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Atitude Preventiva?

A São Camilo Tem! A faculdade São Camilo em parceria com o Núcleo Prevenção e Vida, dão início á um ciclo de eventos educativos sobre a prevenção das Hepatites virais B e C durante o ano inteiro. A faculdade abre suas portas para receber a população em geral, e com isto faz com que estes conhecimentos sirvam como defesa da vida e promoção da saúde! também estarão disponíveis testes rápidos da hepatite C gratuitamente para todos (opcional), aferimento da pressão arterial e teste de diabetes. Além disto, a equipe do Núcleo Prevenção e Vida está ministrando um seminário sobre a história da disseminação das hepatites B e C no Brasil para os alunos da Faculdade de Enfermagem Luiza de Marillac, parte da Faculdade São Camilo. Ressaltamos que com esta iniciativa visamos estimular para outras

entidades de ensino superior possam aderir ao projeto Atitude Preventiva na construção de um novo conceito sobre prevenção em saúde. Consideramos que os processos educativos em saúde precisam ser vistos não apenas na perspectiva da possibilidade de gerar e disseminar conhecimentos sobre a prevenção, mas, sobretudo, na dimensão humana e de melhoria da qualidade de vida que o acesso ao saber possibilita. A Cultura Preventiva em Saúde é um direito a ser conquistado, e a nós, cidadãos, cabe hoje o privilégio de contribuir com um pedacinho desta responsabilidade social!


Índice Histórico da Hepatite C

Editorial

O projeto Atitude Preventiva O que é Hepatite?

visa à inclusão de uma nova cultura

As Principais Fontes Contaminantes da Hepatite C

a

preventiva

informação

priorizando

objetiva,

de

fácil entendimento para que Contaminação do Vírus HVC em tratamentos de Hemodiálise

a população possa adotar e cultivar como hábito a prática da prevenção como forma de

Anticorpo contra o Vírus HCV

defesa da vida. Nossa tese defende que devemos atuar cada

Hepatite C- O Mais Importante é a Prevenção

vez mais no incentivo da Atenção Primária em Saúde, para que o

Hepatite C- A Disseminação da Doença

cidadão seja orientado no “antes do acontecer” ou quando muito

Co Infecção HIV-HVB-HCB

no “princípio deste acontecer”. A informação e o incentivo ao

A Falência do Fígado

diagnóstico

oportuno

permitirão o tratamento antes do agravamento da doença.

Cuidados a Serem Tomados no Dentista

Desconhecimento dos Profissionais da Saúde em Relação a Hepatite C

Glomerolunefrite

Endoscopia Digestiva: Risco de Hepatite C

Hepatite C -Tem Cura?

Realização:


Histórico da Hepatite C

A Hepatite C foi detectada em 1989. Porém, desde 1974 muitas amost ras de sangue de indivíduos comprovadamente com hepatite que eram negativos às hepatites A e B, eram classificados como infectados por um tipo de hepatite pós t ransfusional não-A-não-B (NANB). Hoje, por estudos ret rospectivos sabemos que até 95% destes casos eram de hepatite C. VÍRUS DA HEPATITE C (QUI-LIM-CHOO, GEORGE KUO, DANIEL BRADLEY, MICHAEL HOUGTHON, 1989) Uma doença sem um agente biológico identificado. Durante várias décadas, esta questão foi uma constante interrogação aos pesquisadores e estudiosos da história natural das hepatites póstransfusionais não-A e não-B. Nos primeiros anos da década de oitenta, estudos experimentais em primatas e desenvolvidos no Centro de Controle de Atlanta EUA, revelaram a presença de um agente infectivo com 60nm de diâmetro, revestido de um invólucro lipoproteico, genoma constituído de ácido ribonucleico (RNA), classificado inicialmente como pertencente à família Togaviridae e transmissível mediante sangue e hemoderivados58. No momento

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da descoberta, Daniel Bradley e colaboradores o denominaram de Agente de forma tubular. Em 1989, mediante sucessivos estudos de biologia molecular, Qui-Lim-Choo, George Kuo, Daniel Bradley e Michael Hougthon após seis anos de intensa investigação (1982-1988), identificaram finalmente o genoma do agente viral (clonagem molecular direta) responsável por 80 a 90% das hepatites pós-transfusionais não-A e não-B. Tal agente foi denominado de vírus da hepatite C. No mesmo ano da identificação do VHC, George Kuo e cols relataram o desenvolvimento de um teste sorológico para a detecção dos anticorpos contra a infecção pelo VHC (anti-HCV total). Também neste mesmo ano da descoberta do VHC, REVISTA AT!TUDE PREVENTIVA


estudos publicados nos Estados Unidos revelaram a presença sérica do anti-HCV em seguimento de pacientes com história de hepatite pós-transfusional aguda e entre pacientes com hepatite crônica não-A, não-B (história de transfusão sanguínea). Na Espanha, estudos publicados em 1989 revelaram a detecção sérica do anti-HCV na maioria dos pacientes pertencentes a grupos de risco, principalmente naqueles com história de hepatite pós-transfusional não-A e não-B. De acordo com estudo recente de revisão, Michael Houghton revela que durante as pesquisas e tentativas do isolamento molecular e caracterização do VHC (1982-1988), seu grupo de pesquisa utilizando sonda de hibridização para os agentes virais da hepatites não-A e não- B, demonstrou pela primeira vez a estrutura circular do genoma do VHD. O mesmo grupo descobridor do VHC publicou recentemente dois trabalhos relacionados ao emprego experimental de uma vacina contra o VHC em chimpanzés. Os resultados foram considerados bastante promissores pelos autores. O vírus HCV foi classificado em 1980, mas somente em 1989 é que ele foi identificado de forma definitiva.

Maior atenção à prevenção Os achados de estudos populacionais sugerem uma maior atenção na prevenção em saúde, já que essas condições também se associam à incapacidade e prejuízo social, além de constituírem-se em condições de risco para o desenvolvimento de uma incidência muito maior da doença na população por falta de informação.

A incidência A incidência das hepatites virais B e C não são corretamente representadas nas estatísticas pelo número de casos diagnosticados, nem no número de novos casos da doença que surgem na população por falta de notificação compulsória. Existem muitos pacientes que foram tratados e mesmo assim não foram notificados. Estes são alguns dos fatos que resumem e envolvem tanto a responsabilidade jurídica, mas principalmente a responsabilidade política daqueles que têm o poder para decidir sobre a saúde de uma população em nome dos seus cidadãos.

Mil hares de receptores de doações de sangue anteriormente a 1993 foram infectados pelos vírus das hepatites “B” e “C”.

Impacto Social causado pelas hepatites virais O impacto social das Hepatites Virais reflete tanto na incapacidade individual daqueles portadores da doença, como no pesado fardo familiar que partilham a mesma ansiedade, sofrimento e fatores de risco. O desgaste com a procura de assistência médica, tempo de trabalho perdido, e a diminuição da qualidade de vida associam-se de forma clara e consistente aos danos irreversíveis à saúde causados pela doença.

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O QUE É HEPATITE?

A hepatite é uma inf lamação ou infecção no f ígado, orgão fundamental para o funcionamento do corpo humano. O fígado é um órgão multifuncional. Entre as múltiplas funções do fígado estão a regularização dos níveis de glicose no sangue, conversão das gorduras consumidas em energia útil para as células e transformação de gorduras e açúcares nos componentes básicos das proteínas. O fígado também converte o colesterol dos alimentos em ácidos biliares que ajudam na digestão, além de metabolizar os hormônios. Certas células especiais do fígado processam as bactérias e toxinas que chegam à corrente sanguinea para decompô- las, desativá-las e logo as secretar para a bílis. O fígado, realizando mais de 2 000 funções diferentes, é um órgão fundamental para o funcionamento do corpo humano. É necessário prestar muita atenção ao seu funcionamento, pois ele costuma não dar sinais de que há algo errado,até que fique gravemente comprometido.

A hepatite C é técnicamente chamado de vírus HCV, ele entra na circulação sanguínea ataca e destrói as células do fígado sem sintomas para o portador. Comprovadamente adquirida pelo contato com sangue infectado, o vírus pode destruir o fígado da pessoa infectada de forma lenta e silenciosa. As principais complicações potenciais da infecção crônica evolutiva pelo vírus “C”, (quando o vírus tem mais de 6 meses no organismo) são a cirrose, a insuficiência hepática terminal e o câncer de fígado que os médicos chamam de (carcinoma hepatocelular), a evolução do dano hepático é diferente para cada indivíduo, podendo levar até 20 anos para chegar nesta fase. O vírus HCV, conhecido anteriormente como vírus não A não B, ainda tem sua forma de atuação pouco conhecida, sendo o HCV uma doença geralmente assintomática. Devido ao relativo desconhecimento da doença em função da falta de informação e de campanhas de prevenção, isto faz com que a hepatite C deixe de ser diagnosticada oportunamente e tratada adequadamente em milhões de portadores da doença.

FUNÇÕES DO FÍGADO Integração entre os vários mecanismos energéticos do organismo Armazenar e metabolizar as vitaminas Fazer a síntese das proteínas plasmáticas Desintoxicação de toxinas químicas produzidas pelo organismo Desintoxicação de toxinas químicas externas do organismo Filtragem mecânica de bactérias Controlar o equilíbrio hidro-salinico normal Secreção do bile 04

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AS PRINCIPAIS FONTES CONTAMINANTES DA HEPATITE C

As principais fontes contaminantes das hepatite C não recebem a devida atenção do poder público na fiscalização de seus procedimentos: Hemodiálise, Endoscopia, Artroscopia, colonoscopia, etc; Deve ser lembrado que o vírus da hepatite C não é transmitido pelo contato casual como abraços, ou ao compartilhar talheres, toalhas pratos, copos, lençóis, roupas etc.

Pessoas que apresentem resultados de transaminases anormais, ou evidências de dano hepático;

Atualmente, os maiores fatores de risco de contaminação são; o contato com sangue contaminado, o compartilhamento de utensílios empregados para o uso de drogas, injetáveis ou aspiradas, que representa dois terços das novas infecções, acidentes com instrumentos pérfurocortantes, inclusive com instrumentos de manicure ou pedicure, tatuagem, piercing e dentistas.

Doentes renais em hemodiálise;

É muito importante que seja realizado o teste de detecção, principalmente nos grupos de maior risco de já estarem contaminados: Indivíduos que receberam transfusão de sangue e ou hemoderivados anteriormente a 1993; Usuários de drogas injetáveis, inclusive aqueles que o fizeram só uma vez, em qualquer época da vida;

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Profissionais da saúde; e bombeiros que tiveram contato com sangue; Filhos de mães contaminadas com a hepatite C;

Pessoas que foram submetidas á endoscopia, e outros exames invasivos, Hemofílicos, anêmicos, leucêmicos, falcêmicos, talassêmicos; Soro positivos pelo HIV/AIDS; Presidiários.

Se você se identifica com alguma destas situações de risco converse com o seu médico ou procure o posto de saúde pública solicitando a realização de exames para detecção da hepatite C.

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ESTUDOS

Contaminação do vírus HCV em

Tratamentos de Hemodiálise O estudo teve por objetivo determinar a prevalência de anticorpos anti- VHC em pacientes em hemodiálise e identificar fatores relacionados às cl ínicas e aos pacientes, associados à t ransmissão do VHC.

Métodos

Realizou-se estudo transversal em 752 pacientes em hemodiálise em todas as 12 clínicas de Fortaleza, Ceará. Eles foram testados com anticorpos anti-VHC por ELISA de terceira geração. Foram entrevistados 663 pacientes quanto a aspectos sociodemográficos, clínicos e epidemiológicos. Fatores nosocomiais foram investigados utilizando-se questionário específico. Para a análise estatística foram aplicados o teste t de Student, o odds ratio e a regressão logística univariada e multivariada.

Resul tados

A prevalência de anti-VHC foi de 52% (390/746; variando de 6% a 72%). A freqüência de infecção foi maior em pacientes previamente submetidos à diálise peritoneal (OR=1,76; IC 95% 1,12-2,76) e a transfusões de sangue (OR=2,75; IC 95% 1,25-6,03). O tempo de hemodiálise associou-se com positividade do antiVHC (OR=1,47; IC 95% 1,35- 1,61). Procedimentos nas clínicas associados à positividade do anti-VHC foram preparo prévio de heparina (OR=2,92; IC 95% 1,236,92), falha no uso ou troca de luvas (OR=5,73; IC 95% 1,75-18,72), desinfecção de máquinas de diálise (OR=2,79; IC 95% 1,57-4,96) e segregação em sala de diálise (OR=0,18; IC 95% 0,05-0,61).

A prevalência da infecção pelo vírus da hepatite C (VHC) é maior em pacientes submetidos à hemodiálise que na população em geral, possivelmente refletindo maior exposição a situações de risco. O estudo realizado teve por objetivo determinar a prevalência de anticorpos anti-VHC em pacientes em hemodiálise e identificar fatores relacionados às clínicas e aos pacientes, associados à transmissão do VHC.

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Os resultados mostraram elevada prevalência de anti-VHC em pacientes sob hemodiálise e a associação de fatores de transmissão nosocomial com a infecção pelo VHC. Entre pacientes sob hemodiálise, a prevalência da infecção pelo VHC, reconhecida pela presença do seu anticorpo (anti-VHC), varia de 1 a 48%, de acordo com vários estudos. Estes índices se aproximam dos resultados encontrados por outros investigadores, onde a presença do anti VHC em renais crônicos sob hemodiálise é superior à encontrada na população em geral ou nos doadores de sangue. Do total de pacientes em que se obteve história de transfusão sangüínea, 23,5% foram antiVHC positivos (70/298). Destes, 8,6% (6/70) não referiram transfusão. Este fato chama a atenção para outras vias de infecção pelo vírus C. MULLER et al.(20), em estudo semelhante, demonstraram que 33 de 123 (26,8%) pacientes hemodialisados anti-VHC positivos não tinham relato de transfusão. Esses pacientes apresentaram duração de hemodiálise como o principal fator de risco, levando os investigadores a sugerirem a hemodiálise como via de transmissão do vírus C. A observação de que hemodiálise a longo prazo tem importante papel na infecção pelo vírus C é similar a relatos do Japão, Alemanha e Itália.

Estudo realizado pela equipe do Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, CE, Brasil. Departamento de Saúde Pública da Universidade Estadual do Ceará. Fortaleza, CE, Brasil . Maria Teresa Gonçalves de Medeirosa, José Milton de Castro Lima, José Wellington de Oiveira Limab, Henry de Holanda Camposa, Marta Maria das Chagas Medeirosa e João Macedo Coelho Filho,

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Anticorpo Contra o Vírus HCV

Pacientes sob o programa de hemodiálise ( Salvador - BA – Brasil):

O objetivo do estudo foi determinar a prevalência do anticorpo cont ra o vírus C da hepatite (anti-VHC) Em pacientes sob hemodiálise em Sal vador, BA e sua associação com t ransfusão de sangue, duração de hemodiálise e elevação de Alaninoaminot ransferase.

Métodos

Durante um período de 17 meses, foram avaliados todos os pacientes em programa de hemodiálise, totalizando 395 indivíduos, que responderam a questionário e forneceram soro para análise laboratorial (alaninoaminotransferase sérica e anti-VCH pelo ELISA II com confirmação pelo Immunoblotting (RIBA III).

Estas informações podem indicar que: 1) a duração de hemodiálise representa fator de risco mais importante para o desenvolvimento da positividade para o anti-VHC que o número de transfusões; 2) nos indivíduos com tempo de hemodiálise (entre 13 e 24 meses) atua também como fator de risco o número de transfusões, embora pareça ser de menor importância que a duração de hemodiálise. Os resultados chamaram a atenção para a associação entre positividade do anti-VHC e duração de hemodiálise, sugerindo que o tratamento dialítico prolongado, envolvendo vários procedimentos hospitalares e falhas na biossegurança pode contribuir para maior disseminação da infecção.

AUTORES : Genoile Oliveira SANTANA, Helma P. COTRIM, Eduardo MOTA, Raymundo PARANÁ, Nelma Pereira SANTANA e Luiz LYRA .

Resultados

Sendo tratamento prolongado que envolve repetidos procedimentos invasivos e hospitalares, é lógico admitir que existam diversas oportunidades para infecção pelo vírus.

A prevalência da infecção pelo vírus da hepatite C em pacientes sob programa de hemodiálise tem sido amplamente variável. Em conclusão, os resultados desta investigação destacaram a elevada prevalência do anti-VHC em pacientes sob programa de hemodiálise em Salvador, BA.

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HEPATITE C: O MAIS

IMPORTANTE É A

PREVENÇÃO A maioria ainda desconhece que está doente, pois o que fal ta é informação e adoção de prevenção. Quando identificada e t ratada tardiamente há redução das c hances de cura e aumenta o número de pessoas na fila de t ransplantes de f ígado e de óbitos. Prevenir é evitar a infecção. Mas quando o tratamento é inevitável, o paciente poderá ficar vulnerável aos efeitos colaterais dos medicamentos ainda desconhecidos que podem ser perigosos, pois é sabido que por alterar a resposta imune do organismo podem desencadear várias doenças auto-imunes, como: o tireoidismo, o diabetes, a psoríase, o lúpus, o túnel de carpo, a hepatite auto imune. O fato é que a ciência ainda não conseguiu criar medicamentos específicos para a hepatite C, o Interferon e Ribavirina não foram criados para esta patologia e sim para o Câncer! A cura atinge apenas de 48% à 52% dos pacientes tratados. Quanto ao tratamento, existem certos detalhes difíceis de serem resolvidos, por exemplo, quando o médico indica o tratamento, ele terá que observar alguns detalhes, pois a forma como os peguilados são excretados pelo organismo também são diferentes. O PEG-INTRON é excretado principalmente pelos rins., o PEGASYS e metabolizado tanto pelos rins como pelo fígado. Para pacientes com problemas renais e níveis de creatinina preocupantes, o PEGASYS parece ser a melhor opção. A hepatite auto imune é uma inflamação crônica do fígado sem causa conhecida. Não se sabe bem porque a doença inicia. Sabe-se que é causada por um descontrole nas defesas do próprio organismo (sistema imunológico) que passam a atacar células e órgãos normais, ao invés de agir apenas protegendo o organismo contra infecções. Essa agressão causa inflamação, destruição e, potencialmente, perda da função do órgão atingido. No caso da hepatite auto imune, o órgão atingido é o fígado.

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Calcula-se que no Brasil o número de pessoas contaminadas possa estar hoje em torno de 4,5 milhões. Quando a hepatite C é identificada e tratada tardiamente reduz as chances de cura e aumenta o número de pessoas na fila de transplantes de fígado e os casos de óbito. É preciso estimular a testagem por meio de ações educativas, com informações sobre os modos de trans­ missão, possibilitando às pessoas a percepção de sua exposição ao risco de infecção. Para isto é preciso, prin­ cipalmente, evitar o contato com o sangue de uma pes­soa infectada com a Hepatite C. Tenha muito cuidado ao manipular qualquer coisa que contenha sangue: seja colocando piercing, fazendo ta­ tuagem, compartilhando instrumentos perfuro-cortan­ tes (seringas, aparelhos de barbear, tesouras, alicates de unhas e cutículas, aparelhos de manicure e pedicu­re), usando tampões e toalhas higiênicas, escovas de dentes etc. Se você é portador do vírus da hepatite C, informe sempre a seu médico e a seu dentista. Se tiver de tratar de algum ferimento em outra pessoa, use sempre luvas de borracha descartáveis. Profissionais da área da saúde devem utilizar todas as medidas conhecidas de proteção contra acidentes com sangue e secreções de pacientes, como o uso de luvas, máscara e de óculos de proteção e principalmente usar instrumentos esterilizados MEDIDA DE CONTROLE NA HEPATITE C Na ocorrência de fissuras ou sangramento nos mamilos a amamentação é contra- indicada. REVISTA AT!TUDE PREVENTIVA


A HEPATITE C NO BRASIL Tem 10 (dez) vezes mais portadorescom VHC do que com HIV/AIDS É a maior causa de indicação de transplantes de fígados É a principal causa de cirrose e câncer de fígado É uma das 5 (cinco) maiores causa-mortis da atualidade

O Brasil já importou vírus dos EUA - Como se não

bastassem os nossos problemas domésticos, o Brasil ainda importou os vírus HIV (AIDS) e vírus HCV ( HEPATITE “C”), dos Estados Unidos da América. Isto aconteceu na década de 80 quando hemoderivados, sabidamente contaminados com estes vírus, foram importados dos USA e vendidos livremente no Brasil para o tratamento de hemofílicos.

Somente nos 17 meses de atraso do teste Anti-HCV fez com que milhares de receptores de transfusões fossem infectados.

Detecção do vírus HCV em milhares de doadores de sangue - A partir da aplicação da

portaria nº 1.376 DE 19 DE NOVEMBRO DE 1993, DOU de 02/12/1993, descobriu-se que milhares de doadores estavam infectados com HCV. Muitos dos quais haviam feito doações anterior a 1993, infectando os receptores destas doações. O artigo 2.3 da portaria 1.376 cita: “No intervalo entre doações é obrigatório que se indague ao candidato se já doou sangue anteriormente e qual a data da última doação”. Não foram feitas as devidas indagações, nem o rastreamento dos receptores das doações anteriores a 1993. Estes receptores infectados tiveram uma significativa evolução em sua doença causando agravos e danos irreversíveis em sua saúde pela omissão do poder público no dever de informar.

A grande maioria dos hemofílicos foi infectada, muitos morreram e os sobreviventes deste massacre são obrigados a conviver com as sequelas causadas por estas contaminações para o resto de suas vidas! Este é mais um fato de omissão do poder público, na área da saúde, na fiscalização e no controle de qualidade dos medicamentos importados, que deveriam ser analisados em laboratórios antes da liberação para consumo. Este fato, certamente, contribuiu na disseminação da doença.

Atraso na adoção de medidas de controle de qualidade do sangue - Em 1992 foi adotado, somente no Estado de São Paulo, a obrigatoriedade do teste Anti-HCV aos doadores de sangue. Conforme portaria CVS de 30/06/1992, publicado no DOE de 01/07/1992.

Somente em 1993 é que foi adotada obrigatoriedade do teste anti-HCV nos doadores de sangue para todos os Estados da Federação. Conforme a Portaria nº 1.376, de 19 de novembro de 1993 DOU de 02/12/1993. O objetivo desta lei é bem claro, visa prevenir a propagação de doenças transmissíveis por intermédio do sangue transfundido e ou suas frações. O atraso na detecção da doença infectou milhares de pessoas, o que poderia ter sido evitado.

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Hepatite C A DISSEMINAÇÃO DA DOENÇA O início da disseminação da doença aconteceu no pas­

sado com as transfusões sanguíneas, possibilidade hoje descartada em 98% pelos testes de sangue nos hemo­ centros. O compartilhamento de seringas e agulhas de injeção por uso médico também é coisa do passado, já que hoje se emprega material descartável. A transmissão da hepatite C acontece principalmente pelo contato com o sangue infectado. Atualmente o san­ gue utilizado nas transfusões é testado, porém diversos estudos mostram que no Brasil entre 25 a 45% das pes­ soas que receberam sangue antes de 1993 se encontram infectadas com hepatite C. São doentes progredindo no dano hepático, porém, por se tratar de uma doença as­ sintomática desconhecem sua condição, somente vindo a descobrir a doença por acaso ou quando o fígado passa apresentar sinais de falência.

Milhares de receptores de doações de sangue anteriormente a 1993 foram infectados pelos vírus das hepatites “B” e “C”. Sem saber da sua condição de infectado, estes tornaram-se um grande reservatório destes vírus causando a disseminação da doença até mesmo dentro dos seus próprios lares!). O vírus da hepatite C uma vez instalado no corpo, entra na circulação sanguínea ataca e destrói as células do fígado sem sintomas para o portador, as células mortas tornam-se cicatrizes e acabam causando a perda da capacidade de funcionamento do fígado, começam a viver às custas das células hepáticas interferindo nas atividades cotidianas dessas células, utilizando o seu mecanismo de reprodução genética para fazer novas cópias do vírus (se multiplicando) e assim contaminam outras células causando danos irreversíveis á saúde.

pessoas com a mesma pistola, principalmente em quar­ téis, o que infectou muitas pessoas. Muitos ex-atletas contraíram hepatite C na época em que a seringa não era descartável, nesta época usava-se gli­ cose e complexo vitamínico como estimulantes e a mes­ ma agulha era usada em muitas pessoas.

A cura espontânea da hepatite C em mulheres chegam à 50%, nos homens somente 20% conseguem. A hepatite C crofinica 85% dos casos. Já a hepatite B crofinica 15%. Pessoas infectadas com hepatite C possuem cinco vezes maior possibilidade de desenvolver diabetes tipo 2 que a população em geral. O vírus da hepatite C pode provocar em um elevado nú­ mero de infectados o aumento dos níveis de glicose no sangue, fato conhecido como intolerância a glicose. Tam­ bém sabemos que o genótipo 3 (tipo de vírus) da hepatite C é o que apresenta maior possibilidade de desencadear o distúrbio metabólico, desenvolvendo esteatoses e por consequência levando mais rapidamente ao diabetes tipo 2. A insulina é fabricada pelo pâncreas e a glicose é produ­zida pelo fígado para alimentar os músculos que forne­cem energia ao organismo. Um fígado saudável produz glicose de forma controla­ da, mas quando aparece a resistência a insulina passa a fabricar uma maior quantidade de glicose e, como os músculos não podem absorver o excesso do nível de açú­car no sangue, este fica elevado podendo então levar o indivíduo para desenvolver o diabetes tipo 2, mas é ne­cessário esclarecer que a diabetes tipo 2 não necessaria­mente será ocasionada pela resistência a insulina. Porém, no caso de portadores da hepatite C com genótipo 3 é muito comum que isto aconteça.

No passado as vacinas eram aplicadas em centenas de

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CO-INFECÇÃO HIV-HVB-HCV O Brasil é referência mundial em t ratamento de AIDS, porém os por tadores desta doença morrem pelas hepatites B e C A alta prevalência de hepatites B e C e o baixo nível de conhecimento sobre a doença justificam a inclusão de esclarecimentos sobre as infecções hepáticas e de vacinação contra hepatite B nas estratégias de redução de danos pelo HIV. DESIGUALDADES

HIV – O Brasil é referência mundial em seu tratamento

HCV – Para ser tratado na maioria das vezes é necessário o acionar a justiça

HIV – Sempre tiveram campanhas de detecção e prevenção

HCV – São 17 anos de omissão na detecção, prevenção e esclarecimentos

HIV – Tem seus remédios com patologia própria para a doença

HCV – A ciência ainda não descobriu remédio próprio para a doença

HIV – Os seus doentes recebem verba do Ministério da Saúde 10 vezes maior do que os de HCV

HCV – O programa da hepatite “C” recebe verba 10 vezes menor do que o da AIDS

HIV – O número de doentes de AIDS no Brasil não chega a 600.000

HCV – O número de doentes de hepatite “C” no Brasil é de 4.500.000 HCV

HIV - O índice de mortes por AIDS no Brasil é quase zero

HCV - O índice de mortes por HCV no Brasil é incalculável, mas não aparece em nenhuma estatística

A FALÊNCIA DO

FÍGADO

Acontece quando a cirrose vai se agravando e quase todas as funções do f ígado vão sendo perdidas. Nesta fase o fígado fica incapaz de eliminar os resíduos e toxinas do sangue, e não há uma grande produção de fatores de coagulação necessários para interromper sangramentos. A hepatite C é muito perigosa pois, em 85% dos casos, torna-se crônica, podendo evoluir para uma provável cirrose ou câncer no fígado até o óbito. O período de evolução da doença é estimado em 20 a 30 anos, sendo que cada organismo reage diferentemente. Este prazo depende também dos cuidados e do modo de vida do paciente (se faz

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uso de alcoólicos, se consome muita gordura, etc) O vírus da hepatite C é extremamente versátil, sendo capaz de sofrer mutações muito rapidamente. De fato, existem pelo menos seis grandes tipos predominantes de HCV (no que se refere aos genótipos, que são os vários tipos diferentes do vírus). Esta é uma das razões que impedem que o nosso organismo combata a doença naturalmente, e também o porquê ainda não foi possível desenvolver uma vacina efetiva contra o vírus.

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Parceiros de atitude!

União significa lutar juntos por um ideal. O Atitude Preventiva junto com as instituições Sociedade brasileira de Nefrologia, Sociedade brasileira de Nefrologia do estado do RJ, Sociedade de Hipertenção do RJ Sociedade de Angiologia do RJ acreditam que a prevenção é a peça chave para a melhoria de qualidade de vida das pessoas. Estamos juntos nessa luta, chegando cada vez mais perto de melhores resultados.


COMO OCORRE A CIRROSE?

Quando grandes áreas do f ígado ficam permanentemente cicat rizadas, por causa de danos ocorridos repetidamente, ocorre a cirrose. FÍGADO COM HEPATITE C

O QUE É FIBROSE?

A fibrose é um processo que causa ao f ígado a formação de cicat rizes, como se o f ígado estivesse secando aos poucos. FÍGADO COM CIRROSE

Em infecções recentes, o fígado primeiramente fica inflamado. Mais tarde, num esforço para curar a inflamação, ele forma minúsculas cicatrizes no tecido que compõe o órgão. Este processo de substituição do tecido original do fígado por um tecido de cicatrização que não consegue desempenhar as funções de um órgão sadio é chamado de fibrose. A fibrose dificulta muito o trabalho do fígado. Como esse processo é contínuo, com o tempo, muitas cicatrizes são formadas. Quando grande parte do tecido do fígado está cicatrizado, acontece a evolução para o próximo estágio, a cirrose. O fígado começa a diminuir de tamanho e torna-se duro.

O fígado começa a diminuir de tamanho e tornase duro. A hepatite crônica viral é uma causa comum de cirrose, assim como o consumo de álcool. As cicatrizes impedem o sangue de circular livremente pelo fígado, limitando sua função. É preciso estimular a testagem por meio de ações educativas, com informações sobre os modos de transmissão, possibilitando às pessoas a percepção de sua exposição ao risco de infecção. Para isto é preciso, principalmente, evitar o contato com o sangue de uma pessoa infectada com a Hepatite C. Tenha muito cuidado ao manipular qualquer coisa que contenha sangue: seja colocando piercing, fazendo tatuagem, compartilhando instrumentos perfuro-cortantes (seringas, aparelhos de barbear, tesouras, alicates de unhas e cutículas, aparelhos de manicure e pedicure), usando tampões e toalhas higiênicas, escovas de dentes etc.

NA AUSÊNCIA DA VACINA CONTRA A HEPATITE C, O MELHOR É OPTAR PELA FÍGADO COM CÂNCER

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PREVENÇÃO. REVISTA AT!TUDE PREVENTIVA


CUIDADOS PARA SEREM TOMADOS NO DENTISTA Se no procedimento do dentista houver contato da sua luva com o sangue de uma pessoa infectada com o vírus HCV, haverá o risco de contaminação para o próximo paciente. Sempre que terminado o procedimento, a primeira ação do dentista é levantar o refletor de volta a sua posição original. Aí a sua luva suja de sangue afixará uma certa quantidade dos vírus no cabo do refletor. Quando o próximo paciente sentar-se à cadeira, mesmo que o dentista tenha calçado outra luva, o primeiro procedimento do dentista será baixar o refletor, aí então haverá o contato da sua luva com os vírus que foram afixados no cabo do refletor que passará novamente para a luva, e se houver o contato com o sangue deste paciente, se dará uma nova infecção. Por medida de segurança, é aconselhável que o cabo do refletor tenha sempre uma proteção descartável e seja trocada a cada atendimento.

OUTRA S DI C A S:

Ao cuidar das unhas, a pessoa deverá levar os seus próprios instrumentos; Outra forma muito comum de contaminação é através do compar tilhamento de seringas e canudos entre os usuários de drogas ilícitas

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DESCONHECIMENTO DOS

PROFISSIONAIS DA SAÚDE EM RELAÇÃO A HEPATITE C Entre as doenças endêmico-epidêmicas, que representam problemas importantes de saúde pública no Brasil, salientam-se as Hepatites Virais, entre elas a Hepatite C, que é a causa mais comum de transplante hepático no Brasil.

Dados pesquisados revelaram que o conhecimento dos profissionais da área da Saúde em relação à Hepatite C é insatisfatório, pois desconhecem elementos como: Modo de transmissão, sintomas, medidas preventivas (EPIs  Equipamentos de Proteção individual) e condutas que devem ser seguidas no caso de acidentes com instrumentos perfuro-cortantes. Em relação aos exames realizados periodicamente pelas instituições, a grande maioria, cerca de 63% não realizam o teste de sorologia para diagnóstico da   hepatite C. Profissionais da saúde com sorologia positiva tem maior tempo de serviço na instituição e 50% maior de chance de ser anti-HCV positivo a cada cinco anos de atividade. Este resultado sugere que, os cuidados diários aos pacientes, podem contribuir para o aumento de infecção pelo HCV. Além disso, esse risco pode ser ainda maior se, os profissionais da saúde, manipularem de maneira incorreta os pacientes. A manipulação de materiais contaminados com sangue ou secreção, são inerentes à própria atividade dos profissionais da saúde. O grande problema, entretanto, é que muitas vezes eles manipulam os materiais de maneira incorreta, aumentando o risco de acidentes. O setor com maior frequência de acidentes é o de emergência, cuja quantidade de atendimentos somado ao estresse de trabalho nessa área, contribui de sobremaneira, para que o esse setor apresente maior risco de acidentes. Fonte: XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós- Graduação – Universidade do Vale do Paraíba. Vieira, E. S.; 2 Cardoso E. M.; 3 Souza, J. R.; 4 Filipini. S. M., 5Giaretta, V. M. Faculdade de Ciências da Saúde, Curso de Enfermagem. Universidade do Vale do Paraíba, Brasil, CEP12244. 000 Fone: +55 12 3947 1000: emanuelletata@gmail.com, ester.marcondes@yahoo.com.br, jessicaroque@hotmail.com, sfilipini@yahoo.com.br, giaretta@univap.br www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2009/anais/arquivos/1060_0794_01.pdf

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Outro setor importante é a unidade de hemodiálise, cujos procedimentos são constantes, com alto percentual de hepatites B e C entre os dializados.

Os setores de risco máximo que englobam, emergência, hemodiálise, UTI e outros, foram os mais importantes com 52,2% dos acidentes. O sangue foi a fonte de infecção encontrada em 70,2% dos casos de acidentes de trabalho. O risco do acidente envolvendo grande quantidade de sangue e lesão profunda também aumentam o risco de soroconversão, como o que acontece com as agulhas ocas e de grande calibre. Considerando que o HVC só é transmitido, de forma eficiente, através do sangue contaminado e que o profissional de saúde, invariavelmente, manterá contato com algum paciente já contaminado no seu dia-a-dia, justificam-se os cuidados com os acidentes envolvendo material biológico, principalmente os objetos perfurocortantes. Em relação aos exames realizados periodicamente pelas instituições, a grande maioria, não realiza o teste de sorologia para diagnóstico da hepatite C.   Sendo isso uma orientação e não uma determinação da ANVISA, concluímos que existe uma grande deficiência, tanto no conhecimento dos profissionais em relação à patologia, quanto na política de prevenção hoje instituída pelo Ministério da Saúde. É de extrema importância que a ANVISA dê mais atenção na adoção de medidas efetivas, visto que a prevenção é o único meio eficaz para o controle da doença.

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ENDOSCOPIA DIGESTIVA: RISCO DE HEPATITE C

C. Silencioso, muitas vezes ele é descoberto somente quando o portador doa sangue, já que o teste que identifica o HCV é exigido nos bancos de coleta apenas desde 1993. “O risco de contaminação é três vezes maior em indivíduos submetidos ao exame”, disse a biomédica Thaís Tibery Espir, autora do estudo. A transmissão do HCV por endoscopia se dá em virtude da higienização precária do equipamento utilizado, o endoscópio. Pessoas submetidas à endoscopias digestivas estão mais sujeitas a contrair o vírus HCV, responsável pela hepatite

Secreções liberadas por fissuras existentes no tubo digestivo de um paciente portador de hepatite

C, ou mesmo provocadas durante o procedimento médico, contaminam o aparelho. Dessa forma, é grande o risco de o paciente seguinte contrair o vírus. A hipótese foi apresentada na dissertação de mestrado desenvolvida no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os resultados preliminares do estudo foram apresentados no 1.° Simpósio Pan-americano de Vigilância Sanitária e publicados na Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia.

GLOMERULONEFRITE As glomerulopatias ficam apenas atrás do Diabetes e da hipertensão como causas de insuficiência renal crônica com necessidade de hemodiálise. O grande problema é que elas são mal diagnosticadas e, muitas vezes, mal tratadas. É claro que, se um paciente tem hepatite C e de repente começa a apresentar sinais de glomerulopatia, a causa da lesão renal é mais ou menos óbvia. O problema é que algumas doenças como o lúpus podem causar diferentes tipos de glomerulonefrite e lesão glomerular, sendo necessário diferentes tratamentos para cada uma. Entre as glomerulopatias secundárias (nefrítica e/ou nefrótica) podemos citar algumas causas: Lúpus, Hepatite B e Hepatite C.

Manifestações extra-hepáticas: Várias manifestações

extra-hepáticas têm sido descritas em associação com a infecção crônica pelo HCV. A presença de crioglobulinemia associada ao HCV é detectada em 30 a 50% dos pacientes. Pacientes com manifestações renais graves da crioglobulinemia devem receber tratamento imunossupressor adequado para evitar piora do quadro. Já a síndrome clínica da crioglobulinemia, com presença de artralgias, doença de Raynaud e púrpura é rara e ocorre em 1 a 5% dos casos. Na maioria dos indivíduos, a crioglobulinemia é REVISTA AT!TUDE PREVENTIVA

assintomática; contudo, cerca de 5% dos infectados podem ter sintomas que denotam uma doença com potencial evolutivo se não for tratada. O portador de hepatite C deve ser investigado para crioglobulinemia caso apresente sintomas tais como: petéquias, outras manifestações de vasculite, neuropatia periférica, insuficiência renal crônica ou cilindruria (no EAS). Cerca de 70% desses pacientes possuem fator reumatoide positivo. Os portadores de IRC infectados pelo HCV devem ser acompanhados, em serviços especializados, por equipes experientes no manejo da hepatite C e de nefropatia. Em pacientes com IRC, o tratamento do HCV é ainda mais relevante, porque a hepatite crônica C reduz tanto a sobrevida de pacientes em hemodiálise como a sobrevida do enxerto renal em pacientes transplantados. A infecção pelo HCV resulta em menor sobrevida de pacientes com insuficiência renal crônica (IRC), bem como dos enxertos após transplantes renais. Esses indivíduos, geralmente, encontram-se excluídos de grandes ensaios clínicos de tratamento, o que resulta em poucas informações sobre a resposta virológica e o melhor esquema terapêutico para esse grupo. A terapia antiviral na IRC permanece controversa. Não há estudos comparativos para apoiar a decisão de um tratamento adequado.

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A hepatite C tem cura? Sim, mas principalmente quando diagnosticada precocemente!

O tratamento é gratuito pelo SUS. Porém, um fato preo­ cupante é que, em função do curso silencioso da doença ou seja, por não apresentar sintomas, é mais difícil de ser identificada e possibilita a sua evolução, pois muitas pessoas só descobrem quando a doença se encontra em estágio avançado com dano hepático irreversível. Nos raros casos em que a hepatite C é descoberta na fase aguda, o tratamento é indicado por diminuir muito o ris­co de evolução para hepatite crônica, prevenindo assim, o risco de danos irreversíveis à saúde como cirrose e cân­cer de fígado. O tratamento da hepatite C crônica vem alcançando resultados progressivamente melhores com o passar do tempo. O sucesso do tratamento varia principalmente conforme o genótipo do vírus, a carga viral e o estágio da doença determinado pela biópsia hepática. Estudos comprovam que maior incidência da hepatite C se dá em pessoas com mais de 40 anos de idade.

Lembre-se, a hepatite C não está na cara! Mas pode estar bem próximo de você ou de sua

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família!

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Antibióticos (remédios que combatem uma infecção por bactérias) não funcionam contra o vírus da hepatite C. Pergunte ao seu médico as opções de tratamento e o que pode ser feito para proteger o seu fígado. As pessoas diagnosticadas com hepatite C não devem ingerir bebidas alcoólicas nem alimentos gordurosos, evitar certos medicamentos que podem prejudicar o fígado. Recomenda-se que as pessoas

infectadas pela hepatite C sejam vacinadas contra a hepatite A e a hepatite B, outros vírus que causam doenças do fígado, e as pessoas correm o risco de contrair essas infecções. A não realização das campanhas de alerta e detecção da hepatite C no Brasil pode acarretar mais de 1.000.000 de casos de cirroses nos próximos 10 anos.

Proteja a quem você ama!

PREVINA-SE! Ajude a salvar uma vida, pode ser a sua! REVISTA AT!TUDE PREVENTIVA

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Hepatite

B

Índice História da Hepatite B

Principais Características

O que é Hepatite B

A Transmissão da Doença

Como Tratar

Prevenção

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História da

Hepatite B Em 1965, foi publicada pela primeira vez um artigo que revelou a presença do antígeno Austrália (AgAu) no soro de pacientes com hepatite aguda. Este vírus é Transmitido por: via parenteral, sexual e vertical. Existem relatos de surtos de icterícia epidêmica na China há mais de 5.000 anos e na Babilônia, há mais de 2.500 anos. A história catastrófica das grandes epidemias ou pandemias ictéricas são conhecidas e geralmente estão associadas às grandes guerras. Na guerra da Secessão Americana, 40 mil casos ocorreram entre militares da União. Em 1885, um surto de icterícia catarral acometeu 191 trabalhadores do estaleiro de Bremen (Alemanha) após vacinação contra varíola. Em 1942, 28.585 soldados contraíram hepatite após inoculação da vacina contra a febre amarela. O número de casos de hepatite durante a Segunda Grande Guerra foi estimado em 16 milhões. Somente no século XX, foram identificados os principais agentes causadores das hepatites virais. O vírus da hepatite B foi o primeiro a ser descoberto. A revisão da história das grandes epidemias ocasionadas pelos vírus das hepatites e a descoberta desses agentes revelam singulares peculiaridades, citando como exemplo, a descoberta acidental ou por acaso dos vírus da hepatite B e D. A história das hepatites virais remonta vários milênios. Informações contidas na literatura chinesa já faziam referência à ocorrência de icterícia entre sua população há mais de cinco mil anos. Surtos de icterícia foram relatados na Babilônia há mais de 2.500 anos. Escritos de Hipocrates, que viveu provavelmente 300 a 400 anos antes de Cristo, revelam historicamente que: a icterícia seria provavelmente de origem infecciosa e o problema poderia estar no fígado; o acúmulo de líquido no abdomem (ascite) poderia ser causado por alguma doença crônica nesse órgão. Antes do início do século XIX, os relatos sobre a história das hepatites no Brasil são escassos, todavia no museu de Porto Velho - Rondônia, hoje desativado, encontrava-se uma urna funerária confeccionada pelos índios Aruak que habitaram esta região no período da descoberta do Brasil, ou seja, há mais de 500 anos atrás. A urna funerária de barro cozido representava um nativo pertencente à família Aruak e revela do ponto de vista médico alguns sinais e estigmas de cirrose hepática, tais como: ascite, umbigo protuso pelo aumento do volume abdominal (hérnia REVISTA AT!TUDE PREVENTIVA

umbilical), ginecomastia e aranhas vasculares. Seria o primeiro registro antropológico sobre a doença cirrose hepática de provável etiologia viral no Brasil? Em 1942, a primeira transmissão voluntária da hepatite infecciosa deu-se entre um médico austríaco e três estudantes de medicina da Universidade de Viena. Os quatro ingeriram deliberadamente suco gástrico de um paciente com hepatite infecciosa. Três a quatro semanas depois, todos os voluntários apresentaram sinais e sintomas sugestivos de hepatite aguda, caracterizando assim a transmissão direta do provável agente infeccioso. Nos Estados Unidos, foi relatado, em 1943, um surto de icterícia ocorrido entre um a quatro meses após transfusão de sangue ou plasma3. Baseado em diferenças epidemiológicas, observadas entre hepatite infecciosa e icterícia por soro homologo, foi introduzido em 1947, por MacCallum, o termo hepatite A e hepatite B na categoria dessas duas entidades e aceito posteriormente pela Organização Mundial de Saúde. Em 1965, um original artigo titulado A new antigen in leukemia sera e publicado no JAMA 191: 541546, 1965 por Baruch Blumberg, revelou a presença do antígeno Austrália (AgAu) em soros de pacientes leucêmicos. Posteriormente, foi confirmada a relação do AgAu com o vírus da hepatite B, sendo denominado posteriormente de antígeno de superfície do vírus da hepatite B (HBsAg). Em 1977, Mario Rizzetto e cols descreviam pela primeira vez um novo complexo imune, constituído pelo antígeno Delta (HDAg) e anticorpo antidelta (anti-HD), associado à infecção pelo VHB. Inicialmente, os descobridores desse novo sistema, denominaramno de sistema Delta. De acordo com os autores, tal sistema, constituído de antígeno e anticorpo, seria uma nova variante do VHB ou um novo agente vira. Nesse mesmo estudo, foi demonstrado que os anticorpos específicos do sistema delta (antidelta) eram somente detectados em portadores do antígeno de superfície do vírus da hepatite B (HBsAg), com ou sem doença hepática, não sendo positivo dentro do grupo-controle, nos demais o HBsAg fora negativo. Esses resultados e os obtidos através de infecções induzidas em experiência em primatas não humanos confirmaram que a expressão deste novo agente infeccioso somente ocorria em indivíduos e animais infectados pelo vírus da hepatite B (VHB). Estudos posteriores a 1977 revelaram que este novo agente viral das hepatites poderia ser encontrado em outras regiões do mundo, e que, através de estudos de transmissão parenteral em chimpanzés, o mesmo era altamente infeccioso. Em 1983, foi proposta e aceita uma nova nomenclatura para o agente Delta: vírus da hepatite Delta, previamente designado de agente Delta.

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VÍRUS DA HEPATITE B (BARUCH BLUMBERG, 1965) Na história das grandes descobertas da medicina, a chamada descoberta acidental ou por acaso é notória e podemos citar como exemplo, a conhecida história da descoberta da penicilina (Alexander Fleming, 1929). Outro exemplo da descoberta por acaso na medicina, foi a do vírus da hepatite D (Delta) em 1977. A princípio, ao estudarem por técnicas de imunofluorescência, fragmentos de tecido hepático obtido por biópsia hepática de pacientes italianos soropositivos para o HBsAg, os autores identificaram um novo sistema antígeno/anticorpo distinto do VHB. Fica patente, com os dois exemplos acima citados, que as grandes descobertas da Medicina podem ser produtos finais de observações inesperadas. Entretanto, o maior louvor dessas descobertas científicas está na competência dos técnicos em decifrar tais achados inesperados e explaná-los corretamente. Segundo Louis Pasteur, o acaso favorece apenas as mentes preparadas e a descoberta do VHB teve também caráter puramente acidental ou por acaso, como descrevemos a seguir. Em 1963, o geneticista americano Baruch Blumberg estudando anticorpos contra lipoproteínas séricas em pacientes que tinham recebido transfusão de sangue, ou seja, com objetivos completamente diferentes dos objetivos iniciais e achados finais da pesquisa, identificaram no soro pertencente a um aborígine Australiano, a presença de um antígeno que reagia como o soro de dois doentes hemofílicos politransfundidos. Inicialmente, e em decorrência de suas características, foi proposto pelos autores da descoberta a este antígeno, a denominação de antígeno vermelho (red antigen). Subsequentemente, foi debatido e proposto dois nomes a este antígeno. O primeiro, antígeno Bethesda, local da descoberta. O segundo, antígeno Austrália, local onde o paciente (aborígine) residia. De acordo com Alter HJ, este antígeno só recebeu o nome de antígeno Austrália (AgAu), em razão da nomenclatura vigente na época que determinava o nome das novas imunoglobulinas humanas descobertas ao local de origem da amostra do paciente. Somente em 1965, a descoberta do antígeno Austrália foi publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA), com o título A New antigen in Leukemia sera. Em 1967, Blumberg e cols sugeriram pela primeira vez que a alta frequência do AgAu no soro de pacientes com hepatite aguda poderia estar relacionada com um suposto vírus introduzido entre humanos por transfusões de sangue.

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De acordo com Blumberg, tal publicação foi rejeitada inicialmente e aceita após intensa revisão dos autores 25. Os revisores da Revista Annals of Internal Medicine informaram ao autor que os resultados encontrados não eram convincentes para suportarem a hipótese de que o AgAu estaria associado a hepatite. Independentemente dos achados de Blumberg, em 1965 e 1967, Prince AM, em 1968, isolou outro antígeno no sangue durante o período de incubação de uma hepatite pós-transfusional. O referido antígeno foi denominado de antígeno SH, relativo à hepatite sérica. Posteriormente, comprovou-se que o antígeno SH de Prince AM era o mesmo antígeno Austrália de Blumberg. Finalmente, em 1970, foi demonstrada por microscopia eletrônica em soros positivos para o antígeno Austrália, uma terceira partícula de forma esférica e medindo cerca de 42nm. Em 1971, Almeida e cols caracterizaram o que chamaram de partícula de Dane, o pacote viral completo do VHB. A partícula

de Dane constituía-se de um invólucro externo e um núcleo, sendo que o invólucro externo correspondia ao antígeno Austrália, passando posteriormente a ser designado de antígeno de superfície do vírus da hepatite B (HBsAg). Estudos posteriores confirmaram que a partícula de Dane de 42nm representava o virion completo do VHB, sendo constituída por um ácido nucléico (DNA) e do antígeno central do VHB (HBcAg).

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O vírus B foi o primeiro vírus humano patogêncio a ser sequenciado. Em 1972, foi descrito um novo antígeno distinto do HBsAg, sendo denominado de antígeno e do vírus da hepatite B (HBeAg), como também seu anticorpo correspondente (anti-HBe). A presença sérica do HBeAg entre portadores do VHB foi identificada como um marcador de replicação viral e de alta infectividade com o HBV-DNA. Em 1986, estudos dirigidos entre pacientes de origem italiana revelaram uma rápida e progressiva doença hepática crônica HBsAg reativa, negativa para o HBeAg e positiva para o anti-HBe. Os referidos pacientes, apesar de serem HBeAg negativos, tinham evidências de alta replicação viral e eram positivos para o HBV-DNA. Dois estudos publicados e realizados entre pacientes anti-HBe positivos originários de algumas áreas do mediterrâneo, revelaram que a maior causa da discrepância entre a presença do HBV-DNA e ausência do HBeAg estaria relacionado com a infecção de uma cepa variante do VHB incapaz de produzir o HBeAg (mutante precore 1896).

Novas descobertas com relação a biologia do VHB revelam que este vírus tem uma diversidade viral complexa e apresenta diferentes subtipos e genótipos. Confirmada a relação da descoberta de Blumberg com o VHB, o próximo desafio dos pesquisadores seria descobrir uma vacina capaz de prevenir a doença. Uma retrospectiva na história da descoberta da vacina contra o VHB começa em 1971 com Samuel Krugman. O autor inoculou em crianças americanas portadoras de deficiência mental da escola Willowbrook State School for the Mentally Handicapped, New York o soro MS2 (vírus inativado pelo calor de 98° durante um minuto). Os resultados foram parciais, ou seja, sem proteção adequada. Entre 1975 e 1976, diversos grupos de pesquisa publicaram resultados do emprego de uma vacina mais purificada, de boa tolerabilidade e eficaz39. Todavia, somente em 1981 foi registrada a vacina derivada do plasma de portadores saudáveis do HBsAg. Estudos randomizados mostraram que

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tal vacina era bem tolerada e eficaz, protegendo os vacinados contra o VHB em 95% dos casos. Finalmente, em 1986, a vacina derivada de plasma foi substituída pela nova descoberta da medicina, a vacina contra o VHB produzida por engenharia genética, até hoje utilizada. Em outubro de 1989, iniciamos o programa de vacinação contra o VHB em populações residentes (crianças menores que dez anos de idade) em áreas endêmicas de infecção pelos VHB e VHD na região Amazônica brasileira. Na primeira etapa do programa de vacinação contra o VHB, no Estado do Amazonas, estimou-se vacinar 82.020 crianças, sendo que 97,5% receberam a primeira dose, 89,6% a segunda dose e 78,1% a terceira dose. Entre 1990 e 1992, nos diversos estados que compreende a região Amazônica, a vacina contra o VHB foi integrada no Programa Nacional de Imunização. É importante salientar neste artigo que o Brasil foi o segundo país do mundo a empregar a vacinação em massa contra o VHB em áreas endêmicas, como parte de um programa do Ministério da Saúde. Em maio de 2003, 151(79%) dos 192 países membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) tinham a vacina contra o VHB integrada ao programa nacional de imunização. Como podemos observar, a história da hepatite sérica ou do próprio VHB, inciou-se em 1895 com o estudo e publicação de Lürman dos fatos ocorridos entre trabalhadores do estaleiro de Breman, na Alemanha. O referido estudo ainda hoje é considerado como um modelo nos estudos epidemiológicos das hepatites de etiologia viral. A descoberta do VHB por Blumberg em 1965, merecido ganhador do prêmio Nobel de Medicina (1978) por tal achado, é considerada como um dos fatos mais importantes da medicina no último século. Contudo, a história da hepatite B ainda não pode e nem deve ser considerada como penúltimo capítulo, já que o número de portadores crônicos do VHB ainda encontra-se em fase de ascensão, apesar da existência da vacina há mais de vinte anos. O que falta do ponto de vista científico para a história do VHB possa ser concluída? Com certeza, a expansão total e mundial da vacinação contra o VHB e a descoberta de novas drogas capazes de destruir ou suprimir o vírus definitivamente. A junção da medicina profilática e terapêutica seria o suporte ideal para que possamos num futuro bem próximo, erradicar totalmente a doença ocasionada pelo VHB e quem sabe, descrever outra história.

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Marcadores de infecção: Antígenos HBsAg

HBcAg

Anticorpos HBeAg

Anti-HBs Anti HBc (IgM e IgC) Anti-HBe

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA HEPATITE

B

Doença causada pelo virus B

Evolução silenciosa

10 vezes mais frequente que a AIDS

Pode evoluir para cirrose, câncer de fígado e morte

Risco de transmissão 100 vezes maior que o da AIDS

Tempo de tratamento indefinido

Transmissão por sangue, sexual e vertical

Existe vacina

15% dos casos cronificam – doentes ou portadores crônicos

Principais problemas: Sub-notificação de casos Pouca visibilidade – População/ Secretarias Ações incipientes na rede básica – PSF Falta de rede municipal secundária; Insuficiência de rede terciária de referência Falta de regulação nos niveisde rede Centralização da medicação (excepcional) Poucas ONGs envolvidas

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Transmissão Vertical A transmissão vertical - de mãe para filho − do vírus da hepatite B pode ocorrer durante o parto, pela exposição do recém-nascido ao sangue e/ou a secreções vaginais. Outros líquidos orgânicos, como sêmen e secreção vaginal, podem constituir-se fonte de infecção. Todo recém-nascido deve receber a primeira dose da vacina logo após o nascimento, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Se a gestante tiver hepatite B, o recém-nascido deverá receber, além da vacina, a imunoglobulina contra a hepatite B, nas primeiras 12 horas de vida, para evitar a transmissão vertical (de mãe para filho). Ressalta-se que não há evidências de que o aleitamento materno aumente o risco de transmissão da hepatite B da mãe para o bebê. Por isso, a amamentação não está contra-indicada em mães portadoras da doença, desde que seu filho receba a vacina e a imunoglobulina, preferencialmente, nas primeiras 12 horas de vida. Caso não tenha sido possível iniciar o esquema vacinal na unidade neonatal, recomenda-se a vacinação na primeira visita à Unidade de Saúde.

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O que é Hepatite

B?

A hepatite B é a maior DST (Doença Sexualmente Transmissível) do Brasil. É de uma doença cem vezes mais fácil de ser contraída pelo sexo do que a AIDS, mas é evitável por vacina. Infelizmente não há muita informação sobre a doença. Ao contrário da AIDS que tem 600 mil portadores e que a maioria da população sabe o que é o vírus HIV, o vírus HVB (hepatite B) que é responsável por 2 milhões de contaminações no Brasil é desconhecido pela maioria da população. A hepatite B é uma infecção no fígado causada pelo vírus HBV. Foi descoberta em 1965, passadas mais de quatro décadas e meia, é a maior DST do Brasil A hepatite B varia de gravidade, de moderada (aguda) ou grave (crônica).

pequenas não desenvolvem sintomas da hepatite B aguda. A maior probabilidade de desenvolver sintomas é quando a pessoa infectada tem mais de 5 anos de idade. Em torno de 70% dos adultos desenvolve sintomas da infecção, que podem incluir:

A prevenção é muito importante, pois evita que pessoas adoeçam. No caso da doença já instalada, prevenir sua evolução é fundamental. Tratá-la oportunamente ou mantê-la sob controle evita que haja maiores danos á saúde. Quando o vírus da hepatite B (HVB) permanece no organismo por mais de seis meses, a doença é considerada crônica. Vejamos como isto acontece:

* Febre. * Fadiga. * Náusea. * Vômito. * Dor abdominal. * Urina escura. * Fezes de cor pálida. solto. * Dor nas articulações. * Icterícia (pele e olhos amarelados). * Intestino.

A probabilidade da hepatite B aguda tornar-se crônica depende da idade na qual a pessoa foi infectada. Quanto mais jovem for a pessoa infectada pelo vírus, maiores serão as probabilidades dela desenvolver hepatite B crônica.

A hepatite B crônica é a mais difícil de ser detectada, pois raramente apresenta sintomas.

Aproximadamente 90% dos bebês com menos de 1 ano de idade infectados desenvolverão hepatite B crônica. Para crianças entre 1 e 5 anos de idade as chances de desenvolverem hepatite B crônica são entre 25-50%. Esse risco cai para 6-10% quando a pessoa infectada tem mais de 5 anos de idade.

Quais os sintomas da hepatite

B crônica?

Algumas pessoas têm sintomas similares aos da hepatite B aguda, porém a maioria das pessoas com hepatite B crônica não apresentam sintomas até os 20 ou 30 anos de idade. Em torno de 15-25% das pessoas com hepatite B crônica desenvolvem sérios problemas no fígado, como cirrose ou câncer de fígado. Ainda que o fígado fique doente, algumas pessoas mesmo assim não apresentarão sintomas durante um bom tempo.

Quais são os riscos da evolução da hepatite B crônica?

A sua evolução indiscriminada poderá causar muitos danos, como cirrose e câncer de fígado e morte. Também apresenta muitos desafios para a ciência, visto que apesar de já ter sido possível o desenvolvimento de uma vacina efetiva no combate à disseminação da hepatite B, até o momento não se pode afirmar que os medicamentos disponíveis promovam a cura da doença. Quais são os sintomas da hepatite

B aguda?

Ao contrário dos adultos, geralmente crianças REVISTA AT!TUDE PREVENTIVA

DIAGNÓSTICOS A forma mais indicada e simples para diagnosticar a Hepatite B é por meio do exame HBsAg,. Realizado por meio de exames específicos de sangue o exame mostra se o índivíduo teve contato com o vírus da hepatite B. Para ser o examinado você deve procurar um CTA- Centro de Testagem e Aconcelhamento- ou outras unidades que realizem o teste. Obs: Quem convive com um portador da hepatite B por precaução também deve fazer o exame, e deve ser vacinado imediatamente. Pois o existe o risco da infecção pelo contato com o sangue da pessoa infectada.

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A Transmissão da Hepatite B

As formas de transmissão da hepatite B são as mesmas que as da AIDS: pelo sangue e principalmente por via sexual, que é 100 vezes maior do que na transmissão da AIDS. As maiores concentrações do vírus são encontradas no sêmen, sangue, fluidos vaginais, leite materno e saliva.

Ressalta-se que não há evidências de que o aleitamento materno aumente o risco de transmissão da hepatite B da mãe para o bebê. Por isso, a amamentação não está contra-indicada em mães portadoras da doença, desde que seu filho receba a vacina e a imunoglobulina, preferencialmente, nas primeiras 12 horas de vida. A hepatite B não é transmitida por alimentos ou água, nem pelo contato casual. Atualmente o sangue usado em transfusões sanguíneas é sempre testado para marcadores da hepatite B, sendo extremamente rara a possibilidade de contaminação. A via sexual é o meio mais comum de transmissão. Assim os adolescentes em iniciação sexual e adultos com vida sexual ativa ficam expostos a esta infecção se não forem vacinados e não usarem a camisinha. Outros meios de transmissão da doença acontecem pelo contato com o sangue de uma pessoa infectada, entre usuários de drogas, na realização de tatuagens, por perfurações de piercings ou ao realizar tratamentos de acupuntura compartilhando as agulhas e outros instrumentos perfuro cortantes. Não existem provas científicas conclusivas que insetos que se alimentam de sangue também podem transmitir a hepatite B. A transmissão “vertical” da mãe infectada para o filho durante o parto e fácil de acontecer, podendo chegar a 100% das crianças. Assim, todas as crianças infectadas ao nascimento podem tornar-se doentes crônicos, caso não recebam as doses de vacina e imunoglobulina disponíveis no Brasil.

Maior risco de Contaminação: Pessoas que tenham relações sexuais com parceiro infectado. Quem tem vários parceiros sexuais. Quem tem doença sexualmente transmissível. Homens que têm relação homossexual. Usuários de drogas injetáveis. Quem convive com pessoa com hepatite B crônica. Filhos de mães com hepatite B crônica. Profissionais de saúde expostos ao sangue no trabalho. Pacientes de hemodiálise Hemofílicos e outros coagulopatas; Pessoas que realizaram exame de endoscopia, e outros exames invasivos OBS: Em quase todos os exames invasivos, os instrumentos são passíveis de desinfecção. Se as normas de biossegurança não forem rigorosamente obedecidas haverá risco de infecção pelo vírus da hepatite B e outras doenças infecciosas.

Uma pessoa pode transmitir para outras pessoas a hepatite B sem saber? Sim. Existem muitas pessoas com hepatite B crônica que ainda não sabem que estão infectadas. Elas poderão transmitir o vírus da hepatite B pelo sexo, mas também pelo contato com o seu sangue. É conhecido que sangramentos e alguns fluidos corporais de um

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infectado com a hepatite B podem transmitir a doença à outra pessoa que apresentarferimentos, os quais atuam como uma porta de entrada para o vírus. No entanto, até o momento, nenhum estudo confirmou a possibilidade do suor transmitir o vírus.

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A Evolução da Hepatite B Ao longo dos anos, cerca de 50% das formas crônicas da hepatite B evoluem para cirrose e câncer de fígado, doenças fatais, que podem ser evitadas pela detecção oportuna e tratamento adequado. A progressão da doença pode levar décadas e a sua velocidade é determinada por vários fatores, entre eles a idade do paciente na época da infecção, a sua idade atual e a capacidade de defesa de seu sistema

imune. O vírus da hepatite B é muito resistente, sendo capaz de resistir ao éter e ao álcool a 90º e permanecendo viável mesmo após vários anos de congelamento. Esse vírus pode persistir no meio externo por vários dias, sobretudo se estiver em sangue ou plasma. A doença pode progredir com danos irreversíveis, como a cirrose câncer de fígado e até a morte.

Como tratar? O melhor médico para tratar um paciente infectado com hepatite B é o infectologista, já que a hepatite B é muito similar a AIDS na forma de transmissão, tratamento e acompanhamento, inclusive muitos medicamentos para AIDS são utilizados no tratamento da hepatite B.

É muito importante tratar apropriadamente a hepatite crônica B: Se a pessoa ficou infectada com o vírus da hepatite B por seis meses ou mais o que representa doença crônica, o médico poderá decidir por um tratamento com medicamentos, de maneira a evitar dano maior do fígado. Além do tratamento, o paciente pode também receber vacinação para prevenir a hepatite A. O tratamento serve para manter o vírus controlado e possibilitar ao paciente uma melhor qualidade de vida. O quanto antes começar o tratamento, melhor será para o paciente, pois isso evitará que a quantidade de vírus se torne muito alta. Dessa forma, as chances de atingir um bom resultado aumentam consideravelmente. O tratamento da hepatite B tem por objetivo suprimir a replicação viral e reduzir o dano ao fígado prevenindo assim o aumento da fibrose, o aparecimento da cirrose e o câncer no fígado.

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Prevenção da Hepatite B Usar camisinha é fundamental, mas somente a vacina é capaz de dar imunidade contra a hepatite B!

A melhor forma de prevenção da hepatite B é a vacinação. que é segura, eficiente, porém para que a imunidade são necessárias 3 doses tomadas de forma regular, ou seja: 30 dias após a primeira dose deverá ocorrer a segunda dose. A terceira dose deverá ser tomada 180 dias após a primeira dose, ou seja, num intervalo de 6 meses da primeira dose. Se não forem feitas as 3 doses, a pessoa não estará imunizada contra a doença! Todos os bebês devem ser vacinados, começando com a primeira dose ao nascimento. Pessoas com até 24 anos de idade que não foram vacinadas devem se vacinar para prevenção contra a hepatite B. Todas as gestantes também devem ser vacinadas.

A vacina está disponível em todos os postos de saúde. O governo oferece gratuitamente vacinação para todos os jovens, com até 24 anos de idade. Estas vacinas são encontradas em todos os postos de saúde e unidades de atenção básica. Pessoas consideradas como grupos de riscos de infecção, como; pessoas que convivem com portadores da hepatite B, profissionais de saúde, profissionais do sexo ou com múltiplos parceiros sexuais, ou quaisquer outros que se enquadrem em situações de risco de contaminação, também recebem a vacina contra a hepatite B, independente da sua idade. As pessoas quando cuidarem das unhas usem seus próprios instrumentos como; alicate, afastador de cutículas, pau de laranjeira etc. Evitar compartilhamento de lamina de barbear e de outros instrumentos perfuro -cortantes que também podem transmitir a doença. Fique atento, previna-se contra a hepatite B. 29

A prevenção é o caminho mais indicado para uma vida saudável! O mais importante é prevenir, mas, se você ou alguma pessoa da sua família, for diagnosticado portador da hepatite B, não se desespere, procure um médico ele saberá quais os procedimentos à serem adotados. É importante tratar da doença antes de sua evolução.

Lembre-se, o vírus da Hepatite B não está na cara, mas pode estar muito próximo a você e

de sua família!

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