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Associação de Ideias Ambientais e Ações Socioculturais Art22 AIAASCA. Organização Vinícius de Carvalho Lage Edição e Textos AIAASCA Projeto Gráfico Gibran Muller Capa Davi Alexandre. Tela: Art22 e o fragmento invisível / 2004 Vídeos e Fotografias Arquivo Art22 Revisão Priscila Borges e Marilene Rodrigues.

Ponto de Cultura Art22: origens e cavucultura. Belo Horizonte: Associação Art22, 2014.


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sumário

INTRODUÇÃO

- 07

HISTÓRICO ART22

- 09

OCUPAÇÕES - FOMENTO DE ESPAÇOS CULTURAIS - 26 AÇÃO GRIÔ SANTA LUZIA - 34 PONTO DE CULTURA ART 22 -

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PONTINHOS DE CULTURA Aprendiz do Lúdico - 65 CAVULCUTURA -

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REDE DO ESPINHAÇO -

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ENSAIOS PARA UMA PEDAGOGIA- 87 TEXTOS DE REFERÊNCIA E CITAÇÕES - 104 LEGENDA DAS FOTOS

- 106


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INTRODUÇÃO Entre as Serras da Cordilheira do Espinhaço, na bacia do Rio das Velhas, afluente do São Francisco, está localizada a cidade de Santa Luzia / MG. Nascentes minerais de muitas eras; águas brotam de beira a beira. Cascalhos e barro - fórum de ouro e buraco aluvião - se estendem a infinito (...) interior. Santuários - templos da terra, faces de pedras pontiagudas, cristais; quartzos quânticos, paralelos; nióbio, ouro e diamante. Tele transporte por paragens de serra, onde a mata atlântica se converte em cerrado, acervo de flor - doce de leite. Serras tantas: Piedade, Curral, Itacolomy, Breu, Cipó. Estrada Real. Sinuosos vales transitam nos antigos mares de Bambuí. Afloram conchas e cachimbos, restos de cerâmica e mortalha. Povos de Luzia descobrem teus mantos rupestres ressurgindo insights. Tapuia - Krenak auê. Lançam-se ao vento as transmigrações culturais das eras e dos territórios. A chama da gruta acende-se, o oráculo anuncia aos povos a chegada de outras eras, simultaneamente. Há cerca de 400 anos exploradores bandeirantes invadiram estas terras, tomando-a de assalto, embutindo sua cultura e forjando outra. Incrustadas em montanhas, à margem de rios e garimpos, vilas e cidades foram crescendo por tanta riqueza mineral. Santa Luzia foi um destes arraiais, ouríferos; local de garimpos, tropeiros, pousadas, teatros e cortes, escravos e índios. No final do século XIX é construída a nova capital do Estado de Minas Gerais - Belo Horizonte respondendo à demanda de crescimento do estado. Desde então Belo Horizonte cresceu devido ao grande fluxo de migrantes dos interiores para a capital, assim como de pessoas provindas de outras partes do Brasil. Seus bairros, indústrias, comércios, ruas e avenidas se expandiram até as fronteiras das cidades centenárias e coloniais de Santa Luzia, Sabará e Nova Lima. A cidade de Santa Luzia, centenária nas barras do Rio das Velhas, sentiu os impactos desta população crescente que vinha trabalhar na capital mineira, mas buscava moradias mais baratas na região metropolitana. Luzia. Santa Luzia. São Bené. Cristina e Palmital. Baronesa. São Cosme. Conquista. Grutas, Espinhaço. Mãe do Ouro, Mãe da Luz.

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No final da década de 1950, o Distrito de São Benedito começou a ser formado. Diversas fazendas existentes na região foram transformadas em loteamentos. Possuindo uma grande área verde, o São Benedito tinha características interioranas, com uma maioria de população de imigrantes; povos que vinham em busca de trabalho e melhores condições de vida. E assim as avenidas começaram a traçar suas moradas, e logo os prédios, casas e barracos tomariam o lugar das matas. Com a chegada de pessoas desabrigadas pelas enchentes de 1979, no Rio Arrudas em Belo Horizonte, a região passou por um crescimento populacional desordenado. No inicio dos anos 1980 começou a implantação dos então maiores conjuntos habitacionais da América Latina - Conjuntos Cristina e Palmital. O sonho da "casa própria" atraiu muitas pessoas e entrelaçou muitas culturas diferentes. Nesta década grupos de jovens das igrejas, pessoas e associações iniciaram atividades organizativas em busca de uma cidade melhor. Podemos citar como importante instrumento de informação e reflexão o Jornal Estopim, a Capoeira de Rua do Palmital, as comunidades eclesiais de base, o movimento dos sem casa, os grupos Unlão e Consciência Negra, de Samba, Black Dance, as danças nas ruas e as grandes gincanas culturais que se faziam por aqui. Pelas ruas de buracos, terra e esgoto a céu aberto, também cortejavam reis e rainhas das resistentes guardas de Congado; estas mesmas ruas foram espaço de estabelecimento de terreiros e centros religiosos afrodescendentes. Outras linguagens artísticas eram aplicadas pelas bases comunitárias ou pastorais como é o caso de grupos de teatro e musicais. Além, é claro, dos festivais undergrounds conduzidos pelos movimentos punks, hippies, uma soma derivada da cultura rock and roll. Ainda hoje a cidade não deu conta de resolver os problemas de infraestrutura consequentes desse crescimento desordenado, e o Distrito de São Benedito enfrenta problemas como coleta de lixo, transporte público, asfaltamento de ruas, ausência de espaços públicos de lazer, cultura e arte, entre tantos outros relativos à urbanização não planejada. E o vetor norte da região metropolitana continua sendo alvo de mais crescimento populacional, ressaltado pela construção do novo centro administrativo do governo de Minas Gerais, obras viárias e implantação de outros conjuntos habitacionais se consolidaram. Por essas e outras transições, e pelas rápidas transformações, ondas migratórias, sociais, culturais, virtuais, é que contamos esta história.


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HISTÓRICO ART22 Em 1990 os moradores do Distrito de São Benedito estabeleceram elos fortes com a própria comunidade e isto veio a delinear trajetórias de vida marcantes, pessoas que se encontraram cada qual com seu acervo cultural, mas com muito em comum, principalmente a vontade de construir espaços para a arte e a cultura nesta região. Neste ano se articularam artistas, agentes culturais, educacionais, ativistas ambientais, possibilitando ligações permanentes e intercâmbios de conteúdos. Aconteceram interlocuções entre educadores, militantes e artistas, dos quais podemos citar os nomes de Alex Manso; Alexandre Rato; Alexandre Ribeiro; Cristiano Cançado; Evandro Nunes; Eduardo Martins; Evangely Rodrigues; Jairo Rodrigues; João Lima; Jonnhy Herno; Klinger Teodoro; Lucimar Pacheco; Mestre Zuim; Paulo Nazaré; José Faria Julio; Suzane Duarte; Vânia Diniz; Vinicius de Carvalho; Waldir Marques, Ronaldo Black; Wellington (Tom) Nascimento; Zé Carlos (Sind'eletro); dentre tantas outras pessoas. "percebendo que em nossa comunidade existem vários artistas (poetas, compositores, músicos, dançarinos, atores, grafiteiros, desenhistas, etc.) produzindo trabalhos interessantes, mas um tanto desmotivados, pensamos então em criar com o auxílio da comunidade, das associações, das rádios comunitárias e de outras entidades, uma mobilização a fim de promover eventos que possam englobar o que chamamos de “expressão”, em todos os gêneros, sem limitação alguma". [Cristiano Cançado Rocha, 1999]. "os olhares mais atentos, que sondam os abismos, podem perceber soluços, rastros raquíticos de personagens sem sombras. São artistas mergulhados no caos social, lutando contra a camisa de força que enforca toda dança, deixando-os escrever apenas nas margens do caderno. Embargado dentro de um quarto, o artista descreve uma história de ausências generalizadas, pois vive sem qualquer alicerce para abrir os cobertores e busca isoladamente brotar-se do asfalto. Nós, artistas, buscamos alguma mão elevada, mas não a encontramos; procuramos um palco que está sempre naufragado nas bocas de lobo; tentamos pintar uma janela fechada e além de tudo pensamos estar sós na guerrilha urbana, camponesa, total. No final temos notícias de suicídios artísticos, ou melhor, assassinatos calados, e o pior: abortos cometidos em clínicas burocráticas". [fanzine 2206 , 1999].

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Estas aproximações localizadas aconteciam com a mesma frequência em que se ampliava a malha de acessos à cidade (parte alta), o que nos fez entrar em contato com as centenárias arquiteturas, suas capelas, seu teatro municipal. O contato entre a Parte Alta (como é chamado o Centro Histórico de Santa Luzia) com sua Parte Baixa e seus distritos (seus conjuntos, favelas e bairros populares), começou a existir de forma conflituosa. Neste tempo foi marcante a atuação dos núcleos de teatro da Parte Alta. Podemos citar nomes como Nélio Horta e Fernando Fabrini, que logo se fizeram presentes nas mobilizações comuns, populares. O Teatro Municipal, que antes era frequentado apenas pelos luzienses das famílias tradicionais, passa a receber espetáculos dos grupos de teatro, musica, dança afro, capoeira angola e dança contemporânea de outras partes da cidade. Aos poucos fomos interagindo com simpatizantes e outros coletivos de artistas, como a Associação dos Artistas e Artesãos de Santa Luzia (AASL). Nestes anos aconteceram inúmeras intervenções urbanas, poéticas e performances em vários espaços da cidade: escola, praças, eventos, etc. Em 1999 foi elaborado o texto intitulado “Quartefato”, em tom apaixonado, aluado; manifesto que foi apresentado aos segmentos da cidade.


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Destes trânsitos regionais e da proximidade e pertencimento identitário com a capital, mais especificamente com o vetor norte de Belo Horizonte, se consolidaram outras expressões e parcerias. Outros espaços marcantes pela história e potencialidade de encontros culturais foram, e continuam sendo, o Centro de Cultura Parque Lagoa do Nado e a UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais; são estes locais onde convergem pessoas de toda Grande Belo Horizonte. Na Lagoa do Nado pudemos conviver com preciosos artistas, e entre eles muitos se engajaram na caminhada associativista: Amilton Alves; Daniel Porto; Davi Alexandre; Grace Alves; Marco Llobus; Priscila Borges; Thibau; Tiago Chapéu; Ricardo Evangelista; entre outros. Amigos, geraizeiros de outras genealogias, raízes e redes, somaram-se colaboradores das ações aqui no São Bené: Carlos (Caca) Felipe de Oliveira; Francisco Cereno; Gustavo Fernandes; Laura da Matta Machado; Ludmila Benquerer; Roberta Lage; Roberto Soares; Thiago Araújo; Vicente Júnior; Vinícius Moreira, entre tantos. Esta linha histórica aconteceu de forma circular e convergente, construída pelo acaso e coincidências. Redes de afetos e simpatias, proximidade entre o produto do meio e o intuitivo, de forma simultânea e com naturalidade. Mandalas foram desenhadas a partir do encontro de instituições parceiras e amigos-artistas. Em 2001 fizemos a tentativa de manutenção de um local, denominado espaço cultural Concreto e Clorofila, na época casa de Johnny Herno e Luciana Rodrigues. Na casa iniciamos uma série de mobilizações e publicamos quarenta exemplares do zine 2206, livreto de fotocópias que viria a culminar no atual Cabeça de Papel, e que ainda iria apontar o nome da Associação Art22. O comer junto, dormir, acordar, bater tambor. Sem início e sem um fim. Pontos de reticências. 11


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"no muro úmido, o número 446 referência par no código dos números passeio pela ladeira de piche na métrica do bom pastor, sem as árvores urbanas que dividiam a mão direita e a mão esquerda antes da encruzilhada, do percurso do rio, hoje canal, e do bosque que agora é praça sinto o cheiro da faixa amarela que divide a subida e a descida sem a fileira de postes, permanece crescendo o arbusto na parede úmida do número 446 o concreto clorofila" Jonnhy Herno - mimese 2014


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Movimento Circo Sem Lona No ano de 2002 um projeto cultural chamado Universidade Livre do Circo (UNICIRCO), se instalou na cidade de Santa Luzia. A ação que tinha o objetivo de trabalhar com cultura através linguagem do circo na comunidade, não teve prosseguimento. Vimos mais um projeto social ser desviado. O projeto deixou abandonada uma lona circo em bom estado, além de alguns contêineres, no bairro Cristina C. Com carrinhos de mão, vassouras, malabares, enxadas, pernas de pau, urucuns, violões, tambores e figurinos, resolvemos intervir sob a lona. E transmutamos aquilo que seria um desvio, em um caminho: "Durante o período de março a dezembro de 2003, artistas do Art.22 e companheiros, além da margem do barulho, ocuparam silenciosamente o espaço ocioso. Ao lado do final das linhas dos ônibus coletivos 2206C, 1205 e 5528, onde havia espaço aberto com uma lona de circo montada, abandonada e desgastando-se lentamente. Com olhos clínicos, vivos e olhos da alma, esses artistas trataram de fazer a criançada se esbaldar de divertimento saudável, aprendizagem lúdica, noções de teatro, contação de história, brincadeiras de roda, percussão, artes plásticas e artes circenses. Num local onde justamente termina e começa a jornada do trabalhador assalariado. Onde palpita a rotina do ir-e-vir casa-trabalho. Logo à frente já havia uma padaria, já havia pão. Só faltava o circo". (Lopes de La Rocha - Art.22, +/-10 anos: percalços, percurso e persistência, 2010. Texto inédito).

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E o que seria isto? Novamente quem escreveu tomou uma torta na cara! Mas não! Reunimos a civilidade dos milagres convictos nos inusitados que batem o cheiro do tambor. Temos por paciência a cravada dos becos. O botijão subindo o morro. O socorrer das aliterações. O Hemisfério dos ciclos. O reboliço da composição da favela. O jogar truco e apelar aos zelos; a infância. Com inflamações calmas e fricções do frio e da fome. Entre os paradigmas multidimensionais e a dádiva permitida aos que praticam pela arte, a SAUDAÇÃO À VIDA.” [in Cabeça de papel nº 3 – especial circo sem lona, 2007].

O espaço da Lona foi transformador de nossas vontades, regando nossas sementes-vidas para o florescimento de todas as ações posteriores. Passamos a movimentar o espaço quase que diariamente. Durante nove meses, o universo da lona foi ocupado com muita brincadeira, música, atividades circenses, teatrais, poéticas e com oficinas de formação artística para a população carente de espaços de cultura e lazer. “Sustento vital, acordar de manhã e assumir um lugar, portanto aqui estamos, uns se negando, outros afirmando, mais distantes ou presentes, de qualquer forma todos envolvidos, no giro, na rotação do planeta (...) os lugares são abandonados, outros espaços, como a porta de casa mesmo, entre o ponto de ônibus e outro. E ao longo de anos a memória se acostuma e nem se pergunta mais onde o coletivo vai dar. 22's e 55's parecendo barcos, tabus de salvação para nos tirar destas ilhas, mas será que aqui, nestes nossos lugares, estamos tão ilhados assim (?).” [Palhaço Pindaíba]


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Neste período o movimento Art22 se consolidou e encontrou outras pessoas fundamentais, entre elas: Andréia Cristina; Bruno Reis; Jana Diniz; Luiz Henrique de Sousa; Marcos Vinícius; além de outros colaboradores já citados nesta história. Também nesta época começam a palpitar outros saberes, como os ambientais, e a retomada de mobilização pela preservação da Mata do Raul e instalação de parque ecológico-cultural nesta área. Começamos a tomar as ruas com manifestações, cortejos populares e passeatas de palhaços, as chamadas Paiaciatas. Porém, no início de 2004, quando todos se retiraram para as viagens de férias, a Lona foi retirada entre vaias e repúdios comunitários, e dela não mais tivemos notícias. "Não arrancamos calorosos aplausos, mas conseguimos algo mais importante: emoção e encantamento. Os responsáveis pela instalação do equipamento, com olhos também vivos (diga-se de passagem, bem grandes), com seus olhos de cifras e sua inteligência de bolso, na calada do silêncio, retiraram a lona e, num gesto de injustiça, manifestaram a indiferença para com a iniciativa. A paisagem do espaço perdeu sua cor, as atividades cessaram naquele local, mas permanecem na memória dos habitantes que participaram e assistiram. Mais uma experiência nos fortaleceu." (Lopes de La Rocha - Art.22, +/-10 anos: percalços, percurso e persistência, 2010. Texto inédito).

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Calendário fora do tempo (

)

germina vida expressiva de cada maracá-cascudo Vivências pelos terreiros para o céu sô auto in gestão multimídia: teatrosliteraturasperformancesmúsicasvídeoscircosvisuais ...pontos de resistências...

Depois da remoção da lona, em 2004, os diversos artistas e agentes culturais se reuniram na criação de três coletivos artísticos com o intuito de desenvolver pesquisas e ações voltadas para as linguagens das artes cênicas, da música, da produção em audiovisual e literatura, promovendo uma híbrida vocação estética. O Art22 é, ao mesmo tempo, gerador e produto, de quatro coletivos culturais principais: o grupo Alvorada Pé Vermei; a Iniciativa Luzia de Memórias, Mídias e Artes Ilummiar; a Organização Cênica de Amadores – OCA; e o Segmento Literário Cabeça de Papel. Foi criado, ainda, um núcleo de produção de eventos e um núcleo ambiental. Estes grupos de base, cada um dentro de sua linguagem artística particular, participaram ativamente da constituição e continuidade do Art22, que, em contrapartida, possibilitou o surgimento e apoiou a continuidade das ações dos mesmos.

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CIRCO SEM LONA Vicente Júnior num circo mágico vi todo futuro surgir uma ciranda sorrir uma cidade cantar e todo artista que vê se encanta com o lugar com a pessoas de lá uma cidade nascer vi o palhaço molambo a carreata no morro o violeiro do campo o velho pediu socorro bumba meu ônibus tem e o Mala malabarista e o pipoca já vem sapateando na pista eu sou artista do circo sem lona mas certa vez o poder que não queria ajudar ficou sabendo da festa no esquecido lugar e pra tristeza de todos que brincavam na lona só em lembrar me comovo deixaram circo sem lona eu sou artista do circo sem lona

mas nem por isso acabou o sonho fica no ar tem saltimbanco pra vir e o circo continuar laboratórios de ideias com artes vem integrar o circo pertence a todos e só preciso embarcar.


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O C A - Organização Cênica de Amadores Pra onde foi o palhaço e o artista circense quando a lona sumiu? O Movimento Art22 possui longo histórico de atividades de intervenção cênica, tendo seu início embaixo de uma lona de circo, reunindo entre seus colaboradores artistas cênicos das mais variadas linguagens: atores, palhaços, circences, brincantes, bailarinos. Desde o ano de 2003 a reunião destes artistas cênicos já foi identificada com variados nomes, atualmente denomina-se como Oca Organização Cênica de Amadores.

Este grupo é responsável pela idealização e execução do Movimento Circo Sem Lona; das Paiaciatas; e de outros tantos cortejos e apresentações de rua em seus mais de dez anos de reunião. Neste período o grupo realizou uma série de cursos e oficinas em programas sociais; atividades de formação e apresentações artísticas; desenvolveu dinãmicas lúdicas de brinquedos e brincadeiras; consolidou parcerias com outros grupos, entre eles o Coletivo de Palhaços de Belo Horizonte; tendo no ano de 2005, participado do projeto Circo Miko, em temporada de dois meses na cidade de Paraty- R J . A organização Cênica de Amadores foi responsável por muitos intercâmbios entre a Associação Art22 e caravanas de artes deste universo..


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O grupo aprofundou experiências, também, na dramaturgia clássica europeia e de outras escolas do circo; nos estudos do teatro brasileiro, sobre o teatro do oprimido e o teatro antropofágico. Reconheceu técnicas distintas para aplicar em seu repertório: do teatro do objeto, teatro físico, teatro de boneco às performances contemporâneas. Atuou com suas cênicas em muitos espaços e eventos, como no Sarau de Poesia da Lagoa do Nado e em outros eventos na Universidade Federal de Minas Gerais. O grupo percorreu comunidades quilombolas e garimpeiras em parceria com o Núcleo de Estudo Social do Trabalho Humano (NESTH-UFMG). Engajou-se nas atividades lúdicas de brinquedos e brincadeiras, percorrendo vilas-favelas de Belo Horizonte através de programas sociais, como o programa Casa do Brincar (Pastoral da Criança- Prefeitura de Belo Horizonte). Traçou uma longa trajetória por Pontos de Cultura através do projeto Saber Popular na Cordilheira do Espinhaço, oportunidade em que realizou uma imersão no Circo do Capão - Palmeiras / BA. Através do projeto de Ponto de Cultura Art22 interagiu com a comunidade de Teatro Rural de Taquaraçu de Baixo

(Santa Luzia / MG), buscando auxiliar e tomar aula com os antigos mestres da localidade. Manteve contato com outros tantos mestres das artes circenses, do teatro de rua e rural. Mais recentemente, no segundo semestre de 2013, o grupo realizou apresentações e pesquisas sobre a cênica indígena, no projeto Outras Antropofagias Amazônicas, buscando referências na performance xamânica, nos saberes dos tricksters de aldeia, palhaços indígenas, heyokah hotxuas, nas histórias e dramaturgias de deuses, demiurgos e heróis ameríndios.

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``ator sem texto; aprendemos a ser palhaço em frente à loja de colchão. Animamos festinha de bebê e de vovô. Fomos aos sinais correr atrás de uma moeda. Subimos no picadeiro e apresentamos também na praça. Batemos becos e descemos vielas, nos guetos, quilombos e favelas. Rompantes, andarilhos, nômades, amadores. Feiras nordestinas e improvisos bufões. Riso que soma-se aos rizomas dos atores, palhaços, a brincantes e de folia, de boi janeiro, de cultura popular. Ervas medicinais na cena - palhaço xamânico, mambembe pajelança,"


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Alvorada Pé Vermei O grupo Alvorada Pé Vermei teve inicio no ano de 2004, a partir do desenvolvimento de oficinas de percussão e construção de instrumentos para a comunidade do Conjunto Cristina e bairros vizinhos. A partir do protagonismo de Gibran Muller, a ação agregou pessoas, como André Varogh; Camila e Dalila Varogh; Edyano Neves; Eduardo Douglas; Geston Machado; Renatinha Baterista e sua irmã Nathaliane; Renato Zoya; Roberto Vambeto; Rômulo Silva; além de várias crianças da comunidade. Desde então o coletivo vem criando espaços de fomento e formação, apresenta suas obras artísticas, aprofunda e divulga suas pesquisas sobre os ritmos e a cultura popular brasileira. As atividades do Alvorada Pé Vermei possibilitaram a aproximação do Movimento Art22 com a Guarda de Moçambique Nossa Senhora da Guia, do bairro Asteca, com o Catopê da Comunidade de Pinhões, com o Candombe da Mata do Tição e com o Batuque da Lapinha da Serra, assim como templos de umbandas e candomblés. O grupo desde então, passou a integrar os cortejos populares, Festas do Rosário, brincadeiras de boi e batuques.


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A atuação do grupo teve crucial importância no sentido de potencializar as ações musicais dentro do Movimento Art22, sendo responsável, pelo contato com tantos outros músicos, tais como Black Pio, Vicente Junior, Nádia Campos, Seu Ribeiro, Linete Matias, Família Guiga, além de Mestres da música popular, como Sr. Antônio e Sr. Luiz. Ao longo dos anos o Alvorada foi se desenvolvendo musicalmente e se estabelecendo enquanto grupo de apresentação, tendo como marca autêntica a atuação coletiva, as brincadeiras e os ritos populares. O grupo subiu ladeiras e palcos, como no Encontro Minas MBP e Festival de Arte Negra/BH. Produziu com o Grupo Caçuá de Piaçabuçu / AL, o Espetáculo Folguedos da Nascente a Foz. Nestes anos de trabalho obteve como resultado a concepção e gravação do espetáculo Cawuco em formato DVD no ano de 2013, com apoio da Funarte/MinC. Em abril de 2014 representou o Brasil no Penang World Music Festival, na Malásia (com o apoio do Programa Música Minas), marcando de maneira primorosa seus 10 anos de existência.


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Iniciativa Luzia de Memórias Mídias e Artes A proposta da Iniciativa Luzia de Memórias, Mídias e Artes surgiu tão logo se percebeu a necessidade de registrar o que estávamos fazendo. O grupo organizou-se a partir da tendência de trabalho com o suporte do audiovisual artístico (cinema, TV, vídeo arte) , com as artes tecnológicas, as novas referências de comunicação livre e o mídia-ativismo. Contou com a participação de Lucimar Lima Pacheco, Daniel Barbosa, entre outros integrantes. Percebendo que estes acessos tecnológicos convergem também para a massificação de conteúdos; a Iniciativa surge com a proposta de formação de multiplicadores na área do audiovisual e tecnologias aliados à criação artística. Mesmo com pouco acesso aos bens tecnológicos, o coletivo conseguiu desenvolver ações de formação e foi responsável pela captação e armazenamento do acervo de imagens do Art22. Com a chegada de equipamentos de audiovisual em 2005, foram realizados três programas televisivos sobre os bens culturais de Santa Luzia. Na mesma época surge, também, a proposta de gravação do documentário É pra ontem, sobre a memória e a transformação social dos conjuntos habitacionais no Brasil, de forma mais específica dos conjuntos Cristina e Palmital, que no momento de suas construções foram considerados os maiores da América Latina.

Atualmente este coletivo possui um grande acervo de imagens e vídeos sobre o Movimento e Associação Art22 e sobre outros acontecimentos de cultura e arte de Santa Luzia, da capital mineira e região metropolitana de BH, bem como de outras cidades do interior de Minas Gerais. É responsável pela produção de diferentes vídeos, institucionais e artísticos e alguns deles de forma aleatória estão presentes no espaço multimídia deste catálogo. A Iniciativa Luzia trabalha localmente com a mobilização e articulação popular, propondo a criação de um centro de referência de audiovisual, artes e tecnologias, para a cidade de Santa Luzia.

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Movimento nos olhos de Luzia Marco Lobo Nas malhas das constelações, signos sugerem leituras por aspiração, um mapa em rede intricada, tramada e expelida pela força do primeiro grito de deus. Arfa holográfica a vontade de um ser, que sobre o sopro de seu desejo, propaga em todas as partes o espirito arfante querer gozar da vida, suas verdades. Mesmo que esta verdade apenas seja prenuncio entre a foz e a inevitável mortalha da saudade. Neste eterno despertar dos beneditos, reclamam as velas em procissão e, sinos repipocam por clamantes mãos dadas, que na ciranda do tempo, estendem uma sobre a outra, alimentando de sorrisos e lágrimas esta dança frente à fogueira dos instantes. Sopram histórias, derrotas, vitórias neste aconchegante céu de circo, onde sempre cabe mais um, outro parte, e assim gira girassol para colher do astro-mor, o ensejo de ousar sobre as amarras deste viver a inspiração de seu renascer.

Durante este ciclo, continuamos a lançar nossa revista de literatura. Mais adiante, em 2004, o Zine 2206 passa a ser publicado como Cabeça de Papel. Estes fanzines tinham publicação anual, e nele se misturaram as diversidades estéticas, linguagens visuais e verbais. Mais um Cabeça de Papel era lançado, voantes folhas, que de mãos em mãos polarizavam ideias, sentimentos e palavras. Com o projeto do Ponto de Cultura Art22, foi viabilizada a produção de 04 edições da Revista Literária Cabeça de Papel. O Coletivo busca se credenciar enquanto selo editorial e dar continuidade as publicações dos periódicos literários.


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Cabeça de Papel Veículo de circulação literária; logo no início do Movimento Art22, mais precisamente no ano de 2001, é posto em circulação o Zine 2006, fanzine ou revista popular que tinha o objetivo de dar voz a escritores da periferia. O nome fazia referência à linha de ônibus que atendia ao bairro - 2206. A ideia do fanzine surgiu a partir de uma carta encontrada pelo poeta Cristiano Cançado. Nela havia um texto, no qual uma desconhecida expressava a importância da poesia. Um texto que chamava escrita, palavras distribuídas de afeto - inscritas, erradas-em-acerto: Envereda mos por atividad es literária s: performances, intervenções poéticas e rodas de histórias em praças, saraus; artes orais. Fundamental para isso foi o Sarau de Poesia do Centro de Cultura Lagoa do Nado, que reunia poetas de diversas regiões da cidade, literaturas distintas e sintonizadas.

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Ocupações - Fomento de espaços culturais


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Quintal do Bananal Em 2005, conjuntamente com a Frente Cultural, ação coordenada por Gustavo Fernandes, vivenciamos a implantação do Centro Cultural Quintal do Bananal, no bairro Bonanza. Foram seis meses de atividades no espaço que era ocupado em modelo de comodato e realizadas ações, eventos culturais, apresentações artísticas, etc.

A partir dessa contato estreito com a comunidade do bairro Bonanza diversas fluências e influências desaguaram. Foi ali, na estrada do bananal, que neste tempo se intensificaram as caminhadas ao CEEDUAPAZ / Alto Santo de Minas (Igreja do Santo Daime), presidida por Luiz Roque e Manoel Donizzet. 27


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Casa da Banca Ainda no ano 2005, mas desta vez no conjunto Cristina, em parceria com a Associação de Capoeira El Shaday e a Sociedade Artística de São Benedito foi concebido o Centro Cultural Casa da Banca. Também em sistema de comodato, e com a coordenação do Mestre de Capoeira Zuim, o espaço movimentou a Praça da Juventude, oferecendo oficinas, eventos e rodas de capoeira. No Ano de 2006, foi a vez do Seu Ribeiro coordenar a ação. E ele vai além e levanta uma apresentação do seu olhar sobre os desdobramentos desta iniciativa. "Há mais de 35 anos morando no distrito de São Benedito, tive a felicidade de testemunhar a transformação sociocultural e ambiental desse grande aglomerado que hoje se consolidou como o polo comercial do município de Santa Luzia! Vi as primeiras ruas serem pavimentadas e a construção do conjunto habitacional denominado Cristina que foi o estopim para a grande explosão demográfica da nossa região. Com a chegada de milhares de novos moradores, a região passou por vários capítulos em sua evolução proporcionando o surgimento de diversos grupos e movimentos sociais agrupados sobre as mais diversas bandeiras, mas nenhum desses grupos e movimentos lograram tanto êxito, do ponto de vista antropológico e organizacional como o que veio a ser conhecido e reconhecido como Ponto de Cultura Art22.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:27;Data:31 de Jul de 2014 13:41:43

No início, dezenas de artistas, músicos, poetas, pensadores, atores, brincantes e agentes culturais começaram a se reunir motivados pelo mesmo desejo, realizar atividades artísticas e culturais na região, lançando mão da paupérrima infraestrutura local, como os espaços ociosos negligenciados pelas administrações publicas municipais, que não traçaram um plano específico que desse suporte à produção artística e cultural do município. Em pouco tempo, o movimento começou a ganhar corpo e assim surgiu a necessidade de se organizar e então surgiu a Associação de Ideias Ambientais e Ações Socioculturais Art22. Durante todo o processo que garantiu ao Art22 o reconhecimento e consolidação de sua estrutura quanto Ponto de Cultura, foram realizadas centenas de ações integradas que vão desde passeatas, intervenções, mostras, fóruns de culturas e seminários a realizações de eventos fora do município de origem, abarcando municípios de outros Estados brasileiros e nações! Enfim, considerando a forma espontânea que deu origem a esse processo de consolidação de um movimento popular sociocultural e ambiental, cabe a todos nós, membros da sociedade brasileira celebrar agora com este livro a importância, vocação e sucesso do Ponto de Cultura Art22”. - Alexandre Ribeiro da Costa – Seu Ribeiro

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Chácara da Arte

A chácara possuía um grande espaço, o que nos possibilitou formatar nosso fazer artístico pautado pelas ideias da cultura integral e pela

Em 2006 o Art22 ocupou, em regime de

relação homem-natureza; pedagogia

comodato, um espaço privado e ocioso no

desenvolvida em anos de tentativas de

bairro Baronesa. Tratava-se de uma chácara

ocupações, movimentos e mobilizações

abandonada, cuja proprietária residia em

comunitárias. O movimento no espaço era

outro Estado. Através da intervenção de

grande, muita gente trabalhando com

nossos amigos, os irmãos Vinícius e Leila de

consciência: Cristhofer Rocha, Edyano

Castro, que intercederam junto à proprietária,

Neves, Helbert Lima, Jaqueline Luana

conseguimos a concessão do espaço por

Ferreira, João do Circo, Joílson, Mikhail

dois anos, em troca de serviços de benfeitoria

Patrício, Tadeu Tunai, Tânia Machado, além

e zeladoria.

de todas as pessoas já citadas anteriormente

Mãos a obra. Estávamos diante de um espaço completamente degradado. Incenso, tambor e fogueira nas noites depois do putirum. Chá de erva cidreira, manga, lichia, nas manhãs de faxina. Foram realizados mutirões de reformas, conduzidos pelas relações com meio ambiente e permacultura. Bioconstruímos palco, área de lazer, designer de aldeia.

Revitalizamos nascentes,

replantamos e roçamos. Começamos a cavucar a terra para semear. Refizemos linhas elétricas, telefônicas e cipós. Fizemos a corrida das toras. Milho, mandioca, alface, feijão e couve serviam pessoas de diversas famílias. Gastronomia solo solar. Água muita.

nesta história, que contribuíram para revitalizar o lugar. Colaborações inúmeras, mútuas e espontâneas. Chá - Chacra Chácara. Neste espaço mantivemos uma boa biblioteca, uma oficina multiuso, salas para cursos, exposições, exibição de cinema e apresentações, além de

área verde

recreativa. Neste mesmo ano foi registrada a Associação de Ideias Ambientais e Ações Sócioculturais Art22.

O espaço tornou-se,

também, sede da recém-registrada Associação e local de encontro de grupos e pessoas das mais variadas vertentes do desenvolvimento humano.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:29;Data:31 de Jul de 2014 13:41:44

Realizamos eventos com temas relacionados às colheitas, como "O milho e os Maias" e "O

Rodas de Capoeira, dinâmicas corporais,

feijão dos saberes". Recebemos a Guarda

yoga. Recebemos exposições de Sandra

de Moçambique Nossa Senhora da Guia, na

Ruas, David Alexandre, intervenções visuais

mostra Etnias da Arte em parceria com a

de Alexandre Rodrigues - AR e outros

comunidade Kolping São Benedito e com

grafiteiros. Foram oferecidos cursos nas

representantes do movimento cultural

áreas de circo, teatro, música, artesanato,

afrodescendente. O Encontro da Presença

horta orgânica, palestras e debates. Tivemos

Feminina foi realizado no espaço, discutindo

inúmeras apresentações musicais das quais

a participação da mulher no campo da cultura

podemos citar: Família Guiga, Seu Ribeiro e

e da arte. Foram diversos Saraus de Poesia,

Samba Amigo. Além da contribuição de

história contada em documentário da

mestres e pessoas com grande sabedoria.

Associação de Imagem Comunitária - AIC.

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Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:30;Data:31 de Jul de 2014 13:41:46

Ressalta Cristiano Cançado: "Exposições, fóruns, recitais poéticos, espetáculos, performances e o criativo Piscine (vídeos projetados no interior de uma piscina vazia) fizeram sucesso. É inegável que também nos deparamos com dificuldades em mediar dissidências. Tivemos de lidar com percepções divergentes, diferentes necessidades, emoções ambíguas e expectativas diversas entre nós mesmos. Afinal, diversidade não é apenas uma mistura de cores. Passamos então a refletir e estudar acerca do funcionamento do terceiro setor, seus conceitos e instrumentação operacional".

Recebemos artistas e ativistas de diversos estados brasileiros; e de países como Estados Unidos, México (Caravana Arco-Íris), Grécia, França, Israel, Índia,

Espanha e de toda a

América do Sul. Mantivemos parceirias com o programa Fica Vivo, CEAPA,

Pro-Jovem,

Escolas Públicas. Éramos, ainda, parceiros do Programa de Redução de Danos, que com a atuação de Roberto Soares, desenvolveu no espaço um projeto piloto, que serviu de modelo para os usuários deste sistema.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:31;Data:31 de Jul de 2014 13:41:47

Foram dois anos de brincadeiras e trabalhos intensos; ao final nos despedimos do lugar sabidos do que era aprender. Aprender foi, portanto, nossa sabedoria. Alguns bons mestres nos visitaram, dentre eles: Ailton Krenak, João Guarani, Seu Chico do Alto da Serra, Biriba, Ivan Diniz, Grão mestre Dunga. E com a conclusão do acordo nos retiramos do lugar. A experiência havia acontecido. Saímos com toda uma pedagogia aplicada e um resultado imaterial e material que perduraria no conceito Cavuco – Cavucultura - método pedagógico prático e teórico, filho de ações coletivas e individuais; herdeiro de tantas outras influências e autonomias, permaculturas e ciber tecnologias, licença do mestre e clarividência do lúdico. Sendo este estudo a base para a nossa atuação enquanto Ponto de Cultura e ainda suporte itinerante a semear outras unidades culturais.

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Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:32;Data:31 de Jul de 2014 13:41:49

AÇÃO GRIÔ SANTA LUZIA A Ação Griô é uma rede de reconhecimento do saberes orais existentes no Brasil através de ações que interligam os mestres, as comunidade e as escolas. A Associação Art22, desde sua criação, transita no universo das sabedorias populares e tradicionais. Formada por um grupo de jovens inclinados a dialogar com a cultura dos mestres, das magias, do profano e do sagrado, o Art22 inicia sua trajetória neste campo de ações com o projeto denominado: Sabedoria da Oralidade, aprovado pelo Ministério da Cultura no Edital Ação Griô em 2008, executado entre os anos de 2009 a 2011 no município de Santa Luzia. Acreditando que os conhecimentos orais, em transversalidade com os conceitos pedagógicos escolares, desconstroem a lógica de que a educação se faz apenas no âmbito escolar, a Associação Art22 fez uma parceria com a escola Municipal Santa Luzia por intermédio do projeto Ação Griô. A instituição e a escola realizaram uma ação inovadora e avançada no município, criando dentro e fora da escola, espaços significativos para a realização do aprendizado.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:33;Data:31 de Jul de 2014 13:41:50

Assim, em um encontro formidável de educadores de níveis variados, se fizeram presentes as mestras Olga Rufino e Eva Aparecida da Guarda de Moçambique Nossa Senhora da Guia; Helena Coutinho, benzedeira, vidente e líder comunitária do Bonanza. Estas três mulheres preciosas trouxeram histórias e enriqueceram o universo escolar. Os mestres Luiz e Antônio, músicos do cavaco e do violão; Zuim da Capoeira; e João Lima, da horta orgânica, também compuseram o grupo de mestres. Foram realizadas inúmeras vivências com os estudantes, professores e coordenadores certificando a importância da interlocução da sabedoria oral aos saberes formais. O projeto piloto foi coordenado pelos mestres e mestras, por Marilene Rodrigues, griô aprendiz, e pelo Art22 juntamente com a diretora Heliane Maria, as professoras, os estudantes e a equipe pedagógica da Escola Municipal Santa Luzia. A ação se estendeu para a Escola Estadual Murghi Ibraim localizada no Conjunto Cristina, com o apoio da diretora Marilda; e também para o CESEC do Palmital tendo como parceiros professores, estudantes e os coordenadores João Neto e Silvania Colares.

Os mestres de Santa Luzia

participaram ainda do Projeto Radio Grio do Ponto de Cultura Guaimbê - Pirinopolis - Goias

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Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:34;Data:31 de Jul de 2014 13:41:51

PONTO DE CULTURA ART22 Art.22: Ônibus do transporte público que fazia o

Art.22: Gíria periférica a dizer: arteiros, artemporais,

itinerário do cento de BH, até a ZN; São Benedito,

os doidim, delirantes, alucinados, sem noção, gênios,

Cristina, Baronesa, Asteca e Santa Luzia. 2241. 2240.

mendigos, amantes, médiunizados, seresteiros,

2209. 2211. 2208. 2209. 2210. 2215. 2207.

anarquistas, palhaços, artistas, lúcidos por demais.

Art.22: Sugere artigo jurídico, lei em qualquer

Art.22: Dual, em parcelas de individualidades de

regimento, estatutos, declarações da ONU, c.v, talibã,

quatro. 2 + 2 = OITO. Dois patinhos na lagoa, yinyang.

farc, religiões, estatuto, regimento. Artigo.

Números, nomeação, numerologia. O oito deitado, infinitamente um.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:35;Data:31 de Jul de 2014 13:41:52

O que são os Pontos de Cultura? O projeto aprovado constava de uma série de Era a hora (...)

ações que se justificavam pela falta de

Pontos de culturas são ações culturais desenvolvidas pelas comunidades e reconhecidas pelos poderes públicos.

As

políticas públicas para cultura no município de Santa Luzia. O projeto foi desenvolvido em quatro ações principais:

ações são selecionadas a partir de edital público com intuito de fortalecer iniciativas culturais e impulsionar as atividades de organizações culturais em todo país. Os Pontos de Cultura fazem parte do Programa Cultura Viva - Ministério da Cultura; no caso dos Pontos de Cultura de Minas Gerais, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura MG. Em 2010 celebramos o Convênio junto a Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais e Ministério da Cultura e assim nos tornamos Ponto de Cultura Art22. O convênio firmado entre a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e a AIAASCA, foi de R$ 180.000.00, divididos em 03 parcelas unicas de R$ 60.000.00 ano. A AIAASCA disponibilizou R$ 36.000,00 como contra partida.

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Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:36;Data:31 de Jul de 2014 13:41:53

Casa Biriba de Produções bem antes do inicio do movi art22 o seu quintal floricultura já era ponto de encontro: palco de ensaios, espaço para reuniões de associações e partidos políticos. Terreiro de batuques em celebração à vida. Oca de tecer projetos, fabricar e guardar obras e instrumentos de arte. Inclusive, em décadas passadas, chegou a desdobrar-se num floras/bar de seletos frequentadores. Espaço “verde-cinzamarrom”, onde as estantes com seus livros dialogavam com jardins. A disposição dos objetos e da mobília, os livros e o ar do ambiente propiciavam debates, palestras, ativismos, festas, amizades, reuniões, brincadeiras, sarais e serestas. Flores vivas (...)

Um dos objetivos propostos pelo projeto Ponto de Cultura Art22 foi a consolidação da Casa Biriba de Produções enquanto espaço de difusão de ações culturais, a Casa tornou-se o centro de gerenciamento das ações do projeto e sede da AIAASCA. As politicas publicas culturais em Santa Luzia acontecem, ainda hoje, de forma isolada. A região é carente de equipamentos de cultura (cinemas, teatro, bibliotecas, centros culturais). Esse fato tende a gerar um deslocamento de sua gente a outras localidades (principalmente Belo Horizonte) impedindo o exercício pleno do direito à cultura. Santa Luzia tem uma população estimada em 213.345 habitantes (estimativa 2013- IBGE) e o distrito de São Benedito, onde se localiza a Casa Biriba, conta com um contingente majoritário dessa população, sendo esta praticamente toda constituída de pessoas de baixa renda. Os programas de incentivo à cultura desenvolvidos pelos poderes públicos – municipais, estaduais e federais – ainda não reconhecem e nem contemplam nossa região.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:37;Data:31 de Jul de 2014 13:41:54

A Casa funciona como raiz/rizoma de emissão e recepção de bens culturais (materiais e imateriais). Neste espaço de produção cultural realizamos encontros sobre diversidade cultural, saraus de poesia, seções de cinema, mostras musicais e de artes integradas. Desenvolvemos consultoria a grupos, artistas e outras associações, além disso, o espaço disponibiliza o estúdio audiovisual (Laboratório Digital). Consolidamos, também, um albergue (com duas acomodações) para intercâmbios estético-culturais. Recebendo artistas e ativistas para residências artísticas, das quais podemos citar: Erica Marques, Linete Matias, Luleta Orradre, Lucas Dalua, Daraína Pregnolato, Jasiel Martins. A Casa tem estrutura para pequenos eventos e vem promovendo muitas atividades, como os lançamentos do livro Arena Virtual de Seu Ribeiro, o CD Funk - se Rock -se de Tom Nascimento, DOC Paz no Mundo Camará da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro e apresentações de artistas e grupos, como: Eric Duarte, SOS Periferia, Segredos da Cor (Música), Ronaldo Soul (Dança), Roberto Draps (Performance), Maizé Verdade (Teatro).

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Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:38;Data:31 de Jul de 2014 13:41:55

A Casa presta suporte técnico para criação do periódico literário "Cabeça de Papel", onde são veiculadas poesias, contos, ensaios, charges, funcionando ainda, como veículo de divulgação das ações do Ponto de Cultura. Abriga a biblioteca comunitária Art.22, que atende ao público das oficinas e comunidade em geral, propondo atividades de incentivo à leitura, como, por exemplo, contações de histórias e saraus. A Casa Biriba de produções recebeu oficinas de outros projetos premiados pela Associação e de parceiros, legitimando sua importância embrionária de interação cultural, criando uma movimentação positiva no espaço e parcerias para geração de produtos artísticos. Projetos recebidos no espaço: Do Zine ao Blog - Prêmio Interações Estéticas Funarte 2010 - Artista: Daniel Porto; Rede de estúdios Auto-geridos Prêmio Tuxaua 2010 - Artista: Carlos Henrique G. Paulino; Folguedos de Alagoas e Minas Gerais - Prêmio Interações Estéticas Funarte 2011- Artista: Linete Matias


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Pรกgina:39;Data:31 de Jul de 2014 13:41:58

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Documento:CORREÇÕES.pdf;Página:5;Data:01 de Aug de 2014 16:41:51

Artenativa - Formação Artístico-Cultural Esta Ação trabalhou com a formação artística, de público e difusão de saberes alternativos. O trabalho nas oficinas foi orientado de forma a se compreender o patrimônio cultural da cidade histórica de Santa Luzia e suas regiões e distritos, suas tradições remanescentes, como também seus contornos urbanos e industriais recentes, espalhados em bairros, vilas e favelas que margeiam o município. As pessoas foram convidados a fazer um levantamento dos bens e dos agentes culturais das áreas de abrangência do Projeto,

promovendo uma mescla do

conteúdo estético e cultural de acordo com as especificidades de cada trabalho proposto. Os resultados apresentados ao final de cada módulo nos fóruns (Ação Chacaravana) realizados em regiões da área de abrangência do Projeto foram surpreendentes e significativos, construídos a partir do patrimônio identificado em cada comunidade específica. Por exemplo: uma oficina realizada junto à comunidade de Pinhões resultou na construção de instrumentos musicais tendo o repertório pautado nas células rítimicas do CATOPÊ cuja manifestação perpetua há mais de 100 anos na região.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:41;Data:31 de Jul de 2014 13:42:00

Foram implantadas oficinas artísticas, gratuitas para todos públicos e situações socioculturais, nas linguagens do Circo-Teatro, Música, Audiovisual e Arte Digital e ainda ações de Literatura para formação de leitores. As oficinas se espalharam pelos espaços e comunidades da cidade conseguindo interagir e interligar saberes, pessoas e artistas.Todas estas linguagens artísticas estavam diretamente conectadas ao histórico da Associação (conforme apresentado). Para tanto, pedagogicamente, escolhemos dar ênfase aos estudos, experiências e técnicas apresentadas pelos grupos de base do Ponto de Cultura. Sendo que a pedagogia do Curso de Circo-Teatro foi elaborada a partir dos estudos do coletivo OCA (Organização Cênica de Amadores), as oficinas de músicas receberam as orientações pedagógicas e linhas de pesquisas que foram abordadas a partir da atuação do Alvorada Pé Vermei, assim como, a oficina de audiovisual e artes digitais receberam o apontamento da Iniciativa Luzia de Memórias Mídias e Artes.

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Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:42;Data:31 de Jul de 2014 13:42:01

Circo-teatro Propomos uma metodologia com oficinas e profissionais que repassassem os conteúdos do teatro de rua, da cultura popular com referências do circo-teatro e técnicas do teatro do oprimido. Tendo como foco o encontro com a historicidade das artes cênicas na cidade, desde os períodos coloniais até os dia de hoje. A cidade de Santa Luzia sempre foi paragem de companhias, circos pequenos. Além de ter seu teatro colonial, onde eram realizadas sessões de arte na cidade. Neste sentido o trabalho do teatrólogo Fernando Fabrini, que conhece bem estas tramas, foi primordial ao dar inicio à ação. Contamos com a participação também de Thiago Araújo que trouxe diversos conteúdos cênicos do teatro popular.

Para enfim,

chegarmos à comunidade de Taquaraçu de Baixo, que possui o maior atrativo cênico da cidade. Esta Vila do Saber tem um longo histórico teatral, sendo que quase todos os seus membros já atuaram nos bastidores do teatro. São quatro gerações com espaço próprio e único, feito de adobe, um antigo curral, na beira do rio Taquaraçu, afluente do Rio das Velhas.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:43;Data:31 de Jul de 2014 13:42:02

No 1º ano foram oferecidas 120 horas de

localidade um centro patrimonial do teatro em

oficina, sendo que os três módulos foram

Santa Luzia. E os resultados foram muitos:

feitos na Igreja Nossa Senhora da Penha, no

peças coletivas, monólogos, poesias,

conjunto Palmital, atingindo um publico médio

exposição, encontros entre crianças e a velha

de 30 pessoas. Do segundo ano em diante as

guarda teatral, bem como a constituição de

oficinas foram levadas para as comunidade

um acervo de documentários contendo os

de Taquaraçu de Baixo e Bonanza, onde

festejos, os fazeres, a religiosidade e a

foram aplicadas 240 horas em 2 anos,

diversidade cultural do lugar.

atingindo um público de 80 pessoas e uma série de ações de fortalecimento nestas

No bairro do Bonanza as atividades foram

comunidades.

ministradas pelo ator e contador de histórias Marcos (Tio Teto) nas dependências da Casa

Em Taquaraçu, a atriz Izabel, conhecida por

da Mestra Helena; os trabalhos realizados

todos como Bebel, foi responsável pela

com crianças e jovens entre 07 e 25 anos.

realização das atividades com a comunidade,

Durante todo período foram construidas

promovendo vários registros e resgatando as

cenas coletivas; Realização da Rádio Feira –

memórias dos antigos e dos novos

intervenção cênico-musical, cortejos, cenas

aprendizes. Foram feitos encontros com

curtas na Casa Biriba, workshops e

crianças, jovens, adultos e idosos de

performance cênicas que contribuíam para a

Taquaraçu, fomentando o sonho de tornar a

formação ampla dos envolvidos.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:44;Data:31 de Jul de 2014 13:42:03

Música O projeto pedagógico das oficinas de música teve como fundamento o reconhecimento da arte como importante catalisador de potenciais individuais e coletivos. Assim foram escolhidos para organizar estas oficinas profissionais com uma visão holística apurada acerca dos conceitos da música, do ritmo, do canto e do corpo. No 1º ano as atividades foram realizadas na Comunidade Kolping São Benedito e contou com uma carga horária de120 horas divididas em 03 módulos, com uma média de 25 pessoas por etapa. O primeiro módulo, ministrado pelo artista e sonoplasta Johnny Herno, teve o nome de "Vamos afinar você" e foi o pontapé inicial para que os participantes pudessem se envolver no campo criativo da música. Os módulos seguintes foram ministrados pelos integrantes do grupo Alvorada Pé Vermei (Geston Machado e André Varogh) onde foram repassadas técnicas de iniciação rítmica e musical. No 2º ano as 120 horas de oficinas foram coordenadas pelo grupo Alvorada Pé Vermei na comunidade quilombola de Pinhões, mais especificamente na E.E. Padre João de Santo Antônio, onde cerca de 60 crianças e jovens puderam aprimorar os conhecimentos musicais; eles construíram instrumentos musicais (caixas de folia, chocalhos, tarol, bumbos, dentre outros) e puderam também conhecer um pouco mais sobre a cultura afro brasileira e seus ritmos, danças e folguedos, deixando mais viva a tradição do Catopê da comunidade.


Documento:CORREÇÕES.pdf;Página:6;Data:01 de Aug de 2014 16:41:52

Já no 3º ano as atividades foram ministradas pelo músico Ronaldo Pio (Black Pio) na comunidade do Asteca, junto à E. M. Marina Viana de Castilho, e contou com auxílio da Guarda de Moçambique Nossa Senhora da Guia. Foram distribuidas 120 horas de atividades para um público de 40 crianças, que passaram por aprendizados de técnica vocal, aulas de música com violão (prático e teórico), ensino percussivo e história da música tradicional e popular brasileira. Teve como resultado uma brilhante mostra musical no evento realizado na escola.. , Todos os laboratórios e temas abordados durante as oficinas musicais merecem destaque por fomentar no público envolvido formas e maneiras de experimentar e criar composições autorais, fazer e refazer leituras de ritmos populares como o samba, ijexá, moçambiques e outros. Em 03 anos de formação essa oficina contou com suporte da Casa Biriba que disponibilizou instrumentos musicais, estúdio de gravação e aparelhagem para todas as atividades realizadas nas comunidades.

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Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:46;Data:31 de Jul de 2014 13:42:05

Audiovisual Durante os três anos do Ponto de Cultura foram oferecidas 360 horas de oficinas nesta área divididas em 09 módulos e direcionadas a diferentes localidades (Conjunto Cristina – Baronesa Parte Baixa - Sede). As oficinas tinham como objetivo capacitar os participantes para o uso de equipamentos e tecnologias da área e apurar o olhar para o registro do cotidiano e da memória da região. Foi atingido um público de aproximadamente 180 pessoas de variadas faixas etárias. As oficinas tiveram como foco e corpus de pesquisa a memória comunitária e a história de ocupação da região, bem como um histórico das várias lutas populares pela construção, na região, de espaços públicos de cultura. No 1° ano os participantes foram incentivados a pesquisar, entre seus familiares, vizinhos e conhecidos, elementos para a construção de um documentário. Com orientação de Lucimar Pacheco e Daniel Barbosa, no espaço Casa Biriba, foi realizada a oficina de Introdução ao Audiovisual, que resultou na criação de três pequenos vídeos gerados por cada grupo de estudos da oficina.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:47;Data:31 de Jul de 2014 13:42:06

Em seguida, no 2° ano, tivemos Wilton Vinícios na condução dos trabalhos, que foram realizados junto aos jovens da Vila Santo Antônio, nas dependências do CAIC e na E. E. Tancredo Neves, no bairro Baronesa; jovens em sua maioria tiveram aulas de fotografia, filmagem e edição. Durante a experiência puderam expressar um novo olhar sobre os espaços, pessoas e comunidades em que vivem, fazendo da tecnologia um instrumento valoroso. A ação culminou em uma bela mostra de fotos na comunidade. No 3° ano as atividades foram conduzidas pelos integrantes do ILUMMIAR com os participantes do projeto Proerd (ensino integral) da E. E. Geraldo Teixeira da Costa, eles tiveram aulas de filmagem, roteiro técnico, geração de conteúdo e produção, ação que resultou na criação do programa ZICA SHOW - uma experiência acerca do protagonismo juvenil. As oficinas tiveram suporte direto do núcleo ILUMMIAR e da Casa Biriba para produção e edição das obras criadas nos laboratórios. 49


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:48;Data:31 de Jul de 2014 13:42:07

Artes digitais e mídias

foram realizadas outras parcerias com outros projetos que tinham como metas executar

As oficinas de mídias e artes digitais foram

trabalhos junto aos Pontos de Cultura. O

configuradas para experimentar as

projeto Imersão Digital, por exemplo,

ferramentas e tecnologias disponíveis na

orientado por Nelson Pombo, proporcionou

Casa Biriba e de forma interativa com os

aos inscritos na oficina alguns acessos à

trabalhos da Casa, produzindo logomarcas,

iniciação digital; que ao final foram

folders, pôsteres e artes digitais.

disponibilizadas e repassadas através de

Nesta área o Ponto de Cultura selecionou profissionais que, além da competência de passar conteúdos técnicos, tivessem a sensibilidade de estabelecer diálogos possíveis entre tecnologia e arte, de forma a não sobrepor uma sobre a outra. A experiência foi inovadora, desafiante e resultou na assessoria e apoio à revista Cabeça de Papel, bem como ampliou o debate acerca do software livre, como subsídio para reflexão sobre os meios de comunicação e manipulação das mídias. Conduziram os trabalhos destas oficinas Vinicius Moreira e Wilton Vinicios. As oficinas foram realizadas apenas no 1º ano obtendo a carga horária de 36 horas com o público total de 15 pessoas. Durante os três anos de Ponto de Cultura

algumas ferramentas, tais como: blogs, canais de mídia, estruturação de redes e artes gráficas.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:49;Data:31 de Jul de 2014 13:42:08

Leitura e Literatura Durante o período do Ponto de Cultura Art22 foram realizados saraus em diversas regiões da cidade. Podemos citar atos realizados nos espaços Kolping, Casa Biriba e Bar da Andréia, praças e ruas da cidade. As rodas de artes orais e histórias também estiveram presentes em todas as atividades. Na Casa Biriba montamos um pequeno acervo de livros – biblioteca especializada em arte e cultura que atende a demandas de pesquisas aos visitantes e usuários da Casa, à artistas e demais comunitários. O Ponto de Cultura Art22 ainda lançou 06 edições do periódico literário Cabeça de Papel. A literatura está nas origens do Ponto de Cultura e em parceria com a gráfica O Lutador e a Fundação Fé e Alegria, foram distribuídos 10 mil Cabeças de Papel, que contou com a contribuição de vários escritores, poetas, artistas, textos e imagens de variadas poéticas: Amilton Alves, Evandro Nunes, Olegário Alfredo, Patrícia Alhures, Paulo Nazareth, Priscila Borges, Rogério Salgado, Seu Ribeiro, dentre outros artistas de poética verbais e visuais. 51


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:50;Data:31 de Jul de 2014 13:42:08

Chacaravana - Fóruns de Cultura e Mostras Artísticas Após tantas experiências de implantação de espaços de cultura em distintas regiões do município de Santa Luzia, a Associação compreendeu um dinamismo nômade, ser movente, presente no seu histórico de ações. A iniciativa parte, portanto, deste conceito estético-pedagógico: o dispositivo de ser itinerante; presente nas culturas ancestrais ameríndias, africanas, ciganas, nas artes circenses, mambembes, nos cortejos de cultura popular, que reconta o início de formalização da Associação, quando esta iniciou suas atividades em uma lona de circo abandonada (UNICIRCO). No projeto do Ponto de Cultura Art22 a ação CHACARAVANA deu-se no formato de cursos e fóruns de cultura itinerantes que transitaram por locais já conectados em trabalhos anteriores da Associação Art.22 na cidade de Santa Luzia. Estes diálogos foram construídos a partir da vivência cultural nas localidades e propiciaram trocas de experiências, contribuindo para o fomento das políticas culturais da cidade, aproximando as linhas territoriais e ampliando a rede de conexões e as ações coletivas.


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Os fóruns tiveram o objetivo de potencializar a cultura local e promover o diálogo cultural das várias regiões de Santa Luzia (rural, colonial e urbana), tendo como perspectiva a intensificação e a transversalidade de conhecimentos. Anterior a sua realização aconteceu a identificação dos ativos culturais inscritos em seu trajeto através de visitas e conversas com as lideranças comunitárias; foram identificados mestres de cultura popular, grupos artísticos e tradicionais, associações culturais, ativistas da cultura, etc. Foram realizados 09 fóruns e 03 mostras artísticas denominadas Bené de Luzia. Um circuito itinerante fez o mapeamento das manifestações culturais, promoveu debates fomentadores de reflexões sobre as políticas de cultura no município e sobre outros campos dos estudos culturais. Durantes os Fóruns foram elaboradas cartas propositivas para o segmento cultural do município. Todos os documentos foram encaminhadas para o poder público competente e representantes do 2º e 3º setor. Durante os fóruns aconteceram, reuniões avaliativas das ações do Projeto Ponto de Cultura Art22.Tiveram ainda exibição de cinema, apresentações musicais, teatrais e dinâmicas direcionadas à cultura do lúdico e à valorização do brincar. Os eventos foram realizados em espaços dentro das comunidades, constituindo-se em um instrumento efetivo de intercâmbio e trocas de conhecimentos e afetividades, entre a equipe do Ponto de Cultura e comunitários, e entre pessoas de distintas regiões.

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Circunferências (Fóruns) de Cultura

ambiental.

Circunferência 01: Conjunto Cristina

O Fórum foi realizado na Escola Estadual Raul Teixeira Sobrinho, nas imediações da citada Mata do Raul, sendo que foi deste

Este primeiro Fórum teve como principio a

colegiado de estudantes e de moradores da

percepção de uma série de diretrizes que

vizinhança que partiu esta demanda. Assim, a

iriam permear todo o itinerário das ações do

proposta foi retirada como tema central das

Ponto de Cultura Art22. Nele foi criado um

mobilizações e ações do Ponto de Cultura,

conselho para avaliação do próprio Ponto de

sendo estabelecida uma rede de

Cultura. Mas fato realmente marcante foi o

interlocuções entre ativistas desta causa.

inicio da mobilização em torno da criação

Importante dizer que as articulações

Parque e Centro Cultural do São Bené, na

continuaram ocorrendo ao longo dos outros

área conhecida como Mata do Raul. Como

encontros realizados posteriormente.

forma de organizar essa demanda antiga demos início a um grande movimento pela

O Fórum teve ainda em sua agenda

implantação do Parque, atentos para a

apresentações na Casa Biriba, onde houve a

necessidade e urgência de termos nesta

finalização dos primeiros módulos de

região (onde convivem 100 mil pessoas

oficinas. Houve um cortejo de brincadeiras e

aglomeradas em apartamentos) um espaço

apresentações musicais. Foi atingido um

para fruição cultural, artística e de convívio

público aproximado de 200 pessoas.


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Circunferência 02: Conjunto Palmital O que é cultura? No encontro do Conjunto Palmital a interrogação acerca do que é Cultura, redesenhou definições, desde o cuidado com a terra, aquilo que se cultiva e se cultua, até chegarmos nas referências culturais deste conjunto habitacional que já foi considerado o maior da América Latina. Na primeira noite realizamos exibição de vídeos produzidos na oficina de audiovisual. O local escolhido foi a Praça da Savassi, coração do Conjunto Palmital, contando com um público aproximado de 150 pessoas. No dia seguinte as ações aconteceram na sede da ASCOPA - Associação Comunitária do Palmital B – onde buscamos o debate de temas que dizem respeito à realidade cultural do município e suas especificidades. Foram feitas, além das rodas de debates, vivências orientadas pelo multi-artista Roberto Draps e pelo brincante José Faria. No terceiro dia aconteceu a Rádio Feira, na feirinha do Palmital. Tivemos apresentações de teatro com o grupo OCA e vivência de coco alagoano, com a artista Linete Matias, do Ponto de Cultura Olha o Chico - Piaçabuçu – AL. Finalizamos com uma roda de capoeira comandada pelo Mestre Zuim. Contou com a participação de um público de cerca de 300 pessoas. Em relação à mobilização em torno do Parque ecológico e cultural, foram identificadas outras áreas de interesse no município.

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Circunferência 03: São Benedito Este fórum teve como principal influência as experiências de ocupações populares em espaços naturais já ocorridas em outros lugares. Contamos com a presença do ativista ambiental e cultural Izinho Benfica, que trouxe a experiência de mobilização popular para a implantação do Parque Lagoa do Nado em Belo Horizonte. Izinho decorreu sobre o histórico desta iniciativa popular que transformou o espaço em referência ambiental e cultural na capital mineira. Trouxe importante colaboração e motivação para a elaboração do projeto do 1º Parque do Municipal de Santa Luzia. Uma agenda de visitação na Mata foi criada como forma de mobilizar e acionar outros agentes para a causa. Realizado na Comunidade Kolping São Benedito, contou com um público de 30 pessoas.

Houve o ensaio performático do

projeto Bojo - Sonoridades e Oralidades Artísticas, roda de capoeira e participações dos grupos do programa FicaVivo!, cortejo de brincadeiras nas ruas da comunidade e vivências em “horta e agricultura urbana” com o Sr. João Lima.


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Circunferência 04: Baronesa e Londrina A abertura deste chacra começou com a exibição de vídeos na comunidade da Vila Santo Antônio no Cine Caixa d'água, contou com a presença de aproximadamente 70 pessoas. Na manhã seguinte foi apresentado um estudo realizado sobre a Mata do Raul e possíveis ações para preservação e criação do parque ecológico, feito por estudantes do curso técnico em Meio Ambiente, com orientação do geógrafo Lucimar Pacheco. A roda de conversa se formou com a presença de pessoas da comunidade, educadores e representantes de associações, um público de 30 pessoas. No mesmo dia tivemos uma roda de conversa em torno da criação e implementação do Plano Municipal de Cultura (atualmente implementado e em fase de execução);compareceram

representantes do

Poder Público Municipal, vários agentes culturais, artistas e produtores que dialogaram sobre as diretrizes do plano na cidade de Santa Luzia. No último dia as atividades foram direcionadas para o público infantil, com um cortejo de brincadeiras e a Rádio Feira, realizados na quadra do CAIC.

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Circunferência 05. Comunidade Rural de Taquaraçu de Baixo Em Taquaraçu de Baixo começamos o primeiro dia de Encontro com uma linda encenação do Grupo de Pastorinhas e um recital na Capela de São Francisco de Assis, padroeiro da Comunidade. Houve a exibição dos filmes Taquaraçu de Baixo - Um povoado e suas histórias e Poesia em Taquaraçu, realizados em atividades formativas do Ponto de Cultura Art22. . Um olhar sobre o rio e a cultura local, foi o tema abordado na roda de conversa no segundo dia do Fórum, onde foram apontadas as seguintes diretrizes para serem contempladas no Plano Municipal de Cultura de Santa Luzia: meio ambiente e cultura; grupos tradicionais; patrimônio material e imaterial. A roda de conversa foi formada por representantes do Grupo de Teatro e da associação comunitária local. Tivemos ainda a apresentação da performance teatral Maizé Verdade e contação de histórias com os mestres. Cerca de 150 pessoas estiveram na 5ªcircunfêrencia.


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Circunferência 06: Comunidade de Pinhões Realizado na comunidade quilombola de Pinhões, aconteceu no mês da Consciência Negra do ano de 2012. A E.E. Padre João S. Antônio sediou o evento e assim junto aos estudantes (ensino fundamental, médio e EJA) foram feitos debates sobre a importância de se respeitar as tradições e os costumes tradicionais; tivemos também apresentações de percussão dos participantes da Oficina de Música, capoeira, teatro e exibição dos vídeos: o Xadrez das Cores e Pinhões e Cultura, este último produzido pelas crianças da comunidade no projeto Pontinho de Cultura Aprendiz do Lúdico. No primeiro dia de atividades estiveram presentes cerca de 200 pessoas. No segundo dia foi realizada uma bela roda de percussão na praça da comunidade, com a participação da guarda de Catopê em seguida realizamos uma roda de conversa sobre os costumes e saberes da comunidade de Pinhões, de onde foram tiradas diretrizes para o fortalecimento da cultura e para o PMC de Santa Luzia.

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Circunferência 07: Rio das Velhas Parte Baixa No Sindicato dos Metalúrgicos de Santa Luzia o debate se deu em torno dos desafios do Plano Municipal de Cultura e o movimento cultural. A partir dos entraves entre gestão pública e os movimentos culturais e artísticos foram abordados assuntos no âmbito dos direitos e deveres do poder municipal. Neste fórum foi elaborado um documento direcionado à Secretaria Municipal de Cultura, pleiteando que este Encontro e o referido documento, fossem validados como pré-conferência, de forma que os assuntos ali debatidos fossem levados à pauta da Conferência Municipal de Cultura de 2013. A importância da organização se reafirmou vista a falta de informações dos agentes culturais, grupos e artistas da cidade sobre o Plano Municipal de Cultura. Assim foi diagnosticada a total falta de interesse dos gestores públicos em divulgar com transparência os acessos aos quais a população tem direito.


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Circunferência 08: Bonanza

Circunferência 09: Asteca

Na Comunidade do Bonanza o Fórum foi realizado na Casa da Mestra Helena, guia (astral, firmeza, oráculo) comunitária e transcendente fortalecendo a chama violeta

Um encontro de guardiãs e guardiões da cultura de raiz, com trajetórias magníficas a favor do patrimônio cultural, marcou a circunferência no bairro Asteca. Em Santa

desta vivência forte e prospera da Associação Art22 em diversas ações. Na primeira noite aconteceu uma mostra de cinema e logo após todos fizeram uma apreciação da lua cheia através de um telescópio. Uma noite de pipoca, poesia e iluminação. Na manhã do segundo dia tivemos um bate-papo ao pé do fogão, onde debatemos sobre a realidade da comunidade, as dificuldades de acessos aos equipamentos culturais e sobre a importância da Mestra Helena, que faz de seu terreiro um quintal de bênçãos, de lazer e encontro para a comunidade local e adjacências. O restante do dia foi enriquecido com um saboroso frango com orapronobis feito pelo músico e gastrônomo Ronaldo (Black) Pio,que contribui brilhantemente com o encontro. Participaram desta atividade cerca de 40 pessoas.

Luzia - MG, não existe nenhuma lei, programa publico que assegure e dissemine estes conhecimentos antropológicos, históricos afro indigénas, como referencia as Guardas do Rosário, e assim, este Fórum veio para garantir o espaço de diálogo, visibilidade e afirmação dos Reinados enquanto patrimônio cultural brasileiro. Realizado junto a Guarda de Moçambique Nossa Senhora da Guia, tivemos a presenças dos detentores da cultura afrobrasileira, da comunidade local e de grupos tradicionais de Santa Luzia, com participação de uma média de 50 pessoas.

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MOSTRAS INTEGRAIS As Mostras Culturais tiveram o objetivo de proporcionar espaço de fruição artística para a população de Santa Luzia e, ainda, promover a circulação de grupos e artistas locais identificados durante os Fóruns de Cultura. Com a finalização das atividades da primeira etapa do Projeto, em 2010, foi organizada a primeira Mostra Cultural Bené de Luzia, que contou com a exibição de documentários, intervenção cênica, apresentação de orquestra musical e um cortejo de palhaços Paiaciata. A segunda Mostra aconteceu em dois momentos: na primeira noite a ação aconteceu na Comunidade Kolping, no São Benedito, contando com uma roda de conversa sobre a necessidade de criação de uma rede de intercâmbio entre os agentes culturais da cidade e de outras partes do Brasil e com uma exibição de um making off dos trabalhos desenvolvidos pelo Ponto de Cultura no ano de 2012. No segundo dia foram apresentados os resultados finais das oficinas e, em seguida, realizados os shows do Grupo SOS Periferia, notável expressão do Rap luziense; grupo de samba Segredo da Cor; e grupo Alvorada Pé Vermei, apresentando cantigas e brincadeira populares de roda. Tivemos, também, a apresentação teatral Maizé Verdade, da veterana Bebel, do teatro de Curral. No ano de 2013 tivemos duas Mostras Culturais uma aconteceu na Comunidade de Taquaracu de Baixo, onde de maneira primorosa foram apresentadas as peças teatrais produzidas durante as oficinas, recital de poesias, contação de causos, danças e participação especial de mestres e mestras do teatro. A outra aconteceu na Casa Biriba e contou com a presença da comunidade que pode assistir as apresentações de Sarau Tropeiro, Paloma Leite, Ronaldo Black Soul e Cia e exibição em vídeo das ativdades nas oficinas artísticas.


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Desdobramentos Dentre as ações, todas importantes, realizadas nos Fóruns de Cultura destacamos: 1. Ação pública para implantação do primeiro parque ambiental e cultural de Santa Luzia, na Mata do Raul, localizada no Conjunto Cristina (foram criadas de redes sociais, visitas, caminhadas aos locais, eventos, fóruns, encontros, mobilizações e passeatas). 2. Criação de um conselho orientador do Ponto de Cultura e de uma Comissão representativa no Conselho Municipal de Cultura de Santa Luzia. 3. Contribuição para a criação do Plano Municipal de Cultura, que possui como uma das metas a criação de centros culturais. 4. Promoção de intercâmbios entre comunidades, artistas, agentes de cultura, educadores da cidade, com a criação de uma rede municipal de cultura. 5. Fortalecimento das ações de formação junto ao Conselho Municipal de Cultura de Santa Luzia 6. Realização de apresentações artísticas e geração de renda criativa.


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P O N T I N H O D E C U LT U R A - A P R E N D I Z D O L รš D I C O

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Os Encontros Temáticos, ou Formação de Premiada pelo Ministério da Cultura no edital Pontinhos de Cultura a Associação Art22 potencializou suas atividades ligadas à cultura da infância, percorrendo as comunidades de Santa Luzia com atividades artísticas, lúdicas, populares e

Brincantes, tiveram como objetivo a formação de multiplicadores da cultura lúdica e da valorização da brincadeira como componente essencial da formação de crianças e adolescentes. Teve como público-alvo educadores, oficineiros de outros programas, pais e familiares das crianças ligados

de formação no ano de 2012. O Projeto

ao projeto, e demais interessados na formação de

Pontinho de Cultura Aprendiz do Lúdico

brincante. Foram convidados os

possibilitou formação para educadores,

educadores/pesquisadores/brincantes Cláudio

professores, gestores e instituições da

Fritas e Marilza Máximo para desenvolver

cidade que trabalham com foco no público

encontros teóricos e práticos sobre temas de

infanto-juvenil. As crianças também foram

relevância ao projeto. Foram abordados, dentre

beneficiadas nas oficinas de Brinquedos e

outros, os temas: Valorização da cultura lúdica; O

Brincadeiras e Brincando com as Mídias.

espaço da brincadeira na educação formal;

A iniciativa, prevista inicialmente para 04 localidades do Município de Santa Luzia, foi no entanto, ampliada totalizando 09 comunidades. Realizaram-se 06 encontros Temáticos em parceria com a Fundação Fé e Alegria; 05 oficinas com o público infanto-juvenil; 06 Cortejos de Brincadeiras; 01 encontro de Brincantes; implantação de 03 brinquedotecas.

Formação do profissional brincante; Brinquedos de ontem e hoje; A inserção da tecnologia no universo lúdico da criança. Foram realizadas vivências a fim de ampliar nas pessoas a criatividade, a sensibilidade e, acima de tudo, a liberdade e o desprendimento da brincadeira. O projeto beneficiou 140 pessoas.


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A oficina de Brinquedos e Brincadeiras traz os modos de brincar tradicionais. A importância dessa atividade se assenta na necessidade de criação de momentos específicos para a brincadeira. As crianças brincam, brincam nas ruas, em cima das lajes, mas nem sempre em segurança, nem sempre orientadas ao respeito ao próximo, à preservação do Meio Ambiente, e à cultura da paz. O brincante Faria (José Faria Júlio) apresentou às crianças possibilidades de construção de brinquedos, de trabalho com as artes, além de noções de solidariedade, respeito aos mais velhos e aos colegas, cuidado com os objetos, animais e meio ambiente. A oficina Brincando com as Mídias foi executada por profissionais brincantes qualificados no trabalho com o audiovisual. Hoje é inegável o apelo que a tecnologia tem sobre os jovens (vídeo games, internet, redes sociais, fotografia, televisão), e não podemos lutar contra ela. Podemos, sim, nos utilizar dela para construir conteúdos culturais e estéticos de qualidade, onde o lúdico e o universo infantil estejam presentes. Durante a oficina foram produzidos trabalhos com fotografias, vídeos e o documentário Aprendiz do Lúdico. Nas oficinas de Brinquedos e Brincadeiras e Brincando com as Mídias foram beneficiadas 190 crianças e adolescentes de 02 a 14 anos, moradores das periferias, comunidade quilombola e comunidade rural da cidade de Santa Luzia em MG.


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As Brinquedotecas tiveram o objetivo de criar espaços de qualidade para a brincadeira. Este ambiente prepara o mundo do "faz-de-conta“, e desvincula o valor do brinquedo ao seu valor monetário e ao sentimento de posse, já que tudo deve ser partilhado entre todos. É um local onde a criança se sente segura para criar e exercer seus potenciaisl criativos. O adolescente também pode se beneficiar da brinquedoteca, seja pelo uso dos jogos (que desenvolvem raciocínio e sociabilidade) seja pelo prolongamento das especificidades da infância, impedindo sua entrada precoce na vida adulta.

Foram implantadas nas seguintes

localidades: Casa Biriba (Conjunto Cristina), Casa da Mestra Helena (Bonanza) e Casa do Mestre Bené (Morro Santo Antônio). Para implantação das mesmas foram adquiridos livros infantis e brinquedos novos, com a proposta de priorizar jogos pedagógicos e brinquedos artesanais. Nesta ação é beneficiado, de forma crescente e contínua, um público itinerante de crianças, adolescentes, pais e Descrição dos locais onde foram realizadas as atividades: 1.Morro Santo Antônio/ bairro Baronesa - Casa do Mestre Bené. / 2.Comunidade do Palmital.- 2.1.Fundação Fé e Alegria.-2.2 Centro Cultural Calazans./3 Conjunto Cristina.- 3.1.Escola Estadual Murghi Hibraim.- 3.2.Casa Biriba Art22. /4.Bairro Baronesa - CAIC (Centro de Aprendizagem e Integração de Cursos)./5.Comunidade Quilombola de Pinhões -Escola Padre João de Santo Antônio.- 6.Bairro Bonanza./ 6.1.Terreiro da Mestra Dona Helena. 7,Comunidade Rural Taquaraçu de Baixo - Escola Municipal Dom Pedro II./ 8.São Benedito - Comunidade Kolping São Benedito./ 9.Centro Histórico de Santa Luzia - Solar da Baronesa.

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Os Cortejos de Brincadeiras foram ações mobilizadoras pelas ruas divulgando e informando sobre a importância do brincar . Beneficiaram em torno de 260 pessoas, entre crianças e adolescentes, artistas, arte educadores, músicos, mestres e comunidades de área quilombola, do centro e periferias de Santa Luzia. O Encontro de Brincantes consistiu em reunir os atores ligados ao universo das brincadeiras, tendo o objetivo de apresentar os resultados finais e debater com a população aspectos importantes da cultura da infância e da valorização do brincar. Participaram 25 pessoas, entre contadores de histórias, brincantes, artistas, mestres, professores e gestores de instituições ligadas ao universo da infância e juventude. O Encontro foi realizado no Solar da Baronesa, no Centro Histórico de Santa Luzia.


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CAVUCULTURA

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Certa vez um homem nos perguntou qual era a nossa profissão. Uma grande cobra reluziu na estrada às beiras do rio Tanque, afluente do Santo Antônio/Doce. Respondemos que trabalhávamos conforme a demanda. Se era para plantar, agente plantava; se era para cantar, agente cantava; bater laje na favela, subir lona no fim de tarde, pescar quando é lua, dançar quando é vento, viajar quando for luz. O homem então respondeu: pois então vocês são cavucos. Aquele que faz tudo, auxiliar de peão, o servidor. Serventes de ofícios, acumuladores de sabedoria, que por inocência e humildade não sabem a grandeza daquilo que fazem - um aprendiz eterno. “Uma agricultora sanfoneira e que ainda faz o pão, prepara a medicina dos vegetais, ensina cerimônia... Um griô, um brincante, cozinheiro comunitário, atuante nos segredos das folias, eletricista de energias sutis, um auxiliar de tudo quanto pode, um aprendiz... Uma poeta, artista oral, senhora do mel, tecelã de estrelas, escultora de panelas de barro, caverna e oráculo, aprendiz... Um ator, artesão das estradas, um mecânico dos nômades, ser polivalente, um pau pra toda obra.. um servidor dos saberes, um cavuco".

Daí em diante a palavra ficou recorrente nos dialetos dos grupos. Muitos adicionaram o vocábulo aos seus atributos diários do fazer cultural. No espaço Chácara da Arte mantido por dois anos pela Associação Art22, as práticas foram chamadas de cavucas, e o conceito utilizado nos mutirões na roça, nas revitalizações da terra ,nas rodas de oralidade, no dia a dia das pedagogias coletivas empreendidas naquele lugar. A Associação Projeto Presente (Ponto Cultural e Ambiental da Serra do Cipó) utilizou o termo Cavuco em seus trabalhos, fazendo estudos na sabedoria das grutas e nascentes da região das Serras, através de uma série de ações articuladas por Vinicius Moreira. A Rede Catitu Cultural, adotou o termo e viabilizou, em 2009, o projeto Cavuco – A voz do saber e ofícios na periferia, que sob a coordenação geral de Fernando Fabrini, trabalhou com Mestres e Aprendizes de Belo Horizonte. Entre estas e outras paragens, em tantas cidades e vilas, estivemos em parceria com o Projeto Manuelzão - UFMG em caravanas ambientais e atividades como o FestiVelhas (Festival Cultural e Ambiental do Rio das Velhas), desde o inicio do projeto.


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Nos conectamos também à Jardins Produções, participando das primeiras edições do evento Vozes de Mestre, ampliando a rede de mestres e cultura popular. O conceito foi usado, nas imersões do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Educação Social (IBDES) e do NESTH UFMG - Núcleo de Estudos Sociais do Trabalho Humano, em circuito de mobilização em comunidades quilombolas, garimpeiras, ribeirinhas e altaneiras presentes na Cordilheira do Espinhaço, Minas Gerais. O emprego de práticas metodológicas, baseadas no conceito de Cavuco nestes distintos trabalhos levou a formulação do projeto Pontão de Cultura Cavuco Pluriétnico Semovente, que atualmente chamamos de Rede do Espinhaço. "O caráter multiplicitário do projeto em tela reconhece a inestimável contribuição da cultura afro-brasileira, contemplando ações em grande número de comunidades quilombolas. Contudo, a pluralidade embutida na figura do CAVUCO não restringe - se a uma única matriz cultural, mas emerge como expressão de sínteses criativas das várias matrizes étnico culturais que lhe dão suporte. O termo CAVOUCO remete a 'cavoucar', indicando a gênese dos fluxos semoventes que fixaram registros no território do PONTÃO. Daí a aproximação etimológica nos indicar a proximidade com a atividade da agricultura, registros do pau-decava, cavucar sementeira; minerária: cavoucar, fazer buraco na mina para colocação de dinamite ou abrir cova para onde escorre a água, tal como atualmente encontramos nas BARRAGINHAS (verdadeiras tecnologias sociais permaculturais para contenção da água da chuva e umidificação do terreno) construídas por moradores e regiões de baixa pluviosidade no Vale do Jequitinhonha. No posto mais avançado das “línguas boas”, caboucar indica a potência das sínteses disjuntivas e conectivas que uma aproximação com manifestações culturais que pululam no Pontão. A transversalidade com as ações de promoção e preservação do patrimônio cultural são justificadas impulsionaram o sentido original em direção ao devir CABOCLO REIBEIRINHO, permitindo particularmente em função da SERRA DO ESPINHAÇO, que divide as terras do mato-a-dentro e do SERTÃO DAS GERAIS, ou seja, da mata atlântica a leste e do cerrado e suas veredas a oeste, guardando vestígios de águas passadas e presentes, como afloramentos calcários, fósseis de plantas e animais, grutas ricas em espeleotemas, destacando-se as nascentes e confluências de verdadeiras caixas d'água do país, como os rios atualmente designados São Francisco, Doce e Jequitinhonha, que abastecem grandes bacias hidrográficas e garantem a biodiversidade e a dinâmica planetária". (Projeto Pontão de Cultura CAVUCO / PLURIETNICO SERMOVENTE – texto: Vinicius Moreira e Júlio Jader).

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Assim, podemos dizer que há uma influência contemporânea da análise a partir da avaliação dos regimes de construção de conhecimento, subjetividade, inventividade e transformação, pela ebulição criativa desenvolvida no esquizodrama, na catarse, transe. Daí o Cavuco - homem das cavernas - cava suas memórias do futuro e as traduz de profecias do passado, presente. Garimpa toda estrutura institucional (familiar, religiosa, capital, industrial, etc.) e está integrado em uma rede de sabedorias infindas. Salta dos etéreos, práticas de aberturas das percepções, e sua relação com o mundo desenrolea-se em vários novelos. São inúmeros conteúdos que se integram no espírito do cavuco e nos espíritos irmãos (bichos, plantas, lua, sol). Estudo amplo que habilita os iniciados a compreender os princípios da energia e suas fontes imateriais imanentes. Quando o senhor dos ofícios - o cavuco - abre as cortinas do conhecimento, ele interliga universos inteiros, realidades moleculares, em uma cadeia infinita de inventividade cósmica, ordenando seu corpo com a natureza; em comunhão. Ao capinar o seu roçado e investigar o vento, ele sintoniza a semelhanças presente em tudo e transforma em expressão (arte, cultura popular,etc.) as relações suprimidas pelo poder e suas formas de domínio. O conceito foi alinhando-se à noção de educação e cultura integral, ao trabalho com a arte, aos saberes ambientais, ao respeito aos mestres de sabedorias, ao trabalho coletivo, à formação de redes e às vivências culturais de diversas ordens. Nesse sentido passamos nesse momento ao relato de experiências empreendidas e à tentativa de teorização metodológica, naquilo que passaremos a chamar de Pedagogia Cavuca¹.

¹ Importante dizer que este relato e a tentativa de sistematização pedagógica, implicam em muitas vozes, na atuação de diversos agentes, instituições parceiras, amigos colaboradores, não sendo ação exclusiva do Art22, mas construção compartilhada entre muitas pessoas, grupos e entidades. Dessa forma, as reflexões aqui apresentadas não estão de nenhuma forma finalizadas, cabendo a todos os colaboradores o processo de reformulação e renovação constante desta Pedagogia Cavuca.


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Rede do Espinhaço A ressurgência deste termo Cavuco articulou uma rede informal de pessoas e organizações empenhadas no desenvolvimento de ações (culturais, artísticas e ambientais) nas terras da Cordilheira do Espinhaço (Reserva da Biosfera pela Unesco). A Cordilheira do Espinhaço é uma cadeia de montanhas que se estende desde o Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerias, até o Estado da Bahia, na Chapada Diamantina. O Espinhaço resguarda grande variedade de recursos naturais, tendo em sua influência importantes Unidades de Conservação, como o Parque Nacional da Serra do Cipó, o Parque Nacional das Sempre Vivas, o Parque Estadual do Itacolomi, o Parque Estadual da Serra do Rola Moça, o Parque Estadual do Rio Preto, entre outros. É morada de comunidades tradicionais e variados saberes culturais: congados, capoeiras, marujadas, folias, folguedos de boi, raizeiros, parteiras, tropeiros, produtores de cachaça, tocadores de sino, xamãs, artesões de artes distintas, produtores de queijo, poetas populares, eremitas. Filhos de lapa, lajeados, nascentes d'água, mães da luz, Luzia. Nações fincadas em cavernas, moradas do cerrado atlântico descendo água. A região passa por um processo de transformação geológica e política causada pela mineração, turismo e ocupação urbana em suas serras. Muitas comunidades tradicionais estão ameaçadas pela chegada destes investimentos que transformam toda a cosmologia e hábitos culturais locais. Dentre estas VILAS DO SABER podemos citar: Tabuleiro, Lavras Novas, Macacos, Milho Verde, Lapinha da Serra, Cardeal Mota (Serra do Cipó), entre outras. Em 2009 foi viabilizado, pelo Ministério da Cultura no edital Tuxaua, o projeto Saber Popular na Cordilheira do Espinhaço. O projeto possibilitou o fortalecimento da Rede, através de trocas de experiências e vivências entre pessoas, grupos e comunidades conectadas pela Chacaravana. Uma caravana que visitou seguintes Pontos de Cultura na Cordilheira do Espinhaço: Chacrinha dos Pretos (Belo Vale/MG) Quilombo da Mata do Tição (Jaboticatubas/MG), Cor Tição (Belo Horizonte/MG), Art22 (Santa Luzia/MG), Tapera Real (Conceição do Mato Dentro/MG), Raízes do Sertão - São Gonçalo do Rio das Pedras (Serro/MG), Centro de Artesanato da Região de Januária (Januária/MG), Circo do Capão (Palmeiras/BA), Grão de Luz e Griô (Lençóis/BA) e Olha o Chico na foz do Rio São Francisco (Piaçabuçu/AL). Neste percurso foram tantas ações realizadas, trocas de saberes, mutirões, oficinas, rodas de conversa, apresentações artísticas, brinquedos e brincadeiras, plantios, ritos, performances, exibição de filmes e registro audiovisual. Cavucagem d'semear: 75


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Chácara é uma área verde pequena com casa de campo. - Chácara da Arte Chacra Base.. Pelas serras e trovoadas deste janeiro vamos sair pelas interdisciplinaridades de conceitos: Cavuco. percorrendo a translúcida aprendizagem pela cordilheira do Espinhaço: Chacaravana - espaço de cultura nômade - integral - chacras percorridos por cobra coral. Chacaravana – agricultura andante, familiar/celeste - economia solidária. Meridianos de energia (...) Esta é uma jornada em nossos trabalhos, com a incursão de tuxauas, agentes múltiplos: Brincantes que levam sementes para trocar, tocar. Atores no rio rito da rua, do picadeiro, sem fronteira espacial. Meninos de ofícios multimídia conectados e são muitas vilas que nos permitem conectar as transmissores dos saber pelas linhas etéreas. Virtuais - registros áudio visuais durante o trajeto - memória e clarividência presentes. Plantio no salto, sobressalto em tabu. Bailarinos para plantar. No percurso, rios encontram rios - ideogramas em nuvens. Ir ao rito mais tarde; candombe, brinquedo, boi, pajelança ou teatro. Palhaçaria sagrada. Cada cidade e vila; cada ponto de cultura - seus mestres e guias. As introspecções de água, ebulições harmônicas, banhar. Minha tapera é casa de contar história, ali na frente é nossa agricultura, é boa igual angu com couve. Desce mais um folia de reis com as uníssonas oitavas dos sentidos. Vamos para a roda de conversa que o mestre da estrada convidou nas ruas daqui, em São Gonçalo do Rio da Pedras. Diamantina, desce secando o jequi, cantar um coco na praça d'manhã.Vereda sinuosa de buritizais quartzos. Acompanhar o rio São Francisco pelas baixadas do Peruaçu - cantar com marujo de Januária.. O caleidoscópio extraterreno e intraterreno das grutas de Montalvania e os bonecos místicos, pernas e retratos na gruta capela de Bom Jesus da Lapa. Abordagens e performance; é hora de arrumar os figurinos do circo, antes de tomar banho na fumaça do Capão. Chapada de Diamantina. Chacra - circunferências ou meridianos de energias; Rupestres sentidos surgem nas travessias. Vento de borboletas campanárias. circunferências com as comunidades. Passar pelo significante Grão de Luz e Griô e sua pedagogia afluente e foz. Viajar segunda-feira Feira de Santana. Ervas medicinais e formas de plantio: hora de tomar o chá. Das canoas de Sergipe atravessar para Piaçabuçu nas Alagoas... ir a foz, olhar o Chico... Opara 77


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Outra contribuição relevante para a articulação da Rede foi o projeto Macuco – um pássaro que reaprende a voar, concedido a Marilene Rodrigues, no edital do MinC Tuxaua 2010. ``Projeto Macuco - um pássaro que reaprende a voar prevê a constituição de uma rede de diálogos e ações entre coletivos de mulheres no que se refere à cultura e à arte, uma maneira de garantir que a mulher seja protagonista de seu próprio fazer cultural. Além disso, prevê a sistematização de elementos da cultura intimamente (e historicamente) ligados às funções sociais da mulher. Saberes antigos, de manipulação das plantas, do trabalho artesanal, do parto natural, e que vêm sendo desprezados como “coisas de mulher” e vistos como indignos de serem realizados pela “mulher moderna”. Com isso, essa sabedoria, que há milênios esteve resguardada pelas mãos das mulheres, correm risco de se perder para sempre. É necessário resgatar na ancestralidade a importância da memória e da cultura da mulher e fortalecer os vínculos quebrados pelos processos destrutivos deixados pela discriminação e pelos preconceitos registrados em nossa sociedade.´´

Foram inspiradores os vôos do Macuco nesta rota pelas terras fecundas, férteis e secas das Minas Gerais. Os percursos pelos lugares mapeados por esta ação teve como marco em comum as vidas unipotentes de mulheres simples, guerreiras, amáveis, tolerantes e mães em sua maioria. O projeto circulou trocando presentes simbólicos como pano de prato, farinha de mandioca, sabonetes artesanais, colares e outras especiarias dos costumes cotidianos. Em cada circunferência foram escritas cartas relatando as trajetórias das vidas, os sonhos, as alegrias, as tristezas e mil e uma outras sutilezas, superações e adversidades. Sua rota foi pelo Vale do Jequitinhonha iniciando sua visita na cidade de Minas Novas no Quilombo Macuco, e seguiu para os quilombos urbanos Vila do Acaba Mundo, Comunidade Flor do Cascalho, bairros Venda Nova e Saudade em Belo Horizonte. A s trocas aconteceram ainda nos Quilombos Mato do Tição , Açude (Jaboticatubas) e Pinhões (Santa Luzia). Uma experiência que proporcionou o encontro de vários povos, pelos relatos descritos e depoimentos colhidos, resultante de uma rede fortificante dos fazeres e saberes do universo feminino.


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Boi da Rede O vilarejo da Lapinha da Serra - distrito de Santana do Riacho / MG - está localizado ao pé do Pico da Lapinha, segundo ponto mais alto da Serra do Cipó, e possui cerca de 400 moradores. Localizada em uma região de intensas belezas naturais, a comunidade tradicional passa por mudanças de suas estruturas sociais, ocasionadas, principalmente, pelo avanço do turismo e urbanização local. Desde o ano de 2002 realizamos junto com a comunidade o Boi da Rede, folguedo que reúne as pessoas para brincar, cantar e dançar nas passagens de ano da comunidade. O folguedo realizou-se durante 10 anos na Lapinha e contou com a participação de pessoas da comunidade, como o músico e liderança local Vilmar Aparecido, Mestre Juquinha, Dona Lina, Zé Paulo, Sr Zinho, Dona Geralda, Rafael e mais um tanto de meninos e meninas. O Boi manteve-se com o apoio e participação constante da 2F7 Produções Artísticas e da Iá Cultural produções. Em 2012 foi aprovado o projeto Boi da Rede Berra, Berra,Viga lume! no edital Microprojetos Bacia do Rio São Francisco (Funarte / MinC). A ação, realizada entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013, contou com oficinas nas comunidades, hospedagem comunitária, produção de adereços e figurinos do folguedo.

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Seminário do Saber Popular Outra articulação da Rede do Espinhaço foi a realização do Seminário do Saber Popular. Trata-se do encontro dos mestres e aprendizes de saberes presentes na Cordilheira do Espinhaço; momento para troca de experiências sobre a cultura tradicional brasileira, principalmente no que se refere ao modo de vida dos povos tradicionais e do patrimônio imaterial do qual são detentores. Tem o objetivo de fortalecer as conexões em rede das comunidades de sabedoria popular na região geográfico-cultural da Cordilheira do Espinhaço interligando coletivos de cultura inseridos neste território, seus respectivos grupos e pontos de cultura, no que se refere ao saber popular/ancestral. O Primeiro Seminário do Saber Popular foi viabilizado a partir do Prêmio Areté (MinC) e realizado pela Associação Art22 em parceria com a Associação Projeto Presente e a Rede Catitu Cultural em novembro de 2009, na comunidade quilombola de Pinhões, Santa Luzia / MG. O Encontro reuniu mestres e aprendizes da Ação Griô Santa Luzia, Ação Griô Serra do Cipó, Projeto Cavuco Belo Horizonte e Tuxauas de outras localidades mineiras (Vale do Jequitinhonha e Zona da Mata) e a própria comunidade quilombola de Pinhões.


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Encontro dos Povos do Espinhaço A segunda edição do Seminário do Saber Popular recebeu como subtítulo Encontro dos Povos do Espinhaço, e foi realizada na comunidade rural da Lapinha da Serra, distrito de Santana do Riacho / MG, com recursos do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais. Aconteceram, durante os cinco dias de evento, oficinas de construção de instrumentos, danças populares, de brinquedos e brincadeiras, de vídeo, apresentações artísticas com conteúdos de cultura popular, palestras, rodas de oralidades com mestres, educadores e comunidade, exibições de filmes e feira de produtos regionais. Importantes rodas de conversa foram construídas na praça, escola, quintais, igrejas e casas da Lapinha a partir dos temas: Reserva da Biosfera do Espinhaço; Lapinha - preservação e paisagem cultural; Ressurgências dos saberes indígenas; Comunidades quilombolas; Cultura do lúdico e educação integral; Capoeira patrimônio cultural brasileiro; A permacultura e a medicina das plantas; Benzedeiras e parteiras - ofícios tradicionais femininos.

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Abrilhantando o seminário aconteceram apresentações dos grupos culturais: Guarda de Caboclinhos do Serro; Guarda de Moçambique Nossa Senhora da Guia e Guarda de Catopé de Pinhões, ambas de Santa Luzia; Batuque da Lapinha, Boi da Rede e Grupo Batuque nos Pés, de Santana do Riacho; Boi da Manta – Irmandade dos Atores de Pândega, de Lagoa Santa; Candombe do Matição, de Jaboticatubas; Guarda de Marujos Nossa Senhora do Rosário de Dores de Guanhães; Roda de Capoeira da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro, de Belo Horizonte. Nas apresentações artísticas tivemos a presença musical de Nádia Campos, Dona Jandira, Sarau Tropeiro, Trio Lapinhô; Cia de dança Baobá e apresentação teatral da comunidade de tradição do teatro rural de Taquaraçu de Baixo


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Participaram do encontro os Pontos de Cultura: Chacrinha dos Pretos (Belo Vale); Quilombo da Mata do Tição (Jaboticatubas); Art22 (Santa Luzia); Tapera Real (Conceição do Mato Dentro); Bem-te-vis ( Itatiaia); Museu da Oralidade (Três Corações); Raízes do Sertão de São Gonçalo do Rio das Pedras (Serro). Contamos com a presença de grandes mestres dos quais podemos citar: Tuxaua Aílton Krenak, liderança indígena; Mestre João Angoleiro e Mestre Zuim da Capoeira; Mestre João Lima da alimentação natural; Mestras Helena e Piedade (benzedeiras); Mestre Guerino, capitão do Catopé; Mestras Jovelina e Vilma, artesãs da Flor do Cerrado; Mestre Dirceu do Congado; Mestre Thibal escultor, Professor Ulisses - medicina integral e todos os mestres da Lapinha: Seu Zinho, Seu Juquinha, Seu Mundinho, Dona Geralda, Dona Lina; entre outros. Este encontro teve a parceria das seguintes instituições: Associação dos Amigos da Lapinha, Instituto EcoVida São Miguel, Rede Catitu Cultural, Instituto Pé de Urucum. Estiveram presentes ainda: Iphan / MG, representado na pessoa de Corina Moreira, que apresentou resultados do Inventário de Referências Culturais da Serra do Cipó; Comissão Mineira de Folclore, na pessoa do professor Moreira; Cedefes, que contribuiu nas discussões sobre as comunidades quilombolas. Contou com o apoio das prefeituras de Santana do Riacho, Lagoa Santa, Dores de Guanhães e de Belo Horizonte através da sua Fundação Municipal de Cultura.

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O Seminário utilizou do sistema de hospedagem solidária, acomodando as pessoas nas casas dos moradores revertendo esse recurso diretamente para comunidade, o mesmo acontecendo com a alimentação. Com foco na educação cultural e no patrimônio imaterial, todos foram beneficiados moradores e interessados participando da programação proposta. Estas ações educativas apontaram vários desdobramentos, como: vídeos; encontros menores; publicações sobre o patrimônio cultural nas Serras do Espinhaço; formação de multiplicadores da temática nas comunidades; requerimento de Registros de patrimônio cultural; implantação do Centro de Tradição da Lapinha (espaço para preservação da cultura local). O encontro possibilitou a convivência intensa entre todos os participantes. Pudemos simbolizar o momento de comer juntos, de cantar, dançar, brincar, dialogar e dormir em uma rede de sonhos comuns, Durante o seminário foram vivenciados os conceitos de ecologia integral, potencializando o acervo cavuco. Estas ações convergem para que outro encontro seja realizado, atentos às tantas confluências de pautas, temáticas, simpatias, formações, sociabilidade e esperanças de reencontros, ancestrais, ascendentes.


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Ensaio para uma Pedagogia Na atualidade muitas discussões têm sido realizadas em torno do processo de ensino e aprendizagem, e estas discussões envolvem inúmeras orientações pedagógicas, bem como a relação entre educação formal x educação informal. Também é recorrente a reflexão sobre o modo como a educação deixou de ser, em determinado momento histórico, responsabilidade da família ou da comunidade, para se tornar responsabilidade exclusiva dos centros formais de ensino. As escolas brasileiras seguem os Parâmetros Curriculares Nacionais, que dizem respeito aos conteúdos que devem ser trabalhados em cada faixa escolar. Mas, se estes Parâmetros dizem o quê ser ensinado, todavia não dizem o modo. Dentro das escolas nos deparamos com uma diversidade de relações sociais, culturais, religiosas, que causam divergências, demonstrando que as práticas pedagógicas devem sempre levar em consideração as situações que se apresentam em cada caso específico. O modo pelo qual o processo educativo acontece nos centros formais de ensino nem sempre leva em conta essa diversidade, e o resultado são alunos desmotivados e uma crise na educação formal que já dura anos, e pra qual a sociedade brasileira ainda não encontrou solução. Atenta a este fato, a sociedade tem investido em um tipo de educação desenvolvido nos meios populares, em espaços comunitários, igrejas, ONGs, e o objetivo principal destas iniciativas não formais é diminuir os altos índices de violência, marginalização e consumo entre crianças, jovens e adultos, por meio de ações intencionais e organizadas por profissionais de diferentes áreas do conhecimento. Estes profissionais buscam discutir o meio sociocultural, sistematizar processos e integrar movimentos coletivos e isolados nos diferentes espaços, a fim de minimizar a realidade de exclusão social em que vive grande parte da população brasileira (negra, indígena, periférica, rural, exclusão de gênero e orientação sexual). A principal consequência tem sido a valorização de uma aprendizagem que aconteça ao longo de toda a vida, voltada para uma formação continuada e capaz de movimentar o prazer de aprender, de construir, como também, de reunir experiência pessoal e coletiva. Percebendo que na maioria dos espaços de educação formal o processo de aprendizagem aparece fragmentado e isolado da vida real, reunimos, desde o ano de 2006, vários profissionais como arteeducadores, artistas, pedagogos, psicólogos, agentes culturais, mestres de ofícios e pessoas da comunidade para consolidar práticas pedagógicas existentes e estabelecer novas discussões envolvendo diferentes áreas do conhecimento, promovendo outro modo de aprendizado, interdisciplinar e integral, valorizando não somente os conteúdos escolares, mas outras sabedorias, presentes na relação entre as pessoas e inseridos nos fazeres da vida cotidiana (cozinhar, plantar, costurar, fazer verso, rodar peão).

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A AR ART ARTEMPORAL

Neste instante todos somos aprendizes, sem tempo, apenas amantes da vida que vibra como a semente dos raios. Brincase como o eterno aprendiz da canção. O aprendiz de tudo que se possa observar, contemplar.

Assim, chegamos ao conceito de Cavucultura – ou Pedagogia Cavuca – uma pedagogia que entende cultura em seus múltiplos sentidos: político, antropológico e produtivo. No período da Chácara da Arte desenvolvemos uma metodologia de trabalho que integrava o meio ambiental e a cultura, apreendendo educação (formação) em sentido amplo e integral. Foi neste período que conceituamos o nosso exercício cultural como Cavucultura. De forma muito autônoma desenvolvemos nossas atividades (mutirões de trabalho, plantio e colheita, oficinas culturais, consultoria e construção partilhada de projetos, ações de fruição artística, mobilizações comunitárias, atividades de incentivo à leitura) e nos vimos diante da aspiração de configurar neste microcosmo de nossas relações humanas, uma despretensiosa erudição popular; propondo um conceito próprio, derivado de tantas outras fontes (da pedagogia da autonomia de Paulo Freire e da pedagogia waldorf de Rudolf Steiner, dos estudos da permacultura, da ecologia integral e de outras ferramentas pedagógicas), mas que não tem a aspiração de figurar entre as outras correntes de pensamento pedagógico. Apenas nos sentimos livres e capazes de assumir nossa experiência de forma abreviada neste ensaio. Ao longo de nossa trajetória presamos pelo diálogo com a rede formal de ensino, trabalhando sempre em interlocução com as escolas. Entre 2009 e 2012 fomos parceiros da Escola Municipal Santa Luzia, no projeto Ação Griô; Em 2009 firmamos parceria com a Escola Estadual Raul Teixeira da Costa Sobrinho para desenvolvimento do projeto Agente Escola Viva e mantivemos a parceria através da mobilização para criação do Parque Ecológico na Mata do Raul; Desde o nosso início temos trabalhado com as escolas públicas no desenvolvimento de oficinais, apresentações artísticas, e formação de educadores. A partir de 2010 consolidamos a parceria com a Iá Cultural no desenvolvimento de oficinas artísticas em dezenas de escolas públicas das periferias de Belo Horizonte.


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Realizamos estes trabalhos nas vilas, na cidade, no campo e partilhamos vivencias

nos

espaços de formação, formais e informais. Para cada contexto, acumulamos experiências, realizadas e avaliadas de forma positiva, e que podem contribuir para a construção de outros sistemas de aprendizagem, revitalizando contextos sociais, educacionais e biopolíticos estagnados e corrompidos. Sabemos da índole da sistematização dos conceitos, que pode motivar o enrijecimento das práticas em uma fórmula única, mágica. Mesmo assim, apontamos aqui algumas tags, práticas que circulamos com maior frequência. Trabalhos coletivos e individuais, conhecer o grupo, debater, estudar, trocar informações, cuidar do espaço, trabalhar os diferentes temas geradores, ampliar a pesquisa, rodízio de tarefas que integram o coletivo em ações comuns, mutirões, instalações, ocupações, performances coletivas, ritos de brinquedo e agricultura, puxiruns, estudos coletivos e apresentações, dinâmicas de grupo. Agricultura, plantar, colher e comer junto. Nomadismo, viajar, caravana, peregrinar, circular, travessias e caminhadas, retiros, acampamentos, andanças, cortejos, passeatas, caminhadas culturais. Corpo presente, capoeira, yoga, sensibilizações corporais. Multireligiosidade – xamanismo, religiosidades afrodescendentes, indígenas, brasileiras, catolicismo popular, meditações. Aprender com o outro e ensinar, rodas de oralidades, orientações através do espírito lúdico e da sabedoria do mestre, jogos, troca de experiências, rede de sonhos, vivências holísticas, preguiça, educação ambiental. Autoeducação. Arte, mostras artísticas, arte educação, objetos, apresentações, textos, canções, produções. Rede, residências artísticas, intercâmbio de conhecimentos, circunferências, fóruns. Lúdico, brincadeira e brinquedo, imersões, palhaçaria sagrada, rito e performance. Fratrimônio, cultura popular, mídia-livre, software aberto, redução de danos, transdisciplinaridade, servidor. Aprendiz.

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Cosmo e Natureza ; -) relação íntima com os saberes ambientais Entendemos que o modo de vida de uma comunidade está intimamente ligado ao meio natural onde ela vive; os recursos naturais disponíveis e as condições de degradação/preservação determinam a qualidade de vida das pessoas. O homem contemporâneo tem a pretensiosa postura de se colocar acima da natureza, e cada dia mais tem se apartado do convívio com os outros seres vivos, recluso em cidades, o ser humano, capitalista, industrial e urbano, promove o extermínio da variedade vegetal e animal presente em nosso planeta. Cuidar do ambiente onde vivemos é cuidar da própria saúde. Por isso a discussão sobre a preservação da biodiversidade e sobre a ecologia integral deve estar sempre presente quando falamos de formação humana. O primeiro passo é aquilo que se chama de ecologia pessoal, que é a tomada de consciência individual da responsabilidade no atual processo de consumo predatório. A ecologia pessoal se refere também aos cuidados com o corpo (alimentação saudável, atividades corporais, respiração correta, ciclos de descanso e trabalho) e aos cuidados com as emoções e a espiritualidade, em um equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Estes cidadãos conscientes poderão se unir para criar relações humanas menos conflituosas e soluções para a preservação do ambiente natural e relação de respeito com os outros seres vivos. Trata-se de termos a natureza como inspiração. Relaciona-se ao ato de plantar a própria comida, buscando uma experiência íntima com terra, com o meio natural e com a alimentação livre de agrotóxicos, evidenciando a importância de criação de hortas comunitárias; uma maneira de estimular a compreensão do ciclo da produção de alimentos e suas enseadas culturais, os alimentos tradicionais, os cantos de plantio, os usos culturais das plantas. Relaciona-se, também, à diminuição do consumo e desperdício, em reflexões sobre a produção de energia e matérias primas, no descarte dos nossos resíduos.


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Consequentemente investimos, ao longo dos anos, no desenvolvimento de oficinas, palestras, vivências, estudos teóricos e práticos que privilegiassem as relações da cultura com os climas e estações do ano, com os astros e sua influência na vida cotidiana, com os cursos de água; enfim, atividades que evidenciavam a influência do meio natural no modo de vida da população de qualquer lugar. Difundimos as noções de consolidação de tecnologias comunitárias, de manejo ecológico, de economia solidária, agricultura familiar, turismo solidário e sustentável. Buscamos atividades que integrasse meio ambiente e saúde, passando pelos cuidados com o corpo, em práticas físicas e meditativas. As ações empreendidas estimularam muitas pessoas na tomada de consciência pessoal, na formação de grupos, no trabalho coletivo e no aprendizado constante. Ativamos nossa teia de relações: humanas, com a flora e a fauna. Toda a vida, da lagarta a borboleta, da meteorologia ao plantio, a natureza nos ensina.

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Multireligiosidade Ritos e diversidade cultural Arar a terra-viva e achar um tatu-gente indo morar na árvoreespírito. Revoada de ventos trazem povos das nuvens, vai chover.

Uma das práticas frequentes da Pedagogia Cavuca diz respeito ao contato com a diversidade cultural e com a multireligiosidade, na medida em que nos coloca diante de referências distintas, contribuindo para o respeito e o entendimento da diferença, no que tange aos aspectos físicos, simbólicos, filosóficos e espirituais. Essa percepção se baseia no princípio de que compartilhando as referências culturais, sabedorias e sistemas de ideias dos diferentes sujeitos, podemos construir saberes coletivos e promover a transformação do indivíduo. Através das expressões religiosas, populares, presentes no Brasil – traduzidas nos cultos, ritos e relações com o meio ambiente, como é caso dos terreiros de umbandas, candomblés, candombes, catolicismo popular, práticas religiosas ameríndias e orientais - entramos em contato com saberes que operam com a noção de sustentabilidade, conhecimento e respeito à natureza, liberdade de expressão religiosa, respeito à diferença e convivência pacífica.


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Assim, adotamos uma prática poliritualística, reconhecendo as redes de sabedoria e rituais como espaços de aprendizagem e de vivência cultural de gastronomias, músicas, oralidades, danças, preceitos, etc. Integramos a esta prática multireligiosa os estudos antropológicos do rito e os estudos culturais. Compreendemos as variadas ciências espirituais como instrumento de liberdade, e não como forma de dominação da consciência; como entendimento vital ao ser humano no que tange ao conhecimento das emoções, energia, sentimentos, pensamentos, sonhos, sensações e transcendência. O estudo comparado dos ritos e religiões nos trazem um acervo de ensinamentos e práticas comuns que contribuem para o equilíbrio do indivíduo. Práticas etéreos/corporais presentes nas milenares Capoeira Angola, Yoga, assim como em outras técnicas meditativas, ciências da cura, e no acervo cultural - de músicas, literaturas e performances dos ritos. O aprendiz passa a cavucar a própria origem e a si conhecer, e estes estudos sobre o ser interior, expandem-se ao processo autoeducativo, ao entendimento do seu universo imaterial e cósmico. Aprender passa pela paciência e a calma de ambientações e vivências holísticas, harmonizantes, inspiradas na educação biocêntrica, na biodança, vitalismo e outras experiências corpóreas e de transcendência.

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Patrimônio Cultural - Mestres, Aprendizes e Saberes Partilhados O conceito de Cavuco está intimamente ligado às dimensões da cultura imaterial, aos saberes de ofícios, culinários, aos fazeres manuais, ao xamanismo popular, à lida com a terra, leituras dos sinais da natureza, às formas de expressão artísticas populares, ao universo encantado da cultura popular; àquilo que tem sido chamado de patrimônio cultural imaterial. Todavia entendemos que a adoção dos termos material e imaterial; popular e erudito - entre outros dualismos - criam dicotomias que muitas vezes prejudicam a compreensão. A Pedagogia Cavuca parte, então, do pressuposto filosófico de que as polaridades coexistem, e dessa forma o subjetivo e o objetivo, o material e o imaterial devem ser tratados como elementos complementares. Neste sentido a criptografia cavuca nos enreda pela quebra das dualidades, entre elas as interfaces de mestre e aprendiz e ensino e aprendizagem. Nas relações humanas percebemos o quanto os saberes e as afetividades coletivas, sentimentos, intuições, clarividências e memórias, e até mesmo medos e frustrações estão entrelaçados. O cuidado com as emoções individuais contribui para o equilíbrio do grupo. Percebemos, também, que o conhecimento se constrói na partilha de saberes. A Pedagogia Cavuca propõe a construção coletiva dos processos culturais, e passa tanto pela arte quanto pela ação cultural, educacional e política. A cavucultura, em conformidade com outros tantos estudos no campo da educação e formação humana, percebe o aprendiz (de qualquer idade) como um ser multidimensional: por um lado agente da construção de seu próprio conhecimento, e por outro influenciado por um conjunto de valores socialmente construídos. Ainda que ele (o aprendiz) se constitua através de influências exteriores, ele é ao mesmo tempo determinado pelas suas próprias dimensões. Sabemos que, dialeticamente, o desenvolvimento humano se situa entre a transcendência e a permanência, entre o contínuo equilíbrio e desequilíbrio na construção do conhecimento; e essa dimensão é fundamental para se compreender aquilo que temos chamado de Pedagogia Cavuca. Entendemos, também, que a formação/educação acontece no contato, na troca de experiências, e que a linha entre Mestre e Aprendiz nunca foi tão tênue, aparecendo mesmo revertida nas mais diferentes situações.


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Trata-se de valorizar aquilo que todos nós temos de conhecimento, que trazemos em nossa bagagem de vida, em nossa bagagem ancestral. Da criança ao velho, do velho à criança, todos somos Mestres e Aprendizes, uns com os outros. Importante falar, ainda, da transmissão oral e da valorização dos conhecimentos tradicionais. Em uma sociedade capitalista, cada vez mais urbanizada e mecanizada, vivemos um momento onde o único saber válido é aquele inscrito em livros, proferido nas salas das universidades ou que receba a prerrogativa de científico. Isso implica que grupos prioritariamente “ágrafos”, como os povos indígenas e as comunidades isoladas, tenham seu conhecimento desvalorizado frente ao mundo contemporâneo; implica, também, que os saberes de nossos avós sejam jogados para o lado como “conversa de velho”; implica, ainda, que aquelas sabedorias antigas, baseadas na observação e na relação próxima com o ambiente natural, sejam consideradas não-científicas. A Pedagogia Cavuca, em oposição, opera com a valorização dos conhecimentos tradicionais e compreende a dinâmica das rodas de conversas, das contações de histórias, dos bate-papos informais, como instrumentos de ensino e aprendizagem.

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Cavuco: modo de ofício e engajamento Trabalho coletivo e união de conhecimentos teóricos e práticos Experimentamos muitas técnicas de aprendizagem e percebemos o sucesso daquelas que trabalhavam com a dimensão do trabalho coletivo e da união de conhecimentos teóricos e práticos. Entendemos também o conceito de cavuco em sua natureza principal de mestre de ofícios, o que não o aparta do fazer artístico e inventivo; pois não há diferença entre construir um jardim e pintar um quadro ou esculpir uma ciência. O arado que cria vincos na terra é como a ferramenta do escultor, não tem função menor. A sabedoria e a arte circulam em todos os ofícios. Assim, o ato de construir uma canoa, um telhado, uma horta, de fiar uma renda, pode se configurar como momentos de aprendizado aplicado e vivência cultural. O que quer dizer que, ao mesmo tempo em que o avô ensina ao neto a lida com a enxada na roça, ensina sobre os astros e os períodos da colheita, sobre os costumes dos antepassados, ensina os cantos e os ritos de capina. Esses saberes são construídos pela experiência e incorporam-se à experiência individual sob a forma de hábitos e habilidades, do saber fazer. Nesse sentido os conteúdos orais, sensitivos, memoriais, estão sempre alinhados às práticas, às vivências em grupo, ao trabalho coletivo como elemento transformador; a agricultura em bando, varrer é uma limpeza de si e do espaço. Daí a importância dos trabalhos comunitários, da realização de pequenos mutirões, onde todos os indivíduos de determinado grupo se reúnem para realizar tarefas em benefício de todos, estimulando o sentimento de pertencimento ao grupo, criando, ao mesmo tempo, responsabilidades em relação ao trabalho bem feito. Essa dimensão cria contraponto e resistência à dinâmica da sociedade contemporânea, onde compramos tudo pronto, e todos os produtos de consumo são produzidos longe de nossos olhos, por mãos de pessoas desconhecidas, que trabalham pelo salário ou para o lucro, sem dignificação do trabalho.


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Ao compreender o trabalho coletivo, o processo de engajamento e autonomia se efetiva, o sujeito passa a transformar constantemente seu ambiente social, através de ativismos e ações engajadas. Cavucar, aqui, significa uma pedagogia de construção dos conhecimentos culturais que se manifestam de forma individual e coletiva, trabalhar pesado para conhecer a si mesmo. Deste modo os processos de aprendizagem passam a reconfigurar a urbanidade, o espaço público, as possibilidades de uso sustentável das energias, etc. Trabalho pesado, furar fossa, bater laje, trabalho braçal.

Levantar uma lona de circo, costurar uma rede, agricultura da

imaginação. Sementeira de si e prana de todos - Haux. A partir desta perspectiva dos ofícios como geradores do bem estar coletivo, a Pedagogia Cavuca está fortemente marcada pelo engajamento dos estudantes e agentes culturais nos processos de construção políticas. Adotamos as práticas de fóruns temáticos, assembleias, conferências, seminários, como forma de fazer aflorar a participação comunitária em ações do bem comum. Os direitos perpassam passeatas, ocupações e apoio às outras manifestações populares. Cavucagem é antes de tudo uma intervenção sobre a realidade material, sobre a física dos sentidos; interação com objetos de ofícios.

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O lúdico e o aprendiz - A aprendizagem lúdica Nos tempos atuais, onde adultos se vêem presos a uma rotina extenuante de trabalho, pouco tempo sobra para o riso, para a partilha, para a vivência lúdica com o outro. Isso aponta para outro aspecto fundamental em que se baseia a Pedagogia Cavuca, que é a dimensão da cultura do lúdico: do brincar, do deixar-se encantar, dinâmica vivenciada tanto por crianças quanto por adultos, sem distinções etárias. As práticas da cultura popular lúdica (as rodas, os folguedos, os improvisos poéticos, o comer junto) são vivenciadas, reconectando sentimentos em uma perspectiva quase ritual, do religare, retomando momentos onde a comunidade se reunia para divertimentos coletivos, e brincadeira não era apenas “coisa de criança”. Na perspectiva da cavucultura é de extrema importância a vivência de elementos lúdicos da cultura popular, como brincadeiras de boi, folias, brinquedos e brincadeiras da infância e tradições orais, artes do circo e seus conteúdos nômades.

Vivenciamos o estado de risco do palhaço, os elementos de bonecas e

bonecos, imaginar que está sendo deveras apalhaçado por qualquer trem, qualquer coisa; bombinhas da favela em dia de bente altas, papagaio, barquinho de enxurrada. Este estado de risco reside em acreditar. A imaginação. Adotamos práticas que utilizam a linguagem artística conjuntamente à dimensão do sonho, do imaginar, do lúdico, que não impõe barreiras de idade, mas que, de qualquer maneira, encontra na criança seu grande mestre. Dessa forma trabalhamos com a perspectiva do corpo livre (forma de expressão no mundo), que pode ser vivenciada através da dança, do teatro, do circo e da brincadeira (pular, correr, rolar). Através da música trabalhamos com as noções de ritmo, dos sons, da voz que não quer (e nem deve) se calar, brincadeiras de bater nas mãos (pirulito que bate-bate, pirulito que já bateu), de estralar os dedos, e de coordenação (cabeça, ombro, joelho e pé). Podemos citar ainda a linguagem poético-literária, desenvolvida por meio de tantas formas orais: contos, trovas, parlendas, contação de histórias, num ninho de mafagafos, tinham sete mafagafinhos, quem os desmafagafizar, bom desmafagafizador será, trava línguas. E naturalmente compreende-se a presença do sutil e do silêncio como um bom brinquedo. O silêncio permite que a imaginação e a criação aconteçam, e, dessa maneira o universo lúdico se expõe com maior essencialidade.


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ArtEducação O fazer estético, artístico, a educação através da arte, e o fazer artístico como processo educativo, são aspectos importantes nesta cavucultura, e práticas frequentes em nossos trabalhos. Compreendemos a arte enquanto instrumento de formação e ampliação da consciência; lugar da imaginação e da catarse; da invenção criativa e científica; sentimento, fé, brinquedo e jogo, invenção de inventar. Resultado de um encantamento, da admiração e do desejo de expressão. Entendendo arte educação não apenas no sentido de repasse de técnicas artísticas, mas no sentido de elemento transformador; aprendizagem capaz de realizar a conexão entre nosso mundo interior e exterior; de expressar nossas abstrações e subjetividades; de criar novos parâmetros de entendimento sobre as opressões dos mercados, cultural, econômico; de possibilitar o desenvolvimento de percepções cognitivas, sensoriais, instintivas e emocionais. Sendo uma forma de compreensão hibrida, o conceito cavuco reconhece as artes do dia a dia e a arte-educação como uma arte de conduta. A arte, então, se configura em um lugar da rotina, da retina, além dos olhos, dos sentidos. A educação torna-se então um ato de arte diário. Nossa cavucagem se estabeleceu, também, enquanto reunião de coletivos de artistas para o desenvolvimento de trabalhos de natureza estética, nas linguagens do teatro, da música, do audiovisual e da poesia. O conceito Cawuco foi empregado por vários fazedores artísticos, em oficinas, laboratórios e residências artísticas.

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Poesia de roçar palavra. Oralidade. O virtual nas fragrâncias da perfomance. A plataforma conceitual deste teatro popular, na sacada das cênicas. Abstrato Florescente do realismo na quebrada. Uns transcendentes. Surrealuz: Art22 e o fragmento do invisível. Composições musicais analisadas como compostos cavucos. Música cavuca. Intervenções multimídias. Híbrido. Contemporâneo (...) forma de tempo - simultaneidade. artemporal. O corpo e o espaço imparcial, des'spaço. Espeleotemas sinfônicos reverberam em tuas grutas. Esta essência multipolar de sons sonsos. Fanzine, elemento móbile, pequenininho de fazer margem. Teatro popular: um personagem pedagógico adentra a cena do palhaço. A vanguarda é a necessidade de comer o pão e o circo. Arte de orações orgânica - conteúdos minimalistas. Entoando mídias sonoras. Ar temporal. Estética cavouca vulcânica, de registros e poeiras. Tuas danças rupestres nas paredes do corpo A imanência poética do observador tatu-bolinha. Os sentimentos de gratidão aos mensageiros e aos outros harmonizadores. Luzes auríferas voam nos céus, mudam de lugares, nascem da cachoeira. Solta dos oráculos o teu cordão de prata. Vai transitar por essas regiões intraterrenas, com céu estrelado do interior extraterreno.


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Nomadismo - a reconfiguração dos territórios mentais Na arte cavuca há um grande afeto com o itinerante, o andante, nômade. O homem, desde tempos imemoriais, é regido por ciclos (da lua, das estações, da migração dos outros animais) e em suas andanças pelo território se guiou pelos elementos naturais (os astros, as formações rochosas, o curso dos rios). Seguindo as trilhas marcadas por passos de tantos tropeiros, artistas mambembes e ciganos, peregrinos e viajantes, adotamos o ideal do ser caminhante, e atravessamos vilas, vias, currais, igrejas, becos, rios. Estas andanças, itineranças, percorreram as matrizes étnicas brasileiras em um desenrolar de músicos, artistas mambembes, nas comunidades, entre crianças, passarinhos, assobios e lavadeiras. As energias circulam. Absorvem outras interações sutis. Pensar; asas raízes e somas - rizomas. A sustentabilidade do efêmero. Irmos atrás da memória e encontramos a clarividência.

Na contemporaneidade são muitas as influências ao processo de estagnação das populações, principalmente dos centros urbanos. O modo operante sedentário da maioria da população, estabelecida, sintonizada nas variantes do consumo e industrialização humana, e que pouco conhece do seu entorno, tendo pouca ou nenhuma condição para o deslocamento. Existem muitos dispositivos implantados em nossos territórios vibracionais, antenas de TV, aparelhos celulares, cartões magnéticos, que interferem diretamente em nosso campo energético. Os excessos de estímulos desregulam nosso relógio biológico e desalinham a naturalidade da vida. Bombardeados de tecnologias somos levados a uma instância de mecanização da vida, onde a armadura da competição e da sobrevivência tornam-se armadilhas. Estando o corpo, a mente e o espírito enclausurados no mundo das ilusões consumistas, a humanidade se afasta dos aspectos naturais da existência e somatiza no corpo doenças que são resultado destas permissividades e estagnação.

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É nosso objetivo pedagógico resgatar e valorizar a relação do homem com o ambiente natural, com essa cultura ancestral de relação com a Terra em seu movimento. As viagens em bando ou solitárias são atividades de ruptura com o sistema, promovendo, ao mesmo tempo, o realinhamento com os meridianos do planeta. Nesse sentindo impulsionamos o intercâmbio de artistas e fazedores culturais de regiões distantes, estimulando a hospedagem solidária e a residência artística. Avançado nos conceitos da cultura permanente que estabelece vínculos com o território, relacionamos a harmonia com a efemeridade, com a viagem, e a ciência nômade torna-se um modelo de vida sustentável, de menor impacto ambiental. Descarta a necessidade de posses e as grandes alterações nos ambientes naturais e compartilha o aprendizado sem o apego ao resultado ou a um tipo de produto. Este exercício possibilita, também, a superação da noção de territorialidade e fronteiras e impede a formação de falsos conceitos patrióticos difundidos em prol da soberania dos Estados Nacionais e em detrimento das populações. Como desdobramento destas caminhadas estamos em processo de criação de um Centro de Aprendizagem Nômade – Chacaravana. Caravana circular de pessoas e instrumento de intercâmbio e trocas de experiências entre agentes da cultura no Brasil. A Chacaravana prevê o suporte de um veículo de transporte e a composição de uma equipe de técnicos/artistas (tuxauas e cavucos); com o objetivo de percorrer localidades que chamamos Vilas do Saber, que são os pequenos distritos resguardados no tempo, que possuem ainda a marca da ancestralidade; preciosos saberes que já desapareceram nos espaços urbanos. A expectativa é que a Caravana circule temporadas em comunidades desenvolvendo uma programação baseada nas práticas frequentes anteriormente comentadas: fóruns de cultura, mutirões, apresentações e oficinas artísticas, folguedos, brinquedos e brincadeiras populares, rodas de conversa e partilha de saberes, vivências gastronômicas e festivas, consultorias a ações culturais. Circular chacra.


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O MOSAICO DA PEDRA A máquina se rende às mãos e às vozes. A aristocracia e o “cidadão transformador” se olham olho por olho. Os direitos humanos se veem nos costumes e para além das leis constitucionais. A cultura se revive, se repensa e se situa no espaço social e político. A Cultura agora é VIVA. Temas, propostas, redes, teias, ações, agendas, planos, estratégias, táticas, artistas, ativistas se coagulam em diversos solos da imaginação e da vida. Conhecer-se, reconhecer e conviver com o outro agora é tão importante quanto elaborar medidas e realizar plenárias, seminários e congressos. Quem são os antagonistas? Quem irá compensar as injustiças que atrapalham nossos sonos? Como o Capital irá reconhecer essas velhas- novas riquezas que brotam dos pés das montanhas, do cerrado, das florestas e da beira do mar? O Poder oficializa o que já vinha sendo realizado para se apresentar, de certa forma, como parte do espontâneo transnacionalismo e tempero nacional. “Harmonias Poéticas” e “Harmonias Econômicas”. Economia solidária. Conceitos em bio-construção. As reivindicações dão lugar às discussões. Muita agitação teórica e prática, e por vezes romântica, embora os interesses político-econômicos e materiais se apresentem nítidos. A todas as essas discussões e questionamentos, o coletivo art.22 e a AIAASCA se faz presente e participante. Instigamos práticas de acesso, de atitudes e de pensamentos. Identificamos: antes de termos a nossa cara frente ao mundo, conquistamos a coragem de nos olhar no espelho. Caracterizamo-nos mais pelo aspecto de trocas espontâneas do que pelo caráter organizacional e associativo. Somos hoje um coletivo cujos objetivos ultrapassam o interesse de estabelecer vínculos identificáveis, pois cada um é livre para organizar suas linguagens e suas subjetividades; cada um é livre para trabalhar ao ritmo de sua escolha, trilhar seus próprios caminhos e trocar segundo sua vontade e capacidade. Afinal, a nova área denominada “economia criativa” tem suas dificuldades, além de inúmeras lacunas e desafios. Há quem considere que as condições de trabalho na esfera da criatividade são precárias. E muitas vezes são. Respeitamos uns aos outros. Buscamos abertura, espontaneidade e compreensão ante as divergências para crescermos como profissionais e pessoas. Cada associado e simpatizante expõe o seu pensamento e se posiciona no tocante à cultura, ciência, política, religião etc. Há entre nós o primado do diverso e do plural. Tudo que sonhávamos há dez anos. Hoje temos a sensação de que tudo ainda está apenas começando... Lopes de La Rocha

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TEXTOS DE REFERÊNCIA E CITAÇÕES ANDRADE, Oswald de. In: Piratininga ano 374 da deglutição do Bispo Sardinha. Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928. BLAVATSK, Helena. A doutrina secreta: cosmogênese. Vol. 1. São Paulo: Pensamento, 1995. BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975. BRETON, André. Manifesto surrealista. 1924. CAPRA, Fritjof. - O tao da física: um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental. São Paulo: Cultrix, 1990. - A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Cultrix, 2004. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995. ENGELS, Friedrich e MARX, Karl. Manifesto comunista. 1848. FREIRE, Paulo. - Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. - Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2009. GUATTARI, Félix. - Revolução molecular: pulsações políticas do desejo. São Paulo: Brasiliense, 1985. - Micropolítica: cartografias do desejo. Petrópolis / RJ: Vozes, 1996. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. LABATE, Beatriz Caiuby. - O uso ritual da ayahuasca. Campinas: Mercado das Letras, 2002. - A reinvenção do uso da ayahuasca nos centros urbanos. Campinas: Mercado das Letras, 2004. LA ROCHA, Lopes de. Art.22, +/-10 anos: percalços, percurso e persistência. Texto inédito. MOLLISON, Bill. Introduccion a la permacultura.


Documento:catalogo ponto e cultura - OK.pdf;Página:103;Data:31 de Jul de 2014 13:42:48

PACHECO, Lílian. Pedagogia griô: reinvenção da roda da vida. Lençois/BA: Grãos de Luz e Griô, 2006. RIBEIRO, Darcy. Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. STEINER, Rudolf. Os doze sentidos e os sete processos vitais. São Paulo: Antroposófica, 1996. VERGER, Pierre. Orixás, deuses iorubas na África e no Novo Mundo. Salvador: Corrupio, 2002.

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LEGENDA DAS FOTOS Página 09

Página 16

Brincadeira do Boi nas ruas do distrito São

De cima para baixo

Benedito - Santa Luzia -M G -3 º Fórum

Foto 01 - Crianças participantes da palhaciata na

Chacaravana do Ponto de Cultura (2012).

praça da Juventude (2004). Foto 02 - Atividades na lona de circo com

Página 10

crianças, jovens e adultos da comunidade

Teatro Municipal de Santa Luzia - Minas Gerais

(2003).

(2012).

Foto 03 -Palhaciata pelas ruas (2003). Foto 04 - Crianças da Creche Nossa Senhora da

Página 11

Paz brincando de ciranda na praça da Juventude

Divulgação do Espaço Concreto e Clorofila na E.

- Palhaciata (2005).

E. Raul Teixeira da Costa- Conjunto Cristina C,

Foto 05 - Da esquerda para a direita, Andresa,

Santa Luzia - MG (2001).

Letícia, Evangely e Andrei participantes do Circo Sem Lona - (2004).

Página 13

Foto 06 - Aquecimento para a Palhaciata no

Criança participante do projeto Circo sem Lona -

espaço onde tinha a lona de circo (2005).

Conjunto Cristina C, Santa Luzia -MG (2003).

Foto 07 - Criança participante de projeto na Palhaciata com Violino (2003).

Página 14

Foto 08 - Vicente Junior e Thiago Chapéu

Oficina de teatro do projeto Circo sem Lona -

caracterizados de palhaço na Palhaciata (2003).

Conjunto Cristina C, Santa Luzia -MG (2003).

Foto 09 - Palhaciata com alunos da E.E. Raul T. da Costa Sobrinho (2005).

Página 15

Todas as fotos deste pagina foram feitas no Conj.

Fotos 01 e 02

Cristina - Santa Luzia -MG.

Oficina de teatro do projeto Circo sem Lona Conjunto Cristina C, Santa Luzia -MG (2003).


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Página 17

Página 21

De cima para Baixo.

Grupo Alvorada Pé Vermei no cortejo do Rosário,

Foto 01 - Oficina de Teatro com Fernando

rua Direita. Santa Luzia - MG. (2006).

Fabrinni. (2003) Foto 02 - Apresentação Teatral Oficina de Teatro

Página 22

com Fernando Fabrinni (2003).

Apresentação do Grupo Alvorada Pé Vermei no

Foto 03 - Garoto Picolé no Bumba meu Ônibus

Penang Word Music - Penang - Malásia (2014).

(2003). Todas as Fotos tiradas debaixo da Lona de Circo

Página 23

- Conj. Cristina - Santa Luzia-MG.

Da esquerda para a direita. Foto 01 - Câmera em Ação .

Página 18

Foto 02 - Daniel Logam e José Farias filmando

Da esquerda para a direita

nas ruas do Conjunto Cristina.

Foto 01 - Apresentação teatral na comunidade

Foto 03 - Daniel Porto filmando e entrevistando

Curi - Santarem -PA.(2012).

Roberto Draps - Projeto do Zine ao Blog, no sede

Foto 02 - Boi Bumbá nas ruas do São Benedito,

do Ponto de Cultura Art 22.

cortejo do Fórum Chacaravana - Santa Luzia -

Foto 04 - Janelas tradicionais dos prédios do

MG. (2012.)

Conjunto Cristina. Foto 05 - Bugigangas a venda Feira da Savassi -

Página 19

Palmital.

Apresentação teatral na comunidade Curi -

Foto 06 - Câmeras fotográficas antigas a venda

Santarem -PA.(2012).

na Feira da Savassi - Palmital. Foto 07 - Barraca de Camelo no Conjunto

Página 20

Cristina.

Apresentação do OCA - Projeto

Foto 08 - Bugigangas a venda Feira da Savassi -

Quaquaraquaquá - Praça Duque de Caxias -

Palmital.

Santa Tereza - Belo Horizonte - MG. (2011).

As fotos de 01 a 04 e a 07 foram tiradas no Conjunto Cristina, as fotos 05,06 e 08 no Conjunto Palmital em Santa Luzia -MG. (2012) .

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Página 24

Página 31

Capa do Zine Cabeça de Papel (2005).

Plantação de Milho na Chácara da Arte - Santa Luzia - MG. (2007).

Página 25 Capa da Edição especial ( Mata do Raul) da

Página 32

Revista Cabeça de Papel (2012).

De cima para Baixo Foto Grande 01 - Vivência de Yoga (2007).

Página 26

Da esquerda para direita - fotos pequenas.

Vivência de Ioga no Centro Cultural Chácara da

Foto 02 - Placa da Chácara da Arte (2006).

Arte (2006).

Foto 03 - Quadros da oficina de artes visuais expostos na Chácara da Arte. (2007)

Página 27

Foto 04 - Vivência de Yoga (2007).

Da esquerda para direita.

Foto 05 -

Foto 01 - Crianças na vivência de Brincadeiras

Evento pelas águas do Rio São Francisco (2006).

Cantadas na festa de Inauguração do Centro

Foto 06 - Filmagem Inauguração da Chácara da

Cultural Quintal do Bananal (2005).

Arte (2006).

Foto 02 - Frente do Centro Cultural Quintal do

Foto 07 - Apresentação de Kaká - Evento

Bananal - Bonanza - Santa Luzia -MG. (2005).

Inauguração Chácara da Arte (2006).

Apresentação de Nadia Campos -

Foto grande 08 - Reunião na Conferencia da Página 28

Chácara da Arte (2006).

Biblioteca instalada dentro da Banca de Jornais

Todas as fotos feitas em Santa Luzia -MG.

Centro Cultural Casa da Banca - Conj. Cristina Santa Luzia - MG. (2005).

Página 33 De cima para baixo

Página 29

Foto 01 - Reunião na Conferencia da Chácara da

Fachada do Centro Cultural Casa da Banca Conj.

Arte (2006).

Cristina - Santa Luzia - MG. (2005).

Foto 02 - Mulheres no Encontro da Presença Feminina (2006).


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Foto 03 - Reunião na Conferencia da Chácara da Arte (2006). Foto 04 - Espaço da Chácara da Arte (2007). Todas as fotos feitas em Santa Luzia -MG. Página 34 De cima para baixo. Foto 01 - Alunos da E.M. Santa Luzia vistam a horta do Mestre João na Comunidade Kolping São Benedito (2010). Foto 02 - Alunos do EJA da E.M. Santa Luzia visitam a sede da Guarda de Moçambique Nossa Senhora da Guia com a presença da Mestra Olga - Asteca (2009). Foto 03 - Alunos do EJA da E.M. Santa Luzia ensaiando com o Mestre Luiz em sala de aula (2009). Todas as fotos feitas em Santa Luzia -MG. Página 35 De cima para baixo. Foto 01 - Mestres do Projeto Ação Grio Santa Luzia visitam a comunidade do Mestre Juquinha, Lapinha da Serra - Santa do Riacho - MG. (2011). Foto 02 - Mestre na sede do Grupo de Capoeira El Shaday do Mestre Zuim em Santa Luzia - MG. (2009). Foto 03 - Mestre de Santa Luzia participando do encontro da Radio Grio na Sede do Ponto de Cultura Guaimbê - Pirinopolis - GO. (2012).

Página 36 Prédios do Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2012). Página 37 Mosaico de Fotos do Projeto Circo sem Lona Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2012). Página 38 Espaço externo da Casa Biriba de Produções Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2012). Página 39 Da esquerda para a direita Foto 01 - Apresentação do grupo Segredo da Cor Mostra Artística do Ponto de Cultura Art 22 - Casa Biriba de Produções - Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2012). Foto 02 - Apresentação do grupo de Teatro Maizé Verdade e Oficina de Circo Teatro do Ponto de Cultura - Mostra Artística do Ponto de Cultura Art 22 Casa Biriba de Produções - Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2012). Foto 03 - Apresentação de Seu Ribeiro - Lançamento do Livro Arena Virtual - Casa Biriba de Produções Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2011) Página 40 Foto grande 01 - Atividade do Projeto do Zine ao BlogCasa Biriba de Produções - Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2011). Foto grande 02 - Ensaio do Grupo Alvorada Pé Vermei e Linete Mathias - Projeto Folguedos de Alagoas e Minas - Casa Biriba de Produções Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2011). Fotos pequenas - Áreas internas da Casa Biriba de Produções - Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2011)..

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Página 41 Muro da Casa Biriba de Produções grafitado pelo Artista Alexandre (Rato) - Conjunto Cristina - Santa Luzia -MG. (2014). Página 42 De cima para baixo Foto 01 - Aluno da oficina de Áudio Visual tirando foto CaiC Baronesa - - Santa Luzia -MG. (2012). Foto 02 - Alunos da oficina de Musica construindo instrumentos - Pinhões - Santa Luzia - MG (2012). Foto 03 - Oficina de Musica no São Benedito - Santa Luzia - MG. (2011). Foto 04 - Oficina de Circo Teatro - Bonanza - Santa Luzia - MG. (2013). Página 43 De cima para baixo Foto 01 - Cortejo da Oficina de Circo e Teatro Bonanza - Santa Luzia - MG. (2013). Foto 02 - Oficina de Áudio Visual na E.E. GETECO Parte Baixa - Santa Luzia - MG. (2013). Foto 03 - Afinando os instrumentos da oficina de Musica na E.E. Padre João - Pinhões - Santa Luzia MG. (2013). Foto 04 - Ensaio da oficina de Circo e Teatro no Teatro de Curral São Francisco de Assis - Taquaraçu de Baixo - Santa Luzia - MG. (2012). Página 44 De cima para baixo Foto 01 - Palhaços na Mobilização para a oficina de Circo Teatro - Palmital. Foto 02 - Cortejo da oficina de Circo Teatro nas ruas do São Benedito (2012). Foto 03 - Vivência na oficina de Circo Teatro (2012). Todas as fotos feitas em Santa Luzia -MG. Página 45 Da esquerda para a direit.a Foto 01 - Alunos da oficina de Circo Teatro visitam o curral do mestre Valter para recolher causos para

apresentação - Taquaraçu de Baixo - Santa Luzia MG. (2012). Foto 02 - Alunos da oficina de Circo Teatro visitam a fazenda onde começou os primeiros ensaios de teatro da comunidade - Taquaraçu de Baixo Santa Luzia - MG (2012). Página 46 Aula da oficina de Musica na Comunidade Kolping São Benedito - Santa Luzia - MG. (2011). Página 47 Da esquerda para a direita. Foto pequena 01 - Alunos construindo instrumentos na oficina de Musica - Pinhões Santa Luzia - MG. (2012). Foto grande 02 - Apresentação de encerramento da oficina de Musica na feira de cultura da E.M. Marina Vianna - Santa Luzia - MG. (2013). Foto grande 03 - Black Pio professor da oficina de Musica tocando e cantando para os alunos da oficina de Musica na E.M. Marina Viana - Santa Luzia - MG. (2013). Foto pequena 04 - Oficina de Musica, construção de instrumentos - Pinhões - Santa Luzia - MG. (2012).


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Página 48 Da esquerda para a direita. Foto 01 - Professor Lucimar com os alunos da Oficina de Áudio Visual na Casa Biriba de Produções - Santa Luzia - MG. (2010). Foto 02 - Reunião para criação de roteiros oficina de Áudio Visual na Casa Biriba de Produções Santa Luzia - MG. (2010). Página 49 Da esquerda para direita. Foto grande 01 - Alunos da oficina de Áudio Visual aprendendo técnicas de filmagens e fotografias CAIC Baronesa - Santa Luzia-MG. (2012). Foto pequena 02 - Alunos da oficina de Áudio Visual aprendendo técnicas de fotografias - CAIC Baronesa - Santa Luzia-MG. (2012). Foto grande 03 - Alunos da oficina de Áudio visual gravando programa Zica Show, na E.E. GETECO Santa Luzia - MG. (2013). Foto pequena 04 - Alunos da oficina de Áudio visual aprendendo a trabalhar com a câmera filmadora, na E.E. GETECO - Santa Luzia - MG. (2013). Página 50 Imagens de editoriais da revista Cabeça de Papel criados nas oficinas de Arte Digital (2010 e 2011). Página 51 Capas da revista Cabeça de Papel (2010 e 2011). Página 52 e 53 Cartazes de Divulgação dos Fóruns Chacaravana ( 2011 a 2013).

Página 54 Foto 01 e 02 - Participantes do Fórum em visita a Mata do Raul - Conj. Cristina - Santa Luzia MG. (2010). Página 55 Da esquerda para a direita. Foto 01 - Apresentação do OCA e oficina de Circo Teatro (Rádio Feira) na Praça da Savassi - Palmital Santa Luzia - MG. (2011). Foto 02 - Roda de conversa dos participantes do fórum na ASCOPA do Palmital - Santa Luzia - MG. (2011). Página 56 De cima para baixo. Foto 01 - Cortejo do Fórum nas ruas do São Benedito. Foto 02 - Todos os participantes do Fórum. Foto 03 - Grande roda de conversa dos participantes do Fórum. Todas as fotos foram tiradas no São Benedito em Santa Luzia - MG. (2011). Página 57 De cima para baixo. Foto 01 - Roda de conversa com educadores e ativistas. Foto 02 - Roda de brincadeiras com o brincante José Farias. Foto 03 - Roda de conversa debatendo sobre a criação do Parque na Mata do Raul. Todas as fotos foram tiradas no CAIC - Londrina Santa Luzia - MG. (2012).

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Página 58 De cima para baixo. Foto 01 - Apresentação do grupo de Pastorinhas dentro da Igreja São Francisco de Assis na abertura do fórum. Foto 02 - Platéia na apresentação da oficina de Circo Teatro na E.M. Dom Pedro II, atividade do fórum. Foto 03 - Exibição de Documentário sobre a comunidade para os participantes do fórum e toda a comunidade. Todas as fotos foram tiradas em Taquaraçu de Baixo - Santa Luzia - MG. (2012). Página 59 De cima para baixo. Foto 01 - Encontro com professores e comunidade de Pinhões. Foto 02 - Apresentação da Oficina de Musica. Foto 03 - Representantes do Ponto de Cultura e Mestres lideres do Catopê. Todas as fotos foram tiradas em Pinhões - Santa Luzia - MG. (2012). Página 60 De cima para baixo. Foto 01 - Roda de Brincadeiras com crianças. Foto 02 - Roda de Conversa com lideranças comunitárias. Foto 03 - Sarau de Poesias na abertura do fórum no espaço cultural da Andréia Todas as fotos foram tiradas na Parte Baixa Santa Luzia - MG. (2013).

Página 61 Da direita para esquerda Foto 01 - Black Pio e Mestra Helena no fogão de lenha preparando orapronobis com frango Bonanza - Santa Luzia - MG. (2013). Foto 02 - Encontro com mestres do congado na sede da Guarda de Moçambique Nossa Senhora da Guia - Asteca - Santa Luzia - MG. (2013). Página 63 De cima para baixo, da esquerda para a direita Foto 01 - Cantora Luna. - Foto 02 - Ronaldo Sou Black. Foto 03 - Sarau Tropeiro. - Foto 04 - SOS Periferia. Foto 05 - Paloma Leite. - Foto 06 - Roda de cirando com palhaço Pindaíba. Todas fotos foram tiradas durante as mostras culturais do Ponto de Cultura na Casa Biriba Santa Luzia -MG. (2012 e 2013). Página 64 Da esquerda para a direita Foto 01 - Audiência Publica na Câmara Municipal de Santa Luzia para implantação do Parque da Mata do Raul - Santa Luzia. (2012). Foto 02 - Lançamento do Plano Municipal de Cultura de Santa Luzia -CKSB - São Benedito Santa Luzia - MG. (2012).


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Página 65 Crianças no alto do Morro Santo Antonio, oficina de brincadeiras do projeto Pontinhos de Cultura Baronesa - Santa Luzia -MG. (2011). Página 66 Encontro de formação de educadores no Projeto Fé e Alegria realizada pelo projeto Pontinhos de Cultura Palmital - Santa Luzia -MG. (2012). Página 67 De cima para baixo, da esquerda para a direita. Foto 01 - Roda de brincadeiras cantadas com Cláudio Fritas - Formação de Educadores CAIC - Baronesa Santa Luzia -MG. (2012). Foto 02 - Exposição de livros com temas ligados a educação cultura do lúdico,criança, pedagogia na formação de educadores - CAIC - Baronesa - Santa Luzia -MG. (2012). Foto 03 - Roda com educares da E.M Padre João Pinhões - Santa Luzia - MG. (2012). Foto 04 - Roda com a Socióloga Vânia Diniz - Centro Cultural Calazas - Palmital - Santa Luzia - MG.(2012). Foto 05 - Apresentação dos resultados do Projeto Pontinhos de Cultura Aprendiz do Lúdico - Casa Biriba de Produções - Santa Luzia - MG. (2012). Foto 06 - Roda com educadores e o Brincante Farias Palmital - Santa Luzia - MG. (2012). Página 68 Da esquerda para a direita. Foto 01 - Oficina Brincando com Mídias - do Projeto Pontinhos de Cultura Aprendiz do Lúdico - Pinhões Santa Luzia -MG. (2012). Foto 02 - Oficina Brinquedos e Brincadeiras - do Projeto Pontinhos de Cultura Aprendiz do Lúdico Taquaraçu de Baixo - Santa Luzia -MG. (2012).

Página 69 Foto 01 - Cortejo no encontro de brincantes na rua Direita - Santa Luzia - MG. (2012). Foto 02 - Cortejo nas ruas de Pinhões - Santa Luzia - MG. (2012). Foto 03 - Criança brincando com pião na mão Pinhões - Santa Luzia -MG. (2012). Página 70 Foto 01 - Espaço brinquedoteca Casa Biriba de Produções - Conj. Cristina - Santa Luzia - MG. (2013). Foto 02 - Espaço brinquedoteca Casa do Mestre Bene - Baronesa - Santa Luzia - MG. (2012). Página 74 Panorâmica da rua onde esta localizado a sede do Ponto de Cultura Art 22 a Casa Biriba de Produções - Santa Luzia - MG. (2013). Página 76 Montagem de fotos tiradas na Cordilheira do Espinhaço - Santana do Riacho -MG. Página 78 Da esquerda para a direita Foto 01 - Encontro com as mulheres da comunidade Quilombola Macuco - Minas Novas MG. (2011). Foto - Família Rodrigues no terreiro na comunidade Quilombola Macuco - Minas Novas MG.(2011).

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Página 79 Da esquerda para a direita. Foto 01 - Garoto Rafael ( guardião do Boi da Rede) ao fundo de mascara Mestre Juquinha Lapinha da Serra - Santa do Riacho - MG. (2004-2005). Foto 02 - Brincadeira do Boi da Rede na frente agachado Décio Marques (in memória) Juquinha - Lapinha da Serra - Santa do Riacho - MG. (2004-2005). Página 80 Da esquerda para a direita. Foto 01 - Roda de Abertura do 1° Seminário do Saber Popular. Foto 02 - Cortejo de abertura do 1° Seminário do Saber Popular, ao centro de camisa branca, bermuda e caixa de folia vermelha Elci Lage "Biriba" (in memória) que homenageamos com o nome da sede da AIAASCA e o Ponto de Cultura Art 22 a Casa Biriba de Produções. Todas as fotos tiradas em Pinhões - Santa Luzia - MG. (2009). Página 81 Participantes do Seminário do Saber Popular Encontro dos Povos do Espinhaço - Lapinha da Serra - Santa do Riacho - MG. (2013). Página 82 Da esquerda para a direita. Foto 01 - Apresentação teatral Maizé Verdade, de chapéu Mestre Zinho (in memória). Foto 02 - Marujada Nossa Senhora do Rosário da cidade de Dores de Guanhães - MG.

Foto 03 - Guarda de Moçambique N.S. da Guia da cidade de Santa Luzia -MG. Foto 04 - Encontro dos bois da Manta (Lagoa Santa) boi da Rede (Lapinha da Serra). Todas as fotos tiradas no Seminário do Saber Popular - Encontro dos Povos do Espinhaço Lapinha da Serra - Santa do Riacho - MG. (2013). Página 83 Roda de conversa sobre a cordilheira do espinhaço no Seminário do Saber Popular Encontro dos Povos do Espinhaço - Lapinha da Serra - Santa do Riacho - MG. (2013). Página 84 Vivência Matinal com Ailton Krenac debaixo do Pico do Breu no Seminário do Saber Popular Encontro dos Povos do Espinhaço - Lapinha da Serra - Santa do Riacho - MG. (2013). Página 85 Foto 01 - Seu Ribeiro e Cecília Ribeiro Foto 02 - Black Pio e Alvorada Pé Vermei. Todas as fotos tiradas no Seminário do Saber Popular - Encontro dos Povos do Espinhaço Lapinha da Serra - Santa do Riacho - MG. (2013).

Página 86 Foto 01 - Roda de Benzedeiras ao centro Dona Piedade batizando as crianças. Foto 02 - Alimentos da Feirinha da Lapinha. Todas as fotos tiradas no Seminário do Saber Popular - Encontro dos Povos do Espinhaço Lapinha da Serra - Santa do Riacho - MG. (2013).


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Consultoria e projetos Gibran Muller, Marilene Rodrigues, Vinicius EQUIPE TÉCNICA DO PONTO DE CULTURA Monitores dos cursos: Audiovisual Lucimar Lima Pacheco Daniel Logan Wilton Vinicios Teatro Fernando Fabrini Thiago Araújo

de Carvalho Lage, Priscila Borges Gestão Administrativa e Jurídica Gibran Müller, Marilene Rodrigues Consultoria pedagógica Rose Mary de Carvalho (em memória), Priscila Borges Zeladores da Residência Artística Casa Biriba Vinicius de Carvalho, Arthur Lage, Gibran Muller, Marilene Rodrigues, André Varogh.

Vinicius de Carvalho Izabel Marques - Bebel Música Geston Machado AndreVarogh Jonnhy Herno Ronaldo Pio Arte digital Vinicius Moreira Wilton Vinicios Editor Cabeça de Papel

Diretoria AIAASCA (2010-2014) Gibran Muller Carvalho Lage Priscila Maria de Barros Borges Marilene Rodrigues dos Santos Jana Ferreira Diniz Rômulo Teodoro da Silva Andréia Cristina de Souza Garcia

Vinicius de Carvalho

(2006/2010) Gibran Muller Carvalho Lage, Cristiano Cançado Rocha, Eduardo Douglas, Daniel Marcos Barbosa, Bruno Reis ,Carlos Felipe

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CONTATOS Rua João de Sá, 551, Conjunto Cristina C, Santa Luzia / MG, CEP: 33110-210 Tel.: (31) 3063-6183 Email: aiaasca@gmail.com Canais na Internet: Associação Art22 http://aiaasca.blogspot.com.br/ http://pt-br.facebook.com/aiaasca.art22 http://youtube.com/aiaasca Projeto Saber Popular na Cordilheira do Espinhaço http://cordilheiratuxaua.blogspot.com.br Rede do Espinhaço http:// www.rededoespinhaco.com

Catálogo impresso em Junho de 2014 Fontes utilizadas: Arial e Batang


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Para criar este catálogo, muitas dúvidas apareceram, muitas perspectivas históricas e sociais, culturais e estéticas poderiam encaminhar para tantas linhas de discurso. Tentamos abranger o maior número de agentes significantes para formação do Art22. Mas ainda faltavam tantos que estiveram presentes de forma marcante em nossa trajetória. O livro foi contado de forma que pudéssemos acompanhar o desenvolvimento das atividades, mas os encontros destas pessoas aconteceu de formas e em locais diversos, locais de arte, cultura e formação de BH e região metropolitana . Além de agradecer aos que já foram citados neste catálogo, temos muito a agradecer a todos que compuseram esta história e para tanto, agradecemos aos tantos: alex manso helena e alexandre ribeiro dulce cristiano cançado vicente junior thiago araujo laura da mata machado letícia e tayna da mata machado sonia araujo lourival andrade fernando goulart grace alves cecília elcy lage biriba rose mary de carvalho cassandra de carvalho amilton matos isabela costa francisco sereno andréia cristina tullaci pimenta marco lobo sonia e alessandra meneses lorena anastácio jaqueline luana vinícius moreira tânia e geston machado helbert eduardo douglas daniel logan leopoldina barbosa ludmila benquerer gabriel ribeiro lino e jana dona helena natália seu joão mestre zuim nélio horta seu luiz seu antônio fernando fabrini jonnhy herno luciana rodrigues yuri alessandra matos maroca davi alexandre daniel porto lizziane melo bruno reis ronaldo pio andré varogh edyano neves roberto soares marilene rodrigues vinicius de carvalho suzane duarte gibran muller arthur lage cícero borges priscila borges evangely rodrigues lucimar lima vania ivan diniz carlos felipe de oliveira joílson eva dona olga josé faria marilza fritas heliana maria silvana colares marilda joão neto seu bene do morro santo antônio ângela bebel vambeto wesley alves raouni luan giordane ze carlos camila dalila varogh gilmar machado alexandre rato seu juquinha e dona lina vilmar aparecido luiz roque manoel donizzet guerino thibau ricardo evangelista sueli silva nadia campos aninha geovana jardim anaua miguel benjamim francisco joão lua ismael rocha gustavo fernandes felipe erica marques adriano rômulo teodoro renato zoia leila castro vinícius leitão

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Art22 # Origens e Cavucultura  

Catalogo do Ponto de Cultura Art.22 - Cavucultura - Rede do Espinhaço

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