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Ano I - Edição Nº 9 - de 30 de abril a 31 de maio de 2014

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Ano I - Edição Nº 9 - de 30 de abril a 31 de maio de 2014

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@AVozdoBras Pág. 22

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Pág. 15

EDITORIAL

Que país é este?

pág. 2

ARTIGO

A indolência da atual “colônia” Brasil? pág. 6 CRÔNICA

Um balaio de gatos órfãos

pág. 10

CULTURA

Os Bororos e o desaparecimento de uma cultura

pág. 12

MODA

Jeans destroyed: atitude e personalidade

pág. 14

DICAS DE CINEMA

O nascimento e a formação do Brasil gravado em ficção pág. 19

Pág. 8

MÚSICA

Musicalmente inclassificáveis?

pág. 24


4 Editorial Editorial 2

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ompletaremos 514 o Brasil, 26,3 milhões de tonelaanos de caminhada das de alimentos vão ao lixo por rumo à construção ano de uma nação civilizada. No país há um enorme desperdício de reO Brasil não foi descobercursos naturais. De tudo se perde muito. to em 1500. Há 514 anos, A cada ano, 26,3 milhões de toneladas quando o projeto europeu de comida são jogados fora. Esse volude expansão territorial estame seria suficiente para distribuir 131,5 va em curso, os portugueses quilos para cada brasileiro ou 3,76 para imaginavam nas suas cartas cada habitante do planeta. Segundo a de navegação a existência Organização das Nações Unidas para de umas tais ilhas Brasil. A Alimentação e Agricultura (FAO) toda terra em que aportaram na essa comida alimentaria os 13 milhões manhã de 22 de abril, como de brasileiros que ainda passam fome e conta Pero Vaz de Caminha, ainda atuaria como fator de combate à era de “bons ares frescos inflação. Com oferta maior de produtos, e temperados como os de os preços não subiriam tanto. Entre-Douro-e-Minho” e Nas centrais de abastecimento o desperde “tal maneira graciosa dício de hortaliças é visível. Há casos que, querendo-a aproveiem que 40% da produção ficam no catar, dar-se-á nela tudo”. minho entre as fazendas e os supermerO choque de culturas entre cados. os marinheiros que saíram A comida desperdiçada provoca mais do mar, as tribos que hado que prejuízos financeiros, gera rebitavam o litoral e aqueles volta e inconformismo. Ainda assim, que, trazidos enquanto esocravos, Brasil chegaram pouco se mobiliza para mudar da Áfriesse quadro. Desde 1998, a chamada ca, sobretudo de Angola, Moçambique e Nigéria, cumpriu a imaginação de Caminha. Entre o “dar-se-á nela tudo” e os séculos de miscigenação, deu-se a criação do que o antropólogo Darcy Ribeiro intitulou como “Roma tardia e tropical”. O fruto dessa confluência de matrizes culturais não imaginou o mundo pelas lentes das suas experiências singulares, mas sim

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De tudo perde muito Que se país é esse?

Editorial

Lei do Bom Samaritano, em alusão a uma passagem bíblica, tramita no Congresso Nacional, e não há previsão alguma para que seja votada. A intenção da proposta é isentar doadores

de alimentos de responsabilidade civil e penal, se agirem de boa fé, na distribuição de comida — semelhante ao que ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos.

pela mescla destas diferentes imaginações. O primeiro brasileiro não era europeu, nem indígena e tampouco africano. Precisava imaginar e inventar-se enquanto povo-novo. E é com esse vir a ser que os brasileiros se formaram como nação. Receptivo e caloroso, o chão brasileiro é antropofágico porque devora as gentes que lhe pisam e a elas atribui outros

significados. Não come na carne, como faziam os guerreiros tupinambás, mas na alma. Portugueses, italianos, sírios, libaneses, japoneses, alemães, turcos, argentinos, espanhóis e, hoje em dia, chineses, coreanos, bolivianos e muitos outros povos atraídos pelo crescimento econômico. Todos, devorados... num banquete de almas e transfigurações da experiência

com que se olha o mundo. Enquanto essa lei não é aprovada, o Indício atual: A própria preEstado brasileiro pune severamente os sidente Dilma Rousseff é o doadores. Aresultado legislação atual prevê até legítimo desse arcinco anos de prisão caso quem receba tesanato. Filha de imigrante os alimentosbúlgaro sofra algum tipo de dano e professora brasileiem decorrência da comida doada. Com ra, nasceu em Minas Gerais, isso, donos entre de restaurantes, por exemas montanhas de Belo plo, são obrigados a despejar no lixo Horizonte. Fez carreira poas sobras diárias da produção. “É um lítica no frio do Rio Grande crime”, define o diretor-executivo da do Sul e foi presa política em Associação São Brasileira de Bares e ResPaulo. Venceu as eleitaurantes (Abrasel), Gustavo Timo. ções de 2010 com 70% dos O ajuste navotos legislação, segundo Timo, nos nove estados da poderia ajudar e muito o Brasil a conregião nordeste. A sua votater o desperdício. “A regra em vigor é ção mais expressiva aconcompletamente inapropriada. Por parte teceu no norte, no estado do setor, nãodofalta boa vontade”, insiste Amazonas, onde obteve o representante da Abrasel, ressaltando mais de 80% de aprovação. que em outros países existem prograMas inventar-se como povo mas organizados de doações, para evinão é tarefa para sete dias tar que toneladas de comida em bom e, no caso do Brasil, são estado acabem no lixo. 514 anos de obra em anÉ trágico, mas é real, na esteira desse damento. O certo é que os desperdício primeiros sucumbe uma parcela sigbrasileiros eram nificativa dauma população que, subnutrida, tela à espera dos pigse torna inapta para desenvolver seus mentos da sua identidade. talentos. Nascido desse ineditismo, o Brasil escreve de forma original a sua trajetória. Tanto é verdade que em 1808, quando a família real portuguesa fugiu das invasões napoleônicas para o Rio de Janeiro, também criou um fato sem precedentes na história. Pela primeira vez um reino seria governado a partir de uma das suas colônias. Colônia e metrópole trocaram de papéis.

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FALE CONOSCO, DÊ JORNAL SUA OPINIÃO: A VOZ DO BRÁSavozdobras@gmail.com LTDA CNPJ: 18 730 278/ 0001-80 Rua São Caetano, 884 - 3º Andar (Shopping Via Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - São Paulo - SP e-mail: avozdobras@gmail.com Facebook.com/avozdobras @AVozdoBras www.avozdobras.blogspot.com A VOZ

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JORNAL A VOZ DO BRÁS LTDA CNPJ: 18 730 278/ 0001-80 Expediente: Rua São Caetano, 884 - 3º Andar (Shopping Via Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - São Paulo - SP Diretor Executivo eFacebook.com/avozdobras Comercial: Helbert Periferia e-mail: avozdobras@gmail.com @AVozdoBras www.avozdobras.blogspot.com Diretor de Redação: Claudio Zumckeller BRÁS

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Editor:Expediente: Rodrigo De Giuli Diretor Executivo e Comercial: Helbert Periferia Diagramação e arte: Francisco Roca Matias Diretor de Redação: Claudio Zumckeller Editor: Rodrigo De Giuli Fotografia: Helbert Periferia, Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli Diagramação e arte: Francisco Roca Matias Circulação Nacional – Tiragem 44Periferia, mil exemplares ImpressãoeOESP Gráfica S/A Fotografia: Helbert Claudio–Zumckeller Rodrigo De Giuli Circulação Nacional – Tiragem 44 mil exemplares – Impressão OESP Gráfica S/A

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Os anúncios publicitários com ofertas e promoções são de inteira responsabilidade dos anunciantes. O jornal A VOZ DO BRÁS orienta que o leitor Os anúncios publicitários com ofertas e promoções são de inteira responsabilidade dos anunciantes. O jornal A VOZ DO BRÁS orienta que o leitor pesquise reclamações a a serem serem feitas feitas ao ao PROCON PROCON regional. regional. pesquise e e certifique-se certifique-se antes antes da da conclusão conclusão de de qualquer qualquer compromisso compromisso comercial, comercial, cabendo cabendo reclamações Regulamentação: Lei municipal 14517, artigo 26, parágrafo 2º. Considerando o disposto do inciso IX do artigo 5º, da Constituição Federal, excetuaRegulamentação: Lei municipal 14517, artigo 26, parágrafo 2º. Considerando o disposto do inciso IX do artigo 5º, da Constituição Federal, excetuase da vedação estabelecida no “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, de 09 de da fevereiro deestabelecida 1967. se vedação no “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, de 09 de fevereiro de 1967.


Onde Onde Comprar Bem noComprar Brás 5Bem

nto essa lei não é aprovada, o o brasileiro pune severamente os res. A legislação atual prevê até anos de prisão caso quem receba mentos sofra algum tipo de dano corrência da comida doada. Com donos de restaurantes, por exemão obrigados a despejar no lixo bras diárias da produção. “É um ”, define o diretor-executivo da iação Brasileira de Bares e Restes (Abrasel), Gustavo Timo. ste na legislação, segundo Timo, a ajudar e muito o Brasil a condesperdício. “A regra em vigor é etamente inapropriada. Por parte or, não falta boa vontade”, insiste esentante da Abrasel, ressaltando m outros países existem prograrganizados de doações, para evie toneladas de comida em bom acabem no lixo. gico, mas é real, na esteira desse dício sucumbe uma parcela sigiva da população que, subnutrida, na inapta para desenvolver seus s.

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O BRÁS orienta que o leitor o PROCON regional.

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Onde Comprar Bem no Brás Editorial

De tudo se perde muito

o Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos vão ao lixo por ano No país há um enorme desperdício de recursos naturais. De tudo se perde muito. A cada ano, 26,3 milhões de toneladas de comida são jogados fora. Esse volume seria suficiente para distribuir 131,5 quilos para cada brasileiro ou 3,76 para cada habitante do planeta. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) toda essa comida alimentaria os 13 milhões de brasileiros que ainda passam fome e ainda atuaria como fator de combate à inflação. Com oferta maior de produtos, os preços não subiriam tanto. Nas centrais de abastecimento o desperdício de hortaliças é visível. Há casos em que 40% da produção ficam no caminho entre as fazendas e os supermercados. A comida desperdiçada provoca mais do que prejuízos financeiros, gera revolta e inconformismo. Ainda assim, o Brasil pouco se mobiliza para mudar esse quadro. Desde 1998, a chamada

Lei do Bom Samaritano, em alusão a uma passagem bíblica, tramita no Congresso Nacional, e não há previsão alguma para que seja votada. A intenção da proposta é isentar doadores

de alimentos de responsabilidade civil e penal, se agirem de boa fé, na distribuição de comida — semelhante ao que ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos.

Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislação atual prevê até cinco anos de prisão caso quem receba os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrência da comida doada. Com isso, donos de restaurantes, por exemplo, são obrigados a despejar no lixo as sobras diárias da produção. “É um crime”, define o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Gustavo Timo. O ajuste na legislação, segundo Timo, poderia ajudar e muito o Brasil a conter o desperdício. “A regra em vigor é completamente inapropriada. Por parte do setor, não falta boa vontade”, insiste o representante da Abrasel, ressaltando que em outros países existem programas organizados de doações, para evitar que toneladas de comida em bom estado acabem no lixo. É trágico, mas é real, na esteira desse desperdício sucumbe uma parcela significativa da população que, subnutrida, se torna inapta para desenvolver seus talentos.

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nto essa lei não é aprovada, o o brasileiro pune severamente os res. A legislação atual prevê até anos de prisão caso quem receba mentos sofra algum tipo de dano corrência da comida doada. Com donos de restaurantes, por exemão obrigados a despejar no lixo bras diárias da produção. “É um ”, define o diretor-executivo da iação Brasileira de Bares e Restes (Abrasel), Gustavo Timo. ste na legislação, segundo Timo, a ajudar e muito o Brasil a condesperdício. “A regra em vigor é etamente inapropriada. Por parte or, não falta boa vontade”, insiste esentante da Abrasel, ressaltando m outros países existem prograrganizados de doações, para evie toneladas de comida em bom acabem no lixo. gico, mas é real, na esteira desse dício sucumbe uma parcela sigiva da população que, subnutrida, na inapta para desenvolver seus s.

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8 Artigo Editorial 2

De tudo se perde muito A indolência da atual “colônia” Brasil?

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o Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos vão ao lixo por ano Por Beth Matias * No país há um enorme desperdício de recursos naturais. De tudo se perde muito. A cada ano, 26,3 milhões de toneladas de comida são jogados fora. Esse volume seria suficiente para distribuir 131,5 quilos para cada brasileiro ou 3,76 para cada habitante do planeta. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) toda essa comida alimentaria os 13 milhões de brasileiros que ainda passam fome e ainda atuaria como fator de combate à inflação. Com oferta maior de produtos, os preços não subiriam tanto. Nas centrais de abastecimento o desperdício de hortaliças é visível. Há casos em que 40% da produção ficam no caminho entre as fazendas e os supermercados. A comida desperdiçada provoca mais do que prejuízos financeiros, gera revolta e inconformismo. Ainda assim, o Brasil pouco se mobiliza para mudar esse quadro. Desde 1998, a chamada

Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislação atual prevê até aos imigrantes operários, que tracinco anos de prisão caso quem receba balhavam jornadas diárias que os alimentosem sofra algum tipo de dano ultrapassavam 12 horas – assim em decorrência da comida doada. Com isso, de restaurantes, exemcomodonos muitos operários por chineses plo, são obrigados a despejar no lixo hoje em dia. as sobras diárias da produção. “É um Hoje somos uma economia glocrime”, define o diretor-executivo da balizada, sabe-se que exataAssociação Brasileiraládeo Bares e Resmente isso significa. Porém, pouca taurantes (Abrasel), Gustavo Timo. O ajuste na legislação, Timo, coisa mudou nestes segundo 500 anos em poderia ajudar e muito o Brasil a conrelação ao retrato que alguns ester o desperdício. “A regra em vigor é trangeiros e até conterrâneos tupicompletamente inapropriada. Por parte niquins fazem nossa massainsiste prodo setor, não faltada boa vontade”, dutiva de trabalho. O que esperam o representante da Abrasel, ressaltando que em outros países existem prograde nós, por favor! masOorganizados de doações, evique eu vejo no Brasilpara globatar que toneladas de comida em bom lizado não são indolência e preestado acabem no lixo. guiça. Vejo uma massadesse traÉ trágico, massim é real, na esteira balhadora forte, acordando às 5h desperdício sucumbe uma parcela significativa da população que, subnutrida, para enfrentar as mais adversas se torna inapta para desenvolver seus condições para sobreviver. Vejo talentos.

A pergunta é: por que diabos es- A sociedade passa a se basear no tamos sempre sendo retratados latifúndio e no escravismo”. como um povo preguiçoso pouco Novamente, culturas diferentes afeito ao trabalho? provocam pontos de vistas diverNão há aqui a presunção de dar sos em relação à produtividade. uma resposta pronta, mas o cami- Para ter uma ideia de como os nho pode estar no entendimento portugueses viam os escravos, cito das relações econômico-culturais aqui uma passagem sobre a orique tivemos no Brasil desde o des- gem da Ladeira da Preguiça, em cobrimento. Salvador (BA). Nos tempos de Cabral as rela“A famosa Ladeira da Preções culturais e comerciais foram guiça, em Salvador, ganhou este impostas sem levar em conta o nome por ter sido a via de acesso modo como viviam os primeiros de mercadorias vindas do porto povos que aqui habitavam a “terra para a cidade, levadas em carrebrasilis”. tões puxados a boi e empurrados relaçõesemcomerporalimentos escravos.deDo alto de seus casaLei As do primeiras Bom Samaritano, alusão de responsabilidade civil ciais entre índios e portugueses rões, ao verem os escravos a uma passagem bíblica, tramita no e penal, se agirem de boa fé, tomanna disCongresso e não de há merpre- tribuição comida — com semelhante ao começaramNacional, com a troca do fôlegodepara subir sacos de visão alguma para que seja votada. A que ocorre em países da Europa e nos cadoria (escambo). Trocavam-se 60 quilos nas costas, as elites griintenção da proposta é isentar doadores Estados Unidos. informações da localização do tavam: sobe, preguiça! sobe, pre- um brasileiro que luta para que os filhos tenham melhores condições última edição da revis- pau-brasil por pentes, espelhos, guiça!”. enxadas, pás. O trecho faz parte da pesquisa de vida. Vejo um trabalhador que ta The Economist (abril O que poucos falam é que o da antropóloga Elisete Zanlorenzi, entende muito de economia, mas, de 2014) traz uma reportagem cujo título é “Soneca de problema está na cultura e não no em sua tese de doutorado defendi- principalmente de trabalho. 50 anos”. Nela os brasileiros são trabalho. Os índios não tinham in- da em 1998, na Universidade de retratados como “gloriosamente teresse em acumular riquezas. A São Paulo (USP), sobre “O mito improdutivos» e precisam sair “do relação dos índios com o trabalho da preguiça baiana”. Mas foi na “preguiça” dos esseu estado de estupor» para ajudar era diferente, e isso escapava ao * Beth Matias é jornalista há 25 olhar europeu. cravos e dos índios ������������������� que a ������ econoa acelerar a economia. anos, repórter especial para a As sociedades indígenas se or- mia brasileira se desenvolveu. Para qualquer brasileiro que Agência Sebrae de Notícias A resulVOZ DO LTDA modo que os ElesBRÁS se juntaram posteriormente headline.parcerias@gmail.com trabalha mais de 44 horas por se- ganizavam deJORNAL CNPJ: 18qua730 278/ 0001-80 mana por um salário de fome, a tados do trabalho garantiam Rua Caetano, 884 -de3ºvida Andar (Shopping satisfatória para oVia Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - São Paulo - SP reportagem causa noSão mínimo in- lidade Facebook.com/avozdobras @AVozdoBras dignação. A revista e-mail: britânicaavozdobras@gmail.com nos grupo e não apenas para os indivíwww.avozdobras.blogspot.com compara aos chineses, responsá- duos isolados. Difícil de entender na cultura veis por 97% do crescimento do Expediente: mercantilista dos portugueses, que PIB no país, enquanto nós apenas Diretor Executivo e Comercial: Helbert Periferia queriam ver os índios cada vez acrescentamos 40%. de Redação: mais. Para os portu- Claudio Zumckeller Oras bolas, quem conhece um produzindoDiretor Editor: De Giuli o povoRodrigo da pouco do sistema trabalhista chi- gueses colonizadores, e arte: Francisco Roca Matias indolente e continuaria nês sabe muito bem quais são as terra eraDiagramação Fotografia: Helbert Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli sendo por muitos Periferia, séculos. condições de vida destes trabalhaCirculação –Vieram Tiragem mil exemplares – Impressão OESP Gráfica S/A . então44 os escravos e, com dores. A comparação é, noNacional mínieles, o comérciosão ganhou força.responsabilidade Semo, Osinjusta. anúncios publicitários com ofertas e promoções de inteira dos anunciantes. O jornal A VOZ DO BRÁS orienta que o leitor pesquise e certifique-se da conclusão de qualquer compromisso comercial, cabendo reclamações a serem feitas ao PROCON regional. gundo Luis Fernando Varotto, da Mas injustiças à parte,antes não são Fundação Getúlio Vargas “o apenas os britânicosLeique têm essa Regulamentação: municipal 14517, artigo 26, parágrafo 2º.(FGV), Considerando o disposto do inciso IX do artigo 5º, da Constituição Federal, excetuase da vedação estabelecida no “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, de 09 comércio propriamente dito nasce visão de que o trabalhador braside fevereiro de 1967. leiro é improdutivo e indolente. nas primeiras vilas litorâneas (...).

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Onde Comprar 9Bem Onde Comprar Imóveis

nto essa lei não é aprovada, o o brasileiro pune severamente os res. A legislação atual prevê até anos de prisão caso quem receba mentos sofra algum tipo de dano corrência da comida doada. Com donos de restaurantes, por exemão obrigados a despejar no lixo bras diárias da produção. “É um ”, define o diretor-executivo da iação Brasileira de Bares e Restes (Abrasel), Gustavo Timo. ste na legislação, segundo Timo, a ajudar e muito o Brasil a condesperdício. “A regra em vigor é etamente inapropriada. Por parte or, não falta boa vontade”, insiste esentante da Abrasel, ressaltando m outros países existem prograrganizados de doações, para evie toneladas de comida em bom acabem no lixo. gico, mas é real, na esteira desse dício sucumbe uma parcela sigiva da população que, subnutrida, na inapta para desenvolver seus s.

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10 Editorial 2 Opinião

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Sistema Cantareira: a questão da água De tudo se perde muito não é mais SE vai faltar, mas QUANDO vai faltar

o Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos vão ao lixo por ano De Giuli Por Rodrigo No país há um enorme desperdício de recursos naturais. De tudo se perde muito. A cada ano, 26,3 milhões de toneladas de comida são jogados fora. Esse volume seria suficiente 131,5 estiagempara de distribuir 2014 entrou quilos para cada brasileiro ou 3,76 para para a história como a mais cada habitante do planeta. Segundo a severa que o Sistema Organização das desde Nações Unidas para Cantareira foi criado, há 40 anos. Alimentação e Agricultura (FAO) toda essa comida atendida alimentariapelas os 13represas milhões A região de passam fome e dobrasileiros sistema que temainda aproximadamente ainda atuaria como fator de combate à 9 milhões de habitantes. São bairinflação. Com oferta maior de produtos, rospreços da zona norte, central os não subiriam tanto. e sul da capital, além de cidades Nas centrais de abastecimentopopulosas o desperdício hortaliças é visível. Há Santo casos comode Guarulhos, Osasco, em que 40% produçãodo ficam caAndré e SãodaCaetano Sul,no todas minho entre as fazendas e os supermerna Grande São Paulo. Em meados cados. abril, desperdiçada o sistema continha apeAdecomida provoca mais nas 12% de sua capacidade. do que prejuízos financeiros, gera Torevolta e inconformismo. Ainda assim,o mar banho, lavar louça ou regar ojardim Brasil pouco mobiliza para mudarà ficarásemais complicado esse quadro. Desde 1998, a chamada medida em que as autoridades não

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resolvam rápido o problema. E resolver o problema, a curto prazo, é improvável. Qualquer obra de grande porte exige concorrência, demanda estudos, necessita de liberações ambientais e atrasos sempre ocorrem. Mesmo os sistemas menos afetados pela seca, como o Guarapiranga ou o Alto Tietê, estão em alerta. O governo nega que haverá medidas drásticas, mas basta acompanhar os telejornais para

conhecer casos em bairros perifé- ria. Além do “rodízio”, uma obra ricos ou em municípios vizinhos de transposição do Sistema Alto em que há racionamento. Tietê não está descartada. Um túEnquanto não resolve como nel de quinze quilômetros seria agir, o governo do estado se mexe construído para ligar as represas para utilizar o chamado “volume dos dois sistemas para transpor a morto”, umaSamaritano, quantidadeemdealusão água de àgua que, adeprincípio, abastece Lei do Bom alimentos responsabilidade civilo que fica abaixo da capacidade de Rio de Janeiro. Uma crise política a uma passagem bíblica, tramita no e penal, se agirem de boa fé, na disCongresso Nacional, e nãoCom há pre— semelhante ao captação das comportas. este tribuição se criou,de já comida que o então governador visão alguma para que seja votada. A que ocorre em países da Europa e nos volume, é possível atender a po- fluminense Sérgio Cabral afirmou intenção da proposta é isentar doadores Estados Unidos. pulação do sistema durante quatro que não permitiria o “roubo” da meses. Pouco se Geraldo Alckmin água do rio Paraíba do Sul. Outra espera ajuda de São Pedro, já que grande obra, esta com inauguração o período de chuvas começa em prevista para 2018, é a captação da dezembro. Se até o final de março bacia do rio Ribeira do Iguape, no Alckmin não falava em raciona- sul do estado. Nenhuma das duas, mento, agora ele já usa a expres- contudo, resolveria o problema são “rodízio”, um eufemismo para que se avizinha dos paulistas: o disfarçar a gravidade da situação. completo esgotamento do Sistema Me desculpe o governador, que Cantareira. disse ter diminuído o tempo de Há várias razões para a situaJORNAL A VOZ DO LTDA banho no Palácio dos Bandeiran- ção.BRÁS A primeira, e mais séria, é a da CNPJ: 18 730 278/ 0001-80 tes, mas rodízio é na churrasca- falta de investimentos em outras

Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. legislação atualDepender prevê até fontes deAabastecimento. cinco anos de prisão caso quem receba apenas dos sofra sistemas que fornecem os alimentos algum tipo de dano água para 25 milhões de habitantes em decorrência da comida doada. Com isso, donos denarestaurantes, porregime exemé acreditar sorte e num plo, são obrigados a despejar no lixo de chuvas que muda com as consas sobras diárias da produção. “É uma tantes alterações no clima. Com crime”, define o diretor-executivo da melhora nas condições de vida de Associação Brasileira de Bares e Resuma população que não para de taurantes (Abrasel), Gustavo Timo. O ajuste na segundo Timo, crescer, é legislação, evidente que o consupoderia ajudar e muito o Brasil a conmo de água também aumentaria. ter o desperdício. “A regra em vigor é Na outra ponta do problema está completamente inapropriada. Por parte o desperdício. queinsiste quado setor, não faltaEstima-se boa vontade”, se 25% da água é jogada fora em o representante da Abrasel, ressaltando que em outros uso paísesindevido existem progravazamentos, e falta mas organizados de doações, para de tratamento adequado. Pode evinão tar que toneladas de comida em bom parecer um absurdo para quem faz estado acabem no lixo. isso, mas lavar calçada em frente É trágico, mas é areal, na esteira desse de casa é um “crime”. Uma torneidesperdício sucumbe uma parcela significativa população que, subnutrida, ra abertadapor dez minutos gasta 400 se tornadeinapta desenvolver seus litros água.para É muita água para talentos. regar concreto. Nada que uma vas-

soura não resolva. Utilizar a água do tanque ou da máquina de lavar roupa para a limpeza de quintais e garagens também ajudaria a economizar. Fechar a torneira ao ensaboar a louça ou na hora de escovar os dentes. Trocar a válvula de descarga por bacia acoplada. Limitar o banho a dez minutos. Existem várias maneiras de se dar valor a um líquido precioso, que não distante será motivo de guerras.

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Expediente: Diretor Executivo e Comercial: Helbert Periferia Diretor de Redação: Claudio Zumckeller Editor: Rodrigo De Giuli Diagramação e arte: Francisco Roca Matias Fotografia: Helbert Periferia, Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli Circulação Nacional – Tiragem 44 mil exemplares – Impressão OESP Gráfica S/A

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Os anúncios publicitários com ofertas e promoções são de inteira responsabilidade dos anunciantes. O jornal A VOZ DO BRÁS orienta que o leitor pesquise e certifique-se antes da conclusão de qualquer compromisso comercial, cabendo reclamações a serem feitas ao PROCON regional. Regulamentação: Lei municipal 14517, artigo 26, parágrafo 2º. Considerando o disposto do inciso IX do artigo 5º, da Constituição Federal, excetuase da vedação estabelecida no “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, de 09 de fevereiro de 1967.


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nto essa lei não é aprovada, o o brasileiro pune severamente os res. A legislação atual prevê até anos de prisão caso quem receba mentos sofra algum tipo de dano corrência da comida doada. Com donos de restaurantes, por exemão obrigados a despejar no lixo bras diárias da produção. “É um ”, define o diretor-executivo da iação Brasileira de Bares e Restes (Abrasel), Gustavo Timo. ste na legislação, segundo Timo, a ajudar e muito o Brasil a condesperdício. “A regra em vigor é etamente inapropriada. Por parte or, não falta boa vontade”, insiste esentante da Abrasel, ressaltando m outros países existem prograrganizados de doações, para evie toneladas de comida em bom acabem no lixo. gico, mas é real, na esteira desse dício sucumbe uma parcela sigiva da população que, subnutrida, na inapta para desenvolver seus s.

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12 Editorial 2 Crônica

tudo se perde muito Tudo De muito N junto e misturado

o Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos vão ao lixo por ano No país há um enorme desperdício de recursos naturais. De tudo se perde muito. A cada ano, 26,3 milhões de toneladas de jogadosde fora. Esse voluPorcomida Dorivalsão Marques Oliveira* me seria suficiente para distribuir 131,5 quilos para cada brasileiro ou 3,76 para identidade cultural do cada habitante do planeta. Segundo a brasileiro Organizaçãopovo das Nações Unidas tem para caráter (FAO) complexo Alimentaçãoum e Agricultura toda essa comida alimentaria os 13 milhões e antropofágico. Influenciada por de brasileiros que ainda passam fome questões sobre: idioma, religião,e ainda atuaria como fator de combate à etnia, orientação sexual etc., entre inflação. Com oferta maior de produtos, nossas há um amalgama os preçosfronteiras não subiriam tanto. de valores e que Nas centrais decompartilhados abastecimento o desperdício de hortaliças visível. Há casos se formaram doé entrelaçamento em que 40% da de produção ficamsociais no cae comunhão relações minho entre as fazendas e os supermerde povos distintos que causaram cados. a comida princípio, um choque e estraA desperdiçada provoca mais nhamento para financeiros, em seguida, do que prejuízos gerainirevolta e inconformismo. Ainda assim, ciar uma busca por alinhamentos, oafinidades Brasil pouco se mobiliza para mudar e apaziguamentos. As esse quadro. Desde 1998, a chamada

Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislação atual prevê até cinco anos de prisão caso quem receba os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrência da comida doada. Com isso, donos de restaurantes, por exemplo, são obrigados a despejar no lixo as sobras diárias da produção. “É um crime”, define o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Gustavo Timo. O ajuste na legislação, segundo Timo, poderia ajudar e muito o Brasil a conter o desperdício. “A regra em vigor é completamente inapropriada. Por parte do setor, não falta boa vontade”, insiste o representante da Abrasel, ressaltando que em outros países existem programas organizados de doações, para evitar que toneladas de comida em bom estado acabem no lixo. É trágico, mas é real, na esteira desse desperdício sucumbe uma parcela significativa da população que, subnutrida, se torna inapta para desenvolver seus talentos.

bolsões estagnados que realçam uma perda da identidade coletiva e até individual. A certificação do terceiro mundismo e a imersão num modernismo próspero trava um duelo de titãs. O terceiro milênio espera uma resposta positiva de uma nação intrigante e ao mesmo tempo fascinante como é o Brasil. É com o idioma e a religião predominantes de um país que vamos obter os elementos culturais que diferenciam as sociedades espalhadas pelo mundo. Os Lei do Bom Samaritano, em humaalusão de alimentos de responsabilidade civil através desses mecanismos anos uma passagem bíblica, tramita de no e penal, se agirem de boa fé, na disCongresso Nacional, e não háafetipre- tribuição de comida — semelhante ao comunicação relacionam-se visão alguma para que seja votada. A que ocorre em países da Europa e nos va e ideologicamente entre grupos intenção da proposta é isentar doadores Estados Unidos. instituições e costumes escrevem ou fora deles. A babel do planeta a história de um perfil plural e ao reúne aproximadamente três mil mesmo tempo hegemônico quan- línguas e sete mil dialetos. Imado se refere à nacionalidade. No gina-se aí a loucura! Mas as seis de estrangeirismos na cultura na- deve aos povos indígenas, à coloentanto as transformações econô- mais faladas representam um ter- tiva. O preço que se paga é caro nização promovida pelos portumicas, políticas e tecnológicas são ço do total da população mundial. com prejuízo nas tradições que de- gueses e aos africanos a sua base uma ameaça constante à preserva- Pela ordem são as mais faladas: vem ser conservadas e a adição de cultural, somando-se mais tarde ção de certos costumes e tradições. mandarim, inglês, hindi, espanhol, muitas outras “novidades” que em os imigrantes italianos, alemães Hoje ao que parece está mais difí- bengali e a nossa “Última flor do longo prazo causam dolo. O inter- e em menor escala os espanhóis, cil de garantir uma cultura unifor- Lácio” dos versos parnasianos de câmbio é uma via de duas mãos e japoneses, árabes, poloneses e me, cristalizada, como desejam os Olavo Bilac. (1865 – 1918). Peço quando ocorre aculturação de um outros. Influências nos caracteres JORNAL VOZ BRÁS mais conservadores mesmo por- aqui uma licença poética A para ci- DO grupo social LTDA é porque não houve emocionais, usos e costumes, nas CNPJ: 18 730 278/ 0001-80 que, a velocidade das mudanças tar trecho do Soneto “Língua Por- intercâmbio. O ideal é a depura- artes, em diversas intensidades e Rua Sãopressiona Caetano,tuguesa”: 884 - 3º Andar (Shopping Viação Sul) - Fone: 3228-7110 Paulo - SP no mundo globalizado daquilo que(11) é melhor para o - São diferentes graus foram espalhados e-mail: avozdobras@gmail.com Facebook.com/avozdobras @AVozdoBras por novas e outras possibilidades. ser humano sem rupturas bruscas em todo território nacional. Forwww.avozdobras.blogspot.com A transculturação é permanente e “Última flor do Lácio, inculta dos princípios básicos do tecido maram uma mescla de traços ora irreversível e ela ocorre entre os e bela, és a um tempo, esplendor social que leve a uma degenera- mais europeizada ora mais indígeExpediente: grupos e entre indivíduos, a colo- e sepultura: Ouro nativo, que na ção. A religião também desenvol- na ou africana. Quando a letra da Diretor Executivo e Comercial: Helbert Periferia nização externa e interna impon- ganga impura, a bruta mina entre ve as características de um povo, canção do Renato Russo diz: Que Diretor Zumckeller do as diferenças, mas também os os cascalhos vela...”de Redação: Claudio pois através dela é possível que um país é esse? Gostaria que a indaEditor: Rodrigo Deapresente Giuli sua fé, sua crença gação provoca-se um rompante no modismos. A globalização impõe povo Diagramação arte: Francisco Roca Matias principalmente os bens de consuSomos cerca de 191 emilhões e seus costumes. Dentre todas as inconsciente coletivo que busca os Fotografia: Helbert Periferia, Claudio Zumckeller e mo e acelera o intercâmbio das de lusófonos em todo planeta. En- religiões praticadas Rodrigo no mundo,De as Giuli sentidos e as “sentimentalidades” Circulação Nacional – Tiragem mil exemplares – possuem Impressão Gráfica . livro Primo ideias nas artes e costumes. Um tretanto a língua44 que possui maior que maiorOESP número de se- S/A expressão pinçada do país o Brasil de formação destaque é o inglês, pois é bastante guidores dos são:anunciantes. cristianismo,O com Basílio – Eçaorienta de Queirós, Os como anúncios publicitários com ofertas e promoções são de inteira responsabilidade jornal2A VOZ DO BRÁS que o com leitor os pesquise da conclusão de qualquer compromisso comercial, reclamações a serem feitas PROCON nos regional. recente virae certifique-se um “balaio antes de gatos difundido nos veículos de comunibilhõescabendo de seguidores; islamismo, quaisaopossamos identificar. órfãos” sem a presença assertiva cação de26, escala internacional (re- com 1,2 bilhão; hinduísmo, com5º, da Constituição Federal, excetuaRegulamentação: Lei municipal 14517, artigo parágrafo 2º. Considerando o disposto do inciso IX do artigo se da vedação estabelecida no “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, 09 do Estado. Sem acesso ao apren- vistas, jornais, filmes, músicas e 811 milhões; e o budismo, com * Dorival Marques de de Oliveira de fevereiro de 1967. dizado básico atualizado, criam-se internet). Há que se evitar excessos 360 milhões de pessoas. O Brasil é compositor popular

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nto essa lei não é aprovada, o o brasileiro pune severamente os res. A legislação atual prevê até anos de prisão caso quem receba mentos sofra algum tipo de dano corrência da comida doada. Com donos de restaurantes, por exemão obrigados a despejar no lixo bras diárias da produção. “É um ”, define o diretor-executivo da iação Brasileira de Bares e Restes (Abrasel), Gustavo Timo. ste na legislação, segundo Timo, a ajudar e muito o Brasil a condesperdício. “A regra em vigor é etamente inapropriada. Por parte or, não falta boa vontade”, insiste esentante da Abrasel, ressaltando m outros países existem prograrganizados de doações, para evie toneladas de comida em bom acabem no lixo. gico, mas é real, na esteira desse dício sucumbe uma parcela sigiva da população que, subnutrida, na inapta para desenvolver seus s.

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14 Editorial 2 Cultura

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O Funeral queperde celebramuito a vida De tudo se Aspectos de uma das culturas que o Brasil engoliu

o Brasil, 26,3 milhões de tonelaEnquanto essa lei não é aprovada, o das deZumckeller alimentos vão ao lixo por Estado pune severamente os Por Claudio teve as brasileiro características individuais asano doadores. A legislação atual prevê até sinaladas por seus objetos de uso, terá No país há um enorme desperdício de rede prisão quem receba ocinco rostoanos coberto e os caso pertences pessocursos naturais. De tudo se perde muito. os alimentos sofra algum tiponão de dano ais queimados. Seu nome será A cada ano, 26,3 milhões de toneladas em decorrência da comida doada. Com proferido durante os rituais e nenhum de comida são jogadoshumana fora. Esse isso, donos de restaurantes, por exempresença emvoluterride ser tomado me seria suficiente para distribuir 131,5 plo,seus sãoapetrechos obrigados poderá a despejar no lixo tórios que hoje chamamos como herança. quilos para cada brasileiro ou 3,76 para as sobras diárias da produção. “É um Brasil está documentada A cerimônia Bororo propicada habitante do planeta. Segundo a crime”, define ofuneral diretor-executivo da desde doze mil anos atrás. Arqueócia a experiência da alteridade. Organização das Nações Unidas para Associação Brasileira de Bares e Uma Reslogos presumem que ela(FAO) provenha elaboração para representar o outro e Alimentação e Agricultura toda taurantes (Abrasel), Gustavo Timo. das correntes migratórias de povos essa comida alimentaria os 13 milhões O ajuste na diversa, legislação, segundo Timo, sua cultura compreender seu caçadores daque Ásia. Estima-se que os de brasileiros ainda passam fome e poderia ajudar e muito odeBrasil a concontexto e, despojado preconceiBororo estariam sete mil ainda atuaria comopresentes fator de há combate à ter ovivenciá-lo desperdício.em “Aseus regra em vigor é tos, gestos e seninflação. oferta maiorMato de produtos, completamente inapropriada. Por parte anos nasCom terras do atual Grosso timentos, para conhecê-lo e reconheos nãocom subiriam tanto. do setor, não falta boa vontade”, atépreços o limite a atual Bolívia. Eles cer-se a si mesmo como apenasinsiste outra Nas centrais de abastecimento o despero representante da Abrasel, são uma das etnias, entre as mais de possibilidade social de ser. ressaltando Como uma dício de hortaliças é visível. Há casos que em outros países existem progra1,2 mil, componentes da população via diversa, não a única. em que 40% da produção ficam no ca- ele se retire para que os ossos sejam uma viseira de penas amarelas. No mas organizados de doações, para evide cerca de dez milhões de indivíduos – Hoje, no Brasil, viminho entre as fazendas e os supermertar Dizimados que toneladas de comida em bom lavados, pintados e ornamentados. pátio da aldeia já não é um homem vem cerca de 460 mil índios, distrique aqui se encontravam, há 514 anos, cados. estado acabem no lixo. Essedo processo pode durar até me- de que dança ede sim o aroemaiwu, civil lite- buídos chegada dos provoca primeiros co- Lei entre sociedades Aquando comidadadesperdiçada mais Bom Samaritano, emtrês alusão alimentos responsabilidade É trágico, mas225 é real, na esteiraindígedesse ses. Inúmeros rituais precedem o enralmente, a alma nova que, com suas lonizadores. “Índio” é uma denominas, que perfazem 0,25%sigda do que prejuízos financeiros, gera re- a uma passagem bíblica, tramita no e penal, se agirem de boa fé, na dis- desperdício sucumbecerca umade parcela terro definitivo. Eles ocorrem na casa evoluções, se apresenta ao mundo naçãoegenérica dada pelos navegantes populaçãodabrasileira. esclarecer volta inconformismo. Ainda assim, Congresso Nacional, e não há pre- tribuição de comida — semelhante ao nificativa populaçãoCabe que, subnutrida, do morto, na para casaque dosseja homens e no dosocorre vivos.em Dentre pensavam nas Índias. Estes visão oque Brasil pouco seestar mobiliza para mudar alguma votada. A que paísesasda várias Europatarefas e nos se inaptapopulacional para desenvolver seus quetorna este dado considera esse quadro. 1998, aterritorial chamadae intenção da proposta é isentar pátio central. A morte reúnedoadores a socie- Estados que lheUnidos. cabem, a mais importante é talentos. deram início Desde à devastação tão-somente aqueles indígenas que dade dos vivos com a sociedade dos a caçada de um grande felino, cujo vivem em aldeias, havendo estimaticultural desses povos. Os ritos de passagem – Vejo e mortos. A escolha dos ritos a serem couro será entregue aos parentes do vas de que, além destes, há entre 100 revejo as fotos de Sylvia Caiuby No- celebrados ao longo do ciclo fune- morto, em um ritual que envolverá e 190 mil vivendo fora das terras invaes, doutora em Antropologia Social rário depende do clã do finado e da todos os membros da aldeia. O aba- dígenas, inclusive em áreas urbanas. da Universidade de São Paulo (USP). disposição de recursos materiais para te desse animal assegura a vingança Há também 63 referências de índios do morto, por meio daquele que o ainda não-contatados, além de exisReleio seus textos. O pensamento via- realizá-los. Boe, nesse momento cerimonial, representa, sobre o bope, entidade tirem grupos que estão requerendo ja em um grave uníssono de flautas de bambu. Vozes em coro entoam cantos é Aroe, que significa o sopro de vida causadora da morte. Esse momento o reconhecimento de sua condição singulares que soam como lamento. que jamais cessa, e que nunca come- marca o fim do luto e indica a vitória indígena junto ao órgão federal inO compasso frenético marcado por çou. O eterno, o que simplesmente é. da vida. Os rituais funerários criam digenista. As informações históricas centenas de pés descalços toca a terra Manifesto nos corpos humanos, na e recriam a organização Bororo. Eles disponíveis indicam que nas últimas e na cabacinha, onde DO revelam os mistérios JORNAL A VOZ BRÁS LTDAde uma socieda- décadas do século 19 havia um cone ecoa pela aldeia. Bakororo e Ituro- ação dos heróis rito funeral de 278/ de que faz da morte um momento de tingente de aproximadamente dez mil be, principais heróis míticos, dançam permanece durante oCNPJ: 18 730 0001-80 passagem. Os rituais de caça e pesca reafirmação da vida. majestosos. DoisRua Boe, São indivíduos caBororo. Caetano, 884 - 3º Andar (Shopping Via Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - indivíduos São Paulo - SPContudo, ao cabo e a iniciação dos jovens remetem à A pantomima Baraedu Ku Kuri racterizados com plumas e pinturas, de poucos anos, grande parte sucume-mail: avozdobras@gmail.com Facebook.com/avozdobras @AVozdoBras representam as entidades que criaram origem das leis que regem essa socie- faz parte das cerimônias. Nela os Bo- biu aos efeitos nocivos do contato, www.avozdobras.blogspot.com não abandona o roro reconhecem plenamente o poder que incluíram guerras, epidemias e os fundamentos básicos da sociedade dade. Enquanto bope riem e do “mundo civilizado”, mas é basea- fome. O quadro era tão desalentador Bororo. O ritual, embalado por cantos corpo do finado, eles cantam, Expediente: narrativos, recria o ato criador daque- se alimentam. A vida é recriada co- do no excesso que esse mundo repre- que o antropólogo Darcy Ribeiro (Os Diretor Executivo e Comercial: Helbert Periferia la organização social. Em uma cova letivamente com “animo inspirado”. senta para eles que o ritual é caracte- Índios e a Civilização, Petrópolis, de Redação: Zumckeller público revela-se à per- Claudio rizado. O humor grotesco predomina. Vozes, 1970:293), ao analisar o cenrasa, envolto por uma esteira, um cor- O interesseDiretor Editor: Rodrigo De Giuli cepção. Não se explica, mas é preciBoe torna-se o outro, alteridade que so de 1932, afirmou que o alto grau po está sepultado. Diariamente ele e fazer saber. Sãoeverdades marca seu modo ser. A paródia do de vulnerabilidade dos Bororo indiserá molhado e, de tempos em tem- so saber Diagramação arte: Francisco RocadeMatias compartilhadas que não desmascaram mundo civilizado, povoado por seres cava as últimas etapas do processo de pos, desenterrado para que se examiFotografia: Helbert Periferia, Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli o segredo, antes reforçam seu sentido barrigudos, que falam alto e gesticuextinção. Entretanto, .a partir da déne o estado deCirculação sua carne e os Nacional cheiros – Tiragem 44 mil exemplares – Impressão OESP Gráfica S/A lam demais, estabelece o contraste cada de 1970, observa-se um tímido que exala. O odor de podre – jerima- coletivo. com ofertas eUm promoções de inteira responsabilidade dos anunciantes. O jornal DO BRÁS orienta que odeleitor crescimento populacional, modo homem ésão escolhido para re- com o surgimento de uma alma nova,A VOZ gaOs – éanúncios indício depublicitários que bope – espírito a pesquise e certifique-se antes da conclusão de qualquer compromisso comercial, cabendo reclamações a serem feitas ao PROCON regional. quem são atribuídas transformações, presentar o morto. Seu corpo é intei- o Aroe maiwu, um ser leve e esplen- que, de 626 indivíduos registrados Regulamentação: Lei municipal 14517, artigorecoberto 26, parágrafo 2º. Considerando o disposto do inciso IX do artigo 5º, pelo da Constituição excetuaPadre UchoaFederal, em 1979, existem, ramente de penugens e pin- doroso. como nascimento, puberdade e morte se da vedação estabelecida no “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, de 09 Quando cessa o sopro de vida, o no início do século atual, um montan– ainda está presente saciando-se com turas. Ele tem na cabeça um enorme de fevereiro de 1967. a matéria carnal. É fundamental que cocar de penas e a face coberta por moribundo, que enquanto agonizava te de aproximadamente mil bororos.

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16 Editorial 2 Moda JeansDestroyed: destroyed: personalidade Jeans atitude personalidade De tudo atitude se perdeeemuito

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Por Juliana Padovan Bandoni*

o Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos vão ao lixo por jeans destroyed é aquela peça ano que de moderna, combina No país há umalém enorme desperdício de recom vários seja uma cursos naturais. De tudolooks, se perde muito. A cada ano, milhões dedeixando toneladas o t-shirt para 26,3 o dia-a-dia, de comida sãodespojado, jogados fora. visual mais ou Esse umavolublusa me seria suficiente para distribuir 131,5 mais sofisticada com acessórios quilos para cada ou 3,76 elegantes e umbrasileiro salto para a para noite. cada habitante do planeta. Segundo a Também pode ser usado com sapatilhas Organização das Nações Unidas para e slippers. Alimentação e Agricultura (FAO) toda queridinha da vez os é a13 peça na cor essaAcomida alimentaria milhões preta, que tem feito muito sucesso entre de brasileiros que ainda passam fome e as fashionistas e famosas, e é aposta ainda atuaria como fator de combate à certa para nãooferta fazermaior feio na inflação. Com deprodução. produtos, os preços Comonão o subiriam próprio tanto. nome sugere, Nas centrais designifica abastecimento o desper-ou “destroyed” destruído, dício de hortaliças é visível. Há casosde seja, um jeans com aquela cara em que 40% da produção ficam no cacastigado, com alguns ou até muitos minho entre as fazendas e os supermerrasgos estratégicos, para dar um ar de cados. peça pra lá de usada e abusada! Alguns A comida desperdiçada provoca mais levam pedrarias, tachinhas, do que apliques prejuízosdefinanceiros, gera repaetês e muitos outros volta e inconformismo. Aindamateriais assim, issopara para criar odiversificados, Brasil pouco setudo mobiliza mudar modelos exóticos esse quadro. Desdee extravagantes. 1998, a chamada Esse tipo de jeans é uma tendência inspirada no movimento punk, por isso vem cheio de atitude e personalidade.

Lei do Bom Samaritano, em alusão a uma passagem bíblica, tramita no Congresso Nacional, e não há previsão alguma para que seja votada. A intenção da proposta é isentar doadores

de alimentos de responsabilidade civil e penal, se agirem de boa fé, na distribuição de comida — semelhante ao que ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos.

Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislação atual prevê até cinco anos de prisão caso quem receba os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrência da comida doada. Com isso, donos de restaurantes, por exemplo, são obrigados a despejar no lixo as sobras diárias da produção. “É um crime”, define o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Gustavo Timo. O ajuste na legislação, segundo Timo, poderia ajudar e muito o Brasil a conter o desperdício. “A regra em vigor é completamente inapropriada. Por parte do setor, não falta boa vontade”, insiste o representante da Abrasel, ressaltando que em outros países existem programas organizados de doações, para evitar que toneladas de comida em bom estado acabem no lixo. É trágico, mas é real, na esteira desse desperdício sucumbe uma parcela significativa da população que, subnutrida, se torna inapta para desenvolver seus talentos.

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*Juliana Padovan Bandoni, Consultora de Moda e Gestora de Mídias Sociais Juliana.kom@hotmail.com

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JORNAL A VOZ DO BRÁS LTDA CNPJ: 18 730 278/ 0001-80 Rua São Caetano, 884 - 3º Andar (Shopping Via Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - São Paulo - SP e-mail: avozdobras@gmail.com Facebook.com/avozdobras @AVozdoBras www.avozdobras.blogspot.com BRÁS

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Onde Bem Dia dasComprar Mães 17

A origem do “Dia das Mães”

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nto essa lei não é aprovada, o mais antiga comemoração do o brasileiro pune severamente os diaatual das mães mitológica. Na res. A legislação prevê éaté anos de prisão caso quem recebaa entrada da Grécia antiga, mentos primavera sofra algumera tipo de dano em honra de festejada corrência da comida Com O próximo Rhea, a Mãe doada. dos Deuses. donos deregistro restaurantes, por exemestá no início do século 17, ão obrigados nocomeçou lixo quandoa adespejar Inglaterra a dedicar bras diárias da produção. “É um o quarto domingo da Quaresma às ”, define o diretor-executivo da mães dasdeoperárias inglesas. Nesse iação Brasileira Bares e Resdia, as trabalhadoras tes (Abrasel), Gustavo Timo. tinham folga para ficar segundo em casa Timo, com as mães. Era ste na legislação, “Mothering a ajudarchamado e muito odeBrasil a con- Day”, fato desperdício. “A regra emaovigor é que deu origem “mothering cake”, etamente parte uminapropriada. bolo para asPor mães que tornaria o or, não falta boa vontade”, insiste Nos Estados dia ainda mais festivo. esentante da Abrasel, ressaltando Unidos, as primeiras sugestões em m outros países existem de prograprol da criação uma data para a rganizados de doações, para evicelebração das mães foi dada em e toneladas de comida em bom 1872 pela escritora Júlia Ward Howe, acabem no lixo. autora Hino de Batalha da gico, mas é real,dena“O esteira desse República”. dício sucumbe uma parcela sigMas foi norte-americana, iva da população que, outra subnutrida, na inapta para desenvolver seus da Virgínia Ana Jarvis, no Estado s. Ocidental, que iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães. Em 1905, Ana, filha de pastores, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas, com um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. A idéia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.

Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração. Finalmente, em

própria Anna Jarvis. Em breve tempo, mais de 40 países adotaram a data. “Não criei o dia das mães para ter lucro” O sonho foi realizado, mas, ironicamente, o Dia das Mães se tornou uma data triste para Anna Jarvis. A popularidade do feriado fez com que a data se tornasse uma dia lucrativo para os comerciantes, principalmente para os que vendiam

1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (19131921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da

cravos brancos, flor que simboliza a maternidade. “Não criei o dia as mães para ter lucro”, disse furiosa a um repórter, em 1923. Neste mesmo ano, ela entrou com um processo para cancelar o Dia das Mães, sem sucesso. Anna passou praticamente toda a vida lutando para que as pessoas

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reconhecessem a importância das mães. Na maioria das ocasiões, utilizava o próprio dinheiro para levar a causa adiante. Dizia que as pessoas não agradecem frequentemente o amor que recebem de suas mães. “O amor de uma mãe é diariamente novo”, afirmou certa vez. Anna morreu em 1948, aos 84 anos. Recebeu cartões comemorativos vindos do mundo todo, por anos seguidos, mas nunca chegou a ser mãe. Cravos: símbolo da maternidade Durante a primeira missa das mães, Anna enviou 500 cravos brancos, escolhidos por ela, para a igreja de Grafton. Em um telegrama para a congregação, ela declarou que todos deveriam receber a flor. As mães, em memória do dia, deveriam ganhar dois cravos. Para Anna, a brancura do cravo simbolizava pureza, fidelidade, amor, caridade e beleza. Durante os anos, Anna enviou mais de 10 mil cravos para a igreja, com o mesmo propósito. Os cravos passaram, posteriormente, a ser comercializados. No Brasil O primeiro Dia das Mães brasileiro foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. Em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica.


18 Editorial 2 Crônica

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Quase dois atrás em algum lugar do céu Deanos tudo se –perde muito

- Pelo Seu amor, magina! Parei, parei… o Brasil, 26,3 milhões de tonelaEnquanto essa lei não é aprovada, o - Ótimo! Como eu estava dizendo, deixei das de alimentos vão ao lixo por Estado brasileiro pune severamente os o meu melhor para o final. Além de toda a ano doadores. A legislação atual prevê até Um anjo abriu a porta de uma salinha no beleza, e todas as coisas em sintonia, coloNo país há um enorme desperdício de recinco anos de prisão caso quem receba céu e disse: quei todo o meu esforço no que de cursos naturais. De tudo se perde muito. os alimentos sofra algum tipoela detem dano - Cara, o Chefe quer falar com você! melhor… O coração! Você não acredita no A cada ano, 26,3 milhões de toneladas em decorrência da comida doada. Com Outro anjo,são lá dentro, numavolupolcoração LINDO que ela tem! por exemde comida jogadosdeitado fora. Esse isso, donos de restaurantes, trona feita de nuvens, responde: Ela tem um amor tão aforte, e tão presente me seria suficiente para distribuir 131,5 plo, são obrigados despejar no lixo -quilos Sério?para O que o Pedrão quer comigo? em tudo que faz que vai deixar garoto cada brasileiro ou 3,76 para as sobras diárias da produção. o“É um -cada Não,habitante cara. Não do é esse chefe. É o Chefe! atordoado. Ela é única em todos os planeta. Segundo a crime”, define o diretor-executivosenda Engoliu seco. Levantou rapidamente, ajeitidos que a vida permite. cuidar dele Organização das Nações Unidas para Associação Brasileira deVai Bares e Restou sua roupa,erespirou fundo(FAO) e dirigiu-se com um carinho e umaGustavo delicadeza que vão Alimentação Agricultura toda taurantes (Abrasel), Timo. para a sala do Chefe, com o andar apresdeixa-lo dia mais apaixonado. essa comida alimentaria os 13 milhões O ajustecada na legislação, segundo Timo, sado e tenso. que ainda passam fome e de brasileiros poderia muito o Brasil conE separeiajudar aqui ose sentimentos maisalindos Toc. Toc. Toc. como fator de combate à ainda atuaria o desperdício. regra em vigore já é etermais puros que eu“A tinha no estoque, inflação. Com oferta maior produtos, completamente inapropriada. - Pode entrar! – ouviu lá dededentro uma programei tudo para que ele sintaPor umparte pouos subiriam tanto. do setor,mais, não afalta vontade”, insiste vozpreços grossanão e imponente. quinho cadaboa novo dia em que ele Nas centrais de abastecimento o despero representante da Abrasel, ressaltando - Com licença, Chefe! O Senhor precisa O Chefe folheava o imenso bloco de fo- dela… estiver com ela. A vida deles não vai ser dício de hortaliças é visível. Há casos lhas. Era uma espécie de caderno, com fi- - Calma que ainda tem mais! – e conti- fácil, que em outros existem prografalar comigo? claro. Nuncapaíses é. Você sabe meu métoem 40%com da um produção no barca- chas, fotos e relatórios. masdeorganizados de doações, para evinuou, empolgado – Dei um jeitinho aqui do Deuque de cara senhor ficam com uma trabalho, não sabe? minho entre as fazendas e os supermertar que toneladas de comida em bom Enfim, te chamei aqui porque eu acho de fazer com que ela e ele combinem de ba bem branca, olhar gracioso e um sorriso - Ô se sei. cados. acabem no lixo. uma maneira que só Eu mesmo poderia ter -estado agradável. Ele transmitia uma paz inexpli- que chegou a hora dele. Mas aí é que está! Fiz tudo de um jeito A comida desperdiçada provoca mais Lei do Bom Samaritano, em alusão de alimentos de responsabilidade civil É trágico, mas é real, na esteira desse O anjo arregalou os olhos e exclamou: feito. cável. tão perfeito que todas as dificuldades e os do que prejuízos financeiros, gera rea uma passagem bíblica, tramita no e penal, se agirem de boa fé, na disdesperdício sucumbe uma parcela sig- Oh, meu jovem! Entre! Preciso sim! Sen- - M-M-Mas, Chefe! O garoto é tão novo! - Sempre humilde, né, Chefe? problemas que ele encontrar pelo camivolta e inconformismo. Ainda assim, Congresso Nacional, e não há pretribuição de comida — semelhante ao nificativa da população que, subnutrida, Tem só 25 anos, coitado… - Calado! Enfim… O beijo deles, meu jo- nho, serão mais te-se ali e fique á vontade! tranquilos se ele estiver o Brasil pouco se mobiliza para mudar visão alguma para que seja votada. A que ocorre em países da Europa e nos se torna inapta para desenvolver seus O jovem anjo ajeitou-se na cadeira. Não - Não, seu idiota. – respondeu o Chefe vem, será algo de outro mundo. Além do com ela. Também coloquei nela doses esse quadro. Desde 1998, a chamada intenção da proposta é isentar doadores Estados Unidos. talentos. conseguia tirar os olhos do Chefe. Poucos segurando o riso – Não é ESSA hora que encaixe perfeito, da sincronia e da inten- extras de força e determinação, para que sidade sempre em sintonia, dei um jeito ela possa passar pra ele quando alguma anjos da patente dele eram chamados as- estou falando. sim por ele, na sala dele! Apesar de toda O anjo sentiu-se aliviado. Não queria per- para que ele fique viciado nos lábios dela. situação chata aparecer. E aí, ao longo do a tensão daquele momento, algo acalmava der o emprego e ser realocado já. Apesar Quanto mais ele beije, mais ele vai querer tempo, ele vai perceber que ele funciona do trabalho duro com o garoto lá na Terra, beijar! seu coração. E o senhor começou a falar: muito melhor ao lado dela. E vão viver - Gostaria de confirmar uma coisa com ele gostava dele e não tinha do que recla- Também alinhei algumas coisas pra que muitas coisas bacanas juntos! Vão conhetudo seja o mais perfeito possível. O gosto cer o mundo, vão se divertir, vão se ajudar, você, jovem. Você é o responsável por mar. Dei uma olhada aqui nos arquivos dele, e musical, os amigos, as famílias… Dá uma e crescer juntos… Será maravilhoso! esse rapaz aqui, não é? acho que está na hora dele receber umpreolhada aqui no resumo dela! Vai ser tudo - Incrível! E senhor, como eles vão se cruTirou um bloco de folhas da mesa, e mostrou ao anjo. Na capa, lia-se “Caio Prado sente especial. Pensei em colocar “aque- em perfeita sintonia! zar? Vai usar a tática do “amiga de uma la” pessoa no caminho dele. Preparei algo - Mas senhor, aqui no item “Filmes” fala amiga”? Ou o encontro casual numa Zaplana”. que ela gosta de filme de terror, e o Caio é balada? - Sim, Chefe! Eu sou anjo da guarda dele. muito muito bom para ele. - Uau, Chefe! Que notícia fantástica! Me o maior bundão,LTDA ele odeia esses filmes… Algum problema com ele? JORNAL A VOZ DO BRÁS - Hum, são boas táticas, mas acho que - Ah, não tem problema! Ela é tão bacana, eles merecem algo, digamos assim, - Não, não… – e silenciou por uns segun- fala mais! Como ela é? CNPJ: 18 730 278/ 0001-80 dos. – Me diga… Essa cicatriz no nariz - Nossa, meu jovem… Você não faz ideia. e tem um humor tão gostoso que vai rir mais mágico. Vou cruzar o caminho dos Rua São Caetano, 884 - 3º Andar (Shopping Via Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - São Paulo - SP dele… O que houve? O senhor não estava Ela é uma das coisas mais lindas que eu dessas coisas! No item “Comidas” tem um dois no lugar mais feliz e mais mágico e-mail: avozdobras@gmail.com @AVozdoBras já criei. E olha que eu já fiz muitaFacebook.com/avozdobras coisa lance também com os frutos do mar que de plantão? do planeta. Vai ser uma espécie de sinal ela AMA, mas ele não suporta. Tudo bem, para os dois, espero que eles entendam - Estava sim, Senhor! Mas era um sába- bonita por aí, viu? www.avozdobras.blogspot.com do à tarde, um futebolzinho tranquilo com Coloquei nela olhos com o verde mais bo- isso não será problema para eles! o recado! tão bri- - E ela ter o mesmo nome que a irmã dele? - Fantástico, Senhor! Eu tenho certeza os amigos… Eu nunca imaginaria que ele nito que achei na natureza. Eles sãoExpediente: e tão reluzentes. Ela tem umepiscar - Ah, issoHelbert é só pra tumultuar um pouco! que ele vai amá-la! Executivo Comercial: Periferia iria comemorar o gol escalando a grade. lhantesDiretor de olhos lento e delicado, que parece que Você sabe como eu sou brincalhão, não? Quando eu percebi, ele já estava com o na- Não, meu jovem… – disse o Chefe, Diretor de Redação: Claudio Zumckeller questão de O anjo sorria levemente. Mal podia es- com um sorriso – É muito mais do que riz sangrando e todo rasgado. Eu juro que as próprias pálpebras fazem Editor: Rodrigo De Giuli tentei, eu estava atento, mas… – e come- escorregar devagarinho pra curtir cada pe- perar para que seu protegido conhecesse isso… Muito mais… Diagramação e arte: Roca dacinho daquele olhar… E o sorriso dela?Francisco aquela menina. ComMatias certeza, seria uma çou a gaguejar. Periferia, tanto para que ela pudesseClaudio espa- novaZumckeller vida para ele. e Rodrigo De Giuli - Não, tudo bem… O menino faz Fotografia: essas CapricheiHelbert e felicidade por onde quer que - E–tem mais! Tem mais! – continuou o Se- S/A coisas de vez emCirculação quando mesmo,Nacional não se lhar–alegria Tiragem 44 mil exemplares Impressão OESP Gráfica . ela passe. Quando ela sorri, é praticamente nhor barbudo – Guardei o melhor para o culpe tanto. Só tente prestar um pouco Os anúncios publicitários com ofertas e promoções são de inteira responsabilidade dos anunciantes. O jornal A VOZ*Caio DO BRÁS orienta o leitorem Zaplana, 25, é que especialista impossível não sorrir de volta. Tão aberto final, meu jovem. mais de atenção, ok? pesquise e certifique-se antes da conclusão de qualquer compromisso comercial, cabendo reclamações a serem feitas ao PROCON regional. - Você deveria falar isso pra ele… – sus- e tão sincero que extrapola até o próprio - Sempre exibido, né, Chefe? – disse o gestão e planejamento de mídias sociais e comunicação digital,excetuavirginiano, Regulamentação: 14517, artigo 26,com parágrafo Considerando o disposto do inciso IX do artigo 5º, da Constituição Federal, sorriso, e faz que ela 2º. sorria também anjo com deboche. surrou o anjo baixinhoLei pramunicipal que o Chefe se da vedação estabelecida no “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, 09 crônicas - Para de me zoar, senão te transfiro para músico, escritor e publica suas de não pudesse ouvir. – Ahhh, ok Senhor! com os olhos! É incrível! de fevereiro de 1967. no blog cadeocaio.wordpress.com - Uau! Acho que ele vai gostar bastante cuidar de um piloto de motocross, tá a fim? Desculpe-me! Por Caio Zaplana*

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Gastronomia Onde Comprar 19Bem

Quibe assado

nto essaIngredientes lei não é aprovada, o o brasileiro pune severamente os res. A legislação atual prevê até 500 gramas de coxão anos de prisão caso quem receba mole moído 250 gramas de trigo mentos sofra algum tipo de danopara quibe corrência1dacebola comidaralada doada. Com donos de 1restaurantes, por exemmaço de hortelã picado ão obrigados a despejar nopicados lixo 5 dentes de alho bras diárias da produção. “É um a gosto ”, define sal o diretor-executivo da pimenta iação Brasileira desíria Baresa gosto e Restes (Abrasel), Gustavo 3 colheres deTimo. sopa de margarina ste na legislação, segundo Timo, a ajudar e muito o Brasil a condesperdício. “A regra em vigor é fazerPor parte etamenteComo inapropriada. or, não falta boa vontade”, insiste esentanteLavar da Abrasel, ressaltando o trigo para quibe e deixá-lo m outros de países existem programolho na água por no mínimo rganizados de doações, para eviduas horas. Depois disso coloque e toneladas de comida em bom acabem ono trigo lixo. em outra vasilha maior, espremendo-o muito (deixe-o gico, mas é real, na esteiranão desse dício sucumbe uma parcela bem úmido). Juntesiga carne moída, iva da população que, subnutrida, na inapta para desenvolver seus s.

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Paulo - SP doBras

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O BRÁS orienta que o leitor o PROCON regional.

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a cebola, o alho picado, a hortelã, o sal e a pimenta síria. Amasse bem a mistura (dizem os libaneses que o grande segredo do quibe é trabalhar bem a massa). Junte a margarina e amasse mais um pouco. Coloque metade dessa mistura de quibe numa forma média que vá ao forno, espalhe o recheio de cebola com o azeite, cubra com o que sobrou da massa. Por cima, espalhe margarina. Cubra a forma com papel alumínio e leve ao forno para assar em fogo médio por uma hora. Não tire o papel alumínio para não ressecar o quibe.


20 Editorial 2 Entretenimento

HORÓSCOPO De tudo se perde muito

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Áries - 21/3 a 19/4 A época do aniversário - com o Sol em seu signo até dia 20 - é sempre propensa para o desenrolar o Brasil, 26,3 milhões de tonelade assuntos e uma motivação diferente para realizar projetos. Antes, será importante fazer revisões e das de alimentos vãopara aoseguir lixo com por mais consciência diante das decisões para o futuro. esclarecer assuntos do passado Tenha cuidado com diálogos em geral para não se expressar de forma impulsiva com quem tem ano grande vínculo afetivo.

No país há um enorme desperdício de recursosTouro naturais. - 20/4 aDe 20/5tudo se perde muito. Esteano, é um momento especial para o quanto tem se sacrificado por outras pessoas e impedir A cada 26,3 milhões de refletir toneladas que abusem de sua boa vontade. Período para exercitar mais suas crenças, valorizara espiritualidade de comida são jogados fora. volu- suas energias, seja com meditação, terapia ou e principalmente momentos ondeEsse possa recarregar mesmo viagens. Momento especial para131,5 esclarecer equívocos diante da vida amorosa e com suas me seria suficiente para distribuir quilosamizades. para cada brasileiro ou 3,76 para cada Gêmeos habitante planeta. Segundo a - 21/5do a 21/6 O envolvimento grupos eUnidas amizades tende Organização das com Nações paraa ser mais intenso ao longo do período mensal. Atividades que façam interagir com pessoas diferentes são mais propensas no período, até mesmo Alimentação e Agricultura (FAO) toda para lidar melhor com sua individualidade diante de outras pessoas. A retomada de ideias e de essa comida alimentaria os 13Namilhões projetos tende a marcar o trabalho. vida amorosa, hora para aprender mais sobre quem gostamos. de brasileiros que ainda passam fome e Câncer - 22/6 a 22/7 aindaOatuaria de para combate à momentocomo do ano éfator importante metas profissionais, especialmente para mudanças de direção em objetivos e oportunidades reconhecimento. Temas burocráticos, pendências jurídicas e inflação. Com oferta maior para de produtos, assuntos de viagens terão resoluções de algo pendente. Cuide para que certas ambições ou assuntos os preços não subiriam tanto. de sua rotina não impeçam hábitos ou momentos especiais diante das pessoas com que tem vínculo Nas centrais afetivo. de abastecimento o desperdício de hortaliças é visível. Há casos Leão - 23/7 a 22/8 em que 40% da produção nocom ca-Urano no inicio do mês e oposição com Marte – esta, a O Sol, que rege seu signo, faz ficam conjunção minhopartir entre as fazendas os supermerda segunda semana deeAbril -, o que recomenda cuidado nas intervenções de assuntos de quem cados.tem vínculo. Possibilidades para mudar a conduta com relações que trazem desgastes. Seja atento(a) com a ansiedade em seus objetivos. Propensões para adquirir conhecimentos que tragam benefícios A comida desperdiçada mais Lei dode Bom Samaritano, em alusão a sua profissão e mesmo paraprovoca sua formação, se estiver diante estudos ou atividades culturais. Período em que contatos à distância gera e planosrepara viagens são propícios. Na vida amorosa, cuide para no do que prejuízos financeiros, a uma passagem bíblica, tramita portar de forma individualista com quem se relaciona. volta não e se inconformismo. Ainda assim, Congresso Nacional, e não há preo Brasil pouco mobiliza para mudar visão alguma para que seja votada. A Virgem - 23/8se a 22/9 O período mensal recomenda atenção com questões financeiras e para organizar despesas.doadores esse quadro. Desde 1998,mais a chamada intenção da proposta é isentar Alguns contratempos e gastos extras serão mais propensos. A dedicação a assuntos de outras pessoas deverá causar maior envolvimento emocional. Na vida amorosa, assuntos confidenciais serão mais frequentes para serem tratados. Falar sobre a intimidade e sentimentos deverá fazer bem.

de alimentos de responsabilidade civil e penal, se agirem de boa fé, na distribuição de comida — semelhante ao que ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos.

Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislação atual prevê até cinco anos de prisão caso quem receba os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrência da comida doada. Com isso, donos de restaurantes, por exemplo, são obrigados a despejar no lixo as sobras diárias da produção. “É um crime”, define o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Gustavo Timo. O ajuste na legislação, segundo Timo, poderia ajudar e muito o Brasil a conter o desperdício. “A regra em vigor é completamente inapropriada. Por parte do setor, não falta boa vontade”, insiste o representante da Abrasel, ressaltando que em outros países existem programas organizados de doações, para evitar que toneladas de comida em bom estado acabem no lixo. É trágico, mas é real, na esteira desse desperdício sucumbe uma parcela significativa da população que, subnutrida, se torna inapta para desenvolver seus talentos.

FALE CONOSCO, DÊ SUA OPINIÃO: avozdobras@gmail.com Libra - 23/9 a 22/10 A influência do Sol em seu signo oposto Áries é um importante momento para agir de maneira compreensiva com pontos de vista diferentes dos seus. Também será essencial para definir parcerias profissionais e de negócios, onde revisões são recomendadas antes de decisões. Em Abril, com a oposição do Sol com Marte – que está em Libra – deve ser atento(a) com seu humor e para que assuntos não deixe você mais impulsivo(a) diante de suas relações. Na vida amorosa, momento de superar receios para decisões, esclarecer assuntos e expor sentimentos.

Escorpião - 23/10 a 21/11 Estará propenso(a) a alternâncias em sua rotina, principalmente pela retomada de alguma atividade e por novos procedimentos diferentes propensos a marcar a área profissional. Aliás, a organização de hábitos também será fundamental para lidar melhor com a solução de alguns problemas domésticos, familiares e também para equilíbrio do corpo. Na vida afetiva, o momento é para readquirir hábitos de romantismo. BRÁS

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JORNAL A VOZ DO BRÁS LTDA CNPJ: 18 730 278/ 0001-80 Rua São Caetano, 884 - 3º Andar (Shopping Via Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - São Paulo - SP e-mail: avozdobras@gmail.com Facebook.com/avozdobras @AVozdoBras www.avozdobras.blogspot.com

Sagitário - 22/11 a 21/12 Os contatos sociais serão mais frequentes nesta época, tanto em atividades profissionais como em festas ou diversões. Período em que divulgações serão positivas para destacar o trabalho e também negócios que tenha interesse. Tende a ficar mais direto(a) e com posturas exageradas para expor sentimentos, o que deve proporcionar a retomada de assuntos importantes nas relações de maior vínculo afetivo. BRÁS

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Capricórnio - 22/12 a 19/1 O momento é para checar informações profissionais e evitar conclusões precipitadas. Temas familiares terão oportunidades para esclarecimentos e para mudanças especiais. Momento de paciência nas relações com familiares mais próximos para evitar mal entendidos por coisas pouco importantes. Será mais comum o empenho a alguns ajustes do lar. Na vida amorosa, já passou da hora para apagar lembranças que não fazem bem.

Expediente: Diretor Executivo e Comercial: Helbert Periferia Diretor de Redação: Claudio Zumckeller Editor: Rodrigo De Giuli Aquário - 20/1 a 18/2 Este período é marcado em boa parte pela conjunção do Sol com Diagramação Urano – regente de seu signo e– arte: Francisco Roca Matias importante para acentuar reconhecimento e criatividade. É um momento em que deverá mudar seu pensamento sobre certas pessoas. ProcureFotografia: ponderar suas opiniõesHelbert antes de tomarPeriferia, decisões em pró deClaudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli planos e também para não criar divergências com pessoas ao seu redor. Estudos, atividades culturais Circulação Nacional – Tiragem 44 exemplares – Impressão OESP Gráfica S/A e revisões ligadas a papéis ou documentos serão mais frequentes. Nas relações, nãomil tente encontrar

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lógica para alguns sentimentos de quem mais gosta.

Os anúncios publicitários com ofertas e promoções são de inteira responsabilidade dos anunciantes. O jornal A VOZ DO BRÁS orienta que o leitor pesquise e certifique-se antes da conclusão de qualquer compromisso comercial, cabendo reclamações a serem feitas ao PROCON regional. Peixes - 19/2 a 20/3 Período propenso a lidar com novas prioridades materiais ou definir algum assunto financeiro

Regulamentação: municipal 14517, artigo 26,crescimento parágrafo 2º. Considerando o disposto do inciso IX do artigo 5º, da Constituição Federal, excetuaimportante. Atividades eLei contatos que acrescentem conteúdo para seu profissional devem tende a retomar no estudos ou algo prazeroso sua rotina que deixou de lado.gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, de 09 se ser daaproveitados. vedaçãoAliás, estabelecida “Caput” desteem artigo a distribuição A retomada de conversas ou assuntos que ficaram mal esclarecidos será mais frequente na vida de afetiva fevereiro de 1967. e com familiares.


Onde Comprar Cinema 21Bem

O nascimento e a formação do Brasil gravado em ficção

Por nto essa leiAlvaro não éZumckeller aprovada, *o o brasileiro pune severamente os res. A legislação atual prevê até anos de prisão caso quem receba ncontrar identidade cultumentos sofra algum tipo uma de dano ral para o povo corrência da comida doada. Combrasileiro não donos de restaurantes, é tarefapor paraexemprincipiantes. Anão obrigados a despejar no lixoe filósofos, estropólogos, sociólogos bras diárias da produção. um áreas, já se tudiosos das mais “É variadas ”, define o diretor-executivo da Pindorama, debruçaram sobre o tema. iação Brasileira de Bares e Resou “Terra das Palmeiras” em tupi-guates (Abrasel), Gustavo Timo. rani, é uma incógnita. Se os renomados ste na legislação, segundo Timo, a ajudar e muito o Brasil a condesperdício. “A regra em vigor é etamente inapropriada. Por parte or, não falta boa vontade”, insiste esentante da Abrasel, ressaltando m outros países existem prograrganizados de doações, para evie toneladas de comida em bom acabem no lixo. gico, mas é real, na esteira desse dício sucumbe uma parcela sigiva da população que, subnutrida, na inapta para desenvolver seus s.

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Desmundo, Alan Fresnot (Brasil, 2003)

Brasil, por volta de 1570. Chegam ao país algumas órfãs, enviadas pela rainha de Portugal, com o objetivo de desposarem os primeiros colonizadores. Uma delas, Oribela (Simone Spoladore), é uma jovem sensível e religiosa que, após ofender de forma bem grosseira Afonso Soares D’Aragão (Cacá Rosset) se vê obrigada em casar com FrancisAlbuquerque (Osmar Prado), que a leva Pauloco- de SP para seu engenho de açúcar. Oribela pede a doBrasFrancisco que leh dê algum tempo, para ela se acostumar com ele e cumprir com suas “obrigações”, mas paciência é algo que seu marido não tem e ele praticamente a violenta. Sentindo-se infeliz, ela tenta fugir, pois quer pegar um navio e voltar a Portugal, mas acaba sendo recapturada por Francisco. Como castigo, Oribela fica acorrentada em um pequeno galpão. Deprimida por estar sozinha e ferida, pois seus pés ficaram muito machucados, ela passa os dias chorando e só tem contato com uma índia, que lhe leva comida e a ajuda na . envolvendo seus pés com planrecuperação, tas medicinais. ela sai do seu catiO BRÁS orienta queQuando o leitor veiro continua determinada em fugir, até que o PROCON regional. numa noite ela se disfarça de homem e segue paraFederal, a vila, pedindo ajuda a Ximeno Dias nstituição excetua(Caco Ciocler), umde português que também na lei federal nº 5.250, 09 morava na região.

cientistas não encontraram uma identidade cultural para o país, alguns dos melhores cineastas deram sua visão. A ficção é rica em tentar decifrar uma ou por que não várias identidades brasileiras. Darci Ribeiro, antropólogo autor do livro “O povo brasileiro”, na obra escreveu que “todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados.Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura

mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas

O quatrilho, Fábio Barreto (Brasil, 1995)

Kuarup, Ruy Guerra (Brasil, 1989)

Rio Grande do Sul, 1910. Em uma comunidade rural composta por imigrantes italianos, dois casais muito amigos se unem para poder sobreviver e decidem morar na mesma casa. Mas o tempo faz com que a esposa (Patricia Pillar) de um (Alexandre Paternost) se interesse pelo marido (Bruno Campos) da outra (Glória Pires), sendo correspondida. Após algum tempo, os dois amantes decidem fugir e recomeçar outra vida, deixando para trás seus parceiros, que viverão uma experiência dramática e constrangedora, mas nem por isto desprovida de romance.

Baseado na obra de Antonio Callado, o filme narra a história do Padre Nando, que, na década de 1950, saindo de um isolado mosteiro de Recife, começa a trabalhar como missionário no Alto Xingu. Envolvido em tramas políticas e sofrendo com os desejos sexuais, ele deixa a igreja, vira indigenista e mais tarde, já nos anos de 1960, passa a lutar contra o regime militar implantado em 1964.

em pasto de nossa fúria. A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista.” (O povo brasileiro, 1995, p.120) * Alvaro Zumckeller, 34, é cineasta brasileiro, trabalhou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e nos Festivais de Cinema de Cannes, na França, e de Toronto, no Canadá

Macunaíma, Joaquim Pedro de Andrade (Brasil, 1969)

Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Ele nasceu na selva e de negro, virou branco. Depois de adulto deixa o sertão em companhia dos irmãos e vive aventuras na cidade. Macunaíma ama guerrilheiras e prostitutas, enfrenta vilões milionários, policiais e personagens de todos os tipos. Adaptado da obra modernista de Mário de Andrade, escrito em 1928.

(Fonte das sinopses: site adorocinema.com.br)


22 EditorialPública 2 Utilidade

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De tudo se perde muito

o Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos vão ao lixo por ano No país há um enorme desperdício de recursos naturais. De tudo se perde muito. A cada ano, 26,3 milhões de toneladas de comida são jogados fora. Esse volume seria suficiente para distribuir 131,5 quilos para cada brasileiro ou 3,76 para cada habitante do planeta. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) toda essa comida alimentaria os 13 milhões de brasileiros que ainda passam fome e ainda atuaria como fator de combate à inflação. Com oferta maior de produtos, os preços não subiriam tanto. Nas centrais de abastecimento o desperdício de hortaliças é visível. Há casos em que 40% da produção ficam no caminho entre as fazendas e os supermercados. A comida desperdiçada provoca mais do que prejuízos financeiros, gera revolta e inconformismo. Ainda assim, o Brasil pouco se mobiliza para mudar esse quadro. Desde 1998, a chamada

Lei do Bom Samaritano, em alusão a uma passagem bíblica, tramita no Congresso Nacional, e não há previsão alguma para que seja votada. A intenção da proposta é isentar doadores

de alimentos de responsabilidade civil e penal, se agirem de boa fé, na distribuição de comida — semelhante ao que ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos.

Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislação atual prevê até cinco anos de prisão caso quem receba os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrência da comida doada. Com isso, donos de restaurantes, por exemplo, são obrigados a despejar no lixo as sobras diárias da produção. “É um crime”, define o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Gustavo Timo. O ajuste na legislação, segundo Timo, poderia ajudar e muito o Brasil a conter o desperdício. “A regra em vigor é completamente inapropriada. Por parte do setor, não falta boa vontade”, insiste o representante da Abrasel, ressaltando que em outros países existem programas organizados de doações, para evitar que toneladas de comida em bom estado acabem no lixo. É trágico, mas é real, na esteira desse desperdício sucumbe uma parcela significativa da população que, subnutrida, se torna inapta para desenvolver seus talentos.

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JORNAL A VOZ DO BRÁS LTDA CNPJ: 18 730 278/ 0001-80 Rua São Caetano, 884 - 3º Andar (Shopping Via Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - São Paulo - SP e-mail: avozdobras@gmail.com Facebook.com/avozdobras @AVozdoBras www.avozdobras.blogspot.com BRÁS

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Expediente: Diretor Executivo e Comercial: Helbert Periferia Diretor de Redação: Claudio Zumckeller Editor: Rodrigo De Giuli Diagramação e arte: Francisco Roca Matias Fotografia: Helbert Periferia, Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli Circulação Nacional – Tiragem 44 mil exemplares – Impressão OESP Gráfica S/A

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Os anúncios publicitários com ofertas e promoções são de inteira responsabilidade dos anunciantes. O jornal A VOZ DO BRÁS orienta que o leitor pesquise e certifique-se antes da conclusão de qualquer compromisso comercial, cabendo reclamações a serem feitas ao PROCON regional. Regulamentação: Lei municipal 14517, artigo 26, parágrafo 2º. Considerando o disposto do inciso IX do artigo 5º, da Constituição Federal, excetuase da vedação estabelecida no “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, de 09 de fevereiro de 1967.


Onde Bem O Brás em Comprar obras 23

nto essa lei não é aprovada, o o brasileiro pune severamente os res. A legislação atual prevê até anos de prisão caso quem receba mentos sofra algum tipo de dano o final corrência da comidaesde doada. Com de 2013 os comerciantes e moradonos de restaurantes, por exemão obrigados a despejar doresnodalixo rua São Caebras diárias da produção. “É um tano, Brás, região central de São ”, define o diretor-executivo da Paulo, passam pelo que se pode iação Brasileira de Bares e ReschamarGustavo de inferno tes (Abrasel), Timo. astral: trânsito engarrafado, poeira, esgoto a céu ste na legislação, segundo Timo, a ajudaraberto e muito o Brasilvertiginosa a cone queda nos nedesperdício. “A regra em vigor é gócios. etamente inapropriada. Por parte Vanduir Antônio de Assis, proor, não falta boa vontade”, insiste prietário de ressaltando estacionamento e de esentante da Abrasel, lojas na área relata que a licitação m outros países existem prograrganizados de doações, paratrabalhos eviindicava que os seriam e toneladas de comida em bom feitos em lotes de 40 metros, um acabem no lixo. por vez. Mas o que aconteceu, de gico, mas é real, na esteira desse acordo uma comparcela Assis,sig“é que foram dício sucumbe ‘rasgando’ a rua inteira” iva da população que, subnutrida, e trechos na inapta desenvolver seus quepara foram cavados no início da s. obra hoje “servem de verdadeiros

O prazo para conclusão está atrasado por conta de divergências entre empreiteiras terceirizadas

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criatórios para mosquitos e depósito de lixo”. O comerciante diz que presenciou discussões entre empreiteiros que pegaram partes da obra. A maioria dos comerciantes procurados pela reportagem não quis se identificar. Entretanto as opiniões se dividem. Boa parte pensa que, embora tenha havido atraso

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Paulo - SP doBras

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O BRÁS orienta que o leitor o PROCON regional.

nstituição Federal, excetuana lei federal nº 5.250, de 09

e prejuízo, as obras são extremamente necessárias e vão solucionar sérios problemas estruturais que assolam a rua há anos. Quem critica o faz pela demora e sobretudo pelas condições precárias que as empreiteiras deixaram os trechos já reformados. A reportagem andou pelo trecho em obras e flagrou asfalto quebrado, calçadas sem acessibilidade e entulho jogado onde antes era zona azul.


24 Editorial 2 Saúde

Dengue – o queDe é, atudo formase hemorrágica, causas e tratamento perde muito

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o Brasil, 26,3 milhões de toneladas de alimentos vão ao lixo por ano No país há um enorme desperdício de recursos naturais. De tudo se perde muito. A cada ano, 26,3 milhões de toneladas de comida são jogados fora. Esse volume seria suficiente para distribuir 131,5 quilos para cada brasileiro ou 3,76 para cada habitante do planeta. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) toda essa comida alimentaria os 13 milhões de brasileiros que ainda passam fome e ainda atuaria como fator de combate à Por Neide Feldhaus* inflação. Com oferta maior de produtos, os preços não subiriam tanto. Nas centrais de abastecimento o desperO que dício de é? hortaliças é visível. Há casos em que 40% da produção ficam no caminho entreéasuma fazendas e osinfecciosa supermerO dengue doença cados. causada por um vírus que ocorre A comida desperdiçada provoca mais principalmente em áreas tropicais do que prejuízos financeiros, gera ree subtropicais do mundo, inclusive volta e inconformismo. Ainda assim, Brasil. quatro tipos ono Brasil poucoExistem se mobiliza para mudar esse quadro. de Desde 1998,doa chamada diferentes vírus dengue:

morte. Dengue hemorrágico necessita sempre de avaliação médica. O paciente deve procurar uma unidade de saúde.

2, 3 ou 4. O que preocupa é a possibilidade da reincidência da doença. Caso ocorra um segundo episódio da dengue, os sintomas se manifestam com mais severidade. O que é Dengue Tipo 4? Esta reação exagerada do sistema imunológico é um problema. Pode O avanço do vírus tipo 4 da causar inflamações e, por isso, dengue pelo Brasil é uma ameaça aumenta o risco de lesões nos vasos à saúde pública. Não pelo vírus sanguíneos, o que levaria à dengue em si, que não é mais nem menos hemorrágica. Um terceiro episódio perigoso que os tipos 1, 2 e 3, poderia ser ainda mais grave, e um mas pela entrada em ação de mais quarto seria mais perigoso que o uma variação do microorganismo. terceiro. Todos eles causam os mesmo sintomas iniciais. A diferença é Qual a causa? a gravidade na evolução do tipo hemorrágico e a imunização do A infecção pelo vírus, transmitido tipo específico após a infecção. Ou pela picada do mosquito Aedes Lei do Bom Samaritano, em alusão de alimentos de responsabilidade civil já teve dengue devido espécie aseja, umaquem passagem bíblica, tramita no eaegypti, penal, seuma agirem de boahematófaga fé, na disao tipo 1 só pode ter novamente originária da África chegou ao ao Congresso Nacional, e não há pre- tribuição de comida —que semelhante se ela for para causada pelos tipos continente americano na época da visão alguma que seja votada. A que ocorre em países da Europa e nos intenção da proposta é isentar doadores

Estados Unidos.

colonização. háé transmissão Enquanto essa Não lei não aprovada, o pelo contato de pune um doente ou suas Estado brasileiro severamente os doadores. legislação prevê até secreçõesAcom uma atual pessoa sadia, cinco anos dede prisão receba nem fontes águacaso ou quem alimento. os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrência da comida doada. Com Como tratar? isso, donos de restaurantes, por exemplo, são obrigados a despejar no lixo as sobras diárias da produção. “É um Não existe tratamento específico crime”, define o diretor-executivo da para dengue, apenas tratamentos Associação Brasileira de Bares e Resque aliviam os sintomas. Deve-se taurantes (Abrasel), Gustavo Timo. ingerir muito líquido como água, O ajuste na legislação, segundo Timo, sucos, ajudar chás, e soros etc. poderia muito ocaseiros Brasil a conter desperdício. “A regra vigor é Os osintomas podem seremtratados completamente inapropriada. Por parte com dipirona ou paracetamol. Não do setor, não falta boa vontade”, insiste ser usados medicamentos odevem representante da Abrasel, ressaltando àquebase de ácido acetil salicílico em outros países existem progra-e antiinflamatórios, como aspirina mas organizados de doações, para evi-e tar quepois toneladas comida em bom AAS, podemdeaumentar o risco estado acabem no lixo. de hemorragias. É trágico, mas é real, na esteira desse desperdício sucumbe uma parcela sig* Neide da Feldhaus nificativa população que, subnutrida, é médica pediatra 94890) se torna inapta para (CRM desenvolver seus talentos.

DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. As epidemias geralmente ocorrem no verão, durante ou imediatamente após períodos chuvosos. O dengue clássico se inicia de maneira súbita e podem ocorrer febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores nas costas. Às vezes aparecem manchas vermelhas no corpo. A febre dura cerca de cinco dias JORNAL A VOZ DO BRÁS LTDA com melhora progressiva dos CNPJ: 18 730 278/ 0001-80 sintomas em 10 dias. Em alguns poucos pacientes ocorrer Ruapodem São Caetano, 884 - 3º Andar (Shopping Via Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - São Paulo - SP hemorragias discretas na boca, na e-mail: avozdobras@gmail.com Facebook.com/avozdobras @AVozdoBras urina ou no nariz. Raramente há www.avozdobras.blogspot.com complicações.

FALE CONOSCO, DÊ SUA OPINIÃO: avozdobras@gmail.com A VOZ

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Expediente: Diretor Executivo e Comercial: Helbert Periferia O que é Dengue Hemorrágico? Diretor de Redação: Claudio Zumckeller Editor: Rodrigo De Giuli Dengue hemorrágico é uma forma grave de dengue. No início os Diagramação e arte: Francisco Roca Matias sintomas são iguais ao dengue Fotografia: Helbert Periferia, Claudio Zumckeller e Rodrigo De Giuli clássico, masCirculação após o quintoNacional dia da – Tiragem 44 mil exemplares – Impressão OESP Gráfica S/A

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doença alguns pacientes começam Os anúncios publicitários com ofertas e promoções são de inteira responsabilidade dos anunciantes. O jornal A VOZ DO BRÁS orienta que o leitor a pesquise apresentar sangramento e certifique-se antes da econclusão de qualquer compromisso comercial, cabendo reclamações a serem feitas ao PROCON regional. choque. Os sangramentos ocorrem Regulamentação: Lei municipal 14517, artigo 26, parágrafo 2º. Considerando o disposto do inciso IX do artigo 5º, da Constituição Federal, excetuaem órgãos. Este tipo se vários da vedação estabelecida no de “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, de 09 dengue pode delevar de fevereiro 1967. a pessoa à


Comprar 25Bem Feira da Onde Madrugada

Quanto pior melhor: o caos na Feira da Madrugada

Informações desencontradas, liminares, ineficiência da prefeitura quanto e desunião dos comerciantes transformam o Pátio Pari em um problema ainda longe da solução essaao leirecadastramento não é aprovada, o

nto o brasileiro pune severamente os Da reportagem res. A legislação atual prevê até anos de prisão caso quem receba mentos sofra algum tipo de dano fechamento para a realização corrência da comida doada. Com hidráulicas, de intervenções donos de restaurantes, pore de exemelétricas alvenaria foi deão obrigados a despejar no lixo em abril de terminado pela prefeitura bras diárias da produção. “É um 2013. O fato gerou a indignação dos ”, define o diretor-executivo da comerciantes locais. Em maio passaiação Brasileira de Bares e Resdo, uma liminarTimo. na 24ª Vara Federal, tes (Abrasel), Gustavo permitiu que o local ficasse aberto, ste na legislação, segundo Timo, sob a condição de que a ajudar e muito o Brasil a con-os permissionários“Afizessem desperdício. regra emreformas vigor é para garanetamente Por parteDias depois, o tir inapropriada. a segurança da feira. or, não falta boa insiste Corpo devontade”, Bombeiros fez nova vistoria esentante da Abrasel, ressaltando e considerou que as reformas foram m outros países existem progra-nessa avaliainsuficientes. Baseada rganizados de doações, para evição, a prefeitura recorreu da decisão e e toneladas de comida em bom a liminar foi cassada. acabem no lixo. os desse comerciantes da gico, mas éEm real,agosto, na esteira Feira da Madrugada dício sucumbe uma parcela sig-se reuniram na Câmara iva da população que,Municipal subnutrida,de São Paulo. para A pauta foi a reabertura do Pátio na inapta desenvolver seus s. Pari, que estaria programada para o início de setembro. Lideranças presentes na reunião afirmaram que ela seria entregue com a reestruturação hidráulica e elétrica concluída, com os boxes reconstruídos em alvenaria e caberia aos comerciantes procederem as adequações necessárias para o atendimento ao público. Os vereadores Adilson Amadeu (PTB) e José Américo (PT), presidente da Câmara, estiveram presentes e ressaltaram o importante papel que a Feira da Madrugada desempenha no turismo de Paulonegócios - SP da cidade. A reforma, que inicialmente teve doBras o custo estipulado em R$ 4 milhões, atrasou. O entrave se deu porque a prefeitura extrapolou o prazo de 15 dias exigido para a entrega à Justiça Federal de relatório indicando a quantidade de boxes e a legalidade de cada um deles. Uma audiência entre representantes dos comerciantes e do poder público na 24ª Vara Cível, em julho, alterou a. data de reabertura da feira de agosto para após o feriado de 7 O BRÁS que leitor uma solenidade orienta setembro – odurante o PROCON regional. de o prefeito Fernando Haddad (PT) nstituição Federal, excetua- de reabrir a assumiu “compromisso” na lei federal nº 5.250, de 09 feira em setembro: “ela só não abriu antes porque nós tivemos problemas

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no Judiciário. Tivemos que cassar uma liminar que impediu o início das obras”. Antes disso, em julho, a prefeitura havia autorizado cerca de 50 permissionários e funcionários a prestar serviços voluntários na reforma e limpeza do local. Ao falar da necessidade das obras no espaço, o prefeito lembrou o incêndio que matou 242 pessoas e feriu outras 116 na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Haddad

Atual secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras Ricardo Teixeira (PV) tem feito blitz no local em parceria com a Polícia Militar para coibir a prática. “Já desocupamos mais de 1,5 mil boxes invadidos. Nas próximas semanas, vamos fazer uma convocação para camelôs com TPUs (Termos de Permissão de Uso) que tiveram interesse em trabalhar nesses dois mil boxes vagos. Vamos mantê-los ocupados por quem já tem docu-

afirmou ainda que “os comerciantes que têm direito vão voltar”, ou seja, os regularizados. No entanto, poderão ficar lá temporariamente. O projeto da prefeitura é construir no local um centro de compras, com espaço para estacionamento de ônibus, hotel e prédio de escritórios. Segundo o prefeito, a permanência e a futura concessão para o centro comercial serão tema de conversa com os comerciantes locais. A área, hoje ocupada pela Feira da Madrugada, pertence à União e já foi pátio da Rede Ferroviária Federal, e foi cedida à prefeitura de São Paulo para que receba o centro comercial. Após a reforma da feira, concluída no fim do ano passado, cerca de dois mil boxes que ainda não foram ocupados passaram a ser comercializados e invadidos. Outros 1.756 boxes foram ocupados por ambulantes que têm licença do governo.

mentação para trabalhar nas ruas até que a nova licitação seja concluída”, afirmou Teixeira. Investigação – o Ministério Público Estadual (MPE) também investiga como houve a invasão dos boxes que estavam vazios. Novas denúncias que chegaram ao MPE e à prefeitura apontam que um grupo com influência na subprefeitura da Mooca, responsável pela área, vende por até R$ 80 mil o direito de utilizar boxes desativados. Por enquanto, a Promotoria de Habitação aguarda testemunhas que possam apresentar denúncias mais concretas de corrupção na área. “Estamos tentando entender como houve a ocupação desses boxes, em área que deve ser zelada pela prefeitura. O novo secretário foi avisado sobre o problema e está tomando as providências”, disse a promotora Karina Moori, responsável pela investigação da

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Feira da Madrugada no MPE. A nova concorrência – o investimento inicial de contrapartida da futura concessionária na Feira da Madrugada deverá ser de R$ 280 milhões. Só empresas brasileiras poderão participar da concorrência, que deve ser concluída até o fim do ano. Contudo, o imbróglio que se arrasta há meses já se reflete na especulação imobiliária. Moradores do bairro e lojistas já reclamam no aumento do aluguel de pontos residenciais e comerciais nos arredores. Guilherme Queiroz, 38, é mineiro de Belo Horizonte e tem box na Feira da Madrugada há sete anos. Ele foi o primeiro a reabrir em dezembro e afirma que as reformas trouxeram benefícios à segurança, à circulação. “Agora há sanitários e o estacionamento para os ônibus ficou mais organizado, porém os boxes estão menores e arcar com a taxa mensal de R$ 910,00, que somos obrigados a pagar à prefeitura, é difícil”. Queiroz lamenta também a pouca divulgação que a prefeitura deu à reinauguração. “O prefeito sequer esteve aqui quando a feira reabriu”. O desencontro de informações sobre a situação dos permissionários com respeito à futura licitação traz insegurança aos que sustentam suas famílias com o trabalho no Pátio Pari, opina o comerciante. “Não acredito quando ouço que as obras do futuro empreendimento não impedirão que continuemos trabalhando aqui dentro. Se durante a reforma, obra bem menor, não foi possível nossa permanência, imagine quando forem construir um shopping”, ironiza. A maioria dos comerciantes procurados pela reportagem para dar seu posicionamento quanto à situação atual da Feira da Madrugada não quis se identificar. Eles se restringem a lamentações vazias e preocupações com boatos como, por exemplo, a entrada da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para o controle da entrada e cobrança de estacionamento rotativo dos veículos na área interna do Pátio Pari.


e Música 26 Editorial 2 Cultura

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Musicalmente inclassificáveis? De tudo se perde muito

“Que samba, que rap, modinha o quê? Que funk, que rock, que coco o quê? Que bossa, baião, que choro o quê?

o Brasil, 26,3 milhões de tonelaEnquanto essa lei não é aprovada, o O que somos? O que somos? Inclassificáveis, Inclassificáveis!?” Estado brasileiro pune severamente os das de alimentos vão ao lixo por ano doadores. A legislação atual prevê até Porpaís Marta musical pelos portugueses. No há Corrêa* um enorme desperdício de re- vez vários instrumentos que provavelmen- anos, fomos absorvendo de outros países cenário cinco anos de prisão caso quem receba ressaltar se houvesse um cursos naturais. De tudo se perde muito. te vieram juntos com as grandes “carave- europeus, além de Portugal, elementos os Vale alimentos sofraque, algum tipo de dano especificamente brasileiro, seria arodiando a canção “Inclassi- las”. Por exemplo, a viola (o ancestral do musicais típicos, dentre eles a ópera ita- gênero A cada ano, 26,3 milhões de toneladas em decorrência da comida doada. Com choro, mais conhecido de comidaficáveis”, são jogados fora. Esse volu- violão) e o violino (ambos da família de liana e francesa, o bolero e a habanera de oisso, donos de popularmente restaurantes, por exemde Arnaldo Antunes, me seria suficiente para distribuir 131,5 plo, são obrigadosSegundo a despejar no lixo “chorinho”. estudiosos, um dos grandes compositores da instrumentos de cordas). E vice-versa, o origem espanhola, as polcas e valsas ger- como quilos cadabrasileira brasileiroatual, ou 3,76 as sobras daséculo produção. gênero diárias surgiu no 19, no“É Rioum de músicapara popular que para ques- espanto de nossos irmãos lusos, ao ver os mânicas, que nos séculos seguintes foram este cada do planeta. Segundo crime”, onde define diretor-executivo da se orealizava interpretações tiona habitante a nossa identidade racial, gravadaae índios nus, cantando, dançando e tocando muito populares. E, finalmente no século Janeiro, Organização das sempre NaçõesdeUnidas para instrumentos como o “maracá”, um choca- 20 tivemos a influência do jazz norte-ame- “abrasileiradas” Associação Brasileira Baresmusicais e Resde váriosdeestilos interpretada como forma visceAlimentação Agricultura (FAO) toda taurantes (Abrasel), Gustavo todo país. A palavra choro éTimo. usada de ral pelo nossoe não menos grandioso Ney lho muito utilizado pela nação “tupi”, ha- ricano, que encontrou um terreno fértil por de essa comida um alimentaria os “intérpretes” 13 milhões bitantes da costa do Brasil. Podemos ilus- essas bandas e se enraizou em nossa cul- forma O ajuste na legislação, segundo Timo, genérica e pode significar tanto um Matogrosso, dos poucos de brasileiros que ainda passam fome e poderia ajudar e muito o Brasil a congênero, como uma “maneira de tocar”, que restou dentro do cancioneiro nacional, trar esta cena, com um trecho da música tura musical. ainda atuaria comonós, fator de combate à “Chegança”, (de Antônio Nóbrega, do álter caso, o desperdício. “A regra em vigor é Como vimos até agora, é difícil esta- no uma maneira “chorosa” como se pode perguntar: brasileiros, somos inflação. Com oferta maior de produtos, completamente inapropriada. Por parte musicalmente “inclassificáveis”? Temos bum “Madeira que cupim não rói”): “sou belecer um ou mais elementos nascidos os músicos de então tocavam. De início os preços não subiriam tanto. do setor, não falta boa vontade”, insiste uma música genuinamente originária des- Pataxó, Xavante, Cariri, sou Ianonami, aqui, estritamente brasileiros. O samba, é uma música predominantemente instruNas centrais de abastecimento o desper- sou Tupi, mas de repente me acordei com que é o gênero musical mais emblemático, mental. o representante da Abrasel, ressaltando Todavia, em alguns casos, ganha sas terras tupiniquins? Tarefa difícil de dício de hortaliças é visível. Há casos que em outros países existem prograletra e passa a ser cantada e seus músicos responder, não é caro leitor? Mas o que em que 40% da produção ficam no camas organizados de doações, para evificam conhecidos como “chorões”. Nomes somos então, musicalmente falando? Uma minho entre as fazendas e os supermertar que toneladas de comida em bom importantes como os músicos Joaquim mistura! Um caldeirão de sabores! Somos cados. estado acabem no lixo. Calado, umdesse dos “forróssambeiros”, “bossarroqueiros”, A comida desperdiçada provoca mais Lei do Bom Samaritano, em alusão de alimentos de responsabilidade civil Antônio É trágico, mas é considerado real, na esteira criadores do gênero, Ernesto Nazareth, “xotemaracatureiros”, “sambanejeiros”, do que prejuízos financeiros, gera re- a uma passagem bíblica, tramita no e penal, se agirem de boa fé, na dis- desperdício sucumbe uma parcela sigPixinguinha e Waldir uma enorme variedade deAinda estilosassim, musi- Congresso Nacional, e não há pre- tribuição de comida — semelhante ao Altamiro volta e inconformismo. nificativaCarrilho, da população que, subnutrida, Azevedo, compositor de “Brasileirinho”, cais. Estilos que se formaram a partir da o Brasil pouco se mobiliza para mudar visão alguma para que seja votada. A que ocorre em países da Europa e nos se torna inapta para desenvolver seus talvez o choro mais conhecido de todos, mistura de elementos europeus, trazidos intenção da proposta é isentar doadores Estados Unidos. esse quadro. Desde 1998, a chamada talentos. contribuíram para a evolução deste estilo pelos colonos, africanos, influência dos musical no país. Não podemos deixar de escravos, e indígenas, os nativos do Novo citar a maestrina Chiquinha Gonzaga, a Mundo que estavam sendo descobertos. qual, além de contribuir com obras ímpaAo longo do tempo, outras influências res para o gênero, causou um reboliço na se somaram ao caldo musical, estabelecenelite da época, que achava sua música vuldo assim uma enorme gama de gêneros. gar e um verdadeiro atentado a toda moEstamos falando aqui, da música popular ral imposta naquele período, pois o Brasil urbana e não da erudita, pois esta teve toda ainda era uma colônia. As controvérsias de sua construção influenciada pela cultura que este também não é um gênero tipicaeuropeia, cujos primeiros registros de uma atividade musical consistente, foram atri- a surpresa: uma esquadra portuguesa veio o que mais representa nossa cultura, antes mente brasileiro parte da premissa para albuídos aos jesuítas que aqui se instalaram na praia atracar. De grande-nau, um bran- de atingir este status, sua nomenclatura era guns especialistas no assunto, de que este JORNAL VOZ DO BRÁS LTDA vestindo umaA armadura utilizada em várias regiões das Américas, é influenciado pelo jazz americano, pois o em 1549. Sendo assim, ao examinarmos co de barba escura, e assustado dei 278/ para nomear as manifestações musicais e “improviso” tinha um papel principal na a formação da nossa música cotidiana, me apontou pra me pegar, CNPJ: 18 730 0001-80 pulo da rede, pressenti a fome, a sede, dançantes dos negros. Por aqui, a palavra execução das canções, ou seja, os músicos vamos encontrar aRua influência a mistu- um884 SãoeCaetano, - 3º Andar (Shopping Via Sul) - Fone: (11) 3228-7110 - São Paulo - SP ra dessa tríade de elementos. Porém, os eu pensei: ‘vão me acabar’, me levantei de aparece pela primeira vez no ano de 1838, ficam livres para improvisar, criar novas e-mail: Facebook.com/avozdobras @AVozdoBras o em Pernambuco e, em 1880, no Rio de Jamelodias, utilizando ou não elementos do que mais contribuíram para nossa avozdobras@gmail.com forma- borduna já na mão, aí, senti no coração, começou! neiro. Só em 1917, é que teremos o regis- tema nesta improvisação, o que é notadação musical, foram os europeus que aqui Brasil vai começar”. Ewww.avozdobras.blogspot.com Com a chegada dos escravos o elemento tro da música “Pelo Telefone” (de Donga e mente a base do jazz. aportaram e os escravos africanos. Isto se desen- Mário de Almeida), que ficou na memória Caro leitor, é difícil afirmar que temos explica segundo vários estudos realizados africano incorpora-se fortemente noExpediente: Diretor Executivo e Comercial: Helbert Periferia da música popular e folclórica do brasileiro como o primeiro samba gra- uma “digital musical” neste país. Contupela musicologia, pelo fato de que toda a volvimento rít- Claudio vado. Enquanto o samba vai se associando do, será que não é esta a nossa “digital”? construção melódico-harmônica do nosso nacional. Responsável Diretorpela depluralidade Redação: Zumckeller de pera um símbolo universo musical estaria ligada às influên- mica e pelos diversos instrumentos Editor: Rodrigo De Giulinacional, principalmente O vasto número de estilos, compositores e cias europeias e toda construção rítmica cussão, como atabaque, tambore, agogô ou por ter sido inserido pelos cariocas como artistas, os quais nos dão pelo menos uma Diagramação e arte: Francisco Roca Matias às africanas. A musicalidade das selvas berimbau, é a partir da inserção desses ele- o gênero mais tocado no carnaval, outro certeza: a de que temos sem dúvida alguPeriferia, Claudio e Rodrigo Dejá Giuli final do século 18, que a música estiloZumckeller começa a se tornar popular, pois ma uma das músicas mais ricas do mundo. brasileiras foi suprimida dessa tríade,Fotografia: pois mentos, noHelbert começa a 44 ter outra “sonoridade” era – muito executado emOESP todo país: a músi- S/A Que não é ruim sermos um não se sabe até hoje se ela sofreuNacional influên- popular Circulação – Tiragem mil exemplares Impressão Gráfica . caldeirão, em cia de outras culturas; isto ainda é objeto com características brasileiras. É neste mo- ca caipira. No entanto, este foi classificado que vários ingredientes foram e são misOs anúncios publicitários com ofertas e promoções são de inteira responsabilidade dos anunciantes. O jornal A VOZ DO BRÁS orienta que o leitor mento que começa a ser documentada, pois como “regional” e também não pode re- turados para que dele saia um novo sabor. depesquise estudos. Háe pesquisadores afirmam certifique-seque antes da conclusão de qualquer compromisso comercial, cabendo reclamações a serem feitas ao PROCON regional. que ela foi influenciada pelos portugueses. antes, nos séculos 17 e início do 18, não presentar uma identidade musical brasilei- Será então, que não vale à pena sermos Regulamentação: municipal 14517, artigo 26, parágrafo 2º.musical Considerando disposto do inciso IX do artigona5º, “inclassificáveis”? da Constituição Federal, excetuahá registro de nenhuma obra e por ra, opois o instrumento básico utilizado Indo para o campo do Lei imaginário, podese da vedação estabelecida no “Caput” deste artigo a distribuição gratuita de jornais e periódicos que se enquadram na lei federal nº 5.250, de 09 mos pensar como foi para os nativos, à isso a dificuldade na busca por um gênero composição e execução das “modas” é a de fevereiro de 1967. * Marta Corrêa é jornalista e cantora época do descobrimento, ver pela primeira genuinamente brasileiro. Com o passar dos viola, que, já sabemos, foi inserida em no

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