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Relatorio 2013

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Carta de apresentação “Todo sistema vivo está sempre em um estado de mudança”. Esta frase, de Allan Kaplan, reflete bastante como estamos nos sentindo ao final deste ano de 2013. O processo de planejamento estratégico iniciado em 2010 nos colocou em um forte movimento. Em 2013, ao mesmo tempo que lidávamos com um período de recuperação pós-crise no campo pedagógico, marcado por uma importante reformulação na forma de propormos os programas mas sem perder nossa essência, também crescíamos. Foi o ano de fortalecimento do grupo de gestão, com o posicionamento mais forte de membros que não estavam em posição de liderança anteriormente. Ouvimos novas vozes, lidamos com os conflitos, cuidamos do fortalecimento deste espaço de troca. Nos propusemos a estudar, a rever nossas estratégias e a mudar, quando necessário. E como é difícil. Assumimos posições fortes em espaços paritários, como a presidência o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Embu das Artes. Trouxemos de fora ajuda para áreas essenciais, como o pedagógico. Investimentos em desenvolvimento institucional, para fortalecer nossas escolhas estratégicas na linha de mobilização de recursos. Ouvimos nosso chamado interno para assumirmos algo que já fazíamos, o atendimento comunitário, e nos debruçamos sobre esta reflexão com o apoio do Instituto Fonte. Fechamos o ano com uma deliciosa sensação de que havíamos lutado pelos desafios aos quais nos propusemos no começo do ano, e respiramos aliviados com a volta das crianças. Por fim, nos esforçamos bastante para criar processos de síntese e sistematização para gerar o relatório que hoje publicamos. Ainda tem espaço para melhorar, sabemos. Mas estamos orgulhosos dele e agradecidos a todos que contribuíram para que se tornasse realidade. Convidamos você a lê-lo e refletir conosco sobre a Acorde. Seremos sempre ouvidos para suas dúvidas e sugestões. Obrigada,

Joana Mortari Desenvolvimento Institucional

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Desenvolvimento Pedagógico

Este foi um ano de grandes desafios para o programa pedagógico da Acorde, que terminou 2012 fragmentado e arrastou para 2013 a necessidade de reformulações nos projetos, principalmente do Programa Cativarte. Uma delas foi a volta de Douglas Campos para a coordenação pedagógica da organização, acompanhado de perto pela consultoria de Marcia de Almeida Moraes, da Escola Vera Cruz. Outro ponto significativo foi uma mudança no corpo de educadores da Acorde. Durante o ano, o processo foi sendo acertado e o público alvo, as crianças e jovens da região, voltando. A Acorde entendeu este como um momento de parada, respiro e retomada. Analisamos que no ano anterior concentramos nossas energias no desenvolvimento institucional e, sem pernas para cuidarmos de tudo, acabamos por descuidar o nosso olhar da prática. Terminamos o ano reconfortados com os resultados de nossos esforços e certos de que, tendo um plano pedagógico bem formulado e que faz sentido para a organização e para o público alvo, temos boa parte do que precisamos para seguir em frente.

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Programa Recreação

O que é? Para crianças entre 6 e 8 anos, colabora com o processo de sociabilização e desenvolvimento pessoal dos pequenos na construção de sua identidade e no relacionamento em grupo, tendo o brincar como principal ferramenta. Durante o ano, trabalha temas transversais como a cultura nordestina e meio ambiente. A Acorde tem como objetivo que o grupo da tarde, que acontece simultaneamente ao Programa Cativarte, possa transitar pelas oficinas artísticas do Cativarte de forma a começar um processo de preparação para a escolha e as vontades. Ainda que tenha acontecido em 2013, a Acorde entende que este trabalho pode ser estruturado de forma mais estratégica nos próximos anos. Os grupos da manhã não têm a mesma oportunidade, de forma a requerer da Acorde um empenho maior para que sejam incluídos no programa formas de estimulo artístico e cultural. Neste período, o voluntariado tem um papel importantíssimo, trabalhando lado a lado com nossos educadores.

Começando o ano... No começo do ano os grupos de 6 a 8 anos, manhã e tarde, realizaram ensaios para o cortejo da Acorde. Trata-se um desfile pelo bairro inspirado pelo Pastoril, festa de origem nordestina, que acontece no Dia de Reis e resgata o carnaval de rua. O tema surgiu por sugestão da educadora Neide, por conhecer e ser apaixonada pela cultura pernambucana. O primeiro passo foi a pesquisa coletiva com as crianças, que logo se identificaram com o tema, seguido da escolha de como representar as personagens com as quais se identificaram. Esta atividade visa integrar a comunidade e oferecer uma opção de lazer, ao mesmo tempo que apresenta o trabalho desenvolvido pela Acorde. Os educandos aprenderam o canto construído por educadores e colaboradores da Acorde, ensaiaram a coreografia e desenvolveram atividades de artes plásticas com reaproveitamento de materiais. Além das atividades voltadas ao cortejo, as crianças realizaram juntos aos educadores Viviane e Douglas o primeiro contato com os instrumentos de percussão, desenvolveram jogos matemáticos e trabalharam coordenação motora, por meio de circuitos de desafios. 4


Programa Recreação

Trabalhando a necessidade de cuidar do planeta... Com o propósito de despertar o interesse e a consciência ecológica, as crianças foram visitar a nascente do rio que passa no entorno da Acorde e assistiram à peça “Yacatú Água Boa” da Cia Paidéia de Teatro. Junho é o mês do meio ambiente e diversas atividades foram propostas com as crianças para valorizar a importância do cuidar do planeta, sempre de forma lúdica, como a confecção dos bonecos de alpiste. As crianças participaram em todo o processo, desde a doação das meias até a rega diária de seu bonequinho. Também foi realizado um passeio pelo bairro para que conhecessem o rio do entorno da Acorde, durante o qual as crianças trouxeram observações sobre o cuidado com os animais e a importância de cuidar do lixo para que não chegue até os rios. Encerrando o tema, os grupos assistiram a peça da Adere – Associação para Desenvolvimento, Educação e Recuperação do Excepcional sobre os cuidados com o meio ambiente, importante não só para a reflexão sobre o tema, mas para a interação com os atores da Adere.

Oba, festa de cultura brasileira! No meio do ano os grupos realizaram diversas atividades sobre o Bumba meu Boi, que foi o tema escolhido para a Festa Junina. Entre elas, a pesquisa de tema com as educadoras e a elaboração do painel expositivo, como uma forma de nutrição estética a todos da Acorde, e reviveram a história do boi ao ensaiarem a dança para a apresentação, cantando “Meu Boi Morreu”.

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Programa Recreação

Depois das férias, reaquecendo a musculatura. No início do segundo semestre foi proposta uma atividade artística de escolha, onde as crianças faziam desenhos de folhas para uma árvore que passou a enfeitar a sala. Nos desenhos, cada criança colocou seu desejo para a Acorde. Foi observada uma vontade por mais brincadeiras e atividades lúdicas para o segundo semestre, e assim fizemos. Com o objetivo de ampliar a exposição à musica, o educador de violão do Programa Cativarte, Wagner, começou a trabalhar uma vez por semana com o grupo, resgatando as cantigas de roda conhecidas e ampliando seu repertório. No tocante às brincadeiras, foram introduzidas algumas novidades, como o pega o rabo, ampliando o repertório dos pequenos, e trabalhadas aquelas pertencentes ao repertório do grupo, como cabra-cega. A assistente de coordenação pedagógica Mauren percebe nitidamente uma mudança de comportamento das crianças em relação a esta nova experiência. As atividades lúdicas e culturais trouxeram um novo universo para as crianças, com ampliação no envolvimento de cada um na dinâmica de grupo, a diminuição da timidez e a construção da confiança nas apresentações, observadas pelo fato de que as crianças passaram a brincar e se divertir durante as apresentações..

Respeitável público! Sempre que possível trazemos para a Acorde peças teatrais, espetáculos e dança, contação de histórias e outros estímulos culturais. Neste semestre as crianças assistiram a peça “O Casamento de Maria Feia” do grupo teatro Nós sem Nóis, trazendo novamente o universo da cultura nordestina. As crianças também assistiram ao espetáculo “Os Sete Corvos”, da Margrit Gysin por meio do Festival Internacional de Teatro da Companhia Paideia. e participaram da Exposição “Nós do Nordeste”, a convite do Instituto Sidarta. Na exposição ouviram uma contação de história e confeccionaram dedoches de bumba meu boi.

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Programa Recreação

Alimentação saudável e combate ao desperdício. Observamos, neste grupo, uma necessidade de trabalhar mais enfaticamente o tema da alimentação, muito cuidado na Acorde. Para isso, contamos com o apoio do Mário, na Acorde há 9 anos e hoje responsável pela manutenção, para atividades na horta. Plantaram temperos e hortaliças, como coentro, alface e cheiro verde, e ficaram responsáveis pelo cuidado com do espaço. Nesta toada também aprenderam sobre a composteira, onde o resto de alimentos do refeitório se transforma em adubo. Ao longo do semestre as crianças revisitaram a horta, sempre com o apoio do Mario, para acompanhar o crescimento e os cuidados com as plantinhas. Integrando o trabalho feito na horta, outra ação, foi evitar o desperdício. Como parte do processo, foi proposta uma visita à fábrica da Pullman, que tem um programa de reaproveitamento da água e não desperdício de alimentos. Como resultado do trabalho, percebeu-se uma significativa redução do desperdício durante as refeições na Acorde, além de as crianças passarem a comer mais verduras

Muita roda, sempre! Brincadeiras de roda são trabalhadas constantemente no Recreação, com a ajuda da assistente de coordenação pedagógica Mauren. As crianças aos poucos vão aprendendo e participando das rodas, ferramenta importante para despertar o sentimento de pertencimento em relação ao grupo, uma vez que a disposição da roda permite que todos se olhem, se escutem e, juntos, tenham a oportunidade de vivenciar o coletivo, a igualdade e o respeito para com o grupo. Outra proposta do Programa Recreação neste ano foi o melhor aproveitamento do espaço e valorizando o verde da APA (Área de Proteção Ambiental) que nos circunda, um privilégio de poucas pessoas, para tanto, foram se tornando cada vez mais constantes ações como: contação de histórias, cantigas de roda e oficina com o educador de violão.

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Programa Recreação

Trabalhando valores... Nas contações de história o Recreação trabalhou valores como respeito e honestidade. Outros temas bastante trabalhados no decorrer do ano foram a solidariedade e partilha. Durante a alimentação os educandos podem se servir sozinhos, e antes os primeiros que pegavam o pote e colocavam muito no prato e quando os potes chegavam nos últimos educandos já não tinha mais comida, como o lanche é coletivo, pensar um no outro é importante. O trabalhado com as crianças obteve resultados significativos. “Hoje eles lembram dos demais e dividem melhor os alimentos”, conta a Educadora Neide. No desenvolver das atividades para o grupo, desenhos livres são importantes para que possamos perceber o que a criança está querendo colocar para fora. Por meio da análise da atividade, as educadoras provocam as crianças a explorarem mais o espaço do papel, utilizarem mais cores e a soltar a imaginação. Na semana das crianças aconteceu uma oficina de pião, onde confeccionaram o pião e o levaram para casa. A construção de brinquedos feitos pelas crianças valoriza o “feito a mão”, dá outras opções para o brincar e dá uma visão diferente das que eles têm com os brinquedos industrializados. Também confeccionaram pipa e diversas brincadeiras e jogos de tabuleiro.

Oficina de Malabarismo e o Espetáculo de Final de Ano. Aproveitando a estada do voluntário Mark neste semestre, o Programa Recreação acolheu uma oficina de malabarismo que abordou desde o ensinamento dos primeiros movimentos até a confecção de bolinhas de malabares. Em novembro foram intensificados os esforços na construção e ensaios do espetáculo de final de ano. Pesquisaram sobre o homenageado, Solano Trindade, sua vida e obra, e escolheram algumas poesias e, a cada dia, a educadora Lucilene declamava uma poesia, até que eles escolheram representar “Gravata Colorida” no espetáculo. Os grupos ensaiaram o samba de roda e a música da Acorde.

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Programa Cativarte

O que é? Para crianças e jovens entre 9 e 17 anos. Colabora com o processo de formação de um jovem capaz de perceber a importância de estudar, confiante na sua capacidade de escolher e realizar, consciente de suas vocações e aberto a diferentes culturas. o Cativarte é composto por diversos projetos de musica, dança, esporte e culinária, que podem ser escolhidos pelos educandos conforme suas vontades e vocações. Cada criança e jovem escolhe um ou mais projetos que gostaria de participar, montando uma grade de atividades culturais. Em 2013, o Programa Cativarte ofereceu os seguintes projetos:

“A Acorde faz parte da minha vida, é família, ajudou muito em todos os aspectos os meus filhos, eles melhoraram na escola e na vida.” Vanda Felix, mãe de 4 educandos que estão ou passaram pela Acorde.

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Programa Cativarte

Projeto de Cantigas Populares: Macaratu (Educador Rubens Rossin) No começo do ano os jovens passaram a ter contato com um novo instrumento, a alfaia. Este é um passo importante para que o ritmo do maracatu tome corpo nas mãos dos educandos. Foi priorizada a formação por blocos de instrumentos, buscando a harmonização. No mês de maio o trabalho foi voltado para o canto das cantigas, e aprendizado de um novo baque, o baque de arrasto, toque mais elaborado do maracatu. O grupo, durante este mês, se concentrou na execução das variações da batida básica da alfaia, que possui três variações (marcante, meião e virador). Para os outros instrumentos que compõem o maracatu também existem outras variações. Executaram também as “cambindas” que são combinações entre as caixas e a alfaias. E continuaram praticando a loa (música) “Maracatú da Coroa Imperial” onde os educandos tocam e cantam ao mesmo tempo e executam um passo básico de dança. Foram introduzidas batidas mais contemporâneas, e a batida que atraiu bastante a atenção dos educandos foi a que se aproxima bastante do funk atual executado nos rádios. O grupo se apresentou na festa Junina da Acorde, abrindo os festejos. Participou do cortejo no parque Gabriel Chucre e assistiu à apresentação do “Batuca Brasil” no Mutirão da Quebrada do Quintal Cultural. Se apresentaram também na Fundação Filhos de Buda, que marcou a integração entre as Organizações Acorde, Filhos de Buda e Espaço Lumiar. No final de junho participaram do Acordes Sonoros, uma espécie de sarau musical que acontece mensalmente na Acorde, aberto para a comunidade, executando uma música juntamente com a banda Batuca Brasil encerrando o evento. O grupo fez o seu encerramento do bimestre no parque Gabriel Chucre onde participou de uma visita monitorada e depois realizou um piquenique de confraternização. Em agosto a oficina começou a trabalhar a “Cambinda de Martelo” com “Baque de

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Programa Cativarte

Martelo” e “Baque de Parada”. Todas são sequencias de músicas do maracatu. Essas batidas junto aos cantos que geram a reflexão referente ao tempo e as pausas no ritmo. O grupo surpreendeu o educador na Festa de Aniversário da Acorde, pois não houve um ensaio de repertório para este evento. Mesmo assim eles construíram coletivamente e propuseram as loas e os baques que iriam executar na apresentação. Foi uma grande evolução. Em setembro continuou o aprendizado no “Baque de martelo e Cambinda”. No “Baque de Parada” o grupo está evoluindo, mas ainda não está seguro. Um fato interessante é que os novos educandos estão sendo ajudados pelos mais experientes. Há uma dificuldade na convenção nova, pois a nova batida é bem swingada, mas aos poucos o grupo está conseguindo executá-la. Durante o mês de setembro o Programa Recreação visitou a oficina e realizou uma dinâmica rítmica de coordenação motora e percepção musical, com a utilização da alfaia. Eles também aprenderam a loa Nagô Nagô, fazendo o coro para o grupo de percussão tocar. A evolução é que a sincronia entre os educandos está cada vez mais evidente. Em outubro passamos praticamente o mês inteiro sem as alfaias, isto dificultou bastante o trabalho, como recurso o educador passou vários exercícios educativos de caixa. Técnicas de baqueta (como segurar baqueta no pedestal, no talabarte). O agogô também foi trabalhado e a maioria do grupo apresentou alguma dificuldade. Os arranjos foram trabalhados em conjunto com as loas, a loa “Nagô nagô” foi trabalhada mas o grupo ainda não a domina porque é um baque de parada. Houve uma “chamada oral” (perguntava e o ritmista tinha que executar) com os ensinamentos que foram trabalhados ao longo do ano, como a cambinda de três, cambinda de martelo e a convenção. O grupo solicita bastante a troca de instrumentos. Como a ideia inicial do espetáculo de Final de Ano era da Ilha dos Sonhos, o grupo começou o mês de novembro realizando uma pesquisa sobre Solano Trindade e sua proximidade com a Cultura Popular Brasileira. Depois disso, definiu-se figurino e aju-

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dou o educador a confeccioná-lo nas dependências da Acorde. Com o retorno das alfaias do conserto, Rubens conseguiu dar continuidade aos ensaios objetivando o espetáculo de final de ano. Com a alteração dos rumos do enredo do espetáculo, o Projeto Maculelê foi escalado para fazer a abertura do espetáculo em cortejo pela Acorde até o palco e fazendo a trilha sonora para a apresentação de pirofagia e malabares, realizada pelo voluntário Mark. O grupo evoluiu bastante durante o ano, graças ao trabalho individual desenvolvido com os educandos, os jovens foram se sentindo seguros no decorrer dos meses, é o trabalho corpo a corpo que faz o som ficar mais limpo. O que motivou e motiva o grupo são as apresentações, mostrar o que foi aprendido, fortalece os educandos. A dança é fundamental no processo de aprendizado é ela que dá o ritmo para tocar.

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Projeto de Cantigas e Danças Populares: Capoeira e Maculelê (Educador Adriano Birajara) No mês de abril os educandos aprenderam duas novas sequências de mestre Bimba, passos do maculelê, e ensaiaram a coreografia para o desfile do cortejo sobre o pastoril. Decidiu-se realizar um rodízio de instrumentos, e as meninas estão fazendo a abertura das apresentações com acrobacias, para inserir uma atividade mais artística. O educador também trabalhou o fortalecimento das relações, por conta dos conflitos entre as meninas. Os conflitos aconteciam fora da oficina, mas refletiam nas atividades, na busca de resolver foi realizada uma roda de conversa com os jovens, ações como observação do outro e descobrir que cada um tem qualidades e defeitos e valorizar os talentos do outro é muito importante no processo. No mês de junho, o grupo trabalhou a colaboração por meio da organização da sala e das roupas de apresentação do Maculelê. Com a doação de sacolas de pano de Dona Sonia, moradora da comunidade, os educandos conseguiram organizar a sala e cuidar da roupa. Houve uma atividade de integração com as crianças do Programa Recreação, foi bastante interessante o envolvimento dos mais novos com os mais velhos. O objetivo foi propor trocas e perceber que os mais novos vão um dia ocupar o lugar dos mais velhos e que os mais velhos podem passar bons valores para os mais novos. Para a festa junina da Acorde foi desenvolvida uma coreografia voltada para o tema do Boi Bumbá. O grupo também preparou o repertório de músicas para a apresentação na festa junina do Colégio Deusnil. Os jovens fizeram o fechamento das sequências de Mestre Bimba, movimentos da capoeira regional, com uma avaliação em duplas. Nele, todos os educandos conseguiram atingir a meta dos movimentos, golpes e disciplinas. Esta sequência é tradicional da capoeira, vem passando de gerações desde 1037, a sequência traz para “o capoeira” movimentos de ataques e defesas e com 8 sequencias faz 360 movimentos. Envolve os jovens no mundo da capoeira e traz todos para roda.

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Ao final do primeiro semestre, foi proposta uma roda de conversa, junto com o Programa Recreação, com uma avaliação retrospectiva. O resultado foi ótimo, pois aconteceu uma integração muito forte entre os grupos e mostrou para os mais velhos que eles podem ensinar e o grupo sentia um prazer muito grande em receber os pequenos. No começo do segundo semestre houve uma pausa nas oficinas de Maculelê por conta dos ensaios das acrobacias. Além de executar os movimentos com mais precisão, aprenderam como cair com segurança. Os educandos escolheram seu grupo de trabalho e propuseram os movimentos que iriam fazer, focando na sincronia de movimento e na parceria. “Com a apresentação no dia do aniversário da Acorde, que foi muito boa, o grupo ficou mais empolgado com o trabalho, agora eles estão mais empoderados. ” Conta o educador. As apresentações, de fato, são parte importante do processo de fortalecimento proposto pela Acorde. Em setembro o grupo focou bastante nas acrobacias para a apresentação no Acorde Gastronômico, evento de comunicação e captação proposto pela Acorde e executado em conjunto entre a equipe institucional e pedagógica. As acrobacias também foram apresentadas na abertura do Torneio da Amizade no Blia – Filhos de Buda. O trabalho foi de integração com os educandos do Blia, pois as duplas da acrobacia passam a ser mescladas, buscando sincronia entre os participantes. No segundo semestre o grupo fez apresentações na Adere – Associação para Desenvolvimento, Educação e Recuperação do Excepcional e recebeu os atendidos na Acorde, em seguida, foi um espaço de troca, antes os jovens estavam bastante ansiosos, e foi muito natural o envolvimento entre os grupos, todos do mais tímido até o mais desenvolto, tiveram um olhar de igualdade, onde cada jovem trabalhou com um educando da Adere. “Foi uma experiência muito boa no bate papo os jovens pediram mais visitas em outras organizações e pediram a visita dos educandos da Adere na Acorde, que aconteceu 20 dias depois. ” Diz o educador Adriano Birajara. Também foi promovida uma vivência com o Centro de Educação Luminar e o grupo se apresentou na abertura do Torneio da Amizade. Esta vivência foi a primeira de muitas outras entre os grupos, o objetivo é gerar integração entre os grupos e a partir dos

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encontros os jovens decidiram elaborar uma coreografia juntos para apresentação no Centro de Educação Luminar em agosto. e, no final do ano, promoveu uma oficina de Maculelê e se apresentou na escola Waldorf de Cotia, a Micael. No Maculelê iniciou-se o movimento de puxada de rede, onde eles devem fazer a puxada juntamente com o canto, o que tem sido bem difícil para o grupo, pois este movimento é bem diferente do que eles estão acostumados. Os jovens acolheram o desafio e conseguiram coletivamente desenvolver os movimentos depois de 4 meses de trabalho. Com a proximidade do final de ano e solenidade do batismo da Capoeira, o grupo centrou esforços na confecção das cordas da capoeira, nos convites a grupos parceiros, como o “Raiz Nagô” e “Luminar” e, também, nos ensaios para o espetáculo de final de ano. Incialmente o grupo interpretaria os maculelês guardiões da Ilha dos Sonhos mas, como o espetáculo de fim de ano teve que ser mudado e o grupo tinha uma grande demanda por conta do batismo, foi decidido que só alguns jovens fariam a apresentação de acrobacias no espetáculo. A decisão foi coletiva, quando o grupo percebeu que o palco não comportaria todos, alguns se sentiram inseguros de fazer acrobacia e cair fora do palco, eles acolheram bem esta mudança e apoiaram o grupo que se apresentaria. O grupo participou do batizado do grupo de capoeira Luminar em novembro, a fim de prestigiar o evento e convidá-los para o seu batizado também. Em dezembro foi realizado o evento de batizado da Capoeira na Acorde, com troca de cordas e a participação dos grupos Luminar e Blia, além de outros mestres e contramestres convidados. O projeto capoeira está construindo uma cultura de aproximação dos pais, os convidando para participar de todas as apresentações das crianças e jovens e isto tem se tornado natural nas famílias.

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Projeto Culinarte (Educadoras Tatiane Rocha e Alessandra Soares) No começo do ano os educandos fizeram vários experimentos gastronômicos, como coquetel sem álcool e canapés, além do festival de tapioca. Houve uma oficina teórica sobre gastronomia no Brasil e assistiram ao filme “Simplesmente Marta”, sobre culinária sofisticada e pratos exóticos, para ampliar o universo dos jovens. Também participaram do cortejo e realizaram uma pesquisa sobre culinária nordestina. No mês de maio, os jovens da oficina trabalharam na preparação, organização e execução do café da manhã do dia das mães. Os jovens também realizaram uma visita técnica ao mercado Municipal de São Paulo. O objetivo foi mostrar aos educandos as variedades de produtos e o entreposto comercial histórico de São Paulo, “mostrando como o visual faz a diferença nos pratos apresentados”, visitas técnicas visam ampliar a visão de mundo dos jovens, conhecer novas realidades e possibilidades. No mês de junho o grupo do Culinarte montou um painel ilustrativo contendo o cardápio da semana com o intuito de divulgar melhor o cardápio a todos os educandos da Acorde. O painel servirá também como forma de comunicação da oficina com os demais grupos, trazendo informações nutricionais e curiosidades sobre diversos alimentos. Aproveitando o mês de festejo junino, o grupo fez uma pesquisa dos alimentos típicos como o milho e os seus modos de preparação. Na véspera da festa junina o grupo ajudou no preparo dos alimentos e durante a festa seus integrantes também ajudaram voluntariamente. No segundo semestre o grupo participou mais das oficinas práticas, as que gostam mais. Eles trazem sugestões de receitas e a educadora procura incorporar ao cardápio mais verduras e legumes. Iniciou-se o planejamento do Acorde Gastronômico, evento de comunicação e captação proposto pela Acorde e executado em conjunto entre a equipe institucional e pedagógica. Os jovens pediram para conhecer o restaurante que fará o gastronômico

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e, também, mais visitas técnicas, porque até o momento entenderam que haviam tido poucas saídas. Durante o mês de setembro o foco foi o Acorde Gastronômico, envolvendo os jovens no evento e mostrando a importância da aprendizagem do mesmo. Antes do evento, o grupo estava dividido por afinidade, e com as demandas eles perceberam que se não se unissem não fariam um bom trabalho, e naturalmente o grupo se fortaleceu para realizar melhor as tarefas. As visitas técnicas, fizeram que eles focassem mais em suas responsabilidades ampliaram a visão, o treinamento no restaurante os deixou mais confiantes. No fim do mês, os educandos visitaram o restaurante Domênico e participaram de uma oficina com o maitre David, com dicas para apoiarem a organização no evento. Conheceram o espaço da cozinha e principalmente o próprio Domênico, chef e proprietário do restaurante. Houve uma troca de experiências, o David falou muito sobre suas experiências e todos os passos para se tornar líder do restaurante, os jovens ficaram tímidos, fizeram poucas perguntas, a educadora mediou a conversa e aos poucos eles foram interagindo. No mês de outubro o grupo visitou o Hotel Hilton Morumbi, onde conheceram as dependências tais como: academia, restaurantes e os bares. Depois disso, fizeram o risoto de calabresa junto com o chef Milton Amaral, com direito a degustação e participaram de um coffee break organizado pelos funcionários do Hotel. Conhecer a cozinha do hotel ver o quão importante é a higiene e o cuidado com os alimentos e ver que tudo que eles aprendem na oficina é utilizado no mercado de trabalho. Os jovens ficaram impressionados com o ambiente, interagiram com o chef e o ajudaram a fazer o prato. Ao longo do ano os jovens do Projeto Culinarte tem contato com alguns voluntários, que chegam para oferecer oficinas e ampliar o conhecimento dos educandos. Foi o caso da oficina de biscoito oferecida por Elda Arruda, parceira antiga da Acorde, que no primeiro encontro ensinou o passo a passo e, no segundo, deixou todo o material e as diretrizes para a produção. Os biscoitos foram servidos no evento gastronômico, que é um grande mobilizador deste projeto no segundo semestre. Ainda com objetivo de apoiar os educandos no seu papel de receber e acolher os convidados do Acorde Gastronômico, a voluntária Sandra, especialista em banquetes,

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ofereceu uma oficina de boas práticas de serviço durante um evento. Esta oficina ajudou bastante no dia do evento, onde os educandos, orgulhosos, tomaram conta do salão e receberam os convidados da Acorde. A avaliação feita por eles sobre o Acorde Gastronômico é que, apesar de corrido e cansativo, é uma ótima experiência e desejam que aconteça mais destes eventos durante o ano. Para encerrar o ano os jovens do Projeto Culinarte decidiram organizar um jantar para seus convidados, onde juntos escolheram a receita e combinaram a execução.A educadora perguntou o que eles gostariam de fazer para o encerramento do ano, o Cristian disse que gostaria de fazer algo diferente de café da tarde, e os jovens começaram a sugerir várias coisas, surgiu a opção do jantar e todos acolheram a ideia, eles decidiram juntos que fariam um nhoque, a educadora perguntou se eles conseguiriam pelo número de convidados, o grupo foi se dividindo por interesse, sobremesa, nhoque, molho, inspirados pelo evento do gastronômico, decidiram fazer entrada, prato principal e sobremesa. Os educandos ficaram encantados e atenderam seus convidados com todo o carinho e cuidado. No dia do encerramento, os pais compareceram e prestigiaram o que os educandos haviam preparado. Receberam os certificados de participação da oficina e um caderno com as receitas realizadas durante o ano. Os jovens ficaram na expectativa para a chegada dos pais, organizaram a mesa, cada um serviu seus pais e sentaram junto com a família para poder comer, os pais ficaram muito orgulhosos de verem os filhos organizando e executando o jantar. Um momento especial foi a entrega do certificado e o livro de receitas. Para o dia do espetáculo de encerramento da Acorde, os jovens definiram o que serviriam no coquetel da exposição retrospectiva de final de ano do projeto Papelada. O cardápio foi escolhido pelos jovens, pensaram nas receitas que deram certo no decorrer do ano, escolheram bolo de casca de laranja, bolo de mexerica, biscoito de canela, suco de couve com maracujá e melão com limão. O grupo preparou as receitas na sexta e no dia 3 jovens ajudaram a servir.

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Projeto Papelada (Educadora Talita Santana Alberto) Este mês foi marcado pelo início dos trabalhos da nova educadora Talita Alberto. Durante o mês de Abril, o objetivo do grupo foi confeccionar o estandarte e os adereços para o Cortejo da Acorde. No início a principal dificuldade foi a falta de materiais tesoura e tecidos. Mais próximo ao desfile do cortejo o grupo de teatro ajudou a confeccionar os adereços de seus figurinos e o grupo futsal fez as flâmulas dos times do nordeste também. O grupo aprendeu que a organização da sala também faz parte do encontro. No dia do cortejo os integrantes do grupo estavam envolvidos em outras atividades e não vieram representando a papelada propriamente dita. No mês de abril, o grupo confeccionou o estandarte, os adereços e os figurinos para o cortejo. Foram pesquisadas imagens na internet e apresentadas em slides. O grupo desenhou ideias para o figurino e o estandarte, a educadora selecionou explicando os motivos e ressaltando os pontos fortes de cada uma. Foi desafiador trabalhar com um grupo grande e envolve-los, principalmente por causa da escassez de materiais. A educadora Talita acredita que os desafios geraram grandes aprendizados. “É possível produzir coisas interessantes com o que temos, graças a dedicação de todos os jovens”. No mês de junho o grupo confeccionou as bandeirinhas para a festa junina, com a ajuda de educandos e educadores de outras oficinas. Além disso, fizemos as burrinhas e o boi para a festa. Finalizamos e decoramos o boi após a sua construção. Houve mutirão e tivemos voluntários na véspera da festa, aprenderam a empapelar um objeto grande, e em grupo já sabia fazer bandeirinhas. Os outros educadores e grupos ajudaram muito, o aprendizado é que o trabalho coletivo pode gerar bons frutos. Na sequência, a turma aprendeu a buscar referências e fazer planejamento antes de começar a fazer um portfólio, com formato escolhido por eles. Haviam muitas possibilidades, mas a maioria escolheu fazer uma encadernação artesanal. O segundo semestre começou com o planejamento e execução da festa de aniversário da Acorde. As mandalas: “6 anos de Acorde”, foi um desafio individual, cada um

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construiu sua mandala de maneira livre e criativa e depois foi feito a seleção das que seriam expostas na entrada da Acorde. Em setembro foram desenvolvidas atividades com objetivo de despertar a turma para o cuidado com os materiais, durante e depois do uso. Houve melhora neste sentido, principalmente no uso de canetinhas. Fizemos aventais para o grupo com o aproveitamento de tecidos existentes, e neste exercício ficou combinado que o avental é para ser usado somente nas oficinas. Para que diminuísse as roupas manchadas com tinta e que os aventais seriam da oficina e não pessoal. A mensagem foi compreendida sem problemas. Foi feito também um painel de interesses em técnicas desenvolvidas na Papelada, a fim de se conhecer o que cada um mais gosta ou gostaria de fazer na oficina. Seguiuse uma conversa sobre técnicas e materiais, e alguns educandos, espontaneamente, deram ideias para futuras atividades. Aconteceu também a integração com as crianças do Programa Recreação. Fizemos decorações em caixas de papelão e tetra pack, cada uma com um fim específico; as de papelão para serem lixos de mesa para a sala do Projeto Papelada e as caixas tetra pack para vasinhos onde o grupo do programa Recreação fará o plantio de sementes. A atividade de interação terminou com brincadeira de massinha de modelar e arrumação da sala. Ambos os grupos se divertiram bastante. O grupo foi muito colaborativo com as crianças do Programa Recreação, assim como tínhamos combinado. Em outubro o Projeto Papelada também colaborou com o Acorde Gastronômico, evento de comunicação e captação proposto pela Acorde e executado em conjunto entre a equipe institucional e pedagógica. O mês começou com a pintura dos sousplat, seguido por seu acabamento, onde os educandos fizeram uma separação dos que precisavam ser revistos e retocados. Um grupo se concentrou mais na repintura, metade realizou a repintura com pincel e o outro com esponja. Foram confeccionados 300 sousplat, o processo foi interessante, pois levou mais tempo que os demais, teve a parte chata de fazer um trabalho repetitivo, ainda mais por ser um teste a primeira demão tinta não deu certo a, então o retrabalho foi maior. Os jovens adoraram o trabalho de dobradura, e fizeram com muito cuidado, fizeram os enfeites para as mesas. O

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resultado foi bacana, ficaram orgulhos em ver tudo pronto porém se chatearam ao ver as pessoas jogando fora os guardanapos. Mas para surpresa dos jovens, receberam de presente de um convidado, um quadro com os souplats e os guardanapos, todos ficaram felizes. Ainda para o Acorde Gastronômico, o grupo confeccionou o painel do Projeto Papelada reaproveitando as mandalas que foram usadas no Aniversário da Acorde para exposição durante o evento, no refeitório. Passado o evento, foi feita a avaliação da visita à Expoprojeção no Sesc Pinheiros. Com a atividade, o grupo produziu objetos inventados por eles e, em seguida, utilizaram os objetos criados em vídeos produzidos em dupla, que serão exibidos em exposição. Seguiu-se uma conversa sobre a forma que os artistas expressam sua arte por meio de vídeos e sobre o objetivo de impactar e provocar a curiosidade de quem assiste. Foi feita, então, uma avaliação do próprio trabalho. Alguns educandos optaram por refazer seus vídeos. O resultado foram vídeos muitos divertidos e criativos, que viraram vinhetas para a exposição de Retrospectiva 2013. Com a proximidade do final de ano, o Projeto Papelada começou a trabalhar na confecção de um barco e uma bandeira para o espetáculo “Ilha dos Sonhos” e simultaneamente foram feitas restaurações de material colhido de outras oficinas para a exposição Retrospectiva. Com a mudança dos rumos do espetáculo de final de ano, o grupo focou na exposição retrospectiva 2013 da Acorde, recolhendo as peças fornecidas pelas oficinas, restaurando-as e projetando a exposição. A exposição foi montada com o apoio dos educandos do Projeto Culinarte e de funcionários da Acorde.

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Projeto Teatrando (Educadores Melca Medeiros, Max Muratório e Falber Souza) O ano começou com a educadora Melca que seguiu o trabalho de sensibilização para desenvolver pertencimento entre os participantes. O grupo elaborou sua apresentação para o Cortejo do Pastoril, escolheram seus personagens e se caracterizaram para o cortejo. No mês de maio o grupo teve a missão de desenvolver as apresentações para a festa junina, incluindo o estudo do tema, a história do boi do Maranhão. Foi proposto a criação de um diário no que os educandos autorizavam ou não a leitura pela educadora, um espaço livre para criação e desabafo. A aceitação foi positiva durante este mês. Outro tema trabalhado foi a construção de esquetes de cinema mudo a partir do filme “o Circo” de Chalie Chaplin e, a partir daí, cenas do cotidiano foram construídas pelos educandos, onde o corpo era o maior comunicador da ação. A proposta no fim do mês foi uma confraternização onde todos apresentaram seus personagens. Foi um sucesso, todos assistiram atentos e aplaudiram. Para encerrar o semestre, a proposta da educadora foi escrever uma carta para eles mesmos lerem no fim do ano, com seus propósitos para o próximo semestre. Terminaram o semestre motivados e engajados. Em agosto houve um rodizio muito intenso de educandos entrando e saindo da oficina gerando dificuldade para a educadora. Houve a necessidade de um trabalho intenso para construir a identidade do grupo com exercícios e jogos de cooperação e de coletividade e roda de conversas. A oficina realizou uma visita técnica à Cinemateca para assistir a uma série de curtametragens juvenis. Ao final aconteceu um bate-papo com os diretores que estavam presentes na sessão. As crianças fizeram várias perguntas e se divertiram bastante. No mês de setembro não houve oficina, devido ao desligamento da educadora. O novo educador, Max Muratório, assumiu a oficina no mês de outubro, primeiramen-

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te se fez necessário conhecer o grupo por meio de jogos de ocupação do espaço, jogos físicos, dinâmicas de grupo, improvisos individuais e coletivos além de cenas livres. O educador apresentou como tema de trabalho Solano Trindade e a sua história em relação aos projetos ligados à negritude. Trabalhou com assuntos diversos e fez jogos de interação com livros e ressignificação dos mesmos. Depois foi exercitada a troca de conhecimento, onde um educando daria o livro para outro educando combinando apenas com o olhar. “Foi impressionante como ao final estavam apegados ao livro” (Max) O educador levou o grupo ao gramado para que cada um utilizando-se de uma frase dos poemas de Solano, jogasse uma pedra no mato, pondo a energia do poema no gesto, trabalhando cada um a emoção que fosse extraída de sua frase, tal qual o filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. O grupo foi levado ao parque e, nas sombras das árvores, cada um contava uma história inventada de sua vida como se fosse verdade, e precisavam dizer isso ao grupo. Depois cada um trazia uma notícia sobre uma segunda pessoa para informar a todos do acontecimento. (A ideia era contar história e atingir o público e também se emocionar, controlar os risos, as emoções e interagir com o improviso). A construção do texto para o espetáculo de final de ano foi coletiva e já ensaiou as primeiras cenas, divididos em grupos. O educador Max começou os ensaios com o grupo priorizando as cenas e tentando conhecer o trabalho das demais oficinas. Porém, quando chegou no meio do mês e após algumas ausências e atrasos, o educador achou por bem não continuar mais no projeto.

“Aqui a gente aprende a tentar antes de desistir” Micael Brito, 11 anos

Por iniciativa dos jovens, a ideia do espetáculo de final de ano permaneceu. Elas imaginaram um roteiro o qual seria absorvido na ideia de homenagear Solano Trindade, onde a história agora deixaria de acontecer em uma ilha deserta e aconteceria em uma escola.

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A ideia também foi abandonada com a chegada de Falber Sousa, que foi contratado pela coordenação pedagógica a fim de colocar o espetáculo em pé. Faltando apenas duas semanas para o espetáculo, o educador decidiu pôr pequenas esquetes cômicas e algumas pitadas de Solano Trindade. O resultado final foi satisfatório e o que mais valeu é que o grupo de teatro finalmente conseguiu apresentar um produto final, algo que eles estavam cobrando a desde o início do ano. A esperança é que tenha ficado uma pequena semente para 2014.

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Projeto EsporTomé (Educador Leandro Verdelho) Futsal Sub13 No mês de abril foi observado a necessidade de focar no treinamento técnico, movimentação de passe e toque na bola. O individualismo impera, não há o pensamento no coletivo, há a necessidade de trabalhar forte o pensamento coletivo. Esta é uma característica comum nos novos grupos, trabalhada ao longo do ano. No mês de maio o treinamento técnico seguiu sendo trabalhado, ressaltou-se a dificuldade de envolver os jovens nas atividades culturais propostas pela Acorde, como o cortejo. No mês de junho, o educador passou por dificuldades para mediar os conflitos entre os educandos. Falta tolerância e cooperação entre os jovens, porém uma melhora significativa na concentração e atenção durante as atividades. A missão do grupo para a Festa Junina foi a confecção de bandeirinhas, manutenção e limpeza do espaço. Esta atividade gerou interação no grupo. No começo do segundo semestre foram desenvolvidas atividades com foco nos fundamentos técnicos, finalização, passe e recepção. O grupo visitou a Adere -Associação para Desenvolvimento, Educação e Recuperação do Excepcional para conhecer o espaço e se preparar para a participação na Copa Adere. Iniciou-se a participação no torneio comunitário realizado pela Coordenação Comunitária da Acorde em parceria com as Escolas Deusnil, Carlos Ferreira, Hugo Carotine, Creche da Fraterninade, o objetivo foi interagir com as organizações da região e oportunizar jogos com grupos diferentes para os educados da Acorde. Os educandos evoluíram nos relacionamentos, diminuindo consideravelmente o número de conflitos. Em setembro foram realizadas atividades de posse de bola e finalizações com mini jogos e coletivos. O Projeto EsporTomé participou nos seguintes eventos: Copa Adere, Torneio Comunitário da Acorde amistoso com a Escola Estadual Rubem Berta, no Jd. Santa Clara, em Embu das Artes.

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Em um dia de chuva, o grupo assistiu ao filme “Gol, Sonho Impossível”, depois o grupo conversou sobre os sonhos para o futuro e o como a Acorde contribui para a realização dos sonhos dos educandos. “Esta conversa foi surpreendente, pois eu esperava que predominasse o sonho de ser jogador de futebol e na verdade ouvi exatamente o contrário, a maioria sonha em terminar os estudos e fazer faculdade e constituir família” diz o educador Leandro Verdelho. Em outubro foram propostas atividades educativas de marcação (caixote e losango), muitos exercícios de passe, condução e finalização, tudo visando a participação no torneio comunitário. O grupo também jogou com a Escola Estadual Hugo Carotini, no Jd. Tomé, em Embu das Artes, e com a Escola Municipal Deusnil, no Jd. Colibri, em Cotia. Neste mês, os jovens também se empenharam na manutenção do painel para a exposição no Acorde Gastronômico. Desenvolveram juntos o logo do Esportomé e colocaram fotos dos treinos para que os convidados do evento pudessem conhecer as atividades que os jovens realizam. Os educandos foram campeões do Torneio Comunitário, do qual também participaram a Escola Municipal Deusnil e a Creche Recanto da Fraternidade. A conquista os deixou animados e confiantes. Foi perceptível a evolução dos educandos na parte técnica.

Futsal Sub15 O grupo dos mais velhos é solícito e proativo. Por interesse próprio, fizeram pesquisas sobre os clubes nordestinos e confeccionaram flâmulas dos times em EVA. O grupo evoluiu no aspecto tático, a falta de jogos amistosos dificulta um pouco o trabalho. No mês de maio os jovens se envolveram em atividades extra quadra como confecção de bandeirinhas e o painel da festa junina. O educador segue trabalhando forte a parte técnica propondo sempre novas atividades. O grupo reagiu bem à tática e conseguiu duas vitórias no final do ano. Para o ano que vem é possível que haja um dia de treino somente. Jogar com grupos diferentes da Acorde podem fazê-los ficar mais motivados com os treinos.

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Em agosto foi trabalhado a parte técnica, dando mais ênfase ao sistema de rodízio e de marcação. Realizamos dois amistosos durante o mês. Foi proposta, também, uma pesquisa no Infotomé seguida de uma roda de conversa sobre prevenção ao consumo de álcool e drogas. O educador sentiu a necessidade de abordar o tema após observar o comportamento de um dos jovens na Festa de Aniversário da Acorde. A discussão teve participação satisfatória dos jovens, que se interessaram bastante e se abriram durante a conversa trazendo suas experiências pessoais, contribuindo em muito para a roda. No mês de setembro foram propostos treinos educativos para rodizio, finalizações e coletivos, sempre no segundo período. Neste mês, uma oficina foi realizada junto com as crianças do Programa Recreação. Várias atividades recreativas, com e sem bola, foram desenvolvidas. Os jovens cuidaram bastante dos menores durante o treino e as crianças do Recreação participaram e se divertiram muito. Um amistoso foi realizado na Acorde contra a E.E Maria Antonieta, perdemos de 7x0. Ganhar e perder sempre é encarado com tranquilidade pelos jovens, as vezes ficam chateados, mas logo já começam a fazer brincadeiras. Em outubro, os treinamentos foram intensificados com muita marcação (losango) e rodízios (meio e triângulo), exercícios com movimentações ofensivas, A construção do painel para os participantes do Acorde Gastronômico é tradição na Acorde é a maneira das oficinas mostrarem o que produzem, os jovens se envolveram com a montagem de painel com fotos sobre a oficina. Nos meses de novembro e dezembro, a visita técnica ao estádio do Morumbi foi um sucesso, muitos jovens estiveram presentes e ficaram encantados com o mundo do futebol profissional. Porém, diminui consideravelmente o número de educandos regularmente presentes. O educador planeja realizar no próximo ano mais amistosos, pois percebe que o entretenimento com outras instituições motiva os jovens a treinarem mais.

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Projeto Canto do Canto (Educadora Melca Medeiros) O ano começou com algumas canções de jongo, exercícios para timbrar a voz e para melhorar a percepção sonora. Seguiu-se um trabalho sobre a música composta para o cortejo e, no dia do evento, conduziram o com muita desenvoltura. Durante o mês de maio, ao trabalhar músicas, foi observado que alguns educandos têm problemas de alfabetização e a alternativa é trabalhar as músicas pela escuta. O grupo tem um combinado de levar as letras das músicas para os ensaios e no futuro formar uma pasta. O mês de junho foi dedicado aos ensaios do grupo para a apresentação na Festa Junina. No dia da apresentação os jovens estavam comprometidos e com vontade de se apresentar. Outra proposta foi trabalhar a música “Paciência” do Lenine para primeira apreciação e conversar a respeito de sua temática e aos poucos começar a mostrar a proposta sobre apresentar nossas músicas. Para encerrar o semestre, em julho, foi pedido que escrevessem uma carta para eles mesmos, para ser aberta no final do ano, falando de tudo que tinham aprendido no semestre passado e de tudo que gostariam de aprender para o próximo. Fizeram avaliação pessoal, sobre o processo ao longo do semestre. A educadora observou que este espaço constrói autoconfiança. Em agosto a composição da turma se modificou, alguns saíram, outros entraram. Foram duas frentes trabalhadas durante as oficinas, o reaprender a ouvir e aumentar o repertório musical. Foram apresentados a cada semana diversos estilos, como rap, samba e axé, músicas de conteúdo de resistência de povos oprimidos, enfocando na luta negra. Aprofundaram no ritmo do axé dos blocos afros da Bahia. Ao apresentar o Ilê Ayê e contar a sua história, de como nasceu, de como é hoje, de suas músicas e etc., os educandos se encantaram e se interessaram em como a música pode fazer um povo crescer e ter orgulho de quem ele é. A organização optou por não dar continuidade a este projeto a partir de setembro porque a educadora foi desligada da organização.

“A Acorde já faz parte da minha vida, eu aprendi a tocar violão aqui, venho por que gosto, passo todas as tarde e ainda ensaio com a percussão depois do horário.” Guilherme Gomes,13 anos

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Projeto Canto do Canto: Violão (Wagner Dias) O Canto do Canto é um projeto de desenvolvimento humano através da música, do canto, com ênfase no violão. Dividido em duas turmas, iniciantes e iniciados, teve início no segundo semestre. Para os iniciantes foram propostos exercícios de postura ao segurar o instrumento, exercícios de mão direita (ritmos e arpejos), de mão esquerda (pequenas escalas) e troca de primeiros acordes (Am, Em, G e D). Para estimular os estudos, foram feitas algumas brincadeiras com dois acordes e solos a partir de duas notas, compondo uma inicial prática de grupo. Foi ressaltada a necessidade de estudos paralelos aos do dia da oficina, para desenvolvimento mecânico e de memória de acordes.  A turma tem se mostrado interessada nos conhecimentos musicais, contudo houve oscilações relacionadas à assiduidade. Os resultados gerais foram positivos, mas ainda faltam ajustes no tocante ao formato das aulas, que estão sendo pensadas em função das características de cada turma.  Um desafio encontrado foi relacionado à acústica, concorrendo com instrumentos percussivos (maracatu e capoeira) de oficinas simultâneas, o que o obriga fechar janelas para concentração ou mudar de ambiente, que também são inadequados (Refeitório e Doca). A Acorde apresentou um projeto de investimento em uma sala Acústica no Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Embu das Artes, e foi contemplada, tendo iniciado a reforma da sala do Canto do Canto. No decorrer do semestre o grupo também se dedicou às músicas que seriam utilizadas no espetáculo de final de ano da Acorde, que busca ser uma construção coletiva das oficinas. Ensaiaram bastante a música da Acorde, que é a música de encerramento do espetáculo, juntamente com o grupo do Programa Recreação. Entrou também no repertório do grupo uma música de Zé Rodrigues e No Woman No Cry instrumental de Bob Marley e com a ajuda do teclado. O grupo de jovens já iniciados no violão começou o semestre fazendo uma rápida pesquisa sobre o que estudar. Criaram o desafio de montar repertório e potencializar a prática de conjunto. Para tanto, dividimos as funções para cada educando: harmonia básica, solista (guitarra), segundo violão e teclado. O grupo trabalhou brevemente 29


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a escala “pentatônica”, utilizada em blues e rock; e iniciaram os primeiros estudos de campo harmônico, partindo da escala de dó maior. A proposta é pequenos arranjos ligados a repertório variado, tentando contemplar a vontade de cada um e possibilidades de desenvolvimento em grupo. Em setembro, o grupo participou do Acordes Sonoros, evento cultural bimensal aberto à comunidade, e prepararam a sonorização do início do evento Acorde Gastronômico, almoço institucional de mobilização de recursos, do mês seguinte. A turma se mostra interessada, contudo há oscilações na assiduidade ligadas a variados assuntos, a maioria vinculada a problemas nas rotinas familiares.

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Grupo Musical Acorde pro Ritmo (Educador Douglas Campos) Em abril o grupo viveu um momento de transição quando alguns dos mais velhos saíram e entraram novos integrantes. Seguiu-se um esforço maior de supervisão para alcançar a harmonização. Uma descoberta foi o interesse de alguns em tocar novos instrumentos e o educador poder estar lado a lado dos novos ritmistas. Maio foi um mês difícil porque saíram dois ritmistas responsáveis e comprometidos, desfalcando o grupo. Um deles começou a estudar inglês, e depois de três anos no grupo decidiu que era tempo de buscar novos rumos, e o outro teve que trocar de emprego, onde a carga horária é maior o impossibilitando de participar dos ensaios. Os demais seguiram com vontade de aprender, e um dos jovens conduziu a bateria, dando a liberdade ao educador de acompanhar e melhorar a batida dos demais educandos. Em junho o grupo passou por uma grande reformulação, tanto em seu formato (ritmistas), quanto musical. Esta foi a tônica do grupo do mês. Abordamos a conservação dos novos materiais de reposição: talabartes, baquetas, peles de tamborins e tarraxas. Cada educando marcou suas baquetas e talabartes e, ao final de cada ensaio, as baquetas devem ser guardadas na caixa plástica e os talabartes dobrados e organizados. A organização do material faz parte também do aprendizado. A equipe vai estrear um novo formato de apresentação em agosto com músicas e percussão. Os ritmistas a partir de agora também vão cantar. A primeira música de trabalho é a música “É hoje”, samba clássico da escola União da Ilha do Governador, da década de 1982. A sensibilização começou com as versões da música, tanto na escola de samba quanto com o Monobloco. Depois foi trabalhado a letra, a coordenação motora para cantar e tocar e, por fim, usaram o microfone. O grupo durante o mês de agosto se preparou bastante para a sua participação no Acordes Sonoros, o qual celebraria os três anos de criação do grupo. Inicialmente a ideia é incluir a música na apresentação.

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Em alguns ensaios o grupo foi dividido em 2 subgrupos: um de canto e outro de percussão, porém a tática não deu certo, já que os ritmistas tocam muito alto, e o pessoal do canto não consegue se ouvir. Foi decidido na última semana retornar a apresentação tradicional e foi incluído novamente o “Brasileirinho” na apresentação. O grupo se apresentou no aniversário de 6 anos da Acorde e executou a música “parabéns para você” muito bem. “Gostei bastante da afinação neste dia e principalmente da desenvoltura do grupo, que estava bem solto, facilitando a execução da música”. Diz o educador Douglas Campos. No dia do Acordes Sonoros o grupo teve uma grande responsabilidade: tocar logo após a Rateria da Poli USP, um grupo de percussão convidado para batizar a bateria do Acorde pro Ritmo. No mês de setembro se fez necessária uma separação do grupo entre iniciantes e avançados, pois os iniciantes estavam bem desmotivados uma vez que estavam tocando sem nenhuma aprendizagem significativa, e os avançados também não queriam retornar às origens para se igualar aos iniciantes. A percepção é de que os avançados querem mais desafios com novas convenções mais elaboradas e que os iniciantes ainda não estão prontos para tal elaboração. O mês foi bastante produtivo principalmente com os iniciantes. Eles conseguiram executar os exercícios com muita fluidez. Em determinados momentos, um dos membros ficou com o grupo sozinho e conseguiu conduzir e aprimorar a batida de caixa com os iniciantes, enquanto uma atenção especial era dada a alguns com maiores dificuldades, realizando um trabalho individual de aprimoramento. O objetivo do mês com os iniciantes foi a realização da batida de caixas com exercícios de inicialização e, para outubro, o desafio é que eles consigam começar tocando juntos e em ritmos variados (mais lento e mais rápido) e consigam executar as convenções tradicionais do Acorde Pro Ritmo. No mês de outubro os efeitos da separação entre iniciantes e iniciados surtiram realmente efeitos. O grupo iniciante conseguiu evoluir muito na batida de caixa, realizando

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diversos exercícios de manipulação da batida. Começaram o mês tocando sozinhos somente as caixas e ao final do mês conseguiram tocar juntamente com os surdos. Já o grupo de iniciados também conseguiu evoluir este mês. O breque novo finalmente saiu e o grupo já consegue executá-lo. Foi possível, também, criar outra passagem relacionando os tamborins, caixas e repiniques e o chamamos de breque dois. Até o final do ano, pretende-se conseguir mais uma convenção (breque), realizada diretamente pelo grupo. Os jovens ainda estão muito duros quando tocam. Nos ensaios conseguem se soltar, mas nas apresentações ficam muito tensos e não conseguem curtir o momento. Nas apresentações, a dinâmica é mesclar os dois grupos para dar ânimo principalmente aos iniciantes. Novembro e Dezembro Iniciantes: Os ritmistas do grupo iniciante avançaram e já conseguem fazerem a batida com desenvoltura. Em alguns momentos, passaram a tocar a caixa com os mais experientes, para ganharem mais segurança. Dominada a caixa, o grupo começou a aprender o tamborim. Inspirados por vídeos de tamborins da Mocidade Alegre e da Império de Casa Verde encheram-se de dúvidas e questionamentos sobre escolas de samba. Foi a atividade sem instrumentos mais produtiva do semestre, eis que as dúvidas trouxeram conversas, pesquisas e aprendizados. No final do mês, o grupo começou a aprender a batida básica de tamborim e também a executar “Brasileirinho” no tamborim. Avançados: Intensificação dos ensaios do breque Acorde Pro Ritmo, houve uma melhora na execução. Apresentações no Ulabiná, no Clube Pinheiros e na Confraternização da Escola Kindle 33


Programa Cativarte

Kids, tendo sido esta última a melhor apresentação. O grupo estava solto, divertia-se ao tocar e brincou com o público, além de fazer todas as coreografias. Encerramento do grupo com um desfile pelas ruas do bairro para divulgar o espetáculo “Improrisos”, de teatro.

Avaliação Espetáculo Final O processo do espetáculo de final de ano não foi bom. Com a saída da educadora de teatro Melca em setembro, a coordenação pedagógica resolveu apostar em um novo nome e Max foi o escolhido. O educador sugeriu trabalharmos Solano Trindade, a fim de valorizarmos os artistas da região. Como o Max estava muito atarefado com uma exposição em São Paulo não conseguiu acompanhar o grupo e infelizmente tivemos que fazer a troca de educador no processo. Como todos (educadores e educandos) já estavam envolvidos nas pesquisas sobre Solano Trindade tivemos que manter a ideia de homenageá-lo e faltando apenas 15 dias para a data do espetáculo, convidei o Chorão (Falber Souza) ex-educador da Acorde para a montagem. Com pouco tempo para trabalhar ele tentou fazer um espetáculo de pequenas esquetes cômicas o “Improriso”, e intercalar com as poesias de Solano Trindade. Ao final a sensação foi a de que o público compareceu em peso na Acorde e se divertiu, as crianças se divertiram mas a Acorde entendeu que tanto o conteúdo do espetáculo, quanto o processo do mesmo não foi bom, tanto é escolhemos contar a história de Solano Trindade no Cortejo do Carnaval 2014.

Douglas Campos Coordenador Pedagógico

“Se sou o que sou é por todas as oportunidades que recebi aqui na Acorde” Edgard, 17 anos 34


Programa Centro Cultural Comunitário

Nascida para atender crianças e jovens, a Acorde sempre teve também propostas de trabalho para grupos das famílias da comunidade, inclusive um projeto de geração de renda chamado Roda da Renda. Percebendo que as atividades para fora estavam tomando mais força a cada ano, o grupo de gestão da Acorde sentou em 2013 para fazer um planejamento estratégico do que passou a chamar de Centro Cultural Comunitário. A proposta do projeto é colaborar com o resgate da convivência comunitária promovendo a coletividade, a cooperação e a cultura, por meio de oficinas temáticas, aulas de dança e esporte e eventos culturais. O Centro Cultural Comunitário é a expressão de uma prática feita com carinho e afinco pela coordenadoria da Acorde que, em 2013, ganha forma, nome e uma coordenadora específica, a Salete Oliveira. Podemos dizer, não sem emoção, que é uma parte do sonho tomando forma, ganhando estratégia e força. A Acorde acredita que seu espaço pode ser bem aproveitado no fortalecimento não apenas das crianças e jovens, mas de seus vínculos familiares e do vínculo entre as pessoas da comunidade, em um mundo cada vez mais carente de vida comunitária.

Atividades: Com algumas oficinas pontuais e outras periódicas, a maioria oferecida por voluntários, o Centro Cultural Comunitário começou a se desenhar. Dentre as oficias periódicas, destacamos a de experimentações, oferecida com sucesso desde 2011 por Leão Carvalho. A oficina de biscuit, oferecida por Hisaco Shima, de inglês, também oferecida pelo Leão, de robótica, oferecida por Tânia Pereira, pintura em tecido, oferecida por Sueli e alemão, oferecida pelas voluntárias intercambistas. Estas oficinas contam com uma média 10 a 15 participantes e são abertas ao público em geral. Financiadas pelo Ponto de Cultura, foram oferecidas oficinas de violão e capoeira. Oficinas pontuais também fizeram parte do Centro, como oficina aberta de pães, biscoitos artesanais, cupcake e nhoque, sempre com a presença média de 10 pessoas por evento. No segundo semestre iniciamos a oficina aberta de dança sertaneja todas as quintas-feiras com 70 presenças regulares, além de oficinas abertas de Hip Hop, todas as quartas-feiras, com 15 jovens matriculados. 35


Programa Centro Cultural Comunitário

Organização do torneio comunitário da Acorde em parceria com as Escolas Deusnil, Carlos Ferreira, Hugo Carotine, Creche da Fraterninade, o objetivo foi interagir com as organizações da região e oportunizar jogos com grupos diferentes para os educados da Acorde. Paulo Henrique Santos Anastácio, ex-educador do Programa Cativarte, professor e treinador físico, utiliza o espaço da Acorde para aulas de ginástica e, três vezes na semana, recebe seu grupo de 30 mulheres durante todo o ano de 2013. Esta é uma atividade paga pelas alunas diretamente ao professor, sendo que a Acorde cede o espaço gratuitamente, a pedido da comunidade. Em todos os meses foram realizados bazares, com artigos variados a preços populares e produtos de grandes marcas a preço justo. Dentre os eventos e festas promovidas, que são muitas vezes um esforço conjunto entre os Programas Recreação e Cativarte com a coordenação do Centro, citamos a Festa Junina, o Jantar Dançante, a Noite de Aniversário da Acorde, o Acordes Sonoros (evento mensais), e a Festa Sertaneja.

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Desenvolvimento Institucional

Grupo de Gestão Desde 2012 a Acorde é gerida por um grupo composto pelas diretoras Mica Germano Ribeiro e Joana Lee Ribeiro Mortari, pela coordenadora de projetos, Marta Junqueira, pelo coordenador pedagógico, Douglas Campos, pela coordenadora de comunidade, Salete de Oliveira, pelo gerente financeiro, Carlos Higuchi. A proposta do grupo é tornar o pensamento estratégico parte do dia-a-dia da organização, alinhando o conteúdo pedagógico e comunitário com as estratégias financeira, de captação e de comunicação. No ano de 2013 a conversa fortaleceu o grupo, que aos poucos foi se abrindo para suas próprias dinâmicas e dificuldades, exigindo um do outro um posicionamento forte e responsável. O grupo também tem aprendido a planejar melhor suas ações individuais e coletivas e, a cada ano, consegue apresentar planos de ação mais maduros. Uma prova disso foi o planejamento de 2014, realizado em dezembro de 2013, sem a ajuda de consultores externos e com a participação viva e questionadora de todos.

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Desenvolvimento Institucional

Participação Política A Acorde exerce seu papel cidadão por meio da participação nos conselhos do município. Marta Junqueira, coordenadora de projetos, passou a ocupar o cargo de presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Embu das Artes (CMDCA) em abril de 2013. Ela também faz parte do Conselho Gestor da Área de Preservação Ambiental Embu Verde (APA) e do Núcleo de Violência de Embu das Artes, além de acompanhar as reuniões do Conselho de Segurança do município (Conseg). Dentre os esforços empenhados pela Marta na presidência do Conselho está a formação de conselheiros municipais de direitos, ministradas pelos técnicos do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (CEPAM) , que o buscou esclarecer o papel dos conselheiros, deu um panorama sobre a história do CMDCA e do Estatuto da Criança e do Adolescente desde sua publicação, em 1988, fortaleceu os membros do conselho e trouxe instrumentos para o trabalho integrado com a Secretaria de Assistência e o Conselho Tutelar. A presença da Acorde no Conselho também trouxe à tona a discussão sobre doações direcionadas via CMDCA, que acabou por ser aprovada pelo conselho, seguido por um processo de construção do edital e avaliação das organizações proponentes, de forma clara e transparente. Como parte da preparação para a Conferência Estadual da Criança e do Adolescente (organizado pela Secretaria de Assistência Social e Qualificação Profissional de Embu das Artes e o Conselho Municipal da Criança Adolescente), cinco educandos da Acorde, entre 12 e 13 anos de idade, participaram da Conferência Lúdica da Criança e do Adolescente na Prefeitura de Embu das Artes, no dia 17 do mês de junho. Elas colaboraram ativamente nas temáticas esporte, cultura e segurança.

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Desenvolvimento Institucional

Parcerias Estratégicas Em 2013 a Acorde articulou duas parceiras de marketing relacionado a causa. Um dos parceiros ainda não deu início à ação, mas apoia mensalmente a Acorde, e o outro, a Laura Marchi Joalheiros, que já é parceira da Acorde na elaboração do Brilhe para a Acorde, evento de confraternização e captação de recursos, lançou uma coleção de joias com pedras brasileiras, em homenagem a cor e unicidade das crianças da Acorde, chamada de Acorde, Luz e Cor. Ainda na área de captação, a Acorde investiu em um processo de crowdfunding com a organização Juntos.com.vc. O processo foi de muito aprendizado, sempre contanto com o apoio da equipe da Juntos, e mobilizou recursos para o Projeto Esportomé. Por esta relação de apoio e estruturação do processo, e por ser uma organização sem fins lucrativos, consideramos o Juntos como um parceiro e não apenas uma plataforma. A Acorde fez, também, uma parceria com o Colégio Albert Sabin, em Osasco, que acolheu jovens da Acorde em seu programa de teatro. A experiência foi avaliada ao final do ano, tendo se mostrado valiosa para todos os participantes e continuará em 2014. A parceria do Colégio Dante Alighieri permanece bastante ativa. Dezenas de encontros relacionados a projetos de voluntariado foram promovidos ao longo do ano nas duas frentes em que as organizações trabalham: o AcorDante e o Acorde Dante em Foco. Para 2014, as duas ações serão consideradas projetos do Programa Cativarte. O convite para reativarmos a parceria com a rede Hilton de Hotéis foi uma agradável surpresa em 2013. Realizamos 4 ações diferentes durante o segundo semestre, desde a visita dos jovens do Projeto Culinarte pelo hotel, em todas as suas áreas, terminando com uma aula de risoto ministrada pelo Chef Milton Amaral, até o plantio de mudas realizado por vinte funcionários do Hilton e pelas crianças do Programa Recreação, na Acorde. Além disso, quinze jovens do Programa Cativarte participaram de uma mostra sobre profissões hoteleiras no Hotel Hilton Morumbi, uma ótima experiência para ampliação de leitura de mundo.

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Desenvolvimento Institucional

Captação, Comunicação e Financeiro. As dinâmicas financeiras de uma organização social são oriundas do tamanho de seu sonho e, em parte, de sua história. A Acorde tem, em sua história, o apoio da família fundadora. Confiante nas escolhas que fez em relação a quem havia contratado para planejar e endereçar o problema levantado pela comunidade local -que foi a preocupação das famílias da região com suas crianças no horário em que não estavam na escola- o investimento da família sempre foi feito livremente, de forma que durante os primeiros a organização contou com eles para abraçar o sonho. Passados alguns anos, a família entendeu que a organização já tinha corpo suficiente para planejar seu auto-sustento e planejou um desinvestimento de 15% ao ano, iniciado em 2013, propondo um grande desafio. No final do ano a Acorde havia cumprido seu compromisso, mostrando estar no caminho certo. Diversas foram as ações implementadas para tanto. De um lado, a organização olhou criteriosamente para seus custos. Alguns puderam ser revistos, outros ainda geram conversas aquecidas entre os membros da gestão. Em momento algum, no entanto, a solução pensada foi a de apenas encolher para caber. De outro lado, propusemos campanhas, crowdfunding, fortalecemos parcerias que garantiram serviços sem custo, investimos nos nossos eventos anuais de captação e organizamos nossa “base” de captação, fazendo cadastro em organizações como o Instituto Azzi, a Doare e a Doe com Paypal. Também organizamos a comunicação e fizemos crescer nossa base de apoio. A área foi fortalecida com a contratação de uma agente de comunicação, Priscila Fonseca, com o objetivo de ampliar a divulgação de sua causa, comunicar mais extensivamente o resultado de suas ações e se relacionar melhor com seus apoiadores. Para consolidar a causa da Acorde, contratamos também uma assessoria de imprensa especializada no terceiro setor.

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Desenvolvimento Institucional

Todas estas ações de comunicação e captação fazem parte da estratégia desenvolvida em junho de 2012, com o apoio do Instituto Fonte. Foi neste momento que consolidamos, na Acorde, que o foco de nossa captação seria em recursos livres, ou seja, aqueles que a organização pode aplicar de acordo com seu foco de atuação e estratégias para alcançar suas metas, sem estar presa em um cronograma pré-fixado imposto pelo financiador. Analisando o ano, podemos dizer que estudamos e aprendemos bastante. Mas o que nos fez cumprir a meta estabelecida pela família fundadora foi a captação via Nota Fiscal Paulista, em parceria com a Ponte Social. Os recursos foram captados em 2012 e pagos até o primeiro trimestre de 2013. No final de 2012, no entanto, as regras para captação de recursos via Nota Fiscal Paulista mudaram, determinando que a doação só poderia ser feita pelo consumidor, e não mais pelo estabelecimento comercial, e nossa captação diminuiu em escala. A captação total em 2013 foi de R$ 1.983.966,73, sendo R$ 1.047.807,13 oriundos de Nota Fiscal Paulista. A previsão de captação de Nota Fiscal Paulista para 2014 é de R$ 70.000,00. A diferença, como explicado acima, se dá pela mudança legislativa, que obrigou a Acorde a “dar um passo atrás” e voltar a captar de pessoas físicas, com urnas. Estrategicamente é este “colchão” que manterá a Acorde no futuro próximo, durante o qual é imprescindível que consigamos diversificar a captação de recursos livres, investir em equipe e em eficiência financeira nas ações já executadas. O realizado da Acorde em 2013 foi de R$ 1.340.314,36, extrapolando em R$ 115.817,42 o orçamento para o ano. O aumento das despesas está condizente com o aumento da captação, que gerou maiores gastos em serviços terceirizados de comunicação e captação. No entanto, olhando criteriosamente para a comparação entre o orçado e o realizado, o grupo de gestão faz uma reflexão de que ainda não consegue prever de forma confiável os custos da organização, uma vez que praticamente todos os grupos de contas tiveram diferenças significativas entre o orçado e o realizado. Neste sentido, muito nos ajudará uma importante parceira que chega em 2013 à Acorde, a Brasil Wealth Management, um escritório especializado em administrar grandes fortunas que licenciou gratuitamente seu software de gestão para a Acorde, bem como está treinando uma pessoa e nos apoiando em decisões financeiras estratégicas. 41


Desenvolvimento Institucional

Movimento Por Uma Cultura de Doação Como dito, o Planejamento de Comunicação e Captação que a Acorde fez em 2012, com o apoio do Instituto Fonte, nos despertou para a vontade de seguirmos o caminho dos recursos livres. Sem sombra de dúvidas, optamos por um caminho longo em direção à sustentabilidade financeira. Durante seus primeiros anos, a Acorde testou o Programa Recreação e o Cativarte de diversas formas, com métodos diferentes, horários diferentes, nome diferente. Tanto testamos, erramos e aprendemos, que encontramos o caminho que hoje acreditamos ser o mais adequado para atender a esta comunidade, neste momento. Este processo só foi possível porque o recurso semente, depósitos pela família fundadora, foram livres. Esta experiência nos fez entender a importância de lutar para que nossas fontes de rendas continuem sendo livres, e nos colocou em movimento. Começamos a estudar as formas de captação de recursos livres, o que já havia sido feito no Brasil, por quem, e as experiências estrangeiras. Percebemos que estávamos entrando em um mundo de gente grande, mas tudo bem, nós também estávamos crescendo. É neste momento que Joana Mortari, responsável pelo desenvolvimento institucional da Acorde, começa a refletir sobre as diferenças entre Brasil e outros países do mundo no tocante à importância depositada na doação de tempo, inteligência e recursos. Pensando sobre estas dinâmicas, escreve um primeiro texto sobre o assunto, que acaba por ser publicado pelo Gife – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas. O artigo é bastante divulgado nas redes sociais e acaba se tornando o primeiro de vários textos sobre o assunto publicados no Blog Cultura de Doação no Brasil. O que acontece depois disso é rápido. Pessoas começam se conectar por este mesmo propósito, provocando a criação de um grupo de promoção à Cultura de Doação no Brasil, ancorado no Facebook.

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Diretoria (2012/2016): Anamaria Germano Ribeiro Carlos Augusto Cyrillo de Seixas Joana Lee Ribeiro Mortari Conselho Fiscal (2012/2016): Titulares:

Suplentes:

Ana Paula Ribeiro Tozzi

Marcello Geraldes Chiasso

Fábio Mercadante Mortari

Maria Rivania de Sousa Nishi

Klaus Berndt Brutscher

Marceli Maria de Moura Sant’Anna

Responsável pela contabilidade no ano calendário 2013: Meta Assessoria Contábil.

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Agradecimentos Especiais

Grande parte das ações que a Acorde realiza só é possível graças as inúmeras colaborações, essas vêm das mais diversas formas, prestação de serviço pro bono, doações para a manutenção do dia a dia, campanhas de captação de recursos, parceiros de nota fiscal paulista.

Aprendix – Tecnologia e Treinamento e Desenvolvimento Profissional Armazém da Companhia

E.E. Hugo Carotini Elétrica Tem fácil

Boutique claudeteedeca

FREUNDE - Freunde der Erziehungskunst Rudolf Steiners

Box Mania

Fundação Filhos de Buda BLIA

Brasil WM

Grupo Casa de Brincar

Centro de Voluntariado de São Paulo

Grupo de Voluntários da Acorde

Clearing House

Laura Marchi Joalheiros

Colégio Albert Sabin

Juntos.com.vc

Colégio Dante Alighieri

Mortari Advogados

Condomínio Haras Guancan

Paidéia

Conética Administradora de condomínios

Pet Zoo

Creche Recanto da Fraternidade

PH -Professor de Ginástica

Cultura Inglesa

Sesi Cotia

Dentista Erika Nishikawa

Sociedade Amigos do Bairro do Jardim Tomé

E. M. Deusnil

Walter Tecnologias em Superfície

E.E Carlos Ferreira

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Parceiros de Nota Fiscais Paulista

A. Niemeyer

Le Bon Pain

Bayard

Lupo - Shopping Granja Viana

Cacau Show - Shopping Eldorado

Mentha Pimentha

Cacau Show – Shopping Granja Viana

Mr. Kitsch - Shopping Granja Viana

Café do Ponto - Shopping Granja Viana

Mr. Beer Open Mall

Casa Bauducco

Mr. Cat - Shopping Granja Viana

Casa Palla

Pizzaria Basílica

Casa Rovigo

Raville Bordados - Shopping Granja Viana

De Dormir - Shopping Granja Viana

Restaurante Deli Deli

Divino Fogão- Shopping Granja Viana

Restaurante Eat

Espetinhos Mimi

Restaurante Griletto - Shopping Granja Viana

Expand Empório Santa Maria

Sagrado Vino

Felix Bristrot

Tortula Open Mall

Lacoste - Shopping Granja Viana

Uncle K - Shopping Granja Viana

Laura Marchi Joalheiros

Vila dos Sonhos - Shopping Granja Viana

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Editorial: Priscila Fonseca Conteúdo Institucional: Joana Lee Ribeiro Mortari e Marta Junqueira Conteúdo Pedagógico: Douglas Campos Conteúdo Comunidade: Salete Oliveira Projeto Gráfico: Duas Xícaras Fotos: Acervo Associação Acorde Lincon Procopio

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Saiba mais: Associação Acorde Oficinas para Desenvolvimento Humano (11) 4704-2920 / (11) 4241-7485 comunicacao@acorde.org.br Estrada do Moinho Velho, 1.144 Jardim Tomé. Embu das Artes, SP, 06805-170 facebook.com/aacorde blogdaacorde.blogspot.com.br acorde.org.br

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Relatório Associação Acorde 2013  
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