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ÓRGÃO DA COMISSÃO DE TRABALHADORES DA CP - Nº 112 Maio 2013

AL I R O

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EDI

POLÍTICA DE DIREITA É INIMIGO DA DEMOCRACIA E DOS PORTUGUESES!

Mesmo depois do presidente da república se ter prestado

a segurá-lo no poder, quando todo o país já viu que não escapará às constantes trapalhadas dos últimos meses, o governo PSD/CDS de Passos e Portas não vai conseguir aguentar a pressão da opinião pública e a luta dos trabalhadores. Toda a gente já compreendeu que as mentiras das últimas semanas demonstraram apenas que o executivo está podre e de podre irá cair mais cedo do que tarde. Até mesmo os mais desatentos observadores já reconhecem que as sucessivas trapalhadas do Passos e do Portas resultam objectivamente das suas gravíssimas contradições políticas e éticas, não relativamente aos dois, mas sim com os portugueses no seu todo. O que o governo está a fazer tem de ser visto como um ataque consciente e brutal ao regime democrático conquistado com o 25 de Abril. Na realidade, quando as pessoas são miseravelmente traídas da sua boa fé pelos políticos que indiscutivelmente, estão a governar em oposição clara e indiscutível com os programas que lhes deram os votos e o poder, o que fica gravemente em risco é a credibilidade da democracia. Foi sempre assim que os fascistas se apoderaram do poder em vários países. Encarando este mesmo problema à escala do caminho de

ferro o inferno porque estão a passar os utentes do comboio e os ferroviários, tem semelhanças com o que se passa ao nível do País e, porque não? da Europa. Os sucessivos governos promoveram a escandalosa dívida pública que hoje nos sufoca, e agora tratam de impor aos trabalhadores, aos pensionistas e aos desempregados o ónus do gravíssimo problema que eles conscientemente criaram com a transferência artificial dos encargos financeiros do governo para a CP. É neste ponto que nos encontramos. Os comissários políticos “administradores” que os sucessivos governos aqui puserem com o objectivo de abocanhar o caminho de ferro público, dando a ideia que “o que é publico não presta, o privado è que é bom”.

A LUTA CONTINUA ATÉ A CAMBADA CAIR NA RUA! As grandiosas lutas dos ferroviários no activo, reformados e suas famílias em defesa dos direitos contratuais, dos salários bem como as grandes jornadas do 25 de ABRIL e do 1º de MAIO demonstraram como os trabalhadores estão predispostos para enfrentarem todos os desafios em defesa dos seus direitos. Foi com este estado de espírito que participamos na grande concentração em Belém no passado dia 25 de Maio para exigir a queda do governo de direita. Não podemos arrefecer a luta que temos estado a travar em prol dos nossos direitos laborais, e, fundamentalmente, em defesa da nossa soberania e do regime democrático que tão vilmente estão a ser atacadas pelas forças da direita que chegaram ilicitamente ao governo com um pograma de austeridade e de roubo contra os trabalhadores e os reformados.


CONTAS DA CP CONFIRMAM SABOTAGEM DOS GOVERNOS As políticas erradas no caminho de ferro, tal como a Comissão de Trabalhadores tem denunciado ao longo dos anos, a situação de insolvência em que a CP se encontra é fruto objectivo da sabotagem sistemática que os sucessivos governos, (PSD, CDS e PS), impuseram a esta empresa pública. A desorçamentação no sector das empresas públicas de transportes atingiu particularmente a CP, a partir do momento em que um governo do PS decidiu transferir dívida pública para a responsabilidade da empresa pesados encargos do governo. Ao mesmo tempo que nos impunha este violento golpe de mágica, os governos do PS e do PSD/CDS agravaram mais a situação com os conhecidos cortes nas indemnizações compensatórias, aliviando assim as contas do Estado e aumentando a pressão crítica da opinião pública sobre o caminho de ferro e, principalmente, sobre os Trabalhadores Ferroviários. E hoje, no total da receita entrada na CP - 93% (noventa e três por cento) é para pagar juros aos bancos, e não estão incluídos os juros do “jogo de casino” das SWAP.

lhadores da CP, a par da destruição líquida de emprego. Tudo ao arrepio dos interesses do país:

Como o quadro demonstra, em dois anos foram retiradas às remunerações dos trabalhadores 37,6 Milhões de Euros, devido à redução dos salários, mas também devido a uma redução de trabalhadores superiores a 10%. Se pensarmos que em dois anos deveria ter havido ainda actualizações salariais que estão congeladas, ficamos com uma ideia ainda mais acertada da dimensão do roubo que se abateu sobre os ferroviários. 2. E prosseguiu igualmente o roubo dos utentes, que viram a oferta reduzir-se e os custos aumentarem.

Nada disto foi feito por acaso. Decisões meticulosamente calculadas para que os partidos no governo satisfaçam a gula dos sem pátria banqueiros. Mas a crise que os trabalhadores, os desempregados e os pensionistas estão a sofrer é filha desta e de outras políticas neoliberais, impostas aos povos aqui e noutros países do sul da Europa. Défice, Divida Pública, reformas estruturais, palavras a partir das quais o Governo da direita, sob a capa da palavra inevitabilidade, associada ao plano de assistência financeira supervisionado pela “troika”, tem imposto sacrifícios brutais, materializados em medidas atentatórios da dignidade humana, tais como cortes salariais, reduções de prestações sociais, a todos os trabalhadores e pensionistas no geral, e aos trabalhadores Ferroviários em particular. A terapia utilizada, demonstra uma total insensibilidade social, porque pretende resolver o problema através de soluções que aprofundam as desigualdades sociais, porque actuam apenas sobre quem TRABALHA, omitindo ou branqueando a responsabilidade que a Alta – Finança, através das suas actividades especulativas, tiveram na responsabilidade da crise actual. Neste documento, tendo por base o relatório e contas da CP de 2012, procuramos alertar os trabalhadores para a realidade da nossa empresa, nomeadamente para o impacto negativo que as actividades financeiras têm na sua sustentabilidade económico - financeira.

Análise da Comissão de Trabalhadores às Contas da CP – 2012 1. Prossegue o ROUBO descarado dos salários dos traba-

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Como os quadros demonstram, em 2 anos o sistema perdeu 111 milhões de passageiros (16,6%), fruto da redução da oferta (12,5%) e do brutal aumento de custos para os utentes (em média 17%). O aumento de custos para os utentes é de tal forma brutal que «anula» a redução de 16,6% na procura. O FACTO de tal aumento ter originado apenas um aumento de 0,3% da receita é a demonstração cabal de que este caminho de espiral recessiva nem permite atingir os objectivos a que formalmente se propõe. Dois dados de 2012 ajudam ainda a ilustrar o caminho de desastre que está a ser seguido: aumentou 8% a tarifa média (5,66€ para 6,12€); e a taxa de ocupação, que o que o ministro da Economia Álvaro Pereira, e o secretário de Estado dos Transportes Sérgio Monteiro no seu PET-Plano Estratégico de Transporte apontava como o grande objectivo da inversão da qual tudo dependia, em vez de subir como o governo PSD/CDS de Passos/Portas dizia ser necessário, volta a baixar, fruto das políticas recessivas em curso (passa de 28,4% para 27,7%). 3. Os juros continuam a esmagar as contas da CP. Ano após


ano, a fatia das receitas que é destinada ao pagamento de juros aumenta, sugando tudo o que é roubado aos trabalhadores e aos utentes e provocando, ainda assim, um novo aumento da dívida.

Reparemos que, mesmo sem contar com a especulação financeira, a transferência de recursos para a banca é cada vez maior, com o peso dos juros a crescer sem parar. Uma realidade que, quando comparada com outros indicadores da empresa ganha um peso ainda maior. É que os juros são hoje mais de três vezes superiores aos custos das remunerações do pessoal, equivalendo a toda a receita gerada pela CP.

4. E a especulação continua igualmente a despedaçar a capacidade financeira da empresa. Neste momento, as perdas potenciais com a especulação, mais os derivados financeiros situam-se nos 135 Milhões de Euros, apesar de a CP ter vindo a terminar (assimilando na dívida) com algumas operações especulativas. O que é impressionante é que alguém que presidiu à Comissão de Ética em plena loucura especulativa, que foi membro, assessora do Conselho de Gerência da Caminhos de Ferro Portugueses-EP, e assumiu tarefas de administração nas empresas do grupo CP, seja agora a Directora-Geral do Tesouro e das Finanças. Assim se prova que a subordinação aos especuladores é tanto marca do actual como dos anteriores governos.

6. Se o Estado fizesse o saneamento financeiro da CP para a manter pública, estabelecendo um contrato de serviço público que, intrinsecamente, estivesse associado a uma politica de longo prazo para o sector e que auto promove-se a sua sustentabilidade económico – financeira (em vez de fazer o mesmo saneamento para a poder privatizar), e libertar a CP do fardo da desorçamentação, do subfinanciamento e da sangria para a banca que criaram e alimentam a sua dívida, e assumir uma postura de serviço público como sempre reclamámos, a CP é uma Empresa com um potencial enorme, capaz de pagar salários justos e cobrar preços que estimulem a utilização do transporte público, capaz de contribuir para a urgente dinamização da economia nacional. Infelizmente, o que o Governo se prepara para fazer é entregar as suas unidades que podem gerar lucros rápidos aos capitalistas do sector, em novas e desastrosas parcerias público-privadas, as quais em ultima análise vão acarretar, de forma directa o aumento do desemprego, através duma política de despedimentos, para alem de uma redução efectiva das remunerações hoje praticadas, bem como para os Utentes aumentos directos dos transportes, diminuindo desta forma o seu poder de compra, e indirectamente promovendo o incremento do défice e da divida publica, decorrendo destas novas medidas de austeridade. 7. Lembramos aqui que foi o próprio Vitor Gaspar que já reconheceu publicamente que a desorçamentação pelo Estado foi um dos factores determinantes para a criação da dívida das empresas públicas. Mas se o Governo o reconhece, nem por isso mudou a sua prática. E este ano, apesar de numa escala menor, o investimento da CP foi novamente suportado por via do recurso ao endividamento (Cobertura das despesas de investimento: PIDDAC 1,925 Milhões; QREN 228 Mil; Endividamento 15,159 Milhões).

5. É toda esta situação que explica que apesar do Resultado Operacional ser cada vez mais positivo (o EBITDA antes de rescisões, participadas e justo valor, passa de 39,4 para 45,6 Milhões) o resultado líquido mantêm-se profundamente negativo (em 223 Milhões), esmagado pelos juros, pela especulação e pela dívida. O resultado operacional nas três unidades que o governo pretende concessionar (CP Lisboa, CP Porto e CP Longo Curso) são muito mais positivos que, por exemplo, os registados pela FERTÁGUS, apesar do endeusamento que a ideologia dominante faz da gestão privada (e assim justificando a gula dos privados por estas unidades), esquecendo se de referir os milhões de euros injectados pelo Serviço Publico naquela empresa a título de compensações.

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TUDO ISTO É FRAUDE TUDO ISTO É MENTIRA Aqui há quarenta anos cantava-se um fado que, em subs-

que sei chega e sobra para perceber que não são os trabalhadores, incluindo os desempregados e os pensionistas, que estão a sofrer os momentos mais dramáticos desta crise do sistema capitalista, que põem o lucro e a especulação como únicos objectivos da economia.

Chegámos ao ponto em que os governantes não passam de meros serventuários de uns tantos banqueiros e escritórios de advogados que dominam o mundo subterrâneo das finanças e da corrupção.

-Mas, eles dizem a todo o momento, sem se rirem, que os sacrifícios estão a ser igualmente distribuídos por todos.

tância, dizia: “ tudo isto é triste, tudo isto é fado”. Sem qualquer queda para o saudosismo, poderemos hoje dizer que tudo isto é fraude, tudo isto é mentira.

Num dia estão à cabeça dum escritório de advogados, que dirige e monta o “dossier” do Metro do Porto, ou estão em instituições financeiras e negoceiam PPPs, ou são gestores em empresas públicas, nomeados pelos governantes, para no dia seguinte surgirem como ministros ou secretários de estado que tutelam a política das mesmas empresas. Tão simples como isto. Qual conflito de interesses qual carapuça… E foi desta forma que esta gente andou a sacrificar os utentes dos comboios com greves atrás de greves, para só agora concluírem que, afinal a razão estava da lado dos trabalhadores que não se vergam aos roubos do governo e aos cortes da troika, que de três em três meses atracavam em Lisboa tão sinistra como o cobrador do fraque. Um dia a História há-de dizer a verdade sobre esta crise que esmaga nosso povo, mas a minha Teresa, que de parva não tem nada, já sabe o que os historiadores irão escrever sobre esta tragédia que a gula de alguns está a fazer desabar sobre os trabalhadores e os reformados.

-Olha, Zé: só mesmo um ceguinho dos piores, que são os que se recusam a ver a realidade, é que pode engolir uma dessas. Tu não sabes que a violência que tem estado a crescer nas escolas se deve, em boa parte ao furto dos lanches? Tu não sabes que nos supermercados a maior parte dos furtos incide sobre os alimentos? -Eu sei, Teresa, mas a verdade é que a poderosa máquina de propaganda do governo continua a lançar a confusão nos espíritos… -Mas temos de ter esperança no crescimento do número de pessoas que começaram a ver a realidade, isto é, que começam finalmente a compreender que o Sol quando nasce deve ser para todos e, não apenas para os que nos exploram moral e materialmente, sim, porque os mais explorados são ainda os que não têm consciência da injustiça a que estão a ser submetidos... -Mais palavras para quê! se a minha Teresa acaba, mais uma vez de pôr os pontos nos iii...

-Olha Zé... eu não percebo nada de finanças mas o pouco

Zé Ferroviário

Plenário Nacional de Comissões e Subcomissões de Trabalhadores Porto no dia 7 de Junho na Casa Sindical do Porto (junto á estação da CP de Campanhã) Horário: Inicio às 10h.00 - encerramento às 17h.00 a que se seguirá uma acção de rua e conferência de Imprensa. “À TABELA” Nº 112 Maio de 2013 Orgão da CT da CP

Redacção - Secretariado da CT da CP Composição e Impressão - CT da CP Calçada do Duque, 20 1249-109 LISBOA Tel: 211023739 - 211023924 COM_TRAB_CP@cp.pt

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À Tabela 112  

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