Percepção espacial pelo pedestre: proposta de sistema de espaços livres públicos para a R. Vergueiro

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percepção espacial pelo pedestre: proposta de sistema de espaços livres públicos para a rua Vergueiro tfg II_ fauusp_2012 Beatriz Mickle Griesi Orientador: Silvio Soares Macedo


PROJETUAL CONCEITO DE LUGAR – CASTELLO

CULLEN ASHIHARA

referências projetuais

PROVOCAÇÃO

E ABORDAGEM

técnicas compositivas

TEMA JUSTIFICADO

conceitos

introdução

FOCO DE ANÁLISE

MOTIVAÇÃO

MORE LONDON HIGH LINE PARK NOVOS ESPAÇOS URBANOS DE FREDERIKSBERG


INTERVENÇÃO

PARTIDO DIRETRIZES PROCESSO DE

INSERÇÃO NA

conclusões

DA ÁREA DE

projeto

área de intervenção

DELIMITAÇÃO

CONCLUSÕES BIBLIOGRAFIA AGRADECIMENTOS

PROJETO

CIDADE E PONTOS DE ATRAÇÃO PÚBLICA

ESTUDO 1

BREVE HISTÓRICO

ESTUDO 2

SISTEMA VIÁRIO E

ESTUDO 3

DE TRANSPORTES PÚBLICOS TOPOGRAFIA VOLUMETRIA USO E OCUPAÇÃO DO SOLO VISITAS DE CAMPO

sumário


MOTIVAÇÃO A experiência do TFG apresenta-se como oportunidade de exercitar habilidades adquiridas ao longo da vida acadêmica e profissional, dentro de uma temática de nosso interesse. Assim, este trabalho é reflexo de interesses pessoais, tanto os que foram se delineando ao longo da trajetória na FAU como outros vindos de longa data. O desenho de espaços livres, a inserção na cidade existente, o poder da arquitetura sobre nossa percepção do ambiente, o detalhe como qualificador do projeto – eis o nosso pano de fundo. Diante da infinidade de possibilidades que se abrem à nossa frente, o recorte de um problema pode ser mais difícil do que parece a princípio. No caso particular, não partimos de uma problemática em si, advinda de um local específico, mas do ponto onde queremos chegar: de inspirações e anseios projetuais. Não parece ser a ordem lógica. Mas acredito que o que importa é o caminho traçado entre esses dois pontos, e o que foi aprendido ao longo dele.

introdução


TEMA JUSTIFICADO A temática desenvolvida neste TFG é a dos espaços livres públicos para o pedestre, considerados importantes enquanto locais de encontro, lazer, sociabilidade e urbanidade. Mais especificamente, é de nosso interesse adotar uma abordagem qualitativa no estudo de tais espaços, buscando entender de que maneira e em que medida bons projetos são capazes de influenciar a percepção que os usuários têm do local; e explorando o desenho urbano como ferramenta de requalificação de áreas obsoletas, degradadas ou subutilizadas nas cidades. A relevância do tema se faz patente diante da realidade de muitas cidades brasileiras, nas quais a tendência à criação de espaços livres privados - “exclusivos e excludentes” (SAKATA, 2011 p.155) - e a crescente predominância do automóvel relegam a segundo plano o projeto de espaços livres públicos. O caso se mostra especialmente grave em São Paulo, onde a falta de qualidade no desenho urbano, associada a sucessivas gestões públicas focadas em obras viárias, tem dado forma a uma cidade de difícil circulação para os pedestres (não apenas). Vias de tráfego rápido desprovidas de qualquer atrativo ou apoio à vivência nas ruas são uma constante na capital paulista, dimensionadas na escala e ritmo dos carros – e não do ser humano. A ideia que pretendemos enfatizar neste trabalho é a dos espaços livres públicos como locais de expressão de urbanidade, ou seja, propensos a abrigar e estimular o convívio entre pessoas e a diversidade de atividades, formas e usuários – o lugar da convivência urbana, do lazer na cidade e da pluralidade. Partimos de uma pesquisa conceitual visando estabelecer qualidades próprias de um lugar – entendido como aquele onde há de fato identificação e apropriação pelo público, em detrimento a meramente um “espaço” –, bem como da exploração sobre como a composição de elementos no ambiente pode estruturar o espaço urbano. Sobre esta base, tivemos como objetivo desenvolver um projeto de requalificação de espaço livre público segundo (dentre outros) princípios de percepção ambiental. Os rumos da pesquissa neste TFG levaram ao desenvolvimento de uma proposta de sistema de espaços livres públicos ao longo da R. Vergueiro, buscando converter uma área subutilizada de São Paulo em um lugar de urbanidade.


Um sistema viário de ligação entre dois pontos pode ser uma rua. Mas uma rua pode ser mais do que isso, pode ser o lugar da conversa com os vizinhos, do futebol da molecada, da feira de domingo, do bloco de carnaval. Um canteiro central gramado, resíduo remanescente do traçado rodoviário, pode receber o nome de praça. Mas uma praça pode ser um reduto de urbanidade, o lugar das performances artísticas e de jogos de luzes e água, ou um recanto agradável para ler um livro e para as senhorinhas se reunirem após a missa. Uma grande área pavimentada, em toda sua aridez e hostilidade, pode ser chamada de esplanada. Mas uma esplanada pode ser o lugar da monumentalidade arrebatadora, das visuais bem demarcadas, ou da passeata pública, da expressão de opiniões coletivas, do não-conformismo. Um conjunto de árvores cercado por um gradil pode corresponder ao senso comum do que vem a ser um parque. Mas um parque pode ser um oásis em meio ao caos urbano, um refúgio de tranquilidade e ar fresco, uma experiência de estímulo aos nossos sentidos em termos de cores, aromas, sons e texturas. Uma estreita faixa de concreto separando edifícios do fluxo de veículos pode preencher a definição de calçada. Mas uma calçada pode ser o lugar do passeio com o cachorro, da corrida nas manhãs de sábado, das apresentações de músicos de rua, ou das animadas mesas de barzinhos nos happy hours. Um arquiteto pode projetar espaços para responder às demandas do programa. Ou pode projetar lugares para abrigar conversas, risos e vidas; para despertar a curiosidade, para incitar a descoberta, para quebrar a rotina, para emocionar e sensibilizar.

[ sobre o que é e o que pode vir a ser o espaço livre público ]

PROVOCAÇÃO


“Muitos arquitetos têm medo de reconhecer aquilo que gostam; acabam manifestando gostar daquilo que se supõe que gostem. Mas, nós, gostamos de analisar o que nos estimula, porque, ao sermos sensíveis a nosso tempo, é o que nos estimula o que será relevante.”

entrevista de Scott Brown e Venturi a Obrist e Koolhaas, agosto/2000


conceitos




FOCO DE ANÁLISE E ABORDAGEM PROJETUAL O presente TFG não possui um objeto de estudo propriamente dito, mas consiste na busca por uma abordagem projetual diferente da

Após longa reflexão, a conclusão atingida é

convencional – que não se limite a respostas pragmáticas para os problemas dos espaços urbanos, mas que apresente soluções com “algo a

a da impossibilidade de condensar num só

mais”, na forma de projetos de espaços livres capazes de causar emoções e sensações positivas em seus usuários.

conceito todas as características desejadas para um projeto de espaço livre público. Trata-se

Este trabalho parte do entendimento de que a Arquitetura & Urbanismo como um todo e o Desenho Urbano, no caso particular, são campos que se diferenciam das ciências exatas precisamente por sua aproximação com as artes, pelo componente humano intrínseco às suas premissas. Afinal, por trás de todo pensamento projetual estão as pessoas que habitarão os espaços criados, que irão passar por eles, usufruí-los, experienciá-los. O objetivo de projetar espaços que vão além do mero cumprimento de requisitos funcionais tem origem na inspiração advinda de lugares vivenciados em minha experiência pessoal (especialmente em cidades na Europa), bem como de projetos com os quais tive contato através de publicações e mídia na área de Paisagismo e Desenho Urbano. Numa tentativa de delinear exatamente o que está se buscando, foi feita uma pesquisa conceitual acerca de alguns temas. Muitas dúvidas surgiram ao longo do processo. Poderíamos sintetizar as qualidades almejadas na palavra “ambiência”? “Urbanidade”? “Lugar”?

de uma série de aspectos cujos parâmetros para sua classificação como “qualidades” são inevitavelmente uma interpretação pessoal, mas que possuem como traço comum o fato de estarem intimamente ligados ao modo como os espaços são percebidos por seus usuários. Assim, são conceitos que aproximam o projetista do usuário final e tendem a um desenho de espaços da cidade mais humanizado. Tais aspectos são apresentados a seguir sob a forma de imagens consideradas emblemáticas de cada um deles.

conceitos





de usos, fluxos, problemáticas e potencialidades do local, expectativa de quantidade de usuários e seu perfil, adequação às condições climáticas e inserção no tecido urbano do entorno são fundamentais no projeto de qualquer espaço livre público e de fato constituem as etapas iniciais do seu processo de desenvolvimento (inclusive do projeto desenvolvido neste trabalho). Também de grande importância são as questões de adequação à legislação de uso e ocupação do solo, bem como meios de implementação e manutenção dos espaços criados. No entanto, entendendo a proposta do presente TFG como um exercício de experimentação projetual visando um enfoque diferente, estas últimas condicionantes mostram-se demasiado restritivas. Assumimos então o caráter utópico e experimental da proposta desenvolvida para a área de intervenção, tendo consciência da impossibilidade de sua real implementação, mas buscando através da abordagem qualitativa atingir em nosso projeto o “algo a mais”.

é exatamente nesse limite que buscamos chegar.]

questões práticas na concepção projetual, apenas somando uma nova camada de valores a serem levados em conta no processo. A definição

[uma linha tênue separa arquitetura de arte, espaço urbano de poesia _

Ao assumir uma abordagem qualitativa e um foco artístico e sensorial, não estamos de modo algum desconsiderando a importância de



CONCEITO DE LUGAR – CASTELLO Ao longo de nossa busca por tentar definir um objeto de estudo do TFG, nos deparamos com autores cujas idéias, se por um lado não parecem

O ponto em comum entre todos os tipos

englobar todo nosso escopo, por outro convergem com o foco de análise adotado. Um destes autores é Lineu Castello, cujo livro A Percepção

de lugar, enquanto ambientes coletivos e de

de Lugar sustenta a tese de que novos lugares criados na contemporaneidade (que o autor chama de “lugares da clonagem”) podem se tornar

construção social, seria exatamente a pluralidade,

detentores da qualidade entendida como “urbanidade” – ou seja, de que lugares “inventados” são tão válidos quanto os ditos “autênticos”

ainda que ela ganhe maior proeminência na

(CASTELLO, 2007, p.5).

última categoria.

O que mais nos interessa no trabalho de Castello é sua conceituação de lugar e suas pesquisas no sentido de entender de que forma ele é

E quais seriam os estímulos ambientais atuantes

percebido. Segundo o autor, existe um forte componente psicológico nas relações entre pessoas e ambiente circundante. A partir da percepção

sobre nossa percepção? O autor os classifica da

que as pessoas têm dos estímulos ambientais à sua volta, ocorre um processo de valoração do espaço de modo que alguns deles, detentores de

seguinte maneira (CASTELLO, 2007, p.15-17):

qualidades e onde as pessoas se sentem melhor, sejam percebidos como lugares e, portanto, distinguidos dos demais espaços, ou do espaço da

• Sócioculturais – narrativas, história, tradição,

cidade como um todo (CASTELLO, 2007, p.12).

etc. • Morfológico-imagéticos – dons naturais,

Castello (p.17-24) define os tipos de lugares segundo três categorias: • Lugar da aura – a dimensão proeminente nas relações pessoas – ambiente é a espacial, seja através de qualidades naturais do local ou construídas, paisagísticas, morfológicas, sensoriais.

estética, fama, representação de fantasia, etc. • Fruitivofuncionais – conveniência, utilidade, fruição sensorial, prazer.

• Lugar da memória – a dimensão de destaque é a temporal, as histórias que cercam um lugar, sejam elas parte de uma memória coletiva de pequenos grupos ou da “História oficial”.

Dentre estes, os dois últimos âmbitos nos

• Lugar da pluralidade – prevalece a dimensão social, as relações e dinâmicas interpessoais que ocorrem no lugar. Trata-se por excelência do

parecem aqueles nos quais o arquiteto é capaz

lugar da diversidade, do “ver e ser visto” do convívio entre pessoas diferentes, do lazer, da mistura, do contraste.

de intervir no sentido de conseguir controlar, em certa medida, de que modo os espaços que projeta serão percebidos.

Exemplos das 3 categorias de lugares de Castello, em São Paulo: 1 Aura –Parque da Juventude 2 Memória – Teatro Municipal 3 Pluralidade – Avenida Paulista Fonte: Google


para nossas cidades serão percebidos por quem caminha por eles? Quais as sensações despertadas? Como criar experiências agradáveis, instigantes e até mesmo inusitadas no cotidiano das pessoas através dos espaços livres públicos? Essas são algumas das questões que suscitaram a pesquisa desde o início, e que cabe agora explorar mais a fundo. A partir dos estudos sobre Castello, chegamos à hipótese de que o poder de atuação do arquiteto sobre a percepção dos lugares por ele projetados se dá através de estímulos fruitivo-funcionais e morfológico-imagéticos. Neste sentido, os rumos da pesquisa teórica voltaram-se aos efeitos que as formas e composições de elementos no espaço são capazes de causar sobre as pessoas.

CULLEN, p.11

Dois autores mostraram-se bem interessantes

atingido” ]

da cidade de modo que um impacto nas emoções seja

[ “nosso objetivo original é manipular os elementos técnicas compositivas

De que modo os espaços que projetamos

para o embasamento da pesquisa nesse aspecto: Gordon Cullen e Yoshinobu Ashihara. Nossa intenção ao estudar tais referências é de utilizar os princípios compositivos apresentados pelos autores como ferramentas de projeto, aplicandoos, segundo a conveniência, ao projeto de intervenção para a área prosta neste TFG.


CULLEN Apesar dos estudos de Cullen datarem dos anos 60, a perenidade de suas idéias se faz evidente pelo número de estudantes de arquitetura que até hoje faz referência a conceitos por ele estabelecidos. Em Townscape, o autor lança as bases para o que chama de “arte da relação” entre os elementos que compõem tridimensionalmente o espaço da cidade (dentre eles, os próprios edifícios). De modo bastante congruente com as premissas deste TFG, Cullen afirma que [nós, arquitetos] devemos lidar com “algo a mais”, pois “claramente, se o ambiente irá produzir uma reação emocional [nas pessoas], com ou sem nossa intenção, cabe a nós tentar entender as três maneiras segundo as quais isso ocorre” (CULLEN, 1961, p.11). Repassemos as idéias de Cullen. 1 Movimento O primeiro modo como somos afetados pela percepção do espaço seria através do movimento. Um conceito interessante desenvolvido no livro, e familiar aos estudantes de arquitetura, é o da visão seriada. Segundo o autor, apesar do pedestre mover-se em velocidade constante através da cidade, o cenário revela-se numa série de “espasmos” ou “revelações”; e é precisamente ao contraste e à justaposição de imagens (a vista existente e a vista emergente) que a mente humana reage. Assim, criar ao uma seqüência de espaços com caráteres diferentes e constrastantes, estamos na verdade criando pontos de transição para o pedestre onde as qualidades do ambiente em que se situa e do que se está prestes a adentrar serão acentuadas, pois ambas as imagens estarão presentes na mente de forma simultânea. Esta é uma maneira de evitar a monotonia nos percursos e tornar a percepção da cidade mais vívida e intensa. “O processo de manipulação [dos elementos urbanos] começa a tornar fatos desconsiderados numa situação emocional excitante” (CULLEN, 1961, p.12).

Exemplo de visão seriada como forma de percepção do espaço ao caminhar, que pode ser usado como técnica de projeto. Fonte: Cullen, 1961.


2 Lugar A segunda categoria de percepções seria constituída pelas reações à posição de nossos corpos no ambiente – processo sempre presente e muitas vezes inconsciente, mas que Cullen acredita que deva ser não só levado em consideração no projeto de espaços livres, mas explorado como ferramenta projetual. Estar em meio a uma praça circundada por edifícios de todos os lados traz à tona um vívido sentido de aqui; ao mesmo tempo que cria um ali, correspondente à realidade fora desse cercamento. As sensações de estar acima ou abaixo do nível do solo, contido por um túnel ou exposto numa praça ampla e aberta são muito diferentes. Elas podem ser contrapostas, ou dramatizadas por meio de recursos de contenção e depois revelação, como um mirante em balanço cuja vista se abre subitamente (CULLEN, 1961, p.12-13). Podemos fazer uma analogia entre saber trabalhar com os elementos do espaço urbano e uma palheta de cores: se dominadas com maestria, podem ser capazes de suscitar as mais diversas gradações de respostas emocionais.



3 Conteúdo Na última categoria, Cullen advoga a importância da variedade de escalas, texturas, cores, estilos, materiais, etc. na composição de uma cidade (e, por conseguinte, no projeto de seus espaços livres públicos) – dentro de uma certa harmonização que não dê lugar à anarquia e ao caos. A variedade, dentro de certos parâmetros, traz vida às cidades e suscita as percepções de isto e aquilo (CULLEN, 1961, p.13-14). Estes são, resumidamente, os principais conceitos apresentados em Townscape. Após apresentar as “regras do jogo”, Cullen as exemplifica com uma série de imagens e desenhos segundo as três categorias identificadas, trazendo por fim sua aplicação prática na forma de estudos de caso e propostas de projeto.


ASHIHARA Outro autor cujos estudos de técnicas compositivas mostraram-se interessantes para o presente trabalho é Ashihara. Em seu livro, Exterior

Espaço positivo × Espaço negativo

Design in Architecture, o arquiteto japonês desenvolve diversos ensaios sobre o espaço exterior, seus elementos, e técnicas para seu desenho. Os temas variam desde as relações entre materiais e sua aparência à certa distância até conceitos como espaço positivo e espaço negativo. Como

Segundo Ashihara, os espaços arquitetônicos

Cullen, Ashihara também explora como certos detalhes influenciam na percepção dos usuários de um espaço, mas com um enfoque menos

dividem-se em duas categorias. O positivo seria

“pitoresco” e mais técnico. O autor apresenta dimensões, proporções e distâncias que considera pontos-chave na apreensão dos espaços

aquele bem definido, que desenvolve uma força

exteriores.

centrípeta, repleto de intenções humanas – como por exemplo miolos de quadras residenciais,

Por exemplo: de acordo com Ashihara, uma regra que pode ser aplicada para o bom dimensionamento de espaços exteriores é a proporção entre 1:8 a 1:10 em relação às dimensões de ambientes internos. Ele destaca como fundamental o cuidado para que espaços externos não sejam demasiado amplos ou pequenos, mas se adequem às funções as quais se destinam. Como regra prática, indica a área de 20 × 25m como um bom módulo para a composição de áreas externas – que podem obviamente ser maiores que isso, mas cuja marcação (por meio de pisos, pequenos desníveis, postes, ou algum outro elemento) a cada módulo contribui para uma apreensão mais definida do espaço exterior e evita a monotonia.

utilizados para funções recreativas e lazer. Já o espaço negativo confunde-se com a natureza; sua falta de definição e intenções faz com que sobre ele atue uma força centrífuga. Este é o caso, por exemplo, das margens de uma ocupação urbana dispersiva, que se dilui em

Dentre os conceitos desenvolvidos por Ashihara, apresentamos a seguir mais alguns, considerados mais interessantes na leitura realizada:

Criação de espaço com caráter de cercamento e força centrípeta por meio de aumento da força envolvente.

Fonte: Autora sobre Ashihara.

meio à paisagem natural.


Técnicas para o desenho do espaço exterior 1 Analisar os fins aos quais se destinam os espaços e estabelecer superfícies correspondentes aos mesmos; 2 Importância da estrutura visual dos espaços, segundo dimensões mínimas para abrigar os usos e máximas de modo que o espaço externo ainda possa ser apreendido como um todo coerente; 3 Ambiente externo pode ser um conjunto de vários espaços conectados entre si, segundo uma hierarquia e certa ordem. 4 Sequência e sentido de percurso no espaço exterior. Elementos que funcionem como pontos focais no final de caminhos podem ajudar a dar sentido de direcionamento. Relações D/H Importância das relações entre altura e distância entre elementos no espaço exterior. Ashihara considera como crítica a relação D/H=1, a qual associa com o equilíbrio. Abaixo dela, a sensação de fechamento começa a prevalecer, podendo chegar a situações claustrofóbicas. As proporções D/H=2 e D/H=3 ainda são agradáveis e configuram uma percepção de espaço bem delimitado. Acima de D/H=4, as forças de interação entre os elementos começam a perder força, até que a pessoa posicionada entre eles passe a percebê-los como objetos isolados, e não como delimitadores de um espaço.

Importância das alturas de muros e divisórias na percepção e interação com o espaço exterior.

Fonte: Autora sobre Ashihara.


Sobretextura Conceito de que a aparência de uma superfície pode ser deliberadamente vista de modos diferentes segundo a distância de um observador, ao criarmos uma textura de ordem primária a ser vista de perto e outra, de ordem secundária, a ser percebida de longe. Uma aplicação interessante de tais texturas se dá ao criarmos uma descontinuidade visual, através do posicionamento de obstáculos, maciços arbustivos, elementos d’água, etc. de modo que o observador se veja obrigado a enxergar apenas a textura de primeira ou segunda ordem, mas nunca ambas simultaneamente. Com isso, criamos variedade e surpresa na percepção de um espaço.


As referências projetuais destacadas a seguir consistem em exemplos de projetos de espaços livres públicos que consideramos apresentar o “algo a mais” que buscamos. Neles, ficam claras as qualidades sensoriais, o cuidado com os detalhes, materialidade, cores, luzes e texturas. No caso de More London, pude comprovar pessoalmente a qualidade do desenho e as sensações experimentadas ao caminhar pela área. Além disso, podemos verificar nos três projetos uma boa estruturação dos sub-espaços numa sequência articulada, com um sentido de percurso bem definido. Todos esses projetos são revitalizações urbanas, demonstrando como o desenho urbano pode ser capaz de dar nova vida aos espaços das nossas cidades.

referências projetuais


MORE LONDON Londres, Reino Unido 1998 – 2010


NOVOS ESPAÇOS URBANOS DE FREDERIKSBERG Frederiksberg, Dinamarca 2001 – 2005


HIGH LINE PARK Nova York, EUA 2004 – 2011


DEFINIÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO Desde o início, o objetivo deste TFG foi o de aplicar conhecimentos adquiridos a partir de pesquisas teóricas e de referências projetuais ao

região_ paraíso

projeto de requalificação de um espaço livre público em São Paulo. A área escolhida para tal é aquela compreendida entre as estações Paraíso e Vergueiro do Metrô, tendo em vista o grande fluxo de pedestres que por lá circulam diariamente, bem como as potencialidades identificadas na região (as quais detalharemos mais adiante). A princípio a área delimitada tinha como pontos inicial e final as duas estações de metrô. No entanto, ao longo do processo de análise da região

extensão_ 1,3km permeabilidade_ mín 0,15

foram identificados dois novos trechos que oferecem possibilidades interessantes em termos de projeto.

TO_ máx 0,70 O primeiro deles é o miolo da quadra delimitada pela Av. Bernadino de Campos e a R. Correia Dias, ocupado apenas por um estacionamento e em posição privilegiada – atrás de uma das saídas do metrô Paraíso, voltado para o talude ajardinado da Av. 23 de Maio e com possibilidade de integração com uma praça existente na extremidade oposta do quarteirão (praça Máximos IV Sayegh).

CA_ máx 4,00 mín 0,20

O segundo trecho é uma grande quadra quase inteiramente desocupada na R. Vergueiro, entre o viaduto Beneficência Portuguesa e a R. Santana do Paraíso. A única ocupação se dá novamente por um estacionamento, próximo a esta última rua. Também foi englobada como potencial área para projeto a alça viária em frente à Igreja e ao Colégio Santo Agostinho, entre a R. Vergueiro e a R. Apeninos. No entanto, por restrições de tempo, nesta última área apenas esboçamos algumas intenções projetuais, sem chegar a desenvolver um projeto definitivo. Desse modo, nossa área de intervenção teve como limites definitivos as ruas Vergueiro, Apeninos, Santana do Paraíso, Av.Vinte e Três de Maio, viaduto R. Cubatão e R. Correia Dias. Trata-se de um percuso com aproximadamente 1,3 km de extensão, com larguras de terreno para projeto variando de 14m a 65m, excluíndo-se as áreas restritas apenas à calçada.

área de intervenção

Mapa de delimitação da área de projeto. Foto: Google Earth.



DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO E PONTOS DE ATRAÇÃO FOTO: EMPLASA, 2007


INSERÇÃO NA CIDADE E PONTOS DE ATRAÇÃO PÚBLICA A área alvo de projeto está inserida na região do Paraíso, no limite entre as zonas central, sul e oeste do município de São Paulo. Sua porção norte é subordinada à subprefeitura da Sé, enquanto o trecho mais ao sul pertence à subprefeitura da Vila Mariana. Além da importante posição na conexão entre diferentes zonas da cidade, a área delimitada encontra-se na cabeceira da Av. Paulista, a qual em si mesma já constitui um ponto de atração de pessoas – seja a trabalho, compras ou lazer. Fora isso, como principal ponto de destaque temos o Centro Cultural São Paulo, que desde 1982 promove uma série de eventos nas áreas de teatro, música, dança, exposições de artes visuais, projeções de cinema e vídeo, oficinas, debates e cursos – quase todos gratuitos ou a preços populares. O edifício ainda conta com as bibliotecas Sérgio Milliet (segunda maior da cidade, com mais de 100 mil títulos), Alfredo Volpi (especializada em artes, arquitetura, fotografia e moda), Louis Braille (para pessoas com deficiência visual), a Gibiteca Henfil, a Discoteca Oneyda Alvarenga e o Arquivo Multimeios. A diversidade da programação e qualidade dos espaços garantem ao Centro Cultural um público variado - estudantes, vestibulandos, trabalhadores da região, dançarinos de break, praticantes de RPG, jogadores de xadrez e amantes da arte e literatura – que geram uma frequência média de 2 mil visitas por dia (FOLHETO CCSP, 2012). Um jardim de 700 m2 com vegetação original preservada ocupa o centro da edificação, cuja arquitetura busca integrar-se à topografia. Como outros pontos de atração pública podemos citar as igrejas da área (Santo Agostinho, Santa Generosa e Catedral Ortodoxa), as quais se destacam por sua arquitetura. Os parques da Aclimação e Ibirapuera encontram-se num raio de 1,5km da área, porém com acesso dificultado para pedestres – pela alta declividade, no primeiro caso, e pelo fato da Av. Vinte e Três de Maio ser de tráfego expresso, no segundo.


BREVE HISTÓRICO O vale do rio Itororó teve sua ocupação com fazendas, quilombos, local de açoite de escravos, pequenas chácaras, quintais de casas com frente para a R. Vergueiro, até que foi aberta a Av. 23 de Maio nos anos 60. Sua concepção data do Plano de Avenidas de Prestes Maia, mas a inauguração da via expressa sobre o vale do Itororó só se deu de fato em 1967. Antes de sua abertura e construção do Viaduto Santa Generosa, no entroncamento da Av. Paulista com a R. Vergueiro havia a Praça Rodrigues de Abreu, em frente à igreja Santa Generosa (demolida por ocasião da construção do viaduto), constituindo um pequeno centro, que também congreegava a Catedral Ortodoxa e a fábrica de cerveja Brahma (BARTALINI, p.110). A praça foi então reconstruída após as obras de abertura da estação Paraíso, com projeto de autoria de Roberto Burle Marx. Trata-se de uma praça inteiramente sobre laje, considerando que o procedimento para abertura deste trecho da linha Azul do metrô foi por trincheira, escavando a lateral do talude que previamente constituía a margem do Itororó. Também tirando proveito das obras do metrô e da abertura da estação Vergueiro, foi criado o Centro Cultural São Paulo, incrustrad0 no talude numa área com mais de 400m de extensão. O projeto original visava a construção de um centro empresarial (1974) e de uma biblioteca municipal (1976-78), mas durante a administração do prefeitp Reynaldo de Barros, o Secretário de Cultura Mario Chaime reformulou o projeto para abrigar um centro cultural. Projeto dos arquitetor Eurico Prado Lopes e Luiz Benedito de Castro Telles, o Centro Cultural São Paulo foi finalmente inaugurado em maio de 1982.

Fotos do interior do Centro Cultural SP. Fonte: site CCSP.


Obras do metrô Paraíso, por sistema de trincheira. Fonte: site do metrô de SP. Vale do rio Itororó em 1937, onde hoje se encontra a Av. 23 de Maio. Fonte: vídeo “Entre rios”.




Sistema de transporte pĂşblico da regiĂŁo. Fonte: Site da prefeitura de SP.


SISTEMA VIÁRIO E DE TRANSPORTES PÚBLICOS Em termos de sistema viário, a região é caracterizada pela presença marcante da Av. Vinte e Três de Maio – via arterial de tráfego expresso que, se por um lado desempenha importante papel na conexão entre a zona sul e centro da cidade enquanto parte do corredor N-S, por outro lado apresenta-se como uma barreira à micro-acessibilidade (em especial no que se refere à circulação de pedestres). Outras vias de grande importância na área, porém com tráfego menos intenso, são a Av. Bernardino de Campos e a R. Vergueiro (ao longo da qual se desenvolve grande parte do nosso projeto). Trata-se da confluência de dois importantes eixos: o que percorre o espigão central, do Sumaré ao Jabaquara – passando pela Av. Paulista e tendo continuidade na Av. Bernardino de Campos – e aquele formado pela Av. Liberdade e R. Vergueiro. Podemos dizer que a presença do automóvel é bastante forte, e que em muitos trechos a área encontra-se isolada pelo truncado sistema viário. Duas estações de metrô dão acesso ao nosso perímetro de projeto: Vergueiro e Paraíso. O encontro das linhas Azul e Verde de metrô nesta última e o grande número de linhas de ônibus com parada na R. Vergueiro e Av. Bernadino de Campos caracterizam a área como um importante nó de transferências no transporte público. Por fim, a área de projeto foi recentemente (Site CET, notícia de 21/09/2012) integrada ao sistema de ciclofaixas que vem sendo implementado na capital paulista. Assim, aos domingos e feriados nacionais, das 7h00 às 16h00, as faixas de trânsito junto ao canteiro central são liberadas para o tráfego exclusivo de bicicletas, inclusive acarretando em alguns desvios no tráfego de automóveis. A área de projeto insere-se no trecho Paulista – Centro das ciclovias e liga a Praça Oswaldo Cruz à Praça João Mendes, passando pela Av. Bernardino de Campos, R. Vergueiro e Av. Liberdade.

Sistema de ciclofaixas sendo implementado em São Paulo. Fonte: Folha de São Paulo, 13/10/12.


TOPOGRAFIA É importante destacar a topografia bastante marcada pelo desnível entre a R. Vergueiro e demais ruas lindeiras em relação à Av. Vinte e Três de Maio, construída sobre o vale do Itororó. Esse desnível constitui uma barreira a ser transposta por pedestres e veículos, mas ao mesmo tempo dá origem aos taludes com bela vegetação de grande porte ao longo da Av. Vinte e Três de Maio.

Cortes esquemáticos em 1:500 para análise da topografia.




VOLUMETRIA A volumetria do entorno caracteriza-se pela grande verticalização na região a oeste da Av. Vinte e Três de Maio (ou seja, em direção à Av. Paulista), enquanto o bairro da Aclimação já possui um gabarito mais baixo. A R. Vergueiro em si possui um perfil muito variado, com sobradinhos lado a lado com torres muito altas, como é o caso do prédio da UNIP. Antenas de rádio no alto dessas torres tornam-se pontos de destaque na paisagem. A faixa contida entre a R. Vergueiro e a Av. Vinte e Três de Maio, por sua vez, é em grande parte livre de edificações dentro de nossa área de projeto, sendo os dois edifícios mais importantes (o CCSP e o Centro de Controle Operacional do Metrô) não mais altos que 20m.

Volumetria ao longo da R. Vergueiro. Destaque para o edifício da UNIP. Fonte: Autora sobre SketchUp.

Volumetria a oeste da Av. Vinte e Três de Maio. Fonte: Google Earth 3D.Fonte: Autora sobre SketchUp.


USO E OCUPAÇÃO DO SOLO Em termos de legislação, tanto na subprefeitura da Sé quanto da Vila Mariana a área de intervenção divide-se em diversas Zonas de Centralidade Polar (ZCPa e ZCPb) e Zonas Mistas de Alta Densidade (ZM-3a e ZM-3b), contando também com duas Zonas de Preservação Cultural (ZEPECs) na Vila Mariana. Em termos de ocupação efetiva, destacam-se como usos predominantes o comércio diversificado de pequeno porte, o empresarial com altas torres de escritórios, o residencial numa mistura de sobrados antigos com novos condomínios com torres altas, e o institucional. Nesta última categoria cabe destacar, além da presença do Centro Cultural São Paulo e das várias igrejas já citadas, a grande quantidade de hospitais e clínicas médicas na região (em especial o Hospital Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, Instituto do Coração e Hospital do Servidor Publico Municipal). Também bastante expressivo na região é o uso educacional, contando com os colégios Santo Agostinho, Maria Imaculada, Objetivo e Bandeirantes, além da UNIP Paraíso e dos cursinhos Alferes e Poliedro. Todos esses usos, identificados no mapa de análises preliminares mais adiante, garantem transeuntes não apenas em transferência, mas de fluxo constante no local.


Uso e ocupação de solo das subprefeituras da Sé e da Vila Mariana. Fonte: Site da prefeitura de SP.



Mapa de anĂĄlises preliminares, identificando os usos do entorno e sintentizando impressĂľes das visitas de campo. Fonte: Levantamentos da autora.


VISITAS DE CAMPO Ao longo do ano foram realizadas algumas visitas de campo a partir das quais foi possível levantar percepções sobre a área, pontos de interesse, potencialidades e problemáticas. Apresentamos a seguir um balanço do que foi identificado. Problemáticas • Predominância dos veículos na área junto à saída do metrô Paraíso. Fluxo intenso de carros e ônibus, barulho e dificuldade de transposição da Av. Bernardino de Campos; • Presença de vários canteiros elevados de formas angulosas na praça Rodrigues de Abreu (alguns deles constituindo respiros e fonte de iluminação indireta da estação de metrô Paraíso) dificultam a livre circulação dos pedestres e a leitura do espaço como uma unidade; • Trecho desta mesma praça voltado para Catedral Ortodoxa fica isolado do restante e não há boas visuais para o edifício; • Falta de unidade do mobiliário urbano e presença de vendedores ambulantes em pontos que estrangulam a circulação; • Dificuldade de acessos transversais, inclusive poucos pontos de travessia da R. Vergueiro; • Falta de domínio da escala por parte do pedestre, que por vezes sente-se “perdido” ou espacialmente dominado em relação à largura da calha constituída pela Av. Vinte e Três de Maio; • Trechos da calçada da R. Vergueiro muito estreitos e com manutenção ruim, quase inexistência de árvores ao longo da rua; • Acesso entre a Av. Vinte e Três de Maio e a R. Vergueiro bastante precário em vários pontos, com escadas desconfortáveis e inclinadas.


Potencialidades • Taludes ao longo da Av. Vinte e Três de Maio possuem arborização bonita e de grande porte, constituíndo espécie de “parque linear nãoutilizável”; • Estacionamento entre saída do metrô Paraíso e R. Correia Dias oferece grande área plana subutilizada, bem como todo o quarteirão desocupado da R. Vergueiro entre a R. Santana do Paraíso e o viaduto Beneficência Portuguesa; • Belo piso de mosaico português na praça Rodrigues de Abreu, autoria de Burle Marx – porém em estado de manutenção ruim e fragmentado pelos numerosos canteiros ; • Diversas visuais interessantes, especialmente sobre os viadutos e do alto da praça em frente à Igreja Santo Agostinho (hoje um bolsão de estacionamento); • Edifícios de interesse visual como pontos de destaque na paisagem – como a Catedral Ortodoxa e os prédios de varandas dinâmicas do conjunto de escritórios Top Towers; • Escadaria descendo para Av. Vinte e Três de Maio entre o Centro de Controle Operacional do Metrô e o CCSP é bastante confortável e bemdimensionada; • Alguns espaços já possuem tratamento paisagístico bom, como o conjunto de escritórios Top Towers e o próprio CCSP; • Visitantes do CCSP já constituem público expressivo na área, bem como outros frequentadores da região, em especial os estudantes.


2

3

1

5

6

4

7

8

9


Podemos dizer, por fim, que trata-se de uma área subutilizada, com grande fluxo de pedestres apesar do entruncado sistema viário do entorno. Se por um lado o número de pessoas que frequentam a região é bastante expressivo – considerando-se a convergência das linhas Verde e Azul do metrô na estação Paraíso e as numerosas linhas de ônibus com parada nesse ponto estratégico da cidade – por outro lado sua Fotos da visita de campo:

1 Torre da Igreja Sto. Agostinho 2 Vista do alto da praça Sto. Agostinho 3 Vista da Av. 23 de Maio a partir do viaduto

relação com os espaços livres públicos da área tem caráter muito mais de trânsito do que de expressão de usos permanentes. Mesmo para os frequentadores constantes do

Beneficência Portuguesa, olhando em

local (em especial estudantes e trabalhadores),

direção ao centro

os poucos espaços livres públicos que possuem

4 Terreno vago na R.Vergueiro 5 Escadaria entre CCSP e Centro de Controle Opeacional do Metrô 6 Alça viária de acesso à Av. 23 de Maio –

alguma intenção projetual apresentam-se mais como local de passagem, por serem pouco convidativos, freagmentados e ilhados pelo sistema viário.

difícil cruzamento de pedestres 7 Terreno subutilizado atrás da saída da

Ainda assim, o potencial da área é bastante

estação Paraíso

grande. A faixa compreendida entre a R.

8 Vista do cconjunto de escritórios Top

Vergueiro e a Av. 23 de Maio é praticamente livre

Towers e da Catedral Ortodoxa

de edificações, possui arborização expressiva em

9 Canteiros elevados dificultam circulação

seus taludes e grandes terrenos ocupados por

na praça de saída do metrô Paraíso

estacionamentos. O Centro Cultural São Paulo concentra grande variedade de frequentadores,

Fonte: Autora, 2012.

mas que acabam dirigindo-se diretamente ao edifício por não haver maiores atrativos para a fruição e uso dos espaços externos ao mesmo.


PARTIDO A partir da análise da área de intervenção, bem como de nossas premissas teóricas e referências projetuais, delineiam-se as intenções do presente projeto. Nossa proposta é de requalificar o local escolhido através de um projeto dos espaços livres públicos que não só tire proveito das potencialidades e do público existentes, mas que transforme o caráter da área de um mero ponto de passagem a um lugar que convide ao estar e ao passeio. Para tanto, buscamos trabalhar com diversos elementos paisagísticos e do Desenho Urbano, bem como com a diversificação de usos e atividades — entendida como importante para o fomento da desejada urbanidade. Mais do que diferentes funções, procuramos neste projeto proporcionar variadas oportunidades de percepção, apropriação e experiência do espaço na cidade — sensorial, lúdica, topográfica, etc. Se por um lado nossas respostas a cada trecho buscaram solucionar questões existentes e articular nosso projeto ao entorno, por outro tentamos extrapolar soluções meramente pragmáticas. Consideramos essencial para o sucesso do projeto a leitura de sua sequência de espaços como parte de um todo. Adotamos como partido uma linguagem geométrica, contemporânea, com a previsão de uma determinada palheta de materiais e família de mobiliário urbano que ajudariam na criação de identidade facilmente percebida pelo usuário. Também estaria prevista a padronização da comunicação visual ao longo do projeto. Assim, diversificando usos e tratamentos de espaço dentro de uma certa coerência de linguagem, tivemos como objetivo a criação de um sistema de espaços livres públicos que atenda à demanda da região e que ofereça novas oportunidades de usfruir a cidade enquanto lugar da vida coletiva urbana.


DIRETRIZES • Conceber o projeto como seqüência de espaços de caráteres diferentes articulados entre si dentro de um sistema, promovendo diversidade e apropriação pelos usuários; • Permitir melhor circulação na área (priorizando o pedestre) e reforçar o sentido de percurso, buscando a surpresa e a curiosidade; • Promover o conforto escalar do pedestre, procurando dar domínio a ele sobre a escala do entorno de modo que sinta-se inserido no espaço (a menos que eventualmente se deseje efeito contrário), e explorando questões de proporção e as percepções associadas a elas em diversos pontos; • Conferir certa unidade e identidade visual ao local; • Integrar melhor a praça do metrô Paraíso com o Centro Cultural São Paulo, através desse sistema linear de espaços livres; • Criar pontos de interesse que convidem ao estar – quiosques, barzinhos, fontes, bancos sombreados, etc; • Articular o projeto ao existente, buscando atender às questões particulares de cada trecho e levando em conta os usuários predominantes; • Explorar visuais na área – sobre os viadutos, olhando para os taludes do lado oposto da Av. 23 de Maio e tomando como referência edifícios de destaque (como a Catedral Ortodoxa, prédios de escritórios com varandas dinâmicas na Vergueiro, empena do prédio entre Bernardino de Campos e R. Ramon Penharrubia, etc); • Definir caminho principal que permeie mais os quarteirões (ao invés de um percurso de borda), colocando o pedestre em contato com as árvores dos taludes de diferentes modos; • Amenizar barulho e presença do automóvel; • Aumentar número de travessias ao longo da R. Vergueiro; • Preservar arborização de grande porte existente quando possível, complementando-a onde necessário e explorando outras formas de vegetação (arbustos e forrações); • Numa escala mais aproximada, prestar atenção aos detalhes que ajudam a compor a “ambiência”: materiais, cores, iluminação, pontos focais, vegetação, elementos d’água, etc.

projeto


PROCESSO DE PROJETO Estudos 1 e 2 Tendo isso em mente, começamos a desenvolver um primeiro estudo na escala 1:1000, com cortes em 1:250. Num segundo estudo, foi feito um retorno à 1:1000 e buscou-se estruturar melhor a sequência de espaços antes de detalhá-los. Para isso, foi desenvolvido um estudo conceitual buscando marcar caminhos principais e secundários, transposições de níveis, pontos de interesse (inclusive visual) e a delimitação aproximada dos espaços, com o caráter de cada um deles sintetizado em até duas palavras. Feito isso, passamos a estudar cada espaço separadamente, ampliando sua escala tanto em planta como em corte (1:500, 1:250, 1:100), para só então voltar à implantação em 1:1000 e completá-la a cada espaço. Ao longo do Estudo 2 foi desenvolvido um trecho da implantação no entorno da estação Vergueiro, junto com o estudo ampliado dos seguintes espaços: alargamento do viaduto Beneficência Portuguesa (“Passeio Elevado”), Praça Sto. Agostinho e Jardim de Patamares do CCSP.


Estudo 3 No terceiro estudo, concentrado no segundo semestre, retomamos a partir da revisão dos trabalhos desenvolvidos até então. Após uma avaliação crítica, tentamos atingir uma maior coerência entre os diversos trechos do projeto. Para tanto, foram analisados quais os elementos que poderiam conferir maior unidade ao projeto e contribuir para uma clara leitura do todo. Dentre eles, podemos destacar: palheta de materiais, inclusive utilizados segundo a hieraquia do espaço (caminho principal, calçada, espaço de parada, etc.); família de mobiliário urbano (que não chegou a fazer parte do escopo deste TFG); linguagem projetual (a qual assumimos como fortemente geométrica, trabalhando com segmentos de reta); e por fim, hierarquia de caminhos. A idéia de um caminho principal fazendo a conexão entre todos os epaços, abrindo-se em mirantes e diluindo-se nas praças principais fica clara no Estudo Esquemático apresentado mais adiante. De modo geral, tentamos manter tais elementos unificadores durante o resto do desenvolvimento do projeto. No entanto, em relação ao Estudo Esquemático foi feita uma revisão no sentido de garantir melhores articulações do projeto com o tecido existente. Assim, não apenas revisamos o traçado do caminho principal - levando em conta como se dariam transposições de nível e até que ponto o traçado esboçado se justificava como também buscamos identificar para cada trecho qual a relação com os usos existentes e potenciais usuários. Desse modo, realizamos uma compilação dos usuários existentes na área e quais as possíveis atividades a serem desenvolvidas por cada grupo. Resumidamente, foram identificados os seguintes grupos de usuários: estudantes, trabalhadores da região, usuários do transporte público em trânsito, frequentadores do Centro Cutural São Paulo, moradores da região e frequentadores dos hospitais. Identificados os usuários e as potenciais atividades, montamos um primeiro programa geral e prosseguimos, trecho por trecho, desenvolvendo o projeto com base em tais dados e nas problemáticas e potencialidades específicas do local. Os estudos em planta foram realizados em escala 1:500 (por vezes 1:200 para melhor apreensão do espaço), enquanto os cortes foram realizados em 1:125 ou 1:100; O resultado de nossos trabalhos é apresentado nas páginas a seguir.


ESTUDO 1 IMPLANTAÇÃO


ESTUDO 1 CORTES


ESTUDO 2 ESQUEMA CONCEITUAL



ESTUDO 2 IMPLANTAÇÃO (TRECHO)


ESTUDO 2 PASSEIO ELEVADO


ESTUDO 2 PRAÇA STO. AGOSTINHO



ESTUDO 2 JARDIM CCSP



ESTUDO 3 ESTUDO ESQUEMÁTICO



ESTUDO 3 PLANTA



1

2 3

ESTUDO 3 LOCALIZAÇÃO DOS TRECHOS


5

4

6


PASSARELA COTECTANDO PRAÇAS i =8%

TRECHO 1- PRAÇAS DE MIOLO DE QUADRA Neste trecho tiramos proveito do estacionamento ocupando um miolo de quadra atrás de um acesso ao metrô Paraíso para a criação de uma praça de caráter mais enclausurado. Tendo em vista a expansão prevista para a região, substituímos os pequenos sobrados ao longo da R. Correia Dias por edifícios de 10 - 15 andares de uso misto (residencial ou escritórios nos pavimentos superiores; cafés, bares, lanchonetes

A

e pequenos serviços no térreo, voltados para a praça). Buscamos com isso criar um centro conveniente e convidativo aos usuários do transporte público de passagem no local, gerando também atividade noturna. Este pequeno centro comercial conecta-se a uma praça existente, Máximos Sayegh IV, por meio de uma passarela passando pelas árvores do talude. Do outro lado, a conexão se dá por meio de passarela de pedestres que transpõe a Av. Bernardino de Campos, de tráfego intenso. Sob ela desenvolve-se o programa de um café semi-enterrado. A passarela também dá apoio à arquibancada voltada para um espaço sombreado por cobertura tensionada. Por fim, elementos d’água criam pontos focais e sentido de chegada na extremidade do terreno.

ELEMENTOS BALIZADORES:

SOBRADINHO BEM-CONSERVADO:

“MESAS DE ÁGUA” (DETALHE 1)

CAFÉ VOLTADO PARA A PRAÇA


E 3D

ARQUIBANCADA + COBERTURA

PASSARELA ASSOCIADA AO

TENSIONADA: ESPAÇO PARA APRESENTAÇÕES

ACESSO METRÔ (DETALHE 3)

IO

MA

2 AV.

R AV. BE NARD

ORTODOXA

GUEIR

O

POS

E CAM

INO D

B’

CATEDRAL

R. VER

B

RESIDENCIAL EXISTENTE RESIDENCIAL PROPOSTO

R. CORREIA DIAS

A’

PAREDE D’ÁGUA / PROJEÇÕES +

PASSAGEM INTRA-

EDIFÍCIOS DE USO MISTO

QUIOSQUES: BANCA DE

ESPELHOS D’ÁGUA (DETALHE 2)

QUADRA

PROPOSTOS: TÉRREO COMERCIAL

JORNAL, DOCES, FLORES


T1__CORTE A-A’ Passarela de conexão entre praças



T1__DETALHES 1 E 2 Mesas d’água __ Parede d’água


T1__ CORTE B-B’ E DETALHE 3 Passarela Bernardino de Campos


A passarela se desenvolve subindo a cobertura do café, a uma inclinação de 8%. O pedestre entra em contato com as copas das árvores existentes, atravessa a Av. Bernardino de Campos para, depois de uma inflexão, descer no eixo visual da Catedral Ortodoxa. Abre-se uma área de mirante que cobre a saída do metrô Paraíso, num patamar que tem acesso pelo elevador da plataforma existente. Alguns degraus depois, um segundo patamar serve de cobertura ao ponto de ônibus, para finalmente o último lance de escadas atingir a praça do metrô Paraíso.


T1__ PERSPECTIVA Passarela Bernardino de Campos


PASSARELA ASSOCIADA AO ACESSO METRÔ (DETALHE 3)

TRECHO 2- PRAÇA METRÔ PARAÍSO A atual praça Rodrigues de Abreu, que abriga uma das saídas do metrô Paraíso, apresenta uma série de problemáticas. Além de isolada pelo sistema viário, internamente a praça é fragmentada pelos numerosos canteiros elevados altos que servem de respiro para o metrô. Como alternativa, propomos grelhas de piso e outros elementos capazes de suprir a ventilação

S

IBU

ÔN

necessária à estação (vide desenhos adiante) de modo menos impactante na paisagem e sem criar estrangulamentos na circulação ou cantos visualmente isolados.

S

PO

O DIN

DE

M CA

AR

N BER AV.

S

IBU

ÔN

Nosso projeto prevê não só caminhos convidando o pedestre a percorrer o meio da quadra como uma maior abertura visual da mesma para a R. Vergueiro. Dividida em 2 trechos, o primeiro deles caracteriza-se pela remodelação da saída do metrô e pelas visuais voltadas à Catedral Ortodoxa. O segundo abriga um gramado e tira proveito das massas de paus-ferro existentes, complementando-as e propondo estares junto às suas sombras e um percurso elevado em meio às árvores. O canteiro central foi requalificado em termos paisagísticos e integra trecho do percurso de ciclofaixas aos domingos.

CATEDRAL

CAMINHO POR GRELHA METÁLICA: RESPIRO (DETALHE 4)


QUIOSQUE E MURAL

MIRANTE E CANTEIROS ELEVADOS

TRANSPOSIÇÃO DE ALÇA VIÁRIA EM

MOSAICO BURLE MARX

FUNCIONANDO COMO RESPIROS

NÍVEL ELEVADO (ACESSOS i=3% E 7%)

C

AV. 23 DE MAIO

D

ÔNIB

US

R. VE

RGU

EIRO

D’ C’ FONTE (DETALHE 5)

EQUIPAMENTOS

PLANOS GRAMADOS

DE GINÁSTICA

INCLINADOS: RESPIROS

NOVA FAIXA PROPOSTA

ESCADARIA MAIS CONFORTÁVEL E VISÍVEL


T2__CORTE C-C’ Praça metrô Paraíso: Catedral



T2__CORTE D-D’ Praça metrô Paraíso: gramado



A grelha de piso no caminho junto ao espelho d´água funcionaria como respiro do metrô. Outros elementos que poderiam suprir tal ventilação são a fonte (captando o ar através de laterais em grelhas metálicas) e, de mesmo modo, os planos inclinados no segundo trecho da praça. Estes últimos criariam uma espécie de dobradura na superfície gramada, criando jogos de luz e sombra e apresentando-se até como elementos lúdicos para as crianças. Sendo elementos inclinados de baixa elevação (h=1m), não criam barreiras visuais na paisagem, ao mesmo tempo que suas laterais em grelha metálica captam o ar para a estação abaixo.

T2__DETALHES 4 E 5 Estudo de respiros: Grelha de piso __ Fonte


T2__ PERSPECTIVA Praça metrô Paraíso: gramado


TRECHO 3- TRAVESSIAS E ESTARES Uma das laterais da praça do metrô Paraíso é delimitada pela alça viária que desce para a Av.

AÍS

O

Vinte e Três de Maio. Atualmente, a travessia

PAR

de pedestres neste ponto é bastante difícil,

. DO

sem nenhuma faixa de pedestres ou semáforo.

VD

Tratando-se de uma alça de acesso, acreditamos que uma soluçao interessante para tal travessia seja uma passarela de pedestres apenas um pouco elevada em relação ao nível da praça, já que o desnível da via já permite a passagem de veículos. Priorizando esta passagem mais segura, também garantimos fluxo na ilha da alça viária atualmente bastante isolada.

E’ Seguindo com o caminho principal, chegamos ao Centro de Controle Operacional do Metrô. O edifício conta com calçada generosa, mas que é ocupada em toda sua extensão por vagas de estacionamento. Propomos no local a supressão dessas vagas e criação de espaços conformados por faixas de vegetação, esculturas e pórticos dispostos transversalmente ao percurso. Foram criados estares com mesas e cadeiras lateral ao edifício, enquanto do outro lado da rua a calçada foi alargada na faixa de bares, por supressão da faixa de estacionamento.

MANUTENÇÃO DE CALÇADA E

ALARGAMENTO DA CALÇADA

TRATAMENTO PAISAGÍSTICO EXISTENTES

NA FAIXA DE BARES

E


ESTARES EM PLANOS DE ALTURAS

MANUTENÇÃO DE

VARIADAS - MESAS E CADEIRAS

ESCADARIA CONFORTÁVEL EXISTENTE

AV. 23 DE MAIO ÔNIBUS

CENTRO DE CONTROLE OPERACIONAL DO METRÔ

CCSP

R. VER

GUEIR

O

UNIP

ESPAÇOS COMPOSTOS POR

ALARGAMENTO DO ACESSO À ESCADARIA +

POCKET PARK EM ÁREA

PÓRTICOS E ESCULTURAS

REPOSICIONAMENTO PONTO DE ÔNIBUS + NOVA FAIXA

DO RESPIRO METRÔ ATUALMENTE VAZIA


Os estares na lateral do Centro de Controle Operacional do Metrô se aproveitam de um desnível existente, de 1,40m, entre a calçada e uma laje gramada cobertura de um pavimento semi-enterrado do edifício. Criamos novos planos em níveis variados, explorando a vegetação e a posição junto ao belo muro de arrimo de paralelepípedos na base do edifício. Tais espaços poderiam contar com mesas e cadeiras, prestando-se tanto ao almoço ao ar livre de funcionários como aos happy hours dos apertados bares do outro lado da R. Vergueiro.

T3__CORTE E-E’ Estares junto ao CCO do Metrô


817,00

816,40 815,40

814,00


MANUTENÇÃO DO TRATAMENTO PAISAGÍSTICO COM PENDENTES AO LONGO DA FACHADA DO CCSP PARA A 23 DE MAIO

TRECHO 4 - PRAÇA CENTRO CULTURAL SP Nosso percurso principal tem sequência ao longo da calçada do Centro Cultural São Paulo, estendendo-se para dentro do mesmo pela

AV. 23 DE MAIO

continuidade do piso dentro do edifício. Na praça entre o CCSP e o acesso ao metrô Vergueiro, propomos uma solução inusitada: estares conformados em meio a uma topografia geometrizada. A idéia seria oferecer espaços para a extensão de atividades do CCSP e de seus visitantes na área externa ao mesmo. Assim, por exemplo, uma plataforma em frente ao respiro do metrô serve de palco para apresentações ao ar

CCSP

livre, que podem ser assistidas da arquibancada de degraus embutidos no plano gramado oposto ao palco. Em outros momentos, a topografia cria estares rebaixados e recantos mais intimistas. O caminho principal que neste trecho faz a conexão entre o CCSP e o metrô abre-se num mirante que permite uma nova descoberta: a geometria do terreno acentua-se numa descida em rampa até a Av. 23 de Maio. Tal percurso, que abrigaria em seus patamares alargados esposições de esculturas ao ar livre, permitiria uma fruição diferente do espaço em meio à topografia criada pelo homem: o terreno enquanto escultura.

NOVA CALÇADA PROPOSTA

PREVISÃO DE TRATAMENTO PAISAGÍSTICO COM FORRAÇÕES E ARBUSTOS VARIADOS


CONTINUIDADE DO PISO PRINCIPAL

PASSEIO DAS ESCULTURAS i= 7,9%

NOVO PONTO DE ÔNIBUS

K’

VID. BENEFICÊNCIA PORTUGUESA

TOPOGRAFIA GEOMETRIZADA

POR DENTRO DO CCSP

G’

H’

H

K

G F’

R. VERGUEIRO

ALARGAMENTO DA CALÇADA NA FAIXA DE BARES

F

RESPIRO METRÔ

ELEVADOR + BICICLETÁRIO + ÔNIBUS + ACESSO METRÔ (DETALHE 6)

ACESSO METRÔ VERGUEIRO


T4__CORTE F-F’ Praça Centro Cultural SP - longitudinal



T4__CORTE G-G’ Praça Centro Cultural SP - transversal pela estação de metrô



T4__CORTE H-H’ E DETALHE 6 Praça Centro Cultural SP - estar rebaixado ___ edifício metrô Vergueiro


T4__CORTES I-I’ E J-J’ Praça Centro Cultural SP - palco e arquibancada


T4__CORTE K-K’ Praça Centro Cultural SP - transversal pelo mirante



TRECHO 5 - PASSEIO ELEVADO Este trecho apresenta-se como um importante eixo transversal à área de projeto: aquele formado pelo Vd. Beneficência Portuquesa e pela praça da Igreja S. Agostinho. A propostta desenvolvida

HOSPITAL BENEFICÊNCIA

aqui é de alargar o viaduto, criando sobre ele um

PORTUGUESA

passeio com vegetação e árvores de pequeno

L’

porte ao longo dele. Isso não só ajudaria a dar domínio escalar ao pedestre (que neste viaduto tem a tendência a sentir-se “perdido”

VID. BENEFICÊNCIA PO

diante da calha da 23 de Maio), como também

M

proporcionaria uma experiência diferente de

RTUGUESA

M’

“parque elevado”. A vegetação em faixas seria utilizada para criar

L

fechamentos e reforçar aberturas nos pontos de visuais mais interessantes (como para o próprio Passeio das Esculturas com seus taludes geométricos). O percurso pode ser utilizado para caminhada - inclusive pelos usuários dos

variado. A torre da igreja Santo Agostinho cria um ponto focal ao fim deste eixo. A praça em frente a ela não chegou a ser plenamente desenvolvida,

R. MAESTRO

isso, uma faixa lateral abrigaria mobiliário urbano

CARDIM

hospitais nas duas extremidades do viaduto. Fora

mas buscaria reforçar o sentido de eixo com o Viaduto, bem como explorar as visuais do alto dela. VEGETAÇÃO: MARCAÇÃO DE ABERTURAS E FECHAMENTOS


R. VERGUEIRO

IGREJA SANTO

AV. 23 DE MAIO

AGOSTINHO

ESPAÇO PARA COMÉRCIO AMBULANTE

NOVA FAIXA PROPOSTA

PREVISÃO DE PROJETO : PRAÇA DE BAIRRO CONFORMADA PELAS EDIFICAÇÕES


T5__CORTE L-L’ Passeio Elevado - transversal


T5__CORTE M-M’ Passeio Elevado - longitudinal (trecho)


O trecho final do projeto, no quarteirão da Vergueiro hoje vazio com exceção de um estacionamento, possui caráter de parque. Dispondo de maior área livre contínua e não sendo muito condicionado por questões do entorno, este trecho encontra-se mais isolado em si mesmo. Portando, pudemos organizar o programa mais livremente, inclusive com algumas áreas de atividades específicas.

VID. BENEFICÊNCIA PORTUGUESA

TRECHO 6 - PARQUE VERGUEIRO

A conexão com o acesso ao metrô Vergueiro se dá por uma praça seca, dispondo de quiosques e estares sombreados. Na sequência temos um gramado ladeado por um percurso entre as copas de árvores no talude da 23 de Maio. Mais adiante, numa cota mais baixa, temos uma área de estar mais intimista e sensorial e, do outro

N

lado, a área de fontes de piso e brincadeiras de água. A área lúdica para crianças estende-se um

DETALHE 7

pouco mais, englobando morrotes gramados e um talude existente aproveitado para a implantação de escorregadores. Esta área é separada da quadra poliesportiva por um edifício, que em seu pavimento inferior abriga vestiários e sanitários públicos, enquanto no nível da calçada funciona uma lanchonete. Por fim, em frente à quadra semi-enterrada, pequenos estares podem abrigar grupos esperando para jogar.

PADRONIZAÇÃO DA FACHADA DOS BARES


QUIOSQUES

FONTES DE PISO

PASSEIO ENTRE COPAS

LANCHONETE + VESTIÁRIOS + W.C. PÚBLICO (DETALHE

O

Q’

AV. 23 DE MAIO

P’

PARAÍSO

N’

R. SANT ANA DO

ÔNIBUS

R. VERGUEIRO ÔNIBUS

O’

P Q

HOSPITAL DO SERVIDOR MUNICIPAL

TÚNEL DE

ESTAR DE CARÁTER

ESTARES COM

WFLAMBOYANTS

SENSORIAL

PAREDES BAIXAS

NOVA FAIXA PROPOSTA


T6__CORTE N-N’ Parque Vergueiro - longitudinal



T6__CORTE O-O’ Parque Vergueiro - quiosques



Os módulos de planos inclinados na praça seca próximo â saída do metrô Vergueiro são um exemplo de mobiliário que oferece diversos tipos de apropriação. Não só serviriam de bancos na saída da estação, como também de caixa para árvores. Permtiriam também a exploração mais lúdica do espaço - pular de um para o outro, equilibrar-se em suas bordas, etc. Em mais de uma visita de campo, verificamos exatamente a demanda por este tipo de mobiliário por um grupo de praticantes de kung-fu que treinava ao ar-livre aos domingos: em frente â Igreja Santo Agostinho e em muretas baixas da praça do CCSP. Referência de projeto: Green Library Iidabashi Plano, Tokyo de Earthscape Landscape Architecture.


T6__DETALHES 7 E 8 M贸dulos de planos inclinados__ Vesti谩rio/ W.C./ Lanchonete


T6__CORTE P-P’ Parque Vergueiro - passeio entre copas e gramado



T6__CORTE Q-Q’ Parque Vergueiro - quadra



Ao fim do processo de pesquisa e trabalho desenvolvido, podemos chegar a algumas conclusões. O projeto de espaços livres públicos de fato se faz essencial para a criação de cidades mais agradáveis, confortáveis, seguras e democráticas. A qualidade de um bom projeto de espaço público pode fazer toda a diferença na percepção que os usuários têm de um local - seja despertando a curiosidade de quem passa para explorá-lo, seja oferecendo recantos agradáveis para a conversa, seja ao propor novas relações de consciência do seu corpo em relação ao espaço. Buscamos ao longo do desenvolvimento do projeto propor essas diversas formas de contato e apropriação do espaço urbano, tendo sempre em mente também as problemáticas e potencialidades do local. O processo projetual é cheio de indas e vindas, e percebemos a impotância da articulação de diferentes escalas para um desenvolvimento adequado do projeto de espaços livres públicos. O arquiteto, por mais que deseje, não possui total controle sobre como os espaços projetados serão na prática utilizados e percebidos. Mas ele é capaz sim, de propor algo diferente -- e de sonhar algo a mais.

conclusões


Embasamento teórico e conceitual

A bibliografia apresentada aqui tem sua

CASTELLO, Lineu. A percepção de lugar: repensando o conceito de lugar em arquitetura-urbanismo. Porto Alegre: PROPAR-UFRGS, 2007.

pertinência justificada por serem obras relativas

KOSTOF, Spiro. The city assembled: the elements of urban form through history. Londres: Thames & Hudson, 1992.

a desenho urbano e projetos paisagísticos de

SAKATA, Francine Gramacho. Paisagismo urbano: requalificação e criação de imagens. São Paulo: Edusp, 2011.

modo geral, brasileiras e internacionais, com diferentes enfoques e aproximações de acordo

Métodos e técnicas projetuais de desenho urbano

com as frentes de trabalho metodológicas.

ASHIRARA, Yoshinobu. Exterior Design in Architecture. Nova York: Van Nostrand Reinhold, 1970. CULLEN, Gordon. Townscape. Londres: Architectural Press, 1961 REID, Grant. From concept to form in landscape design.

Assim, as obras foram agrupadas segundo esta classificação.

New York : Van Nostrand Reinhold, 1993

Referências de projetos de requalificação urbana BROTO, Carlos. Soluciones criativas en espacios urbanos: Barcelona. Barcelona: Links, 2011. CORSINI, José María Ordeig. Urban design: accessible and sustainable architecture. Barcelona: Monsa, 2007. DIEDRICH, Lisa (red). CARAPINHA, Aurora. On site. Landscape Architecture Europe. Basel, Birkhäuser, 2009 Boston, Mass. FERNÁNDEZ PER, Aurora. ARPA, Javier. The public chance: nuevos paisajes urbanos. Vitoria-Gasteiz, Spain: A+t ediciones, 2008. GEHL, Jan & GEMZOE, Lars. Novos Espaços Urbanos. Barcelona: Gustavo Gilli, 2002. HOLDEN, Robert. Nueva Arquitectura del Paisaje. Barcelona: Gustavo Gilli, 2003. ZEIN, Ruth Verde. Rosa Kliass: desenhando paisagens, moldando uma profissão. São Paulo, SENAC, 2006. Bases de desenvolvimento para o projeto na área de estudo BARTALINI, Vladimir. Praças do metrô: enredo, produção, cenário, atores. São Paulo, 1998. Dissertação (mestrado) – FAU USP. CCSP. ANO 1. coord. OHTAKE, Ricardo. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1983. MACEDO, Silvio Soares. Quadro do Paisagismo no Brasil. São Paulo: Coleção QUAPÁ, 1999.

bibliografia



Aos meus pais, pelo amor e apoio incondicional sempre que eu mais precisei; Ao meu orientador Silvio Macedo, pelas broncas, pelas risadas, e por tudo que aprendi ao seu lado nesses anos todos na FAU; Ao meu co-orientador Fábio Mariz, pela atenção, por ter me aceitado e orientado idependentemente do horário e condições, e por abrir meus olhos tantas vezes; Às minhas queridas “chefinhas” Carol Leonelli e Gabi Tamari, pela compreensão nesses tempos corridos e por tudo que tenho aprendido na oficina2mais; À minha tia Natasha e ao John Irish pelo apoio e confiança mesmo distantes; Aos meus queridos amigos, “fauanos” ou não, que me acompanharam, encorajaram, deram opiniões e ajuda das mais diversas formas ao longo do TFG, em especial: Sueli Agnelli, Tissa Yokota, Eduardo Pizarro, Luiza Ho, Cláudia Artencio (Melody), José Paulo Alvim (Malnar), Gabriel Morais, Victor Magalhães e principalmente, Guilherme Gabriel Alves -- sem você, eu não teria conseguido. A todos vocês, meu muito obrigada!

Este TFG é dedicado a todos aqueles que apostaram em mim, mesmo quando eu achei que não conseguiria.

agradecimentos