eso em c im a d ela q ua nd o se m o veu so b re seu c o rp o . Qua nd o sentiu c o loc a r-se c o ntra ela , ro nro nou c o m d eleite e p ro vo c a ç ã o , o som lhe g o lp eo u exa ta m ente c o m o a ntes, só que d esta vez ia atuar livremente sobre estas sensações. Elija h, im ed ia ta m ente, c o lo c o u a s m ã o s so b seu vestid o , d esp o ja nd o -a d ele c o m um só m o vim ento , inc luind o o d esc uid a d o la nç a m ento m a is à frente na ha b ita ç ã o , a tó rrid a velo c id a d e d a exp o siç ã o fez com q ue Siena arqueasse contra seu corpo, com incrível sensualidade. OH, como recordava a sensação fogosa dessa pele, como tinha ansiado um a rep etiç ã o d o q ue o rig ina lm ente tinha o c o rrid o , inc lusive entã o , ela tinha


esta d o g ela d a p ela á g ua d o la g o , tã o p á lid a em c o m p a ra ç ã o a c o m o esta va a g o ra . Era um a fo lha d e sed uto r c etim d eb a ixo d ele, lhe envo lvend o em uma estranha pureza de flexibilidade e riqueza que só podia provir de uma fo nte tã o p erfeita . As p erna s d esliza ra m d esd e a b a ixo d ele a té q ue a s c o xa s em o ld ura ra m o s q ua d ris la sc iva m ente, a fia nç a nd o -o m a is p ro fund a m ente em seu ser, encaixando-os juntos como a fechadura e a chave. Elijah se agarrou as mantas quando sentiu acomodar-se no berço de seus q ua d ris, só sua ro up a era um ob stá c ulo entre eles, um o b stá c ulo q ue sentia c o m o na d a , c o m o m uito vento ; o s d ed o s a g a rra ra m c o m ta l prazerosa a g o nia q ue se c ra va ra m na g ro ssura d o c o lc hã o , a ind a sem o reflexo crescim ento d e a fia d a s g a rra s. Estes se a tra sa ra m um seg und o , q ua nd o ela p erc o rreu c o m m ã o s a nsio sa s a espinha d o rsa l e so b re o s d uro s m úsc ulo s d a s c o sta s, lhe a ferra nd o a ela , p a ra p o d er m o ver o s q ua d ris e esfreg a r seu c a lo r contra a rígida extensão de seu sexo. —Siena! Seu no m e fo i um g runhid o na g a rg a nta , m a s sentiu a sa c ud id a d e seu c o rp o enq ua nto p ro c ura va m o d era ç ã o e c o ntro le, enq ua nto enfrenta va sua vulnerabilidade a esses métodos de estimular sua excitação. Em tro c a , ela m o veu a b o c a a té a o relha , o s lá b ios esfreg a nd o -se a lenta d o ra m ente a té q ue ele se estrem ec eu, entã o lenta m ente, b ra nd a m ente, p ro nunc io u seu no m e, um o feg o g utura l se eng a nc ho u na simples palavra, enquanto sentia mover-se com intimidade contra ela. —Gatinha — g runhiu d o fund o d e sua a lm a a to rm enta d a . — Do c e Destino, gatinha, sente-se como o paraíso. Meu paraíso. Siena resp o nd eu c o m um so rriso c o ntra seu p esc o ç o , a o m esm o tem p o em q ue c o m eç o u a lhe exp lo ra r c o m im p ec á vel intim id a d e, esfreg o u o s fo rtes e eleg a ntes d ed o s no s o m b ro s em um a c a ríc ia sela d a tensa m ente so b re a úmida pele. Moveu-se ao redor do peito, pelos flancos uma vez mais, onde fez um a p a usa p a ra sentir sua rá p id a resp ira ç ã o , o s d ed o s d esliza ra m p a ra b a ixo p elo s fla nc o s, e lo g o p o r d eb a ixo d o c into d a s c a lç a s, sentiu o s d efinidos m úsc ulo s d o tra seiro estic a rem-se so b o to q ue sed uto r, m a s nã o esta va sa tisfeita c o m a p ena s essa rea ç ã o . Ab riu a s p erna s um p o uc o m a is, p erm itind o à s m ã o s a lib erd a d e d e esc o rreg a r p elo s q ua d ris e d entro d o c a lo r e a dureza que descansava tão perto dela. Elijah tinha estado esfregando a língua contra o vital palpitar do pulso em seu p esc o ç o , q ua nd o a s p o nta s d o s d ed o s ro ç a ra m essa p a rte sensitiva d e


seu c o rp o . Deixo u d e d eg usta r seu sa b o r, a s c o sta s a rq uea nd o -se reflexivamente, enquanto jurava veemente baixo. Siena não se incomodou de m a neira nenhum a p o r isso , nunc a ha via tocado a um ho m em d este m o d o a ntes, e nã o esta va d isp o sta renunc ia r à exp eriênc ia m uito cedo. Envo lveu o s d ed o s d e sed a a o red o r d ele, sentind o c o m fa sc ina ç ã o c o m o p a lp ita va contra sua p a lm a , ele estrem ec eu d a c a b eç a a o s p és, enq ua nto lhe a c a ric ia va em to d a sua lo ng itud e lenta m ente, a p rend end o a fo rm a , p eso , e esp ec ia lm ente, a sensib ilid a d e. Nunc a teria a c red ita d o q ue a c a rne p o d ia fic a r tã o d ura , ha via um a rd o r tã o intenso q ue q ua se q ueim a va a s ponta s d o s d esliza ntes d ed o s e o m a is im p orta nte, c a d a to q ue, lig eiro o u firm e, tinha -lhe virtua lm ente reto rc end o -se d e p ra zer, p a rec end o b o rd ea r m uito d e p erto a d o r. Um a vez m a is, c heg o u a c o m p reend er um a sim p les verd a d e, p o d er, o p o d er d e lhe vo lta r lo uc o so m ente c o m a s ha b ilid a d es e intenç õ es d e sua s mãos. A c a rreira d e exc ita ç ã o q ue seg uiu a essa c o m p reensã o foi d ela , nã o d ele. Siena o feg o u c o m fo rç a q ua nd o a a la g o u c o m o uro fund id o , um líq uid o p rec io so q ue q ueim a va a tra vés d ela e lo g o se d erra m o u efic ientem ente no c entro d e seu c o rp o . Entend eu, d e rep ente, q ue ha via um só c a m inho a seu p ró p rio p ra zer, e esse era m erg ulha r nele. Era um a d essa s revela ç õ es q ue poderiam trocar tud o , a ind a q ua nd o p a rec ia um p eq ueno d eta lhe, sa b ia , sa b ia d o fund o d e sua a lm a . Qua nd o a s ponta s d o s d ed o s fo ra m à d eriva so b re a úm id a p o nta d e sua exc ita ç ã o, um d etrá s d e o utro , d elinea nd o sedosamente através da umidade e a pele altamente sensível, aprendeu uma completa e nova descrição de estimulação. Elija h exa lo u um b a ixo e rud e so m d e êxta se, a m a nd íb ula a p erto u q ua nd o c eg a m ente investiu o s q ua d ris c ontra essa s m a lva d a s m ã o s pequenas, ela recebeu a mensagem, a reação a incitou a repetir a carícia, só que d esta vez m a is lenta m ente. Elija h nã o p ô d e p ensa r c o erentem ente d esd e esse m o m ento , nã o q ue fosse a ntes se d ed ic o u m uito a p ensa r em a lg o q ue nã o se c entra sse so b re a d elic io sa sensa ç ã o d esse c o rp o e essa p ele c o ntra a sua . Siena fo i im p la c á vel em sua c urio sid a d e so b re seu c o rp o , e ele esta va p ro fund a m ente a to rd o a d o so b sua s c a d a vez m a is a ud a zes c a ríc ia s, a ntes d e dar-se conta, estava sobre as costas e ela o estava despindo rapidamente. Entã o ela e d eslizo u em c im a d e seu c o rp o e lhe b usc o u a b o c a , b eijo ulhe, a c a ric io u-lhe, tra ta nd o d e sup era r-se p rim eiro em um a c o isa e lo g o na outra. Deleitou-se no a b a nd o no d e sua s rea ç õ es, d o s so ns q ue lhe


esc a p a va m , p o d ia fa zer com q ue c a d a ríg id o m úsc ulo se reto rc esse e flexio na sse, usa nd o o a rd ente velud o d o s lá b io s e líng ua p a ra fa zê-lo . As m ã o s d ele se enterra ra m d esesp era d a m ente em seu c a b elo , esm a g a nd o a s sensíveis mechas sob os dedos. Siena nunc a teria p ensa d o q ue esse a g a rre com ta l fo rç a p ud esse sentir tã o b em , era um a p a rte d o c orp o tã o sensível c o m o q ua lq uer o utra e, seu to q ue fo i tã o g ro sseira m ente m á g ic o q ua nd o a a g a rro u c o m ta nta p a ixã o , q ue fo i um a insta ntâ nea zo na eró g ena , e sentiu c o m p reend ê-lo q ua nd o começou a arrastar os dedos através das largas tiras. —Ah! —g rito u ela p esa d a m ente, o c o rp o leva nta nd o -se so b re o seu e arqueando-se c o m o um a sed o sa píton, sento u-se esc a rra nc ha d o so b re o estô m a g o , a s m ã o s a p o ia d a s so b re o p eito , a c a b eç a a rrem essada p a ra trá s enquanto os fortes dedos fluíam pelo denso e escorregadio cabelo. Elija h se lib ero u d a hera d e o uro q ue frisa va a o red o r d e seu c o rp o , um so rriso leva nto u um a d a s esq uina s d o s lá b io s, a p o siç ã o so b re seu c o rp o a d eixa va vulnerá vel a um to ta lm ente d iferente a ssa lto d e sensa ç õ es, a s m ã o s a rra sta ra m rud es to q ues p a ra o c entro d o to rso , so b re o s seio s, costelas, ventre e q ua d ris. Lo g o foi p ro c ura nd o o c a lo r e a um id a d e q ue o tinha c ha m a d o sem trég ua , o s d ed o s esc o rreg a ra m p o r um enred o d e c a c ho s d e o uro e to c a ra m a c a rne m a is à frente, ela esta va sua ve e a viva d a p ela estim ula ç ã o q ue a s m a nip ula ç õ es d e seu p ra zer tinha m c a usa d o a seu p ró p rio c o rp o . Siena c hio u q ua nd o m il im p ulso s, p ensa m ento s e sensa ç õ es se a p inha ra m p a ra exp ressa r-se e Elija h enterro u um a m ã o livre em seu c a b elo e a a rra sto u p a ra seu b eijo . Ela o feg o u d entro d a b o c a q ua nd o a inva sã o d o to q ue se reg istro u na s term ina ç õ es nervo sa s c o m vio lento ero tism o , ele enc o ntro u o sensitivo nó q ue resp o nd eria elo q üentem ente à c a ríc ia d e seus d ed o s e o apanhou com um coquete e perito roçar. Nunc a tinha susp eita d o q uã o sem fô leg o p o d ia d eixá -la um a a p a rentem ente sim p les c a ríc ia . Ele a esta va to c a nd o a sério a g ora , fo rç a nd o a a sentir-se d éb il e selva g em c o m a estra nha e c resc ente sensa ç ã o q ue fluía p a ra o exterio r d esd e esse p eq ueno p o nto , nã o p ô d e c o nc entra r-se m a is no que estava fazendo, assim que suas mãos escorregaram frouxas pelo corpo. Elija h a g irou so b re sua s c o sta s, to m a nd o d e no vo o c o ntro le, enq ua nto ela g em ia c o m inc rível intensid a d e d entro d e sua b o c a . Fo i um a feito ria d e c ha m a tivo s so ns d e p ra zer d esse m o m ento em d ia nte, o estím ulo a ud itivo envio u um a urg ente nec essid a d e q ue se eng a sto u na a lm a d e Elija h. Deixo u


sua b o c a ra p id a m ente, o q ue p ro d uziu d esa ta d o s g rito s d entro d a ha b ita ç ã o , m a s se entreteve d eg usta nd o a g a rg a nta , c la víc ula , e seio s um a vez m a is. Sentiu-a estrem ec er, a p ro xim a nd o -se d a lib era ç ã o q ue queria q ue nec essita va tã o d esesp era d a m ente. Os d ed o s fic a ra m q uieto s so b re ela , fazendo-a soluçar com um som de protesto. —Elija h, p o r fa vo r — g ritou, a c a b eç a g ira va d e la d o a la d o enq ua nto a mente e o corpo procuravam o que faltava. Ele nã o c ed eu a nte sua s súp lic a s im ed ia ta m ente, tinha p la neja d o a lg o m elho r, seu exó tic o a ro m a o tinha b urla d o p o r um lo ng o tem p o . Esse foi o únic o p ensa m ento q ua nd o se a p ro xim o u p a ra sub stituir o to q ue d o s d ed o s com as carícias da boca. Siena elevo u o s q ua d ris e g rito u tã o fo rte q ue o so m ec o o u na c a verna . Elijah capturou os desafiantes quadris entre as mãos impacientes e a sustento u c o ntra sua sa b o rea d o ra líng ua . Ela era p uro a fro d isía c o , sa b o r e essênc ia combinados juntos com a perfeição dos morangos e nata. Estremecia com tal fo rç a em seu a g a rre, enq ua nto seu p ra zer se enro la va m a is e m a is a p erta d o em seu interior, que podia predizer o poder de sua liberação só por isso. Siena, subitamente, fo i surg ind o d e um estup o r a lém d a m era so rte, seu c o rp o b lo q ueo u inc lusive enq ua nto gozava, esc uto u-se g rita nd o grosseiram ente, m a s d ific ilm ente se rec o nhec eu no d esenfrea d o so m ; p ulsa ç õ es d e um p ra zer c ulm ina nte a m o nta ra m c o m o o nd a s d e c ho q ue, e sua líng ua a ind a seg uia a c a ric ia nd o -a , em p urra nd o -a m a is e m a is à frente d o extraordinário abismo do alívio e deleite. Ap ena s tinha se rec o sta d o no c o lc hã o a ntes q ue d esliza sse so b re seu c o rp o e c o m p a rtilha sse a g ulo seim a d e sua d o ç ura c o m ela na fo rm a d e um b eijo q ue lhe q ueim o u a a lm a . Ele esta va tã o d uro e p esa d o p ela nec essid a d e d ela , q ue fic o u um p o uc o lo uc o . Seu o rg a sm o lhe tinha em p urra d o fo ra d e seus lim ites, e p rec isa va esta r d entro d ela c o m um d esesp ero d o q ue nunc a a c red ito u c a p a z, a s c o xa s se a b rira m p a ra ele c o m fa c ilid a d e enq ua nto se a ssenta va entre ela s e d esc a nsa va c o ntra a c a rne cheia com um quente e intrigante movimento. Seus o lho s se a b rira m d e rep ente c o m o c io na d o s a nte q uã o surp reend entem ente estim ula nte era a sensa ç ã o . Ele b a ixo u o o lha r p a ra a q ueles rec urso s d o ura d o s, o lha nd o p ro fund a m ente d entro d e sua a lm a , p a ssa nd o a b rum a d e d esejo e a nec essid a d e sem fim , p a ra ser q uem era ela nesse momento.


—Me d ig a o q ue esc o lhe — d isse c o m veem ênc ia c o ntra o s lá b io s inchados. — Tenho que te ouvir… Quebrou-se q ua nd o ela leva nto u o s q ua d ris, lhe a tra ind o d ireta m ente p a ra a so leira q ue tã o d esesp era d a m ente p rec isa va c ruza r, ela tra g o u um g em id o g ulo sa m ente, fa zend o estra g o s em sua b o c a c o m um a intensid a d e sem precedentes. Elija h c heg o u a té a g a rg a nta , ro d ea nd o -a p a ra lhe im p ed ir d e seg uir q ua nd o se sep a ro u d o b eijo, lhe c usta va resp ira r, o s o lho s a b erto s p ed ind o que a deixasse ir, dela, de suas dúvidas, de tudo. —Siena — ofegou, quando ela deslizou contra seu corpo uma vez mais. — Preciso escutá-lo. —É o b vio — lhe sussurro u sed uto ra m ente, c a p tura nd o o utra vez nesse p erfeita m ente p rep a ra d o p o nto , o nd e c o m um sim p les em b a te ele se enterraria nela. —Elijah, quero isto — lhe suspirou. —Vo c ê m e a c eita ? —Perguntou-lhe Elija h, a g a rra nd o -a tã o fo rte q ue fo i um milagre que não se quebrasse. — Me escolhe? —Sim — o feg o u, seu c o rp o g em end o p ela c erc a nia q ue ele m a ntinha com ela. — Te aceito, desejo-te, a você, Elijah… Ele so lto u seu c o ntro le c o m um selva g em g rito, leva nto u-se p a ra d ia nte, em p urra nd o d entro d e seu c o rp o c o m um a sim p les e d ila c era d o ra investid a , Siena g rito u, m a s nã o p o r q ua lq uer tip o d e d o r, p ô d e senti-lo c om c a d a fibra d e seu ser. Sua virg ind a d e c ed eu c o m fa c ilid a d e, lhe d eixa nd o enterra r-se em um ardente e acolhedor céu. Ca lo r, estreiteza , esc o rreg a d io m el lhe ro d ea nd o , era um a va g em a rd ente d e inc o m ensurá vel d ita e, a o fim , esta va p ro fund a m ente ro d ea d o p o r ela , nisto era m a is à frente q ue p erfeita , a justa va -se a ele c o m o se tivesse sid o c ria d a a sua m ed id a . Elija h esta va c eg o c o m a b eleza e a m a ra vilha d isso , era tã o a p erta d a a seu red o r, q ue sentia c o m o se fo sse im p o ssível mover-se, a ssim p o r um c o m p rid o m inuto nã o o fez. Siena se a ferro u a ele, a s m ã o s no s o m b ro s, p a rec end o c o m o se seu c o rp o estivesse p erm a nentem ente a rq uea d o p a ra o seu. Ela o feg o u e o feg o u, o s o lho s m uito a b erto s q ua nd o elevo u o o lha r c o m c o m o ç ã o e a sso m b ro , enq ua nto se m a ntinha em b eb id o


nela; esta va g ua rd a nd o p ro fund a m ente a lem b ra nç a d esse m o m ento em seu c éreb ro . Nunc a esq uec eria isto e se a sseg ura ria q ue ela ta m p o uc o o esq uec esse, m a s era sed o sa , esc o rreg a d ia e inc rivelm ente tenta d o ra , a ssim só p o d eria sup o rtá -lo p o r uns q ua nto s seg und o s m a is, nec essita va m a is d ela , p rec isa va entreg a r-se a ela , c o m eç o u a retira r-se e ela enterro u a s unha s em seus ombros. —Elijah — ofegou desamparadamente, os olhos dourados selvagens com a c o nfusã o d e sa b er a lg o instintiva m ente, a ind a sem entend er completamente o método de sua aparente loucura. —Ah — brincou com suavidade. — Não vou a nenhuma parte. Acariciou-a p o r d entro p ro fund a m ente, fa zend o -a g em er a té q ue o viç o so so m resso no u a o red o r d eles, a m o u o som , a m ou a c rua p a ixã o . A em o ç ã o d isso p erc o rreu a tra vés dele, lhe endurecendo ainda mais até que se sentiu incrivelmente grosso dentro do corpo estremecido. Soube que ela sentiu um a no va q ueb ra d e o nd a d e c a lo r, p o rq ue ro nro no u c o m um a p o tente e retum b a nte vib ra ç ã o , o so m lhe a nim ou, a ind a q ua nd o nã o nec essitava nenhum estím ulo , levou só um m o m ento enc o ntra r o ritm o p erfeito p a ra a m b o s. Ela enc o ntro u seus p o ssa ntes q ua d ris c o m um a fa c ilid a d e na tura l depois de um incômodo segundo, guiou-a com uma mão no esbelto quadril e a o utra a p a nha d a na s m ec ha s em a ra nha d a s d o c a b elo , sentiu a s unha s cravar-se em suas costas e se elevou para frente com o contragolpe do prazer resultante. —Siena — grunhiu. — Gatinha, sente-se condenadamente perfeita. —Elijah… Isso fo i tud o o q ue disse seu no m e, um a e o utra vez, c o m urg ênc ia c resc ente, a té q ue o esteve so luç a nd o c o m o um c â ntic o . Elija h nã o p ô d e a nã o ser enterra r o ro sto na c urva d o p esc o ç o e enviá -lo s a a m b o s em um a esp ira l p a ra um a esc a nd a lo sa lib era ç ã o ; isto ia ser tó rrid o e rá p id o, vio lento e enleva d o , e sim p lesm ente se entreg o u a isso . Seu no m e esta la nd o d a g a rg a nta era a c oisa m a is eró tic a q ue tivesse exp eriente em sua la rg a vid a . Conectou-se dentro da sedosa doçura de seu corpo uma e outra vez, até que sentiu q ue se q ueb ra ria c o m o p ra zer. Siena sentiu q ue o m und o se a cendia em c a lo r e c ha m a s, o c o rp o q ueim a nd o e q ueim a nd o p ela nec essid a d e d e explodir. Já esta va g rita nd o sua lib era ç ã o q ua nd o ele fina lm ente ro m p eu na


sua p ró p ria , a c resc enta nd o c o m b ustível a o já inc o ntro lá vel fo g o , esm a g o u-a em seu abraço enquanto se impulsionava dentro dela com ondas violentas de um clímax implacável. É tud o o q ue p ô d e dirigir tra ta r d e nã o esm a g á -la c o m o d éb il c olapso d e seu esg o ta d o c o rp o , a c o nc heg o u-a c o ntra o p eito e lo g o ro d o u c o m ela a té q ue a teve estend id a so b re seu c o rp o , sentiu a sep a ra ç ã o d o s c o rp o s e isto lhe d eixo u um a sensa ç ã o d e p riva ç ã o , sustento u-a junto a ele c o m um d e seus grandes braços, os dedos envoltos possessivamente ao redor dos ombros. —Obrigado — m urm uro u ela , uns m inutos d ep o is d e q ue sua s resp ira ç õ es se normalizaram. —Por quê? —riu, inclinando o queixo até o peito para assim poder ver seu rosto, enquanto apartava a meia tonelada de cabelo que a ocultava. —Por responder minha pergunta. Ele rec o rd o u a p erg unta e vo lto u o o lha r p a ra c im a , à s fo rm a ç õ es d o teto. —Esp ero q ue tenha sid o um a b o a resp o sta — d isse b ra nd a m ente, nã o querendo sentir a agitação que tratava de arrastar-se sobre ele. —Muito adequada — respondeu. —Adequada? —O térm ino b elisc a nd o seu eg o , a fa sta nd o imediatamente qualquer ameaça de preocupação. — Te importaria matizar isso? —Devo? —p erg unto u ela g ira nd o o ro sto p a ra ele enq ua nto eleva va a cabeça. Elija h viu a d iversã o b rilha r nesses tra vesso s o lho s e p ensa m ento s, d irig iulhe um veneno so o lha r e ela c o m eç o u a rir. Siena nã o era m uito d e risadas to la s, o b servo u c o m sa tisfa ç ã o , tinha um a a rd ilo sa e sexy risa d a q ue se a trevia a c o ntra d izer seu hum o r. Esta tinha a ha b ilid a d e d e exp o r sua lib id o c o m absoluta facilidade. O g uerreiro a fez ro d a r fo ra d e seu c o rp o tã o a b rup ta m ente q ue riu a ind a m a is fo rte. Qua nd o a a p a nho u so b re seu ventre, d eb a ixo d ele, fic o u quase histérica. —Cheg uei a m enc io na r o m uito q ue essa sexy risa d a sua tend e a m e afetar? —p erg unto u sed o sa m ente, lhe m o stra nd o exa ta m ente o q ue q ueria dizer elevando os quadris.


Siena p a ro u d e rir, leva nta nd o a c a b eç a p a ra o lha r so b re o o m b ro , dando-se c o nta q ue era um esfo rç o inútil, a p oio u a b o c hec ha no lenç o l e sorriu. —Em realidade, não mencionaste nada desse tipo — lhe informou. —Então, me permita explicar — murmurou. Elija h fez amor com Siena sem p ied a d e. Qua nd o ela se q ueixa va d o a b uso d e sua s lesõ es, ele a exo rta va so b re a s q ua lid a d es c ura tiva s d e seu d eleitá vel c o rp o , o serm ã o era c o m p rid o e m inuc io so , lhe fa la nd o a tra vés d a pele e dirigindo-se dentro de seu corpo. Depois disso, não voltou a se queixar outra vez. Ao m eno s nã o so b re isso , d esc o b riu q ue g o sta va d o s serm õ es, e d esc o b riu o utro s tem a s q ue p o d ia m d isc utir p ro fund a m ente. Siena nunc a tinha esta d o p erto d e susp eita r q ue c la sse d e intim id a d e a fa ria sentir, tinha expressado um a e o utra vez q ue nã o q ueria ser p a rte d isso e q ue nã o sentiria sa ud a d es a b so luta m ente. Tinha m a ntid o q ue nã o ha via c a m inho a lg um d e enriq uec im ento em ta is c oisa s, tinha p ensa d o q ue sua vid a nã o p o d ia ser melhor do que tinha sido antes de entrar nessa caverna. Quão tola e equivocada tinha estado. A arrogância da ignorância! Era a Ra inha d e sua esp éc ie, m a s verd a d eira m ente nã o tinha c o nhec id o o m und o a té q ue a sc end eu, sua p ro teg id a e lim ita d a vid a a tinha p riva d o d e m uita info rm a ç ã o p rá tic a . O q ue tinha eleg id o p erm itir a o g uerreiro Demônio poderia trocar isso para sempre. Trocá-la para sempre. Além d esse p ensa m ento , a p a rto u to d a s a s rea lid a d es entre eles a um la d o , o q ue fo sse q ue o m a nhã tro uxesse, q ueria seg uir o m a is lo ng e q ue p ud esse. Nã o era só a c o m p lem enta ç ã o físic a o q ue a a tra ía p a ra este sentim ento , a d m itia a si m esm a . Elija h tinha um eng enho na tura l, fa zend o -a rir sem p reo c up a ç õ es d e um a m a neira q ue ra ra m ente tinha c o nhec id o , enquanto crescia como descendente de um chefe militar real. Havia a lg o nele, so b re sua c o nfia nç a e surp reend ente intelig ênc ia por d etrá s d e to d o s esses m úsc ulo s e d ureza d e b a ta lha , nunc a teria susp eita d o d esta m a neira , c o m o um ser m ultid im ensio na l, isto a tinha surp reendido, q ua nd o se c o nhec era m a p rim eira vez, sua lea ld a d e e evid ente sensib ilid a d e a respeito das necessidades das pessoas que amava. No la r d e sua infâ nc ia , o s g uerreiro s nã o a m a va m , o s a feto s era m debilidades. Como poderia um homem como Elijah, ter suportado cara a cara


a o c hefe m ilita r q ue tinha reinado a ntes d ela e sa ir venc ed o r, q ua nd o era tã o susc etível a to d a s essa s c o isa s q ue seu p a i tinha a c la m a d o c o m o inconvenientes para um guerreiro? Siena já sa b ia a resp o sta a isso , tinha d esc o b erto p o r si m esm a a o fic a r mais velha e m a is sá b ia . Iro nic a m ente, a frieza e fa lta d e a tenç ã o d e seu p a i a tinha m im p ulsio na d o a c o nverter-se no c o ntrá rio d o q ue ele era a únic a ra zã o p ela q ue era um a poderosa luta d o ra p o r d ireito p róp rio, era p o rq ue fo i a única habilidade que ele tinha ordenado e fiscalizado por si mesmo, ela não tinha se a trevid o a fa lha r p a ra lhe im p ressio na r, e se estivesse sa tisfeito , tivesse a deixado comodamente reinar em seu lugar enquanto ele combatia. Assim sa b ia o q ue era c o m b ina r essa s a p a rentem ente inc o ng ruentes p a rte d a g ente m esm o . Ele esta va tã o c ô m o d o c o nsig o m esm o c o m o esta va ela , tã o a rro g a ntes, tã o sá b io s, q ua nd o se tra ta va d o q ue d eixa va m o u nã o ver o utro s, m a s a m b o s tinha m b a ixa d o sua s fo rm id á veis d efesa s a fim d e permitir esta união, era tão fora de caráter, tão escandalosamente perigosa, e ao mesmo tempo incompreensível em origem. Era tão magnífico e tão revelador. Siena nunc a tinha d uvid a d o d e sua fem inilidade o u d o fa to d e ser m ulher, sem p re um c la ro p ro d uto d e sua c o nfia nç a , m a s sua sexua lid a d e tinha sid o um p ouc o m a is q ue um a ferra m enta d e intrig a e m a nip ula ç ã o , d e o utra m a neira , d evia ser neg a d a . Aq ui, sep a ra d a d o m und o , c entra nd o -se no c o rp o d ele e em sua s m ã o s, entend eu m uito m a is o q ue sem p re tinha suspeitado. Ag o ra entend ia o q ue p a rec ia a q uele a lo ng a m ento d e sua s c o sta s, o q ue o b a ter d e um a s p esta na s so b re o lho s m isterio so s p o d ia verd a d eira m ente fa zer e o p o d er q ue resid ia no menor e sua ve so m q ue sa ía d e sua g a rg a nta . Começou rea lm ente c o m p reend er o q ue, c o m c a d a enc o lhim ento d e ombros, cada movimento, cada suave e curvado deslizamento podia ganhar. Ba ixa nd o o o lha r p a ra Elija h, o b servo u-lhe entre a s p esta na s, o s o lho s d e â m b a r a rd end o c o m tod o o reflexo d e sua nec essid a d e, tud o o q ue tinha d eseja d o e d eterm ina d a a o b ter d ele nesse m o m ento . Esta va senta d a escarranchado so b re seus q ua d ris, sa b end o q ue p a ra ele, luzia a ud a z e fo rm o sa enq ua nto o tinha a p a nha d o d entro d e seu c o rp o . Ele, em rea lid a d e, tinha o s b ra ç o s d o b ra d o s so b a c a b eç a , c o m o se estivessem d isc utind o so b re o tem p o , p retend end o q ue a fo rm a como ela se m o via sob re seu c o rp o ríg id o tinha pouco efeito, em um intento de mofar-se dela.


Siena nã o se d eixo u eng a na r, sentia esses a rd entes o lho s d e esm era ld a so b re o b a la nç o d e seus seio s enq ua nto se m o via , sentia o p ulso e a g ro ssura do duro eixo dentro de seu corpo cada vez que fechava os músculos ao redor d ele c o m o um a rosca, sa b ia q ue a m a nd íb ula esta va esp rem id a p o rq ue o s d entes esta va m a p erta d o s p elo p ra zer q ue o fa zia sentir. Ela tinha p erna s p o d ero sa s, c o m flexib ilid a d e sem p a r, e era tã o o b stina d a c o m o o inferno ; ele perderia esta luta de vontades, embora no final fossem os dois ganhadores. Ap o io u a s m ã o s na c a m a em a m b o s o s la d o s d o s o m b ro s, inc lina nd o -se so b re ele d e ta l m a neira q ue o s m a m ilo s ro ç a ssem o p eito c o m c a d a a m o stra d e ha b ilid a d e o nd ula nte d e sua c o luna verteb ra l. Merg ulho u p a ra seu c o rp o , esfreg a nd o o s seio s c o ntra o s lá b io s e na riz, c o nsentind o a tenta ç ã o d o sa b o r e o a ro m a a lm isc a ra d o q ue revestia m sua p ele. Sa b ia o lo uc o q ue se vo lta va p elo d o c e e sexy q ue c heira va sua p ele, a ind a m a is louc o p o r seu sa b o r. Po uc o d ep o is, a s d ista ntes m ã o s esta va m so b re seu c o rp o , m o ld a nd o e embalando a carne cheia dos seios, atraindo-a p a ra a b o c a a té q ue se sentiu to rtura d a , ig ua l q ue o esta va ele p o r sua lib id o sed uto ra . Ele g em ia so b a im p la c á vel o nd ula ç ã o d o s q ua d ris, m a s a ind a a ssim inc a p a z d e a fo g a r o s sexys g runhid o s e o feg o s q ue ela fa zia enq ua nto sentia p ra zer c o m seu c o rp o , nã o to c o u o u d irig iu o tra b a lho d e sua p élvis, ela tinha d em o nstra d o a p rend er rá p id o , e sem inib iç ã o . Nã o tinha rep a ro s ao p erc o rrer seu c a m inho so b re ele, ta m b ém d em o nstro u p o uc a p ied a d e q ua nd o esteve pronta p a ra lhe a rra sta r d entro d e seu m und o d e c lím a x, fa lo u b a ixo, sua ve, sexy, c o ntem p la nd o verb a lm ente c o m o p o d eria lhe fa zer p erd er o c o ntro le. Elija h p o d ia ha ver d ito que o c o ntro le tinha sa íd o p ela ja nela fa zia m uito tem p o , m a s teria a rruina d o a s m a lévo la s m a q uina ç õ es e ele seria o últim o em fa zer c ho ver so b re seu próprio telhado. Entreta nto , esta va leva nd o -o p erto d a lo uc ura , esta va tã o q uente, e esta va a p rend end o c om o lhe q ueim a r sem d em o ra . Os d ed o s esta va m sem p re exp lo ra nd o seu c o rp o , p ro c ura nd o a q ueles lug a res q ue era m eroticamente sensíveis a seu to q ue. Qua nd o isto nã o func io na va , o u nã o funcionava rápido o sufic ientem ente p a ra seu g o sto , usa va a líng ua a rd ente, desenhando úm id o s m a p a s so b re o p eito , risc a nd o c a m inho so b re o s m a m ilo s p a ra evita r a vend a g em d o c a b elo via ja nd o p a ra o p esc o ç o e g a rg a nta . Deslizou a o lo ng o d a m a nd íb ula a té q ue c heg o u a d evo ra r a b o c a , q ua d ris, m ã o s e lá b io s c o m b ina d o s em um a d ito sa b a rreira d e sensa ç õ es, sentiu sua c resc ente to rtura e c o m o ec o o u nela . Aind a a ssim , o feg o u a rd entes sussurro s


d e nec essid a d e e sentim ento em sua b o c a . A exp líc ita sensa ç ã o d e c o m o se sentia enq ua nto lhe m onta va tã o sem p ied a d e, c eg o u-a c o m seu p ró p rio p ra zer. Siena g rito u d entro d e sua b o c a , eleva nd o um seg und o d ep o is e arqueando-se, jo g a nd o seu c a b elo p a ra trá s, fa zend o com q ue c a ísse p esa d a m ente so b re a s c o xa s. Agora foi ele q uem a g a rro u a s c o xa s, sustentando-a a o ritm o , enq ua nto c o nvulsio na va a seu red o r. Em p urro u e em p urro u a té q ue ela esteve g rita nd o e ele m esm o esteve d em o lid o p ela a rd ente c o njunç ã o d esses sed o so s m úsc ulo s, uniram-se na lib era ç ã o c o m um rugido de agonizante satisfação. Qua nd o fina lm ente c a iu so b re seu p eito tra ta nd o d esesp era d a m ente d e to m a r um a p a usa , e rela xa r no resp lend o r c rep usc ula r d e seu inc rível nível d e p ra zer, Elija h fo i c o nsc iente d o fa to d e q ue esta va em um g ra nd e p ro b lem a , sa b ia q ue ela tinha a intenç ã o d e sep a ra r seus c a m inho s um a vez q ue d eixa ssem esse lug a r, tinha p la neja d o c o nfro nta r a c o nd iç ã o d e sua c o ro a q ue c o nsid era va um a m a ld iç ã o, esta c o nd iç ã o d ec la ra va q ue to m a ria um só c o m p a nheiro em sua vid a , q uem reinaria c o m o seu ig ua l em um tro no p elo qual tinha so frid o e luta d o p ara m a nter. Esta va d a nd o tud o o q ue tinha no m o m ento , p o rq ue nã o p ensa va d ed ic a r na d a a o futuro ; m a s a p esa r de que ele m esm o estivesse rep etid a m ente q ueb ra nd o um m ilhão d e leis na tura is, Elija h sentiu um a d esesp era d a sensa ç ã o no ventre q ue lhe a d vertia q ue nã o seria tã o fá c il d esenred a r-se d e seu a b ra ç o d e o uro . Sentia-se vinc ula d o c o m ela em um c a m inho q ue era m a is intrinc a d o q ue o s c a c ho s em a ra nha d o s d e seu ind ô m ito c a b elo . Ta m b ém sa b ia q ue se fa zia o m ínim o c o m entá rio so b re isso, ela se fecharia e tudo seria em um final estelar. Fez retro c ed er a nuvem neg ra q ue vinha c o m seus p ensa m ento s só p o r um m om ento m a is. Com um sim p les m o vim ento , leva nto u-o s fo ra d a c a m a , ela se q ueixo u e riu a o m esm o tem p o , m a s o b ed iente a b ra ç o u o p esc o ç o com os braços e os quadris com as pernas, ele caminhou até a piscina mineral e tratou de persuadi-la a entrar nela. —Não, está fria — comentou. Elija h so rriu a m p la m ente e la nç o u seu p eso d e la d o a la d o d a borda . Siena esta va g rita nd o q ua nd o g o lp ea ra m a á g ua fria , sep a ro u-se d ele, sa lta nd o c o m o c ho q ue d a á g ua , q ua nd o ele a p a rec eu rind o, d eu-lhe um muito forte empurrão que o enviou de volta ao fundo.


—Maldito seja ! —va io u, a p ressa nd o -se a sa ir d a p ro fund a p isc ina tã o rá p id o c o m o p od ia p a ra c heg a r a um la d o , m a s é o b vio , ele a a g a rro u c o m um braço e a arrastou de costas para seu corpo antes que pudesse sair. —Qual é o problema, gatinha? Você não gosta da água? —Isso é baixo, inclusive para você, guerreiro — respondeu bruscamente. Sua s a d a g a s verb a is c a íra m em o uvid o s surd o s, ele esta va m o rd isc a nd o um la d o d e seu p esc o ç o d e um a m a neira q ue sa b ia a d erretia p o r c o m p leto , a ntes q ue se d esse c o nta , sua s m ã o s esta va m enterra d a s no c a b elo e sua s bocas profundamente enlaçadas. Levou q ua se um m inuto inteiro esc uta r o d istinto so m d e um a g a rg a nta clareand o , Siena vo lteo u rep entina m ente, q ua se g o lp ea nd o a Elija h no c a m inho, p a ra sua c o nsterna ç ã o e c o m p leto d esesp ero . Sua irm ã esta va em p é na entra d a d a c o va , a p o ia nd o a s c o sta s c a sua lm ente c o ntra ela e arqueando uma muito curiosa sobrancelha ante o casal da piscina. Sentiu o im p ulso d e Elija h d e p o sa r a s m ã o s na c o m o d id a d e d e sua cintura e lhe deixou estabilizar-se, enquanto seu mundo começava a girar. —Sua Alteza. —lhes saudou Syreena educadamente.

CAPÍTULO 6

—Olá, pequena flor. Vê-te melhor — Jacob saudou sua esposa enquanto descia p ela esc a d a d e c a ra c o l c entra l, sua c a m iso la d e no ite se a rra sta va prazerosamente detrás de si. Ela so rriu, no m o m ento em q ue seus p és to c a ra m o c hã o o nd e ele se encontrava, foi a seus braços. Leg na e um Demônio Menta l a d ulto c ha m a d o Am o s, fo ra m a trá s. Am o s tinha sid o o esta b iliza d o r nec essá rio q ue Isa b ella nec essita va p a ra rec up era r a resp ira ç ã o e sa na r. Ma s esta va c la ro , q ue a exp eriênc ia tinha c o b ra d o seu p reç o no Demônio. Via-se exa usto e se d esc ulp o u ra p id a m ente d ep o is d e entreg a r o c uid a d o d e Isa b ella a seu m a rid o e seus a m ig o s. Leg na c o ntinua ria m o nito ra nd o a Bela e no tific a ria se fo sse nec essá rio tra zer m a is a jud a , m a s d e m o m ento , a p eq uena c o m p a nheira d e Ja c o b se via visto sa e sa ud á vel. Mais do que tinha estado em meses.


—Encontra-se b em ? —Perguntou Ja c o b em o ld ura nd o seu ro sto c o m a s m ã o s, insp ec io na nd o -a p ela m ilésim a vez d esd e q ue tinha rec up era d o a consciência e lucidez fazia um dia. —Esto u a g o ra — insistiu ela , a p ro xim a nd o -se p a ra seu b eijo e lhe fa zer sentir o muito que tinha sentido saudades estar perto dele. Ela sem p re o sa c ud ia tã o fa c ilm ente. Beijo s e c o nta to c o rp o ra l, esta s c oisa s d istra iria m sua a tenç ã o a ta nto s níveis. Entreta nto , tud o o q ue tinha q ue fa zer era o lhá -lo c o m esses o lho s vio leta m a ra vilho sa m ente a leg res e insta nta nea m ente esta va so b seu feitiç o . É o b vio , a resp o sta à sensa ç ã o d e seu to q ue eleg a nte e a intensid a d e d e sua s em o ç õ es p o r ela , d eixa va -a igualmente com os joelhos debilitados. Nã o tinha m intim id ade d ura nte m uito tem p o p o r c a usa d e sua g ra vid ez e enferm id a d e. A tensã o d a c resc ente lua d o Sa m ha in c o m eç a va a no ta r em quão profundamente pressionou os dedos em sua tenra carne e na força com que enredou ela os dedos em seu cabelo. Tud o isto era p a rte d a Vinc ula ç ã o entre a m b o s. Sua s a lm a s esta va m enla ç a d a s p ro fund a m ente p a ra sem p re. E p o r isso , tud o entre eles a c o ntec ia c o m g ra nd e intensid a d e. Nunc a tro c a ria , e a p esa r d o s m o m ento s em q ue se a rrep end ia d e ter a b erto o p erig o e a intrig a em sua vid a , Ja c o b se sentia agradecido pelo precioso presente que era ela, cada dia, do primeiro instante em q ue a to c o u. Alivia va seu c o ra ç ã o . Era a únic a q ue p o d ia a livia r o p eso que freqüentemente carregava em sua alma. Po r exem p lo , nã o fa zia m uito , justo d ep o is d a m o rte a c id enta l d o c o m p a nheiro d a filha d e Ruth, Ma ry. Ja c o b rea lm ente nã o c ulp a va a ning uém p o r nã o ter entend id o a na tureza d esta a té q ue foi m uito ta rd e. Ma s era ho m em d e um a consciência p a rtic ula r. To m a nd o ta l a leg ria d e sua c o m p a nheira , a p rim eira Druid isa em fa zer-se c o nhec id a p a ra q ua lq uer d eles, sentiu o potencial perdido e fanático de Mary. Entreta nto , nunc a p o d eria ser c a p a z d e c o nverter esse inc id ente em um a ra zã o p a ra o s b ruta is a to s d e d ec ep ç ã o e violênc ia q ue a m b a s a s m ulheres p erp etra ra m c o ntra sua p ró p ria g ente. Esp ec ia lm ente nã o d ep o is q ue Isa b ella se c o nverteu no alvo d e um d e seus a ta q ues, q ua se p erd end o sua vida e assim como a vida de sua filha. Tinha sid o o a m o r d e sua esp o sa e sua s sua ves p a la vra s q ue o tinha m a jud a d o fa zer frente a sua c o nsc iênc ia neste a ssunto . Ela sem p re esteve a í p a ra d etê-lo q ua nd o tra ta va d e reverter esses sentim ento s d e


responsabilidade e culpa. Jacob não podia recordar como tinha sido sua vida sem seu a p o io e o m o d o que fa zia sentir q ua nd o ela p ro c ura va seu a p o io em troca. De to d o s o s m o d o s, tem ia o s risc o s d a seg ura nç a d e sua fa m ília q ue vinha m send o um Exec uto r. Tend ia a esq uec er q ue sua c o m p a nheira esta va d o ta d a d e um no tá vel p o d er, ha b ilid a d es d e luta e um a sing ula r a stúc ia q ue vinha d e sua hum a nid a d e e d a vid a q ue ha via d eixa nd o a ntes d e c o nverterse a sua fo rm a Druid a . Ja c o b sa b ia q ue sua d esp ro p o rc io na d a p erc ep ç ã o d a s ha b ilid a d es d e Bela se d evia à d eb ilid a d e e o m a c huc o à s q ue tinha sid o sub m etid a no térm ino d e sua g ra vid ez. Tinha sid o um c o m p rid o e a ng ustia nte tempo de preocupação e tinha esquecido como de forte podia ser. Ma s o rub o r d e sua tez, a c a lid ez d e seu c o rp o e a ro b usta energ ia d e seu a b ra ç o o a livia va m fa zend o entend er sua rá p id a rec up era ç ã o . Ela lo g o seria c a p a z d e o c up a r-se d a s nec essid a d es d e sua fa m ília e a s d em a nd a s d e sua s ta refa s, justo c o m o sa b ia q ue q ueria , c o m um entusia sm o c a nta nte através dos pensamentos de uma maneira que o fazia rir em voz alta. Bela esc a p o u d e seu a b ra ç o , seus p ensa m ento s g ira nd o a o red o r d e sua infa nte filha . Dirigiu-se a té o b erç o q ue se a ssenta va so b a m ã o d o No a h e d esc eu o o lha r p a ra sua filha , q ue fina lm ente d o rm ia d ep ois d e q ue a tivesse amamentado com satisfação, algo que tinha tido saudades. Bela sorriu ao Rei, inclinando-se p a ra lhe d a r um b eijo na b o c hec ha , ig no ra nd o a tensa m ã o d e seu marido na cintura. —Ela te a d o ra , Noah — d isse b ra nd a m ente, o lha nd o c o m o a eno rm e mão do Rei cobria as costas do bebê com segurança. —O sentimento é mais que mútuo, lhe asseguro — disse. —Adora estar perto do fogo. Uma garota que vai atrás de meu coração. —Já o vejo, Noah. Tenho notícias para você. —Sim — suspirou o Rei. — Jacob disse que as teria. Suponho que são concernentes a Elijah, não? —Sim — Bela se m o veu p a ra senta r na c a d eira m a is p ró xim a a o monarca. — Ac red ito q ue fo i g ra vem ente ferid o em b a ta lha . Um a a rm a d ilha q ue nã o esp era va . Ma s a ntes d e ir m a is à frente, q uero d izer q ue c o m eç o a entender por que algumas visões me afetam tão intensamente e outras não — leva nto u a vista a té seu m a rid o e o s o utro s se junta ra m a seu red o r. Leg na c heg o u a c o lo c a r-se a o la d o d e Gid eo n q ue se m a nteve em p é c o m sua


ha b itua l efic á c ia p erto d a c ha m iné. Entreta nto , o m éd ic o rela xo u q ua nd o sua esposa o abraçou. — Em rea lid a d e, Am o s m e a jud o u a c o m p reend ê-lo . Ac red ito q ue depende de quão próxima fui à pessoa que é sujeito dessa visão. —Como próxima? Em emoções ou proximidade? —Nã o p o sso esta r c em p o r c ento seg ura , é o b vio , m a s a c red ito q ue é a p ro xim id a d e. Um a c la sse d e p ro xim id a d e m uito esp ec ífic a . Meu p o d er p a ra a m o rtec er e lo g o a b so rver o s p o d eres d e o utro s Nig htw a lkers, p a ra ser exa to s. Ab so rvi o s p o d eres d e Elija h rep etid a m ente d ura nte o a no p a ssa d o , de c erto m o d o , p o rq ue m e sinto c o nec ta d a c o m ele. Qua se c o m o se sua p a rte permanecesse vivendo dentro de mim. O mesmo é certo no caso da Legna, e Ja c o b , e ta m b ém vo c ê, No a h. Antes d e a p rend er a c o ntro la r esta ha b ilid a d e como o faço agora, acidentalmente tomei essa parte de você d entro d e m im m esm a . Ac red ito q ue a ra zã o p ela q ue a s visõ es m e a flig ira m enq ua nto esta va p ro c ura nd o Elija h era p o rq ue esta va ig ua lm ente a flito p ela s lesõ es e a dor. —É um a fo rm a d e em p a tia — rem a rc o u Leg na , sua p ró p ria em p a tia a fazia uma perita. —Sim , a ssim é. E em b o ra Am o s fosse d e g ra nd e a jud a m e esta b iliza nd o d a d ura rea lid a d e d a s exa ustiva s visõ es, à m ed id a q ue o tem p o foi a va nç a nd o , isto tem feito m eno s nec essá rio . Ac red ito , c o m to d o m eu ser, q ue Elija h fo i leva d o a um lug a r seg uro e está send o curado to d o este tem p o , m e p erm itind o esta r m a is tra nq üila e rela xa d a à m ed id a q ue a urg ênc ia va i passando. Também sinto que retornará a nós logo. —Ob rig a d o , Destino — exa lo u No a h subitamente, um p eso d e proporções prementes que finalmente se descarregava de seus ombros. — Bela, estou tão contente de escutar isso. —Penso q ue no futuro —fa lo u Gid eo n— e a té q ue esteja m a is fo rte e exp erim enta d a , p rec isa lim ita r o s c a so s d e a b so rver o s p o d eres d e o utro s. Nã o p o d em o s tro c a r o q ue o c o rreu, m a s há m uito q ue nã o sa b em o s so b re o s hum a no s/ Druid a s híb rid os, Isa b ella . Nã o é c o m o nenhum d o s Druid a s q ue conheci ha milênios. Você e sua irmã o mesmo. Os poderes da Corrine… —O que acontece eles? Reunidos a nte a c ha m iné leva nta ra m o o lha r p a ra ver exa ta m ente à ruiva em q uestã o em p é no c entro d o c o rred o r, a s m ã o s no s q ua d ris, seu m a rid o Ka ne d etrá s d ela . Fo i a p ro xim a d a m ente no m esm o m o m ento em q ue


o fa m ilia r a ro m a d o sulfureto e a fum a ç a , resíd uo usua l q ue um jo vem Demônio Menta l d eixa va a trá s q ua nd o se teletra nsp o rta va d e um lug a r a o utro , c heg o u a té o g rup o . Bela se a p ro xim o u para a b a na r e a fa sta r o a ro m a d o b eb ê d o rm id o , d eseja nd o q ue Elija h já estivesse a í p a ra q ue d esva nec esse os vapores com uma brisa. —Que nã o sã o c o m o d everia m ser — term ino u Gid eo n. Ka ne esta va ficando melhor na tele transportação, refletiu. Era estra nho q ue send o tã o jo vem p ud esse esc a p ulir em um g rup o d e adultos Demônios altamente experientes. —Vá, vá, olhem o que arrastou a fumaça — os saudou com ironia Noah. — Onde estavam os dois? Im ed ia ta m ente Co rrine fic o u d e um verm elho b rilha nte, p a ssa nd o a rea ç ã o a seu c o m p a nheiro , q ue ta m b ém se rub o rizou so b seu b ro nzea d o natural. —Chama-se uma atrasada lua de mel — explicou envergonhado Kane. —Ho uve ta nto d a s b o d a s, c o m a b usc a d a Ruth e Ma ry e luta nd o no s esporádicos ataques contra nós, que pedi a Elijah que nos desse uns dias livres. Disse que podíamos. —Isso exp lic a p o r q ue vocês não se preocupam ta nto em esc uta r m inha convocatória — se b urlo u Ja c o b , sentind o -se a fá vel so b re isso a g o ra q ue Bela estava a salvo e saudável de novo. —Assim , p a ra q ue no s nec essita m ? E p o r q ue esta m o s fa la nd o d e m inha s faculdades? —Perg unto u Co rrine, d irig ind o -se p a ra eles, seu m a rid o seg uind o a. Conduziu-o a té um a c a d eira o nd e se sento u o b ed iente e enc o ntro u assento em seu regaço. —É um a lo ng a histó ria . Ba sta d izer, —d isse Gid eo n— q ue há a lg uns inconvenientes nas faculdades Druidas que saem de minha experiência. —Ah, grandioso — disse Corrine secamente. — Finalmente começo a me fazer com as minhas, e agora me diz que vai haver ramificações? —Em p rim eiro lug a r, Co rrine, nã o a c red ito q ue tenha m o s visto to d a s sua s ha b ilid a d es a ind a . Nã o a c red ito q ue a ha b ilid a d e d e p ro c ura r c o m p a nheiro s Druid a s seja tud o o q ue há em você. —Gideon livrou a ssento e c ruzo u a s pernas casualmente. — E o s d ois Druid a s q ue rec entem ente enc o ntra ra m sã o um b o m exem p lo d a d iversid a d e d e híb rid o s q ue p a rec em ter sid o d o ta d o s c o m isso .


Um d ele p o d e vo lta r-se invisível, c a m inha nd o a tra vés d a s p a red es e d e to d o o b jeto só lid o . O o utro nã o só tem o d o m d o vô o , m a s ta m b ém a estra nha habilidade de detectar a presença de outros Nightwalkers. —Penso q ue seria sá b io p a ra to d o s o s Druid a s serem c uid a d oso s em c o m o usa m sua s ha b ilid a d es. Se Bela tiver um a d esva nta g em , p o d em o s apostar que o resto de vocês a terá — Noah levantou a mão do bebê de Bela ao fim, esfregando ambas distraidamente. — A verd a d e, tem sentid o . A na tureza sem p re p ro vê um a m ed id a d e eq uilíb rio. Do to u-lhes com a imortalidade e uma rápida cura, assim como uma va ried a d e d e p o d eres. É sua m a neira d e eq uilib ra r isto , c o m p ensa nd o -o c o m uma debilidade. —Assim c o m o no sso s p o d eres e im o rta lid a d e sã o vulnerá veis à p resenç a do ferro — acrescentou Jacob. —Quer dizer que cada herói e heroína têm sua kriptonita — disse Bela. —Exatamente — concordou Legna. — Os Lic á ntro p o s têm a p ra ta . Os Dw ellers têm a luz. Pa ra o s Mistra ls é a agorafobia. —Os Vampiros têm o sol — acrescentou Kane. —Sim . Ma s to d o s o entend em e sã o c o nseq üentes c o m essas d eb ilid a d es, e a p rend em a a d a p ta r-se p a ra evitá-las e o p erig o q ue rep resenta m . Até q ue sa ib a m o s esp ec ific a m ente, to d o s o s Druid a s d evem ser cautelosos, estã o em um p erig o ra zo á vel — Gid eo n se a sseg uro u d e m a nter nivelado o olhar nas duas Druidisas pressente. — Fiq uem p erto d e seus c o m p a nheiro s, senho ra s. Serã o o s q ue potencialmente estarão mais perto de lhes proteger. —Esperem um minuto — se queixou Corrine. — Ac red ita va q ue no ssa krip to nita era o fa to q ue p rec isa m o s no s m a nter exp o sta s à energ ia d e no sso s c o m p a nheiro s reg ula rm ente. É p elo q ue eu q ua se m o rro , nã o ? É p elo q ue o c o m p a nheiro d a Ma ry m o rreu. Po rq ue nã o no s d em o s c o nta q ue já exposto, ig ua l q ue eu tinha esta d o exp o sta a o Ka ne. É p elo q ue c o m ec ei a m o rrer d e ina niç ã o . Po r c a usa d a c a rênc ia d essa energ ia nec essá ria . Vo c ês a p ena s m e enc o ntra ra m a tem p o e m e livrou tod o este tem p o rec up era r o q ue p erd i. Seg und o vo c ê, a ind a c o ntinuo m e recuperando. —Tem razão — assinalou Kane.


—Sim . Ma s d everia rec o rd a r q ue o s Va m p iro s ta m b ém p o d em ser envenena d o s c o m o sa ng ue d o s usuá rio s d e m a g ia . E q ue o s Lic á ntro p o s nã o p o d em sup o rta r q ue lhes a g a rrem p elo c a b elo — Leg na se inc lino u p a ra frente enquanto explicava. — Nã o há a b so luto s, Co rrine. Se a tuá ssem o s c o m o se o s ho uvesse, machucaremo-nos à larga. —Sim. É obvio — Corrine se ruborizou até que quase emparelhou a cor de seu enrolado cabelo comprido. Agitou uma mão. — Nã o m e fa ç a m c o nta . Só estive no p la neta trinta a no s, o q ue sei eu sobre isto? —Era um bom ponto, querida — lhe assegurou Kane. — Só aprende fazendo perguntas. —Não posso acreditar, — falou Jacob de repente, rindo com surpresa. — Meu irmãozinho a c a b a d e rep etir a lg o q ue p a ssei um séc ulo tra ta nd o de lhe colocar no cérebro, não? —Ac red ito q ue sim o fez — esp ec ulo u No a h c o m um zum b id o d e interesse. —Ac red ito q ue d everia ir d e “ lua d e m el” m a is freq üentem ente — tirou sa rro Bela , g a rg a lha nd o q ua nd o o p a r se rub o rizo u intensa m ente um a vez mais. Instintiva m ente, Siena levo u a s m ã o s à g a rg a nta a o sentir d e rep ente a fa lta d o d istintivo d e seu c a rg o . Aq uela p eç a d e jo a lheria sig nific a va m uito mais que seu reino. —Elijah — d isse b ra nd a m ente sem a p a rta r o s o lho s d a exp ressã o d e ironia dificilmente reprimida de sua irmã. Nem seq uer tinha q ue d izer seu no m e. O g uerreiro já sa b ia o q ue q ueria . Duvidou d ura nte um seg und o , a ssa lta d o p ela relutâ nc ia a d eixá -la ir q ue nã o p o d ia c o m p reend er. Lenta m ente, so lto u a s m ã o s a o red o r d e sua c intura , apartou-se e, c o m um só m o vim ento á g il, c oloc o u-se na b o rd a d a p isc ina . Im ed ia ta m ente a b a nd o no u a á rea d a p isc ina e a vançou com p erna d a s p a ra a s ha b ita ç õ es tra seira s d a c o va . Syreena lhe o lho u p a rtir c o m a s so b ra nc elha s leva nta d a s ta nto d e c urio sid a d e c o m o d e a g ra d ec im ento enq ua nto examinava o corpo nu. Depois enfocou suas franzidas sobrancelhas para sua irmã. Siena já tinha sa íd o ta m b ém d a á g ua e o líq uid o fa zia q ue seu c o rp o desprendesse vapor ao aproximar-se de sua irmã com hostil rapidez.


—Siena — a d vertiu Syreena leva nta nd o instintiva m ente um a m ã o p a ra proteger-se. Siena se aproximou tanto que estavam quase nariz contra nariz e tinha as mãos apertadas em punhos. —Me p reste c uid a d o sa a tenç ã o , Co nselheira — sussurro u em um a intensa a d vertênc ia c om o s o lho s d o ura d o s fla m eja nd o c o m hum o r c o m o lava fundida. — Não dê meu título a ninguém até que lhe de licença para fazê-lo . Nã o vou tolerar essa insolência, nem sequer d a minha irmã. —Se nã o q ueria c o m p a rtilha r o título , Siena , entã o nã o d everia ter dormido com ele. —O q ue a c o ntec eu a q ui é m eu a ssunto e só m eu. Eu esta b elec erei a s ra m ific a ç õ es d e m inha s a ç õ es, Syreena . Nem vo c ê nem ning uém vã o im p o rme suas opiniões. —Certa m ente q ue nã o , Sua Alteza — Syreena inc lino u a c a b eç a em uma reverência completamente formal de reconhecimento. — Sua a uto rid a d e está , é o b vio , p o r c im a d e q ua lq uer o utra . Na d a m a is longe de minha intenção que lhe contradizer. —Sem p re m e c o ntra d iz — d isse Siena , susp ira nd o p esa d a m ente enquanto passava a mão pelo cabelo empapado. — Vem . Jina eri d eixo u ro up a na ha b ita ç ã o d e trá s. Fa z m uito frio p a ra ficar aqui discutindo nua. Syreena a ssentiu e seg uiu a sua irm ã p a ra o fund o d a c o va . Nã o se via o Demônio p o r nenhum a p a rte m a s Syreena p o d ia lhe sentir na ha b ita ç ã o justo d etrá s d a c ha m iné. Siena esta va inusita d a m ente nervo sa enq ua nto estendia um d o s vestid o s d e Jina eri a sua irm ã e coloc a va o utro . Syreena se sento u em um extremo do sofá tentando ser o menos intrometida possível. Pa ra sua surp resa , o g uerreiro nã o seg uiu esc o nd id o na ha b ita ç ã o tra seira . Fez um a limpa a p a riç ã o , vestid o um p ouc o m a is apropriadamente com umas calças. Elija h o lho u Siena e d ep o is à o utra fêm ea c o m o lho s p ersp ic a zes. Nunc a tinha visto um a Lic á ntro p o c om o a m ulher q ue tinha irro m p id o em sua intim id a d e. O c a b elo b ic o lo r era sufic iente p a ra insp ira r c urio sid a d e. Tinha -o tã o long o c o m o Siena , m a s m a is esp esso e liso c a ind o p o r seu c o rp o . Tend o a p rend id o um p o uc o m a is so b re a im p o rtâ nc ia d o c a b elo d o s Lic á ntrop o s, Elijah soube que esta intrusa era algo extraordinário.


Vo lto u sua a tenç ã o a Siena . A sa ia d o vestid o q ue a c a b a va d e colocar fazia frufru a o a p ro xim a r-se d o fo g o e d o b a lc ã o . Sentiu p ro fund a m ente sua a ng ústia e a luta interna p a ra serena r-se. Esta va p rep a ra nd o o ja nta r c o m o se fo ssem ter um a festa inform a l em vez d e… em vez d o q ue q ueira q ue estivesse passando. Um momento para fazer um cálculo a olho. No m o m ento em q ue c o m eteu o eng a no d e p a ssa r p erto d ele, a g a rro ua pelo braço e a aproximou a ele. —Teria um m om ento ? —Perguntou-lhe, c o m o olha r d esa fia nd o -a a discutir. Assentiu e lhe deixou que a levasse a habitação de atrás. No m o m ento em q ue estivera m fo ra d a vista d e sua inesp era d a visita nte, pô-la d e c o sta s c o ntra a p a red e e a a p a nho u c o m um a m ã o a c a d a la d o dos ombros. —Sei o q ue está p ensa nd o , gatinha — d isse b ra nd a m ente, c o m o s o lho s cor de jade metendo-se profundamente em sua alma. — Está pensando que vamos fazer como se isto não tivesse passado. Que va is esc a p a r c o m sua p eq uena c o nfid ente d e vo lta a seu m und o e eu nã o serei mais que uma lembrança fascinante. —Co m o p o d e p resum ir q ue sa b e o q ue esto u p ensa nd o ? — Perg unto u c o m a resp ira ç ã o a g ud a e rá p id a . Em b o ra o rub o r d e sua p ele a delatasse com bastante efetividade. — E q ue a lterna tiva p ro p õ e? Que m e a p a ixo ne p o r você e m e fa ç a sua noiva? —riu brandamente, sem fôlego e o som era desdenhoso e cru. — Nã o tenho a m ínim a intenç ã o d e levá -lo a lém d esta c o va e sei q ue o entenderá. —Sim que o entendo — reconheceu. — Ma s nã o rec o rd o ter concordado. Perg untei a vo c ê o q ue era que q ueria , Siena e m e p ô s isso c o m p leta m ente c la ro . E a té q ue d eixe d e m e desejar, isto não terminará. —Me a c red ite, g uerreiro , m eu d esejo p or você term ina rá no m o m ento em que cruzarmos a soleira desta cova. Elija h nã o d isc utiu c o m ela . Só lhe a c a ric io u a b oc hec ha . Ela a p a rto u a cabeça, mas ha via p â nic o em seus o lho s. Seg uiu-a com facilidade e posou os d ed o s so b re a b o c hec ha a verm elha d a . Co m intenç ã o reso lvid a , a s pontas d o s d ed o s d esliza ra m so b sua o relha e d ep o is inic ia ra m um p erc urso p elo p esc o ç o q ue tã o fa c ilm ente a exc ita va . Sentiu c o m o se rub o riza va e se


enc hia a um nível p ura m ente esp iritua l. Qua nd o a c a ríc ia vo lto u p a ra seu rosto se vo lto u c o ntra sua p a lm a e seus lá b io s mordicaram a s c a lo sid a d es enquanto fechava os olhos. —Elijah — sussurro u e seu fô leg o se c o nd ensa va na p a lm a q ue a acariciava. — Meus sentim ento s, m eus d esejo s —se c o rrig iu—, sã o irreleva ntes — olhou no s o lho s c o m o p eso d e sua s resp o nsa b ilid a d es b rilha nd o na s p up ila s douradas. — Vo c ê é um Demônio. Eu so u a Ra inha d e um a ra ç a q ue a ind a sente a m o rd id a d e sua esp a d a . Lo g o enc o ntra rá a o utra c o m a q ue esta r q ue seja m a is a p ro p ria d o . Isto … — Siena se a p a rto u d e rep ente, tenta nd o ig no ra r o s sentimentos de perda conseguintes. — Isto acaba aqui. Escapuliu-se de seu abraço, mas era tão rápido como ela e a voltou a ter c o ntra si na d em o ra d e um b a tim ento d o c o ra ç ã o . Sujeito u-a p elo c a b elo p a ra lhe m a nter a c a b eç a q uieta enq ua nto a b eija va e a o utra m ã o encerrava seu antebraço contra o peito. Siena sentiu um p â nic o intenso d esliza r p elo c entro d e seu ser q ua nd o a b riu a b o c a c ed end o a sua d em a nd a , à m a rc a d ec id id a d ele q ue q ueim a va p ro fund a m ente sua a lm a . A m ensa g em era vio lenta m ente c la ra. O q ue ha via entre eles nã o term inou e ele ia d em o nstra r d e q ua lq uer fo rm a q ue fosse necessária. Não importava que custo supusesse para ambos. Deixou-a ir d eva g a r, p rim eiro a s m ã o s, lo g o o s lá b io s. Tinha o s o lho s esc uro s e sério s q ua nd o se a p a rto u, leva nto u o s b ra ç o s e se c o nverteu em um a b risa o uto na l fresc a e fria c om um sim p les p ensa m ento . Pa sso u so b re ela , a tra vés d ela , fa zend o -a ina la r c o m súb ita surp resa q ua nd o seu a ro m a d eslizo u sobre o cabelo e a pele. Quã o únic o fic a va d ele era m a s c a lç a s em p resta d a s e o a nel d e c a b elo que tinha selado a ferida de seu peito todo este tempo. Elija h vivia no s Esta d o s Unid o s, a ssim forçosamente, tinha q ue term ina r a viagem em uma localização próxima ao bosque russo que acaba de deixar. A c a sa d e No a h na Ing la terra era o lugar m a is p ró xim o em q ue p o d ia p ensa r assim que se dirigiu a um dos dormitórios de cima, onde se solidificou tomando sua fo rm a b io ló g ic a , d errub a nd o -se e c a ind o d e jo elho s, a p erta nd o a ferid a sangrenta de seu peito.


Qua se nã o no to u a m o rd id a d o c hã o d e p ed ra no s jo elhos. No a h sentiria sua energ ia a q ua lq uer m o m ento e lhe enc o ntra ria . Antes q ue isso p a ssa sse, nec essita va á g ua e sa b ã o p a ra d esfa zer d o a ro m a d a Ra inha d o s Licántropos. Od ia va ter q ue fa zê-lo . Em b o ra ficasse em p é e se d irig isse a o q ua rto d e b a nho p ró xim o , p o d ia sentir o p ra nto p ersistente d a q uela p a rte p ro fund a m ente em seu interio r a q ue Siena tinha eng enha d o p a ra c heg a r. O lug a r q ue nec essita va seu a ro m a p end ura d o d ele a té q ue p ud esse enc o ntra r uma forma de convencê-la a que voltasse para seus braços. Leva va so b a d uc ha m eno s d e c inc o m inuto s q ua nd o o uviu a b rir a p o rta d a ha b ita ç ã o . Pa ra entã o , esta va tã o fra c o p ela p erd a d e sa ng ue q ue teve q ue senta r-se em um rinc ã o d a d uc ha . Co m a á g ua d esliza nd o p elo c a b elo , tentou enfocar na porta que se abria. Pa ra sua surp resa , nã o tinha sid o No a h q uem sentiu sua p resenç a e tinha subido para lhe buscar. Era Isabella. Ofeg o u c o m a sso m b ro q ua nd o lhe viu e viu to d o o sa ng ue c o rrend o pelo ra lo d a d uc ha . Apressou-se a a p ro xim a r-se, m a s d e rep ente se p a ro u com uma sacudida, com a mão sobre a frente, como se estivesse sofrendo um assalto mental. — Bo m entã o , so b e a q ui! —g runhiu c o m fero c id a d e a o interlo c uto r invisível. — E traga Gideon. Sem d em o ra , ig no ro u o q ue, c la ra m ente, tinha sid o um a q ueixa vo lúvel d e seu m a rid o no to ria m ente p o ssessivo e se a p ro xim o u d e Elija h. Fec ho u o s g rifo s e, sem p reo c up a r-se c o m a so rte d e seu fo rm o so vestid o b ra nc o , ajoelhou-se a seu la d o no a to leiro d e á g ua e sa ng ue q ue a ind a fic a va no chão da ducha. —Né — a saudou com um lânguido sorriso—, Jacob vai te matar. —Sim , b o m , terá q ue sub ir p a ra fa zê-lo e é o únic o q ue m e im p o rta neste momento — a g a rro u um a to a lha d o la d o d a d uc ha e a a p erto u c o ntra a ferid a , p ressio na nd o c om to d o seu p eso . Era um a coisinha tã o p eq uena d os pés a cabeça que Elijah apenas a sentia. — Estivem o s tã o p reo c up a d o s c o m você, — sussurrou, inclinando-se p a ra lhe beijar na fro nte enquanto lhe tirava dos olhos o cabelo empapado.


—É q ue um ho m em nã o p o d e a g a rra r um a s p eq uena s féria s? —Brincou, encolhendo -se d e d o r q ua nd o a p o rta d o b a nho se a b riu b rusc a m ente, ricocheteou para trás e quase se estrelou contra a cabeça de Jacob. —Merda, Bela! —Por favor, poderia deixá-lo estar, Jacob? —respondeu-lhe. — Qua nd o va i m eter nessa c a b eç a tã o d ura q ue esto u tã o Vinculada neste matrimônio como você? Estou começando a me cansar. Ja c o b nunc a tinha sid o o rec ep to r d o tem p era m ento d e sua esp o sa em to d o o a no q ue tinha p a ssa d o d esd e q ue se c o nhec era m . Deixo u-lhe c o nsterna d o q ue Gid eo n tivesse q ue lhe a p a rta r fisic a m ente p a ra p o d er aproximar-se de seu paciente. Bela se a p a rto u p a ra q ue o m éd ic o p ud esse p a ssa r so b re ela e fic a r d e cócoras ao lado de Elijah. —Bo m , p a rec e c o m o se a g a ta te tivesse m iserá vel — d isse, p o nd o um a m ã o so b re a fro nte d o g uerreiro e fec ha nd o o s o lho s p a ra id entific a r o s d a no s causados ao corpo maltratado do lutador. Gid eo n nã o c o m p reend ia p o r q ue Elija h enc o ntra va seu c o m entá rio tã o terrivelm ente d ivertid o , m a s o g uerreiro ria tã o forte q ue Bela lhe b elisc o u no braço para que parasse. —Nã o p o sso m a nter a p ressã o na ferid a se seu p eito seg ue sub ind o e b a ixa nd o . Além d isso , Gid eo n nunc a fo i tã o g ra c io so — d isse ela , lhe la nç a nd o um burlesco olhar. -O que te levou a tomar uma ducha, Elijah? Isso poderia ter esperado. Gid eo n m o veu a c a b eç a p erp lexo , a p a rta nd o Bela p a ra p o d er inspecionar a pior ferida. –Jogando com ferro outra vez, pelo que vejo. —Bo m , sim , o s o utro s m enino s nã o jog a va m lim p o — m urm uro u o guerreiro. Gideon olhou a Jacob, que estava em pé torpe em meio da habitação. —Bo m , va is d esa fia r ele a um d uelo o u te im p o rta d e d o a r um p o uc o d e sangue? —Perguntou Gideon. Bela se levantou saindo do meio do caminho de seu marido, jogando um o lha r q ue p o d eria lhe ha ver feito p ed a c inho s. Ja c o b se a p ro xim o u d e seus a m ig o s e se d eixo u c a ir so b re o jo elho . Estend eu o p ulso p a ra o m éd ic o q ue o sujeitou com uma mão e com a outra sujeitou a do Elijah. —Sinto — m urm uro u Ja c o b a o Ca p itã o . E esta va c la ro q ue d izia sinceramente.


—Ec o no m ize isso p a ra sua esp o sa , a m ig o . Está m a is p reo c up a d a q ue eu. Foi um imbecil cabeção durante toda minha vida. Estou acostumado. Ela não. A c o r vo lto u p a ra a p ele d e Elija h enquanto q ue a d e seu d o a d o r empalidecia. Em q ue p ese a seu ressentim ento , a li esta va Bela p a ra a jud a r a sentar-se na c a m a seu d éb il c om p a nheiro . Um a vez q ue seu p a c iente esteve fo ra d e p erig o d e m o rte im inente p o r sa ng ra m ento , Gid eo n c o m eç o u a sa na r a ferid a . Tinha a s m ã o s a p erta d a s c o ntra a c a rne ra sg a d a e esta va c o m p leta m ente a b so rto em seu tra b a lho . Elija h sentia o estira m ento p ec ulia r q ue sup o rta va a c ic a triza ç ã o d a s m a lha s p ro fund a m ente no interio r d e seu peito. —Va is ter q ue m e d izer exa ta m ente c o m o c o nseg uiste so b reviver ta nto tem p o c o m esta c la sse d e ferid a . Está m eio c ura d a . A g ente p ensa ria q ue teria o sentido comum de ficar quieto até… Gideon se d eteve d e rep ente, fra nzind o a s so b ra nc elha s c ha p ea d a s a té q ue se c o nvertera m em um a linha enq ua nto inc lina va a c a b eç a e tenta va a na lisa r o q ue esta va exp erim enta nd o . Qua nd o a q ueles o lho s a g ud o s d a c o r d o m erc úrio se a fund a ra m no s d e Elija h, o g uerreiro so ub e sem d úvid a nenhum a q ue o Antig o , d e a lg um jeito , tinha um a id éia d o q ue tinha p a ssa d o o s últim o s d ia s. Ma s, p a ra seu a lívio , o m éd ic o se lim ito u a sub ir um a sobrancelha com curiosidade. Isso foi tudo. Gideon voltou para seu trabalho sem dizer nenhuma palavra mais.

CAPÍTULO 7

Siena c a m inha va a o long o d a sa la d o tro no c o m o s b ra ç o s c ruza d o s so b re o p eito , m o rd isc a nd o o lá b io inferio r enq ua nto d a va vo lta s a tud o o q ue tinha p a ssa d o ultim a m ente. Qua lq uer esp era nç a q ue tivesse tid o d e m a nter um a r d e no rm a lid a d e se fo i p ela ja nela no m o m ento em q ue c o m eç o u a aproximar-se d a sa la d e rec ep ç õ es a nexa a o sa lã o d o tro no q ue esta va lo ta d a d e g ente. Sa b ia q ue nã o p o d eria so b reviver a sem elha nte esc rutínio, q ue se vo lta ria louc a tenta nd o m a nter este rep entino segredo, se via fo rç a d a a enfrenta r o tum ulto d e seus súd ito s. Assim tinha q ue fa zer uso d e um a ro ta p a ra sua ha b ita ç ã o m eno s c o nhec id a e m uito s m eno s tra nsita d a . Po sto q ue


sua vo lta nã o tivesse sid o a nunc ia d a c o m o sem p re o era , ning uém a esp era va . Era -lhe p o ssível vestir-se d isc reta m ente e to m a r o utra s d isp o siç õ es enfocadas à discrição. O sa lã o d o tro no e a s sa la s d e rec ib o a nexa s tinha m sid o d esa lo ja d a s seg uind o sua s o rd ens, a s m esm a s q ue se vira m refo rç a d a s p o r um g runhid o baixo d e a b o rrec im ento q ua nd o lhe p erg unta ra m p elo inc o m um d isto . Siena ta m b ém sa b ia q ue a ind um entá ria q ue levava um c a ftá n c o r a g ua m a rina d e sed a , era o b serva d a c o m o lho s inquisitórios. A b rilha nte ind um entá ria era de c erta m a neira c o nserva d o ra p a ra ela , leva va c a p uz e c heg a va a os tornozelos. Ma s era a Ra inha e esta va m uito c la ro q ue nã o to lera va p erg unta s nem dúvidas ante suas ordens. Tinha despedido todas suas damas e companheiras, e to d o s o s p a jens e c o nselheiro s, d eixa nd o q ue p erm a nec essem em sua esfera só a s d ua s fêm ea s q ue p erm a nec ia m na s esc ura s so m b ra s o b serva nd o seus m o vim ento s. Era a lta m ente c o nsc iente d e sua c uriosid a d e e p o d ia sentir seus o lha res so b re ela . Siena p erm itia a m p la s lic enç a s em sua c o rte e seu p o sto . Nã o era p ró p rio d e ela p ed ir so lid ã o tã o a b so luta . Inc lusive seu g ua rd a pessoal permanecia fora. Syreena a o lha va p a ssea r d e um la d o a o utro c o m o s ra sg o s b ic o lo res a to rm enta d a p ela m esm a exp ressã o c o nfusa e a turd id a q ue a tinha a c o ssa d o no m o m ento em q ue tinha surp reend id o à Ra inha no m a is comprometedor abraço, d e to d o s o s seres d o m und o , o m uito m esm o Açougueiro Demônio. O ho m em q ue tinha m a ta d o a seu p a i. Syreena p o d ia certamente apreciar que o guerreiro lhe tinha feito um favor igual a sua irmã e o utro s ta nto s tinha m feito , m a s um b o m tra b a lho em um a m o rte nã o eq uilib ra va a b a la nç a c o m o s m ilha res d e o utra s m o rtes a o lo ng o d o s séc ulo s. Nã o ha via nenhum a esp éc ie entre eles q ue nã o tivesse p erd id o a a lg uém p ró xim o so b a esp a d a d o Aç o ug ueiro Demônio. Siena d evia ter p erd id o c o m p leta m ente a c a b eç a p a ra esc o lher um ho m em c o m o esse p o r companheiro. Só o fa to d e q ue tivesse se em p a relha d o já era p o r si a sso m b ro so . Embora houvesse m uita s c o isa s q ue Syreena nã o sa b ia so b re sua irm ã d ep ois d e ter vivid o d ura nte c ento e trinta a no s no Mo na stério d o “ The Prid e” , sa b ia q ue Siena era um a m ulher q ue se o rg ulha va nã o só d e seu férreo c o ntro le so b re to d a s a s c oisa s, m a s ta m b ém p rinc ip a lm ente d e seu c o ntro le so b re a m o na rq uia . Tinha o uvid o Siena p reg a r c o ntra a s m a ld a d es e o s ho rro res d o s


m a c ho s ho stis e a g ressivo s e seu ó d io d e sua p ró p ria m ã e p o r esc o lher um ho m em d essa s c a ra c terístic a s e p erm itir lhes a rra sta r à g uerra d ura nte três esc uro s séc ulo s. Tinha jura d o q ue a ntes p erm a nec eria virg em e d eixa ria seu tro no a um a herd eira q ue em p a relha r-se c o m um m a c ho q uem codiciosamente agarraria a metade de sua monarquia. De q ua lq uer m o d o , Syrenna nã o tinha d úvid a s d e q ue Siena tinha q ueb ra d o to d a s sua s p ro m essa s e o tinha feito c o m g lo rio sa iro nia . Syrenna o s ha via visto nus um nos b ra ç o s d o o utro , a ra inha teim o sa e fria e o g uerreiro cruel e d estruid o r, b eija nd o -se c o m rem a rc á vel a rd o r e a m b o s m a rc a d o s c la ra e m utua m ente c o m o s sinais d o q ue, sem d úvid a , tinha sid o um a p a ixo na d o enc o ntro a m o ro so . Syrenna a ind a nã o p o d ia c o nc ilia r a im a g em c o m o q ue sa b ia q ue era sua irm ã , c o m tud o o q ue sua irm ã tinha d estra m b elha d o d ura nte esses q ua to rzes a no s referente a m esc la r a monarquia e certas maldades masculinas. Po ssivelm ente Anya p ud esse d isc ernir m elho r to d o este a ssunto , m a s Syrenna tinha jura d o nã o revela r na d a d e tud o isto , nem seq uer a q uã o m estiç a c o nhec ia a té o rinc ã o m a is sec reto d a m ente e o c o ra ç ã o d a Rainha. Assim, a Princ esa se via releg a d a a o inútil balbucio d e seus p ensa m ento s, tenta nd o c o nc ilia r ta nta s c oisa s q ue tinha m p a ssa d o em tã o p o uc o tem p o . É o b vio q ue Syrenna sem p re tinha feito c a so o m isso d o s p rejuízo s d e sua irm ã c o ntra o s ho m ens e era a irm ã q ue d e verd a d e d eseja va um m a rid o , um la r e uns filho s. Sa b ia d e o nd e vinha essa ira e sa b ia q ue Siena se veria fo rç a d a a rea va lia r sua s o p iniõ es q ua nd o fo sse m a is sá b ia … o u estivesse m a is so zinha , m a s a Princ esa nunc a teria susp eita d o q ue um a situa ç ã o tã o exp lo siva fosse a q ue fizesse luz em Siena e m a nd a sse a o d ia b o to d a s sua s teo ria s. A p ied a d e se m esc la va c o m a d iversã o e se retiro u m a is p a ra a s so m b ra s p a ra q ue sua irm ã nã o p ud esse sentir nem seus p ensa m ento s nem seus sentimentos e se encolerizasse com ela. Anya esc uto u a Syrenna m o vend o -se, m a s m a nteve o s o lho s fixo s na im a g em d a fêm ea rea l q ue p a ssea va lenta m ente p elo sa lã o a b ra ç a nd o -se c o m o s b ra ç o s, c o m o se nec essita sse c o nso lo . O silênc io inc o m um a preocupava e a fazia estar inquieta e alerta. —Isto nã o é p ró p rio d ela … — Anya tento u p ô r em p a la vra s seus pensamentos e olhou a Syrenna em busca de ajuda. —Te retire — suplicou Syrenna.


— Está a c o stum a d a vir a nó s d ireta m ente q ua nd o a lg o a c o nfund e o u a aborrece. —O que crê que passou? —Sussurrou Anya. —Não posso nem imaginar mentiu Syrenna com facilidade. — Está pálida. Se não me equivocar, deu-lhe enfermidade do sol. —A Siena? —Anya soltou um bufo de incredulidade. — A Siena não afeta o sol como ao resto de nós. —Nem a m im . Ma s isso nã o no s fa z im unes. Inc lusive o s q ue d em o ra m o s m a is em a d o ec er p elo so l, tem o s sinto m a s sem no s exp o rm o s m uito tem p o — disse a Princesa baixo. Syrenna cruzou os braços sobre o peito e olhou o chão de pedra sob seus pés como se estivesse estudando o desenho gravado à mão. —É muito estranho que passou só tanto tempo para voltar tão inquieta — disse Anya. — Algo passou para pô-la assim. —Eu nã o c o m eç a ria a esp ec ula r. Ac red ito q ue no s c o nta rá isso a seu tempo. Anya o lho u à o utra m ulher estreita nd o o s o lho s intenso s c o m o o s d e um a raposa. —Não viu nada quando a encontrou? Syrenna se voltou para a mestiça seus olhos de duas cores. —Como o que? —Não sei. —murmurou a meio bruxa. —É q ue tenho a sensa ç ã o d e q ue m e esc a p a a lg o . Siena nã o … c heira bem. —Se d isser a lg o a ssim a lto , no fina l te enc o ntra rá a ta d a a o fina l d e um a correia — sussurro u a Princ esa fa zend o c o m q ue a o utra m ulher risse.Só p o d em o s esp era r q ue em seu m o m ento venha a nó s p a ra d isc utir o q ue fo r que lhe aconteça —acrescentou Syrenna. No m om ento , nã o p enso to m a r p a rte na s fo fo c a s q ue ta nto lhe agradam. —Minha s fo fo c a s fo ra m m uito úteis a c o rte em m uita s o c a siõ es — replicou Anya. Depois riu baixinho. _Ma s te vo u d izer isto , no q ue resp eita à b usc a d e c o nfia nç a d a Ra inha , me alegro de não ser conselheira da corte nem Conselheira Real. A julgar pela fo rm a em q ue d esp ed iu d a c o rte, o q ue q ueira q ue a inq uieta deva ser um a


questão de política e a deixa bastante aborrecida. As ofensas políticas entram em seu â m b ito , send o c o nselheira . O m eu se lim ita a o p esso a l e a sua s ha b ilid a d es na luta . E p o r um a vez, esto u a g ra d ec id a d e q ue nã o tenha o utra vida pessoal fora de te fazer à vida impossível. —Tê-lo-ei em conta — disse Syrenna com secura. Siena era c o nsc iente d e q ue sua s d ua s m a is a m ea lha d a s d eleg a d a s estavam cochichando com as cabeças juntas, sem dúvida estavam refletindo sobre seu comportamento. Sabia que Syrenna não romperia o voto de silêncio q ue a tinha o b rig a d o a jura r, a ssim p o r esse la d o nã o esta va p reo c up a d a . Ainda não estava preparada para discutir sobre o assunto com ninguém. Logo que estava preparada para enfrentar seus próprios pensamentos. A ra inha c o ntinuo u p a ssea nd o a c im a e a b a ixo d o sa lã o eno rm e, esfregando a s m ã o s d e q ua nd o em q ua nd o , em um intento d e esq uenta r a sensação de frio que lhe chegava à alma. Estava metida em uma confusão. Deixava-o muito claro. Para começar, o tema do colar perdido. O c o la r era um tra b a lho d e m a g ia e lend a . Ma teria l d a s histó ria s c o m a s q ue se c riou a to ta lid a d e d a so c ied a d e Lic á ntro p o d a infâ nc ia . To d o s o s m em b ro s d a fa m ília rea l p o ssuía m c o la res m ístic o s, c a d a um d e d iferente fo rm a e estilo em virtud e d a linhagem e a im p o rtâ nc ia d o p ro p rietá rio, d o na sc im ento a té a m o rte. Esta s intrinc a d a s p eç a s d e jo a lheria era m um a s c o m p lexa s séries d e a d ivinha ç õ es, d esenha d a s d e d eterm ina d a fo rm a p o r ra zõ es esp ec ífic a s. Cresc ia m e m ing ua va m d e ta m a nho q ua nd o o p o rta d o r tro c a va d e fo rm a e nunc a sa ía m d o p esc o ç o , sem p re tra nsm itia m o sta tus d e seu dono. Os m istério s leg end á rio s fo ra m a ind a m a is à frente. Em p rim eiro lug a r, só o s m em b ro s d o The Prid e p o d ia m leva r um c o la r. Só o s m em b ro s d o The Prid e c o nhec ia m q uã o segredos p erm itia m unir o s c o m p lexo s elo s. Devia-se q ue d esta fo rm a , a s insíg nia s rea is nã o se p o d ia m d up lic a r nem fo rja r nem ser usa d a s m a is q ue p elo s leg ítim o s herd eiro s a o tro no . Em b o ra fossem d e o uro , esta va m enc a nta d o s, o q ue o s fa zia ind estrutíveis e, p o rta nto nã o p o d ia m ser a rreb a ta d o s p o r inim ig o s, la d rõ es o u o s m esm o s m o na rc a s p ela ra zã o q ue fo r. E para mais segurança, não se podia tirar de nenhum membro do The Pride, as a d ivinha ç õ es nunc a func io na va m em sentid o c o ntrá rio e era im p o ssível revelar seus segredos.


Siena tinha esc uta d o to d a sua vid a q ue seu c o la r só se p o d ia tira r d e duas formas. Ou o portador era decapitado… …ou pelo toque do verdadeiro companheiro do portador. Os m ístic o s a sseg ura va m q ue só o ta to d o c o m p a nheiro p erfeito d e um a a lm a d a rea leza p o d ia lib era r o c o la r. O m a c ho o u a fêm ea q ue o c o nseg uisse esta va d estina d o a c a sa r-se c o m o p ro p rietá rio , nã o ha via vo lta . O q ue o utro p od eria d esvela r a im p o ssível a d ivinha ç ã o c o m q ue o s sá b io s leva va m luta nd o sem êxito há q ua tro c ento s a no s? Só um . O únic o p erfeito . Uma alma tão real e complementar como a do proprietário do colar. A id éia fez com q ue o estô m a g o d e Siena se reto rc esse d e ná usea s e d e um m ed o q ue nunc a a ntes tinha c o nhec id o . Ag o ra q ue tinha m tira d o o c o la r, só p o d eria vo lta r p a ra o p esc o ç o d a ra inha pela s m ã o s d e um m em b ro d o The Prid e o u, se a s lend a s era m verd a d e, p ela m ã o d o a m a nte q ue o tinha tira d o . A a d ivinha ç ã o esta va fo ra d o c o nhec im ento d e Siena e era a ssim a p ro p ó sito p a ra im p ed ir q ue o g o verna nte q ue o leva va fizesse exa ta m ente o que Siena tentava fazer… ocultar o fato de que tinha tomado companheiro. Seu verdadeiro companheiro, se as lendas tinham razão. —Isto é d e lo uc o s — vaiou Siena b a ixo g ira nd o p a ra vo lta r a c a m inha r acima e abaixo do salão. Um Demônio o c o m p a nheiro p red estina d o d e um a Lic á ntro p o ? O q ue im p o rta va q ue fo ssem tã o … c o m p a tíveis? Deixa nd o d e la d o a q uím ic a e a sexua lid a d e, nec essita va -se m uito m a is q ue a ha b ilid a d e d e ter b o m sexo p a ra reg er a m ilha res d e p esso a s. Co lo c o u a m ã o no b o lso d e seu c a ftá n, fechando-a c o m fo rç a so b re o s elo s d o c o la r. Sub iu o s d eg ra us a té o tro no e se sento u la nç a nd o um d uro o lha r d ura nte um c o m p rid o m inuto à s m ulheres que cochichavam ante ela. Syrenna sa b eria c o m o d evo lver o c o la r a seu leg ítim o lug a r. Tinha vivid o entre o The Prid e m a is d e um séc ulo . Po ssivelm ente tivesse a p rend id o o seg red o d ura nte sua esta d ia . Ma s Siena sa b ia q ue nã o p o d ia p ed ir a Syrenna q ue tra ísse o s seus m ento res. Fa zê-lo seria c o m o se a lg uém p ed isse a ela q ue reinic ia sse a g uerra . E a g o ra m a is q ue nunc a , tinha um a ra zã o p a ra d esp reza r tão abominável idéia. Não! Gritou em sua mente. Não há mais razão agora do que havia antes! Isso significaria que albergava certos sentimentos por… e não é assim.


A ra inha fic o u em p é e d ep o is d o tem p o q ue d ura um b a tim ento d o coração, voltou passear. Nec essita va um a so luç ã o a este interrogatório e nec essita va já . De m a neira nenhum a ia a p resenta r em sua c o rte o m a c ho Demônio d e infa m e reno m e, lhe no m ea r rei e sentá -lo a seu la d o . A ta l g uerreiro . A id éia ia c o ntra c a d a b o a intenç ã o q ue a lb erg a va p a ra q ue sua g ente tivesse um futuro m a is b rilha nte e p a c ífic o . Tinha tid o a intenç ã o d e reg er em so lid ã o a té o d ia d e sua m o rte e, d e a lg um jeito, ia enc o ntra r a fo rm a d e leva r a c a b o seu p la no . Antes se enfo rc a ria q ue to m a r p a rte em sem elha nte a b o m ina ç ã o q ue ia c o ntra tud o a q uilo no q ue a c red ita va . E m a ld ita fo sse se vo lta va a leva r para cama a esse homem. Siena se d eteve em seus p a sseio s q ua nd o um a a g ud a a g o nia a p erc o rreu a nte a m era id éia . Qua se nã o p o d ia resp ira r p ela d o r e a p erto u o s p unho s so b re seu útero , o nd e d o ía c o m m a is intensid a d e. Sentia-se tã o va zia, tã o p riva d a d e vid a e p rud ênc ia q ua nd o p ensa va em a b a nd o na r a Elija h p a ra sem p re. Tinha -lhe p ro m etid o q ue nã o seria o fim e, q ue a Deusa a a jud a sse, c a d a m o léc ula d e seu c o rp o uiva va p a ra q ue ele c um p risse sua promessa. Siena se d eixo u c a ir a o c hã o c o m um so luç o , d ob ra nd o -se p ela d o r e a ná usea d a tra iç ã o a si m esm a . Sa b ia q ue lhe d eseja va , sa b ia q ue sua s c élula s g rita va m p elo a lim ento q ue sup unha seu c o rp o d uro e a g ressivo a seu red o r e em seu interio r. Tinha -a leva d o a c o ta s inc ríveis, a p ra zeres inim a g iná veis e, c o m o se fo sse um a d ro g a d a , a id éia d e nã o vo lta r a lhe ter era q ua se insuportável. Ma s tinha q ue enc o ntra r a m a neira d e sup o rtá -lo . Tinha q ue ro m p er o feitiç o , d esa fia r a m a g ia d a lend a q ue p ro c la m a va q ue era p erfeito p a ra ela . Tinha m uito m a is q ue c o nsid era r q ue seu p ró p rio c o rp o . Ha via m ilha res d e pessoas que contavam que fizesse as eleições mais sábias e consideradas que pudesse para assegurar seu bem-estar. Isso era a lg o q ue nã o tinha feito q ua nd o c a iu nos b ra ç o s d e Elija h. Infelizmente, fazia uns dias tinha elegido salvar a vida de um homem e, ao que parece, desde esse momento não tinha feito nada bem. Siena estava decidida a trocar isso. Tinha m p a ssa d o q ua se d ois d ia s d esd e q ue se sep a ra ra m . Ma s a ind a sentia sua p resenç a p eg a a ela . Sa b ia q ue Anya susp eita va a lg o , inc lusive sem q ue tivesse d eixa d o q ue sua Genera l m estiç a se a p ro xim a sse o sufic iente


p a ra c heirá -la . Em b o ra fosse m uito m a is q ue isso . Era c o m o se o g uerreiro Demônio a seguisse a todas as p a rtes. Às vezes im a g ina va q ue p o d ia lhe sentir tocando-a . Em sua m ente. Em seu c o rp o . Ob c ec a va -a em um a m esc la d e lem b ra nç a s e fa nta sia s q ue sem p re d eixa va m rio s d e c a lo r c o rrend o p o r seu sistem a . Se esta o b sessã o era a na tureza d o em p a relha m ento nã o q ueria fo rm a r p a rte d ela . Ag o ra m eno s q ue nunc a . Pensá -lo a vo lta va lo uc a , ta nto em mente como em temperamento. Lo g o q ue se c ura sse d a enferm id a d e d o so l iria a c o rte Demônio e exig iria a No a h q ue reso lvesse o p ro b lem a fa zend o q ue seu Ca p itã o se mantivesse afastado dela. Desp rezo u a id éia a ssim q ue p enso u. Quã o últim o p rec isa va era esta r em qualquer lugar o nd e Elija h p ud esse enc o ntra r-se. Fic a va m p o uc o s d ia s p a ra o Sa m ha in e, g ra ç a s a Gid eo n, c o nhec ia o sufic iente d o s Demônios p a ra sa b er que estar em seu territó rio d ura nte esse b reve esp a ç o d e tem p o seria c o m o soltar o gato no canil. Só lhe faltava ter que lutar contra o poder da paixão e a sed uç ã o irresistível d o g uerreiro Demônio m a g nific a d a p ela Lua Sa g ra d a a té uma intensidade além do que tinha experim entado até agora. Não confiava ter forças para resistir se chegasse a esse ponto. Siena fic o u em p é no va m ente, d esliza nd o a s m ã o s p elo estô m a g o enq ua nto p a ssea va , esfreg a nd o -o d ia nte e a trá s em um g esto c a lm a nte q ue era ha b itua l nela q ua nd o esta va tensa . Ma s a lg o tinha tro c a d o na sensa ç ã o que lhe p ro d uzia , fa zend o -a m a is sensua l q ue rec o nfo rta nte c o m o sem p re tinha sid o . De rep ente, d eu-se c o nta q ue p o d ia sentir seu to q ue no to rso tã o claramente como se fosse ele quem estivesse tocando-a . Os p eitos, o ventre e o s q ua d ris p a rec ia m a rd er c o m o ra stro d e sua s m ã o s a té o p o nto d e perguntar-se nã o esta ria resp la nd ec end o b rilha ntem ente c o m o s m a ld ito s ra stro s d e sua s m ã o s m o stra nd o p a ra q ue to d o s a s vissem . Po d ia c heira r o a lm ísc a r m a sc ulino d e seu a ro m a na p ele e se p erg unta va se o utro s ta m b ém podiam. Ou era só a loucura desta insustentável situação que a fazia acreditar em uma ilusão? Banhou-se mais de uma vez desde que se separaram, mas seu aroma não ia de seus sentidos. Seguro, estava se voltando louca. Siena c ruzo u o sa lã o p a ra o tro no , o utra vez. Ma s nã o se sento u. Era o sím b o lo d e ta nta s c o isa s q ue esta va m em jo g o . De m a neira nenhum a p o d ia fic a r q uieta , a li senta d a . A ra inha d o s Lic á ntro p o s reiniciou seus p a sseio s so b o atento olhar de suas companheiras.


Isa b ella se inc lino u so b re Elija h lhe a p a rta nd o o c a b elo d a fro nte e m o rd eu o lá b io p reo c up a d a . O g uerreiro tinha esta d o sa ind o e entra nd o d o so nho interm itentem ente a té q ue no fina l tinha caído em um so no a g ita d o . Um p o uc o inusita d o em a lg uém so b o s p o d ero so s influxo s d o so no d e Gid eo n. Normalmente o so no rep a ra d o r era sua ve, tra nq üilo e a c a lm a d o e p erm itia que a cura se levasse a cabo em menos tempo. O g uerreiro nã o tinha resp o nd id o nenhum a p erg unta d a q ueles q ue esta va m p erp lexo s p o r sua s ferid a s e p ela s p ista s q ue o s tra nse visio ná rio s d e Bela lhe tinha m d a d o d e sua s a tivid a d es d ura nte seu d esa p a rec im ento . A c ura d a s ferid a s d e Elija h tinha sid o m uito sim p les p a ra o a nc iã o m éd ic o . Gid eo n tinha sid o m uito m etic uloso a o extra ir o ferro , a s b a c téria s e g ra nd e q ua ntid a d e d e o utro s resíd uo s p rejud ic ia is p a ra o p ro c esso d e c ura d o c o rp o d o g uerreiro . Aind a a ssim , tinha tid o a líng ua q uieta q ua nd o o utro s lhe p erg unta ra m so b re a na tureza d a s ferid a s d o g uerreiro e so b re q ua lq uer susp eita q ue tivesse so b re o nd e tinha esta d o o Demônio to d o esse tem p o . Tud o o q ue resp o nd eu foi q ue teria m q ue p erg unta r a Elija h eles m esm o s. Isto era o sufic ientem ente c rític o p a ra q ue o resto d o s ho m ens estivesse d a nd o voltas pelos chãos de mármore do Grande Salão. Isa b ella nã o d everia esta r a li, nã o d ep ois d a rec ente bronca q ue lhe tinha jo g a d o Ja c o b . Po ssivelm ente esta va a c a b a nd o a p a c iênc ia p a ssa nd o ta nto tem p o junto a o leito d o g uerreiro . Nã o tinha tid o intenç ã o d e p erd er o s estrib o s, m a s no fina l esta va c o ntente d e ha vê-lo feito . Ja c o b era um ho m em b rilha nte, so fistic a d o e sá b io c om q ua se seisc ento s a no s d e exp eriênc ia na s suas costas. A gente poderia pensar que um homem assim estaria por cima de uma coisa tão mesquinha como o ciúme. Tinha tenta d o c o m p reend er q ue Ja c o b , nã o tend o c o nhec id o nunc a a ntes o a m o r, ta m p o uc o c o nhec eria o c iúm es. Nã o tinha exp eriênc ia c om isso e p rec isa va a p rend er c o m o q ua lq uer o utra p esso a . Ma s c o m sua possessividade, avivada por uma natureza imbuída com o temperamento e as habilidades de todos os animais da terra, necessitaria provavelmente bastante tem p o a ntes d e p o d er d a r réd ea so lta a sua s vo lá teis em o ções. Enq ua nto isso lhe estava tocando o punheteiro nariz na base do bem. Po sto q ue tivesse p a ssa d o um m ilênio d esd e q ue o últim o Druid a tinha vivid o entre o Demônios, nã o ha via ning uém sa lvo o id o so Gid eo n q ue so ub esse a lg o so b re o s Druid a s. Inc lusive Gid eo n era um m enino naquele tem p o , um jo venzinho c o m o c onhec im ento m ínim o so b re o s Druid a s q ue seu


p o vo tinha tenta d o d estruir na g uerra d a q ueles tem p o s. Havia reesc rito g ra nd e q ua ntid a d e d a histó ria a p ó s. A verd a d e esta va enterra d a na b ib lio tec a d o s Demônios e nã o tinha m c o m eç a d o a d esentra nha r a histó ria dos Druidas que ali se escondia. Junto c o m a erra d ic a ç ã o d o s Druid a s tinha c heg o a red uç ã o d e p etiç õ es d e Vinc ula ç ã o . A Vinc ula ç ã o d e d ois Demônios, c o m o a q ue Leg na e Gid eo n a c a b a va m d e fa zer, o c o rria um a vez em um m ilhã o . Ag o ra se a c red ita va q ue d o p rim eiro m o m ento , o Destino tinha q uerid o q ue o s Demônios encontrassem seus casais mais perfeitos entre os Druidas, as mesmas c ria tura s q ue tinha m d estruíd o sistem a tic a m ente fazia um m ilênio . Foi esc rito em uma profecia que tinha estado perdida durante mil anos. Sem Druidas não havia Vinculação. Assim nã o ha via m a nua is nesta g era ç ã o d e Demônios p a ra o comportamento e as emoções com as que um Demônio devia lutar durante a Vinc ula ç ã o . E isto , infelizm ente, sig nific a va q ue a nd a va m à s c eg a s, enc o ntra nd o a s resp o sta s c o nfo rm e vinha m . Bela tenta va c o m p reend ê-lo c o m to d a s sua s fo rç a s. Ja c o b era fo rte e p unha to d a sua sensib ilid a d e no que dizia a seu b em -esta r. Ap rend eria a luta r c o m isso c o m o ela tinha a p rend id o . Nã o tinha d úvid a d e q ue a c eita ria sua a jud a e o sup era ria . Nã o d everia ter perdido a paciência tão facilmente. Isa b ella o uviu a b rir a p o rta a sua s c o sta s e o lho u p o r c im a d o o m b ro , vend o um a c a b eç a ruiva esp io na nd o a ha b ita ç ã o . Bela colocou um d ed o nos lábios e fez sinais ao visitante para que entrasse. Co rrine, a irm ã d e Bela e ta m b ém , d e fo rm a b a sta nte d ivertid a , sua c unha d a , entro u e a p ro xim o u um a c a d eira a seu la d o sem fa zer ruíd o . Inclinou-se p a ra d ia nte d e m a neira q ue sua s fro ntes q ua se se to c a va m , c o m o faziam durante toda sua infância quando compartilhavam segredos. —Sa b ia q ue esta ria a q ui — d isse Co rr, a g a rra nd o um c a c ho d e seu comprido cabelo verm elho p a ra m o rd isc á -lo , um velho víc io q ua nd o esta va nervosa. — Jacob vai te estrangular. —Preocupa-se d e seu m a rid o q ue eu m e p reo c up a rei d o m eu — resp o nd eu Bela c o m vo z m uito b a ixa , m a s c la ra m ente d ivertid a . Os o lho s violetas dançam de irreverência. — Além d isso , o d ia nã o está c o m p leto sem o serm ã o d iá rio d e Ja c o b . Sinceramente, espero que seu irmão seja mais tolerante.


—Bo m Ka ne na sc eu uns q uinhento s a no s d ep o is q ue Ja c o b e nã o o criaram na Idade da Pedra — riu Corrine brandamente. — Meu m a rid o tend e a ser um p o uquinho m a is m o d erno d e p ensa m ento que seu irmão. Isa b ella so rriu e a g a rro u a m ã o d e sua irm ã im p ulsiva m ente, lhe d a nd o um q uente a p ertã o . Sem p re tinha m esta d o m uito unid a s, m a s d ep o is d e ter esta d o a p o nto d e p erd er Co rrine fa zia um a no , tinha fo rja d o um vínc ulo ainda mais forte com sua irmã. Co m o se m enc io no u a ntes a sua c heg a d a a o Ca stelo , Co rrine tinha se tra nsfo rm a d o d e um ser hum a no no rm a l a um híb rid o d e Druid a e hum a no como sua irmã, depois de um breve encontro com seu companheiro Demônio d estina d o , Ka ne. O c o nta to c o m um Demônio g enetic a m ente a p ro p ria d o era o d isp a ra d o r d o na sc im ento d o p o d er d e um Druid a . Inc lusive d e híb rid o d e Druida. Em b o ra ning uém soubesse q ue existia m o s híb rid o s a té q ue Isa b ella c o m eç o u o lento p ro c esso d ep ois d e ter esta d o exp o sta a Ja c o b . Ma s o s Druid a s nec essita m c o nsta nte exp o siç ã o a o d isp a ra d o r Demônio d o p rim eiro momento ou ficavam doentes e morriam de fome. Co rrine tinha c o m eç a d o a ssim a té q ue se d era m c o nta d o q ue a c o ntec ia . Levo u-lhe m eses d e exp o siç ã o a Ka ne p a ra rec up era r-se. Da m esm a fo rm a q ue a vítim a d e um a c id ente g ra ve tem q ue passar um c o m p rid o p erío d o d e tera p ia , Co rrine tinha sid o fo rç a d a a fa zê-lo b em m a is lento d o q ue o no rm a l e tinha rec up era d o seu p o d er lenta m ente d ura nte o ano passado. Este ro çar c o m a m o rte tinha sid o o c im ento q ue tinha fo rja d o d e no vo a já fo rte uniã o c o m sua irm ã . Além d isso , c o m freq üênc ia rec orria m um a à o utra enq ua nto a m b a s se a d a p ta va m a o estilo d e vid a d e um a ra ç a Nig htw a lker d e c ultura tã o c o m p lexa c o m o o s Demônios. Ajudaram-se um a à o utra a d esc o b rir fo rm a s no va s d e c o ntro la r e utiliza r sua s ha b ilid a d es em florações. —Sabe Kane que está aqui? —Não — Corrine fez uma piscada conspiradora . — Pa rec e q ue no sso s ho m ens g ra nd es e fo rtes estã o d o rm ind o . Um a d a s benções d e ser m eio hum a na s é q ue nã o no s vem o s c o m p elid a s a d o rm ir d ura nte o d ia d e fo rm a tã o fo rte c o m o eles. Que estra nho d eve ser sentir-se tão entorpecido que não tem mais remédio que dormir, queira ou não.


—O m esm o a c o ntec e c o m o s hum a no s. Só q ue nã o lim ita à s ho ra s d iurna s e à s vezes p o d em o s d ila ta r o inevitá vel. Ac red ito q ue Gid eo n c heg ou a o p o nto em q ue p o d e p erm a nec er a c o rd a d o d ura nte o d ia sem seq uer bocejar. —É extrem a m ente fo rte —a ssentiu Co rr c o m o a sso m b ro p a tente em sua voz, — Tenta conseguir uma premonição ou só estas jogando de enfermeira? —Um pouco das duas coisas — Bela voltou à cabeça carrancuda ante a forma adormecida de Elijah. — Nunc a lhe tinha visto tã o d éb il. Nã o c o nseg uim o s q ue no s d ig a na d a . Gid eo n d isse a Ja c o b q ue a s ferid a s nã o sã o rec entes, q ue a ferid a d o p eito tinha sid o c ura d a um p a r d e d ia s a ntes q ue vo lta sse a a b rir. Pa rec ia c o m o se a tivessem enfaixado e que quando Elijah se transformou, perdeu a vendagem sem dar-se conta e isso fez com que a ferida voltasse a abrir. —Tem so rte d e ter c heg a d o a q ui vivo . Ma s é um eng a no q ue nã o esperaria que cometesse um Ancião — disse Corrine. —Eu esta va p ensa nd o o m esm o — d isse Bela unind o d e no vo a c a b eç a com a de Corrine. — Algo lhe passou. —Sim , é ó b vio . Nã o nec essito um a p rem o niç ã o p a ra sa b er q ue a lg uém lhe deu uma boa surra. —Não — a contradisse Bela com suavidade. — É a lg o m a is. Alg o q ue tem feito q ue a tue... Com im p rud ênc ia . Que c o m eta eng a no s. E nã o tenho nem id éia d o q ue é. Sig o vend o esta s im a g ens de olhos de gato. É o único que me chega quando lhe enfoco. —Eu g o sta ria d e p o d er te a jud a r, m a s m eus p o d eres se lim ita m a procurar Demônios. Po ssivelm ente p o ssa lo c a liza r a sua c o m p a nheira , m a s pouco mais — sua irmã riu entre dentes. —Po r Deus, nã o o d ig a tã o a lto o u d e verd a d e q ue fic a rá em coma! Elija h esteve se escondendo d e você d esd e q ue souberam q ua is era m seus poderes. —E No a h ta m b ém — a c resc ento u Co rrine fa zend o com q ue Bela lançasse uma risadinha tola. — Juro isso , o uvi so b re ho m ens extrem a m ente tím id o s, m a s estes d o is leva m a p a lm a . Ma s b o m , p o sto q ue enc o ntrei a Druid a Mira nd a p a ra o Co nselheiro Sim o n e o Yuri p a ra a m éd ic a Yo sha b el, só d ois Demônios m e pediram uma busca. Dois de milhares que conhecem minhas habilidades.


—Alg uns rec o rd a m m uito b em a s liç õ es d e histó ria so b re a g uerra c o m o s Druid a s. Leva rá tem p o , m a s se c o nvenc erã o — Bela esfreg o u a s m ã o s c o m o se as tivesse frias. — Eu g osta ria d e p o d er c o ntro la r q ua nd o m e c heg a m às p rem o niç õ es. Ag o ra é c o m o jo g a r ro leta russa c o m um a a rm a m eio c a rreg a da. Levo m eia hora disparando sobre vazio. —Quando as necessita não as encontra de maneira nenhuma. E quando nã o a s nec essita m o s, estã o p o r to d a p a rte. Rec o rd a q ua nd o q ueria fic a r c o m alguém — as ocorrências de Corrine as fez rir. —Bo m , m a s va le q ue p a sse a lg o lo g o . Ja c o b d esp erta rá lo g o e se m e encontrar aqui vai armar uma boa. —Bell? Bela e Co rrine la nç a ra m um grito sua ve e se vo lta ra m p a ra o lha r o ho m em q ue ja zia na c a m a . Am b a s se rub o riza ra m a o d a r-se c o nta d e q ue quase tinham esquecido que estava ali. Ma s Bela se refez im ed ia ta m ente e se sento u na eira d a c a m a d e Elija h lhe agarrando a mão enquanto se inclinava sobre ele. —Né, vo c ê! Que d em ô nio s estiveste fa zend o q ue no s d este um susto d e morte a todos? —perguntou-lhe. —Eu ta m b ém m e a leg ro d e verte — d isse Elija h c o m to m sec o levantando a vista e vendo sua segunda visitante. — Wo w , d ua s fo rm o sa s m ulheres! Já tive esta fa nta sia em o utra s ocasiões. —Ja ! E c erta m ente nã o só em sua im a g ina ç ã o , q ue te c o nheç o — Bela tiro u o sa rro fa zend o q ue o g uerreiro risse c o m esse so rriso maroto e fa nfa rrão q ue tra nq üilizo u o s c o ra ç õ es p reo c up a d o s d a s m ulheres. Bela a la rg o u a m ã o para lhe colocar uma mecha loira e notou que ainda estava pálido apesar da segunda transfusão de sangue que lhe tinham posto. — Como te encontra? —Depende. Paraste o avião que me atropelou ou segue correndo? —Me tira o sa rro ? Quem q ueria p reo c up a r a trezento s ho m ens d e negócios mal pagos e nada valorados de caminho a uma conferência larga e aborrecida? Elija h riu a g a rra nd o a m ã o q ue tinha em seu c a b elo . Beijou-lhe b revem ente o s d ed o s, refletid o s em seus o lho s esm era ld a seu c a rinho e sua gratidão.


—Por certo, obrigado. —Ora . É só q ue esta va p reo c up a d a se p o r a c a so m inha filha fic a va sem um Siddah perfeito se não salvava seu miserável traseiro. —Então não celebrastes a cerimônia do nome sem mim? —Elijah — arreganhou Bela. — Já te va le! Po r q uem m e to m a ste? Nunc a te fa ria um a c oisa a ssim . Nã o enq ua nto esta va d esa p a rec id o — vo lto u a c o lo c a r o c a b elo c o m a m ã o livre, mas ele também a agarrou. —Deixa de me tocar — disse. — O únic o q ue m e fa lta é q ue seu lo uc a m ente c ium ento m a rid o m e d e uma surra das que fazem época. Elijah lhe pôs as mãos no regaço. Bela a p erto u o s p unho s e o s p ô s no s q ua d ris em um fa m ilia r g esto d e exasperação. —Sa b e q ue esto u a c o stum a d a a ser um a p esso a q ue c ultiva sua s amizades e afetuosa. Meu irracionável e dominante marido tem que aprender a c o ntro la r-se, Elija h. Quã o vã o inteira r se d e q ue fa ç o o q ue q uero , q ua nd o quero e que dêem a todos vocês se não gostarem? —Ac red ito q ue no s d a r ta m p o uc o seria um a b o a id éia c o nsid era nd o o comportamento irracionável, dominante e ciumento de seu marido. —Oops! —sussurro u Co rrine d etrá s d e sua irm ã a o vo ltá -lo s três p a ra o lha r ao marido em questão. Jacob estava inclinado sobre o marco da porta, com os braços cruzados so b re o p eito e o s o lho s esc uro s e sério s se ilum ina va m o b a sta nte d ivertid o s para que Bela suspirasse com alívio. —Vá, desde quando me vigia dessa forma? —perguntou-lhe levantandose e lançando-se para ele para poder pendurar-se de seu abraço. “ Obrigado por não ser uma besta, murmurou dentro de sua mente.” “ Ob rig a d o p o r m e p erd o a r q ue seja um id io ta exím io, resp o nd eu-lhe brandamente.” Ja c o b a b ra ç o u a sua m iúd a esp o sa , leva nta nd o -a p a ra enterra r o ro sto no sed o so c a b elo e riu. Os esc uro s o lho s o lha ra m a Elija h p o r c im a d o o m b ro de sua esp o sa , m o stra nd o soberanamente q uã o a livia d o se sentia d e ve r acordado a seu velho amigo. Ja c o b so lto u a sua esp o sa e se a p ro xim o u d a c a m a d e Elija h a p ro xim a nd o a c a d eira q ue ela tinha a b a nd o na d o p a ra senta r-se. Cruzo u o


to rno zelo so b re o jo elho c o ntrá rio . Bela fic o u em p é d etrá s c o m o s b ra ç o s apoiados em seus ombros. —Olá, velho amigo — lhe saudou. — É estupendo verte acordado e alerta. —Não faz idéia — suspirou Elijah sentando-se. Colocou uma mão no peito notando a nova pele rosada que tinha substituído à ferida. —Pode nos dizer o que te passou? —Perguntou Jacob. Elijah assentiu e nenhum dos três se deu conta de sua breve vacilação. —Ruth, Ma ry e uns trinta nig ro m a ntes e c a ç a d o res m e prend era m um a em b o sc a d a . Fa la nd o d e q ue a fúria d o inferno nã o é na d a — b rinc a d eira s aparte, os olhos de Elijah eram muito sérios para sua natureza. —Quase me matam. —Jacob, senhoras… To d o s vo lta ra m sua a tenç ã o p a ra a p o rta p a ra ver Gideon transpassando a soleira. —Não acredito ter autorizado as visitas — lhes fez notar. Se a lg o sa b ia to d o m und o era q ue nã o teria q ue c o ntra d izer Gideon c o m o b em -esta r d e seus p a c ientes. To d o s se leva nta ra m e sa íra m d a ha b ita ç ã o d e Elija h c o m ra p id ez. Ja c o b estreito u b revem ente a s m ã o s d e seu a m ig o e a m b a s a s m ulheres se inc lina ra m p a ra lhe b eija r e lhe d izer q uã o felizes esta va m d e q ue tivesse d esp erta d o . Apressaram-se fo ra d o q ua rto , passando por diante de Gideon e Jacob fechou a porta atrás dele. Gid eo n fic o u a p oia d o na p a red e frente à c a m a d e Elija h c o m a c a b eç a c ha p ea d a lig eira m ente inc lina d a enq ua nto o lha va c o m o o g uerreiro se senta va . Elija h nã o era id io ta . Sa b ia q ue o Antig o Demônio tra m a va a lg o . Ma s d e m a neira nenhum a ia jo g a r um a m ã o c o m isso . Deixa ria q ue Gid eo n mostrasse primeiro suas cartas. E Gideon era direto. —Estará um pouco dolorido pelo menos dois dias mais — disse Gideon. — Po r q ue inic iou a m eta m o rfo se, a rrisc a nd o sua vid a p a ra c heg a r a q ui? Deveria haver ficado onde estava até estar mais forte. —Nã o p o d ia — Elija h d esvio u o o lha r d o m éd ic o o sufic iente p a ra c aptar sua atenção. Ajudou-lhe a confirmar algo que já tinha começado a suspeitar. Elija h c urvo u a m ã o em um p unho a o sentir o olha r d o Antig o escorregando sobre ele com calma paciência. Tendo despertado de um sono tã o long o , Elija h p o d ia nã o ser c o nsc iente d e m uito s d eta lhes d o s d ia s


p a ssa d o s, m a s p o d ia rec o rd a r o enc o ntro c o m Siena . E se d eu c o nta q ue levava a evidência em cima apesar de todos seus esforços por escondê-lo. —Já sei que não é meu assunto, mas sou consciente da mudança de seu aroma e não pretenda ocultá-lo — disse Gideon quedamente. — Ta m b ém esto u fa m ilia riza d o c o m esse a ro m a . Ta nto c o m o esto u fa m ilia riza d o c om o c oquetel d e sa ng ue Lic á ntro p o q ua nd o o vejo em um corpo ao que não pertence. —Alguém há…? —Se se d era m c o nta , nã o m enc io na ra m . É p o ssível q ue tenha m feito vista grossa, m a s nã o a p o sta ria isso — Gid eo n fez um a long a p a usa p a ra sacudir pensativo a bolinha de pó invisível da perna da calça . — O aroma da fêmea é o de Siena, verdade? —Não jogue comigo, médico — disse Elijah com amargura. — Sa b e p erfeita m ente q uem é e nã o nec essito q ue m e fa ç a p erg unta s inúteis. —Sei — admitiu Gideon. — Por improvável que pareça. —Me a c red ite, esto u tã o admirado c o m o vo c ê — a d m itiu Elija h c om um suspiro. — E isto piora, Gideon — Elijah riu sem alegria. — A fo rm o sa Ra inha d o s Lic á ntro p o s nã o q uer na d a c o m ig o . Assim se está p ensa nd o em m a nd a r a o s Exec uto res p o r ha ver quebrado a lei o u va is soltar-me um serm ã o so b re a p ureza , eu teria em c o nsid era ç ã o este fa to , se fosse você. A c ha p ea d a c a b eç a d o Antig o nã o resp o nd eu em seg uid a . Em vez d isso , estud a va a exp ressã o d o g uerreiro no ta nd o o esfo rç o d e seus intento s por minimizar o muito que lhe afetava a situação em que se encontrava. —Po d e q ue Siena nã o tenha m uita eleiç ã o no tem a , Elija h — d isse c o m suavidade. —Perdoa? —Elija h nã o esta va seg uro d e ter o uvid o c o rreta m ente. Sentou-se um pouco mais para diante procurando o olhar firme do médico. — Explique isso. —Há muitas regras diferentes que governam o destino de Siena. —Sim , já sei. Um só c o m p a nheiro . Um a reg ra q ue ela p ensa q ue nã o se a p lic a a um friá vel m a c ho Demônio c o m o eu — o sa rc a sm o na vo z d e Elija h era agudo, mas não se dirigia mais que a seu próprio ego maltratado.


—Não acredito que seja a que deva decidir. O Destino… A risada cortante do Elijah fez que o Antigo se calasse. O g uerreiro sa iu d a c a m a a p a rta nd o o s lenç ó is e se d irig iu a o a rm á rio p ela s c a lç a s e a c a m isa . Pelo m eno s esta ria m b em , p o sto q ue fossem d ele . Tinha-o s d eixa d o na s ha b ita ç õ es d e No a h d evid o à freq üênc ia c o m q ue lhe convidavam a fic a r na c a sa e neste q ua rto . Voltou-se p a ra Gid eo n enq ua nto colocava uma camisa branca de moaré acetinado. —Nã o m e fa le d o Destino , Gid eon. Se m e p erg unta r isso , neste m o m ento m e p a rec e um a m erd a — Elija h m eteu a s a b a s d a c a m isa p o r d entro d a s calças. —De verd a d e nã o sa b e o q ue p a sso u? —p erg unto u Gid eo n lhe o lha nd o assombrado. O c o m entá rio d eu um a p a usa a Elija h. Deteve-se a m eta d e d e a b o to a r os punhos da camisa para olhar ao outro homem. —Po d eria m e fa zer o fa vo r d e m a nter a o m ínim o o s c o m entá rio s c rític o s? —pediu Elijah ignorando o repentino e antecipatório tamborilo do coração. —Elija h, d eve ser o p rim eiro m a c ho Demônio q ue c o nheç o q ue nã o reconhece os efeitos da Vinculação pelo que são. Agora sim que tinha conseguido captar a atenção do Capitão Guerreiro. —Vinculação? Foi essa c a b eç a c ha p ea d a q ue tem ? — De no vo riu c om essa risada amarga. — Entre um Demônio e uma Licántropo? —É tã o im p ro vá vel c o m o fa z uns a no s no s p a rec ia a Vinc ula ç ã o entre o Demônios e Druidas - refletia Gideon. — E, entretanto, aqui estamos. Elija h se fo rç o u a rep rim ir a q ueb ra d e o nd a d e exc ita ç ã o e esp era nç a que inexplicavelmente, percorreu-lhe. —Me explique por que crê que... Explique-me isso pediu. —Quer d izer a p a rte d e te d izer q ue o vejo tã o c la ro c o m o a luz na quím ic a d e seu c o rp o ? O q ue se Ja c o b ficasse um p o uc o m a is teria no ta d o que leva o aroma de uma mulher por todo seu corpo apesar do s esfo rç o s q ue tem feito p a ra tira r isso o u p o ssivelm ente d everia m enc io na r o fa to d e q ue o cabelo mudou d e cor? Os o lho s d e Elija h se a b rira m c o m o p ra to s. Voltou-se p a ra o a rm á rio p a ra olhar-se no espelho que pendurava na porta.


Certa m ente q ue o c a b elo ha via se to rna d o c o m p leta m ente d o ura d o , de cor idêntica ao da mulher Licántropo a quem tinha feito amor fazia pouco. O assombrou q ue ning uém tivesse no ta d o sa lvo Gid eo n. O assombrou e ponto. —Tinha o c a b elo m o lha d o a o p rinc íp io . E, a verd a d e, é q ue esta va m m a is p reo c up a d o s c o m sua sa úd e q ue p ela c o r d e seu c a b elo — lhe d isse Gideon. —Maldição. —sussurro u Elija h p a ssa nd o o s d ed o s p ela s o nd a s d o ura d a s de seu cabelo. Bela inclusive lhe tinha afastado o cabelo e não tinha notado. — Eu p ensa va q ue a Vinc ula ç ã o tro c a va o s o lho s d a m ulher. Os o lho s d e Siena são tão dourados como sempre, asseguro-lhe isso. —A Vinc ula ç ã o se c o m p õ e d e três c a ra c terístic a s d iferentes, Elija h. A p rim eira é um d esejo inc ontro lá vel entre o ho m em e a m ulher. Um d esejo q ue nã o p o d e resistir d ura nte m uito tem p o e é a b so luta m ente im p o ssível d e resistir d ura nte a Lua Sa g ra d a no Belta ne e Sa m ha in, à s vezes inc lusive no s So lstíc io s — o Demônio arqueou uma sobrancelha chapeada. — Ac red ito q ue p o sso a sseg ura r q ue vo c ê e Siena hã o sentid o esta característica. —Sim — admitiu Elijah baixo. —Quanto a seu segundo sinal, embora seja certo que a fêmea vinculada com freqüência toma a cor dos olhos do macho que pretende, algumas vezes é a c o r d o c a b elo o u inc lusive o s p o d eres d o c o m p a nheiro . E essa m ud a nç a p o d e so frer o m a c ho o u a fêm ea . Que é exa ta m ente seu c a so , lhe asseguro disse isso, assinalando o cabelo do guerreiro. — Em m eu c a so , o s o lho s d e Leg na se vo lta ra m d e m inha c o r. Pa ra o s Exec uto res e p a ra o Ka ne e Co rrine, em seus c a so s, o q ue d esenc a d eia a Vinc ula ç ã o d e um Demônio e um a Druid isa é o d esp erta r d o s p o d eres d o Druida. —E a terceira é a telepatia entre o casal — terminou Elijah. — A ha b ilid a d e d e p o d er esta r em c o nsta nte c o nta to m enta l c o m a o utra p esso a — Elija h so lto u um so m d e frustra ç ã o , a p erta nd o a p a lm a d a mão contra a frente. — Ag o ra c o m p reend o p o rq ue m e p a rec e q ue a ind a p o sso o uvir sua vo z. Po r q ue sem p re p a rec e q ue p o d em o s p ensa r o u sentir o q ue o o utro sente sem dizer nada. Não sei por que não me dei conta por mim mesmo.


—Leva seu tem p o a té q ue se fa z fo rte entre Druid a s e Demônios. Ta lve z seja igual para as Vinculações entre espécies. Elijah riu ante isso, mas o som era terrivelmente doloroso e Gideon sentiu a rep o sta reflexiva d e sua esp o sa em sua m ente. Em b o ra tivesse tenta d o fortemente, não podia separar-se to ta lm ente d ele e sentia q ue q ueria lhes d a r p riva c id a d e. Era um a d e sua s d eb ilid a d es, essa no ç ã o d a p riva c id a d e, q ue nã o ia entend er em c urto p ra zo . A p riva c id a d e nã o era um c o nc eito Demônio. Era humano. Onde o tinha adquirido lhe ultrapassava. “ Não se preocupe, carinho, assegurou-lhe com suavidade. Recuperar-seá d o choque ig ua l a vo c ê te rec up ero u q ua nd o d esc o b riu q ue eu era seu companheiro.” “ Quem d iz q ue m e rec up erei? “ Tiro u o sa rro . Ma s sentiu a tristeza d ep o is do bom humor. “Vai ser muito duro para eles, por muitas razões.” “ Sempre é, assentiu meigamente.” Gid eo n d evo lveu to d a sua a tenç ã o a o g uerreiro . Colocou-se junto à janela e estava olhando os terrenos bem cuidados do interior. —Me c o rrija se m e eq uivo c a r, m a s tud o isto nã o va i c o ntra a lei? — Perguntou com um sorrisinho irônico lhe elevando a comissura da boca. —Isso não te freou na hora de levar ela à cama — respondeu Gideon. Elija h a m a ld iç oo u em vo z b a ixa , a p o nta nd o o á sp ero térm ino à fria atitude do Gideon —É que não há nada para o que não tenha resposta? —Soltou-lhe. —Elijah, estou sendo direto por uma boa razão — disse Gideon. — A Lua Sa g ra d a d o Sa m ha in está a c inc o d ia s. Nã o será c a p a z d e te afastar dela essa noite. Entende-o, verdade? A resp o sta d e Elija h fo i o utro c o lo rid o ro sá rio d e ep íteto s. Deixou-se leva r pelo temperamento e agarrou o objeto que tinha mais perto e o jogou através da habitação estrelando-o contra a parede de pedra. —Ma ld iç ã o ! Ma ld ita seja !—Elija h se vo lto u p a ra enfrenta r o m éd ic o c o m os punhos apertados tão forte que lhe havia posto brancos. — Vai odiar-me. Entend e-o ? Co nhec e-a m elho r q ue q ua lq uer d e nó s e sabe que vai odiar-me por isso. —Só a princípio — lhe assegurou Gideon com surpreendente gentileza. — E será resistência e temor, não ódio. Confia em mim.


Elija h c o m p reend ia o q ue o Antig o esta va d izend o . Ele ta m b ém tinha p a ssa d o p ela m esm a situa ç ã o . Tinha tid o q ue c o nq uista r a sua c o m p a nheira vencendo a muitos níveis. Ela. Seus amigos. Sua família. Ma s a d iferenç a era q ue to d o s o s a m ig o s d e Leg na e sua fa m ília sa b ia m q ue a Vinc ula ç ã o era p erm a nente e q ue era inútil resistir. Siena p o d e q ue soubesse a lg o a resp eito p elo q ue tinha visto e o uvid o d e Gid eo n e Leg na q ua nd o vivera m em sua c o rte, m a s exp erim entá -lo em p rim eira p esso a ia ser m uito d ifíc il e exp lic a r a um a so c ied a d e q ue nã o a c red ita va em sem elha nte costume ia ser quase impossível. —Fa rei tud o o q ue p o ssa p a ra te a jud a r, Elija h — lhe o ferec eu magnánimamente Gideon. Era o que conhecia Siena desde fazia mais tempo, um fa to p elo q ue Elija h tenta va nã o sentir-se d esp reza d o . Ma s se a lg uém podia fazê-la ver a luz, esse era Gideon. —Agradeço-lhe isso d e verd a d e. E, Gid eon, fá-lo lo g o . Prec iso vê-la , fa la r c o m ela . Antes q ue irro m p a em sua ha b ita ç ã o c o m na d a m a is q ue luxúria a nim a l na c a b eç a . Tem q ue entend ê-lo . Se nã o ... —Elija h vo lto u p a ra a ja nela e suspirou apoiando a fronte no cristal. — Se nã o o entend er, a seu m o d o d e ver esta rei to m a nd o -a c o ntra sua vontade. Gid eo n o c o m p reend ia m elho r d o q ue Elija h p ensa va . Siena era m a teria l d e o rg ulho e obstinação. Qua nto m a is resistisse a o inevitá vel, q ua lq uer m o vim ento q ue fizesse Elija h p a ra ela seria visto c o m o um a to ho stil. E quantas m a is vezes p a ssa ssem , m a is d ifíc il seria rec up era r o terreno p erd id o e c o nec tá lo s. O p io r resulta d o inic ia l d a Vinc ula ç ã o era q ue no rm a lm ente o c o rria na s p ro xim id a d es d o s d ia s sa g ra d o s. Era c o m o se a na tureza lhes d esse uns d ia s p a ra p rep a ra r-se, m a s a o fina l seria o q ue a na tureza d ita va . E esse fina l poderia chegar muito rápido. —Encontrou-m e no b o sq ue, m e o c ulta nd o d e m eus a ta c a ntes a ntes q ue p ud essem m e rem a ta r. Deu-m e refúg io , c uro u m inha s ferid a s, a lim ento u-m e e me cuidou... —Elijah fez uma pausa para fixar seu olhar esmeralda no médico. — E entã o p ô s a s p erna s a c im a em to d a m inha existênc ia . Ótima fo rm a d e m erd a d e lhe a g ra d ec er sua ho sp ita lid a d e—vo lto u a d eter-se, esfreg a nd o o dedo por uma mancha da janela.


— E o que acontece Jacob? Com o Noah? Com a lei? Recorda? “O cão nã o ja z c o m o g a to . O g a to nã o ja z c o m o c a m und o ng o ” . E esta é só um a d e uma dúzia das leis da pureza contra as que vai tudo isto. —A Vinc ula ç ã o nã o é a lg o q ue p o ssa resistir o u evita r-se, a ssim se fo r o que te passou, ninguém pode te culpar — assinalou Gideon. — Se te lem b ra r há um g ra nd e núm ero d e leis q ue p rec isa m o s revisa r d ep o is d o a no p a ssa d o . Se a lg o a p rend em o s d ura nte este a no , é q ue no sso s ancestrais tend ia m a interp reta r a s p ro fec ia s d a fo rm a q ue q ueria m a s interpretar. Po ssivelm ente nã o seja m o s o s c ã es p a ra seus g a to s, Elija h. Ela é um a podero sa fêm ea Nig htw a lker. É intelig ente e justa , p ro p ensa a suc um b ir a seus instinto s a nim a is c o m o nó s. Po d e q ue resulte q ue já nã o so m o s tã o d iferentes uns dos outros como nós mesmos nos permitamos ser. —Mas Jacob... —Se m a l nã o rec o rd a r, um a no ite fa z p erto d e um a no , im p ed iu q ue Ja c o b c o m etesse p o r lei o q ue era um eno rm e eq uívo c o . Essa lei foi tro c a d a . Elija h, no sso m und o ta l c o m o o c o nhec em o s, está em p ro c esso d e m ud a nç a . Nenhum d o s q ue no s c ha m a m o s seus a m ig o s lhe c ritic a rem o s. Este é um tem p o d e na tureza e m ud a nç a . Um tem p o d o s d estino s esp ec ia is. Fa ria b em em recordá-lo. Gid eo n inc lino u a c a b eç a e a c o m issura d a b o c a se elevo u c o m um so rriso q ua nd o a b ênç ã o d e sua esp o sa p o r sua to lerâ nc ia p o uc o c o m um lhe chegou à mente. —De to d a s a s fo rm a s, o p rim eiro q ue fa ria seria fa la r c o m No a h o quanto antes possível - acrescentou. — Seria m elho r q ue so ub esse p o r você lo g o q ue p o ssa ... Antes q ue alguém o averigúe. Elija h se vo lto u a o lha r a o Antig o . Dep o is d e um m o m ento , sim p lesm ente assentiu.

CAPÍTULO 8

Gid eo n se a p ro xim o u d a s p o rta s fec ha d a s d o sa ntuá rio interio r d a Ra inha , la nç a nd o a o s g ua rd a s um so rriso q ue lhes d esa fia va a lhe neg a r a


entra d a . Os Mino ta uro s tinha m b rig a d o a ntes c o m o Gid eo n, m a s nã o c o m to d a s sua s fo rç a s em b o ra sim o b a sta nte p a ra q ue entend essem q ue nã o só nã o d evia m m eter-se c o m o Demônio, m a s que ta m b ém tinha p rivilég ios c o m a Ra inha q ue ning uém m a is se a treveu a a ssum ir. E a ind a m a is, o m éd ic o p o d ia p rojeta r-se a stra lm ente na c â m a ra se a ssim o q ueria . Seria c o m o tenta r capturar a um fantasma. Gid eo n g o lp eo u a p o rta c o m o s nó d ulo s e esp ero u resp o sta . Ig no ro u a vo z d e sua esp o sa na c a b eç a lhe a rrulha nd o enq ua nto lhe c o nta va q uã o a g ra d a d a esta va vend o q ue, a o m eno s, tinha a p rend id o o c o nc eito d e chamar antes de entrar. “ As p esso a s nã o p o d em fa zer o utra c o isa q ua nd o a rea leza está envo lta , acrescentou com secura.” ‘ Ah, e só a realeza merece essa cortesia? , “respondeu ela.” “ Realeza estrangeira, acrescentou Gideon.” “ Ah, já . O sentid o d a p riva c id a d e nã o é um c o stum e Demônio, m ofo u-se dele com uma de suas risadas formosas e ligeiras.” —Adiante — o uviu a resig na d a c ha m a d a d o interio r. Os ferro lho s c a íra m ao abri-los alguém dentro. Gid eo n fez um la d o o jo g o a rg um enta l na m ente c o m sua c o m p a nheira e se centrou na tarefa que tinha entre as mãos. Siena esta va senta d a a nte o tea r. As há b eis m ã o s m o via m a la nç a d eira a d ia nte e a trá s c o m a ra p id ez e p rec isã o q ue só a lg uém c o m reflexo s so b rena tura is p o d eria fa zer. Nã o o lho u e Gid eo n susp eitou q ue soubesse por quê. Ha via d ua s d a m a s d e c o m p a nhia na ha b ita ç ã o em b o ra se visse c la ra m ente q ue lhes tinha m o rd ena d o m a nter-se a d istâ nc ia d a d ep rim id a Rainha e que estavam mais que felizes de obedecer. —No s d eixem —d isse a Ra inha sem o lha r. Os serventes sa íra m c o rrend o para o vestíbulo quando Gideon fechou a porta. — Te p a rec e p rud ente entra r na c â m a ra d a Ra inha à vista d e to d o s seus súditos, médico? —É m elho r fa zê-lo a b erta m ente q ue em fo rm a a stra l. Seg uro q ue a s m á s líng ua s c o m eç a ria m a m urm ura r e nã o esto u m uito seg uro d e q ue m inha esp o sa fizesse o rna m ento d e sua sig nific a tiva p a c iênc ia d ura nte m uito tem p o se lhe c heg a ssem ta is fo fo c a s. Em b a ixa d o r o u nã o , um insulto d esta c la sse para você também seria um insulto para mim e certamente não o agüentaria. —Sim — Siena assentiu.


—Cheg uei a c o nhec er m uito b em Leg na . Nã o é d a s q ue sup o rta m em silênc io um a injustiç a . Seria um a b o a em b a ixa triz d e sua g ente e sua p a c iênc ia a fa ria b o a p a ra a m inha . Vo c ê e ela têm feito tro c a r d e p a rec er c o m m uita s m entes teim o sa s nestes m eses d e resid ênc ia entre nó s — a lançadeira da Rainha seguia voando entre os fios. — Ma s im a g ino q ue nã o vieste d isc utir a s fo fo c a s d e m o d a d e sua esposa ou da corte. —Não. Não vim a isso. —Então fala médico. —Antes eu g o sta ria d e p erg unta r em q ue p o nto p a ssei d e “ Gid eo n” a “médico” — perguntou Gideon malicioso. A la nç a d eira se d eteve na m ã o d a Ra inha d ura nte um m om ento comprido e pensativo. —Ac eita m inha s d esc ulp a s — d isse c o m sua vid a d e, a p a rta nd o o tea r e voltando-se para lhe olhar. Ao a p ro xim a r-se, entreta nto , b a ixo u o o lha r a o c hã o a sua d ireita e sua mão amontoou o tecido do pescoço de seu vestido na garganta. —Siena m eus p o d eres têm m uito p o uc o efeito em você, m a s tenho o lho s no rosto e um sentid o d o o lfa to tã o b om c o m o o d e sua ra ç a . Co nheç o o a ro m a d o ho m em q ue leva tã o b em c o m o c o nheç o o m eu e q ua nd o estive lhe c ura nd o fa z três d ia s rec o nhec i sua m a rc a so b re ele. Nã o fa z fa lta ser um g ênio p a ra d a r-se c o nta d e c o m o te esc o nd e so b tod a s essa s ro up a s, te ro d ea nd o d e d o nzela s Lic á ntro p o s m estiç a s c ujos sentid o s nã o inc luem o d o olfato muito agudo. —É muito perspicaz, med... Gideon — disse com a voz claramente rouca. — Espero que o bastante ardiloso para me dizer como sair deste apuro. Siena lhe o lho u, so lta nd o o a g a rre p o r sua ro up a e Gid eo n so lto u d eva g a r o fô leg o c o nsterna d o . Nã o tinha esp era d o ver d esc o b erta a g a rg a nta d e Siena . Nunc a a tinha visto sem o c o la r d e seu c a rg o e tinha vivid o na c o rte o sufic iente p a ra c o nhec er o sig nific a d o d a lend a e o misticismo que acompanhavam à pesada peça de joalheria. Tinha ra zã o no m o m ento em q ue tinha a b rig a d o a id éia d esta Vinc ula ç ã o p o uc o c o rrente m a s um a c oisa era susp eitá -lo e o utra ver a evid ênc ia c resc end o a g ra nd es p a sso s d ia nte d e seus p ró p rios o lho s. Um Demônio vinc ula d o c o m um a Lic á ntro p o ? Deveria ser im p o ssível, m a s a í


estava c la ro c o m o a luz, p isc a nd o c o m em o ç ã o entre a s d o ura d a s p esta na s da Rainha. Gid eo n a va nç o u p a ra ela , p ro c ura nd o c o m seus p o d eres o m elho r q ue podia, revisando sua estranha psicologia. Não podia influir sobre ela exceto no q ue c o nc ernia a sua ha b ilid a d e d e sa na r. Ma s tinha vivid o na c o rte d o s Lic á ntro p o s d ura nte c inc o a no s e em to d o esse tem p o tinha a p rend id o a observar o suficiente para distinguir o normal do anômalo. A esta m p a g em d e Elija h esta va nela . Esta r sep a ra d o s d ura nte esses trê s dias c o b ro u seu p reç o na fo rm o sa Ra inha , a o ig ua l q ue no g uerreiro q ue tinha vo lta d o p a ra c a sa . Esta va m a is p á lid a d o no rm a l, c la ra m ente d esa nim a d a e, embora lutasse contra isso, desejava claramente sua inconcebível pretensão. —Gid eo n, se m e d eve a lg o p elo tra to a m á vel q ue te d isp ensei q ua nd o meu pai te teve prisioneiro todos àqueles anos, pode me pagar detendo isto. A petição era tão desesperada como incontrolável era o tom de sua voz. —So u p o d ero so , Siena — d isse b ra nd a m ente—, m a s ning uém é tã o p o d ero so p a ra d erro ta r o d estino . Pelo q ue vi d o Elija h e a g o ra d e você, a eleição parece e simplesmente temos que aceitá-la. —Simplesmente? —A ra inha fic ou em p é e c o m eç o u a p a ssea r d e um la d o a outro fa zend o q ue a sed a d o c o m p rid o vestid o o nd ula sse a o red o r d a s panturrilhas e os pés descalços. — Na d a há sing elo em tud o isto e sa b e tã o b em c o m o eu. Um embaixador Demônio é um a c oisa e isso fo i b a sta nte d ifíc il d e a c eita r p a ra minha g ente. Ma s um Rei Demônio no tro no d o s Lic á ntro p o s? Ma ta rã o a Elija h e a m im no m o m ento q ue o usem o s lhes fo rç a r a um a uniã o entre ra ç a s tã o a b o m iná vel. Isso sem m enc io na r o fa to d e q ue sei q ue ta m b ém vio la ria a o m eno s m eia d úzia d a s leis d e sua g ente. E nem seq uer p o sso c o m eç a r a exp ressa r m inha p ró p ria ind ig na ç ã o so b re to d o este c a o s o u c a irei m o rta d e um ataque. —O q ue nã o c heg a a entend er, Siena , é q ue to d a reg ra tem sua exc eç ã o . Pa ra m inha g ente, a Vinc ula ç ã o sub stitui tod o o resto p o rq ue é um mandato da natureza em sua forma mais pura, não aberta a interpretações. —Vinculação? —A ra inha p a ro u so lta nd o um a risa d a intum esc id a a o levar a mão ao pescoço nu. — Uma Licántropo? A Vinculação é um estado dos Demônios. Um inferno Demônio, se q uer sa b er m inha o p iniã o . Nã o te o fend a , Gid eo n, m a s a ntes


p a ssa ria o resto d e m inha vid a c om o um c o g um elo q ue ser p a rte d e o utro ser de forma tão completa. —O q ue te neg a a c o m p reend er, Siena , é q ue nã o tem eleiç ã o na matéria. —Já , enq ua nto tenha fô leg o no c o rp o , tenho eleição — so lto u a Ra inha carregando sobre o Gideon com fogo nos olhos brilhantes. — Po d e q ue p a ra vo c ês Demônios seja irresistível, m a s eu so u um a Lic á ntro p o d e inc ríveis p o d eres e usa rei to d o s o s p o d eres d e q ue d isp onho p a ra luta r c o ntra esta c oisa . Vinc ula ç ã o ? Ja ! Da va m elho r enc a rc era m ento . Vi-lhes a você e a sua c o m p a nheira , Gid eo n. Co m o p o d e sup o rta r essa necessidade constante que têm de estar na presença um do outro? Siena se deteve com as bochechas flamejantes enquanto se esfregava o estô m a g o c o m a m ã o d e m a neira inc o nsc ientem ente. O tec id o a zul d o tra je lhe enredava nas pernas ao voltar a passear saindo de seu confinamento. —Estive so zinha d esd e o d ia em q ue na sc i — d isse, já sem d irig ir seus c o m entá rio s a Gid eo n. Olha va o teto e p a rec ia c o m o se estivesse g rita nd o a sua Deusa com raiva. —Meu p a i nã o q ueria ter na d a q ue ver c o m p irra lho s. A g uerra era seu legado. De pequena, minha irmã estava doente tão freqüentemente que não m e p erm itia m esta r c o m ela . Dep o is d e q ue o vírus g enétic o a a ltera sse, enviaram-na a o The Prid e p a ra q ue a treinassem . Minha vid a foi esta c o rte. Dep o is d e m o rrer m inha m ã e, d eixa ra m -m e p a ra q ue a tend esse a c o rte enquanto m eu Pa i c huta va o m und o c a ç a nd o a sua g ente e b rig a nd o c o m eles. Nunc a so ub e p o r q ue. Só ódio e p rejuízo . Assim q ue m inha vid a foi um c o nsta nte ir e vir d e m ilha res d e p esso a s, m a s ning uém p ró xim o a m im . Ca d a m inuto d e c a d a d ia d esd e q ue era m enina fo i a ssim . Esta c o rte e c a d a a lm a que passou por ela. Já era a Rainha incluso quando só era Princesa. Assim, em certo sentid o, reg i a m inha g ente so zinha d ura nte c ento e c inq üenta a no s. Nunc a to m a rei c o m p a nheiro , nã o im p o rta o q ue vo c ê e sua Vinc ula ç ã o pensem me forçar a fazer. Nunca forçarei a meu povo a aceitar um insulto tão b la sfem o p a ra no sso tro no . Inc lusive se p ud essem a c eita r a um Demônio p o r Rei, c rê q ue a c eita ria a o ho m em a q ue c ha m a m o Aç o ug ueiro Demônio? A p a z p ela q ue tra b a lha m o s tã o d ura m ente se d estruiria em um insta nte . Fra nc a m ente, m eu p o vo nã o g o sta ria , hip o tetic a m ente fa la nd o , q ue sua Rainha vá à c a m a c o m um Demônio. E c erta m ente nã o o a c eita ria m , literalmente.


—Está a b so luta m ente seg ura ? Tem c erteza d e q ue o q ue te a ssusta é a reação de seu povo? —O q ue m e a ssusta ? —Siena se d eteve, vo lto u-se e lhe jo g o u um furio so olhar. — Vem a minha casa, a minhas habitações e agora me insulta? —Se q uer vê-lo a ssim ... De q ua lq uer fo rm a , seus esfo rç o s p a ra m e a fa sta r são desnecessários. Só tem que me pedir isso e me retirarei. Gid eo n o lho u à furio sa Ra inha m a is d e p erto , c o nsc iente em sua m ente d e q ue a a tenç ã o d a Leg na esta va p rep a ra d a . Os d ed o s d e Siena se c urva va m fo rm a nd o p unho s e trem ia litera lm ente c o m a s em o ç õ es. Leg na , c a p a z d e vê-los e o uvir tud o a tra vés d o s o lho s d e seu c o m p a nheiro , era consciente de quão volátil era a situação. —Sua c o nd esc end ênc ia nã o tem o utro p ro p ó sito q ue m e irrita r, m éd ic o . Quer te retira r? Co nsid era -o feito . Vo c ê e sua intrometia c o m p a nheira p o d em se considerar desterrados desta corte até que diga o contrário. —Siena — advertiu Gideon com suavidade. — Dentro de uns dias se sentirá como uma idiota por isso. —Fora! —O selvagem grito de Siena fez que os guardas irrompessem pela porta. —Te largue! Não vou tolerar tudo isto. Os g ua rd a s, vend o sua Ra inha tã o a ltera d a e fo ra d e si, nã o se p reo c up a ra m d e q ue Gid eo n era um luta d o r a sso m b ro sa m ente há b il q ue o s tivesse vencido em alguma ocasião. Defenderiam a honra e os desejos de sua Ra inha a té o últim o fô leg o . Dizia -o c la ra m ente sua p o stura enq ua nto a pelagem se arrepiava e as janelas dilatadas de seus narizes se acendiam. Gid eo n esc uto u a sua ve vo z fem inina em sua c a b eç a , a d estreza d e sua d ip lo m a c ia era únic a e efetiva . Sua s m a neira s d ireta s freq üentem ente alteravam as p esso a s e p o ssivelm ente se eq uivo c o u a o nã o utiliza r o toq ue m a is sua ve d e Leg na . Ma s nunc a tinha visto a Ra inha a tua r irra c io na lm ente, a ssim nã o lhe tinha o c o rrid o q ue p ud esse nec essitá -lo . Fez c a so d a s súp lic a s da Legna e dedicou à Rainha uma reverência lenta e respeitosa. —Co m o d eseja — d isse c o m sua vid a d e um m o m ento a ntes d e sua esp o sa o tira sse d a ha b ita ç ã o c o m o so m d o tele tra nsp o rte, a ntes q ue p ud esse fa zer a lg o c o m o q ue fic a va d e tem p era m ento d o q ue se arrependesse depois. Siena se voltou para os guardas.


—Dentro d e um a ho ra levem um c o nting ente a sua s ha b ita ç ões e lhes a sseg ure d e q ue partam. Se nã o for a ssim, apressar-lhes-ão a levá -lo s fo ra daqui, m a s nã o d evem lhes fa zer d a no . Nã o lhes to c a rã o nem um fio d e cabelo, entendeste-me? Isto não deve ser considerado como uma separação ho stil, m a s sim c o m o um m ero d ista nc ia m ento tem p o rá rio a té q ue c o nsig a m e concentra r no s a ssunto s d e esta d o sem q ue a p resenç a d o s Demônios interfira. —Majestade — a ssentira m o s g ua rd a s inc lina nd o -se a ntes d e sa ir e vo lta r para seu posto ao outro lado das portas. Ac a b a va m d a s fec ha r q ua nd o a s a b riu tã o d e rep ente q ue ricochetearam e se fecharam assim que passou por elas. —Syreena ! Anya ! Co m p a reç a m im ed ia ta m ente! —O g rito d a Ra inha ecoou no corredor fazendo que os serventes se sobressaltassem. A Princ esa e a Co m a nd a nte d e Elite a p resenta ra m -se im ed ia ta m ente a p a rec end o d etrá s de Siena e se d irig ira m à sa la interio r d o tro no , m a is tra nq üila e fresc a , q ue Siena seg uia m a ntend o va zia . Assim q ue a s c o m p o rta s se fec ha ra m se vo lto u p a ra ela s. Sua únic a fa m ília . Pela p rim eira vez em vá rio s d ia s, o lho u a o s c urio so s o lho s fa zend o q ue a m b a s rea g issem c o m a surp resa que esperava. —Sem comentários — disse Siena com rudeza. Tirando a so b reveste, so lto u um susp iro d e a lívio e se sa c ud iu o c a b elo , ajustando o singelo vestido que levava debaixo. Syreena esta va esp era nd o sua s c o nfid ênc ia s, m a s a o ver a g a rg a nta d e Siena nua , o s o lho s d e Anya se a b rira m c o m o p ra to s. Pa rec ia q ue esta va tenta nd o q ue nã o c a ísse a m a nd íb ula e, em sua d efesa , terá q ue d izer q ue resistiu o impulso. Siena lhes p ô s a o d ia d o q ue tinha o c o rrid o c o m ra p id ez. As três passeavam p ela ha b ita ç ã o c o m a energ ia a g ud iza d a d o s q ue esta vam a nsio so p o r b rig a r. É obvio tud o era em b enefíc io d a Anya . Syreena m a ntinha um a c o ntenç ã o neutra , inc lusive q ua nd o o s o lho s neg ro s d a m estiç a se estreitaram suspeitando. —Dec id i luta r c o m esta , lhe c ha m em o s, inevita b ilid a d e. Syreena te reúna c o m o The Prid e. Certa m ente, to d o s esses g ra nd es estud io so s p o d erã o enc o ntra r a fo rm a d e reverter o s efeitos. Deixa nd o a um la d o a s Lend a s e a Vinc ula ç ã o , tud o isto nã o p o d e c a ir em m ã o s d o s na rra d o res d e histó ria s nem d esse Destino d o q ue tã o o rg ulho so s estã o o s Demônios. Diga-lhes q ue têm só


q ua tro d ia s. Deixe c la ro q ue p referiria um a cura a esta s a ltura s d o s a c o ntec im ento s. Im a g ino q ue esta rã o m a is q ue d isp o sto s a a c eita r q ua nd o se d erem c o nta d e q uem será seu Rei exa ta m ente se fa lha rem . Nã o vo lte a té que tenha espremido seus cérebros. —Anya , seu enc a rg o é enc o ntra r à fêm ea Mistra l c ha m a d a Wind so ng e m e tra zer ela. Vive em um sub úrb io d e Pa ris q ue se c ha m a Brise Lum ineuse . Poderá a enc o ntra r a li. É um pouquinho xenó fo b a e nã o vai q uerer sa ir d e sua terra, mas deve lhe rogar em meu nome que venha. Virá por mim. A rainha duvidou o suficiente para esfregar as têmporas. Estava claro que a c o nfusã o em q ue se d eb a tia lhe c a usa va g ra nd e q ua ntid a d e d e estresse, um esta d o c o m o q ue, c la ra m ente, nã o esta va a c o stum a d a a luta r. Siena sem p re tinha d irig id o seu reino c om a fa c ilid a d e q ue d á a seg ura c o nfia nça e a c la rid a d e instintiva . O estresse e a d úvid a nunc a tinha m fo rm a d o p a rte d e suas decisões. Até agora. —Não o entendo — disse Anya. A confusão se gravava em seus rasgos. — Pa ra q ue nec essita a um a estra ng eira ? O q ue p o d e fa zer c o m tud o isto uma Mistral? Siena voltou os olhos dourados e frios para sua General de Elite. —Nã o tem q ue p erg unta r p o r q ue, Elite. Só tem q ue m e o b ed ec er sem p erg unta r. Vai, vai já o u esc o lherei a o utro m a is c a p a z p a ra exec uta r m inha s ordens. Anya nunc a tinha esc uta d o um to m tã o d uro d a Ra inha , em to d a sua vid a . Se nã o tivesse esta d o treinada em o b ed ec er a o rd ens a uto m a tic a m ente, p o d eria ter d uvid a d o e ter p rejud ic a d o sua c a rreira . Ma s sa iu im ed ia ta m ente p a ra c um p rir a s o rd ens d a Ra inha sem nenhum a o utra p erg unta na c a b eç a . Deixa va p a ra a Syreena d irig ir a Siena . Era a únic a q ue não podia ser desterrada da corte por um capricho temperamental. Syreena se voltou para sua irmã assim que a outra mulher saiu. —Siena , nã o p rec iso a c ud ir a o The Prid e e sa b e tã o b em c o m o eu. Qua isq uer q ue seja m a s c irc unstâ nc ia s, nã o q ueb ra rã o a c o nfia nç a d e milhares de anos no que guardam. —Pode ser, mas irá e tentará. —E q ua nd o o fizer, sa b erã o o q ue tem feito . Dep ois d e q ue se neg uem , exig irã o q ue eleve a o tro no a seu c o m p a nheiro sem lhes im p o rta r q uem é. Está ficando sem tempo.


—Se nã o reso lver isto a ntes d o Sa m ha in, fic a rei sem tem p o d e to d a s a s formas. De rep ente, Siena p a rec eu d esinfla r-se; c o b riu o ro sto c o m a s m ã o s e tento u tira r a ferro a d a d e em o ç ã o d o s o lho s p isc a nd o . Tento u to m a r fô leg o p ro fund a m ente, c o m resp ira ç õ es firm es. Foi ra p id a m ente p a ra o tro no e se sentou porque não podia suportá-lo nem um minuto mais. —Do c e Deusa , o q ue tenho feito? —Disse ro uc a p o nd o a m b a s a s m ã o s entre os joelhos. — Syreena , nã o p o sso fa zê-lo . Nã o p o sso m e d eixa r d o m ina r p o r um ho m em . E q ue ho m em ! É um g uerreiro a té a m ed ula ! To d o seu m und o é só a batalha e a intriga. —Como com Anya — assinalou Syreena. — E a ind a a ssim tem um lug a r esp ec ia l em sua vid a , sua c o nfia nç a e seu coração. Siena riu sem hum o r, c a b ec ea nd o sua a p ro va ç ã o enq ua nto um a lágrima solitária deslizava por seu rosto. —E p ensa p o r um seg und o q ue p o d erei enc o ntra r ta is c oisa s no s b ra ç o s d e um Demônio? Foi m eu tra to c o m Anya q ue a jud a va a elim ina r o estig m a q ue a rra sta va m o s m estiç o s. Seria o m esm o se c o lo c a r a o g uerreiro a m inha c a m a e p o ssivelm ente em m eu c o ra ç ã o ? To m a rá isto — d isse tira nd o o c o la r do bolso—, por mim a decisão de quem devo amar? Serão o ouro e as pedras d e lua e a s m a ld iç õ es m á g ic a s o s q ue d ec id a m q uem tem q ue reg er esta terra se eu m o rrer? Teria q uerid o q ue fo sse vo c ê, Syreena . Um a m ulher. O c o ra ç ã o d e um a m ulher d eve c o nd uzir a esta so c ied a d e p a ra o futuro . Sem p re d evia ser a ssim . É p o r isso q ue o tro no p a ssa à filha m a io r, nã o a o filho maior. —Nenhum a m ulher p o d e sa b er tud o o q ue nec essita p a ra reg er um p a ís se nã o sa b er o q ue é a m a r. Cuid a r d e um m enino . Ho nra r a um c o m p a nheiro como a seu igual. —Tenho-o feito bem até agora — saltou Siena. —Vo c ê c rê? Tem a lg um a c o isa esp ec ia l q ua nd o trata d e leis e a c o rte. Am a ld iç o a a nosso Pa i p o r sua into lerâ nc ia , c o nd ena a no ssa g ente p elo mesmo comportamento, mas não vê que você faz o mesmo? Syreena se a p ro xim o u p a ra senta r-se a o s p és d e sua irm ã , a g a rra nd o d e entre seus joelhos as frias mãos as sujeitando entre as suas mais cálidas.


—Vi sua p a rc ia lid a d e no s trib una is, q ua nd o se inc lina m a is p elo a rg um ento d e um a m ulher q ue p elo d e um ho m em . Qua nd o há d ois ho m ens envo lto s, nã o é tã o p a c iente e nã o está tã o a tenta . Tenta -o . Sei q ue o tenta — a a c a lm o u q ua nd o Siena a p a rto u o s o lho s, inc a p a z d e sup o rta r a verd a d e nos olhos de sua irmã. — Sua nec essid a d e d e justiç a é tã o p o d ero sa . Ma s é o p ro d uto d e sua vida, como o somos o resto de nós. É, a falta de um termo melhor, só humana. De alguma forma, isso fez rir a Siena. —Às vezes eu g o sta ria q ue isso fo sse certo. Sabe Syreena , q ue à s vezes invejo Anya . Ela é o verd a d eiro sig nific a d o d a m esc la entre o a nim a l e a m ulher. Nã o luta c o ntra sua s d ua s m eta d es... Três m eta d es... —riu o utra vez quando sua irmã o fez. —Cinco metades? —Disse Syreena. —Sim — a ssentiu Siena inc lina nd o -se p a ra sua irm ã e a tra ind o sua s m ã o s unidas para os lábios. — Sim , é verd a d e. Queixo-m e m uito neste m o m ento , m a s é verd a d e o d ito d e q ue sem p re é um p ro b lem a p io r q ue o teu o q ue a flig e a o utro s. Suportaste-o toda sua vida, dividida entre os lados multifaces de você mesma. —Suportei-o em um a c a sa d e c rista l, Siena . O m o na stério nã o é o m und o . Vo c ê vivia no m und o , esq uiva nd o a no sso p a i e to d a s a s c oisa s q ue a b o rrec ia ele, inc luíd o o intento d e te a ssa ssina r q ua nd o so ub e d e seus sentim ento s p a ra o s Demônios e q ua nto d iferia m d o s seus. Nã o p o sso d izer qual das duas teve uma vida mais dura. É como comparar maçãs e laranjas. —Ou cães e gatos — disse Siena. —Demônios e Licántropos — apertou Syreena. — Em b o ra susp eite p elo q ue o uvi de seus p ró p rio s lá b io s q ue nã o so m o s tã o d iferentes c o m o esp erá va m o s ser. E se ho uver um a p esso a q ue p o d e fecha r esse a b ism o , essa é vo c ê. Ad o ra m -lhe, irm ã m inha . Rec o rd a -o . Nunc a g ua rd a ste em seg red o sua a m p litud e nem sua a titud e p a ra a g ente d o g uerreiro . O m elho r de sua g ente surp reend e c o m o nível d e a c eita ç ã o d o que estão dispostos a aceitar no que a você concerne. —É p o ssível. Se fo sse c a p a z d e a c eita r a m im m esm a … Se fo r tã o d ifíc il para mim... —Para você é m a is q ue a ra ç a d e seu p o tenc ia l c om p a nheiro , Siena . Muito mais.


Siena assentiu m uito ho nesta p a ra m entir a a lg uém q ue nã o fo sse ela mesma. —Tem razão, é obvio. Far-me-ia um favor, Syreena? —O q ue p ro c ure a Anya e lhe fa ç a participar d e sua s m a is efusiva s desculpas? Siena riu, assentindo. —E o embaixador Demônio? —OH, merda… —Nã o tem a , m inha Ra inha . Ocupar-me-ei d isso ta m b ém . E o s g ua rd a s não fofocarão. Não são dessa classe. —Seguiram minhas ordens, não crê? —Nã o m e surp reend eria q ue to m a ssem seu tem p o esp era nd o q ue sua so b era na inusita d a m ente tem p era m enta l vo lta sse a ser a d e sem p re. Em b o ra seja o p rim eiro q ue c o m p ro ve. Ac red ito q ue Anya está to m a nd o seu tem p o em fazer a bagagem à espera dos acontecimentos. Syreena se leva nto u e se inc lino u p a ra b eija r a sua irm ã , g ra nd em ente mais tranqüila, na bochecha antes de lhe soltar as mãos. —Enc o ntra rem o s um a so luç ã o p a ra tud o isto , Siena . — p ro m eteu — Nós três junta s. Ig ua l à trind a d e d a Deusa . Sa b ed o ria , Fo rç a e Na tureza junta s em harmonia. A Princ esa se vo lto u d irig ind o -se a sua s o b rig a ç õ es e d eixo u Siena na solidão da sala do trono p a ra q ue tentasse reconciliar-se com tudo o que tinha acreditado ser correto até o momento. —Muito b em , Elija h, se isto fo r um a d e sua s b rinc a d eira s será m elho r q ue o diga aqui imediatamente. Elija h leva nto u o s o lho s esc uro s, ino c entes e verd es p a ra seu Rei o fazendo saber que não era nenhuma brincadeira com um simples olhar. —Temia q ue nã o fo sse dizer-me q ue era — No a h susp iro u se senta nd o e esfregando a s têmporas, que voltavam a palpitar. — Siena. De todas as mulheres no longo mundo, tinha que ser Siena. —Que g ra ç a , é o m esm o q ue eu penso. —assinalou o guerreiro deixando a taça de exótico leite de tigre sobre a mesa. Voltou-se para o lha r o fo g o c om o tinha visto fa zer No a h d ura nte ho ra s quando procurava esclarecer-se. —Se fizer isto quebrara uma meia dúzia de leis. —Está pensando em me entregar a Jacob?


—Não. Mas terei que dizer, respondeu o Rei. — E terei que dizer ao Concílio. —Já sabia que foste dizer isso — disse Elijah com um suspiro. —Ad o ro a id éia d e q ue m inha vid a p esso a l seja um a ssunto d e d isc ussã o do Concílio. —Dá o b rig a d o q ue tenha m uito s a m ig o s no Co nselho . E c o m Ja c o b , Gid eo n e eu em seu b a nd o , a s c oisa s nã o se d esandarão. Entend e q ue se fizesse a eleiç ã o so zinho , p o d eria c o nsid era r seu fa vo ritism o e a ssim nã o terei m a is Co nselheiro s m e c urva nd o so b re o tem a d o s q ue terá vo c ê m esm o — Noah lançou ao guerreiro um meio sorriso. — E se so ub er d e Siena no p o uc o tem p o q ue a c o nheç o , é q ue é b a sta nte o b stina d a no s g ra nd es em p enho s. Vo c ê, m eu a m ig o , tem um a batalha imponente entre mãos. —Entã o , sup o nho q ue é b o m q ue seja um g uerreiro m uito c a p a c ita d o, não? —Elijah se voltou com um sorriso lupino na boca. —Sa b e? Tenho o p ressentim ento d e q ue va is d esfruta r c o m tud o isto — disse Noah suspeitando. —Sabe? Acredito que tem razão — respondeu Elijah. — E em mais sentidos dos que nunca saberá Noah. —Va le, nã o m e c a b e a m a is m ínim a d úvid a . Ela é… um a fêm ea extraordinária. No a h nã o d isse na d a m a is. Se tivesse feito , teria a rrisc a d o sua c a b eç a p o tenc ia lm ente p o r fa zer um a suposição m uito a trevid a so b re a c o m p a nheira d e o utro ho m em . Se a lg o tinha a p rend id o no a no p a ssa d o , era a p o d ero sa m ente p o ssessiva na tureza q ue à s vezes ia unid a à Vinc ula ç ã o . E fosse o u nã o seu a m ig o, Elija h era um ho m em c ujo la d o m a u nã o q ueria ver nem em pintura. —Bom — acrescentou com rapidez. — Disc uta m o s o tem a d essa s marota s m ulheres e o q ue é exa ta m ente que pretende fazer sobre isso. —Eu? É Jacob o que nos vigia. Jacob e Bela. Noah não se deixou enganar pela forma despreocupada em que evadiu a pergunta. —E sup o nho q ue nã o te o c o rreu à id éia d e lhes d evo lver o fa vo r p elo que lhe fizeram verdade? —perguntou o Rei. —Bom, agora que o diz…


CAPÍTULO 9

Siena p a ssea va d eva g a r p elo s sa lõ es d e seu c a stelo . Os m uro s d e p ed ra e o s teto s sub terrâ neo s g ra va d o s c o m filig ra na s a seu red o r leva va m séc ulo s a li. Ca d a no vo m o na rc a esc o lhia um a a la no va e a im o rta liza va c o m o tra b a lho d o s a rtista s q ue o s rep resenta va m a eles e a sua ra inha . Co m p leta r to d o o p ro c esso lhes leva va um a vid a , m a s era fa sc ina nte ver c o m o avançava a gravura com o passo dos anos. Era um c o stum e gratificante. Sig nific a va nã o ter q ue d o rm ir na s m esm a s habitações que tinham visto a morte de sua mãe e os sonhos retorcidos de seu pai. Tampouco é que ele tivesse passado muito tempo nas habitações. Agora era ela a que tentava escapar de seus sonhos. So nho s d o g uerreiro loiro q ue d e a lg um jeito, tinha m m a rc a d o seu c o rp o , sua mente e sua alma com seu toque. Fa zia d ois d ia s q ue tinha esta la d o a nte seus a m ig o s, sua fa m ília e seus c o nfid entes d e fo rm a p o uc o usua l. Aind a tinha q ue passar na s d ep end ênc ia s d e Gid eo n e Leg na p a ra d esc ulp a r-se p o r seu c o m p o rta m ento . Nem seq uer p o d ia c o nc entra r-se no m inuto q ue lhe leva ria fo rm ula r um a d esc ulp a adequada. Não. Isso a punha doente. Do ente era a únic a p a la vra q ue a sa tisfa zia p a ra d esc rever a fo rm a como se sentia . Ela esta va vind o a b a ixo , esta va ento rp ec id a . Tinha sensa ç õ es tã o estra nha s q ue a fa zia m sentir-se enjo a d a . E esses era m o s sinto m a s q ue queria reconhecer. O q ue se neg a va a rec o nhec er era o a rd o r so b a p ele, a s esp o rá d ic a s a sc ensõ es d e a d rena lina q ue a a ssa lta va m e à s q ue seg uia m uns lo ucos im p ulso s d e c o rrer. Co rrer e c o rrer a té q ue se enc o ntra sse envo lta em b ra ç o s d e a ç o , b a la nç a d a p o r m ã o s c a lo sa s. E c a d a m inuto se vo lta va p io r. Syreena lhe ha via d ito q ue era p o rq ue nã o p o d ia esta r sep a ra d a d e seu c o m p a nheiro d ura nte m uito tem p o , m a s Siena se neg a va a a c red ita r c a p a z d e ta is necessidades comportamentais. E, d e a lg um a fo rm a , sentia c o m o se ele estivesse m urm ura nd o constantemente em sua cabeça.


Rec o rd a va q ue Gid eo n e Ma g d eleg na c o m p a rtilha va m um vínc ulo m enta l e q ue Gid eo n lhe ha via d ito q ue essa intim id a d e era ha b itua l no s c a sa is vinc ula d o s. Ma s a id éia d e q ue a lg uém tivesse c o nhec im ento d e to d o s seus pensamentos lhe resultava atroz. Atroz e irritante. Encontrou-se a si m esm a lhe a visa nd o za ng a d a em sua c a b eç a , se p o r a c a so estivesse a li. E a lg um a s vezes p ensa va q ue p o d ia o uvir a m a ld ita cadência masculina segura de si mesmo de sua risada respondendo-a em sua mente. Faltavam duas noites para o Samhain. E sentia deslizar-se até a última molécula de seu corpo. To c o u a g a rg a nta . O c o nso lo d o c o la r q ue vo lta va a esta r o nd e d evia , era o únic o q ue a c a lm a va sua a lm a . É o b vio q ue ha via o sa c rifíc io d e fa zer frente a o The Prid e e a reja r seus tra p o s sujo s sexua is. Tinha m a c essa d o a vo lta r a unir o s elo s d e a d ivinha ç õ es d e seu c o la r e ta m b ém tinha m a c essa d o a to m a r seu tem p o p a ra c o nsid era r a s ra m ific a ç õ es d o q ue esta va o c o rrend o antes de pô-lo a debate ante o público. Embora Siena já soubesse o que opinariam do assunto. O c o la r lhes tinha p ro va d o q ue, tã o estra nho c o m o p a rec ia , o g uerreiro Demônio era na verd a d e o verd a d eiro c o m p a nheiro d e Siena . De o utro m o d o , nã o ha veria sentid o sexua lm ente a tra íd a p o r ele. Nã o teria entreg ue sua virgindade. E, certamente, ele não teria podido romper os encantamentos do colar se não fosse o companheiro para o que tinha sido destinada. Siena a p oio u seu p eso em um a d a s “ ja nela s” sub terrâ nea s esc a va d a s na sa la p ela q ue p a ssea va . Dizia-se q ue o c a stelo se estend ia por q uilô m etro s a o la rg o e tinha m a is ha b ita ç õ es, c ub o s e p a ssa d iç o s d o s q ue se p ud essem percorrer em um a vid a . Era m uito d izer c o nsid era nd o q uã o id o sa esta va a c o stum a d a ser sua esp éc ie. Nã o p o d ia c o nta r às vezes q ue se p erd eu p elo s salões quando era menina. Essa s ja nela s sem c rista is, m a s b em a rc o s g ra va d o s q ue o utra c o isa olhavam a s histó ria s q ue se d esenvo lvia m na s c a sa s extra m uro s d o c a stelo . Essa s c a sa s ta m b ém esta va m c o b erta s p elo c a verno so teto c ujo s ec o s c heg a va m a o s ha b ita ntes d a p a rte inferio r. Tinha sid o a únic a m a neira d e lhes p ed ir a jud a . Ma s um a vez q ue a p rend eu a tro c a r e a usa r seu sentid o d o olfato para seguir seu próprio rastro, nunca voltou a perder-se.


Bo m , nã o litera lm ente. Fig ura tiva m ente fa la nd o , nã o p o d ia esta r m a is perdida. Percorreu-a um a b risa sub terrâ nea , g ela nd o a p ele. Estrem ec eu e esfreg o u a s m ã o s p elo s b ra ç o s, c o m eç a nd o a p a ssea r d e no vo p a ra entra r em calor. Afastou-se m uito p elo s sa lõ es e leva va ho ra s sem ver ning uém . Tinha d esp ed id o d e seu g ua rd a e a sua s sem p re vig ila ntes c o m p a nheira s q ue tinha m p erm a nec id o d isp o níveis p a ra ela a q ua lq uer ho ra q ue p ud esse a s necessita r p a ra lhes c o nfia r seus sentim ento s. Anya e Syreena era m verd a d eira m ente c ria tura s exc ep c io na is e seria m rec o m p ensa d a s lo g o q ue arrumasse o apuro em que estava colocada. A verd a d e é q ue esta va so zinha e surp reend entem ente, c o nso la va -a sabê-lo. O frio d a b risa a p erc o rreu d e no vo d esd e a trá s, m o vend o a sa ia c urta d e seu vestid o e lhe sa c ud ind o o c a b elo . Ro d eo u-a inund a nd o -a e fo rç a nd o a a deter-se quando uns braços musculosos rodearam sua cintura. Siena c o nteve o fô leg o surp reend id a enq ua nto o frio se desvanecia sub stituíd o p ela c a lid ez e o c a lo r d e um c o nhec id o c o rp o m a sc ulino . Sustentou-a c o ntra seu p eito c om a s m ã o s estend id a s so b re o p la no ventre, apoiando-a mais profundamente contra os duros planos de seu corpo. —Elijah. —Sussurro u c o m o s o lho s fec ha d o s enq ua nto um a sensa ç ã o d e inc rível a lívio se d erra m a va p o r to d o seu c o rp o . Ca d a nervo e c a d a ho rm ô nio vo lta ra m p a ra a vid a p elo sim p les feito d e ser a b ra ç a d a . Ia à c a b eç a c o m o poder que sentia. Pôs-lhe a s m ã o s no s q ua d ris e d eu to ta lm ente à vo lta a té q ue estivera m cara a c a ra . O g uerreiro a a p erto u c o ntra seu c o rp o to m a nd o sua b o c a c o m fo m e selva g em a o m esm o tem p o em q ue ela p ro c ura va seu b eijo . Nã o p o d ia evitá-lo . Nã o p o d ia d ep ois d e to d o s esses d ia s q ue tinha p a ssa d o fa m inta . Em b o ra esta d eb ilid a d e a ind a lhe resultasse m uito d o lo ro sa e lhe d eixa va lágrimas de frustração nos olhos. Tudo era como o recordava. As lembranças de suas carícias e seus beijos era m tã o vívid o s c o m o o s d e a g o ra . Tud o era c a lo r e a lm ísc a r, o d elic io so sa b o r d e sua b o c a a trevid a e exig ente. As m ã o s em sua s c o sta s a a p erta va m c o ntra seu c o rp o em um m o vim ento q ue so mente p o d ia q ua lific a r c o m o desespero.


Elija h nã o q ueria ha vê-la a ta c a d o d essa m a neira , m a s no m o m ento q ue a sentiu p erto e c heiro u o p erfum e d e sua p ele e seu c a b elo , nã o p ô d e fa zer o utra c oisa . Devo ra va sem d esc a nso o sa b o r a c a nela d e sua b o c a , g runhind o d e a lívio e d e p ra zer q ua nd o sua s m ã o s se c urva ra m so b re a m a lha d e sua c a m isa e seu inc rível c o rp o enc a ixo u a p erfeiç ã o c o m o seu. Ap erto u o s q ua d ris c o ntra o s seus d eixa nd o c la ro q uã o fo rte e rá p id o era o efeito q ue tinha so b re ele. Sentiu-a o nd ula r c o m a a va la nc he d e seu c o rp o a p erta nd o -a, seus beijos inflexíveis. Tud o era p erfeito . De p rinc ip io a fim e leva va ta nto tem p o fa m into sem ela. E sabia que ela tinha estado igual sem ele. Fo i a p rim eira q ue se sep a ro u um p o uc o , a p a rta nd o -se d e sua b o c a e d eixa nd o p end ura r a c a b eç a p a ra trá s p a ra to m a r fô leg o c o m fo rç a , rapidamente. —Ai, nã o — g runhiu ro uc a m ente sa c ud ind o a c a b eç a e fa zend o q ue o cabelo acariciasse os braços que lhe rodeavam a cintura. Inc lusive a s m ec ha s a tra ía m , d esliza nd o -se a nsio sa m ente p a ra enro sc a rse no s p ulso s e o s a nteb ra ç o s d ele, a ta nd o -o a ela d e m a neira seg ura em caso que escandalosamente queria apartar-se. Levantou a cabeça e abriu os olhos com as profundidades douradas cheias de desejo e de angústia. —Nã o q uero isto — lhe sussurro u d eixa nd o c a ir a fro nte so b re seu p eito quando o calor de seus olhos se voltou muito intenso para suportá-lo. —Por que não me deixa? —Po rq ue nã o p o sso — disse so lta nd o um a m ã o d e seu c a b elo p a ra p o d er lhe a g a rra r o q ueixo e fo rç á -la a lhe o lha r. —Nã o m a is d o q ue p o d e você. —Odeio tud o isto , — d isse d o lo rid a , p isc a nd o ra p id a m ente p a ra elim ina r as lágrimas de frustração que lhe ardiam nos olhos. —Odeio nã o ter c o ntro le so b re m eu c o rp o . So b re m inha vo nta d e. Se isto fo r o q ue sig nific a esta r Vinc ula d o , se fo r esta d eb ilid a d e vo u me aborrecer até meu último fôlego. E entã o se a p a rto u, d esa fia nd o a c a d a nervo d e seu c o rp o q ue lhe g rita va q ue vo lta sse p a ra seu a b ra ç o . Entreta nto , só p ô d e retro c ed er um p a r d e p a sso s p o rq ue tinha o c a b elo enred a d o em seus pulsos lhe a p ro xim a nd o dela. Como se não a tivesse seguido de todas as formas.


Qua nd o q uis d a r-se c o nta d e q ue tinha a s c o sta s c o ntra a ja nela , sentiu p â nic o p o r um m o m ento . Em b o ra soubesse q ue nã o p o d ia m vê-lo s, esta va m a três andares sobre as casas e as gentes de abaixo. —Chama-o d eb ilid a d e e em b o ra esteja tã o a feta d o c o m o vo c ê, eu chamo força. A ric a vo z d e b a ríto no resso na va a seu red o r fa zend o com q ue p a ra sse o c o ra ç ã o a la rm a d o . Ag a rro u-lhe o p ulso e lhe a tra iu p a ra o sa lã o o nd e a s sombras os rodearam reduzindo o eco de suas vozes. —Por que vieste? E não jogue a culpa no dia sagrado, não até dentro de dois dias. —Nã o p retend o “ jo g a r” a c ulp a a na d a . Nã o a c red ito nec essita r nenhum a d esc ulp a p a ra verte, Siena . —estend eu a m ã o p a ra lhe to c a r o rosto, mas ela se tornou para trás e lhe evitou. — É p elo d ia sa g ra d o d e d entro d e d ois d ia s p elo q ue esto u a q ui. Nec essita m o s um pouquinho d e c o m p ro m isso entre nó s a ntes q ue c heg ue essa noite, Siena. —Nã o nec essito c o m p ro m isso s. Se vo c ê o s nec essita r, terá q ue arrumar isso sozinho. Deu-se a vo lta p a ra a fa sta r-se d ele esq uec end o d e q ue era tã o rá p id o c o m o ela . Ning uém p o d e a d ia nta r a o vento . Sua m ã o se fec ho u so b re seu anteb ra ç o a tra ind o -a p a ra ele... e q ueb ro u o tem p era m ento e a d o r q ue tinha estado mantendo sob um tênue controle durante dias. Deixo u esc a p a r o g rito d e um a nim a l ferid o e vo o u p a ra ele. Ele viu um brilho de garras e sentiu uma aguda ardência quando lhe alcançaram o rosto. Dura nte um seg und o fic ou assombrado p elo a ta q ue m a s rea g iu p o r instinto . Agarrou-a p elo c a b elo no q ue d ura um b a tim ento d o c ora ç ã o , enred a nd o -o no p unho c o m um só m o vim ento e a vo lto u d e c o sta s c o m a s g a rra s apontando em uma direção mais segura. Ela grunhia com suavidade e depois gritou de frustração quando se encontrou de cara contra o muro gravado. Seu eno rm e c o rp o se a linhou im ed ia ta m ente c o m sua s c o sta s, assegurando-a c o ntra a p a red e sem d ó enq ua nto lhe a g a rra va um a m ã o e a apertava também contra o muro. —Me solte! —retorceu-se em vão, incapaz de mover-se nem um milímetro em qualquer direção. — Terá a s m ã o s c heia s d e a rra nhõ es d e p um a ra ivo so se nã o m e so lta r neste mesmo instante.


—Perm ita q ue d uvid e — ro nro no u em seu o uvid o . Sua b o c a lhe a c a ric ia va o ló b ulo d a orelha d e um a fo rm a q ue fa zia com que estremecesse involuntariamente. — Tenho seu c a b elo enro sc a d o no p ulso e, se nã o m e eq uivo c a r, isso é m a is q ue sufic iente p a ra q ue nã o p o ssa te tra nsfo rm a r em o utra c oisa . O q ue a c red ito , nã o é m a is p erig o so q ue um a m enina m a lc ria d a . — Sua resp o sta fo i chamá-lo a lg o c o m o q ue nã o esta va fa m ilia riza d o , m a s d eu um a b o a id éia do que significava. — Po is d eixa a m a nha d e c ria nç a p o rq ue nã o p o d e te sa ir c o m a sua gatinha. —Disse-lhe tra nq üila m ente enq ua nto sua b o c a d esliza va lenta m ente por um lado do pescoço. — Vim a ntes d o Sa m ha in p o rq ue nã o q uero te fa zer d a no , Siena . Se nã o te rec o nc ilia r c o m o inevitá vel a ntes q ue c heg ue o d ia , a c a b a rei fa zend o isso e, embora não acredite nisso, é o último que quero fazer. Siena fec ho u o s o lho s tenta nd o nã o esc uta r sua s p a la vra s nem o to m p a c iente e c o m etid o c om o s q ue a s d izia . Ap erto u o s d entes c o ntra o s rios d e fo g o q ue c o rria m p o r sua s veia s c o m a c a ríc ia d e sua a rd ilo sa b o c a . Nã o q ueria q ue a d o m ina sse tã o fa c ilm ente. Po d ia c ha m á -lo m a nha d e c ria nç a ou o que quisesse, mas era sua independência o que estava em jogo. E não ia render sem lutar. —Nã o esto u a q ui p a ra te ro ub a r sua ind ep end ênc ia , gatinha. —Disse b ra nd a m ente fa zend o -a susp ira r d e frustra ç ã o p ela fa c ilid a d e c o m q ue estava começando a ler seus pensamentos. — De fa to , sua ind ep end ênc ia , sua luta e to d o s esses instinto s q ue g ua rd a s tã o p erto d o c o ra ç ã o sã o o s q ue lhe fa zem p erfeita a m eus o lho s. E me fazem perfeito para você. —Como que lhe fazem perfeito para mim? —Perguntou cortante. — É p o r q ue p o d e fa zer q ue m eu c o rp o te resp o nd a ? Essa é sua id éia d e perfeição? —É um começo. —mofou-se, rindo entre dentes contra seu pulso. — Ma s há m uito m a is e nã o a c red ito q ue nec essite q ue lhe d ig a isso . — aproximou-se de sua orelha outra vez, sussurrando as seguintes palavras com o mais suave dos fôlegos. — Que m elho r c o m p a nheiro p a ra um a guerreira q ue um g uerreiro q ue leva o aroma de sua presa na brisa? Quem melhor para ser o companheiro de um a g a ta sensua l q ue o m a c ho q ue a lg um a vez terá b a sta nte d e seu a ro m a ,


seus m o vim ento s, seu sa b o r e seu ta to ? E a q uem p referiria p o r c im a d o únic o q ue p o d e inc lina r a c a b eç a a nte o p o d er d e seu a g a rre so b re sua g a rg a nta ? Esqueceste tud o isso , gatinha? Apagaste a lem b ra nç a d e q uã o fa c ilm ente a c eitei sua s a firm a ç õ es na q uele m o m ento e d e to d o s o s m o m ento s q ue compartilhamos na cama? —Surpreende-m e q ue seu eg o so b revivesse a ta is ferid a s. —Disse c o m pesada e amarga tristeza tentando ignorar as verdades que não queria ouvir. —Meu eg o está sa tisfeito te a b ra ç a nd o . Sentind o seu c o rp o c o ntra o m eu sa b end o q ue esta rá a ssim sem p re. Esta ria sa tisfeito tã o so m ente c o m verte c a ç a r, a tend er a s a ud iênc ia s na c o rte, d o rm ir... — Elija h p ôs a b o c a em sua têmpora. — E eu g o sta ria q ue o lha sse em m eu interio r e so ub esse o q ue sig nific a dizer tais coisas para um homem como eu. Elijah lhe soltou o cabelo retrocedendo. Ela se livrou um m o m ento a ntes d e a p a rta r-se da parede e voltar-se p a ra lhe olhar. Levou-lhe um momento levantar os dourados olhos para ele. —Po r q ue d eixa ria q ue a lg uém fizesse a lg o a ssim ? Inva d ir seus pensamentos? —estrem ec eu d e ta l fo rm a q ue ele sentiu em to d o s o s p êlo s d o corpo. —Po rq ue c resc i em um a so c ied a d e o nd e essa s c o isa s sã o c o rrentes. Esta m o s m uito a d ia nta d o s em p ensa m ento s e sentim ento s. Co m p a rtilha m o -los entre nós com facilidade. É algo que te parecerá liberador algum dia. —Já m e p a rec e isso . Fa lo c o m lib erd a d e c o m Syreena e Anya . Meus p ensa m ento s estã o tã o a b erto s p a ra ela s c o m o o esta ria m p a ra a s so nd a s d e seus Demônios Menta is. A d iferenç a é q ue eu esc o lho fa zê-lo . A eleiç ã o nã o me arrebata sem permissão. Elija h a p oio u a s c o sta s na p a red e frente a ela e c ruzo u os b ra ç o s so b re o a m p lo p eito . O m o vim ento fez q ue to m a sse c o nsc iênc ia d e q ue esta era a p rim eira vez q ue lhe via em p erfeito esta d o d e sa úd e d o últim o Belta ne . Em a na va sa úd e. Era um a m a ré d e p o d er, um a c o rrente d e fo rç a leta l e um a sensualidade elementar que faziam que tremesse sob a pele. Como seria fazer o amor com ele agora que estava completo de novo? Ele so rriu. Um so rriso m a lic io so e d ivertid o q ue lhe fez rec o rd a r q ue esta va c o nec ta d o c o m o q ue ela p ensa va . Fez um so m d e selva g em frustra ç ã o e lhe olhou resolvida aos olhos negando-se a atuar como uma menina.


—Minha g ente a c red ita q ue no m o m ento em q ue um a fêm ea a c eita a Vinculação — d isse o g uerreiro c o m eng a no sa neutra lid a d e—, tem p erm itid o ser parte de tudo o que isso significa. A telepatia está incluída. —Eu não dei minha permissão para tudo isto! E você sabe! —Nã o é c erto . A p erm issã o se d eu no m o m ento em q ue esteve em m eus b ra ç o s p o r vontade p ró p ria . O m o m ento em q ue m e d isse q ue m e d eseja va e me aceitou. —Desejaria não haver dito essas malditas palavras — soltou veemente. — Me estiveste jo g a nd o isso na c a ra a p ó s, a té o p o nto d e q ue eu gostaria que lhe engasgassem. Siena se d eu c o nta d e q ue tinha id o m uito lo ng e um seg und o a ntes q ue tivesse term ina d o d e so lta r a s d ura s p a la vra s. Os o lho s d e Elija h fla m eja ra m d e fo g o verd e fa zend o q ue o fô leg o c o ng ela sse no s p ulm õ es q ua nd o se sep a rou d a p a red e e a a g a rro u p elo s b ra ç o s c o m inc rível fo rç a . Nã o ha via sentid o nunc a na d a c o m o o p od er d a s m ã o s q ue a a g a rra va m . De rep ente se d eu c o nta exa ta m ente d o m uito q ue tinha esta d o retend o -se c o m ela . Sentind o seu poder agora entendia a enormidade de sua gentileza. Esta va tã o p erto d ele q ue p o d ia ver a s estria s q ue tinha m d eixa d o a s g a rra s em sua s b o c hec ha s. Só tinha sid o um g olp e d e soslaio, as m a rc a s só tinha m o c a sio na d o gotinhas d e sa ng ue q ue p a rec ia m c o m o se a lg uém tivesse pegado um código Morse sobre sua pele. —Não p o d e d esfa zer o q ue fo i feito p o r sua s p ró p ria s a ç õ es, nã o im p o rta quanto o deseje. —Disse chiando os dentes. Sacudiu-a com força uma só vez. — Nã o d ig a a lg o d o q ue p o ssa te a rrep end er d ep o is, gatinha. Po d em o s fazê-lo fá c il o u p o d em o s fa zê-lo d ifíc il. A eleiç ã o é tua e tem d ois d ia s p a ra tomá-la. —Primeiro terá que me encontrar! —vaiou sem pensar. —Muito b em — d isse c o m frieza , so lta nd o -a tã o d e rep ente q ue cambaleou para trás. — Se assim o quiser só poderá culpar a você mesma. Elija h leva nto u o s b ra ç o s e c o m um a p isc a d a se reto rc eu em um na d a do vento. E o utra vez se eq uilib ro u so b re ela , a ç o ita nd o seu vestid o e seu c a b elo vio lenta m ente sufo c a nd o -a c o m sua s em o ç õ es d e um a d úzia d e m a neira s d e uma vez.


Quando esteve segura de que estava sozinha, Siena sentiu que os joelhos cediam. Lentamente se deixou cair ao chão deslizando as costas pelos intrincados relevos de um par de cisnes com os pescoço entrelaçados de tal maneira que era impossível dizer que cabeça pertencia a que pássaro. Isa b ella leva nto u a c a b eç a d o b erç o d a m enina p a ra o uvir o vento sa c ud ind o a s c o b erta s. Nã o ha via vento , a ssim susp eito u q ue nã o se tratasse d e um fenô m eno na tura l. Beijou-se o s d ed o s ra p id a m ente e o s p ô s so b re a c a b eç a d a m enina d o rm id a a ntes d e fec ha r a p o rta d a c rec he e baixar depressa a escada. Parou na m eta d e d e c a m inho a o sa lã o a o ver Elija h p a ssea nd o d e c im a a b a ixo p a ssa nd o -a s m ã o s p elo c a b elo um a e o utra vez. Ag o ra q ue sa b ia , Isa b ella no to u a m ud a nç a d e c o r q ue a nterio rm ente lhe tinha esc a p a d o e pôs os olhos em branco. Valente Executora parece, recriminou-se mentalmente. Elija h leva nto u o s o lho s nesse m o m ento e p a rec eu a livia d o a o vê-la. Co rreu p a ra ela sub ind o o s d eg ra us d e d ois em d o is, a rra sta nd o -a virtua lm ente p a ra a sa la d e esta r. Deu-lhe um em p urrã o zinho q ue a m a nd o u ricocheteando sentar-se no sofá. —Prec iso fa la r c o ntig o . —Disse-lhe inq uieto , reto m a nd o seus p a sseio s agitados sobre o tapete. —Já imagino — respondeu secamente. —Nã o sei o q ue fa zer c o m esta fêm ea lo uc a e c a b eçuda. —Disse “fêmea” como se dissesse “arma nuclear”. — Está d ec id id a a tira r a s unha s, a d a r p a ta d a s e a a rra nha r c a d a c entím etro d o c a m inho . Obrigar-me-á a fa zer algo p rec ip ita d o e d o lo ro so e a só idéia me queima no centro do peito — disse quase sem parar a respirar. — As a rm a s d e ferro nã o sã o na d a c o m p a ra d a s c o m isto , juro -lhe isso , Bela . Po r isso é p rec isa m ente p elo q ue a lg um a vez p ro c urei c om p a nheira , sabe, não? Sabia que só ia me dar problemas. —Sim, sabia que foste sentir assim. O sarcasmo lhe passou completamente despercebido. —Tud o o q ue tinha q ue fa zer era ver c o m o Ja c o b se vo lta va maluco por você e soube que isso não era para mim — parou e a olhou com uma espécie de vergonha repentina. — É obvio, não digo que fosse culpa tua.


—É obvio — respondeu irônica. —Olhe a fo rm a como q ue teve q ue lhe d izer q ue se a p a rta sse q ua nd o tenta va m e a jud a r. Nã o é sã o , nã o há ra zã o p a ra p ensa r e c o m p o rta r-se a ssim . Ac red ito q ue c o m eç o a c o m p reend er p o r q ue Siena está tã o assustada. Está-me parecendo que é como... como... —Como uma enfermidade? —perguntou Isabella. —Exa ta m ente! É c o m o um a enferm id a d e e ela é a únic a cura. Ela ! A maior teimosa, obstinada, irracional, teimosa... —Isso já o há dito. —... m ulher d o m und o —term ino u a c entua nd o c a d a p a la vra c o m um duro gesto da mão. —Tenho tem p o p a ra isto ? De verd a d e, tenho tem p o ? Há d ua s m ulheres Demônios p sic ó tic a s so lta s p o r a í e nec essito c a d a g ra m a d e m inha a tenç ã o c o nc entra d o nisso se fo r ser d e a jud a p a ra No a h e Ja c o b . Qua lq uer d e nó s p o d eria c a ir em o utra d a s a rm a d ilha s d a Ruth em q ua lq uer m o m ento . Ou se r Co nvo c a d o p o rq ue c o nhec e m uito s no m es d e p o d er. Ad o ec e-m e p ensa r q ue está so lta p o r a í c o m ta is c o nhec im ento s. Sua p ró xim a vítim a p o d e q ue não tenha tanta sorte como eu. —Sim. Dep o is d e tud o nã o há um a Ra inha d o s Lic á ntro p o s em c a d a bosque — acrescentou Bela. —Exatamente! —Elija h p a rec eu a livia d o a o ver q ue p a rec ia q ue lhe entend ia . Ig no ra va to ta lm ente a risada q ue esc o nd eu ra p id a m ente atrás d o s dedos. — E p o r o utro la d o , está sua filha , a p o b rezinha, sem seus nomes por tudo o q ue p a sso u. A esta s a ltura s a c a b a rá c ha m a nd o -a “ Né, vo c ê” o resto d e sua vida. Isabella m o rd eu o lá b io inferio r, a g üenta nd o a urg ênc ia d e c a ir na tentação que jazia sob o ardiloso comentário. —E não falemos de nigromantes e caçadores. —Nem me ocorreria — lhe assegurou. —Vê-o ? Vê o d uro q ue resulta ? Entend e-o , verd a d e? Utiliza um a ló g ic a simples. Um e um, dois. Não há outra resposta, não varia não importa quanto o tente. Assim que a única opção é aceitar o inevitável e seguir adiante. Em que p ese a to d o s o s p ro b lem a s q ue m e está o c a sio na nd o , esto u d isp o sto a fa zê-lo — riscou um caminho invisível frente a ele. — O aceito como é e olho o futuro. Mas ela se nega a fazê-lo.


Ao fina l Elija h fic o u sem fô leg o . Deixou-se c a ir no so fá a o la d o d e Isa b ella tã o fo rte q ue ela ric o c heteo u. Ele susp iro u d erro ta d o e frustra d o fec ha nd o o s olhos e deixando cair para trás a cabeça. —Dói-me a cabeça — se queixou. — Que classe do Demônio tem dor de cabeça? —Um muito tenso? —respondeu Isabella. —Exatamente! —Suspirou de novo. — Esto u tã o c o ntente d e q ue p o ssa m o s fa la r d isto . Nã o há m uita g ente em q ue c o nfie, m a s c o nfio em você, Bela . Sig nific a m a is p a ra m im q ue o utro s. Sua a titud e, seu senso d e hum o r… a to ta l fa lta d e resp eito q ue tem p o r to d a esta porcaria que tomamos tão a sério. Elijah fic o u d e no vo em p é, inc lina nd o -se p a ra lhe d a r um b reve b eijo na bochecha. —Pa ssa rei p o r a q ui m a is ta rd e. Vo u ver se c ha leiro a lg um nig rom a nte e solto um pouco de vapor. Em um insta nte nã o fic a va m a is q ue um a b risa so p ra nd o p ela ja nela aberta pela que tinha entrado não fazia nem cinco minutos. De q ue d ia b o s ia to d o isso ? Perg unto u o exa sp era d o m a rid o d a Isa b ella em sua mente. Bom, eu diria que problemas de saias. Bom, pequena flor, diria que sei exatamente como se sente… Exceto que lhe matarão quando voltar a casa. Exatamente.

CAPÍTULO 10

Ja c o b flutuo u b ra nd a m ente d esc end o d o c éu, m a nip ula nd o a g ra vid a d e c o m um a p erfeiç ã o d a s ha b ilid a d es d o Demônio d e Terra sem p rec ed ente entre o s d e seu tip o . De fa to , extensa m ente se a c red ita va q ue Ja c o b seria o p rim eiro d e seu elem ento em m a is d e m il a no s em a lc a nç a r o nível de Antigo. Nã o era rec o nfo rta nte, entreta nto , q ua nd o a g ente entend ia q ue era p o rq ue o resto d eles sim p lesm ente nã o tinha m vivid o o tem p o sufic iente a té chegar à idade de 700 anos, o momento em que essa distinção tinha lugar.


Os p és d e Ja c o b d esc a nsa ra m lig eira m ente em um g ro sso ra m o d a á rvo re e d esc end eu a té abaixar-se, d e m a neira q ue sua s m ã o s ta m b ém tocassem a casca do velho carvalho. O Exec uto r p o d eria m uito b em ser c o nsid era d o a c oisa m a is p ró xim a a um Lic á ntro p o q ue seu p o vo tinha . Po d ia c a ç a r, c heira r, c a m ufla r-se e a tua r d a m esm a fo rm a q ue se c o m p o rta va m to d a s a s b esta s d a Terra . Nã o m uita d e sua g ente c o nhec ia isto , m a s ele nã o só p o d ia enc a nta r a o s a nim a is, m a s também imitá-los tomando sua forma. Ma s isto nã o era c o m o o s Lic á ntro p o s, entreta nto . Era m a is b em c o m o um a fo to c ó p ia d a c o nstituiç ã o físic a e sua s ha b ilid a d es. Os Ca m b ia ntes era m ta nto p esso a s c o m o a nim a is em si. Ja c o b nec essita ria vá rio s séc ulo s m a is c om sua rela tiva m ente no va ha b ilid a d e a ntes q ue p ud esse d esfruta r d e um a p erfeiç ã o d e sua em ula ç ã o , a q ua l p o d eria ser c o nsid era d a a o m esm o tempo com a metamorfose natural dos Licántropos. Neste m o m ento esta va em sua fo rm a no rm a l e p ro c ura nd o a tra vés d a no ite e a s á rvo res c o m sua m isterio sa m ente a g ud a visã o . Tinha esta d o ra strea nd o a o Demônio d ura nte a lg um tem p o , enc o ntra nd o fá c il m a sc a ra r-se de seu alvo, apesar da habilidade do outro. Isto só provava o muito distraído e resolvido estava o Demônio em seu curso de ação. O vento soprou severamente através dos rangentes ramos das árvores do bosque, arrastando em espiral as últimas folhas mortas que se uniriam às outras em rep o uso no c hã o d o b o sq ue. Ja c o b jo g o u um a o lha d a p a ra c im a , à p ró xim a lua cheia e vo lta nd o a exa m ina r sua p o siç ã o viu c o m o um to rvelinho de folhas estalavam apartando-se para unir-se na forma natural do Elijah. O Demônio d o Vento se a g a c ho u no c hã o d o b o sq ue, im ita nd o a m esm a p o siç ã o em q ue Ja c o b esta va , enq ua nto d eixa va q ue sua m ã o flutua sse a tra vés d a s ensa ng üenta d a s fo lha s e p eq ueno s m a ta g a is d o bosque. Aproximou-se entã o d o s c o rp o s d e sua s vítim a s d esse d ia nã o tã o d ista nte e to c o u c a d a um b revem ente, p ulveriza nd o o s resto s a o vento c o m pouco mais que um pensamento. Sa b end o q uã o b ruta lm ente distraído p o d ia ser o tem p o d a Vinc ula ç ã o , Ja c o b esta va m a is q ue um p o uc o im p ressiona d o d e q ue Elija h tivesse rec o rd a d o vir e fa zer esta c la sse d e lim p eza . Era , c la ro , im p o rta nte tira r to d a a evidência de tais batalhas e dos seres que se supõe não existiam. Claramente, o s nig ro m a ntes e c a ç a d o res q ue tinha m p erd id o a seus c o m p a trio ta s na batalha não sentiam a mesma necessidade de cobrir seus rastros.


Ma s o seg red o era um a nec essid a d e inc luso p a ra q uã o m o rta is p ensa va m viver c o m o Nig htw a lkers. A so c ied a d e hum a na era m uito c étic a a resp eito d a m a g ia e, d e lo ng e, m uito a fia nç a d a no s p rejuízo s relig io so s p a ra q ue o s usuá rio s m á g ic o s se a rrisc a ssem exp o nd o -se. E tã o vo lúveis c o m o o s c a ç a d o res p o d eria m q uerer ser, inc lusive eles tinha m q ue o c ulta r-se p elo m ed o d e etiq ueta r-se c o m o insa no s… o u inc lusive ho m ic id a s. Era b a sta nte g ra c io so, sua p ró p ria c la sse -o s m o rta is p od ia m ser m a is p erig o so s p a ra estes desencaminhados humanos do que os Nightwalkers em realidade eram. Ja c o b tinha d ec id id o seg uir a Elija h p o rq ue o c a rá ter d o g uerreiro esta va c la ra m ente fo ra d e sua linha e, d ep o is d e seu c o m entá rio d e d esp ed id a a Bela , o Exec uto r se p reo c up o u q ue o o utro Demônio nã o estivesse o sufic ientem ente b em p a ra enfrenta r o tip o d e p ro b lem a q ue esta va p ro c ura nd o . Nã o tinha sid o o sufic ientem ente fo rte p a ra enfrentá -lo so m ente a p rim eira vez. O q ue fa zia Elija h p ensa r q ue teria m elho r so rte esta vez esta va completamente além da compreensão do Demônio de Terra. Elija h se end ireitou d ep ois d e d isp o r d o s resto s d o s m o rta is e sep a ro u seus p és c o m firm eza , eq uilib ra nd o seu c o nsid erá vel p eso entre eles, um velho hábito que era reconhecível como o distintivo do guerreiro. Am b o s o s Demônios vo lta ra m sua s c a b eç a s d e rep ente q ua nd o o uvira m a lg o q ue seus instinto s lhes d issera m q ue esta va fo ra d o no rm a l no b o sq ue . Ocorreu a Jacob que nunca tinha averiguado o que tinha atraído Elijah a este território em particular, o território dos Licántropos, em busca de problemas em primeiro lugar. Ja c o b esta lo u em p ó , m o nta nd o a s c o rrentes d o vento na tura l a té q ue, um seg und o d ep o is, esta va unind o -se a o la d o d o g uerreiro . O Ca p itã o nã o parecia surpreso ao vê-lo. —Sup us q ue Bela ia enviar-te d etrá s d e m im — sussurro u ele sa ud a nd o o Demônio de Terra. Junto s vo lta ra m p a ra sua p o siç ã o p erto d a terra . Ja c o b fec ho u seus olhos, estendendo uma capa de camuflagem sobre ambos. Ja c o b nã o a firm o u nem neg o u a esp ec ula ç ã o d e seu a m ig o . Esta va concentrando-se nos movimentos do bosque que eram naturais e antinaturais. —Me o c o rreu q ue p o ssivelm ente nã o fui em b o sc a d o d ep o is d e tud o. Que ta lvez m e encaminhasse para a lg o q ue nem seq uer sa b ia , e isso é d ifíc il de admitir. —Estou de acordo — confirmou Jacob.


— Enc o ntro estra nho q ue tenha sid o a tra íd o a o territó rio d o s Lic á ntro p o s a propósito. Muitas variáveis. —Assim q ue a p erg unta é, p o r q ue esta s m ulheres estã o esc o nd end o -se no território dos Licántropos? —E m inha resp o sta seria q ue o s Demônios nã o sã o o s únic o s em sua lista negra. Já sabíamos. —Sim , m a s p o r q ue Ruth e Ma ry uniria m fo rç a s d esta m a neira ? Fra nc a m ente, é a vo c ê, a Bela e a o resto d e nó s a q uem ela s g ua rd a m rancor. —Possivelmente — esteve de acordo Jacob quietamente. — Ma s já q ue o s Va m p iro s e o s Lic á ntro p o s no s a jud a ra m a d erro ta r a sua s tro p a s d ura nte a Ba ta lha d o Belta ne, ela s p o d em ha vê-lo s feito p a rte dessa vingança. Elija h esteve c a la d o p o r um m o m ento e entã o rec o rd o u a lg o q ue Siena lhe ha via d ito q ua nd o rec up ero u a c o nsc iênc ia a p rim eira vez q ue esteve a seu cuidado. —Espera um minuto. Ela disse… nem sequer o relacionei! —O que? —Siena . Siena m e d isse, c o m p o rtando-se c o m o um a sa b ic ho na nesse m o m ento , q ue tinha q ue sa lva r m eu p esc o ç o p orq ue nã o esta va d isp o sta a d a nific a r a no s d e rela ç õ es p a c ífic a s p erm itind o q ue no sso p o vo m e encontrasse morto em território do Licántropos. Os olhos de Jacob se alargaram ligeiramente em compreensão. —Já vejo . Que m elho r m a neira d e d isso lver q ua lq uer rela ç ã o útil entre o s Lic á ntro p o s e o s Demônios q ue p ô r a susp eita em sua p o rta p ela m o rte d e um Demônio! E não de qualquer Demônio… —Eu? Então isso significa que fui emboscado. —Pô d e ser a ssim . —Os o lho s d o Ja c o b se estreita ra m q ua nd o o lho u atentamente as árvores. — É seu tra b a lho s ra strea r e Ruth sa b e. Assim d eixa ra m um a ta lho ó b vio . E quando o perdeu… —Fic a ra m esp era nd o a q ue d evesses investig a sse. Vo c ê e Bela … e inclusive Noah. Elas ainda estão aqui. Elija h fez um a p a usa p a ra esc uta r a o vento um m o m ento , m a rc a nd o o nd e so p ra va a o red o r d e um o b jetivo ou o utro , e d iferenc ia nd o q ua is d esse eram de sangue quente.


—Siena a s a fug ento u p elo q ue nã o se d era m c o nta q ue fo i resg a ta d o. Têm g ua rd a s situa d o s, esp era nd o info rm a r d e q ua lq uer q ue entra sse no bosque procurando seu corpo. —O que significa que estamos em problemas. —Diria q ue sim — c o nc o rd o u Ja c o b , sentind o a súb ita vid a q ue p ulula va para eles através das árvores. — Maldita seja! Como mascarou a tantos deles? —Levam-me os demônios. Melhor sairmos daqui. Ja c o b a ssentiu e se m o veu p a ra tro c a r sua fo rm a a p ó , em q ue nã o p o d ia ser m a c huc a d o , a ssim c o m o ta m p o uc o na fo rm a d e vento d e Elija h. Ma s este d e rep ente se estic o u e a g a rro u o b ra ç o d o Exec uto r. Ja c o b fic o u quieto e dirigiu sua atenção aonde o olhar do guerreiro estava enfocado . O b rilho d e o uro à luz d a lua p isc ou o s o lho s na linha d a s á rvo res frente a eles. Um fa lc ã o a p a rec eu entre a s á rvo res e g iro u em um c írc ulo p reg uiçoso em c im a d o c la ro , d esp rep a ra d o d o s Demônios c a m ufla d o s q ue esta va m sentados na maleza debaixo dele. O o lha r d o g uerreiro esta va c ra va d o na linha d a s á rvo res, sa b end o exa ta m ente o q ue ia ver inc lusive a ntes q ue a g a ta d o ura d a sa lta sse d entro d o c la ro . Nã o era um a c oinc id ênc ia q ue Siena estivesse a li, d eu-se c o nta Elija h d e rep ente. Ela nã o fez a nã o ser esc o nd er sua s intenç õ es p a ra investigar a cena de sua próxima morte se por acaso mesma. Ele a tinha levado aí. Ja c o b sentiu o c o rp o d e Elija h q ue se estic a va a seu la d o e a lc a nç o u a sujeitar ao guerreiro. —Não te mova — lhe vaiou. —Por que ela não pode cheirá-los? —demandou Elijah em voz baixa. —Eu tampouco posso cheirá-los — informou Jacob. — É um encanto poderoso. Elija h o lho u c o m d esesp ero c o m o o fa lc ã o o sc ilo u em c im a d a terra e se m eta m o rfo seo u no a r a fim d e q ue o Lic á ntro p o c o m o c a b elo b ic o lo r, q ue se tinha enc o ntra d o na c a verna , d eslo c a sse-se em c a rreira lig eira . Ela se d eteve e se voltou, procurando a sua irmã. Sua irmã. Syreena. Elijah so ub e d e rep ente q uem era ela exa ta m ente e q uã o im p o rta nte era p a ra Siena . Qua nd o Siena tro c o u d e fo rm a , m eio p ra d o lo ng e d a o utra


m ulher, Elija h fec ho u seus o lho s e tento u exerc er sua c o nexã o c o m ela c o m mais força da nunca tivesse tentado. Jacob viu a Rainha ficar quieta, agachando-se instintivamente. Siena tratou de tirar-se d e c im a o estra nho estrem ec im ento q ue p erc o rria seu c o uro c a b elud o . Sentiu um a inexp lic á vel sensa ç ã o d e p â nic o e a d vertênc ia , m a s nã o era m seus p ró p rio s instinto s o s q ue ela esta va sentind o . Fra nziu o so b rec enho e em p urro u a intrusã o , a ssum ind o q ue era o intro m etid o g uerreiro em sua m ente q ue p ro testa va p o r sua s a ç õ es. Bem , q ue se c o nd ena sse se lhe p erm itia d izer o q ue p o d ia e nã o p o d ia fa zer. Investig a r o inc id ente q ue o s tinha reunid o era sua resp o nsa b ilid a d e e d evia fa zer p a ra p ro teg er a seg ura nç a d a q ueles q ue va g a va m p o r esta p a rte d e seu territó rio . Era seu dever proteger a seu povo e ele não ia ordenar lhe nada. Elija h sa c ud iu a Ja c o b e fic o u em p é. Co m um a só p erna d a sa iu c o rrend o d a influênc ia d a c a m ufla g em d e Ja c o b e c o rreu p a ra a teim o sa Ra inha . Ela o fa rejo u a ntes q ue o visse e fic o u em p é d e um sa lto q ua nd o ele a p a rec eu d e nenhum a p a rte e c o rreu p a ra ela . Fo i tã o rá p id o, q ue o sentiu im p a c ta r c o ntra ela entre um a resp ira ç ã o e a seg uinte. Ao seg und o seg uinte sentiu as moléculas de seu corpo desintegrar-se literalmente nas dele. De rep ente so ub e o q ue se sentia ser c o m o o vento . Po r um m o m ento , sentiu c o m o se nã o p ud esse resp ira r, em b o ra tud o fosse a r. Ma s sua p resenç a a ro d eo u q ua nd o vo a ra m junto s na no ite, a o p a ssa r ro ç a nd o o s ra m o s d a s árvores nuas, as agulhas do pinheiro e os paus. A Terra p a sso u tã o ra p id a m ente a baixo d eles q ue Siena d eu vo lta s a c a b eç a e fic o u um p o uc o enjo a d a . Nã o tinha vo z p a ra rec la m a r p o r seu tra ta m ento a rb itrá rio , p elo q ue nã o teve nenhum a eleiç ã o a nã o ser simplesmente aferrar-se à essência do ar que era ele. Foi apenas um minuto depois, que a Terra se equilibrasse para eles. Era d e no vo tã o só lid a d e rep ente q ue, se ele nã o a tivesse sustentado tão hermeticamente, teria caído d e c a ra na terra . Dep o is d e um m o m ento d e c o nfusã o , d eu-se c o nta q ue rec o nhec ia o nd e esta va m . Em p é na entra d a d a cova de Jinaeri, onde tudo isto tinha começado. Siena se em p urro u lo ng e d ele no m inuto em q ue a justo u seu eq uilíb rio, lhe enfrentando com ultraje e fogo. —O que é que crê que está fazendo? —demandou ela. —Salvando suas mimada costas — lhe devolveu no ato.


Fo i entã o q ua nd o se d eu c o nta d e q ue ele esta va za ng a d o . Nã o só um pouco aborrecido, m a s ta m b ém p o sitiva m ente furio so . Ha via c ha m a s em seus o lho s, o verd e d eles esta va tã o esc uro q ue p a rec ia m q ua se neg ro s. De rep ente se sentiu vulnerá vel e em d esva nta g em . Instintiva m ente, seu c a b elo se ato u hermeticamente ao redor de seu corpo nu. Vá rio s seg und o s d ep o is, o utra s d ua s p esso a s se unira m a eles d e um a d uc ha d e p ó na s fo rm a s d o Demônio Exec uto r e sua irm ã Syreena . Syreena esta va a c o stum a d a a vo a r, p elo q ue ela nã o esta va tã o d eso rienta d a c o m o Siena . Sem d úvid a , ser d e rep ente d esm o lec ura liza d o era p erturb a d o r p ara q ua lq uer q ue nã o tivesse exp eriênc ia no fa to , a ssim a ind a esta va um p o uc o mais que pálida pelo incidente. —Era um a a rm a d ilha ! —rep lic o u Elija h a Siena , a tra ind o sua sobressaltada atenção para ele. — Havia perto de cem nigromantes e caçadores nos rodeando! —Impossível! —Respondeu-lhe ela no a to , sua s m a g ra s m ã o s a s fechando em punhos. — Os teria c heira d o . Sa b e c o m o eu q ue o s usuá rio s d e m a g ia sã o a s c ria tura s a ro m á tic a s m a is vis no p la neta p a ra nó s, Nig htw a lkers. Nã o há maneira… —Ao que parece há — interro m p eu Elija h, a g a c ha nd o -se tã o estreitamente sobre ela que teve que retroceder instintivamente. — Nã o só está tra ta nd o c o m hum a no s d esa linha d o s, Siena . Há Demônios a li q ue têm o p o d er p a ra te eng a na r d e m a neira s q ue nem seq uer p o d eria conceber. Há uma razão pela que seu pai nunca ganhou uma batalha contra nó s, nã o im p o rta q uã o d uro o tento u. E m e a c red ite q ua nd o te d ig o q ue, ainda quand o to d o seu p o vo m e c o nsid era um a ç o ug ueiro , p od eria lhes fa ze r muito mais dano do que qualquer deles imaginaria! —Uma Demônio Menta l d o c a lib re d e Ruth p o d e te fa zer ver, c heira r e o uvir a lg o q ue ela q ueira . Nã o só no s p o d e fa zer isso, sua p ró p ria g ente, q ue so m o s c o nsc ientes d isso , m a s ta m b ém c erta m ente p o d e fa zer isso a você. A únic a m a neira q ue Ja c o b e eu p ud em o s ver a tra vés d o enc a nto foi p o rq ue pudemos usar habilidades alternadas para sentir o calor de seu corpo. —Está d izend o a verd a d e, Siena — d isse Ja c o b m a is b ra nd a m ente, sa b end o q ue Elija h nã o esta va send o m uito d ip lo m á tic o neste m o m ento . Jacob sabia que o terror de olhar a sua companheira estando perto do perigo e a morte faria a sua personalidade e a seu coração.


—Am b a s teria m sid o m a ssa c ra d a s em q uestã o d e m inuto s se Elija h nã o a s tivesse visto . Asseg uro -te q ue em to d o este tem p o ela s se p rep a ra ra m p a ra a p o ssib ilid a d e d e um Lic á ntro p o . So u sensível a to d o s o s m eta is d a Terra , e te juro q ue ela s tinha m sufic iente p ra ta p a ra m a ta r a m uito m a is q ue d ua s cambiantes despreparadas. —Não vi nada — disse Syreena céptica. — Delib era d a m ente ro d eei o b o sq ue e o c la ro vá ria s vezes a ntes q ue assinalasse a Siena que tudo estava espaçoso. Ma s esta va c la ro q ue a m ulher c o m o c a b elo b ic o lor nã o esta va d isc utind o o p o nto q ue Ja c o b e Elija h tinha m tenta d o fa zer. Ela esta va m a is que assombrada. —Se nec essita r p ro va s, esta ria feliz d e reto rna r e te a tira r d entro d esse claro para que lhe chutem o traseiro — ameaçou Elijah. —Como te atreve a me falar dessa forma! Ja c o b se a g ito u q ua nd o a seg und a m ulher se vo lto u e p ô s seus o lho s em b ra nc o p a ra ele. Fo i entã o q ua nd o ta m b ém no to u q ue esta m ulher leva va d elic a d o s elo s d e o uro e p ed ra s d e lua a o red o r d e seu p esc o ç o . Esta jóia era só p o uc o m eno s d e um c entím etro e m eio d e esp essura , a d iferenç a d o s m a is d e c inc o c entím etro s d o c o la r d a Ra inha . Ja c o b susp eito u q ue esta o utra m ulher ta m bém fosse um m em b ro d a c a sa rea l, em b o ra nunc a tivesse o uvid o fa la r d e um a seg und a Princ esa na c o rte no s info rm e d o Gid eo n d ura nte seu tempo ali. Os c o la res era m no tá veis, refletiu Ja c o b . Devia ha ver a lg um tip o d e enc a nta m ento so b re eles q ue lhes p erm itia m a m p lia r-se e c o ntra ir-se q ua nd o seu usuá rio tro c a sse d e fo rm a . Ir d o fa lc ã o a o humanóide c o nstituía um a d iferenç a sig nific a tiva em red o nd o , a ind a q ua nd o a Princ esa era p eq uena , c o m o s o sso s fino s. Nã o p o d eria ter m a is d e um m etro e m eio . Co m o sua irm ã , sua p resenç a era b a sta nte im p ressio na nte p a ra fa zê-la p a rec er um p o uc o m a io r q ue sua esta tura . E o c a b elo d e ha rleq uim e seus o lho s era m fo rm o so s, mas também intimidantes. Ja c o b , c o m c uid a d o , livrou o b ra ç o d a Princ esa e a levo u vá rios p a sso s longe do par em disputa. —So u Ja c o b , o Exec uto r d o Rei Demônio. Desc ulp o -m e p o r te a g a rra r sem advertência, mas ambas estavam em perigo. —Acredito — lhe a sseg uro u ela , a p ro xim a nd o -se p a ra to m a r sua m ã o estendida.


— Sou Syreena, Conselheira da Rainha e sua irmã. Jacob observou que ela olhava para trás para vigiar sua irmã. —É m inha id éia o u so m o s tã o inúteis c o m o b ura c o s em um g ua rd a c huva neste m o m ento ? —p erg unto u ela , leva nta nd o lig eira m ente a sobrancelha cinza sobre a marrom. —Está sugerindo q ue a b a nd o nem o s a sua Ra inha e a m eu Ca p itã o a seus destinos? —sorriu Jacob vagamente. — Isso seria incrivelmente grosseiro. —Sei — riu ela —, m a s nã o tiveste q ue viver na c o rte c o m ela neste s últimos dias. —Me acredite, ele não esteve muito melhor. Intercambiaram um último olhar antes de trocar para pó e falcão, ambos voando sem que seus acompanhantes advertissem. —Aq ui nã o so u a teim o sa — insistiu Siena , a irrita ç ã o ro m p end o -se em seus olhos dourados. — Se tivesse afastado de mim, nada disto teria passado! —Eu gostaria realmente saber como calcula — Elijah exigiu. —Se não tivesse estado me intimidando antes… —Te intimidando? —interrompeu-a . — Eu nã o tenho feito na d a m a is q ue tra ta r d e te c o nvenc er d e q uã o estúp id o é te to rtura r p o r resistir a o inevitá vel. Esto u tra ta nd o d e te p ro teg er de... —Nunc a p ed i seu a m p a ro , e juro p ela Deusa neste m esm o m inuto q ue nunca o farei! —Muito tarde! —recordou-lhe ele com um cruel olhar de satisfação. — Melhor ser cuidadosa com o que jura ou pagará o preço a sua conta. —E o q ue, ir a o inferno , o nd e to d o s o s Demônios vivem ? Ac red ito q ue já estou ali, muito obrigado por sua preocupação. Voltou-se p a ra a fa sta r-se d ele, nã o q uerend o na d a m a is q ue entra r c o rrend o no b o sq ue e ir-se tã o lo ng e d ele tud o o q ue p ud esse. Esta vez ela a ntec ip o u seu a g a rre p o r seu c a b elo e o esq uivo u b ra nd a m ente, um g rito d e triunfo em seus lá b io s enq ua nto sa lta va a trá s e ria d ele. Trocou-se tã o rá p id o de humana a Mulher Gato que Elijah logo que teve tempo de piscar. Isto era o utra c oisa c o m p leta m ente d iferente, c o m p reend eu Elija h, to m a nd o um p rud ente p a sso a trá s. Qua nd o o lho u fixa m ente a s o va is p up ila s, d esc o b riu a s g a rra s e um a c a ud a q ue se reto rc ia c o m d esa fio . Ela a c a b a va


d e fa zer-se três vezes m a is fo rte d o era , m elho ra nd o c a d a instinto felino q ue já tinha. Esta não era uma forma com a que ele queria brigar. Ele nã o q ueria luta r c o m q ua lq uer d e sua s fo rm a s. Esta va c a nsa d o d e luta r c o ntra ela , d e tenta r fa zê-la entend er o q ue ela se neg a va a ver. Assim ig no ro u seu d esa fio e, c o m um susp iro resig na d o , d eu-lhe a s c o sta s e se a fa sto u vá rio s p a sso s. Tro c o u d e fo rm a a p ro xim a d a m ente a c inc o m etro s dela, desaparecendo na proximidade da madrugada. Siena esta va surp reend id a p o r sua retira d a , vo lta nd o a uto m a tic a m ente p a ra sua fo rm a hum a na p o r sua c o nfusã o . Deu um o lha r a seu red o r, sentind o o a lig era m ento d o b o sq ue a g ud a m ente. Dissuadiu-se d e tra ta r d e entend er o q ue o Demônio q ueria esta vez, tra nsfo rm a nd o -se em p um a e c o m eç o u a viajar rapidamente para seu lar. A sua m á xim a velo c id a d e, ela vo lta ria p a ra seu c a stelo só um a ho ra depois do amanhecer. Nem seq uer no to u a c o b erta d e nuvens q ue p a rec ia m seg ui-la to d o seu caminho. —Sem d úvid a eles a g o ra sa b em q ue nã o está m o rto , estend id o so b re o chão do bosque — assinalou Noah. — E que descobriu sua armadilha. Noah esperou uma resposta, mas quando esta não veio elevou a vista do p erg a m inho q ue tra ta va m etic ulo sa m ente d e d ec ifra r. Elija h se a p o ia va c o ntra seu esc ritó rio c om sua s c o sta s nele, o s b ra ç o s c ruza d o s fo rtem ente so b re seu p eito , p erna s c ruza d a s no s to rno zelo s. Entreta nto , a p esa r d a rela xa d a p o siç ã o d o c o rp o d o g uerreiro , era evid ente q ue esta va fo rtem ente envolto em tensos pensamentos e emoções. —Elijah? O Ca p itã o o lho u p a ra o Rei c o m um a so b ra nc elha leva nta d a p ela surpresa. —Sinto muito, disse algo? —Disse q ue há só um noite m a is a té o Sa m ha in. Tiveste a lg um p ro g resso com Siena? —Nã o . Ela está tã o o b stina d a c o m o sem p re. — Elija h lhe d eu um so m b rio sorriso de sarcasmo. — Entreta nto , ela a p rend eu um únic o uso p a ra o d esenvo lvim ento d e nossa telepatia. Sabe quantos nomes depreciativos há no idioma Licántropo?


—Não, mas tenho o pressentimento de que você sim. —OH, sim — Elija h fo rç o u um so rriso e um a a titud e d e sa rc á stic o p ra zer—, e os golpes logo que seguem vindo. —Olhe o lado bom. Saberá seu idioma antes do tempo a este ritmo. —Sim , m a s nã o a c red ito q ue vá ser um vo c a b ulá rio q ue m e a feiç o a rá com sua preconceituosa população mais do que já sou. —Bom ponto — disse Noah em acordo. — Por que não pede ao Gideon que fale com ela? —Dep o is d o q ue a c o ntec eu a últim a vez? Nã o c rê q ue o desenvolvimento da guerra com os ilegais mortais seja suficiente? —Elija h, p a rec e-m e d ifíc il d e a c red ita r q ue Siena seja tã o irra c iona l. Ela sem p re d em o nstro u ser um a m ulher d e estra nha sa b ed o ria e no tá vel claridade de propósito. —E é — concordou o guerreiro. — E sua sa b ed o ria e a c la rid a d e d o s o b jetivo s sã o d irig id a s p lena m ente c o ntra m im . Co m o ela se d eleita em m e d izer —se to c o u sua fro nte em indicação— há um a g ra nd e va ried a d e d e a nim a is d e g ra nja a o s q ue preferiria fazer seu Rei. No a h estrem ec eu, fa zend o retro c ed er c o m c uid a d o o hum o r d esse c o m entá rio p a ra nã o a m a ssa r a o g uerreiro m a is d o q ue já esta va . Siena era d e verd a d e p rep a ra d a . Ela p erseg uia o p o nto m a is vulnerá vel d e Elija h, seu eg o . Ma s ha via um a fa lta d ec id id a d e sa b ed o ria em seu a b uso . Só fa ria a s c oisa s m a is d ifíc il p a ra ela a p ró xim a noite. Assim c o m o ia , No a h p o d ia ver a tensã o so b a q ue esta va Elija h c o m esse tem p o tã o p ró xim o a ele. Siena nã o tinha nenhum a id éia d a m o d era ç ã o a q ue se esta va fo rç a nd o . Nã o tinha nenhum a p ista so b re q uã o d ura m ente ele esta va tenta nd o p ro teg ê-la d e si mesmo, não importava quão irritante era sua conduta. Am a nhã tud o isso seria um p o nto d isc utível. Se só usa sse sua c o nexã o p a ra p ro c ura r a s intenç õ es verd a d eira s d e Elija h p a ra ela , p o ssivelm ente o veria um p o uc o m a is a m a velm ente. Pa ra o Rei q ue tinha c o nhec id o o g uerreiro to d a sua vid a , Elija h esta va a c a m inho d e esta r c o m p leta m ente a p a ixo na d o p ela Ra inha casca-grossa. De fa to , o c a rá ter q ue ta nto o c ha tea va era , sem d úvid a , um a g ra nd e p a rte d e sua a tra ç ã o p o r ela . Elija h era g uerreiro a té a m ed ula e na d a lhe sa tisfa zia m a is q ue um d esa fio . Um a batalha para ser ganha. Uma vitória difícil de conquistar.


Entreta nto , Elija h p o d eria c o nsid era r os a c o ntec im ento s a passar d ura nte o Samhain brutalmente rudes e por debaixo de seu sentido de honra. Siena não tinha nenhuma idéia o que isso lhe faria. —Pensei que estaria instruindo os guerreiros esta noite. —Nisso estou — disse Elijah, apartando do escritório. — Quis te c o nta r ra p id a m ente o q ue a c o ntec eu o ntem à no ite. Esta va dormindo quando eu retornei. —Bem , m a ntém a to d o s p rep a ra d o s e em m o vim ento . Se a sseg ure d e q ue to d o s seus g uerreiro s entend em a im p o rtâ nc ia d e nã o a ventura r-se fo ra por sua conta. — Noah fez uma pausa um momento, girando para examinar o fogo através do corredor. — E me informe de mais desaparecimentos o mais breve possível. Elija h a ssentiu, entend end o b a sta nte b em o q ue q uis d izer. O c o nhec im ento d e Ruth d o s no m es d e p o d er d o s Demônios esta va p a ssa nd o fa tura . Um p o r um , eles esta va m send o Co nvo c a d o s no p enta g ra m a d e m a g ia neg ra . Ruth era um a Anc iã q ue tinha a d o ta d o a m uito s Demônios a o longo dos séculos. Ela tinha sido uma opção popular para Siddah. Agora cada p a i q ue tinha c réd ulo nela c o m o no m e d e p o d er d e seu m enino esta va d e luto e sentia a agonia do terror pelas vidas de seus meninos. Ruth subministrava seus no m es a o s vis nig rom a ntes e eles esta va m send o Co nvo c a d o s um p o r um para fazer sua luta. Não havia maneira de detê-lo. Nenhum amparo para eles. O único Demônio que tinha podido evitar o destino do pentagrama tinha sid o Leg na , e isso tinha sid o d e p ura so rte. To d o s o s o utro s já seria m o s insa no s m o nstro s q ue, no futuro , Bela e Ja c o b teria m q ue enc o ntra r e d estruir antes que p ud essem c a usa r d a no . Dura nte o s m eses p a ssa d o s Ja c o b tinha esta d o fa zend o p o uc o m a is q ue a tenta tiva d e d etec ta r à s la m entá veis c ria tura s e seus c a p to res. Ag o ra q ue Isa b ella esta va q ua se c o m p leta m ente b em , ela fina lm ente seria c a p a z d e lhe a jud a r a leva r a q uela c a rg a . Era seu Destino fazê-lo. —O em p a relha m ento ta m b ém a livia rá a s resp o nsa b ilid a d es ha b itua is d o Samhain de Jacob — disse Elijah. — Ha verá m eno s p o ssib ilid a d es d e tenta tiva s d o s marotos d e sed uzir a seres humanos e a outros se os fiscalizarmos entre si. No a h d iria q ue Elija h só d eseja va q ue um p o uc o tã o fá c il lhe a jud a sse a resistir o instinto d e em p a relha m ento q ue o c urva ria no Sa m ha in. Os Demônios q ue d irig em erra d a m ente seus instinto s d e uniã o c o m o s hum a no s no Sa m ha in


era m um a c o isa e o d ever d o Ja c o b era c o ntê-lo s p o rq ue isto d evia d eter-se. Elijah estava Vinculado e nada poderia detê-lo. Nada exceto a morte. O g uerreiro se d isso lveu no a r uns m o m ento s m a is ta rd e e No a h viu o red em o inho d a b risa em q ue se c o nverteu q ua nd o se d irig iu p ela frente d a chaminé para o exterior por uma janela aberta. Um m om ento d ep o is, a fo rm a a stra l d e Gid eo n se so lid ific o u frente à Noah. —Há algo que possa fazer por ele? —perguntou o Rei. —Não. Elijah não é um ser irracional. A culpa é de Siena. —Sei. Ma s ta m p o uc o p o sso c ulp á -la . Ela nã o entend e no sso s c o stum es, c o m exc eç ã o d o q ue a p rend eu d e você. Isto é m uito d iferente q ue c resc er sabendo o que se espera em uma situação como esta. —Ma s ela se o p õ e a ind a à s tra d iç õ es c o m a s q ue ela c resc eu — lhe informou Gideon seriamente. — A tra d iç ã o d o c o la r q ue ela leva é m uito c la ra . No m inuto em q ue Elija h o tiro u, ela se tornou dele. Ac red ito q ue Elija h nem seq uer sa b e isto . Nã o o hei d ito eu m esm o p o rq ue nã o vejo nenhum a nec essid a d e d e lhe c a usa r a ind a m a is d o r. Sa b er q ue ela p referiu desafiar suas próprias tradições a tomálo como companheiro seria tremendamente doloroso. —Tem que haver algo que possamos fazer. —Há . Po d em o s p erm itir q ue a lua Sa g ra d a d o Sa m ha in venha e d eixa r q ue a na tureza sig a seu c urso c o m o s d ois. A na tureza nã o fa z q ue esta s c o m p ulsõ es venha m a nós sem nenhuma razão. É um truque muito inteligente, se pensar. —Pa ra fo rç a r um a vio la ç ã o ? É a ssim c o m o Siena o rec eb erá . Se nã o tivesse ganhado a Legna a tempo, não seria o mesmo? —Po ssivelm ente sim . Po ssivelm ente nã o . Leg na teria entend id o q ue nã o teria tid o nenhum a o p ç ã o . Ela teria sid o, p o rta nto c o m p elid a ... Nã o a c red ito q ue seja d iferente p a ra Siena . Nã o é d iferente p a ra Bela o u Co rrine o u q ua lq uer d o s o utro s Druid a s. Se c ruza r essa s esp éc ies, a c o m p ulsã o c o m m uita p ro b a b ilid a d e c ruza ria ta m b ém a esta . Vi Siena ultim a m ente. Está p á lid a e claramente desejando o que está tentando resistir. —Nã o esto u seg uro d e entend ê-la , Gid eo n. Se ho uvesse a lg uém q ue aceitasse um Demônio em sua sociedade com os braços abertos, seria ela. Tal como ela lhes deu a bem-vinda a você e a Legna.


—Nã o so m o s um a a m ea ç a p a ra seu Reinado e seu sentid o d e independência. —Elija h nã o p o d eria p reo c up a r-se m eno s p o r c o m p a rtilha r seu tro no . Tud o o q ue ele q uer é a ela . E d e fo rm a vo luntá ria . Ele q uer q ue ela venha d e boa vontade. Sua independência é vital para que isso aconteça. Um a d a s so b ra nc elha s c ha p ea d a s d e Gid eo n se elevo u em súb ita contemplação. —Po ssivelm ente este é um p o nto im p o rta nte—, resp o nd eu a o Rei especulando. — Siena va lo ra seu tro no tã o a lta m ente… No a h, p enso q ue p o sso ser capaz de ajudar a nosso Capitão depois de tudo. Gid eo n d esa p a rec eu c o m um p esta nejo d e luz c ha p ea d a , d eixa nd o a o Rei sem explicação. “ Dê-me um momento a sós antes que nos una.” ‘ Está seg uro ? Só levou um m om ento a ela p erd er seu tem p era m ento a ultima vez. “ “ Você saberá quando vir. Confio em você, doce. ’ Leg na a c o lheu esse c o m entá rio c o m p ra zer. Flutuo u lig eira m ente no s pensamentos de seu marido quando ele se aproximou do quarto do trono. Siena tinha d a d o a b em -vind a c o m sa tisfa ç ã o a seu c o rte d e vo lta no s q ua rto s d o tro no interno s e externo s p o uc o a p o uc o , p elo q ue ha via m uito s p esso a s a li e o s g ua rd a s lhe p erm itira m passar fa c ilm ente. Eles nã o fo ra m testem unha s d a exp lo sã o d e Siena fa zia p o uc o s d ia s, p elo q ue nã o tinha m nenhum a ra zã o p a ra d uvid a r em fa zê-lo . Leg na esta va na m esm a ha b ita ç ã o , em um rinc ã o lo ng ínq uo e fo ra d a vista d a Ra inha , fa la nd o c o m um g rup o d e c a va lheiro s Lic á ntro p o s q ue enc o ntra va m fo rm o sa à m ulher Demônio, um a delícia para os olhos e seu intelecto. A d iferenç a d e Ja c o b , Gid eo n nã o se p erturb o u no m a is m ínim o p o r isso . Seu so rriso e sua risa d a era m a b und a ntes e fo rm o sa s d e ver e o uvir. Isto lhe d a va um a no tá vel sensa ç ã o d e o rg ulho , vê-la envo lver o s m em b ro s a nterio rm ente o b stina d o s d esta esp éc ie a o red o r d e seus b o nito s d ed o s. Seu esta d o d e gravidez só a m p lia va sua im p a c iênc ia p a ra sa tisfa zer q ua lq uer desejo que ela pudesse expressar. Mas ele sabia que no final da noite, quando o a m a nhec er c heg a sse, ela p ro c ura ria sua c a m a e a ning uém m a is p elo resto da eternidade.


Po d ia sentir seus o lho s nele q ua nd o a lg um a s d a s m ulheres d a c o rte se a p ro xim a ra m c o m ig ua l sim p a tia a sa ud á -lo . Ele nã o era tã o so c ia l e d ip lo m á tic o c o m o sua esp o sa , m a s d e a lg um m o d o isto c o ntrib uiu a fa zê-lo mais cobiçado depois. Tinha esta d o p erp lexo p o r esta indeseja d a a tenç ã o d ura nte m eses antes que sua esp o sa se d ig nou exp lic a r-lhe q ue eles o c o nsid era ra m "m isterio so ." E isto, por alguma razão, era atrativo. Gideon estava com sua usual tranqüilidade e direta forma de ser quando se moveu através de seus admiradores. Sentiu a atenção da Rainha no minuto em q ue ela o no to u. A c o m p a nhia se a p a rto u q ua nd o ela se leva nto u d e seu tro no o nd e tinha esta d o em um a d isc ussã o c o m suas a jud a ntes, Anya e Syreena. Pa rec ia terrivelm ente p á lid a e esta va c la ro q ue nã o esta va dormindo apropriadamente. De fa to , a b so luta m ente, p enso u ele q ua nd o m ed iu sua fisio lo g ia c o m seus a g ud o s sentid o s. Ela d esc eu o s p a sso s à p la ta fo rm a d o tro no e c o ntinuou na p la ta fo rm a a o c hã o p rinc ip a l. Esta va vestid a em um tra je c erim o nio so d e tec id o d e o uro . A guerreira era d e uso b o lero , intric a d a m ente b o rd a d a , q ue d eixa va seu estô m a g o , c usta d o s e c o sta s c o m p leta m ente nua s. A la rg a e lig eira sa ia q ue fa zia jo g o esta va a ssenta d a muito baixa em seus q ua d ris e esta va c o m p o sto p o r um a m eia d úzia d e retângulos d e tec id o q ue se a g ita va m d etrá s d ela enq ua nto se m o via p a ra ele. Aproximou-se c o m a m b a s a s m ã o s estend id a s, a s fita s d e o uro e d e d ia m a nte a o red o r d e seu b ra ç o sup erio r esq uerd o b rilha nd o no s a b a jures d o teto . Ele levou as o ferec id a s m ã o s na s sua s e inc lino u sua c a b eç a em um a eleg a nte reverenc ia . Ela a lc a nç o u a p ô r um b eijo estra nho d e p úb lic o a feto em sua bochecha e lhe sussurrou quando a multidão ao redor deles murmurou com especulação e surpresa. —Alg um a vez p o d erá m e p erd o a r? Co m p o rtei-m e c o m o um a m enina — disse ela. —Seguro. Estava desgostada e sou capaz de compreender por que. Seu beijo era uma honra distintiva nesta corte. Conferindo somente a ele, ela tinha tro c a d o sua p o siç ã o e, p o r a sso c ia ç ã o , a p o siç ã o d e sua esp o sa na c o rte. Já nã o era m m a is q ue só um a fa sc ina ç ã o , um a c urio sid a d e e em b a ixa d o res estra ng eiro s. Eles era m , d esd e esse m o m ento em a d ia nte, uns dos mais íntimos amigos pessoais de Sua Majestade.


—Deseja s influir na d em a nd a d e seu Ca p itã o Guerreiro , sup o nho -, ela disse astutamente, depois de tomar um momento para medi-lo. —Ac red ito q ue p o d eria esta r interessa d a no q ue vim d izer. Rec o m end o te que escute tudo o que tenho que comentar. —Ao p a rec er m inha s c o nselheira s estã o d e a c o rd o — a ssina lo u ela , eleva nd o um a m ã o p a ra ind ic a r a Syreena e Anya q ue tinha m sua s c a b eç a s próximas e juntas em discussão enquanto os olhavam. Siena enla ç o u seu b ra ç o c o m o d o Gid eo n e c a m inho u c o m ele enquanto sua gente se apartava para lhes permitir passar. —Viu a o Myria d q ua nd o esta va visita nd o seu Rei? — p erg unto u ela interativamente, fa zend o um p eq ueno b a te-p a p o enq ua nto p o d ia m ser ouvidos por outros. —Sua embaixatriz vem freqüentemente ao castelo. Eu acredito que ela e Noah formaram uma relação antagônica em cima do tabuleiro de xadrez. Siena riu, o som pareceu iluminar sua aparência. —Myriad é uma teimosa criatura. Ela não se renderá até que o derrote — informou ela. —Rogo-te perdões — Gid eo n d isse fa c ilm ente—, m a s a c red ito q ue é Noah quem está tentando golpear a sua pequena mestiça. —De verd a d e? —Siena riu d e no vo , seus o lho s d o ura d o s b rilha nd o c om entretenimento. — Coisa inteligente. Sabia que ela era a opção apropriada para enviar a sua c o rte. Eu só p o sso reza r p a ra q ue ela nã o c o nsig a o fend er a No a h ta nto que ele declare a guerra de novo. Gideo n so rriu q ua nd o ela o tiro u d a s á rea s p o vo a d a s d o q ua rto d o tro no e seus vestíb ulo s e p a sseo u c o m ele no s a rred o res m a is lo ng ínq uo s d a interm iná vel estrutura . Ela fo i p rim eira em ro m p er o a fá vel silênc io q ue tinha m formado. —Se estiver a q ui p a ra m e rec o rd a r q uã o fútil é m inha resistênc ia a esta Vinc ula ç ã o , p o sso te a sseg ura r q ue já esto u entend end o a situa ç ã o . Nã o so u eu mesma, e sei que se nota. Ela fez um a p a usa e Gid eo n lhe d eu tem p o p a ra d ec id ir o q ue ela desejava compartilhar com ele. — Nã o entend o c o m o vo c ê e sua c o m p a nheira d esfruta m ta nto esta c oisa . Sem p re q ue a vejo , ela está b rilha nd o , b o nita e so rrid ente. Sua


intelig ênc ia é a p rim eira c o isa d a q ue p ud e d esfruta r d esd e q ue reto rnei a corte. —Qua nd o Leg na e eu no s Vinc ula m o s p ela p rim eira vez um a o o utro — c o m eç o u o m éd ic o — nã o fo m o s o q ue a lg uém p o d eria c o nsid era r o s m elho res a m ig o s. Em rea lid a d e, nó s tínha m o s sid o ho stis um p o r vo lta d o o utro d ura nte q ua se um a d éc a d a d evid o a um inc id ente q ue tinha ferid o seu o rg ulho . Um no q ua l eu infring i c o m p leta m ente a s reg ra s d evid o a m eu deturpado sentid o d o c o rreto e inc o rreto . O m o m ento em q ue no s Vinc ula m o s, entreta nto , sem p re entend em o s q ue era inevitá vel q ue no s vo ltá ssem o s a m a ntes. Que esta ría m o s em p a relha d o s p elo resto d e no ssa s vid a s. Entend em o s isto p o rq ue c o m o Demônios é p a rte d e no ssa histó ria e fisiologia, embora até muito recentemente fosse uma situação muito estranha. Felizm ente, o q ue p ud em o s c o ntro la r fo i o tem p o q ue to m a m o s p a ra reso lver o s p ro b lem a s entre nó s, p a ra c o nseg uir sa b er um d o o utro a ntes q ue Belta ne nos obrigasse. Essa p rep a ra ç ã o fo i vita l e p rec iosa , Siena . Sem ela , esto u seguro que teria tomado mais tempo para nós encontrar o coração do outro. —Sa m ha in fo rç a rá a você e Elija h entre si. Ga ra nto -lhe isso . Eu vejo a c o m p ulsã o q ue se c o nstró i d entro d e vo c ê enq ua nto o tem p o se a p ro xim a . Ta m b ém se reflete no Elija h. As ra m ific a ç õ es estã o no s d ois la d o s d e no ssa s so c ied a d es, a sseg uro -te q ue a p esa r d e sua s resistênc ia s, encontrar-te-á despertando ao lado dele a manhã depois do Samhain. —Diz-m e q ue à p a rte a m inha so c ied a d e q ua nd o essa é a únic a c oisa q ue nã o p o sso fa zer. O q ue m e a feta , a feta a m eu p o vo . — Siena m o rd eu seus lábios brandamente. — Nã o so u um a m ulher Demônio. Vo c ê nunc a viu este p a rtic ula r c ruza m ento na s esp éc ies a ntes. Diz q ue nã o p o sso luta r, m a s eu nã o so u nenhum ser ordinário. —Nem eu — lhe rec o rd o u o Antig o Demônio c o m um frio e leve to m quando seu olhar de tonalidades chapeadas caiu na dourada dela. — Siena , a p rend este d ep o is d e um á rd uo e c o m p rid o c onhec im ento a confia r na verd a d e d e m inha s p a la vra s. Conhecendo-me estes vinte e c inc o anos, escolhe duvidar de mim agora? Depois que pôs o destino de seu trono e todo seu povo em minha palavra e meus ensinamentos a respeito do que seus chamados bárbaros inimigos tinham razão? Olhou-a enq ua nto ela p ressio na va um a p a lm a so b re sua fro nte, seu p a sso a o la d o d ele nunc a tro c o u. Ele sentia sua d o r, p o d ia ver a tensã o d a


d o r g o lp ea nd o em sua c a b eç a . Perturb a va -lhe nã o sa b er a ind a c o m o m a nip ula r a fisiolo g ia d o Lic á ntro p o o b a sta nte b em p a ra ser d e utilid a d e a ela ... Ele tinha p a ssa d o esses c inc o a no s d e c a tiveiro a p rend end o e a m eta d e d este a no p a ssa d o redesenhando o s elem ento s essenc ia is so b re sua fisio log ia . Ma s d em o ra ria o utro s p o uc o s a no s d e estud o a ntes q ue ele c o m eç a sse a fa zer p ro g resso s sa na nd o a esta c o m p lexa esp éc ie. Os hum a no s e o s Demônios era m um a c oisa , m a s a s c o m p lexid a d es d a q uím ic a d o s c a m b ia ntes, o DNA e a a ltera b ilid a d e d e seus c o rp o s inteiro s, fa zia a a rte d e curar o desafio mais difícil que o experiente médico tinha encontrado em toda sua longa vida. A únic a c o isa q ue ele p o d eria lhe o ferec er era m p a la vra s. Esp era nç o sa m ente a s c o rreta s q ue a a jud a ria m a entend er q ue esta va a d o ec end o so b re a lg o q ue sim p lesm ente nã o p o d ia tro c a r, inc lusive c o m to d o o p o d er no m und o . Este era um a to d e sup rem a c ia m a is à frente e superior a qualquer deles, não importa quão poderosa se voltassem. “ Meu amor…” “ Sim, doce? Perguntou a suave e luminosa presença em sua mente.” “ Deve lhe d izer a lg o q ue ela q ueira esc uta r, d isse Leg na p rudentemente Nã o é o teu ser ind ireto . Ela nã o resp o nd e à s o rd ens. Só resp o nd erá à s p o ssíveis so luções. Siena nã o p o d e sep a ra r à m ulher d a Ra inha . Ela rep rim iu sua fem inilid a d e g ro sseira m ente e, a lém d o m ed o d e o b rig a r-se a c o m p a rtilha r seu tro no , está o m ed o d e p erd er o c o ntro le d e seu ento rno . Isto é pelo que ela esta tão aterrada agora...” Gid eo n sa b ia q ue Leg na entend ia o a ssunto m elho r q ue q ua lq uer o utro . Como Demônio Menta l, Leg na tinha um a sso m b ro so c o nhec im ento d e p sic o lo g ia q ue tinha c resc id o exp o nenc ia lm ente d esd e q ue eles se emparelharam, compartilhando seu poder entre si. —Dig a a sua c o m p a nheira q ue se o c up e d e seus p ró p rio s a ssunto s — comentou a Rainha secamente. — Sinto sua presença zumbindo ao teu redor, Gideon. Siena tinha telep a tia c om o utro s a nim a is, inc lusive Lic á ntro p o s em sua s fo rm a s d e a nim a is, m a s nã o esta va lend o a m ente d e Gid eo n. Ela , entreta nto , sentia a p resenç a d e Leg na em sua m ente e tinha um sexto sentid o q ue lhe p erm itia ter um a va g a id éia d e o nd e seus p ensa m ento s e d isc ussõ es esta va m tend end o . Era m a is b em c o m o a ha b ilid a d e d e um p red a d o r d e intuir o seguinte movimento que faria uma presa.


—Ela m e d isse q ue te info rm e q ue seu b em -esta r é seu tra b a lho — Gideon retransmitiu. — E te recorda que nós somos seus amigos, não seus inimigos. —To d o s sã o m eus inim ig o s — d isse a Ra inha a m a rg a m ente, seu ritm o finalmente retardado quando o peso de suas tristes emoções a inquietaram. — Ou eles lo g o o serã o . Ag o ra , o q ue a c o ntec erá a no ssa p a z, velho amigo? Siena sentiu o revela d o r esta lo no a r q ue a nunc ia va a tele tra nsp o rta ç ã o d e Leg na . Ela a tinha esp era d o , a ssim c o m o esp ero u a s c o nfo rtá veis m ã o s q ue a c o m p a nheira d e Gid eo n p ô s em seus o m b ro s. Siena fina lm ente p a ro u d e m o ver-se, vo lta nd o -se p a ra p ro c ura r no s lum ino so s o lho s c ha p ea d o s d e Legna, absolutamente idênticos aos de seu marido. —Nã o d eve te inc o m o d a r c o m Gid eo n. Sa b e q ue ele é d e lo ng e m uito d ireto p a ra seu b em —, Leg na d isse m eig a m ente, jo g a nd o um p esta nejo a seu companheiro fora da vista de Siena. Gid eo n sentia um a um ento d e o rg ulho em seu p eito q ua nd o o lho u a sua enc a nta d o ra c o m p a nheira o b ra nd o seu p ró p rio estilo d e m a g ia . Deveria ter sa b id o q ue d evia tra zê-la c o m ele d esd e o c o m eç o . O Antig o a ind a esta va a p rend end o a ser p a rte d e um d ueto e à s vezes tinha estes eng a no s, m a s era d e esp era r-se d ep o is d e viver um a existênc ia p rinc ip a lm ente so litá ria d ura nte uns m il a no s. Alg uns há b ito s d em o ra ria m m uito m a is q ue seis m eses p a ra romper-se. —Entend o seus sentim ento s neste m o m ento , Siena — d isse Leg na seriamente. — Po sso te a jud a r a im a g ina r c o m o m e senti q ua nd o m e d a va c o nta que ia estar amarrada com este velho pelo resto de minha vida? Siena nã o p ô d e evita r so rrir q ua nd o ela exa m ino u c uid a d o sa m ente a o bonito “velho” de Legna. —Ap esa r d o q ue ele d iz, eu nã o esta va tã o a nsio sa d e a c eita r c o m o g o sta ria d e p ensa r, e ta m b ém p o sso te a sseg ura r q ue rea lm ente m e p erturb ei c o m a p ersp ec tiva d e d izer a No a h. Ma s nó s a c red ita m os no Destino e no futuro , c o m o sa b e, e está c la ro q ue era inevitá vel. E d eve sê-lo inc lusive p a ra você. —Isso não o faz mais fácil — argumentou Siena. —Não. Eu sei isso. Mas escuta tudo o que tem que dizer Gideon. Ele pode ser capaz de te ajudar.


—Já ouvi todos seus argumentos. —Eu não ofereço um argumento, a não ser uma solução. Gideon pegou um a m ã o d e c a d a m ulher e a s levo u a um b a nc o em um o c o o nd e ela s se senta ra m o b ed ientes. Leg na rec o lheu a m ã o d a Ra inha imediatamente, apertando-a entre as suas em silencioso apoio. —Sa b e q ue d eve te d a r a você e a seu p o vo tem p o p a ra a justa r-se a isto. Há-me dito que eles não aceitarão um Demônio como seu Rei, correto? —Sim. Estou segura disso. —Então não lhe faça Rei, Siena. —Mas você diz que não posso resistir a esta Vinculação… —Eu d isse q ue nã o lhe fa ç a Rei. Nã o tem m a is o p ç ã o a nã o ser to m á -lo c o m o c o m p a nheiro e vo c ê sa b e isso em seu c o ra ç ã o e sua a lm a , q uer e necessita Elijah perto de você. Gid eo n se a g a c ho u, d esc a nsa nd o um a m ã o no jo elho d a Ra inha quando ele olhava seus olhos perplexos. —Rec o rd a o d ia q ue te p ed i q ue m e c o nta sse a histó ria d e sua m o na rq uia ? As tra d iç ões e c o m o eles c resc era m e tro c a ra m d ura nte o s séculos? —Sim — sorriu ela. — Vo c ê m e m a nteve o c up a d a c o m a d isc ussã o d ura nte vinte ho ra s. Eu nunca desfrutei mais de um discurso. —Entã o p ensa , p o r um m o m ento , so b re essa s tra d iç õ es. Nã o m e d isse que, antes que você permitisse que os varões fossem iguais em sua sociedade, nã o ha via ta l c oisa c o m o um Rei? Que tinha tro c a d o c o m o exem p lo fa z aproximadamente novecentos anos quando… —… q ua nd o a Rainha Co lein elevo u a seu Co nso rte p a ra ig ua lá -la em nível — ela proporcionou quando ele procurou os nomes das pessoas envoltas. —Sim. Alexzander. O primeiro Rei em sua história. —Não entendo seu ponto. —Siena — falou Legna, sua voz suave e urgente. — Elijah não quer ser seu ig ua l em sua m o na rq uia , só em seu c o ra ç ã o , a lm a e c o rp o . Ele está sa tisfeito com sua vida e seus deveres com Noah. Você não entende isto? —Vo c ê o vê c o m o um a a m ea ç a a seu tro no . Assim q ue eu o fereç o a so luç ã o d e tira r a a m ea ç a a té o m o m ento em q ue vo c ê ache q ue seja d e outra forma — insistiu Gideon.


— Fa ç a seu Co nso rte, Siena , nã o seu Rei. Se um d ia esc o lher elevá -lo c o m o seu ig ua l p o lític o, entã o será sua eleiç ã o fa zer isso e d e ning uém m a is. Não há nenhuma lei do Licántropos que te exija lhe fazer seu igual no trono, só q ue lhe fa ç a seu c o m p a nheiro. Invoca uma tradição velha, guarda seu poder em c im a d e seu p o vo e d eixa d e c a stig a r a Elija h e a você m esm a c o m seus próprios medos. —Sa b e o q ue está p ed ind o ? —Perg unto u Siena c o m vo z ro uc a , sua cabeça dando voltas quando a esperança e o alívio trataram de curvá-la. — Está m e p ed ind o q ue o tra te p ub lic a m ente d e um a fo rm a … d e um a maneira que nenhum homem de seu ego poderia tolerar. —Esta m o s te p ed ind o q ue fa ç a o q ue sem p re tem feito . Fa zer o m elho r para seu povo. Isso é tão natural para você como respirar, Siena. —Não conhece tão bem a Elijah como pensa — adicionou Legna. — Po r você, eu a c red ito q ue ele fa ria q ua lq uer sa c rifíc io . Ele nã o p rec isa im p ressio na r a sua c o rte. Só a você. Sua p o siç ã o c o m No a h é m a is q ue sufic iente p a ra ele. E te d irei isto , a ind a q ua nd o m a c huc a sse seu eg o , Elija h ainda te levaria em seu coração sob qualquer condição. —Mas… —Siena —d isse Gid eo n c o m um susp iro — na d a g a nha sem entra r no risco.

CAPÍTULO 11

Elijah despertou a noite seguinte com um sobressalto. Sentou-se na c a m a d e rep ente fa zend o com q ue seu c o rp o p ro testa sse p elo m o vim ento b rusc o . Tomou fô leg o leva nd o p a ra trá s a m ã o p a ra m a ssa g ea r o s m úsc ulo s d o lo rid o s d o s o m b ro s. Forçou-se a si m esm o e a sua s tro p a s a té m a is à frente d o lim ite a no ite a nterio r, esp era nd o q ue, em a lg um m o m ento , a extenua ç ã o to ta l lhes fizesse a lg um b em c o nsid era nd o a proximidade do Samhain. Elija h nã o sa b ia exa ta m ente o q ue é o q ue esp era va , m a s d e m o m ento se sentia b a sta nte no rm a l. Vale tã o no rm a l c o m o leva va sentind o-o s últim o s dias.


O q ue b a sic a m ente sig nific a va q ue a nd a va a rra sta nd o o s p és sentia -se im ensa m ente triste e, to ta l e c o m p leta m ente d e sa c o c heio c o m c erta fêm ea Licántropo. Tinha d o rm id o na c a sa d e No a h c o m a esp era nç a d e q ue p erm a nec er p erto d o Rei, d e a lg um m o d o , servir-lhe-ia d e p á ra -c ho q ue c o ntra o p rim itivo im p ulso d e a ta c a r Siena , o q ua l se sup unha tinha q ue esta r sentind o . E a g o ra , a o d esp erta r sem sentir o utra c oisa q ue nã o fo ssem seus p ensa m ento s e desejos habituais, sentia-se ridiculamente aliviado. Jo g o u p a ra b a ixo o s lenç ó is e se d irig iu a o a rm á rio . Pô s to d a sua intenç ã o em esc o lher o p a r d e jea ns usa d o s m a is c ô m o d o s e um a c a m isa b ra nc a Lisa c o m b o tõ es d o m a is no rm a l. Era o q ue c o nsid era va ro up a d e tra b a lho . Na d a esp ec ia l, nem seq uer sed a , um a viso d e seu p a ssa d o elevado q ua nd o tinha p red ileç ã o p ela s m a lha s d a s c a m isa s. Nã o ia fa zer na d a q ue p ud esse interp reta r m a l d e nenhum a fo rm a c o m o se estivesse p rep a ra nd o para ver ou seduzir a uma mulher. Dobrou-se o s p unho s a m eta d e d o s a nteb ra ç o s e so rriu d e verd a d e a nte o info rm a l reflexo d o esp elho . O g uerreiro levou um m om ento p a ra passar as m ã o s p elo c a b elo , a ind a p a rec ia estra nha a m ud a nç a d e c o r. Tinha sid o loiro platino a m a io r p a rte d e sua vid a . Aind a resulta va estra nho ver a s m ec ha s douradas em lugar de chapeados. Perguntava-se se era um a viso feito a p ro p ó sito p a ra q ue nã o esq uec esse c o m q uem se sup unha q ue tinha q ue em p a relha r-se. Ca d a vez q ue o o lha va , p ensa va o nd e se o rig ino u a c o r. Seg uro q ue p a ra Leg na fo i ig ua l q ua nd o viu no esp elho q ue lhe tinha tro c a d o a c o r d o s o lho s, o p ra ta distintivo do Gideon. Elija h sa iu d a ha b ita ç ã o e se d irig iu a o Gra nd e Sa lã o . Duvid o u a m eta d e d o c a m inho na esc a d a c entra l q ua nd o viu No a h senta d o junto à c ha m iné, q ua se na m esm a p o siç ã o em q ue Elija h lhe tinha visto q ua nd o fo i à c a m a . Olho u p a ra o esc ritó rio d o No a h d e p a ssa d a , vend o q ue o m o ntã o d e no ta s e traduções tinha crescido durante o dia. —Dormiste hoje? —perguntou ao Rei diretamente. —Po is c la ro — m entiu o Rei sem sep a ra r o s o lho s d a s c ha m a s a q ue, ultimamente, parecia olhar muito. —Vai tudo bem, Noah? —insistiu Elijah. Noah finalmente lhe olhou, lhe tranqüilizando com um meio sorriso. —Não seria eu o que tem que perguntar isso a você?


—Esto u b em . De fa to , m elho r q ue b em . Esto u c o m eç a nd o a m e perguntar se Gideon tiver claro tudo o que isto suporta. —Nã o te c o nfie, a m ig o m eu — lhe a d vertiu No a h c o m sua vid a d e. — Gideon rara vez se equivoca. —Ob rig a d o p elo vo to d e c o nfia nç a — d isse Elija h. — No a h, p erd o a q ue lhe diga isso, mas em que planeta está ultimamente? Não é o de sempre. —Sa b e? Dei-m e c o nta d e q ue a g ente freq üentem ente p ensa a ssim q ua nd o tenta evita r fa la r d e si m esm o . Preo c up a -se d e você m esm o , guerreiro. Estou como sempre. Elija h nã o q uis insistir. No a h nã o c o nserva va seus c o nselheiro s m uito tem p o . Fa la ria q ua nd o q uisesse, nem um m inuto a ntes. No m o m ento , o Rei esta va no c erto . Tinha seus p ró p rio s p ro b lem a s d o s q ue p reo c up a r-se esta noite. —Ac red ito q ue vo u d a r um a m ã o a o Ja c o b — d isse vo lta nd o -se. — Estando Bela ainda... Elija h se freo u a o sentir a m ã o d o No a h lhe ro d ea nd o o b ra ç o . Deu a volta e viu o Rei em pé, detrás dele, com uma sobrancelha levantada. —Não lhe recomendo isso. Jacob as concerta sozinho . —Mas... —Elija h, tenho q ue so letra r? Ja c o b e Bela estã o Vinc ula d o s e esta m o s no Sa m ha in. Asseg uro -te q ue se te d eixa c a ir p o r a li sem te a nunc ia r, nã o será bem-vindo. Elija h leva nto u a s so b ra nc elha s a o c o m p reend er o sig nific a d o d o q ue Noah lhe dizia. “ Macho idiota.” Elija h esta va q ua se a c o stum a d o a o no m e q ue lhe veio à c a b eç a , m a s era a p rim eira vez q ue o o uvia em resp o sta a a lg o q ue a c o ntec ia sua p ró p ria vid a . Esta va tã o d istra íd o esc uta nd o a vo z c a nta rina e a risa d a q ue a seg uia q ue se esq uec eu d e No a h e se tra nsfo rm o u em um vento rá p id o q ue d isp a ro u para a janela mais próxima. Noah ficou agarrando... um nada com uma expressão perplexa no rosto. A primeira parada de Elijah foi ao campo de treina mento. Pa ro u no c entro d o c a m p o o uvind o só o ra ng id o d os m a neq uins d e m a d eira e o s alvos. Era rea lm ente estra nho q uã o a b a nd o na d o esta va . No rm a lm ente b ulia d e a tivid a d e d e so l a so l. Ma s era um d ia sa g ra d o e nã o p ed ia a ning uém q ue estivesse a li. Entreta nto , no p a ssa d o tinha ha vid o


a lg uém tra b a lha nd o , tenta nd o reenfo c a r a s energ ia s q ue p o d eria m se r p erig o sa s se d irig ia m mal. Pa rec ia q ue Elija h lhes tinha feito tra b a lha r um pouquinho m uito d uro enq ua nto tenta va esg o ta r-se e ning uém esta va d e humor para aproximar-se do Capitão ou ao campo de treinamento. Assim fo ra m d o is g o lp es. Ca m inho u lenta m ente p elo c a m p o p ensa nd o em que outra coisa podia fazer para passar o tempo. “ Possivelmente deveria lhe fazer um sacrifício à Deusa.” Elijah ficou parado. “Depois de tudo, é um dia sagrado — continuou a voz. “ —Sabe? Escolheste um d ia p erfeito p a ra te p ô r fa la d o ra — so lto u c o m a voz ressonando através do campo vazio. Elijah resp iro u fund o e a fa sto u seus p ensa m ento s d a fo rm a como a vo z d ela , sensua l inc lusive na m ente, p a rec ia p erc o rrer sua esp inha d o rsa l p o nd o d e p o nta c a d a nervo d e seu c o rp o . Am a ld iç o a nd o em vo z b a ixa se tra nsfo rm o u em um vento d ia b ó lic o q ue leva nto u o p ó d o c a m p o d e p rá tic a s ao partir. Um a ho ra d ep o is Elija h se m a teria lizo u em sua p ró p ria c a sa a o m eio mundo de distância dos territórios russos. Po r fim c o ntente, c o m eç o u a a c end er vela e tiro u o p ó de sua p o ltro na fa vo rita a ntes d e a fund a r-se nela c o m um susp iro . Inc lino u a c a b eç a p a ra trá s e fec ho u o s o lho s tenta nd o lib era r-se na q uietud e d a noite. Sua c a sa em rea lid a d e era um a c a b a na m o d erna . Em b o ra tivesse to d o s o s serviç o s inc o rp o ra d o s em um a c a sa m o d erna , nã o lhes d a va uso . A eletric id a d e e tud o isso nã o func io na va p a ra ele nem p a ra nenhum d o s d e sua esp éc ie. Sua irmandade com as forças da natureza fazia com que a tecnologia e a maioria d o s a p a relho s elétric o s rea g issem d e fo rm a a d versa c o m sua b io q uím ic a Demônio. “ Sei. Tive q ue utiliza r c o m o últim o rec urso o sistem a d e ilum ina ç ã o a g á s no castelo desde que Legna e Gideon chegaram à corte.” Elijah se sentou rígido de repente. Por que soava como se estivesse mais perto que antes? Ma ld ita seja , tinha esc o lhid o um m o m ento a sq uero so p a ra b urla r-se d ele. Era c o m o se estivesse fa zend o p erd er a c a b eç a c o m p leta m ente e lhe o b rig a nd o a ir p ro c urá -la . E se julg a va c o rreta m ente a tensã o q ue surg ia nele e as ânsias que a seguiram, ia conseguir muito depressa se seguia com isto. “ Não tenho medo, sussurrou.”


“ Po is d everia , a d vertiu-lhe inic ia nd o a c o nexã o ele m esm o p ela p rim eira vez.” “ Primeiro terá que me encontrar.” Sua a m ea ç a inic ia l. Estava b urla nd o , sem d úvid a p o rq ue a c red ita va q ue poderia esconder-se dele. Acreditava que possuía habilidades superiores e por isso não tinha nada que temer. Era um d esa fio to lo e Elija h tinha a c red ita d o q ue fo sse mais pronta q ue tud o isso . Fic o u frustra d o e p reo c up a d o enq ua nto leva nta va e c o m eç a va a passear de um lado a outro. “ Siena, está jogando com fogo. Não quer fazer isto.” “ Não deveria ser eu quem o julgasse?” “ Maldita seja” Elija h tento u tira -la d e sua m ente c o rrend o p a ra a esc urid ã o em b usc a d e a lg o , o q ue fo sse, q ue o c up a sse seus p ensa m ento s. Pa ra evita r q ue p ensa sse nela e a s lem b ra nç a s d ela . Qua nto m a is fa la va c o m esse sussurro sua ve e sensua l, m a is rec o rd a va esse m esm o m urm úrio em seu o uvid o ro nro na nd o e lhe urg ind o a m eter-se m a is fund o em seu d o c e c o rp o . Rec o rd a va p erfeita m ente o ta to d e seus d ed o s no c a b elo e sua s unha s lhe arranhando as costas. Elija h entro u na b ib liotec a e, c o m ra p id ez, p rend eu um fósfo ro e a c end eu d uas lanternas so b re a m esa . Neste séc ulo nã o esta va m uito p ela leitura , tend ia a c o nc entra r-se em sua s ha b ilid a d es p a ra a luta e a estra tég ia . No séc ulo p a ssa d o tinha esta d o a p erfeiç o a nd o sua s ha b ilid a d es c o m o a rtesã o d e a rm a s. Qua nd o a b ib lio tec a se ilum ino u, a p ro va d isto reluziu em c a d a p a red e. Ha via p erto d e vinte esp a d a s d e d iferentes va ried a d es e c a d a um a d ela s tinha sid o feita p o r sua s m ã o s, d o p unho à va g em . Inc lusive os suportes o nd e se mostrava m tinha m sid o tra b a lha d o s d o loro sa m ente p o r sua s mãos. Nã o só era m p eç a s d e exib iç ã o . Tinha p ra tic a d o c o m ela s e tinha usa d o m a is d a m eta d e em b a ta lha s rea is. Exa m inou-a s lenta m ente, esp era nd o ver qual delas lhe falava mais alto. A katana lhe chamou a atenção. A fo lha esta va c o lo c a d a escuramente em um a va g em d e p ra ta p ura e a luz d o fa ro l p isc a va c o ntra ela d e m a neira q ue p a rec ia q ue a s g ra vura s esta va m viva s. Tend eu a m ã o p a ra ela , d uvid o u e b a ixo u a m ã o . Tento u nã o


rec o rd a r a últim a vez q ue a tinha utiliza d o , sa b end o q ue Siena esta va em sua mente. “ A folha que matou a meu pai.” Elija h estrem ec eu sem d a r-se c o nta d e q ue o to m era esp ec ula tivo , nã o acusador. “ Sinto muito, Siena.” ‘ Nã o o sinta , Guerreiro . Tro c o u no sso s d o is m und o s p a ra m elho r c o m o golpe dessa folha.” Elija h se a fa sto u d a fo lha a flito e se d eixo u c a ir c o m estup id ez na c a d eira mais próxima. —O q ue q uer d e m im , Siena ? —p erg unto u em vo z a lta c o m a vo z ro uc a enquanto tentava filtrar suas emoções. “ Quero saber o que quer de mim.” —Nada — sussurrou. — Nã o q uero na d a d e você—. Fez um a p a usa q ue d uro u d ois fo rtes batimentos do coração de seu coração. —Exceto você. —disse ao fim. Ficou em pé e se aproximou das portas de cristal que levavam ao balcão q ue ro d ea va a m eta d e d a c a sa . Sa iu e a sp iro u p ro fund a m ente o a r no turno inclinando-se sobre o corrimão de madeira. “ Seu ta to , sua risa d a , seus fo rm o so s o lho s, Siena . Seu tem p era m ento , o b rilho d e sua p ele e sua m ente. Quero d esp erta r p ela m a nhã envo lto em seu c a b elo e o lha nd o seus o lho s. Quero a p rend er o q ue rea lm ente sig nific a te conhecer.” Elija h fec ho u o s o lho s sentind o um a d o r físic a c o rrend o p o r c a d a fib ra d e seu corpo. “ Nã o so u tã o m isterio sa , Elija h. Só so u a m ulher q ue nã o q uer m a is q ue conduzir seu povo a uma era de paz e tranqüilidade.” “ Na d a m a is, Siena ?” Elija h leva nto u a m ã o a té a fro nte e esfreg o u a s rugas de recriminação. “ Há outra coisa que quero.” “ E isso é…? ‘ ‘ Quero que me veja Elijah. “ Elija h se end ireito u a p a rta nd o -se d o c o rrim ã o q ua nd o ela d isse isso . O c o ra ç ã o sa lta va erra tic a m ente c o m um a súb ita q ueb ra d e o nd a d e


esperança. Entrecerrou o s o lho s e esq ua d rinho u a esc urid ã o . A b risa no turna soprava sobre ele e as nuvens se moviam pelo rosto da lua crescente. Chegou-lhe um a ro m a d éb il e fa m ilia r e sentiu q ue c a d a c élula d e seu c o rp o c o rria a d iferentes p a rte lhe d eixa nd o um p o uc o enjo a d o p ela s seqüelas. E então viu o raio de lua dourado. Agarrando-se a o c o rrim ã o , Elija h sa lto u so b re ela c a ind o a o c hã o d ois andares m a is a b a ixo . Pô s-se a c o rrer, m a s p a ro u q ua nd o o d éb il a ro m a d esa p a rec eu. Olho u a seu red o r p ro c ura nd o a fo nte d o ra io d oura d o e d e rep ente viu a lg o p end ura nd o d o s ra m o s d e um a á rvo re. Ala rg o u a m ã o , soltou-o e lhe d eu a vo lta na p a lm a d a m ã o . Era um b ra c elete feito d e o uro e pedras de lua com um desenho tão intrincado como o colar de Siena. “ Diga-me o que significa isto, Siena, pediu-lhe. “ É o bracelete do Consorte da Rainha, Elijah.” Nã o d isse na d a m a is, nã o ho uve m a is exp lic a ç ã o . Sa b ia q ue nã o era nec essá rio . Elija h era um ho m em fa m ilia riza d o c o m o s d eta lhes d a m o na rq uia . Sabia mais que de sobra o que significava ser o Consorte Real. O c o ra ç ã o d e Elija h p ulsa va tã o fo rte q ue q ua se nã o p o d ia o uvi-la. Nesse m o m ento , tud o p a rec eu tro c a r. Os sentim ento s entristec ed o res era m irresistíveis, ofegantes, ansiosos e possivelmente um pouco exasperantes. —Me diga onde está, Siena. Diga-me isso já. “ Estou em casa, Elijah. E estou esperando sua decisão.” Siena se a jo elho u a nte o fo rm o so a lta r e a c end eu o inc enso na tura l feito em c a sa q ue Anya lhe tinha presenteado no últim o Belta ne. Sentou-se so b re o s ta lõ es, fec ho u o s o lho s e tento u c o nc entra r-se em sua s p rec es. Ma s era d ifíc il p o rq ue lhe sentia c heg a nd o c o m m a is q ue o c o ra ç ã o , a a lm a e d efinitiva m ente c o m o c o rp o . O q ue era exa ta m ente nã o p o d ia d ec ifrá -lo nesse momento. Não obstante, era tão impossível de ignorar como de explicálo. Esta va a ind a a um o c ea no d e d istâ nc ia , m a s já a rrep ia va o s b ra ç o s, o s o m b ro s, sub ia -lhe p elo p esc o ç o e a sensa ç ã o se estend ia p elo c o uro cabeludo fazendo que lhe pusessem os cabelos de pé. A ha b ita ç ã o esta va c heia d o a ro m a d o inc enso . Tinha esta d o a rd end o to d o o d ia , d e a c o rd o com à tra d iç ã o, p rep a ra nd o a noite q ue se aproximava. Ta m b ém d e a cordo com à tra d iç ã o , Siena tinha p a ssa d o to d o o d ia sem fa zer o utra c o isa q ue d o rm ir, b a nha r-se, p erfumando-se, la va nd o o


c a b elo e d a nd o -se to d a c la sse d e a zeites e lo ç õ es p a ra fa zer q ue a p ele estivesse total e perfeitamente suave. Tinha sid o Princ esa a ntes q ue Rainha, to d a sua vid a tinha tra nsc o rrid o na c o rte. To d o o a lvo ro ç o , o tratamento e a a tenç ã o d a q ue era o b jeto , era exa ta m ente a o q ue esta va a c o stum a d a . E p rec isa m ente o q ue d esfruta va . De fa to , so m ente a fa m ilia rid a d e d e tud o isso a a jud a va a p erm a nec er tra nq üila , rela xa d a e c o nc entra d a em q ua se to d o s o s níveis. Co m o resulta d o , nã o ha via um só p o nto d e seu c o rp o q ue nã o fo sse sua ve e nã o estivesse d elic a d a m ente p erfum a d o e a ind a p o d ia m a nter um a im a g em d e d ig nid a d e e calma enquanto esperava. Assim mesmo, Siena tinha tido sorte. Elijah tinha estado dormindo até tarde a noite antes, até fazia quase uma ho ra . Se tivesse d esp erta d o a ntes nã o teria p o d id o c a m ufla r sua s a tivid a d es o u sua exc ita ç ã o enq ua nto se p rep a ra va p a ra um a no ite d a q ue ele nã o tinha nem id éia . Em b o ra sem p re se controlasse, esta c o nexã o q ue se fa zia m a is fo rte entre eles tinha o p o tenc ia l p a ra q ue se tra ísse. Po d ia esc o nd er m uito a o utro s, m a s Elija h esta va enc ra va d o em seu esp írito e m uito em b reve, p o r fim o tinha c o m p reend id o , nã o ha veria na d a q ue p ud esse lhe o c ulta r. E enq ua nto ele vinha a ela p o d ia sentir o c o ra ç ã o , o sa ng ue, a a d rena lina e to d o o resto d e end o rfina s d a b io q uím ic a d ele fluind o em seu sistem a . Era c o m o um a d ro g a a sso m b ro sa m ente p o tente q ue fa zia q ue lhe dava vo lta s a cabeça como se estivesse nadando em estimulantes. Tecnicamente, deveria esperar que lhe desse a resposta apropriada a ser seu Co nso rte. Ma s a tinha sentid o no c o ra ç ã o no m esm o m inuto em q ue o g uerreiro tinha c o m p reend id o o sig nific a d o d o b ra c elete e c a d a p a sso q ue dava para ela era uma aceitação. Siena a p o io u a s p a lm a s na p ed ra q ue esta va fria c o ntra a c a lid ez d e sua s m ã o s e se leva nto u. Sua s ha b ita ç õ es esta va m c heia s d e m ulheres, a jud a ntes, g ua rd a s e d a m a s d e c o m p a nhia . E, é o b vio , Anya e Syreena estavam a seu lado. Flanqueavam-lhe c a d a um a vestid a c o m um tra je c erim o nio so específico. Os trajes eram soltos com mangas largas como asas de anjos. O de Anya era d e um fino m a teria l verd e, m uito leve, d e sed a fina q ue so mente o s a rtesã o s m a is a nc iõ es e d estro s p o d ia m fa b ric a r. Tec id o na m esm a sed a , d e m a neira q ue nã o se d isting uia a o ta to d o m a teria l, leva va a im a g em d e um a raposa cuja cauda se enredava no quadril da Anya e descia pela coxa.


O traje da Syreena era feito da mesma tênue seda, mas de cor azul cera. Retorcendo-se a seu red o r ha via um g o lfinho a um la d o e a o o utro , um fa lc ã o p ereg rino . Brilhos d e d ia m a ntes se p ulveriza va m p a ra c ria r a s o nd a s d o oceano e as estrelas do céu noturno. Siena estend eu o s b ra ç o s c o m a s p a lm a s p a ra c im a e c a d a um a d a s a jud a ntes a g a rro u c a d a la d o d a b a ta d e c etim e enc a ixe q ue leva va so b re o tra je. Deva g a r, o s d ed o s a lc a nç a ra m a s fita s d a frente d e seu vestid o e c o m eç a ra m a entrela ç a r o s d e fo rm a c o m p lic a d a , c o m o se estivessem atando os cordões dos sapatos, salvo que cada uma delas usava uma só mão c o m o se fo ssem um a só p esso a . Requeria-se c o nc entra ç ã o , c o o rd ena ç ã o e coo p era ç ã o p a ra o b tê-lo e a s m elho res a m ig a s d e Siena , sua s irm ã s d e a lm a , se não ambas de sangue, levaram-no a cabo impecavelmente. Quando terminaram, Siena livrou a s m ã o s d e Anya entre a s sua s e a s apertou com afeto. —Foi m inha m a is q uerid a c o m p a nheira q ua se to d a m inha vid a e m e ho nra te ter a m eu la d o neste… evento d o q ual nenhum a d e nó s tivesse pensado tomar parte. Siena a p ro xim ou a s m ã o s d e Anya a té q ue a s p a lm a s se a p o ia ra m contra seu coração. — Ma s, p o r tra d iç ã o , nã o p o sso te esc o lher c o m o p o rta d o ra d a a d a g a m a trim onia l. Essa ho nra p ertenc e a m inha irm ã , Syreena , a p esa r d e seus protestos. O o lha r d o ura d o d e Siena fla m ejo u p a ra so sseg a r o s p ro testo s no s lá b io s da Syreena. Syreena pensava que Anya merecia esse direito sem importar que sangue fosse o seu. — É seu d ireito — c o ntinuo u Siena c o m o s o lho s q uentes e sua ves o lha nd o d e um a à o utra .— d esejei honrá-la d a m a neira em q ue um a irm ã ho nra a sua irm ã . Po rq ue, em b o ra q ua se nã o m e conhecesse q ua nd o começamos esta via g em d e rea leza , g a nho u c a d a rec o m p ensa p o r sua indisputável lealdade. —Sei, m inha Ra inha — d isse b ra nd a m ente Anya c o m exp ressã o lig eira m ente d ivertid a , p ois a m b a s sa b ia m q ue nã o era ela a q ue nec essita va a tra nq üilid a d e d e ta l g esto . Ap esa r d o ro sto c o nsta nte d e ind ep end ênc ia e c o nfia nç a , o c o ra ç ã o d a Syreena era m uito so c ia l e nec essita va a c eita ç ã o e amor.


Anya so lto u sua s m ã o s e vo lto u a o lha r Syreena . Os o lhos d a Princ esa esta va m fec ha d o s e a m estiç a lhe d eu um m o m ento . Qua nd o o s o lho s d e duas cores se abriram, a umidade das pestanas brilhou como os diamantes de seu vestido. Entã o a Princ esa estend eu a s m ã o s c o m a s p a lm a s p a ra c im a enq ua nto Anya tira va a a d a g a c erim o niosa d a bainha, o a fia d o m eta l c a nto u a té o s a lto s teto s d o d o rm itó rio. O so m teve seu ec o na p a ta d a no c hã o d o g ua rd a a o fic a r firm e. To d o o s g ua rd a s d esp ira m sua s esp a d a s c o m o so m d e fo lha s b em a fia d a s, d eixa ra m -na s c a ir c o m fo rç a c o m a p o nta p a ra b a ixo no c hã o de pedra. Saltaram faíscas quando a pedra se estilhaçou e o metal se dobrou. Seg und o a tra d iç ã o , to dos o s g ua rd a s exc eto d ois, p a ssa ria m a no ite rep a ra nd o a s fo lha s. Sup o sta m ente, o c a lo r d a fo rja era um a b ênç ã o p a ra o leito m a trim o nia l e ig ua lm ente p a ra p o d er m o ld a r o futuro a m p a ro d o tro no . Ma s o sim b o lism o ia m a is lo ng e. Os g ua rd a s fo rja ria m no va s fo lha s p a ra servir a o no vo reg im e. O Co nso rte c a rec ia d e p o d er p o lític o e leg a l, m a s lhe outorgavam todos os respeitos e cortesias de um Rei. Igual em tudo… exceto em soberania. Anya c o lo c o u a a d a g a no s d ed o s d a Syreena . Syreena se inc linou c om gentil respeito. Nesse m o m ento , um a ra ja d a fria encheu a ha b ita ç ã o . As c o rtina s d a c a m a e a s ta p eç a ria s q ue p end ura va m p o r to d a a ha b ita ç ã o g o lp ea ra m c o ntra a s p a red es a o fa zê-la b risa sub terrâ nea m a is e m a is fo rte. Inc a p a z d e conter-se, Siena c o m eç o u a resp ira r m a is d ep ressa . Sua s b o c hec ha s se coloriram contrastando agudamente com seu semblante inusualmente pálido. Ma s só serviu p a ra rea lç a r sua b eleza e c o m o c o ntra ste a o vestid o b ra nc o que levava. Um ruíd o extra o rd iná rio , c o m o o so m d e tro vã o , reverb ero u a seu red o r. To d a s a s m ulheres d a ha b ita ç ã o la nç a ra m g rito s sufo c a d o s. Nã o ha via na d a c o m o o m a u tem p o em um c a stelo sub terrâ neo . Pa rec eu ena ltec er a exc ita ç ã o p ela p ró xim a c heg a d a d e sua hó sp ed e. A m eta d e d eles nã o sa b ia se se sentiam assustados, preocupados ou simplesmente curiosos. O q ue sa b ia m seg uro , em q ua lq uer c a so , é q ue a vid a na c o rte e a vid a em g era l nunc a vo lta ria m a ser a m esm a . O q ue sig nific a va q ue ning uém sa b ia , nem seq uer a Rainha m esm a . Ma s o d estino tinha fa la d o e a Rainha e ta m b ém The Prid e tinha m o rd ena d o q ue a c a ta ssem a o rd em . Devia m d a r a bem-vinda a outro Demônio a corte.


Mas tal Demônio? O mesmo Açougueiro? Os m a is p ró xim o s à Ra inha , é o b vio, a c eita ria m a lg o q ue lhes p ed isse, mas temiam por sua vida e sua segurança. As histórias sobre a infâmia de Elijah fa zia m m a l. Além d isso , p a ra q ua lq uer Lic á ntro p o , um Demônio era tã o estra nho . Tã o d iferente. As m ulheres q ue via m a Ra inha p rep a ra r-se p a ra tã o p o uc o o rto d o xa s b o d a s esta va m c heia s d e p erg unta s q ue inc lusive a g o ra circulava pela corte. Assassiná-la-ia d ura nte o so nho ? A ra inha era um a c o m p leta guerreira e o g uerreiro Demônio nã o enc o ntra ria nela um a p resa fá c il, m a s a Rainha esta va verd a d eira m ente exc ita d a c o m o q ue se aproximava e isso era o m a is c o nfuso d e tud o . Verd a d e era q ue o m a c ho Demônio d a c o rte, o c ha m a d o Gideon, era uma criatura incrivelmente bonita e de mente fascinante, mas era um homem educado e de pouca comum inteligência e aptidões. Lo g o q ue p o d ia esp erá -lo m esm o d e um b á rb a ro q ue brandia um a esp a d a e m a ta va inim ig o s p a ra ganhar a vid a . Era o sufic ientem ente a tra tivo p a ra m a nter o interesse d e um a c o m p a nheira q ue se tra nsfo rm a va em um a vig o ro sa g a ta ? Ver-se-ia a feta d o , em rea lid a d e, p elo c o m p ro m isso d a vinc ula ç ã o e se fo rç a ria a p erm a nec er só na c a m a d a Ra inha o u exp erim enta ria m em a lg um m om ento o p rim eiro esc â nd a lo rea l na histó ria d e sua raça? Seria sua q uím ic a o sufic ientem ente c o m p a tível p a ra p ro ver d e herd eiro s a o tro no ? Esta era a p erg unta m a is im p o rta nte. Inc lusive em b o ra a existênc ia d e m estiç o s entre esp éc ies a p a rentem ente era p o ssível, nã o ha via c ria tura s viva s em sua c ultura q ue tivessem sid o ela b o ra d a s em um c o q uetel d e DNA tã o vo lá til c o m o o d o Demônio e Lic á ntro p o . O q ue p ro d uziria um a m esc la d e animais e elementos se podia produzir algo? Esta era a p erg unta m a is fa sc ina nte d e to d a s. Os Lic á ntro p o s enc o ntra va m a m uta ç ã o interessa nte e exc ita nte. Qua nto m a is p o d ero sa , m elho r. Po r isso Syreena era tã o a m b ic ionada . Este p o d ia ser o únic o a sp ec to d a s b o d a s q ue g a nha ria no s m em b ro s m a is d ista ntes d e sua so c ied a d e, o s quais poderiam ser mais difíceis de agradar ou mais resistentes a obedecer. A rainha tinha sido terminante quando anunciou suas intenções de tomar c o m o c o m p a nheiro a este ho m em . Era um d ever, sim , m a s nã o tinha c ho ra d o nem so luç a d o . Assegurou-se d e q ue to d o s so ub essem q ue era um c o m p ro m isso a o q ue d a va p ro fund a m ente b em -vind a . Tinha c o nfessa d o a s d úvid a s q ue tinha m esta d o lhe d a nd o vo lta s o s últim o s d ia s. E entã o lhes tinha


devotado à solução. Seria somente seu Consorte não seu Rei, certamente não o Rei e não seria nada se não aceitava a condição. Muito s p ensa va m q ue nã o a c eita ria e c o m esse ra c ioc ínio p ensa va m q ue esta va m a sa lvo d e term ina r c o m um Demônio p erto d o tro no . O eg o d o s Demonios pensava, e especialmente o ego de tal homem, não seria capaz de sup o rta r um a p o siç ã o d e p o d er tã o b a ixa . Siena tinha rec o rd a d o a q ueles q ue exp ressa ra m p o sterio res p ro testo , a s tra d iç õ es e velho s c o stum es q ue inc luía m matrimônios reais para terminar guerras e assegurar fronteiras. E embora já não estivesse em g uerra c o m o s Demônios, a Deusa em sua sa b ed o ria , tinha elegido esta fo rm a d e a sseg ura r a p a z p a ra sem p re. E a q ueles q ue insistia m o b stina d a m ente em p ro testa r c o m p rejuízo , Siena lhes rec o rd o u q ue tinha m sid o em p rim eiro lug a r o s a to s terro rista s d e seu p a i q ue tinha m fo rç a d o a o s Demônios a rec o lher a luva e d efend er-se. Era um fa to d a histó ria m uito conveniente que se havia reescrito em muitas mentes com o passar do tempo. Só tinha havido silêncio depois d este último broto. Assim que as bodas ia se celebrar. Os g ua rd a s a b rira m ra p id a m ente a s p o rta s d e sua s ha b ita ç õ es em b em vind a e ela se vo lto u a lhes o lha r c o m seus a jud a ntes a c a d a la d o . As d a m a s d e c o m p a nhia esta va m a linha d a s a o la d o d a c a m a . Siena fec ho u o s o lho s e d eslizo u a s m ã o s nervo sa m ente p elo estô m a g o c o ntend o o fô leg o e sentind o que o vento a seu redor seguia crescendo. Era tão poderoso! Sa b ia q ue a ind a esta va a a lg um a d istâ nc ia , m a s p ro jeta va g ra nd e q ua ntid a d e d e p o d er e energ ia a ntes d e c heg a r, p o ssivelm ente inc lusive sem dar-se c o nta . A c a rreira p a ra ela esta va eleva nd o o nível d e urg ênc ia frenétic a q ue sentia . Po d ia no tá -lo em sua m ente, na d ela . A eletric id a d e esta va p o r to d o seu red o r, d entro d ela , la nç a nd o fa ísc a s p o r seu c a b elo c o m as cargas de estáticas que enviavam calafrios por sua espinha dorsal. To d o s o s g ua rd a s sa lvo d ois, sa íra m d a ha b ita ç ã o e se d irig ira m a o sa lã o p a ra sua no ite na fo rja . Os d o is g ua rd a s q ue fic a va m c o lo c a ra m a c a d a la d o d a p o rta no vestíb ulo . Quã o únic o tinha m q ue p ro teg er, entreta nto , era a p riva c id a d e d a Ra inha em sua no ite d e b o d a s. Dizer q ue esta va m p erfeita m ente a c a lm a d o s era escurecer o s fa to s. A entra d a d e Elija h esta va lhes pondo crescentemente inquietos. Entreta nto , Siena tinha sid o m uito c uid a d o sa . Assegurou-se q ue o s d ois g ua rd a s q ue fic a va m nunc a tivessem entra d o em b a ta lha c o ntra Elija h. Nã o


ha via p o ssib ilid a d e d e q ue a tua ssem p o r im p ulso s q ue p ud essem c heg a r a ser hostis ou frios. Siena não queria que nada danificasse sua noite. Já tinham acontecido muitas coisas entre eles. Nunc a teria p ensa d o q ue esta ria tã o exc ita d a c o m o esta va , m a s se d eu c o nta d e q ue nã o p o d ia evitá -lo . Ta nto c o m o tinha tem id o to m a r c o m p a nheiro , enc o ntra va q ue o s b enefíc io s e a a ntec ip a ç ã o q ue sentia c o m este em p a rtic ula r ultra p a ssa va m a s d úvid a s, o s m ed o s e o s tem o res. Ao m eno s a g o ra q ue Gid eo n a ha via p ro vid o c o m a so luç ã o q ue, em b o ra nã o era perfeita, tinha permitido chegar até pelo menos a metade do caminho. Tud o o q ue tinha q ue fa zer Elija h era fa zer o resto d o c a m inho . As p a la vra s d e a ntes, tã o p o d ero sa s e sinc era s, fizera m -na sentir q ue estava vend o sua a lm a . Ma s nã o p o d ia ter a c erteza e nã o a teria a té q ue estivesse a nte ela e lhe d issesse c o m sua p ró p ria b o c a , seus p ró p rio s o lho s e to d o ele que este compromisso era o que queria e aceitava. O vento q ue era seu c o m p a nheiro a ç oita va a seu red o r fa zend o q ue o s fino s vestid o s d a s três m ulheres esta la ssem a sua s c o sta s, o nd ea ssem e se p eg a ssem a c a d a c urva d e seus c o rp o s. As d a m a s d e c o m p a nhia , nervo sa s p ela exib iç ã o d e p o d er, a g a rra va m -se p ela s m ã o s. Fo ra m c o rta nd o a d istâ nc ia entre seus c o rp o s p a ra p ro teg er-se e q ua se esta va m tã o p eg a s como um acordeão. Isto fez que Siena sorrisse. Um pouco depois soube a razão. Elija h se fund iu em sua im p o nente fo rm a c o m um g iro im p ressio na nte, em pé tão perto dela que quase estavam nariz com nariz quando se fez sólido. Era tã o a lto e tã o extra o rd iná rio q ue to d a s a s d a m a s d a ha b ita ç ã o , inc lusive a s q ue esta va m junto a o Demônio, so lta ra m invo luntá rio s m urm úrio s d e surp resa . Os m urm úrio s fo ra m seg uid o s d e sua ves sussurro s esp ec ula tivo s q ue nã o tinha m c a p a c id a d e no ritua l. De to d a s a s fo rm a s, Siena esta va m uito o c up a d a o lha nd o esses fo rm o so s e a sso m b ro so s o lho s verd es. Olho s tã o c heio s d e em o ç ã o , c uja im ensid ã o nunc a seria c a p a z d e to c a r no la p so d e tão so m ente uns seg und o s. Surpreendeu-se a si m esm a tra g a nd o c o m fo rç a embora toda sua boca e garganta estavam completamente secas. Lenta m ente d eixo u q ue seus o lho s p erc o rressem to d a a lo ng itud e d e seu c o rp o . A inc ursã o se d esvio u ra p id a m ente q ua nd o a d vertiu um b rilho d e o uro e pedras de lua rodeando um bíceps flexionado e maciço. —Como…?


Siena se d eteve a ntes d e fa zer a p erg unta . O b ra c elete esta va fec ha d o . Po d ia ha ver-se d esliza d o d e seu b ra ç o q ua nd o se tra nsfo rm o u em a r. Seria interessa nte ver se esta eleiç ã o tã o p o uc o c o nvenc io na l d e c o m p a nheiro seria c a p a z d e so lta r ela as insíg nia d e seu c a rg o tã o fa c ilm ente c o m o a tinha p o sto . Ma s Siena já nã o lhe inveja va essa lib erd a d e. O to q ue d e seus d ed o s e a intelig ente o u ina d vertid a m a nip ula ç ã o q ue p o d eria lib era r o c o la r d e sua garganta podia passar em qualquer momento. Siena o lho u na q ueles o lho s o utra vez, tã o vívid o s, tã o verd es, tã o claramente famintos dela. Elija h flexio no u o m úsc ulo so b o b ra c elete enq ua nto m o via o o m b ro ligeiramente para ela. Levantou uma sobrancelha dourada. —É esta a resposta que procurava? —perguntou com voz baixa, tão dura que o calor cantou por cada célula de seu sangue. —Só se verdadeiramente compreende e aceita o que representa. —Não me é desconhecido o que representa ser um Consorte Real, Siena. Diga-me só q ue sig nific a q ue serem o s ig ua is em tud o exc eto no m a nd o e m inha resp o sta é sim — Elija h a la rg o u a m ã o p a ra to c a r a c urva d e sua b o c hec ha c o m o s d ed o s, inc a p a z d e c o nter-se a p esa r d e to d o s o s o lho s q ue os observavam. —Nunca quis seu reino, gatinha. Só a você. Só você. Sua c o nvic ç ã o era resso na nte, ineq uívo c a . O c o ra ç ã o d e Siena p ulsa va tão forte que nem sequer podia ouvir-se respirar. —Eu g o sta ria q ue ho uvesse d ito isso a p rim eira vez — sussurro u, e a b o rd a de sua boca se elevou igualando a luz de seus olhos dourados. —Me desculpe — sussurrou ele inclinando-se tanto que suas fro ntes quase se tocavam. —Não me dava conta de que havia mais de uma opção. —Para ser honesta, a mim também escapou. Syreena pigarreou brandamente atraindo a atenção da Rainha. Siena c o m p reend eu d e rep ente a tira d e q uím ic a q ue sup o rta va esta c la sse d e em p a relha m ento . Sua g ente se referia m a isso c o m o “emparelhamento de por vida”, a dele a chamavam Vinculação. Mas “a rosa nã o d eixa d e ser ro sa c o m o utro no m e…” esta va c la ro q ue era m m a is p a rec id o s d o q ue a c red ita va m d ep o is d e tud o . Em to d o m om ento , c a d a p a rte d ela q ue ja zia so b sua p ele lhe d eseja va . Ela era o ím ã e ele o no rte magnético.


Siena d eu um d olo ro so p a sso p a ra trá s p erm itind o q ue Syreena tivesse o esp a ç o q ue nec essita va p a ra a p ro xim a r-se d ele e lhe o ferec er a a d a g a c o m a p o nta d o s d ed o s. Tinha a s m ã o s firm es, o eq uilíb rio im p ec á vel. O q ua l era no tá vel c o nsid era nd o q uã o p esa d a era a a rm a e q ua nto tem p o leva va sujeitando-a. —Meu Senho r Elija h, Ca p itã o Guerreiro d o g ra nd e Rei d o s Demônios, q uerid o e resp eita d o p elo g ra nd e senho r q ue é no sso a lia d o , a c eita a no ssa Ra inha c o m o sua eterna c o m p a nheira , eleva nd o -a so b re to d a s a s d em a is e sob ninguém pelo resto de sua vida? Elija h fic o u c a la d o um m o m ento c o m p rid o e Siena p ô d e sentir a b reve revo a d a d e d úvid a q ue m a rc a va seu c o ra ç ã o . Nã o lhe p reo c up o u. Sua honestidade sempre a tinha impressionado. —Em troca — disse em voz alta com tom forte e sincero. — Juro q ue nã o te p o rei nunc a em um a p o siç ã o q ue esteja em c o nflito com sua lealdade para Noah. Não haverá guerra entre nossa gente enquanto eu viva e reine. —Ele é m eu Rei, Siena , m a s vo c ê é m inha c o m p a nheira , m inha esp o sa e so u inc a p a z d e fa zer na d a q ue d a nifiq ue seu c o ra ç ã o o u sua a lm a . Ta nto c o m o esteja a seu la d o , p o sto q ue seja um g uerreiro na sc id o e c ria d o p a ra o c o nflito, nã o ha verá nec essid a d e d e c o nsid era r a g uerra entre no ssa g ente o utra vez. E m e esfo rç a rei o resto d e m inha vid a p a ra a jud a r à s g era ç õ es vindouras para que compreendam o melhor de nossos dois mundos. Elija h se d eteve só o sufic iente p a ra d esliza r d o is fo rtes d ed o s so b a fo lha d a a d a g a , justo so b o p unho , leva nta nd o -a em p erfeito eq uilíb rio d a s m ã o s d a Syreena . Ho uve um reflexo d e luz refletid o no m eta l e m o veu a fo lha c o m d estreza p o r seus d ed o s g a nha nd o a velo c id a d e q ue vo lta ria o p unho d ireta m ente à p a lm a d e sua m ã o . A d estreza d o m o vim ento , a c o nfia nç a d o mesmo, era cativante. Syreena q ua se nã o teve tem p o d e a p a rta r-se q ua nd o se a p ro xim o u d e no vo a sua c o m p a nheira . Siena leva nto u o q ueixo a o inc lina r ele a sua . Sua b o c a se a p ro xim o u d a d ela e sua m ã o livre se fec ho u so b re sua m a g ra garganta. —Desd e este m o m ento , gatinha, so u teu. Um a vez q ue c o m p lete a última missão do Noah, renunciarei a meu posto. Se este for ser meu lar, a terra o nd e m o ra m eu c o ra ç ã o e m inha a lm a , m eu c o rp o e m inha d estreza d evem


p erm a nec er a q ui ta m b ém . Ma s d eve entend er q ue nã o terei p a z na consciência se deixo meus deveres sem terminar. —Nã o esp era va m eno s d e você. —resp o nd eu c o m to m firm e e convencido. A p ro m essa era m a is d o q ue tinha d eseja d o , m a s lo g o q ue a fez, d eu-se c o nta d e q ue a sa b ed o ria d e seu g esto nã o era m a is q ue o utro p a sso p a ra tra nq üiliza r o s c a utelo so s c o ra ç õ es d e sua g ente. A m a g nitud e d e seu sacrifício não foi vã para a Rainha. Siena a lc a nç o u a fo lha c o m a p a lm a d a m ã o c urva nd o -se firm em ente sobre a s a fia d a s b o rd as. Qua nd o vo lto u a m ã o , ha via d ua s linha s ensa ng üenta d a s p ela fo lha d e duplo fio . Co m um a viso m enta l d e sua no iva , Elijah fez o mesmo. Depois, palma contra palma, entrelaçaram os dedos. Anya leva nto u a s m ã o s a o c éu e la nç o u um g rito d e c eleb ra ç ã o q ue im ed ia ta m ente foi feito c o ro p o r to d a s a s m ulheres d a ha b ita ç ã o . Term ino u quase logo que tinha começado. —Co ntem p lem à Ra inha e seu Co nso rte! Fo m o s b enta s a o esta r a q ui neste extra o rd iná rio d ia ! Ning uém p o d e d izer q ue viu seu fim ! —declarou Syreena. —E a g o ra a c erim ô nia d a no ite d e b o d a s! —a c resc ento u Anya c o m risa d a a trevid a e tra vessa . To d a s a s m ulheres g rita ra m d e no vo , o m ed o e a d úvid a va rrid o s p elo entusia sm o d a s a jud a ntes. A a leg ria fem inina era d e ânimo. Elijah levantou uma sobrancelha no que poderia descrever-se como uma m esc la entre d iversã o e luxúria . Siena nã o era um a m ulher tím id a , m a s nã o p o d ia evita r o a rreb a ta m ento q ue ting ia sua s b o c hec ha s. Co rria m p o r ela muita excitação e antecipação. —Meu Senhor — sussurrou brandamente Anya. — Deve cortar os cordões com a adaga. —O que? —de novo esse sorriso e a sobrancelha levantada. — Eu g o sto c om o estã o — refletiu fo rç a nd o a sua Ra inha a sufo c a r a risada apertando forte os lábios. Elija h insp ec io nou o s c o rd õ es entretec id os d e c im a a b a ixo na frente d o vestid o q ue p o d eria m m uito b em nã o esta r a í. Isso e o tra je d e d eb a ixo , era m tã o tênues q ue p o d ia ver c a d a c urva d e seu c o rp o d o s c a c ho s d o ura d o s a o s escuros mamilos.


Elija h sub iu o s a trevid o s o lho s esm era ld a p a ra seu o lha r e a exp ressão sob sua s p esta na s a intrig o u. Em um q ua rto d e p ulsa d o d e c o ra ç ã o , a luz d a fo lha que sujeitava brilhou como uma supernova. Fo i o únic o sina l d e m o vim ento q ue nenhum a d ela s viu, m a s o s c o rd õ es d a b a ta se a b rira m p erfeita m ente. To d a s a s d a m a s o feg a ra m e d esta vez Anya e Syreena esta va m tã o surp reend id a s q ue se unira m a o surp reso m urm úrio . Siena , entreta nto , nã o ia a trá s sorrindo q ua nd o seu c o m p a nheiro sorriu de orelha a orelha dessa maneira tão fanfarrona dela. A ra inha se a p a rto u e se a p ro xim o u d a c a m a . As d a m a s rec o rd a ra m d e rep ente seu d ever e se a p ressa ra m a lhe tira r a b a ta d o s o m b ro s. Tira ra m -lhe a seg und a reg a ta d e sed a e enc a ixe. To d a s era m c o nsc ientes d o s o lho s a m b ic ioso s d o Demônio. As d a m a s esta va m o rg ulho sa s d a p erfeiç ã o d e sua Rainha e lhes agradou enormemente despi-la lentamente. O so rriso d e Elija h se d esva nec eu ra p id a m ente enq ua nto o lha va . Nã o sa b ia q ue o so m d a sed a e o enc a ixe p ud esse ser tã o nítid o . Ma s era . O m a g ro m a teria l se d eteve p end ura nd o em seus túrgidos m a m ilo s. Ao fim , ela se sep a ro u d o tra je, to rna nd o -se lenta m ente o c a b elo so b re o o m b ro , lhe oferecendo uma perfeita visão de sua esplêndida, pálida e dourada figura. E nesse m o m ento c o m p reend eu fina lm ente o q ue sig nific a va ser um macho vinculado no Samhain.

CAPÍTULO 12

A a tenç ã o d e Elija h tro c o u q ua nd o a s m ulheres a o red o r d a Ra inha a a jud a ra m na c a m a . Siena fo i c o lo c a d a b ra nd a m ente no c entro d a eno rm e extensã o d a s a m a c ia d o s tra vesseiro s e a velud a d a ro up a d a c a m a b ra nc a e d o ura d a . So rriu q ua nd o ele fic o u c a d a vez m a is tenso . Ela esta va a g o ra m a is p erto d e sua m ente, a ssim sa b ia b a sta nte b em o q ue ele esta va p ensa nd o e sentind o nesse m o m ento . E tud o era b a sta nte p rim itivo . Ma is a ind a , d eu-se c o nta , q ua nd o a s d a m a s d e c o m p a nhia o rva lha ra m seu c o rp o c o m a s pétalas dos girassóis da tardia temporada. Syreena e Anya sentia m a tensã o na ha b ita ç ã o e, lo g o q ue d eixa ra m pronta à Ra inha , g uia ra m à s m ulheres jo vens q ue ria m b o b a m ente fo ra d o q ua rto . Elija h ig no ro u c o m p leta m ente sua c urio sid a d e e esp ec ula ç ã o .


Ob via m ente, nã o se d a va m c o nta d e q ue o s rá p id o s sussurro s q ue em itia m era m fa c ilm ente a ud íveis p a ra ele e seg uiria send o a ssim , a m eno s q ue esp era ssem a té esta r m uito m a is lo ng e. Ta m b ém no to u q ue a lg uém , a irm ã Syreena, com cabelo e olhos estranhos, tinha tomado a adaga de matrimônio de sua mão. E esse momento foi todo o tempo que passou pensando nisso. Ao m o m ento seg uinte, o esta lo d a s p o rta s a o fec ha r o m o tiva ra m a entrar em ação. Siena o b serva va c o m a resp ira ç ã o a c elera d a e a ntec ip a ç ã o enq ua nto ele se m o via a o p é d a c a m a . Ele estend eu a m ã o ra p id a m ente, a g a rra nd o -a p o r a m b o s o s to rno zelo s e d esliza nd o -a c o m p leta m ente fo ra d o c o lc hã o c om um firm e p uxã o . Riu q ua nd o a a tra iu c o ntra seu c o rp o , c om um b ra ç o rodeando sua cintura, esmagando as pétalas cor açafrão entre eles. —É minha — disse ele brandamente entre os apertados dentes. Inclinou-se c o m um a g ressivo so m m a sc ulino q ue retum b o u d e sua g a rg a nta . Siena fec ho u seus o lho s q ua nd o p ro c uro u sua essênc ia na c urva d e seu p esc o ç o , a sp ira nd o -o p ro fund a m ente em seus p ulm õ es a té susp ira r d e satisfação. —Estive a fa sta d o d e você m uito tem p o — a nunc iou ele, a p a rta nd o -a justo d e m o d o q ue p ud esse d evo ra r seu c o rp o c o m o s o lho s enq ua nto sua audaz mão se d esliza va so b re seu ventre e c o stela s e em b a la sse seu seio c om firme intensidade. — Esto u m eio lo uc o d e d esejo p or você gatinha, e tem o q ue nã o seja muito suave. Ela nã o fa lo u em vo z a lta , m a s p elo c o ntrá rio a fund o u o s d ed o s p ro fund a m ente em seu c a b elo e a tra iu sua c a b eç a e sua b o c a , m a is p erto d ela . Seus lá b io s se sep a ra ra m , ro ç a nd o o d e fo rm a sua ve e c á lid a , lhe acariciando com seu sabor. —É m eu—d isse ela , sentind o o c a la frio d e estim ula ç ã o q ue sua vo z e p a la vra s envia ra m p rec ip ita nd o -se p o r so b re sua pele, — e nunc a —lambeu o s lá b io s b urlo na m ente, lhe fa zend o gemer - nenhum a só vez, - seu c o rp o se contorceu eroticamente p a ra ele, a té q ue c a d a c a ríc ia d e sua p ele o alcançou profundamente— te pedirei para ser suave —terminou ela por fim. Elija h c a p turo u a q uela enfeitiç a d a e zo m b a d o ra b o c a c o m um a rd o r q ue m a c huc o u seus fa m into s lá b io s. Ela tinha eng a na d o a si m esm o fa zend o se a c red ita r q ue tud o isto tinha o c o rrid o p o r sua s o p ç õ es e m a q uina ç õ es, um


p ro d uto d e sua ro b usta vo nta d e, m a s na q uele seg und o entend eu q ue ja m a is ho uve o p ç ã o . Sem p re lhe tinha q uerid o c o m esta intensid a d e, a ind a q ua nd o ele já tinha se enterrado profundamente em seu corpo. Sua carne avermelhou c o m a p rim eira verd a d eira vid a q ue tinha sentid o d a últim a vez q ue se sep a ra ra m , e inc lusive a q uele enc o ntro na s im ed ia ç õ es d o c a stelo tinha sid o muito breve, muito agridoce. Suas m ã o s em sua p ele era m um b á lsa m o p a ra sua p á lid a a lm a . Era m eno rm es e c a lo sa s, a b ruta lid a d e d ela s a sa tisfa zia m c om suas arrasadoras c a ríc ia s. Seus d ed o s a p erta ra m a sua ve c a rne e lhe d eu a b em -vind a à id éia de que deixasse sua marca atrás delas nesse momento. Siena sentiu a rep entina lib era ç ã o d e seu c o la r, a jóia p eso u e c a iu d esc uid a d a m ente a o c hã o , q ua nd o ele se a rra nc o u d e seus lá b io s a fim d e devorar a doce e pulsante pele de seu exposto pescoço. Sentiu-se tão branda de repente que acabou sustentada unicamente por suas potentes mãos e seu eq uilib ra d o c o rp o q ue em b a la va seu p eso c o m d esc uid a d a fa c ilid a d e. Era um a m ulher d e no tá vel esta tura , e a ind a a ssim a fa zia sentir-se c o m o um a fa d a , um a insig nific â nc ia , d elic a d a m ente fem inina q ue nã o tinha p ensa d o q ue p o d eria na sc er no c o ra ç ã o d e um a guerreira a m a zo na ta l c o m o ela m esm a . Ma s p a rec ia a d eq ua d o q ue to m a sse a um fo rte g uerreiro c o m o Elija h consegui-lo. —Elijah… - Sussurro u ela em seu o uvid o , p rec isa nd o d izer seu no m e, p rec isa nd o sentir a s em o ç õ es q ue vinha m c o m o c o nhec im ento d e q ue se esta va p erm itind o fa zê-lo sem rem o rso , sem c ulp a . Sua via g em tinha c heg a d o m uito long e, e esta va lo ng e d e ser fá c il, m a s tinha feito sua eleiç ã o e o a c eita ria ta nto c o m o se p o ssivelm ente se a rrep end esse d isso . Estava perm itind o ser esse a lg uém q ue nunc a se permitiu a c essa r a si m esm a , esse alguém que tinha vislumbrado aquelas outras vezes em seus braços. A b o c a d e Elija h era m á g ic a , d ep o sita nd o feitiç os o nd e q uer q ue fosse sua fo m e p o r seu sa b o r esta va p a tente ta nto em sua s a ç õ es c o m o em seus p ensa m ento s. Esta r na m ente d este ho m em , neste m o m ento , era incompreensivelmente prazeroso. Sua nec essid a d e d ela era a ssusta d o ra , tã o consistente como voraz. Sentiu a maneira como bebia de seu calor através de seus d ed o s e a p a ixo na d a b o c a , ig ua l a um p a jem, essa sed e p o r ela nã o era como nada que houvesse no mundo. Entã o o g uerreiro c o m eç o u a d esva nec er-se a trá s d e sua s a m b ic io sa s m ã o s, o vento q ue era seu p o d er a nim a nd o -a q ua nd o a a c a ric iou p a ssa nd o


através dela, materializando-se a sua costa, uma mão ao redor de sua cintura, a o utra so b re sua g a rg a nta e q ueixo , lhe inc lina nd o a c a b eç a p a ra trá s so b re seu ombro. Siena riu um c ruza m ento entre d esfrute e a livia d o so luç o . O c a lo r d e sua rep entina p ele nua era ig ua l a o c éu, e se d eu c o nta q ue seus fino s d ed o s esta va m a ind a enred a d o s à c a m iseta q ue ele tinha a b a nd o na d o c o m sua m a no b ra . Deixo u q ue esta c a ísse a o c hã o so b re o m o ntã o d e o utro s descartado s o b jeto s e se estiro u p a ssa nd o seus q ua d ris, d ep o is d e si m esm o , até que suas poderosas coxas se tocaram abraçando-os. Elija h a a g a sa lho u no a b ra ç o d e sua s fa m inta s m ã o s, sua sua ve p ele sedosa, era perfeita ao tato para ele. Nunca teria suficiente acariciando-a. Foi d o s q ua d ris a o s p eito s um a e o utra vez a té q ue ela esteve fa zend o esses so ns de perdido engenho que o cativavam. Co m o p ro m eteu, nã o fo i sua ve. Nã o q ueria m a rc á -la, m a s nã o p a rec ia p o d er evitá -lo . E ta l c o m o a sseg uro u, ela só p a rec ia resp o nd er m a is a tud o isto. Enc o ntro u a si m esm o resistind o a a fund a r o s d entes so b re ela , m a rc a ndoa p a ra si. Essa era a p a rte a nim a l d o ritua l d e em p a relha m ento e o q ue a no ite lhe a nim a va . Entã o rec o rd o u q ue ela m esm a era inc lusive m a is a nim a l e finalmente liberou suas restrições, sua boca se fechou possessivamente sobre a curva de seu pescoço. Siena se curvou sensualmente em suas mãos, deixando esc a p a r um p rofund o e vib ra nte ro nro no , a té q ue esteve c o m p leta m ente alagado com a sensação de sua excitação. Ele se inc lino u lig eira m ente p a ra d ia nte em seu entusia sm o , e o s p és d e Siena fina lm ente to c a ra m o c hã o . Ela rea g iu insta nta nea m ente, usa nd o a o p o rtunid a d e p a ra m o ver sua a ltura d e no vo c o ntra ele. Peg o c o m a g ua rd a b a ixo , viu-se o b rig a d o a d a r um p a sso a trá s p a ra rec up era r-se. Ela utilizo u a o p o rtunid a d e p a ra envo lver-se a seu red o r, sa lta nd o p a ra trá s d entro d e seu abraço de uma maneira que o impulsionou de volta uns passos mais. Entreta nto , rec up ero u-se ra p id a m ente, a p esa r d e q ue seu c o ntínuo a ta q ue so b re sua b o c a o tinha feito já p erd er o eq uilíb rio. Aind a , um únic o b ra ç o ro d ea va seu selva g em c o rp o , o o utro se estira va à s c eg a s p a ra a p o ia rse. To c o u a sua vid a d e d a fria p ed ra e se inc lino u p a ra trá s enq ua nto se estirava para sair ao encontro de seu violento ataque. Siena esq uivo u sua b o c a , p ro c ura nd o a fo rte c o luna d e sua g a rg a nta c o m furio so s lá b io s e líng ua , fa zend o o q ue o fa zia a ela fa c ilm ente. Retorceuse d e m o d o q ue p ud esse d esliza r seu úm id o c orp o c o m o seu p ró p rio , sua


b o c a seg uind o seu exem p lo . Sua a velud a d a líng ua lhe la m b eu a c la víc ula , seus d ed o s jo g a ra m so b re sua s c o stela s e ventre, p rec urso r p a ra sua exp lo ra ç ã o o ra l enq ua nto se d esliza va d esc end o p o r sua lo ng itud e. Elija h o feg o u em b usc a d e a r, sua c a b eç a c a iu c o ntra a p ed ra enq ua nto fec ha va o s o lho s. Tinha -lhe d esp o ja d o d e to d o p ensa m ento q ue nã o fo sse à sensa ç ã o d e sua b o c a via ja nd o e sua s m ã o s a nc o ra nd o -se p ro fund a m ente em seu cabelo. Sua a p lic a d a líng ua d eslizo u so b re um esc uro m a m ilo , seus lá b io s acariciando-o a tra vés d o s fino s c a b elo s d e o uro enq ua nto p ro c ura va a fo rm a p a ra lhe d a r a m esm a a tenç ã o a o outro . Entã o sua vo ra z b o c a baixou lambendo os flancos de seu abdômen. Suas mãos rodearam seus quadris, suas fo rtes m ã o s m a ssa g ea nd o o s m úsc ulo s d a s c o sta s e q ua d ris enq ua nto c o ntinua va lhe to rtura nd o , seu p ro g resso c o m eç o u a vo lta r-se lento e m a is lento a té q ue esteve a p erta nd o o s d entes c o m a sua ve a g o nia d a antecipação. Prim eiro lhe to c o u, a tã o lig eira c a ríc ia d e seus d ed o s, c urio sa m ente experimentavam o duro calor de seu ruborizado corpo. Deslizou esses suaves e investig a d o res d ed o s so b re sua lo ng itud e, exp erim enta nd o a ta tea nte sensa ç ã o d a lisa e c á lid a p ele e seu b rilha nte b rilho . Ma s fo i q ua nd o sentiu a c a ríc ia d e seus q uentes lá b io s e resp ira ç ã o q ue a g a rro u seu c a b elo c o m reno va d a intensid a d e e juro u c o m veem ênc ia , a m b a s a m a ld iç o a nd o e rogando por força, controle ou inclusive o menor flash de civilização. Entã o o c a lo r úm id o d e seus lá b ios o ro d eo u d ilig entem ente, o rá p id o d e sua líng ua tã o seg ura , tã o q uente, e m uito im p a c iente p a ra sua p rud ênc ia . Tra to u d e em p urra r, a p a rtá -la… a ntes q ue p erd esse c o m p leta m ente o julgamento. Era m uito a ud a z, m uito c urio sa e ia d estruir o p o uc o c o ntro le q ue poderia ter tido então. Seus impulsos e emoções eram muito primitivos quando era… à noite, a privação, e aproximação da lua cheia. Ma s nã o lhe d a ria q ua rtel. Tinha -lhe sa b o rea d o c o m o ele tinha sa b o rea d o a ela , e era ta l a m ed ic ina p a ra seus sentid o s c o m o ela o tinha sido para os seus. Sabia, sentia-o, e o ouviu no impaciente redemoinho de seus pensamentos. Burlou-se d ele c o m o a ta q ue d e sua b o c a , d esfruta nd o c o m o g em id o q ue a rra nc a va o m o vim ento , sentind o o a g a rre e o trem o r d o s m úsc ulo s c o m a q uela sa tisfa ç ã o felina q ue sem p re se p rec ip ita va so b re ela quando experimentava uma sensacional vitória. —Siena.


Pediu-lhe c o m vo z ro uc a , tra ta nd o d e a d verti-la c o m seus p ensa m ento s, m a s ela cabeceou sua s vo lá teis rea ç õ es c o m o c éu d e sua a c a lo ra d a b o c a explorando. Isto lhe d eixo u c o m o um a vítim a , ind efeso , e p erd id o no p uro êxtase disso. Fina lm ente, lib ero u-lhe d e sua ta lento sa a rm a d ilha , vo lta nd o so b re seus p a sso s p o r seu c o rp o . Ma s lo g o q ue tinha c o m eç a d o sua via g em q ua nd o a s mãos dele a sujeitaram ao redor dos ombros e a atraíram de repente para ele. Liberou-se d a p a red e enq ua nto d eva sta va a q ueles lá b io s p ec a d o res c o m brutal paixão. Logo que a parte de trás de suas pernas tocaram o colchão, fêla vo lta r um a vez m a is a seu p eito e a em p urro u na c a m a . Ela se pôs a rir q ua nd o ric o c heteo u c o m fo rç a so b re seu ro sto , c o nhec end o c a d a p ensa m ento em sua m ente c o m d elic io sa c la rid a d e, o uvind o c a d a m a ld iç ã o que lhe lançava por sua dissoluta indiferença a respeito de sua prudência. Lo g o tinha a s p almas a baixo d ela a ntes q ue ele enc erra sse seus q ua d ris na s m ã o s e a tira sse d e sua s c o sta s p a ra ele, eleva nd o -a so b re seus jo elho s enq ua nto c o loc a va seu tra seiro no b erç o d e sua p élvis. Um a m ã o sub iu p a ra lhe sujeita r a p a rte d e a trá s d o p esc o ç o q ua nd o investiu em seu interio r sem a b so luta m ente nenhum a a d vertênc ia , nem seq uer um p ensa m ento d e a ntec ip a ç ã o q ue a p rep a ra sse p a ra a d ivina inva sã o . Siena o feg o u em sua risa d a , a flita p ela m a neira como p a rec ia enc hê-la a lém d e sua c a p a c id a d e . Estrem ec eu d a c a b eç a a o s p és, a p erta nd o invo lunta ria m ente a o red o r d ele, d e m o d o q ue estivera m fa zend o em c o ro so ns d e p erd id a felic id a d e um instante depois. —Siena — gemeu ele. Moveu-se p a ra d ia nte e so b re ela , sua s m ã o s estira nd o -se p a ra c o b rir a s sua s, seus d ed o s enla ç a d o s fo rtem ente no s seus q ua nd o sua fro nte to c o u brevemente sua coluna entre as omoplatas. Beijou-a b ra nd a m ente na q uele p o nto , c o m um a ternura d esc o njura d a na fero c id a d e d e sua s p a ixõ es. Ta nto q ue ela o sentia inc lusive m a is p elo gesto de ternura que era. Aí fo i q ua nd o ela se d eu c o nta d e seus verd a d eiro s sentim ento s. Ele o s esc o nd ia so b a p a ixã o a nim a l e apenas q ue d esa ta d o selva g eria d e um m a c ho d o m ina nte, m a s se via no p ro fund o d e seu c o ra ç ã o ig ua l q ue via no mais profundo de sua mente.


Siena fec ho u o s o lho s q ua nd o seu c o rp o a c eito u sua urg ente inva sã o , sentindo-se intensa m ente viva e c o nsc iente, inc lusive q ua nd o sentiu o intumescimento que estava começando a entender. Elija h d e rep ente d eso c up o u seu c o rp o , fa zend o -a o feg a r d e surp resa a o privá-la d ele nesse m o m ento e no m o m ento em q ue sua s m ã o s a tira ra m d ela como se fosse tão leve como o ar. —Tenho q ue verte — g runhiu em vo z a lta —, q uero seus o lho s so b re m im enquanto está perdida em seus pensamentos, gatinha. Siena sentiu q ue seu p eito se inc ha va c o m ind esc ritível em o ç ã o , m a is um p o uc o d e m ed o , q ua nd o a c o b riu c o m seu c á lid a fo rç a e se p erd eu em seu o lha r c o m a im p ec á vel vista q ue c ha m usc a va em sua a lm a . Inundou-se nela m a is d eva g a r esta vez, d ec id id o . Ob serva nd o o p ra zer q ue c o b ria to d a sua exp ressã o q ua nd o o a c eita va tã o fa c ilm ente c o m seu c o rp o , e tã o a c o ntra gosto com seu perigoso coração. —Sabe. Vejo-o, — disse ele pesadamente, sussurrando contra seus lábios. — O sinto, Siena. Siena sa c ud iu em ud ec id a a c a b eç a , fec ha nd o o s o lho s d e m od o q ue p ud esse esc o nd er-se d ele. Ma s nã o ha via o nd e o c ulta r-se d e a lg uém q ue esta va tã o rela c io na d o c o m ela . Fisic a m ente, m enta lm ente, e tud o o q ue espiritualmente lhes tinha impedido de permanecer separados. —Elijah, só… só… fica comigo — rogou ela. — Só por agora. E a c a usa d o d ia , d evid o à q uã o d esesp era d a m ente a nec essita va , ele nã o tinha o utra o p ç ã o exc eto o b ed ec er. Isto um a vez lhe p erm itisse retira r-se depois dos últimos muros que ela usava para separá-los. Ele sa b ia q ue ela tinha lid o sua a lm a fa z um m o m ento , q ue a g o ra entend ia q ue esta va a p a ixo na d o p o r ela e a q uilo era m a is d o q ue ela p o d ia c o nfro nta r. A d o r d e Elija h a p ro fund o u nele na q uele m o m ento d e entend im ento , m a s o a p a rto u c o m severid a d e. Esperá-la-ia. Aind a se to masse c a d a m o m ento d e c a d a d ia d ura nte o resto d e sua existênc ia , esp era ria seu c o ra ç ã o . E isso foi o únic o q ue im p ed iu d e ro m p er-se em o c io na lm ente d ia nte dela. Fez a um la d o o s sentim ento s q ue o p riva va m d e fô leg o e vo z, e se enfo c o u d e no vo em seu d o c e c o rp o . Se esta era a únic a m a neira em q ue se p erm itiria lhe a c eita r, entã o q ue a ssim seja . Ia tira r va nta g em d a intim id a d e . Por outra parte, não é que tivesse eleição.


O g uerreiro p erm itiu a si m esm o p erd er-se na sensa ç ã o físic a d e seu rítm ic o a b ra ç o e ro deá-lo s um a o o utro . Tro c o u seus p ensa m ento s a um a p ura nec essid a d e sexua l, elim ina nd o o a c esso a seu o feg a nte c o ra ç ã o , lhe permitindo enterrar a cabeça sob a areia só um pouco mais. Seu m o lesto m ed o se eva p o ro u ra p id a m ente q ua nd o ele m a nip ulo u seu corpo tã o ha b ilm ente c o m o m a nip ula va seus o c ulto s p ensa m ento s. Lo g o esteve p erd id o na esc a rp a d a sensa ç ã o d e q ua nd o lhe a b ra ç a va c o m m a is e m a is fo rç a , a tensã o d e sua c resc ente nec essid a d e lhe estra ng ula nd o felizm ente. A c ulm ina ç ã o q ue veio foi a g rid oc e. Ela se a c end eu c o m um so m d e c o m p leta sa tisfa ç ã o , seu esc uro c o rp o c o nvulsio na nd o -se e lhe a rra sta nd o sob seu feitiço momentos mais tarde. Os o lho s d e Elija h va g a ra m so b re a esc ulp id a p ed ra no teto em c im a d ele, o p a d rã o se p erd ia a tra vés d e ra m ific a ç õ es d e esc a rp a d a sed a b ra nc a em um perdido X formando-se através do dossel. A seu la d o , apanhada em seu b ra ç o so b o p eso d e seu c o rp o , Siena p erm a nec ia p ro fund a e p a c ific a m ente a d o rm ec id a . Tinha a usa d o a o m á xim o, exo rc iza nd o sua s em o ç õ es c o m um a p a ixã o físic a q ue a tinha esg o ta d o . Ma s nã o esta va a té p erto d e tã o rela xa nte rep o uso . Enq ua nto ela esta va no únic o esta d o o nd e seus p ensa m ento s esta ria m resg ua rd a d o s, tiro uos para examiná-los. Liberou-se d ela fa c ilm ente, a o m eno s no sentid o físic o , e se sento u na b eira d a c a m a , d eixa nd o o frio chão filtra r-se em seus p és nus q ua nd o p a sso u o s d ed o s p elo d esp entea d o c a b elo e o á sp ero c resc im ento d e sua b a rb a d e sete horas. Sete ho ra s. E na q uele tem p o to d o seu m und o se d errub o u so b re si mesmo. Elija h se leva nto u c uid a d o sa m ente, m o vend o -se d eva g a r p a ra q ue o retiro d e seu p eso nã o c a p ta sse sua inc o nsc iente a tenç ã o . Rec o lheu a ro up a ra p id a m ente e se vestiu. Nã o d everia a b a nd o ná -la . Nã o d everia p erm itir q ue d esp erta sse sem ele a seu la d o . Ma s nec essita va este m o m ento p a ra si mesm o . Po ssivelm ente vo lta sse p a ra seu la d o a ntes q ue no ta sse, m a s nã o p o d ia fic a r a li nem um só m o m ento m a is, o b serva nd o seu o lha r tã o malditamente formosa e contente quando ele estava em tal confusão. Nec essita va um o uvid o sá b io p o rq ue sa b ia q ue nã o tinha a sa b ed o ria p a ra esm iuç a r tud o a q uilo so zinho . Esta va m uito envo lto , m uito p erto . E esta va muito doído para ver com objetividade.


E p o r um a vez, d eu-se c o nta d e q ue era um a d o r q ue nã o seria tã o fá c il de sobreviver como seria a de uma ferida física. Não. Morrer era muito menos doloroso que um coração ferido.

CAPÍTULO 13

Gid eo n a b riu o s o lho s a p ena s vinte m inuto s d ep o is d e ha ver d o rm id o . Os vid ro s tinto s d a s ja nela s d a ha b ita ç ã o b lo q uea va m um a g ra nd e p a rte d a luz d o a m a nhec er, fa zend o ver um a c huva d e q uentes c o res, p referíveis a molesta luz branca, e se ajustou a ela em segundos. Leg na e ele tinha m d ec id id o passar o d ia na a ntig a resid ênc ia . A d iferenç a d a m o ra d ia na c o rte d e Siena , aonde a g ente ia e vinha c o nsta ntem ente d ura nte a s féria s, a li esta va a sseg ura d a um a a b so luta e c o ntínua p riva c id a d e d ura nte a noite d o Sa m ha im . Nã o tinha m fic a d o m uito na s a c o stum a d a s festivid a d es d o c a stelo c o m No a h e o utro s a m ig o s, a urg ênc ia d a noite a tra ind o -o s ra p id a m ente à c a m a , c o m o tinha feito c o m Jacob, Bela e outros que estavam Vinculados e os que não. Gid eo n tinha p la neja d o d o rm ir seg uid a e p ro fund a m ente, fa zend o amor a sua esp o sa , q uem ja zia em um p ro fund o so nho . Leg na esta va estend id a so b re ele, exa ta m ente c o m o sem p re estava justa m ente d e fo rm a q ue fa zia p ulsar ao coração com emoções profundamente arraigadas por ela. Ma s a lg o o tinha d esp erta d o , e enq ua nto distraidamente a c a ric ia va o sua ve c a b elo , p ro c uro u um p o uc o d e c la rid a d e a resp eito d o q ue o tinha perturbado. No m o m ento em q ue se d eu c o nta d e q uem se a p ro xim a va d a c a sa , Gid eo n a p a rto u a Leg na rá p id a e b rusc a m ente d e seu c o rp o . Ig no ro u o protesto dormitado, sacudindo a colcha sobre ela enquanto tomava a bata. O a ntig o m éd ic o se d eteve em um m om ento c a ra c terístic o d e p o uc a ind ec isã o . Lo g o a lc a nç o u a Leg na e fec ho u a m ã o so b re a fro nte. Inundou-se no c o rp o m enta lm ente, g a sta nd o energ ia ra p id a m ente nela , enq ua nto a m a nip ula va em um a fo rm a em q ue nenhum o utro p o d ia fa zê-lo . Um a vez q ue esteve c o m p leta m ente inund a d a fo ra d o m und o o esp írito d ela , o s pensamento s e sina is b io ló g ic o s rep rim id os, fo ra m q ua se inexistentes, livrou no s


b ra ç o s e a a rra sto u a um a p ra teleira o sc ila nte p a ra livro s q ue o c ulta va o q ua rto q ue tinha servid o c o m o ha b ita ç ã o d e m ed ita ç ã o d ura nte séc ulo s. Colocando-a g entilm ente no c hã o , d entro d a ha b ita ç ã o sec reta , nem seq uer d ed ic o u tem p o em b eijá -la a ntes d e a p a rta r-se d ela , em b o ra fosse o q ue mais queria nesse momento, mais que algo. Sa iu d o q ua rto e se a p resso u a o d o rm itó rio . Livrou o c orrim ã o , sa lto u sobre ele e se deixou cair três pisos ao centro da escada em espiral. Aterrisso u so b re o s p és, p erm a nec end o em cócoras, inc lina nd o a c a b eç a e a ltera nd o o s sentid o s a té q ue fo ra m m a is a g ud o s. Nã o tinha tem p o e nã o tinha tid o a p o ssib ilid a d e d e p ro jeta r-se a stra lm ente a o No a h e lhe d izer onde estava Legna em caso... ... só em caso. —Sinto-te me esperando, médico. A vo z esta va a rtific ia lm ente a um enta d a no s p ensa m ento s, lhe c a usa nd o um a d o r no tá vel. Deu-se c o nta , entã o , exa ta m ente q uã o poderosa se to rnou o inimigo. Um Demônio que nunca antes se interessou pelas artes escuras além d e um p enta g ra m a . Gid eo n nunc a tinha esp era d o q ue tivesse esse efeito , esse rea lc e extra o rd iná rio d e p o d er. Ma s esta va c o rro m p id o a o m esm o tem p o , p o d ia senti-lo , c heirá -lo , a esc ura m a nc ha se estend ia p ro fund a m ente sob re a a lm a d e Ruth enq ua nto p isc a va à existênc ia c o m um b rilho d e um a estranha luz escura. Gid eo n se elevo u em to d a sua a ltura , c o m o s o lho s entrec erra d o s so b re a a ud a z c a d ela q ue se a treveu a a m ea ç a r seu la r e sua fa m ília . Ma s c o nservo u a c a lm a , c om o sem p re. Nã o tinha vivid o m a is d e um m ilênio sem a p rend er q ue p erd er a c a b eç a c o m sua s em o ç õ es q ua nd o se c o nfro nta va um a b a ta lha , era um a m a neira seg ura d e a ssina r seu p ró p rio c ertific a d o d e falecimento. —Ruth — saudou friamente. — Nem sequer você pode ser assim tão louca. Ruth nã o p a rec ia esta r p resta nd o a tenç ã o . Esta va inc lina nd o a c a b eç a , elevando a vista ao teto com curiosidade. —Do rm ind o sem sua esp o sa no Sa m ha im ? —Fez um so m d e to sse. — Se supõe que devo acreditar que não está aqui? Tem razão não estou tão louca. Os sereno s o lho s a m a relo s va g a ra m p ensa tiva m ente so b re o a ntig o, o o lha r c la ra m ente a m b ic io so . O exub era nte c o rp o se c urvo u, c onvid a nd o -o em um a fo rm a q ue tinha sid o a lg um a vez b a sta nte sed uto ra , e a ind a p o d ia


sê-lo se nã o tivesse esc o lhid o o c a m inho a o q ue, nesse m o m ento , a ferra va -se tã o a vid a m ente. Ma s era tã o o nd ula nte c o m o um rép til veneno so , e claramente tão mortal como formosa. —Alg um a vez tive o m a is terrível a m o r p o r você. — c o nfesso u, c o m semblante divertido. — Fo i tã o p o d ero so . E a rrum a d o . Ba sta nte a rrum a d o . —Deslizo u um a mão sobre um dos suaves quadris, os movimentos óbvios e praticados. — Sabe sua escondida esposa que estivemos juntos uma vez no Beltane? —Isso faz trezentos anos — disse Gideon, em tom neutro como sempre. — E se lembre, as mulheres eram escassas em nossa população então. Ruth se via c o m o se tivesse sid o esb o fetea d a , e em efeito tinha sid o . Ma s um segundo depois o rosto flamejou de indignação. —Co m o te a treve! —vaiou. —Você d esfruto u b a sta nte na q uele tem p o ! Nem sequer você pode negá-lo! Gid eo n lhe d eixou sa tisfa zer-se na ra iva . Tenta va m a nter-se enfo c a d o no p o d er q ue esta va fo ra d a s p a red es d a c a sa , reunind o -se m uito rá p id o, inc lusive p a ra sua c o m o d id a d e e ha b ilid a d es. Tinha esta d o c erto em esc o nd er Leg na d eles. Ruth nunc a seria c a p a z d e d a r-se c o nta d o q ue tinha feito c om sua esp o sa , nã o era tã o p o d ero sa . Ma s sua c o m p a nheira esta va vulnerá vel, d eixa d a a c im a em um esta d o q ue sim ula va a m o rte a fim d e m a sc a ra r sua p resenç a . Se a c o nd iç ã o nã o era tra nsb o rd a d a em um a ho ra, ela e o b eb ê esta ria m em um terrível p erig o . Ma s p a ra revivê-la d o tra nse, tinha que permanecer vivo e protegê-la, sair vitorioso desse encontro. As p ro b a b ilid a d es d im inuía m c o m c a d a no va p resenç a q ue sentia . Gid eo n era fo rte, m a s nã o c o ntra a s p o ssib ilid a d es q ue se faziam menores c o m c a d a m inuto q ue p a ssa va . Deveria ha vê-lo sa b id o m elho r. Nunc a d evia ter leva d o Leg na a um territó rio q ue Ruth p o d ia d esc o b rir c o m um p o uc o d e criatividade. Mas havia tempo para as recriminações depois. —Ruth há a lg um p ro p ó sito , d etrá s d a s visita s, a lém d e um p a sseio p ela vered a d a m em ó ria a resp eito d e um a rá p id a q ued a a trá s d e a lg um a rb usto ao azar faz muito tempo? —Estreitou os glaciais olhos chapeados sobre ela. — Deve ha vê-la , p o rq ue nã o p o d eria ser tã o estúp id a p a ra tra ta r d e m e atacar. —Isso é exa ta m ente o q ue p retend o fa zer. So u m a is poderosa d o q ue poderia imaginar Gideon. E não estou sozinha.


—Me p erd o e p o r d izê-lo, m a s nã o é c om o se nã o p ud esse c heira r sua p este d e um q uilô m etro . Está c o rrup ta , Ruth. Deve ser c o nsc iente d e q ue a fetidez de outros já não lhe afeta devido a isso. Gid eo n esta va a lc a nç a nd o m enta lm ente o c o rp o d a Demônio, a fisio lo g ia , p rep a ra nd o -se p a ra m a nip ulá -la p a ra a m o rte em q ua nto p ud esse. Ma s a q uím ic a era p ro b lem á tic a , c o nfusa . Estava-se tra nsfo rm a nd o a níveis nos quais nem sequer era consciente. A fazia ilegível, um quebra-cabeças que tomaria muito tempo para decifrar. Ruth d isp enso u a q uele d éb il so rriso o utra vez, a q ue a lc a nç a va m uito a loucura em seus olhos. Era uma poderosa Demônio Mental e não havia dúvida que estava a par de seus intentos e de que estava entupido. —Sa b e Gid eo n — d isse b ra nd a m ente, se a p ro xim a nd o ta nto q ue teve que lutar com a urgência de afastar do corrupto aroma. — Pud e ser um rá p id o enc o ntro p a ra você, m a s sei q ue ela nã o é. Seu bebê e ela . E a enc o ntra rei, inc lusive se tiver q ue q ueim a r a c a sa d a b a se para fazê-lo. —Terá que passar por cima de mim primeiro, traidora. —Esse é exatamente meu plano — refletiu. —Então melhor chamar a seus acólitos. Gid eo n se m o veu tã o ra p id a m ente q ue teve a m ã o a o red o r d e sua garganta a ntes q ue inc lusive p ud esse a ntec ip a r o s m o vim ento s. Estrelo u-a na p a red e m a is p ró xim a um seg und o d ep o is, Gid eo n uso u a d o r e a surp resa p a ra lhe im p ed ir d e c o nc entra r-se na s ha b ilid a d es. Ma s era um a Anc iã e era muito poderosa p a ra ser m a ntid a a ra ia c o m truq ues d e o b struç ã o p o r m uito tem p o . Assim q ue o m éd ic o nã o p erd eu tem p o , im ed ia ta m ente lhe apertou a entra d a d e a r e sa ng ue a o c éreb ro . Teve a rc a d a s, o s o lho s se a m p lia ra m enquanto examinava a ameaça mortal nos dele. —O p ro b lem a —lhe m urm uro u, q ua se c o m vo z d e a m a nte— é q ue p erd e tem p o te g a b a nd o e te va ng lo ria nd o c o m b a te-p a p o s va zio s. Deveria ter atacado quando pôde. Enquanto estrangulava a desertora Demônio, estendeu-se pelo perímetro d a c a sa , a p a nha nd o a o s c o nfia d o s nig ro m a ntes, um p o r um , c o m a p ura fo rç a d o p o d er e a vo nta d e, d etend o o s neg ro s c o ra ç õ es m o rto s no s p eito s. Com todo o poder mágico, os nigromantes ainda eram frágeis como qualquer humano, fazendo uma tarefa ridiculamente fácil em muitos aspectos.


Os o utro s, vend o o s c a m a ra d a s c a ir inexp lic a velm ente, c o m eç a ra m a entra r em p â nic o e se a p ressa ra m p a ra a c a sa p a ra enc o ntra r a fo nte d o que machucava as fila s a ntes q ue p ud esse lhes c a usa r m a is prejuízo. Esta va m c la ra m ente im p a c ta d o s p ela fa c ilid a d e c o m q ue tinha rea liza d o esse a ta q ue . Um a vez m a is, Ruth nã o o s tinha p rep a ra d o p a ra o q ue lhes esp era va . Esta seria, possivelmente, a única vantagem verdadeira. Ruth se rea g rup a va inc lusive enq ua nto estra ng ula va a c o nsc iênc ia fo ra d ela . Os o lho s ro d a ra m a trá s enq ua nto a c essa va a o p o d er, e ele sentiu o im p ulso d entro d a m ente, a fo rç a era im p ressiona nte e im p o nente. Gid eo n esta va c eg o p ela d o r, a m ã o livre ia reflexiva m ente à c a b eç a enq ua nto ela p ro c ura va c o nverter o c éreb ro em um a m a ssa c o m o p o d er teleq uinétic o . Nunc a tinha c o nhec id o a um a m ulher teleq uinétic a a ntes, m a s o s Demônios Menta is era m rela tiva m ente no vo s p a ra a esp éc ie e, envenena d a c o m o esta va , p o d ia ser um a m uta ç ã o p o uc o na tura l. Usou to d a a fo rta leza m enta l para b rig a r c o ntra ela , inc lusive a ssim , sentia sa ng ue g o teja nd o d o na riz quando esta enchia os pressionados seios. Quando se viu forçado a apartar a atenção dos outros, invadiram a casa em m inuto s. A m a lva d a m ultid ã o d e m ulheres se a b a tia c o m o harpias sem a sa s so b re o c hã o , d izend o a s p a la vra s c o rro m p id a s q ue tra zia m d ia nte o s relâmpagos elétricos de poder que usavam durante o ataque. Gid eo n d ivid iu a a tenç ã o . Go lp eo u Ruth no ro sto , a turd ind o -a c o m o im p ulso a g ud o d a p a lm a ao d elic a d o na riz. Po d ia ha vê-la m a ta d o c o m o g o lp e se tivesse esta d o m a is enfo c a d o , m a s ta m b ém esta va a lc a nç a nd o a o s usuá rio s m á g ic o s, silenc ia nd o vá rio s d eles em um va rrid o d e p ensa m ento , lhes tira nd o o s m eio s verb a is nec essá rio s p a ra a c essa r a o p o d er, envia nd o -o s a estatelar-se no chão. Em outros infundiu o pânico com a cegueira, outros com a surdez. Isto só lhe comprou tempo. Gid eo n sentiu q ue a lg o o g o lp eo u, a esp eta d a ineq uívo c a d e d ente s afundando-se na panturrilha. Fo i nesse m o m ento q ua nd o d eixo u c a ir a um a a p ena s c o nsc iente Ruth a o c hã o e g iro u p a ra enfrenta r à filha . O a utô m a to danificado que era a descendente de Ruth, Mary também era mais poderosa. Gideon sentiu. Asp iro u q ua nd o o m a lva d o a ro m a fo rm o u red em o inho s p a ra ele. Arro ja va enxa m es d e c ã es selva g ens, lo b o s, e a té serp entes veneno sa s em c a d a ja nela ro ta e entra d a q ue p o d ia , a té serp entes enro la d a s c a ía m pela chaminé e nas cinzas frias.


Os a nim a is nã o era m resp o nsá veis p ela im p o siç ã o so b a q ua l o s tinha Ma ry, a ssim Gid eo n se sentiu d o íd o q ua nd o teve q ue a lc a nç a r p a ra ro m p er o p esc o ç o d o lo b o q ue tinha enterra d o o s d entes p ro fund a m ente na c a rne. Para o momento no qual girou, havia dúzias deles sobre ele. Dentes c o m o na va lha s d e b a rb ea r c o rta va m a c a rne d esd e to d a s a s d ireç õ es. Tud o o q ue p ô d e fa zer fo i c o rta r a d o r e o sa ng ue, enq ua nto tratavam de arrastá-lo para baixo, procurando acesso à garganta. Gid eo n c o nsid ero u q ue ta lvez tivesse c o m etid o um eng a no a o nã o despertar Leg na lhe p erm itind o a lib erd a d e a tra vés d e um esc a p a m ento . Ma s d e no vo , c o nhec ia m uito a sua a m a d a esposa. Teria insistid o em esta r a sua s c o sta s, luta nd o o nd e tinha na sc id o p a ra b rig a r. E era exa ta m ente p o r isso q ue tinha feito o que tinha feito. Preferia morrer que vê-la ferida ou pior. Mas deixando-a indefesa, podia ser isso a que a tinha condenado. Gideon só podia fazer uma coisa para salvá-la. Embora tomasse um m éd ic o m uito ta lento so p a ra reverter o tra nse no qual a tinha posto, e embora possivelmente não o conseguisse devia tentá-lo. Gid eo n d eixo u d e b rig a r e se p ro jeto u a stra lm ente à a lvo ra d a , p ro c ura nd o No a h enq ua nto q ue a s fo rç a s q ue o a ta c a va m c o m eç a va m a arrastá-lo abaixo. Nã o fo i seq uer c o nsc iente d o rep entino , vio lento , vento q ue fez a c a sa estremecer dos alicerces as vigas. Siena despertou o c o ra ç ã o p ulsa va velo zm ente enq ua nto a c a b eç a soava com alarmes e se enchia com raiva sangrenta. Voltou-se ra p id a m ente, p ro c ura nd o Elija h c o m p â nic o e sentind o um a ho rrível sensa ç ã o d e tem o r e d esesp era nç a enq ua nto a m ã o sub ia p ela coberta e mantas vazias. Tinha-a deixado, e tão certamente como sabia isso, sabia que estava em p ro b lem a s. OH, esta va tra ta nd o d e afastá-la d e fo rm a a uto m á tic a , a um nível p ro teto r, m a s nã o p o d ia esc o nd er a ra iva e o ho rro r q ue o a la g a va p elo q ue fosse que via. Fechou os olhos tratando de concentrar-se, desejando de repente nunca havê-lo d eixa d o ir d e seu la d o em p rim eiro lug a r. Pelo q ue o Gid eo n lhe ha via d ito , se tinha m passado junto s o d ia s d a c a verna d o Jina eri, tinha m um forte laço mental, ao ponto no qual veria através dos olhos dele perfeitamente. No m o m ento no q ua l p enso u no Gid eo n, sua im a g em a p a rec eu na mente, mas estava lavada por prateado e vermelho.


Sangue vermelho. Siena vo o u d a c a m a , tra nsfo rm a nd o -se em um a Mulher Ga to na m a rc ha enq ua nto vo a va fo ra d a s ha b ita ç õ es. Os g ua rd a s esta va m a ssusta d o s d e vêla sair em uma forma tão selvagem e na forma animal para começar. —Quero a Anya neste m o m ento ! Digam-lhe q ue m e enc o ntre na c a sa do embaixador Demônio com tropas imediatamente! —Mas majestade... —Não me questionem! Façam-no imediatamente! —Ma jesta d e é d e d ia — resp o nd eu o g ua rd a , em b o ra c la ra m ente resistente a contradizê-la outra vez. Nã o o c ulp a va . Nã o tinha p a rec id o ter d a d o um m o vim ento o u d ec isã o m uito ra c io na l em q ua se um a sem a na . Ma s isso ... Isso era a lg o q ue nem sequer podia brigar. Teve um a súb ita q ueb ra d e o nd a d e terro r, lá g rim a s d e frustra ç ã o q ueim a va m d etrá s d o s o lho s. A m ã o fo i a o c o ra ç ã o c o m o se a m ea ç a sse sair d o p eito . Elija h a nec essita va . Ta m b ém Gid eo n nec essita va a jud a . Esta va seg ura d isso . Am b o s esta va m m a is p erto d o c o ra ç ã o d o q ue esta va d isp osta a a d m itir e, a g o ra q ua nd o a nec essita va m , esta va c o m p leta m ente ind efesa para lhes ajudar. O sol. Um a estrela , três vezes m a ld ita , c entena s d e q uilôm etro s lo ng e, e a ind a isso lhe impedia de ir ao lado do Elijah. —Sua Ma jesta d e rec o rd a q ue é Sa m ha im — lhe interro m p eu g entilmente. — O em b a ixa d o r e sua c o m p a nheira a ssistirã o à s funç õ es d e sua p ró p ria corte para as férias e disseram que não voltariam até esta noite. Aind a p io r! Isso q ueria d izer q ue esta va m na Ing la terra . Milha res d e q uilô m etro s lo ng e d a p ro vínc ia Russa em q ue m o ra va m o s Lic á ntro p o s. Tã o rá p id a c o m o era , nunc a p o d eria ser a ssim d e velo z. Esta ria fo rç a d a a usa r a s c o m o d id a d es hum a na s m o d erna s q ue d em o ra ria m ho ra s a p esa r d a g ra nd e velocidade. Siena d e rep ente d esejo u q ue a c o rte estivesse c heia d o s Demônios. Alg um d eles, esp ec ia lm ente o s d a Mente, q uem p o d ia teletransportar-se, poderiam levá-la aonde o necessitasse em um segundo. Pela p rim eira vez na vid a , Siena sentiu verd a d eira m ente a s lim ita ç õ es d a esp éc ie e a s ha b ilid a d es p esso a is. OH, ha via -se sentid o ind efesa d ura nte o


reg im e d e seu p a i, m a s a o m eno s entã o , a s tinha a rrum a d o p a ra m a nter um Reinado justo enq ua nto tra ta va d e c o nq uista r inim ig o s invenc íveis. Isso era algo totalmente diferente. Mas Siena recusou render-se. —Enc o ntra um c o rred o r m estiç o e envia -o a Anya . Diga-lhe q ue reúna só tro p a s m estiç a s. Ao m eno s nã o se vêem a feta d o s p ela luz d o so l. E p o r um a vez d a ria to d a s a s fo rm a s p o r p o d er d izer o m esm o . O tem p o está essenc ia l, assim irá imediatamente! Mova-te! Essa vez nã o ho uve d isp uta . A m ulher Mino ta uro c o rreu, d eixa nd o a trá s a sua p erp lexa c o ntra p a rte m a sc ulina . Tra ta va d e jog a r um a o lha d a no dormitório atrás dele tão discretamente como podia. —O que é o que está mal minha senhora? —Meu c o m p a nheiro está em p erig o . Um p erig o terrível — explic ou, a s mãos se deslizavam ansiosamente pelo peludo estômago, claramente sem lhe im p o rta r o q ue o g ua rd a p ensa sse so b re o fa to d e q ue o c o m p a nheiro deveria ter estado na cama com ela durante o dia de suas bodas. — E está tã o lo ng e. Prec iso a jud á -lo , Synno ro . Nã o p o sso p erd ê-lo a ssim ! Nã o p o rq ue nã o p o ssa a lc a nç á -lo p elo m a ld ito so l! —A ra inha d eu um p a r d e curtos passados. — Deusa , p o r fa vo r — rezo u b ra nd a m ente, fec ha nd o o s o lho s enq ua nto tratava de pensar—, por favor me ajude! —Minha senhora o que tem que o Myriad? Siena se deteve de repente, os olhos alargando-se. Myria d . A m estiç a d a c o rte d e No a h, q uem a tua va no ro l d e em b a ixa triz p a ra o Rei Demônio. Nã o ha via tec no lo g ia s na c a sa d e um Demônio, m a s, nã o esta nd o d isp o sta a d eixa r ta is luxo s hum a no s p o rq ue a q uím ic a d o s d em ô nio s o s fizessem func io na r mal, a lg um a s vezes p erig o sa m ente, Myria d tinha esc o lhid o viver em um a vila um p a r d e q uilô m etro s lo ng e d o c a stelo d e No a h e d a s influênc ia s d a ninha s d o s Demônios q ue c o nsta ntem ente ia m e vinham ali. —Tem um telefo ne — m urm uro u Siena , a esp era nç a rep entina m ente flamejava no peito. — Synnoro! Tem um telefone! Siena esq uec eu a etiq ueta e a s fila s e sa lto u la nç a nd o a s a rm a s d o p elud o g ua rd a a o red o r, lhe d a nd o um ruid o so b eijo na b o c hec ha a ntes d e g o lp ea r o c hã o à c a rreira . O c a stelo tinha sid o d esp o ja d o d a tec no lo g ia


q ua nd o Gid eon e Leg na tinha m chegado tud o d esd e ilum ina ç ã o a té c o m unic a ç õ es tinha m sid o resta ura d o s no c a stelo a o esta d o o rig ina l d ura nte o s c inc o a no s d e c a tiveiro d o Gid eo n entre eles. Ma s Anya tinha um telefo ne na resid ênc ia , Siena nunc a p enso u q ue esta ria tã o a g ra d ec id a p o r um a simples comodidade. Tudo o que precisava era alcançá-lo o mais rápido possível. Noah despertou desorientado com uma sacudida, a repentina rajada de energ ia p ró xim a e estra nha se filtro u no s sentid o s. Ab riu os o lho s p a ra ver a Lic á ntro p o m estiç a p a ra d a p erto d ele, a lc a nç a nd o -o c om o se fo ra a to c á -lo. Instintiva m ente, a m ã o se estend eu e a g a rro u o p ulso m a is p ró xim a , p uxa nd o à mulher de pelagem negra de joelhos ao lado da cama. —Melho r q ue tenha um a b o a exp lic a ç ã o p a ra esta r em m inha ha b ita ç ã o sem ter sid o c o nvid a d a , em b a ixa d o r — a a m ea ç o u, senta nd o -se enquanto dobrava a mão cativa adiante. A ha b ita ç ã o esta va a tenua d a p o r so m b ra s d esenha d a s e c o rtina s, e o s o lho s era m a m a relo s no esc uro , m a is c la ro q ue no g á s o u em um a luz d e to c ha . Era m isterio sa a vista d ela c o ntem p la nd o -o sem p esta neja r. Ha via -lhe d ito q ue, d e ter sid o p ura , teria sid o a lg um a c la sse d e c ã o selva g em o u lo b o . Mostrava-o claramente os olhos nesse momento. —Seu Ca p itã o Guerreiro e seu d o uto r estã o em p ro b lem a s. Minha ra inha pensou que possivelmente quereria sabê-lo. No a h esteve so b re o s p és em um insta nte, lib era nd o a Myria d enq ua nto alcançava a roupa. —Te exp liq ue! —d em a nd o u, sem inc o m od a r-se em p erd er tem p o c o m desculpas. —Diz q ue Elija h está o nd e q uer q ue esteja Gid eo n, e q ue a m b o s estã o em um terrível perigo. —Pensei que Elijah estava com Siena ontem à noite, Gideon disse... —Ap a rentem ente d eixo u a c a m a enq ua nto esta va d o rm ind o . Nã o penso que seja sábio questionar esse fato a minha Rainha. No a h o lho u à enig m á tic a m o rena , leva nta nd o um a esq uina d a b o c a enquanto colocava a camisa nos jeans. —Uma sábia decisão. —Sem d úvid a — esteve d e a c o rd o c om o fá c il hum o r q ue a tinha a jud a d o a g a nha r a m uito s Demônios c a b eç a s d ura s, esses m eses p a ssa d o s. Siena tinha p ro va d o ser m uito m a is q ue sá b ia envia nd o a essa ro b usta m ulher


m estiç a a ele d e sua p a rte. Tinha o tem p era m ento p erfeito p a ra fa zer a m ig o s e, claramente, nunca mantinha rancor além de um momento. —Pode me acompanhar? —O sol não me afeta. Estou a seu serviço. —Bem . Tem o s q ue a c ha r a a lg uém q ue p o ssa a visa r a Ja c o b e a o s outros. Tenho um terrível pressentimento de que vamos necessitar ajuda. —E Siena . Ped irá no ssa s c a b eç a s se nã o a leva rm o s ta m b ém — insistiu Myriad. —De acordo!

CAPÍTULO 14

Se ha via um a na tureza d a s c o isa s q ue No a h c o nhec ia c o m p erfeita claridade e instinto, era a fumaça e o fogo. Enquanto se aproximavam do lar da família, podia cheirar e sentir os dois. O terro r a la g o u a No a h enq ua nto sub ia a c úp ula d a m o nta nha , a rra sta nd o a si m esm o e a o híb rid o fo ra d a fum a ç a e to m a nd o fo rm a só lid a . Quã o únic o p od ia ver d a c a sa era a fum a ç a e a s c ha m a s q ue sa ía m a m o ntõ es, rug ind o p elo s o c o s d o s c rista is q ueb ra d o s. Tud o o q ue nã o era feito d e p ed ra a rd ia fá c il e g ro sseira m ente p o r c a usa d e sua id a d e e a riq ueza d o combustível. —Legna! No a h lib ero u o p o d er e se fez c o m a s c ha m a s q ue q ueim a va m a estrutura . O c o ntra g o lp e q uente q ue lhe seg uiu, enq ua nto sug a va vio lenta m ente a energ ia d o fo g o em si m esm o , fez vo a r litera lm ente a Myria d . Aterrisso u a uns d ez p és na g ra m a c a rb o niza d a , sa c ud ind o a c a b eç a enq ua nto tra ta va d e resta b elec er seu va p ulea d o c éreb ro . Outra vez, livrou c o m integ rid a d e, sem se inc o m o d a r em tira r o p ó enq ua nto sub ia a trá s d o Rei Demônio. Enq ua nto c o rria m , o s Demônios c o m eç a ra m a a p a rec er a o red o r d eles. Po r m uita s vezes q ue o visse, Myria d juro u q ue nunc a se a c o stum a ria à b ruta lid a d e d a tele tra nsp o rte d o s Demônios. Cla ra m ente o s Demônios Mentais com os que Noah tinha contatado trabalhavam horas extras para lhes


tra zer refo rç o s. A eles. Os Exec uto res b rilha va m to m a nd o fo rm a , g uerreiro s variados que despertavam rapidamente. No a h teve q ue se c ho c a r c o ntra a c a rb o niza d a p o rta p rinc ip a l, p a tina nd o p elo c hã o lo g o q ue eq uilib ra d o , q ua nd o a a tra vesso u d isp a ra d o . Ca iu em um m o m ento estra nho d e d ific uld a d e, a fulig em e o s esc o m b ro s fund id o s se d esliza va m so b o s p és. A q ued a lhe levo u c a ra a c a ra c o m um c o rp o e d e rep ente se enc o ntro u o lha nd o a o s c ha p ea d o s o lho s a b erto s e vazios do cunhado. —Gideon... A surp resa esta va esc rita p o r to d a p a rte, na vo z e no ro sto . Fic o u d e jo elho s e se inc lino u so b re o m a rid o d a irm ã , sentind o o p ulso . No a h nunc a tinha c onhec id o ta l tem o r c o m o nesse ho rrível m o m ento . Nem seq uer q ua nd o tinha visto o c o rp o vio la d o d e sua m ã e m o rta se p erm itiu sentir ta l d eb ilid a d e, ta l em o ç ã o p a ra liza d o ra , d eb ilita d o ra . Forçou-se a ser fo rte entã o , em c o nsid era ç ã o a Leg na , p o rq ue ela tinha sid o um b eb ê q ua nd o viu sua m ã e nesse esta d o . Ma s isso sentia e sentia p ro fund a m ente. Justo c o m o Leg na o faria… —Legna! A c a b eç a d e No a h se m o veu vio lenta m ente a o red o r enq ua nto se estend ia , g rita nd o m enta lm ente p o r ela , lhe p ed ind o q ue resp o nd esse e procurando com todo o poder a assinatura de energia. —Legna! Ja c o b e Isa b ella entra ra m c o rrend o na c a sa sem id estruid a . Isa b ella g rito u d e d esesp ero q ua nd o viu a fo rm a sem vid a d e Gid eo n. Ma s fo i apartada rudemente q ua nd o Siena entro u na c a sa e se m o veu p a ra ver o que tinha horrorizado tanto a todos para pararem-se imóveis. —Gideon! —ofegou a Ra inha , d eixa nd o c a ir ra p id a m ente a o la d o d e seu velho amigo. Não podia estar morto. Era muito velho, muito poderoso! Se estiver morto, isso significava que Elijah... Siena a p a rto u o p ensa m ento vio lenta m ente, estira nd o -se p a ra a g a rg a nta d e Gid eo n enq ua nto No a h fic a va em p é e sub ia a esc a d a correndo três a quatro degraus de uma vez. —Está…? —Se atreveu Bela a começar a perguntar. —Nec essita m o s a um m éd ic o a q ui d entro ! —c hio u Siena , a vo z resso no u na casa desolada.


— Onde está Elijah? —Elijah? —demandou Jacob. — Elijah está aqui? —Sim , está a q ui em a lg um lug a r. Senti-o q ua nd o d esp ertei a ntes. É o q ue no s d irig iu a q ui. Sei q ue está a q ui. Ond e está ? — p erg unto u Siena urg entem ente, fic a nd o em p é e o lha nd o p o r to d a p a rte em b usc a d e sinais d e seu no vo m a rid o . Resp ira va c o m b a sta nte d ific uld a d e p a ra hip erventilar, to ssind o entre a fum a ç a resid ua l q ue se filtra va p elo q ua rto . Pro c uro u no s p ensa m ento s e na a lm a p o r q ua lq uer sinal d o Elija h, a p o d ero sa p resenç a d e repente vazia na consciência, nublada pelo pânico. Jacob e Isabella tomaram a posição que ela abandonou sobre o Gideon e Isa b ella o feg o u q ua nd o se d eu c o nta q ue a c a b a va d e a jo elha r em um a p isc ina d e Antig o sa ng ue. Ma is p erto a g o ra , so b a ro up a e a fulig em c a rb o niza d a s d a fum a ç a , viu q ue esta va ferid o severa m ente, q ueim a d o e também mordido, a carne rasgada como se tivesse sido atacado brutalmente por uma manada de animais selvagens. —Fo ra m a nim a is. Cã es, lob o s, e serp entes. Serp entes veneno sa s! —vaiou Jacob. Ja c o b , o ra strea d o r fina l, g iro u so b re a m ã o d éb il d e Gid eo n, tira nd o várias mechas loiras de cabelo comprido de entre os dedos. Um Anc iã o Demônio Co rp ó reo , m éd ic o no c o rp o d e g uerreiro s, apressou-se à c a sa , seg uid o d e p erto p o r um a m eia d úzia d e g uerreiro s, q ue começaram a procurar pela casa. O médico se uniu a Bela e Jacob, posando as mãos no Antigo Demônio. —Está morto — murmurou. — Mas só muito recentemente. Retrocedam. Os Exec uto res o b ed ec era m , d eixa nd o a o m éd ic o fa zer o q ue p ud esse em paz, o sentido do dever disparando-se pelas mentes unidas. —Ruth — d isse Ja c o b d esnec essa ria m ente, esfreg a nd o o s fino s c a b elo s loiros entre os dedos apertados. O nome atraiu a plena atenção de Siena. —Ruth? —Nã o ha via na d a exc eto ra iva e d o r no s o lho s d a Ra inha enquanto repetia o maldito nome. — Essa puta fez isto? Furiosa, a rainha dos Licántropos fez um som baixo e perigoso. Tudo o que p o d ia rec o rd a r era c o m o d e rep ente tinha enc o ntra d o p rim eiro a Elija h, sa ng ra nd o , em a g o nia , e p erto d o fim d a m o rta lid a d e por c a usa d o últim o


enc o ntro c o m a fêm ea Demônio q ue tinha tra íd o o s d e sua c la sse. Co nd uzid a a um a p ró xim a lo uc ura em o c iona l, lo g o q ue rec o nhec eu o ra stro d éb il d e aroma que ia à deriva até os sentidos. Entã o d e rep ente leva nto u a c a b eç a , a s o relha s e o s c a b elo s d o b ig od e lhe reto rc era m . Esta va b a sta nte à vista , p o uc os d o s Demônios p resentes tinha m visto a ntes a fo rm a Were, enc o ntra nd o a fo rm a d e g a ta c o m a lustro sa p ele tã o p o d ero sa e intimidante c o m o sinc era m ente era , o tem o r selva g em e o s sinais b io ló g ic o s d a ra ç a a p a rentes, inc lusive a q ueles q ue nã o sentia m na tura lm ente ta is c o isa s. Ja c o b sabia c o m o sa b ia c om q ua lq uer c ria tura selva g em d a na tureza , q ue tinha c a p ta d o o a ro m a d o q ue tinha esta d o procurando. —Elijah — sussurrou Jacob. Siena g runhiu m eio g rito d e p um a q ue fez retro c ed er o s g uerreiro s. Os Lic á ntro p o s era m um a c a sta d ura c o m a q ue nã o se d evia interferir, nem seq uer em tem p o s d e p a z, e sa b ia m lhe d a r m uito esp a ç o . Ma s o s Exec uto res a seguiram quando saiu correndo pela porta com notável velocidade. —vai se matar, - la d ro u Ja c o b , inc o nsciente mulher, apressando-se a trá s dela —Como…? —O sol — explicou Jacob a sua companheira menos experimentada. — Fa z q ue sua c la sse a d o eç a . Envenena -o s. É fo rte, m a s nã o tã o fo rte. Não há nenhuma nuvem no céu ou uma árvore para lhe dar sombra. Mas Bela sa b ia o q ue p ro p ulsa va a Ra inha . Ajoelhou-se um a vez no sa ng ue d o Ja c o b , c o m o tinha feito no d o Gid eo n fa zia um m o m ento , a terro riza d a q ue estivesse a p o nto d e m o rrer. Nesse m o m ento , na d a a p o d ia ter d etid o a fa zer tud o o q ue tivesse p o d id o p ensa r p a ra d esa fia r a o d estino e lhe sa lva r a vid a . Tinha sid o Gid eo n q uem lhe tinha sa lva d o entã o , m a s nesse m o m ento era Gid eo n q uem p rec isa va ser sa lva d o p ela s m ila g ro sa s ha b ilid a d es d e Ja c o b . Ma s q uem p o d ia tra b a lha r esse m ila g re? Só tinha visto o Gideon realizar tais proezas. O médico, nesse caso, não podia curar-se a si mesmo. Ja c o b e Bela c o rrera m a trá s d a Ra inha , m a s esta va possuída p ela velo c id a d e d o g a to q ue era . Só Ja c o b p o d ia em p a relhá -la , m a s se neg a va a deixar Bela atrás, nessa situação perigosa. Siena ro m p eu so b re a g ra m a à c a rreira , m a s essa velo c id a d e d eixo u a trá s visivelm ente a o s p erseg uid o res q ua nd o c o m eç o u o g a lo p e. Dirigia-se a


um a lo ng ínq ua linha d e á rvo res q ua nd o o a nd a r se c o rtou, c o m eç a ra m a ser difíceis, a arrastar-se como se corresse por muito água em vez de ar. —Tenho q ue a lc a nç á -la . Nunc a o o b terá à luz d o so l — g rito u Ja c o b a sua esposa. —Apanha-a ! Esto u b em — insistiu, em p urra nd o -o p elo o m b ro p a ra insistilo à velocidade que era capaz. Siena esta va c eg a p ela s lá g rim a s, inc o nsc iente à s ná usea s e à d eb ilid a d e q ue se a rra sta va m p elo c o rp o q ue luta va c o m o se m ilha res d e g a rra s a ro m p essem em p ed a ç o s, fa zend o -a lenta e c o ng ela nd o -a em um a p o siç ã o tã o p erto do o b jetivo q ue p rec isa va a lc a nç a r tã o desesperadamente. A ra inha c a iu so b re seus p ró p rio s p és, c ho c a nd o to rp em ente c o ntra o c hã o c o m um a sa c ud id a d o lo ro sa . O g o lp e c o ntra o chão p a rec ia fa zê-la a rd er, o s frenétic o s so luç o s, a p a nha d o s no interio r a té o frustra nte m o m ento d o im p a c to , c eg a nd o -a enq ua nto tenta va fic a r em p é cambaleando-se. Um grito ultrajado de terror selvagem ressonou no ar da manhã enquanto luta va p o r fic a r em p é, fo rç a nd o -se c o m m ã o s e p és e c o m q ua lq uer o utra parte dela mesma que a ajudasse a propulsá-la para o objetivo. Siena a lc a nç o u a linha d e á rvo res a p ena s, enq ua nto a fo rm a d o Elija h se so lid ific a va d e rep ente a nte ela , tra ta nd o d e d eter o frenétic o c ho q ue d e seu c o rp o p ro p ulsa d o . Esta va ultra p a ssa d o p ela s em o ç õ es d e sua c o m p a nheira q ue o tinha m a tra íd o a li, o s sentim ento s d e p ena o tinha m a tra íd o c o m o a guia de uma baliza. Estava tão histérica pelo pânico paralisante que não tinha o uvid o nenhum a só c oisa , nem sentid o um a só em o ç ã o q ue tinha tra ta d o d e lhe comunicar para acalmá-la. Chocaram um c o m o o utro q ua nd o fina lm ente o a lc a nç o u, a b riu o s b ra ç o s, leva nto u-a sustentando-a enq ua nto ela se a tira va c o m estup id ez c o ntra seu c o rp o . Apertou-se c o ntra ele um a e o utra vez, fo rç a nd o -o a sustentá-la fo rtem ente p a ra evita r d a nific á -lo s a a m b o s no d esesp ero . Esta va tã o fo ra d e si enq ua nto se a g a rra va a seu c o rp o q ue o s p és se leva nta ra m d o c hã o , seus b ra ç o s q ua se o estra ng ula ra m . Sustento u-o c o m o se o m und o term ina sse e p rec isa sse enc o ntra r o d ia d o julg a m ento fina l c om ele, d entro d e seu c o rp o , o u d entro d e sua a lm a , o q ue fo sse q ue p ud esse a lc a nç a r c o m todo seu esforço. Sua s g a rra s se retra ta ra m p o r seg ura nç a q ua nd o se estiro u p a ra seu rosto, em b a la nd o -a c o m d esesp ero enq ua nto a s lá g rim a s c a ía m p o r seu ro sto


c o b erta d e c a b elo e g o teja va m so b re ele, o s lá b io s sua ves trem ia m c o m so luç o s enq ua nto lhe b eija va . Nem seq uer p o d ia resp ira r d e tã o tra nsto rna d a que estava às ponta s d e seus d ed o s insp ec io na va m frenetic a m ente o c o rp o q ueim a d o e ferid o . Era m m a rc a s d e b a ta lha so m ente, nã o m o rta is, d a d o q ue essa vez a surpresa ao correr para a manada de usuários de magia no Gideon tinha sid o a um enta d a p elo fa to d e q ue a á rea a b erta lhe tinha d a d o a viso visua l. De fa to , tinha sid o o únic o em surp reend ê-lo s. Tinha luta d o c o ntra eles, perseguindo-o s no s b o sq ues, a g a rra nd o o s d e um em um c o m g ra nizo , relâmpagos e com ventos impetuosos que sopra ra m a lém d e q ua lq uer d efesa que trataram de lhe atirar. Só term ino u q ua nd o sentiu a c heg a d a d e Siena e extrem a m ente a ssusta d a e de c a usa r p ena . Nã o se tinha d a d o c o nta q ue tinha d esp erta d o a té q ue se a p ro xim o u. Tinha p ensa d o erro nea m ente q ue entre o s esfo rç o s e o esta d o a d o rm ec id o , fic a ria felizm ente ig no ra nte d o p erig o q ue esta va enfrentando. —Co nseg ue a um m éd ic o — so luç o u ela , o feg a nd o a s p a la vra s enquanto o terror e dor continuavam afligindo-a em corpo e alma. — Co nseg ue um m éd ic o . Po r fa vo r. Deusa , p o r fa vo r! Nã o fiq ue a q ui! — chiou a Jacob que por fim lhes tinha alcançado. — Consiga um médico! Siena caiu, sem ver que Bela também lhes tinha alcançado, dobrando-se d ura m ente c o m um a p o nta d a no fla nc o . A ra inha esta va p erd id a na s em o ç õ es q ue a golpeava, o c o rp o vo lto u p a ra a fo rm a hum a na enq ua nto perdia toda força e enterrava o rosto e os dedos na camisa torrada de Elijah e em seu queimado peito. —Siena! —Elijah agarrou os braços e a sacudiu. — Se acalme gatinha. Não estou ferido! Ma s q ua nd o tento u q ue rec up era sse o s sentid o s, sentiu q ue o c o rp o se c a m b a lea va sem fo rç a s no a g a rre. A c a b eç a c a iu fra c a m ente enq ua nto a fo rç a p a rec ia a b a nd o ná -la c o m a b ruta lid a d e d e um a ferid a m o rta l. Ouviu o o feg o d e Bela e c o m a extrem id a d e d o o lho , foi c o nsc iente q ue c o b ria , c o m a m ã o , a b o c a a b erta c o m ho rro r. A Executora esta va p erto d a s lá g rim a s enq ua nto , ela c o m o a Rainha, d esa b a va -se tã o rá p id a e d ura m ente. Elija h teve que mover-se com os reflexos do vento, trocando o agarre para sustentála, evitando que caísse como uma pedra. As mãos que tratavam de agarrar a


c a m isa d o Elija h esta va m fro uxa s, o s o lho s d o ura d o s fec ha d o s p ela m eta d e enquanto retrocediam na cabeça. —Siena! —Elijah se inclinou para levantá-la no s b ra ç o s, m a s era c o m o um la stro a g o ra , o c o rp o d e rep ente ríg id o p o r um a ta q ue q ue fa zia im p o ssível fazer algo exceto segui-la para baixo, ao chão. A p io r p a rte d a q uilo foi q ua nd o a m ente fic o u c o m p leta m ente em b ra nc o d e sua p resenç a . Elija h nunc a tinha c o nhec id o ta l tem o r c o m o o q ue sentiu quando pareceu desoc up a r sua a lm a tã o rep entina m ente. Nem seq uer q ua nd o tinha enc a ra d o sua p ró p ria m o rte, fa zia um a sem a na , tinha c o nhec id o essa c la sse d e terro r. O silênc io rep entino d ep ois q ue ta nta d o r e pânico lhe rasgaram, lhe deixando com feridas abertas no espírito, ultrapassou a dor dessas no corpo em proporções maciças. Entã o se fo rç o u a o lha r o c o rp o ríg id o d e Siena e a lib era r o nd a d etrá s o nd a d e c o nto rç õ es m usc ula res ríg id a s, a p ele se d esb o ta va d o o uro à c inza c o m m a nc ha s verm elha s, o s d entes a p erta d o s ra sg a ra m a líng ua a ssim q ue a boca se encheu de sangue que pulverizou sobre o rosto e no cabelo frouxo. —Nã o ! Siena , nã o fa ç a isto ! —g rito u Elija h enq ua nto se a g a c ha va so b re ela , lhe sustenta nd o a c a b eç a q ue se c o nvulsio na va entre a s m ã o s em um esfo rç o p o r evita r q ue ferisse si m esm a c o m a s ro c ha s e resto s d o b o sq ue dispersos debaixo dela. —Tem o s q ue tirá -la d o so l, Elija h. Está-se m a ta nd o — o rd eno u Ja c o b , posou uma forte mão no ombro do guerreiro para tentá-lo e atrair a atenção. —Espera — d isse Bela , insistind o b ra nd a m ente a seu m a rid o a um la d o enquanto se aproximava de Siena. — Po sso a b so rver o p o d er. Se func io na r c o m o fez na Leg na q ua nd o foi Co nvo c a d a , a d eb ilid a d e d o so l d esa p a rec erá c o m o o fez a vulnera b ilid a d e d a Leg na a o p enta g ra m a . Podê-la-ia m a nter tã o a sa lvo c o m o esteve Leg na . Dar-te-á o tem p o q ue nec essita p a ra levá-la a seg ura nç a sem p erm itir q ue o envenenamento avance mais pela exposição continuada. —Bela , nã o ! —a d vertiu Ja c o b , tra ta nd o d e a g a rrá -la p a ra p a rá -la . Ma s sua c o m p a nheira lhe a p a rto u a m ã o , g ira nd o o s d eslum b ra ntes o lho s vio leta s para ele. — Ma ld ita seja , Bela , nã o tem nem id éia d o que fará a vo c ê m esm a se fizer isso! Deixa de lutar contra mim cada vez que intento te proteger! —Preferiria que a deixasse morrer? —perguntou.


— Devo p erm itir q ue a lg uém a q uem queiramos c o m o um irm ã o , q uem m e tra to u c o m o fa m ília d esd e d ia em q ue c heg uei entre vocês, a p esa r d a s c o nd ena ç õ es d o s o utro s, seja p riva d o d e sua a lm a gêmea? Devo m e proteger e permitir que toda a gente seja privada da Rainha? —Nã o a o c usto d e m inha a lm a gêmea, Bela ! —Resp ira va c o m d ific uld a d e, b o rd ea nd o p a ra um vo lá til a la rm e, um a c o nd iç ã o a q ue nã o era propenso a menos que a segurança dela estivesse em jogo. — Nã o sa b e o q ue o c o rrerá se fizer isso . Po d eria a c a b a r d e m a tá -la — discutiu Ja c o b , a s m ã o s a p erta d a s a o s fla nc o s enq ua nto se fo rç a va a nã o estirar-se a por ela outra vez,— ou a você. —A p o ssib ilid a d e d a m o rte é um risc o q ue to d o s nó s to m a m o s no m inuto em q ue d esp erta m o s p ela ta rd e. Minha seg ura nç a está em risc o c a d a vez q ue te a c o m p a nho p a ra d estruir a o Tra nsfo rm a d o o u a ra strea r a o s q ue nec essita m exec uç ã o . Nã o d isse na d a entã o , a ssim nã o o fa ç a a g o ra . —Bela c o nc entro u a a tenç ã o na fêm ea Lic á ntro p o , sentind o o o lha r frenétic o d e Elijah nela. — Retro c ed a m . Nã o sei c o m o estreita r m inha s c a p a c id a d es a ind a . Nã o preciso lhes atrair a isto. —To d a ra zã o d e m a is p ela q ue nã o d everia fa zer isto — disse b rusc a m ente Ja c o b , p erd end o to d a c o nsc iênc ia d e na d a exc eto d a segurança que se cravava nele sem descanso. —Bem , entã o p erm a nec e o nd e estas. Vou fa zer isto c o m o u sem sua c o o p era ç ã o , Ja c o b — d isse c o ra jo sa m ente, c o m d eterm ina ç ã o na vo z e no conjunto da teimosa mandíbula, acabando com a discussão. — Sim isto só é mais largo. Elija h d ec id iu d e rep ente p o r to d os. Fic o u em p é e a lc a nç o u fisic amente a Ja c o b p a ra jog á -lo p a ra trá s, lo ng e d e a m b a s a s m ulheres. O Exec uto r a p a rto u a m ã o d o g uerreiro , o s o lho s esc uro s fla m eja va m c o m ind ig na ç ã o porque o Capitão tentaria a mão dura para proteger a sua companheira. —Te m o va a trá s o u te moverei Ja c o b — va io u o g uerreiro , c o m p reend end o q ue a sug estã o d e Bela era a m a is rá p id a , a a ç ã o m a is p la usível p a ra p a ra r a a g o nia d e Siena . Se tivesse tenta d o levá -la a o refúg io , p ro va velm ente teria m o rrid o p ela exp o siç ã o c o ntínua à luz d o so l a ntes d e a lc a nç a r o o b jetivo . Já esta va sentind o o o b stá c ulo d a leta rg ia q ue a feta va aos de sua classe ao sol, apesar da própria força para resistir essas condições.


Ja c o b p o d ia ha ver sustentado a p o siç ã o , m a s tinha sid o um c o nvite c la ro a um a b rig a . Vencido p o r vo ta ç ã o retiro u-se e d eu a Bela o esp a ç o q ue tinha so lic ita d o . A únic a o utra so luç ã o teria sid o p a ra c a d a ho m em a firm a r a nec essid a d e d e p ro teg er a sua c o m p a nheira p o r c im a d a vio lênc ia d o o utro . Ap esa r d a s em o ç õ es vo lá teis im p lic a d a s, nã o valia a p ena o p reç o q ue pagariam por isso. Sentind o seu m a rid o olha nd o -a m enta lm ente a ssim c o m o c om visível a nsied a d e, a Druid a resp iro u fund o e fec ho u o s o lho s. Estirou-se p a ra a p ele nua d e Siena c o m d ed o s tenta tivo s, m a is p a ra enfo c a r-se q ue p o r q ua lq uer o utra ra zã o , e p ro c uro u d entro d ela p a ra lib era r o p o d er q ue tinha ja zid o a p risio na d o p ro fund a m ente em seu c o rp o d ura nte ta nto tem p o . Bela nã o tinha so lta d o esse p o d er d o c o ntro le rep ressivo d esd e q ue tinha sid o a ta c a d a fazia seis meses pela Ruth e sua irmandade. Assim q ua nd o esta lo u à vid a , fê-lo c o m um red em o inho visível q ue em p urro u tud o c o m o um vento a rtific ia l, fa zend o q ue a s á rvo res se d o b ra ssem c o m fo rtes ra ng id o s d e ra m o s, a s fo lha s e a s erva s so p ra va m e se d isp ersa va m em um a m a ré c irc ula r a p a rtir d a Druid a . Ja c o b sentia q ue o c o ra ç ã o lhe sa lta va p ela g a rg a nta . Nunc a a tinha visto em a na r a ssim a ntes. Gera lm ente a Bela era de um a c a p a c id a d e invisível e im p erc ep tível q ue sa ng ra va insid io sa m ente a o s Nig htw a lkers d o s d o ns ina to s. Aterro riza va -o ver vo a r tud o ao redor dela com violência repentina. Um m inuto m a is ta rd e, a o nd a g o lp eo u a a m b o s o s ho m ens, a ind a na distância de vário s metros. Propulsou-os no ar, golpeando-os contra o chão de repente, a o m esm o tem p o em q ue to d a a c a p a c id a d e d o s c o rp o s elementares era sugada fora deles em um batimento do coração. Ao mesmo tempo, Bela roubou a Siena toda a natureza inata desde a de c a m b ia nte a d a sensib ilid a d e a o so l q ue tra zia c o nsig o . Infelizm ente, Ja c o b ta m b ém rec o rd o u p o uc o d ep o is q ue Bela nã o só a p a g a va a s c a p a c id a d es inatas dos Nightwalkers, mas também tomava todas as características. Bela c a iu so b re o tra seiro q ua nd o to d o o p o d er q ue a c a b a va d e c o nvid a r nela m esm a a g o lp eo u d ura m ente. De rep ente o vento se leva nto u e c o m eç o u a a ç oitá -lo s a to d o s. Entã o a g ra m a c o m eç o u a c resc er d e fo rm a frenétic a , c heg a nd o a ser, em um b a tim ento d o c o ra ç ã o , um a m a ssa enred a d a d e fo lha s. Muito, excessivamente, g ra nd em ente p o d ero sa s c a p a c id a d es q ue tinha ro ub a d o d eles, ta m b ém esta va m fo ra d e c o ntro le. E q ua nd o Siena c a iu p o r últim o em um a p erd a rela xa d a d o c o nhec im ento , o


c a b elo d e Bela c o m eç o u a p ulveriza r-se, fo rm a nd o um a p ele neg ra e sed o sa por toda parte do corpo. —Ma ld ita seja ! —la d ro u Ja c o b , c a m b a lea nd o so b a p ressã o d e um a no tá vel d eb ilid a d e, o p o d er d o q ua l nunc a sentiu a ntes. Deu inc lina ç õ es b rusc a s so b re a m ulher justo q ua nd o a fo rm a c o m eç a va a m ud a r d o lo ro sa m ente, o c o rp o m eio—hum a no nunc a p enso u em a ltera r-se d e ta is m a neira s. Um m inuto o o lha va c o m o lho s a b erto s d e surp resa , a o seg uinte era um ja g ua r d e o lho s vio leta s, luta nd o p o r reb o la r fo ra d o s lim ites d o s jea ns, camiseta e roupa interior. —Bela! Se a c a lm e! —d isse Ja c o b enq ua nto se estira va p a ra a m ente a o nível d e um a c o m p a nheira vinc ula d a e um a c ria tura d a Terra q ue p o d ia enc a nta r a q ua lq uer a nim a l no q ua l p usesse a m ente. Tra b alhou p a ra lib era r rapidamente o g a to im enso d a ro up a em q ue esta va a p a nha d o , olha nd o c o m verd a d eiro so b ressa lto c o m o esses o lho s tã o surp reend entem ente familiares para ele de repente não pareciam conhecê-lo. Sa b ia q ue p o d ia a b so rver e utiliza r o s p o d eres Demônios, m a s nunc a p enso u q ue o m esm o se a p lic a ria a o s p o d eres d o Lic á ntro p o . Pensa va , a té fa zia um m o m ento , q ue a c a p a c id a d e d e tro c a r d e fo rm a tinha sid o tã o na tura l c o m o um b a tim ento d o c o ra ç ã o p a ra Siena , a lg o q ue Bela nã o p o d ia p ed ir em p resta d o nem p o d ia ro ub a r nem p o d ia utiliza r p a ra ela m esm a d e maneira nenhuma. Ma s esta va c la ra m ente eq uivo c a d o . E inc lusive, em b o ra essa fosse à á rea p erita d o Gid eo n, inc lusive o m éd ic o nunc a tinha visto na d a c o m o a s c a p a c id a d es d e Bela a ntes q ue c heg a sse fa zia um a no . Isso era no vo p a ra to d o s e nenhum d everia sub estim a r esses p o d eres híb rid o s. Assim livrou c uid a d o enq ua nto tenta va a c a lm á -la . Ma s se d eu c o nta ra p id a m ente q ue o p o d er d e enc a nta r tinha sid o ro ub a d o junto c o m to d o o resto e q ue tud o o que tinha era a conexão de alma gêmea com sua alma gêmea. Elija h m o veu o a g o ra to ta lm ente frouxo c o rp o d e Siena , leva nta nd o -a a p ressa d a m ente d o c hã o e fo ra d o a lc a nc e d o im p revisível p erig o d a situação. Bela tinha obtido o objetivo, entretanto, e Elijah sabia em algum nível interio r d o esp írito . Siena esta va ho rrivelm ente d o ente, m a s o p eq ueno a to valente d a Druid isa tinha p a ra d o efetiva m ente a vulnera b ilid a d e a ntes d e mais dano. O Ca p itã o Guerreiro enc o ntro u os o lho s d e Ja c o b b revem ente, c heio d e d esc ulp a s, e entã o g irou e vo lto u ra p id a m ente p a ra o la r d o Gid eo n c o m a


d éb il c a rg a , d eixa nd o Ja c o b p a ra q ue d irig isse à a ltera d a c o m p a nheira . Sem os poderes, não havia nada que Elijah pudesse fazer em todo caso. Era melhor deixá-lo s so zinho s. Po d eres o u nã o , Ja c o b sa b ia m a is a resp eito d e tra ta r c o m animais que nenhum entre eles. No a h era p o ssivelm ente o únic o q ue p o d ia ter enc o ntra d o Leg na no p resente esta d o , e a únic a ra zã o q ue o fizesse era a c a usa d o c a lo r resid ua l d o c o rp o . Ma s já esta va q ua se fria a o to q ue q ua nd o a leva nto u d o chão. So ub e im ed ia ta m ente q ue isso era a ç ã o d e Gid eo n. Po d ia p ressentir o s vestíg io s d a energ ia resid ua l d o Antig o nela . E ta m b ém c o m p reend eu q ue o tinha feito p a ra p ro teg ê-la , p a ra evita r q ue a rrisc a sse o p esc o ç o em um a situa ç ã o q ue tinha sid o c la ra m ente desesperadora e p erig o sa a té o g ra u q ue o resultado tinha sido que quase matam um Antigo. No a h ta m b ém sa b ia q ue sua irm ã m o rria . Sentia q ue o q ue fic a va d a fo rç a d e vid a se d esva nec ia enq ua nto se a p ressa va fo ra d a sa la e p a ra b a ixo p ela esc a d a p a ra enc o ntrar o s m éd ic o s. Infelizm ente, ha via só um p resente e tinha as mãos cheias com Gideon. No a h o rd eno u a um Demônio Menta l q ue tro uxesse m a is a jud a , lo g o c o lo c o u à irm ã no c hã o , fo ra d a c a sa c a rb o niza d a . Tra to u d e c o nc entra r-se, a p a rta nd o o tem o r q ue lhe a rra nha va a a lm a . Co b riu-lhe o c o ra ç ã o e o p eito c o m a s m ã o s, p ro c ura nd o a d esva nec id a fo nte d e vid a e energ ia . Co m eç o u a a lim enta r o fo rnec im ento esg o ta d o , lenta m ente, c uid a d o so c o m a fa ísc a d e vid a q ue ta m b ém se d esva nec ia d o filho . Po ssivelm ente era p o rq ue era de seu p ró p rio sa ng ue, o u so m ente p ela fo rç a d a teim o sia , m a s c o m eç o u a esquentar-se, a rub o riza r-se c o m energ ia , c o m sina is d e vid a verd a d eiro s. O a lívio m o m entâ neo fo i p ro fund o . Pelo m eno s p o d ia m a nter o esta d o . Em b o ra não podia inverter o efeito , foi sufic iente a té q ue p ud esse enc o ntra r a o utro s o suficientemente hábeis para fazê-lo. Elija h g rito u p o r a jud a , a tra ind o a a tenç ã o d e vá rio s g uerreiro s q ue se apressaram a seu lado, ansiosos por ser de qualquer ajuda. —Necessito um médico! Elija h se em p urro u à c a sa e p ela p rim eira vez viu a d estruiç ã o q ue tinha sid o inflig id a sob re ela e so b re o s ha b ita ntes. Tinha a ç o ita d o a os a g resso res q ue tinha m fug id o d a c ena , sem ter em c o nta q ue Gid eo n nã o p o d ia d irig ir o resto p o r si m esm o . Ver um m éd ic o inc lina d o so b re o Antig o d eixo u sem respiração ao Capitão.


O m éd ic o m a is jo vem elevo u o o lha r a o sup erio r, entã o se leva nto u e esfreg o u a s m ã o s nervo sa m ente enq ua nto se a p ro xim a va d o Demônio d e Vento. —Senho r, nã o há na d a q ue p o ssa m o s fa zer p o r ela — informou cuidadosamente. — Nem Gideon sabe como curar a um Licántropo. —Nã o m e d ig a isso — o rd eno u, c o lo c a nd o b ra nd a m ente à c o m p a nheira em um rinc ã o esc uro a ntes g ira r p a ra c o nfro nta r a o o utro homem duramente. — Tem a s ha b ilid a d es b á sic a s, a lg o q ue p o d e c ruza r esp éc ies, e fa rá o que possa. —Elijah… O no m e, d ito em vo z ro uc a c o m um so m á sp ero e um b a rb o teo , o fez dar a volta rapidamente. Deixou-se cair sobre os joelhos, lhe agarrando a mão automaticamente enquanto tentava que a garganta funcionasse para ajudála a falar. —O q ue p o sso fa zer Siena ? —p erg unto u d oura d a s so b ra nc elha s se curvavam com preocupação e pena. —Não me deixe morrer. —Nã o . Nã o o fa rá . Ajudar-lhe-emos. —O to m era za ng a d o e frenétic o , ultrajado ante a sugestão da idéia. —Não… —Shh… - tranqüilizou Elijah. —… deixe que mora… até que tenha matado a essa puta Demônio. —Vo c ê e eu — p ro m eteu c o m fero c id a d e enq ua nto Siena p erd ia o conhecimento uma vez mais. — Você e eu, querida gatinha. Uma vez que Elijah e Siena deixaram a área imediata, Bela foi privada da fo nte c o ntínua d e p o d er, a c a p a c id a d e d e a b so rvê-lo s sem d úvid a tinha sid o a b a nd o na d a enq ua nto era g o verna d a p o r p o uc o m a is q ue instinto s a nim a is. Permitiam-lhe a p a g a r a p rá tic a e a c o nc entra ç ã o , e c o m o g a ta selva g em , não era provável que tivesse essa concentração. Assim p a ssa ra m vá rio s m inuto s m a is a té q ue seu m a rid o sentiu q ue o s sentid o s vo lta va m p a ra ela , e vá rio s m a is a ntes q ue o c o rp o c o m eç a sse a vo lta r p a ra a fo rm a na tura l. O sed o so c a b elo neg ro c a iu d a p ele enq ua nto o p o d er q ue tinha a b so rvid o d e Siena se d erra m a va . O a to lhe ha via fla nc o ,


Ja c o b p o d ia sentir c o m o vo lta va p a ra a fo rm a na tura l e se d eixa va c a ir em um a g ro ssa a lm o fa d a d e c resc id a g ra m a , o feg a nd o . Ma s tinha c o nseg uid o a Elija h o tem p o nec essá rio p a ra tira r Siena d o so l e Ja c o b sa b ia q ue isso era tudo o que importaria imediatamente a Bela. Assim q ua nd o a b riu o s o lho s e o viu inc lina nd o -se so b re ela c o m c la ra p reo c up a ç ã o e ira rep rim id a , so ub e q ue tinha tid o êxito , a p esa r d e nã o recordá-lo. —Funcionou — suspirou ela. —Sim , p o d eria d izer isso , se rea lm ente o estira — d isse Ja c o b , o to m era c o rta nte p o rq ue tinha sid o inc a p a z d e lhe a jud a r. O c o ra ç ã o a ind a p ulsa va violentamente pelo susto de vê-la tão brutalmente alterada e afetada. Ja c o b se estiro u p a ra lhe a p ro xim a r à ro up a , leva ntando-a a um a p o siç ã o senta d a p a ra p o d er d esliza r a c a m iseta so b re o c o rp o . A c a b eç a descansou no ombro enquanto o fazia. —Tem uma filha, Bela — disse a voz rouca com emoção reprimida. — Nã o p o d e fa zer esta s c oisa s d esc uid a d a s, te a rrisc a nd o a ssim sem tomá-la em c o nsid era ç ã o . Nec essita -te, inc lusive m a is q ue eu, e sa b e q ua nto é isso. —Exalou, estremecendo enquanto o fazia, os escuros olhos fechando-se com a tensa dor. — Deveria te torcer o pescoço. —E teria querido que Siena fizesse menos se pudesse salvar minha vida? A p erg unta p ic o u, a c a lm a nd o a ira c o m a verd a d e b ruta l. Os m o vim ento s frenétic o s p a ra vesti-la se d etivera m e o a rd o r d ep o is d o s o lho s, girou o ro sto p a ra a sed a neg ra d o g ro sso c a b elo , ina la nd o o p erfum e p ro fund a m ente, c o m g ra tid ã o , enq ua nto lhe c o b ria a nuc a c o m um a m o rna e possessiva mão. Nã o resp o nd eu verb a lm ente, m a s o id iom a d o s g esto s e p ensa m ento s era to d a a resp o sta q ue nec essito u. Envo lveu o s b ra ç o s a o red o r d a c intura e o abraçou apertadamente. —Agora — sussurrou—, tem o s a lg uns ra strea m ento s q ue fazer c a rinho . Não podemos permitir que essas pessoas continuem fugindo. —Faremo-lo . Lo g o . Neste m o m ento , p rec isa m o s vo lta r p a ra a c a sa p a ra poder ajudar ao Noah e Elijah, assim você poderá recuperar alguma força. Nã o d isc utiu. Sa b ia q ue p o d ia m rec o lher o ra stro m a is ta rd e, e ta m b ém sabia que tinha razão a respeito de quão cansada estava. A desvantagem de tal rajada de poder era o pacote que seguia imediatamente depois.


Ma s c o m o tinha no ta d o fa zia p o uc o s d ia s, sentia c o m o se um a p a rte d a Ra inha Lic á ntro p o estivesse a g o ra sela d a na m ente. Ap a rto u a c o m p reensã o , entretanto, não desejava transtornar Jacob mais do que ela já estava. Va m o s, no c a stelo q ue o Rei Demônio c ha m a va c a sa , No a h se inc lina va c o ntra o m a rc o d a ja nela d o d o rm itó rio d a Leg na , q ue tinha o c up a d o d ura nte o s trezento s a no s d a infâ nc ia a té o d ia em se c a so u c o m o Gid eo n fa zia seis m eses. O Rei o lha va fixa m ente sem ver o s ja rd ins q ue se a la rg a va m justo a b a ixo ele, a s lem b ra nç a s d esses a no s, d a influênc ia eleg a nte, atravessavam -lhe c o m o um a ressa c a , a rra sta nd o o c o ra ç ã o c o m a d o lo ro sa repetição. Sua irm ã esta va ro d ea d a d e m éd ic o s, m a s p o d ia dizer p ela s vo ze s sussurrantes, q ue a ind a esta va m tã o c o nfuso s so b re a c o nd iç ã o , c o m o o tinham estado fazia uma hora. Se não fosse pela habilidade para mantê-la em êxta se, Leg na estaria m o rta . Que inferno s ha via possuído a Gid eo n p a ra esc o lher ta l m éto d o p erig o so d e m a sc a rá -la ? Ha via c erta m ente o utra s maneiras, maneiras que não a teriam deixado em tal perigo! Noah fechou os olhos e exalou. Sa b ia q ue era injusto . No m o m ento em q ue Gid eo n fic a sse inc onsc iente o u m o rresse, q ua lq uer o utro feitiç o d e m a sc a ra m ento tivesse m o rrid o c o m ele e a teria d eixa d o ig ua lm ente vulnerá vel. De fa to , teria esta d o d ireta m ente m o rta se nã o fo sse p elo fa to d e q ue tinha fo rç a d o o s inim ig o s a rec o rrer a aleatoriedade de um fogo, esperando que finalmente chegasse em qualquer lugar que estivesse escondida tão efetivamente. No a h se sep a ro u d a ja nela e a p a rto u a um d o s m éd ic o s c o m um q ua se á sp ero em p urrã o d e um a m ã o so b re o o m b ro d o ho m em . Olho u b revem ente à p a rteira em frente d ele q ue vig ia va o b eb ê d e Leg na d e p erto , e ela se retiro u insta nta nea m ente. Tud o no q ue p o sa sse o a la rm a ntem ente o lha r a uto ritá rio d e um Rei, g era lm ente tra nq üilo , o s fa zia resp o nd er ra p id a m ente. To d o s sa b ia m q ue nã o ha via na d a m a is p rec io so p a ra No a h q ue sua irm ã mais jovem. Noah se inclinou sobre a Legna, envolvendo uma mão elegante ao redor d o p esc o ç o sem p ulso enq ua nto p ressio na va o s lá b io s na fro nte e c o m eç a va a lhe cochichar. —Perdoei-te p o r m e d eixa r fa z seis m eses — m urm uro u, a lc a nç a nd o -a c o m a m ente e o c o ra ç ã o , utiliza nd o to d a a c o nc entra ç ã o e fo rç a d a vid a


long a e a fa m ilia rid a d e m enta l c o m ela q ue tinha o b tid o sob a tutela paciente durante séculos. — Nã o te p erm itirei fa zê-lo o utra vez. Nã o d esta m a neira . Va m o s, irmãzinha, desperta para mim. Tem o poder dentro de você. Tem a um menino d entro d e você. Nã o p o sso a c red ita r q ue isso nã o sig nifiq ue na d a p a ra sua segurança. Os o lho s d e No a h se fec ha ra m enq ua nto b a ixa va a fro nte p a ra descansa r a o la d o d a c a b eç a no tra vesseiro , lhe fa la nd o b ra nd a m ente na orelha. —Quando Mamãe morreu, jurei que viveria para ser uma Antiga, menina, e não tolerarei romper essa promessa. Retorna para mim. Eu… Teve q ue p a ra r q ua nd o a em o ç ã o lhe a flig iu a vo z. Tento u resp ira r, m a s nã o im p o rta va q uã o p ro fund a m ente ina la sse, nã o era sufic iente. Mo rria d e fo m e p o r o xig ênio nesse m o m ento , e c o m o q ua lq uer c ha m a , sentia -se extinguir. —Preciso-te — disse por fim, a voz rouca e rasgada. — Se Gid eo n so b reviver, necessitar-te-á . O b eb ê… to d o s nó s. Ag o ra é o Demônio Menta l fem inino m a ior entre nó s. Quem a nã o ser vo c ê ensina rá a o s jovens? —Tentou outra vez inalar um fôlego profundo e doloroso. — Quem m a is — d isse, m a is sua ve q ue a lg um a vez—, c o ntinua rá m e ensina nd o o q ue p erc o p o r nã o c o nhec er o a m o r q ue c o m p a rtilha c o m Gid eo n? O d ia q ue viva sem você p a ra m e ensina r c o m o sem p re o fa z, será o dia em que esquecerei viver. Nã o no s d eixe, ro g o u c o m to d o s o s rec urso s d a m ente, vertend o a em o ç ã o nela . Gid eo n m o rrerá sem você. Nunc a p o d erá sup o rta r sa b end o q ue a o tra ta r d e te sa lva r fo i o instrum ento d e sua m o rte. Nã o o d eixe c o m esse legado. No a h nã o tinha feito s no s q ue a p o ia r a s tenta tiva s p a ra a lc a nç á -la, c o m o nã o tinha p ro va s d e q ue tinha m êxito em a jud a r Leg na d e a lg um jeito. Ma s c o ntinuo u, inc a nsa velm ente, a lim enta nd o -a c o m energ ia , em o ç ã o e cada razão convincente que podia pensar para atraí-la. Syreena e Anya esta va m firm es a a m b o s o s la d o s d a p o rta d o q ua rto o nd e Siena esta va estend id a . Elija h retro c ed eu lo ng e d a c a m a , o c ulto na s esc ura s so m b ra s d a s c o rtina s q ue evita va m q ue entra sse o so l. Os a g reg a d o s fem inino s o lha va m ra p id a m ente c o m inq uieta ntes o lho s d a Ra inha a o


Co nso rte e a o s d ois m em b ro s d o The Prid e, a m a io ria c ura d o res c o nsum a d o s, tratando de tratar à Rainha pelo envenenamento do sol. —Começa a cobrir-se de ampolas — lhes informou um brandamente. Nã o era b o m sina l. Queria d izer q ue tinha rec eb id o o eq uiva lente d e um a d o se m o rta l d e ra d ia ç ã o . Os Mo ng es d o The Prid e esta va m em a p uro s para ajudá-la a recuperar do dano sem efeitos em longo prazo. —Fá-lo-á o m elho r q ue p o ssa — lhes rec o rd o u Syreena , a vo z d e monarca pela primeira vez na vida. A o rd em fo i tira d a d a b o c a d o Elija h, a ssim estreito u esp ec ula tiva m ente o s p á lid o s o lho s na irm ã d e Siena . Sua vo z teria tid o, sem d úvid a , p o uc a influenc ia nesse q ua rto . Nã o tinha g a nha d o nenhum a a uto rid a d e nem lea ld a d e d eles a ind a . Nem seq uer tinha tid o a op o rtunid a d e. Fez-lhe rela xa rse um p o uc o ver a Syreena a d vo g a r tã o p o d ero sa m ente o nd e ele nã o p o d ia . Aí fo i q ua nd o c o m p reend eu q ue essa s m ulheres a m a va m a Siena tã o profundamente como ele amava a Noah, e por todas as mesmas razões. —Que perda… por um Demônio. Anya fic o u im ó vel, a la rg o u o s o lho s q ua nd o a s p a la vra s p a ssa ra m o s lá b io s d o seg und o Mo ng e. No ta velm ente, nã o foi Elija h q uem rea g iu c ontra a o b serva ç ã o o fensiva . Em vez d isso , fo i nesse m o m ento q ue Anya a p rend eu sinceramente quão rápida era a Princesa. E quão volátil podia ser. Antes q ue q ua lq uer p ud esse reto rc er-se, Syreena tinha sa lta d o so b re o Mo ng e, a g a rra nd o to d o o p eso e c o rp o e tira nd o o d a c a m a c o m um a só m ã o a o red o r d a g a rg a nta . Ele g ra sno u p ela surp resa enq ua nto o g o lp ea va b ruta lm ente c o ntra a p a red e m a is p ró xim a . O resso na r d a c a b eç a fez escoicear a Anya e ofegar pela surpresa. Os o lho s verm elho s d a Syreena a g üenta ra m o s d o ho m em a turd id o , q ue uma vez tinha sido um de seus mentores. —Fa la a ssim o utra vez em sua vid a e te enc o ntra rá to m a nd o um vo to invo luntá rio d e silenc io p a ra o resto d e sua existênc ia . —Ap erto u o p unho na garganta para certificar-se de que tinha a firme atenção. — Eu juro , Mo ng e. Terei sua líng ua se o fizer o utra vez. Siena sa c rific ou tudo pela paz, e nunca tolerarei que ninguém menospreze os esforços de uma maneira tão desrespeitosa. Fiz-me entender?


—Menina , so lta rá a seu irm ã o — ordeno u o seg und o Mo ng e, em p urra nd o esse to m d e a uto rid a d e q ue o s p a is utiliza va m c o m o s jo vens desobedientes. Tud o o q ue Anya p ô d e fa zer fo i o lha r c o m estra nha fa sc ina ç ã o . Nunc a na vid a tinha c onsid era d o p ô r a s m ã o s em um m em b ro d o The Prid e. De fa to , p o r lei, era um d elito c a p ita l. Nã o tinha a c red ita d o na Syreena c a p a z d e ta l coisa até que o tinha visto passar ante os olhos. The Prid e era tã o a ntig o e tã o p o d ero so , q ue era m c o nsid era d o s, a ind a p o r o utra s ra ç a s, c o m o o s últim o s erud ito s e o s c o m b a tentes m a is experts. Sa b ia m téc nic a s p a ra luta s a ntig a s e m o rta is, tra nsm itid a s entre eles a o ig ua l segredos b em p ro teg id o s d e g era ç ã o em g era ç ã o . Desa fia r a um era parecido a suicídio, ou assim o haviam dito sempre antes. E a p a rentem ente Syreena tinha p o sto m uita a tenç ã o à s liç õ es na s categorias mais mortais. Até entã o , Anya tinha m a rc a d o à Princ esa c o m o p a c ifista , m a is interessa d a no s estud o s, a s m ed ita ç õ es e na p o siç ã o c om o Co nselheira q ue em luta r o u em unir-se a o p ro g ra m a d e treinam ento q ue a Elite p ra tic a va d e um a m a neira rig o ro sa , d ia ria m ente. Ag o ra esta va b a sta nte c la ro q ue era p o rq ue nã o p rec isa va p ra tic a r. E m a is c la ro a ind a , p elo o lha r no s o lho s d o Mo ng e a p a nha d o so b o a g a rre, era o fa to q ue inc lusive esse expert, ho m em d o The Prid e, nã o esta va d isp o sto a luta r c o ntra ela , nem seq uer p a ra proteger-se. Isso lhe provocou um calafrio pela espinha dorsal. To d o s tem ia m o leã o , m a s o q ue sentia p a ra a lg o q ue d a va m ed o , inclusive ao poderoso gato no alto da cadeia alimentícia? O o lha r d e Anya se m o veu ra p id a m ente um a vez m a is à luz trêm ula d o s o lho s verd es c la ro s q ue o lha va m a s a ç õ es d a Princ esa c o m um a c a lm a no tá vel e d esa p a ixo na d a . O resp eito d a Anya p elo g uerreiro sub iu uns p o uc o s p o nto s enq ua nto p erm itiu q ue Syreena tra ta sse a seu m o d o sem intervir. Tinha assumido que seria mais insistente, mais volátil e suplicado pelas oportunidades d e b rig a . Era a la rm a ntem ente ilustra tivo d a r-se c o nta q ue esta va em um quarto com duas criaturas de poder das que sabia muito pouco. —Ele não é mais meu irmão do que você é Konini. Syreena g irou p a ra o lha r a o o utro Mo ng e c o m o lho s m uito frio s, e Anya fo i sa c ud id a um a vez m a is p elo q ue viu na exp ressã o d a Princ esa . Era o g ênio inc o nfund ível p elo q ue a fa m ília rea l tinha sid o tra g ic a m ente fa m o sa d ura nte


to d a s essa s g era ç õ es. Siena c o ntro la va o seu no ta velm ente b em . Aparentemente Syreena o fazia também. Até agora, pelo menos. —Cura-a, ou responderá ante mim — vaiou a Princesa. —Nã o tra b a lho c o m a m ea ç a s — d isse serena m ente o Mo ng e, c la ra m ente nã o c o m p reend eu q ue a s m a neira s p ied o sa s só o c o lo c a va m mais profundamente em problemas. — Cessará desta violência insensata, irmã. Antes q ue Anya p ud esse p isc a r, um Mo ng e era lib era d o p a ra enrug a r-se no c hã o e o o utro esta va entre o s d ed o s d a Syreena em um p ec ulia r a g a rre q ue a Genera l d a Elite q ue nunc a tinha visto utilizá -lo a ntes. Syreena utilizou o a la va nc a m ento d o a g a rre p a ra a p ro xim a r o ro sto d o Ko nini a o sem b la nte cheio de ampolas da paciente. —O que vê ante você, Monge, é uma verdadeira irmã. Minha única irmã. Meu únic o irm ã o . No c o ra ç ã o , m inha m ã e. Melho r a sa lva r, p o rq ue se c heg a r a ser Rainha, c onhec erá nã o só m inha ira , m a s ta m b ém susp eito a ira d a g ente d e seu m a rid o ta m b ém . —Syreena jo g o u um a o lha d a c o m o fez o Mo ng e c o m o lho s a b erto s p elo m ed o enq ua nto o lha va o únic o ra sg o d o imóvel Demônio homem que podia ver. Esses pálidos olhos resplandeciam na escuridão. —Rec o rd a , Mo ng e, q ue inc lusive sem a fúria há m a neira s em q ue p o sso d estruir o p rec io so Prid e. —inclinou-se m a is p erto p a ra lhe sussurra r m a is asperamente. — Te ro g o q ue rec o rd e q uã o b o a e c o m p leta estud a nte fui rea lm ente, Konini. E sei que sabe o que quero dizer, irmão. Soltou-o d ep o is d essa o b serva ç ã o enig m á tic a , e c a iu na c a m a c o m estup id ez, o feg a nd o p o r resp ira r a té q ue o ro sto p úrp ura c o m eç o u a vo lta r para a normalidade. Para assombro adicional de Anya, não discutiu mais, não a m ea ç o u c a stig o . Ko nini a rra sto u a o c om p a trio ta c ura d o r e o p ô s em p é, a p a rta nd o a s m ã o s q ua nd o to c a ra m o c o rte q ue a p a red e tinha d eixa d o depois da cabeça. Olhou preocupadamente dos olhos vermelhos aos de jade com clara inquietação e desassossego. Anya o lho u a Syreena p a rtir d e vo lta à p o siç ã o d e a m p a ro c o m d ois p a sso s e um g iro q ue teria enverg o nha d o a m a io r p a rte d o c o rp o d e guerreiros do General.


—Ad verti q ue d eixo u o q ua rto d ura nte uns p o uc o s m inuto s fa z um momento, mestiça — observou com serenidade, nem olhando à outra mulher. —Eu… — Anya se esclareceu garganta. — Tinha sed e — c o nc o rd o u, sa b end o b a sta nte b em q ue se d esid ra ta ria antes que deixar à Rainha desprotegida. Assim como sabia Syreena . —Aconteceu… algo incomum enquanto estava… um... —Fora da habitação? —incitou Syreena. — Nenhuma coisa. —Bem — Anya sorriu, um sorriso divertido. — Bem. Na esc urid ã o, Anya p o d ia jura r q ue o uviu o g uerreiro estóic o a o q ue a gente tinha temido durante séculos rir entre dentes. Os m éd ic o s d eixa ra m o q ua rto d o Gid eo n, p erm itind o q ue a na tureza fizesse o m elho r p o ssível. Fa zia m tud o o que p o d ia m , e esta va na p ró p ria resistência do Antigo e no Destino. Devolver-lhe o s sinais vita is tinha sid o b a sta nte fá c il. Po r m uito q ue fo sse bastante cedo, um Anc iã o Demônio Co rp ó reo p o d ia p ro g ra m a r o s p ró p rio s sinais vita is p a ra fa zer-se c o m o s d a vítim a , p a rec id o a o m ec a nism o by-pass d e p esso a a p esso a . O Anc iã o to m a va o s sistem a s autonômicos d a nific a d o s, trazendo a vítima instantaneamente de volta à vida. Entretanto, curar o corpo o b a sta nte rá p id o e o b a sta nte p a ra a ssum ir p o r si m esm o tinha sid o o truq ue . Gid eo n tinha so frid o eno rm es d a no s em ó rg ã o s essenc ia is e um a p erd a d e sangue da que poucos se podiam recuperar. Os m éd ic o s a c red ita ra m q ue era só a id a d e d e Gid eo n o q ue lhe tinha sa lvo . To d o o resto à p a rte, o sistem a im uno ló g ic o c ura tivo era o m a is rá p id o d o m und o . Quã o únic o nã o era c a p a z d e fa zer era a b a stec er o b a sta nte ra p id a m ente d e no vo o p ró p rio fo rnec im ento d e sa ng ue. Nem Gid eo n era c a p a z d e fa zer essa s c ura s p ro fund a s e c o m p lexa s, enq ua nto q ue, a o a lc a nc e d e a lg uns d o s Anc iõ es, fa lta va a d elic a d eza a rtístic a p ela p erfeiç ã o . Tinha sid o d ifíc il reso lver o veneno e a ra iva , a s b a c téria s e a m ed ula ó ssea , o s coágulos e as cicatrizes residuais que tinham poluído os sistemas. Devia ter m o rrid o . Po ssivelm ente a ind a m o rreria . Era só a c ura na tura l o q ue p o d ia lhe sa lva r d o q ue seja q ue nã o tinha m p erc eb id o o u o q ue tinha m acreditado era da gama de habilidade. As ho ra s p a ssa va m e a esc urid ã o va rreu so b re o c a stelo , q ue se d up lic o u c o m o um ho sp ita l. Ha via g ua rd a s fo ra em to d a s a s p o rta s, um a m esc la d e


guerreiros Demônios e a Elite d o s Lic á ntro p o s, era surp reend entem ente ina ud ito . Ma is q ue isso , o s Lic á ntro p o s nã o to lera va m nenhum a rg um ento na s d em a nd a s d e p ro teg er a p o rta d o Ca p itã o d o s Guerreiro s e sua esp o sa eles mesmos. Desc o nc erta d o s p ela o rd em d o No a h d e o b ed ec er, o s g uerreiro s o fa zia m a p esa r d a lea ld a d e q ue o s tenta va a d eso b ed ec er a o rd em d o Rei. O castelo esta va c heio d e o utra s fo rç a s, a m a io r p a rte a o a r livre, p ro teg end o o p erím etro . No a h tinha d eixa d o a sua irm ã p a ra fa la r c o m Co rrine, q ue tinha sid o p o sta a o c uid a d o d o b eb ê d e sua irm ã . Senta nd o -se junto a o c o nso lo d o fo g o , sustenta nd o o vulto a c o lhed o r so b re o c o ra ç ã o , No a h p ô d e p erm itir-se so lta r a d o r. Nã o era um ho m em em o c io na lm ente d em o nstra tivo em p úb lic o , m a s na so lid ã o d o m om ento , c o m a p ena s a m enina sem no m e p a ra presenciá-lo, permitiu-se estar em silêncio total. O p eso d o p eq ueno b eb ê era q uã o únic o evita va q ue seu c o ra ç ã o se partisse.

CAPÍTULO 15

Na esc urid ã o d a rec entem ente caída no ite, um a fig ura sig ilo sa se a p ro xim o u c o m um a velo c id a d e im p erc ep tível a o p erím etro p ro teg id o d a c a sa d o Rei Demônio. Po d eria p a ssa r a o s g ua rd a s c o m p leta m ente sem ser d etec ta d o , a té a g o ra sua s ha b ilid a d es esta va m a lém d o q ue p o d eria m perceber, ia ser capaz de fazê-lo com uma facilidade quase irrisória. Podia saber q uã o o c up a ntes ha via a o red o r e d entro d a fo rta leza c o m apenas um olhar. O calor do corpo que desprendiam, aparecia como uma luz d e infra verm elho em sua no tá vel vista . Co nhec ia o enfreador, a s g o ta s d e c a lo r m a is ro sa d a s a ssina la va m a o s Demônios c uja s tem p era tura s c o rp o ra is esta va m uns g ra us m a is frias q ue o resto . Ha via um a hum a na em um q ua rto afasta d o e, c o ntinua nd o , a o red o r d e um a d úzia d e seres q ue sup o rta va m o c a lo r d e c o r verm elha b rilha nte d o s Lic á ntro p o s. Era o q ue d eterm inou esta va em p o siç ã o ho rizo nta l, q ue a tra iu sua a tenç ã o . Ca m inho u m a is à frente d o p erím etro d e g ua rd a s c o m um a velo c id a d e silenc io sa , sa lta nd o sig ilo sa m ente


e c o m g ra nd e fa c ilid a d e d o c hã o a o b a lc ã o d o seg und o p iso q ue d a va a o quarto. O Prínc ip e Va m p iro d uvid o u a ntes d e a b rir a p o rta , d a nd o -se c o nta d e q ue a lg uém esta va no q ua rto , a lém d a Rainha d o s Lic á ntro p o s. Quem q uer q ue seja q ue fo sse, e ele p o d ia d a r-se c o nta d e q ue d e fa to era um a fêm ea , estava alerta a seu dever. A julgar por seu coração, tinha notado a intrusão. O c o ra ç ã o p ulsa va tã o fero zm ente e velo z, q ue o sa ng ue c irc ula va q ua se m uito rápido como para que oxigenasse as células. —Entre. Era um c o c hic ho d ito c om um a resp ira ç ã o tã o sua ve e fem inina , q ue a o p rinc íp io Da m ien p enso u q ue tinha c o nfund id o o d esa fio . Intrig a d o, o Prínc ip e rea lm ente so rriu c o m a ntec ip a ç ã o , enq ua nto flutua va a tra vés d a p o rta d e vid ro c o rred iç a já a b erta , a b a tend o um m o m ento a ntes d e d esc a nsa r brandamente sobre o chão. A vista d o Va m p iro era exc elente na esc urid ã o , inc lusive sem usa r a s c a p a c id a d es infra verm elha s. Disting uiu a silhueta d e um a fig ura c la ra m ente fem inina . Esta va em p é, em um a situa ç ã o p erfeita p erto d e um a ja nela , sem d úvid a intenc io na lm ente, p erm itind o q ue a luz d a lua a esfum a sse d e ta l forma que inclusive com sua penetrante visão, veria só sombras. Ma s nã o era só a c urva lisa d o q ua d ril e a fresc ura firm e d e um a s p erna s fem inina s b em to rnea d a s, em relevo c o ntra a luz entra nte. Um b ra ç o pendurava reto através da longitude do corpo, escondido depois da curva do q ua d ril, a p isto la em sua m ã o p isc a va c o m um b rilho niq uela d o , c o m o se p elo contrário sustentara uma estrela. —Balas? —Perguntou a vo z p ro fund a e ric a , fo rç a nd o -a c o ntra o evidente humor. — Uma raridade em uma casa de Demônios. —Nã o so u um a Demônio. —Assinalou seu to m a ind a sua ve, a ind a m uito misteriosamente sufocado. —Certo . Ma s se m e d isp a ra , só esta rá g a sta nd o b a la s. Certa m ente compreende, verdade? —Sei. —Assegurou. Nesse m o m ento , a o utra m ã o a p a rec eu d a so m b ra d e seu c o rp o , rá p id a , c o m um o b jeto d e m a d eira q ue g ira va c o m o um a hélic e a g ilm ente entre as pontas dos dedos, durante um segundo impressionante.


Damien riu, a o no ta r q ue o o b jeto tinha sid o um a vez a q ua rta p a ta d e um cadeira agora três pés que estava detrás da figura escura. —Sa b e q ue isso é um m ito , nã o ? —Perg unto u, enq ua nto c ruza va o s braços por cima do peito. —Claro — afirmou de novo. — Entreta nto , um a esta c a a tra vés d o c o ra ç ã o p ro vo c a um sa ng ra nd o tra um á tic o q ue te d eb ilita rá d e m a neira rá p id a e c o nsid erá vel — Damien viu seus dentes cintilar ao sorrir. — Possivelmente melhor me dizer por que está aqui, Vampiro. —Sua Rainha requer uma cura ou morrerá. —Não necessito que me diga isso, Bebedor de Sangue. Aproximou-se um passo, entrando finalmente na luz. Damien nunc a tinha visto na d a c o m o ela em to d a sua la rg a vid a . Era um a Lic á ntro p o , sem d úvid a nenhum a , m a s sua c o r e sua fig ura frá g il escondiam a s surp resa s e m istérios q ue ele nã o p o d eria c o m eç a r nem seq uer a supor claramente. Então compreendeu quem era a que se enfrentava a ele. Prim eiro tinha o uvid o a s histó ria s so b re ela fa zia p o uc o m a is d e um séc ulo , e lo g o na d a , a té o s rec entes info rm e d e b reves vislum b res d e um a fêm ea d e Lic á ntro p o insó lita q ue tinha m entreg ue seus em b a ixa d o res, a o fazer uma visita excepcional a corte de Siena durante esta última década. —Preferiria que morresse Princesa, e assim ser Rainha em seu lugar? Da m ien o uviu c om o sua resp ira ç ã o p a ra va e viu o rub o r infra verm elho de calor quando o aborrecimento explodiu através de seu metabolismo. —Como te atreve a pensar semelhante coisa — vaiou. —Atrevo-me — a interro m p eu ra p id a m ente—, p o rq ue nã o sei na d a d e você, sa lvo q ue é a filha d e um d o ta d o , em b o ra demente senho r d a g uerra q ue c o nseg uiu m erg ulha r a esta s p esso a s q ue a g o ra p ro teg em vo c ê e sua Rainha, em trezentos anos de guerra. —A m esm a hip o c risia d o Prínc ip e Va m p iro em g uerra c o ntra o s Demônios, d ura nte um séc ulo histó ric o d e seu Reinado? —Replicou agudamente. —Touché — assentiu. — Ma s c o m o vo c ê, entã o era jo vem e to la . Esteve b em fa z m eio m ilênio, embora não os últimos quatorze anos.


—Nã o so u jo vem nem to la , exc eto p o ssivelm ente em sua a p rec ia ç ã o . O que te importa se a Rainha dos Licántropos vive ou morre? —Isso nã o p o sso lhe dizer. Ba sta d izer q ue servirá a to d o s no sso s interesses se ela viver. Incluindo o teu, se sua preocupação for autêntica. —E suponho que vais oferecer esta cura mágica, Vampiro? Tomando seu sang ue, sem d úvid a , e p erm itind o q ue a s c o nseq üênc ia s m á g ic a s d e sua m o rd id a a c ure? Ac red ito q ue p referiria m o rrer a ntes d e lhe p erm itir a qualquer, amigo ou inimigo, semelhante liberdade. —Nã o . Essa nã o é m inha intenç ã o , Princ esa . Surp reend e-m e q ue nã o saib a q ue a m inha c la sse está p roib id a d e tenta r a lim enta r a o utro s Nightwalkers. Uma categoria a que, desgraçadamente, sua espécie pertence, se não, de fato ofereceria esses serviços. Quando ouvi o que tinha ocorrido… —Eu g o sta ria d e sa b er c o m o o uviu essa rá p id a fo fo c a — interro m p eu Syreena friamente. —O m und o Nig htw a lker nã o é tã o red uzid o na Euro p a c o m o é no resto . Como um povo pequeno, notícias dessa classe viajam rapidamente. —Que extra o rd iná rio — d isse c o m sua vid a d e, c la ra m ente nã o impressionada. Damien sorriu apesar de si mesmo, os dentes uniformes brilhavam à luz da lua, sem mostrar nenhum vestígio de presas retratadas no gesto encantador. —Posso continuar? Lançou-lhe seu próprio sorriso escuro, uma piscada de olhos de harlequim misteriosos à luz da lua. —Ia sugerir outra alternativa que provavelmente não conheça — Damien se vo lto u levem ente p a ra o lha r à Ra inha na esc urid ã o . Co m sua visã o , o c a lo r de suas empolada p ele b rilha va c o m um vio lento verm elho . Retro c ed eu a té a Syreena. — Não há nenhuma c ura para este grau de enfermidade solar. Morrerá a menos que te desvie dos métodos convencionais de cura. —Assegurou. —Não morrerá. A rud eza d a vo z b a ixa fez q ue ta nto o Va m p iro, c o m o a Lic á ntro p o , voltassem-se b rusc a m ente. Os o lho s d e Elija h b rilha ra m em verd e p á lid o, no ra io so litá rio d e lua q ue lhe g o lp eo u o ro sto q ua nd o vo lto u p a ra sua fo rm a só lid a . Syreena se erg ueu d e rep ente, a p ro xim a nd o -se p a ra o Prínc ip e, d e fato, diretamente a seu lado, assim não bloquearia sua linha de visão.


O g uerreiro a ind a esta va tã o a fresc o c o m o sem p re, b ro c a nd o c o m seu a tento o lha r a o c a sa l frente a ele, lhes a va lia nd o sutilm ente. O c írc ulo d e o uro e la b ra d o rita 5 a o red o r d o b ra ç o b rilha va m c o ntund entem ente à luz d a lua , d a nd o a Da m ien um p ing o d e info rm a ç ã o q ue sua s fo ntes m exeriqueiras nã o tivessem sa b id o . Ao que p a rec e Elija h se d eu c o nta d a tensã o entre ele e a Princ esa e tinha vind o a p ro teg er… p ro teg er a sua no iva , um p o uc o totalmente inesperado. —Meu… — Syreena se esclareceu garganta. — Meu senho r, Anya e eu g ua rd a rem o s à Ra inha c o m no ssa s vid a s, o asseguro. Deteve-se q ua nd o d e rep ente Elija h a va nç o u, o fo g o d e seus o lho s estalavam sobre o Príncipe Vampiro. —Da m ien, d o u a b em -vind a a sua p reo c up a ç ã o — disse—, m a s c om o Syreena, não vejo como pode nos ajudar. —Elijah, sua desconfiança está mal dirigida. Lutamos juntos na Batalha do Belta ne, e nã o há nenhum m o tivo sa lvo m eu d esejo d e a jud a r a sua g ente . Prometo-o , a jud a é ta m b ém tud o o q ue q uero d a r esta noite — resp iro u fundo, embora respirar fosse desnecessário para ele. — Nã o m e a p a rte a té q ue tenha esc uta d o a té o fina l, g uerreiro , o u entreg a rá a sua c o m p a nheira à m o rte. Um a m o rte terrível. Po d eria to m a r semanas de incrível dor antes que termine. —Ela não morrerá! —Gritou Elijah. — Maldita seja! —Seu tom se converteu em puro veneno. — Esta ria m a is b em m o rto q ue ver Siena p a ssa r p o r isso , p o rq ue se esp a nta sse d evid o a m inha seg ura nç a ! Nã o te nec essito a q ui em p é, m e esbofeteando pela desgraça de como vai sofrer por isso! Subitamente a p o rta d o q ua rto se a b riu, a o p a sso d a Anya , q ue tinha o uvid o os g rito s d e Elija h. Insp ec iono u o q ua rto c o m o s o lho s exa g era d o s p o r um m om ento , a g ito u a c a b eç a verm elha d esa m p a ra d a m ente, e d ep o is, retirou-se detrás da porta fechada murmurando brandamente sob o fôlego. —E agora Vampiros… 5 Ped ra d e feldspato la m ina r d e c o r c inza , tra nslúc id o e irid esc ente. Em seu b rilho a p resenta um a a m p la fila d e c o res. Do a zul à vio leta , verd e, a m a relo o u la ra nja , seg und o a va ried a d e. É a c ha m a d a Ped ra d a Lua (N.deT.)


Syreena elevo u a c a b eç a d e rep ente, seu o lho c inza b rilha va na p enum b ra q ua nd o estreito u o o lha r fixo so b re o Va m p iro, tenta nd o c o nec ta r o s p ensa m ento s d esd o b ra d o s, ig ua l q ue o s d o is ho m ens q ue se g ira ra m enfrentando-se. —Nã o p o sso curá-la, m a s estã o a q ueles q ue p o d em — disse brandamente Damien ao Elijah. —Os estrangeiros. Am b o s o s ho m ens o lha ra m à Princ esa , um c o m surp resa , o o utro c o m desconcerto. —Sim — Damien a apoiou pensativamente—, estava a ponto de sugerir… —Deusa , q ua l é seu no m e? —Syreena m urm uro u, interro m p end o o Vampiro enquanto mordia o lábio e procurava em sua memória. — Um a Mistra l — lhes esc la rec eu, em b o ra Elija h parecesse ser o únic o que não a seguia. — Siena c o nhec e um a Mistra l. Fa z uns d ia s m enc io no u um a , q ue p enso u que poderia ajudá-la de algum jeito em outro assunto. Syreena sa lto u o s d eta lhes, nã o q uerend o relanternar a o Elija h q uã o d esesp era d a m ente Siena tinha tenta d o livra r-se d e sua influênc ia , a ntes q ue fina lm ente tivesse feito a s p a zes c o m seu d estino . Nã o tinha sentid o a b rir velha s ferid a s, ou exp o r o s seg red o s d e Siena p a ra d isc uti-lo s c o m o Co nso rte Demônio. Da m ien elevo u um a so b ra nc elha neg ra , c la ra m ente im p ressio na d o c o m o ra c io c ínio d a Syreena , e ta m b ém c urio so so b re c o m o a m esm a c a sta d o Nig htw a lkers q ue tinha esta d o a p o nto d e sug erir, tinha m a p a rec id o d e repente na boca da Princesa. —Ao c o ntrá rio q ue a m a io ria d a s esp éc ies d e c ura d o res Nig htw a lker, o s Mistrais podem sanar universalmente — comentou Damien pensativamente, os o lho s firm es, esc uro s p o sto s na p eq uena fêm ea a nte ele, c o m evid ente interesse. Ela nã o se rub o rizou o u a p a rto u o o lha r so b seu intenso esc rutínio, impressionando-o m a is a ind a a o m a nter-se firm e e lhe fulm ina r c o m o o lha r exatamente igual a ele. —Ma s a um p reç o — Elija h d isse sa b end o , a s ha b ilid a d es em interespecies eram sua área de especialização. De fato, seu dever. — A Sereia Mistra l c a nta p a ra curar, a livia r, e p a ra fa c ilita r o s esta d o s meditativos. O preço é a vulnerabilidade total. Se a Sereia deseja aproximar-se


d o sujeito e lhe a p unha la r a tra vés d o c o ra ç ã o no m eio d e um c a nto , p o d e fazê-lo , e sua vítim a nã o p o d eria eleva r nem um d ed o p a ra d efend er-se. Inc lusive, d esd e q ua lq uer d istâ nc ia será intro d uzid o na c a nç ã o , nã o é c o m o se possa manter a guarda. Siena nunca suportaria isso. Eu tampouco. —Po ssivelm ente nã o d e um estra nho , m a s a c red ito q ue c o nhec e m uito bem a esta Mistral em particular — explicou Syreena. —Sente sa ud a d es d ela — d isse Elija h, vo lta nd o -se p a ra o lha r p a ra b a ixo à c a ra em p o la d a d e sua noiva , enrug a nd o a fro nte em d o r em p á tic o p o r ver sua bonita pele danificada. —Era uma Mistral específica. Perguntou por ela pelo nome. Se só pudesse recordar seu nome… —Windsong — Da m ien d isse d e rep ente, o s o lho s esc uro s ilum ina nd o -se com entendimento. — Seu nome era Windsong? —Sim! —Syreena exclamou— De um povo na França chamado… —Brise Lumineuse — terminou Damien. —Co m o sa b e isso ? —Exig iu Syreena , m o stra nd o c la ra m ente sua c o nc lusã o d e q ue o Va m p iro tinha c o nseg uid o a info rm a ç ã o d e sua m ente embotada. —Co m o p ensa q ue so b reviveu à enferm id a d e q ue te fez o q ue é, Syreena? Syreena a b riu a b o c a q ua nd o a vo z ro uc a d e Siena ro m p eu b rusc a m ente d e sua d a nific a d a g a rg a nta . Distra íd a d o s ho m ens q ue a o lha va m , leva nto u sua m ã o à b o c a e c o rreu p a ra a jo elha r-se a o la d o d a c a m a d e sua irm ã . Ao fina l, d eixou c a ir à a rm a , p a ra a lc a nç a r e to m a r a m ã o d a Ra inha . Entã o p a rec eu p ensa r-lhe m elho r q ua nd o o lho u a p ele d a nific a d a d o s d efo rm a d o s d ed o s. Pelo c o ntrá rio , fo ra m sua s a livia d a s lá g rim a s a s q ue tocaram a pele. —Siena — sussurrou—, nã o fa le. Deve c o nserva r sua fo rç a — d isse brandamente. Siena fez um a inc lina ç ã o b reve e entã o se vo lto u p a ra o lha r a seu m a rid o . Sim p lesm ente a visã o d e seu ro sto a tra nsto rna va c o m o na d a m a is p o d ia . Sentia a lívio, a leg ria , e um a d úzia d e o utra s em o ç õ es esmagadoras q ue esm urra va m o s p ensa m ento s d o Elija h c o m a c la rid a d e d o c rista l d o c o ra ç ã o . Ele a a lc a nç o u, c o lo c a nd o o s d ed o s em seu c a b elo c resp o , o s


b rinc o s em b o ta d o s envo lvend o im ed ia ta m ente seu p ulso , lhe a g a rra nd o fracamente da única maneira que ela poderia sustentá-lo. —Sinto-o muito. —Disse em voz alta e mais áspera ainda. —Shh — a a livio u, a lc a nç a nd o p a ra esfreg a r o c a b elo d esc o lo rid o contra seus lábios. — Não te fatigue. Escuta a Syreena, gatinha. Agitou a cabeça. —Elijah… Sua vo z era d éb il, m a s a o ig ua l q ue ela , filtro u-se b ra nd a m ente p elo s pensamentos do Elijah, fortalecendo-se. —Se relaxe, gatinha. Faz o que sua irmã diz. “ Não. diga-lhe q ue traga a Wind so ng . Lo g o lhes tire a m b o s. Prec iso fa la r contigo.” —Diz se pode conseguir ao Windsong para ela. Syreena pode fazê-lo? —Sim.A Fra nç a está a tã o so m ente a um a s b o lha s term a is d e d istâ nc ia , amor —Syreena disse ansiosamente a sua irmã. — O resto e eu voltaremos o mais breve possível. To d o s o s o lho s se vo lta ra m p a ra seg uir a Lic á ntro p o q ue sa lto u c o m p erig o so a b a nd o no p ela ja nela , tra nsfo rm a nd o -se a m eio c a m inho d e humano a falcão sobre o batente. —Assombroso — Damien se maravilhou, voltando-se para olhar à Rainha. — Entã o a s histó ria s sã o c erta s. Fo i Wind so ng q uem sa lvo u a vid a d e sua irm ã . Sem p re tinha p ensa d o q ue era um m ito, a té q ue c o m ec ei a o uvir os informes q ue rec entem ente d irig ia a um a fêm ea insó lita d e Lic á ntro p o c om o sua irmã. Borbulhas térmicas Ag o ra q ue a vi… — Da m ien a g ito u a c a b eç a , o lha nd o a tra vés d a ja nela com desconcerto. — É magnífica. —Damien, Noah está no Grande Vestíbulo. Desejaria verte. —Tinha p ensa d o lhe ver, d ep o is d e te fa zer m inha s sug estõ es — O Va m p iro o lha va d e um a o o utro c o m um a g ud o e esc uro o lha r, o s ra sg o s aristocráticos em uma expressão de perplexidade durante um momento. — Nunc a tinha p ensa d o ver sem elha nte Vinc ula ç ã o . Esta é d e fa to um a nova era. Pode lhes vir bem a ambos. Que vá bem, aos dois.


Entã o o Va m p iro utilizo u o c o stum e c o nvenc io na l d a p o rta , e d eixo u a o c a sa l a só s. Elija h vo lto u im ed ia ta m ente p a ra sua esp o sa . Vend o e sentind o sua d o r, o c o ra ç ã o c o m eç o u a lhe d o er litera lm ente, e nã o tinha na d a q ue ver com suas feridas. “ Deve m e d eixa r te d izer o m uito q ue o sinto , resfo leg o u ra p id a m ente dentro de sua mente.” “ Haverá tempo para isso. Depois, insistiu.” “ Já perdi muito tempo, Elijah.” Estirou-se p a ra ele, estrem ec end o q ua nd o a p ele ferid a se estic o u, ra c ha nd o p elo s lug a res sensíveis q ue tinha m p erd id o a ela stic id a d e a o estendê-las ferventes á g ua s veneno sa s. Elija h c o nseg uiu d etê-la , a p a lm a d a m ã o c o ntra a s sua s. O c o nta to se sentia tã o rea l tã o p recioso e b o m , q ue nã o p o d eria o b rig a r-se a a fa sta r-se d e no vo . Cla ra m ente ela sentia o m esm o , o s dedos entrelaçados com os seus, esquecendo quanto lhe tinha doído. “ Tenho-te feito m a l, tã o egoísta, so luç o u, a s lá g rim a s c a ía m d o s o lho s, assim como sua emoção se triplicava através dele.” “ Nã o , insistiu, sua vo z m enta l ig ua lm ente a fo g a d a p ela p reo c up a ç ã o d e vê-la ferid a em q ua lq uer m a neira . Nã o se p reo c up e p o r m im , gatinha. Nã o me tem feito mal.” “ Não minta a quem conhece seu coração.” Entreta nto ela se neg o u terc a m ente a rec o nhec ê-lo. Esforçou-se p o r resp ira r, e ele se inc lino u a ind a m a is p erto , a p oia nd o -se so b re ela a té q ue estiveram olhando-se profundamente nos olhos úmidos do outro. —Não faça isto — rogou bruscamente. — Nã o m e d ig a isto , p o rq ue p ensa q ue va is m o rrer. Nã o te d eixa rei m e abandonar. Tenta ste p o r to d a s a s via s m e evita r e, nã o te p erm itirei ir a g o ra que finalmente consentiste. La nç o u um a resp ira ç ã o inseg ura , tra ta nd o d e rea firm a r a vo z dilaceradora. Aproximou a mão enredada no cabelo a seu rosto, embalandoa, enquanto escovava com o dedo polegar os lábios secos. — So b reviverá a este d ia e c a ç a rá a o resp o nsá vel p o r isto c o m ig o , a m eu la d o , o nd e p ertenc e, a g o ra e em c a d a m o m ento d o futuro . So b reviverá a esta ferid a e esta rá um a vez m a is em m eus b ra ç o s, sentind o m eu to q ue e meu beijo em sua preciosa pele, a suavidade que nunca deixará de me voltar louco.


As lá g rim a s d e Siena c a íra m p o r seu c a b elo , enq ua nto Elija h toc a va o s lábios ressecados. —Sobreviverá a isto para me dizer que me ama da mesma forma em que eu c heg uei a te a m a r. Co m vo z fo rte, c o m a luz q ue b rilha em seus fo rm o so s o lho s, e seu c o rp o a g a sa lha d o a o red o r m eu, ig ua l sua a lm a está envo lta a o redor de meu coração. Inc a p a z d e fa zer na d a m a is, Siena sim p lesm ente a ssentiu. De no vo a lcançou a agarrar suas lágrimas com as pontas dos aprazíveis dedos. —Não chore gatinha. Sabe que me mata quando o faz. “ Entã o d eixa d e m e fa zer c ho ra r essa s lá g rim a s, Elija h. Nunc a tenho feito tal coisa, até que m e vinculei com você.” —Então certamente sou culpado, amor. Assim como você é culpada das minhas — so rriu c o ntra seus d ed o s q ua nd o o s b eijou b ra nd a m ente na uniã o com os seus. — Reduziste-me a uma mulher emocional. —Suspirou. Siena riu, to ssind o g ra vem ente um insta nte d ep o is, d esa p a rec end o o humor em seus olhos. —Shh — a acalmou incansável. Ela c a b ec eo u, exa m ina nd o seu ro sto d ura nte um c om p rid o m inuto, c o m o se o m em o riza sse. Estend eu o s d ed o s, a c a ric ia nd o sua b o c a m eig a m ente. Os o lho s, em o ç õ es e p ensa m ento s esta va m c heio s e tra nsb o rd a ntes d e sentim ento s p a ra ele, e fez q ue seu c o ra ç ã o p ulsa sse a o senti-lo . Ma s c o m o p ro m eteu, nã o d isse na d a , e nã o d iria na d a , a té o m o m ento em q ue p ud esse c o m p reend er sua ra zã o . No m o m ento , exa lo u, fec ha d o o s o lho s, e flutuo u no so no , o s últim o s p ensa m ento s reza va m urgentemente à Deusa pelo retorno veloz de sua irmã. Quanto mais cedo pudesse sustentá-lo de novo, melhor. Gid eo n sub iu a p ro xim a d a m ente vinte m inuto s d ep o is q ue Da m ien tivesse d eixa d o a No a h, q ue ha via reto rna d o a o la d o d a c a m a d e sua irm ã p a ra controlar seu esta d o . O m éd ic o a ind a esta va a p ena s b em p a ra c a m inha r, mas como Elijah, não podia ser atendido pelo companheiro que o necessitava o mais breve possível. No a h se so b ressa lto u p ela surp resa a o entra r Gid eo n no q ua rto . O m éd ic o era p o d ero so , m a s No a h nunc a tivesse susp eita d o q ue pudesse vo lta r da beira da morte tão rapidamente.


—Nã o é nenhum m ila g re — d isse Gid eo n b rusc a m ente, q ua nd o c a m b a leo u a o la d o d e sua esp o sa , senta nd o -se junto a o c o rp o im ó vel no colchão. Levou rapidamente seu rosto entre as mãos, tratando de analisar sua fisiologia. — Simplesmente minha usual habilidade de sanar. Gid eo n leva nto u a m ã o p a ra so sseg a r a s extensa s p erg unta s o u c o m entá rio s d o Rei, fec ha nd o o s o lho s a o tenta r c o nc entra r-se em d esfa zer seu p ró p rio d ifíc il tra b a lho . No a h o b servo u c uid a d o sa m ente c o m o Gid eo n c o m eç o u a sua r, sentind o a energ ia d o Anc iã o q ue se d esva nec ia rapidamente, enquanto Legna permanecia tão imóvel como nunca. Tã o d isc reta m ente c o m o p ô d e, No a h a lc a nç o u m enta lm ente a seu c unha d o , d rena nd o d eva g a r sua energ ia nele. O fluxo se a m p lio u exp o nenc ia lm ente d ura nte o s p o uc o s m inuto s seg uintes, a té q ue o to m c inzento d esa p a rec eu c o m p leta m ente d a tez d o Gid eo n. Em seg uid a rec up ero u seu to m no rm a l d e p ele m o reno, energ ia fa isc a nd o em abundância através dele. Noah d eixo u d e em p urra r a energ ia p a ra o Anc iã o q ua nd o c o nseg uiu rec up era r a c o nexã o q ue tinha c ria d o entre eles. Exa lo u q ua nd o se a p a rto u, inc lina nd o a c a b eç a p a ra estira r o s m úsc ulo s q ue ha via m fic a d o d uro s na p a rte d e a trá s d o p esc o ç o . Olho u c o m a sso m b ro c o m o a s ferid a s d o Gid eo n d a s m ã o s, p eito, e rosto c o m eç a ra m a curar a um a velo c id a d e impressionante. Legna mostrou a primeira respiração em horas. No a h fez um so m d e a lívio q ua nd o a viu ressonar. Ela se m o veu, b o c ejou amplamente, como se tudo o que tivesse estado fazendo fora dormir. Os olhos chapeados se abriram, procurando o reflexo em seu companheiro. Sorriu-lhe e p ro c uro u sua b o c a c o m a sua . Beijo u-lhe c o m ternura e a feto , ig ua l a fa zia to d a s a s m a nhã s q ua nd o d esp erta va . Nã o fo i a té q ue ele ro m p eu o b eijo e a a rra sto u q ua se d esesp era d a m ente a seus b ra ç o s, q ue c o m p reend eu q ue a lg o esta va m a u. Esta va a p a vo ra d o , o u sim p lesm ente lib era nd o d o terro r, o s pensamentos e o coração se amontoavam em um tumulto de medo e alívio. Deva g a r c o m p reend eu q ue esta va na ha b ita ç ã o d e sua infâ nc ia e q ue seu irm ã o esta va ig ua l, c o m resp ira ç õ es á sp era s d e a lívio , a p a rta nd o -se d a c a d eira e c a m inha nd o p a ra o lha r p ela ja nela , em um esfo rç o p o r esc o nd er a em o ç ã o q ue lhe a rra sa va . Ma s nã o p o d eria esc o nd er d e sua em p a tia perspicaz, sem importar onde, ou o longe que se distanciasse dela. Entre os dois, Legna se curvou.


—Que a c o ntec eu? —Perguntou a g a rg a nta a p erta d a p elo s sentim ento s não derramados. —Tud o está b em , Nelissuna — Gid eo n a so sseg o u b ra nd a m ente, enterrando o rosto em seu cabelo de seda. — Você está bem, o bebê está bem, e nós agora estamos a salvo. No a h c la ra m ente nã o p o d ia a g üenta r esc uta r um m o m ento m a is. Sem um a p a la vra , g iro u e d eixo u o q ua rto . Ma g d a lena sentia c o m o sua d o r se retorcia no peito como uma faca, e ao senti-lo ela, Gideon o sentiu. Apartaram-se p a ra insp ec io na r a seu m a rid o m a is c uid a d o sa m ente, elim ina nd o m om enta nea m ente a p reo c up a ç ã o p o r seu irm ã o , vend o o pad rã o d a s m a rc a s na p ele rec entem ente curada do rosto, braços e peito do Gideon. —Gid eo n! O q ue a conteceu! —exig iu c o m um esterto r, o s o lho s fina lm ente se um ed ec era m q ua nd o tud o o q ue sentia a p a rec eu em sua cabeça. — Por que se assustou Noah? Por que estas ferido? Gideon exalou uma respiração larga, e então começou a lhe contar.

CAPÍTULO 16

O fa lc ã o p ereg rino revo o u d entro d a sa la , a terrisso u no resp a ld o d e um a c a d eira e, sa c ud iu a s a sa s e p lum a s. Po uc o d ep ois, seg uiu-lhe um a so litá ria p o m b a esc ura , c o m um a fo rm o sa c o m b ina ç ã o d e p lum a s to rra d a s e cinza clara. A p o m b a p o so u no a ssento d a c a d eira sem m ed o , c o m o se o fa lc ã o so b re ela nã o fo sse um p red a d o r na tura l d ele e, im ito u o m urm úrio d e p lum a s que fez o falcão. Mo m ento s m a is ta rd e, Syreena esta va em p é a trá s d a c a d eira e a p o m b a se c o nverteu em um a frá g il jo vem d e c a b elo sua ve m a rro m , vetea d o em c inza , e g ra nd es o lho s a zuis q ue p a rec ia m tã o ino c entes e a m p lo s c o m o o s d e um m enino . Leva va um vestid o d e sua ve a lg o d ã o b ra nc o ; a d iferenç a d a Princ esa q ue teve q ue rec up era r o vestid o d e o nd e tinha caído, a o tro c a r antes sobre o batente. Siena esta va ro d ea d a d e p esso a s neste m o m ento , b enzend o a esc urid ã o q ue lhes tinha p ro teg id o p o r c o m p rid o m o m ento p a ra entã o e, q ue c o m ela , tro uxe no va fo rç a a o s Demônios e Lic á ntro p o s. Syreena nã o tinha


p erd id o tem p o em g uia r Mistra l d e vo lta , sa b end o q ue se nã o se a p ressa va , p o d eria m ter sid o o b rig a d o s a a tra sa r a via g em p a ra evita r a luz d o d ia . A fêm ea Mistra l tinha sua s p ró p ria s rea ç õ es a d versa s a o ho stil so l Nig htw a lker. Felizm ente, a p o m b a esc ura p o d ia q ua se ig ua la r a o im p la c á vel vô o velo z d o fa lc ã o , ra lentiza nd o a p ena s a via g em d e vo lta em um a s p o uc a s m ilha s p o r hora, ou menos. A Sereia Mistra l se erg ueu em seus p és d esc a lç o s, a sua ve eleg â nc ia d o s m o vim ento s fic o u p a tente p a ra to d o s o s q ue a vira m . A feitic eira b eleza e fra g ilid a d e era m b a sta nte extra o rd iná ria s, ta nto p a ra ho m ens c o m o p a ra m ulheres, o s m o vim ento s e a p erfeita o nd ula ç ã o d o c o rp o , um a eleg a nte sinfo nia d e d elic a d eza . Dizia-se q ue o Mistra l p o d ia la nç a r feitiç o s c o m sua b eleza , a ssim c om o c o m sua c a nç ã o , e vend o esta frá g il c ria tura , o resto d o Nightwalkers acreditou. Siena era a o q ue parecia a q ue m a is se expôs a esta iso la d a ra ç a , to d o m und o o lho u c om interesse e fa sc ina ç ã o c o m o a m ulher se a p ro xim o u d eles, o sua ve c a b elo flutua nd o em um a nuvem a o red o r d o s o m b ro s enq ua nto se movia. —Windsong — sa ud o u Siena c o m um c hia d o . Só esta va vend o ligeiramente melhor, aliviada pela escuridão. Elija h a ind a esta va senta d o a seu la d o , o s d ed o s p erm a nec ia m enla ç a d o s no s seus. Só a g o ra , c uro u-se q ua se à p erfeiç ã o . As ferid a s d e b a ta lha tinha m sid o ig nora d a s to d o este tem p o d e c ura , já q ue Gid eo n lhe tinha visita d o d ireta m ente d ep o is d e ter d evo ta d o c ura e sua versã o d o s fa to s a sua companheira. A Sereia se d eteve um m o m ento p a ra to m a r no ta d e to d a s a s p esso a s a o red o r d o leito d e d o ente d a ra inha . Pisc o u fa zend o retro c ed er o m ed o p a ra o s estra nho s, surp reend end o à d elic a d a a tenç ã o d a Leg na . Sentiu a g ra nd e a nsied a d e, m a s p o r c im a d isso , sentiu a d ívid a d e g ra tid ã o e sinc era em o ç ã o q ue sentia Wind so ng p a ra Siena . A Mistra l sentiu a d o r c la ra e q ua se debilitante, a o ver p ela p rim eira vez o esta d o d e sa úd e d a Ra inha . Pa ra o s sentid o s exp erim enta d o s d a Leg na , era c o m o se a c ria tura fo sse empática, m a s físic a m a is q ue m enta l. Pa rec ia esta r sentind o p ro fund a m ente a s lesõ es, na maneira em que Legna sentia tristeza ou a alegria de outro ser. Wind so ng se a p ro xim o u d o g rup o , c o lo c a nd o um d ed o p a ra silenc ia r seus lá b io s enq ua nto o b serva va expressivamente a s ferid a s d a Ra inha . Olho u


d e Siena a Syreena e, c o ntinua nd o , g iro u c o m um a silenc io sa so b ra nc elha levantada. Elijah se sentou brandamente. —Ela d iz, Sim , é a Princ esa q ue sa lvo u c em a no s a trá s — c o m ento u p o r sua companheira, já que falava em sua mente. A exp ressã o d a Mistra l se vo lto u surp resa e esp ec ula ç ã o q ua nd o o lho u ao Demônio g uerreiro e à Ra inha . Sua b o c a c o m p leta m ente surp reend id a passou a um sereno sorriso. —Sim — d isse Elija h d e no vo , c o nvertend o -se na únic a vo z d e Siena —, estamos emparelhados - Logo, claramente falou por si mesmo. — Pode ajudá-la? Tem uma tremenda dor. Um a vez m a is, a b so luta m ente silenc io sa, a Sereia olhou a Gideon, Legna, Syreena, e Anya. Os enormes olhos de porcelana azul voltaram logo depois de volta a Siena. —Quer q ue to d o s sa ia m , sa lvo ... sa lvo o "m enino -estrela "— exp lic o u Elijah, soando desconcertado quando todo mundo lhe olhou logo que o disse. — Quem é o menino-estrela? A Sereia so rriu no va m ente, o ro sto a ng élic o se ilum inou q ua nd o o lho u a Leg na e lhe to c o u b ra nd a m ente o ro sto c o m seus eleg a ntes d ed o s. Lo g o descendeu até tocar delicadamente o ventre da Legna. —Fala do bebê — murmurou Gideon cuidadosamente. — Filho-estrela? —Siena ta m p o uc o o entend e b em — d isse Elija h c o m um enc o lhim ento de ombros. —Co m o se c o m unic a Siena c o m ela ? —p erg unto u Anya , tã o estup efa ta pelo intercâmbio como o resto. —Telep a tia tra nsm itid a entre ela s d evid o A... —Elija h fra nziu lig eira m ente a fro nte. — O canto Espiritual. O que é um canto Espiritual? A Sereia se m o veu m a is p erto d e Siena , c a b ec ea nd o c o m o se p ed isse p erm issã o , q ua nd o se sento u b ra nd a m ente na c a m a . Elija h nem seq uer sentiu o p eso no c o lc hã o , nã o tro c o u o m a is m ínim o q ua nd o o fez. Concentrou-se nos pensamentos de Siena, lhe enchendo a mente com explicações. —O c a nto Esp iritua l é um interc â m b io entre um Mistra l e o utro ... Onde um a p a rte d o esp írito d e um , é tom a d o em em p réstim o p a ra a jud a r a curar a o utro . Neste c a so , Syreena fo i o d estina tá rio d esse esp írito c o m p a rtilha d o ,


q ua nd o Wind so ng livrou em p resta d o d e Siena o esp írito p a ra c ura r a d o enç a d e sua infâ nc ia fa z d éc a d a s. Deixo u Wind so ng e Siena c o m um a c o nexã o telepática que aparece cada vez que seus espíritos se aproximam. —Co m o é q ue a lg um a vez o uvi fa la r d isso ? —p erg unto u Syreena assombrada, olhando de sua irmã à enigmática Sereia. —Ao ser um interc â m b io íntim o e sec reto , Siena nã o lhe p erm itiu c ontá -lo até que lhe deu permissão — então Elijah olhou a Mistral, perguntando. — Diz que preciso ficar. Entendo-o, mas por que Legna? Ho uve silenc io entre o s enla c es d o trio telep á tic o e, d ep ois, Elija h o lho u a Legna. —Diz que me necessita para o canto Espiritual, para pedir emprestado de m eu esp írito e sa na r a Siena . Co m o seu c o m p a nheiro , sou o m elho r candidato. —Mas — Syreena começou. —Diz q ue sã o m uito c om p lic a d o s p a ra ser p a rte d isto , q ue sua dupla exp o siç ã o a o s esp írito s, a tua e a d e Siena , fo i resp o nsá vel p ela a ltera ç ã o em seu c ó d ig o g enétic o . Nunc a a ntes tinha m etid o o c a nto Esp iritua l p a ra o Lic á ntro p o s e, foi um efeito sec und á rio inesp era d o . So u... —p ro c uro u a s palavras— neste m o m ento esto u c o m p a rtilha nd o m eu esp írito c o m o d e Siena , a o ig ua l q ue ela c o m p a rtilha o m eu, p elo q ue ha verá m eno s possibilidades de efeitos negativos. —Assim nã o é um m éto d o infa lível. Po d e ser d a ninho ? — Perg unto u Gideon - faz me perguntar se a presença da Legna o será ainda mais. —O perigo é só para mim e Siena — continuou Elijah. — Diz q ue o filho -estrela p ro teg erá a Leg na e que... —Elija h p isc o u e o lho u a Siena p o r um c o nfuso m o m ento , d eixa nd o c la ro q ue nã o p o d ia entend er o q ue esta va tra ta nd o d e lhe d izer nesse insta nte. Qua nd o fa lo u, ainda soava confuso. — Diz que deu permissão a seu filho para escutar o canto. Elija h riu c o m inc red ulid a d e. Quer d izer, a té q ue viu a exp ressã o d o Gid eo n. Leg na se g iro u p a ra trá s p a ra to m a r a m ã o d e seu m a rid o , o s olho s cada vez mais amplos, percebendo os assustados pensamentos. —Sa b e q ue é um m enino — d isse em vo z a lta . De rep ente, o m éd ic o se deu conta de que havia mais poder e capacidade nesta enigmática espécie, da que tinha chegado a conhecer inclusive durante sua larga vida.


— Nã o p o d ia m eno s q ue a verig uá -lo to c a nd o a m inha esp o sa , um a vez c o m p reend i q ue esta va g rá vid a , e, é o b vio, log o q ue so ub e, so ub e Leg na . Dec id im o s q ue nã o o d iría m o s a ning uém p a ra lhes d a r um a surp resa . Ma s sup o nho q ue já nã o é um p ro b lem a . —Gid eo n o lho u à Sereia entrec erra nd o os perplexos olhos de mercúrio. — Co m o p o d e fa la r c o m um m enino nã o na sc id o ? Po d e q ue nã o sa ib a muito sobre sua espécie, mas o feto é de apenas seis meses. —Não falei com bebê. O bebê me falou. Fo i a p rim eira vez q ue utilizo u sua vo z e, im ed ia ta m ente, to d o m und o entend eu a ra zã o . Era d o c e e m usic a l, c heio d e c a d a a leg ria e c a d a tristeza q ue tinha c o nhec id o em sua vid a . Tratava-se d e sed uç ã o e b em -esta r. Era fa sc ina nte, d e to d a s a s m a neira s em q ue um a c ria tura d e p ura b eleza p o d eria ser. To d o m und o esta va c a tiva d o c o m ela , o feitiç o se estend eu, capturando-os em silencio durante um comprido minuto. Gideon foi o primeiro em normalizar a respiração. —Meu filho te fa lo u? —Perg unto u m a is o u m eno s, sua m ã o p ro c ura nd o c o b rir o ventre d a Leg na . Nã o ho uve exp lic a ç ã o p a ra a sensa ç ã o d e assombro e júbilo que percorreu ao casal. —Diz... —Elijah se deteve para esclarecê-la garganta. — Diz q ue seu filho é um ser p o d ero so e q ue lo g o será c a p a z d e fa la r c o ntig o, inc lusive d o ventre m a terno . Diz... —Elija h se enc o ntro u sorrindo, a p esa r d e si m esm o — d iz q ue tem o p o d er d e seu p a i e o tem p era m ento d e sua mãe. Legna riu inc a p a z d e d eter-se q ua nd o o p ra zer a p erc o rreu. Voltou-se para o Gideon e lhe beijou, a emoção e o entusiasmo transbordando-a. —Quero ficar. —declarou. Um a vez q ue a ha b ita ç ã o se lim p o u, exc eto a p a c iente, seu companheiro , e a fa sc ina d a m ã e d o c ha m a d o m enino -estrela , Wind so ng to c o u b ra nd a m ente o c a b elo d e Siena , esta la nd o c o m a líng ua p ela debilitação e fragilidade dos habitualmente brilhantes cachos. So rriu, toc a nd o a o c a sa l q ue m a ntinha a ind a a s m ã o s junta s, a ssentindo um a vez. Era evid ente q ue q ueria q ue p erm a nec essem unid o s d essa m a neira , e era algo bom, porque Elijah não tinha intenção de soltá-la. Seu c o ra ç ã o c o rria a o m esm o tem p o d o d e Siena , a p esa r d o s intento s d e tra nq üilizá -lo . Nã o g o sta va d a id éia d e esta r d esp ro teg id o ; c o nfo rm e foi


informad o q ue se fa ria . Ma s se p reo c up a va m a is p elo b em -esta r d e Siena q ue pelo seu, chegados a esse ponto. A ansiedade era só natural. O p rim eiro so m q ue b ro to u d a Mistra l foi um zum b id o , um a inq uieta nte vib ra ç ã o d e sua p ró p ria invenç ã o . Só um m inuto d ep o is Siena , Elija h, e Leg na caíram na profunda cura do sono. Nenhum deles recordaria nunca o que passou depois. Nenhum sa lvo o m enino nã o na sc id o, q uem d e to d a s a s fo rm a s, nã o podia obsequiar com nenhum secreto. Leg na a b riu o s o lho s lenta m ente e, to m a nd o um a p a usa , so ub e im ed ia ta m ente q ue nunc a ha via se sentid o tã o d esc a nsa d a , tã o em c a lm a , c o m o esta va nesse m o m ento . Tud o isso a p esa r d o s a no s d e p ra tic a r meditação, com o que conseguia um estado similar. Observou o pálido e belo ro sto so rrid ente inc lina d o so b re ela . Wind so ng to c o u o ventre d a Leg na e sem fa la r, envio u em o ç õ es d e c a lid ez, g ra tid ã o e a leg ria a b so luta a em p á tic a mulher Demônio. Leg na entend eu, em b o ra a to rd o a d a . A Sereia lhe esta va a g ra d ec endo pelo privilégio anterior de poder cantar a seu bebê. —Não há de que — disse Legna brandamente. — Estã o b em ? — Perg unto u, jog a nd o um a o lha d a a o c a sa l q ue a g o ra dormia na cama, meigamente curvado um sobre outro. A grande forma de Elijah bloqueava a Legna a vista de Siena. A mulher Mistral assentiu e sorriu mais amplamente. Lo g o inc lino u a c a b eç a , a nuvem d e leve c a b elo se m o veu c o m um redemoinho. —Hei p red ito o futuro d e seu filho — d isse b ra nd a m ente—, e p o rq ue é teu, permitir-te-ei c o nhec er e rec o rd a r q ua nd o estiver d e no vo c o nsciente — pegou o ro sto m a g ro e a turd id a d a Leg na entre a s m ã o s frias, sa b end o d e q ue a em p á tic a flutua va já no m und o d o sub c o nsc iente a o q ue sua vo z lhe tinha enviado. — Seu bebê vai conduzir a seu povo a uma nova era, ao igual que a que c heg o u a ntes q ue ele. Junto s vã o tro c a r o m und o q ue c o nhec e. Co nd uzirã o a o utro s m eninos q ue vêm neste m o m ento d e m ud a nç a , a um m ilênio d e no tá vel d estino e felic id a d e. Nisto ja z m eu futuro ta m b ém , e te esto u a g ra d ec id a p o r c ria r a o q ue o o b terá . Rec o rd a m inha p ro fec ia q uando passarem os séculos — encarregou brandamente. — Pode te dar a felicidade que me deu.


Lo g o , sem esp era r a q ue a m ã e Demônio se rec up era sse, a Mistra l se tra nsfo rm o u na p o m b a esc ura e vo o u p ela ja nela , b a la nç a nd o -se lo ng e no vento, como se a pura alegria de suas asas levantasse os céus. Leg na so rriu q ua nd o vo lto u p a ra a consciência. Esq uec end o to d o o resto , sa lto u d e sua c a d eira a tira nd o -a d esc uid a d a m ente, a o c o rrer p a ra encontrar a seu marido e lhe dizer tudo o que podia recordar. Elija h d esp erto u c o m a ra d ia nte sensa ç ã o sua ve d e um a exub era nte boca roçando a sua. Ab riu o s o lho s e, c o ntinua nd o , a b riu-o s um p o uc o m a is a o ver o o lha r fa m ilia r d o ura d o d e sua resp la nd ec ente c o m p a nheira cheia d e vid a , e a travessura em seu rosto ruborizando-a em ouro e rosa. Um ro sto c ura d o d e to d a a m p o la , só p ele no va q ue lo g o vo lto u p a ra a no rm a lid a d e, p rec io sa , b eleza d o ura d a , um a vez m a is, no q ue p ro m etia ser apenas um segundo. —Vê-te c o m o o inferno — c o m ento u Siena so b re sua b o c a , m a s no habitual tom rico, sem defeitos nem lesões. Ele se sentiu glorioso. Elija h a g a rro u a s m a nta s e a s tiro u, a s a p a rta nd o enq ua nto se senta va em c im a e insp ec io na va d a c a b eç a a o s p és, m o vend o a s m ã o s so b re o q ue ia vend o , c o nfirm a nd o seu esta d o d e c ura c o m o ta to , a ssim c om o c o m a vista, provando. —Está tra ta nd o d e m e a c end er? —Perg unto u fra nzind o a b ro nzea d a frente brilhante, em humor claramente sensual. Quã o últim o to c o u foi o tênue b rilho, elá stic o , e OH, tã o estim ula nte c a b elo enc a ra c o la d o entrela ç a d o a tra vés d o s d ed o s, enq ua nto um eno rm e sorriso se estendeu por seu rosto. Siena se sentou, esfregando o nariz contra o seu. —É um sim ? —Perg unto u, ento rta nd o o s o lho s enq ua nto tra ta va d e lhe enfocar. —Está inc rível... —inalou a s m ã o s em o ld ura nd o o ro sto c o m a vid ez, o á sp ero c a lo r d a p a lm a d essa m ã o tã o fa m ilia r já , tã o m a ra vilho sa m ente necessária para sua felicidade, que sorriu mais amplamente. —Ac red ito q ue p a reç o um leo p a rd o — a ssina lou, to rna nd o -se p a ra trá s p a ra insp ec io na r o s b ra ç o s e p erna s nus. Lo g o c o m um m a lic io so so rriso q ue brotou magnífico nos lábios. — Quer jogar a unir os pontos?


Elija h jo g o u p a ra trá s a c a b eç a leo nina e riu p rofund a m ente d o ventre, a p erta nd o o a b ra ç o tã o estreita m ente q ue a d eixou sem fô leg o , rindo inc lusive q ua nd o c o b riu a b o c a c o m um b eijo , ta tua nd o a a lm a q ue a fa zia sentir-se aturdida e alegre. O so m a o a b rir a p o rta lhes fez sa lta r, a p a rta nd o -se. Elija h instintiva m ente a tiro u p a ra trá s a s m a nta s so b re o c o rp o d e sua esp o sa nua , enq ua nto ela limpava a culpada boca úmida. Ele sujeitou as mantas para beliscá-la por isso, fazendo que o "Olá” a sua irmã e a seu General, saísse meio gritado. —Siena! Está muito bem! —Syreena saltou felizmente, correndo a abraçar a sua irm ã p o r um la tera l, enq ua nto Anya se a p ressa va p elo o utro . Elija h teve que apartar-se para evitar ser esmagado pelo matagal de mulheres. —Hey! Tive esta fantasia antes! Elija h riu e p ro c uro u Bela , a b rind o o s b ra ç o s im ed ia ta m ente e fa zend o g esto s p a ra eles. Ela sa lto u a seu a b ra ç o enc a nta d a , lhe estreita nd o tã o fo rte como ele a abraçou. —Obrigado — murmurou brandamente em seu ouvido. — Ob rig a d o p elo q ue fez. Entreta nto , c o m o seu p ro fesso r, d evo te d izer que não volte a fazê-lo — disse arreganhando-a ferozmente. —Tra to feito — d isse c o m veem ênc ia , enq ua nto virtua lm ente lhe estrangulava com a demonstração de seu carinho. —E eu q ue p ensei q ue vo lta ria a b o rrec id o um a vez q ue te c a sa sse — a ssina lou Ja c o b sec a m ente a o Gid eo n e Leg na , q uem enc hia a p o rta c o m sua presença. —Ab so luta m ente nã o — d isse Gid eo n inesp era d a m ente, fec ha nd o o s b ra ç o s a o red o r d e sua esp o sa , a o entra r na ha b ita ç ã o c o m intenç õ es d e unir-se aos carinhosos festejos. —Essa , a c red ito , é m inha linha — resp o nd eu Ja c o b c o m um a risa d a a fo g a d a , enq ua nto se a p ro xim a va p a ra rec up era r Bela , a ntes q ue seu abraço ao Elijah privasse de oxigênio por mais tempo. Ca ía m à c a m a m ulheres p o r to d o s o s la d o s, to d o m und o ta g a rela va intercambiando a mesma história de uma vez. Até q ue No a h p ig a rreo u c o m a g a rg a nta na p o rta , e fez um a declaração suave: —Senhoras, senhores, acredito que temos uma caça nos esperando.


CAPÍTULO 17

—Aq ui é o nd e o s ra streo u? —p erg unto u Siena b ra nd a m ente, ento rta nd o o s o lho s d e m o d o q ue sua visã o p enetra nte se c o nc entra sse no b o sq ue debaixo de sua vigia na ladeira da montanha. — Não há sequer cento e sessenta quilômetros desde meu castelo. —E apenas trinta e dois de onde fui atacado — acrescentou Elijah. —Nã o sei vocês m enino s, m a s isto m e p a rec e terra c ultiva d a — comentou Isabella, sustentando outra vez os binoculares. — Jacob, retrocede, está fazendo essa coisa imprecisa. Ela se estiro u p a ra trá s p a ra lhe a p a rta r, e o Exec uto r, q ue nã o nec essita va ta is d isp o sitivo s p a ra ver na d istâ nc ia , a p a rto u-se c o m o lhe p ed iu. Co ntinuo u lend o a tenta m ente a m esm a á rea q ue ela d e um a d istâ nc ia acrescentada. —Ah, m elho r — disse Isa b ella , c la ra m ente c o ntente d e ser c a p a z d e usa r a invenção humana. —Ac red ito q ue Bela tem ra zã o . Os usuá rios d a m a g ia tã o p erto d o tro no d e p o d er d e Siena ? Arrisc a nd o -se p ro fund a m ente em territó rio Lic á ntro p o ? — Elijah sacudiu a cabeça. — Quem poderia ser? —Uma linha de busca. Esse c o m entá rio fez q ue to d o s se vo lta ssem a o lha r a Gid eo n, q ue se inc lina va p a ra trá s d esp reo c up a d a m ente c o ntra o ro sto d e ro c ha , seus p és casualmente cruzados nos tornozelos. —Vo ltem a o lha r p a ra trá s, m a is à frente d o a campamento — instruiu ele—, vêem a terra ? Foi tra b a lha d a c o m o o c a m p o d e um a g ric ulto r, inc lusive m a is p rofund a m ente em a lg uns lugares. Já sa b e q ue um a vez p a ssei m a is d e um séc ulo d e m inha vid a p erseg uind o a s histó ria s a ntig a s e c ultura s d a m ed ic ina . Nã o a firm o ser um p erito so b re esc a va ç ã o , m a s a q ueles sulc o s no c a m p o se p a rec em m uito a o s q ue c a va ria um a rq ueó lo g o . Pa rec e-m e q ue estão procurando algo e o estiveram fazendo com muito cuidado. —Procurando o que? —inquiriu Siena. — Deusa , só o lhe o ta m a nho d essa fo ssa . É eno rm e. Leva ria a no s c a va r apropriadamente algo desse tamanho — se voltou a olhar ao Gideon.


— Por que estão em território Russo, no inverno nada menos, cavando na terra congelada? —Sim . No inverno . Qua nd o o trá fic o ha b itua l neste territó rio é q ua se nulo porque os únicos seres que poderiam apresentar qualquer possível perigo para eles se a c o m o d a m to d o s p a ra um a a g ra d á vel e long a sesta — especulou Elijah. —Sim, é obvio! Um terço dos nossa gente já está em hibernação. Mais da m eta d e d a p o p ula ç ã o resta nte p ro va velm ente se fo i à s c o va s justo d ep ois dos banquetes do Samhain! —sussurrou Syreena. — Deixem-me sobrevoar e jogar uma olhada. —Não! O coro de vozes e mãos que evitaram que se elevasse a fizeram tornar-se atrás imediatamente. —Há d ivisõ es p o r to d a p a rte. Nã o p o d e a s ver, m a s eu sim — lhe d isse Jacob. — Fazem correntes pouco naturais em fauna e vegetação. —E a ntes q ue d ig a , ta m b ém estã o no a r —a c resc ento u Elija h a ntes q ue ela pudesse indicar que tinha tido a intenção de voar, não andar. —Ah. —Syreena se sentiu m a is q ue um p o uc o boba p o r sua irrefletid a pressa, e sua pele se ruborizou. — Co m o p o d e vê-lo , enq ua nto q ue nó s q ue so m o s d o b o sq ue, q ue vivemos constantemente aqui, não podemos? —Não te venda tão cedo. —disse Gideon silenciosamente. — Nó s ta m p o uc o o vem o s tã o fa c ilm ente. Tem q ue b usc á -lo s, e o s sinais sã o q ua se im p o ssíveis d e d ec ifra r sem séc ulo s d e exp eriênc ia . Inc lusive a ssim , Elija h sem d úvid a tro p eç o u c om a lg um a s d a q uela s sa lva g ua rd a s o d ia d o a ta q ue o rig ina l. Isso , d ep ois d e tud o , o q ue c a p to u sua a tenç ã o p a ra q ue se a p ro xim a sse. Ta m b ém é b a sta nte p ro vá vel q ue fo sse o m o tivo d etrá s d e seu intento de assassinato. —Não me recorde — disse isso Elijah ironicamente. — Uma coisa de guerreiro. Caminhei diretamente a eles sobre este chão. —Nã o p o d ia esp era r vê-lo s. Os ritm o s d a fa una e o b o sq ue nã o sã o a á rea q ue d o m ina — resp o nd eu No a h, rec ha ç a nd o a s a uto rec rim ina ç õ es d o guerreiro. — Ao c o ntrá rio , a c red ito q ue o tem feito inc lusive m uito b em seu trabalho. Não acredito que pensassem em te atrair. Como tampouco acredito


q ue tenta ssem a p a nha r a você esp ec ific a m ente, Elija h. Só q ue a lg uém se aproximou muito a desentupir suas medidas clandestinas. —A a rm a d ilha veio m a is ta rd e — refletiu Siena em vo z a lta —, p ro va velm ente p usera m a s sa lva g ua rd a s a o red o r d a á rea d e b a ta lha p o uc o d ep o is, tend end o a a rm a d ilha p a ra a lg uém q ue veio p roc ura nd o o c o rp o d o Elija h. Só q ue nã o se d era m c o nta d e q ue tinha sid o resg a ta d o a ntes q ue tivessem deixado de fugir do rugido do puma. —Tão perto. —d isse Anya b ra nd a m ente, o b o rd o a m a rg o em sua vo z a tra iu sua a tenç ã o m elho r d o q ue o fa ria o s g rito s sã o m eus b o sq ues. — explicou ela, seus olhos lisos brilhando de cólera. — Meu territó rio . Minha resp o nsa b ilid a d e é g ua rd á -lo s e p ro teg ê-los exa ta m ente ig ua l a g ua rd o e p ro tejo à Ra inha q ue o s g o verna . Deveria ter p o sto a o m eno s um p erím etro territo ria l d e g ua rd a s d ep ois d a Ba ta lha d o Beltane. Isto é um falta imperdoável na segurança. —E eu nunc a d everia ter leva d o a Leg na a um territó rio c o nhec id o a p a ssa d a no ite q ua nd o Ruth era c o nsc iente d e q ue no ssa Vinc ula ç ã o no s d eixa ria … d ig a m o s… sufic ientem ente d istra íd o s p a ra no s p reo c up a r c o m a segurança. —Gideon olhou à mestiça tranqüilamente. — Acredito que podemos chegar ao consenso de que todos cometemos a lg uns eng a no s este últim o a no . É d e esp era r q ua nd o há m uito m a is q ue nó s no q ue p ensa r. Essa s m ulheres, essa s m a nc ha d a s c ria tura s, só se c o nc entra m em um a c oisa . Erradicar-nos. A to d o s nó s. Isso lhes d á o luxo d e um fo c o pouco comum. —Para eles, é uma guerra Santa, — acrescentou Noah. — Têm a va nta g em q ue lhes d á o fa na tism o . Nã o luta m c o m sua s c o nsc iênc ia s c o m o o fa zem o s. Pa ra eles, é b ra nc o o u neg ro . So m o s m a us e devemos ser destruídos. —Esta b usc a , g a ra nto -lhe isso , é p ro va velm ente um m eio p a ra esse mesmo fim — especulou Gideon enigmaticamente. — Ca d a Cruza d a era ta nto so b re a reuniã o d e relíq uia s va lio sa s, religiosas ou por qualquer outra coisa, como o era o manter a reclamação dos princípios religiosos ou as terras. —Ah, o s velho s e b o ns tem p o s — b rinc o u Isa b ella c o m um so rriso enquanto fazia uma piscada a Magdelegna. — Lembranças de uma juventude imprudente, Gideon?


Gid eo n d ed ic o u à p eq uena Druid isa um á c id o olha r q ue só c o nseg uiu fazer que risse bobamente. —Ta nto c o m o eu a d o ra ria ouvir a resp eito d o Gid eo n e Ric a rd o Coração d e Leã o ro nd a nd o o s b a res d o Im p ério Biza ntino — d isse Siena seria m ente, em b o ra ho uvesse hum o r rep rim id o em seus o lho s d e o uro —, q uero jo g a r a esses particulares cruzados fora de meu território. —Bem , Siena — refletiu No a h—, já q ue tenho o p eq ueno p ressentim ento d e q ue nã o to m a ria m uito b em , p a ra a c elerá -lo , um d rá stic o inc ênd io florestal, o que sugere que façamos? Siena m o rd eu o lá b io p ensa nd o d ura nte um m o m ento , a rra nha nd o -se distraidamente um em p la stro d e p ele rec ém c ura d a so b seu o uvid o a té q ue ouviu uma inesperada risada em sua cabeça. “ O que?” “ Tinha razão. Realmente parece um leopardo.” “ Muito g ra c io so g uerreiro . Crê q ue p o d ería m o s p resta r a tenç ã o a o problema?” Elija h se vo lto u p a ra o lha r so b re seu o m b ro à c o ng reg a ç ã o d e rostos espectadores. Um estra nho sentid o d e d istâ nc ia c a iu so b re ele q ua nd o o fez. OH, sem p re tinha esta d o tã o p erto d essa g ente; nunc a ia ha ver q ua lq uer d úvid a na p ro fund id a d e d e seu a feto p o r eles. Esta va o a no em q ue tinha c o nhec id o a Bela , o u a s c entena s q ue tinha c o nhec id o a o No a h, na d a p o d ia realmente separar desses sentimentos que tinha formado por seus camaradas. Ma s nesse m o m ento , d a va -se c o nta q ue esta va a p o nto d e d eixa r d ra m a tic a m ente um im p o rta nte p erío d o d e sua vid a d etrá s d ele. Da va vo lta c la ra m ente p a ra o no vo q ue inc o rp o ra va a Siena . Isto sig nific a va q ue a q ueles b o sq ues era m seus a g o ra , p o rq ue era m d ela . Req uereu-lhe esta r c o nsc iente d o fa to d e q ue seus interesses e p reo c up a ç õ es se c o nvertera m em d eles, im p lic a ssem o u nã o à ra ç a Demônio. A c o m o d id a d e q ue d everia p a rtir d esta era d e m ud a nç a , na q ua l estivera m ro m p end o to rp em ente a o d a r-se c o nta q ue a ra ç a d o s Demônios e Lic á ntro p o s estaria mesclada a um a c o m a o utra enq ua nto eles vivessem . O Destino o tinha p ro c la m a d o no m o m ento em q ue ela tinha vinculado a Elijah, e Siena a ele. Fra nc a m ente, era um a so luç ã o im p ressio na nte. O vinc ula m ento d e inim ig o s. Fo rç a r um a integ ra ç ã o d e esp éc ies e fa zê-lo s entend er um a o o utro m a is c la ra m ente. O d estino tinha esc la rec id o a to d o s. Já nã o se vo lta ria p a ra


a s velha s rixa s sem a rrisc a r a sep a ra ç ã o d o c a sa l vinc ula d o , q uem , so b a compulsão da Vinculação, preferira morrer a ser separados. Siena se estiro u a té esfreg a r sua m ã o so b re a d e Elija h o nd e esta se c urvo u a o red o r d e seu p esc o ç o nu. Era o utro a viso , um a c o a ç ã o intelig ente, m ud a , p a ra lhe fa zer se c o nc entra r no s p ro b lem a s d o m o m ento em vez d e esquentar a c a b eç a c o m c oisa s q ue leva ria m uito m a is tem p o q ue um instante para resolver. Vo lto u a tenç ã o à m estiç a , Anya , q ue tinha leva nta d o e c o m eç a va a p a ssea r. Ele c o nhec ia essa exp ressã o e o s p ensa m ento s q ue vinha m a trá s dela igual como conhecia os seus. —O p ro b lem a é a m a neira como estã o entrinc heira d o s — c o m ento u Anya, ajoelhando-se mais perto da beira do escarpado. — De a c o rd o , esta terra está no a lto , m a s essa s sa lva g ua rd a s sã o tã o b o a s c o m o o s só lid o s m uro s d a fo rta leza d e um c a stelo . Quero a p o sta r q ue nã o to d o s sã o sim p lesm ente p a rte d e um a red e d e senso res. Ap o sta ria q ue muitos são ativas defesas. A metade de nós fritará se cruzarmos essas barreiras. Po r nã o m enc io na r o fa to d e q ue sã o hum a no s, a p esa r d e tud o , e isso lhes d á acesso a munições. —Duvid o q ue tenha m o s q ue no s p reo c up a r com isso , Anya — resp o nd eu Elijah pensativamente. — Em p rim eiro lug a r, Ruth m uito p ro va velm ente esta rá na q uele c a m p o . Entrou b a sta nte rá p id o na luta q ua nd o tinha to d o s seus p eq ueno s seg uid o res sobre mim, o que me diz que estava muito perto. O que significa que teria que ter sa íd o c o m d esc ulp a s p a ra m a nter a á rea livre d e c o isa s m ec â nic a s o u tec no ló g ic a s na na tureza , inc lusive em b o ra ela seja um a Demônio. Essa é a va nta g em d e fa zer d isto um a ja zid a a rq ueo ló g ic a . Espera-se q ue se fa ç a à mão, mais que com maquinaria. —Ruth ta m b ém sa b e q ue em c o m b a te c o rp o a c o rp o , no ssa q uím ic a c a usa ria im p erfeiç õ es no func io na m ento d o s c o m p lexo s eq uip amentos. Essas im p erfeiç õ es teria m m a io r p ro b a b ilid a d e d e fa zer com q ue sa ísse o tiro p ela culatra a seus lutadores que de nos fazer dano, - acrescentou Jacob. — Seu a rm a m ento foi q ue o m a is efetivo p a ra m a c huc a r a o s Demônios. Bolas de ferro em molas de suspensão, lâminas de ferro, magia. —Sim, mas estão no território Licántropo.—refletiu Siena.


— Os c a ç a d o res d a q ui serã o inc a p a zes d e resistir a sua na tureza d e armar-se a nte a verd a d eira p o ssib ilid a d e d e enc o ntra r-se c o m um d e m inha espécie. —O que significa prata — acrescentou Anya. — Ba la d e p ra ta , p a ra ser exa to s. –A m estiç a fez ro d a r seus o lho s. — Tã o teatral como posso ser, é bastante eficaz. —Va le, esp erem um seg und o — interro m p eu Bela , m o rd isc a nd o o lá b io inferior enquanto considerava seus pensamentos. — Estã o p rep a ra d o s p a ra o s Demônios. Estã o p rep a ra d o s p a ra o s Lic á ntro p o s. Va m o s isso é o b vio . Ma s c o nsid era nd o sua histó ria d e g uerra juntos, certo que há uma coisa para a que não estão preparados. —Ambos! —disse Anya imediatamente. —Justo c o m o na Ba ta lha d o Beltane — a c resc ento u Siena , — Aind a m e p erg unto se a lg um a vez se d eu c o nta d e q ue ha via m a is q ue Demônios esse dia. —Nã o sub estim em Ruth — a d vertiu Elija h. — Foi guerreira a ntes d e ser Co nselheira . É um a p erita em tá tic a s e nunc a so ub e q ue c o m etesse o m esmo engano duas vezes. —Meninos — d isse Bela d e rep ente, sua c a b eç a inc lina nd o -se q ua nd o vo lto u sua a tenç ã o a a lg o q ue sentia —, la m ento d izer isto , m a s tenho essa g ra c io sa sensa ç ã o no ventre d e q ua nd o há um Demônio tra nsfo rm a d o p erto . Ac red ito q ue estã o send o o c ultos p o r m uito m a is q ue sa lva g ua rd a s m á g ic a s. —Ela susp iro u em vo z a lta , a resp ira ç ã o a tra iu a a tenç ã o im ed ia ta d e Ja c o b q ue se a p ro xim o u a uto m a tic a m ente. Deslizo u sua m ã o so b seu c a b elo e lhe roçou brandamente o pescoço. — Sa b em — c o ntinuo u a p eq uena b ruxa —, p o r um a vez d eseja ria q ue ho uvesse um p o uc o p a rec id o a um a feitic eira b o a . Um a que estivesse d o nosso la d o . Alg uém q ue p ud esse desembaraçar as salvaguardas e d evo lver aos Demônios transformados de novo a eles mesmos outra vez. —Impossível — d isse No a h silenc io sa m ente, sufo c a nd o im ed ia ta m ente o desejo ingênuo no rosto da híbrida. — Pa ra c o nverter-se em um a b ruxa o u um b ruxo , tem q ue rec o lher livros d e m a g ia e feitiç o s q ue são d entro e fo ra d eles m esm o s, ina ta m ente p o uc o naturais e malvados. —Pensei q ue o s q ue utiliza m a m a g ia tinha m na sc id o d e m a g o s. Ao ig ua l aos Demônios nascem com suas habilidades.


—Descobrirá que isso é verdade nos bruxos mais poderosos — concordou Noah—, m a s a m a io ria se fa z por si m esm o s p o r intelec to , rec urso s, e unic a m ente p elo estud o . Po d eria a g a rra r um livro d e feitiç o s, Bela , igual a que tem feito Ruth, e aprender magia tão facilmente como qualquer deles. Mas no m o m ento em q ue c o m ec e a usa r o s feitiç o s p útrid o s d os c o rro m p id o s livro s, c o rro m p erá a você m esm a . Infelizm ente, o a c esso fá c il a a q ueles p o d eres é por que há tantos deles, tão de repente. Estende-se como um culto. —Um c ulto lid era d o p elo s m a g o s m a is poderosos q ue só … na sc era m dessa maneira? —Isso eu temo. —Está-me dizendo que nascer com potencial natural para a magia te faz d e m a neira ina ta m a u? —A ling ua g em c o rp o ra l d e Bela era um p ro testo q ue fazia jogo com suas palavras quando ficou mais tensa. — Isso só sig nific a q ue nunc a tivera m o p ç ã o ! Da m esm a m a neira q ue vo c ê nunc a teria o p ç ã o so b re o elem ento q ue fo ste d o m ina r, o u Siena d a forma em que iria mudar. —Têm um a o p ç ã o . Po d em d ec id ir nã o utiliza r a m a g ia neg ra — replicou Jacob. — Nã o te inc o m o d e em defendê-los, Bela . Seria um eng a no sentir compaixão por eles. —Então, está-me dizendo que é uma eleição entre seguir seu poder inato o u nã o ? Ja c o b , isso nã o é justo . Parecer-se-ia c o m q ua nd o vo c ê e eu no s enc o ntra m o s p ela p rim eira vez, q ua nd o tento u rec ha ç a r o q ue instintiva m ente sentia p o r m im . Nã o im p orta va q uã o m a l se sentisse em seu c o ra ç ã o , nã o p o d ia resistir. Qua nto s d e nó s q ue estivem o s a li, a g o ra no s damos conta de quão impossível é? —Bem — c a b ec eo u Elija h rep entina m ente—, fo rç a d o a esc o lher o u nã o , isso nã o muda o q ue sã o . Nã o muda o fa to d e q ue no s c a ç a m e no s d estro em im p unem ente, sa lva nd o o q ue nó s m esm o s tra zem o s p a ra sua p o rta em resposta. —Já vejo . E se um a nim a l selva g em te a ta c a sse p o rq ue esta em sua na tureza fa zê-lo sentir-se-ia justific a d o p a ra m a tá -lo? —fa lo u Syreena d e repente, sua sobrancelha cinza elevando-se ema sua fro nte. —Um a nim a l tem m o tivo e instintos. Ma ta p a ra a lim enta r-se o u p ro teg erse, o u na lo uc ura d a enferm id a d e, c o m o a ra iva . O a lim ento e a d efesa p ró p ria sã o o d ireito d e c a d a c ria tura viva e nã o c o nd eno a ning uém p o r ter


essa s nec essid a d es. Nã o m e im p o rta o s o rd iná rios o u so fistic a d o s q ue seja m , está nos métodos que utilizam para saciar essas necessidades. —Ma s te a sseg uro — seg uiu ele, sua vo z p ro fund o g elo e im p enetrá vel aço—, d estruiria um a nim a l ra ivo so em um b a tim ento d e c o ra ç ã o . Um a nim a l enfurecido por isso infectará a aquilo no qual afunde seus dentes se não tomar m ed id a s p a ra p a rá -lo . Destruirei a essa s m ulheres c o m a m esm a facilidade assegurou Elijah com frieza a sua cunhada. — Esta s m ulheres estã o ra ivo sa s. Estend em sua enferm id a d e e sa c rific a m c entena s d e ino c entes no p ro c esso . Aq ueles q ue a tra em p a ra filia r-se a sua ta refa , a q ueles q ue no s ro ub a m , e a q ueles d e nó s q ue fo m o s tra ta d o s brutalmente durante seus intentos por nos submeter. —Syreena , vo c ê é um Mo ng e d o The Prid e. Meta d e guerreira, m eta d e pacifista — disse Gideon, seu tom muito mais diplomático que o de Elijah. — Entend em o s sua tend ênc ia a ver to d o s o s la d o s d e um a q uestã o . Tenha fé q ua nd o te d ig o q ue sã o p erg unta s q ue no s estivem o s fa zend o a té o nd e p o sso rec o rd a r. Nã o tira m o s c o nc lusõ es p rec ip ita d a s q ua nd o apareceram estas perguntas. —Nã o esq ueç a , Isa b ella — a c resc ento u No a h—, q ue sua integ rid a d e hum a na , em b o ra no b re, nã o sem p re sa tisfa z a c ria tura s d e no ssa c la sse d e p o d er. É um p a d rã o d iferente c o m eleva d a s c o nseq üênc ia s se nã o se dirigirem com um nível mais estrito de jurisprudência. Acredito que sabe. —Assa ssina r o u m o rrer? —d isse Bela a m a rg a m ente. — Desp rezo a id éia de minha filha criada em tais tempos. Um m o m ento d ep o is, susp iro u b ra nd a m ente, leva nta nd o p a ra vo lta r-se para seu marido. —Não te d esg o ste, Ja c o b — d isse ela b ra nd a m ente. — Sentiria o m esm o se fo sse um a g uerra hum a na . Vo c ê sabe q ue, em m eu c o ra ç ã o , p refiro q ue ela seja parte de uma espécie onde o afeto, o amor, e a moralidade sejam os p a d rõ es q ue a b und em . Meu a b o rrec im ento está c o m no sso s inim ig o s, nã o com nossa sociedade. —Me p erd o em se p a reç o ser c o ntinua m ente ig no ra nte — d isse Syreena silenciosamente—, m a s, c o m o Bela p erg unto u o rig ina lm ente, nã o há na d a parecido a uma feiticeira boa?— Syreena olhou sua irmã intencionalmente. — Em m inha s liç õ es, ensina ra m -m e q ue esta s b a nd a s q ue nó s três levamos — ind ic o u o esc a sso fio a o red o r d e sua g a rg a nta —, estã o enc a nta d a s. Este c o la r está feito c o m p ro d uto s na tura is, m a s im b uíd o d e


c a p a c id a d es e p ro p ried a d es q ue nã o p o d em enc o ntra r na na tureza . É o q ue eu chamaria magia — disse ela. — Segue sendo então o que, já que são mágicas, são malvadas? Não sei d e nenhum Nig htw a lker q ue p o ssa fa zer a lg o c o m o isto . Se nã o tiver sid o nó s, entã o q uem o s c riou? Os q ue utiliza m a m a g ia ? Essa s c ria tura s d o m a l? — estendeu a mão para o distante bosque. — Me neg o a a c red ita r q ue a lg o tã o intrinsec a m ente mal fizesse p a rte d a s tra d iç õ es d o s Lic á ntro p o s e no sso m o d o d e enc o ntra r nossos companheiros espirituais perfeitos. —Nã o é o m o m ento id ea l p a ra d isc ussõ es filosóficas — d isse Gid eo n rep entina m ente, seus o lho s d e p ra ta sério s b rilha nd o a luz d a lua q ua nd o olhou a Syreena e Isabella intencionalmente. — Ta m p o uc o é o m o m ento p rud ente p a ra investig a r a s histó ria s d e no ssa s ra ç a s. Se ho uver ta l c o isa c o m o a m a g ia “ b o a ” o u nã o , m a l ina to o u não, estamos seguros em nosso entendimento destes inimigos em particular. —Aq ui e a g o ra — seg uiu ele—, esta s m ulheres sã o um a a m ea ç a p a ra to d o s nó s. Aq ui e a g o ra , a q uela s m ulheres fic a m m a is fo rtes e m o rta is c o m c a d a m o m ento q ue c o ntinua m inund a nd o a si m esm a s em sua s a rtes. E se nã o to m a rm o s m ed id a s c o ntra ela s a q ui e a g o ra , Ruth, Ma ry e a té a últim a mulher naquele acampamento se apresentará outra vez a nós e pode não ser uma reunião a que alguns ou todos nós tenhamos a sorte de sobreviver. —Ponto para ele — afirmou Anya. — O m éd ic o tem ra zã o . Esta m o s no s a rrisc a nd o “ q ue sim ” e “ p ud esse ser” , p erd end o o tem p o em vez d e enc o ntra r um a so luç ã o rea lista a no sso imediato problema. —Esto u d e a c o rd o —a ssentiu Elija h b rusc a m ente. Ao s d ois nã o p o d eria c o nfund ir nunc a p o r nã o ser o utra c oisa q ue luta d o res era m . De sua p o stura a o enfo c a r-se na b a ta lha q ue esta va p o r vir, a m b o s era m g uerreiro s a o fina l. O g rup o , g uia d o p o r seu exem p lo , vo lto u a enfo c a r-se no a ssunto q ue tinha m entre mãos. —Acredito… — Siena girou para inspecionar a terra outra vez. — Sim . Ac red ito q ue c o nheç o um a m a neira em q ue p o d em o s p a ssa r a q uela s sa lva g ua rd a s. —voltou-se p a ra o Ja c o b , lhe jo g a nd o um a o lha d a e sorrindo. — Sim, acredito que tenho. Ma ry entro u na tenda d e c a m p a nha d e sua m ã e no a c a m p a m ento para encontrá-la tendida no relativamente luxuoso alojamento que lhe tinham


d a d o d evid o a sua p o siç ã o d e m a nd o . Ig ua l q ue na so c ied a d e Demônio, a fila neste a g rup a m ento d e m ulheres era seg und o o p o d er, e nenhum a d ela s poderia exc ed er a sua m ã e. Isso era p o rq ue ha via m a is q ue a s c a p a c id a d es d e um a m era “ b ruxa ” em Ruth. Ma s, é obvio, os sim p ló rio s que usa va m m a g ia q ue a s ro d ea va m nã o sa b ia m . Ha via livro s velho s, m o fa d o s, em p ilha d o s a o red o r d o p eq ueno esc ritório no q ua l o Demônio Menta l fem inino tinha esta d o estudando sem cessar, já que tinham acampado ali fazia pouco menos de um m ês. Ma s esta va c la ro q ue sua p erturb a ç ã o lhe im p ed ia d e seg uir c o m seus estudos. Ruth era um a m ulher b rilha nte, m a s nã o era um a erud ita p o r na tureza . Suas habilidades sempre tinham estado enfocadas na batalha. Tinha sid o um a guerreira a ntes d e ser m em b ro d o Gra nd e Co nselho . Nã o foi só a sorte e poder o que lhe deu a habilidade de desfazer-se dos Demônios tã o p erito s em c a ç a e b a ta lha c o m o era m Elija h e Ja c o b . Ruth tinha p a ssa d o séc ulo s c o m o sua a lia d a , e c o m o ta l c onhec ia tud o so b re a m a neira como atuavam, reagiam e quão fortes realmente eram. —Mã e, o q ue a p reo c up a ? —perguntou-lhe sua filha , vend o -se tã o a b o rrec id a c o m o esta va ela . O a b o rrec im ento a so b ressa lta va freqüentemente quando Mary não tinha ataques ou incursões com os quais se divertir. Tinha desenvolvido um significativo gosto por aquelas coisas. — Matamos ao Gideon. Deveria te alegrar. —Não — d isse b rusc a m ente Ruth. — Esta c eleb ra ç ã o é um a p erd a d e tem p o e energ ia . Devería m o s vo lta r p a ra o lugar p a ra esc a va r em b usc a d e no sso teso uro . So b re tud o a g o ra . No a h esta rá lívid o q ua nd o d esc ub ra q ue sua família está morta e deveríamos estar preparadas. —Noah? —Ma ry b ufo u c o m um a d ep rec ia tiva risa d a . — O g ra nd e Rei pacifista dos Demônios? Nem sequer se alterará. —Não seja estúpida! —Ruth se voltou para sua filha. — O que sabe você? Nã o sa b e na d a d isto ! Desd e q ue a lc a nç o u a idade adulta , so ub e q ue No a h p erd eu seu tem p era m ento só três vezes. —Ruth a s enfa tizo u c o m o s d ed o s— Qua nd o sua m ã e fo i a ssa ssina d a , q ua nd o m o rreu seu p a i, e a noite em q ue sua preciosa irmã pequena foi convocada. —Qua nd o sua fa m ília é a m ea ç a d a o u d a nific a d a , a ra iva d e No a h tem a fo rç a d e um a fúria nuc lea r. Nã o é na d a q ue q ueira ver a lg um a vez, m o ç a . Acredite-me q ua nd o lhe d ig o isso . Esta no ite m a ta m o s o c o m p a nheiro vinc ula d o d e sua irm ã e m uito p ro va velm ente à Leg na . E se Leg na estiver


m o rta , a so b rinha o u so b rinho a ind a nã o na sc id o d e No a h m o rreu c o m ela . Se a lg um a vez no s a lc a nç a r, no ssa s m o rtes virã o em um a c o nfla g ra ç ã o q ue eclipsará a idéia que têm os humanos do inferno. —Mas ninguém sabe onde estamos. Quem nos buscaria aqui? —Elijah sabe! —grunhiu Ruth a sua filha. — Só tivem o s so rte d e q ue nã o c heg a sse uns m inuto s a ntes. Juntos, Gideon e Elijah nos teriam destruído facilmente. —Ruth livrou uma baforada de ar quando se deteve de repente para fechar de um golpe o montão de livros. — E a g o ra q ue se c o nfirm a q ue Elija h está vivo , d irá o q ue p a sso u a No a h. Ag o ra , a p esa r d e to d o m eu tra b a lho p o r eng a na r o s Exec uto res q ue o rastrearam, provavelmente logo saberão exatamente onde estamos. —Mas certamente não virão aqui tão cedo… —Ma ry, q uem c rê q ue a tra vesso u a s sa lva g ua rd a s o o utro d ia , c a sua lm ente o nd e se sup unha q ue esta va o c a d á ver d e Elija h? Teve q ue ser Ja c o b , o u a té o m esm o Ca p itã o Guerreiro vo lta nd o so b re seus p ró p rio s passos. —Isso esta o a trinta quilômetros daqui — indicou Mary. —E nã o c rê q ue No a h tem a sa b ed o ria d e a m p lia r um a b usc a d e nó s d a li? Deixa d e ser tã o ig no ra nte, m o ç a ! —Ruth g iro u seus c ha m eja ntes o lho s azuis sobre sua descendente. — Por tudo o que sabemos já poderia estar a caminho. —Entã o d evería m o s ir — d isse Ma ry, p a rec end o rep entina m ente assustada. —Sim . Devería m o s. Ma s nã o p a rtirei sem p a ssa r a c a d a seg und o p o ssível p ro c ura nd o , isso p elo q ue viem o s. Po sso teletra nsp o rta r a to d o s à seg ura nç a em um b a tim ento d o c ora ç ã o . Po d em o s d eixa r q ue estes b o b o s d istra ia m à s fo rç a s d e No a h enq ua nto esc a p a m o s. — Ruth p a sseo u um p o uc o m a is, esfregando os magros dedos sobre sua tensa fro nte. — Legna é a única que poderia ser forte o bastante para interferir em um d e m eus tele tra nsp o rtes. Inc lusive se ela nã o m o rreu no fo g o , era o p o d er d e Gid eo n q ue lhe d a va a fo rç a p a ra c o m p etir. Sem ele, sem d úvid a vo lta rá para seu estado comum de adulto uma vez mais. —Farei com q ue o s o utro s vo ltem p a ra o lugar d a esc a va ç ã o — disse Mary, seu aborrecimento se foi e começava a ser consciente do perigo que os espreitava.


—Te enc a rreg ue d isso . Nec essita m o s esse livro d e feitiç o s se d evemos destruir Noah e a todos aqueles idiotas santarrões que ele chama Conselho. —Fá-lo-ei, Mã e. Ac red ito q ue esta m o s m uito p erto . Aq uele livro d e feitiços menor que encontramos pode dizer que o outro está perto. —Eu nã o c o nta ria c o m isso se fo sse vo c ê. Unirei-me a você b reve. Tem o s q ue p erm a nec er um a p erto d a o utra em c a so d e a ta q ue. Se p a rtirm o s a nte s d e enc o ntra r o Livro Esc uro , sa b erã o q ue esta m o s p ro c ura nd o a lg o e nã o d uvid o q ue continuem a b usc a eles m esm o s a té im a g ina r o q ue está va m o s p ro c ura nd o . Terem o s c o nd uzid o No a h d ireto a ele. Se enc o ntra r o Livro e for a metade do erudito que já é, entenderá o que somos pouco depois. —Mã e, vo c ê m esm a d isse q ue ning uém m a is sa b ia so b re o Livro Esc uro . Disse q ue ning uém sa b ia seq uer d o c ilind ro q ue enc o ntro u q ue a d irig iu a este lug a r. Se no s enc o ntra rem , nã o sa b erã o p a ra q ue seja. Disse q ue só o s q ue usam a magia podem lê-lo. —Confia em m im , filha . O Ca p itã o Guerreiro nã o terá nenhum p ro b lem a c o a g ind o a um d etento q ue usa a m a g ia p a ra q ue d ec ifre o livro p a ra o Rei um a vez q ue No a h entend a o q ue isto req uer. Nesse c a so , no ssa únic a esp era nç a será q ue no s leve m eno s tem p o c o nsid era r a s a lterna tiva s d o q ue lhes leve entend er a s c o isa s. Ag o ra vai. Esta m o s p erd end o tem p o . Po sso sentilo me pressionando. —Inclusive se vierem , a s sa lva g ua rd a s e o s Tra nsfo rm a d o s o s m a nterã o ocupados — tra to u d e lhe tra nq üiliza r Ma ry. — Aind a tem o s um p o uc o d e tempo. —Esperemos que assim seja.

CAPÍTULO 18

—Bem , este lug a r p a rec e fa m ilia r — m urm uro u Elija h c o ntra a o relha d e Siena fa zend o -a rir entre d entes enq ua nto lhe d a va um a g entil c o to velada nas costelas. —Esta s c a verna s têm q uilô m etro s e d úzia s d e sa íd a s c o m o esta — exp lic o u Siena , a ric a vo z fa zia ec o q ua nd o entra ra m no s d esp o vo a d o s túneis fora da cova que Jinaeri fazia sua casa invernal.


— Muitos d eles estã o em há b ita t d e hib erna ç ã o , m a s nã o to d o s o s Lic á ntro p o s. Se c ruza rm o s o c a m inho c o m a fa una selva g em , no s d eixa r d irig ir o assunto as três — se destacou, logo o fez com Anya e Syreena. —Dirá nó s q ua tro — d isse Ja c o b , lhe rec o rd a nd o q ue sua s ha b ilid a d es estavam em igualdade até onde aos animais encantados lhes concernia. —Conserva sua energia, Executor — lhe recordou Siena. — Nã o há sa íd a a lg um a d esta s c a verna s q ue d esem b o q ue no a c a m p a m ento . Sim p lesm ente usa m o s esta s p a ssa g ens p a ra p a ssa r inadvertidos para os guardas. Contamos contigo para nos levar a superfície. —Não me preocuparia com minha reserva de energia — lhe assegurou. —Nã o entend o p o r q ue nã o p o sso sim p lesm ente teletransportar-nos dentro do acampamento — se queixou Legna pela terceira vez. —Ruth no s sentiria c heg a r — reitero u seu m a rid o c o m surp reend ente p a c iênc ia . Desg ra ç a d a m ente, é um a o p o nente fo rm id á vel p a ra sua fo rç a . Falando tacticamente, nã o seria p rud ente p erm itir q ue no s ro d ea ssem d essa forma. —Gideon, poderia nos tirar rapidamente. —Duvido — d isse No a h, o to m d eixa va entrever q ue d eseja va a c a b a r com a discussão, — No s tra zer to d o s para d entro , seria p o r si im p o ssível, inc lusive p a ra seu fo rm id á vel p o d er, Leg na . Tirar-nos d ep o is? Nunc a p o d eria a c o ntecer. Sim p lesm ente nã o é tã o fo rte. Fra nc a m ente, em m inha o p iniã o , nã o d everia estar inclusive conosco. —Nã o p ense seq uer em m e d a r a lg um a feta d o serm ã o so b re a s d elic a d a s nec essid a d es d a s m ulheres g rá vid a s. —Ad vertiu a seu irm ã o agudamente. — Ou juro q ue lhe tele tra nsp o rta rei a o Pó lo No rte o nd e nã o há na d a combustível em centenas de quilômetros à volta. —Sa b e, esta va a c o stum a d o a p ensa r q ue m eu p o vo era m uito confiado — c o m ento u Siena —, m a s a g o ra vejo p o r q ue m eu p a i teve ta nto s p ro b lem a s para ganhar contra sua nação. É muito teimosa. —Não tem nem idéia — disseram Gideon e Noah a coro. Elija h riu entre d entes enq ua nto sa lta va d e um a c o rnija a o c hã o aproximadamente um m etro e m eio d eb a ixo . Aproximou-se, sem p ensá -lo , a a jud a r Siena c o m a s m ã o s so b re sua c intura . Nã o se d eu c o nta a té q ue ela d uvid o u, d e q ue p ô d e interp reta r o g esto c o m o a lg o hum ilha nte a sua


c a p a c id a d e ind ub ita velm ente exc elente d e c uid a r d e si m esm a . Ma s se a p o io u em seus o m b ro s um m om ento d ep o is, d esliza nd o a s m ã o s q ua nd o a baixou facilmente ao chão. —Não se preocupe — lhe assegurou brandamente quando entrelaçou os d ed o s c o m o s seus e a p erto u sua m ã o . — Às vezes m e esq ueço q ue na sc eu q ua nd o o s ho m ens era m c a va lheiro s. Entreta nto , p enso q ue p o d eria m e acostumar. —Me a leg ro d e esc utá -lo — d isse c o m um a c a reta . — Entreta nto , esto u sinc era m ente d esejo so d e a b a nd o na r a s m a neira s c a va lheiresc a s e p erm itir à porta te golpear o traseiro a sua imediata petição. —É tão amável — riu. O g rup o c o ntinuo u d eslo c a nd o -se a tra vés d o s túneis, seg uind o a seg ura g uia d e Siena . O c hã o d a c a verna era , freq üentem ente, esc o rreg a d io , a c a lc á ria esta va rep leta d e á g ua q ue g o teja va d a s esta la c tites e a neb lina subterrânea que descendia das quentes primaveras. —Ag o ra nã o está lo ng e — d isse Siena q ua nd o sub ira m trabalhosamente uma costa. — Desejaria que tivéssemos uma maneira de sentir os guardas daqui. —Temos a Bela. É melhor que qualquer sensor. —Como? —A rainha se voltou e olhou curiosamente a Elijah. —Bela pode reduzir o poder. —Elija h, q uerem o s evita r isso se fo r p o ssível — lhe rec o rd o u Ja c o b . — Os efeitos colaterais estão demonstrando ser prejudiciais. —Ma s im a g ina q ua nto m a is sim p les seria se só a tra vessá ssem o s esses p a vilhõ es um a vez q ue eu red uza o p o d er. Nã o tería m o s q ue passar tud o isto . —Arrancou d e rep ente a m ã o q ue to c o u um a p a rtic ula rm ente la m a c enta parede. — Puaj — disse fazendo uma careta enquanto limpava a mão nos jeans. — E so b re tud o , Ruth e Ma ry p o d em esc a p a r em um ra io d e tele transportação se nã o lhes la nç a sse um a m a ld iç ã o . Nã o vejo c o m o p o d em o s evadi-lo. —Nã o d eve ter c o nta to c o m Ruth nã o im p o rta o q ue a c o nteç a — advertiu Jacob sem tolerar nenhuma de suas teimosas negativas. — Está c o rrup ta , d e m a neira q ue ning uém viu a ntes, nã o p o d em o s a d ivinha r seq uer q ue p o d eria no s c a usa r a q ua lq uer d e nó s. Ruth nã o teria


p o d id o to c a r Gid eo n fa z seis m eses. Nem Ruth, Ma ry nenhum a d úzia d e nigromantes poderiam ter feito isso. —É m uito p o d ero sa . —Gid eo n esta va severa m ente d e a c o rd o . — Devem o s rec o rd a r nã o tra ta r isto c o m o q ua lq uer b a ta lha o rd iná ria . Há um grande risco envolto aqui. A c o nversa ç ã o se d eteve q ua nd o Siena va c ilo u em seus p a sso s. Vira m na leva nta r a c a b eç a , e im ed ia ta m ente no ve c a b eç a s se vo lta ra m em uníssono para escutar. —Nunca estive aqui antes — murmurou Siena. — Há algo peculiar sobre este lugar. Não posso pôr meu dedo nele. Pode algum de vós? Foi Noah quem levantou as sobrancelhas surpreso. —Mofo. Cheiro mofo e… — Investigou, agitando a escura cabeça. —Livros! —Exc la m o u Bela d e rep ente. — Cheiro livro s. Pa ssei m uitos a no s em uma biblioteca para não conhecer esse aroma. —Mas ninguém esteve nestas passagens em anos — meditou Siena. — O c resc im ento d a p ed ra , o fluxo d e á g ua e p a ssa g ens sã o to ta lm ente no va s. Além d isso , está m uito úm id o p a ra q ue tenha sentid o g ua rd a r livro s aqui. Danificar-se-iam fa c ilm ente. Jina eri tem q ue g ua rd a r o s seus coberto s embora ela esteja em uma área seca. —Estou te dizendo, que são livros — insistiu Bela. —Acredito que tem razão — esteve de acordo Noah. —Olha , a q ui. —Ja c o b sa lto u p a ra um b a tente na tura l, a g a c ha nd o -se para inspecionar a parede próxima. — Isto p o d e ser no vo a g o ra , m a s a lg uém d efinitiva m ente a ltero u este rosto d a p ed ra em um m o m ento d a d o . Vêem esta s ra nhura s? Sã o a rtific ia is, tenta nd o m a nter um a a p a rênc ia d e suc esso na tura l, entreta nto . Vêm? A á g ua nã o flui em c im a d esta seç ã o a q ui, entã o p o r q ue isto está tã o d esg a sta d o em um a ra nhura tã o p ro fund a ? —estirou-se p a ra to c a r a p rim eira medida da fenda. —Ja c o b , nã o o fa ç a ! —c la m o u Bela d e rep ente, fa zend o -o c o ng ela r-se imediatamente. Apressou-se p a ra ele, a g a rra nd o seu b ra ç o e tenta nd o a rra stá -lo a seu lado. —Algo não está bem. Posso senti-lo. Por favor, sai.


—Bela , retro c ed e. Pro m eto q ue to m a rei c uid a d o . —Extra iu a m ã o d o agarre de m o rte em q ue o tinha e sa c ud iu o s d ed o s q ua nd o tento u m a nter o apertão. Siena o lho u c o m o lho s a tento s c o m o o Exec uto r ro ç o u inq uisitiva m ente o s d ed o s so b re e a o red o r d a q ueles sulc o s leves, tenta nd o investig a r sua memória por algo, embora ela não tivesse nenhuma pista do que era. —Jacob detenha! O c o ro b ro to u sim ulta nea m ente d e Elija h e Siena . Ao unísso no tinha m experimentado um m o m ento d e luc id ez, Siena rec o rd a nd o o fra g m ento d e um a histó ria q ue tinha esc uta d o d ura nte sua infâ nc ia uns c em a no s a trá s, e a proximidade de Elijah ao súbito temor que brotou em sua mente o incitavam a ecoar da advertência. Ja c o b se a p a rto u esta vez, a ind a esc uta nd o o utra a d vertênc ia d e um a fo nte q ue nã o p o d ia d esd enha r p o r super protetora... Baixou d ep ressa d a cornija enquanto Siena se aproximava dela. Saltou facilmente, sentindo a mão de Elijah guiando-a. Isto a fez so rrir a o m esm o tem p o , lim p o u a s m ã o s p ela sa ia d o vestid o q ue Leg na tinha em p resta d o . Ma g d eleg na tinha um estilo m a is c o nserva d o r, p elo q ue a sa ia era m a is long a e vo lum o sa d o q ue à Ra inha teria g o sta d o , m a s o a rra nc o u sim p lesm ente d e seu c a m inho q ua nd o se a jo elho u p a ra inspecionar as suspeitas ranhuras. —Há um a lend a em m eu p o vo a resp eito d o s tem p o s a ntes q ue no s a trevêssem o s a sa ir d a s c o va s e no s a ventura r a o m und o . Assim c o m o m eu c a stelo , c id a d es c o m p leta s se c o nstruíra m c la nd estina m ente sup o sta m ente. Nesse tem p o , d izia m q ue nó s nunc a entra ría m o s na luz d o d ia . —aproximou-se m a is à parede. — Enc o ntra m o s só p eq uena s m o ra d a s q ue ind ic a ra m isto c o m o c erto . Po r o utra p a rte, no ssa únic a p ro va era m a s histó ria s q ue passamos verbalmente e os velhos fragmentos de tradições populares. —Assim, o que é isto? —A lend a d iz q ue to d a s a s entra d a s nesta c id a d e fo ra m enc o b erta s e a p a nha d a s p a ra a c a utela r a c id entes, a ssim c o m o a d ec id id o s intruso s. Se um a p esso a c urio sa nã o so ub esse c o m o d esvia r a a rm a d ilha ino fensiva m ente, tropeçaria e seria assassinado. —Vo c ê nã o crê q ue esta seja um a c id a d e — d isse Bela c o m c la ro ceticismo.


—Nã o , nã o o fa ç o — esteve d e a c o rd o Siena . — Ma s a c red ito q ue poderia ser uma entrada formada com essas mesmas armadilhas. —Me diga que sabe desarmá-la — a animou Jacob. Nã o sa b ia . To c o u a m b a s a s ra nhura s sim ulta nea m ente, um c liq ue fo rte ec o o u so b re eles, fa zend o -o s a ssusta r-se a nte o so m . Dep o is d e um b reve lapso, estudando a armadilha, pôs ambas as mãos na parede e trocou o peso e a p ressã o d e seu to q ue lig eira m ente a o c o rreto . A p a red e d eslizou tã o d e repente que sobressaltou a Rainha, quem retrocedeu para o amparo de Elijah, no m o m ento q ue ele sa lta va p a ra a c o rnija em um seg und o p a ra lhe im p ed ir que escorregasse. —Bons reflexos — murmurou ela a seu marido. —Obrigado — riu entre d entes, a p ro xim a nd o -se d e sua s c o sta s q ua nd o olhou no interior do escuro lugar da entrada. — Noah? —Considera-o feito — resp o nd eu o Rei. Estend end o a m ã o c om seus refina d o s sentid os, sentiu a p resenç a d e to c ha s d e a lc a trã o e a s a c end eu em um a b rilha nte q ueb ra d e o nd a d e luz. To d o s fizera m um g esto d e d o r q ua nd o as filas de tochas os deslumbraram momentaneamente. —Penso q ue já sei o q ue Ruth está p ro c ura nd o — d isse Bela c o m á vid o tem o r, ha vend o se rec up era d o a ntes q ue o s o utro s p o rq ue seus o lho s nã o eram tão sensíveis à escuridão e à luz. Os o lho s clarearam e um g rito sufo c a d o sa iu d o g rup o q ua nd o se apressaram e se apinharam ao redor da entrada do quarto oculto. —Disse-lhes que eram livros — murmurou Bela. Isso era um a sub estim a ç ã o . Rea lm ente era um a b ib lio tec a sub terrâ nea . Esta va m a ltra ta d a p ela fa lta d e uso e d evid o a o s a no s q ue tinha sid o ig no ra d a , o d a no d a á g ua q ue tinha tro c a d o de c urso d ura nte o s a no s d e c o rro sã o c o rria so b p a red es q ue tinha m sid o d estina d a s a esta r sec a s, m a s isto , tinha sid o d efinitiva m ente um a b ib lio tec a b em d esenha d a a lg um a vez. Tinha c o rred o res verm elho s entre c a d a jo g o d e p ra teleira s, o b o rd a d o d e velud o rub i, c la ra m ente um a vez m uito ric o e fino . As to c ha s ilum ina va m a s m esa s d o estud o , a ssim c o m o o s pódios q ue sustenta va m sep a ra d o s livros d e enorme tamanho. E claro, ao longo de ambos os lados do corredor, prateleiras, prateleiras e p ra teleira s d e livro s q ue c heg a va m a lém d o q ue inc lusive sua p ersp ic a z visã o poderia ver.


—Wow — disse Legna, não podendo ter outra reação. —De a c o rd o , c om o p o d eria Ruth, d e to d a s a s p esso a s, sa b er q ue isto estava aqui? —Cla ra m ente nã o sa b e q ue está a q ui. Pensa q ue está a c im a — d isse Siena, apontando sobre si mesma à pedra que bloquearia o progresso de Ruth embora suspeitasse que houvesse algo baixo ele. —Certo . Ma ry nã o tem o p o d er p a ra esc a va r a tra vés d a terra e p ed ra . Esse é um ra sg o d o s ho m ens Demônios d e Terra — d isse Ja c o b , o s o lho s tã o abertos como os de outros quando examinou a biblioteca brandamente. — Pensa que é seguro entrar aí? —Ac red ito q ue sim —m urm uro u Siena — m a s nã o a p o sta ria q ue seja c ompletamente inofensivo, assim se mantenha alerta. A b a ta lha q ue tinha m enc a b eç a d o foi to ta lm ente d esp reza d a , to d o s entend ia m q ue esta era um a ta refa m a is c rític a . Moveram-se p a ra a iso la d a c a verna , o s ho m ens unind o a s m ã o s c o m a s m ulheres, to d o s a lerta s enq ua nto se p rep a ra va m a to m a r q ua lq uer fo rm a q ue nec essita ssem p a ra esc a p a r d o dano e as levar com eles para a segurança. Siena p rec ed eu a to d o s, a m p lo s o lho s d o ura d o s exa m ina nd o levianamente so b re o s título s d o s vo lum es m a is p ró xim o s. Elija h esta va p erto , d etrá s d ela , tã o p erto q ue q ua nd o se d eteve, tro p eç o u c o m sua s c o sta s e permaneceu ali até que continuou. —Siena , esta é a Enteso ura d a Líng ua — sussurro u Syreena , seu sentid o d e reverênc ia a tra vesso u o ruid o so c la ro q ua nd o a lc a nç o u a to m a r um livro na s mãos, sustentando-o como se fora uma gema preciosa. —O id io m a histó ric o q ue só o s m em b ro s d o The Prid e sa b em a g o ra . Ta m b ém se p erd eria p a ra eles se nã o fo sse p elo fa to q ue se p a ssa m ta nto tempo mantendo seu conhecimento sobre ele. —Isso sig nific a q ue isto é um a b ib lio tec a d o Lic á ntro p o s? — p erg unto u Elijah. —Não. Todos se voltaram para ver Bela baixar outro livro. —Jacob, isto é o idioma antigo da raça Demônio. As c a b eç a s se vo lta ra m d e um a m ulher à o utra . Cruzaram-se p a ra encontrarem-se uns aos outros e inspecionar os livros. —Estes não são os mesmos — lhes informou Bela. — Vejamos se há outros.


Ha via livro s no s id io m a s c o nhec id o s e d esc o nhec id o s a a q ueles no quarto. —O idioma dos Vampiros —disse Gideon agitando a cabeça. — Isto se p a rec e c o m a s m a rc a s d o s Sha d o w d w eller. Estes sã o esses caracteres intrépidos, pitorescos que utilizam. —É um a b ib lio tec a Nig htw a lker — d isse Siena , a vo z sussurrante resso no u nos tetos altos. —Muitos deles estão arruinados — comentou Elijah, deixando cair um livro saturado para uma mesa onde se desintegrou imediatamente. —No a h, o uviste fa la r a lg um a vez d e a lg o a ssim em sua histó ria ? — perguntou Siena ao Rei. —Nada. Isto… Isto está m a is à frente q ue a lg o q ue nó s a lg um a s vez soubéssemos. —Eu a lg um a vez o uvi fa la r d isto no The Prid e, e eles têm um truq ue p o r d izer a lg uns c o nto s b a sta nte p rim itivo s — d isse Syreena , enq ua nto c o ntinua va inspecionando as prateleiras com ligeiros dedos. — É possível que isto preceda inclusive a nossos antepassados? —E nenhum d eles p enso u em d izer a q ua lq uer d e no sso s histo ria d o res so b re ele? Acho isso d ifíc il d e a c red ita r. Certa m ente a lg um tip o d e histó ria o u lend a so b re isto so b reviveu… Alg uém teria um a p ro va esc rita o u m enç ã o em alguma parte — insistiu Noah. —OH sim — d isse Bela , c o m o s o lho s ro d a nd o e to m sec o — a ssim c o m o vo c ê fo i c o nsc iente d essa p eq uena feliz p ro fec ia q ue enc o ntrei a resp eito d e q ue to d o s está va m o s a p o nto d e ser c o lo c a d o s d entro d e um a sec a d o ra e agitados para ser literalmente cuspidos, só para ver o que sai da lavagem. —Bom ponto — riu Elijah entre dentes. —Jacob, olhe isto. —Noah chamou o Executor. Jacob se aproximou para olhar atentamente o livro sobre o ombro do Rei. —É o que penso que é? —O que? —perguntaram outros. —Feitiços — resp o nd eu No a h, o s o lho s esc uro s, sério s e c a rreg a d o s d e preocupação. — Feitiços de usuários de Magia. —Em um a b ib lio tec a Nig htw a lker? —Em p urro u Isa b ella a tra vés d eles, inspecionando o volume grande com os olhos afiados.


— La tim . … Ita lia no … Nem seq uer sei o q ue é isto — d isse m o vend o a cabeça. — Ma s há inc lusive hiero g lífic o s eg íp c io s a q ui. Isto é, c o m o … o c o m p ênd io c o m p leto d e feitiç o s d o m und o inteiro ! Isto é o q ue Ruth e Ma ry estão procurando. Apostaria meu esconderijo de barras de chocolate nisso. —Penso q ue tem ra zã o — esta va d e a c o rd o No a h, fo lhea nd o a s p á g ina s cautelosamente, mas as encontrando todas muito rígidas. — Temos que destruir isto. —Absolutamente não! —Bela — advertiu Noah. —Nem seq uer p ense No a h, há um a ra zã o p a ra q ue isto esteja em um a b ib lio tec a Nig htw a lker, e p o ssivelm ente d everia entend er q ueira o u nã o , q ue razão é essa antes que ande jogando ao Fahrenheit 4517. —Bela , sa b e q uã o p erig o so seria este livro na s m ã o s eq uivo c a d a s? — argumentou Noah. —Mas não está nas mãos equivocadas. Está nas tuas. —No a h, p enso q ue p o d e esta r no c erto — fa lo u Gid eo n, o s o lho s c ha p ea d o s d e rep ente o lha ra m a o Rei, entã o o m o na rc a entend eu q uã o séria era sua opinião. — Estivem o s p ro c ura nd o m a neira s d e b lo q uea r a Co nvo c a tó ria e Tra nsfo rm a ç õ es p o r c entúria s, m ilênio s inc lusive. Po ssivelm ente este livro o u estes outros contêm essas respostas. Noah pareceu considerá-lo imediatamente. —Há um a c o isa em q ue to d o s p o d em o s esta r d e a c o rd o . —Fa lo u Siena de repente, com voz profunda que penetrava com séria gravidade. — Devemos manter Ruth e Mary tão longe daqui 7 Fa hrenheit 457 é o título d e um a no vela d o Ra y Bra d b ury p ub lic a d a em 1953. Este título fa z referênc ia à tem p era tura a q ue o p a p el d o s livro s se inflama e arde. (N.deT.) Co m o é p o ssível. Esse vo lum e é p ro va velm ente só um a rra nhã o na sup erfíc ie d o q ue g ua rd a este lug a r. O p o d er a o q ue teria m a c esso se d esc o b rissem esta b ib lio tec a é im ensurá vel. E nã o sei so b re o resto d e vocês, m a s p enso q ue tivera m va nta g ens m a is q ue sufic ientes d esd e q ue ela s desertaram. —De acordo — disse brevemente Jacob.


— No a h, Bela … sei q ue a tenta ç ã o d e to d o este c o nhec im ento está lhes c urva nd o , m a s tínha m o s um tra to m elho r c o m no sso s tra id o res e seus compatriotas antes que nos permitamos nos distrair por algo mais. —De acordo também — disse Noah com uma inclinação afiada. — Mas não me sinto cômodo saindo e deixando tudo isto assim, aberto. —Isto p erm a nec eu im p erturb á vel p o r inc a lc ulá veis séc ulo s, No a h — lhe recordou Siena brandamente. — Resta ura rei o selo e fec ha rei c o m o esta va q ua nd o c heg a m o s. Um a vez q ue tra tem o s c o m Ruth, p o d erem o s no s p reo c up a r c o m g ua rd a r este lugar longe. Levou um c o m p rid o m om ento , m a s eventua lm ente No a h a ssentiu seu c o nsentim ento . O p o d ero so g rup o im ed ia ta m ente retro c ed eu fo ra d a b ib lio tec a , sa lta nd o a b a ixo d a entra d a p a ra q ue a Rainha Lic á ntro p o p ud esse re-sela r a truc a d a p o rta . Levou a lg um esfo rç o e um p o uc o d e a jud a d e c o ntra p eso d e seu p o d ero so c o m p a nheiro sela r no va m ente o a ntig o m ec a nism o , m a s eventua lm ente ta m b ém p ud era m sa lta r fo ra d a c o rnija e voltar para grupo. —Va m o s, lhe c hutem o s o traseiro. —o ferec eu Bela c o m irreverente entusia sm o , a g a rra nd o a m ã o d e seu m a rid o e a p ressa nd o -o no s m a is profundos ocos das cavernas. Ma ry esta va c a m inha nd o inq uieta , a o la d o d o lugar d a zo na d e esc a va ç ã o , c o m o s b ra ç o s d o b ra d o s a o red o r d a c intura , m o rd end o o lá b io inferio r q ua nd o a energ ia se em itiu fo ra d ela em o nd a s. Sua m ã e nã o tinha vindo a ind a , fa zend o -a interessar-se um p o uc o m a is p o r sua seg ura nç a se a lg o d e rep ente sa ía m a u. Entreta nto , tinha um no tá vel p o d er, e isso inc luía a facilidade e velocidade de suas habilidades de tele transportação. Sua m ã e a tinha a ssusta d o o sufic iente, m enc io na nd o o s ho m ens p o d ero so s e sua s c o m p a nheira s q ue esta va m p o tenc ia lm ente fo ra p o r seu sa ng ue. Tinha sid o c ria d a em p erp étuo tem o r d esses no m es, inc lusive a p esa r da brincadeira constante de sua mãe. Noah. Elijah. Jacob o Executor. Esp ec ia lm ente Elija h. Tinha seg uid o sua m ã e um a vez a o terreno d e treinam ento q ua nd o a ind a tinha sid o um a guerreira so b a o rd em d o fero z Ca p itã o , e tinha visto p o r si m esm a , q uã o b ruta lm ente frio e c a lc ula d o r p o d eria ser esse poderoso Demônio, inc lusive q ua nd o só esta va m p ra tic a nd o . Qua nd o ela e sua m ã e tinha m esta d o vig ia nd o o g uerreiro, nã o fa zia m uito


tem p o no b o sq ue russo , o lha nd o -o m o rrer c o m um a a p a rentem ente inc o m p reensível sim p lic id a d e, Ma ry a ind a tinha sid o intim id a d a e a ssusta d a , a p esa r d e sua evid ente d eb ilid a d e e sua c la ra vitó ria . Viu q ua se sem surp resa que o guerreiro havia de algum modo conseguido evitar uma clara e iminente m o rte. Sem p re tinha a c red ita d o q ue fo sse infa lível, e isso esta va a g o ra m a is reforçado que nunca. Seu nervo so o lha r se m o veu b rusc a m ente so b re a s fila s d e m ulheres q ue tra b a lha va m p a c ientem ente na d ura e fria terra q ue sup o sta m ente o c ulta va o Livro Neg ro q ue sua m ã e esta va p ro c ura nd o tã o d esesp era d a m ente. De acordo c o m o p erg a m inho se sup unha q ue era o c entro d e m esa d e um a b ib lio tec a a ntig a q ue tinha existid o fa z m uito tem p o , a ind a a ntes d o tem p o d e Gid eo n. Era um c o nc eito d ifíc il p a ra q ue um a Demônio tã o jo vem c o m o ela o a ssim ila sse. Que ta l c oisa so b revivesse to d o esse tem p o p a rec ia inc lusive im p o ssível, m a s sua m ã e já tinha d esc o b erto o c o m p a nheiro d o livro , p elo que ainda devia ser possível o Livro Negro ter sobrevivido a todas estas épocas. Seg und o sua m ã e, esse livro teria o p o d er p a ra d estruir inc lusive o m a is p o d ero so inim ig o . Inc lusive No a h, o extrem a m ente p o d ero so Demônio d e Fogo quem poderia destruir a Terra inteira se o propunha. Mas não pensou que eles o necessitassem. Só tinham destruído a Gideon, o mais Antigo de seu tipo. Se elas puderam fazer isso, poderiam fazer algo. —Eu não descansaria tão comodamente nessa hipótese se fosse você. Ma ry esc a p o u d e seus p ensa m ento s p riva d o s c o m um o feg o , g ira nd o para enfrentar a baixa e fria origem da declaração. Encontrou-se olhando fixa e tem ero sa m ente o s frio s o lho s c ha p ea d o s, a b o c a b a ixo eles se to rc eu em um sa rd ô nic o sorriso d e c ruel c o nfia nç a q ue nunc a tinha esp era d o sa b er o significado. —Uh, uh, uh — m urm uro u um a sua ve e exortante vo z d etrá s, fa zend o -a g ira r c om velo c id a d e e terro r p a ra enfrenta r c a ra a c a ra a o utro jo g o d e olhos chapeados. — Sei o q ue está p ensa nd o — a d vertiu Ma g d a leg na c o m seu p ró p rio sorriso cruel. — Sua mamãe não pode te ajudar agora. O c o ra ç ã o d e Ma ry g o lp eo u c o m vio lenta velo c id a d e q ua nd o c o m p reend eu q ue esta va d izend o a verd a d e a b so luta . A jo vem Demônio esta va ro d ea d a p o r to d o s esses Demônios c ujo s no m es e lend a tinha tem id o toda a vida.


—Ja c o b , Bela , lhes c o nc entre m a nter esta p eq uena m uc o sa em segredo. Ruth logo virá por ela. A o rd em fo i d a d a p elo Rei Demônio, q ua nd o ele e o s o utro s se vo lta ra m para os repentinos gritos de advertência vindo do campo, cheios de agitação de usuários de magia e caçadores. —Como uma Druidisa que conheço disse uma vez, chutemos o traseiro! Dep o is d essa d ec la ra ç ã o a leg re, a p ró xim a p a la vra q ue sa iu d a b o c a da Rainha dos Licántropos foi o arrepiante rugido do puma. Ruth fo i sa c ud id a fo ra d o estud o d o livro a b erto a nte ela p elo fo rte so m d e urg entes vo zes fo ra d a tend a. Fic o u em p é tã o rá p id o q ue g o lp eo u a cadeira para trá s e, a g a rra nd o protetoramente o p esa d o e velho vo lum e contra ela, estendeu-se com seus poderosos sentidos mentais. Compreendeu abruptamente que estava sob uma enorme ameaça. Pior a ind a , sua filha esta va send o a m ea ç a d a . Frenetic a m ente, a tra id o ra rec ha ç o u a rea ç ã o a uto m á tic a d e fúria e c eg o u o im p ulso p a ra rea g ir q ue o s instinto s m a terna is exig ira m . Po r so rte p a ra ela , o s séc ulo s d e treinamento como guerreira lhe rec o rd a ra m q ue luta r so b c o a ç ã o d a em o ç ã o era a m a neira m a is seg ura d e p erd er um a b a ta lha . Era em retro sp ec tiva , exa ta m ente c o m o Gid eo n tinha p ro c ura d o o b ter a va nta g em tã o inesp era d a em seu a ta q ue. Um eng a no p elo q ue ela ia , a o q ue p a rec e a ind a p a g a r o p reç o , q ua nd o se d eu c o nta d a p resenç a próxima d o Antig o . Os d ed o s c risp a d o s envo lvera m a red o r d e sua m a g ra g a rg a nta , a g a rra nd o a c a rd ea is q ue nã o esta va m m a is a li, exc eto em sua m em ó ria , d e c o m o Gid eo n o s tinha feito e quase a tinha matado no processo. Ag o ra eles p ro c ura va m c a p tura r e m a c huc a r a sua únic a m enina viva , inc lusive d ep o is d o q ue tinha m feito em sua a rro g â nc ia p a ra c a usa r so frim ento a Ma ry em p rim eiro lug a r! Se nã o fo sse p o r sua s leis id io ta s, Ma ry teria em p a relhado com um Druid a va rã o q ue a teria a m a d o c o m inc o m p reensível p o d er, d up lic a nd o o p o tenc ia l d a m o ç a , o u p o ssivelm ente m a is. Ma s nã o . Nã o ha via m visto c o nveniente em sa lva r a esse p o b re ho m em Druid a d e um a terrível m o rte p o r ina niç ã o . Só tinha m mudad o a s leis p a ra satisfazerem-se q ua nd o um d e sua seleta turm a tinha esta d o na nec essid a d e disso. O Executor e sua esposa. E agora ambos se atreviam a manter cativa a sua filha, o amor emanava d eles c o m o um a p estilenta p ra g a . Sa b ia q ue esta va m usa nd o Ma ry p a ra


cevá -la , m a s nã o seria tã o eng a na d a fa c ilm ente, nem seus p ro p ó sito s tã o simplesmente burlados. Isabella p a ro u p é c o ntra p é c o m a jo vem Demônio d e Terra , o s o lho s vio leta s c heio s d e ira lo g o rep rim id a p a ra ela . Ma ry e sua m ã e a tinha m em b o sc a d o q ua nd o esteve g rá vid a , p eg a nd o b a ixo , em um esp ec ífic o intento p o r a c a b a r c o m a vid a d e seu m enino , a ssim c om o c o m sua p ró p ria vid a . A Executora nã o esq uec eria o u p erd o a ria lo g o esse a trevim ento . Nem fa ria seu c o m p a nheiro , q uem , na a tua lid a d e, esta va exp ulsa nd o um a red e senso ria l q uerend o im p ed ir Ruth de aproximar-se sig ilosa m ente d eles, d a maneira como eles se a rra sta ra m em seu a c a m p a m ento e so b re sua ind efesa d esc end ênc ia . No c a m p o , o s nig ro m a ntes e c a ç a d o res esta va m send o envo lto s e fa c ilm ente d erro ta d o s. Os c a ç a d o res nã o tinha m nenhum o utro a rm a m ento fo ra às velha s ferra m enta s d e esc a va ç ã o , e o s nig ro m a ntes era m m uito d ep end entes em sua c o nc entra ç ã o e nec essita va m g ra nd e p rep a ra ç ã o a ntes d e serem efic a zes em b a ta lha . Só a q ueles a q uem o p o d er se a p resenta va m a is na tura lm ente a p resenta ria m um verd a d eiro d esa fio . Isso e o fato que os infiltrados realmente estavam excedidos em número. Isa b ella , entreta nto , esta va ind iferente. A red enç ã o era um poderoso m o tiva d o r. Nã o ha via um Demônio ou Lic á ntro p o no c a m p o q ue nã o tivesse uma boa causa para encontrar a redenção neste particular grupo. De rep ente, Isa b ella sentiu um red em oinho d e a r d eslo c a nd o -se, golpeando-a fo rtem ente na s c o sta s, fa zend o -a tro p eç a r p a ra frente. Ja c o b g irou p a ra enfrenta r sua esp o sa , q ua nd o seus a la rm es senso ria is so a ra m de forma ruidosa e extensa. Elijah também sentiu o redemoinho, ainda à distância no c a m p o , esta va d istra íd o d e seu a tua l a d versá rio o sufic iente p a ra o lha r em direção ao Executor. O g uerreiro c o nhec ia a sensa ç ã o d e d eslo c a m ento d e a r d e uma tele transportação e a g o ra o sentia . Assim c o m o o s Exec uto res. O p ro b lem a era que não havia nada nem ninguém no centro do deslocamento. —Ond e está ? —p erg unto u Isa b ella frenetic a m ente, retro c ed end o instintivamente mais perto de seu companheiro. Elijah viu sua c o nfusã o , um a d o ente e fria inq uieta ç ã o se estend eu p ela espinha q ua nd o o s viu d errub a r-se p o r um o b jetivo . A sensa ç ã o o b teve a a tenç ã o d e sua esp o sa , e a viu g ira r p a ra o b serva r o s exec uto res, p a ra nã o perdê-lo s c o m p leta m ente d e vista . Os o lho s d o ura d o s se d eslo c a ra m q ua se fec ha d o s e o p elud o na riz se elevo u d entro d o ra stro . Im ed ia ta m ente, o


c a b elo d a nuc a se a rrep io u e elevo u sua a tenç ã o . A g a ta tro c o u p a ra Mulher Ga to c o m vertig ino sa velo c id a d e. Elija h so ub e seus p ensa m ento s im ed ia ta m ente. Ruth esta va a li. Ap esa r d o q ue o s o lho s esta va m lhes d izend o , os sentidos do gato não podiam ser enganados facilmente. Jacob acolheu a metamorfose de Siena e a claridade de sua motivação m uito ta rd e. Isa b ella d e rep ente fo i a rroja d a e envia d a vo a nd o em sua direç ã o . Nã o p ô d e evita r a p a nha r a sua esp o sa , inc lusive se nã o o tivesse querido, ainda com sua pequena estatura, a velocidade do impacto contra o peito o enviou cambaleando para trás. Elija h rea g iu im ed ia ta m ente, enfo c a nd o -se na Demônio tra id o ra m a is jovem e fa zend o -a d esm o lec ula riza r em na d a m a is q ue um so p ro d e a r. Sua esp o sa esta va c o b rind o terreno em im p onentes, e p o d ero so s sa lto s, litera lm ente seg uind o seu o lfa to p a ra enc o ntra r à o utra , q uem d e a lg um modo tinha mascarado sua presença visual. Ruth se m a teria lizo u c o m um g rito d e frustra ç ã o justo q ua nd o Siena nã o esta va a m a is d e d ois sa lto s d e eq uilib rá -la so b re a terra . A Anc iã tra id o ra estend eu vio lenta m ente um a m ã o p a ra a m ulher Lic á ntro p o . Siena g o lp eo u um a p a red e, a m eio sa lto , e retro c ed eu c o m um a to sse a tem o riza d a . Ruth havia tele tra nsp o rta d o um a só lid a p ed ra em seu c a m inho a um a d istâ nc ia m uito c urta p a ra q ue p ud esse tro c a r a d ireç ã o . Aturd id a , Siena to c o u a a lm o fa d inha d a p a ta a p a lp a nd o o ra sg o d e p ele q ue c ruza va p o r sua fro nte, surgindo com a pele ensangüentada pelo esforço. Ruth entã o se tele tra nsp o rto u lo ng e. Elija h se p rep a ro u, sentind o -se bastante seguro que ela seguiria o rastro a qualquer custo. Forçou Mary dentro d e um esta d o nã o c o rp ó reo e usou um g ra nd e esfo rç o , d e to d a s fo rm a s, esta va luta nd o c o m unha s e d entes, Elija h a ç oito u a s c o sta s em sua fo rm a na tura l, a ntes q ue p erd esse a o p o rtunid a d e d e fa zer isso ta m b ém . Assim q ue fez isto sentiu que Ruth aparecia violentamente atrás dele. Ruth sem p re tinha sid o um a p erita a ta c a nd o p ela s c o sta s. Litera lm ente. Esta era uma de suas estratégias de ataque favoritas... Elijah lhe tinha ensinado c o m o , p elo q ue esta va p rep a ra d o p a ra a fo lha q ue veio , c o rta nd o p a ra seu fla nc o exp o sto . Nã o g a sto u energ ia tro c a nd o d e fo rm a , m a s p elo c o ntrá rio se agac ho u e ro d o u c o m no tá vel a g ilid a d e e velo c id a d e. Aind a a ssim , a fo lha passou além de sua orelha, arranhando o lóbulo. O g uerreiro nã o teve tem p o p a ra no ta r a lesã o . Ruth se tele tra nsp o rto u d e no vo e um a vez m a is a s sua s c o sta s. Instintiva m ente, Elija h b lo q ueo u o


g o lp e c o m o b ra ç o , envia nd o fa ísc a s q ue vo a ra m q ua nd o o m eta l d a faca c o nec to u c o m os elo s d e seu b ra c elete d o ura d o . Sem a p reo c up a ç ã o p ela p erversa m ente a fia d a fo lha , Elija h envo lveu o b ra ç o nu a o red o r e a tiro u p a ra b a ixo , d esa rm a nd o p ulc ra m ente Ruth, em b o ra a custo d e um a b o a m o rd id a na c a rne d e seus b íc ep s e a nteb ra ç o . De no vo o b ra c elete lhe tinha sa lvo d o pior. Ruth se vo lto u p a ra o lha r a sua m enina , c la ra m ente tenta nd o c entra r-se nela p a ra transportá-las lo ng e. Ma s c a d a vez q ue tinha tenta d o fa zê-lo a té o m o m ento , a lg o lhe im p ed ia d e leva r sua filha c o m ela . Frustra d a e enfurec id a , se tele tra nsp o rto u lo ng e, so zinha , a ntes q ue o Demônio g uerreiro a lc a nç a sse seus pés e pudesse reagrupar-se para atacar. Elija h se leva nto u, m a s tinha um alvo d iferente na m ente. Ag a rro u à d eso rienta d a Ma ry p ela g a rg a nta , usa nd o o a feto p a ra a tira r d a s c o sta s c o ntra seu p eito. Ma ry o feg o u, entã o g o rjeo u um restring id o so m d e p â nic o q ua nd o a eno rm e mão interro m p eu seu fo rnec im ento a éreo . Era m uito jovem e inexp eriente p a ra usa r q ua lq uer d e sua s ha b ilid a d es ina ta s d ep o is d e ser empurrada para o captor como tinha acontecido. Tudo o que podia fazer era sacudir-se e agarrar a mão fechada tão firmemente ao redor de seu pescoço. —Ruth! Arra nc a rei sua c a b eç a a q ui e a g o ra , juro -o! —La d ro u Elija h im p erfeita m ente a o a r no turno . — Term ina isto ! Enc o ntra seu d estino c o m o a guerreira que uma vez foi! Ruth se m a teria lizo u um a vez m a is, esta vez c o m ta l vio lênc ia q ue a lg uns d e seus c o m p a trio ta s fo ra m la nç a d o s p a ra trá s. Elija h esteve im ed ia ta m ente com os nervos em ponta quando se deu conta que a traidora tinha aparecido justo d etrá s d e Siena . Nã o p rec isa va p reo c up a r-se. Siena tinha se p rep a ra d o ao que p a rec e p a ra ta l tá tic a . Era um b o rrã o d e p ele d o ura d a q ua nd o g iro u a o red o r c o m surp reend ente velo c id a d e. Ruth rea g iu, estira nd o o s b ra ç o s q ua nd o ela tento u sa lta r p a ra trá s. Ma s Siena era m a is rá p id a , seus a fia d o s reflexo s tã o rea is c o m o sua ha b ilid a d e em d a r no b ra nc o . As g a rra s d a Mulher Ga to ra sg a ra m a tra vés d a frente d o vestid o d a Ruth, c o rta nd o a tra vés d a gaze e carne. A Anc iã Demônio Menta l g rito u d e d o r, c a m b a lea nd o p a ra trá s, o s o lho s m uito a b erto s c o m rep entino tem o r q ua nd o a Mulher Ga to g runhiu e se a g a c ho u, neg ra s e d o ura d a s p up ila s se estreita ra m so b re ela c o m o se fo sse à p ró xim a c o m id a d o g a to. Seus sentid o s no ta ra m a c erc a nia d o s Exec uto res, ta m b ém q ue a s linha s d e seu a c a m p a m ento esta va m red uzind o -se a na d a , e


que se ficava e lutava por sua filha um momento mais, era muito provável que ta m b ém fo sse c a p tura d a . A últim a c o isa no m und o q ue q ueria era c a ir so b o c a stig o d o s Exec uto res e o Rei. Se fo sse c a p tura d a , m o rreria ind ub ita velm ente por seus crimes. Em um último e desesperado tento para salvar sua menina, tentou pensar em um a m a neira d e a jud a r Ma ry a esc a p a r d e um d estino sim ila r. Tinha só um seg und o p a ra c heg a r a um a so luç ã o a ntes q ue se enc o ntra sse so b o sa lto d o g a to e sua s d o lo ro sa s g a rra s. Co m d esesp ero , Ruth ro ub o u um a p á d e esc a va r, c o m um a a g ud a p o nta d e m eta l q ue um c a ç a d o r esta va usa nd o a c erta d istâ nc ia utilizando-a c o m o p rojétil c o ntra Gid eo n. Rea p a rec eu em m eio vôo , d irig ind o -se d ireta m ente p a ra Elija h, sua filha p ro teg ia seu p eito . Ma ry era m uito p eq uena c o ntra o g ig a nte, p elo q ue seus o m b ro s se enc o ntra va m a p ena s d eb a ixo d o p a lm o d e c o stela s q ue c o b ria m o c o ra ç ã o do Capitão Guerreiro. O p rojétil era m uito inesp era d o e se m o veu m uito rá p id o, inc lusive p a ra a rea ç ã o d e Elija h. Ma s Siena já tinha c o m eç a d o a la nç a r-se c o ntra esta Demônio c a d ela q ue lhe tinha c a usa d o ta nto d o r. Sem c o m p reend er Ruth tinha a rroja d o um últim o a ta q ue leta l a seu c o m p a nheiro , ela tinha sa lta d o p a ra a Demônio c o m um a rrep ia nte e d ra m á tic o g rito . Ruth retro c ed eu c o m tem o r, to d a sua a tenç ã o enfo c a d a em esc uta r a tenta m ente esse ho rrível e a no rm a l g rito d e g uerra . Fo ra m o s séc ulo s d e treinam ento reflexivo c o m o guerreira q ue a fizera m c o rrer na d ireç ã o c o rreta p a ra evita r a s g a rra s q ue apontavam para estripar de um só golpe. Muito ta rd e, Ruth c o m p reend eu q ue tinha p erd id o c o ntro le d a la nç a q ue tinha envia d o a o c o ra ç ã o d e Elija h. Co rrend o p a ra evitar o m o rta l a lc a nc e d e Siena , g iro u p a ra verific a r se tinha sa lvo sua filha d a a sfixia d o gigante. Dura nte um m om ento , um d eleite p o d ero so a p erc o rreu q ua nd o viu o g uerreiro a jo elha d o , c urva d o so b re a c o m p rid a g ra m a . Entreta nto , seg und o s depois se voltou enfrentando-a, susto e dor sulcaram por seu rosto. Os olhos de Ruth d esc end era m , e seu m und o inteiro exp lo diu em ra iva e a g o nia . Em b a la d a no s b ra ç o s d o g ig a nte lo iro esta va sua filha , seu c o ra ç ã o esta va a tra vessa d o c o m o a rp ã o q ue tinha eleg id o c o m o a rm a p a ra o Ca p itã o Guerreiro. A visã o d e Ruth se vo lto u neg ra e lo g o verm elha , o q ua d ro inc o nc eb ível e o entend im ento d o m esm o ec o a nd o a tra vés d e sua m ente d eseq uilib ra d a


com enlouquecedora p ersistênc ia . Co m isto veio à c a lm a e c la rid a d e q ue só a lo uc ura p o d eria p ro p o rc iona r em ta l m o m ento . Vo lto u o s o lho s avermelhados de ódio para a Mulher Gato diante dele e grunhiu baixo. —Isto ainda não terminou — vaiou a Siena. — Pagarão por minha menina com os seus. Têm minha maldição nisso! Todos vocês! Então se tele tra nsp o rto u lo ng e, em um a últim a e vio lenta retira d a , deixando-o s p a ra sem p re a g o ra q ue já nã o ha via na d a p a ra m a ntê-la a li. Co m a s frias p a la vra s d a tra id o ra Demônio a ind a resso na d o em seus o uvid o s, Siena se vo lto u p a ra o lha r a Elija h. Só entã o c o m p reend eu q uã o séria era a ameaça que Ruth fazia. Mary estava morta. E Ruth tinha p ro m etid o ver q ue eles p a g a riam c o m o sa ng ue d e seus próprios meninos.

CAPÍTULO 19

Perto d o a m a nhec er, o vento q ue fo rm a va red em o inhos no exterio r d a aperta d a c a b a na d e tro nc o s, no b a lc ã o d a b ib lio tec a , so lid ific o u-se na s fo rm a s d a Ra inha e d o g uerreiro . Abraçavam-se estreita m ente, c o m o se apoiando entre si. Am b o s esta va m esg o ta d o s físic a e m enta lm ente, p elo q ue p ro va velm ente estivessem fa zend o p rec isa m ente isso . Elija h se m o veu primeiro, acariciando com os quentes e firmes lábios a recente malha do corte que sulcava a dourada fro nte. —Esp ero c o m â nsia o d ia em q ue Gid eo n p o ssa rea lm ente a jud a r a sua gente a c ura r — d isse b ra nd a m ente c o ntra a p ele, seu c o ra ç ã o d eseja nd o. Od ia va vê-la inc lusive c o m o m a is leve d a no . Levar-lhe-ia m uito tempo esquecer a visão dela, empolada e decomposta em seu leito de doente. —Shh… — Siena lhe a c a lm o u c om um sua ve fô leg o , a b o c a va g a nd o pela garganta. — Esto u em sua m ente, g uerreiro — Era ta nto rec rim ina ç ã o , c o m o a viso . Não estava acostumada a preocupar-se sobre algo mais do que ele era. — Gid eo n é m uito b rilha nte. Nã o tenho nenhum a d úvid a d e q ue enc o ntra rá a fo rm a d entro d e no ssa q uím ic a . Enq ua nto isso , isto se c ura rá sozinho bastante rápido.


Leva nto u a c a b eç a d a sua e o lho u d eva g a r a o red o r, a b ra ng end o a esc urid ã o lim p a q ue o s ro d ea va . A no ite inteira se fo i, em b o ra só tivesse passado um a s p o uc a s ho ra s d esd e q ue leva nta ra m p a ra a b a ta lha . Elija h o s tinha guiado a tra vés d e num ero sa s zo na s horárias, seg uind o a so m b ra d a escuridão até que tinham chego ali, onde estava amanhecendo. —Este nã o é territó rio Lic á ntro p o — c o m ento u, o lha nd o à extensa p ra d a ria sem á rvo res e à fo ssa d e la rg a s erva s m o vend o -se c o m a b risa na tura l. O o uto no c o m eç a va neste lug a r. As p rim eira s neva d a s esta va m previstas a qualquer momento em seu próprio território. —Exato — Murm uro u Elija h, b eija nd o -a c a rinho sa m ente no c a b elo a o estreitá-la. — Sem c a stelo . Sem g ua rd a s. Sem em b a ixa d o res, c o nselheiro s, o u generais… —Sem noite — indicou secamente. —Sem problema — respondeu com um sorriso. —Co nfia em m im . Minha id éia é q ue nã o ha ja nem inim ig o s, nem a m ea ç a s, e so b re tud o , nenhum a p reo c up a ç ã o im ed ia ta q ue nã o p o ssa esperar umas poucas horas. —Isso é im p o ssível d e o b ter c o m essa lo uc a c ria tura va g a nd o p elo planeta — respondeu com um triste suspiro. —Até q ue sa ib a m o s c o m exa tid ã o para o nd e esc a p o u, está m o m enta nea m ente fo ra d e no ssa s m ã o s. Só Ja c o b e Isa b ella têm a esp era nç a d e a verig ua r o nd e fo i. Co nseg uiu enc o b rir m uito b em seus ra stro s p a ra esc a p a r d a s ha b ilid a d es d e um g uerreiro , sem im p o rta r m eu p o d er. O Exec uto r na sc eu c o m a c a p a c id a d e ina ta d e ra strea r p o r si m esm o . Encontrála-á . Está m a ld ita , d eso nra d a , tra nsfo rm a d a e c o rrup ta , m a s a ind a é um Demônio — Elija h susp iro u, fec ha nd o o s o lho s à m ed id a q ue a b risa d o amanhecer trazia o perfume da terra e a erva dos arredores. — Se esc o nd erá e será c o nd ena d a m ente d ifíc il a p ro xim a r-se, m a s tenho um a fé c eg a em Ja c o b . Enq ua nto isso , gatinha, nã o p o d em o s viver no ssa s vid a s só p a ra luta r e c a ç á -la. Dar-lhe-ia um a vitó ria d e ta l a lc a nc e, q ue nem sequer poderia imaginar. Siena estrem ec eu b ra nd a m ente, estend end o a s esb elta s m ã o s p a ra envolvê-las a o red o r d o s fo rtes e m usc ulo so s b íc ep s, o p o leg a r a c a ric ia nd o a vendagem que ajustou. —Quando me lembro do perto que esteve de ser assassinado...


—Nunc a . So u m a is rá p id o e fo rte q ue seus truq ues, gatinha. Qua nd o Ma ry m e g o lp eo u, nã o era na d a m a is q ue a r. Só d eseja ria q ue ta m b ém tivesse tid o o tem p o e a fo rç a d e p ro teg ê-la , m a s c o m a ferid a no b ra ç o … — Susp iro u b ra nd a m ente q ua nd o esses tenro s d ed o s d elinea ra m a p unha la d a curada sob sua mão. — Há um a p a rte d e m im q ue p erd o a ria Ma ry p elo q ue fez, d evid o a o amor por seus pais. —Eu nunc a — Insistiu Siena c o m veem ênc ia , p isc a nd o p a ra tira r a ardência dos olhos, apoiando a bochecha sobre seu coração. — Desafiar o seu p a i p o r a q uilo no q ue crê ter razão é uma difícil eleição, m a s um a eleiç ã o q ue d eve fa zer se o c o nfro nta . Nã o era m uito m a io r q ue Ma ry q ua nd o fiz essa eleiç ã o . Inc lusive a c eitei o fa to d e q ue um d ia m eu p a i teria q ue m o rrer; q ue tivesse q ue m o rrer, se o q ue a lg um a vez p enso u chegasse a realizar-se — Elevou a vista quando ele se esticou sob seu toque. — É o c ic lo d a vid a so b re esta terra , q ue o s jo vens herd a rã o seu lug a r so b re ela d ep o is d a m o rte d e seus p a is. Ca d a ser vivo , a nim a l o u hum a no , c um p re este d estino c o nsta ntem ente. Sa b e — insistiu efusiva m ente, b a ixa nd o a voz em um rouco sussurro. —Sei — Concordou em vo z b a ixa — Ma s p a ra a s esp éc ies intelig entes, ser uma parte deste ciclo não é uma maneira tão fácil de existir. —Não deveria sê-lo. Espero que nunca aconteça conosco. Siena leva nto u a c a b eç a , a sp ira nd o p ro fund a m ente no vento , to m a nd o todos os aromas alheios desta parte da América do Norte em que nunca tinha estado. —Via jei tã o p o uc o em m inha vid a — a firm o u, tom a nd o o utra p ro fund a respiração, cheirando toda a flora e fauna. — Sem p re m e surp reend e c o m o o a r p o d e c heira r d e fo rm a d iferente, simplesmente trocando de lugar. —Sim . É um fenô m eno extra o rd iná rio . Um p o uc o p a rec id o a você e a m im , e a este vínc ulo q ue c o m p a rtilha m o s. Únic o , e a ind a a ssim sim p les a sua maneira. —Mmm... —Coincidiu. Então se afastou dele com um sorriso. — O so l se está m o vend o so b re nó s. Nã o crê q ue é o m o m ento d e m e mostrar sua casa? —O to ur — respondeu c o m um g ra ve e maroto so rriso , leva nd o -lhe nos b ra ç o s enq ua nto a b ria c o m um a p ernada a s p o rta s d a b ib lio tec a e c ruza va


c o m ela a entra d a —, p o d e esp era r a té m a is ta rd e. Tenho o utro s p la no s q ue necessitam que te familiarize com uma única habitação desta casa. —O dormitório? —O d o rm itó rio — c o nc o rd o u, fa zend o -a rir c om esse d uro e sexy so rriso q ue ta nto a d o ra va . Im ed ia ta m ente sentiu o fo g o d a nec essid a d e p o r ela q ueim a nd o a tra vés d e sua p ele, p ro vo c a d a p o r a q uela d ec a d ente risa d a gutural. —Alg um a vez te o c o rreu, q ue d ep o is d a d erro ta a um arquiinim ig o e enviá-lo fo ra d e um b o sq ue c heio d e nig ro m a ntes, p o d eria esta r m uito cansada para a classe de planos que tem? —Deveria — d isse c o m um rid íc ulo so rriso q ua nd o sub iu a o p a ta m a r d e a c im a a g ra nd es p erna d a s, e entro u na suíte p rinc ip a l—, m a s é ig ua l a m im , Siena . Dep o is d o c a lo r d a b a ta lha , o c a lo r d a p a ixã o é a p rim eira c o isa q ue anseia. Além d isso , fiz um a p ro m essa so b re um jo g o d e unir p o nto s, e tenho a intenção de reuni-los. —Nã o seria um a verd a d eira Ra inha se c o m eç a sse a nã o c um p rir m inha s promessas — refletiu brandamente. —Nã o é p ró p rio d e você retra ta r sua p a la vra , gatinha — resp o nd eu c o m um so rriso q ua nd o a d eixo u c a ir, d esliza nd o m uito d eva g a r a s p erna s p o r seu amplo corpo, permitindo o luxo bem castigado de seu tato. Siena resp o nd eu im ed ia ta m ente à sensa ç ã o d o s m úsc ulo s c o m o ro c ha s c o ntra sua p ró p ria flexib ilid a d e, a o c o nec ta r p o r c o m p leto seus á g eis c o rp o s. Susp ira nd o p ro fund a m ente, d em o nstro u-o c o m um lento ro nro no d e p ra zer q ua nd o se a b ra ç o u sexy c o ntra ele. Aconchegou um a b o c hec ha so b re seu o m b ro , a b so rvend o c o m c a d a m o léc ula q ue possuía a c o nsc iênc ia d essa s mãos esfregando suas costas. —Assim, isto é o que se sente estar verdadeiramente só — murmurou com satisfação. —Não está sozinha — lhe recordou brandamente. —Não, mas estamos. —Estivemos sozinhos na cova de Jinaeri. —Tem p o q ue esb a nja m o s — rep lic o u, leva nta nd o a c a b eç a p a ra indagar em seus olhos. —Negro — soltou. —O que? —Perguntou.


—Supõe-se q ue resp o nd e “ Bra nc o " — disse-lhe em um sussurro d e cumplicidade. — Poderia jurar que vive pela emoção de me voltar ao avesso. Siena riu, gostando tanto d a o c o rrênc ia , q ue envo lveu fo rte o s b ra ç o s a o redor do pescoço e encontrou sua boca com lábios firmes e insistentes. Atraiulhe c o m há b eis b eijo s sedosos. A la m b id a firm e d e sua líng ua , lhe p ro vo c a nd o em um jogo que lhe cativou por completo. Quando ao final lhe liberou, estava q uente e sem fô leg o embaixo d ela , p ro c ura nd o a p o nta d o s d ed o s. A ra inha estend eu a s a nsio sa s p a lm a s so b re a extensã o d o la rg o p eito q ue sub ia e baixava muito depressa. —Ad o ro sentir sua resp ira ç ã o — Susp iro u fec ha nd o o s o lho s, p erm itind o refletir em seu ro sto o sinc ero p ra zer d a sensa ç ã o e o so m d o sa ng ue d ele movendo-se p o r to d o seu c o rp o . Essa p a ixã o p o r um a c oisa tã o sim p les estimulou-lhe ainda mais profundo. —Siena — exa lo u, fec ha nd o o s o lho s q ua nd o a s m ã o s a ud a zes se estenderam devagar sobre ele. —Ao vo lta r p a ra o la r d o Antig o , q ua nd o vi Gid eo n e a c red itei q ue esta va m o rto , tud o o q ue p o d ia p ensa r era q ue se a lg o p o d ia m a ta r a tã o extra o rd iná rio ser… Que p o ssib ilid a d e teria c o ntra isso ? Esta va seg ura q ue nunc a p o d eria te sentir resp ira r o utra vez. — Co m ento u, c o m a lem b ra nç a d o m ed o ra sp a nd o em sua d o c e vo z, a p erta nd o a s m ã o s em um tenso to q ue so b re o c la ro m o vim ento d o p eito, q uã o únic o m a ntinha essa em o ç ã o no passado, onde pertencia. —Siena… — A silenc iou d o c em ente, lhe em b a la nd o a s c o sta s d a c a b eç a c o m a m b a s a s m ã o s, entrela ç a nd o o s d ed o s a tra vés d o c a b elo enquanto examinava os olhos dourados. —Prometeu-m e isso , Elija h. Qua nd o estivesse b em e no sso s inim ig o s derrotados, poderia te falar do que sinto em voz alta. Viu-a p esta neja r d ep ressa , tra ta nd o d e d esfa zer-se d a um id a d e no s o lho s. Ala rg o u a m ã o p a ra to c a r c o m o s p o leg a res a s sua ves p o nta s d a s d o ura d a s p esta na s, d isp o sto a a p a nha r q ua lq uer lá g rim a q ue se a trevesse a esc a p a r d e seu esc rutínio . O c o ra ç ã o a p erta d o c o m a em o ç ã o , transbordada através dele, irradiando como a luz do sol ou a lua. —Siena, antes de dizer algo, preciso te perguntar algo. —Sim . Sei. Estiveste p ensa nd o m uito so b re a lg o q ue o p reo c up a q ue m e incomode. Hei-o sentido todo o tempo, enquanto viajávamos até aqui.


—Tenho q ue m e a c o stum a r a sua p erc ep ç ã o d e m eus p ensa m ento s — disse com pesar. —Perdoe- me, não tratava de te enganar. —Sei — insistiu. — Tem feito o q ue q ua lq uer p esso a fa ria . Esta va a na lisa nd o seus p ensa m ento s a ntes d e exp ressá -lo s. Em b o ra d eva te d izer q ue q ua lq uer faria, não a c red ito q ue justifiq ue m a is sua p reo c up a ç ã o . Nã o so u tã o irra cional como pensa que sou. —Promete me escutar até o final? —Sempre — lhe assegurou. —Muito b em — c o m eç o u a falar a c a d ênc ia rá p id a e entrec o rta d a ; a eficiência de uma tarefa desagradável, mas que alguém deve terminar. — À luz d o s a c o ntec im ento s d e ho je e to d o s o s p erig os q ue a c red ito va m o s enfrenta r, d evo te p ed ir q ue m e lib ere tem p o ra lm ente d e m inha p ro m essa a renunc ia r d e m eu p o sto c o m No a h. Esta situa ç ã o va i fic a r m uito m a is im p revisível a ntes d e reso lver. Neste m o m ento , nã o há ning uém em q uem c o nfia p a ra m e sub stituir, q ue reúna o resp eito e o p o d er q ue tenho na fo rç a d e No a h. No a h é um g ra nd e líd er, m a s m a is q ue erud ito , é um g uerreiro . Tã o tem ível c o m o é na luta , nã o é a í o nd e seus ta lento s e energ ia s sã o mais bem empregados. Dep end e m uito d e m im p a ra d irig ir o s tem a s d e seg ura nç a e d efesa , e a c red ito q ue se p a rtir, resulta rá ser um a va nta g em p a ra o renegado que procuramos. Antes dormiria em um ataúde de ferro, que dar tal poder a Ruth. —Elijah — sussurro u Siena b ra nd a m ente, a p ro xim a nd o -se p a ra lhe emoldurar o rosto com as cálidas mãos de comprid os dedos. — Se servir a No a h, a ind a m e serve. Se rec o rd a r, nunc a te p ed i q ue renunc ia sse a seu c a rg o . Fez a p ro p o sta c o m o um g esto , e fui ho nra d a p o r isso . Prec isa m ente, sei q ue teria feito ta l a sso m b ro so c o m p ro m isso p o r a q ueles q ue nã o lhe c o nhec em o u a c eita m a ind a . Esto u b a sta nte im p ressio na d a p ela sinc erid a d e na nec essid a d e q ue tem p o r ser um a p a rte d e m inha vid a e a s vista s d e m eu p o vo . Esse sentim ento nã o tro c a rá . Além d isso , tem a intenç ã o d e ser q uem é, na p o siç ã o em q ue está ig ua l a m im . Nã o q ueria que se demitisse ig ua l nã o d eseja ria q ue m e p ed isse q ue renunc ia sse a ser Rainha. Arrumaremos isso — lhe assegurou. _ Arrum a rem o s isso c o m p a c iênc ia , e ta nto rec ha ç o à tend ênc ia d e comportamentos ruins c o m o no s é p o ssível. E tem ra zã o , nã o é m o m ento d e


extravagantes mudanças. Haverá muitas mudanças como esta s. Vive comigo, a m a c o m ig o . To d o o resto fa z c o m o estim a m a is nec essá rio . Além d isso — sorriu—, sinto q ue p a ssa rei g ra nd es q ua ntid a d es d e tem p o entre o s trib una is, ta l c o m o p enso q ue No a h se sentirá o b rig a d o a fa zer. Co m o c hefes, d evem o s d a r exem p lo a o utro s q ue no s o b serva rã o p a ra o rienta r-se so b re c o m o esquecer as velhas cicatrizes e prejuízos do passado. —Ob serva r inim ig o s d e to d a a vid a unir-se em um esfo rç o c o njunto terá um im p a c to interessa nte. Ac red ito q ue sua p ró xim a p ro p o sta p o d eria ser um m elho r serviç o , c oinc id ind o c o m Da m ien. No rm a lm ente foi a fa sta d o d e o utro s Nig htw a lkers p o r ta nto tem p o , c om o o uvi d izer d ele, m a s ultim a m ente esteve entre nó s p o r p ró p ria vonta d e. Mo stro u um a estra nha p reo c up a ç ã o p o r sua vida pela que, pessoalmente, sempre estarei agradecido. —Elijah, não desejo falar de assuntos de Estado todo o dia. Por que tenho a sensação de que está evitando que queira falar contigo? O g uerreiro lib ero u seu ro sto , d ista nc ia nd o-se c o m um a rapidez evid ente. Deu a vo lta e estud o u a s vid ra ç a s d e c o res d e fo rm a s a rtístic a s, tã o p o p ula re s entre sua g ente, q ue ro d ea va m o d o rm itó rio inteiro c o m sua s m uita s ja nela s. So b a sua ve luz c o lo rid a era um g ra nd e p ra zer d o rm ir, p erm itind o p rec isa m ente a leta rg ia q ue deixava o s Demônios so no lento s, rela xa d o s e d esa fo g a d o s, a rra sta nd o -o s a um esta d o q ue lhes im p o ssib ilita va p ro teg er-se, em caso de ataque ou emergência. Entreta nto , d eu-se c o nta enq ua nto o b serva va Siena p o r c im a d o om b ro , q ue inc lusive essa d elic a d a luz seria d a ninha p a ra ela . E se o esta va usa nd o p a ra seg uir evita nd o no m o m ento sua s em o ç õ es, entã o q ue a ssim fo sse. Siena era c o nsc iente d e seus p ensa m ento s, m a s ta m b ém era c o nsc iente d e q ue esta va usa nd o sua p reo c up a ç ã o p ela luz d o sol c o m o um esc ud o , evita nd o assim que a m b o s d esc o b rissem o q ue tinha p erturb a d o sua p a z m enta l. Observou-lhe c o m tena zes e im p a rc ia is p ensa m ento s, enq ua nto ele fec ha va o s o lho s e d esliza va esc ura s nuvens. So rriu enq ua nto a esc urid ã o c a ía so b re a casa. —Vais manter nos coberto s de nuvens todo o dia? —Não — sorriu ligeiramente. — Nã o so u c a p a z d e seg uir c entra nd o m eu p o d er enq ua nto d urm o . Ac red ito q ue ta lvez Gid eo n e No a h seja m os únic o s que nã o m e surpreenderiam se pudessem fazê-lo.


Esta va a p o nto d e p erg unta r q ue p ensa va fa zer, q ua nd o a c o b erta d e nuvens se d ivid iu a b rup ta m ente, d erra m a nd o um a rep entina e im p ressio na nte chuva. Giro u lig eira m ente p a ra ela e so rriu, lhe d a nd o um a p resum id a e sarcástica piscada. —Um a vez fiz isto a Ja c o b . Disse-lhe q ue p o d ia m o ver a Terra ig ua l a ele, e me desafiou a prová-lo. —Como sabia que ele faria. —Sim — Elija h sorriu. — Assim fiz c a ir um a c huva inferna l, p ro vo c a nd o q ue um la m a ç a l c a ísse diretamente sobre ele. Nesse insta nte, o b a rro c o m eç o u a c a ir c o ntra a s ja nela s, o b sc urec end o a p rim eira ha b ita ç ã o d e um la d o , lo g o d o o utro . A c huva se d eteve p a ra nã o la va r o lo d o . A terra úm id a tinha sid o a rra sta d a d o la m a c ento terreno p a ra converter-se em um p eq ueno to rvelinho d e p ó q ue a rroja va b a rro c o ntra a c a sa c o m o um c ã o m o lha d o . Qua nd o este sec a sse, fo rm a ria um a p erfeita máscara a prova de luz. —Muito eng enho so — lhe felic ito u c o m um m eio so rriso, c ruza nd o o s b ra ç o s d eb a ixo d e seus p eito s, e g o lp ea nd o c o m o s d ed o s o a nteb ra ç o , enquanto evid entem ente esp era va a q ue g ira sse p a ra ela e enfrenta sse seus pensamentos. —Sim , sim — Susp iro u, fina lm ente enfrenta nd o -a a o m esm o tem p o em que sua curiosidade penetrava sua mente. —Nã o é p ró p rio d e você evita r c o m p a rtilha r c o m ig o o s p ensa m ento s — Lhe reprovou. —Em rea lid a d e, m eus p ensa m ento s nã o sã o um m istério . Estiveste tend o p ensa m ento s m uito sim ila res — Elija h se m o veu p a ra senta r na c a m a , estirando-se p a ra lhe a g a rra r a m ã o e a p ro xim á -la a té situá -la entre seus joelhos e lhe rodear a cintura com os braços. — Estamo s c a sa d o s, gatinha, e só sa b em o s o b á sic o um d o o utro . Co m o p o d em o s esp era r a ssum ir a p ro vo c a ç ã o d e senta r p a c ific a m ente na m esm a mesa aos Montéquio e os Capuleto? Ela a ssentiu b revem ente, a s m ã o s a c a ric ia nd o b ra nd a m ente o s o m b ro s. A qual deles estava tratando de acalmar? Não sabia com certeza. —E nem sequer pensamos em meninos — acrescentou.


—Nenhum a d e no ssa s esp éc ies to m a irresponsavelmente a o s m enino s, m a s nã o esto u d e a c o rd o em tra zer um m enino a um a uniã o a q ua l o s p a is seguem sendo em muitos aspectos estranhos um ao outro. —No sup o sto d e q ue seja m o s b io lo g ic a m ente c o m p a tíveis, p a ra fa la r d e meninos — recalcou ela. —Outro assunto — acordou seriamente. — A sucessão de seu trono... —... Está seg uro em m ã o s d e Syreena , sem im p o rta r o q ue p a sse — lhe interrompeu brandamente. — Tem o s tem p o d e so b ra p a ra so luc iona r esta s c o isa s. Nã o p o d e te senta r a q ui, e tra ta r d e reso lver a lista d e ta refa s q ue tem o s d e um a só vez. Perdoe-me, m a s está p ensa nd o c o m o um hum a no . Os hum a no s sã o d iferentes, Elija h, p o rq ue nã o tem ineg á veis c o nd ições c o m o a Vinc ula ç ã o . Esta condição nos impulsionou a estar juntos, embora sejamos pouco mais que estra nho s, m a s nã o p o r isso é um a d esva nta g em . Quero a livia r sua m ente e te d izer q ue esto u m uito m a is interessa d a em c heg a r a c o nhec er m a is um d o outro, que desesperada por cumprir com meu dever de obter herdeiros. —Sinto o mesmo — respondeu serenamente. Qua nd o a p a rto u d e no vo o o lha r d ela , Siena susp iro u exa sp era d a m ente e fic o u d e jo elho s entre sua s p erna s, a s m ã o s c a íra m so b re a s c o xa s, apertando-a s tentando conseguir sua atenção. —Elija h, p o d em o s c heg a r justo à p a rte q ue seg ue evita nd o ? — Perguntou-lhe seriamente. —Maldição — Murmurou, lhe dando um meio sorriso irônico. —Sim, sei. É ruim ter uma mulher em sua mente. —Essa p o d eria ser a d esc o nsid era ç ã o d o séc ulo — Elija h se estiro u a té acariciar com as pontas dos dedos seu queixo. — Prec iso sa b er se esta d isp o sta a m a nter um la r q ue esteja unid o em coração e espírito, mas dividido por tradições — Concluiu finalmente. —Pa ra c o m eç a r — lhe resp o nd eu b ra nd a m ente—, no ssa c a sa já esta unid a em c o ra ç ã o e esp írito . Nã o m e d eixa ria d izê-lo , m a s lhe d irei isso a g o ra . Amo-te, Elijah — Sua voz se quebrou, mas devido à plenitude da emoção, não por nenhum tipo de incerteza. — Nã o m e im p o rta se to m a d ez a no s o u d ez séc ulo s c o nhec er to d o s esses p eq ueno s d eta lhes q ue ta nto te p reo c up a m . Vi seu esp írito . Hei-o sentid o unir-se a o m eu. Ag o ra sei q ue so m o s d ua s m eta d es d e um só ser. Um


ho no rá vel g uerreiro , um fero z a lia d o , um p o d ero so líd er e um c a rinho so a m a nte. To d o o resto se c o nverte em p eq ueno s d eta lhes m inúsc ulo s, p o rq ue isto é tudo o que necessito saber de você. É sua essênc ia . Isto esc ulp e o q ue é e o q ue fa z, ig ua l q ue fa zem c o m ig o — a g a rro u um a d e sua s g ra nd es m ã o s, atraiu-a a té seu ro sto e b eijo u a p a lm a , o s o lho s d o ura d o s p isc a va m c o m dolorosa intensidade. — E te ro g o q ue m e p erd o e p o r ser tã o c o va rd e e nã o ha ver d ito em nossa noite de bodas, quando necessitava tanto intercambiar as palavras e os sentimentos comigo — a rica voz alagada de rouca agonia. — Qua nd o p enso q ue p o d eria ha ver te p erd id o sem q ue so ub esse, envergonho-m e d e m im m esm a e d uvid o q ue a ind a m ereç a este p rec ioso sentimento. —Siena — rep etiu seu no m e em um susp iro enq ua nto a sustenta va fo rtem ente c o ntra si. Elija h nunc a ha via sentid o ta nta eufo ria c om o a q ue o encheu a o esc uta r essa s p a la vra s d e a m o r. To d o o resto , a s rec rim ina ç õ es e a p ena , nã o p o d ia m p enetra r esse sentim ento . Qua se a d eixo u sem fô leg o a o tratar de aproximá-la completamente a seu corpo. — Ac red ito q ue te d á c o nta d e q ue so u m uito teim o so e eg o ísta p a ra morrer sem a satisfação de te escutar dizer o mesmo. Ele a fez rir, p ersua d ind o-a a d esliza r a s m ã o s a o red o r d e sua c intura , aproximando-se a ind a m a is a o p eito , exa ta m ente o q ue nec essita va e q ueria que fizesse. —Esta va tra ta nd o d e ter um sério e c a rinho so m o m ento , m a s rea lm ente não acredito que seja capaz. —Declarou com exasperação. —Esta va send o c o m p leta m ente sério — lhe d isse, a sseg ura nd o -se d e parecê-lo. Siena só riu de novo. —Ma s d evo te d izer q ue... —Fez um a p a usa , a vo z c heia d e infinita doçura e ternura. — É tã o va lio sa p a ra m im — sussurro u c o ntra seu p esc o ç o . — É o c o ra ç ã o q ue p ulsa em m eu p eito , m inha a lm a enq ua nto se m o ve p o r m inha mente. O fôlego em meu corpo que tanto te fascina, é sua essência que entra e sa i d e m im em um a o nd a q ue m e a fo g a um a e o utra vez, a té q ue nã o posso respirar do muito que te desejo. Que te necessito. Siena tra to u d e resp ira r, m a s seu c o ra ç ã o esta va o b stina d a m ente tra va d o na g a rg a nta . Ele esta va fa zend o o utra vez, fa zend o com q ue to d o


seu ser se inc ha sse c o m em o ç õ es q ue ia m a lém d e sua c a p a c id a d e, o s o lho s queimando pelas lágrimas. —Elijah — sussurro u c o ntra o d o ura d o c a b elo , a s lá g rim a s q ue c a ía m p o r sua s b o c hec ha s d esliza va m p ela s d elic a d a s m ec ha s, enq ua nto enterra va o rosto em seu pescoço. — Te a m o . Vo u c o m p a rtilha r sua s tra d iç õ es, ig ua l c om p a rtilho seu c o ra ç ã o . A Deusa te tro uxe p a ra m im , sua s tra d iç ões lhe a ta ra m p a ra m im d a m esm a fo rm a q ue a s m inha s a ta ra m a você. Se nã o fo r p o rq ue no ssa s c renç a s se unira m c o m o o fizera m , p o ssivelm ente nunc a tivéssemos c o nhec id o estes sentim ento s. Nunc a tivéssem o s c o m p a rtilha d o este a m o r. É o b vio q ue vo u resp eita r sua s c renç a s e tra d iç õ es. Estã o d em o nstra nd o nã o ser tão diferentes das nossas. —Mmm — concordou, sorrindo c o ntra seu c a b elo enq ua nto a c a ric ia va brandamente as mechas. — Sou tão afortunado de ter uma esposa tão sábia — declarou. — Embora confesse que estava pensando em uma tradição específica. —Me conte — respirou. —Esta va p ensa nd o na c erim ô nia d o Sid d a h e m inha s resp o nsa b ilid a d es nessa funç ã o q ua nd o a b eb ê d e Bela c heg ue à id a d e a d eq ua d a — se apartou para ver sua expressão. — Va i sig nific a r a c o lher a um m enino . Um m enino m uito poderoso c o m c a p a c id a d es m uito sing ula res, se no ssa p ro fec ia fo r c erta . Vejo um a g ra nd e oportunidade de conhecimento, se compartilhasse nossas vidas em uma corte c o m d iferente c ultura . Ma s renunc ia ria a o ro l d e Sid d a h se isto te p reo c up a r m uito . Entend o q ue é um a resp o nsa b ilid a d e m uito d ifíc il. Em b o ra , c o nfesso que me doeria muito decepcionar a Bela e Jacob dessa forma. —Nunca te pediria que fizesse tal coisa — o repreendeu Siena. — A c ria ç ã o d o s filho s é um a resp o nsa b ilid a d e q ue a m b a s a s esp éc ies to m a m m uito a sério . Ela teria m uita so rte d e te ter c o m o m ento r. E a ind a m a is de ter a mim. Sorriu quando se aproximou para beliscá-la por ser impertinente. Siena lhe resp o nd eu d esliza nd o a s a rd entes e a ud a zes m ã o s a o lo ng o d a s c o sta s. Sentiu-lhe susp ira r p esa d a m ente, e so ub e q ue era p o rq ue seu to q ue lhe rela xa va ta nto c o m o sua s g enero sa s resp o sta s o fa zia m . Nã o tinha q ue preocupar-se c om ta nta s c oisa s d e um a vez. O tem p o p o ria c a d a c o isa em


seu lug a r. Ele esta va c a nsa d o e d eb ilita d o p o r um a b a ta lha q ue o futuro era algo frágil, pelo que entendia sua inquietação. Também tinha uma cura para isso. Enq ua nto sua c a b eç a se enc hia d e p ensa m ento s e p erg unta s, ela c o m eç o u a sussurra r em sua m ente um a sua ve litania em seu id io m a na tivo . Era sua ve, im p erc ep tível no c la m o r d esses p ensa m ento s, e nem seq uer sa b ia c o m seg ura nç a se c o nhec ia o id io m a . Entreta nto , se ele q ueria c o m p a rtilha r tra d iç õ es, este era um a d a s q ue esta va feliz d e o ferec er. No rm a lm ente, esta s palavras se diziam em voz alta a seu companheiro. Siena tinha a vantagem da telepatia para ajudá-la, o que deixava sua boca disponível para outras coisas. Co m eç o u a esfreg a r a d elic a d a b o c a c o ntra seu p esc o ç o , enc o ntra nd o o ritm o d e seu p ulso , sentind o -o p o r um m o m ento , já q ue rep resenta va o ritm o d a vid a q ue c o rria a tra vés d ele. Lo g o a b riu o s lá b io s e d eslizou a líng ua so b re essa c o nsta nte vib ra ç ã o . Im ed ia ta m ente, a a tenç ã o d e Elija h se c o nc entrou em um únic o p o nto d e interesse, d esp reza nd o tud o , exc eto o a velud a d o d esliza m ento d e c a lo r e um id a d e q ue la m b ia lenta m ente o tra jeto d e sua c a ró tid a . O c a lo r exp lo diu c o m o fo g o em sua m ente, d esliza nd o so b re c a d a p o leg a d a d e p ele, e fina lm ente, a ssentando-se intim a e a rd entem ente em seu c o rp o . Ela se a jo elho u entre a s c o xa s, o s inc ríveis seio s p ressio na d o s c o ntra o peito, e as mãos escorregando por cima das coxas. Elija h sentiu a fo to insta ntâ nea rea ç ã o q ue d esp erta va tã o fa c ilm ente nele. So lto u um a g o niza nte g em id o , enq ua nto o s d entes c o m eç a va m a b rinc a r em seu p esc o ç o . Ela o m o rd isc o u e sentiu o ra io d e eró tic o p ra zer q ue c heg o u a té o c entro d e seu ser. Fo i entã o q ua nd o c o m eç o u a esc uta r a s p a la vra s p enetra nd o em sua c a b eç a , em sua líng ua na tiva , um id io m a q ue tinha a p rend id o fa zia m uito tem p o , c om o q ua lq uer g uerreiro intelig ente teria feito . Tinha a sua ve c a d ênc ia d o russo , m a s era m uito m a is a ntig o q ue este, m uito m a is eleg a nte, p ro fund a m ente reflexivo , c o m a s sexys e g utura is c o nso na ntes d o s Lic á ntro p o s, e o m o vim ento d a s líng ua s q ue d a va m à s palavras um som aveludado, quase como suaves grunhidos. É p a ra m im . So u p a ra você. Meu c o rp o é teu. Seu c o rp o é m eu. Toqueme. Saboreie-me... Elija h g runhiu d a s p ro fund id a d es d e sua a lm a , a s p a la vra s p o r si só era m uma deliciosa tortura, mas as mãos de Siena deslizavam para o centro de suas p erna s, a c a ric ia nd o -o em seu d o lo ro so c o nfina m ento . Prim eiro p ressio no u o s d ed o s c o m o p a ssa r d o d uro c a lo r q ue enc o ntra va d eb a ixo d a b ra g uilha ,


lo g o a p a lm a . Mo rd isc o u seu p esc o ç o nova m ente. Moveu-se d e m a neira q ue o sensua l p eso d e seus seio s se esfreg a sse c o ntra seu p eito , o s m a m ilo s tentadoramente duros e excitantes se perfilavam sob o vestido. Entã o , um b a tim ento d o c o ra ç ã o d ep o is, esta va a g a rra nd o a b o rd a d a camisa, tira nd o-a d a c intura d a s c a lç a s, enq ua nto se leva nta va p a ra enc o ntra r sua b o c a . Elija h se inc lino u p a ra ela , a p a nha nd o a b o c a em um selva g em e d esenfrea d o b eijo . Vo lta va -lhe lo uc o sua s inc lina ç õ es a g ressiva s, era c o m o um a fa nta sia sexua l feita rea lid a d e. Sentiu-a d esliza nd o d elic a d a m ente p o r seus p ensa m ento s, d esc o b rind o o q ue gostaria, o q ue lhe fa ria p erd er o c o ntro le. Tiro u a c a m isa d e seus b ra ç o s e im ed ia ta m ente ro m p eu o b eijo p a ra d esliza r o s lá b io s p or sua g a rg a nta , a c la víc ula e c o m o p a ssa r d o ventre, a té q ue fic o u nova m ente d e jo elho s e ele se c o nverteu em um ser cheio de ardente excitação e necessidade. As m ã o s d e Elija h a c a ric ia ra m o c a b elo , a s ponta s d o s d ed o s m a ssa g ea nd o o c o uro c a b elud o c o m frenétic o s m o vim ento s. Sentiu-a so rrir so b re seu ventre, sa b end o q ue tinha sid o m iserá vel tã o sutilm ente em sua a rm a d ilha surp resa , q ue d ific ilm ente p o d ia p ensa r. Em p urro u-lhe so b re a c a m a , seu c o rp o e b o c a seg uind o o m o vim ento . As m ã o s d esliza ra m so b re seu c o rp o , enq ua nto se inc lina va p a ra frente p a ra la m b er a tensa p ele d o s a b d o m ina is. Seu c o rp o inteiro trem ia d e nec essid a d e, exp lo dind o p elo im enso c a lo r. A p ele estic o u d ura m ente a o sentir o ra sp a r d o s d entes, enq ua nto seus lá b io s c o m eç a va m a p erc o rrer a d o ura d a so m b ra d e p êlo q ue d esa p a rec ia na cintura das calças. Seus d ed o s c a íra m ha b ilm ente so b re o s b o tõ es d a b ra g uilha , e fina lm ente fo i lib era d o d a to rtuo sa m a lha a p erta d a , p a ra c a ir na s a nsio sa s m ã o s. Siena esc uto u o selva g em g em id o, enq ua nto lhe envo lvia em seus d ed o s. Esta va d uro e g ro sso p ela nec essid a d e. Nec essid a d e d ela . E nã o ha via fo rm a no m und o d e d esc rever q uã o em o c io na nte era . Quã o p o d ero so . Ma s existia m m ilha res d e fo rm a s d e a lim enta r esse p o d er, d e fa zê-lo c resc er. Acariciou-lhe b ra nd a m ente a o p rinc íp io , só c o m a s ponta s d o s d ed o s, delineando o s c o nto rno s d a a velud a d a p ele so b re ferro . Sustento u-lhe, envo lvend o a m b a s m ã o s a o red o r d ele e a s d esliza nd o p ela lo ng itud e. A exc la m a ç ã o d e Elija h d e d o lo ro so p ra zer ec o o u p o r c im a d eles. Ma s antes que p ud esse term ina r esse g em id o , d eslizo u a líng ua so b re a d elic a d a c rista e logo o levou para a quente sedução de sua boca.


O g uerreiro sentiu c o m o se tivesse sid o g o lp ea d o p o r um c a rro . Esta va ind efeso p ela s c ho c a ntes sensa ç õ es; o a b d ô m en e p ulm õ es, um a c o nfla g ra ç ã o d e tó rrid a nec essid a d e. A b o c a era m a lva d a m ente q uente, úm id a , um há b il refúg io q ue se a p erta va fo rtem ente em to rno d ele. Sentiu a sinuo sa líng ua , lhe p ro va nd o c o m fo m e, utiliza nd o seu sa b o r p a ra exc ita r a si mesma , a té q ue sua resp ira ç ã o se entrec o rta va c o ntra ele. Elija h sa b ia q ue ia matá-lo. Seu c o ra ç ã o esta va p ulsa nd o tã o fo rte, q ue nã o lhe surp reend eria se sa ísse d o p eito em q ua lq uer seg und o . Ela era im p la c á vel, m uito a nsio sa e c heia d e um a ím p ia c urio sid a d e q ue era sim p lesm ente inc rível. Nã o p o d ia suportá-lo nem um segundo mais. Siena sentiu o a p ertã o d e um a s m ã o s no c a b elo , d esliza nd o -a so b re seu c o rp o , a fa sta nd o -a d a prazerosa exp lo ra ç ã o c o rp o ra l. Ap ro xim o u-a d e sua b o c a , e a a ta c o u c o m um b eijo selva g em q ue a d eixo u m a c huc a d a e sem fôlego. Logo se desvaneceu entre suas mãos, e sentiu a si mesmo desvanecerse seg und o s d ep o is. Um m o m ento esta va a li e no seg und o , era a r. Qua nd o p a sso u d e no vo a esta d o só lid o , to d a s a s ro up a s tinha m d esa p a rec id o e Elija h a tinha c a p tura d a d eb a ixo d e seu p esa d o e p o tente c o rp o . Ela riu a o ver o selvagem desejo ardendo como fogo nos olhos esmeralda. —Você gosta de me tentar? Era um a a m ea ç a , a lta , c la ra e m a ntid a c o m um m a sc ulino g runhid o c heio d e intenç õ es. Devo ro u sua b o c a em um a interm iná vel c a d eia d e b eijo s, a ind a q ua nd o a s m ã o s p erc o rria m indômitas to d o seu luxurio so c o rp o . Encheu as mãos com seus peitos, jogando com os sensíveis mamilos, até que ela gritou em sua b o c a , a rq uea nd o o c o rp o d ura m ente c o ntra ele. Sa b o reo u-o c o m o um p o tente na rc ó tic o, sentind o a q ueim a ç ã o d e sua d o ura d a p ele, c heira nd o a liq uid a exc ita ç ã o entre sua s p erna s. Sujeitou a m b a s a s m ã o s e a s afastou de seu corpo, as capturando cruelmente e as pressionando com força contra a cama. Deixando a sua boca como único elemento de tortura, justo o que desejava. Ab a nd o no u esses b eijos a d itivos e d eslizou um úm id o c a m inho p ela g a rg a nta e peito. Em um seg und o , c a p turo u o m a m ilo esq uerd o c om o s d entes, lá b io s e líng ua , c hup a nd o -o d ura e g ro sseira m ente a té q ue a teve fazendo esses femininos ronroneos de prazer que tanto amava. Instintivamente tentou lib era r a s m ã o s, m a s ele neg o u. Tro c o u p a ra seu o utro seio e ela g rito u. Elija h la m b eu o d elic a d o p o nto ro sa e d o ura d o , la va nd o -o umidamente, e Siena sentiu um im p ulso q ua se m a lic io so d e rir em sua m ente. De rep ente um a


b risa so p ro na ha b ita ç ã o . Nã o q ua lq uer b risa , a nã o ser um a m uito fria . Uma ra ja d a d e a r q ua se c o ng ela d o d esliza nd o so b re o um ed ec id o e exp o sto c o rp o d e Siena que g em eu a nte a eró tic a sensa ç ã o d e frio e c a lo r. To d o seu c o rp o estrem ec eu e trem eu enq ua nto a b risa se a fa sta va . O c o rp o inteiro trem ia c o m um a d elic a d a vib ra ç ã o , e Elija h d esfruto u d isso , enq ua nto sub stituía o frio c o m fo g o , q ueim a nd o um a ta lho a té o um b ig o e, lo g o , a ind a m a is a b a ixo . Seus lá b io s d esliza ra m a tra vés d o s d elic a d o s c a c ho s e, d ep o is, estendeu a língua para saboreá-la. Siena g ritou g ro sseira m ente, o s q ua d ris im p ulsiona nd o -se p a ra c im a , tra ta nd o d e a lc a nç a r a a velud a d a sensa ç ã o d essa líng ua , a ind a enq ua nto ele seg uia . Fo g o . Um inferno exp lo diu em seu c o rp o , c o m eç a nd o nesse p o nto central onde ele pra ticava magia contra ela. Não liberou as mãos, mas trocou seu a g a rre d e m a neira q ue o s d ed o s se entrela ç a ra m . Ela esta va d erra m a nd o calor e mel, e Elijah adorava seu corpo ainda quando a dirigia ao adormecido m und o d a p ro m etid a lib era ç ã o . O c o rp o inteiro esta va b lo q uea d o c o m a im inente lib era ç ã o , inc lusive a p erna q ue tinha d esliza d o c eg a m ente so b re seus o m b ro s p a ra a rra stá -lo m a is p erto , a o nã o lhe lib era r a s m ã o s. Tenta va -a im p la c a velm ente, a m a nd o o s rud es e p rim á rio s so ns d e fem inina nec essid a d e que saíam dela. —Elijah p or favor! —Gritou, lhe rogando piedade. Ele so lto u a s m ã o s rep entina m ente, a g a rra nd o o s q ua d ris, e m a ntend o -a exa ta m ente na p o siç ã o q ue q ueria tê-la . Só p rec isa va d esliza r sua fo rm o sa boca três vezes mais antes que explodisse. Ela em itiu um luxurio so e interm iná vel g rito , sustenta nd o -o inc lusive q ua nd o a levo u m a is à frente d o p ra zer. Foi im p la c á vel, nã o tinha eleiç ã o . As fortes convulsões d esse c o rp o , o s g rito s e, o sa b o r p ic a nte e q uente d e p ra zer que deslizava por seu paladar era muito aditivo. O g uerreiro se q ueb ro u so b a p ressã o d o p ra zer d ela e a nec essid a d e q ue sentia . Nunc a a ntes tinha sid o tã o forte e vio lenta . Bra m a va c o m o um a besta em seu interior, demandado satisfação. Elija h a g a rro u c o m a rrud a nec essid a d e sua c o m p a nheira q ue ja zia fra c a d e p ra zer, tira nd o -a d a c a m a e sustenta nd o -a c o m seu d uro c o rp o e rá p id a s investid a s q ue a p ena s lhe p erm itia m m a nter-se em p é. Só se d eteve q ua nd o esc uto u a s m ã o s g o lp ea r a p a red e, a s b o c hec ha s a p o ia nd o -se c o ntra a Lisa sup erfíc ie, enq ua nto seus q ua d ris era m em p urra d o s p a ra ele, o im p ulso leva nta nd o o s p és d o c hã o . Seu a ro m a , d uro e m a sc ulino , c o b ria -a enq ua nto


a p ressio na va c o ntra a só lid a p a red e. Sentiu-lhe, d uro titâ nio c o ntra seu tra seiro , enq ua nto ele se inc lina va p a ra ro ç a r o s lá b io s c o ntra o p esc o ç o exposto. —Desejei isto d esd e a p rim eira vez q ue te vi — lhe c o nfesso u apaixonadamente, o fôlego um ardente banho sobre sua orelha e ombro. — Tão orgulhosa e tão malditamente confiante. Inc lino u o s q ua d ris c o m a s c a lo sa s m ã o s e esc o rreg o u c o ntra a s úm id a s d o b ra s d e c a rne fem inina . Esta va o sufic ientem ente q uente p a ra q ueim á -la , e Siena lançou um grito. —Nesse m o m ento so ub e q ue era a m ulher m a is sexy e q uente q ue conheci. Pôs-me duro, queimou-me com esses altivos e dourados olhos, e tudo o que queria fazer era te agarrar, te atirar contra uma parede, e... Penetrou-a em um violento g o lp e, enterra nd o -se c o m p leta m ente no c entro d e um fero z, q uente, inim a g ina velm ente a p erta d o , d o c e e p eg a jo so c éu. Siena esta va inund a d a em ta nto p ra zer q ue, senti-lo a levo u a um orgasmo insta ntâ neo , so lta nd o um g em id o c o m p rid o e fo rte enq ua nto a ferocidade de sua necessidade a sobressaltava. Elijah a sentiu convulsionar ao red o r d ele, seus m úsc ulo s o nd ea nd o vio lenta m ente, d eb ilita nd o seu c o ntro le. Seu p ra zer lhe o b rig a va a lib era r-se, m a s nã o renunc ia ria a sua fa nta sia tã o cedo. Ela tinha provocado isto, e ela o aceitaria. Não havia outra solução. Grunhiu p a ra d entro c o m o um a tem p esta d e, um fura c ã o selva g em q ue queria arrasar tud o o q ue c a ía em sua s m ã o s. E sua s m ã o s esta va m so b re ela . O p eito p ressio na d o c o ntra sua s c o sta s, a b o c a d esc end o a b erta c o ntra seu o m b ro , a s m ã o s sustenta nd o seus q ua d ris p a ra q ue p ud esse retira r-se e reto rna r c o m um a selva g em fo rç a d e c resc ente nec essid a d e e d esejo p ro fund o . Siena o sentiu, a nec essid a d e, o im p ulso e o m o vim ento d o c orp o em seu interio r. Ca d a m o vim ento , c a d a p ensa m ento era eró tic o p a ra ele, porque era ela, e lhe surpreendia sua própria necessidade. —A p rim eira vez q ue te vi — lhe sussurro u, enq ua nto ele c o m eç a va a p ro c ura r o ritm o—, nã o p o d ia evita r m e p erg unta r. Seu ta m a nho e esta tura , sua s m ã o s era m tã o g ra nd es e tã o c a lo sa s, q ue q ueria sa b er c o m o se sentiria ser sustenta d a p o r ela s, c o ntra meu c o rp o , c o nhec er a sensa ç ã o d e sua s poderosas pernas…! Siena so lto u um estra ng ula d o g rito q ua nd o Elija h enc o ntro u esse d o c e lug a r, o entend im ento im ed ia ta m ente a la g a nd o seus p ensa m ento s, e im ed ia ta m ente inc o rp o ra d o a o p ro fund o ritm o d o s im p ulso s. Já nã o p od ia


fa la r, o u p ensa r. Nem seq uer p o d ia sustenta r-se. Elija h c o ntro la va c a d a um d e seus movimentos e o controlava magistralmente. “ É tão apertada, gatinha.” Ap a rentem ente, ele ta m p o uc o p o d ia fa la r, e inc lusive seus p ensa m ento s era m um c o m p rid o g runhid o d e p ra zer. Siena se intro d uziu em sua m ente, na selva g em neb lina d e nec essid a d e a nim a l e d e q ua se c ruel d o m ina ç ã o . Isso entend ia . OH, entend ia m uito b em . Po ssessiva territo ria lid a d e. Ela era d ele, e ele ia se encarregar de que ela e todo o maldito mundo soubessem. Nesse m o m ento uns d entes p erfura ra m seu o m b ro. Em p a rte era p a ra mantê-la em seu lug a r e, em p a rte, um a m a rc a d istintiva . Nã o p ô d e evitá -lo. Nã o p ô d e reter a b ruta lid a d e d e seu c o rp o enq ua nto investia fo rte e d ura m ente c o ntra o d ela . Seus m o vim ento s se vo lta ra m m a is rá p id o s, ela d a va g rito s d e êxta se, e ele p ô d e sentir essa c eg a fo rç a em sua m ente e c o rp o , inc lusive a ntes q ue a sentisse a g a rra r-se c o ntra ele, im p la c á vel e firm e, to d o seu ser trem end o a o red o r. Ma nteve-a a li, sustenta nd o a c a b eç a c o ntra seu o m b ro , enq ua nto lhe ensurd ec ia c om seus inc ríveis g rito s, a té q ue nã o p ô d e sup o rtá -lo um seg und o m a is. Cheg o u a o top o , exp lo dindo d entro d ela c o m o um a vio lenta b o m b a , em p urra nd o p ro fund a m ente e g rita nd o a o c éu, que lhe respondeu com um furioso trovão. Am b o s c a íra m a o c hã o , em um m a ta g a l d e extrem id a d es, suo r, e fa lta d e vo nta d e p a ra m o ver-se, em b o ra fo sse um m ilím etro . Luta va m p o r resp ira r, inc lusive Elija h era inc a p a z d e reg ula r sua nec essid a d e d e o xig ênio nesse m o m ento . Um a m ã o d esc a nsa va fro uxa c o ntra seu p eito , leva nto u-a p a ra b eija r a p a lm a . Im ed ia ta m ente viu a eno rm e fo rm a d e um a m a rc a com ampolas. Sentou-se subitamente, p ro c ura nd o a o utra m ã o . Ta m b ém esta va ferid a . Co m o sa ind o d e um a vio lenta e c o nfusa to rm enta , o lho u a sua companheira. —Siena! —Agarrou-a , a p ro xim a nd o -a . No q ue tinha esta d o p ensa nd o ? Ac a b a va d e sa ir d a c a m a em q ue esteve c o nfina d a p o r sua enferm id a d e, esg o ta d a p ela b a ta lha . E a g o ra ja zia m a ltra ta d a , m a c huc a d a e c o m ampolas. “ E m o rd id a . Nã o se esq ueç a d e m o rd id a se fo r usa r to d o s o s a d jetivo s possíveis. “ O sa rc á stic o p ensa m ento insta nta nea m ente a liviou sua p rem ente c ulp a . Conhec ia esse to m o sufic ientem ente b em , p a ra sa b er q ue esta va em


p erfeita s c o nd iç õ es. Esta va c o nsid era nd o seria m ente a p a rta r-la d e seu regaço para que caísse sobre seu traseiro. Siena abriu os olhos amplamente —Não te atreveria! —Nã o m e d esa fie! —Replicou— Ma ld ita seja , m ulher, d estró i m inha prudência! —Bo m p rec isa a p rend er a nã o p reo c up a r-se ta nto . Um a s q ua nta s m a rc a s d e a m o r e m a c huc a d o s fo rm a m p a rte d o jo g o p a ra o s Nig htw a lkers — Se aproximou para lhe acalmar com um quente e ardoroso beijo. — Nã o é na d a c o m p a ra d o à fo rm a como m e fa z sentir q ua nd o fa z o amor dessa maneira - murmurou com os olhos dourados brilhantes de prazer. Elija h se sentia m a is tra nq üilo . Levantou-se e a a jud o u a leva nta r-se c o m um m o vim ento p a rec id o . Ag a rra nd o -a c o ntra ele tã o fo rtem ente q ue a m b o s c a íra m à c a m a . O Ca p itã o Guerreiro p ô s a sua esp o sa d eb a ixo d ele, pressionando-a c o ntra o c o lc hã o c o m seu p eso . Inclinou-se p a ra c a p tura r o s lá b io s, e a b eijou a té q ue sua s fo rm o sa s b o c hec ha s esta va m c o lorid a s d e um intenso rosa. —Antes q ue sa ia o so l, esto u d ec id id o a vo lta r p a ra essa p a rte so b re m inha s p o d ero sa s pernas - d isse sed o sa m ente c o ntra o s úm id o s e so rrid ente s lábios.

CAPÍTULO 20

—Menina d a no ite, q ue c a m inha na no ite, b em a m a d a d a no ite… Nó s lhe damos um nome. Elija h a va nç o u enq ua nto levantava um a m ã o p a ra Isa b ella , d eixa nd o q ue sua filha a g a rra sse c o m fo rç a d e um d e seus d ed o s. Leg na se a d ia nto u e fez o mesmo. —Chamamos-lhe Ja c ina — d isse Isa b ella c o m firm eza - é seu no m e d e p o d er, c o nhec id o só p o r q ua tro d e nó s. Este será usa d o p a ra te c uid a r, te d isc ip lina r e te fo rm a r em um org ulho so reflexo d a m a is no va g era ç ã o d e nossa gente. —Chamo-te Lea h — d isse Ja c o b , to c a nd o seu b eb ê b ra nd a m ente na fro nte escura.


— Este é seu no m e d e c ha m a d a , m inha filha , o q ua l m uito s usa rã o para fazerem-se seus a m ig o s, seus p ro fesso res e, um d ia , insc rever sua vid a na história onde te distinguirá com grandeza. —Nós somos Siddah — entoaram Legna e Elijah ao uníssono. — Lhe a c o lherem o s, Ja c ina . Moderar-lhe-emos c o m a m o r e lhe fo rm a rem o s c o m resp eito e o rienta ç ã o de acordo à s tra d iç ões d e no ssa gente. Sempre lhe amaremos como nossa, Leah. —Bend ito seja o Destino — d isse Elija h, sorrindo d e rep ente d e orelha a orelha. —Ela é a p rim eira m enina d e um a no va era p a ra ta nto s d e nós. — susp iro u Leg na c o m sa tisfa ç ã o , estira nd o -se p a ra a b ra ç a r a o s o rg ulho so s p a is afetuosamente. —E de m o d o a lg um o últim o — c o nc o rd o u Isa b ella , to c a nd o o ventre d e Legna com um sorriso. —Venha . Minha esp o sa d isp ô s um b a nq uete seg und o no ssa tra d iç ã o — d isse Elija h reunind o o g rup o enq ua nto o s a fa sta va d o a lta r no p ro fund o d o s b o sq ues russo s. Tinha neva d o a ntes e fa zia m uito frio p a ra q ue o b eb ê permanecesse fora durante muito tempo, ainda quando estivesse agasalhada calidamente contra o peito de sua mãe. —Um Lic á ntro p o d a nd o um b a nq uete Demônio — riu entre d ente s Jacob. — Jamais pensei que veria este dia. —Vo c ê nunc a p enso u q ue Elija h se c a sa ria — b rinc o u Isa b ella , d a nd o uma cotovelada no g uerreiro . — m e p a sse a m inha filha a d o tiva a ntes q ue vo c ê, lento , d eixe-a c o ng ela r a té m o rrer. Elija h a rreb a to u a Lea h d e sua m ã e e desapareceu dentro de enérgicos redemoinhos. —Elijah! —gritou Bela atrás dele. — Vou dar uma patada no traseiro! —Ele vai estragá-la de má maneira — predisse Legna. —E me diz isso agora — ironizou Bela. Elija h se m a teria lizo u d ia nte d e sua esp o sa c o m a b eb ê em b a la d a na d o b ra d e seu b ra ç o . Siena esta va vestid a c o m a ind um entá ria p ro to c o la r, resp la nd ec end o litera lm ente d e o uro no vestid o d e sed a c urto q ue tinha posto, seus olhos acesos e sua pele luminescente. —No ssa filha a d o tiva , sup o nho — fo i sua b em -vind a a fetuo sa eleva nd o se de seu trono. Seu colar cintilava com o abajur de gás quando ela se moveu


p a ra to c a r à m enina q ue seu m a rid o sustenta va . Eleva nd o sua b o c a p a ra a d ele, d eixo u-lhe b eija r c o m a d elic a d eza q ue sa b ia q ue nunc a d eixa va d e a sso m b ra r a c o rte q ue a ind a esta va a c o stum a nd o -se à visã o d e seu a ntig o inimigo ao lado de sua Rainha. —Minha Senhora Rainha, posso apresentar a Leah, filha dos Executores? —Olá , Lea h — d isse ela b ra nd a m ente, seus o lho s cintilavam c o m súb ita astucia quando elevou a vista para Elijah. — Parece alarmantemente natural sustentando um menino, esposo meu. —Nem te ocorra, gatinha — lhe advertiu com um sorriso. —Nã o . Nã o fa rei — a sseg uro u. Entã o p a sso u seus sua ves e d elic a d o s dedos sobre o couro cabeludo ligeiramente cabeludo do bebê. — Ao menos… não durante uns meses ainda. O fô leg o d e Elija h c o ng elo u em seu p eito e ela sentiu o c a la frio d e c o m o ç ã o q ue se p rec ip ito u a tra vés d ele. Jo g a nd o a c a b eç a p a ra trá s, ela riu com tanta força que todos na estadia deram a volta para olhá-la. —Disse m eses? Queria d izer a no s — c orrig iu ela , rindo tã o intensa m ente que lhe encheram os olhos de lágrimas. —Isso não teve graça — grunhiu ele. Ignorou-lhe, p a ssa nd o p o r d ia nte dele p a ra sa ud a r seus c o nvid a d o s Demônios q ue a c a b a va m d e c heg a r, c o m um a c o m b ina ç ã o d e a b ra ç o s e uns quantos beijos formais nas bochechas. —Venha m e sed e b em -vind o s. Minha g ente e eu lhes sa ud a m o s to d o s — a nunc iou ela em vo z a lta , a b rind o seus b ra ç o s efusiva m ente p a ra o d escomunal banquete festivo. — Nos p erm ita m c eleb ra r o b a tism o d esta fo rm o sa m enina . E no s d eixem b rind a r p o r no sso futuro , já q ue tã o certo q ua nto o no m e d esta m enina nunc a trocará, nosso futuro nunca será outra vez o mesmo. Enquanto Elijah olhava como ela avançava, régia anfitriã da cabeça aos p és, ele fec ho u o s o lho s e d eslizo u c a rinho sa m ente em sua m ente, assegurando-se d e q ue so ub esse sem d úvid a nenhum a q ue seu a m o r p o r ela cresceria inclusive mais do que já fazia naquele momento. Siena g iro u p a ra o lhá -lo enq ua nto seus o lho s verd es pálido a b ria m em um a p isc a d a . Estiro u a m ã o p a ra to c a r o p esc o ç o distraidamente, so rrindo enquanto o fazia. “ Eu ta m b ém te a m o , g uerreiro , sussurro u-lhe em seus p ensa m ento s. “ Possivelmente mais do que qualquer um de nós saberá jamais. “


“ Eu corrigiu Sempre

saberei, ele. saberei.”

Fim

DAMIEN: THE NIGHTWALKERS. —Arriscou sua vida pela minha como se não tivesse nenhuma responsabilidade para com uma raça inteira! Isso foi estúpido e ridículo! —Isso teria sid o m eu engano — resp ond eu Da m ien b rusc a m ente. — Nã o estou acostumado que a gente critique minhas ações, Syreena. —Bem, possivelmente deveriam fazê-lo! Nunca teria permitido que Siena fizesse uma coisa tão tola! —OH, d e verd a d e? Justo c om o im p ed iu q ue ela q ua se m orresse p or seu marido? Foi c om o se retorc esse um a fa c a em um p onto m uito sensível p a ra ela , e ele soub e im ed ia ta m ente p ela exp ressã o em seus olhos. Entã o c om p reend eu q ue ela rea lm ente se c ulp a va p elo enc ontro p róxim o q ue sua irm ã tinha tid o c om a m orte em outubro passado. —Supõe-se q ue d everia te d eixa r m orrer sa ng ra ndo, Syreena ? —perguntou sossegadamente, tra ta nd o d e em end a r c om o b á lsa m o d e sua s p a la vra s a d or q ue tinha causado. — Por que esta tão desejosa de valorar minha vida por cima da tua? —Nã o sou tã o esp ec ia l p a ra q ue um p ovo inteiro d eva ser p riva d o d e seu monarca por mim! —Felizmente para você, discordo dessa afirmação. Damien entend eu, entreta nto, q ue ha via a lg o m a is em sua s p a la vra s a lém d e seu im ed ia to d esa c ord o . De tod os os m od os, nã o entend ia . Nunc a a tinha considerado como alguém que se desvalorizasse.


Olhou-lhe d ura nte um longo m om ento c om o se tornou c om p leta m ente louc o, seus olhos c onfusos p roc ura va m nele um a resp osta e um a lóg ic a q ue sim p lesm ente nã o esta va d entro d e sua c om p reensã o . Entã o, sem sa b er p or q ue, inc linou-se p a ra frente e o beijou. Da m ien fic ou p a sm o d ura nte um m om ento a nte o a trevid o e ilóg ic o a to, sua s m ã os d e m a neira reflexa rod ea ra m os b ra ç os enq ua nto a b oc a q uente d ela p ressiona va b ra nd a m ente a sua . A m ã o nã o enfa ixa d a sub iu p a ra p ousa r c ontra a b oc hec ha d ele enq ua nto os teim osos olhos d ela d esliza va m fec ha nd o-se p or um momento comprido e doloroso. Ele sentiu, e logo saboreou o sal de suas lágrimas. Ela se afastou só um p a r d e c entím etros, c om o c orp o trem ulo sob sua s m ã os enq ua nto ele ob serva va seus olhos c heios d e em oç ões e sensa ç ões c onfusa s e conflitantes. —Por que fez? —Por que… — se interrompeu quando um soluço agarrou suas palavras. — Porq ue isto é um c onto d e fa d a s, Da m ien. E em um c onto d e fa d a s, a Princesa sempre beija o Príncipe que a resgata. Era um a c oisa enc a nta d ora e ing ênua vind o d ela . Era um a m ulher d e g ra nd e sa b ed oria , forç a a ssom b rosa e um sentid o d e lóg ic a q ue neg a va q ua lq uer m ira g em d e ing enuid a d e, entreta nto, q uis m ostra r-se c om o um a esp era nç osa id ea lista a fim d e exp ressa r sua g ra tid ã o . Ele se d eu c onta d e q ue isto era um a g reta meticulosamente p roteg id a em seu m od o d e ser, a q ua l m uita s p ouc a s p essoa s tinha m a c esso p erm itid o. Isto sig nific a va m a is p a ra Da m ien q ue a s m a is p rofusa s e eloqüentes palavras de qualquer idioma. —Syreena… — fez um a p a usa p a ra c la rea r a a sp ereza d a g a rg a nta . — Nã o sou nenhum herói — disse com arruda tranqüilidade. — Não deveria me converter em um. Ela desafiou a declaração silenciosamente com um beijo. Desta vez Da m ien viu vir, m a s isto nã o fez q ue estivesse mais p rep a ra d o. Esta vez nã o era um a exp ressã o rá p id a e sim p les d e g ra tid ã o im p ulsiva q ue ela q ueria dar. Ele sabia que isto era um pouco diferente, e em um nível instintivo. Ap esa r d a voz d a ra zã o q ue soou estridente em sua c a b eç a , Da m ien se p erm itiu o luxo d e d esfruta r c om a sensa ç ã o d e seus lá b ios. Co m a g ua rd a b a ixa e c om tã o p ouc o tem p o p a ra p ensa r nisso, d evolveu a intim id a d e c om ig ua l c a lor e m ed id a . De um b a tim ento d o c ora ç ã o a o seg uinte, sua s m ã os enc ontra ra m o c a m inho d entro d e seu c a b elo a té a p a rte p osterior d a c a b eç a d ela . As pontas d os d ed os d esliza ra m languidamente sentind o o c a lor d e seu c ouro c a b elud o, c onsc iente d e tud o o q ue ela tinha p a ssa d o e sofrid o e nã o q uerend o d e m a neira nenhuma causar um momento de dor adicional.


Ta m b ém Syreena d eslizou os d ed os a té um a p osiç ã o em q ue lhe sustenta va a c a b eç a , no c a so d ele p ensa r d isc utir c om ela sob re seus d esejos nesta q uestã o . Obscurecidos os olhos d ele olha va m d ireta m ente os seus, p roc ura nd o c oisa s a lém d a c om p ressã o d e a m b os. Ela enc ontrou seu olha r fixo c om olhos c heios d e segurança e força. Sabia o que queria, surpreendentemente, sem uma só dúvida ou seg und o p ensa m ento. Este m om ento, a q ueles fa sc ina ntes olhos envia ra m um a m ensa g em a ele, d evia ser p rec ioso p a ra a m b os. O seg uinte m om ento viria m uito cedo. Mas este momento… Este m om ento era p a ra d a r, agradecer, p a ra a g entileza , e sob re tud o, p a ra sentir algo que não continha nenhuma dor, luta, ou ramificações imediatas. Simplesmente seria o que era.


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Nightwalkers 03 - Elijah  

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