Page 1




Í N D I C E

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013 2 Editorial 2 Por morrer uma andorinha... por Joaquina Cadete Phillimore 4 4 5 6 7 9 11 18 19 23 24 26 28

Atividades da AAAIO e suas sócias “... ansiosas por saber se o IO tem salvação” por Joaquina Cadete Phillimore Casar os anos... por Maria de Lurdes Guerreiro Museu Nacional de Arqueologia por Helena Cavaco Museu Calouste Gulbenkian por Helena Cavaco Museu Antoniano por Helena Cavaco Assembleia geral ordinária Demonstração individual dos resultados por naturezas Apresentação do livro “A assembleia dos lápis de cores” de Ana Maria de Oliveira Vilela por Fernanda Ruth Jacobetty Vieira Apresentação do livro “Piscina, amarelo e outras delícias do Instituto de Odivelas” no CAC por Margarida Pereira-Müller A AAAIO comemorou o seu 94º aniversário A AAAIO será sempre a casa de todas as antigas alunas por Joaquina Cadete Phillimore 16 anos de vida associativa por Ana Maria Hoeppner

30 Agenda 31 AA, o que é feito de ti? 31 Maria Teresa Wahnon Duarte Ferreira: “Tenho muita, muita saudade do colégio” por Margarida Pereira-Müller 34 O que é feito das nossas professoras? 34 As alunas foram as minhas filhas por Ana Paula Magalhães 38 In Memoriam 39 Notícias do IO 39 O que é para ti o IO? – Depoimentos de Atuais e Antigas Alunas 43 Notícias do IO 57 À conversa com... 57 Uma conversa – fictícia – com Rosa Parks por Margarida Pereira-Müller 60 Destaque 60 Pelo sonho é que vamos – Homenagem a Ana Maria Pinto Soares Hoeppner por Maria Noémia de Melo Leitão 69 Algumas mensagens de pesar perante o falecimento de Ana Maria Pinto Soares Hoeppner 76 Ideias Soltas 76 Viver com esclerose múltipla – Outra história na 1ª pessoa por Zilda de Figueiredo e Silva 78 O meu 25 de abril por Sofia Vaz Serra 79 O homem e a sua relação com a natureza por Maria Teresa Carvalho Lopes 81 A angústia do fim por Ana Elias 83 Poesia 83 Poema por Maria Lucinda Schiappa de Azevedo 84 O que para todos queria ser... por Fernanda Ruth Jacobetty Vieira LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

1




EDITORIAL

EDITORIAL

2

Joaquina Cadet e Phillim ore – AA Nº 193/196 0

Por morrer uma andorinha…

E

ste excerto do fado do mesmo nome com letra de Frederico de Brito e música de Alfredo Marceneiro (versículo), e que vários fadistas têm imortalizado, cravou-se na minha cabeça logo que soube que a Ana Maria nos tinha deixado.

E senti profundamente que a melhor homenagem que todas as amigas e todos os amigos do Instituto de Odivelas quer sejam antigas ou atuais alunas, residentes no Lar e seus familiares e ainda quantos trabalham na Nova Casa lhe poderiam fazer, era dar continuidade ao seu sonho. A obra a que ela se dedicou de corpo e alma, a Casa e a Causa, nas suas palavras, tem de ser preservada, melhorada, valorizada, divulgada.

Por morrer uma andorinha, por morrer a nossa andorinha, não pode acabar a primavera, porque sabemos que, como diz Rui Veloso “a primavera da vida é bonita de viver” e a Ana Maria que todos conhecemos, enérgica e cheia de entusiasmo, não entenderia se A obra, a Casa e a Causa, não levássemos avante, e cada vez mais alto, esta obra que foi tem de ser preservada, pensada e levada a cabo para melhorada, valorizada, que TODAS pudessem dela usufruir, se necessitassem. divulgada Por isso, este é o tempo de arregaçar as mangas, de nos unirmos, de trazermos para a liça as nossas ideias e os nossos contributos. Todas queremos que esta Casa e esta Causa não morram pois, pesando embora um contexto aparentemente desfavorável ao IO, ela tem de estar ao serviço de centenas de antigas alunas que nele se formaram.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


EDITORIAL

Congreguemo-nos em torno da Associação de Antigas Alunas do IO, quaisquer que sejam os corpos sociais que venham a ser eleitos em dezembro próximo e que sairão das listas que as AA queiram formar. Congreguemo-nos em torno desta Nova Casa que precisa do nosso trabalho voluntário para proporcionar às e aos residentes, em idade avançada, alegria de viver. Congreguemo-nos, por fim, em torno dos valores e do respeito que nos ensinaram na Casa de todas que foi, é e será sempre o Instituto de Odivelas. Assim, ida que foi a nossa andorinha, permanecerá a primavera.

Desenho de alunos da Escola Secundária José Gomes Ferreira, Lisboa, sobre a obra “O gato Malhado e andorinha Sinhá” de Jorge Amado

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

3




ATIVIDADES

AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

4

J oaquina Ca dete P hi l l i mo re – AA Nº 193/ 1960

“… ansiosas por saber se o IO tem salvação”

“...

a

nsiosas por saber se o IO tem salvação” são as últimas palavras de um vídeo da autoria das atuais alunas do IO que tem corrido a internet (http://www.youtube.com/watch?v=LB9iKqf tNm0&feature=share) e como sabemos que esta ansiedade é partilhada por todas as antigas alunas de todas as gerações, damos conta das diligências que a AAAIO levou a cabo, ao longo do último ano e que foram também divulgadas numa reunião de AA que teve lugar em 3 de abril de 2013. Esta reunião realizou-se a pedido de algumas AA em que a AAAIO foi facilitadora, disponibilizando a sala do Conventinho para o efeito. Estiveram presentes 24 AA e ainda dois elementos da Associação de Pais e Encarregados de Educação das Alunas do IO (APEEAIO). Toda esta acção começou em outubro de 2011, quando a 1ª comissão do MDN se reuniu com a direção da AAAIO e visitou a Casa Nova. Ao longo do último ano, a AAAIO contactou por mail, pessoal ou telefonicamente, as seguintes individualidades: Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Portas, Teresa Caeiro, Ana Gomes, Teresa Leal Coelho (AA do IO), D. Januário Torgal Ferreira, Presidência da República – fomos recebidas duas vezes pelo Chefe da Casa Militar, órgãos de comunicação social. A AAAIO solicitou uma audiência e recebeu convites, a saber: Secretário de Estado Adjunto da Defesa Nacional (SEADN) – Uma a pedido da AAAIO (maio de 2012) e dois convites (junho de 2012 e março de 2013), visita de uma adjunta do SEADN às instalações do Lar da AAAIO, CM Odivelas – Conferência de Imprensa, IO (integrou a visita ao IO de diversas personalidades, David Justino, Deputado PSD Duarte Marques, Marçal Grilo e equipa, CM Odivelas – Vigília organizada por cidadãos de Odivelas A AAAIO divulgou ainda dois comunicados de repúdio pela falta de diálogo efetivo com o MDN e, posteriormente, pelo teor do Despacho nº 4785/2013 conjuntamente com a sua congénere AAACM e com as APEEA do CM e IO. No âmbito do lançamento do livro “Piscina, amarelo e outras delícias do Instituto de Odivelas”, foram realizadas diversas entrevistas durante as quais foi sempre realçado o valor do IO e o erro da decisão ministerial. A esperança é a última a morrer, mas, se não for possível inverter o Despacho já citado, não terá sido por negligência ou omissão das Associações ligadas ao IO, em que a AAAIO se conta.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

N

Maria de Lurdes Guerreiro – AA Nº 113/1967

Casar os anos… a minha Escola há… corredores a perder de vista onde apetece “patinar”. Escadarias com descida fácil, vulgo corrimão. Salas de aula onde o Professor responde sempre PRESENTE. Mas, na minha Escola, também existe Camaradagem… aquela que perdura no tempo. Nunca “patinei” nem usei o meio mais rápido para chegar ao rés-do-chão. Havia (há) um Regulamento a limitar. Mas uso diariamente a Camaradagem. Vivo em pleno o SER AMIGA É SER IRMÃ!!!

Corria o ano de 1967. Naquela noite, depois do jantar, como de costume, a minha Mãe levantou os pratos, tirou a toalha, desta vez olhando-me de soslaio. Com voz grave, o meu Pai mandou-me ficar sentada diante dele. Assunto sério. Uns papéis sobre a mesa e aquele olhar… Mirando-me por cima dos óculos, começou a ler-me os tais papéis: o Regulamento do IO. Da leitura retive: A aluna não pode ter consigo mais do que 5$00 (talvez não fossem exatamente estas as palavras usadas). A aluna não pode deambular pelos corredores… deambular… acho que gostei da palavra… A aluna não pode cometer fraude, copiando ou ajudando as colegas nos pontos. A verdade é que nunca… NUNCA… copiei nem ajudei. Ficou-me para a Vida! No final da leitura ouvi: “se a minha filha acha que não consegue cumprir não vai para o Instituto”... Decisão pesada para uma miúda tão pequena… O primeiro grande passo da minha vida! Como sempre, foi-me dada margem de decisão! Alegremente, dormi sobre o assunto e, no dia seguinte, dei a resposta. Claro que queria a minha “emancipação”! Durante um mês “fiz prova” de que era capaz de, em apenas uma hora, levantar-me, tomar banho, vestir-me, arrumar o quarto e… fazer as tranças! Com alguma tristeza, a minha Mãe aprovou! No que concerne a sentimentos, não passo nem aceito procuração. É que, “pro-coração”… é algo pessoal e intransmissível. E quando referimos “algo” é porque somos incapazes de definir… Daí que fale apenas por mim... da emoção de respirar no espaço... do cerrar os olhos e regressar no tempo!!! A minha Escola faz 113 anos… eu sou a 113 da Incorporação de 1967… uma Casa com História e tantas histórias guardadas em cada canto, em cada pedra… Para mim, entrar no Instituto é como regressar à Casa Paterna. Um chegar de férias, vividas intensamente!!! LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

5


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Maria Helena Cavaco – AA Nº 218/1954

Museu Nacional de Arqueologia

U

m grupo de residentes acompanhado por duas voluntárias visitou neste Museu a Exposição “Quinta do Rouxinol – Uma olaria romana no estuário do Tejo”. Esta exposição dá a conhecer a primeira olaria romana descoberta na zona do Barreiro, adjacente ao estuário do Tejo, e foi guiada por uma técnica do Museu, Drª Alexandra Marques.

Em exposição estava uma réplica de um dos fornos (à escala natural) da Olaria da Quinta do Rouxinol (o nome deve-se ao último proprietário) e a Guia explicou-nos o seu funcionamento. Foi em fornos como este, que se produziram loiças de cozinha, ânforas destinadas ao transporte de peixe, azeite, vinho e especiarias. Não nos podemos esquecer que estamos no período do Império Romano e todos os produtos mencionados eram transportados por via marítima e desembarcados em diferentes portos do Mediterrâneo. As ânforas de diferentes tamanhos tinham de ser acondicionadas com extremo cuidado e as suas dimensões tinham de ser perfeitas. Cada barco levava dez mil ânforas, número que espantou os nossos residentes, que seguiam com atenção todas as explicações. As intervenções foram muito interessantes, apesar de serem longas devido ao pormenor com que o tema foi tratado, e para garantir o conforto dos residentes as voluntárias iam transportando as cadeiras fornecidas pelo museu, no percurso da exposição. Várias peças expostas nas vitrines da época românica como carreto de pesca, pesos para tear em bom estado de conservação são representantes da presença romana nesta zona. Foi mais uma tarde de quarta-feira em que saímos com os nossos residentes e lhe alterámos a rotina. Além desta exposição temporária, o Museu Nacional de Arqueologia merece uma visita às exposições permanentes – Tesouro da Arqueologia Portuguesa e Antiguidades Egípcias.

6

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Maria Helena Cavaco – AA Nº 218/1954

Museu Calouste Gulbenkian

T

erminámos os passeios do ano de 2012 com uma segunda visita ao Museu Gulbenkian, onde a nossa guia nos conduziu, desta vez, à arte europeia, com especial atenção para a colecção Lalique.

Apreciámos os diferentes quadros de pintura europeia, (século XV ao XIX), que vão de Rubens, Manet a Degas e ao inglês Turner com as suas inesquecíveis paisagens marítimas. O tema do mar é sempre apelativo e foi assim que os nossos residentes se interessaram especialmente por este pintor. Inúmeros pequenos acessórios em ouro com incrustações em esmalte e vidro e pedras duras dão corpo a caixinhas de rapé, lacre e estojos de unhas, fabricados em França e Inglaterra, no século XVIII. Impressionou os nossos residentes toda esta beleza e perfeição de joalharia. Este Museu sofreu obras há uns anos e quem saiu extremamente beneficiado foi René Lalique. Numa pequena sala pudemos observar aquilo que é considerado como a melhor colecção Lalique no mundo. Jóias, bem como outros objectos, vidros encontram-se expostos em excelentes vitrines. A nossa guia estava com dúvidas se todos poderíamos entrar na sala, pois 3 residentes deslocavam-se em cadeiras de rodas. Acontece que não havia visitantes nesse momento e assim todo o grupo conseguiu admirar aquelas peças. Lalique, nasceu em meados do século XIX, era amigo pessoal de Calouste Gulbenkian que adquiriu directamente a quase totalidade das peças expostas. As gargantilhas, diademas, peitorais, em que o ouro, o esmalte e o diamante se cruzam, apresentando sempre estas jóias uma inspiração temática. LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

7


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Utilizou também para a execução dos seus pentes o marfim que combinava com pedras semi preciosas. A arte de Lalique não se esgota nas jóias apreciámos também cálices, bules e um centro de mesa todos com motivos decorativos.

8

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Assim terminou a nossa Visita a este Museu. Despedimo-nos da nossa guia, que estava encantada com a lucidez dos nossos residentes, alguns com bastante mais de 90 anos e disse-nos que a sua Mãe tinha sido aluna do Instituto de Odivelas. Prometemos que lhe daríamos um exemplar da Laços, referente a esta visita.


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

N

Maria Helena Cavaco – AA Nº 218/1954

Museu Antoniano a visita ao Museu Antoniano tivemos como guia a Srª D. Estela que começou por providenciar que os nossos residentes se sentissem confortáveis para ouvir as explicações que gostaria de transmitir sobre este Museu, em particular sobre Santo António. Inteirou-se de quanto tempo tínhamos para a visita porque ela poderia falar horas sobre Santo António. Assim começou a nossa visita, desta vez tivemos o apoio de uma aluna do 1º Ano do curso de Animação Cultural da ESE e que estagiava no nosso Lar.

O Museu Antoniano está instalado ao lado da igreja de Santo António, onde teria sido a casa dos pais de santo. Filho de Martinho Bulhões e de Teresa Taveira de famílias nobres deram-lhe o nome de Fernando. Nasceu no século XII e frequenta a escola o que não é vulgar nessa época. Aos 15 anos ingressa no Mosteiro de S. Vicente, dos Cónegos Regulares de S. Agostinho, perto de Lisboa. Posteriormente vai para Coimbra e ao conhecer frades Franciscanos vindos de Itália encanta-se com o modo de vida que eles levam e torna-se franciscano com o nome de Frei António. Parte para Marrocos em missão de evangelização, onde adoece e tem de regressar a Lisboa, no entanto uma tempestade obriga o barco a mudar de rumo e é arrastado até Itália onde passará o resto dos seus dias, daí ser também conhecido por Santo António de Pádua. A Igreja de Santo António data de finais do século XVIII, após o templo anterior ter sido destruído pelo grande terramoto de 1755. Diz-se que a reconstrução só foi possível devido a um peditório realizado pelas crianças de Lisboa em honra LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

9


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

a Santo António, o que deu origem à tradição popular da “esmolinha para Santo António”. Todos os residentes se lembravam desta tradição e a

recordarem os milagres de Santo António que a Guia relatou e os que estavam representados nas peças deste Museu. O Museu foi inaugurado nos anos 80 do século XX e nele se encontram diversas peças religiosas, de azulejaria e pendores que nos contam os milagres de Santo António. No próximo 13 de Junho será transferido para um outro espaço, contíguo, cedido pela Câmara onde poderão ser exibidas todas as peças que de momento estão em depósito.

Srª D.Virginia disse que se recordava de ter andado a pedir para o santo. Várias histórias a Guia contou a respeito de Santo António – Casamenteiro, testemunho são as Noivas de Santo António. Falou-nos sobre o responsório, que a Srª D. Alda confessou já ter recorrido para encontrar alguma coisa perdida. A visita decorreu num ambiente muito agradável com os nossos residentes a

10

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Em exposição podemos encontrar várias peças religiosas e populares, que vão desde a iconografia do santo (escultura, gravura, pintura e cerâmica) a alfaias litúrgicas, ourivesaria, livros, vestuário e paramentaria e outros diversos objectos relacionados com a vida do santo. Muitas imagens de Santo António se encontram expostas mas curioso foi notar algumas em marfim, com olhos “em bico” quando sabemos que o Santo nunca esteve na Ásia. Foi com esta observação da Guia que terminámos esta visita e com a indicação que voltássemos para visitar o “novo” Museu.


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Assembleia Geral Ordinária

A

23 de março de 2013, reuniu-se, em sessão ordinária, a nossa Assembleia Geral, na Nova Casa, ao Largo da Luz em Lisboa, seguindo o aviso da convocatória publicado em dois jornais diários, “Público” e “Diário de Notícias” e afixado na entrada da Nova Casa e na Sede da AAAIO.

Antes de iniciar a sessão, a Presidente da Mesa informou a Assembleia que, como a Secretária da Mesa não se encontrava presente, solicitava o apoio, previsto nos estatutos, de uma associada para a acompanhar na mesa exercendo aquelas funções que cessariam, também segundo os estatutos, no final da reunião. Respondeu a esta solicitação a sócia Maria de Lurdes Guerreiro Constituída a mesa, a sócia Presidente saudou as sócias presentes, leu a Convocatória, e por fim, a Ata da AG anterior, que foi aprovada por unanimidade. Entrando propriamente no ponto um da convocatória, a Presidente da Mesa deu a palavra à Vice-presidente da Direção, M. Margarida Pereira-Müller, para a leitura do Relatório da Direção relativo ao ano de 2012 que constitui anexo a esta ata. Antes de proceder à leitura do mesmo, a Vice-presidente da Direção transmitiu a todas as presentes uma saudação da Presidente, Ana Maria Hoeppner, impedida de estar presente, por questões de saúde.

Relatório da Direção relativo ao ano de 2012 Para a direção da AAAIO, o ano de 2012 foi complicado, pois a presidente da direção deixou de dar a assistência quase diária a que a associação se tinha habituado. As tarefas passaram para a vice-presidente que não as pôde assumir com o mesmo empenho devido às suas atividades profissionais e a problemas pessoais, tendo ficado a gestão diária sob a responsabilidade da tesoureira com presença praticamente diária na Casa Nova. O que foi feito em 2012?

 A nível associativo  Dinamização das redes sociais, promovendo discussões públicas sobre diversos aspetos da associação e recordando os tempos colegiais. No entanto, esta forte LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

11


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

dinamização não se refletiu no crescimento da associação: em 2012, foi registada somente a inscrição de 16 sócias. Assim, foi decidido na última reunião de direção, lançar uma campanha de “Sócia traz sócia”, oferecendo um prémio simbólico à sócia que trouxer uma sócia.  Participação no 14 de Janeiro  Comemoração do 93º Aniversário no IO – 9 de março/Dia da Antiga Aluna  Manutenção das quatro festas anuais: Chá da primavera, Festa dos Santos, Magusto e Festa de Natal  Convívios entre AA  Organização de uma tômbola para angariação de fundos e de duas minifeiras de artesanato  Lançamento do livro de receitas do IO que recebeu o prémio “Best rund raising, charity and community cookbook in Europe” atribuído pelo Gourmand World Cookbook Awards  Organização de exposições, lançamentos de livros, sessões de poesia e de música e conferências  Promoção do voluntariado noutras vertentes além de apoio ao Lar (acompanhamento a AA, por exemplo) – proposta de um voto de louvor ao corpo de voluntárias, aprovado por unanimidade  Melhoramento da revista LAÇOS com maior colaboração de AA  Estreitamento das relações com as associações congéneres dos outros EME e com o IO e a sua associação de Pais e Encarregados de Educação  Participação ativa em ações contrariando os planos do MDN relativos ao encerramento do IO

12

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Nova audiência do SEADN à AAAIO em conjunto com a APEEAIO do IO.  Coedição do DVD sobre os três EME  Participação nalgumas atividades da Câmara de Odivelas  Adesão à PASC como membro regular  Continuação da nossa situação como ONG Informação sobre a realização, no passado dia 7 de março, na Ordem dos Engenheiros em Lisboa – Lisboa o XIII ENCONTRO PÚBLICO PASC – “Um modelo de ensino profissional para Portugal” com organização: PASC e Associação dos Pupilos do Exército. Respondendo a uma pergunta sobre a possibilidade de a AAAIO poder ser uma ONG foi explicado que o assunto não foi incluído na OT desta Assembleia por haver ainda alguma dúvida sobre se será ou não possível e o que implica manter este estatuto.

 Valência sociais  Lar • Visitas a museus e jardins • Celebração semanal da missa pelo Capelão do IO e duas vezes pelo Bispo das Forças Armadas • Férias no Forte • Promoção do voluntariado no LAR junto das AA • Formação de voluntárias • Informatização da rede de dados do Lar • Processo de aumento da capacidade de 42 para 44 utentes • Reforço dos contactos com a Segurança Social para conseguir os pagamentos devidos


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

• Finalização de algumas obras suplementares de adaptação para uma melhor funcionalidade do Lar tais como passeio de acesso entre a entrada do lar e o teatro D. Luis Filipe, arranjo dos pavimentos dos duches, entre outros  Centro de distribuição de bens da Arroja • Inauguração do centro de distribuição da Arroja com a presença da Presidente da Câmara de Odivelas • Apoio a 246 famílias, num total de 1.200 pessoas das quais 334 são crianças • Informação, na sequência de uma pergunta feita por algumas associadas do conteúdo dos Cabazes distribuídos pelo BACF Em seguida, a empresa de contabilidade Contamadora, na pessoa de Renato Cordeiro, apresentou o relatório e contas do exercício de 2012, de que já haviam sido distribuídas cópias aos corpos sociais da AAAIO e associadas presentes e que constitui anexo a esta ata.

Relatório e Contas do Exercício de 2012 O presente relatório tem por objetivo avaliar as atividades realizadas durante o ano de 2012, pela nossa Associação, tendo em conta as respostas sociais que promoveu: Lar, Sócias e Centro de distribuição de bens da Arroja. Para além de ser uma reflexão sobre a intervenção desenvolvida pela entidade durante o ano, aponta também as dificuldades e constrangimentos que dificultaram a concretização de algumas

das atividades previstas. Permite, ainda, conhecer os modos de funcionamento das mesmas, cuja avaliação foi feita com base em informações, registos da entidade e com a participação da Direção. Antes de descrevermos a estrutura do documento, queremos expressar o nosso agradecimento a todos quantos generosa e desinteressadamente, continuaram a acreditar na AAAIO e na missão que ela prossegue. Essa generosidade traduziu-se em: tempo, talento, donativos, ofertas em géneros e monetárias e teve expressão para conseguirmos concretizar o Plano de Atividades de 2012. Apesar de ter sido um ano difícil resultante da crise económica e financeira, muitos foram os que nos continuaram a honrar com a sua solidariedade e a sua cidadania canalizada para a nossa instituição, demonstrando, dessa forma, a sua confiança no nosso trabalho. Nos termos legais e estatutários, a Direção da AAAIO, vem então mais uma vez submeter à apreciação da presente Assembleia, o Relatório e Contas referente ao exercício de 2012.

Actividade Financeira Este ano de 2012, gerou uma receita de valor global de proveitos de 844.523,35 . Neste contexto as receitas operacionais cifraram-se nos 680.306,76  e os proveitos financeiros nos 40,49 , e relativamente aos proveitos extraordinários, atingiram os 164.176,10 .

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

13


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Devemos destacar o aumento das prestações de serviços em 42.210,33  e a diminuição de proveitos extraordinários de 61.900,22 . Por sua vez o Banco Alimentar Contra a Fome diminuiu na sua contribuição em cerca de 73.165,00 . No que respeita aos custos globais de 857.310,80  houve um decréscimo de 2.627,11  representando uma diminuição de cerca de 0,31% em relação ao ano anterior, sendo que o valor com maior relevo é os custos com o pessoal, com 428.609,14  que representa um acréscimo de 51.560,81 , bem como no valor dos produtos consumidos especialmente na alimentação com um acréscimo de 30.909,52 . Para um total do gasto no ano de 88.825,54 . Os Fornecimentos e Serviços de Terceiros atingiram os 190.010,93 , os juros que tivemos de pagar ao banco foram de 3.731,97  e os extraordinários globais foram de 99.004.69 . Devido à diminuição nas entregas feitas pelo Banco Alimentar, a nossa distribuição também se reflectiu na diminuição do mesmo valor. Deve-se ainda referir, que apesar dos fornecimentos e serviços externos não terem tido uma grande variação em relação ao ano anterior, tivemos custos extraordinários em cerca de 15 mil euros, nas reparações eléctricas e elevadores, para que pudessem ser aprovados pela Certiel. Em resumo, os resultados do trabalho realizado, culminaram num resultado negativo de 12.787,45 . 14

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Aos valores acima referidos, devemos salientar também os desvios verificados ao orçamento para o ano de 2012. Neste contexto, os proveitos globais gerados durante o exercício que findou, representaram uma diminuição de 18.396,48  do orçamentado demonstrando um impacto percentual de -2,13% em relação ao orçamento. Nos custos, também se verificou uma diminuição de 2.627,11 , cerca de -0,31% em relação ao orçamento. O objectivo deste documento é relatar os valores anualmente registados e transmitir a boa aplicação das verbas que nos foram confiadas para alcançar a satisfação dos objectivos que ao longo dos anos nos temos proposto. 1. Associadas A razão de ser da nossa Associação está no elo de ligação que une as A A A I O, que para isso a criaram e contribuem com quotas e donativos com o objectivo de fazer face às múltiplas despesas da Associação. A receita originada pelas quotas e acções de apoio atingiu os 18.150,00 . Tendo um custo associado a esta receita de 15.377,55 , valor este onde se inclui o custo da revista, o correio e o custo de um funcionário que lhe está afecto. 2. Lar Os valores de receitas das mensalidades cresceram 8,68% face ao ano anterior, atingindo os 528.497,62 .


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Na Rubrica de comparticipações e Subsídios de Exploração, foi registado um valor de 133.659,14  tendo aumentado cerca de 2,57% em relação ao ano de 2011. As aplicações que fizemos ao longo do ano apenas renderam 40,49 , e os extraordinários atingiram o valor de 66 995,60 . Os custos totais do Lar alcançaram 825.758,38 , dos quais 421.558,78  são custos com o pessoal. Em relação ao ano anterior esta rubrica teve um incremento de 11,80%, originado pelos frequentes ajustes do pessoal às crescentes necessidades sentidas. Os géneros alimentares utilizados nas refeições servidas tiveram um acréscimo de 53,32%, ascendendo a 88.795,60 . Também uma componente importante para o funcionamento desta instituição, são os serviços contratados a terceiros e registados na rubrica de F.S.E., que totalizaram um valor de 165.575,71 , onde se encontra registado, entre outros, electricidade, água, combustíveis, comunicações, despesas com reparações, contabilidade, médicos, advogada, enfermagem e outros prestadores de serviços. A componente financeira deste ano, foi bastante reduzida em virtude da amortização do empréstimo bancário, e se terem regularizado pagamentos a fornecedores do imobilizado sendo o seu valor de 3 731,94  e os impostos contabilizados dos juros pagos foram de 802,80 .

As depreciações do imobilizado foram contabilizadas por 46 225,76.  e os extraordinários atingiram os 2 287,29 . 3. Centro de distribuição de bens da Arroja A grande despesa neste projecto reporta-se aos fornecimentos e serviços externos, que ascendeu os 9.087,61 , essencialmente pelo pagamento à responsável de água, luz e telefone, e algumas despesas de manutenção, bem como a festa do Natal dos idosos do Bairro da Arroja. O funcionário da AAAIO em serviço neste pólo, custou 7 050,36 . Para além dos alimentos do Banco Alimentar, cujos alimentos recebemos e distribuímos, tivemos ainda donativos de anónimos no valor de 2 750,00 . 4. Banco Alimentar e Campanhas de Solidariedade Tal como nos anos anteriores, têm-se vindo a realizar campanhas de solidariedade, como a do Banco Alimentar contra a Fome e Entreajuda gerando uma movimentação não monetária. Tivemos a preciosa ajuda da carrinha da Junta de Freguesia de Odivelas, que nos permite a recolha e transporte dos alimentos que distribuímos por 268 famílias, num total anual de 9.471 pessoas, numa média mensal de 804 pessoas. Também a Câmara Municipal de Odivelas se tem prontificado em ajudar nos eventos que realizamos no Bairro da Arroja. LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

15


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

No entanto, para fazer cumprir algumas obrigações fiscais, nos últimos anos, têm que se quantificar estes valores que o Banco Alimentar Contra a Fome este ano nos entregou, que atingiram os 96.780,56 , sendo o restante de donativos de particulares.

Despesas de capital Em termos estruturais do balanço, as contas com alterações mais significativas, encontram-se no aumento de algumas dívidas de utentes, mas que se espera regularizar neste ano, bem como uma diminuição nos depósitos bancários por virtude da amortização dos empréstimos e do pagamento a fornecedores do imobilizado. Assim podemos constatar que a situação patrimonial da Instituição vem gradualmente a equilibrar-se. Os meios libertos ainda não conseguem liquidar todas as responsabilidades, no entanto e mantendo-se o panorama, a situação patrimonial de curto prazo desta Instituição torna-se estável. Neste resumo procurámos apresentar a imagem mais aproximada da atividade da Instituição durante o ano de 2012, no entanto em apêndice encontra-se um conjunto de mapas financeiros que podem ajudar a compreender algumas questões.

Resultados Assim propomos que o resultado obtido seja transferido para uma conta de resultados transitados a regularizar em exercício futuros.

16

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

A Direção agradece mais uma vez a todos os que contribuíram para a atividade do exercício da AAAIO em 2012.

Parecer do Conselho Fiscal Nos termos dos estatutos e da legislação aplicável e no âmbito da ação fiscalizadora que nos cumpre desempenhar, vem o Conselho Fiscal submeter à apreciação da assembleia de sócias desta associação o seu parecer sobre as contas e sobre o Relatório da Direção relativos à atividade desenvolvida ao longo do ano de 2012. A Direção: Constatamos muitas dificuldades no funcionamento da Direção ao longo do ano findo e particularmente nos últimos meses, resultantes dos terríveis problemas de saúde da sua Presidente. Mas também observamos com admiração não só a sua enorme capacidade de resistência e determinação na condução da atividade do Lar e de todas as vertentes a ele associadas, até ao final do exercício, como a boa capacidade de resposta dos restantes membros da Direção às mencionadas dificuldades acrescidas. Testemunhamos uma gradual melhoria nos serviços prestados aos utentes, na gestão dos recursos humanos e na gestão económica e financeira da instituição. É também de destacar o impulso dado às relações com o colégio de onde todas somos oriundas, o esforço de mobilização em torno do tema “extinção do I.O.” no sentido de se conseguir a sua não concretização e a intensificação do trabalho de construção da imagem de marca do I.O. e, em consequência, da imagem desta associação. Como


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

resultado temos a casa cheia e alguns interessados em lista de espera. São de louvar a Presidente e os restantes membros da Direção por este exemplar desempenho. As Contas: Ao longo dos últimos cinco anos temos reclamado o facto de as contas nos serem fornecidas com insuficiente antecedência em relação ao dia da assembleia. Continuamos com essa dificuldade. Mas agora consideramos que ela está de certo modo ultrapassada pela nossa sucessiva observação da constância e regularidade de procedimentos contabilísticos e de gestão financeira ao longo destes anos e pela continuada preocupação de rigor no controlo dos recebimentos e dos pagamentos, no controlo das contas bancárias, no cumprimento das obrigações fiscais, na introdução de novos métodos internos de registo e de atuação administrativa. Não nos restam assim dúvidas sobre o excelente desempenho do nosso contabilista no ano que findou. Relativamente às contas agora em análise salientamos com preocupação o resultado negativo do exercício, no montante de quase 13.000 , mais do que explicado pelo elevado montante de amortizações que somos obrigados a contabilizar. Também destacamos o total de receitas oriundas das prestações dos utentes as quais estão longe de atingir o montante médio mensal de 1.500 euros por utente, definido em

2008 como sendo o necessário para a total viabilização e desafogado funcionamento deste empreendimento. Não queremos deixar de lembrar o alerta feito por este Conselho Fiscal, em março de 2011 já na nova casa, sobre a necessidade de não perdermos de vista o que na época definimos como o “objetivo último” que era atingir o equilíbrio entre as receitas e as despesas resultantes da sua atividade principal, sem recurso a fatores externos não remunerados. Não foi ainda em 2012 que este objetivo foi atingido. As restantes variáveis da atividade económica e também financeira são claramente explicadas no relatório da Direção e nos quadros de análise financeira a ele associados. Face a tudo quanto fica exposto o Conselho Fiscal é de parecer que: 1) sejam aprovados o Balanço, a Demonstração de Resultados e as restantes contas relativas ao exercício de 2012. 2) seja aprovado o Relatório da Direção. Pelo Conselho Fiscal: Presidente Maria Fernanda Rico Vidal (Economista) 1ª Vogal Cesaltina do Nascimento Silva 2ª Vogal Maria Isabel Figueira Freire

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

17


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

ASSOCIAÇÃO DAS ANTIGAS ALUNAS DO INSTITUTO DE ODIVELAS

DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUAL DOS RESULTADOS POR NATUREZAS De Janeiro até Dezembro

RUBRICAS

NOTAS

Montantes expressos em Euro EXERCÍCIOS 2012 2011 Ano Completo Ano Completo

RENDIMENTOS E GASTOS Vendas e serviços prestados............................................................................................................ Subsídios à exploração .................................................................................................................... Ganhos/perdas imputados de subsidiárias, associadas e empreendimentos conjuntos ................... Variação nos inventários da produção.............................................................................................. Trabalhos para a própria entidade.................................................................................................... Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas ......................................................... Fornecimentos e serviços externos .................................................................................................. Gastos com o pessoal ...................................................................................................................... Imparidade de inventários (perdas/reversões) ................................................................................. Imparidade de dívidas a receber (perdas/reversões) ....................................................................... Provisões (aumentos/reduções)....................................................................................................... Imparidade de investimentos não depreciáveis/amortizáveis (perdas/reversões) ............................ Aumentos/reduções de justo valor ................................................................................................... Outros rendimentos e ganhos .......................................................................................................... Outros gastos e perdas ....................................................................................................................

528.497,62 133.659,14 0,00 0,00 0,00 -88.825,54 -190.010,93 -428.609,14 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 182.326,10 -99.907,49

486.287,29 132.755,92 0,00 0,00 0,00 -57.916,02 -186.092,10 -377.048,33 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 243.666,32 -183.018,32

Resultados antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos

37.129,76

58.634,76

Gastos/reversões de depreciação e de amortização ......................................................................... Imparidade de investimentos depreciáveis/amortizáveis (perdas/reversões) ...................................

-46.225,76 0,00

-46.110,76 0,00

Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos)

-9.096,00

12.524,00

Juros e rendimentos similares obtidos ............................................................................................. Juros e gastos similares suportados ................................................................................................

40,49 -3.731,94

210,30 -9.752,38

Resultado antes de impostos

-12.787,45

2.981,92

Imposto sobre o rendimento do período ...........................................................................................

0,00

0,00

Resultado líquido do período

-12.787,45

2.981,92

Resultado das actividades descontinuadas (líquido de impostos) incluido no RL Exercício Resultado líquido do período atribuível a: * Detentores do capital da empresa-mãe ........................................................................................... Interesses minoritários .................................................................................................................... Resultado por acção básico ............................................................................................................. Lisboa, 23 de Março de 2013 O Técnico Oficial de Contas Renato Pereira Cordeiro

18

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

A Direção Ana Maria de Ataide Pinto Soares Hoeppner Maria Margarida Pereira-Müller Maria Antónia Soares Figueiredo Paixão Maria Isabel Rio Ferreira Braga Gomes Leonor Ornelas de Medeiros Tavares


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Fe r n a n d a Ru t h J a c o b e t t y V i e i r a – A A N º 1 5 2 / 1 9 5 5

Apresentação do livro “A assembleia dos lápis de cores” de Ana Maria de Oliveira Vilela*

A

nossa Amiga, a Ana Maria de Oliveira Vilela, AA Nº 38/1964, pertencendo à Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas, escolheu este nosso salão da Casa da Luz para a apresentação do seu livro “A ASSEMBLEIA DOS LÁPIS DE CORES”. Teve a gentileza de me convidar para fazer essa apresentação, o que aceitei com muito gosto, embora não certa de o conseguir fazer como a obra e a autora o merecem.

Este livro não tem ligação com os temas das suas duas teses: a de Mestrado, sobre o Instituto de Odivelas e a de Doutoramento, sobre o Instituto dos Pupilos do Exército. Porque, pela sua formação em História, em princípio, aquilo que escrevia era baseado em factos. Porém, penso que este será o 1º de outros livros com novas características! Acho que a ANINHA, como não se importa A capa do livro: que a chame, tem uma personalidade uma delícia de cândida invulgar em vários aspectos: não só na maneira como vive a sua vida (em que simplicidade em que nos aquilo que decide fazer faz, custe-lhe a ela apresenta os personagens o que custar), como na abertura com que tal e qual os imaginou aceita a forma de ser dos outros. Sendo pessoa de temperamento e sentimentos intensos, isso contribuirá para lhe dar a força e a perseverança de que, apesar dos revezes da vida, tem dado provas. A sua faceta sentimental e afectuosa, leva a que continue a comparecer nas Sessões, Solenes, culturais e de convívio que, em datas comemorativas do Instituto * Por opção pessoal, a autora não escreve segundo a Nova Norma Ortográfica da Língua Portuguesa LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

19


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

de Odivelas, têm lugar no belíssimo ambiente da nossa “Casa” de Odivelas. Isso deu oportunidade, já há anos, de nos conhecermos, apesar de não termos sido contemporâneas no IO, nem como alunas nem nos meus 31 anos de docência aí. No que respeita à actividade da Ana Vilela, sabemos que tem sido convidada para fazer dinamização cultural em vários centros autárquicos. Dividindo o seu tempo de modo a satisfazer essas solicitações, até aconteceu que, a seu convite, participei nas suas sessões de Literatura na Junta de Freguesia de Algés, numa temática das relações que se podem estabelecer entre a Literatura e as Artes Plásticas. Aí, o ambiente era de boa disposição e de um muito animado interesse, inclusive interventivo, que muito apreciei. Retornando ao livro “A Assembleia dos Lápis de Cor”, a ideia inicial da autora, para a sua criação, foi a de ser destinado a crianças (embora se verifique agora que, um adulto que inicie a sua leitura, não resiste em o ler até ao fim...que foi o que me aconteceu...). Encontramos os personagens no título, em que se fica a saber que os Lápis de Cor formam uma Assembleia. O tema “Lápis de Cor”, obviammente ligado à infância de todos nós, para a Ana Vilela, 20

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

sente-se que terá uma maior intensidade emotiva. Aliás, na própria narrativa, desde a primeira página é sentido carinho na suavidade da sequência da palavra escrita. Iniciando o Prefácio com Fernando Pessoa, “Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce“, Ana Vilela dedica o livro a sua Mãe... que perdeu aos 4 anos de idade! Que recordação mais doce podemos encontrar? E, nessa idade, já a Mãe a teria iniciado nas experiências com os lápis de cor...! Que ambiente de Sonho e de Feliz fantasia a terá ajudado a criar por meio deles...! Agora, a Aninha Vilela, com delicadeza e ternura, recheia o seu livro de Valores, Simbologia e Arte...! Arte como a que usou na criação da capa do livro: uma delícia de cândida simplicidade em que nos apresenta os personagens tal e qual os imaginou. Depois, vamos encontrando cada um ao folhear o livro: figuras leves, delicadas, definidas por linhas finas a tinta da China. Espectantes, estáticos a meio de um movimento, estão prontas mas, aguardam serem coloridos pelos lápis de cor... manejados por mãozinhas de gente pequenina... que acabou de


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

aprender as cores e a sua simbologia. Ou, então, por mãos maiores e mais seguras, a quem a imaginação desafia para uma experiência, subitamente de novo tentadora! Tendo na frente a imagem de uma caixa de lápis de cor, a ideia que nos surge de imediato é a de um grupo, homogéneo na forma mas... muiiito diversificado no colorido individual. E mais: o efeito que cada cor produz em nós, transporta-nos ao reino da simbologia! A diversidade de instrumentos que o ser humano pode utilizar para se exprimir, permite o aprimorar da forma de comunicar. No caso dos lápis de cor, quem os utiliza, pode tentar representar a realidade material, tentando reproduzir o que vê, ou materializar uma ideia, uma sensação, um sentimento ou uma emoção. Aqui já vamos utilizar uma linguagem simbólica. Quando em conjunto, lado a lado que os lápis estão como membros de uma Assembleia, a simbologia da cor individual dos Lápis fica atenuada, por representarem um todo: o Mundo. Porém, o facto de o conjunto ser tão diversificado, acaba por atrair logo a atenção para a cor de cada um. A autora faz Poesia quando fala pela “voz” de cada lápis... Ajuda a descobrir a beleza das cores, os cambiantes do Pôr-do-Sol, traz-nos ternura quando recosta amorosamente os lápis nos dedos de meninos que até os lambem, ou quando coloca incandescências nos olhos de figurinhas...ou faz o Verde orgulhoso por se encontrar nos 3 reinos da Natureza...

E a cor ou as cores estarão de acordo com o que nos “diz” a simbologia que a nossa cultura nos transmitiu. Os efeitos mono ou policromáticos corresponderão a ideias diferentes, ambientes diversificados, diferentes regiões e culturas do Mundo. Cada lápis, com a sua cor, sugere-nos que cada um vale por si só mas... sabemos que, com o recurso a vários, se poderá criar algo que só em colaboração se consegue realizar! Um só lápis com todas as cores, ao poder desenhar o Arco-íris, dá-nos um símbolo de Paz e da Aliança entre as forças Divina e a terrena do Homem. Neste livro, porém, existe ainda mais uma concepção original, muiiito actual: a tal Assembleia. Numa época como a nossa, Assembleias é algo com que estamos já muito familiarizados mas... uma Assembleia de lápis de cores(?!). E a autora aproveita esse ambiente, não só para o desenrolar de uma acção didática de caracter cultural, através dos sucessivos “senhores oradores” Lápis-de-cor, como faz ressaltar a forma educada destes se dirigirem à assistência....(?!). Que agradável isso é!!! Não acham?! Habituados que estamos a arregalarmos os olhos ao ouvirmos a forma “extremamente educada” como os membros de certas assembleias se dirigem àqueles que desejam convencer de que estão... errados. LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

21


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

A ideia que nos surge de imediato com a imagem mental da caixa de lápis de cor, é a de um grupo homogéneo na forma mas... muiiito diversificado no colorido individual, no efeito e na simbologia inerente ao conjunto! Quando fala pela “voz” de cada lápis... a autora faz Poesia. Leva os mais pequenos à descoberta das cores nos cambiantes do Pôr-do-Sol ou do brilho de uma cor, quando coloca incandescências nos olhos de figurinhas ou, ainda, quando faz o Verde orgulhoso de se encontrar nos 3 reinos da Natureza...

Na sequência da ideia lançada e desenvolvida pela nossa Amiga Ana Vilela, acrescento:

22

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Na Humanidade, a grande riqueza está na sua diversidade, o que pressupõe descobrir aspectos que não têm a ver com a “cor”, porque os Humanos não são lápis de cor. Mas mesmo aí, referindo o que tem origem na matéria, podemos estabelecer uma “comparação”: as cores dos lápis para desenhar e pintar dando cor, são obtidas de materiais diversos da Natureza, e tudo o que nasceu no nosso planeta Terra é um “fruto” que dele brotou e dele se vai alimentar. Ora, cada Ser Humano, no decurso da sua evolução através de gerações e gerações, recebe uma carga genética que, para além dos aspectos que o fazem ser humanos, há outros que determinam parte daquilo que será a sua individualidade, ou seja, o que serão como pessoas e as opções que farão no decurso da sua vida. Transpondo as simbologias: da “forma” e da “cor”, assim como da “resistência” (não só a física mas, também, a moral e a espiritual) ou ainda “maleabilidade”, além de outras, estarão também todas dependentes daquilo de que foram “feitos”, assim como da influência do ambiente envolvente. Que Mundo melhor seria o nosso se todos tivéssemos a capacidade de funcionar no mesmo simbolismo do lápis Arco-Iris.... Tenho dito


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

M . M a r g a r i d a Pe r e i r a - M ü l l e r – A A N º 2 4 4 / 1 9 6 7

Apresentação do livro “Piscina, amarelo e outras delícias do Instituto de Odivelas” no CAC

O Centro das Artes Culinárias funciona no antigo Mercado de Santa Clara, à Feira da Ladra. Atualmente é um espaço dedicado à história da gastronomia com um núcleo museológico, venda de produtos regionais, encontros e palestras Foto: EDUARDA CAIXEIRO

P

or proposta da AA Elizabet Fernandes, apresentámos o livro “Piscina, amarelo e outras delícias no Instituto de Odivelas” no Centro das Artes Culinárias, em Lisboa, no início de março.

sobre gastronomia e cursos de cozinha. Apesar da tempestade que se abateu nesse fim de tarde, várias pessoas atreveram-se a pôr um pé fora de casa e foram até ao CAC assistir à apresentação do livro, que foi bastante animada com diversas intervenções. Foi uma boa oportunidade de dar a conhecer o IO a estranhos que assim ficaram cientes dos problemas que atualmente atravessam os EME.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

23


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

A AAAIO comemorou o seu 94º aniversário

C

omo habitualmente, a AAAIO comemorou no Refeitório das Freiras (vulgo, Sala do Teto Bonito) do Instituto de Odivelas o seu aniversário no passado dia 9 de março. Foi uma sessão muito emotiva, pois aproveitou-se a ocasião para se homenagear a AA Ana Maria Pinto Soares Hoeppner, que nos últimos 10 anos liderou a nossa associação e que estava a travar com grande valentia uma dura batalha contra um cancro, que veio a perder alguns dias depois.

Nesta cerimónia foram entregues os Prémios Maria das Neves Rebelo de Sousa às melhores alunas dos três ciclos do IO no ano letivo 2011/2012 (Andreia Filipa Santos Videira, 6º ano, nível 5, Violeta Barros Fernandes d’Aguiar, 9º ano, nível 5, e Inês Valente Lopes, 12º ano, 18 valores). O Diretor e o capelão do IO, respetivamente Coronel Serra e Capelão Borges, foram nomeados sócios honorários da AAAIO por mérito e pela sua dedicação à nossa causa.

No final da cerimónia, houve um belíssimo momento de poesia e piano. Maria Amélia Carvalho Pinto tocou a Serenata de Franz Schubert, o Prelúdio, op. 28 de Fréderic Chopin e a Sonata Claire de Lune de Ludwig von Beethoven. Manuela Machado declamou poemas de Antero de Quental (À Virgem Santíssima), Augusto Gil (Passeio de Santo António), Florbela Espanca (Abri os olhos, procurai a luz), Fernando Pessoa (Liberdade), Mário de Sá Carneiro (O torniquete), Almada Negreiros (A flor), António Gedeão (Lágrima de preta), Miguel Torga (História Antiga), Sofia de Mello Breyner (Pessoas com vida) e de Manuel Alegre (As mãos). Paralelamente à cerimónia de aniversário, cujos discursos aqui publicamos na íntegra, esteve presente no Átrio da Rainha uma exposição sobre a AAAIO organizada pela AA Fernanda Ruth Jacobetty Vieira. 24

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Andreia Filipa Santos Videira a receber o prémio

Violeta Barros Fernandes d’Aguiar a receber o prémio

Inês Valente Lopes a receber o prémio

Manuela Machado e Maria Amélia Carvalho Pinto

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

25


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

J oaquina Ca dete P hi l l i mo re – AA Nº 193/ 1960

A AAAIO será sempre a casa de todas as antigas alunas*

C

umprimento as Individualidades presentes que mais uma vez quiseram associar-se a este importante dia para nós, em particular o Senhor General Dias Correia, Comandante de Instrução e Doutrina que, com a sua presença, mostra o seu apreço pela nossa associação.

Cumprimento ainda o Sr. Diretor do IO que já consideramos um de nós pelo modo como acarinha a nossa Associação, cumprimento Maria Amélia Carvalho Pinto e Manuela Machado, antigas professoras desta Casa que, generosamente, acederam a abrilhantar esta nossa tarde, saúdo, afetuosamente, a minha Colega presidente da direção da AAAIO, Ana Maria Hoeppner pela sua coragem e dedicação e, por fim, as nossas queridas alunas, antigas e atuais Em mais um dia em que se comemora o aniversário da AAAIO, gostaria de recordar alguns momentos importantes desta efeméride, a saber: • A AAAIO é a associação feminina mais antiga de Portugal e comemora hoje 94 anos; • A AAAIO foi fundada em 1919 pelo então Diretor do Colégio Coronel Francisco Ferreira de Simas e manteve a sua sede nesta casa até 1941.O objetivo daquele educador foi o de preservar os laços que deveriam unir as alunas antigas e atuais donde o laço que faz parte integrante do nosso emblema de atuais e antigas alunas, donde pende a Cruz de Aviz, escolhida pela rainha D. Maria Pia. • Por motivos que desconhecemos, talvez o low profile que fomos cultivando, ao longo dos anos, a nossa Associação não foi extinta quando todas as outras com características semelhantes o foram, tendo o período entre 1941 e 1955 correspondido a um interregno nas nossas atividades. • Em 1955, a Diretora do IO, Dra Deolinda Santos, reabriu as portas às AA e, a partir de então até aos nossos dias o 14 de janeiro voltou a ser um dia de reencontro, de matar saudades da Casa e das Colegas onde vários sentimentos se juntam num turbilhão, sendo de realçar o 14 de janeiro de 2012, em que um verdadeiro mar de AA encheu o IO, correspondendo à generosa receção que o atual Diretor fez questão de proporcionar às Meninas do IO de todos os tempos; * Discurso proferido na cerimónia do Dia da Antiga Aluna.

26

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

• Por fim, o porquê da escolha do dia 9 de março para comemorar esta efeméride. O 9 de março corresponde ao dia em que, em 1899, o Rei D. Carlos assinou o decreto de aprovação do Estatuto do Instituto Infante D. Afonso, oficializado em 14 de janeiro de1900. Em 1986, a então presidente da Direção da AAAIO, Virgínia Paccetti, grande impulsionadora desta causa, propôs esta data para comemorar o dia da Antiga Aluna, proposta ratificada pelas sócias, em assembleia geral. Num momento em que a AAAIO luta, ao lado do IO, para que a Escola inovadora e de excelência que foi a nossa possa continuar a servir gerações de Meninas e a prepará-las para serem Mulheres ao serviço de Portugal, a AAAIO está muito segura do seu papel. Quaisquer que venham a ser as decisões políticas sobre esta matéria, a AAAIO é

A Presidente da Mesa da AG, Joaquina Maria Cadete Phillimore, fazendo a sua apresentação

e será sempre a Casa das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas E creiam, passarão muitos anos até que desapareça não a última freira do Mosteiro de Odivelas, mas última aluna deste nosso Instituto de Odivelas. E, onde quer que estejamos, continuaremos a celebrar o 14 de janeiro e o 9 de março e a relembrar o lema desta Escola duc in altum (cada vez mais alto), a excelência para que fomos ensinadas e por que TODAS pugnamos.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

27


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Ana Maria Ho eppn er – AA Nº 318/ 1952

16 anos de vida associativa*

Q

uem corre por gosto não cansa” Penso que esta velha máxima esteve sempre na força anímica e vitalidade da nossa associação. Em 1919, a nossas pioneiras encararam a corrida muito a sério, como um desafio, e com o evoluir dos tempos, a nossa maratona foi ganhando as suas medalhas. 94 anos de vida associativa é uma história fascinante da associação feminina mais antiga em Portugal, fundada neste magnífico Instituto e que nos legou o laço vinculativo que

nos une. Naquilo que hoje nos toca, nesta etapa da corrida, contabilizamos 16 anos consecutivos dum percurso árduo de trabalho e dedicação mas que nos proporcionou maior firmeza, determinação, alegrias e vitórias e a certeza de que cumprimos o nosso percurso até à nossa meta.

Ana Maria Pinto Soares Hoeppner discursando

Desde 1999 que esta Direção, sempre coesa, persistente e coerente tentou atingir os seus objetivos.

E, é com imensa satisfação e orgulho que fechamos o ciclo mais longo da nossa história associativa que termina com esta Direção em dezembro deste ano. * Discurso proferido na cerimónia do Dia da Antiga Aluna.

28

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Assim, gostaria em meu nome e de todos os Corpos Sociais de transmitir apenas duas singelas mensagens: uma de GRATIDÃO, outra de ESPERANÇA De GRATIDÃO a todas as Voluntárias (hoje um grupo consolidado e dinâmico) que nestes 16 anos nos deram muita energia, satisfação e o impulso candenciado para pisarmos o chão firme da nossa corrida; às Entidades estatais, civis, militares, à AAACM que nos abriram as passagens que nos levaram à meta da nossa maratona; aos Mecenas que com o seu apoio financeiro ou participação ativa no grande projeto da Nova Casa – o lar da AAAIO – acreditaram no nosso desafio e se empenharam pela CAUSA E PELA CASA; à Direção nosso Instituto com todo o seu pessoal docente e administrativo que nestes 16 anos acarinhou, sempre que necessário, as suas “meninas antigas alunas”. A mensagem de ESPERANÇA é que tenhamos deixado o caminho aberto às

nossas sucessoras, sucessoras estas que são hoje as atuais alunas deste nosso colégio e que saibam e possam, mais tarde dar continuidade aos desígnios da AAAIO. Enquanto houver uma “menina de Odivelas” viva, haverá a esperança da AAAIO se manter viva. Este Instituto formou ao longo de mais de um século Mulheres por excelência, alicerçadas nos valores maiores que aprendem a saber DAR E BEM FAZER. Esperança que o lema do colégio “Cada vez mais alto” possa atravessar a tempestade conturbada varrendo os conceitos políticos atuais de destruição das instituições que tem provado através dos séculos saber manter a sua especificidade, a sua missão de formação dos jovens por excelência para uma melhor sociedade futura. “Quem corre por gosto não cansa” Corremos a favor e contra o vento. Deixamos um testemunho que esperamos possa servir de exemplo para as nossas sucessoras.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

29


AGENDA

Pa r a f i c a r i n f o r m a d o s o b r e t o d a s a s a c t i v i d a d e s d a A A A I O p a r a 2 0 1 3

Agenda Data

Hora

Atividade

Local

22 de Junho

13h30

Festa dos Santos

A anunciar

24 de Junho

18h

Encontro com a Gastronomia – O verão aproxima-se

IO

8 de Julho

18h

Encontro com a Gastronomia – Pratos deliciosos e super-rápidos

IO

Férias no Forte

Forte de Santo António do Estoril

1-31 de Agosto

Plano semanal das actividades sócio-culturais do Lar “Nova Casa” Manhã

SEGUNDA-FEIRA

MISSA

TERÇA-FEIRA

Sem actividades, devido à consulta médica que decorre nesta hora

Tarde SESSÃO CORAL 15 em 15 dias (Voluntárias Maria Emília, Teresa Pacetti e Teresa Neves)

SESSÃO DE CINEMA (Assistente Social Andreia Martins e residente Francisco Cabral)

TRABALHOS MANUAIS (Voluntária Dália Lacerda)

ou PASSEIO 1 x por mês



QUARTA-FEIRA

30

(Voluntárias Helena Cavaco e Dália Lacerda)

TEATRO DA LUZ QUINTA-FEIRA

SEXTA-FEIRA

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

(Programa da Antena 1 “Viva a Música”)

GINÁSTICA (Enfermeira Joana Costa)


M . M a r g a r i d a Pe r e i r a - M ü l l e r – A A N º 2 4 4 / 1 9 6 7

Maria Teresa Wahnon Duarte Ferreira: “Tenho muita, muita saudade do colégio”

N

uma bonita manhã de março, fomos até Portalegre para falar com Maria Teresa Wahnon Duarte Ferreira, AA Nº 123/1921. Com uma memória prodigiosa, Maria Teresa contou-nos como foi a sua passagem de quase duas décadas no nosso colégio, com muita vivacidade e muitos pormenores, apesar dos seus 98 anos.

Recebeu-nos com o nosso lacinho colocado na camisola. Nasceu a 30 de dezembro de 1914 na Ilha de Moçambique, porque o pai, o general João Ferreira Duarte, era à época governador militar de Moçambique.

“O IO era a minha casa, Em junho de 1921, o pai faleceu e, devido ao seu estatuto militar, o as minhas companheiras estado propôs à mãe que as duas eram as minhas irmãs e filhas, a Maria Teresa e a irmã Maria os nossos professores os Joana, AA nº 113/1921, quatro anos mais velha, fossem para o nossos pais” Instituto Feminino de Educação e Trabalho. Assim, em outubro desse ano, com apenas 7 anos, Maria Teresa entrou para Odivelas, donde só saiu em 1937 para ir trabalhar como precetora duma família de Campo Maior. Apesar de vir de África, Maria Teresa adaptou-se bem ao colégio. “Como a minha irmã entrou ao mesmo tempo, não tive problemas. Eu tinha o amparo da minha irmã”, diz-nos. “Além disso, o nosso diretor, o Coronel Ferreira de Simas, era muito nosso amigo.” Maria

ANTIGA ALUNA



O QUE É FEITO DE TI, AA?

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

31


O QUE É FEITO DE TI, AA?

Teresa tornou-se logo muito amiga da Maria Piedade Magalhães Leote Rego, que entrou com ela para Odivelas. Foi ela que a introduziu no catolicismo. “Nessa altura o estado era laico e no colégio não se podia falar de Deus. A igreja estava fechada e estava esvaziada

O Coronel Ferreira de Simas com algumas alunas. Maria Teresa é a 2ª à esquerda

das imagens. Todos os santos estavam arrumados numas salas. Então na vésperas dos pontos, íamos lá às escondidas bater nas cabecinhas dos santos para nos protegerem”. Foi pela mão da Maria da Piedade que Maria Teresa fez a 1ª Comunhão. “Foi nas vésperas do nosso exame de Estado em Lisboa. Ela perguntou-me se eu queria e, assim, fomos ao Seminário do Espírito Santo. A minha madrinha foi Nossa Senhora da Conceição”. Maria Teresa e as companheiras, entre as quais se contavam a Aida Vidigal e a Virgína Paccetti, eram muito divertidas e nos últimos anos do colégio ficaram conhecidas por “os sete pecados mortais”. “Nós éramos um pouco frescas. 32

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Estavam sempre prontas para a brincadeira, “mas sem maldade”, como realçou Maria Teresa. “Eram situações inocentes. Tenho muitas histórias que não têm graça nenhuma para os outros mas que para mim têm tanto interesse, são tão importantes”. O professor Lobo de Campos gostava de dar aula com todas as alunas sentadas à volta da mesa. “Como éramos só sete, era possível. Um dia estávamos a ensaiar para a récita da “Saudação à bandeira”, na qual uma aluna aparecia sempre vestida com a bandeira nacional. A Leote Rego recitava muito bem, era muito delicada. Um dia, nas vésperas do 14 de Janeiro, o professor Lobo de Campos pediu à Leote para recitar o poema. Na parte em que ela dizia “… nós que somos fracas, fortes seremos..”. começámos todas a tossir, a fingir que estávamos doentes, fracas. A risota foi geral e a Leote não conseguiu ensaiar o poema”. Os professores gostavam muito delas porque eram muito brincalhonas e divertidas. “Não eramos mal-educadas, só fazíamos travessuras. Eram só brincadeiras”. Esteve no colégio tantos anos sem ir nunca a casa que, para Maria Teresa, o IO era a sua casa, “as minhas companheiras eram as minhas irmãs, e os nossos professores os nossos pais. Passei lá toda a minha infância e toda a minha juventude. Quase nunca saía. A minha mãe mudou-se para o Porto e era raro eu ir a casa”. Em 1937 sai do colégio para ir para precetora dos filhos do Dr. Arruda Pereira, um juiz de Campo Maior. As alunas do Instituto Feminino de Educação e Trabalho eram muito bem conceituadas. “A nossa educação era muito completa”,


O QUE É FEITO DE TI, AA?

diz-nos com convicção Maria Teresa. A direção recebia pedidos de todo o país para as suas alunas mais velhas a terminar quer o curso de precetora quer o de Magistério Primário.

Maria Teresa recebeu a LAÇOS na sua casa em Portalegre

Um ano antes, já tinha recebido uma proposta para ir trabalhar em Atouguia da Baleia como precetora duma aluna do colégio que teve de sair porque sofria muito de asma. “No colégio, era sempre eu que tomava conta dessa menina. Assim, os pais pediram para eu acompanhar a menina em casa. Mas eu não quis ir, porque queria terminar o curso”. Nova oportunidade surgiu em 1937. Assim, quando acabou o seu curso, saiu diretamente de Odivelas para Campo Maior. “Nunca passei tanta fome como nessa viagem!”, lembra-se Maria Teresa. Uma funcionária do colégio acompanhou Maria Teresa de Odivelas até Santa Apolónia. “Não me deram farnel para a viagem, mas dinheiro, dizendo que em todas as estações haveria pessoas a vender comida. Ora, durante a viagem não encontrei ninguém a vender o que quer que fosse. Chegou a hora de almoço e eu nada. No meu compartimento viajavam também um senhor e a uma senhora que se banquetearam alegremente. Depois de almoço, o senhor saiu do compartimento e foi procurar um que estivesse vazio para fazer uma sesta. A minha fome era tão grande, que perdi a vergonha e perguntei à senhora se teria alguma coisa para comer. – A Menina donde vem? – perguntou-me. – De Odivelas. – Ah, então é filha de oficial. – Sim, o meu Pai era o General Duarte Ferreira.

Ao ouvir esta resposta, a senhora saltou do lugar e foi a correr acordar o marido. Este tinha sido companheiro do meu Pai e ficou todo contente de me conhecer. É claro que me afogaram em comida”, conta divertida Maria Teresa. Na estação de Estremoz, estava à espera dela o juiz com a filha mais velha. “Demo-nos muito bem, de tal maneira que quando o juiz foi transferido para outra terra, passei imediatamente para precetora dos filhos duma irmã da mulher, que vivia perto de Campo Maior.” Mais tarde, aceitou um lugar como professora primária perto de Portalegre onde esteve um ano, donde saiu para Figueira e Barros já como efetiva. Em 1959, foi criada a escola do Magistério Primário em Portalegre para onde foi convidada para pertencer aos quadros como organizadora. “O arquivo foi fundado por mim. Fiquei nesta escola até me reformar aos 70 anos”. Maria Teresa já viveu muito, mas guarda no seu coração os anos que passou em Odivelas. LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

33




AS NOSSAS PROFESSORAS

O QUE É FEITO DAS NOSSAS PROFESSORAS?

34

Ana Pa u l a Ma g a l hã es – AA Nº 316/ 1967

As alunas foram as minhas filhas

À

conversa com a Professora Sr.ª D. Maria da Piedade, antiga Professora de Trabalhos Manuais e Costura no IO.

“Eu nasci em Tomar no dia 12 de março de 1915. E só, quando fiz 12 anos, o meu pai consentiu, pela primeira vez, que os meus anos fossem festejados. Depois disso, toda a gente se esqueceu e eu também. Eu não me senti lesada. Em março era capaz de me lembrar, ou abril, “Olha, já tenho mais um ano”. Era assim.” Aos 98 anos, vive sozinha e é autónoma, com uma saúde invejável. Diz que as pessoas se esquecem frequentemente da sua idade, e é verdade. “Eu faço tudo sozinha! Dispo-me, vou para a minha cama e depois de noite, vou sozinha à casa de banho. Faço tudo sozinha para puxar por mim, para estar viva!”

Nunca disse “no meu tempo” porque hoje ainda é o meu tempo

“Nunca gostei de comer. Naquela altura, gordura era formosura e sinal de que a pessoa era saudável. Agora é o amor ao osso, é um exagero! E eu não comia, não gostava nem tinha fome. Continuo a não ter fome. Mas as análises que fiz agora em março, estão ótimas. O meu médico diz-me sempre assim: “A senhora vá ali fora e faça leilão das suas análises. Não há cá ninguém com umas análises como as suas”.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


O QUE É FEITO DAS NOSSAS PROFESSORAS?

A sua infância foi passada na cidade de Tomar, onde fez o percurso escolar desde a infantil à escola primária, e depois o curso comercial e industrial. Só depois veio para Lisboa, concluindo os estudos de trabalhos manuais na Escola Secundária António Arroio. “Encontrei uma professora de infantil muito boa, que tenho no coração. Depois passei para a professora da primeira classe. Logo aí apanhei um safanão... Havia Canto Coral. O professor de Canto Coral era um músico rouco, rouco, rouco. E na primeira aula, estava a ensinar como se devia cantar, eu cantei e ele disse “Menina, cale-se que é desafinada!”.” “Depois passei para a segunda classe. A minha professora compunha música. Tinham-me dito que eu não tinha voz – o professor mandou-me calar porque eu era desafinada, quando ele era rouco. Um dia agarrei na pauta, dobrei-a e meti-a no cestinho do lanche. Na aula seguinte, ela pediu-me a pauta, viu que tinha nódoas de gordura. E apanhei uma reguada que ainda hoje me dói. Não foi pela dor, foi pelo gesto.” “Passei depois para o professor da terceira e quarta classe, um bom professor. Eu estudava as lições muito bem, em casa, fazia o melhor que eu podia. Ele deu-me uma distinção e eu fiquei a achar que era uma sabichona!”

“Na minha aldeia todas as crianças da minha geração ficaram sem escola, porque para ir para a escola tinham que andar muito a pé, pela estrada. Pelos matos iam mais depressa mas havia poços rasteiros, e elas com a vegetação podiam-se enfiar no poço e magoar-se. As famílias não arriscavam e as crianças acabaram analfabetas. De maneira que eu era uma sabichona.” Mas nem tudo eram rosas. “Eu julgava-me uma distinção, a lidar com quem não sabia ler (o resto das crianças). Nos livros que apanhei lá em casa, apanhei o Albino Forjaz de Sampaio com as Palavras Cínicas. Fiquei arrepiada... Entre os vários livros que li, apanhei os Lusíadas. O meu pai recitava, sabia os Lusíadas e eu também comecei a ler. Quando eu vi que não sabia quem eram as Ninfas e não entendia nada, apanhei um grande choque porque depois de muito refletir, cheguei à conclusão que nada sabia. E foi aí que percebi também tinha espírito de observação.” Enviuvou sete anos depois de casar. Foi nessa altura que recebeu o convite para dar aulas no IO. Entrou na altura das últimas obras em Pedrouços, com a primeira Diretora feminina, Aida Rebelo. Cá fora foi professora da secção feminina da Escola Machado de Castro. “Eu andava naturalmente direita. Depois nas aulas, no fim dos anos letivos, era uma correria. Chegávamos cansaLAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

35


O QUE É FEITO DAS NOSSAS PROFESSORAS?

das ao refeitório, e eu estava sempre muito direita. Eu descansava direita. A Professora de História Maria Antonieta entrava e dizia: “Oh Maria, o que é que te aconteceu? O que é que engoliste, foi a faca ou foi a colher?”.” “Nunca gritei na aula. E nunca disse a uma aluna: “Eu quero que tu faças”. Dizia: “Oh filha, se quiseres fazes, é uma questão de tu quereres, eu estou aqui para ajudar.” Quando achou que a sua missão estava cumprida e que já tinha aprendido tudo o que tinha para aprender, porque ensinar é também aprender todos os dias, a Directora Deolinda Santos convenceu-a a ficar mais um ano no Instituto. Durante esse ano fez uma toalha em crochet. “As colegas entravam e diziam: “Então Maria, agora resolveste mudar de situação? Estás a fazer isso à pressa, porque o noivo está à espera que tu acabes o enxoval?”. Brincavam. Ainda tenho essa toalha lá em cima. Chamo-lhe a toalha do desespero. Aproveitei o desenho das chávenas bonitas, tem quadrados de renda e quadrados de pano bordado.” Professora de profissão e de vocação, dedicou a maior parte da sua vida a dar aulas às meninas de Odivelas. Fala sempre nas meninas com ternura e orgulho, dizendo: “Eu não sou mãe. Só sou mãe de vós. São como se fossem minhas filhas.” Em 1975, aos 60 anos, reformou-se e foi viver para os Olivais em Lisboa, onde se encontra atualmente.

36

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

“Nunca disse “Eu quero” nem “No meu tempo”. Porque hoje ainda é o meu tempo, é ou não é? Infelizmente para mim, porque os idosos em Portugal são empecilhos.” “Os Portugueses não gostam dos idosos, e eu não estou a inventar. A média europeia mostra que estamos em penúltimo lugar a tratar dos idosos. E quando julgam que estão a tratar bem, dizem assim “A família diz que ela a tratou muito bem”. A família vê-se livre do fardo, e por isso aliviou, não é?” “Quando visitei a Hungria, há 50 anos, os idosos não eram deslocados das suas casas. Havia uma cooperativa que ia a casa do idoso assegurar todos os cuidados, enquanto a família precisava de ir trabalhar. Era com isso que eles viviam. Nenhum idoso saía de sua casa.” “Estive no novo Lar das Antigas Alunas do Instituto, as meninas trataram-me muito bem, mas prefiro ficar na minha casa. Se me tivessem convidado para eu ir com as meninas para o Estoril vê-las dançar, patinar, nadar... tudo bem! Mas assim não. Fiquei muito impressionada de ver as minhas alunas, as minhas meninas, em cadeiras de rodas...” Apesar de viver sozinha, conta com o apoio das professoras colegas e amigas de longa data. “Eu e a Professora Maria Cândida, pela nossa amizade, boa e sincera, combinámos ir almoçar na primeira quinta feira do mês. Umas vezes na messe dos militares lá na Baixa, outras vezes na Sociedade de Geografia. A Sociedade


O QUE É FEITO DAS NOSSAS PROFESSORAS?

de Geografia tem um contra: o almoço é na varanda e tem que se subir uma escada de caracol. É um bocado difícil. Subir ainda se sobe, mas descer é pior. Tal e qual como na vida, descer é pior que subir, não é?” Ainda assim, admite que gosta de estar acompanhada. “Eu sou muito valente quando estou acompanhada, mas assim que as pessoas se vão embora, fico frágil. Porque sei que se cair, não me posso levantar. A minha valentia toda não chega.” Em relação à notícia da junção do IO com os Pupilos do Exército no Colégio Militar, a Professora mostra-se visivelmente indignada. “Acho que não está bem. Porque lá no colégio não estão a educar meninas para a tropa, estão a educar meninas para saberem governar a sua vida com dignidade. A prepará-las para a vida.” É facilmente percetível que a Professora guarda do IO, contando alguns episódios sempre com um sorriso nos lábios.

“Quando entravamos no Instituto, o senhor Andrade, o porteiro, dizia: “Bom dia a Vossas Excelências!”. E um dia, pedimos a uma das nossas colegas; “Vai falar com o senhor Andrade e diz-lhe que guarde as Vossas Excelências para as pessoas que cá vêm que querem e gostam de ser tratadas por “Vossas Excelências, e que a nós, nos diga: Bom dia Senhoras Professoras.” A resposta dele foi: “Então, Vossas Excelências merecem!” E não há dúvidas de que merecem, pois sempre nos proporcionaram um ensino de excelência. Desejamos à Professora Piedade muitas felicidades, muita saúde e muita coragem para chegar aos 100 anos com esta lucidez!

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

37




IN MEMORIAM

I N MEMO RI A M

38

Infelizmente não somos eternos e é sempre com pesar que dizemos adeus a colegas e residentes



Maria de Lourdes Gamelas Gomes Teixeira AA Nº 318/1926 Faleceu a 9/11/2012



Ana Maria Pinto Soares Hoeppner AA Nº 318/1952 Faleceu a 26/03/2013



Alda Costa e Silva AA Nº 4/1925 Faleceu a 13/04/2013

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


Aluna nº 14/2010, Joana Valente

N

unca hei-de esquecer os momentos que passei no Instituto de Odivelas. Nunca hei-de esquecer todos os sorrisos calorosos daqueles que lá trabalham, nem o ensino de excelência e muito menos a interajuda entre todos. Nunca hei-de esquecer o mais importante que esta segunda casa me ensinou: VALORES. Valores de respeito, amor, compaixão e humildade. É nesta casa, que nos estendem a mão quando precisamos e é também nesta casa que a amizade reina, porque ser amiga é ser irmã. E, sobretudo, é aqui, neste espelho da sabedoria, que nos tornamos mulheres com um M muito grande! Podem acabar com o IO, mas nunca acabarão com o espírito valoroso desta nossa casa, pois o Instituto viverá para sempre no nosso coração!

Aluna nº 29/2006, Patrícia Lavado

C

heguei ao Instituto pequena e frágil, 1,38m, 29kg e com 10 anos. Não conhecia ninguém ali, mas sabia que era minha vontade estar naquela escola. O primeiro mês não foi fácil, a história da Madre Paula atormentou-me durante muito tempo mas hoje entendo que era uma tradição… Ah… Uma tradição… Em 113 anos de história não são poucas as tradições, muito pelo contrário … Tradições que passam de aluna em aluna e que nunca morrem. Têm mesmo a certeza de que vale a pena fechar esta casa? Querem mesmo acabar com estas tradições? Revejam os estudos e metam a mão na consciência porque vão ver que juntar os colégios não é sensato nem inteligente. Eu tenho 17 anos e percebo isso. Existem alunas dos 9 aos 18 anos e todas percebem isso. Não posso pedir muito dos governantes, já deu para perceber isso também, mas peço que sejam inteligentes só desta vez e não juntem os colégios, não vai resultar. O Instituto de Odivelas para mim é uma 2ª. casa, o local onde eu cresci, chorei, fiz disparates, dei gargalhadas infinitas… Faz parte de mim. E gostava de, um dia, inscrever lá a minha filha no 5º. ano. E porquê, perguntam… Porque não há escola melhor que o Instituto, porque ali se cresce e dali saem grandes mulheres. Textos recolhidos por Carla Alves dos Reis e cedidos à “Laços”.



O que é para ti o IO?*

NOTÍCIAS DO IO

NO T Í CI AS D O I O

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

39


NO T Í C I A S D O I O

Hoje, com 17 anos vejo o meu percurso no Instituto quase no fim e pior ainda, vejo o Instituto quase no seu fim… Sinto uma profunda tristeza com isto tudo mas tenho a certeza que vou sair do Instituto uma mulher. É isto que o Instituto de Odivelas faz às suas alunas. É por isto que não deve fechar. Aluna nº 42/2011, Sara Rama

B

em, dizem que o IO vai fechar, e eu não quero! Sabem porquê? Porque o IO é a minha 2ª casa onde eu tenho as minhas amigas! E agora querem tirar-me isso? Nós temos o direito de ter a nossa casa/ /escola! Somos meninas de Odivelas e não meninas de Carnide! Gostavam que chegassem a vossa casa e dissessem: “Esta casa agora é do banco, pode sair!” Não gostavam pois não? Agora pensem como é que nós nos estamos a sentir! Pensem!

Aluna nº 329/2010, Marta Rama

“O

Instituto de Odivelas não é só uma escola para mim, é... O lugar onde fiz amigas maravilhosas, não se trata só de salas, carteiras, IO é, sobretudo, gente. Gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima. Esta escola será cada vez melhor na medida em que cada uma se comporte não só como uma amiga mas também como uma irmã. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, e o Instituto é sem duvida de sombra o melhor sítio para o fazer.

40

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Ora, é lógico... numa escola assim é fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigas, educar-se. E porquê acabar com tudo isto? Eu adoro a minha escola e não quero sair de lá. Aluna nº 268/2005

E

ntrei no IO, com o objetivo de estudar e desenvolver as minhas capacidades num lugar de excelência e com capacidade de me transmitir tudo aquilo que me ajudasse a crescer, tanto a nível intelectual como pessoal. Hoje com quase 8 anos vividos nesta casa, posso afirmar com toda a certeza, que foi o melhor lugar onde poderia ter estudado. O IO não é uma escola como as outras. O IO é mais do que uma escola, é uma casa, que partilho diariamente com uma enorme família. Tudo o que ali vivi, tudo o que aprendi, todas as pessoas que conheci e laços que criei, permanecerão como tesouros que jamais me serão roubados. O espírito que ali dentro vivemos, a camaradagem, o simples facto que como alunas mais velhas termos o papel de transmitir às mais novas aquilo que um dia nos foi transmitido a nós, permite a esta casa manter-se rica com os valores e tradições que são intemporais. Penso que cada membro desta casa, deixa uma parte sua no Instituto, mas que inevitavelmente e felizmente também leva tudo aquilo que o Instituto um dia lhe transmitiu! Fico desolada, com o facto de alguém, algum dia poder pôr sequer a hipótese de fechar esta casa centenária que tanto me deu a mim e a milhares de pessoas que por ali passaram! Tal como Jeremy Irons afirmou “Todos nós temos nossas máquinas do tempo. Algumas levam-nos para trás, são chamadas de memórias. Outras levam-nos para frente, são


NO T Í CI AS D O I O

chamadas sonhos.” Ainda tenho o sonho de ver esta casa a continuar a formar cidadãs felizes e exemplares! Aluna nº 28/2010, Carolina Reis

E

u sou aluna do Instituto de Odivelas, e estou no IO desde o quinto ano. Ando no IO e tenho orgulho nisso pois é uma escola com 113 anos de existência, é uma escola de valores e com valores, é uma escola onde aprendemos o valor de tudo o que esta a nossa volta, é uma escola que não deve acabar. Por isso continuem a insistir com o Ministro da Defesa pois foi ele que fez esta confusão toda. Eu quero continuar em minha casa, eu quero ficar no IO. VAMOS LUTAR! Aluna nº 269/2005

P

or vezes dou por mim a olhar para trás e a refletir sobre o facto de ter estudado no Instituto, e como seria eu se isso não tivesse acontecido. No fundo sei que inevitavelmente seria uma pessoa bem diferente! Entrei para lá ainda criança, por decisão dos meus pais, para dizer a verdade na altura não foi uma decisão que me agradasse assim muito. Quando somos pequenas temos um olhar diferente sobre as coisas, e o facto de ser um colégio tão diferente do vulgar, ser apenas de raparigas, ser num mosteiro, que parecia tão grande e assustador na altura, tudo me parecia estranho. Hoje passados oito anos percebo que essa diferença é que faz o Instituto ser o que é, é essa diferença que o enriquece! O IO, ao contrário do que pensava na altura, e ao contrário do que muitas pessoas pensam porque não conhecem, é um lugar maravilhoso, que hoje me atrevo a chamar de casa. Casa porque é um lugar onde me sinto bem, um espaço acolhedor,

essencialmente porque partilho esta morada com uma enorme família que amo e que todos os dias me faz feliz, desde colegas, a professores, monitoras... todas as pessoas que permitem o bom funcionamento do IO. Adorava que todas as pessoas pudessem experienciar uma vez na vida o que é ser uma menina de Odivelas! Afirmo sem vergonha que já sinto saudades, e que é com melancolia que vejo os dias correrem e cada vez mais se aproximar o momento de dizer adeus a esta casa que me acolheu e viu crescer, visto que já estou no 12º ano! Hoje digo feliz que levo comigo os valores essenciais que diariamente me foram transmitidos durante este percurso de oito anos, como a camaradagem, lealdade, verdade... Valores que parecem sumir-se cada vez mais na sociedade de hoje! Fui, sou e sempre serei uma MENINA DE ODIVELAS! OBRIGADA POR TUDO INSTITUTO! Espero que a hipótese de fechar esta casa não seja concretizada, porque aí estimados políticos, podem ter a certeza que será uma enorme perda! “A mais lamentável de todas as perdas é a perda do tempo”, será que estes 113 anos são para esquecer? Fica a questão! Aluna nº 410/2012, Maria Vitória

P

ara mim o IO não é só uma escola, é também uma família, e todas aprendemos umas com as outras. Os professores para nós são pais que nos ajudam a orientar no ensino e querem o melhor para nós. Entrei para uma escola que é só para meninas...

AA nº 136/ 2004

O

Instituto de Odivelas é uma escola, uma casa onde podemos aprender imensos valores importantes para a nossa vida. No colégio LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

41


NO T Í C I A S D O I O

todas passamos por maus e bons momentos, e o que fica guardado são as boas gargalhadas que demos e todas as quedas que fomos dando mas que não nos tornaram mais fracas apenas mais fortes por cada vez que levantamos o corpo do chão e erguemos a cabeça para seguir em frente. No colégio aprendemos a ser mulheres de verdade e que afinal a vida não é sempre um mar de rosas pois muitas vezes existem tempestades complicadas, mas que com o tempo passam. A educação que eu recebi nesta instituição vai me ser muito útil para toda a vida é pena que muitas meninas não possam desfrutar mais desses conhecimentos e experiências. Cada vez que dava o grito, vestia a farda ou representava o colégio em alguma extracurricular, visita de estudo, cerimónia ou outro lugar, eu sentia um orgulho e uma honra enorme por estar ali pois ninguém me podia tirar o privilégio de dizer que era uma Menina de Odivelas nem me impedir de querer ir Cada Vez Mais Alto. Aluna nº 311/2008

U

m dia…entrei numa escola diferente. 14 de setembro de 2009, o dia em que tudo começou. Com 10 anos entrei para uma escola horrível. Foi uma experiencia difícil, todos os dias desejava voltar para o passado, chorava e questionava-me porque e que ali estava. Tinha saudades de casa e não conhecia ninguém. Estava no 6.º ano e não conseguia compreender porque e que toda a gente há minha volta aparentava estar feliz. Esse dia passou, e com esse dia esse ano. Tudo mudou, eu mudei, eu cresci, eu aprendi a valorizar tudo o que tenho hoje, eu aprendi a lutar para alcançar cada vez mais alto; a ajudar quem me rodeia; aprendi que ser amiga é ser irmã, aprendi e continuo todos os dias a aprender certos valores como

42

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

a amizade, a camaradagem e a capacidade de lutar. Muitas vezes penso o que seria de mim se não tivesse entrado para o IO, até poderia ser uma pessoa culta e boa, mas há certos sentimentos que quem nunca por lá passou não consegue compreender, não por falta de inteligência, mas porque é impossível transmitir de forma alguma tudo o que aprendi por ser menina de Odivelas. Hoje compreendo porque é que toda a gente há minha volta aparentava estar feliz. O IO faz parte de mim e esteja onde estiver, vou ser sempre uma menina de Odivelas orgulhosa e com muitas saudades de todos os momentos que por cá passei. Quando estou nas aulas e olho há minha volta, não vejo colegas, nem amigas… Vejo irmãs que vão para sempre fazer parte da minha vida. Simplesmente não consigo compreender a vontade de terminar com a que é a casa por onde tantas mulheres passaram, que tanto lhes ensinou e que agora reside em todos os seus corações. O mundo vai ser um lugar mais vazio sem o Instituto de Odivelas, pode parecer um exagero...mas acreditem quando vos digo que não é! Entrei no IO uma menina, agora sou uma mera jovem, mas um dia sairei de lá uma grande mulher. Estou a dar o meu melhor para conseguir traduzir em palavras a maneira como me sinto pelo instituto, mas sei que faze-lo é simplesmente impossível. Tenho noção que por muito claro que o meu texto esteja, não vai impedir nada. Se uma casa tão boa com mais de 100 anos de história não o faz, então é mesmo impossível parar com a vontade de a destruir. É triste, muito triste. Foi difícil?.. Foi, bastante. Valeu a pena? Sim! Sem dúvida. É com muitas lágrimas que enfrentarei a deprimente realidade que me espera. MENINA DE ODIVELAS HOJE, MENINA DE ODIVELAS SEMPRE 


NO T Í CI AS D O I O

Visita de estudo ao Moinho da Laureana e à Escola Profissional Agrícola D. Dinis da Paiã

N

o passado dia 25 de fevereiro de 2013, um grupo de alunas do 6.º ano, no âmbito das disciplinas de Educação Visual e de Educação Tecnológica visitou o Moinho da Laureana e a Coleção Visitável da Escola Profissional Agrícola D. Dinis da Paiã. As alunas tiveram oportunidade de conhecer o modo de funcionamento de um moinho de vento tipo mediterrânico, típico da zona saloia e da região oeste, através da visita guiada ao Moinho da Laureana, que foi recuperado há relativamente pouco tempo. Assim, foi possível estar no seu interior, enquanto se escutavam as diversas explicações dos elementos da Divisão de Cultura, Turismo e Património Cultural da Câmara Municipal de Odivelas. Contactaram, também, com meios de produção, alfaias

agrícolas e instrumentos domésticos e artesanais relacionados com as atividades agropecuárias, alguns deles já objetos de museu e que são testemunho de antigas práticas rurais. As alunas conheceram um meio rural entre as cidades de

de história e que adotou o nome de D. Dinis, o rei cognominado de, justamente, o Lavrador. As alunas do IO, acompanhadas pelos professores Jorge Santos, Margarida Lima e Marina Aguiar, evidenciaram, como é habitual, um

Lisboa e de Odivelas e tão perto do Instituto de Odivelas e visitaram uma escola com muitas décadas

bom comportamento, tendo mostrado muito interesse e atenção por tudo o que viram e ouviram.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

43


NO T Í C I A S D O I O

Palestra – Prevenção de problemas ligados ao álcool e outras substâncias psicoativas

N

o passado dia 3 de abril de 2013 teve lugar no Anfiteatro de Música do Instituto de Odivelas a palestra – Prevenção de problemas ligados ao Álcool e outras substâncias psicoativas, com o capitão enfermeiro Luís Pereira, da Escola do Ser-

viço de Saúde Militar. Participaram as alunas do 9.º ano e do 10.º ano. Duas semanas depois, ouviram a palestra as alunas do 11º e do 12º anos. O sumário da palestra foi o seguinte: • Definição de drogas ou substâncias psicoativas;

• Tipos de substâncias e seus efeitos; • Reflexão final. As alunas participaram ativamente, colocando questões e apresentando dúvidas sobre um problema que afeta a sociedade atual e, em particular, os adolescentes.

Abraços gratuitos por alunas do Instituto de Odivelas no Dia Internacional da Mulher

N

o passado dia 8 de março de 2013, dia internacional da mulher, as alunas do Instituto de Odivelas distribuíram abraços gratuitos, na Loja de Turismo do Município, no âmbito da iniciativa de caráter mundial Free Hugs Campaign (Campanha de Abraços Grátis). Trata-se de um movimento social que incentiva grupos de pessoas a oferecer abraços a outras pessoas desconhecidas, em espaços públicos.

44

Com início em 2004, na Austrália, o gesto alcançou a fama à escala global quando em 2006, justamente uma banda australiana, os Sick Puppies, publicou no YouTube um videoclip que conta já com mais de 70 milhões de visualizações! O Instituto de Odivelas, em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas, associou-se a uma iniciativa simpática e internacionalmente divulgada pelas redes sociais.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


NO T Í CI AS D O I O

Visita ao núcleo museológico do Regimento de Engenharia n.º 1 na Pontinha

N

o passado dia 8 de março de 2013, Dia Internacional da Mulher, a convite da Câmara Municipal de Odivelas um grupo de 34 alunas do Ensino Secundário, acompanhadas por três professoras, foi visitar o núcleo museológico do 25 de Abril no Regimento de Engenharia n.º 1 na Pontinha e assistir à conferência

proferida pela historiadora Dr.ª Irene Flunser Pimentel: “A Mulher e o 25 de Abril”.

Além da presença da Sr.ª Presidente da Câmara que deu o seu testemunho de mulher na vida política, estiveram presentes o Sr. Diretor do Instituto de Odivelas e o Sr. Comandante do Regimento de Engenharia n.º 1. Após a conferência houve um tempo destinado a debate.

Visita de estudo ao Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian

N

o passado dia 5 de março de 2013, um grupo de alunas do 9.º ano, no âmbito das disciplinas de História e de Educação Visual, e de alunas do 10.º ano e do 12.º ano, de História da Cultura e das Artes, de História A e de Desenho, visitaram o Centro de Arte Moderna (CAM), da Fundação Calouste Gulbenkian e participaram na atividade: Ser moderno é…? Modernismo, modernidade e vanguardas. Acompanharam as alunas,

as professoras Alda Cesteiro, Isabel Heitor, Maria de Jesus Machado e Margarida Cunha. As Guias do Serviço Educativo do CAM fizerem uma excelente apresentação, comunicando de forma apelativa, dinâmica e interativa com as alunas. Foi uma experiência enriquecedora que proporcionou às alunas novas aprendizagens ou a consolidação de aprendizagens anteriores. As alunas do IO foram muito participativas e evidenciaram um comportamento exemplar, alvo de elogios por parte de funcionários e de visitantes, nacionais e estrangeiros, do CAM. LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

45


NO T Í C I A S D O I O

V Festival dos Estabelecimentos Militares de Ensino

N

o passado dia 15 de março de 2013, teve lugar o V Festival dos Estabelecimentos Militares de Ensino (EME): Colégio Militar (CM), Instituto

de Odivelas (IO) e Instituto dos Pupilos do Exército (IPE), no Pavilhão Multiusos de Odivelas. Estiveram presentes: a alta entidade, a presidente da Câmara Municipal de Odivelas, os diretores do CM, do IO, do IPE e demais entidades convidadas. Pais, encarregados de educação e familiares, professores e funcionários militares e civis, alunos, alunas e público em geral, assistiram ao evento. De realçar a forma entusiástica com que o público aplaudiu a atuação de todos os participantes e, particular46

mente, a atuação brilhante das alunas do IO, ao longo de toda a noite cultural e desportiva. Coube este ano ao Instituto de Odivelas a organização do evento que, pela segunda vez, se realiza no Pavilhão Multiusos de Odivelas. O diretor, Coronel José Serra, deu as boas vindas e agradeceu a presença de todos, em nome da casa e, como gosta de afirmar, da grande família que representa: o Instituto de Odivelas. Contando com um programa rico e variado, o V Festival dos Estabelecimentos Militares de Ensino proporcionou momentos de grande emoção e de boa disposição e foi o culminar de um trabalho de preparação que exigiu o empenho, a dedicação de todos e, em especial, daqueles que representam o IO.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

No final, a presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Dr.ª Susana Amador, proferiu umas palavras de agradecimento e de parabéns pelo evento tendo destacado a honra que tal significa para o concelho de Odivelas e elogiando a EXCELÊNCIA das alunas e da comunidade educativa do IO que há 113 anos são parte integrante da comunidade de Odivelas. Com os “gritos” do Colégio Militar, do Instituto de Odivelas e do Instituto dos Pupilos do Exército, seguidos da entoação do Hino Nacional, deu-se por encerrado o V Festival dos Estabelecimentos Militares de Ensino. O Instituto de Odivelas – Infante D. Afonso esteve, uma vez mais, CADA VEZ MAIS ALTO!


NO T Í CI AS D O I O

IO no MegaSprinter

R

ealizou-se no dia 26 de fevereiro a prova de MegaSprinter na Pista Municipal Professor Moniz Pereira. A participação das 6 alunas do Instituto de Odivelas superou as expectativas. Em cada escalão participaram as 24 alunas mais velozes das escolas de Odivelas, Loures e Vila Franca de Xira.

Os resultados foram os seguintes: Infantil A – Beatriz Pereira do 5.º A passou a eliminatória tendo participado na meia-final. Infantil B – Marta Alves do 7.º A passou a eliminatória, a meia-final tendo ficado em 6.º lugar na final. Iniciada – Ana Raquel Bento do 9.º B foi apurada para a final com o melhor tempo de

todas as participantes tendo sido a 3.ª classificada do seu escalão. Subiu ao pódio para receber a sua medalha. Juvenil – Inês Fernandes do 10º ano disputou a final ficando em 5º lugar no seu escalão etário. A Leonor Santos e a Carolina Fancaria tiveram igualmente uma excelente participação. As alunas estão de parabéns.

Visita de estudo do 11.º ano à cidade de Lisboa

A

visita de estudo à cidade de Lisboa, realizada no dia 19 de fevereiro com a turma do 11.º B, no âmbito das disciplinas de Geografia e de História B, constituiu

uma oportunidade para as alunas, através da observação in loco, responderem a um conjunto de questões relacionadas com o subtema 4.2 – As Áreas Urbanas: Dinâmicas Internas. As Alunas tiveram, também, oportu-

nidade de conhecer alguns aspetos da evolução histórica da cidade, nomeadamente, os diferentes povos, espaços e contextos de ocupação. Esta visita constituíu, assim, uma aula de campo onde as alunas puderam vivenciar o espaço de uma cidade passeando a pé, de elevador e de autocarro. O interesse e o empenho demonstrado pelas alunas na realização das tarefas propostas foi demonstrativo do sucesso científico e pedagógico da atividade realizada.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

47


NO T Í C I A S D O I O

Voleibol – 1.º lugar

N

o dia 23 de Fevereiro as alunas Infantis de Voleibol ficaram, mais uma vez, em 1.º lugar no encontro do Desporto Escolar onde participaram 9 equipas.

Equitação no IO

A

modalidade de Equitação tem sido, desde há uns anos a esta parte, muito procurada pelas alunas do Instituto de Odivelas (IO). Apesar de algumas desistências, ao longo do ano, devidas à inadaptação à atividade, à prioridade aos estudos, ou a outros contratempos pontuais, a atividade extracurricular Equitação do IO conta com mais de 40 inscrições. Dada a grande procura, o IO, com o apoio e disponibilidade 48

do Centro Militar de Educação Física e Desportos (CMEFD), em Mafra, tem proporcionado

aulas de equitação às alunas, desde 16 de fevereiro de 2013. As aulas de equitação têm sido ministradas por instrutores militares do

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

CMEFD, tendo como base dessa instrução o volteio, encarado como a iniciação desta modalidade. As alunas têm aproveitado e desfrutado o melhor que podem e sabem das aulas de equitação. A instrução tem passado também por lavar e escovar os cavalos, assim como prepará-los para a aula. Essa experiência tem sido bastante aliciante e motivante, de acordo o que as alunas transmitem depois de regressarem de uma aula no CMEFD.


NO T Í CI AS D O I O

Exposição do Instituto de Odivelas na Loja de Turismo do Município no centro comercial Strada

N

o passado dia 2 de março de 2013 foi inaugurada a Exposição Instituto de Odivelas – ensino de excelência aqui tão perto, patente na Loja de Turismo do Município, no Centro Comercial Strada, em Odivelas, no âmbito da parceria e cooperação entre o Instituto de Odivelas e a Câmara Municipal de Odivelas. Os cidadãos odivelenses, e a comunidade em geral, são convidados a conhecer a escola que há mais de um século faz também parte da história de Odivelas. Ali encontram-se expostas fotografias que testemunham as diversas atividades escolares: as aulas teóricas e práticas, as

atividades na Quinta, as alunas nos claustros a estudarem e a conviverem, no Forte de Santo António do Estoril onde passam férias e, ainda, fotografias das atividades extracurriculares tais como equitação, teatro, classe especial de ginástica, entre outras. É ainda apresentada uma pequena mostra dos trabalhos das alunas desenvolvidos ao longo do ano letivo, exemplares do jornal e do flyer do Instituto de Odivelas, a evolução da farda ao longo do tempo e um modelo com a farda atual. E lembrando o Mosteiro de Odivelas onde está instalado há 113 anos o Instituto de Odivelas, frente à Loja do Município, encontra-se uma réplica, à escala real, do túmulo de D. Dinis, o rei fundador do Mosteiro de S. Dinis de Odivelas, em 1295. Estiveram presentes na ocasião, a Presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Dr.ª

Susana Amador, a Vereadora da Educação, Dr.ª Fernanda Franchi, a Dr.ª Leonor Ornelas, em representação da Associação das Antigas Alunas do IO, o Comandante do Regimento de Engenharia 1 da Pontinha, Coronel António Niza Pato e o Diretor do Instituto de Odivelas, Coronel José Serra. A Comandante de Batalhão, duas alunas do 12.º ano e uma aluna do 6.º ano estiveram, também, presentes representando as alunas do IO. No evento foram servidas bolachinhas de amêndoa confecionadas pelas cozinheiras do IO. A exposição esteve patente ao público até dia 30 de março.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

49


NO T Í C I A S D O I O

Visita de estudo à Assembleia da República

N

o passado dia 27 de fevereiro de 2013, um grupo de 140 de alunas do Instituto de Odivelas – Infante D. Afonso, acompanhadas por 13 professores, foi em visita de estudo à Assembleia da República. Os objetivos da visita foram proporcionar às alunas o contacto com este órgão de soberania da República Portuguesa, presenciar uma sessão plenária e assistir ao debate político. A aluna do 12.º ano e Comandante de Batalhão, Sílvia Carvalho, uma aluna do 3.º ciclo, Marta Cunha, e uma aluna do 2.º ciclo, Leonor Sousa, em representação de todas as alunas do IO, acompanhadas do Diretor e da Subdiretora do Instituto de Odivelas, foram

50

honrosamente recebidos pela Presidente da Assembleia da República, Dr.ª Assunção Esteves, a segunda figura do Estado, que muito amavelmente cumprimentou, trocou palavras e agradeceu a lembrança oferecida, o livro “Espaços de Memória – Ins-

com o edifício sede do poder legislativo, situado no antigo mosteiro de S. Bento. Já no exterior, as alunas formaram e deram o Grito “Salve Nosso Instituto Cada Vez Mais Alto”. Citando as palavras do Diretor do Instituto de Odive-

tituto de Odivelas (Infante D. Afonso)”. O grupo de alunas do Instituto de Odivelas teve oportunidade de tomar contacto, a maior parte pela primeira vez,

las, tratou-se de “uma experiência única na vida das nossas alunas cuja memória perdurará ao longo do seu percurso académico e profissional”.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


NO T Í CI AS D O I O

Alunas do Instituto de Odivelas no 1.º Circuito Infantil de Esgrima

N

o dia 23 de fevereiro, decorreu o 1.º Circuito infantil promovido pela Federação Portuguesa de Esgrima. As alunas Catarina Madeira, Inês Madeira e Marta Alves, participaram nas provas de espada. Apesar do contexto competitivo, o ambiente foi positivo e denotou-se espírito de equipa e entreajuda.

No final da prova, e depois de muito esforço e dedicação, os resultados estão à vista: Classificação

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º

Nome

Marta Alves Catarina Madeira Elísia Furtado Inês Madeira Joana Cruz Sofia Duarte Madalena Saraiva Maria Alvim Débora Jerónimo Madalena Sá

Clube

IO IO CEJR IO CST CESA CAE CST CEJR CST

Mais uma vez, as alunas o IO estão de parabéns pela atitude, empenho e, consequentemente, pelos resultados! Estiveram CADA VEZ MAIS ALTO!

Olimpíadas de Biologia 2013

A

s alunas do IO participam, mais uma vez, nas Olimpíadas da Biologia. As alunas inscreveram-se na modalidade Sénior. As provas da 1ª eliminatória decorreram no dia 7 de fevereiro, entre as 14h30 e as 16h00 na sala específica de matemática. As provas da 2ª eliminatória decorrerão no dia 18 de Abril, das 14h30 às 16h30 com a participação apenas das alunas que, entretanto forem apuradas. A prova final teve lugar no dia 25 de maio no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

51


NO T Í C I A S D O I O

Visita de Estudo ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência

N

o passado dia 20 de fevereiro de 2013, as alunas do 5.º e do 6.º ano de escolaridade visitaram o Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa. As alunas participaram na atividade Circo Matemático e foram à descoberta de “Piu, um despertar para os sons da Natureza”, exposição patente neste museu. Acompanharam as alunas, os professores Maia Ana Canelhas, Marina Aguiar, Marta Colaço e Nuno Lopes.

Visita de Estudo ao Mosteiro dos Jerónimos

N

a passada quinta-feira, dia 14 de fevereiro, um grupo de alunas do 9.º ano assistiu, no Mosteiro dos Jerónimos, ao espetáculo Auto da Barca do Inferno pela companhia Ar de Filmes. Acompanharam-nas as senhoras professoras Ilda Pascoal, Margarida Cunha e Maria do Carmo Dias. O espetáculo decorreu no claustro do mosteiro e, apesar da disposição pouco convencional do público e do minimalismo dos recursos cénicos, foi seguido com atenção e agrado por todos os presentes, mercê do talento dos atores.

52

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


NO T Í CI AS D O I O

O 2.º Dia Aberto no Instituto de Odivelas – Infante D. Afonso

N

o dia 21 de fevereiro de 2013 decorreu, nos turnos da manhã e da tarde, o 2.º Dia Aberto no Instituto de Odivelas (IO), com o objetivo de dar a conhecer o estabe-

lecimento militar de ensino com 113 anos de idade e proporcionar o contacto com a vivência diária das alunas em ambiente de sala de aula. No Átrio da Rainha Santa, o Sr. Diretor do Instituto

de Odivelas, Coronel José Serra, deu as boas vindas aos grupos. Após uma breve referência histórica à fundação e ao fundador do IO, os grupos visitaram o antigo Mosteiro de S. Dinis de Odivelas: Cozinha Velha, Sala do Teto Bonito, Igreja, Claustros, Principal e da Moura, e Casa do Capítulo. Depois, os grupos conheceram as Salas de Recreio das alunas do 2.º, do 3.º ciclo e do ensino secundário, o Refeitório, o Gabinete do Internato, as Camaratas, os Quartos das alunas do 12.º ano, a Rouparia. Os grupos visionaram, ainda, um documentário sobre o Instituto de Odivelas e,

no Ginásio e no corredor das aulas, assistiram ao decorrer de aulas de Educação Física, de Educação Visual e de Ciências Naturais. Nos Laboratórios de Química, de Física e de Ciências e na Sala de Geografia, professores e alunas, apresentaram algumas atividades e deram o seu testemunho de como é ensinar e aprender no IO. Foram, igualmente, dados a conhecer, o Museu, as Salas de Línguas, de História e o Anfiteatro de Música. No recinto exterior, deslocaram-se à Piscina coberta e a uma parte da Quinta. No terraço do Claustro Principal, na despedida aos grupos, deu-se por concluído o 2.º Dia Aberto no IO. O 3.º Dia Aberto teve lugar no dia 8 de março.

Viagem ao Centro da Terra 2013 – 12.º Ano de Geologia

N

o passado dia 7 de fevereiro de 2013, as alunas do Instituto de Odivelas, da opção de Geolo-

gia do 12.º ano, foram em visita de estudo ao Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta do Algar do Pena (CISGAP), em Alcanede.

A gruta, descober ta em 1985, aquando do desmonte de uma bancada de calcário para a produção de calçada, integra a maior sala subterrânea conhecida em Portugal.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

53


NO T Í C I A S D O I O

Nela foi possível observar algumas das concreções características do modelado cársico tais como estalactites, estalagmites e colunas, de uma beleza rara. Clique na imagem para navegar no álbum da Visita de Estudo ao Centro de Interpre-

tação Subterrâneo da Gruta do Algar do Pena (CISGAP) e a Rio Maior. A visita consistia em percorrer a sala da gruta através de manobras de corda, num percurso que demorou aproximadamente 4 horas. A noção de tempo altera-se completamente quando se está no subsolo e mais parecia que aí se estivera durante apenas 40 minutos! A 85m de profundidade apagaram-se as luzes e fez-se silêncio… e essa foi uma expe-

riência única e inesquecível. “Sim, estas coisas existem realmente”, não resultam do delírio dos autores dos livros e estão perto, à espera de uma visita! Depois, o grupo viajou até a Rio Maior para visitar as salinas e conhecer o seu contexto geológico e a sua exploração enquanto recurso. Por fim, professora e alunas visitaram as disjunções colunares de basalto, vulgarmente chamadas de tubos de órgão, fazendo lembrar os órgãos das igrejas, em Teira, povoação muito próxima de Rio Maior.

Visita de Estudo à Lourinhã

O

Museu da Lourinhã possui a maior coleção ibérica de fósseis de dinossauros do Jurássico Superior e uma das mais importantes a nível mundial, naquele que já foi considerado “O melhor pequeno Museu do Mundo para o financiamento que recebe” (Neil Clark, Revista Expresso 1997). Entre estes fósseis com 150 milhões de anos encontram-se vários vestígios de dinossauros carnívoros como o Lourinhanosaurus antunesi, dos gigantescos herbívoros como o Dinheirosaurus lourinhanensis ou dos vários ovos fósseis de dinossauro carnívoro contendo os mais antigos embriões de dinossauro de todo mundo e o 54

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

segundo maior ninho conhecido, com mais de 100 ovos. O Museu expõe uma série de dinossauros que são os únicos exemplares conhecidos destas espécies. Também é possível observar fósseis de diferentes invertebrados, peixes, crocodilos, pterossauros, tartarugas, mamíferos, etc. de diversas idades geológicas. Foi a este museu, que as alunas do 10º Ano CCT se deslocaram este ano letivo, no âmbito da disciplina de Biologia e Geologia. A visita prosseguiu com uma deslocação à praia do Paimogo, Caniçal e Consolação onde as alunas tiveram a possibilidade de estudar algumas formações e processos geológicos e observar os locais onde se encontraram as jazidas de dinossauros.


NO T Í CI AS D O I O

Festa de Carnaval 2013

N

o passado dia 7 de fevereiro decorreu, no Ginásio do Instituto de Odivelas, mais uma Festa de Carnaval organizada, como é habitual, pelas alunas do 11.º ano, e que contou com a presença da Direção, de professores, de militares e de funcionários civis. Todas as turmas apresentaram as máscaras, o guarda-roupa, a coreografia, a seleção musical e o cenário, de acordo com temas variados e originais. As alunas do 11.º ano projetaram, igualmente, fotografias e vídeos da sua vivência no IO, desde o seu 5.º ano até à atualidade e, como é tradição, representaram quadros de crítica e de humor dirigidos a quem de perto as acompanha no dia a dia escolar, incluindo as colegas, do 5.º ao 12º ano. De enaltecer o respeito e o espírito de sã camaradagem que prevaleceram nas alunas do 11.º ano quando destacaram, de forma carinhosa e bem-humorada, todos aqueles

que de uma forma, mais ou menos visível, as têm acompanhado no seu percurso escolar. Por fim, foram entregues, entre outros, prémios como o de originalidade, o de melhor coreografia e o de melhor cenário. O Sr. Diretor enalteceu a iniciativa e o trabalho de todas as alunas, destacou de forma especial as alunas organizadoras do evento e congratulou-se com o ambiente de animação e de boa disposição proporcionado a todos os que participaram na Festa de Carnaval de 2013. As alunas do 11.º ano souberam caracterizar a “casa que as juntou”: centenária e impregnada de tradições mas, sobretudo, definiram uma linha para ficar do lado certo... Desde as alunas que pela primeira vez participaram na grande emoção da festa de carnaval, às alunas finalistas do 12.º ano, todas estiveram cada vez mais alto, cada vez mais alto, cada vez mais alto!

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

55


NO T Í C I A S D O I O

Visita de estudo das alunas do 6.º ano ao Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa “Visita real”

C

om o objetivo de conhecer o dia-a-dia da família real na segunda metade do século XIX, as alunas do 6º

Desde as salas de audiências do rei, sala de estar e sala de fumo, até aos quartos de dormir e salinhas,

ano, no dia 31 de Janeiro, foram visitar a casa de um rei, acompanhadas por três professoras. Trata-se da residência do rei D. Luís e da rainha D. Maria Pia e de seus dois filhos, D. Carlos e D. Afonso, no Palácio da Ajuda.

passando pela casa de jantar e pela sala de jogo, não esquecendo o magnífico jardim de Inverno, todas as divisões tinham muito para ver: lindos soalhos de madeiras exóticas e variadas, tetos ricamente pintados, paredes forradas de seda ou

56

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

ornamentadas com grandes tapeçarias e pinturas, tapetes coloridos, cintilantes lustres de cristal, esculturas, mesinhas, cadeiras forradas, espelhos com molduras de talha dourada, relógios, fotografias de família, recordações e objetos pessoais. Foi possível imaginar como seria o dia-a-dia desta família que, além de ser Real, também era uma família como qualquer outra, com a sua intimidade e os seus gostos. As alunas viram, na sua imaginação, o rei a fumar o seu cigarro, a rainha num belo vestido a ver-se ao espelho e os príncipes, como quaisquer crianças, a andar de patins no corredor. Foi uma tarde diferente em que as alunas ficaram a conhecer melhor esta família real.


M . M a r g a r i d a Pe r e i r a - M ü l l e r – A A N º 2 4 4 / 1 9 6 7

Uma conversa – fictícia – com Rosa Parks

E

stava eu passeando pela Baixa de Dallas quando vi, num jardim, sentada num banco, Rosa Parks. Aproximei-me e perguntei-lhe se podíamos falar. Havia tanta coisa que lhe queria perguntar...

Calculo que já tenha contado a história milhentas vezes, mas diga-me o que sentiu quando se sentou no lugar livre na parte do autocarro reservado aos brancos? Aquele lugar já estava na secção para pessoas de cor. Por isso, achei-me no direito de não me levantar. Porque o teria de fazer? Hoje em dia nem conseguimos entender o que é isso da segregação racial... Mas ainda há, infelizmente. Mas naquele tempo era horrível. A escravatura foi abolida em 1863 com a Proclamação de Emancipação de Abraham Lincoln, realizada durante a Guerra Civil Americana, mas nós negros continuámos cidadãos de 2ª ou mesmo 3ª classe. Não nos eram reconhecidos direitos básicos. Mas estava contando o que se passou nesse dia Eu estava muito cansada. Não fisicamente, apesar de ter trabalhado todo o dia. Mas psicologicamente. Estava cansada de ser diferente, cansada de estudar em escolas separadas, cansada de filas para brancos e para gente de cor, cansada de lojas separadas, cansada de ficar sempre para o fim, mesmo quando tinha chegado

À CONVERSA COM...



À CONVERSA COM...

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

57


À CONVERSA COM...

primeiro, cansada da discriminação. Eu tinha 43 anos, quatro décadas de discriminação. Já na escola, os meninos brancos iam de autocarro e nós, os negros, tínhamos de ir a pé para a escola. Quando o condutor do autocarro – ainda hoje sei o seu nome: James F. Blake - me mandou levantar, pensei: Não, agora chega. Já uns anos antes tinha tido problemas com esse condutor, não foi? Num dia de chuva em 1943, entrei para um autocarro pela porta da frente. Paguei o meu bilhete, mas o condutor, esse James F. Blake, obrigou-me a sair e a voltar a entrar pela porta de trás, que nessa altura era obrigatória para os negros. Eu assim, fiz. Só que o condutor fechou a porta e partiu, deixando-me à chuva. E eu fui a pé para casa. Bem, mas o que é que lhe aconteceu quando não se levantou a 1 de dezembro de 1955? O condutor chamou a polícia e fui presa por desobediência civil, por ter atuado contra o Capítulo 6, Secção 11 da lei da segregação do Código da Cidade de Montgomery, apesar de tecnicamente não estar num lugar de brancos. Eu estava num lugar para pessoas de cor, mas que era “necessário” para brancos… … o que levou a grandes agitações sociais Pois foi. No dia do julgamento, foram distribuídos 35000 folhetos em que se pedia a todos os negros que não usassem os autocarros na 2ª feira seguinte. “Podes faltar um dia à escola. Se tiveres de trabalhar, vai de táxi ou a pé. Mas por favor, crianças e adultos não andem 58

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

de autocarro na 2ª feira. Por favor, não usem autocarros na 2ª feira”. No domingo 4 de dezembro de 1955, os pastores negros voltaram a fazer esse apelo nos seus sermões. Foi assim que este apelo ao boicote dos autocarros de Montgomery tornou-se um dos símbolos do Movimento dos Direitos Civis. E o boicote realizou-se? E de que maneira! Apesar da chuva que caiu nesse dia, os mais de 40000 negros da área aderiram e foram a pé para os empregos. alguns tiveram de andar mais de 20 km! Esse seu gesto teve mais consequências? Oh, sim. Fui despedida apesar de ser uma ótima empregada e de estar sempre a receber louvores dos meus supervisores. Mas já tinha uma consciência política? Sim. Em 1932 casei-me com Raymond, que já era membro da, NAACP – National Association for the Advancement of Colored People (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor), uma organização que luta pelos direitos civis dos negros. Tornei-me também membro e, por altura da história do autocarro, já era secretária da secção de Montgomery do NAACP. Chegou a conhecer Martin Luther King? Conheci-o ainda jovem pastor; ele apoiou-me e incentivava, nos seus sermões, os negros fiéis a fazerem o mesmo que eu fiz. A faísca tinha sido ateada e a nossa situação como negros nunca mais voltou a ser a mesma.


À CONVERSA COM...

Tornou-se então verdadeiramente ativa? Claro, não podia parar. Quando é que acabou a discriminação racial oficial? A 21 de dezembro de 1956, a segregação no sistema de transportes públicos de Montgomery foi legalmente abolida. Mas a discriminação continuou – tal como ainda continua – duma maneira menos percetível. Recebeu muitas distinções? Não fiz nada por elas. Lutava somente pela justiça. Justiça do tratamento igual para pessoas iguais. Nós somos pessoas. Mas sim, em 1992, recebi o Prémio Coragem de Consciência, em 1996, a Medalha Presidencial da Liberdade

do Presidente Bill Clinton, em 1998, o Prémio internacional condutor da liberdade, em 1999, a Medalha de Ouro do Congresso. Mesmo depois de morrer, as distinções não pararam… Estranhamente, as pessoas continuam a lembrar-se de mim. Por exemplo, quando morri em 2005, a Apple homenageou-me no seu portal. Publicaram uma fotografia minha quando eu era jovem num autocarro e por cima o famoso lema: “Pensa diferentemente” e por baixo a inscrição Rosa Parks. 1913-2005. Rosa Louise McCauley Parks nasceu a 4 de fevereiro de 1913 e morreu a 24 de outubro de 2005.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

59




DESTAQUE

D E S TA Q U E

60

Maria Noémia de Melo Leitão – AA Nº 245/1931

Pelo sonho é que vamos

Homenagem a Ana Maria Pinto Soares Hoeppner* Pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos, pelo sonho é que vamos. Basta a fé no que temos, basta a esperança naquilo

L

que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria ao que desconhecemos e ao que é do dia-a-dia. Chegamos? Não chegamos? – Partimos. Vamos. Somos. Sebastião da Gama

indo e significativo é o dia 9 de Março – Dia da Antiga Aluna. É um dia de sol sobrepondo-se às brumas da saudade, a saudade que ficou, qualquer que seja a vivência global dos anos vividos no Instituto de Odivelas.

Cada aluna tem a sua história, sente mais ou menos profundamente a sua relação com a Escola onde, insensivelmente, foi modificando a sua forma de estar na vida. Mostrou nestes anos Da criança que era, quando entrou, ficaram-lhe em que tem sido Presidente as marcas da disciplina da Direção um elevado sentido imposta e, lentamente, foi-se dando conta de de responsabilidade, que a camaradagem, as uma calma construtiva brincadeiras em comum, a responsabilidade na e uma integridade de carácter aprendizagem e o respeito entre todos, eram traços dignificantes da formação da personalidade conducentes à tranquilidade emocional e afectiva. * A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


D E STAQ UE

É o dia de recordar as Antigas Alunas que frequentaram o Instituto de Odivelas, em décadas diferentes, especialmente as que, por graça de Deus, sendo alunas dos anos vinte ainda estão entre nós, seguindo-se todas as outras arrastadas pelo tempo até aos nossos dias. Todas vivenciam, por certo, o Claustro Grande, austero, recamado de pedras que nos lembram passos das monjas desfiando contas do seu rosário de fé ou de amargura, em cada aluna ficou a lembrança do Claustro da Moura, refúgio de pensamentos românticos alimentados pela fragância das glicínias em flor ou da olaia coberta de flores mimosas. Mas este dia é igualmente o dia da Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas, fundada há 94 anos e, por isso nos sentimos em festa, congregadas, como estamos por sinais de afecto que confluem na contemplação de uma obra que é de todas, onde todas cabem e são bem-vindas. Por motivos já conhecidos e que não vamos invocar, a Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas esteve em letargia durante algumas décadas. Porém, renascida das cinzas nos anos setenta e em plena laboração nos anos oitenta, sem recuos nem desfalecimentos, a Associação foi cumprindo, meticulosamente, o desiderato que a inspirou – “Ser Amiga é ser Irmã”. Mas, tal como acontece com os seres humanos, estas instituições precisam de tempo para crescer, exigem terapias e cuidados cuja eficácia é tanto mais

profícua quanto maior é o esforço desenvolvido por quem vigia e está atento. É o que felizmente, desde a primeira hora, não tem faltado à nossa Associação. Há que louvar, sem hesitação, quantas Antigas Alunas têm contribuído para o progresso da nossa instituição. Reconhecendo, aliás, que esta obra é de todas e tem crescido com a sua colaboração, a verdade é que desde há alguns anos, se tem posto em relevo, neste dia 9 de Março, quem se afirmou no conjunto de actividades levadas a cabo em prol da nossa Associação. É distinguida uma Antiga Aluna que tem primado pela sua dedicação a uma causa de valores insuperáveis e tem primado pela simplicidade, como convém a tudo o que é sincero e verdadeiro. Um grupo de Antigas Alunas propôs que a escolha deste ano recaísse sobre a Ana Maria Pinto Soares Hoeppner, reconhecendo que era chegado o momento de lhe mostrar quanto a admiramos.

Em março de 2009 com a Drª Susana Amador

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

61


D ESTA Q UE

Ana Maria Pinto Soares Hoeppner faz parte dos corpos sociais desde 1996 como suplente da Direcção e, em 2001, é eleita como presidente.

a vida em toda a sua amplitude e lhe mostra uma vontade férrea de vencer. Muitas foram as oportunidades que o seu mandato lhe proporcionou para mostrar as qualidades referidas.

Por imposição estatutária não pode ser candidata ao mesmo cargo nas eleições A Ana Maria é senhora de uma forte a realizar em novembro próximo, pelo personalidade caldeada na escola da que as Antigas Alunas entendem que vida a que não vira a cara. seria hoje, por estar ainda em plenas funções que deveria Nasceu no meio duma receber a homenagem Em bebé com os Pais família tradicional e, que lhe é devida. tanto do lado da sua Mãe como de seu Pai, Não é fácil expor num encontram-se militares espaço de tempo liilustres, observadomitado, e envolto em res intransigentes dos emoção, quanto a Ana valores que juraram Maria se tem dedicado servir. à Obra da Associação. O seu curriculum, rico em vivências culturais e sociais, elucida-nos como a homenageada tem vivido estes anos na plenitude de interesse e empenhamento no progresso da Associação. Dotada de uma inteligência pragmática, decidida nos caminhos a trilhar, animada por uma enorme capacidade de trabalho, determinada em alcançar metas pré-formuladas, resistente às contrariedades, assertiva na solução e também detentora de qualidades sensíveis. Amiga incondicional, atenta às necessidades e carências de quem sofre, a todos anima com a sua força interior. É uma resiliente – exemplo de quem vê 62

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Seu Pai – o Coronel José Augusto Monteiro Torres Pinto Soares – e seu Irmão – também Coronel Nuno Pinto Soares – serviram o Exército Português com honra e dignidade. Igualmente da parte da sua Mãe e de seu Pai recebeu influências artísticas do domínio da música, do canto lírico e da dança clássica. O primeiro choro de recém-nascida ouviu-se em Vila Pery (Chimoio) em 1941, onde seu Pai cumpria uma comissão de serviço. Aos 5 anos, a família deslocou-se para a Beira. Aqui fez a instrução primária (hoje 1º Básico), frequentando o Colégio de Nossa Senhora dos Anjos.


D E STAQ UE

A África proporcionou-lhe uma infância feliz, aberta, livre de roupas apertadas, sol brilhante alternando com as chuvas torrenciais e as trovoadas tropicais. Estes fenómenos meteorológicos retemperam a alma e fazem lembrar África no seu mistério esfíngico – mistério que se prende às saudades que ficaram. Em 1952, regressa a Lisboa com os Pais, o Irmão e a Irmã, deixando para trás onze anos da sua vida. Quando chegou, estranhou as pessoas e o ambiente, sentiu a falta das cores quentes do vestuário leve e despreocupado que usara. Ingressou então no Instituto de Odivelas de onde saiu após concluir o 7º ano do Liceu (hoje Ensino Secundário). No IO, com colegas

Frequentou a Universidade (Filologia Germânica) e enriqueceu, com cursos variados e alguns pragmáticos, os seus conhecimentos académicos, aperfeiçoando a língua francesa, inglesa e alemã, obtendo bolsas que, posteriormente lhe deram acesso às universidades de Munique, Estrasburgo, Hanôver e Wilhemshaven, cidade onde viveu 20 anos.

No IO, a receber um prémio de Alemão

Atingida esta performance preocupou-se em obter diplomas que lhe deram acesso a uma diversidade de actividades que foram desde a organizações turísticas até a assessoria de figuras públicas (Professor Marcello Caetano e Dr. Mário Soares) e embaixadores do Canadá e da Austrália. Casou-se em segundas núpcias com o Comandante da Marinha de Guerra Alemã Joerg Hoeppner, grande Amigo da Associação, continuando a tomar parte em congressos, colóquios, preocupando-se em organizar cursos de valorização da língua e história de Portugal, quer para cidadãos alemães quer para emigrantes portugueses. Foi ainda empresária de uma agência de viagens de estudo culturais e turísticas, abrangendo a Europa, a América, Brasil, Macau e China. Muitas outras actividades poderiam ser mencionadas, mas não se pretende que este currículo seja exaustivo, referindo apenas que o seu regresso a Portugal, vinda da Alemanha, se deveu à circunstância de acompanhar uma sócia LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

63


D ESTA Q UE

alemã que se estabeleceu perto de Évora, explorando uma empresa de Turismo de Habitação.

Em 1989, num congresso de protocolo

Por motivos que lhe foram alheios, a sociedade não prosperou, pelo que se fixou em Lisboa. Logo que a Associação teve conhecimento de que iria regressar a Portugal e, porque se estava em altura de eleições, o seu nome foi lembrado, a Ana Maria aceitou, em 1996, ser candidata a Suplente da Direcção e, em 2001, é eleita Presidente da Direcção, cargo que exercerá até às próximas eleições em dezembro. A partir do momento em que assumiu a ligação à AAAIO, dedicou-se-lhe inteiramente. Havia, naquela altura, problemas difíceis de resolver, de entre eles a instalação da Associação e Lar anexo, numa outra casa. Desde a reorganização da Associação, na década de setenta, a AAAIO encontrava-se instalada numa antigo pavilhão de caça, do princípio do século XIX, de belo traço arquitetónico, interiores decorados de pinturas delicadas, servido por um magnífico espaço aberto ao exterior, com quatro magníficos e seculares plátanos. Mas esta casa tinha deixado de oferecer as condições necessárias para ali continuarem a viver as senhoras que recebiam assistência. Além dos inconvenientes apontados, havia que pôr termo a uma acção judicial com o senhorio. 64

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Daqui em diante trava-se uma luta muito dura para encontrar uma casa com as condições impostas ou procurar um terreno onde se pudesse erguer a casa pretendida. Percorreram-se quilómetros, marcaram-se audiências com as altas chefias do Exército e até do Ministério; ouviram-se promessas sem solução à vista. Finalmente, em 26/6/2007, é assinado o Protocolo com o Exército Português para a utilização dos terrenos do Quartel de Formação entre a AAACM e a AAAIO, pelo prazo de trinta e seis anos. Todos os esforços suportados pela Direcção da responsabilidade da Ana Maria revelaram a sua capacidade de resistência a anos de interrogações, sem nunca depor os braços. Encontrado o terreno havia que pensar na edificação da casa, no plano conjugado com as exigências dos serviços da Segurança Social. Projecto grandioso, em comparação com as magras economias da nossa Associação. Mas não se podia vacilar, impunha-se tomar o caminho certo, ir em frente.


D E STAQ UE

A Antiga Aluna Teresa Arnão Metelo ofereceu-se para elaborar o projecto voluntariamente e, com todo o entusiasmo, meteu mãos à obra. Porém, a morte impediu-a de concluir o seu trabalho, mas a filha, igualmente arquitecta, terminou carinhosamente o projeto que a sua Mãe havia iniciado. O entusiasmo da Ana Maria foi aumentando à medida que a obra foi crescendo, não obstante as enormes preocupações e contrariedades com a pontualidade da chegada das tranches vindas da Segurança Social que era imperioso entregar aos executantes do projecto. Havia que respeitar compromissos e defender o bom nome da Associação.

Viveu-se então um momento de grande emoção. Tinha-se levado a bom porto uma nau que nem sempre tinha navegado num mar calmo. Não se pense contudo que a mudança de

A saída de Odivelas tornava-se cada vez mais premente e mostrava-se imperioso arranjar uma casa que albergasse as vinte e cinco senhoras do Lar. Embora se procurasse uma instalação provisória, as dificuldades apresentavam-se como se de uma situação definitiva se tratasse. E nestas buscas a Ana Maria multiplicou-se em esforços. De entrevista em entrevista, o Ministro da Defesa Nacional e Assuntos do Mar possibilitou umas instalações afectas ao IASFA. Estava encontrado o facho da esperança, no Forte de São João das Maias, junto a Santo Amaro de Oeiras, dali se avistando o mar imenso, ouvindo o marulhar das águas, em tempo calmo, batendo encontro à muralha.

Revista da Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas

Outubro 2009-Janeiro 2010 – Preço avulso:

Foi esta Nova Casa – a menina dos olhos da Associação – que no dia 14 de janeiro de 2010, foi inaugurada pelo Senhor Presidente da República.

3.00, gratuito para as sócias

Ao desenvolvimento de todo este processo – complicado e exigente – a Ana Maria deu sobejas provas de estar à altura de um empreendimento de tão grande responsabilidade.

Odivelas para as novas instalações se efectuou diretamente.

1/10

Inauguração da Nova Casa

Foi uma instalação magnífica com poentes maravilhosos, de céu rubro com o sol em fogo mergulhando nas águas profundas. Mas que trabalhos até que ficasse funcional o pavilhão que em anos passados tinha servido de acolhimento a filhos de pescadores que aqui vinham passar as férias.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

65


D ESTA Q UE

Tudo limpo, pintado, despejado de móveis desnecessários, fez-se a mudança de Odivelas para estas novas instalações.

luntárias efectivas que acompanham os residentes em passeios, actividades culturais e lúdicas, idas a consultas médicas e hospitalares.

Trabalho que não admitia delongas e deveria ser executado com eficiência.

Estas voluntárias tornaram-se um elemento mais do que imprescindível, são um elemento precioso na vida do lar.

Assim se fez. Quando as senhoras residentes se foram instalando, demonstravam o agrado pela luminosidade invadindo espaços, numa residência de um só piso e tudo primorosamente decorado. E o que se afigurava como uma instalação por curto tempo, transformou-se num período de seis anos, de alegre convívio. E ao fim desse tempo, há que voltar a desmanchar uma casa, para ingressar – agora sim, definitivamente, no Quartel da Formação e ocupar um edifício novo, bonito, situado num local tranquilo de Lisboa, com ar aristocrático. A nossa Associação é uma pequena empresa, que lida com seres humanos, frágeis, que pedem cuidados constantes, pensamento activo de quem dirige, solicitações de toda a ordem. Há que surpreender-lhes as tristezas, as mágoas que a velhice traz, acompanhá-los nos passos hesitantes, adivinhar-lhes o sofrimento. A Ana Maria, sempre atenta, compreendeu que deveria continuar e ampliar o que, desde a primeira hora a Associação tinha posto em prática: o voluntariado. Emprestou-lhe todo o dinamismo, contando hoje com mais de trinta vo66

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Em 2006, a AAAIO, por indicação do Ministério da Segurança Social, responsabilizou-se por um programa intitulado “Ser Cidadão em Odivelas”. Esta valência visava sociabilizar crianças de um bairro problemático de Odivelas, acompanhá-las também em trabalhos do ATL. Foi como todo o entusiasmo que a Ana Maria recebeu esta missão, contando com colaboradores e colaboradoras que bem compreenderam a finalidade deste trabalho. Este empreendimento de grande alcance social terminou quando os ATL deixaram de funcionar mas foi substituído, por assim dizer, por outro de não menor importância social. Atendendo às carências económicas de famílias do bairro da Arroja, o Centro de Distribuição de Bens da Arroja “Ser Cidadão” distribui mensalmente, por intermédio da Associação, bens alimentares e outros a 420 famílias, num total e 1300 pessoas. Todas estas acções estão relacionadas com um movimento de voluntariado que a Ana Maria tem desenvolvido, com grande entusiasmo.


D E STAQ UE

Acções desta natureza projectam a nossa Associação na cidade onde Antigas Alunas passaram alguns anos da sua vida, educando-se, conhecendo valores de solidariedade tão necessários neste nosso tempo. A projecção da nossa Associação tem-se operado de formas diversas, sendo de destacar a actividade cultural que se manifesta em palestras, conferências em parceria com a Sociedade Histórica para a Independência de Portugal, recitais de poesia, actuação de grupos corais e musicais, entre outros. O pianista Artur Pizarro fez-se ouvir num concerto que ofereceu à AAAIO quando se angariavam fundos que ajudassem à construção da Nova Casa. A revista LAÇOS que apareceu nos anos oitenta com a finalidade de ser, para além de expressão cultural das suas colaboradoras, um elemento integrador de gerações e fomento de uma camaradagem que se deseja renovada, tem vindo a melhorar o seu aspecto gráfico e a enriquecer-se com uma colaboração cada vez mais alargada e diversificada. Chegado o mês de Agosto, os/as residentes menos débeis vivem a expectativa de passarem uns dias no Forte de Santo António, no Estoril, a que por amabilidade da Direcção do Instituto de Odivelas, a Associação tem acesso. São dias diferentes, vividos na contemplação do mar e, embora a instalação lembre guerras passadas, a sua decoração, com gosto e harmonia, suaviza a dureza da estrutura. A envolvência convida ao sonho do tempo que cada um pode gerir – tempo kairótico – e aplica-lo a seu belo prazer.

Estas férias são, além de retemperadoras, uma actividade lúdica, a que se juntam outras como a Festa dos Santos, o Magusto, o Chá da Primavera e a Celebração do Natal que é a expressão máxima da presença da família na evocação do nascimento do Deus-Menino. Todas as respectivas decorações são feitas no preceito do bom gosto e na preocupação de que resultem num momento de alegria e encantamento para os olhos da grande família que somos todas nós. A nossa Associação teve sempre as melhores relações com a Direcção do Instituto de Odivelas. A Ana Maria – que teve de contactar com mais do que uma Direcção – sempre encontrou da parte das Senhoras Directoras a melhor boa vontade que soube interpretar com gratidão e respeito. O mesmo se verifica hoje, tendo o Senhor Director demonstrado toda a compreensão para com a Associação que por outro lado tem manifestado pela defesa intransigente da continuidade do Instituto como escola independente. Embora as relações com a AAACM e a APE tenham sido mantidas desde sempre, a construção da Nova Casa, no Quartel da Formação, tem permitido que essas relações sejam mais próximas. Igualmente salutares são as relações com as direcções do Colégio Militar e dos Pupilos do Exército.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

67


D ESTA Q UE

Uma palavra para o Senhor Capelão do IO pela sua dedicação à Associação, levando às/aos residentes momentos de grande conforto espiritual que as/ /os recompensa do isolamento a que possam sentir-se votados.

nossa Associação e do dinamismo que a Ana Maria lhe imprimiu.

Em 2004, a revista LAÇOS chegou às mãos da família Rebelo de Sousa que logo desejou instituir um prémio com o nome de sua Mãe, Maria das Neves Rebelo de Sousa a ser atribuído às alunas do Instituto de Odivelas, segundo determinados princípios. A Associação das Antigas Alunas é a intermediária da entrega dos respectivos prémios.

É metódica, dialogante, culta, firme nas decisões, corajosa face a situações difíceis.

É um prémio que dignifica quem o recebe não só porque revela os seus conhecimentos e a aplicação mas porque tem o nome de uma Antiga Aluna que se revelou na vida que a esperava lá fora como a Mulher certa no lugar certo, companheira prestigiada de seu Marido que desempenhou altos cargos do Estado, Mãe atenta e educadora dos seus filhos, homens de Bem que hoje se distinguem com toda a dignidade no quadro cultural, profissional e académico.

Por todas as razões expostas, a Associação das Antigas Alunas sente-se reconfortada com a escolha da Antiga Aluna Ana Maria Pinto Soares Hoeppner para receber a homenagem que lhe é devida, envolvendo-a na admiração que inspira como defensora estrénua do valor da nossa Associação.

Em tudo o que fica dito não coube quanto havia a dizer da actividade da

68

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Não só é possuidora de uma notável facilidade em comunicar como gera empatias.

Mostrou nestes anos em que tem sido Presidente da Direção um elevado sentido de responsabilidade, uma calma construtiva e uma integridade de carácter.

E a Casa Nova, pedra angular da resistência e força de vontade, ali está para acolher quem a procura, aliando às suas recordações a esperança duma vida diferente, mas baseada nos valores insuperáveis do Bem, do Belo e da Liberdade.


D E STAQ UE

Algumas mensagens de pesar perante o falecimento de Ana Maria Pinto Soares Hoeppner Para a Ana Palavras de Stº Agostinho no funeral de sua mãe: Não a choreis por ter partido, Alegrai-vos por tê-la tido Mas eu, mortal que sou, deficitária de Fé, choro-te por teres partido, congratulo-me por ter-te tido… o que enriqueceu muitíssimo a minha vida, na sua maneira pobre de o ser, que com o teu exemplo, a tua força anímica, a tua combatividade por objectivos, disciplinada e perseverante, conseguidos com empenho e entusiasmo, sem cansaços ou azedumes. Aprendi contigo o acrescentar algo à vida, olhando-a de outra maneira, menos centrada e menos egoísta, imitando o teu exemplo, sem as mediocridades que, por vezes, se instalam ao anular importância ao que de facto é importante, tão simples como o olhar para o lado e ver. Obrigada ANA, a tua memória, minha herança, acompanhar-me-á nas maiores dificuldades, porque sei que quando escurece do lado de cá e o sol se põe, imediatamente ilumina e resplandece do lado de lá … e tu já és razão pura … És transcendência… És luz e paz junto de Deus. Salette 

À Direção das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas Os vereadores da CDU tiveram hoje conhecimento do falecimento da Dra Ana Hoppner, estimado membro da vossa Associação. Neste sentido não podíamos deixar de nos solidariezar com esta grande perda, enviando à Associação das Antigas Alunas e à sua família as mais sentidas condolências. Cremos que a determinação, força, alegria e preserverança que colocava em tudo o que fazia e, a dinâmica que imprimia à Associação das Antigas Alunas LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

69


D ESTA Q UE

será continuada pela restante equipa. Será esta a maior homenagem que lhe poderá ser feita! Com os melhores cumprimentos, Os Vereadores da CDU Maria da Luz Nogueira e Rui Rodrigues Francisco 

Para quem Nunca morre Uma Mulher não é grande por decreto. É porque é. Não vale a pena, depois de morrer, dizer que era a melhor do Mundo, a mais simpática, a mais bonita. Foi uma mulher, na frente dos destinos de Odivelas, isso a tornou maior, compreendeu os desígnios de amor, camaradagem de uma escola que se fez Maior. Amar o IO é amar valores maiores que nós, é ter deixado parte do coração lá nas mãos de colegas e amigas de toda a vida e para a vida toda. Não fui Menina de Odivelas ...mas fui Menino da Luz. Instituto de Odivelas e Colégio Militar são dois irmãos gémeos filhos de Portugal. Só nós sabemos o que nos une e nada nos separa. Não morreu a Maria Hoeppner, esta viva aqui entre as meninas que amou... Bem haja pelo bem que fez a Odivelas, isso fez que da lei da morte se libertasse. Carlos Estanislau 376/64 CM 

Minha querida Ana Maria Fazes-me falta. Fazes-nos falta. Durante os teus quase três mandatos, a nossa associação conheceu grandes momentos: de muitas angústias, de muitas alegrias, de muitas incertezas, de muitas concretizações, de muitas discussões acesas, de muitos consensos unânimes. Deste-nos um exemplo de dedicação a uma casa e a uma causa de valores insuperáveis. Graças à tua decisão nos caminhos a trilhar, na tua enorme capacidade de trabalho, na tua determinação, na tua resistência às contrariedades, alcançámos as grandes metas a que a Associação se propôs. Pela tua tenacidade, pelo teu empenho e pelo teu inimitável estilo de liderança, a AAAIO – e direi mesmo, toda a sociedade civil, perderam uma pedra angular do movimento cívico de base. Parafraseando Manuel Alegre, a minha amiga tem agora o tamanho duma estrela. Fica aí onde estiveres a velar por nós, pela nossa Associação. M.Margarida Pereira-Müller AA Nº 244/1967 70

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


D E STAQ UE

Exma. Direcção da Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas Em nome de todos os Antigos Alunos do Colégio Militar cumpre-nos o dever de nos associarmos a todas as Antigas Alunas do Instituto de Odivelas nesta hora triste do desaparecimento da Presidente da Direcção da AAAIO, Exma. Senhora D. Ana Maria Pinto Soares Hoppner. Prestamos também nesta ocasião uma sentida e justa homenagem a Alguém que se distinguiu de forma ímpar na defesa da preservação e valorização de um património único no panorama nacional que é o Instituto de Odivelas e as suas Antigas Alunas, e que sempre manteve com a comunidade de Antigos Alunos do Colégio Militar e com as sucessivas Direcções da AAACM uma relação amiga, fraterna e sempre muito leal. Paz à sua Alma. Pela Direcção da AAACM António Saraiva de Reffóios 

Caras Amigas O meu contacto com a Ana Hoeppner foi, infelizmente, muito curto e numa fase em que a doença era já visível. No entanto a sua força e entusiasmo pelo “Bem Fazer” são uma marca que não esquecerei. Estarei hoje na Basílica com a Ana Maria e certamente com muitas das Mulheres que no Instituto de Odivelas receberam uma Formação de Excelência e criaram verdadeiros Laços de Fraternidade. Abraço Maria Perpétua Rocha Coordenadora da PASC 

A hora do “até já “aproxima-se. Por cobarde egoísmo não estive presente na tua merecida Homenagem. Não queria abrir mão da Pessoa que és… da tua Presença forte e segura… do teu sorriso que me confortava… do raspanete, chamando-me à razão… Tens lugar cativo no meu coração e prometo… apenas prometo… nunca mais ceder! Obrigada, Irmã de Farda e Coração! Foste… És Exemplo para todas nós!!! Um dia dar-te-ei o abraço que ficou em suspenso… Lurdes Guerreiro AA Nº 113/1967 LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

71


D ESTA Q UE

As minhas condolências. É sempre um momento de grande constrangimento quando vemos partir alguém que prezamos e que faz falta. Melhores cumprimentos Vitor Brito Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APE 

A toda a Direcção da Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas Lamentamos profundamente a falecimento de Ana Maria Hoeppner, uma figura extraordinariamente dinâmica e empreendedora, sobretudo pelas causas mais nobres e concordantes com as suas fortes convicções. Não resistiu a uma doença terrível, mas creio que não foi propriamente vencida por ela, porque lutou sempre contra ela com determinação. Deixou-nos a todos mais encorajados a apelar pela luta, que terá de ser cada vez maior, contra esta doença, o maior flagelo da humanidade dos séculos XX e XXI. Hoje, seguramente a Família do Instituto de Odivelas e das suas antigas alunas ficou mais pobre. Mas a melhor homenagem que lhe podemos fazer é continuar a contribuir para a difusão dos seus ideais em prol daquelas instituições. Que fiquem as boas recordações! E que este período da Páscoa sirva para meditarmos sobre a condição humana da actualidade, junto das nossas famílias e da comunidade de Amigos. Com estima, Celeste Maria (Talé) Pignatelli José Maria Pignatell 

É com grande consternação que recebi a notícia do falecimento de Ana Maria Hoeppner, a presidente dessa associação tão prestigiada e importante para Odivelas. A família ligada ao Instituto de Odivelas ficou mais pobre hoje: Perdeu uma figura apaixonada por causas nobres como a do apoio incondicional aos mais desprotegidos que são os nossos mais velhos e também a todos aqueles que sofrem com esta crise abrupta que se abateu sobre o País. As minhas sentidas condolências, O Vereador, Paulo Aido 72

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


D E STAQ UE

Caríssima Direcção da Associação das Ex-alunas do Instituto de Odivelas, Tendo recebi esta pesada notícias de terem deixado de contar com o convívio de Ana Maria Pinto Soares vossa Presidente, nesta altura de muita irreverência e irresponsabilidade face a Instituições que prestam um elevado serviço ao País, não quero nem posso deixar de vos expressar os meus mais elevados sentimentos de pesar, desejando que o Senhor a tenha em sua companhia. Cumprimentos, Mello-Sampayo, ex-aluno do CM 

Soube hoje daquilo que já se adivinhava: o falecimento da D. Ana Maria Pinto Soares, Presidente da Direcção da Associação da AAAIO. Acompanho na sua dor as antigas alunas do IO, a quem apresento as minhas condolências. Ficarão para sempre na memória de todos nós a sua determinação, a sua coragem e a sua grande obra. Costa Matos Presidente do Conselho Supremo da AAACM 

À associação. Quero apenas expressar, a todos os elementos da associação, o meu mais profundo sentimento pela perda da Ana Maria. Foi uma mulher de armas, um exemplo de dedicação, de profissionalismo e de amizade. Tive a sorte de partilhar com ela alguns dos momentos mais importantes dos seus últimos anos de vida e tive também a sorte de poder partilhar com ela alguns dos momentos mais importantes da minha vida. Deixou obra e eu, na minha mais humilde presença, pude ajudar. Alegro-me muito por isso. Agradeço a Deus por ter tido a sorte de me ter cruzado com ela. Está agora em descanso, junto da minha mãe, sua grande amiga. Vou ter saudades. Que descanse em paz. Marta Metello LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

73


D ESTA Q UE

Muito obrigada por me ter enviado a notícia do falecimento da Dra. Ana Maria. Fiquei contente por saber pela Sra. D. Antónia que ainda lhe puderam prestar merecida homenagem no dia 9. Penso que, pessoalmente, também é para si uma grande perda e peço a Deus que supere, com a valentia que ela sempre demonstrou, este momento difícil. Grande abraço, Sónia Rodrigues 

É com grande tristeza que recebo essa notícia. Os meus sentimentos, era de facto uma grande senhora. Com os meus melhores cumprimentos Rita Mathias 

Lamento profundamente esta notícia. A todas vos as minhas mais sentidas condolências. Fernanda Franchi 

Agradeço a informação e apresento-vos, a todas Antigas Alunas do I.O., os meus muito sentidos pêsames. Tinha uma enorme simpatia e admiração pela Ana Maria, pela sua tenacidade, pelo seu empenho e pelo seu inimitável estilo de liderança e creio que o I.O. e a vossa Associação vão sentir muito a sua falta em altura tão difícil para todos nós. Com os meus cumprimentos Eduardo Zúquete 

74

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


D E STAQ UE

À AAAIO e à Família de Ana Maria Pinto Soares Hoeppner expresso as minhas sentidas condolências. Não esqueço as suas palavras firmes numa voz trémula, a sua forte presença de espírito, apesar da sua fragilidade física, a magnífica e comovente comunicação de Maria Noémia Melo Leitão sobre a vida e o trabalho de Ana Maria em prol da AAAIO, tudo sob pinturas seiscentistas do teto bonito, no passado dia 9 de março de 2013. Não esqueço a luta pela casa, pela causa, enfim, pela vida. As suas palavras são um estímulo para quem tem fortes laços com o IO: “esperança que o Instituto de Odivelas, pela sua especificidade, continue a formar jovens de excelência para uma sociedade futura”. Margarida Cunha Professora do IO e mãe da aluna n.º 2 do IO 

Caras Amigas da Associação das Antigas Alunas Em resposta a esta mensagem, gostaria de exprimir a minha tristeza face a esta notícia. Gostaria ainda de exprimir a minha admiração pela dedicação que constatei no trabalho que a Ana Maria Hoeppner desenvolveu na Associação, que pude testemunhar durante os dois anos em que lecionei no Instituto de Odivelas e em que acompanhei mais de perto os trabalhos da Associação. O seu exemplo e a sua força foram sem dúvida inspiradores para todas nós, que os pudemos testemunhar. Os meus pêsames para a família. Um abraço, Ana Filipa Teles, AA 125/84 

Notícia triste pois estamos sempre à espera que a doença não nos vença, especialmente depois de tanto sofrimento como foi o caso da Ana Maria Soares Hoeppner. Mais uma «Menina» que irá velar pelas outras «Meninas» que ainda cá estão, pela nossa Casa e pelo nosso Instituto. Os meus sentimentos à família enlutada. Um abraço Ana Maria Vilela, AA Nº 38/1964

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

75




IDEIAS SOLTAS

I D E I A S S O LTA S

76

Zilda Figueiredo e S ilva – AA Nº 127/19 56

Viver com esclerose múltipla

A

Outra história na 1ª pessoa

o ler o artigo na Revista Laços, da colega Maria de Jesus Mata, despertou-me a consciência e a vontade de relatar e partilhar a minha experiência de longa data da esclerose múltipla, que me acompanha, como amiga inseparável, e ingrata por vezes, desde os meus juvenis, alegres e sonhadores 19 anos.

A essa data apareceu a primeira crise: levantei-me pela manhã e eis que passei a ver duas imagens. Pensei: que esquisito ver tudo em duplicado! Como seria a minha actividade nesse dia? Duas portas, dois autocarros, duas pessoas e tudo mais em duplicado… Será que vai passar? Não. Não passou. Fui à consulta de neurologia do Hospital Militar, a conselho de uma amiga e colega do Colégio, a Ana Maria Lobo. Mas diagnosticar a doença, em 1965, era difícil. Como causa foi indicado o stress. E fui medicada nesse sentido.

Esta crise passou com vitaminas e repouso. Em quatro meses voltei à Mantenho a luz da normalidade da visão. Mas foram-se sucedendo pequenas crises, esperança de novas com alteração da mobilidade, falta terapêuticas de forças e de coordenação. Lá continuei sem diagnóstico, com a força de vontade para ultrapassar esta situação que teimava em não desaparecer. Fiquei grávida aos vinte e oito anos, feliz pela bênção e alegria de ser mãe. E, admirável!, passei a gravidez sem quaisquer sintomas nem incómodos, como se tivesse voltado aos meus 18 anos!

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


I D E I A S S O LTA S

A 8 de Abril nasceu o meu filho e um ano depois lá voltou a minha amiga, com uma crise séria de visão, locomoção, fala e falta de força do lado esquerdo. Então, fui aconselhada a ir ao Dr. Miller Guerra, que me fez o diagnóstico, confirmado com a punção lombar. Iniciei a terapêutica com corticóides. Fui recuperando, embora com pequenas sequelas. Mas, de espírito forte para vencer e controlar esta minha companheira, o que me permitiu trabalhar durante mais 25 anos. As minhas capacidades foram tendo flutuações, até que surgiu o “Interferon”, medicamento que estabilizou um pouco, mas não impediu o cansaço frequente e os enjoos em viagens mais longas. Em 1996 passei a deslocar-me em cadeira de rodas, até hoje… Mas a força

de vontade de ultrapassar esta situação delicada, que me levou a ficar no Lar das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas, tem-me ajudado a conviver, a sair, a ter alegria, com a ajuda de todas as pessoas que me rodeiam, a família e, em especial, o meu marido, que tem sido uma presença constante e amiga. Esta alegria de viver foi culminada com o nascimento da minha neta, que me serve de inspiração, com a sua vida em desenvolvimento. Durante estes anos a Sociedade Portuguesa da Esclerose Múltipla foi para mim um apoio, um incentivo e um ponto de referência na evolução da esclerose múltipla. Mantenho a luz da esperança de novas terapêuticas. A investigação continua. E, quem sabe? A cura pode surgir.

VOLUNTARIADO DOMÉSTICO Tens algum tempo livre? Podes dar apoio às nossas colegas idosas ou às colegas que estão em casa doentes e precisam de quem lhes faça as compras ou as acompanhe ao médico ou ao banco. Ou somente de quem lhes faça companhia, lhes leia o jornal ou um livro ou lhes dê dois dedos de conversa. Se estás interessada em apoiar as nossas colegas, entra em contacto connosco por email geral@aaaio.pt ou por telefone, 217 119 220 e pede para falar com a Maria Antónia Serpa Soares.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

77


I D E I A S S O LTA S

Sofia Vaz Serra – AA Nº 381/1974

O meu 25 de abril

C

om o coração mais pequeno e bastante mais triste, repito, com a mesma convicção, o que escrevi no ano passado:

“Eu tinha 9 anos no dia 25 de Abril de 74. Não tenho memórias desse dia, nem dos dias que se seguiram. A única coisa de que me lembro é de não ter ido à escola e não ter percebido porquê. As minhas lembranças anteriores a essa data são muito longínquas, no tempo e no espaço, o que sei chega-me através da memória dos outros: meus pais e outros familiares e amigos, livros, programas, documentários.

Não gosto do rumo que o meu país tomou. Não gosto de pensar que Portugal já não existe. Não gosto da impunidade com que a classe política vive. Não gosto da indiferença amorfa com que os portugueses assistem, em vez de participar, na sua própria “... Gosto de poder vida. Não gosto de política nem de politiquices. Sobretudo não gosto do fanatismo e da fidelidade dizer que não gosto, canina, despojada de opiniões pessoais.

em voz alta e sem medo”

Mas gosto de poder dizer que não gosto. E de o poder dizer em voz alta. Em público. No café. Na paragem de autocarro. No supermercado. Sem medo. E essa liberdade só a tenho porque o 25 de Abril aconteceu.”

78

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


I D E I A S S O LTA S

M a r i a Te r e s a C a r v a l h o L o p e s – A A N º 1 6 6 / 1 9 5 2

O homem e a sua relação com a natureza

V

ivemos num planeta maravilhoso tanto paisagisticamente como em termos de biodiversidade, e, no entanto, o mundo moderno parece ter embotado os sentidos à maioria da humanidade, de tão envolvidos que estamos na complexa teia de interesses materiais que só a nós humanos dizem respeito, dos quais destaco a ganância do poder e do dinheiro, para não falar da destruição maciça e sistemática do ecossistema, na avidez de obter lucros fabulosos.

Ao destruir o planeta o homem está a autodestruir-se a ele próprio e a criar a sua própria infelicidade. Nada que não tenha já sido dito, escrito e apregoado, só que palavras e intenções só não chegam; é preciso que efectivamente mudemos as nossas mentes e as nossas atitudes e passemos a honrar, estimar, preservar e, sobretudo, a amar e a respeitar todos os seres vivos (nós incluídos) existentes na Terra, que são o legado de Deus. S. Francisco de Assis deu o maior exemplo de esS. Francisco de Assis pírito de pobreza e amor a todos os seres vivos. Ele disse: “Todas as coisas da criação são filhos do Pai deu o maior exemplo e irmãos do homem. Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda a criatura de espírito de pobreza em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida.” e amor a todos O santo era oriundo de uma família rica, despojouos seres vivos. -se de todos os bens terrenos e foi viver uma vida simples e modesta por amor a Deus, aos homens aos animais e à natureza. Na escolha do nome de Francisco pelo novo Papa eleito está certamente implícita a sua ideia de direcionar a mente humana para a amor e o respeito por todas as criaturas indefesas, e isso passa por cuidar delas e sermos responsáveis por elas. Um ser humano é tanto mais evoluído quanto mais respeitar e honrar estes valores e princípios. Ao homem, como animal racional que é, cabe a enorme tarefa e responsabilidade de “liderar”, estruturar e prover às necessidades dos animais irracionais que LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

79


I D E I A S S O LTA S

escolhemos, desde há muitos milhares de anos, para serem os nossos companheiros de brincadeira, de trabalho e de proteção e guarda das nossas vidas e haveres. A vida, a felicidade

e o equilíbrio destes nossos preciosos companheiros depende inteiramente da educação e da relação que o humano souber ter com eles. Posto isto, podemos concluir que toda e qualquer ação do ou dos animais que estão sob a nossa tutela, seja ela boa ou má, é única e exclusivamente imputável ao humano que os tem a seu cargo, daí a enorme responsabilidade desse ser humano perante o resto da sociedade. Acontece, infelizmente, que nem todos

80

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

os seres humanos têm a intuição, o conhecimento e a apetência para lidar com seres que são mentalmente e fisicamente dependentes de nós, e daí que acontecem situações e desfechos absolutamente indesejáveis. Lamentavelmente, no nosso país, a lei não é de todo adequada aos problemas que se têm levantado sobre estes casos, e deveria ser reformulada no sentido de punir e multar o humano responsável por determinada ocorrência do animal a seu cargo, e, dependendo da gravidade do caso em questão, inibir esse ser humano de, em termos futuros, ter quaisquer outros animais a seu cargo. Estes procedimentos legais estão já a ser adoptados noutros países, onde também os criadores e os abrigos de animais se reservam o direito de não vender ou dar os animais para adoção, no caso do interessado não reunir as condições necessárias para ficar com a guarda do animal. Conclui-se, de tudo o que acima foi exposto, que nós somos os grandes responsáveis pela manutenção da paz, do amor e da felicidade neste nosso planeta incrível. Para tal teremos que mudar a nossa maneira de estar na vida e as nossas atitudes.


I D E I A S S O LTA S

Ana Elias – AA Nº 216/1982

A angústia do fim

H

á lugares e cheiros no nosso imaginário onde queremos regressar sempre que precisamos de nos ligar ao que somos. A vida é sinuosa, às vezes um desvario e, há muito de nós que, amiúde, parece esquecido, perdido para sempre,… até ao momento em que um cheiro, ou um som, ou uma frase, ou uma circunstância, nos transporta para lá.

Nada morre de verdade, enquanto vive na nossa cabeça. E, por vezes, o confronto com um espaço que já foi nosso deixa-nos um amargo de boca por não o reencontrarmos da mesma forma, num primeiro relance. No entanto, enquanto ele existe, é lugar de conforto e de raízes, quanto mais não seja num recanto imutável, num azulejo com uma imagem que, vá-se lá saber porquê, o nosso cérebro gravou como que a carimbar uma circunstância específica. Demoliram a casa da minha avó. Construíram outra completamente diferente naquele local. De tal forma diferente que não restou um azulejo a servir de carimbo que me reconforte.

O vazio é um silêncio que ressoa gritos ensurdecedores de ausência e amputação dentro do cérebro.

A casa da minha outra avó ainda existe mas, mudou de função, de dinâmica, de ambiente, de cheiro e até de azulejos pelo que, mesmo que lá queira voltar, nada mais a liga ao passado em que eu, minúscula, bebericava chás de camomila com biscoitos feitos por ela – a minha avó. Também já não existe aquele silêncio peculiar do meu avô, sempre absorto no jornal, a parecer que não estava ali, mas, estava. Até o silêncio é presença e companhia só pelo facto de ali estar. Só percebemos a diferença entre esse silêncio e um outro, chamado vazio, quando ele se torna efetivo. E já nada resta, de facto. E isso pesa. O vazio, às vezes, tem mais peso que a existência de um monte de coisas pesadas a acontecer ao mesmo tempo, no mesmo lugar. O vazio é um silêncio que ressoa gritos ensurdecedores de ausência e amputação dentro do cérebro.

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

81


I D E I A S S O LTA S

Assim é com o colégio. Já o revi. Já ouvi ecos do que por lá se passa agora, aparentemente tão distinto do que eu conheci. E no entanto, há sempre um ruído comum das meninas em azáfama nos corredores que é imutável. E também ainda existe aquele azulejo com uma

argumentos egoístas e parece que, caprichosos, tendo em conta o descalabro em que o país se encontra…, sobretudo porque a realidade a que me refiro não é conhecida da generalidade das pessoas e, as suas vantagens dificilmente se explicam em meia dúzia de linhas a um país que ainda ameaça as criancinhas de que as enfia num internato caso não comam a sopa toda. A Imperatriz

PorLeopoldina esta razão, entristece-me que a de Áustria única via de argumentação que resta para salvar a “honra do convento” seja usar uma linguagem economicista para rebater outra argumentação economicista, com quadros de Excel a comprovar – uma arma de arremesso que, curiosamente, se tem revelado tão ineficaz nas suas sucessivas previsões. imagem que vá-se lá saber porquê o meu cérebro gravou, como que a carimbar uma circunstância específica de que não quero esquecer-me e à qual quero poder voltar sempre que precisar ou me apetecer, para me reencontrar com o que também sou, e que às vezes esqueço. Egoísmo? Talvez! Mas, acho uma ousadia que me queiram aniquilar assim o passado, sobretudo porque também estão a fazer isso todos os dias com o meu presente. E de cada vez que o presente me parece pouco auspicioso é o passado que me conforta e que me dá alento para sonhar com um futuro. O problema é que nada disto se explica. Ninguém quer saber dos meus

82

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

Este mundo onde vivemos não se compadece das vantagens de haver oferta de ensino diferenciado, as vantagens de se poder, por livre escolha, optar por alternativas ao ensino tradicional. Enfim, da possibilidade de nem todos concebermos a educação da mesma maneira. E esta é a maior prova de que o mundo em que vivemos, mais do que uma crise económica, política e social, vive uma gigantesca crise ética e de valores. São as crises éticas e de valores que jamais poderão compreender a importância de se preservar ”um ruído comum das meninas em azáfama nos corredores, que seja imutável”..


Chany – Maria Lucinda Schiappa de Azevedo – AA Nº 354/1960

À minha querida Joaquina 1967 da Chany

N

a verdura dos relvados No colorido das flores No cantar dos passarinhos Na frescura dos meus prados No dizer dos meus amores No correr dos ribeirinhos Vejo, Senhor, uma bênção Tão poderosa e tão grande Que só consigo dizer Obrigada por ter vida!



Poema

P O E S I A

P O ESI A

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013

83


P O ESI A

Fe r n a n d a Ru t h J a c o b e t t y V i e i r a – A A N º 1 5 2 / 1 9 5 5

O que para todos queria ser... Q

ueria ser Como leve e perfumada aragem primaveril ... doce afago matinal que a todos despertasse para dias lindos e felizes! Queria ser... tão suave no toque como penugem de ave pequenina tépida e macia... tudo serenando com meu afago! Queria ser... para todo, todo o Mundo... a transmissora da Paz e do Amor! Queria ser... para toda a gente... a visão celestial do Anjo protector mas... para os fracos e indefesos... ser o Seu Anjo! Queria ser... para todos os seres vivos... uma Fonte de Amor que a todos banhasse e mitigasse a sede... Queria ser... a companhia por todos desejada mas... de todas as companhias queria ser a mais desejada por mim... Porque então... seria Tudo o que de Bom e de Belo para Todos queria ser!!! 04-2013

84

LAÇOS Número 2/13 – fevereiro-maio 2013


Lc2 13 completa  
Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you