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12 A prospeção mineira e a actividade do geólogo

outros), são indispensáveis às sociedades modernas. Indústrias como a química, a alimentar, a farmacêutica, bem como atividades como, a metalurgia, a agricultura, a construção civil, a eletrónica e as telecomunicações, entre muitas outras, dependem em absoluto de recursos minerais. No entanto, estes recursos minerais não são ilimitados e, ao ritmo acelerado a que são consumidos, os que atualmente são escassos vão esgotar-se rapidamente e os que ainda não o são em pouco tempo irão reduzir a sua disponibilidade (Fig. 2). O problema atinge maiores proporções se pensarmos nas restrições de exploração impostas por políticas ambientais e uma crescente urbanização. De tudo o que foi referido fica claro que se torna imprescindível a procura e a definição de novos jazigos minerais, passíveis de serem economicamente exploráveis. É neste âmbito que atua a prospeção mineira, procurando-os e tentando determinar as suas características qualitativas e quantitativas com uma finalidade lucrativa.

o potencial de uma área ou região em relação a determinado mineral/elemento químico. Às vezes a existência de antigas explorações mineiras pode ser, por si só, um indício de potencial mineiro. Na sequência desta fase de seleção de áreas favoráveis dever-se-á formalizar o pedido de concessão da mesma para Prospeção e Pesquisa, ao Estado. Para isso é necessária a planificação dos trabalhos a realizar, tendo em conta a disponibilidade financeira. É fundamental aqui o papel do geólogo pois trata-se de otimizar investimentos, bem como, definir os meios e as técnicas a utilizar. Após obter a Concessão de Prospeção e Pesquisa, dá-se início à fase de prospeção estratégica, tendo como alvo as grandes áreas que possuem características geológicas com potencial para albergar mineralizações económicas. Em Portugal, esta fase foi em tempos desenvolvida pelo Estado, através do Serviço de Fomento Mineiro (SFM). Atualmente este trabalho é conduzido por Empresas Privadas assim como por projetos, normalmente científicos, e essencialmente efetuados pelas Universidades (exemplo: teses de mestrado e doutoramento) e pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).

Figura 2 – Antigo desmonte da mina da Panasqueira.

Em prospeção mineira desenvolve-se um trabalho que consiste numa sucessão de etapas, algumas delas extremamente complexas e demoradas, envolvendo geralmente a utilização de diversos métodos e/ou instrumentos e meios humanos especializados. Estas etapas implicam muitas vezes a realização de investimentos extremamente avultados que tornam a prospeção uma atividade de grande risco. Assim, é necessária uma avaliação cuidadosa da situação no final de cada etapa, antes de se avançar para a seguinte, para se ponderarem os riscos envolvidos. A procura de um jazigo mineral começa com a sinalização de áreas com potencial. Esta fase consiste no reconhecimento geral de vastas áreas, através de cartografia geológica (elaboração de cartas na escala 1:50 000) ou outro tipo de estudos, que alertem para

Figura 3 – Realização de amostragem em canal (Jales).

Estes trabalhos conduzem à determinação das áreas de maior potencial que serão então alvo de uma prospeção tática. As áreas onde se poderá vir a desenvolver uma exploração mineira, caso a quantificação e a relação valor/custo sejam positivas, são mais pequenas e os trabalhos de prospeção passam a ter maior detalhe. São assim desenvolvidos diversos trabalhos de geologia mais pormenorizados (Fig. 3) como sejam: cartografia geológica; geoquímica de sedimentos de corrente; geoquímica de solos; amostragem litogeoquímica, trabalhos de geofísica – gravimetria, elétrica, sísmica, VLF, magnética, eletromagnética; radiometria; realização de trincheiras,

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Geonovas n.º 26  

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