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ORGÃO DA COMISSÃO DE TRABALHADORES DA CP

EDITORIAL

Nº 72

COM A SUA HISTÓRIA UMA CP MODERNA PARA CAMINHAR NA VIA DO FUTURO AO SERVIÇO DO PAÍS E DOS UTENTES

MAIS DO MESMO

NÃO As eleições do passado dia 20 de Fevereiro deixaram bem claro o desejo de mudança da esmagadora maioria do povo português. Pensamos, portanto, que a legítima esperança popular numa mudança efectiva de políticas não pode sair, mais uma vez, frustrada. Seria imperdoável que, com uma maioria inequívoca e poderosa da esquerda, o País continuasse a ser governado pela direita. No plano mais geral, os eleitores têm o direito de exigir uma verdadeira política de esquerda nos planos económico e sociais. Os trabalhadores exigem que os aspectos mais gravosos do Código do Bagão sejam eliminados, assim como o plafonamento das contribuições para a Segurança Social, que visa, no essencial, beneficiar as seguradoras, pondo em risco a sustentabilidade do sistema público, universal e solidário. O povo exige, ainda, que o novo governo aposte na defesa inequívoca do Serviço Nacional de Saúde, pondo um ponto final no indecente negócio da sua entrega à gula insaciável dos grandes grupos financeiros. Na Educação os portugueses esperam do novo governo medidas concretas que apontem, desde já, para o combate ao abandono escolar e ao reforço da eficiência de todo o espaço da Escola Pública.

No plano laboral exigem os trabalhadores que o governo aposte efectivamente no abandono das estratégias de competitividade assente nos baixos salários e promova a formação profissional em exercício para todos os interessados. Quanto ao sector ferroviário o que os trabalhadores e os utentes esperam deste governo é que seja abandonado o plano que visa, objectivamente, entregar tudo o que garante lucro fácil aos privados, reservando para o Estado só o que dá prejuízo certo. O que os trabalhadores ferroviários e os utentes esperam do novo governo não são novos exemplos de Fertágus, à qual a travessia do Tejo foi entregue pelo eng.º João Cravinho, depois do afastamento compulsivo e de legalidade duvidosa,

para custar hoje, ao Estado, muito mais que custaria a CP, não obstante cobrar aos utentes tarifas duas vezes e meia mais altas que as praticadas na empresa pública. Para este sector o que se espera do governo agora em funções é que promova o desenvolvimento integrado do caminho de ferro, uma vez que os últimos vinte anos demonstraram a falência total das estratégias baseadas na pulverização do sistema, com a entrega posterior a novas Fertágus, ou seja a empresas vocacionadas para mamarem nas tetas do Estado, sem quaisquer riscos. Se perderem, o Estado indemniza. Se ganharem arrecadam. Eis o que esperamos do novo governo em matéria social e para o caminho de ferro. Só o tempo nos dirá se as nossas esperanças são infundadas.„


DA VIA NOTÍCIAS DA VIA NOTÍCIAS DA VIA Comissão de Trabalhadores da Caminhos de Ferro Portugueses, E.P.

Sub-Comissão de Trabalhadores de Porto São Bento - 5 Membros

COMISSÃO ELEITORAL PLENÁRIO GERAL ELEITORAL

Todos os trabalhadores sedeados em Porto São Bento.

CONVOCATÓRIAS

Sub-Comissão de Trabalhadores da Linha do Norte e Vouga - 3 Membros

Tendo em conta a duração do mandato prevista no Artigo 54º dos Estatutos aprovados e o disposto nos Artigos 91º, 92º e 93º dos mesmos Estatutos, a Comissão Eleitoral da Comissão de Trabalhadores convoca todos os trabalhadores da Caminhos de Ferro Portugueses, E.P., para o acto eleitoral a realizar no dia 30 de Março de 2005, entre as 8.00 horas e as 18.00 horas, com o seguinte objectivo:

ELEIÇÃO DA COMISSÃO DE TRABALHADORES DA CAMINHOS DE FERRO PORTUGUESES, E.P.

Tendo em conta a duração do mandato prevista no Artigo 54º dos Estatutos aprovados e o disposto nos Artigos 65º, 91º, 92º e 93º dos mesmos Estatutos, a Comissão Eleitoral da Comissão de Trabalhadores convoca todos os trabalhadores da Caminhos de Ferro Portugueses, E.P., para o acto eleitoral a realizar no dia 30 de Março de 2005, entre as 8.00 horas e as 18.00 horas, com o seguinte objectivo:

ELEIÇÃO DAS SUB-COMISSÕES DE TRABALHADORES DA CAMINHOS DE FERRO PORTUGUESES, E.P.

Sub-Comissão de Trabalhadores da Linha do Minho - 3 Membros Todos os trabalhadores de Contumil exclusivé a Valença, Linhas de Leixões e Guimarães e Ramal de Braga.

Mesa 6 - Porto São Bento

Todos os trabalhadores de General Torres a Aveiro, Linha do Vouga e Ramal de Aveiro. Mesa 7 - Espinho Mesa 8 - Aveiro

Sub-Comissão de Trabalhadores das Linhas do Norte e Beira Alta, Ramais de Cantanhede e Alfarelos - 5 Membros Todos os trabalhadores de Coimbra, Figueira da Foz, e Alfarelos, Linha do Norte de Pombal a Aveiro exclusivé, Linha da Beira Alta e Ramal de Cantanhede. Mesa 9 - Coimbra

Sub-Comissão de Trabalhadores de Entroncamento, Linhas do Leste e Beira Baixa - 5 Membros Todos os trabalhadores do Entroncamento, Linha do Norte de Setil exclusivé a Pombal exclusivé, Linhas do Leste e Beira Baixa. Mesa 10 - Entroncamento

Sub-Comissão de Trabalhadores das Linhas de Sintra, Cintura e Oeste - 5 Membros Todos os Trabalhadores das Linhas de Sintra, Cintura e Oeste e Manutenção de Campolide. Mesa 11 - Lisboa Roma/Areeiro (Estação)

Mesa 1 - Viana do Castelo Mesa 2 - Ermesinde

Sub-Comissão de Trabalhadores da Linha do Douro - 3 Membros Todos os trabalhadores de Ermesinde exclusivé a Pocinho, Linhas do Tâmega, Corgo e Tua. Mesa 3 - Régua

Sub-Comissão de Trabalhadores de Contumil - 5 Membros Todos os trabalhadores sedeados em Contumil. Mesa 4 - Contumil

Sub-Comissão de Trabalhadores de Campanhã - 5 Membros Todos os trabalhadores sedeados em Campanhã. Mesa 5 - Campanhã 2

Sub-Comissão de Trabalhadores da Linha de Cascais - 5 Membros Todos os trabalhadores da Linha de Cascais e Manutenção. Mesa 12 - Cais do Sodré (Estação)

Sub-Comissão de Trabalhadores da Avenida da República - 5 Membros Todos os Trabalhadores sedeados na Av. da República. Mesa 13 - Avenida da República (Edifício)

Sub-Comissão de Trabalhadores de Lisboa Rossio - Serviços Centrais - 5 Membros Todos os trabalhadores sedeados no complexo de Lisboa Rossio, Edifício da Informática de Campolide e porta 14 da Calçada do Duque. Mesa 14 - Complexo de Lisboa Rossio


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Sub-Comissão de Trabalhadores de Campolide CP Lisboa - Serviços Centrais 5 Membros Todos os trabalhadores sedeados nos Serviços Centrais de Campolide CP Lisboa. Mesa 15 - Campolide (Serviços Centrais)

Sub-Comissão de Trabalhadores de Lisboa St.ª Apolónia - Serviços Centrais - 5 Membros Todos os trabalhadores sedeados nos Serviços Centrais, CP Frota, CP Regional, CP Longo Curso e Manutenção. Mesa 16 - Lisboa Santa Apolónia (Serviços Centrais)

Sub-Comissão de Trabalhadores de Lisboa Santa Apolónia - Estação - 5 Membros Todos os trabalhadores sedeados na estação de Lisboa Santa Apolónia e Linha do Norte até Setil. Mesa 17 - Lisboa Santa Apolónia (Estação) Mesa 18 - Lisboa Oriente (Estação)

Comissão de Trabalhadores da Caminhos de Ferro Portugueses, E.P

COMISSÃO ELEITORAL

INFORMAÇÃO Nos termos dos Estatutos, a Comissão de Trabalhadores já nomeou os seus três representantes para a Comissão Eleitoral que vai organizar e presidir à eleição da próxima C.T. E respectivas Sub-C.T.s. Assumindo desde já as suas funções a Comissão Eleitoral, informa que a eleição para o próximo mandato será efectuada no dia 30 de Março de 2005. Ao dar início às suas funções a Comissão Eleitoral, faz a divulgação das convocatórias, das Sub-C.T.s a eleger, o número de membros de cada uma assim como o seu âmbito e os locais das mesas de voto.

A COMISSÃO ELEITORAL APELA À PARTICIPAÇÃO DE TODOS OS TRABALHADORES NESTE ACTO ELEITORAL

Sub-Comissão de Trabalhadores de Barreiro - 3 Membros Todos os trabalhadores de Barreiro a Pinhal Novo. Mesa 19 - Barreiro (Estação)

Sub-Comissão de Trabalhadores de Sul / Sado - 3 Membros Todos os trabalhadores de Pinhal Novo exclusivé a Praias do Sado e Poceirão. Mesa 20 - Poceirão (Complexo Oficinal)

Sub-Comissão de Trabalhadores de Alentejo / Algarve - 3 Membros Todos os trabalhadores das Linhas do Alentejo a partir de Poceirão e Praias do Sado exclusivés e do Algarve. Mesa 21 - Faro (Estação)

Votos por Correspondência Todos os trabalhadores da empresa que votarem por correspondência.

É APROVEITAR

ATÉ AO FIM Com o aproximar da inevitável (porque habitual), dança dos “boys” o CG da CP não tem perdido tempo na tarefa de deixar o maior número de lugares de relevo ocupado por gente de confiança. Já estão os trabalhadores acostumados a esta quase diabólica dança das cadeiras, mas, desta vez, talvez devido ao sobressalto das eleições antecipadas, a coisa está a ganhar foros verdadeiramente grotescos, para não dizer-mos escandalosos. Depois das admissões de vários administradores nos quadros das empresas do sector, chega-nos agora a notícia da colocação de um apagado economista à frente de uma das mais pequenas empresas do grupo. Para ser despedido terá agora de ser indemnizado chorudamente. Os que ainda há pouco barafustavam contra os “boys” rosa, tratam agora de deixar bem arrumadinhos os “boys” laranja. Uma vergonha.„

Mesa 22 - Lisboa Rossio (Sede da C.T.)

“À TABELA” Nº 72 MARÇO DE 2005

Lisboa, 10 de Março de 2005 A Comissão Eleitoral

Orgão da Comissão de Trabalhadores da CP-EP Redacção - Secretariado da Comissão de Trabalhadores da CP-EP Composição e Impressão - Comissão de Trabalhadores da CP-EP Calçada do Duque, 14 Tel: 213215700 Ext: 23 739

1249-109 LISBOA Fax: 213430738 3


Na realidade a língua não tem osso A minha Teresa, que, como todos sabemos, e, por isso mesmo, não era preciso repetir aqui pela enésima vez, é tudo menos parva, ficou, de certo modo, desapontada com a hecatombe eleitoral que afastou a direita da governação. - Já agora gostava de ver como é que isto seria depois deles cumprirem as promessas de fundo que andaram para aí a fazer. Um garantiu, jurando a pés juntos, que em dez anos fazia de Portugal o país da Europa com o melhor nível de vida. Acima da Alemanha, da Suécia, da Finlândia, do Luxemburgo e por aí acima. Outros, cavalgando na mesma onda, prometeram, também com o horizonte de uma década, transformar a CP na empresa ferroviária mais moderna e financeiramente mais equilibrada de todo o espaço da Península Ibérica, portanto do Cabo da Roca aos Pirinéus... Eu ainda procurei deitar água na fervura, lembrando à minha Teresa que os políticos têm muitas vezes tendências para se deixarem entusiasmar com as suas propostas, não

podendo, por isso, os seus exageros serem, por sistema, considerados como mentiras deliberadas, já que em psiquiatria isso pode-se atirar para a gaveta dos excessos de imaginação. - Mas é nessa categoria que eu arrumo a maior parte das promessas que nos fazem, sobretudo as que são feitas sem serem pré estabelecidas. - Desculpa lá, Teresa, mas agora não estou a perceber. - É muito simples: Quando um governante ou um simples seu representante ou delegado, por exemplo, numa empresa pública, nos vem dizer que vai fazer tudo para que o povo seja mais feliz, combater o desemprego e a miséria, assim como dar luta à fraude e à evasão fiscal, tudo isso não passa de conversa fiada, na medida em que as promessas não datadas não passam de cantigas de embalar. Mas quando a frente de promessas, por mais fantasiosas que elas sejam, se põe uma data, de curto ou médio

prazo, a coisa muda de figura... - Para mim, Teresa, quando se promete uma coisa e se diz quando é que a promessa vai ser cumprida, há, pelo menos, um mínimo desse rigor no discurso... Mas como todos sabem a minha Teresa, além de muito esperta, é, sobretudo, um osso duro de roer. Para ela se dar por vencida é preciso muito. - Então tu nunca ouviste dizer que a língua não tem osso? Quando se trata de falar só para se levar a água a um determinado moinho vale tudo. - Mas... - Qual mas, nem meio mas... Só para tu veres melhor como estás a ser enganado, vou-te lembrar aquela velha anedota, que já tem barbas de metro e meio, mas que, para certas ocasiões, continua a ter a mesma actualidade: - Três bêbados subiam a Avenida da Liberdade, já altas horas da noite, e um deles disse: - Se eu fosse primeiro ministro a primeira coisa que fazia era baixar o preço do vinho para menos de metade. O segundo bêbado, ripostou: - Eu, então, se fosse do governo, baixava o preço do vinho para um terço. Mas o terceiro, não querendo ficar atrás dos seus companheiro da borga, rematou: - Eu, se fosse ministro das finanças, aos Sábados e Domingos punha o vinho à borla, para nós, os profissionais. Nisto, um do trio tropeçou num buraco e, por que iam todos agarrados uns aos outros, caem todos no chão. Comentário de um guarda nocturno que ouvira o interessante diálogo: - Ora bolas, agora que isto ia entrar nos eixos é que cai o governo...„

Zé Ferroviário

QUE MOTIVAÇÃO? ENCONTRO DE QUADROS CUSTA 30 MILCONTOS À CP Numa empresa que se mostra tão avara quando se trata de actualizar miseravelmente os salários dos trabalhadores, temos de convir que não bate a bota com a perdigota quando se sabe que foram gastos 30 mil contos (150 mil euros), na organização de um encontro de quadros no Palácio dos Congressos, no Estoril. É caso para dizer que o CG é, para umas coisas (para a propaganda acima de tudo), uns mãos rotas, enquanto para outras, como são os salários dos trabalhadores, transformar-se, de repente, num verdadeiro unhas de fome. E para que serviu o tal encontro de quadros? 4

Que se saiba serviu só, e apenas, para explicar aos quadros que a nova estratégia deste CG, “mexida”, ao que consta, pela mesma inspiração programática que está na origem da queda do governo da direita. Esta nova estratégia, assenta numa palavra mágica: MOTIVAÇÃO. E a coisa foi preparada ao pormenor. O guru do encontro acabou por ser o dr. Fernando Pinto, o brasileiro administrador da TAP, que explicou aos presentes como foi feito o reequilibro financeiro da transportadora aérea. E não disse que o Estado assumiu uma parte da dívida no valor de 180 milhões de contos. Se a CP recebesse esta motivação

também ficaria no caminho para o equilíbrio do défice de exploração. Mas parece que tudo isto fica mais confuso (ou talvez mais claro), quando Manuel Moura, em nome do PS, numa reunião em Lisboa, defendeu que os problemas da CP não passam por qualquer motivação, mas sim, pelo contrário, pela privatização das áreas de negócio, uma vez que, segundo afirmou, o Estado tem de deixar de ser operador. Bom seria que ao falar em motivação, o CG não ignorasse totalmente os trabalhadores, porque toda a gente sabe que é fácil estar-se motivado quando se recebem milhares de contos por mês, como é o caso do tal brasileiro.„


À Tabela 72