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Sumário A automassagem nas Águas

4

Emendadas

10

nutrição do ser Bonita ideia

16

18

A multidimensão da 12

Na trilha da lagoa

Projeto Alimente-se desta

Cerrado amigo da água

22

Cerrado: quem planta? Quem cuida? 24

Projeto Que Casca Boa!

26

Por

que os animais visitam as flores? 28

Seis anos estudando os sapos

do DF

30

mananciais

E D U C A Ç Ã O

A M B I E N T A L

2010

Secretaria de Estado de Educação Governo do Distrito Federal

A Caesb e a proteção de


Sumário A automassagem nas Águas

4

Emendadas

10

nutrição do ser Bonita ideia

16

18

A multidimensão da 12

Na trilha da lagoa

Projeto Alimente-se desta

Cerrado amigo da água

22

Cerrado: quem planta? Quem cuida? 24

Projeto Que Casca Boa!

26

Por

que os animais visitam as flores? 28

Seis anos estudando os sapos

do DF

30

mananciais

E D U C A Ç Ã O

A M B I E N T A L

2010

Secretaria de Estado de Educação Governo do Distrito Federal

A Caesb e a proteção de


Agradecimentos A todos os funcionários de Águas Emendadas – Ibram, em especial a Gustavo Souto Maior, Vânia Cerqueira Barbosa, Luiza Alice Labarrére, Beatriz Maury, Aylton Lopes Santos, Henrique Arakawa, Enéas Flavio S. Ribeiro, Joaquim da Silva Moreira e Osmar de Sousa Lopes; às pesquisadoras Elza Guimarães, Catarina Netto, Silvia Rodrigues Machado, Taissa C. Vila Boas e Isis Arantes; à Caesb, nas pessoas de Fernando Leite, Roberto Marcio, Márcio Borges, Cristina Karas, Cristine Cavalcanti, Cinthia Pinke e Milton Costa Araújo Filho; à WWF Brasil, nas pessoas de Samuel Barreto, Michel Rodrigues, Bruno Reis, Eliana Maria Salmazo, Tatiane de Oliveira, Anderson Oliveira e Lucia Silva; à UnB, nas pessoas de Marcelo Bizerril, Manoel Cláudio da Silva Junior e Jader Marinho; ao Instituto Paulo Montenegro e Ação Educativa, nas pessoas de Ana Lima e Marilse Araújo; ao professor Vicente de Paulo Siqueira, a todos os professores reeditores, em especial a Ághata Moreno de Almeida Campos, Rosilda Barros Silva, Cássia Oliveira Machado, Ednalva Gomes de Sousa, Lucineide Alves Batista Lobo, Jerusa Neiva Eulácio dos Santos, Simonia Carlos de O. Galvan e Adriana Fonseca Matos; a todos os integrantes da Cia de Teatro Língua de Trapo, em especial à atriz e diretora Isabel Cavalcante; ao Grupo de Proteção ao Cerrado Maria Faceira; à Seguros Unimed, na pessoa de Denise Barbosa; à Secretaria de Saúde do DF, nas pessoas de Marcos Freire e Soraya Terra Coury, à Supernova Design; e nossa gratidão ao Cerrado.

Organização Maria Izabel da Silva Magalhães Muna Ahmad Yousef Equipe de Educação Ambiental Evando Ferreira Lopes Lucas Nunes Tratamento dos textos das escolas públicas Vicente de Paulo Siqueira Projeto gráfico e capa Ribamar Fonseca (Supernova Design) Revisão Alessandro Mendes (Azimute Comunicação) Foto da capa Evando Lopes Impressão Gráfica Coronário Tiragem Mil exemplares Edição anual, dezembro de 2010

Foto: Evando Lopes

Impresso em Reciclato® 90g/m2


Agradecimentos A todos os funcionários de Águas Emendadas – Ibram, em especial a Gustavo Souto Maior, Vânia Cerqueira Barbosa, Luiza Alice Labarrére, Beatriz Maury, Aylton Lopes Santos, Henrique Arakawa, Enéas Flavio S. Ribeiro, Joaquim da Silva Moreira e Osmar de Sousa Lopes; às pesquisadoras Elza Guimarães, Catarina Netto, Silvia Rodrigues Machado, Taissa C. Vila Boas e Isis Arantes; à Caesb, nas pessoas de Fernando Leite, Roberto Marcio, Márcio Borges, Cristina Karas, Cristine Cavalcanti, Cinthia Pinke e Milton Costa Araújo Filho; à WWF Brasil, nas pessoas de Samuel Barreto, Michel Rodrigues, Bruno Reis, Eliana Maria Salmazo, Tatiane de Oliveira, Anderson Oliveira e Lucia Silva; à UnB, nas pessoas de Marcelo Bizerril, Manoel Cláudio da Silva Junior e Jader Marinho; ao Instituto Paulo Montenegro e Ação Educativa, nas pessoas de Ana Lima e Marilse Araújo; ao professor Vicente de Paulo Siqueira, a todos os professores reeditores, em especial a Ághata Moreno de Almeida Campos, Rosilda Barros Silva, Cássia Oliveira Machado, Ednalva Gomes de Sousa, Lucineide Alves Batista Lobo, Jerusa Neiva Eulácio dos Santos, Simonia Carlos de O. Galvan e Adriana Fonseca Matos; a todos os integrantes da Cia de Teatro Língua de Trapo, em especial à atriz e diretora Isabel Cavalcante; ao Grupo de Proteção ao Cerrado Maria Faceira; à Seguros Unimed, na pessoa de Denise Barbosa; à Secretaria de Saúde do DF, nas pessoas de Marcos Freire e Soraya Terra Coury, à Supernova Design; e nossa gratidão ao Cerrado.

Organização Maria Izabel da Silva Magalhães Muna Ahmad Yousef Equipe de Educação Ambiental Evando Ferreira Lopes Lucas Nunes Tratamento dos textos das escolas públicas Vicente de Paulo Siqueira Projeto gráfico e capa Ribamar Fonseca (Supernova Design) Revisão Alessandro Mendes (Azimute Comunicação) Foto da capa Evando Lopes Impressão Gráfica Coronário Tiragem Mil exemplares Edição anual, dezembro de 2010

Foto: Evando Lopes

Impresso em Reciclato® 90g/m2


Apresentação

O

Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal e sua Diretoria de Educação Ambiental e Difusão de Tecnologias – conscientes da necessidade de aprimoramento e do aprofundamento da educação embiental no Distrito Federal – apresentam com muito orgulho a Revista de Educação Ambiental da Esec-AE. A educação ambiental em Unidades de Conservação passa pelo debate e pela reflexão de suas funções, tanto para a conservação ambiental e a prestação de serviços ambientais como para o esclarecimento de sua função social e cultural e, por que não dizer, também econômica. Nos últimos anos, o Núcleo de Educação Ambiental da EsecAE (NEA-Esec-AE) vem sendo considerado referência de ações e práticas de educação ambiental em Unidades de Conservação. A despeito da ideia, muitas vezes disseminada, de que o uso restrito que se impõe às UCs de proteção integral permite poucas ações educativas ou restringe o envolvimento das comunidades adjacentes a esse tipo de UC, o trabalho desenvolvido pelas(os) educadoras(es) ambientais da EsecAE tem demonstrado justamente o contrário. Por meio da realização do curso Reeditor Ambiental, destinado à rede pública de Ensino do Distrito Federal, professores e alunos têm sido, ano após ano, sensibilizados para a importância da conservação do meio ambiente, das Unidades de Conservação e, em especial, do importante papel que a Estação Ecológica de Águas Emendadas exerce, em termos ambientais e sociais, no Distrito Federal. Nesse legítimo trabalho, as professoras Muna e Izabel, auxiliadas por Lucas e Evando, ano após ano, têm influenciado e sensibilizado acadêmicos(as), professores(as), alunos(as), profissionais de diversas áreas e, ainda, pessoas da comunidade sobre a importância da conservação do Cerrado, refletindo sobre temas como: água, solo, fauna, flora e outros. O Núcleo de Educação Ambiental da Esec-AE tem ainda estimulado o desenvolvimento de projetos socioambientais nas escolas da região, com a metodologia

Cambacica (Coereba flaveola) Fazendo ninho

Nossa Escola Pesquisa sua Opinião (Nepso) do IPM/Ibope, realizada ao final de cada ano letivo, quando alunos e professores apresentam os resultados de seus belos trabalhos. Além do envolvimento das escolas da região de Planaltina-DF e de outras Regiões Administrativas para uma melhor compreensão da função da Esec-AE, as educadoras têm atuado junto a comunidades no entorno da Estação, estimulando a inclusão social e ações de solidariedade. Um exemplo é o trabalho desenvolvido pelo NEA-Esec-AE com mulheres de baixa renda, como o Grupo de Proteção ao Cerrado Maria Faceira, criado para auxiliar a geração de renda com a produção e a venda de belos utensílios feitos a partir de materiais recicláveis. Tudo isso por si só já seria de grande valor. No entanto, o trabalho desenvolvido pelas educadoras vai além e preza por bens ainda maiores: a beleza, a arte, a cultura, o respeito pela diversidade, a inclusão social e, ainda, a escuta das diversas vozes e dos diversos olhares dos atores sociais envolvidos com a Esec-AE.

A cada ano, somos brindados por novas práticas educativas, baseadas em estudo criterioso, que resultam em trabalhos técnicos permeados de arte e beleza, que se traduzem em cuidado com o corpo, com as emoções, com a mente e com o espiritual, elementos essenciais para a compreensão do ambiente de forma cada vez mais integrada e integral.

A nova Revista de Educação Ambiental da EsecAE é resultado de mais um ano de trabalho dedicado à questão ambiental no Distrito Federal e à Estação Ecológica de Águas Emendadas. Aos leitores, desejo a aventura, o prazer de conhecer e, acima de tudo, a inspiração do ideal ambientalista, sonho que nos permite acreditar e transformar. Boa leitura!

Maria Beatriz Maury de Carvalho Diretora de Educação Ambiental e Difusão de Tecnologias Instituto Brasília Ambiental


A automassagem nas Águas Emendadas Que belo exemplo nos dá a Estação Ecológica! Marcos Freire médico generalista

A

s suas águas, de uma única nascente, irrigam o norte e o sul e dividem o país ao meio em leste-oeste, como no Tratado de Tordesilhas. Um charco aflorando água para dois lados. Centro-Oeste! Fonte de um fluxo de água límpida e cristalina, que cai do céu, brota da terra e se transforma em rios na sua jornada até o mar. O mar, por sua vez, outra fonte de águas, também emendadas, na imensidão dos oceanos. De lá, como nuvens, as águas retornam ao Planalto Central, completando um ciclo que assim se repete indefinidamente. Esse ciclo das Águas Emendadas e suas vertentes serve de inspiração para a prática da automassagem no corpo humano, realizada na Estação Ecológica de Águas Emendadas toda vez que seus visitantes vão lá para aprender sobre o respeito e a admiração pela natureza.


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Edu cação A m b ie n t al

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Fotos: Evando Lopes

Estação Ecol ógica d e Águ as E me nd ad as

Alunos da Escola Classe Córrego do Atoleiro

Centro de Ensino Fundamental 7 de Planaltina

Há anos que as educadoras ambientais Muna Yousef e Izabel Magalhães se encarregam, por iniciativa própria, de fazer uma prática de automassagem logo quando chegam os visitantes. É uma hora de boasvindas. Uma preparação para a abertura necessária para adentrar-se na natureza e aprender com ela. Entrar primeiro em contato consigo mesmo. E, como na natureza, entrar em contato com as emendas e ciclos do próprio corpo e tornar-se uno. Internamente, unindo mente e corpo, esquerda e direita, dentro e fora, frente e costas, inferior e superior e, externamente, unindo-se com a natureza. Essa prática da automassagem em Águas Emendadas originou-se da experiência de prática semelhante no Hospital Regional de Planaltina, do sistema público de saúde do Distrito Federal. Planaltina, cidade histórica que abriga o patrimônio natural da Estação Ecológica, além do pioneirismo na prática da automassagem no sistema público de saúde, é pioneira, também, na integração do meio ambiente com a saúde individual por meio da automassagem. As reflexões e analogias entre as Águas Emendadas e o corpo humano, pela visão da

automassagem, quando praticada sob o olhar taoísta da medicina chinesa, são muitas. Destacam-se as possibilidades de se constatar nos seres humanos emendas, ciclos e consequentes unidades. Isso faz parte de uma temática universal, na qual se baseiam a filosofia taoísta e a medicina chinesa, da unidade dividir-se em duas partes, uma denominada de Yang e a outra de Yin. Dessas duas partes surge o terceiro elemento, que é justamente a relação que essas partes guardam entre si (oposição complementar, interdependência, equilíbrio e intertransformação). A unidade gera o dois e o dois gera o três, diz o filósofo taoísta Lao Tsé, no 42o capítulo do livro Tao Te King. Essa particularidade de dividir-se em dois polos opostos que se complementam está presente em toda a natureza e, consequentemente, dentro de nós, seres humanos. Assim, a unidade da natureza pode ser dividida em nossa relação com o meio ambiente. Nossa unidade interna, na relação entre o corpo


A automassagem nas Águas Emendadas

e a mente. A unidade do nosso corpo, por sua vez, pode ser dividida na relação entre frente e costas, direita e esquerda, interior e exterior, centro e periferia, inferior (que pode ser redividido em pélvis e pernas) e superior (tórax, braços e cabeça). A unidade das nossas funções também pode ser dividida em partes opostas e complementares, como nutrição e defesa, emoção e razão, expansão e contração, sono e vigília, espiritualização e corporificação. À semelhança da nascente única dessas bacias hidrográficas, várias partes do nosso corpo são fontes comuns de fenômenos que correm em direções opostas. Sob a ótica da automassagem, uma dessas emendas se dá entre a parte superior e a parte inferior do corpo. No ser humano, essa emenda localiza-se na cintura lombar. É daí que, para baixo, nos emendamos à terra e, para cima, nos emendamos ao céu. Nesse ponto de encontro na região lombar, denominado o portão da vida, reside uma fonte poderosa que, para cima, vai em busca do céu e se abre em coração, sentimentos, braços, mãos, gestos, cabeça, sentidos, pensamentos, atenção, intenção, vontade, espiritualidade. Essa mesma fonte segue, também, para baixo e estabiliza na terra a pélvis, por meio das pernas e dos pés, dando-nos apoio, segurança, sexualidade, reprodução, vitalidade. Longe de serem um fluxo unidirecional e, como no caso das águas dos rios que saem da fonte e a ela voltam do mar pelas chuvas, os nossos dois canais, um voltado para o céu e o outro para a terra, dão vazão, também, a um fluxo inverso em direção à fonte, trazendo do

céu a consciência que desce e vai ao encontro da matéria que da terra se eleva. Ao mesclar de volta essas duas partes, o portão da vida se potencializa como fonte. Esse ciclo dá origem a uma pulsação entre o céu e a terra. Ora o comando celestial (a consciência) impulsiona o material terrestre (o corpo) para cima, ora o comando cede o movimento à força da gravidade e o corpo se acomoda de volta à terra. Esse simples exercício, inserido na prática da automassagem, realizado no ritmo respiratório, para cima na inspiração e para baixo na expiração, é capaz de potencializar a nossa vitalidade, justamente por preservar emendado em nós o manancial do céu e da terra. Outras emendas podem ser observadas em nosso corpo. Das mãos e dos pés partem os meridianos da acupuntura em direção ao centro do corpo. As pontas dos dedos são nascentes comuns de dois tipos de meridianos. Um grupo de meridianos corre pela parte interna dos membros, inferiores e superiores, e dirige-se ao peito pela parte anterior. São, por isso, considerados yin. Outro grupo de meridianos corre pela parte externa dos membros e dirige-se pela parte posterior à cabeça. São considerados yang. Suas funções são complementares e, de um modo geral, o yin trata dos órgãos internos, da nutrição e da contração, enquanto o yang cuida do exterior, da defesa e da expansão. A partir dessas nascentes comuns nas pontas dos dedos, esses meridianos vão tornando-se caudalosos até desembocarem nos oceanos do tronco e da cabeça.


Estação Ecol ógica d e Águ as E me nd ad as

Inversamente, a partir do centro do corpo (tronco e cabeça), como galhos de árvores que deixam o tronco, os meridianos deixam essa outra origem comum e dirigem-se de volta aos dedos, afinando-se nesse percurso e completando um ciclo semelhante às águas das nascentes e dos mares. Também temos em nosso corpo emendas entre o sangue e o ar que respiramos e entre o sangue e os alimentos que ingerimos. Elas se dão nos capilares dos pulmões e trato digestivo, que, por sua vez, emendam as nossas artérias e veias. São locais críticos para a vida e, por isso, precisam ser preservados, como no caso das Águas Emendadas e de todas as nascentes de rios e da vida. Mais uma semelhança entre elas. A visita às Águas Emendadas é uma imensa oportunidade, guiada pelo impacto da imersão no mundo natural e pela experiência da imersão em si mesmo por meio da automassagem, de vivenciar a experiência de emendar-se à natureza e a si mesmo como

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uma totalidade. Mas, essa experiência da unidade nos possibilita mais do que juntar os opostos, ela nos traz, também, o ponto de vista necessário para o vislumbre do próprio oposto da existência da unidade. O vazio como contraponto da totalidade e criador fértil e inesgotável de todas as coisas. Lao Tsé ainda nos diz no início do 42o capítulo: o vazio gera a unidade. E não seria essa a maior lição que nos tem a dar a Estação Ecológica de Águas Emendadas? Esvaziarmos as nossas mentes dos pensamentos compulsivos e gananciosos de exploradores da natureza e de nós mesmos e, diante do esplendor dessa nascente maravilhosa, ver que o silêncio e a contemplação são a origem de todas as coisas e que a prática meditativa de deixar-se ir para o vazio é condição para a continuidade da plenitude da vida no planeta Terra. A seguir, um roteiro de automassagem, baseado no livro Automassagem e Medicina Chinesa, do mesmo autor deste artigo.

Fotos: Evando Lopes

Roda de automassagem no Hospital Regional de Planaltina (DF)


A automassagem nas Águas Emendadas

1) Comece sempre energizando as mãos, esfregando uma contra a outra por alguns segundos, até senti-las aquecidas. Esfregue também um pulso no outro.

2) Coloque a mão direita sobre a esquerda bem no topo da cabeça e faça uma massagem com movimentos circulares, no sentido horário, por 40 vezes.

3) Deslize a mão direita espalmada sobre a têmpora e o lado direito da testa em movimentos de ida e volta, durante dez vezes. Inverta a mão e o lado do rosto e repita o mesmo procedimento.

4) Com as mãos espalmadas, deslizeas suavemente pela frente do rosto, uma ao lado da outra, da testa até o queixo. Em seguida deslize uma das mãos sobre a mandíbula do lado oposto e suba deslizando desde o ângulo da mandíbula até a região da têmpora, para então completar o movimento, descendo da têmpora até o ângulo da mandíbula. Repita esse procedimento dez vezes, alternando, a cada vez, a mão e o lado do rosto a ser massageado. Obs.: este exercício recebe o nome de “lavar o rosto”.

5) Apoie os dedos indicadores na fossas triangular das orelhas e deslize os polegares pela parte posterior da raiz das orelhas por dez vezes.

6) Com a base das palmas, pressione a parte posterior da orelha sobre o canal auditivo; com os dedos indicadores apoiados pelos dedos médios, bata sobre o ponto VB 20 (Fengchi – poço vento), situado na parte mais profunda da nuca, um de cada lado. Obs.: esse exercício recebe o nome de “bater tambor”.

7) Com as pontas dos dedos indicador, médio, anular e mínimo juntas, apoiadas sobre as apófises espinhosas da coluna cervical, deslize para o lado sobre a musculatura do pescoço, enquanto desce da nuca até a base do pescoço, perfazendo dez deslizamentos nesse percurso. Repita a descida de três a cinco vezes. Faça primeiro de um lado e depois de outro.

8) Com uma das mãos, massageie profusamente toda a região do ombro oposto, incluído a região da escápula, entre esta e a coluna e sobre o ombro. Massageie o ponto VB 21 (Jianjing – poço do ombro), situado no topo do ombro, a meio caminho entre a coluna e o início do braço. Inverta a mão e massageie o outro lado.


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9) Deslize a mão direita espalmada sobre a superfície Yin (face palmar) do braço esquerdo, indo do osso esterno, no centro do peito, até a palma da mão esquerda. Continue o movimento deslizando a mão direita sobre o lado Yang (face posterior ou externa) da mão e do braço esquerdo, subindo em direção à parte posterior do ombro para, finalmente, retornar ao ponto de partida sobre o esterno. Faça então com a mão esquerda o mesmo movimento realizado anteriormente pela mão direita. Estabeleça um fluxo contínuo de movimento e conte 20 deslizamentos, sendo dez para cada lado, intercaladamente.

12) Esfregue as duas mãos espalmadas sobre a região lombar.

10) Coloque a mão direita sobre a esquerda e faça dez movimentos circulares, no sentido horário, descendo do topo do osso esterno até o osso púbico. Repita essa descida três vezes.

16) Coloque as mãos sobre os joelhos e gire-os três vezes em cada sentido.

11) Ainda com a mão direita sobre a esquerda, deslize em círculo em torno do umbigo, no sentido horário, por várias vezes.

13) Gire a cintura dez vezes em cada sentido.

14) Com as mãos fechadas em punho, bata sobre toda a região glútea.

15) Equilibre-se em uma das pernas e gire o pé da perna oposta dez vezes em cada sentido. Repita o mesmo procedimento com o outro pé.

17) Afaste uma perna da outra mais ou menos a mesma distância existente entre os ombros. Com as mãos espalmadas, deslize-as da cintura até os pés pela região glútea e pelas faces posterior, lateral e ântero-lateral das coxas e pernas. Realize o movimento de subida pela face interna dos membros inferiores até a região da virilha. Esfregue as pontas dos dedos mais uma vez sobre as virilhas antes de recolocar as mãos sobre a cintura para reiniciar o movimento de descida. Repita todo o procedimento dez vezes.


A multidimensão da nutrição do ser

nd va o: E Fot

o

O movimento da alimentação natural não visa somente a obtenção da saúde física, pois os princípios que a sustentam estão buscando, antes de tudo, o resgate da essência da vida, a espiritualidade inerente à existência.

Lo

pe

Soraya Terra Coury Nutricionista e Musicoterapeuta, autora do livro Nutrição Vital – 4ª edição Numenati/SES/DF sorayavidya@hotmail.com

N

a Antiguidade, havia pessoas que treinavam o desenvolvimento físico, mental e espiritual vivendo em contato com a natureza e alimentando-se com dieta natural e vegetariana. Suas práticas levaram ao maior desenvolvimento da consciência, das percepções superiores da saúde e até mesmo de capacidades excepcionais, como vida longa superior à normal e poder de autocura. Isso ocorreu com alguns iogues, taoístas, essênios e hunzakatus. Esses últimos tinham vida média acima de 120 anos.

Atualmente, cada vez mais, diversas pessoas têm buscado uma alimentação mais natural e simples, movidas não somente por uma conexão maior com seu corpo e suas reais necessidades, mas também por uma ética de contribuir com o equilíbrio planetário. A alimentação do indivíduo está relacionada ao nível de consciência: quanto maior ele for, maior será a qualidade da alimentação. Essa consciência pode ser a capacidade de utilizar os elementos da natureza para beneficiar criativamente a própria vida

s


Estação Ecol ógica d e Águ as E me nd ad as

ou para prejudicar o equilíbrio natural da superfície do planeta, afetando, em longo prazo, toda a existência de forma indireta e irresponsável. A visão de transcendência nos cuidados do homem com o planeta Terra e com a alimentação é uma esperança de um novo tempo de respeito à vida. Transcendência é alargamento de horizontes para o sentido da vida, é a superação dos interesses somente pessoais por razões e valores que contemplem o cuidado com a terra e com os demais seres. A alimentação deve também nos possibilitar evoluir como um todo, assim como nos capacitar a exercer nossa função diferenciada no mundo. Uma vez que interagimos com o alimento em vários níveis, é importante que sejamos mais seletivos com a qualidade vital do alimento. E isso inclui saber a origem e a teia de relação do alimento dentro do ciclo econômico e ecológico. O Brasil é o 4º emissor global de gases do efeito estufa, com mais de dois terços das emissões vindas do desmatamento, principalmente pela atividade da pecuária. Além disso, temos o problema do excesso de plantio de soja (cerca 90% hoje transgênica), que também provoca exclusão social e destruição do meio ambiente, sendo 90% dessa soja destinada para alimentar animais. O terceiro relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPPC) das Nações Unidas mostra que é possível deter o aquecimento global se o processo de redução das emissões for iniciado antes de 2015. De acordo com o documento, para salvar o clima do nosso planeta, a humanidade terá de diminuir de 50% a 85% as emissões de CO2 até a metade deste século. Isso nos faz refletir que precisamos sem demora alcançar um novo padrão de consumo que transforme cada vez mais o ato de comer em uma comunhão com a vida e com o sagrado. Nessa etapa da evolução humana, a revelação do relacionamento entre o universo sutil e a matéria irá nos preparar para um salto quântico de expansão da consciência. Portanto,

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a ênfase somente na alimentação como fonte de nutrição é limitada. O que significa ser um organismo saudável é encarado hoje como um processo multidimensional, que envolve um equilíbrio delicado e dinâmico de muitos sistemas de energia e níveis de integração. Se somos corpo, mente, emoção e espírito, necessitamos, também, além da nutrição física, nutrir os corpos sutis para que possamos gozar de plena saúde. Há várias fontes de energia que atuam em diferentes dimensões da nutrição, que vão desde os níveis mais energéticos até os mais materiais para obtenção dos alimentos. Somos banhados por radiações invisíveis de um ambiente vibracional. O ar, a água, o Sol, a Terra e a energia cósmica são alimentos e a fonte fundamental da energia vital que sustenta a vida na sua totalidade. O Sol é a principal fonte de vida na Terra e um poderoso agente medicinal: todo organismo é estimulado e tem seus ritmos regulados pela energia solar. Sendo assim, indiretamente, todo alimento vegetal é luz solar condensada, por isso, ele deve ser a fonte principal de uma nutrição saudável. Outra nutrição fundamental se faz pela respiração, por meio da qual ocorre a combustão dos alimentos. Se não respiramos bem, falta oxigênio e ventilação para a queima dos alimentos, que terão uma combustão imperfeita. E, na hora de comer, simplifique, coma alimentos naturais, de preferência orgânicos, com abundância de vegetais e frutas, e restrição e diminuição gradativa de produtos animais, evitando produtos industrializados. Compartilhe, agradeça e abençoe seu alimento, perceba a textura, os sabores e aromas, mastigue bem, buscando a comunhão com a vida e fazendo desse ato uma meditação. A alimentação deve facilitar nossa evolução e, ao mesmo tempo, propiciar uma vida integrada com nosso propósito. Deste modo, a arte da nutrição se torna uma prática consciente que aprofunda nossa compreensão das leis universais.


Na trilha da

lagoa Bonita Muna Ahmad Yousef Maria Izabel da Silva Magalh達es


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Primavera cedinho na trilha Buriti banhado de luz Conversa com papagaio e o vento Ouve voz de garça Parada num só pé Entre aguapé capivara nada Desenha círculo n’água Na mata ariramba-de-cauda-ruiva come dançarina libélula Embaúba alimenta bandos de passarinhos E silenciosa replanta Cerrado

Foto: Evando Lopes

Muna Ahmad


Na trilha da lagoa Bonita

D Beija-flor-de-garganta-verde (Amazilia fimbriata)

Ferreirinho-relógio (Todirostrum cinereum)

esde 1998, o Núcleo de Educação Ambiental da Esec-AE adotou o ambiente de Cerrado, por meio de trilhas monitoradas, como espaço possível de uso pedagógico. Na busca do desenvolvimento integral da pessoa humana, a prática de automassagem tornou-se parte das metodologias usadas no trabalho de trilhas monitoradas. O corpo é a representação concreta do ser no espaço em que ele está inserido. O ser habita um corpo em constante e simultâneo diálogo interno e externo e se expressa por meio de seus movimentos, sentimentos, gestos, pensamentos e emoções.

Pernilongo-de-costas-brancas (Himantopus melanurus)


Estação Ecol ógi ca d e Águ as E me nd ad as

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tesourinha (Tyrannus savana)

A automassagem promove um estado de relaxamento e consciência de si mesmo, que favorece ao visitante a observação e a interpretação da paisagem circundante. A aproximação da pessoa com o lugar é mediada pela orientação pelo Sol, leitura da paisagem e interpretação de cartas geográficas. A percepção do espaço em que estamos inseridos nos confere uma sensação de pertencimento e afetividade com o lugar. Esses procedimentos são adotados como forma de trazer o visitante para si e para o lugar, na perspectiva de que, ao chegar à trilha, o mesmo possa vivenciar o contato com a natureza com receptividade e inteireza. Começa a caminhada à margem direita da lagoa Bonita, cuja intenção é possibilitar ao visitante uma vivência interativa com imagens, sons, cheiros, sensações térmicas e táteis ou com qualquer outro estímulo que a pessoa possa perceber e interpretar em contato com o ambiente natural do Cerrado. As imagens de aves presentes neste texto foram capturadas durante trilha realizada em uma manhã, no início da primavera de 2010. Cada trilha é singular e reserva espaço para o inesperado e o intrigante espetáculo que é a natureza. Nessas circunstâncias, observase que os visitantes demonstram, por meio de verbalizações ou expressões faciais e corporais, emoções que, consciente ou inconscientemente, podem influenciar sua capacidade de ação e reflexão em relação a si mesmos e ao ambiente do Cerrado. Constatamos, ao longo dos anos, que ao criarmos condições e situações mais harmônicas e prazerosas, alunos, professores e comunidade demonstram mais receptividade e disponibilidade para aprender conteúdos pertinentes às questões ambientais.

Fotos: Evando Lopes

Choca-de-asa-vermelha (Thamnophilus torquatus)


Projeto Alimente-se desta ideia Ágata Morena de Almeida Campos e Rozilda Barros Silva professoras

Vivemos em um país

muito rico em alimentos, mas cuja população conhece pouco de alimentação e não sabe que muito do que se consome (ou deveria se consumir) pode ser cultivado em casa, em canteiros, vasos e até em garrafas pet, e que pode-se, inclusive, dessa forma, produzir verduras e plantas medicinais, por exemplo, livre de agrotóxicos

A partir desse pensamento e da parceria com a Esec-AE – curso Reeditor Ambiental e metodologia Nepso –, somada à proposta do projeto Horta na Escola da Universidade de Brasília, pudemos desenvolver o projeto Alimente-se desta ideia, com os objetivos de enriquecer as refeições feitas na escola, contribuir para a melhoria das refeições em casa e fortalecer os vínculos entre o conhecimento científico e os saberes de nossas comunidades, o Núcleo Rural Córrego do Atoleiro e o bairro Arapoangas. Tendo essas comunidades como público-alvo, propusemos a pesquisa a respeito de seus hábitos alimentares e um melhor aproveitamento, de maneira especial, de frutas e verduras. Melhorar a horta da escola e levar os alimentos à sala de aula são fatores

que potencializam os agentes da educação, especialmente a família. Em uma pequena escola do Córrego do Atoleiro – que atende hoje a 63 crianças dessa comunidade e do bairro Arapoangas –, realizamos oficinas de preparação de alimentos com produtos da horta escolar, envolvendo estudantes e pais. Concomitante aos trabalhos na horta, ocorreram aulas teóricas e práticas do curso Horta na Escola/UnB, que compreendia elementos de alimentação saudável e sustentável, preparação e escrita das receitas. A pesquisa teve início no mês de agosto de 2009, elaborada com alunos de 3ª e 4ª séries do Ensino Fundamental, e aplicada a 20 pais cujas idades variavam entre 27 e 44 anos. Os resultados revelaram que as famílias consomem com maior frequência arroz, feijão, ovos, verduras, macarrão, enlatados e carne (essa última bem abaixo do arroz e do feijão). Considere-se que esses alimentos aparecem aqui na ordem dos mais para os menos consumidos. Na lista do que os entrevistados mais gostariam de comer, destacam-se a carne e as frutas. No café da manhã, aparecem como mais consumidos pão, café e leite e derivados, seguidos pelas frutas, sucos naturais e artificiais, chá e outros. As frutas aparecem bem abaixo do pão, do café e do leite, ou seja, o café da manhã apresenta falta de variedade, o que se relaciona ao pouco conhecimento de nutrição e a fatores socioeconômicos.


Est ação Ecol ógica d e Águ as E me nd ad as

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1 – Leitura do mapa da Esec-AE 2 e 3 – Trilha monitorada 4 – VI Congresso de Pesquisa de Opinião – estande do Projeto Alimente-se desta ideia

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Fotos: Evando Lopes

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Verificou-se que 60% das famílias entrevistadas têm como prática o cultivo de hortaliças em seus quintais; 40% não plantam. Entre os que não plantam, 75% relatam como motivo a falta de espaço e 25% alegam não conhecer as técnicas. Analisando os resultados: Consideremos primeiramente o lado bom: 60% de famílias que plantam hortaliças em suas casas é bastante satisfatório e estimulante, e isso se dá porque a maioria dos nossos entrevistados são do bairro Arapoangas, onde os lotes são mais espaçosos. Evidencia-se, por outro lado, que o problema da alimentação em nossas comunidades está ligado a aspectos socioeconômicos, o que pode ser associado à realidade da maioria dos brasileiros. Por que 40% dos entrevistados não plantam? Porque não têm espaço, porque não conhecem a técnica, porque plantar é um hábito que perdemos com a urbanização, com o hábito aprendido, nas cidades, de se consumir tanta coisa em detrimento de frutas e verduras. Podemos concluir que a transformação desse quadro depende de políticas públicas sérias, que vejam na educação alimentar um dos pilares para o desenvolvimento do país. Essas políticas não se efetivam sem o papel efetivo da escola. Vivenciar tudo o que foi estudado a cada encontro foi uma experiência em que tanto ensinamos como aprendemos novas maneiras de preparar os alimentos. Todas as sugestões de chás, sucos, farelos multimistura, farofas e patês foram preparados com ingredientes acessíveis e combinações nutritivas e saborosas, degustadas pelos estudantes e familiares, que levaram com eles um livrinho de receitas para que pudessem fazer em casa o que foi experimentado durante os encontros do Projeto. Pudemos refletir e estimular a ação sobre alimentação saudável para além da teoria e da mera execução da receita pronta.


Cerrado amigo da água Lucineide Lobo e Jerusa Nunes professoras

O Cerrado, um dos maiores biomas brasileiros, com expressiva

biodiversidade, é um imenso reservatório de água, apesar da destruição que vem sofrendo, seja pela agropecuária, pela exploração carvoeira ou pela desenfreada expansão urbana. Chamado carinhosamente de “pai das águas”, abriga, na Região Administrativa de Planaltina, o fenômeno incomparável de Águas Emendadas, fato peculiar de dois córregos originarem-se da mesma nascente e correrem em direções opostas: o córrego Vereda Grande, que flui para o Norte, compondo a Bacia do Tocantins, e o córrego Brejinho, que flui para o Sul, compondo a Bacia do Paraná.


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Fotos: Evando Lopes

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Alunos do Caic Assis Chateaubriand fazem trilha monitorada na lagoa Bonita

Mesmo com toda essa riqueza, Planaltina, que é vizinha de Águas Emendadas, já sofre falta de água, e o Projeto nasce da necessidade de preservação do Cerrado, de colaborar com a manutenção da água na cidade; se desenvolve a partir de diálogos provocados em sala de aula; e tem como objetivos levar o estudante a conhecer especificidades desse bioma e perceber-se parte integrada do meio ambiente. Nossa escola – Caic Assis Chateaubriand – localiza-se no bairro Setor leste 1 e atende à Educação Infantil, ao Ensino Fundamental e à Educação Especial. Aproximadamente 1300 crianças entre 4 e 15 anos frequentam a escola, nos períodos da manhã e da tarde, em turnos de cinco horas. Trabalhando com 28 estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental, utilizando a cartografia (exploração e confecção de mapas) e tomando a escola como ponto inicial, partimos para o conhecimento da organização urbana, mapeamos os bairros das proximidades, observamos as áreas degradadas e identificamos os córregos que cortam a cidade e o estado de conservação desses córregos. Também trabalhamos diversos textos referentes ao Cerrado e à água e produzimos outros a partir da leitura. O Grupo Leitura Viva promoveu a “Hora do Conto” e, de forma artística e criativa, articulou o tema e a leitura.

VI Congresso de Pesquisa de Opinião


22,5% 17,5%

60%

12,5%

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75%

3%

20%

87,5% sabem da importância da vegetação do Cerrado para a manutenção da água na natureza, contra 12,5% que acham que ele não tem essa importância; 75% compreendem que as áreas naturais do Cerrado e os mananciais da nossa região não são respeitados e, pasmem, 25% acham que esse desrespeito não acontece.

25%

30%

60% consideram que a água é um bem que se encontra com suficiência na natureza, contra outros 22,5% que a veem como abundante e outros 17,5% para os quais a água já é escassa.

45%

45% acham que é o lixo jogado nos rios que compromete o abastecimento de água em nossa cidade, enquanto 20% atribuem ao desmatamento a causa desse problema, 30% atribuem ao crescimento desordenado da cidade e 5%, ao avanço da agropecuária sobre o Cerrado.

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65% dos entrevistados afirmaram conhecer a origem da água que abastece Planaltina, contra 35% que ignoram;

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Cada atividade desenvolvida gerava uma nova perspectiva de trabalho, e assim realizamos experiências utilizando jatos de água em terreno com cobertura vegetal e em terreno descoberto; após análise, os registros foram realizados, demonstrando como acontece o assoreamento dos córregos e as erosões. A Pesquisa de Opinião foi elaborada com os estudantes e aplicada a 40 moradores dos bairros próximos à escola. Expomos aqui alguns dados significativos:

Buscando compreender esses dados, podemos aferir que os moradores possuem informação sobre a questão da água e do Cerrado, mas a contradição se revela quando comparamos ou estabelecemos relação entre esses dados, que evidenciam haver um desconhecimento da origem da água por parte significativa da comunidade e de que a água não é um bem inesgotável. As informações sozinhas explicam bem o problema: são 35% que afirmam não conhecer a origem da água que abastece Planaltina e outros 60% que a consideram um bem que se encontra com suficiência na natureza; de quebra, apenas 9% sabem de sua escassez. Embora a palavra escassez pareça um pouco imprópria, ela já é uma realidade, considerando que o avanço das cidades sobre rios e matas é uma clara ameaça à água que hoje corre tranquila nas torneiras, pois quando a água de uma cidade ou de um país se escasseia, busca-se a água de outra cidade ou país... A pesquisa provocou os estudantes, que começaram a pensar na falta da água como um problema, a se perguntar sobre o consumo de água em suas residências. Tudo isso nos leva a pensar que a atuação da escola e da família é uma peça poderosa nesse jogo em que todos vamos perdendo... A questão da água é muito semelhante e muito ligada aos outros problemas do planeta num aspecto: é um problema do Estado e do indivíduo, e depende, precipuamente, de informação, da educação, da autoeducação, como se fosse necessária, paralela à limpeza de nascentes e rios, uma faxina em todos nós, que aprendemos apenas a usar os bens naturais e fazemos muito pouco esforço, seja para reciclar ou para economizar.


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Cerrado

do Meu Coração Jerusa Eulálio Grupo Leitura Viva

Cura males, cura dores, cura feridas Suas plantas salvam vidas Existe um colorido perfumado por todo lado Quaresmeiras, ipês, bromélias Orquídeas e figueiras Meu senhor dono da casa, Dá licença de chegar. Viemos anunciar, alertar e convidar a salvar a natureza O Cerrado! A nossa grande mãe beleza. Cerrado de poeira vermelha De árvores desordenadas e retorcidas De murundus e veredas O guarda-águas dos sertões. Das terras brasileiras de nossos corações.

A mais bonita com certeza É a flor do diabo A caliandra do Cerrado Vamos salvar! Para erosão não devorar Vamos replantar para a terra a chuva não levar

Cerrado pai das águas, caixa d’água nacional Tem águas emendadas, corre norte, corre sul. Nessas águas corredeiras Têm pintado, piau, traíra, piracanjuba, abotoado e pacu.

O negócio é salvar! Para o Cerrado nos recompensar Com muita fartura Pequi, jatobá Babaçu, buriti Mangaba e ingá

Riscam o céu em meio às nuvens Aves em extinção Pica-pau, papagaio, sabiá, Macuco, mutum e mergulhão.

Venha cá! Vamos sair por aí! Ensinando a cuidar Não desmatar para o córrego não assorear Respeitar o tempo da natureza para ela reflorestar

No Cerrado tem catira, tem folia, tem brincadeira Capivara, tamanduá e urutu Dançam na mata com a jaguatirica, o gambá e o tatu Também rodopiam e salteiam A onça-pintada, o lobo-guará e o teiú

Não jogar lixo nas ruas nem da água abusar Queimadas? Nem pensar! A natureza não perdoa Ela pode nos castigar

Sua vegetação é medicinal É remédio natural Assa-peixe, pau-ferro, barbatimão Chapéu de couro, pau-pombo, cipó-de-são-joão

Meu senhor dono da casa dá licença de sair Agora vamos embora Pelo Cerrado afora Todas as crianças vão gostar E do Cerrado vão cuidar


Cerrado:

quem planta?

quem cuida?

Alunos do Centro de Ensino Fundamental Estância III na trilha monitorada

Ednalva Gomes de Sousa Simônia Carlos de Oliveira Galvan Professoras

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projeto Cerrado: quem planta? Quem cuida? foi desenvolvido com uma turma de 2º ano do Ensino Fundamental, composta por 22 estudantes do Centro de Ensino Condomínio Estância III, em Planaltina (DF). Com o ensejo de estimular a comunidade escolar a preservar o Cerrado, buscamos levar os estudantes a compreender que se trata da vegetação predominante no Distrito Federal e na região Centro-Oeste e


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que se encontra gravemente ameaçada. Utilizamos os recursos que nos foram propostos pelo curso Reeditor Ambiental – trilha, vídeos, textos e outros –, o que propiciou a compreensão de que o Cerrado, sua fauna e sua flora são muitíssimo ricos, apesar da situação em que se encontram. Com base no questionário aplicado a 17 estudantes da escola, expomos aqui os dados mais relevantes para que se entenda a visão que se tem desse bioma, visão que é influenciada pelos conceitos presentes na mentalidade do grupo social e pelo modo de perceber a realidade de nossa cultura, o que vai gerar um modo de agir não muito positivo. Perguntados sobre quem plantou o Cerrado, 35% dos estudantes responderam que foram o animais, outros 29% que foi Deus, 24% acham ter sido o homem e 12% atribuem o feito ao vento e aos animais. Esses dados

Fotos: Evando Lopes

Alunos do Projeto no VI Congresso

são altamente reveladores: se pensarmos/ imaginarmos junto com as crianças, podemos interpretar que “vento”, “animais” e “homem” são elementos que, numa era primordial, podem ser considerados fatores, entre outros tantos, que levaram à formação do Cerrado; na outra ponta, estaria Deus, o deus de 29% dos entrevistados. Ora... 29% é muita coisa, e é aí que mora o problema: se foi Deus quem fez, como irá o homem, depois que tanto dessa vegetação foi destruído, refazer aquilo que Deus fez? Muitos de nós acham estranho que uma mata ou rio possa ser recuperado... Perguntados sobre para que serve o Cerrado, olhem que surpresa: 41% entendem que a savana brasileira serve de morada aos animais; 41% o veem como alimento dos animais e 18% acham, muito acertadamente, que ele serve para proteger a água. Quanto às plantas medicinais do Cerrado, 59% conhecem apenas o barbatimão, e 41% não conhecem nenhuma, o que é perfeitamente compreensível entre crianças que moram em cidades. Na questão que sondava sobre o cuidado com o Cerrado, 65% entendem que quem cuida do mesmo são os animais e a natureza, enquanto 35% opinaram que é o homem, respostas reveladoras de uma compreensão acertadíssima das crianças, isto é, a de que o Cerrado se autossustenta, e de que o homem cuida pouco desse bem. Em síntese, a pesquisa nos mostra que a questão da água e do Cerrado dá o que pensar, muito! Acreditamos serem necessárias reflexões, aulas, discussões, tudo que for possível para que todos entendam que esse é um problema do homem, dos indivíduos, dos governos, não de Deus ou da natureza.


Projeto Que Casca Boa! Todos os dias, em todo o mundo, são produzidas toneladas de alimentos. No entanto, a fome mata uma pessoa a cada 3,5 segundos

Adriana da Fonseca, Antonia Ribeiro e Cássia Oliveira Professoras

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Relatório Mundial Sobre a Fome (ONU, 2006) estima que hoje existam 854 milhões de pessoas subnutridas no mundo e que 300 milhões de crianças passem fome no planeta. Um dos agravantes dessa situação é o alto índice de desperdício de alimentos, fato comprovado por pesquisa realizada pela Embrapa, que confirma que o brasileiro desperdiça mais do que a quantidade que come. Em nossas casas ou no ambiente de trabalho (em nosso caso, na cantina da escola), o desperdício é significativo. O tema nos chamou a atenção e percebemos a necessidade de divulgar a importância da utilização integral dos alimentos. Com esse propósito, foi desenvolvido o projeto Que Casca Boa!, que objetivou proporcionar aos estudantes experiências

Alunos do projeto em atividade na escola


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utilizadas no cardápio diário da cantina. Depois da investigação e da descoberta de que o único destino era o lixo, passamos a questionar se e como era feito o reaproveitamento alimentar nas casas dos estudantes. Buscamos, paralelamente, informações sobre o uso integral dos alimentos e realizamos experimentos com a produção do doce da casca de melancia. Por meio de questões elaboradas pelos estudantes, com o auxílio do professor, pesquisamos o nível de conhecimento que pais e servidores da escola possuíam sobre reaproveitamento alimentar. As entrevistas foram realizadas na escola, com 70 pessoas entre 22 e 41 anos, que trabalham nas mais diversas funções, inclusive na área de alimentação. Os dados selecionados e aqui apresentados nos revelam em que nível se encontra a questão do reaproveitamento alimentar. Vejam, pois:

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envolvendo todo o processo de reaproveitamento alimentar, desde o produto descartado (o estudo focou a casca de melancia, por fazer parte do cardápio da escola e do cotidiano de muitos) até o resultado final — doce da casca de melancia. A Escola Classe Estância situa-se no bairro Estância Planaltina e atende alunos da comunidade e dos bairros próximos, num total de 26 turmas, entre Educação Infantil e Ensino Fundamental. O projeto envolveu três turmas das séries iniciais, totalizando 92 estudantes, na faixa de 8 a 11 anos. O ponto de partida foi a indagação sobre o que era feito das cascas, folhas, talos e sementes de frutas e verduras

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52,8% já conheciam ou tinham ouvido falar sobre o assunto, sendo que 44,2% obtiveram tal informação pela televisão. 65,7% não reaproveitam os alimentos; dos que afirmam fazê-lo, 11,4% utilizam as cascas, talos e sementes na alimentação da família, enquanto 22,9% fazem uso medicinal ou empregam na alimentação de porcos e galinhas ou como adubo orgânico. 38,4% reconhecem que o maior benefício do reaproveitamento alimentar seria na saúde; 31,2% conheciam alguma receita; 30,4% chegaram a compartilhá-las.

Abordar a temática do reaproveitamento alimentar contribuiu para conscientizar estudantes, professores, pais e servidores de que reaproveitamento alimentar e meio ambiente andam juntos, embora os dados da pesquisa não sejam nada estimulantes: se a maioria apenas ouviu falar em reaproveitamento alimentar, se 65% dos entrevistados não reaproveitam os alimentos, isso significa uma quantidade imensa de lixo orgânico que vai se somar a outros tipos de lixo também orgânicos, que vão se misturar a outros tipos de lixo, o que significa um mal enorme ao meio ambiente, problema de difícil solução. Some-se a isso a grande massa de brasileiros que estão na e abaixo da linha de pobreza, passando fome, enquanto se desperdiça e se perde tanto do valor proteico dos alimentos.


Por que os animais visitam as flores? Alguns exemplos envolvendo a ‘bolsa-de-pastor’ no Cerrado Elza Guimarães1, Catarina Netto2 e Silvia Rodrigues Machado3

Fotos: Arquivo Pesquisa

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1 Pós-Doutoranda, Depto de Botânica, Instituto de Biociências de Botucatu, Univ. Estadual Paulista 2 Mestranda, Depto de Botânica, Instituto de Biociências de Botucatu, Univ. Estadual Paulista 3 Professora titular, Depto de Botânica, Instituto de Biociências de Botucatu, Univ. Estadual Paulista

bolsa-de-pastor, um arbusto de flores amarelas e folhas digitadas, que recebe o nome científico de Zeyheria montana (Bignoniaceae), é uma das espécies mais características do Cerrado. Seu nome popular se deve ao formato e à textura de seus frutos lenhosos, cuja superfície lembra o aspecto da lã de carneiro. Sua distribuição geográfica é ampla, ocupando quase toda a extensão do território nacional. Na Estação Ecológica das Águas Emendadas (Esec-AE), encontramos muitas plantas dessa espécie distribuídas em diferentes fisionomias, incluindo desde as formações mais campestres até as mais densas, ocorrendo também ao redor da lagoa Bonita. As suas flores são ornitófilas e estão presentes desde a metade do verão até o final do outono, sendo polinizadas principalmente


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pelo beija-flor orelha-de-violeta (Colibri serrirostris). No início do inverno, seus frutos já se encontram maduros e se abrem liberando as sementes aladas, que são dispersas pelo vento. Essa estação é a mais seca do ano e, normalmente, o período em que ocorrem ventos mais pronunciados, favorecendo o transporte dos propágulos a certa distância da planta-mãe. Suas flores têm a forma de um tubo e oferecem néctar, pólen e abrigo para diversos grupos de animais. O néctar é um importante recurso energético para os visitantes. Às vezes, os polinizadores precisam voar grandes distâncias para obter a quantidade de energia necessária para manter suas funções vitais. No entanto, nas populações da bolsa-depastor, isso normalmente não é necessário, pois cada uma de suas flores produz grandes quantidades de néctar, e o fato de as plantas ficarem próximas umas das outras resulta em uma grande concentração de recursos. Isso leva, em alguns casos, ao estabelecimento de um comportamento territorial por parte dos beija-flores, que passam o dia patrulhando um determinado conjunto de plantas, enfrentando e expulsando outros machos que tentam se aproximar para coletar néctar. Há algumas espécies de beija-flores, incluindo o beija-flor rabo-de-tesoura, que coletam o néctar perfurando a base do tubo floral, sem contatar anteras e estigma, atuando, portanto, como pilhadores e não como polinizadores. Além desses beija-flores, há insetos que também atuam como pilhadores. Algumas espécies de abelhas pequenas, como as do gênero Trigona, procuram as flores da bolsade-pastor para coletar pólen, mas não realizam polinização cruzada. Embora o pólen seja um recurso muito importante para as abelhas, especialmente para a nutrição de suas crias, ele também tem um alto valor para a planta, pois é o portador dos gametas masculinos que são fundamentais para a reprodução sexual. Assim, se a atuação dessas abelhas for muito intensa, isso pode ter um impacto negativo na produção de sementes da bolsa-de-pastor. Entretanto, nesse cenário surge um terceiro visitante floral, que pode ser de fundamental importância para garantir certo equilíbrio entre os requerimentos nutricionais

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Às vezes, os polinizadores precisam voar grandes distâncias para obter a quantidade de energia necessária para manter suas funções vitais

dessas abelhas e as necessidades reprodutivas da bolsa-de-pastor. Esse visitante, oculto à primeira vista, é uma espécie de aranha insetívora, que utiliza uma estratégia de caça na flor da bolsa-de-pastor. A corola tubular dessa flor é utilizada pela aranha como um esconderijo: assim, quando uma pequena abelha, coletora de pólen, se agarra às anteras – que ficam logo na entrada da flor –, a aranha, escondida no fundo do tubo, a captura com seu aparato bucal. Essa aranha utiliza estratégia de caça ativa, sem a fabricação de teias de captura. Ela fica camuflada, pois suas pernas se assemelham ao estigma dessa flor, que se encontra justamente próximo às anteras, aonde as abelhas vêm coletar pólen. Aves, abelhas e aranhas encontram nessas flores água, carboidratos, fontes de proteínas e esconderijo, recursos fundamentais para a manutenção de seu metabolismo e/ou para alimentação de suas crias. Assim, as flores da bolsa-de-pastor constituem um componente importante da dinâmica trófica, contribuindo com a oferta de recursos a diversos componentes da fauna do Cerrado e participando de uma complexa rede de interações.


Seis anos estudando os sapos do DF O conhecimento sobre essas espécies é importante para guiar estratégias de conservação Taissa C. Vila Boas e Isis Arantes Guarino Rinaldi Colli

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Distrito Federal possui três grandes blocos de vegetação isolados que constituem as principais Unidades de Conservação locais. São áreas importantes para a manutenção da biodiversidade do Cerrado, que vem sofrendo bastante com o avanço da agricultura e da urbanização. Na Estação Ecológica de Águas Emendadas, foram registradas 27 espécies de anfíbios, sendo duas populações de sapos verdadeiros – Rhinella schneideri e Rhinella rubescens – que vêm sendo estudadas desde 2004. Foram seis anos de visitas semanais noturnas, em local ermo e repleto de vida silvestre. Os estudos já realizados mostram aspectos interessantes sobre essas espécies. Em R. rubescens, a reprodução ocorre exclusivamente na seca, sendo fortemente influenciada pela temperatura e pluviosidade, diferentemente de R. schneideri, que se reproduz na transição da seca para a chuva. As duas espécies possuem um tamanho populacional moderado, que

varia de 3 a 36 indivíduos de R. schneideri e de 6 a 46 indivíduos de R. rubescens. Essa grande variação ocorre ao longo de um ano entre as estações reprodutiva, quando estão mais ativos, e não reprodutiva, quando permanecem mais tempo inativos ou migram para outras áreas. Além disso, a razão sexual é muito desviada para machos, com aproximadamente cinco a sete machos para cada fêmea. Que loucura, hein?!! Nas duas espécies, as fêmeas são maiores que os machos e levam mais tempo para se tornarem adultas. O trabalho atual tem como objetivo estudar como os sapos se movimentam e utilizam o ambiente para descobrir se os animais migram da área reprodutiva e se alcançam áreas urbanizadas do entorno da Estação, podendo assim sofrer com o impacto humano sobre as populações. Também verificar se as fêmeas utilizam o ambiente de forma diferente dos machos, sendo assim mais difíceis de serem encontradas.


Estação Ecol ógica d e Águ as E me nd ad as

Impacto humano O meio ambiente vem sofrendo grande influência da ação do homem. A devastação dos ambientes naturais e a poluição são exemplos das principais ameaças para a natureza. Estudos recentes indicam que os anfíbios são um grupo muito afetado pelas alterações ambientais e existem evidências de que as populações de anfíbios do mundo inteiro estão em declínio. A principal causa desse declínio é a degradação do ambiente pelo homem. O Cerrado é um dos ambientes que mais sofrem com os impactos negativos que o homem traz ao ocupar e modificar o ambiente. O conhecimento acerca da ecologia da fauna do Cerrado é essencial para a sua conservação. Dessa forma, os estudos nessa área são extremamente necessários e importantes para subsidiar tomadas de decisão e a elaboração de políticas públicas, além de fornecer conhecimento para habitantes que vivem próximos aos limites de áreas preservadas, que podem ajudar na manutenção da biodiversidade, respeitando os limites dessas áreas e as espécies que circulam no entorno, que muitas vezes acabam entrando nos seus quintais ou plantações.

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Grupo diversificado Os anfíbios formam um dos grupos mais diversificados entre os vertebrados, com aproximadamente 5.900 espécies registradas em todo o planeta. Existe uma grande variação nas cores e formas desses animais. Alguns são verdes, vermelhos, amarelos, marrons, azuis, roxos e pretos ou ainda uma mistura dessas cores. Além da coloração exuberante, eles apresentam formas corporais que estão relacionadas com o ambiente em que vivem. As pererecas, por exemplo, são magrelas e possuem as pernas compridas para saltar de um galho para o outro nos arbustos onde vivem. Já os sapos são mais fortes e possuem as pernas apropriadas para caminhar sobre a terra. E as rãs são mais dependentes da água, possuem a pele escorregadia e pernas compridas e musculosas para dar longos saltos. Os anfíbios são considerados o grupo mais sedentário entre os vertebrados, permanecendo em uma mesma área durante um longo período de tempo, diferente dos mamíferos, aves e répteis, que costumam se locomover com maior frequência e utilizar maiores áreas. Indicador de qualidade Entre os anfíbios, os sapos são os que se movimentam mais, sendo encontrados a distâncias de mais de 1 km do corpo de água aonde se reproduzem. São animais muito dependentes do ambiente aquático, porque sua reprodução e desenvolvimento ocorrem na água. Além disso, são animais que absorvem água e respiram pela pele permeável. Para haver trocas gasosas, é necessário que a pele esteja úmida, aumentando a dependência desses animais em relação à água. Tais características fazem que esse grupo de animais sejam ótimos indicadores da qualidade do ambiente. Os sapos verdadeiros pertencem à família Bufonidae, com espécies em todo o planeta, exceto nos polos. Porém, também vêm sofrendo declínio, com mais de 50% das espécies extintas ou ameaçadas de extinção. Todo conhecimento sobre essas espécies é importante para guiar estratégias de conservação e minimizar os impactos da ação humana.

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A Caesb

e a proteção de mananciais Maria Cristina Sousa Karas Engª Florestal – Caesb

Fotos: Oilton Paiva

Pedro Gomes do Nascimento Junior Técnico Florestal – Caesb


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Caesb – que é responsável pelo saneamento ambiental do Distrito Federal – tem a água como sua principal matéria prima e, como não poderia deixar de ser, é necessário que as bacias hidrográficas das captações utilizadas atualmente, bem como as de previsão de uso futuro, sejam protegidas e conservadas. Nos últimos anos, com o fortalecimento da política ambiental buscando a garantia do cumprimento das leis e de projetos ambientais, a Caesb tem sido parceira de várias instituições ambientais públicas e privadas para a preservação dos recursos naturais e para a elaboração de legislações ambientais de caráter positivista. A exemplo disso, no Distrito Federal, o Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF definiu: Áreas de Proteção de Mananciais (APMs) como áreas especiais para melhoria e manutenção da qualidade ambiental; a institucionalização das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) conforme legislação contida no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC/2000); e parceria com associações locais e atuação junto ao Ministério Público do DF e Territórios no que diz respeito à proteção das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e das Reservas Legais. Mas você já parou para pensar de onde vem e para onde vai a água que é consumida na sua casa? Às vezes, ela vem de poços, mas se você mora na cidade, provavelmente, ela vem do reservatório da Caesb, que capta, trata e distribui a água para a população. Mas você sabia que a produção de água não começa nos reservatórios, e sim nas bacias hidrográficas? Aqui no DF elas representam três regiões hidrográficas do Brasil: Região Tocantins/ Araguaia, pela bacia hidrográfica do Rio Maranhão, onde estão os rios do Torto e Santa Maria; Região do Paraná, pelas bacias do Rio Descoberto, Lago Paranoá, Rio Corumbá, Rio São Bartolomeu e do Rio São Marcos; e Região do São Francisco, pela bacia do Rio Preto. As captações de maior porte são as das bacias do Rio Descoberto, do Torto e do Ribeirão Santa Maria. As duas últimas estão, quase em sua totalidade, em áreas protegidas por Unidades de Conservação de proteção

integral, de uso bastante restrito, como o Parque Nacional de Brasília. Outras captações também estão próximas ou inseridas em Unidades de Conservação, como Fumal e Brejinho, na Estação Ecológica de Águas Emendadas (EsecAE), Contagem e Paranoazinho, na Rebio da Contagem. Embora essa proteção ambiental favoreça os ótimos índices de qualidade de água nas captações, problemas como incêndios florestais, adensamentos urbanos irregulares, deposição incorreta de lixo, compactação e desestruturação de solo, assoreamento de nascentes e de cursos d’água e desmatamento de áreas de preservação ainda são enfrentados todos os dias. Para enfrentar esses problemas, a Caesb trabalha de modo preventivo com base no princípio de que é melhor preservar a qualidade da água bruta do que investir em tratamentos onerosos, realizando monitoramento hidrológico e análises físicoquímicas e biológicas para controle de quantidade e qualidade da água. A empresa também coordena o trabalho de vigilância nas áreas cercadas e mantém estreito canal de comunicação com os órgãos ambientais. A inspeção ambiental periódica nas áreas do entorno das captações e em toda bacia hidrográfica dos mananciais é outra atividade importante. Ela gera relatórios, pareceres e informes técnicos, que são encaminhados aos órgãos ambientais competentes para averiguações e posteriores tomadas de decisão, pois a Caesb não autua ou multa os que botam em risco a disponibilidade de água.


Sumário A automassagem nas Águas

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Emendadas

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nutrição do ser Bonita ideia

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A multidimensão da 12

Na trilha da lagoa

Projeto Alimente-se desta

Cerrado amigo da água

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Cerrado: quem planta? Quem cuida? 24

Projeto Que Casca Boa!

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Por

que os animais visitam as flores? 28

Seis anos estudando os sapos

do DF

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mananciais

E D U C A Ç Ã O

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Secretaria de Estado de Educação Governo do Distrito Federal

A Caesb e a proteção de


Almanaque Estação Ecológica Águas Emendadas 2010