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pilão 1 ª edição nov 09


Editorial

E

ssa revista tem por objetivo mostrar cultura e arte de uma forma mais ampla, com o foco ao não usual, dando oportunidade à manifestações musicais, cinematográficas, fotográficas, arquitetônicas, tanto conhecidos como desconhecidos de um público maior. O intuito é mostrar novos interesses, fugindo de um mercado de informação já saturado e desinteressante, que não visa o que não é rentável ao bolso. Isso tudo é uma realização dos estudantes de Publicidade e Proganda Leonardo Bach e Rafael, da cadeira de Produção Gráfica e Arte-Finalização, com a professora Vera Dones, do Curso de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda, do Centro Universitário Feevale, Novo Hamburgo - Rio Grande do Sul, Brasil.

Um trabalho de: Leonardo Bach e Rafael Klein CAPA: Fernando Arrienti PROFESSORA: Vera Dones Colaboradores de conteúdo: Gabriel Scola, Bruno Schilling Corrêa, Fernando Arrienti


3. Barravento 7. Provos 9. M達e do Ladr達o 13. Hundertwasser


3. Barravento

Os primeiros passos da Idade da Terra Gabriel Scola

“Barravento”, o primeiro longa-metragem do mais importante cineasta da história do cinema brasileiro, Glauber Rocha. A realização é de 1962, e ali estava pra se iniciar o maior movimento do cinema nacional, o Cinema Novo. Movimento que viria com uma proposta estética nitidamente contrária às obras comerciais da extinta Vera Cruz (uma espécie de “Hollywood” brasileira) com seu principal diretor estreando em uma produção de um longa-metragem (Glauber já havia filmado alguns curtas, entre eles “Pátio” de 1959, e A Cruz da Praça, também de 1959). Claro que se pode dizer que os primórdios do Cinema Novo surgiriam através de Nelson Pereira dos Santos e o clássico “Rio 40 Graus” com suas profundas influências no neo-realismo italiano. Mas é evidente que se tem em Glauber a maior figura do movimento.

um roteiro genial, assim como os seus premiadíssimos e aclamados “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Terra em Transe”. Uma história que denuncia a alienação religiosa do povo brasileiro, e a exploração da classe majoritária por parte da burguesia, representada por pescadores de uma aldeia na Bahia, chamada de Praia do Buraquinho. Uma aldeia banhada por misticismo, Iemanjá, deuses do mar, capoeira, candomblé e rituais sagrados. A rotina da aldeia é modificada quando Firmino, um ex-morador, agora estudado, volta para denunciar aos pescadores as explorações nas quais são submetidos, que hesitam em dar ouvidos à Firmino. Por motivos de fé, ou seja, é a cultura popular e suas crenças religiosas envoltas em mitos gnósticos que impedem a rebelião dos pescadores.

Nota-se claramente em Barravento, a falta de O universo da cultura afro-brasileira é muito recursos financeiros e certo despojamento na produção. bem articulado por Glauber. As danças e os rituais Porém a paixão pelo cinema, e a ânsia de se rodar um conduzem a narrativa do filme, que explicitam as filme estão presentes nessa importante obra que possui


6. Provos contradições da cultura popular brasileira. Por um lado Glauber expõe como a causa da alienação do povo, porém enriquece a cultura nacional como sendo uma ideologia que pode ser alcançada em uma racionalidade posta além do intelectualismo. Ou seja, o mesmo povo que é explorado pela classe superior pelo fato de alienar-se em uma crença, tem também o poder de em suas raízes buscar a resistência necessária para sua sobrevivência, que gera a energia necessária para esse povo lutar pela sua dignidade. Em Barravento, percebe-se o quanto Glauber trabalha com a religião sendo ponto crucial de toda isenção crítica do povo, fato que apaga qualquer visionamento revolucionário, no sentido da exploração de classes. Posicionamento que ganha sentido principalmente no personagem de Firmino e na sua nova percepção de mundo, muito mais materialista e cética. Situação que Glauber viria também a trabalhar no seu segundo longa, Deus e o Diabo na Terra do Sol. Porém em Barravento, não se deixa de simbolizar encantadamente as alegorias folclóricas, e tendo Iemanjá como figura lúdica e misteriosa, uma gama de sentimentos e poesias invadem o enredo. Pode-se notar já neste filme toda genialidade de Glauber, que virá a ser concretizada em suas obras seguintes. Com um cinema lírico e poético, intimista e denunciador, sempre a favor da nacionalidade. Um intelectual que decidiu dedicar sua obra ao povo brasileiro. Nessa obra de arte estão os primeiros passos, da Idade da Terra.


7. Provos

Provos O inĂ­cio da contracultura


8. Provos

PROVOS - Amsterdam e o início da contracultura P

ROVOS é a forma reduzida de “provocadores”, um dos gruposchave no surgimento daquilo que nos anos 60 acabou tomando o nome de Contracultura. “A revolta Provo foi o primeiro episódio em que os jovens, como grupo social independente, tentaram influenciar o território da política, fazendo-o de modo absolutamente original”, conta Matteo Guarnaccia. “Caminhando contra a corrente do `cair fora` beatinik, os Provos holandeses empenharam-se descaradamente em permanecer `dentro da sociedade`, para provocar nela curtocircuito.” Herdeiros do dadaísmo e da tradição anarco-comunista, os provos inauguraram novos formatos de ação política e da luta ecológica. Deram nova dimensão à idéia de desobediência civil. O autor, Matteo Guarnaccia, conta aqui a história do grupo que inspirou toda a chamada contracultura dos anos 60 e transformou Amsterdam na cidade mais livre e tolerante do Ocidente. Jogo, magia, e anarquia, nisso foi centrada a atividade do movimento Provo. Um grupo de divertidos agitadores que se reuniram no “Centro Mágico” de

Amsterdam para celebrar ritos coletivos contra o fetiche da sociedade consumista. Ali surgiram as primeiras campanhas antipublicidade e anti automóvel. Ali surgiu aquilo que passamos a chamar de Contracultura e se desenvolveu a idéia de que a subversão funciaonava melhor quando misturada com humor inesperado. O exemplo dos Provos antecipou e inspirou os diversos movimentos de contestação jovem nos anos 60, inclusive a esquerda hippie norte-americana e os manifestantes do maio de 68 francês. Matteo Guarnaccia nasceu em Milão em 1954 e é um dos principais representantes da psicodelia européia, seja com seu trabalho como ensaísta e escritor, seja com seu trabalho como artista.


10. Mãe do Ladrão Fazer sucesso com a música, no Brasil, é um negócio difícil. Ficar de fora das “panelas” e não pagar o famoso jabá complica ainda mais a situação de quem ainda não tem o conhecimento e o reconhecimento do público. A banda hamburguense Mãe do Ladrão está nessa batalha. O reconhecimento

veio há pouco tempo, quando participaram de um concurso da Coca-Cola, com mais de 300 bandas do estado concorrendo. Ficaram entre as 3 mais votadas pelo público. Como prêmio, foram ao Coca-Cola Vibezone, no Serra Park, em Gramado, mostrar o seu som a um público bem maior do que já tinham visto.


11. Mãe do Ladrão Há quanto tempo vocês se conhecem e como começou essa banda? A banda surgiu naturalmente quando Renato Arrienti (ex integrante da banda) se juntou com o Tobias e fizeram as primeiras músicas. Todos nós nos conhecíamos, alguns estudavam juntos, outros se conheciam por amizades em comum. Com o início das composições precisávamos de um baterista, guitarrista e baixista e assim Fernando Arrienti, Níccolas Ferrareze e Guilherme Zugno se juntaram e formaram a banda Hidrante (primeiro nome da banda). Esse primeiro encontro aconteceu há 5 anos e estamos até hoje na atividade, com uma amizade cada vez mais forte e maior. Hoje Renato Arrienti, que fundou a banda está na argentina estudando, e continua compondo músicas, agora em espanhol.

Como foi participar de um evento onde participaram mais de 300 bandas de todo o estado, e ficar entre as 3 mais votadas pelo público? Participar de um evento como a CocaCola foi muito especial, pois conquistamos um reconhecimente muito grande aqui na região sul, tendo a oportunidade de divulgar as músicas nas rádios de maior audiência do estado e podendo estar compartilhando o palco com nomes já consagrados da música nacional. O mais importante foi conquistar tudo isso somente com a música deixando essa “máfia” dos jabás de lado. Logo após o vibezone conseguimos diversos shows no estado e com isso a possibilidade de gravar mais 4

músicas, que em breve vão ser lançadas, com a produção do Ray-Z, grande músico, amigo da banda.

O Coca-Cola Vibezone é um evento de repercussão nacional, onde tocaram bandas já consagradas, como O Rappa, isso foi uma experiência nova pra vocês? Dividir o palco com grandes nomes da música popular brasileira, certamente foi uma experiência nova. Ter a possibilidade de expandir o nosso som é algo muito gratificante, porque todo o trabalho ali na música depositado, finalmente está sendo apresentado, e para um grande público. Ver as diversas reações que a nossa música causa, é e foi uma experiência única, que vamos guardar para o resto da vida.


12. Mãe do Ladrão Vocês estão com algum trabalho já na rua? Estão planejando gravar um disco? Como toda a banda independente tem que bancar e acreditar na sua música para que se torne algo físico, é e esta sendo um trabalho árduo, colocar um disco em circulação. Há muitos gastos e investimentos, e aos poucos estamos conseguindo concretizar nosso sonho. Atualmente estamos

divulgando 3 músicas gravadas em Porto Alegre, com o produtos musical Ray-Z e divulgamos as mesmas somente na internet. Há mais ou menos um mês finalizamos a gravação de mais 4 faixas, que futuramente vão compor o primeiro EP que vamos lançar.

Mais em myspace.com/maedoladrao


HUNDERT WASSER Friedensreich


14. Hundertwasser

Friedrich Stowasser (Viena, 15 de dezembro de 1928, falecido em 19 de fevereiro de 2000, próximo a Nova Zelândia) foi um artista austríaco. Mais conhecido pelo nome de Friedensreich Hundertwasser. Além de pintor e arquiteto, foi um ambientalista e pensador que nos anos 60 e 70 propôs uma nova concepção de ver a vida e agir sobre ela como um humano consicente e atuante em seu habitat. Pela sua lógica, a sociedade em que vivemos, guiada para o consumo, é criminosa por nos desviar de nosso verdadeiro objetivo como homens, encontrar nosso bem estar, viver bem e fazer o bem para o nosso ambiente.


15. Hundertwasser


16. Hundertwasser As 5 Peles A primeira pele, a epiderme. Em cima de manifestos e ações ele questiona a estruturação de seu habitat e o modo em que vivemos e nele aponta aqui, o direito a criação, a arte como gênero de vida, uma nova orientação à matéria. A segunda pele é o vestuário, a criação e o consumo em série são questionados, ma ,medida em que eles omitem o homem de afirmar a sua singularidade em sua vestimenta, HundertWasser aponta uma renúncia ao individualismo, um anonimato ao

vestuário, onde todos são afetados por 3 males: a uniformidade, a simetria e a tirania da moda. Em contraposição ele cria suas próprias roupas, afirmando-as como seu passaporte social, aproveitandoas em sua riqueza de formas e cores e acima de tudo, afirmando o direito à diversidade. A terceira pele, a casa, segue o seu pensamento, e o visionário humanista faz um chamado: “O teu direito de janela o teu dever de árvore. Homens e mulheres criativos, tens o direito de enfeitar a teu gosto, e tão longe quanto teu braço alcance, a tua janela ou fachada exterior”.


17. Hundertwasser

A quarta pele, a que se refere ao meio social, é a pele que comenta a formação da identidade, interessando muito a HundertWasser a questão da identidade nacional. Selos postais, bandeiras, moedas, placas são mais um dos alvos de seu pensamento, como objetos símbolos ele os recria. A quinta pele é a ecologia, a preocupação e o cuidado com o meio global. É aqui que a sua consciência eco-naturalista reina, é sobre esta pele que os já comentados projetos arquitetônicos bastante ousados são realizados e uma série de outros projetos e campanhas que ele se envolve em prol de um mundo mas harmônico, com mais respeito a natureza “És um hóspede da natureza”.


18. Hundertwasser “Eu sou tolerante. Mas revolto-me. Acuso. É a minha obrigação. Estou sozinho. Por trás de mim não há qualquer ditadura, qualquer partido, qualquer grupo, nem qualquer máfia. Nem um esquema intelectual coletico, nem uma ideologia.”

“A revolução verde não é uma revolução política. É suportada pela base e não é nem minoritária nem elitista. É uma revolução criadora em harmonia com o curso orgânico da natureza e do universo.” Pesquisa: Bruno Schilling Corrêa e Natassia Dorneles


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