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PARQUE ESTAÇÃO PATRIMÔNIO HISTÓRICO, CULTURA E LAZER

ATTOS HENRIQUE


e-mail do autor: attosh@outlook.com

FICHA CATALOGRĂ FICA


UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO ARQUITETURA E URBANISMO

COMISSÃO EXAMINADORA ______________________________ Prof. Dra. Érica Cristina Cunha Universidade de Ribeirão Preto Orientadora

PARQUE ESTAÇÃO Revalorização do Patrimônio Ferroviário pertencente ao Município de Passos, Minas Gerais

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade de Ribeirão Preto, como requisito para a obtenção do título de bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientadora: Prof. Dra. Érica Cunha Co-orientadora: Prof. Dra. Valéria Garcia

______________________________ xxxxxxxxxxxxxxxxxx Universidade de Ribeirão Preto Avaliador ______________________________ xxxxxxxxxxxxxxxxxxx Universidade de Ribeirão Preto Avaliador ______________________________ xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Avaliador

________________________________ ATTOS HENRIQUE SILVA SANTOS

RIBEIRÃO PRETO 2018

Aprovado em ___ de dezembro de 2018.


“Eu sei o preço do sucesso: dedicação, trabalho duro e uma incessante devoção às coisas que você quer ver acontecer.” Frank Lloyd Wright


AGRADECIMENTOS Este trabalho representa o encerramento de um ciclo no qual pude aprimorar a minha capacidade de compreender o mundo. Em primeiro lugar agradeço ao meu Deus pela conclusão de mais uma etapa em minha vida. Aos meus pais Adilson e Elisangela, que tanto admiro, pelo apoio incondicional e auxílio que foram essenciais para a realização dos meus sonhos. A minha irmã Brenda que me emociona ao dizer que a inspiro. As grandes amizades que conquistei ao longo da graduação, Amanda, Ana Júlia, Elmara, Larissa, Maria Clara, Marcela, Mariana, Natália, Pauline, Thaís, e a todos os colegas do curso que tornaram estes cinco anos memoráveis. Ao corpo docente da Universidade de Ribeirão Preto que nos encaminhou para a vida profissional, principalmente a coordenadora do curso Ruth Montanheiro que me recebeu de braços abertos. A minha orientadora Érica Cristina Cunha e co-orientadora Valéria Garcia, pela ajuda, correções e desenvolvimento deste trabalho. Por fim, agradeço a Adriana Beatriz Polez pelas informações e documentos cedidos sobre a Estação, pela sua luta e cuidado com o patrimônio histórico de Passos.


RESUMO O presente trabalho aborda a importância da preservação de uma antiga estação ferroviária considerada um patrimônio histórico cultural na cidade de Passos, Minas Gerais. O procedimento metodológico foi através de pesquisas bibliográficas para a fundamentação teórica que abrange o surgimento das ferrovias no mundo, a chegada no Brasil até o sul de Minas, a passagem no tempo da edificação e a criação da Estação Cultura, a evolução das técnicas retrospectivas por meio de teóricos e das cartas patrimoniais para a salvaguarda de bens. Por fim, o resultado das pesquisas uxiliou na elaboração de um projeto de revitalização da antiga área ferroviária e de seus edifícios, com o intuito de retomar a memória coletiva através da reutilização do bem, resultando em lazer e cultura para a população passense. Palavras-chave: Patrimônio histórico ferroviário, preservação de estação ferroviária, revitalização de bens tombados, Passos, Minas Gerais.


SÚMARIO


INTRODUÇÃO____________________________________________________________________________________________________________________________00 1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA______________________________________________________________________________________________________00 1.1 O Município de Passos | 1.2 A Chegada da Ferrovia na Cidade e a Estação Cultura 1.3 Passagem da Estação pelo Tempo | 1.4 O Movimento Ocupe Estação 1.5 Patrimônio, Preservação e Restauro

2. LEVANTAMENTO DE DADOS_____________________________________________________________________________________________________00 2.1 Bairros do Entorno | 2.2 Recursos Naturais | 2.3 Áreas Verdes 2.4 Uso do Solo | 2.5 Equipamentos Urbanos | 2.6 Antiga Área Industrial 2.7 Gabarito | 2.8 Figura Fundo | 2.9 Hierarquia Viária Funcional 2.10 Estudo Solar | 2.11

3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS______________________________________________________________________________________________________00 3.1 Estação Ferroviária de Mairinque | 3.2 Museu do Pão 3.3 Parque Bicentenário Infantil

4. O PROJETO__________________________________________________________________________________________________________________________00 Diretrizes | Conceito | Partido | Programa

CONSIDERAÇÕES FINAIS_____________________________________________________________________________________________________________00 REFERÊNCIAS___________________________________________________________________________________________________________________________00 ANEXOS__________________________________________________________________________________________________________________________________00


INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta um projeto de revalorização do patri-

que foi atribuído o uso apenas em uma das edificações, que atualmente

mônio ferroviário na cidade de Passos, Minas Gerais, tendo como premissa

abriga o Centro de Memória Professor Antônio Teodoro Grilo. Na teoria,

a conservação de seu valor histórico, com a proposta de levar o lazer, a cul-

o local seria utilizado por meio de diversas iniciativas que resgatassem a

tura e o entretenimento para a população. A proposta consiste na reutiliza-

cultura local, oferecendo incentivo às artes a partir de oficinas, formação

ção das edificações da antiga estação ferroviária e na potencialização de sua

musical e teatral, praças, memoriais e um museu que rememorasse toda a

área externa que atualmente é utilizada como local de lazer pela população.

história da ferrovia. O projeto acabou servindo de referência para criação de

A Estação foi fundada pela extinta Companhia Mogiana, e desde 1994 fun-

vários outros centros, tornando a cidade de Passos pioneira a partir dessa

ciona como Estação Cultura, foi tombada pela municipalidade e pelo Institu-

iniciativa, mas infelizmente houve uma espécie de atentado contra a cultura

to Estadual de Patrimônio Cultural e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG)

ao abandonarem as propostas (GRILO, 2008).

A cidade de Passos necessita de uma requalificação na maioria de

O objetivo geral deste trabalho final de curso, é revitalizar a área

seus espaços públicos. Muitos destes espaços se encontram em situação de

da Estação Cultura, valorizando todo o complexo, integrando a paisagem

abandono ou com pouca manutenção, devido a isso a população local aca-

existente com lazer e cultura, contemplando aspectos urbanísticos, paisa-

bou se apropriando da área externa da Estação, que não possui equipamen-

gísticos e arquitetônicos. Em suma, a proposta é a retomada da ideia inicial

tos necessários para seu usufruto. É preciso potencializar os atuais usos,

do projeto Estação Cultura. Os objetivos específicos são compreender como

atribuindo novos equipamentos que complementem as práticas de lazer dos

esse bem histórico e cultural pode contribuir para o desenvolvimento da

habitantes. Segundo Jacobs (2000), os parques de bairro ou espaços desti-

cidadania e cultura da população da cidade de Passos e utilizar o patrimônio

nados para lazer são considerados uma dádiva à população das cidades.

por meio de suas múltiplas possibilidades, garantindo assim sua eternidade.

A Estação Cultura foi um projeto implantando parcialmente, sendo


1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


1.1 O MUNICÍPIO DE PASSOS

Com o objetivo de circunscrever o contexto histórico e compreender

A cidade de Passos está localizada na Mesorregião do Sul e Sudoeste

a organização espacial da Estação de Passos, realizou-se uma pesquisa bi-

de Minas Gerais. Grilo (1990), historiador e antigo membro do Conselho do

bliográfica e documental em diversas fontes disponibilizadas pela municipa-

Patrimônio Cultural do Município de Passos, retrata a história da cidade par-

lidade. Na Biblioteca Municipal de Passos tivemos acesso aos livros como A

tindo de seus primórdios que se inicia há cerca de dois séculos atrás. Tudo

História Social de Passos de Antônio Theodoro Grilo, álbuns históricos como

começa a partir do povoado da tribo indígena dos Caiapós localizado entre

o Álbum de 1920 de Elpidio Lemos de Vasconcelos e matérias de jornais da

os rios Sapucaí e Rio Grande, estes foram os primeiros habitantes do local

Folha da Manhã que continham detalhes sobre a situação do edifício ao

que era chamado de sertões de Jacuí, cidade mais importante da região na-

longo dos anos. O Conselho do Patrimônio Cultural do Município de Passos

quele período por possuir minas de ouro. A província de Minas Gerais ainda

disponibilizou todo o último projeto de restauro realizado pelo grupo Rede

não era existente, mas as principais cidades que hoje são históricas como

Cidade, possibilitando o acesso à informações sobre a história das edifica-

Ouro Preto e Sabará já estavam sendo exploradas devido à grande quantida-

ções e sobre o projeto que foi parcialmente implantado. Levantamentos fo-

de de ouro encontrado nelas.

tográficos também foram realizados no antigo complexo ferroviário.

Artigos como As Ferrovias no Brasil de Dilma Andrade de Paula, As

índios os quais acabaram perdendo seu território que veio a ser invadido

Oficinas da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro de Rita de Cássia Fran-

também por aventureiros que estavam em busca de ouro. Um pequeno gru-

cisco, e o livro de Beatriz Mugayar Kühl, Arquitetura do Ferro e Arquitetura

po se instalou as margens do ribeirão Bonsucesso, criando assim o primeiro

Ferroviária em São Paulo, auxiliaram a compreender os primórdios da ferro-

aglomerado populacional. Após a Inconfidência Mineira, houve a queda da

via no Brasil e a história da empresa responsável pela instalação da ferrovia

exploração de ouro, fazendo com que as pessoas abandonassem as minas,

na cidade de Passos. Artigos também de Kühl, foram essenciais e contri-

deslocando-se para outras áreas do estado onde se instalaram dedicando

buíram para a coleta de informações sobre a prática de restaurar, junto de

suas atividades as fazendas de plantio e de criação. Assim o pequeno aglo-

títulos A Teoria da Restauração de Cesare Brandi que é uma das principais

merado se tornou o Arraial do Senhor dos Passos, que coincidiu com o início

teorias utilizadas atualmente junto da Carta de Veneza.

da formação das fazendas. A população, que no primeiro censo no ano de

Com a chegada dos bandeirantes houve inúmeras batalhas com os


Figura 1: Mapa do Brasil. Figura 2: Mapa de Minas Gerais. Fonte: Lima Soluções Energéticas 2018.

1831, possuía 1792 pessoas, sendo 1183 livres e 609 escravos, 254 casas incluindo as fazendas e 74 proprietários de escravos. As fazendas eram dedicadas as atividades produtivas, baseadas no trabalho escravo, que destinavam seu cultivo aos comércios. Em 1848 o arraial tornou-se a Vila Formosa do Senhor Bom Jesus dos Passos, criando assim a Câmara que tinha a autonomia para legislar e administrar o município.

A pecuária de invernada era a criação de gado para engorda que se

tornou uma atividade intensificada nas fazendas, causando um crescimento na economia local o que auxiliou a elevação da vila à categoria de cidade no dia 14 de maio de 1858. A invernada produziu o capital dos produtores, que com a circulação da riqueza gerou o desenvolvimento urbano e consequentemente a ampliação de suas fazendas, transformando a economia de Passos totalmente baseada na pecuária.

Atualmente a cidade é um polo regional. Segundo o IBGE no senso

de 2017, a estimativa era de 114.458 habitantes, devido ao seu grande crescimento percebe-se uma constante modernização urbana, possuindo sua economia que antes era baseada somente na pecuária somada ao seu grande desenvolvimento comercial.

Figura 3: Imagem de Satélite de Passos. Fonte: GOOGLE Earth, 2018.


1.2 A CHEGADA DA FERROVIA NA CIDADE E A ESTAÇÃO CULTURA

Para compreender a implantação da ferrovia na cidade de Passos, é

da história da arquitetura, da engenharia e da técnica”.

necessário recorrer ao contexto histórico das ferrovias.

Francisco (2007), explica a história da Companhia Mogiana de Estra-

Conforme as pesquisas de Kühl (1998), em meados do século XIX

das de Ferro e Navegação, que foi a empresa responsável pela criação do

na Europa e nos Estados Unidos da América, o desenvolvimento ferroviá-

Terminal Ferroviário de Passos. Foi fundada em 1872 na cidade de Campi-

rio teve um grande crescimento, desencadeou grandes transformações em

nas, relacionando-se diretamente com a chegada dos trilhos da Companhia

todo o sistema de transporte, configurando territórios em diversos países e

Paulista no município. Neste período a produção paulista de café estava em

alterando a paisagem do meio natural. Toda essa expansão ferroviária resul-

seu auge. Foi uma das mais importantes companhias, junto da Companhia

tou na origem de um novo tipo de construção, as estações de trem as quais

Paulista e da Sorocabana, possuindo um grande percentual de linhas férreas

demonstravam estilos de inspiração inglesa do século XIX, que tendem ao

no estado de São Paulo.

neogótico.

A implantação do transporte ferroviário ocorreu efetivamente no

de 1875, que ligava Campinas a Jaguariúna. Até meados de 1890 foram

Brasil no ano de 1852, quando Irineu Evangelista de Souza, conhecido como

construídos uma grande quantidade de pequenos trechos, sendo que de

Barão de Mauá, realizou um contrato que continha a construção de uma

todas as companhias paulistas, a Mogiana foi a que criou maior extensão de

estrada de ferro com o Governo Provincial do Rio de Janeiro, que partiria da

linhas, prolongando-as até o estado de Minas Gerais. Kühl (1998), relata que

Praia da Estrela até a raiz da Serra da Estrela, contraforte da Serra do Mar,

entre 1908 e 1927 aconteceu um crescimento espantoso de linhas férreas

de onde seguiria ao vale do Rio Paraíba e rumo à Província de Minas Gerais.

em Minas Gerais, contando que o Terminal Ferroviário da cidade de Passos

Dois anos depois foi inaugurado o primeiro trecho ferroviário do país, entre

foi concluído no ano de 1921 dentro deste período.

a praia, depois Porto Mauá e Fragoso. Em 1850 o Estado passou a incentivar

a expansão ferroviária, objetivando o crescimento da economia agroexpor-

da pela população, no total houve quatro projetos para execução da ferro-

tadora e ampliando também a entrada de investimentos, os quais vinham

via, o que ocasionou um grande período de espera pela sua construção. O

principalmente da Inglaterra (PAULA, 2000). Segundo Kühl (1998), “nossas

primeiro projeto data no ano de 1888. A instalação da ferrovia na cidade

companhias ferroviárias são depositárias de um enorme legado, patrimônio

de Três Corações despertou o desejo nos habitantes do prolongamento da

O primeiro trecho instalado pela companhia foi inaugurado em maio

Segundo Vasconcelos (1920), a Estação de Passos foi muito cobiça-


linha até Passos, gerando um projeto apresentado pelo deputado da Assem-

sul do estado sendo de Tuyuty a Guaxupé passando por Muzambinho, de

bleia Provincial de Minas, Dr. Antônio Pinheiro de Menezes Jurumenha, que

Guaxupé a São Sebastião do Paraíso e Santa Rita passando por Monte Santo

resultou na criação de uma lei após qual o presidente da província mandou

e de Guaxupé a Passos, até a margem do Rio Grande por Jacuí. Os serviços

executá-la. A Companhia Estrada de Ferro Minas e Rio realizou os estudos

da Mogiana seguiram até o Serrado (Biguatinga), quando houve a substi-

e orçamentos, sendo aprovados pelo Governo Geral, mas em 1889, com a

tuição do engenheiro da superintendência da companhia fazendo com que

Proclamação da República no Brasil, a companhia construtora que era de

interrompessem às obras que não haviam alcançado Passos.

origem Inglesa com medo de prejuízo adiantou o prazo da construção, dei-

xando validar o período fazendo com que o projeto fosse abandonado (VAS-

rintendente encaminhou um engenheiro para realizar um estudo de traçado

CONCELOS, 1920)

partindo de São Sebastião do Paraíso. A companhia enviou um memorial ao

O segundo projeto aconteceu após alguns anos quando ocorreu a

Governo solicitando a mudança da linha de Passos que partiria de Guaxupé

reforma do contrato com a Companhia Estrada de Ferro Muzambinho que

para São Sebastião do Paraíso, cuja linha também partiria de Guaxupé, fa-

estava obrigada a construir uma prolongação da futura linha de Monte Belo

zendo com que essa mudança aumentasse o percurso em aproximadamente

até Passos, mas a companhia com falta de recursos não chegou a construir

70 km de estrada (VASCONCELOS, 1920). Aprovada as mudanças, foi iniciada

o ramal de Monte Belo, fazendo com que os passenses ficassem frustrados

a construção na cidade de São Sebastião do Paraíso em novembro de 1917

mais uma vez pela perda do projeto (VASCONCELOS, 1920).

com o assentamento dos trilhos em maio de 1918. Grilo (2007), mostra que

Em 1908, o Governo Federal publicou um edital que convocava em-

o quarto e último projeto para o ramal de Passos foi locado no cruzamento

presas para o arrendamento das estradas Minas-Rio e Muzambinho, definin-

das ruas Tenente Vasconcelos e Coimbras, que na época era uma área afas-

do também a construção e o prolongamento dos ramais da Muzambinho,

tada da urbanização. O ramal foi concluído em dezembro de 1921, sendo o

sendo o de Passos finalmente contemplado. Os contratos foram lavrados

último trecho instalado na história da Mogiana.

em 1909 com as companhias Estrada de Ferro Sapucaí e Mogiana, a primeira ficou encarregada de explorar as estradas encampadas e a construção de alguns ramais, e a segunda com a missão de construir as estradas do extremo

Dentro deste contexto surge o quarto projeto, quando o novo supe-


Ata de ouro, como abaixo se declara. Aos onze dias do mês de dezembro de mil novecentos e vinte e um, nesta cidade de Passos, sendo Presidente da República o exmo. Epitácio Pessoa e Presidente do Estado do exmo. Sr. Dr. Arthur Bernardes, Presidente da Câmara o exmo. Sr. Cel. João Caetano de Barros e Presidente da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e Navegação o exmo. Sr. Cel. Manoel de Moraes às 15 horas e 45 minutos chegou a esta cidade o trem inaugurante do ramal férreo Itaú de Passos, do ramal de Guaxupé, vindo dos exmos. Srs. Dr. C. Stevenson, inspetor geral, Domingos Moraes, Dr. Guedes Nogueira, engenheiro do distrito, Dr. Lincoln de Almeida, engenheiro fiscal, Dr. Próspero Ariani, chefe da linha, Dr. Horácio Costa, chefe da locomoção e Dr. Francisco Lena, deputado por este distrito. À estação compareceu a comissão, coronéis João Caetano de Barros, Limírio Mello Pádua e os demais membros constrantes do programa, eleita para receber os nobres senhores. Também ficou registrado o comparecimento das pessoas que constituem as classes sociais e suas profissões, reunião abrilhantada pela Corporação Musical N. S. das Dores sob a regência do Maestro Pirahy. Cerca de quatro mil

pessoas aguardavam a chegada do camboio inaugural, o que se verificou sob entusiásticas aclamações populares. Aos chefes da Companhia de Estrada de Ferro Mogiana e representantes do exmo. Sr. Ministro da Viação o exmo. Sr. Dr. Bernardino Vieira, presidente do diretório e vate passense fez belíssima e encantadora saudação, cujas palavras finais foram recebidas por uma salva de palmas. Ato contínuo, o préstito seguiu para o Paço Municipal desta cidade, onde o exmo. Sr. Presidente abriu uma sessão cívica para registrar o presente impulso ao progresso a este município, tenazmente cuidando do engrandecimento de Minas e do Brasil. Convidou a mim Francisco L. Pinto, para secretário o que fiz registrando também que a mesa assim ficou constituída: Presidente Cel. João Caetano de Barros, tendo à direita o Dr. Guedes Nogueira; representante do Dr. Ministro da Viação e à esquerda o Dr. Carlos Stevenson, representando a diretoria da Companhia Mogiana e laterais os Srs. Dr. Lincoln de Almeida, fiscal do governo, Dr. Domingos Moraes, Dr. Horácio Costa, Dr. Hermos Braga, Cel. José Vilela Lemos, Cel. José Stockler de Lima, Dr. Francisco Lena, Dr. Otton Baena e Cel. João de Lima. Falaram o Cel. José Stockler de Lima em , nome da


câmara e Capitão Nery Tolentino, que em palavras de intenso júbilo se congratularam com a população passense pela inauguração da estrada de ferro. Depois de falar o Cel. Stockler de Lima, foi executado o Hino Nacional pela Corporação Musical Santa Cecília, regida pelo Maestro Francisco Nazzaro, vinda de Monte Santo. (seguem-se assinatura de 66 pessoas). (Cf. Códice sem título, tombo n. 0975, Centro de Memória “Prof. Antônio Theodoro Grilo”, de Passos, folhas 4, 5 e versos, não numeradas originalmente).

ído um barracão destinado exclusivamente para cargas, ficando o banheiro masculino entre este barracão e o pavilhão principal (GRILO, 2007). Possui também uma caixa d’água, elemento que era importante na composição das instalações ferroviárias. Segundo Kühl (1998), as locomotivas a vapor necessitavam nove vezes mais de água do que carvão para seu funcionamento.

As estações terminais em sua maioria possuíam um formato re-

tangular, como é o caso da Estação estudada, encontravam-se dispostas paralelamente aos trilhos, sendo denominadas laterais (KÜHL, 1998).

Com o início da Primeira Guerra Mundial (que dificultou a importa-

ção de equipamentos), a grande depressão econômica de 1929 (que desenA Estação Terminal de Passos funcionou como transporte de cargas

cadeou a crise do setor agroexportador), e a expansão rodoviária no país, fez

e de passageiros, os quais seguiam destino à cidade de São Paulo, indo para

com que a rede ferroviária entrasse em decadência (PAULA, 2000). A Mogia-

Campinas onde tinham o acesso a outro trem que terminava o percurso até

na sofreu com os reflexos da queda da bolsa de Nova Iorque e também com

a capital paulista (HÁ 37... 2013). Foi inspirada na arquitetura inglesa, estilo

os efeitos das duas guerras mundiais o que acabou abalando sua situação

que era padronizado pela Mogiana. Continha em seu pavilhão principal um

econômica, gerando diversas dívidas as quais não foram sanadas, o que fez

hall de acesso com guichês para a venda de passagens, seguido pela sala de

com que o governo passasse a administrá-la em 1952. Duas décadas depois,

administração, banheiro de senhoras e um barracão de cargas; separado do

o governo do Estado de São Paulo cria a Ferrovia Paulista S/A (FEPASA), que

prédio central há um pequeno anexo que era destinado aos banheiros mas-

era a unificação das cinco estradas de ferro remanescentes e que estavam sob

culinos. Na fachada principal encontra-se apenas as escadas de acesso ao

sua custódia, sendo elas a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Estrada

hall e uma pequena plataforma para cargas, ao fundo havia a plataforma de

de Ferro Sorocabana, Estradas de Ferro Araraquara, Companhia Mogiana

embarque e desembarque. O local onde funcionava a oficina de reparos e

de Estrada de Ferro e Estrada de Ferro São Paulo-Minas (FRANCISCO, 2007).

o viradouro foram destruídos. Entre as décadas de 1940 e 1950 foi constru-


A Estação Ferroviária de Passos seguiu até 1976 com o tráfego de

passageiros, após isso permaneceu apenas com a função de carregar cargas, principalmente da fábrica de cimentos Itaú, sendo completamente desativada pela FEPASA em 1986 (HÁ 37... 2013). Houve complicadas negociações entre a prefeitura da cidade e a empresa, acarretando em um processo de desapropriação e transferência do patrimônio para a municipalidade. A empresa após este fato, retirou todos os móveis e objetos das edificações, incluindo a placa de inauguração que foi confeccionada pelo município, a qual não foi encontrada em nenhum dos principais depósitos da companhia. Nos anos seguintes a estação ficou completamente abandonada. Para evitar depredação e ataques de vândalos, a prefeitura decidiu emparedar todas as portas e janelas, evitando assim danos maiores.

No fim década de 1980, a população se movimentou solicitando um

projeto para a instalação de uma Instituição Pública que preservaria documentos e testemunhos históricos do Poder Judiciário, que estavam correndo o risco de serem encaminhados para a capital mineira e lá incinerados. As manifestações acabaram resultando na ideia de um Centro de Memória, iniciativa do professor historiador Antônio Theodoro Grilo, cogitando assim o tombamento da Estação (GRILO, 2007).

O projeto da Estação Cultura contou com a participação de artistas,

arquitetos e educadores, e abrangeria o Centro de Memória junto de diverFigura 4: Mapeamento de linhas criadas pela Companhia Mogiana. Fonte: Expedição Passos, maio de 2018.

sas outras iniciativas, sendo elas a ludoteca, espaço que funcionaria como memorial dos brinquedos infantis; o teatro de arena; a praça museológica,


onde haveria testemunhos materiais; o passeio público, local de convívio;

concluída a Estação Cultura, inaugurando o Centro de Memória que recebeu

a rua da vila, onde desfilariam tradições e costumes da cidade; a praça das

uma documentação pública pertencente ao município referentes aos pode-

quatro estações e as oficinas de arte contendo escolas de formação musical,

res Executivo e Legislativo, contendo cerca de 12.000 processos forenses

cultural e artísticas (GRILO, 2008).

desde 1800 até 1945 (GRILO, 2008).

Em matéria para a Folha da Manhã (ESTAÇÃO... 2002), dois historia-

Grilo (1993), publica em sua coluna na Folha da Manhã um agradeci-

dores, Aparecido Marcondes e Adilson Martins, que realizaram uma viagem

mento direcionado ao então prefeito da cidade, José Hernani da Silveira, por

para descobrir os tempos áureos da Mogiana no início da década de 1990,

ter realizado o tombamento da estação, dizendo que ele teve a coragem e

verificaram a situação de diversas estações. Sobre a chegada na estação de

o discernimento de perceber que a população passense não teria futuro se

Passos há o seguinte relato, “[...] foi muito marcante para nós, em 1992

não retomasse a sua memória.

quando chegamos ao ponto final da incursão no território mineiro encontramos uma estação abandonada, toda lacrada com tijolos e em estado deplorável. Foi uma visão desoladora para nós”, relembrou Marcondes. Nesse período iniciava-se o requerimento para tombar as edificações.

No dia 14 de maio de 1993, a Estação Ferroviária de Passos e suas

edificações foram tombadas pelo Decreto Nº 63/93 (em anexo), criando assim o espaço denominado Estação Cultura. Porém o dossiê não seguiu a ordem legal do processo de tombamento, o que ocasionou a desaprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG), assim o decreto foi considerado sem valor. Mesmo diante deste fato, foi iniciado o processo de restauração em maio 1993. Não existem maiores informações sobre a empresa e os envolvidos nessa ação. Grilo (2007), relata que os edifícios foram submetidos a um restauro dentro domaior rigor técnico.

Em maio de 1994, um ano após o início das obras, declarou-se

Velha Estação, por onde circularam trens de carga e de passageiros, da década de vinte aos anos 70; por onde mistos e expressos trouxeram novidades, notícias, pessoas, - o mundo do estrangeiro – que queria dizer o resto do Brasil e o mundo; que levaram produtos, riquezas, pessoas, vidinhas e filosofias interioranas para o consumo das capitais e das civilizações... A Estação com todo o universo que girou ao seu redor, é um testemunho. É assim que tem que ser vista e admirada pelas gerações presentes e futuras. É um testemunho em si mesma, pela sua arquitetura, pela forma, pela configuração do espaço que passou a ocupar e com o qual se inseriu no conjunto da cidade... Mas, para além do visível restam as grandezas do invisível, do caroço das coisas. Cada pedaço


da estação é também um pouco de alguém: do operário, do engenheiro, do Prefeito João de Barros, que a inaugurou nos idos dos anos vinte. Ainda respiram naquelas pedras os trabalhadores da ferrovia; ainda ali suspiram donzelas em janelas da primeira classe; e, com jeitinho, podemos ver nos vagões o burburinho e a serena austeridade da gente que ia e vinha em busca de trabalho e oportunidade para o ganho da vida. Ah, velha estação, por onde passaram todas as pulsações de uma Passos que não existe mais... Até o eco das perigosas armas – de fogo ou de política – pode ser ouvido, misturado ao arfar da “maria fumaça” e o apito estridente, marcante, verdadeiro relógio dos moradores vizinhos. (GRILO, 1993).

No decorrer dos anos, o projeto da Estação Cultura acabou sendo

esquecido e não aplicado, fazendo com que funcionasse apenas o Centro de Memória. O local se tornou vítima de abandono do poder público, perdendo sua função de ser um espaço dedicado para o lazer e educação da população passense. Seu projeto que serviu de referência para criação de vários outros centros, não somente no estado de Minas Gerais, mas também em regiões

de São Paulo e Rio Grande do Sul, o que fez Passos pioneira com a sua criação, mas acabou abandonando a proposta nos anos seguintes. Nenhuma das gestões públicas a partir de 1996 teve o bom senso de promover a Estação (GRILO, 2008).

Em 2005 os edifícios encontravam-se em um bom estado de con-

servação, necessitando apenas de reparos no telhado que apresentava problemas de umidade, uma nova pintura havia sido realizada e a grama do entorno estava aparada (A REALIDADE... 2005).

Em abril de 2007, o decreto de tombamento foi refeito (Decreto Nº

991/2007 em anexo) e encaminhado ao IEPHA/MG que reconheceu e transformou todo o complexo em patrimônio cultural, sendo as edificações e incluindo as casas dos antigos operários que se encontram dentro da quadra.

Com o passar dos anos, a Estação Cultura entrou em declínio nova-

mente, encontrando-se em um péssimo estado de conservação, deteriorada e com diversas patologias. Em 2011, foi iniciado um levantamento de campo realizado pelo escritório Rede Cidade que havia sido contratado para o projeto de restauro, o local estava infestado por pombos nos forros, a rede de esgoto infiltrava a base o que provocou afundamento do piso entre outros agravamentos (INICIA... 2011). No ano seguinte, foi anunciado o seu


segundo restauro. Adriana Beatriz de Oliveira Polez Rocha, presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Passos, declarou que o projeto junto da planilha orçamentária, seriam enviados ao Fundo Estadual da Cultura para captação de recursos (ANUNCIDADO... 2012). Porém a verba necessária para o início das obras não foi obtida, criando um atraso no cronograma.

Com recursos do Fundo Municipal de Proteção do Patrimônio Artís-

tico e Cultural (FUMPAC) e do município, em 2016 deu-se início o projeto de restauro da Estação. Foram recuperados o saguão de passageiros, telhado, piso, reboco e pintura, sendo entregue à comunidade em dezembro do mesmo ano. Esse foi apenas o primeiro passo de um grande projeto de restauro proposto pelo Conselho, sendo necessário maiores recursos financeiros os quais a Prefeitura deverá captar nos próximos anos (PREFEITURA DE PASSOS/MG, 2016). Atualmente as estruturas, esquadrias e telhados dos edifícios encontram-se em bom estado, sendo possível notar a inexistência de grandes patologias, mas apenas uma das edificações continua sendo utilizada para usufruto da população, o Centro de Memória locado no antigo depósito.


1.3 PASSAGEM DA ESTAÇÃO PELO TEMPO

1994

Figuras 7 e 8: O primeiro restauro foi iniciado em 1993 e concluído em meados de 1994 . Fonte: Acervo público da Estação Cultura, 2018.

1921

Figura 5: A Estação em seus primeiros anos de funcionamento. Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil, 2018.

1992

Figura 6: Desativada, a Estação permaneceu lacrada para impedir sua degradação e ataques de vandâlos. Fonte: Folha da Manhã, 1992.

2001

Figuras 9 e 10: Em 2001 as edificações estavam em bom estado e os moradores dos arredores começaram a utilizar o espaço para lazer . Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil, 2018.


2014 2006

Figuras 11 e 12: Em meados da primeira década de 2000 as edificações encontravam-se conservadas. Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil, 2018.

Figuras 13: Em 2014 a Estação caiu no esquecimento do poder público, entrando em estado de completa deterioração. Sua estrutura encontrava-se comprometida. Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil, 2018.

2018

Figuras 14 e 15: Após o segundo restauro em 2018, as edificações se encontram em um ótimo estado de conservação, mas parte de suas instalações permanecem sem uso. Fonte: Autor, 2018.


1.4 O MOVIMENTO OCUPE ESTAÇÃO

No ano de 2015, alguns cidadãos passenses juntos de uma iniciativa

dos membros do Fórum Permanente de Cultura de Passos, grupo o qual age em prol da políticas públicas e culturais na cidade, criaram o movimento Ocupe Estação que tinha como o principal objetivo gerar um ato político de protesto contra a situação de abandono com um dos mais importantes patrimônios históricos da cidade. Um evento foi promovido no local, denominado Piquenique da Estação, o que gerou uma apropriação dos gramados da Estação Cultura por dezenas de pessoas que participavam de atividades recreativas ligadas a cultura popular, contando com a participação de voluntários como profissionais de diversas áreas, artistas e formadores de opinião. (PASSENSES... 2015).

O evento continuou sendo realizado mensalmente aumentando a

cobrança pela reforma dos edifícios. Um ano após a primeira edição houve o início das obras de restauro. O piquenique se tornou uma referência de ocupação cultural, gerando o interesse da população pelo bem a partir de reuniões e debates sobre a utilização dos espaços públicos como ferramenta de transformação social. Após a recuperação das edificações, os moradores continuaram a organizar o evento, tornando a proposta de manter o local vivo e como um equipamento de uso público (PIQUENIQUE... 2017).

Figura 16: Cartaz elaborado pelos criadores do evento. Fonte: Ocupe Estação, junho de 2015.


Figura 17: Gramado da Estação ocupado pelos participantes do evento. Fonte: Ocupe Estação, novembro de 2015.

Figura 18: Interação entre os participantes do evento. Fonte: Ocupe Estação, setembro de 2017.

Figuras 19, 20 e 21: O evento continua acontecendo após a recuperação dos edifícios. Fonte: Ocupe Estação, maio de 2018.


1.5 PATRIMÔNIO, PRESERVAÇÃO E RESTAURO

O patrimônio histórico deve ser entendido e estudado para que seja

submetido a uma intervenção. Choay (2001), define patrimônio como um

bem destinado ao usufruto de uma comunidade que se amplia cada vez

no Renascimento, é neste período que começa a acontecer a realização de

mais, o que gera o acúmulo de objetos que reúne seu passado comum, sen-

intervenções em edifícios de épocas precedentes, criando assim o interesse

do que a arquitetura é capaz de fazer reviver o nosso passado. Completa

por construções do passado.

ainda dizendo que o monumento histórico só pode ser antigo, o que mostra

com singularidade a produção dos nossos antepassados e a evolução das

necessidades da época, vindo a amadurecerem entre os séculos XV e XVIII

civilizações e das cidades.

(KÜHL 2006).

Essas intervenções foram em geral realizadas para a adaptação de

Os aspectos teóricos e técnico-operacionais da restauração são fruto de um longo processo – com origens no século XV e que se acelera a partir de meados do século XVIII -, em que se verificaram numerosas

De fato, é necessário salvaguardar nossos bens materiais para que as

gerações futuras tenham acesso ao conhecimento da história e percebam a evolução constante das cidades mantendo assim a memória coletiva. Lemos (1981), enfatiza que é dever de patriotismo preservar os recursos materiais,

experiências práticas, elaborações teóricas, feitura de inventários e de leis voltadas à tutela que acabaram por caracterizar o restauro como campo disciplinar autônomo – mas jamais isolado, pois necessita de vários campos do saber (KÜHL, 2010, p. 28).

sendo que o termo preservar deve ser aplicado em todo o seu significado. Preservar, diz o mestre Aurélio, é livrar de algum mal, manter livre de corrupção, perigo ou dano, conservar, livrar, defender e resguardar. Todas essas providências, no nosso caso, estão, ou deveriam estar incidindo sobre uma amostragem representativa da totalidade de elementos que compõem o amplo Patrimônio Cultural; sobre todos, porque havendo tal entrelaçamento entre eles, como já vimos, se um deles não é guardado o conjunto se desarmoniza e se desequilibra, o que no fundo não é bem o que se queria, pois o escopo seria um fielretrato de um estágio cultural (LEMOS, 1981, p.24.)

Segundo Kühl (1998), as raízes da preservação começaram a surgir

Por meio das cartas patrimoniais é possível notar a evolução da pre-

servação e reconhecimento dos patrimônios históricos. A Carta de Atenas, elaborada em 1931 durante uma conferência organizada pelo Escritório Internacional dos Museus Sociedade das Nações, foi o primeiro documento a tratar da aplicação prática de supor novos métodos voltados à preservação


dos patrimônios históricos. Trata-se do primeiro documento a dedicar-se a

pecíficos de um determinado povo.

utilização dos monumentos para que se assegurasse a existência dos mes-

mos. Em 1933, como resultado do Congresso Internacional de Arquitetura

Atenas, servindo como um dos principais referenciais teóricos até os dias

Moderna (CIAM), surge uma nova versão da Carta de Atenas, que para Kühl

atuais, mesmo após a criação de outras cartas que podem ser consideradas

(1998) propunha ignorar o passado para que se criasse um novo caminho

complementos desta (RUFINONI, 2013), que será utilizada como base para

para a arquitetura moderna, preservando assim os centros históricos e edi-

a elaboração do projeto de requalificação dos espaços da Estação Cultura.

ficações que possuíssem um grande valor, desde que não estivessem em

Foi resultado do II Congresso Internacional de Arquitetos e de Técnicos de

desacordo com os ideais modernistas, como a expansão das cidades e com

Monumentos Históricos em 1964, realizado pelo Conselho Internacional de

as prioridades de tráfego.

Monumentos e Sítios (ICOMOS), a qual prescreve que há uma grande neces-

Castriota (2007), relata que dentro deste contexto das Cartas de Ate-

sidade de utilizar os monumentos, podendo ser atribuídos de novos usos

nas, no Brasil, acontecia a primeira ação de preservação de patrimônio, que

desde que respeite sua integridade e seus espaços existentes, necessitando

foi a consagração de Ouro Preto como monumento nacional através do De-

também de manutenção permanente (KÜHL, 2010). Os documentos do ICO-

creto Nº 22.928 em julho de 1933.

MOS são necessários e se enquadram no contexto de restauração referin-

No ano seguinte, a partir do Decreto Lei Nº 25, é fornecido ao SPHAN (Ser-

do-se ao Brasil, nossos aspectos de autenticidade e materialidade dos bens

viço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) os meios legais para a po-

que se aproximam da Carta de Veneza. Estes documentos são redigidos com

lítica de preservação efetiva, tendo como principal consequência permitir

a participação de notáveis estudiosos que criam análises e debates contri-

a esse órgão o cuidado e prevenção de danos aos bens tombados. Após a

buindo para a noção de diversos ambientes culturais ao redor do mundo.

Segunda Guerra Mundial, o conceito de patrimônio passa por mudanças,

Nenhuma outra carta foi elaborada a ponto de substituir a de Veneza, de-

fazendo com que aconteça a ampliação de seu campo, agregando também

vido aos seus princípios serem considerados essenciais para a preservação

não só construções importantes, mas também obras modestas, bairros, ci-

(KÜHL, 2009).

dades e também os patrimônios imateriais, que são costumes culturais es-

A Carta de Veneza surge como documento sucessor das Cartas de


[...] a restauração que calcada nas humanidades e nas ciências naturais, perscruta os aspectos históricos, formais e de constituição material desses bens, oferecendo preceitos adequados para que essas obras possam, de fato, continuar a ser documentos fidedignos e, como tal, servir como efetivos suportes de várias estratificações do conhecimento e da memória coletiva, e, desse modo, ser analisadas de forma idônea pelos campos da antropologia,

do bem cultural em sua inteireza (RUFINONI, 2013).

Camillo Boito (1836-1914), antecedeu a principal teoria utilizada nos

dias atuais, e que de certa forma causou influência em sua elaboração, a de Cesare Brandi, que será utilizada como referência para o projeto da Estação Cultura. Boito (2008) afirma que “para bem restaurar é necessário amar e entender o monumento”, concluindo sobre as restaurações que deve ser feito milagres para conservar a construção, mantendo o seu velho aspecto artístico e se for necessário acrescentar complementos que sejam evi-

da história, da sociologia, etc. (KÜHL, 2009, p. 23).

dentes, que não pareçam fazer parte das obras antigas e que demonstrem

A partir do século XIX surgem as teorias do restauro, as quais trou-

com a autenticidade do documento, posicionando-se entre as teorias de Le

xeram o raciocínio de alguns teóricos que embasaram as teorias contemporâneas. Iniciando-se por Viollet-Le Duc (1814-1879) e John Ruskin (18191900), os quais possuíam posições completamente opostas, sendo suas teorias necessárias para a preservação dos monumentos históricos, o que ocasionou grande influência de ambos naquele período (Kühl, 1998). Viollet-Le Duc traz o conceito de restauro estilístico, tinha como proposta a fidelidade ao produto original, mesmo que o edifício resultante da pesquisa documental e do trabalho de restauro jamais tenha existido anteriormente. John Ruskin em sua teoria considera que o restauro é a destruição do monumento que deve ser respeitado na forma em que se encontra, evitando assim qualquer tipo de intervenção mostrando as marcas de sua passagem pelo tempo. Ruskin acabou contribuindo com sua teoria uma interpretação

aspectos atuais. Segundo Rufinoni (2013), o teórico herdou a preocupação Duc e Ruskin.

Cesare Brandi (1906-1988), foi um dos principais teóricos. Italiano

nascido em Siena, era formado em Direito e em Ciências Humanas, em 1930 iniciou seus trabalhos como supervisor de monumentos e galerias e na Administração das Antiguidades e Belas Artes em sua cidade natal, sempre foi envolvido com a arte, história e restauração. Acabou sendo convidado por Giulio Carlo Argan, inspetor da direção geral de Belas Artes e Professor de História da Arte Moderna, que desejava implantar em Roma um instituto para conservação de obras de arte. No ano de 1938, Brandi ficou a cargo de organizar o Instituto Central de Restauro (ICR) em Roma, que se tornou uma referência obrigatória em técnicas de restauro, sendo que no ano seguinte ele passou a ser o diretor do ICR onde permaneceu até o ano de 1960. Após


sair da diretoria do ICR, Brandi se dedicou a reflexões sobre a arte, a litera-

funcionamento tendem a durar séculos.

tura das obras e monumentos de arte, dentro deste contexto surge A Teoria

da Restauração, publicada em 1963 (DO CARMO, 2016). Foi dedicada às

princípios fundamentais, sendo eles propriamente dito ligados à teoria de

obras de arte como a pintura e escultura, sendo seu uso também estendido

Brandi:

Kühl (2005), traz ainda a ideia de que a restauração deve ter três

às construções arquitetônicas. • Distinguibilidade: não enganar o observador quanto a inter[...] um refazimento testemunha a intervenção humana, e também do refazimento deve ser dado um lugar na história. Mas um refazimento não é o mesmo que uma adição. A adição pode completar ou pode desenvolver, sobretudo na arquitetura, funções diversas das iniciais, na adição não se recalca, antes, se desenvolve ou se enxerta. O refazimento ao contrário, pretende replasmar a obra, intervir no processo criativo originário, refundir o velho e o novo de modo a não distingui-los e a abolir ou reduzir ao mínimo o intervalo de tempo que aparta os dois momentos. A diferença então é estridente (BRANDI, 2005, p. 73).

Através de textos de Giovanni Carbonara, Kühl (1998), mostra que

para o autor, os patrimônios devem ser submetidos a novos métodos, sendo eles a reutilização, a reabilitação e a recuperação. Carbonara considera que a reutilização é o meio que garante a preservação de um bem, pois sem uso sua deterioração ocorre rapidamente, enquanto os que são mantidos em

venção, diferenciar o antigo do novo, recuperar a obra unindo partes existentes (anastilose), ou inserindo novos materiais • Reversibilidade:

é

um

dos

princípios

basilares

da

restaura-

ção, não podendo alterar a obra de forma alguma, respeitando a preexistência, inserindo complementos de modo respeitoso. • Mínima intervenção: as adições devem ser uma justaposição.

A mínima intervenção possui um valor maior, sendo que na maioria

das vezes o elemento a ser restaurado necessite de adições, mesmo que sejam técnicas como redes hidráulicas ou instalações elétricas. Essa ação, como dito acima, deve ser uma justaposição, sendo uma integração e nunca uma eliminação. A manutenção dos edifícios restaurados é essencial, eliminando as degradações como patologias e sujeiras, evitando assim a decadência dos bens (KÜHL, 2005). Através destes estudos, o patrimônio a ser tratado será submetido a uma revitalização, readequando seus espaços internos, respeitando a pré-existência e mantendo as marcas de passagem no tempo das edificações.


2. LEVANTAMENTO DE DADOS


ÁREA DE INTERVENÇÃO


2.1 BAIRROS DO ENTORNO A área da Estação Cultura localiza-se entre seis bairros que possuem uma grande densidade populacional. Os bairros são os seguintes:

1

1. Jardim Califórnia

2 3

2. Coimbras 3. Parque Estação

4

4. Jardim Polivalente IN ÁRE TE A RV DE EN ÇÃ O

5. Jardim Panorama 6. Santa Casa

5

Figura 22: (página ao lado): Vista aérea de Passos. Fonte: GOOGLE Earth, 2018.

6

Figura 23: Mapa da área de estudo e seu entorno. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018


2.2 RECURSOS NATURAIS A área fica próxima a uma área de várzea onde acontece o entroncamento do córrego Otto Krakauer com o córrego São Francisco onde ambos deságuam no Ribeirão Bocaina. Há também uma Área de Preservação Permanente onde contém uma nascente. 1. Área de preservação permanente

2. Córrego Otto Krakauer (Não canalizado)

3. Córrego São Francisco (Canalizado)

1 Figura 24: Área de Preservação permanente na rua Vitória Régia. Fonte: Autor, 2018.

3 ÁREA VERDE

CURSO DE ÁGUA

2 Figura 25: Área de passagem do córrego Otto Krakauer ao fundo. Fonte: Autor, 2018 GSEducationalVersion

Figura 26: Mapa de demonstração dos recursos naturais. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.

Figura 27: Córrego São Francisco. Fonte: Autor, 2018.


2.3 ÁREAS VERDES Existe pouca vegetação nas áreas verdes, e nas margens dos córregos não há a metragem necessária para preservação dos mananciais.

Figura 28: Vegetação na área da APP. Fonte: Autor, 2018.

Figura 29: Vegetação na área da Estação Cultura. Fonte: Autor, 2018.

Figura 30: Área Verde com pouca vegetação no Parque Estação. Fonte: Autor, 2018.

ÁREA VERDE

CURSO DE ÁGUA

Figura 31: Área verde sem muita vegetação no Jardim Panorama. Fonte: Autor, 2018. Figura 32: Mapa de áreas verdes. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018. GSEducationalVersion

Figura 33: Falta de vegetação nas margens do córrego São Francisco. Fonte: Autor, 2018.


2.4 USO DO SOLO A região estudada é consolidada como residencial, apresenta uma pequena atividade comercial e de prestação de serviços nas principais avenidas. Próximo a estação encontram-se algumas indústrias e uma extensa área de várzea dos córregos.

RESIDÊNCIA SERVIÇO COMÉRCIO LOTE VAZIO ÁREA VERDE INSTITUCIONAL INDÚSTRIA GALPÃO ABANDONADO E RUÍNAS

Figura 34: Mapa de uso do solo. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.

GSEducationalVersion


2.5 EQUIPAMENTOS URBANOS Dentro da área existem cinco lotes que possuem uso institucional, voltados à educação, religião e administração pública.

Figura 36: Escola Municipal Prof. Ananias Emerenciano. Fonte: Autor, 2018.

Figura 35: Igreja Nossa Senhora de Fátima. Fonte: Autor, 2018.

Figura 37: SESI/MG. Fonte: Autor, 2018.

Figura 38: Câmara Municipal de Passos. Fonte: Autor, 2018.

Figura 40: Estação Cultura. Fonte: Autor, 2018. Figura 39: Mapa de equipamentos urbanos. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.

GSEducationalVersion


2.6 ANTIGA ÁREA INDUSTRIAL Vale ressaltar a existência de uma área (destacada na cor magenta no mapa de uso do solo) próxima a estação onde havia um antigo depósito de materiais que percorriam a linha férrea, ao seu redor encontra-se ruínas de uma antiga empresa e uma residência sem uso. Atualmente o local está abandonado, mas

Figura 41: Entrada do antigo depósito. Fonte: Autor, 2018.

IN ÁRE TE A RV DE EN ÇÃ O

à cerca de cinco anos funcionou como uma área para eventos. O edifício não é tombado e pertence a uma Usina do município.

Figura 44: Ruínas da antiga empresa. Fonte: Autor, 2018.

Figura 43: Mapa de localização. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.

Figura 42: Fundos do antigo depósito. Fonte: Autor, 2018.

Figura 45: Residência dentro da área sem uso. Fonte: Autor, 2018.


2.7 GABARITO Predominam na região edificações de uso residencial térreas e também algumas residências que são sobrados. Não há edifícios com um grande número de pavimentos.

Figura 46: Residência térrea no Jardim Polivalente. Fonte: Autor, 2018.

TÉRREO 02 PAVIMENTOS DE 02 A 04 PAVIMENTOS

Figura 47: Sobrado no Jardim Panorama. Fonte: Autor, 2018.

GSEducationalVersion

Figura 48: Mapa de gabarito. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.


2.8 FIGURA FUNDO A densidade nos bairros é grande, sendo a região amplamente edificada. Em suma, toda a área possui poucos lotes vazios

ÁREA CONSTRUÍDA VAZIO

Figura 49: Mapa de figura fundo. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.


2.9 HIERARQUIA VIÁRIA FUNCIONAL As vias arteriais são o principal meio de ligação entre os bairros, as coletoras são um meio alternativo de ligação e penetração no interior deles.

VIA ARTERIAL

VIA COLETORA

VIA LOCAL

Figura 50: Mapa de hierarquia viária funcional. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.

GSEducationalVersion


2.10 ESTUDO SOLAR

IN ÁRE TE A RV DE EN ÇÃ O

Nota-se que a incidência solar na área estudada é constante na maioria das estações climáticas.

Figura 51: Mapa de localização da área. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.

Figura 52: Carta solar de Passos, Minas Gerais. Fonte: Solar, 2018.


Figura 53: Fachadas posicionadas ao oeste. Fonte: Solar, 2018.

GSEducationalVersion

Figura 54: Fachadas posicionadas ao sul. Fonte: Solar, 2018.

Figura 56: Fachadas posicionadas ao norte. Fonte: Solar, 2018.

Figura 55: Quadra da Estação Cultura. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.

Figura 57: Fachadas posicionadas ao leste. Fonte: Solar, 2018.


2.11 A ESTAÇÃO CULTURA Declive na topografia que é levemente acidentada nessa parte da área.

sion er lV na tio ca Edu GS

A A

Local por onde passava os trilhos do trem, atualmente inexistentes. A topografia foi alterada nessa área.

B C

D

Por ter sido um Terminal, existia um viradouro que se encontrava alguns metros após o término da Estação.

Figura 58: Quadra da Estação Cultura. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.

A Estação Cultura encontra-se em uma quadra que possui 16.598 m². As áreas numeradas acima são as seguintes: A. Residências dos antigos operários, que ainda estão em uso por descendentes das famílias (são no total 6 casas todas tombadas). B. Patamar criado para o apoio de uma antiga máquina de asfalto da cidade que foi transferida para o local (não tem ligação com a estação e não é tombada). C. Edifícios da antiga estação, sendo três no total (todos tombados). D. Caixa de água da antiga estação (tombada).


2

1 Figura 59: Residências em frente a Estação. Fonte: Autor, 2018.

Figura 60: Residências em frente a Estação. Fonte: Autor, 2018.

n sio er alV on ati uc Ed GS

1 4

4 Figura 62: Residência em meio a vegetação. Fonte: Autor, 2018.

6 Figura 65: Vista do gramado da Estação. Fonte: Autor, 2018.

3

3

2 8

6

7 5

Figura 63: Quadra da Estação Cultura. Sem escala. Fonte: Prefeitura de Passos/MG, modificado pelo autor, 2018.

7

Figura 61: Residências em frente a Estação. Fonte: Autor, 2018.

5 Figura 64: Caixa d’água desativada. Fonte: Autor, 2018.

8 Figura 66: Vista da Estação. Fonte: Autor, 2018.

Figura 67: Patamar e residências ao fundo. Fonte: Autor, 2018.


Figura 68: Casa 2. Fonte: Autor, 2018.

Figura 69: Casa 3. Fonte: Autor, 2018.

ion ers alV on ati uc Ed GS

Figura 72: Casa 1, localizada na esquina. Fonte: Autor, 2018.

Figura 73: Quadra da Esta Fonte: Prefeitura de Passos/MG


ação Cultura. Sem escala. G, modificado pelo autor, 2018.

Figura 70: Casa 4. Fonte: Autor, 2018.

Figura 71: Casa 5. Fonte: Autor, 2018.

Figura 74: Casa 6. Fonte: Autor, 2018.


2.12 OS EDIFÍCIOS DA ESTAÇÃO

1

2 3

4

5 6 7

8

9

10

Figura 75: Planta baixa da Estação Cultura. Sem escala. Fonte: Autor, 2018.

ANTIGAS FUNÇÕES:

FUNÇÕES ATUAIS:

LEGENDA:

1. DEPÓSITO DE CARGAS

1. CENTRO DE MEMÓRIA

JARDINS

2. DEPÓSITO DE CARGAS

2. COPA

RAMPAS

3. DEPÓSITO DE CARGAS

3. ESCRITÓRIO

ESCADAS

4. BANHEIROS MASCULINOS

4. DEPÓSITO

5. ADMINISTRAÇÃO

5. SALA 1

6. SANITÁRIOS FEMININOS

6. COZINHA

7. SANITÁRIOS FEMININOS

7. SANITÁRIO

8. ESPERA/GUICHÊS

8. SALA 2 (VAZIA)

9. ESCRITÓRIO

9. SALA 3 (VAZIA)

10. ANTESSALA

10. ANTESSALA

11. DEPÓSITO DE CARGAS

11. SALÃO

11


Figura 76: Vista do Centro de Memรณria a partir da rua. Fonte: Autor, 2018.

Figura 77: Vista da lateral do centro de memรณria. Fonte: Autor, 2018.


Figura 78: Vista do depósito a partir do gramado. Fonte: Autor, 2018.

Figura 79: Vista do pequeno depósito a partir da Avenida Estação. Fonte: Autor, 2018.


Figura 80: Vista da Estação a partir do gramado. Fonte: Autor, 2018.

Figura 81: Vista do bloco principal a partir da Avenida Estação. Fonte: Autor, 2018.


Figura 83: Objetos expostos. Fonte: Autor, 2018.

Figura 82: Vista interna do Centro de Memória. Fonte: Autor, 2018.

Figura 84: Exposição de objetos antigos. Fonte: Autor, 2018.


Figura 85: Vista do mezanino. Fonte: Autor, 2018.

Figura 87: O mezanino abriga uma documentação do século XIX do Fórum da cidade. Fonte: Autor, 2018.

Figura 86: O mezanino foi construído a partir dos antigos trilhos do trem. Fonte: Autor, 2018.

Figura 88: Escada metálica inadequada, sem corrimão. Fonte: Autor, 2018.


Figura 89: Sala utilizada pelos guardas noturnos. Fonte: Autor, 2018.

Figura 90: Cozinha. Fonte: Autor, 2018.

Figura 91: Sanitรกrio. Fonte: Autor, 2018.


Figura 93: Saguão principal da Estação. Fonte: Autor, 2018.

Figura 92: Forro restaurado do saguão de entrada.. Fonte: Autor, 2018.

Figura 94: Antigos guichês. Fonte: Autor, 2018.


Figura 95: Sala sem uso ocupada por mรณveis e objetos. Fonte: Autor, 2018.

Figura 96: Sala sem uso. Fonte: Autor, 2018.


Figura 97: Salão preparado para receber uma apresentação. Fonte: Autor, 2018.

Figura 98: Vista do salão. Fonte: Autor, 2018.


3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS


3.1 ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE MAIRINQUE

PRAÇA

• Localização: Mairinque, São Paulo, Brasil. • O projeto é fruto de um concurso promovido pelo Programa de Incenti-

Via subterrânea para carros

vo à Cultura do Governo do Estado de São Paulo (PROAC), criado pelos

Acesso subterrâneo a estação para pedestres

escritórios SIAA + HASAA.

Trilhos desativados

• A Estação Ferroviária de Mairinque foi a primeira obra feita em concreto armado no Brasil e é patrimônio histórico tombado em 1987 pelo Condephaat. Inaugurada no ano de 1906, foi projetada pelo arquiteto Victor

Circulação vertical.

Dubugras. • O projeto consiste na criação de um Museu que proporciona um passeio pela história ferroviária que demonstra a percepção do espaço industrial

BAIRRO

que resultou no surgimento da cidade. Funcionará também como um

Figura 100: Implantação geral. Fonte: SIAA + HASAA, 2015.

ponto de encontro para a população, podendo ser utilizado como uma área para atividades diversas, incluindo aulas e oficinas dentro das áreas institucionais. • Este projeto contribui para o presente trabalho com a noção de melhoria dos espaços da Estação Cultura, como áreas de convivência e divisões internas das edificações preexistentes, tratando também da questão da memória ferroviária que resiste nas cidades.

EIXO Y EIXO X Figura 101: Implantação. Fonte: SIAA + HASAA, 2015. Figura 99: Corte representando a circulação subterrânea e a Estação. Fonte: SIAA + HASAA, 2015.

EIXO X - MUSEU - CAFETERIA - SERVICO

- SANITÁRIOS - PRAÇA - TRILHOS

EIXO Y CIRCULAÇÃO: ACESSOS SUBTERRÂNEOS DE PEDESTRES E PASSAGEM DE VEÍCULOS.


A paisagem ferroviária mostra os primórdios da cidade sendo possível visualizar todo o entorno o qual remete ao auge da industrialização no país, integrando uma vegetação rasteira que surge dentro do piso permeável. O uso de materiais metálicos para as áreas de intervenção, contrasta com o que é passado x presente. Figura 102: Vista do projeto. Fonte: SIAA + HASAA, 2015.

Figura 103: Vista do projeto. Fonte: SIAA + HASAA, 2015.

LEGENDA 1. Museu da Memória Ferroviária 1

2

3

2. Salão Principal 4

3. Bar

5

4. Reserva Técnica 5. Despensa do Bar Figura 104: Planta térreo. Fonte: SIAA + HASAA, 2015.

Figura 105: Planta pavimento superior. Fonte: SIAA + HASAA, 2015.

Sanitários

Escadas

Circulação

LEGENDA Via subterrânea para veículos Via subterrânea de acesso para pedestres Jardim com vista para a rua subterrânea Escada/arquibancada

Figura 106: Circulação vertical. Fonte: SIAA + HASAA, 2015.

Figura 107: Acessos. Fonte: SIAA + HASAA, 2015.


3.2 MUSEU DO PÃO • Localização: Ilópolis, Rio Grande do Sul, Brasil. • O projeto foi elaborado pelo escritório Brasil Arquitetura e as obras foram concluídas no ano de 2007. • O projeto consiste na recuperação do Moinho Colognese, uma construção de 1910 que é testemunho da imigração italiana que ocorreu na Serra Gaúcha, antigamente usado para a produção de farinha de milho. • Para a edificação existente foi atribuído um novo uso, além de dois novos edifícios de concreto e vidro criados para atender o programa de necessidades. No antigo moinho foi mantido o maquinário de farinha, produzindo ainda mas em menor escala, locando também em seu inFigura 109: Vista aérea do Museu. Fonte: Nelson Kon, 2011.

terior uma combinação de adegas, padaria e café; nos novos edifícios encontra-se o Museu, um auditório e uma escola de panificação. Todas as atividades de apoio foram pensadas para atrair visitantes. • Este projeto auxilia a compreender como são criados anexos aos edifícios preexistentes, a criação da oposição para identificar o que é novo e

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o que é velho, trabalhando com a forma e materialidade, e assim complementando o restauro, adequando-o com novas funções.

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Figura 108: Recuo entre os edifícios. Fonte: Nelson Kon, 2011.

É possível distinguir a partir da materialidade dos edifícios o que é histórico (construção em madeira) e o que é novo (concreto e vidro).

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Figura 110: Planta baixa. Fonte: Brasil Arquitetura, 2011.

1. Auditório 5. Sala de aula 2. Museu 6. Moinho 3. Sanitários 7. Padaria/cafeteria 4. Oficina de Panificação

Preexistência Anexos


Figura 111: Fachada de vidro do Museu. Fonte: Nelson Kon, 2011.

Fachada em vidro que permite a visualização do interior do museu através da rua.

Objetos do antigo moinho expostos no gramado.

Figura 114: Área externa do museu. Fonte: Nelson Kon, 2011.

Figura 112: Contraste entre as edificações. Fonte: Nelson Kon, 2011.

Painéis de madeira movéis são utilizados para controlar a insolação no interior do museu.

Figura 115: Interior da oficina de panificação. Fonte: Nelson Kon, 2011.

Figura 113: Detalhe dos Pilares. Fonte: Nelson Kon, 2011.

Os pilares possuem um formato que remete a araucária, uma árvore característica do município e que é uilizada nas construções sendo encontrada nas ripas do edifício preexistente.

Figura 116: As características do interior do moinho foram mantidas. Fonte: Nelson Kon, 2011.


3.3 PARQUE BICENTENÁRIO INFANTIL • Localização: Santiago, Chile. • O projeto foi criado pelo Grupo Elemental e concluído em 2012. • O parque se encontra próximo a uma área residencial a qual carecia de espaços de lazer. Fica localizado em uma montanha a qual é incorporada no projeto que apropria-se da topografia, gerando um espaço intercalado por escadas e escorregadores. O maior destaque deste parque são os objetos para recreação infantil, que servirão como referência para as áreas do projeto da Estação Cultura. Os objetos são criativos inspirados nos mobiliários clássicos para parques infantis, mas apresentam características interessantes que movimentam a experiências das crianças. O parque possui quatro hectares dedicados para o lazer infantil e caminhada.

Figura 118: Vista dos escorregadores. Fonte: Cristobal Palma, 2014.

O parque possui cerca de 60 escorregadores. A alta quantidade do objeto altera a paisagem e é um atrativo para a interação e diversão das crianças.

PONTO MAIS ALTO

Equipamentos para recreação infantil

PONTO MAIS BAIXO Figura 117: Planta baixa do parque. Fonte: Elemental, 2012.

Pista de caminhada

Figura 119: Escorregadores. Fonte: Cristobal Palma, 2014.


Figuras 120: Balanços . Fonte: Cristobal Palma, 2014.

Figura 121: Esferas. Fonte: Cristobal Palma, 2014.

Figura 122: Equipamento que serve como barreira. Fonte: Cristobal Palma, 2014.

O objeto em forma de círculo possui balanços, trazendo de forma inovadora equipamentos clássicos de parque infantis.

As esferas são interativas e jorram água, possuem também a característica de obra de arte no parque.

O muro do parque funciona como um tubo retangular onde há partes largas e outras estreitas contendo várias barreiras para circulação e interação das crianças.

Figura 123: Barreiras no interior do muro. Fonte: Cristobal Palma, 2014.

Figura 124: Vista interna do muro. Fonte: Cristobal Palma, 2014.


4. O PROJETO


4.1 DIRETRIZES DA PROPOSTA

4.2 CONCEITO E PARTIDO

• Reutilizar as edificações preexistentes da Estação dedicando seu uso para

atividades voltadas à população.

A Estação Cultura é um dos principais bens históricos da cidade de Pas-

sos, e o principal objetivo do presente projeto é torná-la mais próxima dos usu-

• Adequar os espaços do Museu e do Arquivo Municipal.

ários, vindo a ser um espaço convidativo e democrático. O conceito deste traba-

• Criar uma área para exposições artísticas voltadas à cultura local e ferrovi-

lho consiste na retomada do projeto que não foi implantado no início da década

ária.

de 1990, que era transformar o local em uma área de cultura, educação e lazer,

• Criar um memorial que retome a história da antiga locomotiva.

promovendo a história local e revalorizando o patrimônio ferroviário pertencen-

• Criar um programa de exibição de filmes em uma sala multimídia e também

te ao município.

ao ar livre. • Adequar o local para receber eventos que já ocorrem anualmente como peças de teatro, shows e o Piquenique da Estação. • Criar um espaço para receber feiras locais para troca de produtos e interação entre os moradores.

Para integrar o local com o entorno e a cidade foi definido a preserva-

ção da circulação dos pedestres dentro do terreno, mantendo os caminhos á utilizados que facilitam o acesso entre outras regiões da cidade e retomando a história dos trilhos que um dia passaram pela área através de um deck multiuso. O projeto proposto reorganizará os espaços internos dos edifícios preexisten-

• Melhorar a acessibilidade nas calçadas e nas edificações.

tes, contemplando a reorganização do museu com áreas para exposições fixas

• Criar um novo anexo que sediará uma cafeteria/bar, durante o dia será usa-

e itinerantes, novos sanitários, uma área administrativa, um novo espaço para

da como local para pequenas refeições e a noite para um lugar de descon-

abrigar o arquivo público e uma sala multimídia que poderá ser utilizada para

tração com música ao vivo entre outros.

exibição de filmes e palestras. Na área externa será trabalhada a potencialização

• Potencializar os usos do local, criando áreas de permanência e de atividades físicas e de lazer para a população.

dos usos atuais, através de uma grande praça que abrigará um parque infantil, um teatro de arena e um novo anexo criado para sediar uma cafeteria/bar. Todo

• Criar um parque no gramado junto de outros equipamentos.

o local será um espaço de passagem, permanência, convivência e contempla-

• Priorizar a paisagem existente, tendo vista para boa parte da cidade.

ção, podendo ser utilizado em vários períodos do dia e por pessoas de todas

• Buscar as características da vegetação existente na cidade para inseri-las no

faixas etárias, criando assim um grande atrativo para a cidade.

parque.


ANÁLISE DO FLUXO DE PEDESTRES NO LOCAL

DETERMINANTE INICIAL PARA PROPOSTA DO TRAÇADO Figura xx: Análise de fluxo de pedestres na área. Fonte: GOOGLE Earth, 2018.

Figura xx: Brainstorm. Fonte: Autor, 2018.


4.3 PROGRAMA DE NECESSIDADES


4.4 FLUXOGRAMAS


4.5 CROQUIS

Figura 119: Estudo de plano de massas. Fonte: Autor, 2018.


Figura xx: Estudos iniciais de traรงado. Fonte: Autor, 2018.


Figura xx: Croquis do deck de madeira. Fonte: Autor, 2018.


Figura xx: Estudo de integração do deck com a cafeteria/bar. Fonte: Autor, 2018.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da contribuição das pesquisas realizadas para o trabalho fi-

Merece destacar ainda a importância das ferrovias, as quais deixaram um

nal de graduação, nota-se a importância de preservar os patrimônios histó-

grande legado e um número considerável de edificações, que constituíram

ricos das cidades, reutilizando-os a partir de novos usos, o que garante sua

um grande período de desenvolvimento do país.

conservação. A Estação com todo o universo que girou ao seu redor, é um

testemunho em si mesma, deve ser vista e admirada pelas gerações presen-

auxiliam nas propostas de restauro, revitalização e reutilização, constatando

tes e futuras, pela sua arquitetura, forma e pela configuração de seu espaço

também a necessidade de pesquisas que auxiliam o modo de intervir em

e, da maneira que se inseriu no conjunto da cidade (GRILO, 1993). A Estação

um bem de valor histórico. O trabalho em andamento, tem como finalidade

Cultura é um dos bens mais importantes para a história de Passos, fez parte

contribuir com a indicação de diretrizes de conservação que possam auxiliar

da vida de inúmeras pessoas, operários, viajantes e moradores da região

em futuras intervenções que os patrimônios culturais ferroviários poderão

que criaram um sentimento de pertencimento ao bem. É de suma importân-

ser submetidos, resultando na preservação da memória ferroviária.

cia dedicar esse espaço para a população, rememorando a área histórica e gerando um grande reaproveitamento de um espaço público do município.

Portanto, os estudos que buscam o entendimento deste patrimônio


REFERÊNCIAS


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ANEXOS


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