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ano 14 · nº 30 · junho 2013

TÉCNICA ANÁLISE DE ESTABILIDADE UTILIZANDO A TEORIA GENERALIZADA DE VIGAS PROJETOS REABILITAÇÃO E REFORÇO ESTRUTURAL DA PONTE DE ODEMIRA


Foi recentemente lançado o quinto manual da coleção de manuais técnicos da ECCS “ECCS Eurocode Design Manuals”. O manual “Design of Cold-formed Steel Structures” junta-se aos primeiros quatro manuais “Design of Steel Structures”, “Fire Design of Steel Structures”, “Design of Plated Structures” e “Fatigue Design of Steel and Composite Structures”.

ECCS Eurocode Design Manuals

Design of Steel Structures Autores: Luís Simões da Silva (Portugal), Rui Simões (Portugal) e Helena Gervásio (Portugal) Publicado por ECCS / Ernst & Sohn, 454 páginas PVP*: 70 euros | Preço Membro CMM*: 56 euros

Design of Cold-formed Steel Structures

Fire Design of Steel Structures Autores: Jean-Marc Franssen (Belgium) e Paulo Vila Real (Portugal) Publicado por ECCS / Ernst & Sohn, 452 páginas PVP*: 70 euros | Preço Membro CMM*: 56 euros

Autores: Dan Dubina, Viorel Ungureanu e Raffaele Landolfo Editora: ECCS, 674 páginas | 2012 PVP*: 70,00 euros | Preço Membro CMM*: 56,00 euros

* Ao preço indicado acresce o IVA à taxa aplicável.

Este manual aborda o dimensionamento das estruturas metálicas enformadas a frio em edifícios, baseado no Eurocódigo 3, em particular na norma EN 1993-1-3. Com este propósito, o livro contém o essencial dos conhecimentos teóricos e as regras de projeto para secções e placas metálicas enformadas a frio, assim como os respetivos elementos e ligações para a aplicação em edifícios. O livro inclui figuras e exemplos de dimensionamento, num total de 600 páginas. Estão expostos, em mais de 200 páginas, exemplos relevantes de trabalhos realizados, o que permite ao leitor uma melhor compreensão.

Design of Composite Structures (disponível em 2013) Autores: Markus Feldman (Germany) e Benno Hoffmeister (Germany)

Design of Connections in Steel and Composite Structures (disponível em 2013) Autores: Jean-Pierre Jaspart (Belgium) e Klaus Weynand (Germany)

Design of Plated Structures Autores: D. Beg (Slovenia), U. Kuhlmann (Germany), L. Davaine (France) e B. Braun (Germany) Publicado por ECCS / Ernst & Sohn, 285 páginas PVP*: 55 euros | Preço Membro CMM*: 44 euros

Fatigue Design of Steel and Composite Structures Autores: Alain Nussbaumer (Switzerland), Luís Borges (Portugal) e Laurence Davaine (France) Publicado por ECCS | Ernst & Sohn, 317 páginas PVP*: 55 euros | Preço Membro CMM*: 44 euros


editorial

A revista metálica chega nesta edição ao número 30. Para além dos habituais conteúdos, destacam-se os dois artigos, técnico e de projeto, um sobre a análise de estabilidade de vigas e outro sobre a reabilitação e reforço estrutural de uma ponte em Odemira. Referem-se também os artigos de opinião sobre legislação, arquitetura, soldadura e internacionalização das empresas. O artigo técnico apresenta uma revisão sobre os desenvolvimentos e aplicações da teoria generalizada de vigas, teoria aplicável a barras prismáticas com secção de parede fina. São apresentados os conceitos básicos para a análise de estabilidade aplicando a referida teoria e os respetivos desenvolvimentos recentes, proporcionando uma maior compreensão dos fenómenos de instabilidade inerentes ao projeto de estruturas metálicas.

Nuno Lopes Diretor

No artigo de projeto faz-se uma descrição das principais tarefas realizadas no projeto de reabilitação e reforço estrutural da ponte metálica rodoviária de Odemira (com mais de 70 anos de existência). São descritos os estudos realizados antes da fase de obra, as soluções adotadas de reabilitação e reforço estrutural e os ensaios estáticos e dinâmicos realizados. É sem dúvida uma intervenção muito interessante realizada numa obra de arte de estrutura metálica. Aproxima-se o II Congresso Luso-Africano em Construção Metálica Sustentável, que terá lugar em Moçambique (Maputo a 19 de julho). Depois de, no ano passado, este evento ter sido coroado de êxito em Luanda, antevê-se novo sucesso na procura da divulgação das mais recentes inovações e potencialidades no âmbito da construção metálica sustentável em África. Serão também objeto de apresentação e discussão neste fórum algumas obras importantes realizadas em África, bem como o trabalho desenvolvido pelas empresas Portuguesas. O evento de referência da cmm (o Congresso de Construção Metálica e Mista) terá a sua IX edição a 24 e 25 de outubro. Esta edição será realizada conjuntamente com o I Congresso Luso-Brasileiro de Construção Metálica Sustentável e, paralelamente, irá também decorrer a feira internacional “International Steel Construction Exhibition” de 23 a 26 de outubro. Estas realizações conjuntas proporcionarão um acréscimo do interesse dos temas a abordar, do número de participantes e da divulgação a facultar às empresas portuguesas.

Revista da Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista Dep. de Engenharia Civil Universidade de Coimbra Polo II . Rua Luís Reis Santos 3030-788 Coimbra - Portugal tel.: +351 239 09 84 22 tlm.: +351 96 50 61 249 fax: +351 239 40 57 22 internet: www.cmm.pt e-mail: cmm@cmm.pt

Por fim destaca-se a entrada em funcionamento do novo sítio na internet da cmm, com um aspeto mais moderno, novas funcionalidades e de mais fácil navegação. A cmm coloca ao dispor dos associados um novo meio de comunicação que, com certeza, valorizará a comunicação entre todos os intervenientes no setor.

sumário

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editorial

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notícias

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técnica análise de estabilidade utilizando a teoria generalizada de vigas (gbt)

nº 30 - Junho de 2013 Diretor Nuno Lopes Conselho Editorial Altino Loureiro, Avelino Ribeiro, Dinar Camotim, Filipe Santos, João Almeida Fernandes, José Rodrigues, Leonor Côrte-Real, Luis Figueiredo Silva, Luis Simões da Silva, Nuno Silvestre, Paulo Cruz, Paulo Vila Real, Rui Simões, Tiago Abecasis, Vitor Murtinho Propriedade cmm – Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista Redação, Design e Impressão Engenho e Média, Lda. ISSN 0874-3738 Depósito legal 128899 Tiragem 1500 exemplares

projetos 14 reabilitação e reforço estrutural da ponte de Odemira na en120 20 26 28 30

opinião arquitetura mercados internacionais legislação soldadura

32 36 37

atualidades formação e eventos cmm publicações notícias ECCS

50 anos de construção metálica e mista na europa 38 parte 16 – 2004/2005 CMM 40 em destaque – J.F.METAL 42 lista de membros agenda 44 calendário de eventos

Imagem da capa © LCW Consult SA

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notícias

© One Angel Square

One Angel Square – primeiro edifício de escritórios regional avaliado como “Outstanding” no índice BREEAM

Localizado em Manchester, o One Angel Square é um edifício em aço e betão com fachada em vidro duplo. O edifício, com 30,439 metros quadrados, tem 14 pisos, sendo que os andares não têm colunas, possibilitando um usufruto pleno do espaço, o que traz eficiência e flexibilidade à construção. Cada piso tem capacidade de se subdividir em seis zonas. O edifício dispõe de um átrio amplo que beneficia de luz natural em toda a sua extensão. Tem 146 lugares de estacionamento na cave.

O One Angel Square foi distinguido com a classificação “Outstanding” no índice BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method), sendo o primeiro edifício regional de escritórios a alcançar esta classificação no índice britânico que avalia a sustentabilidade dos edifícios. Concebido pelo gabinete de Arquitectura 3DReid, o edifício, concluído em fevereiro deste ano, custou aproximadamente 105 milhões de libras (cerca de 123 milhões de euros). www.oneangelsquare.co.uk

Novo Website CMM O novo website da CMM além de ter uma aparência mais atrativa e moderna, tem também um conjunto de novas funcionalidades que permitirá aos utilizadores aceder facilmente às novidades do setor, bem como a todas as atividades da CMM, nomeadamente: eventos, formação, loja on-line, comités técnicos, CMM Indústria, entre outros.

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Visite-nos em www.cmm.pt


notícias

Frisomat constrói pavilhão industrial para a Siemens © Frisomat

A Frisomat, empresa de construção de Aveiro, está a construir um pavilhão industrial com dois mil metros quadrados para a Siemens em Portugal.

A construção prefabricada será usada como uma subestação elétrica para proteger os equipamentos do tempo. A estrutura tem 24 metros de largura, 83 de comprimento e 8,5 metros de altura lateral. Para conceber este edifício foram usados pavilhões Astra, um modelo com grande espaço interior. Os duplos perfis ∑ (sigma), de espessura reduzida, encaixam perfeitamente uns nos outros .

www.frisomat.pt

PUB.

Este modelo admite várias possibilidades de personalização. É constituído na totalidade por aço galvanizado de componentes prefabricados. Apresenta uma estrutura de cobertura em vigas treliçadas e a inclinação do telhado é de 10º.

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notícias

Ciclo de Seminários Portugal Steel No âmbito do projeto Portugal Steel, um projeto de promoção e divulgação da construção metálica portuguesa, desenvolvido pela CMM e apoiado por 14 dos seus associados, tem sido levado a cabo um ciclo de seminários que decorre nas principais instituições de ensino nacionais.

Este ciclo de seminários, cujos objetivos passam por promover a marca Portugal Steel, a marca da construção metálica nacional, e a mensagem que sustenta a própria marca e que está relacionada com as principais vantagens da construção metálica face à construção tradicional de betão: ¬ Sustentabilidade da Construção Metálica ¬ Durabilidade de Construção Metálica ¬ Importância Económica do Setor Este ciclo de seminários, uma atividade pensada para lançar a marca Portugal Steel, e aproximar a comunidade académica do cenário da construção metálica, juntou centenas de interessados ao longo dos seus 5 seminários: ¬ 10 de março – DEC da Universidade de Coimbra ¬ 26 de março – IST ¬ 10 de abril – Universidade de Aveiro ¬ 17 de abril – FEUP ¬ 5 de junho – Universidade do Minho

Ao longo destas iniciativas, estiverem presentes, quer na função de oradores, quer como espetadores, algumas das grandes personalidades do setor, incluindo representantes das principais empresas a atuar na construção metálica em Portugal. Este ciclo de seminários veio-se a mostrar um enorme sucesso, quer na projeção da marca Portugal Steel, quer na promoção e divulgação da construção metálica portuguesa, quer ainda na própria difusão da CMM e das suas atividades, conseguindo-se atingir não só o público académico, mas também os mais diversos quadrantes do setor, os quais tiveram a oportunidade de conhecer e de contactar com a realidade do Portugal Steel, os seus objetivos e pressupostos. Aguardam-se a realização de mais iniciativas no âmbito deste ambicioso projeto, e eventualmente novos seminários Portugal Steel a realizar em instituições de ensino por todo o país.

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www.portugalsteel.com

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técnica

análise de estabilidade utilizando a GBT

análise de estabilidade utilizando a teoria generalizada de vigas (GBT) Dinar Camotim Professor Associado com Agregação Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Georrecursos e ICIST Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa

1. Teoria Generalizada de Vigas: Breve Descrição A Teoria Generalizada de Vigas (GBT), aplicável a barras prismáticas com secção de parede fina, é uma teoria (i) em que as equações de equilíbrio e condições de fronteira são expressas em termos de grandezas que dependem apenas de uma coordenada axial (formulação unidimensional), mas que (ii) incorpora conceitos de “teoria de placas”, o que permite tomar em consideração as deformações locais (das paredes) e a distorção das secções transversais. A principal inovação da GBT consiste no facto de a deformação da secção da barra ser encarada como uma combinação linear de funções de forma “especiais”, designadas por “modos de deformação” e que satisfazem um certo conjunto de condições de ortogonalidade. Esta “natureza modal” da GBT tem vantagens significativas em termos de (i) “clareza estrutural” e (ii) eficiência computacional. Assim, as variáveis que figuram nas equações de equilíbrio e condições de fronteira são as funções que fornecem as amplitudes das participações dos modos de deformação nas configurações deformadas das várias secções (“decomposição modal” da configuração deformada da secção da barra ao longo do seu comprimento). Por exemplo, na figura 1 os factores de

participação bi , bj e bk definem a configuração deformada da secção como uma combinação linear dos três modos de deformação i, j e k. O objetivo deste artigo é proporcionar uma visão conjunta das formulações e aplicações da GBT desenvolvidas no IST e respeitantes à estabilidade de barras e estruturas com secção de parede fina.

2. Análise de Estabilidade através da GBT: Conceitos Fundamentais Considere-se a barra prismática com a secção genérica (n paredes “finas”) da figura 2, a qual mostra ainda os sistemas de eixos locais (de cada parede). Na formulação da GBT, as componentes do campo de deslocamentos do folheto médio de cada parede, u(x,s), v(x,s) e w(x,s) – x é a coordenada axial e s é uma coordenada medida ao longo da linha média da secção – são dadas por u(x,s) = uk (s) fk,x (x)

v(x,s) = v k (s) fk (x)

w(x,s) = w k (s) fk (x) , (1)

onde (i) k satisfaz a convenção de soma, (ii) a vírgula indica derivação, (iii) uk(s), vk(s) e wk(s) são as componentes dos modos de deformação da secção e (iv) fk(x) são as funções que fornecem a variação das suas amplitudes ao longo do comprimento da barra.

Fig. 1 Configuração deformada de uma secção e respetiva decomposição modal da GBT

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técnica

análise de estabilidade utilizando a GBT

exemplo, a estabilidade de uma barra submetida a esforços uniformes é regida pelo sistema de equações diferenciais de equilíbrio 0

s

E Cik fk,xxxx – G Dik fk,xx + E Bik fk – l W j Xjlk fk,xx = 0

, (2)

onde (i) E e G são os módulo de elasticidade e distorção do material (elástico isotrópico), (ii) l é o parâmetro de carga, (iii) Cik , Dik e Bik são as matrizes de rigidez linear da secção (Cik e Dik – rigidez ao empenamento e à rotação de torção; Bik – rigidez s associada às deformações locais). Por fim, (i) Xjlk são as 0 componentes da matriz geométrica e (ii) Wj são os esforços de pré-encurvadura que atuam na barra.

Fig. 2 Configuração e eixos locais de uma barra prismática com secção parede fina arbitrária

Ao analisar o comportamento estrutural de uma barra através da GBT começa-se pela análise da secção, a qual fornece os seus “modos de deformação”, uk(s), vk(s) e wk(s), que figuram em (1)) – a “essência” da GBT. Estes modos de deformação incluem (i) os modos clássicos e ainda (ii) modos “de ordem superior”, envolvendo empenamento, distorção e flexão transversal das paredes da secção. A figura 3 mostra as configurações (no plano da secção) dos primeiros 13 modos de deformação de uma secção em C: (i) 4 modos de corpo rígido (extensão axial, flexão em torno dos eixos de maior e menor inércia e torção), (ii) 2 modos distorcionais (um simétrico e outro anti-simétrico) e (iii) 7 modos locais.

A solução do sistema (2) pode ser obtida através de vários métodos: (i) Método das Diferenças Finitas, (ii) Métodos de Galerkin/Rayleigh-Ritz (fornecem soluções “exatas” em barra simplesmente apoiadas – funções de aproximação sinusoidais) ou (iii) o Método dos Elementos Finitos, com elementos finitos de barra baseados na GBT – este último método (o mais versátil) foi desenvolvido no IST [1] e tem sido amplamente utilizado pelos seus investigadores.

2.1. Exemplo Ilustrativo Após obter os modos de deformação, através de procedimentos específicos que dependem do tipo de secção (a fig. 4 mostra vários tipos de secção de parede fina), efetua-se a análise da barra (ou estrutura), a qual (i) envolve operações independentes da geometria da secção e (ii) visa obter as funções fk(x), que fornecem a resposta estrutural procurada. Por

Para ilustrar a aplicação da GBT à análise de estabilidade de barras de parede fina, apresentam-se resultados relativos a colunas simplesmente apoiadas com secção em C e dimensões bw = 100 mm (altura da alma), bf = 60 mm (largura dos banzos), bs = 10 mm (largura dos reforços) e t = 2 mm (espessura da

Modos Globais (Corpo Rígido)

Modos Distorcionais

Modos Locais Fig. 3 Configurações (no plano da secção) de 13 modos de deformação da secção em C

(a)

(b)

(c)

(d)

Fig. 4 Secções transversais (a) aberta não ramificada, (b) aberta ramificada, (c) fechada (não ramificada) e (d) “mista”, combinando uma célula fechada com dois ramos abertos

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técnica

análise de estabilidade utilizando a GBT

parede). As curvas da figura 5(a) mostram a variação da carga de bifurcação (Pb ), em modos de instabilidade com uma semi-onda, com o comprimento L (escala logarítmica), (i) para cada modo de deformação (curvas superiores, a traço fino) e (ii) considerando todos os modos de deformação (curva inferior, a traço grosso). A figura 5(b) permite visualizar o grau de participação de cada modo de deformação nos modos de instabilidade das colunas. A observação destas figuras permite concluir que: (i) Para L < 75 cm, a curva relativa a todos os modos de deformação exibe dois mínimos locais, associados a instabilidades predominantemente local (7 + um pouco de 5 e 9) ou distorcional simétrica (5 + um pouco de 7). (ii) Em geral, os modos críticos de instabilidade local e distorcional exibem vários semi-comprimentos de onda (ns). Como as curvas relativas a ns > 1 se podem obter por translação horizontal da curva relativa a ns = 1, a carga crítica corresponde a instabilidade local para 0 < L < 24 cm (Pcr.min ≅ 183.4 kN) e a instabilidade distorcional simétrica para 24 < L < 116 cm (Pcr.min ≅ 154.4MPa). (iii) Para 75 < L < 250 cm, os modos de instabilidade têm uma semi-onda (ns = 1) e envolvem flexão, torção e distorção (2+4+6) – estabilidade “mista” (global-local).

Para 116 < L < 250 cm, Pcr corresponde a este modo de instabilidade. (iv) Para L > 250 cm, Pb (≡Pcr) decresce monotonicamente, podendo ocorrer instabilidade global por flexão-torção (2+4), para 250 < L < 600 cm, ou por flexão em torno do eixo de menor inércia (3), para L > 600 cm. (v) A diferença entre os mínimos locais das curvas superiores relativas aos modos de deformação 5 (distorcional simétrico) e 7 (local), e da curva inferior, relativa a todos os modos, deve-se à participação dos “restantes” modos de deformação no modo “crítico” de instabilidade (com ns = 1). Como estas diferenças são pequenas, os modos“críticos” de instabilidade são “quase puros”, como mostra o diagrama de participações modais (fig. 5(b)). Em colunas longas (L > 600 cm), as curvas relativas às bifurcações críticas e ao modo de deformação 3 coincidem – as colunas instabilizam por flexão em torno do eixo de menor inércia. (vi) O diagrama de participações modais quantifica a contribuição de cada modo de deformação (da secção) para a configuração do modo de instabilidade (da coluna) – a figura 5(c) mostra a “decomposição modal” da configuração do modo crítico de instabilidade da coluna com L = 150 cm.

(a)

(b)

(c) Fig. 5 Estabilidade de colunas com secção em C: (a) curvas Pb vs. L, (b) diagrama de participações modais e (c) decomposição modal do modo crítico de instabilidade (L = 150 cm)

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técnica

análise de estabilidade utilizando a GBT

Fig. 6 Elemento de parede de um material laminado compósito – sequência das lâminas que constituem a parede e orientação das fibras em relação aos bordos dessas lâminas

3. Análise de Estabilidade através da GBT: Desenvolvimentos Recentes Aborda-se agora a investigação desenvolvida recentemente (últimos 5-6 anos) no IST sobre a análise de estabilidade de barras e estruturas de parede fina. Toma-se para ponto de partida os problemas resolvidos e disseminados por Schardt [2] e Davies et al. [3], envolvendo (i) barras isoladas, (ii) simplesmente apoiadas, (iii) com secção aberta não ramificada ou rectangular oca, (iv) formadas por materiais elásticos lineares e (v) submetidas a diagramas de esforços uniformes. Abordam-se separada e sequencialmente os avanços relativos (i) à forma da secção, (ii) ao comportamento material, (iii) às condições de carregamento, (iv) às condições de apoio, (v) ao sistema estrutural e (vi) às aplicações a dimensionamento.

3.1. Forma da Secção Transversal A análise da secção desempenha um papel crucial na utilização da GBT e envolve conceitos e procedimentos que dependem do tipo de secção da barra. Recordando que as soluções de Schardt e Davies et al. dizem respeito a secções abertas ou fechadas não ramificadas, descrevem-se em seguida os avanços levados a cabo no IST: (i) Metodologia geral e sistemática para analisar secções abertas ramificadas [4]. Nos “nós de bifurcação” (3 ou mais paredes), a compatibilidade dos deslocamentos transversais só pode ser assegurada se os deslocamentos longitudinais em n–2 nós adjacentes forem dependentes dos 2 restantes – por este motivo, o número de modos de deformação “de empenamento” é sempre inferior ao número de “nós naturais” da secção. (iI) Metodologia geral e sistemática para analisar secções poligonais arbitrárias ramificadas [5], incluindo secções fechadas ramificadas (multicelulares) e secções que combinam células fechadas com ramos abertos. Tem de abandonar-se a hipótese de Vlassov nas paredes das células fechadas e determinar “modos de corte” – imposição de “distorções unitárias” em cada uma dessas paredes, através de combinações de deslocamentos transversais das paredes e deslocamentos longitudinais dos nós adjacentes. 10 metálica 30 . junho 2013

(iII) Metodologias para analisar secções circulares [6] e secções elíticas [7] (ocas). A principal particularidade reside no facto de as “funções de forma iniciais” terem como domínio toda a linha média da secção – i.e., não existe uma “discretização física” da secção (em nós).

3.2. Comportamento Material Relativamente à relação constitutiva do material, os avanços dizem respeito a (Schardt e Davies apenas efetuaram análises de estabilidade regime elástico): (i) Análises destinadas a estudar a bifurcação, em regime plástico, de barras constituídas por materiais elastoplásticos com endurecimento, tais como o alumínio ou o aço inoxidável [8, 9]. É necessário quantificar a evolução dos “módulos elásticos efetivos” ao longo da trajetória fundamental, o que implica efetuar uma análise incremental em fase de pré-encurvadura. (ii) Análises, em regime elástico, de barras laminadas compósitas formadas por resinas poliméricas reforçadas com fibras de materiais resistentes (e.g., fibras de vidro ou carbono) [10, 11]. Estas barras têm um comportamento elástico linear ortotrópico, dependendo a ortotropia (ii1) da orientação das fibras em cada lâmina, em relação aos seus bordos, e (ii2) da sequência das lâminas que constituem as paredes da barra – ver a figura 6.

3.3. Condições de Carregamento Os avanços relativos às condições de carregamento foram muito significativos, já que Schardt e Davies et al. só analisaram barras submetidas a esforços uniformes. Em particular, passou a ser possível analisar: (i) Barras sob carregamentos (i1) que gerem esforços (momentos fletores e/ou torsores) não uniformes e (i2) em que as forças transversais são aplicadas no centro de corte da secção. O sistema de equações (2) passa a [12] Cik fk,xxxx – Dik fk,xx + Bik fk – s

0

t

0

0

t

– l [Xjik (W j fk,x),x – Xjki (W j,x fk),x + W j,x Xjik fk,x] = 0

s

t

onde as matrizes geométricas Xjik e Xjik incluem os

, (3)


técnica

análise de estabilidade utilizando a GBT

efeitos (i1) dos gradientes das resultantes das tensões normais de pré-encurvadura e (i2) das resultantes das tensões tangenciais devidas à variação dos momentos fletores/torsores. (i) Barras submetidas a carregamentos com forças transversais aplicadas fora do centro de corte da secção. É necessário juntar ao sistema (3) a rigidez geométrica devida às tensões normais transversais de pré-encurvadura [13], determinadas através de uma análise de 1ª ordem. Passa a ser possível capturar (ii1) os efeitos da posição das cargas transversais e (ii2) fenómenos de instabilidade localizados (e.g., de almas).

3.4. Condições de Apoio Schardt e Davies et al. analisaram sobretudo barras simplesmente apoiadas, embora tivessem também considerado barras com secções extremas livres e encastradas. No entanto, os avanços efetuados no IST permitiram alargar bastante o espetro de condições de apoio que é possível considerar, tais como (i) vigas contínuas ou (ii) apoios com restrições locais e globais. Para esse facto muito contribuiu a formulação de elementos finitos baseados na GBT, cujo “pioneiro” se deve a Silvestre e Camotim [1] – este elemento finito foi depois objeto de vários “melhoramentos” (com os avanços das formulações da GBT).

3.6. Aplicações a Dimensionamento A mais recente/avançada regulamentação para estruturas de aço enformadas a frio (e.g., a Norte-Americana América e a Australiana/Neo-Zelandesa) permitem que a resistência última de uma barra de parede fina seja estimada através do “Método da Resistência Direta” (“Direct Strength Method” – DSM), cuja aplicação enovolve cargas e/ou momentos críticos das barras, bem como a natureza dos modos de instabilidade. Deste modo, a GBT está particularmente vocacionada para proporcionar aos projetistas (i) instrumentos de cálculo para obter esses resultados de estabilidade e/ou (ii) metodologias de dimensionamento que os utilizem forma eficaz. Nesse sentido, foi realizado o seguinte trabalho: (i) Obtenção de fórmulas analíticas para estimar cargas e momentos críticos de instabilidade distorcional de colunas, vigas e vigas-coluna com secção (i1) em C e Z [17] ou em “Rack” [18] e (i2) quatro condições de apoio. As fórmulas baseiam-se em análises que

Presentemente, podem analisar-se barras com apoios localizados [14], rígidos ou flexíveis, os quais permitem simular sistemas de contraventamento e/ou ligações com caráter pontual (e.g., ligações aparafusadas) – ver a figura 7. Os apoios são incluídos nas análises através de condições de restrição – o problema de valores e vetores próprios definido em (3) é resolvido sujeito a essas restrições.

3.5. Sistema Estrutural A possibilidade de analisar estruturas reticuladas, tais

(a)

como treliças ou pórticos, constitui um outro avanço muito significativo da GBT. Para considerar sistemas estruturais formados por barras com orientações distintas, é necessário modelar a compatibilidade entre os deslocamentos das secções extremas das barras ligadas nos “nós” – no caso do empenamento devido à torção, utiliza-se o conceito de “transmissão de empenamento” [15]. Torna-se necessário (i) transformar os graus de liberdade modais das secções extremas ligadas em deslocamentos nodais generalizados do ponto onde a ligação é materializada (interseção dos eixos das barras ligadas), através do conceito de “elemento de nó” [16], e (ii) estabelecer condições de restrição simulando a compatibilidade entre os deslocamentos das secções extremas devidos à flexão transversal das paredes ao empenamento devido à distorção [16]. Desenvolveramse modelos cinemáticos para ligações (i) entre duas ou mais barras com secção em I, U ou C, e (ii) com várias configurações – ligações não reforçadas e ligações reforçadas com chapas “em diagonal” e/ou “em caixa” (ver a figura 8).

(b)

(c)

Fig. 7 Apoios localizados que é possível simular através da GBT: (a) ligações aparafusadas, (b) contraventamentos rígidos e flexíveis, e (c) chapas transversais

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análise de estabilidade utilizando a GBT

(a)

(b)

(c)

(d)

Fig. 8 Ligações entre duas barras com secção em U: (a) ligação não reforçada e ligações reforçadas (b) em “diagonal”, (c) “em caixa” e (d) em “diagonal e caixa”

envolvem um (colunas) ou dois (vigas e vigas-coluna) modos de deformação – ver a figura 9 (barras de secção em C). (i) Elaboração do programa de cálculo GBTUL (GBT at the Technical University of Lisbon) [19], o qual permite efetuar análises de estabilidade (e também de vibração) em barras com secção de parede fina aberta e condições de apoio e carregamento diversificadas. Trata-se ainda de uma “versão b” (em período experimental), à qual se seguirá uma versão definitiva.

4. Considerações Finais O objetivo deste artigo consistiu em proporcionar uma visão global e unificada das formulações e aplicações da GBT desenvolvidas no IST e relativas à estabilidade de barras e estruturas de parede fina. Começou-se por apresentar uma introdução muito sucinta à GBT, incluindo (i) uma breve descrição dos seus aspetos fundamentais e (ii) uma rápida revisão dos principais conceitos e procedimentos envolvidos numa análise baseada na GBT. Finalmente, refira-se que, para além das análises de estabilidade, a GBT permite também efetuar outras análises estruturais de barras e estruturas de parede fina: análises de 1ª ordem, de pós-encurvadura, de vibração e dinâmicas.

Distribuição das Tensões Aplicadas

Modo de Instabilidade

Modo 5

Modo 6

Fig. 9 Modo de instabilidade distorcional de uma viga-coluna com secção em C: combinação linear dos modos de deformação distorcionais da GBT – simétrico (5) e anti-simétrico (6)

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REFERÊNCIAS [1] Silvestre N e Camotim D, “GBT stability analysis of pultruded FRP lipped channel members”, Computers & Structures, 81(18-19), 1889904, 2003. [2] Schardt R, “Generalised beam theory – an adequate method for coupled stability problems”, Thin-Walled Structures, 19(2-4), 161-80, 1994. [3] Davies JM, Leach P e Heinz DA, “Second order Generalized Beam Theory”, Journal of Constructional Steel Research, 31(2-3), 221–41, 1994. [4] Dinis PB, Camotim D e Silvestre N, “GBT formulation to analyse the buckling behaviour of thin-walled members with arbitrarily ‘branched’ open cross-sections”, Thin-Walled Structures, 44(1), 20-38, 2006. [5] Gonçalves R, Dinis PB e Camotim D, “GBT formulation to analyse the first-order and buckling behaviour of thin-walled members with arbitrary cross-sections”, Thin-Walled Structures, 47(5), 583-600, 2009. [6] Silvestre N, “Generalised Beam Theory to analyse the buckling behaviour of circular cylindrical shells and tubes”, Thin-Walled Structures, 45(2), 185-98, 2007. [7] Silvestre N, “Buckling behaviour of elliptical cylindrical shells and tubes under compression”, International Journal of Solids and Structures, 45(16), 4427-47, 2008. [8] Gonçalves R e Camotim D, “GBT local and global buckling analysis of aluminium and stainless steel columns”, Computers & Structures, 82(17-19), 1473-84, 2004. [9] Gonçalves R e Camotim D, “Thin-walled member plastic bifurcation analysis using generalised beam theory”, Advances in Engineering Software, 38(8-9), 637-46, 2007. [10] Silvestre N e Camotim D, “Second order Generalised Beam Theory for arbitrary orthotropic materials”, Thin-Walled Structures, 40(9), 791-820, 2002. [11] Silva NF, Silvestre N e Camotim D, “GBT formulation to analyse the buckling behaviour of FRP composite open-section thin-walled columns”, Composite Structures, 93(1), 79-92, 2010. [12] Bebiano R, Silvestre N e Camotim D, “GBT formulation to analyze the buckling behaviour of thin-walled members subjected to non-uniform bending”, International Journal of Structural Stability and Dynamics, 7(1), 23-54, 2007. [13] Basaglia C e Camotim D, “Enhanced generalised beam theory buckling formulation to handle transverse load application effects”, International Journal of Solids and Structures, 50(3-4), 531-47, 2013. [14] Camotim D, Silvestre N, Basaglia C e Bebiano R, “GBT-based buckling analysis of thin-walled members with non-standard support conditions”, Thin-Walled Structures, 46(7-9), 800-15, 2008. [15] Basaglia C, Camotim D e Silvestre N, “Torsion Warping Transmission at Thin-Walled Frame Joints: Kinematics, Modelling and Structural Response”, Journal of Constructional Steel Research, 69(1), 39-53, 2012. [16] Camotim D, Basaglia C e Silvestre N, “GBT buckling analysis of thinwalled steel frames: a state-of-the-art report”, Thin-Walled Structures, 48(10-11), 726-43, 2010. [17] Silvestre N e Camotim D, “Distortional buckling formulae for coldformed steel C and Z-section members: part II – validation and application”, Thin-Walled Structures, 42(11), 1599-629, 2004. [18] Silvestre N e Camotim D, “Distortional buckling formulae for coldformed steel rack-section members”, Steel & Composite Structures, 4(1), 49-75, 2004. [19] Bebiano R, Silvestre N e Camotim D, GBTUL 1.0b – Code for Buckling and Vibration Analysis of Thin-Walled Members, programa disponível em http://www.civil.ist.utl.pt/gbt, 2008.


projetos

ponte de Odemira

reabilitação e reforço estrutural da ponte de Odemira na en120

Victor Barata Engenheiro Civil, LCW Consult SA, Algés Fernando Gonçalves Engenheiro Civil, LCW Consult SA, Algés

1. Introdução O presente artigo aborda os estudos do projeto de reabilitação e reforço estrutural da Ponte metálica rodoviária de Odemira, com mais de 70 anos de existência.

2. Características da obra inicial Trata-se de uma ponte com 132,15 m de extensão, repartidos por quatro tramos simplesmente apoiados, um com 42,15 m de vão em arco treliçado e os restantes três com 30.00 m de vão em treliça de altura variável. A sua construção decorreu entre 1935 e 1941. Aquando da execução desta obra foram aproveitados o encontro do lado de Odemira e o pilar de encontro já existentes, tendo sido reconstruído o encontro do lado de S. Teotónio e construídos os restantes pilares. Para a materialização do tabuleiro foi utilizado material proveniente dos caminhos-de-ferro, nomeadamente os três tramos do lado de Odemira (figuras 1 e 2). As cordas inferiores das treliças metálicas são ligadas por carlingas que, em conjunto com longarinas secundárias, suportam a laje do pavimento, em betão 14 metálica 30 . junho 2013

armado. As duas treliças estão ainda ligadas na sua face inferior por contraventamentos horizontais em cruz de S.to André. No tramo 4 (figura 2) existe um contraventamento superior constituído por duas travessas e diagonais em cruz de S.to André. Os elementos do tabuleiro são constituídos, em geral, por perfis compostos formados por perfis metálicos laminados tipo "I", "U" ou "L", em conjunto com chapas ou "trellis". Os diferentes nós são materializados recorrendo a chapas de forra, cantoneiras de ligação e "goussets". Todas as ligações dos elementos e dos reforços são asseguradas por rebites. Os aparelhos de apoio são metálicos do tipo rótula e de roletes, consoante se trate de aparelhos fixos ou móveis. Cada tramo apresenta-se com aparelhos de apoio móveis numa extremidade e fixos noutra. Os encontros e o pilar P3 são constituídos por alvenaria de pedra enquanto os pilares P1 e P2 são de betão armado, constituídos por dois fustes circulares com 1,80 m de diâmetro, ligados entre si por contraventamentos em cruz de S.to André (figura 3).


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> Fig.1 Ponte de Odemira antes de 1935 (esquerda) e depois de 1941 (direita).

> Fig.2 Alçado e planta da Ponte de Odemira.

As fundações são de diversos tipos, existindo fundações diretas, indiretas por estacas de madeira e pegões de betão armado.

3. Estudos realizados antes da fase de obra

A faixa de rodagem, situada entre as vigas principais, tinha, após a sua construção, uma largura útil de 5,0 m ladeada por lancis de 0,30 m de largura. Exteriormente às vigas principais estão dispostos os passeios, também em estrutura metálica, com cerca de 0,80 m de largura disponível.

Os estudos iniciaram-se em 2004, com a realização de uma Inspeção Principal e consequente avaliação estrutural da obra existente. Na sequência destes estudos, o Instituto das Estradas de Portugal (IEP) contratou a Lisconcebe, atual LCW, para desenvolver o Projeto de Reabilitação e Reforço Estrutural. Os trabalhos da

3.1. Introdução

< Fig.3 Pilares da Ponte de Odemira: de betão armado (esquerda) e de alvenaria (direita).

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empreitada iniciaram-se em janeiro de 2011, tendo a ponte sido reaberta à exploração rodoviária cerca de um ano depois.

3.2. Inspeção principal A Inspeção Principal teve como objetivo definir o grau de conservação e estado de manutenção da obra, tendo-se extraído as seguintes conclusões:

4. Soluções de reabilitação e reforço estrutural 4.1. Objetivos e estratégia da intervenção Embora existissem constrangimentos rodoviários, a solução escolhida não pode contemplar a substituição integral do tabuleiro e o seu alargamento.Deste modo, os objetivos da intervenção foram os seguintes:

1 Corrosão generalizada na estrutura metálica; 2 Pavimento muito desgastado e com juntas abertas sobre as travessas, permitindo a passagem de água através da laje; 3 Elementos metálicos da superstrutura danificados devido a embates de veículos; 4 Estado de manutenção deficiente.

1 Manutenção do funcionamento global da estrutura; 2 Verificação da segurança do tabuleiro de acordo com os códigos atuais, para a classe de sobrecargas rodoviárias Tipo I (RSA), e da infraestrutura à ação sísmica regulamentar (RSA); 3 Preservação patrimonial e ambiental; 4 Processos construtivos viáveis aos condicionamentos existentes; 5 Relação equilibrada custo/benefício.

3.3. Levantamento geométrico

4.2. Soluções estruturais preconizadas

Foi realizado um levantamento geométrico para confirmar os elementos gráficos que existiam da obra.

4.2.1. Reforço estrutural do pilar P3 em alvenaria Devido às incertezas em relação ao tipo de fundações do pilar P3 considerou-se, na fase de projeto, o reforço do pilar e das suas fundações através da utilização de microestacas, as quais, ao atravessarem o pilar, consolidam e dão ductilidade ao seu fuste de alvenaria de pedra e, através do seu posicionamento e inclinação, conferem resistência às ações horizontais.

3.4. Ensaios e medições sobre os materiais metálicos Foram realizados pelo Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ) diversos ensaios sobre provetes metálicos da ponte Concluiu-se que os valores médios da tensão de cedência e de rotura são de 292 MPa e 370 MPa, respetivamente. No ensaio de fadiga, embora o número de provetes ensaiados tenha sido reduzido, foi possível estimar uma resistência dos provetes à rotura aos 2x106 ciclos, superior a 200 MPa. No Projeto de Execução, considerou-se um material equivalente ao aço S235 para a estrutura existente.

4.2.2. Reforço estrutural da estrutura metálica As intervenções preconizadas no Projeto de Execução para o tabuleiro para garantir a segurança estrutural foram as seguintes: 1 Reforço da corda superior do tramo 4, através da adição de chapas metálicas, no topo e na base da secção (figura 4); 2 Substituição do contraventamento superior do tramo 4 (figura 4);

< Fig.4 Solução de reforço da corda superior no tramo 4 e substituição do contraventamento superior.

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> Fig.5 Solução de reforço da corda superior nos tramos 1,2 e 3.

4.2.3. Substituição da laje do tabuleiro Com o objetivo de reduzir a carga permanente do tabuleiro, e resolver os problemas de permeabilidade da laje existente, esta foi substituída por uma nova laje de betão leve armado, realizada a coberto de pré-lajes colaborantes, também em betão leve (figura 7). 4.2.4. Substituição dos aparelhos de apoio Alterou-se o sistema de ligações ao exterior dos diferentes tramos para apoios de neoprene cintado de alto amortecimento.

PUB.

3 Reforço da corda superior dos tramos 1, 2 e 3 através da adição de cantoneiras na zona inferior da secção (figura 5); 4 Correção de perfis principais danificados por embates de veículos (diagonais e montantes); 5 Substituição de elementos secundários danificados (“trellis” e guarda-corpos); 6 Introdução de escoras metálicas na zona dos apoios dos tramos 1, 2 e 3, de modo a permitir as operações de levantamento dos tabuleiros para a substituição dos aparelhos de apoio (figura 6).

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> Fig.6 Escora metálica nos tramos 1,2 e 3, na zona dos apoios.

> Fig.8 Alargamento do passeio do lado de jusante.

Esta opção justificou-se pelas seguintes razões: 1 Redução das forças sísmicas através de isolamento de base; 2 Dissipação de alguma energia da ação sísmica; 3 Distribuição das forças sísmicas por todos os apoios; 4 Garantia de um bom funcionamento em serviço. 4.2.5. Alargamento de um dos passeios Preconizou-se o alargamento do passeio do lado de jusante da obra de arte para uma largura útil de 2,50 m (figura 8). 4.2.6. Reabilitação estrutural Em termos de reabilitação da obra, foram definidos os seguintes trabalhos: 1 Aplicação de nova proteção anti-corrosiva; 2 Execução de uma nova laje de betão leve armado, permitindo o acesso à grelha de suporte metálica e assim proceder a trabalhos de reabilitação; 3 Limpeza dos pilares, selagem das fendas existentes e pintura das superfícies de betão e de reboco; 4 Substituição das juntas de dilatação metálicas por juntas de dilatação em neoprene cintado. 5 Instalação de guardas de segurança e de lancis em betão armado, de modo a proteger a estrutura metálica de futuros embates de veículos; 6 Reparação do sistema de drenagem. 7 Aplicação de tapete de betão betuminoso com 0,03 m. É de salientar o uso, sempre que possível, de ligações rebitadas (figura 9). O material de reforço utilizado foi o 18 metálica 30 . junho 2013

> Fig.7 Substituição da laje de betão armado (fase de colocação das pré-lajes).

> Fig.9 Aplicação de rebites nas soluções de reforço.

aço S235, de modo a que os elementos existentes e os de reforço “funcionem” com tensões semelhantes.

5. Intervenções complementares ao projecto de execução Após a remoção da laje existente foi possível inspecionar as faces superiores das carlingas e longarinas secundárias bem como as zonas de arranque das cordas superiores, montantes e diagonais ao nível da laje. Constatou-se que as carlingas e as longarinas secundárias dos quatro tramos estavam em boas condições. Mas as zonas de arranque dos restantes elementos apresentavam uma corrosão

< Fig.10 Corrosão acentuada no arranque das cordas e dos montantes ao nível da laje.


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avançada e, em alguns casos, com perda total da secção das chapas (figura 10). Esta situação era mais evidente no tramo 4. Assim, numa primeira fase, foi promovido um levantamento exaustivo de todas as zonas deterioradas de modo a estabelecer um conjunto de soluções padronizadas. Depois deste levantamento, definiu-se um conjunto de soluções de reforço/reabilitação.

6. Ensaios estáticos e dinâmicos Foi realizado um ensaio dinâmico aos tramos 1, 2 e 3 já no decorrer da empreitada, embora ainda não se tivessem iniciado os trabalhos no tabuleiro. No tramo 4, que possibilita a travessia do Rio Mira, optou-se por não realizar o ensaio uma vez que já tinha sido montado um andaime suspenso.

Aguarda-se a realização da repetição do ensaio dinâmico e de um ensaio estático, agora que a intervenção terminou, conforme está previsto no Projeto.

7. Conclusões Da experiência de elaboração deste projeto e do acompanhamento da obra conclui-se o seguinte: – Numa intervenção sobre uma estrutura existente torna-se fundamental conhecer profundamente, para além da sua constituição e funcionamento estrutural, o seu estado de conservação e manutenção, por forma a definir as melhores soluções, prever com maior rigor o prazo da empreitada e estimar com maior exatidão o orçamento envolvido. – As soluções devem ser o menos intrusivas possível, respeitando o funcionamento estrutural e as características da estrutura, evitando, assim, problemas inesperados no futuro, para além de garantir o respeito pelo património existente. Desta forma, deve-se reforçar a obra, respeitando a regulamentação em vigor, mas não se exigindo a uma estrutura “antiga” a funcionalidade e a durabilidade de uma estrutura nova.

PUB.

Constatou-se que os resultados dos modelos de cálculo utilizados no Projeto são concordantes com as medições in-situ.

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open building: um processo em aberto

por Prof. Vítor Murtinho Universidade de Coimbra

Devemos propor uma arquitetura que seja capaz de separar o que permanece do que muda, onde se estabeleçam claramente as responsabilidades nas diversas escalas do projeto urbano e arquitetónico. John Habraken in Supports: Housing and City

De notar que, enquanto ato cultural, a arquitetura está quase sempre ancorada a um sítio e em termos de relacionamento com o próprio espaço, a relação com a cidade, com os edifícios e com o habitat é o resultado das nossas perceções, dos nossos afetos, da nossa identificação com esse lugar. A construção é um processo complexo que envolve múltiplas atividades e distintos intervenientes, se bem que no processo de conceção exista um coordenador geral do projeto, sendo este responsável pela definição do modelo organizativo e da forma final do edifício, quer na sua componente estética, quer nas diferentes escolhas de materiais. Em termos normais, a habitação funciona como um refúgio para os seus utilizadores e, com o passar do tempo, são estabelecidos e incrementados determinados níveis de afeiçoamento, quer com o espaço quer com os objetos que o enquadram. O espaço doméstico permite, inexoravelmente, o desenvolvimento de situações de conforto físico e psicológico. Nesse âmbito, para além das questões tangíveis, o espaço permite a formação de relações emocionais e de experiências sensitivas, baseadas sobretudo na conjugação de um sentido de abrigo e na formação da memória, constituindo, por isso, no seu todo, uma atmosfera particular e especial.2 20 metálica 30 . junho 2013

Num mundo tão frenético como aquele que a contemporaneidade nos oferece, onde a cada momento se descobre uma realidade ativa e em permanente mudança, rapidamente percebemos que, mesmo naquilo que durante séculos era considerado ainda relativamente estável, a habitação apresenta com frequência uma necessidade de sofrer modificações ou adequações. Constata-se que, devido a situações de identificação social, por sucessivas alterações no tipo de vida, devido a novas possibilidades tecnológicas, ou mesmo na variação da própria composição familiar, com facilidade pode o domicílio ter que mudar ou adaptar-se a novos paradigmas.1 Analisando hoje os edifícios em termos do seu desempenho ao longo da nossa vida, verificamos que estes quase sempre apresentam alterações, mais ou menos profundas, e que são o resultado das solicitações funcionais a que foram sendo, sucessivamente, sujeitos.

Durante a nossa atividade normal, subsiste a vontade de estabelecer ajustamentos, mais ou menos profundos, de modo a que as edificações respondam às necessidades contingentes da vida e das vivências. Nesse sentido, é importante que as residências continuem atrativas, seguras e úteis. Os motivos para as alterações tanto poderão ser de ordem emocional, funcional ou espacial como de ordem financeira, e terão como implicação a necessidade de ampliar ou reduzir espaços ou simplesmente remodelar ou reorganizar a habitação. As famílias crescem ou minguam, não sendo possível definir nenhum sentido óbvio para esta direção. Hoje, as pessoas constituem família e desfasem família a um ritmo nunca antes visto. As novas vivências e as recentes vicissitudes que a vida moderna nos oferece levam a repensar os modos de projetar o espaço e de o habitar. Este paradigma da

1 Ver Habraken, John et alii, Variations, The Systematic Design of Supports, MIT Laboratory of Architecture and Planning, Massachusetts, 1976, pp. 39 a 44. 2 Ver Bosma, Koos et alii, Housing for the Millions. John Habraken and the SAR (1960-2000), NAi Publishers, Amesterdão, 2000, p. 12.


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modernidade induz a modos diferentes de ser, de estar e, por extensão, de apropriação dos espaços de intimidade. Como caminho, mas também como oferta, encontramos a peculiaridade da defesa e implementação de processos abertos com separação de responsabilidades na definição e regramento dos domínios público e de domesticidade. Um processo aberto – ou open building – é uma metodologia que enfatiza a delimitação das esferas individual e coletiva dos espaços, dando relevância social à primeira e deixando a segunda, obviamente, nas mãos dos arquitetos, com predomínio decisório no utente. Assim, o conceito de open building é uma hipótese que requer algumas, mas necessárias, adaptações legislativas de modo a possibilitar que os utilizadores dos espaços tenham uma maior intervenção ao nível do modo como se organizam os espaços domésticos e se definem as diferentes materialidades. Ou seja, não descurando a importância de um desenho geral e coerente é importante que, paralelamente, no modo como se concretizam os espaços, designadamente em termos de acabamentos, estes reflitam critérios de qualidade mas que também se encontrem na linha de gosto e de acordo com as expectativas dos seus utilizadores finais. Ou seja, a consciência do tipo de vida atual, onde se incrementam respostas cada mais diversificadas e até há bem pouco tempo inusitadas, onde o trabalho se desenvolve, inclusive, recatadamente no lar, onde recorrentemente os modos de viver e de trabalhar se imiscuem e se confundem, impõem novas vivências, determinando modelos ativos e peculiares de organização espacial. A ideia é desenvolver conjuntos residenciais que cumpram, por princípio, as normas prescritas e inerentes a cada lugar, nos seus diferentes aspetos, mas que, simultaneamente, possibilitam uma capacidade intrínseca de adaptação suficiente para ir ao encontro de necessidades transversais ou específicas. A lógica é que no processo urbano de definição geral do modelo organizativo e da envolvente construída subsista uma coerência formal e integradora de acordo com determinados princípios e no respeito com as preexistências. Assim, no sentido urbano, é definido globalmente a implantação de determinado edifício, considerando as relações previstas em plano pormenorizado ou em harmonia com a lógica de quarteirão ou alinhamento de rua, enquadrando-se na definição normativa de volumetrias, cérceas desejáveis e formalização de fachadas exteriores segundo princípios integradores e em respeito e compatibilidade estética com eventuais construções adjacentes. Todos estes aspetos, ainda muito ao nível macro, devem potenciar uma estabilidade em termos de espaço urbano, designadamente em termos de edifício e na sua relação com o espaço público. Ou seja, a intenção é que em termos comunitários, a configuração de ruas, praças,

3 O livro de John Habraken tem o título em língua inglesa de Supports: an Alternative to Mass Housing e foi publicado pela The Architectural Press, Londres, 1972. 4 Foundation for Architects’ Research ou Fundação para a Investigação dos Arquitetos.

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> Thomas Gerrit Rietveld, plantas da Casa Schröder com variante de transformação do interior Utreque, Holanda, 1924

passeios e espaços verdes apresentem uma forma regulada e relativamente perene, permitindo a estabilidade emocional dos usufrutuários e um equilíbrio com o estilo de vida dos cidadãos. Já ao nível do edificado, tornase importante definir para cada construção um modelo organizativo global, designadamente com a localização das infraestruturas técnicas e o desenho rigoroso das diferentes circulações públicas ou semiprivadas. Desse modo, a caracterização de pontos genéricos e concentrados para as infraestruturas de saneamento e elétricas, de comunicações, é muito útil para posterior organização do espaço interior. A convergência das infraestruturas e zonas marginais, simultaneamente integradas, permite a definição de espaços interiores amplos e com maior potencial de multiplicidade organizativa. Historicamente, o conceito de open building surge pela primeira vez em 1962 no livro do arquiteto John Habraken denominado Suportes: uma alternativa para a habitação em massa, publicado inicialmente em holandês e depois, mais amplamente divulgado, com versão inglesa em 1972.3 Partindo da evidência da existência de duas componentes na parte habitacional, uma de cariz mais pública e comunitária e uma outra mais privativa e individual, é assumido que, no primeiro domínio, as coisas ocorrem de modo mais estável e perene, mas que no segundo, por ser mais focalizado por interesses específicos, existe muita margem para ajustamento e adequabilidade. Este paradigma que, para além da Holanda, se haveria de estender rapidamente a diversos outros países, designadamente Japão, Finlândia, Inglaterra ou Estados Unidos, teve a sua génese mais formal quando, em 1964, foi criada uma fundação para a investigação destes problemas com a designação comum de SAR4 (Stichting Architecten Research) com sede em Eindhoven e sob a direção de Habraken. De facto, tinha-se concluído que, decorridos vários anos e múltiplas experiências no período subsequente à Segunda Guerra Mundial, as várias propostas veiculadas por um Movimento Moderno mais ortodoxo não respondiam, 21 metálica 30 . junho 2013


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convenientemente, à necessidade de flexibilidade do espaço habitacional nem incentivavam o caráter participativo dos indivíduos em termos da definição dos programas de alojamento coletivo. Posteriormente, por exemplo, já durante a década de oitenta a Universidade de Tecnologia de Delft (TU Delft) criava um grupo de investigação (OBOM) que segundo a direção de Age van Randen, procedia ao estudo das soluções práticas entretanto desenvolvidas e que prova a dinâmica entretanto gerada em torno deste tipo de problemáticas. No caso português, a operação urbana, disseminada um pouco por todo o país e designada como Serviço de Apoio Ambulatório Local, comummente conhecido como processo SAAL, pretendeu, através de brigadas técnicas com conhecimento pormenorizado dos sítios e participadas pela população que residia nos bairros degradados e para os quais se pretendia criar resposta qualificada, dar, em parte, resposta ao problema da produção em série e descontextualizada tanto dos habitantes como, muitas das vezes, do contexto urbano.5 No entanto, esta resposta, mesmo contando com os mais prestigiados arquitetos nacionais, que freneticamente se empenharam em construir uma verdadeira arquitetura fundada a partir dos anseios e necessidades das populações que se pretendia alojar, acaba por ser uma resposta especializada e dedicada. No resultado, quer pelos sistemas construtivos utilizados, quer pelas soluções preconizadas, constitui um naipe diversificado de projetos que apresentavam muito pouca flexibilidade no modelo de organização do espaço, com soluções muito confinadas à solução base de partida e com muito reduzida capacidade de reorganização e adaptabilidade funcional. Assim, esta importante experiência portuguesa, apesar de ter muito presente o caráter participativo dos habitantes, constitui em cada núcleo uma resposta relativamente uniformizada para os problemas específicos de cada comunidade, sem ser globalmente uma adaptação individualizada. Considerando este ensaio nacional muito importante, a verdade é que, se este dá resposta num determinado contexto histórico a problemas específicos de uma determinada coletividade, não consegue ainda resolver suficientemente os problemas decorrentes do próprio uso de diferentes especificidades que aparecem com o decorrer do tempo, das alterações dos níveis de vida e do aparecimento de novas necessidades. Assim, se naquilo que se refere ao domínio público as coisas ocorrem com mais estabilidade e não sendo preciso, com frequência, proceder a grandes ou dispendiosas alterações, na esfera do privado, no contexto da unidade residencial, no modo de apropriação do espaço, é crucial que haja espaço para a individualidade e que seja possível dar eco à singularidade de cada um. Habraken, contrariando os princípios exarados por Le Corbusier da habitação como máquina de habitar, entende que a casa não deve ser tratada como um produto em massa, como se tivesse sido feita a partir de uma linha de montagem. Um dos casos mais emblemáticos, e construído do conceito corbusiano de machine à habiter, é o bloco da unidade de habitação em Marselha, iniciado em 1951, no rescaldo da segunda Guerra Mundial e que tinha 22 metálica 30 . junho 2013

open building 5 Para um melhor desenvolvimento deste assunto ver Bandeirinha, José António, O Processo SAAL e a Arquitectura no 25 de Abril de 1974, Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 2007. 6 Ver Sbriglio, Jacques, L’Unité d’Habitation de Marseille, Éditions Parenthèses, Marselha, 1992. 7 Ver Küper, Marijke e van Zijl, Ida, Gerrith Rietveld, The Complete Works, Centraal Museum Utrecht, Utreque, 1992, pp. 97 a 101. 8 Ver Riley, Terence e Bergdoll, Barry, Mies in Berlin, The Museum of Modern Art, Nova Iorque, 2001, pp. 210 a 217.

uma capacidade para albergar 1600 pessoas, constituindo inexoravelmente um dos ícones mais carismáticos de alojamento coletivo enquadrado pelo Movimento Moderno em arquitetura.6 Já antes de Habraken e na procura de flexibilidade espacial e da capacidade de transformação do espaço, haveria Thomas Gerrit Rietveld ensaiado na sua proposta para Truus Schröder, no ano de 1924 em Utreque na Holanda, e enquadrado no movimento de arquitetura denominado De Stijl, uma habitação com dois andares, onde as paredes do piso superior por serem amovíveis apresentavam uma inovadora possibilidade de desenho, de recriação, de uso do espaço.7 Três anos mais tarde, em 1927, no bairro experimental de Weissenhof, o arquiteto moderno Mies van der Rohe constrói um bloco de apartamentos com estrutura em aço, permitindo o pleno do espaço amplo e livre para qualquer tipo de solução arquitetónica no interior de cada unidade, graças à introdução de uma fachada de vão contínuo envidraçado.8 Este edifício é particularmente importante em termo de História da Arquitetura pois Mies é um dos elementos que promovem sistematicamente a utilização de estruturas em aço e um dos criadores do movimento designado como Estilo Internacional. Do modelo estereotipado de habitação standard, com caráter generalista e com um programa definido segundo um princípio de idealidade, como se cada unidade pretendesse responder a um cliente abstrato e com interesses e vivências análogas a todos os outros, resultaram algumas propostas esquematizadas

< Yona Friedman, Arquitetura Móbil


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e repetidas. Outros autores houve que em termos propositivos foram ainda mais audazes do que Le Corbusier, pois se este, sem qualquer preconceito ou problema de consciência, se disponibilizou para arrasar o centro histórico de Paris e aí implementar um pedaço de cidade moderna com a proliferação abundante de unidades residenciais semelhantes à de Marselha, por exemplo Yona Friedman desenvolveu um modelo urbano sobreposto à própria cidade consolidada. Esta utopia, baseada na edificação de uma megaestrutura que se desenvolvia livremente, quer sobre os edifícios quer sobre os espaços rurais, ambicionando criar novas estruturas habitadas, fazendo do ar o local mais apropriado para propor toda uma série de células que aleatoriamente se poderiam dispersar por qualquer ponto no espaço aéreo. Este tipo de cidade espacial haveria de ser designada por Friedman de arquitetura móbil, numa clara alusão ao facto de as células residenciais aparentarem estar suspensas e de induzirem à possibilidade de se movimentarem no espaço. Esta arquitetura móbil permitia todo o tipo de transformação, sem implicar uma demolição total, possibilitando a cada habitante alterar a forma, a orientação, o estilo ou o volume.9 E, apesar de não vermos este modelo urbano devidamente implementado, em boa verdade, no que se refere detalhadamente à célula familiar, as investigações mais recentes tentam reencontrar metodologias que salvaguardem o máximo de flexibilidade do espaço em termos de potencial diverso de vivências e que apresentam excelsas propriedades de adaptabilidade. O objetivo principal é, de modo sistematizado, contrariar a homogeneidade provável da habitação em massa enquanto produto, completamente encerrado e de caráter repetitivo. Neste modelo conceptual, dominante mesmo agora no dealbar do século XXI, temos conceitos baseados em princípios onde aquilo que mais especificamente à habitação apresenta alguma capacidade de adequação em função do tipo e formato do inquilino. Mesmo na resposta mais tradicional da habitação, é muito comum

< Yona Friedman, Torre Eiffel Paris, 1960

open building 9 Ver Friedman, Yona, L’Architecture Mobile, vers une cité conçue par ses habitants, Casterman, Bélgica, 1970.

os construtores não concluírem os acabamentos dos espaços interiores, deixando que estes possam ser definidos em acordo com o futuro proprietário. Não é uma situação muito desejável por parte de alguns empreiteiros, pois o facto de existirem múltiplos acabamentos dificulta a obtenção de melhores preços em virtude de existirem menos quantidades de cada material e mais diversidade de materiais, obrigando a mais fornecedores. Mas em boa verdade, e principalmente em períodos de dificuldade de escoamento de habitações no setor imobiliário, esta possibilidade de escolha é cada vez mais uma realidade. Atualmente o mercado já está rendido a este processo na situação concreta das grandes superfícies comerciais. Assim, é comum, neste setor específico, os vários espaços, sendo organizados por funções, cada loja individual é comercializada com planta livre, ficando alguns espaços de uso mais diversificado – como por exemplo instalações sanitárias de pessoal e balneários e vestiário – em zonas específicas e de serviço mais geral para todo o empreendimento. Em cada espaço de loja ficam, então, localizados somente os pontos de entrada das infraestruturas globais, tais como energia elétrica, telecomunicações, águas e esgotos; normalmente a infraestrutura de ar condicionado, porque variável consoante a função do espaço, não está incluída nesta oferta básica, tal como também acontece no caso de edifícios do tipo open building. Se fosse possível fazer a distinção nos edifícios de duas partes, uma mais comum e mais duradoura, relacionada com as partes de uso comum e ao nível da formalização exterior e uma outra, mais relacionada com a esfera privada de cada inquilino, poderíamos definir uma parte estável, porque de interesse mais coletivo ou de grupo e uma outra mais flexível pois dependente exclusivamente de interesse privado. A definição de duas componentes globais permite fixar uma parte como inamovível e outra como facilmente alterável sem conflito legislativo ou suscetível de colidir com os interesses comunitários. Pelo que inamovível, será considerado a compatibilização necessária com toda a matéria legislativa e regulamentar, tal como todo a parte normativa definida por leis gerais e específicas, regulamentos, Planos Diretores Municipais, Planos de Pormenor e situações particulares decorrentes de património arquitetónico ou de salvaguarda ou também questões topográficas ou ambientais. Inamovível serão também os arranjos exteriores do edificado e restantes espaços urbanizados de relação com a construção, bem como as fenestrações e todas as aberturas para o exterior, os espaços de circulação interior, incluindo circulações verticais, a estrutura e todas as instalações técnicas. Se no caso da habitação coletiva as infraestruturas inamovíveis são em maior quantidade, no caso da habitação unifamiliar, cada unidade residencial poderia ser considerada quase uma estrutura amovível, pois esta será passível de alteração, demolição ou acrescento, sem conflituar com as vivendas confinantes, desde que 23 metálica 30 . junho 2013


arquitetura

open building

ensaiado por Le Corbusier no plano Obus em Argel ou nos inúmeros estudos utópicos para o Rio de Janeiro, no final da década de 20 do século passado, propondo a possibilidade de a cobertura dos próprios edifícios, em banda contínua quase infinita, poderem ter na sua cobertura as autoestradas e as vias rápidas necessárias ao funcionamento.11 Estes estudos seriam certamente um leitmotiv para a implementação de soluções baseadas na arquitetura móbil e flexível ou na definição de metodologias para a abordagem urbana do conceito de open building.

> Le Corbusier, Plano para a cidade do Rio de Janeiro 1929

a intervenção se compatibilize com a legislação em vigor para o setor. Esta ideia de edifício amplo, ou open building, permite contrariar os preceitos normais de lugares com divisionamento rígido, uniformizado e, por isso, com usufruto mais limitado. Estes conceitos têm obviamente como referência incontornável a teoria que Louis Khan construiu em torno da caracterização do tipo de espaços em termos de espaços servidores e espaços servidos. Sendo o primeiro tipo os espaços que serviam os outros espaços (servidos); como espaços servidores temos as comunicações verticais ou os corredores.10 No open building, as componentes correspondentes às partes inamovíveis são designadas como suporte e não deve ser confundida com a estrutura da edificação. Nesta esfera, o suporte é uma construção durável e infraestruturada, com o mínimo de compartimentação e que, pela sua situação, permite um número muito dilatado de diferentes e múltiplas configurações espaciais. A situação concreta do tipo de suporte desenvolvido e adotado por Habraken correspondia a um sistema simples composto somente por lajes de pisos e pilares estruturais de suporte, com courettes de instalações técnicas e comunicações verticais, com pisos flutuantes e tetos falsos. No entanto, dadas as limitações legais na maior parte dos países desenvolvidos, designadamente no contexto europeu, os edifícios, para além das características definidas inicialmente por Habraken, têm de possuir a definição global da construção, tendo caracterizado aquilo que genericamente definimos por o envelope do edifício – as fachadas e as coberturas. No entanto, o conceito de Habraken, naquilo que diz respeito ao open building, transcende o próprio edifício e esta ideia de mutabilidade do espaço estende-se, originalmente, ao próprio espaço urbano. Este potencial foi antes

10 Ver Giurgola, Romaldo, Louis L. Khan, Editorial Gustavo Gili, 3ª edição, Barcelona, 1982, pp. 13 a 14. 11 Ver Le Corbusier, The Radiant City, The Orion Press, Nova Iorque, edição de 1964, pp. 222 a 244. 12 Ver Kendall, Stephan and Teicher, Jonathan, Residential Open Building, E & FN Spon, Londres, 2000, pp. 126 a 129; Cf. Bosma, op. cit., pp. 340 sgg.

24 metálica 30 . junho 2013

Um dos exemplos mais populares de construção segundo os conceitos definidos por Habraken é um bloco residencial em Osaka, conhecido como NEXT 21 (1990-1993) e que foi coordenado por Yoshitaka Utida em estreita colaboração com Katzuo Tatsumi. Este edifício experimental tem como desígnio a utilização de sistemas sustentáveis, com preocupação intensa dos ciclos de vida dos vários materiais utilizados numa lógica sempre de não comprometer a possibilidade de utilização futura de tecnologias cada vez mais avançadas e, simultaneamente, com a possibilidade de intervenção direta de cada utente no domínio do seu espaço privado. Daí resultou um edifício com enorme flexibilidade programática ajustável aos diversos tipos de vivência, com contacto direto com espaços verdes, com capacidade de aproveitamento de recursos naturais de energia e de iluminação, com possibilidade de incorporação de tecnologias e com um suporte constituído por materiais de grande durabilidade.12 Esta experiência, com enormes preocupações em termos de sustentabilidade ambiental, designadamente verificável pela introdução de sistemas de reciclagem e de reutilização do máximo de recursos, como por exemplo os hídricos, apresenta uma elevada eficiência energética, podendo ser considerado no contexto da corrente open building um caso paradigmático e referencial.

> John Habraken, exemplos de variações sobre um mesmo suporte, 1974


arquitetura

open building

urbanística, vem-se afirmado como uma forma sustentável para ir ao encontro de uma encomenda cada vez mais diversificada e com enorme capacidade de adaptação a diferentes usos e especificidades, apresentando os edifícios grande flexibilidade em termos de desempenhos potenciais e dos seus objetivos funcionais.

> Shu-Koh-Sha Architectural and Urban Design Studio, diagrama do sistema construtivo de NEXT 21

Por essa razão, o conceito de open building ou processo aberto, apresenta-se, cada vez mais, como uma certeza na resposta às novas exigências contemporâneas do habitar. Neste contexto, as estruturas com utilização intensiva de aço, são, neste domínio, uma resposta absolutamente tão desejável como, irrepreensivelmente, incontornável para o implementar. 12 Hakraken, John, Supports: Housing and City, Máster Laboratorio de vivienda del siglo XXI, Barcelona, 2009, p.20.

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A máxima do conceito de open building fixou-se definitivamente na satisfação de três princípios elementares: a construção baseada em processos de industrialização contínua e com recurso a princípios de sustentabilidade ambiental, propostas de espaços flexíveis e participação dos ocupantes na definição dos programas e dos espaços. Este conceito inovador, que responde convenientemente para situações de grande pressão

Como disse Habraken, “a arquitetura moderna surgiu com a vontade de resolver as questões da envolvente quotidiana, mas prosseguiu aplicando os critérios académicos tradicionais, criando obras singulares e extraordinárias, sem entender que a chave estava em inventar novos sistemas arquitetónicos, estruturas para o quotidiano, capazes de aceitar a intervenção das pessoas, de permitir as mudanças no tempo, de favorecer as relações entre privado e público, e de expressar critérios de desenho compartilhados com a sociedade.”13

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mercados internacionais

crescer com sustentabilidade

a internacionalização como meta – crescer com sustentabilidade

por Engº. Morais Vieira CEO | METALOVIANA, S.A.

A METALOVIANA acumulou, ao longo dos seus 30 anos, uma forte experiência na Construção Metálica para soluções diversificadas, tanto na área das Edificações como na área das Infraestruturas e também na área da Indústria.

Confrontados com a falta de obras e de projetos no mercado nacional e até no mercado comunitário, a METALOVIANA incrementou a sua estratégia de procura de outros mercados, nomeadamente em Angola, Brasil, Argélia e Moçambique, países onde já antes tinha a decorrer operações de fabrico e montagem de Construção Metálica junto com grandes empresas internacionais com as quais a METALOVIANA já tinha uma relação privilegiada em Portugal. Os resultados mais visíveis das novas apostas foram a criação da METALOVIANA (Angola) – Construções Metálicas, Lda., a METALOVIANA – Engenharia de Construções Metálicas do Brasil, Ltda. E da METALOVIANA - Moçambique, Lda. que julgamos ser a empresa que neste momento melhor nos coloca no plano internacional, visto que a presença no emergente e próspero mercado Moçambicano está suportada pela parceria societária com um importante grupo local, o que nos permite apresentarmo-nos aos nossos clientes com uma estrutura sólida e confiável por força do prestigio do nosso parceiro e pelo enorme know-how e credibilidade técnica que a METALOVIANA detém e consegue aportar aos projetos que desenvolve ou para os quais é pedida a sua participação. Estamos neste momento, em conjunto com a METALOVIANA Moçambique, a desenvolver projetos em vários locais do território moçambicano e a participar em obras de referência, juntamente com o nosso Sócio local. Estas obras têm a característica de serem soluções conceção/construção. Há também a destacar a capacidade do nosso departamento de Engenharia de desenvolver um trabalho de grande rigor técnico, já que, para além da elevada formação dos nossos técnicos e funcionários, a METALOVIANA dispõe de software

26 metálica 30 . junho 2013

altamente especializado que lhe permite que os seus técnicos em Portugal estejam ligados em rede a todas as estruturas técnicas ou produtivas que estejam a operar em qualquer país. Os anos 2013/2014 serão, para nós, decisivos e fundamentais para a sustentabilidade de todo este projeto de internacionalização. Queremos, como sempre foi nossa doutrina, que este crescimento esteja munido de todos as ferramentas que permitam a harmonização do funcionamento da METALOVIANA Portugal com as outras empresas que detêm ou participem no Plano Internacional. Por isso mesmo, é nossa intenção, neste período, construir em Moçambique instalações fabris próprias onde a formação a quadros e funcionários moçambicanos seja permanente e em breve consigamos ter o melhor desempenho neste país, tendo como colaboradores mão-de-obra e técnicos moçambicanos. Acrescentamos ainda que esta política operacional já se iniciou com a admissão de alguns funcionários locais que já estão integrados com os colaboradores portugueses expatriados, formando equipas que vão permitir em breve autonomia cada vez maior do funcionamento da empresa com pessoal local. A METALOVIANA Moçambique detém o seu processo CPI devidamente aprovado e a sua implementação está a ser efetuada neste momento. Possui, também, todos os requisitos para operar no mercado moçambicano, situação que é, aliás, semelhante à dos outros países

"a presença no emergente e próspero mercado Moçambicano está suportada pela parceria societária com um importante grupo local"


legislação e normalização

reabilitação urbana

a nova legislação sobre reabilitação urbana: oportunidade para a construção em aço leve? por Prof. Nuno Silvestre Professor Auxiliar do Instituto Superior Técnico

Nos últimos 30 anos, grande parte do investimento do setor da habitação esteve concentrado na construção de novos edifícios, associado a (i) um decréscimo drástico do mercado de arrendamento e (ii) a um aumento florescente do mercado de compra de habitação própria – segundo dados do INE (Censos 2011), atualmente 76% dos portugueses são donos da sua habitação quando há 30 anos (1981) eram apenas 57%. Presentemente, com a crise económica e financeira instalada, o elevado custo e o complexo acesso ao crédito impedem muitas famílias de adquirirem casa própria e o arredamento surge novamente como solução mais natural.

No entanto, a reforma do regime de arrendamento realizada em 2006 não atingiu os resultados pretendidos relativamente aos contratos antigos (anteriores a 1990) nem foi capaz de dinamizar a reabilitação urbana. De facto, desde 2006 e num universo de 255.000 imóveis com rendas antigas “congeladas” (Censos 2011), apenas 1.3 % (cerca de 3.500 rendas) foram realmente atualizadas pelos senhorios. No contexto europeu, o panorama é diferente. Na figura 1, mostra-se o volume de produção de trabalhos de reabilitação de edifícios residenciais no total da construção por país, notando-se um peso significativo (mais de 25%) do mercado da reabilitação nos principais países europeus em contraposição com um peso muito pequeno da reabilitação no mercado da construção português (apenas 6,2%).

35% 30% 25% 20% 15% 10% 5%

Roménia

Portugal

Áustria

Espanha

Dinamarca

Suíça

Suécia

Holanda

Grã-Bretanha

França

Bélgica

Finlândia

Itália

Alemanha

0%

> Fig.1 Produção de trabalhos de reabilitação de edifícios residenciais no total da construção por país.

2006 - 2011 2001 - 2005 1996 - 2000 1991 - 1995 1981 - 1990

Sem necessidade de reparação

1971 - 1980

Com necessidade de pequenas reparações

1961 - 1970 Com necessidade de reparações médias

1946 - 1960 1919 - 1945

Com necessidade de grandes reparações

antes de 1919

Muito degradado

0%

20%

40%

60%

80%

100%

> Fig.2 Distribuição do edificado existente em Portugal por época de construção e estado de conservação.

28 metálica 30 . junho 2013


De acordo com o INE (Censos 2011), dos 3.544.389 edifícios existentes em Portugal, 71% não tem necessidade de reabilitação, 27% tem necessidade de reabilitação e 2% encontra-se demasiado degradado para ser reabilitado. A distribuição do edificado existente em Portugal por época de construção e estado de conservação pode ser observada na figura 2. Fatores como: ¬ A fraca aposta no mercado da reabilitação urbana, ¬ A necessidade de reabilitação do parque habitacional, ¬ O elevado potencial de crescimento do mercado da reabilitação e ¬ A expectativa de canalização do parque habitacional reabilitado para o arrendamento urbano, com revitalização dos centros das cidades, implicaram uma revisão urgente do Regime da Reabilitação Urbana. Desta forma, procederam-se a alterações legislativas e regulamentares. A Lei nº 31/2012 de 14 de agosto, procede à alteração ao Decreto-Lei nº 307/2009 de 23 de outubro, o qual estabelecia o regime jurídico da reabilitação urbana. Por outro lado, também foi publicado o Despacho n 14574/2012 de 5 de novembro, publicado na 2ª série do DR a 12 de novembro, que cria a Comissão Redatora do projeto de diploma legal que estabelece as “Exigências Técnicas Mínimas para a Reabilitação de Edifícios Antigos”, regime excecional e transitório. O sistema construtivo em “aço leve” é ideal para a reabilitação de estruturas pois permite reabilitar edifícios degradados, mantendo a traça original com o máximo de segurança e minimizando os esforços na estrutura existente. Como o aço leve é um material extremamente versátil e transportável, permite erguer estruturas novas sobre outras que, pelo seu estado de degradação, não permitem cargas excessivas. Por isso, as soluções tradicionais em betão pré-fabricado perdem vantagem. Para além de destacar o reduzido impacto em termos de peso próprio, evitando ou minimizando o reforço da estrutura original e fundações, outros fatores podem ser benéficos, tais como a rapidez de execução, a vida útil elevada, a facilidade de manutenção e reparação, a possibilidade de alteração ou reversibilidade das intervenções, a redução de constrangimentos durante a construção, a baixa produção de ruído e a reduzida ocupação de vias por transporte, armazenagem e manuseio dos materiais. Desta forma, a reabilitação estrutural em “aço leve” pode ter um acréscimo significativo nos próximos anos e constituir-se definitivamente como a solução ótima.

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reabilitação urbana

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soldadura

construção de estruturas metálicas

produtividade de soldadura na construção de estruturas metálicas

por Prof. Altino J. R. Loureiro DEM, Universidade de Coimbra

A uma pergunta aparentemente simples, como “a produtividade de soldadura da sua empresa é alta ou baixa?”, a gestão da maioria das empresas nacionais de construção de estruturas metálicas para edifícios e pontes terá grande dificuldade em responder. Diga-se de passagem que a grande maioria dos industriais do mesmo setor e de outros setores utilizadores de tecnologias de soldadura dos Estados Unidos da América sentiram igual dificuldade em caracterizar essa produtividade nas suas empresas, já em pleno século XXI [1]. A essa dificuldade não é alheio o facto de o conceito ser complexo, ser afetado por inúmeros fatores e difícil de medir. Algumas das grandezas utilizadas para medir a produtividade são as seguintes: ¬ A Velocidade de soldadura (em m/min, por exemplo); ¬ A cadência de soldadura (nº de peças produzidas por unidade de tempo); ¬ A taxa de deposição de elétrodo (em Kg/h, frequentemente); ¬ O tempo de arco elétrico por operação (em segundos ou minutos); ¬ A taxa de defeitos (nº de defeitos por nº de peças soldadas); ¬ Etc. Facilmente se verifica que nenhuma das medidas per si consegue caracterizar completamente a produtividade, e que elas são complementares, além de refletirem, na generalidade, valores médios, por vezes com pouco significado, devido à falta de homogeneidade do trabalho de construção, mesmo dentro de cada empresa. De facto, na construção de estruturas a variação da geometria e

dimensão dos componentes fabricados é frequentemente grande. Na tabela 1 apresenta-se a gama de taxa de deposição dos processos de soldadura por arco mais utilizados na construção de estruturas metálicas. A simples observação da tabela mostra que existem diferenças substanciais de taxa de deposição entre processos de soldadura, o que justifica a maior utilização de uns processos do que outros, conforme referido em artigo anterior [3]. Mostra ainda que dentro de cada processo pode existir uma variação enorme de taxa de deposição. Porquê tal variação? Esta variação está associada a vários fatores, uns ligados ao próprio processo de soldadura. Por exemplo, na soldadura por elétrodo revestido é necessário trocar de elétrodo quando este se gasta completamente e remover a escória para depositar a camada de soldadura seguinte. Outros fatores estão associados à geometria das peças ou à sua complexidade. Por exemplo, quando a espessura dos elementos a soldar é maior é possível utilizar intensidade de corrente mais elevada e depositar maior quantidade de material por unidade de tempo; em peças grandes e complexas é frequentemente necessária maior movimentação do soldador e equipamento, reduzindo o fator de marcha e consequentemente a taxa de deposição. O fator de marcha pode ser definido de forma simplificada como a razão entre o tempo efetivo de soldadura, isto é, o tempo em que o arco elétrico está estabelecido, e o tempo total de soldadura requerido, que inclui o tempo para trocar de elétrodo e limpar a escória, por exemplo. A tabela 2 dá

Processo de soldadura

Fator de marcha (%)

SER

15 - 30

Taxa de deposição

TIG

25 - 40

(Kg/h)

TIG mecanizado

80 - 90

Mín.

Max.

MIG/MAG

30 - 45

SER

0.4

5.5

MIG/MAG mecanizado

80 - 90

MAG

0.6

12

MAG fluxado

25 - 45

Processo de soldadura

MAG c/ ele. fluxado

1

15

MAG fluxado mecanizado

70 - 85

SAS (1 eléctodo)

3

16

SAS

80 - 95

SER – soldadura por elétrodo revestido; MAG – soldadura sob proteção de um gás ou mistura gasosa ativa;

TIG – Soldadura com elétrodo de tungsténio sob proteção de um gás inerte (Tungsten Inert Gas).

MAG com elétrodo com fluxo incorporado; SAS – soldadura por arco submerso com um só elétrodo.

Tabela 1 Valor indicativo de taxa de deposição de processos de soldadura por arco [2].

30 metálica 30 . junho 2013

Tabela 2 Fatores de marcha típicos de processos de soldadura por arco elétrico [4].


soldadura

construção de estruturas metálicas

Trabalho – 73% Consumíveis – 11,9% Energia – 4,1% Capital – 5,7% Outros custos – 5,3%

Fig. 1 Distribuição em percentagem dos custos unitários de soldadura na construção de estruturas nos Estados Unidos [1].

ideia da gama de fatores de marcha encontrados para diferentes processos de soldadura por arco. A utilização de vários elétrodos de soldadura em simultâneo permite aumentar a taxa de deposição e a produtividade para valores superiores aos indicados na tabela 1. É claro que a qualidade requerida para a soldadura ou a qualidade da organização são também fatores relevantes para a produtividade de soldadura. Referiu-se acima que o aumento da intensidade de corrente permite aumentar a taxa de deposição, mas o aumento da corrente não é ilimitado, pois prejudica frequentemente as propriedades mecânicas da soldadura, em particular a sua tenacidade. Portanto, as exigências de qualidade condicionam também a produtividade, não apenas pela razão referida mas também porque o aumento da taxa de peças com defeitos inaceitáveis reduz drasticamente a produtividade. O aumento de produtividade significa redução de custos unitários de soldadura. A composição destes custos leva normalmente em consideração o custo do trabalho, o custo dos materiais consumíveis ou não, o custo de energia, o custo de capital e custos indiretos associados à soldadura, como os custos de especificação, de investigação, etc. Na construção de estruturas nos

Estados Unidos os custos do trabalho representam em média mais de 70% dos custos de soldadura, conforme se representa na figura 1, e na Europa este panorama não deve ser muito diferente. Conclui-se, portanto, que a automação e ou robotização de processos tem um efeito muito favorável na produtividade e custo de soldadura. A robotização de processos de soldadura na construção de estruturas metálicas enfrenta, contudo, dificuldades associadas às pequenas séries de peças iguais, às elevadas exigências dimensionais, raramente cumpridas nesta indústria, e à falta de pessoal especializado para a programação dos sistemas robotizados. A utilização de sistemas de seguimento de junta, conforme figura 2, e/ou de sistemas de programação off-line permitem atenuar essas dificuldades, mas são muito caros e pouco utilizados industrialmente. Por vezes, para aumentar a produtividade de soldadura recomenda-se depositar apenas a quantidade de consumível necessária, com a melhor qualidade possível e utilizando a maior corrente elétrica possível [2]. Tudo isto é verdade, mas eu diria que além disso é necessário conhecimento e atitude. De facto, se não se avaliarem os custos e a produtividade de soldadura dificilmente haverá incentivo para os melhorar. E este problema não é exclusivamente nosso (Português). Nos Estados Unidos, no setor da construção de estruturas metálicas, 56% das empresas não usam qualquer grandeza de medida de produtividade, 30% usam uma só medida de produtividade e apenas 14% usam mais de uma [1].

BIBLIOGRAFIA

Fig. 2 Sistema ótico de seguimento de junta, montado em soldadura MAG robotizada.

[1] Welding-related Expenditures, Investments, and Productivity Measurement in U.S. Manufacturing, Construction, and Mining Industries, a study released last year by the American Welding Society, Miami (AWS,www.aws.org), and the Edison Welding Institute, Columbus, Ohio (EWI, www.ewi.org)., http://www. aws.org/research/HIM.pdf. Abril 2013. [2] Gene Mathers, Welding costs, http://www.twi.co.uk/technicalknowledge/job-knowledge/welding-costs-continued-097/. Abril 2013 [3] Altino J. R. Loureiro, A soldadura na construção de estruturas metálicas, Metálica 29 (2013), 26-27. [4] Gene Mathers, Welding costs, http://www.twi.co.uk/technicalknowledge/job-knowledge/welding-costs-096/.Abril 2013.

31 metálica 30 . junho 2013


formação e eventos

II Congresso Luso-Africano de Construção Metálica Sustentável Na continuidade da internacionalização das suas atividades, que teve início no transato ano, e que visam, no fundo, garantir uma maior projeção à própria construção metálica nacional, a CMM, enquanto entidade representativa do setor, irá organizar uma nova edição do Congresso LusoAfricano de Construção Metálica Sustentável.

Esta segunda edição deste evento, o qual surge na senda do sucesso do evento organizado em 2012 em Luanda, Angola, terá lugar na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique, já no próximo dia 19 de Julho de 2013. E se a primeira edição foi uma aventura arriscada, pela sua característica inovadora, mas totalmente bemsucedida, para esta segunda edição o desafio lançado pela própria CMM está em assegurar a mesma qualidade do evento do ano anterior e, se possível, ultrapassá-lo. Neste sentido, são esperadas a participação de dezenas de empresas, que veem neste evento uma oportunidade única para se apresentarem e promoverem, num mercado de oportunidades e numa economia em grande crescimento, assistindo também a um conjunto de palestras de elevada qualidade.

Esta é também uma oportunidade de excelência para, uma vez mais, se demonstrar internacionalmente a elevada competência e capacidade do setor da construção metálica portuguesa, pelo que a participação de todos os seus intervenientes deverá ser encarada como sendo de extrema importância. Por isso mesmo convidamo-lo a garantir desde já o seu lugar neste evento que é o mais importante na promoção da construção metálica portuguesa nos PALOP e que irá certamente contribuir para o estreitar de relações entre os mercados africanos e português e para o desenvolvimento de novas oportunidades de negócio para todos os presentes. Visite www.cmm.pt/cla

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Com o apoio de

32 metálica 30 . junho 2013

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OUTROS PATROCINADORES


formação e eventos

formação técnica em 2013

Formação Técnica CMM – Primeiras Ações de 2013 Este arranque de 2013 tem sido período de realização dos primeiros cursos de formação técnica CMM, os quais têm contado com uma excelente adesão, estando ainda prevista a realização de mais ações de formação para o primeiro semestre do ano.

Projeto de Estruturas Mistas Aço-Betão – 3ª Ed. Data e Local: 27 e 28 de setembro de 2013, Porto Horário: 9:00 às 13:00 e 14:30 às 18:30 Coordenação: Prof. Rui Simões (coordenador cientifico), Eng.º Luís Figueiredo Silva Formadores: Prof. Rui Simões (FCTUC); Profª. Isabel Valente (UM) e Eng.º Rui Alves (Socometal) Preços: Geral – 400 € | Membros CMM – 320 € | Membros OE – 360 € | 3º formando e seguintes da mesma empresa – 250 € (só membros colectivos da CMM)

Conceção e Dimensionamento de Ligações em Estruturas Metálicas e Mistas – 5ª Ed.

Em fevereiro último, nos dias 22 e 23, decorreu uma nova edição do curso de Projeto de Estruturas em “Aço Leve”, no Hotel Holiday Inn Lisboa, e que contou com a presença de mais de 30 formandos, numa ação de formação coordenada pelo Professor Nuno Silvestre (IST), e que foi ainda ministrada pelo Professor Dinar Camotim (IST), Eng.º Filipe Santos (VESAM) e ainda pelo Eng.º António Santos (Gestedi). Por sua vez, nos dias 12 e 13 de abril teve lugar a primeira edição do curso “Execução de Estruturas Metálicas, Detalhe, Fabrico, Transporte e Montagem”, também no Hotel Holiday Inn Lisboa, para uma audiência de 18 formandos. Esta ação teve a coordenação do Eng.º Filipe Santos (VESAM), responsável também por ministrar o curso em conjunto com o Eng.º Miguel Pontes (Metalocar). Nos dias 3 e 4 de maio realizou-se o curso Dimensionamento Sísmico de Estruturas Metálicas, no Hotel Holiday Inn Lisboa, tendo sido ministrado pelo Professor José Miguel Castro (Coordenador do curso), pelo Professor Carlos Rebelo e pelo Eng. Tiago Abecasis. Este curso teve a participação de 13 formandos. Não deixe de visitar a nossa página de formação, enquanto preparamos o calendário de atividades para o segundo semestre de 2013, em www.cmm.pt

Data e Local: 8 e 9 de novembro de 2013, Lisboa Horário: 9:00 às 13:00 e 14:30 às 18:30 Coordenação: Eng.º Tiago Abecasis (coordenador cientifico), Eng.º Luís Figueiredo Silva Formadores: Eng.º Tiago Abecasis (Tal Projecto), Prof. Rui Simões (FCTUC); Prof. Altino Loureiro (FCTUC); Eng.º António Matos Silva (Martifer) e Eng.º Filipe Rodrigues (REFER) Preços: Geral – 400 € | Membros CMM – 320 € | Membros OE – 360 € | 3º formando e seguintes da mesma empresa – 250 € (só membros colectivos da CMM)

Projeto de Estruturas Sujeitas à Acção do Fogo – 2ª Ed. Data e Local: 15 e 16 de novembro de 2013, Porto Horário: 9:00 às 13:00 e 14:30 às 18:30 Coordenação: Prof. Paulo Vila Real (coordenador cientifico), Eng.º Luís Figueiredo Silva Formadores: Prof. Paulo Vila Real (UA), Profª. Aldina Santiago (FCTUC); Prof. Nuno Lopes (UA) e Dr. Sílvio Saldanha (TRIA) Preços: Geral – 400 € | Membros CMM – 320 € | Membros OE – 360 € | 3º formando e seguintes da mesma empresa – 250 € (só membros colectivos da CMM)

Marcação CE: EN 1090: execução de Estruturas de Aço e de Alumínio Parte 1 e Parte 2 – 2ª Ed. Data e Local: 29 e 30 de novembro de 2013, Porto Horário: 9:00 às 13:00 e 14:30 às 18:30 Coordenação: Prof. Rui Simões (coordenador cientifico), Eng.º Luís Figueiredo Silva Formadores: Prof. Rui Simões (FCTUC), Prof. Altino Loureiro (FCTUC); Eng.ª Leonor Corte Real (Hempel); Eng.ª Filipa Santiago (CMM) e Eng.º Adriano Santos Preços: Geral – 400 € | Membros CMM – 320 € | Membros OE – 360 € | 3º formando e seguintes da mesma empresa – 250 € (só membros colectivos da CMM)

INFORMAÇÕES CMM - Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista Departamento de Engenharia Civil da FCTUC – Pólo II Rua Luís Reis Santos - 3030-788 Coimbra Telefone: 239 095 568 | Fax: 239 405 722

para mais informações consulte: www.cmm.pt 33 metálica 30 . junho 2013


formação e eventos

ISCE 2013 – International Steel Construction Exhibition O ISCE 2013, que terá lugar no Porto entre 23 e 26 de outubro, é a primeira grande exposição internacional exclusivamente dedicada ao setor da construção metálica e mista a realizar-se em Portugal. Com este evento, a CMM – Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista prevê a participação de grandes referências internacionais do setor, assim como de grandes empresas nacionais, no maior evento industrial a ter lugar em Portugal em 2013.

O ISCE 2013 visa promover a Construção Metálica e Mista num contexto internacional, focando os países da Península Ibérica, do Sul da Europa e de Língua Portuguesa, incluindo as perspetivas industriais, de produção, científicas e técnicas da construção metálica. Espera-se que o ISCE 2013 seja um espaço gerador de oportunidades de negócio, realçando as inovações e feitos técnicos no setor da construção metálica e também um evento que promova o intercâmbio de conhecimentos e experiências. O ISCE 2013 irá decorrer em simultâneo com o IX Congresso de Construção Metálica e Mista e o I Congresso Luso-Brasileiro de Construção Metálica Sustentável, dando a esta feira uma componente científica internacional. www.cmm.pt/isce2013

IX Congresso de Construção Metálica e Mista e I Congresso Luso-Brasileiro de Construção Metálica Sustentável O Congresso de Construção Metálica e Mista é a mais importante conferência nacional de construção metálica e mista, organizada de 2 em 2 anos pela CMM e que tradicionalmente reúne personalidades de referência da indústria portuguesa. O IX Congresso de Construção Metálica e Mista decorrerá em simultâneo com o I Congresso LusoBrasileiro de Construção Metálica Sustentável, permitindo estender o público-alvo do ISCE 2013 a mercados fora da Europa, o que significa que, para além da componente científica que este congresso contém, tem também uma projeção global, tornando-o numa plataforma excelente para desenvolver oportunidades internacionais de negócio dando especial importância aos países de Língua Portuguesa. www.cmm.pt/congresso

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formação e eventos

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publicações

destaque eccs

nova publicação ECCS Assessment of EC8 Provisions for Seismic Design of Steel Structures Editor: Raffaele Landolfo Publicado por ECCS, 317 páginas | 2013 PVP: 39,00 euros | Preço Membro CMM: 31,20 euros

Esta publicação descreve e discute os aspetos e questões da norma EN 1998-1: 2004, que necessitam de esclarecimentos e / ou futuros desenvolvimentos. Este livro é o resultado das atividades realizadas no âmbito do trabalho desenvolvido pelo Comité Técnico – TC 13 da ECCS – European Convention for Constructional Steelwork no que respeita ao Dimensionamento Sísmico, na área de codificação e especificaçõestécnicas. A publicação está organizada em doze capítulos e um anexo. Os temas básicos discutidos no manual são “ Sobre-resistencia dos materiais”, “seleção do tipo de aço”, “ductilidade local”, “regras para o dimensionamento de ligações em zonas dissipativas”, “novos ligadores em pórticos com contraventamento excêntrico”, “fatores de comportamento”, “regras de dimensionamento pela capacidade real”,”dimensionamento de pórticos com contaventamento centrado”, “pórticos duais”,”limitações de deriva dos pisos e efeitos de segunda ordem”,” novos tipos estruturais” e “estruturas de baixa dissipação”.

Para mais informações acerca do livro visite: www.eccspublications.eu

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notícias eccs

www.steelconstruct.com

european steel construction day and annual meeting 2013 O evento anual da ECCS (European Convention for Constructional Steelwork) regressa a Milão, tendo lugar a 3 e 4 de outubro de 2013. A edição de 2013, organizada pela ACAI, realizar-se-á na MADEexpo e contará com o tradicional Congresso, a reunião anual das associações membro e da apresentação dos prémios “ECCS Steel Design Awards”. Entre os temas abordados, destaca-se a sustentabilidade e verticalidade dos edifícios e tecnologias avançadas, com a contribuição de especialistas de reconhecimento nacional e internacional.

O Congresso e a Exposição encerram o programa cultural do “Steel Construction Week” organizado e patrocinado por ACAI e C.T.A.

Para mais informações: isa.zangrando@acaiacs.it . www.acaiacs.it

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O prémio “European Student Award for Steel Design” será também apresentado para um projeto elaborado por um recém-licenciado de Escolas Superiores de Engenharia e Arquitetura, o que se torna bastante relevante tendo em conta que que o “European Steel

Construction Day” deste ano é dedicado a estudantes e a jovens profissionais.

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50 anos de construção metálica e mista na europa

parte 16 – 2004/2005

Aeroporto de Barajas Madrid, Espanha (2004) princípio: as sinuosas vigas principais do telhado são suportadas por barras de metal que assentam numa estrutura reforçada de betão. As vigas principais medem até 72 metros de comprimento. Assentam em postes tubulares elípticos em formato de Y em cada ponta. As vigas secundárias, espaçadas por intervalos de três-cinco metros, formam um arco entre as vigas principais.

© ECCS

Este terminal de aeroporto reflete o compromisso de Madrid em converter-se num grande polo internacional. O edifício é composto por três secções: um parque de estacionamento com seis módulos de cinco pisos, o terminal com três áreas para voos domésticos e europeus e um satélite formado por duas partes para voos internacionais. O terminal e o satélite estão construídos com base no mesmo

Dono de obra Aena (Aeropuertos Españoles y Nagevacion Aérea) Arquitetura Estudio Lamela, Richard Rogers Partnership Engenharia Anthony Hunt Associates (estrutura principal), TPS with Otep (estrutura), HCA (estrutura), Arup (fachada principal) Empreiteiro Geral Construcciones y Estructuras Metálicas, S.A. Empreiteiro das estruturas de aço Horta Coslada Construcciones Metálicas

Swiss Re Headquarters Building Londres, Reino Unido (2004) © OpenBuildings / ECCS

Com a alcunha de “erotic gherkin”, a sede da companhia de seguros Swiss Re tem 180 metros de altura. Tem uma estrutura circular que alarga até ao 17º piso, onde atinge um diâmetro de 56,5 metros, diminuindo a largura até aos 26.5 metros no piso 39, o último.

Dono de obra Swiss Re Investments Ltd, London Arquitetura Foster and Partners, London Engenharia Arup & Partners, London Tecnologia da fachada Schmidlin AG, Aesch Construtor Victor Buyck – Hollandia Joint Venture Ltd, Wraysbury

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Cada placa do edifício roda 5 graus em relação à placa abaixo. Esta variação faz com que as graduações internas formem átrios de dois a seis níveis ao longo de uma diagonal vertical que proporciona ventilação natural. A moldura de aço periférica confere-lhe o efeito em espiral. Esta estrutura está ligada à parte central através de vigas de aço que suportam um piso de betão composto por vigas. A construção deste edifício é o culminar da pesquisa iniciada no início dos anos 70 sobre torres de estrutura tubular e estruturas geodésicas por Richard Buckminster Fuller. A pesquisa tecnológica e espacial traduziu-se em conforto ao nível da iluminação, ventilação e temperatura, tendose também registado uma significativa redução no consumo de energia.


50 anos de construção metálica e mista na europa

parte 16 – 2004/2005

Three bridges over the Hoofdvaart Haarlemmermeer Haarlemmermeer, Holanda (2005) A conclusão bem sucedida do projeto reflete a perícia da equipa de design e de metalomecânica, produzindo uma imagem poética e otimista em sintonia com o ambiente ventoso.

Dono de obra Township of Haarlemmermeer Arquitetura Santiago Calatrava

Engenharia Santiago Calatrava Metalomecânica Victor Buyck Steel Construction nv

© ECCS

Estas três pontes de design atraente formam marcos na paisagem. As formas esculturais e os detalhes delicados produzidos em aço foram um desafio em engenharia e execução.

Air traffic control tower, Vienna Airport Viena, Áustia (2005) Esta elegante torre é um marco distintivo construído com uma forma geométrica complexa. A combinação de uma pouco usual e invisível estrutura de aço com material têxtil acrescenta valor a um edifício com uma estrutura funcional, havendo a possibilidade de usar o ecrã têxtil para publicidade. A leveza e aparência mutável estão de acordo com o tipo de utilização deste edifício, uma torre de controlo semelhante a um farol.

© ECCS

Dono de Obra Aeroporto Internacional de Viena, Áustria Arquitetura Zechner & Zechner ZT GmbH Engenharia Thomas Lorenz ZT GmbH, Peter Mandl Metalomecânica Zeman & CO GmbH, Covertex GmbH

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cmm

membros em destaque

membros cmm J.F.Metal

Joaquim Pereira Fernandes CEO, J.F.Metal

Pode fazer uma apresentação da J.F.Metal? A J.F.Metal é uma empresa especializada em construções metálicas, situada em Barcelos (Portugal). Atualmente, estamos com áreas de negócios em Espanha, França, Moçambique, Angola, Guiné e Marrocos, com fabrico próprio e equipas de montagem especializadas. A J.F.Metal dedica-se à construção de pavilhões industriais, pavilhões comerciais, desportivos, agropecuários, edifícios com diversos pisos, requalificação de edifícios, coberturas, revestimentos metálicos, metalomecânica em geral, manutenção de pavilhões, fachadas, grandes superfícies de logística. A J.F.Metal está no mercado nacional e internacional. Como uma empresa competitiva e de grande qualidade, orgulha-se de ter na sua carteira de clientes empresas de renome nacional e internacional, transmitindo-nos a sua satisfação na qualidade dos nossos serviços. Em que áreas se tem destacado a J.F.Metal? Nos últimos dois anos, a empresa tem-se destacado mais na realização de obras de pavilhões industriais, agropecuária e grandes centros de logística, em Portugal e no estrangeiro, notando-se também um forte crescimento na construção de edifícios comerciais. Como se diferencia a J.F.Metal dos seus concorrentes? A J.F.Metal diferencia-se pelo seu rigor no trabalho, pela seriedade com que encara os novos desafios, pelos recursos humanos altamente qualificados que dispõe

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as empresas metalomecânicas portuguesas que conseguirem sobreviver a esta crise, irão ficar muito mais fortes e encarar qualquer mercado com a qualidade e competitividade que este setor exige.

na empresa, pelo constante investimento que faz para se modernizar, pela sua estratégia comercial intervindo em maior escala nos mercados externos e pela aposta constante num serviço de qualidade, rápido e eficaz, tornando-nos assim, altamente competitivos. Que projetos de relevo distinguem o trabalho da J.F.Metal? Existem vários de que nos orgulhamos muito, mas destacaria as obras de ampliação da Fabrica da Citroën em Vigo, ampliação da fábrica da Portucel em Viana do Castelo, aumento da fábrica das Tintas CIN na Maia, Toyota em Nacala – Moçambique, a Cimpor em Moçambique, a Campicarnes em Angola e a Barfic em V. N. Famalicão, pelo design arquitetónico, e grande parte do parque industrial de Valença do Minho. Que desafios futuros aguardam a J.F.Metal? O nosso desafio será sempre a aposta num crescimento sustentado da empresa e com o rigor e a seriedade que nos tem vindo a destacar em relação aos nossos concorrentes. Passará sempre por uma estratégia comercial forte e objetiva, nomeadamente na busca constante de novos mercados e parceiros de negócios, que vejam na J.F.Metal o seu parceiro ideal. Como vê o estado atual do mercado da construção metálica e mista? O mercado da construção metálica e mista está em grande crescimento. Cada vez mais a construção em geral, utiliza a construção metálica como principal


cmm

membros em destaque

estrutura. Esta tendência tem tido maior expressão, nas reconstruções, moradias unifamiliares em edifícios públicos, (Ex: Biblioteca Municipal de Viana do Castelo projetada pelo Arq. Siza Vieira ou o Coliseu de Viana do Castelo, projetada pelo Arq. Souto Moura), são exemplos atuais do regresso de uma tendência arquitetónica, só observada em meados do sec. XIX. A sobrevivência do setor estará numa cooperação entre os diversos concorrentes, ou numa competição capaz de elevar e superiorizar os players mais competitivos? Penso que uma cooperação entre os diversos concorrentes é uma solução a ser analisada, obra a obra. Irá prevalecer sempre a competição entre concorrentes, elevando cada vez mais a fasquia e tornando-nos cada vez mais competitivos, em mercados onde provavelmente, há alguns anos, não nos atreveríamos a entrar. Cada empresa terá que, anualmente, planear a sua estratégia comercial e ver quais são os mercados onde poderá intervir mais facilmente, dentro das suas capacidades. Que não haja dúvidas que as empresas metalomecânicas portuguesas que conseguirem sobreviver a esta crise, irão ficar muito mais fortes e encarar qualquer mercado com a qualidade e competitividade que este setor exige.

Quais os objetivos da J.F.Metal para este ano de 2013? Mantermo-nos nos mercados onde apostamos e achamos que poderemos ter sucesso, posicionarmo-nos em novos mercados externos, tentarmos superar os negócios do ano transato e apostar na inovação e novos produtos. Como perceciona o papel CMM no contexto nacional do setor da construção metálica e mista? Nesta fase deveriam ser mais interventivos e proporcionar às empresas do setor, outras formas de encarar o atual estado da construção em Portugal, nomeadamente nos apoios à sua internacionalização. A participação da CMM na criação dos DAN (Documentos de Aplicação Nacional) e nas traduções dos eurocódigos parece-me muito bem. Esse é o caminho que deverá ser seguido, intervindo assim numa melhor regulamentação do setor. Em que mercados estrangeiros a J.F.Metal pretende atuar? A nossa estratégia comercial para este ano passa por nos afirmarmos ainda mais nos mercados onde estamos inseridos e apostar fortemente nos mercados do centro da Europa, Magrebe e África.

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cmm

membros

metalomecânica

Arcen Engenharia, S.A. www.arcen.pt

Bysteel, S.A. www.bysteel.pt

Constálica – Elementos de Construção Metálicos, S.A. www.constalica.pt

Faustino & ferreira www.faustinoeferreira.com

Faststeel, S.A. www.faststeel.pt

Frisomat, S.A. – Comércio e Indústria de Materiais de Construção www.frisomat.pt

GARSTEEL – Construções Metálicas, Lda. www.garsteel.pt

GESTEDI – Construção e Investimentos Imobiliários, Lda.. www.gestedi.pt

Intertelha, Lda. www.intertelha.com

j.f.metal www.jfmetal.pt

Martifer – Construções Metalomecânicas, S.A. www.martifer.pt

METALOCAR – Indústria de Metalomecânica, S.A. www.metalocar.pt

METALOCARDOSO – Construções Metálicas e Galvanização, S.A. www.metalocardoso.com

Metalogalva – Irmãos Silvas, S.A. www.metalogalva.pt

MetaloViana – Metalurgia de Viana, S.A. www.metaloviana.pt

NORFERSTEEL – Construções e Metalomecânica, S.A. www.norfer.com

O Feliz Metalomecânica, S.A. www.ofeliz.pt

Perfisa – Fábrica de Perfis Metálicos, S.A. www.perfisa.net

SEVEME – Indústrias Metalúrgicas, S.A. www.seveme.com

TEGOPI – Indústria Metalomecânica, S.A. www.tegopi.pt

UEM – Unidades de Estruturas Metálicas uem@normetal.com

Florêncio Augusto Chagas, S.A. www.fachagas.pt

J. Soares Correia – Armazéns de Ferro, S.A. www.jsoarescorreia.pt

Parfel – Sociedade de Equipamentos Indústriais, Lda. www.parfel.pt

importadores e armazenistas de aço

A. Portugal Alves – Produtos Siderúrgicos, S.A. www.portugalalves.com

Antero & Cª, S.A. www.anteroeca.com

FAF – Produtos Siderurgicos, S.A. www.faf.pt

PECOL – Sistemas de Fixação, S.A. www.pecol.pt

acabamento e proteção

CIN – Corporação Industrial do Norte, S.A. www.cin.pt

SIKA Portugal, S.A. www.sika.pt

42 metálica 30 . junho 2013

EUROGALVA – Galvanização e Metalomecânica, S.A. www.eurogalva.pt

produtores de aço

HEMPEL (Portugal), Lda. www.hempel.pt

Ferpinta – Ind. de Tubos de Aço de Fernando Pinho Teixeira, S.A. www.ferpinta.pt


cmm

membros

projeto e consultadoria

A 400 – Projectistas e Consultores de Engenharia Civil, Lda. www.a400.pt

A2P Consult, Lda. www.a2p.pt

Armando Rito Engenharia, S.A. www.arito.com.pt

Berd – Projecto, Investigação e Engenharia de Pontes, S.A. www.berd.eu

Betar – Consultores, Lda. www.betar.pt

C.G.F. – Coordenação, Gestão e Fiscalização de Obras, Lda. www.cgf.pt

Civi4 – Projectistas e Consultores de Engenharia Civil, Lda. www.civi4.pt

Construsoft – Software para a Indústria de Construção, Lda. www.construsoft.pt

COOL HAVEN – Habitações Modulares e Eco-Sustentáveis, Lda. www.coolhaven.pt

CURBI, Lda. www.curbi.pt

Dendro – Engenharia e Arquitectura, Lda. www.dendro.pt

DhPro – Serviços de Engenharia Civil, Lda. www.dhpro.pt

EDM – 3D, Lda. www.edm–3d.pt

FCGAB www.fcgab.pt

GOP – Gabinete de Organização de Projectos, Lda. www.gop.pt

GRID – Consultas, Estudos e Projectos de Eng., Lda. www.grid.pt

GWIC www.gwicgroup.com

JETSJ Geotecnia, Lda. www.jetsj.pt

J.L. Câncio Martins – Projectos de Estruturas, Lda. www.jlcm.pt

LCW Consult, S.A. www.lcwconsult.com

LEB, Lda. www.leb.pt

Lusomanu, Lda. www.lusomano.com.pt

LUSOMELT – Fornecimento de Bens e Serviços, Lda. www.lusomelt.pt

Mecanotubo – Construção e Estruturas, S.A. www.mecanotubo.pt

MUTO Consultores www.muto.pt

Omega – Serviços de Engenharia, Lda. www.omega.com.pt

Perry da Câmara e Associados, Consultores de Engenharia Lda. www.pcaengenharia.pt

PPSEC – Engenharia, Lda. www.ppsec.pt

PROAFA, Serviços de Engenharia, S.A. www.afaconsultores.pt

PROCIFISC – Engenharia e Consultadoria, Lda. www.procifisc.pt

Proengel – Projectos, Engenharia e Arquitectura, Lda. www.proengel.pt

Safre Estudos e Projectos de Engenharia, Lda. www.safre.pt

SISCAD – Tecnologias de Informação, Lda. www.siscad.pt

TALPROJECTO – Projectos, Estudos e Serviços de Engenharia, Lda. www.talprojecto.pt

TRIA – Serviços, Materiais e Equipamentos, Lda. www.tria.pt

Trimétrica Engenharia Lda. www.trimetrica.com.pt

Instituto Superior Técnico – DECivil – ICIST www.civil.ist.utl.pt

LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil www.lnec.pt

Universidade de Aveiro – Departamento de Engenharia Civil www.civil.ua.pt

VESAM Cold–Form, Lda. www.vesam.pt

instituição de ensino

Escola Superior de Tecnologia de Viseu – I.P.V. www.estv.ipv.pt

Escola Superior de Tecnologia e Gestão – IP Bragança www.estig.ipb.pt

Instituto Politécnico da Guarda www.ipg.pt

Universidade de Coimbra www.uc.pt

Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências e Tecnologia www.fct.unl.pt

Universidade de Trás–os–Montes e Alto Douro www.utad.pt

Todos os contactos e informações sobre produtos e serviços dos membros da CMM podem ser consultados em www.cmm.pt, sendo a informação disponibilizada da responsabilidade de cada membro.

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calendário de eventos

evento

organização

local

data

informações

3º Congresso Nacional sobre Segurança e Conservação de Pontes

ASCP – Associação Portuguesa para a Segurança e Conservação de Pontes

Porto, Portugal

26 a 28 junho 2013

www.ascp2013.ascp.pt

II Congresso Luso-Africano de Construção Metálica Sustentável

CMM – Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista, e CMA – Construção Metálica em África

Maputo, Moçambique

19 julho 2013

www.cmm.pt/cla

ICSA2013 The Second International Conference on Structures and Architecture

Universidade do Minho

Guimarães, Portugal

24 a 26 julho 2013

www.icsa2013.com

ASEM19 - The 2013 World Congress on Advances in Structural Engineering and Mechanics

KAIST – Korea Advanced Institute of Science and Technology

Jeju, Coreia do Norte

8 a 12 setembro 2013

www.asem.cti3.com/asem13.htm

ECCS European Steel Construction Day & Annual Meeting 2014

ECCS – European Convention for Constructional Steelwork

Nápoles, Itália

3e4 outubro 2013

www.steelconstruct.com

PSSC 2013 Pacific Structural Steel Conference

Singapore Structural Steel Society e National University of Singapore

Singapura

8 a 11 outubro 2013

www.pssc2013.org

ISCE2013 Internacional Steel Construction Exhibition

CMM – Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista

Porto, Portugal

23 a 26 outubro 2013

www.cmm.pt/isce2013

IX Congresso de Construção Metálica e Mista e I Congresso Luso-Brasileiro de Construção Metálica e Mista

CMM – Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista

Porto, Portugal

24 e 25 outubro 2013

www.cmm.pt/congresso

formação

coordenação

local

data

horário

Projeto de Estruturas Mistas Aço-Betão – 3ª Ed.

Prof. Rui Simões (Coordenador Cientifico)

Porto, Portugal

27 e 28 setembro 2013

9:00 às 13:00 e 14:30 às 18:30

Conceção e Dimensionamento de Ligações em Estruturas Metálicas e Mistas – 5ª Ed.

Eng. Tiago Abecasis (Coordenador Cientifico)

Lisboa, Portugal

8e9 novembro 2013

9:00 às 13:00 e 14:30 às 18:30

Projeto de Estruturas Sujeitas à Ação do Fogo – 2ª Ed.

Prof. Paulo Vila Real (Coordenador Científico)

Porto, Portugal

15 e 16 novembro 2013

9:00 às 13:00 e 14:30 às 18:30

Marcação CE: EN 1090: execução de Estruturas de Aço e de Alumínio Parte 1 e Parte 2 – 2ª Ed.

Prof. Rui Simões (Coordenador Científico)

Porto, Portugal

29 e 30 novembro 2013

9:00 às 13:00 e 14:30 às 18:30

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cursos de formação CMM

agenda


técnica

pontes rodoviárias mistas

Consultoria EN1090 e  Sistemas de Gestão da Qualidade

Gestão

Sustentabilidade

Inovação e Normalização

11 metálica 29 . março 2013


Metálica 30  

Revista Metálica 30 © CMM e Engenho e Média Lda.

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