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A UNIÃO

Saúde

João Pessoa > Paraíba > QUINTA-FEIRA, 14 de abril de 2011

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>>> AMPLIAÇÃO > Pesquisadores querem repetir estudo realizado na Índia em outras regiões do planeta

Cientistas descobrem que clima tem influência em atividade sísmica Uma equipe de cientistas australianos, da qual também fazem parte um francês e um alemão, anunciou ontem ter descoberto que a intensificação das monções - um fenômeno meteorológico - na Índia acelerou em 20% o movimento da placa tectônica indiana ao longo dos últimos 10 milhões de anos.

G

iampiero Iaffaldano, que coordenou o trabalho, explica que já se sabia há muito tempo que os movimentos tectônicos influenciam o clima ao formar novas montanhas e fossas marinhas, mas esta pesquisa demonstra pela primeira vez que a influência existe também no sentido inverso. "O fechamento e a abertura dos vales oceânicos, assim como a formação das grandes cadeias de montanhas, como os Andes e o Tibete, constituem processos geológicos que afetam os padrões do clima", disse o especialista à AFP. "Do nosso lado, nós demonstramos pela primeira vez que esta influência existe também no sentido inverso, ou seja, que a evolução do clima pode afetar, por sua vez, o movimento das placas tectônicas", acrescentou. Entretanto, a conclusão óbvia não é a de que o aqueci-

mento global necessariamente acarretará em uma maior frequência de terremotos potentes, como o que devastou a costa nordeste do Japão em março, já que estas evoluções são medidas em "milhões de anos". Com a equipe de Iaffaldano, colaboraram Laurent Husson, da Universidade de Geociências de Rennes (França), e com Hans-Peter Bunge, da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique (Alemanha). A pesquisa foi publicada recentemente pela revista científica "Earth and Planetary Science Letters". Os pesquisadores agora pretendem investigar se o clima teve efeitos nas placas tectônicas de outras regiões, além da Índia. "Por exemplo, podemos imaginar que tenha havido uma influência do clima na formação dos Andes ou das montanhas rochosas", estimou Iaffaldano.

Desenho reproduz animal que teria vivido há 205 bilhões de anos

[DINOSSAUROS]

Fóssil pode explicar evolução A descoberta de uma nova espécie revela um elo evolucionário entre dois grupos de dinossauros. A existência do Daemonosaurus chauliodus se deu depois que cientistas do Instituto Smithsoniano encontraram fósseis de seu crânio e das vértebras de seu pescoço no estado norte-americano do Novo México, no Sudoeste do país. A pesquisa foi publicada pelo "Proceedings of the Royal Society B". O Daemonosaurus viveu há aproximadamente 205 milhões de anos, bem no fim do período triássico, antes do jurássico. Como foram encontrados apenas ossos da cabeça e do pescoço, não é possível calcular o tamanho do animal. Contudo, sabe-se que à subordem dos teró-podes, dinossauros bípedes que podem ser carnívoros ou onívoros. Os mais antigos dinossauros bípedes conhecidos incluem espécies de predadores como o Herrerasaurus, que habitou um espaço que hoje corresponde à Argentina ao Brasil há cerca de 230 milhões de anos. Até a presente descoberta, os cientistas não conheciam nenhum elo entre esses animais e os terópodes mais desenvolvidos. A análise da estrutura óssea foi suficiente para mostrar que o Daemonosaurus é esse elo. A descoberta motiva os

paleontólogos na busca por novas evidências sobre a evolução dos dinossauros. "A exploração continuada, mesmo em regiões já bem estudadas, como o Sudoeste dos EUA, ainda providenciará descobertas notáveis de fósseis", afirmou Hans Sues, principal autor da pesquisa. OUTRO ESTUDO - Milhões de anos mais tarde, surgiriam as aves, e elas herdariam dos dinossauros um olfato apurado. Foi o que descobriu uma outra pesquisa, publicada pela mesma revista científica. Esse estudo foi um esforço conjunto da Universidade de Ohio, nos EUA, da Universidade de Calgary e do Museu Real Tyrrell, ambos no Canadá. Há muito se acreditava que, durante a evolução dos dinossauros para as aves, o olfato teria piorado, uma vez que foi preciso desenvolver a visão, a audição e o equilíbrio, essenciais ao voo. No entanto, uma comparação entre os bulbos olfatórios de dinossauros e pássaros - antigos e modernos - não confirmou está hipótese. "Surpreendentemente, nossa pesquisa mostra que o olfato, na verdade, melhorou na evolução de dinossauros para aves, assim como a visão e o equilíbrio", afirmou Darla Zelenitsky, da Universidade de Calgary, principal autora do estudo.

[ESQUIZOFRENIA]

OESTE DA ANTÁRTIDA FOTOS: Divulgação

Aquecimento global, degelo e aumento populacional das baleias e focas são causas da diminuição de pinguins

Com escassez de alimentos, número de pinguins naturais está em declínio Pinguins naturais do lado oeste da Antártida estão em declínio devido à falta de acesso ao krill, um microcrustáceo parecido com o camarão, que constitui a principal fonte de alimento da espécie. É o que revela um estudo recém-divulgado da entidade de pesquisa norte-americana "National Academy of Sciences". Após terem acompanhado dados sobre os pinguins nos últimos 30 anos, pesquisadores disseram que números do pinguim Adelie e do pinguim de Chinstrap, naturais da região, vêm caindo desde 1986. O aquecimento das águas, a redução da camada de gelo e um aumento nas populações de baleias e focas estão entre os motivos citados para a redução do krilll. O krill da Antártida (Euphausia superba) é um animal de em média seis centímetros, e é considerado uma das espécies mais abundantes do planeta, encontrado em locais com densidade de até 30 mil espécies por metros cúbico de água. Ele é também uma das espécies-chave dos ecossistemas encontrados na Antártida e em suas imediações, por ser o prin-

cipal alimento de todos os animais vertebrados da região, entre eles o pinguim de Chinstrap e o Adelie. No documento, a equipe de pesquisadores disse que uma série de fatores contribuíram para as mudanças na região. "A província ocidental da Antártida e o Mar da Escócia contam com abundantes formas de vida, muitas das quais foram quase dizimadas por humanos'', afirma o documento. "A região é também uma das que mais vêm aquecendo no planeta, com aumentos registrados de 5 a 6 graus mesmo durante o auge do inverno e com declínios na camada de gelo característica da região". NOVOS CONCEITOS - Os cientistas chegaram à conclusão também de que as mais recentes descobertas põem em xeque conceitos científicos antigos, como o de que a redução na camada de gelo havia levado a um declínio de espécies "amantes de gelo" com o declínio de seus habitats invernais, mas que populações que "avessas ao gelo" teriam registrado aumento. Os especialistas argumentam que as descobertas mostaram que desde a década de 80 houve um amento tanto dos Adelies amantes de gelo (Pygosce-

lis adeliae) como dos avessos ao gelo Chinstraps (Pygoscelis antarctica). As populações de ambas as espécies teriam sofrido reduções de até 50%. Como resultado, os pesquisadores agora defendem uma hipótese ''mais sólida'', de que as populações de pinguins estão ligadas à abudância da sua principal fonte de alimento, o krill. "Relacionar tendências de abundância de pinguins com tendências de biomassa de krill explica o porquê das populações de Adelies e chinstraps terem aumentado após seus competidores (focas, baleias de barbatanas e alguns peixes) terem sido quase extintos nos séculos 19 e 20, e atualmente estão diminuindo em relação à mudança climáticas", afirma o documento. De acordo com o documento, a crescente competição com populações de baleia e de focas por alimento, por um lado, e as mudanças climáticas, por outro, tem contribuído para uma considerável redução no número do cardume de krill. Os cientistas acreditam que se o aquecimento global prosseguir, o quadro deverá se agravar ainda mais.

[EXPOSIÇÃO]

Fotógrafo registra criaturas luminosas em águas profundas no Mar do Havaí O fotógrafo Joshua Lambus, de 25 anos, costuma documentar minúsculos animais marinhos luminosos no Mar do Havaí durante mergulhos em águas profundas na região. A coleção impressionante de imagens produzidas por Lambus inclui águas-vivas, polvos, lulas, camarões e diversos tipos de peixes brilhantes. Boa parte deles tem até quatro centímetros de comprimento. Os animais foram encontrados a grandes profundidades na costa da ilha Havaí, a maior do arquipélago. Segundo Lambus, as fotos são tiradas em mergulhos

Entre as criaturas captadas pelo fotógrafo há peixes, polvos e lulas noturnos. De barco, ele vai até cerca de cinco quilômetros longe da costa e mergulha na completa escuridão. O fotógrafo acumula imagens feitas durante mais

de 400 mergulhos em águas profundas. Ele diz que "falta de luz e de referências é o mais próximo que posso imaginar de estar no espaço".

Cientista usa célula da pele em tratamento Um grupo de pesquisadores americanos descobriu que as células epidérmicas podem se tornar poderosas ferramentas para tratar uma das mais enigmáticas doenças da mente, a esquizofrenia, segundo um estudo publicado nesta quartafeira pelo site da revista britânica Nature. Os cientistas coletaram amostras de células epidérmicas de pacientes esquizofrênicos e as fizeram "regredir" para um estado mais primitivo e versátil, no qual são chamadas de célulastronco pluripotentes induzidas (iPSCs). Uma vez convertidas nestas "páginas em branco", as células foram cultivadas quimicamente para se transformarem em células cerebrais. Assim, podiam ser estudadas e manipuladas para uma análise "individualizada" da esquizofrenia de cada paciente. "Utilizando este método, podemos descobrir como um medicamento em particular vai afetar as células cerebrais deste paciente específico, tornando desnecessário que o paciente teste a droga e sofra os efeitos colaterais", explicou Gong Chen, especialista da Universidade Penn State, na Pensilvânia. "O paciente pode ser sua própria cobaia para a definição de seu tratamento, sem precisar experimentar os medicamentos diretamente", acrescentou. A esquizofrenia é um mal complexo, cujas causas são atribuídas tanto a fatores hereditários quanto ambientais. Sua principal característica são delírios paranóicos e alucinações com vozes. Calcula-se que cerca de 1% da população mundial seja afetada pela doença em maior ou menor grau. Exames descobriram que neurônios de pacientes esquizofrênicos cultivados em laboratório criam menos conexões entre si em comparação a células cerebrais de indivíduos saudáveis. Os cientistas então aplicaram alguns dos medicamentos antipsicóticos mais usados atualmente no tratamento da esquizofrenia para observar se eles eram capazes de fazer com que o número de conexões aumentasse. O único que gerou este efeito foi o Loxapine, embora seu uso tenha acarretado um efeito cascata inesperado sobre centenas de genes. O uso das iPSCs em pesquisas médicas gera grande expectativa desde sua descoberta, em 2006. A ideia é usálas como "piloto de testes" sem o peso do questionamento ético que normalmente acompanha o uso de células-tronco embrionárias. Alguns cientistas, entretanto, indagam se as iPSCs são de fato uma fonte biológica confiável. Um estudo publicado pela própria Nature em fevereiro apontou que cadeias periféricas de seu código genético (conhecidas como epigenoma), apresentam alguns erros de reprogramação.

Jornal A UNIÃO  

EDIÇÃO - 14/04/2011

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