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entrevista

A jornada de Jayme Monjardim Por Vitor Cardoso fotos divulgação

Um dos mais consagrados diretores da teledramaturgia brasileira apresenta “Sete Vidas”, sua novela das seis, com cenas gravadas na Antártida, Patagônia, Argentina e Terra do Fogo

S

eu brinquedo predileto era uma câmera Super 8. Ele fazia filmes com os amigos e adorava inventar historinhas. Por gostar de fotografia, vivia na 13 de maio, rua do cinema em São Paulo naquela época. Além disso, morava em uma produtora e cheirava a negativo de filme. Parece mesmo que o destino de Jayme Monjardim estava traçado para o seu ofício como diretor de TV e Cinema. Mas, antes de se render às telas, Jayme fez curso técnico de administração no Brasil, cursou filosofia e letras na Espanha e voltou para cá com um único foco: entrar para a aviação. Frequentou o Aeroclube em Rio Claro, interior de São Paulo, e chegou a ser piloto. Só não entrou para a Aviação Comercial porque a regulamentação vigente excluía candidatos que usassem óculos de grau. Voltando aos filmes, se tornou o rei dos vídeos para casamento e das filmagens de cirurgia plástica. Aos 25 anos de idade, fez o seu primeiro longa, projeto que foi pago com a venda de uma propriedade de seu pai, André Matarazzo. Depois veio a vontade de realizar um filme em homenagem à sua mãe, a cantora Maysa. Mas Jayme não teve dinheiro para concluir o projeto e foi convidado pela Rede Bandeirantes a transformar o material que tinha até ali em um documentário para o canal. Da Band, foi para a Rede Globo, onde se consagrou como um dos maiores diretores de telenovela de sua geração. Entre seus trabalhos de grande sucesso estão Terra Nostra, O Clone e as minisséries Chiquinha Gonzaga e A Casa das Sete Mulheres. Após a direção da novela de Manoel Carlos, Em Família, no ano passado, Jayme já está na ativa novamente, dirigindo a novela das seis, Sete Vidas, que estreou no último mês.

Você se cobra muito profissionalmente? Com certeza, até porque também sou muito cobrado. Em meu trabalho, as conquistas são extremistas. O mais ou menos é complicado na minha profissão. O público ama ou odeia. A gente lida com milhões de espectadores. Durante uma hora por dia, estou mexendo com a emoção de um país inteiro. É uma responsabilidade muito grande. Eu diria até que é uma profissão de extremo risco! A novela está com os dias contados? A televisão brasileira está para o Brasil assim como o cinema está para os Estados Unidos. A novela é o nosso maior produto dentro da nossa maior plataforma de comunicação. Além disso, a gente exporta nossas telenovelas para o mundo todo. É um produto muito sólido e não deve se diluir tão breve. Novela é cultura? Novela é cultura, sim! Mas há novelas e novelas. Existem novelas que são retrato de nossa sociedade, ditam modas e levantam ações sociais que mobilizam o país. Além disso, é o principal produto de entretenimento do povo brasileiro e será ainda por muito tempo. O conteúdo da novela é benéfico para os telespectadores? O conteúdo é bem variado, mas já tivemos todas as grandes obras da literatura, como Jorge Amado, em nossas novelas. Todos os nossos clássicos estão na televisão e isso é muito enriquecedor. Não tem como negar essa contribuição das novelas para a formação da sociedade. Além disso, os comportamentos das classes sociais são discutidos e refletidos através das novelas.

Cenas da novela “Sete Vidas” gravadas em El Calafate, na Argentina

#57 - Paolla Oliveira  
#57 - Paolla Oliveira