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jorginho em entrevista exclusiva, o técnico da portuguesa conta os bastidores da volta da lusa à primeira divisão i pág. 07

O NOVO RICO de 2007 para cá, o corinthians multiplicou suas receitas, saiu da série b e conquistou quatro títulos. o último foi o brasileirão. pág. 08 e 09

TÁ LÁ O FUTEBOL ALÉM DAS 4 LINHAS i nº 01

A HORA DA

VERDADE

MESSI X NEYMAR pela primeira vez dois dos principais craques do mundo vão se enfrentar dentro de campo. tá lá! conta a trajetória dos dois prodígios da base até chegar ao estrelato

pág. 03 a 06


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pontapé inicial Fernando Gavini Editor-chefe gavini@talanet.com.br

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sta é apenas um aperitivo do que está por vir. É a primeira ediçãodo Tá Lá!, nova publicação de futebol, que começa a circular para valer em São Paulo semanalmente a partir de janeiro. O formato é de jornal, mas o conteúdo é de revista. A ideia é sair do lugar comum das coberturas diárias feitas pelos sites e jornais com uma pegada mais inteligente, trazendo ao leitor mais história, bastidores e o esporte tratado como negócio. E com uma vantagem: é de graça. Nesta edição, aproveitamos o fim do Campeonato Brasileiro e o Mundial de

TÁ LÁ

Clubes para rechear o leitor de informação. Não havia como não falar do duelo entre Messi e Neymar, prestes a se enfrentarem pela primeira vez no Japão. Na comparação dos números dá empate técnico entre os dois jogadores que devem polarizar nos próximos anos a disputa pelo prêmio de melhor do mundo. A reportagem mostra a diferença de trajetória dos dois craques. Talentosos, os dois já chamavam a atenção desde pequenos e ambos tiveram a oportunidade de ir para a Espanha na adolescência. O argentino foi. O brasileiro ficou. O esforço santista para mantê-lo começou cedo como nos contou Adilson Durante, diretor da base do Peixe na época em que Neymar dava seus primeiros chutes na Vila Belmiro. Depois que se tornou profissional, o camisa 11 do Santos negou propostas de Chelsea, Barcelona e Real Madrid e renovou contrato até 2014. Um feito histórico contado em detalhes na co-

luna de Antonio Fadiga, que faz parte do grupo que aconselha o presidente Luís Álvaro Ribeiro. O Tá Lá! retrata também a conquista do Campeonato Brasileiro do Corinthians, mostrando que não aconteceu por acaso. Foi fruto de um trabalho que começou exatamente quando o time atravessava o pior momento de sua história. Do rebaixamento em 2007 até título deste ano, o clube multiplicou suas receitas. E com dinheiro no bolso, se manteve entre os primeiros em todos os campeonatos que disputou desde então e se classificou pela terceira vez seguida para a Libertadores, feito inédito em 101 anos de Timão. A edição mostra também as trapalhadas que fizeram São Paulo e Palmeiras terem em 2011 um ano para esquecer, além os acertos que trouxeram de volta a Portuguesa para a elite do futebol brasileiro. Enfim, este é o Tá Lá! Leia e se divirta! Em janeiro tem mais!

O Tá Lá é uma publicação da Áurea Editora Ltda. distribuída gratuitamente ao seu público leitor. O jornal Tá Lá não se responsabiliza por idéias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressam apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção da Áurea Editora. Diretor Executivo e Editorial: Dirceu Pereira Jr. - Editor Chefe: Fernando Gavini - Projeto Gráfico e Diagramação: M.Veras Design Gráfico - Reportagens: Fernando Gavini, Paulo Kehdi e João Henrique Pugliesi - Impressão: Vox Editora Contato Comercial - Dirceu Pereira Jr (11) 5574.8910 - dirceu@aureaeditora.com.br Versão Digital - www.talanet.com.br - Contato: contato@talenet.com.br

JOGO INESQUECÍVEL POR RUBENS BARICHELLO

Um jogo inesquecível para mim foi a estreia do Ronaldo no Corinthians, não só pelo fato em si, que já era de parar o país, mas por causa de como foi contada a história. A estreia já era contra o arqui-rival Palmeiras. No entanto, o Corinthians levou um gol no final do primeiro tempo e buscava a todo tempo empatar. E aos 47 do segundo tempo, um cruzamento de um escanteio pela esquerda, o Fenômeno marcou

de cabeça, que não é o seu forte, e empatou o jogo. Lembro de estar com o Dudu, meu filho mais velho, que é louco pelo Corinthians, e comemoramos muito. Além de amigo, sempre torci por ele por tudo que teve de superar na carreira. O cara nasceu para brilhar e iniciou a sua brilhante trajetória no Corinthians fazendo o que mais sabe, Gol!. Foi um jogo inesquecível para mim.


MUNDIAL DE CLUBES - FIFA 2011

POR PAULO KEHDI

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EM BUSCA DA TERCEIRA ESTRELA, 48 ANOS DEPOIS Neymar & Cia. podem repetir o que apenas Pelé e seus companheiros conseguiram. Mundial atual e aquele que o Santos venceu por duas vezes na época de Pelé. Hoje, sete times disputam a competição. O seis campeões das copas continentais e mais um representante do país sede. Europeus e sul-americanos só entram nas semifinais. Na época de Pelé, o Mundial se restringia a um confronto entre o vencedor da Copa dos Campeões (atual Champions League) e o da Libertadores. Era um mata-mata com um jogo em cada país. Em caso de uma vitória para cada lado, era disputada uma terceira partida, tendo como mandante o mesmo da segunda. Em 1962, depois de derrotar o Peñarol na final da Libertadores, o Santos decidiu o Mundial com o Benfica, que tinha um time fortíssimo comandado por Eusébio, considerado até hoje o maior jogador português de todos os tempos. Por sua vez, o Santos tinha um timaço: Gilmar, Olavo, Mauro e Dalmo;

Zito e Calvet; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. A primeira partida foi no Maracanã, em 19 de setembro de 1962, e o Santos venceu por 3 a 2, com gols de Pelé (2) e Coutinho. Para o Benfica, Santana marcou duas vezes. 94 mil torcedores acompanharam o duelo. A paixão do Rio de Janeiro pelo Peixe era definido assim por Nélson Rodrigues: “É o time mais carioca de todos os times”. Mas o grande momento estava reservado para a segunda partida, realizada no Estádio da Luz, em Lisboa. Os portugueses tinham tanta certeza da vitória que já haviam começado a vender ingressos para o terceiro jogo. Pelé considera a atuação dele neste duelo uma de suas maiores exibições e o Santos aplicou impiedosos 5 a 2 nos anfitriões. O primeiro tempo terminou já com 2 a 0 (gols de Pelé). Na etapa final Coutinho ampliou, Pelé fez o quarto e Pepe aos 31 minutos fez 5 a 0. Os

Divulgação

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uase cinco décadas depois, o Santos tem a chance de fazer história outra vez. Neymar, Ganso e companhia têm a oportunidade de alcançar um feito somente obtido pelo Peixe no auge da era Pelé. Por duas vezes, em 1962 e 1963, a equipe conquistou o título mundial, derrotando os poderosos Benfica e Milan, respectivamente. O principal rival da vez é o Barcelona, cujos jogadores formam a base da Espanha, campeã da Euro 2008 e da Copa do Mundo de 2010, turbinada pelo talento do argentino Lionel Messi, eleito nos dois últimos anos o melhor jogador do planeta. Não há quem não aponte o time catalão como favorito, mas é possível chegar lá. “Se chegar a ter essa final, com certeza o Santos poderá vencer. Se você me perguntar qual time está mais montado, eu aponto o Barcelona, mas em um jogo só dá para dividir. O Santos tem condições de ganhar”. A declaração é de Pelé, que sabe tão bem do que está falando que faz uma ressalva. “O Santos tem que pensar direito, pois antes do Barcelona, ainda tem um jogo contra o Kashiwa Reysol, se não vamos cair no mesmo erro do Internacional, que não passou da primeira partida”. Palavras sábias. Ano passado, o Internacional fracassou no Mundial antes mesmo de chegar à decisão contra a Inter de Milão. O Colorado foi eliminado pelo modesto Mazembe, da República Democrática do Congo, e teve que se contentar com a disputa pelo terceiro lugar. Esta é a principal diferença entre o

portugueses fizeram dois gols (Eusébio e Simões) no final da partida, mas o mundo já era do Santos. Já em 1963, embalado pela fantástica conquista do bi da Libertadores contra o Boca Juniors em plena La Bombonera, o Santos agora iria encarar outro esquadrão, o Milan. Na primeira partida, no San Siro, o time italiano fez 4 a 2 no Peixe. Os italianos contavam, entre outros craques, com Giovanni Trapattoni, Cesare Maldini, Mora, Rivera e, acreditem, uma dupla de atacantes brasileiros, campeões do mundo com a seleção canarinho: Mazzola, em 1958, e Amarildo, em 1962. Mesmo com a derrota no primeiro jogo, 120 mil torcedores encheram o Maracanã para a partida de volta. Ao Santos restava uma única opção: vencer. Pior, Pelé, contundido, não jogaria. Ficariam de fora também o quarto-zagueiro Calvet e o médio volante Zito, o grande capitão e comandante da equipe. O Santos entrou naquela noite com Gilmar, Ismael, Mauro e Dalmo, Haroldo e Lima, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Almir e Pepe. Tudo apontava para uma noite trágica. No primeiro tempo os italianos abriram 2 a 0, gols de Mazzola e Mora. Não bastasse, no intervalo um verdadeiro dilúvio desabou sobre o Maracanã, tornando a condição do gramado extremamente precária, quase que impossibilitando a prática do futebol, mas o Santos, virou o jogo heroicamente. Com gols de Pepe (2, ambos de falta), Mengálvio e Lima, os 4 a 2 de Milão foram devolvidos. O resultado obrigou a realização de

1960 a 1979 Taça Intercontinental de Clubes Jogos ida e volta entre os campeões da Europa e da América do Sul. Em caso de uma vitória para cada lado ou dois empates, uma partida desempate era disputada na casa do mesmo mandante do segundo duelo.

1980 a 2004 Copa Toyota Com o patrocínio da fábrica de automóveis, a decisão passou a ser disputada no Japão em jogo único. Em caso de empate, prorrogação e pênaltis para decidir o campeão.

2000 e 2005 a 2011 Mundial da FIFA O primeiro Mundial organizado pela FIFA foi vencido pelo Corinthians em 2000, ano em que o Boca Juniors também foi considerado campeão por ter vencido a Copa Toyota. A partir de 2005, a FIFA unificou a disputa com a participação dos seis vencedores das copas continentais e mais o campeão do país-sede.

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FÓRMULAS DE DISPUTA DOS CAMPEONATOS MUNDIAIS AO LONGO DOS ANOS

Barça leva vantagem em confrontos contra o Santos A expectativa é que a final do Mundial seja disputada entre Barcelona e Santos. A história de confrontos entre as duas equipes indica vantagem dos espanhóis. Foram cinco partidas, com três vitórias do Barça (4 a 3 em 1960, 2 a 0 em 1963 e 4 a 1 em 1974), uma do Santos, no primeiro confronto em 1959, quando o Peixe, comandado por Pelé, goleou por 5 a 1 e um empate em 1998, justamente no último encontro, em 2 a 2. Porém, com um importante detalhe. Todas foram disputadas na Espanha, quatro no Camp Nou e a de 1974 em Cádis, pelo Torneio Ramón de Carranza.

uma terceira partida e a história épica teria um capítulo definitivo. Dois dias depois, no mesmo Maracanã, o Santos, ainda desfalcado de Pelé, Calvet e Zito, tentaria nova vitória. E o maior nome dessa partida é justamente quem substituiu o Rei. Almir Moraes Albuquerque, o Almir Pernambuquinho. Foi ele quem sofreu o pênalti cometido por Maldini e que foi convertido por Dalmo, no único gol daquela partida (aos 34 minutos do primeiro tempo), marcada por lances duríssimos. Logo no início do jogo, após cobrança de falta de Pepe, o goleiro Balzarini espalma. Ao tentar o chute, Almir acerta a cabeça do goleiro, que começa a sangrar (a partir daí Balzarini jogaria com a cabeça enfaixada, e seria substituído ao final do primeiro tempo). Os italianos partiram para a briga e o clima de hostilidade acabou perdurando por todo o encontro. Ismael foi expulso na segunda etapa, Almir e Pepe se arrastavam ao final do jogo, com contusões graves (à época só eram permitidas substituições de goleiros), e o Santos, mesmo com todas essas condições adversas, suportou a pressão italiana e costurou a segunda estrela em seu uniforme. Agora é a vez de Neymar, Ganso e companhia repetirem o feito.


04 duelo das estrelas

Problema de saúde levou

Messi AO Barcelona

Talento com a bola nos pés, Lionel Messi sempre teve, tanto que aos sete anos foi descoberto por um caça-talentos que o levou do Grandoli, primeiro time do argentino em Rosário, sua cidade natal, para o Newell´s Old Boys. A saída do clube do coração para tentar a sorte na Espanha só aconteceu por causa de um problema de crescimento que o atual camisa 10 do Barcelona tinha na infância. Aos nove anos, em 1996, Messi tinha apenas 1m27. Era disparado o mais baixinho do time. Foi quando a família resolveu levá-lo ao médico para descobrir se havia algum problema com o garoto. Os exames apontaram que ele tinha um déficit na produção de hormônio do crescimento, que atrapalhava o desenvolvimento. O tratamento, feito a base de injeções diárias de hormônio do crescimento, custava caro para a família. Eram 900 dólares mensais, 10,8 mil por ano. No começo, o Newell’s Old Boys pagava parte do tratamento, mas os constantes atrasos levaram Jorge, o pai de Messi, a procurar uma alternativa. A solução foi apresentada por uma dupla de empresários, Montero e Soldini, que se ofereceram para serem procuradores do talentoso garoto. Jorge fez jogo duro e disse que só aceitaria a proposta se os dois encontrassem um clube da Europa para o filho que assumisse os custos do tratamento. A dupla ativou todos os contatos que tinham na Europa e chegaram a Joan Laporta, na época presidente do Barcelona, que passou o caso para Carles Rexach, então diretor técnico do clube. “Me falaram de um garoto muito bom... Algo parecido com Maradona. Acreditava que tratava-se de um jogador de 18 ou 19 anos. Quando me disseram a idade dele, fiquei muito surpreso”, contou Rexach ao jornalista italiano Luca Caiolli no livro Messi – El niño que no podia crecer. “Tinha que ser um superfenômeno para nos interessar. Não era política do clube contratar meninos de fora da Catalunha, ainda mais extracomunitário. Me garantiram que não havia outro igual. Eu viajava bastante para a América do Sul, mas decidimos trazê-lo para Barcelona para treinar durante algumas semanas e aí ter a possibilidade de que os técnicos da base pudessem avaliá-lo

com tranqüilidade”. Aos 13 anos, Messi tinha o corpo de um menino de 11, medindo 1,40m. Foi assim que desembarcou na Espanha em 16 de setembro de 2000. Dois dias depois, fez o primeiro teste jogando junto com os infantis do Barcelona. Foram cinco os gols. Na verdade, seis, mas um foi anulado. Os técnicos da base do Barcelona não demoraram a se encantar pelo garoto. Mas a decisão final era de Rexach, que estava em Sydney, acompanhando a Olimpíada. Quando voltou, ele propôs mais um teste, em 3 de outubro, contra garotos mais velhos. Messi mais uma vez arrebentou e o dirigente, enfim, se convenceu. Mas ainda havia resistência dentro do clube. Rexach precisava superá-las antes de poder fechar com Messi. Quando o período de testes terminou, Jorge, o pai do garoto, queria uma garantia de que o Barcelona iria mesmo contratá-lo antes de voltar para a Argentina. “Vou embora porque não há um contrato”, ameaçou. Não havia como assinar um contrato àquela altura. Era preciso ainda obter a permissão do presidente Laporta, mas Jorge estava irredutível. Rexach o convenceu numa conversa na véspera da volta de Messi para Rosário. “Eu falei: ‘fique tranqüilo, eu assino um papel e me comprometo a contratá-lo’. Estávamos em um clube de tênis, não havia papéis, apenas um guardanapo. Peguei um e escrevi: ‘eu, como diretor de futebol do Futebol Clube Barcelona, prometo contratar o jogador’ e assinei”. Jorge pegou o guardanapo e foi embora para a Argentina. “De alguma forma, aquilo o deixou mais tranquilo. Pensei que esse guardanapo seria jogado fora. Mas depois que o acerto foi oficializado, fiquei sabendo pelos representantes do Messi que o guardanapo ainda existia”, conta Carles Rexach. Mas o martelo foi batido só em janeiro de 2001, quase três meses depois de Messi ter voltado para a Argentina. No contrato: casa, escola, 7 milhões de pesetas para o pai do jogador por um posto de trabalho como funcionário das categorias de base do clube catalão. Na Espanha, Messi cresceu 30 centímetros nos 30 primeiros meses. Novos exames foram feitos e o tratamento, enfim, foi interrompido. Aos 16 anos e 145 dias, jogou pela primeira vez no time principal no dia 16 de novembro de 2003 num amistoso contra o Porto.

POR FERNANDO GAVINI

N

ão há dúvida que nos próximos anos Messi e Neymar vão dividir as atenções do planeta bola. Atual melhor jogador do mundo, o argentino ganhou um concorrente à altura, tanto é verdade que o brasileiro foi indicado ao prêmio da FIFA de melhor de 2011 mesmo sem jogar na Europa. O Mundial de Clubes do Japão pode ser a oportunidade dos dois se enfrentarem dentro de campo. Se Barcelona e Santos chegarem à final,

os dois craques estarão pela primeira vez frente a frente. É difícil dizer qual dos dois ao final da carreira terá marcado mais na história do futebol. Mas não há como não compará-los. Os números atuais do camisa 10 argentino são melhores. Messi já conquistou 19 títulos oficiais (Mundial de Clubes, Mundial sub-20, Jogos Olímpicos, 3 Liga dos Campeões, 2 Supercopas Européias, 5 Ligas Espanholas, 1 Copa do Rei e 5 Supercopas

da Espanha) contra apenas cinco de Neymar (Libertadores, Copa do Brasil, Sul-Americano sub-20 e 2 Paulistas). A média de gols do argentino é de 0,74 por partida contra 0,52 do brasileiro. Mas Messi é mais velho, já está perto do auge da carreira, enquanto Neymar está em franca evolução. Os números atuais do santista são melhores dos que tinha o craque do Barcelona aos 19 anos. Com a mesma idade, o argentino tinha jogado apenas 65 partidas,

MESSI X Messi aos 19 anos 65 jogos 44 vitórias 10 empates 11 derrotas 26 gols 0,4 por partida

Messi aos 150 jogos 100 vitórias 30 empates 20 derrotas 81 gols 0,54 por partida 282 jogos pelo Barcelona 196 vitórias 55 empates 31 derrotas 208 gols 0,73 por partida


05 menos da metade do que o brasileiro disputou até hoje, e a média de gols dele era de apenas 0,4 por jogo, um pouco mais da metade da apresentada pelo 11 do Peixe. Ao contrário da Jóia da Vila, o argentino demorou a ser titular absoluto do Barcelona, que tinha jogadores como Ronaldinho e Etoo como titulares e no auge de suas carreiras quando o argentino subiu para o time profissional. O jogo contra o Bahia, o último do

time titular do Santos antes do Mundial, Neymar disputou sua 150a partida oficial com a camisa do Peixe e marcou seu 78o gol. Quando Messi chegou ao mesmo número de jogos, o desempenho era praticamente igual. Tinha marcado 81 gols. A média de 0,54 por jogo é apenas 0,02 maior do que a do brasileiro. No frigir dos ovos, Messi leva vantagem nos números gerais da carreira. Neymar, aos 19 anos, teve desempenho melhor do que o rival quando

tinha a mesma idade. E quando cada um chegou a 150 jogos na carreira, dá empate técnico. O camisa 10 do Barcelona pode até ser apontado como o melhor hoje, mas é impossível dizer quem chegará mais longe na carreira. As estatísticas são equilibradas. As cartas estão na mesa e a história será contada a partir do primeiro confronto em campo, que tem tudo para acontecer dia 18 de dezembro na final do Mundial.

NEYMAR neymar aos 19 anos 150 jogos 73 vitórias 38 empates 39 derrotas 78 gols 0,52 por partida

neymar aos 150 jogos 73 vitórias 38 empates 39 derrotas 78 gols 0,52 por partida 150 jogos pelo santos 73 vitórias 38 empates 39 derrotas 78 gols 0,52 por partida Fotos: Gazeta Press

Aos 14 anos, Neymar

já ganhava como profissional Assim como Messi, Neymar poderia ter partido para a Espanha ainda garoto. Em 2006, quando ele tinha apenas 14 anos, o Real Madrid fez uma proposta para levá-lo para a Europa. Diferente do Newell`s Old Boys, que nada fez para manter o argentino, o Santos investiu pesado para segurar o menino prodígio na Vila Belmiro: R$ 15 mil mensais e R$ 1 milhão de luvas. “Elaboramos um contrato de formação de atleta e o Ney passou a ganhar salário de jogador profissional”, lembra Adílson Durante, que foi diretor das categorias de base do Santos de 2004 a 2008. “Me recordo muito bem de termos sido crucificados pela quantia que pagamos. Recebi diversos telefonemas de pessoas ligadas às categorias de base de outros clubes me dizendo que nós estávamos acabando com o futebol de base de todo o país ao inflacionar o mercado. Na verdade, isso nos ajudou porque todos os atletas diferentes queriam jogar no Santos”, afirma o ex-dirigente. Este, no entanto, não foi o primeiro grande investimento feito por causa de Neymar. Descoberto jogando futsal em São Vicente, cidade vizinha a Santos, ele foi trazido para o Peixe quando tinha apenas 11 anos, mas foi preciso criar novas categorias para que ele pudesse jogar também futebol de campo. “Na época, o Neymar já era diferente dos outros. Por causa dele, tivemos que criar novas categorias, o sub-11, sub-12, sub-13 e sub-14, que não existiam no clube, para que ele pudesse jogar no campo e se desenvolver. O gasto com ele não era apenas na ajuda de custo (que no começo era de apenas R$ 450 mensais), mas também com a estrutura que foi montada para ele com a contratação de comissões técnicas, aluguéis de campo, ajuda de custo de outros atletas, despesas com inscrições em campeonatos, etc”, revela Durante. Quando Neymar subiu para o time profissional em 2009, Adílson Durante tinha sido alçado da base para o cargo de diretor de futebol. Por necessidade, um punhado de jogadores da base subiram para a equipe principal. O Peixe vinha de um péssimo Campeonato Brasileiro no ano anterior: terminou em 15o. lugar, apenas um ponto acima da zona de rebaixamento. Medalhões como Fabiano Eller, Fabão e Kleber Pereira tinham contratos

longos e caros. Não havia como dispensá-los. Por isso, a solução foi lançar mão dos pratas da casa. “Era inviável financeiramente rescindir com esses atletas, que estavam sentados no contrato, ganhando muito dinheiro e com pouca vontade de jogar. Não tínhamos como contratar. Então subimos Neymar, Ganso, André, Alan Patrick, Adriano e alguns outros”, explica Durante. Nessa época, Neymar ainda não era o mesmo de hoje. Sentiu o peso de jogar pela primeira vez contra profissionais. Apelidado de Filé de Borboleta pelo então técnico Vanderlei Luxemburgo, foi titular apenas em 14 dos 33 jogos que disputou no Campeonato Brasileiro e o Santos terminou no modesto 12o. lugar. Apesar disso, no aspecto financeiro, a família não teve do que reclamar de 2009. O salário do garoto já passava dos R$ 100 mil e por R$ 7,5 milhões o grupo Sonda comprou do pai do jogador os 40% dos direitos econômicos que a ele pertenciam. Ou seja, antes mesmo de estourar e de virar a estrela que é, Neymar já tinha ganho dinheiro suficiente para, se quisesse, não trabalhar mais na vida e viver apenas dos rendimentos daquilo que já havia conseguido juntar. Mas 2010 foi ano do pulo do gato. Junto com Ganso e Robinho, Neymar brilhou. O Santos ganhou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. O menino foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira e recebeu uma proposta milionária do Chelsea, da Inglaterra. Negou outra vez a ida para a Europa e faturou pesado em cima disso. Juntando salário e contratos de publicidade, o valor dos vencimentos mensais alcançavam R$ 500 mil. Em 2011, Neymar ganhou ainda mais projeção. Se transformou no principal nome da Seleção Brasileira, foi campeão da Libertadores e assediado pelos gigantes espanhóis Barcelona e Real Madrid. Seus ganhos na metade do ano já alcançavam a impressionante cifra de R$ 1 milhão por mês. Mas depois que disse não ao galático time de José Mourinho e Florentino Pérez, há quem diga que tenha saltado para R$ 3 milhões, uma valorização de 667.000% em apenas sete anos. E não há dúvida que o investimento valeu e está valendo a pena para o Santos.


business

E seguraram o Neymar: loucura ou competência?

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esde Ayrton Senna e Guga, procura-se um novo namoradinho do Brasil. Idealmente alguém que viesse desta nova classe média brasileira, que surpreendeu o mundo ao trazer para o mercado de consumo, o equivalente à população da Espanha. Eis que surge o bom garoto Neymar, que apesar das escorregadelas naturais de um jovem (levante a mão quem não fez suas bobagens nesse período da vida), encanta garotos, meninas e até mesmo torcedores de outros times. Mas como é possível manter esse talento no país, num ambiente tão questionado e obscuro como o futebol Brasileiro? Ainda mais num clube que não tem grandes recursos, não é das grandes capitais e sem um grande número de torcedores? Que ousadia é essa de tentar fazer o mesmo que os grandes clubes europeus, mais especificamente Manchester, Real Madrid e Barcelona?

O Santos acaba de provar que o impossível só existe na mente dos acomodados. Luis Álvaro Ribeiro e diretores contam com o apoio de um grupo de empresários cansados de ver o Santos cambalear e desmerecer aquela camisa branca que já foi de rei. Empresários que decidiram dedicar algumas horas de seus negócios para recolocar o Santos onde ele deveria estar. Passo número um, dois e três: governança corporativa através de auditoria internacional, um novo estatuto à prova de interesses escusos, contratação de profissionais administrativos e a mais simples e singela das contas: não se gasta mais do que se recebe. Quanto a investimento em talentos, a criação de um “pré-fundo” de investidores apaixonados pelo clube, que foi o embrião do lançamento que virá nas próximas semanas, no mercado de capital aberto. Na ótica do marketing, através de um trabalho sério estratégico e de capta-

Antonio Fadiga CEO Fischer & Friends, Assessor de Marketing do Presidente do Santos

ção, se conseguiu multiplicar substancialmente os resultados: sextuplicar a receita do patrocínio de uniforme, triplicar licenciamento, dobrar valores com fornecedores de uniformes e renegociar receita e visibilidade com emissoras de TV. Na relação com os principais jogadores: readequação salarial, media trainner e uma inédita área de gestão de carreiras. Na relação com os sócios, os reais acionistas do clube, um programa inédito recém-lançado, que vai gerar uma verdadeira multiplicação dos peixes, gerando receita extra significativa para o clube continuar mantendo seus talentos. O Santos é o clube brasileiro cuja marca mais cresceu nos últimos 12 meses de acordo com BDO RCS. E por último, os céus conspiraram a favor, trazendo uma geração de garotos que juntamente com o Neymar, trouxeram alegria não só ao Santos mas ao futebol moleque que todos adoram ver.

Gazeta Press

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ENTREVISTA entrando aos poucos e ele acabou se tornando uma peça fundamental na campanha.

JORGINHO FAZ A LUSA

DANÇAR O VIRA Depois de anos de frustrações e insucessos a Lusa surpreende, faz campanha memorável na série B e volta a 1ª divisão após três anos. Mas seu treinador quer mais em 2012 O ano é de 2011 e o mês, fevereiro. A Portuguesa mais uma vez fazia campanha sofrível, dessa vez no Campeonato Paulista. Sob o comando do então técnico Sérgio Guedes, ocupava apenas a 12ª posição. Após derrota para o São Caetano a diretoria toma a decisão de demitir Guedes e convida Jorginho para o seu lugar. Hoje, quase dez meses depois, os fatos mostram que o caminho escolhido estava mais do que certo. Depois de terminar o Paulista na oitava colocação (foi batida pelo São Paulo nas quartas de final) e de uma eliminação precoce na Copa do Brasil, fez campanha irrepreensível na série B (38 jogos, 23 vitórias, 12 empates e apenas 3 derrotas, com 82 gols pró e 38 contra) e volta a figurar entre os grandes do Brasil. Apesar de recusar o rótulo de salvador, é inegável a importância de Jorginho nessa reviravolta. Formado nas categorias de base da Lusa (defendeu o clube como jogador entre 1981 e 1990) e com passagens de destaque como técnico no Palmeiras, Goiás e Ponte Preta, pôs a casa em ordem, arrumou o time dentro e fora do campo e quer formar um elenco competitivo para 2012. Confira nessa entrevista concedida ao Tá Lá! todos os segredos que levaram a equipe à Série A e os planos futuros de Jorginho para manter a Portuguesa na elite do futebol brasileiro. Qual foi a situação que você encontrou quando assumiu a Portuguesa? Apesar de o elenco contar com bons valores, vou ser sincero. Não tínhamos um time, era um bando de jogadores, sem conjunto, com problemas de relacionamento e casos de indisciplina

dentro e fora do campo. Ou seja, uma situação muito ruim. E o que você fez para reverter esse quadro? Como o futebol é um esporte coletivo, para mim a felicidade é um bem comum. Parte-se do princípio que se o grupo está feliz, o indivíduo, no caso o jogador, também estará. E exercer a sua profissão, seja ela qual for, em um ambiente saudável, de união e respeito, é meio caminho andado para o sucesso. A outra metade você consegue com muito trabalho e disciplina, é assim que trabalho e foi nessa direção que segui. É preciso respeito, dos jogadores com seus colegas de equipe, com os funcionários da Portuguesa e com os torcedores. Tem cara que deixa de comprar um pão para assistir aos jogos, não é justo que não haja entrega de nossa parte. Outra coisa que fiz foi mudar alguns conceitos, tinha jogador que ficava 20 dias no estaleiro, era liberado pelo departamento médico e no dia seguinte já estava em campo para defender a Portuguesa. Calma lá, não é assim que o futebol funciona, é preciso dar um tempo a mais para a recuperação da parte técnica, tática e física, senão você pode por em risco um patrimônio do clube e aí vira bagunça. E como os jogadores reagiram com relação a essas suas exigências? Aceitaram o meu jeito de ser e de trabalhar. Eles perceberam que estávamos todos do mesmo lado, a favor da Portuguesa. Fomos construindo uma relação de confiança mútua. Desde os tempos de jogador nunca gostei de injustiças e falsidades, não suporto isso.

Comigo é o seguinte, sou direto, falo olho no olho, não mando recados. E tem jogador que te testa, mas eu não sou bobo. Se sentir que está havendo alguma “trairagem”, eu mato antes que me matem. Você mexeu muito no elenco? Fui fazendo uma reformulação gradativa, sugeri uma lista de 50 nomes, jogadores de diferentes perfis e capacidade. É lógico que não seriam contratados todos, só quis dar um leque de opções para a diretoria. Trouxemos o Edno e o Ananias, para o ataque, o Raí para a lateral, o Rogério, o Leandro Silva e o Renato para a zaga, enfim fomos compondo até chegar ao elenco atual. Esse trabalho de escolha é difícil, é preciso envolver colegas do mundo do futebol e também a minha comissão técnica, especialmente o Anderson

“Não existe milagre no futebol, os resultados só vêm quando existem dedicação e união dentro de um grupo fechado, em busca de um objetivo comum.”

(Lima, auxiliar técnico) e o Omar (Feitosa, preparador físico). Eles ajudam muito nesse sentido, tanto na avaliação pré como na pós contratação. E cada caso é um caso. O Ananias, por exemplo, veio do Bahia, nunca tinha saído de lá. Tivemos paciência com ele, demos um período de adaptação, foi

E a preparação para a série B? Como foi? Tivemos a sorte de preparar a equipe por 30 dias, entre a eliminação do Campeonato Paulista e o início do torneio. Se bem que alguns atletas chegaram só na última semana, mas esse período foi fundamental para irmos acertando o time. E fomos trabalhando a cabeça dos jogadores, nesse sentido considero três os aspectos fundamentais para que o atleta consiga um desempenho perto do ideal: paz familiar, ausência de vaidades e uma excelente condição física. Se tudo isso for alcançado, a possibilidade do jogador entrar voando em campo é enorme. E comigo nome não funciona, joga quem está melhor. Como foi a campanha? Os números falam por si só, mas, como te disse, foi a custa de muito trabalho e união. Me lembro que na 3a rodada perdemos para o ABC de Natal em casa e muita gente já estava apostando em nosso fracasso. Eu disse para quem quisesse ouvir que iríamos para a Série A. Sempre tive confiança no grupo, fomos campeões por merecimento. É preciso ressaltar a dedicação e o comprometimento dos jogadores. Também tivemos um pouco de sorte, praticamente não houve problemas sérios de contusão durante a competição. O fato de você ter uma história na Portuguesa ajudou de alguma forma? Sinceramente não. O ambiente de trabalho se constrói independente do local onde se está. Não existe milagre no futebol, os resultados só vêm quando existem dedicação e união dentro de um grupo fechado, em busca de um objetivo comum. Qual sua expectativa para 2012? Olha, eu fui muito claro com a diretoria. Temos um bom elenco, mas ele não é suficiente para desenvolvermos um trabalho decente no Campeonato Paulista e na série A do Brasileiro. É necessário compor com mais uns 6 a 8 jogadores, para todos os setores. É preciso ver também a situação dos goleiros o Weverton e o Bruno, outros atletas, quem fica, quem sai. Temos que correr atrás, mas estabeleci algumas metas. No Paulista é obrigação ficar entre os oito finalistas. Depois, no mata-mata, seja o que Deus quiser. No Brasileiro, acredito numa posição intermediária, mas é preciso ressaltar que a Portuguesa ficou fora da elite um tempo razoável, essa recuperação tem que ser gradual. Se tudo o que planejamos realmente ocorrer, tenho certeza que o torcedor da Lusa vai ter muitas alegrias em 2013 e 2014. E fora de campo? Algo precisa mudar?

07

Com certeza. A primeira coisa é melhorar o CT, os campos e os vestiários. Dessa forma, você tira o futebol do Canindé, preserva o estádio, tira a pressão de torcedores, conselheiros, consegue trabalhar em paz. Isso já vem ocorrendo, mas o processo tem que continuar. Outra iniciativa que acho importante é com relação ao departamento de futebol, que ele seja tratado de forma diferenciada, as receitas do futebol direcionadas exclusivamente para lá. Precisamos trabalhar melhor as categorias de base. Hoje já é possível reconhecer jovens talentos na Portuguesa, mesmo sem o apoio necessário, imagina se houvesse um suporte maior para os meninos. E você? Como se vê na Portuguesa em 2012? Quero continuar meu trabalho, continuar ganhando. Sei das limitações, tudo hoje depende da condição financeira do clube, mas se derem uma chance podemos beliscar, porque não? Quero ajudar a Portuguesa a ser melhor e maior do que é hoje.

RETROSPECTO NOS ÚLTIMOS BRASILEIROS 2002: 23º na Série A 2003: 12º na Série B 2004: 11º na Série B 2005: 4º na Série B 2006: 14º na Série B 2007: 3º na Série B 2008: 19º na Série A 2009: 5º na Série B 2010: 5º na Série B 2011: 1º lugar na Série B e acesso à Série A

Divulgação

Divulgação

POR PAULO KEHDI


08

CORINTHIANS

POR FERNANDO GAVInI

Do fundo do poço

ao penta brasileiro

Rebaixado para a segunda divisão em 2007, Corinthians passa por metamorfose, multiplica suas receitas e termina 2011 como campeão nacional

A

arrancada de nove vitórias e um empate nos dez primeiros jogos do campeonato. A goleada épica de 5 a 0 contra o São Paulo. A emocionante virada sobre o Atlético Mineiro com gol de Adriano aos 46 do segundo tempo. O angustiante 0 a 0 com o Palmeiras na rodada decisiva. A sequência final com apenas uma derrota nas últimas nove partidas. São vários os momentos marcantes que o corintiano pode apontar como fundamentais para o título de campeão brasileiro. Mas uma coisa é certa. Não se pode destacar apenas um motivo para justificar a conquista. A realidade é que o Timão pode bordar sobre seu escudo sua quinta estrela graças à metamorfose ocorrida no clube nos últimos quatro anos. Do buraco do rebaixamento para a Série B até o posto de melhor do Brasil, garantindo a classificação pelo terceiro ano seguido para disputar a Libertadores. “Nós estávamos machucados por tudo o que passamos naqueles anos e conseguimos recuperar a diginidade

de voltar a ser corintiano”, resume o presidente Andrés Sanches, que assumiu o comando do clube dois meses antes do rebaixamento e deixa o clube com um dos mais modernos centros de treinamento do país, um estádio sendo construído para abrigar a abertura da Copa de 2014 e quatro títulos conquistados: Série B de 2008, Copa do Brasil e Campeonato Paulista em 2009 e o Brasileirão em 2011. “Durante esses quatro anos, eu nunca prometi títulos, prometi a reengenharia estrutural do clube. Foi doloroso e pesado, mas entrego o clube numa situação bem melhor do que eu peguei”, acredita Sanches. Os números dão toda a razão ao dirigente, que se cercou de gente competente em todas as áreas como os diretores de marketing, Luís Paulo Rosemberg, de finanças, Raul Corrêa, e jurídico, Sérgio Alvarenga, e teve ousadia na medida certa para multiplicar as receitas do clube. Segundo estudo feito pela consultora financeira BDO RCS, o Corinthians tem a marca mais valiosa do

futebol brasileiro: R$ 867 milhões contra R$ 689,5 milhões do Flamengo, R$ 664 milhões do São Paulo, respectivamente, segundo e terceiro colocados da lista. De 2007 para cá, o Corinthians soube como poucos usar o marketing a seu favor. A contratação de Ronaldo em 2009 é o maior exemplo. O clube que arrecadava apenas R$ 19 milhões de patrocinadores há quatro anos, saltou para R$ 37 milhões na temporada em que o Fenômeno chegou ao clube e alcançou a marca de R$ 50 milhões em 2010, mesmo valor de 2011, números que devem melhorar em 2012. “Ano que vem vai aumentar de 30 a 40% a nossa receita com patrocínios. Hoje o Corinthians tem o quarto maior patrocínio do mundo. Em 2012, estará entre os três. Vamos chegar a R$ 60 e poucos milhões de reais”, acredita Andrés. Esta, no entanto, não foi a única fonte de receitas que multiplicou de valor nos últimos anos. O contrato de TV, que rendia ao Corinthians R$ 23 mi-

lhões em 2007, chegará perto dos R$ 100 milhões em 2012. A arrecadação das bilheterias quadriplicou dos R$ 8 milhões da temporada do rebaixamento. As despesas, no entanto, também aumentaram no período e a dívida cresceu de R$ 101 milhões para mais de R$ 170 milhões. “Hoje não é só dívida como era em 2007, é investimento. Todo mundo que vai comprar ou construir alguma coisa se endivida. Isso é normal, mas a receita sera o dobro do endividamento. Nós pegamos o clube com R$ 101 milhões de dívidas, mas que arrecadava R$ 60 milhões. Hoje, vamos entregar com R$ 170, R$ 180 milhões de dívidas, mas com quase R$ 300 milhões de arrecadação”, projeta o cartola. E dinheiro em caixa faz toda a diferença. Ano passado, o Corinthians surpreendeu o mundo ao oferecer R$ 90 milhões ao Manchester City por Carlitos Tevez. O clube ingles negou a oferta, mas o clube deu uma demonstração de poderia financeiro inimaginável há alguns anos. Graças à receita que obteve nos últimos anos, o Corinthians conseguiu montar times fortes e se manter na disputa pelo título em praticamente todos os campeonatos que disputou. Depois do rebaixamento, faturou a Série B e foi vice da Copa do Brasil em 2008. Em 2009, foi campeão paulista e da Copa do Brasil, mas, com a vaga na Libertadores garantida, tirou o pé do Brasileirão e ficou apenas em décimo lugar. Em 2010, foi apenas quinto no Paulista, mas brigou pelo título nacional até o final e terminou em terceiro. Em 2011, foi vice estadual e campeão brasileiro. O que faltou no período foi chegar perto do inédito título da Libertadores. Em 2010, o Corinthians foi eliminado pelo Flamengo nas oitavas-de-final depois de ter feito a melhor campanha na fase de grupos. Em 2011, o fracasso

foi maior. O Timão caiu na fase preliminar, derrotado pelo modesto Deportivo Tolima, da Colômbia. Na edição de 2012, o Corinthians está no Grupo 6 e terá como adversários o Deportivo Táchira, da Venezuela, o Cruz Azul, do México, e um representante paraguaio a ser definido. “É inédito na história do Corinthjians jogar três Libertadores seguidas. Isso te traz experiência por conhecer o jeito de jogar, os campos e o tipo de arbitragem. Tudo isso vai ajudando. Por isso, tem que manter a base e reforçar um pouco mais. Vamos buscar três ou quatro jogadores, mas o torcedor já está ciente de que ganhar a Libertadores é uma questão de tempo. Tem que ir disputando que uma hora vai ganhar. Não é obrigação ganhar no ano que vem, mas é uma obrigação, disputando as próximas três, de ganhar pelo menos uma”, analisa Andrés Sanches. O presidente coloca como meta, portanto, ser campeão da Libertadores no máximo até 2014, mas pode ter certeza que será feito o possível para que a meta seja alcançada antes. Ele não será mais o mandatário corintiano em 2012, mas já adianta que os reforços que virão serão de peso. “Não digo que serão todos os times, mas pelo menos de oito a dez times brasileiros terão aporte para contratar grandes jogadores. Hoje tem jogador europeu querendo vir jogar no Brasil. Mas não é porque o Brasil é bonito. É porque está se pagando muito bem no Brasil. Talvez a gente esteja exagerando um pouco em todos os sentidos, mas faz parte do processo. Daqui um ano e meio, dois anos, o futebol brasileiro vai ser o segundo ou terceiro mais rico do mundo. É só continuarmos nessa linha que o futebol brasileiro vai ser muito forte”, aposta Andrés. E se a tendência continuar, o Corinthians estará a frente de todos eles. Pelo menos financeiramente.


09

escalada ao topo do brasil 2009 2008 2007

R$ 122 milhões (receita anual)

Rebaixado para a Série B

R$ 117 milhões (receita anual)

Campeão da Série B e vice-campeão da Copa do Brasil

2011

R$ 300 milhões (receita anual)

2010

Campeão brasileiro e R$ 212 milhões vice paulista (receita anual)

R$ 181 milhões 3o lugar no Brasileirão (receita anual) Campeão paulista e campeão da Copa do Brasil

Pela primeira vez, um tricampeão por três clubes diferentes Fotos: Gazeta Press

Antes de chegar ao Flamengo em 2009, Emerson praticamente nunca tinha disputado um Campeonato Brasileiro. Revelado pelo São Paulo, o atacante deixou o clube pouco depois de se profissionalizar e rodou o mundo. Jogou no Japão, na França, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. Mas desde que vestiu a camisa rubro-negra, o aproveitamento é de 100%: três títulos em três campeonatos disputados por três times diferentes. Um feito inédito. “Fico feliz de ter conquistado pelo Flamengo (2009), pelo Fluminense (2010) e agora pelo Corinthians (2011). Tenho que agradecer a oportunidade que esses clubes me deram por vestir essas camisas e honrá-las. Fico feliz da vida por viver esse momento, aos 33 anos, o único tricampeão por três clubes brasileiros”, disse o atacante logo após a conquista corintiana no Pacaembu. Das três conquistas, a que ele mais fez a diferença foi na do Fluminense. Contratado no meio do ano, ele não jogou tantas partidas por causas de lesões, mas quando esteve em campo foi fundamental. Em 11 partidas, marcou oito gols, o mais importante, na última rodada, contra o Guarani, que deu a vitória por 1 a 0 e o título ao Tricolor. Em 2009, Emerson não jogou o Brasileirão até o fim. Esteve em campo em

EÃO AMP TRIC

14 das 20 primeiras rodadas e marcou oito gols. Seduzido pelos petrodólares dos Emirados Árabes, acertou com o Al Ain e foi embora no final de agosto e assistiu de longe a conquista de seu primeiro título. No Corinthians, Emerson demorou a se firmar. Com a concorrência de Willian, Liedson e Alex, começou o Brasileirão na reserva, mas aos poucos foi conquistando seu espaço. Foi titular em 15 dos 28 jogos que disputou, mas na reta final começou jogando em 11 das últimas 13 partidas em que foi relacionado. Fez seis gols, três deles muito importantes nas vitórias de 1 a 0 sobre

APOIADORES DO TÁ LÁ:

o Bahia, 2 a 1 no Avaí e 2 a 1 no Atlético Paranaense. Do jogo final contra o Palmeiras, Emerson ficou de fora por ter sido suspenso pelo STJD por causa de um pisão em Daniel, do Avaí, mas tinha tanta certeza da conquista que mandou fazer um pingente no formato da taça do Campeonato Brasileiro com um número três, numa alusão a seu terceiro título seguido. Ou seja, quer saber quem será o campeão brasileiro de 2012? Vai depender do time que Emerson vai defender! Se quiser o bi, o Corinthians que trate de segurá-lo.

Homenagem a Sócrates marca o título corintiano O corintiano se autointitula o povo sofrido. Para quem tudo é mais difícil. Não há como duvidar disso quando se perde um dos maiores orgulhos da nação horas antes de conquistar o país diante do arquirival. Como dizer que naquele fatídico domingo, a Fiel não sofreu. Da dor pela perda à angústia do 0 a 0 com o Palmeiras. Sentimentos conflitantes. Da tristeza à alegria em poucas horas. Festa merecida. Simplesmente porque Sócrates merecia. E porque, sofrido ou não, o povo corintiano é o povo do Doutor. Poucos momentos foram tão emocionantes quanto o minuto de silêncio que antecedeu ao clássico. Repetindo o gesto imortalizado por Sócrates, com o braço direito levantado e o punho cerrado, jogadores e a Fiel se uniram para homenagear o ídolo que se fora horas antes por não ter resistido a uma infecção generalizada. Apesar das homenagens que recebeu, Sócrates não se sentia bem dentro do clube nos últimos tempos. Em uma de suas últimas entrevistas, o ídolo revelou o motivo pelo qual se recusava a aceitar o convite para colocar os pés na calçada da fama do Memorial de Conquistas do Parque São Jorge. “Isso não é porque não gosto. É porque sou malquisto lá. A direção do Corinthians não gosta de mim. O que vou fazer na casa dos outros

se eles não gostam de mim?”, disse Sócrates na edição de novembro da Revista ESPN. Sócrates se sentia assim porque, desde a época de jogador, era muito crítico e nunca deixou de dar a opinião dele a respeito de coisas com a qual não concordava. Uma das maiores reclamações que o ex-jogador fazia era a respeito da construção do Itaquerão. “Não precisa construir outro estádio em São Paulo. Os Estados Unidos (em 1994) não fizeram nenhum. Alemanha (em 2006) fez um. Será um carnaval de um mês com uma bela conta para pagar depois. Que o Corinthians precisa de estádio, é óbvio. Mas não precisa ser agora, nem com a gente pagando. Vai levar o que além do estádio? É uma área para onde nunca se deu valor”, afirmou à Revista ESPN. Em outra entrevista, desta vez ao SBT, Sócrates pegou ainda mais pesado contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. “Essa Copa do Mundo está muito mal ‘ajambrada’, muito mal organizada. Existe uma inversão de valores. Estamos construindo estádios e a maioria dos materiais não são licitados. Para o Brasil seria muito melhor não ter a Copa do jeito como está sendo feito. É um produto privado e estão usando recursos estatais”, afirmou com a contundência que sempre marcou suas opiniões.


10 são paulo

POR JOÃO HENRIQUE PUGLIESI

Por um 2012

melhor emerson leão foi confirmado como técnico para 2012. Será que fica até o fim? Em 2011, o São Paulo teve quatro técnicos

A

ntes mesmo da última partida no Campeonato Brasileiro, diante do Santos, em Mogi Mirim, a diretoria do São Paulo já havia anunciado que o treinador Émerson Leão iria permanecer à frente da comissão técnica no ano de 2012, prorrogando seu contrato até dezembro do ano que vem. A vitória por 4 a 1 contra o time B do Santos não valeu a Libertadores, mas Leão viu coisas positivas. “Já começamos a trabalhar para que o São Paulo em 2012 volte a brigar por títulos. Esta vitória diante do Santos já faz parte deste novo trabalho”, anunciava Leão, logo após a despedida do Brasileirão. Algumas decisões já haviam sido tomadas antes mesmo do encerramento das atividades, entre elas, a dispensa de Rivaldo que, aos 39 anos, não agradou aos técnicos e muito menos à cúpula

são-paulina. Dagoberto é outro que está de malas prontas. Desde novembro, tem pré-contrato assinado com o Internacional. O técnico Émerson Leão garantiu que o fato do São Paulo não disputar a Libertadores, em 2012, não significa que o clube deixará de buscar a contratação de jogadores de peso. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O São Paulo tem que pensar grande sempre”. Nos bastidores, comenta-se que Taison, ex-atacante do Internacional, atualmente na Rússia viria para o Tricolor numa troca por Marlos. Outra possibilidade é o São Paulo oferecer uma quantia em dinheiro mais alguns atletas pelo passe de Montillo, que pertence ao Cruzeiro. Os jogadores se reapresentam no dia 4 de janeiro, com a intenção fazer de 2012 um ano bem melhor do que foi este que termina.

O ano de 2011 certamente não ficará na memória do torcedor são-paulino, acostumado a ver o time brigar pelos primeiros lugares. Nas competições que disputou neste ano, o Tricolor só decepcionou. Foi assim no Campeonato Paulista, na Copa do Brasil, na Copa Sul-americana e no Brasileirão. Não se pode tentar esconder os problemas que o clube atravessa. O São Paulo há algum tempo não é o mesmo. O Tricolor foi tricampeão brasileiro em 2006, 2007 e 2008, tendo à frente um treinador competente e que, principalmente, teve tempo para trabalhar. Muricy Ramalho teve respaldo da diretoria e fez sucesso, levando o time do Morumbi ao lugar mais alto do pódio por três anos consecutivos. No Campeonato Paulista, o time chegou à semifinal, mas teve pela frente o Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso. Não deu outra e, em pleno Morumbi, o Peixe fez a festa e derrotou o Tricolor por 2 a 0. O São Paulo dava adeus ali ao sonho do título paulista e se dedicava exclusivamente à disputa da Copa do Brasil, que dá ao campeão uma vaga na Libertadores. Mas o São Paulo parou no Avaí, time que acabou o Brasileirão na lanterna, rebaixado para a segunda divisão. No Morumbi, um magro 1 a 0, com um gol contra de Révson. Já na Ressacada, a grande decepção. O time precisava só de um empate. O São Paulo ainda saiu na frente do marcador, com um gol de Casemiro, mas levou a virada. Os catarinenses venceram por 3 a 1. O começo do Campeonato Brasileiro, no entanto, foi animador. Cinco vitórias seguidas contra Fluminense, Figueirense, Atlético Mineiro, Grêmio e Ceará. Até que veio o Corinthians, que humilhou o Tricolor, fazendo 5 a 0 no Pacaembu. A partir daí, a base até então um tanto sólida, começava a ruir. O time apresentava instabilidade e o trabalho de Paulo César Carpegiani passava a ser contestado com veemência. Três derrotas seguidas para Corinthians, Botafogo e Flamengo custaram o emprego do treinador. A diretoria foi então buscar Adílson Batista, um técnico que não havia tido boas passagens por Corinthians, Santos e Atlético PR, mas que chegava com muita disposição. “Pra mim é uma satisfação e um desafio assumir o São Paulo. Farei o máximo para corresponder a esta confiança da diretoria”, disse Adílson Batista na sua apresentação.

No primeiro jogo sob o comando do treinador, empate no Morumbi por 2 a 2 com o Atlético Goianiense. Torcida já ficava desconfiada. O São Paulo oscilava boas e más partidas, sem apresentar um futebol empolgante. Adilson durou apenas um turno. Foi demitido após perder por 3 a 0 no Serra Dourada para a mesma equipe contra a qual estreou. Depois de algumas partidas com Milton Cruz como técnico tampão, Emerson Leão chegou com a incumbência de colocar a casa em ordem. O primeiro jogo do novo treinador foi em Assunção e o Tricolor caiu diante do Libertad por 2 a 0 e foi eliminado da Copa Sul-Americana. Agora só restava o Campeonato Brasileiro. A busca pelo título estava distante, mas a luta por uma vaguinha na Libertadores estava vivíssima.

A grande decepção veio no jogo em Pituaçu, contra o Bahia, no dia 5 de novembro. A equipe vencia por 3 a 1, mas permitiu a virada dos baianos, que fizeram 4 a 3. “O que aconteceu neste jogo foi inacreditável. Não poderíamos ter permitido a reação do adversário após estarmos com 3 a 1 no placar e o jogo dominado”, ressaltava Leão, indignado. A missão de ficar pelo menos na quinta colocação e garantir uma vaga na pré-Libertadores estava complicada. O São Paulo ainda foi derrotado por Atlético Paranaense e Palmeiras, goleou o Santos na última rodada, mas não conseguiu alcançar o objetivo. Terminou o Brasileirão na sexta colocação, a um ponto do Internacional, que ficou com a última vaga para a Libertadores do ano que vem.

De positivo em 2011, só as marcas de Rogério Ceni e a volta de Luís Fabiano Fotos: Gazeta Press

Em 2011, o torcedor tricolor teve pouquíssimos motivos para comemorar. Além da ausência de títulos, o São Paulo venceu apenas dois clássicos em toda a temporada e um deles foi contra o time reserva do Santos na última rodada do Campeonato Brasileiro. Mas o outro, sem dúvida, foi o momento mais marcante do ano. Pelo Campeonato Paulista, o Tricolor derrotou o Corinthians por 2 a 1, em Barueri, jogo em que Rogério Ceni, de falta, marcou o centésimo gol de sua carreira.

O goleiro tricolor foi motivo de orgulho também ao completar mil jogos pelo clube: uma vitória de 2 a 1 sobre o Atlético Mineiro com mais de 60 mil pessoas no Morumbi. Para comemorar também, o retorno de Luís Fabiano. O Morumbi ficou lotado para a estreia dele, uma derrota de 2 a 1 para o Flamengo. Em 12 partidas em 2011, o Fabuloso marcou sete gols, seis deles nos últimos quatro jogos, o que enche de esperança o torcedor tricolor para o ano que vem.


palmeiras

POR PAULO KEHDI

pacificador

do verdão César Sampaio volta ao Palmeiras, agora como gerente de futebol, com a difícil missão de dar paz ao mais conturbado dos grandes times paulistas

C

omo jogador César Sampaio foi revelado pelo Santos, mas foi no Palmeiras que ele conquistou seus principais títulos, como o bicampeonato paulista e brasileiro (1993/94) e a Libertadores da América em 1999. Agora ele volta numa nova função, gerente de futebol, com a tarefa de apaziguar e colocar em ordem o ambiente alviverde, uma verdadeira Torre de Babel. Nos últimos anos, foram tantos os atritos entre diretoria, jogadores e comissão técnica que a impressão que dava é que ninguém falava a mesma língua no Palestra Itália. A missão não é fácil, mas, a julgar pelo começo do trabalho, tem tudo para dar certo. Coincidência ou não, o Verdão

só perdeu um jogo desde a chegada do ex-volante e terminou o ano com cinco partidas de invencibilidade. César Sampaio pendurou a chuteira em 2004. Seu último time foi o São Paulo. Depois disso, se preparou e muito para a oportunidade que hoje o Palmeiras lhe oferece. Assim que encerrou a carreira, ele fez o curso de Gestão Esportiva da Universidade São Marcos, em São Paulo. No final do ano de 2006, o ex-jogador era responsável pela gestão profissional do Pelotas, no Rio Grande do Sul. Em 2008 assumiu o comando do Rio Claro (SP). Sua ex-empresa, a C2B, era prestadora de serviço do time do interior paulista e em novembro de 2009 comprou o clube.

Em 2010, porém, a equipe acabou caindo para a segunda divisão. César também exerceu função de gerência no Mogi Mirim, então presidido por Rivaldo. Agora ele enfrenta seu maior desafio, o primeiro num grande clube do futebol brasileiro. César Sampaio chegou ao Palmeiras no pior momento vivido pelo clube na temporada. O primeiro jogo que acompanhou como gerente de futebol foi a derrota para o Coritiba por 2 a 0 em Barueri. Era a oitava partida sem vitória do time, que só havia vencido duas das 14 partidas disputadas até então no segundo turno. “Eu tinha poucos dias de clube, mas senti que precisava fazer alguma coisa e essa alguma coisa podia até ser a demissão do Felipão. Conversei com a diretoria e disse que na minha opinião se a falta de comprometimento ou de empenho tivesse a ver com algum problema com o técnico dos jogadores, quem estaria sendo prejudicado era o próprio clube e teríamos que trocar de treinador. Eles entenderam a minha posição e me deram carta branca”, conta Sampaio. Depois de conversar com Felipão sobre a atitude que estava disposto a tomar, o gerente de futebol se reuniu com o grupo de jogadores. “Deixei claro que eu tinha autonomia para demitir o técnico, mas os jogadores disseram que o problema não era o treinador”. Foi assim, na base da conversa franca, olhando na cara da diretoria, do técnico e dos jogadores, que César Sampaio conseguiu arrefecer os ânimos dentro do clube. As coisas entraram nos tri-

lhos e o Palmeiras terminou o ano sem perder nenhum dos últimos cinco jogos. Empatou com Grêmio (2 a 2) e Vasco (1 a 1), ganhou do Bahia (2 a 0) e do São Paulo (1 a 0) e ficou no 0 a 0 com o Corinthians. O desafio agora é montar o time para o ano que vem sem repetir os mesmos erros que foram cometidos em 2011. “Vai ser uma equipe competitiva. Se vai disputar títulos, depende de como as peças vão se encaixar. Mas será um time para voltar à Libertadores e que no fim de 2012 só vai precisar de alguns reforços para disputar para ser campeão em 2013”, promete. Mas uma coisa ele garante, os problemas de relacionamento não vão mais atrapalhar o Palmeiras. “Não dá para entrar 2012 com algumas diferenças ou

“Não dá para entrar 2012 com algumas diferenças ou com coisas mal resolvidas...”

com coisas mal resolvidas que a meu ver influenciaram no rendimento de alguns atletas. E se algum problema novo acontecer, vai ser resolvido entre nós. Dificilmente alguma solução boa vem de fora, seja da imprensa ou da torcida”. A postura é bem diferente da que vem

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sendo adotada nos últimos tempos. Em 2009, por exemplo, Vanderlei Luxemburgo era o técnico do Palmeiras. Depois de ser eliminado mais uma vez da Copa Libertadores da América nas quartas-de-final, as críticas da torcida aumentaram em relação ao técnico, que era questionado por suas interferências na equipe fora do campo, com a indicação de jogadores que não agradavam os torcedores. A venda do atacante Keirrison para o Barcelona foi a gota d’água. O então presidente Luiz Gonzaga Belluzzo e o técnico não falavam mais a mesma língua e Luxa foi demitido em junho daquele ano. Jorginho, atual treinador da Portuguesa, assumiu o time interinamente por um mês e então outro nome de peso foi contratado, o do vitorioso Muricy Ramalho. O time estava na segunda colocação do Brasileirão. Na reta final do campeonato, porém, o time começou a entrar em declínio. O ambiente conturbado vivido no Parque Antártica fora de campo, com a oposição fazendo criticas pesadas a gestão de Belluzzo, acabaram se refletindo dentro das quatro linhas. A cena que melhor traduz o turbilhão de emoções que cercavam o Palmeiras aconteceu na antepenúltima rodada, quando Obina e Maurício trocaram socos no intervalo do jogo contra o Grêmio no Olímpico, ainda em campo. A derrota por 2 a 0 pôs a classificação para a Libertadores em perigo e na última rodada um novo revés, agora para o Botafogo no Rio, acabou com as chances de quem tinha liderado o campeonato por 19 rodadas e nem mesmo vaga para a competição sul americana conseguiu, terminando o Brasileirão de 2009 na quinta colocação. Mesmo assim Muricy Ramalho emplacou 2010 no Palestra Itália, garantido por Belluzzo, apesar de o vice-presidente de futebol Gilberto Cipullo ter pedido sua demissão. Em fevereiro, o golpe decisivo: após o Palmeiras ter sido goleado pelo São Caetano por 4 a 1 em pleno Parque Antártica, o técnico foi demitido do comando do time alviverde, e encerrou seus oito meses de Palmeiras com treze vitórias, onze empates e dez derrotas em 34 jogos. Crises entre torcida e jogadores também fizeram o Palmeiras perder atletas importantes. Foi assim com Vagner Love, agredido numa agência bancária, Diego Souza, que de ídolo se transformou em vilão e deixou o clube em 2010, e neste ano com Kleber. César Sampaio tem a função de evitar que problemas como esses voltem a acontecer. Foi contratado para ser uma espécie de pára choque. Ele é o homem para fazer o meio-campo entre os jogadores, a diretoria e a comissão técnica. Em pouco mais de um mês de trabalho, tem ido muito bem. Havia um claro problema de relacionamento entre os jogadores e Felipão, que ficou um ano e meio sozinho no vestiário, administrando todo e qualquer conflito. Com Sampaio a seu lado, a tarefa parece ter ficado mais fácil.


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