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Babélia

Unisinos n Junho 2010 n

andré seewald cassandra dos reis Redação Jornalística II

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o meio da música pop, eletro, psy, black music e outros tantos gêneros e estilos que agitam as festas no Brasil, um deles chama a atenção: o sertanejo universitário. Mesmo quem não gosta não pode negar o sucesso dessa nova versão do sertanejo tradicional que colocou o gênero novamente no topo das paradas. Desde o sertanejo de raiz, com Tonico e Tinoco, na época do surgimento do rádio, o gênero traz um apelo popular. “O sertanejo tem sua origem nas mais autênticas manifestações da cultura e da arte popular. Nasceu nos sentimentos dos caboclos violeiros, com a melodia singela das suas violas e suas vozes rústicas”, lembra Eloy Terra, assessor de marketing da Rádio Alegria, onde há 21 anos a música sertaneja é o carro-chefe.

Com o tempo, o estilo foi passando por mudanças, como o período de Xitãozinho e Xororó, e, no início dos anos 80, já era um fenômeno musical de massa. Para Terra, agora é o momento do sertanejo universitário, que traz um ritmo mais acelerado e é impulsionado por grande divulgação na mídia. Na Rádio Alegria, o gênero não é segmentado. “A música sertaneja é uma só. O termo universitário surgiu pelo apelo comercial, mas não deixa de ser sertanejo. É apenas uma variação, que traz novos arranjos e uma sonoridade diferente”, explica Terra. O estilo surgiu há pouco mais de dois anos na região central do país e começou a ganhar espaço no cenário nacional na carona da dupla mineira Victor e Léo. Embora não considere um estilo à parte, do sertanejo tradicional para o universitário existem algumas diferenças peculiares. A música traz uma batida mais agitada, alegre, pra cima, que con-

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A triste moda do chororô juliana brião

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Redação Jornalística III

sertanejo universitário virou moda entre os grupos de jovens de quase todo país. Adolescentes choram e se escabelam quando o mais novo astro Luan Santana entra no palco. As meninas agem como se ele fosse um dos integrantes das famosas “boys band’s” dos anos noventa. O Pop/Rock já não existe mais em vários bares da grande Porto Sertanejo toma Alegre. E a guerra de quem não gosta desse gênero musical coconta da noite meça assim que se resolve sair em uma quarta-feira à noite. O Mundo está perdido? No meu ponto de vista, está. Não escutamos mais o Zezé de Camargo chorando e gritando sobre o ‘Amor’. Agora o que ouvimos é sobre um tal Meteoro da paixão. Como se não bastasse o chororô todo, as batidas das músicas tendem a beirar ao pop, são um pouco

Opinião

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mais aceleradas e dançantes. Uma mistura um tanto quanto chata. Quem conhece o bom Rock’N’Roll consegue passar uma noite toda escutando “ela me deixou. Estou em um quarto escuro desesperado”? Há quem diga que é somente uma modinha e que passa logo, eu espero, pelo menos. Estou cansada de ir a locais que antes frequentava e perceber que há um dia da semana especial para esse tipo de música. Quando não é exatamente o dia em que eu fui ao local. Está tudo misturado, jovens com roupas de marcas de surf escutam Victor e Léo. Ok, uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas eu sou do tempo em que os sertanejos de verdade se identificavam com a cultura do interior. Não essa mistura que está agora. Se não bastasse nos preocuparmos com Tsunamis, terremotos e vulcões, temos que nos preocupar com meteoros da paixão. Onde vamos parar?

Ao longo dos anos, a música sertaneja rompeu barreiras e, hoje, embalada por um novo estilo, finca o pé entre as mais tocadas no país

Fenômeno universitário Sindy Longo

A Quarta-feira Country e Sertaneja é um sucesso de público no American Bowling

tagia com letras de fácil memorização e muita interação com o público. Emplacando um sucesso após o outro, sendo inclusive tema de novela, a dupla Victor e Léo, hoje líder de vendas do gênero, é uma das responsáveis pela explosão do sertanejo universitário. Em pouco tempo, surgiram inúmeras duplas que também trouxeram esse rótulo. O estilo começou a ter forte divulgação na mídia e caiu no gosto dos jovens e dos centros urbanos. Mesmo os que não eram muito chegados a refrões do tipo “é o amor” e “chore por mim, liga pra mim” encontrou no sertanejo universitário uma nova forma de diversão. As músicas convidam a dançar e cantar junto e, aos poucos, a empolgação toma conta. Um exemplo disso é o espaço que vêm ganhando nas casas noturnas da região metropolitana. Bares e danceterias antes apenas dedicados a estilos como rock ou música eletrônica estão abrindo espaço para o novo ritmo. O American Bowling, em Novo Hamburgo, estreou há cerca de um ano a Quarta-feira Country e Sertaneja. Ao som de Luan Santana, César Menotti e Fabiano e tantas outras duplas, homens e mulheres, dos 18 aos 30 se divertem dançando. A ideia deu certo e tem atraído muita gente. Mesmo sendo no meio da semana, não é difícil encontrar a casa cheia. Para Pedro Rocha, gerente do local, o momento atual da música sertaneja ajuda. “O estilo que tocamos aqui, o sertanejo universitário, é diferente dos mais antigos. À viola, foram incorporados outros

instrumentos que tornam a música mais vibrante, mais dançante, e a galera canta junto”, ressalta. Quando a dupla termina o show, depois de mais ou menos uma hora, entra o DJ. “Geralmente as bandas ficam pouco mais de uma hora no palco, depois disso o DJ toca som mecânico, tradicional das festas. Mas o sertanejo também entra no set, a mistura de estilos é muito bacana”, completa Rocha. Atraídas por esse ritmo contagiante e que levanta a plateia, as mulheres são maioria nessas festas. A estudante Fernanda Lopes, 21 anos, é fã do estilo e, geralmente, a balada com a música sertaneja é a primeira opção. “Ouço desde pequena e adoro ir nessas festas, se pudesse ia toda semana.” Mas quando o assunto é a música, aderir ou não ao estilo depende do gosto de cada um. O professor de Jornalismo da Unisinos Carlos Jahn, de São Leopoldo, é um exemplo de quem não é muito chegado ao sertanejo universitário: “Até ouço na casa de amigos, mas não me identifico com o estilo. Para mim, as músicas são monótonas”. Mesmo que alguns não apreciem, o fato é que o ritmo pode ser considerado um sucesso. Presença confirmada em festivais de músicas, programas de TV e de rádios, duplas sertanejas movem multidões onde quer que seus acordes e melodias românticas toquem. Versos como “te dei o sol, te dei o mar, pra ganhar seu coração” são cantadas em coro e parecem traduzir os sentimentos de quem está na plateia.


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