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Nenhuma parte deste livro, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados, sem a autorização prévia do autor.

Autor: Gabriel Gronau Luz Projeto gráfico, criação de capa e diagramação: Ativa Comunicação & Design www.ativaciacao.com.br Imagem de capa Freepik Imagens Pixabay | Shutterstock Ilustrações Joabe Mateus


Sumário Agradecimentos Introdução O que aprendi com os filmes Mente consciente e mente inconsciente Filmes são metáforas Qual mensagem você quer aprender? As consequências dos filmes para a sua saúde A jornada do herói Trilogia Matrix O Último Samurai Aladdin O Rei Leão Divertida mente Cine Coaching - Uma reflexão poderosa para transformação Lista de filmes para unir a família Lista de filmes para serem assistidos em casal Lista de filmes para desenvolver a liderança Lista de filmes para a área dos negócios Lista de filmes com mensagens de superação Lista de filmes que despertam os sonhos Lista de filmes para reflexão de valores Considerações finais Referências bibliográficas

05 06 13 30 48 69 92 105 118 149 161 180 193 217 233 239 244 247 250 256 259 266 267


Agradecimentos

Agradecimentos

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m livro é escrito a partir de uma ideia. Através dela, buscam-se as suas experiências de vida relacionadas ao tema a ser escrito e, junto a isso, conhecimento para aprofundar suas ideias ao conteúdo. É interessante ter apoio de alguém que embarque com você nessa viagem, e por fim alguém que acredite no seu trabalho. Meus agradecimentos vêm, portanto, nesta ordem. Agradeço primeiramente ao meu amigo e cunhado Ricardo Kazuo Okuda pela brilhante ideia para contribuir com a humanidade com um livro relacionado ao Coaching e os filmes. Agradeço à minha família pelas brincadeiras relacionadas a filmes (que acontecem até hoje) e, principalmente aos meus pais por terem tido a brilhante ideia de administrarem uma video locadora na década de noventa. Agradeço a José Roberto Marques pela transmissão do conteúdo sobre o Coaching através de cursos do IBC e mostrar a importância da tarefa de Cine Coaching para o Coachee, chancelando a relevância deste livro para este Universo. Agradeço também a minha esposa Stella Butti Ferrari por sempre estar ao meu lado nas minhas ideias, ao Sérgio Henrique pela diagramação do livro, Luiz Carlos da Nova Literarte pela correção ortográfica, ao ilustrador Joabe Mateus, meu amigo Vinícius Tadeu da Agência Digital Chegaê e a minha prima Andrea Azevedo por acreditarem no poder deste livro em ajudar as pessoas, sejam elas Coaches ou não. 7


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Agradeço, por fim, mas não menos importante, a Deus por me dar a experiência de vida necessária para a produção deste livro, a energia, a paciência e o amor para a sua realização.

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Introdução

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ue maravilha! Um livro sobre as duas coisas que mais amo na vida! Coaching e filmes! Ok, ok, você deve estar se perguntando: “Mas Gabriel, e a sua família, as artes mar-

ciais; você não ama também? Claro que amo! Mas deixe-me explicar: eu cresci assistindo a filmes e é um dos meus hobbies preferidos até hoje. E o Coaching foi a descoberta do meu propósito de vida!” Ter o prazer de escrever um livro que une Coaching e a Sétima Arte foi um dos maiores prazeres da minha vida! Tão importante quanto a minha primeira colocação no Festival Mundial de Kung-Fu, a minha primeira aprovação nas audições do Cirque du Soleil em que eu fui o único artista marcial aprovado; a minha segunda aprovação no Cirque du Soleil, cinco anos depois da primeira; meu casamento (na praia... ai... ai... Maravilhoso!), minhas diversas formações em Coaching e Treinamento Comportamental e, naturalmente, o nascimento do meu amado e querido filho Théo. Como é gostoso enumerarmos algumas das nossas conquistas! Eu convido você a fazer o mesmo. Faz nos sentirmos vivos, plenos, realizados e felizes. Das diversas conquistas que tive ao longo da minha vida, devo muito, muito mesmo aos meus pais; não somente por terem aberto mão de muitas coisas que poderiam ter feito para darem para mim e meus três irmãos uma educação e vida digna, mas também porque minha mãe já teve uma vídeo locadora. É verdade! Eu vou contar. 9


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Quando olho para trás e vejo todas as coisas que meus pais já tentaram empreender para gerar uma renda extra para a família, lembro-me com uma saudade gostosa e o quanto aproveitamos ao máximo cada tentativa deles em melhorar a qualidade de nossas vidas. Realmente, eu e meus três irmãos fomos abençoados, pois se eles tivessem acertado logo na primeira ideia, não teríamos tido contato com tantas outras experiências maravilhosas e, com certeza, eu não teria escrito este livro porque a vídeo locadora foi a última decisão que eles tiveram para empreender. Para você ter uma ideia do que estou falando, minha mãe já teve uma lojinha de materiais escolares. Eu adorava porque ela viajava periodicamente para o Paraguai para fazer compras na fronteira e eu ia junto com ela, de ônibus, bate e volta (vai num dia e retorna no outro). Sempre amei viajar! Não interessava qual era o meio de transporte utilizado ou que eram catorze horas de viagem, eu queria visitar lugares novos e trazer recordações de lá. Infelizmente no início dos anos 90 a loja da minha mãe não sobreviveu e ela precisou fechar as portas devido o plano Collor. Uma pena... Então meu pai teve uma ideia genial! Como sempre passávamos as férias de janeiro na praia e ficávamos o mês todo lá, ele decidiu comprar uma lancha e uma banana boat (aquela banana inflável que cabem de oito a dez pessoas que vão sentadas e é puxada pela lancha em alta velocidade). Ele e meu irmão mais velho tiraram carta para dirigir a lancha, minha mãe e minhas irmãs mais novas ficavam na barraca 10


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na praia cuidando do pagamento dos turistas e colocando colete salva-vidas neles e eu estava incumbido de guiá-los nadando com eles até a lancha. Lembro-me que fazíamos dezenas de viagens diárias e, quando sobrava algum lugar na banana eu ia junto me divertir. Durante a alta temporada (meses de dezembro e janeiro) foram muito bons os resultados e nunca andei tanto de banana! Meu Deus como eu aproveitei! Infelizmente, por questões burocráticas da prefeitura de lá, meu pai não persistiu e teve que abrir mão desta fonte geradora de dinheiro extra. Minha mãe então decidiu comprar um carrinho que faz crepes de palitos e vender nas festas da cidade e aos finais de semana em frente de casa. Que fase deliciosa! Sábado e domingo nós jantávamos crepe salgado e comíamos crepes doces de sobremesa. Era tudo o que uma criança podia pedir... Ela fazia sabores de banana com canela, chocolate baton entre outros diversos sabores. Com o tempo, pagamos o carrinho, mas não durou muito porque a minha mãe disse que era muito trabalho para pouco lucro; não valia a pena. Finalmente, ela teve a melhor ideia de todas: abrir uma vídeo locadora! A nossa locadora tinha mais de três mil filmes, que na época eram em VHS e era localizada na garagem de casa. Não me recordo quanto tempo durou nem o motivo que precisou fechar, mas lembro-me que foi na fase de início da minha adolescência. Como era bom entrar lá e poder escolher assistir os lança11


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mentos ou ter qualquer outro filme ao alcance das suas mãos. Não existia TV a cabo, o YouTube estava longe de existir, Netflix então nem se fale. Naquela época, para assistir aos filmes, principalmente os lançamentos, ou você os alugava, ou esperava meses para passar na Tela Quente. Hoje em dia temos esses filmes com muito mais facilidade do que antigamente. Minha família sempre foi cinéfila assumida. Para você ter uma ideia nossa brincadeira mais popular é a mímica. Chegamos a tal grau de “profissionalismo” que, às vezes em um único movimento já descobrimos o filme. Já inventamos diversas variações para deixar mais desafiadora a brincadeira, como por exemplo, descobrir o nome do filme falando apenas uma frase do personagem principal em alguma passagem da trama. Mas se engana quem acha que não tive infância. Brincávamos muito na rua, subíamos em árvores, jogávamos taco, brincávamos de bolinha de gude, mãe da rua, pega-pega e esconde-esconde, sem falar nas guerrinhas de mamonas. Eu jogava bastante vídeo game também e praticava pelo menos dois esportes. Sempre consegui fazer tudo. A chave é o equilíbrio. Esta paixão por filmes é tão intensa que me lembro em um dos anos de faculdade ter ido 56 vezes ao cinema. Era uma, às vezes duas vezes por semana que eu estava em frente ao telão. Eu tinha carteirinha de estudante e ia às quartas-feiras depois da aula porque já era metade do preço e, com a carteirinha, naquela época, ficava metade da metade, ou seja, eu pagava 25% 12


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do valor integral. Fiz muito isso no Galleria Shopping, em Campinas; impossível não ir sempre. As pessoas que foram entrando para a família, maridos e esposas já se acostumaram com nossas brincadeiras de filmes. E quando eles não acertam nossa mímica ou frase, dizemos a eles em tom de brincadeira que ainda não fazem parte da família. Existem longa metragens que perdemos a conta de quantas vezes já assistimos. Muitos deles eu sei as falas de cor, seja dublado ou em inglês. Conquistei a atenção da minha esposa assim, acredita? Estávamos na Dinamarca fazendo um curso de quatro meses, eu não a conhecia antes. À noite decidimos assistir a uma fita VHS do Rei Leão, só que era dublado em dinamarquês. Bem diferente. Eu falei pra ela que já tinha assistido “trocentas mil” vezes aquele desenho e que sabia as falas de cor e, naturalmente, ela duvidou porque ela mesma já tinha visto algumas vezes e nunca havia decorado nenhuma parte do filme. Comecei a dizer as falas na mesma hora em que os personagens da cena falavam e ela reparou que o que eu estava dizendo fazia sentido no contexto, afinal, o desenho estava sendo dublado por um dinamarquês. Ela percebeu que eu não estava apenas inventando para tentar impressioná-la. Eu, de fato, estava dublando o Clássico da Disney em português. Funcionou! Conquistei a atenção dela! Fazendo uma análise sobre os filmes predominantes, aqueles que eu mais assisti, muito do que sou hoje, minhas crenças 13


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e modo de pensar e agir são por causa deles. E vou dedicar um capítulo para você entender o que aprendi com estes filmes. Poder lançar um livro, o primeiro que fala sobre Coaching e filmes, é uma honra para mim. Provavelmente, depois deste outros autores virão com ideias similares e isto é maravilhoso, porque é mais conteúdo para você, leitor! O Coaching chegou à minha vida no começo de 2015. A namorada de um colega havia feito um curso e estava “mudada”, mais madura, até o jeito de falar estava diferente. Pesquisei na internet sobre o assunto e me interessei. Procurei então a melhor escola de Coaching do país. Tenho essa premissa: “se eu vou investir em estudos, que seja no melhor

lugar”. O Instituto Brasileiro de Coaching era a escola que oferecia certificação internacional, uma grade de cursos que eu podia escalar e que faria parte de duas pós-graduações, dependendo de quais caminhos eu seguiria. Além disso, era a única escola do país com certificação ISSO 9001. Era uma escola séria e que tinha vindo para ficar. Fiz o primeiro curso e simplesmente amei e não parei mais! Fiz o PSC – Professional & Self Coaching, depois o Coaching Ericksoniano e Master Coach, com o mestre José Roberto Marques, Pós Graduação em Psicologia Positiva, o Business & Executive Coaching. Depois fiz com outro grande Mestre, Massaru Ogata, o IFT – Instituto de Formação de Treinadores. Enfim, são tantos cursos e, naturalmente, não vou parar por aí. Tenho muitos planos para continuar a me desenvolver tanto pessoalmente quanto profissionalmente, e ajudar o maior 14


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número de pessoas possível a crescerem e potencializarem suas vidas. Benjamin Franklin mesmo já disse: “Se você acha a instru-

ção cara, experimente a ignorância”. E poder unir agora numa obra linda como esta, Coaching e a Sétima Arte, é sensacional! Você entenderá como os filmes mandam mensagens para a nossa mente inconsciente e como eles podem nos ajudar a fortalecer crenças (que podem ser propulsoras ou limitantes) e a mudar nosso mindset, nossa programação mental para algo que nós queremos aprender ou ressignificar e desejamos buscar para nossas vidas. Aprenda, reflita e divirta-se com este livro! Boa leitura!

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Capítulo 1 O que aprendi com os filmes

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ostrarei a você a importância dos filmes e dos recursos audiovisuais, desde seriados, novelas e vídeos da internet, para o aprendizado da sua mente inconsciente. A mensagem que eles passam para você tem um poder enorme para o seu aprendizado e quero compartilhar o que eu aprendi com os filmes ao longo da minha vida. Sempre gostei muito dos filmes de comédia, ação, de lutas, eu amava os de aventura. Eu gostava muito dos filmes cuja jornada do herói estava estampada na trama. Vamos ter um capítulo exclusivo para lhe contar sobre a jornada do herói e o que ela tem a ver com os filmes e a sua vida. Parando para pensar no homem que me tornei, devo boa parcela disso aos filmes. Quando preciso me empoderar, aumentar minha autoconfiança, ou deixar meu coração mais “mole”, eu recorro aos filmes e aos vídeos da internet. Eu só assisto a programas, vídeos, filmes e seriados que agreguem valor à minha vida ou que vão me deixar numa frequência mental positiva, como as comédias, por exemplo. O único seriado que eu assisto que é de terror é o “The Walking Dead”, 16


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porque gosto de prestar atenção ao comportamento humano dos personagens que não são zumbis. A série não se trata apenas de mortos-vivos, mas de pessoas. A grande sacada dos episódios é abordar o psicológico dos sobreviventes, a difícil convivência, os dramas, seus medos, o convívio social. Por mais adversas que sejam as condições de vida e a realidade, a maioria das pessoas não perde a esperança e simplesmente continuam lutando para sobreviverem e para reaverem o seu direito à humanidade. Pequenos grupos sociais novamente são criados com papéis e funções definidas na tentativa do restabelecimento mais rápido possível da humanidade abalada. A série é interessante porque mostra como as pessoas precisam de liderança. Em meio ao caos, são famintas por um líder que diga a elas o que fazer, qual caminho tomar; uma pessoa que

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elas possam seguir. No entanto, alguns deles se mostram pessoas sem caráter e sem escrúpulos, que desejam o poder pelo poder e atender apenas as suas necessidades pessoais para inflar seu ego e atender seus desejos de domínio, crueldade e ditadura. Não é muito diferente de alguns líderes que temos hoje espalhados em um mundo em que não existem zumbis. Mesmo com suas vidas em risco, as pessoas tendem a repetir os mesmos padrões de competição e luta pelo poder. Saber em quem confiar, valores como a importância da família e dos amigos (que são tratados como membros da família), seguir seus instintos, ou seja, confiar na sua mente inconsciente. Dar valor às pequenas coisas que passam desapercebidas nos dias de hoje, como um banho quente, papel higiênico, pacote de bolacha e água filtrada são algumas das percepções que a série nos mostra em um nível inconsciente. A incrível capacidade de adaptação do ser humano é algo também que é visível na série. Entre os diversos cenários que os personagens passam, perceber que não adianta ter um Playstation ou um IPhone se a prioridade é a sobrevivência. Estes tipos de regalias se tornam fúteis e banais. Portanto, a mudança de percepção sobre o que é realmente importante para suas vidas é algo para se pensar mesmo no nosso mundo atual. O comportamento humano é um assunto que simplesmente me fascina. E, por mais que seja uma série fictícia, os eventos que acontecem no decorrer da trama fazem parte da natureza do ser humano. A luta pela sua sobrevivência e das pessoas que você ama faz você fazer coisas que, racionalmente, jamais pensaria que 18


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seria capaz de realizar. Um exemplo é na quarta temporada no episódio em que Rick, o personagem principal da série, para proteger seu filho de ser morto por pessoas más, defende sua cria como se fosse um animal, mordendo a “jugular” (a artéria carótida) do seu inimigo, Joe. As pessoas sob pressão, ou no limite psicológico fazem coisas que, cognitivamente, jamais diriam que fariam. Por isso não podemos julgar dizendo que “eu não seria capaz de fazer isso”, porque estas atitudes e decisões são feitas impulsivamente, instintivamente, quando a hora “H” chega e então você precisa agir, deixando de lado sua parte racional dando vazão à área inconsciente, emocional que existe em você (e como já mencionei anteriormente, corresponde a 95% de você). Por exemplo, você seria capaz de comer carne humana? Provavelmente a sua resposta foi não... ou talvez, “Que nojo”! No entanto, perceba este cenário: o Filme “Vivos” (Alive – 1993), conta a história verídica sobre a queda de um avião de um time uruguaio de Rugby na Cordilheira dos Andes. Foram enviados vários aviões para procurar pelos 23 sobreviventes à queda, porém, sem sucesso. Após uma semana do desastre eles avistam ao longe um avião. Na certeza de que seriam resgatados, eles consomem praticamente todo estoque de alimentos que contava somente com barras de chocolate e caixas de vinho. No entanto, o resgate não veio. Sem informações, eles conseguem ouvir no rádio que as buscas haviam sido encerradas. Um mês e meio após o acidente numa noite, eles enfrentam uma avalanche matando 7 companheiros de equipe. Eles estavam sentenciados.

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Em um frio congelante, em meio às montanhas, famintos e sob pressão psicológica ao extremo, os 16 membros restantes à queda do avião tiveram que tomar uma decisão que mudaria para sempre suas vidas. Comer seus amigos mortos para não morrerem de fome. Eles foram resgatados porque dois colegas tiveram a coragem de sair numa expedição pelos Andes em busca de ajuda e, após 10 dias caminhando eles retornam ao local do desastre para salvar os outros 14 amigos. Eles sobreviveram em meio a condições físicas e psicológicas extremas por 72 dias. Um verdadeiro milagre. Olhando para este contexto, você teria feito o que eles fizeram? Talvez sim, mas respondendo no quentinho da sua casa, tomando uma xícara de café ou um copo de leite enquanto lê este livro é fácil dizer que jamais comeria gente, porque a resposta vem da parte racional do seu cérebro. No entanto, se isto de fato acontecesse e você tivesse uma vontade mensurável de viver, de sobreviver, talvez com filhos em casa lhe esperando e contando com a sua chegada, grandes sacrifícios você teria feito, passando por cima até dos seus valores. Foi o que estes atletas fizeram para retornarem aos seus lares. Voltando para o The Walking Dead, a série nos faz pensar que numa situação de caos como saber até onde vai o sentido de humanização. E a psicologia que envolve a série é algo único. Quando tomar decisões drásticas? Até que ponto é melhor se

unir a um grupo ou ficar sozinho para sobreviver? Até que ponto ajudar, confiar? Ajudar o outro e se colocar em risco? Vale a pena fazer qualquer coisa para se manter vivo? Parece ficção, mas tal20


O que aprendi com os filmes

vez vivemos um pouco dessa realidade de certa forma nos dias de hoje, metaforicamente falando. Enquanto escrevo este livro, a série ainda não terminou, está na sétima temporada, então vamos aguardar como será o seu desfecho. Sobre outras séries, assim como The Walking Dead, gosto de programas que estudam o comportamento humano, como o seriado “Lie to Me”. Eu assisto “Truques da Mente”, que faz entendermos como funciona o cérebro e formas de utilizálo de maneira diferente. Assisto a conteúdos que falam sobre comportamento humano. Sou fascinado por este tema! Outro programa interessante é “Ciência do Absurdo”. Tratase de um programa de humor, mas com grande aprendizado sobre as leis da Física, pois mostra os tombos das pessoas que tentaram fazer coisas diferentes, como por exemplo, descer um corrimão sobre um skate ou algum maluco tentando fazer duplo mortal de costas de cima de um muro e aterrissando errado no chão. O apresentador mostra o porquê das pessoas não conseguirem concluir com sucesso suas manobras, ensinando o expectador sobre a importância do conhecimento das leis da Física. Fico imaginando como seriam mais interessantes as aulas no colégio se o professor, após explicasse a matéria, mostrasse aos alunos um ou outro exemplo prático contidos nesse programa. Tenho certeza que eles absorveriam melhor o conteúdo e se lembrariam sempre que precisassem, pois o vídeo ficaria registrado na mente inconsciente dos estudantes. Gosto também do “Undercover Boss”, porque faz CEOs de 21


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grandes empresas estarem em contato direto com seus funcionários e entender o lado humano do negócio, como cada pessoa é única e tem seus próprios desafios na vida; além de colocarem “a mão na massa” e ver o quanto é desafiador, importante e valoroso o trabalho deles. Este programa é lindo porque estes donos de multinacionais começaram embaixo e foram crescendo. Muitas vezes suas empresas tinham apenas um único empregado: eles mesmos. E, ao crescerem e começarem a trabalhar mais na área de liderança e em escritórios, eles se esquecem o quanto é desgastante e exaustivo estar na linha de frente, fazendo todo trabalho braçal que a empresa precisa para ter sucesso. Ao trabalharem disfarçados por uma semana em suas próprias empresas, eles se lembram de onde vieram e conseguem enxergar os gaps para melhoria constante da companhia e, de quebra, conhecem pessoalmente alguns funcionários que demonstram paixão e lealdade ao conversarem com o chefe disfarçado, além de exporem seus problemas e questões pessoais. No final, quando o CEO se revela para estes funcionários como dono da empresa, além de ficarem muito surpresos, acabam sendo ajudados com estas questões que eles levantaram quando tiveram aquela conversa informal com o chefe. É muito emocionante, pois mostra o quanto os donos estão preocupados com o bem-estar de seus funcionários. Eu vejo bastante o clássico “Friends” porque em muitas histórias podemos tirar grandes lições para a nossa vida, além de ensinar valores que estão esquecidos nos dias de hoje. A série, que tem mais de vinte anos desde o seu lançamento

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e é a série de maior audiência da história da televisão americana, lembra-nos que todos nós somos humanos, cometemos erros e temos nossas manias e divergências, mas no final, os seis amigos sempre lidam muito bem com cada situação difícil que acontece entre eles. Não são poucas as situações que poderiam ter acabado com a amizade deles e sempre conseguem dar a volta por cima, porque sabem que no fundo nada é mais importante que a amizade que existe entre eles. Assisto até hoje “Friends”, e minha esposa virou tão fã da série, que todas as noites ela coloca os episódios em DVD para dormir. Gosto também de assistir o programa “Tratamento de Choque” onde pré-adolescentes e adolescentes delinquentes são levados à prisão para passarem um dia e uma noite encarcerados e fazerem contato direto com os presos, além de sentirem a rotina pesada e de muita pressão e insegurança dentro da cadeia. Assisto a este programa porque, além de ver a transformação positiva desses futuros adultos, vemos também o lado luz dos detentos, ou seja, suas qualidades, pois em determinado momento do programa, conversam individualmente com cada infrator, dando-lhes conselhos e alertando-os que não vale a pena seguirem a vida de crimes. Existem outros programas que assisto, mas não muito, como por exemplo, o “Cake Boss”. Acho fantástico a criatividade e perfeição dos bolos que as pessoas da Carlos Bakery fazem. Este programa resume bem a frase de Walt Disney: “Se você pode sonhar, você pode realizar”. Mas estes são programas e seriados que assisto hoje em dia,

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ao escrever este livro. Eles não existiam décadas atrás, com exceção de “Friends”. Entretanto, os filmes que eu assisti que foram importantes para o meu aprendizado inconscientemente e que, agora parando para pensar para escrever esta obra, foram outros. Sempre adorei assistir a desenhos animados e os clássicos da Disney, rendendo-me excelentes frutos, como “O Rei Leão”, em que conquistei a atenção da minha esposa, como mencionei na introdução deste livro. Eu os assisto até hoje. E dedico um capítulo para os desenhos. Mas falando sobre filmes, um que me marcou muito foi “Curtindo a Vida Adoidado” (Ferris Bueller`s Day Off - 1986). Assisti dezenas de vezes, talvez uma centena e, provavelmente, eu tenha optado por fazer Educação Física (além da influência do meu pai que sempre foi Educador Físico, assim como a minha mãe, e eu também por eu ser atleta), porque eu não me via enfurnado em um escritório oito horas por dia, sem ver a luz do sol. No filme, Ferris Bueller se recusa a ir para a escola em um dia tão lindo de sol, sem poder aproveitar a vida. A sensação de liberdade e ser dono das suas próprias decisões e dono de si mesmo foram além de procurar ser uma pessoa querida por todos, foram as lições mais poderosas que aprendi com este filme. Foi por isso também que sempre tive o espírito empreendedor. Por mais que meus pais tenham falhado ao tentarem o empreendedorismo, eu poderia ter optado pelo modelo mental deles e desistir ou nunca ter tentado nos primeiros fracassos, como ocorreu comigo também. Um filme poderoso quando o assunto é liberdade e seguir contra a boiada. Outro filme que assisti dezenas de vezes foi “Rocky IV” 24


O que aprendi com os filmes

(1985). “Rocky IV” foi o melhor da série e sou apaixonado por ele. O que mais aprendi com este filme foi o poder da autoconfiança para realizar seus desejos. Mesmo quando todos diziam que era impossível ele vencer seu adversário russo, Ivan Drago, por causa da sua força descomunal e agressividade. Inclusive a sua esposa o desacreditou dizendo que ele não era capaz de ganhar, ele seguiu em frente e acreditou no próprio potencial, manteve a sua autoconfiança, foi dedicado e se sacrificou ficando longe da família por um tempo para focar apenas na sua missão em derrotar seu oponente. Ele treinou praticamente sozinho em meio ao frio da Rússia (antiga União Soviética) de menos vinte graus, com materiais rústicos e pouco tecnológicos, enquanto Ivan Drago, seu oponente, tomava anabolizantes e treinava com toda infraestrutura e tecnologia com equipamentos de última geração. Mesmo assim, o que prevaleceu foi a determinação, a garra e o foco de Rocky, trazendo a vitória para os Estados Unidos. Lição importantíssima para o inconsciente, mostrando que, independentemente das suas condições, se você tem infraestrutura ou não, o que realmente importa na vida para ser um vencedor é a sua força de vontade, foco e determinação para alcançar o resultado que almeja. Um filme que nos dá força e faz acreditarmos na nossa capacidade de superar obstáculos e vencer. Excelente para confiarmos nos nossos instintos, mesmo quando todos dizem que você não pode, que você não é capaz. Ele foi muito importante para o desenvolvimento da minha autoconfiança. Quando tive a oportunidade de participar da pri25


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meira audição Cirque du Soleil, apesar de a minha família ter me dado todo suporte, muitos amigos e colegas me desencorajaram a estar presente na audição. Diziam que “eles” eram perfeitos, impecáveis, não erravam. Eles me questionavam se eu me achava perfeito para ter a ousadia de fazer a audição. Eles queriam me dizer que eu não era bom o bastante para fazer parte da trupe circense mais famosa do mundo. Lá no fundo eu sabia do meu sucesso, do meu êxito, que eu era perfeitamente capaz de ser aprovado, independentemente do que os outros dissessem e isso ninguém tiraria de mim. E mesmo no dia da audição, quando vi que havia pessoas melhores que eu, pensei que, se eu estava lá era porque tinha as mesmas chances que aqueles atletas e era tão bom quanto eles. Ao final do dia eu tinha sido o único artista marcial a ser aprovado naquela audição. A chave para isso foi a mensagem de autoconfiança do filme “Rocky IV”. O mesmo acontece em “Falcão o Campeão dos Campeões” (Over the Top - 1987), na cena em que Falcão conversa com seu filho sobre correr atrás dos seus sonhos; que o mundo não para de girar e se você quiser alguma coisa tem que correr atrás. Ele diz também sobre ganhar e perder e que perder faz parte desde que faça isso como vencedor porque o fez com dignidade. Lições poderosas para a mente inconsciente sobre honra e humildade. Falcão, assim como Rocky ensina a importância de acreditar em si mesmo. Ele vendeu o próprio caminhão e com o dinheiro recebido apostou nele mesmo, mesmo as chances de vitória sendo de vinte contra um. Eu sei as falas praticamente decoradas de tanto que eu 26


O que aprendi com os filmes

assisti a este filme com o ator Sylvester Stallone. Deve ter passado de cem vezes. Sempre quando estou passando pelos canais da TV a cabo e está passando eu paro para assistir. Um filme que fala sobre autoconfiança, família e realização de sonhos. Com o filme “Rocky III” (1982) aprendi que a derrota faz parte da vida e somos nós que decidimos nos levantar e tentar novamente. A motivação começa de dentro para fora e não ao contrário. Um excelente aprendizado no que diz respeito a importância do perder e perseverar, e que, a derrota faz parte do vencedor e que todos que já venceram, experimentaram-na pelo menos uma vez na vida. São tantos filmes que assisti que fizeram parte da minha vida. Muitos deles não agregaram valor nenhum e outros eram somente para diversão, mas uma boa parte desses filmes fizeram sentido e aprendi muita coisa através da mente inconsciente. A lista de filmes que vou passar aos leitores ao longo deste livro é para que as metáforas das histórias de cada um deles ensinem à sua mente inconsciente conceitos que farão a diferença dependendo da fase de vida na qual você se encontra hoje. “O Rei Leão” (The Lion King – 1994) me ensinou a importância em deixar o passado para trás e a cena que mais me marcou, depois da morte do Rei Mufasa e do Timão dançando a Hula, servindo de isca para as hienas, foi o macaco Hafiki dando esta mensagem para Simba. Não podemos negar quem somos e nem de onde viemos. Honrar e respeitar nossos antepassados, saber o seu lugar no mundo e seguir em frente acreditando que podemos fazer o nosso melhor para o nosso bem e o bem de quem amamos. Grande lição. 27


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Já o filme “O Máskara” (The Mask – 1994) conversou diretamente com a minha mente inconsciente e o assunto foi criatividade. O personagem Stanley Ipkis poder ser e fazer tudo o que bem entender colocando uma máscara do “deus da travessura”, me ensinou que podemos ser assim sem precisar usar nenhuma máscara, porque nós temos uma parte divina dentro de nós e podemos ser grandes como Ele, podendo ser, fazer e realizar tudo aquilo que a nossa imaginação desejar. Este filme nos ensina a despertar todo o potencial da nossa mente inconsciente. Ipkis em sua vida cotidiana representa a nossa mente cognitiva, racional, limitada, correspondente a apenas 5% da nossa capacidade cerebral. No entanto, ao colocar a máscara, ele se torna um ser ilimitado, onde todos os seus desejos, pensamentos e sonhos se tornam realidade. Este é o poder da nossa mente inconsciente, correspondente a 95% da nossa capacidade cerebral. A mensagem transmitida ao nosso inconsciente é simplesmente maravilhosa, pois no final do filme, quando Ipkis se desfaz da máscara, significa que ele não precisa de subterfúgios para ser quem ele gostaria de ser e que a máscara fez o papel dela de mostrar que o poder de ser quem ele quiser está dentro dele, basta ele despertar este lado divino. A mesma lição com o clássico da Disney “Aladdin” (1992). Nossos desejos são realizados se soubermos pedir ao nosso gênio interior. A mensagem de “Aladdin” estava gravada no meu inconsciente, e a metáfora fez ainda mais sentido depois de assistir “O Segredo” (The Secret – 2006). Como é bom saber que a realização de tudo aquilo que queremos está em entender que 28


O que aprendi com os filmes

somos únicos, uma parte minúscula do universo infinito e, ao mesmo tempo, grandes o suficiente para este mesmo universo encaixar-se dentro de nós. Dedicarei um capítulo exclusivo para “Aladdin”, pois, é sem dúvidas, um desenho para crianças e adultos se divertirem, mas também refletirem sobre o poder da nossa mente inconsciente e onde podemos encontrá-la e acessá-la. Um filme maravilhoso sobre não julgar as pessoas é “O Último Samurai” (The Last samurai – 2003). Como é bom aprender que, ao calçar os sapatos do outro, ao conviver ao lado do “inimigo” e conversando com ele temos uma nova percepção sobre o problema, tendo uma visão diferente da qual nós tínhamos no início. Natan Algren, personagem de Tom Cruise, conceituado militar norte-americano é contratado para lutar contra os samurais que, segundo a visão de alguns japoneses, estavam atrasando o desenvolvimento do Japão. Ele é capturado pelo inimigo e passa meses convivendo e aprendendo os costumes e a cultura dos samurais. Algren passa a entender que a causa pelo qual ele lutara era insuficiente e que estar com os samurais fazia mais sentido para a sua vida. Eu fui entender a mensagem deste filme que foi lançado no Brasil em janeiro de 2004, somente em julho de 2005 quando tomei uma das decisões mais desafiadoras e acertadas da minha vida que foi sair da academia de artes marciais que eu havia ficado por mais de catorze anos. Quando tomei esta decisão eu fui visto como traidor (assim como Nathan Algren ao decidir lutar em favor dos samurais). 29


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Esta decisão me fez perder todos meus amigos da academia que estavam cegos à realidade que percebi naquele momento. Não adiantou eu alertá-los, pois eles não estavam prontos para enxergar com os próprios olhos a realidade daquele lugar (assim como no filme “Matrix”- 1999 - falarei mais sobre este filme a seguir e em um capítulo exclusivo). Eu fui visto como inimigo e até ameaçado. Em julho de 2005 eu percebi que eu não podia fazer nada para ter meus amigos de volta, apenas esperar o tempo necessário para que eles amadurecessem e calçassem meus sapatos e tivessem uma percepção sob uma perspectiva diferente das quais eles tinham naquele momento. Eu estava certo da minha decisão, dos meus princípios e valores, da educação e criação maravilhosas que meus pais deram para mim. Se não fossem estes princípios, provavelmente eu estaria lá até hoje. E como a vida é linda! Como é maravilhoso saber que as pessoas crescem, amadurecem, passam a ter suas próprias opiniões, não permitem serem mais manipuladas e se tornam donos de suas próprias decisões. Nove anos depois o primeiro amigo que tinha virado as costas para mim veio me pedir pessoalmente desculpas. Depois dele, outros vieram e até o presente momento em que escrevo este livro eles ainda vêm, humildemente, me pedir perdão e eu, naturalmente aceito, pois uma das necessidades básicas do ser humano é ter o direito de errar, e quem sou eu para não perdoar. Um filme poderoso que ensina à mente inconsciente que o verdadeiro vilão às vezes somos quem defendemos primeiramente,

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e que nosso inimigo nem sempre é quem aparenta ser. Um aprendizado muito importante sobre entender que a vida dá voltas. Todas as vezes que assisto a este filme eu me emociono, porque me faz lembrar desta difícil decisão que tive que tomar; mas que foi a melhor e mais sábia da minha vida e, por mais que eu tenha me passado por inimigo, assim como os samurais, no final das contas eu era o mocinho da história e as pessoas, cada uma no seu devido tempo, vieram e estão vindo até hoje reconhecer seus erros para mim. É um filme que fala de honra e também de caráter, determinação e perseverança. Vou dedicar um capítulo para analisar mais profundamente este filme, por enquanto estou mostrando o que este longa me ensinou. Em “O Último Samurai” aprendi que podemos sim mudar de opinião e está tudo bem quando você percebe que está lutando do lado errado da batalha. “Matrix” (1999) foi um filme extraordinário. O primeiro filme fez total sentido para mim, pois se baseia no mito da caverna de Platão. Ele refere-se às pessoas que estão presas em uma prisão mental e não conseguem se libertar para o mundo real. Platão dizia que existe dois tipos de mundo: o “mundo dos cinco sentidos”, onde podemos ver, sentir e tocar, e o “mundo da inteligível, das ideias”. Explicarei melhor este conceito no capítulo especial destinado à interpretação do filme “Matrix”. Eu poderia, por exemplo, citar a cena “Não há colher”, onde não temos o poder de mudar o outro, apenas mudar o nosso próprio modo de enxergar o outro, ou de encarar os problemas. Vou dedicar um capítulo todo para os filmes, “O Último 31


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Samurai”, “Matrix”, “O Rei Leão”, “Aladdin” e “Divertida Mente”, pois entendo que a análise destes filmes vale a pena ser mais profunda para que os leitores percebam o poder das mensagens para mente inconsciente. Provavelmente, ao lerem estes capítulos de análise, já perceberam alguns pontos, mas acredito que a reflexão que farão será mais profunda e irão se questionar que jamais haviam pensado em uma visão como esta e que fez todo sentido. Acredite, seu inconsciente absorveu a mensagem, porém, quando olhamos a análise pelo lado cognitivo, lendo este livro, chancelamos o aprendizado e sempre se lembrarão da mensagem transmitida nestes filmes. Por enquanto neste capítulo eu fiz uma breve análise sobre estes filmes para mostrar o que aprendi com eles. Um filme maravilhoso que não posso deixar de citar foi o “Karatê Kid” (The Karate Kid – 2010). Aprendi com ele que não existe mau aluno e sim mau professor. Aprendi que existem professores de artes marciais que possuem centenas de alunos, porém não ensinam de fato a arte marcial em si, mas valores distorcidos a seus alunos. Em 2006 eu tive a oportunidade de fazer um intercâmbio de Wushu Moderno (Kung-Fu) de trinta dias na China, na cidade de Xi`An, onde foi descoberto os Guerreiros de Terracota. Um lugar maravilhoso! Eu fui sozinho e sem falar mandarim, apenas inglês. Em Xi`An quase ninguém falava esta língua, então você pode imaginar como foi um desafio a minha comunicação por lá. Você pode rir mas era através do “mimiquês”. 32


O que aprendi com os filmes

O filme Karatê Kid foi extraordinário para mim porque retratou exatamente a minha experiência na China. O meu sentimento foi igual ao do personagem Dre Parker ao chegar naquele país. Por não ter os “olhos puxados”, todos me olhavam me fazendo sentir totalmente deslocado, como se eu fosse um alienígena vindo de outro mundo. A cena onde Dre tira o casaco e coloca o casaco um milhão de vezes e seu mestre, o senhor Han, o ensina a base da filosofia marcial chinesa: “Kung-Fu está em todo lugar: está no modo

como colocamos casaco, tiramos casaco e em como tratamos as pessoas; porque tudo é Kung-Fu” ensina, além da importância da

persistência e da determinação para termos excelência naquilo que estamos fazendo, a primeira regra das artes marciais: tratar a todos, amigos e inimigos com educação, cortesia e respeito. No universo do Self Coaching é basicamente: ame incondicionalmente as pessoas, sua sombra e sua luz. Além disso, esta cena ensina a diferença entre aprender com a mente consciente e a mente inconsciente. O senhor Han poderia ter ensinado Kung –Fu a Dre através da sua mente consciente, ensinando-o a chutar, socar, saltar. Isto levaria anos de prática. No entanto ele preferiu utilizar a mente inconsciente de Dre ensinando através da metáfora de colocar e tirar o casaco, a lutar. Lembra-se? Nossa mente inconsciente aprende através de metáforas, por blocos. O senhor Han encurtou o tempo de aprendizado de Dre ao ensiná-lo metaforicamente como é lutar Kung-Fu. No final do filme quando Dre machuca o joelho e ainda as33


O poder dos filmes para a mente inconsciente

sim decide lutar e ainda por cima, ganha, foi sensacional porque dois anos antes do lançamento do filme eu estava numa turnê de ginástica pela Colômbia com duração de quinze dias, com o Grupo ginástico da Unicamp, e na primeira semana eu luxei o tornozelo direito. Meu pé virou uma bola. Voltando do hospital, fiquei três dias me recuperando (era para eu ter ficado três semanas) e decidi continuar me apresentando, mesmo com o pé luxado. Um ano depois do lançamento do filme, eu quebrei o joelho direito no aquecimento de uma competição de Kung-Fu. Fui ao hospital, o médico fez exames e me disse que meu menisco, meu ligamento colateral medial e cruzado anterior tinham sido prejudicados e que eu estava fora da competição e deveria operar. Quando voltei para o campeonato decidi, mesmo assim, competir. Fiquei em terceiro lugar. Uma semana depois eu estava operando o joelho. Estou dizendo isso para você porque tudo é uma questão de COMO enxergamos o problema; é a nossa percepção sobre aquilo que nos cerca que faz de nós quem somos. Assim como Dre podia ter desistido de lutar no final do filme porque estava machucado, eu também podia ter escolhido não me apresentar na Colômbia por causa do tornozelo luxado e anos depois não ter competido por causa do joelho quebrado. Ao refletir agora, enquanto escrevo este livro, acredito que, de alguma forma inconsciente, o filme me influenciou a competir machucado... Não estou dizendo se está certo ou errado, apenas relatando a minha percepção sobre o episódio. A viagem para a China foi, sem dúvidas, inesquecível. Po-

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O que aprendi com os filmes

rém, o calor humano dos brasileiros é um pouco mais quente em relação aos chineses, mas amei estar na China; um lugar lindo, com uma cultura milenar maravilhosa e eu voltaria para lá tranquilamente. Continuando sobre outros aprendizados, em “Um Príncipe em Nova York” (Coming to America – 1988) aprendi a importância de encontrar um amor que me ame por quem eu sou e não pelo o que eu sou. Aprendi que o amor não tem fronteiras, preconceitos e que é essencial encontrar alguém que lhe ame na sua essência, sem máscaras ou interpretações. Aprendi a importância da humildade, independentemente da sua classe social ou tamanho da sua conta bancária, e que trabalho é importante para prosperar e se sobressair perante as outras pessoas. Citei apenas alguns dos filmes que fizeram muito sentido durante a minha infância e adolescência, caso contrário, a lista seria muito grande, mesmo porque sempre estamos aprendendo através deles. Sempre que posso, procuro assistir a filmes que agregam valores à minha vida e que despertem novas percepções para a minha história. Eu convido os leitores a refletirem quais filmes fizeram mais sentido; o que aprenderam com eles e como o influenciaram, de alguma forma, no modo como pensam e percebe os acontecimentos à sua volta. Talvez seja um desafio agora pensar sobre isto, mas, provavelmente, esta reflexão se torne mais fácil ao longo da leitura deste livro. Então, aproveitem cada página!

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Capítulo 2 Mente Consciente e Mente Inconsciente

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ntes de entrarmos na parte dos filmes propriamente, é necessário entender algumas coisas muito interessantes e importantes para a compreensão da importância que os filmes têm para nosso aprendizado inconsciente. O nosso cérebro é dividido em dois hemisférios: direito e esquerdo, conectados apenas pelo corpo caloso que é feito de 300 milhões de fibras axonais. Por causa da maneira que os lados processam informações de forma diferente, cada hemisfério pensa sobre coisas diferentes, dão atenção para coisas diferentes e, segundo a visão da neurocientista Jill Taylor, eles têm personalidades diferentes. O nosso hemisfério esquerdo é responsável pela nossa mente consciente e pensa linearmente e metodicamente. Ele se preocupa com o passado e o futuro. Foi designado a olhar para o que existe à nossa volta no aqui e agora e pegar cada detalhe, categorizar e organizar essas informações associando com tudo o que aprendemos no passado e projetando no futuro todas as nossas possibilidades.

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Mente Consciente e Mente Inconsciente

Nossa mente consciente é analítica, cognitiva, racional. É a parte do cérebro que é cautelosa e cética, se preocupa com a razão, é estratégica, realista e controlada. Podemos vincular a mente consciente com nossa atenção, isto é, estamos conscientes quando estamos atentos ou focalizamos alguma coisa em especial. Tem a função de organizar, julgar, decidir, discernir, raciocinar, dividir, multiplicar, etc. Podemos vincular a mente consciente com nossa atenção, isto é, estamos conscientes quando estamos atentos ou focalizamos alguma coisa em especial. É a nossa mente acordada, despertada, que observa e coordena todas as nossas ações. Ela pensa em linguagem. E a linguagem é a habilidade de criar sons e dar sentido a eles e permitindo que possamos nos comunicar. A linguagem também é a capacidade de autorreconhecimento; de nos reconhecermos como indivíduos. É a conversa interna que temos e faz a conexão entre meu mundo interior com o exterior. É aquela voz que nos faz lembrar, por exemplo, de colocar gasolina no carro, ou de irmos ao supermercado porque o leite acabou. Assim conseguimos armazenar dados, arquivos no interior do hemisfério esquerdo que formam o núcleo do ego de cada um de nós que nos definem como indivíduos. O hemisfério esquerdo, responsável pela nossa mente consciente, aprende por linhas, e olha para as partes, ao invés de enxergar o todo. É a nossa parte limitada do nosso ser, que é lógica, mecânica e cuja percepção do tempo é aquela do relógio, ou seja, temporal. Ocupa uma pequena porção da mente humana, cerca de 5%. Já o nosso hemisfério direito é responsável pela nossa 37


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mente inconsciente e preocupa-se com o tempo presente. Ele pensa em imagens e aprende sinestesicamente através do corpo. Informações em forma de energia fluem simultaneamente por todos os nossos sistemas sensoriais e então explodem nessa enorme colagem o que representa o tempo presente. E através dos nossos sentidos recebemos a informação qual é o cheiro, o gosto, as sensações, os sons e as imagens do presente momento. É a nossa mente inconsciente que nos diz sermos pura energia conectada a energia ao meu redor, com o universo. Estamos conectados uns com os outros através da consciência do nosso hemisfério direito, da nossa mente inconsciente. Nossa mente inconsciente é responsável por nossa intuição, nosso amor, paixão. Está ligada à parte de nós que é responsável pelas artes, poesia, liberdade. É o nosso lado criativo, imaginativo, emotivo, aventureiro, receptivo e emocional. O hemisfério direito, responsável pela nossa mente inconsciente aprende por blocos e olha para o todo. É a nossa centelha divina, nosso poder interior, a parte ilimitada do nosso ser, cuja percepção do tempo não existe, é atemporal. No inconsciente são gravadas nossas memórias, nossos programas internos. O inconsciente possui uma linguagem própria, muitas vezes fala através de metáforas e não faz diferença entre o real e o imaginário. Ela ocupa uma porção significativa de mente humana, cerca de 95%. E justamente pelo motivo da nossa mente inconsciente, responsável pelas nossas emoções, ocupar quase toda a nossa mente, podemos dizer que não somos animais racionais que têm sentimentos, mas sim, somos seres sensitivos que pensam.

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Mente Consciente e Mente Inconsciente

A mente inconsciente que é a mente “sábia”, capaz de captar a totalidade de cada situação ou ambiente. Na verdade essa mente “sábia” é que governa sua vida de acordo com todas as informações que foram armazenadas durante suas experiências e que podem trazer curas, pois todos os problemas físicos, emocionais, comportamentais advêm de uma relação pobre e equivocada no que diz respeito à sua relação com sua mente inconsciente. Muito do que fazemos o tempo inteiro, é inconsciente, como falar, por exemplo. Você simplesmente pensa no que quer dizer, suas ideias, não precisando selecionar conscientemente as palavras; elas simplesmente aparecem. Isso acontece porque o seu inconsciente trabalha nos bastidores durante a conversa, vasculhando o seu vocabulário e abastecendo o consciente para ajudar você a se expressar. Enquanto você escuta outra pessoa falar, acontece algo parecido. Você não precisa analisar e decodificar conscientemente cada palavra do que ela está dizendo, porque o seu inconsciente se encarrega de transformar em ideias os sons que estão saindo da boca dela. Ao ler um texto acontece a mesma coisa: o inconsciente transforma automaticamente os símbolos gráficos que são as letras e as palavras da página em ideias, que só então são transmitidas para a sua mente consciente. É por isso que é mais desafiador aprender outro idioma. Quando você começa a falar ou ler textos em outra língua, está usando apenas a consciência, porque o inconsciente ainda não assumiu a tarefa, e você tem de escolher ou analisar as palavras uma por uma.

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O inconsciente se encarrega de tudo o que fazemos sem esforço perceptível, como andar na rua ou escovar os dentes. Por causa disso, ele opera em potência máxima o tempo todo. O tempo é uma metáfora, uma percepção da nossa mente consciente. Se eu perguntar o que você é capaz de fazer com 3 segundos, talvez me daria respostas do tipo: “inspirar ou expirar”, fazer alguns movimentos com o corpo. Provavelmente você diria que não é tempo suficiente para fazer muita coisa. Esta é a sua mente consciente pensando e me dando esta resposta. No entanto, para nossa mente inconsciente, 3 segundos é muito tempo. Para termos uma ideia, é tempo suficiente para acessarmos todas as nossas memórias de uma vida com mais de 70 anos. É impressionante!

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Se você entende de computadores, é como se o lado direito do nosso cérebro funcionasse como um processador paralelo e o hemisfério esquerdo como um processador serial. Muitos neurocientistas especialistas no campo da computação tendem a calcular que a capacidade de armazenamento da mente humana se situa entre 10 e 100 terabytes, embora o espectro total de estimativas varie de 1 terabyte a 2,5 pentabytes. A matemática por trás dessas estimativas é simples. O cérebro humano contém aproximadamente 100 bilhões de neurônios. Cada um deles parece capaz de realizar mil conexões, representando mil sinapses potenciais que armazenam dados. Multiplique cada um desses 100 bilhões de neurônios por aproximadamente mil conexões que podem ser feitas e teremos 100 trilhões de pontos de dados, ou 100 terabytes de informação. Os neurocientistas admitem que esses cálculos são bastante simplistas. Em primeiro lugar, eles supõem que cada sinapse armazena um byte de informação, mas essa estimativa pode ser alta ou baixa demais. Os estudiosos não sabem ao certo quantas sinapses transmitem com apenas uma única força frente a forças muito diferentes. Uma sinapse que transmite somente com uma única força pode comunicar apenas um bit de informação - “liga”, “desliga”, 1 ou 0. Por outro lado, uma sinapse que transmite a muitas forças diferentes pode armazenar diversos bits. Em segundo lugar, as sinapses individuais não são completamente independentes. Às vezes são necessárias várias para transmitir uma única informação. Dependendo do quão frequente ocorra isso, os 10 a 100 terabytes calculados podem ser maiores.

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Outro ponto: é difícil calcular quanto dessa capacidade de armazenamento do cérebro é espaço “livre” e quanto é “utilizado”. O cérebro é muito mais complexo do que um disco rígido. A mente inconsciente pode processar 20.000.000 bits de informação por segundo. A mente consciente só pode processar 40 bits de info/s. Assim, a mente inconsciente pode processar 500.000 vezes mais o que a mente consciente é capaz de fazer. Isto de acordo com a informação da biologia da Crença pelo Dr. Bruce Lipton. Não há um acordo formal sobre quão rápido é a mente inconsciente. Por exemplo, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia estimam que a retina humana pode transmitir a entrada visual em cerca de 10 milhões de bits por segundo. Outro estudo sugere que a mente inconsciente processa cerca de 400 bilhões de bits de informação por segundo e os impulsos viajam a uma velocidade de até 160.000 km/h! Compare isso com sua mente consciente, que processa apenas cerca de 2.000 bits de informação por segundo e seus impulsos viajam apenas a 160-240 km/h. Temos 50 trilhões de células em nosso corpo realizando trilhões de processos - por isso um enorme poder de processamento é necessário. Apenas cerca de 0,01% de toda a atividade do cérebro é experimentado conscientemente. Em outras palavras, é como se cerca de 10.000 filmes de cinema estão realmente acontecendo no cérebro de uma só vez, enquanto estamos conscientes apenas de um deles. Em tese, então, a taxa de dados processados pelo cérebro é um astronômico 320 Gb/s.

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Mente Consciente e Mente Inconsciente

Decidimos escolher conscientemente ver e usar apenas metade de um milionésimo da porcentagem do nosso potencial total. Para termos ideia destes números, vamos comparar o poder das nossas mentes consciente e inconsciente, e colocar literalmente no papel. Com uma caneta em mãos, imagine que cada ponto que você fizer com ela em um papel seja um bit de informação. Se você for muito bom em fazer pontos com rapidez, vamos supor que consiga chegar a marcação de dez pontos no papel em um segundo. Lembre-se: cada ponto feito é a metáfora de um bit de informação. Para você fazer a mesma pontuação que a sua mente consciente faz em um segundo, você precisaria de três minutos e meio numa velocidade superior a dez pontos por segundo e mantendo a periodicidade. Surpreso? Isso realmente é surpreendente. No entanto, se o seu cérebro estiver processando toda a informação da sua mente inconsciente, ou seja, os 400 bilhões de pontos, você levaria 821 anos! E isto sim, é impressionante! Sabendo da potência que tem a nossa mente inconsciente, por que damos mais atenção à nossa parte consciente? Porque oprimimos nossas emoções, nossa criatividade e divindade e damos mais importância à razão, à nossa cognição? Por que reprimimos a parte mental que mais ocupa a nossa mente? O fato é que nosso cérebro alterna repetidamente de uma mente para a outra e escolhe a potencialidade dos bits de informação de deseja perceber, acessar, ver e acreditar.

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Infelizmente estamos nos condicionando ao mínimo esforço e o nosso cérebro também está. Imagine na época das cavernas onde o homem precisava sair à luta literalmente e voltar com comida para a sua toca. O momento em que ele pensasse: “Hoje não vou sair para caçar porque estou com preguiça”, ele morreria de fome e sua família também. Nos tempos atuais as pessoas estão acostumadas a escolherem o caminho mais fácil, não se forçando a sair da nossa zona de conforto, seja por medo do novo ou comodismo. Estão ficando moles fisicamente e mentalmente. Perceba a sua postura neste exato momento em que lê este livro. Provavelmente sua posição seja com a coluna vertebral curvada, com o corpo “largado”. Com o nosso cérebro não é diferente. Ele se acostuma com as coisas que escolhemos perceber e, são coisas que já conhecemos. Elas já foram decididas há muito tempo. O mundo o qual vivemos não é o mundo real; é apenas uma versão limitada, minúscula das informações que escolhemos processar e que o nosso cérebro inventa e toma como verdade. John Maunsell, neurocientista de Harvard disse: “As pessoas pensam que estão vendo o que está realmente ali, mas não estão”. Temos à nossa disposição mais de cem bilhões de células nervosas, cada uma com diversas ramificações proporcionando incontáveis possibilidades de caminhos neurais espalhados pelo nosso cérebro. A informação é transmitida através de trilhas neurais dos bilhões de neurônios que temos. Uma vez que o cérebro decide quais bits quer perceber, criam-se pontes entre as células nervosas para a informação ser passada criando caminhos neurais.

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No entanto, estes caminhos tornam-se cada vez mais acessados conforme vamos mantendo os mesmos padrões de pensamentos, os mesmos comportamentos e crenças. O problema disso é que o nosso cérebro se acostuma a pegar o caminho mais fácil, aquele que já foi percorrido inúmeras vezes e acaba perdendo o potencial ilimitado da nossa mente. A metáfora que Pam Grout usa em seu livro Energia ao Quadrado descreve muito bem a perda da nossa capacidade cerebral justamente por utilizar as mesmas trilhas neurais, desprezando o poder ilimitado da nossa mente inconsciente. Adaptando sua analogia, imagine que você viaje de carro nas férias para o litoral, para o campo ou para as montanhas. Você faz isso todas as vezes que está num período de folga mais longo e usa sempre a mesma rota para chegar ao seu destino. Uma vez que você conhece os diversos caminhos que podem lhe conduzir até lá, mesmo não experimentando cada um deles, você opta pela rota mais curta e fácil e sempre a usa para chegar ao mesmo lugar. Ao fazer isso, está deixando de apreciar novas rotas, novos lugares, novas paisagens que, talvez, sejam mais belas para onde estava indo. Você para de viajar pelo resto do país, se privando ao passar sempre pelo mesmo caminho. Assim como a sua decisão em pegar a rota mais fácil, que você está acostumado a fazer, seu cérebro também está condicionado a fazer os caminhos neurais pela rota mais simples, deixando de lado conhecer outras áreas do “país”. Faça um experimento simples, fácil e poderoso. Em meu curso online Vencendo Desafios, convido as pessoas a fazerem 45


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um percurso diferente para ir ao trabalho, pegando uma rota que nunca haviam feito. É incrível o feedback delas. Elas dizem que nunca tinham reparado que havia outras possibilidades de caminhos; que o novo caminho que escolheram era mais bonito; algumas até relataram que pegaram menos trânsito. Olha que aprendizado maravilhoso: a pessoa fez durante anos o mesmo caminho para o trabalho. Quando ela é desafiada e escolhe fazer um percurso diferente, descobre que o novo caminho, além de ser mais belo, tem menos trânsito. Quantas vezes não estamos condicionados a fazer e a acreditar nas mesmas coisas achando que é o melhor para nós e, com uma micro mudança de pensamento, uma nova conexão neural, gera um macro resultado? É importante ressaltar que ambas as mentes, consciente e inconsciente, são importantes e se complementam. Nenhum dos lados do cérebro trabalha de forma independente. Lógica e análise não existem somente no hemisfério esquerdo, assim como criatividade e intuição não existem apenas no hemisfério direito. A tecnologia da Tomografia revela que ambos os hemisférios trabalham e se comunicam um com o outro. A melhor maneira da nossa mente inconsciente aprender é por metáforas, histórias. E quando escrevo este livro sobre o poder dos filmes para o aprendizado da nossa mente inconsciente é justamente porque ela aprende por imagens, fazendo associações e analogias. E cada filme que assistimos leva uma mensagem para o nosso inconsciente, que podem ser mensagens boas, que agre46


Mente Consciente e Mente Inconsciente

gam e somam valor às nossas vidas, ou não, como veremos mais adiante. E esta é uma forma de aprender. Existem três tipos de aprendizagem: cognitiva, psicossomática e acelerativa. A aprendizagem cognitiva é aquela que aprendemos na escola durante a primeira e a segunda infância, também durante a fase jovem, em cursinhos, cursos técnicos e faculdades. De um modo geral, é como estamos acostumados a aprender até o momento em que escrevo este livro. A aprendizagem cognitiva está relacionada ao entender, ou seja, quando procuramos racionalmente, cognitivamente entender o conteúdo ensinado. Este tipo de aprendizagem utiliza especificamente o lado esquerdo do nosso cérebro, ou seja, a parte que aprende em linhas, por partes, que é limitada, busca a lógica é cética, cognitiva e racional. Este é o pior jeito de aprender alguma coisa, pois quando nos preocupamos em apenas entender o que estamos estudando, conseguimos ter um aprendizado com uma memória de curta duração, pois utilizamos assim apenas 5% do potencial do nosso cérebro. Por isso esquecemos boa parte do conteúdo absorvido ao longo dos anos. O segundo tipo de aprendizagem é a psicossomática; aquela que aprendemos sentindo. Este tipo de aprendizagem utiliza o lado direito do nosso cérebro, ou seja, a parte que aprende em blocos, que olha para o todo, é ilimitada, busca o sentimento, a imaginação a criatividade, a emoção. É o tipo de aprendizagem que temos ao assistir a filmes,

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

por exemplo. Utilizando este tipo de aprendizagem, usamos 95% do potencial do nosso cérebro. Quando aprendemos sentindo, temos uma memória de média duração que é mais poderosa que a aprendizagem tradicional que sempre tivemos. O terceiro tipo de aprendizagem é a acelerativa. Este tipo de aprendizagem une os dois tipos anteriores. Quando unimos a aprendizagem cognitiva (entendendo o que estamos aprendendo) com a psicossomática (sentindo o que estamos aprendendo), temos a aprendizagem acelerativa. E ao associarmos a informação às emoções geradas, utilizamos 100% do nosso potencial mental tendo, portanto, uma memória de longa duração. Por isso a importância de ler este livro sobre o que aprendemos com os filmes: quando entendemos o que sentimos ao assisti-los, estamos aprendendo com o terceiro tipo de aprendizagem, ou seja, a aprendizagem acelerativa. As emoções são rapidamente rastreadas pelo nosso cérebro. Geralmente, primeiro sentimos para depois raciocinarmos sobre o que estamos sentindo. Por isso, quanto mais sentirmos o conteúdo, mais conseguiremos acioná-lo em nossa memória. Os filmes correspondem, portanto, ao segundo tipo de aprendizagem, onde sentimos. Este livro traz uma reflexão cognitiva do aprendizado inconsciente aprendido nos filmes, caracterizando, portanto o terceiro tipo de aprendizagem, a acelerativa, pois sentindo os filmes assistidos e entendendo suas metáforas cognitivamente explicadas neste livro, seu aprendizado é 100%, trazendo uma memória de longa duração. Eu convido você a fazer isso com todos os filmes que assistir. Portanto, se apenas entendermos o que aprendemos, usan-

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do a lógica e a razão isso é raso, de curta duração. Quando sentimos o que estamos aprendendo é potencializado o aprendizado em comparação à cognição e tem média duração. E quando sentimos e entendemos o que estamos aprendendo é a melhor forma de sempre lembrarmos o que foi ensinado, pois tem uma memória de longa duração. E é justamente este o objetivo deste livro. Como eu disse, fomos ensinados a aprender apenas com a nossa mente consciente, de forma racional, cognitiva, menosprezando o poder que temos em aprender através do nosso inconsciente. E como é maravilhoso saber agora que, para termos resultados extraordinários, é interessante unir ambas as mentes para que possamos ter uma memória de longa duração. Sentir o que estamos aprendendo cognitivamente ou racionalizar o que estamos sentindo traz aprendizados longínquos para a nossa vida. Ambas as nossas mentes trabalham juntas o tempo todo. No entanto, temos mais consciência da nossa mente consciente, nos esquecendo da importância e do poder que a mente inconsciente tem em nossas vidas. Um exemplo de como nossa mente consciente e inconsciente funcionam juntas está acontecendo nesse exato momento ao ler este livro. Sua mente consciente tem a percepção da informação do texto, enquanto sua mente inconsciente processa e junta as letras, sílabas e frases, estruturas gramaticais, faz associações e interpreta significados. Vou demonstrar um pouquinho deste poder inconsciente mensurando-o através de um exercício simples, porém poderoso para que você tenha uma pequena noção do potencial que você tem em suas mãos (ou melhor dizendo, no seu cérebro...)

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Para você ter uma ideia de como nossa mente inconsciente funciona a respeito da intuição, simbologia e associações, o texto abaixo está escrito de uma maneira diferente. Talvez você consiga ler a primeira frase com um pouco de dificuldade, mas em pouco tempo sua mente inconsciente se encarregará de codificar e interpretar a simbologia utilizada nas palavras até o final do texto, fazendo as associações necessárias para o seu entendimento. Segue o texto: 3M UM D14 D3 V3R40, 3U 35T4V4 N4 PR414 0853RV4ND0 DU4S CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 TR484LH4R4M P0R MU1T0 T3MP0 CON5TRU1ND0 UM C45T3L0 D3 4R314, C0M T0RR35, P4554R3L45 3 P4SS4G3N5 1NT3RN45. QU4ND0 35T4V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 0 D3STRU1U C0MPL3T4M3NT3, R3DUZ1ND0 0 C45T3L0 4 UM M0NT3 D3 4RE14 3 35PUM4... 4CH31 QU3, D3P015 D3 T4N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0. M45 F01 0 C0NTR4R10: 3L45 C0RR3R4M P3L4 PR414 F3L1Z35 3 R1R4M D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 F4Z3R 0UTR0 C45T3L0. C0MPR33ND1 QU3 3U H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40. D3P3ND3 D3 N05 53 R1M05 0U CH0R4M05 D14NT3 D45 C01545 QU3 4C0NT3C3M C0N05C0. 4 N0554 P3RC3PC40 S08R3 05 PR08L3M45 D0 N0550 D14 4 D14 3 0 QU3 1R4 D3F1N1R 4 N0554 F3L1C1D4D3. P0R74N70, 50RR14, 8R1NQU3, L3V3 UM4 V1D4 S4UD4V3L D3 F0RM4 L3V3 3 F3L1Z! V0C3 P3RC383 C0M0 35T4 P3QU3N4 H15T0R14 M05TR4 50


Mente Consciente e Mente Inconsciente

0 QU4NT0 N0554 M3NT3 1NC0N5C13NT3 T3M P0D3R 3 F4Z C01545 1MPR35510N4NT35! N0 1N1C10 PR0V4V3LM3NT3 V0C3 D3V3 T3R T1D0 UM P0UC0 D3 D1F1CULD4D3 P4R4 L3R, M45 D3P015 S3U 1NC0NSC13NT3 V41 D3C1FR4ND0 0 C0D1G0 4UT0M4T1C4M3NT3, S3M PR3C154R P3N54R MU1T0. 1550 3 L1ND0! Quando ambas as mentes trabalham juntas, tanto para potencializar o aprendizado, utilizando a aprendizagem acelerativa, como para qualquer outra função que você desejar desempenhar, é que temos os melhores resultados. O que será que acontece quando os dois hemisférios enfrentam um conflito de interesses? Para que você tenha uma experiência prática sobre esta questão mostro-lhe um desafio interessante. Vamos dividir este desafio em duas etapas. No quadro abaixo começando da esquerda para a direita, diga o nome de cada animal em apenas 15 segundos. Cronometre com um alarme regressivo para você não ter que se preocupar em olhar para o tempo. Seja sincero e não treine antes. Apenas faça de primeira, ok? Acredito que você levará de 09 a 14 segundos para dizer o nome dos animais da esquerda para a direita. Lembre-se de cronometrar e fazer logo na primeira tentativa. Vamos lá:

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Fácil, não é mesmo? Provavelmente você não teve dificuldades para completar o desafio no tempo previsto. Isto acontece porque a palavra que você leu condizia com a imagem do animal que estava atrás, ou seja, a informação que sua mente consciente absorveu ao ler o nome do animal estava alinhada com a informação que a sua mente inconsciente codificou ao ver o animal que estava atrás da palavra. Ambas as mentes estavam conectadas. 52


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Agora vamos para a segunda etapa. Vou fazer uma pequena mudança e você deve começar da esquerda para a direita novamente, porém, ao invés de dizer o nome que está escrito na frente do animal, você deve dizer o nome do animal na figura e não a palavra que está escrito nela, ok? Por exemplo: comece dizendo ELEFANTE, depois URSO assim por diante... Lembre-se você tem apenas 15 segundos e não treine antes de começar. Pronto? Comece:

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Mais desafiador não é mesmo? Provavelmente você não chegou a dizer o nome dos últimos dois animais antes dos 15 segundos se esgotarem, ou se você marcou um cronômetro com contagem progressiva, dever ter demorado em torno de 17 a 22 segundos para completar a tarefa. Parece que o cérebro misturou tudo e a sensação de estar confuso é normal neste contexto. À medida que o hemisfério esquerdo lê as letras e decodifica cada palavra, o hemisfério direito ajuda a processar a imagem. Quando as mensagens dos dois centros colidem, o cérebro entra em conflito. Essa interferência é o que causa erros e atrasos no tempo da resposta. Por isso é interessante unirmos ambas as mentes para obtermos 100% do nosso potencial, ao invés de nos contentarmos com apenas 5% relacionada à mente consciente, que é limitada e fomos condicionados a dar mais atenção. Se pedirmos para uma criança que ainda não aprendeu a ler, fazer este segundo exercício, ela irá terminar de dizer os nomes dos animais (se ela conhecer todos eles) antes dos 15 segundos acabarem, até mesmo antes de você. Isto acontece porque o hemisfério esquerdo dela ainda não decodifica as letras escritas na frente dos animais, dando espaço e liberdade para o hemisfério direito ver as imagens sem a interferência das palavras. Eu convido você a despertar seu potencial infinito, libertar a sua mente inconsciente e a sentir. Existe um conceito dentro da Psicologia Positiva chamada “Savoring”. A Psicologia Positiva, que é um campo da Psicologia, sur-

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giu nos anos 90 pelo psicólogo americano Martin Seligman, com a ajuda do psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi e dedica a estudar as emoções positivas que trazem a sensação de felicidade e prazer buscando uma vida mais plena e feliz. Savoring consiste em saborear tudo o que acontece com você, ao seu redor, usando seus pensamentos e comportamentos de forma consciente para gerar ou intensificar o prazer de uma experiência positiva. Sendo assim, sinta o ar que você respira; preste atenção ao seu corpo tocando o sofá, a cama ou a cadeira ao ler este livro; sinta a temperatura do ambiente; as emoções que seu coração emana para seu corpo. Apenas sinta! Sinta um amor genuíno ao conversar com alguém, sem preconceitos ou julgamentos; sinta empatia, compaixão pelo próximo, gratidão pela vida. Aprecie a beleza da paisagem, preste atenção aos pequenos detalhes. Esteja no momento presente; no aqui e agora. Eu convido você a sair do piloto automático para experimentar um gostinho do poder interior que habita em você; a experimentar um novo mundo onde a palavra de ordem é sentir. E como é lindo saber que os filmes nos dão a oportunidade de estar no momento presente, sentindo tudo o que precisa ser sentido, despertando a nossa mente inconsciente. É um caminho para você acessar este mundo e agora, cognitivamente, saber que fica mais fácil ter a chave para abrir a porta para este mundo extraordinário.

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Capítulo 3 Filmes são metáforas

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latão já dizia em suas obras sobre o poder das histórias,

dos mitos, das metáforas. Ele relatava que a melhor maneira de falar sobre assuntos complexos é através do uso da simbologia mítica, para tudo aquilo que a razão poderia ter dificuldade de compreender. Metáfora é uma figura de linguagem onde se usa uma palavra ou uma expressão em um sentido que não é muito comum, revelando uma relação de semelhança entre dois termos. Esta figura de linguagem corresponde na substituição de um termo por outro através de uma relação de analogia. É importante referir que para que a analogia possa ocorrer, devem existir elementos semânticos semelhantes entre os dois termos em questão. A metáfora é uma ferramenta linguística muito utilizada no dia-a-dia, sendo importantíssima na comunicação humana. Muitas vezes as pessoas não querem ou não conseguem expressar o que realmente sentem. Então falam frases por metáforas onde seu significado fica subentendido. Filmes são metáforas com mensagens poderosas para con-

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versarmos com a nossa mente inconsciente. Eles nos conectam com a história, nos identificamos com o personagem, torcemos por ele, porque de alguma forma para o nosso inconsciente aquilo faz sentido para nós. Ao assistimos a um filme, milhões de conexões neurais são feitas no nosso cérebro, relacionando ao que estamos assistindo com nossas experiências de vida, nossos valores e crenças, fazendo analogias sobre algo que nos aconteceu que fosse parecido com alguma parte do filme ou nos fazendo imaginar como seria nossa vida se aquela mensagem do filme acontecesse conosco. Ao mandar mensagens à nossa mente inconsciente, os filmes proporcionam aprendizados, construção de crenças que podem ser impulsionadoras ou limitantes para a nossa vida. Por isso, existem filmes bons e filmes ruins, aqueles que agregam valor às nossas vidas e filmes que desagregam valor para nós. Falarei sobre isso mais adiante. Quando assistirmos a um filme, muitas vezes não prestamos atenção aos detalhes daquilo que nos está sendo fornecido, e ainda que não sejamos capazes de perceber, conscientemente, o que está por trás de determinada mensagem, nem por isso ela deixa de existir, pois o nosso inconsciente é capaz de captar. Como já aprendemos no capítulo anterior, cerca de 95% da nossa mente corresponde a mente inconsciente. Portanto aquela história de que somos seres racionais é pura bobagem, afinal de contas, apenas 5% de nós corresponde à parte cognitiva, consciente. Somos deste modo, seres sensitivos que pensam, pois a emoção e a sensibilidade fazem parte da maior área de atuação da nossa mente.

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O que acontece com o nosso cérebro é que todo pensamento gera um sentimento que gera uma reação fisiológica em nosso sistema. E os filmes atuam diretamente em nossos pensamentos, desencadeando, em resposta, um sentimento e, logo em seguida, uma reação no nosso corpo. Ao sentarmos de frente para a tela do cinema, televisão ou computador, nossos canais sensoriais estão abertos para receber os estímulos decorrentes ao assistir ao filme. E quando digo filme, perceba que também me refiro ao telejornal, novela ou um vídeo da internet. Quando entramos no mundo do filme, e bastam poucos minutos de atenção em frente à tela para que isto aconteça, estamos conectados de forma plena à nossa mente inconsciente. Conseguimos isso através do Flow e da hipnose. Isso mesmo! Hipnose! Antes de prosseguirmos vamos desmistificar a hipnose e depois falaremos sobre o Flow.

Desmistificando a Hipnose Existe um conceito errado sobre este assunto, com muitos misticismos e crendices sem sentido, como por exemplo, os leigos no assunto acham que a pessoa hipnotizada é manipulada pelo hipnotizador, fazendo tudo o que ele manda, desde imitar uma galinha até comer uma cebola... Isto é hipnose de palco e, ainda assim, o hipnotizado está completamente ciente de seus atos. Não sou muito fã deste tipo de procedimento show business porque acaba tirando o crédito de pessoas que usam este tipo de técnica em busca de soluções de problemas, desde traumas,

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ressignificação de acontecimentos não positivos na vida do hipnotizado e superação de crenças limitantes. A hipnose nada mais é do que um estado de atenção focado; assim como o Flow (falaremos mais a seguir). Fazemos isso, por exemplo, ao dirigir, nas relações sexuais, realizações de provas e, ao assistirmos a filmes, desenhos, seriados ou novelas por exemplo. Há um estudo que diz que estamos em transe vinte minutos de cada hora que se passa. Minha intenção ao escrever este livro é focar nos filmes como um todo, porém, farei também algumas análises sobre seriados, desenhos e novelas, sejam para agregar valores ou não à nossa mente inconsciente. Existem alguns tabus no que diz respeito à hipnose, que chega a ser hilário. É comum a ignorância das pessoas tornarem suas crenças como verdade para outras pessoas. Uma crença comum, como por exemplo é: “E se eu não voltar nunca mais?” –

“Meu querido, voltar pra onde, se você não foi a lugar nenhum?”

As pessoas têm medo de irem para algum lugar e lá ficarem. Naturalmente isso não é verdade. Seu corpo físico fica e sua mente faz uma viagem com começo, meio e fim. Portanto, você sai de onde estiver e volta para onde estava. Veja nos filmes: você entra no mundo daquele enredo, sente o que o personagem sente, como se estivesse lá; fica hipnotizado pelo filme. Você está no cinema ou em casa deitado no sofá, mas sua mente está mergulhada na história, totalmente focado com o que se passa no filme. Ao terminar, você se desconecta dele, se levanta e vai embora comer alguma coisa no shopping ou lavar a tigela de pipoca que usou em casa. Percebe? Sua mente viajou

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graças ao filme e ao terminar ela volta para o tempo presente e sua vida continua. Naturalmente, todo aprendizado dele fica na sua mente inconsciente. Outro tabu é: “E se eu fizer alguma coisa que eu não queira fazer?” – Se você está sempre alerta e consciente ao que está acontecendo, qualquer comando que o hipnotizador disser e for contra algum valor ou princípio seu, você imediatamente sai do transe e volta ao estado de vigília e questionando o comando dado. Por acaso você já viu alguém se matar porque o hipnotizador mandou? Já soube de alguém que cedeu suas senhas bancárias a outra pessoa porque estava hipnotizada? Ou já ouviu alguém relatar que dormiu com o hipnotizador porque estava em transe e ele ordenou que fizesse isso? É claro que não! Então o que acontece quando estamos em transe? Simplesmente ficamos num estado de atenção focado, com um profundo relaxamento, como se não existisse mais nada à sua volta, apenas aquilo que você está prestando atenção. Quando assistimos a um filme isto acontece, já parou para pensar nisso? Mas se tocar o telefone, você sai desta hipnose, deixando de prestar atenção no filme para atender a chamada. Você já deve ter passado por alguma situação parecida ao assistir filmes em casa; a cena está no clímax ou em alguma parte muito importante e chega um amigo ou parente e pergunta: “Que filme você está assistindo?” Você quer esganar aquele ser que lhe tirou do transe, ou seja, daquele foco, porque você tem que deixar de prestar atenção no filme para responder a pergunta da pessoa.

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E você sabe qual é a melhor maneira de entrar em transe? Diminuindo as interferências da mente cognitiva para dar mais abertura a mente inconsciente, permitindo-a ficar mais atenta. Quando deixamos de lado nossa parte racional, autorizamos nossa mente ilimitada trabalhar para nós e isto pode ser usado para o nosso bem ou não, como veremos mais adiante. Existe um jeito para que o transe aconteça com mais facilidade e foi usado por Milton Erickson, psiquiatra americano mais inovador e um dos mais influentes psicoterapeutas dos Estados Unidos e o seu trabalho influenciou novas abordagens psicológicas. Erickson desenvolveu a sua própria terapia, que ficou conhecida como Abordagem Naturalista. Ele defendia que a cura viria por si mesma, bastando para isso se criar o ambiente psicológico, ou o contexto propício para ela acontecer. Ele defendia também que as pessoas trazem em suas próprias experiências e aprendizagens todos os recursos necessários para superar as dificuldades, embora, na maioria das vezes, elas não tenham consciência disso, ou não saibam como utilizar as suas próprias virtudes. Ao assistir a um filme, as metáforas contidas nele fazem sentido para você, pois, de algum modo, através das suas experiências e aprendizados, você extrai a melhor analogia percebida no filme. A linguagem Ericksoniana tem como objetivo criar formas de nos relacionarmos com a mente inconsciente, transcendendo a mente cognitiva para dotar de ferramentas que nos permitam transitar pelos meandros do inconsciente, gerando cura aprendi-

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zagem e transformação de comportamentos. É exatamente isso o que acontece quando assistimos a um bom filme. O foco deste capítulo não é aprofundar sobre a linguagem Ericksoniana. Para isso, recomendo um livro chamado Coaching

Ericksoniano – Linguagem Ericksoniana Aplicada ao Coaching, de José Roberto Marques.

O fato é que ao driblarmos nossa mente racional iludindo-a de que ela está no comando, nossa mente inconsciente ganha poder e permissão para atuar, assim, o aprendizado é potencializado. E os filmes diminuem as interferências do nosso lado racional, pois entramos de cabeça na história deixando nossa mente criativa fluir.

FLOW e os Filmes

Flow é um estado de fluxo que permite a pessoa desfrutar da sensação de conexão plena de corpo e alma sobre a atividade em que está exercendo. Existem algumas condições para o Flow acontecer. Quando assistimos a um filme, nossa concentração é profunda. Além disso, temos o foco temporal no tempo presente onde fatos do passado ou do futuro não têm lugar na consciência. Outra característica do Flow que experimentamos ao assistir filmes é a distorção do tempo. Existe uma alteração da percepção da duração do tempo que pode parecer mais rápido ou mais lento do que o tempo cronológico. Quando assistimos a filmes perdemos completamente a noção da nossa identidade social. Assim, nos esquecemos dos rótulos sobre os quais nos apresentamos à sociedade. Ao entrarmos

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em um cinema lotado, ninguém sabe que lá estão sentados médicos, advogados, professores, frentistas entre outras profissões; e sim, apenas expectadores aguardando começar um bom filme. E por fim, a vivência se torna intrinsecamente gratificante, agradável e os minutos ou horas passadas em frente ao cinema, televisão ou computador é compensadora por si mesma e a pessoa vai fazer de tudo para repetir a experiência. Quando o aprendizado é obtido através da mente inconsciente, aprendemos sentindo e este tipo de aprendizado torna-se de média duração, ficando guardado e acessado de forma inconsciente todas as vezes que nos depararmos com dilemas e situações em que nossas crenças e valores forem solicitados para tomar alguma decisão. Este tipo de aprendizado, com sentimentos, se une ao aprendizado racional (aquele que crescemos exercitando na escola), temos então uma memória de longa duração, sendo um desafio muito grande de ser esquecido. Esta é a intenção deste livro: unir as metáforas que a sua mente inconsciente absorveu assistindo os filmes (aprendizado de média duração), com a explicação cognitiva do que acontece com a sua mente ao assisti-los, explicando as metáforas que os filmes contém, potencializando seu aprendizado tornando-o de longa duração. É muito interessante saber que aprendemos ao assistirmos a filmes. Por exemplo, em “Prenda-me se For Capaz” (Catch Me If You Can – 2002), Frank Abagnale Jr. estudou através de filmes de Medicina e Direito para atender como chefe do hospital e para passar nas provas é equivalente a OAB no Brasil.

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Entenda: estou dizendo que ao unirmos o que aprendemos nas instituições ou universidade com os filmes e vídeos podemos ter resultados extraordinários! Imagine quando as escolas tradicionais adotarem esta ideia. Talvez você deva estar se questionando sobre meu argumento e gostaria de compartilhar que eu fui a prova viva de que podemos aprender através de vídeos. Quero compartilhar um com você em especial. Eu conquistei o terceiro lugar no Festival Mundial de Kung-Fu, em 1997, aprendendo os movimentos que eu teria que apresentar na competição, assistindo a fitas de VHS dos campeões mundiais chineses em anos anteriores. E fui campeão do mesmo Festival Mundial no ano seguinte assistindo a filmes de luta. Pratico Kung-fu/Wushu desde os meus dez anos de idade. Naquela época meu técnico não sabia nada a respeito da modalidade que eu havia escolhido para participar das competições. Eu não queria desistir e meu mestre morava em São Paulo e, com quinze anos eu, obviamente, não dirigia. Além do mais, eu não tinha acesso a ele. Como solucionar este problema? Eu decidi aprender por conta. Eu ficava horas em frente à televisão assistindo a fitas de VHS dos campeões dos anos anteriores, pausando, voltando e tentando repetir movimento por movimento que o campeão chinês fazia. Naquela época era muito mais desafiador do que nos dias de hoje. Não existiam aparelhos de DVD onde você pode pausar e seguir fluidamente frame por frame em detalhes. O recurso que eu tinha disponível era um aparelho de vídeo cassete, pois até o Youtube estava longe de existir. Eu ficava na

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sala assistindo centenas e, provavelmente milhares de vezes aqueles movimentos elaborados e realizados com maestria pelo campeão. Quando eu não estava em casa, fazia isso na televisão da academia. Eu tinha que prestar atenção ao diagrama que o atleta se movimentava, sua postura corporal, ao tempo de execução de cada movimento, suas bases, expressões, sincronismo em relação a braços e pernas; direção dos golpes em relação à disposição do corpo do atleta no espaço delimitado e comportamento do atleta na entrada e saída da área. Eu assistia a um pequeno trecho da apresentação do atleta, pausava, colocava em câmera lenta, olhando para a televisão, tentava reproduzir lentamente os movimentos realizados. Depois eu voltava novamente a fita, colocava em velocidade normal para ver se era aquilo mesmo que eu tinha entendido. Em seguida, eu repetia centenas de vezes até ficar próxima a velocidade de execução do atleta do vídeo. Fazia este processo a cada cinco segundos de apresentação dele. O tempo total era de um minuto e vinte segundos aproximadamente, então eu passei dezenas de horas repetindo este procedimento até estar apto a juntar todos os pedaços copiados e treiná-lo na academia. Eu escrevia movimento por movimento para fixar melhor na minha mente o que eu deveria fazer e, na ausência da televisão para treinar, eu poder tirar possíveis dúvidas que estariam solucionadas ao ler o que eu havia escrito. Conquistei o terceiro lugar do Festival Mundial nos Estados Unidos em 1997. Infelizmente, as fitas que aprendi não ensinavam regras e negligenciei, por falta de conhecimento, uma

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regra importante da minha modalidade e perdi uma pontuação que me deixou em terceiro lugar; do contrário eu teria sido campeão. Este título eu conquistei graças à repetição dos vídeos, mas foi de forma cognitiva. No ano seguinte fui campeão do Festival Mundial de Kug-Fu/Wushu, também nos Estados Unidos em outra modalidade: a luta combinada – uma modalidade que se parece muito com os filmes de luta. Sempre apreciei os filmes de luta e treinei bastante as capacidades e habilidades físicas para ter um excelente desempenho. Uma vez que a parte de aprendizagem cognitiva estava realizada, ao mesmo tempo eu assistia aos filmes. De tanto assisti-los, inconscientemente, as trilhas neurais que fiz foram extraordinárias para desenvolver alta performance. É como se os movimentos realizados nos filmes de luta fosse algo fácil de fazer e de copiar, porque, de alguma forma, tenho um acesso mais rápido às informações aprendidas cognitivamente, podendo ser executadas de forma fluídica e sem problemas. Resultado: Campeão do Festival Mundial de 1998! Portanto, faz sentido o personagem interpretado por Leonardo Di Caprio em “Prenda-me Se For Capaz”, aprender assistindo aos filmes com os conteúdos que ele desejava absorver. Para você ter ideia do poder que uma metáfora de um filme tem para a nossa mente inconsciente, deve-se ter muito cuidado ao escolher o tipo de conteúdo que uma criança irá assistir. Por exemplo: quando ela assiste inúmeras vezes a desenhos sobre princesas e príncipes encantados, qual é a mensagem que está sendo enviada para a mente inconsciente dela?

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A metáfora ensinada é que os homens são perfeitos, lindos, como os príncipes dos desenhos, sem nenhum defeito, que irá libertá-la e levá-la para seu castelo e viverem felizes para sempre. No entanto, o termo “felizes para sempre” da vida real nada mais é que cumplicidade entre o casal, amor, companheirismo, aceitar a pessoa do jeito que ela é, com suas virtudes e seus defeitos, suas qualidades e manias. É um viver de construção contínua da felicidade e não como nos desenhos – felizes para sempre; missão cumprida! Percebe a metáfora distorcida? Os filmes têm um poder gigantesco para mandar informações ao nosso inconsciente. E agora que você tem a consciência disso, pode optar por quais mensagens você quer deixar registrado na sua mente. O tipo de mensagem você quer guardar para a sua vida. É você quem decide se quer assistir a filmes que lhe ajude a conquistar seus objetivos, impulsionando-lhe para frente; filmes que lhe motivam, que lhe ensine a correr atrás dos seus sonhos, superar obstáculos; que faça você valorizar mais sua família, cônjuge, filhos; filmes que fortalecem suas crenças e faça você se movimentar e se tornar uma pessoa ainda melhor do que já é. Nos capítulos finais deste livro vou indicar mais de 500 filmes poderosos para agregar valor à sua vida. E, tomando esta decisão conscientemente sobre quais tipos de filmes você escolhe assistir, a fim de potencializar a sua vida positivamente, você abre mão de ver filmes que não agregam nenhum valor à sua vida; filmes que, ao invés de ensinar coisas positivas para a sua mente inconsciente, acabam frisando na sua memória medos, inseguranças, fracassos, valores distorcidos como corrupção, desonra, traições, vícios entre outros.

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Filmes que, no final das contas, você se sente mal, com uma energia pesada e com crenças limitantes como, por exemplo, o sentimento de não ser bom o bastante ou com pensamentos pessimistas em relação à beleza que é viver. Por mais que no final tudo acabe relativamente bem, aquela cena do estupro, da tortura, da trapaça, ou da morte fica gravada para sempre no seu inconsciente e, provavelmente acessado sempre que você tiver alguma sensação de medo ou insegurança. Vou dedicar um capítulo exclusivo sobre que tipo de mensagem você quer aprender, mas por enquanto apenas fique com a minha intenção positiva de que estes tipos de filmes mais desagregam valor do que somam à sua vida. Não estou dizendo para nunca mais assistir a filmes de suspense, por exemplo. Estou dizendo para você ponderar e colocar na balança se vale a pena perder duas horas preciosas da sua vida – horas que jamais voltarão – com filmes que não agregarão valor à sua sabedoria e aprendizado. Estou dizendo que há filmes com diferentes mensagens mesmo estando dentro da mesma categoria. Existem filmes e filmes de suspense, por exemplo. Mas vou provar para você que é prejudicial à sua saúde assistir a conteúdos que deixam você tenso, com medo ou estressado, mesmo que inconscientemente. Qual é a mensagem que um filme assim quer deixar para o seu inconsciente? Quais emoções predominam neste tipo de gênero? Será que deixá-lo apreensivo é um aprendizado positivo para você? Não preciso nem falar em relação aos filmes de terror, não é mesmo?

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Para você entender o poder que os filmes têm, quando eu tinha quatro anos de idade eu fui com o meu irmão até a casa da minha vizinha para assistir um lançamento. Nome do filme: “A

Volta dos Mortos Vivos” (The Return of the Living Dead – 1985)

- preciso falar o gênero? Eu não sabia que era de terror; eu nem sabia o título do filme. Já não bastando as imagens horripilantes, como nós não sabíamos ler, a mãe da minha vizinha lia as legendas e lembro-me de uma frase seguida da imagem que perdura até hoje na minha cabeça: “Quero cérebro”, e o morto-vivo dando uma dentada no crânio do personagem e o sangue escorrendo pela sua face. Super light para uma criança de apenas quatro anos de idade. Cheguei em casa branco de medo. E o medo era por dois motivos: 1- porque o filme era horripilante e as imagens haviam ficado impregnadas na minha mente e, 2- se eu contasse para a minha mãe que eu tinha assistido a este tipo de filme, eu ia dormir com a bunda quente. O jeito foi deitar na cama sem dizer uma só palavra. E como eu queria dormir na cama dos meus pais... Lugar seguro, sem zumbi... Resultado: uma semana sem pregar o olho à noite. Sempre que eu cerrava as pálpebras vinha aquela cena do filme e uma sensação de calafrio seguida de calor correndo pelas minhas pernas, subindo até a minha cabeça. Lembro-me também de ter acordado inteiro molhado em um destes dias. Pensei que tivesse molhado a cama de xixi, mas era, na verdade, suor. Tamanha a minha tensão em relaxar e fechar os olhos e algum zumbi sair debaixo da minha cama e comer meu cérebro.

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Minha mãe não sabe até hoje dessa história. Foram sete dias sem dormir direito. Que irresponsabilidade da família da minha vizinha! É claro que isso me marcou e odiei os filmes de terror. Por isso digo, veementemente, que os filmes têm um poder imenso para a nossa mente inconsciente. Estas metáforas ficam guardadas na nossa memória e acessadas inconscientemente durante o nosso dia a dia. Se você ainda está em dúvida se os filmes conversam diretamente com a nossa mente inconsciente, vou citar o nome de um único filme que vai acabar com a sua suspeita: “Tubarão” (Jaws). Lançado no dia 20 de Junho de 1975, entrada do verão americano, foi assistido por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, o que na época foi sucesso absoluto de espectadores, ultrapassando bilheterias de filmes renomados como “O Poderoso Chefão” e “O Exorcista”, e faturar um recorde de US$ 129,5 milhões. Este filme fez muita gente pensar duas vezes antes de entrar no mar. E os mais paranoicos evitavam até as piscinas. Lembro meu pai me contando que fez um curso de mergulho noturno na época em que o primeiro filme fora lançado. Ele mesmo relatou que ficou angustiado dentro d’água, pois naquela escuridão ele contava apenas com a sua lanterna iluminando apenas pequenos pontos onde a luz era direcionada, o resto era tudo um breu. Ele mesmo de disse que muitos estudantes do curso não desceram do barco para a água com medo do filme. É claro, que ouvi esta história quando eu era pequeno e quis assistir ao filme também. O resultado? Eu não fui um desses

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paranoicos que teve até medo de entrar na piscina. Eu entrava no mar e em piscinas, porém, eu fui paranoico o suficiente para não fundar a cabeça e olhar para o fundo dela, pois ao fazer isso, eu via aquela imagem do tubarão vindo em minha direção com aquela música sinistra composta de duas notas só seu início.

Escolha, portanto, bons filmes porque a vida é muito curta para perder tempo com coisas que nos atrasam. Nos próximos capítulos fiz uma seleção maravilhosa de filmes que mandarão mensagens positivas para a sua mente inconsciente. É só escolher o que você deseja aprender e assistir. Uma dica muito importante que gostaria de lhe dar, caso você tenha filhos ou sobrinhos que estão nos dois primeiros setê-

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nios, é o de respeitarem a classificação etária dos filmes que eles assistem ou gostariam de assistir. Como citei logo acima, eu fui exemplo vivo dessa negligência (mesmo minha mãe não sendo culpada, porque assisti a um filme impróprio de minha idade na minha vizinha). Muitos pais querem ser modernos e liberais, ignorando a censura do filme (até do jogo de vídeo game), acarretando em possíveis desastres para a maturação destes pequenos seres humanos. Uma prova científica do poder das metáforas que os filmes têm para a nossa mente inconsciente foi um estudo feito na Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, indica que jovens que têm acesso a filmes com conteúdo sexual se tornam sexualmente ativos mais cedo e com maior propensão a comportamentos de risco. O estudo foi feito com 1200 jovens de doze a catorze anos onde foi analisado os filmes de grande bilheteria lançados entre 1998 e 2004. A pesquisa pediu para que estes jovens listassem quantos desses filmes cada um deles já haviam assistido. Os cientistas acompanharam o comportamento sexual desses adolescentes, questionando sobre comportamento de risco, uso de preservativos e início da vida sexual. Os jovens que tinham sido expostos à maior quantidade de filmes com conteúdo sexual se tornaram sexualmente ativos mais cedo, além de apresentarem maior propensão a comportamentos de risco. O estudo foi publicado pela revista Psychological Science e destacou um traço de personalidade específico denominado de busca de sensações: uma tendência dos jovens a buscar novida-

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des, entre elas o sexo e, segundo a pesquisa, a maior exposição a cenas de sexo em filmes durante a juventude leva a um pico maior de busca de sensações desse tipo durante a adolescência. Por isso não vale a pena ser “pais legais” e permitir que os filhos assistam a filmes que não estão dentro de suas faixas etárias. O preço é colher o amadurecimento precoce deles. Seja honesto e sincero com seu filho explicando a ele que tudo tem o seu tempo e quando ele atingir a idade certa para assistir aquele tipo de filme, poderá escolher se deseja vê-lo ou não. Outro estudo foi feito para analisar o quanto os filmes de guerra e violência causam estresse mental, interferindo na saúde física das pessoas que os assistem, enquanto as comédias causam o efeito contrário, contribuindo para a saúde e bem estar, tendo efeito positivo na função vascular. No estudo, voluntários assistiram comédias em um dia e, no outro, filmes de violência. O pesquisador Michael Miller, da Escola de Medicina da Universidade de Maryland, disse que quando os voluntários assistiram a um filme de violência, o revestimento dos vasos sanguíneos teve uma reação que diminuiu o fluxo de sangue. Segundo ele, a descoberta confirma a teoria de estudos anteriores, que sugerem a existência de uma ligação entre estresse mental e vasos sanguíneos. Por outro lado, após assistir a comédias, os vasos sanguíneos se expandiram. Foram feitas mais de 300 medições que apresentaram diferença de 30% a 50% no diâmetro dos vasos entre o riso e as fases de estresse mental. Talvez assistindo a comédias você não aprenda algo que

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agregue valor à sua vida, que seja algo importante e que leve para o seu cotidiano, no entanto, pelo menos fisiologicamente fará bem para a saúde. Vale uma profunda reflexão sobre o tipo de informação que você tem alimentado à sua mente inconsciente ao assistir aos filmes desde a sua infância até o tempo presente e, talvez, algumas coisas possam começar a fazer sentido. Nunca é tarde para uma mudança de comportamentos, substituindo velhos hábitos por novos, com mais valor e importância à sua vida. Como eu já disse antes, a melhor maneira para aprender é através da nossa mente inconsciente. Ela assimila de forma esplêndida as informações que são passadas através de metáforas que são ensinadas por meio de histórias. Vou abordar este assunto no próximo capítulo. Você já reparou como a Bíblia foi escrita? Por que será que a Bíblia é um livro de estórias e não um livro técnico, científico? Porque as estórias reverberam nas pessoas em níveis que elas não são capazes de processar conscientemente. Não é à toa que os dois livros mais lidos do mundo é o Alcorão e a Bíblia: livros de parábolas, histórias, metáforas. O mesmo acontece com os filmes. Assistir a filmes é maravilhoso, pois como eu já disse, eles são um canal direto para aprendermos através da nossa mente inconsciente. Ao assistir a um filme você altera seu metabolismo porque está sentindo muito mais do que está entendendo. Eles nos hipnotizam, proporcionando um estado de atenção focado. Eles são poderosos aliados para nos ensinar inconscientemente lições que perdurarão a nossa vida inteira, porque estão

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Filmes são metáforas

diretamente ligados à nossa mente inconsciente, responsável por cerca de 95% do que somos. O que aprendemos inconscientemente fica registrado para sempre na nossa mente. Eu convido você a refletir agora: que tipo de filmes você assistiu durante a sua infância? E durante a sua juventude? E na fase adulta? Faça uma pequena lista de filmes que lhe marcaram em cada uma dessas fases da sua vida e pense quais deles agregaram valor, quais não fizeram diferença nenhuma, e quais provocaram mais dano que benefício. Eu convido você a usar o poder das metáforas contidas dentro dos filmes para ensinar a sua mente consciente que a sua vida é sim digna de se ganhar um Oscar.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Capítulo 4 Qual mensagem você quer aprender?

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ste capítulo é destinado à reflexão sobre quais conteúdos você tem alimentado à sua mente. Talvez seja hora de fazer uma autoanálise profunda e procurar se lembrar de quais informações estão sendo transmitidas para o seu inconsciente. Lembre-se que você aprende de forma intangível através da sua mente inconsciente, porque somos seres sensitivos que pensam e que processamos através dela cerca de quarenta bilhões de informações por segundo, enquanto apenas vinte mil através da mente racional, cognitiva. Quero dizer para você que o conteúdo com o qual você tem sido exposto ao longo da sua vida está influenciando diretamente nas suas crenças e valores, influenciando nos seus comportamentos, hábitos e estilo de vida, refletindo nos resultados que tem obtido. E neste capítulo quero levantar dois pontos importantes: o primeiro é sobre os prejuízos que conteúdos ruins causam para a sua mente inconsciente e, consequentemente, à sua vida, deixan-

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Qual mensagem você quer aprender?

do você em uma frequência mental negativa; e o segundo é sobre os prejuízos de longo prazo por exposição a conteúdos que, além de não agregarem valor, causam danos e resultados indesejáveis à sua vida. Este capítulo diz respeito a filmes, mas também a outros acessos de informações que conversam diretamente com nossa mente inconsciente como, por exemplo, noticiários e novelas ruins. Começaremos então com o primeiro ponto analisando a frequência mental do cérebro ao ter contato com conteúdos pobres, ou de baixa qualidade ou que não adicionam informações para a sua vida. Estou me referindo aos filmes de gêneros violentos, pesados ou que lhe deixem em um estado apreensivo ou com medo. O que acontece com o nosso cérebro é que todo pensamento gera um sentimento que gera uma reação fisiológica em nosso sistema. E como eu já disse, os filmes atuam diretamente em nossos pensamentos, desencadeando, em resposta, um sentimento e, logo em seguida, uma reação no nosso corpo. Ao nos conectarmos com o filme ou a outros tipos de conteúdos que não são bons, estimulamos pensamentos que resultam em sentimentos e emoções, trazendo resultados físicos desagradáveis para o nosso corpo. Provarei isso no próximo capítulo. Por exemplo, assistir a um filme de terror leva o expectador a situações de estresse agudo e faz o cérebro lembrar-se de experiências ruins e a reorganizar seu modo de funcionamento. Esta mudança de estado cerebral pode ser entendida como uma redistribuição estratégica dos recursos que são vitais quando a sobrevivência está em jogo.

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Quando o cérebro se altera, os sentidos se aguçam e o medo cria um estado de alerta que fortalece as lembranças das experiências estressantes, além de prejudicar nossa capacidade de análise. Por isso é importante termos a consciência do poder que estes conteúdos têm para a nossa mente inconsciente, pois, além de afetar em nossas crenças, traz resultados não desejados ao nosso corpo físico também, mesmo que não tenhamos consciência disso. Nosso cérebro funciona como um rádio e capta ondas (frequências) invisíveis provocando um estado mental que pode ser benéfico ou nocivo à nossa saúde mental, reverberando em nossa saúde física e, consequentemente, à nossa vida como um todo. São dois tipos de frequências captadas: frequências positivas e negativas. A frequência positiva nos deixa num estado mental bom, gostoso, confortável e leve. Este tipo de frequência proporciona sentimentos de amor, alegria, otimismo, fé, desejo, coragem, entusiasmo, compaixão, romantismo, felicidade, esperança e gratidão e abre um canal direto com Deus ou o Universo (ou o nome que fizer mais sentido para você) para que todos seus desejos e vontades estejam alinhados com o seu estado mental positivo. A frequência mental negativa nos deixa num estado mental ruim, desarmonioso, desconfortável e pesado. Este tipo de frequência proporciona sentimentos de angústia, ódio, raiva, rancor, ciúme, ganância, superstição, tristeza, medo, melancolia, desejo de vingança, depressão e ingratidão e abre um canal direto com o Universo (ou o nome que fizer mais

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sentido para você) para que estes sentimentos perdurem mais e mais em sua vida. Aqui a frase “Os opostos se atraem” não é verdadeira. Se você está numa frequência mental negativa, só atrairá mais coisas negativas para você. Explicarei efetivamente sobre isso no próximo capítulo. A beleza disso é a dualidade da vida, logo o oposto também é válido: se estiver numa frequência mental positiva, atrairá coisas positivas para você e um Universo de possibilidades estará à sua frente. A reflexão que convido você a fazer é: Qual a frequência mental que prevalece durante o seu dia? Entenda que não estar cem por cento do tempo numa frequência positiva está tudo bem, afinal, não dá para estar feliz toda hora (mesmo porque seria muito chato isso e incongruente com a dualidade da vida), mas é interessante estar a maior parte do seu tempo em um estado mental positivo. Lembre-se: somos seres duais e a dualidade faz parte do ser humano, do contrário não estaríamos aqui, vivendo a vida. Porém, dando-se conta sobre qual estado mental você se encontra no decorrer do seu dia, o ajudará a se policiar e se manter a maior parte do seu tempo bem consigo mesmo e com os outros. Emoções positivas e negativas nunca ocupam a mente ao mesmo tempo e é sua responsabilidade cuidar para que as emoções positivas constituam a influência dominante da sua mente, logo, da sua vida. E o que os filmes, programas de televisão, novelas e noticiários tem a ver com isso? A escolha de um mau filme trará

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

o seu estado mental para o negativo, mesmo se você estiver no positivo. A minha intenção é despertar um olhar mais crítico sobre os gêneros de filmes que você tem assistido, portanto, não quero ser desrespeitoso ou que você leve a minha análise para o lado pessoal e, se não fizer sentido para você está tudo bem, apenas leia este capítulo e preste muita atenção ao seguinte, para que faça total sentido par você. Responda para mim, quando você assiste a um filme de terror qual é a frequência mental que você fica ao término dele? E quais sentimentos que prevalecem dentro de você? Você pode não ficar triste ao assistir a este tipo de conteúdo, mas é bem provável que feliz, alegre, com fé e cheio de amor você não sinta. Portanto, inconscientemente você acaba num estado mental negativo, talvez com estresse negativo, medo ou ansiedade. O mesmo acontece com filmes de suspense, pois, do contrário, a ideia do filme não foi bem-sucedida, pois o próprio gênero já diz: suspense – criar um suspense, deixar você aflito, angustiado, com medo, apreensivo. Se você está me questionando sobre a veracidade de que estes gêneros deixam o espectador num estado mental negativo por proporcionarem, a quem assiste sentimentos ruins, eu convido-lhe a ler atentamente o próximo capítulo. Por enquanto, farei a você uma pergunta muito simples: Você acredita que a criança é um ser puro, divino, inocente? Eu também acredito. Você acredita que todos nós temos um lado criança? – uma parte pura, inocente e divina? Eu também acredito!

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Se estes filmes não deixam a pessoa que os assiste com uma frequência mental negativa, então porque a classificação etária deles nunca é livre? Por que não é indicado para crianças? A resposta é óbvia e você mesmo já respondeu agora: porque a traumatizaria, a deixaria com medo, ela não dormiria à noite e, se fechasse os olhos teria pesadelos. Portanto o estado mental desta criança exposta a este tipo de conteúdo seria negativo trazendo consequências sérias para o seu crescimento. Foi exatamente isso o que aconteceu comigo aos quatro anos de idade ao assistir “A volta dos Mortos Vivos” (The Return of the Living Dead – 1985). Cresci morrendo de medo com a crença de que se eu colocasse o pé para fora da cama um zumbi iria me pegar. Agora eu pergunto: Por que com os adultos seria diferente? O que acontece com a criança interior que vive dentro de nós? Filmes destes gêneros podem até não traumatizar uma pessoa adulta, mas o deixa num estado mental negativo, justamente porque os sentimentos ao assisti-lo são de angústia, medo, sensações de calafrio e o coração “saindo pela boca”. Nosso lado inconsciente é divino, infinito, puro, assim como as crianças são e, portanto, o filme conversa diretamente com este lado criativo que temos, mandando a mensagem para o nosso lado criança causando prejuízos para nossa frequência mental e, em consequência, para nossa vida. Entenda, portanto, que existem apenas dois tipos de frequência: positiva e negativa. Não existe um meio termo. Ou você termina de ver o conteúdo num estado mental bom ou ruim.

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A vida passa depressa e perder tempo com conteúdos que vão lhe deixar para baixo, talvez não seja uma boa estratégia de como você queira levar a vida e colher os resultados que deseja. Ninguém quer se prejudicar conscientemente, mas saiba que o Universo responde à sua frequência mental através de algumas Leis que trarei no capítulo a seguir, e talvez seja hora de passar uma peneira sobre os conteúdos pelos quais você está se expondo. E quanto a filmes que lhe fazem chorar, que lhe emocionam? São filmes maravilhosos de profunda reflexão que falam diretamente para a sua mente inconsciente que alguma coisa precisa se encaixar melhor na sua vida. Para estes filmes, talvez caiba um perdão, uma reconciliação, uma autovalorização ou reconhecimento da importância de alguém para você, uma profunda reflexão sobre suas atitudes e o caminhar de como suas escolhas estão construindo a sua vida. São filmes que fazem você chorar, para curar feridas abertas e mudar a estrutura do seu DNA, para também se aproximar às pessoas e dar mais valor à sua vida, evitando-a que seja um tempo desperdiçado aqui no mundo e para que lá no final, você não se arrependa das suas decisões que podem ser modificadas ainda hoje. O segundo ponto que desejo levantar como mencionei no início do capítulo é sobre os prejuízos de longo prazo por exposição a conteúdos que, além de não agregarem valor, causam danos e resultados indesejáveis à sua vida. Estou me referindo aos noticiários, algumas novelas que existem em diversas redes de televisão e programas em canais abertos e a fechados.

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Qual mensagem você quer aprender?

Caso você seja um fã de noticiários, eu convido você a prestar atenção na vinheta dos que você assiste. Atente-se a contar quantas notícias boas e quantas ruins eles anunciam. Você ficará surpreso com a desproporção para o lado negativo. É impressionante! Você pode até tentar argumentar: “Mas é assim que vende jornal”. Estamos tão acostumados em sermos bombardeados com tanta informação ruim, não somente pela qualidade dela, mas também porque ficamos com emoções negativas, que achamos isso “normal”. Tenho algumas pessoas próximas que já tentaram me convencer de que realmente precisamos saber o que acontece no mundo; que é importante saber do desastre que aconteceu no país “X”, no homem-bomba do país “Y” que se explodiu e levou com ele trinta pessoas; do assassinato na região “Z” do Brasil. Será que precisamos saber mesmo disso? Basta termos consciência de que existem pessoas que deixam o seu lado sombra falar mais alto que o seu lado luz e estar atento – não paranoico - às coisas que acontecem ao nosso redor. Não precisamos saber dos detalhes, porque assim só vamos ficar com mais medo e isto é uma frequência mental negativa, contribuindo para que o Universo traga mais disso para você. Ele responde ao seu comando, pois no final das contas sempre se trata de você e qual informação está mandando consciente ou inconscientemente para Ele. Aquilo que você pensa você sente e atrai. E estas sensações podem ser conscientes ou inconscientes. Eu prefiro ser um alienado sob os olhos destas pessoas que querem me mostrar um mundo o qual eu prefiro não fazer parte e que não agrega valor à minha vida.

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Eu escolho livremente não ser bombardeado diariamente com este tipo de informação que me deixaria inconscientemente num estado mental negativo e com tamanha melancolia e infelicidade exposta com este tipo de informação. Ao invés disso, eu prefiro ter acesso a conteúdos maravilhosos, como livros, bons filmes, vídeos e pessoas extraordinárias que falam sobre ideias, jamais sobre pessoas e fofocas, para que minha vibração ao ser exposto a estes tipos de conteúdos seja emanada para o Universo de forma positiva e esteja congruente com os meus desejos, vontades e sonhos. E por falar em vibração, se você não estiver convencido de o que vibramos através de nossos pensamentos reverberam no nosso corpo e na nossa vida, eu convido você a prestar muita atenção para o próximo capítulo. Mostrarei, cientificamente, os meus argumentos com experiências de cientistas a respeito dos nossos pensamentos e vibrações, justamente para que você entenda o meu ponto de vista. Se você tiver uma vontade incontrolável de saber das notícias ruins, pelo menos no começo, nada o impede, por exemplo, entrar na internet e saber informações sobre estes conteúdos e orar (ou rezar, ou a palavra que fizer mais sentido para você) por estas pessoas. E aos poucos você vai perceber de que nada adianta ter acesso a este tipo de informação, a não ser para lhe deixar pra baixo. Eu procuro fazer isso durante a noite, ao me deitar, sem mesmo ter sabido dos acontecimentos. Eu não preciso ter acesso a este tipo de informação para saber que existem pessoas que precisam de oração. Percebe a diferença? Você está começando

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Qual mensagem você quer aprender?

a ter ideia dos malefícios que, inconscientemente, está trazendo para si mesmo? Caso você seja um amante da televisão, daqueles que almoçam, jantam em frente à tela, talvez possa escolher assistir a conteúdos mais produtivos, que tragam informações relevantes para o seu conhecimento e sua vida. Assistir a programas de culinária, ou de educação familiar são ótimas escolhas. Há programas sobre reconstrução de casas, seriados leves e de comédias que são excelentes opções. No entanto, há programas populares que incentivam a briga na família, bate boca, fofocas, conflitos, que instigam o medo e o terror. Estes eu nem preciso dizer que só fará mal à sua saúde mental e física. E quanto às novelas? Outro tema polêmico e que causará desconforto para você, caso seja um típico noveleiro de carteirinha. Procure apenas absorver a informação que vou passar, sem julgamentos, da melhor forma, aberta e transparente possível. A reflexão que eu convido você a fazer é: O que elas agregam à sua vida? Seja muito sincero para dar a sua resposta. Por mais que você encontre alguns pontos positivos, como por exemplo, quebra de tabus, ou melhor, o envolvimento da população para alguns problemas sociais, conhecimento de culturas diferentes, estes são pontos importantes, porém pequenos diante dos pontos negativos que elas causam inconscientemente à mente das pessoas. Em relação à televisão, quase metade do dinheiro que se ganha no Brasil vem das novelas e contagia não somente os brasileiros, mas dezenas de países pelo mundo. Estima-se que dois

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

bilhões de pessoas têm o costume de assisti-las. De fato, as novelas brasileiras são um sucesso e prendem muito bem a atenção dos espectadores. Eu mesmo já fui noveleiro assumido. Adorava assistir Rai-

nha da Sucata (1990), Meu Bem Meu Mal (1990), Mulheres de Areia (1993), Vale Tudo (1988). Minha família fez um bolão de apostas para palpites de quem matou Odete Roitman... É claro

que ninguém ganhou. Lembro-me quando eu tinha três ou quarto anos de idade, minha mãe fez uma reunião em casa com as amigas para assistir o último capítulo de Roque Santeiro. Lembro-me até hoje da cena do lobisomem. Eu cresci assim... Era um meio de ficarmos juntos na sala e, por uma hora inteira não disputarmos pelo controle remoto.

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Qual mensagem você quer aprender?

E, ao crescer, eu entendi que aquilo era uma tradição da minha família (talvez da sua também). Eu não tive escolha. Era o que assistíamos em casa: filmes, jornal e novelas. Até Big Brother eu assistia, o que não deixa de ser uma novela. No entanto, tomei consciência do poder da mente inconsciente e me dei conta que, além de eu não estar aproveitando o meu precioso tempo com coisas de valor, como livros e estudos, por exemplo, eu estava alimentando a minha mente com conteúdos que estavam me fazendo dar passos para trás no meu processo de evolução humana. Quanto tempo eu perdi... Honro e respeito cada novela e telejornal que assisti, pois precisei disso para entender que posso usar o meu tempo com outras coisas e me desenvolver melhor como ser humano. Nunca é tarde para mudar, tomar consciência e sair do piloto automático. As novelas tratam de encontro, separação, traição, segredo, mistério e disputas, por isso fazem sempre sucesso, porque são questões milenares. No Brasil a televisão chegou antes de as pessoas se alfabetizarem. Além disso, fazemos parte de uma tradição católica, mais oral que letrada. Em vez de interpretar diretamente a Bíblia, como acontece entre os protestantes, preferimos a cultura oral: ouvir o padre falar. Em vez de escrever diários, preferimos contar o caso para a vizinha. Em vez de ler romances, assistimos a novelas. As novelas têm influência direta nos comportamentos, valores e crenças das pessoas. Para você ter ideia, em 1989 estava no ar a novela “O Salvador da Pátria”, onde o personagem Sassá 87


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Mutema, interpretado por Lima Duarte, depois de anos como boiafria, Sassá vira prefeito de Tangará, podendo revolucionar a cidade. No entanto, o autor, Lauro César Muniz, teve que desviar o rumo da história porque houve uma interferência direta de Brasília na cúpula emissora. Era o primeiro ano de eleições diretas e acharam que o Sassá Mutema fazia apologia à esquerda. Assim, veio uma pressão na emissora para que a trama fosse mudada. Um exemplo para você ter ideia de como uma novela poderia influenciar o destino de um país. Em 2001, durante a exibição de “O Clone”, a moda era usar as bijuterias utilizadas pelas atrizes da novela e estes objetos venderam “como água”, além de o número de praticantes da dança do ventre ter aumentado. Quem não se lembra das mulheres usarem o esmalte azul usado por Clara (Giovanna Antonelli) na novela “Em Família” (2014)? O modismo toma conta quando o personagem da novela faz sucesso. E a calça pantalona da personagem Heloísa, a delegada Helô, também interpretada por Giovanna Antonelli em “Salve Jorge” (2012)? Voltando no tempo, lembra-se do brinco de um lado só de Sandra (Glória Pires) em “Água Viva” (1980)? Ou da maquiagem carregada e os enfeites de cabeça, como turbantes e faixas de Porcina (Regina Duarte) em “Roque Santeiro” (1985)?. E quanto os bordões que grudam na cabeça do brasileiro e viram moda enquanto a novela está sendo transmitida? Vamos relembrar alguns? Quem não se lembra do “Tô certo, ou to errado?” - Sinhozi-

nho Malta (Lima Duarte) - Roque Santeiro (1985). 88


Qual mensagem você quer aprender?

“É justo, muito justo, é justíssimo!” - Belarmino (José Wilker) - Renascer (1993). “Stop, Salgadinho!” - Lucineide (Regina Dourado) - Explode Coração (1995). “Não é brinquedo não!”- Dona Jura (Solange Couto) - O Clone (2000). “Inch`Allah” – todo elenco de O Clone (2000). “Are Baba” – todo elenco de Caminho da Índias (2009). “Salguei a Santa Ceia!” - Félix (Matheus Solano) Amor à Vida (2013). Muitos bordões, eu diria que todos eles, são esquecidos, assim como o modismo das roupas e acessórios assim que a novela acaba. Assim, as novelas influenciam na padronização da vida das pessoas e a sua grande maioria não se questiona sobre os aspectos positivos e negativos dos conteúdos aos quais elas estão tendo acesso. Esta falta de questionamentos, deixam as pessoas alienadas a conteúdos que poderiam de fato somar à vida delas, tornandoas pessoas “zumbis”. O que um zumbi faz? Vagueia pelos cantos em busca de atender apenas as suas necessidades básicas. Estão no piloto automático; não pensam. Eles não têm conteúdos, nada na cabeça, apenas a vontade de saciar sua fome. Sozinhos, é fácil matá-los, mas em grupo são uma força que podem causar estragos enormes. Caso zumbi não tenha feito sentido para você, talvez o termo robô seja melhor. O robô é programado para fazer o que os outros querem. Ele não questiona (pelo menos até o presente 89


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momento em que escrevo o livro ainda não...) e faz tudo automaticamente, pois ele não tem o discernimento do que é certo e o que é errado. Eu não sei se você se classificaria como um robô ou zumbi, não é o meu papel aqui. Ou quantas pessoas conhece que se encaixam nestas descrições, mas já parou para pensar no tipo de vida que estas pessoas levam? Elas acordam pela manhã sem motivação nenhuma, sem saber o porquê estão levantando da cama, tomam seu café, vão para o trabalho com o qual não estão plenamente satisfeitas. Geralmente não despertam todo seu potencial no trabalho por não saberem sua missão de vida ou por não terem bom relacionamento com seu chefe; voltam para casa cansados e estressados, sem disposição para fazer alguma atividade física, tomam banho, jantam, assistem o jornal na televisão e depois a novela, mal conversam com seu cônjuge e vão dormir pensando nos problemas. Você conhece alguém que é assim ou parecido com a descrição de cima? Provavelmente sim. São pessoas que, em geral, odeiam a segunda-feira e vivem em função da sexta-feira. Estas são as pessoas zumbis/robôs. Um zumbi não tem consciência de que é um zumbi, um robô não muda sua programação por livre espontânea vontade (pelo menos ainda não). Ele acha que o que está fazendo está certo e pronto, pois foi programado para isso. Se ele tivesse que pensar seria: Pra quê mudar? Mas como é maravilhoso fazer algo diferente. Ler um livro diferente e ter acesso a conteúdos que nos fazem sair da nossa zona de conforto dando um olhar mais crítico aos nossos comportamentos e nossas ações.

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Tenha em mente que nunca é tarde para mudar. As pessoas que usam a idade para não mudar dizendo que está velha demais para isso é o claro exemplo de pessoas robôs, que não mudam a sua programação mental. Na verdade, são pessoas que já estão mortas, apenas não se deram conta disso... E isso é muito triste. Acredito que em pouco tempo as novelas passarão por uma reestruturação de conteúdo, valorizando mais os pontos positivos de cada personagem e agregando mais valor às vidas das pessoas que assistem, ressaltando as virtudes e as qualidades do ser humano, ao invés do contrário. Acredito sim, que continuará tendo a trama, o vilão faz parte, mas, ao invés do ódio, haverá amor; ao invés de ressentimento haverá paz e ao invés de vingança, haverá o perdão. Digo isso porque o movimento do Coaching e da Psicologia Positiva ressalta os pontos fortes do ser humano, entendendo a dualidade que existe dentro de cada um e exaltando as qualidades aos defeitos, e cada vez mais artistas e pessoas famosas estão se tornando coaches, portanto, influenciando positivamente nas emissoras de televisão. Porém, enquanto isto não acontece, infelizmente algumas novelas transmitem valores distorcidos como traição, ambição a qualquer custo, infidelidade, violência, preconceitos, corrupção e isto são emoções negativas que lhe trarão inconscientemente vibrações negativas que serão transmitidas para o Universo trazendo consequências negativas pela Lei da Atração. Isto não é conversa de palestrante motivacional; é Física Quântica. Os físicos e a neurociência estão conseguindo provar que o que você pensa atrai para a sua vida e as consequências

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disso é o seu sucesso, fracasso, melhora da sua saúde ou o aparecimento de doenças. Exatamente! Nossos pensamentos são tão poderosos que podem tanto curar como também nos fazer adoecer; pode nos fazer enriquecer ou nos deixar mais pobres; nos impulsionar à realização de nossos sonhos ou, no nosso aniversário de oitenta anos, nos sentirmos frustrados por causa do medo de não ter arriscado mais. A Lei da Atração já é provada cientificamente e isto é maravilhoso! Há pelo menos 400 anos antes de Cristo, Buda já dizia: “So-

mos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos fazemos o mundo”. Não é à toa

que a Lei da Atração é tão antiga. Ele ainda dizia: “A Lei da mente é implacável. O que você

pensa, você cria; o que você sente, você atrai; o que você acredita, torna-se realidade”. No entanto, não havia estudos que compro-

vassem cientificamente estas afirmações. As pessoas optavam por acreditar ou não nestas declarações deste Ser de Luz. A Física Quântica aborda a conexão entre mente e corpo, e como funciona nosso cérebro em relação aos nossos pensamentos. Explica como o pensamento atua na liberação de neuropeptídeos, substâncias químicas produzidas e liberadas pelas células cerebrais (que, ao longo do tempo, podem viciar nossas células). Todo o pensamento cria uma conexão neuronal. Quando temos um pensamento, nosso cérebro libera certos neuropeptídeos que alimentam as células do corpo por meio dos receptores que possuem. Ao sentirmos mágoa, por exemplo, liberamos neuropeptídeos específicos produzidos pela mágoa.

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À medida que bombardeamos as células com a mesma atitude e a mesma química repetidamente, quando essa célula se divide e produz uma célula irmã ou filha, terá mais receptores para esses neuropeptídeos emocionais em particular. Ou seja, os neuropeptídeos liberados pela sensação de mágoa se tornam necessários para as células. Além disso, em todo o cérebro há uma coleção de sinapses, responsáveis por transmitir informações de uma célula para a outra, separadas por espaços vazios chamados de fenda sináptica. Todas as vezes que você tem um pensamento, uma sinapse dispara uma reação química através da fenda para outra sinapse, construindo assim, uma ponte por onde um sinal elétrico pode atravessar, carregando a informação relevante do seu pensamento durante a descarga. Sempre que essa descarga elétrica é acionada, as sinapses se aproximam mais, para diminuir a distância que a descarga elétrica precisa percorrer. O cérebro irá refazer seus próprios circuitos, alterando-se fisicamente para facilitar que as sinapses adequadas compartilhem a reação química e tornando mais fácil para o pensamento se propagar. Portanto, as ligações elétricas mais usadas pelo cérebro se tornarão mais curtas, e então, escolhidas com mais frequência pelo cérebro, explicando como se torna um ciclo vicioso à pessoa que tem pensamentos negativos continuar a ter estes tipos de pensamentos. Se você tem o mesmo pensamento muitas vezes, a conexão associada a esse pensamento ou tipo de pensamentos vai se for-

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talecendo. Quando uma rede neuronal é criada no seu cérebro, inevitavelmente ficará ligada a um determinado tipo de comportamento, e esse comportamento irá fazer disparar um estado emocional. Sempre que um determinado pensamento é bem sucedido, ou seja, quando esse pensamento influencia o seu comportamento, e esse comportamento origina uma reação emocional, o seu cérebro vai criando uma estrutura neuronal específica para essa forma de agir e pensamento que a suporta. A notícia boa, é que ao tomarmos consciência de que estamos bombardeando nossa mente com sentimentos e emoções negativas podemos mudar a chave para virar o jogo. Se você não tem um determinado pensamento, ou raramente esse pensamento é seguido ou não deriva num comportamento, ou não tem apego emocional, eventualmente, essas conexões neuronais definham por falta de uso. Mudando a vibração do nosso cérebro para emoções positivas, neuropeptídeos específicos alimentarão as células do corpo e, ao se dividir e produzir uma célula irmã ou filha, terá mais receptores para estes neuropeptídeos positivos, e os outros que não estão sendo usados atrofiam. A pessoa torna-se mais feliz. Portanto, assista a conteúdos que lhe tragam sensações positivas. Existe uma Lei que atua juntamente com a Lei da Atração e eu a explicarei no capítulo seguinte o que ela tem a ver com os filmes. Agora que você possui o conhecimento, sua missão é alimentar a sua mente com informações que agreguem valor a sua vida, colaborando para que neuropeptídeos específicos respon-

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sáveis por emoções positivas tenham cada vez mais receptores para receber este tipo de informação. Provavelmente, as novelas, noticiários, filmes de terror e suspense não colaborarão para que você cumpra a sua missão. No entanto, as pessoas não têm acesso a este tipo de informação (pelo menos não tinham...). Muitas dão desculpas de assistirem novelas para terem o que conversar no seu ambiente de trabalho e não sabem do mal que estão fazendo a si mesmas. Caso isto esteja acontecendo, talvez seja o momento de se questionar sobre quais assuntos que gostaria de conversar. Não se molde em função dos outros. Não nivele sua conversa para baixo. Se eles não acompanham o que você tem para compartilhar, talvez você mereça estar com pessoas com mais conteúdo do que estas com as quais convive hoje. Honre e respeite estas pessoas e dê espaço para novas companhias. Sabia que você é a média das cinco pessoas com as quais mais se relaciona? Pare um segundo a leitura e reflita quem são estas pessoas. Geralmente são amigos do trabalho, família em geral e seu cônjuge. Ao conversar com elas, quais assuntos vocês conversam durante o almoço ou o jantar? Falam sobre pessoas? Sobre coisas? Ou sobre ideias? Comece a prestar atenção sobre quais assuntos surgem durante as refeições. Vocês assistem à televisão enquanto comem, ou conversam? O que está passando no televisor nesta hora? Vocês falam sobre ideias, sobre problemas ou fofocas? Meu convite é para que você saia do piloto automático e

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comece a ser o capitão da sua vida, ao tomar consciência de que pequenas ações, como desligar a televisão durante as refeições, e escolher assuntos produtivos e positivos para compartilhar com as outras pessoas da mesa, pode ser uma estratégia benéfica tanto para a sua vida, como para dos outros. Hoje as pessoas sabem que não assisto mais novelas e telejornais, então elas nem me perguntam se eu vi o capítulo “X” ou se eu soube do acidente “Y”. Até porque não convivo mais com estas pessoas. Escolhi estar com pessoas que falam sobre ideias, jamais sobre coisas ou fofocas. O conteúdo que as pessoas conversam com você é você quem dita a elas. Se elas não tem mais nada a dizer ou outro conteúdo a compartilhar, talvez seja hora de rever seus amigos ou implantar algumas ideias na mente delas. O meu convite, é que você utilize esse poderoso instrumento de comunicação a seu favor, explorando cada detalhe e se tornando um ser atuante no processo de seleção daquilo que você quer que se incorpore ao seu Universo. À medida que traz a consciência a mensagem por trás daquilo que está explícito, tem mais chance de aprender, criar, questionar, e até afastar aquilo que considera que não é útil ou saudável para você e para aqueles que ama. No próximo capítulo mostrarei algumas experiências e pesquisas que embasarão todos os argumentos deste capítulo que você acabou de ler, para que você tenha consciência da importância de procurar conteúdos audiovisuais que lhe tragam uma frequência mental positiva, afim de o Universo responder positivamente ao que você pensa, vibra e atrai para si.

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Qual mensagem você quer aprender?

As escolhas que fazemos hoje repercutirão na nossa vida no futuro. E isto é apenas uma metáfora, pois o tempo é atemporal e o único tempo que de fato existe é o presente. Aceite-o como uma dádiva e faça das suas escolhas o melhor presente para você.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Capítulo 05 As consequências dos filmes para a sua saúde

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o capítulo anterior você aprendeu sobre as influências positivas ou negativas na sua vida ao ter acesso a conteúdos audiovisuais que agregam valor ou que são superficiais à sua vida. Você aprendeu que, ao assistir a filmes de terror ou suspense, telejornais ou novelas de má qualidade, você fica inconscientemente numa frequência negativa. Aprendeu também que, ao assistir diariamente a estes tipos de conteúdos, você está “matando” qualquer forma de ter uma vida próspera e saudável, pois acaba permanecendo num frequência mental negativa ao se deparar com tais conteúdos pobres. Você entendeu que cada um dos seus pensamentos sempre afeta a sua realidade física. Repare que, ao dizermos frequência positiva ou negativa, podemos usar um sinônimo para esta palavra que é: vibração. A frequência mental nada mais é do que a vibração que você emite ao Universo e recebe de volta aquilo que emanou. E existe uma Lei Universal que rege perfeitamente o Universo, que é a Lei da Vibração. 98


As conseguências dos filmes para a sua saúde

Esta Lei também faz parte de outras teorias e princípios como o Terceiro Princípio Hermético, o Princípio da Vibração. Este capítulo trará para você uma nova percepção, um novo olhar sobre tudo aquilo que você pensa, como também aos conteúdos que você busca adquirir. Aqui você entenderá a importância de assistir a filmes que agregam valor à sua vida; que tragam sentimentos positivos, para que você vibre numa frequência positiva, atraindo para si coisas boas e benéficas. Vamos começar falando sobre a Lei da Vibração. Você já deve saber que toda a matéria é constituída de átomos, prótons, nêutrons e elétrons, que estão em constante movimento, ou seja, em constante vibração. Portanto, “Nada está parado, tudo se move, tudo vibra” (O Caibalion), desde um grão de areia até as maiores estrelas. Toda vibração tem uma frequência, e o que acontece é que cada objeto que está vibrando em uma determinada frequência é captada pelo nosso cérebro através dos cinco sentidos e decodificados em forma de som, imagem e textura. Um exemplo é a nossa diferença de audição em relação aos cães. Nós não conseguimos ouvir tantos sons quando eles. Isso acontece porque o aparelho auditivo deles consegue captar muito mais frequências do que o nosso. A Lei da Vibração é também conhecida como o Terceiro Grande Princípio Hermético: o Princípio da Vibração. Segundo o livro “O Caibalion”, no antigo Egito viveram grandes Adeptos e Mestres que nunca mais foram superados e raras as vezes em que foram igualados, desde a época do grande Hermes. Entre os grandes Mestres do antigo Egito, Hermes foi con99


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siderado o Mestre dos Mestres. Este homem (há dúvidas se ele foi verdadeiramente um ser humano) viveu no Egito pelo ano de 2700 antes de Cristo, muito antes do tempo de Moisés. Foi o pai da ciência Oculta, o fundador da Astrologia e descobridor da Alquimia. Acredita-se que Hermes viveu por mais de trezentos anos e, mesmo após a sua partida, os egípcios fizeram dele um de seus deuses sob o nome de Thoth e sua memória foi reverenciada por muitos séculos sendo chamado de “O Mensageiro dos Deuses”. A Antiga Grécia também o glorificou com o nome de “Hermes, o Deus da Sabedoria”. Os egípcios ajuntaram-lhe seu antigo título: “Trismegisto” que significa três vezes grande, o grande entre os grandes. Em todos os países, Hermes Trismegisto foi reverenciado e este nome associado a “Fonte de Sabedoria”. Como você pode ver, a Lei da Vibração é conhecida desde os tempos de Abraão. Algumas tradições judaicas dizem que Abraão adquiriu uma parte do seu conhecimento místico do próprio Hermes. A Ciência Moderna provou que o que chamamos de Matéria e Energia é simplesmente o modo de movimento vibratório. Os cientistas mais adiantados estão aderindo à ideia que muitos ocultistas há séculos já diziam que os fenômenos da Mente são modos semelhantes de vibração e movimento. A Lei da Vibração está diretamente ligada à Lei da Atração, ou seja, se eu vibro em uma frequência positiva, atraio para mim mais destas frequências positivas em minha vida; e o oposto também acontece. Esta Lei também é conhecida como a Segunda Lei Univer-

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sal Eterna: a Lei da Ressonância, ou Lei das Afinidades. Ela diz que “Os semelhantes se atraem e os diferentes se repelem”. Você atrairá tudo aquilo que tiver o mesmo padrão vibratório ou energético que seu campo mental exterioriza, ou seja, que sintoniza ou ressoa com você. Portanto, se assisto a um filme que me deixa feliz, esperançoso, empolgado e cheio de amor, mesmo se eu estivesse em uma frequência negativa, termino de assisti-lo com vibrações positivas, pois o filme me proporcionou entrar neste tipo de frequência. Se eu escolho assistir a conteúdos que me deixam angustiado, nervoso, triste ou com medo, estou vibrando estes tipos de frequências e atraio para mim frequências iguais através da Lei da Vibração e da Atração. Esta Lei já foi explicada no capítulo anterior. A Lei da Atração entende apenas a linguagem energética, vibracional, e vai lhe trazer tudo o que estiver de acordo com sua frequência. Portanto, caso você decida assistir a filmes ou conteúdos ruins, mesmo que você esteja em uma vibração positiva, eles o levarão a ficar numa frequência negativa. Percebe a importância de você escolher ver filmes que lhe proporcionem frequências positivas? Continue a leitura porque vou provar ainda mais sobre a importância de ter acesso a conteúdos audiovisuais que agreguem valor à sua vida. Como você sabe, somos seres espirituais feitos de energia e não de matéria. A ciência já comprovou através da física quântica que somos energia e estamos todos conectados através da nossa vibração.

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Durante muito tempo achava-se que a menor partícula de uma célula, o átomo, era composto de matéria. Depois descobriram que na verdade a maior parte de um átomo é vácuo. Então achava-se que o núcleo que é muito pequeno seria material. Essa ideia foi excluída quando, por intermédio de microscópios eletrônicos muito potentes, verificou-se que o núcleo de um átomo era apenas uma energia condensada, não é matéria. Mas se tudo o que existe no mundo material é feito de um conjunto de células, estas são feitas de átomos, e se um átomo que forma qualquer coisa não é material, então em nível microscópio nada é material tudo é vibração; tudo é feito de energia condensada. Vivemos num Universo de vibração e nossos corpos são feitos a partir da vibração da energia que emanamos constantemente. A física quântica já foi apelidada de física das possibilidades por nos dizer que tudo o que imaginamos encontra-se disponível como uma das possibilidades que vamos assimilar em nossas vidas só devemos atrair o que desejamos por intermédio do pensamento através da Lei da Atração. Então já sabemos que a ciência atual consegue provar através da teoria quântica que pensamento é energia e que toda energia tem uma vibração. A vibração cria o mundo material. Também sabemos que a luz é uma fonte de energia. Então a quê estão conectadas as partículas de luz? Somos levados a aceitar a possibilidade de que existe um novo campo de energia e que o DNA está se comunicando com os fótons por meio de campo.

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Foi feito um experimento e foi recolhida uma amostra de leucócitos, ou seja, glóbulos brancos de vários doadores. Estas amostras foram colocadas em uma sala com um equipamento de medição das alterações elétricas neste experimento. O doador era colocado em outra sala e submetido a estímulos emocionais provocados por vídeos que eles causavam emoções. O DNA era colocado em um lugar diferente do doador, mas no mesmo prédio. O doador e seu DNA eram monitorados e quando o doador mostrava alterações emocionais medidas em ondas elétricas, o DNA é visualizado com microscópio muito potente, expressava respostas idênticas e simultâneas. Os altos e baixos do DNA coincidiram exatamente com os altos e baixos emocionais do doador ao assistir aos vídeos, mesmo a uma distância de 80 quilômetros entre o DNA e seu doador. Independentemente da distância não houve alterações nos resultados e, inalterada também a velocidade de transmissão. Este experimento mostra que o nosso DNA responde diretamente a estímulos quando assistimos a vídeos, filmes ou qualquer conteúdo visual. Só nos resta saber se estes estímulos são benéficos ou prejudiciais à nossa saúde. Naturalmente, quando assistimos a conteúdos que nos trazem os sentimentos positivos, descritos no capítulo anterior, os estímulos respondidos pelo nosso DNA são benéficos à nossa saúde. Porém, quando nos deparamos com conteúdos que não agregam valor à nossa vida e que nos remete a sentimentos negativos, o DNA responde a estímulos que nos trarão malefícios à nossa saúde. Preste atenção ao próximo experimento.

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Outro experimento foi realizado pelo Instituto Heart Math. Neste experimento observou-se o DNA da placenta humana a forma mais antiga conhecida do DNA que foi colocado em um recipiente onde podiam ser medidas as suas alterações. Foram distribuídas 28 amostras em um tubo de ensaio para o mesmo número de pesquisadores previamente treinados. Cada pesquisador foi instruindo para gerar e emitir sentimentos e cada um podia ter fortes emoções. O que se descobriu foi que o DNA se alterou de acordo com os sentimentos de cada um. Quando os pesquisadores sentiram gratidão, amor e estima, o DNA respondeu relaxando e seus filamentos, se estirando e ficando mais longo. Quando sentiram raiva medo ou estresse o DNA respondeu se encolhendo, tornou-se mais curto e muitos códigos se apagaram. Os códigos do DNA se conectaram de novo quando os investigadores tiveram sentimentos de amor, alegria, gratidão, harmonia, estima e em muitos casos houve a cura física de doenças. Percebe agora o poder que os filmes têm? E você pode usá-los para lhe ajudar, promovendo até cura, ou para lhe destruir, causando doenças. Todas as vezes que estamos assistindo a conteúdos que nos trazem pensamentos e, consequentemente, sentimentos negativos, nossos corpos físicos também se afetam e ficamos doentes. Por isso é importante escolher muito bem quais filmes você e seus filhos decidem assistir. Inconscientemente você está se prejudicando e também as pessoas que você mais ama. O foco do livro são os filmes, mas lembre-se que incluo tam-

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bém todos os tipos de recursos audiovisuais que você pode ter acesso, como vídeos que estão na internet, TV a cabo, TV aberta, telejornais, novelas entre outros. Estas alterações emocionais provaram que eram capazes de ir além dos efeitos eletromagnéticos, os indivíduos treinados para sentir amor profundo foram capazes de modificar a forma de seu DNA. Uma nova ciência foi desenvolvida para investigar a relação entre a vibração e a forma, pelo doutor Hans Jenny, em 1947. Em seus estudos, ele demonstrou que figuras geométricas eram produzidas através da vibração. Assim, ele produziu uma variedade de desenhos geométricos desde os mais simples até outros muito complexos em diversos materiais, como água, azeite, grafite e enxofre em pó. Cada desenho era simplesmente a forma visível de uma força invisível. A importância destas experiências é que o doutor Jenny provou sem espaços para dúvidas que a vibração cria uma forma previsível na substância onde é projetada. Pensamentos, sentimentos e emoções são vibrações. Transformam a matéria em que estão projetadas. Por esta razão devemos tomar cuidado com o que assistimos, pois o conteúdo visto nos remeterá a pensamentos e sentimentos que podem ser bons ou ruins, nos trazer mais saúde ou doença. Muitas pessoas dão mais valor ao corpo físico, se exercitando, indo à academia, bebendo muita água e comendo alimentos saudáveis; mas não se atentam aos seus sentimentos, vivendo com raiva, ressentimentos e pessimismo. Inconscientemente, elas se prejudicam fisicamente, mental-

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mente e espiritualmente, assistindo a noticiários negativos, preferindo ver filmes de violência e falando muito sobre doenças, crises financeiras, conflitos e guerras. Estas pessoas acabam não entendendo o porquê ficam doentes e deprimidas. Há um desequilíbrio em suas vidas, uma grande incongruência entre suas ações durante o seu cotidiano, pois estas pessoas se preocupam apenas em manter a forma física “saudável” e não se atentam em saber que, de nada adianta, se elas não mantiverem sua mente sã. De que adianta eu ter um corpo visualmente bonito, forte e sadio, se eu opto por assistir a conteúdos que vão me trazer pensamentos ruins, consequentemente sentimentos negativos, causando rupturas e falhas nos códigos em meu DNA, facilitando o aparecimento de doenças neste corpo “perfeito”? O alimento que ingerimos é importante, mas as emoções são alimento da alma e elas influenciam a nossa saúde e em nossa vida completamente. E lembre-se sempre de se lembrar de nunca mais esquecer de que nossas emoções estão diretamente vinculadas ao que assistimos na televisão, internet ou outros meios de comunicação. Portanto, assista a coisas engraçadas, divertidas e alegres, bonitas, românticas e interessantes, instrutivas, espiritualistas e otimistas. Deixe tudo o que é negativo fora do seu círculo energético. Seja mais feliz, ame-se e cuide do alimento de sua alma. Aprendemos que o poder está em nossas mãos em vibrar em nosso campo energético, emoções positivas, assistindo a filmes que agreguem valor em nossas vidas, a fim de fortalecer nosso DNA.

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Vimos também que, ao assistirmos a um filme ou qualquer conteúdo audiovisual, geneticamente nosso DNA se modifica com as frequências que são produzidas através de nossos sentimentos, que podem ser bons, se for um filme que lhe traga emoções positivas, ou ruins, se lhe trouxer emoções negativas. Inconscientemente, a sua mente está trabalhando para que seja feita a sua vontade, seja para o bem ou para o mal. A reflexão que eu convido você a fazer é: Qual mensagem você está mandando para a sua mente inconsciente? Outra relação que quero apresentar para você, caro leitor, é a relação da água com o que escolhemos assistir em frente à televisão, computador, tela de cinema ou celular. Neste momento você deve estar se perguntando: “O que a água tem a ver com o que você escolhe assistir?” A resposta é: tudo! Fique comigo e perceba a minha linha de raciocínio e abra a sua mente para entender e aceitar que as Leis Universais estão se relacionando com tudo e a Lei da Vibração é importantíssima para a compreensão dos fatos. Trago para você uma pesquisa do senhor Masaru Emoto, um cientista japonês que demonstrou como o efeito de determinadas ações, palavras, pensamentos e sentimentos alteram a estrutura molecular da água. Através de seu trabalho entendemos que as energias vibracionais que nós emitimos, como as palavras que pronunciamos, os pensamentos e sentimentos que temos afetam diretamente a estrutura molecular da água. Isso está diretamente ligado a você, à sua saúde física e mental, pois a água representa setenta por cento do nosso corpo

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e afeta diretamente nossa saúde através do que vibramos, segundo a pesquisa do senhor Masaru Emoto. Como já foi dito anteriormente, sabemos que tudo na existência, vibra. E que vibração é sinônimo de energia. O senhor Emoto afirma que a vibração trabalha através da água. Seus estudos foram ainda além. Ele pesquisou que até músicas influenciam diretamente na estrutura molecular da água. Músicas pesadas como Heavy Metal deixam a molécula da água disforme, enquanto músicas relaxantes e leves tornam-na mais perfeita e linda. Seguindo o conceito de que até mesmo as músicas afetam a estrutura da água, por que não dizer também que os filmes também afetam? Se tudo vibra, inclusive músicas; ao assistirmos a um filme nós vibramos e podemos alterar positiva ou negativamente as moléculas de água que compõe nosso corpo. Emoto ficou interessado na estrutura molecular da água e o que a afeta. A água é o mais receptivo dentre os quatro elementos. Emoto pensou que responderia a eventos não físicos e realizou uma série de estudos, e a fotografou com um microscópio de Campo escuro. A técnica consiste em expor a água a essas forças, congelála e depois fotografar os cristais formados. Ele fotografou uma molécula retirada do poluído Represa Fujiwara.

(Molécula de água retirada do Rio poluído Fujiwara)

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Fotografou depois a mesma água após receber a bênção de Kato Hoki,um monge budista que fez uma meditação de uma hora em frente à Represa. A molécula da água após a bênção estava visivelmente mais bonita.

(Molécula de água após receber bênção de Kato Hoki)

Emoto fez também uma experiência com algumas palavras:

“Obrigado”, “amor e Gratidão”, e outra escrita “Uma ameaça de Morte”. Foi escrita numa etiqueta cada palavra e colocada em garrafas separadas. Após o congelamento da água foi retirada uma molécula e fotografada. As moléculas retiradas das garrafas onde estava escrito na etiqueta as palavras “Obrigado” e “Amor e Gratidão” se formou um cristal perfeito e a molécula cuja palavra estava escrito “Uma ameaça de morte”, saiu um cristal deformado.

(Molécula de água com (Molécula de água com vibração de “Obrigado”) vibração de Amor e Gratidão) 109


O poder dos filmes para a mente inconsciente

(Molécula de água com vibrações De “Uma ameaça de morte”)

Não importa a origem da água, ela transporta a energia cujas palavras estão escritas. Emoto colocou também uma molécula de água exposta ao som da voz de Hitler e a molécula ficou completamente horrorosa, deformada. Colocou a água exposta ao som de palavras de amor e admiração e o cristal formado foi simplesmente maravilhoso. A água foi submetida também ao som de pastorais de Beethoven, e o cristal formado foi lindo. Colocou a molécula com essência de camomila e o cristal formado foi uma figura de flores de camomila. A reflexão que eu convido você a fazer é que mais de 70% do nosso organismo é composto de água. Se um simples “Muito obrigado” muda uma molécula de água, imagine o que uma prece palavra de amor e encorajamento, amizade produzem em nosso corpo. Agora sabemos que, se tivermos acesso a vibrações negati-

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As conseguências dos filmes para a sua saúde

vas podemos adoecer com palavras, sentimentos e pensamentos, cheios de ódio, mágoa, inveja e outros tantos. Isto lhe remete alguma reflexão a respeito do capítulo anterior? Você sabe também que a Lei da vibração é implacável. Vibrando frequências positivas, atrairá resultados positivos em sua vida. Os semelhantes se atraem. Agora você tem o conhecimento necessário para saber as consequências que os filmes trazem para a sua saúde. Eles podem ajudá-lo na cura física ou no aparecimento de doenças, pois vimos que, além da Lei da Vibração, seu DNA responde aos seus sentimentos. A que tipos de conteúdos você prefere ter acesso? Quais moléculas você quer dentro de você? Reflita a respeito, pois talvez seja a hora de você mudar alguns velhos hábitos, adotando novos comportamentos que lhe trarão, além de mais saúde, muito sucesso na sua vida.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Capítulo 06 A Jornada do Herói

A

s histórias são um tipo de comunicação humana utilizada há milênios e muito poderosas para transmitir a informação que o comunicador deseja passar a seus ouvintes. Antes mesmo da escrita, o conhecimento adquirido era passado de uma geração para outra através de histórias. Não existe nada mais poderoso que uma história. Não é à toa que os livros mais lidos do mundo, a Bíblia e o Alcorão, são livros de histórias. Jesus era um exímio contador de parábolas que tocavam os sentimentos de milhares de pessoas e ainda tocam centenas de milhões até os dias de hoje. As pessoas paravam para ouvi-lo porque, de alguma forma, suas metáforas faziam sentido. Ele sabia que cada pessoa só pode compreender as coisas a partir da sua perspectiva pessoal, sem impor sua visão ou modo de pensar ou agir. Por isso ele ensinava por meio de histórias, pois tocavam direto em seus corações e, segundo a crença e percepção de cada um, trazia direção e clareza para elas. Como eu já mencionei anteriormente neste livro, Milton Erickson utilizava as histórias para entrar na mente inconsciente

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A Jornada do Herói

de seus pacientes e proporcionar a eles curas maravilhosas, pois as metáforas são passadas através das histórias, sejam elas criadas ou não. Através das histórias, ele conseguia diminuir as interferências da mente consciente da pessoa para que o inconsciente pudesse ser acessado e então, através do sentimento, a metáfora contada pudesse fazer sentido para elas. Os filmes são feitos de histórias, baseadas em fatos reais ou fictícios. E o grande poder dos filmes é justamente o poder destas mensagens conversarem diretamente com a mente inconsciente do expectador, tocando-lhe o sentimento, proporcionando a ele significativos aprendizados. Lembre-se do capítulo sobre a mente inconsciente: uma maneira eficaz de aprender é através do sentimento. Existem várias formas de uma história ser contada, mas o modelo conhecido como “Jornada do Herói”, também conhecida como Monomito, é um dos mais convincentes e utilizados. Existe um padrão de sequências que são utilizados pelos grandes filmes, aqueles que são inesquecíveis que são baseadas na “Jornada

do Herói”.

Uma das maneiras mais eficientes de ensinar uma lição é através de uma história onde o herói tinha um problema e conseguiu superar após aprender a lição. A “Jornada do Herói” é tão poderosa que é utilizada também no mundo dos jogos. São incontáveis os jogos que usam a Fórmula da Jornada do Herói para se conectar com os jogadores e gerar engajamento. Quando os gráficos dos jogos digitais ainda eram bem pre-

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cários, a melhor forma de engajar o jogador era através de histórias. Era muito mais legal jogar um jogo que envolvia o jogador em um enredo do que apenas jogar por jogar. Com exceção do Pac Man, ou Pinball por exemplo, que foram jogos que não tinham enredo mas que fizeram muito sucesso nos anos 80, jogar Alex Kid ou Mário era muito mais atraente porque continha uma história envolvida. Isto acontecia porque a história do jogo tinha começo, meio e fim. Lembro-me como se fosse hoje, que eu jogava estes tipos de jogos para ter o prazer de ver o final da história. O antropólogo e autor Joseph Campbell publicou o livro chamado “O Herói de Mil Faces” (The Hero with a Thousand Faces), em 1949, e com a ajuda de publicações e estudos anteriores, apresenta a estrutura de uma narrativa heroica. O livro descreve 12 passos que o personagem passa e que o transformam em um herói. Campbell analisou que os mitos heroicos seguiam o mesmo padrão narrativo que acabaram por influenciar diversas outras ao longo do tempo. Citando alguns personagens importantes como Jesus Cristo, Budda, Perseu, Theseu e Hércules tem suas histórias ao modelo monomítico. Podemos dividir estes 12 passos em três conjuntos de padrões até os personagens tornarem-se heróis. A Partida lida com o herói aspirando à sua jornada; a Iniciação contém as várias aventuras do herói ao longo de seu caminho; e o Retorno é o momento em que o herói volta à casa com o conhecimento e os poderes que adquiriu ao longo da jornada. O padrão está dividido em diversas partes onde três delas seriam as mais importantes:

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A Jornada do Herói

A Partida: A partida acontece no começo da história, onde o herói recebe de alguém, ou dele mesmo, o chamado para uma aventura. Geralmente essa aventura é fora do seu “mundo comum”, obrigando o personagem a sair da sua “zona de conforto” provocando certo medo ou insegurança, mas é essencial para ele alcançar um objetivo seja moral, emocional ou físico. É o momento em que o herói sai de seu lugar comum por diversas razões. Este chamado é algo pelo qual a alma clama, quando tudo aquilo que ele sabe ou conhece não é mais suficiente, surgindo uma oportunidade de aprender ainda sobre si mesmo, sobre o mundo ou o Universo. Assim, ele embarca em uma jornada, forçada ou não. Esta é a fase em que o herói, ao decidir partir, enfrenta muitas vezes um grande conflito interno, pois ele deve abandonar tudo aquilo que ele conhece ao partir para sua Jornada em busca da resposta. Vamos ver se isto realmente acontece nos filmes... No filme “Rocky Um Lutador”, o boxeador amador Rocky Balboa tem o desafio de lutar contra o atual campeão mundial dos pesos pesados, Apollo Creed, que teve a ideia de dar oportunidade a um desconhecido como um golpe publicitário. Ele parte, portanto, para uma jornada interior em busca de desenvolvimento, treinamento, saindo da sua zona de conforto, do seu lugar comum, para um novo desafio na sua vida. O mesmo acontece com os outros cinco filmes da sextologia Rocky Balboa. Em “Matrix”, o senhor Anderson levava uma vida cotidiana até ser convidado por Morfeu a conhecer o que era Matrix, 115


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pedindo para ele tomar uma decisão de tomar a pílula azul ou a pílula vermelha. Ele decide partir para sua jornada rumo ao desconhecido e ser conhecido como Neo, o Escolhido. No último filme “Karatê Kid” (que na verdade é KungFu), o menino Dre Parker é obrigado a deixar sua casa e amigos para se mudar para a China. Na trilogia “O Senhor dos Anéis”, o pequeno Hobbit Frodo tem a missão, em primeiro momento imposta pelo mago Galdalf e depois por livre espontânea vontade, de sair da sua pacífica vila do Condado para uma aventura mortífera rumo a Mordor para destruir o Anel de Poder forjada por Sauron. Em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, Dr. Jones tem a missão de deixar a Universidade em que ministra aulas para resgatar seu pai, sequestrado por Nazistas. “Harry Potter” teve a oportunidade de sair da casa do seu malévolo padrasto quando recebeu o convite de ingressar na escola para bruxos em Hogwarts. No filme “Jurassic Park”, os paleontólogos Alan Grant e Ellie Sattler foram convidados a conhecerem um parque diferente, mas que o fundador John Hamm garantiu que era bem na área deles. Eles deixam suas escavações e aceitam o convite para darem sua opinião profissional sobre o parque. Mal sabiam eles que, em poucas horas, suas vidas estariam correndo sério perigo. No clássico da Disney “A Pequena Sereia”, a curiosa sereia Ariel, aceita a proposta da malvada Ursula para se tornar humana por três dias para conquistar o coração do príncipe. Ela sai do seu habitat natural para o mundo terrestre e em troca de pernas humanas ela empresta a Ursula a sua bela e doce voz. 116


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Outro Clássico Disney, “Bernardo e Bianca”, os ratinhos saem para o mundo em busca de encontrar a pobre e solitária garotinha Penny que foi sequestrada pela Madame Medusa. Em “Procurando Nemo”, o peixe palhaço Marlin, mesmo morrendo de medo do mar, sai em busca de seu filho Nemo na esperança de encontrá-lo. Apesar de super proteger seu filho dos possíveis perigos que a vida pode lhe trazer, Nemo é sequestrado por humanos e levado para Sidney. Seu pai deixa o recife para se aventurar na imensidão do oceano em busca de encontrá-lo. Eu poderia mencionar centenas de filmes que seguem este padrão de enredo. Eu poderia citar o campeão de bilheteria Avatar, Star Wars, Mágico de Oz, Shrek, enfim, muitos filmes que seguem a Jornada do Herói, mas acho que você entendeu a ideia. A Iniciação: Nesse momento o herói está em sua jornada, tendo seus encontros com o mundo desconhecido e adquirindo potencialidade e conhecimento para seu retorno. A jornada pode significar, também, o enfrentamento dos medos como nos mitos heroicos de Perseu, que luta contra a Medusa; Hércules cumprindo os 12 trabalhos e Theseu enfrentando o Minotauro, para que retornem aos seus lugares glorificados. Durante a sua jornada, o herói passa por muitos desafios e provações. Ele enfrenta diversos obstáculos, chega até em alguns momentos fracassar, quase morrer, ou até mesmo se deparar com a morte. É nesta parte que, muitas vezes, ele cogita a possibilidade de desistir, de duvidar do seu poder interior e da sua força. No entanto, ele continua, se supera, ressurge das cinzas e enfrenta

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

seus medos, obstáculos e inimigos e vence com louvor ou recebe um prêmio pela jornada que trilhou, como por exemplo um novo mindset, uma nova forma de pensar, uma plenitude e felicidade maior daquela que ele tinha antes de iniciar a viagem. Vamos ver como se encaixa este padrão nos filmes que eu mencionei na Partida. No filme “Rocky Um Lutador”, o boxeador amador Rocky Balboa aceita o desafio de lutar contra o campeão mundial Apollo Creed. Durante seus treinos, ele chega a duvidar da sua capacidade de enfrentar seu oponente. Ele passa a treinar duro, acordando de madrugada para correr e se preparar. Rocky, passa pelo tormento durante a luta, chegando a esgotar todas as suas forças para fazer uma boa luta e aguentar até o final. Em “Matrix”, Neo trilha sua jornada, desvendando o mundo real e aprendendo os segredos de Matrix. Ele inúmeras vezes duvida da sua real capacidade de ser o Escolhido, sentindo muitas dúvidas e medos. Neo chega a ser metralhado e seu coração parar de bater, mas num sopro divino, uma força do além, ele revive para a surpresa do seu inimigo, o agente Smith. No filme “Karatê Kid” (lembrando que trata-se de KungFu), o jovem Dre Parker passa por diversos obstáculos. Além da língua local e os costumes da China serem muito diferentes das quais ele está acostumado, ele ainda sofre bullying e chega a ser agredido várias vezes. Com a ajuda de um mentor, o senhor Han, ele recebe o desafio de aprender Kung-Fu para promover a paz entre seus colegas de escola e lutar no torneio da cidade. Dre treina arduamente, passa por diversos esforços e sacrifícios para se sair bem na competição e ganhar o respeito dos adversários.

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Na trilogia “O Senhor dos Anéis”, Frodo embarca numa jornada ao lado de seu amigo Sam, passando por muitos perigos, como serem perseguidos por Orcs, sequestrados por humanos, ameaçados por um Troll, Aranha e Lula gigante, Nazgul e Gollum. Passarem fome, dormirem muito pouco e chegarem ao limite da exaustão física e psicológica, além de Frodo precisar resistir a tentação de usar o Anel de poder e não ser visto pelo Olho que tudo vê. Em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, na busca em encontrar seu pai, Indiana enfrenta nazistas e se depara até com o próprio Hitler. É perseguido por soldados a cavalo, jipes, tanques de guerra, motocicletas e aviões. Ele ainda é forçado a encontrar o Santo Graal para os alemães, passando por provações de humildade e fé. Em “Harry Potter”, ele chega à escola de bruxos e passa por inúmeros desafios, além da pressão de ser famoso por ter sobrevivido quando bebê de um ataque do bruxo mais poderoso que já existiu, Valdemort. Ele se torna o apanhador mais novo da sua casa, o time Grifinória. Passa também por situações em que a coragem foi fundamental para o seu sucesso, como salvar sua amiga Hermione de um Troll das montanhas, passar por um cão de três cabeças, jogar uma partida mortífera de xadrez e encarar o próprio Vandemort frente a frente. No filme “Jurassic Park”, Alan Grant e Ellie Sattler se deparam com dinossauros de todos os tamanhos, inclusive os carnívoros, como Velociraptores e o famoso Tiranossauro Rex. Eles são caçados por estes répteis que não fazem ideia da Era no qual se encontram.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

No clássico “A Pequena Sereia”, Ariel torna-se humana e sem voz e ela tem apenas três dias para conquistar o coração do Príncipe, o amor da sua vida. Ao estar muito perto de conseguir realizar seu sonho, a malvada Ursula intervém para que ela fracasse. Ela chega a desistir por um momento até recuperar suas forças e lutar pela sua felicidade. No Clássico Disney, “Bernardo e Bianca”, os ratinhos que juraram trazer Penny de volta, sã e salva para o orfanato, vão parar num zoológico, viajam em cima de uma gaivota um pouco doidinha, enfrentam crocodilos e a própria Medusa para salvarem a pequena Penny. Em “Procurando Nemo”, com a ajuda de sua nova amiga Dory, Marlin desbrava os mares até Sidney à procura de Nemo e enfrenta peixes gigantes, tubarões, águas vivas, gaivotas e até no interior de uma baleia ele esteve. Durante a sua busca, ele duvida algumas vezes da sua capacidade de encontrar o filho a ponto de perder a esperança. Por outro lado, Nemo está agora em outro lugar e tem também a sua própria Jornada do Herói, pois ele foi parar em um aquário na parede de um consultório odontológico. Lá enfrenta desafios ao saber que seu pai estava indo resgatá-lo. Ele quase é sugado pela hélice do aquário, precisa lutar pela sua vida para não ser doado para Darla, a sobrinha do dentista que não sabe cuidar de peixes. O Retorno: O terceiro padrão da Jornada do Herói é o Retorno, onde, passada a situação de perigo, o herói retorna ao seu mundo an-

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A Jornada do Herói

terior, seja para enfrentar seus antigos medos após os conhecimentos e força adquirida na jornada, ou retornar como herói das conquistas em batalha na jornada com os tesouros e glórias que conquistou. No filme “Rocky Um Lutador”, Rocky Balboa consegue se superar fisicamente e psicologicamente, aguentando as fortes pancadas do campeão mundial Apollo Creed. Ele não apenas permanece em pé até o final, como empata a luta para a surpresa de todos, se destacando no mundo do Boxe e na mídia. Em “Matrix”, Neo descobre o que lá no fundo já sentia: era o Escolhido. Ele, assim, muda de nível, transcende para um novo conhecimento sobre si mesmo e sobre como funciona a Matrix, tornando suas capacidades e habilidades aprimoradas, ele descobre o senso sobre si mesmo e do seu importante papel para o sistema, para os humanos. No filme “Karatê Kid” (leia: Kung-Fu Kid), mesmo com o joelho quebrado, Dre Parker enfrenta seu medo e luta contra seu adversário Cheng. Com muita coragem e autoconfiança ele vence a luta, retornando para casa com o troféu da competição e o respeito de seus colegas da escola que antes eram as pessoas que cometiam bullying contra ele, e que se tornaram seus novos amigos. Na trilogia “O Senhor dos Anéis”, exausto fisica e psicologicamente, com a ajuda de seu inseparável leal amigo Sam, Frodo finalmente chega a Montanha da Perdição. Após uma luta contra Gollum que queria roubar mais uma vez o anel de Frodo, finalmente o anel é destruído e a guerra termina. A Terra Média, o Condado, Gondor, Rohan e as outras cidades estavam salvas da 121


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maldade de Sauron e seus exércitos do mal onde a paz voltou a reinar. No filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”, os vilões morrem pelas péssimas escolhas que fizeram e Indiana encontra o Santo Graal podendo salvar seu pai da morte. Eles retornam para casa tendo uma visão ainda mais ampla sobre a fé e a busca pela Iluminação. Em “Harry Potter”, depois de enfrentar seu grande inimigo Valdemort, Harry Potter retorna para a casa do seu padrasto após a temporada em Hogwarts, com o conhecimento adquirido na escola e com a ceteza que ele tem um papel fundamental para a classe de bruxos. No filme “Jurassic Park”, Alan Grant e Ellie Sattler conseguem salvar os sobrinhos de John Hamm e, mesmo quase sendo comidos por um Velociraptor, são salvos sem querer pelo próprio Tiranossauro Rex, conseguindo sair da ilha todos sãos e salvos. E após esta emocionante experiência no Parque dos Dinossauros, Alan tem uma nova visão, não somente em relação a sua percepção sobre os dinossauros, mas também quanto ao seu amor por crianças. Em “A Pequena Sereia”, Ariel luta com todas as forças para ter o seu Príncipe e consegue inclusive que seu pai a apoie para que ela realize seu sonho de ser humana e viver com o amor da sua vida. No Clássico “Bernardo e Bianca”, com a ajuda de seus novos amigos, os ratinhos Bernardo e Bianca conseguem salvar a pequena Penny, retornando para o orfanato onde ela é adotada por um casal que irá dar muito amor e carinho a ela. 122


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Em “Procurando Nemo”, Marlin consegue encontrar Nemo e eles retornam para o recife onde moram. Agora Marlin tem menos medo em deixar seu filho sozinho, pois ele sabe que, se algo acontecer com ele, Nemo saberia se virar. Por outro lado, Nemo consegue fugir do consultório voltando para o mar e reencontrando seu pai. Felizes eles voltam com sua nova amiga Dory para casa e vivem felizes. E por que é importante sabermos sobre a Jornada do Herói e o aprendizado da nossa mente inconsciente? Provavelmente, se você já chegou até aqui, deve ter respondido a esta pergunta antes de ler o parágrafo debaixo, porque está PhD. em mente inconsciente e o poder que ela tem de aprender através de metáforas, não é mesmo? Uma vez que a nossa mente inconsciente aprende através de metáforas, de histórias, a Jornada do Herói tem um papel importante neste aprendizado, pois ele está ensinando ao nosso inconsciente as etapas que os heróis atravessam para mudarem de fase em suas vidas. A metáfora é que nós somos os nossos próprios heróis das nossas vidas. Somos nós que escrevemos nossa história e, portanto, nós que somos os protagonistas dela. Vivemos em fases. Algumas delas na nossa confortável zona de conforto. Outras vezes temos um chamado, seja uma decisão importante que precisamos tomar e que muitas dúvidas surgirão ao longo do caminho; ou então, alguma luta interna que temos que travar, com inimigos reais ou intrínsecos. Todas as vezes em que tivermos dúvidas e formos deparados em desafiarmos nossos medos, em sairmos da zona de

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conforto; todas as vezes em que tivermos um chamado onde seremos convidados a buscar algo maior dentro de nós, seja a superação de um medo ou uma decisão importante; todas as vezes que precisarmos nos desafiar, termos coragem para caminhar o caminho e abrirmos mão de algumas coisas para colhermos algo mais frutífero no futuro; quando estivermos frente a frente com este chamado e tivermos dúvidas, mas que no fundo sabemos que a melhor decisão é a ação, estaremos então, iniciando a nossa própria Jornada do Herói. O mais interessante é que, depois de você passar por todas as fases, inclusive aquelas em que você quase “morre”, sofre e acha que não irá conseguir; quando estiver na fase em que a vontade de desistir é quase igual que a vontade de vencer e você perde as esperanças de que irá conseguir triunfar; e, no fundo da sua alma trouxer aquela última gota de força e energia, saberá que terá valido a pena, pois a recompensa pelo esforço é diretamente proporcional ao sacrifício empregado no caminho da sua jornada. A Jornada do Herói é assim e, provavelmente você já deve ter passado por situações assim, seja se preparar para um vestibular, alguma competição importante, algum relacionamento amoroso ou problemas financeiros. Somos guiados pela Jornada do Herói e, inconscientemente fazemos analogias da nossa própria vida com a vida dos antigos heróis da mitologia. Você já ouviu a frase: “Tenho que matar um leão por dia!”. Esta é uma associação ao herói Hércules em seus trabalhos matando os leões. Já ouviu ou mesmo disse a frase: “Estou passando por um

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inferno!”. Ou então: “Estou no céu!”. Onde senão nos mitos o herói vai ao inferno em busca de algum resgate e termina sua jornada voltando para o Monte Olimpo. Estamos sempre em contato com estes heróis, porque nós somos os próprios heróis da nossa vida. Os heróis estão relacionados a personagens de poder, a semideuses. Este pensamento é muito interessante e faz todo sentido, uma vez que dentro de nós, por meio da nossa mente inconsciente, como já vimos anteriormente, temos poder, amor, uma centelha divina que nos faz sermos únicos e ilimitados, ou seja, heróis da nossa própria história. Além disso, um herói é altruísta, ou seja, faz o bem e ajuda o próximo sem esperar nada em troca. Agindo assim, ele se destaca perante a multidão. Neste momento você pensa: Se todos nós somos nossos próprios heróis, como que eu me destaco perante a multidão, uma vez que todos também são seus próprios heróis? É muito simples: todos nós somos nossos próprios protagonistas, porém não são todos que tem a coragem de trilhar a Jornada do Herói. Muitos não saem nem do primeiro padrão: a Partida. Preferem permanecer em sua zona de conforto, seja por preguiça, medo ou comodismo. No entanto, se ele assim desejar, pode acordar seu herói interior e fazer grandes feitos em sua vida e aqueles que estão a sua volta. E a beleza do desafio em ser seu herói está no equilíbrio, na dualidade que existe em tudo para que esta harmonia seja respeitada na vida. Somos seres duais, luz e sombra. Isto quer dizer que a grandeza do herói está diretamente proporcional ao tamanho do vilão que ele enfrenta.

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Isto quer dizer que, se você, herói, tem um desafio grande para caminhar na sua Jornada, se o seu vilão é gigante, isto quer dizer que você é tão grande quanto este obstáculo que está na sua frente. Caso contrário você não seria o herói da história, seria a vítima a ser salva. E mais: vilões pequenos exigem menos de você e, consequentemente, no terceiro padrão da Jornada, o Retorno, seu conhecimento adquirido ao longo do caminho ou a força adquirida, ou até mesmo as conquistas e as glórias que você conquistou ao voltar para o ponto de início, provavelmente serão insignificantes. Portanto, agradeça aos desafios que tiver ao longo do seu caminho, pois é isso que fará de você um grande herói, levando-o a colher frutos ainda melhores para a sua vida. E, conforme vamos vencendo os vilões, crescemos e aumentamos nosso poder e percepção sobre nossos problemas. Na medida em que vamos vencendo estes vilões, avançamos no processo evolutivo e nos tornamos pessoas melhores, mais plenas e com entendimento mais amplo da vida. E, como somos seres duais, conforme aumentamos nossa luz e nos tornamos heróis melhores, com desafios maiores, a nossa sombra nos acompanha na mesma proporção. A sabedoria heroica vem da capacidade de resolver seus desafios. E a beleza disso é que, quanto maior o desafio, maior será a colheita dos frutos recebidos no Retorno. Agora que você já adquiriu conhecimento suficiente para compreender como funciona a Jornada do Herói, e sabe que, tanto os bons filmes quanto a sua vida estão relacionados a este tipo

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de padrão, eu convido você a assumir a responsabilidade de ser o herói da sua própria vida e a enfrentar cada vez mais, vilões maiores, para assim, crescer e se desenvolver como ser humano e colher as glórias e tesouros decorrentes de cada vitória.

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Capítulo 07 MATRIX

“Seus olhos doem porque você nunca os usou.” (Morfeu)

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enho o maior prazer em destinar um capítulo inteiro para a trilogia “Matrix”. Este filme gerou muita polêmica e diversas discussões que perduraram por décadas e, talvez até hoje. Meu intuito não é analisar o enredo do filme, isto muitas pessoas já o fizeram, mas mostrar a você leitor, cognitivamente, as metáforas e as mensagens destinadas para o aprendizado da sua mente inconsciente. Existem diversas discussões pela internet afora sobre o enredo do filme, o que cada personagem representa e cada fórum de discussões tem uma percepção diferente dentre os outros grupos. Não quero ser repetitivo. Minhas observações irão além de uma simples análise sobre o enredo do filme, ela irá despertar em você pensamentos que irão desde os mais óbvios, porém nunca pensadas, até a mais profunda e intrigante reflexão.

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Para facilitar você a linkar a parte do filme o qual estou mencionando, com a reflexão que estou convidando você a fazer, sempre indicarei o tempo do filme em que estou me referindo. Aos 4’00” o filme já mostra as crenças limitantes das pessoas que não acreditam no seu próprio potencial, quando Trinity, fugindo de um agente e mais cinco policiais salta de um prédio para o outro e a distância entre eles é relativamente grande. O agente salta atrás dela e um dos policiais diz: “Isto é impossível”. Nossas crenças limitantes simplesmente impedem de fazermos coisas extraordinárias em nossas vidas. Aos 9’00” o longa metragem mostra a importância de confiar nos sinais que o Universo manda para nós, quando o computador pede para Neo seguir o coelho branco e Neo decide aceitar o convite e sair para se divertir com seu contato, um casal e a moça tem uma tatuagem de um coelho branco nas costas. Aos 26’00” do início do filme quando Neo se encontra com Morfeu pela primeira vez e conversam sobre a metáfora de Alice e a toca do coelho, sobre destino e prisão mental para não enxergar a verdade. Neo diz não acreditar em destino por não gostar da ideia de não poder controlar a sua vida. Frase poderosa para aqueles que terceirizam seus fracassos, nunca assumindo a responsabilidade de suas vidas. Neo pergunta a Morfeu por que seus olhos doem (36’00”) e ele responde: “Porque você nunca os usou”. Mito da caverna quando o prisioneiro encontra a saída da caverna e a luz do novo mundo é muito forte fazendo doer os olhos do prisioneiro libertado.

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Explicarei melhor sobre este mito mais para frente, mas, por enquanto, apenas reflita quantas vezes não usamos nossos olhos para enxergar de forma verdadeira a nossa vida, sem colocar um filtro de pessimismo, vitimismo e obstáculos?

Neo pergunta a Morfeu: “Eu não posso voltar, não é?” (44’00”) “Não... Mas se pudesse, ia querer mesmo?”

O diálogo mostra que, uma vez que você sai metaforicamente da caverna de Platão, tem uma compreensão maior sobre si mesmo e do mundo e, uma vez que você sobe um degrau da evolução humana e transcende o seu conhecimento anterior, jamais conseguira regredir ao estado inicial. Na cena em que Neo começa os treinamentos com artes marciais e, num piscar de olhos ele diz: “Eu sei Kung-Fu”... (49’00”). Eu que sou praticante desta arte marcial milenar chinesa há pelo menos vinte e cinco anos (até o momento em que escrevo este livro) posso dizer que eu sei Kung Fu? Quando passamos, a saber, de algo que já está dentro de nós? Ou como aprender algo que leva uma ou mais vidas para aprender? Como ele aprendeu em apenas cinco segundos? Olha que aprendizado espetacular em apenas uma frase: “Eu sei Kung Fu” – mostrando que o tempo é atemporal e que 5 segundos pode ser o suficiente para a mente inconsciente aprender algo que levaria uma vida inteira para ser ensinado, pois para nossa mente inconsciente, podemos resgatar cinquenta anos de vida em apenas 3 segundos, de tão grande e veloz é o processamento da nossa mente inconsciente. Neo luta Kung-Fu com Morfeu (52’00”), mas perde no pri130


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meiro momento. Morfeu pergunta a Neo se ele acha que os músculos ou velocidade tem alguma coisa a ver com este lugar? Morfeu faz Neo refletir sobre a importância de ter a mente forte e plástica para obter êxito. De que adianta trabalharmos apenas o corpo se deixarmos de lado a neuroplasticidade da mente? Frase importante para pensar sobre como tudo está na mente. Isto me faz lembrar do Primeiro Principio Hermético – O Principio do Mentalismo – “O Todo é Mente, o Universo é Mental”. O Todo, ou seja, a realidade que se oculta em todas as manifestações do nosso universo material, é Espírito, é Incognoscível, é Indefinível em si mesmo, mas pode ser considerado como uma Mente Vivente Infinita Universal.

“Compreendendo a verdade da Natureza Mental do nosso Universo o discípulo estará bem avançado no Caminho do Domínio”, escreveu um velho sábio do Hermetismo há mais de

3300 anos. Estas palavras continuam atuais e verdadeiras e são a chave para a nossa compreensão das regras e Leis que regem nosso Universo Material. Voltando ao filme, Morfeu diz também tentar soltar a mente de Neo, mas ele só pode mostrar a porta, é Neo quem tem que atravessá-la. O que podemos fazer é apenas mostrar o caminho, mas a decisão de caminhar é das pessoas. O mesmo acontece quando Neo abre a porta para encontrar pela primeira vez o Oráculo (1h 11’ 00” do inicio do filme). Morfeu diz a Neo: “Solte a sua mente” (54’00”). Ele convida Neo a se desvencilhar de seus bloqueios mentais, limitações e crenças limitantes, como temor, dúvida e descrença, instigando-

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-o a pular de um prédio para outro, com uma distância relativamente grande entre eles. Mesmo Neo tentando se convencer de que era capaz, ele não estava seguro o suficiente para realizar tal façanha. Esta cena mostra claramente a segunda lei de Emile Coué - A Lei do Esforço Contrário. Esta Lei diz respeito às pessoas que desejam muito algo, mas lá no fundo do seu coração e do seu inconsciente não se sentem merecedoras de receberem aquilo que querem, boicotando seu próprio sonho e fracassando ao buscarem aquilo que tanto desejam. A cena da mulher de vermelho se baseia no mito da caverna de Platão (56’00”). Ele refere-se às pessoas que estão presas em uma prisão mental e não conseguem se libertar para o mundo real. Platão dizia que existe dois tipos de “mundo”: o mundo dos cinco sentidos, onde podemos ver, sentir e tocar, e o mundo inteligível, das ideias. Segundo o filósofo grego Platão, imagine prisioneiros acorrentados de frente para uma parede dentro de uma caverna escura. Atrás deles está a saída da caverna e uma fogueira, porém, eles não sabem disso. A única realidade para estes prisioneiros são as figuras medonhas das pessoas que passam perto da entrada da caverna e que são produzidas pela fogueira e refletidas na parede a qual eles têm acesso. Aquilo para eles é o seu mundo real, pois aquelas sombras das imagens projetadas na parede eles julgavam ser a realidade. Em seu mito, Platão dizia que um dos prisioneiros daquela caverna escura conseguiu se libertar e foi para fora da mesma.

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No início ele teve dificuldades para enxergar, devido à luz forte do sol e por nunca ter tido contato direto com tal intensidade luminosa. Mais adaptado àquele mundo extraordinário, completamente diferente do mundo que ele julgava ser o real dentro da caverna, o prisioneiro decide voltar para contar aos seus companheiros acorrentados todas as experiências e informações que ele tinha a respeito do mundo exterior. As pessoas que estavam na caverna, porém, não acreditaram naquilo que o ex-prisioneiro contava e chamaram-no de louco. Para evitar que suas ideias atraíssem outras pessoas para os “perigos da insanidade”, os prisioneiros mataram o fugitivo. A metáfora do mito da caverna refere-se aos presos como nossas personificações. Já as correntes, simbolizam nossas crenças e preconceitos que nos prendem dentro da caverna. O prisioneiro que consegue se libertar representa as ideias que nos fazem nos soltarmos das nossas próprias correntes e enxergarmos as coisas como elas são. O mundo exterior é a verdade que muitas vezes não enxergamos por estarmos acorrentados dentro da nossa caverna, porém mostra-se um mundo completamente real ao sairmos dela. A luz forte do sol em que o prisioneiro não consegue olhar direto no início representa a dor liberdade por ter saído da caverna, lugar de escuridão e encontrar o mundo real. Lembra-se da frase de Neo: “Por que meus olhos doem?”- “Porque você nunca os usou...” (conversa entre Neo e Morfeu – 36’00 após o inicio do primeiro filme). O mito mostra a capacidade do ser humano em se transfor-

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mar, abandonando crenças limitantes e preconceitos e aderindo a novas ideias e verdades. Na cena em que Morfeu e Neo estão andando pela rua e passa a mulher de vermelho, Morfeu explica a Neo que as pessoas fazem parte de um sistema, e a maioria delas não estão prontas para serem desplugadas e muitas são irremediavelmente dependentes do sistema que irão lutar para defendê-lo. A cena começa com o sinal de pedestres ficando verde e as pessoas atravessando a rua e a metáfora de Neo e Morfeu atravessando a avenida para o lado oposto, indo em direção a elas e esbarrando em Neo. Mensagem que diz que as pessoas livres, que não estão presas ao sistema (e você pode entender da forma que fizer o melhor sentido para você), ou saíram da caverna, não seguem a boiada (outra metáfora) e, muitas vezes encontram obstáculos, muitas vezes encontrados nas outras pessoas com as quais ela se relaciona, impedindo-o de seguir em frente, justamente por não seguir o fluxo “normal” ou medíocre de todos os outros. A mesma mensagem que minha mente inconsciente aprendeu com o filme “Curtindo a Vida Adoidado”, como já mencionei neste livro. A cena em que Cipher planeja trair Morfeu e ele diz ao agente Smith: “Eu não quero me lembrar de nada”(1h 04’ 00”) – camuflando que o peso da apunhalada no amigo trará para a sua consciência, se esquecendo do mal que fez a ele e a todas que estão ao seu redor. A cena mostra como temos consciência ao tomarmos decisões erradas e como procuramos “bloquear o sol com a peneira” para nos fazer sentir bem conosco mesmos enganando a nós

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mesmos, tentando apagar da nossa memória algo de ruim que fizemos para o próximo. Ao invés de, tomada a consciência do mal que vamos fazer ao próximo, decidir por não fazer aquele mal evitando, assim, arrependimentos e quebras de confiança. Cena importante para compreendermos uma das 7 Leis Universais Eternas: a Lei do Carma. Esta Lei é tão poderosa que faz parte também das 7 Leis Espirituais do Sucesso, de Deepak

Chopra.

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A palavra carma tem sua origem na raiz sânscrita “kri”, que significa, literalmente, ação, ato. Sabe-se que toda ação provoca uma reação e esta por sua vez, condiciona ou impulsiona um novo e determinado tipo de ação, o qual provoca nova reação, e assim sucessivamente. Somos o produto do nosso passado. Tudo o que temos ou não temos, tudo o que sofremos, que sabemos ou não sabemos, é resultado de nossas ações anteriores. Isto não significa que o nosso destino esteja traçado deterministicamente. Temos duas liberdades: a primeira consistiria na forma com que aceitamos os resultados de nossas ações anteriores e, a segunda, a liberdade que temos para nortear as nossas ações presentes, de tal forma que provoquem reações mais suaves no futuro. Colhemos o que plantamos. Toda ação gera uma força de energia que retorna de modo análogo. Quando nossas ações e escolhas conscientes trazem felicidade e sucesso para os outros, o fruto de nosso carma será alegria e sucesso. Esta Lei é confirmada quando Cipher morre. A reação de sua traição foi sua morte, pois traindo Morfeu, ele sai da Matrix antes de todos, mata as pessoas da nave, mas é morto por um dos tripulantes que sobreviveu ao seu ataque. A ação da sua traição foi sua própria morte. Esta é uma analogia interessante, para refletirmos para todas as vezes que fizermos mal a alguém, a reação deste mal causado a outra pessoa retorna com a mesma potência – ou ainda pior – para nós. E a recíproca também é verdadeira: ao fazermos o bem, colhemos o bem. Não dá para plantar cenouras e colher batatas; isto seria uma insanidade!

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Entendendo a Lei do Carma, você compreende que está no controle da sua vida até certo ponto, pois, uma vez que você lançou uma pedra, a força com que uma pedra é atirada, o seu tamanho e a sua direção dependem da sua vontade, ou seja, do seu livre-arbítrio. A trajetória dela no espaço depende do meio ambiente que atravessa e da lei da gravidade. Todo ser é livre para atirar uma pedra no tamanho, na forma e direção que quiser. Aí cessa a sua intervenção no fenômeno. A trajetória dela, a partir do momento em que ela sai da sua mão, já não lhe pertence e segue leis que fogem ao seu controle imediato, mas as consequências que este objeto provoca em seu caminho são de inteira responsabilidade de quem a atirou. Por isso você está no controle até certo ponto. A cena quando Neo vai se encontrar com o Oráculo e conversa com a criança em potencial. Ela diz: “Não tente dobrar a

colher, não vai ser possível... Em vez disso, tente apenas perceber a verdade... Não há colher... Então verá que não é a colher que se dobra, apenas você” (1h11’00”). Não temos o poder de mudar o

outro, apenas mudar o nosso próprio modo de enxergar o outro, ou de encarar os problemas... A nossa percepção sobre os fatos que acontecem na nossa vida mostrará o quanto estamos aptos a sermos resilientes e capitães no nosso próprio barco. A lente que colocamos diante dos nossos olhos decidirá como decidimos enxergar o mundo. Outra percepção sobre esta cena diz respeito à Física Quântica, que nos traz a reflexão sobre o conceito de realidade. A colher que Neo vê e acha que é real, a criança provavelmente a enxerga de maneira diferente de Neo, mostrando que a realidade depende do modo como olhamos a vida.

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O mesmo acontece quando o oráculo pede para Neo ler a placa escrita em latim atrás dele acima da porta. “Conhece-te a ti mesmo” (Sócrates). Conhecer a si mesmo significa saber o poder interior que existe dentro de você. Ninguém sabe ou lhe diz da sua incrível capacidade, mas você compreende com todas as forças suas competências e habilidades. O poder está dentro e não fora. O poder de conhecer você, de mudar você, de transcender você, para que então o mundo à sua volta mude. O oráculo ainda diz a Neo nas entrelinhas que ele não é o escolhido. “Você tem o dom, mas parece que espera alguma coisa”. Cena poderosa, pois me lembra de uma frase de Confúcio, pensador e filosofo chinês nascido em 551 a.C., que diz: “Aquele que diz que pode e aquele que diz que não pode, ambos estão corretos”. Em outras palavras, se você está me dizendo que não consegue fazer isso ou alcançar aquilo, então você está certo. Se você me disser que consegue fazer isso, que acredita que pode conseguir aquilo, você também esta certo. Lembra-se do Principio do Mentalismo mencionado anteriormente neste capítulo? Neo não acreditou nele mesmo, em seu potencial e poder, então, segundo Confúcio, ele estava certo. E o oráculo, com sua sabedoria, sabia que ela não era capaz de mudar o outro. Ela ainda dá a dica: “Você tem o dom, mas parece que espera alguma coisa”, convidando Neo a acreditar na força que existe nele mesmo. E o que acontece ao longo do filme é Neo passar a acreditar que ele era o escolhido, chancelando a frase de Confúcio. Portanto, a decisão é sua em acreditar ou não em você, no seu 138


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poder interior. Percebe a força desta cena, desde a entrada de Neo na sala? A cena em que Morfeu fala para o agente antes da luta no banheiro “Vocês são todos iguais” (1h 23’00”). A mensagem que Morfeu deixa nesta fala é de dizer que todas as pessoas que ainda não encontraram a saída da sua própria caverna tem o mesmo pensamento, a mesma programação mental. Mesmo Morfeu dizendo isso para um agente a mensagem é clara, pois os agentes podem tomar o lugar de qualquer humano que ainda não foi desconectado (que ainda não saiu da sua própria caverna) da Matrix. O agente Smith conversando com Morfeu diz (1h32’00”):

“A primeira Matrix foi projetada para ser um mundo humano perfeito, sem sofrimentos onde todos seriam felizes. Mas foi um desastre. Ninguém aceitou o programa.” Em Matrix Reloaded o Arquiteto diz a mesma coisa. Explicarei esta frase juntamente com o encontro entre Neo e o Arquiteto (1h57’ de Matrix Reloaded). Apenas entenda por enquanto que a primeira Matrix falhou porque como o agente

Smith disse, ela foi projetada para que todas as pessoas fossem felizes. As máquinas negligenciaram o equilíbrio que precisa existir no planeta para que tudo possa fluir homogeneamente. Elas abstraíram a dualidade do ser humano e, por isso foi rejeitada, pois, como é possível se sentir feliz, se nunca experimentaram a tristeza? Os resultados que acontecem em nossas vidas quando começamos a acreditar em nós mesmos, no nosso poder interior

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e em nossa força. “Isso não pode acontecer. O Oráculo disse que isso aconteceria. Disse que eu teria que fazer uma escolha” (1h35’). Neo pede para salvar Morfeu. Ele acredita que pode salvar Morfeu, mesmo ainda não acreditando que seja o escolhido. Este é o primeiro passo quando passamos a crer em nosso potencial. Começar a caminhar o caminho em busca de autoconhecimento. Uma fala interessante que gostaria de colocar no livro é a do agente Smith quando Morfeu está preso no prédio, algemado à cadeira (1h37’00”). Ele diz: “Descobri que vocês não são real-

mente mamíferos. Todo mamífero deste planeta instintivamente desenvolve um equilíbrio natural com o meio ambiente, mas os humanos não. Vocês vão para uma área e se multiplicam até que todas as reservas naturais sejam consumidas. A única forma de sobreviverem é mudando para outra área. Há um outro organismo neste planeta que segue o mesmo padrão; sabe o que é? Um vírus. Os seres humanos são um mal, um câncer neste planeta, vocês são uma praga e nós somos a cura.” Aqui a metáfora de que nós seres humanos não somos mamíferos, mas sim um vírus é, além de explícita, uma paulada para a nossa mente consciente, racional, como foi explicada pelo agente no parágrafo acima. Achei muito interessante esta analogia por isso decidi colocá-la no livro, pois, infelizmente, faz todo sentido. Se não tomarmos cuidado, esgotaremos nossos recursos naturais e depois? Mudaremos para Marte? Uma frase simples, mas poderosa, principalmente para as pessoas que já são Coaches é em que o agente Smith pergunta para o outro agente (1h39’00”): ⁻ Por que o soro não está funcionando?

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- Talvez as perguntas não sejam as certas. - seu colega responde. Esta frase é essencial para o Universo do Coaching. Perguntas poderosas de Coaching faz a diferença entre o sucesso ou não do seu Coachee, do seu cliente. São as perguntas certas que irão gerar reflexões profundas, novas conexões neurais e novos insights para ele, trazendo novas percepções sobre si mesmo e seu objetivo a ser alcançado. Você, Coach, havia reparado nisso? Após Neo resgatar Morfeu e salvar Trinity. Morfeu diz a

Neo: “O que você ouviu foi o que precisava ouvir, só isso. Cedo ou tarde você vai perceber como eu percebi que há uma diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho” (1h51’00”). Morfeu nos convida à reflexão de que o mapa não é o

mesmo que o território, ou seja, você pode ter a ferramenta nas mãos – o mapa – assim como você pode conhecer o caminho, mas quem decide qual percurso tomar é você – para chegar ao território – bem como apenas você é quem decide se vai ou não percorrer este caminho. Quantas vezes sabemos o que temos que fazer, mas não agimos em direção à realização daquilo que precisa ser feito? Quantas vezes optamos por permanecer na nossa zona de conforto, ao invés de superarmos o medo que nos paralisa? Conhecer o caminho é maravilhoso, mas trilhá-lo é divino. A cena em que Neo luta contra o agente Smith no metrô, referindo-se a Neo, Morfeu diz: “Está começando a acreditar” (1h54’00”). Cabe a você e somente você acreditar em si mesmo. Não dependa de outras pessoas para fazê-lo perceber que você é capaz.

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Quantas pessoas disseram a Neo que acreditavam que ele era o escolhido. No entanto, custou para ele se dar conta do poder interior que ele tinha para começar a acreditar por conta própria. Independentemente do que as outras pessoas digam sobre você, acredite na sua força divina e poder interno que existe guardado dentro de você. A cena em que Neo é baleado e cai morto no chão traz uma metáfora poderosa (2h04’00”). Trinity diz: “Você não pode estar morto porque eu te amo”. Neo começando a acreditar que ele tinha algo a mais a oferecer (resgatando Morfeu e lutando contra Smith no metrô), precisava sentir que era, de fato, o escolhido. A metáfora desta cena é linda, pois lembra-se que somos 95% sentimento, emoções? Neo teve a certeza que era o escolhido porque Trinity revelou a ele que o amava e que o Oráculo havia profetizado que ela iria se apaixonar pelo escolhido. Muito mais do que palavras, o sentimento, como o amor é poderoso e chancelou a profecia, pois Neo sentiu o amor de Trinity e junto com o poder interno despertado em se sentir o escolhido. A cena em que Neo para as balas com a mão é uma metáfora maravilhosa que nos ensina que nada, absolutamente nada pode tirar você do seu controle, da sua paz interior. O meio externo não o afeta. Esta metáfora nos ensina sobre como transcender o primeiro nível da Pirâmide do Processo Evolutivo: a Superficialidade; o ambiente. Quando deixamos o ambiente externo tirar o nosso controle emocional, nos tornamos pessoas rasas, superficiais. Neo compreendeu que ninguém tem o poder de tirá-lo do 142


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seu controle. É como se ele tivesse finalmente entendido isso ao não permitir que as balas o atingissem. As balas são a metáfora de ofensas ou situações em que tentam tirar a sua paz, ou seja, qualquer situação externa tentando interferir no ambiente interno dele. Ao tomarmos ciência de que temos o controle interno sobre nossos pensamentos e ações, a nossa percepção sobre tudo o que acontece no meio externo não interfere em nosso ambiente interno, ou seja, nada interfere em nossa paz e harmonia. Este tipo de percepção nos liberta de termos maus comportamentos e reações diante do mundo externo. Outra metáfora poderosa está no final do primeiro filme, quando Neo sai voando e sobe os créditos (2h08’00”). Confesso que a minha mente cognitiva, a parte racional do meu cérebro achou ridículo aquilo. No entanto, minha mente inconsciente me ensinou dizendo: “As únicas limitações são aquelas que estabelecemos em nossa mente”. Frase poderosa de Napoleon Hill. Na última cena, Neo diz: “Sei que você está aí.” Sei que você

está com medo de nós, está com medo de mudar. Vou mostrar um mundo sem limites, sem regras nem fronteiras. O Que haverá depois, você é quem vai decidir” (2h08’00”). No final do filme Neo convida o espectador para uma vida nova, com uma programação mental livre, fora da caverna de Platão. O primeiro filme é, sem dívidas, o mais metafórico da trilogia e as mensagens, como você mesmo pôde observar, são inúmeras. Agora que você trouxe estas metáforas para a sua mente consciente, eu convido você a assistir novamente ao filme, para que estes aprendizados possam se tornar inesquecíveis.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Matrix – Reloaded “Não há tempo, mas se arranjarmos tempo como fazer para termos tempo...” (Merovíngio)

Do segundo filme, assim como do terceiro também, trago uma visão menos metafórica sobre o que é Matrix, pois o foco deste assunto foi designado especificamente para o primeiro trazendo uma visão com o enfoque sobre a importância das escolhas, assim como o Princípio da Causa e Efeito, também conhecido como a Lei do Carma, a Terceira Lei Universal explicada na análise do primeiro filme. Gostaria de ressaltar mais uma vez que a minha intenção aqui não é de trazer uma análise crítica sobre o enredo ou apresentar as mensagens subliminares de natureza religiosa sobre o filme; mas apenas despertar para o leitor a reflexão sobre as mensagens que ele traz para a nossa mente inconsciente. Uma frase que me chamou a atenção foi a de Smith, aos 33’00” do início do filme, quando o personagem desplugado de Matrix se assusta com o aparecimento do ex-agente e diz: “Meu Deus”. Esta frase sugere apenas uma expressão popular quando nos assustamos com alguma coisa. No entanto, a resposta recebida “Pode me chamar de Smith”, mostra o egocentrismo das pessoas que se julgam poderosas a ponto de se acharem Deus. Fazendo uma analogia ao Mito da Caverna de Platão, o Conselheiro Han diz: “Detesto dormir. Os primeiros 11 anos da 144


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minha vida eu dormi e agora estou compensando” (35’00”do inicio do filme). O conselheiro quis dizer que esteve no piloto automático, aceitando a sua vida como “realidade” porque aquela vida foi imposta a ele (ele estava dentro da caverna preso pelas correntes) e que agora que ele descobriu a verdade (saiu da sua caverna mental), deixa de dormir tanto para compensar o tempo perdido enquanto estava “adormecido” para a sua nova realidade. É maravilhoso sair da caverna. O que muitas pessoas não percebem é que não podemos voltar no tempo para fazer diferente, apenas honrar e respeitar a nossa história e o tempo que demoramos para “encontrar a saída”. Cada pessoa tem o seu tempo... Muitos levam a vida toda para isso, ou ainda mais... O que realmente importa é o que você fará daqui pra frente. Como diz Galdalf em “O Senhor dos Anéis”

(The Lord of the Rings – 2001): “O mais importante é o que fazemos com o tempo que nos é dado”.

Para mim, a beleza na vida está em descobrir que, ao sair da sua primeira caverna, quando “acordar” para uma nova realidade, perceberá que existem outras cavernas da qual você está dentro, mesmo fora da caverna. Dá pra dar um nó na cabeça, não é mesmo? Mas vou explicar utilizando o próprio filme Matrix, mas peço licença para voltarmos ao diálogo do primeiro encontro de Neo com o Oráculo, no primeiro filme. Neo disse: “Não sou o escolhido” – Prestando atenção à metáfora da Caverna de Platão, Neo já havia saído dela quando escolheu a pílula vermelha. Ele despertou para o mundo real. Porém, esta foi a primeira caverna que ele saiu. Ao não acredi145


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tar nele mesmo, dizendo ao oráculo que ele não era o escolhido, mesmo fora da caverna, libertado para o mundo real, Neo se vê dentro de outra caverna, preso às correntes de suas crenças limitantes, crenças que diz que ele não é bom o suficiente para ser o escolhido para salvar a raça humana. Percebe? Quando Morfeu é capturado pelos agentes e Neo decide resgatá-lo, ele ainda não acredita ser o escolhido, mas acredita que tem uma força suficiente para salvar a vida de seu amigo. Aqui ele se vê ainda dentro da caverna, porém, livre das correntes, procurando pela saída. E quando Neo acredita de fato que era o escolhido e se levanta mesmo depois de ter tomado diversos tiros, ele se liberta das suas crenças limitantes e encontra a saída da sua segunda caverna e seu poder se torna imensurável. A vida é uma busca constante da consciência de que estamos dentro de uma caverna escura em nossa mente, inertes e no piloto automático, preso às correntes que nos impedem de nos locomover, de sonhar. Ao tomarmos essa consciência, nos libertamos das correntes e começamos a procurar pela saída. Conscientes das coisas que nos limitam, buscamos conhecimento para transcender nossos comportamentos e crenças que nos limitam, para então sairmos da caverna. Eu convido você a refletir qual é a sua caverna atual? O que falta para sair dela? Quais correntes prendem você? Talvez, ao se questionar sobre isso, você já tenha se libertado das suas correntes, porque tomou consciência delas; agora só falta achar a saída. Uma frase quando Neo luta com o guardião do Oráculo, Seraph (41’), me marcou muito. O guardião diz: “Não conhecemos a 146


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pessoa de verdade até lutar com ela”. Ao nos confrontarmos com alguém, quando discutimos e nos deparamos com a sua sombra e não somente com a luz que existe naquela pessoa, a conhecemos como um todo, passando a ter uma visão sistêmica sobre ela, enxergando tanto suas virtudes como seus defeitos também. Lidar com as qualidades do outro é fácil, pois todos nós procuramos camuflar, mascarar nossas sombras, de nós mesmos e para os outros. O famoso ditado: “Se você quer conhecer sua namorada (ou

namorado) case-se com ela (ou com ele). Se você quiser conhecer de fato sua esposa (ou marido), divorcie-se dela (ou dele)”, explica muito bem a frase de Seraph. Todos nós somos seres duais, luz e

sombra e, quando estamos amando mostramos apenas nossa luz e enxergamos apenas a luz no outro. São nas desavenças que de fato temos um olhar como um todo sobre a outra pessoa. Portanto, só conhecemos de verdade a pessoa até lutar metaforicamente com ela. O segundo encontro de Neo com o Oráculo (45’00”) traz um excelente aprendizado. Neo pergunta: “Posso confiar em você?” E o Oráculo responde: “É um dilema, não há dúvida, infelizmente

não há como saber se estou aqui para ajudá-lo ou não. Por isso a decisão é sua. Cabe a você decidir se aceita o que eu vou lhe dizer ou se rejeita.”

Vamos dividir esta resposta em duas partes. Na primeira frase do Oráculo - “É um dilema, não há duvida, infelizmente não há como saber se estou aqui para ajudá-lo ou não” nos diz para prestarmos atenção a 95% do nosso Ser, ou seja, ao poder da nossa mente inconsciente. 147


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Prestar atenção ao nosso “sexto sentido” pode nos livrar de várias enrascadas. O problema é que as pessoas querem ser racionais demais e negligenciam o poder inconsciente que existe dentro delas. Elas não prestam atenção a um verbo que faria toda diferença em suas vidas: sentir. Sabe aquele alerta na sua mente querendo dizer “Perigo, perigo” e você insiste em não ouvir, pois racionalmente, não há porque se preocupar, e no final das contas, você devia ter dado atenção? É disso que eu estou falando. Nossa mente inconsciente é pura emoção e sentir é muito importante para que tenhamos as melhores respostas. Imagine como seria se as pessoas sentissem de fato suas vidas, seus comportamentos, suas ações, o próximo... Imagine como seria um mundo onde as pessoas sentissem o que estão falando, sentissem o que estão ouvindo, sentissem, de fato, o que estão tocando, sentissem cada segundo de suas vidas. Existe uma teoria do antropólogo cognitivo e Ph.D Bob Deutsch que diz que para você ter uma mente imaginativa, um dos quesitos necessários é viver o sentimento. E faz total sentido, pois, se 95% do que somos é responsável pelas emoções, viver o sentimento é uma das chaves para ter uma mente imaginativa. Segundo ele, cultivar a mente imaginativa significa buscar viver, verdadeiramente, os próprios sentimentos; fazer de cada dia uma oportunidade real de fazer novas descobertas e se permitir observar o que está acontecendo com você e com o mundo à sua volta de forma mais profunda e menos superficial. Existem pesquisas que apontam que as pessoas estão se sentindo cada vez mais desconfortáveis ao entrarem em contato

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com seus próprios sentimentos, mesmo que por pouco tempo, acarretando em diminuição da criatividade, pois sentimentos são pontos de estimulação para ideias. Outro ponto importante é que, quanto menos você é capaz de sentir os seus próprios sentimentos, menos ainda será capaz de sentir os sentimentos das outras pessoas, tornando o mundo um lugar mais individualista, egocêntrico e superficial para se viver. A segunda parte da frase do Oráculo diz: “Por isso a deci-

são é sua. Cabe a você decidir se aceita o que eu vou lhe dizer ou se rejeita”. A decisão sobre o que fazemos da nossa vida, indepen-

dentemente do que a outra pessoa lhe diz ou faz para você, é sua e somente sua. Aceitar como verdade ou rejeitar o que os outros dizem para você ou sobre você é o que o fará ser mais evoluído ou não. E você tem o livre arbítrio para fazer suas escolhas, ou metade delas, como explicarei daqui a pouco. Tomar as rédeas da sua existência, sem terceirizar suas decisões às outras pessoas e assumir suas próprias escolhas, aceitando que você é responsável por onde se encontra no momento presente, na situação atual da sua vida, sem culpar ninguém pelos seus fracassos e extrair aprendizados com cada um deles, fará de você uma pessoa mais bem sucedida. Continuando o filme, a fala do ex-agente Smith é muito interessante quando ele diz a Neo no parque: “Sem propósito nós não existimos. Fomos criados pelo propósito” (52’00”). Smith refere-se à razão pelo qual existimos; nosso propósito de vida. Não é à toa que dizem que dois momentos da vida dos seres humanos são inesquecíveis: o primeiro momento quando

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ele nasce, e o segundo, quando ele descobre o porquê nasceu; seu propósito de vida. A cena sugere uma reflexão sobre qual é o nosso propósito na Terra, o que me faz lembrar da Sétima Lei Natural Universal: a Lei do Dharma. A palavra Dharma vem do Sânscrito e significa propósito de vida. Segundo a Lei do Dharma, assumimos uma forma física para cumprir um propósito na vida. De acordo com essa Lei, todos nós temos um talento singular e uma maneira única de expressá-lo. Existe alguma coisa que você consegue fazer melhor do que todo mundo e para cada talento singular em sua forma única de se expressar, existem necessidades específicas. Quando essas necessidades se combinam com a expressão criativa do seu talento, surge a fagulha que cria a riqueza. Quantas pessoas passam a vida inteira com um propósito de vida adormecido, pois elas não conseguem descobrir qual é o seu talento singular, permanecendo no limbo de uma existência repleta de privações e necessidades. Uma vida desperdiçada. Outra cena muito interessante no segundo filme é o primeiro encontro de Neo, Trinity e Morfeu com Merovíngio, no restaurante, ao lado de sua linda esposa Persephone. Após as apresentações formais, Merovíngio diz: “Não há tempo, mas se arranjarmos tempo como fazer para termos tempo...” (1h04’00”). Esta frase é bem interessante, pois convida para a reflexão sobre a questão do tempo e como o usamos displicentemente. A queixa da maioria das pessoas é que o dia tem apenas 24 horas e passa muito rápido, não dando tempo de fazer tudo o que queriam. “Não há tempo...”, como o próprio Merovíngio disse. Porém, isso acontece por falta de planejamento diário, es-

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crevendo no papel o que elas precisam fazer durante o decorrer daquele dia. Claro que o ideal seria fazer um planejamento semanal ou mensal para melhor otimização do tempo. São poucas as pessoas que se planejam e que, no final do dia se sentem felizes por terem utilizado seu tempo de forma consciente e inteligente. A maioria, que vive no piloto automático, perde muito tempo com coisas sem sentido e que não agregam nenhum valor às suas vidas, como emails sem sentido, mensagens de whatsapp, piadas, correntes, vídeos desnecessários, reuniões demoradas e sem pauta ou trânsito (sem otimizar o tempo despendido nele, como por exemplo, colocar um audiobook para estudar no carro). Sem contar com o tempo perdido com coisas que não são de primeira importância, que não estavam planejadas e que aparecem de repente na agenda delas. De fato, não há tempo... Merovíngio sabiamente conclui sua frase dizendo: “Mas se arranjarmos tempo, como fazer para termos tempo?”. Nada muda. Mesmo arranjando tempo, as pessoas continuam sem tempo, pois o estão usando de forma errada, desperdiçada e irresponsável, não sobrando tempo para nada. No entanto, podemos olhar de forma mais profunda, pois a frase de Merovíngio tem um sentido ainda mais amplo se analisarmos a respeito do nosso tempo de existência aqui na Terra. Vou relembrar a frase completa dele: “Não há tempo... Mas se

arranjarmos tempo, como fazer para termos tempo?”. Já ouviu a expressão “A vida é curta”? Ela explica a primeira frase de Merovíngio “Não há tempo...”. A segunda frase

dele convida as pessoas refletirem a busca incessante do homem

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à fonte da juventude, longevidade e imortalidade e, mesmo aumentando exponencialmente a expectativa de vida e a descoberta de novas curas; mesmo “arranjando mais tempo”, o ser humano quer sempre mais tempo. Se ao menos soubéssemos que existem inúmeras maneiras de sermos imortais... Não sei qual reflexão fará mais sentido para você, porém, podemos perceber que a mensagem para nossa mente inconsciente através destas frases e cenas nos filmes são profundas e conversam diretamente com nossa criatividade, inteligência infinita e divindade. Continuando a mesma cena, Merovíngio diz: “Existe um

único fator constante Universal e é a única verdade real: Causalidade. Ação e reação. Causa e Efeito”. Mais uma vez, o filme Matrix aborda a Lei do Carma, já mencionada no primeiro filme e abordará novamente no terceiro, para você ver a importância dessa Lei Universal em nossas vidas. Não tem nada de misticismo ou religião, é apenas o que é. Nossos pensamentos, palavras e atos são fios de uma rede que tecemos ao redor de nós mesmos. A palavra Carma significa conjunto das ações dos homens e suas consequências. É causa e efeito simultaneamente porque toda ação gera uma força energética que retorna para nós da mesma forma. Se desejarmos felicidade, precisamos aprender a semear felicidade, pois colhemos aquilo que plantamos. Ninguém colhe sem semear. Um agricultor não fala para a terra: “Quando você me der batatas aí então eu as plantarei”. Não funciona assim. Primeiro o agricultor faz a ação de plantá-las e então tem o efeito de colhê-las.

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O mesmo acontece quando você vai abrir uma conta no banco. Primeiro você faz um depósito para então passar a colher os juros obtidos através daquele depósito. O grande problema das pessoas é que elas esperam primeiro pelo efeito sem ter agido antes. “Quando ele vier me pedir perdão, então eu vou voltar a conversar com ele”. Não funciona assim... Outro problema é que as pessoas se vitimizam pelos seus fracassos, mas se esquecem de que elas plantaram de alguma forma aquilo que estão colhendo, mas não assumem a responsabilidade pelas suas ações, terceirizando seus insucessos. O mundo é girado através da Lei da Causa e Efeito: jogue lixo no chão e teremos uma cidade suja, estacione seu veículo na vaga de idoso ou de gestante sem estar nessas condições, e teremos um país egoísta e individualista; seja negligente com sua saúde e alimentação e terá uma velhice de restrições e limitações. Vale a reflexão de tudo aquilo que você está colhendo hoje, você plantou em alguma época da sua vida, assim como tudo o que está semeando agora, colherá em algum ponto no futuro. Morfeu ainda responde: “Tudo começa com uma escolha”. Porém, Merovíngio diz: “Não. Errado. A escolha é uma ilusão criada entre os que tem poder e os que não têm. O porquê e a razão irão embora e tudo o que sobra é o próprio sentimento. Lutamos contra isso. Lutamos para negar tudo, mas é insincero claro, é uma mentira. Sob a nossa aparência formal, a verdade é que estamos completamente fora de controle. Causalidade. Não há como escapar dela. Somos para sempre seus escravos. Nossa única esperança é entendê-la. E o que será que Merovíngio quis dizer ao afirmar que a 153


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escolha é uma ilusão criada entre os que tem poder e os que não têm? Ao ouvir esta afirmação, você deve ter se perguntado:

“Como assim?”

A resposta é simples, porém questionadora. Se não temos o poder da escolha, pois, segundo Merovíngio, é apenas uma ilusão, como podemos exercer o livre arbítrio? O livre arbítrio existe de fato, porém, ele é incompleto. Temos o poder de escolha, mas ele é afetado por diversos fatores. Somos compelidos a ter uma escolha de acordo com nossos valores mentais como as nossas crenças, histórico de vida, experiências e sentimentos conectados ao meio social que vivemos que apontam a uma determinada escolha. Dessa forma, nunca seremos livres ao escolher nada, pois tal valor mental sempre nos forçaria uma escolha. Existe um estudo na área da medicina que diz que 20% do que somos são derivados de fatores genéticos, histórico familiar e o inconsciente coletivo da sua família e ancestrais. 30% do que somos é responsável pelo meio o qual vivemos, ou seja, o ambiente onde estamos inseridos. São nossos pais, amigos e professores que estão diretamente relacionados ao modo como pensamos e agimos. Estes 50% são responsáveis por metade das nossas escolhas; são os nossos valores mentais que formamos ao longo do nosso histórico de vida e experiências. Os outros 50% que sobram, estão relacionados com o nosso estilo de vida e somos nós quem ditamos como proceder. Nossas escolhas, portanto, são baseadas num conjunto de crenças e valores pré-estabelecidos ao longo da nossa existência,

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afetando diretamente no nosso livre arbítrio, pois 50% do que somos é o meio que nos influencia e, por isso, Merovíngio diz que a escolha é uma ilusão. Merovíngio ainda diz que “a escolha é uma ilusão criada por aqueles que tem poder e os que não têm”. Olhando para este estudo citado acima, destes 50% responsável pelas nossas escolhas (20% fatores genético e 30% o meio o qual vivemos), todos têm mais poder sobre nós, mostrando, mais uma vez, que o livre arbítrio que achamos que temos, na verdade, é incompleto. A força que nossos ancestrais exercem sobre nós é muito forte, assim como nossos pais são responsáveis por todas as crenças e valores inseridos em nossa mente. Os professores têm grande responsabilidade sobre nossa educação e têm mais poder sobre nós, especialmente quando somos crianças e nossos amigos também. Se você teve mais poder sobre seus amigos, então, provavelmente, foi você quem inseriu suas ideias em suas mentes, caso contrário, o oposto aconteceu e você foi influenciado pelos comportamentos deles. Após esta cena, Trinity, Morfeu e Neo entram no elevador refletindo sobre o insucesso da conversa com Merovíngio (1h09’00”). Neo diz: “Não nos saímos muito bem...” Morfeu pergunta se Neo tinha certeza se o oráculo não havia dito mais nada. Neo responde que sim. Trinity diz que eles fizeram alguma coisa errada e Neo complementa: “Ou deixamos

de fazer alguma coisa.” “O que aconteceu, aconteceu e não aconteceria de outra forma.” Morfeu intervindo a conversa do casal. Esta frase de Morfeu é o resultado de uma das 4 Leis Espirituais da Índia que diz: “O que aconteceu é a única coisa que 155


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poderia ter acontecido”. Esta Lei nos ensina que nada, absolutamente nada que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra maneira; nem mesmo o detalhe mais insignificante. Esta Lei nos ensina que não existe se tivesse acontecido tal coisa, talvez tivesse sido diferente. Ela nos ensina que o que aconteceu era a única coisa que poderia ter acontecido para que pudéssemos aprender a lição e então seguir adiante. Todas e cada uma das situações que ocorrem em nossas vidas são perfeitas, mesmo que a nossa mente e o nosso ego resistam em aceitá-las. Cinco minutos após esta cena no elevador, Morfeu também diz (1h14’00”): “Não existe acaso. Nada é por acaso. Eu não acredito em acaso”, ressaltando essa Lei Espiritual da Índia, bem como a Lei da Causa e Efeito (Lei do Carma). Outra frase interessante é quando Smith responde a pergunta de Neo: “O que você quer Smith? E ele responde: “Ainda

não descobriu? Ainda usando todos os músculos menos que mais importa” (1h 46’00”). A frase de Smith é a reflexão sobre a importância do cére-

bro para que usemos não apenas os músculos com assertividade, mas o cérebro é o único órgão responsável por fazer funcionar nosso corpo como um todo, inclusive dentro do campo material, ou físico, mental e espiritual. Portanto, lembre-se de se lembrar de nunca mais se esquecer de que o equilíbrio entre corpo, mente e alma, é fundamental para o funcionamento sistêmico da sua vida. A conversa entre Neo e o Arquiteto é simplesmente maravilhosa para nosso aprendizado (1h57’00”). O Arquiteto diz a Neo que a primeira Matrix que eu desenhei era naturalmente 156


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perfeita, era uma obra de arte, imaculada, sublime. Um triunfo igualado apenas pelo seu monumental fracasso. A explicação do arquiteto sobre o fracasso da primeira Matrix por fazê-la perfeita é muito simples. Uma vez que somos seres duais, luz e sombra e tudo que existe neste mundo, para o seu prefeito funcionamento, precisa estar em equilíbrio (dia VS. noite, água VS. fogo, homem VS. mulher, bem VS. mal, por exemplo), ao fazer uma Matrix perfeita, o Arquiteto negligenciou o conceito básico do equilíbrio para sermos seres humanos: a dualidade do homem. Ao fazer uma Matrix perfeita, ele abstraiu toda dor e sofrimento dos humanos e as pessoas entraram em colapso, pois sem nossa dualidade, nos transformamos em unicidade, ou seja, apenas luz e isto só existe quando subimos de degrau na nossa evolução, ou seja, quando morremos. Não é à toa que o maior índice de suicídios são nos países considerados “mais felizes” do mundo. Se não há desafios, obstáculos, problemas, o que estamos fazendo aqui? Os cientistas responsáveis pelo estudo denominado “Dark

Contrasts: The Paradox of High Rates of Suicide in Happy Places” (“Contrastes obscuros: o paradoxo dos altos índices de suicídio em lugares felizes”), de 2011, elaborado conjuntamente

por pesquisadores da britânica Universidade de Warwick e pelos norte-americanos Hamilton College e Universidade de São Francisco, pretendiam documentar e analisar as causas desta paradoxal relação entre felicidade e suicídio, entendendo por “felicidade” um conjunto de aspectos de natureza material, como ter dinheiro suficiente, boa moradia, comida, roupa, carro

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e lazer, além de uma vida saudável, livre de privações e com autonomia para cuidar de si próprio. O estudo levou em consideração as primeiras posições na lista dos países considerados pela Revista Forbes como os “mais felizes do mundo”, bem como os seus índices de suicídio. Os 10 países, no ano do estudo, eram, por ordem de primeiro a décimo,

a Noruega, a Dinamarca, a Finlândia, a Austrália, a Nova Zelândia, a Suécia, o Canadá, a Suíça, os Países Baixos e os Estados Unidos. Por sua vez, esta lista se baseava no chamado “Índice de Prosperidade”, elaborado pelo Instituto Legatum, de Londres,

que classifica 110 países. As conclusões do estudo indicaram que os países mais destacados na “lista da prosperidade” eram, ao mesmo tempo, os que apresentavam os índices mais altos de suicídio. Este estudo chancela o porquê do fracasso do Arquiteto ao fazer a Matrix perfeita; os seres humanos a rejeitaram. Precisamos da nossa dualidade, do equilíbrio, da nossa luz e nossa sombra para vivermos e sobrevivermos. Continue comigo para as metáforas do terceiro episódio da trilogia Matrix.

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Matrix Revolutions “Biscoitos precisam de amor como todas as coisas.” (Oráculo) E para fechar com chave de ouro a trilogia Matrix, já aos 20’00” do inicio do terceiro filme, Merovíngio traz de volta a Lei do Carma, ação e reação; causa e consequência, dizendo na

boate: “Não existe ação sem consequência” para Seraph, Morfeu e Trinity. A cena de Neo preso na estação de metrô logo após a cena

citada acima (23’00”) ensina a importância de nos responsabilizarmos por nossas ações e consequências, sem terceirizar a outros o rumo de nossas vidas. Neo diz: “Tudo bem... você veio para

cá, então trate de sair”. Nesta fala Neo quis dizer: “Se você teve a capacidade de se colocar nessa situação, então só você tem o poder de sair dela. Como seria se, desde crianças aprendêssemos a importância de assumirmos nossas responsabilidades pelas nossas decisões...” Uma frase curta, mas com um profundo aprendizado. A Sétima LEI NATURAL é citada quando o Oráculo fazendo biscoitos com Sati (24’00”):

- Este é o segredo, você tem que usar as mãos. - Por quê? - Sati pergunta ao Oráculo. - Biscoitos precisam de amor como todas as coisas. Esta frase do Oráculo é muito interessante ensinando a pequena Sati que tudo no mundo precisa de amor. Falar sobre o amor me faz lembrar a segunda necessidade 159


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básica do ser humano: ser reconhecido, amado. Não estou falando do amor no desequilíbrio, como possessão, ciúmes ou carência, mas de amor genuíno, incondicional pelo outro. Os Beatles já diziam: “All you need is Love” – tudo o que você precisa é de amor – Sentir amor pelo próximo, até mesmo pelo seu inimigo é o maior gesto de humanidade e caráter que podemos oferecer para o mundo e, provavelmente a cura para os males do planeta. Outra frase interessante do Oráculo para Neo é: “Ninguém

pode ver além de uma escolha que não compreende. Ninguém mesmo” (26’00”). A frase nos faz pensar em quantas vezes tenta-

mos fazer com que as pessoas enxerguem nosso ponto de vista e, mesmo esgotando todos os nossos argumentos, ela continua irredutível a sua própria opinião... A discussão é inútil. “Tudo aquilo que tem um início, tem um fim” (29’00”). Frase importante para mostrar a natureza cíclica da vida. Ao refletirmos sobre esta questão, entendemos que a dualidade da vida é a morte; logo sabemos que o oposto do inicio é o fim e que ela é feita de ciclos com começo, meio e fim. O grande mistério é que não sabemos ao certo quanto tempo nosso ciclo durará aqui na Terra o que faz muitas pessoas ficarem ansiosas pelo futuro ou depressivas por causa do passado, deixando de aproveitarem o tempo presente, fazendo deste tempo o melhor presente para suas vidas. Continuando, a conversa entre Trinity e Neo traz um aprendizado interessante através da metáfora sobre a demora em calçar os sapatos e o medo (48’00”). Neo diz: - Eu estou com medo. 160


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- Eu também. Levei 10 minutos para calçar uma bota. – Trinity responde, mostrando que procrastinamos nossas ações quando estamos inseguros ou com medo. O medo tem a sua importância, porém, em excesso nos paralisa. Um pensamento que adoto quando estou com medo ou inseguro, com perdão da palavra, “encagaçado” mesmo para fazer algo e sei que preciso agir é “coloque a fralda e vai”. Aja sempre apesar do medo. Dessa maneira, evitamos a procrastinação, saímos da nossa zona de conforto e seguimos em direção ao nosso objetivo. Uma cena para quebrar a crença limitante de que precisamos estar 100% prontos para agir é a do garoto recruta que diz ao capitão Mifune, ao ser solicitado para entrar na batalha contra as máquinas (1h18’00”). O garoto diz:

- Mas capitão, eu ainda não terminei o meu programa de treinamento. - Eu também não... – responde o capitão. Aprendizado in-

teressante e poderoso para nos ensinar que, mesmo o mais sábio dos sábios, se for sábio o suficiente, saberá que sempre há espaço para novos aprendizados. Uma cena interessante é a do casal Link e Zee (1h22’). Zee diz a Link: “Você esta usando”. Referindo-se ao amuleto que ela emprestou a ele para dar sorte e trazê-lo de volta para ela são e salvo. Ele responde: “Não era para usar? Está brincando? Eu nunca mais vou tirar isto”. A cena mostra o poder das âncoras, estímulos externos para criar uma sensação interna na pessoa que a usa. Sabe aquele anel, colar ou um objetivo que você leva 161


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consigo para lhe trazer sorte, proteção ou poder? Isto é uma âncora. Vários personagens de filmes utilizam âncoras. Um exemplo é o filme “Encontro de Amor” (Maid in Manhattan – 2002), com Jennifer Lopez. Seu filho tinha medo de falar em público e ele utilizou um clipe de papel para ter coragem, ou seja, uma âncora. Elas são poderosas. O ideal é que você adote uma âncora que não precise ser material, como por exemplo, uma posição de poder ou um gesto. Dessa maneira, você não corre o risco de deixar sua força sem querer em casa quando precisar dela em algum lugar. “Luz por toda parte. Como se tudo fosse feito de luz” (1h33’). Neo dizendo para Trinity sua visão após a queda de sua aeronave na cidade das maquinas que sempre há luz mesmo na mais profunda sombra. E, naturalmente, o filme se encerra com o restabelecimento do equilíbrio, mostrando mais uma vez que as Leis do Universo são perfeitas e que o equilíbrio é a base para a nossa existência na Terra. Com faturamento superior a um bilhão e seiscentos e vinte milhões de dólares, a trilogia Matrix foi, sem dúvida, um sucesso de bilheteria e fãs espalhados pelo mundo inteiro.

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O último Samurai

Capítulo 8 O ÚLTIMO SAMURAI

“É preciso reconhecer a vida em cada respiração, em cada xícara de chá.” (Katsumoto)

“O

Último Samurai” (The Last Samurai – 2003) é uma

história que se passa em 1870 e tem a trama do filme inspirada na Rebelião Satsuma liderada por Saigo Takamuri em 1877, e na ocidentalização do Japão por potências coloniais. O capitão Nathan Algren, interpretado pelo astro Tom Cruise, é um conceituado militar norte-americano, veterano da guerra civil americana, cujos conflitos pessoais e emocionais o levam a travar contato com guerreiros samurais, na esteira da Restauração Meiji no Japão do século XIX. A missão de Algren é treinar as tropas do imperador Meiji, no modo de combate do ocidente, para que eles possam eliminar os últimos samurais que ainda vivem na região. O regente pretende unificar o Japão e torná-lo um país preparado para as rotas de comércio internacionais.

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Porém, durante um ataque, Algren é capturado pelo inimigo e acaba entrando em contato com os hábitos milenares dos guerreiros samurais. Ele aprende com o líder Katsumoto, o código de honra dos samurais, o Bushido. Impressionado, o americano começa a ter dúvidas do seu papel no conflito, e passa a ficar em dúvida sobre que lado apoiar e terá apenas o seu senso de honra para guiá-lo. O Último Samurai foi bem recebido em seu lançamento, com uma bilheteria mundial total de $456 milhões de dólares. E como eu já mencionei neste livro, foi um filme que fez todo sentido para mim. As metáforas deste filme são maravilhosas. A começar logo no início do filme, quando Katsumoto está meditando e tem uma visão de um tigre branco se defendendo de uma emboscada. Quando Natan Algren luta contra os samurais com o seu exército japonês despreparado e se vê rodeado pelo inimigo, ele pega uma lança para se defender cuja ponta tem uma bandeira com um desenho de um tigre branco. Neste momento, Katsumoto se lembra da sua visão durante a meditação, em que o tigre branco lutava bravamente para preservar a sua vida, assim como o capitão americano fazia movimentos circulares vigorosos para afastar os ataques dos samurais contra ele (29’00”). Katsumoto decide levar Natan como prisioneiro e preservar a sua vida, pois, inconscientemente ele sabia que aquele guerreiro teria um papel importante a desempenhar no futuro e que não havia chegado ainda a hora da sua morte. A sua decisão foi baseada na vontade de Algren em viver, assim como o tigre lutava 164


O último Samurai

por sua vida e por fazer uma analogia, inconscientemente, entre o tigre e o capitão, não somente pela sua garra e determinação, mas porque ambos eram brancos. Antes da batalha acontecer, o tenente-coronel Custer obrigou Natan a liderar o exército japonês a partirem para luta contra os samurais, mesmo sabendo que eles não haviam treinado o suficiente, mesmo sabendo que eles não estavam prontos (20’00”). Esta cena é muito importante para ensinar a importância de se preparar antes de partir para a ação. Existem pessoas que se preparam demais, estudando, adquirindo conhecimento, se planejando, mas nunca colocam em prática; nunca tomam a ação, resultando em fracasso. E existem pessoas que partem para a ação sem planejamento estratégico, sem ter o conhecimento básico e pouco ou nenhum estudo sobre com o quê irá se deparar no caminho. Estas pessoas também fracassam. Ao dar a ordem para lutarem contra os samurais, o tenentecoronel Custer entrou para este segundo grupo de pessoas: as que partem para ação sem planejamento prévio, o que resultou no massacre dos seus homens e a captura do capitão Natan

Algren.

Eu convido você a refletir se pertence a um destes dois grupos. Naturalmente há um terceiro grupo de pessoas: as que planejam e executam. Este grupo sempre será mais bem sucedido que os outros dois primeiros. O capitão Natan Algren então quis provar que o exército japonês não estava pronto, pressionando um soldado a atirar con-

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tra ele. Natan diz ao tradutor: “Diga a ele para atirar em mim... Mais rápido!... Fogo!”. Naturalmente sob pressão o soldado errou o alvo. Esta é a mesma metáfora em afiar o machado.

Abraham Lincoln já disse: “Se eu tivesse seis horas para derrubar uma árvore, eu passaria as primeiras quatro horas afiando meu machado”.

A preparação antes da ação é fundamental para um excelente resultado. Percebe? O terceiro grupo de pessoas: as que se preparam e executam. Caso contrário, para quê serve um exército numeroso, com armas de fogo, se nem conseguem acertar o alvo? Ao analisarmos friamente esta decisão de Custer, foi graças a esta má liderança que Natan foi capturado, mas teve a oportunidade de viver o modo de vida samurai, se livrar da bebida e encontrar seu propósito de vida. Aqui, aprendemos que, um acontecimento ruim – que foi a sua captura – sempre nos traz algo de bom no futuro, se soubermos direcionar nosso olhar, nossa percepção, para o lado positivo. 166


O último Samurai

Natan poderia ter ficado os seis meses que passou em cativeiro, como um prisioneiro, apenas lamentando estar enclausurado. No entanto, ele decidiu que aprenderia o modo de vida japonês, sua língua, costumes e valores. A decisão de fazer da sua desgraça algo de bom foi dele e somente dele. Para isso, ele passou por diversos desafios, momentos difíceis, muitos obstáculos, desde a sua abstinência ao álcool, ser tratado com desprezo pelos habitantes da vila samurai, apanhar por desejar aprender a luta de espadas japonesa e aprender uma nova língua. Enfrentou o desprezo, o ódio e a mágoa da família que perdeu a figura masculina da casa. “Na maioria das vezes

me tratam com um certo desdém, com se eu fosse um cão sarnento ou um hóspede inconveniente” (53’00”). Ele se deparou e venceu

seus medos e seus pesadelos para se tornar uma pessoa melhor, livre e em paz. Ao lembrarmos da Jornada do Herói, aqui Natan está na fase da Iniciação e passa por uma morte metafórica, para se reconstruir e ressurgir como um novo homem para o exército japonês ao ser libertado pelos seus novos amigos samurais. No entanto, este novo homem em que Natan se transformou, com uma visão diferente sobre a vida, só ocorreu devido a duas coisas muito importante e que passam desapercebidas no filme e, também em nossas vidas: a primeira foi graças a uma má decisão do seu superior Tenente-coronel Custer a obrigar o capitão Natan a liderar o exército japonês contra os samurais, mesmo sabendo que eles não estavam prontos, resultando na sua captura. A segunda foi graças a decisão de fazer daquela prisão sem 167


O poder dos filmes para a mente inconsciente

grades, conforme ele mesmo disse: “Sou prisioneiro e não tenho como escapar” (53’00”) e como disse o líder Katsumoto: “Esta é

a aldeia do meu filho. Estamos no meio das montanhas e o inverno está chegando. Não pode escapar” (32’50”), uma oportunidade de experimentar um modo de vida diferente do que ele está acostumado. Foi graças a visão de Algren em extrair do seu veneno, da sua prisão a qual ele se encontrava, o seu próprio antídoto; em encontrar naquela prisão, a liberdade. Liberdade para a sua vida, a sua mente, encontrando a paz interior e uma razão pela qual vale a pena lutar e viver. E é por isso que tudo o que acontece em nossas vidas é uma questão de percepção. Podemos fazer daquele problema a nossa prisão ou a nossa liberdade. A lente que colocamos diante dos nossos olhos, faz de nós pessoas com um olhar mais positivo ou não diante da vida, porque tudo é uma questão de percepção. Uma mensagem interessante acontece quando Natan está se recuperando dos ferimentos nas primeiras semanas em que é prisioneiro. Ele pede para Taka, saquê, uma bebida alcoólica, mas não era para aliviar a dor física causada pelos ferimentos da batalha contra os samurais (37’00”). Ele pedia a bebida, pois, todas as vezes que se lembrava das barbaridades que fez no passado, durante as guerras que lutou, ele bebia para esquecer, para camuflar a dor mental da vergonha e do arrependimento. Uma forma de fuga em encarar os problemas de frente. A partir do momento que ele passou a se compreender, a buscar se autodesenvolver e a encontrar a paz, a bebida passou a não fazer mais sentido para ele. 168


O último Samurai

Uma das cenas mais marcantes do filme foi a mensagem que Natan passa silenciosamente aos samurais de que ele é uma pessoa determinada e dono de uma força interior imensurável. É a cena que acontece aos 46’00” do início do filme, onde as crianças Rijen e seu amigo estavam brincando de luta de espadas. O dono da vila, Nobutada, filho do líder Katsumoto, pede para Natan tentar lutar com o filho órfão, Rijen. Era uma chance da criança se vingar em nome do pai que Algren matou. Ao lutar com Ujio, Natan vê o quanto é inferior às técnicas de combate samurai, mas demonstra determinação, garra e resiliência; fundamental na construção de um caráter forte e ter sucesso na vida. Assim como Rocky já disse, ao conversar com seu filho, em seu sexto filme: “O mundo vai botar de joelhos e

você vai ficar de joelhos para sempre se você deixar. Ninguém vai bater tão duro como a vida. Mas não se trata de bater duro, se trata de quanto você aguenta apanhar e seguir em frente, o quanto você é capaz de aguentar e continuar tentando. É assim que consegue vencer! Agora se você sabe o seu valor então vá atrás do que você merece, mas tem que ter disposição para apanhar.” Natan teve disposição para apanhar e perseverar para

aprender a luta de espadas japonesa e ganhar o respeito e a confiança dos samurais. A cena em que Natan conversa com Katsumoto pela segunda vez, irritado, ele pergunta ao samurai: “O que quer de mim?”. O samurai responde: “O que quer para si?” (52’00”). Muitas vezes queremos atender as expectativas dos outros sem darmos atenção ao que nós realmente queremos; sem nos perguntar o que, de fato, é importante para nós.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Natan começa a despertar um senso de pertencimento à tradição oriental quando ele veste a roupa japonesa e faz alguns movimentos de luta (56’00”), ele sente que faz parte daquele grupo, daquela cultura.

O mesmo acontece quando Natan ajuda a aldeia contra o ataque dos ninjas na vila Samurai (1h08’00”). Ele poderia ter se escondido, ou simplesmente fugido. Mas prefere ajudar defendendo os samurais e a família do líder Katsumoto. Natan já tinha ciência do seu verdadeiro lugar e a qual grupo ele gostaria de estar. Todo ser humano tem quatro necessidades psicológicas básicas: ser ouvido; ser reconhecido ou amado; ter o direito de errar e se sentir pertencente ao sistema ao qual está inserido. 170


O último Samurai

Ao lutar contra os ninjas, Natan já havia sentido estas necessidades básicas serem supridas desde a sua chegada à aldeia samurai e foi por isso que ele, inconscientemente, colocou a sua vida em risco para defender o seu novo grupo, a sua nova família contra o ataque inimigo. A necessidade básica de ter o direito de errar foi suprida ao ser hospedado na casa onde ele matou o pai das crianças, marido de Taka e foi cuidado por ela, desde o tratamento dos seus ferimentos, alimentação e hospedagem. Mesmo a contragosto dela, seu irmão, o líder Katsumoto, pediu para que ela fizesse este esforço em hospedar o americano. Assim como em Matrix, a Lei do Carma está presente também neste filme. Katsumoto conversando com sua irmã Taka, diz:

- Você prefere que eu mate o americano para vingar a morte de seu marido? - Sim. - ela responde. - Hirotaro tentou matar o americano. Foi Carma (59’00”).

Princípio da Causa e Efeito, também conhecido como a Lei do Carma, a Terceira Lei Universal. A palavra Carma significa conjunto das ações dos homens e suas consequências. É causa e efeito simultaneamente porque toda ação gera uma força energética que retorna para nós da mesma forma. Ao tentar matar o americano (ação), Hirotaro teve como consequência a sua própria morte. Lei do Carma: causa e consequência. Katsumoto ainda diz a sua irmã: “Deve haver uma razão para ele estar aqui que vai além da minha compreensão”. Katsumoto trouxe Natan para a vila de seu filho Nobutada por causa da visão que teve ao meditar. Ele ainda não sabia as 171


O poder dos filmes para a mente inconsciente

razões dele estar lá ou do papel que Natan iria desempenhar nesta guerra, mas o líder Samurai sentiu e decidiu seguir seu coração, ou melhor dizendo, sua mente inconsciente, ao trazê-lo para suas terras. Outra cena em que Natan desperta seu senso de pertencimento acontece quando ele diz que nunca havia ficado tanto tempo no mesmo lugar desde que havia saído da fazenda aos 17 anos (1h03’20”). Ele começa a sentir em casa. Teve a sua primeira noite de sono tranquila em muitos anos e percebe a espiritualidade daquele lugar, a calma e a paz. Uma cena interessante acontece quando Natan ajuda Taka com os objetos pesados que ela estava segurando e descendo os degraus da escada dentro da casa dela. Ela diz a ele: “O homem japonês não ajuda nessas coisas”. E Algren responde: “Eu não sou japonês” (1h01’35”). Apesar do capitão americano estar vivendo os costumes orientais, ele preserva sua educação ocidental. O poder da mente inconsciente é mostrada em dois momentos do filme: O primeiro quando Natan empata na luta de espadas contra Ujio. Nobutada havia dado um conselho ao capitão para não pensar enquanto estiver lutando, ou seja, deixar fluir os movimentos. Natan vai se aprimorando, treinando, estudando através da mente consciente, para que seu “leque” de movimentos de ataque e defesa sejam suficientes para que a mente inconsciente, quando acionada, consiga exercer a sua função com maestria, pois ninguém consegue deixar fluir seu aprendizado através da mente inconsciente, sem antes ter aprendido cognitivamente. Depois de ter repetido diversas vezes, modelado os mo172


O último Samurai

vimentos dos samurais outras tantas vezes, Natan se lembrou do conselho de Nobutada: “Não pensa...” (1h05’00”). Assim, ele uniu suas mentes consciente e inconsciente para tomar conta de suas ações durante o duelo, conseguindo um resultado que jamais havia conseguido: empatar na luta de espada dom o mestre Ujio. E, assim, ele começa a ganhar o respeito dele e dos demais samurais. Perceba: só conseguimos resultados extraordinários através da união das mentes consciente e inconsciente. Só é possível fluir, popularmente dizemos “deixar automático” quando, cognitivamente acessamos os conhecimentos gravados e então damos espaço para nossa parte ilimitada e intuitiva trabalhar, organizando de modo fluídico todas as informações captadas pela mente consciente. O segundo momento que o filme demonstra o poder da mente inconsciente acontece quando Natan se defende de cinco agressores a noite na cidade no Japão (1h 32’ 00”). O mesmo acontece no filme “Sherlock Holmes”, por exemplo. Em ambos os filmes o personagem tem uma visão do que iria acontecer poucos segundos antes da ação ocorrer. Isto acontece porque a conexão com a mente inconsciente é tão grande que ele consegue antecipar o perigo e, consequentemente, as ações de seus adversários. A cena em que Katsumoto diz: “É preciso reconhecer a vida em cada respiração, em cada xícara de chá. Isso é Bushido” (1h13’25”), refere-se a um termo que aprendi na Psicologia Positiva chamada “Savoring”. Savoring é estar conectado consigo mesmo para desenvol173


O poder dos filmes para a mente inconsciente

ver um estado de apreciação a tudo o que acontece ao redor. É reconhecer a vida em cada respiração, prestar atenção em tudo o que está a nossa volta, apreciando o belo. A cena em que Katsumoto diz a Natan que os samurais iriam levá-lo de volta a cidade mostra uma teoria interessante de Albert Mehrabian. Esta teoria diz que as palavras correspondem a apenas 7% da nossa comunicação; 35% ao timbre, a sonoridade da voz, e 55% está relacionada a intenção da mensagem transmitida. Na conversa entre o líder Katsumoto e Natan Algren, o samurai diz:

- O Imperador garantiu uma viagem segura até a cidade. Partiremos amanhã. - Ótimo. -responde Natan. - Ótimo. - retruca Katsumoto (1h14’00’).

No entanto, o samurai ao dizer esta palavra, expressa facialmente desgosto por Natan concordar em estar tudo bem ele ir embora. Estou relacionando esta teoria da comunicação, pois Katsumoto esperava que Natan fosse desejar ficar. Esta observação é chancelada quando Katsumoto devolve as armas de Natan dizendo a ele: “Quando eu peguei isso, você era meu inimigo”. Mais uma vez, o samurai querendo dizer que ele era bem vindo e visto como amigo. Até mesmo a viúva Taka não queria que Natan fosse embora. Ela ficou ajoelhada de costas para a porta quando o comboio para Tókio partiu, em sinal de desaprovação. Quando Natan e os samurais retornaram à vila (1h42’00”), ele conversa com Higen e diz a ele que, caso o exército fosse até lá, ele lutaria para defender a vila, pois eles estariam indo para

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O último Samurai

destruir o que ele aprendeu a amar. Mais uma cena que chancela o senso de pertencimento de Algren a cultura samurai. Natan Algren adquire o respeito de todos os samurais ao sair da casa de Taka vestido com a armadura de batalha (1h51’00”). Ujio, vai até ele, checa a sua armadura e gesticula para ele se juntar ao exército samurai. Natan era visto por todos como parte da família samurai, como um amigo e aliado. Em uma das últimas cenas marca a importância do quinto nível da Pirâmide do Processo Evolutivo: papéis. O Imperador disse: “Não podemos nos esquecer quem nós somos, nem de onde viemos” (2h20’ 00”). Ao longo da nossa vida vamos acumulando experiências e, na medida em que os anos passam, elas vão nos guiando para os caminhos cujo os valores aprendidos em decorrência dessas experiências nos trouxeram. Independentemente do conhecimento adquirido ao longo da nossa história ser bom ou não, devemos sempre nos lembrar de nunca esquecermos de nos lembrar de onde viemos. Honrar nossos ancestrais para honrar a nossa história. Compreender as crenças e os valores passados de pai para filho. Guardar o que fizer sentido e descartar o que não fizer, entendendo que isto pertence a seus pais e não a você. Independentemente da nossa criação, agradecermos a eles, pois, foi graças a estas experiências, boas ou não, que fizeram sermos quem nós somos hoje. Logo depois, o imperador pede para Natan: “Conte-me como ele morreu” (2h 22’ 10”). E o capitão responde: “Vou contar como ele viveu”. Esta é uma frase maravilhosa para honrar a história e as lembranças de seu novo e eterno amigo Katsumoto. 175


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Sem dúvidas, “O Último Samurai” foi um filme que inspirou as pessoas e ensinou sobre liderança, perseverança e honradez, além de nos mostrar um pouco de uma cultura que eu admiro muito. Mostrou que é possível mudarmos de opinião desde que esta mudança esteja congruente com nossos valores. Ele nos ensina extrairmos o melhor aprendizado das nossas experiências de vida, sejam elas boas ou não, bastando mudarmos a nossa percepção sobre o obstáculo colocado à nossa frente. E nos ensina, acima de tudo, a encontrarmos nosso propósito de vida e a nossa paz interior.

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Aladdin

Capítulo 9 Aladdin

“Você confia em mim?” (Aladdin)

E

ste clássico precisava de um capítulo exclusivo só para ele. Amo este desenho, pois mostra muitas mensagens poderosas para nossa mente inconsciente. Os clássicos da Disney sempre fizeram muito sucesso e sou fã dos mais antigos. “Aladdin” é especial e possui metáforas maravilhosas que o desenho nos traz, como por exemplo, mostrar o poder ilimitado da nossa mente inconsciente, simbolizada pelo Gênio da Lâmpada e vou mostrar, através do desenho a veracidade disso. Além disso, podemos dizer que este Gênio representa o nosso arquétipo do Visionário, no Xamanismo, e o arquétipo da Criança, de acordo com Jung. Mas antes de explicá-las, vamos entender o que são arquétipos. Segundo Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, arquétipos são as imagens mentais que guardamos em nosso inconsciente coletivo e que refletem em nossa forma de ser e agir. 177


O poder dos filmes para a mente inconsciente

O inconsciente coletivo refere-se a certos comportamentos comuns que as pessoas têm, ou seja, idênticos a todos os seres humanos. Todos nós temos possuímos diversos arquétipos e explicam nossos comportamentos e personalidade. O arquétipo do Visionário tem a ver com o nosso gênio interior onde a intuição, a criatividade e a imaginação estão sempre presentes. Ele é como o personagem Lion do desenho Thundercats quando recorre à sua espada justiceira, tem uma visão além do alcance. Ele vê e antecipa o futuro e expressa nossos sonhos. O arquétipo da Criança refere-se à pureza e a inocência dela. Assim como o Visionário, este padrão de pensamento fala a verdade acima de qualquer coisa, sem culpar, acusar ou julgar ninguém. É sincero e expressa o seu eu autêntico. Sobre o longa metragem “Aladdin”, o desenho se passa na Arábia, na cidade de Agrabah onde vive no palácio o Sultão, sua filha Jasmin e o grão-vizir Jafar. A história é narrada por um comerciante que apresenta para o expectador a lâmpada mágica e conta a história de Aladdin, um jovem pobre da cidade que sonha em ser alguém importante.

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Aladdin

A primeira mensagem vem logo no início do desenho, quando este comerciante mostra a lâmpada (2’40”) e diz: “Não se

deixe enganar por sua aparência comum, como muitas coisas não é o que é por fora, mas o que está por dentro que interessa”.

Mensagem poderosa que ensina a olhar mais profundamente para os fatos e pessoas. A grande maioria se atenta à superficialidade, julgando os outros pelas roupas que vestem, carros que tem e casas onde vivem. São pessoas rasas que pautam suas vidas a apenas o primeiro nível do processo evolutivo que é o ambiente, dando valor apenas às aparências, sem enxergarem, como diz o comerciante, o que está por dentro, o seu real valor. Outra mensagem interessante acontece quando o Tigre de areia diz (5’18”): “Pois saiba, só um pode entrar aqui; um de grande valor interior, um diamante bruto”. Kazim não acredita no seu valor interior porque, ao pisar na escadaria da entrada da caverna do Tesouro, é engolido pelo tigre. Esta é apenas uma percepção da cena. Naturalmente o Tigre estava aguardando por Aladdin. Trarei outra metáfora para esta cena quando Aladdin estiver frente a frente com o guardião da Caverna dos Tesouros. Já Aladdin acreditava plenamente que um dia as coisas mudariam. Ele acreditava que um dia ele seria rico, moraria num palácio e nunca mais teria nenhum problema (12´10”). Ao contrário de Kazim, Aladdin acreditava no seu valor interior, pois sabia do poder enorme que habitava dentro dele. Uma mensagem despercebida nesta cena mostra que nem mesmo seu único companheiro, Abu, acreditava no potencial de 179


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Aladdin, pois, ao dizer sobre seus desejos, o macaquinho já estava dormindo (12’10”), não dando atenção para seu amigo. A mensagem mostra a importância de acreditarmos em nosso poder interior, e continuarmos firmes, com fé e esperança, mesmo quando todos os outros, mesmo nossos amigos ou pessoas mais próximas, não ligam para isso ou não nos encorajam a perseguirmos nossos sonhos. Outra mensagem maravilhosa que o clássico mostra é sobre a importância do altruísmo, (9´45”) no início do desenho, quando Aladdin e Abu conseguem fugir dos guardas por terem roubado um pedaço de pão para comerem e, Aladdin ao ver duas crianças famintas procurando por comida na lata do lixo, decide doar a sua parte a elas, ensinando Abu este sentimento poderoso que pode mudar o modo como enxergamos as pessoas. Outro ponto interessante nesta cena é que Aladdin faz a boa ação para as crianças num beco, sem ninguém para ver o que ele está fazendo, mostrando a sua essência pura, empática e bondosa; mesmo que seu desejo é sobre os outros verem que existe algo maior dentro dele – quando ele canta após o príncipe Armand entrar no palácio para pedir a mão da princesa (11’54”): “Não

sou só o pobre Aladdin. Hão de ver que há bem mais em mim...”. Aladdin faz a boa ação porque é da sua natureza ser bom, sem

esperar nada em troca. A cena em que a princesa Jasmin conversa com seu pai (13´10”) sobre ser forçada a se casar com um príncipe e sobre nunca ter ido além dos muros do palácio, mostra claramente que ela tem um desejo ardente de ser livre, poder tomar as próprias decisões e decidir por si mesma o curso de sua vida (o mesmo 180


Aladdin

sentimento de Aqueem, interpretado por Eddie Murphy em “Um Príncipe em Nova Iorque” que decide viajar para encontrar o amor da sua vida e não ser forçado a se casar em um casamento arranjado. A metáfora desta mensagem acontece quando Jasmin liberta as pombas da gaiola, voando livres para o céu, mostrando a felicidade da princesa em poder partilhar por um breve momento deste sentimento de liberdade. Outra mensagem importante e muito bonita acontece quando a princesa decide fugir do palácio no meio da noite em busca da sua felicidade e o tigre Rajar, seu único amigo a ajuda a fugir, depois de entender que as oportunidades dela estava fora dos muros da sua casa (16´35”). Mostra que a verdadeira amizade respeita, apoia e deseja o melhor para o outro, mesmo ficando triste com a decisão do amigo. A cena mostra a Primeira Lei Universal Eterna: o Princípio do Dar e Receber. Jasmin primeiro ajudou as pombas, libertando-as da gaiola (14’15”), para depois o tigre Rajar ajudá-la a fugir por cima do muro alto do palácio, dando um apoio para ela pisar em sua cabeça. Quando Aladdin mostra a sua casa para a princesa Jasmin que estava disfarçada, ambos dizem uma frase ao mesmo tempo (21’50”): “Às vezes eu me sinto preso”, mostra como tudo na vida depende da sua percepção sobre como você enxerga as coisas que acontecem na sua vida. Jasmin tinha de tudo desde criados, serviçais, espaço, conforto, segurança e riqueza, porém se sentia como uma prisioneira sem poder sair do palácio por não ter liberdade para escolher as 181


O poder dos filmes para a mente inconsciente

coisas. Por outro lado, Aladdin tinha que roubar para comer todos os dias e fugir dos guardas, mas podia dormir onde quisesse. A percepção que temos sobre os fatos de nossas vidas é que refletirão em como nos sentimos. Quer se sentir um milionário? Compare-se com as famílias pobres da África. Você, decerto, tem um poder aquisitivo superior ao deles. Quer se sentir a pessoa mais pobre do mundo? Compare-se com Bill Gates ou com os Xeiques Árabes. Provavelmente você tenha um padrão de vida inferior ao deles. Tudo é uma questão de percepção. Uma analogia que podemos fazer acontece quando Aladdin é autorizado pelo Tigre de areia, a entrar na Caverna das Maravilhas (27’45’). Somente Aladdin pode acessar seu poder interior, sua divindade interna, sua força ilimitada, por isso ele pode desbravar seu interior. Aqui, também podemos aprender o motivo do fracasso de Kazim, se decidirmos analisar o contexto como ele tentando entrar na caverna que pertence a Aladdin e não a ele. Kazim foi engolido pelo Tigre de areia, pois a caverna não pertencia a ele. A metáfora ensina que somente você, o autor da sua própria vida, que pode ter acesso ao seu poder interior infinito, a sua caverna de tesouros e jamais outra pessoa tem a autorização de roubar isso de você. Não permita, portanto, que as pessoas lhe tirem a sua centelha divina, a sua criatividade e o seu poder ilimitado que existe dentro de você. Não deixe que lhe tirem a sua autoestima e a sua autoconfiança. A grande metáfora de Aladdin é que o Gênio, aquele ser que consegue realizar todas as nossas vontades é a nossa men182


Aladdin

te inconsciente; é a nossa parte que jamais diz: “Não Consigo”, “Está Difícil” ou “Estou Tentando”. Ela é a nossa parte ilimitada, criativa, que não enxerga obstáculos, mas soluções. Temos dentro de nós o nosso próprio gênio da lâmpada e cabe a cada pessoa saber acessá-lo para a realização dos seus desejos. E o mais interessante, é que o nosso próprio Gênio interior não nos restringe a apenas três desejos... No entanto, o que nos impede de libertá-lo é a sua mente consciente, representada no desenho pela lâmpada, a prisão do Gênio. Quando diminuímos as interferências da nossa mente consciente, damos espaço para nosso Gênio interior agir. Você prestou atenção quais eram as condições, as limitações que o Gênio teria para realizar os desejos de Aladdin, na cena em que ele e o seu amigo primata inseparável, Abu, estavam presos na caverna? O Gênio disse a Aladdin que eram três coisas que ele não podia fazer (39’55”). Gostaria de chamar a sua atenção para duas delas: o Gênio não podia fazer alguém se apaixonar por ele e a segunda, ressuscitar pessoas mortas. Você já parou para pensar que estas são coisas que a nossa mente inconsciente é incapaz de fazer? Aladdin queria que a princesa se apaixonasse por ele e o Gênio o lembra de suas condições. De fato, não conseguimos fazer com que a outra pessoa nos ame, como num passe de mágica... 3, 2, 1, me ame! Não funciona assim... E como tudo tem um lado bom e um não tão bom, imagine se fosse assim: da mesma forma que você teria a pessoa num pas183


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se de mágica, você perderia seu amor na mesma velocidade por causa do desejo de outro concorrente que ama a mesma pessoa que você. Uma vez que o Gênio não pode fazer a princesa se apaixonar por Aladdin, ele usa como desejo se transformar num príncipe para então ter o direito de cortejar a moça (46’00”).

A cena quer dizer que não temos o poder de fazer ninguém se apaixonar por nós, como eu mencionei acima, mas está em nossas mãos nos desenvolver para chamarmos a atenção de quem amamos para ter este amor recíproco. A mente inconsciente é capaz de torná-lo um príncipe (no desenho, ser rico, ter tatus e poder é a metáfora de ser visto, notado, reconhecido), pois cabe a você fazer isto acontecer; porém, ela é incapaz de fazer alguém se apaixonar por você, pois isto

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Aladdin

não depende exclusivamente da sua vontade, mas da outra pessoa. Por isso não existe relacionamentos saudáveis quando uma das partes ama pelas duas. O amor é uma via de mão dupla e os dois precisam querer para que ele aconteça. Outra prova de que o Gênio da lâmpada é a nossa própria mente inconsciente é o lugar onde Aladdin o encontrou: em uma caverna onde somente ele era digno de entrar. Ninguém pode acessar o seu próprio Gênio interior senão você mesmo, por isso só Aladdin poderia encontrá-lo. Ninguém podia entrar e pegar para ele, assim como ninguém pode te dizer que você foi feito para ser infinito, ilimitado, criativo e divino; é você quem tem que perceber isso. Jaffar queria usar Aladdin para tomar dele algo que somente o rapaz tinha o poder de acessar. Quantas vezes nos deparamos em nossas vidas com pessoas que querem roubar a nossa genialidade, dizendo para nós que não somos bons o suficiente, que não nascemos para sermos grandes e vencedores? Provavelmente mais que um nome veio a sua mente, não é mesmo? Estas pessoas eu chamo de “matadores de sonhos”. Incapazes de perseguirem seus próprios sonhos, por medo e crenças limitantes, passam a vida desencorajando as pessoas a sua volta a serem como elas: perdedoras. É preciso tomar muito cuidado ao se deparar com este tipo de criatura para não cair na tristeza, negatividade, melancolia e depressão. Estas pessoas tem o poder de roubar a energia positiva daquelas que tem amor, paixão, tesão e alegria em viver. Você já reparou como é difícil ficarmos perto de pessoas negativas sem nos contaminar? A energia negativa é extremamente

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contagiosa e, por mais positivo que você estiver você acaba se infectando também. Aquela pessoa que você pergunta se está tudo bem e ela responde com um milhão de problemas, de saúde, financeiro, de família para citar alguns. Este tipo de pessoa destrói a si mesma e a todas que estão a sua volta, pois consegue atingir negativamente as vibrações das pessoas ao seu redor, atingindo primeiramente aquelas que estão no piloto automático. Entenda que, a menos que ela queira mudar, este tipo de pessoa sente-se confortável em queixar-se e não há nada que possamos fazer por ela no momento. Enquanto ela não trouxer a responsabilidade para a vida dela, ela continuará se lastimando e achando que tudo e todos estão contra ela. Por causa disso você tem que fazer questão de não ficar perto de pessoas que vivem reclamando. Hábitos de pensamentos são influenciados pelo meio, ou seja, os recursos que alimentam vêm do ambiente que está à sua volta. Se você tiver necessidade de ficar na companhia de uma delas, entenda que você está sujeito a se contaminar com energias destrutivas que poderão colocar um fim no processo de realização dos seus sonhos e matar seu Gênio interior. E a metáfora do desenho é linda, pois a caverna onde Aladdin entrou com muito medo, por sinal, representa duas lições valiosas para a nossa mente inconsciente e, agora trazendo para a parte racional do seu cérebro fica mais palpável de visualizar e aprender. Lembre-se que, ao aprendermos através das nossas duas mentes, consciente e inconsciente, temos um aprendizado de longa duração e esta é a intenção deste livro, pois os filmes já fizeram a sua parte.

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Aladdin

As duas lições que extraímos ao Aladdin se encontrar dentro da metáfora da sua caverna interior é o Mito da Caverna de Platão, que expliquei no capítulo destinado ao filme Matrix. Entenda apenas por hora, que Aladdin se encontrava em uma prisão mental que o deixava limitado a uma vida cheia de restrições e, ao encontrar a lâmpada o Gênio o liberta da caverna, ou seja, da sua própria prisão mental. A segunda lição que aprendemos com Aladdin dentro da caverna e com muito medo do que pode encontrar lá é uma frase de Joseph Campbell sobre a Jornada do Herói, o qual já mencionei neste livro, que diz: “A caverna onde você tem medo de entrar, esconde os tesouros que você procura”. Quantas vezes não temos receio do desconhecido e ficamos com medo de agir, de tomar uma decisão, escolhendo permanecer na nossa zona de conforto? Uma das frases que mais me marcou em um dos seminários de desenvolvimento pessoal que eu fui foi: “O seu rendimento, a sua conta bancária é diretamente proporcional a sua zona de conforto”. Isto explica a frase de Joseph descrita acima. Quando o Gênio liberta Aladdin da caverna, o grande sonho dele é de ser livre (44”10’). Metáfora poderosa para libertarmos nosso gênio interior e o deixarmos fluir em nossas vidas, sem reprimi-lo ou escondê-lo. Imagine como seria libertarmos nosso gênio, permitindo-o estar ao nosso lado, unindo forças com nossa mente consciente, despertando todo

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nosso poder interno, toda força, toda potencialidade, divindade e criatividade que existe latente dentro de nós, aguardando apenas por uma oportunidade de ser expressada? Este era o desejo do Gênio. Ser livre. O desenho Aladdin tem uma cena que chancela sobre o que eu havia dito a respeito da hipnose e seus mitos (48’10”). Para que você recorde o que eu falei no início deste livro, existe uma crença de que a pessoa hipnotizada fica à mercê do hipnotizador, fazendo tudo o que ele mandar. Obviamente esta crença é falsa e mencionei, caso o comando do hipnotizador for de encontro com algum valor do hipnotizado, ele sai do transe imediatamente e questiona as suas intenções, como por exemplo, ser solicitado que o hipnotizado tirasse a sua própria vida ou dormisse com o hipnotizador. Se isto fosse realmente verdade, basta um especialista hipnotizar alguém na rua e pedir para acompanhá-lo até o banco e fazer um saque gordo da sua conta bancária. É claro que isso não acontece... A cena no desenho acontece entre o Sultão e Jaffar. O sórdido conselheiro de confiança do Sultão possui um cajado em forma de cobra Naja que, ao ficar com os olhos vermelhos hipnotiza a vítima. Este truque já havia acontecido contra o pai de Jasmin para que ele desse o anel da família a Jaffar (15’20”). No entanto, dessa vez, o vilão tentou hipnotizar o Sultão para que ele se casasse com sua filha (48’10”). Como este comando batia de encontro as crenças e valores do velho Sultão, logo ele sai do transe e questiona o comando dizendo: “Mas você é tão velho...” Uma mensagem maravilhosa do nosso Gênio interior acontece quando Jasmin, ao conhecer o príncipe Ali, o dispensa na 188


Aladdin

hora julgando-o ser como todos os outros pretendentes petulantes e presunçosos que vieram para pedir a mão dela. Ali estava se mostrando à princesa uma pessoa que ele não era na sua essência: uma pessoa metida, superficial. Talvez você não tenha reparado, mas a primeira vez que a princesa Jasmin dá uma chance a príncipe Ali de ouvi-lo acontece quando Aladdin escuta a dica do Gênio em ser ele mesmo em sua essência (57’00”). Dessa maneira Ali, metaforicamente, tira a máscara que supostamente achou que deveria ter para atrair a atenção da princesa, para ser sincero. Ao ouvir a dica do Gênio (e lembre-se que estou falando do gênio interior que habita dentro de você: sua bondade, criatividade, genialidade, poder infinito e ilimitado, sua centelha divina) em ser ele mesmo, Aladdin diz: “Eu sei...” despertando a atenção da princesa ao complementar sua frase dizendo: “Você não é só um belo partido. Deve ser livre para fazer a sua escolha”. Esta frase foi fala por Aladdin vinda do coração, do sentimento, do seu gênio interior, e não da razão, cognição. A mensagem é clara: quando damos ouvimos aos nossos sentimentos e os expressamos de maneira transparente e com intenção positiva, de forma pura e sincera, mostramos o nosso lado luz, a melhor parte que existe dentro de nós, nossa pureza e bondade, nos permitimos sermos quem nós realmente somos em essência. Agir assim traz resultados exponencialmente melhores do que usarmos máscaras e sermos sempre racionais, cognitivos e limitados, nos preocupando com o que o outro acha de nós, passando uma imagem distorcida de quem realmente somos em essência. Agindo com o coração, Aladdin ganhou a atenção da princesa. 189


O poder dos filmes para a mente inconsciente

A cena seguinte mostra os dois saindo do palácio no tapete mágico para passear e Ali apresenta a Jasmin um mundo novo que ela não conhecia. Durante este passeio um sentimento de carinho e amor começa a surgir entre os dois, além da adrenalina e euforia por estarem viajando mundo afora. É uma mensagem que nos ensina o poder de vivenciar um mundo maravilhoso guiado através dos sentimentos positivos dos dois. Lembre-se de que a nossa mente inconsciente está diretamente ligada as nossas emoções e o modo mais fácil de acessá-la é através dos sentimentos. O mundo ideal na qual Jasmin se referia é justamente este mundo das emoções; um mundo extraordinário onde nem o céu é o limite. Cabe a você decidir em qual mundo deseja viver: o mundo ordinário, onde a sua percepção sobre as pessoas e coisas é que tudo está contra você, usando você, onde todos têm segundas intenções e o egoísmo é a palavra de ordem; ou no mundo extraordinário, de abundância, prosperidade, amor, alegria, esperança, fé, onde todos são bons o suficiente e você decide estar aberto para ter experiências sempre com foco em seus sentimentos. A cena em que Jaffar toma posse da lâmpada de Aladdin (1h 10’40”) e faz o seu primeiro desejo (tornar-se Sultão) mostra a dualidade do nosso poder interior. Lembre-se que o seu Gênio atende aos seus desejos, que podem ser realizados tanto para o bem quanto para o mal. Somos seres duais: Luz e Sombra. A decisão de qual lado você vai escutar é sempre sua. Jaffar decidiu usar a sua genialidade para fazer o mal. Uma metáfora que podemos utilizar sobre a dualidade do homem é a história dos dois cães que vivem dentro de nós: um mau e outro bom. Vence aquele que você alimenta mais. 190


Aladdin

Não contente em ter o seu segundo pedido realizado e se tornar o feiticeiro mais poderoso do mundo, Jaffar se dá conta de que o gênio é ainda mais poderoso do que ele (1h20’05”). Ele diz: “O poder dele é maior que o meu”. E decide fazer seu terceiro pedido e se tornar um gênio também. Seu desejo é concedido. No entanto, Aladdin o lembra de que ele precisa fazer tudo o que o gênio faz (1h 21’ 20”), ou seja, viver dentro de uma lâmpada mágica, aguardando ser achado por alguém e começar a sua vida de servidão, na esperança de seu dono o libertar. Esta cena nos ensina sobre o equilíbrio em nossas vidas. Equilíbrio entre os diversos papéis que exercemos no mundo e, talvez, se não der a devida atenção para cada um deles, pagamos o preço pela negligência causada pelo desequilíbrio. Jaffar pagou o preço por sua ambição desequilibrada vivendo como prisioneiro dentro da sua lâmpada. Gosto muito de associar nossos papéis como se fossem malabares, bolinhas em que o artista circense joga para o ar, trocando de mãos, sem deixá-las cair no chão. Nossos papéis de marido/esposa, pai/mãe, irmão/irmã, profissional; cidadão entre outros. Negligenciar um destes papéis, causa desequilíbrio no seu sistema, afetando a sua percepção de plenitude e felicidade. Infelizmente a grande parcela das pessoas negligencia o primeiro e mais importante papel: de ser filho. E aqui vou parafrasear a frase de um mestre que eu tenho que diz: “Sou filho, logo existo” (José Roberto Marques). Aceitar o papel de filho, independentemente se seus pais foram bons ou não, presentes ou não, amáveis ou não, é aceitar e honrar a sua própria história; aceitar que você só existe graças a eles. 191


O poder dos filmes para a mente inconsciente

E talvez você comece a entender que não existe faculdade para pais e que eles fizeram e deram o melhor que eles tinham; que eles foram bons o suficiente e você é boa parte do que se tornou hoje, graças a influência ou não deles na sua vida. Voltando para a cena em que Jaffar se torna um gênio e paga um preço caro por isso, custando a sua liberdade, podemos extrair outro ensinamento, além da importância do equilíbrio em nossas vidas. A cena nos ensina sobre o equilíbrio interior, entre nossas mentes, consciente e inconsciente. O grande segredo é fazer nossas mentes, consciente e inconsciente, trabalharem juntas, potencializando nossos resultados tornando-os extraordinários. Mesmo 95% da nossa mente ser inconsciente, os outros 5% conscientes são muito importantes. Em seu último desejo, Jaffar tornou-se 100% de mente inconsciente, transformando-se num gênio e, por isso pagou um preço alto demais. A grande maioria das pessoas utilizam apenas 5% e vivem limitados por todas as razões que já expliquei ao longo deste livro e, principalmente no capítulo que fala sobre as mentes consciente e inconsciente. Equilíbrio é a chave. No final do desenho, quando Aladdin liberta o gênio (1h23’00”), ele mostra mais uma vez altruísmo, assim como no começo do desenho com as crianças pobres procurando por comida na lata do lixo, mostrando mais uma vez que é uma pessoa de valor e, dessa vez, reconhecido pelo Sultão que autoriza a princesa Jasmin a escolher Aladdin como marido. A cena mostra que, ao libertarmos nosso gênio interior, estamos abertos a aceitar todas as bênçãos e benesses que o Universo nos dispõe, pois estamos, assim, utilizando todo nosso potencial interior a nosso favor. 192


Aladdin

Além disso, a cena mostra também que pessoas abundantes, como Aladdin, conseguem viver uma vida próspera e feliz. São aquelas que equilibram dois verbos muito importantes para termos prosperidade, que são o “dar” e o “receber”. Aladdin cedeu seu terceiro pedido para cumprir sua promessa e libertar o gênio e, em troca, recebeu a bênção do Sultão para se casar com sua filha. Repare que primeiro ele doou para depois receber. O grande erro de boa parcela da humanidade está em primeiro querer receber para depois doar. E quando digo doar estou me referindo a qualquer coisa; desde amor, afeto, atenção, reconhecimento, dinheiro... É como se um agricultor se deparasse com sua terra que está árida e quisesse primeiro colher os legumes para depois plantá-los. Isso é insanidade! Primeiro ele planta, semeia, rega, cuida para depois colhê-los. No entanto, o Universo é sábio e ele saberá se você está doando de coração ou com segundas intenções. Portanto, seja como Aladdin, altruísta, porque vale a pena. “Aladdin” é, sem dúvidas, um desenho para crianças e adultos se divertirem, mas também refletirem sobre o poder da nossa mente inconsciente e onde podemos encontrá-la e acessá-la. Uma vez que você entendeu as metáforas transmitidas para a sua mente inconsciente, eu convido você a assistir novamente a este maravilhoso clássico. Bom divertimento!

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Capítulo 10 O REI LEÃO

“O passado pode doer, mas do jeito que eu vejo você pode fugir dele ou aprender com ele. Entende?” (Hafiki)

E

ste capítulo é para aprendermos cognitivamente as mensagens do desenho “O Rei Leão” (The Lion King – 1994). Antes de começarmos propriamente a falar sobre as cenas 194


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que o desenho nos traz, vamos a algumas curiosidades sobre este clássico Disney. Ele é o 32º filme de longa metragem dos estúdios Disney e foi lançado em 1994. O filme saiu de cartaz em como a segunda maior bilheteria da história do Cinema (até 1994), perdendo apenas para Jurassic Park. É até hoje a 30º filme de maior bilheteria, a terceira animação com a maior bilheteria, perdendo apenas para Frozen (2013) e Toy Story (1995), e a maior animação desenhada à mão de todos os tempos, arrecadando mais de 987 milhões de dólares em todo o mundo. O mais interessante é que “O Rei Leão” demorou mais de três anos para ser concluído e foi desenvolvido simultaneamente com “Pocahontas”. Os produtores da Disney imaginaram que o grande sucesso seria “Pocahontas” e não “O Rei Leão” e destinaram seus maiores desenhistas da a criar Pocahontas, mas no final das contas quem fez maior sucesso foi “O Rei Leão”. “O Rei Leão” foi o primeiro longa da Disney a ter a sua história original, apesar de, no seu lançamento no Japão ter causado reboliços, pois a Disney foi acusada de plágio de um desenho japonês sobre um leão. O nome do desenho era Kimba – O Leão Branco (Kimba, The White Lion - 1965) e as semelhanças entre o clássico Disney e o desenho japonês são inúmeras. Apesar dos fãs de Kimba pressionarem a Disney para, pelo menos colocar no nome do criador do desenho japonês, Osamu Tezuka, nos créditos do desenho americano, ela nunca assumiu ter usado o desenho como inspiração para a produção de “O Rei Leão”. A Tezuka Production – criadora do desenho japonês – nunca processou a Disney, por se tratar de um estúdio pequeno em 195


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comparação ao império Disney e, decerto, iriam perder a causa, uma vez que os Estúdios Disney é bem maior e mais preparado juridicamente que a Tezuka Production. Outra curiosidade é que os criadores de “O Rei Leão” iriam, primeiramente, colocar o nome do clássico de “O Rei da Selva”. No entanto, os produtores se deram conta de que os leões não vivem na Selva e sim na Savana. Quase deram uma bola fora. O enredo central de “O Rei Leão” foi baseado em “Bambi”, outro clássico da Disney, e também em “Hamlet”. As semelhanças são muitas – ambos se baseiam em famílias reais, contam a historia de um rei que foi morto por um tio maléfico e os pais aparecem como fantasmas para seus filhos. “O Rei Leão” venceu vários prêmios como o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Canção Original (“Can You Feel the Love Tonight”, de Elton John e Tim Rice), e o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia ou Musical. Agora que você já percebeu o sucesso deste desenho e viu algumas curiosidades, vamos analisar os aprendizados que ele nos trouxe para a nossa mente inconsciente. Logo no início (8’00”), ao amanhecer, Simba fica ansioso para desbravar as terras do reino e acorda o seu pai para acompanhá-lo. Ele diz: “Pai, pai, pai, pai, pai!”. Neste momento, Sarabi, sua mãe, diz para o rei Mufasa: “O seu filho acordou...” E Mufasa, com sono e querendo dormir mais um pouquinho, responde: “Antes de amanhecer ele é seu filho”. Esta cena é interessante, pois, dependendo da fase de vida de quem assiste, pode ser interpretada pela mente inconsciente 196


O Rei Leão

de uma maneira diferente de acordo com as experiências de vida vividas pelo expectador. Por exemplo, se for um adulto, pode ser estabelecido um olhar para a cena, ou se for uma criança que assiste o desenho, uma outra visão. A frase de Mufasa soa machista dando a entender que é única e exclusivamente o dever da fêmea cuidar do filhote enquanto o macho dorme. Esta pode ser uma interpretação inconsciente das crianças, o que não é bom para o desenvolvimento dos seus valores que ainda estão em construção. No entanto, outro olhar que convido você a perceber sobre esta cena, foi uma nova interpretação que eu tive após o nascimento do Théo, meu filho. Sou um pai o mais presente que eu posso ser; ativo e que coloca a “mão na massa”. Troco fraldas, dou papinha, banho, passeamos, eu brinco, canto e leio para ele. Porém, logo no início, quando ele apenas estava sendo amamentado pela minha esposa, somente ela podia suprir a necessidade de saciar a fome do nosso filho, afinal, era ela quem dava de mamar para ele. Eu sei que o meu papel de pai não permite amamentar e que não posso ajudar minha esposa neste sentido, então não faz sentido eu acordar de madrugada para ver a minha esposa amamentar nosso bebê. Por isso assistir a filmes é maravilhoso, pois dependendo da fase de vida a qual você se encontra no momento em que o vê, você tem uma percepção e um aprendizado diferente. A cena continua e o pai de Simba explica sobre a vida ser cíclica através da metáfora do pôr do sol (09’00”). “O tempo de 197


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um reinado se levanta e se põe como o sol. Um dia, Simba, o sol vai se pôr com o meu tempo aqui e vai se levantar com o seu quando eu morrer”. Esta metáfora é maravilhosa, pois, assim como o dia nasce a cada aurora, ele morre a cada crepúsculo, dando uma nova oportunidade de recomeço para um novo dia seguinte. Mufasa está se referindo a Simba sobre o equilíbrio natural da vida. Assim como existe um equilíbrio entre o dia e a noite, há também o equilíbrio entre os animais que comem a grama e os que comem carne, e também entre a vida e a morte. Simba não via a hora de se tornar rei e poder cuidar da sua própria vida, ser independente e não ter que obedecer (11’10”). Porém, ao estar em apuros, com sua amiga Nala, seu pai que o salva das hienas. Quantas vezes, enquanto éramos crianças ou até mesmo adolescentes nossos pais ou responsáveis nos tiraram de diversos apuros, por não termos maturidade suficiente para sabermos discernir o certo do errado, a segurança do perigo e o bom do mau? Quantas vezes eles não tiveram que intervir ao nosso favor para nos proteger? A metáfora é que tudo na vida tem o seu tempo de maturação e não adianta querer acelerar as coisas. Você não consegue plantar uma semente e a mandar germinar na hora. Precisa de tempo para isso. Você não pode mandar o sol nascer ou se pôr antes da hora; existe o tempo certo para isso... Nem mandar o verão chegar se a época é de inverno. Portanto, não devemos acelerar as coisas em nossas vidas se, para isso, precisamos de um tempo de maturação e crescimento. 198


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Não adianta Simba querer ser dono do próprio nariz, se nem juba e rugido forte ele tem, assim como não adianta querermos ter responsabilidades que não estamos maduros e prontos o suficiente para arcar com elas. Ainda assim, o modo como o rei Mufasa lidou com a educação de seu filho, mesmo após tê-lo salvo das garras das hienas no cemitério de elefantes com sua amiga Nala (23’00”), foi uma lição valiosa para todos os pais. Mufasa teve uma conversa séria com Simba. Mostrou a ele as consequências de ter desobedecido e ainda por cima, colocando a vida de outro em perigo. Como seria se todos os pais chamassem a atenção de seus filhos assim, ao invés de agredir ou gritar? Outro ponto importante é o aprendizado sobre o poder da vulnerabilidade para estabelecer conexão com as pessoas. Ao contrário do que parece, vulnerabilidade não tem nada a ver com fraqueza, ou ausência de poder. É justamente o oposto. Mostrando a vulnerabilidade no momento certo, você pode se conectar com o outro em uma profundidade de alma. Isto acontece porque, ao mostrarmos nossa vulnerabilidade, estamos, inconscientemente, permitindo que a outra pessoa nos veja como seres humanos, com qualidades e defeitos, e não super heróis, inatingíveis e inacessíveis. Ela pensa: “Nossa!, ela

se parece comigo, então posso me abrir porque ela vai me entender”. Mufasa, com sua sabedoria real sabia disso e permitiu mostrar seu lado vulnerável a Simba. Assim como o pequeno leão

teve medo ao enfrentar as hienas, ele também teve medo de perdê-lo ao saber que seu filho estava no território delas. Isso per199


O poder dos filmes para a mente inconsciente

mitiu que a conversa se tornasse mais aberta e franca, trazendo um resultado extraordinário que foi a reconciliação com Simba. Muitas vezes os pais preferem mostrar a seus filhos apenas o seu lado forte, e, inconscientemente, se esquecem de ensinar de que a vida é dual e que não tem nada de errado em mostrarem, algumas vezes, seus medos e incertezas. Isso os ajudará a lidar melhor com suas emoções, alegrias e frustrações, que poderão vir ao longo de suas jornadas. A cena seguinte Mufasa explica a Simba a como ter fé, dizendo a ele para que todas as vezes que ele se sentir sozinho, olhasse para as estrelas que os grandes reis do passado estariam olhando por ele, assim como seu pai um dia estaria também (20’05”). Mufasa explica a seu filho como conversar com Deus ou o Universo todas as vezes que se sentir sozinho ou em dúvida. Após o exílio, Simba encontra seus novos amigos, Timão e Pumba. Triste pela morte de seu pai, Simba entra numa espécie de depressão, uma tristeza profunda causada pela culpa da morte de seu pai no passado. Daí a importância dos amigos, da família como um suporte de apoio para as pessoas que estão passando por esta fase na vida. Pumba e Timão acolhem o leão e, percebendo sua melancolia, o suricato sugere que ele deixe o passado para trás (43’50”) – “Você tem que deixar o seu passado para trás”. Esta mensagem é poderosa e nos ensina a não ficar remoendo nossos erros e as coisas ruins que aconteceram conosco ao longo da nossa história. No entanto, ela apenas resolve emergencialmente o problema, camuflando o mesmo, pois, adotando este

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tipo de pensamento, não extraímos nenhum aprendizado em decorrência daquele problema; apenas deixamos para trás... Assim, Timão e Pumba ensinam a Simba a sua filosofia de vida chamada “Hakuna Matata”, que significa, “Sem problemas” (44’10”). Expressão poderosa que pode ser muito bem usado em nossas vidas, mudando a percepção dos acontecimentos.

Ao pararmos para analisar friamente, não existe um problema sequer que não tenha a sua solução, caso contrário não seria um problema. Adotando a filosofia de vida de Timão e Pumba, você decide enxergar o mundo de uma maneira mais positiva, optando por perceber o problema como uma oportunidade de crescer e se desenvolver e buscar a sua solução, ao invés de se vitimizar e olhar o lado negativo do obstáculo da sua vida naquele momento.

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O mundo é do jeito que o enxergamos e o percebemos. Podemos observá-lo com duas lentes diferentes: uma delas é a da positividade, olhando para as oportunidades e belezas da vida; outra lente é a da negatividade, prestando atenção para as coisas ruins, obstáculos e problemas. Hakuna Matata é, portanto, uma decisão. Uma opção de enxergar o mundo através da primeira lente. Ao trazermos para a nossa vida a filosofia “Hakuna Matata- sem problemas” – temos o controle sobre a única coisa que podemos ter em vida: o modo como enxergamos o mundo e agimos sobre ele através da nossa percepção dos fatos e, consequentemente, dos nossos comportamentos e ações. Ao adotar o pensamento “Sem problemas”, dificilmente alguém ou alguma coisa irá tirar a sua paz interior, a sua calma e a sua serenidade, pois você passa a perceber que a palavra “problema” é apenas um conceito e cabe a você decidir o modo como agir ou reagir diante do desafio que a vida lhe trouxe. A grande sacada para esta filosofia de Timão e Pumba é deixar o passado para trás, porém, extraindo de cada obstáculo um aprendizado sem ficar se lamentando pelo que aconteceu. Para isso é importante aprender o ensinamento de Hafiki ao bater com o bastão na cabeça de Simba (1h07’50”). O macaco diz, referindo-se ao passado: “Mas do jeito que eu vejo você pode fugir dele ou aprender com ele. Entende? (1h 08’ 05”). Explicarei melhor esta parte do desenho um pouco mais adiante. Um ponto interessante do desenho fala sobre crenças acontece quando Simba, Timão e Pumba estão deitados de barriga para cima contemplando as estrelas (50”30’) e Pumba pergunta a Timão o que seriam aqueles pontos brilhantes no céu.

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O Rei Leão

Timão responde a sua percepção sobre esta questão, dizendo que seriam vagalumes que ficaram grudados naquela coisa preta. Timão mostra outra visão sobre o que seriam as estrelas, dizendo que pensava serem bolas de gás. Perguntam então a Simba a percepção dele sobre a questão e, naturalmente ambos caçoam dele. Aqui gostaria de ressaltar dois ensinamentos: o primeiro, nunca caçoar sobre as crenças de ninguém. Timão e Pumba não sabiam que aquela crença sobre as estrelas havia sido instaurada na cabeça de Simba pelo seu falecido pai, e naturalmente o magoou e muito terem rido dele. O segundo ensinamento é justamente perceber que nenhuma das três percepções são corretas, mas eles confiam cegamente naquilo em que acreditavam. Portanto, quando se tratam de crenças não existe certo ou errado, apenas percepções diferentes sobre aquele aspecto da vida ou questão. Como seria se as pessoas parassem de brigar por causa de religião ou times de futebol? A grande questão que eu convido você a refletir é se as suas crenças contribuem para impulsioná-lo para frente, fortalecendo-o como ser humano e contribuindo para o seu crescimento e desenvolvimento dos outros, ou se ela o deixa estagnado, impedindo você de progredir e evoluir no decorrer do ciclo da sua vida. Continuando o desenho, uma passagem muito interessante e, talvez a mais importante de todo o desenho, acontece nos próximos cinco minutos, começando pelo encontro do macaco Hafiki e Simba (1h 03’40”). Hafiki pergunta a Simba:

- A pergunta é: quem é você? 203


O poder dos filmes para a mente inconsciente

- Pensei que eu soubesse. Agora não estou certo... - Você é o filho de Mufasa... Hafiki o lembra de que seu pai está vivo (1h04’45”) e então mostra o reflexo de Simba na água. Na cena seguinte, Hafiki convida Simba a encontrar seu pai (1h05’40”): - Olhe lá embaixo. - Aquele não é meu pai. É meu reflexo - Não... Olhe com atenção... Está vendo, ele vive em você (1h 06’ 15”). Tanto a cena do primeiro encontro de Hafiki com Simba quanto esta última em que Simba enxerga no reflexo da água seu pai falecido, referem-se ao quinto nível do processo evolutivo: o nível de Identidade. Hafiki chamou a atenção de Simba ao dizer que ele era o filho de Mufasa. Assim, Simba lembrou-se de onde ele vinha, despertando nele seu senso de identidade, o seu senso do Eu. Sabermos quem somos e os nossos papéis no mundo são de extrema importância para o nosso crescimento e amadurecimento espiritual. E talvez agora faça ainda mais sentido para você que o primeiro papel que temos na Terra é o de ser filho. E honrar e respeitar nossos pais e ancestrais é respeitarmos e honrarmos a nós mesmos. Foi por isso que Simba enxergou seu pai no reflexo dele. Ele fez parte da história de Simba e, sempre uma parte do pai estará fazendo parte da história do seu filho. Somente assim para sabermos quem nós somos; sabendo de onde viemos, os honrando e respeitando. Na cena seguinte, Simba conversa com Mufasa, seu pai fa204


O Rei Leão

lecido (1h 06’35”) “Simba você esqueceu quem você é e esqueceu de mim”. Mais uma vez a mensagem para honrarmos e respeitarmos nossa própria história. – “Olhe para dentro de você. Você

é muito mais do que pensa que é. Lembre-se de quem você é”. Quando Mufasa diz a Simba: “Olhe para dentro de você. Você é muito mais do que pensa que é”, ele pede para Simba entrar

em contato com sua mente inconsciente, sua parte divina, criativa, intuitiva e ilimitada, para recuperar a sua autoconfiança e o seu senso do Eu. Para recuperar suas forças e reivindicar o que é dele por direito: seu trono. Mufasa pede para Simba para ele recuperar sua identidade, resgatando o Rei que existe dentro dele. Simba então sabe o que precisa fazer. No entanto, ele tem medo de enfrentar seu passado (1h 07’35”).

- O tempo está mudando, você não acha? - Rafiki pergunta a Simba. - É... o vento deve estar mudando... - Simba responde. - Ahhh, mudar é bom... - Mas não é fácil... Se eu voltar tenho enfrentar meu passado. Eu tenho fugido dele há tantos anos... Nesse momento, Hafiki bate com seu bastão na cabeça de Simba. - Ai! Ei! Que história é essa? - Não interessa! Está no passado! - É, mas ainda dói... - O passado pode doer, mas do jeito que eu vejo você pode fugir dele ou aprender com ele. Entende? O que vai fazer? (1h08’ 05”) Esta é, sem dúvidas, a cena mais importante do filme. A frase de Hafiki “Mudar é bom...”, e a resposta de Simba: “Mas 205


O poder dos filmes para a mente inconsciente

não é fácil...” retrata o porquê das pessoas relutarem para tomarem direções diferentes em suas vidas. Justamente por não ser fácil, elas preferem continuar em suas zonas de conforto, sem se desafiarem e, portanto, sem se desenvolverem e buscarem um significado maior para suas vidas. E que metáfora maravilhosa a batida do bastão na cabeça de Simba. Repare que, ao tomar a pancada, Simba reclama com Hafiki: “Ei! Que historia é essa?”. Mas logo o macaco já diz: “Não

interessa, está no passado!”.

Quantas vezes nós remoemos o que aconteceu conosco no passado, sempre trazendo aquela mágoa, dor, rancor ou ressentimento para o tempo presente? Isso afeta diretamente o nosso futuro, uma vez que estes sentimentos bloqueiam a energia criativa e divina que existe dentro de cada um de nós. Como Hafiki disse: “Não interessa, está no passado!” Então deixe no passado. Simba ainda diz: “Mas ainda dói...”. Referindo-se a Hafiki que é difícil deixar o passado para trás. Mas Hafiki propõe a Simba a aprender com ele, ao invés de fugir dele (1h 08’05”). Hafiki sugere a Simba a ressignificar seu passado, ou seja, extrair das adversidades algum aprendizado para que, ao olhar para trás, seus sentimentos sejam positivos. Diferentemente da filosofia de vida “Hakuna Matata”, que apenas sugere a deixar o passado para trás, camuflando o problema, sem extrair dele algum aprendizado, Hafiki convida Simba olhar para o passado, encará-lo de frente para poder então, deixá-lo no passado. Perceba que o próprio Simba cresce feliz com Timão e Pum206


O Rei Leão

ba adotando para a sua vida a filosofia de vida “Hakuna Matata”, porém, ele mesmo confessa a Hafiki que tem fugido do passado há tantos anos: “Eu tenho fugido dele há tantos anos...”. Estes cinco minutos de desenho são os mais poderosos, com metáforas significativas e importantes para a nossa mente inconsciente. Ambos os ensinamentos: “Hakuna Matata”, de Timão e Pumba, e “Deixar o passado para trás, aprendendo com ele”, de Hafiki são importantes para nossas vidas e se complementam. É muito importante deixar o passado para trás, aprendendo com ele, extraindo aprendizados significativos e positivos para a nossa vida e, ao mesmo tempo, adotar o pensamento de que os problemas que temos ao longo da nossa história têm a sua solução, do contrário não seria um problema e, cabe a nós enxergarmos estes obstáculos com lentes positivas para que a nossa paz interior não seja abalada. Continuando as mensagens, quando Simba retorna para seu reino e vê que não sobrou nada além de deserto e escassez, ele entende as consequências da sua negligência em ter fugido e negado seu lugar no trono (1h 10’00”). No entanto, agora, crescido, mais maduro ele pode aprender com o passado e fazer de forma diferente, pertencendo ao sistema e ocupando e reivindicando o seu lugar como rei. Simba então ocupa seu lugar como rei e um novo ciclo se inicia ao se tornar pai de Kiara. Um novo papel ele passa a exercer na sua vida, além de filho, marido e rei: o papel de pai. E assim como Mufasa, Simba tem a missão de ensinar a sua filha como funciona o eterno ciclo da vida.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

“O Rei Leão” é, sem dúvidas, um filme para aprendermos a importância de honrarmos nossos pais, nossa história, encararmos de frente nossos problemas ao mesmo tempo em que levamos a vida de forma leve e feliz, afinal de contas, Hakuna Matata, não é mesmo?

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Divertida Mente

Capítulo 11 Divertida Mente

“Estão julgando a gente!” (Medo)

O

filme “Divertida Mente” (Inside Out - 2015), de Pete Docter e Ronnie del Carmen, produzido pelos estúdios Pixar e lançado pela Walt Disney Studios foi vencedor do Oscar como melhor filme de animação, arrecadou mais de 840 milhões de dólares ao redor do mundo e entrou para a lista dos 50 filmes que mais faturaram e foram sucesso de bilheteria. Foram mais de cinco anos de muito estudo e dedicação para que as informações passadas no filme tivessem base científica e fossem as mais verdadeiras possíveis. A animação teve, inclusive, a colaboração de vários nomes da psicologia, entre eles, Dacher Keltner e seu mentor, Paul Ekman. Paul Ekman estudou expressões faciais de milhares de pessoas de diversos países durante 40 anos. Teve reconhecimento, pois suas pesquisas sobre microexpressões eram de fácil entendimento para os leigos. O livro “A Linguagem das Emoções”, e o seriado 209


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“Engana-me se Puder” (Lie to Me), cujo personagem principal foi inspirado no próprio Ekman o tornou um cientista popular. “Divertida Mente” foi inspirada graças à teoria de Ekman e fala sobre as emoções básicas do ser humano onde a personagem principal é Riley, uma garotinha de 11 anos de idade que, além de estar passando pela transição do período da pré- adolescência para puberdade, é forçada a sair da sua cidade natal, Minessotta para San Francisco, a centenas de quilômetros de distância. Não se trata de um filme baseado em fatos reais, mas ele foi inspirado pelo autor quando a filhinha de Pete Docter começou a crescer e a mudar sua personalidade. O sucesso do filme deve-se a fácil compreensão sobre o que acontece no nosso cérebro quando se trata de desencadeamento das emoções e como nossas memórias são armazenadas, justamente porque os produtores tiveram a felicidade de colocar como os personagens principais as emoções básicas do ser humano: a alegria, a tristeza, a raiva, o medo e o nojo. Segundo as pesquisas de Ekman, estas emoções estão presentes em qualquer ser humano seja ele um esquimó, um russo ou um chinês porque apresentam as mesmas reações, involuntárias, provenientes de cada sentimento. Logo, todos do planeta terra se identificaram com a pequena Riley, pois os seus sentimentos todos nós também temos e vivenciamos diariamente o desencadeamento destas emoções. Isto foi descoberto graças ao trabalho de Ekman ao redor do mundo. Ele iniciou suas pesquisas nos anos 60 ao viajar para a Papua-Nova Guiné em busca de tribos indígenas isoladas para estudar as expressões facias. 210


Divertida Mente

Paul Ekman queria confirmar uma das hipóteses de Charles Darwin (1809-1882), naturalista inglês e criador da teoria da evolução das espécies onde dizia que as emoções seriam comuns a todos os humanos como efeito da evolução de nossa espécie. Isso é verificado na uniformidade das expressões faciais. Darwin dizia: “O mesmo estado de espírito é demonstrado ao redor do

mundo”. Ekman, portanto, comprovou a teoria de Darwin ao descobrir que todos nós temos a mesma “cara de alegria” ou “cara de nojo”. A partir dessa descoberta, o americano chegou aos cinco tipos de sentimentos que perpassam os humanos que são os mesmos usados em “Divertida Mente”. Por isso o sucesso do filme: ele fala a linguagem de todas as pessoas do mundo. Outro fator de sucesso, além dos personagens terem sido desenhados maravilhosamente bem e que cativam o expectador, todos os sentimentos nos ensinam o seu poder e a sua importância para nossa existência. Quando você se conhece e se aceita do jeito como é, faz-se necessário aceitar os aspectos negativos e positivos para buscar uma vida com mais propósito e significado. Por exemplo, a alegria aparece nas conquistas e é um grande fator motivacional, enquanto a tristeza é um sentimento que é ensinado para as pessoas desde criancinhas a esconderem e até mesmo a anestesiarem, mas ela é um gatilho poderoso quando procuramos conforto, união e para encararmos uma perda. A raiva, muitas vezes é desencadeada devido a sensação de estar sendo tratado injustamente, e isso pode ser um pontochave motivador para a mudança social. O medo nos fornece 211


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segurança e previne lesões garantindo a nossa integridade física e psíquica, enquanto o nojo previne intoxicações alimentares e até mesmo sociais. O filme inova por mostrar como as emoções interagem umas com as outras e como podem trabalhar em conjunto para resolver uma situação. E, naturalmente este sucesso está aqui neste livro, pois fala muito sobre nossa mente inconsciente e como ela age durante o nosso dia a dia. Vamos então à análise desta animação maravilhosa e empolgante. A história acontece quando a pré adolescente Riley passa por uma grande mudança em sua vida, gerando uma confusão na “sala de comando” e alterando a supremacia da Alegria, dando espaço para as outras emoções comandarem o painel de controle. O foco principal da animação é o papel do sistema límbico na regulação das experiências vivenciadas pela garotinha em fase de transição da infância para a puberdade, com o agravante de viver o luto em ter sido obrigada a deixar Minessota, a sua cidade natal, amigos e hobbies, para morar em São Francisco; lugar onde ela não se sente pertencente e querida. Esta parte do cérebro é responsável pelas emoções e comportamento social da pessoa, ou seja, ela regula a inteligência emocional e auxilia no desenvolvimento cognitivo e no armazenamento das memórias. Logo no início, quando ela nasceu a primeira emoção que surge no painel de controle, ou seja, no seu cérebro, é a Alegria. (1´20”). Ela estava certa que iria imperar na cabeça do pequeno recém-nascido registrando as boas memórias (2´00”).

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No entanto, a dualidade da vida já nos é ensinada desde bebês, pois a Tristeza começa a morar no centro de comando de Riley (2´45”). Isto acontece porque, naturalmente, se existe a alegria, também existe a tristeza. Esta dualidade é mais evidenciada quando a Alegria diz que não sabe muito bem o que a Tristeza faz e que não pode mandá-la embora. Conforme a menina vai se desenvolvendo, outras emoções passam a existir e a importância do medo mostra-se essencial para a sua segurança (3´10”), assim como o nojo evita que ela se envenene física e socialmente (3’30”). Isto quer dizer que todas as emoções são essenciais para a nossa sobrevivência. Sem elas não teríamos atitudes. A grande dica é encontrar o equilíbrio para eles, dando espaço para que eles atuem nos momentos certos e pelo tempo certo, não permitindo que a raiva em excesso se transforme em ira, o medo em pânico, o nojo em distanciamento e a alegria em euforia. Até a alegria devemos controlar? Sim, estar alegre é maravilhoso, mas nos momentos certos. Já imaginou você chegando com um sorriso escancarado em um velório? Talvez não seja o melhor momento para expressar esta emoção... Muitas vezes o excesso de alegria pode ser um mecanismo de defesa para a aceitação da realidade que, às vezes, não está nada feliz. Cada vez que uma dessas emoções toma as rédeas do controle, faz-se uma nova memória que é registrada de acordo com a emoção vivida. Portanto, as memórias são fixadas através de emoções.

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Na animação, os principais eventos do dia são guardados como memórias que são representadas como esferas. Cada uma delas tem uma cor e está relacionada com o sentimento mais forte daquele momento. Se num determinado momento a raiva foi a emoção responsável pelo acontecimento, então a memória sobre aquilo que aconteceu foi armazenado com o sentimento de raiva, e a esfera guardada é vermelha. Isso nos ensina que todas as nossas recordações, sejam boas ou não, trazem com elas sentimentos. Você pode fazer um teste agora para validar a veracidade disso. Feche os olhos, respire fundo e lembre-se de três momentos maravilhosos da sua vida. Pause a leitura e faça isso por um instante... Para acessá-los, você naturalmente entrou em contato com sentimentos positivos. E ao se lembrar de cada um deles, você fisiologicamente sentiu as emoções boas decorrentes daquele momento. Fica uma excelente dica de quando você estiver se sentindo para baixo. Procure acessar lembranças onde você estava bem consigo mesmo, feliz, entusiasmado. Sinta estas memórias maravilhosas e seu estado mental irá com certeza mudar. Caso seja um desafio fazer isso, eu convido você a fechar os olhos e mergulhar para dentro de si, pois de olhos abertos existem muitas distrações que podem tirar o seu foco em trazer a recordação para a sua mente consciente. Ao cerrá-los, damos espaço e a oportunidade para acessar nossa mente inconsciente e viajar para recordar o que quisermos. Existem pessoas que ao sentirem emoções negativas permitem-se senti-las por um tempo além do necessário e se recusam

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e procurar sair deste estado mental. Quando você pede a elas para se recordar de alguma coisa que as fez sentir alegria, rispidamente elas falam que não conseguem; mas na verdade, nem tentaram. Voltando para o filme, no minuto 4’50” são apresentadas as memórias base de Riley, que se localizam no hipocampo do cérebro. Cada uma é de um momento muito importante da vida dela. Elas moldam um aspecto da sua personalidade. Assim, as memórias base são formadas desde a infância e são fundamentais pois são construídos de acordo com a formação dos valores da pessoa. As memórias base são armazenadas em “ilhas de personalidade” como família, amizade, honestidade, bobeira/diversão e esporte e é o que faz pessoas serem desse ou daquele jeito. Estas ilhas correspondem aos valores pessoais da menina, ou seja, as coisas que são muito importantes para ela. Quando os valores são abalados, as emoções também o são e vice versa. Durante o dia a dia de Riley são geradas as memórias, na maioria das vezes alegres, que são distribuídas por estas “ilhas” de acordo com a experiência vivida por ela. Quanto mais memórias base ela tiver principalmente na sua infância mais registros de memória ela vai ter e mais recordações serão levadas para ela. Sendo assim o cérebro é dividido em pilhas de memórias bases e cada experiência de vida que a pessoa tem, as novas memórias formadas são categorizadas e levadas às suas respectivas ilhas. Por isso é importante desde crianças termos o maior número de momentos importantes em diversos cenários das nossas vidas, ou seja, termos contato com diferentes experiências e

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que tenham influência positiva para que sejam formadas diversas ilhas de personalidade, como esportes, família, amigos, artes, línguas, diversão, empatia, amor aos animais, responsabilidades, verdades, autoconfiança entre outras ilhas que constroem o nosso caráter. Se uma criança cresce no meio em que a desonestidade impera, irá se formar uma ilha de personalidade da desonestidade contendo memórias base que reforçam este comportamento por causa de experiências vivenciadas que frisam esta ação. Logo, a criança, com o passar do tempo, irá crescer com a certeza de que a desonestidade é algo correto, normal de se praticar. O futuro desta criança, provavelmente será de uma vida de crimes. Trazendo uma emoção básica do ser humano, como por exemplo, a tristeza, se a criança cresce em um ambiente onde os pais brigam na sua presença, ou eles não brincam com ela, ou esta criança sofre bullying na escola; respectivamente as ilhas de personalidade da família, diversão e amigos terão predominância de emoções de tristeza e, consequentemente, memórias tristes. Provavelmente esta criança se tornará um adulto reprimido, tímido, introspectivo, covarde e medroso. Percebe como o meio onde a criança de desenvolve tem extrema importância para a formação da personalidade dela? Percebe também a relevância desta criança ter contato com o maior número de experiências para que se formem diferentes ilhas de personalidade, expandindo o potencial e o leque de experiências vividas por ela? Por que é mais fácil aprender, por exemplo, línguas quando se é criança? Porque quanto mais cedo se formar a ilha de

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personalidade de línguas, mais experiências ela terá desde cedo e mais memórias ela depositará nesta ilha, sendo mais fácil para ela aprender ou até mesmo resgatar a língua depois de adulto. Perdemos cerca da metade dos nossos neurônios quando chegamos a puberdade, segundo a neurocientista Jill Taylor. A Riley tem várias ilhas de acordo com as suas experiências de vida. Caso ela não tivesse tido contato com o róquei quando pequena, ela jamais teria esta ilha. Ou vamos supor que os pais da Riley tenham sido pais autoritários e que não incentivavam ela a brincar e fazer bagunça. A ilha da bobeira não existiria e a Riley, provavelmente teria crescido uma criança séria e mal humorada. Agora que você tem uma ideia do que acontece dentro no nosso “painel de controle”, vamos prosseguir com a análise do filme. É muito interessante a passagem em que a Alegria diz: “E... Dormiu”. Estas memórias vão para o longo prazo (06’45”). Interessante como as memórias são armazenadas em nossa mente inconsciente durante o sono. As lembranças são processadas numa região chamada hipocampo, que converte memórias de curto em longo prazo. Quando formamos memórias com emoções ao longo do dia, durante o sono elas são distribuídas para as suas respectivas ilhas e lá guardadas como memórias de longo prazo. Talvez seja por isso que não lembramos o que almoçamos há 30 dias. Por não ser relevante, não foi registrado como memória de longo prazo; apenas de curto prazo, ou seja, você se lembra no dia o que você comeu, mas não consegue se recordar depois

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nas semanas seguintes. Se você se lembrar é porque foi importante e teve emoções vinculadas durante esta refeição. Já aconteceu com você de chegar com seus amigos ou sua família num lugar em que já foram e só você não se lembrar de que estiveram lá? Isto ocorre porque em seu cérebro não houve registros de memórias com sentimentos a respeito daquele lugar. No entanto, para seus amigos ou familiares foi significativo e marcante por isso eles se lembram de terem estado lá e você não. Seguindo mais adiante, uma frase bem interessante e que nos traz uma excelente reflexão acontece quando a Raiva, ao olhar o congestionamento e as pessoas discutindo no trânsito, diz: “Este é o meu tipo de pessoa!” (8’10”) Quantas vezes não ficamos com raiva quando pegamos o carro e nos deparamos com um engarrafamento ou com o desrespeito e negligência de outros motoristas com as leis de trânsito. É um prato cheio para a emoção da raiva... Entender que a raiva é importante para expressarmos a nossa indignação ao nos deparamos com injustiças é uma coisa totalmente diferente de você perder seu centramento e sair do controle, xingando e ofendendo o outro, perdendo o seu equilíbrio emocional. E enquanto todas as emoções reclamam da viagem ser longa, a Alegria sempre traz um lado positivo para tudo, dizendo:

“Que bom que a viagem foi longa, isso é uma grande sorte, assim deu tempo de imaginar como será a nossa casa nova” (8’25”).

A Alegria, toda empolgada, coloca para rodar na memória de Riley os cinco melhores pensamentos sobre casas que ela desenhou quando criança. Assim, Riley fica ansiosa para ver seu novo lar. 218


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Por isso é importante ter um estoque de memórias boas em nosso cérebro. Todas as vezes que precisarmos acessar lembranças para nos deixar em um padrão mental positivo, recorremos a estas memórias. E quanto mais memórias positivas tivermos no período da nossa infância, maior será o arsenal do bem que teremos para nos munir de lembranças positivas quando precisarmos nos sentir bem no momento presente. É interessante quando a menina chega a sua nova residência ela logo fica frustrada e as outras emoções decidem tomar posse do painel de controle, como a nojinho que alerta a todos sobre um rato morto na sala e o medo que abomina este animal. Todas estas emoções vão sendo gravadas como memórias de nojo e medo a respeito do novo lugar.` Começam a surgir sentimentos negativos nela. A Alegria tenta dominar a situação, o que podemos interpretar como negação, um poderoso mecanismo de defesa. A Alegria se recusa a aceitar que, de fato, foi uma roubada sair de Minessota. Mesmo quando ela sobe para o seu quarto na esperança de ser um lugar mais aconchegante e confortável, Riley se decepciona mais uma vez, dando espaço para a raiva se manifestar, a tristeza e as outras emoções. Como a emoção dominante de Riley é a Alegria, logo ela procura retomar o comando do painel trazendo para as outras emoções uma ideia de como ficaria o lugar depois de arrumado, acalmando assim os ânimos de todos, diminuindo as memórias negativas sobre este momento. O esforço da Alegria em manter mais memórias boas do que ruins (mesmo sabendo que a raiva, o medo, o nojo e a tris-

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teza tem o seu lado positivo quando em equilíbrio) é porque, ao final do dia, estas memórias são distribuídas para as respectivas ilhas de personalidade acompanhada com seus respectivos sentimentos marcados no momento em que a memória foi formada. Portanto, se, durante o seu dia, você teve mais memórias acompanhadas de emoções positivas e isso prossegue durante a semana, posteriormente, durante o mês e assim por diante, logo você terá tido um excelente ano e, consequentemente, mantendo este padrão, uma excelente vida. Esta mensagem é passada quando a Alegria decide fazer do primeiro dia de aula de Riley o melhor dia dela projetando Um ponto interessante do longa que traz um aprendizado importante acontece quando os pais de Riley estão prestes a brigar por causa do caminhão de mudança que iria se atrasar alguns dias para chegar (10’00”). A sala de controle começa a entrar em pânico geral, mas a Alegria traz como solução um insight: fazer de um papel jogado no chão, um disco de Róquei e começa a brincar com os pais. Isto acontece porque a ilha de personalidade relacionada a família estava ativa, ou seja, ela se relaciona muito bem com seus pais, possibilitando esta interação positiva para deixar o problema do contratempo do atraso da mudança com um peso menor e acabar com a discussão entre eles. Logo depois, quando seu pai precisou parar de brincar com ela e se ausentar (10’45”), mais uma vez as emoções se afloraram e a Tristeza diz: “Acho que ele não nos amam mais... Eu comando

agora, né?”

Mais uma vez a Alegria, para reverter a situação e não per-

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mitir que as outras emoções se apoderem do painel de controle, tem uma ideia e coloca uma memória de curto prazo, ou seja, uma lembrança vivida e sentida pela Riley durante o mesmo dia e que ainda não havia sido transportada para as ilhas de personalidade durante o sono, para trazer um sentimento positivo à menina. A Alegria coloca então a memória de que a garotinha havia visto uma pizzaria no caminho enquanto estava indo de carro conhecer sua nova casa. Isto traz um sentimento bom para Riley que lembra então da pizzaria e convida a mãe a almoçar comentando com ela sobre a tal da pizzaria. Percebe-se até aqui, que o filme trata-se da constante luta interna da Alegria para estar no controle das emoções de Riley para proporcionar a menina mais momentos positivos durante o seu dia. As reflexões que eu convido você a fazer são: Quais emoções estão no controle na maior parte da sua rotina diária? Como está a sua consciência emocional? Como você encara os problemas do seu dia a dia? Tudo é uma questão de percepção. A Riley podia perceber o quarto dela sendo uma prisão se ela tivesse dado espaço para ouvir a Raiva (9`25”). Mas ela preferiu dar atenção a Alegria tendo algumas ideias de como ficaria interessante seu cantinho depois que ela arrumasse as suas coisas em cada lugar. Você pode perceber o copo meio cheio ou meio vazio... Porque no fundo, no fundo, tudo é questão de percepção. E vou além: a percepção é uma escolha que você faz todos os dias. É você quem escolhe perceber as oportunidades ao invés dos limi-

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tes, o lado positivo sobre tudo o que acontece com você ao invés de enxergar os problemas; ser o capitão do seu navio a ficar se vitimizando e terceirizando suas desculpas. Portanto, quais emoções você escolhe ter ao longo do seu dia? E já que o filme fala sobre memórias, naturalmente “Divertida Mente” traz uma boa recordação de um clássico da Disney que, inclusive foi analisado neste livro. A Alegria pede para a Tristeza pensar numa coisa bem divertida, e ela responde: “Lembra do filme em que o pai do leãozinho morre?” (14’05”). A Tristeza estava se referindo a clássico “O Rei Leão”... Logo em seguida a Tristeza dá uma dica da sua utilidade em nossas vidas ao dizer: “Chorar faz eu me acalmar e suportar o peso dos meus problemas” (15’06”). Um ponto interessante sobre como nossas memórias são organizadas e resgatadas acontece quando a Alegria convida a Tristeza a ler os Manuais da Mente. Um aprendizado de que tudo está em nosso cérebro, basta sabermos como acessar o que desejamos (15’20”). No final do dia a Alegria olha para todas as memórias de curto prazo geradas pela Riley e não fica nem um pouco contente com o resultado, afinal, foram criadas muitas de medo, raiva, nojo e tristeza e tão poucas de alegria (16’20”). As emoções com exceção da Alegria começam a ver o fiasco que foi ter se mudado para San Francisco (16’18”). A Alegria pede para que eles façam uma lista das coisas boas do novo lugar e logo o Medo, a Raiva, a Nojinho e a Tristeza começam a falar todos os pontos negativos do lugar.

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Isso porque eles estão programados a olhar para a situação com estas lentes. Mais uma vez é o seu poder de percepção sobre o que acontece com você que fará ter uma experiência de vida boa ou não. A Alegria ainda diz que ter um dia ruim acontece (17’07”), dando a entender que, ao descansarem, terá um novo amanhecer e não precisa manter o padrão negativo por causa de um dia que não saiu como o planejado. Sobre o sonho de Riley, a Alegria fica curiosa para saber o que a produção de sonhos preparou (18’30”): Freud, já dizia, em 1900, que o sono contém restos diurnos. Na animação é visível a veracidade da frase do criador da psicanálise quando Riley sonha com os eventos que aconteceram com ela durante o dia. No entanto, a equipe de produção pega pedaços negativos dos eventos do dia da garotinha para construir os sonhos dela, como por exemplo, a impressão ruim que ela teve ao chegar à casa nova, o rato asqueroso que ficou guardado na memória por causa da Nojinho e do Medo, a sensação de tristeza e frustração ao chegar na pizzaria e saber que só vendem pizzas de brócolis e o medo dela de ursos. Esta passagem nos ensina que ao termos um dia ruim, as memórias geradas serão na sua maioria negativas e, consequentemente, você também não terá uma boa noite de sono. Talvez seja uma boa reflexão de como estão sendo suas noites ao se deitar. Você tem relaxado e conseguido dormir com calma e tranquilidade? Ou está rolando na cama com dificuldades para se desconectar dos problemas e deveres do dia seguinte?

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Uma vez que você tem a consciência de que está tendo problemas para dormir ou pesadelos durante a noite, o que você pode fazer para que o seu dia seguinte seja o melhor da sua vida? A Alegria faz isso (20’05”). Ela termina seu plantão noturno com a certeza de que o novo dia será uma página em branco que será escrita da melhor forma possível, pois ela quer mais esferas amarelas (de alegria) na estante das memórias de curta duração do que as outras emoções. Ela sabe que as memórias de curta duração se transformarão de longa duração e que a vida é feita de vários dias de hoje (21’33”). O medo diz: “Não dá pra fingir dor de barriga?” (22’07”), quando Riley se depara com a entrada da escola. A Alegria responde: “Vamos Lá!” – quais desculpas você dá para você mesmo para não fazer o que precisa ser feito? Qual voz você escolhe ouvir dentro de você? Riley ao falar sobre sua cidade natal se recorda sobre seu time de Róquei chamado Feras do Gelo. Neste momento, a Alegria traz uma memória sobre os jogos de Róquei com sua família (23’27”). Se prestarmos bastante atenção, por um momento, ao se lembrar desta lembrança, Riley olha para cima e para a esquerda, o que significa que ela realmente está se lembrando de algo que aconteceu na sua vida. Esta observação vem da PNL – Programação Neurolinguística – das Pistas de Acesso Oculares, também chamadas de Movimentos Oculares Laterais. O nome foi adaptado para o Coaching como a técnica Movimento Provável dos Olhos. Os movimentos dos nossos olhos estão relacionados ao

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nosso modo de pensar, sendo indicadores do “como” pensamos e não do conteúdo dos nossos pensamentos. Ao conversar com uma pessoa preste atenção ao movimentos dos olhos dela. Quando olhamos para frente, nosso sistema auditivo está “ligado”, ou seja estamos prestando atenção ao que a outra pessoa está dizendo. Por isso a importância de olhar nos olhos de quem você conversa, pois desta maneira, estamos ouvindo o outro e não apenas escutando o que ele fala. Quando olhamos para frente e para a direita, estamos construindo sons e para a esquerda, estamos buscando em nossa memória a lembrança de algum som. Quando olhamos para baixo passamos para a cinestesia, ou seja, “ligamos” o sentir. Uma criança quando chora e fica cabisbaixa, ela olha para baixo e para a direita. Geralmente o adulto fica em pé e pede para ela olhar para ele. E direcionando seus olhos para cima, a criança sai do sentir aquela emoção que provocou o choro, diminuindo a sua dor emocional. Isto vem do inconsciente coletivo. O adulto não aprendeu conscientemente com ninguém isso, mas ele replica porque funciona. Ao avistar alguém com os olhos para baixo e para a esquerda, esta pessoa está tendo um bom papo cabeça consigo mesmo, pois segundo a PNL, ela está tendo um diálogo interno. Quando olhamos para cima e para a direita, estamos construindo uma imagem visual. Entenda: não nada a ver com estar mentindo. Para detectar se uma pessoa está mentindo não basta prestar atenção se ela está olhando para cima e para a direita; este é apenas um dos inúmeros fatores que compõem uma mentira. A pessoa pode, por exemplo, pensando na melhor forma

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de transmitir a informação e construindo a sua sequência para melhor entendimento do ouvinte. E, no caso de Riley, ao se lembrar de Minessota, quando olhamos para cima e para a esquerda estamos acessando imagens visuais lembradas. Faça este teste com alguém. Faça perguntas sobre o futuro e veja se ela olha para cima e para a direita dela. Depois faça perguntas que tragam recordações da pessoa e perceba se ela olha para cima e para a esquerda dela (a sua direita). Uma observação interessante a se fazer aqui é que alguns canhotos tem este padrão invertido, mas não são todos. Continuando a análise, quando a tristeza toca na memória (23’35”) no momento em que Riley está se lembrando sobre os jogo em família no lago, ela passar ter uma emoção triste. Os alunos da classe então passam a cochichar sobre o porquê dela estar chorando(23’51”). Esta passagem nos mostra a importância de sermos aceitos e nos sentir pertencentes a um grupo; no caso de Riley, seus colegas de classe. O Medo inclusive diz: “Estão julgando a gente!” (23’53”). Esta frase um mostra como o medo do julgamento de terceiros é algo comum entre as pessoas. Neste momento, a tristeza assume o painel de controle e então uma memória base se forma e, provavelmente, todas as vezes que a Riley falar em público ela se sentirá triste, insegura. Daí a importância de incentivar as crianças desde pequenas a se exporem, a saírem das suas zonas de conforto, fazendo isso de modo alegre e incentivando a autoconfiança. Mesmo se elas errarem ou se sentirem inseguras, ajudá-las a encarar o desafio

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até que se torne natural e prazeroso esta exposição. Assim, se formarão memórias positivas referentes a este tema e a criança se tornará um adulto mais seguro de si. Quando a Alegria e a Tristeza acabam indo parar juntas no lugar onde estão as memórias de longo prazo (25’37”), Riley não consegue expressar nem alegria e tristeza. No entanto, a Alegria leva sem querer com ela todas as suas memórias base, desligando as ilhas de personalidade, afetando o comportamento de Riley no que diz respeito a cada uma das suas ilhas. É como se uma parte dela tivesse morrido. As emoções Raiva, Medo e Nojinho tentam substituir a Alegria (27’14”) ficando no lugar dela e tentando agir com ela agiria. Porém, não se pode fingir uma emoção. Quando a Nojinho tenta fazer isso para responder da melhor forma possível a sua mãe, podemos perceber o sarcasmo.

- Hum, Riley, Tenho uma notícia ótima! Tem um time de Róquei aqui. Sério em San Francisco e adivinha? Tem teste amanhã depois da aula. Que sorte né? Não vai ser o máximo voltar a jogar? (Mãe de Riley) - Ah é... Vai ser maneiro!

Neste momento aparecem as emoções dentro da cabeça da sua mãe. Podemos observar alguns pontos interessantes nesta cena:

1 - A emoção base dela é a Tristeza, pois é ela quem está no centro da mesa de controle, talvez porque, ao longo da sua vida, algumas decisões importantes precisaram ser tomadas e que levaram a predominância deste sentimento.

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2 - Ao contrário da sua filha que, apesar da Alegria estar na maior parte do tempo no comando do painel, há uma falta de comunicação entre as emoções da menina para ver qual emoção se encaixa melhor para determinada situação em que Riley passa; todas as emoções querem atuar ao mesmo tempo. Já no painel de controle de sua mãe, todas as emoções conversam entre si para que se tenha o melhor resultado possível. Isto acontece por causa da consciência emocional da mulher conforme os anos vão se passando e ela vai amadurecendo. Quando a mãe dela sinaliza para o pai para que ele participe da conversa e ajude a mãe a descobrir o que há de errado com a filha, aparece o painel de controle dentro da cabeça do pai (28’12”). A cena seguinte mostra uma excelente reflexão para a vida dos esposos sobre uma técnica de Coaching muito importante durante as sessões de Coaching, que veio da “Escuta Ativa” da Psicologia, que é o “Ouvir na Essência”. Os maridos, geralmente, tem um padrão de não prestar atenção enquanto suas esposas falam. Eles estão pensando em qualquer outra coisa, menos na mensagem que a mulher está transmitindo a ele. Prestar atenção no outro é um ato de amor, respeito e empatia, e que deveria ser praticado tanto dentro de casa, entre os membros da família como em empresas entre líderes e liderados. No desenho fica evidente isso, quando a esposa sinaliza para o marido averiguar se está tudo bem com a filha e ele está pensando no jogo de Róquei que passou antes do jantar (28’10”). Neste momento podemos observar alguns pontos interessantes dentro da cabeça do pai de Riley: 228


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1 - O pai também tem um painel de controle com as emoções trabalhando em conjunto. 2 - A emoção dominante dele é a Raiva, que está no centro da mesa de controle. 3 - O pai está no “mundo da Lua”, ou seja, não está prestando atenção à conversa entre a filha e a mãe. 4 - Quando eles se dão conta de que a mãe está querendo dizer algo e eles não prestaram atenção, logo ficam fantasiando nas hipóteses que deixaria a cônjuge brava, como por exemplo, se perguntar se abaixou a tampa da privada, se colocou o lixo pra fora... Esta relação matrimonial pode não ser muitas vezes fácil, mas homens, por favor, metade dos problemas iriam ser resolvidos, ou melhor, nem apareceriam se nós prestássemos mais atenção nas conversas com nossas esposas ou namoradas. Assim não passaríamos vergonha, evitaríamos que elas ficassem bravas conosco e até mesmo a hipótese de sermos trocados por outro – no caso da mãe de Riley, pelo piloto carioca, que pode ser tão burro quanto o marido, mas provavelmente, mais atraente que ele (30’04”). A cena que Riley discute com seu pai e acaba de castigo subindo para o quarto mostra o fracasso da conversa quando deixamos a emoção da raiva perder o controle e se transformar em fúria. O interessante é a diferença de percepção de sucesso entre o pai e a mãe da menina, no que diz respeito à comunicação efetiva. Enquanto ele tem a plena convicção de que foi certo ter “chutado o balde” para ter o respeito da filha (29’53”), a mãe vê a atitude do marido como um tremendo desastre, precisando, 229


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inclusive, ter que apelar para uma memória prazerosa e que não diz respeito ao cônjuge para que a sua raiva e frustração passasse (30’05”). Para ter que recorrer a este tipo de recordação, neste momento, ela passa a amar um pouquinho menos seu esposo, chegando a cogitar, mesmo que por um milésimo de segundo, se foi a melhor escolha tê-lo como seu marido ao invés do piloto carioca. No momento em que Riley vai para o seu quarto de castigo e bate a porta, a ilha da Família sucumbe, mostrando que está em perigo de desmoronar (30’11”). No processo de saída da infância, as relações iniciais a serem confrontadas são as familiares, sendo a Ilha da Família a primeira a ser atingida. Trazendo uma reflexão para as relações como um todo, muitas pessoas não entendem o porquê dos relacionamentos terminarem. Elas não percebem que terminaram seus casamentos ou namoros porque haviam perdido aquela magia do início da relação. Mas, o que faz a mágica terminar? Cada briga, desavença que não é conversada; cada nó que não é desatado faz chacoalhar a ilha referente ao problema em questão. É como se a relação marido/mulher, mãe/filho ou outros tipos de relações que você possa imaginar fosse uma corda grossa de navio comprida e esticada. Em uma relação saudável, a corda permanece firme e intacta. Pode-se até prender um transatlântico que não há problema nenhum. Porém, muitas relações estão por um fio, sem poder prender uma simples canoa de tão frágil está a corda em questão.

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Cada discussão, frustração e decepção na relação são como se um machado afiado batesse na corda e desfiasse aos poucos com cada ataque do instrumento cortante até que ela arrebente e a relação termine. Dependendo da dor causada pelo outro, uma única batida na corda é o suficiente para que ela irrompa e tudo vá por água abaixo. Muito interessante a parte que a Alegria e a Tristeza estão caminhando pelo labirinto feito de memórias de longa duração e encontram os Mentalúrgicos. A missão deles é listar e deletar as memórias de longa duração que estão desbotadas por não serem mais lembradas e por terem se tornado inúteis (34’45”). No caso de Riley, os números de telefone guardados na memória dela eram mais importantes. Com a chegada do celular, ela não precisa mais memorizar os números, então os Mentalúrgicos apagam esta informação que agora, para o presente momento, não é mais útil, liberando espaço nas prateleiras, em nosso “HD” para futuras memórias. Eu fico imaginando como seria este lugar no desenho se a Riley tivesse noventa anos de idade, pois, se com onze anos o labirinto já é imenso, em uma pessoa idosa deve ser ainda mais gigantesco. Talvez seja por isso que as memórias destas pessoas falham, pois são muitas prateleiras para procurar as informações e também, provavelmente, os Mentalúrgicos deletaram boa parte das estantes por estarem desbotadas. Sabe aquela música “chiclete” ou aquela propaganda que não sai da sua cabeça? Esta parte do longa metragem explica o porquê não conseguimos esquecer. Os Mentalúrgicos colocam às vezes estas memórias para rodar na sala de controle. Assim, a

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lembrança fica sempre “fresca” na memória, não desbotando e, portanto, não sendo deletada por eles. A Riley nunca havia passado por uma situação de mudança (41’35”). Ela sempre teve seus amigos do Róquei e se relacionava muito bem com seus pais. Com a queda das ilhas da Família e da Amizade, ela se isola na escola para lanchar sozinha e passa a ter um sentimento novo que seu sistema procura entender. É a solidão. “Bem vindas a Terra da Imaginação!” (Bing Bong). Este lugar representa todas imaginações e fantasias de Riley (43’56”). Daí a importância das crianças serem estimuladas na infância, pois assim mais criativa e imaginativa ela será. Neste lugar encontram-se todas as brincadeiras que Riley fazia estimulando a sua imaginação, como o bosque das batatas fritas, a cidade das nuvens, desviar de lavas. Aqui Riley tem a criatividade suficiente para inventar seu namorado imaginário. A cada frustração e sem a Alegria no painel de comando, Riley vai não fazendo suas ilhas de personalidade ruírem, como também a Terra da Fantasia despencar. Assim acontece com o Castelo de Biscoitos, o mundo das princesas, o museu dos ursos de pelúcia e até o foguete de Bing Bong foi para no lixão (47’16”). A cena a seguir mostra a importância da Tristeza em nossas vidas. Quando Bing Bong achava que a Riley havia se esquecido dele (47’56”), a Alegria tentou alegrá-lo desviando a atenção do problema dele para outro assunto, mas sem sucesso (48”05”). A Tristeza então chega perto dele começa para conversar dizendo que sente muito por terem levado o seu foguete (48’37”). A empatia dela pelo elefantinho rosa de Riley faz com que se abra para a conversa.

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A Empatia consiste em nos colocarmos no lugar do outro, tendo a experiência das emoções pela qual ele está passando. Somente a Tristeza conseguiria fazer isso, porque a Alegria não sabe se colocar na situação de alguém que está triste, querendo apenas animá-lo de forma superficial e ineficaz. A Alegria estava achando que a Tristeza, a princípio, estava mais piorando a situação do que trazendo benefícios. Mas ao prestar atenção na conversa, a Alegria percebe que estava menosprezando os sentimentos dele, enquanto a Tristeza mostrou empatia e interesse pelo novo amigo. Assim, ele se sentiu confortável para se abrir e compartilhar o que sentia com ela. Tudo o que a Tristeza fez foi estar alinhada com a emoção de Bing Bong e ouvir atentamente ao que ele dizia e dar um abraço sincero nele. Dois aprendizados muito importantes nesta cena. O primeiro, a importância de ouvir o que a outra pessoa está dizendo. Apenas ouvir o outro faz ele se sentir melhor. O segundo aprendizado é o poder que um abraço tem. Ele libera um hormônio chamado ocitocina que é produzida no cérebro e também é conhecida como hormônio do amor, devido ao seu papel para a melhora do humor, da interação social e diminuição da ansiedade, proporcionando bem estar e felicidade em ambas as pessoas que estão se abraçando. Cena que nos traz uma boa reflexão, pois nem sempre resolvemos as coisas com alegria. Às vezes, o papel da tristeza é importante, mesmo que por um momento. Chancelando a frase da Tristeza no início do filme: “Chorar faz eu me acalmar e suportar o peso dos meus problemas” (15’06”). A Alegria começa a entender então o papel da Tristeza.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Compreende que ela é tão essencial quanto a própria Alegria e que elas se complementam. Quando o trem para porque a Riley dormiu mostra que, ao dormirmos, desligamos completamente nossa mente consciente dando espaço para nossa mente inconsciente estar ativa através dos nossos sonhos: Bing Bong diz: “O Trem do Pensamento não anda durante o sono” (51’50”). Ao tentarem interromper o sono da menina, Bing Bong acaba sendo preso e levado ao subconsciente, que é o acervo de crenças que as pessoas têm. No desenho é mostrado como uma prisão que guarda as más lembranças. “Isso aqui assunta. É onde guardam os piores medos da Riley” (Tristeza – 56’45”). Os produtores de “Divertida Mente” se atentaram aos pequenos detalhes. Quando Riley acorda no meio da noite, em sua mente fica claro, simbolizando não o tempo cronológico, mas quando Riley está acordada. E neste momento, em que ela está despertada, as emoções da Raiva e Nojinho acordam também, afinal de contas, a sua mente consciente está ativa. Na cena em que a Alegria e Bing Bong caem no Lixão das Memórias, a Alegria pega uma esfera amarela, referente a lembrança com o sentimento positivo. Ela resolve voltar um pouco esta memória e percebe que, um pouco antes de se tornar alegre, a recordação tinha o registro da emoção tristeza (1h09’20”). Ela entende então mais um papel da Tristeza que é o de aglutinar as pessoas, diminuir a distância entre elas, colaborando para quem está com este sentimento, se sinta pertencente e querida pelos outros ao irem à sua direção para consolá-la. Chegando mais perto do final do filme, quando Riley entra 234


Divertida Mente

no ônibus para fugir de casa e voltar para Minessota, as emoções Raiva, Medo e Nojinho se arrependem de terem concordado com a ideia de fazê-la fugir e tentam tirar esta ideai da cabeça dela, porem em vão. Riley experimenta pela primeira vez a apatia. A palavra apatia tem origem no grego apátheia. Páthos refere-se a “aquilo que afeta o corpo e a alma”. É o estado de uma alma indiferente, que não é suscetível de se emocionar por falta de sensibilidade ou de sentimento. O medo confirma isso dizendo: “Os sentimentos da Riley já eram” (1h16’30”). Quando a Alegria e a Tristeza conseguem finalmente retornar a sala de controle, a Alegria finalmente da espaço para a Tristeza fazer o seu papel. Ela deixa de exercer a “Ditadura da Felicidade” e passa a deixar a Tristeza comandar em momentos oportunos o painel de controle. “A Riley precisa muito” (1h19’05”). A Tristeza consegue retirar a ideia de fugir de casa colocada pelas outras emoções evitando que a garotinha permanecesse apática às coisas que acontecem a sua vida (1h 19’40”). Riley diz: “Não! Para! Eu quero descer!” (1h19’45”). Ao chegar a sua casa, a única emoção capaz de fazer com que seus pais a ouvissem e sentissem o que ela estava sentindo foi a Tristeza (1h21’32”). Quando Tristeza e Alegria operam juntas o painel de controle, uma nova memória base surge, desta vez gravadas com ambas as emoções (1h23’18”) fazendo a Ilha da Família ser reconstruída e formada de forma ainda mais elaborada, mais amor, carinho, empatia e compreensão.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Riley então da mais um passo no seu autoconhecimento. As cinco emoções trabalham agora em conjunto operando um novo painel de controle. Novas emoções são decifradas pelo seu sistema formando novas memórias base e Ilhas de Personalidade expandidas, como por exemplo a Ilha da Amizade tem uma sessão nova chamada Discussão Amigável (1h24”00”). E mesmo antes de terminar o longa, o desenho nos ensina na importância da sinergia entre as emoções dos pais de Riley, a ponto da Raiva jogar fora a memória gravada referente ao piloto carioca, simbolizando a paz entre o casal e a certeza de que ela fez a melhor escolha entre os dois pretendentes (1h25’12”). Na sequência, o medo que existe dentro da cabeça da esposa resgata a esfera contendo a memória do piloto carioca e diz: “Vai que...” (1h25’18”), como se dissesse: Vai que voltamos a nos desentender, eu tenho um plano B... Mas isso só acontece quando se tem medo de estar aberto de corpo e alma para a relação, para o amor. Muito divertido quando a Riley devolve a garrafa que caiu no chão para o menino (1h25’25”). Neste momento aparece a turbulência dentro da cabeça dele. Ele fica completamente travado, sem se mexer e falar nada. Isto acontece porque, alem das emoções que estão dentro da cabeça do garoto estar perdidas em relação a como se comportar diante de uma menina, o Medo encontra-se deitado no chão, abraçado consigo mesmo e apavorado. O medo provoca três tipos de reações no ser humano: a decisão de lutar, de fugir e de congelamento. Naturalmente ao se deparar com alguém do sexo oposto, a emoção de medo desen236


Divertida Mente

cadeada no rapaz provocou a paralisia temporária, fazendo papel de bobo diante da Riley. “Divertida Mente” termina com tudo de volta em seu lugar e um novo desafio para as emoções, afinal de contas agora ela fez doze anos, inicio da fase da puberdade e, talvez, muitas coisas interessantes e desafiadoras irão acontecer nos próximos anos a seguir.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Capítulo 12 Cine Coaching – Uma Reflexão Poderosa para Transformação

E

stamos chegando a uma parte poderosa do livro: o Cine Coaching. Os filmes nos fazem conectar com a história, refletirmos sobre a sua moral, nos identificarmos com o personagem, torcer por ele, porque de alguma forma para o nosso inconsciente aquilo faz sentido para nós. As pessoas contam histórias há milênios. É a forma mais antiga que o ser humano inventou para transmitir conhecimentos, ideias, ensinamentos e filosofia de vida. Elas fazem parte do nosso cotidiano, pois desde o nosso nascimento até hoje, as nossas memórias boas ou não tão boas, de vitórias ou derrotas são guardadas em nossa mente em forma de histórias. É assim que contamos para alguém algum evento que aconteceu na nossa vida; através de histórias. Ao assistirmos a um filme, nossa imaginação flui e nossa mente inconsciente está aberta para receber as informações transmitidas pela tela, contribuindo para mudar a nossa forma de pensar e alterar a forma como nos comportamos e enxergamos o mundo ao nosso redor.

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Cine Coaching - Uma reflexão poderosa para transformação

Eles fazem nos relacionarmos com a nossa mente inconsciente, transcendendo o cognitivo, possibilitando curas, mudanças de comportamentos, de crenças e aprendizados extraordinários. É tão poderoso que ativa todos nossos sentidos, nos faz sair do lugar e viajar no tempo, sentindo todas as sensações e emoções dos personagens da história. Como você aprendeu nos capítulos anteriores, nossos pensamentos criam a nossa realidade. No entanto, o que acontece com a maioria das pessoas é que elas estão agindo com os padrões mentais dos seus ancestrais, reciclando aquelas fitas velhas de VHS, modelando seus comportamentos e fortalecendo crenças que as limitam e que, na verdade, pertencem a seus antepassados. A maioria dos pensamentos que as pessoas acham que são delas, na verdade, foram crenças passadas por outros de forma imperceptível e sem nenhum questionamento, a maioria antes dos cinco anos de idade. Assistindo aos filmes corretos, proporcionará ao expectador aprendizados maravilhosos que podem ser vistos como incríveis lições, mudando radicalmente a sua percepção sobre algum aspecto da sua vida trazendo transformações significativas no “mundo real” da pessoa que os assistiu. Isto acontece porque os filmes conversam diretamente com a nossa mente inconsciente através de metáforas trazendo momentos de profunda reflexão sobre a sua mensagem para as nossas experiências de vida. Relacionamos o que assistimos à nossa própria história, dentro daquele mesmo contexto, e trazemos para a nossa realidade.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Quantas vezes você já não se pegou dizendo ou pensando: “Nossa, eu não sei se aguentaria passar por tudo o que ela passou...”. Ou: “Eu teria feito a mesma coisa!”. Ou então: “Eu escolheria ficar com fulano ao invés de beltrano...”. Nós nos colocamos no lugar do personagem e, através das nossas experiências vividas, temos uma percepção diante daquela história. O Cine Coaching é uma ferramenta de Coaching muito poderosa usada pelos Coaches para contribuir na evolução dos seus Coachees, justamente porque os fazem refletirem a respeito do filme assistido fazendo analogias sobre as suas experiências de vida, trazendo novas percepções para seu processo de autoconhecimento. Apenas para esclarecimentos, o Coach é o profissional que auxilia seu cliente, chamado de Coachee a alcançar seu estado desejado através de perguntas poderosas e técnicas adequadas. As perguntas ajudam o Coachee a formar novas trilhas neurais para que ele chegue, através da cocriação entre os dois, até as respostas que sempre estiveram na sua mente, mas que sozinho ele era incapaz de acessar. No entanto, o papel do Cine Coaching é ainda mais profundo. Os filmes são escolhidos para trazer um novo sentido para a percepção do Coachee. Assim, ele poderá enxergar a metáfora do filme sentindo através da mente inconsciente e trará um novo sentido para a sua experiência de vida. Por exemplo, se a pessoa se queixa da sua vida e para ela nada está bom, se ela tende a se sentir uma vítima o tempo todo, talvez seja interessante ela assistir o filme “Invencível” (Unbroken – 2014), história verídica do atleta Olímpico, Louis Zamperini. 240


Cine Coaching - Uma reflexão poderosa para transformação

Louis sobreviveu numa balsa por 47 dias depois de um desastre aéreo quase fatal durante a Segunda Guerra Mundial, apenas para ser apanhado pela marinha de guerra japonesa e enviado para uma série de campos de prisioneiros de guerra. Provavelmente, assistindo a este filme, a pessoa que se queixa inconscientemente irá se questionar se a vida dela está tão ruim assim e ainda extrair lições valiosas para a sua vida, como a importância da resiliência, força interior e vontade de viver. Ela terá motivação para transpor os obstáculos da sua vida, pois, inconscientemente pensa: “Se ele que teve problemas maiores que

os meus conseguiu vencer, por que eu não conseguiria?”. Este é apenas um exemplo do Cine Coaching. Assistindo

a este filme, por exemplo, o Coachee se identificará com o personagem e, uma vez que ele conseguiu transpor as barreiras, o Coachee se empodera e acredita que pode também. Percebe a importância da indicação correta dos filmes? Imagine um casal que queira reatar o relacionamento e você indica um filme como, por exemplo: “Seis Dias, Sete Noites” (Six Days, Seven Nights – 1998). É um filme maravilhoso de aventura e romance. No entanto, a metáfora não é para reacender a chama do amor, pois os personagens não terminam o filme com seus respectivos namorados. Portanto, ao invés de ajudar no processo do casal você, sem querer, acaba os prejudicando, mandando a mensagem errada para o inconsciente eles de que não vale a pena ficar junto e lutar pelo relacionamento dos dois. O poder do Cine Coaching é causar reflexões através da história do personagem, fazendo o Coachee relacionar o que acabou 241


O poder dos filmes para a mente inconsciente

de ver com a sua própria vida. Por isso é importante a escolha do filme ser correta, para ir direto ao ponto onde a pessoa precisa ser trabalhada, seja a superação de uma crença limitante, aumento da autoconfiança, resgate da família ou do relacionamento, questionamento de valores ou algum outro tipo de metáfora que sirva para a experiência de vida do Coachee. Muitas vezes a pessoa não entende o que está bloqueando a sua vida, pois é algo que está alem da sua compreensão cognitiva. Ao recomendar um filme como tarefa, o Coach entende que irá ajudar seu Coachee, mandando uma mensagem poderosa para o seu inconsciente para que ele transcenda este obstáculo de forma leve e poderosa. Eu diria que muitos filmes equivalem a uma sessão de Coaching. Se o papel do Coach é auxiliar seu cliente na formação de novas trilhas neurais para que ele encontre as respostam que já existem dentro dele, porém não foram acessadas por conta própria; as reflexões que os filmes trazem para nossas vidas, quando bem selecionados e assistidos nos momentos em que devem ser vistos, faz a pessoa se conectar com o seu inconsciente a ponto de fechar estes “gaps” neurais alcançando assim seu estado desejado. Entenda, os filmes são muito poderosos e contribuem para o processo de Coaching, chegando a equivaler por uma sessão, mas eles não substituem o processo todo. É primordial que se tenha um excelente profissional Coach para levantar cognitivamente os aprendizados do Coachee a respeito do filme assistido para que seu aprendizado seja de longa duração.

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Cine Coaching - Uma reflexão poderosa para transformação

Por outro lado, o resultado em ver o filme pode ser sensacional a ponto da pessoa fazer uma reflexão tão profunda sobre o conteúdo absorvido, que o único trabalho do Coach é o de levantar os aprendizados e se atentar em ver se ela atingiu de fato o estado desejado e encerrar o processo. Isto pode acontecer porque o processo de Coaching consiste na busca por um insight que fará toda diferença na vida do seu Coachee, fazendo ele alcançar seu ponto “B”, seu estado desejado e, é bem provável que um filme poderoso desempenhe com maestria este papel. Imagine uma pessoa que se autossabota todas as vezes que deseja alcançar algo, ou está quase conseguindo e desiste, por medo, inconscientemente, não do fracasso, mas do sucesso. Ou então imagine que esta pessoa não acredite que ela é merecedora do sucesso, e você recomenda o filme “Coach Carter- Treino para a Vida” (Coach Carter – 2005), baseado em fatos reais. Este filme contém uma cena muito poderosa e, relativamente famosa, que acontece quando os alunos colocam suas mesas na quadra de basquete e decidem estudar, para tirarem boas notas e serem autorizados pelo técnico a jogarem. O técnico entra surpreso por verem seus jogadores estudando e um deles se levanta e diz:

“Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nossos maiores medos são de sermos poderosos além da conta. É a nossa luz e não a nossa obscuridade que mais nos apavora. Ser pequeno não serve ao mundo; não a nada de sábio em se encolher para que as outras pessoas não se sintam inseguras ao seu redor. Nós todos fomos feitos para brilhar como as crianças. Não está em apenas al243


O poder dos filmes para a mente inconsciente

guns de nós, está em todos. E, na medida que deixamos a nossa luz brilhar, nós inconscientemente damos as outras pessoas permissão para fazerem o mesmo na medida em que nos liberamos do nosso medo. Nossa presença automaticamente libera os outros. Senhor eu só queria dizer obrigado. Salvou a minha vida”. Cena poderosa para mandar uma simples mensagem a nossa mente inconsciente: deixe seu poder interno emergir para que você tenha resultados extraordinários a ponto de contaminar positivamente todas as pessoas ao seu redor e que também estrangulam e sufocam seu próprio poder interior. Garanto para você que, se não curar a alma que viu o filme, deixará o trabalho do Coach mais fácil durante o processo para que seu cliente alcance o que tanto deseja. É muito importante lembrar que a missão do Coach, ao recomendar o filme, é o de semear o porquê dele designar a pessoa de assistir aquele filme. Assim, ele estará plantando na mente do Coachee os benefícios dele em assistir aquele filme. Ele antecipa o sucesso que o filme trará para a sua vida, antes mesmo dele assisti-lo. Imagine que durante uma sessão meu Coachee compartilhe comigo que ele nunca disse “Eu te amo” para a namorada porque, na cabeça dele, ela sabe do amor que ele tem por ela. Eu recomendaria como uma das tarefas de Coaching um filme, mas antes, para eu saber se é importante a namorada dele ouvir da boca dele o tão esperado “Eu te amo”, faria algumas perguntas. Vamos supor que o nome do meu cliente seja Gustavo:

- Gustavo, você acredita que sua namorada adora receber elogios? - Eu acredito que sim, Gabriel. 244


Cine Coaching - Uma reflexão poderosa para transformação

- Ela elogia ou patrocina você positivamente com palavras de afirmação constantemente? -Sim, todos os dias, praticamente. - Ela reclama quando vocês vão sair e ela se arruma, fica linda e você não repara ou não faz um elogio sobre a sua roupa ou o quanto ela ficou maravilhosa pra você? - Nossa, Gabriel, teve uma vez que quase não saímos a noite porque ela demorou tanto para se arrumar que eu cheguei na casa dela no horário combinado e ainda fiquei esperando mais quarenta minutos até ela terminar. Quando ela saiu do quarto eu estava bravo pelo atraso dela que acabei dizendo: “Nossa amor, você poderia ter se arrumado mais rápido né?”. Faço um parênteses aqui: Fiz estas perguntas ao Gustavo para ter uma ideia da linguagem do amor da sua namorada, que me parece que são palavras afirmação. Pelo visto, os elogios, incentivos e falar a frase “Eu te amo” seja muito importante para abastecer o tanque de amor dela. Sendo assim, continuei:

- Você já assistiu ao filme “Ghost – Do Outro Lado da Vida”?

- Já, há muito tempo atrás. - Eu convido você a uma tarefa muito gostosa: a fazer uma “sessão pipoca” com a sua namorada e assistir a este filme até a nossa próxima sessão, o que você acha? É lindo ver como os protagonistas se amam e como para um deles o falar “Eu te amo” era uma prova de amor. - Legal. Eu topo. Percebeu como eu semeei na mente do Gustavo a importância do falar “Eu te amo”? Após assistir ao filme é bem prová245


O poder dos filmes para a mente inconsciente

vel que ele comece a falar mais vezes esta frase e sua namorada irá agradecer eternamente ao Coaching por esta mudança comportamental do namorado. Por que ele vai começar a dizer “Eu te amo” por causa do filme? Simplesmente porque Sam, o personagem vivido por Patrick Swayze não falava para sua namorada, Molly, que reclamava dizendo que precisava ouvir de vez em quando ele dizer esta frase. Acontece que Sam morre sem nunca ter dito a amada o quanto a amava e teve uma oportunidade divina de expressar o seu amor com palavras uma única vez, depois de ter morrido. O inconsciente de Gustavo se identificará com Sam, pois ambos não dizem “Eu te amo” para seus amores e refletirá a respeito da importância desta frase para seu amor e, se ele não disser em vida, talvez seja tarde demais quando ele ou ela não estiver mais aqui. A mensagem do filme para o inconsciente de Gustavo é: Diga o quanto você ama sua namorada enquanto é tempo, porque talvez você não tenha outra oportunidade, já que não sabemos o futuro e amanhã pode ser tarde demais. Percebe que ele já havia assistido ao filme? Por que o filme não surtiu efeito na primeira vez que ele viu e agora transformou a vida de casal dele? Talvez seja porque ao assistir pela primeira vez ele não estivesse namorando. Daí a importância em recomendar o filme certo para a fase de vida atual do seu Coachee. Cine Coaching é maravilhoso, mesmo que o Coachee já tenha assistido ao filme, ao vê-lo novamente, ele tem novos insights e aprendizados, pois, para o momento presente, sua mente

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Cine Coaching - Uma reflexão poderosa para transformação

inconsciente extrai do filme a informação necessária para ele ter um mega aprendizado em nível inconsciente para aquela fase de vida no qual se encontra. Quantas vezes você já assistiu a um filme e depois de um tempo voltou a vê-lo e então, inconscientemente, prestou atenção a outras partes que deixou passar da primeira vez que o viu? Sua mente inconsciente é sábia e capta as metáforas necessárias para o momento o qual você está vivendo. A beleza do Cine Coaching não está no filme todo. São poucos os filmes cujas metáforas absorvidas pela nossa mente inconsciente fazem parte de toda a história. Geralmente é uma ou outra cena que faz todo o sentido para a pessoa que assiste, já sendo o suficiente para que a mensagem seja absorvida e a “ficha cair”, ou seja, a transformação acontecer. O Coachee, ou a pessoa que assiste ao filme, precisa de um único insight, uma frase ou uma única cena para que faça sentido à vida dela e a mensagem tocar profundamente a sua mente inconsciente. Vamos usar como exemplo o filme Karatê Kid (The Karate Kid - 2010) para ilustrar este pensamento. Ele pode ser usado para diferentes temáticas e vou explicar algumas delas abaixo para você. 1 - Ele pode ser recomendado para crianças ou adolescentes que sofrem bullying na escola, ou adultos que sofrem perseguição no trabalho pelos seus pares. Dre Parker é um pré adolescente recém chegado à China e estava com problemas com alguns colegas de escola que o agrediram. Ele decide aprender artes marciais para recuperar a autoconfiança e saber se defender.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

A frase que vale o filme para o Coachee que o assiste com as lentes sobre esta temática de bullying é quando ele fala para a sua mãe: “Kung –Fu é para fazer as pazes com o inimigo”. 2 - Karatê Kid também pode ser recomendado para pessoas que precisam de resiliência. No final do filme quando ele quebra o joelho numa luta, ele não desiste e volta para a competição, mesmo machucado, consagrando-se campeão. 3 - O filme também pode ser usado para estimular o Coachee a motivação e se superar diariamente em busca de um sonho. 4 - Pode e deve ser assistido por Coachees que se mudaram, seja de cidade, estado ou país e tiveram dificuldades de adaptação. Dre, a princípio, odiou a China, porque precisou deixar seus amigos dos Estados Unidos; ele não sabia falar Mandarim e ainda por cima foi recebido com hostilidade pelos seus colegas da escola. No entanto, o aprendizado é uma frase maravilhosa de Milton Erickson: “No veneno está o antídoto”. O que parecia ser o fim estar morando do outro lado do mundo, Dre ganhou o respeito dos seus colegas da escola, aumentou a sua autoconfiança, aprendeu uma arte marcial linda (sou suspeito para falar isso...) e um mestre para a vida toda. 5 - O filme pode ser recomendado para pessoas que perderam algum ente querido e se sentem de alguma forma, responsáveis pelo ocorrido, ou que não se conformam com o que aconteceu. O senhor Han se sentia culpado pela morte da sua esposa e filho por terem sofrido um acidente de carro com ele no volante.

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Cine Coaching - Uma reflexão poderosa para transformação

Durante o ano todo ele passava consertando o seu carro na esperança de consertar o que havia acontecido, mas nada mudava. No dia do aniversário do acidente, ele então bebia até ficar completamente bêbado e quebrava novamente todo o seu carro, sentido-se culpado por estar dirigindo na hora do acidente. A mensagem que fale o filme para as pessoas o assistem com este olhar acontece quando Dre o tira do carro que está estacionado dentro da sala do seu mestre e o estimula a treinar com ele, mostrando que, mesmo sentindo a dor da saudade, ele ainda está vivo e que pode fazer a diferença na vida das pessoas ensinando Kung-Fu. 6 - O filme pode ser recomendado também para pessoas que são estúpidas com seus cônjuges e família em geral. A tristeza do senhor Han causada pelo acidente se dá também porque, no momento do desastre, ele brigava com sua esposa e a última memória que ele tinha era da discussão, mesmo não sabendo o conteúdo da mesma. Um ensinamento poderoso para as pessoas que atacam com seus parentes, que são ríspidas, e que não medem suas palavras, ofendendo e as magoando, sem motivo algum. Mesmo se houvesse um motivo, não considero certo a ofensa como meio de argumentação... Reflexão maravilhosa para o Coachee que possui este tipo de comportamento, pois nunca sabemos quando será a última vez que vamos ver as pessoas que amamos, por isso a importância de sempre tratá-las com muito amor, carinho e respeito. Você agora consegue perceber o poder que tem nas mãos? Cine Coaching é uma ferramenta poderosa e deve ser usada pelos Coachees e por você também, sendo um Coach ou não.

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Nos exemplos que citei acima, o mesmo filme pode ser utilizado para diversas temáticas diferentes, de acordo com as suas necessidades ou, no caso, as necessidades do seu Coachee. Por isso a importância de você assistir aos filmes antes de recomendá-los, pois você pode usá-los para fins diferentes. Vale ressaltar que, nos capítulos finais deste livro, eu nomeio mais de quinhentos filmes divididos em algumas categorias. No entanto, um filme que, por exemplo, estiver na lista referente a Superação, talvez possa ser usado para uma outra temática e atender qualquer uma das outras categorias, pois naquele filme em específico contém cenas que trarão outros aprendizados que não sejam somente a de superação. A lista, portanto, servirá como um guia para facilitar quais filmes você pode assistir para atender a sua necessidade de acordo com a categoria que deseja aprender, mas nada impede de usá-los para reflexões sobre outros assuntos também. Sendo assim, os filmes da categoria Liderança, por exemplo, estão lá porque a base do aprendizado para a mente inconsciente é liderança, mas haverão outros aprendizados secundários ao longo do filme e que você absorverá inconscientemente. Além disso, você pode usar um filme que esteja na categoria Liderança, por exemplo, mas você o recomenda para o aprendizado inconsciente da resiliência, pois você já assistiu ao filme e sabe que aquela pessoa a qual você está recomendando irá aprender com alguma cena que transmita esta qualidade para ela. Outro ponto importante é que dentro da mesma categoria aprendizados diferentes serão trazidos para o expectador de acordo com o filme que ele assistir. Por exemplo, dentro da

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Cine Coaching - Uma reflexão poderosa para transformação

categoria Filmes para Casais existem diversos filmes que trarão aprendizados diferentes para que os assiste. Sendo assim, a base do aprendizado para o filme A Sogra (Monster-in-Law- 2005) é a importância do casal estar unido e falando a mesma língua sem deixar que a sogra (no caso específico do filme) interfira na relação dos dois. No entanto, dentro desta mesma lista referente a categoria Filmes para Casais, existem outros filmes com temáticas diferentes, por exemplo, Ghost, do Outro Lado da Vida (Ghost – 1990), aborda a importância em dar valor a relação conjugal uma vez que não sabemos se, no minuto seguinte, a pessoa que você ama estará viva ao seu lado. E ainda aproveitando o exemplo do filme Ghost, que está na lista de filmes para Casais, ele pode ser usado para a lista que diz respeito a Valores, pois aborda a temática da lealdade entre a amizade do protagonista Sam e seu amigo Carl, que o trai contratando um ladrão para roubar sua carteira que continha a senha dinheiro de uma conta bancária de uma cliente que continha milhões de dólares. Percebe como você pode usar os filmes como bem entender e que cada lista é apenas um norte para guiá-lo numa direção onde a base de cada filme diz respeito a categoria em que estão inseridas? Portanto, assista aos filmes antes de recomendá-los para que você possa acertar em cheio na indicação. Será absolutamente lindo você cocriar com as listas que fiz com muito amor e carinho para você. Quando acertamos o filme correto para buscar algum signifi-

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cado ou sentido para nós, ou para a pessoa a qual recomendamos a assistir, as histórias mexem com nossas vidas pois fará mais sentido para ela, sendo ainda mais poderoso o aprendizado e a reflexão. Já perdi a conta de quantas vezes eu convidei meus Coachees a assistirem a um filme que eles já haviam visto em outras ocasiões e, na sessão seguinte de Coaching eles me dizerem que haviam assistido ao filme com outros olhos; que antes eles não haviam prestado atenção a alguns detalhes que, no momento presente, fez todo sentido para eles. Você se lembra no capítulo sobre a mente consciente e a mente inconsciente que existem três formas de aprender? A primeira de forma racional, cognitiva, através da mente consciente e o aprendizado é de curta duração. A segunda, através da mente inconsciente, sentindo o que está aprendendo e o aprendizado é de média duração. Os filmes se encaixam neste tipo de aprendizado, pois você se identifica com as histórias e sente o que o personagem sente. E a terceira forma de aprender é unindo mente consciente e inconsciente, entendendo o que você sentiu. Este último aprendizado é de longa duração. O papel do Cine Coaching é justamente trazer o aprendizado de média duração adquirido assistindo aos filmes, para o de longa duração, perguntando ao Coachee quais foram os aprendizados e reflexões que ele teve ao vê-lo. Dessa maneira o papel do Cine Coaching é fazer o Coachee aprender sentindo e o papel do Coach é trazer para o lado racional, fazendo perguntas poderosas a respeito do que o Coachee aprendeu e refletiu ao assistir ao filme, tornando, assim, o aprendizado de longa duração.

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Cine Coaching - Uma reflexão poderosa para transformação

Exatamente o que acontece com você ao ler este livro sobre algumas análises de filmes que, provavelmente você já assistiu. Eu trago para você uma análise cognitiva das metáforas que os filmes passaram para sua mente inconsciente, tornando, assim, um aprendizado duradouro. Por isso é comum a indicação de filmes pelos Coaches como tarefa da semana a seus Coachees. Eles ajudam bastante no aprendizado e reorganização de suas ideias. O Coach geralmente pergunta o que ele extraiu de melhor ao ver o filme, se ele fez alguma relação do enredo ou do personagem principal com sua história de vida e quais foram as reflexões que o filme trouxe para ele. As respostas são simplesmente maravilhosas! Não é à toa que os filmes são recomendados praticamente toda semana. As histórias que o Coachee irá encontrar ao assistir aos filmes recomendados pelo seu Coach são aquelas em que os personagens vivem situações que exigem mudança, seja ela comportamental ou alguma coisa em que ele precise tomar coragem para agir, ou então alguma transformação de caráter emocional e que ainda não foi encontrada a resposta – assim como na Jornada do Herói. O Cine Coaching é uma das mais poderosas formas de elevar a consciência do Coachee, trazendo para ele um aprendizado significativo para seu processo, justamente porque, ao se identificar com a história do filme, contada por personagens, ele tem a chance de assistir a sua própria história, ou a sua questão a ser trabalhada, possibilitando-o refletir profundamente sobre seus comportamentos, crenças e ações, tornando possível a mudança da sua própria história.

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Os capítulos a seguir é um presente para você: uma lista com mais de 500 filmes com diversas metáforas divididas em sete temas diferentes para serem utilizados em Cine Coaching. Atente-se em conhecer o filme antes de assisti-lo ou indicá-lo, pois, mesmo estando dentro da mesma sessão, podem conter mensagens diferentes. Assim, as chances de você acertar em cheio na sua própria reflexão ou na de seu Coachee aumentarão exponencialmente. Dentro da categoria Família, por exemplo, há filmes com mensagens maravilhosas entre pai e filha; irmãos; mãe e filho; parentes; esposa e sogra, entre outros. É interessante você pesquisar antes de assistir ou recomendar como tarefa de Coaching para que o filme indicado faça sentido para você ou para o expectador. Outro exemplo está dentro da categoria Superação. Há filmes em que o personagem transcende a dor física, supera a si mesmo, um obstáculo ou barreiras mentais que o impediam de vencer. Dependendo da sua necessidade, ou a do seu Coachee, cada filme terá um efeito diferente na mensagem para a sua mente inconsciente.

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Antes de você continuar, fiz uma lista de filmes que você precisa assistir. São eles: A Origem (Inception – 2010) Divertidamente (Inside Out – 2015) Você Pode Curar a Sua Vida (2013) Nosso Lar (2010) O Efeito Sombra (The Shadow Effect – 2009) Conversando com Deus (Conversations with God – 2006) Avatar (2009) O Segredo (The Secret - 2006) Quem Somos Nós (What the Bleep do we know? – 2004) A Cabana (The Shack – 2017) Tenha a pipoca em mãos e boa sessão!

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Filmes para serem vistos em família Os filmes deste capítulo estão destinados a mensagens de um modo geral para a família, ou parte dela. Os filmes dizem respeito tanto a desavenças que membros da família têm uns com os outros, quanto o amor incondicional que sentem uns pelos outros. Dentro desta lista há filmes com a mensagem, por exemplo, de um pai que sabe que está ausente da família e tenta de tudo para se reaproximar dela antes que seja tarde demais. Há filmes onde irmãos aprendem a se amarem e a se respeitarem. Outros filmes dizem respeito a convivência entre as pessoas que entram para a família, como por exemplo, a enteada. Filmes que mostram a importância do tempo junto à família; ou a luta do pai ou da mãe para protegerem seus filhos. Portanto, lembre-se de se lembrar de nunca se esquecer de se lembrar de ler a sinopse antes de indicar para alguém. O ideal é que você assista antes ao filme para ter absoluta certeza de que a história da pessoa fará sentido por causa da história do filme. A dica que eu dou é que você, ou a pessoa indicada assista a esta categoria em família (com o parente relacionado ao filme), de preferência juntos. E talvez, após assistir ao filme você tenha uma vontade incontrolável de dar um abraço muito forte em alguém da sua família, ou quem sabe, se ela estiver longe, ligar para a pessoa dizendo o quanto ela é importante para você... Seguem os filmes: 256


Um Herói de Brinquedo (Jingle All the Way - 1996) Entrando Numa Fria (Meet the Parents - 2000) Falcão - O Campeão dos Campeões (Over The Top - 1987) Doze é Demais (Cheaper by the Dozen - 2003) Os Seus, Os Meus e Os Nossos (Yours, Mine and Ours - 2005) Procurando Nemo (Finding Nemo - 2003) Questão de Tempo (About Time - 2013) Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine - 2006) Um Faz de Conta que Acontece (Bedtime Stories - 2008) Harry - Um Hóspede do Barulho (Harry and the Hendersons - 1987) Olha Quem Está Falando (Look Who’s Talking - 1989) Uma Babá Quase Perfeita (Mrs. Doubtfire - 1993) Quem Vê Cara Não Vê Coração (Uncle Buck - 1989) Gasparzinho, O Fantasminha Camarada (Casper - 1995) 257


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Férias Frustradas de Natal (National Lampoon’s Christmas Vacation - 1989) Rain Man (1988) O Óleo de Lorenzo (Lorenzo’s Oil - 1992) Contagem Regressiva (Hours - 2013) A Noviça Rebelde (The Sound of Music - 1965) Lado a Lado (Stepmom - 1998) Em Pé de Guerra (Mr. Woodcock - 2007) Kung-Fu Panda 3 (2016) Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish - 2003) Férias Frustradas (National Lampoon’s Vacation - 2015) O Resgate de Jéssica (Everybody’s Baby: The Rescue of Jessica McClure - 1989) Beethoven, O Magnífico (Beethoven - 1992) Vice-Versa (1988) 258


Sexta-feira Muito Louca (Freaky Friday - 2003) Super Escola de Heróis (Sky High - 2005) O Jardim Secreto (The Secret Garden - 1993) Hardflip - O Que Fazer quando sua Vida Dá Uma Virada de 180 (2013) A Babá Encantada (Nanny McPhee - 2005) De Volta as Aulas (Back to School - 1986) Assalto Sobre Trilhos (Money Train - 1995) Os Incríveis (The Incredibles - 2004) O Impossível (The Impossible - 2012) Nunca Mais (Enough 0 2002) A Condenação ( Conviction - 2010) O Vencedor (The Fighter - 2010) O Maior Amor do Mundo (Mother’s Day - 2016) Amor de Irmão (Brotherly Love - 2015)

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

De Volta para Casa ( Dutch - 1991) Busca Implacável ( Taken - 2008) A Creche do Papai (Daddy Day Care – 2003) Férias Frustradas (National Lampoon’s Vacation - 1987) Os Goonies (The Goonies - 1985) Uma Segunda Chance (Regarding Henry - 1991) Acertando as Contas com Papai (também valores) A Malandrinha (Curly Sue - 1991) Uma Noite de Aventuras (Adventures in Babysitting - 1987) Minha Mãe é uma Peça (2013) O Começo da Vida (2016) A Revolução do Altruísmo (2015) O Mentiroso (Liar Liar - 1997) Gente Grande (Grown Ups - 2010) 260


A Negociação (Arbitrage - 2012) A Rainha (The Queen - 2006) Tudo em Família (The Family Stone - 2005) WALL·E (2008) Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood - 2014) Antes da Meia-Noite (Before Midnight - 2013) Comando para Matar (Commando - 1985) Divertida Mente (Inside Out - 2015) O Rei Leão (The Lion King -1994) Não Sei Como Ela Consegue (2011) Tempo de Recomeçar (2001) Meu Pé Esquerdo (My Left Foot: The Story of Christy Brown –1989) Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania - 2012) Um Bom Partido (Playing for Keeps - 2012) 261


O poder dos filmes para a mente inconsciente

A Família da Noiva (Guess Who - 2005) Amor, Felicidade ou Casamento (Love, Wedding, Marriage - 2011) Nossa Irmã Mais Nova (Umimachi Diary- 2015) Um Amor de Vizinha (And So It Goes - 2014) Milagres do Paraíso (Miracles From Heaven - 2016) A Malandrinha (Curly Sue – 1991)

262


Filmes para serem assistidos em casal Os filmes deste capítulo estão destinados a mensagens de um modo geral para o casal. Esta categoria tem o poder de conversar com a mente inconsciente do casal, seja ambos com a necessidade de receber a metáfora do filme, ou apenas um deles. Dentro desta lista há filmes que despertam a paixão e o romance, mas também outros com mensagens mais profundas de reconciliação e reconstrução da relação seja um namoro ou casamento. Há ainda filmes que mostram a importância de valorizar a pessoa que você ama e escolheu estar sempre ao lado. Filmes que provocam reflexão na dor da perda desta pessoa, mesmo que temporariamente, ou por causa de fatores externos como uma nova paixão ou até mesmo a morte. Lembre-se de ler a sinopse antes de indicar para alguém. O ideal é que você assista antes ao filme para ter absoluta certeza de que o momento o qual o casal vive esteja congruente com a história do filme. Assim como na categoria Família, a dica que eu dou é que você, ou a pessoa indicada assista, de preferência junto com seu cônjuge. Tenho absoluta certeza que, terminado o filme, as guardas do casal estarão abertas e as armas abaixadas o suficiente para uma conversa franca sobre os caminhos que a relação está tomando, ou para reafirmar ou valorizar o amor que um sente pelo outro. Seguem os filmes: 263


O poder dos filmes para a mente inconsciente

A Sogra (Monster-in-Law - 2005) Marley e Eu (Marley & Me - 2005) Dirty Dancing: Ritmo Quente (Dirty Dancing - 1987) A Verdade Nua e Crua (The Ugly Truth - 2009) Como Eu Era Antes de VocĂŞ ( Me Before You - 2016) Jogo de Amor em Las Vegas (What Happens in Vegas - 2008) Ghost - Do Outro Lado da Vida (Ghost - 1990) Escrito nas Estrelas (Serendipity - 2001) Eu te Amo Beth Cooper (I Love You, Beth Cooper - 2009) Admiradora Secreta (Secret Admirer - 1985) Um Dia a Casa Cai (The Money Pit 0 1986) Esposa de Mentirinha (Just Go with It - 2011) A Lagoa Azul (The Blue Lagoon - 1980) Uma Linda Mulher (Pretty Woman - 1990) 264


Como Perder Um Homem em 10 Dias (How to Lose a Guy in 10 Days - 2003) E Se Fosse Verdade (Just Like Heaven - 2005) Tudo Por Amor (Dying Young - 1991) O Casamento do Meu Melhor Amigo (My Best Friend’s Wedding -1997) Dr. Hollywood - Uma Receita de Amor ( Doc Hollywood - 1991) Splash - Uma Sereia em Minha Vida (Splash - 1984) Afinado no Amor (The Wedding Singer - 1998) Melhor é Impossível (As Good as It Gets - 1997) A Dama de Vermelho (The Woman in Red - 1984) Eternamente Jovem (Forever Young - 1992) Quem Vai Ficar com Mary (There’s Something About Mary - 1998) A Múmia (The Mummy - 1999) Quero Ficar com Poly ( Along Came Polly - 2004)

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Os Belos Dias (2013) O Feitiço de Áquila (Ladyhawke - 1985) Ela Vai Ter Um Bebê (She’s Having a Baby - 1988) Encontro às Escuras (Blind Date - 1987) Mais ou Menos Grávida (For Keeps - 1988) Cidade dos Anjos (City of Angels - 1998) Paraíso Azul (Paradise - 1982) O Silêncio do Lago (The Vanishing - 1993) Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind - 2004) Hitch - O Conselheiro Amoroso (Hitch - 2005) Hally e Sally - Feitos Um Para o Outro (Hally and Sally - 1989) P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You - 2007) Meia Noite em Paris (Midnight in Paris - 2011) 266


Noivo Neurótico, Noiva nervosa (Annie Hall - 1977) Sr. e Sra. Smith (Mr. & Mrs. Smith - 2005) Cidades de Papel (Paper Towns - 2015) O Guarda Costas ( The Bodyguard - 1992) Como se Fosse a Primeira Vez (50 First Dates - 2004) O Começo da Vida (também família) Vicky Cristina Barcelona (também valores) Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice - 2005) Dr. Dolittle 2 (2001) Juntos e Misturados (Blended - 2014) (também família) 10 Coisas que Eu Odeio em Você (10 Things I Hate About You - 1999) Questão de Tempo (About Time - 2013) A Fonte da Vida (The Fountain - 2006) 267


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Igual a Tudo na Vida (Anything Else - 2003) Cold Mountain (2003) À Prova de Fogo (Fireproof - 2008) Inquietos (Restless - 2011) Coração Louco (Crazy Heart - 2009) (500) Dias com Ela ((500) Days of Summer - 2009) Brooklyn (2015) A Teoria de Tudo (The Theory of Everything - 2014) Adoro Problemas (I Love Trouble - 1994) Dois é Bom, Três é Demais (You, Me and Dupre- 2006)) Diário de uma Paixão (The Notebook - 2004) O Mistério da Libélula (Dragonfly - 2002) À Prova de Fogo 2: Corajosos (Fireproof 2: Courageous) Hitch - Conselheiro Amoroso (Hitch - 2005) 268


Quando Nietzsche Chorou (When Nietzsche Wept - 2007) Amor Além da Vida (What Dreams May Come - 1998) Para Sempre Cinderela (Ever After: A Cinderella Story - 1998) Ponto de Decisão (Not Easily Broken - 2009) Dou-lhes Um Ano (I Give It a Year - 2013) De Repente é Amor (A Lot Like Love - 2005) Querido John (Dear John - 2010) Jogada Certa (Just Wright - 2010) O Cruzeiro das Loucas (Boat Trip - 2002) 28 Dias (28 Days - 2000) Simplesmente Complicado (It’s Complicated - 2009) Infidelidade (Unfaithful - 2002) Encontro de Casais (Couples Retreat - 2009)

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Filmes para ajudar na liderança A categoria Liderança foi designada para mostrar como grandes líderes inspiraram pessoas, sejam elas um pequeno grupo ou milhões delas. Os líderes despertam nas pessoas o desejo de seguí-los pelo o que eles acreditam, trazendo os outros para a sua causa. Talvez faça sentido para você assistir a esta categoria, pois, de alguma forma somos líderes, seja em nosso trabalho ou mesmo dentro da família. E, quem sabe, você possa recomendar os filmes deste grupo para alguém que precise despertar uma liderança mais congruente com seus atos e palavras. São os filmes abaixo: Jogos Vorazes (The Hunger Games - 2012) Como Treinar Seu Dragão (How to Train Your Dragon - 2010) Conduzindo Miss Daisy (Driving Miss Daisy - 1989) U.S. Marshals - Os Federais (U.S. Marshals - 1998) Coração Valente (Braveheart - 1995) Gandhi (1982) O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball - 2011) 270


Doze Homens e Uma Sentença (12 Angry Men - 1957) O Último Samurai (The Last Samurai - 2003) Capitão Phillips (Captain Phillips - 2013) A Fuga das Galinhas (Chicken Run - 2000) Um Domingo Qualquer (Any Given Sunday - 1999) O Gladiador (Gladiator - 2000) O Grande Ditador (The Great Dictator - 1940) Tropa de Elite (2007) Os Dez Mandamentos (2016) A Onda (Die Welle - 2008) O Preço do Desafio (Stand and Deliver - 1988) Invictus (2009) Duelo de Titãs (Remember the Titans - 2000) Coach Carter Treino para a Vida (também valores)

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Creed Nascido para Lutar (Creed - 2015) Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia - 1962) Dança com Lobos (Dances with Wolves - 1990) A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington - 1939) Ao Mestre com Carinho (To Sir, With Love - 1967) Maze Runner (2014) A Lenda de Trazan (The Legend of Tarzan - 2016) Vida de Inseto (A Bug’s Life - 1998) Ouro, Suor e Lágrimas (2014) O Jogo da Imitação (The Imitation Game - 2014) Monstros S.A. (Monsters, Inc. - 2001) O Sorriso de Monalisa (Mona Lisa Smile - 2003) O Rei Leão (The Lion King - 1994) Kung-Fu Panda (2008)

272


Toy Story (1995) Menina de Ouro (Million Dollar Baby - 2004) Rocky III - O Desafio Supremo (Rocky III - 1982) Fomos Heróis (We Were Soldiers - 2002) O Homem da Máscara de Ferro (The Man in the Iron Mask - 1998) Elizabeth (1998) Apollo 13 (1995) Radio (2003) Gênio Indomável (Good Will Hunting - 1997) Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross - 1992) Somos Marshall (We are Marshall - 2006) O preço do desafio (Stand and Deliver - 1988) Meu Mestre, Minha Vida (Lean on Me - 1989) Lincoln (2012) Mentes Perigosas (Dangerous Minds – 1995)

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Filmes sobre negócios Os filmes deste capítulo estão destinados a mensagens voltadas a negócios e empreendedorismo. São histórias de pessoas, personagens e empresas que deram certo ou que quebraram. Muitas histórias são baseadas em fatos reais o que torna ainda mais interessante a mensagem e a comunicação com a mente inconsciente do expectador. Lembre-se de sempre de se lembrar de nunca se esquecer de ler a sinopse antes de indicar para alguém. O ideal é que você assista antes ao filme para ter absoluta certeza do benefício daquela história para a história da pessoa que assiste. Seguem os filmes: Cães de Guerra (War Dogs - 2016) A Rede Social (The Social Network - 2010) Wallstreet Poder e Cobiça (Wall Street - 1987) O Segredo do Meu Sucesso (The Secret of My Success - 1987) Jobs (2013) Margin Call O Dia Antes do Fim (Margin Call - 2011) O Primeiro Milhão (Boiler Room - 2000) 274


Wallstreet o Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps - 2010) Chef (2014) A Grande Aposta ( The Big Short - 2015) O Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross - 1992) A Creche do Papai (Daddy Day Care - 2003) O Lobo de Wallstreet (The Wolf of Wall Street – 2013) Piratas da Informática (Pirates of Silicon Valley - 1999) Cidadão Kane (Citizen Kane - 1941) Amor Sem Escalas (Up in the Air - 2009) Jerry Maguire - A Grande Virada (Jerry Maguire - 1996) Como Enlouquecer Seu Chefe (Office Space - 1999) Negócio Arriscado (Risky Business - 1983) Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross - 1992) Startup.com (2001) 275


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Trabalho Interno (Inner Workings - 2010) Negócios For a de Controle (Unfinished Business - 2015) Tucker - Um Homem e Seu Sonho (Tucker: The Man and His Dream - 1988) Grande Demais para Quebrar (Too Big to Fail - 2011) Jiro Dreams of Sushi (2011) Barbarians at the Gate (1993) Com o Dinheiro dos Outros (Other People’s Money -1991) A Negociação (Arbitrage - 2012) A Grande Escolha (Draft Day - 2014) Capitalism: A Love History (2009) Um Salão do Barulho (Beauty Shop - 2005) Wallmart: O Custo alto do Preço Baixo (Wal-Mart: The High Cost of Low Price - 2005) A Corporação (The Corporation - 2003) 276


Fome de Poder (The Founder - 2016) Walt Antes do Mickey (Walt Before Mickey - 2014) Em Boa Companhia (In Good Company - 2004) Coco Antes de Chanel (Coco avant Chanel - 2009) O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball - 2011) Margin Call - O Dia Antes do Fim (Margin Call - 2011) De Pernas pro Ar (2010) Golpe de Gênio (Lightbulb - 2009) Indie Game: The Movie (2012) Burt’s Buzz (2013) Steve Jobs: Como ele mudou o Mundo (The Way Steve Jobs Has Changed The World - 2011) A 100 Passos de um Sonho (The hundred-foot journey - 2014) Como Ser Warren Buffett (Becoming Warren Buffett - 2017)

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Filmes que motivam a superação Os filmes deste capítulo estão destinados a mensagens de superação, a metáforas de conquistas através de esforço, determinação e perseverança. Aqui não existe a expressão “não consigo”. São histórias de pessoas reais e personagens que fizeram acontecer por esforço próprio, tirando a bunda da cadeira e saindo de suas zonas de conforto. Em muitas histórias elas tiveram que abdicar de algo para obter o êxito esperado. São histórias de pessoas e personagens que não esperaram acontecer; fizeram acontecer! Alguns filmes dizem respeito à superação sobre si mesmo, como mudança de comportamento, maior controle emocional, autoconhecimento e resiliência. Outros estão relacionados à superação da dor física, desgaste e esgotamento do corpo chegando ao limite do esforço humano. Dentro desta lista há filmes com a mensagem de superação sobre um problema, como por exemplo, sair sozinho de uma ilha, ou de uma floresta; sobreviver a tortura, a injustiça ou desafiar e vencer a natureza. Lembre-se de se lembrar de nunca se esquecer de ler a sinopse antes de indicar para alguém. O ideal é que você assista antes ao filme para ter absoluta certeza de que a história da pessoa será “tocada” pela história do filme. Seguem os filmes: 278


Forrest Gump: O Contador de Histórias (Forrest Gump - 1994) Benji - Um Cão Desafia a Selva (Benji the Hunted - 1987) O Náufrago (Cast Away - 2000) Ray (2004) Invencível (Unbroken - 2014) Carruagens de Fogo (Chariots of Fire - 1981) Hancock (2008) Depois da Terra (After Earth - 2013) Eu Sou a Lenda (I Am Legend - 2007) Froning: The Fittest Man in History (2015) Karatê Kid (The Karate Kid - 2010) Menina de Ouro (Million Dollar Baby - 2004) Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption - 1994) Frida (2002) (também valores e casais) 279


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Sete Anos no Tibete (Seven Years in Tibet - 1997) Tratamento de Choque (Anger Management - 2003) Virada Radical ( Stick It - 2006) Sim Senhor (Yes Man - 2008) Um Sonho Possível (The Blind Side - 2009) Desafiando Gigantes (Facing the Giants - 2006) 127 Horas (127 Hours - 2010) As Pontes do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai - 1957) Tocando o Vazio (Touching the Void - 2003) O Impossível (Lo Imposible - 2012) Intocáveis (Intouchables - 2011) Aconcagua: a New Chance (2016) O Conde de Monte Cristo (The count of Monte Cristo - 2002) Mãos Talentosas: A História de Ben Carson ( Gifted Hands: The Ben Carson Story - 2009)

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Nocaute (Southpaw - 2015) 23 Blast (2013) Hoovey (2015) 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave - 2013) O Homem dos Músculos de Aço (Pumping Iron - 1977) Fittest on Earth (2016) Magia Além das Palavras (Magic Beyond Words: The JK Rowling Story - 2011) The Short Game (2013) Champs (2014) Até o Fim (All Is Lost - 2013) O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: Return of the King - 2003) A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ - 2004) Poder Além da Vida (Peaceful Warrior - 2006) O Vencedor (The Fighter - 2010) 281


O poder dos filmes para a mente inconsciente

A Vida é Bela (La vita è bella - 1997) Discurso do Rei (The King’s Speech - 2010) Gênio Indomável (Good Will Hunting - 1997) A Lista de Schindler (Schindler’s List - 1993) Colegas (2012) Primeiro Aluno da Classe (Front of the Class - 2008) A Teoria de Tudo (The Theory of Everything - 2014) 50/50 (2011) Perdido em Marte (The Martian - 2015) O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook - 2012) Capitão Phillips (2013) Mais Forte que o Mundo (2016) Manderlay (2005) Dogville (2003) 282


Prenda-me se For Capaz (Catch Me If You Can - 2002) Rio (2011) Preciosa - Uma História de Esperança (Precious - 2009) O Terminal (The Terminal - 2004) O Ídolo (Ya Tayr El Tayer - 2015) Voando Alto (Eddie The Eagle - 2016) Jamaica Abaixo de Zero (Cool runnings - 1993) Os 33 (The 33 - 2015) O Ciclo da Vida (Fei yue lao ren yuan - 2012) As Aventuras de Pi (Life of Pi - 2012) Xingu (2011) O Último Samurai (The Last Samurai - 2003) Procurando Nemo (Finding Nemo - 2003) Mulan (1998) (também VALORES) 283


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind - 2001) Hurricane - O Furacão (The Hurricane - 1999) Até o Limite da Honra (G.I. Jane - 1997) Rocky: Um Lutador (Rocky - 1976) Rocky II - A Revanche (Rocky II - 1979) Rocky III - O Desafio Supremo (Rocky III - 1982) Rocky IV (1985) Rocky Balboa (2006) O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada - 2006) A Luta Pela Esperança (Cinderella Man - 2005) Dersu Uzala (1975) Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish - 2003) Mãos Talentosas (Gifted Hands - 2009) Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises - 2012)

284


Sucesso a Qualquer Preço (Glengarry Glen Ross - 1992) Whiplash: Em busca da Perfeição (Whiplash - 2014) Jogada de Gênio (Flash of Genius - 2008) Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild – 2012) O Ímpossível (The Impossible – 2012) 100 Metros (100 Meters – 2016) A Jovem Rainha (The Girl King - 2016) Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures - 2016) Vida de Inseto (A Bug’s Life - 1998) Vivos (Alive - 1993) Nunca Mais (Enough - 2002)

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Filmes que despertam sonhos Esta categoria é destinada para as pessoas que estão descrentes com a vida, sem perspectivas, sentindo-se desanimadas ou vitimas pelas circunstâncias que acontecem em suas vidas. É um convite para elas acreditarem que elas são capazes de sonhar e de realizar coisas maravilhosas, e que sonhos são feitos para serem concretizados, seja uma ideia nova, ou um desejo antigo. É tempo de sonhar... São os filmes: Kung-Fu Panda (2008) Up - Altas Aventuras (Up - 2009) À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness - 2006) Antes de Partir (The Bucket List - 2007) Quero Ser Grande (Big - 1988) Na Natureza Selvagem (Into the Wild - 2007) Billy Elliot (2000) O Céu de Outubro (October Sky - 1999)

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Legalmente Loira (Legally Blonde - 2001) Um Sonho Possível (The Blind Side – 2009) Uma Lição de Vida (The First Grader - 2010) Comer, Rezar e Amar (Eta Pray Love - 2010) Flashdance - Em Ritmo de Embalo (Flashdance - 1983) A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty - 2013) Quase Igual aos Outros (Just One of the Guys - 1985) O Máskara (The Mask - 1994) Motoqueiros Selvagens (Wild Hogs - 2007) O Segredo (The Secret - 2006) A Corrente do Bem (Pay it Forward - 2000) Patch Adams - O Amor é Contagioso (Patch Adams - 1998) Escritores da Liberdade (Freedom Writers - 2007) Encontro de Amor (Maid in Manhattan 2002) 287


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Jack, o Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer - 2013) Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are - 2009) Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks - 2013) Patch Adams O Amor é Contagioso (Patch Adams - 1998) Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish - 2003) Donnie Darko (2001) De Volta Para o Futuro (Back to the Future - 1985) As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu (The Five People You Meet in Heaven - 2013) A Pequena Sereia (The Little Mermaid - 1989) Shrek (2001) Aladdin (1992) A História Sem Fim (The NeverEnding Story - 1984) Ratatouille (2007) Apenas Uma Chance (One Chance - 2013)

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Filmes para refletir sobre valores Os filmes deste capítulo estão destinados a transmitir mensagens de valores. Nossos valores são a bússola para os nossos comportamentos e ações. É o norte que nos guia, diariamente, a tomar decisões, consciente ou inconscientemente. Por isso, esta categoria é de extremo valor tanto para você quanto para a pessoa que você gostaria de recomendar o filme. Alguns filmes dizem respeito a valores distorcidos sobre comportamentos, valores que são pautados no egoísmo, egocentrismo e preconceito, sejam eles familiares ou impostos pela sociedade, e faz a pessoa refletir como ela age na sua vida diante destes conceitos. Há filmes que transmitem valores maravilhosos sobre enxergar a beleza interior das pessoas, boa educação e integridade, por exemplo. Lembre-se de nunca mais se esquecer de se lembrar de ler a sinopse antes de indicar para alguém. Nesta categoria, você pode ir bem na “ferida” moral do seu Coachee recomendando o filme certo para ele e, assim, conversar diretamente com a mente inconsciente dele, fazendo muito sentido e trazendo resultados extraordinários para a sua vida. Seguem os filmes:

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Tempos de Violência ( Harsh Times - 2005) O Professor Aloprado (The Nutty Professor - 1996) A Fantástica Fábrica de Chocolates (Charlie and the Chocolate Factory - 2005) Telma e Louise (1991) A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ - 2004) Perfume de Mulher (Scent of a Woman - 1992) Advogado do Diabo (The Devil’s Advocate - 1997) Proposta Indecente ( Indecent Proposal - 1993) Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey - 2015) As Loucuras de Dick e Jane (Fun with Dick and Jane - 2005) O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas - 2008) Chuva de Milhões ( Brewster’s Millions - 1985) Faça a Coisa Certa (Do the Right Thing - 1989) Ou Tudo ou Nada (The Full Monty - 1997) 290


O Pianista (The Pianist - 2002) Crash, no Limite (Crash - 2004) Ponto de Mutação (The Turning Point - 1990) Efeito Borboleta (The Butterfly Effect - 2004) Diamante de Sangue (Blood Diamond - 2006) O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener - 2005) Jack, o Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer - 2013) Nascido em 4 de Julho (Born on the Fourth of July - 1989) O Rapto do Menino Dourado (The Golden Child - 1986) Jogos Mortais (Saw - 2004) Os Fantasmas Contra Atacam ( Scrooged - 1988) Um Príncipe em Nova York (Coming to America - 1988) Caçadores de Emoção (Point Break - 1991) O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada - 2006) 291


O poder dos filmes para a mente inconsciente

A Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society - 1989) Sete Vidas (Seven Pounds - 2008) Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off - 1986) Dia de Treinamento (Training Day - 2001) Golpe Baixo (The Longest Yard - 2005) Os Reis da Rua (Street Kings - 2008) O Amor é Cego (Shallow Hal - 2001) O Escafandro e a Borboleta ( Le scaphandre et le papillon - 2007) Filadélfia (Philadelphia - 1993) Sempre ao seu Lado (Hachiko: A Dog’s Story - 2009) O Sorriso de Monalisa (Mona Lisa Smile - 2003) Meu Mestre, Minha Vida (Lean on me - 1989) Mentes que Brilham (Little Man Tate - 1991) Encontrando Forrester (Finding Forrester - 2000) 292


Em Busca de Um Lar (Gimme Shelter - 2013) Quase Deuses (Something the Lord Made - 2004) Trocando as Bolas (Trading Places - 1983) Quem Quer Ser um Milionário (Slumdog Millionaire - 2008) À espera de um Milagre (The Green Mile - 1999) Eu os Declaro Marido e Larry (I Now Pronounce You Chuck and Larry - 2007) Homens de Honra (Men of Honor - 2000) A Vida é Bela (La vita è bella - 1997) Seven - Os 7 Crimes Capitais (Seven - 1995) Tempos Modernos (Modern Times - 1936) O Mágico de Oz (The Wizard of Oz - 1939) Encontro de Amor (Maid in Manhattan - 2002) Um Mundo Perfeito (A Perfect World - 1993) A Mentira (Easy A - 2010) 293


O poder dos filmes para a mente inconsciente

A Vida de David Gale (The Life of David Gale - 2003) O Zelador Animal (Zookeeper - 2011) Tempo de Matar (A Time to Kill - 1996) Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club - 2013) O Show de Truman - O Show da Vida (The Truman Show - 1998) O Paizão (Big Daddy - 1999) Bruna Surfistinha (2011) Pagando Bem, Que Mal Tem? (Zack and Miri Make a Porno - 2008) O Virgem de 40 Anos (The 40 Year-Old Virgin - 2005) Raça (Race - 2016) Sicario: Terra de Ninguém (Sicario - 2015) O Preço de Um Resgate (Ransom - 1996) Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (Ghosts of Girlfriends Past - 2009) As Mil Palavras (A thousand Words - 2012) 294


Titanic (1997) Vicky Cristina Barcelona (2008) O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook – 2012) O Mentiroso (Liar Liar - 1997) A Era do Gelo (Ice Age - 2002) Amor Além da Vida (What Dreams May Come - 1998) A Felicidade Não se Compra (It’s a Wonderful Life - 1946) Um Senhor Estagiário (The Intern - 2015) O Informante (The Insider - 1999) Dúbida (Doubt - 2008) Juno (2007) Júnior (1994) Sangue Negro (There Will Be Blood - 2007) O Cheiro do Ralo (2006) 295


O poder dos filmes para a mente inconsciente

Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck - 2005) Ponto Final - Match Point (Match Point - 2005) Desventuras em Série (Lemony Snicket’s A Series of Unfortunate Events - 2004) O Homem que Copiava (2003) Os Vigaristas ( Matchstick Men - 2003) O Artista (The Artist - 2011) Drive (2011) Tudo pelo Poder (The Ides of March - 2011) Gran Torino (2008) Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight - 2015) Carol (2015) Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash - 2014) O Casamento do Meu Melhor Amigo (My Best Friend’s Wedding - 1997) Tropa de Elite (2007)

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Com as Próprias Mãos (2004) A Outra História Americana (American History X - 1998) Beleza Americana (American Beauty - 1999) 12 Homens e uma Sentença (12 Angry Men - 1957) Get Out (2017) Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento (Erin Brockovich – 2000) Coração de Dragão (Dragonheart - 1996) O Preço do Amanhã (In Time - 2011) Ícaro (Icarus – 2017)

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O poder dos filmes para a mente inconsciente

Considerações Finais Os filmes são recursos maravilhosos se você souber usá-los de maneira positiva, assim como a televisão e internet utilizando com inteligência, moderação e equilíbrio. Como tudo na vida é bom e não tão bom, cabe a você decidir a quais conteúdos deseja ter acesso para agregar valor e enriquecer a sua vida. Sabendo das infinitas possibilidades que a sua mente inconsciente proporciona para a sua existência, você tem agora a consciência do poder ilimitado que tem dentro de si e um instrumento poderoso para despertá-lo. Escolha conscientemente assistir aos melhores conteúdos da sua vida, trazendo curas, aprendizados, ressignificações e motivações para levar a sua vida da forma mais bela, leve e transcendental possível. Assim, eu convido você a assumir as rédeas da sua história e se tornar, de fato, o personagem principal da sua vida, escolhendo com cautela os coadjuvantes, para que você desfrute dos melhores momentos durante a jornada e tenha um maravilhoso final feliz!

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Referências Bibliográficas O Caibalion – Estudo da filosofia Hermética do antigo Egito e da Grécia – Editora Pensamento, São Paulo – 2015 Crenças e Arquétipos – Você Pode Curr a sua Vida – José Roberto Marques - Editora IBC, São Paulo – 2016 O Caminho Quádruplo – Trilhando os caminhos do guerreiro, do mestre, do curador e do visionário – Angeles Arrien – Editora Ágora - 1997 Ser de Luz – José Roberto Marques - Editora IBC – 2016 Superinteligência – Neuroplasticidade e Aprendizagem Acelerativa (2016) – José Roberto Marques – Editora IBC Manual de Programação Neurolinguística (2017) – Joseph O`Connor – Qualitymark Editora Ltda – 14ª Edição Flow e Psicologia Positiva – Estado de fluxo, motivação e alto desempenho – Helder Kamei – Editora IBC – 2014 – 1ª Edição Livro digital Energia ao Quadrado – 9 Experiências simples que você mesmo pode fazer para provar que seus pensamentos criam sua própria realidade – Pam Grout http://site.suamente.com.br/mente-consciente-e-a-mente-inconsciente/ http://tirocomarco.esp.br/artigos.php?pg=3&gal=on&pst=1301311& http://redeclinicadahipnose.com.br/mente-inconsciente-e-mente-consciente/ 299


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Livro o poder dos filmes para a mente inconsciente 3  
Livro o poder dos filmes para a mente inconsciente 3  
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