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Prefácio A presente obra coletiva resulta de uma série de seminários que acadêmicos de universidades europeias e da América Latina realizaram sobre o tema Universidade e o Desenvolvimento Sustentável. A contribuição dos professores Alcino Pinto Couto, António Fernandes de Matos e Maria do Céu Alves, da Universidade da Beira Interior/Portugal, tem como objetivos a elaboração de um balanço da experiência de investigação da Rede Alfa PlanGIES1, bem como a identificação de temática e linhas de orientação que sustentem uma possível investigação futura, de forma que se proporcionem a continuidade e a dinamização das atividades dessa REDE. Tendo em conta a sua natureza, as competências e produção de conhecimentos acumulados, aponta-se a Inovação Educacional para o Desenvolvimento Sustentável (InEDeS) como proposta de uma Rede Temática de Investigação europeia-latino-americana, na qual serão explicitadas as linhas de orientação, as dimensões de análise consideradas pertinentes e as estratégias alternativas para a dinamização de uma agenda de investigação a longo prazo. No artigo intitulado “El giro ecológico en la cultura de la escuela”, o professor Agustín Escolano Benito, da Universidade de Valladolid/Ceince/Espanha, convida-nos a um diálogo sobre a cultura 1. Integrada por países da América Latina e Europa (Alemanha, Argentina, Brasil, Costa Rica, Espanha, França e Portugal) a rede Alfa PlanGIES refere-se a um projeto de pesquisa voltado à cooperação para a gestão institucional intitulado “Planejamento e Gestão das Instituições de Ensino superior: relação da universidade com o entorno social para a promoção do desenvolvimento regional sustentável”. Esse projeto integra o ‘Programa ALFA’, no âmbito da Comissão Europeia, e funciona por intermédio de Redes de Instituições de Educação Superior (IES).


da sustentabilidade no contexto da escola. Nesse diálogo, Escolano toma como referência para suas análises a escola como uma organização cultural dotada de memória, portanto, capaz de aprender por meio de sua própria experiência e de transformar-se, mediante estratégias inteligentes, geradoras de sentido. Para o professor Christoph Wulf, da Freie Universität Berlin/ Alemanha, uma educação orientada para o futuro é compreendida como aquela que propicia uma leitura histórica, social e política dos processos de formação humana. Diz respeito a uma educação engajada e comprometida com a vida, com a justiça social e é aquela que desenvolve uma cultura da paz, da diversidade cultural, da alteridade e sustentabilidade. Desse modo, somos instigados pelo prof. Wulf a considerar a década da ONU no processo de incorporação da sustentabilidade em todos os materiais de ensino-aprendizagem na Alemanha – o Plano de Ação Nacional como uma alternativa viável de boa prática. No artigo intitulado “Inovação educacional, conhecimento e desenvolvimento sustentável”, Newton Antonio Paciulli Bryan e Adriana Missae Momma, FE/Unicamp/Brasil afirmam que a capacidade de gerar conhecimentos nunca antes previstos na história da humanidade aponta para a possibilidade de mudanças no cenário socioeconômico que, por sua vez, está diretamente atrelada à tomada de consciência da situação crítica e à vontade política de inovar; o que requer uma leitura ética, estética e democrática de/da sociedade em conformação. O professor Alfredo Blanco Andray, da Universidad Politécnica de Madrid/Espanha, faz uma incursão histórica da gênese do termo “desenvolvimento sustentável”, suas subsidivisões e conceituações: ambiental, econômica e social. Aborda os estudos iniciais da Ökologie, o “estudo da casa, do lar”, compreendida, inicialmente, como a ciência que estuda as relações dos seres vivos com o seu ambiente, ao estudo das características do meio. Tal concepção permite uma leitura mais dinâmica da ecologia, que a considera como a existência de muitos mecanismos de renovação dos seres vivos, o que justifica a sustentabilidade de muitas ações humanas. A gestão do conhecimento ecológico e a sua democratização tornam-se, nesse contexto, imprescindíveis para a efetivação de uma “revolução pacífica”.


O diálogo proposto pela professora Olga Marta Sanchez Oviedo, da UNA/Costa Rica – Saberes y construcción de ciudadanía para el desarrollo humano sostenible – procura contextualizar o momento histórico peculiar no qual nos encontramos. Momento este em que é possível vislumbrar avanços substantivos da perspectiva do desenvolvimento sustentável, em contraponto a crises ambientais inéditas. Entre movimentos hegemônicos e contra-hegemônicos, faz-se urgente redimensionar a significação da cidadania comprometida com a sustentabilidade, fato esse que se traduz em mudanças nas agendas de trabalho de atores capazes de alterar a realidade e proporcionar a construção de uma ecocidadania. A Universidade, como parte das organizações e instituições inte­ ligentes e reflexivas, tem como desafio a Sustentabili-Profissionalização, quer dizer, uma formação de profissionais da educação para um futuro melhor e para um outro mundo possível. Em seu artigo, a profa. Henar Herrero Suárez, da UVA/Valladolid/Espanha, aponta para a necessidade de as instituições de ensino superior proporcionarem uma formação profissional que contribua para os estudantes interpretarem e entenderem o mundo que nos circunda, do qual fazemos parte, a fim de transformá-lo em um contexto e espaço mais justo e sustentável. Para isso, examina o caso da Universidade Espanhola atual no contexto da União Europeia. No artigo “Responsabilidad universitária y compromiso social: propuestas educativas que aportan al desarrollo sustentable”, as professoras María Alejandra Pardal, Sandra Pittet e Amelia Reinoso, da Unar/Rosário/ Argentina, trazem as contribuições decorrentes da participação no âmbito da Rede Alfa PlanGIES, expõem as produções de conhecimento, os cursos e oficinas desenvolvidos, a elaboração de material didático-pedagógico para os estudantes, incluindo o desenvolvimento de atividades no marco das políticas públicas regionais e locais, que se traduziu na participação desse grupo de professoras no processo de elaboração do “Plan Estratégico Metropolitano” da cidade de Rosário/Argentina. Maria Drosila Vasconcellos foi professora do Conservatoire des Arts et Métiers (Paris-França) e pesquisadora do LISE/Conseil National de la Recherche Scientifique, tendo participado dos trabalhos da Rede Alfa como representante da Université Charles de Gaulle – Lille. No artigo de sua autoria, que nos enviou para esta publicação um pouco antes de


deixar nosso convívio, “A influência dos organismos internacionais nas políticas educacionais” elaborou uma ampla análise crítica da constituição e ação dos organismos internacionais (OCDE, Banco Mundial e Unesco) na condução das políticas educacionais, especialmente na Europa e na América Latina. Essa análise mostra o surgimento de teorias que sustentam essas políticas (teoria do capital humano, teoria do estado mínimo e sociedade do conhecimento) e de mecanismos de avaliação internacionais que instrumentalizam a ação reguladora do Estado. A autora conclui que a harmonização dos sistemas educacionais condizentes com a constituição da União Europeia vem ganhando espaço para interesses mercantis e para uma crescente competição entre instituições que não “abrem lugar para debates de fundo sobre a finalidade do ensino, o papel da Escola na consolidação da coesão social ou na transmissão do patrimônio educativo às novas gerações, considerado uma das riquezas que os países europeus puderam construir ao longo dos séculos”. O professor Martín Rodríguez Rojo, da Universidad de Valladolid, propõe um diálogo sobre as diretrizes gerais para a sustentabilização curricular; os significado da ecoavaliação, suas dimensões e componentes. Aponta também alguns instrumentos para o processo de avaliação do currículo ecológico, do qual, portanto, se espera que propricie a formação do ecocidadão-universitário. Adolfo Ramos Lamar, professor da Furb/Blumenau/Brasil, aborda o tratamento da problemática epistemológica da Educação em autores latinoamericanos de língua castelhana. A pesquisa foi de caráter bibliográfico e exploratório, o autor consultou, essencialmente, fontes de dados de países como Colômbia, México e Venezuela por serem três países com uma significativa produção epistemológica sobre a Educação e seus trabalhos estarem mais disponíveis para consulta. As principais fontes de informações foram publicações periódicas, em razão da carência de livros sobre o assunto pesquisado no Brasil. O artigo elaborado pelas professoras Sandra Brisola e Elza da Costa Cruz Vasconcellos, examina, por meio de uma ampla pesquisa empírica, as relações de gênero na ciência, mostrando as profundas transformações que vêm ocorrendo e as tendências que os dados apontam. Este conjunto de artigos que apresentamos aos leitores tanto é


um produto de um fértil trabalho conjunto de pesquisadores que atuam em diferentes campos do conhecimento, elaborando análises críticas, como também um indicador de possibilidades para que se conjuguem a educação e o conhecimento para a construção de um futuro sustentável.

Os organizadores



Educação e Conhecimento: para um futuro sustentável