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SUPLEMENTO DO Nº 18 - ANO II 7/10/2013

Eles vêm aí

Velejadores se preparam para mais uma regata da Rota do Café

Organizadores explicam como será o evento em Itajaí

Crônica: Mares, oceanos e águas profundas Aprendizes de Poseidon

De onde sairão os barquinhos?


Terra e mar, ventos e velas. A Regata do Café chega em Itajaí

O que é bom sempre deve estar presente na vida cotidiana, assim é o nosso pensamento. Por isso, o que foi bom em 2012 volta em 2013 com toda energia. Içando velas, remando a favor da maré e colocando, literalmente, o barco nas águas, o caderno Aprendiz de Marinheiro está de volta para informar tudo sobre a próxima regata que chegará em terras peixeiras, a regata Jacques Vabre. O Aprendiz de Marinheiro é um suplemento especial do DIARINHO produzido por estudantes da rede pública e privada. O caderno nasceu em 2011, com o início da maior regata de volta ao mundo que é a Volvo Ocean Race. Neste ano, um novo evento chega a Itajaí movimentando a cidade, e o Aprendiz de Marinheiro pretende levar informações sobre a nova regata, a tradição náutica de nossa cidade, a relação da cidade com o mar e o rio, a partir do olhar de adolescentes e jovens cheios de vida e de histórias para contar.

Nesta primeira edição da segunda etapa do Aprendiz, os estudantes do Colégio Adventista de Itajaí trazem informações aos leitores sobre a regata, a cidade francesa de onde partirão os barcos, a trajetória e a história da corrida. A meninada também entrevistou um dos organizadores da etapa em Itajaí e descobriu que muitas novidades estão previstas para a gurizada curtir e conhecer. Os estudantes também pesquisaram sobre o trajeto que as embarcações costumam fazer sempre buscando uma rota que leve a países produtores de café, já que a França é um dos países que mais consome esta bebida no mundo, porém nada produz. Interessante, né? As edições do Aprendiz de Marinheiro sairão às segundas-feiras dos meses de outubro e novembro e na primeira semana de dezembro, totalizando nove edições. Leia, acompanhe, sugira, participe e navegue nas páginas deste Marinheiro.

EU PARTICIPEI D O APRENDIZ DE MA RINHEIRO

ANA LÚCIA DA SILVA

Editorial

SUPLEMENTO DO DIARINHO | 7/10/2013

Christian Wodson Frutuo so, 16 anos, Gabriela Cristina Marques, 14, Ka roline de Oliveira Brasil, 16, Ana Júlia Machado de Sim as, 15, Isadora da Silva Ricobom,16, Mateus Fel ipe C. C Pinto, 16 (os dois últimos não estão na foto)

Regata Jacques Vabre: uma aventura pelos mares do mundo Serão mais de 40 embarcações, 5.395 milhas náuticas (cerca de 10 mil quilômetros) e 20 anos de tradição. É assim que facilmente podemos caracterizar a Regata Jacques Vabre, evento que terá Itajaí como “linha de chegada”, em novembro deste ano. Por um tempo, esta regata foi conhecida como A Rota do Café, pois largava da França e chegava em Cartagena, na Colômbia, cidade onde foi comercializado o primeiro café de todo o Vice-Reino da Nova Granada. Ao longo dos anos, o seu ponto de chegada foi sendo modificado, sempre em cidades que tinham como característica a produção ou comercialização de café. Em novembro deste ano, Itajaí terá a oportunidade de ser a cidade escolhida para a chegada dos velejadores que saírem da França.A 20ª edição da Regata Jacques Vabre partirá da cidade francesa Le Havre dia 3 de novembro e virá em direção ao sul da América Latina em uma viagem de pouco mais de 20 dias.

Uma cidade que se prepara Enquanto muitos velejadores estarão arriscando-se pelo Oceano Atlântico nesta aventura, Itajaí e região se preparam para recebê-los

Expediente

de forma acolhedora. Segundo os organizadores da regata, no espaço do Centreventos será montada uma estrutura que deve abrigar os veleiros de diferentes tamanhos. Durante o período da regata acontecerão eventos paralelos, como feira de diversidades culinárias, espaço reservado para a área empresarial, cinema 3D, área temática cultural diversificada, além de, claro, estar recebendo o Festival de Música Popular Brasileira. Toda essa preparação será baseada em inovação tecnológica, porém sem desligar-se do tema sustentabilidade. Além de estar promovendo a cidade em âmbito turístico e comercial, até mesmo desprendendo-a um pouco de sua dependência portuária, a Jacques Vabre proporcionará oportunidades de trabalho e intercâmbio com os moradores.

Intercâmbio cultural no caminho da aventura Uma ação que me chamou a atenção foi o “Prêmio Transat Jacques Vabre de Jornalismo Impresso”, que envolveu estudantes do curso de Jornalismo matriculados na Univali. O concurso foi uma promoção do Comitê Central Organizador da regata transatlântica, em parceria com a Associação Transat Jacques Vabre, na França. A estudante Raquel da Cruz, 5º período do curso de Jornalismo da Univali, foi a vencedora do Prêmio Transat Jac-

ques Vabre de Jornalismo Impresso. Em segundo lugar ficou Karine Rosane Mendonça, do 6º período. As vencedoras ganharam viagem à França, curso intensivo de francês e ajuda de custo. As estudantes são colegas de trabalho no DIARINHO. Veleiros ao mar esforçando-se e seguindo esta aventura inimaginável. Vamos preparar a cidade para nossos heróis de alto mar, e que a sorte seja lançada !

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO | Carlos Renato Rodrigues REPORTAGEM | Alunos do Colégio Adventista de Itajaí

EDIÇÃO E COORDENAÇÃO PEDAGÓCICA | Ana Lúcia da Silva

REPRODUÇÃO

Por:Gabriela Cristina Marques – 14 anos 9º ano do Ensino Fundamental

Saindo da França até o Brasil, as mais de 40 embarcações que participarão da 20ª edição da regata Jacques Vabre atravessarão o Oceano Atlântico numa louca aventura

COORDENAÇÃO | Franciele Marcon SUPERVISÃO | Samara Toth Vieira

REVISÃO | Mariângela Franco


SUPLEMENTO DO DIARINHO | 7/10/2013

Jacques Vabre e a Rota do Café Por Karoline de Oliveira Brasil – 16 anos 2º ano do Ensino Médio

Quando se estuda a história do Brasil na escola, aprende-se que um dos principais produtos agrícolas produzidos em abundância no país, há muito tempo, foi o café. Alguns países europeus, apesar de serem famosos por seus cafés, não produzem um só pé do mesmo, en-

tão importavam e ainda importam café de países da América, caso da França, país onde nasceu a Regata Transatlântica Jacques Vabre. Mas de onde veio esse nome e o que essa história tem a ver com café? Jacques Vabre foi o filho do fundador da companhia cafeeira francesa Jacques Vabre, criada em 1968, grande importadora do café americano. A

empresa foi pioneira em tudo que fez em seu país de origem, e até hoje é muito reconhecida. Em 1993 a empresa criou a primeira versão da regata que levava o nome da própria empresa e do filho do fundador, que foi quem realmente a ergueu. Em todos os últimos anos a regata traçou as rotas dos grandes navios mercantes de café do século 17, sur-

gindo a partir de Le Havre, que foi a primeira cidade importadora de café na França. Por esses motivos a regata também é conhecida como a Rota do Café, ou “la Route du Café”. A regata está se tornando uma verdadeira tradição para a empresa, além do fato que “carrega” a marca para vários lugares da América. Ainda hoje, a França e outros pa-

íses da Europa precisam importar o café que tanto usam e apreciam, e apesar das tecnologias disponíveis hoje em dia serem muito mais avançadas que as do século 17, a tradição do comércio internacional de café se mantém firme, levando um pouquinho de cultura de cada vez pra todos os continentes do mundo.

Por Mateus Felipe C. C Pinto – 16 anos – 3º ano Ensino Médio

Uma comunidade francesa quase tão populosa quanto a nossa cidade – mas muito menor. É de lá que há 20 anos é dada a largada da regata transatlântica que vai ter Itajaí como ponto de chegada em novembro deste ano. No período da Segunda Guerra Mundial, Le Havre foi ocupada pelos alemães, assim como muitas outras cidades da França. A cidade foi radicalmente afetada pela guerra. Le Havre foi bombardeada pelos aliados, na tentativa de recuperar a cidade do domínio alemão. A esta ofensiva foi dado o nome de “tempestade de fogo e aço”. Mais de 90% da cidade foi deixada em ruínas – prédios, prefeitura, correios, igrejas, hospitais, escolas e lojas – além da inutilização do porto e da obliteração do sistema de distribuição de água, o que dificultava muito a tarefa de apagar os incêndios causados pelas bombas. Após a guerra, os urbanistas e políticos locais queriam restaurar a cidade, com uma nova identidade e com uma personalidade forte e moderna. Ficou então a encargo do arquiteto Auguste Perret o planejamento e a reconstrução do centro da cidade. Prédios públicos e de apartamentos

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Da França para Itajaí... foram projetados pelo próprio Perret. Em 2005, então, a UNESCO adicionou o centro histórico da cidade como Patrimônio Mundial da Humanidade. Apesar de tudo o que passou, a cidade de Le Havre conseguiu se superar e se reconstruir através dos anos. Hoje ela é o segundo maior porto da França e o maior porto de contêineres daquele país. Fica na região noroeste da França, e é intimamente relacionada com o comércio de café, pois foi a primeira cidade importadora de café na França. E é este fato que concedeu a ela o direito de ser a cidade de onde saem os veleiros da regata. Todos estes fatos mostram que, apesar das marcas da guerra, ela ainda assim pôde se reerguer e se tornar uma importante cidade da França.

Duas cidades que têm o porto como canal de entrada e saída de desenvolvimento. Le Havre (acima), cidade de onde partirão os barcos da Jacques Vabre, e Itajaí, onde os bravos velejadores chegam em terra firme

Cidade: Le Havre País: França Região: Alta Normandia População: 175.497 hab.


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Crônica:

Aprendizes de Poseidon Por Isadora da Silva Ricobom- 16 anos 3º ano Ensino Médio

Sempre gostei de mares, oceanos, águas profundas. Tudo o que fazemos é levado junto com as ondas, lágrimas, sorrisos e momentos inesquecíveis. Pensamos no que fazer sem ter noção do certo e errado, e o que levamos e mantemos são as conchas, as lembranças. Assim me parece ser esta aventura transatlântica chamada Jacques Vabre, onde os participantes precisam ser fortes e, junto com seu instinto natural de “Homem das Águas”, se tornarem como ondas: indestrutíveis. Carregam lembranças e, por onde passam, destroem expec-

tativas, clichês; trazendo o novo, o inesperado. Para suportar esse tsunami de aventureiros, uma cidade portuária: Itajaí, como uma espécie de fortaleza. Com seus pescadores, seu porto e o meu povo. Onde a alegria soa como sinfonia criada pelo maestro mar. Coração transbordando de força e orgulho, mergulhando na aventura e na busca incansável da vitória. O aprendizado do caminho é a maior recompensa, onde ninguém poderá rouba-lo. Nosso porto é aconchego de mãe para os filhos da vela, onde cada homem do mar, cada bravo guerreiro de Poseidon será eternamente bem-vindo.

Içando as velas: #partiuBrasil Por: Christian Wodson Frutuoso, 16 anos, 2º ano do Ensino Médio, e Ana Júlia Machado de Simas, 15 anos, 1º ano do Ensino Médio

A cordialidade do senhor Amílcar Gazaniga, engenheiro elétrico formado pela UFSC e um dos organizadores da regata Jacques Vabre, deixou os estudantes do Colégio Adventista bem à vontade para uma entrevista pro Aprendiz de Marinheiro, que já iniciou com uma pergunta profunda :

LUCAS CORREIA

Aprendiz de Marinheiro: Qual foi a sua reação ao perceber o impacto da Volvo Ocean Race na cidade? E o resultado foi compatível ao esperado? Amílcar Gazaniga: Inicialmente foi uma surpresa, sem dúvidas, eu não fazia ideia da proporção do evento. Itajaí necessita ser reconhecida, valorizada, é uma terra que tem capacidade de receber grandes eventos, apenas precisa ser encontrada e, para isso,a cidade precisa

Estudantes entrevistam o engenheiro Amílcar Gazaniga para saber tudo sobre o evento que vai movimentar a região no mês de novembro

de valorização e empenho para que as coisas aconteçam. AM: Qual o maior desafio enfrentado durante a travessia numa regata? AG: O maior desafio é a resistência versus tecnologia, porque a Jacques Vabre é para quem realmente ama o Atlântico e o Mediterrâneo, é uma verdadeira prova de resistência, apenas dois tripulantes a cada embarcação cruzando o oceano, formando o total de 44 barcos divididos em categorias, revezando e se mantendo assim até o fim da prova. A chegada já é o prêmio. É uma árdua viagem, porém a recompensa é a satisfação de ter aguentado e chegado ao fim. AM: Qual a meta deste evento? AG: Reconquistar o amor próprio dos itajaienses pela cidade, semear o desenvolvimento, dar valor às terras e locais tão belos, mostrar independência do porto perante as outras cidades. AM: Quem está envolvido na organização da Regata Jacques Vabre? AG: Existe um

grupo de voluntários formado por entidades e representantes da prefeitura, do Governo do Estado e polícia. O total de pessoas trabalhando ultrapassa 250 envolvidos. AM: A cidade tem estrutura para comportar uma edição de uma regata tão tradicional como a Jacques Vabre ? AG: Penso que não devemos deixar de realizar por conta de possíveis dificuldades. Há fatores contra e outros a favor. Devemos aproveitar o máximo possível desta regata para melhorar a cidade e nos adaptar, trabalhar empenhadamente para termos sucesso. Nem tudo são só flores (risos). Itajaí investirá apenas em estruturas que permanecerão na cidade. Há informações de que alguns hotéis da cidade estão sendo reformados e no último ano a prefeitura recebeu mais 30 propostas de empreendimentos que querem se instalar aqui. AM: E a parte econômica, como fica o orçamento? AG: Já que o evento é gratuito, não temos de onde tirar o dinheiro para investir, no entanto, o dinheiro vem dos patrocinadores e do próprio turismo. Nosso patrocínio máster é o Bradesco juntamente com a Caixa

Econômica Federal.Temos mais ou menos um milhão e 900 mil para investir nesta regata. AM: O que terá de especial a mais no evento? Terá surpresas? Qual a programação? AG: Terá uma vila da regata especial, montaremos uma espécie de cidade cenográfica feita de contêineres.Será tipo um labirinto onde cada corredor representará um país, e lá estará caracterizado por seus pontos turísticos, culinária, música, trajes, bandeira e afins... Teríamos também a partida da família Schurmann para uma expedição com destino ao Oriente,mas a aventura teve que ser adiada porque tiveram problemas como mastro do veleiro deles. Mas eles deverão estar um dia na vila da regata, para alguma programação. AM: E as crianças, o que terá de entretenimento para elas? AG: Nosso desafio é misturar lazer com aprendizado. Terá um cinema 3D, com filmes educacionais, e se a internet estiver com uma boa conexão, tentaremos investir também em mais um programa especial, que é se conectar com a NASA americana e conversar ao vivo com pessoas de lá, mostrando o local e tudo mais, ou até mesmo visitar o centro de Tokyo e outros locais fascinantes. Já existe um grupo de trabalho que visita as escolas levando informação sobre sustentabilidade, que faz parte da programação da Jacques Vabre. AM: O que será feito com o material que sobrar deste evento? Contêineres, lixo... E o que ficará para a cidade? AG: A vila da regata terá coleta seletiva, parte dos materiais que sobrarem deverá ser doada, outra parte reciclada ou ainda armazenada para eventos futuros. Além dos investimentos na cidade, os cidadãos terão orgulho de morar aqui, ampliarão seus conhecimentos. A cidade vai aprendendo a lição para readquirir o amor próprio, preparando o agora para o futuro.


Aprendiz de Marinheiro nº18