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entrevista

| OSIAS GALANTINE

AUTOMOTIVE BUSINESS – Como está estruturada globalmente a área de compras do Grupo Fiat Chrysler por regiões e especialidades? Quantos profissionais são mobilizados? OSIAS GALANTINE – A área está organizada em três pilares: negócios, commodities e regiões. Cerca de 2.700 profissionais em mais de 50 unidades e em mais de 20 países estão empenhados nas atividades de compras do Grupo Fiat Chrysler. AB – Como o Brasil se integra a essa arquitetura? Como evoluirá a responsabilidade do País nos suprimentos do grupo, locais e para outras regiões? OG – Os reports são regionais. Em conjunto com Argentina e Venezuela, o Brasil se integra à arquitetura mundial de forma matricial. A América Latina hoje é uma região importante dentro do contexto mundial do Grupo Fiat Chrysler, superando um milhão de unidades produzidas e vendidas. A responsabilidade do Brasil e dos outros países da América do Sul nos negócios mundiais do grupo é extremamente relevante. AB – Há produtos em que o Brasil leva vantagem destacada sobre outros países em suprimento? OG – Neste momento, as commodities estão abaladas com o efeito do câmbio e com a crise mundial. O País tem desvantagens competitivas em relação aos custos de mão de obra, energia, logística e outros parâmetros e não há produtos em que o Brasil leve vantagem destacada sobre outros países em suprimento. AB – Quantos fornecedores por commodity a Fiat Chrysler pretende ter, idealmente? OG – Não existe um número mágico e ideal. Há diversas variáveis envolvidas nesse processo que é flexível e adap-

Planejamos para pernambuco um modelo integrado com supply park próximo à planta industrial da fiat

tável aos negócios, mercado, cenários e estratégias. E para incrementar ainda há uma série de variáveis que devem ser consideradas para determinar quantidade de fornecedores por commodity como know-how, complexidade da linha de produtos, tecnologia, inovação, planejamento. AB – Com o avanço da globalização, quais as oportunidades de atuais parceiros locais integrarem a relação de fornecedores do Grupo Fiat Chrysler? Só os maiores, com capacidade de atuação global, permanecerão na lista? OG – As oportunidades foram ampliadas globalmente e alguns estão capacitados para atender a Fiat Chrysler globalmente de acordo com o que direciona o One Voice, rumo à melhoria contínua e ao ótimo desempenho. A

possibilidade de competir por volumes maiores e oferecer soluções comuns tornou-se factível. Em vez de acessarem volume de negócios de US$ 10,2 bilhões, os fornecedores brasileiros podem vislumbrar um horizonte de US$ 90 bilhões no valor de compras anuais do Grupo Fiat Chrysler. Fornecedores que estão um passo à frente do mercado, investiram na globalização e nas chamadas plataformas globais e consolidaram o formato de atendimento, elevando-se ao nível mundial, são candidatos potenciais. Os que investem em desenvolvimento, qualidade, inovação e atendimento também têm chances de desenvolver parcerias de longo prazo com a Fiat Chrysler. AB – Quais são os riscos e oportunidades de integração entre Fiat e Chrysler para os fornecedores? OG – A integração aumenta o tamanho do bolo para os fornecedores, que estimamos em US$ 90 bilhões, e facilita o acesso aos clientes do mercado norte-americano. Como risco, podemos ressaltar a dificuldade dos fornecedores em se adequar aos requisitos de qualidade exigidos pelo Grupo. AB – Qual o estágio atual do programa de mineirização da cadeia de suprimentos do ponto de vista da capacidade de atender as necessidades da Fiat? OG – Cerca de 70% do nosso APV (Annual Purchasing Value), ou seja, 70% - em valor - de tudo aquilo que se compra para o automóvel vem de fornecedores que estão localizados em um raio de até 150 km da planta industrial de Betim (MG). Essa proximidade nos permite o abastecimento em JIT (Just-In-Time) e JIS (Just-In-Sequence), o que pode ser traduzido em flexibilidade. A tendência é que esse porcentual aumente ainda mais, visando à redução dos custos logísticos e tra-

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Revista Automotive Business - edição 16  

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