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Dezembro de 2019 Ano 10 • Número 58

COMO ANDA O MERCADO BRASILEIRO DE

carros elétricos País experimenta a mobilidade eletrificada com preços altos e poucos incentivos

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QUEM SÃO E O QUE PENSAM OS LÍDERES DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA

DIVERSIDADE AINDA É OBSTÁCULO À COMPETITIVIDADE NAS EMPRESAS

Em tempos de transformação digital, emerge a preocupação sobre a competência mais essencial quando se trata da liderança: a humana

Inédito estudo sobre o tema mostra que a indústria ainda tem quadro de colaboradores pouco representativo de seu público consumidor

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Editorial

AB

Liderança, diversidade e eletrificação

Revista Automotive Business Setembro, 2019 • Ano 10 Edição 57

A

Paulo Ricardo Braga Editor

indústria automobilística vive um momento de grande complexidade no Brasil diante da perspectiva de abertura de mercado e da necessidade de o segmento definir sua vocação e competências para enfrentar os concorrentes globais. Automotive Business responde a essas questões nesta edição com a apresentação de um amplo estudo junto às principais lideranças do setor automotivo. Editora de inovação do portal e da revista Automotive Business, a jornalista Giovanna Riato analisou a pesquisa respondida por 700 profissionais de posições de comando em empresas automotivas e colheu os depoimentos de diversos presidentes de montadoras. A pesquisa, que exigiu fôlego e paciência, recompensada por informações inéditas sobre a maneira de enfrentar os novos desafios, foi realizada em parceria com a Mandalah e com a MHD Consultoria. Em paralelo ao estudo com as lideranças, a jornalista se debruçou sobre outro levantamento que conduziu a um segundo destaque na capa desta edição: o especial Diversidade no Setor Automotivo, que retrata o patamar em que a indústria automotiva se coloca para atrair talentos diversos em gênero, etnia, orientação sexual, pessoas com deficiência e das diferentes gerações. Os dois estudos inéditos de Automotive Business estão sendo divulgados por meio da revista e do nosso portal, contribuindo para a consolidação de cartilhas e arquivos que podem ser baixados pelos leitores. O terceiro artigo com destaque trata da eletrificação no Brasil. O editor Pedro Kutney, auxiliado pelos repórteres Mário Curcio e Sueli Reis, aponta que a onda de elétricos e híbridos ainda é marola por aqui, mas chegou. A matéria traz as estatísticas globais e locais para justificar seu título. Os 7,4 mil híbridos e elétricos emplacados no Brasil nos primeiros dez meses de 2019 (a grande maioria trazida de outros países) representam quase o dobro dos emplacamentos de modelos eletrificados em 2018 inteiro. Aqui, os estímulos à eletrificação são poucos se comparados com os existentes na Europa, China e alguns Estados norte-americanos. Nessas regiões, as vendas de elétricos e híbridos são embaladas por generosos incentivos. Na Alemanha, por exemplo, o governo devolve ao comprador 4 mil a 6 mil euros na aquisição de um elétrico. A Anfavea, entidade que representa os fabricantes de veículos, projeta que a soma de elétricos e híbridos deverá crescer para apenas 3% a 5% das vendas totais nos próximos três anos – não mais de 150 mil unidades/ano. É pouco, mas o resultado sinaliza um avanço importante na intenção de as montadoras locais aderirem à eletrificação, enquanto o etanol ainda representa por aqui a solução mais efetiva na luta contra as emissões veiculares.

www.automotivebusiness.com.br Editada por Automotive Business. Tiragem de 8.000 exemplares, com distribuição direta a executivos de fabricantes de veículos, autopeças, distribuidores, entidades setoriais, governo, consultorias, empresas de engenharia, transporte e logística e setor acadêmico. Diretores Paula Braga Prado Paulo Ricardo Braga Editor responsável Paulo Ricardo Braga (Jornalista, MTPS 8858) Editora-assistente Giovanna Riato Redação Mário Curcio, Pedro Kutney e Sueli Reis Colaboradores desta edição Natália Scarabotto, Sergio Quintanilha, Wilson Toume Editor de notícias do portal Pedro Kutney Design gráfico (RS Oficina de Arte) Ricardo Alves de Souza Josy Angélica Fotografia Estúdio Luis Prado Publicidade Carina Costa, Greice Ribeiro Atendimento ao leitor Patrícia Pedroso WebTV Marcos Ambroselli Comunicação e eventos Carolina Piovacari e Monalisa Naves Impressão Margraf Distribuição Correios Administração, redação e publicidade Av. Iraí, 393, conjs. 51 a 53, Moema, 04082-001, São Paulo, SP, tel. 11 5095-8888 redacao@automotivebusiness.com.br

Boa leitura e até a próxima edição. Filiada ao

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Envie suas ideias para paulo@portalab.com.br

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Índice

O elétrico da Jaguar, I-Pace, é um dos destaques

País experimenta a nova mobilidade com preços altos e poucos incentivos

14 CAPA |

LANÇAMENTOS

HÍBRIDOS E ELÉTRICOS DUPLICAM MERCADO COM LANÇAMENTOS Toyota puxa a fila dos híbridos e Caoa Chery arranca na liderança dos elétricos puros

17 CAPA | PESADOS

CAMINHÕES E ÔNIBUS ELÉTRICOS JÁ TÊM PROJETO NACIONAL Brasil começa a produzir veículos pesados eletrificados

19 CAPA | AUTOPEÇAS

EMPRESAS CRIAM PORTFÓLIO ELÉTRICO Fornecedores já têm áreas específicas para componentes de veículos eletrificados

NICK DIMBLEBY

8

CAPA | ELETRIFICADOS COMO ANDA O MERCADO BRASILEIRO DE ELÉTRICOS E HÍBRIDOS

22 CAPA | BATERIAS

SETOR DEPENDE DE IMPORTAÇÃO Moura vai começar a montar módulos com células de lítio trazidos da China

20 24 CAPA | TRANSMISSÃO CAPA | FORNECEDORES APOSTAM EM EIXOS ELÉTRICOS Tecnologia para tracionar veículos pesados está disponível

ELETROPOSTOS

ELETROMOBILIDADE FAZ SURGIR REDE DE RECARGA Montadoras firmam parcerias no País para abastecer veículos elétricos

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40 DIVERSIDADE

O TEMA É DESAFIO PARA QUE O SETOR AUTOMOTIVO MANTENHA SUA RELEVÂNCIA NA SOCIEDADE Inédito estudo mostra que indústria ainda tem quadro de colaboradores pouco representativo de seu público consumidor

26 LIDERANÇA

QUEM ESTÁ À FRENTE DO SETOR AUTOMOTIVO? Segunda edição de estudo realizado por AB com a Mandalah e a MHD Consultoria mostra quais são os desafios quando se trata do perfil da liderança automotiva

52 PRÊMIO

DIVERSIDADE

CONHEÇA OS VENCEDORES NO SETOR AUTOMOTIVO Com base em práticas e resultados na promoção do tema, 26 empresas foram reconhecidas

56 VW 60 ANOS

REVITALIZADA, FÁBRICA ANCHIETA, DA VW, COMPLETA 60 ANOS Primeira planta industrial fora da Alemanha, a unidade hoje tem papel estratégico nos planos do grupo e vai produzir o Nivus, futuro SUV compacto da marca

62 PONTO DE VISTA

COLABORAÇÃO, INOVAÇÃO E DIVERSIDADE DITAM O FUTURO. E O SETOR AUTOMOTIVO? A revolução é, antes de tudo, humana

64 VAIVÉM

AS MUDANÇAS ENTRE OS EXECUTIVOS O ponto de vista de Mateus Silveira, da FCA Fiat Chrysler

66 SUPPLIER QUALITY

EXCELLENCE AWARD

GM APURA AVANÇO NA QUALIDADE DE FORNECEDORES EM PREMIAÇÃO ANUAL Grupo reconhecido pela GM América do Sul traz mais empresas com nível de qualidade superior

70 PRÊMIO INTERAÇÃO MERCEDES-BENZ PREMIA PARCEIROS E ACENA COM FORNECIMENTO GLOBAL Actros pode gerar exportações de autopeças brasileiras

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Capa | Eletrificação no Brasil

Onda de elétricos e híbridos ainda é marola por aqui, mas chegou País experimenta a mobilidade eletrificada com preços altos e poucos incentivos Pedro Kutney

P

arte significativa do mundo escolheu a eletricidade como fonte de energia preferencial para mover os veículos e assim reduzir emissões de CO2 que causam o aquecimento global. Por isso, a eletrificação faz parte das grandes disrupções que estão transformando em altíssima velocidade a indústria automotiva mundial. Europa, China, Japão e Estados Unidos adotam legislações que impõem apertadas reduções de emissões

na próxima década, impossíveis de alcançar sem a ajuda da eletrificação, o que fez crescer nesses mercados uma onda de desenvolvimento e lançamentos de carros, caminhões e ônibus elétricos ou híbridos. Como o setor trabalha com escala global, os efeitos dessa onda atingem todo o planeta, como é o caso do Brasil, onde, aos poucos, carros híbridos e elétricos deixam de ser exóticos. Comparando com o que acontece na Europa e China, a eletrificação dos veículos no mercado brasileiro chega com força de uma marola. Segundo estimativa da consultoria IHS Markit, este ano, no mundo, os carros elétricos puros a bateria (BEVs) devem representar 2,5% das vendas globais, contra participação marginal no Brasil de 0,01%; o mesmo ocorre hoje com os mild hybrids (MHEVs, eletrificação

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DIVULGAÇÃO / CHEVROLET

leve de 48 V, com um impulsor elétrico auxiliar), que serão 2,3% no mundo em 2019 e quase nada aqui; e os híbridos (HEVs e PHEVs, incluindo plug-ins que podem ser recarregados na tomada) respondem por 3,7% das compras globais e 0,3% no País. Apesar dos números baixos, o avanço relativo é alto: os 7,4 mil híbridos e elétricos emplacados no Brasil nos primeiros dez meses de 2019 representam quase o dobro dos emplacamentos de modelos eletrificados em 2018 inteiro e os lançamentos este ano somam 20 modelos (veja reportagem nesta edição). Em outubro a participação do segmento atingiu o pico histórico de 0,8% das vendas, graças ao embalo trazido pelo primeiro híbrido nacional com motor flex etanol-gasolina, uma versão do novo Toyota Corolla lançado em setembro.

Bolt, 1o Chevrolet à venda no Brasil

Incentivos tímidos Também é relevante o fato de que esta foi a primeira temporada dos eletrificados com impostos reduzidos. A tarifa de importação aplicada a carros elétricos puros, que era de 35%, foi zerada no ano passado, enquanto para híbridos varia de zero a 7%, dependendo do nível de eficiência energética do modelo e de agregação de valor no País. Já o IPI, que antes chegava a 25%, baixou para alíquotas de 7% a 18% para elétricos e de 7% a 20% para híbridos, conforme peso e gasto energético medido em megajoules por quilômetro (MJ/km). Alguns Estados brasileiros também concedem isenção de IPVA ou descontos de 50%. Os híbridos flex (como o Corolla nacional) ganharam ainda uma vantagem adicional: desconto de três pontos porcentuais sobre o IPI aplicado ao carro, incentivo embutido no programa que regula o desenvolvimento e benefícios tributários para a indústria automotiva nacional, o Rota 2030, aprovado no

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Capa | Eletrificação no Brasil

DIVULGAÇÃO

eletrificar a frota é a única solução para atingir as apertadas metas de redução de CO2 da União Europeia.

Leaf 2020: 2a geração do elétrico Nissan

A Anfavea, associação nacional dos fabricantes de veículos, estima que a soma de modelos elétricos (menos) e híbridos (mais) deverá crescer para apenas 3% a 5% das vendas totais nos próximos três anos, não mais que algo em torno de 150 mil unidades/ano. A IHS Markit é bem menos otimista: enquanto projeta que até 2025 os elétricos representarão 10,4% das compras globais de carros, calcula somente 0,4% no mercado brasileiro, enquanto a proporção para híbridos de 10,7% no mundo seria de 1,9% no Brasil, e os mild

©2019 NISSAN

fim de 2018. Fora isso, o programa não oferece outros estímulos diretos a veículos elétricos no País, mas fomenta indiretamente a tecnologia com metas de eficiência energética a serem atingidas nos próximos anos, o que pode incentivar naturalmente a maior eletrificação da frota. Também indiretamente, o Proconve, legislação de controle de emissões veiculares, favorece a adoção de eletrificação ao impor limites cada vez mais apertados de emissões de poluentes na próxima década, tanto para veículos leves (fase L7 em 2022 e L8 em 2025 a 2029) como para caminhões e ônibus (P8, em vigor a partir de 2023). São estímulos à eletrificação, mas poucos quando comparados com Europa, China e alguns Estados norte-americanos, onde as vendas de elétricos são embaladas não só por força da legislação, mas também por generosos incentivos. Na Alemanha, por exemplo, o governo devolve ao comprador de € 4 mil a € 6 mil na aquisição de um elétrico. O ID.3, primeiro carro construído sobre a nova plataforma elétrica da Volkswagen, começou a ser vendido este ano por € 30 mil na tabela, mas os alemães pagam € 24 mil para ter um na garagem. Tudo porque

Caoa Chery Arrizo 5e: autonomia de 322,5 km

Projeções e dificuldades

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MALAGRINE

Capa | Eletrificação no Brasil

hybrids serão 24,6% globalmente e 2,6% aqui em cinco anos. Em seu estudo Automotive Brazil 2030, a Bright Consulting trabalha com três cenários para elétricos e híbridos no País: tendem a passar dos 5% de participação se o governo traçar uma política de estímulo ao uso e produção local; ficam entre 3% e 4% do mercado com ações pontuais (como ocorre hoje); e permanecem abaixo dos 2% das vendas sem aplicação de incentivos. Puxando sua projeção para 2030, a Bright estima que o total de veículos eletrificados vendidos no Brasil pode chegar a 425 mil no ano, o que representaria 9,3% dos emplacamentos, dividindo-se o bolo em 0,94% para elétricos puros, 7% para híbridos e 1,34% para híbridos plug-in. “Os veículos elétricos e híbridos terão seu espaço no Brasil, mas o preço ainda é muito alto e isso dificulta o crescimento”, avalia Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

Corolla: 1º híbrido nacional também é flex

Ele lembra que “nós já temos aqui o etanol como opção consolidada e viável para reduzir as emissões, pois o biocombustível tem balanço zero de emissões. O uso de etanol com eletrificação é também uma solução vantajosa para o País”, completa. Moraes lembra ainda que aqui os elétricos enfrentam as mesmas dificuldades globais que barram seu maior desenvolvimento, como número pequeno de postos de recarga, autonomia baixa em comparação com veículos com motor a combustão, falta de políticas de reciclagem de baterias e insegurança do consumidor quanto à manutenção e valor de revenda do carro – tendo em vista que o banco de baterias vale mais que o próprio veículo e sua duração estimada é de menos de dez anos. Com mercado ainda tão restrito, chama a atenção o interesse dos fabricantes em vender elétricos e híbridos no País. Para além da propaganda tecnológica e de não ficar de fora da tendência global, outra motivação pode ser a boa rentabilidade. Todos dizem que não têm lucro vendendo modelos eletrificados, mas segundo calcula a consultoria Jato Dynamics com base nos preços de venda dos automóveis, como o valor médio desses modelos é maior que o de outros segmentos, em 2019 eles já representam 1% do faturamento das montadoras, mesmo com apenas 0,36% dos emplacamentos. (Colaborou Sergio Quintanilha)

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Capa | Eletrificação no Brasil

Híbridos e elétricos duplicam mercado e multiplicam lançamentos Toyota puxa a fila dos híbridos e Caoa Chery arranca na liderança dos elétricos puros Sergio Quintanilha

O

mercado de carros híbridos e elétricos no Brasil mais que dobrou de tamanho em 2019. Com 7.856 unidades licenciadas até outubro, o número supera a soma das vendas dos dois anos anteriores, de quase 4 mil em 2018 e 3,3 mil em 2017. Nunca houve tantos lançamentos, com 20 modelos eletrificados introduzidos ao longo de 2019, incluindo o primeiro híbrido produzido no

Corolla híbrido roubou clientes do Toyota Prius

País, uma versão do novo Toyota Corolla – também o primeiro veículo hibridizado do mundo com motor flex, bicombustível etanol-gasolina. Segundo a consultoria Jato Dynamics, em 2019 o mercado brasileiro de carros eletrificados deu seu segundo salto. O primeiro foi em 2017, quando foi reduzido o imposto de importação para híbridos e as vendas totais triplicaram, ainda que em números tímidos, passando de 1.108 unidades para 3.327. A Toyota já se estabelece como líder do segmento no Brasil, dominando mais da metade do emplacamentos. A marca japonesa começou a testar sua proposta de eletrificação no Brasil com o híbrido Prius lançado aqui em 2012, depois relançado em nova geração em 2016 sobre a plataforma TNGA – a mesma do novo Corolla. São da Toyota os veículos eletrificados de maior sucesso este ano: o RAV4 com 2.098 unidades vendidas e o novo Corolla

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Lançamentos eletrificados de 2019 • Elétricos a bateria (BEVs)

Altis com 1.352. Pelo ritmo atual, o Corolla híbrido assumirá a liderança rapidamente – já é possível identificar uma forte canibalização do sedã sobre o Prius, cujas vendas recuaram de 2.466 para 792 unidades este ano. Entre os modelos eletrificados estreantes, brilharam também dois SUVs híbridos, o Land Rover Evoque (399 vendas) e o Lexus UX (346), conforme dados compilados pela consultoria Jato Dynamics.

Elétricos puros-sangues Apesar de ter mercado muito mais restrito, os carros elétricos puros também começam a ganhar as ruas brasileiras. A Renault iniciou as vendas do Zoe no Salão 2018 e emplacou 94 de janeiro a outubro de 2019). Em julho a sócia Nissan começou a entregar por aqui a nova geração do Leaf (35 foram emplacados). A melhor estreia foi do Caoa Chery Arrizo 5e, que largou com 130 emplacamentos em outubro,

Arrizo 5e: 130 unidades no mês de lançamento

Caoa Chery Arrizo 5e Chevrolet Bolt BMW i3 BEV JAC iEV 40 JAC iEV 20 JAC iEV 1200T Jaguar I-Pace Nissan Leaf Renault Fluence ZE Tesla Model 3

• Híbridos (HEVs) Lexus UX 250h Toyota Corolla Altis Toyota RAV4

• Híbridos plug-in (PHEVs) BMW 745Le M Sport BMW i8 Roadster Mini Cooper S E Countryman All4 Porsche Cayenne E-Hybrid Porsche Cayenne Turbo S E-Hybrid Porsche Cayenne Coupé Turbo S E-Hybrid Volkswagen Golf GTE Volvo S60 T8 Polestar

• Híbridos leves (mild hybrid | MHEV) Mercedes-AMG CLS 53 EQ Boost Mercedes-AMG E 53 EQ Boost Range Rover Evoque

O que vem por aí Audi E-Tron (2020) Honda Accord híbrido + 2 híbridos (até 2023) JAC iEV 300P (2020) JAC iEV 60 (2020) Mercedes-Benz EQC (2020) Porsche Taycan Turbo (2020) Porsche Taycan Turbo S (2020) Volkswagen: 5 híbridos e elétricos (até 2023) Volvo XC40 Hybrid (2020)

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Capa | Eletrificação no Brasil

mesmo mês de seu lançamento. A empresa tem um plano robusto para o segmento, mas ainda não confirma a produção de elétricos em Jacareí (SP) antes de sentir melhor o mercado. Também chinesa, a JAC Motors é outra que aposta nos carros 100% elétricos – até porque também é esta a aposta do governo chinês. A empresa promete cinco lançamentos no segmento, iniciando com o SUV iEV 40 lançado em setembro. A partir de dezembro começa a entregar o pequeno iEV 20 (baseado no J2) e o caminhão de 7 toneladas iEV 1200T. A JAC promete para abril de 2020 a picape elétrica iEV 300P e para julho o SUV médio iEV 60. Depois do Arrizo 5e, o elétrico mais vendido este ano foi o Jaguar I-Pace (67 vendas), que entre todos os estreantes citados tem o maior valor médio: R$ 444.193. Outros lançamentos importantes este ano foram as versões mild hybrid (têm um impulsor elétrico que ajuda a mover o veículo) dos MercedesBenz CLS e Classe E, os híbridos plug-in (recarregáveis na tomada) Volvo S60 e VW Golf GTE, além do elétrico Chevrolet Bolt (que só começa a ser entregue no ano que vem). Para 2020, o mercado de híbridos e elétricos ficará ainda mais competitivo e diversificado. A Mercedes-Benz lançará o SUV elétrico EQC, seguindo a mesma toada da Audi, que já colocou em pré-venda o utilitário esportivo E-Tron em duas versões (R$ 459.990 e R$ 499.990). Ainda no primeiro semestre chegará o Volvo XC40 híbrido, fortalecendo ainda mais a presença da marca sueca no

segmento, que coloca o híbrido plugin S60 T8 Polestar à venda ainda em 2019. Outra marca com muitos modelos eletrificados é a Porsche, que iniciará no primeiro semestre a pré-venda dos Taycan Turbo e Turbo S, ambos 100% elétricos.

Os eletrificados mais vendidos no Brasil VENDAS

PREÇO

MARCA

MODELO

TIPO

2018

2019*

R$

Toyota

RAV4

HEV

0

2.098

174.914

Toyota

Corolla

HEV

0

1.352

127.466

Toyota

Prius

HEV

2.466

792

126.002

Volvo

XC60

PHEV

167

628

256.581

Classe C

MHEV

41

488

233.146

Mercedes Lexus

NX

HEV

204

452

237.955

Evoque

MHEV

0

399

319.069

UX

HEV

0

346

191.484

Volvo

XC90

PHEV

113

207

409.438

Chery

Arrizo 5e

BEV

0

130

159.900

BMW

Série 5

PHEV

12

127

334.525

Lexus

ES

HEV

3

121

242.924

Renault

Zoe

BEV

25

94

149.352

Porsche

Panamera

PHEV

173

90

621.444

Range Rover Lexus

Jaguar

I-Pace

BEV

0

67

444.193

Mini

Countryman

PHEV

11

64

215.537

BMW

i3

BEV

17

61

235.655

Mercedes

CLS

MHEV

0

57

594.882

Volvo

S90

PHEV

22

49

361.338

Nissan

Leaf

BEV

0

35

191.206

Ford

Fusion

HEV

368

34

178.201

Porsche

Cayenne

PHEV

57

31

435.000

Mercedes

Classe E

MHEV

0

26

423.785

CT

HEV

209

16

147.667

Lexus

FONTE: JATO DYNAMICS BEV: ELÉTRICO A BATERIA | HEV: HÍBRIDO ELÉTRICO | PHEV: HÍBRIDO PLUGÁVEL | MHEV: HÍBRIDO LEVE

*JAN-OUT

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Caminhões e ônibus elétricos já têm projeto nacional Brasil começa a produzir veículos pesados eletrificados Pedro Kutney

O

que parecia improvável há menos de cinco anos está acontecendo. Fábricas no Brasil estão colocando para rodar linhas de produção comercial de caminhões e ônibus eletrificados, que têm boas chances de encontrar viabilidade econômica. Apesar de o preço do veículo ainda ser cerca de duas vezes mais alto, há o estímulo do custo operacional 50% a 70% menor na comparação com a motorização diesel, pois modelos elétricos têm menos componentes, manutenção mais barata, não usam óleo e o custo de abastecimento é um quarto do que se gastaria com combustível fóssil. A legislação ambiental também estimula a adoção de modelos elétricos em grandes centros urbanos do País – como por exemplo em São Paulo, onde lei aprovada em 2018 prevê que a frota de ônibus da cidade reduza em 50% as emissões de CO2 de origem fóssil em prazo de dez anos e 100% em 20 anos.

Caminhão e consórcio elétricos Todos os fabricantes de caminhões

e ônibus instalados no Brasil já têm opções elétricas em produção na Europa, mas a maioria quer sentir melhor a temperatura do mercado brasileiro antes de decidir importar ou produzir aqui. A aposta mais arrojada até agora foi da VWCO, que em 2017 mostrou o protótipo e-Delivery. Assim nasceu o primeiro caminhão elétrico brasileiro. Após dois anos de testes em São Paulo na frota da companhia de bebidas Ambev, que já encomendou 1,6 mil unidades do veículo, a VWCO também construiu uma fórmula para produzir o e-Delivery comercialmente na fábrica de Resende (RJ) a partir de 2020, por meio de um consórcio formado por nove empresas. Fazem parte do e-Consórcio a Bosch (componentes e sistemas), CATL (fabricante chinesa de baterias), Moura (montagem e assistência dos bancos de baterias), Semcon (serviços de engenharia), Siemens (rede de recarga e recarregadores), Weg (motores elétricos), Meritor (eixo trator elétrico), Eletra (montagem do chassi) e a própria Ambev, incluída no e-Consórcio por ser o primeiro cliente confirmado do e-Delivery. “Caminhões e ônibus elétricos têm grande potencial de avançar

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MALAGRINE ESTÚDIO

Capa | Eletrificação no Brasil

nas grandes cidades brasileiras que precisam reduzir a poluição”, avalia Roberto Cortes, CEO da VWCO.

Transporte coletivo elétrico Está no horizonte da VWCO a produção, possivelmente a partir de 2021, do Volksbus e-Flex, desenvolvido no Brasil e apresentado pela primeira vez como protótipo no Salão de Hannover, na Alemanha, há pouco mais de um ano. O ônibus urbano propõe uma solução inédita para a eletrificação: tem tração 100% elétrica, suas baterias são recarregadas na tomada, mas também é equipado com um pequeno motorgerador 1.4 TSI turboflex, fabricado pela Volkswagen em São Carlos (SP), que funciona com etanol, gasolina, gás natural ou biometano. O motor a combustão só é acionado

Ambev encomendou 1,6 mil Delivery elétricos

para gerar energia quando a carga das baterias fica baixa. Como usa biocombustível, o Volksbus e-Flex garante emissão neutra de CO2. A chinesa BYD também aposta na eletrificação do transporte público de passageiros no Brasil. Com investimento de R$ 200 milhões, em 2016 a empresa abriu em Campinas (SP) uma unidade de montagem de chassis de ônibus elétricos 100% a bateria, que são encarroçados por empresas nacionais como Caio e Marcopolo. Os resultados ainda são incipientes, mas começam a aparecer. Este ano foi feita a maior entrega, de 15 ônibus que vão rodar na cidade de São Paulo.

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Capa | Eletrificação no Brasil

Autopeças criam portfólio elétrico

(inversores e conversores), packs de bateria de 48 volts e diferentes sistemas de gerenciamento”, afirma o gerente de novos negócios em eletrificação, Alexandre Uchimura. De acordo com o executivo, a Bosch tem mais de 30 projetos com montadoras que envolvem a eletrificação veicular, especialmente no segmento de carros de passeio. No Brasil, irá fornecer para o caminhão Volkswagen e-Delivery a unidade de comando que integra a inteligência do controle do motor elétrico e as funções do veículo.

Fornecedores já têm áreas específicas para componentes de veículos eletrificados

Busca de eficiência

Mário Curcio

O

mercado que se abriu com a eletrificação fez fornecedores tradicionais criarem áreas dedicadas ao tema. A Schaeffler, com sua divisão eMobility, desenvolveu itens que vão de rolamentos especiais até módulos que reúnem em um único produto sistemas de direção, suspensão e tração de um carro elétrico urbano. Entre os exemplos daquilo que a Schaeffler já fornece em outros mercados estão um módulo híbrido aplicado no Ford Explorer, o e-Axle (eixo elétrico traseiro utilizado pelas chinesas Great Wall e Changan) e a caixa de redução para motores elétricos do Audi E-Tron. A Bosch produz desde baterias a eletropostos. “Temos soluções abrangentes, como componentes para tração, eletrônica de potência

Roda híbrida com aço e compósito da Maxion: solução para reduzir peso dos elétricos

A redução de peso foi o caminho óbvio para melhorar a eficiência energética de veículos a combustão, mas também aumenta a autonomia de elétricos. A Maxion já estuda soluções como chassis com materiais e tecnologias que resultam em peças mais leves. A fibra de carbono é um desses materiais, mas o custo da matéria-prima ainda é elevado. Utilizando uma combinação de alumínio e compósitos é possível obter redução de peso superior a 50% em comparação com aços tradicionais. Os projetos da Maxion incluem uma roda superleve de alumínio para veículos elétricos que integra motor e freios. Outro estudo é uma roda híbrida, que combina aro de aço com disco (centro) de fibra de carbono.

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Capa | Eletrificação no Brasil

Fornecedores apostam nos eixos elétricos Tecnologia para tracionar veículos pesados está disponível Mário Curcio

O

s projetos de veículos pesados híbridos ou elétricos forçaram o desenvolvimento de transmissões e eixos eletrificados pelos grandes fornecedores. E todos querem trazer sua tecnologia de propulsão elétrica ao Brasil. A ZF mostrou no País o eixo AxTrax AVE, com motores elétricos integrados nas pontas, indicado para ônibus urbanos de piso baixo, inclusive articulados, aplicável em configuração híbrida ou a bateria. É feito na Alemanha, de onde virá num primeiro momento se houver procura no Brasil. “A ZF tem conhecimento e tecnologias para introduzir no mercado brasileiro, basta haver demanda”, afirma o diretor executivo para a América do Sul, Sílvio Furtado. Nos Estados Unidos, a Meritor produz o eixo elétrico 14Xe, já lançou mais dois modelos (12Xe e 17Xe) e será fornecedora do primeiro caminhão elétrico brasileiro, o VW e-Delivery, planejado para ser produzido em Resende (RJ) a partir de 2020. Segundo

Eixo eletrificado Allison ABE é utilizado em ônibus de piso baixo

o diretor de vendas e marketing Kleber Assanti, parte dos componentes (carcaça, freios e extremidades) tende a ser fabricada no Brasil. A linha Eaton já presente no exterior para veículos comerciais eletrificados inclui transmissões de duas e quatro velocidades. A empresa também considera localizar produtos desse tipo, dependendo de como o mercado local migrar para eletrificação. A Allison produz nos Estados Unidos o eixo ABE para ônibus de piso baixo. É compatível com veículos 100% elétricos e outras tecnologias. “Temos um ônibus articulado híbrido desenvolvido com a Eletra. Ele roda há quatro anos no País com resultados muito satisfatórios”, destaca o diretor regional da Allison para a América do Sul, Evaldo Oliveira.

Carretas que empurram A brasileira Suspensys, do grupo Empresas Randon, desenvolveu o eixo de tração elétrica e-Sys, para aplicação em carretas. A chegada ao mercado está prevista para um ano e meio. O produto utiliza um sistema para recuperação de energia durante as frenagens em descidas, para recarregar as baterias que alimentam um motor elétrico no eixo, quando a carreta passa a ajudar a tracionar o caminhão. A economia de diesel pode chegar a 25%.

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Capa | Eletrificação no Brasil

Baterias dependem de importação Moura vai começar a montar módulos com células de lítio trazidos da China Mário Curcio

Q

Fernando Castelão, diretor geral da divisão de lítio da Moura: preparado para demandas das montadoras DIVULGAÇÃO

uando o assunto são baterias para veículos elétricos, o Brasil ainda engatinha na nacionalização dos módulos de íons de lítio. A Moura, também integrante do e-Consórcio para a produção do VW e-Delivery, vai importar da chinesa CATL esses módulos e montá-los nos caminhões. A empresa será também responsável pela assistência técnica, reutilização e reciclagem dessas baterias. A Moura não está focada apenas

no e-Delivery. “Firmamos um contrato com a Eletra para produzir o primeiro ônibus elétrico 100% fabricado no Brasil, além de um novo modelo elétrico-híbrido, o Dual Bus, em parceria com a Xalt Energy”, afirma o diretor geral da divisão de lítio da Moura, Fernando Castelão. “Estamos preparados para atender aos projetos pensados pelas principais montadoras”, diz. Ele afirma que nacionalizar as baterias hoje importadas é um objetivo estratégico e já iniciou estudos para isso. Produzir no País as células de íons de lítio que compõem os módulos parece algo distante, sobretudo pela necessidade de investimentos muito altos. Anúncios de fábricas para isso feitos por montadoras europeias em anos recentes giravam entre € 900 milhões a € 2 bilhões. Hoje, a China concentra 60% da produção dessas baterias. A Moura já produz desde outubro de 2019 uma bateria de lítio, mas neste caso voltada a empilhadeiras e outros veículos elétricos industriais. Castelão ressalta que a Moura pode se valer de seu o relacionamento de 40 anos com montadoras de todo o mundo para dar os próximos passos.

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Capa | Eletrificação no Brasil

Eletromobilidade faz surgir rede de recarga Montadoras firmam parcerias no País para abastecer veículos elétricos Sueli Reis

té há alguns anos parecia muito distante a ideia de ter veículos elétricos rodando no Brasil, mas eles chegaram, começam a se multiplicar e fazem surgir a necessidade de estruturar uma rede de recarga, gerando novos negócios e parcerias na cadeia automotiva. Esse movimento favoreceu a criação de acordos entre montadoras e companhias especializadas, como a Volkswagen Caminhões e Ônibus fez com a Siemens, que foi incluída no e-Consórcio da empresa e fornecerá toda a infraestrutura de energia para recarga das baterias dos veículos comerciais da marca a partir de 2020. No segmento de veículos leves, o projeto pioneiro no Brasil foi da CPFL, que desde 2013 mantém alguns pontos de recarga em São Paulo, nas cidades de Campinas, Jundiaí e na capital paulista, por meio de parcerias com BYD, Renault e ABB (empresa fornecedora de tecnologias de

PEDRO DANTHAS

A

recarga). Outro projeto veio a partir do investimento de R$ 1 milhão do Grupo BMW e EDP, companhia distribuidora de energia: em 2018 as duas empresas começaram a montar o primeiro corredor elétrico do País, na Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. Mais recentemente, sete empresas do setor automotivo e de energia firmaram um acordo de cooperação para viabilizar a primeira rede de recarga ultrarrápida no Brasil, com 30 eletropostos, todos em São Paulo. A EDP foi a idealizadora e investirá a maior parte dos R$ 32,9 milhões previstos no projeto. Também fazem parte do acordo ABB, Audi, Electric Mobility, Porsche, Siemens e Volkswagen. Para o diretor de marketing da ABB, Marcelo Serafim, a evolução do segmento ainda depende de incentivos fiscais e da expansão da rede de recarga.

O recémlançado VW Golf GTE plugin será um dos veículos utilizados em testes do novo corredor de recarga ultrarrápida em São Paulo

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Liderança

Quem lidera o setor automotivo? Segunda edição de estudo realizado por Automotive Business com a Mandalah e a MHD Consultoria aponta os desafios quando se trata do perfil da liderança automotiva Giovanna Riato

E

m tempos de transformação digital emerge a preocupação sobre a competência mais essencial: a humana. Afinal, é primordial conhecer quem são as pessoas que estão por trás da tomada de decisão das empresas para

Quem respondeu

673

entrevistados

47% 38%

Alta gestão (diretoria, vicepresidência, presidência, conselho, gerência geral)

Média gestão (coordenação, gerência, supervisão, chefia)

entender para onde o setor automotivo está caminhando. É justamente esta a proposta do estudo Liderança do Setor Automotivo, que chega à segunda edição com realização de Automotive Business em parceria com a MHD Consultoria e com a Mandalah, especializada em inovação consciente. A pesquisa exclusiva apurou quais são os desafios percebidos pela liderança, a visão sobre inovação e o perfil de quem senta nas cadeiras de decisão das organizações. Um dos aspectos que ficaram claros é que o comando do setor automotivo tem gênero, cor e faixa etária: um homem branco, de meia idade, muito possivelmente engenheiro. Participaram do levantamento 673 profissionais que trabalham em fabricantes de veículos, autopeças, concessionárias, empresas de tecnologia e mobilidade, entre outros negócios relacionados com a cadeia de

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Setor de atividades 48%

Indústria de autopeças

24%

Outro setor (serviços, consultoria, ind. química, locadora, importadora, associações)

10%

Montadora de veículos leves

8%

Concessionária / Distribuição

7%

Montadora de veículos leves e pesados Montadora de veículos pesados

%

3

valor automotiva. Depois de consolidar estas respostas, Automotive Business apresentou os resultados do estudo a oito presidentes de empresas do setor, coletando o ponto de vista deles sobre cada aspecto. São estas as opiniões que você encontra ao longo deste especial.

QUEM TOMA AS DECISÕES NAS EMPRESAS? Segundo o estudo, 92% dos profissionais que estão na alta gestão das empresas (em posições de diretoria, vicepresidência, presidência e conselho) têm mais de 41 anos. Apenas 14% da liderança (incluindo média e alta gestões) tem menos de 35 anos. Ainda que seja esperado que profissionais alcancem cargos mais elevados apenas quando acumulam experiência, a falta de uma trilha rápida para fomentar a presença de jovens talentos em posições de decisão é um ponto sensível.

Com apenas pessoas mais maduras no comando do setor automotivo, a indústria tende a ter dificuldade para atender aos anseios das novas gerações de consumidores. Quanto ao gênero e à etnia, o viés também fica claro: só 7% do alto comando das empresas é feminino e as pessoas negras têm apenas 1% de participação neste contexto.

ESCOLARIDADE NÃO BASTA Dos respondentes, 50% são engenheiros, comprovando algo que é normalmente observado em organizações automotivas: a participação de engenheiros nos mais diversos cargos e áreas, desde o RH até o marketing. A segunda formação

Faixa etária Até 25 anos De 26 a 30 anos De 31 a 35 anos

3% 4% 7% 13%

De 36 a 40 anos

19%

De 41 a 45 anos De 46 a 50 anos

17%

De 51 a 55 anos

17%

De 56 a 60 anos De 61 a 65 anos Mais de 65 anos

75%

10% 7% 4%

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Liderança

Gênero 93%

Etnia

85%

%

7

Alta gestão

15%

Média gestão Masculino

mais tradicional é em administração, com 24% de participação, com outras competências com presença baixa no comando da indústria automotiva. Ter um perfil de competências tão dominante na liderança automotiva é, mais uma vez, fator que pode reduzir a capacidade da indústria de competir no momento atual, em que há demanda por oferecer soluções centradas nas pessoas, consumidores e usuários dos serviços de mobilidade. A maior parte de liderança que respondeu ao estudo (55%) é pósgraduada, com especialização ou MBA. Ainda assim, o levantamento deixa claro que a escolaridade elevada não é o bastante para que estes profissionais sintam-se preparados para o momento atual: 60,3% dos respondentes dizem sentir-se moderadamente preparados para entregar bons resultados no contexto atual. Roberto Cortes é um líder veterano, com mais de duas décadas à frente da Volkswagen Caminhões e Ônibus

Feminino

%

1

%

2

Negra

% 7% 9 Parda

na América Latina. Mesmo com tanta experiência, ele diz sentir a demanda por se manter constantemente aprendendo. “O que nos assegurou sucesso no passado dmuito provavelmente não vai garantir o futuro. Por isso precisamos nos transformar, ir para onde o mercado está. Até recentemente éramos o hardware e isso nos levou à liderança. Hoje a demanda é por outras coisas, como conectividade, inteligência e baixo nível de emissões.”

MOMENTO É DE TRANSFORMAÇÃO Transformação, incerteza, instabilidade. Estas são algumas das palavras apontadas pela liderança automotiva como aquelas que definem o atual momento do setor. A falta de clareza sobre os rumos da transição que

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o setor automotivo passa gera certa ansiedade. A maioria dos profissionais que estão à frente das empresas diz ter uma postura cautelosa diante deste contexto, já 39,9% sentem-se otimistas. Antonio Filosa, presidente da FCA para a América Latina, entende que o terreno incerto não deveria ser uma novidade para quem é líder em uma empresa que atua no setor automotivo. “É interessante falarmos tanto de transformação, como se a gente fosse o resultado de uma história plana ao longo dos últimos anos. Transformação é o que nós fazemos. Cada momento é de transformação. É o que somos desde sempre.” Já Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América do Sul, lembra que a mudança agora chega em proporção maior que a experimentada até então. “O carro é praticamente a mesma coisa há muitas décadas. Evoluímos em qualidade, segurança e emissões, mas nunca tivemos um período tão grande de transformação do modelo de negócio, de outras indústrias entrarem no setor automotivo, de transformação do pensamento e da necessidade de gerar outras receitas para não desaparecer”, diz o executivo. Na visão dele é preciso, em certo nível, abrir mão de algumas certezas para atuar com sucesso no novo contexto. “Temos o hábito de querer acertar em tudo sempre, mas o momento exige outro modelo mental:

Área de formação 50%

Engenharia

24%

Administração

8%

Outra (especifique) Comunicação e Marketing Economia

5% 4%

Tecnologia e Informática

3%

Contabilidade e Finanças

3%

Direito

1%

Jornalismo

1%

Psicologia

1%

Ciências Biológicas, Médicas...

0%

Arquitetura e Urbanismo

0%

Ciências Agrárias e Ambientais

0%

nós temos de tentar e errar para achar os novos caminhos”, defende. Segundo ele, claro que não há margem para tropeços quando se trata de assuntos como segurança veicular ou a garantia de conforto aos clientes, mas é essencial abrir mão de fórmulas tradicionais para encontrar outros caminhos de sucesso.

LIDERANÇA EMPÁTICA, MAS CAPAZ DE DESAFIAR Criado por Kim Scott, executiva

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Liderança

que passou por empresas como Google e Facebook, o conceito de candura radical sinaliza o perfil de liderança mais eficiente: é o que equilibra a capacidade de desafiar diretamente a própria equipe com a postura de importar-se pessoalmente com cada colaborador. Segundo Kim, profissionais que têm esta abordagem são capazes de gerar maior engajamento e, assim, fazer entregas melhores. De modo geral, no setor automotivo lideranças dizem estar próximas das suas equipes, dar e receber feedbacks, assim como incentivar questionamentos. O estudo apurou que 39% dos profissionais em posições de comando da indústria

Escolaridade Doutorado

1%

Pós-Doutorado

1% 10%

Mestrado

55%

Especialização - MBA

24%

Superior completo Superior incompleto Ensino médio Ensino fundamental

6% 2% 0%

TRANSFORMAÇÃO é a palavra que descreve o momento atual

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Ana Theresa Borsari, diretora geral da Peugeot, Citroën e DS

LUIS PRADO

automotiva têm perfil de candura radical. As montadoras, no entanto, enfrentam desafio maior que a indústria de autopeças, com executivos e executivas que demonstram estar mais distantes de suas equipes. Ter empatia e saber ouvir são apontadas como as características principais dos bons líderes. Ana Theresa Borsari, diretora geral da Peugeot, Citroën e DS, além de única mulher no comando de marcas de carros no Brasil, diz que assumir uma postura de desafiar e, ao mesmo, se preocupar com as pessoas é essencial para gerar bons resultados. “O presidente global do Grupo PSA, Carlos Tavares, costuma dizer que a exigência é a maior demonstração do respeito. Elevar o nível de exigência com os colaboradores é o indício mais claro de que você respeita a capacidade deles de entregar mais”, diz. Segundo ela, extrair o melhor do trabalho de alguém é contribuir com a evolução daquele colaborador: “empresas são feitas de relações humanas. Estimular o crescimento das pessoas é o melhor que podemos fazer enquanto líderes. É isso que fica quando deixamos um cargo para trás”. Para Luis Afonso Pasquotto, presidente da Cummins Brasil, as pessoas em posição de comando devem também mostrar os pontos fracos e assumir que ninguém precisa ser bom em tudo. “A liderança deve ser capaz de demonstrar esta vulnerabilidade ao mesmo tempo

Postura em relação ao futuro 2% Pessimistas

39,9%

Otimistas

58,1%

Cautelosos

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Liderança

Perfil da liderança automotiva

IMPORTAR-SE PESSOALMENTE

20%

Empatia ruinosa

15%

O PROPÓSITO DA LIDERANÇA

39%

Candura radical

26%

Insinceridade Agressão manipulativa repugnante

que cobra excelência. Não é porque você cria um ambiente humanizado que pode tolerar baixa performance indefinidamente. É possível combinar resultado com humanidade.”

DESAFIAR DIRETAMENTE

Na edição de 2018 do estudo Liderança do Setor Automotivo, apenas 6% das lideranças foram capazes de definir o propósito da empresa em que trabalhavam. Houve melhora importante neste sentido: em 2019, 36,5% dos respondentes apontaram que a empresa em que trabalham têm propósito claro e implementado que direciona a estratégia e ações da companhia. As organizações que estão fora deste grupo apontam que os principais fatores que impedem a definição de um propósito são o foco em resultados de curto prazo e o mercado em que a empresa está inserida.

Perfis de liderança Insinceridade manipulativa: lideranças que não se importam e não desafiam diretamente seus liderados, preocupando-se apenas com a própria ascensão. Empatia ruinosa: excessivamente dócil, com dificuldade para desafiar a equipe diretamente, com receio de magoar as pessoas. Agressão repugnante: desafia exageradamente seus liderados em detrimento da construção de boas relações pessoais. Candura radical: profissionais capazes de atingir o equilíbrio ideal entre desafiar diretamente e importar-se pessoalmente com as pessoas.

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Propósito das empresas automotivas Minha empresa tem um propósito claramente definido e implementado que direciona todas as decisões estratégicas e ações do dia da empresa

36,50% 188

Minha empresa tem um propósito claramente definido e está começando a desenvolver ações para ativá-los

22,33% 115

Minha empresa tem um propósito organizacional definido, mas ele é apenas algo descrito em um documento e/ou não engaja e não é vivido no dia a dia da empresa

11,65% 60

Minha empresa ainda não possui um propósito organizacional definido, mas entende a importância de desenvolver um

11,07% 57

Minha empresa está no processo de desenvolvimento do propósito

10,87% 56

Não sei responder, não domino o conceito de propósito organizacional

4,27%

22

Minha empresa não tem um propósito organizacional claro e não acha que precisa de um

3,30%

17

O que impede a ativação de um propósito Foco em resultado de longo prazo

37,86% 195

Mercado em que a empresa está inserida

31,46% 162

Falta de clareza de quais passos devem ser tomados para a ativação do propósito

27,67% 142

Falta de entendimento da relevância do propósito para o negócio

22,52% 116

Falta de recursos para tomar as ações necessárias

20,19% 104

Falta de comprometimento e coragem para tomar decisões difíceis em relação ao negócio (ex.: descontinuação de produtos/serviços, quebra de parcerias, investimento inicial alto etc.)

19,61% 101

Falta de engajamento da alta liderança e acionistas

18,64% 96

Falta de engajamento dos colaboradores

14,56% 75

Dificuldade na identificação do projeto

11,84% 61

Outro (especifique)

10,87% 56

Não sei responder, não domino o conceito de propósito organizacional

8,54%

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Liderança

Foco no curto prazo e baixa ambição para o Brasil automotivo Pesquisa aponta que liderança automotiva perde de vista o longo prazo diante da pressão pela entrega de resultados imediatos ais do que nunca, manter o equilíbrio entre a entrega de resultados no curto prazo e a construção das respostas de longo prazo é essencial para que os negócios prosperem. Apesar disso, a liderança das empresas automotivas permanece focada nas questões imediatas. Esta é uma das conclusões da pesquisa Liderança do Setor Automotivo, feita por Automotive Business em parceria com a MHD Consultoria e com a Mandalah a partir de entrevista com 673 executivos e executivas. Dos respondentes, 68,5% dizem que a própria empresa equilibra bem a gestão do curto e do longo prazo. O discurso, no entanto, é diferente na prática: na hora de apontar os principais desafios que enxergam na própria gestão, as lideranças priorizaram os temas que demandam atenção imediata. Aumentar a rentabilidade e ampliar as vendas ficaram no topo da lista, seguidos de elevar o engajamento dos colaboradores – o único dos três temas que se relaciona com uma preocupação de longo prazo. Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America, aponta que é essencial manter uma gestão mais equilibrada. “Se olharmos só

LUIS PRADO

M

Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America

Desafios percebidos pela liderança 40%

Aumentar a rentabilidade Aumentar vendas Ampliar o engajamento dos colaboradores Aumentar a competitividade

33% 32% 29%

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As principais barreiras Cenários de instabilidade política e econômica

69,13% 383

Legislação, tributação e ambientes regulatórios adversos

50,54% 280

Falta de capacidade de investimentos ou escassez de recursos

30,61% 169

Competição com outras empresas automotivas

26,17% 145

Falta de profissionais bem preparados

26,17% 145

Falta de preparo da cultura organizacional

22,20% 123

Falta de agilidade da companhia

19,86% 110

As prioridades da liderança Relevância do tema Alta

Baixa

33,4%

31,07%

Inovação

67,96%

4,85%

Atração e retenção de talentos

34,17%

27,96%

Fortalecimento cultural

36,89%

20,78%

Diversidade e inclusão

que % dizem a própria

68,5

empresa equilibra bem o curto e o longo prazos

para o hoje, vamos morrer amanhã. O papel da liderança é priorizar e tomar, muitas vezes, decisões duras. É uma arte, com sensibilidade, visão futura e a capacidade de acompanhar os movimentos da sociedade”, diz. Assim como no estudo de 2018, a liderança aponta que as maiores barreiras para que eles superem os desafios apontados são externas, concentradas principalmente na instabilidade política e econômica e, ainda, na legislação, tributação e ambiente regulatório adversos. A resposta indica que falta aos executivos e executivas assumir o protagonismo da construção das soluções para os desafios do setor automotivo.

ABORDAGEM DE INOVAÇÃO AINDA É RESTRITA Entre uma série de assuntos, inovação é destacado pela maior parte da liderança, 68%, como um tema de alta relevância para a organização em que

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Liderança

LUIS PRADO

trabalham. Ainda assim, o índice pode ser considerado abaixo do esperado se levado em conta o discurso intenso das empresas automotivas em relação ao empenho para inovar. Diversidade e inclusão foi o tema de maior rejeição: 31% dizem que este é um assunto de baixa relevância para a organização em que trabalham. Dessa forma, a indústria automotiva mostra estar longe de priorizar um assunto que tem relevância cada vez maior na sociedade. As fabricantes de veículos demonstram estar mais abertas e avançadas quando se trata de construir uma cultura de inovação e de fomento à diversidade. O tema é destacado com alta relevância por 52% da liderança de montadoras. Nas empresas de autopeças o índice cai bastante, para 30,7%.

Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e Daimler América Latina, é um dos executivos que apontam valorizar o alto potencial que existe em trabalhar todas as frentes em paralelo. “Para ter resultados inovadores, precisamos criar uma cultura que promova a inovação. Manter tudo igual e criar um departamento focado nisso não vai funcionar. Só dá certo quando pensamos em estruturas mais horizontais, com discussões de ideias, com mais diversidade de visões”, diz. LUIS PRADO

Philipp Schiemer, presidente da MercedesBenz do Brasil e Daimler América Latina

Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus

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abertura comercial, as empresas instaladas no Brasil devem, antes de tudo, entender qual é a competência automotiva local – o que, afinal, podem entregar aos outros países. A liderança das empresas do setor mostrou visão otimista sobre a parceria entre Mercosul e União Europeia, com a expectativa de que o tratado gere boas oportunidades aos dois blocos. Por outro lado, 58% dos respondentes mostraram que estão desinformados sobre o tema e, portanto, ainda não calcularam as potenciais consequências do acordo para o próprio negócio. Em um mercado aberto e globalizado, torna-se essencial desenvolver a competência automotiva brasileira, ter um perfil de soluções que posicione a indústria local no mundo e entender de que forma o Brasil pode contribuir.

A vocação automotiva brasileira 30,86%

O Brasil será palco de alguns projetos locais

22,29%

As exportações de veículos serão ampliadas

19,22%

O Brasil será somente um grande mercado de veículos

19,06%

As exportações de autopeças serão ampliadas O Brasil terá atuação importante no desenvolvimento de soluções para os novos meios de mobilidade O Brasil será um polo de desenvolvimento de soluções

14,38% 12,76%

A COMPETÊNCIA AUTOMOTIVA BRASILEIRA

Antonio Filosa, presidente da FCA para a América Latina

LEO LARA

O Brasil começa a estruturar um movimento de abertura de mercado. Dentro desta abordagem, um dos mais aguardados avanços é o acordo automotivo entre Mercosul e União Europeia – uma negociação que evoluiu após 20 anos de discussões entre os blocos. A expectativa é de que a cooperação seja oficializada nos próximos dois anos. Se isso acontecer, a alíquota de importação de veículos europeus vai cair gradativamente nos 15 anos seguintes, indo dos atuais 35% a zero. O prazo é longo, mas, para uma transição assim dar certo, a indústria nacional precisa começar a rever sua estratégia e planejamento de produtos desde já. Para manter a relevância em um contexto de

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Liderança

Neste ponto, no entanto, a liderança é pouco ambiciosa. Quase metade dos respondentes indica que é pouco provável que o País tenha atuação importante no desenvolvimento de novas soluções de mobilidade – justamente o segmento mais promissor para os próximos anos. A maioria acredita que o Brasil seguirá como um polo relevante apenas para alguns projetos locais. Assim, a própria liderança das empresas demonstra pouco engajamento na construção de um papel mais relevante para o País no mundo automotivo. Besaliel Botelho, presidente da Bosch América Latina, entende que o caminho precisa ser outro. “O Brasil é um bom mercado, mas respondemos por apenas 3% das vendas globais de veículos, uma fatia modesta.

Besaliel Botelho, presidente da Bosch América Latina

LUIS PRADO

Luis Afonso Pasquotto, presidente da Cummins Brasil

Ainda assim, não é porque somos pequenos que precisamos estar fora do radar dos investimentos das empresas globalizadas. Se você faz barulho e mostra que temos um futuro interessante aqui, consegue atrair a atenção. Se ficarmos esperando, o investimento não vem”, resume. Luis Afonso Pasquotto, presidente da Cummins Brasil, concorda: “Precisamos de um pouco mais de ambição. Estamos muito contaminados pela crise. A perspectiva de abertura do mercado é uma coisa boa. Se soubermos fazer, sem abrir a torneira de vez, será um movimento que vai estimular a competitividade local. O caminho não é ter custo baixo, é inovar mais, oferecer um pacote atrativo para quem quer comprar”, diz, mostrando que o maior desafio do setor no Brasil está em assumir um papel visionário, propondo novas soluções.

TALENTOS BRASILEIROS

LUIS PRADO

Para as lideranças entrevistadas, uma fortaleza do setor automotivo

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%

58

Para o brasileiríssimo Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus com cadeira da liderança no conselho de administração não avaliou global do Grupo Traton, o jeitinho brasileiro realmente é realmente ou não está um diferencial competitivo. “Nós informada o bastante sobre podemos ter algumas deficiências em relação ao europeu e ao norteo potencial americano, mas também contamos impacto do com habilidades que nos garantem acordo entre alguma vantagem”, defende. Mercosul e União Europeia E enumera que os brasileiros para o próprio são mais rápidos, intuitivos e, com estas características, capazes de negócio desenvolver soluções de baixo custo na organização. “Com estes atributos, busco sempre bons resultados para mostrar lá fora o nosso valor”, resume o executivo, seguro de que tem muito para apresentar.

OMAR PAIXÃO

brasileiro está nos talentos encontrados aqui. “As tantas dificuldades levam as pessoas a ser mais rápidas, criativas e trabalhadoras. Somar estas coisas com o foco em projetos bem estruturados gera bons resultados”, diz Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América do Sul. O executivo valoriza ainda o consistente histórico da indústria local em pesquisa e desenvolvimento, com a criação de tecnologias como o carro flex. Segundo ele, em um momento em que o mundo caminha para a eletrificação, a indústria local deve usar esta bagagem para caminhar na mesma direção. Outra liderança estrangeira, o italiano Antonio Filosa, presidente da FCA América Latina, também entende que as pessoas são uma das grandes fortalezas da indústria automotiva brasileira. “Algo que não podemos invejar de ninguém é o capital humano: nossos colaboradores aqui estão entre os melhores do mundo. Nas fábricas, o índice de absenteísmo é inferior a 2%, o que significa que a dedicação, a garra, é bem maior aqui que no resto do mundo”, conta. Ele engrossa o coro com Pablo Di Si e concorda que os talentos locais favorecem a inovação. “Temos uma geração espontânea de um grande volume de projetos no Brasil e na América Latina. Em todos os níveis da organização, nossos trabalhadores têm enorme dedicação e também se destacam globalmente entre os que mais propõem ideias e são criativos.”

Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América do Sul

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Diversidade

Diversidade é desafio para que setor automotivo mantenha sua relevância na sociedade Inédito estudo sobre o tema mostra que a indústria ainda tem quadro de colaboradores pouco representativo de seu público consumidor Giovanna Riato e Natália Scarabotto

E

m momento de redefinição do papel do setor automotivo, é essencial entender, afinal, como tornar a indústria ainda mais capaz de entregar as respostas necessárias à sociedade e garantir mais ferramentas para competir no novo contexto. Esta é uma das premissas que inspiram o estudo Diversidade no Setor

Automotivo, levantamento inédito feito por Automotive Business em parceria com a MHD Consultoria com 89 empresas desta cadeia de valor. O Brasil é um país de maioria negra e feminina, mas será que o setor automotivo carrega esta representatividade para construir as próprias soluções? A resposta é

Setor automotivo está longe de representar a sociedade brasileira Mulheres Pretos e pardos Pessoas com deficiência

Participação na população brasileira

Participação nas empresas automotivas

51,7% (IBGE) 54% (IBGE) 6,7% (Censo 2010)

19,7% 9,8% 3,1%

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Estágio do tema diversidade AINDA NÃO HÁ INICIATIVAS PRIMEIRAS DISCUSSÕES SOBRE O TEMA ESTÁGIO INICIAL ESTÁGIO INTERMEDIÁRIO ESTÁGIO AVANÇADO ESTÁGIO MADURO

17% 21% 30% 19% 10% 2%

AINDA NÃO HÁ INICIATIVAS: não possuem ações ou programas para a diversidade PRIMEIRAS DISCUSSÕES SOBRE O TEMA: em fase básica de discussão interna para a criação e implementação de ações e/ou projetos ESTÁGIO INICIAL: algumas ações estão em curso e os resultados são iniciais ou ainda não foram medidos ESTÁGIO INTERMEDIÁRIO: várias ações em curso com resultados mais consistentes ESTÁGIO AVANÇADO: programas estruturados, gerando transformações visíveis com avaliação de metas e resultados ESTÁGIO MADURO: programas em aperfeiçoamento contínuo, com resultados consistentes e avaliações sistemáticas

um não. Os fabricantes de veículos, autopeças, insumos e outros segmentos que responderam à pesquisa deixaram claro que o setor está longe de abrigar em seu quadro de colaboradores a pluralidade existente em seus consumidores. Bem distantes da realidade brasileira, apenas 19,7% das pessoas empregadas no setor são mulheres. Quando se trata de cor, a situação é ainda mais grave: 54% dos brasileiros são pretos ou pardos, segundo o IBGE. Na indústria automotiva este número não passa de 10%. Com isso, a indústria deixa de lado a diversidade – que é um fator decisivo de potencial

Na liderança, desvantagem salarial delas chega a

%

34

de inovação e de lucratividade para qualquer empresa.

MULHERES TÊM DIFICULDADE PARA CRESCER A participação feminina na força de trabalho das empresas teve retração em relação a 2017, quando as mulheres representavam 21% do quadro de colaboradores. A queda pode ter sido impulsionada pela retomada do setor automotivo que, depois de redução do quadro de colaboradores, voltou a contratar – provavelmente admitindo um volume maior de homens. A participação de ambos os gêneros nas empresas automotivas desenha um funil hierárquico: começa equilibrado nos cargos de entrada, com participação feminina e masculina relativamente equiparada em cargos de entrada,

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Diversidade

Funil hierárquico – gênero HOMENS MULHERES

%

55%

%

60 40%

APRENDIZES

%

45 TRAINEES

82

%

18

QUADRO FUNCIONAL

%

77

85

90% 89%

%

23%

15%

10%

82 18

GERÊNCIA

mas apresenta grandes desigualdades nas posições mais elevadas. A participação feminina em nível de estágio ou trainee é de 45%, ante 55% de homens. No quadro funcional, a presença delas cai para 18%.

Elas estudam mais e ganham menos 41%

HOMENS MULHERES

27%

Ainda assim, mulheres ganham, em média, 23% a menos que homens

Nível superior e/ou pós-graduação

Somente 38% das empresas têm iniciativas para reduzir a desigualdade salarial entre homens e mulheres

%

%

DIREÇÃO PRESIDÊNCIA

11%

CONSELHO SUPERVISÃO

A partir das posições de gerência, fica clara a dificuldade das mulheres de ascenderem. Elas ocupam 23% das cadeiras neste nível hierárquico. Na diretoria este número despenca para 15%. Ainda assim, entre 2017 e 2019 houve evolução na participação da mulher em posições de liderança em geral (gerência, diretoria, vice-presidência, presidência). O aumento foi de três pontos porcentuais. A dificuldade para ascender profissionalmente passa longe de ser falta de competência ou preparo das mulheres: elas são bem mais escolarizadas que os homens empregados setor – sinal de que se preparam para assumir posições de liderança. Enquanto só 27% dos talentos masculinos têm nível superior e/ou pós-graduação completos, 41% das mulheres têm formação equivalente.

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Diversidade

Funil hierárquico para pessoas negras

%

89

%

88

11% 12% APRENDIZES

%

90

10%

94

96%

96%

100%

98%

6%

4%

4%

0%

2%

%

QUADRO TRAINEES FUNCIONAL SUPERVISÃO BRANCOS

GERÊNCIA

DIREÇÃO

PRESIDÊNCIA

CONSELHO

NEGROS

Quando se trata dos salários, as condições também são desiguais: mulheres ganham, em média, 23% a menos que os homens em posições equivalentes em empresas automotivas. Esta divergência aumenta em cargos de liderança, em que mulheres recebem até 34% a menos que homens.

SETOR NÃO É INCLUSIVO PARA PESSOAS NEGRAS A força de trabalho no setor automotivo tem cor: é branca. Só 9,8% do total empregado no setor tem a pele escura. Quando analisado o perfil étnico por cargo, a pequena presença negra se concentra em posições mais baixas: aprendiz, com participação de 11%, trainee ou

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das empresas não têm nenhuma ação para promover a diversidade étnica

estagiário (12%), quadro funcional (10%) e supervisão (6%). Na liderança, a representação é ainda menos expressiva: apenas 4% ocupam cargos de gerência, direção ou conselho. Nenhum negro ocupa a cadeira de presidência ou vice-presidência, de acordo com o estudo realizado. Mesmo diante da alarmante desigualdade étnica, as empresas não demonstram interesse em mudar esse cenário. O estudo aponta que 52% das organizações não têm nenhuma ação para promover a inclusão de pessoas negras em suas equipes. Apenas

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13% das companhias declaram ter programas estruturados nesta frente. Entre as empresas que apontaram ter metas de contratação para a diversidade, o eixo etnia fica em quarto lugar nas prioridades, contando com 45% das organizações preocupadas em incluir pessoas negras por meio de metas definidas. O estudo aponta, no entanto, que algumas medidas mínimas para mudar este cenário estão sendo adotadas: 56% proíbem a veiculação de qualquer mensagem ou imagem discriminatória em seus materiais de divulgação e 72% das organizações contam com processos seletivos abertos a todos os cursos e

Força de trabalho negra no setor automotivo

9,8% 90,2% LIDERANÇA, OUTROS

LIDERANÇA NEGRA

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Diversidade

Pessoas com deficiência por área

0,5% SUPERVISÃO 1,5% RECEPÇÃO 0,1% ÁREAS PRODUTIVAS 77% ÁREAS ADMINISTRATIVAS 21%

LIDERANÇA (GERÊNCIA ATÉ CONSELHO)

pelo estudo é que 75% das empresas universidade, sem limitação às escolas Participação têm metas de contratação de PCD, consideradas de primeira linha – o que das pessoas normalmente acentua a desigualdade. com deficiência estimuladas pela Lei de Cotas, mas apenas 9% das organizações nas empresas contam com metas para incluir PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: automotivas: PCD em cargos de liderança. POUCO ALÉM DAS COTAS Ainda que o setor automotivo acerte Pessoas com Deficiência (PCD) ganharam em cumprir a legislação, a construção espaço no mercado de trabalho desde de um ambiente de trabalho diverso e a criação da Lei de Cotas, em 1991, seguro precisa ir além da contratação, que exige que todas as empresas com visando à inclusão social, seja por mais de 100 funcionários tenham benefícios ou infraestrutura, e a certa participação destas pessoas. equidade de oportunidades. De No setor automotivo, as empresas acordo com o sócio-consultor da acertam em cumprir a legislação, MAC Diversidade, Guilherme Bara, mas quase três décadas depois, “as empresas precisam dar condições poucas incluem esses profissionais para a pessoa com deficiência ter o além do mínimo obrigatório. mesmo desempenho que uma sem. A pesquisa Diversidade no Setor Não ignore a deficiência, mas não Automotivo mostra que as pessoas resuma o indivíduo a isso”, diz. com deficiência estão amplamente alocadas em áreas produtivas, com 77% dos profissionais deste grupo LGBT+ É O EIXO COM MENOS empregados no segmentos atuando RELEVÂNCIA NAS EMPRESAS nestes departamentos. Apenas Segurança psicológica. Segundo o 1,5% dos colaboradores com algum Projeto Aristóteles, pesquisa feita tipo de deficiência ocupa cargos de supervisão, enquanto na liderança a representatividade é inferior a 1%. Outro dado importante levantado

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3,1

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por dois anos pelo Google com as próprias equipes, este é o principal fator para garantir alta performance nos times. A liberdade de expressar opiniões, contribuir com ideias e ser, no ambiente de trabalho, a mesma pessoa do que fora dele deveria ser um direito essencial em qualquer organização, mas nem sempre funciona assim para pessoas LGBT+. Muitas vezes, estes indivíduos não encontram um entorno de respeito e acolhimento para assumir a própria identidade de gênero e orientação sexual. E, no setor automotivo, há pouco esforço para mudar este cenário: o tema LGBT+ é o que menos recebe atenção das empresas do segmento, contando com poucas ações para os colaboradores e um número baixo de empresas comprometidas com metas de inclusão deste grupo. De acordo com a pesquisa Diversidade no Setor Automotivo, 64% das organizações do segmento não têm ações relacionadas ao tema. Apenas 21% contam com iniciativas pontuais e 14% possuem programas estruturados para os colaboradores com foco na promoção da diversidade e da inclusão de pessoas desta comunidade. Para não ferir a privacidade dos colaboradores, a maior parte das empresas não tem um levantamento de identidade de gênero e orientação sexual e, portanto, entre os eixos da diversidade este é o mais difícil de medir em números absolutos. A garantia de direitos iguais a casais LGBT+ em relação à licença parental

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65

das empresas não têm nenhuma iniciativa para promover a diversidade e a inclusão de pessoas LGBT+

24%

Apenas das empresas garantem os mesmos direitos de licença e benefícios parentais aos colaboradores LGBT+

e benefícios de apoio à primeira infância é a ação mais presente. Ainda assim, apenas 24% das empresas do ramo oferecem o benefício aos colaboradores, o que afeta de forma expressiva famílias e pessoas LGBT+ que planejam ter filhos. De acordo com o levantamento, 65% das companhias não contam com diretrizes ou metas para a inclusão de colaboradores deste grupo e 25% têm apenas diretrizes, sem nenhum tipo de meta ou objetivo palpável. As metas estão presentes apenas em 6% das empresas abrangendo a inclusão no quadro funcional, enquanto só 1% tem metas para a inclusão de LGBT+ na liderança. A baixa inclusão desses colaboradores do setor automotivo ainda é uma realidade e pode ser transformada a partir de práticas de inclusão para LGBT+, mas o sucesso destas iniciativas só acontece quando a empresa está madura para isso. “Às vezes, as organizações têm pressa para atingir metas, mas com a diversidade não é assim. Se tentarmos implementála em uma empresa que não tenha uma cultura inclusiva, você mata a diversidade. As pessoas vão pedir para sair”, ressalta Maitê Schneider, sócia da Transempregos, um banco de talentos de pessoas transexuais.

GERAÇÕES: EM BUSCA DA GERAÇÃO Z Dos jovens aos mais maduros, o setor automotivo parece ter espaço para agregar uma diversidade geracional. De acordo com o estudo Diversidade no Setor Automotivo, ainda que talentos com mais de 50 anos

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Diversidade

Pirâmide etária ACIMA DE 60 ANOS DE 51 A 60 ANOS DE 41 A 50 ANOS DE 31 A 40 ANOS DE 21 A 30 ANOS ATÉ 20 ANOS

sejam importantes, empresas têm buscado atrair mais jovens. Segundo a pesquisa, 25% das empresas têm programas estruturados para promover e incluir as diferentes gerações internamente. Atualmente, a maior parcela da força de trabalho do segmento (70%) está concentrada em profissionais das gerações X e Y, pessoas que tem entre 31 e 60 anos. Os colaboradores entre 21 e 30 anos representam a segunda parte mais significativa (25%), enquanto jovens de até 20 anos, geração Z, são 4%. Talentos acima de 60 anos são os que menos têm espaço no setor, apenas 1%, concentrado principalmente em posições de liderança. A tendência é a atração de talentos mais jovens, influenciada pela lei Aprendiz Legal, que determina a contratação de pessoas entre 14 e 24 anos por empresas de médio e grande portes. Com isso, 84% das empresas têm metas para a contratação de jovens aprendizes, enquanto apenas 34% contam com metas para recrutar profissionais +50.

1% 8% 24% 38% 25% 4%

TOTAL: 133.740 COLABORADORES

Na liderança, os jovens também se sobressaem: 9% das empresas têm metas para jovens em cargos de liderança, contra 3% para pessoas +50. Quando observada a questão de gênero, o estudo aponta ainda que as mulheres saem mais cedo do setor.

A LIDERANÇA E A DIVERSIDADE Quem toma as decisões e desenha as estratégias do setor automotivo é um grupo pouco diverso. Considerando a partir de posições de gerência, somente 21% são mulheres, 4% são negros e apenas 0,5% tem alguma deficiência. Segundo o estudo Liderança do Setor Automotivo, o engajamento do alto comando na promoção da diversidade ainda é baixo. Para 31% dos tomadores de decisão desta indústria, este é um tema de baixa relevância.

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Diversidade

A visão de algumas lideranças sobre o tema Perfil da liderança no setor automotivo (2019)

79% 21% HOMENS

MULHERES

4%

0,5%

NEGROS

PCD

Não tem argumento melhor pela diversidade do que os resultados que ela é capaz de gerar. Diversidade abre o foco e traz um olhar mais amplo do negócio – coisas essenciais no momento em que as empresas precisam enxergar novos horizontes. É alavanca para ganhar performance, eficiência e rentabilidade. Com os modelos antigos em xeque, é necessário buscar pessoas diferentes para trazer transformação para os negócios.

Diversidade é uma jornada que não tem volta. Sendo bem pragmático, não é uma busca apenas pelo correto do ponto de vista humano. É questão de sobrevivência para as empresas. Precisamos reunir dentro das organizações as competências que vão nos permitir fazer a jornada futura. Precisamos ter um caldeirão de diversidade, com pensamentos e competências diferentes. Christopher Podgorski, presidente e CEO, Scania Latin America

Os números não mentem. Temos um problema na indústria automotiva quando se trata de diversidade. Isto não acontece porque as pessoas são contra a mulher, o negro ou o homossexual. O que falta são as políticas para incluir estas pessoas, para entregar o que estes grupos precisam no trabalho, as coisas que permitem que todos se sintam à vontade em estar na empresa. Pablo Di Si, presidente, Volkswagen América do Sul

Ana Theresa Borsari, diretora geral, Peugeot, Citroën e DS Brasil

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Precisamos espelhar a sociedade que queremos servir. É uma responsabilidade ética, mas também uma questão de mercado: se mais de 50% dos consumidores são mulheres e pessoas negras, por que não temos esta representação nas lideranças das empresas? É obrigação do setor mudar. Para levar a diversidade para dentro das empresas, o caminho é garantir paridade de oportunidades, permitindo, por exemplo, que um homem e uma mulher tenham as mesmas chances de virar CEOe mostrar seu mérito. Antonio Filosa, presidente, FCA América Latina

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DIVULGAÇÃO

Premiação

Equipe da Mercedes no Prêmio Diversidade

Conheça os vencedores do Prêmio AB Diversidade no Setor Automotivo Com base em práticas e resultados na promoção do tema, 26 empresas foram reconhecidas GIOVANNA RIATO

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m parceria com a MHD Consultoria, Automotive Business entregou o Prêmio AB Diversidade no Setor Automotivo, iniciativa pioneira no segmento desenhada para dar visibilidade às organizações que têm concentrado esforços para promover ambientes mais plurais e inclusivos. Com isso, o reconhecimento pretende também propagar a cultura da diversidade e inspirar todo o setor automotivo a se engajar no tema. A entrega do prêmio aconteceu em 1º de novembro, durante o Fórum AB Diversidade no Setor Automotivo. Foram selecionadas 26 empresas vencedoras, todas apuradas por meio da pesquisa Diversidade no Setor Automotivo, realizada entre agosto e

setembro de 2019. O reconhecimento foi feito em duas frentes. A primeira é focada nas boas práticas enumeradas pelas companhias para promover a diversidade em cinco eixos: gênero, etnia, pessoa com deficiência (PCD), LGBT+ e gerações. Todas as práticas descritas pelas empresas automotivas foram submetidas à avaliação de um time de jurados especialistas em diversidade. Às cegas, sem saber o nome das organizações, eles votaram nas iniciativas mais relevantes, definindo as empresas vencedoras. A segunda parte da premiação foi baseada em resultados objetivos, nos indicadores apurados na pesquisa Diversidade no Setor Automotivo.

O júri do Prêmio AB Diversidade Mórris Litvak | Gerações CEO e fundador, Maturi Jobs Guilherme Bara | PCD Sócio-consultor, MAC Diversidade

Maristella Iannuzzi | Gênero Glenda Justen | Etnia Sócia-fundadora, Gmark Plano e Ação

Consultora dos princípios de empoderamento da mulher, ONU Mulheres, Digital executive and consultant UX, CMI

Henrique Costa | LGBT+

Business Transformation

Sócio da Obvius Comunicação

Denise Delboni | Gênero Marcelo Gallego | LGBT+

Professora adjunta e coordenadora, FGV

Coordenador estadual de políticas para a diversidade sexual, Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo

Cris Kerr | Gênero CEO, CKZ Diversidade

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Premiação

Empresas vencedoras do Prêmio AB Diversidade BOAS PRÁTICAS Autoneum Basf Bosch Bridgestone CNH Industrial Cummins DAF Flex Gerdau Honda Lear Maxion Renault Mercedes-Benz Shell TE Connectivity Valeo Volkswagen Volkswagen Caminhões e Ônibus INDICADORES E RESULTADOS GERAÇÕES | Inclusão de colaboradores 50+: Mercedes-Benz ETNIA | Negros e Negras na Liderança: Shell ETNIA | Participação de Negros no Quadro de Colaboradores: Gerdau GÊNERO | Mulheres na Liderança: Shell GÊNERO | Mulheres em Áreas Não Típicas: Flex PESSOAS COM DEFICIÊNCIA | Participação no Quadro de Colaboradores: - Mercedes-Benz LGBT | Colaboradores Transexuais: Basf PRÊMIO ESPECIAL LIDERANÇA ENGAJADA NA PROMOÇÃO DA DIVERSIDADE Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz Brasil

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VW do Brasil | 60 anos

DIVULGAÇÃO / VW

Poucas unidades da VW podem desenvolver um carro por completo como a Anchieta

Revitalizada, fábrica Anchieta, da VW, completa 60 anos Primeira planta industrial fora da Alemanha, a unidade hoje tem papel estratégico nos planos do grupo e vai produzir o Nivus, futuro SUV compacto da marca Wilson Toume (com Pedro Kutney)

A

fábrica Anchieta, da Volkswagen, está em festa. No mesmo ano em que completou 60 anos (celebrados no dia 18 de novembro), a unidade foi modernizada com a instalação de novas ferramentas da indústria 4.0, como impressoras 3D, sistemas automatizados e de inteligência artificial, entre outros. Além disso, teve a efetivação de 500 novos funcionários – sendo 400 nas linhas de montagem e 100 nos departamentos de engenharia e design. Tudo isso faz parte do aporte de R$ 2,4 bilhões –

última etapa do investimento de R$ 7 bilhões que a VW havia anunciado que faria no Brasil no período 20172020 – para a implantação da chamada Nova Volkswagen, conceito que visa a aproximar a empresa de seu público. A fábrica Anchieta ganhou tanta importância que o local se tornou, desde 2016, com a criação da divisão SAM (South America Markets), a sede

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FOTOS: DIVULGAÇÃO / VW

VW do Brasil | 60 anos

Fábrica do ABC foi a 1a da VW fora da Alemanha. Fusca e Kombi foram os primeiros montados no País. Variant e TL fizeram sucesso entre os consumidores

Velho Continente. Isso representa não só a valorização dos profissionais brasileiros como a sobrevivência da planta do ABC, que, não custa lembrar, chegou a correr risco de fechar em meados dos anos 2000. “Poucos locais do mundo têm condições de desenvolver um carro por completo como temos na fábrica Anchieta hoje”, afirmou Pablo Di Si. O Nivus, cujo projeto foi batizado de New Urban Coupé, será um “SUV urbano”, com porte e preço menores que os do T-Cross. E ainda de acordo com Pablo Di Si, terá um novo sistema multimídia – também desenvolvido inteiramente no Brasil –, que será usado nos modelos da marca em todo o mundo, entregando novos serviços digitais aos consumidores. “A parte digital do Nivus também será um show”, garante o executivo.

Seis décadas de história

da Volkswagen para a América do Sul, de onde o executivo Pablo Di Si comanda as operações da VW do Brasil e da América Latina (exceto México). O melhor é que a planta do ABC também possui relevância técnica, graças ao seu departamento de engenharia, onde trabalham cerca de mil pessoas. A unidade também produz no País desde 2017 veículos sobre a moderna plataforma modular MQB: o primeiro na Anchieta foi o novo Polo. Em 2018 chegou o Virtus. O futuro SUV compacto da VW, o Nivus, é fruto da engenharia da fábrica Anchieta e será produzido no

A VW do Brasil comemorou os 60 anos de inauguração da fábrica Anchieta no dia 18 de novembro passado, mas é preciso lembrar que a unidade começou a produzir os modelos Kombi e Fusca já em 1957, dois anos antes de ser inaugurada oficialmente. A partir de então, a trajetória da montadora no País foi bem-sucedida, em boa parte graças às vendas do Fusca, sem esquecer outros importantes modelos que compartilharam a linha de produção da fábrica Anchieta com ele, como o sedã VW 1600 (o “Zé do Caixão”), que não fez muito sucesso

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FOTOS: DIVULGAÇÃO / VW

VW do Brasil | 60 anos

na época por conta das quatro portas, mas cuja base deu origem ao belo cupê TL e à familiar Variant, que antecederam o Brasília. Ainda nos anos 1970, outro modelo histórico produzido na fábrica Anchieta foi o Passat, o primeiro da VW no Brasil com

Anchieta tem laboratório de segurança veicular e área dedicada ao design. Na linha de produção, o sedã Virtus. Abaixo, o novo SUV Nivus

motor dianteiro arrefecido a água. Nos anos 1980, a unidade passou por poucas mudanças, recebendo apenas as linhas de produção da picape Saveiro e do Santana – um dos modelos mais requintados da época. Em 1986, o fim da produção do Fusca causou comoção (e ninguém fazia ideia que o besouro retornaria à linha sete anos depois). A década de 1990 ficou marcada na planta Anchieta pela sua primeira grande revitalização, em 1994, com a chegada da segunda geração do Gol (o “Bolinha”), muito bem recebida pelo público. Em 2000, um novo processo de modernização da fábrica trouxe investimentos de R$ 2 bilhões para receber a linha de produção do Polo, o carro mundial da marca, na época. A unidade passou a contar com as mais modernas tecnologias e processos produtivos, incluindo 400 robôs, pintura automatizada e solda a laser. As instalações foram inauguradas em 2002, com o lançamento do Polo no Brasil. A fábrica Anchieta atingiu outra marca história em 2014, com 13 milhões de veículos produzidos, e em 2017 foi escolhida como o ponto inicial do processo de construção da Nova Volkswagen, que inclui o lançamento de vários novos veículos, além de profundas mudanças na empresa, com o objetivo de aproximála de seus clientes. Os novos Polo e Virtus foram os primeiros veículos representantes dessa nova filosofia. n

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Artigo

A revolução é, antes de tudo, humana

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Colaboração, inovação e diversidade ditam o futuro. E o setor automotivo? I LU

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Paula Braga, diretora-executiva de Automotive Business e cofundadora da Rede AB Diversidade

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uando iniciei minha carreira, nos idos de 1995, pouco se falava em colaboração entre empresas e pessoas. Os projetos eram sigilosos, os funcionários fiéis à marca que escolheram para desenvolver sua carreira e o mercado se adaptava à abertura internacional. Colaborar com uma empresa concorrente? Jamais. A hierarquia verticalizada era realidade na maioria das corporações, onde as lideranças pareciam inacessíveis e o diálogo, difícil. Pouco se falava em inovação e diversidade. A tecnologia engatinhava com a internet começando a penetrar nas corporações. Tempos difíceis? Sem dúvidas. Evoluímos? Nem tanto.

DESAFIOS QUE PERSISTEM O mundo mudou muito desde então. Somos a sociedade digital, fazemos negócios pelo celular, a mobilidade avança em novas formas, o carro ganha outros usos. Mesmo com tantas mudanças, ainda encontro muitas características desta cultura ultrapassada nas empresas. Quando o tema são novos

modelos de negócio, as grandes companhias dão espaço às startups e a novos conglomerados. A hierarquia rígida estremece diante do crescimento da demanda por ambientes colaborativos nas empresas. A busca por mais diversidade se contrapõe àquele antigo cenário que repelia quem era diferente. A inovação deixa de ser uma palavra restrita à tecnologia e engenharia para ser vista como uma habilidade humana. Este olhar para a potência de cada indivíduo talvez seja a grande virada. As pessoas passam a ser o centro dos negócios. Afinal, são elas que fazem o organismo empresarial funcionar bem.

E O SETOR AUTOMOTIVO NO NOVO CONTEXTO? A segunda edição da inédita pesquisa Liderança do Setor Automotivo, realizada este ano por Automotive Business, em parceria com a Mandalah e com a MHD Consultoria, revela

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LUIS PRADO

bastante sobre a cultura do setor automotivo. Segundo o estudo, a maioria das pessoas que estão no comando, construindo a nossa indústria hoje, ainda carrega o bom e velho “foco em resultado” como valor mais importante no trabalho. Inovação está no discurso da maioria dos líderes como algo essencial para a empresa. Porém, quando questionados sobre os desafios de seu atual cargo, o tema desaparece. Está na hora de virar este jogo. E a minha proposta é que a liderança assuma o protagonismo do atual

#ABX19 – a arena de conteúdo trouxe palestras simultâneas

momento em que enfrentamos a maior ruptura do setor automotivo. Vamos fomentar a colaboração, buscar mais diversidade nas empresas, ampliar o pensamento e, enfim, inovar. Esta é a busca que levamos ao #ABX20 – Automotive Business Experience, que acontece em 27 de maio, em São Paulo. É um encontro de lideranças que materializa, em um dia, todos estes conceitos essenciais que precisam permear as empresas automotivas e de mobilidade. O objetivo é olhar o hoje, o amanhã, e inspirar a criação das soluções mais incríveis. Porque ao juntar pessoas, queremos fomentar grandes negócios. Lembrem-se: a revolução é, antes de tudo, humana. n

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Vaivém

BANCO DE IMAGENS

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Tendências: qual a relação da sua empresa com elas? Mateus Silveira: “Entender as grandes forças de mudanças faz com que cheguemos ao final com grandes perguntas e que podem ter múltiplas respostas”

m profundo trabalho em equipe de como as macrotendências de hoje podem afetar o futuro da companhia é um grande passo a ser considerado. Identificá-las ajuda não só a entender para onde tudo está caminhando, mas também a enxergar novas oportunidades. A identificação dessas tendências pode ir além e promover uma discussão interna a fim de perceber quais são as grandes forças de mudanças da atualidade e como elas influenciam os interesses da companhia. “Entender as grandes forças de mudanças faz com que cheguemos ao final com grandes perguntas e que podem ter múltiplas respostas”, analisa Mateus Silveira, head de inovação de produto e conectividade da FCA Fiat Chrysler. Ele ajudou a coordenar o trabalho FCA Trends, realizado este ano pela empresa para identificar quais são as grandes tendências que movem a sociedade brasileira e da América Latina. O estudo, feito a muitas mãos, ajudará a entender que tipo de posicionamento a marca quer ter diante de seus clientes com seus produtos. “Nessa jornada, mais do que desenvolver o nosso olhar para o novo, foi fundamental conversar com pessoas que nos provocaram a nos questionar. Afinal de contas, quanto mais diferenças ao nosso redor, mais ágeis seremos nas perguntas que irão impulsionar a inovação”, indica.

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LEO LARA

VAIVÉM

ARNAUD RIBAULT

RODRIGO PADILHA

JULIANO ALMEIDA

LUIS SANTAMARIA

WALDYR FERREIRA

É o novo vice-presidente de vendas e marketing da PSA para a América Latina. Ele se reportará diretamente ao presidente da companhia na região, Patrice Lucas.

Assume como diretor de desenvolvimento de rede para o Grupo Volvo na América Latina, se reportando ao presidente da organização na América Latina, Wilson Lirmann.

Retorna à FCA e passa a comandar a área de compras da empresa na América Latina. Ele sucede a Luis Santamaria.

Deixa o cargo de diretor de compras da FCA e assume como novo diretor da Mopar, marca global de acessórios automotivos e pós-venda do grupo.

Sobe ao cargo de diretor geral da Harley-Davidson para a América Latina no lugar de Antônio Cantero, agora diretor de vendas nos Estados Unidos. Ferreira também passa a responder pela filial em Monterrey, no México.

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Autopeças

GM apura avanço na qualidade de fornecedores em premiação anual Grupo reconhecido pela GM América do Sul traz mais empresas com nível de qualidade superior

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o fim de novembro, na sétima edição do Supplier Quality Excellence Award, realizada no Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba, SP, a General Motors América do Sul premiou a qualidade de 62 fornecedores instalados em 68 fábricas na região. Segundo a montadora, houve avanço significativo na consistência de sua cadeia de suprimentos, com crescimento de 400% no número de empresas premiadas na comparação à primeira edição do reconhecimento, em 2012. Do total de 392 fornecedores das operações sul-americanas da GM (310 deles no Brasil), 76 (ou 20% deles) já foram reconhecidos e 50% dos premiados em 2018 receberam novamente o prêmio este ano. Em 2019, 17 empresas fornecedoras receberam o prêmio da GM pela primeira vez, nove pela segunda vez, oito pela terceira, 13 pela quarta, cinco pela quinta e dois pela sexta. Cinco fornecedores tiveram mais de uma planta premiada: duas da Autoneun, duas da Basf, duas da Freudenberg, duas da IPA e três da Mahle. Foi concedido reconhecimento especial para Aisin, Casco e NGK pela consistência apresentada em todas as sete edições da premiação. Para premiar os fornecedores,

62 fornecedores receberam troféus pelo bom desempenho

segundo a GM, são adotados 13 critérios, com medições específicas de metas internas feitas no ano anterior ao da premiação, que abrangem aspectos relacionados à conformidade dos componentes fornecidos, performance no sistema de gestão da qualidade e a eficiência na entrega.

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Autopeças

Empresas premiadas pela GM RECONHECIDAS PELA PRIMEIRA VEZ APTIV (Paraisópolis, MG) CRW PLÁSTICOS (Guarulhos, SP) TENNECO – antiga Federal Mogul (Araras, SP) FELSIM SRL (Luis Guillon, Argentina) GARRETT – antiga Honeywell (Guarulhos, SP) JSP (Santo Antônio da Posse, SP) JTEKT AUTOMOTIVA (São José dos Pinhais, PR) KWANGJIN (Sumaré, SP) L&L PRODUCTS (Indaiatuba, SP) MAGNETI MARELLI (Mauá, SP) METALÚRGICA WELOZE (Caxias do Sul, RS) MIRGOR (Buenos Aires, Argentina) NITTO DENKO (São Paulo, SP) NOVARES (São Paulo, SP) PIRELLI PNEUS (Campinas, SP) THYSSENKRUPP (São José dos Pinhais, PR) TREVES (Quatro Barras, PR) RECONHECIDAS DUAS VEZES ANDROID (Gravataí, RS) CONTINENTAL PNEUS (Camaçari, BA) ILPEA (Joinville, SC) INYLBRA (Diadema, SP) JOHNSON ELECTRIC (Gate) (Arujá, SP) KATHREIN (Jacutinga, MG) MASTROPOR (Buenos Aires, Argentina) MICHELIN (Itatiaia, RJ) TIBERINA (Córdoba, Argentina) RECONHECIDAS TRÊS VEZES AREYMOND (Vinhedo, SP) BREMBO (Betim, MG) CISER FIXADORES (Sarzedo, MG) FLEXITECH (Guarulhos, SP) MANDO (Limeira, SP) NIDEC GPM (Indaiatuba, SP) PRODUFLEX (Diadema, SP) SONAVOX (Indaiatuba, SP) RECONHECIDAS QUATRO VEZES BLEISTAHL (Cachoerinha, RS) COBRA METAIS (Itu, SP) CONDUMAX (Olímpia, SP)

COPAM AUTOPEÇAS (Ribeirão Pires, SP) FIAMM (São Bernardo do Campo, SP) MITSUBA (Artur Nogueira, SP) NEUMAYER TEKFOR (São Paulo, SP) NIDEC (antiga Omron) (Vinhedo, SP) RCN (São Paulo, SP) SKF (Cajamar, SP) STABILUS (Itajubá, MG) SULFIX (Diadema, SP) TENNECO ELASTÔMEROS (Cotia, SP) RECONHECIDAS CINCO VEZES 3M (Sumaré, SP) IOCHPE MAXION (Limeira, SP) IRMÃOS PARASMO (Diadema, SP) PROGERAL PLÁSTICOS (São Paulo, SP) SABÓ (São Paulo, SP) RECONHECIDAS SEIS VEZES METALÚRGICA FANANDRI (São Paulo, SP) MUBEA (Taubaté, SP) MÚLTIPLAS PLANTAS AUTONEUM (Gravataí, RS) AUTONEUM (Taubaté, SP) BASF (Indaiatuba, SP) BASF (Guarulhos, SP) FREUDENBERG (Diadema, SP) FREUDENBERG (Jacareí, SP) IPA (Caçapava, SP) IPA (Gravataí, RS) MAHLE (Mogi Guaçu, SP) MAHLE (Itajubá, MG) RECONHECIMENTO ESPECIAL AISIN (Itu, SP) CASCO (Indaiatuba, SP) NGK (Mogi das Cruzes, SP)

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Reconhecimento

Mercedes-Benz premia fornecedores e acena com entregas globais Actros pode gerar exportações de autopeças brasileiras Pedro Kutney

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Maior abertura comercial deve favorecer autopeças locais DIVULGAÇÃO

Mercedes-Benz premiou os melhores fornecedores de 2018 durante a Fenatran 2019, aproveitando a apresentação no evento do novo Actros, seu produto mais importante, tecnológico e global já lançado no País. A empresa agradeceu o empenho dos parceiros no trabalho de desenvolvimento da nova geração do veículo no Brasil nos últimos quatro anos, que inclui a operação brasileira na plataforma mundial de produção e vendas da companhia, acenando com a possibilidade de também tornar globais alguns dos fornecedores locais.

Mathias Kaeding, que recentemente assumiu a direção de compras da Mercedes-Benz no Brasil, afirmou aos presentes no Prêmio Interação que ter uma plataforma global desenvolvida no País abre novas oportunidades de negócios aos fornecedores brasileiros, com a inclusão deles na base global de compras do Grupo Daimler. “É hora de investir em novos negócios e ampliar os atuais. Teremos muitas novas possibilidades de expansão no nosso portfólio futuro, com mais produtos globais que não serão só para o Brasil. Oferecemos contratos de longo prazo e a oportunidade de fazer parte da escala global do Grupo Daimler”, acenou Kaeding. Segundo o executivo, atualmente “é irrelevante” o número de fornecedores da Mercedes no Brasil que também enviam autopeças para outras unidades do grupo no mundo. Ele avalia que isso pode mudar nos próximos anos, com a maior abertura comercial do Brasil, redução de tarifas e câmbio em nível competitivo (como ocorre atualmente). “Precisa ser um negócio bom para os dois lados, mas

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os fornecedores precisam aceitar os riscos de exportar, com contratos de longo prazo que tenham tolerância a certas variações cambiais”, diz Kaeding. O novo diretor de compras reconhece que componentes mais sofisticados, “como as mirror cams (câmeras que substituem os espelhos retrovisores externos e equipam o novo Actros)”, terão muita dificuldade em ser nacionalizados no Brasil, “mas existem muitos itens para os quais os fornecedores brasileiros podem ser competitivos globalmente”.

SIMBOLISMO DE NOVA ERA Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, disse aos fornecedores que a premiação deste ano simboliza uma nova era da companhia no País, com a colaboração no desenvolvimento de um produto global como é o novo Actros. “O

Uma nova era da companhia no País Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil

importante é que entraremos em 2020 com investimento realizado de R$ 1,4 bilhão em novos produtos, do total do programa de R$ 2,4 bilhões no período 2018-2022”, disse. “É o final de uma maratona que se iniciou há quatro anos quando começamos a desenvolver com os fornecedores o novo Actros brasileiro. Estamos no quilômetro 40, mas ainda não chegamos. Por isso peço atenção à qualidade neste momento. Não podemos estragar tudo nesta reta final”, afirmou Philipp Schiemer. O presidente da Mercedes também confirmou que a nova geração do modelo produzido em São Bernardo do Campo (SP), com cabine e configurações diferentes do Actros

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Reconhecimento

europeu, será exportada para diversos países, incluindo mercados fora da América Latina. O executivo deu aos parceiros visão otimista sobre a evolução da produção no Brasil, que deverá seguir aquecida pela alta das vendas no mercado doméstico. “Este ano (2019) mais de 100 mil caminhões devem ser vendidos, é um bom

número, mas existe potencial para evoluir bem mais. Para 2020 um novo crescimento já está praticamente contratado, com o encaminhamento de privatizações, retomada do setor de construção civil e juros baixos que devem animar o consumidor a comprar e com isso aquecer também a distribuição urbana de mercadorias”, avalia Schiemer. n

Prêmio Interação A Mercedes-Benz premiou nove fornecedores de materiais diretos aplicados à produção de veículos, três provedores de serviços e itens indiretos e mais três empresas foram reconhecidas por seus projetos de responsabilidade ambiental. Veja todos os premiados a seguir: MATERIAIS DIRETOS EXCELÊNCIA EM QUALIDADE • Kromberg & Schubert do Brasil • Schulz EXCELÊNCIA EM LOGÍSTICA • Iochpe Maxion • Michelin EXCELÊNCIA EM CUSTOS • Voestalpine Meincon • Maxiforja Componentes Automotivos EXCELÊNCIA EM TECNOLOGIA • Sumitomo Riko Automotive Hose Tecalon Brasil • Modine do Brasil Sistemas Térmicos CATEGORIA ESPECIAL • Fastplas Automotive

MATERIAIS INDIRETOS EXCELÊNCIA OPERACIONAL • Embalatec Industrial EXCELÊNCIA COMERCIAL • Cosan Lubrificantes e Especialidades CATEGORIA ESPECIAL • Construcione Engenharia e Construções PRÊMIO RESPONSABILIDADE AMBIENTAL • Basf (Programa Mata Viva) • Bridgestone (Projeto Água de Reúso) • Henkel (Eficiência Energética)

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Revista Automotive Business | Edição 58  

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