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O teto verde, com plantio de espécies próprias para esse tipo de espaço, aumenta o conforto térmico na edificação e garante mais harmonia visual entre o empreendimento e a paisagem que o cerca. A solução pode estar associada a mecanismos de reutilização de água da chuva e outros que aumentem a sustentabilidade da obra

Marquises devem ser planejadas e projetadas a partir de cálculos e avaliações da incidência de sol na edificação. A projeção de sombra no interior do imóvel a partir de determinado horário do dia garante mais bem estar aos moradores. A construção das marquises também muda o aspecto visual do empreendimento, “alongando” a edificação


Por que abrigo? O dicionário define a palavra abrigo de várias formas. Algumas merecem destaque: • Lugar que abriga. • Refúgio. • Local que oferece proteção contra os rigores do sol, da chuva, do mar ou do vento. O dicionário também define o termo abrigar: amparar, acolher, resguardar do rigor do tempo.

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A procura por um abrigo seguro

— para si mesmo, para a família, para os outros membros do grupo nômade que perambulavam juntos em ambiente hostil ao lado dos primeiros homens — certamente foi uma tarefa importante para a manutenção da espécie. Cavernas. Cabanas de palha ou madeira. Aldeias. Cidades. Metrópoles com prédios grandiosos. A história da humanidade é também a história da busca por um lugar mais adequado para viver, com conforto e segurança. A arquitetura envolve ciências — matemática, física, entre outras — mas é uma construção social. Ela reflete essa necessidade humana pelo abrigo. A premissa básica do trabalho do arquiteto é, portanto, garantir espaços que acolham as pessoas, mantenham-nas protegidas dos rigores do tempo. Isso vale para toda edificação: desde os grandes empreendimentos até simples paradas de ônibus, passando por residências, espaços corporativos — enfim, todo espaço de convívio deve ser também um abrigo. Para atender a essa premissa, há elementos básicos que devem ser levados em conta no trabalho do arquiteto: garantia de conforto térmico, oferta de luminosidade adequada, estruturas de proteção contra agentes agressivos (barulho, animais, entre outros), presença de estrutura adequada para a manutenção da saúde do indivíduo (afastamento de resíduos, ventilação, entre outros). As pinturas rupestres parecem indicar que desde os primórdios o homem também pretendeu que seus abrigos fossem refúgios também para o espírito. Daí que a arquitetura tem como outro de seus desafios a necessidade básica de aliar a função primordial do abrigo — proteção — à estética.

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O abrigo é útil, mas também deve ser belo.

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Há muito em tecnologia e materiais à disposição dos arquitetos. Vidros que barram a passagem do calor. Esquadrias que ajudam a manter o barulho do lado de fora do ambiente. Revestimentos cerâmicos que fazem uma releitura das texturas de pedras ou madeiras a textura das pedras ou são antiderrapantes. Estruturas, como os brises, planejados para controlar a incidência de sol no interior dos ambientes. Listar tudo o que pode ser utilizado pelos profissionais exigiria páginas e páginas. A indústria e a ciência trabalham e os limites para a construção de abrigos cada vez mais confortáveis se alargam. O trabalho começa por uma avaliação prévia do local onde será construída a edificação (para antecipar variáveis como incidência solar, circulação do vento, características da vizinhança, entre outras) e da finalidade do imóvel. A partir daí, o desafio é aliar criatividade, domínio técnico e conhecimento das possibilidades ofertadas pelo mercado para desenvolver projetos belos e agradáveis de habitar. A equação é complexa, mas vale a pena conhecer como a escolha de elementos essenciais para um projeto arquitetônico pode contribuir para sua melhor solução.

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Empatia é essencial

A criação de abrigos adequados exige do arquiteto um exercício de empatia. Ele precisa se “colocar no lugar do outro”, o futuro usuário do imóvel, e exercitar a percepção de como cada uma de suas decisões vai impactar o ambiente de convívio.

Uma questão básica que deve ser levada em conta no projeto de qualquer edificação é o conforto térmico dos futuros ocupantes. A construção deve prever tanto o bem estar do homem quanto a conservação de energia (aspecto importante principalmente porque o uso excessivo do ar-condicionado reflete de forma negativa nos gastos com energia elétrica). O assunto ganhou importância ainda maior a partir da entrada em vigor da norma ABNT NBR 15575 (leia mais sobre o assunto aqui http://site.abece.com.br/download/pdf/130626CB ICGuiaNBR2EdicaoVersaoWeb.pdf).

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Sobre o assunto, vale citar trecho da reportagem

Para o mercado, conforto térmico faz a diferença, publicada no portal Massa Cinzenta: Para a arquiteta Patrizia Chippari, a preocupação com assunto deve começar desde a fase do desenvolvimento do projeto. “Podem ser necessários alguns gastos extras em aquisição de materiais, mas a economia posterior muitas vezes compensa o investimento inicial. Perfis de portas e janelas em PVC, por exemplo, costumam ser mais caros, mas garantem melhor isolamento para o ambiente e ajudam a garantir tanto o conforto térmico quanto o acústico”, explica Patrizia Chippari. No projeto, além da escolha de materiais, é importante também levar em consideração outros fatores que influenciam no desempenho térmico da edificação. Entre eles, a localização do terreno e a posição do imóvel no terreno, a questão dos ventos e o posicionamento de portas e janelas. Também é fundamental valorizar itens como insolação, presença de prédios ou outras edificações na vizinhança e a zona climática onde a obra será construída. Se for em regiões quentes, é importante valorizar o sol da manhã; se em regiões frias, a insolação da tarde é mais relevante. Cálculos estimam que uma habitação que tenha bom desempenho térmico consegue poupar até 10% de energia por mês. No caso de a edificação estar localizada em zona climática quente, a eficiência se obtém trocando o uso de ar-condicionado por soluções como brises soleil — estruturas metálicas, de madeira ou de alvenaria que são projetadas levando em consideração a posição do imóvel em relação à insolação. O aparato garante sombra no interior das edificações a partir de

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determinados horários. Outras opções estruturais são os tetos verdes e as fachadas com placas especiais, instaladas à frente da parede — a sete centímetros de distância — que formam um “colchão” de ar no local e diminuem a transmissão de calor do ambiente externo para o interno. Se a obra estiver em uma região fria, é fundamental estar atento às especificações dos caixilhos, da vedação das janelas, da qualidade dos tijolos (cerâmicos ou de concreto) e do revestimento do piso e das paredes. Por causa da norma de desempenho, o mercado de materiais já oferece uma série de produtos que, quando usados na fase de construção, garante eficiência térmica ao empreendimento. Entre eles, mantas para serem instaladas entre o piso e o contrapiso, lajes pré-fabricadas com elementos como o isopor, papéis de parede, janelas com vidro duplo e até portas com componentes isolantes. É importante, porém, levar em consideração a inércia térmica da edificação (capacidade de contrariar as variações de temperatura no seu interior, em relação ao ambiente externo) fazendo-a resistir à zona climática em que foi construída. Em regiões de clima seco e frio, o ideal é buscar uma alta inércia térmica. Já em regiões litorâneas, onde predomina o clima úmido e quente, se deve trabalhar com baixa inércia térmica.

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As imagens mostram outras características de imóveis planejados para garantir um abrigo adequado aos moradores ou usuários.

Placas de concreto foram instaladas na fachada do empreendimento, de alto padrão. Colocadas a sete centímetros da parede, com pequenos vãos entre si, as placas possibilitam a formação de um “colchão de ar” entre o ambiente externo e a parede e melhoram a eficiência térmica da edificação. Importante destacar que maior eficiência térmica é sinônimo de bem estar e economia de energia gasta com climatização

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A entrada do imóvel foi planejada para melhorar a integração entre o edifício e a rua, trazendo iluminação natural para o interior da edificação

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O Brasil está envelhecendo

Em dezembro do ano passado o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que em 2012 a expectativa de vida ao nascer do brasileiro passou para 74,6 anos. Em 2011, essa expectativa era de 74,1 anos. Dez anos antes, de 71 anos. Entre 2002 e 2012, portanto, a expectativa média de vida do brasileiro subiu 13 anos. Os dados detalhados mostram um cenário com pessoas ainda mais longevas. Um indivíduo que tinha 30 anos em 2012 teria, em média, mais 47,4 anos de vida. Para quem tinha 40, a expectativa era chegar aos 78,3 anos. E quem já estava com 50 poderia comemorar a expectativa de alcançar os 79 anos e seis meses. Essa é uma ótima notícia e também um desafio para os arquitetos. A velhice — mesmo saudável — traz consigo certas dificuldades que devem ser consideradas por quem desenvolve projetos imobiliários. O acesso, por exemplo, deve atender tanto ao indivíduo que se desloca com facilidade quanto às pessoas com dificuldades de locomoção. Em ambientes comerciais, também é interessante prever sinalização com letras e imagens em tamanho adequado para pessoas com visão reduzida e elevadores com portas largas o suficiente para a passagem de cadeiras de rodas. No interior dos imóveis, pode ser importante colocar barras de apoio nos banheiros, optar por pisos cerâmicos que garantam a segurança dos idosos e encontrar outras soluções que garantam segurança e conforto para esse público.

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Brises são estruturas de metal, madeira ou outro material adequado que se destacam na fachada do imóvel e, assim como as marquises, ajudam a controlar a incidência solar no interior da edificação. O uso dos brises também dá ao empreendimento um visual mais moderno


Varandas que funcionam como brises


tecnologia e custo aliados para produzir belos espaços de convívio.

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