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A TESTEMUNHA -Lucas Francisco-


Prólogo

-P

rotesto, meritíssimo! – disse Jéssica Walter. – Essas perguntas não têm nenhum fundamento!

– Minhas perguntas têm fundamentos sim, senhorita Walter! – disse Henry Miller. – Protesto aceito – disse o juiz. Henry ficou irritado e se sentou. O clima estava tenso naquela sala. A audiência já fazia duas horas. O acusado: Michael Joe. Acusado por entrar numa casa e roubar dinheiro e jóias e matar uma pessoa. Jéssica Walter é advogada investigadora. Famosa por solucionar vários crimes e pela sua eficiência e rapidez, estava na defesa da vítima que tinha morrido. Henry Miller também é advogado e estava na defesa do réu. Incrível – Pensou Jéssica – Como esses desgraçados ainda tem direitos de julgamentos! – Pensou ela revoltada. – Mais alguma pergunta senhor Miller? – perguntou o juiz. – Não senhor, nenhuma. – Muito bem – disse ele – pode vir senhorita Walter. – Bem – começou ela – antes de vim aqui, eu dei uma conferida nos fatos, investiguei a casa e tentei recolher todo o material possível para essa investigação. – Vá direto ao ponto senhorita Walter! – exclamou o juiz. – Pois bem... Minha equipe e eu fomos à cena do crime, e eu pude ter acesso ao corpo da vítima. Tiramos digitais na casa e no corpo da vítima. Senhor Joe, você diz que nunca esteve naquela casa e que armaram para você, não é isso? – Sim. – disse ele confiante. Jéssica começou a dar uma volta e a pensar. – Engraçado – disse ela – nossos exames encontraram digitais na vítima. As digitas de duas mãos nas roupas da vítima. – disse ela avançando para a sua mesa e pegando uma pasta e tirando uma foto de uma camisa, mostrando as costas com a marca de duas mãos. – e o mais engraçado é que se batem com a sua digital, não acha estranho? – disse ela encarando ele. – e, também, há suas digitas nas jóias que você diz não ter roubado. – Mas eu não a matei! Ela que caiu com a janela que eu quebrei. Droga! – disse ele com raiva.


– Ah! Então você assume que entrou na casa? – disse ela com ironia. Ela percebeu que ele não tinha percebido o que tinha dito – e ainda nega que não a empurrou pela janela? – Sim! Nego! – disse ele se levantando. – SENTE-SE! – gritou o juiz, analisando as fotos que Jéssica lhe deu. Desgraçado! Ainda mente, mesmo sabendo que não tem saída! – pensou furiosa. – Mais se você tivesse invadido a casa pela janela, não era para os cacos de vidros estarem dentro da casa? Porque minha equipe, pacientemente, pegou todos, todos, os cacos de vidros e todos estavam do lado de fora da casa, e alguns encontrados encravados na vítima. Você ainda vai nega? – perguntou ela. O olhar de Michael era de total desespero. Estava completamente perdido. – Caso ainda lhe sobre dúvidas, eu tenho uma testemunha. Posso chamá-la, meritíssimo? – Mande-a entrar – disse ele para um dos guardas. Uma mulher de mais ou menos trinta anos entrou meio assustada. Jessica chegou perto e lhe disse baixinho: – Sei que está nervosa, mas conte para todos o que você contou para mim, alto e bom som. – a mulher engoliu em seco e começou a falar. – Estava na cozinha e ouvir algum barulho lá em cima, eu subi bem devagarzinho e ouvi alguns gritos da patroa. – disse ela começando a chorar – então eu abri a porta do quarto bem devagar e vi que esse moço – ela disse apontando para Michael – lutando com a patroa, então ele a empurrou para o lado, ficando de frente para a janela e ele se aproximou dela e a... – ela não completou. A mulher começou a chorar sem parar. – Tirem-na daqui – disse Jéssica para um guarda. Assim que a mulher saiu, ela se virou para Michael, que estava chocado. – Aposto como você não sabia que a empregada estava em casa. Você sabia todos os horários da família e na hora que você invadiu a casa, achava que Julia estava sozinha, mas foi ela que pediu para empregada ficar com ela. Para seu azar. Não tenho mais nada a declarar. – e voltou a se sentar. O juiz ficou olhando as provas de Jéssica e de Henry por alguns minutos, depois se ajeitou na cadeira e pegou o pequeno martelo de madeira e anunciou: – Diante dos fatos e das provas que tenho em minhas mãos, eu declaro Michael Joe culpado pela morte e pelo roubo das jóias. – e bateu o martelo – NÃO, não, não, nãããããão! – gritou Michael. Os guardas avançaram para conter Michael. Enquanto isso, Jéssica se aproximava dele.


– E agora, vai negar? – disse ela com um sorriso na boca. – Isso não vai ficar assim! – gritou ele. – E o que você vai fazer – desafiou – me matar?


CAPÍTULO 1

J

á se fazia duas horas que Jordan estava na sala de cirurgia. O paciente estava completamente sedado. A cirurgia era delicada e demorada. Jordan era cirurgião cardíaco e estava fazendo um transplante de coração. Suas mãos estavam tremulas, estava cansado mentalmente e fisicamente. A cirurgia estava na reta final para alívio dele. ... A cirurgia foi um sucesso. O paciente já estava indo para o quarto e Jordan estava indo direto falar com a família. Os parentes do paciente estavam na sala de espera angustiados. A mulher do paciente estava sentada com as mãos apertadas, rezando. Assim que ele ficou a vista dos familiares deu a boa noticia de que a cirurgia tinha dado certo e que Victor, o paciente, já estava sendo encaminhado para o quarto. A família ficou aliviada e contente com a notícia, principalmente a mulher de Victor, que havia um bom tempo que estava acompanhando o seu marido. Jordan disse que eles não poderiam visitá-lo agora, pois a cirurgia tinha sido recente e que teriam que esperar só um tempinho para Victor se instalar melhor. Dado a noticia, ele foi para a sala dos médicos tomar um cafezinho para despertar e tirar o cansaço que estava sentindo. Na sala estava toda a equipe que participou da cirurgia. Jordan agradeceu a equipe e todos lhe falaram que tinha sido um bom trabalho, já que aquela cirurgia era tão delicada e demorada. Depois dos agradecimentos, Jordan pode voltar para casa, já que fazia quase doze horas que ele estava no hospital sem descanso em sem nenhum cochilo. O dia estava amanhecendo, em Nova York. Os primeiros raios de sol nem apareciam no céu, mas as nuvens já estavam começando a tonalizar-se de laranja. Do lado de fora do hospital, Jordan foi para o estacionamento pega seu carro e, em suas mãos, carregava um copo de plástico tampado com café. Dentro do carro estava mais confortável e quente. Finalmente ele iria para casa dormir. Nova York é uma cidade muito movimentada, mesmo de manhã cedo. Os trânsitos infernais já começavam naquela hora. Jordan já começou sua manhã mal e agora estava péssima. Queria chegar em casa logo e ir para a sua cama. Que droga! – pensou ele encostando a cabeça no volante. A fila andava lentamente e as buzinas não paravam de tocar. Algumas motos passavam em alta velocidade entre os carros, outros passavam pela calçada. As motos continuavam a passar em alta velocidade e a bater nos carros, e isso fazia com que alguns motoristas gritassem e logo a rua foi dominada pelo caos. Agora


o trânsito estava pior: dominado pelos gritos, buzinas e o estresse dos motoristas. Jordan ligou o rádio, para se distrair um pouco, mas parecia que até o rádio estava contra ele. Na estação, em que já estava sintonizada, o radialista comunicava os acidentes já pela manhã. Jordan não queria ouvir aquilo e partiu para as outras estações, até achar uma que estava tocando musicas clássicas. O trânsito andava um pouco e ficava parada uns dez minutos, então Jordan inclinou a sua cadeira para trás e fechou os olhos, curtindo a música. Jordan não estava dormindo, e sim, descansando os olhos. Quando fechou os olhos, começou á arder um pouco e a lacrimejar. Toda vez que ele passava horas sem dormir e quando fechava os olhos para dormir, isso acontecia. Depois de alguns instantes, as buzinas ficaram um pouco mais forte e intensa, Jordan abriu os olhos e viu que o transito tinha andado um pouco. A vontade de descer do carro e para casa era muito grande, mas a sua casa estava muito longe dali. Olhando para frente, ficava pensando em sua cama e na sua boa noite de sono, no caso, um bom dia de sono. Já estava ficando com dor de cabeça, sinal de que seu corpo estava ficando fraco e precisava de descanso. O seu cérebro gritava, suas pernas já estavam doloridas, por causa do tempo que ficou em pé na cirurgia. Jordan encostou a cabeça no volante, para poder aliviar um pouco da sua dor de cabeça, em vão. A cada minuto que passava, Jordan ficava cada vez mais com sono, já não conseguia manter os olhos abertos. As buzinas, naquela altura, já estavam insuportáveis. – Da para parar de buzinar seu idiota?! – gritou ele para fora da janela. Em resposta, o homem que estava dirigindo o carro de atrás, mandou Jordan se fuder. As motos continuavam a andar em alta velocidade entre os carros, a vontade de abrir a porta e deixar que um se extrapolasse nela era quase incontrolável. A música na radio não ajudava mais, então desligou o radio e fechou os vidros. Depois, dentro do carro, ficou abafado, então ligou o ar condicionado. O barulho de lá de fora melhorou bastante, depois que fechou os vidros. O trânsito não dava nenhum sinal de melhoras. As pessoas na calçada se assustavam com algumas motos que passavam. Isso vai causar um acidente. A paciência de Jordan tinha ido para os ares, estava com muita raiva e com muito sono, ao seu lado uma moto tentava passar pela calçada, Jordan não aguentou e abriu o vidro. – Seu imbecil! – gritou ele – esse lugar é para as pessoas andarem e não motos! Além disso, você pode causar um acidente! – disse ele gritando a plenos pulmões. O motoqueiro, sem nenhuma proteção, virou-se para ele e lhe deu uma dedada. – Tomara que você se esborrache no chão! – gritou Jordan


– O mesmo pra você – disse o motoqueiro sorrindo para ele com deboche. O motoqueiro só estava esperando o fluxo de pessoas na calçada diminuir para acelerar e sair correndo com sua moto. Dentro do carro Jordan nunca desejou tanto o mal para uma pessoa como desejou para aquele motoqueiro. Claro que ele não queria realmente a sua morte, só estava assim por causa da sua fúria. O trânsito andou um pouco mais rápido durante uns cinco minutos, Jordan achou que finalmente iria sair dali, mas quando pensou nisso, o trânsito parou novamente, mas deu um grande avanço. Ah droga! Jordan olhou para o lado e viu que o motoqueiro continuava do seu lado, e continuava a espera por uma brecha e passar. Idiota – pensou ele e voltou a olhar para frente. Ao seu lado tinha um carro, em que quem dirigia era uma mulher. A mulher estava no celular e parecia estar conversando sobre algo muito interessante, pois não parava de rir e de gesticular as mãos. O fluxo de pessoas na calçada diminuiu, o motoqueiro acelerou com tudo. A calçada não tinha nenhuma árvore, só postes. Do outro lado ficavam os prédios. Quando alguma pessoa passava pela calçada, era obrigada a se jogar contra o prédio, para desviar da moto. Em um dos prédios, uma moça saiu com um carrinho de bebê e não viu a moto vindo. O motoqueiro, por puro reflexo, desviou batendo com força a moto em um poste. Ele virou tanto que a moto bateu de lado e envergou. O motoqueiro foi lançado para longe, rodopiando. Bateu de cabeça no chão, primeiramente, depois deu uma cambalhota e caiu de costas, batendo o braço com muita força em um carro. Jordan ouviu o som da batida e o alvoroço das pessoas indo em direção ao acidente. Depois de ver, em sua janela, algumas pessoas correndo para a mesma direção em que o motoqueiro tinha ido, ele saiu do carro e foi atrás. Quando chegou, havia uma pequena roda de pessoas ao redor, saiu empurrando todo mundo até ele chegar à vítima. O motoqueiro estava no chão inconsciente. – Saiam, afastem-se! – gritou ele gesticulando para que as pessoas se afastassem. – Eu sou médico! – anunciou ele para aqueles que teimassem a não se afastar. Com muito cuidado, ele analisou o seu pulso do braço esquerdo, já que tinha percebido que o direito estava quebrado. Ele colocou os seus dedos indicador, médio e anular logo abaixo do osso do punho, na direção do polegar. Apertou com firmeza, mas não com muita força. A pulsação normal é entre 60 á 80 batimentos por minuto, mas no pulso não acusa mais do que oito batimentos por minuto. E a veia carótida, no pescoço, deixa de ser perceptível com menos de seis batidas por minuto. Mesmo que não sinta a pulsação, não significa que a pessoa esteja morta. Os batimentos cardíacos do motoqueiro estavam fracos.


Depois de analisar a pulsação, Jordan tentou falar com o motoqueiro, mas ele não respondia, estava completamente inconsciente. Ele se preocupou com o corte que tinha no braço, estava sangrando intensamente. – Ninguém toque nele! – disse ele aos berros, correndo em direção ao seu carro. No carro ele abriu a porta e pegou uma caixa de primeiros socorros, para que quando acontecer um acidente, ele daria os primeiros socorros. Voltando correndo, colocou a caixa ao lado da vitima. Abrindo a caixa, tirou uma luva e a vestiu. Pegou um chumaço de gaze e apertou na região e esperou cinco minutos. Depois dos cinco minutos, o sangue parou de escoar, e constatou que a ferida era superficial. Um homem que estava próximo se ajoelhou e foi fazer uma massagem cardíaca. – NÃO! – gritou Jordan empurrando o homem – ele sofreu um acidente muito forte e talvez grave! Se ele estiver com alguma fratura na região torácica e fizer uma massagem cardíaca, só vai piorar a situação dele. – disse Jordan. O homem assentiu e se afastou voltando a observar. – Alguém chamou uma ambulância? – perguntou ele, olhando para as pessoas ao seu redor. – Sim – disse uma mulher atrás dele – assim que vi o acidente, liguei logo. – disse ela um pouco abalada. – Fez muito bem. – disse ele sorrindo, tentando confortar a mulher. Depois de vinte minutos, a ambulância chegou e, para a surpresa de Jordan, era ambulância do hospital que ele trabalhava. Os homens dos primeiros socorros viram que os primeiros atendimentos foram corretos e colocaram-no na maca. Aproveitando que a ambulância estava abrindo espaço, Jordan pegou o carro e o seguiu. No hospital, o motoqueiro foi logo para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), e Jordan ficou na sala de espera. Sentando em uma das cadeiras, encostou a cabeça na parede e fechou os olhos. A sensação foi de alivio e descanso, sua cabeça girou um pouco, mas nada que o atrapalha-se. Não era a sua cama confortável e quentinha, mas estava tão cansado que qualquer lugar que pudesse descansar estava bom. Enquanto relaxava, alguém lhe cutucou. Era Alan, outro cirurgião cardíaco. – Jordan – falou ele – acorda. – Jordan abriu os olhos com muita dificuldade, a luz forte do hospital incomodava um pouco. – O que foi? – perguntou ele sonolento. – Você não pode dormir aqui. Não era para estar em casa? – perguntou ele surpreso um tempo depois.


– Era... – disse ele voltando a fechar os olhos – mas houve um acidente e quero ver se o rapaz vai sobreviver. Eu fiz os primeiros atendimentos na rua. – disse pausadamente, quase caído no sono. Alan o sacudiu. – Não pode dormir aqui. – Eu sei, mas eu não durmo a... quase... doze horas... – falou ele já se entregando ao sono. – O pessoal da ambulância disse que você pegou o pior caminho para casa, você sabe que tem que pegar a esquerda e não ir direto. – disse ele alertando. – eu estava com sono... – falava ele bem baixinho, quase não dava para ouvir. Desistindo de avisar para não dormir ali, Alan sentou-se ao seu lado e deixo-o dormir, quando o médico viesse com a notícia, iria acordá-lo.


A Testemunha