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Múltiplos397 Fabio Flaks Laura Huzak Andreato Luiz Roque Marcelo Amorim Raphael Escobar Nazareno

WWW.ATELIE397.COM RUA WISARD, 397 VILA MADALENA 11 3034 2132 CONTATO@ATELIÊ397.COM


Amplificador, 2010-gravura em metal 54 x 78cm - edição de 40


Amplificador, 2010-gravura em metal 54 x 78cm - edição de 40

Fabio Flaks De volta aos amplificadores Marshall, como na série de desenhos recentemente apresentados no Centro Universitário Maria Antonia, Fabio Flaks faz agora uma incursão pela gravura.

O amplificador,

objeto associado ao universo pop do rock e dos grandes shows de música, aparece nesta obra como uma espécie de relíquia. A figura que vemos representada aqui se confunde com desenhos de objetos antigos, em almanaques e enciclopédias. Descontextualizado, apartado da cena que normalmente habita, o amplificador torna-se

estranhamente poético e nostálgico, como se conservasse a memória das músicas que já passaram por ele. Não raras vezes, a poética de Flaks opera nesse sentido, seus trabalhos têm o poder de conferir àquilo que representam – até mesmo a objetos produzidos industrialmente e em série – uma presença distinta, inaudita. Fabio Flaks (1977) nasceu, vive e trabalha em São Paulo. É formado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Arquitetura e Urbanismo da USP (2000). Em 2009, defendeu a dissertação A representação do vazio no cotidiano, tornandose mestre em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP. Realizou recentemente a individual Rente no Centro Universitário Maria Antonia (2010), além de individuais na Galeria Virgílio (2006), no Centro Cultural São Paulo (2003) e na Galeria Adriana Penteado (2001). Entre as exposições coletivas que participou destacam-se Paisagem Bruta na Galeria Virgílio (2006) e a 9ª Bienal Nacional de Santos (2004), onde obteve menção honrosa.


Depois de, 2010 - acrílico, lâmpada e instalação elétrica 16 x 36 x 5 cm - edição de 40

Laura Huzak Andreato A obra Depois de, de Laura Huzak Andreato, consiste em uma caixa de acrílico preto – com um recorte irregular na parte frente – da qual sai uma luz vermelha. Quando a peça é fixada na parede, sugere a imagem do sol se pondo atrás de montanhas.

Um pôr-do-

sol eterno, portátil, ligado na tomada, pronto para ser levado para casa. Dos objetos utilitários – do universo do design e da decoração – a obra conserva os materiais sofisticados, o acabamento impecável e a lógica da reprodutibilidade. Na exposição, as peças figuram lado a lado, Depois de, depois de, depois de... formando uma grande linha do horizonte. A seriação, procedimento minimalista por excelência, reforça a monótona passagem do tempo, contado por auroras e ocasos.

Entre o alto

design e o clichê das representações de pôrdo-sol, sobressai a ironia presente na tentativa de trazer a natureza para o ambiente doméstico. Laura Huzak Andreato (1978) nasceu, vive e trabalha em São Paulo. É bacharel em Artes Plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Sua última exposição individual, Balneário, aconteceu na Funarte de São Paulo em 2007, entre as suas exposições individuais e coletivas destacam-se: Mostra Espaços Funarte Artes Visuais, São Paulo (2007); Mecanismos de Aferição no Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo (2006), Planta Baixa na Rua Camaragibe 236, São Paulo (2005); entre outras. A artista foi selecionada para a residência no ateliê de gravura da Fundação Iberê Camargo (2006). Também produziu figurinos para peças de teatro e shows, entre eles Dança-eh-Sá (2006), de Tom Zé. Atualmente, ministra aulas de desenho no curso de Arquitetura da Escola da Cidade.


Das Monster, 2010 - ampliação fotográfica a partir de filme positivo Super-8 -25 x 45 x 34 cm -edição de 40


Das Monster, 2010 - ampliação fotográfica a partir de filme positivo Super-8 -25 x 45 x 34 cm -edição de 40

Luiz Roque Os filmes de Luiz Roque sustentam uma posição de ambiguidade, entre a paródia e o elogio.

Rodados

em super-8, eles utilizam o repertório e a linguagem de filmes antigos, dos primórdios do cinema. A foto Das Monster, feita pelo artista para o projeto no Ateliê 397, é um still de um desses filmes do artista, que leva o mesmo título. A foto mostra uma pessoa caminhando, rosto e corpo cobertos por um longo tecido, em meio a uma paisagem montanhosa e enevoada. Ao mesmo tempo em que há algo cômico nesse retrato do “monstro - fantasma” e na referência à paisagem sombria, tão recorrente nos filmes do expressionismo alemão,

a foto não para

de nos seduzir. Por mais fetichizados que esses elementos possam parecer (eles hoje claramente deixaram de ter um estatuto cult e se tornaram clichês da indústria cultural), há no trabalho algo poético que resiste. Luiz Roque nasceu em Cachoeira do Sul (1979). Vive e trabalha em São Paulo. Usa filme, vídeo, fotografia e neon em suas obras. Seu trabalho tem sido mostrado individualmente em lugares como Paço das Artes (São Paulo, 2008) e Ateliê Subterrânea (Porto Alegre, 2009) e em coletivas como Abre Alas (A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, 2010) e Video Links Brazil (Tate Modern, Londres, 2007). Seu vídeo Projeto Vermelho recebeu o prêmio FIAT (2006) e foi exibido na 12a. Biennnial de L’image en Mouvement (CIC, Genebra, 2007). Em 2010 participa da mostra inaugural da Fundação Vera Chaves Barcellos, Silêncios & Sussurros (Viamão, RS). Recebeu por duas vezes a bolsa Talent Campus (Universidade del Cine, Buenos Aires, 2005 e Berlinale, Berlim, 2007)


sem título, 2012 - serigrafia - 48 x 60 cm papel White Diamond 240g Edição de 40


O artista Marcelo Amorim vem construindo há anos uma obra que

retira do silêncio sua potência

perturbadora. Frente à espetacularização da vida, o artista prefere manter uma produção em baixo tom, solapando pouco a pouco a ideia de que, em um trabalho de arte, a comunicação pode ser feita de modo imediato. Chamando a atenção de forma discreta, mas nem por isso menos aguda, para aquilo que ficou para trás, perdido

sem título, 2012 - serigrafia - 48 x 60 cm papel White Diamond 240g Edição de 40

no tempo, não contabilizado pela História, sua produção

Marcelo Amorim

tem o poder de resgatar coisas – pessoas, hábitos, formas de sociabilidade e comportamentos – esquecidas ou deliberadamente apagadas da memória social coletiva. A técnica empregada em seus trabalhos desempenha papel fundamental nessa construção. O artista frequentemente utiliza materiais antigos como fonte primária de sua pesquisa. Na serigrafia sem título (2012), especialmente elaborada para o projeto Múltiplos397, ele parte de uma fotografia encontrada na internet. Trata-se de uma foto dentre as inúmeras postadas na rede diariamente cuja origem e referentes permanecem não revelados. Utilizar

um material que está à disposição de qualquer um e, ao mesmo tempo, inevitavelmente perdido na quantidade de imagens que a rede nos oferece é um ponto de partida instigante. Revela desde o início que a disponibilização de conteúdos em larga escala traz consigo seu inverso: uma espécie de condenação de todos eles a um esquecimento, a viverem escondidos e sobrepujados por uma avalanche de “fotos do momento”. Na imagem em questão, vemos um retrato do que podemos supor ser um time masculino de basquete, com os homens vestidos com um uniforme onde se lê: “normal”. A foto é um retrato bastante tradicional, com os jogadores postados diante da câmera e uma figura, vestida de terno,

que podemos supor ser o técnico ou o árbitro da partida. Curiosamente, o que se vê não são atletas animados com a partida, mas pessoas sérias e bastante constrangidas. A afirmação de normalidade, estampada nos uniformes, mais nos faz desconfiar de que estejamos diante de pessoas “normais” do que atestam verdadeiramente sua normalidade. O nome parece funcionar como um rótulo, que antes nos faria desconfiar de sua veracidade, como quando lemos em um produto “livre de gordura trans”. O tratamento das pessoas como objetos desprovidos de subjetividade, quase como mercadorias nesse caso em que um rótulo se interpõe entre o sujeito e sua imagem, também nos remete inevitavelmente os retratos de cunho policial, aos presos fichados pela polícia, aos doentes catalogados em livros médicos. Classificados, identificados e rotulados como “normais” os homens retratados mostram-se desconfortáveis em representarem o papel sugerido. Afinal, ser normal pode ser um alívio ou um fracasso, a depender do ponto de vista e das regulamentações sociais que determinam o uso da palavra. MARCELO AMORIM - Goiânia, 1977. Vive e trabalha em São Paulo.Sua pesquisa se desenvolve a partir de imagens apropriadas. Fotografias amadoras que registram situações domésticas como festas e viagens, material didático e imagens do cinema e da publicidade dão origem a obras em suportes diversos como desenho, vídeo, pintura e lambe-lambe. Participou de exposições individuais no CCSP e na Galeria Oscar Cruz e de exposições coletivas em instituições como Sesc Pompéia (2007, 2008), MARP (2008), Sesc Pinheiros (2009), Museu Victor Meirelles (2009), Carpe Diem Arte e Pesquisa (2009), Center for Contemporary Arts e Memorial da America Latina (2010).


Fóssil, 2011 -cimento - 36 x 20 x 13 cm - edição de 20


Raphael Escobar é um artista com fortes influências urbanas. Seja à pé, de skate, de carro ou transporte público, o olhar do artista é extremamente atento a um universo visual que permeia a cidade, seja criado intencionalmente ou apenas

um acúmulo caótico

de símbolos cotidianos que determina uma estética característica das ruas de São Paulo. Muito longe do estereótipo urbano do grafite e da re-estetização

Fóssil, 2011 -cimento - 36 x 20 x 13 cm - edição de 20

urbana, Escobar trabalha com símbolos urbanos

Raphael Escobar

carregados de sentidos a fim de criar interpretações

sua função primária, sem consideração seus aspectos

que dizem respeito tanto à história destes símbolos

implícitos ou simbólicos. O orelhão, presente em

e de seus contextos quanto a seus desdobramentos

quase todos os quarteirões da década de 90, eram

presentes. O trabalho Fóssil é construído sobre um

objetos de uso público, coletivo, que guardavam em

destes símbolos urbanos. Escobar relembra os telefones

si o hábito de utilizar o espaço comum da cidade, foi

públicos de ficha – ou orelhões, seu nome popular-,

gradualmente substituído por telefones privados. Em

anteriormente de grande presença na cidade, criando

primeiro momento, pelos telefones fixos domiciliares,

moldes de silicone a partir de um destes telefones

que garantiam a privacidade da ligação, mas ainda

e, assim, reproduz suas formas em uma escultura de

estavam atrelados a uma arquitetura, em seguida pelos

tamanho real em concreto. Onipresente na cidade

telefones celulares, privados e portáteis, mas ainda

pelo seu baixo custo, grande durabilidade e por ser

limitados a apenas fazer ligações, e hoje com smartfones,

muito moldável, o concreto é uma escolha natural para

pequenos escritórios móveis. Hoje,

o discurso urbano. Foi adotado pela construção civil

que um orelhão é um objeto irreconhecível

brasileira, que o tomou como seu, erguendo prédios,

ou absurdo. Não apenas por seu visual robusto,

pontes, muros, construindo calçadas e o transformando

mas por seu uso, no qual a vizinha ouve sua conversa

no solo natural desta paisagem urbana. Os

há quem diga

orelhões, com a amiga e 4 ou 5 famílias do mesmo quarteirão

assim, são vestígios encontrados em um compartilham de um mesmo número de telefone. O sítio arqueológico de um bairro que, dos anos 80 orelhão, além da óbvia ferramenta de comunicação, é para cá, sofreu sucessivas camadas de urbanização

também ferramenta social, ponto de encontro, é onde

até transformarem no que são hoje. Cidades são

viramos à esquerda para chegar no posto.

muitas vezes celebradas pelo dinamismo urbano. Em

Raphael Escobar - São Paulo, 1987. Artista visual, bacharelando do Centro Universitário Belas Artes,trabalha com intervenções no espaço publico, graffiti e referencias tiradas do meio urbano, da cidade de São Paulo. Premiado com 1º lugar na 21ª Mostra de Arte da Juventude – SESC Ribeirão Preto, selecionado para residencia artística na Casa das Caldeiras, SP e para a 8ª edição do Abre Alas na Gentil Carioca, RJ.

um ímpeto desenvolvimentista, em busca do novo, o que é antigo é descartado levando em conta apenas


Silêncio por favor, 2010 -vidro, madeira e água 41,5 x 27 cm - edição de 40


Silêncio por favor, 2010 -vidro, madeira e água 41,5 x 27 cm - edição de 40

Nazareno A obra de Nazareno para o projeto Múltiplos 397, Silêncio por favor, situa-se

no limite da visibilidade. As

quatro taças de cristal, colocadas sobre uma tábua de madeira, permanecem silenciosas, sem chamar atenção para si mesmas. Para acionar a obra, temos que tocá-la, literalmente. A ocupação do espaço não se faz apenas pela presença visual dos objetos, mas também pelo toque do espectador e pela propagação do som que deles emana. O trabalho acontece nesse trânsito:

aparece, desaparece, converte-se em

música, ocupa o espaço, convocando plenamente a sensibilidade do observador. A produção do artista, já bastante conhecida no meio, é associada a desenhos delicados, inspirados em contos de fadas, no universo infantil ou em situações cotidianas. São desenhos que tocam o vazio, mostrando associações inesperadas, gestos mínimos e frases curtas, porém carregadas de significado. Nazareno nasceu em Fortaleza, vive e trabalha em São Paulo. Formou-se em Artes Plásticas pela UNB (1998). Trabalha com instalações, objetos e desenhos. Entre as coletivas que participou, destacam-se Jogos de Guerra no Memorial da América Latina em São Paulo (2010); Brasília síntese das artes no Centro Cultural Banco do Brasil no Distrito Federal (2010); Geração da Virada - Os anos recentes da arte brasileira no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo (2006). Indicado para o Prêmio Marcantônio Vilaça (2006), também publicou o livro São As Coisas Que Você Não Vê Que Nos Separam (2004). Atualmente é representado pela galerias Mariana Moura (Recife), Paulo Darzé (Salvador), Emma Thomas (São Paulo) e Arte em Dobro (Rio de Janeiro).


Múltiplos397: o que não é simples e nem único... Sob direção de Thais Rivitti e Marcelo Amorim, o Rua

Wisard

Ateliê397, espaço na 397

abre

Múltiplos397.

Foram

a

os

participar

o

projeto

convidados

Fabio

artistas

Flaks, Laura Huzak Andreato, Luiz Roque, Marcelo Amorim, Nazareno e Raphael Escobar. A proposta é de que cada colaborador invista adquirindo um dos múltiplos comissionados pelo espaço

(com

tiragens de 20 e 40 unidades). Com

essa

iniciativa,

o

Ateliê397

pretende, além de arrecadar fundos para continuidade dos demais projetos do espaço, estimular a produção de novas obras, o colecionismo como prática cultural, formar novos públicos e

divulgar

trabalhos

de

contemporâneos.

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artistas


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