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FRONT

E

nquanto a maioria dos adolescentes dava os primeiros passos no mundo digital e ficava horas em salas de bate-papo online ou vasculhando a vida alheia no extinto Orkut, rede social muito popular na década passada, Camila Coutinho gostava mesmo era de passar tempo lendo fofocas de celebridades gringas em sites internacionais. Era época de faculdade e auge de it girls, como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Nicole Richie. “O assunto me interessava tanto que acabei criando, com algumas amigas, um endereço para discutir esse tipo de notícia. Batizamos de Garotas Estúpidas, em referência à música Stupid Girls, da cantora Pink”, conta. Pouco tempo depois, as meninas desistiram da brincadeira, mas Camila continuou. Mal sabia ela que, dez anos mais tarde, o blog se transformaria em um negócio altamente rentável, com lucro na casa de centenas de milhares de reais mensais e um time de quatro pessoas dando suporte nas áreas de conteúdo, comercial, financeiro e assessoria de imprensa. O investimento aplicado no business? Quatrocentos reais pelo layout do site — o mesmo usado até hoje. E só. “Não criei o GE para ganhar dinheiro. Era um hobby. Dois anos depois, com número crescente de acessos, graças à divulgação direcionada nas redes sociais, fui surpreendida com o e-mail de uma marca querendo anunciar. Percebi que aquilo poderia dar muito certo”, explica. Foi aí que a nordestina largou o emprego de assistente de estilista em uma marca de surfwear e passou a se dedicar exclusivamente às postagens diárias. Intuitivamente, passou a mesclar notícias quentes com dicas de moda e fotos caprichadas das roupas que usava. Assim, deu início ao processo de criação de sua principal marca pessoal: produções com boas misturas de peças baratas e caras, encontradas ora em redes populares, ora em boutiques de luxo. “Deu certo porque é o que de fato consumo. Os leitores percebem verdade no que escrevo e dão credibilidade, ficam mais próximos”, conta. As imagens, batizadas de look do dia, fizeram sucesso imediato e atraíram ainda mais a atenção das marcas, que pipocaram a caixa de entrada da blogueira com propostas de parcerias. “No início, recebia coisas em casa e postava o que gostava. Em seguida, passaram a me pagar para usar certas peças. Mas cada proposta era — e ainda é — analisada minuciosamente. Não digo ‘sim’ e nem ‘não’ a tudo. É importante que haja afinidade com a empresa. E, ao contrário do que muita gente pensa, continuo divulgando produtos sem cobrar. Sou um veículo e preciso de notícia. Não dá para fechar as portas”. As parcerias a longo prazo, porém, são as que mais a interessam — não apenas pelo valor, mas pela entrega. “É um trabalho de branding. A marca tem que ser construída. Posts avulsos raramente dão resultado — só funcionam se for um lançamento muito aguardado ou se o produto já estiver no subconsciente das pessoas. É necessário um plano de divulgação”, ensina. Desde que ficou conhecida, Camila assinou contrato com marcas poderosas, como Corello, Riachuelo, Colgate e Pantene, para citar algumas. Isso sem falar das marcas nacionais e internacionais que a vestem diariamente, como Damyller, Adidas e Ellus. Ela não fala de valores, mas estima-se que sua presença em eventos, por exemplo, chegue a 25 mil reais. “Posso afirmar que estou muito feliz com o que alcancei aos 28 anos. Nunca imaginei minha vida dessa forma!”

VIDA DE BLOGUEIRA Todo mês ela grava um vídeo com os inúmeros presentes enviados ao seu home office, em Recife. O resultado pode ser visto no YouTube, rede social que mais tem apostado em 2016 — vale conferir os vlogs ao lado da editora de beleza Victoria Ceridono e as conversas com famosas, como Gisele Bündchen e Bruna Marquezine, no quadro De Carona, onde acontecem entrevistas a bordo de um carro. “Vídeo é

WHILE MOST teenagers were taking their first steps in the digital world, spending hours in online chat rooms or rummaging through other people’s lives on the now extinct site Orkut, a once popular social network from the past decade, what Camila Coutinho really liked was spending her time reading gossip about gringo celebrities on international sites. It was during her college years and the heyday of “it girls” like Paris Hilton, Lindsay Lohan, and Nicole Richie. “The subject interested me so much that I ended up creating, with some friends, a website to discuss this kind of news. We called it “Garotas Estúpidas,” in reference to the song Stupid Girls by the singer Pink,” she says. Shortly thereafter, the other girls dropped out of the game, but Camila continued. Little did she know that ten years later, the blog would become a highly profitable business, with hundreds of thousands of Brazilian reals in revenue every month, and a support staff of four covering the content, commerce, finance, and public relations areas. Her initial investment? A mere four hundred Reals for the site layout—the same site she uses today. That’s it. “I didn’t create Garotas Estúpidas to make money. It was a hobby. Two years later, with increasing viewership thanks to targeted dissemination on social networks, I was surprised to get an email from a brand wanting to advertise. I realized that this could be very good,” she explains. That’s when the girl from the northeast quit her job as stylist assistant for a surfwear brand and began to devote herself exclusively to the daily posts. Intuitively, she began to merge hot news with fashion tips and whimsical photos of the clothes she wore. Thus began the creation of her principal personal brand process: production with a nice mix of cheap and expensive pieces, found in popular chain stores, sometimes in luxury boutiques. “It worked because it’s what I actually buy. Readers perceive the truth in what I write and give me credibility, and they follow me more closely,” she says. The images, dubbed “look of the day,” were an immediate success and even attracted the attention of brands that filled the blogger’s inbox with partnership proposals. “At first, I received things at home and posted what I liked. Then they started paying me to wear certain pieces. But each proposal was—and still is—analyzed thoroughly. I don’t say yes or no to everything. It is important to have affinity with the company. And contrary to what many people think, I’m still touting products without charge. I’m a vehicle and I need news. You can’t close the doors.” The long-term partnerships, however, are the most popular—not only for value but for delivery. “It’s branding work. The brand has to be built. Loose posts rarely get results—they only work for a long-awaited launch or if the product is already in the person’s subconscious. A dissemination plan is needed,” she explains. Since becoming known, Camila has signed with powerful brands such as Corello, Riachuelo, Colgate, and Pantene, just to name a few. Not to mention the national and international brands she wears daily such as Damyller, Adidas, and Ellus. She doesn’t talk about value, but it’s estimated that her presence at events, for example, can reach twenty-five thousand Reals. “I can say that I’m very happy with what I’ve achieved after 28 years. I never imagined my life this way!”

THE BLOGGER LIFE Every month, she records a video with the numerous gifts sent to the home office in Recife. The result can be seen on YouTube, the social network that has bet the most on 2016—it’s worth checking out her vlogs with beauty editor Victoria Ceridono and conversations with famous women such as Gisele Bundchen and Bruna Marquezine in her featured De Carona (Give a Ride) videos, where the interviews occur in a car. “Video is a very strong medium, and unlike TV, YouTube gives you freedom to create without relying on third parties. Snapchat is another application that is gaining popularity. The future is charismatic people who know how to communicate

#70 - Avianca Em Revista  

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