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O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e Viação Cometa apresentam:


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Rota da Cultura: Ponto de partida: a cidade, a cultura e a história A cidade, a cultura e a história são espaços de circulação que só existem quando são ocupados. O que isso quer dizer? Que a cidade do mapa, a cidade em suas grandes estatísticas, da circulação nas grandes avenidas e nos transportes de massa, é só uma visão de conjunto abstrata, que pouco diz da cidade de cada um de nós, da cidade vivida. A cidade de cada um? Pois então: qual a relação da São Paulo do extremo sul do município com a mesma São Paulo de um edifício comercial da avenida Paulista? Nenhuma? Ou muitas? Ou mesmo tudo? A maneira como respondermos a esse tipo de pergunta abrirá a porta para compreendermos a proposta e a realidade do projeto Rota da Cultura. Se aceitarmos que não há nenhuma relação entre o índio guarani que vive em uma aldeia próximo à represa Billings e o executivo de uma instituição financeira na avenida Eng. Luís Carlos Berrini, ou entre um trabalhador que vive em uma ocupação em um edifício abandonado no centro da cidade e alguém que mora em um condomínio em uma cidade da região metropolitana, então não há nada a fazer – cada um levará sua vida como pode, e não há possibilidade de construir um destino comum. Ou uma cidade. Por outro lado, se acharmos que a relação é total, que há uma interdependência absoluta entre os diferentes membros de uma sociedade, então fatalmente aceitaremos que é preciso submeter uns a outros de modo inexorável, e novamente há muito pouco a fazer. Essa é a visão que submete todos e cada um às grandes narrativas históricas ou sociais, em que fatalmente aqueles que têm voz – logo, que têm poder econômico e político – falam por todos os outros, que são condenados a viver nas sombras.


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6 A cidade que se desenha sob as rodas dos ônibus do projeto Rota da Cultura é bem outra. Ela é, na realidade, uma pergunta, uma construção. E uma construção a caminho. Trata-se de pensar: qual a cidade que se enxerga do lado de lá do rio Tietê? E qual passa a existir no momento em que se cruza a ponte para visitar – e interrogar – uma variedade de lugares fundamentais da cultura, que também abrem espaço para a construção de certos pontos de vista.

Dissemos lá no início que a cidade – e também a cultura e a história – são espaços de circulação. Na perspectiva que se coloca no Rota da Cultura, a cidade é uma manhã que desperta toda vez que novas conexões se atam. Como no famoso poema de João Cabral de Melo Neto:


7 Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. E no entanto a manhã nasce, com todos os galos e mesmo apesar de cada um deles, como produto de algo que está em cada grito de galo e que os ultrapassa imensamente. A cidade então é isso: uma teia que se ilumina a partir de cada pessoa que a habita e que será tanto mais luminosa, mais concreta, quanto mais caminhos se entrecruzarem. A grande cidade, portanto, é essa visão de conjunto de milhares, de centenas de milhares, de milhões de microcidades que se sobrepõem no mesmo espaço. Nenhuma delas coincide em absoluto, embora muitas se assemelhem; nenhuma será a representação cabal d’A Cidade, mas certamente há aquelas que procuram exasperar sua luz para ofuscar as outras, quase apagando-as. A cultura é uma cidade como esta, que só pode existir materialmente como tecido da vida de cada um e cada uma. Ao mesmo tempo, ela pode ser vista e contada a partir de grandes narrativas, que são ou bem visões de conjunto galvanizadoras e produtivas, ou bem visões impostas a partir de lugares de poder, constituindo o que se chama de cultura hegemônica. A cultura de quem tem os microfones e as gráficas, de quem domina as instituições e produz a informação validada diuturnamente.


8 O mesmo se pode dizer da história: os fatos e processos considerados nas grandes narrativas ensinadas em muitas escolas ou veiculadas por meios institucionais diversos em grande medida excluem (ou recontam) fatos que podem ser determinantes para a compreensão de como é a vida hoje de parcelas importantes da população de um lugar. Ao mesmo tempo, não serão as escolas, aquelas que verdadeiramente assumem a sua missão formadora, os espaços por excelência para o surgimento de contra-narrativas? Não será pelo trabalho de educadores que um despertar de olhos e ouvidos e peles e mentes, corpos íntegros, pode se dar, mesmo contra toda imposição das indústrias cultural, informacional, urbana? É preciso clarificar um conceito: o de ideologia. Para o contexto de que estamos tratando aqui, a ideologia pode ser definida como o conjunto de narrativas dominantes que penetram e dão forma às diferentes manifestações da linguagem de maneira a reafirmar e manter, sem uso da violência explícita, as estruturas de poder. A ideologia é uma linguagem, ou mais até que isso, ela é produtora de linguagem. Se quisermos, ela é a parte da linguagem que o crítico francês Roland Barthes chamou de “fascista”, não porque ela censure a fala, pelo contrário, porque ela obriga a falar. É o modo pelo qual as classes dominantes constroem uma compreensão que coloca palavras na boca das outras classes. Quando falamos da cidade, ela também funciona aqui como uma metáfora do tempo. Estar isolado em um canto da cidade significa, também, não se conectar com as múltiplas camadas de tempo que se sobrepõem como uma malha densa no cotidiano da cidade. O que isso significa? Significa que somos constituídos por diferentes temporalidades. Há o tempo do agora, do evento, ou da curta duração, que é percebido por meio de um nexo entre as coisas que se sucedem imediatamente; nesse tempo eu incluo um certo campo de convivên-


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cia – família, amigos, vizinhos, colegas de trabalho etc. – e as histórias que circulam por ele. Mas há também outras temporalidades. Há o tempo da comunidade, da conjuntura, ou da média duração: este é aquele que atravessa algumas gerações e permite entender a formação de certos espaços, a história das famílias de um lugar ou de traços fundamentais de sua geografia: quem vive no bairro, quais empresas ali se estabeleceram e influenciaram sua formação, como essa comunidade se interliga com outras comunidades ou regiões. Dá para conhecer e se conectar com essa temporalidade ouvindo as histórias de vida das pessoas mais velhas, por exemplo.


10 Finalmente, há o tempo da longa duração, que nos insere nos processos históricos globais, e que podem ser mais ou menos evidenciados ou escondidos, a depender das próprias histórias da história. Os grandes processos da história são definidores de muitas coisas em nossas vidas, e dizem respeito à nossa responsabilidade compartilhada por um destino comum – de cidade, de nação, ou mesmo do conjunto da humanidade. Conhecer esses processos é trazer os elos à superfície, tornar consciente aquilo que nos constitui, nossos lugares em relação a outros lugares de outras tantas pessoas. Mesmo a milhares de quilômetros de distância. A cidade é onde essa multiplicidade de tempos e espaços, de relações e funções, tem lugar. Desvelar a cidade em todas as suas camadas, em todo o seu potencial, significa também prolongar a malha espacial e temporal que é o sentido do nosso existir. A restrição do espaço e do tempo nos torna reféns de um agora estreito, sem enraizamento e sem horizonte, um viver sem história, sem porquês e praticamente sem aberturas. Isso é contrário à essência humana, que é justamente a abertura – diriam muitos pensadores, de Friedrich Nietzsche a Paulo Freire: a capacidade de inventar e de se inventar, de ser mais, de ser sempre outro a cada vez, porém sem perder a história que dá fibra ao existir. Todas essas dimensões do espaço e do tempo – da geografia, da história, da cultura – são permeadas de coletividade, são campos que cada um de nós compartilha com um mundo de gente. No entanto, para cada pessoa, esse universo se constitui de maneira única, singular. Esse lugar onde o todo encontra espaço no indivíduo, onde os tempos e os espaços e os valores e as histórias se perpassam formando configurações ao mesmo tempo únicas e contextualizadas, pode ser chamado de subjetividade – e enfim chegamos à arte, que é a sua expressão. Pois as subjetividades não são nem pura afirmação de uma individualidade, nem pura determinação externa; é a singularidade com que alguém se encontra, a


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12 cada momento, no interstício entre o intransferível e o compartilhado, o espaço de intersecção entre o campo do próprio e o campo do comum. Caminhamos até aqui para propor uma direção: Rota da Cultura é um projeto de circulação cultural em um sentido profundo, pois o que procura é ativar e tecer essa malha espácio-temporal. Uma malha que, embora seja coletiva, se constitui a partir de cada pessoa, como se cada um fosse um nó nessa rede – embora a metáfora da rede talvez seja insuficiente por ser demasiado estática, dado que nessa malha virtual também os pontos podem se deslocar. É na aposta no deslocamento de cada sujeito em meio a esse emaranhado, em que cada um se apropria de sua posição e de sua participação no todo, para que consiga escolher melhor seus caminhos próprios, que o projeto se faz.

Pedras no meio do caminho Primeiramente, é preciso dizer com ênfase, retomando o que foi dito acima: não é possível entender a cidade a partir de um modelo monocelular, em que um núcleo envia as mensagens para as extremidades e contém a totalidade da informação que a identifica. A cidade assim pensada é autoritária e excludente; é verdade que grande parte das relações que aí acontecem obedecem a essa lógica, mas é justamente isso que é preciso reverter, mudar a metáfora para que o simbólico comece a transformar o real: que a cidade possa ser pensada como uma colônia de múltiplos núcleos coexistentes e colaborativos. Isso começa pelo reconhecimento do Parque Vila Maria como um centro de cultura, com sua arte, sua história, suas comunidades culturais. Trata-se pois de ativar os laços dessas comunidades com outros espaços de cultura, sejam eles construídos para serem centrais, como a Pinacoteca ou o Centro Cultural São Paulo, sejam eles organicamente produzidos pelos habitantes da cidade e depois incorporados de outro modo à sua dinâmica, como o Beco do Batman.


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Isso posto, é preciso reconhecer que São Paulo é uma cidade cheia de muros invisíveis, cuja transposição representa um importante passo cultural. Historicamente, a cidade está circunscrita pelas águas: o rio Tietê a norte, o rio Pinheiros a oeste, o rio Tamanduateí a leste e as represas Guarapiranga e Billings ao sul. Quem vive do outro lado das águas é como se tivesse o seu direito à cidade reduzido. Não de maneira uniforme, claro, a zona Oeste tem uma integração maior, e ao sul a periferia começa bem antes das águas das represas, mas ainda assim, há um sentido de que a periferia começa na risca dos rios. Como foi dito em matéria sobre o Rota da Cultura no site Outras Palavras, “há uma infinidade de fatores que impedem uma pessoa de atravessar a ponte [a partir da zona Norte de São Paulo] e chegar até


14 a ‘cidade’: falta dinheiro, tempo, ou mesmo vínculos que levem a compreender o sentido dessa pequena mas simbólica travessia”. O projeto procura oferecer diversos elementos para facilitar essa integração, ainda que de maneira pontual, mas na esperança de que certos laços, quando bem atados, podem se fortalecer e mesmo proliferar. Oferece, então, transporte, um lanche, informação, a provocação e o acompanhamento cuidadoso de uma artista-educadora e uma equipe de produção, ou seja, gente que tem competência e experiência em atiçar sensibilidades e ajudar a atar os nós da maneira mais fértil possível. Vejamos como o Rota da Cultura traça os seus itinerários e procura percorrê-los.


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Percursos do projeto Eixos temáticos O Rota da Cultura foi concebido para acontecer em módulos: cada um dos módulos se realiza por meio de três encontros, tendo uma visita a um espaço da cultura como momento mobilizador. Patricia Ceschi, diretora da Aymberê Produções Artísticas e idealizadora do projeto, conta que os participantes têm acesso a muito mais do que as visitas: “As visitas são o centro de tudo, mas antes de cada passeio todos têm uma aula preparatória, para aguçar os sentidos para o que vão ver. Depois da visita, acontece uma oficina prática, onde os próprios jovens fazem arte e elaboram de maneira muito pessoal aquilo que viram”. Com isso, o projeto também é um convite para os participantes revelarem e desenvolverem sua sensibilidade e seus talentos, incorporando elementos de linguagem artística ou assuntos que perpassam o eixo temático do módulo. Para a primeira edição, dedicada às artes visuais e plásticas, a responsável por conceber os eixos temáticos foi a artista-educadora Patricia Marchesoni. Ela pensou as atividades em torno de três eixos: “Identidade, Arte e Cidade”. Os itinerários foram traçados de modo a refletir esses eixos temáticos e organizar as experiências de imersão artística em uma diversidade de espaços culturais da cidade. As discussões, aprendizados e práticas artísticas também foram motivados por esses eixos. Cada um dos quatro itinerários – ou “módulo”, como vimos – enfatizou um aspecto dessa tríade. Entretanto, é possível dizer que, no seu conjunto, todos procuraram traçar um arco de possíveis conexões entre identidade e cidade tendo a arte como campo de mediação e experimentação. Como formular isso? Talvez com perguntas como as seguintes:


16 – Quem sou eu? Quem somos nós? E quem sou eu neste lugar coletivo, a cidade, onde convivo com tanta gente diferente, com tantos modos de ser? Como é esse lugar? Sendo eu/nós e a cidade entidades em transformação permanente, como a arte expressa esses processos? O que as diferentes formas de arte têm a nos revelar sobre nós e o lugar? Ou ainda: como posso me apropriar de elementos das linguagens artísticas para expressar (ou mesmo descobrir) quem sou e o lugar que ocupo neste mundo?


17 Todos os quatro módulos foram oferecidos para as inscrições em três comunidades culturais, duas delas no bairro do Parque Vila Maria – a EMEF Paulo Carneiro e a EMEF Ary Gomes – e uma no bairro adjacente – a Casa de Cultura da Vila Guilherme, conhecida como “Casarão”. Os grupos de participantes de cada uma dessas comunidades tinham características distintas. Na EMEF Paulo Carneiro os participantes eram estudantes do ensino fundamental II, com idade entre 14 e 15 anos, já com uma capacidade de abstração desenvolvida. Parte do grupo é de integrantes do VOPO – Vozes Poéticas, um coletivo artístico de adolescentes e jovens bastante atuante no bairro e já com reverberações em outras regiões da cidade. Para citar um exemplo, o grupo foi homenageado pelo Sarau da Cooperifa, organizado por Sérgio Vaz, uma referência em poesia periférica na cidade. A experiência e o forte interesse dos jovens em arte e cultura favorece o engajamento. Na EMEF Ary Gomes, os participantes são um pouco mais jovens, entre 12 e 13 anos, o que requereu adaptações no plano de trabalho, para que as atividades fossem adequadas ao perfil cognitivo e sensível dos meninos e meninas. Muitos deles nunca haviam ido a qualquer museu ou casa de cultura, ou mesmo qualquer outro passeio com a escola, algo que precisa ser considerado para o sucesso das atividades programadas. Já na Casa de Cultura da Vila Guilherme, o público mistura mais as idades e os perfis. Há pessoas interessadas em arte e cultura e que, por isso, frequentam o espaço, mas também há pessoas que por alguma razão receberam a informação de que aconteceria o projeto e se interessaram, sem ter uma história pessoal de uma relação muito forte com a arte e a cultura. Quanto às idades, há desde jovens que frequentam o espaço até pessoas idosas aposentadas que veem no projeto uma ma-


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neira de abrir-se a novos interesses e ocupações, ativar sua vida social, fazer amigos, etc. Todos esses aspectos modalizam e tensionam os eixos temáticos do projeto. Cada grupo gera um contexto para se colocar as questões sobre identidade, arte e cidade, a partir de diferentes experiências, conhecimentos, adesões e desejos. Para Marchesoni, que também coordenou as oficinas e visitas, o projeto mostra que é possível criar conexões muito fortes por meio da arte e da cultura. “Um dos objetivos é, através da Arte, trazer luz a temas que sejam relevantes aos participantes em seus contextos específicos de modo que, além de uma mera ampliação de repertório cultural, as vivências propostas possam enriquecer suas vidas cotidianas, tendo como mote dois eixos centrais: identidade e cidade”, explica.


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Itinerários O primeiro itinerário procurou aproveitar o importante acervo da Pinacoteca do Estado voltado para a arte brasileira ou obras que têm o Brasil como tema para lançar questões sobre “identidade”. Há uma identidade nacional brasileira na arte? Como as personagens pertencentes ao povo brasileiro têm sido representadas na arte ao longo do séculos? Com essas perguntas em mãos os participantes do projeto visitaram o museu e observaram uma série de obras pré-selecionadas pela educadora. Algumas obras despertaram especial atenção, como o quadro América, do pintor austríaco Stephen Kessler, que traz uma representação do século XVII de índios brasileiros. Como proposta de elaboração, os participantes realizaram autorretratos com a técnica da colagem, utilizando suas próprias fotos impressas.


20 O segundo itinerário colocou a questão da arte e da identidade de outro modo, agora em visita ao Museu Afro-Brasil, a principal instituição brasileira dedicada à questão da história e da cultura construídas no contato entre as duas margens do Atlântico Sul – um contato fundado em extrema violência, mas que foi e tem sido objeto de profundas reinvenções, a ponto de tornar este encontro uma das principais riquezas da cultura brasileira. Foi então possível formular a pergunta: como a arte e a cultura negras ou de matrizes africanas contribuíram e contribuem para a formação da cultura brasileira? Como isso reverbera hoje em nossa identidade?


21 Preparada por Marchesoni, a visita ao museu desta vez contou com a orientação de um educador da própria instituição que, além de falar de história, arte e cultura, propôs também diversos questionamentos sobre o racismo em nossa sociedade, hoje. Como proposta de elaboração, os participantes produziram carimbos que foram utilizados para imprimir formas e símbolos em tecidos, tendo como inspiração a arte de tingimento de tecidos apreciada no museu.


22 O terceiro itinerário trouxe plenamente a questão da cidade, pois abarcou diretamente a arte urbana, a arte que tem a cidade como suporte, cenário e, não raro, também como tema. Os grupos visitaram o Beco do Batman, localizado no bairro da Vila Madalena, e que hoje é um núcleo de visitação e turismo cultural. Neste caso, a oficina de elaboração criativa envolveu um processo de aprofundamento bastante interessante. A proposta foi a de grafitar coletivamente um muro das instituições de partida – as duas escolas e o Casarão. Tudo aconteceu de maneira colaborativa, contando com a coordenação da artista-educadora: foram escolhidos os temas, preparados stencils, criada uma proposta-esboço coletiva e, finalmente, todos trabalharam juntos na pintura da obra. O resultado desse processo ficará impresso nos muros em caráter permanente.


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O quarto e último itinerário abordou outros aspectos desse encontro entre identidade e cidade. O tema foi arquitetura e envolveu a visita a alguns marcos arquitetônicos da cidade de São Paulo. Primeiramente, visitou-se o Sesc Paulista, edifício inaugurado há pouco tempo e de cujo terraço é possível ter uma excelente vista panorâmica da cidade. Em seguida, foram visitados outros três lugares da cultura na mesma região: a Casa do Japão, com sua arquitetura bastante atual, e a Casa das Rosas, um dos poucos casarões do início do século XX preservados na região. Finalmente, o Centro Cultural São Paulo destacou-se com sua arquitetura múltipla e cheia de transparências, como um espaço de acolhimento especialmente bem sucedido, tanto que recebe a ocupação simultânea de diversas “cenas” culturais, sem que isso gere conflitos.


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28 Como exercício criativo de elaboração, os participantes foram convidados a criar uma maquete de uma escola ideal, contendo aspectos de sustentabilidade. É importante destacar que cada um dos módulos envolveu, também, uma segunda ida ao espaço da cultura, em um sábado, contando com a presença de pessoas convidadas pelos próprios participantes, como familiares e amigos. Com isso, os participantes se tornavam agora agentes mediadores desses espaços de cultura, o que favoreceu a sua apropriação dos conteúdos abordados e dos próprios espaços; além disso, o projeto alcançava outras pessoas, que se viam suscetíveis a se sensibilizarem pela arte.


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Novas rotas A avaliação geral é de que o Rota da Cultura conseguiu produzir aberturas, conexões, inspiração, tal como foi concebido. Mesmo os problemas que surgiram no percurso trouxeram aprendizados que, segundo avaliamos, vieram confirmar alguns pressupostos metodológicos colocados pelo projeto. Por exemplo: em um dos módulos, alguns participantes que não vieram no encontro de preparação quiseram participar do passeio e tiveram permissão para isso; o resultado foi uma dificuldade muito maior em criar um sentido de grupalidade, fortalecer vínculos e estabelecer o foco proposto para os encontros. O mesmo aconteceu com aqueles que vieram apenas na oficina de elaboração criativa: os exercícios ficam esvaziados e não alcançam a profundidade conquistada nos grupos que aconteceram conforme o planejado.


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Foram ainda realizados alguns encontros para o fechamento do projeto nas escolas e, finalmente, no Casarão na Vila Guilherme. Este último ocorreu no dia 1º de julho, numa gostosa tarde de sol. No saguão principal foram colocadas cadeiras de praia, diante de uma TV onde ficaram passando fotografias tiradas ao longo do projeto. Criou-se um ambiente agradável para conversar e avaliar o projeto, contando com a presença de cerca de 25 participantes, além de representantes da Aymberê, do IJCA, do Casarão e das escolas parceiras.


32 O desejo geral é de continuar. Há depoimentos de grupos que estão se formando para retornar aos espaços visitados pelo projeto, dessa vez por conta própria, levando pessoas que não tiveram a oportunidade de participar. Parece que alguns fios foram atados com mais força, de modo que a rede já vibra toldada, produzindo a sua “luz balão”, como uma manhã nascida desses fios de luz. Não é mesmo, João Cabral? E se encorpando em tela entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão.


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FICHA TÉCNICA Locais visitados pelo projeto Rota da Cultura: arte, identidade e cidade: Pinacoteca de São Paulo, Museu Afro-Brasil, Beco do Batman, Centro Cultural São Paulo, Casa das Rosas e Sesc Avenida Paulista. Concepção e direção de produção: Patrícia Souza Ceschi Concepção e coordenação pedagógica: Patrícia Marchesoni Produção executiva: Ivan Medeiros Masocatto e Rafael Alves Administrativo: Simone Veloso Registros fotográficos: André Spinola e Castro e Ricardo Rios Registro de vídeo: Kauã Cardozo Design gráfico: Fernando de Almeida Assessoria de imprensa e textos: Maurício Ayer Assessoria de comunicação: Thalita Facciolo Assessoria jurídica: Martha Macruz Assessoria contábil: Aviva Contábil

AGRADECIMENTOS Gostaríamos de agradecer a todas as pessoas com as quais nos encontramos e que amorosamente participaram do projeto. Somos gratos também às escolas parceiras EMEF Paulo Carneiro Thomaz Alves, Gal e EMEF Ary Gomes, Cel, à Casa de Cultura da Vila Guilherme, ao nosso patrocinador Viação Cometa e ao Instituto JCA.


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Profile for Aymberê Produções Artísticas

Projeto Rota da Cultura - publicação final  

Publicação final do "Rota da Cultura - Arte, identidade e cidade", projeto de arte e ação educativa de visitas a espaços culturais e artísti...

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