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SET/OUT 2010


PRIMEIRA PALAVRA

MEU AMIGO DE FÉ MEU IRMÃO

CAMARADA

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eu incentivador (aquele que chamam de Marquinhos), me cobrou inúmeras vezes que, para não quebrar a tradição, eu escrevesse a coluna Primeira Palavra. Desta vez não vai dar.

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enho procurado uma maneira de retribuir ao cara mais habilidoso em manobras que conheço - e o mais radical também - Valter Marquetti, por estes anos todos de dedicação com corpo, alma e braços à Tarumã.

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e desculpem aqueles que por ventura não tenham acompanhado esta odisséia, pois vou roubar este espaço para fazer uma mais que merecida, justa homenagem a ele, prometendo para a próxima edição uma matéria contando quem é Marquetti. Tarefa que já entreguei ao Marquinhos, que neste ano juntou-se a nós para reescrevermos e consolidarmos de maneira definitiva o RACHA TARUMÃ.

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“gringo” tem sido uma inspiração para todos que fazem o Racha, com sua alegria e coragem. Não conheço ninguém com sua vontade e com a verdadeira paixão que coloca nas coisas que faz. Se o Racha tem 13 anos, eu tenho a convicção que o Valter é o grande responsável por abrir este caminho.

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amos para a próxima, e que venham as NDs todas que ainda estão por vir. Um abraço a todos e OBRIGADO VALTER MARQUETTI. Márcio Pimentel

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EDITORIAL

VELOCIDADE POPULAR

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automobilismo é cada dia mais popular. Nunca, antes, tantas horas foram dedicadas a este esporte, pela TV, revistas e internet. Existem muitas maneiras de praticar o automobilismo, mas a sua forma mais popular, a verdadeira democracia da velocidade, é a arrancada. O Racha Tarumã é o exemplo mais vivo desta afirmação, com treze anos de história, que se fortalece a cada dia.

010 marcou o início de uma nova jornada, somando forças com a Associação Desafio. Fazendo valer sua tradição de acessibilidade, abriu a pista aos jovens de todas as idades - aos apaixonados e aos que estão se apaixonando pelo esporte . E eles estão enchendo a reta com sua vontade, alegria e emoção. Fortaleceu a arrancada, trazendo a precisão das provas cronometradas, premiando a vitória e, assim, dando combustível para a evolução de um espetáculo que mostra o que o ser humano pode ter de melhor, quando se supera competindo para vencer.

om este espírito nasceu a revista ACELERA! É a retribuição do Racha à sua comunidade, que generosamente lhe deu vida nestes 13 anos. Viemos para contar esta história vibrante de madrugadas de arquibancada lotada, de disputas que mudaram vidas, da feroz cadeira elétrica de Marquetti e Pimentel e da celebração popular na infalível sexta feira, que às vezes perde para o clima, mas sempre sai vencedora no final.

eremos a janela, o espelho, onde esta comunidade possa se ver e reconhecer. Vamos trabalhar para trazer informação, emoção e alegria para todos. Como o Racha. O Editor

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o Racha Tarumã a velocidade não é um privilégio de uma elite - é de todos que têm valor e coragem para encarar o desafio, sem distinções.

ACELERA! ANO 1 # 1 set/out 2010 Editor: Marco Queiroz (marquinhosprint@hotmail.com) - Textos: M.Q. - Fotos: Adriana Sugimoto, Dudu Leal, Fábio Copetti de Queiroz, Igor Terres, Rita C.Q. - Foto da capa: Igor Terres (igor@o2consultoria.com.br) - Diagramação: F.C.Q. - Revisão: Beti Copetti - Colaboração: Paulo Rebelo, Rodrigo Cohen, Roger Condotta, Vicente Queiroz - Comercial /anúncios: Valéria Meireles (autodromodetaruma@gmail.com) - Impressão: Comunicação Impressa - ACELERA! é uma publicação bimestral feita para o Racha Tarumã - Autódromo Internacional de Tarumã - Administrador: Márcio Pimentel (pimenteltaruma@gmail.com) - Secretaria: Valéria Meireles - www2.rachataruma.com.br - Fone: 51 - 3485 3989

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raticamente todo mundo que gosta de automobilismo no Rio Grande do Sul já ouviu falar da Cadeira Elétrica.

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um nome bem bolado porque diz do que se trata: quando alguém passa por uma situação muito difícil o povo diz que “sentou na cadeira elétrica”...

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Cadeira Elétrica do Racha Tarumã é um espetáculo motorizado que pode ser classificado como show de manobras, um formato bastante difundido pelo mundo afora.

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as aqui é o Rio Grande, e por razões que nem uma junta de psiquiatras e historiadores conseguiriam compilar, A Cadeira, como é conhecida por seu público, é diferente.

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iferente como?

DA CADEIRA


SE LVAGEM!

O SHOW A ELÉTRICA


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hows de manobras são organizadinhos, as derrapagens são controladas, quando o carro anda em duas rodas anda devagarinho mostrando a habilidade do condutor, as manobras de drift são em câmera lenta. A Cadeira Elétrica - o show - é de outro nível.

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cadeira é organizada, planejada sim. Mas ao mesmo tempo é anárquica, é selvagem! Do tipo “tudo que você sempre quis fazer e não teve coragem”! As manobras são a “morrer” como descreveu um integrante de um show de motos, o que lhe dá reconhecida autoridade no assunto. Essa dedicação aos extremos já rendeu momentos de tirar o fôlego da arquibancada e do piloto, quando a Chevette lançado na Curva 1 quebrou uma ponta de eixo. E foi para o barranco, esfregando por muitos metros até parar em frente ao público. Terror e êxtase. Tudo junto. Não dá para esquecer.

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ambém não dá para esquecer da primeira vez em que se vê os Chevettes a mais de 160 por hora passarem raspando o muro do box para iniciarem, em conjunto, uma sequência de rodadas em 360 graus. Não há quem fique indiferente. Já vi pessoas abandonarem a arquibancada dizendo: ”eu não posso olhar mais isso, tenho muito medo”.

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criançada adora, especialmente as crianças dentro de cada adulto que está presente esperando um vaga para andar junto no que seria o pesadelo das pessoas comuns. que o povo percebeu neste show é que ele não tem limites. A derrapagem controlada em G’s laterais vai até os pneus estourarem. Se o carro anda em duas rodas, anda pelo muro para que as pessoas possam, tocar, sentir, cheirar. Se é para estourar os pneus em burn out, por que não andar até acabar com os aros? Fazer drift é sem pneu, para a hostilidade e ranger de dentes, fazer uns sulcos a mais no asfalto... O show é uma aula prática de como um bom cidadão NÃO deve se comportar - na rua.


Pra contar melhor como nasceu o show, aqui temos uma entrevista com um dos seus criadores, Márcio Pimentel.

ACELERA!- Como nasceu o show, foi uma ideia planejada ou só do tipo “saiu”... Pimentel - A Cadeira Elétrica começou em uma noite quando o Marquetti – que havia corrido comigo na mesma equipe de Fuscas (ele foi bi campeão e eu vice ) - se ofereceu para dar 360 de Gol quadrado, da madeireira dele na época. Pedi para ele me mostrar lá na Curva 2 o que ele faria e de cara, ele “meteu” dois 360 naquela coisa! Autorizei na hora pra ele ir para reta e fez o primeiro show. Logo mandamos colocar uns amortecedores do Bicudinho para dar melhor os cavalos e, em seguida, as pessoas começaram a querer andar junto. Qual a saída? Compramos um Chevette de competição do Evaldo Quadrado, e colocamos mais um banco. Assim o Marquetti começou a levar as pessoas a bordo no Racha e eu nas corridas. Largava junto no grid para a primeira volta com alguém a bordo – um jornalista da ZH, convidados e etc. Acabei aprendendo com ele a dar cavalos de pau, e como a coisa pegou preço, brigávamos pelo único Chevette disponível na noite do Racha. O coitado do Chevette não parava! Queríamos cada um dar mais cavalos de pau que o outro...

A solução? Comprar mais um, o que foi feito. Daí para nos tornarmos uma dupla foi natural, desenvolvendo a cada noite novas manobras e nos aperfeiçoando com o tempo. Sempre nos eventos, nunca treinamos a não ser nas noites do Racha.

ACELERA! - O folclore da cidade diz que vocês viviam fazendo isso na rua de noite, na Ipiranga e tal... era assim mesmo? Pimentel - Mais ou menos. A gente acelerava no beco e tal, coisas fortes, quase tão fortes que acho que daria para não fazer feio hoje no TOP16... e o Marquetti “metia” uns cavalos até de D20 na frente do Mac Dinhos.

ACELERA! - E a capotagem? Quem bolou? Não tem mais? Pimentel - A capotagem... na primeira vez foi sem querer... o gringo estava andando no pau em duas rodas com uma Chevy, estourou o pneu dianteiro e ele saiu rolando! Mais que depressa – depois de socorrer o Marquetti – perguntei se ele não faria isso anunciando para o público, e ele topou na hora! O resultado foi o recorde ainda não batido no Racha de 8.074 pagantes. Não tem mais a capotagem porque a pressão da família do Marquetti foi grande, devido aos riscos, e ele achou melhor aliviar. Mas não está fora de cogitação numa noite dessas ele fazer de novo... nunca se sabe, daquele ali dá pra esperar tudo.

ACELERA! - Por que os Chevettes? Não é difícil arrumar Chevette hoje em dia? Pimentel - Os Chevettes se prestam,muito bem, obrigado, à função. E criaram um carisma muito grande com o público. Estamos construindo uma Saveiro bola com tração traseira.

ACELERA! - Por que tanta mulher quer andar na Cadeira Elétrica? Foi assim desde o início? Pimentel - Me parece que as mulheres são mais corajosas - e talvez também mais gritonas, hehehehe!

ACELERA! - Nesse negócio de show de carro - tem vários pelo Brasil - como vocês se consideram? Como se definiriam? Pimentel - Na verdade, acho que somos os pioneiros no Brasil nas manobras com velocidade, e acredito que estamos entre os melhores do ramo. Em nosso nível, existem poucos. Pena termos nascido fora dos EUA.


DENTRO DO CAPACETE

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orrida de arrancada é um negócio muito simples e ao mesmo tempo muito envolvente. Nos últimos 5 anos, Paulo Rebelo – o Tinho – como é conhecido pelos amigos evoluiu muito na sua capacidade de fazer e correr com um carro de arrancada.

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começo foi em Tarumã, no Racha, com um Passat em parceria com o Peter do guincho, seu amigo e parte importante da engrenagem, pois ele levava o carro para a pista com a plataforma. A competição para saber quem era mais “fome” entre os dois já era grande nesta época. Uma sexta do Racha, e outra também, lá estavam eles com o Passat. Estava chovendo? “Vai parar” pensavam eles e iam para o autódromo mesmo assim, pois “claro que vai parar e secar a pista até a gente chegar lá...”

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a pista, na maioria das vezes o carro não resistia a muitas puxadas e não foi uma vez que Peter acabou com o motor na primeira passada. Quando voltava, Paulinho estava lá esperando e, de acordo com Peter, era até engraçado ver sua expressão quando descobria que não daria mais para andar aquele dia. Mesmo assim, nenhum dos dois fala com tristeza daqueles tempos, e consideram que sempre deu mais alegria que tristeza, mesmo quebrando.

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ssim , foram se tornando conhecidos em Tarumã. Ao ponto de que Paulo acabou por ser contratado para fazer a manutenção das Cadeiras Elétricas e Peter se tornou o reboque oficial do autódromo. A vontade acabou rendendo bons frutos, e abrindo novos caminhos para os dois. O irmão de Paulo, Rafael, conta que quando eram pequenos aproveitavam para matar aula juntos. O programa de Rafael era ir para casa dormir, enquanto Paulo escapulia para a oficina do vizinho e por lá ficava. Essa foi sua primeira escola de mecânica.

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TRABALHO DE EQUIPE


DENTRO DO CAPACETE

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Passat também lhe ensinou. Como quebrava muito – toda a sexta de acordo com Peter e Paulo – o programa de sábado era ir catar peças no ferrinho. “Naquele tempo não usávamos nada forjado e podíamos encontrar as peças que fossem necessárias para pôr o carro na pista de novo na sexta seguinte. A vontade era grande” conta Paulo. No fim, depois de muito aprendizado e o Passat já ser um bom carro, ele foi vendido. Aí começa a história do Hatch vermelho.

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m carro de tração tração traseira, com o já conhecido motor AP Turbo e agora com uma injeção Fuel Tech. A mudança para injeção foi o que trouxe a maior evolução, de acordo com Paulo. O carro parou de quebrar e começou a ter progresso real. Com o Hatch vermelho Rebelo conseguiu um 7.3 em 201m no Velopark,com pneus radiais. Paulo levou o carro no VP para andar em 402 e colocou os radiais para alongar a relação (que ele considera acertada para 201) mas chegando lá foi surpreendido pela redução da pista nos Open Days. Mesmo assim, considera que foi uma bela marca.

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m tempo depois veio a ND1 em Tarumã, pista que Paulo sente como sua segunda casa. E aí foi novamente surpreendido pelo tipo de competição do campeonato da AD e TOP 16. Paulo não fez feio, e em sua estreia já estava lá na final - e acabou perdendo. Mas sabia que, com mais es-

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forço, poderia vencer. Voltou à oficina e mesmo antes de saber que haveria um prêmio em dinheiro na ND2 já havia marcado um churrasco para seu pessoal e amigos se vencesse o TOP 16. Motivou a todos da equipe.

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s dias que se seguiram foram definitivos e Paulo deixou uma trilha que quem está envolvido com arrancada em Porto Alegre poderia facilmente seguir. Foi visto na Smarttech encomendando para o Igor um trabalho de abertura dos injetores para uso de metanol. Logo depois foi visto na DiCaixas – do popular Capitão Caverna - resolvendo seu problema de câmbio. Mais alguns dias, e chegavam notícias de que Paulo e seu time estavam “acampados” lá no Paulista passando o Hatch no dinamômetro da DSP. A arrancada “envolve” mesmo muita gente!

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ominha, persistente e com vontade de vencer, Tinho chegou na ND2 e venceu seu TOP16. Foi o melhor carro e piloto da noite e no final ficou muito nítida a impressão de que fazer carro de arrancada para ele é algo que dá muito mais alegria que trabalho ou tristeza. O churrasco aconteceu, mas segundo Rafael, de tão felizes “aqueles gambás nem lembraram de tirar fotos”...

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ão tem problema. Quem esteve na ND2 não vai esquecer de Paulinho de seu Chevette Hatch vermelho.


TOP16 DE PAULO

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rimeiramente, gostaria de parabenizar toda equipe do Racha Tarumã e da Associação Desafio, que, mais uma vez, proporcionaram um evento fantástico.

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ostaria também de agradecer a oportunidade que o evento nos dá, de mostrar ao público um trabalho feito com muita paixão e suor, refletidos em um carro forjado pela união de equipes, amizade e, acima de tudo, muita humildade.

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á alguns anos eu passei de espectador a participante do Racha. Assistir aos pegas me instigava cada vez mais a montar meu próprio carro de corrida. Foi quando surgiu meu primeiro Passat turbinado. No início era uma comédia. O carro era feio, montado com sobras de peças que eu ganhava e demorei até acertá-lo, mas aos meus olhos ele era o melhor carro do mundo.

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om o tempo as coisas foram se aperfeiçoando, conheci mais e mais pessoas envolvidas com velocidade, trocamos muitas experiências e até hoje estamos sempre inventando coisas novas.

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oje em dia, quando olho para trás, posso afirmar que meu Passat tornou-se um ótimo Passat de arrancada. Levando em conta o orçamento apertadíssimo e a falta de estrutura para que eu pudesse me dedicar apenas a este esporte, com certeza ele foi um carro que se destacou.

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gora estamos aí com o Hatch, que vocês puderam conhecer na ND1 e na ND2, com um equipamento um pouco mais avançado. Graças ao sistema de gerenciamento de injeções da Fuel Tech, que é insubstituível, podemos garantir maior qualidade e um desempenho mais satisfatório do motor e, juntamente com o Leandro da Schultz Motorsports, Pestana Racing, Full Turbos, Peter Resgates e GR Eletro-Auto (vulgo Kareka), tudo isto foi possível.

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aímos um pouco tristes da ND1, apesar de um 2° lugar bonito de se ver, pois tive um problema de câmbio. Mas na ND2 tudo correu muito bem e foi possível demonstrar todo o desempenho do Hatch, tanto nas classificatórias quanto na TOP 16, fazendo um grande tempo e marcando um belíssimo recorde na hora certa e no momento certo. Só soube do feito após retornar à reta e ver a galera festejando. O Leandro me parabenizou e disse que eu tinha feito o tempo de 6.8. Nem preciso dizer que fiquei muito feliz.

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pós, tive a honra de ir para a final com o Hatch preto da Raul Car (velhos amigos do Racha Tarumã). E nada mais emocionante do que comemorar a vitória com toda a equipe, receber a bonificação valiosa e fazer um belo churrasco na oficina no sábado.

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brigado e parabéns a todos os participantes e ao público, que vibrou junto com a gente.

Até a próxima. Paulinho – Mecânica 1PR


13 AN

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RACHA

A FESTA!

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empo bom, noite bonita e o cenário preparado para o aniversário de 13 anos do Racha Tarumã. Com o passar dos anos, a noite de Tarumã ensinou muitas coisas a Márcio Pimentel e Valter Marquetti. Entre elas, como construir um terraço de observação no alto do barranco formado pela Curva 1. Dali, são observadores privilegiados de todo o ritmo que o evento vai ganhando enquanto a noite avança. Desde a chegada do público aos portões, até a fila que vai se formando na estrada que passa em frente ao autódromo. A fila e sua avaliação é um caso à parte: quando a polícia rodoviária aparece para controlar o movimento é um bom indicador de sucesso de um evento. Quando a fila luminosa some, escondida pela curva do condomínio, a noite está garantida.

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eixando claro o prestígio da dupla Pimentel & Marquetti, o público mais uma vez estava lá. Mais de 7000 pessoas foram a Tarumã para uma noite de acelera na reta, convivência de amigos no tradicional churrasco dos boxes e, principalmente, para ver o show da Cadeira Elétrica. A arquibancada lotou, o muro do pit lotou e havia carros estacionados até onde a vista podia alcançar. Trabalho árduo na estreia da nova segurança (os coordenadores da Stock Car Brasil). Tarumã, aos 40 anos - graças ao Racha Tarumã - tem mais uma noite de fazer inveja a qualquer praça de eventos do país.

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noite do RT tem um timing bem definido. Até às 23h tudo corre tranquilo. A partir daí acelera, os quatro portões de entrada são uma máquina que produz carros sem parar, vindos de uma estrada que parece não ter fim. Os anos ensinaram estratégias para que a fila fique fluindo. Este conhecimento adquirido faz com que tudo pareça andar com naturalidade. Quem não conhece, imagina o que acontece como apenas “normal” enquanto um pequeno exército trabalha com seus barulhentos rádios para que show não pare.

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a reta, continua a arrancada, agora acompanhada pelo público que vai tomando seu lugar para o show da Cadeira Elétrica. Na noite do aniversário, o grupo de motos Só Zerinho também veio para a apresentação. E uma surpresa, um Nissan Skyline de drift! Uma verdadeira raridade por aqui. Para assistir a tudo, um público variado, mas com um importante diferencial - um grande número de crianças com seus pais. Elas estavam por todos os lugares, mas chamava a atenção a sua quantidade na cerca junto à reta da pista, onde se concentra o show da Cadeira e das motos. Muita gente caminhando por todo lado e praça de alimentação a todo vapor.

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a pista, o tradicional “caos organizado” do Racha. Muitos fazem questão de ficar perto dos carros que vão arrancar. É uma tradição que vem das ruas, das corridas ilegais, e que foi incorporada pelo evento de um forma positiva, para promover a coisa certa que é acelerar na pista. Em uma conversa com conhecidos ligados à arrancada, alguns estranhavam a aparente confusão. Darci Junior - um dos mais antigos colaboradores do Racha - explicou sua visão :” o Racha nasceu como um evento onde as pessoas podem olhar e tocar nas coisas que estão vendo. Esta é uma de suas atrações”.

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sorteio do Omega (que já foi um Stock Car e parte do Show da Cadeira Elétrica) deu o tom da noite. Três locutores na pista para o sorteio - Perna, Lincoln e Dinho Reis do Só Zerinho interagiam com o público, que respondia participando com intensidade e se divertindo. Depois de alguns sorteios eliminatórios com direito a urna e muito papel voando pra todo lado, o carro foi para Canoas, nas mão do feliz sorteado Luis Carlos Pandolfo Filho, que acabou até fazendo uma declaração de amor para sua esposa! Só no Racha...

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om a lotação máxima da noite, chegou a hora da Cadeira Elétrica, que começa com muito fogo nos pneus da Dakota. Fogo mesmo... que depois de algumas voltas quase vira um incêndio, dominado com eficiência pela segurança. Pimentel e Marquetti vão para pista com os Chevettes AP com injeção Fuel Tech. Não se enganem, eles ainda são apenas Chevettes, mas são leves e empurrados pelos AP injetados, andam muito. A arquibancada cheia é a inspiração para os dois fazerem um grande show. Um dos integrantes do Só Zerinho, piloto de moto acostumado ao risco comenta: “bah... com esses dois aí é a morrer sempre...” em referência ao fato que quando tem um público a sua frente, fazem cada show como se fosse o último. Seria a alma gaúcha, o espírito dos grandes que já passaram por Tarumã?

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público sabe e vibra com o que acontece na pista. Pimentel coloca o carro em duas rodas e vem andando com as outras duas no muro da reta, junto ao box, como um cumprimento. O público retribui tocando no carro, gritando, assobiando, sentindo o cheiro, de tão próximo. São agora todos parte do show.

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apenas o início, e os dois Chevetes arrancam juntos e somem na escuridão da curva 1, tão temida por uns e tão desejada por outros pilotos que ali já passaram. Minutos de suspense e vem o som dos motores de pé no fundo. Os carros surgem lançados na 1, passam a 160km/h e, sem aviso, começam a rodar de forma sincronizada (?). É violento, rápido e assustador, não tem como ficar indiferente, mesmo que já tenhamos visto antes.

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ma pequena multidão já está na beira da pista (do lado de dentro) esperando a vez de andar na Cadeira. Surpreendente a coragem - ou a falta de noção do perigo. Mais ainda, se observarmos o número de candidatas mulheres que, destemidamente, estão ali tentando a vez. Encaram o que a maioria dos marmanjos nem quer ouvir falar. A dupla se esmera, andando de lado, forçando os carros em “Gs” laterais até o último segundo antes da derrapagem controlada sair do controle. As crianças na arquibancada pulam, gritam, tem todo um novo universo de sonhos à sua disposição. E não é na tv, é de verdade!


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elocidade, pneus explodindo, fogo, derrapagens no limite, muita velocidade vencendo o medo... o show é selvagem e certamente, em um dia inspirado, inigualável. Este é o grande segredo do Racha, de sua longevidade, compartilhado secretamente com a multidão que o prestigia todo ano.

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s motos do Só Zerinho também fazem sua parte. Motores gritando, pneus derretendo, empinadas com as rodas, empinadas literalmente sem uma roda, fazendo a felicidade de uma arquibancada lotada depois das 3h30min da manhã de sábado. E com direito a cantar o Parabéns a Você em coro neste aniversário de 13 anos.

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o final, a certeza de uma combinação secreta:o Racha, a Cadeira e a multidão estarão lá novamente daqui a um ano para comemorar os 14 anos, no dia que o tempo determinar!

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O PASSAT VOLTOU

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sta é uma história verdadeira vivida por Roger Condotta quando começou a participar de provas de arrancada. Roger é um frequentador do Racha Tarumã, mas conheceu a Associação Desafio nos tempos de Velopark. Com as voltas surpreendentes que a vida dá, Condotta acabou por ter um papel importante na transição vivida pela AD ao fazer uma parceria com o Racha.

ais emblemática é a história de seu carro de corrida, um Passat 1976. Mas vamos deixar que o próprio Roger conte para nós um pouco de sua aventura em andamento:

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omprei um Passat que era de arrancada e foi sorteado pelo Racha em 09 de outubro de 2008. O felizardo que ganhou foi um rapaz que não tinha nenhuma experiência com arrancada e só ia a Tarumã para assistir aos rachas.

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cabei comprando o Passat dele. Em primeiro lugar, porque sempre fui apaixonado por carros de corrida. Todos os carros que tive acabei modificando, mas meu grande interesse sempre foram os carros de arrancada.

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iz desta paixão uma maneira de escapar da rotina. Assim, em vez de pagar um psicólogo, criei para mim um novo hobby. Temos de fazer o que gostamos para que as outras coisas também tenham sentido e para que possamos dar valor a outros valores.

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omprei o Passat com muitas coisas para fazer. Mexer nele era uma tentação, mas não podia tirar a minha atenção do trabalho, não podia perder o senso de prioridade, pois tenho uma oficina para cuidar. Decidi não misturar as coisas, e montei na garagem de casa uma minioficina com tudo que é necessário, mas em escala menor. Desde a pintura até a banca para mexer no motor. Levei o carro para casa e iniciei a obra... uando comprei, o carro era preto fosco por dentro e por fora. Além de outras mudanças, achei que o mínimo a fazer era trocar de cor. Em duas semanas mudamos de preto para azul, reformei muitas coisas – é um Passat 76, já sabem a função – botei o motor a funcionar e fui correr!

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ara mim, foi um grande sucesso, não quebrou e não se saiu mal. Nessa corrida de estreia em um Open do Velopark, conversei com o pessoal da AD e me explicaram que para pontuar no Campeonato da AD a única exigência é que o carro tivesse a aparência de carro, sem faltar partes da carroceria (o Passat tinha a traseira recortada).

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omeçou então a segunda fase do projeto, a restauração do visual do carro. Em mais dois meses coloquei o capô traseiro, assoalho , os paralamas internos traseiros – nós mesmos fizemos em casa – e um vidro traseiro de policarbonato feito sob medida.


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pessoal da AD sempre colaborou com conselhos e dicas quando precisei. Pintei o carro novamente e fui correr em Guaporé no Street Rules Day no final de 2009. Já estava participando oficialmente do campeonato da Associação Desafio e, desde então, venho modificando e desenvolvendo o carro para sempre melhorar.

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á pouco tempo encomendei da Sprint um coletor de escape dimensionado e também estou colocando um sistema de injeção. E não é só, agora estou alargando os paralamas dianteiros para colocar pneus maiores já para a próxima corrida, a ND3”.

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Passat76, que já foi do Racha, que já tirou umas férias embaixo de uma árvore lá na zona sul antes de ser de Roger, driblou a aposentadoria e voltou para casa. Melhor que antes.


DESAFIO DOS MOTORES


CADA VE

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ND2 (Noite do Desafio2) foi um marco nas provas de arrancada do sul do Brasil. As inscrições adiantadas já mostravam um espetacular conjunto de participantes e de carros, e na sexta à noite o que aconteceu foi além das melhores expectativas. De antigos corredores com larga experiência até novatos para quem tudo é uma grande novidade, tudo lembrava o filme onde o personagem constrói um campo de basebol em uma lavoura de milho e justificava seu sonho dizendo : “se eu fizer o campo, eles virão” em referência aos grandes jogadores do esporte. Em Tarumã, como no filme, os personagens apareceram mesmo.


EZ MELHOR

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público compareceu em números que outras provas só podem sonhar . Lotando a arquibancada e zombando da noite fria do Rio Grande. Nem o rescaldo da festa do Inter e nem o inverno puderam impedir quem queria ver o acelera.

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que acelera! Pense em algum carro com o qual você já sonhou, e saiba que ele estava lá. Carros rápidos, carros bonitos, carros com o status de lenda como o Charger bi turbo do Adriano Viganigon.

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que não é apenas uma lenda estilo all show, no go , e sim um carro rápido de verdade. Era como se estivesse no acelera da rua dos nossos sonhos mais impossíveis. Mas era na pista, sem perder a rebeldia, sem regras e com a alma do esporte por companhia. Sou testemunha, muitos se esforçaram para trazer o que podiam fazer de melhor para o show.


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cronometragem de Jaime Kopp (Produpark) valeu cada centavo. Através dos dados que produziu, podemos ver a força do evento ND2 e o significado de somar o Racha e a AD. Com a grande qualidade média dos participantes, o campeonato da Associação engrena, e a disputa pelo 4º título este ano vai ser a mais difícil. Além disso, a ND2 evoluiu. A limitação imposta às inscrições mostrou ser um acerto. Agora vai ser preciso aperfeiçoar o sistema para garantir que quem vem de longe para competir, mesmo que não tenha inscrição, tenha a possibilidade de participar.

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onfirmaram a inscrição 208 participantes, mas após os treinos livres, 135 efetivamente competiram. Este foi um grande aprendizado: 135 carros ao mesmo tempo na pista são um verdadeiro mar que tem de ser contido e administrado. Em um evento de um dia (ou noite, como a ND), talvez seja o número máximo possível. Todas as passadas previstas foram dadas, e o evento ainda foi um pouco longo demais, mas seu tempo já se reduziu em uma hora com a agenda completa. Dá para melhorar mais, principalmente fora da pista.

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s boxes estavam desimpedidos, com a nova norma que restringe o acesso dos carros de quem não está competindo. As pessoas continuam com o caminho livre para ver os carros e atividades. É a base da cultura da arrancada. Mas os carros que não estavam em competição realmente atrapalhavam. Outra boa surpresa foi o fim dos veículos com equipamentos de som que há mais de 10 anos eram um problema que desagradava os frequentadores que iam à Tarumã participar de uma noite de arrancadas. A direção do autódromo cumpriu sua promessa e este problema já não existe na ND.

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stava frio, mas para pleno inverno foi agradável. A umidade e a neblina foram menores desta vez, provavelmente porque estava um pouco mais frio que na primeira ND.

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VHT foi um capítulo à parte. A Lucxis Química colaborou com uma parceria, a AD arrecadou contribuições de seus filiados, a diretoria de Tarumã doou 20 litros e a cola não faltou. O que faltou foram braços para espalhar o líquido pegajoso, que insistia em tornar a bomba pesada. O próximo passo é a construção de uma máquina para espalhar o VHT. Sem problema, arrancada é arrancada e construiremos uma, se for necessário.

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s opiniões seguem divididas quanto à reta de Tarumã. Alguns pilotos continuam dizendo que patina demais, que tem cola demais... outros dizem que tem cola de menos... muita cola, pouca cola? Vamos olhar os números do Jaime: uma análise simples foi suficiente para mostrar que muito pilotos têm agora tempos iguais aos da pista do Velopark ou apenas poucos décimos de defasagem. Já desapareceu a diferença inicial de mais de um segundo na primeira ND. Muitos têm agora novos recordes pessoais em Tarumã, e isso demonstra que o caminho está certo.

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reta em subida, como ensina o piloto Alexandre Kroeff em depoimento na revista ACELERA! número Zero, precisa ser decifrada. O efeito da cola pode ser visto na arrancada do Chevette de Paulo Rebelo contra Sérgio Fontes no Top 16 - o Chevette parecia ter sido chutado por um ser invisível... parecia um carro gringo, andando na casa dos 6s em 201m.

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tecnologia rendeu boas novidades. Foi surpreendente conseguir transmitir ao vivo pela primeira vez no Racha pela internet. Foi experimental, apenas um teste, mas empolgou, e a corrida toda foi coberta em uma transmissão de boa qualidade sem quedas ou interrupções. Com a ajuda do twitter, logo já tínhamos espectadores, até em outros estados participando da transmissão. O futuro é agora e promete!

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a pista, o evento foi profissional. Papeleta de tempo, impressora para acompanhamento dos resultados e, na ausência de um placar eletrônico, um projetor apresentava os resultados em um painel on line com o equipamento. Temos agora dois locutores, Lincoln e Perna, o que traz mais dinâmica à narração. É algo novo, que ainda precisa integração entre os profissionais do microfone, mas também está no caminho certo. O show vai construindo seu formato.

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lhando através deste raio x, a conclusão é que a ND é um evento que começa a ultrapassar fronteiras - quatro uruguaios de Montevideo vieram especialmente para ver a prova - mostrando a verdadeira face da arrancada, que é o esporte automobilístico mais popular. É o estimulo certo, na hora certa e, uma prova por vez, vai se aproximando do coração do público. Alguém duvida?

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EFEITO TARUMÃ

TEMPORADA DE 2010 É A MAIOR A

ND2 revelou os primeiros líderes de 2010 no 4º Campeonato da Associação Desafio. Alex Machado e seu Chevette AP Turbo, vencedor no nível de tempo 8s sai na liderança, seguido de perto pelo grupo que compõe o TOP 10 na competição.

A

inda não chegamos à metade desta temporada (começou apenas no segundo semestre) e este já é o maior campeonato realizado pela AD, considerando a afluência de público e o número de competidores que já estiveram na pista este ano. A parceria com o Racha Tarumã deu grande resultado, e mostra a força deste evento. Olhando um pouco mais fundo, a evolução na parte técnica foi muito grande. A mistura de carros de escolas diferentes puxou o nível geral para cima.

S

ão 245 participantes que estiveram em uma das duas etapas (ou ambas) realizadas e pelo menos 20 ainda têm grande chance de fazer uma ótima temporada. Em especial, os 10 primeiros colocados que estão separados no máximo por sete pontos. Este é um número fácil de descontar, como pode ser demonstrado nos anos anteriores.

É

importante que os leitores entendam a mecânica deste campeonato, que busca o vencedor entre aqueles que fizeram a melhor temporada possível. A cada prova são três passadas cronometradas obrigatórias valendo pontos e nenhum resultado pode ser descartado.

E

m Tarumã, temos 12 níveis de tempo em disputa: 13s/ 12.5s/ 12s/ 11.5s/ 11s/ 10.5s/ 10s/ 9.5s/ 9.0s/ 8,5s/ 8.0s e Livre. Basicamente todo carro que existe, específico de arrancada ou não, se encaixa neste formato, o que torna o campeonato muito acessível, e possibilita uma disputa real para quem for determinado a vencer em algum segmento.

A

vitória em qualquer dos níveis de tempo dá direito a um bônus de cinco pontos, que se soma aos pontos obtidos de acordo com o tempo que o carro consegue na prova. Quanto mais baixo (mais rápido), mais pontos um competidor faz. Como cada uma das três passadas pode render igual número de pontos, a perda de uma delas implica em um grande prejuízo para o piloto.

E

ste sistema busca fazer com que os carros se apresentem bem frente a seu público, e ressalta a capacidade e confiabilidade mecânica em contraposição aos carros que até fazem bons tempos, mas quebram e assim esvaziam a prova e a competição. Além disso, quem estabelece primeiro a melhor reação da noite, recebe um bônus de 10 pontos, que pode fazer a diferença na hora da decisão.

A

vitória em um nível de tempo dá direito a um prêmio oferecido pelos patrocinadores parceiros da Associação Desafio, que também participam da premiação para os campeões da temporada.

C

om estas regras, que são simples em sua formulação, a AD conseguiu fazer uma competição árdua e disputada até os últimos momentos. Nos anos anteriores, o título foi decidido nas últimas passadas na pista - e não se espera uma situação diferente em 2010.

U

m retrato disso é a diversidade que existe entre os primeiros classificados. Modelos diferentes, de níveis de tempo diferentes estão entre os TOP10 do campeonato. Chevette Turbo Ap, V8s, Astra 4turbo, Fusca AP turbo, Fiat147Fiasa e uma Caravan 6turbo compõe,] m este grupo tão diferente entre si, mas tão próximo na soma dos seus resultados. E , encostado neles, um carro nacional da última geração, um Civic SI Nitro.

Classificação no campeonato: 1 - Alex Machado: 40.559

6 - Leonardo Flores: 34.752

2 - Diego Zottis: 35.32

7 - Rafael Pires Grillo: 34.312

3 - Alexandre Kroeff : 35.25

8 - Gustavo Stock: 33.669

4 - Sérgio Fontes: 35.104

9 - Paulo Rebelo: 33.622

5 - Bruno Pianca: 35.097

10 - Marcos Anderson: 33.359

Confira a tabela completa em: www.categoriadesafio.com.br/tabela

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Livre: Paulo Rebelo (+5)

8,0s: Alex Machado (+5)

8,5s: Rafael Andreis (+5)

9,0s: Allan Pasa (+5)

9,5s: Luciano Senhem (+5)

10,0s: Marcelo Cardoso (+5)

10,5s: George Balparda (+5)

11,0s: Roberto Ramos (+5)

11,5s: Luan Bartolo (+5)

12,0s: Maicon de Carli (+5)

12,5s: Douglas Rocho (+5)

13,0s: Jonas Postal (+5)

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Mazzzáá !!!

Que acelera!

O

TOP16 é uma competição que tem sua própria história. É único no Brasil, e só nele podemos ver os 16 carros mais fortes e eficientes de um evento se enfrentando diretamente. Para quem conhece, lembra um pouco Pinks All Out mas é ainda mais livre e mais imprevisível em seus resultados. 30

A partir da ND2, a recompensa aos vencedores do grupo é em dinheiro, ali, ao

vivo, na hora, na pista para que nem público nem pilotos tenham dúvida de quem é o vencedor. Esta é uma ideia antiga da AD - digo que está no seu DNA - e que encontrou no diretor de Tarumã, Marcio Pimentel, um promotor de eventos com a coragem de fazer acontecer. Essa é a verdadeira paixão pela competição.


Conto tudo isso para quem está longe poder sentir o “clima”, que era quente, mesmo com a tradicional noite fria de Tarumã. Conforme a lista de inscrições antecipada foi se completando, víamos carros de grande qualidade e que vinham precedidos de sólida reputação. E esta é uma das características mais enraizadas da arrancada: o prestígio e o fascínio de carros, pilotos e oficinas que a comunidade da performance reconhece como fortes e vencedores. Durante os treinos livres e depois, na classi-

ficação para o campeonato e TOP16, começaram as definições. Alguns - mesmo estreantes nesta competição - confirmaram o que se esperava deles e surgiram com força neste cenário onde se você quer ser vencedor, tem de encarar qualquer adversário. O tratamento da pista com o composto aderente (VHT) da LUCXIS Química foi decisivo, e os tempos caíram. Tudo o que se fala sobre a não aderência do piso de Tarumã foi colocado em um nível secundário e muitos recordes pessoais foram superados.

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A

lista dos classificados mostrou que este era o melhor TOP até hoje:

1- Paulo Rebelo - Chevette AP Turbo 2 - Alex do Rego Machado - Chevete Turbo 3 - Alexandre Kroeff - Maverick V8 Aspirado 4 - Douglas Carbonera - Opala SS6 5 - Adriano Viganigon Dodge Charger Bi-turbo (Bulls Eye) 6 - Bruno Pianca- Fusca AP Turbo 7 - Rafael Pires Grillo - Astra belga 16v Turbo Nitro 8 - Rafael Andreis - Eclipse 4x4 turbo 9 - Johelmar Brum de Souza - Gol Turbo (de radiais) 10 - Sérgio Fontes - Gol Turbo 11 - Leonardo Flores - Fusca AP Turbo 12 - Gustavo de Almeida Stock - Fiat FIASA Turbo Nitro 13 - Dionatan Cantarelli da Silva - Gol Turbo 14 - Rodrigo Kingeski dos Santos - Gol Aspirado 15 - Rodrigo Pulita - Dodge Nitro 16 - Allan Pasa - Dodge Aspirado

E

sta, com certeza, é uma lista de respeito e nem o mais inveterado jogador ia querer botar dinheiro em um palpite.

M

as nem todos puderam entrar na pista para disputar o dinheiro da eliminatória. Allan Pasa e Adriano Viganigon, que vieram de cidades mais distantes (Pasa veio de Bento Gonçalves) tiveram de pegar a estrada para voltar. O público e quem gosta de arrancada lamentou, pois os dois carros são um show à parte.

O

utro carro muito forte - já venceu um TOP16 no Velopark- que ficou de fora foi o Astra belga de Rafael Grillo. Um selo de água do cabeçote caiu quando ele ligava o carro para levar para o alinhamento, e terminou com a sua noite. Não acharam o selo nem para tentar colar... mesmo assim, Rafael estava satisfeito porque tinha uma das melhores marcas de 60 pés da noite, no piso em aclive e com um tração dianteira. E sabe que a próxima ND3 já está no horizonte.

C

omo já é tradicional, os lugares foram preenchidos pelo classificados imediatamente abaixo em condições de competir, e os V8 assumiram novamente suas posições no grid. Sua velocidade e confiabilidade sempre os coloca nos TOP20 em um grupo de mais de 130 carros - sendo a maioria turbos.

C

om tudo preparado, pudemos ver figuras conhecidas. Paulo Rebelo, Sergio Fontes, Alexandre Kroeff, Gustavo Stock, Leonardo Flores, Rafael Andreis. E agora também Alex Machado e Bruno Pianca, além do estreante em TOP16, Douglas Carbonera (veterano em campeonatos nacionais). Na outra ponta, Luciano Senhen, Diego Zottis, Rodrigo Kingensky, Rodrigo Pulita, Jhoelmar Brum, Gilberto Quadros e Dionatan Cantarelli.

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E

ste foi o melhor grupo reunido em um TOP16 até esta data. Veloz, com qualidade, carros legais, uma síntese do que se espera de uma prova de arrancada. No início do TOP, as coisas correram com certa tranquilidade e venceram os big dogs. Carbonera, Fontes, Andreis, Rebelo, Kroeff, Stock e Pianca passaram por seus adversários. Ainda assim, não era, de maneira alguma, algo certo e previsível a vitória conquistada por Sérgio Fontes em cima do Fusca de Flores. E ainda estabeleceu uma nova marca para os tração dianteira com 7.9 nesta puxada.

C E

omo ocorre desde o primeiro, em TOP 16 só é certo que nada é certo...

tudo começa a mudar rápido. O Opala SS Laranja venceu, mas está fora, não volta para pista e corre a notícia de que a embreagem o deixou na mão. O Eclipse 4x4 que venceu seu primeiro adversário e era candidato à vitória também está fora com um problema de motor que não pode solucionar.

A

equação muda, mas o que vemos? Fontes, Kroeff, Stock, Alex Machado, Rebelo e Pianca. Veteranos da AD X veteranos do Racha. E isso não foi por acaso, pois ao longo do tempo, aqui no sul, aprendemos que estas são as competições que prezam a vitória, e quem participa delas aprende a lutar para vencer. O que já era emocionante passa para o estágio de sem palavras. Alguém aí está pensando:”não é bem assim, está exagerando”... mas o que dizer de um confronto entre o V8 mais acertado da noite e um Fiat 147 1.5 Fiasa? Vou esperar uma explicação dos teóricos de plantão. Enquanto ela não chega, vemos um Davi contra Golias encarando juntos o pinheirinho. Quem não conhece, fica imaginando como alguém deixou aquele 147 alinhar ali...

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roeff, que não é bobo, reage melhor e sai em vantagem. Stock “dorme” um pouco na reação e isso lhe custa a oportunidade de aumentar sua fama. O tempo dos carros é praticamente igual, a pilotagem fez a diferença, e o Maverick vai à frente, enquanto o piloto do Fiat vira público. Alexandre (o piloto) matou o Fiat... desta vez.

A

competição continua, o show não vai parar, e agora vem algo que era realmente esperado: a “revanche” de Fontes e Rebelo. A repetição da final anterior, na semifinal definida pela combinação da chave. Sem dúvida, esta era a disputa esperada para a noite - e aconteceu mesmo. Antes de contar esta disputa, tenho de fazer uma pausa.

E

ste TOP16 foi o primeiro a premiar em dinheiro. Cada vitória dava ao competidor R$100,00 e um bônus de R$300,00 reais na vitória final. Foi amplamente anunciado e muito comentado. Mesmo assim, quando os pilotos começaram a vencer e a receber, ali na pista, eles não acreditavam... A coisa mais engraçada e emblemática que ouvimos naquela noite aconteceu quando Márcio Pimentel (administrador do Autódromo e promotor do evento) foi entregar o prêmio a um piloto e ele, olhando incrédulo, nos perguntou: “é sério mesmo ou tenho de devolver quando terminar?”

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T

V

O

ssa foi a demonstração mais clara que pude testemunhar de quanto o reconhecimento do valor de uma vitória está longe das pistas brasileiras de arrancada. É um compromisso da ND, Racha Tarumã e Associação Desafio continuar trabalhando para mudar esta situação.

oltando a Rebelo e Fontes, posso dizer que este confronto foi uma batalha. O Fontes que conheço é um cara organizado e persistente. Tem suas convicções e se guia por elas, não é de desistir fácil. Está novamente em uma semifinal e, se um desavisado das coisas daqui olhasse apenas a classificação, poderia pensar que ele seria eliminado rapidamente. O que seria um grande erro de avaliação.

N

a pista ao lado, Paulo e seu Chevette APTurbo. Estive nas sextas feiras do Racha e vi Paulo e seu time trabalhando, testando novas configurações de injeção, novo combustível e onde poderiam fazer o carro render mais. Conversando com Paulo, ele explicou que estavam trabalhando para vencer, e que o pessoal estava motivado. Se vencessem, iriam terminar uma obra em sua oficina e fazer um churrasco para os amigos . Antes do TOP16, a equipe do Chevette se manteve reunida em volta do carro, e lembravam um pouco integrantes de uma seita com uma missão... É uma brincadeira, mas muitas pessoas viram e tiveram a mesma sensação.

A

hora chegou, os carros alinhados, a revanche é agora. O pinheirinho cai e o Chevette salta, engata a segunda e salta novamento, o primeiro trecho é fulminante. Desta vez, o Gol não tira nada da cartola e não consegue acompanhar, não tem espaço para recuperar terreno. Vitória inesquecível de Paulo Rebelo.

A

gora o jogo entre os dois pilotos está 1 x 1 e, a julgar pelo empenho dos dois, não ficará assim por muito tempo.

E

sta foi a semifinal que valeu como uma final! Mas ainda não acabou, e a outra semi tem o Maverick de Alexandre e mais um Chevette Turbo, de Alex Machado. Um veterano e um estreante em TOP 16, (com uma equipe de pai e filho que vem vindo com força durante a noite).

udo pronto no alinhamento e vai acontecendo uma discussão sobre quem seria o favorito. Muitos apontam a habilidade de Kroeff - que entendeu como superar a inclinação de Tarumã - seria um fator de decisão. Além disso, ninguém lembra de um erro dele em uma disputa. pinheirinho cai e o Chevette larga com a reação melhor, mas o Maverick recupera o espaço e nos 100m já está um pouco à frente e vai superando... mas aí Kroeff erra uma marcha! Perdeu... o imprevisível está de volta, e ele vai pra casa mais cedo.

N

a final, dois Chevettes Turbo, modelo hatch. Algo que nem se vê mais nas ruas, algo com a mesma possibilidade de ter todos os ases do baralho em uma mesma mão! Bem-vindos ao TOP16.

O

s dois carros são rapidamente alinhados para final e fica um pensamento: “será que Paulo não sacrificou o carro para vencer Fontes?” Faltam poucos minutos para todos saberem.

Q

uando o pinheirinho cai pela última vez na noite, a disputa que seria apertada se desfaz. Alex, pressionado, queima e o Chevette de Paulo é novamente o vencedor. E com um tempo bom mesmo assim.

M

as onde está ele? O Chevette demora e quando surge, vem rebocado pela Saveiro de serviço de Tarumã. “O que houve?”, perguntamos. “ Deu problema de junta” responde Paulo... e complementa, “junta tudo e bota fora” e sai caminhando em direção às fotos, troféus e dinheiro com o sorriso que quem já venceu sabe qual é.

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erto de onde estamos, vejo Rafael (Astra Belga 888), olhando tudo, ali no centro da pista, cercado pelo público da arquibancada e do pit lane, sentindo o clima de uma arena de competições verdadeira e, feliz, me sai com essa: “bah, tô dentro do meu sonho, olha só, parece Pinks, mas é aqui, é melhor, é nosso, é de verdade!”.


DICAS PARA INICIAR NA ND Q

uando pensamos em andar mais rápido, geralmente a primeira ideia que temos é mexer no motor. E com certeza essa ideia está certa! Mas dar aquela envenenada custa dinheiro e requer pelo menos um pouco de planejamento. Felizmente existem diversos outros detalhes que não estão diretamente relacionados com a preparação do motor, dos quais qualquer piloto, seja ele profissional, amador ou de final de semana, pode se aproveitar para melhorar seus resultados na pista.

O peso é o inimigo

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carro possui diversos equipamentos que são importantes para o uso nas vias públicas, mas não na pista de competição. Exemplos disso são o estepe, o macaco e as ferramentas. Quem quiser perder mais peso ainda na dieta, pode retirar também peças como o banco do passageiro, o banco traseiro, equipamentos de som e assim por diante. Todas essas são peças que podem ser retiradas para a prova e recolocadas para posterior uso normal do carro. Pilotos mais envolvidos podem chegar ao ponto de retirar o carpete, as forrações, as caixas de ventilação, os consoles e o próprio painel do veículo. Alguns retiram o tanque original e substituem-no por um menor, que além de mais leve carrega também menos peso em combustível. Outra modificação bastante popular é a troca dos vidros por chapas de policarbonato, também conhecido como Lexan, que é um material mais leve e mais seguro que o vidro em caso de acidentes.

Potência não é tudo

C

omo já dizia uma antiga propaganda, de nada adianta ter potência e ser incapaz de controlar. Não faz sentido investir uma fortuna em motor e colocar pneus inadequados. Para os carros mais potentes o ideal são

os pneus tipo drag slicks que são oferecidos por marcas como Hoosier, M/T, Black e Goodyear. Esses pneus são utilizados somente em pista. Mas existe outro tipo de pneu chamado street drag, que é quase tão bom, mas pode ser utilizado também na rua. São comercializados por marcas como Hoosier e M/T. Abaixo desses, temos os pneus conhecidos como “composto R”, que são pneus de rua com construção esportiva. Entre esses estão os famosos Advan da Yokohama, os Toyo R888, Kumho Ecsta entre outros, cuja vantagem é um composto de borracha que dura menos que um pneu comum, mas oferecem melhor tração.

A garrafa mágica

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xiste uma forma de aumento de potência que não envolve a preparação do motor propriamente dita, que é a injeção de óxido nitroso. Essa alteração pode ser feita em qualquer motor, seja original ou com preparação pesada e é a forma mais barata de ganho de potência que existe. Ao apertar de um botão, você pode aumentar a potência em 60, 80, 150 ou até 200 cv. Tudo depende de quanto seu motor pode aguentar. O kit nitro pode ser facilmente instalado em qualquer oficina ou até mesmo em casa , e quando corretamente calibrado o risco de quebra do motor é bastante reduzido.

E

ssas técnicas são ferramentas que podem ser utilizadas por qualquer piloto e, com dedicação, os resultados podem ser impressionantes permitindo, por exemplo, que carros de uso diário possam competir contra veículos bastante preparados. Na próxima ND, fique de olho nos truques dos melhores pilotos e confira seus tempos de pista! Vicente Queiroz

Fiat 147 da equipe Casa da Vó: Motor turbo com miolo original, pneus Black, nitro, vidros em Lexan e alívio de peso

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NATAL TEM QUE TER

PINHEIRINHO

4 e5

NOITE DO DESAFIO

17 E 18 DE DEZEMBRO ~ RETA DE TARUMA

TOP 16 CARROS TOP 8 MOTOS PREMIAÇÃO EM DINHEIRO

FINAL DO CAMPEONATO AD CRONOMETRAGEM PRODUPARK

CADEIRA ELÉTRICA COM NOVO GOL ENCERRAMENTO DE 2010 COM SHOW DE FOGOS


ATITUDE!


ATITUDE!


PIONEIROS DO RACHA

S

empre gostei de carros, principalmente dos preparados, este gosto deve estar no DNA, pois meu avô já tinha esta paixão e meu pai idem.

L

embro dos idos dos anos 80, quando havia um fusquinha vermelho, o “fusca do Milico” que aterrorizava a cidade na região onde eu morava, em frente ao Rib’s (lanchonete tradicional onde o pessoal se encontrava para depois ir acelerar). Eu tinha 11 ou 12 anos, e aquele fusca era idolatrado por mim e pela gurizada do bairro em peso.

O

s anos passaram e em 1991, quando tive meu primeiro carro, já comecei a alterar o desempenho e o visual, era um Fiat Prêmio 91 azul, que com duas semanas de uso simplesmente desmanchei em um acidente na Av. Carlos Gomes, quando voltávamos do “beco” daquele jeito... foram 7 carros envolvidos.

P

assados os seis meses do “castigo”, comprei um Gol GL ano 1.8, 92, e logo decidi que queria turbinar o bólido. Algumas informações e indicações obtidas pela cidade, e logo estava eu na Mecânica Becker, na Av. Assis Brasil. Lá encontrei o André, aquela pérola da educação e da humildade que todos conhecem, mas que no fundo é um grande cara, um grande amigo até hoje. Posso afirmar que aprendi muito com ele sobre carros e motores, pelo que sou eternamente grato.

A

pós algum tempo de conversa, qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o tal fusquinha vermelho era dele, e estava guardado lá na oficina. As lembranças do tempo de moleque imediatamente surgiram na minha cabeça e a partir daí, nunca mais se foram...

P

ara minha sorte, no ano seguinte, em 1993, recomeçaram a produção do Fusca e aí comecei a minha odisseia para montar um Fusca aspirado igual ao “do Milico”. Foram mais dois anos e meio até eu conseguir, através do Consórcio Nacional VW, ser sorteado e comprar o tão sonhado Fusca.

L

ogo comecei a planejar a viagem aos EUA para comprar tudo que selecionamos para o nosso projeto e no fim de 1996 estávamos com todas as peças na mão para montar o carro. Em 1997 o carro ficou pronto, e na primeira volta na quadra, é claro que o câmbio original pediu demissão sem cumprir o aviso prévio, mais três meses de espera para poder andar de novo.

A

lgum tempo depois de o carro estar andando novamente, surgiu o Racha, e para ver se o bichinho andava mesmo, resolvi levar lá pra ver. Era uma diversão, todo o pessoal da região reunido, pouca iluminação na subida da reta, muita adrenalina e o melhor: nenhuma preocupação

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com ter que sair correndo pra não ser preso... ia dirigindo o fusca pela Freeway até o autódromo, acelerava várias vezes e depois ia embora dirigindo novamente.

C

om o tempo, a coisa começou a ficar séria e algumas das “rixas” da época foram parar lá na reta na sexta à noite. Isso fez com que o evento tomasse um outro rumo, e desenvolvesse mais ainda o caráter social da coisa: tentar tirar das ruas as corridas ilegais.

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esta época, trocamos de gasolina para metanol, comprei um par de M/T e ia para Tarumã rebocando o carro numa carretinha alugada (pegava na sexta à tardinha e devolvia no sábado bem cedo), era um programa semanal, intransferível.

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uma destas oportunidades, havia um piloto andando com uma moto CBR-1000, subindo a reta acelerando ou “na roda” e tal, e eu lá, acelerando o Fusca contra todo o tipo de carro, e vencendo todas, até que o inevitável aconteceu, o cara parou do meu lado e disse algo tipo: “Vamos ver como fica o Fusca com a moto..?”...na hora pensei: “Putz, agora ferrou, essa moto vai acabar com a brincadeira..”, mas aí imediatamente me pareceu que seria legal, pois a moto vencendo, seria o óbvio.

A

linhamos (naquele tempo era lomba acima o negócio), e assim que a luz verde acendeu saí com tudo o que tinha e o cara da moto acho deu uma dormida no sinal, sei lá... e toda a galera nos boxes e na arquibancada estava de pé, esperando pra ver como seria (e tava cheio naquele dia)...1° no corte, 2° no corte, e todos pensando: agora a moto vem que é um raio, 3° de pé no talo e nada da moto vir, quando coloquei a 4° e não vi a moto passar pensei: “agora não dá mais magrão, já era”. Foi muito legal, o Fusca passou cerca de 20 ou 30 metros na frente e a galera veio abaixo.

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u estava lá entre as curvas 1 e 2 fazendo o retorno e ainda ouvia a galera e o Perna berrando lá na reta. O cara da moto parou ao meu lado todo atrapalhado e falou: “Ei, minha viseira embaçou e não consegui acelerar, vamos de novo...!?” E eu pensei:”Pô, esse cara subiu a reta 10 vezes na roda, acelerou a noite inteira e só nessa puxada que embaçou a viseira..??” Aí falei pra ele: “OK, vou ali no box abastecer e a gente vai de novo na próxima.(Na próxima encarnação !!!)

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izem que na semana seguinte tinha umas 30 motos daquele tipo lá no Racha querendo o fígado do tal Fusquinha. Abraço !! Rodrigo Cohen


Este é bala!

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Revista Acelera! 1  

Edição número 1 da revista do Racha Tarumã. Setembro / outubro de 2010, 44 páginas.

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