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A VOZ DE

ERMESINDE

MAIS DE 50 ANOS – E MAIS DE 900 NÚMEROS! N.º 905 • ANO LIII/LV

JUNHO de 2013

DIRETORA: Fernanda Lage

M E N S Á R I O

PREÇO: 1,00 Euros (IVA incluído)

TAXA PAGA PORTUGAL 4440 VALONGO

• Tel.s: 229757611 / 229758526 / 938770762 • Fax: 229759006 • Redação: Largo António da Silva Moreira, Casa 2, 4445-280 Ermesinde • E-mail: avozdeermesinde@gmail.com

“A Voz de Ermesinde” - página web: http://www.avozdeermesinde.com/

Tavares Queijo

URSULA ZANGGER

A situação social é a minha prioridade absoluta!

DESTAQUE

Instalação da empresa holandesa EDC em Ermesinde, além de resolver o impasse de oito anos do Edifício Faria Sampaio, vem criar expetativas de emprego qualificado jovem

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Visitas de trabalho de vários partidos ao Centro Social de Ermesinde

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FUTEBOL

Apresenta-se de novo às urnas para disputar a Junta de Freguesia de Ermesinde em luta direta com Luís Ramalho. Só que, desta vez, diz Tavares Queijo, ultrapassada uma situação anómala, é para ganhar! Entrevista nas PÁGs. 4, 5 e 6

A c o m p a n h e t a m b é m “ A Vo z d e E r m e s i n d e ” o n l i n e n o f a c e b o o k

Assembleia Geral do Ermesinde SC terminou com resultados inconclusivos

DESPORTO


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A Voz de Ermesinde •

Destaque

JUNHO de 2013

FERNANDA LAGE DIRETORA

Ultrapassar a crise em democracia

EDITORIAL

H

á quem pense que não é possível ultrapassar esta crise em democracia e com um Estado social que garanta ao povo português uma vida com dignidade. Vivemos num Estado de Direito Democrático e Social. Desde o 25 de Abril de 1974 que Portugal investiu muito na construção do Estado Social que hoje temos. Já ninguém tem dúvidas que não é com mais e mais austeridade que vamos ultrapassar esta crise cujos resultados estão à vista de todos: recessão, desemprego, aumento da dívida, empobrecimento e desânimo. Considerar que a crise é apenas resultado do Estado Social que temos, é pouco, muito pouco. As causas são muitas e de várias ordens, desde uma zona euro mal construída, investimentos mal orientados, um sistema financeiro especulativo e descontrolado, uma promiscuidade entre o público e o privado, a que não foi estranha uma crise internacional. É importante e necessário pensar que Estado queremos, como torná-lo sustentável e só depois falar em cortes, se forem necessários. Primeiro temos de libertar Portugal desta austeridade, é uma questão de liberdade, como diz António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa. Temos de ultrapassar este desalento, construir uma esperança, «de nada nos serve um desenvolvimento ilusório das últimas décadas, um desenvolvimento vindo de fora e

não do que está dentro de nós, certamente com menos dinheiro mas por isso mesmo com mais atenção à dignidade e à vida das pessoas, com solidariedade e sustentabilidade». (1) Também a nível autárquico temos de saber quais são as necessidades da nossa terra e quais os fundos com que podemos contar. Aproximam-se as eleições e com elas toda uma atividade de visitas e reconhecimento dos problemas das terras e das instituições locais. São momentos que aproximam os governantes dos governados, o diálogo é facilitado e pode nalguns casos ser motivo para aprofundar e debater pontos de vista diferentes. IMAGEM DE ARQUIVO A Carta Europeia da Autonomia Local aprovada em 1985 no Conselho da Europa considerou no seu preâmbulo que as autarquias locais são um dos principais fundamentos de todo o regime democrático. Em Portugal as autarquias locais são desde 1976 dignidade constitucional, pessoas coletivas da população e território de todos os órgãos representativos que unem a prossecução dos interesses de todos. Fala-se muito em democracia mas muitas vezes não aproveitamos os momentos certos para a exercer. As eleições e a sua preparação podem ser a altura certa para descobrirmos e estreitarmos os laços que nos ligam à comunidade e compreendermos os ideais de liberdade, o direito à diferença, a necessidade de racionalizar as opções. Aproveitemos de uma forma positiva e ativa os momentos de diálogo e reflexão que a preparação das eleições autarcas nos proporcionam. (1)

António Nóvoa, intervenção na Aula Magna, 30/5/2013.


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• PROTOCOLO ENTRE CÂMARA DE VALONGO E EDC•

Câmara de Valongo celebra protocolo com empresa tecnológica holandesa que se vai instalar no Faria Sampaio FOTOS MANUEL VALDREZ

Um importante protocolo de cooperação, pelo qual a empresa holandesa European Design Center (EDC), se irá instalar em Ermesinde, no até agora abandonado Edifício Faria Sampaio, foi assinado no passado dia 31 de maio, trazendo muitas expetativas de abertura de trabalho jovem e qualificado para o concelho. Numa fase inicial fala-se em quase 100 postos de trabalho, mas estima-se que possam vir a chegar a cerca de 800 diretos e sensivelmente o dobro de indiretos. LC

João Paulo Baltazar (pela Câmara Municipal de Valongo, que lidera), e João Mena de Matos (pela European Design Center, a que surpreendentemente preside), assinaram um protocolo pelo qual se dá início à instalação desta empresa holandesa em Ermesinde. A cerimónia teve lugar no corpon B do Edifício Faria Sampaio, precisamente aquele que vai ser ocupado e requalificado pela EDC. Além das mais valias tecnológicas trazidas pelo projeto da EDC, e das boas perspetivas que abre para o trabalho qualificado jovem, o acordo agora celebrado vem resolver a situação lamentável de oito anos de abandono e inutilidade a que esteve sujeito o Edifício Faria Sampaio, um autêntico “elefante branco” que muitos reconhecem, fruto de tempos de abundância e do financiamento do Programa Polis, em que foi construído, embora não tivesse nenhum projeto a ele associado. À cerimónia da assinatura deste protocolo quiseram associar-se o atual presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), Carlos Neves, e o presidente da Associação Portuguesa de Designers, (APD), Nuno Sá Leal.

Intervenção de Carlos Neves Foi Carlos Neves o primeiro dos oradores a intervir, tendo elogiado a vontade concretizada quer do município de Valongo, quer da EDC, em avançar com o empreendimento. Carlos Neves chamou depois a atenção para a importância de bem utilizar os fundos estruturais nos anos que se avizinham, já que quer o investimento público, quer o investimento privado não deverão

do, torna mais capazes os recursos que se têm), a internacionalização (com base numa experiência portuguesa de mais de 500 anos de globalização), a especialização (ter clareza no investimento – saber onde vamos ter pesca, agricultura ou ciências da saúde, por exemplo), a industrialização (temos que voltar a produzir e voltar à fábrica, à terra e ao mar), a cooperação (aproveitar os recursos em rede e as parcerias como resposta à carência de acesso a capitais) e, finalmente, a comunicação (ter capacidade de marketing territorial, em articulação com os planos operacionais. No projeto em concreto, Carlos Neves destacou a expetativa de mais emprego e de crescimento económico. Intervenção de João Mena de Matos

com certreza, crescer nos próximos tempos. Carlos Neves elencou depois um conjunto de valores que orientam a ação da CCDRN, a saber a valorização (englobando os recursos endógenos e aas pessoas), a capacitação (certo investimento, público ou priva-

O presidente da EDC começou por apresentar a sua história. Tendo ido estudar para a Holanda nos anos 80, por lá ficou. Por isso além do interesse estratégico e racional da empresa em investir em Portugal, é também para ele um prazer poder fazê-lo. João Mena de Matos apresentou depois a EDC, uma empresa com o foco na inovação e na interseção entre design e tecnologia.

Deu depois algumas ideias das atividades em que esta empresa está envolvida, como a da produção de moda sustentável, das ferramentas para a influência no processo de design de habitações a custos controlados, ou como o dos simuladores destinados às equipas médicas (num processo semelhante ao dos simuladores de voo que tanto têm contribuído para melhorar os níveis de segurança). Neste domínio entram os Serious Games, jogos de adestramento profissional. João Mena de Matos descreveu a experiência dos quadros holandeses como muita dificuldade de comunicação com o tecido empresarial brasileiros e destacou as potencialidades de Portugal, onde é vulgar a existência de facilidade de comunicação em várias línguas. Anunciou depois, para uma primeira fase, a criação de 50 a 100 novos postos de trabalho qualificados, sendo o preço da mão de obra qualificada em Portugal substancialmente mais atrativo do que no mercado holandês ou noutros europeus. Para uma segunda fase poderese-iam vir a criar quase um milhar de postos de trabalho diretos, e umas ou três vezes mais, de postos de trabalho indiretos. Nuno Sá Leal fez uma brevíssima intervenção a pedido e no meio da comunicação de João Mena de Matos, para destacar o interesse da criação de um Museu Português do Design, para o qual era necessário um grande trabalho prévio de catalogação visando a abertura ao público. O presidente da Associação Portuguesa de Designers deixou,

por fim, no ar, a ideia de que iriam brevemente seguir-se várias iniciativas, nas quais a EDC teria um papel importante. Intervenção de João Paulo Baltazar Interveio, por fim, o presidente da Câmara Municipal de Valongo, João Paulo Baltazar, que agradeceu aos elementos com assento na mesa e demais personalidades presentes (, como por exemplo o vice-reitor da Universidade do Porto. Apontou depois a necessidade do concelho reforçar os seus fatores de competitividade e, passando ao caso concreto da EDC, narrou que logo desde os primeiros contactos, se identificaram interesses mútuos e condições de atratividade para a empresa (acessibilidade ao aeroporto, disponibilidade de recursos humanos, situação charneira entre litoral e interior). A proximidade das universidades do Porto, Aveiro e Minho era outro fator favorável ao recrutamento de jovens licenciados.

Falando depois das capacidades e da imagem do concelho, João Paulo Baltazar referiu que este precisa de ser positivamente agressivo, e numa alegoria futebolística, apontou que não se esperando muitos passes a rasgar a área, «teremos que ser bons pontas de lança». Apontou depois que tanto a EDC como a Câmara de Valongo têm largas margens de progressão. «A marca Valongo não tem sido bem tratada ao longo dos anos», reconheceu. Por isso seria agora urgente, depois de credibilizada, que ela possa começar a ser projetada. Referiu a necessidade de ser criativo, a importância de criar emprego no concelho, com os ganhos de tempo e de qualidade de vida daí advindos. E terminou apontando que esperava que a EDC fosse um farol de competitividade e inovação no concelho, com o Edifício Faria Sampaio, a partir de agora, uma referência, mas por valores positivos. O restante programa Após a intervenção do presidente da Câmara de Valongo seguiu-se uma apresentação digital, com vários exemplo da atividade e projetos da EDC, como nos materiais ecológicos para a indústria de vestuário, a produção de simuladores para atividades médicas ou de jogos. Abordada nesa apresentação foi também o modelo de negócio da empresa, que assenta não sobretudo na oferta de produtos, mas antes na de soluções e serviços. A sessão protocolar teve o seu encerramento com uma passagem de modelos no exterior do Edifício Faria Sampaio, modelos estes que refletiam alguns dos projetos da EDC, como a título de exemplo, entre muitos, o vestido feito a partir de carvalho.


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• GRANDE ENTREVISTA • GRANDE ENTREVISTA • GRANDE ENTREVISTA •

Tavares Queijo

– Espero

ganhar a Junta de Freguesia de Ermesinde... com maioria absoluta Membro destacado da vida pública ermesindense, dirigente do Centro Social de Ermesinde e dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde, militante local na primeira linha dos socialistas de Ermesinde, Tavares Queijo volta a ser apontado como o candidato do PS à Junta de Freguesia de Ermesinde. Mas desta vez, para ganhar, é essa a sua convicção. LC

“A Voz de Ermesinde” (AVE) – Como aconteceu o seu envolvimento com a política e com o Partido Socialista? TQ – Logo a seguir ao 25 de Abril comecei a interessarme pela atividade política e acabei por me filiar no PS. Não foi uma decisão imediata, porque ainda senti uma primeira indecisão entre o PSD e o PS. Ambos eram social-democratas e segui sempre com muito respeito a atuação do Dr. Francisco Sá Carneiro. Mas também era, já nessa altura, amigo do Dr. Afonso Lobão e acabei por aceitar o seu convite para aderir ao Partido Socialista. Fi-lo e mantive-me sempre com inteira consciência e liberdade, sempre fiel ao meu ideário social-democrata. Não quer dizer que, em várias vezes, não estivesse em desacordo com alguns aspetos da linha oficial do partido. AVE – Já se confrontou com algumas situações em que esteve claramente em desacordo com essa linha oficial? TQ – Sim, nalgumas intervenções que fiz a nível do partido defendi que a posição do partido não era a mais correta, por exemplo a nível das leis laborais. Acho que muitas vezes o partido afasta-se um bocadinho da linha da social-democracia. Uma empresa é constituída não só pelos empresários, mas também pelos trabalhadores e eu entendo que os lucros devem ser repartidos por ambas as partes. Os trabalhadores também são um capital ativo das empresas. E devem todos rumar para o mesmo lado. Outra questão, outro exem-

plo, relativamente à qual tenho as minhas ideias próprias é quanto à reforma da segurança social, relativamente à qual,

antigo presidente de Junta socialista. O eleitorado do PS ficou então um bocado dividido. É de notar que o atual presi-

As empresas de alta tecnologia não dão a contrapartida que seria exigível à segurança social como as coisas hoje estão, não se prevê a sustentabilidade. Mas há aqui um grande erro que está a ser cometido. Hoje em dia quem fatura milhões são as empresas que recorrem a tecnologia intensiva, não aquelas que têm um maior número de trabalhadores. Mas são estas quem mais contribuem para a segurança social. Ora há que arranjar aqui uma situação em que as empresas que empreguem um maior número de trabalhadores possam por isso ser mais financiadas. Mas, pelo contrário, as empresas de alta tecnologia é que conseguem os maiores incentivos fiscais, sem depois darem a contrapartida que lhes seria exigível. AVE – Porque se candidata? Tendo sido derrotado há quatro anos atrás, pensa que terá hoje outras condições para vencer as eleições? TQ – A situação de há quatro anos atrás era completamente diferente e anormal. Com a então recente criação da Coragem de Mudar o Partido Socialista em Valongo estava de momento muito fragilizado, e em Ermesinde, além do mais, houve a candidatura, pela Coragem de Mudar, do Jorge Videira, um

dente da Junta de Freguesia de Ermesinde foi o presidente de Junta eleito com menos votos. Por isso a situação é hoje completamente diferente. Espero ganhar... e com uma maioria absoluta., para poder ajudar a mudar a vida da população de Ermesinde. AVE – Mas mudar o quê? No geral as políticas da Junta atual têm tido o apoio do PS. O próprio presidente da Junta, Dr. Luís Ramalho, referiu, em entrevista a “A Voz de Ermesinde” que tinha dificuldade em demarcar-se de si, que sempre tem com ele colaborado. TQ – É um facto que muito do trabalho da Junta atual também tem tido a marca do PS. Mas há muita coisa a melhorar. Sobretudo na área social, que é onde mais quero atuar. Há fome em Ermesinde! Há que trazer para o terreno as assistentes sociais, só assim o Gabinete de Ação Social pode ser mais ativo e com capacidade para intervir. AVE – Além da questão social, quais entende serem hoje os maiores problemas de Ermesinde?

Por Ermesinde, Mais e Melhor Tavares Queijo, 63 anos de idade, transmontano de nascimento, ermesindense do coração, cidade onde vivo há 60 anos. Fui técnico superior da Segurança Social. Fundei e dirigi a Casa do Pessoal do Centro Regional da Segurança Social do Porto. Fui dirigente da Federação das Casas de Pessoal de Saúde e da Segurança Social. Pertenço aos corpos sociais de várias instituições de Ermesinde, destacando-se os Bombeiros Voluntários de Ermesinde, o Centro Social de Ermesinde, Ermesinde Cidade Aberta e a Associação Desportiva e Recreativa da Gandra. Militante do Partido Socialista. Em conclusão, um percurso de solidariedade. E de solidariedade se fará o meu mandato. Por iniciativa dos membros do Partido Socialista eleitos para o executivo da Junta de Freguesia de Ermesinde, criou-se o Fundo de Emergência Social no valor de 25 000 euros, com o qual apoiámos os mais carenciados da cidade. Como partido da oposição não nos foi possível fazer mais. Como presidente da Junta de Freguesia farei mais e melhor. Reforçarei o Gabinete de Ação Social para mais rapidamente identificarmos os problemas que socialmente afligem a população, ao mesmo tempo que estabelecerei parcerias com instituições e associações de cariz social, para criarmos uma frente ampla de modo a tornar mais eficaz a resolução das carências sociais que tanto nos afligem. Terei o meu gabinete de presidente sempre aberto para receber os ermesindenses e com eles resolver os seus problemas. Tudo farei para tornar Ermesinde uma cidade mais solidária para com aqueles que sofrem, para com aqueles que precisam de uma palavra, de um gesto, de uma ajuda para voltarem a sorrir. Através das redes sociais peço-vos que comigo colaborem para oportunamente apresentar o programa da minha candidatura. Prometo-vos trabalho, para convosco, por Ermesinde, fazer Mais e Melhor. Email: tavaresqueijo2013@gmail.com Site: www.tavaresqueijo2013.com Facebook: https://www.facebook.com/tavares.queijo


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• GRANDE ENTREVISTA • GRANDE ENTREVISTA • GRANDE ENTREVISTA • AVE – É a segunda vez que refere o Dr. Afonso Lobão. Pensa que ele, nas atuais circunstâncias, poderia avançar com uma candidatura? TQ – Penso que não, o Dr. Afonso Lobão lá terá tido as suas razões para se afastar do PS, desiludido, mas estou convencido que, mais ano menos ano, acabará por voltar ao partido.

AVE – Mas como conseguir isso, se a Junta não tem meios próprios em condições, e a situação é de crise geral, incluindo na autarquia camarária? TQ – A Junta terá de fazer tudo para angariar recursos, por exemplo através do apoio dos comerciantes, mas apesar de tudo, também com o apoio da própria Câmara. Nem sem-

Há que trazer para fora dos gabinetes as assistentes sociais, fazer trabalho no terreno

TQ – A cidade está adormecida, Ermesinde não tem vida. Eu quero pôr a cidade a mexer e para isso conto muito com as associações culturais – a Associação Académica e outras, quero dinamizar a cidade, organizar concertos, ações de rua... Um outro dossier entre os que mais preocupavam a cidade de Ermesinde era a poluição do rio Leça, essa está hoje mais ou menos resolvida, o

Leça está despoluído a 80%, mas preocupa-me a existência de alguns esgotos que ainda vão parar ao Leça. Há aqui uma responsabilidade indireta da Junta, que deverá pressionar naquilo que puder a Câmara e a Veolia. E ainda subsistem os cheiros nauseabundos na ETAR. AVE – Estando os problemas na área da saúde razoa-

velmente resolvidos em relação a outras freguesias, a acessibilidade e transportes continuam com muitos pontos fracos. TQ – Eu acho fundamental e prioritário concluir a ligação de 500 metros aos Montes da Costa que permitam aos autocarros o acesso ao bairro. Nos transportes este é um dos pontos de intervenção mais necessária.

AVE – E quanto ao estrangulamento no acesso à cidade pela A4, concorda com a solução proposta pelo presidente da Câmara? TQ – Não conheço essa solução atual do presidente da Câmara, mas há quatro anos o PS, com o Dr. Afonso Lobão, apresentou uma proposta para uma melhor acessibilidade e a resolução desse problema de estrangulamento.

AVE – Competindo às Juntas de Freguesia a gestão das escolas básicas, há algumas questões que entenda prioritárias? TQ – Como já referi, preocupa-me sobretudo a questão social. E será sempre nesse sentido que irei atuar. Acho muito positiva a atual cooperação entre as autarquias, as escolas e as IPSSs. Além das refeições a servir nas escolas, ao abrigo dos protocolos já acordados, quero que a Junta, através do seu Gabinete de Ação Social possa contribuir para fazer chegar às famílias um reforço das refeições. FOTOS URSULA ZANGGER

pre é preciso muito dinheiro, por vezes o que é mais preciso é saber reorganizar serviços e estabelecer laços de cooperação. AVE – Já que fala em reorganização de serviços, o que pensa da atual reorganização administrativa, com a fusão e extinção de freguesias? TQ – Acho que foi um disparate, que fez diminuir ainda mais os serviços de proximidade às populações. AVE – E tem solução? TQ – Os atuais dirigentes do PS já disseram que a ser Governo o PS não iria deixar as coisas como estão. A reorganização que foi feita não traz quaisquer vantagens. Mas se quisessem eliminar freguesias, então podiam eliminar tantas freguesias quantos os municípios que existem, porque não faz sentido existir uma Junta de Freguesia onde existe um Município. Deste modo eliminavam-se logo trezentas e tal freguesias. AVE – Defende essa solução? TQ – Defendo! Em alguns concelhos isso chega a ser ridículo, porque alguns municípios do interior são tão pequenos que existir Câmara e Junta não faz mesmo qualquer sentido. Assim eliminavam estas freguesias e resolviam o corte que queriam fazer. Nas outras há que conversar com as populações, porque muitas vezes a dimensão pode ser pequena mas os problemas podem ser muito grandes e portanto fazer esta reorganização lá a partir do gabinete de Lisboa não é muito curial. AVE – E quanto aos concelhos, acha que há margem para muitas fusões? TQ – Sim sim! Muitas não direi, mas há alguns concelhos


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GRANDE ENTREVISTA GRANDE ENTREVISTA GRANDE ENTREVISTA ENTREVISTA • ENTERRO DO JOÃO•••GRANDE ENTERRO DO JOÃO •• GRANDE ENTERRO DO JOÃO ••• •• GRANDE ENTREVISTA ENTREVISTA

que podem ser fundidos uns nos outros. Se isto fosse o maior problema do País!... E se formos ver, isto, se calhar, em vez de trazer poupanças, vai trazer custos. Isto porquê? Não sei se isto vai acontecer, mas dou-lhe um exemplo, aqui em Campo e Sobrado. Cada qual tinha uma dimensão pequena, mas agora, com a fusão, terão uma dimensão maior, já irá haver mais membros na Junta de Freguesia, se calhar o presidente já vai poder auferir uma verba maior do que até agora recebia. Isto é, se calhar, em vez de reduzirem, ainda vão ter mais custos. Mas digo isto sem eu ter aprofundado muito... AVE – Em termos daquilo que será, depois, a composição da Assembleia de Freguesia de Ermesinde, se for eleito com maioria absoluta, qual será o seu relacionamento com a oposição? TQ – Mesmo tendo maioria absoluta, para mim a oposição conta, porque eu acho que

as opiniões são todas válidas e, por isso, eu terei com a oposição, o maior relacionamento e nada me repugna poder fazer também alguns acordos pontuais, mesmo tendo maioria absoluta. Sou contra as ditaduras e o quero, posso e mando. E por isso estarei sempre a ouvir e mesmo a atuar de acordo com os conselhos da oposição, se ele forem bons, porque não tomálos como meus?! AVE – Além de dirigente numa IPSS, o Centro Social de Ermesinde, é também dirigente associativo nos Bombeiros. Neste trabalho de proteção civil e auxílio às pessoas, entende que há alguma coisa em que a Junta possa vir a intervir? TQ – Embora na Junta por agora ainda não tenha poderes executivos, entendo que ela deve ser um parceiro privilegiado destas instituições, e portanto, estarei disponível para ouvir sempre as associações, para tentar com elas encontrar as melhores

soluções para os seus problemas. É evidente que muitos dos problemas das associações, hoje, passam pela parte financeira, que não será muito fácil de resolver, mas penso que poderemos encontrar pontos de convergência que poderão ajudar à resolução dos problemas. AVE – Isto não dependerá, evidentemente, da Junta, mas um último tema que gostava de abordar consigo é o do Desporto em Ermesinde e, sobretudo a situação difícil porque passam as duas principais instituições desportivas na cidade. O que é que a Junta pode fazer no sentido de apoiar o CPN, o Ermesinde SC e outras coletividades? TQ – É evidente que hoje em dia, a situação das associações desportivas e, nomeadamente das associações desportivas já com alguma dimensão, é problemática. O Ermesinde SC tem um problema do estádio, tanto quanto eu sei, à beira da resolução pelo atual presidente

da Câmara ou por quem vier a ser eleito, através de uma negociação que foi feita com o proprietário do terreno para que o

ro se possa manter na Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto. Mas essencialmente deve apostar no despor-

Eu apoiarei o desporto de massas voltado para as camadas jovens e não o gastar dinheiro em atletas para o desporto semprofissional Estádio de Sonhos venha a ser propriedade da Câmara. Se isto vier a ser concretizado, como espero, o Ermesinde tem uma parte do seu problema resolvido. Depois, eu tenho um conceito muito pessoal do Desporto. Eu acho que o desporto deve ser feito para massas e não para elites, e por isso o Ermesinde SC devese dedicar ao desporto de massas, evidentemente sem com isso descurar a sua equipa que espe-

to de massas e nas camadas jovens, porque o futuro está aí e o dinheiro não abunda. Hoje as pessoas não têm dinheiro para as suas necessidades básicas e, por isso, também não têm dinheiro para o futebol ou outras modalidades semiprofissionais. Ermesinde terá que apostar nessa vertente. Eu apoiarei o desporto jovem e de massas e não o gastar dinheiro em atletas para o desporto semiprofissional.

Em relação ao CPN, que é uma instituição que efetivamente é uma marca de Ermesinde, eu acho que, com a ajuda do município, porque aí a Junta apenas poderá dar uma força moral, penso que vai recuperar e voltar a ser uma instituição que orgulhe os ermesindenses. AVE – Deixo-lhe uma palavra final... TQ – Eu só queria dizer o seguinte: como candidato à presidência da Junta de Freguesia de Ermesinde, não prometo nada à população, não gosto de fazer promessas. A única é que serei um presidente para todos os ermesindenses, que a minha ação principal será na área social, o meu gabinete estará aberto a toda a hora e a todo o momento para receber os munícipes e tentar com eles resolver os seus problemas, esta é a minha mensagem para os ermesindenses. Se entenderem que eu sou a pessoa que merece estar nos próximos anos à frente da Junta... Se entenderem que não, paciência, o mundo não cai!“. FOTOS URSULA ZANGGER


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• HONRA À BUGIADA E MOURISCADA DE SOBRADO •

Bugiada e Mouriscada prepara pedido de registo no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial

FOTO URSULA ZANGGER

Realizou-se no Largo do Passal, em Sobrado, nos passados dias 24 e 25 de maio (sexta e sábado) a Conferência “Património Imaterial, Identidade, Recurso e Risco”, conferência esta que marcou um importante passo no reconhecimento público da Bugiada e Mouriscada como jóia do património imaterial, e que contou com a presença, entre outras personalidades, do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier. Durante o evento foi assinada uma Carta de Compromisso a favor do trabalho para o reconhecimento (nacional e pela UNESCO) da Bugiada e Mouriscada como Património Cultural Imaterial. A Carta foi assinada por João Paulo Baltazar (Câmara Municipal de Valongo), Carlos Mota (Junta de Freguesia de Sobrado), Melchior Moreira (Turismo do Porto e Norte de Portugal) e António Pinto (Casa do Bugio). Vários conferencistas pontuaram com as suas intervenções a importância da festa de S. João de Sobrado. LC

Ao referir que a candidatura da Bugiada e Mouriscada de Sobrado a património cultural imaterial da Humanidade não pode fazer-se a qualquer preço, pondo a tónica na sua salvaguarda, João Paulo Baltazar, presidente da Câmara Municipal de Valongo, deu a nota fundamental da cerimónia. A qual ficou ainda mais precisa quando apontou que «o reconhecimento não é um aumento de valor [da Bugiada...], ele já lá está, basta agora dizê-lo à UNESCO». Neste primeiro dia, e após uma breve apresentação da cerimónia, na abertura, Pedro Félix (da Equipa Científica da Candidatura da Bugiada e Mouriscada), foi o primeiro conferencista a intervir, dirigindo a sua atenção para a explicação do significado do reconhecimento do valor patrimonial imaterial. Após uma breve referência à candidatura bem sucedida do Fado e do atual trabalho de reconhecimento da Dieta Mediterrânica, fê-lo tentando explicar a história do conceito de património cultural imaterial, nomeadamente na relação entre os patrimónios dos Hemisférios Norte e Sul, numa compreensão cultural que ultrapassava finalmente o muito prevalecente culto dos monumentos. Referiu como marco fundamental a assinatura da Convenção para a Salvaguarda do Património Imaterial (UNESCO, 2003). Salientou depois alguns aspetos fundamentais – o sentimento de identidade e pertença gerado pela tradição, o seu

impacto na comunidade. O conferencista dirigiu seguidamente a sua atenção para a inserção de Portugal nesta perspetiva da UNESCO e apontou, no presente, mais algumas candidaturas em curso ao reconhecimento como património cultural imaterial da Humanidade, como o Cante Alentejano, o Galaico-Português, as Festas do Espírito Santo. Tentou depois definir as qualidades destes eventos culturais que lhes permitiam poderem ser considerados património cultural imaterial: serem formas culturais vivas, tradicionais, envolventes de toda a comunidade e nos quais ela se reveja. A tradição não tem que ser imutável, mas a sua mudança tem que resultar de um processo natural. Devem ainda constituir atividades regulares que condicionem a vida das comunidades. Apontou depois algumas exigências aos atores externos: que respeitem as práticas e os processos destas tradições sem nelas minimamente interferir. Por fim, apontou alguns riscos: o da folclorização, o da alienação da comunidade do todo ou de parte do processo, a tentação de regularizar a festa. A intervenção de Manuel Pinto Interveio depois o investigador Manuel Pinto, da Universidade do Minho, mas também filho da terra, que começou modestamente por dizer que o apresentava ali era a partilha do saber de toda a gente. Lembrou a seguir o diplomata e etnógrafo inglês Rodney Gallop, que tes-

temunhou ser a Bugiada e Mouriscada, «um dos mais notáveis rituais que sobrevivem na Europa moderna». E esclareceu melhor o entendimento da festa de Sobrado: a Bugiada não era um arraial, nem uma festa de padroeiro. Festa entrosada com a vida dos sobradenses, constituía uma narrativa entre forças diversas (de um lado uma força disciplinada, exterior... do outro uma força espontânea e folgazã). Mas para além das antinomias (várias outras referidas), não havia, como noutras festas conhecidas, uma demonização dos mouros entendidos como «os maus» e de tudo afastados. Era muito interessante que na festa de Sobrado fossem os mouros a pegar nos andores. Não haveria um derrotado nas Bugiadas, antes uma convivência... Manuel Pinto referiu também os ensaios públicos e abertos a toda a comunidade, culminando no último, o dia dos tremoços. Referiu o rio Ferreira, que com os seus aluviões de cheia, permitia a abundância da planície de Sobrado e a existência de várias abastadas casas de lavoura outrora, cada uma das quais mandando um dos seus mais garbosos rapazes para a sua função de mourisco. Apontou depois a origem da festa perdida na bruma do tempo, apelando a uma maior investigação, mas ligando-a provavelmente às festas de Corpus Christis, que floresciam antigamente em vários lugares, mas que entretanto se foram extinguindo. E referiu ainda a história

mais recente e a ligação entre a agricultura e a indústria e a tragédia social que aquela amenizou, por exemplo quando uma grande fábrica, como a Cifa, fechou. E terminou dizendo (e apelando...) que faltava um museu e que faltava investigação. Outras intervenções Foi depois apresentado o novo site, ainda em construção, Bugiada e Mouriscada, por Manuela Ribeiro, da Câmara de Valongo. A estrutura deste e a sua interatividade encorajada. E quase no fim seguiu-se a assinatura da Carta de Compromisso entre a Casa do Bugio, a Câmara

Um dos mais notáveis rituais que sobrevivem na Europa

moderna Municipal de Valongo, a Junta de Freguesia e a Entidade Regional do Turismo Porto e Norte de Portugal. Este documento assinalava assim oficialmente o momento do pedido de registo no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, conforme com os critérios definidos pela UNESCO. Interveio ainda antes Melchior Moreira, do Turismo do Porto e Norte de Portugal, que insistiu na importância do Festival do Norte (este ano com a tónica nos concelhos de Guimarães, Espinho e San-

ta Maria da Feira, além de Valongo), como instrumento promotor dos concelhos, e um projeto de criação contemporânea. Salientou o diálogo em rede, a coesão cultural, a memória e identidade, e ainda a necessidade de estudo, valorização e divulgação. Por fim fez ressaltar a importância desta tradição sobradense, cuja vivência e reinvenção permanentes fazem dela um processo muito específico, com o qual se comprometeu a um «apoio incondicional». João Paulo Baltazar, o presidente da autarquia valonguense completou as intervenções deste dia, antes da Banda Musical de Campo fazer o encerramento da sessão. E destacou a importância do papel da comunidade dos dirigentes associativos e da comunidade escolar. Elogiou o empenho de Melchior Moreira. E afirmou que não há que ter pressa. E que tudo decorrerá com a tranquilidade e a força que a festa merece. Referiu, para o tornar mais claro, a relação avassaladora entre a população de Sobrado, cerca de sete mil habitantes e aqueles que na festa diretamente participam, cerca de mil! Referiu depois a paixão com que a comunidade de Sobrado discute a festa. E enquanto o fizer, a festa vai viver. E referiu depois a questão da ética, que no início do texto apontámos. Segundo dia O segundo dia contaria com a presença do secretário

de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que destacou o seu gosto em estar pessoalmente nesta Conferência e apresentou a disponibilidade total da Secretaria de Estado da Cultura em apoiar em tudo aquilo que a Equipa Científica da Candidatura precisasse no processo de defesa do reconhecimento da Bugiada e Mouriscada de Sobrado como património cultural imaterial da Humanidade. Destaque também, neste segundo dia, para a intervenção de Paulo Lima, coordenador da equipa Científica da Candidatura da Bugiada e Mouriscada, que afirmou a inviolabilidade da tradição cultural de Sobrado, tranquilizando todos os sobradenses e tornando claro que as mais valias seriam sempre exteriores à festa, por exemplo na sua visibilidade, na acessibilidade, na capacidade e qualidade de acolhimento dos visitantes. Intervieram ainda Hélder Ferreira, da Progestur, que abordou o tema da Influência da Bugiada e Mouriscada no Projeto da Máscara Ibérica, Sofia Ferreira, administradora delegada da Touring Cultural e Paisagístico City e Short Breaks, que falou sobre “Turismo, Cultura e Oportunidades – o Caso da Bugiada e Mouriscada”, Miguel Areosa Rodrigues, diretor de Serviços e Bens Culturais da Direção Regional de Cultura do Norte, que falou sobre “Património Imaterial e Papel das Instituições Públicas de Salvaguarda” e ainda Jacinta Oliveira, vogal do Conselho de Administração da Fundação Inatel, que abordou o tema “A Fundação Inatel na Defesa e Preservação da Identidade Nacional”.


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A Voz de Ermesinde •

Destaque

JUNHO de 2013

Obra e vida de Álvaro Cunhal visitadas em Ermesinde no ano do seu centenário FOTOS MANUEL VALDREZ

MIGUEL BARROS

Assinala-se neste ano o centenário do nascimento de uma figura incontornável da história de Portugal, Álvaro Cunhal. Ao longo deste 2013 realizar-se-ão um pouco por todo o país inúmeras iniciativas visando evocar a obra e vida do político, do artista, do escritor, e sobretudo do homem que passou a maior parte da sua vida – senão mesmo toda a sua existência – a lutar pela liberdade e pela democracia. Mais do que uma figura histórica do nosso país Álvaro Cunhal é um ícone do partido que ele próprio ajudou a edificar, o Partido Comunista Português (PCP). Contudo a obra construída por Cunhal ultrapassa em muito as fronteiras desta força partidária, sendo a prova o facto de ao longo deste ano largas dezenas de instituições públicas – com escolas e universidades à cabeça –, bem como figuras ligadas a outros quadrantes políticos, estarem, ou irão estar, a evocar o trajeto de vida desta persona-

lidade (desaparecida em 2005), conforme aliás ficou vincado em Ermesinde na noite de 10 de maio no lançamento de “Álvaro Cunhal, uma obra multifacetada”. Organizado pela Concelhia de Valongo do PCP este debate decorrido no auditório da junta de freguesia local contou com a presença de inúmeros militantes e simpatizantes comunistas, alguns mais conhecidos do que outros, que não perderam a oportunidade para recordar o histórico líder do seu partido pelas vozes de José António Gomes e de Daniel Vieira, os dois oradores convidados a dar vida a esta iniciativa. Um evento aberto com uma exposição – no exterior do auditório – onde estavam retratados vários capítulos da vida ativista de uma figura nascida a 10 de novembro de 1913, uma vida que não se confina somente ao passado, mas igualmente com lições para o presente e o futuro, como comprovava o primeiro painel que dava vida a esta exposição – a qual dias antes havia atraído a

si centenas de curiosos olhares aquando da sua estadia na Estação de Ermesinde – onde a par da imagem de Cunhal se lia “vida, pensamento, e luta: exemplo que se projeta na atualidade e no futuro”. Já dentro do auditório Adelino Soares, o moderador do debate, dava o mote para o que em seguida se iria passar, uma viagem analítica pela vida e obra da histórica figura comunista, o qual para o coordenador do PCP/Valongo deixou às atuais e futuras gerações «muita coisa para pensar». Álvaro Cunhal – o construtor do PCP Em seguida a palavra foi dada ao primeiro orador da noite, Daniel Vieira, militante comunista licenciado em História, e atualmente presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro da Cova, que no decorrer da sua intervenção revelou um pormenor curioso que atestava a sua proximidade ao lendário líder do

Eduardo Valdrez, para sempre! Eduardo Valdrez, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social, exdirigente distrital do Bloco de Esquerda do Porto, fundador da UDP, anti-fascista, excandidato à presidência da Câmara Municipal de Valongo, ex-deputado municipal, autor do livro de poemas “Na Direcção do Olhar” (Lugar da Palavra, 2010), e irmão do foto-repórter de “A Voz de Ermesinde” Manuel Valdrez, faleceu no passado

dia 1 de maio, vitimado por um cancro. Viveu grande parte da sua vida em Ermesinde, em cuja Igreja Matriz se celebrou missa de corpo presente e de onde a urna com o seu corpo, coberta por uma bandeira do Bloco de Esquerda e outra do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social, partiu para ser cremado no cemitério do Prado do Repouso, no Porto. Durante a cerimónia

fúnebre os seus colegas da Direção do Sindicato saudaram-no, lendo comovidos textos de homenagem. Eduardo Valdrez tinha 63 anos e era funcionário administrativo da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Ativista incansável do movimento laboral portuense, viveu a sua vida intensamente até ao fim, e já doente, ajudou a organizar a Comissão de Trabalhadores do Centro Social de Ermesinde, tendo um texto seu, devido à impossibilidade da sua presença física, sido lido em plenário de trabalhadores. Morreu – quase se diria simbolicamente – no 1º de Maio!

seu partido: o seu avô havia sido companheiro de cela de Cunhal em Peniche! Daniel Vieira que começaria por sublinhar que o facto de ao longo deste ano Álvaro Cunhal estar a ser – ou que ainda irá ser – evocado por políticos de outras forças partidárias, por escolas, e outras instituições públicas era sinal demonstrativo não só da grandeza mas também de respeito e admiração pelo histórico líder. Posteriormente o jovem militante comunista deu início à sua oração, centrada em Álvaro Cunhal enquanto construtor do PCP, tendo para isso recorrido a uma análise pormenorizada do livro “O partido com paredes de vidro”, obra escrita por Cunhal onde este procurou de uma forma sintetizada mostrar a forma como os comunistas desejavam que fosse o seu partido. Neste livro, escrito em 1985, o líder comunista procurou dar a conhecer a natureza do PCP, os objetivos e o conceito deste. Num ensaio onde não escondeu sequer os traços negativos do partido, numa espécie auto crítica, Cunhal retrata um partido cujas raízes aludem à classe operária, um partido filho da classe operária, como ele próprio defende. Dado estatístico curioso que atesta a importância desta filosofia, por assim dizer, é que na altura em que Álvaro Cunhal escreveu este livro 77 por cento dos militantes do PCP eram oriundos das classes operárias. “O partido com paredes de vidro” sublinha igualmente a democracia como alavanca fundamental para o funcionamento do partido, onde impera o trabalho coletivo, e não a ação centrada num líder, pois como diz Cunhal nestas páginas «o mestre é um verdadeiro mestre quando os seus discípulos não fazem dele um Deus». Em suma, e tal como Daniel Vieira frisou, esta foi das obras de cariz técnico mais profun-

das que alguma vez foi escrita sobre a essência do PCP, uma obra que retrata os comunistas, a forma como se organizam, e nesse sentido não se estranha ser vista tanto a nível nacional como internacional como uma obra de referência para todos aqueles que querem conhecer a fundo o partido. Álvaro Cunhal – o artista

Álvaro Cunhal passou grande parte da sua vida nas prisões e no exílio, período este aproveitado para colocar em prática a sua veia artística e cultural. Leu, escreveu, e desenhou, trazendo ao mundo nestes últimos dois campos inúmeras obras que ficaram perpetuadas na história. E foi em volta desta temática que girou a intervenção do segundo orador da noite, José António Gomes, poeta, escritor, professor universitário, e também ele um afeto ao PCP. Lançaria para a atenta plateia URSULA ZANGGER uma profunda reflexão sobre a obra artística e literária do carismático secretário-geral do partido. Na literatura desfiou de fio a pavio algumas das obras que ficaram célebres, com destaque para “Até amanhã camaradas”, que Cunhal escreveu sob o pseudónimo de Manuel Tiago, e que para o orador é um livro com o condão de abalar consciências, pautado por uma narração empolgante, rotulando-o de “Os Lusíadas” do universo do Partido Comunista. «É um livro interessante para

todos aqueles que se aproximam de nós (comunistas), para os jovens militantes que iniciam a sua vida em volta do partido, já que é uma obra que explica o que são os comunistas, e em sequência disso faz ruir ideias (negativas) sobre os afetos ao nosso partido. É uma obra simples, clara, direta, e viva, fácil de ser interpretada mesmo para aqueles que não têm hábitos de leitura», explicou. Traçaria Cunhal não apenas como um notável escritor de ficção – destacando ainda, entre outros livros, a “Casa de Eulália”, outro popular, por assim dizer, livro de Manuel Tiago, este a retratar as incidências da Guerra Civil Espanhola – mas igualmente como um talentoso ensaísta e tradutor! É verdade, neste último aspeto recordou que foi na prisão que Cunhal traduziu – para português – uma das obras mais emblemáticas de William Shakespeare, o “Rei Lear”. O terror da tortura, da opressão, causados pelo regime fascista estão bem implícitos na maioria dos desenhos – sombrios – concebidos pelo líder comunista durante a sua “estadia” nas prisões. Desenhos e livros que mostravam um ser inquieto e multifacetado, que ao ler, escrever e desenhar colocava em liberdade o espírito de um corpo prisioneiro, conforme sublinharia no término da sua intervenção José António Gomes. Posteriormente seguiu-se um pequeno debate entre os oradores e a plateia, ou melhor, um conjunto de troca de opiniões, ou visões, sobre a obra de Álvaro Cunhal. A noite terminou com a leitura de um poema – distribuído a todos os presentes – da autoria de João Pedro Mésseder, o pseudónimo do orador José António Gomes.


JUNHO de 2013

• A Voz de Ermesinde

Destaque

• CÂMARA MUNICIPAL Sérgio Bessa encabeça lista dos Unidos por Valongo à Assembleia de Freguesia Sérgio Bessa, deputado independente na Assembleia Municipal de Valongo, onde foi eleito pelo Partido Socialista nas últimas eleições autárquicas, é o cabeça de lista dos Unidos Por Valongo à Assembleia de Freguesia de Valongo (e por isso, candidato à presidência da Junta de Freguesia de Valongo). O deputado municipal independente assumiu agora a sua candidatura e apresentou aos munícipes da cidade de Valongo, via infomail, algumas das propostas que o movimento de cidadãos por si encabeçado pretende promover. Os Unidos Por Valongo apresentam-se como «um movimento de cidadãos de vários quadrantes políticos preocupados com a forma como a cidade/freguesia tem sido gerida», e apontam como prioridades para a cidade de Valongo , «o apoio ao comércio tradicional local, o apoio "com coerência" às colectividades e aos bombeiros voluntários, a dinamização das tradições, encontrar uma solução definitiva para o cemitério, a promoção da Serra de Santa Justa, e a aposta no apoio

social às famílias». Conforme já antes anunciado (em abril passado), este movimento de cidadãos «junta cerca de uma centena de pessoas de vários quadrantes políticos, incluindo alguns dissidentes do Partido Socialista que saíram em ruptura com o líder concelhio e candidato à Câmara Municipal de Valongo». Os Unidos por Valongo apontam ainda na mesma informação agora tornada pública: «a lista dos Unidos Por Valongo à Junta de Freguesia de Valongo, já está em fase de conclusão e deverá ser apresentada em breve. Para já prossegue a recolha de assinaturas, é um processo que está a decorrer muito bem, ultrapassando as expectativas mais optimistas, sendo também um meio de divulgação do movimento " Unidos Por Valongo" à cidade».

Breve resumo biográfico do candidato Sérgio de Sousa Moreira Bessa é natural da freguesia e concelho de Valongo, municí-

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pio onde reside há 50 anos. É licenciado em Administração Pública Regional e Autárquica. É técnico oficial de contas inscrito na Ordem dos Técnicos Oficiais de Contabilidade, desde 1996. É auditor interno inscrito no Instituto Português de Auditoria Interna. É formador certificado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional. De 1983 até 1994 exerceu a sua atividade profissional na ACICV – Associação Comercial e Industrial de Valongo. De 1991 até 2010 exerceu a atividade de consultadoria fiscal, auditoria, contabilidade e financeira de várias empresas. A partir de 2010 exerce a atividade profissional de técnico superior no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.

a propósito do Regulamento de Publicidade LC

Foi o jornal “A Voz de Ermesinde” contactado em carta à sua diretora pelo deputado municipal eleito pela Coragem de Mudar, João Castro Neves, o qual, em seu entender apontava um erro grave na reportagem da sessão da Assembleia Municipal do dia 29 de abril, na qual, segundo ele, não transparecia um fiel retrato do aí acontecido a propósito da discussão do Regulamento de Propaganda e Publicidade, o que contrastaria com a usual seriedade e isenção que o eleito da Coragem de Mudar reconhecia como prática do nosso jornal. Na edição a que se refere a peça citada, de 30 de abril de 2013, o jornalista de “A Voz de Ermesinde” escrevera: «Finalmente o Regulamento de Propaganda e Publicidade, depois de muita discussão e acertos, lá seria aprovado sem oposição». Segundo João Castro Neves, e tendo em conta que na mesma edição se dá nota da discussão ocorrida em sessão da Câmara Municipal de Valongo

na qual é apontada a eventual existência de inconstitucionalidades na proposta aí votada, poder-se-ia concluir estar-se em face da mesma proposta e não de uma nova proposta, resultante do trabalho de consensualização surgido na reunião de líderes e para a qual em muito contribuiu o próprio João Castro Neves, responsável pela redação do novo articulado, o qual viria já à Assembleia Municipal limpo dessas situações de muito provável inconstitucionalidade. Sendo um facto que a proposta trazida à Assembleia tinha já o acordo dos deputados municipais das várias bancadas e que, por pequenos pormenores insignificantes, estes fizeram demorar uma eternidade uma decisão que era muito fácil de tomar, como o comprovou uma proposta de consenso de Rogério Palhau, e foi isso que fez o jornalista, por contraste, dar-lhe o espaço que deu, admitimos que a crítica de João Castro Neves é razoável, e que não se inferia da nossa reportagem a correção dessas inconstitucionalidades.

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A Voz de Ermesinde •

Destaque

JUNHO de 2013

• NOTÍCIAS DO CENTRO SOCIAL DE ERMESINDE •

Visitas de trabalho de vários partidos com Direção do Centro Social de Ermesinde LC

Várias reuniões de trabalho juntaram recentemente delegações de vários partidos – CDS/PP, Partido Socialista e Bloco de Esquerda – com a Direção do Centro Social de Ermesinde As delegações foram lideradas pelas direções concelhias dos respetivos partidos, no caso do CDS e PS (Alexandre Teixeira e José Manuel Ribeiro, respetivamente) e pela coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, mas todas elas foram sobretudo reuniões de trabalho enquadradas na preparação das candidaturas autárquicas. A reunião de trabalho dos candidatos do PS à Câmara Municipal de Valongo e Junta de Freguesia de Ermesinde ocorreu no passado dia 15 de maio. Durante esta reunião, e segundo relato posterior do presidente da Comissão Concelhia de Valongo do PS, e si-

multaneamente cabeça de lista à presidência da Câmara Municipal de Valongo, José Manuel Ribeiro, estiveram na reunião com a Direção do Centro Social de Ermesinde, além de si próprio, o cabeça de lista à Junta de Freguesia

de Ermesinde, Tavares Queijo, que é simultaneamente membro da Direção do Centro Social de Ermesinde e que é objeto de entrevista neste número do nosso jornal. Durante a reunião de trabalho «foi possível deba-

CONDURIL -

ter todas as problemáticas que afetam hoje as IPSS, e muito em particular o Centro Social de Ermesinde e o seu papel no quadro da cidade de Ermesinde, em particular», relatou ainda José Manuel Ribeiro. FOTO PS/VALONGO

Por sua vez, a delegação do CDS/PP, na qual também se incluía Artur Pais, ex-presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde, realizou também, segundo Alexandre Teixeira, uma reunião de trabalho no sentido de conhecer melhor a realidade do Centro Social, tendo este partido em vista realizar uma nova visita a esta IPSS, mas já com o processo das candidaturas mais avançado. A reunião com a delegação do Bloco de Esquerda, única que foi objeto de anúncio público por parte do partido, realizou-se, por sua vez, no passado dia 25 de maio, tendo nela também participado, além da coordenadora nacional Catarina Martins, os cabeças de lista por este partido à Câmara Municipal de Valongo, Eliseu Pinto Lopes, o cabeça de lista à Assembleia Municipal, Nuno Monteiro e o entretanto conhecido cabeça de lista à Assembleia

de Freguesia de Valongo, Daniel Faria. Nesta reunião de trabalho, a delegação do Bloco de Esquerda visitou o Lar de S. Lourenço, onde também foi acompanhada pela diretora técnica Anabela Sousa, a Empresa de Inserção da Lavandaria e o jornal “A Voz de Ermesinde”. Henrique Rodrigues apresentou a história e caráter desta IPSS, a sua situação atual e os seus desafios face a vários constrangimentos externos e às responsabilidades assumidas. Por sua vez, Catarina Martins defendeu a perspetiva de intervenção social do Bloco de Esquerda, segundo o qual, além das necessárias e urgentes medidas de política redistributiva, faz todo o sentido uma linha de intervenção assistencial, rápida e eficaz, na qual instituições como o Centro Social de Ermesinde continuam a ter um papel muitíssimo relevante.

CONSTRUTORA DURIENSE, S.A.


JUNHO de 2013

• A Voz de Ermesinde

Literatura

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• A VOZ DAS PALAVRAS • A VOZ DAS PALAVRAS • A VOZ DAS PALAVRAS •

Contracorpo

RICARDO SOARES (*)

o abrirmos o livro encontramos uma citação de Marguerite Duras: – «Sou a única a amar o meu filho, a compreendê-lo verdadeiramente, e mesmo através das cenas, dos gritos, continua a ser amor. Se eu morrer, ele será muito infeliz. Com ele, partilho a mesma loucura, a mesma violência, o mesmo amor». “Contracorpo”, sexto romance de Patrícia Reis, é um livro marcante, aparentemente sobre a morte, mas no fundo sobre a recuperação, sobre quem sobrevive à morte. Acima de tudo é uma dolorosa reaproximação entre Maria, de 40 anos, mãe e recémviúva, e Pedro, de 15 anos, o mais velho dos seus dois filhos. O parto marca o início da separação entre mãe e filho. A partir desse momento, a figura materna será sempre exterior à vida que criou dentro de si própria. Se na infância a criança anseia pela mãe, na adolescência o “quase-homem” tenta, atrapalhado numa confusão de sentimentos para si indefiníveis, romper com essa dependência. O filho deixou de ser criança, mas ainda não é adulto. É no interior desta indefinição que Patrícia Reis aborda a complexa relação entre uma “mulher-mãe” e o seu filho “quase-homem”. É essa luta, a maior e a mais violenta: a de dois corpos, da mãe e do seu filho, que desaprenderam de se conhecer. Quando “Contracorpo” arranca, os campos estão exaltados: «Maria diz que são horas do jantar, e é o início de outra pequena batalha. Ele põe a mesa, o cão fareja os pés na esperança de comer e ir à rua. Então – pode ser que seja assim –, o telemóvel toca e Maria prepara a massa e o molho com um certo automatismo, ele já sentado sem ligar a nada, esperando obediente, especado em frente do prato». Maria e Pedro. Mãe e filho. Uma só casa. Um cresce e a outra definha – uma viagem para gerir o medo da perda entre uma mãe e um filho que estão a deixar de se conhecer. Estamos num impasse, com o quotidiano estreito, macerado com força em cima de uma bigorna: «As manhãs são duras, afinal.

Os corpos. Talvez sejam os corpos, moídos do sonho, desligados ainda. Os cereais caem das tijelas e espalham-se pelo chão. O cão rejubila». De um dos lados constata-se que falar com um adolescente se assemelha a dar banho a um peixe. A saída é uma estrada, uma longa viagem de carro de Lisboa a Roma: a ideia é comer quilómetros mas poder trazer o contador a zeros. O cão fica em casa. Durante a viagem, os intervenientes lidam com a culpa, a frustração, e a incapacidade de mostrarem o que sentem um pelo outro. Maria não consegue chegar a Pedro, enquanto ele vagueia em pensamentos confusos. De formas diferentes, ambos sentem-se perdidos e, consequentemente, necessitados de se reencontrarem.

tidade mais complexa. A de alguém na dependência do outro. Ela é sempre em relação a alguém: a Pedro, a Simão, o filho mais novo, à mãe, ao pai, aos dois irmãos, Rodrigo e Miguel, ao marido, Francisco, que morreu antes de tempo. Pedro é um eu. Tem uma identidade própria. Ele conta: «A mulher está morta e eu, mesmo dentro do sono, sei que ela está morta. A morte não se diz, sente-se e eu sei que, apesar de tudo, é evidente que o coração dela parou e que os seus olhos não me vêem. Não se apercebe da minha presença. Mas estou ali. Tal como ela. Um corpo. A mulher é apenas um corpo». A mulher é a mãe num sonho mau. E tanto a mãe como Pedro andam a lidar com o mesmo medo sem que um saiba do medo do outro – a perda. Os capítulos de Maria vão de “a armadura” à “janela”. Os títulos vão dando indicações do tom e da revolução tranquila que está em marcha. De um peso FOTO ALFREDO CUNHA opressivo a um descomprimir de uma leveza diáfana. Os capítulos de Pedro começam sempre por “Pedro conta”. É uma homenagem ao estilo diário, caderno de segredos, que associamos a todos os adolescentes. A viagem é imensa. «Para que serve esta viagem?», pergunta Pedro a Maria. «Para negociarmos», responde-lhe ela. Negociar o espaço comum que terão de partilhar, sozinhos, para já num carro em silêncio. A viagem serve, essencialmente, como mecanismo de introspeção e autodescoberta. As paragens em Marselha e em Roma, destino final num inspirado improptu, são as mais importantes. E aí é a literatura e arte, de Alexandre Dumas a Rafael, de que ambos se nutrem, o que vai colar estes dois seres. O final – ou melhor, o quase final, para não estragar a descoberta – apesar de ser ao luscofusco, é luminoso: «Ali estavam, em plena Roma, ele na rua e ela ali, à janela, a rir de um palhaço de Verão. Podia ser outra coisa. O palhaço despediu-se e um homem vestido de preto surgiu com uma coluna de som independenCom uma simples focagem tudo muda: te. Começou a cantar Nessun Dorma. Mui«Faço zoom junto aos olhos, as pequenas tas pessoas gritaram e aplaudiram. Maria rugas, as sobrancelhas, um sinal junto ao fechou a janela. Dali a pouco já não estaria nariz, os cantos da boca descaídos, quase sozinha». severos, um traço que já vi anteriormente A angústia gerada no leitor deve-se a na boca da minha avó. Sempre considerei a essa enorme contenção. São muitos os esminha mãe uma mulher bonita». paços em branco, os parêntesis que se abrem Patrícia Reis optou por uma estrutura a e que cada um dos que leem preenche como duas vozes, sendo que cada uma delas se sabe ou pode, como os que narram. O silêndesdobra em polifonia. A mãe fala do filho cio deles também é o de cada um que lê e na terceira pessoa, como se o contasse e nunca chega a ser insuportável. Apenas com isso se contasse a ela nessa relação incómodo. que quer aprender a gerir. Ela fala de si com (*) avozdasp@gmail.com distanciamento, não é um eu. Há uma iden-

Breves • Acho vergonhosa a não realização da Feira do Livro do Porto. Por isso, em sinal de protesto, opto por deixar este "Breves" em branco. Peço desculpa ao Jornal " A Voz de Ermesinde" e a todos os leitores que acompanham esta coluna. Ricardo Soares


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A Voz de Ermesinde •

História

JUNHO de 2013

O 185º aniversário da restauração da Carta Constitucional «Mouzinho da Silveira produziu um conjunto de decretos que permitiram transformar o velho “Portugal feudal” num país, progressista e liberal»

MANUEL AUGUSTO DIAS

e todos os textos constitucionais, a Carta Constitucional de 1826 foi, sem dúvida, a que mais tempo vigorou em Portugal, até hoje. Outorgada a 29 de abril de 1826, por D. Pedro IV (D. Pedro I, do Brasil), a Portugal, quase logo após a morte de D. João VI, seu pai, a 10 de março de 1826, seria suspensa a 3 de maio de 1828, na conjuntura da aclamação de D. Miguel. Mas na Ilha Terceira (Arquipélago dos Açores) ela seria restaurada, no dia 22 de maio de 1828, fez, há escassos oito dias, precisamente 185 anos. Em boa verdade, poder-se-á dizer que a Ilha Terceira se man-

teve como o único baluarte do liberalismo em Portugal, no período das guerras liberais, uma vez que nunca se submeteu à autoridade de D. Miguel. O novo texto constitucional (Carta Constitucional de 1826) baseava-se na Constituição Brasileira que, nalgum do seu articulado, se filiava no texto constitucional francês de 1814. A Carta Constitucional de 1826 evidenciava também influência da 1ª constituição portuguesa (Constituição de 1822) e da Constituição Setembrista (1838) Tratava-se de um texto moderado, que representava um compromisso entre os revolucionários vintistas (cujo ideário é consagrado na Constituição de 1822) e os defensores de um reforço do poder régio. O rei passava a ter o poder moderador que anexava ao poder executivo e ainda nomeava os membros, vitalícios e hereditários, da Câmara dos Pares. O poder legislativo era entregue a duas câmaras: dos Pares (de nomeação régia) e de Deputados (eleitos). O sufrágio era indireto e censitário (só podiam votar os homens com mais de 25 anos e que tivessem de rendi-

mento líquido anual 100$000 réis ou mais). Este novo texto constitucional garantia aos cidadãos os direitos à liberdade, segurança individual e propriedade. A Carta (cartismo) esteve em vigor em Portugal Continental e Insular (à exceção da Ilha Terceira): de 31 de julho de 1826 a 3 de maio de 1828 (regência de D. Isabel Maria); de 27 de maio de 1834 a 9 de setembro de 1836 (D. Maria II) e de 1842 (golpe de Costa Cabral) a 1910 (implantação da República). Com o regresso da Carta Constitucional de 1826, após a vitória liberal na Guerra Civil (1834), Mouzinho da Silveira, enquanto Ministro da Fazenda e da Justiça (1832) produziu um conjunto de decretos que permitiram transformar o velho “Portugal feudal” num país, progressista e liberal. Em termos político-sociais garantiu a salvaguarda jurídica da liberdade individual em todos os setores (código penal, administração, ensino, pensamento, propriedade, segurança e trabalho); em termos económicos procurou compensar o país pela perda do Brasil, liberalizando a economia:

libertou a propriedade agrária dos antigos direitos senhoriais, aboliu alguns morgadios (os de rendimento inferior a 200$000 réis), aboliu todos os dízimos (que eram pagos à Igreja), limitou o pagamento da sisa à transação dos bens imóveis; acabou com as portagens, aboliu os direitos de pesca e reduziu as taxas alfandegárias para as exportações a 1%. Era, efetivamente, um texto constitucional mais conservador do que aqueles em que se inspira, mas, mais adaptado à realidade portuguesa, e daí a sua longevidade, até à proclamação da República, em 1910, com apenas três revisões, noutros tantos Atos Adicionais (1852, 1855 e 1896). Entre os valorosos liberais do período vintista, refira-se o nome de D. António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha, 1º Duque da Terceira, que se bateu corajosamente nas lutas liberais contra o Absolutismo, que tiveram o seu epílogo, precisamente aqui (recordo a lápide tumular que existe à entrada da Igreja de Santa Rita e que guarda os restos mortais de muitos

soldados que tombaram nessas guerras liberais) na região do Grande Porto, entre 1832 e 1834, tendo a vitória sorrido à causa liberal. Nos anos seguintes, desempenhou vários cargos políticos: foi Par do Reino e Governador das Armas da Província do Alentejo (reprimindo algumas movimentos militares que se levantaram a favor do Abso-

lutismo). Mais tarde, iria para a Ilha Terceira onde a sua ação também é relevante, na expansão do liberalismo a outras ilhas daquele arquipélago, antes de vir para o continente, onde participou nas guerras liberais, ao lado de D. Pedro. O Duque de Saldanha, o Duque de Palmela e Mouzinho da Silveira são outros nomes insignes do liberalismo português.

EFEMÉRIDES DE ERMESINDE - MAIO

A Rainha D. Maria II e o seu séquito real almoçaram na Travagem (Ermesinde) no dia 18 de Maio de 1852 FOTOS ARQUIVO MAD

Como se sabe, as guerras civis terminaram com o triunfo de D. Pedro e dos Liberais. Em 1836, pouco tempo após a derrota de D. Miguel e dos Absolutistas, foi criado o concelho

de Valongo, como justa homenagem e gratidão ao povo valonguense que terá ajudado os liberais nesta contenda fratricida, como manifesta a própria Rainha D. Maria II que, ao pro-

mover Valongo a concelho, refere expressamente que esta terra lhe merece gloriosa recordação por ter sido daí que D. Pedro IV, seu pai, dirigiu a vitoriosa Batalha da Ponte Ferreira. Na sua última viagem ao Norte do País, D. Maria II almoçou na Travagem O Diario do Governo, do dia 24 de maio de 1852, na primeira página, publica uma carta do Governador Civil do Porto, Visconde de Podentes, dirigida ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Rodrigo da Fonseca Magalhães, relativamente à visita que a Comitiva Real (Rainha D. Maria II, seu marido com o título de Rei, D. Fernando II, e os príncipes, que, mais tarde, viriam a ser reis de Portugal, D. Pedro e D. Luís) fez ao Norte do Reino, e onde se faz referência ao almoço que foi oferecido a Suas Majestades, nesta cidade, no lugar da Travagem, por parte da Câmara de Valongo em forma de gratidão pela criação do novo concelho de Valongo.

O teor da carta é o seguinte: «Governo Civil do Districto do Porto / Ill.mo e Ex.mo Sr. = Tenho a honra de participar a V. Ex.ª, que tendo Suas Magestades e Altezas saído hoje de Santo Thyrso ás oito horas da manhã, e tendo-se dignado acceitar um bem servido almoço que tinha feito preparar, e lhes ofereceu na ponte da Travage a Camara de Vallango (sic), a sua entrada se verificou nesta cidade pelas duas horas da tarde, dirigindo-se Suas Magestades á Real capella de Nossa Senhora da Lapa, aonde assistiram a um solemne e pomposo Te-Deum, preparado e dirigido pela irmandade da mesma capella, no qual celebrou S. Ex.ª o Bispo da diocese. (...) / Deos guarde a V. Ex.ª / Porto 18 de Maio de 1852, ás quatro horas da tarde. = Ill.mo e Ex.mo Sr. Rodrigo da Fonseca Magalhães, Ministro e Secretario de Estado dos negocios do Reino. = Governador civil, Visconde de Podentes».

Na sua última viagem ao Norte do País, D. Maria II almoçou na Travagem.


JUNHO de 2013

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Desporto

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Suplemento de "A Voz de Ermesinde" N.º 905 • JUNHO de 2013 • Coordenação: Miguel Barros

Ermesinde Sport Clube

em busca de um novo rumo diretivo FOTO MANUEL VALDREZ

Foi inconclusiva quanto a um novo rumo diretivo a Assembleia Geral que o Ermesinde levou a efeito na noite de 31 de maio. Na ausência de lista de candidaturas ficou marcada para o próximo dia 21 uma nova assembleia, onde caso voltem a não surgir candidatos a suceder ao desaparecido atual presidente José Araújo terão de ser encontrados elementos para formar uma Comissão Administrativa para guiar os destinos do clube no futuro imediato. No plano desportivo o emblema da nossa freguesia encerrou uma época negativa com um triunfo caseiro sobre o Alpendorada.


II

A Voz de Ermesinde •

Desporto

FUTEBOL

Ermesinde SC encerra época negativa com um triunfo caseiro Ponto final. Chegou ao fim o calvário da equipa principal do Ermesinde no escalão maior da Associação de Futebol do Porto (AFP). O campeonato da Divisão de Honra chegou ao fim no passado dia 19 de maio, tendo a turma da nossa cidade feito as despedidas de uma época negra com um triunfo caseiro sobre o Alpendorada, por 1-0. Em termos de classificação final os ermesindistas ficaram então no 17º lugar, despromovidos portanto, com 28 pontos, de um certame que foi ganho pelo Lixa, que contabilizou 66 pontos. Acompanham o emblema da nossa freguesia no regresso à 1ª Divisão Distrital da AFP o Perosinho (18º), o Alpendorada (16º), e o Baião (15º). Entretanto, a AFP penalizou com uma derrota o Ermesinde e o Sobrado, em virtude de o jogo entre estas duas equipas - alusivo à ronda número 29 - não ter chegado ao fim em face das agressões protagonizadas entre jogadores de ambos os emblemas. Em seguida passamos em revista os três derradeiros encontros do Ermesinde Sport Clube na temporada que agora chega ao fim. FOTOS JOANA FITAS

claque, quase como se tivessem alcançado os objetivos desta época desportiva. No último encontro da temporada o Ermesinde alinhou com: Rui Manuel, Vítor Gato, Hélder Borges, Stam, Delfim, Guedes, Leça (Huguinho, aos 45m), Sousa (Paulo, aos 82m), Miguel (Pedrinho, aos 82m), Hemery e Flávio (André Ribeiro, aos 60m).

Delfim, Vítor Gato, Ricardo Leça (Paulo, aos 76m), Huguinho (Rivaldo, aos 45m), Hemery, Miguel (Pedrinho, aos 76m) e Flávio.

LUÍS DIAS/MB

Foi com a presença do presidente da Câmara Municipal de Valongo, João Paulo Baltazar, que Ermesinde e Valonguense subiram ao relvado do Estádio de Sonhos no dia 5 de maio para disputar um dos desafios da 32ª jornada do Campeonato da Divisão de Honra da AFP. Dérbi (na imagem) onde os ermesindistas apenas jogavam pela honra, já que a descida de divisão havia sido confirmada na jornada anterior, em Rio Tinto. As duas equipas do nosso concelho não realizaram uma boa partida de futebol, foi na verdade um jogo fraco, assistido por pouca gente, pois a massa associativa da equipa da casa já está resignada com a descida à 1ª Distrital. O relvado também se apresentava em mau estado (soubemos que o motor de elevação da água avariou e portanto não foi possível regar a relva, o número de vezes que era suposto fazê-lo), fator que ajudou ao mau espetáculo. Relativamente ao jogo, propriamente dito, pouco há a registar. Com um golo em cada parte de um jogo de fraco recorte técnico, o Valon-

Trambolhão em casa do comandante

Na tarde de 19 de maio o Ermesinde despediu-se da sua massa associativa com uma vitória diante do Alpendorada, em jogo a contar para a 34ª e última jornada do Campeonato da Divisão de Honra da AFP. Partida esta presenciada por pouca gente, onde os primeiros minutos foram de domínio da equipa da casa, a qual durante o primeiro quarto de hora construiu as suas primeiras oportunidades de golo, tendo a mais flagrante ocorrido aos 10 minutos, altura em que Flávio dispôs de duas chances de golo na mesma jogada, mas que o guardião Dida soube defender com eficácia. Do lado do Alpendorada, o primeiro remate à baliza de Rui Manuel teve lugar aos 20 minutos, protagonizado por Coelho, contudo a bola saiu ao lado direito da baliza ermesindista. Após este lance, o jogo conheceu minutos de futebol

muito fraco, jogado predominantemente a meio campo e com os atletas da casa a perderem muitas bolas. À meia hora de jogo, Sousa, do Ermesinde esteve novamente muito perto de marcar, adivinhando-se a qualquer momento o golo, que surgiria aos 35 minutos, apontado de cabeça pelo capitão Delfim, na sequência de um pontapé de canto, cobrado por Hélder Borges. Ainda antes do intervalo, Rui Manuel foi posto à prova e só à segunda conseguiu manter intactas as redes da sua baliza. Na segunda parte, as características do jogo não se alteraram, nem o resultado, mas o Alpendorada bateu-se sempre muito bem, acreditando, até ao fim, que poderia pontuar, o que acabou por não acontecer. No fim, o técnico e os jogadores do Ermesinde festejaram o resultado, com a

Já sem nada a ganhar o Ermesinde visitou no passado 12 de maio o reduto do comandante, e já campeão, da Divisão de Honra da AFP, o Lixa, em partida da penúltima ronda (33ª) da competição. Não foi na verdade um bom jogo de futebol, antes pelo contrário, embora tenha sido o conjunto da casa a estar mais forte durante os 90 minutos, e é em consequência disso que se explica o resultado final de 3-0 a seu favor. Ao intervalo, e apenas a perder por um golo, o treinador ermesindista Jorge Abreu colocou em campo mais dois avançados, mas de nada adiantou, já que o Lixa ainda viria a marcar por mais duas ocasiões para delírio dos adeptos da casa que no final do encontro fizeram a festa de uma subida há muito anunciada. Neste encontro o Ermesinde alinhou com: Rui Manuel, Tiago Silva (Sousa, aos 45m), Hélder Borges (Andrezinho, aos 66m), Rui Stam,

MÁRCIO CASTRO/MB

Valonguense leva três pontos de Ermesinde

guense superiorizou-se ao Ermesinde, que só se pode queixar de si próprio, pois a falta de concentração no seu reduto defensivo mostrou-se determinante para o resultado final. No primeiro golo, Guedes, num corte na pequena área, acabou por isolar o adversário Bifes, que não se fez rogado e bateu Rui Manuel pela primeira vez. No reatamento, Jorge Abreu procedeu a uma substituição, depois ainda fez mais duas, que de nada valeram. É verdade que o Ermesinde também criou algumas oportunidades, mas insuficientes para alterar o rumo do jogo, em termos de marcador. O segundo golo do Valonguense teve como autor o ermesindista Morangos, que, acabadinho de entrar, teve azar num corte que deu mais um golo para a equipa da sede do concelho. Fora das quatro linhas não houve qualquer problema e até surpreendeu o reforço policial a que se assistiu no momento da saída do recinto de jogo. A arbitragem não teve problemas de maior e não tem qualquer responsabilidade no resultado do encontro, que acaba por ser justo. Na derrota por 0-2 ante o Valonguense o Ermesinde alinhou com: Rui Manuel, Gato, Hélder Borges, Stam, Delfim, Guedes, Leça (Huguinho, aos 45m), Sousa (Morangos, aos 61m), Miguel, Hemery e Flávio (Paulo, aos 71m). LUÍS DIAS/MB

JUNHO de 2013

A opinião do técnico Jorge Abreu

Substituiu, à 5ª jornada, Luís Magalhães no comando da principal turma ermesindista, mas a "prematura chicotada psicológica" acabou por não surtir o efeito desejado, e Jorge Abreu (na imagem) não evitou a queda ao segundo escalão do futebol distrital. Contactado pelo nosso jornal o técnico sublinhou que é redutor explicar-se a descida do clube apenas pela questão matemática, ou seja, só pelo facto de o Ermesinde ter sido das equipas que menos pontos fez no campeonato. A razão (da descida) vai muito mais além do que uma mera visão da matemática. Na sua opinião o clube não tinha uma ideia adequada em relação à competição (Campeonato da Divisão de Honra) em que iria participar, não foi capaz de criar uma estrutura, uma gestão desportiva capaz para participar numa prova deste nível. Sobre a sua continuidade, ou não, no comando técnico do emblema da nossa freguesia Jorge Abreu diz não ter pensado nisso ainda, até porque o clube prepara-se para ser conduzido por uma nova Direção, e como tal há que esperar que o Ermesinde Sport Clube primeiro se organize e só depois falar-se numa eventual continuidade. MB

Suplemento de “A Voz de Ermesinde” (este suplemento não pode ser comercializado separadamente). Coordenação: Miguel Barros; Fotografia: Manuel Valdrez. Colaboradores: Agostinho Pinto e Luís Dias.


JUNHO de 2013

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Desporto

III

ASSEMBLEIA GERAL DO ERMESINDE SPORT CLUBE

Solução diretiva ausente numa noite em que as contas apareceram incompletas Mais de uma centena de associados do Ermesinde marcaram presença na Assembleia Geral (AG) que o clube levou a cabo no salão nobre dos bombeiros voluntários locais na noite de 31 de maio na expetativa de saber quem seria o próximo elenco diretivo a guiar os destinos da nau ermesindista, a qual por estes dias navega em águas bastante agitadas. Expetativas que no entanto sairiam goradas, já que cedo se percebeu que nenhuma lista se havia apresentado, deixando assim o clube à beira de um vazio diretivo, já que é sabido que a atual Direção liderada por José Araújo - que estranhamente continua desaparecido, sem dar qualquer explicação quer aos seus pares, quer aos associados ermesindistas - não irá continuar em funções. Numa sessão ainda marcada pela apresentação de contas mascaradas (!) - isto é, que não traduzem a realidade financeira do clube - ficou ainda a saber-se que afinal o problema do estádio pode ainda não estar resolvido! MIGUEL BARROS

Foi pois com profunda revolta que a esmagadora maioria dos associados se manifestou contra o desaparecido ainda presidente da Direção, responsabilizando-o pela delicada situação em que o Ermesinde está mergulhado. E se a revolta já era grande à entrada para a AG, maior ficou quando o presidente da Mesa da Assembleia, Isidro Vaz, colocou em cima da mesa as contas referentes a dois dos três anos do atual mandato, as quais estariam muito longe de refletir a delicada situação financeira do clube. Convém explicar que o Ermesinde levou a cabo duasAG's na mesma noite, uma para apresentar, discutir, e votar o referido Relatório de Contas e outra para então eleger uma nova Direção. No entanto, nem uma nem outra seriam levadas a termo, ou seja, nenhuma Direção foi eleita, pois nenhuma lista se apresentou a sufrágio, nem as Contas foram

votadas, já que refletiam apenas os números dos anos de 2011 e 2012. Na verdade o relatório apresentado mostrava um saldo positivo - entre proveitos e despesas - de 18 euros e 52 cêntimos, o que levou muitos associados a ironizarem que com aquelas contas qualquer um teria coragem para ser presidente do Ermesinde, acusando em seguida a atual Direção - e mais uma vez com José Araújo a ser o principal visado - de estar a mascarar a realidade financeira do clube, ao apresentar um saldo positivo, pequeno, mas positivo, quando toda a gente sabe que o saldo global das contas do clube é altamente negativo. Confrontados pelos associados sobre o porquê de o Relatório de Contas se apresentar digamos que incompleto, alguns elementos da atual Direção optaram pelo silêncio, dando a entender que para uma explicação mais aprofundada teria de ser necessário ouvir o desaparecido José Araújo. Albino Rodrigues - que na ausência de elementos para acompanhar Isidro Vaz na composição da Mesa da AG aceitou o convite endereçado

por este último aos associados para desempenhar o cargo de vicepresidente deste órgão - propôs que pelo facto de as contas apresentadas não estarem completas, já que nas mesmas não estava refletido o passivo do clube, as dívidas às Finanças, ou à Segurança Social (SS), por exemplo, se adiasse este ponto para a próximaAG, onde aí as contas seriam apresentadas de forma detalhada - com os valores exatos do passivo, e das tais dívidas à SS, Finanças, e demais credores já que um conceituado técnico oficial de contas local estaria já encarregue de apresentar a realidade contabilística do Ermesinde. Pese embora alguns associados se mostrassem preocupados com o timing da apresentação de um novo documento - a próxima AG ficou agendada para dia 21 de junho, por ser esta a única data em que os Bombeiros Voluntários de Ermesinde terão disponibilidade para voltar a ceder o seu salão nobre - uma vez que não tarda a nova temporada desportiva está aí à porta, sendo pois necessário prepará-la atempadamente, contrariamente ao que se fez na época

FOTOS MANUEL VALDREZ

de 2012/13. No seguimento desta preocupação Albino Rodrigues acautelou os sócios de que primeiro é preciso saber se existe aquilo "com que se compram os melões", por outras palavras, dinheiro, não podendo o clube partir em aventuras sem primeiro conhecer a realidade das suas finanças, pelo que a sua proposta de adiar este ponto para a próxima sessão seria mais tarde votada favoravelmente por todos os associados. E na convocatória da próximaAG irá novamente constar o ponto alusivo à eleição de novos dirigentes, sendo que Isidro Vaz explicou que caso não volte a aparecer nenhuma lista de candidatura a solução - de emergência - passa por encontrar elementos que formem uma ComissãoAdministrativa que tome conta do clube enquanto não surja uma nova Direção.Até lá, até ao dia da próxima AG, o Ermesinde continua a ser gerido pela atual Direção, já que o seu presidente apesar de desaparecido não apresentou oficialmente a sua demissão do cargo. No sentido de apelar à união de todos os ermesindistas neste momento delicado algumas vozes se fizeram ouvir, entre outros o presiden-

te honorário do clube, Augusto Mouta, que começando por lamentar a situação do emblema, apelou à união dos associados, que todos se respeitassem, e que dessem as mãos, «porque acima de tudo está o Ermesinde. Vamos, com calma, arranjar uma Direção. Vejo aqui muita gente nova, com capacidade para ajudar o clube. Por isso peço, não deixem morrer o Ermesinde», apelosentido que originou uma salva de palmas da composta assembleia. Embalado - quiçá por este apelo o próprio presidente da Mesa daAG deixaria a promessa de que se na próxima sessão aparecer uma lista de candidatos ele próprio doaria ao clube 500 euros! Problema do estádio ainda por resolver? Promessa que poderá não ser suficiente para motivar alguém a "embarcar" na aventura de ser presidente do Ermesinde, até porque no ponto destinado a outros assuntos os níveis de preocupação voltaram a subir assim que um dos diretores ermesindistas presentes, no caso António Borges, revelou que recentemente o clube havia

recebido uma carta registada de Abílio de Sá, o principal credor do Ermesinde, na qual este exigia que o clube lhe entregasse de imediato o Estádio de Sonhos - que se encontra penhorado, como é sabido - caso contrário avançaria com uma providência cautelar! Ora, esta notícia apanhou de surpresa todos os presentes, até porque recentemente a Câmara de Valongo anunciou que este problema estaria resolvido, já que a solução encontrada passaria pela permuta dos terrenos do campo dos Montes da Costa, que ficarão com capacidadeconstrutivaedoEstádio de Sonhos, que seria municipal e requalificado. No sentido de clarificar a situação foi eleita uma comissão composta por Isidro Vaz,Augusto Mouta, Bruno Barbosa, e o próprio António Borges que junto da autarquia vai então tentar perceber o porquê desta carta de Abílio de Sá quando publicamente já havia sido anunciado que a Câmara tinha chegado a um acordo com o credor do Ermesinde para este libertar a penhora do estádio.


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Desporto

JUNHO de 2013

DAMAS

Sérgio Bonifácio ficou à porta da fase final do Campeonato Nacional individual de damas clássicas FOTO ARQUIVO

O ermesindense Sérgio Bonifácio (na imagem) foi um dos 24 damistas que no passado fim de semana de 18 e 19 de maio marcou presença na fase preliminar do Campeonato Nacional individual de damas clássicas, evento decorrido na Sociedade Musical Capricho Setubalense. Integrado na Série C da competição o damista do Núcleo de Damas de Ermesinde/Café Avenida não foi além do terceiro lugar do seu grupo, ficando assim à porta da qualificação para a fase final do certame, a qual irá decorrer entre os próximos dias 6 e 10 de junho, novamente em Setúbal. Saliente-se que para a fase final se apuravam os dois primeiros classificados de cada grupo, sendo que pelo facto de ser um dos terceiros posicionados Bonifácio ficou na condição de suplente, ou seja, avança para a fase final caso algum dos finalistas não possa comparecer.

E para a fase final classificaram-se os seguintes damistas: Manuel Vaz Vieira, Paulo Lapa, Tiago Manuel, Victor Nédio, Fernando Gonçalves, Santos Deodato, Luís Sá, Manuel Custódio (todos eles apurados via fase preliminar), Veríssimo Dias (na qualidade de campeão nacional de 2012) e Idalino Lopes (garante presença como anfitrião). Ainda relativamente a Sérgio Bonifácio refira-se que dias antes desta fase preliminar o damista da nossa freguesia venceu o Torneio Nacional de Damas "25 de Abril", ocorrido em Oliveira de Azeméis, e no qual participaram meia centena de jogadores. Além de Bonifácio o Núcleo de Damas de Ermesinde/Café Avenida levou a este torneio mais quatro atletas, nomeadamente Ricardo Araújo (foi 28º), Manuel Silva (31º), Nélson Monteiro (33º), e Henrique Moreira (48º)

SETAS

Pedro's Bar marca passo rumo à subida de divisão MB

A duas jornadas do final do Campeonato da 2ª Divisão da Associação de Setas do Porto (ASP) os ermesindenses do Pedro's Bar continuam a comprometer seriamente as suas possibilidades em alcançar o segundo lugar da classificação geral e desta forma garantirem a promoção ao escalão principal do citado organismo desportivo. Na passada sexta-feira (10 de maio) a turma ermesindense foi derrotada por 4-5 em casa do primeiro classificado e já promovido Inter Cludis Darts. Esta derrota teve como consequência a aproximação do grande rival da equipa ermesindense na luta pela subida, o Bar dos Bombeiros 2, conjunto este que ao vencer em casa o Nova Era Darts por claros 7-2 passou a somar 62 pontos, os mesmos que o Pedro's Bar.

No escalão principal da ASP, isto é, a 1ª Divisão, o grande destaque da 6ª jornada da segunda fase vai para o facto dos maiatos do TNT/Quinta da Caverneira terem assegurado o título de campeões. Um facto consumado em casa, após um triunfo diante Alvarelhos por 5-4. Na classificação a equipa de Águas Santas passou a somar 39 pontos, mais cinco que a dupla de segundos classificados formada por Latitude e Bar dos Bombeiros 1, isto quando restam duas jornadas para o final do certame. E na Série B da 1ª Divisão, onde se luta - ou lutava após a realização desta ronda desesperadamente pela manutenção na 1ª Divisão, a 6ª jornada foi fatal para duas equipas, uma delas de Ermesinde. Ao perderem em casa ante os vizinhos dos Arrebola Setas os Darts Carneiro confirmaram matematicamente a descida de divisão, terrível "viagem" na qual se farão acompanhar pelos Dragões de Vale do Ave, a outra equipa já matematicamente despromovida à 2ª Divisão.

BASQUETEBOL

Cadetes cepeenistas apuram-se para a fase final do Campeonato Nacional de forma… invicta

FOTO BASQUETEBOL/CPN

A equipa de cadetes femininos do CPN apurou-se para a fase final de forma invicta! As pupilas de Agostinho Pinto somaram 14 vitórias noutros tantos jogos disputados, marcando assim presença na citada fase final da competição que irá ter lugar entre os próximos dias 7, 8, e 9 de junho em Almada. O derradeiro encontro da fase zonal norte ocorreu no passado 25 de maio, dia em que o CPN foi à Póvoa do Varzim derrotar o Desportivo

local por 77-44. Tratou-se de uma partida jogada a um ritmo interessante, onde cedo as ermesindenses se afastaram no marcador, dominando o encontro em todos os aspetos. Com este triunfo o CPN aumentou para 31 o número de vitórias - somando os encontros do campeonato nacional e do campeonato distrital - obtidas em… 31 partidas realizadas! Impressionante. Na classificação da fase zonal norte do campeonato nacional a turma de Ermesinde foi primeira com 28 pontos, mais dois que as vizinhas do Núcleo Cultural e Recreativo de Valongo, equipa esta que também irá lutar pelo título de campeão nacional da categoria, uma vez que para a fase final se apuram os dois primeiros classificados das fases zonais. Os rivais das duas equipas do nosso concelho na luta pelo título são o Algés e o ESSA. Ainda relativamente ao CPN nunca é demais relembrar que já nesta temporada as cadetes cepeenistas deram uma alegria à massa associativa do clube, ao vencer pelo segundo ano consecutivo o Campeonato Distrital. Agora, segue-se o Nacional, e a ver vamos o que as pupilas de Agostinho Pinto conseguem fazer.

NATAÇÃO

Escalão master do CPN volta a entrar em ação três anos depois Três anos depois da sua última aparição o escalão master da natação do CPN voltou a participar numa competição. Facto ocorrido a 4 de maio passado, dia em que os ceepenistas marcaram presença no I Meeting Internacional de Natação Master (competição para atletas maiores de 25 anos), certame organizado pelo Clube Fluvial Portuense. Luís Rato, Miguel Valente, e Francisco Figueiredo foram os três nadadores que defenderam as cores do emblema da nossa cidade, tendo a sua prestação sido muito positiva. Luís Rato alcançou mesmo um pódio, fruto do segundo lugar conquistado nos 100m estilos (com um registo de 1:08:82), enquanto que Francisco Figueiredo alcançou dois "top tens", isto é, um sétimo lugar nos 100m bruços (com o registo de 1:28:86), e um oitavo posto nos 50m livres (com um tempo de 00:34:33). Já Miguel Valente conseguiu um sétimo lugar nos 100m bruços (com a marca de 1:35:39).


JUNHO de 2013

• A Voz de Ermesinde

Património

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• TEMAS ALFENENSES •

A delimitação de Alfena com Água Longa – 1690

RICARDO RIBEIRO (*)

omplementando o artigo anterior, vamos tratar hoje do limite de Alfena com Água Longa, a norte do Rio Leça. Limite, esse, bastante claro por fazer uso de elementos geográficos perfeitamente definidos como sendo linhas de água e de cumeada, e onde, ainda hoje, podemos encontrar vários dos marcos erigidos em 1690. Mas vamos pois ao texto histórico de 1690, retomando-o no ponto em que ficamos no artigo anterior, ou seja, na travessia do Leça: Tombo da Igreja de São Vicente de Alfena «Título da mediçam e demarcação da frgª. de Alffena Demarquaçam de Alffena com a frgª de Auga Longua Aos noue dias do mes de Fr.º de mil seis sentos e nouenta annos (…) E logo foram elles louuados medimdo da outra p.te dalem do Rio comesando junto a elle em a rregueira do ualo dos moradores do Ribr.º desta frg.ª de Alffena direito p.ª o norte cemto e setemta e noue u.as athe adomde está o marco que deuiza o com. [N.R.: concelho] de Reffoyos do da Maya [N.R.: Até à reforma administrativa de 1836, a freguesia de Alfena pertencia ao Concelho da Maia e a de Água Longa ao de Refojos

de Riba de Ave] o coal fiqua tambem seruindo de deuizam. E logo foram elles louuados na mesma forma medimdo p.ª a p.te do norte sempre pelo Ribr.º asima q he a deuizam destas frg.as the domde chamam couas e logo ahi junto ao Ribr.º diserão era nesessr.º leuantar outro marco o que elle juis mandou leuantar e dar prégam na forma do mais e fiqua de distancia do outro atras dos com.os a estes setecemtas sesenta e oito uaras. E logo forma medimdo elles louuados pelo Ribr.º asima direito p.ª o nortte trezentas oitenta e sete uaras the o sima de couas junto ao Ribeiro e ahi diseram era nesessr.º leuantar outro marco o coal elle juis mandou leuantar e dar pregám na forma dos mais.“E logo elles louuados foram medimdo na mesma forma pela deuizão de emtre as frg.as sempre augas Marco existente uertentes the Saínhas em o alto da serra trezentas oitemta uaras e ahi disseram era nesessr.º leuantar outro marco o coal elle juis mandou leuantar e dar pregám na forma dos mais. E logo elles louuados foram medimdo em dir.to p.ª o norte pela deuizam de emtre as freiguezias athe Sainhas aonde estaua leuantado o p.ro marco que deuiza a frg.ª de Folgoza e fica de distancia do outro atras a este trezentas setemta e sinco uaras.“E por este modo diseram elles louuados tinham feito e acabado a d.ª mediçam e demarquaçam bem e uerdadeiramente comforme emtendião em suas consiensias sem odio nem affeiçam alguma pelo juram.to que elle juis lhe tinha dado e logo pelo

d.º Manoel de Oliua procurador do d.º Comendador B.er Ferras e Manoel de Payua procurador do d.º Coll.º que elles em nome de seus constetuintes e na forma de suas procurassois

em “Covas”.

estauam pela d.ª deuizam, mediçam e demarquaçam e nam duuidauam que asim nesta forma se lance em Tombo de que fis este termo que elles asignaram, Manoel de Souza Barboza escriuam das sizas neste com.º da Maya e deste Tombo que o escreuj, Manoel de Payua Barro, Manoel de Oliua, Fran.co da Costa, de Pedro Fran.co louuado» Recomeçando no ponto onde havíamos ficado no artigo anterior, atravessando o Rio Leça, o limite segue pela regueira dos moradores do lugar do Ribeiro até encontrar o marco que separava os concelhos da Maia do de Refojos e que se

(2)

situaria junto à antiga estrada real Porto - Guimarães (nas traseiras da antiga serração de madeiras). A partir daqui o limite muda de orientação para norte seguindo pelo Ribeiro de Covas até ao lugar de Covas, onde ainda hoje encontramos um marco do Carmo, e depois, sempre pelo ribeiro acima até ao lugar de «Cima Covas» no ponto em que o ribeiro é transposto pela EN 318 (aliás, terão sido as obras de construção, ou de alargamento, da estrada nos anos 30 do século XX que terão feito desaparecer o marco ali implantado). Deste ponto o limite segue pelo caminho de cumeada até ao alto da serra de Saínhas, onde ainda hoje podemos encontrar o marco original, o último a ser colocado e aquele que se encontra em melhor estado de conservação. Do alto da Serra, o limite desce até ao sítio de Saínhas onde encontra o primeiro marco com Folgosa, implantado em 25 de Junho de 1689, e que ainda hoje lá permanece. Na leitura destes textos históricos há que ter presente que até 1836, das várias freguesias confinantes, Alfena, Folgosa, São Pedro Fins, Asmes [Ermesinde] e Valongo-Jusão pertenciam ao antigo concelho da Maia, Sobrado pertencia ao julgado do Aguiar de Sousa e Água Longa pertencia ao concelho de Refojos de Riba de Ave. Também devemos tomar nota que o Tombo não é um simples texto, mas antes a transcrição dos procedimentos de levantamento da delimitação da freguesia de Alfena levados a cabo por um Juiz nomeado por Provisão Régia, na presença de representantes e louFOTOS AL HENNA vados das várias freguesias envolvidas, dando assim ao texto «força de Lei». Mais do que limites históricos, os limites transcritos no Tombo de São Vicente de Alfena são os limites legais da freguesia de Alfena, e não podem ser afastados por erros grosseiros de entidades administrativas… Concluído este trabalho de levantamento dos limites históricos de Alfena, vamos, agora em próximos artigos, debruçarmo-nos sobre outros temas relacionados com a História e o Património alfenenses. (*) Membro da AL HENNA – Associação para a Defesa do Património de Alfena.

Marco existente no “alto da serra de Saínhas”.

ERMESINDE Sede: R. Manuel Ferreira Ribeiro, 30 4445-501 Ermesinde TEL: 22 971 4442 FAX: 22 975 8926 TLM: 91 755 4658 / 91 269 6074 / 91 689 7854

Marco existente em Saínhas (o primeiro a ser colocado, em 25.06.1689.

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A Voz de Ermesinde •

Emprego

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Crónicas

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Um erro criativo

À

“Trabalho de menino é pouco Mas quem o despreza é louco”Assim diz o povo, e com razão Pois de geração em geração, A realidade sustenta a teoria.

O rapaz cresceu, entre aldeia e serra Parco no convívio, amanhando a terra. Adiante foi chamado à vida militar E, como tantos outros, seguiu p’ro “ultramar” Porque era assim que, em regra, acontecia.

NUNO AFONSO

Por um vidro partido, nessa manhã de inverno, Soprando, o vento arrepiava as folhas dum caderno Que o menino abandonara na carteira E onde deixara escrita mensagem certeira De um tema proposto que, em breve, interrompia.

Do seu canto europeu, nem um ligeiro apelo A lembrança fagueira de um antigo anelo, Pais falecidos, herança minguada Entre irmãos repartida … quase nada. Era só o que a vida prometia.

margem dum sonho pequenino, A sombra crua do viver antigo De trabalho insano e frugal sustento. Que um homem não vive só do vento Nem se governa com letra e fantasia.

Sequência de palavras que um erro intercalava: - “Entre parêntesis” - a mestra ensinava. O meu pai (tralha ) trabalha Segmento inconcluso, que o contexto nos valha Na compreensão do que o menino pretendia.

Angola era uma luz mais promissora Pensava dia a dia, hora a hora, E, enquanto não findava a comissão, Retomava o estudo na intenção De alcançar o objetivo que antevia.

Ríamo-nos, tolos, daquele ato falhado Inconscientes do seu significado: Mais do que erro ortográfico, erro de escolha Do rumo a seguir na vida, inscrito ali na folha Não apenas exercício, profecia.

Fez a primária, o ciclo, o quinto ano Venceu o erro, corrigiu o engano Da frase que deixara interrompida E concluiu que em tudo, nesta vida, A força de vontade é nossa guia.

Braço de menino é curto, longo o cabo da enxada, Duro o manejo da charrua na vessada E o largo quarto de lua descrito p’la gadanha, Mas pode segar a gabela de ferranha Estrumar a loja, dar de comer à cria.

Guarda-sol

GIL MONTEIRO (*)

guarda-sol será uma espécie de guarda-chuva?! No conceito de menino só podia dar no mesmo, pois desconhecia outros modos, ou outros usos, de proteger a cabeça do sol, na falta de chapéu ou lenço. Mais: o “artista”, do tipo latoeiro, em digressão pela aldeia, era designado por compõe louças e guardasóis e não guarda-chuvas! Montava a “oficina” no largo, em frente da minha casa, depois de se fazer anunciado na única rua, do fundo ao cimo do povo, batendo as orelhas de um martelo no fundo duma velha sertã. As matracas da Semana Santa não conseguiam convocar

tanta catraiada! Quando começava a trabalhar, ficava rodeado de mirones, e de olhos vivaços da pequenada! Os ensinamentos para aulas práticas não podiam ser mais eficientes por professor efetivo. Ainda hoje seria capaz de unir uma tijela partida, aplicando uns “gatos” de arame! ... – António, vai levar o guarda-chuva ao guarda-soleiro, para pôr uma vara nova – dizia a Elisa para o filho, ainda sem idade de frequentar a escola. O António só conhecia o arrieiro a desmontar a avó da Magalhã da cadeirinha da égua baia, protegida dos raios solares de junho, pelo guarda-chuva (sol) até entrar para a casa de visita. Nunca vira uma praia! Só o Sr. Ferreira e o Sr. Professor Antunes iam para as termas do Vidago. Os chapéus de palha, comprados pelo Santo António, protegiam do sol toda a gente, até os malhadores do centeio nas eiras. Tantos anos a residir no Porto e nunca tinha visto, domingo de manhã, ao ir comprar o jornal, dois guarda-chuvas abertos a secarem na varanda de um andar do bairro! Como o tempo tem sido muito invernoso é preciso poupar o pano do bolor. Raramente se ouve a gaita do amolador de tesouras e navalhas (facas), a passar pelas ruas. Mas mais adiante, encontrei um stand de automóveis ao ar livre, com os carros todos de capot e malas abertos para secarem. No tempo de crise os roubos, os crimes, enfim, todo o mal social aumenta. Diria: sofre mais o pobre e há menos tranquilidade para o remediado ou rico.

Passaram longas décadas, desde o tempo de a Joaquina ter ido para Paris fazer uma tese de mestrado. Os colegas, sem direito a essa regalia de complemento de instrução, resolveram ir visitá-la e conhecer a Cidade Luz. Quando à noite passeavam pela Concórdia e pontes sobre o Sena, um ladrão de esticão, rouba a carteira à Joaquina! Perplexos, todos gritam e correm atrás do gatuno, enquanto a estimada amiga ria, ria!... – A carteira era velha, só continha papéis... Já era para ser furtada! Recordei o acontecimento quando, na bonita cidade do Porto, com pontes modernas de nível mundial, me roubaram, na semana passada, um guarda-chuva baratucho e velho. Andava com ele no carro, servindo para uma emergência, o que se veio a verificar na Rua de Costa Cabral. Necessitando de dar um recado breve ao João, a trabalhar numa sala de um rés-do-chão elevado, e como tinha de usar um truque, a fim de manter o guardachuva aberto, não o fechei, e meti-o dentro da porta aberta para a rua, subindo os poucos degraus. Nem um minuto demorou. O guarda-chuva foi roubado! Apanhei uns pingos de água até ao carro, mal estacionado, e sorri: O guarda-chuva já foi deitado ao lixo pelo ladrão! (*) jose.gcmonteiro@gmail.com

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A Voz de Ermesinde •

Crónicas

A. N. A.

GLÓRIA LEITÃO

um pequeno papel estava escrito uma pergunta – porque é que “separado” se escreve tudo junto, e “tudo junto” se escreve separado? Lá andava eu a magicar sobre isso (sem me prender às questões gramaticais) quando, pouco tempo depois, li o seguinte: «…ele disse para ela se ir tratar, e então foi isso que ela fez. Tratou o cabelo, tratou a pele, tratou de conhecer gente nova, tratou de viajar, tratou de rir, tratou de se divertir… E foi tratando-se que percebeu que não precisava dele para ser amada. E sem ele, tratou de ser feliz». Diz-se que “para um bom entendedor meia palavra basta” e cá estava o nome para esta reflexão: ANA (Amor Não Aceite). O coração é a tal máquina que não tem controlo remoto nem obedece a uma qualquer voz de comando. Quando se pensa que está tranquilo e feliz, de repente lá começa ele a pulsar descompassado e a seguir outro destino, procurando outro tipo de afagos, que duram o tempo que a emoção (muitas vezes momentânea e até passageira) lhes destina. Às vezes também acontece que esta “máquina humana” só sabe bater dessa forma – cheio de adrenalina, porque há corações que se cansam rapidamente do mesmo, daí que os seus donos ou donas acionem o “clique”, ligam o GPS e lá vão na procura de novos rumos, novas direções (que às vezes até podem ser a solidão e o silêncio, em pessoas que querem e gostam de se guardar para si mesmas). Não existem moldes próprios para fabricar corações e o sentimento

que deles emana sempre será diferente de pessoa para pessoa. E também não existem barómetros próprios para medir a forma de sentir de cada um. Quando esta “devolução” do amor é feita somente por uma das partes o desafio que se enfrenta é mais duro - os caminhos divergem: ou se tem a capacidade para enfrentar a dor com entendimentos, ou as pessoas ficam ali especadas como os “copos sempre em pé”, não se movendo do sítio, “alimentando-se” de desentendimentos e varejando sempre à volta do mesmo. A análise individual, profunda, fria e objetiva é crucial na decisão de tomar um novo rumo e um novo destino. Há tempos atrás ouvia uma pessoa lamentar-se da sua vida, que ela tinha desmoronado. Isto levou-me a pensar no que tinha aprendido com a vida – o tempo urge e cada vez é mais escasso, daí que, até para chorar tem que se ser rápido, eficaz e eficiente. Esta rapidez é fundamental para que as pessoas que passam por estas experiências se organizem e escolham um novo caminho, pois a tendência natural é perderem-se na procura de razões que a própria razão desconhece. Cada um quer construir as suas verdades e arranjar desculpas, nem que sejam “esfarrapadas”, deixando-se ensombrar por vidas que já não são as suas. No tempo de hoje e nestas relações desavindas o hábito é culpar-se a crise, dizendo-se que até os valores fundamentados em sentimentos não são a mesma coisa e “quebram” facilmente pelas dificuldades que os casais enfrentam. Nem sempre será o caso, porque certamente que todos conhecemos situações de rutura que não se prendem forçosamente com falta de meios económicos. Contudo, quando o motivo é esse, o teste de força é realmente muito elevado e só um sentimento elevado ao mesmo nível, o supera. Neste caso não se aplicaria a “razão do povo”, que costuma dizer: «Quando a miséria entra pela porta, o amor salta logo pela janela». Agora, a crise está é mesmo a fragilizar os sentimentos e a levar as pessoas para um “jogo do empurra”, silenciado dentro de muitos lares. Às vezes, demasiado tarde,

A VOZ DE

ERMESINDE

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é que se percebe que se romperam os tais “laços sagrados” (mesmo que não testemunhados socialmente), arrastando consigo danos colaterais grandes, porque o “empurra” a que me refiro é: empurra para os pais, empurra para sogros, etc., etc., com responsabilidades e encargos que injustamente lhes são imputados. Volta-se à estaca zero, voltam-se a encher as casas de gente que já tinha abandonado os seus ninhos, ainda que, quando se volta, já não é a mesma coisa, para uns e para outros. Ao voltarem

de mãos dadas filhos que só querem mesmo ser felizes. Claro que se o ideal do sentimento existir e tiver a tal força que cada um defende para si – “o amor de uma vida” ou mesmo o “amor por uma vida” as pessoas não escapam por entre os dedos e os laços afetivos não quebram (mesmo em casos em que seja preciso enfrentar a emigração), só que dificilmente se dá à vida esse voto de confiança, pois até dela desconfiamos. Por tendência queremos amarrar a nós (às vezes até de forma sufocante), as pessoas que dizemos amar, ligando-as FOTO ARQUIVO GL por um fio invisível de dependência que depois quase sempre acaba por nos rebentar na mão. Em qualquer laço afetivo que nos una é duro encarar de frente uma realidade nua e crua: se alguém nos escapar, não é porque nos foi “tirado”, somente não nos estava destinado; e isto porque, se calhar, os moldes, mesmo com os ajustes da vida, não “encaixaram”. Noutras situações, poderá também ter chegado a hora de cortar amarras e deixar partir “os nossos” - na busca de novas vidas e até na construção de novas famílias, que levarão o melhor das nossas obras primas: o “esboço” que cada um faz dos seus. Fez-me todo o sentido ler “Laço e o Abraço”, em que a uma dada altura, se diz: “à comunhão da casa e da mesa” (diferente de se « … Ah! Então, é assim o amor, a amizade. ser visita), as pessoas são “estranhas” em meios Tudo é sentimento. Como um pedaço de fita. que já não sentem como seus, e isso culpabiliza Enrosca, segura um pouquinho, mas pode todos por culpas que não são de ninguém, porque, desfazer-se a qualquer hora, deixando livre as por hábito, ninguém responsabiliza a sociedade, duas pontas do laço. Por isso é que se diz: laço aquela a quem quisemos “fazer ver” – não tem afetivo, laço de amizade. rosto e nós adoramos dar rostos à nossa culpa. E quando alguém briga, então diz-se: Este silêncio, o silêncio profundo de coisas que romperam-se os laços. E saem as duas partes, não são ditas e que abriga angústias e incerteza iguais aos meus pedaços de fita, sem perder (para uns e para outros), com o tempo pesa e nenhum pedaço. inteletualmente desgasta e atrasa a felicidade, que Então o amor e a amizade são isso… nunca se sabe quando se vai reencontrar, ainda Não prendem, não escravizam, não apertam, mais que, com esse terrível silêncio e sem se darem não sufocam. conta, as pessoas vão construindo muros que lhes Porque quando vira nó, já deixou de ser encerram os sonhos onde quase sempre se trazem um laço».

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Opinião

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Combate à fraude e evasão fiscal imediata incluir na agenda da reunião do passado dia vinte e dois, o tema evasão e fraude fiscal mas, não obstante, depreende-se do texto da notícia que os líderes da UE prometem vir a gastar mais algum do seu tempo a discutir o assunto. Todavia, as reservas de muitos deles fazem admitir que qualquer coisa de concreto não

ministro luxemburguês que não cederá enquanto a UE não assinar acordos com as maiores praças financeiras vizinhas, desiderato que dificilmente será alcançado e, assim, se manterá o “status quo” e a não tributação de capitais equivalentes ao PIB de todos os 17 países da zona euro juntos. Os americanos, mais práticos que os europeus,

A. ÁLVARO SOUSA (*)

FOTO ARQUIVO

s tempos na Europa e mesmo no mundo revelam instabilidades múltiplas com reflexos negativos na economia, no social, nas famílias, parecendo que os únicos que estarão longe e alheados destes problemas são os detentores de grandes fortunas, que têm encontrado soluções para aumentarem os seus patrimónios, furtando-se ao cumprimento das obrigações sociais, designadamente, as relacionadas com o pagamento de impostos, sempre encontrando nos decisores políticos os seus melhores aliados, ao revelarem total incapacidade para se libertarem da captura do capital e passarem a tratar os seus detentores com idênticas práticas às usadas para com os rendimentos do trabalho. A este propósito será oportuno recordar o que é referido na edição do semanário “Expresso” na sua edição de 25/05, sob o título “Offshore Leaks deteta ligações a Portugal”, de cuja leitura se pode recolher informações como: que a organização Oxfam divulgou um relatório onde conclui haver 14 biliões de euros escondidos em paraísos fiscais no mundo, contornando o pagamento de impostos, e que dois terços do dinheiro vêm de pessoas e empresas da União Europeia; que o terramoto provocado pelo Offshore Leks teve como consequência

ocorrerá para além de reuniões e mais reuniões à espera que o tema esqueça e que tudo continue na mesma. Prova do que acabamos de admitir é o contraste entre as declarações de François Hollande à entrada da referida reunião, segundo as quais é seu entendimento que «em vez de aumentar os impostos, é melhor ir buscar a matéria coletável onde ela hoje se esconde», determinação, aliás, que rapidamente esmoreceu quando ouviu do primeiro-

dispõem já de um poderoso instrumento de persuasão, o Foreign Account Tax Compliance Act que obriga qualquer banco que opere no seu território a declarar ao fisco os ativos detidos por cidadãos norte-americanos no estrangeiro, caso contrário pagará uma sobretaxa de 30%. Esta medida não poderia ser rapidamente imposta aos bancos operando no espaço da OCDE? Enquanto os europeus não se põem de acordo quanto à forma de combater, efetivamente, a

fraude e a evasão fiscal, pelo menos quanto a esta última, julgamos que poderíamos legislar no sentido de taxar fiscalmente os lucros produzidos pelos negócios efetuados em Portugal de sociedades com sedes sociais no estrangeiro, medida que produziria avultados impostos arrecadados pela tesouraria pública nacional e, não menos importante, atenuaria a sangria de dinheiros dos portugueses para outras paragens detentoras de paraísos fiscais. Relacionado com esta circunstância, os detentores do poder deveriam refletir no que vem acontecendo a Portugal e aos portugueses com a prática das sociedades deslocarem as sedes sociais para paraísos fiscais mantendo o negócio onde sempre o tiveram e continuam a ter e que se traduz na sangria da massa monetária circulante que é cada vez menor na medida em que as mais-valias são sugadas para o estrangeiro, sendo legítima a seguinte conclusão: endividamo-nos para pagar salários e serviços; as grandes empresas, com destaque para os setores de distribuição e energia, operam praticamente em regime de monopólio ou oligopólio, com margens confortáveis e retribuições aos quadros superiores tidos por alguns como obscenas; a bolsa dos portugueses é quem tudo paga e, no fim da linha, os generosos lucros saem do perímetro económico português para enriquecer Estados e cidadãos que em nada contribuíram para a riqueza produzida cá, mas distribuída lá. Num tempo em que o Governo não dorme para inventar formas de aumentar os impostos aos portugueses, de cortar nos salários, nas pensões e nas prestações sociais, manda a seriedade política e a equidade, de que tanto fala, que o capital seja chamado, também ele, a contribuir para o equilíbrio das contas públicas. Neste enquadramento, a sugestão atrás referida seria um bom e volumoso contributo para esse objetivo, sem que se possa dizer que nos tornaremos menos competitivos, antes pelo contrário, ficaremos menos pobres. (*) alvarodesousa@sapo.pt

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Rua de Luanda, n.º 217 | 4445-499 ERMESINDE Tel. 22 974 7204 • Tlm. 91 092 1573 | 91 218 8570

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A Voz de Ermesinde •

Lazer

Efemérides

Coisas Boas

15 JUNHO 1813 – Simon Bolívar promulga em Trujillo, na Venezuela, o decreto de guerra e morte aos espanhóis e seus colaboradores.

Caldeirada de soja com algas • 13 batatas doces; • 1 chávena de soja grossa (cubos); • 1 punhado de algas hiziki; • 2 folhas grandes de couve portuguesa; • ½ chouriço de soja; • 1 cebola; • 2 dentes de alho; • ½ alho-francês grande ou 1 pequeno; • ½ beringela grande ou 1 pequena; • ½ chávena de polpa tomate; • 3 colheres de sopa de molho vegano para burritos; • azeite q.b.; • 1 folha louro.

Palavras cruzadas

HORIZONTAIS 1. Árvore. 2. Nome masculino; voltar a ler. 3. Esforçam-se (fig.); quatro (rom.). 4. Ponha o nome. 5. Despidas; fração de tempo terrestre. 6. Dois mil e noventa e nove (rom.); acolá. 7. Piedade; charruas. 8. Limpeza. 9. Ofertou; interjeição. 10. Relativo à escola; pedra de moinho.

VERTICAIS SOLUÇÕES: HORIZONTAIS

VERTICAIS 1. Serenidade. 2. Ole; os. 3. Bombam; AOC. 4. Ria; Sm; suo. 5. Ma; ias. 6. Ir; secreta. 7. Reis; ai. 8. Olvidados. 9. Nilo; um. 10. Irreais; so.

1. Sobreiro. 2. Eloi; reler. 3. Remam; IV. 4. Assine. 5. Nuas; dia. 6. MMIC; ali. 7. Do; arados. 8. Asseio. 9. Doou: sus. 10. Escolar; mo.

1. Tranquilidade. 2. Olá; artigo definido. 3. Bombeiam; antigo partido político. 4. Braço de mar; samário (s.q.); transpiro. 5. Ruim; partias. 6. Partir; em segredo. 7. Monarcas; suspiro. 8. Esquecidos. 9. Grande rio africano; unidade. 10. Fantasiosos; sozinho.

Anagrama Descubra que rua de Ermesinde se esconde dentro destas palavras com as letras desordenadas: PINHO DE NOVEREIAS.

“A Voz de Ermesinde” prossegue neste número uma série de receitas vegetarianas de grau de dificuldade “muito fácil” ou “média”. A reprodução é permitida por http://www.centrovegetariano.org/receitas/, de acordo com os princípios do copyleft.

Sudoku

Veja se sabe 01 - Jornalista alemão, Prémio Nobel da Paz em 1936. 02 - Povo escandinavo que dominou o Atlântico Norte no século XI. 03 - Realizador de “Viagem de Finalistas” (2012). 04 - Afluente do Sorraia que nasce perto de Arraiolos. 05 - A que classe de animais pertence a lavandisca? 06 - A que país pertence a região da Vestefália? 07 - Em que país fica a cidade de Osnabruque? 08 - Qual é a capital de Nagorno-Carabaque? 09 - A abreviatura Mic corresponde a qual constelação? 10 - Elemento metálico prateado, n.º 71 da Tabela Periódica (Lu).

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SOLUÇÕES:

01 – Carl von Ossietzky. 02 – Vikings. 03 – Harmony Korine. 04 – Rio Almansor. 05 – Aves. 06 – Alemanha. 07 – Alemanha. 08 – Stepanakert. 09 – Microscópio. 10 – Lutécio.

Provérbio Em junho, frio como punho.

(Provérbio português)

Diferenças

Em cada linha, horizontal ou vertical, têm que ficar todos os algarismos, de 1 a 9, sem nenhuma repetição. O mesmo para cada um dos nove pequenos quadrados em que se subdivide o quadrado grande. Alguns algarismos já estão colocados no local correcto.

Sudoku (soluções) ILUSTRAÇÃO EXTRAÍDA DE FREE-COLORING-PAGES

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SOLUÇÕES:

FOTO ARQUIVO

Hidrata-se a soja 30 minutos, em água quente. Faz-se o mesmo com as algas, noutro recipiente. Entretanto, corta-se a cebola em cubos pequenos, pica-se o alho e corta-se a beringela em fatias finas. Corta-se longitudinalmente o alho-francês, em pedaços de comprimento de um dedo, e posteriormente em tiras. Rega-se esta mistura com um fio de azeite, juntam-se especiarias a gosto e aloura-se num tacho grande. Retira-se a soja da água e escorre-se o excesso de água apertando um pouco os cubos com a mão.Retiram-se as algas e reserva-se a água. Colocam-se no tacho as algas, a soja, o chouriço em pedaços e a folhas de couve portuguesa em tiras. Junta-se o molho de tomate, o molho para burritos, a água de hidratar as algas, e ajustam-se as especiarias. Deixa-se cozinhar 5 minutos em lume brando. Junta-se a batata doce em cubos. Está pronto quando a batata doce estiver cozida. Pode-se deixar um pouco a “repousar” depois de confecionado o prato, pois apura o sabor do mesmo.

Rua Nova de Espinheiro.

SOLUÇÕES:

Descubra as 10 diferenças existentes nos desenhos

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01. Testa. 02. Estrela. 03. Cauda. 04. Ervas. 05. Estribo. 06. Crina. 07. Sela. 08. Olho. 09. Narina. 10. Casco.


JUNHO de 2013

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distros em linha...

Tecnologias

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NASA migra computadores do Windows para Linux (*) FOTO NASA

Esta semana o site dedicado às distribuições de software livre Distrowatch anunciou o lançamento das seguintes distribuições: LINUX MINT 15 http://linuxmint.com/ Clement Lefebvre anunciou o lançamento do Linux Mint 15, codinome "Olivia". Vem com ambientes de desktop MATE 1.6 e Cinnamon 1.8. Duas novas aplicações, 'Software Sources' e 'Driver Manager' fazem o seu aparecimento no Linux Mint. Imagens otimizadas para arquiteturas 64 bits, com MATE (1 000MB, torrent) e Cinnamon (915MB, torrent). SUPERB MINI SERVER 2.0.4 http://sms.it-ccs.com/ Foi lançado um novo update do Superb Mini Server (SMS), uma distribuição Linux baseada em Slackware e destinada a servidores. Esta nova versão (2.0.4) vem com o kernel LTS Linux 3.4.47 e diversas melhorias na estabilidade e compatibilidade do sistema. Imagem CD .iso (697MB). FEDORA 19 BETA http://fedoraproject.org/ Dennis Gilmore anunciou a disponibilidade da versão beta de desenvolvimento do Fedora 19. Vem com ambientes de desktop GNOME 3.8, KDE 4.10, MATE 1.6 e ainda LXDE e XFCE. Imagens .iso live CD otimizadas para arquiteturas 64 bits, com GNOME (951MB, torrent), KDE (888MB, torrent), LXDE (712MB, torrent), MATE (693MB, torrent) e XFCE (630MB, torrent). ELIVE 2.1.42 (UNSTABLE) http://www.elivecd.org/ Samuel Baggen lançou um novo update – o 2.1.42 – de desenvolvimento do Elive, distribuição Linux baseada em Debian, com um muito trabalhado ambiente de desktop Enlightenment 0.17. Entre outras, vem com melhorias no suporte a Wifi e correção de bugs. Imagem DVD .iso (1 615MB). PARSIX GNU/LINUX 5.0 TEST 1 http://www.parsix.org/ Alan Baghumian anunciou a disponibilidade da primeira versão de desenvolvimento do Parsix GNU/ Linux 5.0 (uma distribuição baseada em Debian ("Wheezy"), com ambiente de desktop GNOME 3.8.2. Vem com o kernel Linux 3.8.13. Imagem DVD .iso otimizada para arquiteturas 64 bits (1 075MB). PINGUY OS 13.04 BETA http://www.pinguyos.com/ Antoni Norman anunciou a disponibilidade da versão beta de desenvolvimento do Pinguy OS 13.04, uma distribuição Linux baseada em Ubuntu 13.04 com ambiente de desktop GNOME 3.8 desktop. Esta versão é já basicamente uma versão final (a Pinguy considera betas todas as versões não LTS). Imagem DVD .iso otimizada para arquiteturas 64 bits (2 438MB, MD5).

A NASA, agência espacial norte-americana, decidiu migrar os sistemas dos computadores da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) do Windows para Linux. O objetivo, diz a agência, é «ter um sistema operativo confiável, com bom desempenho e de baixo custo». Segundo a Linux Foundation, a intenção da NASA em mudar o sistema das máquinas já não é nova. Mas só agora a migração foi colocada em prática. A NASA acredita que os funcionários precisam de um sistema estável e confiável que possa ser modificado conforme as necessidades. Além disso, considera difícil ter suporte técnico a quase 400 quilómetros da Terra, onde está a ISS. Os astronautas da ISS e funcionários da área de TI usarão computadores portáteis com Debian 6, codinome "Squeeze" desta distribuição livre do Linux. A NASA assinou uma parceria com a Linux Foundation para criar dois cursos e, assim, introduzir o Linux aos astronautas e ensinar como desenvolver aplicações para o sistema. Apesar de já estar confirmado o uso do Debian 6, as formações irão preparar os funcionários para várias distribuições, entre elas o Scientific Linux. Além dos equipamentos pessoais dos astronautas, o Linux será o sistema operativo do robot Robonaut (R2), projetado para assumir determinadas tarefas dos astronautas. A NASA acredita que a capacidade do Linux ajudará os desenvolvedores a garantir que o R2 possa ser produtivo na ISS. Sobre o Debian Debian é simultaneamente o nome de uma distribuição não comercial livre (gratuita e de código fonte aberto) de GNU/Linux (amplamente utilizada) e de um grupo de voluntários que o mantêm à volta do mundo. Uma vez que o Debian se baseia fortemente no projeto GNU, é usualmente chamado Debian GNU/Linux. O Debian é especialmente conhecido pelo seu sistema de gestão de pacotes, chamado APT, que permite atualizações relativamente fáceis a partir de versões realmente antigas; instalações quase sem esforço de novos pacotes e remoções limpas dos pacotes antigos. Atualmente o Debian Stable encontra-se na versão 7.0, codinome "Wheezy".

O Debian Stable procura sempre manter os pacotes mais estáveis, assim, ele mantém o Gnome 2.30 e o KDE 4.4 por padrão. O fato de conter pacotes mais antigos, garantindo a estabilidade, é o grande foco para servidores. O projeto Debian é mantido por doações através da organização sem fins lucrativos Software in the Public Interest (SPI). Várias distribuições comerciais baseiam-se (ou basearam-se) no Debian, incluindo: Linspire (antigo Lindows), Xandros, Knoppix, Kurumin e Ubuntu. Está atualmente a decorrer trabalho para portar o Debian para outros núcleos livres para além do Linux, incluindo o Hurd e o BSD. Para já, no entanto, ainda é muito mais preciso descrever o Debian como uma "Distribuição Linux", sem mais qualificações. História O Debian foi lançado em 16 de agosto de 1993 por Ian Murdock, ao tempo estudante universitário, que escreveu o Manifesto Debian que apelava à criação de uma distribuição Linux a ser mantida de uma maneira aberta, segundo o espírito do Linux e do GNU. O nome Debian vem do nome de Ian Murdock e de sua ex-mulher, Debra. A palavra "Debian" é pronunciada em Português como Débian. O Projeto Debian cresceu vagarosamente e lançou as suas versões 0.9x em 1994 e 1995, quando o dpkg ganhou notoriedade. Os primeiros ports para outras arquiteturas iniciaram-se em 1995, e a primeira versão 1.x do Debian aconteceu em 1996. Bruce Perens substituiu Ian Murdock como líder do projeto. Ele iniciou a criação de vários documentos importantes (o contrato social e o free software guidelines) e a legítima umbrella organization (SPI), assim como liderou o projeto através dos lançamentos das versões da ELF/libc5 (1.1, 1.2, 1.3). Bruce Perens deixou a liderança do projeto em 1998 antes do lançamento da primeira versão Debian baseada em glibc, a 2.0. O Projeto continuou a eleger novos líderes e fez mais duas versões 2.x, cada qual incluindo mais ports e mais pacotes. APT foi lançada durante este tempo e o Debian GNU/Hurd também se iniciou.

O ano de 1999 trouxe as primeiras distribuições GNU/Linux baseadas em Debian, Corel Linux e Stormix's Storm Linux, hoje descontinuadas mas que iniciaram o que é hoje uma notável tendência para distribuições baseadas em Debian. Perto do ano 2000, o projeto direcionou-se para o uso de repositórios de pacotes e à distribuição "testing", alcançando um marco maior no que se refere aos arquivos e ao gerenciamento de lançamentos. Em 2001, os desenvolvedores iniciaram as conferências anuais Debconf, com conversas, workshops e a receção aos utilizadores técnicos. A versão 3.0 de 2002 incluiu mais do que o dobro do número de pacotes da versão anterior e estava disponível para cinco novas arquiteturas. Versões do Debian O ciclo de desenvolvimento das versões do Debian passa por três fases: "Unstable" – instável, "Testing" – teste, e "Stable" – estável. Quando as versões estão na fase "testing" elas são identificadas por codinomes tirados dos personagens do filme “Toy Story”. Ao se tornarem "stable" as versões recebem um número de versão (ex: 5.0). Versões, codinomes e datas em que se tornaram "stable": 7.0—Wheezy 4 de maio de 2013 6.0—Squeeze 6 de fevereiro de 2011 5.0—Lenny 15 de fevereiro de 2009 4.0—Etch, 8 de abril de 2007 3.1—Sarge, 6 de junho de 2005 3.0—Woody, 19 de julho de 2002 2.2—Potato, 15 de agosto 2000 2.1—Slink, 9 de março de 1999 2.0—Hamm, 24 de julho 1998 1.3—Bo, 2 de junho de 1997 1.2—Rex, 1996 1.1—Buzz, 1996. A versão "testing" atual é a "Jessie" (8.0). A versão "unstable" terá sempre o nome Sid (também um personagem do filme Toy Story).

(*) Fontes: Vanessa Daraya, de INFO Online, e Wikipedia.


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Arte Nona

Entretanto

Terceiras Conferências de Banda Desenhada em Portugal Embora previamente anunciadas como anuladas em 2013, os dinamizadores das Conferências de Banda Desenhada em Portugal, avaliando que, entretanto, as condições se mostram benéficas para a sua realização, vêm agora anunciar a realização este ano das Terceiras Conferências (3CBDPT). Estas serão organizadas através do Centro de Estudos Comparatistas, que tem uma página sobre o evento. As 3CBDPT terão lugar na Faculdade de Letras de Lisboa, Sala 5.2, dias 18 e 19 (quarta e quinta) de setembro de 2013. Todas as comunicações devem ser enviadas para o seguinte email: cbdpt.2013@gmail.com Os dinamizadores das Conferências de BD agradecem também a todos aqueles que tornaram possível este evento, com uma palavra especial a Marta Monteiro, Rita Correia, Cláudia Dias e Kelly Basílio (professora). O cartaz da chamada é da autoria de Marta Monteiro.

Festival Internacional de BD de Beja Decorre entre 1 e 16 de junho de 2013 a 9ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. É uma grande edição, que conta com vinte e uma exposições individuais e coletivas, nove núcleos expositivos no centro histórico de Beja, a presença de autores da Argentina, Brasil, Estados Unidos, França, Grécia, Japão e Portugal, 16 dias de programação paralela, apresentação de projetos, lançamentos, conversas, oficinas, sessões de autógrafos, cinema e música e ainda um mercado do livro. As exposições individuais, este ano, são de: André Ferreira (Portugal), André Lima Araújo (Portugal), Andreia Rechena (Portugal), David Campos – Kassumai (Portugal), Francisco Paixão - Arte e História na BD (Portugal), Jean-Claude Mézières (França), João Amaral (Portugal), Jorge González (Argentina), José Ruy – Um Mestre da Banda Desenhada Portuguesa (Portugal), Pedro Zamith – " Hell Come To My World " (Portugal), Sama (Brasil). E são as seguintes as exposições coletivas: Heróis de Barro (Portugal), Gibanda: Do Paraná ao Baixo Alentejo (Brasil), Heróis de Banda Desenhada no Século XXI (Portugal), Ilan Manouach & Pedro Moura – Variações Sobre o Anjo da História (Grécia / Portugal), Joana Afonso & Nuno Duarte – O Baile (Portugal), João Sequeira & Miguel Costa Ferreira – Psicose (Portugal), Prémios Profissionais de BD (Portugal), Stan Lee – Just Imagine… Stan Lee Tem 90 Anos ( Estados Unidos), Sakura & Banzai (Japão / Portugal), Tó Trips & Pedro Gonçalves – Dead Combo Sound Files (Portugal). Isto além de várias mostras na Bedeteca... Página do facebook: https:// www.facebook.com/festivalbdbeja

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1970 uma bibliografia especializada que se tem complementado e construído internamente nesta área de estudos (para não mencionarmos vários trabalhos percursores, que poderiam recuar até 1845 com o “Essai de Physiognomonie”, de Rodolphe Töpffer), os últimos dez anos têm testemunhado um crescimento acelerado não só no número de livros monográficos, coleções de ensaios, colóquios e conferências, e traduções (que permitem um cada vez mais intenso diálogo internacional), como também de blogs, fórums e listservs na internet, de natureza académica, os quais respondem de uma forma especial e necessária a uma forma de construir o seu saber, em larga medida ainda à margem da academia mais convencional. O escopo de todos estes trabalhos tem também crescido exponencialmente, o que se alia igualmente à cada vez maior

Estrutura Organização: Centro de Estudos Comparatistas, FLUL. Coordenação: Pedro Vieira de Moura, CEC, com o apoio de Ana Matilde Sousa e Hugo Almeida. Apoio: Laboratório de Estudos de Banda Desenhada, Oficina do Cego, Artes Gráficas, Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Patrocínio: Nouvelle Librairie Française. Apresentação Depois dos dois primeiros encontros das CBDPT em 2011 e 2012, cuja participação foi muito variada em termos de temas e metodologias, a sua organização no seio da Faculdade de Letras, através do Centro de Estudos Comparatistas, vem trazer um novo fôlego e presença a este evento, que conta também, mais uma vez, com o patrocínio da Nouvelle Librairie Française, e os apoios do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e da Oficina do Cego. No desejo da continuidade e aprofundamento da investigação multidisciplinar em torno da banda desenhada e de outras áreas que lhe estão intrinsecamente associadas (a ilustração, a caricatura, o cartoon editorial, ou mesmo a animação), o objetivo das CBDPT continua a ser tornar-se o fórum de referência no estudo académico desta mesma área em Portugal. A Banda Desenhada, independentemente do seu papel no concerto das artes ou do prestígio cultural angariado, pode ser entendida enquanto arte e disciplina artística, meio e modo de expressão, mas também uma rede específica de relações sociais e uma tecnologia, um conjunto de instituições e uma relação económica. Isso permite que possa, a um só tempo, ser estudada por disciplinas tão variadas quanto a estética, a teoria da cultura, a economia, a sociologia, a semiologia, a narratologia, a análise do discurso, a mediologia, a psicanálise, os estudos póscoloniais, os estudos feministas, a queer theory, a história da arte, a história do livro, assim como estruturações muito específicas dos discursos desenvolvidos no interior da área dos já chamados Estudos de Banda Desenhada (Comics Studies) como do cruzamento interdisciplinar entre as disciplinas indicadas ou além delas. Existindo desde pelo menos o final dos anos

disponibilidade dos textos primários, uma vez que os processos de recuperação da memória histórica da banda desenhada têm sido desfasados dos de outras artes. Mas verifica-se, paulatinamente. Por todas estas razões, importa responder a esta tradição em particular no seio dos estudos já tecidos sobre a banda desenhada, e não imaginá-la desprovida de discursos específicos. É nesse contexto que um dos desejos principais das CBDPT é dar a conhecer ao público português algumas das personalidades mais influentes da investigação internacional da banda desenhada, pelo que se tentará sempre contar com a presença de um ou dois convidados de referência. O ano de 2011 contou com David Kunzle, um dos primeiros grandes proponentes do estudo específico da banda desenhada, mormente numa perspetiva histórica marxista, e Thierry Groensteen, autor de “Système de la bande dessinée”, incorporação da abordagem semiológica a esta disciplina artística, bem como de muitos outros volumes, e que proporcionou alguns princípios de análise rapidamente adotados ou criticados no campo. Se em 2012 não conseguimos assegurar um convidado, este ano está já confirmada uma presença internacional, e aguardamos a hipótese de uma segunda. Anunciaremos estes nomes assim que possível.

Participação Estão abertas as inscrições a todos aqueles que desejem apresentar uma comunicação em torno destes objetos artísticos. Não há quaisquer restrições de tipo académico, sendo possível a qualquer pessoa, independentemente do seu grau académico, apresentar a sua proposta, assim como de qualquer área disciplinar. Os temas são totalmente livres, não se fazendo qualquer restrição, ainda que seja desejável procurar uma maior incidência em matérias relacionadas com a produção portuguesa ou de expressão portuguesa. Apenas a título de exemplo, apresentam-se alguns temas que poderão ser abordados: — Contextualização histórica-crítica de autores nacionais; — Levantamento bibliográfico e tratamento crítico de obras desconhecidas, secundarizadas ou marginais; — Representações coloniais e/ou pós-coloniais, do colonizador e do colonizado, do Outro na banda desenhada portuguesa; — Políticas de representação sexual, étnica, e social; — Tendências estéticas, literárias e temáticas; — Estratégias de representação e de comunicação na banda desenhada; — Respostas, elaborações ou críticas às teorias formalistas de banda desenhada (Th. Groensteen, B. Peeters, R. Chavanne, S. McCloud, N. Cohn, M. Saraceni, D. Barbieri, ou outros); — Novas abordagens da visualidade e plasticidade da banda desenhada; — Práticas editoriais históricas e contemporâneas; — Integração sócio-económica da banda desenhada nos seus vários contextos históricos ou contemporâneos; — A materialidade da obra dos autores portugueses (ou outros) — Transmedialidade e/ou Intertextualidades literárias e visuais; — Teorias da receção ou mediológicas próprias à área; — A resposta das artes plásticas à banda desenhada (dos modernistas a R. Bértholo, dos Homeostéticos à contemporaneidade); — A porosidade entre a prática da banda desenhada e outras atividades (ilustração, animação, cartoon) em termos criativos, sociais e económicos. Apreciação de propostas A organização das CBDPT está totalmente disponível para o aconselhamento, acompanhamento e/ou uma primeira abordagem crítica das propostas, caso o ou a proponente julgar necessário. Todas as propostas serão lidas por uma Comissão de Apreciação. A Comissão reserva-se ao direito de declinar propostas, no caso de estas não cumprirem regras mínimas de clareza, pertinência e metodologia na abordagem dos temas propostos, à semelhança do procedimento habitual na seleção de comunicações para qualquer congresso ou conferência. Existe já hoje em dia uma bibliografia consolidada em torno de variadíssimos temas, autores, contextos editoriais, momentos históricos, tendências artísticas e tratamentos disciplinares, e a Comissão poderá aconselhar a leitura ou consulta de bibliografia especializada caso não esteja essa mesma referência indicada pelas propostas. No caso das propostas aceites, os autores deverão fazer a sua inscrição completa, submetendo alguns dados biográficos complementares.


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Arte Nona

A Quadrilha (11/12) autor: PAULO PINTO


A Voz de Ermesinde •

Serviços

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Farmácias de Serviço Permanente

Telefones CENTRO SOCIAL DE ERMESINDE • Educação Pré-Escolar (Teresa Braga Lino) (Creche, Creche Familiar, Jardim de Infância)

De 01/06/13 a 05/07/13 Dias

• Infância e Juventude (Fátima Brochado) (ATL, Actividades Extra-Curriculares) • População Idosa (Anabela Sousa) (Lar de Idosos, Apoio Domiciliário) • Serviços de Administração (Júlia Almeida) Tel.s 22 974 7194; 22 975 1464; 22 975 7615; 22 973 1118; Fax 22 973 3854 Rua Rodrigues de Freitas, 2200 4445-637 Ermesinde • Formação Profissional e Emprego (Albertina Alves) (Centro de Formação, Centro Novas Oportunidades, Empresas de Inserção, Gabinete de Inserção Profissional) • Gestão da Qualidade (Sérgio Garcia) Tel. 22 975 8774 Largo António Silva Moreira, 921 4445-280 Ermesinde • Jornal “A Voz de Ermesinde” (Fernanda Lage) Tel.s 22 975 7611; 22 975 8526; Fax. 22 975 9006 Largo António da Silva Moreira Canório, Casa 2 4445-208 Ermesinde

ECA Telefones ERMESINDE CIDADE ABERTA • Sede Tel. 22 974 7194 Largo António Silva Moreira, 921 4445-280 Ermesinde • Centro de Animação Saibreiras (Manuela Martins) Tel. 22 973 4943; 22 975 9945; Fax. 22 975 9944 Travessa João de Deus, s/n 4445-475 Ermesinde • Centro de Ocupação Juvenil (Manuela Martins) Tel. 22 978 9923; 22 978 9924; Fax. 22 978 9925 Rua José Joaquim Ribeiro Teles, 201 4445-485 Ermesinde

Telefones de Utilidade Pública Auxílio e Emergência

Saúde

Avarias - Água - Eletricidade de Ermesinde ......... 22 974 0779 Avarias - Água - Eletricidade de Valongo ............. 22 422 2423 B. Voluntários de Ermesinde ...................................... 22 978 3040 B.Voluntários de Valongo .......................................... 22 422 0002 Polícia de Segurança Pública de Ermesinde ................... 22 977 4340 Polícia de Segurança Pública de Valongo ............... 22 422 1795 Polícia Judiciária - Piquete ...................................... 22 203 9146 Guarda Nacional Republicana - Alfena .................... 22 968 6211 Guarda Nacional Republicana - Campo .................. 22 411 0530 Número Nacional de Socorro (grátis) ...................................... 112 SOS Criança (9.30-18.30h) .................................... 800 202 651 Linha Vida ............................................................. 800 255 255 SOS Grávida ............................................................. 21 395 2143 Criança Maltratada (13-20h) ................................... 21 343 3333

Centro Saúde de Ermesinde ................................. 22 973 2057 Centro de Saúde de Alfena .......................................... 22 967 3349 Centro de Saúde de Ermesinde (Bela).................... 22 969 8520 Centro de Saúde de Valongo ....................................... 22 422 3571 Clínica Médica LC ................................................... 22 974 8887 Clínica Médica Central de Ermesinde ....................... 22 975 2420 Clínica de Alfena ...................................................... 22 967 0896 Clínica Médica da Bela ............................................. 22 968 9338 Clínica da Palmilheira ................................................ 22 972 0600 CERMA.......................................................................... 22 972 5481 Clinigandra .......................................... 22 978 9169 / 22 978 9170 Delegação de Saúde de Valongo .............................. 22 973 2057 Diagnóstico Completo .................................................. 22 971 2928 Farmácia de Alfena ...................................................... 22 967 0041 Farmácia Nova de Alfena .......................................... 22 967 0705 Farmácia Ascensão (Gandra) ....................................... 22 978 3550 Farmácia Confiança ......................................................... 22 971 0101 Farmácia Garcês (Cabeda) ............................................. 22 967 0593 Farmácia MAG ................................................................. 22 971 0228 Farmácia de Sampaio ...................................................... 22 974 1060 Farmácia Santa Joana ..................................................... 22 977 3430 Farmácia Sousa Torres .................................................. 22 972 2122 Farmácia da Palmilheira ............................................... 22 972 2617 Farmácia da Travagem ................................................... 22 974 0328 Farmácia da Formiga ...................................................... 22 975 9750 Hospital Valongo .......... 22 422 0019 / 22 422 2804 / 22 422 2812 Ortopedia (Nortopédica) ................................................ 22 971 7785 Hospital de S. João ......................................................... 22 551 2100 Hospital de S. António .................................................. 22 207 7500 Hospital Maria Pia – crianças ..................................... 22 608 9900

Serviços Locais de venda de "A Voz de Ermesinde" • Papelaria Central da Cancela - R. Elias Garcia; • Papelaria Cruzeiro 2 - R. D. António Castro Meireles; • Papelaria Troufas - R. D. Afonso Henriques - Gandra; • Café Campelo - Sampaio; • A Nossa Papelaria - Gandra; • Quiosque Flor de Ermesinde - Praça 1º de Maio; • Papelaria Monteiro - R. 5 de Outubro.

Fases da Lua

Jun 20 20113

Lua Cheia: 2233 ; Q. Minguante: 30 30;; Lua Nova: 8 ; Q. Crescente: 16 16..

Jul 2013

Lua Cheia: 22 22;; Q. Minguante: 29 29;; Lua Nova: 8 ; Q. Crescente: 16 16..

Ficha de Assinante A VOZ DE

ERMESINDE Nome ______________________________ _________________________________ Morada _________________________________ __________________________________________________________________________________ Código Postal ____ - __ __________ ___________________________________ Nº. Contribuinte _________________ Telefone/Telemóvel______________ E-mail ______________________________ Ermesinde, ___/___/____ (Assinatura) ___________________ Assinatura Anual 12 núm./ 9 euros NIB 0036 0090 99100069476 62 R. Rodrigues Freitas, 2200 • 4445-637 Ermesinde Tel.: 229 747 194 • Fax: 229 733 854

JUNHO de 2013

Cartório Notarial de Ermesinde ..................................... 22 974 0087 Centro de Dia da Casa do Povo .................................. 22 971 1647 Centro de Exposições .................................................... 22 972 0382 Clube de Emprego ......................................................... 22 972 5312 Mercado Municipal de Ermesinde ............................ 22 975 0188 Mercado Municipal de Valongo ................................. 22 422 2374 Registo Civil de Ermesinde ........................................ 22 972 2719 Repartição de Finanças de Ermesinde...................... 22 978 5060 Segurança Social Ermesinde .................................. 22 973 7709 Posto de Turismo/Biblioteca Municipal................. 22 422 0903 Vallis Habita ............................................................... 22 422 9138 Edifício Faria Sampaio ........................................... 22 977 4590

Bancos Banco BPI ............................................................ 808 200 510 Banco Português Negócios .................................. 22 973 3740 Millenium BCP ............................................................. 22 003 7320 Banco Espírito Santo .................................................... 22 973 4787 Banco Internacional de Crédito ................................. 22 977 3100 Banco Internacional do Funchal ................................ 22 978 3480 Banco Santander Totta ....................................................... 22 978 3500 Caixa Geral de Depósitos ............................................ 22 978 3440 Crédito Predial Português ............................................ 22 978 3460 Montepio Geral .................................................................. 22 001 7870 Banco Nacional de Crédito ........................................... 22 600 2815

Transportes Central de Táxis de Ermesinde .......... 22 971 0483 – 22 971 3746 Táxis Unidos de Ermesinde ........... 22 971 5647 – 22 971 2435 Estação da CP Ermesinde ............................................ 22 971 2811 Evaristo Marques de Ascenção e Marques, Lda ............ 22 973 6384 Praça de Automóveis de Ermesinde .......................... 22 971 0139

Desporto Águias dos Montes da Costa ...................................... 22 975 2018 Centro de Atletismo de Ermesinde ........................... 22 974 6292 Clube Desportivo da Palmilheira .............................. 22 973 5352 Clube Propaganda de Natação (CPN) ....................... 22 978 3670 Ermesinde Sport Clube ................................................. 22 971 0677 Pavilhão Paroquial de Alfena ..................................... 22 967 1284 Pavilhão Municipal de Campo ................................... 22 242 5957 Pavilhão Municipal de Ermesinde ................................ 22 242 5956 Pavilhão Municipal de Sobrado ............................... 22 242 5958 Pavilhão Municipal de Valongo ................................. 22 242 5959 Piscina Municipal de Alfena ........................................ 22 242 5950 Piscina Municipal de Campo .................................... 22 242 5951 Piscina Municipal de Ermesinde ............................... 22 242 5952 Piscina Municipal de Sobrado ................................... 22 242 5953 Piscina Municipal de Valongo .................................... 22 242 5955 Campo Minigolfe Ermesinde ..................................... 91 619 1859 Campo Minigolfe Valongo .......................................... 91 750 8474

Cultura Arq. Hist./Museu Munic. Valongo/Posto Turismo ...... 22 242 6490 Biblioteca Municipal de Valongo ........................................ 22 421 9270 Centro Cultural de Alfena ................................................ 22 968 4545 Centro Cultural de Campo ............................................... 22 421 0431 Centro Cultural de Sobrado ............................................. 22 415 2070 Fórum Cultural de Ermesinde ........................................ 22 978 3320 Fórum Vallis Longus ................................................................ 22 240 2033 Nova Vila Beatriz (Biblioteca/CMIA) ............................ 22 977 4440 Museu da Lousa ............................................................... 22 421 1565

Comunicações Posto Público dos CTT Ermesinde ........................... 22 978 3250 Posto Público CTT Valongo ........................................ 22 422 7310 Posto Público CTT Macieiras Ermesinde ................... 22 977 3943 Posto Público CCT Alfena ........................................... 22 969 8470

Administração Agência para a Vida Local ............................................. 22 973 1585 Câmara Municipal Valongo ........................................22 422 7900 Centro de Interpretação Ambiental ................................. 93 229 2306 Centro Monit. e Interpret. Ambiental. (VilaBeatriz) ...... 22 977 4440 Secção da CMV (Ermesinde) ....................................... 22 977 4590 Serviço do Cidadão e do Consumidor .......................... 22 972 5016 Gabinete do Munícipe (Linha Verde) ........................... 800 23 2 001 Depart. Educ., Ação Social, Juventude e Desporto ...... 22 421 9210 Casa Juventude Alfena ................................................. 22 240 1119 Espaço Internet ............................................................ 22 978 3320 Gabinete do Empresário .................................................... 22 973 0422 Serviço de Higiene Urbana.................................................... 22 422 66 95 Ecocentro de Valongo ................................................... 22 422 1805 Ecocentro de Ermesinde ............................................... 22 975 1109 Junta de Freguesia de Alfena ............................................ 22 967 2650 Junta de Freguesia de Sobrado ........................................ 22 411 1223 Junta de Freguesia do Campo ............................................ 22 411 0471 Junta de Freguesia de Ermesinde ................................. 22 973 7973 Junta de Freguesia de Valongo ......................................... 22 422 0271 Serviços Municipalizados de Valongo ......................... 22 977 4590 Centro Veterinário Municipal .................................. 22 422 3040 Edifício Polivalente Serviços Tecn. Municipais .... 22 421 9459

Ensino e Formação Cenfim ......................................................................................... 22 978 3170 Colégio de Ermesinde ........................................................... 22 977 3690 Ensino Recorrente Orient. Concelhia Valongo .............. 22 422 0044 Escola EB 2/3 D. António Ferreira Gomes .................. 22 973 3703/4 Escola EB2/3 de S. Lourenço ............................ 22 971 0035/22 972 1494 Escola Básica da Bela .......................................................... 22 967 0491 Escola Básica do Carvalhal ................................................. 22 971 6356 Escola Básica da Costa ........................................................ 22 972 2884 Escola Básica da Gandra .................................................... 22 971 8719 Escola Básica Montes da Costa ....................................... 22 975 1757 Escola Básica das Saibreiras .............................................. 22 972 0791 Escola Básica de Sampaio ................................................... 22 975 0110 Escola Secundária Alfena ............................................. 22 969 8860 Escola Secundária Ermesinde ........................................ 22 978 3710 Escola Secundária Valongo .................................. 22 422 1401/7 Estem – Escola de Tecnologia Mecânica .............................. 22 973 7436 Externato Maria Droste ........................................................... 22 971 0004 Externato de Santa Joana ........................................................ 22 973 2043 Instituto Bom Pastor ........................................................... 22 971 0558 Academia de Ensino Particular Lda ............................. 22 971 7666 Academia APPAM .......... 22 092 4475/91 896 3100/91 8963393 AACE - Associação Acad. e Cultural de Ermesinde ........... 22 974 8050 Universidade Sénior de Ermesinde .............................................. 93 902 6434

Farmácias de Serviço

01 Sáb. Vilardell (Campo) Maia (Alto Maia) 02 Dom. MAG (Erm.) Hosp. S. João (Circunv.) 03 Seg. Marques Cunha (Val.) Oliveiras (Areosa) 04 Ter. Nova Alfena (Alf.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) 05 Qua. Palmilheira (Erm.) 06 Qui. Outeiro Linho (Val.) Alírio Barros (Costa Cabral) 07 Sex. Sampaio (Erm.) Hosp. S. João (Circunv.) 08 Sáb. Santa Joana (Erm.) Hosp. S. João (Circunv.) 09 Dom. Bemmequer (Alf.) Hosp. S. João (Circunv.) 10 Seg. Travagem (Erm.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) 11 Ter. Bessa (Sobr.) 12 Qua. Ascensão (Erm.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) 13 Qui. Central (Val.) 14 Sex. Confiança (Erm.) Oliveiras (Areosa) 15 Sáb. Alfena (Alf.) Hosp. S. João (Circunv.) 16 Dom. Marques Santos (Val.) Sousa Reis (Brás Oleiro) Hosp. S. João (Circunv.) 17 Seg. Formiga (Erm.) Hosp. S. João (Circunv.) 18 Ter. Sobrado (Sobr.) Hosp. S. João (Circunv.) 19 Qua. Vilardell (Campo) Sousa Torres (Maiashop.) 20 Qui. MAG (Erm.) 21 Sex. Marques Cunha (Val.) Hosp. S. João (Circunv.) 22 Sáb. Nova Alfena (Alf.) Hosp. S. João (Circunv.) Maia (Alto Maia) 23 Dom. Palmilheira (Erm.) 24 Seg. Outeiro Linho (Val.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) 25 Ter. Sampaio (Erm.) 26 Qua. Santa Joana (Erm.) Hosp. S. João (Circunv.) 27 Qui. Bemmequer (Alf.) Hosp. S. João (Circunv.) 28 Sex. Travagem (Erm.) Giesta (Areosa) 29 Sáb. Bessa (Sobr.) Sousa Torres (Maiashop.) 30 Dom. Ascensão (Erm.) Oliveiras (Areosa) Hosp. S. João (Circunv.) 01 Seg. Central (Val.) 02 Ter. Confiança (Erm.) Hosp. S. João (Circunv.) Areosa (Areosa) ) 03 Qua. Alfena (Alf.) 04 Qui. Marques Santos (Val.) Hosp. S. João (Circunv.) Hosp. S. João (Circunv.) 05 Sex. Formiga (Erm.) FICHA TÉCNICA A VOZ DE

ERMESINDE JORNAL MENSAL

• N.º ERC 101423 • N.º ISSN 1645-9393 Diretora: Fernanda Lage. Redação: Luís Chambel (CPJ 1467), Miguel Barros (CPJ 8455). Fotografia: Editor – Manuel Valdrez (CPJ 8936), Ursula Zangger (CPJ 1859). Maquetagem e Grafismo: LC, MB. Publicidade e Asssinaturas: Aurélio Lage, Lurdes Magalhães. Colaboradores: Afonso Lobão, A. Álvaro Sousa, Ana Marta Ferreira, Armando Soares, Cândida Bessa, Chelo Meneses, Diana Silva, Faria de Almeida, Filipe Cerqueira, Gil Monteiro, Glória Leitão, Gui Laginha, Jacinto Soares, Joana Gonçalves, João Dias Carrilho, Sara Teixeira, Joana Viterbo, José Quintanilha, Luís Dias, Luísa Gonçalves, Lurdes Figueiral, Manuel Augusto Dias, Manuel Conceição Pereira, Marta Ferreira, Nuno Afonso, Paulo Pinto, Reinaldo Beça, Rui Laiginha, Rui Sousa, Sara Amaral. Propriedade, Administração, Edição, Publicidade e Assinaturas: CENTRO SOCIAL DE ERMESINDE • Rua Rodrigues de Freitas, N.º 2200 • 4445-637 ERMESINDE • Pessoa Coletiva N.º 501 412 123 • Serviços de registos de imprensa e publicidade N.º 101 423. Telef. 229 747 194 - Fax: 229733854 Redação: Largo António da Silva Moreira, Casa 2, 4445-280 Ermesinde. Tels. 229 757 611, 229 758 526, Tlm. 93 877 0762. Fax 229 759 006. E-mail: avozdeermesinde@gmail.com Site:www.avozdeermesinde.com Impressão: DIÁRIO DO MINHO, Rua Cidade do Porto – Parque Industrial Grundig, Lote 5, Fração A, 4700-087 Braga. Telefone: 253 303 170. Fax: 253 303 171. Os artigos deste jornal podem ou não estar em sintonia com o pensamento da Direção; no entanto, são sempre da responsabilidade de quem os assina.

Emprego Centro de Emprego de Valongo .............................. 22 421 9230 Gabin. Inserção Prof. do Centro Social Ermesinde .. 22 975 8774 Gabin. Inserção Prof. Ermesinde Cidade Aberta ... 22 977 3943 Gabin. Inserção Prof. Junta Freguesia de Alfena ... 22 967 2650 Gabin. Inserção Prof. Fab. Igreja Paroq. Sobrado ... 91 676 6353 Gabin. Inserção Prof. CSParoq. S. Martinho Campo ... 22 411 0139 UNIVA ............................................................................. 22 421 9570

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JUNHO de 2013

• A Voz de Ermesinde

Serviços

Agenda Ambiente e Património 5, 12 E 26 JUNHO, 09H30 E 10H30 esa das Lousas de Valong o Empresa alongo Museu da Lousa e Empr – ROTEIR OD AS MIN AS - MÊS DOS P AR CEIR OS TEIRO DAS MINAS PAR ARCEIR CEIROS Visitas guiadas. 1 E 13 JUNHO, 09H30

Par que P aleo zóico de Valong o arque Paleo aleozóico alongo – ROTEIR OD AS MIN AS - MÊS DOS P AR CEIR OS TEIRO DAS MINAS PAR ARCEIR CEIROS Visita de campo.

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01 jun - 01 jul Exposições DESDE 17 MAIO A 16 JUNHO Centro Cultural de Alfena – EXPOSIÇÃO COLETIV A DE PINTURA COLETIVA COM AUGUST A R OCHA E ID ALIN A DIONÍSIO UGUSTA ROCHA IDALIN ALINA Augusta Rocha faz a recolha de elementos na observação da natureza, os quais abstratiza e representa em acrílico sobre tela ou em aguarela sobre papel. Idalina Dionísio recorre ao imaginário onde recolhe os temas que desenvolve e transporta para a tela.

15 DE ABRIL A 5 DE MAIO Fórum Cultural de Ermesinde “O TEMPO” - E XPOSIÇÃO FO T OGRÁFICA COMEMORA T I VVAA ANOS DO BANCO DO TEMPO

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Encontra-se patente no Fórum Cultural de Ermesinde, até ao próximo dia 5 de maio, uma exposição fotográfica comemorativa dos 10 anos de existência do Banco de Tempo em Portugal. O Banco de Tempo é um sistema de organização de trocas solidárias a nível local que promove o encontro entre a oferta e a procura de serviços disponibilizados pelos seus membros, tendo o tempo – e não o euro – como moeda de troca dos serviços trocados.

(Agenda Metroplitana da Cultura).

Espetáculos 8 JUNHO, 16H00 E 21H00 Fórum Cultural de Ermesinde – ESPETÁCUL OS DE SOLID ARIED ADE ESPETÁCULOS SOLIDARIED ARIEDADE DA ESCOLA EB 2/3 D D.. ANTÓNIO FERREIRA GOMES No âmbito da sua Campanha de Solidariedade a favor das famílias mais carenciadas da escola, a EB 2/3 D. António Ferreira Gomes promove dois espetáculos de solidariedade. As professoras responsáveis, Maria Helena Ferreira e Rosa Mary Manso explicam como tudo funciona: «Temos um grupo organizado de alunos, os GUNAS (Grupo Unido Na Ajuda Solidária) que estão sempre disponíveis para dar novas ideias e colaborar na execução deste nosso projeto que tanto “amparo” tem dado a algumas famílias. Alguns dos seus encarregados de educação fazem parte do nosso grupo “GUNAS Seniors” que se tem revelado não só um importante suporte para a formação de cidadãos responsáveis e intervenientes na nossa sociedade, como também uma mais-valia na concretização deste projeto. Nos anos letivo 2010/2011, 2011/2012 e 2012/ 2013 fizemos parte do projeto “Escolas Solidárias”, promovido pela “Energia com Vida” da EDP, Gás, tendo sido, nestes três anos consecutivos, distinguidos com o título de “Escola Solidária”, o que nos deu ainda mais força para continuar».


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A Voz de Ermesinde •

Última

JUNHO de 2013

Bugiada e Mouriscada a caminho do reconhecimento A recente Conferência “Património Imaterial, Identidade, Recurso e Risco” levantou com acuidade muitas das questões que importa refletir no processo de reconhecimento da Bugiada e Mouriscada de Sobrado como património cultural

imaterial. O que aqui se reúne são momentos desse evento, alguns cruciais e outros quase como um fait divers. Mas a vida é mesmo assim, feita de todos esses momentos, e a Bugiada e Mouriscada de Sobrado está bem viva . LC

FOTOS URSULA ZANGGER


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